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Numero do processo: 16151.000579/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
NULIDADE. ARGUIÇÃO.
Não há que se cogitar de nulidade do ato de exclusão quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS.
A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. ATIVIDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL, SERVIÇOS INSTALAÇÃO E MONTAGEM.
A prestação de serviços de construção civil de pequena monta, manutenção, assistência técnica e instalação ou montagem em máquinas e equipamentos, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 NULIDADE. ARGUIÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade do ato de exclusão quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. ATIVIDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL, SERVIÇOS INSTALAÇÃO E MONTAGEM. A prestação de serviços de construção civil de pequena monta, manutenção, assistência técnica e instalação ou montagem em máquinas e equipamentos, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. ARGUIÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade do ato de exclusão quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. ATIVIDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL, SERVIÇOS INSTALAÇÃO E MONTAGEM. A prestação de serviços de construção civil de pequena monta, manutenção, assistência técnica e instalação ou montagem em máquinas e equipamentos, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 05 79 /2 00 7- 00 Fl. 148DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1628.954 da 1ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 94 a 112), com a complementação necessária em seguida: Trata o presente processo, formalizado em 30/10/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, de representação fiscal para exclusão do Simples (fls. 2 a 14). 2. Relata a Auditora Fiscal da Previdência Social autora do procedimento, em despacho exarado em 25/05/2000, que em ação fiscal desenvolvida junto à empresa em epígrafe constatouse que a contribuinte presta serviços profissionais de montagem e manutenção de equipamentos industriais, atividade que encontra óbice no regime simplificado com supedâneo no art. 9o , inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 (juntouse aos autos cópias de Notas Fiscais (fls. 6 a 12) e Alteração de Contrato Social, de 29/04/1999 (fls. 13 e 14)). 3. Complementa que além das supracitadas atividades a interessada também se dedica à construção civil, conforme Notas Fiscais n°s 914, 916 e 922 acostadas aos autos (fls. 8, 9 e 12). 4. A retrocitada representação foi encaminhada pelo Instituto Nacional do Seguro Social/Gerência Executiva São PauloSanto Amaro à RFB (Delegacia da Receita Federal em Santo Amaro) em 26/05/2000, por meio do Ofício n° 21.404/84/2000 (fl. 1). 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n° 223, em 30/10/2007, para excluir a contribuinte do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002, pela atividade econômica vedada de montagem e manutenção de equipamentos industriais, bem como execução de obras civis (fl. 16 a interessada optou pelo regime simplificado em 01/01/1999 fls. 15 e 16). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16151.000579/200700 Acórdão n.º 1201002.579 S1C2T1 Fl. 3 3 6. A exclusão foi fundamentada nos artigos 3º , § 1º , 9º, inciso XIII, 13, inciso II, alínea "a", § 1º, § 3º, alínea "b", 14, inciso I, e 15, inciso II, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; art. 24, § 1º , inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09/01/2006. 7. Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 8. Cientificada do ato de exclusão em 19/11/2007 (fl. 17 verso), a interessada, representada por procuradora (fls. 19, 20, 23, 24 e 29), apresentou manifestação de inconformidade ao ato de exclusão em 22/11/2007 (razões à fl. 25 e anexos às fls. 18 a 24). Alega, em síntese, que: 8.1. A recorrente recolhe tributos na rubrica do Simples desde 1999. 8.2. "Diante do exposto acima a empresa informa que quando solicitado pela Receita Federal do Brasil para que fosse alterado o objeto da empresa, para que a mesma mantivesse no simples o mesmo foi feito de imediato conforme contrato social alterado em 29 de abril de 1999 n° 237.084 alterando de: montagem e manutenção de equipamentos industriais para manutenção e instalação de maquinas." 8.3. "A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado." 9. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I exarou, em 28/05/2010, o Acórdão n° 1625.489, considerando nulo o ato de exclusão exarado pelo órgão de competência originária, tendo em vista ter sido prolatado por autoridade incompetente (AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil), nos termos do art. 6º da Lei n° 10.593, de 06/12/2002, e do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972 (fls. 34 a 39). 10. Registrou o órgão de julgamento que a Derat/SP deveria (art. 59, § 2º , do Decreto n° 70.235/1972): 10.1. Emitir novo ato de exclusão, por servidor competente, no caso Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), tendo em vista a nulidade do ADE à fl. 16, que deverá contemplar a análise de todos os argumentos expostos pela autoridade fiscal que formalizou a Representação para Exclusão do Simples, bem como a documentação completa acostada ao processo, na necessária profundidade, a fim de que não haja supressão de instância ou cerceamento de defesa da interessada. 10.2. Conceder novo prazo de 30 dias para apresentação de defesa pela contribuinte. 10.3. Retornar os autos a esta DRJ, no caso de apresentação tempestiva de contraditório ao novo ADE pela contribuinte. 11. Tendo retornado os autos ao órgão de origem, este emitiu, em 05/08/2010, o Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/DIORT/EQPIR n° 44/2010 (11. 42), para excluir a contribuinte do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002, pela atividade econômica vedada de prestação de serviços profissionais de montagem e manutenção de equipamentos industriais e construção civil, com data de ocorrência em 07/12/1999 (fl. 42 a interessada optou pelo regime simplificado em 01/01/1999 fls. 15 e42). Fl. 150DF CARF MF 4 12. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9º , inciso XIII, 12, 13, inciso II, alínea "a", 14, inciso I, 15, inciso II, § 3º , e 16, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; artigos 20, inciso XII, 21, 22, 23, § único, art. 24, inciso II, e 25 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09/01/2006; artigos 192, inciso XIII, 193, 194, inciso II, alínea "a", e 196, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. 13. Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 14. Cientificada do ato de exclusão em 13/08/2010 (fl. 50), a interessada, representada por procuradores (fls. 29, 74, 75 e 76), apresentou manifestação de inconformidade ao ato de exclusão em 09/09/2010 (razões às fls. 52 a 73 e anexos às fls. 74 a 83). Alega, em síntese, que: Do efeito suspensivo da manifestação de inconformidade. 14.1. Requer o recebimento da manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, tendo em vista que o indeferimento da solicitação passará a gerar efeitos desde já, acarretando em dano irreparável para a contribuinte, uma vez que a retroatividade aplicada implica em tornála inadimplente em tributos e obrigações acessórias desde 01/01/2002. Do benefício da Lei n° 10.964/2004. 14.2. A empresa faz jus ao benefício instituído pela Lei n° 10.964/2004, com redação dada pela Lei n° 11.051/2004, particularmente no que se relaciona ao seu art. 4º, § 2º, sendo cabível a sua reinclusão no Simples Federal com efeitos retroativos (transcreve o art. 4º e parágrafos da Lei n° 10.964/2004, com redação dada pela Lei n° 11.051/2004, às fls. 56 e 57). Do objeto social e legalidade de tributação pelo Simples. 14.3. A exclusão da recorrente do regime simplificado ocorreu, no entendimento da fiscalização, pela ocorrência de atividade indicada no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996 (transcreve o dispositivo legal à fl. 58). 14.4. "Contudo, à época da suposta infração, a atividade exercida pela empresa, tal qual consta da alteração de contrato social, registrada sob n° 237084, datada de 26/04/1999, item II passou a ser de manutenção e instalações industriais (doc. anexo)," (acostou documento às fls. 82 e 83). 14.5. Atualmente a contribuinte conta com o objeto social no ramo de serviços de reparos hidráulicos, elétricos, pintura, carpintaria e outros em residências e estabelecimentos empresariais, inclusive obras de construção civil em geral, conforme cláusula primeira da 6ª Alteração Contratual (cláusula terceira do Contrato Social consolidado) registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) sob protocolo 287.033/077 (juntou documento às fls. 77 a 81). 14.6. A defendente foi excluída do Simples Federal, com efeitos retroativos, porque conforme constava de seu Contrato Social, tinha por objetivo a manutenção e instalação de máquinas industriais, sendo que, para a agente fiscalizadora, tais atividades são intrinsecamente relacionadas àquelas contidas no artigo 9º, inciso XIII da Lei 9.317/1996, eis que se caracterizam como atividades de cunho técnico, que necessitam de profissional legalmente habilitado para execução, no caso, engenheiro. 14.7. "Não é crível, nem um pouco, que se presuma a efetiva prestação, entendase execução, de serviços técnicos por engenheiro habilitado, tampouco a instalação e manutenção de máquinas. A vedação contida no artigo 9º, inciso XIII da Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16151.000579/200700 Acórdão n.º 1201002.579 S1C2T1 Fl. 4 5 Lei 9.317/96 cingese ao exercício de atividade de engenharia em si, pois, como notório a todos, a exclusão teve por fim atingir aos profissionais liberais, restrição, inconstitucional, digase, que persiste até hoje." 14.8. "A interpretação da Lei tributária se faz restritiva, ou melhor dizendo, declaratória, quando se trata de dispositivo legal de exceção, haja vista que a lei tributária norteiase pelo princípio da legalidade e tipicidade. Desta feita, o contido no artigo 9º, inciso XIII deve ser interpretado de maneira restritiva, ou seja, o rol ali indicado deve ser exaustivo, pois eventual emprego do mesmo de maneira extensiva, causará incidência de tributo sem a respectiva previsão legal, princípio este contido no artigo 150, inciso I da Constituição Federal " (transcreve o dispositivo legal à fl. 59). 14.9. "Raciocínio idêntico deve ser aplicado ao emprego de analogia, também ocorrido in casu, eis que acarreta em exigência de tributo sem que haja a respectiva disposição legal, nos termos do artigo 108, § 1º , do Código Tributário Nacional:"( (transcreve o dispositivo legal à fl. 59). 14.10. "Não podemos ainda olvidar da Tipicidade em matéria tributária. No Direito Tributário, a tipificação nada mais é do que a atividade legislativa de formação do tipo, em busca de sua tipicidade. A tipicidade, princípio que é, também se aplica na esfera tributária, sendo que, por tal princípio, somente haverá incidência de determinado tributo caso sua configuração corresponda à exata hipótese legal. Neste sentido, vejamos o que dispõe Lutero Xavier Assunção, em sua já mencionada obra:" (transcreve doutrina às fls. 59 e 60). 14.11. "Ora, é necessária muita candura e inocência para sofismar o dispositivo legal em comento, ao ponto de entendêlo como aplicável à atividade desenvolvida pela Impugnante, pois a realidade social do país é completamente diversa de tal entendimento. Ou alguém, em sã consciência, acredita piamente que a instalação e manutenção de aparelhos industriais é atividade exercida e praticada por engenheiro? Por óbvio que não!" 14.12. Oportuno salientar que este é o entendimento dos Tribunais, (transcreve julgados do Tribunal Regional Federal da 4ª Região às fls. 60 e 61). 14.13. Salientese, ainda, o que resultou definido na ADIN n° 1.643, de que foi Relator o Ministro Maurício Corrêa: (transcreve parte da decisão exarada na referida ADIN à fl. 62). 14.14. À guisa de comparação, vejase algumas decisões que entendem pela legalidade do recolhimento de tributos na sistemática do Simples por empresa que explora a atividade de instalação e manutenção: (transcreve julgados do Poder Judiciário às fls. 62 a 64). Da nulidade do ADE n° 223/2007 e conseqüente nulidade do ADE n° 44/2010. 14.15. "Uma vez anulado o ato administrativo, como conseqüência imediata, os atos praticados estão inválidos, pois os efeitos da nulidade retroagem às suas origens. O ato nulo não gera obrigações, não produz efeitos e não admite convalidação, sendo que o reconhecimento administrativo ou judicial da nulidade produz efeitos a partir da edição do ato, como se este nunca houvesse existido no mundo fenomênico." 14.16. "Uma vez que o ato administrativo ofende a lei, é lógico afirmarmos que a invalidação opera efeitos ex tunc, retroagindo à origem do ato." Fl. 152DF CARF MF 6 14.17. "Assim, uma vez declarado NULO o ADE 223/07, que excluíra a Impugnante do regime simplificado de tributação, é o mesmo que dizer que esta nunca deixou de ser tributada por tal regime." 14.18. "Portanto, desde a opção pelo regime, até a data atual, a apuração e os recolhimentos tributários realizados nesta sistemática devem são válidos, não podendo agora, passados 10 (dez) anos da representação fiscal, ter a Impugnante contra si um ato declaratório de exclusão de algo já atingido pela decadência." 14.19. "Menos ainda há que se falar em retroatividade da exclusão, ainda mais a partir de 01/01/2002, tendo em vista que o ADE 223/2007, que determinava a exclusão retroativa até tal data levando em conta a prescrição qüinqüenal dos tributos que iriam sobrevir, fora declarado NULO, não surtindo qualquer efeito para a Impugnante." 14.20. "Tendo em vista a NULIDADE do ADE 223/2007, além do efeito ex tunc inexoravelmente aplicado, a pari não poderá ser tido como interrompida a prescrição do crédito tributário, muito menos o prazo decadencial, certamente ocorrido." 