Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11080.914857/2012-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.297
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.914857/2012-24
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647908
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.297
nome_arquivo_s : Decisao_11080914857201224.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080914857201224_5647908.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6545100
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688477077504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.914857/201224 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.297 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Contribuições. Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.836, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 57 /2 01 2- 24 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914857/201224 Acórdão n.º 9303004.297 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914857/201224 Acórdão n.º 9303004.297 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 234DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003204/2003-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA.
No período compreendido entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001 não havia previsão legal para excluir-se da base de cálculo do PIS, composta pela somatório das receitas, aquela relativa às contribuições para os planos assistenciais, que não se equiparam às reservas técnicas daquelas instituições.
Numero da decisão: 9303-004.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e o Conselheiro Demes Brito.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA. No período compreendido entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001 não havia previsão legal para excluir-se da base de cálculo do PIS, composta pela somatório das receitas, aquela relativa às contribuições para os planos assistenciais, que não se equiparam às reservas técnicas daquelas instituições.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.003204/2003-14
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5666249
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.359
nome_arquivo_s : Decisao_10166003204200314.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10166003204200314_5666249.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e o Conselheiro Demes Brito. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6596814
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688495951872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.003204/200314 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.359 – 3ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2016 Matéria PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS ASSISTENCIAIS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POSTALIS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA. No período compreendido entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001 não havia previsão legal para excluirse da base de cálculo do PIS, composta pela somatório das receitas, aquela relativa às contribuições para os planos assistenciais, que não se equiparam às reservas técnicas daquelas instituições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e o Conselheiro Demes Brito. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 32 04 /2 00 3- 14 Fl. 1226DF CARF MF 2 Relatório A Fazenda Nacional recorre da decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, acórdão 20310.315, que considerou improcedente exigência de PIS sobre as receitas assistenciais formalizada por meio de auto de infração lavrado contra a recorrida, uma instituição fechada de previdência. No entendimento do colegiado, como ficou expresso na ementa do julgado, "justificase a exclusão das receitas assistenciais (receitas técnicas) da base de cálculo da exação, por força do disposto no inciso V do art. 1º da Lei 9.701/98". Para chegar a tal conclusão, o relator traçou um histórico da regulação do setor, de modo a concluir que tais parcelas teriam a mesma natureza das reservas técnicas cuja exclusão é expressamente admitida. Em seu recurso, a Fazenda alega que a decisão, tomada por maioria, contrariou as seguintes disposições legais: art. 111 do CTN, art. 1º, V da Lei 9.701 e arts. 2º e 3º caput e §§1º, 2º e 6º todos da Lei 9.718. Ele encontra fundamento, portanto, no art. 7º, inciso I do Regulamento dos Conselhos de Contribuintes vigente à época de seu ingresso (abril de 2009). Isso porque, em seu entender, deu uma aplicação extensiva à exclusão de "reservas técnicas" legalmente admitida. Combate ainda o alargamento da base de cálculo embora não tenha este servido de fundamento à decisão. Admitido por despacho às efls. 1145, foi objeto de contrarrazões pela recorrida, que pugnam pela manutenção do julgado por seus próprios fundamentos. Houve também recurso do contribuinte, mas a este foi negado seguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Como relatado, temos mais um recurso "por contrariedade à lei", que era expressamente previsto nos regimentos que antecederam àquele baixado pela Portaria 256/2009, mas que se mantém para decisões proferidas até aquela data (art. 4º do atual RICARF). Para sua admissibilidade basta que a decisão tenha sido nãounânime e que seja referida, no recurso, a legislação supostamente contrariada. Esses requisitos estão preenchidos no caso em análise, de modo que cabe conhecer do recurso da Fazenda. E, a meu ver, darlhe provimento. É que a decisão contestada promoveu, a meu sentir, indevida equiparação das receitas ora em discussão às reservas técnicas que, como se sabe, têm expressa previsão para serem excluídas da base de cálculo do PIS. Com efeito, o relator, após traçar um histórico da legislação previdenciária, com relevo na Lei 6.435/77, arts. 1º1, 6º2 e 393, e na Lei 1 Art. 1º Entidades de previdência privada, para os efeitos da presente Lei, são as que têm por objeto instituir planos privados de concessão de pecúlios ou de rendas, de benefícios complementares ou assemelhados aos da Previdência Social, mediante contribuição de seus participantes, dos respectivos empregadores ou de ambos. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10166.003204/200314 Acórdão n.º 9303004.359 CSRFT3 Fl. 3 3 Complementar 109/2001, especialmente seu art. 764, conclui que "(t)al regra está a demonstrar que até o advento da Lei Complementar 109/2001, o regime aplicável às verbas relativas aos planos de previdência e de assistência à saúde era único". Com todas as vênias, não vejo o porquê. Deveras, mesmo com o maior esforço exegético, tudo que enxergo nos dispositivos legais por ele elencados é, primeiro, um reconhecimento de que tais entidades sempre puderam operar planos de assistência, inclusive financeira, e que mesmo após a entrada em vigor da LC, que revogou expressamente a primeira, tal possibilidade continuou no que tange a planos de assistência à saúde e apenas para aquelas que já os operassem naquela data. De tudo isso, a meu ver, tudo o que se pode concluir é que entidades que foram criadas depois da LC não podem, o mesmo valendo para aquelas que já existiam mas não tinham planos assistenciais em seus estatutos. Aliás, a própria exigência da LC para existência de um plano de custeio próprio para tais planos de assistência ou seja, distinto daquele relativo ao plano de previdência e de segregação contábil do seu patrimônio estão a indicar, ao contrário do que concluiu o relator, que os regimes não se comunicam. Destarte, a meu sentir, apenas se a regulamentação própria do setor incluísse expressamente tais parcelas, isto é, as contribuições destinadas ao custeio do plano assistencial, no conceito de "reservas técnicas" das entidades fechadas de previdência ou ao menos uma parte delas é que se poderia considerar que elas não integrariam a base de cálculo do PIS. Na rede mundial de computadores5 encontramos o seguinte conceito: RESERVAS TÉCNICAS São as reservas obrigatoriamente constituídas pelos seguradores, em função dos seguros contratados e como parte integrante e indispensável do mecanismo do seguro, para Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, considerase participante o associado, segurado ou beneficiário incluído nos planos a que se refere este artigo. 2 Art. 6° Não se considerará atividade de previdência privada, sujeita às disposições desta Lei, a simples instituição, no âmbito limitado de uma empresa, de uma fundação ou de outra entidades de natureza autônoma, de pecúlio por morte, de pequeno valor, desde que administrado exclusivamente sob a forma de rateio entre os participantes. Parágrafo único. Para os fins deste artigo, considerase de pequeno valor o pecúlio que, para cobertura da mesma pessoa, não exceda o equivalente ao valor nominal atualizado de 300 (trezentas) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN. 3 4 Art. 76. As entidades fechadas que, na data da publicação desta Lei Complementar, prestarem a seus participantes e assistidos serviços assistenciais à saúde poderão continuar a fazêlo, desde que seja estabelecido um custeio específico para os planos assistenciais e que a sua contabilização e o seu patrimônio sejam mantidos em separado em relação ao plano previdenciário. § 1o Os programas assistenciais de natureza financeira deverão ser extintos a partir da data de publicação desta Lei Complementar, permanecendo em vigência, até o seu termo, apenas os compromissos já firmados. § 2o Consideramse programas assistenciais de natureza financeira, para os efeitos desta Lei Complementar, aqueles em que o rendimento situase abaixo da taxa mínima atuarial do respectivo plano de benefícios. 5 http://www.igf.com.br/aprende/glossario/glo_Resp.aspx?id=2632 Fl. 1228DF CARF MF 4 garantia das suas operações. Da mesma forma, nos planos de previdência administrados por seguradoras usase o termo reservas técnicas para determinar a reserva de benefícios a conceder. Ou seja, reservas técnicas são parcelas que visam ao atendimento dos compromissos específicos de entidades que lidam, intrinsecamente, com obrigações de longo prazo, por sua própria natureza, sujeitas a grande incerteza. Toda a regulamentação do setor seguros e congêneres tem por meta assegurar a prudente administração de recursos adiantados por futuros beneficiários, de modo a reduzir aquela incerteza e, tanto quanto possível, "garantir" que os benefícios prometidos sejam, de fato, honrados no futuro. Não me parece que as receitas ora em discussão atendam a tais características. Com efeito, e a despeito de nem a autoridade responsável pelo lançamento nem a própria autuada em suas muitas peças de defesa terem definido com precisão o que é exatamente esse plano assistencial, depreendo da sucinta descrição contida no auto de infração tratarse de reembolso de despesas médicas dos patrocinados (e possivelmente de seus dependentes). A princípio, portanto, pareceriam identificáveis aos serviços prestados por operadoras de planos de saúde, para as quais, como se sabe, há também previsão específica de exclusão da base de cálculo6. Ocorre, porém, que, além de não alcançar a totalidade das contribuições, somente produz efeitos a partir de dezembro de 2001, por expressa disposição legal (art. 92 da própria MP): Art. 92. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) IV relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de: a) 1o de dezembro de 2001, relativamente ao disposto no § 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998; E isso foi, corretamente, considerado pela autoridade responsável pelo lançamento. Destarte, para o período ora em discussão, não havia previsão para excluir qualquer parcela das contribuições destinadas ao custeio do plano assistencial como feito pela decisão, que merece reforma, com o provimento do recurso da Fazenda Nacional. É nesse sentido o meu voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS 6 Medida Provisória 2.15835, art. 2º Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10166.003204/200314 Acórdão n.º 9303004.359 CSRFT3 Fl. 4 5 Fl. 1230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904932/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.349
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10865.904932/2012-59
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644395
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.349
nome_arquivo_s : Decisao_10865904932201259.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865904932201259_5644395.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6515782
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688507486208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904932/201259 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.349 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria Compensação. DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 32 /2 01 2- 59 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.260. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904932/201259 Acórdão n.º 3201002.349 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721627/2013-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2015
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. . EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado ter sido suscitado por conselheiro do colegiado o não conhecimento do recurso, porém não enfrentou o acórdão recorrido as razões que ensejaram o conhecimento.
Numero da decisão: 9202-004.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência para ciência da Fazenda Nacional dos embargos do contribuinte admitidos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que entenderam que deveria haver a conversão em diligência. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.725, de 28/1/2016, para sanar a omissão apontada quanto ao conhecimento, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2015 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. . EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado ter sido suscitado por conselheiro do colegiado o não conhecimento do recurso, porém não enfrentou o acórdão recorrido as razões que ensejaram o conhecimento.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10410.721627/2013-52
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5670344
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.634
nome_arquivo_s : Decisao_10410721627201352.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10410721627201352_5670344.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência para ciência da Fazenda Nacional dos embargos do contribuinte admitidos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que entenderam que deveria haver a conversão em diligência. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.725, de 28/1/2016, para sanar a omissão apontada quanto ao conhecimento, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6603614
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688511680512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 363 1 362 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10410.721627/201352 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202004.634 – 2ª Turma Sessão de 25 de novembro de 2016 Matéria GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA MULTA ISOLADA GFIP Embargante INDUSTRIA DE LATICINIOS PALMEIRA DOS INDIOS S/A ILPISA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2015 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. . EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, quando comprovado ter sido suscitado por conselheiro do colegiado o não conhecimento do recurso, porém não enfrentou o acórdão recorrido as razões que ensejaram o conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência para ciência da Fazenda Nacional dos embargos do contribuinte admitidos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que entenderam que deveria haver a conversão em diligência. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, reratificando o Acórdão nº 9202003.725, de 28/1/2016, para sanar a omissão apontada quanto ao conhecimento, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 16 27 /2 01 3- 52 Fl. 872DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Temse em pauta Embargos de Declaração, a fls. 354/355, opostos pelo contribuinte com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202003.725, de 28/1/2016, fls. 836/850, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2015 GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CRÉDITOS DE TERCEIROS, CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, prevista expressamente no art. 89, §10º da lei 8212/91, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, não fazendo qualquer referência a exigência de comprovação de dolo, fraude ou simulação. Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, bem como a imputação de multa isolada de 150%, quando o contribuinte insere informação falsa na GFIP, declarando créditos de terceiros sem qualquer amparo legal, o que demonstra não possuir direito líquido e certo à compensação. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitosNFLD/ Auto de Infração. A transferência de créditos mediante Escritura Pública não tem o condão de deslocar para a recorrente o ônus suportado por ocasião do pagamento indevido, de maneira a vincular o crédito de outrem ao adquirente, ou seja, o fato jurídico (crédito) com o fato gerador do exigência fiscal (débito),notadamente em face dos preceitos contidos no artigo 123 do Código Tributário Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202004.634 CSRFT2 Fl. 364 3 Nacional, o qual afasta os efeitos de convenções particulares perante as obrigações tributárias. Recurso Especial do Procurador Provido O resultado encontrase assim espelhado: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo o relatório do acórdão embargado, apenas complementandoo na matéria pertinente aos propositura dos embargos. Tratase dos Autos de Infração identificados pelos DEBCAD nº 51.038.9856 e 51.038.9864, lavrados em nome da Indústria de Laticínios Palmeira dos Índios S/A ILPISA para a constituição do crédito tributário relativo aos seguintes valores: a) AI (DEBCAD nº 51.038.9856): Glosa da compensação declarada em GFIP no período de janeiro de 2009 a abril de 2011; e b) AI (DEBCAD nº 51.038.9856): Multa isolada de 150% devida em razão de falsidade na declaração. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de janeiro de 2009 a abril de 2011, a compensação de uma parte dos valores devidos a título de contribuição previdenciária. Assim, descreveu o auditor: [...] Ainda conforme o relatório, em decorrência deste procedimento, o valor das contribuições previdenciárias que o contribuinte deveria pagar em cada um destes meses foi reduzido, uma vez que uma parte dos valores devidos teria sido quitada por meio da compensação realizada. Em sessão plenária de 02/12/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301004.234 (fls. 786 a 797), assim ementado: [...] O processo foi encaminhado à PGFN em 05/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 798) e, em 09/03/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 799 a 807 (Despacho de Encaminhamento de fls. 808), com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Fl. 874DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 810 a 815. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: · A aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº. 9.430/96. · A análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%. · No caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza. Nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais. Uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de incidência prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que, repita se, não exige dolo do agente. · Ressaltese que o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...)VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. (Grifos nossos) · Assim, ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. · Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o r. acórdão no ponto impugnado, restabelecendose a exigência da multa isolada. Foram apresentados contrarrazões, fls. 820 a 827, onde, em síntese o contribuinte argumenta: A Lei 8.212/91, em seu artigo 89, S100, prevê que na hipótese de compensação indevida, quando se comprove a falsidade da declaração apresentada, o contribuinte estará sujeito à multa isolada no percentual previsto no inciso I, do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96, porém, somente nos casos de evidente intuito de fraude, previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n º4.502/64(...) No entanto, para que ocorra a incidência de tal penalidade, é completamente indispensável que exista a comprovação da fraude. Ora Excelência, não pode a Recorrente simplesmente alegar a existência de dolo por parte da Recorrida, sem se quer, fazer prova do que alega. O paradigma juntado pela recorrente Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202004.634 CSRFT2 Fl. 365 5 (Acórdão nO 2403 001.294, proferido pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF) é imprestável para comprovar o que alega, haja visto que a decisão trazida diz que "COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INIDONEIDADE DA DECLARAÇÃO 00 SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado." Ora, não há qualquer constatação de inidoneidade no processo como um todo. Além do mais, em sede de recurso especial não se discute matéria de fato, mas apenas tema de direito, pelo que a matéria se encontra preclusa quanto a esse ponto, o que fulmina a pretensão da recorrente quanto ao pedido. Logo, resta claramente comprovado que não há qualquer falsidade nas declarações prestadas pela Recorrida, uma vez que, o crédito utilizado pelo contribuinte, apesar de não aceito pela Receita Federal do Brasil, não se origina de fraude ou simulação, mas sim de sentença judicial. Ao final, pede que seja negado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda. Nos Embargos Declaratórios o Contribuinte alega omissão tendo em vista que, quando do julgamento houve amplo debate relacionado ao não preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial, tanto que os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Martinez Lopez votaram pelo não conhecimento do recurso. Requer o embargante, ao final, que o Colegiado enfrente a matéria sobre o conhecimento e por fim, se decidir que não há identidade fática e jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas, que se atribua efeitos infringentes a estes embargos para alterar o resultado do julgamento para não conhecimento do recurso. É o relatório. Fl. 876DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo, inicialmente, atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 868/870. Assim, passemos a apreciálo para em concordando com os termos do despacho proferido, passar a apreciar o mérito da questão. Da Análise Dos Embargos A Embargante alega omissão no Acórdão de Recurso Especial 9202003.725, de 28/1/2016, fls. 836/850, sob a alegação de omissão, tendo em vista que: "quando do julgamento houve amplo debate relacionado ao não preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial, tanto que os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Martinez Lopez votaram pelo não conhecimento do recurso." Destaca que, ao examinar o acórdão, não foi enfrentado devidamente pela relatora a identidade de situações fáticas e jurídicas entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados para embasar a admissibilidade do recurso. Requer o embargante, ao final, que o Colegiado enfrente a matéria sobre o conhecimento e por fim, se decidir que não há identidade fática e jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas, que se atribua efeitos infringentes a estes embargos para alterar o resultado do julgamento para não conhecimento do recurso. Compulsandose o inteiro teor do relatório e voto condutor do acórdão embargado, constatase que não foi suscitado, em sede de contrarrazões, qualquer questão acerca do não conhecimento do recurso especial, razão pela qual não foi trazido pela relatora, para julgamento, a apreciação pormenorizada do conhecimento. Contudo, ao ser suscitado e discutido por conselheiro componente do colegiado o não conhecimento do recurso, deveria esta relatora ter incluído em seu voto, objetivamente, as razões pelas quais, para ela, e para maioria do colegiado, encaminhouse pelo conhecimento, fato este que merece ser esclarecido no acórdão recorrido. Diante do exposto, entendo devam ser admitidos os presentes embargos. do Mérito dos Embargos Logo de início merece ser destacado ab initio que o apelo questionado consubstanciase em Recurso Especial de Divergência, previsto nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo por objetivo precípuo a uniformização de dissídio jurisprudencial eventualmente verificado entre as diversas Turmas do CARF, assim entendido a diversidade de interpretações conferidas à lei tributária e adotadas por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF em situações fáticas similares. