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5462073 #
Numero do processo: 10314.000899/2002-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/03/2002 IMPRESSORAS DE ETIQUETAS. Na versão da Tarifa Externa Comum (TEC), vigente no ano calendário de 2002, as impressoras de etiquetas estavam classificadas sob o código NCM 8471.60.22, posteriormente substituído nas versões, a partir de 2007, para o de nº 8443.32.32. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 474          1 473  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.000899/2002­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.128  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2013  Matéria  CLASSIFIÇAÇÃO ­ AI  Recorrente  W H B DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 01/03/2002  IMPRESSORAS DE ETIQUETAS.  Na  versão  da  Tarifa  Externa Comum  (TEC),  vigente  no  ano  calendário  de  2002, as  impressoras de etiquetas estavam classificadas  sob o  código NCM  8471.60.22, posteriormente substituído nas versões, a partir de 2007, para o  de nº 8443.32.32.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 08 99 /2 00 2- 51 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da DRJ  II  em São  Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do Imposto  de  Importação  (II)  e  multa  proporcional,  bem  como  multas  do  controle  administrativo  e  isolada, referentes à importação de mercadorias desembaraçadas em 1º de março de 2002.  O  lançamentos  decorreu  da  classificação  fiscal  inadequada  das  impressoras  de  etiquetas,  pagamento  a menor  do  II  e  da  importação  desamparada  de  guia ou  documento  equivalente , conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 05/07.  Intimada  do  lançamento,  a  recorrente  impugnou­o,  alegando  razões  assim  resumidas por aquela DRJ:  • As mercadorias constantes na Declaração de Importação Nº 02/0181670­3,  de 01/03/2002, adição 005, itens 001 e 002, possuem equipamentos cujo mecanismo  de  impressão  é  a  transferência  térmica,  sendo  utilizada  uma  fita  de  impressão  chamada ribbon.  • O ribbon se posiciona entre a etiqueta e a cabeça da impressão. No cabeçote  de  impressão,  existem  centenas  de  pontos  de  impressão  cujo  aquecimento  é  controlado por software;   • A posição fiscal  reclamada pela  fiscalização não pode prevalecer pois esta  tem como pressuposto o impacto mecânico;  • Tal afirmação é corroborada pela apresentação de laudo técnico;  • A mesma  linha de  raciocínio se aplica às mercadorias da adição 006, uma  vez que não se tratam de impressoras de impacto mecânico;  •  A  abrangência  do  inciso  II  do  artigo  526  do  Regulamento  Aduaneiro  ­  Decreto  91.030/85  se  limita  a  importações  que  exijam  emissão  de  Licença  de  Importação, o que não é o caso;  •  Estando  correta  a  classificação  fiscal  eleita  pela  impugnante,  a  multa  do  Imposto  de  Importação  exigida  isoladamente  prevista  no  artigo  84,  I  da  Medida  Provisória Nº. 2.158­35 de 24/08/2001 não pode prosperar, ainda que , para tanto, é  essencial a presença do elemento dolo.  A impugnação foi então analisada e julgada improcedente por aquela DRJ.  Intimada  da  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  que  foi  submetido à Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento  deste  CARF,  cujos  membros,  por  unanimidade  de  votos,  votaram  pela  nulidade  da  decisão  recorrida  pelo  fato  de  não  ter  sido  analisada  a  infração  capitulada  no  art.  526,  inciso  II,  do  Decreto nº 70.235, de 1972, e da multa isolada prevista no art. 84, inciso I, da MP nº 2.158­35,  de  24/08/2001,  para  que  outra  fosse  proferida  enfrentando  estas  infrações,  nos  termos  do  acórdão 3201­00.281, às fls. 271/275.  Em cumprimento ao acórdão, aquela DRJ apreciou novamente a impugnação  e  a  julgou  improcedente,  conforme  acórdão  nº  17­42.424,  datado  de  15/07/2010,  às  fls.  421/427, sob as seguintes ementas, sem títulos:  “Impressoras  para  confecção  de  etiquetas  processo  de  impressão  de  transferência  térmica,  utilização  a  fita  de  impressão chamada ribbon.  Fl. 475DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.000899/2002­51  Acórdão n.º 3301­002.128  S3­C3T1  Fl. 475          3 Nota 5E do Capitulo 84 da TEC. É função própria a impressão,  classificando­se na POSIÇÃO 8443.  Não  se  trata  de  produto  corretamente  descrito.  Inaplicável  o  ATO DECLARATÓRIO COSIT N° 12/97.  A  aplicação  da  multa  isolada  do  Imposto  de  Importação  é  cobrada  em  função  de  classificação  fiscal  errônea,  conforme  tipificado no artigo 84 da Medida Provisória No. 2.158­35.”  Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.  434/439),  requerendo  a  sua  a  reforma  a  fim  de  que  se  cancele  integralmente  o  lançamento,  alegando,  em  síntese,  as  mesmas  razões  expendidas  na  impugnação.  Contudo,  nesta  fase  recursal,  defende  a  classificação  no  código NCM 8443.32,32,  citando,  inclusive,  Solução  de  Consulta da Associação Brasileira da  Indústria Gráfica  (Abigraf)  sobre  esse mesmo produto,  feita perante à Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro (Coana), no exercício de 2004.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  A  recorrente  importou  impressoras  de  etiquetas  e  as  classificou  no  código  NCM  8471.60.22,  sujeitos  à  alíquota  do  II,  no  percentual  de  3,0%.  Contudo,  nesta  fase  recursal,  defende  a classificação no código NCM 8443.32.32.  Já  a Fiscalização classificou o  produto no código NCM 8443.59.90, cuja alíquota é de 14,0%.  A Tabela Externa Comum (TEC), vigente na data do registro da Declaração  de Importação (DI), assim dispunha quanto aos códigos, à classificação fiscal e às alíquotas do  II:  NCM defendido inicialmente pela recorrente:  Pela recorrente:  84.71  MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS  UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR  DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA  PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS  EM OUTRAS POSIÇÕES    8471.60  ­Unidades de entrada ou de saída, podendo conter, no mesmo corpo, unidades de memória    8471.60.22  De transferência térmica de cera sólida ("solid ink" e "dye sublimation", por exemplo)  3,5#BIT  Pela fiscalização:  84.43  MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO POR MEIO DE CARACTERES    Fl. 476DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 TIPOGRÁFICOS, CLICHÊS, BLOCOS, CILINDROS E OUTROS ELEMENTOS DE  IMPRESSÃO DA POSIÇÃO 84.42; IMPRESSORAS A JATO DE TINTA, EXCETO AS DA  POSIÇÃO 84.71; MÁQUINAS AUXILIARES PARA IMPRESSÃO  8443.59  ­­Outras    8443.59.90  Outros  14BK  Ora, segundo os códigos reproduzidos acima, embora a posição 8471 não se  refira  expressamente  a  equipamentos  de  impressão,  a  classificação  mais  adequada  para  as  impressoras  de  etiquetas,  portátil  ou  de  mesa,  tipo  IDPAL,  em  que  a  impressão  se  dá  por  transferência térmica, com a utilização de fita ribbon, tipo cera e/ ou cera/resina, é sob o código  NCM  8471.60.22,  vigente  na  data  de  registro  da  DI,  ou  seja,  do  desembaraço  aduaneiro,  utilizado pela recorrente.  No  recurso  voluntário  a  recorrente  passou  a  defender  a  classificação  sob  o  código NCM 84843.32.32, com base na Solução de Consulta feita pela Abigraf, no exercício  de 2004, em que a Coana indicou este código como o correto, conforme provam as cópias das  ementas das soluções às fls. 467/499.  Na  data  do  fato  gerador  do  crédito  tributário,  objeto  do  lançamento  em  discussão,  a  TEC  não  continha  este  código  (defendido  no  recurso  voluntário)  que  só  foi  incluído na versão de 2007, em substituição ao vigente nas versões anteriores, nos  seguintes  termos:  84.43  MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO POR MEIO DE BLOCOS, CILINDROS E  OUTROS ELEMENTOS DE IMPRESSÃO DA POSIÇÃO 84.42; OUTRAS IMPRESSORAS,  MÁQUINAS COPIADORAS E TELECOPIADORES (FAX), MESMO COMBINADOS  ENTRE SI; PARTES E ACESSÓRIOS.  8443.32  ­­Outros, capazes de ser conectados a uma máquina automática para processamento de dados  ou a uma rede    8443.32.32  De transferência térmica de cera sólida ("solid ink" e "dye sublimation", por exemplo)  2§BIT  Já  o  código  NCM  8471.60.22,  originalmente  utilizado  pela  recorrente,  no  registro da DI, ou seja, no desembaraço aduaneiro, nas versões da TEC, a partir de 2007, foi  substituído  pelo  de  nº  8443.32.32,  citado  e  transcrito  acima  e  indicado  nas  Soluções  de  Consultas feitas pela Abigraf da qual a recorrente é associada.  Assim,  correta  a  classificação  adotada  pela  recorrente  no  desembaraço  aduaneiro das impressoras de etiquetas.  Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                              Fl. 477DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.000899/2002­51  Acórdão n.º 3301­002.128  S3­C3T1  Fl. 476          5   Fl. 478DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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5375720 #
Numero do processo: 10925.721406/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 10/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO Não merece ser conhecido Recurso Voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
Numero da decisão: 3101-001.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, não se conheceu do recurso voluntário, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 26/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo (Suplente), Leonardo Mussi Da Silva (Suplente), e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 3          1 2  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.721406/2011­12  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3101­001.568  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2014  Matéria  Auto de Infração ­ multas diversas IPI  Recorrente  ALTREIDER BEBIDAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Data do fato gerador: 10/05/2011  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  INTEMPESTIVO  Não  merece  ser  conhecido  Recurso  Voluntário  interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33  do Decreto nº 70.235/72.  RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Por unanimidade, não se conheceu do recurso voluntário, por intempestivo.  Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente.   Rodrigo Mineiro Fernandes ­ Relator.  EDITADO EM: 26/02/2014  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Jacques Mauricio  Ferreira Veloso De Melo (Suplente), Leonardo Mussi Da Silva (Suplente), e Henrique Pinheiro  Torres  (Presidente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto  Domingo.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 14 06 /2 01 1- 12 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S     2 Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls. 39 a  40):    Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados  (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de  junho de 2010,  consoante  capitulação  legal  consignada  às  fls.  11  e  12,  foi  lavrado  o  auto de infração de fls. 06 e 07, em 13/06/2011, para exigir R$ 5.148,02  de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 7.722,03 de multa  de  ofício,  e  R$  4.392,00  de  multa  regulamentar,  o  que  representa  o  crédito tributário consolidado de R$ 17.262,05.  Consoante a exposição dos fatos, às fls. 08/12, em ação fiscal encetada  no estabelecimento do sujeito passivo em 10/05/2011, foram encontradas  bebidas alcoólicas de origem nacional expostas à venda e/ou mantidas  em depósito sem os selos de controle de que trata a Instrução Normativa  SRF nº 504, de 03/02/2005.  As  mercadorias  foram  apreendidas  e  sujeitas  à  pena  de  perdimento,  conforme  o  Auto  de  Infração  e  Termo  de  Apreensão  e  Guarda  Fiscal  (cópia às fls. 17/20) cujo processo tem protocolo nº 10925.720028/2011­ 77.  A exposição à  venda ou o depósito de bebidas alcoólicas  sem selos de  controle  resulta  no  lançamento  de  ofício  do  IPI  pelo  qual  o  possuidor  figura como responsável  (RIPI/2010, art. 327, § 3º), além da cobrança  dos  consectários  legais,  incluída  a multa  de ofício  de  150%  já  que  foi  caracterizado o dolo do  sujeito passivo na  sonegação de  imposto  e no  conluio com os fornecedores (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,  arts. 71 e 73).  O  imposto  devido  foi  calculado  conforme  a  quantidade  das  bebidas  inventariadas,  os  preços  praticados  e  a  classe  de  valor  aplicável,  consoante  a  relação  de  mercadorias  à  fl.  22,  anexa  ao  termo  de  apreensão à fl. 21.  Foi também imposta a multa regulamentar igual ao valor comercial das  mercadorias,  não  inferior  a R$  1.000,00  (RIPI/2010,  art.  585,  I),  cuja  apuração consta do demonstrativo à fl. 05.  Em  virtude  da  caracterização  de  crime  contra  a  ordem  tributária,  foi  formalizada  representação  fiscal  para  fins  penais  com protocolo  de  nº  10925.721030/2011­46.  O  sujeito  passivo  tomou  ciência  do  termo  de  apreensão  de  bebidas  alcoólicas em 10/05/2011 por intermédio do representante legal. Não há  informação nos autos acerca da data da ciência do auto de infração.  Em 13/07/2011,  inconformada, a empresa apresentou a impugnação de  fl. 29, subscrita pelo representante legal da pessoa jurídica, em que aduz  que recebera o auto de infração e que as bebidas não possuíam selos de  controle  porque  haviam  sido  adquiridas  há  muito  tempo,  não  foram  vendidas e permaneceram em estoque até a data da autuação, sendo que  atualmente  os  fornecedores  das  bebidas  legalizaram  as  respectivas  situações, inclusive com a colocação de selos de controle.    A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto,  em  sessão  de  julgamento  datada  de  19  de  dezembro  de  2012,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido. O acórdão 14­39.550 foi assim ementado:  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10925.721406/2011­12  Acórdão n.º 3101­001.568  S3­C1T1  Fl. 4          3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­  IPI  Data do fato gerador: 10/05/2011  BEBIDAS ALCOÓLICAS. EXPOSIÇÃO À VENDA OU DEPÓSITO SEM  SELO  DE  CONTROLE.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  IMPOSTO, MULTA DE OFÍCIO E MULTA REGULAMENTAR.  Cobra­se o imposto e a multa de ofício, por responsabilidade tributária  do adquirente, calculados conforme as classes de valores específicas, se  as  bebidas  alcoólicas  expostas  à  venda  ou  mantidas  em  depósito  não  apresentarem  selo  de  controle;  ademais,  incide  a  multa  regulamentar  correspondente  ao  valor  comercial  dos  produtos  não  selados,  sujeitos  inclusive à pena de perdimento.  MULTA  DE  OFÍCIO  MAJORADA.  CIRCUNSTÂNCIA  QUALIFICATIVA. DOLO.  É  imposta  a  multa  de  ofício  exacerbada  (150%)  se  forem  observadas  circunstâncias qualificativas como a sonegação e o conluio, indicadoras  de  dolo  na  conduta  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  interessada  encaminhou,  por  via  postal,  seu  Recurso  Voluntário,  em  18/04/2013.  A  Repartição  de  origem  encaminhou  os  autos,  com  o  Recurso Voluntário,  para apreciação do órgão julgador de segundo grau.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.  Trata  o  presente  processo  de  impugnação  ao  Auto  de  Infração  referente  a  Multas  Diversas  ­  IPI  (Bebidas  sem  selo  de  controle  ou  com  selo  já  utilizado)  conforme  Demonstrativo Consolidado (fls. 02).  A ciência do Acórdão 14­39.550 da 2ª Turma da DRJ/RPO, que considerou  improcedente  a  impugnação,  com  a  manutenção  integral  do  crédito  tributário  constituído,  ocorreu em 14/03/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR) às fls. 48.  O  Recurso  Voluntário,  juntado  às  fls.  49,  foi  postado  em  18/04/2013,  conforme  consta  do  envelope  de  endereçamento  ­  SEDEX  SA194625941BR  (fls.103)  e  do  histórico do objeto em consulta junto ao sítio dos Correios (fls. 106), portanto, intempestivo.  Considerando que o Recurso Voluntário  foi  protocolado  intempestivamente  pelo interessado, não o conhecemos.  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S     4 Sala das sessões, em 29 de janeiro de 2014.  [Assinado digitalmente]  Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator                            Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S

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Numero do processo: 37216.000688/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2006 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No caso, há recolhimentos efetuados, acarretando a utilização da regra expressa na determinação legal contida no § 4°, Art. 150 do CTN. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. RECONHECIMENTO PELA PGFN. DESISTÊNCIA EM AÇÕES JUDICIAIS. Segundo Ato Declaratório PGFN 12/2011 - quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre seguro de vida em grupo contratado pelo empregador, se não existir individualização de montante que beneficie cada um dos segurados - deve ser dispensada a apresentação de recursos e deve ocorrer a desistência dos recursos já interpostos. No presente caso, a acusação fiscal não trata de individualização de montante para benefício de cada segurado, a fim de motivar a procedência do lançamento, devendo, portanto, pelo Princípio da Eficiência, ser dado provimento ao recurso, conforme posição da PGFN. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 10/2001, anteriores a 11/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no mérito, na questão do seguro de vida em grupo, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação pelas conclusões. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Vivian Casanova. OAB: 128.556/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2006 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No caso, há recolhimentos efetuados, acarretando a utilização da regra expressa na determinação legal contida no § 4°, Art. 150 do CTN. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. RECONHECIMENTO PELA PGFN. DESISTÊNCIA EM AÇÕES JUDICIAIS. Segundo Ato Declaratório PGFN 12/2011 - quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre seguro de vida em grupo contratado pelo empregador, se não existir individualização de montante que beneficie cada um dos segurados - deve ser dispensada a apresentação de recursos e deve ocorrer a desistência dos recursos já interpostos. No presente caso, a acusação fiscal não trata de individualização de montante para benefício de cada segurado, a fim de motivar a procedência do lançamento, devendo, portanto, pelo Princípio da Eficiência, ser dado provimento ao recurso, conforme posição da PGFN. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 10/2001, anteriores a 11/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no mérito, na questão do seguro de vida em grupo, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação pelas conclusões. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Vivian Casanova. OAB: 128.556/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1.021          1 1.020  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  37216.000688/2007­97  Recurso nº  142.719   Voluntário  Acórdão nº  2301­003.609  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de julho de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  INFOGLOBO COMUNICAÇÕES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2006  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  REGIDO  PELO  §  4°,  ART. 150, DO CTN.  Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa  no  CTN  a  ser  utilizada  deve  ser  a  prevista  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN,  conforme  inteligência da determinação do Art. 62­A, do Regimento  Interno  do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.  No  caso,  há  recolhimentos  efetuados,  acarretando  a  utilização  da  regra  expressa na determinação legal contida no § 4°, Art. 150 do CTN.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  SEGURO  DE  VIDA  EM  GRUPO.  PRINCÍPIO  DA  EFICIÊNCIA.  RECONHECIMENTO  PELA  PGFN.  DESISTÊNCIA EM AÇÕES JUDICIAIS.   Segundo  Ato  Declaratório  PGFN  12/2011  ­  quanto  à  incidência  de  contribuições previdenciárias sobre seguro de vida em grupo contratado pelo  empregador, se não existir  individualização de montante que beneficie cada  um dos  segurados  ­  deve  ser  dispensada  a  apresentação  de  recursos  e deve  ocorrer a desistência dos recursos já interpostos.  No presente caso, a acusação fiscal não trata de individualização de montante  para  benefício  de  cada  segurado,  a  fim  de  motivar  a  procedência  do  lançamento,  devendo,  portanto,  pelo  Princípio  da  Eficiência,  ser  dado  provimento ao recurso, conforme posição da PGFN.  Recurso Voluntário Provido.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 06 88 /2 00 7- 97 Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do  colegiado:  I) Por maioria de  votos:  a)  em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nas  preliminares,  para  excluir  do  lançamento,  devido  à  regra  decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência  10/2001, anteriores a 11/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros  Bernadete  de  Oliveira  Barros  e  Mauro  José  Silva,  que  votaram  em  negar  provimento  ao  Recurso,  pela  aplicação  da  regra  expressa  no  I,  Art.  173  do  CTN;  II)  Por  unanimidade  de  votos: a) em dar provimento ao recurso, no mérito, na questão do seguro de vida em grupo, nos  termos  do  voto  do  Relator.  O  Conselheiro  Mauro  José  Silva  acompanhou  a  votação  pelas  conclusões. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Vivian Casanova. OAB:  128.556/RJ.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Presidente ­ Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  ADRIANO  GONZÁLES  SILVÉRIO,  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORREA,  BERNADETE  DE  OLIVEIRA  BARROS,  MANOEL  COELHO  ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA.  Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.022          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Rio de Janeiro – Centro / RJ, fls. 0840 a 0850, que  julgou procedente o  lançamento, motivado por descumprimento de obrigação  tributária  legal  principal, fl. 001, nos seguintes termos:  TRIBUTÁRIO  ­  CONTRIBUIÇÕES  SEGURIDADE  SOCIAL,  PARTE  DA  EMPRESA­  SEGURO  DE  VIDA  EM  GRUPO  ­  SALÁRIO­ DE­ CONTRIBUIÇÃO  Integra  o  salário­  de­  contribuição  o  pagamento  de  seguro  de  vida  em  grupo  quando  não  disponível  à  totalidade  dos  empregados, conforme prevê o inciso XXV do § 9o . do art. 28 da  Lei n°. 8.212/91.  A  legislação  tributária  que  dispõe  sobre  outorga  de  isenção  interpreta­  se  literalmente  (art.  111,  II  do  Código  Tributário  Nacional).  LANÇAMENTO PROCEDENTE  Segundo a  fiscalização,  de  acordo com o Relatório Fiscal  (RF),  fls.  0655 a  0661, o lançamento refere­se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  paga  aos  segurados  empregados,  correspondentes  à  contribuição  da  empresa,  a  contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT)  e  as  contribuições devidas aos Terceiros.  Ainda  segundo  o  RF,  os  valores  da  base  de  cálculo  foram  obtidos  na  escrituração contábil da recorrente e são relativas a valores pagos de seguro de vida em grupo,  em que o salário utilidade benefício não constava em acordo ou convenção coletiva.  Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais  anexos.  Em 30/11/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001.  Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0677 a 0698,  acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que:  1.  A  regra  decadência  a  ser  aplicada  deve  ser  a  determinada no Art. 150 do CTN;  2.  O Seguro de Vida em Grupo não integra o salário­de­ contribuição (SC);   Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     4 3.  De  acordo  com  a  legislação  a  rubrica  para  integrar  o  SC teria de constituir retribuição pelo trabalho prestado  ou posto à disposição da empresa, o que não ocorre;  4.  A  CLT  (V,  §  2°,  art.  458  da  CLT)  expressamente  exclui  do  conceito  de  salário  as  utilidades  concedidas  pelo  empregador  a  título  de  seguros  de  vida  e  de  acidentes pessoais;  5.  Pela hierarquia das  leis,  o determinado no art. 214 do  Decreto 3.048/99 ­ que restringiu a exclusão do Seguro  de  Vida  em  Grupo  do  conceito  de  salário­de­ contribuição  apenas  se  tal  seguro  fosse  previsto  em  acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível  à  totalidade dos empregados e dirigentes da empresa ­  só  teria  prevalecido  até  a  inserção,  pela  Lei  10.243/2001, do já citado § 2° no art. 458 da CLT;  6.  Pela  máxima  hermenêutica  de  que  "onde  a  lei  não  restringe  não  cabe  ao  intérprete  restringir  e  pelo  Princípio  da  Reserva  Legal,  seria  inconstitucional  o  argumento  de  que,  para  ser  excluída  do  conceito  de  salário­de­contribuição,  a  rubrica  analisada  deveria  constar de norma coletiva de trabalho acorde com o art.  214, § 9 o , XXV do Decreto 8.212/91;  7.  Quanto  aos  sindicatos  signatários  de  convenções  coletivas  que  determinaram  a  obrigatoriedade  do  pagamento do Seguro de Vida em Grupo,  afirma que,  além  do  Sindicato  dos  Jornalistas  Profissionais  do  Município  do  Rio  de  Janeiro,  também  foram  beneficiados  os  empregados  filiados  ao  Sindicato  dos  Publicitários  do Município  do Rio  de  Janeiro,  do  que  decorreria  a  exclusão  dos  valores  relativos  a  tais  filiados;  8.  A  notificada  teria  contratado  o  referido  seguro  em  favor de todos os seus empregados (docs. fls. 721/760)  e,  assim,  considerar,  para  efeitos  de  isenção  das  contribuições  previdenciárias,  apenas  aqueles  empregados  cujo  sindicato  assinou  a  convenção  tornando  obrigatória  a  concessão  de  tal  benefício,  feriria o Princípio  da  Isonomia,  ao mesmo  tempo que  constituiria  afronta  aos  ditames  do  art.  214,  §  9  o  ,  XXV do Decreto 8.212/91;  9.  Protesta contra a postura arrecadatória demonstrada no  lançamento,  que  representaria  um  flagrante  desestímulo à concessão de benefícios de natureza não­ salarial aos trabalhadores, em prejuízo dos mesmos;  10.  Tal  postura  colidiria  com  os  objetivos  sociais  contemplados  pela  Constituição  Federal,  Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.023          5 desestimulando  a  iniciativa  privada  a  repartir  com  o  Poder  Público  ônus  sociais  deste,  obstando  a  perfeita  aplicação do art. 194, caput da Constituição Federal.;  11.  Finda  pedindo  seja  reconhecida  a  decadência  do  período anterior a novembro/2001 e que seja julgada a  improcedência  do  lançamento  pelas  razões  acima  apontadas.  A  DRP  analisou  o  lançamento  e  a  impugnação,  julgando  procedente  o  lançamento.  Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls.  0876 a 0902, acompanhado de anexos.   No recurso, a recorrente alega, em síntese, que:  1.  A decisão deve ser reformada;  2.  O  prazo  decadencial  deve  ser  o  determinado  no  Código  Tributário  Nacional (CTN), cinco anos;  3.  Deve haver previsão legal na inclusão do seguro de vida na definição de  salário­de­contribuição (SC);  4.  A CLT exclui o seguro de vida da definição de salário;  5.  O seguro de vida em grupo não integra o SC;  6.  Foram  obedecidos  todos  os  requisitos  previstos  na  Legislação  Previdenciária para que o seguro de vida não integre o SC, pois o seguro  é  disponibilizado  a  todos  os  empregados  e  está  disposto  em  norma  coletiva de trabalho;  7.  A  fiscalização  reconheceu  que  o  seguro  é  oferecido  a  todos  os  empregados e dirigentes da recorrente;  8.  Há previsão em convenção coletiva de trabalho firmada com o Sindicato  dos  Jornalistas  Profissionais  do Município  do  Rio  de  Janeiro  e  com  o  Sindicato dos Publicitários do Município do Rio de Janeiro;  9.  A  título  de  argumentação,  a  decisão  de  primeira  instância  manteve  o  lançamento  quanto  aos  publicitários,  com  o  fundamento  de  que  a  convenção somente faculta a contratação, não a obriga;  10.  A  legislação  determina  a  previsão  da  concessão  do  seguro  de  vida  em  grupo, jamais alude à obrigatoriedade;  11.  O Fisco deve verificar o reflexo social do lançamento;  12.  Ante todo o exposto, a recorrente pede a admissão das razões do recurso  e que lhe seja dado provimento.  Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     6 Posteriormente,  a  DRP  emitiu  contra­razões,  fls.  0968  a  0969,  onde,  em  síntese,  mantém  a  decisão  proferida,  enviando  o  processo  ao  Conselho  de  Recursos  da  Previdência Social (CRPS).  A Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes analisou os autos e  decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de, em síntese, se verificasse a existência,  ou não, de norma coletiva de trabalho relativa a seguro de vida em grupo com o Sindicato dos  Publicitários do Rio de Janeiro.  O Fisco respondeu aos questionamentos, fls. 0982.  O sujeito passivo foi devidamente cientificado e apresentou seus argumentos,  fls. 0993.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.   Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.024          7   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  DAS PRELIMINARES  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do  Recurso  Voluntário e passo à análise de suas razões recursais.  Em  um  primeiro  momento,  o  sujeito  passivo  solicita  a  aplicação  da  regra  decadencial expressa no no § 4°, Art. 150 do CTN.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  através  de  alteração  promovida  pela  Portaria  do  Ministro  da  Fazenda  n.º  586,  de  21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que  “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e  543C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do  anexo II).  No  que  diz  respeito  a  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009,  sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do  CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado:   “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL  .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).   Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     8 2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.   Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC  definiu  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).  Cabe  destacar  que  na  análise  dos  autos  encontramos  informação  de  que  o  Fisco verificou recolhimentos, fls. 0636.  Cabe destacar, também, que na guia de recolhimento não havia diferenciação  entre rubricas, ou que possibilitasse a origem do que foi reconhecido.  Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.025          9 Outro  ponto  importante,  que  deve  ficar  claro,  é  que  o  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  é  a  totalidade  da  remuneração  paga  ou  creditada  pelos  serviços,  independentemente  do  título  que  se  lhe  atribua,  tanto  em  relação  ao  tomador  do  serviço  (empresa), quanto do segurado contribuinte.  Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos  levar em conta  se  houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a  totalidade  desses  pagamentos  que  se  denomina  Salário  de  Contribuição  (SC),  que  é  todo  e  qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de  forma  direta  ou  indireta,  em  dinheiro  ou  sob  a  forma  de  utilidades,  habituais  em  relação  ao  segurado empregado.  Elucidativo  o  texto  contido  em  decisão  proferida  na  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais  (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco  Assis de Oliveira Júnior:  “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta,  ainda  resta  dirimir  a  questão  relacionada  ao  recolhimento  específico da rubrica eventualmente  lançada, conforme defende  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional,  ou  se  seria  suficiente  para  caracterização  de  pagamento  antecipado  o  recolhimento  genérico  relativo  aos  valores  consolidados  na  folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo.   Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada  deve  considerar  a  regra  matriz  relacionada  efetivamente  à  definição  de  qual  seria  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Nesse  sentido,  observamos  que  à  luz  do  que  dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento  jurídico  a  ser  considerado  para  efeito  de  análise  do  recolhimento  total  ou  parcial  refere­se  à  remuneração  total  paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I.vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de  trabalho ou  sentença  normativa.  (Redação dada pela Lei  nº  9.876, de 1999).  Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o  tributo  em  relação a  determinada  rubrica  que  acredita  não  ter  incidência  da  contribuição  previdenciária,  tal  fato  não  descaracteriza  a  antecipação  de  pagamento  para  o  restante  calculado  e  recolhido  indicado  pela  folha  de  pagamento  do  empregador.   Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     10 Em  verdade,  o  fracionamento  dessas  rubricas  revela­se  necessário  para  identificação dos  requisitos  estabelecidos para  verificação  da  não  incidência  do  salário  de  contribuição  em  conformidade com as  inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da  Lei nº 8.212, de 1991.  Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam  a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada  altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são,  em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado.  Em  outras  palavras,  cada  rubrica  é  espécie  do  gênero  remuneração.  Desse  modo,  para  efeito  de  identificação  do  pagamento  antecipado,  não  deve  ser  exigido  o  recolhimento  específico  de  uma  ou  outra  rubrica  paga  pelo  empregador,  mas  sim  a  consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na  folha de pagamento.”  Portanto, claro está que existiam recolhimentos a homologar e que qualquer  recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da  regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido.  CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  ...  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Com  isso,  como  a  ciência  do  lançamento  ocorreu  em  11/2006,  todas  as  contribuições exigidas até 10/2001, anteriores a 11/2001 devem ser excluídas do lançamento.  DO MÉRITO  Quanto  ao  mérito,  devemos  verificar  se  os  pagamentos  a  segurados  empregados referentes a seguro de vida integram, ou não, o SC.  Nesse  sentido,  a  PGFN  emitiu  Ato  Declaratório  com  a  seguinte  determinação:  ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art.  Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.026          11 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista  a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2119  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  09/12/2011,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição  de  recursos  e  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro  fundamento relevante:   “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição  previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado  pelo  empregador  em  favor  do  grupo  de  empregados,  sem  que  haja a individualização do montante que beneficia a cada um  deles.”  Ressaltamos  que  a  acusação  pela  incidência  da  contribuição  é  que  não  haveria a previsão do pagamento do seguro de vida em grupo em acordo ou convenção coletiva  de trabalho.  Portanto,  não  há  na  acusação  o  destaque  sobre  a  individualização  do  montante que beneficia a cada um dos segurados.  Assim, em vista do Princípio da Eficiência e da necessidade de finalidade na  expedição dos atos administrativos, mesmo com discordância ao disposto no Parecer, deve­se  dar provimento ao recurso, a fim de excluir a verba citada.  CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em dar provimento parcial, nas preliminares, com  a exclusão das contribuições apuradas até 10/2001, anteriores a 11/2001, devido ao disposto na  regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN e, quanto ao mérito, voto em dar provimento  ao recurso, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator              Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     12   Declaração de Voto  Conselheiro Mauro José Silva:    Passamos a registrar nosso posicionamento sobre um dos aspectos abordados  no caso.  Seguro de vida em grupo. Requisitos para isenção e situações para aplicação do Parecer  PGFN 2.119/2011.    Iniciamos  a  análise  sobre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  instituída  pela  Lei  8.212/91  sobre  pagamentos  de  seguro  de  vida  tomando  o  dispositivo  constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição.  Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no  entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201     Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:        I  ­  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  (Redação  dada  pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)      a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)       II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)  (...)      Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)      (...)  Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.027          13  §  11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos  e  na  forma  da  lei.  (Incluído  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)    Como  se  vê,  a  Constituição  conferiu  competência  à  União  para  instituir  contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme  o  caput  do  art.  194  –  que  pode  incidir,  no  caso  do  empregador,  sobre  a  folha  de  salários  e  demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação  à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art.  2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos  habituais a qualquer título.   Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos  a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes  fatos geradores:  · No caso dos  empregadores,  sobre  a  folha de  salários  e demais  itens  remuneratórios(rendimentos)  pagos  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício,  bem  como  sobre  os  ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título;  · No  caso  dos  trabalhadores,  não  há  expressa  delimitação  dos  fatos  geradores.    Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando  para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno.  No caso das contribuições para a seguridade social, é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de  forma  mais  específica,  apesar  de  existirem  outras  contribuições  destinadas  a  financiar  a  seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo).  A  referida  lei  determinou,  em  seu  art.  11,  que  os  empregadores,  a  quem  denominou  de  empresas,  seriam  contribuintes  de  contribuições  sociais  “incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  segurados  a  seu  serviço”(parágrafo  único,  alínea  “a”).,  sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que  a contribuição incidiria o salário­de­contribuição, sendo este definido no art. 28.  A  definição  das  hipóteses  de  incidência  da  contribuição  das  empresas  é  encontrada  no  art.  22,  o  qual  em  seus  quatro  incisos  estabelece  a  incidência  de  uma  contribuição  previdenciária  geral  sobre  a  remuneração  dos  empregados,  uma  contribuição  previdenciária  relacionada  aos  riscos  do  trabalho,  uma  contribuição  previdenciária  sobre  contribuintes  individuais  e  uma  contribuição  previdenciária  devida  sobre  pagamentos  a  cooperativas de trabalho.  Interessa­nos  para  o  momento  a  contribuição  previdenciária  das  empresas  cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis:  Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     14 Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de  trabalho ou  sentença  normativa.  (Redação dada pela Lei  nº  9.876, de 1999)    Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são  as  hipóteses  de  incidência  do  inciso  I:  remunerações,  ganhos  habituais  sobre  a  forma  de  utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial.   Logo, cabe­nos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de  seguro de vida estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22.  Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar, em relação aos  empregados, o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação  trabalhista.   Assim,  remuneração  será  aquilo  que  a  CLT  assim  o  considera.  Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é  gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu  compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo  que  ultrapassam  50%  do  salário  stricto  sensu,  as  gratificações  ajustadas,  os  abonos  e  as  utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista.   A  essa  altura  podemos  concluir  que  as  utilidades  excepcionadas  pela  CLT  não estão abrangidas pelo conceito de remuneração.  No entanto,  conforme esclarecido  anteriormente,  a Constituição  autorizou a  incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os  ganhos  habituais  dos  empregados  a  qualquer  título,  ao  passo  que  a  Lei  8.212/91  instituiu  a  incidência  da  contribuição  das  empresas  sobre  os  ganhos  habituais  dos  empregados  sob  a  forma de utilidades.   No que tange aos pagamentos de seguro de vida, quis a CLT estabelecer que  se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário  lato sensu, e, portanto, da  noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que,  sendo  habitual,  sofre  a  incidência  da  contribuição,  conforme  autorização  constitucional  e  incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91.   Sabendo  da  dificuldade  de  conceituarmos  o  que  é  habitual,  adotaremos  a  habitualidade como a qualidade daquilo que é  freqüente,  que  é  repetido muitas vezes,  o que  implica  tomarmos  como  habitual  aquilo  que  é,  ou  poderá  ser,  repetido  mais  de  três  vezes  durante a duração do contrato de trabalho. No caso em tela, os pagamentos de seguro de vida  preenchem tal requisito, portanto consideramos que são ganhos habituais, ou seja, são ganhos  Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.028          15 habituais  sob  a  forma  de  utilidade  que  sofrem  a  incidência  da  contribuição  previdenciária.  Estando no campo de incidência, foi instituída uma isenção por meio da norma do art. 214, §9º,  inciso XXV do Regulamento da Previdência Social(RPS):    Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)      § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...)      XXV  ­  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a prêmio  de  seguro  de  vida  em grupo,  desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho  e  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couber,  os  arts.  9o  e  468  da Consolidação  das Leis do Trabalho.  (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999)    Portanto,  são  requisitos  da  isenção:  previsão  em  acordo  coletivo  e  estar  disponível à totalidade dos empregados e dirigentes.  A  posição  acima  registrada  diz  respeito  ao  mérito  da  discussão  sem  considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência.  A  respeito  da  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  seguro  em  vida  em  grupo  temos  que  considerar o  teor  do Parecer PGFN/CRJ/Nº  2.119/2011,  aprovado  pelo  Ministro  da  Fazenda  em  Despacho  de  04/11/2011,  que  concluiu  pela  dispensa  de  apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos,  desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a incidência  de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador  em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia  a cada um deles.   Diante da  existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda,  ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis:  Art.  19.  Fica  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir  do  que  tenha  sido  interposto,  desde  que  inexista  outro  fundamento  relevante,  na  hipótese  de  a  decisão  versar  sobre:  (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)  I ­ matérias de que trata o art. 18;  II  ­  matérias  que,  em  virtude  de  jurisprudência  pacífica  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  sejam objeto de ato declaratório do Procurador­Geral  da  Fazenda  Nacional,  aprovado  pelo  Ministro  de  Estado  da  Fazenda.  §  1o  Nas  matérias  de  que  trata  este  artigo,  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional  que  atuar  no  feito  deverá,  expressamente,  Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA     16 reconhecer  a  procedência  do  pedido,  quando  citado  para  apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em  honorários,  ou  manifestar  o  seu  desinteresse  em  recorrer,  quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº  11.033, de 2004)  §  2o  A  sentença,  ocorrendo  a  hipótese  do  §  1o,  não  se  subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório.  § 3o Encontrando­se o processo no Tribunal, poderá o relator da  remessa  negar­lhe  seguimento,  desde  que,  intimado  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional,  haja  manifestação  de  desinteresse.  § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos  tributários  relativos  às  matérias  de  que  trata  o  inciso  II  do  caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)  §  5o  Na  hipótese  de  créditos  tributários  já  constituídos,  a  autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para  efeito  de  alterar  total  ou  parcialmente  o  crédito  tributário,  conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)    Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  irá  rever  de  ofício  o  lançamento  que  tratar  de matérias  objeto  de  parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção  do  lançamento  nesse  aspecto,  o  crédito  tributário  não  prevalecerá  para  inscrição  em  dívida  ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato  administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência.  Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo­ las  para  evitarmos  a  emissão  de  um  ato  administrativo  (Acórdão)  sem  finalidade  e  em  homenagem ao princípio da eficiência.  Assim,  quando  tratamos  de  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  seguro  de  vida  em  grupo,  consideraremos  que  o  seguro  de  vida  em  grupo  contratado  pelo  empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante  que beneficia a cada um deles, não integra a base de cálculo da contribuição.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva                Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000688/2007­97  Acórdão n.º 2301­003.609  S2­C3T1  Fl. 1.029          17   Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MAURO JOSE SILVA

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Numero do processo: 10140.720434/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRENCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O fornecimento de extratos bancários diretamente pela empresa à Fiscalização, em atendimento a Intimação Fiscal para Apresentação de Documentos regularmente formalizada, não constitui hipótese de quebra de sigilo fiscal eis que fornecida espontaneamente pelo sujeito passivo, e não pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias. PESSOA JURÍDICA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica, mesmo aquela habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, deve manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, a qual exige que a escrituração seja completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por ordem cronológica de dia, mês e ano, de todas as operações relativas ao exercício da empresa, por escrita direta ou reprodução, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTABILIDADE. COMPROVANTES DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GUARDA. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, assim como os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações tributárias acessórias devem ser conservados em boa ordem e guarda enquanto não decorrido o prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes das operações a que se refiram, e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. SOCIEDADE SIMPLES. DESCONSIDERAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SÓCIO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB. Compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento no princípio da primazia da realidade sob a forma, a desconsideração da condição de sócio da pessoa jurídica, sempre que restarem configurados entre este e a empresa os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado contidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PAF. FORUM PRÓPRIO PARA O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal configura-se como o forum processual próprio, único e adequado para que o sujeito passivo exerça, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal que lhe for infligida, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990-PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681-MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543-C do CPC. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere aos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nos 37.395.041-1, 37.338.606-0 e 37.338.605-2, mantendo a multa como aplicada. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Quanto ao mérito, os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.338.604-4, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRENCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O fornecimento de extratos bancários diretamente pela empresa à Fiscalização, em atendimento a Intimação Fiscal para Apresentação de Documentos regularmente formalizada, não constitui hipótese de quebra de sigilo fiscal eis que fornecida espontaneamente pelo sujeito passivo, e não pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias. PESSOA JURÍDICA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica, mesmo aquela habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, deve manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, a qual exige que a escrituração seja completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por ordem cronológica de dia, mês e ano, de todas as operações relativas ao exercício da empresa, por escrita direta ou reprodução, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTABILIDADE. COMPROVANTES DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GUARDA. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, assim como os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações tributárias acessórias devem ser conservados em boa ordem e guarda enquanto não decorrido o prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes das operações a que se refiram, e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. SOCIEDADE SIMPLES. DESCONSIDERAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SÓCIO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB. Compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento no princípio da primazia da realidade sob a forma, a desconsideração da condição de sócio da pessoa jurídica, sempre que restarem configurados entre este e a empresa os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado contidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PAF. FORUM PRÓPRIO PARA O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal configura-se como o forum processual próprio, único e adequado para que o sujeito passivo exerça, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal que lhe for infligida, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990-PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681-MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543-C do CPC. Recurso Voluntário Provido em Parte