14.21. "Assim já se manifestou o Colegiado Administrativo:" (transcreve à fl. 66 ementa do Acórdão 1228.039, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI em 12/01/2010). 14.22. "A solução contida no Acórdão, qual seja, a determinação de expedição de novo ato declaratório, agora por autoridade competente, é totalmente ilícita, uma vez que o novo ato se destina a atingir situação pretérita, não aperfeiçoada tempestivamente por culpa exclusiva da administração, que se quedou inerte por anos à fio." 14.23. "Admitir que o ADE 44/2010 viabilize a exclusão da Impugnante do Simples Federal a partir de 01/01/2002, ou seja, retroagindo 08 (oito) anos, além de afrontar prazos de decadência e prescrição, caracterizando ofensa à Lei Federal, implica em tornar eficaz um ato NULO, uma vez que o ADE 44/2010 fora expedido em substituição ao ADE 223/07, já considerado NULO pela DRJ." 14.24. "Não obstante a ingerência praticada pelo agente fiscal é de se salientar que os atos administrativos seguem o princípio da motivação, conforme nos lecionada com propriedade o e. jurista Hely Lopes Meirelles, em sua consagrada obra "Direito Administrativo Brasileiro, 32a Ed., fls. 100/101:"(transcreve doutrina do referido autor às fls. 67 e 68). 14.24. "Antes mesmo que o Ato Declaratório venha a ser classificado como um ato administrativo discricionário, em que pese seja incontestável que se trate de ato administrativo vinculado, no intento de evitar a aplicação do princípio da motivação ao mesmo, vejamos o que leciona o já mencionado jurista, na mesma obra:" (transcreve doutrina do referido autor à fl. 68). 14.25. "Neste sentido, merece o ADE 44/2010 sorte idêntica ao ADE 223/07, devendo sua nulidade ser declarada de imediato, impedindo que a Impugnante seja excluída do Simples Federal, bem como, afaste os efeitos de tal exclusão." Da revogação da Lei n° 9.317/1996 pela Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. 14.26. "Com a edição e publicação da Lei Complementar 123/06, houve a revogação expressa da Lei 9.317/96, conforme o artigo 89 da Lei Complementar mencionada, ampliando a abrangência do regime simplificado de tributação, que Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16151.000579/200700 Acórdão n.º 1201002.579 S1C2T1 Fl. 5 7 deixou de ser aplicado somente na esfera Federal para se tomar aplicável nacionalmente, englobando também tributos estaduais e municipais." 14.27. "A LC 123/06 manteve os limites pecuniários de arrecadação para a configuração da condição de microempresa e empresa de pequeno porte, alterando, contudo, as vedações impostas pela legislação anterior." 14.28. "São visíveis e nítidas as alterações legislativas a fim de sanar as constantes impropriedades que acometiam a sistemática do Simples Federal, até mesmo em exercício de reconhecimento de que as vedações, da maneira como interpretadas, se tratavam de flagrante ilicitudes uma vez que tratavam desigualmente contribuintes em mesma situação, o que é vedado pela Constituição Federal:" (transcreve o art. 150, inciso II, da Constituição Federal/1988 à 11. 71). 14.29. "Ademais, tendo em vista a revogação da Lei 9.317/96, nos termos do artigo 89 da LC 123/06, aquela somente vigorou até o final do ano de 2006, sendo que, após tal data, vigorou a redação do Artigo 18, § 5ºC, contemplando as obras construção civil, inclusive as qualificadas como obras de engenharia em geral, esclarecendo que a atividade de construção civil nunca foi proibitiva para empresas enquadradas no simples nacional, uma vez que a Lei 9.317/96 não proibia expressamente, vale dizer, permitia, situação agora pacificada com a declaração expressa contida no dispositivo legal da LC mencionada." 14.30. "Frisese, ainda, que, com a revogação da Lei 9.317/96 a partir de 01/01/2007, a pretensa retroatividade da exclusão da Impugnante não poderia atingir atos pretéritos desde 01/01/2002, posto que o ADE 44/2010 fora lavrado em 05/08/2010, podendo retroagir tão somente os últimos cinco anos, o que implica em dizer que poderia, tão somente por argumentação, surtir efeitos a partir de 01 /08/2005 até 31/12/2006, quando findou o vigor da Lei 9.317/96." 14.3 1. "A par do que foi asseverado acima é cediço que a norma brasileira é de cunho principiológico e, assim sendo, para o presente caso, é indispensável, sob pena de nulidade, que se aplique o princípio da razoabilidade." (Transcreve doutrina de Lutero Xavier Assunção e Celso Antonio Bandeira de Melo às fls. 72 e 73). 14.32. "Assim sendo, o ADE 44/2010 deve ser declarado NULO por insubsistência por erro material, uma vez que declara a exclusão da Impugnante em período superior àquele passível de alcance, em virtude da prescrição." Do pedido. 14.33. Requer que a presente manifestação de inconformidade seja recebida no efeito suspensivo, impedindo que a exclusão da recorrente do Simples Federal surta efeito imediato. 14.34. "Seja a Impugnante reconduzida retroativamente à contemplação da sistemática do Simples Federal, nos termos do beneplácito contido no § 2º do artigo 4º da Lei 10.964/04;" 14.35. Pugna que seja considerada procedente a defesa apresentada, com a declaração de nulidade do ADE n° 44/2010 em razão das questões de fato e de direito apresentadas. Por essa decisão foi mantida a exclusão. A ementa está assim redigida: NULIDADE. ARGUIÇÃO. Fl. 154DF CARF MF 8 Não há que se cogitar de nulidade do ato de exclusão quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas que prestam serviços de manutenção, instalações industriais e construção civil estão impedidas de optar pelo Simples, pois tais atividades caracterizam prestação de serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados. LEI N° 10.694/2004 C/C LEI N° 11.051/2004. INAPLICABILIDADE. A prestação de serviços de manutenção, instalações industriais e construção civil não foi excluída da vedação ao regime simplificado com o advento da Lei n° 10.694/2004 c/c Lei n° 11.051/2004. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA. Diversa da analogia, a interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo "assemelhados", presente no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo Simples em 01/01/1999 e foi excluída por atividade econômica vedada em 2010, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida em 07/12/1999. No recurso voluntário são repisadas as mesmas razões veiculadas na impugnação nos tópicos "II.2 DO BENEFÍCIO DA LEI 10.964/04", " II.3 DO OBJETO SOCIAL E LEGALIDADE DE TRIBUTAÇÃO PELO SIMPLES", "III.4 DA NULIDADE DO ADE 223/07 E CONSEQUENTE NULIDADE DO ADE" e "III.5 DA REVOGAÇÃO DA LEI 9.317/96 PELA LEI COMPLEMENTAR 123/06", acrescentandose: quanto à aplicação do disposto no artigo 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/96, "pouco importa o nome, Analogia, interpretação analógica ou qualquer outra sinonímia, o fato é que, além do que a lei determina expressamente, é um mundo inabitável para a administração pública. Veja que tal posição é fielmente adotada pela Administração na própria decisão, quando instada a versar sobre determinados pontos da defesa. Ora, ou é aplicável, ou não é, não se sujeitando à conveniência, dada a impessoalidade como princípio administrativo"; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16151.000579/200700 Acórdão n.º 1201002.579 S1C2T1 Fl. 6 9 no que tange às decisões colacionadas, "... é equivocado e sofismático o entendimento indicado na decisão em recurso, de que decisões judiciais, ou mesmo decisões administrativas, de nada valem fora daqueles que litigaram, eis que, como sabido, a jurisprudência é, ontologicamente, fonte secundária de revelação da licitude. Portanto, só não se aplica por mera deliberação do agente, novamente distante dos princípios norteadores da administração pública"; relativamente à nulidade do ADE, "... como se trata de ato lavrado por pessoa incompetente, é sim nulo. Ora, se é nulo, nunca surtiu efeitos, inclusive quanto à interrupção de prazos prescricionais. Se nunca existiu, fluiu, identicamente, o prazo decadencial, contados do fato, ocorrido em 1999, certamente inatingível agora em 2012". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade. A recorrente alega a nulidade do ADE nº 44/2010 em face de o anterior ADE nº 223/07, considerado nulo pela decisão de primeira instância, não poder ser convalidado por um ato posterior e, ainda, porque já havia decorrido prazo superior a cinco anos desde a suposta infração, qual seja, a prestação de serviços enquadrados em dispositivo de vedação à opção pelo Simples. Por primeiro, em que pese toda a argumentação e, ainda, a doutrina colacionada, o fato de o primeiro ADE ter sido declarado nulo não determina a nulidade do segundo. Há que se verificar, quanto a este último, se, quando de sua emissão, foram observados os requisitos legais para a sua expedição. Além da questão da decadência/prescrição, não foram apontados vícios que maculem tal ADE, pelo que, do ponto de vista formal, nulidade não há. No que tange ao prazo decorrido entre a contribuinte ter incorrido na atividade vedada e a emissão do ADE, também não se vislumbra motivação para a declaração de nulidade. O motivo para a exclusão da recorrente do Simples é esta ter entre suas atividades a prestação de serviços que, segundo a AuditoraFiscal que promoveu a representação fiscal, demandariam a intervenção de profissional especializado, no caso, o engenheiro. Fl. 156DF CARF MF 10 Ainda, pelo que consta dos autos, tais atividades continuaram a ser exercidas durante o tempo em que promovida a fiscalização (ano de 2000) e a emissão do ADE nº 44/2010. Nesse caso, não se vislumbra também motivo para a decretação da nulidade do citado ADE. As atividades se protraíram no tempo e o efeito retroativo do ADE não podia deixar de ser determinado como ocorreu: desde que constatada a atividade vedada. Por óbvio, eventuais lançamentos tributários decorrentes dessa exclusão só poderiam ser efetuados observandose os prazos decadenciais previstos no Código Tributário Nacional. Neste processo, no entanto, só está em julgamento a exclusão do Simples. Não deve ser acatada, pois, a preliminar arguida. Mérito. Na representação para a exclusão do Simples, assim se pronunciou a AuditoraFiscal (fls. 3 a 5): Dispunha o inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Destaque acrescido) A questão que se coloca é: as atividades exercidas pela recorrente demandam a atuação direta ou mesmo a supervisão de um engenheiro? Essa questão já foi muito discutida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo sido emitida a Súmula CARF nº 57, abaixo transcrita: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16151.000579/200700 Acórdão n.º 1201002.579 S1C2T1 Fl. 7 11 Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Na representação fiscal, como visto, entendeu a Auditora que a recorrente, além das atividades mencionadas na súmula acima transcrita, também exerce as de montagem de máquinas e equipamentos e a construção civil. Quanto a essa última, baseiase a representação em três Notas Fiscais (cópias às fls. 9, 10 e 13. Nessas notas, a discriminação dos serviços prestados é a seguinte: a) serviço de mãodeobra na construção de um piso, no valor de R$ 1.216,00; b) serviço de mãodeobra referente à parte elétrica do salão, no valor de R$ 864,00; c) serviço de mãodeobra reforma de laboratório, no valor de R$ 2.250,00. Em que pese o zelo da AuditoraFiscal que subscreveu a representação, tanto pelo serviço prestado, quanto pelo valor destes, não se pode afirmar, ou mesmo presumir, que a havia a necessidade da intervenção de um engenheiro para a sua realização, pelo que não incide o dispositivo indicado (Lei nº 9.317/1996, artigo 9º, inciso XIII). No que tange às atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por certo que, quanto à manutenção, ela está incluída no conteúdo da súmula, sendo portanto uma atividade que não vedava a opção pelo Simples. Relativamente à montagem, o termo em si não consta do conteúdo da súmula. No entanto, está incluída a instalação. Consultandose a lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003, que trata do Imposto sobre Serviços (ISS), encontrase: 7 – Serviços relativos a engenharia, arquitetura, geologia, urbanismo, construção civil, manutenção, limpeza, meio ambiente, saneamento e congêneres. [...] 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de Fl. 158DF CARF MF 12 serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). [...] 14 – Serviços relativos a bens de terceiros. [...] 14.06 – Instalação e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos, inclusive montagem industrial, prestados ao usuário final, exclusivamente com material por ele fornecido. (Destaques acrescidos) Neste item 14 incluemse, ainda, serviços de encadernação, alfaiataria, serralheira, tapeçaria, carpintaria e outros que não demandam a intervenção de profissional habilitado nos termos do artigo 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317/1996. Denotase que, montagem e instalação têm uma correlação íntima, tanto que estão mencionadas no item 7.02, quanto no 14.06 da Lei Complementar nº 116/2003, conforme acima transcrito. Verificase, pois, que tanto uma como a outra podem demandar mãodeobra mais ou menos especializada e até a de um profissional habilitado como engenheiro. Contudo, no caso concreto, vêse que os serviços prestados, pela descrição constante nas Notas Fiscais trazidas aos autos pela Auditora responsável pela representação, são de manutenção e pequenas reformas, enquadrandose no item 14.06 da lista de serviços. Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE provimento, declarando insubsistente o ADE nº 44/2010. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726307/2009-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, é incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos a título de diferenças de URV por servidores públicos, dada a nítida natureza salarial das verbas.