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202004.634 CSRFT2 Fl. 366 7 Para que tal divergência jurisprudencial seja reconhecida, tornase necessário que as situações fáticas em que proferiu as decisões recorrida e paradigma sejam semelhantes, não necessariamente idênticas, de maneira que tal semelhança seja suficiente para se assegurar que a diversidades de decisões tenha decorrido, tão somente, da interpretação da legislação tributária, sem influência de eventuais dissemelhanças fáticas entre as situações retratadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigmas. Considerando o questionamento acerca da admissibilidade, mesmo que não trazido em sede recursal, mas discutido e inclusive levado a alguns conselheiros a não conhece lo, passo a apreciar a questão nos moldes trazidos pelo despacho de admissibilidade, considerando que entendo ter sido tratado da maneira adequada. O Resp visa a reapreciação do resultado, assim ementaado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2011 Ementa: GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Andréa Brose Adolfo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em negar provimento ao recurso, nesta Fl. 878DF CARF MF 8 questão ; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas demais questões constantes do recurso. Segundo a Fazenda Nacional, o decidido no acórdão recorrido acerca da exclusão da multa isolada pela não caracterização da fraude/dolo, como conceituada no artigo 72 da Lei n.º 4.502/1964, diverge claramente do paradigma adotado Acórdão nº 2403001.294, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa segue abaixo “Processo nº 10235.001242/201009 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2403001.294– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 31/05/2010 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTOS EM UM MESMO PROCESSO. Na forma do § I do artigo 9° do Decreto 70.235/72, admitese a formalização de processo único, para mais de um auto de infração lavrados contra o mesmo sujeito passivo, se a comprovação do ilícito depender dos mesmos elementos de prova. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INIDONEIDADE DA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado. (Grifos nossos) Para elucidar a divergência em comento, destaca o seguinte trecho do paradigma: AC 2403001.294 “Relatório “ A U T U A Ç Õ ES Trata o presente processo de dois autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de contribuições previdenciárias (DEBCAD n° 37.299.9336) e de aplicação de multa isolada prevista no §10, do art. 89 da Lei n° 8.212/91 (DEBCAD n° 37.299.9344) compreendendo o período de agosto de 2009 a maio de 2010 (fls. 99 a 118). (...)Da Falsidade das Compensações Auto de Infração Multa Isolada • Que conforme já relatado anteriormente, a Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202004.634 CSRFT2 Fl. 367 9 Administração da Prefeitura Municipal de Santana, mesmo intimada por 4 (quatro) vezes, NÃO exibiu qualquer documentação comprobatória da existência de efetivos recolhimentos de contribuição previdenciária para o Regime Geral de Previdência Social, os quais segundo alegação do Sr. Procurador Geral do Município foram indevidamente efetuados com incidência sobre a remuneração de agentes políticos, > Que assim, foi lavrado o Auto de Infração n° 37.299.9346, para aplicação de multa isolada prevista no § 10, do art. 89 da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, em decorrência da FALSIDADE das compensações declaradas em GFIP, as quais resultaram na falta de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo Município de Santana AP ao Regime Geral de Previdência Social Referida multa isolada é aplicada no percentual de 150% sobre o valor das contribuições que deixaram de ser recolhidas em função da Falsidade das compensações. Voto (...)DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se utilizase de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. A Autoridade Julgadora “ad quod”, com argumentos sobejamente sustentáveis, os quais corroboro, decidiu pela manutenção integral do lançamento com o fundamento de que a recorrente não apresentou a documentação necessária para comprovar seu direito às compensações e que os dados nas declarações GFIPs existentes no Receita Federal demonstram uma situação exatamente inversa à alegada pela interessada, posto que o contribuinte só faz jus a compensação quando comprovada a existência de tais recolhimentos. DA MULTA ISOLADA. Na hipótese de compensação indevida em razão da imprestabilidade da justificativa apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Tudo isto exposto, é despiciendo adentrar em considerações outras posto que convencido da irregularidade praticada resta não conceder provimento às alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO NEGAR LHE PROVIMENTO.” (Grifos nossos) Ressalta que, os acórdãos divergem frontalmente quanto à aplicação da multa isolada prevista no § 10º do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 880DF CARF MF 10 Enquanto o acórdão recorrido pugna pela não aplicação da multa isolada na compensação decorrente da interpretação errônea da legislação tributária, e exige a comprovação do dolo para o efeito de aplicação da referida penalidade, o acórdão paradigma entende que o § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/1991 não exige a presença de dolo para a aplicação da multa no percentual de 150%. No julgado paradigma, está assente que a penalidade é regida pela regra geral constante do artigo 136 do CTN, onde, a responsabilidade por infração tributária independe de intenção do agente. Ademais, em explícita divergência com o acórdão recorrido, o paradigma consigna que a controvérsia sobre tese jurídica do crédito já está configurando a falsidade de declaração na compensação, uma vez que o contribuinte se ampara em créditos ilíquidos e incertos, quando o artigo 170 do Código Tributário Nacional, expressamente, exige a certeza e liquidez. Ao final, requer o provimento do recurso. O acórdão apresentado a título de paradigma foi proferidos por colegiado distinto e não foi reformado quanto à matéria recorrida, prestandose, desta forma, para análise da divergência alegada. Analisando o teor da divergência apontada pela recorrente, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial quanto ao procedimento a ser adotado para a aplicação da multa isolada, constante da redação original do §10º, do artigo 89, da Lei n.º 8.212/91, apontada pela Fazenda Nacional. De fato, para situações semelhantes, qual seja a inserção de dados incorretos na GFIP, visando a compensação de créditos tributários ilíquidos e incertos, o paradigma aplicou a multa isolada no percentual de 150%, conforme dicção do §10, do artigo 89 da Lei n.º 8.212/91, considerando que a falsidade na declaração está em inserir na GFIP, dados relativos à compensação de valores referentes a créditos ilíquidos e incertos, enquanto que a decisão recorrida excluiu a penalidade, sob o argumento de ser inaplicável nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, ou seja, quando somente declara créditos ilíquidos e incertos, sem demonstrar a conduta dolosa. Portanto, para o paradigma a conduta dolosa é a inserção de dados falsos na GFIP, o que por si só sujeita o contribuinte à multa isolada, ao passo que para o colegiado a quo, a mera informação de dados incorretos na GFIP, quanto à compensação, ainda que indevida, sem a demonstração da conduta dolosa, não acarreta a aplicação da multa isolada. Desse modo, entendo que se encontra suficientemente configurada a similitude das situações fáticas de maneira a caracterizar a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente e, estando atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, é de se DAR SEGUIMENTO ao pedido em comento. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202004.634 CSRFT2 Fl. 368 11 Procedida à análise com fundamento na Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, submeto este exame de admissibilidade ao Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF. (Assinado digitalmente) Liège Lacroix Thomasi Conselheira De acordo. Nos termos do artigo 67, do Regimento Interno do CARF, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Tendo a procuradoria feito a devida argumentação que demonstraria a divergência entre os acórdãos paradigmas e recorrido, fato esse ratificado pelo despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso, o não conhecimento por parte do colegiado, deve deixar claro em que ponto as situações são distintas, para os argumentos trazidos no Resp. Destarte, resta precisamente demonstrada a divergência jurisprudencial motivo pelo qual pugnamos pelo ACOLHIMENTO dos Embargos para, reconhecendo que se houve por demonstrado o dissídio jurisprudencial suscitado, CONHECER do Recurso Especial do Procurador. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, reratificando o Acórdão nº 9202003.725, de 28/1/2016, para sanar a omissão apontada, MANTENDO INALTERADO O RESULTADO DO JULGAMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 882DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007885/2003-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos de pagamento antecipado, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e não se conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por perda de objeto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos de pagamento antecipado, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.007885/2003-55
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5672124
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-003.501
nome_arquivo_s : Decisao_10380007885200355.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10380007885200355_5672124.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e não se conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por perda de objeto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6611898
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688546283520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 237 1 236 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.007885/200355 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303003.501 – 3ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO Recorrentes SAGANOR S/A NORDESTE AUTOMÓVEIS e FAZENDA NACIONAL SAGANOR S/A NORDESTE AUTOMÓVEIS e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos de pagamento antecipado, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e não se conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por perda de objeto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 78 85 /2 00 3- 55 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 238 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que não conheceu do recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: ASSUNTO : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 COFINS. RO. MULTA DE OFÍCIO. PERDA DE OBJETO. O acessório segue a sorte do principal e se o lançamento é considerado, no todo, indevido não há porque se analisar a aplicação da multa lançada por perda de objeto. Recurso de Ofício Não Conhecido RV. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos. MOTIVAÇÃO. O lançamento não há de ser mantido caso a motivação que o ensejou esteja equivocada. Todavia, nestes casos, não se pode afirmar que o crédito tributário lançado é indevido. Apenas a motivação o é. Recurso Voluntário Provido Cientificada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, ao qual o Presidente da Câmara deu seguimento, e suscitou a divergência em relação ao cancelamento do auto de infração eletrônico, arguindo que o principal fundamento da autuação encontravase perfeitamente caracterizado e demonstrado, qual seja, a inexistência de recolhimentos dos créditos lançados, cuja compensação se baseara em decisão não transitada em julgado, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, cujas manifestações demonstravam compreender com inteireza os fundamentos da autuação. Pleiteou, também, a Fazenda Nacional a aplicação da súmula vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, com aplicação, no presente caso, do prazo para o lançamento de ofício previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), em razão da inexistência de pagamento antecipado que pudesse atrair a Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 239 3 aplicação do art. 150, § 4º, do mesmo Código, em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Cientificado do recurso especial da PGFN, o contribuinte apresentou contrarrazões e alegou que, na interposição do recurso especial, a PGFN não demonstrara a divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972. No mérito, alegou o contribuinte a impossibilidade de modificação da fundamentação da autuação e a improcedência do lançamento, sendo absurda, segundo ele, a justificativa apontada pela PGFN de que o cancelamento do auto de infração demandaria a repetição do trabalho pelo Fisco, sob o risco de se operar a decadência. Requereu, também, a aplicação da súmula vinculante nº 8 e da regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN, considerando que a empresa detinha decisão judicial que suspendia a exigência da contribuição. Eis um trecho das contrarrazões apresentadas pelo contribuinte: É insofismável que o lançamento da COFINS ocorre por homologação, e de igual forma que esta parte apresentou corretamente sua DCTF cabendo tão somente à administração pública homologar tal declaração, restando assim completamente correto o procedimento adotado na declaração, já que este o contribuinte informou seus débitos com exigibilidade suspensa, citando o processo judicial que lhe amparava, que no momento jazia provisoriamente o direito, e que à época da lavratura do auto de infração (08/2003) já estava definitivamente constituído, visto o trânsito em julgado da decisão concessiva de direto (16/05/2003). Arguiu, ainda, o contribuinte que à época em que se operou o lançamento, não havia a obrigatoriedade do trânsito em julgado para o aproveitamento do crédito apurado, sendo que o procedimento correto que o Fisco poderia adotar seria o lançamento com exigibilidade suspensa para fins de se evitar a decadência. Além das contrarrazões, o contribuinte interpôs Recurso Especial, recurso esse também recepcionado pelo Presidente da Câmara, suscitando divergência em relação à necessidade de se observar o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN, e não o do art. 173, I, do mesmo Código. Cientificada, a PGFN apresentou contrarrazões e alegou a improcedência da declaração de decadência do crédito tributário depositado judicialmente, pois, segundo jurisprudência do STJ, havendo depósito judicial, não transcorre o prazo decadencial em face da constituição do crédito tributário por lançamento tácito, nem há a necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. É o relatório. Voto Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 240 4 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. De início, informase que será feita a análise concomitante dos dois recursos especiais, que controvertem sobre as seguintes matérias: a) cancelamento do auto de infração por ausência de motivação (Recurso Especial da Fazenda Nacional); b) prazo decadencial para o lançamento de ofício (Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte). Registrese, de pronto, que não merece guarida a alegação do contribuinte, em contrarrazões, de falta de demonstração por parte da PGFN da divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972, pois, conforme se verifica do despacho que dera seguimento ao recurso, o Presidente da Câmara se pronunciou nos seguintes termos: II Verificação dos prérequisitos para análise da admissibilidade do Recurso Especial: a) não aplicação de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais à decisão recorrida; b) houve préquestionamento, e consequentemente apreciação pela câmara recorrida da(s) matéria(s) objeto do recurso; c) a recorrente indicou e fundamentou a(s) divergência argüida, anexando acórdão paradigma de outro colegiado. III Análise da admissibilidade do Recurso Especial Seguem abaixo o(s) paradigma(s) apresentados seguidos de suas respectivas ementas: [...] Verificase, consoante inteiro teor do acórdão paradigma (fls. 164/173), que foi demonstrada a divergência quanto à consideração dos pressupostos fáticos do lançamento decorrente da apuração de falta de recolhimento em procedimento de auditoria interna em DCTF, na qual consta declaração de compensação/exigibilidade suspensa em face da existência de determinado processo judicial. Portanto, dou seguimento à matéria. Verificase que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, houve, sim, demonstração da divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972. Lançamento de ofício. Prazo decadencial. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 241 5 A outra controvérsia desta instância especial se refere à decadência do direito de lançar, especificamente quanto à regra aplicável e quanto à necessidade ou não da existência de pagamento antecipado para se aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN. O contribuinte, em 7/8/2003, foi cientificado do auto de infração, tendo o acórdão recorrido considerado aplicável à Cofins, para fins de aferição da decadência, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, em que se previa o prazo de 10 anos para se lançarem as contribuições destinadas à Seguridade Social. A PGFN, em face da súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucional o referido art. 45, pugna pela aplicação do art. 173, I do CTN, ante a inexistência de pagamentos antecipados. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, ainda que parcial, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Quanto a essa matéria, qual seja, prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, como é o caso da Cofins, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 242 6 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 243 7 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) No novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 323, de 2015, a questão encontrase disciplinada nos seguintes termos: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10380.007885/200355 Acórdão n.º 9303003.501 CSRFT3 Fl. 244 8 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. No presente caso, lançaramse parcelas da contribuição devidas nos meses de abril de 1998 a janeiro de 1999, tendo o contribuinte comprovado o pagamento antecipado em relação à Cofins nos meses de abril a outubro de 1998. Como a notificação foi feita em agosto de 2003, todo o período anterior à agosto de 1998 está com o direito de a fazenda apurar e levantar o crédito tributário extinto pela decadência. Como o pedido da fazenda restringiu ao período anterior à agosto de 1998, há que se negar provimento ao recurso especial interposto pela fazenda. III. Conclusão. Pelo exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial interposto pela PGFN, no sentido de aplicar a súmula vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, e considerar, para fins de aferição da decadência, a regra do art. art. 150, § 4º, do mesmo Código, em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Quanto ao recurso especial do contribuinte, voto por pelo não conhecimento, pela perda do objeto, já que todo o período lançado encontrase decaído e o pedido tinha sido pela nulidade do lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006656/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/12/1998
IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR.
