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Numero do processo: 11829.000028/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2009
Ementa: Laudo técnico. Produto identificado como BATERIAS DE LÍTIO-ION
ou ACUMULADORES DE LITIO-ION (RECARREGÁVEIS) não se classifica no código NCM 8506.50.10 como Pilhas e Baterias de Pilhas elétricas.
Recurso conhecido e negado provimento.
Numero da decisão: 3102-001.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Produto identificado como BATERIAS DE LÍTIO ION ou ACUMULADORES DE LITIOION (RECARREGÁVEIS) não se classifica no código NCM 8506.50.10 como Pilhas e Baterias de Pilhas elétricas. Recurso conhecido e negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 29/06/2012 Fl. 915DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nancy Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1746.811 da 2ª Turma da DRJ/SP2, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado por classificação errada de mercadoria, exigindose a diferença relativa aos tributos e as multas de ofícios de 75%(setenta e cinco por cento) sobre o imposto de impostação e o impostos sobre produtos industrializados. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro por meio das DIs listadas às fls. 04/13 a mercadoria descrita como BATERIA DE LÍTIO, classificandoa no código NCM 8506.50.10 – PILHAS E BATERIAS DE PILHAS, ELÉTRICAS; DE LÍTIO com volume exterior não superior a 300 cm³ . 0 Laudo de fls. 402/415 elaborado por engenheiro em telecomunicações devidamente credenciado na Alfândega de Viracopos identificou a mercadoria como: "BATERIAS DE LÍTIOION" ou: Acumuladores elétricos de Litioion (RECARREGÁVEIS) ou conforme sua origem "LI ION SECONDARY CELL" (O termo "secundário" significa recarregável). Os componentes são catodo, Anodo, Eletrólito e Receptáculo." Destacou a fiscalização que o código NCM 8506.50.10 adotado pela interessada referese a Pilhas/Baterias de litio. 0 Laudo Técnico foi conclusivo ao afirmar que os produtos importados são recarregáveis, caracterizandose como Baterias de LitioIon ou acumuladores de Litioion, não apresentado as especificações de um pilha, devendo ser classificado no código NCM 8507.80.00 — ACUMULADORES ELÉTRICOS E SEUS SEPARADORES, MESMO DE FORMA QUADRADA OU RETANGULAR — OUTROS ACUMULADORES, com base nas RGIs l a e 6, (textos da posição 8507 e da subposição 8507.80), c/c RGC1, todas da TEC. Assim, ficou constatado que o contribuinte classificou nas Declarações registradas entre Maio de 2006 a Dezembro de 2008 os produtos identificados no Laudo Pericial LRV04013PD como BATERIAS DE LÍTIOION ou Acumuladores elétricos (RE CARREGÁVEIS) na NCM 8506.50.10. Em decorrência da reclassificação fiscal, foi lavrado o presente auto de infração, tendo como objeto as DIs registradas no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2009, formalizando a exigência do crédito tributário relativo as diferenças de tributos, as multas de oficio de 75% sobre o II e IPI, previstas no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, Fl. 916DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11829.000028/201018 Acórdão n.º 3102001.438 S3C1T2 Fl. 568 3 multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inciso IV, da lei n° 10.833/03, PIS e COFINS, totalizando, com os juros de mora calculados até 31/08/2010, o valor de R$ 43.830.026,64, conforme demonstrativo de fls. 01. Cientificado do auto de infração em 29/09/2010, fls. 03, o contribuinte protocolizou a impugnação, fls. 451/465, em 20/10/2010, alegando, em síntese, que: a convicção formada pela Fiscalização está fundamentada em Laudo Técnico que apresenta inúmeras contradições e não é conclusivo; a Impugnante se absteve de apresentar quesitos ao Perito, por entender que aqueles apresentados pela Fiscalização eram suficientes para o deslinde da questão, o que não se mostrou verdadeiro; a Impugnante apresenta, as fls. 454/463, as suas razões de defesa, comentando cada quesito; ao final requer: a) que a tese da Fiscalização Aduaneira está totalmente fundamentada em Laudo Técnico que apresenta inúmeras contradições e não é conclusivo; b) que foi adotado, para a classificação tarifária da célula de bateria de litio com volume exterior não superior a 300 cm, o enquadramento mais especifico possível e, portanto, a classificação mais correta; c) que a própria NESH admite a recarga das pilhas ou baterias, conquanto não possam ser nem fácil nem eficazmente recarregáveis; d) que o Sr. Perito, no quesito n° 2 afirmou que o "produto não tem função secundária" e que, em não tendo essa função, o produto não é recarregável; e) que a célula de bateria importada pela Impugnante, no estado em que é importada, não pode ser recarregada; f) que, como afirmado diversas vezes pelo Perito, a agregação de diversos componentes e a realização do processo industrial executado pela Impugnante, no Brasil, é que torna possível a recarga eficaz da célula de bateria importada, objeto do presente processo; g) que o produto acabado resultante do processo industrial da Impugnante é que é uma bateria recarregável; h) pede e espera a Impugnante que seja Fl. 917DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 Após analisar a impugnação apresentada, decidiu a 2ª Turma da DRJ/SP2, pela sua improcedência, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2009 Ementa O produto identificado como BATERIAS DE LÍTIOION ou ACUMULADORES DE LITIOION (RECARREGÁVEIS) não se classifica no código NCM 8506.50.10. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário(fls. 523/537) reiterando as razões de sua defesa, e assim, manifestase especificamente sobre cada quesito e suas respectivas respostadas, visando demonstrar que o laudo técnico apresentado reflete diversas contradições e enfatiza que “o fato das células de baterias de lítio importadas possuírem os elementos eletroquímicos necessários à recarga, não significa afirmar de que elas são baterias ou acumuladores elétricos recarregáveis, no estado em que foram importados”. Destaca ainda a recorrente, as afirmações do próprio perito, ao demonstrar que o mesmo consignou em suas respostas que a célula de bateria importada, apenas se tornará recarregável, se passar por um processo produtivo com acréscimo de outros componentes, sendo este produto final, uma bateria recarregável. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado no relato acima a presente questão fica restrita a análise da classificação da mercadoria importada pela recorrente, que a classificou com o código nº. 8506.50.10 (Pilhas e Baterias de Pilhas, Elétricas – de Lítio), enquanto a fiscalização, em atenção ao laudo pericial (fls. 402/415), entende que o produto deve ser classificado no código NCM 8507.80.00. Inicialmente é oportuno destacar que o contribuinte foi intimado para apresentar quesitos a serem acrescidos no próprio laudo técnico, entretanto o mesmo entendeu desnecessário, fato que consignou em sua própria impugnação, assim resta analisar as definições e respostas trazidas no laudo, observando as duas classificações. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11829.000028/201018 Acórdão n.º 3102001.438 S3C1T2 Fl. 569 5 De acordo com a reposta o primeiro quesito os produtos importados são baterias de lítio ou acumuladores elétricos recarregáveis, utilizados em baterias recarregáveis para telefones celulares, como forma de fonte portátil de energia recarregável. Através da resposta ao quesito 07 o técnico demonstra claramente que o produto importado é uma célula de bateria recarregável utilizada como base para as baterias de celulares. Já nos quesitos 09, 10, 11 e 12 fica estabelecida a diferença entre o produto importado e uma bateria de pilhas, explicando que a pilha não funciona como acumulador elétrico, ao contrário do produto em questão, que é um acumulador. Ressalta ainda o laudo, que as pilhas descritas na posição 85.06, não são pilhas elétricas recarregáveis, as quais devem ser classificadas na posição 85.07. É oportuno destacar a o quesito 12 e suas resposta: 12. QUAL A DIFERENÇA ENTRE BATERIA DE PILHAS (POSIÇÃO 8506) E ACUMULADORES ELÉTRICOS? EXPLIQUE. R. A bateria de pilhas da posição 8506, não é recarregável, ou seja, não armazena sob forma de energia química a energia elétrica que lhe seja fornecida. Os acumuladores elétricos armazenam sob forma de energia química a energia elétrica que lhes seja fornecida, ou seja, são recarregáveis. Quanto ao argumento de que o laudo definiu que a célula de bateria importada apenas seria recarregável após o acréscimo de outro componentes, vale frisar que através da reposta 3 ficou consignado que o produto importado já se apresenta como bateria recarregável, e apenas passa por um linha de produção, onde são acrescidos alguns componentes e a partir de então a recarga é possível atendendo “parâmetros limitantes de temperatura, tensão de carga, corrente de carga, pressão” Observado o posicionamento técnico sobre o material importado, verificase abaixo a classificação adotada pela recorrente e aquela atribuída pela fiscalização. 85.06 Pilhas e baterias de pilhas, elétricas. 8506.50 De lítio 8506.50.10 Com volume exterior não superior a 300cm³ 85.07 Acumuladores elétricos e seus separadores, mesmo de forma quadrada ou retangular. 8507.80.00 Outro acumuladores Verificada a classificação acima, fazse necessário apresentar a nota explicativa da posição nº. 8506, a qual estabelece que "A presente posição não compreende as pilhas elétricas recarregáveis, as quais se classificam, como acumuladores elétricos, na posição 85.07”, já a regra de interpretação do sistema harmonizado nº 01, define que a classificação deverá ser realizada observando os textos da posição e as notas de seção e de Fl. 919DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 capítulo, portanto em atenção ao laudo apresentado e a fundamentação acima exposta, percebe se que agiu corretamente o autuante. É oportuno o que dispõe as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Por todo exposto nego provimento ao recurso voluntário, mantendo assim a decisão recorrida. Sala de sessões 24 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 920DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 35366.003240/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/08/2003
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 30/08/2003 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/08/2003 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 32 40 /2 00 5- 14 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35366.003240/200514 Acórdão n.º 2401003.017 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório EICASA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da Secretaria da Receita Previdenciária em São Paulo/SP Centro, DN nº 21.401.4/0165/2005, às fls. 124/133, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (INCRA, SESI, SENAI, SEBRAE e SalárioEducação), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, em relação ao período de 02/2003 a 08/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 32/33. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 06/10/2003, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 695.451,02 (Seiscentos e noventa e cinco mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, do exame da contabilidade da contribuinte, constatouse a falta de recolhimento das contribuições ora lançadas, sendo os fatos geradores extraídos das Folhas de Pagamentos, GFIP’s, Termos de Rescisões de Contratos de Trabalho, Recibos de Salário e de Férias e Registros de Empregados. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 139/176, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, por entender ser ilegal e inconstitucional o prazo para recolhimento das contribuições previdenciárias, alterado pelo Decreto Presidencial nº 91.406/1985, instrumento impróprio para tratar de referida matéria, que necessita de lei complementar. Opõese à contribuição previdenciária destinada ao INCRA, vindicando sua exclusão do presente lançamento, alegando que referida exação afronta de forma flagrante a CF, sobretudo por ser empresa urbana e inexistir dispositivo constitucional determinando a sua vinculação com outra categoria econômica (rural), sem qualquer benefício próprio. Alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5º, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei 8.212/91, não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Após tecer comentários acerca da origem da contribuição destinada ao SalárioEducação, assevera que sua cobrança é inconstitucional/ilegal, tendo em vista, entre Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 outros motivos, a não recepção pela CF/88, bem como por inexistir Lei Complementar instituidora. Sustenta ser ilegal e inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre décimo terceiro salário, por este não ter efetivamente natureza de “salário”, mas sim uma gratificação para o empregado. Contrapõese à contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos administradores e autônomos, sob o entendimento que a Lei Complementar nº 84/1996 é inconstitucional, por ferir o artigo 195, da CF, o qual não contempla a remuneração de diretores e autônomos como hipótese de incidência de tais tributos. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Traz à colação inúmeras decisões de nossos Tribunais. Contrapõese à multa aplicada, por considerála confiscatório, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A Secretaria da Receita Previdenciária, apresentou contrarrazões, às fls. 192, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Incluído na pauta da Sessão do dia 26/10/2006, a então 4a Câmara de Julgamento do CRPS entendeu por bem converter o julgamento em diligência, com a finalidade de oportunizar ao contribuinte efetuar o depósito recursal de 30% da exigência fiscal em discussão, pressuposto indispensável ao conhecimento da peça recursal à época, tendo em vista a cassação de liminar que determinava o conhecimento do recurso independentemente de aludida exigência. Diante da decretação da inconstitucionalidade do depósito recursal em referência, o recurso voluntário fora novamente encaminhado à segunda instância para julgamento. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35366.003240/200514 Acórdão n.º 2401003.017 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando basicamente a inconstitucionalidade da exigência fiscal consagrada pelo lançamento. De início, alega ser inconstitucional o prazo para recolhimento dos tributos devidos, alterado pelo Decreto Presidencial n° 91.406/1985. Defende a inconstitucionalidade das contribuições destinadas ao INCRA e ao SalárioEducação, por entender malferir os preceitos constitucionais que regulamentam o tema, bem como o princípio da legalidade, uma vez terem sido instituídas por leis ordinárias, enquanto o correto seria a partir de lei complementar. Na mesma linha de raciocínio, aduz ser ilegal e inconstitucional a contribuição ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5º, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei 8.212/91, não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Opõese, ainda, à contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos administradores e autônomos, sob o entendimento que a Lei Complementar nº 84/1996 é inconstitucional, por ferir o artigo 195, da CF, o qual não contempla a remuneração de diretores e autônomos como hipótese de incidência de tais tributos. Por derradeiro, argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, bem como da multa de mora aplicada, em face da evidente contrariedade do princípio da legalidade e do não confisco, impondo a exclusão do crédito em questão. Olvidouse, porém, a contribuinte que a esfera administrativa não é competente para analisar eventuais inconstitucionalidades e/ou ilegalidades de normas, as quais, para o Poder Público, possuem presunção de legalidade. Destarte, relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35366.003240/200514 Acórdão n.º 2401003.017 S2C4T1 Fl. 5 7 a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando Notificação Fiscal sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13839.901805/2008-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório.
DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 18 05 /2 00 8- 27 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901805/200827 Acórdão n.º 3802001.295 S3TE02 Fl. 11 3 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 9.407,12 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 29/07/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão algumas vendas de produtos que se encontravam relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF relativa ao período, para que nela passasse a constar o valor correto da contribuição devida; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Tratase de mero erro de preenchimento de obrigação acessória, que não afasta a existência inequívoca de seu crédito, e não pode lhe tolher o direito à compensação. Jurisprudência administrativa e judicial corroboram seu entendimento; Não há prejuízo ao Fisco. Ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) a origem do crédito utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico; (ii) por um lapso, somente retificou a DCTF, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (iii) a guia Darf, a DComp e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iv) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos autos. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901805/200827 Acórdão n.º 3802001.295 S3TE02 Fl. 12 5 Na sustentação oral realizado durante a Sessão de julgamento, alegou o patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição com pedido de juntada aos autos de notas fiscais de venda, emitidas durante o período de apuração do crédito informado na DComp em apreço. No memorial, naquele momento entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas. Na oportunidade, consultei o e.processo e verifiquei que tais documentos ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se encontram os autos, tal documentação não pode ser admitida nem conhecida, uma vez que consumada a preclusão do direito de apresentála, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta de comprovação da existência do crédito compensado. Ratifica o asseverado, o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecimento do direito creditório alegado, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na apuração do valor débito retificado, porém, não acatou a retificação, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro de apuração do valor do debito retificado, consistente no montante das supostas receitas de vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, submetidas a alíquota 0% (zero por cento) da Cofins, por força do regime de tributação monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não 1 "Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47% (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento), respectivamente. [...] Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. [...]" Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901805/200827 Acórdão n.º 3802001.295 S3TE02 Fl. 13 7 homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal aplicase aos casos de revisão do lançamento de ofício, situação que não ocorreu nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual deles é o correto (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora. Tal alegação trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901805/200827 Acórdão n.º 3802001.295 S3TE02 Fl. 14 9 II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a citada manifestação de inconformidade, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao referido regime de tributação monofásico. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição, instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente. Da mesma forma, também evidencia a insuficiência da instrução probatória da incumbência da Recorrente, o fato de ela não ter relacionado sequer os produtos que se encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica. Não é demais lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, o que confirma a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901805/200827 Acórdão n.º 3802001.295 S3TE02 Fl. 15 11 impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. No presente caso, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar, com a finalidade de comprovar, em relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em montante superior ao devido, em virtude da desconsideração do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições a 0% (zero por cento); e b) as declarações e retificações apresentadas pela Recorrente eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas. Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, tratase de documentos da escrituração contábil e fiscal da própria Recorrente que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 13652.000151/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.125
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos em converter o julgamento em diligencia. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos em converter o julgamento em diligencia. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 52 .0 00 15 1/ 20 07 -1 0 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº35.791.471 6, através da qual está sendo exigido da Recorrente débitos de contribuições previdenciárias relativo ao período de 02/99 a 07/03, conforme consta no “RELATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO” constante às fls. 77/80. De acordo com o Relatório Fiscal, este lançamento foi realizado em decorrência: “I.Contribuições sobre a Folha de Pagamento. FGS SUPLEMENTA. BC/CONTRIB.FL/NORM. Batimento Folha de Pagamento, Recibos de Salário, Recibos de Férias, Rescisões de Contrato de Trabalho e PróLabore com os valores das Guias de Recolhimentos do FGTS e Informação à Previdência Social GFIP que constam no Sistema de controle do INSS. As diferenças apuradas, a maior, declaradas pela empresa, foram consideradas diferenças de Base de Cálculo, como aponta o Relatório de Lançamentos RL, que integra a presente NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.” Intimada da aludida NFLD, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, em resumo, conforme sintetizado pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO JUIZ DE FORA (MG): “Preliminarmente, argumenta que está sendo imputada à empresa duplicidade de débitos, uma vez que o período lançado na presente notificação é fevereiro de 1999 a julho de 2003, período este incluído também na NFLD n° 35.791.4694, lavrada na mesma ação fiscal. Alega que a notificação fiscal não deve prosperar, porquanto as infrações relatadas não ocorrerem e a empresa sempre cumpriu as normas contidas na legislação previdenciária. Acrescenta que prestou todas as informações requeridas pelo Auditor Fiscal e que as divergências apuradas foram regularizadas. Afirma que os documentos e planilhas que acompanham a impugnação demonstram a regularidade dos recolhimentos e a improcedência das diferenças apresentadas pelo AuditorFiscal. As diferenças apuradas, a maior, declaradas pela empresa, foram consideradas diferenças de base de cálculo, como aponta o Relatório de Lançamentos RL, que integra aNFLD.” Em vista da impugnação apresentada, a UARFB PREVIDENCIÁRIA DE GUAXUPÉ emitiu o Ofício 11.080.02.0/MPS/UARP nº 433/05 (fls. 221/222), intimando a Recorrente para apresentar os documentos e planilhas mencionados na peça impugnatória, mas tal intimação não foi atendida pelo sujeito passivo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 4 3 Tendo o processo sido encaminhado para a Seção de Contencioso da Delegacia da Receita Previdenciária em Varginha, foi determinado, através do despacho de fls. 217/218, retornasse ao Auditor Fiscal notificante para que fossem prestados alguns esclarecimentos acerca do levantamento fiscal, tendo sido esclarecido o seguinte, conforme bem resumido pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO JUIZ DE FORA (MG): “ os valores objeto do levantamento constituem diferenças a maior apuradas, em comparação com folha de pagamento, recibos, rescisões etc; no relatório fiscal o levantamento está indevidamente identificado como FGSSUPLEMENTA BC/CONTRIB/FL/NORM, quando o correto é como consta nos anexos da NFLD, ou seja, FGSSUPLEMENTA BC/CONTRIB/FL/GFIP; que o levantamento não contempla a redução de multa de mora por declaração das contribuições em GFIP.” Além disso, em razão das alegações expendidas por ocasião da impugnação, foi esclarecido pelo AuditorFiscal notificante que a NFLD 35.791.4694 restringiuse à exigência de contribuições descontadas dos segurados empregados, não repassadas à Seguridade Social, enquanto a NFLD n° 35.791.4716, ora analisada, cuidou da exigência das contribuições patronais. Com isso, o processo foi encaminhado para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA, que, ao apreciar a impugnação, entendeu por julgar procedente a exigência fiscal, sob os seguintes fundamentos, em síntese: · Com relação à preliminar suscitada, já havia sido esclarecido que as NFLD 35.791.4694 e 35.791.4716 não possuem o mesmo objeto, pois na primeira foi exigido as contribuições descontadas dos segurados empregados e não repassadas à seguridade social, enquanto na segunda foram exigidas contribuições patronais. · Não foram comprovadas documentalmente as alegações aduzidas na defesa; e · a NFLD em apreço foi lavrada em estrita observância das determinações legais vigentes. Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 238/273), ora analisado, alegando, em síntese, os argumentos e fundamentos expostos a seguir: · se operou a decadência, em razão do lançamento somente ter sido efetuado em 07/07/2005, embora se refira ao período de 01/95 a 03/2005.Para tanto, alegou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8212/91, devendose aplicar ao caso o disposto no art. 150, § 4º, do CTN; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 5 4 · o débito não pode ser exigido, pois o lançamento foi feito de forma genérica na NFLD em apreço, cerceando, assim, o seu direito de defesa. Sendo assim, o Fisco deveria para fins tributários, ao mínimo, identificar todos os funcionários em que está recaindo a tributação. · as contribuições referentes ao campo terceiros são indevidas, quais sejam: Salário educação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE; · a contribuição do SAT é indevida por ser distinta da contribuição destinada ao universo da seguridade social; e · os juros são devidos à razão de 1 % (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do CTN. Ao final do Recurso Voluntário apresentado, às fls. 273, o Recorrente pugnou pela juntada posterior de instrumento de mandato, conferindo poderes ao signatário da peça, no prazo de quinze dias. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim – Relatora DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme descrito nos fatos acima, a Recorrente pugnou em seu Recurso Voluntário pela juntada posterior, no prazo de quinze dias, de instrumento de mandato conferindo poderes aos patronos que assinaram referido recurso. Ocorre, todavia, que não consta do processo a juntada posterior do referido instrumento de mandato. Sendo certo que a apresentação de tal documento é essencial para comprovação da regularidade da representação processual e conseqüente análise do recurso apresentado, necessário se faz a conversão do presente processo em diligência, a fim de que a empresa recorrente apresente aos autos a comprovação de que o advogado signatário do seu recurso possui poderes de representação, o que deve ser feito através da apresentação do competente instrumento de mandato, juntamente com os atos societários que conferem poderes ao seu signatário. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte intime a Recorrente a apresentar o instrumento de mandato que conferiu poderes aos advogados que assinaram o Recurso Voluntário de fls. 238 a 273. Tal procuração deve vir acompanhada dos atos societários que conferiram poderes ao seu signatário, tais como a alteração contratual ou ata em separado que comprove a eleição dos representantes legais, etc. Após diligência, o processo deve retornar para julgamento. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13002.100004/2009-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO.
Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN.
Direito prescrito, uma vez que o pagamento aduzido como a maior ocorreu em 16/09/1999 e o pedido de compensação só foi formalizado posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.895
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Direito prescrito, uma vez que o pagamento aduzido como a maior ocorreu em 16/09/1999 e o pedido de compensação só foi formalizado posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 181 1 180 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13002.100004/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.895 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Centro Clínico Canoas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN. Direito prescrito, uma vez que o pagamento aduzido como a maior ocorreu em 16/09/1999 e o pedido de compensação só foi formalizado posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 10 00 04 /2 00 9- 65 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 139/143), a qual, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório argüido e não homologou a compensação formalizada pela suplicante, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO PRAZOS REQUISITOS. O prazo para solicitar a restituição ou compensar valores recolhidos indevidamente ou a maior é de cinco anos da extinção do crédito tributário, nos termos do Ato Declaratório nº 96, 26 de novembro de 1999, sendo corroborado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, nos termos da jurisprudência do STF e STJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, transcrevo, abaixo, o relatório da decisão recorrida: A contribuinte supracitada apresentou, em formulário papel, em 21/08/2009, DCOMP´s de fls.02/04 (fls.01/03 no processo em papel), para fins de compensação de débitos de PIS e COFINS apurados em julho de 2009, com supostos indébitos de COFINS, do período de apuração de agosto de 1999. A DRF de origem apreciou a questão no Despacho Decisório DRF/NHO/Seort. de fls.33/36, cuja decisão: Diante de todo o exposto, com base no artigo 280, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009, publicada no DOU de 06 de março de 2009, e na Competência Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100004/200965 Acórdão n.º 3802001.895 S3TE02 Fl. 182 3 Delegada pela Portaria DRF/NHO n° 50, de 09 de março de 2009, publicada no DOU de 10 de março de 2009: Considero NÃO DECLARADAS as compensações pretendidas pelo contribuinte no presente processo, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 ,e determino a imediata cobrança dos débitos confessados cm Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls 18 e 19). Em havendo reclamação quanto à legalidade ou mérito da presente decisão, fica ressalvado o direito de o interessado interpor recurso, no prazo de 10 (dez) dias contados do recebimento desta, nos termos da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Inconformada, a contribuinte apresenta contestação que denominou manifestação de inconformidade, de fls.43/54, solicitando a aceitação da compensação efetuada. Tal documento foi recepcionado pela DRF de origem , sob o rito da Lei 9.784/1999, conforme ato de fls.80/82. Contestando a decisão administrativa da DRF de origem na esfera judicial, a contribuinte obteve sentença favorável, determinando que a autoridade coatora se abstenha de considerar as compensações efetuadas pela impetrante em formulário de papel como não declaradas, e, conseqüentemente, receba, com efeito suspensivo, as manifestações de inconformidade apresentadas, conforme decisão de fls.86/89. Diante destes fatos, a DRF de origem substituiu o Despacho Decisório DRF/NHO/Seort, de fls.33/36 , por um novo Despacho Decisório, de fls.90/93, no qual não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, devido a incidência do instituto da decadência. Novamente irresignada, a contribuinte apresenta nova manifestação de inconformidade, de fls. 95/102. Nesta, solicita que o prazo para a decadência seja de 10 anos, permitindo a realização da compensação, conforme doutrina e jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos, forte no artigo 151 do Código Tributário Nacional e no art.74,§ 11º da Lei 9.430/1996. Após a contestação, foram juntados aos autos informação que decisão judicial anterior, favorável à contribuinte, transitou em julgado (fls.129/137). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 23/04/2012 (fls. 148). Inconformada, a interessada apresentou, em 16/05/2012, o recurso voluntário de fls. 150/163, onde reitera seu entendimento em defesa da inocorrência de decadência, já que a extinção do crédito tributário inerente à COFINS, tributo sujeito a lançamento por homologação, somente ocorreria [...] após o ato (omissivo ou comissivo) da autoridade homologatório do lançamento efetuado pelo contribuinte, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Assim, somente após o ato administrativo da homologação do lançamento efetuado pelo Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 contribuinte, seja de forma expressa ou tácita, é que inicia a contagem do prazo prescricional estampado no art. 168, I do CTN, perfazendo um lapso temporal de DEZ anos. Ressalta, ainda, serem inaplicáveis ao caso as alterações trazidas pela LC n º 118/2005 em seu artigo 3º, haja vista o recente posicionamento adotado pelo STJ que analisou a questão de direito intertemporal relativa aos indébitos nascidos antes da vigência da LC nº 118/2005. Requer, por fim, seja dado provimento ao seu recurso, com a conseqüente homologação da compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Com relação à contagem do prazo para se requerer a repetição do indébito, o Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS – o qual substituiu o RE nº 561.908 como paradigma na repercussão geral –, assentou ser inconstitucional o artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) tãosomente para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Referido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR NO 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 184DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100004/200965 Acórdão n.º 3802001.895 S3TE02 Fl. 183 5 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, segundo o acórdão do STF, o “novo prazo de 5 anos” deverá ser adotado unicamente para os processos formalizados depois de 9 de junho de 2005, como no caso presente, em que o pedido de compensação da interessada só foi formalizado em 21/08/2009 (ver fls. 01 – fls. 02 do processo eletrônico). E a adoção do entendimento determinado pela LC 118/05 demonstra já estar prescrito o direito postulatório inerente aos alegados créditos aos quais se refere a interessada. Com efeito, prescreve o artigo 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição decorrente, dentre outras hipóteses, do pagamento indevido ou a maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN, conforme artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, abaixo reproduzido: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. No caso concreto, o pagamento objeto do pedido ocorreu em 16/09/1999. Por sua vez, o pedido foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Assim, por restar caracterizada a extinção do direito de ação da recorrente pela prescrição, posto que o pedido foi protocolizado depois do transcurso do prazo quinquenal contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 25 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003407/2002-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1435.896 da 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento e consequentemente a compensação. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Relatório A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 03 40 7/ 20 02 -2 3 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003407/200223 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.229 S3C1T2 Fl. 3 2 Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no que concerne ao período em epígrafe, no importe de R$192.037,64. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, SP, com base em informação fiscal, indeferiu o pleito e não homologou as compensações vinculadas, porque não houve esgotamento do saldo credor existente na escrita fiscal em 31/12/1998, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 5º, § 3º; por outro lado, fabricante de produtos não tributados (NT), a contribuinte deixou, quanto ao trimestre em tela, de efetuar os estorno das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados nos produtos NT, conforme a IN SRF nº 33, de 1999, art.2º, § 3º. Na informação fiscal é relatado, pela autoridade incumbida das averiguações, que, intimada a apresentar um demonstrativo de esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, entre outras coisas (justificativa de aproveitamento de créditos sob a rubrica “Outros Créditos”, com CFOP 4.99), a empresa deixou de apresentar os elementos solicitados e de prestar os esclarecimentos indispensáveis. Insatisfeita com a decisão administrativa, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, instruída com cópias do livro Registro de Apuração do IPI e de documentos comprobatórios de compensação, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. O pedido de ressarcimento diz respeito apenas a créditos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos com alíquota zero; 2. Os créditos referentes ao saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 foram objeto de pedido de ressarcimento e compensação já liquidado pelo órgão fazendário competente, com o devido estorno no livro Registro de Apuração do IPI, conforma cópias anexadas à manifestação; 3. Que a “sobra” relativa ao saldo credor de foi estornada conforme cópia juntada do livro; 4. Os valores irrisórios de créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados à industrialização de produtos NT são segregados do saldo credor do imposto e posteriormente estornados, não sendo utilizados os créditos na escrita fiscal ou incluídos em pedidos de ressarcimento; 5. A matéria constante do pleito é regida pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, que inovou o assunto (possibilidade de do crédito de IPI nas compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003407/200223 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.229 S3C1T2 Fl. 4 3 tributados com alíquota zero, sendo possível a compensação), e não pelo RIPI/98; Por fim, é requerido o acolhimento da manifestação de inconformidade para a reforma do Despacho Decisório, com o conseqüente deferimento do pedido de ressarcimento e a homologação das compensações. É o relatório . Após analisar a manifestação de inconformidade em razão da não homologação da declaração de compensação e ser observada a informação fiscal, decidiu a DRJ/CTA, pelo provimento parcial da manifestação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR EXISTENTE EM 31/12/1998. ESGOTAMENTO. ESTORNO. O saldo credor da escrita fiscal existente em 31/12/1998 deveria ser escriturado à parte e esgotado com a compensação de débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos que deram origem aos créditos, sendo alternativa para o esgotamento o estorno do saldo credor residual; é possível, então, a habilitação ao ressarcimento de créditos do IPI somente após a data do esgotamento ou do estorno do referido saldo credor. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) devido à duvida acerca da liquidez do direito creditório, requer que seja deferido o pedido de diligência para exibição de documentos e complementação de dados a fim de confirmar a legitimidade do crédito no período de apuração em liça; b) realizou o controle a margem da escrita fiscal o crédito remanescente de IPI relativo ao exercício de 1998, conforme Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003407/200223 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.229 S3C1T2 Fl. 5 4 demonstra por um quadro de controle realizado, da mesma forma que teria estornado referido crédito; c) a Instrução Normativa nº 33/99, que vetou a compensação ou ressarcimento dos créditos acumulados até 31 de dezembro de 1998, não pode prosperar visto que não poderia limitar o alcance de norma jurídica imposta por lei, a exemplo das disposições da Lei nº 9.430/96, que cuida da compensação relativa ao crédito de IPI em virtude da aquisição de produtos tributados. Ademais, sustenta o desrespeito da aludida instrução à nãocumulatividade e para com o princípio da isonomia; d) a Recorrente teria observado “as prescrições normativas que se aplicam a matéria, garantindolhe o pleno direito de ter deferido o pedido objeto da discussão presente”; e) os produtos industrializados contidos como NT na TIPI não seriam, em verdade, produtos não industrializados constantes da mesma TIPI como NT, mas sim produtos isentos do IPI, visto que seria caso de incidência do imposto. É o relatório. Como demonstrado no relato acima, a discussão travada é sobre a existência de crédito de IPI, assim em atenção as questões postas, decidese a conversão do julgamento em Diligência para determinar que os autos retornem a unidade origem, autorizando a recorrente a realizar uma nova escrituração nos termos da IN nº 33/1999, apurando o crédito objeto do ressarcimento, identificando os produtos não tributados. Em seguida, após ser emitido parecer da fiscalização, o contribuinte de ser intimado para manifestação no prazo de 30(trinta) dias, em seguida os autos devem retornar ao CARF e ser cientificada Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala de sessões 24 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13888.002407/2006-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS LOCALIZADOS NO BRASIL POR RESIDENTE NO EXTERIOR. PERÍODO ANTERIOR VIGÊNCIA MP N° 135/2003 E LEI N° 10.833/2003. ILEGITIDADE PASSIVA DO ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE.