Numero da decisão: 9202-007.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, é incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos a título de diferenças de URV por servidores públicos, dada a nítida natureza salarial das verbas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, é incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos a título de diferenças de URV por servidores públicos, dada a nítida natureza salarial das verbas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 07 /2 00 9- 51 Fl. 271DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10580.726307/200951 Acórdão n.º 9202007.068 CSRFT2 Fl. 272 3 beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NÃO INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício e o imposto incidente sobre os juros que integraram as verbas objeto da autuação. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que excluíram apenas os juros, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. A Fazenda Nacional quer ver rediscutida a questão da incidência de Imposto de Renda sobre Juros de Mora. O Contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pelo "improvimento" (sic). O Contribuinte recorre de diversas matérias, tendo sido dado seguimento à rediscussão da natureza indenizatória da URV. A Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão recorrido. Fl. 273DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade e portanto devem ser conhecidos. Por ordem lógica, analiso em primeiro momento o Recurso Especial do Contribuinte: Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10580.726307/200951 Acórdão n.º 9202007.068 CSRFT2 Fl. 273 5 a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. Fl. 275DF CARF MF 6 À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêIa naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10580.726307/200951 Acórdão n.º 9202007.068 CSRFT2 Fl. 274 7 Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Fl. 277DF CARF MF 8 Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Diante do exposto, dou provimento do Recurso Especial do Contribuinte. Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Segundo o entendimento do Contribuinte, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10580.726307/200951 Acórdão n.º 9202007.068 CSRFT2 Fl. 275 9 "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Assim, NEGO provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divergi da i. Conselheira Relatora, relativamente ao Recurso Especial do Contribuinte, quanto ao reconhecimento da natureza indenizatória das verbas recebidas em decorrência de lei estadual, que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Entendeu a Relatora, acolhendo alegação da Contribuinte, que a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e do Ministério Público Federal, as quais, segundo a Resolução nº 245/2002 do STF, teriam natureza indenizatória e que, aplicandose o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual àquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Entendo que esta não é a melhor exegese a ser aplicada ao caso. Registrese, inicialmente, que o imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza é tributo de competência da União, conforme art. 153, III, da Constituição Federal e, portanto, o Poder Legislativo do Estado da Bahia não tem competência para legislar Fl. 279DF CARF MF 10 sobre esta matéria. Assim, a Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 2003, que consignou o caráter indenizatório das verbas aqui analisadas não vincula a Administração Tributária Federal quando à incidência ou não do imposto sobre elas. A questão sobre a incidência ou não do imposto sobre as referidas verbas deve ser examinada à luz da análise da natureza jurídica efetiva dessas verbas, de forma a determinar seu caráter indenizatório ou remuneratório. Os valores recebidos pelo Contribuinte a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV, diferentemente do que pretende o Contribuinte e do que afirmado na Lei Estadual, que determinou o seu pagamento, não visava de modo algum reparar algum dano sofrido pelo beneficiário, mas a corrigir erro na definição da remuneração devida no passado e que não foi paga. Tratase, portanto, nitidamente de diferença salarial. A situação não é diferente de eventuais diferenças de parcelas salariais não pagas devidamente pelos empregadores e que, em decorrência de Reclamatórias Trabalhistas são reconhecidas pela Justiçado Trabalho. Para melhor compreensão da matéria aqui discutida, convém trazer à colação o art. 43 do CTN, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Como se vê, a regra é a incidência do imposto sobre os acréscimos patrimoniais, e é isso, e somente isso, que justifica a não incidência do imposto sobre verbas ditas indenizatórias. É que estas não configurariam acréscimo, mas mera recomposição patrimonial. Ora, no caso das verbas em apreço, elas jamais haviam integrado o patrimônio do contribuinte, a não ser como uma expectativa de direito. Portanto, o seu recebimento a destempo jamais poderia representar uma recomposição patrimonial. Quanto ao tratamento isonômico em relação aos membros do Ministério Público Federal e Juízes Federais, reivindicado pelo contribuinte, sob a alegação de tais verbas teriam a mesma natureza daquelas recebidas pelos Magistrados Federal e membros do Ministério Público Federal, a pretensão não merece acolhida, ante a ausência de lei federal que institua isenção de tais verbas, seja aquelas recebidas pelos Magistrados Estaduais, seja aquelas recebidas pelos Magistrados e membros do Ministério Público Federal. Com efeito, foi o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Resolução nº 245/2002, que conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável recebidos pelos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União, com fundamento, respectivamente, nas Leis nºs 9.655/1998 e 10.474/2002. Assim, primeiramente não é possível se afirmar que a verba recebida pelos magistrados da Bahia tenha a mesma natureza daquelas previstas nas Leis nºs 9.655/98 e Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10580.726307/200951 Acórdão n.º 9202007.068 CSRFT2 Fl. 276 11 10.474/2002, pois estas estão expressamente previstas em lei federal e aquelas se referem a diferença de URV. Por outro lado, como dito acima, foi o STF que reconheceu a natureza indenizatórias das ditas verbas e delimitou sua decisão apenas às verbas devidas aos Magistrados e Procuradores Federais. E notese que a própria Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Essa questão, inclusive, já foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme voto da Ministra Eliana Calmon: Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em17/08/2010). Também sobre este ponto se manifestou o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 471.115, do qual se extrai o seguinte excerto: Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução nº. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010). Portanto, definitivamente, não há que se falar em isonomia de tratamento entre os valores recebidos pelos magistrados federais e os recebidos pelos magistrados do Estado da Bahia. E se é de se aplicar tratamento isonômico este deve ser feito em relação a qualquer trabalhador que, quando recebe diferenças salariais pagas tempos depois em que a verba é devida, sujeitamse à tributação pelo Imposto de Renda. Sobre este ponto também já se pronunciou este Colegiado por diversas vezes. Cito como exemplos os seguintes julgados: Acórdão nº 9202003.659: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre Fl. 281DF CARF MF 12 os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. Acórdão nº 9202.003.585: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especialprovido. Notese, por fim, que não se trata aqui de questionar a constitucionalidade da lei estadual que reconheceu a natureza indenizatória das verbas pagas aos magistrados da Bahia, mas apenas de se reconhecer que, em razão dos limites da competência do Poder Legislativo estadual, essa qualificação atribuída às referidas verbas não vincula a Administração Tributária Federal, tendo seu alcance limitado a outros aspectos. Aliás, admitir que lei estadual, por via indireta, pudesse conferir isenção ou caracterizar determinadas verbas como sujeitas ou não à incidência de tributo federal, implicaria em completa desfiguração dos limites das competências tributárias. Não se cogita, portanto, em absoluto, de incompetência do CARF para apreciar esta matéria. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Também divergi da i. Relatora quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria discutida nesse recurso é a incidência do imposto sobre parcela correspondente a juros de mora sobre os rendimentos recebidos pelos magistrados do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Sobre este ponto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, embora tenha decidido inicialmente pela não incidência do imposto sobre juros moratórios, delimitou posteriormente o alcance dessa decisão aos juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no art. 6º, V, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA, MESMO EM SE TRATANDO DE VERBA INDENIZATÓRIA. ART. 16, XI E PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI N. 4.506/64. CASO DE JUROS DE MORA DECORRENTES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS EM ATRASO. 1. Regrageral, incide imposto de renda sobre juros de mora a teor do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.726307/200951 Acórdão n.º 9202007.068 CSRFT2 Fl. 277 13 os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". Jurisprudência uniformizada no REsp. n. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012. 2. Primeira exceção: não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho consoante o art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011. 3. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Jurisprudência uniformizada no REsp. n. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012. 4. Caso concreto em que se discute a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas previdenciárias pagas em atraso. Incidência da regrageral constante do art. 16, XI e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64. 5. Considerandose que a concessão de isenção fiscal é ato discricionário, fundado em juízo de conveniência e oportunidade do Poder Público, não pode o Poder Judiciário, sob o pretexto de tornar efetivo o princípio da isonomia, reconhecer situação discriminatória de categorias não abrangidas pela regra isentiva, estendendo, por via transversa, benefício fiscal sem que haja previsão legal específica (precedente citado: RE 405.579/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, DJe de 3.8.2011). 6. Agravo regimental a que se nega provimento. A decisão não poderia ser mais clara: somente são isentos os juros incidentes sobre verbas isentas. Ora, a própria referência à isenção é indicativa da posição da Corte Superior de que, como regra, incide o imposto sobre juros moratórios, sendo a regra isentiva exceção. No caso sob análise, não se trata de nenhuma das hipóteses referidas no acórdão cuja ementa foi acima reproduzida, também não é caso de isenção com amparo em qualquer outra norma. Tratase, como vimos, de diferenças salariais recebidas a destempo. Esta posição do STJ é inteiramente coincidente com a minha. Mas, ainda que não fosse, deve ser aqui reproduzida, pois se trata, como visto, de decisão proferida sob o rito do art. 543C do CPC o que, por força do art. 62, § 2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com redação dada pela Portaria nº 152, de 2016, verbis: Art. 62 [...] [...] Fl. 283DF CARF MF 14 § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Jutiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com esses fundamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (ASSINADO DIGITALMENTE) Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000970/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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INDUSTRIAL H. CARLOS SCHNEIDER ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 70 /2 00 8- 42 Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10920.000970/200842 Acórdão n.º 2402006.361 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10920.000970/200842 Acórdão n.º 2402006.361 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10920.000970/200842 Acórdão n.º 2402006.361 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908541/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS.
Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
Numero da decisão: 1401-002.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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EMPREITADA Recorrente TESCON ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 85 41 /2 00 9- 95 Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10166.908541/200995 Acórdão n.º 1401002.671 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório [...], em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao ano calendário de 2004, bem aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando o correto seria aplicar o percentual de 12%, conforme determina a Solução de Consulta nº 337, de 28 de novembro de 2008. “A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todo os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita ao percentual de 12% na determinação da base de calculo da CSLL, pela sistemática do lucro presumido. A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita a percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, pela sistemática do lucro presumido”. Alega que à época informou nas DIPJ 2005 e 2006, bem com nas DCTF do período os valores recolhidos indevidamente. Ciente do equivoco providenciou as devidas retificações das declarações a fim de regularizar tal situação. A fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 12% para a apuração da base de cálculo da CSLL no regime de lucro presumido, junta cópia da Décima Terceira Alteração do Contrato Social e DIPJ e DCTF retificadoras. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10166.908541/200995 Acórdão n.º 1401002.671 S1C4T1 Fl. 4 3 Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a homologação da compensação solicitada. Em 4 de agosto de 2011 a DRJ em Brasília DF julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente alegando, em síntese, a correção quanto ao percentual de presunção de 12% para fins da CSLL, na medida em que todos os contratos por ela firmados o são na modalidade empreitada por preço unitário, o que se identifica com a empreitada total. Ainda, em resposta à decisão recorrida, que considerou imprescindível a juntada aos autos de documentação comprobatória, a Recorrente apresentou anexos contendo todos os contratos por ela firmados, acompanhados das notas fiscais faturadas e recebidas no período de 01/04/2004 a 30/09/2005, as DIPJs referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005 acompanhadas dos comprovantes de pagamento de tributos, além de comprovantes de valores retidos, registros contábeis e demonstrativos de apuração. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.660, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.903369/2009 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.660): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10166.908541/200995 Acórdão n.º 1401002.671 S1C4T1 Fl. 5 4 A Recorrente apurou seus tributos na sistemática do lucro presumido tendo originalmente utilizado como base de cálculo o percentual de presunção de 32% para fins de CSLL. Posteriormente retificou suas declarações e demonstrativos a fim de utilizar o percentual de 12%, sendo essa a origem do pagamento a maior que ela pretende ver compensado em suas declarações de compensação. Portanto, a discussão de fundo do presente processo reside em definir qual o percentual de presunção aplicável às atividades realizadas pela Recorrente. A legislação aplicável é a seguinte: Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10166.908541/200995 Acórdão n.º 1401002.671 S1C4T1 Fl. 6 5 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) A decisão recorrida, citando o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, afirmou que "No caso da CSLL, as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 12% (doze por cento) para fins de cálculo dessa contribuição. As receitas oriundas de construção por empreitada com fornecimento parcial de materiais ou unicamente de mãodeobra, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento)." Não obstante concordem quanto ao conceito, a decisão recorrida considerou que a Recorrente não teria apresentado a documentação comprobatória de seu direito a aplicar o percentual de 12% para fins da CSLL, entendendo que apenas a análise do objeto social não seria suficiente. Em resposta, como relatado, a Recorrente trouxe a documentação que comprova que ela era contratada para execução de obras por preço unitário, devendo fornecer todos os equipamentos, pessoal e materiais necessários, tratandose assim de empreitada total/global. A aplicação do percentual de 12% de CSLL para casos como o presente é corroborada pela jurisprudência deste CARF, conforme recentemente decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), considerase atividade de construção civil aquela que envolva a produção de uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10166.908541/200995 Acórdão n.º 1401002.671 S1C4T1 Fl. 7 6 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (Acórdão nº 9101002.545 Sessão de 7 de fevereiro de 2017) Ante o exposto oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, de modo que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1180DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722652/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
VÍCIO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO.
Constatada a omissão no acórdão, de se acolher os embargos, para saneamento do vício, sem efeitos infringentes, já que clara a decisão no sentido de não se prover o recurso neste tópico.