O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeita-se à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação - DI regularmente registrada no Siscomex.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1998
DECADÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, decadência é matéria reservada a lei complementar, não sendo de aplicar, para o efeito de contagem do prazo decadencial, dispositivos de leis ordinárias ou de seus regulamentos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1998
NULIDADE. AUTORIDADE QUE SUBSCREVEU O MPF. JULGADOR ADMINISTRATIVO.
Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha meramente assinado o MPF que autorizou o procedimento fiscal.
Recurso Especial da Procuradoria negado.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-004.323
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Demes Brito que não conheceram e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. A relatora trouxe novos argumentos em preliminares de nulidade e de decadência, as quais tiveram provimento negado pelo colegiado, vencidas a relatora e as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas e Valcir Gassen não votaram no conhecimento nem no mérito, pois foram convocados para substituir os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Demes Brito, respectivamente, que já haviam votado na sessão de 09/2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que também solicitou apresentar declaração de voto no Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/12/1998 IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeita-se à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação - DI regularmente registrada no Siscomex. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1998 DECADÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR. Segundo o Supremo Tribunal Federal, decadência é matéria reservada a lei complementar, não sendo de aplicar, para o efeito de contagem do prazo decadencial, dispositivos de leis ordinárias ou de seus regulamentos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1998 NULIDADE. AUTORIDADE QUE SUBSCREVEU O MPF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha meramente assinado o MPF que autorizou o procedimento fiscal. Recurso Especial da Procuradoria negado. Recurso Especial do Contribuinte negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.006656/2003-11
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5669495
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.323
nome_arquivo_s : Decisao_10283006656200311.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10283006656200311_5669495.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Demes Brito que não conheceram e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. A relatora trouxe novos argumentos em preliminares de nulidade e de decadência, as quais tiveram provimento negado pelo colegiado, vencidas a relatora e as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas e Valcir Gassen não votaram no conhecimento nem no mérito, pois foram convocados para substituir os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Demes Brito, respectivamente, que já haviam votado na sessão de 09/2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que também solicitou apresentar declaração de voto no Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6601302
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688551526400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 13.474 1 13.473 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.006656/200311 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303004.323 – 3ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria FRAUDE. IPI. MULTA Recorrente TCE COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA. E SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. E FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA NACIONAL E TCE COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICALTDA. E SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/1998 IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeitase à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação DI regularmente registrada no Siscomex. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1998 DECADÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR. Segundo o Supremo Tribunal Federal, decadência é matéria reservada a lei complementar, não sendo de aplicar, para o efeito de contagem do prazo decadencial, dispositivos de leis ordinárias ou de seus regulamentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1998 NULIDADE. AUTORIDADE QUE SUBSCREVEU O MPF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha meramente assinado o MPF que autorizou o procedimento fiscal. Recurso Especial da Procuradoria negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 66 56 /2 00 3- 11 Fl. 13475DF CARF MF 2 Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Demes Brito que não conheceram e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. A relatora trouxe novos argumentos em preliminares de nulidade e de decadência, as quais tiveram provimento negado pelo colegiado, vencidas a relatora e as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas e Valcir Gassen não votaram no conhecimento nem no mérito, pois foram convocados para substituir os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Demes Brito, respectivamente, que já haviam votado na sessão de 09/2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que também solicitou apresentar declaração de voto no Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório TrataMse de RecursoS Especial apresentados pela Fazenda Nacional e TCE COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA contra Acórdão nº 20403.680, da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para retirar do pólo passivo a sociedade empresária Fl. 13476DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.475 3 SDW e excluir da exigência fiscal os valores correspondentes às faturas das importações efetuadas, segundo a invoice original, pela SDW, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/1998 COMPETÊNCIA. E de competência do Segundo Conselho de Contribuintes o julgamento de matéria versando sobre a exigência do IPI, exceto aquelas oriundas de classificação de mercadorias ou versando sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados, o que não é o caso dos autos. Para todos os demais casos relativos ao IPI a competência para julgamento é do Segundo Conselho de Contribuintes, ainda que a irregularidade constatada na entrega a consumo ou consumo de mercadoria estrangeira entrada irregularmente no território nacional. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. A regra decadencial a ser aplicada para o lançamento de multa regulamentar prevista em lei é aquela contida no art. 173 do CTN, ainda mais quando há a existência de dolo, fraude e simulação nas ações praticadas pelas autuadas. NULIDADE. Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha assinado o MPF autorizando a fiscalização j á que, na época da ocorrência dos fatos ocupava o cargo de Inspetor da Alfândega de Manaus. A decisão que deixou de apreciar Parecer elaborado por encomenda das partes, apresentado após o transcurso do prazo impugnatório não é nula, pois não se trata de apreciação de provas, mas sim de opinião de terceiros. Tendo, a contribuinte, tido acesso aos autos e a toda documentação que instruiu o processo não se pode alegar cerceamento de direito de defesa sob a alegação de que não foi devolvida em tempo hábil a documentação Fl. 13477DF CARF MF 4 apreendida no curso da ação fiscal, de acordo com o Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário. LICITUDE DA PROVA. E lícita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a assinatura de duas testemunhas, bem como a descrição genérica dos documentos apreendidos. PERÍCIA. Descabe a realização de perícia quando dos autos constam todos os documentos necessários à solução do litígio. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. Constatada que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso fatura comercial, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, determinada em lei, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada. NORMAS GERAIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. Descabe o lançamento contra duas pessoas jurídicas distintas se não comprovada a solidariedade por rama das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN. Não é isso, porém, causa de nulidade do lançamento, desde que seja possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica, mantendose no lançamento apenas as que são atribuíveis a uma delas. Recurso Voluntário Provido em Parte” Irresignada com o r. acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, relativamente à decisão que excluiu do pólo passivo da cobrança a empresa SDW, afastando a exigência dos valores correspondentes às faturas das importações efetuadas pela referida pessoa jurídica, trazendo, entre outros: · isenção da empresa SDW frente à cobrança levada a cabo no feito não pode prevalecer, haja vista que impede a incidência sobre ela de normas legais imperativas na espécie, quais sejam, o art. 83 da lei 4.502/64 e art. 1.°, · alteração 2.8 do DecretoLei 400/68, gerando distorções, ademais, na aplicação d o art. 3º do Decreto 61.244/67. Fl. 13478DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.476 5 · De início, cumpre anotar que o cerne da questão aqui debatida reside na caracterização das empresas autuadas como estabelecimento único, circunstância que tem o condão de emanar várias conseqüências jurídicas relevantes para o descortínio da lide. · Ao revés do que restou consignado no votocondutor do acórdão vergastado, afigurase nítido que as empresas SDW e TCE, a despeito de parecer em formalmente distintas, são, na verdade, um a só entidade. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho à fl. 12791/12792. Insatisfeito também com o acórdão, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão 20403.680, requerendo a reforma do r. acórdão. Contesta as seguintes matérias, com a indicação dos respectivos paradigmas: · Manutenção da multa equivalente a 100% do valor das mercadorias importadas, prevista no art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – art. 463, I do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98) – (Acórdãos 30238.072 e 3202001.340): “Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, Fl. 13479DF CARF MF 6 de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); [...]” · Decadência – contagem do prazo; · Nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação, bem assim, pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação. O apelo do sujeito passivo foi admitido em sua integralidade, nos termos do Despacho às fls. 13428 a 13431. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial ao trazer, entre outros, quanto à: · Multa por importação fraudulenta, que os autuantes constataram que os recorrentes adulteravam invoices (faturas comerciais) de diversas empresas. Constam uma série de invoices falsas em contraposição com as verdadeiras, referentes ao período de apuração. Vejase que os recorrentes não apresentaram à Receita Federal documentos representativos das faturas comerciais, hipótese que até afastaria o dolo, mas apresentaram faturas comerciais inteiramente falsas, como se verdadeiras fossem, sem qualquer ressalva, com o intuito claro de ludibriar a fiscalização; · Ausência de nulidade do julgamento realizado pela DRJ, que estando garantido o direito de defesa, consagrado no artigo 5º, inciso LV da Constituição da República Federativa do Brasil, deve ser afastada a nulidade do processo; · Alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de apreciação de parecer jurídico, que a mesma não merece ser acolhida em razão da formação do livre convencimento do julgador, não estando este adstrito a tese jurídica encartada em peça meramente opinativa sem qualquer conteúdo probatório. É o relatório. Fl. 13480DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.477 7 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora. Depreendendose da análise dos Recursos interpostos pela TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda, entendo que o recurso deva ser conhecido, vez que foi comprovado o dissenso entre os arestos. O que concordo com o exame de admissibilidade constante dso Despachos às fls. 12791/12792 e 13428 a 13431. No que tange à discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja, sobre a exclusão da empresa SDW do pólo passivo da obrigação tributária, depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia para transcrever parte do voto vencedor do acórdão recorrido trazido pelo nobre conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos que reproduz também o meu entendimento: "Divergiu a maioria do Colegiado do voto da i. Relatora apenas no tocante à caracterização da fraude na constituição das empresas, que levaria a considerálas como uma única. Dessa discordância resultou não aceita a imputação a uma delas das infrações que supostamente foram cometidas pela outra. Os motivos para tanto podem ser resumidos assim. Em primeiro lugar, não parece haver um critério claro por parte da autoridade fiscal. Ao mesmo tempo em que a acusação fiscal afirma que as duas empresas são, em verdade, uma só, a autuação engloba as duas, imputando, indistintamente, as infrações que teriam sido cometidas por uma à outra. Até aí, portanto, parece que a autoridade entendia ocorrida a responsabilidade tributária de que cuida o capítulo V do Código Tributário Nacional, impressão que se reforça pela menção, no corpo do auto de infração, ao art. 135 do código. Fl. 13481DF CARF MF 8 Ao descrever seus procedimentos, entretanto, aquela autoridade não procura demonstrar qual das hipóteses ali prevista se aplicaria ao caso. Ao contrário, passa a tentar caracterizar que haveria apenas uma empresa, valendose, para tanto, ora de alegações quanto à constituição das sociedades que teria sido fraudulenta ora da existência de comunicações que provariam a estreita ligação entre elas. Impossível por isso mesmo avançar na análise da responsabilidade — que aqui haveria de ser solidária já que não há nos autos qualquer elemento que a justifique. Passase, então, ao exame dos elementos de convicção de que as duas empresas são de fato uma só. A n. relatora entendeu presente uma série de indícios capazes, em seu conjunto, de dar valor à acusação perpetrada. Vejamos. Começa a fiscalização elencar os sócios da empresa e aponta que elas seriam constituídas por integrantes de uma mesma família, um de cujos integrantes também seria sócio de outro grupo econômico. Afirmase que neste outro grupo econômico a fiscalização já teria identificado vários atos lesivos ao regime da Zona Franca de Manaus. Ora, não é preciso ir muito longe nesses argumentos, pois o nosso ordenamento jurídico não permite que eventuais infrações (ainda que penais) se transfiram de uma pessoa a outra. Isso é, ainda que seja mesmo considerado, após o regular processamento administrativo e judicial, que um dos sócios de alguma das empresas seja culpado de prática delituosa em outra empresa, isso, per si, não faz com que eventuais empresas por ele constituídas padeçam de irregularidade em sua constituição. Do mesmo modo, não tem qualquer força jurídica para caracterizar fraude na constituição de empresas o fato de elas serem constituídas por membros de uma mesma família, e ainda que contra essa família pesem acusações fiscais cometidas em outras empresas. Registrese que nenhuma dessas afirmações restou comprovada nos autos. Fl. 13482DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.478 9 Ora, a relatora reconhece que estariam configuradas a figura da interdependência e a vinculação entre as pessoas jurídicas. E disso não discordamos. Porém, o que há de errado na interdependência? ou até na interligação, também citada e, em nosso ver, comprovada? Parecenos que a fraude na constituição das empresas poderia ser demonstrada pela falta de veracidade de algum dos elementos essenciais a sua constituição, sejam documentais ou físicos. Assim, por exemplo, se algum dos supostos sócios houvesse declarado não ser, de fato, sócio da empresa, tendo o seu nome sido indevidamente incluído. Ou se no endereço indicado não existissem