Na esteira da jurisprudência firmada neste Colegiado, a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil, no interstício entre a Lei n° 9.249/1995 e a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, recaia sobre o alienante ou seu procurador, o que rechaça a legitimidade passiva do adquirente por absoluta inexistência de previsão legal específica lhe imputando tal responsabilidade, impondo seja decretada a improcedência do presente lançamento.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS LOCALIZADOS NO BRASIL POR RESIDENTE NO EXTERIOR. PERÍODO ANTERIOR VIGÊNCIA MP N° 135/2003 E LEI N° 10.833/2003. ILEGITIDADE PASSIVA DO ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. Na esteira da jurisprudência firmada neste Colegiado, a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil, no interstício entre a Lei n° 9.249/1995 e a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, recaia sobre o alienante ou seu procurador, o que rechaça a legitimidade passiva do adquirente por absoluta inexistência de previsão legal específica lhe imputando tal responsabilidade, impondo seja decretada a improcedência do presente lançamento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 24 07 /2 00 6- 89 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório COSAN S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/09/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior, em relação ao anocalendário 2002, conforme peça inaugural do feito, às fls. 277/279, e demais documentos que instruem o processo. Conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 265/274, a presente autuação fora lavrada a partir da constatação da ausência de retenção e recolhimento pela empresa Participações Celisa S/A (incorporada pela Cosan SA) do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior. Com mais especificidade, objetivando melhor delimitar a matéria contemplada nos autos, transcrevese abaixo excerto da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “ [...] Houve constituição de três empresas no Brasil, em 14/06/2002, com as ações de acionistas que detinham o controle da Usina da Barra S/A: PON Participações S/A; Nova Primavera S/A e RSO S/A, doravante denominadas PON, Nova Primavera e RSO, respectivamente (fls.13/54). Em 20 e 21 de agosto de 2002, houve celebração de dois contratos de mútuo entre Cosan S/A Indústria e Comércio e Participações (doravante denominada Cosan) e a Celisa, no valor de R$ 57.400.000,00 cada, totalizando R$ 114.800.000,00 (cópias às fls. 55/58). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 17 3 Três empresas foram constituídas pela Celisa nas Bahamas, paraíso fiscal, em 21/08/2002, com capitais que totalizam US$ 106.777.732, o equivalente a R$ 332.331.029,46. Desse valor, R$ 111.852.912,00 foram integralizados à vista, com recursos emprestados da Cosan mediante o contrato de mútuo. O montante para integralização do capital foi remetido ao exterior por intermédio do Banco Safra S/A, sendo a diferença de R$ 220.478.117,06, com emissão de notas promissórias (fls. 59/171). As empresas constituídas são as seguintes: Shelton Internacional Limited (Shelton), Presbury Holdings Limited (Presbury) e Tempus Holdings Limited (Tempus). Foram constituídas em paraíso fiscal, na Comunidade das Bahamas, com ações da PON, Nova Primavera e RSO, em 22/08/2002 e 23/08/2002 (fls.172/183) as empresas Kado Limited, Artefact Limited e Tainui Limeted, cujas ações equivalem ao total de R$ 4.226,00. Em 23/08/2002 foram realizadas permutas de participação societária entre a Celisa e as empresas Kado, Artefact e Tainui, da seguinte forma: as empresas Kado, Artefact e Tainui, sediadas na Comunidade das Bahamas, transferiram para a Celisa, as 4.990 ações que cada uma detinha das empresas PON, Nova Primavera e RSO, no montante de R$ 4.226,00. A Celisa transferiu para essas empresas as quotas de capital que detinha, das empresas Shelton, Presbury e Tempus, no valor total de R$ 332.331.803,06 (fls. 184/ 98 demonstrativo fl. 267). Em 31/08/2002 a Cosan adquiriu da Celisa as Ações da PON, Nova Primavera e RSO, nas seguintes condições: pelo preço total de R$ 332.331.029,06, sendo que R$ 111.852.912,00, já haviam sido pagos em 21/08/2002 e 22/08/2002, tendo em vista que Celisa recebera um aporte da Cosan, no valor de R$ 112.376.000,00, por conta do referido contrato de mútuo que a Celisa enviara para as Bahamas para constituir as empresas Shelton Presbury e Tempus. A Cosan assumiu a dívida de R$ 220.478.117,06, que a Celisa ainda tinha em função das notas promissórias relativas ao capital a integralizar dessas três empresas. Em 15/04/2005 a Celisa foi incorporada pela Cosan. Nesse contexto, considerando que as empresas Kado, Artefact e Tainui, sediadas no exterior, obtiveram ganho de capital na transação efetuada com a Celisa, sediada no Brasil, o Fisco constatou a obrigatoriedade de a fonte pagadora reter e recolher o IRRF incidente sobre a parcela de R$ 331.326.803,00, e que deveria ser reajustada a base de cálculo, com base o art. 725 do RIR, de 1999, para R$ 390.972.708,48, pois, não retido o imposto pela contribuinte ela teria assumido o ônus do imposto. Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração que exigiu crédito tributário no montante de R$ 143.764.574,99, sendo IRRF de R$ 58.645.906,42, juros de mora (calculados até Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 31/08/2006) no valor de R$ 41.134.238,76 e multa de oficio de R$ 43.984.429,81. Conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 15/04/20 5, a Cosan incorporou a Celisa (fls. 220/235), portanto foi lavrado contra a Cosan S/A Indústria e Comércio. [...]” Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, consubstanciada no Acórdão nº 1415.405/2007, às fls. 387/399, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 12/09/2008, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 102 49.294, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/08/2002 GANHO DE CAPITAL. PERMUTAS. Aplicamse às permutas as disposições referentes à compra e venda, logo os dispositivos legais da legislação do Imposto de Renda aplicáveis à compra e venda de bens e direitos, aplicam se às permutas. Quando os bens permutados têm valores desiguais, os permutantes experimentam acréscimos ou decréscimos patrimoniais, conforme o caso. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. Recurso negado.” Inconformada, a contribuinte opôs Embargos de Declaração, às fls. 471/475, suscitando omissão no voto vencedor condutor do Acórdão recorrido, notadamente quanto à ilegitimidade passiva da autuada, tendo a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, em 13/04/2011, por maioria de votos, conhecido dos Embargos, somente para sanear a omissão apontada, rerratificando, no mérito, o decisum embargado, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, consoante se positiva do Acórdão n° 2102 01.217, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/08/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO. Apesar de apenas debatida a questão da ilegitimidade passiva do autuado no voto vencido, ficou claro que houve uma discussão sobre sujeição passiva no colegiado, sendo que o voto vencedor nada discorreu sobre isso, ou seja, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 18 5 houve uma clara omissão no Acórdão embargado (voto vencedor), devendo conhecerse dos aclaratórios, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF, pois necessariamente o voto vencedor deveria ter apresentado os motivos que levaram ao não acatamento da tese de ilegitimidade passiva deduzida no voto vencido, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, conhecidos os embargos de declaração, impossível não apreciar todos os pressupostos do desenvolvimento regular do processo administrativo fiscal, como a legitimidade da parte, que é pressuposto processual (art. 267, VI, do CPC) e matéria de ordem pública, não podendo deixar de ser conhecida em qualquer grau de jurisdição. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos, para apreciar a legitimidade do pólo passivo da autuação. GANHO DE CAPITAL APURADO POR RESIDENTE NO EXTERIOR. RETENÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE. O adquirente é responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior, sendo certo que tal legislação já se encontrava em vigor desde a publicação do Decretolei n° 5.844, de 1943. Recurso Voluntário Negado.” Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 573/584, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. De início, quanto ao acréscimo patrimonial tributável nas permutas sem torna, defende ter malferido entendimento consagrado pelos Acórdãos nºs 10616.964 e 2101 01.366, ora adotados como paradigmas, os quais admitiram que no caso de permuta sem torna simplesmente ocorre a substituição de uma posição patrimonial por outra que se equivale, não havendo que se falar em acréscimo patrimonial. Em defesa de sua pretensão, infere que o ganho de capital se caracteriza pela aquisição da disponibilidade jurídica da renda, o que não se vislumbra nos casos de permuta sem torna. Pugna pela aplicabilidade à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis, razão pela qual inexistindo torna, não se pode cogitar na tributação sob análise. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, notadamente ao não acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva da autuada, ou melhor, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior, na alienação de bens situados no Brasil, por entender ter contrariado a jurisprudência administrativa traduzida nos Acórdãos n°s 10422.281 e 10615.151, ora adotados como paradigmas. Assevera que os dispositivos legais utilizados como esteio à pretensão fiscal, quais sejam, artigos 682, inciso I, e 685, inciso I, alínea “b”, do RIR/1999, com matrizes legais nos artigos 97, alínea “a”, 100 e 101, do Decretolei n° 5.844/43, se caracterizam como normas legais genéricas, editadas desde 1943. Sustenta que a tributação de ganho de capital auferido pelos residentes ou domiciliados no exterior fora devidamente/especificamente contemplada pelo artigo 18 da Lei n° 9.249/1995, a qual deverá prevalecer em detrimento à norma geral, em observância ao princípio da especialidade das leis. Explicita as formas de tributação do ganho de capital auferido pelas pessoas físicas e jurídicas residentes/domiciliadas no Brasil, concluindo que o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.249/1995 estendeu também às pessoas jurídicas domiciliadas no exterior o regime de tributação do ganho de capital auferido por pessoa física residente no Brasil. Ressalta que no presente Auto de Infração consta como legislação aplicável ao caso os artigos 26 e 27 da Instrução Normativa n° 208/2002, concernente à tributação de pessoa física, que atribuem o dever de recolher o imposto ao alienante do bem ou seu procurador, razão pela qual à época da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado não competia ao adquirente no Brasil efetuar o pagamento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior. Opõese à pretensão fiscal, corroborada pelo Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que somente com a edição da Lei n° 10.833/2003, mais precisamente no seu artigo 26, fruto da conversão da MP n° 135/2003, após a ocorrência do fato gerador sob análise, o adquirente passou a ser o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior, decorrente da alienação de bens situados no Brasil. Argumenta que o item 21 da Exposição dos Motivos da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833/03, menciona expressamente que o dispositivo (art. 24, convertido no art. 26 da Lei) vinha alterar o regime que então vigorava, o qual atribuía ao alienante a apuração e recolhimento do tributo. Melhor elucidando, infere que à época da ocorrência do fato gerador o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte brasileira, estava sujeito ao pagamento do imposto de renda no Brasil em conformidade com o regramento das pessoas físicas, cuja tributação ocorre separadamente à alíquota de 15%, sendo de responsabilidade do alienante ou seu procurador o pagamento do imposto devido, não existindo, portanto, previsão legal naquele período de referida responsabilização por parte do adquirente, impondo seja reconhecida a ilegitimidade passiva da autuada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 19 7 decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito das mesmas matérias, conforme Despacho n° S/N, datado de 29/10/2012, às fls. 622/625. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 626/630, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, notadamente do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 265/274, a Participações Celisa S/A., empresa sediada no Brasil, entregou quotas de capital da Presbury, Shelton e Tempus, no valor de R$ 332.331.029,06, e recebeu em troca, da Kado, Artefact e Tainui (empresas sediadas nas Bahamas) ações da PON, da Nova Primavera e da RSO (empresas sediadas no Brasil) no valor de R$ 4.226,00. Em resumo, Participações Celisa entregou títulos (quotas) no valor de R$ 332.331.029,06 a empresas sediadas no exterior (Kado, Artefact e Tainui) e recebeu ações no valor de R$ 4.226,00. Essa transação resultou num ganho de capital para as empresas sediadas no exterior, no valor de R$ 332.326.803,06 (importância considerada liquida, conforme art. 725 do RIR199), cujo Imposto de Renda, à alíquota de 15%, deveria ter sido retido e recolhido pela Participações Celisa S/A. (incorporada pela Cosan SA, ora recorrente), em consonância com matrizes legais dos artigos 682, I, e 685, I, "b", e 725, do RIR/99, c/c artigos 18 e 28 da Lei n° 9.249/1995, que assim prescrevem: “RIR/1999 Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 100, Lei n º 3.470, de 1958, art. 77, Lei n º 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n º 9.779, de 1999, arts. 7 º e 8 º ): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições. Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n º 4.154, de 1962, art. 5 º , e Lei n º 8.981, de 1995, art. 63, § 2 º ). Lei n° 9.249/95 Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Art. 28. A alíquota do imposto de renda de que tratam o art. 77 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958 e o art. 100 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, com as modificações posteriormente introduzidas, passa, a partir de 1º de janeiro de 1996, a ser de quinze por cento.” Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida, pelo voto de qualidade, entendeu por bem rechaçar a pretensão da contribuinte, sobretudo quanto a sua ilegitimidade passiva, mantendo incólume o lançamento fiscal nos termos do Acórdão n° 2102 01.217, o qual rerratificou o Acórdão n° 10249.294. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão guerreado contrariaram a jurisprudência administrativa, mormente em relação a duas matérias: a) Acréscimo patrimonial tributável nas permutas sem torna, adotando como paradigmas os Acórdãos n°s 10616.964 e 2101 01.366; b) Responsabilidade da autuada pelo pagamento do imposto lançado – ilegitimidade passiva, escorando seu pleito nos Acórdãos paradigmas n°s 10422.281 e 106 15.151. Antes mesmo de adentrar as razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte em seu Recurso Especial, impende registrar que contemplaremos primeiramente a matéria pertinente à responsabilidade da autuada pelo pagamento do imposto incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, decorrente de alienação de bens e direitos situados no Brasil. Isto porque, uma vez acolhido o pleito da contribuinte relativamente a sua pretensa ilegitimidade passiva, restará prejudicada a discussão quanto ao acréscimo patrimonial tributável nas permutas sem torna. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA CONTRIBUINTE Em suas razões recursais pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sob o argumento de que os dispositivos legais utilizados como esteio à pretensão fiscal, quais sejam, artigos 682, inciso I, e 685, inciso I, alínea “b”, do RIR/1999, com matrizes legais nos artigos 97, alínea “a”, 100 e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 20 9 101, do Decretolei n° 5.844/43, se caracterizam como normas legais genéricas, editadas desde 1943. Sustenta que a tributação do ganho de capital auferido pelos residentes ou domiciliados no exterior fora devidamente/especificamente contemplada pelo artigo 18 da Lei n° 9.249/1995, a qual deverá prevalecer em detrimento à norma geral, em observância ao princípio da especialidade das leis. Explicita as formas de tributação do ganhos de capital auferido pelas pessoas físicas e jurídicas residentes/domiciliadas no Brasil, concluindo que o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.249/1995 estendeu também às pessoas jurídicas domiciliadas no exterior o regime de tributação do ganho de capital auferido por pessoa física residente no Brasil. Ressalta que no presente Auto de Infração consta como legislação aplicável ao caso os artigos 26 e 27 da Instrução Normativa n° 208/2002, concernente à tributação de pessoa física, que atribuem o dever de recolher o imposto ao alienante do bem ou seu procurador, razão pela qual à época da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado não competia ao adquirente no Brasil efetuar o pagamento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que somente com a edição da Lei n° 10.833/2003, mais precisamente no seu artigo 26, fruto da conversão da Medida Provisória n° 135/2003, após a ocorrência do fato gerador sob análise, o adquirente passou a ser o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior, decorrente da alienação de bens situados no Brasil, constando, inclusive, da Exposição dos Motivos de referida MP que o dispositivo retro vinha alterar o regime que então vigorava, o qual atribuía ao alienante a apuração e recolhimento do tributo. Com mais especificidade, infere que à época da ocorrência do fato gerador o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte brasileira, estava sujeito ao pagamento do imposto de renda no Brasil em conformidade com o regramento das pessoas físicas, cuja tributação ocorre separadamente à alíquota de 15%, sendo de responsabilidade do alienante ou seu procurador o pagamento do imposto devido, não existindo, portanto, previsão legal naquele período de aludida responsabilização por parte do adquirente, impondo seja reconhecida a ilegitimidade passiva da autuada. Por seu turno, o voto condutor do Acórdão recorrido corroborou o lançamento fiscal, sob o fundamento de que a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior encontrase prescrita na legislação de regência desde a publicação do Decretolei n° 5.844, de 1943, o que afasta a tese da contribuinte de que à época da ocorrência do fato gerador inexistia norma legal que a obrigasse a recolher o imposto de renda devido na transação em comento. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão da legitimidade passiva, ou melhor, da responsabilidade da contribuinte pela retenção e recolhimento do tributo lançado, sobretudo em face da legislação específica vigente à época da ocorrência do fato gerador. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Consoante se infere dos autos, não obstante os substanciosos fundamentos do voto condutor do Acórdão recorrido, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, encontrando guarida na legislação de regência e, bem assim, na própria jurisprudência administrativa, notadamente desta Egrégia 2a Turma da CSRF, como passaremos a demonstrar. De início, mormente após a sustentação oral da nobre Procuradoria, impende registrar que em momento algum nos presentes autos se cogitou em conduta simulada da contribuinte ou mesmo hipótese de planejamento tributário. Em outras palavras, o presente lançamento contempla puro e simples ganho de capital, conforme Termo de Verificação, Constatação e Esclarecimentos, às fls. 265/274, sem que a fiscalização tenha lançado qualquer assertiva a propósito de pretenso planejamento tributário ou simulação por parte da contribuinte, o que, de plano, já rechaça a pretensão da Procuradoria neste sentido, por absoluta impertinência em relação às razões da autuação fiscal, sob pena, inclusive, de inovação no lançamento. Mais a mais, ainda que tivesse havido menção por parte da autoridade lançadora de simulação ou planejamento tributário, o que se admite apenas por amor ao debate, tal questão somente poderia ser contemplada para análise do mérito da demanda, não surtindo qualquer efeito nesta prejudicial de ilegitimidade passiva, que passaremos a analisar. Destarte, afora toda questão fática que envolve a demanda, sobretudo quanto às operações realizadas entre as empresas elencadas nos autos, notadamente a incorporação da Participações Celisa SA pela Cosan SA, ora recorrente, o deslinde da controvérsia repousa em determinar se à época da ocorrência do fato gerador do imposto exigido, a autuada se enquadrava como sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido, inicialmente mister ponderar que o DecretoLei n° 5.844/1943, mais precisamente em seus artigos 97 e 100, utilizados como esteios do Acórdão recorrido, contemplava a questão de maneira genérica, ou seja, uma obrigação geral de retenção pela fonte pagadora, do imposto de renda nas hipóteses de remessa, pagamento ou entrega de rendimentos a residente no exterior, senão vejamos: “ Art. 97. Sofrerão o desconto do impôsto à razão de 15% os rendimentos percebidos. (Redação dada pela Lei nº 154, de 1947) a) pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no estrangeiro; (Vide Lei nº 154, de 1947) [...] Art. 100. A retenção do imposto, de que tratam os arts. 97 e 98, compete à fonte, quando pagar, creditar; empregar, remeter ou entregar o rendimento. (Vide Lei nº 9.249, de 1995) Parágrafo único. Excetuamse os seguintes casos, em que competirá ao procurador a retenção: a) quando se tratar de aluguéis de imóveis; b) quando o procurador não der conhecimento à fonte de que o proprietário do rendimento reside ou é domiciliado no estrangeiro. [...]” Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 21 11 Em que pese à discussão a propósito da aplicabilidade de aludidos dispositivos legais ao caso vertente, matrizes legais dos artigos 682 e 685 do RIR/1999, na forma que pretende fazer crer o Acórdão recorrido, o certo é que após a edição da Lei n° 9.249/1995, especialmente em seu artigo 18, o ganho de capital dos residentes no exterior passou a ser equiparado ao dos residentes no Brasil, como segue: “Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País.” Nessa toada, a partir da edição da Lei n° 9.249/95, de forma específica, os rendimentos decorrentes de ganho de capital de residente ou domiciliado no exterior, na alienação de bens situados no Brasil, devem observância ao regramento aplicável aos residentes neste País, não se cogitando, portanto, na responsabilidade do adquirente, na condição de fonte pagadora, de efetuar a retenção do imposto de renda em comento, uma vez não vir contemplado na norma legal retro aludida obrigação. Melhor elucidando, a norma legal que passou a regular a matéria não trouxe em seu bojo a obrigação de retenção na fonte, rechaçando, portanto, a responsabilidade da recorrente inscrita no Auto de Infração sob análise. Por sua vez, confirmando a inexistência de dispositivo legal específico contemplando a obrigação de retenção do imposto de renda na fonte nas hipóteses de ganho de capital de não residentes no País, na condição de adquirente, em 30/10/2003, fora publicada Medida Provisória n° 135, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que em seu artigo 26 estabelece o seguinte: “Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil.” A corroborar a pretensão da contribuinte, registrase que a própria exposição de motivos da Medida Provisória n° 135/2003 é por demais enfática no sentido de que referida norma representaria uma alteração no regime jurídico quanto ao tema, destacando que “atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo”, consoante se positiva do excerto abaixo citado: “21. O art. 24 tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo, o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território nacional. [...]” A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, nos autos do processo n° 16327.003072/200236, reforça a tese aventada pelo contribuinte, Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 conforme se extrai do voto condutor do Acórdão n° 10422.281, ora adotado como paradigma, de onde peço vênia para transcrever ementa e excerto, in verbis: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO — Após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. Recurso Voluntário Provido. [...] Voto [...] De início, cumpre deixar assentado que a situação fática que enfrentamos neste processo é a de alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior (Fortblanc Serviços S/A), para adquirente residente no Brasil (Banco ABN AMRO REAL). A autoridade lançadora indicou o adquirente como sujeito passivo, na condição de responsável, com fundamento precisamente no fato de o alienante ser residente no exterior. [...] Dito isso, passo ao exame da alegação preliminar de erro na identificação do sujeito passivo com base na alegação de que à época dos fatos o adquirente não era responsável pela retenção e pagamento do imposto. Sustenta a Recorrente, em síntese, que não há dispositivo de lei que atribua ao adquirente a responsabilidade pela retenção na fonte do imposto de renda sobre o ganho de capital no caso de o alienante ser residente no exterior. A autuação e a decisão de primeira instância, por sua vez, fundamentam a exigência no art. 685 do RIR/99, a seguir reproduzido: [...] Tanto a autoridade lançadora quanto a decisão de primeira instância anotam que o § 2°, ao mencionar o inciso II, quer se referir, na verdade, ao inciso I, "b", posto ser essa a única hipótese que daria sentido ao dispositivo; que, portanto, haveria um erro na redação do referido artigo, o qual, todavia, argumentam, não retiraria sua eficácia. A Recorrente, por sua vez, rejeita esse argumento e insiste em que não há base legal para a autuação, posto que não existia Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 22 13 à época dos fatos, lei que previsse a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto. Feitas essas considerações iniciais, e sem prejuízo da discussão sobre a ocorrência, ou não, do referido erro na redação do § 2° do art. 685 do RIR/99, examinaremos em seguida o cerne do argumento da defesa no que se refere à alegação de ilegitimidade passiva por ausência de lei que estabeleça a responsabilidade do adquirente. É cediço, que a sujeição passiva tributária, ou mais especificamente, como neste caso, a responsabilidade tributária, deve ser expressamente prevista em lei. É o núcleo do principio da legalidade e é norma expressamente prevista no art. 121 do CTN, a saber: [...] Também é evidente e dispensa maiores comentários, que o Regulamento do Imposto de Renda, como norma complementar que é, destinada apenas a consolidar e sistematizar a legislação, não pode inovar o ordenamento jurídico tributário e, muito menos, criar obrigação, devendo observar a moldura da lei. Vale ressaltar que até a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, não havia dispositivo de lei, em sentido estrito, que atribuísse, expressamente, a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior ou em qualquer outra situação. Nenhum dos dispositivos de lei referidos na fundamentação legal tem tal previsão. O que havia era a atribuição genérica da responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do Imposto de Renda no caso de remessa, pagamento, entrega, etc, de rendimentos a residente no exterior. Essa previsão está na legislação do Imposto de Renda no Brasil desde o Decreto n° 5.844, de 1943, saber: [...] Parece claro que é essa previsão genérica, aliás, mencionada expressamente com matriz legal dos artigos 682 e 685 do RIR/99, que dava fundamentos ao dispositivo do Regulamento que atribuía responsabilidade ao adquirente, na qualidade de fonte pagadora. Ocorre que o art. 18 da Lei n°9.249, de 1995, igualou o tratamento tributário do ganho de capital dos residentes no exterior ao dos residentes no Brasil, e que não prevê a hipótese de retenção na fonte, a saber: [...] Logo, a partir da Lei n° 9.249, de 1995, não mais havia a responsabilidade do adquirente, como fonte pagadora, de proceder à retenção do imposto na fonte sobre o ganho de Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 capital auferido por residentes no exterior, pela simples razão de que não mais havia a previsão de incidência do imposto na fonte nesses casos. Somente com a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, é que se passou a ter previsão legal especifica de retenção do imposto na fonte, no caso de ganho de capital de não residentes, com responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do Imposto. É o que se extrai do art. 26 da referida Lei: É esse, pelo menos, o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal, manifestado por meio dos seus atos normativos. Com efeito, a partir da edição da Lei n° 9.249, de 1995 e antes da Lei n° 10.833, de 2003, em nenhuma das Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal havia a previsão da responsabilidade do adquirente na hipótese sob exame, diferentemente do que veiculado nas Instruções Normativas editadas antes da lei n° 9.249, de 1995 e depois da Lei n° 10.833, de 2003. Vejamos as Instruções Normativas n° 31/1996 (art. 41), n° 48/1998 (art. 26) , 73/1998 (art. 27), 84/2001 (art. 84) e 208/2002 (art. 27): [...] Por outro lado, como já mencionado, antes da vigência da Lei n° 9.249, de 1995 a Instrução Normativa SRF n° 39, de 1993 previa que a fonte pagadora, no caso, o adquirente, seria o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior, a saber: [...] Da mesma forma, após a edição da Lei n° 10.833, de 2003, como não poderia deixar de ser, os atos normativos da Secretaria da Receita Federal passaram a prever a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto. É o que e vê da Instrução Normativa SRF n° 407, de 2004, no seu art. 1°, verbis: [...] De todo o exposto, é forçoso concluir que, em relação ao período objeto do lançamento, o ano de 1999, não pesava sobre o adquirente, por absoluta falta de previsão legal, específica ou genérica, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, na hipótese de alienante residente no exterior ou qualquer outra situação. [...]” No mesmo sentido, a 2a Turma da DRJ em Brasília, ao analisar o processo n° 14041.000424/200434, idêntico ao presente, afastou a legitimidade passiva do contribuinte, adotando como fundamento à sua empreitada os argumentos sintetizados na seguinte ementa: “Legitimidade passiva De acordo com os art. 26 e 27 da Instrução Normativa SRF n° 73/98 a alienação de bens e direitos situados no Brasil realizada por residente no exterior está sujeita à tributação definitiva sob Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 23 15 a forma de ganho de capital. O recolhimento do imposto sobre o ganho de capital deverá ser efetuado na data da alienação, sendo responsável o alienante ou o seu procurador.” Em face de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, a então 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes entendeu por bem manter a decisão encimada, nos termos do Acórdão n° 10615.151, assim ementado: “IRRF. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO O ganho de capital apurado pelo residente e domiciliado no exterior está sujeito à tributação definitiva e o responsável pelo recolhimento do imposto é o alienante ou o seu procurador.” Na esteira desse mesmo entendimento, esta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão de 21/03/2012, por unanimidade de votos, afastou a legitimidade passiva, ou seja, a responsabilidade do adquirente pelo recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, firmando a tese que o sujeito passivo seria o alienante ou seu procurador, consoante se positiva do Acórdão n° 920202.052, da lavra do nobre Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, exarado nos autos do processo n° 10980.004358/200753, com a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002 GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. Recurso especial provido.” Partindo dessas premissas, em razão da absoluta falta de previsão legal específica para a responsabilização do adquirente residente no exterior pelo recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre o ganho de capital na alienação de bens situados no Brasil, impõese reconhecer a ilegitimidade passiva da recorrente e, por conseguinte, a improcedência do feito, na linha da jurisprudência firmada nesta instância administrativa. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, afastando a sua legitimidade passiva, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.979333/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/08/2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 33 /2 00 9- 03 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente proCesso de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cód. 2089, no montante de R$ 19,02, ocorrido em 30/08/2002, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 27354.60733.141105.1.2.041485, relativo ao período de apuração mar/2002. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/200903 Acórdão n.º 1802001.712 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 1.584,60, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.377, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 16/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:30/08/2002 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 28815.42372.241105.1.3.049118 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 29,94, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 19,02, código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2002; Data de Arrecadação: 30/08/2002. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de março/2002 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 1.584,60. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2002, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/200903 Acórdão n.º 1802001.712 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de mar/2002, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2003 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2002. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/200903 Acórdão n.º 1802001.712 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14120.720002/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES.
A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações.
Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constitui-se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do Decreto-Lei nº 1.598/77.
Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos.