Numero da decisão: 1301-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir omissão no acórdão 1301-00.977 e ratificar o resultado de seu julgamento.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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OMISSÃO. Constatada a omissão no acórdão, de se acolher os embargos, para saneamento do vício, sem efeitos infringentes, já que clara a decisão no sentido de não se prover o recurso neste tópico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir omissão no acórdão 130100.977 e ratificar o resultado de seu julgamento. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 26 52 /2 01 0- 87 Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.837 2 Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 3678) opostos por BOMPREÇO SUPERMERCADO DO NORDESTE LTDA, em face do Acórdão nº 1301 00.977, de 04/07/2012 (fls. 3563), o qual foi aclarado pelos Acórdãos de embargos de declaração 1301001.317, de 06/11/2013 (fls.3587) e 1301001.998, de 03/05/2016 (fls. 3604). Valhome do relatório realizado no Despacho de Admissibilidade, às fls. 3821 e ss. Ao julgar o recurso voluntário, o colegiado decidiu darlhe parcial provimento, exonerando parte da glosa de despesas, por maioria de votos. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 130100.977 (fls. 3563), o qual adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 Ementa: DESPESAS RATEADAS. DEDUTIBILIDADE. Para que despesas rateadas entre um grupo de empresas sejam dedutíveis, não basta comprovar que elas foram contratadas, assumidas e pagas. E necessário, principalmente, comprovar que correspondem a bens e serviços efetivamente recebidos, que esses bens e serviços são necessários, normais e usuais às atividades das empresas, e que o rateio seja efetuado através de critérios objetivos e previamente ajustado. CSLL. INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. NORMA EXPRESSA. NECESSIDADE. Despesas indedutíveis na determinação do lucro real não são, necessariamente, indedutíveis na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em homenagem ao princípio da legalidade, glosas de despesas na apuração da base de cálculo da CSLL devem estar devidamente lastreadas em normas legais autorizadoras da providência. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simples alegação de erro na denominação do dispêndio, desprovida de elemento de comprovação, não tem o condão de afastar a imputação feita pela autoridade fiscal. Em outra vertente, se a despesa relacionase a ágio incorrido na aquisição de participação societária, em virtude da neutralidade Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.838 3 fiscal das normas decorrentes do denominado método de equivalência patrimonial, sua eventual amortização contábil não pode gerar efeito nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. DESPESAS RATEADAS. Não comprovado que as despesas atribuídas ao sujeito passivo por rateio entre empresas do grupo correspondem a bens e serviços efetivamente recebidos, temse por não comprovada à legitimidade do lucro líquido tomado como ponto de partida para apuração da base de cálculo da CSLL. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. A aplicação da multa de 75% nos casos de lançamento de ofício está prevista em lei (Lei n° 9.430/96. art. 44), não podendo ser afastada pelo julgador administrativo. Em seguida, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, cujo julgamento levou à retificação do dispositivo do primeiro acórdão, conforme o Acórdão nº 1301001.317 (fls. 3587), o qual adotou a seguinte ementa: Assinto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008 Ementa: VÍCIO DO ACÓRDÃO OMISSÃO CONTRADIÇÃO Constatado ter sido omitida informação, na redação do acórdão, de que o cancelamento da glosa se referia unicamente à CSLL, resultando em contradição entre a decisão e o voto, acolhemse os embargos para sanar o vício. Em seguida, a Fazenda Nacional apresentou novos embargos de declaração, cujo julgamento levou à retificação do dispositivo do primeiro acórdão, conforme o Acórdão nº 1301001.998 (fls. 3604), o qual adotou a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 VÍCIO DO ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO Constatado contradição na redação da parte dispositiva do acórdão embargado e o auto de infração, de que os valores correspondentes a falta de adição à base de cálculo das despesas indedutíveis a que se refere ao item 2 dos autos, quando na realidade se trata do item 1 dos autos, acolhemse os embargos para saneamento do vício. Em seguida, a Fazenda Nacional apresentou o recurso especial de fls. 3610, o qual foi parcialmente admitido por meio do despacho de fls. 3628. O contribuinte foi cientificado dessas decisões em 04/08/2017 (fls. 3663). Os presentes embargos foram apresentados em 11/08/2017 (fls. 3676), portanto, dentro do prazo previsto no art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.839 4 O processo tem origem em ação fiscal na qual a fiscalização glosou despesas consideradas não comprovadas e despesas consideradas não dedutíveis, nos anos 2006 e 2007. Em consequência, foram lavrados autos de infração para exigir IRPJ, CSLL e gravames moratórios (fls. 2). Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis apenas quando estas contiverem obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Conforme Despacho de admissibilidade de fls. 3821, com base no art. 65 do Anexo II do RICARF, em razão de obscuridade, foi admitido em parte, apenas no que tange ao item 1 do referido embargo, quanto à glosa de despesa do ágio na apuração da CSLL. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O presente embargos de declaração opostos pelo contribuinte foram admitidos, conforme despacho de fls. 3821, apenas em parte no que tange à seguinte obscuridade: 1. Dedutibilidade de despesa com ágio CSLL obscuridade A primeira reclamação do embargante diz respeito à alegada obscuridade na fundamentação da decisão, quando esta manteve a glosa de despesa com ágio na apuração da CSLL. Segundo o embargante, a decisão recorrida fundamentou seu entendimento nos efeitos da aplicação do método da equivalência patrimonial (MEP) na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Afirma que a obscuridade reside em dois pontos: (i) na alegada falta de indicação de como o MEP pode ser comparado à amortização contábil de ágio realizada na espécie e (ii) na alegada falta de congruência entre o MEP e a fundamentação da acusação fiscal. Transcrevese correspondente trecho da petição de embargos (fls. 3679): Já o voto vencedor, sobre esse particular, se limita a relatar que o colegiado resolveu manter o lançamento da CSLL em relação ao ágio porque "relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, as normas derivadas do denominado método de equivalência patrimonial tem caráter de neutralidade, motivo pelo qual as contrapartidas da amortização contábil do ágio não podem afetar as correspondentes bases de cálculo". Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.840 5 Ora, a decisão é obscura por duas razões: em primeiro lugar, não explicita, nem indica fundamentação legal que justifique a aplicação, no caso concreto, das regras atinentes ao método de equivalência patrimonial. Sendo oportuno destacar, nesse ponto, que a discussão envolve a amortização contábil do ágio, sendo estranho e, por isso mesmo, demandando melhor esclarecimento a invocação ao MEP. Em segundo lugar, esse esclarecimento tornase especialmente mandatório quando, ao se analisar o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (em especial os itens 15 a 18), fica evidente que o argumento invocado para lançamento se refere àquele enfrentado com detalhe pelo voto vencido: aplicação (ou não) das regras do IRPJ à CSLL no tocante à determinação da base de cálculo. Evidenciandose (i) inovação do lançamento e (ii) ausência de fundamentação legal, (iii) prejudicando, assim, o direito de defesa da Embargante. A decisão embargada assim se manifestou sobre essa questão (fls. 3577): No que tange à despesa com AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, o Colegiado também acompanhou o pronunciamento do Relator no sentido de que o argumento de que houve mera intitulação equivocada do dispêndio não poderia ser acolhido, vez que a alegação foi trazida sem qualquer elemento de comprovação. Nesse diapasão, a amortização em questão foi recepcionada como relacionada à aquisição de participação societária, em que, ressalvada a excepcionalidade trazida pelas disposições do art. 7o da Lei n° 9.532, de 1997, somente pode ser considerada para efeito de determinação do ganho ou perda de capital, conforme disposto no art. 426 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Ressaltouse, ainda, que, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, as normas derivadas do denominado método de equivalência patrimonial têm caráter de neutralidade, motivo pelo qual as contrapartidas da amortização contábil do ágio não podem afetar as correspondentes bases de cálculo. Por tais razões, decidiu o Colegiado pela manutenção da glosa das despesas com amortização de ágio. Verifico que o voto condutor da decisão do colegiado quanto a esse tema foi colocado em contexto do voto do relator, que restou vencido. Assim, é relevante transcrever o correspondente trecho do voto vencido (fls. 3573): A Recorrente se insurge contra a adição à base de cálculo da CSLL de despesas pelo fato de terem sido consideradas indedutíveis para fins de IRPJ. A base de cálculo da CSLL está prevista no art. 2º da Lei n° 7.689, de 1988, que estabelece: [...] Assim, sem que haja previsão expressa nesse sentido, para apuração da base de cálculo da CSLL não se impõe a adição as despesas indedutíveis para apuração do lucro real. [...] A partir dos textos legais supra constatase que, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, dentre os ajustes ao lucro líquido previstos na sua legislação de regência não se encontram as despesas com gratificações administradores, as multas e juros, as amortizações de ágio pago na aquisição de investimentos. Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.841 6 O art. 57 da Lei 8.981, de 1995, não traz nenhuma alteração à base de cálculo da CSLL, mas apenas estende a essa exação as normas de apuração e pagamento do IRPJ, ou seja, lucro real (com ou sem pagamento de estimativas mensais), presumido ou arbitrado. "Tendência histórica de aproximação e identificação da base de cálculo das duas exações", evidenciada em instruções normativas, segundo o voto condutor da decisão recorrida, não supera a exigência de lei para alteração da base de cálculo de qualquer tributo. Nesse aspecto, merece provimento o recurso da contribuinte. Verifico que o voto vencido do relator deu razão ao contribuinte quanto ao entendimento de que não haveria necessária previsão legal que impediria a dedução de despesa com ágio na base de cálculo da CSLL, levando à exoneração da respectiva glosa. O voto vencedor concluiu pela procedência da glosa dessa despesa, mas não aborda o alegado vácuo legislativo, referindose apenas aos efeitos da aplicação do MEP, sem correlacionálos com o quadro fático em tela. A obscuridade passível de embargos de declaração é o vício do texto do acórdão que o torna ininteligível e, portanto, de difícil interpretação1. A leitura dos trechos acima transcritos evidencia um razoável distanciamento entre os argumentos trazidos pelo autor do recurso voluntário e os fundamentos da decisão embargada, distância essa que dificulta o entendimento da decisão. De fato, não restou clara a relação entre a aplicação do MEP e a ausência de regra específica para vedar a dedução da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL. Com isso, entendo que os embargos de declaração devem ser admitidos para que a turma julgadora esclareça seus fundamentos para a manutenção da glosa de despesa com ágio na apuração da CSLL. Desta feita, resta aqui, aclarar a obscuridade apresentada no acórdão embargado apenas para que sejam esclarecidos os fundamentos da manutenção da glosa de despesa com amortização de ágio na base de cálculo de CSLL. É certo que meu posicionamento acerca desta matéria é de afastar o lançamento da CSLL, diante da ausência de base legal para sua tributação. No entanto, esse não foi o entendimento vencedor nesta questão quando da sessão de julgamento, não cabendo a alteração de tal decisão, e tãosomente aclarar a obscuridade quanto aos seus fundamentos. Veja como foi tratada a questão pelo voto vencedor: As despesas objeto de glosa, para fins de CSLL, foram as seguintes: Juros/Correção Monetária – Multas sobre Obrigações; Multas não Dedutíveis; Ordenados (Gratificação a Administradores); e Amortização Ágio. Excetuada a relacionada à amortização de ágio, o Colegiado acompanhou o entendimento do relator no sentido de que, tratandose de determinação da base de cálculo da CSLL, não se pode considerar indedutível determinado dispêndio simplesmente porque existe comando nesse sentido para fins de Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.842 7 determinação do lucro real. Em homenagem ao princípio da legalidade, é necessário que haja norma expressa estabelecendo tal indedutibilidade. No que tange à despesa com AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, o Colegiado também acompanhou o pronunciamento do Relator no sentido de que o argumento de que houve mera intitulação equivocada do dispêndio não poderia ser acolhido, vez que a alegação foi trazida sem qualquer elemento de comprovação. Nesse diapasão, a amortização em questão foi recepcionada como relacionada à aquisição de participação societária, em que, ressalvada a excepcionalidade trazida pelas disposições do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, somente pode ser considerada para efeito de determinação do ganho ou perda de capital, conforme disposto no art. 426 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Ressaltouse, ainda, que, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, as normas derivadas do denominado método de equivalência patrimonial têm caráter de neutralidade, motivo pelo qual as contrapartidas da amortização contábil do ágio não podem afetar as correspondentes bases de cálculo. Por tais razões, decidiu o Colegiado pela manutenção da glosa das despesas com amortização de ágio. A discussão da questão, segundo relatório foi a glosa de IRPJ e de CSLL. Para fins apuração do lucro real, a fiscalização efetuou a adição, de ofício, dos valores contabilizados a título de amortização do ágio/ Lusitana, o quê está de acordo com o art. 25 do Decretolei nº 1.598/77, que prevê que as contrapartidas da amortização do ágio ou deságio não serão computadas na determinação do lucro real. Alega a recorrente que a fiscalização efetuou a adição simplesmente porque a conta está denominada “Amortização de ÁgioLusitana. Diz ter ocorrido intitulação equivocada, pois na verdade não se trata de amortização de ágio, mas sim, de amortização de capital aplicado na aquisição do fundo de comércio do Supermercado Lusitana Ltda. Esclarece ter adquirido, em setembro de 2002, os direitos de exploração de fundo de comércio composto por estoques, instalação e equipamentos de 9 lojas do Supermercado Lusitana, e invoca a aplicação do art. 325, I, do RIR/99. Porém, a interessada limitouse a trazer alegações, sem fazêlas acompanhar de qualquer prova, o quê é imprescindível para afastar a acusação de indevida falta de adição. Dessa forma, trago à colação uma decisão vencedora da CSRF em que se analisou tal discussão, do ilustre Conselheiro Flávio Franco Corrêa, 9101003.571, de 08/ de maio de 2018: No tocante à acusação de infração à legislação da CSLL, impõese salientar, antes de tudo, que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.843 8 amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI1 : "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [...] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou contr olada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalme nte). (...)" (grifei) Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] 1 Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke. São Paulo: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FEA/USP), 7a Edição. Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.844 9 III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nessas circunstâncias, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL,a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da bas e de cálculo da CSLL. Também, apenas para reforçar a fundamentação, colo os argumentos trazidos pela DRJ, quando manteve os lançamentos embargados para que façam parte do acórdão recorrido: 31. No tocante à amortização do ágio, acresçase que a sua adição independentemente do disposto no art. 57 da Lei nº 8.981, e do art. 44 da IN SR 390, de20042 __, além de uma justificativa contábil, tem uma justificativa econômica. Contábil porque a escrituração dos eventos relacionados a investimento avaliados pela equivalência patrimonial é feita no sentido de deixar os ganhos, ou perdas, à margem da incidência tributária __ assim é que o resultado positivo da avaliação se constitui em exclusão na determinação do resultado ajustado da CSLL3, e o ágio é controlado no Lalur, para efeito apenas de ganho de capital quando da alienação do investimento, sendo deduzido integralmente quando isso acontece4. 2 Art. 44. Aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106. 3 IN SRF 390, de 2004 Art. 39. Na determinação do resultado ajustado, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração: I os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação da CSLL e que não tenham sido deduzidos na apuração do lucro líquido; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com essa mesma legislação, não devam ser computados na determinação do resultado ajustado. § 1º Fazem parte das exclusões de que trata este artigo: I o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (...) 4 art. 426 do RIR, de 1999 Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.845 10 32. Econômica porque quando se adquire um investimento por uma quantia superior ao seu valor patrimonial (por qualquer fundamento), antevêse uma lucratividade, que, com efeito, não sofrerá tributação. Considerando que a contrapartida da amortização, lançada como despesa, afeta o resultado do período, nada mais coerente que se faça o ajuste fiscal, por meio da adição do valor deduzido, para contrabalançar o benefício. 33. A jurisprudência administrativa de há muito tem esse entendimento, como se vê da Decisão SRRF/8ª RF/DISIT nº 333, de 29 de dezembro de 2000, que se transcreve: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo. O valor amortizado deverá ser controlado para fins de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. No caso de alienação ou liquidação de investimento, o valor amortizado não pode ser excluído da base de cálculo, e o valor contábil para efeito de determinar o ganho de capital será determinado como disposto no art. 426 do RIR/1999. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 391 e 426, Lei nº 8.981, de 1995, art. 57, com a redação da Lei nº 9.065, de 1995. Relatório A interessa formula consulta informando que adquiriu, em 1997, ações de outra empresa, tendo contabilizado ágio na operação, fundamentado em rentabilidade futura, e que, em 1999, procedeu à eliminação do ágio, que foi tratado como despesa temporariamente indedutível para efeitos do IRPJ e da CSLL. A consulente manifesta seu entendimento de que com relação ao imposto de renda a amortização do ágio é tratada como despesa indedutível, mas que, entretanto, a legislação da CSLL não veicula nenhum tratamento específico para os casos de baixa ou amortização de ágio realizada na própria empresa investidora. Em seguida, cita o entendimento manifestado por Hiromi Higuchi, em sua obra “Imposto de Renda das Empresas, Interpretação e Prática, 25ª edição, Atlas, pgs. 602/603”, de que como não há previsão legal, a amortização do ágio é dedutível para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Em seguida, a consulente explicita que entendeu, à época, sob a ótica da legislação tributária, que a baixa do ágio teve a natureza de típica provisão para perda em investimento e cita a Instrução CVM nº 1/78, I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.846 11 que disciplina os procedimentos contábeis de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Finalizando, indaga se o seu entendimento a propósito da matéria estaria correto e que, consequentemente, a baixa de ágio que realizou, tratada como despesa temporariamente indedutível para fins de determinação da CSLL fora correto, que pode e deve ser excluído de tributação quando da baixa ou liquidação do investimento que lhe deu causa. Fundamentos Legais O Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999) assim determina: “Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). ... Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” A Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995, assim dispõe: “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38 , mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.” Dessa forma, independentemente do motivo pelo qual o ágio foi registrado como despesa, o mesmo deve ser adicionado à base de cálculo da CSLL. No caso de alienação ou liquidação de investimento, deverão ser observadas, em relação à CSLL, as disposições do art. 426 do RIR/1999 acima transcrito. Conclusão Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 10480.722652/201087 Acórdão n.º 1301003.350 S1C3T1 Fl. 3.847 12 A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL. O valor amortizado deverá ser controlado para fins de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. No caso de alienação ou liquidação de investimento, o valor amortizado não pode ser excluído da base de cálculo, e o valor contábil para efeito de determinar o ganho de capital será determinado como disposto no art. 426 do RIR/1999. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto em conhecer dos presentes embargos de declaração para no mérito DARLHE provimento, aclarandose os fundamentos que se basearam a manutenção da glosa de CSLL sobre as despesas de amortização de ágio, sem efeitos modificativos. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 3848DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904221/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO.