instalações de nenhuma natureza — inexistência de fato. Não é disso que se trata até aqui. Com efeito, o que se pretende configurar fraude é a existência de ligação entre os sócios. Repitase que apenas a relação de parentesco foi adequadamente comprovada, embora mais de uma vez se tenha feito menção a processos em que se acusa um dos membros da família de "fraudador contumaz do regime da ZFM". Chegase, desse modo, à conclusão de que esses elementos "formais" foram arrolados para reforçar o cerne da acusação fiscal: as empresas operam num espaço físico comum, não se distinguindo uma da outra. Ocorre que o relatório que a acusação apresenta como "prova" desse fato, apenas o confirma parcialmente. Com efeito, no outro processo administrativo a que alude o relatório deste, há expressa indicação de que as duas empresa partilhariam as áreas de carga e descarga e o pessoal administrativo. Mas se diz, também de forma expressa, que as áreas de produção (linhas de montagem) seriam autônomas e interligadas por comunicação interna. Esses são, então, os fatos. Duas empresas partilham o mesmo espaço físico, produzindo produtos diferentes (ao menos Fl. 13483DF CARF MF 10 afirma a defesa e é possível depreenderse da afirmação de as linhas de montagem serem autônomas), sendo um deles produto intermediário da outra. Há nisso irregularidade formal capaz de permitir a desconsideração de uma delas e a afirmação de que são apenas uma? Entendo, e assim entendeu a maioria, que não. É que o elemento essencial utilizado pela fiscalização baseiase na conclusão de Parecer Normativo da SRF segundo o qual estabelecimento que "cruze" logradouro público, para efeitos da legislação do IP1, dividese em dois, não podendo deixar de considerar a saída da parte que esteja em um dos lados da rua uma saída física, fato gerador do imposto na definição legal. A conclusão do Parecer é perfeita. Mas não se presta, de modo algum, a robustecer a conclusão da autoridade lançadora. De fato, ali o que se quis obstar foi a não ocorrência do fato gerador. Para tanto, previuse que basta a existência de uma rua entre eles para que sejam estabelecimentos distintos (ainda que da mesma empresa). Aqui, ao contrário, querse descaracterizar a existência de uma empresa. E para tanto, dizse que se precisa ter uma rua entre elas para que sejam duas empresas distintas. Não parece haver dúvida de que tratamos de duas coisas completamente distintas. De fato, a tese da fiscalização aplicada rigorosamente levaria à absurda conclusão de que todas as empresas que se situassem do mesmo lado de uma rua ou avenida seriam de fato uma única empresa, já que nenhuma delas seria atravessada pela rua. Esse exemplo, propositadamente forçado, foi dado apenas para justificar que a conclusão fiscal não se sustenta do ponto de vista lógico. De fato, é inteiramente incorreto deduzir a existência de uma premissa negativa necessária a partir de uma outra premissa, esta afirmativa, de natureza suficiente. Ou seja, se "a" Fl. 13484DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.479 11 basta para caracterizar "b", não se deduz daí que "não a" implica "não b". Em outras palavras, a conclusão fiscal é a mesma que no exemplo: como basta que alguém seja meu filho para ser neto de minha mãe, se não for meu filho também não é neto dela. O que deixa de fora todos os filhos de meus irmãos... Como aqui, também lá a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas pode ser! E preciso, contudo, perquirir mais uma condição: aqui, se tenho irmãos, lá se as produções são independentes, produzindo a segunda empresa a partir daquilo que sai como produto final da primeira. Nos autos, infelizmente, nada há sobre esse ponto. Mas podese interpretar a afirmação da autoridade fiscal como sendo a de que ao sair do primeiro estabelecimento (neste caso, empresa) os produtos teriam de passar necessariamente por uma rua. Ou seja, o problema estaria na existência de "comunicação interna" entre as "empresas" que as tornaria uma só. Considero possível fazer essa leitura do Parecer, mas não vejo em que a prova contida nos autos a confirme. De fato, o citado relatório de diligência no local de funcionamento das empresas (realizado em outro procedimento fiscal, repitase) não afirmou que tal ocorresse. Aliás, sequer afirmou fato muito mais forte, em meu sentir que as duas empresas compartilhassem o mesmo galpão produtivo. Nesse sentido, observase que os endereços das empresas (aceitos pelas administrações tributárias estadual e federal) indicam dois números distintos: 21 e 21 A. Esse fato faz supor que haja sim comunicação de cada um deles com a rua. Não parece aceitável também supor que dois números distintos sejam atribuídos ao mesmo prédio e que a fiscalização estadual, que normalmente faz diligência in loco quando da solicitação de Fl. 13485DF CARF MF 12 registro de empresas em seu cadastro, tenha aceitado a indicação de um número simplesmente inexistente. Assim, a afirmação constante em algum ponto do relatório no sentido de que o "número 21 A é inexistente" deveria ter sido acompanhada de prova. Talvez tenha sido no outro procedimento, neste ela não está presente. Assim, quanto à prova, em meu ver bastaria à fiscalização mostrar que as duas linhas de produção ocupavam o mesmo galpão, não havendo saída física dos produtos obtidos da linha de produção daquela unidade para a outra. Alternativamente, que, embora galpões distintos, encontravamse eles no mesmo espaço geográfico, ao qual a Prefeitura atribui apenas um número. Obviamente, não basta afirmar. A afirmação deve vir acompanhada da prova correspondente. Conclusivamente, não se está aqui a atestar que as empresas não são de fato uma só. O que se está a dizer é que os elementos coligidos nos autos não bastam a tanto, mormente porque o relatório da diligência realizada nas instalações atestou que há duas linhas de produção autônomas e comunicação entre elas. Caberia apurar que tipo de comunicação é essa, j á que também não se diz com todas as letras que as duas linhas dividem o mesmo galpão produtivo. Assim, afastada, por falta de prova, a caracterização de estabelecimento único, cai por terra, em meu ver (e no da maioria) a acusação de "fraude na constituição". Os demais elementos que a n. relatora considerou indícios dessa fraude são posteriores à constituição e têm a ver mais propriamente com a operação das duas empresas. De fato, seriam elas administradas pelas mesmas pessoas, que atuariam nas operações de importação em nome de ambas indistintamente. Ora, também aqui não vejo em que isso constitua sequer infração, quanto mais ilícito capaz de enquadrálas como responsáveis ou, pior, desconsiderar a personalidade jurídica de uma delas. Fl. 13486DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.480 13 Provadas as infrações, o que se tem é tãosomente de aplicar as penalidades cabíveis a cada uma, e nada mais. Nesse sentido, avultam dos autos que a imensa maioria (mais de 98%) das operações de importação foi promovida pela empresa TCE, não havendo qualquer menção à SDW seja nos documentos originais seja nos utilizados na efetiva importação, que foi realizada pela primeira. Destarte, essa segunda acusação de fraude tem no auto de infração duas funções. A primeira, de permitir que um pequeno número de operações que não foi realizado pela TCÊ também figure no lançamento. Em segundo lugar, reforçaria a primeira acusação (de fraude na emissão dos invoices) por dar uma aparente justificativa para tal fraudar o regime da Zona Franca de Manaus, fazendo passar por nacionais produtos que seriam em verdade importados. O segundo aspecto não se mostrou, para a maioria, de maior relevo no julgamento. De fato, concordouse com a acusação de fraude independente da apuração dos motivos para que fosse ela realizada. Já no que tange à identificação do sujeito passivo, a manutenção da personalidade jurídica distinta para cada empresa impõe afastar do lançamento uma das pessoas jurídicas, dado que tampouco se provou a solidariedade. Em relação à que for mantida devese ainda afastar as infrações imputáveis à outra. Nesse sentido, entendeu a Câmara que o auto deve ser mantido apenas contra a TCE, dado que foi em seu nome que se realizou a imensa maioria das operações de importação, mas devem ser excluídas as operações realizadas em nome da SDW nos documentos originais localizados. Foi assim que decidiu a Câmara, por maioria. [...]" Fl. 13487DF CARF MF 14 Sendo assim, irretocável o voto vencedor, entendo da mesma forma demonstrada pelo Colegiado do acórdão recorrido, nessa parte, que, mantendose a personalidade jurídica distinta para cada empresa, é de se afastar/excluir do lançamento a empresa SDW. Ventiladas tais considerações, direcionome às discussões suscitadas em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo passando a discorrer sobre a primeira matéria – qual seja, aplicabilidade ou não da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 – regulamentado pelo art. 463 do RIPI/98 quando se tratar de mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial). Observando, para tanto, que traz o Auto de Infração a multa regulamentar do IPI relativamente às importações ocorridas no ano de 2000 equivalente ao valor total das mercadorias importadas sob acusação de entrega a consumo ou consumo de produto de procedência estrangeira importado de forma fraudulenta, mediante suposta falsificação de faturas de importação. E, posteriormente, passarei a discorrer sobre a alegação de nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação, bem assim, ainda pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação. E, em seguida, sobre a decadência suscitada pelo sujeito passivo. Relativamente à primeira matéria, para melhor desenvolver o direcionamento de meu entendimento, importante trazer que, quanto ao enquadramento legal a ser considerado no caso vertente, entendo que o decidido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção no acórdão nº 3202001.340 expôs bem a falta de motivação ao consignar que o evento descritos naqueles autos, o mesmo aqui discutido, implicaria na multa prevista no inciso IV e nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/76 c/c o inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37/66, e não naquela indicada pela autoridade fazendária. À época, inclusive, manifestei minha concordância com o voto elucidativo exposto pelo ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 13488DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.481 15 Sendo assim, por ser o voto constante do acórdão 3202001.340 do nobre conselheiro completo e elucidativo, peço vênia para transcrevêlo (Grifos meus): “Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Deixamos de apreciar as alegações preliminares, uma vez que, no mérito, como adiante se verá, a lide será resolvida em favor da Recorrente. Com efeito, comprovou a fiscalização, através de farta documentação, que as Recorrentes instruíram Declarações de Importação – DIs com faturas comerciais (invoices) falsificadas ou adulteradas. A fiscalização fundamentou a penalidade lançada no art. 463, I, do Decreto n.º 2.637, de 1998 (Regulamento do IPI – RIPI/98), que regulamentou o art. 83, inciso I, da Lei n.º 4.502, de 1964, com a seguinte redação: "Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª);" Como se percebe, a aplicação dessa penalidade reclama a configuração das seguintes situações: o consumo ou a entrega a Fl. 13489DF CARF MF 16 consumo de produtos de procedência estrangeira quando a importação foi a) clandestina (aquela que não passou pelo controle aduaneiro); b) irregular (que se realizou em desacordo com as regras que disciplinam a importação) ou c) fraudulenta (a realizada mediante fraude, vale dizer, com máfé deliberada de se furtar ao pagamento dos gravames aduaneiros); e, por último – é o que indica a conjunção alternativa “ou” –, quando o produto importado tiver entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal (conforme o caso). Essa última situação se costuma comprovar quando o Fisco faz um levantamento analítico, no estabelecimento fiscalizado, dos estoques existentes em determinada data, identificando, por exemplo, que, quanto a determinado produto de origem estrangeira, as notas fiscais de entrada e o estoque existente no início do período revelam que a quantidade que entrou no estabelecimento – e, portanto, estava à disposição para venda em determinada data – era bem inferior à quantidade que dele saiu no mesmo período, o que comprova que a entrada de parte dos produtos estrangeiros vendidos pelo estabelecimento fiscalizado se deu sem a cobertura de notas fiscais ou sem o registro de declaração de importação. Todavia, a penalidade aplicável ao caso é outra, já que, caracterizado o dano ao Erário – e, como tal, aplicável a pena de perdimento, nos termos do inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37, de 1966 –, deveria ter sido lançada a multa de conversão prevista nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455, de 1976, tal como restou assentado no Acórdão nº 3202000.586, de 25/10/2012, desta mesma Turma, relatado pela il. Conselheira Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira. Por comungar com o mesmo entendimento exarado neste julgado, adotoo aqui como razão de decidir, motivo por que em parte se transcreve: A DRJFlorianópolis/SC julgou procedente a impugnação por entender que a situação fática demonstrada pela Fiscalização não Fl. 13490DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.482 17 ensejaria a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64, mas caracterizaria dano ao Erário e, como tal, punível com a pena de perdimento, nos termos do inciso VI do art. 105 do DecretoLei nº. 37/66, a qual deveria ter sido convertida em multa, de acordo com os §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976. Para a aplicação de multas há de se observar, sempre, o Princípio da Tipicidade, pelo qual o fato concreto, tido como ocorrido, há de corresponder perfeitamente ao tipo hipoteticamente escolhido pelo legislador no texto que define a infração; há de se ter, assim, a adequação perfeita entre o fato da vida e a norma jurídica, de modo que o fato ocorrido se amolde perfeitamente ao tipo contido no núcleo da norma penalizante, cabendo ao aplicador da lei a tarefa de verificar essa correspondência. Dito isso, passase à análise dos dispositivos legais em questão em relação aos fatos verificados pela autoridade autuante. A multa aplicada pela Fiscalização é a do inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64, que assim dispõe: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; Vêse assim que, no caso em questão, pretendeu a Fiscalização a aplicação de multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, em razão de ter sido entregue a consumo produto de procedência estrangeira importado irregular ou fraudulentamente, o que se mostra muito abrangente em relação ao Fl. 13491DF CARF MF 18 caso concreto, em que se tem a falsificação/adulteração de faturas comerciais. Por outro lado, verificase que o art. 105 do Decretolei nº 37/66 traz, em seu inciso VI, hipótese que se adequa perfeitamente aos fatos narrados na autuação. Vejase: Art.105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: ................................................................................................... VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; .................................................................................................. Por aplicação do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976, tem se que a infração acima descrita é considerada como Dano ao Erário, cuja penalização é a pena de perdimento (§1º), a qual deve ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos casos em que esta não seja localizada (§3º). Vejase a redação do art. 23 vigente à época da ocorrência dos fatos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ................................................................................................... IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. ................................................................................................... § 1º. O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ................................................................................................... § 3º. A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Assim, diante do arcabouço legal que trata a matéria, acima disto, fica cristalina a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) Fl. 13492DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.483 19 necessários ao seu desembaraço como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Deste modo, irretocável o entendimento esposado pela DRJ quando afirma: Vejase que, nos casos configuradores de dano ao Erário, o suporte fático sobre o qual incide a multa prevista no citado § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, é precisamente o mesmo que foi aventado pela autoridade autuante para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, qual seja, a entrega para consumo (implicando a não localização) do produto estrangeiro importado fraudulentamente. Todavia, além de a penalidade prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, ter sido instituída por norma legal mais recente, fato é que decorre de situações de fraude ou irregularidades cuja definição é mais específica, ao passo que a disposição contida no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, referese de forma genérica à hipótese de importação irregular ou fraudulenta do produto estrangeiro. (grifo não constante do original) Adequandose, portanto, os fatos à norma, temse que as infrações apuradas pela Fiscalização guardam identidade com a hipótese de dano ao Erário previsto no art. 23, IV, do DecretoLei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66. No caso, temse aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, conforme previsto nestes mesmos diplomas legais, não sendo aplicável a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por constituirse o dano ao Erário na tipificação adequada para o caso em questão. Neste mesmo sentido já se manifestou a Segunda Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, no julgamento do processo nº 12466.003495/200804, em que figura Fl. 13493DF CARF MF 20 a mesma contribuinte como autuada e cuja decisão restou assim ementada: IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66, não sendo aplicável a multa prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64. Recurso de Ofício Negado Cumpre observar que o equívoco na aplicação da penalidade lançada pela fiscalização em situações como no caso resta ainda mais cristalino ao observarmos a redação conferida ao art. 704 do Decreto n.