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Numero do processo: 13931.000367/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues -Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 3 1 2 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13931.000367/200820 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.417 – 3ª Turma Especial Data 29 de janeiro de 2014 Assunto PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SOBRESTAMENTO Recorrente DINIZ SEMENTES E DEFENSIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório. Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 36 7/ 20 08 -2 0Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000367/200820 Resolução nº 3803000.417 S3TE03 Fl. 4 2 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 1º trimestre/2004. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões definitivas nos processos nºs 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. É como voto. Sala de sessões em 29 de janeiro de 2014. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000367/200820 Resolução nº 3803000.417 S3TE03 Fl. 5 3 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722113/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/08/2009
RESTITUIÇÃO. SEGURADO APOSENTADO. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. INEXISTÊNCIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. DEFERIMENTO DO PEDIDO.
Deve ser deferido o pedido de restituição efetuado por segurado que, após a aposentadoria, recolheu contribuições na condição de contribuinte individual, quando não se comprova que este exerceu atividade que o vinculasse obrigatoriamente ao RGPS no período em que efetuou os recolhimentos. Principalmente se não há no sistema informatizado da Previdência Social sequer dados cadastrais relativos ao NIT utilizado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2009 a 31/08/2009 RESTITUIÇÃO. SEGURADO APOSENTADO. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. INEXISTÊNCIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. DEFERIMENTO DO PEDIDO. Deve ser deferido o pedido de restituição efetuado por segurado que, após a aposentadoria, recolheu contribuições na condição de contribuinte individual, quando não se comprova que este exerceu atividade que o vinculasse obrigatoriamente ao RGPS no período em que efetuou os recolhimentos. Principalmente se não há no sistema informatizado da Previdência Social sequer dados cadastrais relativos ao NIT utilizado. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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SEGURADO APOSENTADO. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. INEXISTÊNCIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. DEFERIMENTO DO PEDIDO. Deve ser deferido o pedido de restituição efetuado por segurado que, após a aposentadoria, recolheu contribuições na condição de contribuinte individual, quando não se comprova que este exerceu atividade que o vinculasse obrigatoriamente ao RGPS no período em que efetuou os recolhimentos. Principalmente se não há no sistema informatizado da Previdência Social sequer dados cadastrais relativos ao NIT utilizado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 21 13 /2 01 2- 41 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.722113/201241 Acórdão n.º 2401003.465 S2C4T1 Fl. 77 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão n.º 0245.765 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que reconheceu em parte direito creditório pleiteado pelo interessado acima nominado. O processo trata de pedidos de restituição para as competências de 05 a 08/2009, com valores individuais de R$ 930,00. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em DivinópolisMG julgouos improcedentes, conforme Despacho Decisório SAORT/DRF/DIV, emitido em 10/09/2012, fls. 26/28, sob o fundamento de que o aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a esta atividade, ficando sujeito ao pagamento das contribuições para fins de custeio da Seguridade Social, consoante dispõe o artigo 12, inciso V, parágrafo 4º, da Lei 8.212, de 1991. Inconformado com esta decisão, o requerente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi acolhida parcialmente pela DRJ. Na decisão a quo, entendeuse que o recolhimento na condição de contribuinte individual, efetuado por segurado aposentado, equivale à confissão de que houve trabalho remunerado, sendo devidos os recolhimentos. Todavia, verificouse que as contribuições foram calculadas tomandose um saláriodecontribuição acima do teto legal, sendo cabível a restituição da parte excedente. Desta decisão, o interessado apresentou recurso ao CARF para afirmar que se aposentou como trabalhador rural e posteriormente veio a saber que poderia optar pela aposentadoria urbana, mais vantajosa, uma vez que havia sido trabalhador urbano e também empregador. Segundo afirma, recebeu a orientação de que para conseguir a aposentadoria urbana teria que efetuar os recolhimentos das contribuições, as quais agora requer a restituição. Todavia, afirma nunca haver exercido qualquer atividade após a sua aposentação. Assegura que inclusive desistiu do recurso contra decisão que indeferiu o seu pedido de aposentadoria urbana, posto que agente do INSS lhe informou que, caso obtivesse êxito, teria que devolver os valores decorrentes da aposentadoria rural. Ressalta que o STJ em decisão exarada em maio de 2013 reconheceu o direito à desaponsentação sem a necessidade de devolução dos valores recebidos, sendo, portanto, infundada a informação que obteve do órgão previdenciário. Ao final, requer a restituição integral dos valores constantes dos seus pedidos. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Pedido de restituição O motivo do deferimento apenas parcial do requerimento de repetição do indébito foi o entendimento de que a existência de recolhimento na condição de contribuinte individual conduz à presunção do exercício de atividade remunerada. Este posicionamento encontrase embasado no dispositivo da Lei n.º 8.212/1991, abaixo reproduzido: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). a) ... § 4º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social. Para o órgão de primeira instância, o fato do segurado aposentado efetuar recolhimentos na condição de contribuinte individual inexoravelmente leva à conclusão de que exerceu atividade remunerada no período e por isso seria segurado obrigatório do RGPS, não cabendo o deferimento do seu pleito de restituição. Penso, smj, que não é o recolhimento da contribuição que torna o aposentado segurado obrigatório, mas o exercício da atividade remunerada. O mero pagamento da GPS não pode levar à conclusão do exercício da atividade, posto que pode ter sido efetuado por falta de informação mais precisa acerca do nosso complicado sistema de concessão de benefícios previdenciários. Tenho me manifestado contrariamente à devolução de contribuições naqueles casos em que há uma inscrição do interessado na condição de contribuinte individual, processo em que o sujeito passivo apresenta documentos comprobatórios do exercício de atividade remunerada. Nesses casos, defendo que, para deferir a restituição, há a necessidade do requerente ter dado baixa na sua inscrição ou trazer ao processo a comprovação de que encerrou o exercício da atividade que o enquadrava como contribuinte individual. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.722113/201241 Acórdão n.º 2401003.465 S2C4T1 Fl. 78 5 A situação aqui tratada é de outra natureza. A própria administração tributária reconhece que, para o NIT em que houve os recolhimentos, não há dados cadastrais registrados no sistema informatizado da Previdência Social. É o que se observa de excerto do Despacho Decisório de fls. 26/28: “De acordo com informações contidas nos PER, os recolhimentos foram feitos no identificador número 1.102.142.0985. Em pesquisa ao sistema CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais constatamos que não existem dados cadastrais referentes a este identificador, conforme tela em anexo ao processo. No sistema SARCI – Sistema de Recolhimento do Contribuinte Individual e no sistema CNIS localizamos recolhimentos feitos no identificador NIT 1.102.142.0985, sem dados cadastrais do trabalhador, conforme telas anexas ao processo.”(grifei) Diante dessas constatações, não é razoável se exigir que o contribuinte faça prova da falta de exercício de atividade remunerada no período. Sobre essa questão, inclusive, peço licença para transcrever as palavras da Ilustre Conselheira Carolina Landim, quando desenvolveu magistralmente este raciocínio no voto que compõe o Acórdão n. 2403.001.939, de 12/03/2013: “Passemos, portanto, a analisar de forma hipotética como um trabalhador autônomo (o Recorrente exercia a atividade de pedreiro em construções civis), poderia comprovar o fato de que não exerceu atividade remunerada num determinado período. Não vislumbro a possibilidade de haver prova documental que ateste que o Recorrente não exerceu atividade remunerada, ressalvada a sua própria declaração, já juntada aos autos (fl. 08). Não me ocorre órgão, empresa, ou “empregador” que possa fornecer uma certidão neste sentido. Tratase, portanto, de uma prova negativa absoluta, e creio não existir meio de comprovar algo que o sujeito alega não ter feito, salvo sua declaração. A prova negativa é factível caso exista um fato positivo que concorra para sua produção. Exemplificando, eu teria como provar que não estive em Curitiba em determinado período, mediante a comprovação de que, no mesmo intervalo de tempo, eu estava em Brasília, participando de sessão de julgamento deste I. Conselho de Fazenda.Todavia, não vislumbro meios de comprovar de forma cabal que nunca estive em Curitiba. No presente caso, por tratar de prova negativa absoluta, não há meios capazes de prova, salvo a própria declaração do Recorrente. Os julgadores a quo não poderiam ignorar a declaração apresentada, afastandoa por completo a ponto de sequer mencionar sua existência mesmo que para concluir pela sua imprestabilidade para provar o fato ali declarado.” Esse raciocínio é perfeitamente aplicável à situação sob enfoque, a qual posso acrescentar que não havendo nos autos nenhum documento que comprove a ocorrência de atividade remunerada, há de se aceitar o requerimento de restituição do interessado como Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 declaração de que não exerceu no período em tela atividade que o enquadrasse como segurado obrigatório do RGPS. A par dessas considerações, entendo que o pedido de repetição do indébito deve ser acatado na íntegra. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007898/2010-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 78 98 /2 01 0- 51 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.007898/201051 Acórdão n.º 2801003.482 S2TE01 Fl. 102 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BEL/PA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Tratase de impugnação em resistência à Notificação de Lançamento, fls. 05/08, lavrada em face do Interessado, já qualificado nos autos, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, Exercício 2007, anocalendário 2006, no qual foi constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista no valor de R$ 1.113.163,94. Resultou a ação fiscal na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 622.371,28 – compreendendo o imposto, a multa de ofício (passível de redução) e os juros de mora calculados até 30/11/2010. Em sua impugnação, fls. 01/03, o interessado alega, em síntese, que: Os rendimentos objeto do lançamento foram auferidos em decorrência do Processo Judicial Trabalhista nº R27060/1999 0161100, originário da 16ª Vara do Trabalho de Manaus, conforme documentação anexa. Salienta que não houve omissão de rendimentos e sim rendimentos não tributáveis de acordo com entendimento das Cortes Superioras Brasileiras. Após listar os benefícios pleiteados e concedidos em sede judicial, afirma que “os pontos polêmicos e divergentes na declaração são os itens 2; 3; e 9:” ajuda de custo; diferença de adicional de transferência e indenização por danos morais, respectivamente. Requer o cancelamento do “débito fiscal reclamado e restituindo o Contribuinte dos valores devidos ao contemplar os lançamentos de forma correta”. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 58/68, para reconhecer a não incidência do Imposto de Renda sobre a verba percebida em razão de dano moral, no valor de R$ 449.296,74. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 25/04/2012 (fl. 72), o interessado interpôs o recurso de fls. 75/79, em 18/05/2012, no qual sustenta que não são tributáveis os valores recebidos a título de ajuda de custo e diferença de adicional de transferência. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.007898/201051 Acórdão n.º 2801003.482 S2TE01 Fl. 103 3 Conforme Resolução 2801000.244, às fls. 97/100, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei n 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, 1 , do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.007898/201051 Acórdão n.º 2801003.482 S2TE01 Fl. 104 4 Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.007898/201051 Acórdão n.º 2801003.482 S2TE01 Fl. 105 5 adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.007898/201051 Acórdão n.º 2801003.482 S2TE01 Fl. 106 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 12571.720114/2011-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. O recursos voluntário precisa enfrentar expressa e objetivamente a decisão recorrida. Nestes autos, a decisão de primeira instância declarou que certas matérias não foram impugnadas e o recorrente não enfrentou essa parte da decisão, tornando matéria incontroversa. No caso, não foi impugnado o ano-calendário 2007, a glosa de despesas de capital e a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão.
IRPF. LIVRO CAIXA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NÃO ATENDIMENTO. GLOSA LEGÍTIMA.
A dedução de despesas de Livro Caixa somente é legítima quando as despesas são comprovadas com documentação hábil e idônea. A fragilidade da documentação apresentada e o conjunto de evidências reunido pela autoridade fiscal justifica a exigência de prova inequívoca do pagamento dos valores declarados e na datas correspondentes, não atendidas essas exigências a glosa é legítima.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. No juízo de admissibilidade, foram vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello que conheciam integralmente o recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. O recursos voluntário precisa enfrentar expressa e objetivamente a decisão recorrida. Nestes autos, a decisão de primeira instância declarou que certas matérias não foram impugnadas e o recorrente não enfrentou essa parte da decisão, tornando matéria incontroversa. No caso, não foi impugnado o ano-calendário 2007, a glosa de despesas de capital e a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão. IRPF. LIVRO CAIXA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NÃO ATENDIMENTO. GLOSA LEGÍTIMA. A dedução de despesas de Livro Caixa somente é legítima quando as despesas são comprovadas com documentação hábil e idônea. A fragilidade da documentação apresentada e o conjunto de evidências reunido pela autoridade fiscal justifica a exigência de prova inequívoca do pagamento dos valores declarados e na datas correspondentes, não atendidas essas exigências a glosa é legítima. Recurso negado.
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. O recursos voluntário precisa enfrentar expressa e objetivamente a decisão recorrida. Nestes autos, a decisão de primeira instância declarou que certas matérias não foram impugnadas e o recorrente não enfrentou essa parte da decisão, tornando matéria incontroversa. No caso, não foi impugnado o anocalendário 2007, a glosa de despesas de capital e a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão. IRPF. LIVRO CAIXA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NÃO ATENDIMENTO. GLOSA LEGÍTIMA. A dedução de despesas de Livro Caixa somente é legítima quando as despesas são comprovadas com documentação hábil e idônea. A fragilidade da documentação apresentada e o conjunto de evidências reunido pela autoridade fiscal justifica a exigência de prova inequívoca do pagamento dos valores declarados e na datas correspondentes, não atendidas essas exigências a glosa é legítima. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. No juízo de admissibilidade, foram vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello que conheciam integralmente o recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 14 /2 01 1- 45 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2008 e 2009, anocalendário 2007 e 2008, devido a glosa de despesas de LivroCaixa relacionadas às fls. 379/381, bem como multa de ofício (75%) e multa exigida isoladamente pelo não recolhimento do imposto mensal obrigatório. As despesas referentes a RCB Serviços Protéticos Maurício de Campos, supostamente realizadas por Márcio de Campos, Maurício de Campos e Eduardo Fanha e relativa a Adriano Fanha Guimarães – Adriano Fanha Ateliê Dental foram glosadas por falta de comprovação documental da efetiva realização; as demais, por serem aplicação de capital. Do Relatório de Ação Fiscal (fls. 369 em diante) extraise as seguintes informações: a) A autoridade fiscal descreveu que realizou diligências para averiguar a veracidade da prestação de serviço de próteses, porém os profissionais Márcio de Campos, Maurício de Campos e Eduardo Fanha limitaramse a apresentar declarações unilaterais (fls. 106, 109 e 113) de que teriam prestado serviço de prótese como freelancers, sem apresentar os competentes recibos coincidentes em datas e valores e histórico, o que em conjunto com a falta de documentação apresentada pelo fiscalizado, reforçou a necessidade de glosa dessas despesas; b) Quanto às despesas assinaladas como Materiais Odontológicos Adriano Fanha que, após atendimento à intimação restaram sem apresentação de documentação, a autoridade realizou diligência fiscal, reteve todas as notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica e constatou que, dentre elas, não constavam notas fiscais relativas as despesas até ali sem comprovação, o que reforçou a necessidade de glosa. c) O Sr. Adriano Fanha informou por escrito que os serviços prestados ao fiscalizado foram aqueles mencionados nas notas fiscais retidas pela fiscalização, informação corroborada pelo Livro Registro de Saídas sem menção a qualquer outra nota fiscal além das que se encontravam retidas pela fiscalização. d) A autoridade fiscal registrou também que, posteriormente, o Sr. Adriano Fanha apresentou declaração por escrito (fls. 333) em que afirma ter prestado serviço de prótese ao fiscalizado, por cinco vezes, como pessoa física, nos valores de R$1.172,00, R$819,00, R$596,00, R$34,21 e R$975,00. Entretanto, esses documentos não autorizariam a Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12571.720114/201145 Acórdão n.º 2802002.628 S2TE02 Fl. 495 3 dedução, uma vez que nestes casos, deixouse de apresentar os recibos, especificando data, histórico e valor dos serviços supostamente prestados, cotejando tais informações com a relação de despesas glosadas por falta de comprovação documental registradas no Livro Caixa. O impugnante sustentou: a) a comprovação das despesas glosadas; b) que contratou Adriano Fanha, Maurício de Campos e Eduardo Fanha, sendo representados pela empresa Adriano Fanha Ateliê Dental para procedimentos odontológicos de clientes; c) que os profissionais declararam à Fiscalização terem sido contratados como freelancers, sem emitirem notas fiscais; d) que para comprovar esses pagamentos solicitou ao Banco do Brasil cópia dos cheques, conforme cópia de carta anexa; e) anexou cópia dos trabalhos efetuados por Adriano Fanha Ateliê Dental com protocolo e nome de pacientes, os quais poderão ser intimados e ouvidos. A impugnação foi indeferida. O acórdão de primeira instância assinalou que não foi contestada a glosa das despesas de capital e o lançamento em relação ao anocalendário 2007 e firmou convencimento acerca de a documentação apresentada ser insuficiente para fins de dedução, pois : a) a carta dirigida ao Banco do Brasil e a tabela de preços não são documentos comprobatórios de despesas (fls. 398/402); b) não houve glosa no período a que se referem as fichas de entradas e os extratos de serviços (fls. 403 e 460/465); c) quanto às faturas (fls. 404/413), aos extratos de serviços (fls. 414/433; 436/439 e 442/459) e ás fichas de entrada (fls. 434/435 e 440/441) da empresa Adriano Fanha Ateliê Dental registrou que são documentos sem endereço e CNPJ do prestador do serviço ou sem endereço do cliente/comprador; existe declaração do Sr. Adriano Fanha Guimarães de que os serviços prestados são os que foram mencionados nas notas fiscais retidas pela fiscalização, já admitidas pela autoridade lançadora; as notas fiscais não foram trazidas aos autos, em seu lugar foram apresentados os documentos indicados acima, portanto falta prova documental para fins de dedução. Ciência da decisão em 10/11/2011. Recurso voluntário interposto em 07/12/2011. Na peça recursal, em resumo, sustentase: 1. a ilegitimidade da glosa de despesas com próteses e manutenção do imóvel em que exerce a atividade de odontólogo, pois a efetividade dessas despesas não foi questionada, a primeira foi glosada pela falta da nota fiscal, porém os documentos de fls. 399/465 comprovam esses gastos, já as despesas de manutenção do imóvel não se confundem com despesas de capital; 2. a impossibilidade de exigência de multa isolada após encerramento do ano calendário e concomitantemente com a de ofício; cita precedentes deste Conselho; 3. não cabe exigir juros de mora sobre multa de ofício e sobre multa de mora; cita precedentes deste Conselho; É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo. Dele devese tomar conhecimento em parte pelas razões adiante expostas. A impugnação (fls. 396) foi conhecida como parcial, restando não impugnado o anocalendário 2007 e a glosa de despesas de capital. O recorrente não contesta esse ponto da decisão, que, portanto, é incontroverso. Desta forma, não se conhece das alegações inerentes à glosa das despesas do Livro Caixa que a autoridade fiscal classificou como despesas de capital (fls. 379/380), em decorrência da preclusão, ainda que o recorrente, na fase recursal, venha a sustentar que respectivas despesas referemse a manutenção do imóvel e não se confundiriam com despesas de capital. Igualmente, não se conhece de documentos alusivos ao anocalendário 2007 porventura mencionados no recurso voluntário. O recorrente alega a impossibilidade de exigência de multa isolada após encerramento do anocalendário e concomitantemente com a de ofício incidindo sobre a mesma base de cálculo usada para cálculo do IRPF lançado, cita como precedente o Acórdão n° 1061600, sessão de 06/12/2006. A multa isolada tem natureza distinta do imposto e da multa de ofício exigida sobre o imposto anual, assim como foi discriminado em itens distintos no auto de infração, entretanto, não houve contestação expressa acerca da multa isolada na impugnação e não se trata de matéria de ordem pública, de forma que é matéria preclusa, o que impede o conhecimento das alegações do recorrente feitas exclusivamente na fase recursal. O Decreto 70.235/1972 estabelece para o recorrente o ônus da impugnação expressa e específica. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(grifos acrescidos) Na impugnação não consta qualquer registro dos motivos de fato ou de direito no qual que se fundamentaria o impugnante para afastar a multa isolada. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12571.720114/201145 Acórdão n.º 2802002.628 S2TE02 Fl. 496 5 O ônus da impugnação específica foi razão de esta Turma julgadora, com amparo em precedentes deste Conselho, por unanimidade, não conhecer recurso voluntário conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ALEGAÇÕES RECURSAIS GENÉRICAS. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235/72, aplicável à fase recursal, a impugnação e, portanto, o recurso, deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Recurso Não Conhecido A propósito, citase como precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF o acórdão n° 9202002.859, cujo excerto de ementa se transcreve: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 (...) MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No caso, não foi impugnada a multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão. Recurso especial provido em parte. Destarte, não se conhece do recurso voluntário quanto à multa isolada. Segundo o recorrente, é indevida a glosa de despesas com próteses pela falta da nota fiscal, pois a efetividade dessas despesas não foi questionada. Sustenta que os documentos de fls. 399/465 comprovam esses gastos. Entretanto não enfrenta objetivamente as ressalvas contidas no acórdão recorrido. a) tabela de preços não é documento comprobatório de despesas (fls. 399/402); b) não houve glosa no período a que se referem as fichas de entradas e os extratos de serviços (fls. 403) c) quanto às faturas (fls. 404/413), aos extratos de serviços (fls. 414/433; 436/439 e 442/459) e às fichas de entrada (fls. 434/435 e 440/441) da empresa Adriano Fanha Ateliê Dental, o acórdão recorrido registrou que são documentos sem endereço e CNPJ do prestador do serviço ou sem endereço do cliente/comprador e que existe declaração do Sr. Adriano Fanha Guimarães, indicando que os serviços prestados são os que foram mencionados nas notas fiscais retidas pela fiscalização e já admitidas pela autoridade lançadora; as notas Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 fiscais não foram trazidas aos autos, em seu lugar foram apresentados os documentos indicados acima, portanto, faltaria prova documental para fins de dedução. O recorrente não demonstrou esforço probatório para afastar os óbices ou demonstrar que os serviços apontados nesses documentos correspondem aos que foram glosados. As declarações do Sr. Adriano Fanha Guimarães (fls. 302 e 333) indicam que os serviços prestados pela pessoa jurídica são apenas os que constaram das notas fiscais já acatadas e que os serviços prestados como pessoa física (fls. 333) teriam ocorrido nos anos de 2007 e 2008 nos valores anotados às fls. 333. Entretanto, essa última declaração é superficial e genérica para os anos de 2007 e 2008 sem especificar quais datas de recebimento de cada valor mencionado, o que, por si só, é insuficiente para fins de dedução no Livro Caixa. d) não houve glosa no período a que se referem as fichas de entradas e os extratos de serviços (460/465). Conforme demonstrativo às fls. 364, os juros de mora incidiram sobre o valor do imposto e não sobre as multas de ofício e isolada. Com isso rejeitase a respectiva alegação do recorrente. Desta maneira, não cabe reformar o acórdão recorrido. Diante do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida NEGAR PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720013/2012-42
