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Numero do processo: 12448.725013/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS DE ALUGUEL. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de que os rendimentos de aluguel foram vertidos para beneficiário distinto do informado em DIMOB requer sejam acostados documentos hábeis a confirmar, pelo seu conjunto, a versão dos fatos tal como defendida pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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COMPROVAÇÃO. A comprovação de que os rendimentos de aluguel foram vertidos para beneficiário distinto do informado em DIMOB requer sejam acostados documentos hábeis a confirmar, pelo seu conjunto, a versão dos fatos tal como defendida pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 50 13 /2 01 1- 86 Fl. 99DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 12448.725013/201186 Acórdão n.º 2402005.570 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a pagar do anocalendário 2009 de R$ 3.037,29 para o montante de R$ 2.766,88 de imposto suplementar a pagar (fls. 4/7), tendo em vista o confronto dos rendimentos declarados com o total dos rendimentos dos aluguéis informados pela Administradora Javi Imóveis Ltda. (CNPJ nº 74.094.319/000160) na Dimob, no valor de R$ 21.106,08. Em sua impugnação (fls. 2/10), o contribuinte afirmou ter apenas o usufruto, registrado na escritura, do imóvel em questão, direito esse que foi cedido ao proprietário, seu genro Alexandre Carlos Santanna Matta, CPF nº 016.206.91892, o qual foi o real receptor dos aluguéis tidos por omitidos. Tal acerto, esclarece, decorreu de dívida que seu genro tinha então para com o impugnante. Disse, também, que não contratou a Javi Imóveis para administrar o imóvel, localizado na rua Dona Mariana nº 66/701, Botafogo, Rio de Janeiro RJ, e que há erro nas informações por aquela prestadas em Dimob. A DRJ/RJ1 manteve a exigência (fls. 23/26), motivo pelo qual foi interposto o recurso voluntário em 8/5/2014 (fls. 36/56), reiterando as razões da impugnação e juntando documentos. Mediante a Resolução nº 2402000.553, de 12/5/2016 (fls. 62/64), foi convertido o julgamento em diligência. Com a juntada da Informação Fiscal e respectivos documentos às fls. 70/97, retornou o processo a esta instância recursal para prosseguimento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo direto ao seu exame. Cabe então, reproduzir os termos da fundamentação da Resolução nº 2402 000.553, para bem situar a lide em tela. É incontroverso ser o notificado usufrutuário do imóvel em tela, porém ele alega que cedeu seus direitos nos termos do art. 717 do Código CIvil (art. 1393 do Código Civil de 2002), e apresenta contrato de cessão de usufruto (fl. 41), bem como declaração do cessionário (fl. 42), seu genro, nesse sentido. Todavia, além das limitações intrínsecas do valor probatório de declarações, a teor dos arts. 408 e 412 do Código de Processo Civil, ainda mais sendo signatário pessoa do círculo familiar do interessado, temse que, nos termos do art. 221 do Código Civil, o contrato particular de cessão deve ser levado a registro para operar efeitos perante terceiros, o que não ocorreu na espécie. Por outra via, temse diversos "Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis", aparentemente de lavra da Javi Imóveis (fls. 37/40), nos quais consta como beneficiário da locação do imóvel o cessionário Alexandre Carlos Santanna Matta, porém nenhum desses documentos se refere ao anocalendário em foco, 2009. Há, outrossim, duas declarações da administradora (fls. 43/44), no sentido de que, "conforme retificações nas DIMOB relativos aos anos anteriores" o valor do aluguel é depositado em nome de Alexandre Carlos Santanna Matta, porém não há documento atestando as alegadas retificações, cabendo, aliás, perquirir, quais anos anteriores? Diante desse quadro, necessário é saber: se foi realizada a alegada retificação nas DIMOB; com que pessoa física o contrato de administração/locação do imóvel foi firmado; e se os rendimentos de aluguel já foram, no ano em evidência, submetidos à tributação pelo aventado locador. Nesse sentido, foi então proposta a conversão do julgamento em diligência, para que fosse: informado se os rendimentos de aluguel do imóvel em questão foram submetidos à tributação na DIRPF/2010 de Alexandre Carlos Santanna Matta, CPF nº 016.206.91892; informado se a Administradora Javi Imóveis Ltda., CNPJ nº 74.094.319/0001 60 realizou retificações na DIMOB relativas a esse imóvel no anocalendário 2009, e o teor dessas retificações, sendo o caso; realizada intimação dessa pessoa jurídica para que ela apresente o contrato de administração desse imóvel, no tocante ao referido anocalendário. Sem embargo, não logrou sucesso referida diligência em atestar de maneira indene de dúvidas haverem se dado os fatos em apreço consoante a versão do contribuinte. Intimado, Alexandre Carlos Santanna Matta confirmou ter oferecido à tributação valores que corresponderiam aos aluguéis do imóvel sito na rua Dona Mariana nº 66/701, Botafogo, Rio de Janeiro, o que foi confirmado pela DIRPF acostada (fls. 73/87). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 12448.725013/201186 Acórdão n.º 2402005.570 S2C4T2 Fl. 103 5 Porém os valores declarados, R$ 19.192,98, não conferem com os constantes na DIMOB pela administradora, R$ 21.106,08, e não foi carreado contrato de aluguel referente ao período que pudesse corroborar serem as cifras constantes naquela DIRPF atinentes ao respectivo contrato. Também não foram localizadas nos sistemas da RFB as retificações de DIMOB em tese realizadas pela administradora, a qual, aliás, não foi localizada, pois quando intimada no seu endereço cadastral tributário, a correspondência retornou com a marcação do motivo "mudouse" pelos Correios (fls. 88/97). Vale lembrar, outrossim, que a instância a quo trouxe informação (fl. 26) de que "a locatária do referido imóvel, cujo CPF é o de nº 032.208.93791, informou, em sua Declaração de Ajuste Anual, mais exatamente no quadro “Pagamentos e Doações Efetuados”, que o impugnante foi o beneficiário dos pagamentos, realizados a título de aluguéis", o que não restou esclarecido pelo recorrente. Diante desse quadro, não há fundamentos suficientes para realizar reforma na decisão vergastada. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906074/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.972