º 6.759, de 5/2/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009), que, ao referirse o art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, positivou que esta penalidade não é aplicável se houver tipificação mais específica, verbis: Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. Notese que o § 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, foi incluído por meio da Medida Provisória – MP n.º 66, de 29/08/2002 (convertida na Lei n.º 10.637, de 2002), portanto antes da data em que a infração foi constatada pela fiscalização e que Fl. 13494DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.484 21 resultaria, se ainda existissem, na pena de perdimento das mercadorias importadas. O lançamento, portanto, é nulo por vício material e reconhecível até mesmo de ofício, visto derivar da aplicação incorreta da própria regra matriz de incidência tributária (a penalidade). Aqui o vício é no próprio ato (seus elementos estruturais), não na forma do instrumento. Intrínseco ao ato, não exterior a ele. Apenas a título ilustrativo, transcrevemos, em reforço à nossa tese, o seguinte excerto da dissertação de Mestrado concluído pelo il. Conselheiro desta Turma, Luis Eduardo Garrossino Barbieri: ... os elementos intrínsecos são os requisitos substanciais inseridos pelo ato administrativo de lançamento que lhe dão conteúdo, correspondentes aos cinco critérios integrantes da regra matriz de incidência tributária, indicados na norma individual e concreta introduzida – elemento material, temporal, espacial, pessoal e quantitativo. (Lançamento tributário: vício e seus efeitos. Dissertação (Mestrado em Direito) – PUC/São Paulo, 2014, p. 170) Em casos tais, cabe reconhecelo de ofício ainda que não levantado nas peças recursais, como já se consolidou: Súmula 346 do STF: “A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. (grifamos) Súmula 473 do STF: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogalos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”. (grifamos) Nesse mesmo sentido, também o art. 53 da Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que dispõe que “A Administração Fl. 13495DF CARF MF 22 deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade”. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Sendo assim, é de se aplicar ao caso a pena de perdimento, convertida em multa quando não localizadas as mercadorias, conforme previsto no inciso IV e nos §§ 1º e 3º do art. 23 do DecretoLei nº. 1.455/76 c/c o inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37/66, não sendo o caso de se aplicar a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O que, por conseguinte, resta configurada nulidade por vício material, não merecendo reparos o decidido no acórdão recorrido. Tal entendimento considera a existência de norma específica para determinada situação jurídica. Eis que, existindo regra específica quanto à aplicação de pena de perdimento quando configurado dano ao Erário, não se aplica a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei 4.502/64, e ao art. 1º do DecretoLei 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto 2.637/98. O que, por conseguinte, é de se respeitar a decisão recorrida que trouxe a nulidade material pela ausência de motivação, eis que a autoridade fazendária imputou penalidade incorreta e inadequada à situação concreta, afrontando por óbvio o art. 142 do CTN, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Frisese esse entendimento o exposto ainda nos acórdãos: · Acórdão 3401002.685: Fl. 13496DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.485 23 “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 25/05/2004 a 24/01/2005 MULTA. ENTREGA A CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO SEM PROVA DE SUA REGULAR IMPORTAÇÃO. É incabível a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 83 da Lei 4.502, de 1966, por entrega a consumo de mercadoria estrangeira quando o que macula a regularidade da sua importação é definido legalmente de forma mais específica como Dano ao Erário.” · Acórdão 3102.001.560: “Assunto: Imposto sobre a Importação –II Data do fato gerador: 23/10/2003, 30/10/2003, 14/11/2003, 04/12/2003, 29/12/2003 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66, não sendo aplicável a multa prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64. · Acórdão 3202000.586: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/03/2004 a 29/07/2004 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO; INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº 4.502/64, ART. 83, INCISO I. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENBTO PREVISTA NO DECRETOLEI Nº 37/66, ART. 105, INCISO VI. Fl. 13497DF CARF MF 24 As mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial) sujeitamse à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas, conforme previsto no inciso VI do art. 105 do Decreto nº 37/66, por encontrar tipicidade neste dispositivo legal, não sendo aplicável ao caso a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. · Acórdão 3202000.721: “Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 27/03/2003 a 06/08/2007 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 83, I, E 87, II, DA LEI Nº 4.502/1964. APLICABILIDADE DA PENA PREVISTA NO ART. 23, V, §§ 1º E 3º, DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. A infração de ocultação do real vendedor configura dano ao erário, sujeitando o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas as mercadorias, como determina o artigo 23, V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Descabida a aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei nº 4.502/1964.” Em vista de todo o exposto, voto por, nessa parte, dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vêse, assim, que resta prejudicada a análise da 2ª matéria, qual seja, nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação, bem assim, ainda pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação. Fl. 13498DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.486 25 Não obstante restar prejudicada, caso o Colegiado entenda ser cabível a multa aplicada pela autoridade fazendária, passo a discorrer sobre essa matéria. Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo que a participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação e a pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação subsumem à hipótese de nulidade, vez que: · Caracterizase cerceamento do direito de defesa a não apreciação do parecer jurídico trazido aos autos antes do julgamento, bem como, a recusa da administração em juntar aos autos cópias de documentos que estavam em seu poder, considerados pelo sujeito passivo como provas de suas razões de impugnação; · Configurase hipótese de impedimento da autoridade julgadora de lª instancia quando restar caracterizada a sua participação, direta ou indiretamente, na ação fiscal. Nessa parte, concordo com o entendimento bem exposto sobre a mesma questão, fatos e sujeito passivo no acórdão 310100.363. O que, peço vênia para transcrever o voto da Conselheira Vanessa Valente que considerou manifestação do Conselheiro Zenaldo Loibman: “[...] Conforme consta do relato, trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n.° 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1°, alteração 2°, do DecretoLei n.° 400, de 30 de dezembro de 1968, regulamentado pelo artigo 463, inciso I, do Decreto 2.637/98 no valor de R$ 2.517.605,70, ou seja, aplicação de multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, relativamente as importações ocorridas no ano de 1999, objeto do Auto de Infração de fls. 01 a 14 dos autos. Fl. 13499DF CARF MF 26 Em princípio, antes de analisarmos o mérito, entendo prudente enfrentarmos as preliminares de nulidade do auto de infração e de nulidade do acórdão recorrido, suscitadas pelas Recorrentes. Como se vê, as Recorrente argúem, em seu Recurso Voluntário, a nulidade da decisão recorrida em razão da participação no julgamento de 1a instância de autoridade administrativa impedida, ou sei a, alegam "que o Sr. Luis Carlos Cerqueira, relator do processo, não poderia ter participado do julgamento por ter sido Inspetor da Alfândega no Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo, inclusive, assinado Mandado de Procedimento Fiscal, em 21 de agosto de 2000, o qual deu inicio à fiscalização de uma das Recorrentes pela Receita Federal, tendo como objeto o IPI, II, além de multas diversas independentes, sem delimitação de período fiscalizado ". Alegam, ainda, a nulidade da decisão em razão da "Falta de Apreciação de parecer jurídico" pelos julgadores, argumentando que "requereram, em 11 de janeiro de 2005, a juntada aos autos de parecer proferido pela douta advogada Iris Sansoni, entretanto, os julgadores desconsideraram referido parecer; que a não apreciação de parecer apresentado na fase instrutória, antes da tomada de decisão, configura cerceamento do direito de defesa". Ainda em sede de preliminares, aduzem, as Recorrentes, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito à ampla defesa, em razão da falta de acesso aos documentos que subsidiaram a d. fiscalização, que não mais se encontravam nas sedes dos estabelecimentos das Recorrentes em Manaus, bem como, pela recusa da juntada de documentos pelas Recorrentes a demonstrar a insubsistência da acusação, que estavam em poder da Administração. No caso sub examen, no que concerne as preliminares de nulidades argüidas, peço vênia para adotar e transcrever o voto do eminente Conselheiro Zenaldo Loibman, proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 134.736: Fl. 13500DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.487 27 "Analisemos inicialmente as questões preliminares suscitadas quanto à nulidade do auto de infração. A alegação é de que todos os documentos das duas recorrentes foram aprendidos em cumprimento de mandado judicial antes da efetivação do lançamento. Todos eles permaneceram em poder das autoridades fiscais e Ministério Público durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, prejudicando as condições de defesa das acusadas TCE e SDW, porque nesses documentos se encontram as provas essenciais a sustentar as suas razões de defesa. Isto caracterizou cerceamento ao direito de defesa na fase impugnatória, não se justificando a mera alegação de que a riqueza de argumentos de defesa apresentados, por si só, demonstraria a perfeita compreensão das autuadas quanto a acusação fiscal; que não se trata de apenas compreender a situação, mas sim de lhe ser garantido o livre acesso ci totalidade de seus documentos para que pudesse demonstrar, isto 6, provar as suas alegações aos julgadores, que haverão de ser apreciadas não apenas na primeira instância. Houve assim infração ao direito de ampla defesa, é necessário assegurar o exercício adequado do contraditório com a possibilidade de juntada das provas que sustentem as alegações de defesa. A Jurisprudência do Conselho de Contribuintes é nesse sentido, conforme ac. 10320.518, rel. Mary Elbe G. Q. Maia, em 22.02.2001; ac. 201 73.593, rel. Serafim F. Correa, em 23.02.2000. A devolução dos documentos somente ocorreu poucos dias antes de ser proferida a decisão da DIU. Em resumo afirma que não se pode admitir lançamento de oficio sem que tenha sido dada a possibilidade de demonstrar a improcedência da acusação mediante a exibição das provas documentais pertinentes, assim deve ser considerado nulo o auto de infração. Há um equívoco na argumentação quando confunde a fase inquisitorial de investigação fiscal com a fase do processo Fl. 13501DF CARF MF 28 administrativo fiscal. Na primeira nenhuma garantia de defesa prévia conforta o investigado, nesta fase ganha relevo o dever de colaboração do fiscalizado, não atuam neste momento os princípios constitucionais evocados, somente indispensáveis e absolutamente garantidos na fase processual. Esta somente se inaugura com a impugnação do lançamento. Outra suposta razão de nulidade da autuação seria a utilização de provas obtidas ilicitamente. Apesar de ter havido ordem judicial de busca e apreensão dos documentos, apontam as recorrentes que na ocasião de seu cumprimento houve desrespeito às normas processuais penais, especialmente a falta de assinatura por representante legal das empresas atingidas, e pela falta de discriminação dos documentos apreendidos. Neste quesito as argumentações da DRJ são absolutamente precisas e devem ser acolhidas. Em resumo, nem mesmo uma eventual recusa de assinatura por parte de representante legal da empresa alvo de apreensão de documentos torna ilegítima a execução da ordem judicial, desde que observados os critérios previstos na lei, mormente a utilização de testemunhas, como no caso. Também assiste razão à instância julgadora a quo quando esclarece que não é durante a ação desenvolvida por policiais federais o momento propicio para detalhamento da documentação apreendida, isto se faz num segundo momento com assistência de servidores competentes para tanto. Ademais, qualquer eventual queixa contra a ação de cumprimento do mandado deveria ser dirigida à autoridade judicial. Não há registro disso neste processo, nem tampouco nenhuma [sic] queixa de falta de devolução de algum documento especifico de interesse neste caso. Portanto, entendo que essas duas arguições de nulidade da autuação não merecem prosperar. Apreciemos agora as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância: (a) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de apreciação do Parecer Jurídico apresentado em Fl. 13502DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.488 29 11.01.2005, como complementavão da defesa, antes da realização do julgamento. (b) 0 referido parecer elaborado por jurista, especialista em direito tributário e em processo administrativo fiscal, foi ignorado sob a alegação de não atendimento as condições previstas no § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72 (PAF). Entretanto, tal norma disciplina tãosomente a apreciação de