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010
BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. ERRO NA DECLARAÇÃO. EQUIVOCO DEMONSTRADO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, a fim de que o levantamento PD - REMUN PRO LABORE DECLARADA seja retificado para as competências 01/2009; 02/2009 e 03/2009 do crédito DEBCAD 51.009.216-0.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. ERRO NA DECLARAÇÃO. EQUIVOCO DEMONSTRADO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, a fim de que o levantamento PD - REMUN PRO LABORE DECLARADA seja retificado para as competências 01/2009; 02/2009 e 03/2009 do crédito DEBCAD 51.009.216-0. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 151 1 150 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720013/201242 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.017 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO; REMUNERAÇÃO INDIRETA: PROLABORE E TERCEIROS. Recorrente BODY CLUB CLUBE DO CORPO S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. ERRO NA DECLARAÇÃO. EQUIVOCO DEMONSTRADO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, a fim de que o levantamento PD REMUN PRO LABORE DECLARADA seja retificado para as competências 01/2009; 02/2009 e 03/2009 do crédito DEBCAD 51.009.2160. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 13 /2 01 2- 42 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15563.720013/201242 Acórdão n.º 2803003.017 S2TE03 Fl. 152 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.009.2160, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa das categorias de empregado e contribuinte individual, parte patronal; SAT e contribuição da empresa sobre a remuneração do contribuinte individual, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.009.2179, que objetiva o lançamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.009.2152, CFL.35 deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, e parágrafo 11, com a redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.009.2187,CFL.38 deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 21 a 26, com período de apuração de 01/2009 a 12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 28 e 29. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 31/01/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03 e 11, bem como Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 17 e 18. O processo nº 15563.720014/201297 foi juntado por apensação a este, em 09/02/2012, conforme Termo de Apensação, de fls. 56. O contribuinte apresentou suas defesas, em 01/03/2012, as fls. 58 a 61, acompanhadas dos documentos, de fls. 62 a 77. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 82. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1257.805 12ª, Turma DRJ/SDR, em 12/07/2013, fls. 84 a 91. No qual a impugnação foi considerada improcedente. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15563.720013/201242 Acórdão n.º 2803003.017 S2TE03 Fl. 153 3 O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 06/08/2013, conforme AR, de fls. 93. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 95 e 96, recebido, em 05/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 95, acompanhado dos documentos, de fls. 97 a 148. Mérito. · DEBCAD 51.009.2160 que o sócio não fez retiradas prólabore nos valores determinados pela fiscalização, pois a empresa não tem faturamento para isso, o que se comprova pelos documentos anexados; · DEBCAD 51.009.2179 – que a empresa nunca foi cientificada de sua exclusão do SIMPLES e assim continuou a se portar como empresa pertencente ao sistema de tributação favorecido; · DEBCAD 51.009.2152 – que toda a documentação disponível foi entregue a fiscalização, não atendendo ao pedido de esclarecimento da competência 05/2009, devido a documentação estar de posse do fisco e de não ter sido escriturado na época própria o Livro Diário; · DEBCAD 51.009.2187 – que a empresa não entregou o Livro Diário e o Razão, pois foi o sócio administrador quem pagou as despesas, e, apesar de solicitados os documentos para escrituração dos livros este não os entregou, tendo solicitado a escrituração dos livros para ficar em dia com as obrigações, embora a empresa seja desobrigada a tal, apresentação de escrituração contábil; · Espera e requer a recorrente: a) acolhimento da impugnação, decidindose pelo cancelamento do débito fiscal. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 149. É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15563.720013/201242 Acórdão n.º 2803003.017 S2TE03 Fl. 154 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre esclarecer que as alegações recursais serão consideradas em seu conjunto para todos os créditos constantes do PAF, apesar de ter o contribuinte, aparentemente, limitado uma alegação para cada crédito. Não assiste razão a recorrente ao dizer que não foi cientificada de sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, pois consta, as fls. 52 a 54, os comprovantes de exclusão e a comunicação via edital, datado de 30/10/2008. Aliás, o acórdão a quo sobre isso assim se manifesta, veja a transcrição abaixo. 6. Os documentos de fls. 53/54 evidenciam que o contribuinte foi excluído de regime simplificado de tributação, com efeito a partir de 01/01/2009, através do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 098707. Consultandose o referido ato de exclusão no sistema “SIVEX”, temse o seguinte: “Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 (...)” 7. Embora o contribuinte afirme não ter sido cientificado de sua exclusão do SIMPLES o que se justifica, uma vez que o documento de fls. 54 noticia que a ciência do ato se deu através de edital publicado em 30/10/2008 tal alegação não tem o condão de eximilo da presente exigência. Isso porque, fato é que o ato declaratório já não mais pode ser discutido no âmbito administrativo por intermédio da via adequada, não havendo como utilizarse a impugnação do crédito tributário como sucedâneo da manifestação de inconformidade este,sim, instrumento idôneo para contestar o ato de exclusão , criandose uma espécie de via processual alternativa não prevista em lei. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15563.720013/201242 Acórdão n.º 2803003.017 S2TE03 Fl. 155 5 O comportamento da empresa no que tange ao regime tributário é irrelevante para fins de constituição dos créditos devidos, pois o que importa é o que está determinado em lei, pois o lançamento tributário decorre de disposição legal. No que tange a alegação referente a impossibilidade de realização das retiradas prólabore do sócio André Dias de Oliveira Fernandes para as competências 01/2009, no valor de R$ 473.100,00; competência 02/2009, no valor de R$ 473.100,00 e competência 03/2009 no valor de R$ 157.700,00, conforme Discriminativo de Débito – DD, de fls. 05, a alegação da recorrente encontra verossimilhança e respaldo nos documentos, abaixo discriminados e que comprovam que para todo ano de 2009 tal retirada foi linear e no valor de R$ 465,00 de janeiro a dezembro/2009. · Recibo de pagamento de autônomo – RPA 01/2009, fls. 98; 02/2009, fls. 99; 03/2009, fls. 100 – valor de R$ 465,00 nas três competências; · Declaração de Ajuste do IRPF – Ano calendário/2009 – Exercício/2010 – ficha rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo titular – empresa BODY CLUB – total R$ 5.580,00, ou seja, R$ 465,00 por mês, fls. 102; · Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, valor R$ 5.580,00, fls. 106; · DIPJ 2010 – ano calendário 2009 – remuneração do trabalho, R$ 5.580,00, fls. 121; · GFIP’S retificadas, comp 01/2009; 02/2009 e 03/2009, fls. 126 e 127; fls. 134 e 135; fls. 142 e 143, com valor de R$ 465,00 na categoria 11; · Razão por conta PROLABORE ADMINISTRAÇÃO (2590) 4207 01, com valor de R$ 465,00 de janeiro a dezembro/2009. Com os esclarecimentos acima e demonstrado o equivoco na base de cálculo deve o levantamento PD – REMUN PRO LABORE DECLARADA para as competências 01/2009; 02/2009 e 03/2009 do crédito DEBCAD 51.009.2160 ser retificada. Cuidase de obrigação da empresa fiscalizada franquear à fiscalização todos os documentos solicitados por esta. Mas, isso não exime a empresa de cumprir com suas obrigações fiscais e legais. O esclarecimento solicitado pela fiscalização quanto ao recolhimento a maior na competência 05/2009 poderia ter sido facilmente averiguado pela empresa se esta possuísse o livro diário e razão ou se comparasse a folha de pagamento com o valor constante da GPS, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15563.720013/201242 Acórdão n.º 2803003.017 S2TE03 Fl. 156 6 aliás, documentos que não foram solicitados pela fiscalização e que assim estavam de posse da recorrente. Os livros contábeis que provam a favor da empresa não foram formalizados em época própria por sua conta e risco e exclusiva responsabilidade, sendo desprovida de fundamento qualquer alegação, quanto a impossibilidade de prestar a informação, pois ou não o fez por que não quis ou por que não cumpriu com suas obrigações legais. A origem dos recursos para pagamento das despesas operacionais da empresa é irrelevante, no que tange a confecção dos livros contábeis estes devem ser escriturados dentro do que determina a lei a respeito da matéria, em especial com a Lei 6.404/76 c/c a Lei 10.406/2002 e a Resolução CFC 750/93 e as normas brasileiras de contabilidade. A empresa do SIMPLES NACIONAL não é dispensada da escrituração contábil esta apenas pode substituir o livro diário e razão pelo livro caixa e registro de inventário. Porém, esta substituição é facultativa e uma vez não realizada deve esta apresentar o livro diário e o razão, como no caso foi solicitado todos os livros, ou seja, o diário, o razão, o caixa e o registro de inventário e a empresa não apresentou nenhum deles a atuação se justifica, veja o que diz o agente autuante no item 7.1, do REFISC, de fls. 24. 7.1 . O contribuinte deixou de apresentar, seu Livro Diário, Livro Razão, Livro Caixa e o Inventário solicitados através no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, exceto a relativa a retificação da base de cálculo do levantamento PD – REMUN PRO LABORE DECLARADA para as competências 01/2009; 02/2009 e 03/2009 do crédito DEBCAD 51.009.2160, que devem ser retificadas. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que o levantamento PD – REMUN PRO LABORE DECLARADA, seja retificado, para as competências 01/2009; 02/2009 e 03/2009 do crédito DEBCAD 51.009.2160. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10314.001144/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 18/08/2005 a 13/06/2006
IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
Em razão da classificação fiscal de produtos compostos ou de múltiplas funcionalidades, que não puderem ser classificados pela regra 3.a (TIPI), os mesmos classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, por isso as impressoras multifuncionais Epson Stylus CX3700, CX4100, CX4700 e CX7700, classificam-se no código NCM 8471.60.21 e não como copiadoras (9009.21.00).
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgadopor unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1772-B.
RODRIGO DA COSA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 18/08/2005 a 13/06/2006 IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. Em razão da classificação fiscal de produtos compostos ou de múltiplas funcionalidades, que não puderem ser classificados pela regra 3.a (TIPI), os mesmos classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, por isso as impressoras multifuncionais Epson Stylus CX3700, CX4100, CX4700 e CX7700, classificam-se no código NCM 8471.60.21 e não como copiadoras (9009.21.00). Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgadopor unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1772-B. RODRIGO DA COSA PÔSSAS - Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. EDITADO EM: 26/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. Em razão da classificação fiscal de produtos compostos ou de múltiplas funcionalidades, que não puderem ser classificados pela regra 3.a (TIPI), os mesmos classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, por isso as impressoras multifuncionais Epson Stylus CX3700, CX4100, CX4700 e CX7700, classificamse no código NCM 8471.60.21 e não como copiadoras (9009.21.00). Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgadopor unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1772B. RODRIGO DA COSA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 26/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 11 44 /2 00 7- 88 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Adoto do relatório da DRJ nos seguintes termos (o auto de infração foi constituído em 22/01/2007): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/0 3/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de multa e juros, além de multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 1.263.046,88, em virtude dos fatos a seguir descritos. O importador, por meio das DI´s discriminadas a seguir, submeteu a despacho as mercadorias por ele assim descritas: • "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX3700 "; • "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX4100 "; • "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX4700 " e • "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX7700. As mercadorias assim descritas foram por ele classificadas na Tarifa Externa Comum no código 8471.60.21 ("Outras impressoras, com velocidade de impressão inferior a 30 páginas por minuto, a jato de tinta liquida, com largura de impressão inferior ou igual a 420mm"), tendo sido calculado o Imposto sobre Produtos Industrializados (Imposto sobre Produtos Industrializados Importação) à aliquota de 15 (quinze) %. Ocorre que, efetivamente, as mercadorias importadas são MULTIFUNCIONAIS, classificáveis na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 9009.21.00, sendo incidente a alíquota do IPI Importação de 20 (vinte) %. Este entendimento é corroborado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 7, de 26/07/2005, publicado no D.O.U. em 28/07/2005. Cabe citar também a Solução de Consulta SRRF/8aRF/DIANA no 1, de 28 de janeiro de 2005 gerada a partir de consulta formulada pelo próprio importador, EPSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO , que trata dos modelos Epson Stylus CX3200 e CX5200, da mesma linha de multifuncionais dos modelos CX3700, CX 4100, CX 4700 e CX7700, objetos do presente auto. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 05/02/2007 (fls. 226), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70 .235/72, em 03/03/2007, de fls. 235 à 251, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento . Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/7 2, a impugnante alegou resumidamente que: Por não acordar com a assertiva da Secretaria da Receita Federal, de que a função de "copiadora " também seria essencial na determinação das unidades Epson Stylus CX 3700, Epson Stylus CX 4100, Epson Stylus CX 4700 e Epson Stylus CX 7700, bem como em razão da copiadora constante nas unidades multifuncionais ser digital (e não por sistema óptico), a ora Impugnante contatou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (" IPT"), que, após detida análise técnica, concluiu que o código correto para classificação dos bens acima referidos seria o 8471.60.21, referente à "impressoras ". Fl. 404DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.001144/200788 Acórdão n.º 3301002.063 S3C3T1 Fl. 404 3 O instituto de tecnologia dispôs que o enquadramento das unidades multifuncionais Epson Stylus CX 3200 e CX 5200 no código 9009.21.00, como pretende a Secretaria da Receita Federal, não tem subsidio técnico, já que o referido código trata de copiadoras que utilizam o procedimento óptico, ou analógico, o que difere sobremaneira do procedimento digital utilizado pela copiadora constante nas unidades multifuncionais Epson Stylus CX3700, CX410 0, CX4700 e CX7700. Outrossim, como se não bastasse a opinião balizada do IPT, as unidades multifuncionais fabrica das pela coligada da Impugnante foram classificadas como "impressor as", pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, que, para fins de aproveitamento dos benefícios da Política Nacional de Informática, adotou o código tarifário 8471.60.21 ( "impressora s") relativamente as unidades multi funcionais a serem produzidas no Pais. Embasada no supedâneo técnico do IPT, bem como no entendimento emitido pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, a Impugnante passou a importar as unidades multifuncionais sob a rubrica de "impressoras", no código tarifário 8471.60.21, o qual onera os produtos pelo IPI à alíquota de 15 %. Não é cabível que e na ausência de classificação especifica, os fiscais de forma arbitraria e sem o conhecimento técnico necessário, simplesmente desconsiderem as características dos produtos, equiparandose as multifuncionais as "copiadoras", cujo sistema óptico, diametralmente diverso daquel e utilizado pelas impressorasmultifuncionais. Outro indicio do equivoco dos fiscais é a nova Tabela de Incidência do IPI (Decreto n° 6.006/06) que vigora a partir de 10 de janeiro de 2007, por meio da qual o legislador estabeleceu classificação especifica para as multifuncionais, determinando a incidência de IPI à alíquota de 15% a mesma aplicável às impressoras — 8471.60.211. A classificação adotada pela Impugnante à época das operações e a que melhor representa as unidades multifuncionais em face dos códigos listados na Tabela Externa Comum, e considerando as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado. DA CLASSIFICAÇÃO DAS UNIDADES MULTIFUNCIONAIS COMO IMPRESSORAS, NO CÓDIGO 8471.60. 21 As unidades multifuncionais importadas pela Impugnante atuam como periféricos de computadores ou redes de computadores, de modo a servir como dispositivos de entrada e saída de dados sob forma digital e como impressoras de documentos gerados local ou remotamente . Para que o conceito de equipamento multifuncional seja aplicado, deve o equipamento possuir, pelo menos, duas funções, sendo que uma delas deve ser necessariamente a de impressora. conforme explicado tecnicamente pelo IPT — Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. Inexiste código na TEC especifico par a as unidades multifuncionais, de modo que a sua classificação deve ser realizada considerando a natureza do produto, a disposição dos códigos n a TEC, inclusive os capítulos e seções nos quais se insere, bem como as Regras Gerais de Interpretação. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 A autoridade administrativa, com fulcro nos termos que consubstanciam o Auto de Infração, entende que todos os produtos que formam a unidade multifuncional são igualmente essenciais, de modo que, para fins de classificação tarifária, devese adotar a Regra 3"c". Por sua vez, fundada em razões técnicas e comerciais, a Impugnante pugna pelo reconhecimento do item "impressoras" como essencial à caracterização do produto, de modo que as unidades multifuncionais devem ser classificadas no código correspondente a esta mercadoria, qual seja, 8471.60.21. A essencialidade conferida pelos módulos de impressão e escaneamento, tendo em vista que não existe um módulo especifico para cópia. Assim, ao contrário do entendimento da Administração Pública, o módulo copiador a não é parte essencial da unidade multifuncional, já que sua função decorre da aplicação conjunta dos módulos scanner e impressora. Se inexiste um módulo especifico para copiadora, sendo que a função de copiar se perfaz pela conjunção dos módulos scanner e impressora, não se pode interpretar pela igualdade de importância entre as funções de scanner e impressora com a de copiadora. Esta inexiste sem aquelas, de modo que as funções de scanner e impressora é que permitem a caracterização das unidades multifuncionais. A essencialidade do módulo impressora também se destaca por meio do componente "uso ". Isto porque, conforme levantamentos realizados, a compra das unidades multifuncionais tem por intuito principalmente a aquisição da função de impressora, que é a mais utilizada pelos seus usuários. Tanto o é que este foi o segmento que sinalizou maior queda de venda em razão da criação das denominadas unidades multifuncionais. Se o mesmo produto fabricado no Brasil foi classificado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia como “impressora", no código tarifário 8471. 60.21, como então pretender que as unidades multifuncionais importadas sejam enquadradas no código referente à "copiadora ". Conforme se extrai da Portaria n° 761, do Ministério da Ciência e Tecnologia, os produtos Epson Stylus CX 4100 e CX4700, que são objeto de questionamento no presente Auto de Infração, foram classificados como "impressora ", no código 8471.60.21. Os referidos produtos, conforme a descrição técnica dos mesmos, configuramse em unidades multifuncionais, que conjugam as funções scanner, impressora e copiadora. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CLASSIFICAR AS UNIDADES MULTIFUNCIONAIS EPSON STYLUS CX 3700, CX 4 100, CX 4700 E CX 7700, COMO COPIADORAS, NO CÓDIGO 9009.21.00 Afora o fato da Secretaria da Receita Federal ignorar a função essencial de impressora das unidades multifuncionais, ainda assim pretendeu enquadrálas como "copiadora por sistema óptico", quando, na verdade, operam pelo sistema digital. Processo de Fotocópia por sistema óptico: As foto cópias, ou xerocópias (literalmente, cópia a seco), utilizam o principio de fotocondutividade (algumas substancias que são relativamente resistentes à passagem de uma corrente elétrica e se convertem em substancias mais condutoras quando expostas à luz ). Segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, a posição 9009.21.00 engloba somente aparelhos que incorporam um sistema óptico Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.001144/200788 Acórdão n.º 3301002.063 S3C3T1 Fl. 405 5 que consiste essencialmente em uma fonte luminosa, um condensador, lentes, espelhos, prismas ou um arranjo de fibras ópticas que projetam sobre uma superfície sensível à luz, a imagem óptica do documento a reproduzir, bem como um dispositivo de revelação e de copiagem. Processo de Cópia d as Unidades Multifuncionais: A funcionalidade de copiadora é obtida pelo aproveitamento da presença de um hardware de digitalização (scanner) e de uma impressora de jato de tinta montados e interligados em um único gabinete. De maneira geral, podese assim descrever o funcionamento da copiadora contida nas unidades multifuncionais importadas pela Impugnante. Ao digitalizar o documento, o "scanner " transfere os dados lidos para uma memória temporária, contida esta na "impressora". Essa leitura consiste em atribuir valores digitais ao documento físico, de modo que seja codificado na linguagem compreendida pelos aparelhos eletrônicos. No passo seguinte, por intermédio de um software, interno ao digitalizador, os dados contidos na memória temporária ( "impressora ") são transmitidos para a placa eletrônica da impressora. É de fácil verificação que o sistema utilizado pelas copiadoras ópticas (código 9009.21.00) é completamente distinto do processado pelas copiadoras contidas nas unidades multifuncionais. Primeiro, porque os documentos não precisa m ser digitalizados nas copiadoras ópticas, a fim de adquirirem natureza de documento eletrônico, como ocorre no caso das copiadoras das unidades multifuncionais. Segundo, que a copiadora presente nas unidades multifuncionais se configura em um mero "software", cujo uso depende das funções do "scanner", para digitalizar, mas principalmente das funções da impressora, que alem de ser a responsável pela memória, é à qual incumbe a impressão (cópia) do documento, conforme demonstrado no parecer técnico do IPT. — DA EXCLUSÃO DAS MULTAS APLICADAS Conforme exaustivamente demonstrado, a interpretação classificatória da fiscalização não merece prosperar, haja vista que a classificação fiscal perfeccionada pela Impugnante corresponde à melhor interpretação da NCM/SH e da NESH. Ora, se correta a classificação fiscal realizada pela Impugnante, não há que se falar em multa por erro de classificação. — DO PEDIDO Em face do ex posto, demonstrado o direito que embasa a presente Defesa Administrativa, requer a Impugnante que lhe seja dado integral provimento, a fim de queo credito tributário constituído por meio do Auto de infração seja totalmente anulado. Na sequência a DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência do AI do II, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO S OBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/09/1997 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Importação de equipamento multifuncional por ele classificadas na Tarifa Externa Comum no código 8471.60.21. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria no Código NCM 9009.21.00. A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009. Solução de Consulta SRRF/8aRF/DIANA gerada a partir de consulta formula da pelo próprio importador, indicou como correto o Código NCM 9009.21.00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 06/03/2012 (AR – fl. 346), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 347 e seguintes, em 05/04/2012, onde, em síntese, reitera os argumentos constantes de sua impugnação, requerendo a improcedência do Auto de Infração de II. A Recorrente protocolou ainda, em 20/03/2013, no Protocolo Geral deste colendo CARF, os memoriais relativos presente processo, sendo juntado o Acórdão nº 3802 01.070, prolatado pela 2ª Turma Especial, onde a própria Contribuinte figura também como Recorrente, no qual as impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08, do Mercosul, se submete à classificação fiscal no código NCM 8741.60: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 23/11/2005 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 2.15835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005. Nulidade do Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido.” (Data da Sessão: 26/06/2012, Rel. Solon Sehn). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.001144/200788 Acórdão n.º 3301002.063 S3C3T1 Fl. 406 7 O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. A decisão recorrida tem por fundamento o Ato Declaratório Interpretativo da SRF nº 7, de 26/07/2005, nos seguintes termos: O Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005 não faz qualquer distinção do modo que a máquina desempenha suas funções, sendo irrelevante a discussão a respeito da utilização de recursos de processamento de dados ou não, como também da existência de função preponderante ou não, Processo de Foto cópia por sistema óptico ou Processo de Cópia das Unidades Multifuncionais, apenas fazendo referência a: As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede . Os documentos probantes juntados (folhas 212, 213 e 214) demonstram a multifuncionalidade a medida que desempenham a função de impressão, cópia e escâner. Portanto, adequada a nova classificação fiscal empreendida pela fiscalização em atenção ao Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. É plena a aplicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, para o presente caso, pois a fiscalização frisou muito bem o objeto certo e determinado que ensejou a classificação fiscal dos equipamentos na posição NCM 9009: 1. máquinas multifuncionais que realizam duas ou m ais funções; 2. capazes de se conectar em a uma máquina automática par a processamento de dados ou a uma rede. Estes são os motivos determinantes que ensejaram a nova classificação fiscal. A decisão do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005, foi tomada por quem de direito, com competência para tanto, o Senhor Secretário da Receita Federal, cabendo aos particulares suportar os efeitos dessa determinação. De acordo com a Recorrente, esses produtos não se enquadram na definição de unidades copiadoras, mas que configuram, de fato, em impressoras híbridas, enquadradas sob o código 8471.60.29. Nesse sentido a mesma protocolou em 20/03/2013, no Protocolo Geral deste colendo CARF, requerimento de juntada do Acórdão nº 380201.070, prolatado pela 2ª Turma Especial, onde a própria Contribuinte figura também como Recorrente: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 23/11/2005 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84 DA MP 2.15835/2001. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL. As impressoras multifuncionais, antes da edição da Resolução nº 07/08 do Mercosul, que promoveu o enquadramento do processo no código NCM 8443.31, submetese à classificação fiscal no código NCM 8471.60, diversamente definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 26/07/2005. Nulidade do Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido.” (Data da Sessão: 26/06/2012, Rel. Solon Sehn). Analisando a descrição dos fatos geradores que motivaram o auto de infração em decorrente de “declaração inexata de mercadoria”, ensejando classificação fiscal diversa daquela entendida pela Fiscalização, constatase o seguinte: 0 importador, por meio das DIs discriminadas a seguir, submeteu a despacho as mercadorias por ele assim descritas: "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX3700" "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX4100" "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX4700" e "IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL CX7700. As mercadorias assim descritas foram por ele classificadas na Tarifa Externa Comum no código 8471.60.21 . "Outras impressoras, com velocidade de impressão inferior a 30 páginas por minuto, a jato de tinta liquida, com largura de impressão inferior ou igual a 420mm"), tendo sido calculado o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI Importação) à alíquota de 15 (quinze) %. Ocorre que, efetivamente, as mercadorias importadas são MULTIFUNCIONAIS, classificáveis na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 9009.21.00, sendo incidente a aliquota do IPI Importação de 20 (vinte) %. Este entendimento é corroborado pelo Ato Declaratório Interpretativo no 7, de 26/07/2005, publicado no D.O.U. em 28/07/2005, que assim declara: "Artigo único. As máquinas multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 90.09 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Concluindo assim que, apesar da alegação da Recorrente de que a função de copiadora é secundária não procede, vez que “não se pode aplicar as Regras Gerais de Interpretação 3a e 3b, por não haver característica essencial determinável, restando então a aplicação da regra 3c, pela posição situada em último lugar na ordem numérica.” Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.001144/200788 Acórdão n.º 3301002.063 S3C3T1 Fl. 407 9 Consta, por fim que: 10. A posição onde estão compreendidas as impressoras e os "scanner" é a 8471, que engloba, segundo seu texto, as máquinas automáticas de processamento de dados e suas unidades, leitores magnéticos ou ópticos, e as copiadoras estão compreendidas na posição 9009, que engloba os aparelhos de fotocópia, por sistema óptico ou por contato, e aparelhos de termocópia. 11. Sendo assim, pela aplicação da regra 3c, a posição situada em último lugar na ordem numérica é a 9009, devendo os produtos serem (sic) enquadrados nesta. No âmbito da referida posição, devem ser compreendidos na subposição de primeiro nível 9009.2, que engloba os outros aparelhos de fotocópia. Finalmente, classificamse no código 9009.21.00, por serem de sistema óptico e digital." Cumpre ressaltar que o próprio importador agiu conforme estes entendimentos, classificando a multifuncional Epson CX7700 na NCM correta 9009.21.00 na DI no 05/12017284, registrada em 07/11/2005. (grifado). Sendo então exigida a diferença de alíquota pela divergência na classificação fiscal da mercadoria, consoante a seguinte classificação: a) Classificação Fiscal adotado pelo Contribuinte: 84.71 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.60.21 A jato de tinta líquida, com largura de impressão inferior ou igual a 420mm b) Classificação Fiscal adotada pela Fiscalização: 90.09 APARELHOS DE FOTOCÓPIA, POR SISTEMA ÓPTICO OU POR CONTATO, E APARELHOS DE TERMOCÓPIA 9009.21.00 Por sistema óptico 20 Passo então a analisar as regras de classificação das mercadorias (TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002: “A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Assim, de acordo com as regras de classificação fiscal constantes dos decretos que aprovaram a TIPI, não sendo possível a classificação pela regra 3.a, deve ser utilizada a regra 3.b, em razão da essencialidade do produto. De acordo com essa regra (3.b), me parece ser mais provável os produtos aqui discutidos serem enquadrados como impressoras (8471.60.21) e não copiadoras (9009.21.00), em conformidade inclusive com o laudo do IPT (fls. 280/320), com a seguinte conclusão: Os EMFs modelos CX3200 e CX5200, possuem múltiplas funções impressão, cópia e escaneamento — não podendo se aplicar a regra RGI 3a, por serem essas funções igualmente especificas. A regra RGI 3b determina que as obras constituídas pela reunião de artigos diferentes, cuja classificação não se possa efetuar pela regra RGI 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10314.001144/200788 Acórdão n.º 3301002.063 S3C3T1 Fl. 408 11 A essencialidade pode ser interpretada de várias formas: do ponto de vista dos componentes, a essencialidade é dada pelos módulos de impressão e escaneamento, já que não existe um módulo especifico de copia; do ponto de vista do uso, podese definir como essencial, a função mais utilizada pelo usuário, que orienta a sua decisão de compra entre as múltiplas opções de equipamentos especialistas e EMFs disponíveis no mercado. Pelas suas características de desempenho, a decisão de compra de EMFs do tipo Impressora Multifuncional, aplicável aos modelos CX3200 e CX5200, é baseada na função de impressora, por usuários que deixam de comprar impressoras especialista com as mesmas características. As funções de escaneamento e cópia são, nestes modelos, secundárias, do ponto de vista da necessidade dos usuários típicos. [...] Utilizando a definição de essencialidade definida no presente Parecer Técnico, a classificação mais adequada para os EMFs modelos C 200 e CX5200 6, segundo a regra RGI 3b, a 8471.60.21, a que se aplica nas impressor a jato de tinta com largura de impressão inferior a 420 mm. Igualmente esse é o entendimento predominante no Ministério da Ciência e Tecnologia, que classificou as unidades multifuncionais como impressoras na NCM: 8471.60.21 1 Produto: Impressora a Jato de Tinta Colorida (fls. 326 dos autos): (Processo MCT: 01200.003724/2001 Portal ia: 761, de 13/12/2001 DOU 14/12/2001, Retificação em 14/12/2001 Modelos: Epson SC880, Epson SC777, Epson 777i, Epson Style C20SX, Epson Stylus 060, Epson Stylus C80, Epson Stylus C40SX, Epson Stylus C80, Epson Stylus C40SX, Epson Stylus C42SX , Epson Stylus 0 62, Epson Stylus C42SX Plus, Epson Stylus 082, Epson Stylus C43SX, Epson Stylus C63, Epson Stylus 065, Epson Stylus C45 e Epson Stylus 067, Epson Stylus 0X4700 e Epson Stylus CX4100. Em face do exposto voto no sentido da provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10980.720308/2012-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ausente um ou ambos os requisitos legais, não se reconhece a isenção.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. AUSÊNCIA DE UM OLHO E VISÃO NORMAL DO OLHO REMANESCENTE. CONCEITO LEGAL DE CEGUEIRA. INOCORRÊNCIA. LAUDO PERICIAL DE SERVIÇO MÉDICO OFICIAL QUE ATESTA QUE O PERICIANDO NÃO POSSUI A DOENÇA PREVISTA NO TEXTO DA LEI.
Para efeito de isenção da lei 7.713/1988, cegueira é um conceito pericial, ao qual não se subsume o caso de ausência de um olho e visão normal do olho, quando as avaliações periciais atestam que a situação do periciando não se amolda à doença prevista na lei. Para fins de isenção, a presença de tal moléstia deve ser reconhecida por laudo pericial como preconizado no art. 30 da Lei 9.250/1995.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. O Conselheiros Carlos André Ribas de Mello apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ausente um ou ambos os requisitos legais, não se reconhece a isenção. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. AUSÊNCIA DE UM OLHO E VISÃO NORMAL DO OLHO REMANESCENTE. CONCEITO LEGAL DE CEGUEIRA. INOCORRÊNCIA. LAUDO PERICIAL DE SERVIÇO MÉDICO OFICIAL QUE ATESTA QUE O PERICIANDO NÃO POSSUI A DOENÇA PREVISTA NO TEXTO DA LEI. Para efeito de isenção da lei 7.713/1988, cegueira é um conceito pericial, ao qual não se subsume o caso de ausência de um olho e visão normal do olho, quando as avaliações periciais atestam que a situação do periciando não se amolda à doença prevista na lei. Para fins de isenção, a presença de tal moléstia deve ser reconhecida por laudo pericial como preconizado no art. 30 da Lei 9.250/1995. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano e Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 08 /2 01 2- 84 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 André Ribas de Mello. O Conselheiros Carlos André Ribas de Mello apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Trata o processo de Notificação de Restituição indevida de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, à fl. 98, que exige devolução de restituição indevida, lavrada em face do processamento da declaração de ajuste anual retificadora do exercício de 2010, ano calendário de 2009, apresentada em 12/12/2011 (fls. 82). Inconformado, o interessado apresentou impugnação em que alega que, em 13/03/2010, foi apresentada sua DIRPF na qual apurou saldo de imposto a restituir de R$ 8.129,49. Em 28/03/2011, encaminhou ao Ministério Público Militar, requerimento de isenção do IR prevista no art. 6º, XIV da Lei 7.713, de 1988, em decorrência de perda de visão, conforme Processo Administrativo nº 08160.004756/11. Registra que, após realização de Perícia Médica, teve seu requerimento deferido e, em conseqüência, em 12/12/2011, enviou, via internet, declaração retificadora, na qual apurou imposto a restituir de R$ 79.758,92. Aduz que, no final de 2011, recebeu correspondência do Ministério Público Militar, no sentido de retificar as declarações de IR dos anoscalendário de 2008 e 2009 em razão da não incidência de IR sobre a parcela de juros de mora, dado o caráter indenizatório referente ao pagamento da Parcela Autônoma de Equivalência – PAE, bem como, sobre o Adicional de Tempo de Serviço – ATS, motivo pelo qual apresentou a declaração retificadora º 02 (fls. 82/86). Em face de dúvidas, para o preenchimento de nova DIRPF retificadora (nº 03) para exclusão dos proventos de aposentadoria da tributação, teria contatado o auditorfiscal Norberto, todavia, ao tentar enviála, via internet, não foi possível, em razão de já haver um processo de retificação em andamento. Assim, valeuse da presente impugnação para encaminhar sua DIRPF retificadora de nº 03, requerendo para tanto, a restituição do IRF, no valor de R$ 79.758,92 nela apurado (fls. 87/91). Requereu prioridade no julgamento com base no Estatuto do Idoso. Em síntese, o fundamento da decisão recorrida é: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.720308/201284 Acórdão n.º 2802002.795 S2TE02 Fl. 145 3 a) o lançamento decorre do processamento da declaração de ajuste anual retificadora apresentada, pelo contribuinte, em 12/12/2011 (fls. 93/97), não tendo o interessado apresentado contestação especifica ou apresentado documentos que pudessem ensejar o restabelecimento das deduções excluídas a título de dependente, despesas de instrução, despesas médicas e pensão alimentícia judicial, e que ocasionaram a redução do saldo de imposto a restituir pleiteado na declaração retificada.; b) a declaração retificadora substitui integralmente a original; c) não foi comprovado o erro alegado – rendimentos isentos declarados como tributáveis – pois o comprovante de rendimentos (fls. 14), por si só, não é suficiente para comprovar que a totalidade dos valores percebidos referemse a proventos de aposentadoria; d) os laudos apresentados, em grau de recursal à decisão da perícia médica, atestam a cegueira parcial – CID M544 – ausência do olho direito e visão normal no olho remanescente – o que não assegura direito à isenção, como reconhecido pelo Chefe da divisão de Legislação do Pessoal (fls. 56), substituto do Ministério Público Militar e jurisprudência. A ciência do acórdão ocorreu em 01/02/2013 e o recurso voluntário foi interposto no dia 06/02/2013 com as seguintes alegações, em resumo: a) em momento algum foi notificado pela receita Federal a apresentar qualquer tipo de documentos, portanto não pode ser penalizado por fato que desconhece. Essa alegação é contraposta à assertiva do acórdão recorrido de que não contestou especificamente, nem apresentou documentação comprobatória que permitisse restabelecer as deduções de dependente, despesas com instrução, despesas médicas e pensão alimentícia não declaradas na declaração retificadora que deu ensejo à notificação de lançamento. b) indica precedente do STJ para demonstrar que a jurisprudência não faz distinção, para fins de isenção tributária, entre a cegueira monocular da perda da visão dos dois olhos (RE1196500MT), a cegueira do olho direito foi reconhecida no segundo exame pericial (fls. 67/69, 75/76 e 77); c) retificou os últimos cinco exercícios, porém somente o exercício 2010 foi objeto de autuação. È o relatório do essencial. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O acórdão recorrido consignou que o contribuinte a declaração retificadora que deu ensejo à notificação de lançamento não continha diversas deduções contidas na declaração retificada e que a falta de documentação impedia restabelecer referidas deduções e que o contribuinte não impugnara especificamente esta questão. O recorrente não traz documentos e mais uma vez não contesta essa assertiva, limitase a afirmar que não foi intimado a apresentar qualquer tipo de documento. Não merece reparo o acórdão recorrido, pois a notificação de lançamento prescindiu de qualquer intimação à medida que decorreu de mero processamento da declaração retificadora apresentada pelo contribuinte, cujo eventual erro deve ser comprovado documentalmente pelo contribuinte. Na falta de documentação, não cabe retificar de ofício o lançamento. O cerne do litígio é o direito à isenção sobre proventos de aposentadoria dos portadores de doença prevista na Lei 7.713/1988 e se a isenção se aplica à cegueira de um só olho com visão normal do outro. O recurso voluntário centrase, por sua vez, no direito à isenção para os portadores de cegueira de um só olho sem dar a necessária atenção ao fato de que são dois os requisitos para reconhecimento da isenção em debate, tal como já anotado no acórdão de primeira instância. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). O acórdão combatido destacou que o documento de fls. 14, por si só, não é suficiente para comprovar que a totalidade dos valores percebidos no anocalendário 2009 referemse a proventos de aposentadoria e nenhum outro documento ou mesmo alegação do recorrente veio contrapor essa argumentação. Não há sequer prova de quando se deu a aposentadoria do recorrente, de maneira que não foi comprovado que os rendimentos recebidos do Ministério Público Militar, em 2009, eram proventos de aposentadoria. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.720308/201284 Acórdão n.º 2802002.795 S2TE02 Fl. 146 5 De outro giro, documentos emitidos posteriormente a 2009 e que mencionam o recorrente como aposentado, ainda que emitidos por servidores da mesma fonte pagadora não comprovam que os rendimentos em questão, pagos em 2009, foram proventos de aposentadoria. Todavia, em sessão de julgamento, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández amparouse na informação pública divulgada pelo Ministério Público Militar (www.mpm.mp.br/portal/wpcontent/uploads/2013/04/QuadrodeMembrosInativos.pdf) que aponta a aposentadoria do recorrente desde 1998. Nestas circunstâncias, em prestígio ao princípio da verdade material, devese entender que foi atendido o requisito caracterizado pelo recebimento de proventos de inatividade. Ao analisar o segundo requisito, ressaltase ser incontroverso que o recorrente não possui o olho direito e que tem visão normal do olho remanescente (fls. 76). Consta do laudo de exame pericial (fls. 76) que tal condição não restringe ou restringiu o exercício de suas atividades laborais ou esportivas nas últimas décadas (fls. 76) , seja como membro do Ministério Público Militar, seja em seu escritório privado de advocacia, também não o impediu de praticar hipismo, mesmo em competições. Não se nega a existência de decisões do STJ que admitem a isenção para portadores de cegueira de um só dos olhos, porém esses precedentes não possuem efeito vinculante. Ainda que isenção seja matéria que se interprete literalmente, para usar a expressão do CTN, é inegável que o termo deve ser compreendido no sentido que lhe dá a perícia médica, e não o sentido atribuído por leigos, ainda que com sólida formação jurídica. Não é por menos que o art. 30 da Lei 9.250/1995 exige que haja um laudo pericial emitido por serviço médico oficial. É importante ressaltar que o médicoperito, diferentemente do médico clínico, não exerce a medicina clínica, pois não cuida de enfermos. Utiliza os conhecimentos médicos apenas para estabelecer o diagnóstico e o prognóstico clínico, para julgar a capacidade laborativa e sua imputabilidade. Assim, a atividade e o conhecimento pericial sugerem uma especialidade de cunho médicojudicial, na qual, além dos conhecimentos profundos de clínica, existe a necessidade de uma postura, raciocínio e julgamento, como fim. Frisese que a adaptação do conhecimento médico às exigências das normas legais realizase com critérios e princípios diferentes dos que regem a apreciação dos problemas clínicos. As exigências da medicina clínica são diferentes da pericial, que se vê envolvida com a legislação, que deve sustentar o parecer pericial. O recorrente foi submetido a mais de uma perícia médica e nenhuma delas reconheceu que a situação do recorrente se enquadrava no conceito legal de cegueira,ao contrário, afirmavam expressamente que o periciado não possuía a doença prevista na lei. O recorrente amparase nos documentos de fls. 67/69, 75/76 e 77 Embora o Ministério público tenha deixado de reter na fonte a partir do despacho de fls. 77, deferindo o pedido de isenção do servidor, verificase que essa decisão Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 fundamentouse exclusivamente no RESP 1.196.500MT, haja vista que embora mencione despacho do ProcuradorGeral da República exarado no processo administrativo 1.00.000.010137/201168, esse despacho não traz essa conclusão, limitase a dar o “de acordo” no sentido de que a questão a ser solucionada é se a isenção abrange também a cegueira de um só olho ou não. É por esta razão que o recorrente não indica precisamente um laudo médico pericial, pois os médicos peritos que se manifestaram foram contrários ao reconhecimento da isenção. Entendo que a questão tem adequado esclarecimento com o Parecer Médico Pericial de fls. 46/51, cujos excertos abaixo com clareza e concisão resumem as conclusões da medicina pericial. “Portanto, não seria nenhuma heresia hermenêutica lançar mão de dispositivos afins e de fontes técnicas. Nesta baila, agora sim, farta é a bibliografia médicopericial que aborda assunto em questão, havendo hercúlea concordância de que a visão monocular clássica (“cegueira” de um olho com boa visão no outro) seja incompatível com o conceito de cegueira para fins periciais ou jurídicos.” (fls. 46) “Desta forma com a devida vênia e com a humildade de quem não é especializado nas Ciência Jurídicas (conquanto ciente de que o mérito da questão também envolve matéria não jurídica), percebese, no voto do citado Ministro Relator, insuficiência de supedâneo técnico/médico, o que pode ter influenciado negativamente a exegese do togado. De fato a interpretação firmada pela Segunda Turma do STJ surpreendentemente inovadora, contrariando simultaneamente várias decisões judiciais prévias, o entendimento da classe médicopericial e os atos normativos já emanados sobre o tema. Esperase, portanto, que tal acórdão tenderá ao isolamento, não frutificando jurisprudencialmente, mesmo tendo em vista a importância representativa do STJ.” (fls. 48) “O portador de visão monocular está para o portador de cegueira legal tal como um portador de um rim único sadio está para um paciente renal que precisa de diálise três vezes por semana. E quase como comparar um obreiro sem dois dedos da mão não dominante e um trabalhador sem os dois braços.” (fls. 49) Mutatis mutandis, é a mesma a razão de decidir no acórdão nº 3201001.155, quanto ao conceito legal de deficiente visual previsto na lei 8.989/1995. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2010 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS. Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, o portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças CID na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho e visão normal no outro. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.720308/201284 Acórdão n.º 2802002.795 S2TE02 Fl. 147 7 Ou seja, para efeito pericial, a “cegueira” de um só olho com visão perfeita no outro olho, não é cegueira. Não se trata de distinguir o que a lei não distingue, a lei exige (1) cegueira pelo critério pericial e (2) que a doença seja reconhecida em laudo pericial. Apontase abaixo precedente do STF que corrobora a conclusão de que o entendimento acima exposto também encontra abrigo em uma interpretação sistêmica do direito brasileiro. Candidato em concurso público com surdez unilateral não tem direito a participar do certame na qualidade de deficiente auditivo. Isso porque o Decreto 5.296/2004 alterou a redação do art. 4º, II, do Decreto 3.298/1999 – que dispõe sobre a Política Nacional para Integração de Pessoa Portadora de Deficiência e excluiu da qualificação “deficiência auditiva” os portadores de surdez unilateral. Vale ressaltar que a jurisprudência do STF confirmou a validade da referida alteração normativa. Precedente citado do STF: MS 29.910 AgR, Segunda Turma, DJe 1º/8/2011. MS 18.966DF, Rel. Min. Castro Meira, Rel. para acórdão Min. Humberto Martins, julgado em 2/10/2013;Boletim Informativo STF nº 535)(grifos acrescidos) Este Relator, revendo o próprio posicionamento, entende que para efeito da isenção da Lei 7.713/1988 a cegueira de um olho (neste caso concreto, a falta de um olho), por si só, não corresponde ao conceito legal de cegueira. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904497/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 97 /2 01 2- 31 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904497/201231 Acórdão n.º 3803004.847 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904497/201231 Acórdão n.º 3803004.847 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904497/201231 Acórdão n.º 3803004.847 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000535/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se de custos não comprovados, em face da inidoneidade da documentação que lhes daria suporte, cabível a sua glosa para fins de apuração da CSLL.
ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL.
Incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do ano-calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano-calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo.
ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL.
Incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do ano-calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano-calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo.
Numero da decisão: 1102-001.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, com relação ao voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar as glosas relativas aos fornecedores Evair A Ferrarese, Gell Comércio de Couros Ltda, Latino Comércio de Couros Ltda, e MJ Aragão Cruz, bem como para cancelar a exigência das multas isoladas sobre as estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e José Evande Carvalho Araujo, que não cancelavam a multa isolada sobre as estimativas. Designado para redigir o voto vencedor com relação às multas isoladas o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
Documento assinado digitalmente.
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
RICARDO MAROZZI GREGÓRIO - Redator designado.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, com relação ao voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar as glosas relativas aos fornecedores Evair A Ferrarese, Gell Comércio de Couros Ltda, Latino Comércio de Couros Ltda, e MJ Aragão Cruz, bem como para cancelar a exigência das multas isoladas sobre as estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e José Evande Carvalho Araujo, que não cancelavam a multa isolada sobre as estimativas. Designado para redigir o voto vencedor com relação às multas isoladas o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. Documento assinado digitalmente. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. RICARDO MAROZZI GREGÓRIO - Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Recorrentes VITAPELLI S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRAZOS. PRORROGAÇÕES. Nos termos das normas infralegais que regem o MPF, este pode ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quantas necessárias. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTO. RECEBIMENTO DOS BENS. ADQUIRENTE DE BOA FÉ. ÔNUS DA PROVA. É ônus do fisco comprovar a inidoneidade do documento, bem como de comprovar que o contribuinte tinha ou deveria ter conhecimento daquela inidoneidade. É ônus do contribuinte comprovar o efetivo recebimento dos bens e o pagamento do respectivo preço, no caso de aquisições lastreadas em documentos considerados inidôneos, sob pena de glosa dos custos por parte da autoridade fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 05 35 /2 00 9- 84 Fl. 11682DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.568 2 ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose de custos não comprovados, em face da inidoneidade da documentação que lhes daria suporte, cabível a sua glosa para fins de apuração da CSLL. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, com relação ao voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar as glosas relativas aos fornecedores Evair A Ferrarese, Gell Comércio de Couros Ltda, Latino Comércio de Couros Ltda, e MJ Aragão Cruz, bem como para cancelar a exigência das multas isoladas sobre as estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e José Evande Carvalho Araujo, que não cancelavam a multa isolada sobre as estimativas. Designado para redigir o voto vencedor com relação às multas isoladas o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. Documento assinado digitalmente. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. Fl. 11683DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.569 3 RICARDO MAROZZI GREGÓRIO Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Esclareçase, de início que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Nos casos em que a autoridade fiscal e/ou julgadora de primeira instância fizeram referência às folhas numeradas manualmente, farseá a indicação, entre colchetes, à numeração digital, quando necessário. Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão PretoSP, assim ementado, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2005 EMPRESA INAPTA. CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por empresa declarada inapta se inexistir efetiva comprovação de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou contrato particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos os casos devidamente lançados no Registro de Títulos e Documentos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2005 EMPRESA INAPTA. CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por empresa declarada inapta se inexistir efetiva comprovação de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Fl. 11684DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.570 4 Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou contrato particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos os casos devidamente lançados no Registro de Títulos e Documentos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, passível de responsabilização funcional se for descumprido. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de diligência ou perícia deve ser denegado se estiverem presentes elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA. No caso de apuração anual do IRPJ, quando o sujeito passivo deixa de apurar e recolher as estimativas mensais, é cabível o lançamento da multa isolada. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Contra empresa acima identificada, tributada pela sistemática de apuração de lucro real por estimativa, foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 8.046.335,46, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 5.810.641,53, acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada, e multa isolada de R$ 5.475.828,12, conforme descrito no demonstrativo consolidado de fl. 02. A base legal que suportou o lançamento dos tributos, dos acréscimos e da multa isolada achase descrita nos correspondentes demonstrativos do auto de infração (fls. 7415/7428). O procedimento fiscal do qual resultou a presente imposição tributária decorreu de outro processo em que a interessada pleiteou ressarcimento de crédito tributário relativo a contribuições devidas ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no qual foram detectadas irregularidades que suscitaram a respectiva ação fiscal. Dessa forma, efetuouse a glosa de créditos relacionados ao PIS e à Cofins, daí resultando reflexos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, objeto do presente processo. À vista dos fatos que se apresentaram efetuaramse diligências nas empresas fornecedoras e daí decorreu a constatação de que a maioria delas inexistia de fato, o que motivou propostas de inaptidão, conforme cópias de processos de representação para inaptidão do CNPJ, relativos às empresas antes referidas. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal e Conclusão Fiscal (TVCF fls. 7429/7447), das notas fiscais que a empresa apresentou, constatouse que parte delas referiase a fornecedores que apresentavam irregularidades, consubstanciadas nas situações de empresa inativa, inexistente de fato, não cadastrada na Secretaria de Fl. 11685DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.571 5 Fazenda do Estado de localização, além de que grande parte do pagamento relativo às aquisições de matériaprima foi efetuado a terceiros, pessoas físicas, por cessão de crédito desamparada de comprovação de vínculo negocial ou jurídico com o fornecedor. Encontramse relacionadas as empresas fornecedoras cujos documentos fiscais foram objeto de glosa. A autoridade fiscal elaborou quadro demonstrativo mensal da base de cálculo para lançamento dos tributos, levando em conta as glosas efetuadas, cujo montante foi de R$ 32.281.341,86, além de demonstrativo de apuração da multa isolada que incidiu sobre o nãorecolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada, obtida em decorrência dos valores glosados (fls. 7443/7445). Quanto à multa de ofício, foi imposta penalidade qualificada, pela circunstância de que a autoridade tributária entendeu existir intenção dolosa, materializada no evidente intuito de fraude. Pelo entendimento de que em tese existiu crime contra a ordem tributária, lavrouse representação fiscal para fins penais. Inconformada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 7452/7491 com alegação preliminar de cerceamento de defesa caracterizado pelo fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) inicialmente emitido referese à fiscalização de CSLL do anocalendário de 2003, objeto de regular intimação para apresentar documentos. A posterior inclusão de outros tributos no escopo da verificação fiscal não fora acompanhada da respectiva intimação para apresentar justificativa para afastar a pretensão do fisco. Suscitou ilegalidade no lançamento da CSLL decorrente da circunstância de os valores lançados serem superiores àqueles apurados no termo de verificação fiscal, o que caracteriza enriquecimento sem causa. No mérito, arguiu que o lançamento é improcedente pois a documentação apresentada, relativa a bilhetes de pesagem e recibos de pagamento a autônomos não foi considerada pela fiscalização, sob o fundamento de que a comprovação da entrada de mercadorias deve ser atestada pelos livros fiscais, contábeis e fichas de controle de estoque e de que os recibos de pagamentos a autônomos não têm força probatória suficiente. Alegou ser improcedente a glosa dos custos pois restou demonstrado o recebimento e o pagamento das mercadorias, conforme planilhas e comprovantes de pagamento. Além da alegação antes relatada, descabe a supressão motivada pelos pagamentos: ao sócio Nilson Riga Vitale, nas vendas efetuadas por Alvorada Distribuidora de Carnes Ltda., pois referemse a mercadorias cujo titulo representativo pode ser transferido a quem melhor aproveitar; a Arlindo Moreira Campos, pois além de restar comprovado o recebimento e o pagamento das mercadorias, à época o fornecedor encontravase habilitado no Sintegra; a Carlos Roberto de Domenicis, pois fora declarado suspenso pela Receita Federal do Brasil em ato declaratório posterior aos períodos objeto de lançamento, além da improcedência da alegada falta de espaço físico para salgar o couro, pois o produto poderia ter sido adquirido nestas condições; Fl. 11686DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.572 6 a Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda., pois ainda que os documentos utilizados fossem falsos, a operação de compra foi efetiva; a Copelco Componentes para Calçados Ltda., pois o ato declaratório que a declarou inapta é posterior aos fatos geradores lançados; a Evair A. Ferrarese, pois inexistiu a simulação alegada, em vista de que o negócio jurídico de fato ocorreu, podendo falarse em dissimulação que, entretanto, poderia ser alegada apenas em desfavor do fornecedor; a Gell Comércio de Couros Ltda., pois a declaração de suspensão foi posterior à ocorrência dos fatos geradores objeto do lançamento, descabendo falarse em simulação, pois o negócio de fato existiu, admitindose a possibilidade de dissimulação que, no entanto, desfavorece apenas o fornecedor; a Latino Comércio de Couros Ltda., pois a declaração de inapta é posterior aos fatos geradores; a Marina Vieira da Silva Piracaia, pois a declaração de inaptidão é posterior aos fatos geradores, descabendo falarse em encerramento das atividades em 31/12/2003, pois firmou documento de cessão de créditos em data posterior; a Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda., pois a declaração de inaptidão é posterior aos fatos geradores, descabendo falarse em simulação em face de que o negócio jurídico efetivamente existiu; a M J Aragão Cruz ME, pois a declaração de inaptidão é posterior aos fatos geradores, descabendo a alegação de que o sócio é apenas intermediário na venda de couros; a Paraíso Com. Componentes para Calçados Ltda., Silva de Porciúncula Comércio de Couro Ltda. e W G Couros Ltda., pois as declarações de inaptidão são posteriores aos fatos geradores. A declaração de inidoneidade, cassação, cancelamento ou não localização das fornecedoras deve ter eficácia ex nunc, atingindo apenas os atos praticados posteriormente à sua prolação, em vista de que os negócios praticados antes de sua vigência são atos jurídicos perfeitos, que não sofrem modificação. Em face da regra do parágrafo único do art. 82 da Lei n. 9.430, de 1996, a declaração de inidoneidade não atinge as situações em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovar a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias, como tem decidido o Conselho de Contribuintes. A impugnante agiu com boafé, tomando cuidados prévios para contratar os fornecedores, conforme cópias das telas do Sintegra que comprovam a habilitação das empresas no período em que manteve relações comerciais. A efetividade dos negócios jurídicos pode ser atestada por: a) cópias dos depósitos bancários que comprovam o pagamento das aquisições, conforme planilha; b) tíquetes de pesagem que comprovam o recebimento das mercadorias, e c) recibos de pagamento a autônomos, que comprovam o transporte das mercadorias. Alegou que não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos e dos estoques, tampouco a fiscalização manifestou interesse em conhecer o processo produtivo, em ofensa ao princípio da verdade material. Fl. 11687DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.573 7 Arguiu que é improcedente a aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício, em face de que incidem sobre o mesmo fato gerador e idêntica base de cálculo, conforme tem se manifestado o Conselho de Contribuintes. Aduziu que a imposição da multa agravada ressentese da efetiva comprovação do evidente intuito de fraude. Ao final pleiteou realização de perícia contábil, ao mesmo tempo em que indicou o perito e relacionou quesitos a serem respondidos. Vindos os autos para julgamento, em 11/2/2010 prolatouse a Resolução n. 1.335 (fls. 10249/10252) para que na unidade de origem se procedesse a: a) manifestação conclusiva da autoridade fiscal no sentido de a empresa ter ou não recebido os bens, além do registro contábil dos produtos a que se referem as quantias objeto de glosa, bem assim discriminação na planilha de fls. 7380/7414 (6374/6407) de quais importâncias referemse a pagamento direto a fornecedores e quais referemse a pagamento a terceiros beneficiários; b) com base no demonstrativo de fls. 7443/7445 (6436/6438), intimar a contribuinte a relacionar, por documento fiscal, quais depósitos bancários são representativos de pagamentos dos referidos documentos, bem assim a justificar/comprovar eventuais insuficiências; c) intimar a contribuinte a apresentar documentação probatória de relação de negócio entre os fornecedores dos produtos adquiridos e os respectivos beneficiários dos créditos, nas situações em que os fornecedores indicam terceiros beneficiários; d) intimar a contribuinte a apresentar os contratos de cessão de crédito registrados, relativamente às operações mantidas com empresas de fomento mercantil, em consonância com a legislação. Pelo Termo de Intimação Fiscal lavrado em 26/6/2012 (fls. 10312/3) a impugnante foi intimada a apresentar livros contábeis, contratos de cessão de créditos, comprovantes de pagamentos, balanço patrimonial e cópia do livro razão no qual constam lançamentos contábeis enumerados na planilha que relaciona notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, ano de 2005 (fls. 10314/10341). A contribuinte apresentou o expediente de fls. 10344/5. Os esclarecimentos complementares efetuados pela autoridade fiscal (fls. 11406/11414) trazem informações adicionais sobre fornecedores, conforme excerto a seguir: Alvorada Distribuidora de Carnes Ltda. Pesquisa no Cadastro Nacional de Informações Sociais indica inexistência de empregados no anocalendário de 2005; omissa na entrega da DIPJ do ano calendário de 2005, tendo a maioria das DIPJ sido apresentadas na condição de inativa. A glosa referese a notas fiscais emitidas no período de janeiro a março/2005, cedidas para o sócio Nilson Riga Vitale em 2/2/2006; os comprovantes de pagamento são cópias datados de 24/1/2006, antes da cessão. Arlindo Moreira Campos – Couros Fl. 11688DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.574 8 O Fisco Estadual considerou inidôneos os documentos supostamente emitidos, pois nunca funcionou no endereço indicado, por inexistir construção cadastrada; não apresentou DIPJ tampouco manteve empregados registrados. Carlos Roberto Domenicis – ME O endereço constante das notas fiscais é de uma residência, o que é incompatível com a atividade de comércio de couros salgados. Apresentou para comprovar as operações, em sua maioria, documentos em nome de terceiros, além de baixa contábil via banco, de R$ 10.000,00, sem comprovação. Em vista das verificações foi declarada inapta. A partir de 15/7/2005 foi desabilitado pelo fisco estadual. Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda. Foi usada por terceiros, que se utilizaram de seus dados cadastrais para impressão e emissão de notas fiscais sabidamente falsas, consideradas inidôneas pela fiscalização estadual. Os documentos que a impugnante apresentou para comprovar os pagamentos não são hábeis para justificar as aquisições, em vista de tratarse de boletos bancários emitidos por empresa de fomento mercantil, duplicatas baixadas via Caixa, algumas após um ano da emissão das notas fiscais, além de baixas sem apresentação dos comprovantes. Copelco Componentes para Calçados Ltda. Segundo constatado pela fiscalização estadual nunca funcionou no endereço indicado como domicílio fiscal, razão por que os documentos fiscais emitidos foram considerados inidôneos. Os instrumentos de cessão de crédito que apresentou para justificar os pagamentos são cópias, que a autoridade fiscal considerou falsas em vista de que a numeração dos selos é repetida. Evair A. Ferrarese – EPP Desde 2005 apresenta declaração de inativa, sem registro de empregados. O Fisco estadual considerou inidôneos os documentos emitidos desde a abertura, 15/6/2004, em vista de que o imóvel edificado no endereço do contribuinte sempre permaneceu fechado; para cada operação de compra havia uma de venda; as notas fiscais de entrada foram emitidas por fornecedores inidôneos. Gell Comércio de Couros Ltda. Apenas existiu no papel, não tendo ocorrido qualquer movimentação de mercadorias no endereço constante das notas fiscais emitidas, tampouco houve registro de funcionário. Foi considerada inapta pela RFB e pelo fisco estadual. Latino Comércio de Couros Ltda. Conforme documentos anexados aos autos (fls. 5097/5187, 10276/8) foi utilizada por terceiros com a finalidade de fraudar o fisco, tendo sido declarada inapta pelo fisco federal e pelo estadual. Marina Vieira da Silva Piracaia Fl. 11689DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.575 9 Cessou as atividades em 12/2003, não realizou operação de venda de couro para a impugnante. Os documentos de fls. 6203/6213 não deixam dúvida de que foi usada por terceiros. Existem cessões de crédito, obtidas por cópias, que são falsas, haja vista o número de selo repetido. Considerada inabilitada junto ao fisco estadual e inapta junto ao federal. Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda. ME O documento de fl. 6312 (5315) contém informação sobre o envolvimento com Evair A. Ferrarese EPP na emissão de notas. O fisco estadual considerou inidôneos todos os documentos emitidos em decorrência de simulação de estabelecimento. Diversos pagamentos tiveram por base cessões de crédito reproduzidas fraudulentamente, em vista de que o número do selo é o mesmo para diversos documentos, além de existir cessão de crédito com data de reconhecimento de firma anterior à emissão das notas fiscais. Foi efetuado desembolso para Manoel Médici de Souza mais de um ano após a emissão das notas fiscais. M J Aragão Cruz ME No endereço referido como local do estabelecimento inexiste o número indicado, tampouco funcionários vinculados. Declarou ter permanecido inativa ao longo de 2005. O titular da empresa declarou ser mero comprador de couros para Sergicouros, que figura como uma das recebedoras de valores faturados pela M J Aragão, tendo algumas baixas ocorrido 15 meses após a emissão da nota fiscal. Paraíso Comércio de Componentes para Calçados Ltda. Constituída para a prática de ilícito, pois nunca existiu de fato, conforme atestam os documentos de fls. 6371/6400, 5402/5421, notadamente os de n. 6390/1. Visando justificar os pagamentos efetuados apresentou cópias de cessões de crédito falsas. Silva Porciúncula Comércio de Couros Ltda. Os documentos de fls. 6424/6473 atestam que foi utilizada por terceiros com o fim de lesar o fisco, tendo existência apenas no papel, pois no endereço declarado encontrase estabelecida desde 10/1/2000 à pessoa jurídica denominada FAP – Fundo de Aposentadoria e Pensões do Município de Santo Antonio de Pádua. Cópias de cessões de crédito que apresentou são falsas, tendo algumas sido emitidas com data anterior à das notas fiscais a que se referem. W G Couros Ltda. Não foi localizada no endereço indicado, razão por que foi declarada inapta, com efeitos tributários a partir de 22/5/2001. Diversas anormalidades foram detectadas e descritas nas fls. 11413/4. A autoridade fiscal elaborou o relatório de fls. 11415/6, no qual consta que anexou a DIPJ da contribuinte, relativa ao anocalendário de 2005. No que diz respeito à manifestação conclusiva acerca de a impugnante ter recebido e efetuado registro contábil relativo aos bens objeto das glosas efetuadas, além da discriminação de quais valores referemse a pagamento direto a fornecedor Fl. 11690DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.576 10 e quais dizem respeito a pagamentos a terceiros beneficiários, a fiscalização consignou que: a) a contribuinte não apresentou o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema equivalente, tendo fornecido os demonstrativos com a movimentação mensal de couro (fls. 11281/11316, ex10207/10243), o que prejudicou análise conclusiva; b) foram juntadas contas do livro razão (fornecedores) nas quais foram escrituradas as notas fiscais glosadas supostamente emitidas pelas pessoas jurídicas relacionadas nas fls. 10319/10341 (ex9254/9276), com o registro de que não foram apresentadas as cópias relacionadas aos lançamentos efetuados no livro razão relativos a custos e/ou despesas; c) a documentação entregue pela contribuinte não foi levada em conta pois não foram exibidas as vias originais ou cópias autenticadas pela fiscalização; a maioria das cópias foram juntadas ao processo no decorrer do procedimento ou quando da impugnação. A fiscalização consignou no termo que a planilha de fls. 11383/11405 (ex 10310/10332), elaborada em conformidade com os elementos existentes nos autos contém as informações requeridas na Resolução n. 1335 (fls. 10249/10252, ex 9185/9188), correspondentes aos depósitos bancários que representam pagamento dos documentos fiscais. Aduziu que a contribuinte não apresentou documentação comprobatória de relação de negócio entre fornecedores dos produtos adquiridos, beneficiários dos créditos e os contratos de cessão de créditos registrados, relativos às operações com empresas de fomento mercantil, por não dispor de cópias dos documentos comprovativos, conforme anteriormente havia informado (fl. 10345). Cientificada da informação fiscal, com abertura de prazo para manifestação, a contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 11419/11441, com alegação de que embora a diligência tivesse prazo de trinta dias para ser efetuada, decorreram dois anos para que a autoridade fiscal concluísse o procedimento. Alegou em preliminar que de acordo com a Portaria n. 11.371/2007 o MPF tem prazo máximo de validade de cento e vinte dias e não comporta qualquer prorrogação, depois de esgotada sua validade por decurso de prazo. Assim, o MPF deixou de existir a partir de 26/7/2008, sendo inócuas as prorrogações de prazo posteriores. Em vista de que a impugnante fora intimada da imposição tributária em 8/9/2010, a autoridade que efetuou o lançamento não tem competência para fazêlo, o que macula de nulidade o auto de infração. Arguiu que em decorrência das regras do art. 6º da Lei n. 10.593/2002, com a redação da Lei n. 11.457/2007, editouse o Decreto n. 6.641/2008 que autorizou o Secretário da Receita dispor sobre o detalhamento das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, dentre elas a de constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. Nesse diapasão, utilizando o poder que lhe foi conferido, o Secretário da Receita Federal do Brasil editou a Portaria RFB n. 11.371/2007, que estabelece regras de competência e investe o Auditor Fiscal nos poderes de fiscalizar. Assim, o MPF, é o veículo que confere o mandado ao Auditor Fiscal para agir em nome do Fl. 11691DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.577 11 Fisco, sendo nulos os atos que não estejam albergados por ele. Escorouse em doutrina e jurisprudência administrativa para embasar suas alegações. No mérito, em relação aos fornecedores listados pela fiscalização, arguiu que: Alvorada Distribuidora de Carnes Ltda. O fato de o fornecedor cumprir obrigações acessórias ou possuir empregado apenas a ele diz respeito. À impugnante interessa se pagou e recebeu as mercadorias. Arlindo Moreira Campos – Couros Se o fornecedor informou endereço inexistente e os órgãos fiscais concederam as respectivas inscrições e autorizaram o feitio de documentos fiscais, é de se concluir que houve, no mínimo, negligência, para não dizer conivência dos órgãos responsáveis. Sua situação fiscal é fato que interessa apenas ao fornecedor e ao Fisco, não podendo a impugnante responder por supostas irregularidades cometidas por terceiros. Carlos Roberto de Domenicis ME O fisco não apresentou nada que não estivesse nos autos, reiterandose as razões que foram expendidas. Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda. A fiscalização registra que os documentos fiscais eram sabidamente falsos, entretanto a impugnante não tem capacidade técnica, tampouco condição de consultar junto aos órgãos competentes a veracidade de documentos fiscais. A alegação de falsidade não se sustenta em vista de que os títulos de crédito decorrentes foram descontados junto a empresas de factoring, conforme comprovantes de pagamento e carta comunicando o endosso das duplicatas, firmada pela sócia da fornecedora, com firma reconhecida em cartório. Copelco Componentes para Calçados Ltda. e Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda. Se foi constituída com a intenção de fraudar o fisco, tratase de assunto que diz respeito à fornecedora e aos órgãos fiscalizadores, não podendo a impugnante responder por supostas irregularidades cometidas por terceiros. Falta capacidade técnica ao agente fiscal para afirmar que as cessões de crédito fornecidas pela impugnante são flagrantemente falsas, já que para isso haveria necessidade de laudo pericial para dar suporte a suas afirmações. Evair A. Ferrarese Em vez de o Fisco adotar medidas em desfavor do fornecedor, transfere a responsabilidade para a impugnante, que não participou ou consentiu com qualquer irregularidade que fosse imputada àquele contribuinte. A culpa é pessoal e não é dado ao Fisco estendêla a outrem em razão apenas de seus interesses e comodidades. Afinal, como pode uma empresa supostamente inexistente negociar seus títulos de crédito com empresa de factoring? Ademais, o negócio jurídico entre a impugnante e o fornecedor efetivamente existiu. Fl. 11692DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.578 12 Gell Comércio de Couros Ltda. e Latino Comércio de Couros Ltda. Inexiste condicionamento legal obrigando qualquer empresa a ter empregado para que seja reconhecida sua existência. Supostas irregularidades cometidas por terceiros não podem ser imputadas à impugnante, pois ela não tem obrigação de fiscalizar outros contribuintes, pois lhe falta poder de polícia. Marina Vieira da Silva Piracaia Falta ao agente fiscal capacidade técnica para afirmar que as cessões de crédito são flagrantemente falsas, pois para isso haveria necessidade de laudo pericial. Paraíso Comércio de Componentes para Calçados Ltda. e Silva de Porciúncula Comércio de Couro Ltda. Se a fornecedora foi constituída com o fim de fraudar o Fisco é tema que diz respeito apenas àquela empresa e aos órgãos fiscalizadores, não podendo a impugnante responder por supostas irregularidades cometidas por terceiros. Sobre o argumento da fiscalização de que pelo fato de a impugnante não ter apresentado o Livro de Registro de Controle da Produção e Estoques ficou prejudicada análise conclusiva, alegou que forneceu planilha utilizada na valoração dos estoques, em conformidade com a regra do art. 388 do RIPI. No que se refere aos pagamentos efetuados a terceiros mediante cessão de créditos, alegou que foram realizados mediante endosso, sob a égide do art. 894 do Código Civil (CC), do art. 25 da Lei n. 5.474/1968 e do art. 8º do Decreto n. 2.044/1908. Acrescentou que a cessão de crédito ocorreu entre o fornecedor (cedente) e o adquirente do crédito (cessionário), sem qualquer intervenção da impugnante, exceto a prevista no art. 290 do CC. Os negócios jurídicos de cessão de crédito aperfeiçoaramse com as correspondentes notificações efetuadas à impugnante, nos termos das cartas de cessão apresentadas juntamente com a quitação das respectivas obrigações. Alegou que a exigência de comprovação de relação negocial ou jurídica entre o fornecedor (cedente) e a empresa de factoring (cessionária) não encontra respaldo na legislação de regência, notadamente o art. 197 do CTN, que não inclui a impugnante no rol dos obrigados a prestar informações. Ao final, ao mesmo tempo em que pleiteou fosse a manifestação apresentada ulteriormente considerada aditivo à impugnação original, propugnou pela acolhida de suas alegações com vistas à exoneração do crédito tributário lançado. Analisados os argumentos de defesa, proferiu a DRJ/Ribeirão Preto a decisão cuja ementa já foi ao norte transcrita. Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou as preliminares de nulidade do procedimento fiscal (cerceamento de defesa e irregularidades no MPF), indeferiu o pedido de perícia, e, no mérito, considerou procedente o lançamento, inclusive a multa qualificada aplicada, bem como as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, exonerando Fl. 11693DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.579 13 apenas a parcela do crédito tributário da CSLL exigida em duplicidade. Referida exoneração foi objeto do recurso necessário, que ora também encontrase em pauta. No recurso voluntário, o contribuinte reprisa, em síntese, os argumentos de defesa, alegando que: (i) houve cerceamento de defesa, pois o fisco em nenhum momento visitou a empresa para aferir as notas fiscais de aquisição, bem como desconsiderou todos os documentos colocados à sua disposição, tais como relatórios, balanços, livros fiscais e contábeis, notas fiscais, planilhas, comprovantes de pesagem dos caminhões, placas e comprovantes de pagamento; (ii) é nulo e ilegal o lançamento da CSLL, em razão da sua exigência em duplicidade (defeito substancial no critério quantitativo); (iii) é nulo o lançamento por estar o MPF com seu prazo de validade vencido; (iv) tendo sido revertidas as glosas de créditos de PIS e de COFINS, por ocasião do julgamento dos respectivos recursos voluntários (nos processos que cita), a presente autuação, que é reflexa daquela, deve ser igualmente cancelada; (v) o fisco não fez prova de suas acusações, lastreando a autuação em simples presunções; (vi) a situação do adquirente de boa fé já está pacificada pelo STJ em sede de acórdão proferido na sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.148.444MG); (vii) os elementos apresentados (planilhas de controle e apuração dos estoques, tickets de pesagem, consultas ao Sintegra, comprovantes de pagamento, recibos de pagamento a autônomos – RPA) comprovam o recebimento das mercadorias e o seu pagamento; (viii) as cessões de crédito estão comprovadas e observaram os requisitos previstos no Código Civil, não havendo vedação na lei a que os pagamentos sejam feitos a terceiros indicados pelo credor, nem tampouco cabendo à recorrente comprovar, por qualquer meio, eventual relação negocial entre os beneficiários do crédito e os fornecedores; (ix) a multa agravada não pode ser aplicada pois não houve fraude nem falsificação de documentos, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN (interpretação favorável ao acusado); (x) não cabe a exigência concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Finaliza requerendo a nulidade do lançamento e/ou da decisão recorrida, e/ou a improcedência dos lançamentos efetuados e dos seus consectários legais, conforme acima exposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Recurso de ofício O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. A decisão recorrida exonerou a parcela do crédito referente à exigência da CSLL, que fora nitidamente feita em duplicidade. Fl. 11694DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.580 14 De fato, o valor tributável apurado pelo fisco (R$ 32.281.341,86, fls. 7444) restou lançado duas vezes no auto de infração da CSLL (fls. 7425). Portanto, correta a decisão recorrida, neste aspecto, pelo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente demanda a nulidade do lançamento de CSLL em razão de defeito substancial no critério quantitativo, por restar a exigência duplicada. Nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou na descrição e enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, o que pode levar à insubsistência parcial ou total do crédito lançado, mas não importam a sua nulidade. A exigência da CSLL em duplicidade, já afastada pela decisão recorrida e aqui confirmada, enquadrase nesta hipótese, não sendo causa, portanto, de nulidade. As outras duas circunstâncias alegadas pela recorrente, se confirmadas, poderiam ensejar a nulidade da autuação, quais sejam: o cerceamento do direito de defesa e a incompetência do agente. Contudo, tais alegações não prosperam. A alegação de cerceamento do direito de defesa tem por fundamento a acusação de não ter o fisco aprofundado adequadamente as suas investigações e ter desconsiderado todo o conjunto probatório colocado pela recorrente à sua disposição. Questões de prova, conforme visto, dizem respeito ao mérito do lançamento. Ademais, exsurge dos autos que todos os fatos e alegações fiscais foram perfeitamente compreendidos pela interessada, que exerceu plenamente o seu direito ao contraditório, por meio da impugnação e do recurso interpostos, apresentando inteligentes argumentações e contrapondose a todos os lançamentos efetuados, pelo que resta descaracterizada a alegação de cerceamento do direito de defesa. A alegação de incompetência do agente fiscal tem por substrato a afirmativa de estar o MPF com seu prazo de validade vencido. Segundo a recorrente, de acordo com a Portaria n° 11.371/2007, art. 11, inciso II, o MPF teria o prazo máximo de validade de 120 dias, ou seja, não comportaria qualquer prorrogação, depois de esgotada a sua validade pelo decurso de prazo. Assim, tendo o MPFF sido expedido em 27/03/2008, estaria ele com sua validade fulminada em 25/07/2008. Fl. 11695DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.581 15 Nada obstante o entendimento pessoal deste relator, amparado inclusive em precedentes desta Turma de julgamento, no sentido de que o Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples instrumento de controle indispensável à administração tributária, e de garantia para o contribuinte, não advindo de eventuais falhas ou irregularidades na sua emissão a nulidade do feito, o fato é que, no caso concreto, sequer há de se adentrar em tal discussão, posto que o raciocínio da recorrente não possui qualquer respaldo no texto da norma infralegal que o instituiu. Isto porque o art. 12 da citada Portaria n° 11.371/2007 estabelece que o prazo máximo previsto no MPF originalmente emitido, nos termos do seu art. 11, pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias. Confirase: Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. A referência feita pela recorrente ao art. 15 da citada Portaria, que trata da emissão de um novo MPF (inclusive com a designação de auditores fiscais distintos), quando extinto o MPF original, não tem qualquer aplicabilidade ao caso, pois não restou em nenhum momento demonstrado que o MPF em questão tenha se extinguido antes da ciência dos lançamentos pelo contribuinte (em outubro de 2009). Ao contrário, conforme se verifica na consulta ao MPF em questão, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (mediante o número do MPF e o código de acesso fornecido ao contribuinte), e abaixo parcialmente transcrita, este teve o seu vencimento sucessivamente prorrogado, sem qualquer solução de continuidade. Confirase: Fl. 11696DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.582 16 Afastadas as preliminares, passo ao mérito. Alega a recorrente que a presente autuação é reflexa daquela em que foram discutidas as glosas de créditos de PIS e de COFINS, lastreadas nos mesmos documentos que ora se examinam. E que, tendo sido aquelas glosas revertidas, quando do julgamento dos respectivos recursos voluntários, deve a presente autuação também ser cancelada. Em que pese a inegável possibilidade da prolação de decisões com conteúdo divergentes, amparadas em um mesmo conjunto probatório, o fato é que a decisão a ser proferida há justamente de levar em conta o sopesamento das provas produzidas por ambas as partes, sendo cediço que, nos termos do art. 29 do PAF, o julgador, ao apreciálas, formará livremente sua convicção. Ademais, nos termos da legislação processual e regimental pertinente, não há qualquer vinculação deste Colegiado à decisão proferida no âmbito dos processos citados pela recorrente, que foram apreciados pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Nada obsta, entretanto, que se aproveite a análise e os fundamentos que lá foram determinantes para a tomada de decisão. De qualquer sorte, advirtase que o provimento dado aos recursos apresentados, no âmbito dos processos de PIS e de COFINS, foi parcial. No mérito, portanto, a questão é de prova. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o fisco, após análise das notas fiscais apresentadas, em conjunto com as pesquisas nos diversos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, constatou que parte das empresas fornecedoras se encontravam em Fl. 11697DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.583 17 situação irregular, tais como: empresas inexistentes de fato, empresas inativas, empresas não cadastradas na Secretaria da Fazenda do Estado, e omissas contumazes no cumprimento de obrigações acessórias, principalmente na entrega de DIPJ e DCTF, e, ainda, que a fiscalização empreendeu diligências em parte das empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato com proposta de inaptidão. Diante deste cenário, e do conjunto dos elementos coletados (e que aqui deverão ser analisados individualmente para cada empresa), concluiu o fisco que os documentos apresentados pela recorrente não foram suficientes para comprovar a efetiva aquisição e entrada das mercadorias no seu estabelecimento, e que as notas fiscais em questão seriam inidôneas. Também com relação ao pagamento por essas aquisições, observou o fisco que grande parte desses pagamentos haviam sido feitos a terceiros (pessoas físicas) que nenhuma relação teriam com os fornecedores indicados nas notas fiscais, em operações comerciais de cessão de créditos. A recorrente, por sua vez, argui que não compete a ela saber da condição de regularidade ou irregularidade de seus fornecedores, nem tampouco da relação existente entre os beneficiários do crédito e os fornecedores. Na condição de adquirente de boa fé, bastalhe comprovar o efetivo recebimento das mercadorias e o seu pagamento, ainda que a terceiros indicados pelo credor, para que reste descaracterizada a glosa efetuada. E, neste sentido, defende que as cessões de crédito estão comprovadas nos autos e observaram os requisitos previstos no Código Civil, e que os elementos apresentados (planilhas de controle e apuração dos estoques, tickets de pesagem, consultas ao Sintegra, comprovantes de pagamento e recibos de pagamento a autônomos – RPA) comprovam o efetivo recebimento das mercadorias. Ademais, a inidoneidade das notas fiscais de aquisição foi presumida com base em indícios frágeis e insustentáveis, não tendo a fiscalização empreendido o necessário exame aprofundado para concluir, com absoluta segurança, quais daquelas notas efetivamente se prestariam ou não ao lançamento. Tanto a decisão recorrida quanto a recorrente citam, como amparo legal em favor dos seus argumentos, o art. 82 da Lei 9.430/96, que possui a seguinte redação: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Ou seja, aos olhos do fisco: (i) as notas são inidôneas, e (ii) não houve a comprovação, por parte da fiscalizada, da efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens (situação esta que atrairia a aplicação da exceção prevista no parágrafo único do artigo acima transcrito). Já para a recorrente, a inidoneidade das notas não restou demonstrada, e, ainda que o tivesse sido, a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens foi comprovada, de sorte que inaplicável o disposto no caput. Quanto à questão de já estar pacificado no STJ, em acórdão proferido na sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.148.444MG), a situação do adquirente de boa fé, nada há que se objetar. De fato, o STJ apenas ressaltou, no referido julgado, que a tãosomente Fl. 11698DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.584 18 declaração de inidoneidade das notas fiscais não opera efeitos ex tunc com relação ao adquirente de boa fé. No caso analisado pelo STJ, ficou evidente que não havia dúvidas quanto à efetiva realização do negócio jurídico, o que se pode facilmente comprovar pela leitura da ementa do acórdão proferido pelo STJ, que abaixo se transcreve: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, Fl. 11699DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.585 19 da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.148.444MG, Relator Min. Luiz Fux, acórdão transitado em julgado 08062010) Quanto ao ônus da prova, é importante ressaltar que, enquanto a prova da inidoneidade da documentação incumbe ao fisco, por outro lado, a prova da efetiva aquisição da mercadoria é do contribuinte. Ainda que o referido julgado do STJ não tenha deixado isto claramente assente na ementa acima transcrita, é isto que se colhe da jurisprudência do STJ, consoante todas as transcrições feitas, no voto do relator, a outros julgados daquela Corte, dos quais transcrevo os excertos a seguir: (...) Todavia, para tanto, é necessário que o contribuinte demonstre, pelos registros contábeis, que a operação de compra e venda efetivamente se realizou, incumbindolhe, portanto, o ônus da prova. (EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008) A jurisprudência desta Turma é no sentido de que, para aproveitamento de crédito de ICMS relativo a notas fiscais consideradas inidôneas pelo Fisco, é necessário que o contribuinte demonstre pelos registros contábeis que a operação comercial efetivamente se realizou, incumbindolhe, pois, o ônus da prova, não se podendo transferir ao Fisco tal encargo. Precedentes. (...) (REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007) (...) O disposto no art. 136 do CTN não dispensa o contribuinte, empresa compradora, da comprovação de que as notas fiscais declaradas inidôneas correspondem a negócio efetivamente realizado. (REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007) O vendedor ou comerciante que realizou a operação de boafé, acreditando na aparência da nota fiscal, e demonstrou a veracidade das transações (compra e venda), não pode ser responsabilizado por irregularidade constatada posteriormente, referente à empresa já que desconhecia a inidoneidade da mesma. (REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999) Além disto, estas mesmas transcrições acima (da ementa e dos outros julgados do STJ) ressaltam a circunstância de que, nos casos em que o adquirente foi considerado de boafé, os documentos possuíam