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 107; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 7.652          1 7.651  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10140.720434/2013­10  Recurso nº  003.049   Voluntário  Acórdão nº  2302­003.049  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de março de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOP + AIOA  Recorrente  SERVAN ANESTESIOLOGIA E TRATAMENTO DE DOR DE CAMPO  GRANDE S/S  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PROVA  EMPRESTADA.  NULIDADE. INOCORRENCIA.  Não  gera  nulidade do Processo Administrativo  Fiscal  a utilização  de  prova  emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão  de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra  de sigilo fiscal no processo de origem.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza  os  atos  administrativos,  gênero  do  qual  o  Auto  de  Infração  é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado  eficazmente  pela  parte  contrária,  o  desfecho  há  de  ser  em  favor  desta  presunção.  DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO  INDIRETA.  CABIMENTO.  A  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real  das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é  motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição  indireta,  das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa o ônus da prova em contrário.  INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO  SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 34 /2 01 3- 10 Fl. 7653DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 O  fornecimento  de  extratos  bancários  diretamente  pela  empresa  à  Fiscalização,  em  atendimento  a  Intimação  Fiscal  para  Apresentação  de  Documentos  regularmente  formalizada,  não  constitui  hipótese de  quebra  de  sigilo  fiscal  eis  que  fornecida  espontaneamente  pelo  sujeito  passivo,  e  não  pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias.  PESSOA JURÍDICA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA.  A pessoa jurídica, mesmo aquela habilitada à opção pelo regime de tributação  com base no lucro presumido, deve manter escrituração contábil nos termos  da  legislação  comercial,  a  qual  exige  que  a  escrituração  seja  completa,  em  idioma e moeda corrente nacionais,  em forma mercantil,  com  individuação,  clareza  e  caracterização  do  documento  respectivo,  dia  a  dia,  por  ordem  cronológica de dia, mês e ano, de todas as operações relativas ao exercício da  empresa,  por  escrita  direta  ou  reprodução,  sem  intervalos  em  branco,  nem  entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens.  REGIME  DO  LUCRO  PRESUMIDO.  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL  OBRIGATÓRIA.  A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no  lucro  presumido  deverá  manter,  além  do  Livro  de  Registro  de  Inventário,  escrituração  contábil  nos  termos  da  legislação  comercial,  salvo  se mantiver  livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira,  inclusive bancária.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI  OU  DE  ATO  NORMATIVO.  RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.  Escapa  à  competência  deste  Colegiado  a  declaração,  bem  como  o  reconhecimento,  de  inconstitucionalidade  de  leis  tributárias,  eis  que  tal  atribuição  foi  reservada,  com  exclusividade,  pela  Constituição  Federal,  ao  Poder Judiciário.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DOS  BENEFÍCIOS  CONCEDIDOS  EM  RAZÃO  DO  GRAU  DE  INCIDÊNCIA  DE  INCAPACIDADE  LABORATIVA  DECORRENTE  DOS  RISCOS  AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.   É  devida  à  Seguridade  Social  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  na  forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.   CONTABILIDADE. COMPROVANTES DOS REGISTROS CONTÁBEIS.  GUARDA.  Os  livros obrigatórios de escrituração  comercial  e  fiscal  e os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados,  assim  como  os  documentos  que  fundamentaram  a  apuração  dos  impostos  e  contribuições  devidos  e  o  cumprimento das obrigações tributárias acessórias devem ser conservados em  boa  ordem  e  guarda  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  das  obrigações  tributárias  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram,  e  não  prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  COMPETÊNCIA  PRIVATIVA  DO AUDITOR FISCAL.  Fl. 7654DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.653          3 Constatado  o  atraso  total  ou  parcial  no  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício  notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores,  das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.  SOCIEDADE  SIMPLES.  DESCONSIDERAÇÃO  DA  CONDIÇÃO  DE  SÓCIO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB.   Compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com  fundamento  no  princípio  da  primazia  da  realidade  sob  a  forma,  a  desconsideração  da  condição  de  sócio  da  pessoa  jurídica,  sempre  que  restarem configurados  entre  este  e  a empresa os  elementos  caracterizadores  da condição de segurado empregado contidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.  DEVIDO  PROCESSO  LEGAL.  PAF.  FORUM  PRÓPRIO  PARA  O  CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA.  O  Processo  Administrativo  Fiscal  configura­se  como  o  forum  processual  próprio,  único  e  adequado  para  que  o  sujeito  passivo  exerça,  em  sua  plenitude, o  seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa  em  face  da  exigência  fiscal  que  lhe  for  infligida,  sendo  de  observância  obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72.  AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.  Constitui  infração às disposições  inscritas no  inciso  IV do art. 32 da Lei n°  8212/91  a  entrega  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem  o  valor  das  contribuições,  ou  do  valor  que  seria  devido  se  não  houvesse  isenção  (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural),  sujeitando  o  infrator  à  multa  prevista  na  legislação  previdenciária.  AUTO DE  INFRAÇÃO. GFIP.  CFL  68. ART.  32­A DA LEI Nº  8212/91.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  As  multas  decorrentes  de  entrega  de  GFIP  com  incorreções  ou  omissões  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o  art. 32­A à Lei nº 8.212/91.   Incidência  da  retroatividade benigna  encartada no  art.  106,  II,  ‘c’  do CTN,  sempre que a norma posterior cominar ao  infrator penalidade menos severa  que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  O  crédito  decorrente  de  contribuições  previdenciárias  não  integralmente  pagas  na  data  de  vencimento  será  acrescido  de  juros  de  mora,  de  caráter  irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC a que se  refere o  artigo 13 da Lei 9.065/95,  incidentes  sobre o valor  atualizado, nos  termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.  FRAUDE.  Configura­se  fraude  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  Fl. 7655DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  SONEGAÇÃO  Qualifica­se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  a  respeito  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições  pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal  ou o crédito tributário correspondente.   AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE  PELO  DESCUMPRIMENTO.  PRINCÍPIO  TEMPUS REGIT ACTUM.  As multas  decorrentes  do  descumprimento  de obrigação  tributária  principal  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação  ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35­A à Lei nº 8.212/91.   Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  por  representar  a  novel  legislação  encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um  tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento  da  respectiva  execução  fiscal,  hipótese de  a  legislação  superveniente  impor  multa  mais  branda  que  aquela  então  revogada,  sempre  incidirá  ao  caso  o  princípio  tempus  regit  actum,  devendo  ser  aplicada em cada  competência a  legislação  pertinente  à  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal  vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.  PENALIDADE  PECUNIÁRIA.  VIOLAÇÃO  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.  Não  configura  violação  a  princípios  constitucionais  a  imputação  de  penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação  de  natureza  tributária,  quando  aplicada  em  estreita  sintonia  com  as  normas  legais vigentes e eficazes.  Foge  à  competência  deste  Colegiado  o  exame  da  adequação  das  normas  tributárias  fixadas  pela  Lei  nº  8.212/91  aos  princípios  e  às  vedações  constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição  foi  reservada  pela  própria  Constituição,  com  exclusividade,  ao  Poder  Judiciário.  PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.   A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a  prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do  seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo­ lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  INCIDÊNCIA DE  JUROS DE MORA SOBRE  MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC.  É  legítima a incidência de  juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual  integra  o  crédito  tributário  consolidado.  Precedentes  do  STJ:  REsp  1.129.990­PR,  DJe  14/9/2009;  REsp  834.681­MG,  DJe  2/6/2010  e  REsp  879.844/MG,  DJe  de  25/11/2009,  julgado  sob  o  regime  do  art.  543­C  do  CPC.  Recurso Voluntário Provido em Parte   Fl. 7656DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.654          5     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere aos Autos  de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nos 37.395.041­1, 37.338.606­0 e 37.338.605­2,  mantendo  a  multa  como  aplicada.  Vencidos  na  votação  os  Conselheiros  Bianca  Delgado  Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem  que  a  multa  aplicada  deveria  ser  limitada  ao  percentual  de  20%,  em  decorrência  das  disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº  449/2008  c/c  art.  61  da  Lei  nº  9.430/96).  Quanto  ao  mérito,  os  Conselheiros  André  Luís  Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro,  Juliana Campos de Carvalho Cruz  e Leonardo  Henrique  Pires  Lopes  acompanharam  pelas  conclusões.  Por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial  ao  recurso no que  se  refere  ao Auto de  Infração de Obrigação Acessória  DEBCAD nº 37.338.604­4, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art.  32­A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.     Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente de  turma),  André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e  Arlindo da Costa e Silva.    Fl. 7657DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     6   Relatório  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  Data da lavratura dos Auto de Infração: 21/03/2013.  Data da Ciência dos Autos de Infração: 21/03/2013.    Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRJ  em  Campo  Grande/MS,  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  Sujeito  Passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio  dos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  nos  37.395.041­1,  37.338.606­0  e  37.338.605­2  consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos  riscos  ambientais  do  trabalho  e  a Outras Entidades  e  Fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados e a  segurados contribuintes individuais, bem como as contribuições previdenciárias a cargo dessas  categorias  de  segurados  obrigatórios  do  RGPS,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição,  conforme  descrito  no  Relatório  Fiscal a fls. 45/119.  Informa a Autoridade Lançadora que, embora os atos constitutivos e demais  documentos apresentados tratem o contribuinte como uma empresa de prestação de serviços na  área de anestesiologia, congregando 72 médicos (conforme sua última alteração contratual de  nº 05, de 11/07/2011) na condição de sócios quotistas com participação monetária no capital  social, restou demonstrado pelo farto conjunto probatório a existência dos pressupostos para a  configuração do liame empregatício de fato entre a pessoa jurídica e seus sócios médicos não  ocupantes  de  cargos  de  diretoria.  Da  realidade  fática  evidenciada  pelos  elementos  de  prova  exsurgem de forma cristalina os pressupostos da relação de segurado empregado, consistente  na prestação de serviços por pessoa física com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e  sob subordinação jurídica.  De acordo com o apurado pela Fiscalização, os sócios são pessoas físicas que  prestam pessoalmente serviços de médico anestesiologista à empresa Servan. Os serviços são  prestados  de  forma  não  eventual,  pois  sua  força  de  trabalho  corresponde  às  necessidades  normais da atividade econômica da empresa Servan. A prestação de serviços não se dá sob a  forma autônoma, pois os médicos se limitam a permitir que sua força de trabalho seja utilizada  como  fator  de  produção  na  atividade  econômica  exercida  pela  empresa  Servan,  à  qual  encontram­se juridicamente subordinados. E, por fim, a prestação de serviços não se dá a título  gratuito,  pois  os  médicos  recebem  remuneração  maquiada  sob  o  simulacro  da  distribuição  antecipada de lucros.  Integra  ainda  o  presente  lançamento  o  crédito  tributário  lançado  por  intermédio  do  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.338.604­4,  Código  de  Fundamentação  Legal  nº  68,  lavrado  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social.  CFL ­ 68  Apresentar  a  empresa  GFIP/GRFP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  Fl. 7658DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.655          7 previdenciárias,  seja  em  ralação  às  bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem  o  valor  das  contribuições,  ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural)  –  Art.  284,  II  na  redação  do  Dec.  4.729,  de  09/06/2003.    O  contribuinte  deixou  de  informar nas GFIP  referentes  às  competências  de  01/2008 a 11/2008, os fatos geradores decorrentes da remuneração dos segurados empregados  médicos anestesiologistas, tendo em vista a caracterização de vínculo de segurado empregado,  infringindo,  assim,  o  disposto  no  artigo  32,  IV da Lei  8.212/91,  com  redação  dada  pela Lei  9.528/97.   A multa aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não  declarada,  limitada  por  competência  em  função  do  número  de  segurados  da  empresa,  observado o limite mensal previsto no §4º do art. 32 da Lei 8.212/91, com redação dada pela  Lei 9.528/97.  Irresignada com o supracitado lançamento tributário, a notificada apresentou  impugnação a fls. 4055/4137.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Campo  Grande/MS lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 04­32.520 – 4ª Turma da  DRJ/CGE, a fls. 5818/5850, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o  crédito tributário em sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  06/09/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 7565.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  a  fls.  1294/1319,  respaldando  sua  contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos:   · Que  as  provas  documentais  e  testemunhais  tomadas  pela  Fiscalização  junto  aos  autos  do  Inquérito  Policial  n°  0720/2009  para  fundamentar  os  presentes  lançamentos  devem  ser  consideradas  ilícitas  porque  não  observaram o princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo ferido o  princípio do devido processo legal;   · Que os documentos carreados aos autos do Inquérito Policial, assim como  a oitiva das testemunhas, não contaram com a participação da Recorrente,  seja para fins de manifestação quanto à eventual prática de crime de cartel,  seja,  principalmente,  para  fins  de  apuração  de  crime  contra  a  ordem  tributária;   · Que após a apuração do custo operacional, incluídos os tributos, o qual é  subtraído do resultado, o lucro é distribuído aos sócios, nos exatos moldes  perpetrados  pelo  contrato  social  da  Impugnante,  respeitadas  as  peculiaridades  e  conceitos  intrínsecos  à  sociedade  simples. Aduz  que  os  Fl. 7659DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 percentuais  de  lucro  da  sociedade  variam  em  torno  dos  70%,  o  que  é  plenamente  justificável  numa  sociedade  simples,  com  baixo  custo  operacional. Afirma que os  lucros correspondem à remuneração da mão­ de­obra  dos  sócios  médicos  anestesiologistas,  o  que  não  poderia  ser  diferente, ante a natureza jurídica ­ sociedade simples ­ da Impugnante;   · Que a distribuição de  lucros  respeita  todos os  termos da  legislação civil,  não  encontrando  qualquer  objeção  na  legislação  tributária  ou  previdenciária;   · Que a base de cálculo da contribuição da Sociedade Simples, destinada à  Seguridade  Social,  está  prevista  no  artigo  201,  §5°,  II,  do  Decreto  3.048/99,  do  que  se  depreende  que,  na hipótese  de  a Sociedade Simples  distribuir  lucros  ou  dividendos  a  sócios  por  conta  de  lucros  futuros,  a  sociedade deve manter escrituração contábil e levantar balancetes mensais  em que consta o resultado apurado, caso em que referida distribuição não  será base de cálculo da contribuição previdenciária, por não se confundir  com remuneração, hipótese do inciso I, do §5°, do artigo 201;   · Ainda que contabilmente lançados de forma diferente daquela pretendida  pela Fiscalização, a escrita fiscal do Recorrente não pode ser considerada  como  imprestável, pois apresenta elementos bastantes para o controle do  lançamento pela Fiscalização;   · Aduz  que  a  Recorrente  é  empresa  sujeita  à  sistemática  do  Lucro  Presumido,  o  qual  não  exige  contabilidade  apurada,  como  no  caso  do  Lucro Real, podendo esta respaldar­se em controle paralelo;   · Que  o  fato  de  os  lançamentos  contábeis  traduzirem  uma  incompatível  movimentação  financeira  em  espécie  não  pode,  de  forma  absoluta,  caracterizar  a  completa  falta  de  veracidade  dos  números  registrados  na  contabilidade,  em  especial  as  receitas  e  distribuição  de  lucros,  principalmente diante do fato de a Impugnante manter controle paralelo, o  qual,  em  cotejo  com  notas  fiscais  emitidas  pelos  tomadores  de  seus  serviços  e  comprovantes  de  depósito  aos  sócios,  demonstra  que  a  movimentação  ocorreu,  não  em  espécie,  mas  tampouco  apenas  na  contabilidade;   · Que  o  controle  paralelo  mantido  pela  Recorrente  demonstra  sua  exata  movimentação  financeira,  aí  incluídas  as  receitas,  custos  e  despesas  operacionais  e,  consequentemente,  o  lucro.  Após  tal  apuração,  são  levantados, mensalmente, balancetes de verificação, os quais demonstram  os  lucros  obtidos  nos  respectivos  meses,  lastreando,  com  isso,  as  distribuições efetuadas aos sócios;   · Que  por  se  tratar  o  arbitramento  de medida  de  exceção,  a  Fiscalização,  imbuída em seu dever de investigação, deveria buscar todos os elementos  necessários  para  aproveitar  a  escrita  fiscal  da  Impugnante,  ao  invés  de  desclassifica­la sem qualquer esforço investigativo;   · Quanto  ao  contrato  de  mútuo  firmado  entre  o  Sócio  Orlando  Toshihiro  Yamauchi,  as  planilhas  de  controle  paralelo  mantidos  pela  Recorrente  demonstram  que,  ao  contrário  do  presumido  pela  Fiscalização,  as  Fl. 7660DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.656          9 prestações devidas mês a mês são descontadas de sua produção, logo, do  montante distribuído mensalmente;   · Que o fato de alguns valores recebidos pela Recorrente serem repassados  diretamente  aos  sócios  que  prestaram  os  serviços,  trata­se  de  um  fato  pontual e isolado, não podendo ser considerado como uma prática comum  da Impugnante;   · Que os  valores movimentados  em  conta  entre  01/01/2008  a  30/04/2008,  ainda  que  não  lançados  na  contabilidade,  nunca  deixaram  de  ser  considerados para fins de tributação, o que pode ser observado através do  controle paralelo mantido pela contabilidade;   · Que a distribuição de lucros da Recorrente pauta­se na produção de cada  um de seus sócios, não podendo ser diferente em face da própria natureza  jurídica da sociedade simples;   · Que ao não aceitar a contabilidade da empresa, a Fiscalização deveria ter  tributado  os  valores  distribuídos  a  título  de  lucro  como  se  pró­labore  fossem e não desconstituir  ilegal e  inconstitucionalmente a personalidade  jurídica da Recorrente, a  fim de  tributar  tais valores como pagamento de  empregados;   · Que o auto de infração foi lavrado com fundamento na alegação de que os  sócios  da  Recorrente  possuíam  vínculo  de  emprego  com  a  mesma,  de  maneira  que  seria,  por  hipótese,  cabível  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias. Aduz não ter havido, juntamente com o auto de infração e  no  termo  de  verificação  fiscal,  a  descrição  exata  e  detalhada,  mediante  provas,  das  condutas  praticadas  por  cada  um  dos  sócios  e  respectivos  empregados  de  referidas  pessoas  jurídicas  a  ponto  de  justificar  e  demonstrar  cabalmente  o  equivocado  vínculo  empregatício;  Acrescenta  que a Fiscalização não se desincumbiu do dever de comprovar cabalmente  todos os atos da suposta fraude, a relação de vínculo empregatício de cada  um dos sócios e o fato gerador dos tributos;   · Que o Fisco não tem poder para realizar a desconsideração dos negócios  jurídicos. Aduz que a desconsideração da personalidade jurídica é prevista  no  art.  50  do  Código  Civil,  sendo  medida  excepcional,  dependente  de  provas  robustas, de  requerimento das partes, de necessidade de abuso da  personalidade  jurídica  ou  desvio  de  finalidade  (atos  fraudulentos)  e  estende­ se aos bens particulares dos sócios ou administradores da pessoa  jurídica;   · Que a Fiscalização desconsiderou a personalidade  jurídica da Recorrente  para tributá­la como pessoa física;   · Que para existir um vínculo empregatício, cujo ônus da prova é totalmente  do Fisco, é preciso demonstrar claramente os requisitos previstos no art. 3º  da CLT:  (i)  ­  ser  pessoa  física;  (ii)  ­  habitualidade;  (iii)  ­  subordinação;  (iv) – pagamento de salário;   Fl. 7661DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 · Que a contribuição ao SAT, prevista no art. 22, II, da Lei n° 8.212/91, por  ser  distinta  da  contribuição  destinada  ao  universo  da  seguridade  social,  prevista no inciso I, do art. 22, da mesma Lei, é  indevida, porquanto sua  instituição não observou o disposto no art. 154, I, da Constituição Federal  que se aplica às contribuições de seguridade social por expressa disposição  do art. 195, § 4º, do mesmo Estatuto Político;   · Que  há  violação  ao  princípio  da  igualdade.  O  ato  administrativo  que  elaborou a lista de atividades econômicas pelo grau de risco de acidentes,  para  efeito de  fixação da  alíquota correspondente,  ignorou o  conceito de  igualdade  porquanto  situações  idênticas  são  tributadas  de  forma  diversa,  uma vez que a lista elaborada não se preocupou com o risco propriamente,  mas sim com a atividade econômica desenvolvida;   · Que  a  Recorrente  contabilizou  distribuição  de  lucros  para  um  grupo  de  médicos,  os  quais,  todavia,  não  participavam  do  contrato  social  da  Impugnante.  Alega  que  tais  médicos  já  haviam  sido  admitidos  como  sócios na empresa, contudo, durante o lapso de tempo entre sua admissão  e  o  registro  da  alteração  contratual  decorreram  alguns  meses,  o  que  se  justifica  tanto  pela  burocracia  exigida  quanto  pela  demora  no  registro  pelos órgãos públicos;   · Que  deve  ser  aplicada  no  presente  caso,  por  força  da  retroatividade  benigna, as disposições da Lei n° 11.941/09, o que torna o presente auto  de infração nulo, ou, ao menos, anulável;   · Que a taxa Selic é inaplicável;   · Que a multa de ofício deve ser reduzida para 75%, em razão de não haver  a  descrição  da  conduta  caracterizadora  da  fraude  e  da  inexistência  da  tipificação dos artigos da Lei nº 4.502/64;   · Que  a  multa  aplicada,  no  auto  de  infração,  ofende  os  princípios  da  razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV) e da proibição do  confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal;   · Que a multa deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por  cento),  de  conformidade  com  o  art.  61,  §2º,  da  Lei  nº  9.430/96,  retificando­ se o auto de infração lavrado;   · Que não existe previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de  ofício  exigida  conjuntamente  com  a  contribuição  (tributo)  supostamente  devido. Reitera que não há fundamento legal para se aplicar juros sobre a  multa de ofício lavrada;   · Que há necessidade de perícia contábil;     Ao fim, requer a anulação do lançamento tributário.    Fl. 7662DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.657          11 Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 7663DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     12   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no  dia  06/09/2013.  Havendo  sido  o  recurso  voluntário  remetido  via  postal  à  Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil em Campo Grande no dia 03 de outubro do mesmo ano,  há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    2.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES  2.1.  DA PROVA EMPRESTADA  O Recorrente alega que as provas documentais e testemunhais  tomadas pela  Fiscalização junto aos autos do Inquérito Policial n° 0720/2009 para fundamentar os presentes  lançamentos  devem  ser  consideradas  ilícitas  porque  não  observaram  o  princípio  do  contraditório e da ampla defesa, tendo ferido o princípio do devido processo legal. Aduz que os  documentos  carreados  aos  autos do  Inquérito Policial,  assim como a oitiva das  testemunhas,  não  contaram  com  a  participação  da  Recorrente,  seja  para  fins  de  manifestação  quanto  à  eventual prática de crime de cartel, seja, principalmente, para fins de apuração de crime contra  a ordem tributária.   Sem razão.    Conceitua­se como prova emprestada o material probatório a respeito de um  fato,  produzido  no  curso  de  um  processo,  seja  por  documentos,  testemunhas,  confissão,  depoimento  pessoal  ou  exame  pericial,  e  trasladada  para  a  instrução  probatória  de  outro  processo  distinto,  por  meio  de  certidão  ou  cópia  autorizada  extraída  daquele.  Trata­se  do  aproveitamento  da  atividade  probatória  anteriormente  desenvolvida,  através  do  traslado  dos  documentos que a documentaram.  A  prova  produzida  no  processo  de  origem  ingressa  no  processo  de  destino  sob a  forma documental,  cuja  força probatória  será valorada pelo  julgador deste último, que  não está adstrito a dar­lhe idêntico valor ao que teve nos autos em que foi produzida.  A  todo saber,  a conveniência do  traslado de provas de um processo a outro  rende as homenagens aos princípios da celeridade bem como da economia processual, a fim de  se  evitar  repetição  desnecessária  de  atos  processuais  já  esgotados  com  o  aproveitamento  de  provas pretéritas;   Fl. 7664DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.658          13 O aproveitamento da prova emprestada torna­se imperioso nas hipóteses em  que, diante das circunstâncias fáticas, não puderem mais ser colhidas no processo de destino e  neste forem indispensáveis para a solução do litígio.  No  caso  ora  em  apreciação,  tendo  em  vista  a  concordância  do  Ministério  Público Federal, o MM Juiz Federal da 5ª Vara Federal de Campo Grande, Seção Judiciaria de  Mato Grosso  do Sul, Dr. Dalton  Igor Kita Conrado,  deferiu  a  extração  de  cópias  requeridas  mediante  ofício  pela Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  em Campo Grande/MS,  com  a  finalidade expressa de serem utilizadas como elementos de prova e evidências nos lançamentos  tributários  que  se  encontram  em  fase  de  apuração,  em  procedimento  de  auditoria  fiscal  no  Contribuinte  Servan  Anestesiologia  e  Tratamento  de  Dor  de  Campo  Grande  S/S,  conforme  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  nº  0140100­2012­00231­7,  nos  termos  dos  documentos  acostados a fls. 5813/5817.  Conforme se depreende dos documentos acima citados, além do deferimento  pela autoridade judiciária, a requisição da prova emprestada honrou consignar expressamente a  finalidade  de  sua  utilização,  circunstância  que  joga  por  terra,  definitivamente,  qualquer  alegação de ilicitude das provas documentais acostadas aos autos.  Também se revela à calva de fundamentação o argumento de que a utilização  da prova emprestada não observou o princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo sido  ferido o princípio do devido processo legal.  Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício  de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou  não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados e elementos de prova, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e  fiscais,  tendentes  ao  apuro  de  eventual  ocorrência  de  fatos  geradores  de  obrigação  tributária  principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  a  prova  emprestada,  bem  como  aquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares de  investigação, não  se  submetem, nesta  fase do procedimento,  ao  crivo do  contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com  a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Autuado, desejando, pode  impugnar  os  termos  do  lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o  contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.    Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Fl. 7665DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 Tal  compreensão  é  corroborada  pelos  termos  consignados  no  inciso LV do  art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio  após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência  de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com  a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Constituição Federal de 1988   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)     Adite­se que os documentos requeridos pela Secretaria da Receita Federal do  Brasil são objeto de medida de busca e apreensão conduzida na empresa SERVAN, deferida  pelo Juízo Federal da seção Judiciária do Mato Grosso do Sul, havendo sido apurado que os  documentos  requisitados não eram sigilosos, não haviam sido coletados em procedimento de  quebra  de  sigilo  bancário, mas  de medida  de  busca  e  apreensão,  de  sorte  que  poderiam  ser  examinados  pela  Autoridade  Administrativa  Tributária,  como  assim  autoriza  o  art.  195  do  Código Tributário Nacional ­ CTN, observado o sigilo previsto no art. 198 do Codex.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação  quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores, ou da obrigação destes de exibi­los.  Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes das operações a que se refiram.    Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  Fl. 7666DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.659          15 instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)    O contribuinte do tributo houve­se por devidamente cientificado do início da  ação fiscal e de todos os procedimentos levados a efeito pela autoridade fazendária durante o  desenvolvimento regular da fiscalização.  De acordo com o rito do Processo Administrativo Fiscal, fixado no Decreto  nº 70.235/72, a partir da notificação do lançamento abre­se ao sujeito passivo a oportunidade  de  contestar  a  exigência  fiscal  e,  nesse  caso,  instaurar  a  fase  contenciosa  do  procedimento,  momento  esse  dedicado  pela  Lei  ao  exercício  do  direito  constitucional  ao  contraditório  e  à  ampla defesa, mediante o oferecimento de impugnação formalizada por escrito e instruída com  os documentos que deem esteio ao direito alegado, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/72,  direito esse exercido plenamente pelo Autuado, em seu momento processual próprio.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de ausência de contraditório e ampla defesa tão veementemente erguida pelo Recorrente.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões de fato e de Direito substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu  Fl. 7667DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     16 louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta  instância  recursal,  antes  não  oferecida  à  apreciação  do  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância,  em  razão  da  preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DA PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO  Logo  de  plano  mostra­se  relevante  iluminar  que  os  atos  administrativos,  assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e  veracidade.  Diferentemente  do  que  ocorre  com  as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  que  se  formam  a  partir  da  vontade  humana,  as  pessoas  jurídicas  de  direito  público  tem  sua  existência  legal  em  razão  de  fatos  históricos,  da  Constituição  do  país,  de  leis  ou  tratados  internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando­ se  juridicamente,  ao  influxo  de  uma  finalidade  cogente,  eis  que  vinculada  ao  princípio  da  constitucional da finalidade.   Muito  embora  a  Administração  Pública  se  submeta  primordialmente  ao  regime  jurídico  de  direito  público,  nas  ocasiões  em  que  sua  subsunção  ao  regime  de  direito  privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de  satisfação  dos  interesses  coletivos  exige  a  outorga  de  prerrogativas  e  privilégios  para  a  Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do  bem  estar  coletivo  como  para  a  própria  e  eficaz  prestação  de  serviços  públicos.  Tais  prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao  privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos  interesses  coletivos  que  representa  em  contraposição  aos  interesses  individuais  de  natureza  privada.  Justificam­se  as  prerrogativas  e  privilégios  da  Administração  Pública  pela  circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da  coletividade, impondo­se­lhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os  distingam dos  atos  jurídicos de direito privado, o que  lhes  confere  características  intrínsecas  próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a  presunção de legitimidade, a imperatividade e a auto­executoriedade.   Relembrando  o  magistério  do  Mestre  Hely  Lopes  Meirelles,  “os  atos  administrativos,  qualquer  que  seja  sua  categoria  ou  espécie,  nascem  com  a  presunção  de  legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do  princípio  da  legalidade  da  Administração,  que,  nos  Estados  de  Direito,  informa  toda  a  atuação  governamental.  Além  disso,  a  presunção  de  legitimidade  dos  atos  administrativos  responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não  podem  ficar  na  dependência  da  solução  de  impugnação  dos  administrados,  quanto  à  legitimidade de seus atos, para só após dar­lhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro.  São Paulo: Malheiros, 1995).  Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona­ se aos seus aspectos  jurídicos. Em consequência, presumem­se, até que se prove o contrário,  que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção  abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de  “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem  Fl. 7668DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.660          17 presumidos  como  verdadeiros  os  fatos  alegados  pela Administração,  até  a  prova  em  sentido  diverso.  Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade  e  legitimidade  consiste  na  "conformidade  do  ato  à  lei.  Em  decorrência  desse  atributo,  presumem­se,  até  prova  em  contrário,  que  os  atos  administrativos  foram  emitidos  com  observância  da  lei"  (Direito Administrativo,  18ª  Edição,  2005, Atlas,  São  Paulo).  Ainda  de  acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência  desse atributo, presumem­se verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág.  191). Dessarte,  a  aplicação  da  presunção  de  veracidade  tem o  condão  de  inverter o  ônus  da  prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo  agente  público,  ou  circunstância  que  exima  sua  responsabilidade  administrativa,  nos  termos  dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil.  Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que  derrogam  o  direito  comum  perante  a  administração,  urge  serem  analisados  sob  a  luz  que  dimana do regime jurídico de direito público que os rege.   Em curta e  superficial digressão acerca dos meios de prova admissíveis em  direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar  a  verdade dos  fatos  todos  os meios  legais,  assim  como  aqueles moralmente  legítimos,  ainda  que não especificados no Código.   A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o  dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da Carta  de 1988, conclui­se ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os  meios  de  prova,  desde  que  moralmente  legítimos  e  colhidos,  direta  ou  indiretamente,  sem  infringência às normas de direito material.   Visitando  as  páginas  do  CPC,  nos  deparamos  com  o  preceito  inscrito  no  inciso  IV do art.  334, que assenta de  forma  expressa não depender de prova no processo os  fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade.  Código de Processo Civil   Art.  332.  Todos  os  meios  legais,  bem  como  os  moralmente  legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis  para provar a verdade dos  fatos, em que se  funda a ação ou a  defesa.  Art. 334. Não dependem de prova os fatos:  (...)  IV  ­  em  cujo  favor  milita  presunção  legal  de  existência  ou  de  veracidade.    Vale  lembrar  que  as  presunções,  assim  como  os  indícios,  são  também  conhecidas  como  prova  indireta.  Nessa  perspectiva,  enquanto  os  meios  ordinários  de  prova  fornecem  ao  julgador  a  ideia  objetiva  do  fato  que  se  almeja  provar,  na  presunção,  os  fatos  afirmados não  se  referem ao meio de prova  apresentado, mas  a um outro  fato ordinário não  comprovado  nos  autos  mas  conexo  ao  fato  probante,  que  com  ele  se  relaciona,  e  de  cujo  conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A  Fl. 7669DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     18 estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato  conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar,  cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece.   Colhemos  da  melhor  doutrina  que,  “nesse  caso,  o  juiz  conhecerá  o  fato  probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por  via do raciocínio e guiado pela experiência, ao  fato por provar”  (Moacyr Amaral dos Santos,  Primeiras Linhas de Direito Processual Civil ­ 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995).  Consoante  tal  estrutura,  se  um  determinado  fato  jurídico  realmente  vem  a  ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em  hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece,  da  conclusão  se  autoriza  que  se  extraia  uma  presunção,  eis  que  o  fato  presumido  é  uma  consequência verossímil do fato conhecido.  Assim,  as  presunções  legais  decorrem  de  um  raciocínio  sugerido  pelo  ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia  probatória,  todavia,  pode  admitir  ou  não  de  prova  em  sentido  contrário. Nesse  contexto,  na  presunção  absoluta  a  parte  invocadora  da  presunção  não  está  obrigada  a  provar  o  fato  presumido,  mas  sim,  o  fato  no  qual  a  lei  se  assenta,  não  admitindo  qualquer  prova  em  contrário.  De modo  diverso,  na  presunção  relativa,  a  lei  estabelece  que  o  fato  presumido  é  havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário.   No  caso  sub  examine,  a  presunção  de  veracidade  dos  atos  administrativos  decorre  do  princípio  da  legalidade  estatuído  no  caput  do  art.  37  da  Lex  Excelsior,  sendo  considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de  prova válido no processo.   Deflui  da  interpretação  sistemática  dos  dispositivos  encartados  nos  artigos  19,  II  da CF/88  e  364  do CPC que  os  fatos  consignados  em documentos  públicos  carregam  consigo  a  presunção  de  veracidade  atávica  aos  atos  administrativos,  ostentando  estes  fé  pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como  verdadeiros até que se produza prova válida em contrário.  Constituição Federal de 1988   Art.  19. É  vedado à União,  aos Estados,  ao Distrito Federal  e  aos Municípios:  (...)  II ­ recusar fé aos documentos públicos;  (...)      Código de Processo Civil   Art.  364.  O  documento  público  faz  prova  não  só  da  sua  formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o  funcionário declarar que ocorreram em sua presença.    A Suprema Corte de  Justiça  já  irradiou em seus  arestos a  interpretação que  deve  prevalecer  na  pacificação  do  debate  em  torno  do  assunto,  sendo  extremamente  convergente  a  jurisprudência  dela  promanada,  como  se  pode  verificar  nos  julgados  a  seguir  alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevê­las.  Fl. 7670DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.661          19 AgRg no RMS 19918 / SP  Relator(a) Ministro OG FERNANDES  Órgão Julgador T6 ­ SEXTA TURMA  Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009  MANDADO  DE  SEGURANÇA  IMPETRADO  CONTRA  ATO  ADMINISTRATIVO  CASSATÓRIO  DE  APOSENTADORIA.  CERTIDÃO  DE  TEMPO  DE  SERVIÇO  SOBRE  A  QUAL  PENDE  INCERTEZA  NÃO  RECEPCIONADA  PELO  TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO.  EXTINÇÃO  DO  MANDAMUS  DECRETADO  POR  MAIORIA.  VÍNCULO  FUNCIONAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  ATRAVÉS  DOS  ARQUIVOS  DA  PREFEITURA.  MOTIVO  DE  FORÇA  MAIOR.  INCÊNDIO.  EXISTÊNCIA  DE  CERTIDÃO  DE  TEMPO  DE  SERVIÇO  EXPEDIDA  PELA  PREFEITURA  ANTES  DO  SINISTRO.  DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.  1.  Esta Corte  Superior  de  Justiça  possui  entendimento  firmado  no sentido de que o documento público merece fé até prova em  contrário. No  caso,  o  recorrente  apresentou  certidão  de  tempo  de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP ­ a  qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias  relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre  10/3/66 a 10/2/78 ­ que teve firma do então Prefeito e Chefe do  Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local.  2.  Ademais,  é  incontroverso  que  ocorreu  um  incêndio  na  Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992.  3.  Desse  modo,  a  certidão  expedida  pela  Prefeitura  de  Itobi,  antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a  comprovar  o  tempo  de  serviço  prestado  pelo  recorrente  no  período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública ­ uma  vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão  ­,  seja  porque,  em  virtude  do  motivo  de  força  maior  acima  mencionado,  não  há  como  saber  se  os  registros  do  recorrente  foram realmente destruídos no referido sinistro.  4. Agravo regimental a que se nega provimento.      EREsp 123930 / SP  Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS  Órgão Julgador CE ­ CORTE ESPECIAL   Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2   PROCESSUAL  ­  PROVA  ­  COPIA  XEROGRAFICA  ­  AUTENTICAÇÃO  POR  FUNCIONARIO  DE  AUTARQUIA  ­  EFICACIA PROBATORIA.  Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original,  a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração  em  contrario.  Em  não  sendo  impugnada,  tal  reprografia  faz  prova  das  coisas  e  dos  fatos  nelas  representadas  (CPC,  art.  383).    Fl. 7671DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     20   EREsp 265552 / RN  Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA  Órgão Julgador S3 ­ TERCEIRA SEÇÃO  Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  PREVIDENCIÁRIO.  REVISÃO  DE  BENEFÍCIO.  LIQUIDAÇÃO  DA  SENTENÇA.  PLANILHA  APRESENTADA  PELO  INSS  EM  QUE  CONSTA  PAGAMENTO  ADMINISTRATIVO  DAS  DIFERENÇAS  RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.  "As  planilhas  de  pagamento  da  DATAPREV  assinadas  por  funcionário  autárquico  constituem  documento  público,  cuja  veracidade é presumida." (REsp 183.669)  O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso  que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação  as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não  impugnada  eficazmente  pela  parte  ex­adversa,  prosseguindo  a  execução por eventual saldo remanescente.  Embargos conhecidos e acolhidos.    Nessa  prumada,  existindo  no  mundo  jurídico  um  ato  administrativo  comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de  legitimidade  e  veracidade  das  informações  nele  assentadas.  Como  prerrogativa  inerente  ao  Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no  processo administrativo  fiscal como meio de prova hábil  a comprovar as alegações do órgão  tributário,  cabendo  à  parte  adversa  demonstrar,  ante  a  sua  natureza  relativa,  por  meio  de  documentos idôneos, a não fidedignidade dos assentamentos em realce.   Tais conclusões não discrepam do entendimento esposado pelo Mestre Hely  Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995), ad litteris  et verbis:  “Os  atos  administrativos  (...)  nascem  com  a  presunção  de  legitimidade  (...).  A  presunção  de  legitimidade  autoriza  a  imediata  execução  ou  operatividade  dos  atos  administrativos,  mesmo  que  arguidos  de  vícios  ou  defeitos  que  os  levem  à  invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento  de  nulidade,  os  atos  administrativos  são  tidos  por  válidos  e  operantes, quer para a Administração, quer para os particulares  sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência  da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova  de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuide­ se  de  arguição  de  nulidade  do  ato,  por  vício  formal,  ou  ideológico, a prova do defeito apontado  ficará  sempre a  cargo  do impugnante e, até sua anulação, o ato terá plena eficácia”.     Nesse  sentido  remansa  a  Jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  conforme se depreende dos seguintes julgados:  MS 12756 / DF  Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA   Fl. 7672DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.662          21 S3 ­ TERCEIRA SEÇÃO  Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  ADMINISTRATIVO.  PROCURADOR  FEDERAL.  PROMOÇÃO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  DOS  CONTRACHEQUES  E  FOLHA  DO  SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO  DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA  EM  QUE  DEVERIA  SER  PROMOVIDO  NAS  CATEGORIAS  APROPRIADAS.  1.  Têm  presunção  de  veracidade  contracheques  e  folha  do  Sistema  SIAPE  apresentados  por  procurador  federal  que  pretende  ser  promovido  com base  no  enquadramento  funcional  previsto  naqueles  documentos  públicos.  Ausência  de  apresentação  de  prova,  pelo  impetrado,  que  afastasse  a  fé  pública dos referidos documentos.   2.  Segurança  concedida.  Retroativos  a  partir  da  data  em  que  deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante.      REsp 1059007 / SC  Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO  Órgão Julgador T1 ­ PRIMEIRA TURMA  Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008  ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258  DA  LEI  Nº  8.069/90.  AUTO  INFRACIONAL  LAVRADO  POR  COMISSÁRIO  DE  INFÂNCIA.  DOCUMENTO  PÚBLICO.  FÉ  PÚBLICA.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  IURIS  TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO.  I  ­ O auto de  infração  lavrado por Comissário da  Infância, em  decorrência  do  descumprimento  do  artigo  258  da  Lei  nº  8.069/90,  constitui­se  em  documento  público,  merecendo  fé  pública até prova em contrário.  II  ­  O  ato  administrativo  goza  de  presunção  iuris  tantum,  cabendo  ao  administrado  o  ônus  de  provar  a  maioridade  da  pessoa  que  se  encontrava  no  estabelecimento  comercial  recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional.  III ­ Recurso especial provido.    3.2.  DA DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE  Pondera  o  Recorrente  que,  ainda  que  contabilmente  lançados  de  forma  diferente  daquela  pretendida  pela  Fiscalização,  a  escrita  fiscal  do  Recorrente  não  pode  ser  considerada  como  imprestável,  pois  apresenta  elementos  bastantes  para  o  controle  do  lançamento pela Fiscalização. Aduz ser empresa  sujeita à sistemática do Lucro Presumido, o  qual não exige contabilidade apurada, como no caso do Lucro Real, podendo esta respaldar­se  em controle paralelo.  O Recorrente argumenta que o fato de os lançamentos contábeis  traduzirem  uma  incompatível  movimentação  financeira  em  espécie  não  pode,  de  forma  absoluta,  Fl. 7673DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     22 caracterizar  a  completa  falta  de  veracidade  dos  números  registrados  na  contabilidade,  em  especial  as  receitas  e  distribuição  de  lucros,  principalmente  diante  do  fato  de  a  Recorrente  manter controle paralelo, o qual, em cotejo com notas fiscais emitidas pelos tomadores de seus  serviços e comprovantes de depósito aos sócios, demonstra que a movimentação ocorreu, não  em espécie, mas tampouco apenas na contabilidade.  Tais alegações, no entanto, não merecem acolhida.    Cumpre  neste  comenos  destacar  que,  no  capítulo  reservado  ao  Sistema  Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  as  obrigações tributárias, dentre outras.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  (...)  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Nessa  vertente,  no  exercício  da  competência  que  lhe  foi  outorgada  pelo  Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas  modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis:   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  (grifos nossos)   §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos)     As  obrigações  acessórias,  consoante  os  termos  do  Diploma  Tributário,  consubstanciam­se deveres de natureza  instrumental,  consistentes  em um  fazer,  não  fazer ou  permitir,  fixados na  legislação  tributária,  na  abrangência do  art.  96 do CTN,  em proveito do  interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos.  No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias,  a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual  fez  inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias,  criadas no  Fl. 7674DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.663          23 interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os  umbrais limitativos erguidos pelo CTN.   Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada  lei  de  custeio  da  Seguridade  Social  estatuiu  como  obrigação  acessória  da  empresa  o  lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  o  montante  das  quantias  descontadas  dos  segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos.  Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de  pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo  com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que  o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os  fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   I  ­  preparar  folhas  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade Social;   II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;   (...)  IV­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)    No  que  pertine  à  elaboração  das  folhas  de  pagamento,  ouvimos  em  alto  e  bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº  3.048/99  que  a  folha  de  pagamento  deve  ser  elaborada mensalmente,  de  forma  coletiva  por  estabelecimento  da  empresa,  por  obra  de  construção  civil  e  por  tomador  de  serviços,  com  a  correspondente  totalização,  devendo,  necessariamente,  discriminar  o  nome  dos  segurados,  indicando  cargo,  função  ou  serviço  prestado;  agrupar  os  segurados  por  categoria,  assim  entendido: segurado empregado,  trabalhador avulso, contribuinte  individual; destacar o nome  das  seguradas  em  gozo  de  salário­maternidade;  destacar  as  parcelas  integrantes  e  não  integrantes  da  remuneração  e  os  descontos  legais  e  indicar  o  número  de  quotas  de  salário­ família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso.  No  que  toca  à  GFIP,  exige  a  lei  que  em  tal  documento  sejam  declarados  mensamente  pelo  empregador,  dentre  outras  informações,  os  dados  cadastrais  do  empregador/contribuinte,  dos  trabalhadores  e  tomadores/obras;  as  Bases  de  incidência  do  FGTS  e  das  contribuições  previdenciárias,  compreendendo  o  total  das  remunerações  dos  trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio,  o  pagamento  a  cooperativa  de  trabalho,  a  movimentação  de  trabalhadores  (afastamentos  e  Fl. 7675DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     24 retornos), salário­família e salário­maternidade, compensação de contribuições previdenciárias,  assim como  retenção de 11% sobre nota  fiscal/fatura,  exposição  a agentes nocivos/múltiplos  vínculos,  valor  da  contribuição  do  segurado,  nas  situações  em  que  não  for  calculado  pelo  SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para  o  tomador,  dentre  tantas  outras  previstas  no  Manual  da  GFIP,  aprovado  pela  Instrução  Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008.  De  outro  canto,  mas  ária  de  outra  ópera,  a  lei  ordena  que  sejam  lançados  mensalmente  em  títulos  próprios  da  contabilidade,  de  forma  discriminada,  todos  os  fatos  geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da  empresa e os totais recolhidos.  Mostra­se  auspicioso  destacar  que  a  contabilidade  tem  como  uma  de  suas  finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e  variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a  atender,  de  forma  uniforme,  às  exigências  das  leis  e  regulamentos  dos  órgãos  públicos.  Na  atualidade  ela  cumpre,  igualmente,  o  papel  de  instrumento  gerencial,  que  se  utiliza  de  um  sistema  de  informações  para  registrar  as  operações  da  organização,  elaborar  e  interpretar  relatórios  que  mensurem  os  resultados,  e  fornecer  informações  necessárias  à  tomada  de  decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle.  Contudo,  a  razão  maior  para  a  uniformização  dos  princípios  gerais  da  contabilidade  é  a  configuração  de  um  sistema  de  informações  tributárias,  através  do  qual  o  fisco  possa  sindicar  os  fatos  geradores  ocorridos  e  apurar  os  tributos  devidos,  fiscalizar  a  regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária.  Registre­se,  por  relevante,  que  os  registros  contábeis  devem  ser  feitos  de  modo  preciso,  com  esteio  em  documentação  idônea,  a  qual  deve  ser  conservada  em  ordem,  enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração,  correspondência e demais papéis  relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial,  a  teor  do  art.  4º  do  Decreto­Lei nº 486, de 3 de março de 1969.   Engana­se  aquele  que  acredita  serem  os  livros  contábeis  exigíveis  apenas  pela  legislação  comercial.  A  legislação  Tributária  é  aquela  que  mais  impõe  modulações  e  padrões aos  lançamentos contábeis e à estruturação e  formalização dos  livros, não sendo por  outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a  não observância das  formalidades exigidas pela  legislação  tributária  sujeita o contribuinte ao  pagamento de penalidades pecuniárias a  lhe  serem  impostas mediante o  competente Auto de  Infração.  No  âmbito  das  contribuições  sociais  previdenciárias,  a  Lei  nº  8.212/91  atribuiu  à  fiscalização  previdenciária  a  prerrogativa  de  examinar  toda  a  contabilidade  da  empresa,  não  podendo  lhe  ser  oposta  qualquer  disposição  legal  excludente  ou  limitativa  do  direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas nas alíneas a,  b  e  c do parágrafo  único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e  ‘e’ do parágrafo  Fl. 7676DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.664          25 único  do  art.  11,  cabendo  a  ambos  os  órgãos,  na  esfera  de  sua  competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções  previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001).    §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS  e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados. (grifos nossos)   §2º A  empresa,  o  servidor  de  órgãos  públicos  da  administração  direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são  obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com  as contribuições previstas nesta Lei.  §3º  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto Nacional  do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário.    Saliente­se que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos  encartados no Código Tributário Nacional ­ CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o  mesmo norte.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação quaisquer disposições  legais  excludentes ou  limitativas  do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos,  papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais  ou produtores, ou da obrigação destes de exibi­los.  Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial  e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão  conservados até que ocorra a prescrição dos  créditos  tributários  decorrentes das operações a que se refiram.    Avulta nesse panorama que as prestações  adjetivas ordenadas na  legislação  tributária  têm  por  finalidade  precípua  permitir  à  fiscalização  a  sindicância  ágil,  segura  e  integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo,  motivo pelo qual se exige que a escrituração seja:  a)  Mensal,  em  razão  do  critério  de  apuração  das  contribuições  previdenciárias ser por competência.  b)  Em  títulos  próprios,  que  propicie  uma  fácil  e  rápida  identificação  pelos  agentes  fiscais  das  contas  contábeis  onde  se  encontram  registrados  os  fatos geradores de contribuições previdenciárias.  Fl. 7677DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     26 c)  De forma discriminada, de molde a se identificar as  rubricas  integrantes  da  base  de  incidência das  contribuições  previdenciárias,  eis  que,  a  cada  uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo  da contribuição devida.  d)  Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as  contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos,  de  maneira  que  a  fiscalização  possa  verificar  a  correcção  das  importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e  os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos.    Não é demasia enaltecer que o registro dessas informações na contabilidade  não é uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente,  com  a  força  de  império  da  lei  formal,  gerada  nas Conchas Opostas  do Congresso Nacional,  segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana.  Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis equiparam­ se a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas  constitui­se crime de falsidade ideológica, na forma prevista nos artigos 297 e 299 do Decreto­ Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro.  Decreto­Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal  Falsificação de documento público  Art. 297 ­ Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou  alterar documento público verdadeiro:  Pena ­ reclusão, de dois a seis anos, e multa.  §1º  ­  Se  o  agente  é  funcionário  público,  e  comete  o  crime  prevalecendo­se do cargo, aumenta­se a pena de sexta parte.  §2º ­ Para os efeitos penais, equiparam­se a documento público o  emanado  de  entidade  paraestatal,  o  título  ao  portador  ou  transmissível  por  endosso,  as  ações  de  sociedade  comercial,  os  livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos)   §3º  Nas  mesmas  penas  incorre  quem  insere  ou  faz  inserir:  (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)  I  ­  na  folha de pagamento ou  em documento de  informações que  seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa  que  não  possua  a  qualidade  de  segurado  obrigatório;(Incluído  pela Lei nº 9.983, de 2000)  II  ­  na Carteira de Trabalho e Previdência Social do  empregado  ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência  social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;  (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)  III  ­  em  documento  contábil  ou  em  qualquer  outro  documento  relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência  social,  declaração  falsa ou diversa  da  que deveria  ter  constado.  (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos)   §4º  Nas  mesmas  penas  incorre  quem  omite,  nos  documentos  mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a  remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação  de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos)     Fl. 7678DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.665          27 Falsidade ideológica  Art.  299  ­  Omitir,  em  documento  público  ou  particular,  declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir  declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de  prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato  juridicamente relevante: (grifos nossos)   Pena  ­  reclusão, de um a  cinco anos,  e multa,  se o documento  é  público, e reclusão de um a  três anos, e multa, se o documento é  particular.  Parágrafo único  ­  Se o agente  é  funcionário público,  e  comete o  crime prevalecendo­se do cargo, ou se a falsificação ou alteração  é  de  assentamento  de  registro  civil,  aumenta­se  a  pena  de  sexta  parte.    A  escrituração  dos  lançamentos  contábeis  deve  ser  realizada  com  base  em  documentos idôneos que comprovem ou evidenciem os fatos e/ou a prática dos atos jurídicos a  que se referem, sob pena de se tornar desprovida de qualquer robustez.   Os  Princípios  de  Contabilidade  estabelecidos  pela  Resolução  Conselho  Federal  de  Contabilidade  nº  750/93,  atualizados  e  consolidados  pela  Resolução  Conselho  Federal de Contabilidade nº 1.282/10, pugnam pela padronização das técnicas contábeis com o  intuito  de  normatizar  os  lançamentos  e  relatórios  contábeis,  proporcionando,  assim,  uma  interpretação  uniforme  das  demonstrações  financeiras.  Estes  princípios  devem  ser  obrigatoriamente  observados  no  exercício  da  profissão  contábil  e  constitui  condição  de  legitimidade  das  Normas  Brasileiras  de  Contabilidade  (NBC).  Ademais,  ao  se  aplicar  os  Princípios Contábeis  às  situações  concretas,  a  essência  das  transações  deve prevalecer  sobre  seus aspectos formais.   Do  ponto  de  vista  quantitativo  as  contas  contábeis  devem  retratar  adequadamente o valor monetário dos elementos patrimoniais que representam.   O  Princípio  Contábil  da  Oportunidade  refere­se  simultaneamente  à  tempestividade e à integridade do registro dos componentes patrimoniais e das suas mutações,  sendo a base indispensável à fidedignidade das informações sobre o patrimônio da entidade. É  o fundamento da representação fiel pela informação, ou seja, que esta espelhe com precisão e  objetividade  as  transações  e  eventos  a  que  concerne.  Segundo  tal  princípio,  os  registros  do  patrimônio  e  de  suas  variações  devem  ser  feitos  de  imediato  e  com  a  extensão  correta,  estabelecendo  que  o  registro  contábil  compreenda  elementos  quantitativos  e  qualitativos,  contemplando os aspectos físicos e monetários.   No  caso  em  exame,  o  item  “5.  Análise  da  Escrituração  Contábil”  do  Relatório Fiscal, a fls. 47/85, elenca uma variedade de irregularidades na escrituração contábil  da empresa que evidenciam a não fidedignidade dos registros contábeis nela assentados.  · A conta contábil Caixa é específica para o registro dos ativos financeiros  dotados de liquidez imediata, ou seja, numerário ou dinheiro em espécie. É  a conta contábil que registra o dinheiro existente em tesouraria, sendo seu  saldo  correspondente  ao  valor  em  moeda  mantido  na  tesouraria  da  empresa.  Os  fatos  contábeis  registrados  nesta  conta  apresentam  uma  Fl. 7679DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     28 movimentação  volumosa  e  anormal  de  dinheiro,  que  nos  anos  de  2008,  2009, 2010 e 2011 ultrapassou a casa de 75,5 milhões de reais em espécie  – cash.  O  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  os  documentos  que  comprovassem  os  registros  contábeis  das  massivas  transferências  de  dinheiro  das  contas  bancárias  para  a  conta  Caixa  ocorridas  em  2008.  Entretanto,  os  documentos  apresentados  não  comprovaram  efetivamente  estas  transações.  Diversamente,  restou  evidenciado  que  os  lançamentos  ocorridos na conta Caixa são fictícios. Conforme as declarações prestadas  pelo  contribuinte,  tais  transações  ocorreram  de  fato  apenas  nas  contas  bancárias.   · Os  lançamentos  que  registram  o  recebimento  de  receitas  em  dinheiro  também são inverossímeis. No ano de 2008 está registrado na conta Caixa  o recebimento em cash de R$ 6.195.479,07, em 2009 de R$ 5.642.097,64,  em 2010 de R$ 4.852.348,36 e 2011 de R$ 11.068.239,41. O contribuinte  presta  serviços  para  hospitais,  em  sua  maioria  públicos,  e  para  grandes  planos de saúde. Por óbvio que estas instituições não realizam tão vultosos  pagamentos em espécie como está a demonstrar os registros contábeis do  contribuinte.   · De acordo com a escrituração contábil, as saídas dos recursos financeiros  da conta Caixa são preponderantemente para o pagamento de distribuição  de lucros aos sócios. Os registros contábeis da conta Caixa testemunham o  pagamento de distribuição de lucros no montante de R$ 10.396.727,12 em  2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$  19.184.882,54  em  2011,  os  quais  foram  pagos  em  "cash",  conforme  lançamentos  nas  contas  "110101000011101  –  CAIXA",  “110101010011102  –  CAIXA  GERAL”  e  "240604010024671  –  DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS".  Não se nos afigura verossímil que uma empresa, nos dias atuais, mantenha  em suas dependências e/ou transacione tão volumosa quantia em dinheiro,  como assim evidencia  a  contabilidade  apresentada pelo  contribuinte. Por  óbvio que estes lançamentos na conta Caixa não são minimamente críveis  e são manifestos indicativos de graves anormalidades que comprometem a  credibilidade e a fidedignidade da escrituração contábil.   · A  Fiscalização  apurou  nos  exercícios  de  2008  e  2010  uma  persistente  anomalia  na  escrituração  da  conta  Caixa,  consistente  na  existência  de  significativo saldo credor, que em 27/03/2008, a título ilustrativo, somava  R$  595.470,65  e  em  30/12/2010,  de  R$  920.934,45,  demonstrando  que  saia mais dinheiro do caixa do que o dinheiro que no caixa existia. Esta  grave  irregularidade  atesta  que  o  contribuinte  efetuava  pagamentos  com  recursos não contabilizados, pois o saldo credor na conta Caixa demonstra  que  não  havia  dinheiro  suficiente  para  fazer  frente  aos  pagamentos  escriturados nesta conta contábil. A planilha "Lançamentos Consolidados  por  Dia",  anexo  15,  demonstra  os  saldos  credores  observados  na  conta  Caixa no decorrer de 2008 e 2010.   Fl. 7680DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.666          29 Tal  deslize  contábil  torna  ainda  mais  insustentável  a  veracidade  dos  vultosos  pagamentos  efetuados  sob  o  rótulo  de  distribuição  de  lucros  e  escriturados na conta Caixa.   · Toda  receita  operacional  da  empresa  transita  pela  conta  contábil  “110401000011401 ­ CLIENTES DIVERSOS”, tendo como contrapartida  a conta “Contas a Receber”, que apresenta uma movimentação atípica, na  medida  em  que,  no  ano  de  2008,  do  montante  de  recebimentos  de  R$  19.692.437,93  nela  escriturados,  R$  12.655.761,72  foram  registrados  como  ingressos  na  conta  "110201000011201  ­  BANCO  CTA  MOVIMENTO"  e  o  expressivo  valor  de  R$  6.201.767,19  (31,5%)  foi  registrado  como  ingressos  na  conta  "110101000011101  ­  CAIXA",  ou  seja,  valores  recebidos  em  espécie.  Em  2009,  o  registro  de  ingressos  na  conta CAIXA foi de R$ 5.642.097,64 (24,7%); R$ 4.852.348,36 (18,4%)  em 2010, e R$ 11.068.239,41 (35,7%) em 2011.  · A verossimilhança de tais registros é remota em virtude de os clientes da  empresa  serem  grandes  hospitais  públicos  e  planos  de  saúde,  sendo  improvável  que  estes  não  tenham  se  utilizado  do  sistema  bancário  para  quitar suas faturas de prestação de serviços.  · O  contribuinte  registra  na Conta  "240604010024671  ­ DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS"  a  distribuição  mensal  antecipada  de  lucros  aos  médicos  anestesiologistas que compõem seu quadro societário. Esta conta registra a  distribuição de R$ 13.997.389,81 em 2008, de R$ 16.406.108,52 em 2009,  de  R$  18.258.234,89  em  2010  e  de  R$  22.525.960,59  em  2011.  Os  registros  mostram  ainda  que  dos  lucros  distribuídos  R$  10.396.727,12  (2008),  R$  6.445.253,06  (2009),  R$  13.088.638,63  (2010)  e  R$  19.184.882,54 (2011) tiveram como contrapartida a conta Caixa, ou seja,  foram  pagos  em  "cash",  corroborando  a  anormalidade  na  via  eleita  para  tais  pagamentos,  tendo  em  vista  o  volume  expressivo  de  numerário.  Porque não utilizar o sistema bancário, muito mais seguro ?  Intimado mediante termo próprio, o Sujeito Passivo apresentou os recibos  mensais  referentes  aos  pagamentos  antecipados  de  lucros,  os  quais,  quando  confrontados  com  os  lançamentos  contábeis  na  conta  "240604010024671  ­ DISTRIBUIÇÃO DE  LUCROS",  descortinou  uma  série de inconsistências.  No registro contábil de 04/03/2008, há o pagamento de R$ 175.000,00 a  titulo de distribuição de lucros ao sócio Orlando Toshihiro Yamauchi.   No mês de março/2008, os pagamentos efetuados a  título de distribuição  de lucros totalizaram R$ 1.039.782,86, incluindo o valor de R$ 175.000,00  pagos  a  Orlando  Toshihiro,  contudo,  o  "Recibo  de  Pagamento  de  Distribuição de Lucro" registra, apenas, o pagamento de R$ 16.844,00.   Intimado  a  apresentar  o  recibo  referente  ao  pagamento  registrado  na  contabilidade, o Contribuinte justificou­se alegando que o pagamento em  questão  referia­se  a  um  contrato  de  mútuo  entre  a  empresa  e  o  sócio  Fl. 7681DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     30 Orlando  Toshihiro  Yamauchi,  tendo  por  objeto  o  empréstimo  de  R$  175.000,00,  que  deveriam  ser  pagos  em  36  parcelas,  sem  aplicação  de  juros  e  sem  qualquer  atualização  monetária.  O  artigo  3º  deste  contrato  estabelece que as parcelas "serão descontadas do adiantamento mensal na  distribuição de lucros a que tem direito junto a Mutuante, de acordo com  sua produção mensal".   Se  de  fato  tal  valor  referir­se  a  empréstimo  ao  sócio  Orlando  e  não  a  distribuição de lucros, o registro contábil está completamente equivocado.  Segundo o inciso II do art. 179 da Lei nº 6.404/76, classificam­se no Ativo  Realizável  a  Longo  Prazo  os  empréstimos  a  diretores,  acionistas  ou  participantes no lucro da companhia que não constituírem negócios usuais  na  exploração  do  objeto  da  empresa.  Por  conseguinte,  o  lançamento  escorreito  e  consagrado  pela  boa  prática  contábil  deveria  ser  em  contas  próprias do ativo não circulante, mais especificamente no Ativo Realizável  a Longo Prazo.   No  caso  do  plano  de  contas  da  empresa  ora  Autuada,  o  lançamento  contábil do mútuo e dos subsequentes pagamentos das parcelas deveriam  ser  registrados  na  conta  "12010100001210  ­  EMPRÉSTIMOS  E  FINANCIAMENTOS".  Entretanto,  não  há  quaisquer  lançamentos  na  contabilidade  de  2008,  2009,  2010  e  2011  que  registrem  o  referido  empréstimo, a sua amortização ou o seu saldo.  Ademais,  ao  se  analisar  o  comportamento  da  série  de  pagamentos  de  lucros ao sócio Orlando  frente aos demais sócios, é  forçoso concluir que  não houve qualquer desconto de parcelas decorrentes do suposto contrato  de  mútuo.  Observa­se  nas  planilhas  das  figuras  30  e  31,  a  fl.  63,  que  Orlando  Toshihiro  recebeu  pagamentos  de  lucros  idênticos  a  diversos  outros sócios no decorrer de 2008 e 2009.   De outro giro, a se admitir que o valor de R$ 175.000,00 diz respeito a um  eventual  contrato  de mútuo,  a  totalização  dos  recibos  de  pagamentos  de  distribuição de lucros será superior àquele registrado na contabilidade, na  medida  em  que,  ao  se  deduzir  o  valor  de  R$  175.000,00  do  montante  registrado  na  conta  "240604010024671  ­  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS", restaria R$ 864.782,86 como o valor efetivamente distribuído  a  título  de  lucros  em  março  de  2008  registrado  na  contabilidade.  Entrementes,  os  recibos  apresentados  pelo  contribuinte  neste  mês  totalizam  R$  1.039.782,86.  Destarte,  conclui­se  por  óbvio  que  houve  a  distribuição  de  lucros  no  valor  de  R$  175.000,00  não  registrados  na  contabilidade.   · Em diversos meses dos anos de 2009 e 2010, os valores pagos ao Diretor  Werner  Alfred  Gemperli  a  título  de  lucros  distribuídos  registrados  na  contabilidade  apresentam  montantes  superiores  àqueles  exibidos  nos  recibos  de  pagamento  de  distribuição  de  lucros,  conforme  ilustrado  nas  figuras 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 40 a fls. 64/66.  Enquanto os  lançamentos contábeis  registram pagamentos que atingem a  cifra de R$ 399.004,00, os recibos de pagamento de distribuição de lucro  somam, tão somente, R$ 202.178,38 , ou seja, praticamente a metade.  Fl. 7682DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.667          31 · A escrituração contábil da distribuição de lucros ocorridos em 31/12/2010  registra  valores muito  superiores  àqueles mostrados  nos  recibos  para  os  anestesiologistas Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria  Velasco  e  Adriana  Marques.  A  figura  42  mostra  os  lançamentos  registrados na conta "240604010024671­ DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS"  no  período  de  20/12/2010  a  31/12/2010.  O  valor  mostrado  em  “Soma”  refere­  Os  lançamentos  contábeis  registrados  em  31/12/2010  apontam  que  se  pagou em espécie (a contrapartida é a conta Caixa) a título de distribuição  de  lucros  R$  118.279,67  a  Sandra  Maria  Velasco,  R$  216.101,76  a  Adriana Marques, R$  224.576,29  a  Fábio Benevenuto, R$  228.423,52  a  Marcelo Pedra Tognini e R$ 253.932,41 a Maruan Omais, totalizando R$  1.041.313,65.  Entrementes,  os  recibos  apresentados  pelo  contribuinte mostram  valores  bem  menores,  quais  sejam,  R$  26.809,00  a  Sandra  Maria  Velasco,  R$  25.557,00  a  Adriana  M.  da  Costa,  R$  21.983,00  a  Fábio  Vinicius  Benevenuto  Feltrim,  R$  29.847,00  a  Marcelo  Pedra  Tognini  e  R$  28.953,00 a Maruam Omais, totalizando R$ 133.149,00.  Intimado  a  justificar  as  discrepâncias  relativas  ao  pagamentos  efetuados  aos  sócios  Fábio  Benevenuto,  Marcelo  Pedra  Tognini,  Sandra  Maria  Velasco  e  Adriana  Marques,  o  Sujeito  Passivo  alegou  que  “...  nos  lançamentos apresentados existe um erro formal no momento de descrever  o histórico do lançamento, pois o valor refere­se ao pagamento de lucros  distribuídos a mais de um sócio ...”.   Acontece  que,  mesmo  considerando  as  retificações  propostas  pelo  contribuinte, ao se apurar os valores escriturados em 12/2010 nesta conta  contábil  referentes  aos  pagamentos  de  distribuição  de  lucros  efetuado  a  estas  pessoas,  depara­se  com  uma  grande  divergência  entre  os  valores  lançados na contabilidade e os recibos apresentados. As planilhas 45 a 48,  a  fls. 68/70,  revelam que os  lucros pagos conforme escrituração contábil  somam R$ 1.266.921,65 enquanto que os  lucros pagos conforme  recibos  de pagamentos não ultrapassam o montante de R$ 1.041.169,28, havendo  uma diferença não esclarecida de R$ 225.752,37.  · A  conta  contábil  "240604010024671  ­  DISTRIBUIÇÃO DE  LUCROS"  registra  ainda  o  pagamentos  de  lucros  aos  anestesiologistas  Luis  Cesar  Anzoategui,  José  Tadachi  Sugai  e  Sirlei  Paulo  Queiroz.  Contudo,  estes  médicos não fazem parte formalmente do quadro societário da empresa.   Luis Cesar Anzoategui  passou  a  constar  do  quadro  societário  somente  a  partir de 11/07/2011, com a alteração contratual nº. 05. Os demais nunca  constaram do quadro societário da empresa.   Intimado  a  apresentar  os  recibos  referentes  a  todos  os  pagamentos  realizados para os médicos Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e  Sirlei Paulo Queiroz nos anos de 2010 e 2011, o contribuinte declarou que  “Ainda esclarecemos que as pessoas ..., Sirlei Paulo Queiroz, José Tadasi  Fl. 7683DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     32 Sugai,  ...,  durante  o  período  verificado,  não  participam  do  quadro  societário da Empresa Servan, que esta empresa não efetuou pagamentos  de  qualquer  natureza  ou  repasses  de  valores  a  estas  pessoas,  razão  pela  qual não existem recibos a serem apresentados, bem como não há registros  contábeis devido a ausência do fato a ser registrado.” Para o médico Luis  Cesar Anzoategui, a empresa apresentou  recibos de pagamento de lucros  somente a partir de 09/2011.   Que confiabilidade pode  ter uma contabilidade cujo próprio Contribuinte  desconhece  e  nega  seus  registros  contábeis,  circunstância  que  revela  a  falta de exatidão e de  integridade dos  registros  contábeis escriturados na  conta  "240604010024671  ­  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS".  Resta  evidente  que  tais  registros  não  são  a  representação  fiel  da  verdade  material, como assim exige o Princípio Contábil da Oportunidade.  · A Fiscalização constatou que em 2011 houve diversos registros contábeis  de  pagamentos  lançados  na  conta  "240604010024671  ­  DISTR.  ANTECIP.  DE  LUCROS"  de  valores  elevados  e  que  tinham  como  contrapartida  do  lançamento  a  conta  "110101010011102  ­  CAIXA  GERAL".  Ou  seja,  contabilmente,  tais  valores  foram  pagos  em  espécie.  Intimado  a  apresentar  os  comprovantes  do  efetivo  pagamento  destes  montantes,  o  contribuinte  afirmou  que  "...  a  Servan  para  os  pagamentos  em  questão,  bem  como  para  todos  os  demais  pagamentos  dos  lucros  distribuídos aos sócios, não utiliza cheque, porém o faz através de débito  em  sua  conta  corrente  sendo  que  o  banco  se  encarrega  de  distribuir  os  valores aos sócios, ...". Avulta de tal pronunciamento que os lançamentos  contábeis  em  questão  não  representam  adequadamente  estes  fatos,  pois  estes  registram pagamentos  realizados pela  conta  contábil  "Caixa"  e não  pela conta contábil "Banco Conta Movimento".   Tal informação, todavia, contradiz os inúmeros lançamentos contábeis de  pagamento  de  lucros  através  da  conta  "Caixa",  no  montante  de  R$  10.396.727,12  em  2008,  de  R$  6.445.253,06  em  2009,  de  R$  13.088.638,63 em 2010  e de R$ 19.184.882,52  em 2011. Como visto,  o  próprio  contribuinte  demonstra,  uma  vez  mais,  que  a  sua  escrituração  contábil não representa a realidade dos fatos.    · A Fiscalização apurou a ocorrência de uma multiplicidade de lançamentos  que evidenciam transferências de receitas operacionais diretamente para os  sócios  sob  a  denominação  de  distribuição  de  lucros.  Os  lançamentos  demonstram  que  a  receita  operacional  recebida  é  imediatamente  repassada,  em  sua  integralidade,  para  os  sócios  na  forma  de  lucros,  conforme  exposto  nas  planilhas  do  anexo  21,  bem  como,  exemplificativamente, nas planilhas nº 54, 55, 56 e 57, a fls. 73/75.   A título ilustrativo, o primeiro lançamento da figura 54, a fl. 73, efetuado  em  03/06/2008,  registra  o  recebimento  na  conta  Caixa  de  uma  receita  operacional  de R$ 45.000,00  referente  a  serviços  prestados  para  a Santa  Casa. O segundo lançamento registra o repasse deste montante aos sócios  sob  a  forma  de  lucros  distribuídos.  Ou  seja,  estas  transações  ocorrem  simultaneamente. Os recursos são recebidos pela empresa e imediatamente  Fl. 7684DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.668          33 repassados  em  sua  integralidade  aos  sócios.  Fica  manifesto  que  não  se  trata de lucros, pois se está remunerando os sócios com 100% do valor dos  serviços prestados.   Os  lançamentos dos dias 11/02/2008,  figura 54, e 18/08/2009,  figura 55,  são  ainda  mais  elucidativos  neste  sentido,  pois  revelam  que  a  receita  operacional  recebida  foi  destinada  a  um único  sócio,  incontestavelmente  àquele que prestou o serviço. Em 11/02/2008 o valor recebido de clientes,  R$  2.000,77,  foi  repassado  ao  sócio  Nildo Masatoni.  Em  18/08/2009  o  valor recebido do Hospital do Câncer referente à nota fiscal 31823, de R$  27.517,59, foi integralmente repassado ao sócio Francisco O. Ilgenfritz.   Isto demonstra de forma cabal que os supostos lucros não são oriundos do  rendimento  do  capital, mas,  sim,  decorrentes  única  e  exclusivamente  do  trabalho  pontual  de  cada  trabalhador,  em  outras  palavras:  REMUNERAÇÃO pelo trabalho realizado.  · Os  médicos  Luiz  Cesar  Anzoategui  e  Gleber  Eduardo  Machareti  constaram  do  quadro  societário  da  empresa  até  25/02/2002.  Posteriormente,  com  a  alteração  contratual  nº  05,  de  11/07/2011,  Luiz  Cesar Anzoategui voltou a integrar o quadro societário, assim como Edson  Tognini também passou a constar formalmente do quadro societário.   Ocorre, todavia, que estes médicos já atuavam na empresa e eram por ela  remunerados em períodos anteriores.  Gleber Eduardo Machareti foi remunerado com R$ 7.293,01, na quinzena  de  01/10  a  15/10/2009,  com  R$  5.278,61,  na  quinzena  de  04/11  a  16/11/2009,  e  com  R$  2.712,59,  na  quinzena  de  17/11  a  30/11/2009,  conforme figuras 58 a 60, a fls. 76/77.  Entretanto,  não  se  identificou  nos  livros  contábeis  de  2008  e  2009  quaisquer  lançamentos que registrassem os pagamentos efetuados a estes  médicos. Na contabilidade do ano de 2010 detectou­se alguns registros de  pagamentos  de  distribuição  de  lucros  aos  anestesiologistas  Luis  Cesar  Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiros.  Intimado a apresentar os recibos destes pagamentos e a demonstrar em que  conta  contábil  tais  operações  foram  registradas,  o  Contribuinte  afirmou  que  estas  pessoas  não  participaram  do  quadro  societário  da  empresa  no  período de 2008 a 2009 e que a eles não efetuou pagamentos de qualquer  natureza ou repasse de valores.      No  entanto,  os  termos  de  declarações  firmados  pelos  médicos  Edson  Tognini e Sirlei Paulo Queiroz, anexo 14, desmentem o contribuinte. No  “Termo de Declarações” de 17/11/2009, Edson Tognini, declarou a Polícia  Federal  “QUE  pelo  fato  de  ter  sido  servidor  da  UFMS,  ocupando  o  médico de professor de anestesiologia, o declarante não pode filiar­se ao  SERVAN,  pois  essa  condição  de  servidor  público  tem  impedimento  pelo  Fl. 7685DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     34 estatuto  da  empresa,  informando  também  que  na  mesma  situação  encontravam­se  os  médicos  PAULO  SIRLEI,  LUIZ  ANZOATEGUI  e  CLEBER MACHARETTI; QUE em razão de ter aposentado­se no ano de  1993, desde então vem prestando serviço como médico autônomo para o  SERVAN,  explicando  que  trabalha  em  vários  hospitais,  contudo  permanece mais  tempo no escritório central da SERVAN, situado na rua  Sete de Setembro, 1885, ... QUE até o início do corrente ano fez parte da  diretoria do SERVAN mas desligou­se para dar lugar a um membro mais  novo e dedicar­se apenas a anestesiologia ...”;   No “Termo de Declarações”, de 04/11/2009, Sirlei Paulo Queiroz declarou  a Polícia Federal “QUE o declarante ocupa o cargo de Médico no quadro  da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul desde o ano de 1982, ...  QUE  o  declarante  não  é  associado  da  SERVAN,  apenas  presta  serviço  como  médico  autônomo  para  a  referida  Empresa;  ...  QUE  atualmente  compõe  a  diretoria  da  Empresa  os  médicos  VERNER,  WALTER  DUALIBI, PAULO OSHIRO, CAUANO, FRANCISCO IUGENFRITZ e o  médico  EDSON  TONINI,  que  retornou  à  sociedade  da  qual  é  um  dos  fundadores; ...”   O Contribuinte  reafirmou que José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz  não  prestaram  quaisquer  serviços  para  a  empresa. No  entanto,  além  dos  depoimentos  à  Polícia  Federal,  há  inúmeros  relatórios  financeiros  intitulados “SERVAN Sistema Financeiro”, anexo 22, que evidenciam que  estes  médicos  trabalhavam  de  fato  para  a  empresa.  Observa­se  que  os  nomes  de  José  Tadachi  Sugai  e  Sirlei  Paulo  Queiroz  aparecem,  entre  muitos  outros  relatórios,  na  coluna  “ANESTESISTA”  do  Relatório  HR  CC  –  Período  01/05/2010  a  15/05/2010,  do Relatório Hospital Regional  Endoscopia – Período de 01/11/2010 a 30/11/2010 e do Relatório Hospital  Regional CC – Período de 01/02/2011 a 28/02/2011.   Relativamente  ao  anestesiologista  José  Tadachi  Sugai  identificou­se  até  mesmo uma declaração de rendimentos emitida pela empresa Servan, a fl.  95,  dando  conta  que  este  recebia  aproximadamente  a  quantia  de  R$  10.000,00 por mês.   O  Contribuinte  afirmou  também  que  o  anestesiologista  Gleber  Eduardo  Machareti  não  prestou  serviços  à  empresa.  Mas  o  Relatório  Hospital  Universitário CC – Período 25/08/2010 a 24/09/2010, anexo 22, evidencia  este nome na coluna “ANESTESISTA”.   Em  relação  aos  médicos  anestesiologistas  Ana  Laura  Janaina  Borges,  Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Edson Tognini, Larissa Falcão  Gomes,  Luis  Cesar  Anzoategui  e  Luis  Felipe  Ximenes  Nogueira,  o  Contribuinte apresentou os recibos de pagamento de distribuição de lucros  somente  a  partir  do  mês  09/2011.  Estes  médicos  foram  formalmente  admitidos na sociedade a partir da Alteração do Contrato social nº 05, de  11/07/2011.  Contudo,  há  abundância  de  relatórios  emitidos  pelo  “SERVAN Sistema Financeiro” apontando que eles já trabalhavam para a  empresa desde muito antes. Os relatórios a seguir elencados, obtidos pela  perícia da Polícia Federal e juntados no anexo 22, demonstram tais fatos:   Fl. 7686DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.669          35 · Relatório  Hospital  Regional  Tomo  –  Período  01/02/2011  a  28/02/2011:  relaciona na coluna “ANESTESISTA” o nome de Ana  Laura Janaina Borges;   · Relatório HU CC – Período 01/04/2010 a 30/04/2010:  relaciona na  coluna  “ANESTESISTA”  os  nomes  de  Beatriz  Maciel  Maegawa,  Cynthia Duailibi, Edson Tognini, Larissa Falcão Gomes, Luis Cesar  Anzoategui e Luis Felipe Ximenes Nogueira;   · Relatório Hospital Regional CC – Período 01/01/2011 a 31/01/2011:  relaciona na coluna “ANESTESISTA” os nomes de Beatriz Maciel  Maegawa, Cynthia Duailibi, Edson Tognini, Larissa Falcão Gomes e  Luis Felipe Ximenes Nogueira;   · Relatório  Hospital  Universitária  CC  –  Período  01/02/2011  a  28/02/2011:  relaciona  na  coluna  “ANESTESISTA”  os  nomes  de  Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes,  Luis Cesar Anzoategui e Luis Felipe Ximenes Nogueira      Registre­se  que  nenhuma  das  remunerações  pagas  nestes  períodos  aos  médicos em foco houveram­se por registradas na contabilidade, tampouco  constam  nas  Folhas  de  Pagamento  da  empresa.  Ou  seja,  os  serviços  prestados foram remunerados à margem da escrituração contábil e fiscal.   · A Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira – DIMOF  do ano de 2008, apresentada pela instituição “CECM DOS MÉDICOS E  PROFISSIONAIS  DA ÁREA DE  SAÚDE”,  CNPJ  73.647.935/0001­38,  anexo 23, mostra que o contribuinte manteve operações financeiras nesta  conta  bancária  desde  janeiro  de  2008,  conforme  se  vê  nos  excertos  da  figura  61,  a  fl.79.  Entretanto,  a  conta  contábil  “11201­0  1102010000  BANCO CTA MOVIMENTO Ter.: 010133­ UNICRED” somente registra  lançamentos referentes a estas operações a partir de 01/05/2008.  Devidamente  intimado,  o  Contribuinte  apresentou  os  extratos  mensais  desta  movimentação  financeira  que  mostram  que  esta  conta  bancária  recebeu  recursos  no  montante  de  R$  1.550.930,74  no  período  de  01/01/2008 a 30/04/2008. Tal movimentação não se encontra registrada na  citada conta contábil.   Além  disso,  a  partir  de  01/06/2009  deixou­se  de  registrar  nesta  conta  contábil diversos lançamentos ocorridos na referida conta bancária. Ao se  cotejar os extratos bancários, com o Livro Razão verifica­se os seguintes  fatos sem registro na conta contábil “11201­0 1102010000 BANCO CTA  MOVIMENTO Ter.: 010133­ UNICRED”:    Ingresso de R$ 93.000,00 em 03/06/2009;    Ingresso de R$ 180,00 em 05/06/2009;   Fl. 7687DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     36  Ingresso de R$ 1.929,31 em 15/06/2009;    Ingresso de R$ 32.847,50 em 22/06/2009;    Ingresso de R$ 7.393,92 em 02/07/2009;    Ingresso de R$ 80.000,00 em 06/07/2009;    Ingresso de R$ 2.572,42 em 09/07/2009;    Ingresso de R$ 4.860,00 em 14/07/2009;    Ingresso de R$ 180,00 em 24/07/2009;    Ingresso de R$ 32.847,50 em 27/07/2009;    Ingresso de R$ 18.000,00 em 30/07/2009;    Ingresso de R$ 2.310,35 em 07/08/2009;    Ingresso de R$ 2.286,59 em 11/08/2009;    Ingresso de R$ 111.000,00 em 11/08/2009;    Ingresso de R$ 5.452,95 em 18/08/2009;    Ingresso de R$ 27.517,59 em 18/08/2009;    Ingresso de R$ 32.847,50 em 20/08/2009;    Ingresso de R$ 56.309,97 em 27/08/2009;    Ingresso de R$ 1.155,00 em 28/08/2009;   Ingresso de R$ 35.469,99 em 10/09/2009;    Ingresso de R$ 2.358,06 em 11/09/2009.      No dia 15/06/2009 o extrato bancário mostra a entrada de R$ 57.051,28,  com  o  histórico:  “CASSEMS  NOTA  30866”.  A  conta  contábil  registra  nesta data a entrada de R$ 175.160,50 com o seguinte histórico: “Vr. ref.  recebimento NF 30866 – Cassems”.  No dia 16/06/2009, há outro registro nesta mesma conta contábil referente  à  mesma  nota  fiscal.  Desta  feita,  registra­se  o  recebimento  de  R$  57.061,29  com  o  seguinte  histórico  “Vr.  ref.  recebimento  NF  30866  –  Cassems”.   Está  evidente  que  reina  uma  desordem  entre  os  fatos  espelhados  nos  extratos  bancários  e  aqueles  registrados  na  contabilidade.  Aqui,  há  um  registro  extra  na  contabilidade  de  entrada  de  R$  175.160,50  com  o  seguinte  histórico:  “Vr.  ref.  recebimento  NF  30866  –  Cassems,  sem  correspondência nos extratos bancários.  Fl. 7688DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.670          37 Diante  de  tantas  inconciliações,  o  saldo  final  em  30/12/2009  do  extrato  bancário, no montante de R$ 439.100,20, não poderia jamais ser igual ao  saldo contábil, figura 66, a fl. 83 e folha 119 do Razão Contábil no anexo  24.  Entretanto,  para  torná­los  iguais,  ou  muito  próximos,  o  contribuinte  registrou na conta contábil em 30/12/2009 um depósito de R$ 19.780,95,  como  se  vê  na  figura  66  e  folha  119  do  Razão  Contábil  no  anexo  24.  Obviamente  que  este  depósito  é  fictício,  pois  não  consta  no  extrato  bancário.    Em  cumprimento  ao  TIF  nº  04,  de  06/09/2012,  o  contribuinte  apresentou  extrato bancário de conta­corrente mantida no Itaú Unibanco relativa ao período de 01/12/2009  a  31/12/2009  e  escriturada  na  conta  contábil  “11201­0  1102010000  BANCO  CTA  MOVIMENTO Ter.: 010601­ UNIBANCO AG 0392”. A figura 67, a fl. 83, revela que o saldo  bancário  desta  conta  em  04/12  é  de R$  91.898,48  enquanto  que  a  escrituração  contábil,  em  30/11, mostra um saldo de R$ 37.043,53, conforme cópia da folha 140 do Livro Razão, anexo  24, e figura 68. Portanto, os saldos apresentam uma divergência de R$ 54.854,95.   Ao  final  do  período,  em  31/12/2009,  o  contribuinte  registrou  nesta  conta  contábil o recebimento de clientes diversos no valor de R$ 54.706,75, conforme folha 142 do  Livro Razão,  anexo  24,  e  figura  68.  Todavia,  tal  entrada  de  recursos  não  consta  no  extrato  bancário. Assim, com este artifício, o contribuinte forjou um saldo contábil final em valor igual  ao do extrato bancário, qual seja, R$ 60.458,43.   No  Termo  de  Intimação  Fiscal  –  TIF  nº  06,  de  21/12/2012,  solicitou­se  a  apresentação dos extratos bancários dos meses de 12/2010 e 12/2011  referentes aos  registros  contábeis das contas “11201­0 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010133 –  UNICRED”  e  “11201­0  1102010000  BANCO  CONTA  MOVIMENTO  Ter.:  010601  –  UNIBANCO  AG  0392”.  A  solicitação  destes  documentos  tinha  como  escopo  checar  a  veracidade  da  movimentação  financeira  escriturada  na  contabilidade  apresentada  pelo  contribuinte.   No  termo  de  resposta,  o  contribuinte  afirma  que  “...  a  Requerente  não  irá  fornecer  os  extratos  bancários,  tendo  em  vista  que  esta  Fiscalização  já  possui  todas  as  informações necessárias para a comprovação da distribuição de lucros aos sócios, tornando­ se desnecessária a quebra de sigilo bancário”.   Revela­se  improcedente,  portanto,  a  alegação  de  que,  por  se  tratar  o  arbitramento  de  medida  de  exceção,  a  Fiscalização,  imbuída  em  seu  dever  de  investigação,  deveria buscar todos os elementos necessários para aproveitar à escrita fiscal da Recorrente, ao  invés de desclassificá­la sem qualquer esforço investigativo.  O art. 33 da Lei nº 8.212/91 estatuiu como obrigação tributária acessória da  empresa  o  dever  instrumental  de  apresentar  à  Fiscalização  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previdenciárias,  bem  como  o  de  prestar  todos  os  esclarecimentos e informações solicitados, sendo certo que a recusa ou sonegação de qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  configura­se  motivo  justo,  suficiente e determinante para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de  seus  auditores  fiscais,  e  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lance  de  ofício  a  importância  reputada como devida, revertendo à empresa, nos termos da lei, o ônus da prova em contrário.  Fl. 7689DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     38   Registre­se que em cumprimento ao TIF nº 04, de 06/09/2012, o contribuinte  apresentou  sem  qualquer  óbice  os  extratos  bancários  da movimentação  financeira  registrada  nos livros contábeis de 2008 e 2009. Porém, estranhamente, nega­se a apresentá­los para anos  de  2010  e  2011.  A  seu  juízo  a  fiscalização  já  possui  informações  necessárias  para  a  comprovação  da  distribuição  de  lucros  aos  sócios,  pretendendo  que  a  Auditoria  Fiscal  se  restrinja a tal fato.  Não  procede  a  alegação  de  que  a  apresentação  dos  documentos  solicitados  redundariam em quebra de sigilo bancário.   No Direito brasileiro,  o  sigilo bancário  corresponde à obrigação  imposta  às  instituições  financeiras  de  conservar  em  sigilo  suas  operações  ativas  e  passivas  e  serviços  prestados,  nos  termos  do  art.  1º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  configurando  infração  penal a sua quebra injustificada (art. 38, caput e §7° da Lei n° 4.595/64 e artigos 1º e 10 da Lei  Complementar n° 105/2001).  Autores  de  nomeada  acentuam  que  o  sigilo  bancário  configura­se  num  concreto  dever  de  conduta  de  conteúdo  negativo  por  parte  das  instituições  financeiras,  consistente  na  abstenção  de  revelar  a  terceiros,  in  casu  o  Fisco,  fatos  captados  por  ela  no  exercício de sua peculiar atividade empresarial (COVELLO, Sergio Carlos. O sigilo bancário. São  Paulo: Editora Universitária de Direito, 2001, p.89).  Por  certo  não  se  configura  quebra  de  sigilo  bancário  o  exame  de  extratos  bancários  ou  de  documentos  bancários  fornecidos  diretamente  pela  empresa  em  razão  de  intimação formal da Fiscalização ocorrida no curso da ação fiscal.  Nesse sentido:    TRIBUTÁRIO.  "QUEBRA"  DO  SIGILO  BANCÁRIO.  INOCORRÊNCIA.  INFORMAÇÕES  ESPONTANEAMENTE  FORNECIDAS  PELO  CONTRIBUINTE.  EXTRATOS  DE  MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. SÚMULA 182 DO TFR.  1.  Não  há  falar  em  reserva  judiciária  e,  muito  menos,  em  "quebra  de  sigilo  bancário”,  quando  o  contribuinte,  mediante  solicitação  do  Fisco,  espontaneamente  entrega  extratos  de  sua  movimentação bancária.   2.  A  Súmula  182  do  extinto  TFR  veda  o  lançamento  do  IRPF  arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários,  porque  os  mesmos  não  indicam,  por  si  só,  a  existência  de  acréscimo patrimonial  tributável. Entendimento pacífico do STJ  e deste TRF, mesmo após a vigência da Lei 9.430/1996. (TRF4,  AC  2003.71.08.010579­2,  Segunda  Turma,  Relator  Marcos  Roberto Araujo dos Santos, DJ 09/08/2006)     Ora,  a  empresa  apresentou  contabilidade  formalizada  onde,  pressupõe­se,  esteja  registrada  toda  a  sua  movimentação  financeira  bancária.  De  outro  eito,  a  legislação  tributária  exige  que  todos  os  lançamentos  contábeis  estejam  ancorados  por  documentação  idônea  a  qual  deve  ser  conservada  em  boa  ordem  e  guarda  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  das  obrigações  tributárias  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram,  e  não  Fl. 7690DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.671          39 prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, como assim dispõe o parágrafo único do  art. 195 do CTN.  Código Tributário Nacional  Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação  destes de exibi­los.  Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram.    Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da  Lei  nº  9.430/96  e  no  §11  do  art.  32  da  Lei  nº  8.212/91,  devendo,  neste  último  caso,  ser  relembrado que o art. 45 da lei de custeio da seguridade social previa prazo decadencial de 10  anos para a seguridade social apurar e constituir seus créditos.  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Guarda de Documentos  Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa  jurídica,  relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   (...)  §11.  Os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento  das  obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na  empresa  durante  dez  anos,  à  disposição  da  fiscalização.  (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).    Outra não é a determinação contida no art. 4º do Decreto­Lei nº 486/69, que  dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis:  Decreto­Lei nº 486, de 3 de março de 1969.  Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  a  escrituração,  correspondência  e  demais  papéis  relativos  à  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial.     A  empresa  alega  ser  optante  pela  sistemática  do  lucro  presumido.  Mesmo  nesse caso, o art. 45 da Lei nº 8.981/95 dispõe que a pessoa  jurídica habilitada à opção pelo  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  presumido  deve  manter  em  boa  guarda  e  ordem,  Fl. 7691DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     40 enquanto não decorrido  o prazo decadencial  e não prescritas  eventuais  ações que  lhes  sejam  pertinentes,  todos  os  livros  de  escrituração  obrigatórios  por  legislação  fiscal  específica,  bem  como  os  documentos  e  demais  papéis  que  serviram  de  base  para  escrituração  comercial  e  fiscal.  Logo, a apresentação de extratos bancários para comprovar tais lançamentos  não pode ser considerada como quebra de sigilo, pois  todas as  informações constantes destes  extratos devem estar espelhadas nos  lançamentos contábeis apresentados  à  fiscalização. Se o  contribuinte  afirma que  ao  apresentar  tais  extratos haverá quebra de  sigilo bancário,  pode­se  concluir, por dedução lógica, que a movimentação financeira registrada em tais extratos não se  encontra retratada em seus livros contábeis.   Conforme  já  assinalado  alhures,  a  escrituração  contábil  deve  ser  realizada  com base em documentos que comprovem ou evidenciem fatos e  a prática de atos  jurídicos,  sob pena de se tornar desprovida de qualquer robustez.   Conforme restou sobejamente demonstrado, a contabilidade apresentada pelo  contribuinte  não  se  coaduna  com  os  preceitos  norteados  pelo  Princípio  Contábil  da  Oportunidade.  Considerando  todos  os  elementos  e  evidências  elencadas,  inafastável  é  a  conclusão de que os livros contábeis apresentados pelo contribuinte não são merecedores de fé,  pois não  representam a  realidade dos  fatos, não  registram o movimento  real da  remuneração  dos segurados a seu serviço e estão eivados de vícios que os tornam desprovidos de serventia  fiscal.   Nessas  circunstâncias,  a  apresentação  deficiente  de  qualquer  documento  ou  informação,  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  das  remunerações  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  configura­se  motivo  justo,  bastante,  suficiente  e  determinante  para  a  apuração,  por  aferição  indireta,  das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário,  a  teor  do  permissivo  legal  encartado  nos  parágrafos  3º  e  6º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘a’,  ‘b’  e  ‘c’  do  parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes  a  título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF  compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘d’  e  ‘e’  do  parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera  de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001).  §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  (...)  §3º Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de qualquer  documento  ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  Fl. 7692DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.672          41 do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos)   (...)  §6º  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos  nossos)     Não  procede  a  alegação  recursal  de  que  a  empresa,  por  ser  optante  pela  sistemática  do  Lucro  Presumido,  não  estaria  sujeita  à  escrituração  apurada  de  sua  contabilidade, como no caso do Lucro Real, podendo esta respaldar­se em controle paralelo.  De  fato,  o  art.  45  da  Lei  nº  8.981/95  dispõe  que, mesmo  a  pessoa  jurídica  habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deve manter, além  do  Livro  Registro  de  Inventário,  escrituração  contábil  nos  termos  da  legislação  comercial,  salvo  se  mantiver  o  livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  movimentação  financeira, inclusive bancária.  Lei nº 8.981/95  Art.  45.  A  pessoa  jurídica  habilitada  à  opção  pelo  regime  de  tributação com base no lucro presumido deverá manter:  I ­ escrituração contábil nos termos da legislação comercial;  II  ­  Livro  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados os estoques existentes no término do ano­calendário  abrangido pelo regime de tributação simplificada;  III  ­  em  boa guarda  e ordem,  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  todos  os  livros  de  escrituração  obrigatórios  por  legislação  fiscal  específica,  bem como os  documentos  e demais  papéis  que  serviram  de  base  para  escrituração  comercial  e  fiscal.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  inciso  I  deste  artigo  não  se  aplica  à  pessoa  jurídica  que,  no  decorrer  do  ano­calendário,  mantiver  livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturado  toda  a  movimentação financeira, inclusive bancária.    Configurando­se,  portanto,  a  não  escrituração  contábil  dos  Livros  Diário  e  Razão como uma faculdade da empresa optante pelo regime do lucro presumido, caso esta não  se  cline  a  tal  opção,  permanece  obrigada  à  escrituração  contábil  nos  termos  da  legislação  comercial, para todos os fins e efeitos.  No  caso  em  apreço,  a  Recorrente  declinou  tacitamente  de  tal  opção  ao  escriturar os livros contábeis Diário nº 07/2008 ­ registrado no 4º Serviço Notarial e Registral  de Títulos e Documentos sob nº 241.073 ­, Razão nº 03/2008, Diário nº 08/2009 ­ registrado no  Fl. 7693DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     42 4º Serviço Notarial e Registral de Títulos e Documentos sob nº 247.645 ­, Razão nº 04/2009,  Diário nº 09/2010 ­ registrado no 4º Serviço Notarial e Registral de Títulos e Documentos sob  nº  327.814  ­,  Razão  nº  05/2010,  Diário  nº  10/2011  ­  registrado  no  4º  Serviço  Notarial  e  Registral de Títulos e Documentos sob nº 339.705 ­ e Razão nº 06/2011.  Ademais,  mesmo  que  houvesse  se  decidido  pela  faculdade  aviada  no  Parágrafo  Único  do  art.  45  da  Lei  nº  8.981/95,  a  empresa  teria  que  manter  devidamente  escriturado o Livro Caixa, nele estando contemplada, obrigatoriamente, toda a movimentação  financeira, inclusive bancária, o que não ocorreu.  Todavia,  não  consta  nos  autos  que  a  Recorrente  tenha  apresentado  tal  escrituração contábil alternativa, circunstância que a mantém jungida à obrigação de apresentar  os Livros Fiscais, nos exatos lindes da legislação comercial.    Não procede a alegação de que o controle paralelo mantido pela Recorrente  demonstra  sua  exata  movimentação  financeira,  aí  incluídas  as  receitas,  custos  e  despesas  operacionais e, consequentemente, o lucro.   Mesmo a pessoa  jurídica habilitada à opção pelo  regime de  tributação com  base no lucro presumido deve manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial,  a  qual  exige  que  a  escrituração  seja  completa,  em  idioma  e  moeda  corrente  nacionais,  em  forma mercantil,  com  individuação,  clareza  e  caracterização  do  documento  respectivo,  dia  a  dia, por ordem cronológica de dia, mês e ano, de todas as operações relativas ao exercício da  empresa,  por  escrita  direta  ou  reprodução,  sem  intervalos  em  branco,  nem  entrelinhas,  borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens.  É verdade que a  legislação admite a escrituração resumida do Livro Diário,  por totais que não excedam o período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam  numerosas  ou  realizadas  fora  da  sede  do  estabelecimento,  porém desde  que  utilizados  livros  auxiliares  regularmente  autenticados  para  registro  individualizado  de  tais  operações  e  conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação.  Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002  Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a  seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base  na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a  documentação  respectiva,  e  a  levantar  anualmente  o  balanço  patrimonial e o de resultado econômico.  §1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de  livros  ficam a critério dos interessados.  §2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário  a que se refere o art. 970.     Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável  o  Diário,  que  pode  ser  substituído  por  fichas  no  caso  de  escrituração mecanizada ou eletrônica.     Art.  1.183.  A  escrituração  será  feita  em  idioma  e moeda  corrente  nacional e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e  ano,  sem  intervalos  em branco, nem entrelinhas,  borrões,  rasuras,  emendas ou transportes para as margens.     Fl. 7694DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.673          43 Art. 1.184. No Diário serão  lançados, com individuação, clareza e  caracterização  do  documento  respectivo,  dia  a  dia,  por  escrita  direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da  empresa.   §1º  Admite­se  a  escrituração  resumida  do Diário,  com  totais  que  não  excedam  o  período  de  30  dias,  relativamente  às  contas  cujas  operações  sejam  numerosas  ou  realizadas  fora  da  sede  do  estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente  autenticados,  para  registro  individualizado,  e  conservados  os  documentos que permitam sua perfeita verificação.    Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a  conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e  mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade,  enquanto  não  ocorrer  prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.    Dessarte,  caso  seja  adotada  a  escrituração  por  partidas  resumidas  e  por  períodos  que  não  excedam  um  mês,  conforme  previsto  na  Lei  nº  10.406/2002,  a  individualização tem que ser efetuada em Livros Auxiliares, os quais passam a ser obrigatórios,  ficando sujeitos ao cumprimento de todas as formalidades exigidas para os livros obrigatórios,  não  podendo  se  fazer  substituir  por  qualquer  controle  paralelo  despido  das  formalidades  exigidas pela Lei.    A  Fiscalização  apurou,  ainda,  que  a  empresa  contabilizara  distribuição  de  lucros  para  um  grupo  de  médicos,  os  quais  não  participavam  do  contrato  social  da  pessoa  jurídica.   O Autuado alega que “tais médicos já tinham sido admitidos como sócios na  Recorrente, contudo, durante o lapso de tempo entre sua admissão e o registro da alteração  contratual decorreram alguns meses, o que se  justifica  tanto pela burocracia exigida quanto  pela demora no registro pelos órgãos públicos”.  Que  beleza  !!!  Vivendo  e  aprendendo  ...  Estamos  diante,  então,  de  Atos  Constitutivos da empresa com natureza, meramente, declaratória.  Código Civil  Art.  997.  A  sociedade  constitui­se  mediante  contrato  escrito,  particular  ou  público,  que,  além  de  cláusulas  estipuladas  pelas  partes, mencionará:  I  ­  nome,  nacionalidade,  estado  civil,  profissão  e  residência  dos  sócios,  se  pessoas  naturais,  e  a  firma  ou  a  denominação,  nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; (grifos nossos)   II ­ denominação, objeto, sede e prazo da sociedade;  III  ­  capital  da  sociedade,  expresso  em  moeda  corrente,  podendo  compreender  qualquer  espécie  de  bens,  suscetíveis  de  avaliação  pecuniária;  IV ­ a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá­la;  Fl. 7695DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     44 V ­ as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista  em serviços;  VI ­ as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade,  e seus poderes e atribuições;  VII ­ a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;  VIII  ­  se  os  sócios  respondem,  ou  não,  subsidiariamente,  pelas  obrigações sociais.  Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto  separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato. (grifos  nossos)     Art. 999. As modificações do contrato social, que tenham por objeto  matéria indicada no art. 997, dependem do consentimento de todos  os sócios; as demais podem ser decididas por maioria absoluta de  votos,  se  o  contrato  não  determinar  a  necessidade  de  deliberação  unânime.  Parágrafo  único.  Qualquer  modificação  do  contrato  social  será  averbada,  cumprindo­se  as  formalidades  previstas  no  artigo  antecedente. (grifos nossos)     3.3.  DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO  O Recorrente argumenta, dentre outras questões, que o auto de  infração  foi  lavrado com fundamento na alegação de que os seus sócios possuíam vínculo de emprego com  a empresa, de maneira que seria cabível a incidência de contribuições previdenciárias.   