prova documental no PAF, e evidentemente não abrange a hipótese de apresentação de parecer jurídico em complemento à impugnação. As interessadas citaram oportunamente a doutrina de Sérgio Ferraz e de A. A. Dallari para explicitar a natureza de um parecer jurídico. No caso, a disciplina adequada seria efetivamente a do art. 38 da LGPAF (Lei 9.784/99), utilizada subsidiariamente, já que o PAF (Decreto 70.235/72) é omisso quanto a isto. A norma evocada prevê que antes da decisão, na fase de instrução, podese juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Portanto, a recusa de apreciação do parecer jurídico juntado aos autos na fase de instrução, antes da tomada de decisão, caracteriza cerceamento ao direito de defesa, eivando de nulidade absoluta a decisão recorrida. Enfatizase que nesta situação a juntada do parecer não afetou de forma alguma o trâmite processual, não o prolongou, e não se justifica a recusa de conhecimento de matéria de defesa que necessariamente haveria de ser apreciada também em segunda instancia, de forma que a omissão do julgador a quo também afronta o direito do contribuinte ao duplo grau de jurisdição. Houve claro cerceamento ao direito de ampla defesa. (b) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de juntada de documentos solicitada pelas impugnantes e que estavam em poder da Administração. Na ótica das ora recorrentes tais documentos visavam a demonstrar a inexistência de fraude na importação. Ora, durante a Fl. 13503DF CARF MF 30 fase de impugnação todos os documentos das ora recorrentes estavam em poder da Administração. As impugnantes, então, com base no art. 37 da lei 9.784/99, que apenas expõe norma processual já assentada no ordenamento pátrio, válida também no processo civil, requereram a juntada de certos documentos que consideravam essenciais a provar a regularidade das operações de importação praticadas. Aqui não importa o juízo prévio da autoridade julgadora de primeira instância quanto necessidade ou prescindibilidade de tais provas, entre outras razões porque era interesse da defesa apresentálas e circunstancialmente se encontravam em poder da administração, além do mais deveriam ser passíveis de apreciação também pela segunda instância julgadora em caso de insucesso no primeiro julgamento. A recusa em permitir essa produção de provas por parte das impugnantes, em relação a documentos que estavam em poder da administração, fulmina de nulidade absoluta a decisão de primeira instância por interferência perniciosa no contraditório e impor indevida limitação a defesa. (c) Impedimento do Julgador Luis Carlos Maia Cer queira, com infração aos princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade. Alegam as recorrentes que da decisão proferida pela DIU participou o referido servidor público que era Inspetor da Alfeindega do Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo inclusive assinado o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em 21.08.2000, o qual deu inicio à fiscalização. Portanto, um dos julgadores desempenhou a função de autoridade responsável pelo lançamento durante período objeto da fiscalização. Isto representaria infração ao art. 19 da Portaria MF 258/01 14] Evoca a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, representada no ac. 10193.123, de 15.08.2000, apontando a nulidade de decisão proferida com participação de autoridade impedida. Fl. 13504DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.489 31 A bem da verdade deve ser registrado que o acórdão referido apreciou decisão emanada de autoridade julgadora monocrática considerada impedida. Na época a decisão na DRJ era singular e não colegiada. Mas, a meu ver, não há dúvida quanto ci irregularidade da participação do referido julgador no presente caso. Estava efetivamente impedido de julgar, porque não era possível afastar de sua pessoa a presunção de parcialidade. A parcialidade é inerente ao ser humano, a imparcialidade que se busca na atuação do julgador é fruto de disciplina legal e esforço intelectual, é eminentemente artificial, e deve ser construída. 00 Inspetor da Receita Federal que determinou o inicio do procedimento de fiscalização sob a suspeita de agressão das referidas empresas à ordem tributária, tendo posteriormente assumido função administrativa de julgamento, deve permanecer afastado de qualquer apreciação quanto à regularidade da ação fiscal empreendida, e suas informações ou opiniões acerca do caso não devem poder influenciar de nenhum modo seus pares julgadores administrativos. É irrelevante nessa situação que o próprio servidor se considere capaz de julgamento imparcial, os fatos o impedem de assumir tal posição. À primeira vista e de imediato poderseia concluir pela nulidade apenas do seu voto, mas a rigor, e em face das outras nulidades acima destacadas não se pode desmerecer a provável influência que a sua participação pode ter exercido na decisão final de primeira instância. De qualquer forma, as outras razões de nulidade já acolhidas, levam a que em conjunto se considere relevante essa arguição, e se recomende expressamente a exclusão do citado julgador de novo julgamento que vier a se realizar em caso de confirmação deste voto pelo colegiado. Fl. 13505DF CARF MF 32 Por fim, entendo que a nulidade da decisão de primeira instância aliada ao reconhecimento do direito das recorrentes de providenciarem ajuntada de quaisquer documentos que julguem pertinentes à apreciação da questão, determinam a reabertura de prazo para que afaçam; 1 Portaria MF 258, de 24 de agosto de 2001, artigo 19: Os julgadores estão impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: (I) participado da ação fiscal; (II) cônjuge ou parentes, consangüíneos ou afms, até o terceiro grau, inclusive, interessados no litígio. Pelo exposto, voto no sentido de que se reconheça a nulidade absoluta da decisão de primeira instância." In casu, cumpre esclarecer, que, de certo, o Sr. Luis Carlos Cerqueira (Matricula 0004909) consta identificado como Inspetor da Alfândega no Porto de Manaus no Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n.° 0227600200000285 0, em Manaus, no dia 21 de agosto de 2000, documento este devidamente assinado pelo mesmo, As fls. 1320, para a Contribuinte em questão TCÊ Indústria Eletrônica da Amazônia S/A. Conforme se verifica da decisão recorrida, As fls. 1151, o auditor fiscal da Receita Federal, Luis Carlos Maia Cerqueira, participou como julgador relator do caso na Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, em 22 de setembro de 2006, data do Acórdão DRJ/FOR de n.° 089.139. Portanto, resta configurado o impedimento do referido julgador, visto que este participou da ação fiscal, direta ou indiretamente, e, assim, deveria ter se dado por impedido para o julgamento monocrático. No presente processo, essa preliminar de nulidade somada As demais já é o bastante para que a decisão recorrida seja anulada. Desta feita, deixo de apreciar o mérito do Recurso Voluntário interposto. Com essas considerações, Voto no sentido de declarar a nulidade absoluta do processo a partir da decisão de primeira instância administrativa, para determinar a remessa dos autos a Fl. 13506DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.490 33 DRJ — Fortaleza/CE para que seja proferida nova decisão, inclusive, com reabertura de prazo para oferecimento de nova impugnação da exigência fiscal.” O que, por conseguinte, vêse que também resta prejudicada a análise da decadência. Não obstante, caso o Colegiado tenha entendimento diverso nessa segunda parte, passo a discorrer sobre a decadência. Em se tratando de ato de revisão aduaneira versando sobre infração relativa ao despacho aduaneiro de importação, o prazo decadencial para lançamento de multa é de 5 anos contados da data do registro da Declaração de Importação, nos termos do art. 54, do DecretoLei 37/66, e não o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Eis o que traz o art. 54 do DecretoLei 37/66: “Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Acórdãos 30127.109, 30329.189 e 30239.926 Sendo assim, vêse acertado o entendimento do sujeito passivo de que o prazo decadencial para o fisco efetuar o lançamento é de 5 anos contados da data do registro da Declaração de Importação. Nesse caso, vêse que a norma especial deve prevalecer sobre a norma geral, prevalecendo a regra disposta no art. 54 do DecretoLei 37/66. Fl. 13507DF CARF MF 34 E caso prevaleça a discussão sobre a aplicação do REsp 973.733 para fins de contagem do prazo decadencial, tenho que o art. 150, § 4º, do CTN, bem como o art. 173, inciso I, do CTN diz respeito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, diferentemente do caso em apreço – que se trata de multa regulamentar decorrente de infração praticada contra o disposto na legislação de vigência acerca do despacho aduaneiro de importação. Ademais, cabe trazer que o presente caso se refere a isenção ou suspensão do imposto – o que, dessa forma, não haveria que se falar em pagamento antecipado, restando apenas a declaração apresentada. O que, por conseguinte, reforço, nessa parte, que assiste razão ao sujeito passivo, devendo ser reconhecida a decadência, vez que o lançamento foi efetuado em 15.12.03 envolvendo operações ocorridas há mais de 5 anos. Por todo o exposto, voto por conhecer dos Recursos interpostos, dando provimento ao Recurso do sujeito passivo e negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 13508DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.491 35 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Conforme indica a ementa do acórdão, a matéria objeto deste voto vencedor resumese ao mérito do recurso especial aviado pela contribuinte, conhecido por unanimidade de votos. As questões a serem dirimidas são as seguintes: 1ª) errônea aplicação da penalidade prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 e art. 1°, alteração segunda, do DecretoLei n° 400/68, regulamentados pelo art. 463, I, do Decreto n° 2.637/98; 2ª) nulidade do lançamento de ofício, em razão da participação no julgamento de primeira instância de autoridade que subscreveu o Mandado de Procedimento Fiscal MPF; 3ª) decadência. No que respeita à primeira, muito embora adira à tese exposta no acórdão a que se refere o voto vencido (a da especificidade da multa), não percebeu a il. Relatora que a penalidade prevista no § 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, somente foi neste incluída, pela Medida Provisória – MP n.º 66, de 29/08/2002, após a ocorrência do fato gerador, que ocorreu em 1998. Portanto, não havia outra possibilidade, senão a de aplicar a multa que fora cominada nos autos – a do art. 490, I, do RIPI/1998, a única vigente à época do fato gerador de que tratava o Acórdão nº 3202001.340 (e também no caso ora em julgamento!) –, uma vez que, como sustentava a fiscalização, ao menos em tese, a contribuinte entregara a consumo produto de procedência estrangeira importado fraudulentamente. De lembrar aqui que, consoante o art. 144 do CTN, "O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". A segunda questão – o só fato de um dos julgadores ter subscrito o MPF que autorizou o procedimento fiscal no qual lavrado o lançamento objeto da decisão colegiada – não torna nula a decisão de primeira instância. O MPF, como se sabe, tem por escopo o planejamento e o controle das atividades de fiscalização, visando, ainda, permitir ao sujeito passivo assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra ele instaurada. A simples assinatura da administrativa no MPF não demonstra qualquer interesse na autuação do contribuinte fiscalizado, senão que representa uma mera autorização para que seja verificada a regularidade das operações por ele praticadas. O impedimento aponta para a falta da capacidade subjetiva do julgador, de forma que, não sendo deste a elaboração do ato impugnado (no caso, o lançamento), não há que se falar no seu afastamento para o simples fato de julgar. Fl. 13509DF CARF MF 36 A reforçar tal entendimento, temse que, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, afora os casos em que haja interesse econômico e financeiro, ou parentesco com a parte interessada, o impedimento do Conselheiro para atuar no julgamento de recurso somente se dá nos casos em que ele tenha participado do ato impugnado, seja como autoridade lançadora, seja em despacho decisório monocrático, ou, seja, ainda, como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau (Portaria MF nº 343, de 2015 RICARF/2015). A conferir: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça parte, como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como atue como seu advogado. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplica se também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau atuando no escritório do patrono do Fl. 13510DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.492 37 contribuinte, como sócio, empregado, colaborador ou associado. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplica se também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Art. 43. Incorre em suspeição o conselheiro que tenha amizade íntima ou inimizade notória com o sujeito passivo ou com pessoa interessada no resultado do processo administrativo, ou com seus respectivos cônjuges, companheiros, parentes consanguíneos e afins até o 3º (terceiro) grau. Por último, a decadência. Sustenta a il. Relatora que, em se tratando de ato de revisão aduaneira versando sobre infração relativa ao despacho aduaneiro de importação, o prazo decadencial para lançamento de multa é de 5 (cinco) anos contados da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos do art. 54 do DecretoLei 37/66, não o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Ocorre que, em diversas oportunidades, o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou que decadência é matéria reservada à lei complementar, nos termos do art. 146, inciso III, "b", da Constituição Federal, daí, por exemplo, a edição da Súmula Vinculante nº 8, segundo a qual "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário". Não obstante verse sobre outros dispositivos legais, evidentemente que o fundamento que norteou a sua elaboração é de ser aqui também aplicado. Assim sendo, entendo que ao recurso especial da contribuinte deve ser negado provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 13511DF CARF MF 38 Fl. 13512DF CARF MF Processo nº 10283.006656/200311 Acórdão n.º 9303004.323 CSRFT3 Fl. 13.493 39 Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Acredito que as informações levantadas pela fiscalização sobre a vinculação entre as empresas TCE e SDW são, ao contrário da tese vencedora, suficientes para fundamentar a inclusão da última no pólo passivo da obrigação tributária. Para tanto, valhome das razões levantadas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional no recurso especial que interpôs: 1) Há uma mesma pessoa natural participando de ambas as empresas na qualidade de sócio, com funções de gerência; 2) As empresas TCE e SDW utilizavam o mesmo espaço físico sem que houvesse separação por via pública; 3) O corpo funcional de ambas as empresas era comum e os cargos de comando, ocupados predominantemente por pessoas ligadas por laços de parentesco; 4) As empresas adulteravam e falsificavam documentos mediante artifícios idênticos; 5) As empresas manipulavam os preços das mercadorias importadas de forma a que os valores pudessem ser divididos entre elas; 6) Havia simulação de descrição de mercadorias importadas, para que pudessem adequarse ao PPB da ZFM de ambas as empresas; 7) Os arquivos documentais de ambas as empresas eram únicos, sem separação. Enfim, há uma série de indícios – não apenas os acima referidos – que, a meu juízo, levam a uma conclusão diversa da que restou adotada no voto vencedor. Os indícios, cabe enfatizar, podem, sim, fundamentar um lançamento de ofício, quando, somados, comprovem, por consequência lógica inarredável, o ilícito tributário praticado, formando, assim, a convicção da autoridade administrativa lançadora e do julgador administrativo. Essa é a razão pela qual, com relação ao presente caso, restei vencido quando do julgamento do recurso especial interposto pela Procuradoria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 13513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000304/2003-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão.