a “aparência de regularidade”, e, de fato, isto é intuitivo: para que se possa considerar que o adquirente tenha tido boafé, devese partir do pressuposto que ele tenha sido levado a acreditar que os documentos seriam regulares. Neste sentido, o entendimento do STJ a respeito da questão não discrepa do deste relator, conforme passo a expor. Fl. 11700DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.586 20 Antes de adentrar na análise de cada empresa individualmente, portanto, necessário fixar algumas premissas que irão pautar este voto: 1) O art. 82 da Lei 9.430/96 estabelece que os documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição tenha sido considerada ou declarada inapta não produzem efeitos tributários, e isto aplicase a todos os documentos emitidos após a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica; 2) O mesmo art. 82 expressamente ressalva as “demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação”, ou seja, não é somente mediante a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica, ou da inidoneidade dos documentos fiscais por ela emitidos, que se abre a possibilidade de considerar um documento fiscal inidôneo. Contudo, o ônus da prova da sua inidoneidade é do fisco; 3) É do fisco também o ônus da prova de que o contribuinte, no caso de utilização de documentos inidôneos em data anterior à da publicação do respectivo Ato Declaratório, sabia ou deveria saber que tais documentos não seriam idôneos; 4) É ônus do contribuinte a prova da efetiva aquisição da mercadoria ou serviço lastreada em documento reputado inidôneo, para que se possa caracterizar a condição de adquirente de boa fé. Com relação às cessões de crédito, registrese que, a priori, é fato que o credor pode ceder seus créditos a quem melhor lhe aprouver, desde que efetue a comunicação ao devedor, que por sua vez poderia, nos termos do art. 286 do Código Civil, em tese, exercer o seu direito de oposição. Entretanto, não consta que o devedor tenha se oposto às cessões feitas, pelo contrário, está aqui reivindicando a legitimidade daquelas. Ademais, a lei não impõe forma específica para que se efetue a cessão de crédito, tendo a notificação da cessão de crédito a finalidade de informar à devedora a quem deve pagar, e para evitar que pague mal. Por outro lado, é certo que tal raciocínio, simples e direto, há de se aplicar às situações normais de operação comercial. Em casos em que se demonstre que a empresa está a manter relações comerciais com empresas inexistentes de fato, ou inaptas, a circunstância de ter havido a cessão dos respectivos créditos a terceiros pode vir a constituir mais um indício da irregularidade daquela operação. Indício este não determinante, quando isoladamente considerado — como de resto nenhum indício o é — para concluir pela inocorrência de fato da própria operação comercial antecedente. As circunstâncias específicas que cercam cada uma das alegadas cessões de crédito devem ser analisadas, portanto, de forma individualizada, para, em conjunto com os demais elementos, aferir o julgador se se está diante de uma regular cessão de crédito originado de efetiva operação de compra e venda, ou de apenas um artifício utilizado, em conjunto com as notas fiscais inidôneas, para justificar a saída de recursos da empresa para fins diversos. Observo, por fim, que a fiscalização elaborou quadro resumo das notas fiscais e respectivos valores que foram objeto de glosa (fls. 1138311405), referenciando as folhas do processo em que se encontram os documentos nele citados (a referência, entretanto, é ao Fl. 11701DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.587 21 número de fls. do processo físico, e, no presente voto, fazse a menção ao número de fls. eletrônico, do que decorre, portanto, a eventual divergência de numeração). Dito isto, sigo com a análise de cada fornecedor. 1. Alvorada Distribuidora de Carnes Ltda De acordo com o fisco (fls. 7431), tratase de pessoa jurídica omissa na entrega da DIPJ correspondente ao anocalendário de 2005, sendo que a maioria das demais DIPJ apresentadas o foram na condição de inativa, e que, em pesquisa junto ao Cadastro Nacional de Informações Sociais, inexistiam empregados naquele ano. As notas fiscais emitidas por esta empresa teriam servido para acobertar operações de aquisição de couro de outras pessoas físicas e jurídicas, às quais foram feitos pagamentos por meio da cessão de créditos. A parte correspondente aos pagamentos feitos ao sócio da própria Vitapelli é que foi objeto da glosa fiscal. Passo a analisar os documentos acostados aos autos, tendo por norte as premissas antes postas. De acordo com o documento de fls. 7542, a empresa encontrase na situação cadastral “não habilitada” no Sintegra desde 23/10/2008, o que significa que não estava autorizada a emitir documentos fiscais a partir daquela data. No entanto, as notas fiscais são de 2005, logo, em uma primeira análise, poderseia pensar que não teria a recorrente condições de conhecer a real situação da suposta fornecedora. Entretanto, outros documentos acostados aos autos denotam o perfeito conhecimento, por parte da recorrente, daquela situação. Inicialmente, destaquese que, no demonstrativo de fls. 75437544, se verifica que o total de notas fiscais emitidas pela fornecedora para a Vitapelli foi de R$ 1.472.000,00 em 2005. Entretanto, a glosa atingiu tão somente o montante de R$ 251.734,16, que corresponde à parcela daquelas notas que foi paga diretamente ao sócio da própria Vitapelli, Sr. Nilson Riga Vitalle. Às fls. 7550 a 7607 encontramse os documentos de controle interno da recorrente denominados “cópias de cheques”, bem como os comprovantes de depósito bancário, relativos aos pagamentos por notas fiscais emitidas pela empresa ALVORADA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA (ALVORADA). Para que se possa melhor apreciar a situação, recomendase analisar os documentos de fls. 7550 a 7607. Ali encontramse os documentos de controle interno da recorrente denominados “cópias de cheques”, bem como os comprovantes de depósito bancário, relativos aos pagamentos por notas fiscais emitidas pela empresa ALVORADA. Elaborei a tabela abaixo com dados obtidos a partir dos documentos de fls. 7550 a 7580, o que já se mostra suficiente para demonstrar o que se pretende. Fls. Data do pagto Beneficiário do pagamento Justificativa do pagamento Fl. 11702DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.588 22 7550 16/02/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8666 ALVORADA 7550 16/02/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8667 ALVORADA 7551 18/02/2005 MANOEL MEDICI DE SOUZA PAGTO REF NF 8667 ALVORADA 7552 16/02/2005 FRONTEIRAS COMERCIO DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8662 ALVORADA 7552 16/02/2005 FRONTEIRAS COMERCIO DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8663 ALVORADA 7552 16/02/2005 FRONTEIRAS COMERCIO DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8664 ALVORADA 7553 02/03/2005 NORDECOUROS NORDESTE COUROS E PELES LTDA PAGTO REF NF 8872 ALVORADA 7554 02/03/2005 JA COUROS LTDA PAGTO REF NF 8872 ALVORADA 7555 03/03/2005 DISUL DIST.DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA PAGTO REF NF 8872 ALVORADA 7555 03/03/2005 DISUL DIST.DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA PAGTO REF NF 8873 ALVORADA 7556 03/03/2005 DISUL DIST.DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA PAGTO REF NF 8934 ALVORADA 7557 03/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8934 ALVORADA 7558 07/03/2005 NORDECOUROS NORDESTE COUROS E PELES LTDA PAGTO REF NF 8935 ALVORADA 7559 29/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8935 ALVORADA 7559 29/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 8936 ALVORADA 7560 04/03/2005 LICINIOS MOREIRA DA SILVEIRA PAGTO REF NF 8937 ALVORADA 7560 04/03/2005 LICINIOS MOREIRA DA SILVEIRA PAGTO REF NF 8939 ALVORADA 7561 11/03/2005 MANOEL MEDICI DE SOUZA PAGTO REF NF 8939 ALVORADA 7562 16/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 9118 ALVORADA 7563 16/03/2005 MARIA LUCIA RIBEIRO BARROSO PAGTO REF NF 9118 ALVORADA 7564 16/03/2005 NOVA ERA COUROS LTDA PAGTO REF NF 9118 ALVORADA 7565 15/03/2005 JOSE MARCOS RIBEIRO COSTA PAGTO REF NF 9112 ALVORADA 7565 15/03/2005 JOSE MARCOS RIBEIRO COSTA PAGTO REF NF 9113 ALVORADA 7565 15/03/2005 JOSE MARCOS RIBEIRO COSTA PAGTO REF NF 9114 ALVORADA 7565 15/03/2005 JOSE MARCOS RIBEIRO COSTA PAGTO REF NF 9115 ALVORADA 7567 15/03/2005 NORDECOUROS NORDESTE COUROS E PELES LTDA PAGTO REF NF 9119 ALVORADA 7567 15/03/2005 NORDECOUROS NORDESTE COUROS E PELES LTDA PAGTO REF NF 9120 ALVORADA 7568 15/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 9119 ALVORADA 7568 15/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 9120 ALVORADA 7569 21/03/2005 DISTRIBUIDORA PASTORIS IND E COM PAGTO REF NF 9116 ALVORADA 7569 21/03/2005 DISTRIBUIDORA PASTORIS IND E COM PAGTO REF NF 9117 ALVORADA 7570 22/03/2005 INTERCOUR0S LTDA PAGTO REF NF 9117 ALVORADA 7571 17/03/2005 DISUL DIST.DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA PAGTO REF NF 9298 ALVORADA 7572 17/03/2005 SANTAFE COM DE COUROS E PELES LTDA PAGTO REF NF 9298 ALVORADA 7573 18/03/2005 ATENUANTE TRANSPORTES LTDA PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7574 18/03/2005 RILDO MAXIMIANO DE SOUZA PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7575 18/03/2005 SERGICOUROS CIAL DE COUROS LTDA PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7576 18/03/2005 JORGE SILVA SANTOS PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7577 18/03/2005 GERALDO F SAMPAIO PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7578 18/03/2005 SEBASTIAO GONÇALVES GUEDES PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7579 18/03/2005 ERASMO CARLOS FATIMA ALVES PAGTO REF NF 9299 ALVORADA 7580 23/03/2005 ANTONIO CARLOS DA SILVA REIS PAGTO REF NF 9430 ALVORADA 7580 23/03/2005 ANTONIO CARLOS DA SILVA REIS PAGTO REF NF 9431 ALVORADA Do exposto na tabela acima, e considerandose a situação de fato da empresa, percebese que a mesma constitui verdadeira distribuidora de notas, e não de carnes. Vejase como um mesmo documento fiscal tem o correspondente pagamento “fatiado” entre mais de um beneficiário, muitas vezes em um mesmo dia. Ora, simplesmente não é crível nem admissível que os créditos relativos a tais faturamentos possam ter sido objeto de cessão pela suposta fornecedora (ALVORADA) em Fl. 11703DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.589 23 condição tal. O que aflora da análise do conjunto probatório dá pleno respaldo à acusação fiscal, ou seja, de que as notas fiscais emitidas pela empresa ALVORADA apenas serviram para acobertar possíveis aquisições de couro de outras pessoas (físicas ou jurídicas) que preferiram permanecer ocultas, certamente para não pagar os devidos tributos. E tampouco é crível, pela análise deste mesmo conjunto probatório, que a recorrente desconhecesse tal situação. Neste contexto, despropositado falarse em adquirente de boa fé. A recorrente alega que o título representativo de mercadoria pode ser transferido a quem melhor aproveitar, por meio da cessão de crédito, bastando que seja o devedor comunicado de que o pagamento deva ser feito ao cessionário. Com relação à cessão dos créditos relativos ao fornecedor ALVORADA, constam dos autos tão somente os documentos de fls 7545 e 7547. O doc. de fls. 7545, que não está sequer datado, simplesmente dispõe o seguinte, verbis: VENHO ATRAVÉS DESTA, COMUNICAR A V.SAS., QUE EFETUEM A TRANSFERÊNCIA DOS CRÉDITOS REFERENTE A TODAS AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PARA A VITAPELLI LTDA, PARA A EMPRESA ABAIXO, OU À SUA ORDEM. SERGICOUROS COMERCIAL DE COUROS LTDA CNPJ: 96.803.267/000196 AG: 1510 C/C: 212135 BANCO ITAÚ E o de fls. 7547, datado de 02/02/2006, comunica a cessão de crédito relativa a diversas notas fiscais ao sócio da Vitapelli antes nominado. Confirase: REF.: NOTIFICAÇÃO DE CESSÃO DE CREDITO NF N° 7415 8078 8663 8667 8872 8873 8934 8935 8936 8939 9112 r 9117 9118 9119 9120 9298 9299 9429 9430 9431 9598 9599 9740 9741 9743 9744 9874 9875 9893 ALVORADA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA. VENHO ATRAVÉS DESTA, COMUNICAR A V.SAS., QUE EFETUEI A TRANSFERÊNCIA DO CRÉDITO REFERENTE À NOTA FISCAL ACIMA EPIGRAFADA A: NOME: NILSON RIGA VITALE CPF: 969.890.84804 VALOR: R$ 251.734,16 Em que pese a determinação para que “todas” as notas fiscais emitidas pela ALVORADA para a recorrente fossem pagas à SERGICOUROS COMERCIAL DE COUROS LTDA, o que se verificou é que, no curto espaço de cerca de três meses, os pagamentos correspondentes a essas notas foram feitos a nada menos do que 32 beneficiários (pessoas físicas e jurídicas) distintas. Para completar o quadro, temse que as notas fiscais emitidas (e as correspondentes entradas das mercadorias, e também os pagamentos) teriam ocorrido entre janeiro e março de 2005. Entretanto, um “saldo” de algumas daquelas notas fiscais, Fl. 11704DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.590 24 relacionadas no doc. de fls. 7547, viria a ser quitado somente em 2006, e justamente em favor do sócio da recorrida! Para coroar o conjunto probatório, o documento de cessão está datado de 02/02/2006, entretanto, o correspondente cheque em favor do sócio já fora emitido em 24/01/2006 (fls. 7546). Conforme antes referido, não há necessidade de prévia declaração de inaptidão da pessoa jurídica, ou da inidoneidade dos documentos por ela emitidos, para que não aceite o fisco os efeitos tributários deles decorrentes. No caso em questão, o conjunto probatório demonstra a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa ALVORADA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA para respaldar as operações de aquisição de couro que a recorrente registrou em seus livros, bem como demonstra que a recorrente tinha plena consciência da real situação de fato daquela empresa e da inidoneidade dos documentos em questão, contudo, mesmo assim, deles se aproveitou em sua escrita. Neste contexto, só se pode concordar com a decisão recorrida, quando afirma que papeletas de pesagem, recibos de pagamento a autônomos, e meros registros contábeis, não são suficientes para comprovar a efetiva aquisição, mormente quando não é possível fazerse qualquer correlação entre os citados documentos e as notas fiscais emitidas, e tampouco esforçouse a recorrente em demonstrálo. Ademais, diante da notória inidoneidade dos documentos em questão, se de fato serviram eles para acobertar parcialmente efetivas aquisições de couro de outros fornecedores (o que, diante da força das provas coligidas nos autos, passa a constituir mera hipótese), com certeza se pode concluir, pelo menos, que resta totalmente descaracterizada a operação de suposta aquisição de couro, com relação ao montante pago ao sócio (“saldo” das notas fiscais relacionadas). Como a glosa fiscal atevese a este saldo, não há dúvidas de que esta glosa deve ser mantida. 2. Arlindo Moreira Campos – Couros De acordo com o fisco (fls. 7432), tratase de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra desde 12/11/2004, sendo que, de acordo com trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a empresa em questão é inexistente, nunca funcionou no endereço fornecido, e tampouco foi localizado no endereço constante no cadastro o responsável por ela, pelo que todos os documentos emitidos pela empresa foram considerados inidôneos. A fiscalização constatou, ainda, que a referida pessoa jurídica não apresentou uma única DIPJ, e tampouco manteve quaisquer empregados registrados. As glosas efetuadas tiveram por base as notas fiscais emitidas a partir de 12/11/2004. No caso deste fornecedor, cabe fazer uma referência ao julgado no processo relativo à glosa dos créditos de PIS e COFINS que foi referido pela própria recorrente, e cujo acórdão encontrase disponível na página do CARF (Acórdão 3803003329). De acordo com o relator daquele processo, as empresas emitentes das notas fiscais foram separadas em três grupos de situações fáticas distintas, quais sejam: a) pessoas Fl. 11705DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.591 25 jurídicas fornecedoras inexistentes de fato; b) pessoas jurídicas fornecedoras inaptas no cadastro da Fazenda Estadual da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, conforme representação daquele órgão; c) pessoas jurídicas fornecedoras não habilitadas no Sistema SINTEGRA para a emissão de documentos fiscais pelo Fisco Estadual. A cada uma delas corresponde uma tabela (1, 2, e 3, respectivamente). A empresa Arlindo Moreira Campos – Couros encontrase na tabela 2 (situação ‘b’, pessoas jurídicas inaptas perante a Fazenda Estadual). Transcrevese trecho do voto do redator designado para o voto vencedor daquele acórdão, tendo em vista as divergências abertas apenas no tocante ao item ‘a’: No que tange ao fato tratado segundo a letra “b”, acima, foi unânime a convergência com voto proposto, tendo sido mantidas as glosas dos créditos por se referirem “a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação”. Restaram glosados, portanto, naquele processo, todos os créditos de COFINS amparados pelas notas fiscais emitidas por este fornecedor em 2005, de sorte que, se fosse para considerar o presente processo mero reflexo daquele, como sustentou a recorrente, cumpriria tão somente manter também a glosa dos custos, para fins de IRPJ e CSLL, sem maiores considerações a respeito. Entretanto, entendo que cumpre analisar em pormenor o que consta dos autos, para firmar minha convicção. O contribuinte alega que, à época das operações, o fornecedor encontravase devidamente “habilitado” junto ao Sintegra, conforme consultas em 13/01/05, 04/02/05, 04/03/05 (fls. 66296631). E que, ademais, o recebimento e pagamento das mercadorias estaria comprovado pelas planilhas e comprovantes de pagamento (depósitos, boletos bancários) apresentados, bem como pelos tickets de balança e RPA’s. Embora o contribuinte não tenha feito a correlação dos documentos a cada uma das notas fiscais, conforme alegou que teria feito, passo a analisar os documentos por ele juntados com a impugnação, às fls. 76497675. Às fls. 7649 há um razão simplificado da conta deste fornecedor, que emitiu contra a recorrente as notas fiscais 004, 005, 006, 007, 008, e 010. Reproduzoo abaixo: Fl. 11706DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.592 26 Os documentos juntados pelo contribuinte entre as fls. 7650 e 7666 são cópias simples de documentos (notas fiscais, duplicatas e cessões de crédito) que já se encontravam nos autos, e que estão referidos no já citado quadro demonstrativo elaborado pelo fisco às fls. 1138311405. Já os documentos de fls. 7667 a 7675 são cópias simples de tickets de pesagem e de RPA’s. Inicialmente, verificase que nenhum pagamento foi efetuado à própria empresa emissora dos documentos fiscais. A nota fiscal no 004, emitida em 08/01/2005, no valor de R$ 45.360,00, foi paga (R$ 45.274,88) em 09/02/2005 a Luiz Sérgio Lopes Gazola. O documento de cessão do crédito está datado de 24/01/2005 e informa que o título se encontra vencido em 07/02/2005 (fls. 366368). A nota fiscal no 005, emitida em 24/01/2005, no valor de R$ 43.848,00, foi paga (R$ 23.000,00 para Francisca Izabel Bueno e R$ 20.848,00 para Bruno Henrique Castro Lessa) em 28/02/2005. Os documentos de cessão do crédito estão datados de 24/01/2005, mesma data da emissão da nota fiscal, e informam que os títulos (duplicatas nos valores de R$ 23.000,00 e de R$ 22.848,00) se encontram vencidos em 24/02/2005 (fls. 426429 e 10677 10679). A nota fiscal no 006, emitida em 01/02/2005, no valor de R$ 56.540,00, foi paga (R$ 48.276,50) em 09/03/2005 a Luiz Sérgio Lopes Gazola. O documento de cessão do crédito está datado de 10/03/2005 e informa que o título de número 000006 se encontra vencido em 01/03/2005, devendo ser integralmente pago àquela referida pessoa. A duplicata de número 000006 anexa aos autos, contudo, ostenta o valor de R$ 8.263,50, e informa vencimento em 03/03/2005, constando ainda no seu verso que este valor teria sido recebido em dinheiro, com desconto de R$ 809,39, em 14/02/2006 (fls. 475479). A nota fiscal no 007, emitida em 22/02/2005, no valor de R$ 47.293,20, foi integralmente paga em 06/04/2005 a Anderson Antonio Bruzaferro Vieira. O documento de cessão do crédito está datado de 31/03/2005 e informa que o título se encontra vencido em 24/03/2005 (fls. 642646). Fl. 11707DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.593 27 A nota fiscal no 008, emitida em 01/03/2005, no valor de R$ 53.635,90, foi paga (R$ 44.667,05) em 14/04/2005 a Luiz Sérgio Lopes Gazola. O documento de cessão do crédito está datado de 08/04/2005 e informa que o título se encontra vencido em 01/04/2005 (fls. 712717). Além disto, consta apenas um registro contábil de pagamento contra a conta caixa da recorrente (fls. 11046) no valor de R$ 8.918,25, que teria sido saldado em espécie, portanto, em 19/07/2005, entretanto, nenhum documento foi apresentado para respaldar este lançamento. A nota fiscal no 010, emitida em 10/03/2005, no valor de R$ 48.673,60, foi paga (R$ 47.011,24) em 14/04/2005 a Cristiano Moreira Lazaro. O documento de cessão do crédito está datado de 11/04/2005 e informa que o título se encontra vencido em 09/04/2005 (fls. 797801). É sintomático que justamente no caso de empresas em situação irregular (no caso, inexistente de fato) os pagamentos sejam sempre efetuados a terceiros (no caso, todos a pessoas físicas). Ademais, outras circunstâncias chamam a atenção, como o desencontro de valores entre os documentos, a baixa numeração das notas fiscais, o fato de nenhuma delas ostentar qualquer carimbo de passagem por posto fiscal durante o trânsito, o fato de o canhoto no rodapé das notas não ter sido assinado pelo contribuinte nem tampouco destacado pelo emitente (notas fiscais 006, 007, 008, e 010), o fato de a cessão de crédito ter sido formalizada após o pagamento já efetuado (nota fiscal 006), o fato de um “saldo” da nota fiscal 006 (R$ 8.263,50) ter sido pago em espécie, contra a conta caixa da recorrente, e com desconto, após decorridos mais de doze meses da emissão do documento, e de um outro “saldo” da nota fiscal 008 (R$ 8.918,25) ter sido também pago em espécie, quase quatro meses após o seu vencimento, sem que tenha sido apresentado qualquer documento que respaldasse este pagamento. Este conjunto probatório, aliado à caracterização da empresa como inexistente de fato, descaracteriza a condição do contribuinte como adquirente de boa fé, não sendo razoável admitir que não tivesse conhecimento da inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa Arlindo Moreira Campos – Couros. Neste contexto, os tickets de pesagem e recibos de pagamentos a autônomos apresentados (fls. 7667 a 7675) não amparam a pretensão da recorrente em comprovar a internação das mercadorias constantes daquelas notas fiscais. Dentre os tickets de pesagem apresentados, não se encontram os relativos às notas fiscais 004 e 010; o da nota fiscal 005 aponta um peso líquido de 680 kg (a nota fiscal 005 é de 20.300 kg); o da nota fiscal 006 aponta um peso líquido de 18.290 kg (vs 22.000 kg na nota), e apenas os tickets relativos às notas 007 e 008 apresentam pesos aproximados aos constantes dos documentos fiscais (21.560 kg vs. 20.385 kg, no caso da nota 007, e 19.510 kg vs. 20.870 kg, no caso da nota 008). A fiscalização intimou o contribuinte a apresentar o Livro de Registro de Controle da Produção e Estoques, livro obrigatório nos termos da legislação do IPI, e que possibilitaria a comprovação da efetiva internação e utilização das mercadorias no processo produtivo, entretanto, a empresa apresentou, em seu lugar, tão somente planilhas, que disse estarem em conformidade com a regra do art. 388 do RIPI, que as prevê em substituição ao referido livro. Fl. 11708DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.594 28 As planilhas em questão (fls. 1128111316) registram apenas a movimentação mensal dos estoques, não se prestando, portanto, a comprovar a efetiva internação das mercadorias adquiridas, pois não traz o registro individualizado por nota fiscal de aquisição, e nem possibilita a perfeita apuração do estoque permanente, conforme exige o art. 388 do RIPI, para que possa ser dispensada a apresentação do Livro de Registro de Controle da Produção e Estoques. Em conclusão, evidenciada a inidoneidade dos documentos em questão, e não comprovada a efetiva internação das mercadorias que nelas estão consignadas, afastase a proteção alegada sob o manto do adquirente de boa fé, e mantémse a glosa dos correspondentes custos. 