Pondera  o  Recorrente  que,  ao  não  aceitar  a  contabilidade  da  empresa,  a  Fiscalização deveria ter tributado os valores distribuídos a título de lucro como se pro labore  fossem  e  não  desconstituir  ilegal  e  inconstitucionalmente  a  personalidade  jurídica  da  Recorrente, a fim de tributar tais valores como pagamento de empregados.  O  Autuado  alega,  ainda,  que  o  Fisco  não  tem  poder  para  realizar  a  desconsideração dos negócios jurídicos. Aduz que a desconsideração da personalidade jurídica  é  prevista  no  art.  50  do  Código  Civil,  sendo  medida  excepcional,  dependente  de  provas  robustas,  de  requerimento  das  partes,  de  necessidade  de  abuso  da  personalidade  jurídica  ou  desvio  de  finalidade  (atos  fraudulentos)  e  estende­se  aos  bens  particulares  dos  sócios  ou  administradores da pessoa jurídica.    Tais alegações não merecem, contudo, a guarida pretendida.    Mostra­se  virtuoso  iluminar,  ab  initio,  que  no  vertente  procedimento  administrativo  de  constituição  de  crédito  tributário  não  se  houve  por  realizada  qualquer  desconsideração da personalidade jurídica da Recorrente. De outro canto, o caso ora em estudo  não  trata,  de  forma  alguma,  da  caracterização  de  vínculo  trabalhista  entre  o Recorrente  e  as  pessoas físicas dos assim denominados “sócios”.   Não procede, portanto, a alegação de que o Fisco não teria poder para realizar  a desconsideração dos negócios  jurídicos,  tampouco a alegação de que a desconsideração da  Fl. 7696DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.674          45 personalidade  jurídica  é  prevista  no  art.  50  do  Código  Civil,  sendo  medida  excepcional,  dependente  de  provas  robustas,  de  requerimento  das  partes,  de  necessidade  de  abuso  da  personalidade  jurídica  ou  desvio  de  finalidade  (atos  fraudulentos)  e  estende­  se  aos  bens  particulares dos sócios ou administradores da pessoa jurídica.  Trata­se, outrossim, a todo saber, da caracterização da condição de segurado  empregado, esta sim, contida no portfolio de competências da Secretaria da Receita Federal do  Brasil, tendo por fundamento o princípio da primazia da realidade dos fatos sobre a forma dos  atos.  Com  efeito,  muito  embora  semelhantes  em  alguns  pequenos  aspectos,  as  legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa,  fácil  é perceber  que  o  segurado  obrigatório  do Regime Geral  de Previdência Social  ­ RGPS  qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das  Leis  do  Trabalho  ­  CLT,  mas,  sim,  a  pessoa  física  especificamente  conceituada  para  fins  previdenciários  no  inciso  I  do  art.  12  da  Lei  nº  8.212/91,  em  seguimentos  rememorados  a  seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate.  Consolidação das Leis do Trabalho ­CLT   Art.  3º  Considera­se  empregado  toda  pessoa  física  que  prestar  serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência  deste e mediante salário.  Parágrafo  único.  Não  haverá  distinções  relativas  à  espécie  de  emprego  e  à  condição  de  trabalhador,  nem  entre  o  trabalho  intelectual, técnico e manual.    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:   I ­ como empregado:   a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  à  empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante  remuneração, inclusive como diretor empregado;  b)  aquele  que,  contratado  por  empresa  de  trabalho  temporário,  definida  em  legislação  específica,  presta  serviço  para  atender  a  necessidade  transitória  de  substituição  de  pessoal  regular  e  permanente  ou  a  acréscimo  extraordinário  de  serviços  de  outras  empresas;  c)  o  brasileiro  ou  estrangeiro  domiciliado  e  contratado  no  Brasil  para  trabalhar  como  empregado  em  sucursal  ou  agência  de  empresa nacional no exterior;   d) aquele  que  presta  serviço  no Brasil  a missão  diplomática  ou  a  repartição  consular  de  carreira  estrangeira  e  a  órgãos  a  ela  subordinados,  ou  a  membros  dessas  missões  e  repartições,  excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o  brasileiro  amparado  pela  legislação  previdenciária  do  país  da  respectiva missão diplomática ou repartição consular;  e)  o  brasileiro  civil  que  trabalha  para  a  União,  no  exterior,  em  organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil  seja membro efetivo,  ainda que  lá domiciliado e contratado,  salvo  se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio;   Fl. 7697DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     46 f)  o  brasileiro  ou  estrangeiro  domiciliado  e  contratado  no  Brasil  para  trabalhar  como  empregado  em  empresa  domiciliada  no  exterior,  cuja  maioria  do  capital  votante  pertença  a  empresa  brasileira de capital nacional;   g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo  efetivo  com  a  União,  Autarquias,  inclusive  em  regime  especial,  e  Fundações  Públicas  Federais;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  n°  8.647/93)   i)  o  empregado  de  organismo  oficial  internacional  ou  estrangeiro  em  funcionamento  no  Brasil,  salvo  quando  coberto  por  regime  próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).  j)  o  exercente  de  mandato  eletivo  federal,  estadual  ou  municipal,  desde  que  não  vinculado  a  regime  próprio  de  previdência  social;  (Incluído pela Lei nº 10.887/2004).    II  ­  como  empregado  doméstico:  aquele  que  presta  serviço  de  natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta,  em atividades sem fins lucrativos;    Olhando  com  os  olhos  de  ver,  avulta  que  os  conceitos  de  “empregado”  e  “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente,  são  plenamente  distintos.  Esta  qualifica  como  “segurado  empregado”  não  somente  os  trabalhadores  tipificados  como  “empregados”  na  CLT,  mas,  também,  outras  categorias  de  laboristas. De outro eito, determinadas categorias de  trabalhadores  tidas como “empregados”  pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela  lei de custeio da Seguridade Social.  Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados  domésticos. Malgrado  este  trabalhador  seja  qualificado  como  empregado  pela  Consolidação  Laboral,  para  a  Seguridade  Social,  tal  segurado  não  integra  a  categoria  de  “segurado  empregado”, art. 12,  I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”,  art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”,  com  regras  de  tributação  distintas  e  completamente  diversas  daquelas  aplicáveis  aos  “segurados empregados”.  Dessarte,  mostra­se  irrelevante  para  fins  de  custeio  da  seguridade  social  o  conceito  de  “empregado”  estampado  na  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho.  Prevalecerá,  sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art.  12 da Lei nº 8.212/91.  Portanto,  para  os  fins  do  custeio  da  Seguridade  Social,  serão  qualificados  como segurados empregados,  e nessa qualidade se  subordinando empregador e  segurados às  normas  encartadas na Lei nº 8.212/91,  as pessoas  físicas que prestarem serviços de natureza  urbana  ou  rural  à  empresa,  aqui  incluídos  os  órgãos  públicos  por  força  do  art.  15  da Lei  nº  8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.  Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplica­se  igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o  qual  propugna  que,  havendo  divergência  entre  a  realidade  das  condições  ajustadas  numa  determinada  relação  jurídica  e  as  verificadas  em  sua  execução,  prevalecerá  a  realidade  dos  fatos.  Havendo  discordância  entre  o  que  ocorre  na  prática  e  o  que  está  expresso  em  Fl. 7698DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.675          47 assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta  não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto.   No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que  ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos  solene,  ou  expressa,  ou  aquilo  que  conste  em  documentos,  formulários  e  instrumentos  de  controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância  entre  o  que  ocorre  na  prática  e  o  que  emerge  de  documentos  ou  acordos,  deve­se  dar  preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”.  Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito  do  Trabalho  deve­se  pesquisar,  preferentemente,  a  prática  concreta  efetivada  ao  longo  da  prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes  na respectiva relação  jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso  ­ altera o contrato  pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira  da  inalterabilidade  contratual  lesiva”  (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso  de Direito  do  Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) .  No  caso  sub  examine,  o  auditor  fiscal  acusou  a  presença  ostensiva  dos  elementos  caracterizadores  da  relação  de  segurado  empregado  (reitere­se,  não  a  de  vínculo  empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza  urbana ou  rural  à empresa, em caráter não eventual,  sob subordinação  jurídica do contratado  pessoa física ao contratante e mediante remuneração.  De acordo com o Relatório Fiscal, o Sujeito Passivo foi intimado através do  TIF  nº  04,  de  06/09/2012,  a  apresentar  o  “Estatuto  do  Serviço  de  Anestesiologia  e  Dor  de  Campo Grande  ­ MS S/S  (SERVAN) e  suas  alterações. Em  resposta,  o  contribuinte  afirmou  que o termo estatuto é concernente às sociedades por ações e que ela estando organizada sob a  forma societária de sociedade de serviços, “não possui a peça em questão”.  O "Estatuto do Serviço de Anestesiologia e Dor de Campo Grande ­ MS S/S  (SERVAN)", a fls. 3139/3156, é o documento que estabelece as  regras que de fato  regem as  relações  dos  sócios  médicos  com  a  empresa  Servan.  Em  realidade  trata­se  de  um  contrato  social  paralelo,  ao qual  a  fiscalização  somente  teve  acesso graças  à apreensão  realizada pela  Polícia Federal em cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão nº 030/2011­SC05.   O  Servan  é  constituído  por  06  diretores,  sendo  01  Diretor  Presidente,  01  diretor  administrativo,  02  diretores  financeiros,  01  Diretor  de  Supervisão  e  01  Diretor  de  Tecnologia. A escolha de cada uma destas diretorias é definida em reunião interna da própria  diretoria.  A cada 03 anos, um dos diretores é substituído, mediante votação secreta, por  maioria simples, sem quorum mínimo, sendo permitida a reeleição. Para se candidatar à vaga  de diretor é necessário ter no mínimo 10 anos de empresa.  O  mecanismo  de  eleição  da  Diretoria  da  empresa  permite  que  os  seus  membros  se  eternizem  nos  cargos,  sem  qualquer  oxigenação,  na  medida  em  que  prevê  a  substituição de 01 único cargo a cada três anos, permitida a reeleição, em votação secreta, por  maioria  simples  e  sem quorum mínimo,  contingência que possibilita que  a diretoria  eleja ou  reeleja quem ela bem entender, haja vista inexistir instrumento institucional de impugnação ou  revisão de eleição.   Fl. 7699DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     48 No inciso I do tópico que define as competências do "Diretor de Supervisão",  do item "5) DA ESTRUTURA", consta que o Diretor de Supervisão deve "coordenar toda a  rotina  de  cumprimento  das  escalas  de  serviço  diária  e  de  plantão".  Esta  atribuição  é  denunciadora de que os médicos cumprem escalas de serviços e plantão sob direção e ordens  de outro hierarquicamente superior.   Na sequência, resta assentamento de tópico estabelecendo ser função de todos  os diretores “Representar, negociar, estabelecer os parâmetros e condições de atendimento e  remuneração junto aos demais profissionais médicos, organizações hospitalares, cooperativas  ou outras instituições conveniadas”, "cumprir e fazer cumprir o presente estatuto e o código de  conduta"  e  "coordenar  a  distribuição  dos  vencimentos  dentro  das  porcentagens  a  que  os  sócios têm direito".   Revela­se  aqui  a  existência  de  um  código  de  conduta  a  que  todos  estão  sujeitos, a ordem expressa para que os diretores gerenciem os pagamentos dos vencimentos a  que tem direito os médicos sócios, bem como para que Representem, negociem e estabeleçam  os  parâmetros  e  condições  de  atendimento  e  remuneração  junto  aos  demais  profissionais  médicos, organizações hospitalares, cooperativas ou outras instituições conveniadas.  No item "6) DO HORÁRIO DE TRABALHO", determina­se que todos estão  obrigados  a  cumprir  a  escala  de  serviço  diária  organizada  por  um  membro  nomeado  pela  diretoria. E que a carga horária no período diurno é igual para todos, exceto para os que estão  "no seu primeiro ano de trabalho". Tal sistemática evidencia que os sócios não têm qualquer  autonomia, pois são compelidos a cumprir horário de trabalho e ocorre expressa distinção entre  os mesmos em função dos seus anos de trabalho na empresa.   A  alínea  "a"  do  item  "7)  DOS  PLANTÕES"  dispõe  que  a  escala  será  preparada  por  sócio  nomeado  pela  diretoria  e  "obedecerá  a  uma  evolução  hierárquica",  ou  seja, quanto maior a quantidade de anos de trabalho na empresa menor o número de plantões a  ser cumprido pelo médico. Estabelece ainda que a escala de plantões estará sujeita a variações  decorrentes de doenças, de novos componentes, feriados e da quantidade de sócios de férias. A  escala também poderá sofrer alterações em consequência da demanda de serviços.   Adite­se que a alínea "c" deste  item  imputa penalidades  financeiras àqueles  que deixarem de dar plantões. O regramento determina percentuais que serão descontados da  remuneração  dos  sócios  médicos  em  função  inversa  ao  seu  tempo  de  empresa.  Assim,  por  exemplo,  de  0  a  5  anos  os  plantões  são  obrigatórios,  de  06  a  10  anos,  perda  de  40%  da  remuneração caso pare de dar plantões; de 21 a 25 anos será abatido 15% na remuneração caso  se pare de dar plantões.   As  disposições  descritas  neste  tópico  corroboram  a  ausência  de  autonomia  dos  sócios  médicos,  pois  obedecem  a  uma  disposição  hierárquica  resultante  do  tempo  de  serviço no cumprimento da escala.   O item "8) DAS FÉRIAS" fixa os critérios para as férias dos sócios médicos.  A escala de férias será planejada por um sócio nomeado pela diretoria. Os sócios terão direito a  férias "após período de um ano de trabalho ou proporcional a este" e será de dois períodos de  20 dias.   Cite­se que a escala de férias pode sofrer alterações para atender a demanda  de serviços, devendo ser aprovada em assembleia.   Fl. 7700DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.676          49 O item 9 trata das licenças, afastamentos e empregos. A alínea "a" afirma que  o sócio tem "direito a um único período de afastamento remunerado de 30 dias". As faltas sem  justificativas acarretam desconto de 1/20 do provento mensal e nas faltas em continuidade com  feriados prolongados desconta­se  todos os dias do período de  feriado, conforme previsto nas  alíneas "c" e "d".   Nas alíneas ‘e’ e ‘f’ deste tópico há a previsão expressa de que o afastamento  por doença, incluindo doenças durante a gestação, terá desconto de 30% ao dia, por período  de até 06 meses contínuos ou não, dentro de um período de 02 anos” e que "períodos acima de  nove meses dentro de um ano acarretam reposicionamento hierárquico".   A  alínea  ‘h’  estatui  que  qualquer  sócio  tem  liberdade  para  exercer  outra  atividade que não seja a anestesia e desde que não seja no horário de sua escala. Em outras  palavras: o sócio médico trabalha exclusivamente para a empresa.  Por  fim,  a  alínea  "i"  estabelece  que  quando  do  exercício  de  qualquer  atividade  remunerada  executada  pelo  sócio  dentro  do  seu  horário  de  trabalho,  este  deve  "retornar  para  a  empresa  o  valor  correspondente  a  100%  de  todo  o  seu  provento  líquido  mediante comprovante". Ou seja, quem recebe a remuneração pelo serviço prestado pelo sócio  médico é unicamente a empresa  No  item  “10)  DO  HORARIO  ESPECIAL”  o  estatuto  prevê  um  horário  especial, de carga inferior à carga horária plena da empresa, que pode ser solicitado por todos,  desde que não prejudique a escala de serviços. Com a concessão do horário especial não poderá  haver  alterações na  escala de plantões  e o valor  descontado na quinzena  será proporcional  à  redução da carga horária plena vigente.  No item "11) DOS PRÊMIOS" estão dispostos os critérios para o pagamento  de prêmios a ser recebido em dinheiro em decorrência de plantões fora do horário de serviço,  em período de férias, em finais de semana ou feriados.   As regras de progressão dentro da empresa estão previstas no item "12) DA  PROGRESSÃO NA EMPRESA".   Está  definido  que  o  primeiro  ano  será  a  título  de  experiência  com  remuneração  de  um  valor mínimo mensal  e  o médico  somente  se  tornará  "sócio"  mediante  aprovação da diretoria. Ou seja, o  estatuto cria  a  figura do  sócio de experiência.  Isto mostra  que os profissionais anestesiologistas são contratados pela diretoria e passam a ter um vínculo  empregatício dissimulado na figura de sócio. Após o segundo ano o médico tem assegurado a  progressão anual do percentual no rendimento, ocorrendo a equiparação salarial após 10 anos  de empresa. O diretor presidente e os ocupantes de cargos de diretoria terão acréscimo em seus  vencimentos  de  7,5%  e  5%,  respectivamente.  Os  responsáveis  por  serviços  de  escala,  faturamento,  consultório,  equipamentos  e conta  telefônica  receberão  gratificação no valor de  um "plantão vermelho".   O item "13) DAS OBRIGAÇÕES" trata de alterações no código de conduta  vigente  na  empresa. É  relevante  realçar o  previsto  no  art.  42,  antigo  art.  44,  o  qual  estipula  caber à Diretoria administrativa assegurar o cumprimento do Estatuto e do Código de Conduta,  disciplinando acerca das  sanções a  serem estabelecidas, que podem ser advertência oral e/ou  escrita  ou  financeira.  Evidencia­se  aqui  o  poder  diretivo  ou  hierárquico  característico  do  empregador que dirige a prestação dos serviços.   Fl. 7701DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     50 Ao  tratar  das  regras  para Votação,  a Diretoria  se  protege  ao  estatuir  que  o  voto  secreto  deverá  ocorrer  para  a  escolha  de  um  novo  diretor,  para  a  entrada  de  um  novo  anestesista e para assuntos que possam gerar polêmicas. O estatuto não prevê quorum mínimo  e  a  votação  será  decidida  por  maioria  simples  dos  presentes,  sendo  que  os  sócios  de  experiência não tem direito a voto.  O  item  "15)  DAS  ROTINAS  DE  SERVIÇO  ­  AZUL"  estatui  que  a  organização da escala diária de serviços será organizado pelo "azul", e que cada sócio médico  da  empresa  deve  seguir  suas  determinações  quanto  ao  local  da  escala,  bem  como  o  tipo  de  procedimento a ser realizado.  Dispõe,  também,  que  após  o  término  do  procedimento  em  clínicas  ou  hospitais,  o  sócio  médico  deve  obrigatoriamente,  por  telefone,  colocar­se  à  disposição  do  “Azul”, que deverá seguir a escala semanal e estabelecer rodízio para os locais mais distantes  do centro.  Ao  tratar  dos  plantonistas,  o  Estatuto  dispõe  que  a  responsabilidade  do  plantão cabe ao sócio escalado originalmente, contrariando a lei civil que dispõe que o risco da  atividade econômica é da empresa e não dos seus sócios.  Ao  tratar  de  direitos  e  benefícios  dos  sócios,  alínea  "c"  do  item  "17)  DIREITOS, BENEFÍCIOS E AFASTAMENTO DEFINITIVO DO SERVIÇO" estabelece que  todo  sócio  terá direito  a  liberação  caso  seja  convidado para  palestrar  em  eventos  oficiais  da  Sociedade Brasileira  de Anestesiologia  e,  caso  receba  algum provento,  este  valor  deverá  ser  repassado à empresa. Ou seja, o sócio médico não tem autonomia para proferir palestras pois  necessita de liberação da empresa, e a elas comparece na qualidade de empregado da Servan,  pois  a  esta  tem  que  repassar  integralmente  os  valores  eventualmente  auferidos,  como  se  a  palestra fosse realizada pela empresa, e não pelo sócio.  A  alínea  "d"  desse mesmo  item  o  item  17  dispõe  que  o  sócio médico  tem  direito  a  02  dias  de  afastamento  para  evento  funerário  de  parentes  de  1º  grau,  cônjuge  ou  avós. Não  sendo parentes  de  1º  grau  ou  se  o  afastamento  for maior  que  dois  dias,  o  sócio médico  sofrerá desconto  de 30% de  sua  remuneração  nos  dias não  trabalhados,  correspondente à falta por motivo de doença;  A alínea h do item 17 dispõe que em caso de comprometimento da segurança  do  ato  anestésico,  o  sócio médico  deverá  ponderar  seu  afastamento  definitivo  ou  a  diretoria  devera  assumir  a  responsabilidade  de  afastá­lo  definitivamente.  Trata­se,  portanto,  de  penalidade tarifada que pune o sócio médico com demissão.  Além disso, eventuais cirurgias eletivas do sócio médico devem ser realizadas  no período de férias ou trocados os dias de afastamento do sócio médico, em razão da cirurgia  sofrida, pelos dias de férias a que tem direito.  Cite­se  que  todo  sócio  médico,  após  20  anos  de  serviço,  terá  direito  de  solicitar  afastamento  definitivo  da  sociedade,  cabendo  a  ele  06  meses  de  remuneração.  Contudo, o sócio não poderá exercer a função de anestesista durante esses 06 meses , sob pena  de perda do benefício.  Entre os  valores  da  empresa  previstos  no  item 18  destaca­se:  pontualidade,  cumprimento  da  escala,  produtividade,  disponibilidade  para  minutos  a  mais  de  serviço,  assiduidade, respeito à hierarquia, respeito ao “Azul” e honestidade na informação dos valores  Fl. 7702DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.677          51 recebidos.  Ou  seja,  são  valores  intimamente  relacionados  ao  estado  de  sujeição  em  que  se  coloca o empregado em relação ao empregador.   Em  hipótese  alguma  o  sócio  médico  poderá  auferir  qualquer  benefício  financeiro  ou  não.  Possíveis  benefícios  decorrentes  de  qualquer  negociação  devem  ser  revertidos  apenas  para  a  empresa. A  apropriação  indevida  de  um benefício  será  considerada  falta grave e deverá ter sanção proporcional à infração cometida. Ou seja, trata­se nada mais do  que o Poder Disciplinar típico do ente empregador.   Deflui do exame das cláusulas presentes no Estatuto da Empresa que este não  passa de um mero contrato de trabalho, que estabelece de maneira clara e objetiva os direitos e  obrigações dos  sócios médicos  (empregados)  e a  subordinação  inafastável e compulsória aos  membros (vitalícios) da Diretoria, estes, os reais e verdadeiros “donos” da empresa.  Devidamente intimado, o Sujeito Passivo apresentou o Código de Conduta, a  fls. 3119/3125, aplicável a todos os componentes do Servan (art. 6º).  Avulta de plano que a versão apresentada do código não está atualizada com  as  alterações  promovidas  pelo  estatuto  de  11/08/2010.  Ao  que  se  presume  que  a  versão  apresentada é de 2004/2005, pois ao final lista­se o conselho normativo do biênio 2004/2005.   Interessante  destacar  que  o  conselho  normativo,  conforme  artigo  39,  é  composto por 06 médicos representativos de toda a equipe. E no conselho normativo do biênio  2004/2005  encontra­se  o  médico  anestesiologista  Édson  Tognini,  que  somente  passou  a  integrar formalmente o quadro societário da empresa a partir da alteração contratual nº 05, de  11/07/2011.   O art. 16 do Código de Conduta arrola comportamentos típicos inaceitáveis,  dentre os quais destacamos:   · “II  – Obter benefícios  individuais  de  relacionamentos  estabelecidos  com  outras empresas sem comunicação com o Conselho de Administração do  Serviço, incluindo patrocínio para Congressos.”;  · “III  –  Manifestar­se  em  nome  da  empresa  quando  não  autorizado  ou  habilitado para tal.”;  · “IV  ­  ocupar­se  no  horário  de  serviço,  com  prejuízo  da  equipe,  para  resolução de problemas particulares ...”;   · “V  ­  obter  privilégios  na  carga  horária  semanal  sem  justificativas  consistentes, em prejuízo da empresa”;   · “VI – forçar motivo de doença para faltar ao serviço, faltar ao serviço sem  comunicação prévia do conselho de administração”;   · “IX  – Não  querer  assumir  funções  quando  atribuída,  salvo  justificativas  perfeitamente aceitáveis.”;  · “X ­ ocultar­se da sua disponibilidade quando em horário de serviço”;   Fl. 7703DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     52 · “XI – Formar sub­grupos com terceiros ou com a equipe de apoio  tendo  benefícios pessoais.”;  · “XII  ­ valorizar de modo  indevido e ou abusivo seu  trabalho em horário  extra”;   · “XIII – Obter horários em beneficio próprio em prejuízo da empresa.”;  · “XV ­ Aumentar de forma oportuna a carga horária de férias em prejuízo  da empresa”.      De outro eito,  as condutas esperadas do sócio médico  são  listadas no artigo  17 do código de conduta, dentre as quais:   · “I ­ estar à disposição para o trabalho”;   · “II  ­  respeitar  a  carga  horária  estipulada  para  o  trabalho,  observando­se  horário de entrada e saída, de acordo com a necessidade da empresa”;   · “III ­ reportar­se durante o dia ao responsável pela escala (azul) e a noite  ao responsável pelo plantão da Santa Casa ...”;   · “IV – Reconhecer honestamente os erros cometidos”;   · “VII – Cuidar dos bens materiais da empresa”;   · “VIII  ­ repor os dias de falta quando estes são autorizados pelo conselho  de administração”.     O Código de Conduta desnuda, uma vez mais, a total falta de autonomia do  sócio médico, na medida em que lhe impõe comportamento típico de empregado.  A  Fiscalização  detectou,  ainda,  uma  situação  sui  generis  na  empresa:  Nas  hipóteses  em  que  os  médicos  anestesiologistas,  por  qualquer  motivo,  tenham  algum  impedimento para formalmente constar de seu quadro societário, a Servam urdiu um singular  "Contrato  de  Vinculação  a  Pessoa  Jurídica",  visando  a  contemplar  os  médicos,  que  "por  questões  de  natureza  funcional",  estão  impedidos  de  "fazer  parte  oficialmente  do  contrato  social e do Estatuto do SERVAN ANESTESIOLOGIA": As partes contratantes, livremente e de  comum  acordo,  reconhecem,  "à  luz  da  realidade",  que  o  médico  "faz  parte  das  atividades  normais do SERVAN ANESTESIOLOGIA",  reconhecendo, ainda, que o médico "participa do  SERVAN ANESTESIOLOGIA tal como se o seu nome estivesse arrolado no contrato social e  no Estatuto do mesmo, sem qualquer diferenciação quanto aos demais anestesiologistas".   Tem­se, assim, médicos trabalhando para a empresa Servan na mais completa  informalidade,  com suas  remunerações  sendo pagas à margem da  legalidade,  sem constar de  qualquer declaração fiscal, sem registros na contabilidade e livres de qualquer tributação.   A fiscalização extraiu cópias do  IPL nº 0720/2009 referentes aos "contratos  de vinculação a pessoa jurídica", a fls. 3134/3138, relativos aos médicos Sirlei Paulo Queiroz,  Édson  Tognini,  José  Tadashi  Sugai  e  Luiz  César  Anzoategui.  Os  relatórios  intitulados  Fl. 7704DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.678          53 "SERVAN  Sistema  Financeiro",  a  fls.  3253/3978,  demonstram  que  os médicos  Sirlei  Paulo  Queiroz,  Édson Tognini,  José Tadashi  Sugai  e  Luiz César Anzoategui,  dentre  tantos  outros,  trabalharam e foram remunerados de fato pela Recorrente.   Em  ádito,  no  documento  intitulado  "Relação  de Médicos  Anestesiologistas  (SERVAN)",  a  fls.  3167/3169,  consta os nomes  de  tais médicos  e  se observa que na  coluna  referente  ao  percentual  de  participação  no  capital  social  da  empresa  consta  o  termo  "NÃO",  representativo de que o medico em questão não figura no quadro societário da Recorrente. Tais  documentos  foram  apreendidos  no  cumprimento  dos  Mandados  de  Busca  e  Apreensão  nº  004/2011­SC05 e 030/2011­SC05.  Mas não é só. Há mais.  Em  ofício  datado  de  07/02/2008,  a  fl.  109,  o  diretor  presidente  da  Servam  comunica à Santa Casa que, por necessidade de  serviço, os médicos  anestesiologistas Edivar  Wallace de Souza, Waldemir Gonçalo de Paula e Luciano Bispo Bourdakan passaram a fazer  parte da empresa em 01/02/2008. No ofício de 12/01/2011, a fl. 110, comunica­se à Associação  Beneficente de Campo Grande  a  entrada por necessidade de  serviço,  a partir  de 01/02/2011,  dos médicos anestesiologistas Ana Laura Janaína Borges e Gustavo Barone Perez.   Em princípio, nada de anormal, não fosse pelo fato de os médicos Ana Laura  Janaína Borges e Gustavo Barone Perez somente haverem passado a constar formalmente no  contrato  social  a  partir  de  11/07/2011,  e  o  médico  Luciano  Bispo  Bourdakan  nunca  ter  participado do quadro societário.  No ofício de 19/06/2008, a fl. 111, destinado ao prefeito municipal de Campo  Grande,  o  diretor  presidente da Servan  afirma que  "...  nessa  época  do  ano  não  se  consegue  contratar  novo  colega  para  cumpli­las"  (sic),  referindo­se  à  contratação  de  médicos  anestesiologistas para cumprir as escalas de plantões.   Em outro ofício, de 07/01/2009, a fl. 112, direcionado ao diretor presidente  do  Hospital  São  Lucas,  o  diretor  presidente  da  Servan  informa  que  irá  racionalizar  a  distribuição  dos  médicos  pelos  hospitais  e  clínicas,  tendo  em  vista  a  “impossibilidade  que  encontramos para contratar mais profissionais”.   Resta,  assim,  mais  uma  vez  evidenciado  o  modus  operandi  da  empresa:  contrata­se o médico anestesiologista, disponibiliza­se sua mão­de­obra para os tomadores de  serviços, dissimula­se sua vinculação com a empresa sob a forma de sócio quotista, paga­lhe  salários mascarados de distribuição antecipada de lucros e o submete às regras do "Estatuto do  Serviço de Anestesiologia e Dor de Campo Grande ­ MS S/S (SERVAN)" e às do “Código de  Conduta”.   O  Poder  Disciplinar  exercido  pela  Diretoria  da  Servan  sobre  os  sócios  médicos revela­se às escancaras no ofício de 18/04/2007, a fl. 113, encaminhado ao sócio Elton  Basmage,  comunicando­lhe  a  aplicação  de  advertência.  Conforme  se  depreende,  houve  uma  reunião  deliberativa  da  diretoria  a  respeito  das  condutas  do médico  em  relação  ao  serviço  e  àqueles que dirigem a  empresa. Ao  fim, o médico  foi mantido no  seu  "posto de  trabalho"  e  advertido  de  que  as  suas  atitudes  não  seriam  mais  toleradas.  Mostra­se  aqui  o  poder  de  controlar  e  disciplinar  o  trabalho,  e  o  de  aplicar  sanções  disciplinares  para  impor  ordem  e  disciplina no ambiente de trabalho, atributos esses peculiares à figura do empregador.  Fl. 7705DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     54 Está  explícito  que  os  sócios  médicos  estão  obrigados  a  cumprir  ordens  de  superiores  e  encontram­se  sujeitos  à  fiscalização,  penalidades  e  advertências.  Diante  disto  descortinam­se largamente os contornos da subordinação jurídica do sócio médico em relação à  diretoria da Servan, os efetivos donos da empresa.   De  todo o  exposto,  resta  insofismável  a  efetiva  existência dos pressupostos  para a configuração da relação de segurado empregado existente na realidade dos fatos entre a  pessoa jurídica e seus sócios médicos não ocupantes de cargos de diretoria.   A não eventualidade encontra­se patente não somente no prolongado período  em que os “sócios” prestaram serviços aos hospitais, clinicas e demais clientes da Servan, por  intermédio desta, mas, sobretudo, pela espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao  atuar típico das entidades tomadoras.   Cumpre  alertar  que  a  sindicância  da  não  eventualidade  se  apura  mais  em  razão  da  atividade  realizada  pelo  tomador  do  serviço  do  que  pelo  prazo  de  vigência  do  contrato.  Nessas  circunstâncias,  sendo  o  serviço  contratado  uma  necessidade  contínua  da  contratante,  eis  que  inerente  à  sua  atividade  econômica,  ou  essencial  ao  desempenho  satisfatório  do  objeto  social  da  pessoa  jurídica,  caracterizada  estará  a  não  eventualidade  do  serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado.  O  trabalho  eventual  é  o  trabalho  esporádico,  acidental,  de  curta  duração,  numa situação casual a qual não abraça as atividades permanentes da empresa. Se a utilização  da  força de  trabalho é necessária para o  atendimento dos objetivos da  empresa,  não  se pode  falar  em  trabalho  eventual. Nesse  sentido,  a  lição  do mestre Délio Maranhão:  "Desde que  o  serviço não excepcional ou transitório em relação à atividade do estabelecimento, não há que  se falar em trabalho eventual."( Instituições do Direito do Trabalho, Ed. Freitas Bastos, 6ª ed.,  vol. I, pag. 237).  Os  médicos  considerados  como  segurados  empregados  pela  Fiscalização  inserem­se na dinâmica regular da empresa, que necessita do trabalho por eles desempenhado  para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social.   No que pertine à subordinação, esta  tem que ser averiguada em seu aspecto  jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levando­se  em  consideração  a  evolução  social  do  trabalho,  com  sua  consequente  democratização,  passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes.  Sob tal prisma, revela­se inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a  toda  a  prestação  remunerada  de  serviços  por  pessoa  física,  seja  a  empresas,  seja  a  outras  pessoas físicas.   A subordinação jurídica configura­se como o elemento da relação contratual  na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do  contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da  subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e  de  quem é  remunerado,  de  quem determina o  que  fazer,  como,  quando  e  quanto  e  de quem  executa o serviço de acordo com o parametrizado.   Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma  mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizar­se da força de trabalho  do  contratado  pessoa  física,  como  um  dos  fatores  da  produção,  sempre  no  interesse  do  empreendimento  cujos  riscos  assumiu,  e  do  outro,  a  obrigação  do  empregado  de  sujeitar  a  Fl. 7706DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.679          55 execução  do  seu  serviço  à  direção  do  empregador,  no  poder  de  ordenar  o  que  fazer  e  como  fazê­lo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar.  Para Gomes  e Gottschalk  (in Curso  de  direito  do  trabalho, Rio  de  Janeiro,  Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do  empregado, pois este deve sujeitar­se aos critérios diretivos do empregador, suas disposições  quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e  modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”.  À  vista  dos  ensinamentos  colhidos  na melhor  doutrina,  vislumbra­se  que  a  subordinação  jurídica  conforma­se  como  um  estado  de  sujeição  em  que  se  coloca  o  trabalhador,  por  sua  livre  e  espontânea  vontade,  diante  do  empregador,  em  virtude  de  um  contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do  empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória.  Dessarte,  havendo  prestação  remunerada  de  serviços  por  pessoa  física,  por  mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre  estará, em menor ou maior grau, a subordinação  jurídica do contratado ao contratante. Como  exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação pela Arquidiocese do Rio de Janeiro de  renomado  escritor,  v.g.  o  Paulo  Coelho,  para  a  elaboração  de  uma  compilação  dos  pronunciamentos do Papa Francisco em sua visita ao Brasil na Jornada Mundial da Juventude,  mesmo  aqui  presente  estará  a  subordinação  jurídica,  eis  que  a  aludida  Compilação  deverá  atender aos objetivos e interesses do Contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por  este especificado, sob pena de não se celebrar o liame jurídico. Dessarte, caso o citado escritor,  sob  o  pálio  de  suposta  autonomia  funcional  plena  e  de  ausência  de  subordinação,  resolva  unilateralmente focar o seu trabalho nos pronunciamentos da Dercy Gonçalves, certamente os  contrato não se consolidará ou será tido como não cumprido.   Da mesma maneira,  se  o Procurador­Geral  do Superior Tribunal  de  Justiça  Desportiva,  Sr.  Paulo  Schmitt,  celebrar  contrato  de  prestação  de  serviço  de  pintura  artística  com  o  pintor  de  fama  internacional  Romero  Britto  para  a  confecção  de  um  quadro  representativo do time do Fluminense F. C. , mas este renomado pintor, em honra de suposta  autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio,  retratar  em  pop  art  o  time  da  Portuguesa  de  Desportos,  com  certeza  o  contrato  será  imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente do descumprimento, por  parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado.  A subordinação no presente caso se  revela às escancaras na medida em que  os sócios médicos devem cumprir horário de entrada e saída, carga horária semanal e horário  extra, não devem  faltar  ao  serviço e  respeitar a  carga horária de  férias,  se sujeitam ao poder  disciplinar e hierárquico imposto pela Diretoria, além de todas as demais obrigações previstas  no “Estatuto do Serviço de Anestesiologia e Dor de Campo Grande ­ MS S/S" e no “Código de  Conduta” da empresa, as quais são típicas de segurados empregados.    A  pessoalidade  tem  sua  caracterização  realçada  nos  assentamentos  da  contabilidade  e  dos  recibos  de  pagamento  emitidos  em  louvor  dos  sócios  médicos  que  registram, nominalmente, um a um,  todos os  trabalhadores utilizados pelo Sujeito Passivo na  execução  dos  serviços  objeto  da  sua  atividade  empresarial,  inexistindo  nos  autos  qualquer  elemento  fático  ou  jurídico  de  convicção  que  possa  desaguar  na  ilação  de  que  tais  Fl. 7707DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     56 trabalhadores,  ao  seu  alvedrio  único,  exclusivo  e  próprio,  e  sem  qualquer  ingerência  da  empresa  autuada,  pudessem  se  fazer  substituir  na  execução  do  serviço  para  o  qual  fora  contratado por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação.   Corrobora,  insofismavelmente,  a  natureza  intuitu  personae  dos  serviços  pactuados,  a  circunstância  de  os  pagamento  salariais  serem  efetuados  diretamente  à  pessoa  física  do  sócio  médico  que  efetivamente  prestou  o  serviço  de  anestesiologia  aos  clientes  da  empresa autuada, conforme evidenciado nos recibos de pagamento a fls. 229/971.  A  remuneração  foi  apurada  por  arbitramento,  tendo  por  base  de  dimensionamento da matéria tributável os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título  de  “distribuição antecipada de  lucros”,  conforme as planilhas de distribuição de  lucros  e os  recibos  de  pagamento  de  lucros  apresentados  pelo  contribuinte,  os  quais  encontram­se  discriminados  nos  anexos  03  e  04,  a  fls.  209/971,  assim  como no Discriminativo  do Débito  (DD) e no Relatório de Lançamentos (RL), anexos aos Autos de Infrações.  Merece  ser  destacado  que  nos  levantamentos  “ME  –  BASE  CÁLCULO  REMUNERAÇÃO MEDIC" e “ME2 – BASE CÁLCULO REMUNERAÇÃO MEDIC" foram  lançados como base de cálculo os valores pagos a título de distribuição antecipada de lucros, os  quais  foram  considerados  pela  Fiscalização  como  remuneração  de  segurados  empregados,  tendo em vista a caracterização dos sócios médicos como segurados empregados da empresa  autuada e a desconsideração da contabilidade apresentada.    Da realidade fática evidenciada pelos elementos de prova contidos nos autos  exsurgem de forma cristalina os pressupostos da relação de segurado empregado previstos no  inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a prestação de serviços de natureza urbana  ou rural à empresa autuada, por pessoa física, em caráter não eventual, sob sua subordinação  jurídica e mediante remuneração.  Os  ditos  “sócios  médicos”  são  pessoas  físicas  e  prestam  pessoalmente  serviços de médico anestesiologista à empresa Servan. Os serviços são prestados de forma não  eventual,  pois  sua  força  de  trabalho  corresponde  às  necessidades  normais  da  atividade  econômica da empresa Autuada. A prestação de serviços não se dá sob a forma autônoma, pois  os  médicos  se  limitam  a  permitir  que  sua  força  de  trabalho  seja  utilizada  como  fator  de  produção  na  atividade  econômica  exercida  pela  empresa  Servan,  a  qual,  portanto,  ficam  juridicamente subordinados. E, por fim, a prestação de serviços não se dá a título gratuito, pois  os  médicos  recebem  remuneração  maquiada  sob  o  simulacro  da  distribuição  antecipada  de  lucros.  Ante tal quadratura, a Fiscalização constatou que a relação dos trabalhadores  em foco com a empresa autuada não se alinhava à condição de “sócios médicos”, mas, sim, de  segurados  empregados  da  formalmente  constituída  “sociedade  simples”,  a qual,  na  realidade  dos  fatos,  atuava  como  verdadeira  empresa  cedente  de  mão  de  obra  de  médicos  anestesiologistas a hospitais e planos de saúde, dentre outros clientes, circunstância que implica  a  submissão  da  Autuada,  na  qualidade  de  empregador,  e  dos  assim  denominados  “sócios  médicos”, na condição de segurados empregados, às obrigações fixadas na Lei de Custeio da  Seguridade Social.  Não faz qualquer sentido, diante desse quadro, a alegação de que, para existir  um vínculo empregatício, é preciso demonstrar claramente os requisitos previstos no art. 3º da  Fl. 7708DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.680          57 CLT:  (i)  ­  ser  pessoa  física;  (ii)  ­  habitualidade;  (iii)  ­  subordinação;  (iv)  –  pagamento  de  salário.  O  caso  não  trata  da  caracterização  de  vínculo  empregatício,  mas  da  caracterização  da  condição  de  segurado  empregado,  tendo  a  Fiscalização  demonstrado  e  comprovado a presença bem delineada de todos os elementos caracterizadores de tal condição  previstos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.  Não procede, igualmente, a alegação de que, ao não aceitar a contabilidade da  empresa, a Fiscalização deveria ter tributado os valores distribuídos a título de lucro como se  pró­labore fossem e não desconstituir ilegal e inconstitucionalmente a personalidade jurídica da  Recorrente, a fim de tributar tais valores como pagamento de empregados.  A uma, porque não houve qualquer desconstituição da personalidade jurídica  da empresa, como assim quer fazer crer o Recorrente, mas, apenas, a constatação na realidade  dos fatos da presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da relação de segurado  empregado, disfarçada e encoberta por um falacioso formalismo de sociedade simples.  Alerte­se que a caracterização da condição de segurado empregado independe  do  tipo  societário  ou  da  forma  de  constituição  de  pessoa  jurídica,  sendo  suficiente  e  determinante para  tanto  a presença  cumulativa de  todos os  elementos  caracterizadores de  tal  condição previstos no inciso I do art. 12 da Lei de Custeio da Seguridade Social: pessoalidade,  não eventualidade, onerosidade e subordinação jurídica. Daí a  irrelevância da desconstituição  da personalidade jurídica da empresa empregadora.  A duas, porque restando caracterizada a condição de segurado empregado, as  remunerações auferidas por tais segurados destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer  pelo  tempo  à disposição  da  empresa,  consubstanciam­se  base de  cálculo  para  a  contribuição  previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91.  Nos  termos  do  art.  22,  I  da  Lei  nº  8.212/91,  a  contribuição  a  cargo  da  empresa, destinada à Seguridade Social,  é de vinte por cento  sobre o  total das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, além  da  contribuição  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho prevista no  inciso II do mesmo dispositivo legal.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade  Social, além do disposto no art. 23, é de:   I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  Fl. 7709DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     58 inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da  Lei  no  8.213,  de  24  de  julho  de  1991,  e  daqueles  concedidos  em  razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente  dos riscos ambientais do  trabalho, sobre o total das remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.732/98)  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante  o  risco  de  acidentes  do  trabalho  seja  considerado  leve;   b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;   c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.     III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestem  serviços;  (Incluído  pela  Lei nº 9.876/99).     De  outro  eito,  exsuda  das  provas  dos  autos  que  todos  os  trabalhadores  vinculados  à empresa,  sob o  aparente manto de  sociedade,  se  subordinavam diretamente  aos  diretores  Werner  Alfred  Gemperli,  Paulo  Kiyotaka  Oshiro,  Walter  Duailibi  e  Francisco  Otaviano W. Ilgenfritz, estes, na realidade dos fatos, os verdadeiros administradores da pessoa  jurídica  autuada.  Dessarte,  tendo  em  vista  a  desconsideração  da  contabilidade  apresentada,  considerou­se os valores pagos a  título de distribuição antecipada de  lucros a esses diretores  como  pro  labore,  como  assim  propôs  o  Recorrente,  sobre  tal  incidindo  a  contribuição  previdenciária prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91.  Também não procede a alegação de que a Fiscalização teria desconsiderado a  personalidade jurídica da Recorrente para tributá­la como pessoa física.  Conforme  já  salientado  anteriormente,  não houve qualquer desconsideração  da personalidade jurídica da empresa, tampouco esta está sendo tributada como pessoa física,  mas como empresa que de fato é, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/91, tributada na forma  prevista no art. 22 do mesmo Diploma Legal.  Mostra­se carente de fundamento e de razoabilidade a alegação de que o auto  de infração foi lavrado com fundamento na alegação de que os sócios da Recorrente possuíam  vínculo de emprego com a mesma, de maneira que seria, por hipótese, cabível a incidência de  contribuições previdenciárias.   A  empresa  alega  não  ter  havido,  juntamente  com  o  auto  de  infração  e  no  termo  de  verificação  fiscal,  a  descrição  exata  e  detalhada,  mediante  provas,  das  condutas  praticadas por cada um dos  sócios e  respectivos empregados de  referidas pessoas  jurídicas  a  ponto  de  justificar  e  demonstrar  cabalmente  o  equivocado  vínculo  empregatício. Acrescenta  Fl. 7710DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.681          59 que  a Fiscalização  não  se  desincumbiu  do  dever  de  comprovar  cabalmente  todos  os  atos  da  suposta fraude, a relação de vínculo empregatício de cada um dos sócios e o fato gerador dos  tributos.  Conforme  já  elucidado  anteriormente,  no  Direito  Previdenciário  vigora  o  Princípio  da  primazia  da  realidade  dos  fatos  sobre  o  formalismo  dos  atos.  A  Fiscalização  demonstrou  e  comprovou  a  presença  ostensória  de  todos  os  atributos  caracterizadores  da  relação  de  segurado  empregado,  os  quais  se  encontram marcantemente  plasmados  no modus  operandi da empresa e expressamente consignados no "Estatuto do Serviço de Anestesiologia e  Dor de Campo Grande ­ MS S/S” e no “Código de Conduta”, cujas regras são de observância  OBRIGATÓRIA por  todos os “sócios médicos”  contratados pela  empresa, circunstância que  torna despicienda a descrição da conduta de cada trabalhador, pois seria nada mais do que mera  e enfadonha repetição daquilo que já se encontra descrito no Estatuto e no Código de Conduta.  Reitere­se que o eventual lançamento das contribuições sociais ancoradas na  caracterização  da  condição  de  segurado  empregado,  tendo  por  fundamento  a  primazia  da  realidade  sobre  a  forma,  não  possui  o  condão  de  estabelecer  qualquer  vínculo  empregatício  entre os trabalhadores em destaque e a empresa. Tampouco detém o auditor fiscal notificante  competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de  efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada.   A  fiscalização  tão  somente  constatou  a  ocorrência  de  fatos  geradores,  em  relação  aos  quais  não  houve  o  correto  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  correspondentes,  e,  em  conformidade  com  os  ditames  legais,  no  exercício  da  atividade  plenamente  vinculada  que  lhe  é  típica,  procedeu  ao  lançamento  das  exações  devidas  pelo  Sujeito  Passivo,  sem  promover  qualquer  vínculo  trabalhista  entre  os  trabalhadores  e  o  Recorrente.    3.4.   DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS  Argumenta o Autuado que a distribuição de lucros respeitou todos os termos  da  legislação  civil,  não  encontrando  qualquer  objeção  na  legislação  tributária  ou  previdenciária.   Sem razão.    Hodiernamente, considera­se “Empresa” o exercício organizado de atividade  econômica,  na  forma  de  unidade  econômico­social,  integrada  por  elementos  humanos,  materiais,  técnicos  e  logísticos,  visando  à  produção  ou  a  circulação  de  bens  ou  de  serviços  mediante o  emprego de  fatores  produtivos,  tais  como  capital,  terra  e  trabalho,  objetivando  a  geração de lucro.  A  função  social  primária  da  empresa  é,  pois,  a  geração  de  lucro  para  seus  proprietários  e  acionistas,  remunerando  o  capital  que  investiram  na  estruturação  da  pessoa  jurídica e no desenvolvimento a contento de seu objeto social.  Fl. 7711DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     60 Por outro  lado,  a  função  social  secundária  imediata da empresa  consiste na  geração  de  empregos  e  pagamento  de  salários,  contribuindo  assim  para  o  desenvolvimento  social dos seus empregados e dependentes, além de contribuir para o Estado Social através do  pagamento de tributos e outros encargos sociais.  O  lucro  é,  portanto,  o  produto  do  capital  investido  na  empresa  por  seus  proprietários/investidores,  enquanto  que  a  remuneração  é  a  contrapartida  pelo  trabalho  realizado pelo elemento humano da empresa na realização do seu objeto social e na consecução  do lucro do capital.  Observe­se  que  o  lucro  líquido  da  empresa  em  cada  exercício  somente  é  calculado após a dedução das despesas e dos custos da entidade, aqui  incluídos os custos dos  serviços/mercadorias  vendidos,  a  remuneração  dos  empregados,  a  depreciação  do  ativo  imobilizado,  eventuais  prejuízos  acumulados,  os  tributos  e  demais  encargos  sociais,  as  participações estatutárias, etc.  Diga­se, ainda, que o lucro líquido do exercício pode ter uma diversidade de  destinações,  a  serem  definidas  pela  diretoria  da  empresa,  dentre  elas  a  reserva  de  lucros,  o  investimento na própria empresa, bem como a distribuição aos seus sócios/acionistas.  Nessa perspectiva, a pessoa física pode auferir da empresa lucro distribuído,  remuneração  ou  ambos  simultaneamente.  A  diferenciação  de  tais  rubricas  encontra­se  umbilicalmente  associada  à  natureza  da  fonte  da  receita  recebida:  Se  for  decorrente,  exclusivamente, do capital  investido na empresa,  trata­se de lucro distribuído. Por outro viés,  se o capital auferido tiver como origem o trabalho realizado pela pessoa na realização do objeto  social da empresa, tratar­se­á, então, de remuneração.  Na prática,  inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente  suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A  importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho  que  o  sujeito  dedicou  à  empresa.  Ao  revés,  a  fração  que  ainda  é  devida  à  pessoa,  independentemente  do  eventual  labor  físico  ou  intelectual  por  ela  realizado,  representará  a  remuneração do capital por ela investido.  Em suma:  Resultado econômico do trabalho realizado = Remuneração.  Resultado econômico do Capital investido = Lucro distribuído.    Em  regra,  o  sócio  participa  dos  lucros  e  das  perdas  na  proporção  das  suas  respectivas quotas sociais, salvo estipulação em contrário no contrato social, mas sempre em  função da participação do sócio no capital social. Corrobora tal entendimento as disposições do  art.  1007,  segunda  parte,  do  Código  Civil  que  estatui  que  mesmo  sócio  cuja  contribuição  consista em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas  da empresa.   Economizando saliva: Na distribuição dos lucros da empresa, haverá sempre  uma  relação  biunívoca  entre  as  cotas  sociais  e  o  percentual  de  cada  sócio  no montante  dos  lucros distribuídos.  Fl. 7712DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.682          61 No caso em exame, as provas dos autos são pródigas em demonstrar que os  valores  auferidos  pelos  “sócios  médicos”,  caracterizados  pela  Fiscalização  como  segurados  empregados  da  Autuada,  decorreram,  exclusivamente,  do  trabalho  por  eles  realizado  na  consecução  do  objeto  social  da  empresa,  inexistindo  qualquer  interrelação  com  o  eventual  valor investido no capital social da sociedade, a propósito, ínfimo.   A própria cláusula 4ª do Contrato Social Consolidado, a fl. 189, é expressa ao  vincular o montante a ser distribuído a cada sócio médico, a título de “distribuição de lucros” à  proporção da respectiva produção profissional, demonstrando, cabalmente, que as importâncias  recebidas por cada sócio médico decorre, única e exclusivamente, do trabalho por ele realizado,  inexistindo qualquer relação com o Capital Social da empresa.   “Cláusula  4ª.  – O Capital  Social  que  era R$ 300.00,00  (trezentos  mil reais) é neste ato alterado para R$ 400.00,00 (quatrocentos mil  reais),  divididos  em  400.00  (quatrocentas  mil)  quotas  de  R$  1,00  (um real) cada uma,  totalmente  integralizadas  em moeda corrente  no País, assim subscritas: (sic)  [..]  3º. Os sócios participam dos lucros e dos prejuízos na proporção da  respectiva produção profissional.”    Trata­se, portanto, de rendimento do trabalho, e não do capital investido pelo  sócio. Ou seja, tem natureza jurídica de REMUNERAÇÃO, e não de lucro da empresa.  Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado pelo sócio médico  na  consecução  do  objeto  social  da  sociedade,  a  importância  que  ele  irá  receber  a  título  de  “distribuição de lucros” será exatamente igual a ZERO, nos termos do §3º da Cláusula 4ª do  Contrato Social, o que demonstra  insofismavelmente  tratar­se de  remuneração pelos  serviços  prestados como médico anestesiologista, e não rendimentos do capital investido.  O próprio Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que a “distribuição de  lucros”  pauta­se  na  produção  de  cada  um  de  seus  sócios  e  que  os  lucros  correspondem  à  remuneração da mão­de­obra dos sócios médicos anestesiologistas.  