A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
Numero da decisão: 3302-005.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre serviços portuários. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições nãocumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaçotemporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições nãocumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais, há expressa previsão normativa para seu creditamento , são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 42 21 /2 01 1- 28 Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.527 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre serviços portuários. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem retratar e descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da resolução CARF nº 3302000.401 de fls. 1.1551.163: “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito relativo a Cofins nãocumulativa associada a operações de exportação, referente ao 2º trimestre de 2005. A Demac/RJ exarou o despacho decisório de fls. 155, com base no Relatório da Demac/RJO em fls. 163/175, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar a compensação declarada. No referido Relatório consta consignado, em resumo, que: a) A interessada optou por apropriar custos, encargos e despesas pelo critério do rateio proporcional. Intimada, apresentou planilha demonstrando como foram obtidos os percentuais de rateio para os meses em análise. Foram aceitos os valores apresentados; b) A prova do direito creditório, fato jurídico a dar fundamento ao ressarcimento pleiteado, compete ao sujeito passivo que teria efetuado operações geradoras de crédito de Cofins exportação; c) No que tange aos créditos referentes a aquisições de bens para revenda, constatase que os valores informados no Dacon não encontram sustentação, seja Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.528 3 nos arquivos digitais de notas fiscais, seja nas memórias de cálculo apresentadas pela contribuinte. Foram retificados os valores declarados no Dacon referentes a aquisições de bens para revenda, tanto os relacionados à receita de exportação, como os relacionados à receita auferida no mercado interno, bem como foram glosados, em parte, os referidos créditos; d) Os produtos adquiridos para uso e consumo, os quais não se incorporam à mercadoria ou ao serviço final, não possibilitam a apuração de créditos na sistemática da nãocumulatividade, motivo pelo qual devem ser desconsiderados no cálculo do direito creditório pleiteado os valores informados nas planilhas do contribuinte como bens adquiridos para uso e consumo; e) A análise da memória de cálculo fornecida pela contribuinte, com a relação dos valores mensais apurados a título de Serviços utilizados como insumos revela que a empresa computou vários serviços que não se enquadram nos dispositivos da IN SRF n.º 404/2004, dentre os quais, podem ser citados: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviço de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários e etc. A planilha “Serviços Utilizados Como Insumos 2º trim 2005 glosados” relaciona as notas fiscais e os serviços glosados; f) Foram aceitos os créditos relativos às despesas com energia elétrica informados no Dacon para o trimestre em análise; g) A planilha eletrônica apresentada com a apuração das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas é incompatível com os valores informados no DACON. Foram considerados os valores constantes da memória de cálculo apresentada pelo contribuinte; h) O valor declarado pela empresa a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete nas operações de venda estão de acordo com os arquivos digitais de notas fiscais.Não há retificação a ser realizada; i) Considerando que a empresa não logrou êxito em demonstrar a base de cálculo dos créditos relativos a bens do ativo imobilizado, foram retificados os valores declarados no Dacon e considerados os valores informados nas planilhas entregues pela contribuinte; j) Considerando os valores apurados de ofício na presente ação fiscal, foram retificados os totais mensais apurados a título de crédito de Cofins não cumulativa e verificouse que os créditos de cofins exportação apurados no 2º trimestre de 2005 foram integralmente consumidos na dedução dos valores mensais de Cofins a pagar, concluindose, assim, pela inexistência do direito creditório pleiteado. O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 16/01/2012 (fls. 160) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 15/02/2012 (fls. 12/30), alegando, em síntese que: a) A RFB deixou de realizar um exame detido e profundo acerca das circunstâncias essenciais para se reputar determinado custo ou despesa como passível de gerar crédito, à alegação de que caberia a prova ao próprio contribuinte; b) A auditoria fiscal não realizou qualquer diligência no sentido de averiguar, concretamente e de acordo com as especificidades desse, a legitimidade dos créditos, com flagrante ofensa ao princípio da verdade material; Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.529 4 c) Nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento pressupõe delimitação exaustiva de todos os elementos de fato que deram origem à matéria tributável, e não em simples presunções e conjecturas, sob pena de violação à garantia da estrita legalidade, cravada nos arts. 9º e 97, I do CTN; d) A ausência de elementos concretos e objetivos a justificar a glosa afronta a garantia constitucional da ampla defesa; e) Seja por não exaurir a matéria tributável, seja por violar a garantia constitucional da ampla defesa, o despacho decisório é anulável; f) O regime nãocumulativo da Cofins possui fundamento na própria Constituição. Não é dado à lei interferir no conteúdo da regra, para limitála ou restringila, reduzindo a sua eficácia, no sentido de desonerar a cadeia produtiva do ônus incorrido com o tributo nas anteriores etapas do ciclo econômico; g) O que deve ser observado é a vinculação entre a receita verificada na etapa anterior do ciclo econômico, que representou custo ou despesa para o adquirente ou tomadores do serviço, e a receita auferida ao final por aqueles. O critério da vinculação física entre as mercadorias adquiridas e aquelas objeto de saída, aplicáveis ao IPI e ICMS, não pode ser transplantado para o caso vertente; h) O direito aos créditos da contribuição está atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo o que contribua para a obtenção de receitas; i) Conforme justificado pela descrição dos itens apresentados pela fiscalização, bem como as descrições dos itens e Notas Fiscais de aquisição ora anexadas aos autos e/ou respectivas telas dos sistemas da Suplicante (doc. 03) eles são aplicados diretamente no seu processo produtivo e indispensáveis a este, o que poderá ser demonstrado, ainda, pela prova pericial cuja produção desde já se pleiteia; j) Cita a Solução de Divergência COSIT nº 35/2008; k) O Fisco deixou de atentar para a natureza dos equipamentos, partes e peças e serviços adquiridos e sua aplicabilidade, informações essas disponibilizadas pela autuada, através de planilha demonstrativa. Notadamente porque o objeto social da autuada é por demais amplo; l) A atuação da prestadora de serviços portuários ao recepcionar os vagões, desembarcar e agrupar minério e, inclusive, embarcálo diretamente nos navios, consiste em etapa indissociável do transporte da mercadoria, razão pela qual é de se tratar a despesa como parcela do custo do transporte; m) Também não foram consideradas despesas de frete na operação de venda, tais como serviços prestados pela MRS Logística S/A, no transporte de minério modal ferroviário, entre a mina e o Porto, bem como LogIN Logística Intermodal S/A, responsável pelo transporte marítimo. Junta telas do seu sistema, por amostragem, que representam o lançamento contábil de Notas Fiscais não incluídas no cálculo Fiscal (doc. 06), o que demonstra a inexatidão do trabalho fiscal e autoriza a realização de prova pericial, desde já requerida; n) O transporte entre estabelecimentos é uma etapa indissociável do transporte do produto como um todo, composta de várias etapas que, ao cabo, tem por fim a entrega da mercadoria ao consumidor; Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.530 5 o) Não prospera o valor informado pelo Fisco a título de crédito pela aquisição de energia elétrica, que admitiu apenas o montante informado no Dacon, sem considerar as informações prestadas pelo contribuinte durante a fiscalização; p) Requer o deferimento de prova pericial técnica e contábil, apresentando quesitos e indica assistente técnico; q) Por fim, requer a reforma do despacho decisório, protesta pelo deferimento da prova pericial e pela posterior juntada de documentos. Em 19/03/2012, a interessada apresentou o requerimento de fls. 128/129, solicitando a juntada aos autos de nota fiscal emitida em 30/03/2005 pela Rio Doce Manganês S/A e de telas do sistema relativos a serviços prestados pela MRS Logística S/A e pela LogIn Logística Intermodal S/A (fls. 130/140).” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a 17a Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 proferiu o acórdão no 1250.258, por meio do qual manteve as glosas realizadas, a saber: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE.CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 1072/1101), por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação apresentando defesa em relação a (i) glosa de insumos, citando especificamente alguns tais como: óleos e lubrificantes; correia transportadora tipo aberta e correia transportadora 30 Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.531 6 polegadas, partes e peças de britadores, (ii) gastos com serviços portuários, movimentação de cargas, etc; (iii) fretes de transferências entre estabelecimentos, que no entender da Recorrente referese à frete vinculado à venda. O voto contida na referida resolução converteu o julgamento em diligência para intimar a Recorrente comprovar/demonstrar a origem do seu crédito, posto que os documentos juntados até a fase recursal não se prestavam para tanto. Após a apresentação dos documentos solicitados pela autoridade diligente, foi emitida a informação fiscal (fls.1.4891.498) com a seguinte conclusão: Diante dos fatos expostos, para esta Fiscalização, mesmo desconsiderando os conceitos estabelecidos na IN SRF n.º 404, de 2004, não é possível validar os créditos de Cofins pleiteados pela contribuinte, pois falta conjunto probatório hábil a amparar as suas alegações, tendo em vista que as planilhas apresentadas pela impugnante restringiramse a parte dos valores deduzidos a título de bens e serviços utilizados como insumos e não foram entregues os documentos solicitados pelo CARF. Ato contínuo, a Recorrente apresentou manifestação acerca da informação fiscal anteriormente citada, pleiteando, em síntese, a admissão dos créditos apurados a teor dos argumentos explicitados nos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 14.02.2013 (fls.1.069) e protocolou Recurso Voluntário em 14.03.2013 (fls.1.0701.101) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminarmente II.1 Nulidade do Despacho Decisório e da Decisão Recorrida Negativa de Perícia Inicialmente requer a Recorrente a decretação de nulidade do despacho decisório. Segundo a Recorrente o trabalho fiscal não está lastreado em fatos concretos, mas, sim, na mera presunção de que os créditos por ela auferidos não seriam legítimos. Não coaduno com o entendimento da Recorrente. Isto porque, constatase da leitura do despacho decisório que o procedimento fiscal que fundamentou o indeferimento do 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.532 7 pedido de ressarcimento foi realizado após minunciosa análise das informações, planilhas e documentos apresentadas pela Recorrente na fase fiscalizatória. Não bastasse isso, houve devida motivação por parte da fiscalização para justificar o indeferimento do pedido de ressarcimento, onde restou pontuado (vide fls. 163175) os motivos pelos quais não foram admitidos os créditos pleiteados, a saber: Bens utilizados como insumos: A memória de cálculo entregue pela requerente mostra que valores alocados como Bens utilizados como insumos englobam tanto os dispêndios utilizados na industrialização, como os custos e despesas de uso e consumo. Pela legislação vigente, geram créditos na sistemática da Cofins não cumulativa, somente os insumos consumidos no processo produtivo. Por oportuno, reproduzse a seguir o §4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004: (...) Considerando o dispositivo citado, os produtos adquiridos para uso e consumo, os quais não se incorporam à mercadoria ou ao serviço final, não possibilitam a apuração de créditos na sistemática da nãocumulatividade, motivo pelo qual devem ser desconsiderados no cálculo do direito creditório pleiteado. Serviços utilizados como insumos Em relação à aquisição de serviços utilizados como insumos, cabe praticamente o mesmo entendimento aplicado aos bens de insumo. Ou seja, conforme determina a Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004, a pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços. Em outras palavras, geram créditos a aquisição de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. Na memória de cálculo fornecida pela contribuinte, arquivo 04. Serviços Utilizados como Insumos_2005.xlsx (Código de Autenticação SVA – 1cacf0de f5c86c75 1c7cf577c93e7ad1), os valores mensais apurados pela contribuinte a esse título são para os meses de Abril a Junho, respectivamente, R$ 125.600.060,88; R$ 122.745.835,13; e R$ 119.047.755,74 . Entretanto, a análise do referido arquivo revela que a empresa computou vários serviços que não se enquadram nos dispositivos da IN SRF n.º 404, de 2004, dentre os quais, podem ser citados: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; Hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários e etc. Por exemplo, serviços portuários, como: capatazia; rebocagem; movimentação de container; e serviços diversos prestados a bordo de navio, não podem ser considerados insumos de produção dos bens produzidos pela interessada. Isso porque, os serviços de movimentação de container e os serviços prestados a bordo de navio, como as próprias denominações esclarecem, não possuem qualquer relação com a produção de minério. Tratase de serviços auxiliares executados em momento posterior, quando da venda ou escoamento do que foi produzido. Da mesma forma, os serviços de capatazia (movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.533 8 interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega) e rebocagem (serviços executados por rebocadores para cumprir as manobras de atracação e desatracação de navios) não se subsumemem serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. Em resumo, para a fiscalização, tanto os bens como os serviços glosados não se enquadram no conceito de insumo previsto na Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004, razão pela qual, não foram deferidos. Em relação à aplicação do artigo 142, do CTN, suscitado pela Recorrente como norma que "pressupõe delimitação exaustiva de todos os elementos de fato que deram origem à matéria tributável, e não em simples presunções e conjecturas sob pena de violação à garantia da estrita legalidade, cravada nos artigos 9o e 97, I, também do CTN."; insta tecer que referido dispositivo tem aplicabilidade aos casos de lançamento do crédito tributário, sendo, inaplicável aos pedidos de ressarcimento, onde o ônus da prova é do contribuinte, a teor do previsto no inciso II, do artigo 373, do CPC. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Neste eito, entendo que o despacho decisório que embasou o lançamento fiscal não é passível de nulidade. Quanto a nulidade da decisão recorrida, ocasionada pelo indeferimento do pedido de perícia, entendo que referida matéria encontrase superada, considerando que este Conselho Administrativo já determinou a realização diligência para apurar novamente o direito creditório da Recorrente. Não fosse isso, o pedido de nulidade da decisão de primeira instância também não merecia acolhimento, posto que a autoridade julgadora de primeira instância, pode indeferila quando entendêlas desnecessárias, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, sem que isso, acarreta, nulidade do julgamento. Portanto, afasto o pedido de nulidade suscitado pela Recorrente. III Questões de mérito III.1 Conceito de Insumos para Fins de Creditamento Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.534 9 Antes de enfrentar a questão tratada neste tópico, mister tecer alguns comentários legislativos do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Em 29 de agosto de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66, houve uma significativa modificação no modo de tributação do PIS quer, de acordo com referida norma, tornouse nãocumulativo. A MP 66 foi, posteriormente, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a qual vem disciplinando o regime da nãocumulatividade do PIS/COFINS. Já em 30 de outubro de 2003, foi editada a Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, constituindo o texto básico do regime não cumulativo para a COFINS. No mesmo exercício de 2003, temos o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 9 dezembro de 2003, a qual alterou o artigo 195, da Constituição Federal, para incluir, dentre outros, o parágrafo 12, o qual dispõe que "a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b e ; e IV do caput, serão nãocumulativos." No que concerne ao sistema de créditos, o aproveitamento se encontra disposto nos artigos 3º, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, prevendo que os custos e despesas auferidas pela pessoa jurídica em seu processo produtivo serão passíveis de créditos, senão vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.535 10 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) É de se ver, que a legislação infraconstitucional permitiu os créditos de insumos, sem impor qualquer restrição, ou seja, adquirindo bens ou serviços que sejam utilizados (direta ou indiretamente) na prestação de serviços ou produção e fabricação de bens ou produtos, é possível, computar créditos para o abatimentos das contribuições. Ressaltase, por oportuno, que eventual restrição ao aproveitamento de créditos de insumos surgiu com o advento da Lei nº 10.865/2004, que trouxe a vedação de créditos no valor pago pela mão de obra de pessoa física, bem como na hipótese de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. Posto isto, é necessário perquirir o conceito de insumo para fins de verificar se as despesas glosadas pela fiscalização dão direito a crédito Como se vê na decisão de piso, foi adotado pela autoridade fiscal como critério para definição de insumos as Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, podendose concluir que a Receita Federal do Brasil aplicou a definição de insumo da legislação do IPI, o que já me adianto pela total discordância deste critério, pois entendo que se tratam de tributos de materialidades completamente distintas. Referidas IN´s, mitigaram a nãocumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, porquanto criaram diversos óbices e restrições na apuração dos créditos instituídos pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Notadamente no que se refere ao conceito de insumos, não se pode deixar de mencionar os ensinamentos de Natanael Martins2, a saber: 2 O conceito de insumos na Sistemática NãoCumulativa do PIS e da COFINS. IN PISCOFINS Questões Polêmicas. São Paulo: Quartier, 2005, p 2007. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.536 11 "o conceito de insumo, contemplado na sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar determinado serviço. Assim sendo, a toda evidência, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo". Com efeito, insumo3 é a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com características próprias, divididos entre insumos diretos e insumos indiretos, conforme expõe a Solução de Divergência COSIT nº 12, de 24.10.2007: É de se notar, que o termo "insumo" não poder ser utilizado de maneira restrita, como fez a fiscalização no caso em comento, considerando que tal procedimento vai de encontro com o princípio da nãocumulatividade. Destarte, os dispêndios direitos ou indiretos incorridos na produção ou prestação de serviços devem ser considerados como insumos e, consequentemente, serem computados na determinação dos créditos de PIS/COFINS. Nesse sentido, vale destacar o atual posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de não adotar, para fins de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, a interpretação restrita veiculada pelas IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, conforme denotase da ementa do v. acórdão nº 3403002.656: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em 3 INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entre (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entrem na elaboração de certa quantidade de bens e serviços”. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. v.2. Saraiva: São Paulo, 1998, p.870. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.537 12 atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e necessários ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Feito estas considerações, na qual manifesto entendimento contrário aos critérios adotados pela autoridade fiscal, passo agora analisar as glosas expressamente contestadas no recurso voluntário que dizem respeito a: (i) bens e serviços utilizados como insumos; (ii) serviços portuários; e (iii) despesas com fretes. III.1.a Bens utilizados como Insumos Inicialmente, é imperioso destacar que a fiscalização glosou parte dos denominados "bens utilizados como insumos" com base nas determinações contidas na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, ou seja, admitiu o crédito dos bens utilizados na industrialização e indeferiu os demais por não se incorporarem na mercadoria (vide fls. 170 do Relatório Fiscal), sendo que todo o trabalho de segregação dos valores e itens foram realizados através dos documentos e planilhas fornecidas pela Recorrente. Por sua vez, a Recorrente seja em sede de contestação seja em sede recursal, contestou genericamente os itens glosados, reservando seus argumentos contra os critérios previstos nas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004, utilizadas pela fiscalizações para fundamento o indeferimento do crédito apurado. Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.538 13 Vale destacar os argumentos utilizados pela Recorrente para reverter as glosas sob análise: a) Manifestação de Inconformidade: A este respeito, destacamse, a título ilustrativo, os bens cuja qualificação como insumos resta plenamente evidenciada, como partes e peças de pás carregaderias, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra. Há que ressaltar que, uma vez estando referidos bens diretamente relacionados ao processo produtivo da Suplicante, inclusivre sofrendo desgaste físico, o direito de crédito é evidente4, ainda que se tratem de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos industriais, como ilustrado pela Solução de Divergência COSIT nº 35/2008. b) Recurso Voluntário: Por outro lado, a própria descrição empregada aos itens supra – peças de britadores, perfuratrizes e outros equipamentos – já indicam a funcionalidade dos mesmos no âmbito do processo produtivo da Recorrente, ou seja, são peças que compõem equipamentos indispensáveis à realização da atividade de mineração como um tudo, mais especificamente na fase de desmonte mecânico e perfuração das rochas minerais posteriormente beneficiadas com vistas à comercialização. (...) A esta mesma conclusão certamente chegará este E. Conselho quando da análise dos citados bens que compuseram a glosa denominados ”óleos e lubrificantes”. Tais bens, inclusive, foram expressamente incluídos no conceito de insumos contido no artigo 3º, II da Lei nº. 10.833 – “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes”. De igual modo, a análise da documentação ora anexada também elide com quaisquer dúvidas que possa ter com relação à vinculação das partes e peças descritas como “Esteira Completa e Correia Transportadora” ao processo produtivo da Recorrente. Conforme pode ser observado da descrição dos bens em questão na planilha que acompanha o presente recurso, os mesmos nada mais são do que parte e peças que compõem o Equipamento denominado correia transportadora. Esta última, em conformidade com a descrição do fluxograma do processo produtivo, é responsável por realizar a movimentação do minério no âmbito da mina para a realização do peneiramento. Ou seja, ditos equipamentos – Esteira e Correia Transportadora – preenchem com perfeição os contornos legais hábeis à sua classificação como típicos insumos. O mesmo se diga em relação a manifestação de fls. 1.5071.513 apresentada pela Recorrente contra a informação fiscal prestada às fls.1.4891.497 que concluiu pela inexistência de direito do contribuinte. Com efeito, caberia à Recorrente contestar especificamente cada produto glosado e, demonstrar através de argumentos sólidos, inclusive com a precisa indicação no suporte documental, a utilização de tais produtos em seu processo produtivo. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.539 14 Isto porque, considerando que o entendimento deste relator é no sentido de que nem todos os custos ou despesas necessários à atividade da empresa, geram o direito ao crédito do PIS/Cofins, outro caminho não resta, senão ter que analisar o aspecto da pertinência e da essencialidade no processo produtivo para a qualificação como insumo que gera direito ao crédito do PIS/Cofins. A título exemplificativo, veja que a Recorrente cita o direito ao crédito sobre o óleo e lubrificante, sem especificar onde realmente são aplicados. Por certo, óleo e lubrificantes são utilizados em máquinas, equipamentos e veículos, contudo, a Recorrente deixou de confirmar tal fato, impedindo, assim, que este relator apresente qualquer juízo sobre o tema. Já no que tange as matérias relativas a valoração da prova, insta tecer que este tema não foi objeto do lançamento fiscal, sendo utilizado pelo julgador "a quo" como tese subsidiária para afastar o direito da Recorrente. Ou seja, os julgadores de primeira instância, além do confirmar o entendimento da fiscalização, no sentido de conceder o crédito apenas para os insumos utilizados na industrialização, afastou o direito da Recorrente pela ausência de documentos que comprovassem a origem do crédito, entretanto, considerando que o lançamento fiscal não se pautou na ausência de provas, referida matéria não deve ser analisada por este relator. Neste cenário, diante da contestação genérica apresentada pela Recorrente, entendo que o lançamento fiscal deve se mantido pelos seus próprios fundamentos. III.1.b Serviços utilizados como Insumos A fiscalização afastou o direito da Recorrente com base nos argumentos tratados no item anterior, a saber: Na memória de cálculo fornecida pela contribuinte, arquivo 04. Serviços Utilizados como Insumos_2005.xlsx (Código de Autenticação SVA – 1cacf0de f5c86c75 1c7cf577c93e7ad1), os valores mensais apurados pela contribuinte a esse título são para os meses de Abril a Junho, respectivamente, R$ 125.600.060,88; R$ 122.745.835,13; e R$ 119.047.755,74 . Entretanto, a análise do referido arquivo revela que a empresa computou vários serviços que não se enquadram nos dispositivos da IN SRF n.º 404, de 2004, dentre os quais, podem ser citados: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; Hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários e etc. Exceção feita aos serviços portuários, os demais serviços foram genericamente questionados pela Recorrente, merecendo, assim, idêntico resultado do item tratado no tópico anterior, qual seja, manutenção da glosa. III.1.c Serviços portuários A motivação para fiscalização glosar os créditos vinculados aos denominados serviços portuários foi no sentido de que referidos serviços, por se tratar de serviços realizados em etapa posterior a fase de industrialização, não podem ser considerados como insumos para fins de creditamento, senão vejamos: Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.540 15 Por exemplo, serviços portuários, como: capatazia; rebocagem; movimentação de container; e serviços diversos prestados a bordo de navio, não podem ser considerados insumos de produção dos bens produzidos pela interessada. Isso porque, os serviços de movimentação de container e os serviços prestados a bordo de navio, como as próprias denominações esclarecem, não possuem qualquer relação com a produção de minério. Tratase de serviços auxiliares executados em momento posterior, quando da venda ou escoamento do que foi produzido. Da mesma forma, os serviços de capatazia (movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega) e rebocagem (serviços executados por rebocadores para cumprir as manobras de atracação e desatracação de navios) não se subsumem em serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. Por sua vez, a Recorrente, em síntese, alegou que a atuação da prestadora de serviços portuários ao recepcionar os vagões, desembarcar e agrupar minério e, inclusive, embarcálo diretamente nos navios, consiste em etapa indissociável do transporte da mercadoria, razão pela qual é de se tratar a despesa como parcela do custo do transporte. Em relação a este tema, este Relator já se posicionou favoravelmente ao direito do contribuinte nos seguintes termos4: Considerando a operação realizada pela Recorrente, e pelo fato dela ter especificado os dispêndios com referidos serviços, entendo que estes são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, não podendo, a pessoa jurídica prescindir desses serviços, não sendo eles opcionais, nem atividademeio e tampouco despesa administrativa. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nas hipóteses relativas aos gastos com estes serviços tem entendido que integram o custo dos bens, e o direito do crédito é assegurado no art. 3º da e da lei 10.833/03, senão vejamos: (cfr. Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência que o julgador considerar prescindível ao deslinde do litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. 4 Acórdão: 3302003.199 Processo 11624.720020/201311 Sessão 17 de maio de 2016. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.541 16 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013) Por este motivo, entendo que há de ser reconhecido o direito da Recorrente ao crédito de PIS/COFINS incidente nesta operação. Neste cenário, considerando que referidos serviços são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pela Recorrente, entendo que a glosa deve ser totalmente revertida. III.1.d Despesas com Fretes Destacase de início que a fiscalização aceitou todas as despesas de armazenagem e frete na operação de venda, uma vez que o arquivo digital de notas fiscais apresentado pelo contribuinte confirmou os dados informados no DACON, a saber: Os valores informados no Dacon a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete nas operações de venda do 2º trimestre de 2005 somam R$ 13.439.885,16. Por sua vez, os arquivos digitais de notas fiscais apresentados pela contribuinte confirmam os montantes declarados a título de aquisição de serviço de transporte. Desta forma, não há retificações a serem realizadas nesta rubrica. Não obstante o aceite da fiscalização relativo as despesas com armazenagem e frete na operação de venda, a Recorrente alegou que a fiscalização desconsiderou os serviços prestados pelas empresas MRS Logística S/A, no transporte de minério no modal ferroviário entre a mina e o porto para formação de lote de exportação em recintos alfandegados, bem como pela empresa LogIN Intermodal S/A, responsável pelo transporte marítimo. Segundo a Recorrente "Para empresas que necessitam exportar grande quantidade de produto/minério, é cediço que não é possível encaminhar, em tempo hábil, todo o minério no momento do embarque do navio, motivo pelo qual se utilizam da remessa para a formação de lotes como a alternativa adequada para resolver esse impasse, amparada, inclusive, pelo Convênio ICMS 83/2006." E afirma: "Vêse, pois, da descrição da operação do frete acima detalhada, que as despesas a esta relacionadas caracterizamse como despesa inerente à venda do produto final, pois a aludida remessa compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, e não mera conveniência de operação logística. Ou seja, o transporte das minas ao porto pela via ferroviária é uma etapa indissociável da operação de venda do produto acabado, composta de várias etapas que, ao cabo, tem por fim a entrega da mercadoria adquirente no exterior." Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.542 17 No presente caso, entendo que referidas despesas de transportes não se caracterizam como frete nas operações de venda, passível de creditamento, mais mera despesa de transporte de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o centro de distribuição. Como cediço, as normas de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. Há também direito ao crédito sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Entretanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre as minas da recorrente ou entre a mina e o Porto para formação de lote de exportação em recintos alfandegados, que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas. Portanto, entendo que deve ser mantida a glosa relativa aos serviços de transportes discutidos neste tópico. IV. Conclusão Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa dos serviços portuários. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Vinícius Guimarães, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de creditamento de PIS/COFINS, no regime não cumulativo, com relação às despesas portuárias diversas, entre as quais, os serviços de capatazia, rebocagem, movimentação de container, entre outros serviços prestados a bordo de navio. Em seu voto, o i. relator assinala que os referidos dispêndios seriam necessários ao processo produtivo atinente à atividade econômica da recorrente, afigurandose Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.543 18 como passíveis de creditamento das contribuições nãocumulativas. Distanciome de tal entendimento pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, importa recordar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições nãocumulativas, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência atual do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular, de forma estrita, o conceito de insumos à relação de pertinência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e a duração do processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.544 19 (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...) Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços durante o processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas incorridas antes ou depois do processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Ou seja, os bens ou serviços consumidos enquanto perdurar o processo produtivo são considerados insumos, enquanto que os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado o processo produtivo, "por mais que possam ser necessários à produção", não se enquadram no conceito de insumos. Filiome ao conceito de insumos acima esposado. Não basta que a despesa seja necessária ao processo produtivo: é fundamental que ela seja incorrida dentro do limite espaço temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Tendo em vista tal conceito de insumos e voltando ao caso concreto, há que se concluir que gastos portuários diversos, como é o caso dos serviços de capatazia, rebocagem, movimentação de container, e outros serviços prestados a bordo de navio, ainda Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 16682.904221/201128 Acórdão n.º 3302005.647 S3C3T2 Fl. 1.545 20 que, eventualmente, possam se mostrar necessários à atividade econômica da pessoa jurídica, como bem pontuou o i. relator, não podem ser considerados insumos, uma vez que constituem despesas incorridas após o processo produtivo. De fato, os referidos dispêndios ocorrem após o período de duração do processo produtivo, não guardando a fundamental e necessária relação de pertinência com a produção, razão pela qual não se aplica a eles o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS nãocumulativos. Há que se ressaltar, por fim, que os citados gastos aduaneiros não podem ser confundidos com os gastos com armazenagem ou transporte (frete), uma vez que correspondem, evidentemente, a categorias ontologicamente distintas, resultando daí tratamentos jurídicos distintos no que concerne à possibilidade de crédito de PIS/COFINS: enquanto despesas com armazenagem e frete podem, sob certas condições, gerar direito ao crédito de PIS/COFINS, por expressa previsão legal, os gastos com serviços portuários dos produtos acabados não dão direito a crédito, uma vez que 1) não representam insumos e 2) não há norma tributária prevendo seu creditamento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento à pretensão da recorrente quanto à possibilidade de creditamento das despesas com serviços portuários diversos entre os quais: capatazia, rebocagem, movimentação de container. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 1545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.004183/2010-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Conhecido