3. Carlos Roberto Domenicis – ME Tratase de empresa declarada inapta, pelo fisco federal, por inexistência de fato, com efeitos desde 05/01/2000. No caso, foi realizado trabalho de diligência fiscal, constante no processo administrativo n° 15940.000482/200730, no qual restou comprovado que a empresa jamais funcionou no endereço informado, que era de um imóvel residencial, com uma pequena edícula nos fundos do terreno, não possuindo condições físicas mínimas para a operação de uma empresa, quanto mais para a operação de “salgar o couro”. Ademais, a consulta às placas de dois veículos apontados como transportadores das mercadorias revelaram ser uma delas inexistente no cadastro do Renavam, e a outra de um veículo de passeio (Opala). Cópias de alguns documentos relevantes daquele processo encontramse às fls. 58615953. O fisco estadual também considerou a empresa “não habilitada” a partir de 15/07/2005, data em que a empresa alterou a sua atividade econômica para o comércio de couro (consulta Sintegra, fls. 11328). As notas emitidas contra a recorrente no período por esta empresa são as de número 000001 a 000010, emitidas entre 25/10/2005 e 17/12/2005. Os pagamentos, em sua quase integralidade, foram feitos a terceiros, por meio de cessão de crédito. Uma parcela, de R$ 10.000,00, que teria sido paga ao fornecedor, conforme lançamento contábil de 23/12/2005, não teve a documentação de suporte apresentada. De forma sintetizada, estas informações se encontram no quadro demonstrativo elaborado pelo fisco às fls. 1138311405, no qual se indicam as folhas do processo (numeração do processo físico) onde se encontram os pertinentes documentos. A defesa gira em torno dos seguintes argumentos: que o Ato Declaratório da RFB somente foi publicado em 01/09/2008, não podendo atingir fatos pretéritos; que a empresa em questão poderia já ter adquirido o couro salgado, pelo que não necessitaria de espaço para armazenar o couro, que o fornecedor se encontrava devidamente “habilitado” junto ao Sintegra, conforme consultas em 09/02/2006, 06/06/2006, 14/06/2006, 15/05/2006, 19/05/2006, 03/07/2006; e que o recebimento e pagamento das mercadorias estaria comprovado pelos documentos acostados (fls. 76767753). À semelhança do quanto exposto nos itens precedentes, e em vista das considerações acima, entendo que o conjunto probatório apresentado pelo fisco é suficiente para demonstrar que os documentos emitidos pelo fornecedor Carlos Roberto Domenicis – ME são inidôneos, enquanto que o conjunto probatório apresentado pela recorrente, em face das Fl. 11709DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.595 29 circunstâncias, não é suficiente para caracterizar a sua condição de adquirente de boa fé, pois apenas uma ínfima parte dos pagamentos restou comprovada ter sido feita diretamente ao fornecedor, e a prova da efetiva internação das mercadorias também restou prejudicada pela não apresentação do Livro de Registro de Controle da Produção e Estoques. 4. Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda Os documentos emitidos por esta empresa contra a Vitapelli são documentos falsos, conforme trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que verificou que aquela empresa comercializava, por meio de seus documentos reconhecidos como idôneos, outros tipos de produtos para outros contribuintes (59545957). A falsidade foi reconhecida com relação aos documentos de numeração entre 000101 e 000150, justamente a numeração que foi, em sua maior parte, destinada à Vitapelli. Confirase: 102, 103, 105, 107, 108, 109, 110, 111, 113, 115, 116, 117, 118, 120, 121, 122, 123, 124, 125, 127, 128, 129, 130, 131, 132, 134, 135, 136, 137, 139, 140, 142, 143, 145, 146, 147, 148, 149, 150. O contribuinte defendese alegando não ter como saber que os documentos são falsos, e que, ainda que o sejam, o recebimento e pagamento das mercadorias estaria comprovado pelos documentos acostados, e o fornecedor se encontrava devidamente “habilitado” junto ao Sintegra, conforme consultas em 11/04/2005, 24/06/2005, 26/01/2006, e 10/04/2006. Mais uma vez, os fatos e indícios colacionados pelo fisco desmontam as alegações recursais. Além de os pagamentos terem sido sistematicamente feitos a terceiros, e não ao fornecedor, houve diversas duplicatas que foram baixadas via conta Caixa, sendo algumas delas após um ano da emissão das respectivas notas fiscais e com desconto, e algumas sem a apresentação de qualquer comprovante, conforme destacou o fisco (fls. 1140711408, em que menciona as folhas do processo (numeração do processo físico) onde se encontram os pertinentes documentos. Ademais, destacou ainda o fisco que foram apresentadas pelo contribuinte cópias de documentos de suposta cessão de crédito os quais, embora se refiram a títulos distintos, seriam na verdade um único documento, uma vez que a numeração dos selos notariais apostos nos documentos é a mesma, ou seja, tratase de um único documento reproduzidos mediante cópia (fls. 375 e 399). Chama a atenção, ainda, a numeração das notas emitidas (em sequência) para um mesmo destinatário, ao longo de seis meses (entre janeiro e junho de 2005). Diante de tantas evidências, inadmissível cogitarse que pudesse o contribuinte ser considerado um adquirente de boa fé, desconhecedor da inidoneidade dos documentos contra ela emitidos pela empresa Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda. Deve ser integralmente mantida, portanto, a glosa efetuada. Fl. 11710DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.596 30 5. Copelco Componentes p/ Calçados Ltda À semelhança do fornecedor Arlindo Moreira Campos – Couros, tratase de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra (com efeitos desde 31/10/2005), em decorrência de trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em que se concluiu ser ela inexistente de fato (fls. 59855994). O fisco federal também empreendeu suas próprias diligências com relação a esta empresa, tendo formalizado o processo 15940.000493/200742 para a sua inaptidão, cujas peças principais encontramse reproduzidas às fls. 59586002. A empresa nunca manteve qualquer funcionário registrado. A defesa pugna pela irretroatividade dos efeitos da declaração de inaptidão pelo fisco federal, informa que o fornecedor se encontrava devidamente “habilitado” junto ao Sintegra, conforme consultas em 14/12/2005 e 24/01/2006, e sustenta que o recebimento e pagamento das mercadorias estaria comprovado pelos documentos acostados. No caso, além de, mais uma vez, os pagamentos terem sido feitos a terceiros (a documentação bancária aponta como favorecidos as pessoas de Manoel Medici de Souza, Curtume Souza, Paraíso Com. Calçados Ltda, Jaudo Henrique, e Frigorífico Vale do Sapucaí), observou ainda o fisco que as cópias das supostas cessões de créditos fornecidas pela autuada teriam indícios de flagrante falsidade, pois, a exemplo do já citado para o fornecedor anterior, a numeração dos selos notariais para o reconhecimento de firma encontrase repetida em diversos documentos, conforme relaciona o fisco (fls. 11408, em que menciona as folhas — numeração do processo físico — onde se encontram os referidos documentos). E, ainda, destaca o fisco o curioso fato de os lançamentos contábeis indicarem a baixa de parcelas dos seus débitos para com a fornecedora, a título de descontos obtidos, em datas muito anteriores (até três meses) aos valores debitados a título de pagamento, conforme se pode ver às fls. 7849. Por oportuno, registrese ainda que nenhuma das notas fiscais emitidas por este fornecedor foram apresentadas. Neste contexto, descabido falarse em adquirente de boa fé, devendo ser integralmente mantida, portanto, a glosa com relação ao fornecedor Copelco Componentes p/ Calçados Ltda. 6. Evair A Ferrarese Tratase, igualmente, de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra (com efeitos desde 15/06/2004), em decorrência de trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em que se concluiu ser ela inexistente de fato. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 74347435) este foi o motivo da glosa efetuada. Mesmo após a apresentação de documentos pelo contribuinte em sede de impugnação, e a conversão em diligência solicitada pela DRJ, limitouse o fisco a repetir as irregularidades que a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo encontrara naquele fornecedor, apenas acrescentando que a empresa se declarava inativa perante o fisco Fl. 11711DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.597 31 federal desde o anocalendário 2005, e que não possuía empregados registrados, concluindo não haver dúvidas de que a referida pessoa jurídica foi constituída com a finalidade de burlar o fisco. Diante da singeleza da acusação, não tendo o fisco apontado quaisquer indícios de que o contribuinte poderia ter ciência da condição de inexistência de fato deste fornecedor, e/ou da inidoneidade dos documentos por ele emitidos, entendo que não pode prosperar a glosa efetuada. 7. Gell Comércio de Couros Ltda EPP Da mesma forma que o anterior, tratase de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra (com efeitos desde 27/06/2005), em decorrência de trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em que se concluiu ser ela inexistente de fato. O fisco federal também empreendeu suas próprias diligências com relação a esta empresa, tendo formalizado o processo 15940.000386/200791 para a sua inaptidão, cujas peças principais encontramse reproduzidas às fls. 60116085. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 74357436) este foi o motivo da glosa efetuada. Mesmo após a apresentação de documentos pelo contribuinte em sede de impugnação, e a conversão em diligência solicitada pela DRJ, limitouse o fisco a repetir os mesmos termos, e reiterar que a sua inaptidão foi declarada no Ato Declaratório Executivo n° 26, de 29/01/2008, DOU 31/01/2008. Diante da singeleza da acusação, não tendo o fisco apontado quaisquer indícios de que o contribuinte poderia ter ciência da condição de inexistência de fato deste fornecedor, e/ou da inidoneidade dos documentos por ele emitidos, entendo que não pode prosperar a glosa efetuada. 8. Latino Comércio de Couros Ltda. – EPP Da mesma forma que os anteriores, tratase de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra (com efeitos desde 23/12/2004), em decorrência de trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em que se concluiu ser ela inexistente de fato, tendo o fisco federal também empreendido suas próprias diligências com relação a esta empresa (processo 15940.000011/200811) para a sua inaptidão, que culminou com a publicação do respectivo Ato Declaratório em 19/05/2008. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 7436) este foi o motivo da glosa efetuada, e, verificandose os documentos ali referidos (fls. 60866181), neles não se encontra qualquer menção à participação da recorrente nas irregularidades constatadas. Inclusive, os depoimentos colhidos dão conta de que a empresa efetivamente trabalhava com o comércio de couros. Fl. 11712DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.598 32 Neste contexto, não tendo o fisco apontado quaisquer indícios de que o contribuinte poderia ter ciência da condição de inexistência de fato deste fornecedor, e/ou da inidoneidade dos documentos por ele emitidos, entendo que não pode prosperar a glosa efetuada. 9. Marina Vieira da Silva Piracaia – ME Tratase também de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra (com efeitos desde 31/12/2003), em decorrência de trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em que se concluiu ter ela encerrado suas atividades naquela data, sem nunca ter efetuado uma venda sequer de couro para a Vitapelli, pelo que as notas fiscais emitidas em 2005 acobertariam operações de venda de couros bovinos por terceiros à Vitapelli. O fisco federal também empreendeu suas próprias diligências com relação a esta empresa, tendo formalizado o processo 15940.000455/200767 para a sua inaptidão, cujas peças principais encontramse reproduzidas às fls. 6182 6231. O ato declaratório foi publicado em 09/09/2008 e apontou no mesmo sentido do trabalho desenvolvido pela Fazenda Estadual, restando caracterizado que a empresa foi utilizada por terceiros para fraudar o fisco. A questão é, mais uma vez, saber se os elementos coligidos pelo fisco demonstram que a recorrente teria ciência ou não da inidoneidade dos documentos utilizados. No caso, além de, mais uma vez, nenhum pagamento ter sido efetuado à própria fornecedora, destacase ainda a repetição do nome de diversas outras pessoas físicas e jurídicas também beneficiárias de pagamentos por cessão de créditos de outras fornecedoras já anteriormente citadas e cujas glosas foram por este voto mantidas. Às fls. 10337 destaca o fisco ainda o fato de as cessões de créditos envolvendo as pessoas cessionárias de Curtume Atalaia, Lacerda Couros, Cisensa (Cifensa) Ltda, Curtume Souza, Frigorífico Bertim Ltda e Manoel Medici de Souza, apresentarem indícios de flagrante falsidade, tendo em vista a continuada repetição do número do selo notarial relativo ao reconhecimento de firma, conforme documentos ali relacionados pelas folhas (numeração do processo físico) onde são encontrados. Isto explica porque os referidos documentos foram apresentados à fiscalização tão somente por meio de cópias reprográficas simples, sem a apresentação dos documentos originais. Ademais, destaca ainda o fisco que, na maioria das cessões apresentadas, a data do reconhecimento de firma é anterior à emissão da própria nota fiscal cujo crédito estaria sendo objeto da cessão, o que bem evidencia a falsidade das cessões apresentadas. Neste contexto, data maxima venia, despropositado falarse em adquirente de boa fé, não sendo minimamente razoável imaginar que pudesse o contribuinte desconhecer a inidoneidade dos documentos contra ela emitidos pela empresa Marina Vieira da Silva Piracaia – ME. Fl. 11713DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.599 33 Deve ser integralmente mantida, portanto, a glosa efetuada, posto que documentos manifestamente inidôneos não podem gerar efeitos tributários. 10. Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda – ME Tratase também de empresa na condição de “não habilitada” no Sintegra (com efeitos desde 17/06/2004), em decorrência de trabalho fiscal realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em que se concluiu ser ela inexistente de fato. O fisco federal também empreendeu suas próprias diligências com relação a esta empresa (processo 15940.000389/200725), que culminou com a publicação, em 31/01/2008, do respectivo Ato Declaratório que a decretou inapta desde 17/06/2004. As peças principais encontramse reproduzidas às fls. 62326335. Aqui, mais uma vez se verifica a repetição, como cessionárias, de pessoas físicas e jurídicas também beneficiárias de pagamentos por cessões de créditos de outras fornecedoras já aqui referidas, conforme destacou o fisco às fls. 1033710338. Além disto, novamente se verificam diversas cessões de crédito falsas (repetição, nas cópias simples apresentadas, do mesmo número do selo aposto por ocasião do reconhecimento de firma, não tendo os originais sido apresentados). Também aponta o fisco casos em que a suposta cessão de crédito possui data de reconhecimento de firma anterior à própria emissão das notas fiscais, e casos em que os pagamentos dos “saldos” das notas ocorreram em até mais de um ano após a sua emissão. Neste contexto, não sendo razoável admitir que o contribuinte pudesse desconhecer a inidoneidade dos documentos contra ela emitidos pela empresa Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda, deve ser mantida a glosa dos correspondentes custos, conforme demonstrado às fls. 1138311405. 11. MJ Aragão Cruz – ME Tratase de empresa declarada inapta, pelo fisco federal, com efeitos desde 24/04/2002, data em que alterou seu domicílio para um endereço inexistente, tendo em vista as constatações feitas em trabalho de diligência fiscal (processo n° 15940.000030/200839, cujas peças principais encontramse às fls. 63366350), no qual restou comprovado que a empresa estava sendo utilizada por terceiros para fraudar o fisco. O Ato Declaratório foi publicado em 27/03/2008. Entretanto, o fisco não apontou nenhum indício que permita concluir que a recorrente pudesse ter conhecimento da inexistência de fato deste fornecedor, e/ou da inidoneidade dos documentos por ele emitidos. Neste contexto, e considerando a aparência de idoneidade das notas fiscais, cujas cópias, autenticadas pelo fisco ante a apresentação dos originais (fls. 651666), ostentam inclusive carimbos da fiscalização estadual de Minas Gerais (o fornecedor localizase na Bahia, e a recorrente, no estado de São Paulo), entendo não poder prosperar a glosa efetuada. Fl. 11714DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.600 34 12. Paraíso Comércio de Componentes para Calçados Ltda Tratase igualmente de empresa não habilitada perante o Sintegra, e declarada inapta pela RFB, cuja inexistência de fato restou cabalmente comprovada tanto pela fiscalização estadual quanto pela federal, que declararam inidôneos todos os documentos por ela emitidos a partir de 21/03/2005, data de sua abertura. O Ato Declaratório da RFB foi publicado em 08/05/2008. A defesa, mais uma vez, gira em torno da impossibilidade de retroação dos efeitos do referido Ato Declaratório, do desconhecimento, por parte da recorrente daquela condição, posto que a apuração de eventuais irregularidades daquela empresa incumbe apenas ao fisco, e, para a recorrente, a empresa apresentavase como “habilitada” perante o Sintegra, e da comprovação do efetivo pagamento e recebimento das mercadorias pelos documentos acostados. Entretanto, o conjunto probatório trazido pelo fisco desmente a versão de que a recorrente pudesse desconhecer a inidoneidade dos documentos emitidos por esta empresa, não sendo crível que uma empresa do seu porte concordasse em efetuar os pagamentos a terceiros supostos cessionários dos créditos com amparo nos documentos acostados aos autos que lastreariam aquelas supostas cessões. Além de os pagamentos, mais uma vez, terem sido direcionados a pessoas físicas e jurídicas já conhecidas, por serem também beneficiárias de pagamentos por cessão de créditos de outras fornecedoras (Manoel Medici de Souza, Curtume Souza, Frigorífico Bertim Ltda, Jaudo Henrique, e outros), os próprios documentos das supostas cessões apresentam indícios de flagrante falsidade, conforme destacou o fisco às fls. 11412, onde indica as diversas folhas do processo (numeração física) em que os referidos documentos se encontram. Para além da ausência da data de emissão das supostas cessões, da ausência de reconhecimento de firma, e da não apresentação dos correspondentes documentos originais, salta aos olhos que diversas daquelas supostas cessões nada mais são do que simples cópias de cópias, ou seja, cópias simples de uma mesma cópiamatriz (da qual já constaria a assinatura do cedente), em que são apenas alterados, nas cópias das cópias, o número da nota fiscal e o valor. Mantenho, portanto, a glosa efetuada. 