Nessa vertente, considerando que tais  trabalhadores, na realidade verossímil  dos  fatos,  foram  caracterizados  pela  Fiscalização  como  segurados  empregados  da  empresa,  conforme  já  anteriormente  demonstrado,  e  que  os  valores  por  eles  auferidos  tem  natureza  jurídica  de  remuneração  pelos  serviços  realizados  como  médico  anestesiologista,  a  contribuição  da  empresa  destinada  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  sujeita­se  ao  mecanismo  estatuído  nos  art.  22  da  Lei  de  Custeio da Seguridade Social, sem prejuízo das contribuições destinadas a Outras Entidades e  Fundos.  No caso dos membros da diretoria, caracterizados pela Fiscalização como os  verdadeiros empresários, a contribuição da empresa destinada ao custeio da Seguridade Social  segue o molde insculpido no inciso III do mesmo art. 22 acima citado, à ordem de 20% sobre o  total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês.  Fl. 7713DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     62 Outro não é o tratamento jurídico consignado no art. 201 do Regulamento da  Previdência Social,  aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, o qual estabelece em 20% a alíquota da  contribuição  previdenciária  a  cargo  da  empresa  incidente  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada aos sócios gerentes e aos sócios cotistas que recebam remuneração decorrente de seu  trabalho,  no  caso  de  sociedade  civil  de  prestação  de  serviços  profissionais  relativos  ao  exercício de profissões legalmente regulamentadas.  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99   Art.  201.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  seguridade social, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou  creditadas,  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregado e  trabalhador avulso, além das contribuições previstas  nos arts. 202 e 204; (Redação dada pelo Decreto nº 3.26/99)  II ­ vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições  pagas ou  creditadas no decorrer do mês ao  segurado contribuinte  individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99)  (...)  §5º  No  caso  de  sociedade  civil  de  prestação  de  serviços  profissionais  relativos  ao  exercício  de  profissões  legalmente  regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados  a  que  se  referem  as  alíneas  "g"  a  "i"  do  inciso  V  do  art.  9º,  observado  o  disposto  no  art.  225  e  legislação  específica,  será  de  vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99)  I­ a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de  seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou  II­  os  valores  totais  pagos  ou  creditados  aos  sócios,  ainda  que  a  título  de  antecipação  de  lucro  da  pessoa  jurídica,  quando  não  houver discriminação entre a remuneração decorrente do  trabalho  e  a  proveniente  do  capital  social  ou  tratar­se  de  adiantamento  de  resultado  ainda  não  apurado  por  meio  de  demonstração  de  resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003)    No episódio em debate, aflora de maneira clara e precisa das provas dos autos  que a  remuneração dos  assim denominados “sócios médicos”  resulta única e exclusivamente  dos trabalhos por eles exercidos na condição de médico anestesiologista, fato que é afirmado  categoricamente pela Recorrente, a  fl. 7579: os  lucros correspondem à  remuneração da mão­ de­obra dos sócios médicos anestesiologistas.    3.5.  DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT.  O Recorrente alega que a contribuição ao SAT, prevista no art. 22, II, da Lei  n°  8.212/91,  por  ser  distinta  da  contribuição  destinada  ao  universo  da  seguridade  social,  prevista  no  inciso  I,  do  art.  22,  da  mesma  Lei,  é  indevida,  porquanto  sua  instituição  não  observou o disposto no art. 154,  I, da Constituição Federal que se aplica às contribuições de  seguridade social por expressa disposição do art. 195, § 4º, do mesmo Estatuto Político.  Afirma  ter  havido,  no  caso,  violação  ao  princípio  da  igualdade.  O  ato  administrativo que elaborou a lista de atividades econômicas pelo grau de risco de acidentes,  para efeito de fixação da alíquota correspondente, ignorou o conceito de igualdade porquanto  Fl. 7714DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.683          63 situações  idênticas  são  tributadas  de  forma  diversa,  uma  vez  que  a  lista  elaborada  não  se  preocupou com o risco propriamente, mas sim com a atividade econômica desenvolvida.  Não procede.    O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja  custeada por toda a sociedade, de  forma direta e  indireta, mediante  recursos oriundos, dentre  outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários  e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c)  o  lucro;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional  nº  20,  de  1998)  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)    Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos  Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e  rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XXVIII  ­  seguro  contra  acidentes  de  trabalho,  a  cargo  do  empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado,  quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos)     Fl. 7715DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     64 No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo  da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta  Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições  sociais a cargo da empresa e dos  segurados obrigatórios do RGPS, nos  limites  traçados pela  CF/88.  Por  se  tratarem  de  matérias  afins,  houve  por  bem  o  legislador  ordinário,  envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a  instituição  e  regramento  da  contribuição  social  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  a  cargo  da  empresa,  em  nada  conflitando  com  as  orientações  contempladas na Constituição.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;   b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;   c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.     §3º  O Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência  Social  poderá  alterar,  com  base  nas  estatísticas  de  acidentes  do  trabalho,  apuradas  em  inspeção,  o  enquadramento  de  empresas  para  efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a  fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.    Saliente­se  que  os  preceitos  aqui  anunciados  não  conflitam  com  as  disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec.  nº 3.048/99, verbatim:  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99   Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento  da aposentadoria  especial,  nos  termos dos arts.  64 a 70,  e dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado e trabalhador avulso:  I ­ um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o  risco de acidente do trabalho seja considerado leve;  Fl. 7716DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.684          65 II ­ dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou  III ­ três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o risco de acidente do trabalho seja considerado grave.    Conforme  detalhadamente  demonstrado,  a  Lei  n°  8.212/91,  realizando  o  Princípio da Legalidade  inscrito no  inciso  II do art. 5º da Lei Maior,  instituiu a contribuição  destinada  ao  custeio  do  direito  social  constitucionalmente  assegurado,  fixando­lhe  os  percentuais  aplicáveis  em  razão  do  grau  de  risco  inerente  a  cada  atividade  empresarial,  restando  a  cargo  do  Regulamento  o  enquadramento  de  cada  empresa  nos  patamares  então  definidos.   No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do  Trabalho e da Previdência Social  "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do  trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a  que  se  refere  o  inciso  II  deste  artigo,  a  fim  de  estimular  investimentos  em  prevenção  de  acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’,  do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, conclui­se que a norma primária, fixando  as  alíquotas  padrão,  cometeu  ao  regulamento  a  competência  para  alterar,  com  base  em  estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas.   Registre­se  que,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora  em  apreciação  plenamente  vigentes  e  eficazes,  a  inobservância  desses  comandos  legais  implicaria  negativa  de  vigência  por  parte  do Auditor  Fiscal Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Deve­se  atentar  igualmente  para  o  fato  de  que  as  disposições  introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço,  até  o  presente momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na  via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos  jurídicos que lhe são típicos.   Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso  Extraordinário RE 343.446­2/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se  transcreve,  ratificou  a  constitucionalidade  e  exigência  da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.   CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO:  SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­ SAT. Lei 7.787/89,  arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98.  Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art.  154, II; art. 5°, II; art. 150, I .  I  ­  Contribuição  para  o  custeio  do  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho ­ SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22,  II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c  art.  154,  I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância  da  técnica  da  competência  Fl. 7717DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     66 residual  da  União,  C.F.,  art.  154,  I.  Desnecessidade  de  lei  complementar para a instituição da contribuição para o SAT.  II ­ O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da  igualdade,  por  isso  que  o  art.  4°  da mencionada  Lei  7.787/89  cuidou de tratar desigualmente aos desiguais.   III­ As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem,  satisfatoriamente,  todos os elementos capazes de  fazer nascer a  obrigação  tributária  válida  O  fato  de  a  lei  deixar  para  o  regulamento  a  complementação  dos  conceitos  de  "atividade  preponderante"  e  "grau  de  risco  leve,  médio  e  grave",  não  implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°,  II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I.  IV.­ Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não  é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não  integra o contencioso constitucional.   V.­ Recurso extraordinário não conhecido".  (STF, RE 343.446­2/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04­04­2003  PP­00040)    Reafirmou  o  Ministro  Relator  o  seu  entendimento  no  sentido  de  que  é  possível deixar por  conta do Executivo o estabelecimento de normas em  regulamento, desde  que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que  se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo.  É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso  II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma  coisa  senão  em  virtude  de  lei”.  A  inteligência  do  dispositivo  constitucional  ora  invocado  conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar  taxativamente  previstas,  com  todos  os  seus  elementos,  na  Lei  stricto  sensu, mas  sim,  serem  estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei.  Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a  lei  formal  a  outorgar  competência  legislativa  a  outros  instrumentos  normativos  de  menor  escalão para dispor  sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social  inerentes à hipótese de incidência da obrigação.  No  caso  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II  da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos  os  elementos  primários  conformadores  da  hipótese  de  incidência  tributária,  diga­se:  (a)  fato  gerador  ­  remuneração  paga,  creditada  ou  devida,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos;  (b)  a  base  de  cálculo  ­  o  montante  global  dessas  remunerações; (c) alíquota ­ percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em  função do risco de acidentes do trabalho.   Na  sequência,  o  parágrafo  3º  do  mesmo  dispositivo  legal  autorizou  o  Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes  do  trabalho,  o  enquadramento  de  empresas  nos  respectivos  graus  de  risco  para  efeito  da  contribuição destinada ao SAT.  Nessa  perspectiva,  havendo  sido  fixadas, mediante  lei  formal,  as  condições  de  contorno  essenciais  da  exação  em  tela,  o  estabelecimento  por  Regulamento  do  Poder  Fl. 7718DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.685          67 executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa  não extravasa as  fronteiras  insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto  tenha  tão  somente  detalhado  o  seu  conteúdo,  sem,  contudo,  alterar  qualquer  daqueles  elementos  essenciais da hipótese de incidência.   O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer  na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado:  AgRg no REsp 753.635/PR   AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2005/0084562­0   Relator: Ministro LUIZ FUX  Órgão Julgador T1 ­ PRIMEIRA TURMA   Data do Julgamento 16/09/2008   Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008     Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  DO  ARTS.  535  DO  CPC.  INOCORRÊNCIA.  SEGURO  DE  ACIDENTE DO TRABALHO ­ SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22,  II.  DECRETO  N.º  2.173/97.  ALÍQUOTAS.  FIXAÇÃO  PELOS  GRAUS  DE  RISCO  DA  ATIVIDADE  PREPONDERANTE  DESEMPENHADA  EM  CADA  ESTABELECIMENTO  DA  EMPRESA,  DESDE  QUE  INDIVIDUALIZADO  POR  CNPJ  PRÓPRIO.  JURISPRUDÊNCIA  CONSOLIDADA  PELA  PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA  O  INCRA.  LC  11/71.  COMPENSAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO  INSS.  IMPOSSIBILIDADE.  DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, §  1º  DA  LEI  Nº  8.383/91.  TAXA  SELIC.  LEI  9.065/95.  INCIDÊNCIA.   1.  Inexiste  ofensa  ao  art.  535  do  CPC,  quando  o  tribunal  de  origem pronuncia­se de forma clara e suficiente sobre a questão  posta  nos  autos.  Ademais,  o  magistrado  não  está  obrigado  a  rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que  os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar  a decisão.   2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22,  inciso  II,  com  sua  atual  redação  constante  na  Lei  nº  9.732/98,  autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os  elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais  sejam:  (a)  fato  gerador  ­  remuneração  paga,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos;  (b) a  base  de  cálculo  ­  o  total  dessas  remunerações;  (c)  alíquota  ­  percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de  acidentes  do  trabalho.  Previstos  por  lei  tais  critérios,  a  definição,  pelo  Decreto  nº  2.173/97  e  Instrução  Normativa  nº  02/97,  do  grau  de  periculosidade  das  atividades  desenvolvidas  pelas  empresas  não  extrapolou  os  limites  insertos  na  referida  legislação,  porquanto  tenha  tão  somente  detalhado  o  seu  conteúdo,  sem,  contudo,  alterar  qualquer  daqueles  elementos  Fl. 7719DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     68 essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao  princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação  que institui o SAT ­ Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º  297.215/PR,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJU  de  12/09/2005).   3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no  sentido  de  que  a  alíquota  da  contribuição  para  o  Seguro  de  Acidente do Trabalho ­ SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei  n.º  8.212/91,  deve  corresponder  ao  grau de  risco  da  atividade  desenvolvida  em  cada  estabelecimento  da  empresa,  individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ,  a  alíquota  da  referida  exação  deve  corresponder  à  atividade  preponderante  por  ela  desempenhada  (Precedentes:  ERESP  nº  502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA,  julgado  em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO  DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel.  Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos)   4. A  alíquota  da  contribuição  para  o  seguro  de  acidentes  do  trabalho  deve  ser  estabelecida  em  função  da  atividade  preponderante da  empresa,  considerada  esta  a  que  ocupa,  em  cada  estabelecimento,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos,  nos  termos  do  Regulamento vigente à época da autuação  (§ 1º, artigo 26, do  Decreto nº 612/92). (grifos nossos)   5.  Vale  ressaltar  que  o  reenquadramento  do  pessoal  administrativo  em  grau  de  risco  adequado  e  a  estipulação  da  alíquota  devida,  assentados  pela  instância  ordinária  com  fundamento  na  prova  produzida  nos  autos,  decorre  de  enquadramento  tarifário,  restando,  assim,  inviável  o  exame  da  matéria  pelo  E.  STJ,  a  teor  do  disposto  na  Súmula  07,  desta  Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de  prova não enseja recurso especial."   6.  A  contribuição  para  o  INCRA  não  se  destina  a  financiar  a  Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a  este título não podem ser compensados com outras contribuições  arrecadadas  pelo  INSS  que  se  destinam  ao  custeio  da  Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da  Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com  prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao  mesmo orçamento.   7. Os  créditos  tributários  recolhidos  extemporaneamente,  cujos  fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a  teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da  taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.   8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária,  é  no  sentido  de  que  são  devidos  juros  da  taxa  SELIC  em  compensação  de  tributos  e  mutatis  mutandis,  nos  cálculos  dos  débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública.   9.  Raciocínio  diverso  importaria  tratamento  anti­isonômico,  porquanto  a  Fazenda  restaria  obrigada  a  reembolsar  os  contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso,  os  cidadãos  exonerar­se­iam  desse  critério,  gerando  desequilíbrio nas receitas fazendárias.   10. Agravo regimental desprovido.   Fl. 7720DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.686          69   E  não  se  desdenhe  do  poder  normativo  do  Regulamento  da  Previdência  Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atente­se que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da  Constituição  da República  afloram  como  fontes  jurídicas  de  onde  dimana  a  competência  do  Presidente  da  República  para  o  exercício  da  direção  superior  da  Administração  Pública  Federal,  com  o  auxílio  dos  Ministros  de  Estado,  e  o  poder  presidencial  para  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir  decretos  e  regulamentos  para  sua  fiel  execução,  bem  assim  como  dispor  sobre  a  organização  e  o  funcionamento  da  máquina  do  Executivo Federal.  Constituição Federal de 1988   Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:  II  ­  exercer,  com  o  auxílio  dos Ministros  de Estado,  a  direção  superior da administração federal;  (...)  IV  ­  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;  (...)  VI  ­  dispor,  mediante  decreto,  sobre:  (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 32, de 2001)  a) organização e funcionamento da administração federal,  quando não implicar aumento de despesa nem criação ou  extinção de órgãos públicos;    Depreende­se  do  exposto  que  o  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99,  decorre  da  competência  constitucional  do  Presidente  da  República  ­ agente político da mais elevada estatura  ­ ocupante do arquétipo fundamental de  Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade  superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal.  Assim,  com  esteio  na  Ordem  Constitucional  desfraldada  nos  parágrafos  anteriores,  e  no  uso  das  atribuições  conferidas  pelo  §3º  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91,  o  Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o  Regulamento  da  Previdência  Social,  cujo  Anexo V,  combinado  com  o  §4º  do  seu  art.  202,  estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em  conformidade  com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas  ­ CNAE para  efeito  da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99   Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da  aposentadoria  especial,  nos  termos  dos  arts.  64  a  70,  e  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do mês,  ao  segurado  empregado  e  trabalhador avulso:  Fl. 7721DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     70 I ­ um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o  risco de acidente do trabalho seja considerado leve;  II ­ dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o  risco  de  acidente  do  trabalho  seja  considerado  médio;  ou  III ­ três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o risco de acidente do trabalho seja considerado grave.    §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove  ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  ensejar  a  concessão  de  aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de  contribuição.  §2º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente  sobre  a  remuneração  do  segurado  sujeito  às  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física.  §3º Considera­se preponderante a atividade que ocupa, na empresa,  o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.  §4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de  Atividades  Preponderantes  e  correspondentes  Graus  de  Risco,  prevista no Anexo V.  §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na  atividade  preponderante,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência  Social  revê­lo  a  qualquer  tempo.  Alterado  pelo  Decreto  nº  6.042  ­  de  12/2/2007  ­  DOU DE 12/2/2007  §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita  Previdenciária  adotará  as  medidas  necessárias  à  sua  correção,  orientará  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procederá  à  notificação  dos  valores  devidos.  Alterado  pelo Decreto nº 6.042 ­ de 12/2/2007 ­ DOU DE 12/2/2007    Assentado  que  o  Regulamento  Suso  citado  encontra­se  dotado  de  normatividade  em grau  necessário  e  suficiente  à  partilha  interna  corporis  das  atribuições  do  Ministério  da Previdência Social,  deflui  daí  que,  de  acordo  com  a  norma  administrativa  em  realce,  a  empresa  encontra­se  agrilhoada  à  obrigação  tributária  principal  de  recolher  a  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a  alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será  definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida,  conforme  relação  fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social,  aprovado pelo  Dec. nº 3.048/99.  Apreciando  a  questão  da  constitucionalidade  das  contribuições  destacadas  pelo Recorrente  por  um  outro  prisma,  adite­se  que  o  art.  26­A  do Decreto  nº  70.235/72,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  estabelece  óbice  intransponível  aos  órgãos  de  julgamento  deste  Conselho  Administrativo  para  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  normas  tributárias  inseridas  no  ordenamento  jurídico  mediante  leis,  decretos,  tratado  ou  acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Fl. 7722DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.687          71 Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)    Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as  Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito  da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Fl. 7723DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     72 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Desbastada  nesses  talhes  a  escultura  jurídica,  impedido  se  encontra  este  Colegiado  de  apreciar  tais  alegações  e  propalar  as  declarações  de  inconstitucionalidade,  tão  veementemente  defendida  pelo  Recorrente,  atividade  essa  que  somente  poderia  aflorar  no  Poder Judiciário.  Não procede a alegação de violação ao princípio da igualdade, tampouco a de  que o ato administrativo que elaborou a  lista de atividades econômicas pelo grau de risco de  acidentes,  para  efeito  de  fixação  da  alíquota  correspondente,  tenha  ignorado  o  conceito  de  igualdade, porquanto situações idênticas são tributadas de forma diversa, uma vez que a lista  elaborada não  se  preocupou  com o  risco  propriamente, mas  sim  com a  atividade  econômica  desenvolvida.  Ora bolas. A escolha do elemento de referência para a definição da alíquota  de  contribuição  para  o  SAT  pelo  grau  de  risco  da  atividade  econômica  decorreu  de  opção  política do Poder Legislativo Nacional, que considerou que o risco de acidente de trabalho era  atávico à atividade econômica desenvolvida pelas empresas, não dispondo este Colegiado de  competência para sindicar a discricionariedade do Legislador Ordinário, mas, tão somente, para  apreciar se o lançamento levado a efeito pelo Fisco encontra­se em harmonia com a lei.    3.6.  DA RETROATIVIDADE BENIGNA   Pondera o Recorrente  que  deve  ser  aplicada no  presente  caso,  por  força  da  retroatividade  benigna,  as  disposições  da  Lei  n°  11.941/09,  o  que  torna  o  presente  auto  de  infração nulo, ou, ao menos, anulável.  Se  nos  antolha  que  as  aulas  sobre  nulidade  e  anulabilidade  de  ato  administrativo tributário eram ministradas no último tempo do turno da noite das sextas­feiras  chuvosas, vésperas de feriado nacional.  Com  efeito,  as  causas  de  nulidade  do  Ato  Administrativo  em  tela  estão  previstas numerus clausus no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, dentre as quais não se encontra  contida a incidência de hipótese de retroatividade de lei tributária mais benéfica ao infrator.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  Fl. 7724DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.688          73 II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente  ou com preterição do direito de defesa.  §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam consequência.  §2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  §3º Quando  puder  decidir  do mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­ lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)    Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo se este  lhes houver dado causa, ou quando não  influírem na  solução do litígio.    Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para  praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.    Urge,  de  plano,  ser  destacado  que  no Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o  lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  Fl. 7725DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     74 O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  Ocorre, no entanto, que as normas  jurídicas que disciplinavam a cominação  de  penalidades  decorrentes  da  não  entrega  de GFIP  ou  de  sua  entrega  contendo  incorreções  foram  alteradas  pela  Lei  nº  11.941/2009,  produto  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram  mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas.   Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32­A, ad litteris  et verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941/2009).  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no §3º deste artigo.  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos)   §1º Para  efeito  de  aplicação  da multa  prevista  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não  apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  §2º Observado  o  disposto  no  §3º  deste  artigo,  as multas  serão  reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009).  II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009).  §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº  11.941/2009).  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  Fl. 7726DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.689          75 II  –  R$  500,00  (quinhentos  reais),  nos  demais  casos.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009).    Originariamente, a conduta  infracional consistente em apresentar GFIP com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  era  punível  com  pena  pecuniária  correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada  aos valores previstos no parágrafo 4º do  art.  32  da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº  449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em  tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações  incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível.  A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este  ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor  do  inciso  I  do  art.  32­A  acima  transcrito,  fato  que  demonstra  tratar­se  a  ora  discutida  imputação,  de  penalidade  administrativa  motivada,  unicamente,  pelo  descumprimento  de  obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstancia­se infração e  implica  a  imposição de penalidade pecuniária,  em atenção às disposições  estampadas no  art.  113, §3º do CTN.  A Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  editou  a  IN RFB  nº  1.027/2010,  que assim dispôs em seu art. 4º:  Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010  Art.  4º  A  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  passa  a  vigorar acrescida do art. 476­A:  Art. 476­A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos  geradores ocorridos:  I  ­  até  30  de  novembro  de  2008,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  1966  (CTN),  cuja  análise  será  realizada  pela  comparação  entre  os  seguintes  valores:  a)  somatório  das  multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de  1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das  aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009; e  b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº  8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941/2009.    II ­ a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam­se as multas  previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela  Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  Fl. 7727DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     76 comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009.  §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no  caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta  para a qual não havia antes penalidade prevista.    Óbvio  está  que  os  dispositivos  selecionados  encartados  na  IN  RFN  nº  1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos,  que  não  podem  ultrapassar  o  âmbito  da  norma  legal  que  rege  a  matéria  ora  em  relevo,  tampouco inovar o ordenamento jurídico.  Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não  vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação  principal  e  com  aquelas  decorrentes  da  inobservância  de  obrigações  acessórias,  para,  em  seguida,  se  confrontar  tal  somatório  com  o  valor  da multa  calculada  segundo  a metodologia  descrita no art. 35­A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa  se revela mais benéfica ao infrator.   Entendo  que  o  exame  da  retroatividade  benigna  deve  se  adstringir  ao  confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória,  calculada  segundo  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  a  penalidade  pecuniária  prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo  que  se  imiscuir  com  a  multa  decorrente  de  lançamento  de  ofício  de  obrigação  tributária  principal. Lé com lé, cré com cré.   A análise da  lei mais benéfica não pode superar  tais condições de contorno  pois,  como  já  afirmado  alhures,  trata­se  de  obrigação  acessória  que  é  absolutamente  independente de qualquer obrigação principal.  Note­se que o princípio  tempus regit actum somente será afastado quando a  lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação  acessória,  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação  entre  (a)  o  somatório  das multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  nos  moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei  nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair  dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação  entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476­A da IN RFB  nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea  ‘b’ do  inciso  I do mesmo dispositivo  legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica.  De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente  a  lei  formal  pode  dispor  sobre  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos  e  tratar  de  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  Fl. 7728DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.690          77 II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e  do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Mostra­se  flagrante que  a  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  476­A da  Instrução  Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela  IN RFB nº 1.027/2010, é  tendente a excluir,  sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação  acessória  nos  casos  em  que  a  multa  de  ofício,  aplicada  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  for mais  benéfica  ao  infrator.  Tal  hipótese  não  se  enquadra,  de  forma  alguma,  na  situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106,  II, ‘c’ do CTN, pois emprega como  parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento  de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória.  Há que se  reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e  independentes  entre  si,  pois que a  aplicação de uma não afasta  a  incidência da outra  e vice­ versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa  de  penalidade  pecuniária  estabelecida  mediante  Instrução  Normativa,  favor  tributário  que  somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN.   É  mister  ainda  destacar  que  o  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  apenas  se  refere  ao  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias previstas nas alíneas  ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma  Lei, das contribuições instituídas a  título de substituição e das contribuições devidas a outras  entidades  e  fundos,  não  produzindo  qualquer  menção  às  penalidades  administrativas  decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art.  44 da Lei nº 9.430/96.  Fl. 7729DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     78 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.     Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  (...)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela  Lei nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts.  11  a  13  da  Lei  nº  8.218,  de  29  de  agosto  de  1991;  (Renumerado  da  alínea  "b",  com  nova  redação  pela  Lei  nº  11.488/2007)  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38  desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Fl. 7730DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.691          79 Assim,  em  virtude  da  total  independência  e  autonomia  entre  as  obrigações  tributárias principal e acessória, o preceito  inscrito no art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão  exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do  FGTS e Informações à Previdência Social.  Uma  vez  que  a  penalidade  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontra­se  prevista  em  lei,  somente  o  Poder  Legislativo  dispõe  de  competência  para  dela  dispor.  A  legislação  complementar,  na  forma  de  Instrução  Normativa  emanada  do  Poder  Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a  diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu,  a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão  de  crédito  tributário,  em  flagrante  violação  às  disposições  insculpidas  no  §6º  do  art.  150  da  CF/88, o qual exige lei em sentido estrito.   Vislumbra­se inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser  flagrantemente  ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa  isolada em GFIP,  mesmo  que  o  sujeito  passivo  haja  promovido,  tempestivamente,  o  exato  recolhimento  do  tributo correspondente, conforme assentado no art. 32­A da Lei nº 8.212/91.   Nesse  contexto,  afastada  por  ilegalidade  a norma  estatuída  pela  IN RFB  nº  1.027/2010, por  representar a novel  legislação encartada no art. 32­A da Lei nº 8.212/91 um  benefício ao contribuinte, verifica­se a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso  II  do  art.  106 do CTN, devendo  ser observada a  retroatividade benigna,  sempre que  a multa  decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32­A da Lei nº 8.212/91  cominar  ao  Sujeito  Passivo  uma  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo da ocorrência da infração.  Assim, tratando­se o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo  informações  incorretas  ou  com  omissão  de  informações,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade  prevista  no  inciso  I  do  art.  32­A  da  Lei  nº  8.212/91,  se  e  somente  se  esta  se mostrar mais  benéfica ao Recorrente.    3.7.   DA TAXA SELIC  A taxa Selic é inaplicável, alega o Recorrente.  ... e sem razão, uma vez mais.    De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do  capital  investido.  Esmiuçando  o  conceito,  juros  representam  o  rendimento  que  o  titular  do  capital  aufere  em  troca  da  colocação  de  um  quantitativo  à  disposição  de  uma  outra  pessoa/entidade.   Ilumine­se que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em  uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar  Fl. 7731DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     80 de seu capital, ofertando­o a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração,  compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior.  A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital  exige do  tomador deste, num horizonte  temporal, pela utilização do montante  tomado. Nesse  quadro,  o  índice  nominal  da  taxa  pode  ser  fixado  unilateralmente  pelo  capitalista,  ou,  em  comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar  que,  em  qualquer  caso,  a  fixação  da  taxa  de  juros  prescinde  da  edição  de  lei  formal,  como  assim  acredita  piamente  o  Recorrente,  até  porque  tal  exigência  culminaria  por  emperrar  a  atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza ­, paralizando­o.  Isso  porque  cada  investidor,  banco  ou  demais  instituições  financeiras  possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são  extremamente  influenciados  pelo  mercado,  pela  oferta  e  procura  de  capital,  pela  taxa  de  crescimento  da  economia,  pelo  risco  da  inadimplência,  etc.,  o  que  gera  uma  saudável  concorrência entre os detentores do livre numerário.  Diante  desse  panorama  mostra­se  evidente  que  a  exigência  de  lei  stricto  sensu  a  que  se  refere  o  CTN,  não  é  para  a  fixação  da  taxa  de  juros  (esta  flui  ao  sabor  das  correntes  do mercado), mas,  sim,  para  a  indicação  de  qual  taxa  de  juros  será  a  utilizada  na  remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo.   Com  efeito,  num  mundo  globalizado,  em  que  qualquer  evento  econômico  ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul,  seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos  por  cento,  como é  extremamente  comum em nossa economia,  com a velocidade e prontidão  que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o  trâmite procedimental exigido pela CF/88.  Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie,  foi de fato adimplido, senão vejamos:  A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência  para  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  obrigação,  lançamento, crédito, prescrição e decadência  tributários, nas cores desenhadas em  seu art. 146, III, ‘b’, in verbis:  Constituição Federal de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  a)  definição  de  tributos  e  de  suas  espécies,  bem  como,  em  relação  aos  impostos  discriminados  nesta  Constituição,  a  dos  respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Imerso  nessa  ordem  constitucional,  ao  tratar  do  crédito  tributário,  já  no  âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente  inserido  no  Capítulo  que  versa  sobre  a  Extinção  do  Crédito  Tributário,  estabeleceu  que  o  Fl. 7732DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.692          81 crédito não  integralmente pago no vencimento  é  acrescido de  juros  de mora,  seja qual  for o  motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis:   Código Tributário Nacional  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.   §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  §2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.    Saliente­se  que  o  percentual  enunciado  no  parágrafo  primeiro  acima  transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da  seguridade  social  disciplinou  inteiramente  a  matéria  relativa  aos  acessórios  financeiros  do  crédito  previdenciário  em  constituição  e  de  forma  distinta,  devendo  esta  ser  observada  em  detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN.   Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao  proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de  caráter  complementar,  não  proíbe  a  capitalização  de  juros  nem  limita  a  sua  cobrança  ao  patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros  somente  será aplicada  se a  lei  não dispuser de modo contrário. Assim, não  tendo o Código  Tributário  Nacional  determinado  a  necessidade  de  lei  complementar,  pode  a  lei  ordinária  fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui  que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo  próprio  (lei  ordinária)  sem  importar  qualquer  afronta  à  Constituição  Federal”  (TRF­  4ª  Região,  Apelação  Cível  200471100006514,  Rel.  Álvaro  Eduardo  Junqueira;  1ª  Turma;  DJ  de  15/06/2005, p. 552).  Com  efeito,  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  seguridade  social  estão  sujeitas  não  só  à  incidência  de  multa  moratória,  como  também  de  juros  computados  segundo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  ­  SELIC,  nos  termos  do  art.  34  da  Lei  nº  8.212/91  que,  pela  sua  importância  ao  deslinde  da  questão,  o  transcrevemos  a  seguir,  com  a  redação  vigente  à  época  da  lavratura  do  presente  débito.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Restabelecido  com  redação  alterada  pela  MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)  Fl. 7733DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     82   A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema  Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do  julgado a seguir ementado:   TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA  TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO.   1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no  vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa  de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro,  a  possibilidade  de  sua  regulamentação  por  lei  extravagante.  o  que  ocorre  no  caso  dos  créditos  tributários,  em  que  a  Lei  9.065/95  prevê  a  cobrança  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais (art. 13).   2.  Diante  dai  previsão  legal  e  considerando  que  a  mora  é  calculada  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época  de  sua  apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC  sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram  objeto de parcelamento administrativo.   3.  Também  ,  há  de  se  considerar  que  os  contribuintes  têm  postulado  a  utilização  da  Taxa  SELIC  na  compensação  e  repetição  dos  indébitos  tributários  de que  são  credores. Assim,  reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor  dos  contribuintes,  do  mesmo  modo  deve  ser  aplicada  na  cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia.   4.  Embargos  de  divergência  a  que  se  dá  provimento.  STJ  ­  EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª  SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167.    Em reforço a tal assertiva jurisdicional, ilumine­se o Enunciado da Súmula nº  03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos:  SÚMULA CARF nº 3  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia – Selic para títulos federais.    Dessarte,  se  nos  afigura  correta  a  incidência  de  juros  moratórios  à  taxa  SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no  art.  34  da  Lei  nº  8.212/91  c.c.  art.  161  caput  e  §1º  do  CTN,  em  afinada  harmonia  com  o  ordenamento jurídico.  A  propósito,  repise­se  que,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada  à  Lei,  e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pela  Lei  nº  8.212/91  plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de  vigência  por  parte  do  Auditor  Fiscal  Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Fl. 7734DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.693          83 Cumpre­nos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço,  até  o  presente momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na  via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos  jurídicos que lhe são típicos.  Apreciando  a  questão  da  constitucionalidade  das  contribuições  destacadas  pelo Recorrente  por  um  outro  prisma,  adite­se  que  o  art.  26­A  do Decreto  nº  70.235/72,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  estabelece  óbice  intransponível  aos  órgãos  de  julgamento  deste  Conselho  Administrativo  para  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  normas  tributárias  inseridas  no  ordenamento  jurídico  mediante  leis,  decretos,  tratado  ou  acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)    Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as  Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito  da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   Fl. 7735DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     84 O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrar­se impedida esta Corte  Administrativa  de  apreciar  tal  rogativa  e  reformar  a  Decisão  Recorrida,  ao  argumento  de  ilegalidade  da  aplicação  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios,  atividade  essa  que  somente  poderia emergir do Poder Judiciário.    3.8.  DA  PENALIDADE  PECUNIÁRIA  PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Argumenta  o  Recorrente  que  a  multa  deve  ser  reduzida,  no  mínimo,  ao  patamar  de  20%  (vinte  por  cento),  de  conformidade  com  o  art.  61,  §2º,  da  Lei  nº  9.430/96,  retificando­se o auto de infração lavrado.   Não lhe confiro, todavia, razão.    E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se  escultura,  atine­se  que  o  nomem  iuris  de  um  instituto  jurídico  não  possui  o  condão  de  lhe  alterar ou modificar sua natureza jurídica.  JULIET:  ”Tis but thy name that is my enemy;  Fl. 7736DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.694          85 Thou art thyself, though not a Montague.  What's Montague? it is nor hand, nor foot,  Nor arm, nor face, nor any other part  Belonging to a man. O, be some other name!  What's in a name? that which we call a rose  By any other name would smell as sweet;  So Romeo would, were he not Romeo call'd,  Retain that dear perfection which he owes  Without that title. Romeo, doff thy name,  And for that name which is no part of thee  Take all myself”.    William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600.    Ilumine­se, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus  regit  actum,  conforme  expressamente  estatuído  pelo  art.  144  do  CTN,  de  modo  que  o  lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  Fl. 7737DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     86 novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada  mediante  lançamento de ofício.  Com  efeito,  o  regramento  legislativo  relativo  à  aplicação  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal,  vigente  à  data  inicial  do  período  de  apuração  em  realce,  encontrava­se  sujeito  ao  regime  jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  I­ para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída  em notificação fiscal de lançamento:   a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).    III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  Fl. 7738DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.695          87 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um  acréscimo  de  vinte  por  cento  sobre  a multa  de mora  a  que  se  refere o caput e seus incisos.   §2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.   §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo a que se refere o §1º deste artigo.   §4º  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta  por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    No  caso  vertente,  o  lançamento  tributário  sobre  o  qual  nos  debruçamos  promoveu  a  constituição  formal  do  crédito  tributário,  mediante  lançamento  de  ofício  consubstanciado nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.395.041­1, 37.338.606­0  e 37.338.605­2 consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio  da  Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras  Entidades  e  Fundos,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga,  creditada  ou  devida  a  segurados  empregados  e  a  segurados  contribuintes  individuais,  bem  como  as  contribuições  previdenciárias  a  cargo  dessas  categorias  de  segurados  obrigatórios  do RGPS,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição,  referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a dezembro/2008.  Nessa perspectiva, tratando­se de lançamento de ofício formalizado mediante  os Autos de Infração de Obrigação Principal acima indicados, a parcela referente à penalidade  pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada,  no  período  anterior  à  vigência  da  MP  nº  449/2008,  de  acordo  com  o  critério  de  cálculo  insculpido  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  que  prevê  a  incidência  de  penalidade  pecuniária,  aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do  recebimento  da  notificação  fiscal,  até  50%  se  paga  após  o  décimo  quinto  dia  da  ciência  da  decisão  do Conselho  de Recursos  da Previdência Social  ­ CRPS,  hoje CARF,  enquanto  não  inscrito em Dívida Ativa.  Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento  não  for  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado,  Fl. 7739DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     88 no horizonte  temporal  em  relevo,  em conformidade  com a memória de  cálculo  assentada no  inciso  I  do  mesmo  dispositivo  legal  acima  mencionado,  que  estatui  multa,  aqui  também  denominada  “multa  de  mora”,  variando  de  oito  por  cento,  se  paga  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação,  até  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da exação.  Tal  discrimen  encontra­se  tão  claramente  consignado  na  legislação  previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador –  consegue,  sem margem de  erro,  com uma  simples  instrução  IF  – THEN – ELSE unchained,  determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência:    IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91   ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91.    Traduzindo­se do “computês” para o “juridiquês”, tratando­se de lançamento  de ofício,  incide o regime jurídico consignado no  inciso  II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao  revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições  previdenciárias  em  atraso,  aplica­se  o  regramento  assinalado  no  Inciso  I  do  art.  35  desse  mesmo diploma legal.    Com  efeito,  as  normas  jurídicas  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições  previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida  na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que  se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo  Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que  aquelas então derrogadas.   Nesse  panorama,  a  supracitada  Medida  Provisória,  ratificada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  revogou  o  art.  34  e  deu  nova  redação  ao  art.  35,  ambos  da  Lei  nº  8.212/91,  estatuindo  que  os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212/91,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de  multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Mas não parou por aí. Na sequência da  lapidação  legislativa, a mencionada  Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da  Seguridade  Social  o  art.  35­A que  fixou,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  a  aplicação  de  penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição, verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  Fl. 7740DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.696          89 entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora  e  juros de mora, nos  termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que não  tenha  sido  apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de pessoa  jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   V  ­  (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  Fl. 7741DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     90 III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.     Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária:   I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua  natureza ou circunstâncias materiais;   II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.     Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais  ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.     Como  visto,  o  regramento  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  a  ser  aplicada  nos  casos  de  recolhimento  espontâneo  feito  a  destempo  e  nas  hipóteses  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias  que,  antes  da  metamorfose  legislativa  promovida  pela  MP  nº  449/2008,  encontravam­se acomodados em um mesmo dispositivo legal, cite­se, incisos I e II do art. 35  da  Lei  nº  8.212/91,  nessa  ordem,  agora  se  encontram  dispostos  em  separado,  diga­se,  nos  Fl. 7742DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.697          91 artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35  e 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  Nesse  novo  regime  legislativo,  a  instrução  de  seletividade  invocada  anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando:    IF lançamento de ofício THEN art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009.   ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.     Diante  de  tal  cenário,  a  contar  da  vigência  da  MP  nº  449/2008,  a  parcela  referente  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  há  que  ser  dimensionalizada  de  acordo  com  o  critério de cálculo insculpido no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  prevê  a  incidência  de  penalidade  pecuniária,  aqui  referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo  com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias  não  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  há  que  ser  dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela MP  nº  449/2008  e  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  estatui  multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art.  61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.    Não  demanda  áurea  mestria  perceber  que  o  nomem  iuris  consignado  na  legislação  previdenciária  para  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério  da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº  8.212/91,  no  âmbito  do  Ministério  da  Fazenda  houve­se  por  batizada  com  a  singela  denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de  rótulos,  as  suas  naturezas  jurídicas  são  idênticas:  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício.  No  que  pertine  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  não  incluída  em  lançamento  de  ofício,  o  título  designativo  adotado  por  ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”.    Não  carece  de  elevado  conhecimento  matemático  a  conclusão  de  que  o  regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu  Fl. 7743DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     92 uma  apenação  mais  severa  para  o  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício  (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35,  II da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se  falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’  do CTN, durante a fase do contencioso administrativo.  Código Tributário Nacional   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Conforme  acima  demonstrado,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, antes do  advento  da  MP  nº  449/2008,  encontrava­se  disciplinada  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do  descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício passou a  ser regida pelo disposto no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008.  Não é cabível, portanto, efetuar­se o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora”  (art. 35 da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  MP  nº  449/2008),  pois  estar­se­ia,  assim,  promovendo  a  comparação  de  nomem  iuris  com  nomem  iuris  (multa  de  mora)  e  não  de  institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de  obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício).  Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’  do  CTN,  a  qual  se  circunscreve  a  penalidades  aplicáveis  a  infrações  tributárias  de  idêntica  natureza jurídica,  in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício.  Lé  com  lé,  cré  com  cré  (Jurandir  Czaczkes Chaves, 1967).   Reitere­se que não  se presta o preceito  inscrito  no  art.  106,  II,  ‘c’ do CTN  para  fazer  incidir  retroativamente  penalidade  menos  severa  cominada  a  uma  infração  mais  branda  para  uma  transgressão  tributária  mais  grave,  à  qual  lhe  é  cominado  em  lei,  especificamente,  castigo mais  hostil,  só  pelo  fato  de  possuir  a mesma  denominação  jurídica  (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas.    Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a  redação dada pela MP nº 449/2008,  c.c.  art.  61 da Lei nº 9.430/96  só  se presta para punir o  descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício.  Fl. 7744DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.698          93 Nos casos de descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 9.876/99),  quanto  a  legislação  superveniente  (art.  35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela  MP  nº  449/2008,  c.c.  art.  44  da  Lei  no  9.430/96)  preveem  uma  penalidade  pecuniária  específica,  a  qual  deve  ser  aplicada  em detrimento  da  regra  geral,  em  atenção  ao  princípio  jurídico  lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de  normas.  Nessa  perspectiva,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  o  cotejamento  de  normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art.  106,  II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no  art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com  a regra encartada no art. 35,  II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99,  uma  vez  que  estas  tratam,  especificamente,  de  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício,  ou  seja,  penalidades de idêntica natureza jurídica.  Nesse  contexto,  vencidos  tais prolegômenos,  tratando­se o vertente  caso  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias,  o  atraso  objetivo  no  recolhimento  de  tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber:  a)  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  nº  449/2008:  De  acordo  com  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  circunstância  que  implica a  incidência de multa de mora nos  termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876/99,  na  razão  variável  de  24%  a  50%,  enquanto  não  inscrito  em  dívida ativa.  b)  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  após  a  vigência  da  MP  nº  449/2008:  De  acordo  com  a  MP  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35­A na Lei de Custeio da  Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício  de  75%,  salvo  nos  casos  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  em  que  tal  percentual é duplicado.    Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa  de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista  no  art.  35­A  do  mesmo  Diploma  Legal,  inserido  pela  MP  nº  449/2008,  contingência  que  justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta  se revela mais ofensiva ao infrator.  Dessarte,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  novembro/2008,  inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  efetuado  com  observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela lei nº 9.876/99.  Fl. 7745DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     94 Na mesma hipótese especifica, para os  fatos geradores ocorridos a partir da  competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  consoante a regra estampada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  11.941/2009.  O  raciocínio  acima  delineado  é  válido  enquanto  não  for  ajuizada  a  correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na  redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de  lançamento de ofício de  obrigação  principal  é  variável  em  função  da  fase  processual  em  que  se  encontre  o  Processo  Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário.   De  fato,  encerrado  o  Processo  Administrativo  Fiscal  e  restando  definitivamente  constituído,  no  âmbito  administrativo,  o  crédito  tributário,  não  sendo  este  satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo,  tal crédito é  inscrito em  Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial.  Ocorre  que,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a multa  pelo  atraso  no  recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a  multa de ofício (75%) menos ferina, operando­se, a partir de então, a retroatividade da lei mais  benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio.   Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido  no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo  da  penalidade  pecuniária  decorrente  da  mora  do  recolhimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um  limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o  crédito  tributário  seja  objeto  de  ação  de  execução  fiscal.  Nestas  hipóteses,  somente  irá  se  operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio.  Da conjugação das normas  tributárias  acima  revisitadas conclui­se que, nos  casos de  lançamento de ofício de contribuições previdenciárias,  a penalidade pecuniária pelo  descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data  de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue:  a)  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada  conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº  8.212/91, com a  redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o  limite  máximo  de  75%,  desde  que  não  estejam  presentes  situações  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  em  atenção  à  retroatividade  da  lei  tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN.  b)  Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada  de acordo com o critério fixado no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído  pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.    Fl. 7746DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.699          95 No  caso  ora  em  debate,  os  fatos  geradores  ora  em  trato  houveram­se  por  apurados  mediante  procedimento  de  caracterização  de  segurados  empregados  de  “sócios  médicos”  formalmente vinculados à Autuada na qualidade de sócios da pessoa jurídica, com  fundamento no princípio da primazia da  realidade sobre a  forma, uma vez que se mostraram  presentes,  entre  os  trabalhadores  e  a  Autuada,  todos  os  elementos  da  condição  de  segurado  empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91.  Exsurge  das  provas  dos  autos  que  a  Autuada  utilizou­se  desse  artificio  visando a contratar médicos anestesiologistas e acobertar, sob falso manto de legalidade, a mão  de obra utilizada na execução de sua atividade fim, com redução de encargos previdenciários,  uma vez que registrava em sua escrita fiscal a remuneração mensal paga a esses profissionais,  decorrente unicamente do trabalho por eles realizado, como “distribuição de lucros”, fugindo  assim  totalmente  da  tributação  previdenciária,  circunstância  que  demonstra  e  comprova  o  elemento  volitivo  do  Recorrente  de  suprimir/reduzir  tributo,  mediante  a  omissão  de  informações  à administração  fazendária,  fraudando assim a  fiscalização  tributária mediante  a  omissão  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  nas  GFIP,  nas  folhas  de  pagamento e na contabilidade.  Conforme demonstrado, deflui das provas dos autos a existência insofismável  de  uma  unidade  administrativa  e  de  comando  concentrada  na Diretoria  da  Empresa,  que  se  perpetua no cargo mediante mecanismo de eleição secreta que permite, sem impugnação dos  demais, a perenização dos mesmos diretores no cargo, os quais exercem sobre os demais sócios  (não diretores) o poder hierárquico, disciplinar, administrativo, etc., enfim, todos os atributos  típicos da relação patrão­empregado.  Os sócios não diretores, sem exceção, são submetidos, sem opção, ao código  de  conduta  e  ao  Estatuto  da  Empresa,  com  cláusulas  que  materialmente  representam,  nada  mais, do que um contrato de trabalho, com o assentamento das obrigações dos não diretores e  das penalidades impostas àqueles que o descumprirem.  A pletora documental acostada aos autos é rica em provas e evidências de que  os sócios não diretores, sob o signo da primazia da realidade sobre a forma, nada mais eram do  que  meros  segurados  empregados  da  Autuada,  submetidos  ao  poder  patronal  dos  membros  eternos da diretoria, auferindo remuneração decorrente, exclusivamente, do trabalho executado,  não do capital (ínfimo) investido, apesar de formalmente constarem como sócios da Autuada e  recebendo mensalmente antecipação de distribuição de lucros.  A  fraude  se  manifesta  na  volitiva  e  consciente  utilização  de  empregados  formalmente  vinculados  como  “sócios  médicos”,  para  a  execução  das  tarefas  inerentes  à  atividade econômica da Autuada, com vistas a impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do  fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido  ou a evitar o seu pagamento.  Estivessem tais trabalhadores formalmente vinculados à Autuada na condição  de  segurados  empregados,  como  assim  denuncia  a  realidade  dos  fatos,  a  empresa  teria  que  arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais  obreiros. Contudo, estando tais operários, na formalidade dos atos jurídicos, registrados como  meros  sócios da  empresa  e auferindo,  conforme os  registros  lançados na  contabilidade, nada  mais  do  que  “antecipação  de  distribuição  de  lucros”,  diga­se,  proporcionais  ao  trabalho  realizado e sem qualquer relação com o ínfimo capital investido, não há ocorrência de tais fatos  geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que, na sistemática adotada pela empresa,  Fl. 7747DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     96 inexiste tributação de contribuições previdenciárias sobre as importâncias auferidas por sócios  da  pessoa  jurídica  representativas  dos  rendimentos  do  capital  (distribuição  dos  lucros  da  empresa).  Reforça  a  compreensão  acerca da  existência  de  fraude  o  fato  de  a  empresa  utilizar­se  do  mecanismo  de  receber  e  efetuar  vultosos  pagamentos  em  espécie,  através  da  conta caixa,  fugindo, dessarte, do registro bancário das suas operações empresariais, além de  verter,  com  frequência,  diretamente  para  o  patrimônio  do  médico  não  diretor  o  produto  financeiro do  serviço  executado pelo  “sócio” a  clientes da  empresa,  esquivando­se  assim de  efetuar o registro de tal operação na contabilidade.  Os  fatos  geradores  apurados  pela  Fiscalização  não  foram  declarados  em  GFIP, nas folhas de pagamento, tampouco, nessa condição, na contabilidade.  A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar dos  serviços  de  segurados  empregados  para  a  execução  das  tarefas  inerentes  à  sua  atividade  econômica, ardilosamente registrados como sócios da empresa e registrar em sua contabilidade  a remuneração de tais trabalhadores sob o rótulo de “antecipação de distribuição de lucros”, a  Autuada não efetuou a declaração de tais obreiros e de suas respectivas remunerações em suas  GFIP, folhas de pagamento e contabilidade, excluindo dessarte da Administração Fazendária o  conhecimento a respeito da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, sua  natureza e circunstâncias materiais.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.    Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  (...)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)      Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.     Fl. 7748DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.700          97 Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.     Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  inexistência  de  causa  para  a  qualificação da multa de ofício.  Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os  elementos  objetivos  e  subjetivos  qualificadores  da  fraude  e  da  sonegação,  nos  termos  dos  artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, fundamentação legal essa plenamente descrita no item 703 –  SONEGAÇÃO,  FRAUDE  E  CONLUIO,  dos  relatórios  intitulados  Fundamentos  Legais  do  Débito ­ FLD.  Em  reforço  a  tal  assertiva,  atente­se  que,  em  razão  das  irregularidades  constatadas durante os procedimentos de Fiscalização nas empresas ora em trato, houve­se por  formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em apartado nos  autos  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  10140.720452/2013­93,  representando  ao  órgão  competente para a persecução criminal, fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem  tributária tipificado no art. 337­A do Código Penal e nos artigos 1º, II e 2º, I da Lei nº 8.137/91,  conforme expressamente consignado no item 1.4 do Relatório Fiscal, a fl. 45.  Código Penal Brasileiro  Sonegação de contribuição previdenciária   Art. 337­A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e  qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela  Lei nº 9.983/2000)  I  ­ omitir de  folha de pagamento da  empresa ou de documento de  informações  previsto  pela  legislação  previdenciária  segurados  empregado,  empresário,  trabalhador  avulso  ou  trabalhador  autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído  pela Lei nº 9.983/2000)  II  ­  deixar  de  lançar  mensalmente  nos  títulos  próprios  da  contabilidade  da  empresa  as  quantias  descontadas  dos  segurados  ou  as  devidas  pelo  empregador  ou  pelo  tomador  de  serviços;  (Incluído pela Lei nº 9.983/2000)  III  ­  omitir,  total  ou  parcialmente,  receitas  ou  lucros  auferidos,  remunerações  pagas  ou  creditadas  e  demais  fatos  geradores  de  contribuições  sociais  previdenciárias:  (Incluído  pela  Lei  nº  9.983/2000)    Pena ­ reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela  Lei nº 9.983/2000)  §1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara  e  confessa  as  contribuições,  importâncias  ou  valores  e  presta  as  informações devidas à previdência social, na forma definida em lei  Fl. 7749DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     98 ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº  9.983/2000)  §2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente  a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde  que: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000)  I ­ (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983/2000)  II  ­  o  valor  das  contribuições  devidas,  inclusive  acessórios,  seja  igual  ou  inferior  àquele  estabelecido  pela  previdência  social,  administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de  suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000)  §3o  Se  o  empregador  não  é  pessoa  jurídica  e  sua  folha  de  pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos  e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade  ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000)  §4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas  mesmas datas  e nos mesmos  índices do  reajuste dos benefícios da  previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000)    Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990   Art.  1°  Constitui  crime  contra  a  ordem  tributária  suprimir  ou  reduzir  tributo,  ou  contribuição  social  e  qualquer  acessório,  mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)  I  ­  omitir  informação,  ou  prestar  declaração  falsa  às  autoridades  fazendárias;  II ­ fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos,  ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro  exigido pela lei fiscal;  III  ­  falsificar  ou  alterar  nota  fiscal,  fatura,  duplicata,  nota  de  venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável;  IV ­ elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que  saiba ou deva saber falso ou inexato;  V ­ negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou  documento  equivalente,  relativa  a  venda  de  mercadoria  ou  prestação  de  serviço,  efetivamente  realizada,  ou  fornecê­la  em  desacordo com a legislação.  Pena ­ reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.  Parágrafo  único.  A  falta  de  atendimento  da  exigência  da  autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em  horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da  dificuldade  quanto  ao  atendimento  da  exigência,  caracteriza  a  infração prevista no inciso V.    Art. 2° Constitui crime da mesma natureza:   I ­  fazer declaração  falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens  ou  fatos,  ou  empregar  outra  fraude,  para  eximir­se,  total  ou  parcialmente, de pagamento de tributo;  II  ­  deixar  de  recolher,  no  prazo  legal,  valor  de  tributo  ou  de  contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito  passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos;  III  ­  exigir,  pagar  ou  receber,  para  si  ou  para  o  contribuinte  beneficiário,  qualquer  percentagem  sobre  a  parcela  dedutível  ou  deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal;  Fl. 7750DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.701          99 IV  ­  deixar  de  aplicar,  ou  aplicar  em  desacordo  com o  estatuído,  incentivo  fiscal  ou  parcelas  de  imposto  liberadas  por  órgão  ou  entidade de desenvolvimento;  V  ­ utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que  permita  ao  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  possuir  informação  contábil  diversa  daquela  que  é,  por  lei,  fornecida  à  Fazenda Pública.  Pena ­ detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.    A RFFP em tela descreve detalhadamente toda a conduta levada a efeito pelo  Autuado, com a descrição detalhada dos fatos e circunstâncias que desaguaram na conclusão da  ocorrência de fraude e sonegação, bem como as respectivas fundamentações legais.  A  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  acima  referida  houve­se  por  apensada ao Processo Administrativo Fiscal nº 10140.720433/2013­67, do qual o Autuado foi  cientificado em 21/03/2013  Não procede, portanto, a alegação de que a multa de ofício deve ser reduzida  para  75%,  em  razão  de  não  haver  a  descrição  da  conduta  caracterizadora  da  fraude  e  da  inexistência da tipificação dos artigos da Lei nº 4.502/64.   De  todo  o  exposto,  considerando  haver  sido  verificada  a  presença  dos  elementos  objetivos  e  subjetivos  de  conduta  que,  em  tese,  qualifica­se  como  fraude  e  sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, a multa de ofício aplicada deve  ser  mantida  no  percentual  de  150%,  conforme  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. artigos 71 e 72 da Lei  nº 4.502/64.  Diante de tal contingência, sendo a multa de ofício de 150%, não há mais que  se falar, no caso ora em estudo, de limitador para a multa de mora prevista no inciso III do art.  35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo qualquer hipótese  em que  seja  aplicável,  no  tocante  à penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, o preceito  insculpido no art.  106, II, ‘c’ do CTN.    3.9.  DA SUPOSTA VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS   O  Recorrente  alega  que  a  multa  aplicada  no  auto  de  infração  ofende  aos  princípios  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  (art.  5º,  inciso  LIV)  e  da  proibição  do  confisco (art. 150, inciso IV) previstos na Constituição Federal;  Com  efeito,  a  Constituição  Federal  de  1988,  no  Capítulo  reservado  ao  Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e  da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do  poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de  tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris:   Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988  Fl. 7751DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     100 Art.  145.  A  União,  os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios poderão instituir os seguintes tributos:  (...)  §1º  ­  Sempre que possível, os  impostos  terão caráter pessoal  e  serão  graduados  segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente  para  conferir  efetividade  a  esses  objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos  da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas  do  contribuinte. (grifos nossos)     Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  IV ­ utilizar tributo com efeito de confisco;    Revela­se  norteador  destacar  que,  no  capítulo  reservado  ao  Sistema  Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  as  obrigações tributárias, dentre outras.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  (...)  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Nessa  vertente,  no  exercício  da  competência  que  lhe  foi  atribuída  pelo  Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas  modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis:   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  (grifos nossos)   §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos)     Fl. 7752DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.702          101 Não  carece  de  elevada  mestria  a  interpretação  do  texto  inscrito  no  §2º  do  supratranscrito dispositivo  legal a qual aponta para a  total  independência entre as obrigações  ditas  principais  e  aquelas  denominadas  como  acessórias.  Estas,  no  dizer  cristalino  da  Lei,  decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto  prestações  positivas  ou  negativas  fixadas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.   As  obrigações  acessórias,  consoante  os  termos  do  Diploma  Tributário,  consubstanciam­se deveres de natureza  instrumental,  consistentes  em um  fazer,  não  fazer ou  permitir,  fixados na  legislação  tributária,  na  abrangência do  art.  96 do CTN,  em proveito do  interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos.  Adite­se  que,  nos  termos  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  o  mero  descumprimento  de  obrigação  acessória  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente  à  penalidade pecuniária, circunstância que lhe confere natureza objetiva.  Tal compreensão é corroborada pela norma tributária inscrita no art. 136 do  CTN,  o  qual  reza  que  a  responsabilidade  por  infração  à  legislação  tributária  independe  da  efetividade,  natureza  e  extensão  dos  efeitos  do  ato,  paramentos  que  acentuam  a  natureza  objetiva da imputação em relevo, sendo  irrelevante, portanto, para a  lavratura do competente  Auto de Infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária a sindicância da culpa  ou da intenção do infrator, ou de eventual prejuízo à administração tributária.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.    Deflui  das  disposições  legislativas  ora  revisitadas  que  as  vedações  constitucionais  acima  mencionadas  referenciam  os  impostos  –  espécie  tributária  do  gênero  tributo,  obrigação  tributária  principal  ­,  e  não  às  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  descumprimento de obrigação acessória.   Justificam­se  tais  vedações  pelo  fato  de  os  tributos  serem  prestações  pecuniárias compulsórias, que não constituem sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada  mediante atividade  administrativa plenamente vinculada. Sendo compulsória,  não há como o  Contribuinte, ao praticar o fato gerador lícito, se esquivar do seu recolhimento.  Já  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  acessória representa sanção pela prática de ato tributário ilícito, o qual é perfeitamente evitável,  além de desejável.  Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso  realçados,  além  de  outros  dispostos  na  CF/88,  são  dirigidos,  sem  sombra  de  dúvida,  aos  membros  políticos  do  Congresso  Nacional,  como  vetores  a  serem  seguidos  no  processo  de  gestação  de  normas  matrizes  de  cunho  tributário,  não  ecoando  nos  corredores  do  Poder  Executivo,  cujos  servidores  auditores  fiscais  subordinam­se  cegamente  ao  principio  da  atividade  vinculada  aos  ditames  da  lei,  dele  não  podendo  se  descuidar,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  Fl. 7753DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     102 Não  procedem  as  alegações  do  Recorrente  relativas  às  multas  infligidas  mediante os autos de infração em debate, eis que estas se houveram por aplicadas em perfeita  sintonia com os ditames  legais assentados no art. 35,  II da Lei nº 8.212/91, na  redação dada  pela  Lei  nº  9.876/99  e  no  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela Medida  Provisória  nº  449/2008.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  (...)  II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  trinta  por  cento,  após  o  décimo  quinto  dia  do  recebimento  da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c)  quarenta  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da  ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­  CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  d)  cinquenta  por  cento,  após  o  décimo  quinto  dia  da  ciência  da  decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº  9.876/99).      Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44  da  Lei  no  9.430,  de  1996.  (Incluído  pela Medida Provisória  nº  449/2008)    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488,/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  Fl. 7754DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.703          103 §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  V ­ (revogado pela Lei nº 9.716/98). (Redação dada pela Lei nº  11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Conforme já salientado anteriormente, escapa à competência deste Colegiado  a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios  constitucionais  e  às  limitações  ao  poder  de  tributar veiculadas  nos  artigos  145  e  150  da Lei  Maior. A declaração de  inconstitucionalidade de  leis ou a  ilegalidade de atos administrativos  constitui­se  prerrogativa  outorgada  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública  imiscuírem­se ex proprio motu  nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação  da competência exclusiva deste.  Nesse  sentido, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante,  exorta não  ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de  natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Fl. 7755DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     104 3.10.  DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO  O Recorrente pondera que não existe previsão legal para a incidência de juros  sobre  a  multa  de  ofício  exigida  conjuntamente  com  a  contribuição  (tributo)  supostamente  devido, como no caso concreto.  Mostra­se  auspicioso  esclarecer  que  o  conceito  de  crédito  tributário  abarca  não somente o principal como, também, os seus acessórios pecuniários legais, in casu, os juros  moratórios  e a multa punitiva,  consolidados  até  a data da  lavratura do Auto de  Infração. Ou  seja, verificado o inadimplemento do tributo, é cabível a incidência de juros moratórios sobre o  principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração,  bem  como  a  aplicação  de multa  punitiva,  que  passam  a  integrar  o  crédito  fiscal,  ou  seja,  o  montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco.  Uma  vez  consolidado  o  crédito  tributário  (principal  +  juros  +  multa),  ao  Sujeito Passivo é concedido prazo legal para o adimplemento espontâneo da obrigação.   Não  se  deve  perder  de  vista  que  os  juros  moratórios  representam,  efetivamente, o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda (o Sujeito Passivo)  paga ao  seu  legítimo proprietário  (o Fisco) pela posse  temporária do numerário que desde o  vencimento da obrigação já é de sua titularidade.   No  caso  dos  autos,  a  partir  da  data  de  vencimento  especificado,  o  Sujeito  Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento  tributário.  Nessa  perspectiva,  os  juros  de  mora  são  devidos  para  compensar  a  demora  do  Sujeito Passivo no pagamento do crédito  tributário consolidado. Se ainda assim há atraso na  quitação  da  dívida,  os  juros  de  mora  devem  incidir  sobre  a  totalidade  do  crédito  tributário  consolidado, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda  Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora  no pagamento.  Com efeito, tal entendimento espelha a jurisprudência firmada por ambas as  Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme se depreende dos seguintes julgados  adiante ementados:  TRIBUTÁRIO.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE.   1.  É  legítima  a  incidência  de  juros  de mora  sobre multa  fiscal  punitiva, a qual integra o crédito tributário.   2.  Recurso  especial  provido.  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro Meira, DJ de 14/9/2009).     PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.   1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.   Fl. 7756DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.704          105 2.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.335.688  –  PR,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJ de 10/12/2012)    Adite­se que a matéria em questão já se houve por decidida pela 1ª Seção do  STJ, no REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543­C do CPC,  com eficácia vinculativa desse precedente,  que deverá  ser  reproduzido pelos  conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do preceito insculpido no art. 62­A do  Regimento Interno do CARF.  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO  PARA  TRIBUTOS  ESTADUAIS  DIANTE  DA  EXISTÊNCIA  DE  LEI  AUTORIZADORA.  MATÉRIA  DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879.844/MG, DJE DE  25/11/2009,  JULGADO  SOB O  REGIME DO  ART.  543­C  DO  CPC.  ESPECIAL  EFICÁCIA  VINCULATIVA  DESSE  PRECEDENTE  (CPC,  ART.  543­C,  §7º),  QUE  IMPÕE  A  ADOÇÃO  EM  CASOS  ANÁLOGOS.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA.  LEGITIMIDADE.  PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL  A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010).    Regimento Interno do CARF   Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    3.11.  DA PERÍCIA CONTÁBIL  O Recorrente pugna pela realização de perícia contábil.  Desnecessária.    Cumpre  de  plano  ressaltar  que  a  perícia  tem,  como  destinatária  final,  a  autoridade  julgadora,  a  qual  possui  a  prerrogativa  de  avaliar  a  pertinência  de  sua  realização  para a solução da controvérsia objeto do litígio.   Nesse  panorama,  a  produção  de  prova  pericial  revela­se  apropriada  e  útil  somente  nos  casos  em que  a verdade material  não  puder  ser  alcançada  de  outra  forma mais  célere  e  simples.  Por  tal  razão,  as  autoridades  a  quem  incumbe  o  julgamento  do  feito  frequentemente  indeferem solicitações de diligência ou perícias  sob o  fundamento de que  as  Fl. 7757DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     106 informações  requeridas  pelo  contribuinte  não  serem  necessárias  à  solução  do  litígio  ou  já  estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos.   Estatisticamente,  constata­se  que  grande  parte  dos  requerimentos  de  perícia  aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em  documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor  fiscal  no  momento  da  formalização  do  lançamento,  eis  que  sindicado  e  esclarecido  durante  todo  o  curso  da  ação  fiscal.  Diante  desse  quadro,  o  reexame  de  tais  informações  por  outro  especialista  somente  se  revelaria  necessário  se  ainda  perdurassem  dúvidas  quanto  ao  convencimento  da  autoridade  julgadora  quanto  às matérias  de  fato  a  serem  consideradas  no  julgamento do processo.   Por  óbvio,  nada  impede  que  o  contribuinte  venha  aos  autos  demonstrar  a  questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa  ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para  o  exercício  de  suas  funções,  o  conhecimento  da matéria  tributária. Nada  obstante,  a  palavra  final  acerca  da  conveniência  e  oportunidade  da  produção  da  prova  pericial  caberá  sempre  à  autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)     Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal  do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos,  via de regra, como meramente protelatórios.  Cabe enfatizar que, no que tange à apreciação da prova, o Direito Processual  Brasileiro  adotou,  à  exceção  do  Tribunal  do  Júri,  o  sistema  da  persuasão  racional  do  juiz,  também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a  prerrogativa  de  livremente  apreciar  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes  dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar, na decisão, os motivos que  lhe formaram o convencimento.  No  caso  vertente,  não  vislumbramos  a  necessidade  de  perícia.  O  processo  encontra­se  instruído  com  todos  os  elemento  de  prova  necessários  para  a  formação  da  convicção da Autoridade Julgadora.  Chamamos a atenção para o fato de o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  ser,  por  força  de  lei,  a  autoridade  pública  competente  para  apreciar  a  documentação  do  sujeito  passivo,  aqui  inserida  sua  escrita  contábil,  e  dela  extrair  eventuais  débitos  previdenciários  não  devidamente  adimplidos  em  suas  épocas  próprias,  circunstância  que  mostra  ser  despicienda  a  chamada  de  eventual  perito,  para  auditar,  em  paralelo  à  autoridade em foco, o objeto do seu dever de ofício.  Ademais, de que servirá eventual perícia na escrita contábil do Recorrente a  qual  já  se  houve  por  desconsiderada  em  razão  de  não  respeitar  o  princípio  contábil  da  oportunidade  e  por  não  registrar  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço, do faturamento e do lucro ? A que se prestará perícia sobre um documento que revela  imprestável ao lançamento ?  Fl. 7758DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720434/2013­10  Acórdão n.º 2302­003.049  S2­C3T2  Fl. 7.705          107 Por  tais  razões,  considero  ser  desnecessária  a  instauração  da  perícia  pretendida pelo Recorrente, com fulcro no preceito inscrito no art. 18 do Decreto nº 70.235/72.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito  passivo mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.338.604­4 ­ CFL 68 ­ ser  recalculada,  tomando­se  em  consideração  as  disposições  inscritas  no  art.  32­A,  I,  da  Lei  nº  8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor da  multa  assim calculado  se mostrar menos  gravoso ao Recorrente,  em  atenção  ao princípio da  retroatividade benigna previsto no art. 106, II, ‘c’ do CTN.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                               Fl. 7759DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 10850.904404/2012-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Vooluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 14          1 13  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10850.904404/2012­69  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­002.994  –  1ª Turma Especial   Sessão de  26 de fevereiro de 2014  Matéria  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Recorrente  RSA ­ IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 31/08/2011  DESPACHO  DECISÓRIO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO.  MOTIVAÇÃO.  NULIDADE  E  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.   É  incabível  a  arguição  de  nulidade  do  despacho  decisório,  cujos  procedimentos  relacionados  à  decisão  administrativa  estejam  revestidos  de  suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim  como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e  assegurado  o  exercício  da  faculdade  de  interposição  da  respectiva  manifestação  de  inconformidade.  Motivada  é  a  decisão  que  expressa  a  inexistência  de  direito  creditório  para  fins  de  compensação  fundada  na  vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO  CONSTITUTIVO  DO  DIREITO.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.  Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da  existência  do  crédito,  desacompanhada  de  elementos  de  prova  não  é  suficiente  para  reformar  a  decisão  não  homologatória  de  compensação  e  afastar  a  exigência  do  débito  decorrente  de  compensação  não  homologada.  Somente  podem  ser  objeto  de  compensação  créditos  líquidos  e  certos,  cuja  comprovação  deve  ser  efetuada  pelo  contribuinte,  sob  pena  de  não  ter  seu  crédito reconhecido  INCONSTITUCIONALIDADE.  SÚMULA  02  DO  CARF.  ALEGAÇÃO  GENÉRICA.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 44 04 /2 01 2- 69 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 15          2 Recurso Vooluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes    (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.   Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 16          3     Relatório  Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira.  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  o  acórdão  da  DRJ/POR,  referente  ao  processo  administrativo,  em  que  foi  julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata:  O presente  processo  administrativo  foi materializado na  forma  eletrônica,  razão  pela  qual  todas  as  referências  a  folhas  dos  autos  pautar­se­ão  na  numeração  estabelecida  no  processo  eletrônico.  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  pela  contribuinte  por  meio  de  seus  representantes  legais,  conforme  instrumento  de  mandato,  em  face  do  Despacho  Decisório  eletrônico  resultante  da  apreciação  do  documento Declaração  de Compensação e dos demais documentos associados, por meio  dos  quais  a  contribuinte  pretende  ter  compensado  crédito.  Em  seu  pedido,  a  contribuinte  expressamente  declara  no  campo  próprio que "o crédito não tem como fundamento a alegação de  inconstitucionalidade  de  lei  que:  1)  não  tenha  sido  declarada  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta  de  inconstitucionalidade  ou  em  ação  declaratória  de  constitucionalidade;  2)  não  tenha  tido  sua  execução  suspensa  pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional  em  sentença  judicial  transitada  em  julgado  a  favor  do  contribuinte;  4)  não  tenha  sido  objeto  de  súmula  vinculante  aprovada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  nos  termos  do  art.  103­A da Constituição Federal".  Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição,  o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos  autos (fl. 004) com as seguintes características:  A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada  pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio  Preto ­ SP, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a  autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, sob o  fundamento  de  que  os  pagamentos  localizados  foram  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para compensação  dos débitos informados.  Cientificada  do  Despacho  Decisório  a  contribuinte  ingressou,  com a manifestação de inconformidade e documentos anexos, na  qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 17          4 1.  Preliminarmente,  reclama  o  recebimento  do  recurso,  não  obstante  a  intimação  ter  sido  recebida  eletronicamente  e  considerar  tal  via  em  desacordo  com  os  fatos,  emfunção  das  garantias constitucionais e legais que aponta, dentre elas o art.  5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 74, §§10 e 11, da  Lei nº 9.430/1996, e o art. 35, do decreto70.235/1972.  2.  Alega  a  nulidade  do  Despacho  Decisório  decorrente  da  insuficiência  de  fundamento,  dado  que  não  foi  esclarecida  a  indisponibilidade  de  crédito  tampouco  houve  intimação  da  empresa  para  esclarecer  o  porquê  de  ter  considerado  o  recolhimento indevido ou a maior, e, em conseqüência, não teria  sido efetivamente julgado o motivo da restituição. Cita o art. 37,  da Constituição Federal, e os artigos 2º, inciso VIII, e 50, da Lei  nº  9.784/1999.  Afirma  que  o  despacho  eletrônico  não  teria  passado pelo crivo de um auditor fiscal para confirmar a suposta  indisponibilidade  de  crédito.  Entende  que  o  indeferimento  se  deveu  exclusivamente  ao  encontro  de  contas  entre  o  débito  recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF e que não  teria  sido  investigadas  as  possíveis  causas  para  restituição,  sequer  aquelas  reconhecidas  pela  própria  Receita  Federal  no  art. 2º da IN nº 900/2008. Reforça a argüição de nulidade com  fundamento no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, pois a falta  de explicação sobre os motivos da suposta indisponibilidade de  crédito tornaria a decisão totalmente nula, por não oferecer os  elementos necessários para que a empresa possa promover sua  defesa  e  a  prova  da  existência  do  crédito.  Traz  decisão  administrativa.  3.  Alega  também  ter  havido  cerceamento  do  direito  de  defesa,  citando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e doutrina.  Fundamenta  a  alegação  no  fato  de  que  a  autoridade  administrativa  não  teria  analisado  o  mérito  do  pedido  nem  intimado a empresa para prestar esclarecimentos, nos termos do  art. 65, da IN nº 900/2008, o que teria violado o direito à ampla  defesa  e  o  dever  de  eficiência  dos  atos  administrativos.  Expõe  também  que  a  autoridade  administrativa  quedou­se  omissa  quanto aos  fundamentos que  formaram seu entendimento e que  tal falta de motivação obstaria até mesmo a produção de provas  necessárias,  já  que  sequer  seria  sabido  o  que  não  foi  reconhecido.  4.  No  mérito,  afirma  a  legitimidade  do  crédito  postulado.  Esclarece  que  procedeu  ao  envio  eletrônico  do  pedido  de  restituição/compensação, em atendimento ao disposto na IN RFB  nº  900/2008,  tendo  utilizado  para  tanto  o  programa  PER/DCOMP,  e,  no  entanto,  a  análise  da  restituição/compensação se deu  também por via eletrônica sem  considerara causa do pedido, que teria sido a utilização da base  de  cálculo  ampliada  para  o  cálculo  da  contribuição,  com  a  inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto  das  demais  receitas  que  não  deveriam  compor  aquela  base  de  cálculo,  de  acordo  com  teses  tributárias  já  julgadas  pelo  Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes.  Portanto,  o  pedido  formulado  tem  como  base  declaração  de  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 18          5 inconstitucionalidade já transitada em julgado, em consonância  com o disposto na Lei nº 9.430/1996.  5.  Clama  pela  produção  posterior  de  provas,  conforme  regra  autorizadora  do  art.  16,  §4º,  alínea  a,  a  ser  realizada  no  momento  em  que  a  lide  esteja  delineada  nos  seus  termos,  considerando  que  nem  a  autoridade  administrativa  nem  a  impugnante  sabem  ao  certo  o  motivo  do  indeferimento,  em  virtude da omissão dos motivos do indeferimento pela autoridade  administrativa e da falta de oportunidade para esclarecimentos  por parte da empresa, conforme já defendido nos outros pontos  da manifestação da contribuinte.  Conclui  requerendo  o  recebimento  do  recurso,  em  seus  efeitos  devolutivo  e  suspensivo,  para  seu  julgamento,  a declaração de  nulidade  do  Despacho  Decisório,  a  remessados  autos  à  Delegacia de origem para que sejam promovidas as diligências  necessárias à comprovação do crédito, o  julgamento pela  total  procedência do recurso, caso não sejam  reconhecidas  as  nulidades  argüidas,  com o  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  homologação  da  compensação,  e  a  produção  de  todos  os meios  de  prova  admitidos  em  direito,em  especial  prova  documental,  bem  como  o  direito  de  produzi­las  em momento posterior.  É o relatório.    Acordaram  os  membros  da  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/RPO,  por  unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela  contribuinte, restando assim a ementa do referido julgado com o seguinte teor, in verbis:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  RESTITUIÇÃO  E  COMPENSAÇÃO.  PROFUNDIDADE  DA  APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO.  Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da  compensação  no  limite  do  teor  do  pedido  apresentado,  não  podendo  ser  caracterizado  como  falta  de  aprofundamento  da  análise  a  não  apreciação  de  fundamento  não  registrado  no  corpo do pedido e trazido somente na contestação.  INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA.  Não  pode  prosperar  a  alegação  genérica  de  que  são  inconstitucionais as normas aplicáveis ao caso concreto e/ou a  menção  a  teses  tributárias  e  jurisprudência  não  especificadas,  por  impossibilitar  à  instância  julgadora  identificar  suficientemente os argumentos a serem apreciados.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito passivo a demonstração, acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  da  existência  do  crédito  que  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 19          6 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  PROVAS. OPORTUNIDADE  Com a  impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de  provas,  precluindo o direito de o  impugnante apresentá­las em  outro momento processual.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR.  Verificado  que  o  crédito  pleiteado  tem  seu  valor  totalmente  vinculado  à  quitação  de  débitos  declarados  em  DCTF,  resta  impossibilitada, por falta de saldo, a restituição.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Inconformada  apresenta  a  contribuinte  Recurso  Voluntário,  onde  apresenta  resumo dos fatos, e após, nas razões de direito, requer a nulidade do acórdão, por ausência de  motivação e  fundamentação, bem como pela  falta das diligências necessárias à comprovação  do crédito pela Delegacia de origem. Por fim, caso não sejam acolhidas as nulidades argüidas,  requereu que seja reconhecido o direito creditório.  É o relatório.  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 20          7     Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Analisando  os  autos,  não  se  vislumbra  razões  para  reforma  do  acórdão  da  DRJ de Ribeirão Preto (SP), conforme se verá a seguir.  Em  recurso  voluntário  a  contribuinte  requereu  a  nulidade  do  acórdão,  por  ausência de motivação e fundamentação do despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido  tratou com perfeição o assunto.  No  tocante  às  preliminares  de  nulidade,  não  se  vislumbra a  sua ocorrência,  conforme  pretende  a  contribuinte,  eis  que  o  despacho  decisório,  além  de  se  revestir  dos  requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência  da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação  do  crédito  alegado,  como  também,  não  se  caracteriza  cerceamento  de  defesa  o  fato  de  a  Contribuinte  não  ter  sido  intimada  a  esclarecer  os motivos  de  ter  pleiteado  a  restituição  do  tributo pago, como será demonstrado.  Com  relação  ao  instituto  da  compensação  cumpre  transcrever o  regramento  emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela  Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da Receita Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.  § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.    Nesses  termos,  a  compensação  deve  ser  implementada  pelo  sujeito  passivo  com  a  entrega  da  declaração  correspondente,  na  qual  constam  informações  relativas  aos  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 21          8 créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a  extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação.  O  PER/DCOMP  se  presta  a  formalizar  o  encontro  de  contas  entre  a  contribuinte e a Fazenda Pública, por  iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade  pelas  informações  sobre  os  créditos  e  os  débitos,  ao  passo  que  à  Administração  Tributária  compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado,  sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados.  No  caso  concreto,  a contribuinte declarou débitos de PIS, COFINS e  IPI,  e  apontou o documento de arrecadação  (DARF)  referente a COFINS, como origem do crédito,  alegando  “pagamento  indevido  ou  a  maior”  .  Em  se  tratando  de  declaração  eletrônica,  a  verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica,  tendo resultado no Despacho Decisório em discussão.  O  ato  combatido  aponta  como  causa  da  não  homologação  o  fato  de  que,  embora  localizado  o  pagamento  indicado  no PER/DCOMP  como origem do  crédito,  o  valor  correspondente fora utilizado para a integralmente utilizado, não havendo, portanto, o referido  “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR” do tributo em exame.  Assim,  a  análise  declaração  prestada  pela  própria  interessada  à  Administração  Tributária  revela  que  o  crédito  pretendido  pela  compensação  declarada  não  existia,  visto  que  já  havia  sido  aproveitado  para  liquidar,  por  meio  de  pagamento,  débito  distinto anteriormente declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível  para  suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não  homologação  do  valor  que  já  estava  destinado  a  pagamento  de  tributo  anteriormente  confessado, conforme consta do Despacho Decisório.   Em  suma,  os  motivos  da  não  homologação  da  compensação  pleiteada  residem  nas  próprias  declarações  e  documentos  produzidos  pela  contribuinte.  Estes  são,  portanto, a prova e o motivo do ato administrativo.   Cabe  observar  ainda  que o  fato de o Contribuinte não  ter  sido previamente  intimado  a  prestar  esclarecimentos  ou  apresentar  prova  sobre  o  alegado  crédito  indicado  na  Declaração  de  Compensação  eletrônica  ("DCOMP"),  objeto  do  despacho  decisório,  não  configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado  por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dele foi a contribuinte  regularmente cientificada, sendo­lhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30  dias a manifestação de  inconformidade,  tal  como fez, contudo desacompanha de documentos  comprobatórios do direito alegado.   