REFORMATIO IN PEJUS. É vedada a análise de pedido de manifestação em Embargos de Declaração que acarrete em adoção de premissa diversa do julgado embargado, sob pena de se incorrer em reformatio in pejus.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão. REFORMATIO IN PEJUS. É vedada a análise de pedido de manifestação em Embargos de Declaração que acarrete em adoção de premissa diversa do julgado embargado, sob pena de se incorrer em reformatio in pejus. Embargos Rejeitados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13646.000304/2003-84
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5622761
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-003.045
nome_arquivo_s : Decisao_13646000304200384.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 13646000304200384_5622761.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6471589
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688581935104
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-08-19T11:31:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-08-19T11:31:00Z; Last-Modified: 2016-08-19T11:31:00Z; dcterms:modified: 2016-08-19T11:31:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6740ff7d-5a4f-4b89-b583-5b5b5cfdf3e7; Last-Save-Date: 2016-08-19T11:31:00Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-08-19T11:31:00Z; meta:save-date: 2016-08-19T11:31:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-08-19T11:31:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-08-19T11:31:00Z; created: 2016-08-19T11:31:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-08-19T11:31:00Z; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-08-19T11:31:00Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13646.000304/200384 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301003.045 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Embargante Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão. REFORMATIO IN PEJUS. É vedada a análise de pedido de manifestação em Embargos de Declaração que acarrete em adoção de premissa diversa do julgado embargado, sob pena de se incorrer em reformatio in pejus. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 03 04 /2 00 3- 84 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório A Embargante apresentou Declaração de Compensação de COFINS do período de apuração 08/2003 (fls. 01 e seguintes), CSLL do período de apuração 08/2003 (fls. 01 e seguintes do processo 13646.000333/200346, em apenso), COFINS do período de apuração 10/2003 (fls. 01 e seguintes do processo 13646.000395/200358, em apenso) e COFINS do período de apuração 11/2003 (fls. 01 e seguintes do processo 13646.000430/2003 39, em apenso), todos com crédito de PIS/Pasep não cumulativo relativo ao 3° trimestre de 2003. A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, homologando parcialmente a compensação pleiteada (fl. 200 e seg.). Diante dos ajustes realizados pela fiscalização na apuração dos créditos da contribuição social em foco e na respectiva base de cálculo, também foi recalculado o montante desses créditos vinculados à receita de exportação, para fins de verificar a quantia passível de compensação e/ou ressarcimento. Assim, foi reduzido o saldo do crédito da contribuição para o PIS, passível de compensação com outros tributos federais, razão pela qual a fiscalização apurou valores a pagar a título da COFINS, referente aos meses de outubro e novembro de 2003 (processos n. 13646.000395/200358 e 13646.000430/200339). Em consequência do aumento da receita considerada por inserção dos valores de crédito do ICMS, houve uma alteração no percentual de rateio de créditos no mercado interno e externo. A empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 216233), na qual alega que: i) deuse a decadência do direito de o fisco constituir os créditos tributários, sendo que a autoridade não poderia realizar qualquer procedimento fiscal tendente a modificar um desses componentes da base de cálculo da contribuição do PIS, seja para aumentar o valor das receitas, seja para reduzir o montante dos créditos; ii) a legislação aplicável ao caso concreto não condicionava a compensação dos créditos dessa contribuição à sua vinculação aos custos, despesas e encargos relacionados receita de exportação; iii) é indevida a inclusão das receitas decorrentes de cessão de créditos de ICMS na base de cálculo do PIS. A DRJ (efl. 290) não acolheu a manifestação de inconformidade, mantendo as glosas nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/DECADÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITO PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. Não existe amparo legal para a utilização em compensação, de créditos apurados em relação a insumos vinculados à receita referente a vendas no Fl. 701DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 12 3 mercado interno, mesmo para as empresas que exportam parte de seus produtos. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Solicitação Indeferida. Como bem ressaltou a DRJ (fl. 291), o Despacho Decisório em questão tão somente analisou as Declarações de Compensação apresentadas pela empresa, sendo que nele não foi efetuado lançamento tributário algum. Em seu recurso voluntário, a ora Embargante repisou os mesmos argumentos de sua impugnação. Em sessão transcorrida em 7 de novembro de 2011, a Primeira Turma Especial da Terceira Seção do CARF deu total provimento ao recurso voluntário interposto pela ora Embargante, nos termos do acórdão nº 380100963, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS não cumulativo não permite que em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. Recurso Voluntário Provido. Em Embargos de Declaração (fls. 371 e seg.), a Embargante apontou a existência de omissão, pela falta de pronunciamento sobre a sua questão de mérito posta no item 3.1 do seu recurso voluntário: o cálculo dos créditos vinculados à receita de exportação e receita auferida nas operações realizadas no mercado interno. Em 19/05/2016, os Embargos foram admitidos por Gilson Macedo Rosenburg Filho (fls. 492493). Fl. 702DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 13 4 Consta ainda nestes autos, a interposição de Recurso Especial pela Fazenda Nacional (fls. 331 e seg.), devidamente admitido pelo Despacho nº 3100557 (fls. 346347) e contraarrazoado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (fl. 436 e seguintes). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional recorreu contra o reconhecimento da homologação tácita para pedidos de compensação apresentados antes de 30/10/2003, data da publicação da MP n° 135, convertida na Lei 10.833, de 2003, sendo a parte recorrida do julgado, a seguinte: HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Os embargos foram opostos tempestivamente. Em 07 de novembro de 2001, foi dado provimento integral ao recurso voluntário interposto pela Embargante, reconhecendo a homologação tácita de parte das compensações realizadas pro ela, e declarando que qualquer ajuste no crédito passível de ressarcimento deveria ter sido feito via lançamento de ofício, o que não ocorreu nestes autos. A Embargante alega que não obstante o acerto das conclusões do acórdão, há nele omissão quanto a um de seus requerimento, formulado na manifestação de inconformidade e reiterado no recurso voluntário: que lhe seja reconhecido o direito à compensação dos créditos pleiteados, já que antes do advento da Lei 10.865/2001, a pessoa jurídica que exportasse seus produtos ao exterior poderia promover tal compensação, independentemente de os créditos terem sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação. Segundo a Embargante, o acórdão deixou de se manifestar sobre o item 3.1 do seu recurso voluntário (fl.306310): 3.1. O cálculo dos créditos vinculados à receita de exportação e receita auferida nas operações realizadas no mercado interno. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator do acórdão embargado, resumiu os pontos controversos destes autos como: preliminar de necessidade de lançamento de ofício para exigência da contribuição e preliminar de homologação tácita. Quanto à homologação tácita, o acórdão embargado reconheceu que dois dos quatro pedidos de compensação, os que foram protocolizados em 09/09/2003 (Processo Administrativo n° 13646.000304/200384 no montante total de R$ 122.580,94) e em 19/09/2003 (Processo Administrativo n° 1 3646.000333/200346, no montante total de R$ 464.399,70) foram homologados tacitamente considerando que do despacho decisório foi cientificado o contribuinte somente em 29/10/2008, ou seja, após o quinquênio a contar do seu protocolo. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 14 5 Repisese que alega a Embargante que houve omissão no acórdão quanto ao cálculo dos créditos vinculados à receita de exportação e receita auferida nas operações realizadas no mercado interno. Contudo, observese que o acórdão embargado acolheu exatamente o pedido formulado pela Embargante em sede de preliminar, no item 2.2 do Recurso Voluntário: 2.2 A impossibilidade de ser alterada a base de cálculo da contribuição, ao PIS, em processos decorrentes de declaração de compensação Conforme mencionado no tópico anterior, foram considerados pela fiscalização, na base de cálculo da contribuição para o PIS, determinados "ingressos" que, em seu entender, possuiriam a natureza jurídica de receita, mas que não foram computados pela recorrente, quando de sua apuração. Sem entrar no mérito dessa discussão, que será objeto dos próximos tópicos, ainda que a fiscalização entendesse que a base de cálculo daquela contribuição foi incorretamente apurada, nos meses de julho, agosto e setembro de 2003, não tendo sido computadas as supostas receitas, decorrentes da cessão de créditos de ICMS, ela não poderia, em sede de declarações de compensação, corrigir tal equívoco. O art. 149 do Código Tributário Nacional, ao tratar das hipóteses em que o lançamento deve ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa, prescreve que: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." Como se vê, o inciso V do art. 149 do Código Tributário Nacional, dirigido expressamente a hipótese do lançamento por homologação, prescreve que é cabível a revisão de ofício desse lançamento quando restar comprovada a omissão e/ou inexatidão do sujeito passivo. Contudo, nesse caso, a revisão do lançamento deve ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública de formalizar o lançamento de ofício, ou seja, do prazo quinquenal contado da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Diante da clareza desse dispositivo legal, admitindose apenas para fins de argumentação que a recorrente deveria ter computado, na base de cálculo da contribuição ao PIS, os ingressos decorrentes da cessão de crédito do ICMS, a fiscalização deveria ter efetuado o lançamento de oficio. Não tendo sido esse o procedimento adotado, forçoso reconhecer que não pode ser mantida a inclusão desses ingressos, na base de cálculo daquela contribuição, efetuada por meio de despacho decisório, proferido em processo administrativo decorrente de declaração de compensação. Nesse sentido, há precedentes do antigo E. 2° Conselho de Contribuintes que entenderam que a fiscalização não pode, em sede de pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, modificar a base de cálculo da contribuição para o PIS, na medida em que, para tanto, seria necessário formalizar lançamento de oficio. (...) Fl. 704DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 15 6 Desse modo, ainda que se admita a possibilidade de a fiscalização rever a base de cálculo da contribuição ao PIS depois de expirado o prazo decadencial, o que se faz apenas para fins de argumentação, tal revisão não poderia ser feita em processos administrativos, decorrentes de declarações de compensação. Pelo exposto, forçoso concluir que, independentemente de qualquer consideração acerca de seu mérito, deve o v. acórdão recorrido ser modificado, reconhecendose o direito creditório da recorrente e, consequentemente, homologandose as compensações por ela declaradas. Por isso, não vislumbro a omissão apontada, uma vez que o voto vencedor do acórdão embargado é claro ao fundamentar o acolhimento da preliminar em detrimento de outras questões de mérito (como o item 3.1 do recurso voluntário e ainda, a glosa relativa à transferência de créditos de ICMS), como se observa claramente no excerto do voto do Conselheiro Relator Sidney Stahl: Evidentemente, a glosa efetuada no pedido de ressarcimento, em vez do lançamento de ofício pertinente, não pode prosperar. Daí a necessidade de reversão dos valores glosados, de modo a permitir o ressarcimento sem a glosa ora debatida. Em outras palavras, a redução do valor a ser ressarcido ao contribuinte se deveu, não porque tivessem sido constatadas irregularidades materiais ou legais nos fundamentos do crédito, mas, sim, nos débitos da contribuição do PIS/Pasep não cumulativo de cada um dos períodos. Agiu o fisco, portanto, de forma similar aos procedimentos que adota quando trata, por exemplo, de "Pedidos de Ressarcimento de Créditos de IPI", fundados no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, ou seja, diante de um crédito de IPI indevidamente pleiteado pela empresa, promove uma glosa no valor do crédito, diminuindo, consequentemente, a pretensão do contribuinte. Tal procedimento, entretanto, não se mostra adequado quando se depara com Pedidos de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo quando o motivo da divergência levantada pelo fisco se encontra na parcela do débito do PIS/Pasep como é o presente caso. Lembrese, neste ponto, que o valor do saldo do ressarcimento pleiteado pela empresa fora diminuído pela autoridade fiscal por entender que o valor do débito da contribuição devida ao PIS/Pasep, havia sido apurado a menor em decorrência da falta de inclusão de algumas rubricas na base de cálculo que a determinou (créditos de ICMS). Diante de um valor de débito do PIS apurado a menor, o fisco, em vez de efetuar um lançamento de ofício na forma dos artigos 13, § 1º; 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Código Tributário Nacional, combinados com os dispositivos pertinentes do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, apenas retificou o correspondente valor então declarado no Pedido de Ressarcimento para o valor que entendeu correto. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 16 7 Assim, até que haja alteração específica nas regras para se apurar o valor dos ressarcimentos do PIS nãocumulativo, a constatação, pelo fisco, de irregularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor; jamais um mero acerto escritural de saldos, conforme foi feito neste processo. Assim, entendo que a sistemática de ressarcimento do PIS não cumulativo não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vigente à época) que assim dispunha: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Considerando que o acordão embargado acolheu preliminar arguida pela própria Embargante no seu recurso voluntário, não cabe em sede de embargos de declaração a rediscussão de matéria de mérito prejudicada pelo acolhimento da preliminar. É vedada a análise de pedido de manifestação em embargos de declaração que acarrete em adoção de premissa diversa do julgado embargado, sob pena de se incorrer em reformatio in pejus. Conclusão Diante do exposto, não se observa no acórdão recorrido a apontada omissão que justifique a oposição de embargos de declaração, portanto, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração|, visto que ausentes os motivos para a sua legitimação. Sala de Sessões, em 19 de julho de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 706DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000304/200384 Acórdão n.º 3301003.045 S3C3T1 Fl. 17 8 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004499/2001-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/09/2007 a 18/04/2012
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se constatando inexatidões materiais no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados.
Cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observar a determinação proferida em âmbito judicial, sendo correto o reconhecimento da concomitância da ação judicial com o processo administrativo, não havendo de se falar na ocorrência de inexatidões materiais no julgado.
Numero da decisão: 9303-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos da Alfândega do Porto de Manaus.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/09/2007 a 18/04/2012 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se constatando inexatidões materiais no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados. Cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observar a determinação proferida em âmbito judicial, sendo correto o reconhecimento da concomitância da ação judicial com o processo administrativo, não havendo de se falar na ocorrência de inexatidões materiais no julgado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10283.004499/2001-48
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5657534
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.315
nome_arquivo_s : Decisao_10283004499200148.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10283004499200148_5657534.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos da Alfândega do Porto de Manaus. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6567296