Direto Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão recorrido e declarar a definitividade da decisão de exclusão do simples na esfera administrativa perpetrada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ, em face da existência de concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, aplicando-se a súmula CARF n.º 01.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Conhecido Direto Creditório Não Reconhecido
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RENÚNCIA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Conhecido Direto Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão recorrido e declarar a definitividade da decisão de exclusão do simples na esfera administrativa perpetrada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ, em face da existência de concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, aplicandose a súmula CARF n.º 01. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 41 83 /2 01 0- 42 Fl. 64DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 57 à 62) interposto em 24/10/2014 contra o Acórdão n° 0949.540, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG em 12/02/2014 (efls. 50 à 54), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: A manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente e com preenchimento dos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dela se conhece. Registrese, de pronto, que, como registrado na súmula do CARF, a autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, devendo, por ser sua atividade vinculada, aplicar a legislação vigente. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária E não podia ser de forma diferente, uma vez que, segundo o art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, é “vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, exceto nas hipóteses previstas no § 6º do mesmo dispositivo, as quais não se aplicam ao caso vertente. Em conformidade com essa vedação, a Portaria MF nº 341/2011, que disciplinou o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, determina que o julgador observe as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.º 8.112/90), bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. (...) Pela legislação acima, concluise que não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP que possuir débito junto à Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10909.004183/201042 Acórdão n.º 1002000.385 S1C0T2 Fl. 65 3 A interessada tinha débitos e não efetuou a comunicação de exclusão obrigatória e, em conseqüência foi excluída de ofício. A empresa não comprovou a regularização dos débitos motivadores da exclusão em tempo hábil, não havendo como permitir a sua permanência como optante pelo Simples Nacional. Em sua defesa, solicita parcelamento nos termos da Lei 10.522/2002 com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A propósito do parcelamento de débitos dos optantes pelo Simples Nacional, temse que o art. 155A do CTN determina que o “parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica” e, não havia previsão legal específica de parcelamento de débitos fiscais para empresas que estivessem sob o regime de tributação simplificada até a expiração do prazo para regularização dos débitos apontados no ADE em comento. A Lei nº 11.941/2009 não vedou expressamente o parcelamento às empresas optantes do Simples Nacional, porém, não o previu. O parcelamento de débitos dos optantes pelo Simples Nacional exige lei específica, nos exatos termos do artigo 155A do CTN, lei específica, que traga ferramentas de processamento de dados, com nível de detalhamento e intercâmbio de informações entre os entes tributantes, não compatíveis com as disposições da Lei nº 11.941, de 2009. Apenas Lei Complementar pode criar parcelamento de débitos que englobam tributos de outros entes da federação, nos termos do art. 146 da Constituição Federal. A empresa, repisese, deixou de cumprir a alternativa que a manteria no Simples Nacional, ou seja, o integral recolhimento dos tributos, no prazo de trinta dias, contados da ciência do ADE. A opção pelo parcelamento não era válida, pelas razões já expostas. Nem se alegue que o parcelamento teria sido aceito, pois o ferramental disponível na rede mundial de computadores não dispunha de filtros capazes de impedir o suposto ingresso dos optantes do Simples Nacional na sistemática de parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Por isso mesmo, os optantes pelo Simples Nacional nesta condição conseguiam inserir dados que aparentemente os habilitavam na modalidade de parcelamento. Referidas empresas, eram inevitavelmente excluídas pelas razões técnicas e legais expostas, subsistindo, assim, as razões impeditivas que ensejaram o ADE. (...) Por conseguinte, a solução, dentro da esfera de competência da DRJ, é o indeferimento do pedido de manutenção no Simples Nacional, por falta demonstração de que foi regularizada a situação da empresa dentro do prazo de trinta dias previsto no § 2º do artigo 30 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Fl. 66DF CARF MF 4 Conforme se extrai dos presentes autos, o Recorrente teve sua exclusão do SIMPLES Nacional efetuada de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº. 438097 de 01/09/2010 (efl. 09). O motivo para a retirada daquele regime tributário foi fundamentado na existência de débitos com a Fazenda Pública Federal. Na sequência, procedeu o Fisco pela intimação do Recorrente em 29/10/2010 (efl. 20), com o objetivo de comunicar a inviabilidade de parcelamento dos débitos. Eis o teor do Comunicado n° 1632/2010SARAC/DRF/ITJ: Senhor Contribuinte, Em razão do requerimento entregue por V. Sa nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajai no dia 20/10/2010, no qual pleiteia parcelamento nos moldes da Lei n° 10.522/02 para seus débitos de Simples Nacional dos anos de 2007 e 2008 informo o que segue. O artigo 155A do Código Tributário Nacional a firma que o parcelamento de débitos será concedido na forma e condição estabelecidas em lei especifica. A Lei Complementar n° 123/06, que estabeleceu normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado As microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, denominado Simples Nacional estabelece em seu artigo 21 a forma de recolhimento dos tributos apurados pelo regime do Simples Nacional, não estando ai incluída permissão de parcelamento dos débitos. Sendo o Simples Nacional um regime especial de apuração e recolhimento de tributos e contribuições devidos A Unido, Estados e Municípios, a previsão de parcelamento para os débitos apurados nesse regime deve estar contida no texto da lei que criou o regime ou em outra lei complementar que expressamente autorize o parcelamento dos débitos apurados no tratamento diferenciado instituído pela Lei Complementar n° 123/06. Não pode o Poder Executivo Federal conceder parcelamento sem que haja previsão legal para isso. Assim sendo, não temos como acatar seu requerimento de parcelamento dos débitos apurados no regime do Simples Nacional No deslinde processual, o Contribuinte ajuizou Mandado de Segurança n° 500326446.2010.404.7208, o qual inicialmente contou com o deferimento da liminar em 01/12/2010 (efls. 40 à 43), para garantia do parcelamento, bem como a manutenção do Recorrente na sistemática do SIMPLES (efls. 197 à 200), verbis: 2.2. Efeito suspensivo ao pedido administrativo A vedação legal prevista no art. 5°, I da Lei n° 12.016/2009 não se aplica ao caso sob exame. O pedido formulado no presente mandamus contempla, além da manutenção da impetrante no regime do Simples Nacional, a autorização para o parcelamento ordinário dos débitos referentes a esse regime. No entanto, o efeito suspensivo atribuído à impugnação ofertada administrativamente pela impetrante referese tãosomente à sua exclusão do Simples. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10909.004183/201042 Acórdão n.º 1002000.385 S1C0T2 Fl. 66 5 Ademais, o pedido de parcelamento já restou indeferido administrativamente (evento 13, DEC2). 2.3. Pedido liminar No regime geral das liminares exigese o preenchimento simultâneo dos requisitos 'fumus boni iuri' (plausibilidade do direito invocado ou verossimilhança das alegações) e 'periculum in mora' (receio pela demora ou dano irreparável ou de difícil reparação). Não basta um ou outro; requeremse ambos os requisitos. No caso dos autos, a celeuma gira em torno da possibilidade de assegurar â impetrante a permanência no regime tributário do Simples Nacional e, ainda, permitir o parcelamento ordinário de débitos a ele referentes. (...) Como se vê, a lei ordinária não faz qualquer restrição aos tributos que compõem o Simples Nacional, até porque promulgada anteriormente A lei complementar. Não bastasse isso, interpretar a norma ordinária restritivamente, implicaria em ferir os comandos constitucionais que garantem tratamento privilegiado As microempresas e empresas de pequeno porte. Com efeito, a situação das microempresas e empresas de pequeno porte tem encontrado espaço no Texto Constitucional desde a sua redação original de 05.10.1988, o que demonstra a preocupação da Assembléia Constituinte com a realidade econômica de nosso Pais, que ostenta no seu mercado um grande número de sociedades empresárias de porte reduzido, a merecer, portanto, preocupação do documento máximo da Nação. (...) Toda a interpretação de normas deve ser feita à luz da Constituição Federal de 1988, bem como da natureza jurídica das figuras de direito envolvidas, razão porque a interpretação restritiva da Lei n° 10.522/2002 não pode ser admitida. Destacase, por fim, que • a vedação em razão da abrangência de tributos estaduais e municipais no Simples Nacional não se justifica, pois, do contrário, a LC 123 seria inconstitucional por ter a Unido legislado sobre tributos de tais entes. Ademais, em caso de inadimplência, quem executa é a Unido (inclusive tributos estaduais/municipais). A plausibilidade do direito invocado, portanto, restou evidenciada. O periculum in mora dessomese, além da iminência da exclusão da impetrante do regime do Simples, do fato de que o decurso do tempo s6 faz aumentar a soma de seus débitos tributários, já que sobre eles incidem acréscimos legais. Fl. 68DF CARF MF 6 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, defiro a liminar para determinar que a autoridade coatora assegure à impetrante o direito de manutenção no regime tributário do Simples Nacional, bem como autorize o parcelamento instituído pela Lei n° 10.522/2002 (60 vezes), em relação aos débitos apurados na forma do Simples. Nos argumentos apresentados no suposto Recurso Voluntário, o Contribuinte sustenta ter solicitado o parcelamento de seus débitos; aduz, ainda, que o rol do art 14 da Lei n° 11.051/04 é taxativo, razão pela qual sua aplicação darseia em conjunto com os termos da Lei n° 10.522/02, o que permitiria o aludido pagamento parcelado, sendo um direito líquido e certo para tanto. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do SIMPLES Nacional, desvinculada de crédito tributário. Este não é exigido nos presentes autos, e também não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, §1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Contudo, não se pode conhecer do presente Recurso, em virtude de renúncia à instância administrativa, conforme se explanará a seguir. Do pronunciamento da renúncia de instância em sede de decisão a quo Ab initio, destaco que o presente PAF teve início em 09/11/2010, sendo que o Contribuinte ajuizou Mandado de Segurança 01/12/2010 (efls. 40 à 43). Assevero, ainda, que na Manifestação de Inconformidade restou omitida quaisquer informações sobre o aludido remédio constitucional, sendo este identificado pela autoridade fiscal no deslinde do processo (efl. 27). Em seguida, restou consignada a identidade de objeto figurada entre o processo administrativo e aquele Mandamus, pelo que transcrevo o teor exposto à efl. 45: Juntados, numerados e rubricados, nesta data, os documentos de fls. 24/33. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10909.004183/201042 Acórdão n.º 1002000.385 S1C0T2 Fl. 67 7 Em atenção ao despacho de fls. 23, observamos, com base na documentação juntada, que há identidade entre o objeto do presente processo administrativo e o objeto do Mandado de Segurança n° 500326446.2010.404.7208/SC, de que cuida o processo administrativo judicial n° 10909.004129/201005. A vista do acima exposto, providenciese o retorno do presente processo à Chefia da SARAC/DRF/ITJ, para as determinações necessárias ao prosseguimento. Itajaí, 10 de Janeiro de 2011. Contudo, creio que, por não constar no teor da exordial defensiva, o Acórdão de piso não se pronunciou a respeito da inequívoca renúncia à instância administrativa. Outrossim, essa omissão não preenche de mácula o deslinde deste PAF, pois incumbe justamente à esta Turma Extraordinária zelar pela observância estrita da legalidade e o correto saneamento do trâmite recursal. Assim, calcado nos princípios norteadores do Direito, com especial destaque à celeridade e eficiência os quais servem de baliza à instrumentalidade das formas processuais , cabe ao presente Colegiado reconhecer ex officio a patente concomitância do atual PAF e a ação judicial. E, nessa senda, justificase a reforma do Acórdão da DRJ, com o escopo de declarar a definitividade da decisão de exclusão do SIMPLES na esfera administrativa perpetrada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 438097/2010, em face da existência da aludida concomitância processual. Do malferimento à Súmula Vinculante CARF n° 01 De plano, tornase imperativo reconhecer a renúncia à instância administrativa. Isso é perceptível com hialina clareza quando da leitura do teor da decisão em sede de Mandado de Segurança, cujo conteúdo exposto no Relatório supra expõe a profundidade meritória da exclusão do SIMPLES, bem como a autorização do parcelamento do débito e a manutenção do Contribuinte naquela sistemática tributária. Notase, pois, que o plexo fático e jurídico analisado procede, sim, com uma ampla análise da retirada do SIMPLES, o que não é admitido por representar renúncia à instância administrativa. Quanto ao mais, cumpre deixar claro que tal provimento judicial decorreu diretamente do pedido exposto na petição do Recorrente, conforme de sua petição (efls. 39). A seguir transcrevo o exato trecho do Mandado de Segurança: IV. DO PEDIDO 57. Ante todo o exposto, estando presentes o direito liquido e certo e da iminência de dano irreparável, requisitos da expedição liminar da ordem mandamental, requerse de Vossa Excelência: a) a concessão da segurança para reconhecer o direito liquido e certo da Impetrante de parcelar, nos termos da Lei 10.522/2002, os débitos da Impetrante decorrentes do Simples Nacional; Fl. 70DF CARF MF 8 b) em consequência, seja estabelecida a reintegração da Impetrante ao Simples Nacional, determinandose, na forma do art. 151, VI, do Código Tributário Nacional, a suspensão da exigibilidade dos débitos in casu; C) a expedição de oficio à autoridade coatora para prestar as informações cabíveis no prazo legal; d) a citação da União Federal para manifestação no prazo legal; e) a intimação do douto Representante do Ministério Público Federal; f) requer, por fim, que todas as publicações e demais atos processuais sejam efetuados exclusivamente em nome do advogado Dante Aguiar Arend. 