Acrescenta­se que, distintamente do que ocorria no regime de compensação  por requerimento (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte  deveria  apresentar  prova  do  seu  crédito  quando da  formalização  do  pedido  de  restituição  ou  compensação,  já  que  compete  ao  requerente  provar  o  seu  direito,  a  partir  da  vigência  da  Instrução Normativa  SRF  n°  210/2002,  dentro,  portanto,  do  regime de  compensação  por  via  declaratória  (art.  74  da  Lei  n°  9.430/96  em  sua  nova  redação),  não  é  exigido  que  a  prova  documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP").   Ao contrário do que alega a  impugnante, o art. 65 da IN n°900/08 faculta à  autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 22          9 a  compensação,  que  se  condicione  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a  exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso.   A Autoridade  da RFB competente  dispunha  de  todos  os  dados  necessários,  informados  pelo  próprio  contribuinte,  para  decidir  sobre  o  referido  pedido  de  compensação,  não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação.  Cabe  observar  ainda  que  o  artigo  14  do Decreto  n°  70.235/1972  prescreve  que  "A  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento”,  sendo  tal  disciplina,  afeta  ao  Processo  Administrativo  Fiscal  no  âmbito  da  União,  aquela  que  rege  o  contencioso  concernente  à  não­homologação  da  compensação.  Assim,  temos  que  Despacho  Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de  lançamento,  estando  ligado  ao  instituto  da  compensação,  enquanto  a  manifestação  de  inconformidade  obedece  ao  mesmo  rito  processual  que  também  submete  a  impugnação  do  lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96.  Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que  o  contribuinte  poderá  opor  resistência  à pretensão,  respaldado pelas garantias  constitucionais  ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso.  Não  se  vislumbra,  assim,  no Despacho Decisório  recorrido qualquer ofensa  ao princípio da  ampla defesa,  visto que  ele  foi plenamente observado pela Autoridade que o  proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos  os  elementos  próprios  devidos  ao  processo  foram  respeitados,  em  estreita  obediência  aos  ditames da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72, não se observando, ainda, qualquer das  situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas,  pois  não  há  qualquer  razão  para  que  seja  considerado inválido o Despacho Decisório recorrido.   Assim,  consoante  restou  apreciado  pela  DRJ  de  Ribeirão  Preto,  verifica­se  que  em  seus  pedidos  originais,  a  contribuinte  informou,  no  campo  próprio  da  PER/DCOMP,  que  a  restituição  pleiteada  se  fundava  em  “pagamento  indevido  ou  a  maior” e não há registro nesse documento que  indique se  tratar de pedido fundado em  alegação  de  inconstitucionalidade  de  norma  jurídica.  Ao  contrário  do  afirmado  na  manifestação  de  inconformidade  e  recursos  voluntário,  o  campo  referente  à  existência  de  fundamento  de  inconstitucionalidade,  a  seguir  transcrito,  está  preenchido  com  informação  negando se tratar dessa situação para os casos ali expressamente identificados:  O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento  eletrônico,  TEM  como  fundamento  a  alegação  de  inconstitucionalidade  de  lei  que:  1)  não  tenha  sido  declarada  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta  de  inconstitucionalidade  ou  em  ação  declaratória  de  constitucionalidade;  2)  não  tenha  tido  sua  execução  suspensa  pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional  em  sentença  judicial  transitada  em  julgado  a  favor  do  contribuinte;  4)  não  tenha  sido  objeto  de  súmula  vinculante  aprovada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  nos  termos  do  art.  103­A da Constituição Federal? NÃO   (grifou­se)  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 23          10 Deste modo, a contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório que não  homologou  a  compensação  declarada,  acena  com  a  existência  de  indébito  decorrente  de  pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando hipoteticamente e genericamente que  haveriam afrontas a Constituição Federal, apesar de ter respondido “NÃO” ao questionamento  da PER/DCOMP, consoante se verifica a fl. 02 do presente processo administrativo fiscal.   Assim,  temos  que  a  contribuinte  apresentou  em  Manifestação  de  Inconformidade  pretensão  de  revisão  do  valor  do  débito  confessado  por  ter  utilizado  equivocadamente  a base  de  cálculo  ampliada para o  cálculo da  contribuição,  com a  inclusão  tanto  da  receita  decorrente  de  seu  faturamento  quanto  das demais  receitas que não deveriam  compor  aquela  base  de  cálculo,  “de  acordo  com  teses  tributárias  já  julgadas  pelo  Supremo  Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”.   Quanto a referida alegação de  inconstitucionalidade, não vislumbro motivos  para alterar os argumentos trazidos no voto da DRJ de origem, in verbis:  “Em primeiro lugar, a alegação de inconstitucionalidade como  fundamento  para  o pedido deve  ser analisada considerando os  termos em que o próprio pedido foi materializado. O fundamento  apontado  no  momento  do  registro  do  pedido  original  pela  requerente  foi  o  “pagamento  indevido  ou  a  maior”,  complementado  pela  informação  de  que  não  se  trata  de  “alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de  constitucionalidade;  2)  não  tenha  tido  sua  execução  suspensa  pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional  em  sentença  judicial  transitada  em  julgado  a  favor  do  contribuinte;  4)  não  tenha  sido  objeto  de  súmula  vinculante  aprovada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  nos  termos  do  art.  103­A da Constituição Federal”.  Portanto,  se  no  momento  da  impugnação  é  explicitado  pela  requerente  tratar­se  de  fundamento  de  inconstitucionalidade,  esse só poderá ser considerado dentro do contorno estabelecido  no  pedido  inicial,  sob  pena  de  se  caracterizar  inovação  e,  conseqüentemente,  restar  configurado  novo  pedido.  Além  do  mais, para pedido a partir da vigência da MP nº 449, de 03 de  dezembro  de  2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941,  de  2009,  que  alterou a redação do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, considera­se  não  declarada  a  compensação  cujo  crédito  tenha  como  fundamento  alegação  de  inconstitucionalidade  fora  daquelas  hipóteses; portanto, a alegação de inconstitucionalidade só pode  ser  conhecida  no  regime  de  apreciação  da  manifestação  de  inconformidade dentro das hipóteses que não caracterizariam a  compensação como não declarada.  Nesses  termos,  há  que  se  enquadrar  o  fundamento  de  inconstitucionalidade em uma das quatro hipóteses descritas nos  parágrafos anteriores. No entanto, a precariedade da descrição  do  fundamento  não  permite  sequer  adentrar  essa  seara.  A  contribuinte  limita­se  a  mencionar  genericamente  “teses  tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma  favorável  aos  contribuintes”,  sem  sequer  indicar  uma  decisão  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 24          11 específica  ou  dispositivos  legais  objeto  dessas  teses,  apenas  se  referindo a receitas que não deveriam compor a base de cálculo  do  tributo  e  a  inconstitucionalidade  na  ampliação  da  base  de  cálculo  declarada  em  ação  já  transitada  em  julgado.  A  fundamentação  apresentada  é  tão  genérica  que  a  contribuinte  sequer esclarece em seu instrumento quais seriam as parcelas  indevidamente  incluídas  na  base  de  cálculo  ou  se  a  contribuição  seria  aquela  sujeita  ao  regime  cumulativo  ou  ao  regime não­cumulativo, apenas aponta o tipo de contribuição, o  período  de  apuração  e  o  valor  pleiteado.  Dentre  outras  não  menos relevantes,  também a omissão do regime de tributação é  essencial,  pois  cada  regime  se  encontra  sujeito  a  arcabouço  normativo distinto e, portanto, eventuais  inconstitucionalidades  seriam atribuídas a leis distintas, leis essas também não citadas  na singela argumentação apresentada.  Ora,  a  omissão,  pela  manifestante,  da  natureza  das  parcelas  questionadas,  dos  dispositivos  legais  que  estariam  eivados  de  inconstitucionalidade,  da  explicitação  da  tese  de  inconstitucionalidade  sustentada  e  das  decisões  de  tribunais  que  tenham discutido a matéria  impede a  consideração dessa  linha  de  argumentação  por  total  impossibilidade  de  identificação  da  tese  a  ser  debatida  e  dos  elementos  fáticos  correspondentes.  Logo, é improcedente a alegação genérica da contribuinte.”    Salienta­se  ainda  que  diante  da  alegação  da  contribuinte  de  inconstitucionalidade de  lei  tributária, necessária a aplicação ao presente caso do disposto na  Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe:  SÚMULA Nº  2  do  CARF: O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Diante disto,  deixou  de  fazer pronunciamento  sobre  a  inconstitucionalidade  de lei tributária, por força do disposto na Súmula acima transcrita.  Ainda, cumpre registrar que a contribuinte não traz em momento algum aos  autos  qualquer  documento/prova  que  dê  sustentação  a  qualquer  de  suas  alegações,  tratando  sempre  de  forma  genérica.  Ou  seja,  as  conjecturas  aventadas  não  são  suficientes  para  comprovar  a  existência  de  indébito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a maior,  tal  como  expressamente referido no pedido de compensação (PER/DCOMP).  O  chamado  ônus  da  prova  é  da  contribuinte  no  que  tange  à  existência  e  regularidade  do  crédito  com  que  pretendeu  extinguir  a  obrigação  tributária.  Com  efeito,  ao  declarar  à  Autoridade  Tributária  que  dispunha  de  crédito  capaz  de  extinguir  um  débito,  o  sujeito  passivo  assume  a  incumbência  de  demonstrar  sua  liquidez  e  certeza  nos  termos  do  disposto no art.170 do Código Tributário Nacional, in verbis:  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 25          12 Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.    Ao  não  trazer  aos  autos  documentos  que  comprovem  suas  alegações,  a  contribuinte viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à  pessoa  que  alega  o  fato,  conforme  se  depreende  dos  artigos  15,  caput,  e  16,  inciso  III,  do  Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito:   "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  todos os documentos em que se  fundamentar, será apresentada  ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da  data em que for feita a intimação da exigência.  (...)  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir. "    Assim,  temos  que  no  processo  administrativo  fiscal,  tal  qual  no  processo  civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado,  in casu, da contribuinte.  Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36:  “Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.”    Em igual sentido, temos o art. 333 do Código de Processo Civil:  “Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.”    Necessário  destacar  que  o  presente  Recurso  Voluntário,  tal  qual  a  Manifestação  de  Inconformidade,  vieram  desacompanhados  de  qualquer  documento  comprobatório do direito alegado.   Diante disto,  resta devidamente demonstrado que  competia  à contribuinte o  ônus  da  formação  da  prova  do  alegado  direito  creditório,  a  fim  de  demonstrar  a  certeza  e  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904404/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.994  S3­TE01  Fl. 26          13 liquidez  do  indébito  utilizado  em  compensação,  conforme  exigido  no  art.  170  do  CTN.  A  comprovação  do  indébito  é  um  requisito  indispensável  e  cabe  ao  suposto  credor  fazê­la. No  entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação.  Assim,  não  vislumbra­se  nenhuma  nulidade,  não  existindo  violação  ao  princípio da  ampla defesa  e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88, devendo ser  afastadas  por  completo  a  preliminares  de  nulidade  do  Acórdão  recorrido.  Deste  modo,  em  conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os  artigos  15  e  16  do  Decreto  n°  70.235/72,  verifica­se  que  as  razões  expostas  no  Recurso  Voluntário  da  contribuinte  não  procedem. Quanto  a  alegação  de  inconstitucionalidade  de  lei  tributária, aplicável ao caso concreto a Súmula 02 do CARF, não sendo o presente Conselho  competente para análise de tal matéria.  Em  face  do  exposto,  encaminho  o  voto  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  É assim que voto.    (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.                                  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 10830.001790/2003-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002 CRÉDITO ESCRITURAL DO IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACRÉSCIMOS DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA POR PARTE DO FISCO. APLICAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. IMPOSSIBILIDADE. 1. No ressamento do saldo credor do IPI apurado no final de cada trimestre-calendário, decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade (crédito escritural), não há acréscimo de acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic, por ausência de previsão legal. 2. Segundo a jurisprudência do STJ, no ressarcimento de crédito escritural do IPI incide a atualização monetária se e somente se ficar caracterizada a resistência ilegítima ao seu aproveitamento por meio de ato, administrativo ou normativo, do Fisco, situação que não se vislumbra nos autos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO     2 José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro,  Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento,  Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.    Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  (fls.  6/8),  protocolada  em  26/3/2003,  que,  em  4/6/2007,  foi  substituída  pelas  Declarações  de  Compensação  de  fls.  361/391,  em que  informada  a  compensação  do  débito  do  IRPJ  do mês  dezembro  de 2002  e  vencimento em 31/3/2003, no valor de R$ 2.506.222,19, com o saldo credor remanescente do  IPI do 2º  trimestre de 1999 ao 4º  trimestre de 2002, no valor  total de R$ 2.506.222,19, com  respaldo no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999.   Em aditamento, para fim de compensação com a atualização monetária, com  base na taxa Selic, do referido crédito, no valor de R$ 960.791,96, foram informados os valores  dos  seguintes  débitos  da Cofins:  a) R$  706.187,66  do mês  de março  de  2003,  por meio  da  Declaração  de  Compensação  de  fls.  397/399,  protocolada  em  15/4/2003  (processo  nº  10830.002146/2003­21); e b) R$ 553.312,43 do mês de abril de 2003, por da Declaração de  Compensação de fls. 432/434, protocolada em 14/5/2003 (processo nº 10830.002829/2003­89).  A autoridade competente da unidade da Receita Federal de origem, acatando  as conclusões exaradas na Informação Fiscal de fls. 393/394, por meio do Despacho Decisório  de  fls.  482/483,  reconheceu  apenas  valor  do  crédito  originário,  no  valor  total  de  R$  2.506.222,19, e homologou a compensação até o limite do valor do crédido reconhecido.  Cientificada  do  referido  Despacho  Decisório,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade (fls. 497/499), a  interessada contestou a cobrança dos débitos remanescentes,  sob  os  argumentos  de  que  (i)  não  foi  reconhecido  o  valor  de  R$  960.791,96,  relativo  à  atualização monetária,  com base na  variação  da  taxa Selic;  e b)  não  procedia  a  cobrança  da  diferença de R$ 68.974,24,  relativo  ao débito do  IRPJ,  com vencimento  em 31/3/2003, uma  vez  que  o  valor  do  débito  compensado  de  R$  2.506.222,19  era  igual  ao  valor  do  crédito  reconhecido.  Sobreveio  a  decisão  de  primeira  instância  (fls.  543/546),  em  que,  por  unanimidade  de  votos,  foi  julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  sob  os  fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrita:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002   RESSARCIMENTO.  JUROS  PELA  TAXA  SELIC.  POSSIBILIDADE.  Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária  ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores  objeto de ressarcimento de crédito de IPI  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10830.001790/2003­82  Acórdão n.º 3102­002.121  S3­C1T2  Fl. 11          3 Em 11/6/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância.  Inconformada, em 2/7/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 557/563, em que reafirmou  as razões de defesa acerca do direito à parcela do crédito atualizada com base na variação da  taxa Selic. Em aditamento,  alegou que  o  art.  62­A do Anexo  II  do Regimento  Interno  deste  Conselho  deteminava  a  reprodução,  pelos  conselheiros,  das  decisões  defitivas  de  mérito  proferidas pelo STJ, o que se aplicava ao caso em tela.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator  O  recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  portanto, deve ser conhecido.  O cerne da controvérsia cinge­se à questão atinente a atualização, com base  na variação da taxa Selic, dos valores dos créditos originários provenientes dos saldos credores  remanescentes do IPI do 2º trimestre de 1999 ao 4º trimestre de 2002, utilizados pela recorrente  na compensação dos débitos informados nas referidas Declarações de Compensação.  Em  face  das  decisões  definitiva  de  mérito  do  STJ  acerca  da  matéria,  proferidas  no  reigme  de  recurso  repetitivo,  previsto  no  art.  543­C  do  CPC,  propugnou  a  recorrente a aplicação,  ao caso em  tela, do disposto no art. 62­A do Anexo  II do Regimento  Interno  deste  Conselho,  que  detemina  a  reprodução,  nos  julgamentos  deste  Conselho,  dos  fundamentos  aduzidos  nos  julgados  do  STJ  proferidos  na  forma  e  segundo  o  referido  rito  processual.  Antes  de  analisar  tal  alegação,  é  oportuno  ressaltar  que,  no  ordenamento,  inexiste previsão legal que permita a atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes  à taxa SELIC aos valores originários objeto de ressarcimento de crédito escritural do IPI.  Com efeito, o art. 66, § 3º, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com  redação dada pela Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, permite a atualização monetária, mas  apenas  para  a  restituição  de  créditos  decorrentes  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido  de  tributos  federais.  Num  primeiro  momento,  tal  atualização  era  feita  com  base  na  variação da UFIR. Já num segundo momento, a partir de 1º de  janeiro de 1996,  tais créditos  passaram a ser acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei  nº  9.250,  de  26  de  dezembro  de  1995.  Para  uma  melhor  compreensão  do  assunto,  seguem  transcritos os referidos preceitos legais:  Art.  66.  Nos  casos  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributos,  contribuições  federais,  inclusive  previdenciárias,  e  receitas  patrimoniais,  mesmo  quando  resultante  de  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória,  o  contribuinte  poderá  efetuar  a  compensação  desse  valor  no  recolhimento  de  importância  correspondente  a  período  subseqüente.  [...]  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO     4 § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do  tributo  ou  contribuição  ou  receita  corrigido  monetariamente  com base na variação da UFIR.  [...]  Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de  30  de  dezembro de  1991,  com a  redação dada pelo art.  58  da  Lei  nº  9.069,  de  29  de  junho  de  1995,  somente  poderá  ser  efetuada  com  o  recolhimento  de  importância  correspondente  a  imposto,  taxa,  contribuição  federal  ou  receitas  patrimoniais  de  mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos  subseqüentes.  [...]  §  4º  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  a  compensação  ou  restituição  será  acrescida  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­  SELIC  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados a partir da data do pagamento  indevido ou a maior  até  o mês  anterior  ao  da  compensação  ou  restituição  e  de  1%  relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada”. (grifos não  originais)  Da  simples  leitura  dos  preceitos  legais  em  destaque,  infere­se  que  eles  asseguram a atualização apenas dos créditos passíveis de restituição, nos casos de repetição de  pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos federais.  Por outro lado, não há previsão de atualização dos créditos escriturais do IPI,  passíveis de ressarcimento, seja na legislação deste Imposto, seja na Lei nº 9.779, de 1999, que  criou a nova previsão de ressarcimento do saldo credor do IPI (créditos básicos), acumulado ao  final  de  cada  trimestre­calendário,  decorrente  de  aquisição  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem,  aplicados  na  industrialização,  inclusive  de  produto  isento ou tributado à alíquota zero.  Portanto, diversamente dos créditos objeto de repetição de indébito tributário,  que  tem norma  legal  expressa que  permite  acréscimo  ao  valor  do  crédito  a  ser  restituído  de  juros equivalentes à variação da taxa Selic, em relação aos créditos escriturais do IPI, passíveis  de ressarcimento, inexiste qualquer previsão legal neste sentido.  Entretanto,  embora  sem  previsão  legal,  no  âmbito  do  STJ,  foi  firmado  um  entendimento  jurisprudencial  que  admite  tal  atualização,  porém,  somente  nos  casos  de  existência  de  ato  da  administração  tributária,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não  cumulatividade  (crédito básico IPI), o que descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima  a necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.  Nesse  sentido,  a  Primeira  Seção  do  STJ  aprovou  a  Súmula  nº  411,  cujo  enunciado  dispõe  que  “é  devida  a  correção  monetária  ao  creditamento  do  IPI  quando  há  oposição ao seu aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco”. No diapasão, é  o entendimento esposado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº  1.035.847/RS,  submetido  ao  regime do  recurso  repetitivo,  previsto no  artigo 543­C do CPC,  transitado em julgado em 03/03/2010, que ficou assim ementado, in verbis:  Fl. 599DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10830.001790/2003­82  Acórdão n.º 3102­002.121  S3­C1T2  Fl. 12          5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1. A  correção monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes do princípio constitucional da não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em  sua escrita contábil.   3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547∕PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel.  Ministro José Delgado,  julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005;  EREsp  495.953∕PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796∕PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em  26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro  Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ  08∕2008.  (REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) –  grifos acrescidos  Com base do enunciado da ementa do julgado em referência, extrai­se que, o  próprio  Trbunal  reconhece  que,  no  ressarcimento  dos  créditos  escriturais  do  IPI,  não  há  previsão  legal  para  atualização  monetária,  porém,  em  havendo  oposição  ilegítmima  ao  seu  aproveitamento  por  parte  do  Fisco,  aí  sim,  exsurge  legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente.  Portanto, fica devidamente esclarecido que essa jurisprudência não assegura,  de  forma  incondicional,  a  correção  monetária  dos  créditos  escriturais  do  IPI,  mas  somente  naquelas hipóteses em que restar suficientemente caracterizada a resistência ilegítima por parte  da Administração tribubária. A contrário senso, inexistindo tal óbice, obviamente, não cabe a  referida correção ou acréscimo.  Fl. 600DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO     6 No caso  em  tela,  a  recorrente  teve o  seu  crédito  integralmente  reconhecido  pela autoridade competente da unidade da Receita Federal de origem,  logo, como não houve  qualquer  obstáculo  ao  ressarcimento  do  direito  creditório  utilizado  no  procedidmento  compentário  em  apreço,  certamente,  não  se  aplica  ao  presente  julgamento  os  fundamentos  exarados no referido julgado.  Pela mesma razão, também não se aplica o disposto no art. 62­A do Anexo II  do Regimento Interno deste Conselho, porque a questão aqui tratada é distitnta daquela que foi  julgada no âmbito acórdão paradigma (REsp nº 1.035.847/RS).  Em  consequência,  como  não  há  previsão  legal  de  acréscimo  de  juros  equivalentes  à  taxa  Selic  aos  valores  originários  dos  créditos  escriturais  do  IPI  objeto  de  ressarcimento, conforme demonstrado precedentemente, fica impossibilitado o atendimento da  pretensão aduzida pela recorrente.  Por  todo  o  exposto,  vota­se  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  manter na íntegra o acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                              Fl. 601DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO

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Numero do processo: 11516.004149/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FNC COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FNC COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 3            2 RELATÓRIO  Em desfavor da contribuinte, FNC COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA.,  foi  emitido  auto  de  infração,  f.  16­25,  através  do  qual  se  exige  o  crédito  tributário  RS  1.670.553,16, incluindo imposto, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício.  A  exigência  se  refere  ao  Imposto  sobre  a Propriedade Territorial Rural  ­  1TR  dos  exercícios  2005  e  2006,  incidente  sobre  o  imóvel  rural  com  área  total  de  1.230,0  ha.,  Número de Inscrição ­ NIRF 337122­0, localizado no município de Laguna­SC.  Segundo  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal,  o  lançamento  de  ofício  decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ­ DITR  em relação ao seguinte fato tributário:  Valor  da  Terra  Nua  ­  VTN:  regularmente  intimado,  o  contribuinte  deixou  de  apresentar laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, motivo pelo qual o valor declarado  foi  substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita  Federal ­ SIPT.  Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros  moratórios e multa de ofício.  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  por  aviso  de  recebimento  postal  em  08/12/2010, conforme consta da f. 29.  Em  15/12/2010, Banco Citibank  S/A, CNPJ  33.479.023/0001­80,  na  condição  de  incorporadora  de  FNC  Comércio  e  Representações  Ltda,  por  meio  de  seus  advogados  qualificados nos autos, apresentou impugnação, f. 30­55, e após relatar os motivos da autuação,  passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são:  Preliminarmente  a  impugnante  alega  que  não  é  contribuinte  do  ITR  porque  não  é  possuidora  nem proprietária  do  imóvel  e  nem  detém o  domínio  útil,  e  também  não  é  responsável  por  sucessão  porque  seus  antecessores  também  não  eram  contribuintes  c  não  tinham  o  dever  jurídico  de  pagar  o  ITR,  pois  nunca  tiveram  posse,  propriedade  ou  domínio útil do imóvel.  Esclarece  que  o  imóvel  está  registrado  no  Registro  de  Imóveis  e  Hipotecário  da  Comarca  de  Laguna,  no  Livro  n°  2  ­  BM  ­  Registro  Geral  ­  lis.  133,  sob  n"  12.754,  em  nome  do  Banco  Crefisul  de  Investimento  S.A.;  que  o  Banco  Crefisul  S/A  recebeu  o  imóvel  em  "dação em pagamento" e que o referido banco foi extinto e os direitos  sobre  o  imóvel  passaram,  em  tese,  para  a  impugnante.  Entretanto,  a  impugnante  entende  que  é  inválida  a  dação  em  pagamento  porque  o  imóvel  não  pertencia  aos  devedores  contratantes  que  transferiram  o  imóvel ao Banco Crefisul, nominados no Registro Imobiliário (Cecrisa,  Klace S/A e Cominas).  Fl. 694DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 4            3 Isso porque a primeira proprietária, Companhia Siderúrgica Nacional  ­ CSN, antes das transferências dominiais, já havia perdido demandas  judiciais  em  face  dos  posseiros  da  área,  sendo  que  os  processos  judiciais estão em vias de ser identificados pela impugnante por meio  de diligência na Comarca de Tubarão.  Sustenta que no "google maps" se constata que o imóvel foi fracionado  pelos  posseiros  em  áreas  rurais  menores.  O  falo  é  que  o  imóvel  há  muito  tempo está ocupado por posseiros e por pessoas com títulos de  propriedade sobre a mesma área os quais  foram obtidos em ações de  usucapião  transitadas  em  julgado,  caso  do  Senhor  Itamar  Sebastião  Mattos, dono do CTG Preto Velho (fotografia em anexo), instalado no  local  há mais  de  trinta  e  cinco  anos. Outros moradores,  embora  não  possuam  o  título  aquisitivo  da  propriedade,  já  possuem  tempo  suficiente  para  requerer  judicialmente  a  declaração  de  aquisição  da  propriedade por usucapião. E há aqueles que não sabem que o imóvel  tem outra matrícula no RI de Laguna.  Alega que sobre o  imóvel existia um  lixão que hoje é denominado de  aterro sanitário, conforme consulta ao "google maps", e que o Senhor  Itamar  Sebastião Mattos,  para  que  o  Poder  Público  criasse  o  aterro  sanitário,  doou para  a FATMA,  da  parte  que  lhe  pertence  do  imóvel  fiscalizado,  cerca  de  10  a  12  hectares,  sendo  que  antes  disso  havia  doado a referida área ao IBAMA.  Informa  que  também  são  proprietários  atuais  do  imóvel  fiscalizado  Vilson  Carrara,  Hélio  Flor  e  Pozolana  Industria  e  Comércio  Ltda,  dentre outros.  Conclui que os possuidores do  imóvel devem estar pagando o ITR ou  estão isentos ou imunes, considerando a divisão do imóvel.  Alega  que  a  partir  de  2012  o  imóvel  passou  a  integrar  o  novo  município  de  "Pescaria  Brava",  cuja  emancipação  foi  aprovada  pela  Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, e que a área do  imóvel já é considerada urbana.  No mérito, esclarece que necessitava obter a Certidão de regularidade  fiscal e para  isso  foi orientada a apresentar a Declaração do  ITR do  imóvel mesmo  não  sendo  proprietária  ou  possuidora.  Reconhece  que  agiu com erro, pois deveria ter solicitado o cancelamento da inscrição  de  imóvel  rural  ­  CAFIR  junto  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme  instruções  publicadas  no  site  da Receita Federal,  e,  após, solicitar a expedição da certidão negativa. Sustenta que este erro  não tem o condão de impor, à impugnante, a responsabilidade pelo ITR  lançado,  conforme  art.  31  do  CTN  e  entendimento  da  doutrina  e  da  jurisprudência.  Alega  que  a  área  é  isenta,  nos  termos  da  Lei  9.393/96,  porque  é  imprestável  para  fins  de  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aquicola ou florestal, uma vez que há grande ocupação do imóvel com  casas de moradia, comércios, pequenos sítios, aterro sanitário, Centro  de Tradições Gaúchas ­ CTG, depósito de resíduos de carvão mineral,  área  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal  (IBAMA  e  FATMA).  Há  também  área  de  interesse  ecológico  na  área  de  recuperação  ambiental.  Entende  que  ao  menos  deve  ser  aplicada  a  Fl. 695DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 5            4 alíquota de 0,3%, considerando grau de utilização do  imóvel de 80%  por se tratar de área imprestável para exploração (art. 11 parágrafo I  o da Lei 9.393/96).   Pede a produção das seguintes provas:  A Impugnante requer, ainda, que, nos termos do arl. 16, § 4o, "a" do  Decreto  n°  70.235/72,  seja  oporíimizada  a  juntada  de  documentos  posteriormente à apresentação da Impugnação. Es/es documentos não  estão sendo juntados, neste momento, por motivo de força maior, como  passamos a demonstrar.   A força maior decorre da necessidade de obter junto ao Tabelionato e  ao  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  em  Laguna/SC  e  Tubarão/SC,  cópias das escrituras públicas e das matrículas dos imóveis, resultantes  do /racionamento da matrícula do imóvel 12.754, quando será provado  que  a  propriedade,  posse  e  domínio  útil  pertencem a  outras  pessoas.  Também,  há  necessidade  de  obter  certidões  de  desmembramento  do  imóvel, caso houver registro. Isso irá demandar algum tempo, dada à  necessidade de pesquisa e da burocracia cartorária.  Ainda, justamente no prazo para a apresentação da Impugnação até o  seu  encerramento,  o  Poder  Judiciário  de  Santa  Catarina  estará  em  recesso  (férias  forense).  Os  cartórios  extra­judiciais  e  judiciais  em  Santa Catarina  fecham no dia 17.12.2010 e retornam dia 07.01.2010,  conforme informações extraídas do site do Tribunal de Justiça de Santa  Catarina  (www.tjsc.jus.br),  o  que  inviabiliza  o  requerimento,  a  pesquisa e a expedição de certidões extra­judiciais em tempo   Mais,  há  a  necessidade  de  obter  junto  aos  Municípios  de  Laguna  e  Tubarão  certidões  e  mapas  das  áreas  rurais  e  das  áreas  urbanas  ídentijicando e cotejando com a área do imóvel identificado no Auto de  Lançamento.  Há  a  necessidade  de  conferir  junto  aos  IBAMA  e  a  FATMA/SC  as  informações de que hoje estas autarquias públicas, federal e estadual,  são proprietárias de parte do imóvel (NIRF 0.33 7.122­0 — matrícula  12.754). Mais,  há  a  necessidade  de  ser  verificado  se  há  efetivamente  autorização do IBAMA para depósito de aterro sanitário no local, qual  a área utilizada, quem é o proprietário ou possuidor da área do imóvel  (NIRF 0.337.122­0 — matrícula 12.754). Bem como, se quem cedeu o  aterro  sanitário  fez  termo  de  ajustamento  com  o  Ministério  Público  Estadual,  tudo  visando  a  identificação  do  proprietário  e  eventual  contribuinte.  Há a necessidade de ser verificado, também, o território do Município  de Pescaria Brava (novo) e qual está destinada a zona urbana  Ainda,  são necessárias a  realização de diligências  e de perícias  (art.  16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72), o que se requer.  Diligências a serem realizada (sic):  (i)  verificação,  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil,  com  jurisdição no domicílio fiscal do Impugnante (par. único do art. 4o da  Lei n° 9.393/96),  dos  fatos narrados no  sentido de que a  Impugnante  Fl. 696DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 6            5 não  é  contribuinte,  conforme  art.  4"  da  Lei  n°  9.393/96,  porque:  há  outros  possuidores  e  proprietários.  Ainda,  para  que  haja  a  identificação  nos  seus  cadastros  e  registros,  de  outros  possíveis  contribuintes no mesmo imóvel objeto da matricula 12.754, assim como  posseiros e titulares do domínio útil.  (ii) Obter  junto ao INCRA  laudo acerca da área do  imóvel objeto da  matricula  n°  12.754,  e  de  sua  ocupação.  E  junto  ao  Setor  de  Fiscalização e Tributação do hábil.   (iii)  verificar  junto  ao  IBAMA  e  FATMA,  se  estas  autarquias  são  proprietárias  de  parte  do  imóvel  (NIRF  0.337.122­0  —  matrícula  12.754),  e  se  possuem  as  informações  a  respeito  do  proprietário,  possuidor  ou  titular  do  domínio  útil  do  imóvel  ou  parle  dele,  em  especial,  a  respeito  da  existência  de  aterro  sanitário  no  local,  o  que  torna  a  área  imprestável  para  as  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária, granjeira, aquicola ou florestal (...)  Ainda,  há  a  necessidade  de  o  IBAMA  e  de  a  FATMA/SC  informar  quanto:  (a) as áreas de preservação permanente  e de  reserva  legal,  previstas  na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela  Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; no imóvel matrícula 12754.  (b)  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim  declaradas mediante ato do órgão competente,  federal ou  estadual,  e  que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;  c)  áreas  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aquicola  ou  florestal,  declaradas  de  interesse  ecológico  mediante  ato  do  órgão  competente,  federal  ou  estadual;  d) área sob regime de servidão florestal ou ambiental;  e)  áreas  cobertas  por  florestas  nativas,  primárias  ou  secundárias  em  estágio médio ou avançado de regeneração;  f) se, em vista da proximidade com a Usina Termo Elétrica de Tubarão,  a área está dentro da área de recuperação ambiental ou preservação  ambiental, haja vista os depósitos de resíduos de carvão mineral. (...)  g) se há registro de inundação e calamidade pública na área que será  sede  do  Município  de  Pescaria  Brava  e  em  que  período,  e  se  corresponde ao imóvel  iv) verificar  junto ao Ministério Público Estadual o cumprimento das  normas ambientais — RIMA, para a área, quanto ao aterro sanitário e  áreas de recuperação ambiental, no imóvel da matrícula 127534.  Ainda,  há  a  necessidade  de  realização  de  perícia  e  avaliação  do  imóvel, o que se requer.  Desde  já,  a  Impugnante  indica  a  COSEVAL  INVESTIMENTOS  IMOBILIÁRIOS  CRECI  74J,  que  será  intimada  na  pessoa  de  seu  diretor  Sr. Pierre Cardoso  de Oliveira, CPF 166.626.289­72, CRECI  Fl. 697DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 7            6 082­SC,  com  sede  na  Av.  Sete  de  Setembro,  n°  1534  ­  Centro  ­  na  cidade de Araranguá ­ SC ­ CEP 88900­000, a fim de:  1  ­  Elaborar  o  levantamento  topográfico  e  identificação  do  imóvel  e  seus posseiros, proprietários e titulares do domínio útil. Respondendo:  (i)O imóvel 12.754foi /racionado?  Em quantas partes?   (iii)E  possível  identificar  os  possuidores,  proprietários  e  aqueles  que  possuem  o  domínio  útil? Qual  a  área  possuída  e  que  título  cada  um  deles possui? A quanto tempo possuem o imóvel?  (iv)Qual a extensão da área que os possuidores atuais detêm?  (v)Quais as atividades desenvolvidas na(s) área(s) e qual(is) as áreas  de  preservação  permanente,  reserva  legal,  destinada  a  moradias,  comércios, aterro sanitário, recuperação ambiental, área inundada?  II ­ Elaborar e apresentar laudo de avaliação do Valor da Terra Nua  do  imóvel,  conforme  estabelecido  na  NBR  14.653  da  Associação  Brasileira de Normas Técnicas ­ ABNT. Laudo que será elaborado por  engenheiro agrônomo ou florestal pertencente ci referida empresa, com  a apuração da base de cálculo do ITR art. 10 da Lei n°9.393/96.  Assim,  sejam  deferidos  todos  os  requerimentos  e  ao  final  julgado  improcedente  o  Auto  de  lançamento,  extinguindo  o  crédito  tributário  nos termos do uri. 156, IX do CTN.  Pede  que  o  lançamento  seja  julgado  improcedente,  ou,  subsidiariamente  que  o  valor  seja  revisto  aplicando­se  a  alíquota  de  03%.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, julgou o  lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL  RURAL ­ ITR  Exercício: 2005, 2006  NIRF: 337122­0  DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA.  NATUREZA DO FATO PROBATÓRIO.  Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a  impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4  o do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972.  A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito  passivo  em  produzir  as  provas  relativas  aos  fatos  que,  por  sua  natureza, provam­se por meio documental.  SUJEIÇÃO PASSIVA. POSSE. SUCESSÃO. LEGITIMIDADE  Fl. 698DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 8            7 O sucessor do proprietário do  imóvel rural responde pelo ITR devido  antes da sucessão, na condição de responsável, e após a sucessão, na  condição de contribuinte.  A ocupação do imóvel por terceiros deve ser comprovada.  IMÓVEL  RURAL.  INCORPORAÇÃO  AO  PERÍMETRO  URBANO.  INSUFICIÊNCIA DE PROVA.  A  exclusão  de  área  rural  da  incidência  do  ITR,  em  razão  de  sua  incorporação  ao  perímetro  urbano  do  município  de  sua  localização,  está condicionada à comprovação de seu cadastro fiscal como imóvel  urbano  para  efeito  de  IPTU,  em  data  anterior  à  ocorrência  do  fato  gerador.  ÁREAS  DE  INTERESSE  AMBIENTAL.  ISENÇÃO.  ATO  DECLARATÓRIO AMBIENTAL.  A não incidência de ITR sobre as áreas de interesse ambiental depende  da  prova  da  existência  dessas  áreas,  nos  termos  da  legislação  ambiental,  e  da  prova  da  entrega  tempestiva  do  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA  perante  o  Instituto  Brasileiro  do Meio  Ambiente  c  dos Recursos Naturais Renováveis ­ IBAMA.  VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA.   O  valor  da  terra  nua, apurado pela  fiscalização  em procedimento  de  ofício  nos  termos  do  art.  14  da  Lei  9.393/96,  não  é  passível  de  alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção  que justifiquem reconhecer valor menor.  Impugnação Improcedente  Credito Tributário Mantido.  Insatisfeita  a  contribuinte  apresenta  Recurso  Voluntário  onde  reitera  os  argumentos da impugnação. Destaque­se os seguintes pontos:  ­  preliminarmente,  que  teria  ocorrido  cerceamento  do  direito  de  defesa,  tendo  em vista o indeferimento do pedido de realização de diligências e de perícia;  ­  que  a  prova  conclusiva  ao  menos  parte  dela  está  sendo  produzida,  é  o  que  demonstra os documentos que faz acompanhar com o recurso;  ­ da Ilegitimidade da sujeição passiva;  ­ que o recorrente não é contribuinte do ITR;  ­ que o recorrente nunca teve a propriedade e a posse do imóvel, a não seu um  pedaço de papel sem valor;  ­  que  teria  juntado  documentos  –  Levantamentos  topográficos,  Levantamento  Documentoscópio, Mátriculas dos Imóveis rurais que se situal na mesma área de terras – que  demonstram  que  Itamar  Sebastião  dos  Santos,  Claudiomar  Mota;  Zacárias  R,  Gonçalves.  Fl. 699DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 9            8 Aristides  de  Rosa  Lemos;  Iris  Fernandes  e  Guido  Paulo  Michels,  são  os  possuidores  e  exploram o imóvel;  ­ que o imóvel teria sido incorporado ao perímetro urbano;  ­ Do laudo técnico de avaliação da terra, afastando a avaliação da fiscalização.  É o relatório.  Fl. 700DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 10            9 VOTO  Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  A questão fundamental é a alteração do valor da terra nua.   A DRJ não acolheu os  argumentos do  recorrente  e  indeferiu perícia na qual o  recorrente buscava principalmente demonstrar a ilegitimidade passiva.   Nesse ponto o recorrente solicita preliminarmente o cerceamento do direito de  defesa por não ter sido permitido produzir as provas de sua defesa e apresenta com o recurso  voluntário,  o  que  denomina  de  provas  parciais,  tais  como  –  Levantamentos  topográficos,  Levantamento Documentoscópio, Matriculas dos Imóveis rurais que se situa na mesma área de  terras  –  com  a  qual  almeja  demonstrar  que  Itamar  Sebastião  dos  Santos,  Claudiomar Mota;  Zacárias R, Gonçalves. Aristides de Rosa Lemos; Iris Fernandes e Guido Paulo Michels, são os  possuidores  e  exploram  o  imóvel.  Os  documentos  juntados  com  o  recurso  exigem  exame  pericial, não requerida e não produzida pelo interessado para procurar desconstituir a autuação;  autuação com a presunção da legalidade e o contribuinte na alegação com novos documentos.  Diante dos diversos documentos juntados com as razões de recurso, procurando  comprovar a ilegitimidade passiva, é necessário, em caráter excepcional, converter os autos em  diligencia  para  que  a  digna  a  autoridade  fiscal  confronte  as  informações  e  os  documentos  juntados sobre na tentativa de comprovar ser indevida a autuação.  Necessário  a  fiscalização  verificar  se  efetivamente  está  demonstrado  que  o  recorrente  não  tinha  a  posse  e  ou  propriedade  do  imóvel,  tal  como  argumento  em  sua  impugnação.  Ante o exposto, pelo meu voto, converto os autos em diligencia para que a digna  autoridade  fiscal  aprecie  os  documentos  juntados  pelo  Recorrente,  traga  relatório  circunstanciado das diligencias e realize outras se necessárias para esclarecer a matéria de fato  controvertida nos autos.  Cabe ao autuado o pleno dever de colaboração com fiscalização para esclarecer  a matéria de  fato em relação aos documentos  juntados. A fiscalização deve relatar se houver  qualquer dificuldade ou embaraço na realização das diligências.  1 – Que a fiscalização aprecie os argumentos/provas, e possibilite que o mesmo  apresente as provas que alega dispor, particularmente aquelas previstas no processo, bem como  realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as  explicações propostas pela recorrente, particularmente no que toca a ilegitimidade passiva;  Fl. 701DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/2010­54  Resolução nº  2202­000.569  S2­C2T2  Fl. 11            10 2  ­ Que  a  autoridade  fiscal  se  manifeste,  em  relatório  circunstanciado  e  conclusivo,  sobre  os  documentos  e  esclarecimentos  prestados,  dando­se  vista  ao  recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo,  os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento.   É o meu voto.   (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez    Fl. 702DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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5369623 #
Numero do processo: 10970.720130/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2011 a 30/01/2012 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2011 a 30/01/2012 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 132          1 131  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10970.720130/2012­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.964  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de fevereiro de 2014  Matéria  SUB­ROGAÇÃO NA AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL  Recorrente  JOSE FLÁVIO DE SOUZA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2011 a 30/01/2012  CONTRIBUIÇÃO  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.  RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE  A  empresa  adquirente  fica  sub­rogada  nas  obrigações  do  produtor  rural  pessoa  física  com  empregados  e  do  segurado  especial,  relativas  ao  recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção  rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei  nº 10.256/2001.  EXIBIÇÃO DE  LIVROS OU DOCUMENTOS.  OBRIGAÇÃO AFETA A  TODOS  OS  CONTRIBUINTES  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.  Apresentar  documentos  e  livros  relacionados  com  a  previdência  social  é  obrigação que afeta a  todos os contribuintes da previdência social. Por  isto,  configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa  de  exibir  à  Auditoria­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  tais  livros  e  documentos.  INCONSTITUCIONALIDADE.  A  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF  no  Recurso  Extraordinário  nº  363.852  não  produz  efeitos  aos  lançamentos  de  fatos  geradores  ocorridos  após a Emenda Constitucional nº 20/98.  Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 30 /2 01 2- 91 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e  Thiago  Taborda  Simões.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues.    Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720130/2012­91  Acórdão n.º 2402­003.964  S2­C4T2  Fl. 133          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  procedente  o  lançamento  realizado  em  19/06/2012.  O  crédito  é  decorrente  das  aquisições  de  produtor  rural  pessoa  física. As  contribuições  lançadas  não  foram descontadas  dos produtores  rurais por ocasião da comercialização do produto  rural  (operação de compra)  para que fossem repassadas à Previdência Social ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil  (órgãos competentes para fiscalizar e arrecadar a contribuição). Foram lançadas contribuições  patronais (previdência social, GILRAT e SENAR) e multa por falta de apresentação de livros  contábeis.  Seguem transcrições do relatório fiscal da infração e do acórdão recorrido:  Período  de  apuração:  01/02/2011  a  30/01/2012  DEBCAD  51.021.9160   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO.  ARGÜIÇÃO.  O  julgador  administrativo  não  tem  competência  para  apreciar  argüições  de  sua  inconstitucionalidade  e/ou  ilegalidade,  pelo  dever de agir vinculadamente às mesmas.  AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PRODUTOR PESSOA  FÍSICA.  ADQUIRENTE.  RECOLHIMENTO  POR  SUB­ ROGAÇÃO.  É obrigação da empresa adquirente de produto rural de pessoa  física  efetuar  o  recolhimento,  por  sub­rogação,  das  contribuições previdenciárias devidas.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Data do fato gerador: 13/06/2012   DEBCAD 51.021.9160   INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS.  A  empresa  que  deixar  de  exibir  qualquer  documento  ou  livro  relacionado  com  as  contribuições  para  a  Seguridade  Social  incide em infração a legislação previdenciária   MULTA. VALOR. ATUALIZAÇÃO.  As  multas  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  com  valor previsto em lei,  sofrem atualização conforme determina a  legislação de regência   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 ...  a) AIOP – DEBCAD nº51.021.9144 consolidado em 13/06/2012,  no  valor  de  R$444.382,78  relativo  ao  período  de  02/2011  a  03/2012  acostado  às  fls.  09  dos  autos,  para  cobrança  de  obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária  patronal para custeio da seguridade social e contribuição para  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho GILRAT,  incidente  sobre  a  aquisição  e  de produtos rurais.  Os fatos geradores foram identificados no levantamento:  PR­PRODUTO  RURAL  –  onde  se  exigiu  a  contribuição  previdenciária  patronal  de  2,1%,  incidente  sobre  o  valor  da  aquisição  nas  competências  02/2011 a  03/2012  com  incidência  da multa de ofício de 75%.  b) AIOP DEBCAD nº 51.021.9152 consolidado em 13/06/2012,  no  valor  de  R$42.322,14,  relativo  à  competência  02/2011  a  03/2012  acostado  às  fls.  10  dos  autos,  para  cobrança  da  contribuição  social  para  custeio  das  entidades  e  fundos  –  SENAR incidente sobre a aquisição de produtos rurais.  Os fatos geradores foram identificados no levantamento:  PR­PRODUTO  RURAL  –  onde  se  exigiu  a  contribuição  previdenciária  patronal  de  0,20%  ,  incidente  sobre  o  valor  da  aquisição  nas  competências  02/2011 a  03/2012  com  incidência  da multa de ofício de 75%.  c)  AIOA DEBCAD  nº  51.021.9160  lavrado  em  13/06/2012,  no  valor  de  R$16.170,98  acostado  às  fls.  17  dos  autos,  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  no  Código  de  Fundamento Legal –CFL 38, por infração ao disposto no art. 33,  , §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação  dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 1nº11.941/2009, em  razão de a empresa ter deixado de apresentar os Livro Dário e  Razão ou o Livro Caixa do ano de 2011.  O  valor  da  multa  foi  fixado  com  base  no  art.  283,  Inciso  II,  alínea  "  j  "  do Decreto  n°.  3.048/99,  atualizado  pela  Portaria  Interministerial  MPS/MF  n°  02,  de  06/01/2012,  publicada  no  DOU de 09/01/2012, em consonância com os arts. 92 e 102 da  Lei  n°  8.212/91  e  art.  373  do  Decreto  n°  3.048/99.  Não  ficou  configurada  nenhuma  das  circunstâncias  agravantes  previstas  no art. 290 do Decreto n° 3.048/99.  Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as  alegações trazidas na impugnação:  Aduz  ser  ilegítima a  cobrança  porque  as  empresas  adquirentes  de  produtos  rurais,  segundo  art.  30  inciso  IV  da  Lei  8212/91,  ficaram  apenas  como  substitutos  na  efetivação  do  pagamento,  não  havendo  a  transferência  da  responsabilidade  tributária. O  sujeito  passivo  dessa  contribuição,  continua  sendo  o  produtor  rural.  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720130/2012­91  Acórdão n.º 2402­003.964  S2­C4T2  Fl. 134          5 Ressalta que o artigo citado não coloca as empresas adquirentes  como  solidários  dos  produtores,  mas  apenas  substitutos  no  recolhimento. A conduta aceitável do Fisco, por não ter existido  a  retenção  e  recolhimento  seria  a aplicação de  uma multa  por  descumprimento de obrigação acessória e nunca a exigência do  pagamento da contribuição, por falta de expressa determinação  legal quanto à solidariedade tributária.  Discorre  em  longo  arrazoado  sobre  os  dispositivos  constitucionais que regem o sistema previdenciário, destacando  as  disposições  que  tratam  do  fato  gerador,  base  de  cálculo,  exigência  de  lei  complementar  e  conclui  que  frete  as  regras  constitucionais  que  “o  produtor  rural,  pessoa  natural,  fica  compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha  de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse  novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social,  isso a partir de valor alusivo à venda de produtos rurais, sendo  inconstitucional o artigo 25, da Lei 8212/91”.  Além de citar doutrina e outras decisões dos tribunais superiores  sobre  o  tema,  recorreu,  ainda,  ao  acórdão do  STF  exarado no  Recurso  Extraordinário  363.852/MG,  oportunidade  que  transcreve  parte  do  voto  e  a  decisão  e  conclui  que  em  consonância  com  o  entendimento  do  STF  é  flagrante  a  impossibilidade de manutenção dos autos de infração, tendo em  vista a sua inexigibilidade.  Sustenta  ser  inócuo  o  argumento  da  União  de  que  o  referido  acórdão  é  inaplicável  para  os  períodos  posteriores  ao  ano  de  2001,  tendo em vista o advento da Lei nº10.256/2001, porque a  referida  lei  não  promoveu  alteração  na  base  de  cálculo  da  exação,  daí  não  ter  o  condão  de  instituir  a  receita  bruta  proveniente da comercialização da produção dos empregadores  rurais  pessoa  física,  como  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária.  Sobre  a  aplicação  de  multa  por  obrigação  acessória  pela  não  apresentação da escrituração contábil, diz ser improcedente em  razão da insubsistência das exigências decorrentes da obrigação  principal.  