MULTA ISOLADA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Paulo Cortez.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES. A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações. Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constituise ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77. Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 72 00 02 /2 01 1- 28 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Paulo Cortez. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0427.818 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantidos ao contribuinte depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que passa a existir formalmente a imputação ao contribuinte de responsabilidade pela prática de um fato considerado como infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS DO ATIVO. DENOMINAÇÃO DADA AO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA. O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é superior ao custo do bem alienado, sendo irrelevante a denominação dada pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 724 3 O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantidos ao contribuinte depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que passa a existir formalmente a imputação ao contribuinte de responsabilidade pela prática de um fato considerado como infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS DO ATIVO. DENOMINAÇÃO DADA AO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA. O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é superior ao custo do bem alienado, sendo irrelevante a denominação dada pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sua peça recursal, a contribuinte aduz as seguintes razões defesa: a) que a modificação societária, como foi devidamente provada e em nenhum momento questionada formalmente, adveio de permuta de participações, que será mais bem esmiuçada adiante, mas de logo se adiante que tal permuta não gerou nenhuma falta de recolhimento de tributo; b) que foram levadas a bom termo negociações com outro grupo econômico (Odebrecht S.A., via ETH Participações S.A. e Nova Boipeba Participações S.A.), que oferecia, em troca de Eldorado, a possibilidade de controlar outra empresa, pronta e com projetos para tocar novos negócios, a Mucuri; c) que os acionistas da contribuinte peremptoriamente descartaram vender sua controlada Eldorado, pois, se vendessem esse negócio, seria um retrocesso, pois o custo de, a seguir, adquirir ou implementar novos empreendimentos traria, com inflada precificação, o momento de ebulição no desenvolvimento econômico do Brasil; d) que, se fosse para, em troca, já receber uma participação com projetos para serem deslanchados, não haveria sobressalto na marcha de diversificação dos seus negócios, visando atuar em novas áreas empresariais; e) que a causa é o propósito negocial que subjaz à permuta havida, atributo essencial de um negócio jurídico; f) que forte no desejo de entregar uma participação, mas só, e somente só, se recebesse outra participação, a contribuinte e a Odebrecht celebraram um "Contrato de Permuta e Outras Avenças" (fls. 84), pelo qual houve a seguinte permuta: a contribuinte entregou sua participação em Eldorado e a Odebrecht /ETH entregou sua participação em Mucuri. g) tendo sido trazidos, como supostas provas, elementos coletados de terceiros, estranhos à ora autuada, sem que fosse esclarecido como eles passaram a fazer parte Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 documental e probatória neste processo, pois, no mínimo, tal fato configura violação do sigilo fiscal de terceiro estranho à contribuinte, do contraditório e da legalidade da ora recorrente; h) em momento algum a contribuinte ou seus acionistas receberam direta ou indiretamente qualquer pagamento; i) que a Mucuri foi recebida, e continua até hoje, como um investimento produtivo da contribuinte; j) que não ocorreu um contrato de compra e venda, que tem contorno legal diverso; k) que ante a aproximação dos institutos, fica o pagamento em dinheiro como traço distintivo da permuta para a compra e venda, como é lição vetusta na nossa doutrina, aqui se valendo das lições do grande mestre Pontes de Miranda (in Tratado de Direito Privado, tomo 39, § 4338): “Pela troca permutase coisa por coisa, ou posse por posse. Tudo que é suscetível de venda é permutável, tudo que é suscetível de propriedade ou posse também o é, exceto o dinheiro. A moeda corrente é que, funcionando, como funciona, no tráfico, é medida comum de valor e constitui preço, o que conceitualmente torna de compra e venda o contrato. (...) Se uma das prestações é dinheiro, há compra e venda, e não troca. (...)”; l) que a referência feita no contrato de permuta, sobre os valores patrimoniais das participações Eldorado e Mucuri se cingiram a obrigação negocial de fornecer dados das demonstrações contábeis, sem qualquer traço de preço; m) que a operação nunca foi desfeita, já que a Mucuri permanece até hoje sob controle da Contribuinte, em plena atividade, realizando o seu objetivo social e, também, nunca o dinheiro ou o patrimônio, que constava na empresa adquirida por permuta, foi repassado ou ingressou no patrimônio dos acionistas da controladora; n) que a autuação oscilou na sua fundamentação, ora parecendo respeitar o contrato de permuta, ora acusando de ter havido uma compra e venda; o) que ou a autuação considerou que foi irreal o contrato de permuta, dizendo ter ocorrido, na verdade, um contrato de compra e venda portanto simulação, ou a autuação considerou formalmente correto, pleno e indiscutível o contrato de permuta; p) que a autuação expôs uma ambiguidade já a revelar violação do contraditório e da ampla defesa, o que, por si só, seria suficiente para inquinar de nulidade a autuação; q) que pese não ter havido a acusação formal de simulação ou questionada a existência do contrato e negócio de permuta; ficando tudo no campo da insinuação; r) que, como visto e provado e na verdade não afastado formalmente pela autoridade fiscal, não houve operação de compra e venda, mas uma legítima permuta de participações societárias, sem pagamento de dinheiro, mas recebimento de participação em outra sociedade, que continua ativa; s) que, se a autuação considera que houve uma compra e venda, e por isso buscou aquilatar um inexistente ganho de capital no pagamento em dinheiro, fácil de ver que a autuação não tem lastro em provas; Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 725 5 t) que a decisão recorrida não enfrentou a maioria dos pontos tratados na peça Impugnatória, o que, desde já, configura cerceamento no direito de defesa da recorrente; u) que a decisão recorrida também incorreu em outros vícios como: a) erro na apreciação dos elementos constante nos autos; b) alteração dos critérios jurídicos do lançamento, conforme serão detalhados em tópico específico; v) que em momento algum a autoridade fiscal considerou a existência de fraude ou simulação, o que, inclusive, levou a lavratura do auto de infração com multa de ofício de 75%, mas ao apreciar a questão a r. decisão promoveu verdadeira alteração no critério jurídico utilizado no lançamento, inserindo, equivocadamente, um novo motivo ao lançamento tributário e, com isso, inovando o lançamento; w) que a decisão recorrida adotou um novo enquadramento legal relativo à simulação do Direito Civil que, em nenhum momento foi utilizado pela autoridade fiscal; x) que enquanto o auto de infração foi motivado na ocorrência de ganho de capital decorrente de contrato de permuta de participação societária, a DRJ atribuiu consequência jurídica diversa à operação ao requalificála como compra e venda e, com isso, desconsiderar o contrato de permuta, quando não foi isso que a autoridade fiscal fez na autuação, portanto a decisão recorrida padece de vício insanável, pois, ao tentar salvar o lançamento, promoveu uma verdadeira alteração dos critérios jurídicos; y) que o Parecer PGFN nº 970/1991 sustenta que: “8. Por outro lado, o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de uma renda ou de proventos de qualquer natureza, segundo preceitua o art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25.10.66). Como o conceito de renda é um conceito econômico e até hoje sem nítidos contornos, temos que o referido imposto incide sobre a percepção de urna renda, segundo critério jurídico. Isto significa que só são considerados renda ou proventos os que a lei define como tais, coincidam ou não com o conceito econômico. 9. Ora, como demonstramos, os particulares e o Estado participam de uma operação de troca (permuta), pois os participantes do leilão também buscam trocar títulos públicos por participações acionárias das estatais, e, dessa forma, afastarseia a preocupação dos reflexos na licitação (leilão), pois o objetivo final dele não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos. (...) 15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e a própria base de cálculo. (...) Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 16. É evidente que o momento não seria aquele da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão, existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em consequ ência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” z) que tal entendimento da PGFN veio depois a ser normatizado pela IN nº 92/91; aa) que o momento futuro, de eventual alienação do bem permutado, é que poderia ser o marco para aquilatar ganho; ab) que a contabilização da aquisição de Mucuri, na contribuinte, foi feita erroneamente, afinal, sendo Mucuri controlada, deve esse investimento seguir os ditames do MEP; ac) que o registro deveria ter sido o seguinte: valor PL Mucuri: R$ 232.540.000,00; e deságio na aquisição R$ 159.142.989,77; ad) que houve assim a errônea tributação do deságio; ae) que o erro contábil não pode gerar uma tributação indevida; af) que é indevida a cumulação de multa de ofício com multa isolada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais alega sucintamente que: a) análise detida do Termo de Verificação Fiscal demonstra que simplesmente não existe a ambiguidade apontada pela recorrente, pois a fiscalização jamais cogitou que a recorrente tivesse celebrado um típico negócio jurídico de permuta, daqueles legalmente aptos a afastar a tributação pelo Imposto de Renda; b) que, diante de uma situação concreta de alienação de participação societária, o que a Fiscalização fez foi deixar de lado a denominação dada pelas partes ao contrato (permuta) para analisar o conteúdo efetivamente avençado; c) que uma vez afastada a caracterização do negócio como uma permuta apta a afastar a tributação, só restava ao AFRFB o dever de lavrar o competente Auto de Infração para lançamento do IRPJ incidente sobre o ganho de capital auferido; d) que o auto de infração é muito claro em afirmar que os únicos negócios permutativos capazes de afastarem a tributação sobre o ganho de capital seriam aqueles consignados no art. 121, II e 134 do RIR/99, não se enquadrando o caso dos autos em nenhuma dessas hipóteses; Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 726 7 e) se, como visto, (i) o negócio jurídico realizado não é típica operação de permuta, pois existente transferência de dinheiro, e (ii) apenas as permutas de unidades imobiliárias sem torna e as permutas de títulos da dívida pública por ações do Programa Nacional de Desestatização estão afastadas da tributação pelo ganho de capital, não sendo este o caso dos autos, (iii) não pode haver outra conclusão senão a de que o negócio não pode ter o tratamento tributário reservado para os negócios permutativos; f) que exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresentou longo e detalhado arrazoado no que concerne a todos os aspectos abordados no lançamento fiscal, de modo a demonstrar que tinha pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas no AI; g) que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; h) que, no que diz respeito ao cerceamento do direito de defesa, cumpre registrar que a decisão da DRJ/CGE analisou todos os pontos que se faziam necessários para a solução da controvérsia, não estando o julgador obrigado a abordar todas as questões apontadas pelas partes, desde que fundamente de forma suficiente o seu entendimento, tal como no caso dos autos, conforme pacífico entendimento do STF; i) que a DRJ jamais afirmou que o capital da Nova Mucuri no momento da “permuta” era de R$ 1.000,00. Como se vê do próprio trecho transcrito pela recorrente, a DRJ apenas narra que a Nova Mucuri foi constituída com capital social de R$ 1.000,00. No momento da suposta permuta, a DRJ deixa claro que o capital social era de R$ 232.540.000,00, oriundo da subscrição de novas ações, logo, não há, portanto, que se falar em erro na apreciação de fatos. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, há que se afastar a alegação de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa por suposta dubiedade na fundamentação do auto de infração, pois os fatos estão bem descritos, como também a posição adotada pelos autuantes, segundo a qual o nomen iuris utilizado pela recorrente no contrato celebrado com a Odebrecht/ETH não é relevante, por ser a permuta espécie do gênero alienação, sofrendo assim os efeitos tributários Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 que qualquer alienação sofreria, sendo que essa posição ficou bem clara para a recorrente, conforme podese depreender da simples leitura da sua peça recursal. A recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa, pois sustenta que a decisão recorrida não enfrentou todos os pontos da sua impugnação, mas não aponta qualquer ponto que tenha deixado de ser respondido. Ademais, tem razão a Fazenda Nacional quando sustenta, respaldada em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Por essas razões também afasto a alegação de cerceamento do direito de defesa da recorrente. Quanto às alegações de que a decisão recorrida incorreu em erro na apreciação dos elementos dos autos e alterou critério jurídico, caso sejam procedentes, estará comprometida a fundamentação daquela decisão e, consequentemente, merecerá reforma por parte deste Colegiado, sem contudo, significar que, neste Colegiado, as conclusões acerca da autuação em tela, obrigatoriamente, venham a ser diferentes, já que, não estando vinculado às fundamentações da instância julgadora primária, poderá, por outras razões, chegar ao mesmo dispositivo do acórdão recorrido. Com relação ao mérito, a questão a ser dirimida, por este Colegiado, é muito simples, pois consiste em responder se se aplica o disposto na Instrução Normativa nº 107/88 em caso de permuta de ações sem torna. Qual a base legal da Instrução Normativa nº 107/88 para afastar o ganho de capital em caso de permuta sem torna? Não há. Como também carece de base legal o inciso II do art. 121 do RIR/99, pois o ali disposto só encontra eco na IN 107/88. Todavia, são esses os dispositivos que levaram a contribuinte a concluir que não havia ganho de capital a ser apurado na permuta que realizou. Assim, esquivome de fazer qualquer juízo de legalidade sobre tão vetustos dispositivos e passo apenas a verificar se eles se aplicariam ao caso sub examine. Da simples leitura da IN 107/88, verificase instantaneamente que ela só se aplica em caso de permuta de unidade imobiliárias (casa, terrenos, apartamentos), se não vejamos como dispõe o seguinte dispositivo: “1.1 – Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, aqui denominada ‘torna’.”. Como se vê, restringiuse o conceito próprio de permuta, para fins da IN 107/88, apenas para aquelas cujos objetos fossem unidades imobiliárias. Ademais, estamos diante de permuta realizada entre pessoas jurídicas, logo, há que se analisar o item 2 da Seção II da IN 107/88, o qual está intitulado como “Permuta entre Pessoas Jurídicas”. Do item 2, reforçase ainda mais a conclusão de que ela só se aplica em caso de permuta de unidades imobiliárias, se não vejamos como dispõe alguns dos seus dispositivos: “2. Permuta Entre Pessoas Jurídicas: Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 727 9 2.1 – Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem...”. Notese que todas as demais disposições acerca de permuta entre pessoas jurídicas são subitens do item 2.1, ou seja, todas as disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos). Logo, inaplicável a IN 107/88 em caso de permuta de ações entre pessoas jurídicas. Da mesma forma, inaplicável, em caso de permuta de ações, o art. 121, II, do RIR/99, in verbis: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): (...) II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias.” A contribuinte cita, então, o Parecer PGFN nº 970, de 23/09/91, e diz que, posteriormente, o entendimento ali exarado viria a ser normatizado na IN 92/91. Tratase de mais um equívoco da contribuinte, pois o referido parecer carecia tanto de suporte legal que se fez necessário editar o art. 65 na Lei nº 8.383, de 30/12/91, o qual assim versa: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.” Como se vê, tratase de norma específica aplicável apenas aos casos abrangidos pelo Programa Nacional de Desestatização, razão pela qual seria absurdo transformar uma norma específica em norma geral de tributação. Todas essas normas que dispensam a tributação do ganho de capital em caso de permuta sem torna são normas excepcionais, pois a regra é a tributação sempre que houver Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 diferença entre os valores dos bens entregues e recebidos. Ora, a melhor exegese nos diz que normas excepcionais são interpretadas estritamente, razão pela qual não há que se falar em interpretação extensiva de tais normas para fazêlas alcançar a situação em tela – permuta entre PJs de direito privado de ações de emissão de outras PJs de direito privado. Outro ponto que deixa ainda mais claro a inaplicabilidade de tais normas ao caso em tela, reside na impossibilidade de a recorrente cumprir com a exigência prevista no item 2.2.1 da IN 107/88, a mesma exigência prevista no § 1º do art. 65 da Lei 8.383/91. Ou seja, nestas hipóteses de permuta sem torna de unidade imobiliária, o contribuinte deverá contabilizar o bem recebido pelo mesmo valor do bem dado em permuta (postergarse a tributação do ganho de capital para eventual momento futuro de alienação do bem recebido). Ocorre que a contribuinte até tentou contabilizar as ações recebidas da Mucuri pelo valor que estavam registradas, na sua contabilidade, as ações da Eldorado (R$ 73.397.010,23), mas, já reconheceu, na sua peça recursal, que isso não era correto. No caso em tela, o registro das ações da Mucuri pelo valor que estavam contabilizadas as ações da Eldorado significa uma ofensa à Lei nº 6.404/76 e ao DL nº 1.598/77, o que, por si só, já seria o bastante para demonstrar a inaplicabilidade das normas de permuta de unidade imobiliárias em caso de permuta de ações de investimentos avaliados pelo MEP. Qual então a norma aplicável ao caso? O art. 418 do RIR/99, conforme citado pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal, peça integrante ao auto de infração. A base legal de tal dispositivo regulamentar é o art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77, o qual assim dispõe: “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (...) § 3º O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (§ 1º), diminuído da provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real.”. Uma vez afastado o tratamento da permuta estabelecido na IN 107/88 ao presente caso, temos que observar a operação de alienação das ações da Eldorado como qualquer outra alienação. Conforme se observa do dispositivo acima, o custo será o valor contabilizado das ações da Eldorado (R$ 73.397.010,23), logo, tendo a recorrente recebido em dação em pagamento as ações da Mucuri, as quais estavam contabilizadas na adquirente por R$ 232.540.000,00, resultou em um ganho de capital no montante de R$ 159.142.989,77. Notese que o valor da Nova Mucuri correspondia exatamente ao valor que fora depositado em sua conta bancária no Banco Real pelo grupo ETH, por meio da Nova Boipeba Participações, no montante de R$ 232.540.000,00. Esse era o único ativo da Nova Mucuri. Assim, não há falar em deságio na aquisição da Nova Mucuri, como tentou sustentar a recorrente, quando o único ativo que tal empresa possuía era uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00. Ademais, onde está o laudo que avaliou as ações da Nova Mucuri abaixo do seu valor patrimonial em R$ 159.142.989,77? Qual o fundamento desse deságio? Não existe nada nos autos, mesmo porque seria absurdo dizer que uma empresa cujo único ativo é uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 tenha sido alienada por R$ R$ 73.397.010,23. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 728 11 Por sua vez, o laudo que existe nos autos é o da adquirente das ações da Eldorado, ou seja, o Laudo encomendado pela ETH (doc. a fls. 134 e segs.), no qual as ações da Usina Eldorado S/A foram avaliadas em R$ 377.473.000,00 (vide doc. a fls. 139), o qual está assim composto: Valor do fluxo de caixa futuros.............R$ 221.140.000,00 Valor da perpuitadade............................R$ 156.333.000,00 Valor do Empreendimento.....................R$ 377.473.000,00 Notese que o valor pago à recorrente, pelas ações da Usina Eldorado S/A, R$ 232.540.000,00, é bem próximo do valor apurado pelo laudo de avaliação com base no fluxo de caixa futuros. Como então pode a recorrente negar que houve ganho de capital na operação? Alienação é gênero do qual compra e venda, permuta, desapropriação, etc. são espécies, razão pela qual concluo perfeita a conclusão do autuante de que houve, in casu, um ganho de capital no montante de R$ 159.142.989,77, o qual deveria ter sido oferecido à tributação pela recorrente. Notese que este ganho de capital da recorrente na alienação da Eldorado é tão óbvio quanto o registro do ágio na aquisição da Eldorado pela ETH Bioenergia S/A. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte no tocante aos lançamentos do IRPJ e CSLL. Passo a analisar o lançamento da multa isolada por falta de pagamento dos tributos sobre as bases estimadas, quando também lançada multa de ofício sobre o IRPJ apurado sobre o lucro real e a CSLL sobre a base ajustada. Inicialmente, friso que este Colegiado tem firmado diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) há quem sustente que não se aplica a multa isolada após o encerramento do anocalendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) há quem sustente que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; c) há quem sustente que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) há quem sustente que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instituto do Direito Penal da “consunção”. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o . Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 729 13 Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2o e 44, § 1o , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2o e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 730 15 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13657.001235/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2101-001.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 05, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 – Ano Calendário 2004, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário – Suplementar , no valor de R$ 3.017,80, mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, onde alegou, em síntese, que: 1º. Está em plena vigência a obrigação do pagamento da pensão a sua exesposa, conforme se pode confirmar pelo processo 860/953/92, de 10/11/19922a Vara Cível em Pouso Alegre/MG e pelos comprovantes de pagamentos, cujas cópias ora anexa; 2º. Como pagou de diversas formas a pensão, inclusive em cheque e dinheiro, além de crédito bancário, envia também a cópia da declaração do imposto de renda de sua ex esposa para confirmação do recebido; 3º. A diferença de pagamento realizada pela Prefeitura realmente ocorreu, visto que somou os valores dos recibos por não ter a declaração anual da Prefeitura em mãos. Por fim, requer seja acolhida a impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 62): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13657.001235/200721 Acórdão n.º 2101001.490 S2C1T1 Fl. 2 3 qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 . DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O julgador de 1a instância, manteve a glosa da dedução a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 14.300,00. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 18/06/2010 (fl. 64v), o Recorrente apresentou, em 15/07/2010, o recurso de fls. 67, onde reafirma que: a) Houve equivoco por parte do representante da Receita Federal, já que fora juntada cópias da SENTENÇA JUDICIAL, HOMOLOGACAO JUDICIAL DE ACORDO INFORMAL ENTRE O CONTRIBUINTE E PENSIONISTA, COMO TAMBÉM, TODOS COMPROVANTES REFERENTES AO PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL JÁ REFERIDA. b) Nos autos, constam todos os documentos possíveis e necessários que comprovam o pagamento e recebimento da referida pensão entre os contribuintes em questão. c) Pode ter havido equivoco no entendimento do pagamento e recebimento da Pensão Alimentícia em questão. Por fim requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 75, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2005 – Ano Calendário 2004, com irregularidades, e foi autuado em decorrência de omissão de rendimentos e glosa de dedução a título de pensão alimentícia judicial. O julgador a quo manteve a glosa relativa à referida pensão. O acórdão recorrido fundamentou o indeferimento dessa dedução em razão da não apresentação de certidão atualizada pelo Juízo de Direito da Comarca de Pouso Alegre/MG e, ainda, a não identificação de quem efetuou os pagamentos e a não coincidência dos valores declarados com o valor que teria sido pago pelo impugnante. Ressaltese que foi apresentado pelo recorrente o acordo homologado judicialmente que fixou os alimentos, fls.09/11, bem como recibos de depósitos referentes à alimentada, fls. 17/28 e, ainda, a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da exesposa, fls.29, Nídia Maria de Oliveira. Da análise da documentação acostada nos autos, entendo que há no presente processo um conjunto comprobatório robusto que permite concluir que o contribuinte teve despesas com alimentos judiciais durante o anocalendário 2004, já que conforme fl. 29, acostou aos autos cópia da DIRPF da benefíciária, sua exesposa, reportando rendimentos de R$ 13.200,00, mesmo nao tendo apresentado a certidão judicial confirmando o valor mensal da pensão. Após a análise dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, fica comprovado que realmente o recorrente teve despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPF no montante de R$ 14.400,00 como alimentos judiciais em favor de Nídia Maria de Oliveira durante o anocalendário 2004. Em casos análogos, este Conselho assim tem decidido, nas ementas: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004 GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas glosadas de pensão alimentícia quando foram realizadas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 2102000.988 Segunda Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento). Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL E DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 2102000.783 Segunda Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13657.001235/200721 Acórdão n.º 2101001.490 S2C1T1 Fl. 3 5 Ante ao exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja restabelecida a dedução de pensão judicial alimentícia no valor de R$ 14.400,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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