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688603955200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 417 1 416 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.004499/200148 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303004.315 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria II IPI Classificação fiscal Embargante ALFÂNDEGA DO PORTO DE MANAUS Interessado DENSO INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/09/2007 a 18/04/2012 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se constatando inexatidões materiais no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados. Cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observar a determinação proferida em âmbito judicial, sendo correto o reconhecimento da concomitância da ação judicial com o processo administrativo, não havendo de se falar na ocorrência de inexatidões materiais no julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos da Alfândega do Porto de Manaus. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 44 99 /2 00 1- 48 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10283.004499/200148 Acórdão n.º 9303004.315 CSRFT3 Fl. 418 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Alfândega do Porto de Manaus (fls. 398 a 400), autoridade administrativa competente para a execução do acórdão nº 930201.212, com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, buscando sanar inexatidões materiais existentes no julgado. A embargante alega a existência de duas inexatidões materiais: (a) a DI nº 01/05157508, objeto da ação anulatória nº 2005.32.00.0007594, não corresponde ao presente processo administrativo; e (b) o pedido da ação anulatória está restrito ao processo administrativo fiscal nº 10283.004593/200105, que engloba apenas a DI nº 01/05157508, embora tenha a contribuinte equivocadamente feito referência à DI nº 01/04360610, tratada nestes autos. Não há, portanto, concomitância entre a ação judicial e a presente discussão administrativa. Ao final, propõe o retorno dos autos a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais para prolação de novo acórdão, corrigindose as inexatidões materiais apontadas. A insurgência foi recepcionada na forma de embargos inominados, conforme art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, para saneamento das inexatidões materiais mediante novo julgamento. O despacho de admissibilidade dos embargos (fls. 404 a 405), de 03 de março de 2016, foi proferido nos seguintes termos: Trata o processo do Auto de Infração n 0 0227600/00301/01, lavrado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil no Terminal Privativo Superterminais em 31/05/2001, do qual o Interessado fora cientificado em 04/06/2001. Após a notificação da autuação, o Interessado protocolizou impugnação tempestiva, motivo pelo qual o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/FOR/CE para apreciação e julgamento. Em acórdão de 23/05/2002, a 2ª Turma da DRJFORCE julgou procedente o lançamento objeto da lide, para considerar devido o crédito tributário. O interessado apresentou Recurso Voluntário, que foi provido pela 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 246/254). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de Divergência (fls. 256/265), que foi provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por considerar que o interessado renunciou à esfera administrativa ao ajuizar a Ação Anulatória nº 2005.32.00.0007594. O Acórdão nº 930301.212 (fls. 375 a 378) está assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10283.004499/200148 Acórdão n.º 9303004.315 CSRFT3 Fl. 419 3 Data do fato Gerador: 03/05/2001 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Procurador Provido. A ALFMNSAM, Autoridade Administrativa incumbida da execução do Acórdão nº 930301.212, retorna vem agora aos autos, para, nos termos da Informação SECAT nº 59/2015, fls. 398 a 400, e do Despacho do InspetorChefe da Alfândega, fls. 401, aventar a ocorrência de duas inexatidões: I. A primeira inexatidão diz respeito ao seguinte trecho do acórdão: "Ressaltase que a Ação Anulatória n° 2005.32.00.0007594 (fl. 300),ajuizada pela contribuinte perante a Justiça Federal da Seção Judiciária do Amazonas, abarca o objeto desta Ação Fiscal em sua totalidade, pois referese à DIn° 01/05157508. ". A ALFMNSAM lembra que a DI nº 01/05157508 não corresponde ao presente processo administrativo, que teria correspondência com a DI nº 01/04360610. A DI nº 01/05157508 teria sido objeto do Auto de Infração nº 0227600/00300/01 PAF nº 10283.004593/200105 (fls. 141/145). II. Para descrever a segunda inexatidão no seguinte trecho do Acórdão nº 930301.212, a ALFMNSAM destaca que, na Ação Anulatória nº 2005.32.00.0007594, a parte formulou o seguinte pedido: "c) Julgar totalmente procedente a presente ação, declarandose desconstituídos os lançamentos fiscais e, pois, insubsistentes os Autos de Infração cuja MPF tem o número 0227600/00300/01 constantes nas Declarações de Importação sob os números 01/05157508 e 01/04360610 nos autos do Processo Administrativo n° 10283.004593/200105, afastandose a exigibilidade dos tributos e consectários em discussão, pelos motivos antes expostas", A Ação Anulatória nº 2005.32.00.0007594 restringese ao Processo Administrativo nº 10283.004593/200105 (Auto de Infração nº 0227600/00300/01) e não engloba a DI 01/04360610. Além disso, aparentemente, o interessado não noticiou em suas contrarrazões a existência de ação judicial anulatória de débito fiscal relativa ao mesmo auto de infração que originou o presente PAF. Na verdade, o interessado assim apontou em suas contrarrazões: "Apenas para registro, a decisão tomada como paradigma para manejo do presente recurso, igualmente não merece guarida, haja vista que a mesma laborou em franco equívoco, tanto assim que a mesma já foi alvo da medida judicial, que ora se junta a cópia" Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10283.004499/200148 Acórdão n.º 9303004.315 CSRFT3 Fl. 420 4 Assim, ao contrário do asseverado no Acórdão nº 930301.212, o autuado, nas contrarrazões ao apelo fazendário, rechaçou a ocorrência da concomitância. Pede saneamento das inexatidões. Nos termos do art. 66 do RICARF, as inexatidões materiais devem sem recebidas como embargos inominados para correção, mediante prolação de novo acórdão. [...] (grifos no original) O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração opostos pela Alfândega de Manaus e recebidos como embargos inominados nos termos do art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, atendem aos pressupostos de admissibilidade, devendo, assim, ser conhecidos. No entanto, com a devida vênia ao despacho de admissibilidade, o recurso não merece ter seguimento pois ausente quaisquer dos vícios a ensejar a sua interposição, como restará demonstrado. Conforme relatado, o processo tem origem em auto de infração lavrado pela fiscalização da Receita Federal no Terminal Privativo Superterminais em 31/05/2001, com ciência do sujeito passivo em 04/06/2001, para cobrança de imposto de importação e imposto sobre produto industrializado vinculado, além dos consectários legais, em razão do descumprimento de obrigações necessárias à permanência no regime fiscal da Zona Franca de Manaus (benefício fiscal amparado pelo Decreto nº 288/67). Apresentada a impugnação, a mesma foi julgada improcedente pela DRJ de Fortaleza, para considerar devido o crédito tributário. Interposto recurso voluntário, o mesmo foi provido pela 1ª Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 246/254), com ementa nos seguintes termos: ZONA FRANCA DE MANAUS PROJETO PRODUTIVO BÁSICOPPB DESCRIÇÃO DA MERCADORIA A descrição do produto importado por um termo mais genérico (Enrolamento de Fio de Cobre) ao invés do mais específico (Induzido de Motores), mas estando ambos relacionados na lista de insumos do PPB, não é motivação para descaracterizar a Licença de Importação, nem tampouco declarar como inexata a descrição. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10283.004499/200148 Acórdão n.º 9303004.315 CSRFT3 Fl. 421 5 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em face do referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 267 a 276), sustentando que, por ter havido a declaração inexata na licença de importação, pois as mercadorias são induzidos de motores e não de enrolamentos de fio de cobre, correta é a cobrança dos tributos do II, IPI vinculado e da multa administrativa. O recurso foi admitido conforme termos do despacho de admissibilidade nº 301878/08/06 (fls. 287 a 289), tendo sido apresentadas as respectivas contrarrazões pela contribuinte (fls. 298 a 302). No julgamento do recurso especial, foi prolatado o acórdão nº 930301.212 dando provimento ao mesmo, pois a Contribuinte teria renunciado à esfera administrativa ao ajuizar a Ação Anulatória nº 2005.32.0007594 (fls. 375 a 378), assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato Gerador: 03/05/2001 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Procurador Provido. Anteriormente à intimação da Contribuinte com relação ao acórdão de julgamento do recurso especial, a Alfândega de Manaus AM apresentou a Informação SECAT nº 59/2015 (fls. 397 a 400) apontando inexatidões materiais no julgado: (a) quanto à indicação da declaração de importação DI discutida nestes autos e (b) à inexistência de discussão judicial quanto ao débito do presente processo administrativo. As inexatidões materiais foram recebidas pelo Ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais como embargos inominados. Ocorre que não há inexatidões materiais no julgado do recurso especial da Fazenda Nacional. Ao ajuizar a ação anulatória, a Embargada fez referência expressa na parte dispositiva a duas DI´s, estando uma delas em discussão neste processo administrativo (fl. 312): [...] c) Julgar totalmente procedente a presente ação, declarandose desconstituídos os lançamentos fiscais e, pois, insubsistentes os Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10283.004499/200148 Acórdão n.º 9303004.315 CSRFT3 Fl. 422 6 Autos de Infração cuja MPF tem o número 0227600/00300/01 constantes nas Declarações de Importação sob os números 01/05157508 e 01/04360610 nos autos do Processo Administrativo n° 10283.004593/200105, afastandose a exigibilidade dos tributos e consectários em discussão, pelos motivos antes expostos; [...] (grifouse) Além disso, na sentença do referido processo judicial foi julgada procedente a demanda e declarado desconstituídos os lançamentos fiscais e insubsistentes os autos de infração relativos às DI´s nºs 01/05157508 e 01/04360610, fazendo referência expressa à DI que é objeto deste processo administrativo (DI nº 01/04360610) (fls. 370 a 373), in verbis: [...] Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, extinguindo o feito com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC, para declarar desconstituídos os lançamentos fiscais e. insubsistentes os Autos de Infração/cuja MPF tem o n° 0227600/00.300/01, referentes às Declarações de Importação n°s 01/05157508 e 01/04360610 nos autos do Processo Administrativo n° 10283.004593/200105, afastandose a exigibilidade dos tributos e consectários, em discussão. [...] Portanto, tendo restado expressamente consignado no dispositivo da decisão judicial a abrangência do provimento para a DI nº 01/04360610, ainda que se supostamente de forma equivocada, não cabe a este Conselho afastar determinação proferida em âmbito judicial, sendo correto o reconhecimento da concomitância da ação judicial com o processo administrativo, não havendo de se falar na ocorrência de inexatidões materiais no julgado. Diante do exposto, são conhecidos e rejeitados os embargos interpostos pela Alfândega de Manaus AM. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10283.004499/200148 Acórdão n.º 9303004.315 CSRFT3 Fl. 423 7 Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724132/2013-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2202-003.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10510.724132/2013-57
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5631275
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.546
nome_arquivo_s : Decisao_10510724132201357.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10510724132201357_5631275.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6485774
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688607100928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 51 1 50 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.724132/201357 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.546 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARIA DAS GRAÇAS ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA. Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra a contribuinte acima identificada, para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 3.866,24 (sendo R$ 2.062,99 de IRPF suplementar, R$ 1.547,24 de multa de ofício e R$ 256,01 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 41 32 /2 01 3- 57 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 de juros de mora, estes calculados até 29/11/2013), relativo ao IRPF do Exercício de 2012, AnoCalendário de 2011. A exigência é decorrente da constatação das seguintes infrações: ∙ omissão de rendimentos do trabalho, recebidos da pessoa jurídica Fundação Nacional de Saúde, no valor de R$ 9.517,14; ∙ omissão de rendimentos decorrentes de ação judicial, recebidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 10.822,13. A contribuinte notificada apresentou impugnação tempestiva, dizendo que concorda com a omissão de rendimentos da Fundação Nacional de Saúde, mas discorda da omissão de rendimentos decorrentes da ação judicial, por tratarse de crédito de natureza alimentar que não poderia ser objeto de tributação. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 VERBA DE NATUREZA ALIMENTAR. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. As verbas de natureza de alimentar, tais como salários, vencimentos e proventos de aposentadoria, sujeitamse, via de regra, à incidência do imposto de renda. Cientificado da decisão em 12/09/2014 (A.R. de fl. 35), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16/10/2014 (fls. 37 a 49), no qual repisa os argumentos da impugnação e combate a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do Recurso Voluntário interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Fl. 52DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10510.724132/201357 Acórdão n.º 2202003.546 S2C2T2 Fl. 52 3 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 12/09/2014 (sexta feira), por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 35. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 37 a 49) somente no dia 16/10/2014 (quintafeira), estava exaurido o prazo legal de trinta dias, que se venceu em 14/10/2014 (terçafeira). Portanto, o Recurso Voluntário foi interposto após o prazo legal, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido. Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade. assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727088/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A isenção se aplica a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A isenção se aplica a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.727088/2012-33
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5631722
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.539
nome_arquivo_s : Decisao_10830727088201233.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
nome_arquivo_pdf_s : 10830727088201233_5631722.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6487133
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688609198080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 82 1 81 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.727088/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.539 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2016 Matéria IRPF moléstia grave Recorrente VANILTON SENATORE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A isenção se aplica a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 70 88 /2 01 2- 33 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.727088/201233 Acórdão n.º 2202003.539 S2C2T2 Fl. 83 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 08/12), relativa ao exercício 2010, anocalendário 2009, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, no valor de R$ 104.479,63, apurados com base na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da pessoa jurídica. Na impugnação (fls. 2) o Contribuinte alega que havia declarado esse montante como isento, sob a justificativa de ser portador de moléstia grave, e trouxe comprovante de pagamento (fls. 04/05), publicação de sua aposentadoria (fls. 06) e laudo pericial (fls. 07). Em verificação de ofício das matérias de fato, a autoridade fiscal informa, no termo circunstanciado de fls. 28/30, que deixou de aceitar o documento apresentado às fls. 07, por não considerálo como laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ciente desse termo, o contribuinte, em complemento à impugnação, apresenta a manifestação de fls. 36/37, acompanhada dos documentos de fls. 38/48, na qual argumenta que o laudo apresentado é válido e reitera sua condição de portador de moléstia grave (neoplasia maligna de pele). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo I (SP), às fls. 53/57, reconheceu que os proventos recebidos são provenientes de aposentadoria e que o laudo pericial apresentado (fls. 07 e 42) foi emitido por serviço médico oficial, mas negou provimento à impugnação por entender que o início da doença ocorreu em 04/2012, conforme trecho a seguir: Analisando o Documento Médico de fl. 42, emitido pelo Governo do Distrito Federal, Coordenação de Saúde Ocupacional, Gerência de Atenção à Saúde do Trabalhador, assinado em 28/06/2012 por três médicos, dentre os quais identificase a Dra. Gilvana de Jesus do Vale Campos, CRM 8248, CPF 450.227.63320, médica perita, constatase que o contribuinte é portador de Neoplasia Maligna de pele, CID10 C443, sendo referido Laudo válido para a comprovação da recidiva da moléstia. Quanto a data de início da doença, vêse através do exame patológico de fl. 39 que o diagnóstico “Carcinoma epidermóide grau II histológico” se deu em 19/04/2012, sendo esta a data a ser considerada. Notese que a data de 28/08/1996, citada no Laudo Pericial, referese à primeira ocorrência de câncer, conforme exame patológico de fl. 38, com o diagnóstico de “Carcinoma Basocelular Micronodular e sólido”. Considerando que a validade de um Laudo Médico é de cinco anos e considerando a hipótese de se ter tido um Laudo Médico emitido em 28/08/1996 (data do diagnóstico da doença), temse que o mesmo expiraria em 28/08/2001, em sendo assim, no presente caso, a data de início da doença a ser considerada é a da recidiva, qual seja, a de 28/06/2012. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.727088/201233 Acórdão n.º 2202003.539 S2C2T2 Fl. 84 3 Quanto a natureza dos rendimentos, verificase que os rendimentos acrescidos à base de cálculo referemse a rendimentos pagos pelo Governo do Distrito Federal, em relação ao qual o contribuinte encontrase aposentado desde março/1994, conforme fl. 06. Dessa forma, restou comprovado que o requerente faz jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713 de 22/12/1988, com nova redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541 de 23/12/1992, somente a partir de 04/2012, indeferindose o pedido de reconhecimento de isenção para o ano de 2009. (Grifos no original) O recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 64/69, não concordando com o entendimento de que o laudo médico teria validade por cinco anos, posto que a Lei não faz menção acerca da validade do laudo quando se trata de doença grave. Cita jurisprudência judicial no sentido de que, reconhecida a neoplasia maligna, não se exige, para fins da isenção do imposto de renda, a demonstração da contemporaneidade dos sintomas das doenças, nem indicação da validade do laudo ou comprovação da recidiva da enfermidade. Pede a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.727088/201233 Acórdão n.º 2202003.539 S2C2T2 Fl. 85 4 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em questão, a primeira instância julgadora reconheceu a natureza de aposentadoria dos rendimentos acrescidos à base de cálculo do imposto, na notificação fiscal, visto que foram pagos pelo Governo do Distrito Federal, em relação ao qual o contribuinte encontrase aposentado desde março/1994, conforme fls. 06. Observase ainda que a DRJ também considerou apto o laudo médico pericial (às fls. 07 e 42) emitido pelo Governo do Distrito Federal, Coordenação de Saúde Ocupacional, Gerência de Atenção à Saúde do Trabalhador, de 28/06/2012, para atestar que o contribuinte é portador de Neoplasia Maligna de pele, CID10 C443. Contudo, entendeu que esse laudo não produz efeitos a partir da data nele consignada como de início da doença (28/08/1996, data do primeiro diagnóstico, fls. 38), mas sim a partir de 04/2012 (data do segundo diagnóstico, fls. 39), não servindo para comprovar a moléstia no ano de 2009. Dessa forma, o litígio restringese em definir se o laudo emitido por serviço médico do Governo do Distrito Federal (fls. 07 e 42) produz efeitos em relação ao ano calendário de 2009. A DRJ fundamenta seu entendimento na tese de que um laudo médico pericial tem cinco anos de validade. Assim, considerando a hipótese de ter sido emitido um laudo quando do primeiro diagnóstico da doença, em 28/08/1996 (exame de fls. 38), esse teria expirado em 28/08/2001. Como o segundo diagnóstico ocorreu em 19/04/2012 (exame de fls. 39), entende que o laudo apresentado é válido somente a partir dessa recidiva da doença, para fins de isenção do imposto. Em que pese as justificativas da primeira instância julgadora para embasar sua decisão, não coaduno com o posicionamento por ela adotado. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, explicita que a isenção em face de moléstia grave se aplica sobre os rendimentos de aposentadoria ou pensão recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, se identificada no laudo pericial, conforme abaixo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.727088/201233 Acórdão n.º 2202003.539 S2C2T2 Fl. 86 5 grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (...) (Grifouse) Na situação em análise, o único laudo médico oficial trazido aos autos é o de fls. 07 e 42, emitido em 28/06/2012, pelo Governo do Distrito Federal, Coordenação de Saúde Ocupacional, Gerência de Atenção à Saúde do Trabalhador. E esse laudo atesta que o contribuinte é portador de Neoplasia Maligna de pele, CID10 C443, a partir de 28/08/1996. Portanto, com respaldo no dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, acima transcrito, entendo válido para fins de comprovação de moléstia grave, em relação ao anocalendário 2009, o laudo médico pericial emitido pelo Governo do Distrito Federal (fls. 07 e 42). Logo, em face da comprovação de que os rendimentos são provenientes de aposentadoria e da condição do contribuinte de portador de doença grave no ano calendário de 2009, há que se reconhecer que são isentos os rendimentos qualificados como omitidos na notificação de lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.727088/201233 Acórdão n.º 2202003.539 S2C2T2 Fl. 87 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
score : 1.0