Aventa  que  na  hipótese  de  manutenção  da  multa,  somente,  é  cabível o disposto no art. 283, II, “j”, que estabelece o valor em  R$ 6.361,73, não sendo legitima a aplicação do valor majorado  pela PT MPS/MF 02/2012, por ser o ato eivado de ilegalidade e  inconstitucionalidade,  haja  vista  não  respeitar  o  princípio  da  legalidade,  segundo  o  qual,  ninguém  será  obrigado  a  fazer  ou  deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (artigo 5º,  inciso II da Constituição Federal).  Sustenta que “portaria não tem competência para alterar o que  já está disposto em decreto, ainda mais se tratando de valor de  multa”.  É o Relatório.  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade  do recurso, passo ao exame das questões preliminares.  Quanto  ao  procedimento  da  fiscalização  e  formalização  do  lançamento  também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e  11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  O  recorrente  foi  devidamente  intimado  de  todos  os  atos  processuais  que  trazem  fatos  novos,  assegurando­lhe  a  oportunidade  de  exercício  da  ampla  defesa  e  do  contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto.  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720130/2012­91  Acórdão n.º 2402­003.964  S2­C4T2  Fl. 135          7 II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  III  ­  por  edital,  quando  resultarem  improfícuos  os  meios  referidos nos incisos  I e  II.  (Vide Medida Provisória nº 232, de  2004)  A  decisão  recorrida  também  atendeu  às  prescrições  que  regem  o  processo  administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa  dos  fundamentos  e  se  revestiu  de  todas  as  formalidades  necessárias.  Não  contém,  portanto,  qualquer vício que suscite  sua nulidade, passando,  inclusive,  pelo  crivo do Egrégio Superior  Tribunal de Justiça:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SERVIDOR  PÚBLICO  INATIVO.  JUROS  DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.  1.  Não  há  nulidade  do  acórdão  quando  o  Tribunal  de  origem  resolve  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas não adotando a tese do recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão, nem está obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados “. (RESP 946.447­RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma  – DJ 10/09/2007 p.216).  Portanto,  em  razão  do  exposto  e  nos  termos  das  regras  disciplinadoras  do  processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos  atos praticados:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  No mérito, verifica­se que se trata de lançamento relativo aos fatos geradores  ocorridos no período de 01/02/2011 a 30/01/2012, quando já vigente a Emenda Constitucional  n°  20,  de  15/12/1998  que  incluiu  a  competência  para  a  instituição  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  receita  e  o  faturamento.  Logo,  a  atual  decisão  do  STF  pela  inconstitucionalidade  formal do  artigo 25 da Lei nº 8.212/91 não  se  aplica  ao presente  caso.  Reproduzo  o  voto  da  ilustre  Conselheira  Ana  Maria  Bandeira  que  aborda  ampla  e  pontualmente os fundamentos adotados por este relator:   Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 É  sabido  que  está  em  julgamento  pelo  STF  o  Recurso  Extraordinário  nº  363.852,  cujo  Plenário  deu  provimento  ao  recurso em acórdão com a seguinte ementa:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  –  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE –  CONCLUSÃO  –  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição,  adora  entendimento  quanto  à  matéria  de  fundo  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  –  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  –  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  –  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  –  SUB­ROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195,  INCISO I, DA  CARTA  FEDERAL  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA  –  EXCEÇÕES  –  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR –  Ante o  texto constitucional,  não subsiste a obrigação  tributária  sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos,  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  os  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com as  redações  decorrentes  das  Leis  nº  8.540/92  e  9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.)  Nota­se  que  o  objeto  do  RE  363.852  refere­se  à  discussão  da  constitucionalidade  dos  dispositivos  da  Lei  nº  8.212/1991  nas  redações  dadas  pelas  Leis  8.540/1992  e  9.528/1997,  ambas  anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998.  Ou  seja,  decidiu  o  STF  que  a  inovação  da  contribuição  sobre  comercialização de produção rural da pessoa  física não estava  albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98,  decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97.  Tal  inconstitucionalidade  residiria  no  fato  de  que  seria  necessária  lei  complementar para a  instituição da contribuição  incidente sobre a comercialização da produção do empregador  rural  pessoa  física. Esta  exigência  decorreria  do  art.  195,  §4º,  da  Carta  Magna  Até  a  edição  da  Emenda  Constitucional  nº  20/98 o art. 195,  inciso I, da CF previa como bases tributáveis  de  contribuições  previdenciárias  a  folha  de  salários,  o  faturamento e o  lucro, não havendo qualquer menção à  receita  como base tributável.  Assim,  a  Lei  nº  8.540/1992  ao  instituir  contribuições  sobre  receita  bruta  sobre  a  comercialização  da  produção  dos  produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre  sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do  STF no julgamento do RE 363.852.  No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação  ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720130/2012­91  Acórdão n.º 2402­003.964  S2­C4T2  Fl. 136          9 Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998  Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição  Federal passa a admitir a receita como base tributável para as  contribuições previdenciárias.  Assim,  há  que  se  destacar  que  a Lei  nº  10.256/2001,  deu  nova  redação  ao  art.  25  da  Lei  nº  8.212/1991  que  passou  a  assim  vigorar:  Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº  10.256, de 2001).  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho.   Cumpre  enfatizar  que  o  fundamento  jurídico  adotado  pelo  Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi  abordada  a  constitucionalidade  da  redação  do  art.  25  da  Lei  8.212/91  conferida  pela  Lei  8.540/92,  não  havendo  apreciação  da  constitucionalidade  da  redação  atual  do  art.  25  da  Lei  de  Custeio,  conferida  pela  Lei  10.256/01  e,  segundo  o  Ministro  Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC  20/98  1998,  seria  suficiente  para  afastar  a  pecha  de  inconstitucionalidade  da  contribuição  previdenciária  do  empregador  rural  pessoa  física,  ao  menos  no  que  tange  à  necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme  se depreende do trecho abaixo transcrito:  ...conheço  e  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário  para  desobrigar  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a  Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição,  tudo  na  forma do pedido  inicial,  invertidos os ônus da sucumbência.  (g.n.)  Assevere­se  que  a  contribuição  lançada  com  fulcro  no  dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a  constitucionalidade  confirmada  pelo  Judiciário  conforme  se  depreende da decisão abaixo colacionada:  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  EMPREGADOR.  PRESCRIÇÃO.  LC  118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1­ O STF, ao julgar o RE  nº  363.852,  declarou  inconstitucional  as  alterações  trazidas  pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de  custeio  por  meio  de  lei  ordinária,  sem  observância  da  obrigatoriedade  de  lei  complementar  para  tanto.  2­  Com  o  advento  da EC nº  20/98, o  art.  195,  I,  da CF/88  passou a  ter  nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3­ Em  face  do  novo  permissivo  constitucional,  o  art.  25  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  10.256/01,  ao  prever  a  contribuição do empregador rural pessoa física como incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  não  se  encontra  eivado  de  inconstitucionalidade.”  (Apelação  nº  0002422­12.2009.404.7104,  Rel. Des.  Fed. Mª  de  Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF­4, julgada em 11/05/10)  No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à  lavratura  do  presente  Auto  de  Infração,  refere­se  a  período  posterior  à  edição  da  Lei  nº  10.256/2001,  portanto,  sob  a  vigência da mesma.  Além  disso,  no  anexo  Relatório  de  Fundamentos  Legais  do  Débito  que  ampararam  o  lançamento  da  obrigação  principal  correspondente,  cujo  recurso  também  foi  objeto  de  análise  por  parte  desta  conselheira,  verifica­se  que  a  contribuição  foi  lançada  com  fundamento  nos  dispositivos  já  na  redação  dada  pela Lei nº 10.256/2001.  Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em  razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do  art. 62­A do Regimento Interno do CARF.  Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo  que a recorrente deixou de exibir os documentos solicitados através de intimação e não trouxe  qualquer  contraprova  que  afastasse  a  infração  cometida,  limitando­se  a  contestar  em  tese  a  cobrança da multa.  Por  fim,  a  recorrente  insurge­se  contra  a  cobrança  em  tese  –  seriam  inconstitucionais  os  dispositivos  legais;  no  entanto,  o  artigo  26­A  do  Decreto  n°  70.235/72  restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente:  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720130/2012­91  Acórdão n.º 2402­003.964  S2­C4T2  Fl. 137          11 Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  É como voto.    Julio Cesar Vieira Gomes                                  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 17883.000283/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 03/11/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. A Lei 10.666/2003 determina que, além das contribuições próprias incidentes sobres os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, as empresas são ainda responsáveis pelo desconto das contribuições devidas por estes à Previdência Social. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECLARAÇÃO EM GFIP. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZADA. A declaração dos valores devidos em GFIP, desacompanhada do pagamento na época própria, está sujeito à incidência de multa moratória. A denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN não se caracteriza pela mera declaração dos valores devidos. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 07/2005. Os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram somente na competência 10/2005. Com isso, as competências posteriores a 07/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 03/11/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. A Lei 10.666/2003 determina que, além das contribuições próprias incidentes sobres os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, as empresas são ainda responsáveis pelo desconto das contribuições devidas por estes à Previdência Social. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECLARAÇÃO EM GFIP. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZADA. A declaração dos valores devidos em GFIP, desacompanhada do pagamento na época própria, está sujeito à incidência de multa moratória. A denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN não se caracteriza pela mera declaração dos valores devidos. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 07/2005. Os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram somente na competência 10/2005. Com isso, as competências posteriores a 07/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2  do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado  antecipação de pagamento ou não, respectivamente.  No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores  efetuou­se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do  art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.  O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo,  e  somente  houve  os  recolhimentos  parciais  até  a  competência  07/2005.  Os  fatos  geradores  das  contribuições  apuradas  ocorreram  somente  na  competência 10/2005. Com isso, as competências posteriores a 07/2005 não  foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o  crédito tributário por meio de lançamento fiscal.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo,  Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000283/2010­84  Acórdão n.º 2402­003.863  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal,  concernente  à  contribuição  social  previdenciária  incidente  sobre  a  remuneração dos  segurados empregados  e contribuintes  individuais,  relativa à parcela desses  segurados não descontada e não recolhida em época própria, para a competência 10/2005.  O Relatório Fiscal (fls. 12/17) informa que a empresa deixou de recolher as  contribuições  relativas  à  parcela  dos  segurados  e  à  parte  patronal,  incidentes  sobre  as  remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas  de pagamento, mas não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na planilha integrante do  Anexo II do Auto de  Infração 37.292.635­5 (processo 17883.000287/2010­62), onde também  anexa  diversas  cópias  de  documentos  que  comprovam  os  fatos  narrados.  Os  valores  foram  constituídos por meio do “levantamento EF”, folhas de pagamento.  Esse  Relatório  Fiscal  informa  ainda  que  o  contribuinte  teve  seu  direito  à  imunidade  cassado por meio do Ato Cancelatório de  Isenção de Contribuições Sociais  ­ AC  01/2009, expedido em 30/04/2009, com fundamento no descumprimento do disposto no inciso  II  do  artigo  55  da  Lei  8.212/1991,  e  no  inciso  III  do  artigo  206  do  Decreto  3.048/1999  (Regulamento da Previdência Social ­ RPS).  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  11/11/2010  (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  33/45),  alegando,  em  síntese, que:  1.  o  recurso  por  ela  impetrado  contra  o  Ato  Cancelatório  01/2009  é  dotado de efeito suspensivo, inclusive como já assentou entendimento  a  12a  Turma  da  DRJ/SP1.  Uma  vez  comprovada  a  pendência  de  apreciação do citado recurso, é necessária a suspensão deste processo  até  ulterior  trânsito  em  julgado  administrativo  do  Ato  Cancelatório  01/2009  (Processo  17883.000049/2009­13).  Requer  a  reunião  de  todos  os  processos  advindos  desta  ação  fiscal  e  questiona  a  representação fiscal para fins penais, a qual só poderia ser feita após a  constituição definitiva do crédito tributário;  2.  houve duplicidade de lançamento entre o crédito lançado neste Auto  de  Infração  e  o  consubstanciado  no  AI  n.  17883.000284/2010­29  (DEBCAD 37.292.632­0),  pois  os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas em ambos os procedimentos são os mesmos. Assim, devem  ser anulados os lançamentos;  3.  ocorreu  a  decadência  das  competências  até  outubro  de  2005,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4o  do  CTN,  tendo  em  vista  que  as  Contribuições Previdenciárias são tributos sujeitos ao lançamento por  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  homologação,e  que  há  provas  quanto  ao  recolhimento  parcial  das  contribuições;  4.  a Fiscalização apenas relaciona uma série de pagamentos efetuados a  contribuintes  individuais deduzindo que  todos  se  referem  a ajuda de  custo cuja legislação não permite exclusão do salário de contribuição,  sem  ao  menos  entrar  a  fundo  na  utilização  e  destinação  destes  pagamentos,  que  se  referem  a  ressarcimento  de  despesas.  Ademais,  inexiste nos autos prova acerca do não­pagamento das contribuições  ora  exigidas,  não  tendo  a  autoridade  lançadora  se  desincumbido  do  ônus de provar a ausência deste pagamento;  5.  requer  o  cancelamento  do  presente  Auto  de  Infração,  eis  que  a  obrigação  acessória  aqui  lançada  confunde­se  com  a  obrigação  principal já exigida através dos demais lançamentos realizados contra  a  Impugnante.  Sendo  cancelados  os  autos  de  infração  relativos  às  obrigações  principais,  estarão  também  canceladas  as  exigências  relativas a penalidades pecuniárias. Requer seja julgado improcedente  o lançamento.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  no Rio  de  Janeiro/RJ  –  por  meio  do  Acórdão  12­37.266  da  13a  Turma  da  DRJ/RJ1  (fls.  71/80)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as  alegações  da  peça  de  impugnação,  ressaltando  que  ela  é  uma  entidade  beneficente  de  assistência social.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  (DRF)  em  Volta  Redonda/RJ  informa  que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento.  É o relatório.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000283/2010­84  Acórdão n.º 2402­003.863  S2­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DAS PRELIMINARES:  A  Recorrente  alega  que,  antes  do  lançamento,  estava  amparada  por  recurso com efeito suspensivo contra o Ato Cancelatório de sua imunidade (processo n°  17883.000049/2009­13), e, portanto, ainda gozava da isenção previdenciária, assim solicita  a  anulação  do  presente  lançamento  ou,  no  mínimo,  a  suspensão  da  exigibilidade  do  credito tributário até a superveniência do trânsito em julgado dos autos do processo que  trata  da  matéria  de  cancelamento  da  sua  imunidade  tributária  (processo  n°  17883.000049/2009­13).  Inicialmente,  cumpre  esclarecer  que  os  valores  apurados  no  presente  lançamento  fiscal  referem­se  à  contribuição  social  previdenciária  incidente  sobre  a  remuneração dos  segurados empregados  e contribuintes  individuais,  relativa à parcela desses  segurados não descontada e não recolhida em época própria, para a competência 10/2005.  Por sua vez, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos  requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, posteriormente  foram substituídos pela Lei  12.101/2009,  ficam  imunes  (isentos)  do  pagamento  das  contribuições,  a  cargo  da  empresa,  descritas  no  art.  22  da  Lei  8.212/1991.  Todavia,  continuam  sendo  obrigadas  a  descontar  as  contribuições  previdenciárias  dos  segurados  obrigatórios  do  RGPS  (empregado,  trabalhador  avulso e contribuintes individuais) que lhe prestam serviços – conforme art. 30, inciso I, alínea  “a”, da Lei 8.212/1991 e art. 4o da Lei 10.666/2003 –, bem como estão obrigadas a descontar e  recolher as contribuições previdenciárias oriundas da incidência de 11% sobre o valor bruto de  notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra – nos  termos do art. 31 da Lei 8.212/1991 –, e da incidência sobre a receita bruta da comercialização  da produção rural adquirida de segurado especial ou de produtor rural pessoa física – conforme  art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/1991.  Lei 8.212/1991:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  de  trabalho ou  sentença  normativa.  (Redação dada pela Lei  nº  9.876, de 1999).  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;   b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;   c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.   III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestem  serviços;  (Incluído  pela Lei nº 9.876, de 1999).  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).  Com  isso,  percebe­se,  então,  que  a  imunidade  atinge  somente  as  contribuições a cargo da própria pessoa jurídica imune (cota patronal) previstas nos incisos I a  IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, mas não atinge as contribuições que ela é obrigada a descontar  de outros contribuintes. Logo, todas as contribuições que a pessoa jurídica imune for obrigada  a descontar de outros contribuintes, ela será obrigada a recolher os valores descontados. Sendo  assim,  a  alegação  de  que  a Recorrente  seria  uma  entidade  beneficente  de  assistência  social,  imune à incidência de contribuição previdenciária, é impertinente ao presente processo, eis que  este  objetiva  apurar,  exclusivamente,  a  contribuição  previdenciária  referente  à  parcela  dos  segurados obrigatórios do RGPS, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e  contribuintes  individuais que lhe prestam serviços – conforme art. 30,  inciso I, alínea “a”, da  Lei 8.212/1991 e art. 4o da Lei 10.666/2003 –, portanto, fora do campo da imunidade.  Lei 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   I ­ a empresa é obrigada a:   a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;  .........................................................................................................  Lei 10.666/2003:  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000283/2010­84  Acórdão n.º 2402­003.863  S2­C4T2  Fl. 5          7 Art. 4o. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do  segurado  contribuinte  individual  a  seu  serviço,  descontando­a  da  respectiva  remuneração,  e  a  recolher  o  valor  arrecadado  juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte)  do  mês  seguinte  ao  da  competência,  ou  até  o  dia  útil  imediatamente  anterior  se  não  houver  expediente  bancário  naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).  Diante  desse  contexto  jurídico  e  fático,  entende­se  que  não  há  espaço  na  legislação  previdenciária  para  acatar  a  alegação  da  Recorrente  de  que,  antes  do  lançamento  fiscal, gozava de imunidade da contribuição previdenciária, já que o presente processo trata­se,  exclusivamente, da contribuição que ela é obrigada a descontar dos segurados obrigatórios do  RGPS que lhe prestam serviços. Logo, essa alegação da Recorrente é impertinente, inoportuna  e  genérica,  não  ensejando  qualquer  nulidade  ou  suspensão  da  exigibilidade  do  credito  tributário.  A Recorrente  alega  que  seja  declarada  em  parte  a  extinção  do  crédito  tributário  ora  analisado,  pois  os  créditos  apurados  até  a  competência  10/2005  foram  fulminados pelo  instituto  jurídico da decadência, nos  termos do  art. 150, § 4º, do Código  Tributário Nacional (CTN).  Tal  alegação  não  será  acatada  pelos  motivos  fáticos  e  jurídicos  a  seguir  delineados.  Esclarecemos  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  os  Recursos  Extraordinários  nº  556664,  559882,  559943  e  560626,  negou  provimento  aos  mesmos  por  unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da  Lei 8.212/1991.  Na oportunidade, os ministros  ainda  editaram a Súmula Vinculante nº  08  a  respeito do tema, a qual transcrevo abaixo:  Súmula  Vinculante  no  08  ­  STF:  “São  inconstitucionais  o  parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos  45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência  de crédito tributário”.  É  necessário  observar  os  efeitos  da  súmula  vinculante,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição  Federal  que  foi  inserido  pela  Emenda  Constitucional 45/2004. in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  Da leitura do dispositivo constitucional, pode­se concluir que, a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário  definiu no art. 150, § 4º, o seguinte:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Entretanto,  tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do  pagamento da contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o  prazo  de  cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado o lançamento por homologação.  Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser  homologado e, por conseqüência, aplica­se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de  cinco  anos  passa  a  ser  contado  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo  sentido:  TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000283/2010­84  Acórdão n.º 2402­003.863  S2­C4T2  Fl. 6          9 DECADENCIAL  DE  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO.  TERMO  INICIAL.  INTELIGÊNCIA  DOS  ARTS.  173,  I,  E  150, § 4º, DO CTN.  1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é,  em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a  Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se após  5  (cinco)  anos,  contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'.  2.  Todavia,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa'  e  'opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando conhecimento da atividade assim exercida  pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica.  Relativamente  a  eles,  ocorrendo  o  pagamento  antecipado  por  parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de  eventuais  diferenças  é de cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador,  conforme  estabelece  o  §  4º  do  art.  150  do  CTN.  Precedentes  jurisprudenciais.  3.  No  caso  concreto,  o  débito  é  referente  à  contribuição  previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e  não  houve  qualquer  antecipação  de  pagamento.  É  aplicável,  portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art.  173, I, do CTN.  4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos  EREsp  216.758/SP,  1ª  Seção,  Rel. Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ de 10.4.2006)  .........................................................................................................  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECADÊNCIA.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  MEDIDA  LIMINAR.  SUSPENSÃO  DO  PRAZO.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  Nas  exações  cujo  lançamento  se  faz  por  homologação,  havendo pagamento antecipado, conta­se o prazo decadencial a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  (art.  150,  §  4º,  do CTN),  que é de cinco anos.  2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova  de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art.  173, I, do CTN.  Omissis.  4.  Embargos  de  divergência  providos.  (EREsp  572.603/PR,  1ª  Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005)  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10  Verifica­se que o lançamento fiscal em tela refere­se à competência 10/2005  e foi efetuado em 11/11/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01).  Constata­se  ainda  que,  para  as  competências  08/2005  a  02/2006,  não  há  qualquer recolhimento (pagamento) de contribuições previdenciárias, conforme documento de  Consulta Conta­Corrente da Recorrente (fl. 70). Assim, a partir da competência 08/2005 não há  espaço  jurídico  para o  reconhecimento  da  decadência  tributária,  não  cabendo  a  aplicação  da  regra estampada no § 4º do art. 150 do CTN, nem a regra prevista no art. 173 do CTN.  Com  isso  –  como  o  crédito  foi  constituído  com  fundamento  no  direito  potestativo  do  Fisco  em  lançar  os  valores  das  contribuições  não  recolhidas  em  época  determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o  lançamento  fiscal  refere­se  à  competência  10/2005  e  não  está  abarcado  pela  decadência  tributária.  Diante disso,  rejeito  a preliminar de decadência  tributária ora  examinada,  e  passo ao exame de mérito.  DO MÉRITO:  A  Recorrente  alega  que,  por  equívoco,  errou  ao  elaborar  as  GFIP”s  originais  para  as  competências  10/2005,  05/2006  e  06/2006,  mas  já  procedeu  à  devida  retificação,  informando  com  precisão  as  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias. Assim, solicita a anulação do lançamento fiscal para considerar como base de  cálculo os valores informados nas GFIP’s retificadoras.  Tal alegação não será acatada, pois, mesmo que tenha ocorrido a declaração  dos valores por meio de GFIP – apresentada pela Recorrente após início do procedimento de  auditoria  fiscal  –,  não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização.  Assim  deve­se  manter  os  valores apurados no presente lançamento fiscal.  Isso está em consonância com o disposto no parágrafo único do art. 138 do  CTN, in verbis:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração. (g.n.)  Da  leitura  desse  dispositivo,  percebe­se  que  se  trata  da  exclusão  da  multa  punitiva e não da multa moratória decorrente do atraso no pagamento do tributo, esta prevista à  época do lançamento pelo art. 35, inciso II, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 239 do Regulamento  da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999.  Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social:  Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000283/2010­84  Acórdão n.º 2402­003.863  S2­C4T2  Fl. 7          11 nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  n°9.876,  de  26.11.99)  (...)  II  ­  para pagamento de créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social:  Art.  239.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas  ou não em notificação  fiscal de lançamento, pagas com atraso,  objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a: (...)  III  ­  multa  variável,  de  caráter  irrelevável,  nos  seguintes  percentuais,  para  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  28  de  novembro  de  1999:  (Redação  dada  pelo  Decreto  3.265,  de  29.11.99) (g.n.)  (...)  b) para pagamento de obrigação  incluída  em notificação  fiscal  de lançamento:  1.  vinte  e  quatro  por  cento,  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação (Redação dada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999)  2. trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação (Redação dada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999)  3. quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999)  4. cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social,  enquanto  não  inscrita  em Dívida  Ativa;  e  (Redação  dada  pelo  Decreto nº 3.265, de 29/11/1999)  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12  Além  disso,  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  tem  entendido  que  a  denúncia  espontânea  não  se  aplica  para  o  caso  de  tributo  lançado  por  homologação, que é o caso das contribuições sociais apuradas na época pelo Fisco, conforme  decisão abaixo:  EMENTA:  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  ART.  138  DO  CTN.  PARCELAMENTO  DE  DÉBITO  TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTO  DO  MONTANTE  DEVIDO COM ATRASO. MULTA MORATÓRIA.  (...) 1. A simples confissão de dívida acompanhada do pedido de  parcelamento  do  débito  não  configura  denúncia  espontânea  a  dar  ensejo à aplicação da  regra  ínsita no art.  138 do CTN, de  modo a eximir o contribuinte do pagamento de multa moratória.  2.  Em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  não  configura  denúncia  espontânea,  com  a  consequente exclusão da multa moratória, a hipótese em que o  contribuinte declara e recolhe, com atraso, seu débito tributário  (...).  (REsp.  512.245/RS,  2a  Turma,  Rel.  Min.  João  Otávio  de  Noronha, j. 07/10/2004) (g.n.)  Esse entendimento do STJ decorre do fato de que é pressuposto essencial da  denúncia  espontânea  o  total  desconhecimento  do  Fisco  quanto  à  existência  do  tributo  denunciado, que não é o caso do presente processo, pois os valores apurados foram declarados  em  folhas  de  pagamento  e  não  em  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência Social (GFIP’s), conforme ficou registrado no Relatório Fiscal (fls. 12/17).  Por  sua  vez,  a  súmula  360  do  STJ  assenta  que:  “o  benefício  da  denúncia  espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regulamente  declarados, mas pagos a destempo”. Essa é a hipótese configurada no presente processo.  Com  isso,  a  jurisprudência  assentada  no  STJ  considera  inexistir  denúncia  espontânea  quando  o  pagamento  se  referir  a  tributo  constante  de  prévia  declaração  em  guia  prevista  em  lei,  no  caso  específico  a  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP).  Considera­se  que,  nessa  hipótese,  a  declaração  formaliza  a  existência (constitui) do crédito tributário, e, esse crédito constituído, com o seu recolhimento a  destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN.  Assim,  a  mera  declaração  dos  valores  devidos  em GFIP,  desacompanhada  dos seus recolhimentos, não caracteriza a denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN.  Verifica­se  ainda  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  atende  aos  pressupostos essenciais para sua  lavratura,  contendo de forma clara os elementos necessários  para  a  sua  configuração  e  caracterização.  Com  isso,  não  há  que  se  falar  em  vícios  no  lançamento  fiscal,  eis  que  estão  estabelecidos  de  forma  transparente  nos  autos  (fls.  01/32)  todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto  70.235/1972,  tais  como:  local  e  data  da  lavratura;  caracterização  da  ocorrência  da  situação  fática da obrigação  tributária  (fato gerador); determinação da matéria  tributável; montante da  contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência  tributária  e  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la  no  prazo  de  30  dias;  disposição  legal  infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000283/2010­84  Acórdão n.º 2402­003.863  S2­C4T2  Fl. 8          13 Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  O Relatório Fiscal (fls. 12/17) e seus anexos (fls. 01/11) são suficientemente  claros  e  relacionam os dispositivos  legais  aplicados  ao  lançamento  fiscal  ora  analisado, bem  como  descriminam  o  fato  gerador  da  contribuição  devida.  A  fundamentação  legal  aplicada  encontra­se  no Relatório  de  Fundamentos  Legais  do Débito  ­  FLD  (fls.  09/10),  que  contém  todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo de Débito ­ DD,  que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fl. 05). Ademais,  constam  outros  relatórios  que  complementam  essas  informações,  tais  como:  Relatório  de  Documentos  Apresentados  ­  RDA  (fl.  07);  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos  Apresentados ­ RADA (fl. 08); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a  completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário.  Com  isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o  lançamento  fiscal  foi  lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o  agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  das  contribuições previdenciárias, incluindo os acréscimos legais, incidentes sobre a remuneração  dos  segurados  contribuintes  individuais,  fazendo  constar  nos  relatórios  que  o  compõem  (fls.  01/32) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas.  Logo,  essas  alegações  da  Recorrente  de  nulidade  do  lançamento  fiscal  são  genéricas,  ineficientes e  inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão  acatadas.  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14  formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 13603.723217/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 TRIBUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL - INEXISTÊNCIA Se é desconsiderada a operação de incorporação, não há que se falar em ganho de capital da incorporadora, razão pela qual deve ser afastada a tributação, já que desconsiderada a validade jurídica e econômica do ágio, diante da inexistência de conteúdo econômico ou jurídico nas operações consideradas pela fiscalização, inexistindo base ou fato tributável.
Numero da decisão: 1202-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 1.212          1 1.211  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.723217/2010­24  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1202­001.129  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de abril de 2014  Matéria  Planejamento Tributário / Ganho de Capital  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  INTERPAR PARTICIPAÇÕES LTDA.    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2006  TRIBUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL ­ INEXISTÊNCIA   Se  é  desconsiderada  a  operação  de  incorporação,  não  há  que  se  falar  em  ganho  de  capital  da  incorporadora,  razão  pela  qual  deve  ser  afastada  a  tributação,  já  que  desconsiderada  a  validade  jurídica  e  econômica  do  ágio,  diante  da  inexistência  de  conteúdo  econômico  ou  jurídico  nas  operações  consideradas pela fiscalização, inexistindo base ou fato tributável.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao Recurso de Ofício.  (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  Geraldo Valentim Neto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Maria Elisa Bruzzi  Boechat, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 32 17 /2 01 0- 24 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.213          2 Consiste o presente processo  administrativo  em Autos de  Infração  lavrados  contra a Recorrida, consubstanciados em lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 117.999.060,32  (fls. 01/15) e CSLL, no valor de R$ 42.499.352,26 (fls. 16/23), já acrescidos de multa de ofício  de 75% e juros à Taxa SELIC.  Detectou  a  fiscalização  a  inexistência  de  tributação  sobre  ganho  de  capital  decorrente de participação societária extinta na incorporação da empresa Inter Participações e  Empreendimentos.  Segundo informações apuradas pela fiscalização, a Recorrida sofreu aumento  de capital em 29/07/2005 decorrente da subscrição e integralização do sócio Domingos Costa  de 72.111.551 ações da empresa Inter Participações e Empreendimentos S.A. e 1 quota de uma  empresa recém­criada, DCPC. O capital social da Recorrida também foi integralizado mediante  a subscrição realizada pela outra sócia, Patrícia Domingos, das quotas da empresa DCPC.   Na mesma data (29/07/2005), o sócio Domingos Costa cedeu as suas quotas  da DCPC para  a Recorrida,  e  a  sócia Patrícia Domingos  transferiu  para  a Recorrida  as  suas  quotas da empresa DCPC, à exceção de uma. Portanto, os sócios da DCPC eram (i) a Recorrida  (9.999 quotas) e (ii) Patrícia Costa (1 quota).  A  Recorrida  também  detinha  participação  societária  na  empresa  Inter  Participações e Empreendimentos S.A., como descrito acima. Diante da cisão da empresa Inter  Participações,  o  patrimônio  cindido  foi  transferido  para  a  DCPC,  avaliado  pelo  valor  de  mercado. A transferência do patrimônio cindido para a DCPC acarretou em ganho de capital da  Recorrida no valor de R$ 207.202.731,64 (recebimento a valor de mercado = diferença entre o  valor do  investimento na  Inter Participações e o valor pelo qual a DCPC recebeu a  título de  patrimônio cindido).  O  ganho  de  capital  da Recorrida  foi  registrado  no  LALUR,  nos  termos  do  artigo 35 da Lei nº 10.637/2002. Quando a DCPC (da qual a Recorrida era sócia majoritária)  foi  incorporada  por  outra  empresa  do  sócio  Domingos  Costa  –  Domingos  Costa  Ind.  Alimentícia  S.A.  (DOCIASA),  surgiu  um  ágio  amortizável  para  a  DOCIASA,  bem  como  o  ganho de capital para a Recorrida.  Entendeu a  fiscalização pela ocorrência de  simulação na operação principal  da  DOCIASA,  que  foi  objeto  de  autuação  fiscal  e  lançamento  que  originou  o  Processo  Administrativo nº 13603.723112/2010­75. Na mesma fiscalização, a autoridade fiscal entendeu  que  a  simulação  ocorreu  em  todas  as  reorganizações  societárias  realizadas  em  empresas  do  mesmo  grupo  e  efetuou  também  o  lançamento  que  originou  o  Processo  Administrativo  nº  13603.723111/2010­21, no qual é parte a Inter Participações e Empreendimentos S.A.  No  Processo  Administrativo  nº  13603.723112/2010­75,  a  DOCIASA  foi  autuada diante da glosa de amortização do ágio, enquanto que no Processo Administrativo nº  13603.723111/2010­21,  a  Inter  Participações  foi  autuada  para  a  tributação  da  “realização  de  reserva de reavaliação” – reserva especial de ágio no patrimônio líquido da investidora.   Segundo informações prestadas pela Recorrida, o Processo Administrativo nº  13603.723112/2010­75 foi incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009.  Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.214          3 Intimada  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  em  30/11/2010  (fls.  13),  a  Recorrida apresentou Impugnação em 24/12/2010 (fls. 372/397), acompanhada de documentos  de fls. 397/929, sob os seguintes argumentos, em síntese:  (i)  Ausência de acréscimo patrimonial nas empresas diante da transferência  do direito sobre as marcas comerciais (Vilma e outras);  (ii)  Se  o  patrimônio  da  RRTM  não  poderia  sofrer  reavaliação  patrimonial  porque  inexistente  o  valor  econômico  diante  da  não  ocorrência  da  transferência efetiva das marcas ­­ que no entendimento da fiscalização  permaneciam  como  propriedade  da  DOCIASA  ­­,  não  há  fundamento  legal  para  se  considerar  o  aumento  de  capital  realizado  pela  Inter  Participações  na  DOCIASA,  como  “reavaliação”  da  participação  societária (RRTM) na integralização deste aumento de capital;  (iii)  Laudos contábeis de 2005 foram desconsiderados pela  fiscalização sem  fundamento legal ou justificativa plausível;   (iv)  Contradição  no  entendimento  da  fiscalização,  uma  vez  que  atribuiu  validade jurídica aos atos de reavaliação de patrimônio ao mesmo tempo  em que determinou  a  inexistência de  substância  econômica  ou  jurídica  dos atos de reavaliação do patrimônio;  (v)  Inexistência  de  ganho  de  capital  porque  se  consideradas  inválidas  as  operações  (de  cisão  da  Inter  Participações,  a  versão  do  patrimônio  cindido  para  a  DCPC  e  a  incorporação  da  DCPC  pela  DOCIASA)  a  conclusão é a de que não ocorreram as operações e incorporações. Dessa  forma, se não reconhecidas as operações, não que se falar em ganho de  capital.  Consequentemente,  não  há  que  se  falar  em  tributação  sobre  ganho inexistente;  (vi)  Incoerência  do  procedimento  fiscal  diante  das  contradições  apontadas  pela Recorrida; e  (vii)  Incorreto  enquadramento  do  suposto  ganho  tributário  diferido  como  reserva de reavaliação.   Submetida  à  apreciação  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  a  Impugnação  apresentada  pela  Recorrida  foi  julgada  procedente (fls. 1023/1062), nos termos da ementa transcrita a seguir:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  Ganho  de  Capital.  Hipótese  legal  de  diferimento  da  tributação  vigente  até  21/11/2005.  Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  da  pessoa  jurídica,  a  parcela  correspondente  à  diferença  entre  o  valor  de  integralização  de  capital,  resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar  Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.215          4 a  subscrição  e  integralização,  e  o  valor  dessa  participação  societária  registrado na escritura contábil da mesma pessoa jurídica.  O  valor  da  diferença  apurada  será  controlado  na  Parte  B  do  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  (LALUR)  e  somente  deverá  ser  computado  na  determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido: (a) na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da  participação  subscrita,  proporcionalmente  ao  montante  realizado;  e  (b)  proporcionalmente  ao  valor  realizado,  no  período  de  apuração  em  que  a  pessoa  jurídica  para  a  qual  a  participação  societária  tenha  sido  transferida  realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de  capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.  Não  será  considerada  realização  a  eventual  transferência  da  participação  societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência  de fusão, cisão ou incorporação, observado o controle do ganho de capital na  parte  “B” do LALUR,  a  ser  tributado quando houver  alienação,  liquidação,  baixa ou qualquer tipo de realização.  Até  21  de  novembro  de  2005,  vigorou  a  disposição  expressa  de  lei  que  autorizava as empresas realizar planejamento fiscal ou tributário, permitindo  a  reavaliação  de  investimento  com  diferimento  da  tributação  do  ganho  de  capital,  no  caso  de  cessão  do  investimento,  a  valor  de  mercado,  para  integralizar capital em outra empresa.   Era  permitido  que  uma  empresa  integralizasse  capital  em  outra  empresa,  mediante  o  seu  investimento  numa  terceira  empresa,  a  valor  de  mercado,  sem, todavia, tributar o ganho de capital (diferença entre o valor de mercado  e de custo contábil da participação societária) decorrente dessa operação.  No  caso  dos  autos,  a  pessoa  jurídica  (sujeito  passivo)  valeu­se  do  investimento  que  possuía  numa  empresa  que  controlava,  ao  integralizar  capital  em  outra,  que  também  era  sua  controlada,  mediante  versão  do  patrimônio reavaliado a valor de mercado em procedimento de cisão parcial.  É inegável que essa operação se subsume ao benefício fiscal que vigorava na  data dessa operação.  Numa  operação  seguinte,  a  empresa  que  recebeu  o  investimento  foi  num  procedimento  de  “incorporação  reversa”  incorporada  por  uma  terceira  empresa. Todavia, essa operação de incorporação não era considerada como  realização ou alienação para fins de tributação do ganho diferido, desde que a  empresa subscritora (controladora) que inicialmente cedeu a sua participação  societária  reavaliada continuasse  efetuando o  controle desse ganho na parte  “B” do LALUR.  Os  procedimentos  de  reorganizações  societárias  entre  empresas  ligadas  que  resultaram  no  reconhecimento  contábil  do  ganho  de  capital,  informado  na  DIPJ, mas excluído na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL,  se deram segundo o direito e a lei vigentes à época dos fatos.  O  diferimento  do  ganho  de  capital  prevalecerá  até  o  momento  em  que  se  operar a realização ou a alienação dessa participação, nas hipóteses previstas  no próprio dispositivo legal.  Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.216          5 No caso, o contribuinte cumpre a determinação legal, controlando o valor da  diferença diferida na parte “B” do LALUR, a ser adicionada na determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da CSLL,  no  período  em  que  houver  a  qualquer  título  sua  realização  ou  alienação,  ainda  que,  por  meio  de  fusão,  cisão ou incorporação.  Impugnação procedente.  Crédito Tributário Exonerados.  Exonerado  o  crédito  tributário,  a  decisão  da  DRJ­Belo  Horizonte  foi  submetida  a  reexame  necessário,  via  Recurso  de  Ofício.  Embora  intimada  da  decisão  em  31/01/2012 (fls. 2012), a Procuradoria da Fazenda Nacional não se manifestou. A Recorrida foi  intimada em 15/05/2011 (fls. 1.064).  Os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator  do caso,  requisitei a  inclusão em pauta de julgamento do recurso. Considerando (i)  a relação  com  os  outros  dois  Processos  Administrativos  mencionados  e  relacionados  de  nºs  13603.723112/2010­75 e 13603.723111/2010­21, (ii) o pedido da Fazenda Nacional realizado  no Processo Administrativo nº 13603.723111/2010­21 e a inexistência de clareza nas razões da  fiscalização para a glosa da amortização do ágio naquele mencionado processo, determinei a  conversão do julgamento em diligência (fls. 1080/1086).   Consoante  Termo  de  Diligência  de  fls.  1190/1196  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Contagem/MG  atendeu  a  Resolução  nº  1202000.137  e  prestou  esclarecimentos nos seguintes termos:  (i)  Apensamento  dos  presentes  autos  aos  Processos  Administrativos  nºs  13603.723112/2010­75 e 13603.723111/2010­21;  (ii)  Confirmação da inclusão dos valores objeto do Processo Administrativo nº  13603.723112/2010­75  no  parcelamento  da  Lei  nº  11.941/2009,  com  documentos  anexados  ao  presente  processo,  para  confirmar  a  regularidade dos pagamentos;  (iii) Ocorreu nos autos a “criação de valores” via “reorganização” societária com  reavaliações de bens, baseados em laudos e operações não admitidas;  (iv) O objetivo das reorganizações societárias realizadas por todos os envolvidos  era  que  os  lançamentos  fossem  considerados  como  amparados  por  isenções;  (v)  Teria ocorrido “pseudo”  transferência de marcas pertencentes à Domingos  Costa  para  a  Inter  Participações,  que  ao mesmo  tempo  integralizou  na  empresa RRTM capital com estas marcas;  (vi) A  simulação  no  presente  caso  decorria  da  utilização  de  uma  empresa  veículo  (RRTM),  empresa  de  prateira,  que  nunca  foi  operativa,  com  a  utilização  de  laudo  que  foi  desconsiderado  pela  fiscalização,  porque  baseado  em  fundamentos  inaceitáveis,  em  especial, mas  não  apenas,  a  existência  de  lucro  na  empresa  DOCIASA,  considerando  os  15  anos  anteriores de apuração de prejuízo, bem como na propriedade das marcas  Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.217          6 (Vilma  e  outras)  pela  RRTM,  mas,  que,  de  fato,  permaneceram  de  propriedade da DOCIASA;  (vii)  Após  a  “pseudo”  transferência,  foi  realizada  uma  reavaliação  das marcas  que gerou a reserva de reavaliação que foi incorporada com a geração de  ágio  amortizável,  sem a  tributação do ganho de  capital  sobre o mesmo  ágio amortizado pela Domingos Costa (incorporadora);  (viii)  No  ano  de  2005  ocorreu  nova  “reorganização”  societária  com  novas  “reavaliações”  com  base  em  outra  simulação:  reavaliação  da  própria  empresa  Domingos  Costa,  com  base  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  que  foi  desconsiderada  pela  fiscalização  já  que  esta  empresa  apresentou  histórico  de  prejuízos  anuais  seguidos  em  períodos  anteriores; e  (ix) Diante  das  operações  tidas  como  simuladas  pela  fiscalização,  seriam  justificados os lançamentos tributários.  É o Relatório.      Voto             Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator  O  Recurso  de  Ofício  tem  previsão  no  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo, nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 256/2008, que determina, in verbis:   “Art. 1°. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado,  paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância,  bem  como  os  recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a  tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”.  Dessa  forma,  dele  tomo  conhecimento  e  passo  a  analisar  as  questões  de  mérito na realização do reexame necessário.  MÉRITO  Consoante  despacho  proferido  na  Sessão  de  03/10/2012  no  Processo  Administrativo  relacionado  nº  13603.723111/2010­21,  que  determinou  o  apensamento  dos  processos administrativos e a apresentação de esclarecimentos pela DRF de origem acerca das  razões  que  embasaram  os  lançamentos  tributários,  a  DRF  de  origem  apresentou  Termo  de  Verificação Fiscal de fls. 1190/1196.  Confirmado  pela  DRJ  de  origem,  os  valores  objeto  do  Processo  Administrativo  nº  13603.723112/2010­75,  no  qual  é  parte  a  empresa  Domingos  Costa  Indústrias Alimentícias S.A. (“DOCIASA”), foram, de fato, incluídos no parcelamento previsto  Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.218          7 na Lei nº 11.941/2009  (REFIS),  razão pela qual  referido processo deve  ser desapensado dos  presentes autos.  Por sua vez, o presente Processo Administrativo e o Processo Administrativo  nº 13603.723111/2010­21 também decorreram da mesma operação, tendo sido tributado nestes  autos  o  suposto  ganho de  capital  apurado  em participação  societária  extinta  na  incorporação  pela Recorrida e, naqueles autos, foi efetuado lançamento para cobrança de tributo decorrente  da “realização de reserva de reavaliação” – reserva especial de ágio no patrimônio líquido da  investidora.   A  DRF  de  origem  prestou  esclarecimentos  com  relação:  (i)  às  glosas  de  amortização  de  ágio  (objeto  do  Processo  Administrativo  nº  13603.723112/2010­75);  (ii)  à  tributação da “realização de reserva de reavaliação” – reserva especial de ágio no patrimônio  líquido da investidora (objeto do Processo Administrativo nº 13603.723111/2010­21); e (iii) à  tributação  pelo  IRPJ  e  pela  CSLL  do  ganho  de  capital  apurado  em  participação  societária  extinta por incorporação (objeto do presente Processo Administrativo).  A DRF de origem manteve os mesmos argumentos constantes dos Autos de  Infração que originaram os mencionados processos administrativos, sem apresentar explicações  sobre as contradições apontadas pela Fazenda Nacional nos autos do Processo Administrativo  relacionado nº 13603.723111/2010­21, bem como as apresentadas pela Recorrida.  Tal como constou da manifestação da Fazenda Nacional de fls. 2329/2331 do  Processo  Administrativo  relacionado  nº  13603.723111/2010­21  (apensado),  “a  constituição  definitiva  dos  tributos  decorrentes  da  glosa  do  ágio  afastaria  a  pretensão  de  se  tributar  o  correspondente ganho de capital. Ou se tributa um, ou se tributa outro”.   Assim,  e  nos  termos  já  indicados  pela  Fazenda  Nacional  em  face  da  diligência realizada às mencionadas fls. 2329/2331 daquele processo relacionado, se tributada a  amortização do ágio no Processo Administrativo nº 13603.723112/2010­75, não seria possível,  em  contrapartida,  tributar  o  ganho  de  capital,  objeto  do  presente  Processo Administrativo,  e  nem a a realização da reserva de ágio ­­ denominada naqueles autos de “reserva de avaliação” ­ ­, objeto do Processo Administrativo relacionado nº 13603.723111/2010­21 (apensado), diante  das suas inexistências.  Dessa forma, tendo em vista que restou comprovado que a glosa do ágio foi  tributada  e  confessada  pela  contribuinte  DOCIASA,  com  o  recolhimento  dos  tributos  incidentes  mediante  a  comprovação  da  adesão  pela  contribuinte  ao  parcelamento  da  Lei  11.941/2009, nos autos do Processo Administrativo nº 13603.723112/2010­75, conforme visto  anteriormente,  a  exigência  consubstanciada  nestes  autos,  assim  como  a  objeto  do  Processo  Administrativo nº 13603.723111/2010­21  (apensado)  como  lá  já decidido, deve ser  afastada,  razão pela qual, no mérito, entendo pela improcedência do Recurso de Ofício e a manutenção  da decisão da DRJ de origem.  Tendo em vista  todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento  ao  Recurso  de  Ofício  para  manter  a  r.  decisão  recorrida  e  determinar  a  improcedência  do  lançamento.  É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.723217/2010­24  Acórdão n.º 1202­001.129  S1­C2T2  Fl. 1.219          8 Geraldo Valentim Neto                                  Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO

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