58. Dá à causa, para efeitos meramente fiscais, o valor de R$ 1.000,00 (mil reais). Nestes termos, Pede deferimento. Notase, pois, que os argumentos meritórios não foram aduzidos obiter dicta, mas sim representaram parte do âmago do requerimento judicial. Portanto, verificada a existência de processo judicial, deixase de apreciar o Recurso. É o que dispõe o Decreto nº 7.574/2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o art. 78, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10909.004183/201042 Acórdão n.º 1002000.385 S1C0T2 Fl. 68 9 pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Além do amparo regimental, o CARF dispõe de enunciado sumular vinculante (Súmula n°01) que versa sobre o tema, o qual estabelece norma de observância obrigatória: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, os efeitos da renúncia estão delineados no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014, cuja ementa assim dispôs: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. Fl. 72DF CARF MF 10 A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. eprocesso nº 10166.721006/201316 O referido parecer concluiu que a decisão judicial transitada em julgado prevalece sobre a administrativa, mesmo quando esta tenha sido mais favorável ao contribuinte2 e que, configurada a concomitância, deve ser proferida decisão formal declaratória da definitividade da exigência discutida ou da definitividade da decisão recorrida. Consequentemente, as decisões que lhe foram favoráveis tornam se insubsistentes, conforme o §5º do artigo 78 do Anexo II do RICARF: §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Assim, havendo desistência à lide administrativa por ajuizamento de ação judicial sobre o mesmo objeto, eventuais decisões administrativas favoráveis ao contribuinte tornamse insubsistentes, pois configurada a concomitância, não haverá decisão administrativa no contencioso sobre a matéria objeto da concomitância, devendo, apenas, a Administração Tributária cumprir a decisão judicial vigente. Entendo, portanto, haver clara circunstância de renúncia da instância administrativa, razão pela qual inabilita o conhecimento recursal por este Colendo Colegiado. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10909.004183/201042 Acórdão n.º 1002000.385 S1C0T2 Fl. 69 11 Dispositivo Ante o exposto, VOTO por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, dar lhe parcial provimento para reformar o acórdão recorrido e declarar a definitividade da decisão de exclusão do Simples na esfera administrativa perpetrada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 438097/2010, em face da existência de concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, o que acarreta a aplicação da Súmula CARF n° 01. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914279/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 27 9/ 20 12 -3 3 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.914279/201233 Resolução nº 3401001.468 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 24895.22483.301012.1.3.048090 a compensação de débito de IRPJ (cód.2362) do período de apuração 09/2012 no valor de R$ 7.447,01 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 45.712,21 do período de apuração 04/2012, arrecadado na data de 25/05/2012. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 7.373,28. Do Despacho Decisório A DRF de Campinas/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042010114 (efls.18), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 30/04/2012. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), nos seguintes termos: “O crédito informado pela empresa na Perdcomp acima informado está correto, e portanto, estamos apresentando a DCTF referente abril de 2012 para comprovação do mesmo”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2012 RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Aludi o autor do voto como principal premissa a sustentar a decisão proferida, o fato de a interessada ter apresentado DCTF Retificadora após a ciência do Despacho Decisório, quando “a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o inciso I, alínea c do § 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010”. Do Recurso Voluntário Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10830.914279/201233 Resolução nº 3401001.468 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.60) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que o crédito informado pela empresa na PER/DCOMP está correto. A redução do débito ocorreu pela retificação da apuração de PIS e COFINS, por não ter sido incluído os créditos relativos aos Retornos de Mercadorias não entregues, emitidas com o CFOP 1949/2949; (b) ocorreram vendas e por algum motivo não foram aceitas pelos clientes, estando o motivo da recusa firmado no verso da Nota Fiscal de venda, o que acarretou a emissão de Notas Fiscal de entrada; (c) apresenta relação de Notas Fiscais e cópia de algumas delas para comprovar o ocorrido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte em procedimento de revisão de sua escrituração fiscal/contábil constatou haver erro de apuração e de declaração em DCTF dos valores devidos de PIS e COFINS do período abril de 2012. O valor originalmente declarado e pago de COFINS foi R$ 45.712,21 quando o correto seria R$ 38.338,93 informado em DCTF Retificadora (efls.20), transmitida na data de 22/01/2013. A diferença entre o valor pago e o informado em DCTF Retificadora corresponde ao valor do crédito indicado na PER/DCOMP R$ 7.373,28. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DCTF Retificadora em 22/01/2013, data posterior ao de ciência do Despacho Decisório dado por “AR” em 21/01/2013 (efls.49), o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Ocorre que com o Recurso Voluntário a recorrente procurou esclarecer as razões que a levaram a ingressar com a PER/DCOMP e também, proceder com a apresentação de Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10830.914279/201233 Resolução nº 3401001.468 S3C4T1 Fl. 5 4 DCTF Retificadora. Junta as fls. 20/34 relatório indicando as notas fiscais que teriam dado origem ao crédito, redutor do débito originalmente declarado em DCTF, cópia de documentos fiscais (por amostragem), além de cópia do livro fiscal de entradas e planilha de apuração do PIS e da COFINS do mês de maio de 2012 (efls. 96 a 113). Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10830.914279/201233 Resolução nº 3401001.468 S3C4T1 Fl. 6 5 força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900309/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada.
Numero da decisão: 1302-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada.
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APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 03 09 /2 00 6- 55 Fl. 318DF CARF MF 2 A Empresa apresentou DComp eletrônica 35446.74409.301003.1.3.040654 pleiteando a compensação de crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ com débito de estimativa mensal de CSLL de março de 2003, no valor de R$374,02. Despacho Decisório (DD) de 16 de junho de 2008 não homologou a compensação, uma vez que o DARF estava totalmente dedicado a pagamentos de tributos federais. Em manifestação de inconformidade a Empresa detalha confusão entre os valores considerados no DD e invoca o princípio da verdade material, pelo que a DRJ emite acórdão indeferindo a solicitação, com as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2001 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código . Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/03/2001 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Constatada confusão e para evitar decisão inconsistente, esta Turma Ordinária emitiu a Resolução nº 130000.071, em 23 de fevereiro de 2011, convertendo o julgamento em diligência, de seguinte teor: Nessa medida, vejo a necessidade de converter o julgamento em diligência, em conjunto com os demais processos com matéria interligada (no total, Processos no. 10825900.309/200655, 10825900.312/200679 e 10825900.315/200655) para que a autoridade preparadora, por favor, execute as seguintes providências. 1 – Levante os pedidos de compensação efetuados pelo contribuinte e também os processos em que se discutem pedidos de compensação relacionados ao saldo de IRPJ pago a maior de 2001 e também aqueles relacionados ao pagamento indevido de IRPJ em 31032001. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10825.900309/200655 Acórdão n.º 1302003.124 S1C3T2 Fl. 319 3 2 – Levante o Processo 10825900.311/200624, o correspondente extrato COMPROT, o pedido de compensação em discussão nesse processo, a decisão DRJ e se houver a decisão deste Conselho. 3 – Verifique em que medida o saldo de 24.557,48 de IRPJ pago a maior conforme apurado na DIPJ/02 para 31122001 foi objeto de compensação pelo contribuinte, esclarecendo as seguintes informações. 3.1. Qual foi o valor compensado e a data da compensação, o número do PER/DCOMP e do Processo Administrativo se houver. 3.2. A evolução do saldo de IRPJ a compensar com o abatimento das compensações efetuadas conforme 3.1., evidenciando qual é à data da análise o atual saldo em aberto a compensar de IRPJ pago a maior no ano de 2001. Analisar e incluir também os pedidos de compensação relacionados a recolhimento indevido no mês calendário de fevereiro de 2001. 4 Confronte as compensações analisadas nos itens 1, 2 e 3 com aquelas elencadas na tabela supra deste voto e conclua o relatório de diligência, tecendo os esclarecimentos que julgar necessário. 5 Cientifique o contribuinte do resultado dos trabalhos relativos aos itens 1 a 4, abrindo prazo para manifestação formal escrita. 6 Decorrido o prazo para manifestação, anexe a manifestação do contribuinte ao processo em conjunto com os demais documentos e encaminhe o processo novamente a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão, em conjunto com os demais processos de matéria interligada (10825900.309/200655, 10825900.312/200679 e 10825900.315/200655) e, se ainda não houver decisão do Conselho, processo 10825900.311/200624). Em resumo: COMPENSAÇÃO – IRPJ Saldo Negativo x IRPJ Recolhimento Indevido – Está claro que o contribuinte recolheu IRPJ indevidamente em 31032001 e é necessário verificar as compensações que realizou com esse pagamento e o saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2001 para verificar a existência do crédito compensado. Realizada a diligência, a autoridade responsável apresentou Informação Fiscal concluindo pela existência, após todas as considerações, de saldo de direito creditório no montante de R$3.537,02, o que seria suficiente para as seguintes compensações, litteratim: Se efetuados os procedimentos de compensação desses débitos com o saldo remanescente apurado na presente diligência, o crédito remanescente de R$ 3.537,02, seria suficiente para compensar os débitos dos processos 10825.900309/200655 e 10825.900312/200679, restando um saldo de R$ 1.609,63 para o processo 10825.900315/200611, conforme abaixo demonstrado: O saldo do direito creditório de R$ 1.609,63, aplicada a selic até a data da declaração de compensação de 30/10/2003, seria suficiente para compensar parte do Fl. 320DF CARF MF 4 débito controlado no processo 10825.900315/200611, referente à declaração de compensação nº 06492.73776.290604.1.7.046688, conforme: Sendo assim, restaria um saldo devedor de R$ 3.290,20 do débito declarado na dcomp nº 06492.73776.290604.1.7.046688 e controlado no processo 10825.900315/200611. Regularmente intimada do resultado da diligência, a Recorrente quedou inerte. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Recurso é tempestivo e a representação é regular, pelo que conheço do Recurso Voluntário. A autoridade administrativa responsável pela realização da diligência, após acurado trabalho, constatou a existência de saldo negativo suficiente para a homologação das DComps 35446.74409.301003.1.3.040654 e 16717.72732.301003.1.3.048349, cujos débitos são de R$374,02 e 2.237,01, respectivamente, e homologação parcial da DComp 06492.73776.290604.1.7.046688, restando um saldo a pagar de R$ 3.290,20. Não havendo oposição ao trabalho fiscal, acolho as razões da Informação Fiscal de folhas 301/308, reconhecendo o direito creditório no valor de R$3.537,02 e homologo a compensação pleiteada neste processo, DComp 35446.74409.301003.1.3.040654. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726265/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-007.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 65 /2 00 9- 58 Fl. 249DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A citada verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Na apuração da exigência não foram considerados valores com origem em décimo terceiro salário e em abono de férias. A forma de cálculo aplicada foi a determinada no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, sendo o cálculo mensal e não global (Auto de Infração de fls. 2 a 11). Em sessão plenária de 19/03/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802002.771 (fls. 143 a 151), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ILEGITIMIDADE ATIVA. PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10580.726265/200958 Acórdão n.º 9202007.236 CSRFT2 Fl. 250 3 virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. DENOMINAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Evidenciado nos autos que a verba principal recebida pela contribuinte não possui natureza indenizatória, a ela não se aplicam os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator." Cientificada do acórdão em 11/06/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. fls. 159), a Contribuinte interpôs, em 26/06/2014 (protocolo de fls. 161), o Recurso Especial de fls. 161 a 184, com fundamento no art. 64 e seguintes, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria “URV – parcelas de natureza indenizatória", conforme despacho de 23/07/2015 (fls. 227 a 233), mantido pelo Despacho de Reexame de fls. 234/235. Relativamente à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte apresenta as seguintes alegações: a origem dos pagamentos da Lei Estadual n° 8.730, de 2003, e da Lei Complementar n° 20, de 2003, foi o desfecho desfavorável à Fazenda Pública baiana nos autos da AO 613BA e 614BA julgadas pelo STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita originária para compensar seus Servidores Públicos em razão das diferenças havidas por conta da URV; a decisão recorrida contradiz o quanto já foi decidido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, que já analisou idêntico assunto ao aqui discutido, tendo concluído pelo caráter indenizatório da parcela recebida a título de URV (processo n° 10580.726058/20090, que originou o Acórdão n° 210201.746); Fl. 251DF CARF MF 4 por fim, cumpre destacar as conclusões fornecidas pelo Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia: "(...) Embora se trate de matéria controvertida, o exame das circunstâncias e do contexto vigorante à época da edição das leis estaduais mostra existirem elementos para considerar que o abono variável previsto na Lei Federal englobou a parcela correspondente à diferença de URV resultante da lei n. 8.880/94. Na medida em que o Supremo Tribunal Federal emitiu pronunciamento afirmando a natureza jurídica da verba, inclusive à vista de precedentes do próprio Tribunal, é no mínimo razoável entender que a verba contemplada nas leis estaduais comunga da mesma natureza jurídica daquela prevista pela lei federal." Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, reconhecendose a improcedência do lançamento, em razão da natureza indenizatória da parcela em exame. O processo foi encaminhado à PGFN em 06/01/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 241) e, em 08/01/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 248), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 242 a 247, contendo os seguintes argumentos: por força de comando do art. 111 do CTN, verificase que a concessão de isenção exige interpretação literal; já o parágrafo 6º do artigo 150 da Constituição Federal prevê a necessidade de lei específica para concessão de isenção; neste sentido, alguns julgados proferidos pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que delineiam os reais contornos da jurisprudência dominante em nossos tribunais e no CARF: "Acórdão nº 220201.206– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da Arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10580.726265/200958 Acórdão n.º 9202007.236 CSRFT2 Fl. 251 5 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte." Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e, na parte em que teve seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Fl. 253DF CARF MF 6 Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10580.726265/200958 Acórdão n.º 9202007.236 CSRFT2 Fl. 252 7 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono variável tratado na Resolução e as diferenças de URV: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV – VERBA PAGA EM ATRASO – NATUREZA REMUNERATÓRIA – RESOLUÇÃO 245/STF – INAPLICABILIDADE. Fl. 255DF CARF MF 8 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20/05/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de inúmeros julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, dentre os quais o Acórdão nº 9202 004.464, de 28/09/2016, que reformou o Acórdão nº 210201.746, indicado pela Contribuinte como paradigma, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10580.726265/200958 Acórdão n.º 9202007.236 CSRFT2 Fl. 253 9 Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 257DF CARF MF
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