13. Silva de Porciúncula Comércio de Couros Ltda ME Tratase de empresa declarada inapta, pelo fisco federal, com efeitos desde 31/03/2005, conforme apurado no processo n° 15940.000020/200801, cujas peças principais encontramse às fls. 64246476, tendo sido verificado que a empresa de fato nunca existiu, pelo que foram declarados inidôneos todos os documentos por ela emitidos. O Ato Declaratório foi publicado em 23/09/2008. Fl. 11715DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.601 35 A defesa, mais uma vez, gira em torno da impossibilidade de retroação dos efeitos do referido Ato Declaratório, da boa fé da adquirente (recorrente), e da comprovação do efetivo pagamento e recebimento das mercadorias pelos documentos acostados. Entretanto, o conjunto probatório trazido pelo fisco desmente a versão de que a recorrente pudesse desconhecer a inidoneidade dos documentos emitidos por esta empresa. Além do direcionamento dos pagamentos a pessoas físicas e jurídicas já anteriormente citadas, também beneficiárias de pagamentos por cessão de créditos de outras fornecedoras (Manoel Medici de Souza, Curtume Souza, e outros), novamente os documentos das supostas cessões apresentam indícios de flagrante falsidade, conforme destacou o fisco às fls. 11413, onde indica as diversas folhas do processo (numeração física) em que os referidos documentos se encontram. Há cessões amparadas em documentos (simples cópias) contendo a mesma numeração do selo aposto para o reconhecimento de firma, além da apresentação de documentos (também simples cópias) em que a suposta cessão de crédito possui data de reconhecimento de firma anterior à própria emissão das notas fiscais cujo crédito seria cedido. E, ainda, diversos dos desembolsos efetuados tiveram por base solicitações de cessão de crédito efetuadas por SERGICOUROS COMERCIAL DE COUROS LTDA, tendo por beneficiários terceiros e a própria SERGICOUROS. Neste caso, para comprovação dos pagamentos, foram apresentadas cópias de recibo assinado pela SERGICOUROS e de prováveis cheques emitidos (documentos internos da empresa, denominados “cópias de cheques”), contudo nominais à própria Vitapelli, e emitidos nos meses de junho e julho de 2006, ou seja, 11 meses após a emissão das notas fiscais. Ante as provas acima referidas, despropositado falarse em adquirente de boa fé, não sendo minimamente razoável conceber que pudesse o contribuinte desconhecer a inidoneidade dos documentos contra ela emitidos pela empresa Silva de Porcíncula Comércio de Couros Ltda, pelo que deve ser mantida a glosa dos correspondentes custos. 14. WG Couros Ltda Tratase de empresa declarada inapta, pelo fisco federal, com efeitos desde 22/05/2001, conforme apurado no processo n° 15940.000022/200892, cujas peças principais encontramse às fls. 64776536, tendo sido verificada a inexistência de fato da empresa e declarados inidôneos todos os documentos por ela emitidos. O Ato Declaratório foi publicado em 24/03/2008. A defesa, mais uma vez, gira em torno da impossibilidade de retroação dos efeitos do referido Ato Declaratório, da boa fé da adquirente (recorrente), e da comprovação do efetivo pagamento e recebimento das mercadorias pelos documentos acostados. Entretanto, o conjunto probatório trazido pelo fisco desmente a versão de que a recorrente pudesse desconhecer a inidoneidade dos documentos emitidos por esta empresa. Transcrevo trecho do relatório do agente fiscal que aponta a série de anormalidades nas operações com esta empresa, e que constituem, na visão deste relator, o conjunto de indícios sérios, graves, e convergentes, que afastam a possibilidade de se considerar que a recorrente Fl. 11716DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.602 36 pudesse ser considerada “adquirente de boa fé” com relação a esta empresa (fls. 1141311414 — alertese que as referências ao número das folhas, na transcrição abaixo, corresponde à numeração física do processo): “a) Seqüência numérica das notas fiscais escrituradas e valores uniformes; b) Novamente, o Sr. Manoel Medici de Souza e a Curtume Souza, figuraram, dentre outros, como beneficiários de desembolsos (fls. 1265 a 1269, 1327, 1812 a 1815). É de se destacar que o S. Manoel Medici transferiu créditos para o Curtume Souza (a assinatura aposta no doe de fl. 1267 é do Sr. Manoel Medici) sem constar do citado documento os nomes do cedente e da cessionária. O curioso é a cessão de crédito para a mesma pessoa (fls. 1329 a 1334); c) Como prova de pagamento foi apresentado também recibo assinado pela Sergicouros Comercial de Couros Ltda., sem encargos, cuja data supera 12 meses da emissão das notas fiscais. Por lado, temse que o cheque foi emitido nominalmente à Vitapeli (fls. 825 a 828); d) Desembolsos anormais a terceiros, mediante apresentação de duplicatas endossadas, com prazo de até 17 meses da emissão da nota fiscal (fl. 942 a 947, 1084 a 1086, 1259, 1260, 1270 a 1274, 1293 a 1297, dentre outros); e) Baixas efetuadas no decorrer do ano de 2006 via apresentação de duplicatas e cópias de cheques nominais à própria devedora (does de fls. 379 a 381, 495 a 497, 501 a 505, 872 a 874, 944 a 948, 1115 a 1120, 2192, 2193, dentre outros); f) Baixas contábeis representadas por duplicatas endossadas, cujos créditos ocorreram diretamente na conta "Caixa" (fls. 751, 785, 1157, 9936, 9938 e 9954); g) Valores debitados no ano de 2006 mediante emissão de cheque nominal à própria devedora e recibo assinado pela Sergicouros (does de fls. 825 a 828); h) Falta de apresentação de documentação relacionada com valores debitados contabilmente (vide planilhas de fls. 8957 a 8959 e 9249 a 9253).” Pelo exposto, mantenho a glosa efetuada com relação aos custos correspondentes às notas fiscais emitidas pela empresa WG Couros Ltda. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Tudo o quanto exposto no presente voto com relação ao IRPJ aplicase de igual modo à CSLL, uma vez que se trata, no caso, de glosa de custos por falta de comprovação, haja vista a inidoneidade da documentação que lhes daria suporte. Multa qualificada Argui a recorrente que a multa de 150% não pode prosperar, pois não houve prova de sonegação, fraude ou conluio, cujo ônus é do fisco, e que, ao contrário, restaram comprovadas as operações e a boafé da autuada. Ou, noutro giro, que deve ser adotada, em caso de dúvida, a interpretação mais favorável ao acusado, conforme previsto no art. 112 do CTN. Fl. 11717DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.603 37 A inidoneidade dos documentos emitidos pelas empresas consideradas inaptas/inexistentes de fato foi cabalmente demonstrada pela fiscalização, com relação a todas as quatorze empresas antes individualmente analisadas. Entretanto, não logrou o fisco, com relação a todas elas, demonstrar de modo suficiente, na visão deste relator, que o contribuinte seria sabedor da inidoneidade dos documentos contra ele emitidos por aquelas empresas. Nesses casos, em que não houve tal demonstração, não apenas a multa qualificada não subsiste, como tampouco a própria infração pode subsistir, conforme já ao norte exposto. Isto porque, nesses casos, a inidoneidade dos documentos em questão, para fins de glosa dos custos no adquirente, somente poderia ser alegada a partir da publicação do Ato Declaratório expedido pela RFB. Antes desta data, se presumida a boa fé do adquirente, cumprelhe comprovar o efetivo pagamento do preço e o recebimento dos bens, e neste contexto, em que pese as deficiências na cabal comprovação do seu recebimento, ante a falta de apresentação de todos os elementos solicitados pelo fisco (em especial, o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque), o fato é que o pagamento do preço, nos casos por este voto exonerados, restou ter sido comprovadamente feito a terceiros. E, se houve pagamentos a terceiros, amparados em cessões de crédito contra as quais, nos específicos casos citados, não levantou a fiscalização qualquer objeção, então ganham força os demais elementos subsidiários apresentados pela recorrente para comprovar o recebimento dos bens, tais como os tickets de pesagem e outros, de modo a se poder concluir, com razoável grau de precisão, que as notas fiscais inidôneas em questão serviram apenas para acobertar legítimas aquisições de couro feitas a outros fornecedores, sem que a empresa adquirente tivesse conhecimento desta situação. Por outro lado, nos casos em que o fisco reuniu um conjunto probatório suficiente a demonstrar, por meio de indícios graves, precisos, e convergentes, que o contribuinte seria sabedor da inidoneidade dos documentos contra ele emitidos, e, mesmo assim, optou por acatálos e considerálos na sua escrita como elementos redutores de seu resultado contábil e fiscal, está demonstrado, no entender deste relator, o evidente intuito de fraude a que alude a lei fiscal para que lhe seja imputada a multa qualificada às correspondentes infrações. Tampouco assiste razão à recorrente, quando invoca o art. 112 do CTN a seu favor, posto que o destinatário do seu comando é o aplicador da lei — seja o Auditor Fiscal, no momento da autuação, seja o julgador administrativo ou judicial, por ocasião do julgamento — e não há, da parte deste julgador, qualquer dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável às infrações perpetradas pelo contribuinte, ou à sua graduação. Mantenho, portanto, a multa qualificada com relação às glosas de custos mantidas por este voto. Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL Em decorrência das glosas efetuadas, a fiscalização procedeu ao recálculo das estimativas de IRPJ e CSLL devidas, respeitando a forma de apuração adotada pela recorrente (em 2005, com base em balancete de suspensão ou redução), e, sobre as parcelas das Fl. 11718DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.604 38 estimativas acrescidas, lançou a multa isolada de 50%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. O cálculo está demonstrado no relatório fiscal, às fls. 74437445. A defesa argui a inaplicabilidade da multa isolada de forma cumulativa com a multa de ofício aplicada sobre os mesmos fatos, e que, com a apuração do tributo ao final do exercício, desaparece a base imponível da multa isolada, cabendo tão somente a multa de ofício. A este respeito já firmei convicção em diversas outros precedentes. Não me seduzem nem sensibilizam as diversas teses que encontraram abrigo no seio do CARF, defendendo, por uma ou outra razão, a insubsistência parcial ou total das referidas multas, quando, na verdade, há expressa disposição legal prevendo a sua aplicação. A multa isolada aplicada tem o seu fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que possui a seguinte redação (grifos acrescidos): “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)” Fl. 11719DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.605 39 Cediço que a regra de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, consoante o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, é de períodos de apuração trimestrais. A apuração anual é uma alternativa oferecida pela Lei nº 9.430, de 1996, a qual, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação de diferentes percentuais sobre a receita bruta auferida mensalmente, conforme a atividade econômica praticada. Exercida a opção por esta forma de apuração, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De se observar que a opção por esta forma de apuração, uma vez exercida, é de caráter irretratável para aquele ano calendário. Da leitura do dispositivo acima transcrito, sobressai que a exigência da multa isolada decorre exatamente da falta de recolhimento das estimativas a que se obriga a pessoa jurídica que, por vontade própria, opta pela apuração anual do imposto, e, ainda, que tal exigência não guarda nenhuma consonância com o quantum apurado ao final do ano calendário, caso contrário não faria sentido a parte final da alínea b do inciso II do caput (“...ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica”). É preciso ficar claro que o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, posteriormente, se demonstrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas se revelarem, ao final do período de apuração, indevidas, é completamente irrelevante, e não pode servir de fundamento ao afastamento da incidência da norma legal no caso concreto. Aliás, pela própria natureza da sistemática, o normal é que os recolhimentos mensais se materializem a menor ou a maior que o devido, dando azo, respectivamente, ao saldo de imposto a pagar ou ao saldo de imposto a ser restituído ou compensado. A conclusão que se impõe, portanto, é que as estimativas mensais devidas constituem obrigação autônoma, pois surgem antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo, que se dá apenas em 31 de dezembro. Deste modo, a multa isolada imposta legalmente por falta de pagamento das estimativas, por ser independente da apuração de tributo devido na apuração de ajuste, não pode seguir o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, uma vez que não caracteriza constituição de ofício de tributo em substituição ao lançamento por homologação que não teria sido realizado pela pessoa jurídica. Por este motivo, sempre que houver discussão acerca do prazo decadencial, há que se observar que a contagem desse prazo, portanto, deve ser feita de acordo com a regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, uma vez que a referida exação somente pode aflorar por meio de lançamento de ofício. Prosseguindo na análise de mérito, tampouco se constata existir, no dispositivo legal que prevê a discutida penalidade, limitação temporal para o seu lançamento, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no decorrer do ano em curso. Pelo Fl. 11720DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.606 40 contrário, a expressa previsão legal de que o lançamento seja feito mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do período de apuração claramente sinaliza para o fato de que a multa isolada pode ser lançada após o encerramento do respectivo ano calendário. Com relação à alegação de que estaria a pessoa jurídica sendo duplamente penalizada por uma única suposta infração, e que, portanto, não poderia haver concomitância da multa isolada com a multa de ofício, cumpre observar que, conforme restou acima exposto, as motivações que dão azo à aplicação de uma e de outra penalidade são completamente distintas, sendo também distintos os seus fundamentos legais (a multa isolada tem por base legal o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e a multa de ofício tem por base legal o art. 44, inciso I, e §§ 1o e 2o da Lei nº 9.430/96). Além disto, observo serem também distintas as suas bases de cálculo, pois, enquanto a base de cálculo da multa isolada é o valor das estimativas mensalmente devidas, e não recolhidas a tempo próprio, a base de cálculo da multa de oficio é o valor do tributo devido ao final do ano calendário e porventura não recolhido. As estimativas, ordinariamente, são calculadas com base na aplicação de percentuais sobre a receita bruta da pessoa jurídica. Já o IRPJ e a CSLL devidos ao final do ano são calculados com base no lucro líquido contábil ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas na legislação. Assim, apenas em circunstâncias muito específicas haverá coincidência de valores entre a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo da multa de ofício. A circunstância de isto eventualmente vir a ocorrer, de qualquer sorte, não autoriza a conclusão de que estaria havendo dupla apenação por uma mesma infração, posto que a motivação e o fundamento legal que amparam cada uma das penalidades impostas permanecem sendo distintos. Ademais, ainda que se admitisse que, no caso, uma única infração estivesse sendo submetida a duas penalidades distintas, não se vislumbraria, neste fato, qualquer irregularidade ou motivo para cancelamento de uma delas, em prol da outra. Vale dizer, não possui aplicabilidade, no Direito Tributário, o denominado princípio da consunção, existente no Direito Penal, argumento este que também tem sido frequentemente invocado para justificar o cancelamento da multa isolada aplicada. De fato, são inúmeros os casos na legislação tributária em que uma única infração pode gerar diversas penalidades. Cito apenas um exemplo, para ilustrar o ponto: a exposição à venda de cigarro estrangeiro sem selo de controle acarreta ao infrator a cobrança do imposto sobre produtos industrializados que deixou de ser pago, acrescido da multa de 150%, além da pena de perdimento da mercadoria, e de multa igual ao valor comercial da mercadoria. Neste caso, poderseia dizer que estão sendo impostas três penalidades sobre uma única infração. Vejamos como um caso destes é julgado pela 3a Seção do CARF: “CIGARROS NACIONAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO, ENCONTRADOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. Nos termos do artigo 494 do Decreto n°4.544, de 26 de janeiro de 2002 — RIPI/2002, "será exigido do proprietário do produto encontrado na situação inegular descrita nos arts. 277 e 284, o imposto que deixou de ser pago, aplicandoselhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de cento e cinqüenta por cento de seu valor (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 45, inciso II)." Fl. 11721DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.607 41 CIGARROS ESTRANGEIROS ENCONTRADOS SEM SELO DE CONTROLE A venda ou a exposição à venda de cigarros estrangeiros sem o selo de controle sujeita a mercadoria à pena de perdimento e o proprietário da mesma à penalidade prevista no art. 33 do Decretolei n° 1.593, de 1977, com a redação dada pelo art. 52 da Lei n° 10.637, de 29 de agosto de 2002, qual seja, multa igual ao valor comercial da mercadoria, não inferior a RS 1.000,00 (mil reais). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” (Acórdão 30236.775, sessão de 13 de abril de 2005, relatora Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto) Rejeitase com isto os argumentos no sentido da impossibilidade de concomitância de multas sobre uma mesma infração (bis in idem) e/ou da aplicabilidade do princípio da consunção ao caso. Tampouco podem ser acatados em sede de julgamento administrativo, quando aventados, os argumentos acerca da abusividade ou confiscatoriedade da penalidade imposta, ou de afronta a outros princípios, como os da razoabilidade e proporcionalidade, pois cediço que o julgador administrativo é mero aplicador da lei ao caso concreto, e dela não se pode afastar, com base em suposta violação a princípios de ordem constitucional. Tal entendimento hoje encontrase estampado tanto na Súmula CARF nº 2, quanto no art. 62 do atual Regimento Interno do CARF, ambos de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado. Com base no acima exposto, entendo legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. No caso concreto, contudo, em vista do cancelamento de parte das infrações lançadas, há que se proceder ao recálculo das multas aplicadas, tendo por base os quadros constantes às fls. 74437445, motivo pelo qual é parcial, também, o provimento dado com relação a este item. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar as glosas relativas aos fornecedores Evair A Ferrarese, Gell Comércio de Couros Ltda, Latino Comércio de Couros Ltda, e MJ Aragão Cruz, bem como para ajustar o lançamento relativo às multas isoladas sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, em face do cancelamento das referidas glosas. É como voto. Documento assinado digitalmente. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Relator Fl. 11722DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.608 42 Voto Vencedor Conselheiro RICARDO MAROZZI GREGÓRIO Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator no tocante à concomitância das multas, entendimento que prevaleceu pela maioria dos votos da Turma. Quanto à matéria, sigo o entendimento majoritário da Câmara Superior de Recursos Fiscais que rejeita a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Nesse sentido, pela clareza da argumentação empreendida, peço vênia para reproduzir trecho, conquanto extenso, do voto proferido pela ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº 910101.455): A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis1: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 11723DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.609 43 A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Fl. 11724DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.610 44 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Fl. 11725DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.611 45 Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Fl. 11726DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.612 46 Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: Fl. 11727DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.613 47 “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In:“Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: Fl. 11728DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.614 48 (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. A impossibilidade de lançamento da multa isolada concomitantemente com a multa proporcional é explicada na sequência do voto: CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte – sujeito passivo – e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado Fl. 11729DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.615 49 nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794– Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. Fl. 11730DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15940.000535/200984 Acórdão n.º 1102001.030 S1C1T2 Fl. 11.616 50 Destarte, há concomitância se multas isolada e proporcional forem aplicadas como consequência da não antecipação de parcela do tributo devido que também não foi paga no ajuste. Isso ocorre, por exemplo, quando se verifica uma omissão de receita. A receita excluída no cálculo da estimativa é uma etapa preparatória do não pagamento do tributo devido no balanço final do mesmo anocalendário. O mesmo fenômeno ocorre quando se efetua uma glosa de despesa que havia sido incluída no cálculo da estimativa apurada em balanço de suspensão ou redução. O impacto que a não antecipação causa na apuração do tributo devido é devidamente penalizado pela multa proporcional. No caso em apreço, a fiscalização lançou as multas isoladas pelo não pagamento das estimativas calculadas com a exclusão dos custos glosados nos balancetes mensais. Esses mesmos custos impactaram a apuração feita pela fiscalização do tributo devido no final do anocalendário. Tratase, portanto, de concomitância. Foram essas as razões porque a Turma Julgadora, por maioria de votos, entendeu por cancelar as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas. RICARDO MAROZZI GREGÓRIO Redator designado. Fl. 11731DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904012/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 12 /2 01 2- 16 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904012/201216 Acórdão n.º 3803005.451 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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