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 07 4/ 20 12 -8 3 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10660.906074/201283 Resolução nº 3401000.972 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.334. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906074/201283 Resolução nº 3401000.972 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906074/201283 Resolução nº 3401000.972 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722163/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 17/08/2011
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.635
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 17/08/2011 EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 63 /2 01 1- 62 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10280.722163/201162 Acórdão n.º 3302003.635 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.485, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 17/08/2011 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.722163/201162 Acórdão n.º 3302003.635 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.722163/201162 Acórdão n.º 3302003.635 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.722163/201162 Acórdão n.º 3302003.635 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 28/12/2015, apresentação do RV em 22/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720086/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Mar 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
IMÓVEL RURAL SUPOSTAMENTE LOCALIZADO EM TERRA INDÍGENA DEMARCADA.
O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontra-se incrustado em terra indígena demarcada.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS.
A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto.
RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE.
Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 IMÓVEL RURAL SUPOSTAMENTE LOCALIZADO EM TERRA INDÍGENA DEMARCADA. O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontra-se incrustado em terra indígena demarcada. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS. A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto. RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ. Recurso Voluntário Negado
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O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontrase incrustado em terra indígena demarcada. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS. A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto. RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 86 /2 00 7- 83 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 125 2 Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 126 3 Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 36/44, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para gozar da imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 49), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 50/73, acompanhado dos documentos de fls. 74/84. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 127 4 Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 128 5 O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004, declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 52 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 52 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Diligência Por meio da Resolução nº 2801000.311, da extinta 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), devendo constar do documento a identificação do proprietário e a área do imóvel. Após ser intimado (fl. 94), o Interessado se manifestou às fls. 96/98 e juntou aos autos os documentos de fls. 99/109. Em sua manifestação, aduz, em síntese, que: Que não existe, atualmente, órgão regional da FUNAI no Estado do Pará. Que as emissões dos documentos denominados Atestado Administrativo e Declaração de Reconhecimento de Limites, que se referem à localização de imóvel particular em relação a terras indígenas, serão processadas de acordo com as normas estabelecidas na Instrução Normativa FUNAI nº 3, de 20 de abril de 2012. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 129 6 No sentido de comprovar que o imóvel objeto de tributação encontrase localizado na área indígena APYTEREWA, anexa memorial descritivo, cálculo analítico de área, azimutes, lados, coordenadas, UTM e geográficas, bem como levantamento planimétrico, elaborados pela empresa Norte Engenharia. Ao final, requer seja admitida como prova de que o imóvel encontrase situado na área indígena APYTEREWA os documentos elaborados pela empresa Norte Engenharia. Alternativamente, que seja estabelecido novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas estabelecidas na IN FUNAI nº 3/2012, porquanto o prazo de 15 dias é insuficiente para tal mister. Nova diligência Tendo em vista que os documentos juntados pelo Interessado não atenderam ao objeto da diligência fiscal, aliado ao fato de que a Instrução Normativa FUNAI nº 3/2012 revelou a existência de um procedimento para emissão de documentos referentes à localização de imóvel rural particular em relação a terras indígenas, cujas regras, aparentemente, não eram possíveis de atendimento no prazo de 15 dias, a extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (fls. 114/119), a fim de que a DRF de origem intimasse o Interessado a comprovar, no prazo de 45 dias, que o Lote 52 da Fazenda Tucumanzeira, situado às margens do Rio Pacajá, está localizado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pela FUNAI, seja pelo órgão central (Brasília), seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará. Após ser intimado (fls. 121/122), o Recorrente não se manifestou. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Imóvel supostamente localizado em área indígena O que importa, preliminarmente, é saber se o imóvel rural do contribuinte (Lote 52 da Fazenda Tucumanzeira) está localizado nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), conforme alegado pelo Recorrente. Isto porque o fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide, penso eu, sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Em outras palavras: não ocorre o fato gerador de ITR para imóvel situado em terra indígena demarcada, haja vista que, nestes casos, a propriedade não é mais suscetível à Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 130 7 ocupação, ao domínio ou à posse, por força do disposto no art. 231, § 6º, da Constituição Federal, cujo teor assim soa: DOS ÍNDIOS Art. 231. (...) § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. Bem por isso é que o julgamento foi convertido em diligência, por duas vezes (fls. 88/92 e fls. 114/119), a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pela FUNAI (seja pelo órgão central em Brasília, seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará), que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA). Em nenhuma das duas oportunidades o Interessado se desincumbiu do ônus que lhe foi atribuído. Embora tenha apresentado memorial descritivo, cálculo analítico de área, levantamento planimétrico e um desenho com a suposta localização do imóvel, elaborados por empresa privada, (fls. 106/109), não esclareceu a desarmonia entre a sua alegação de que o imóvel LOTE 52 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, conforme descrição constante do Decreto de 19 de abril de 2007, que homologou a demarcação, e o endereço do imóvel em questão constante de sua Declaração do ITR (margens do Rio Pacajá), de modo que deve ser refutada a alegação de que o imóvel objeto de tributação encontrase incrustado na terra indígena demarcada. Alteração do VTN declarado Registro, por oportuno, que o Recorrente não se insurgiu contra a alteração do VTN declarado, o que evidencia concordância tácita com o valor arbitrado pelo Fisco. Acrescento, ademais, que a possibilidade de modificação do valor arbitrado está condicionada, em regra, à apresentação de elementos de convicção embasados em Laudo Técnico, elaborado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, laudo este que não foi apresentado pelo Recorrente. Glosa da área de preservação permanente e da área de reserva legal A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama, a meu ver, o atendimento de requisitos de duas ordens: requisitos substanciais e requisitos formais. Os requisitos substanciais das áreas de preservação permanente encontravam se elencados nos arts. 2º (APP por efeito da lei) e 3º (APP por ato declaratório) da revogada Lei nº 4.771 (Código Florestal), de 15 de setembro de 1965. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 131 8 Os requisitos substanciais das APP são de dois tipos: aqueles ligados à topografia das florestas (art. 2º) e aqueles ligados à destinação das florestas (art. 3º). Ambos têm a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. Ilustrativamente, menciono situações de “APP por efeito da lei” em que a presença do requisito substancial (ligado à topografia), por se só, já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais (art. 2º, “b”) ou situadas no topo de morros, montes, montanhas e serras (art. 2º, “d”). Exemplificativamente, cito situações de “APP por ato declaratório” em que a presença do requisito substancial (ligado à destinação das florestas), aliada à presença de um requisito formal (declaração por ato do Poder Público), já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar dunas (art. 3º, “b”) e destinadas a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção (art. 3º, “f”). A qualificação advinda do atendimento dos requisitos mencionados, no entanto, não possibilita a exclusão automática das APP da base tributável do ITR, como se verá adiante. Os requisitos substanciais das áreas de reserva legal encontravamse elencados no inciso III do § 2º do art. 1º da revogada Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 1º. (...) §2º Para os efeitos deste Código, entendese por: (...) III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas;(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Assim, se uma área se subsume aos ditames do inciso III do § 2º do art. 1º do revogado Código Florestal (localização e destinação), qualificase como área de reserva legal, sob o ponto de vista substancial, sem que, no entanto, possibilite, de forma automática, sua exclusão da base tributável do ITR. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro competente, sempre foi, em meu entendimento, requisito formal necessário para que uma área de reserva legal ARL fosse excluída da base de cálculo do ITR, a teor de uma interpretação conjugada do artigo 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996 e §§ 2º e 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965, assim descritos: Lei nº 9.393/1996 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 132 9 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II as área tributável, a área total do imóvel, menos áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei nº 4.771/1965 Art. 16. (...) §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre o tema fosse vacilante até pouco tempo atrás, a imprescindibilidade da averbação da ARL, para fins de fruição da isenção prevista no art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996, foi confirmada nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013. O STJ, no referido julgamento, pacificou o entendimento de que a averbação da área de reserva legal é dever que incumbe diretamente ao proprietário do imóvel, não fazendo sentido que este se valha da isenção legal quando em mora com o cumprimento de tal dever. O ITR caracterizase como tributo extrafiscal, que tem por finalidade desestimular a existência de latifúndios improdutivos e de incentivar práticas de uso racional dos recursos naturais e de preservação do meio ambiente. A tributação por esse imposto revestese de mais um instrumento dedicado à fiscalização das atividades potencialmente nocivas ao meio ambiente. Assim, inexistindo o registro, que tem por objetivo a identificação da área destinada à reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, consequentemente, de direito à isenção tributária correspondente. Ressalto, ainda, por relevante, que a controvérsia não diz respeito à necessidade, ou não, de prévia comprovação da reserva legal por ocasião da apresentação da declaração do ITR (§ 7º do art. 10 da Lei 9.393/96), mas, sim, à própria caracterização da referida área para os fins tributários almejados. Tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta prova do que pode ser glosado. No imposto de renda, por exemplo, o sujeito passivo que alega ter tido despesas médicas não precisa anexar à declaração de ajuste anual os comprovantes de despesas. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 133 10 Quanto ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, o § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, espancou qualquer dúvida sobre sua obrigatoriedade para fruição do benefício fiscal, ao eleger tal ato como requisito formal necessário à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR. Oportuna é a transcrição do dispositivo mencionado: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A norma do § 1º poderia ser lida, sem qualquer alteração de seu conteúdo, da seguinte forma: a utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR, dentre elas as APP e as ARL, é obrigatória. Registro, ademais, que interpretação contrario sensu da Súmula CARF nº 41 permite concluir que, a partir do exercício de 2000, a apresentação do ADA é imprescindível à fruição do benefício fiscal de exclusão da APP e da RL da base tributável do ITR. Confira: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ora, se a não apresentação do ADA não pode motivar o lançamento de ofício para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, por óbvio que, após o referido limite temporal, o lançamento pode ser efetuado em virtude da não apresentação do mencionado documento. No caso concreto, não houve a apresentação de ADA, não houve comprovação de averbação da reserva legal e não houve comprovação da existência de APP (seja por efeito de lei, seja por ato declaratório). Logo, o Recorrente não faz jus à exclusão de APP e de ARL da base tributável do ITR. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10218.720086/200783 Acórdão n.º 2201003.026 S2C2T1 Fl. 134 11 Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905794/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.592
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BELÉM DIESEL S.A. (Suscedida por Rodobens Veículos Comerciais Cirasa S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhecese o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de restituição (PER) relativo a recolhimento indevido ou a maior da Cofins, no valor de R$ 3.746,11. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 57 94 /2 01 1- 15 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10280.905794/201115 Acórdão n.º 3302003.592 S3C3T2 Fl. 3 2 A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio de despacho decisório, indeferiu o pedido em função de o pagamento informado no PER ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. A Quarta Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mediante o Acórdão 14041.315, sob o fundamento de que a Contribuinte não comprovara a certeza e liquidez do crédito solicitado em restituição. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. A necessidade de reunião por conexão de diversos pedidos de restituição de recolhimentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins, para julgamento em conjunto em um único processo, por se referirem à mesma causa de pedir, ou seja, recolhimento indevido com base na declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998; 2. A falta de aprofundamento dos fatos pela autoridade fiscal que elaborou o despacho decisório e a necessidade de busca da verdade material; 3. A efetiva comprovação do indébito, pois que decorrente de recolhimento sobre receitas financeiras incluídas no alargamento declarado inconstitucional, comprovado pela juntada do Livro Razão; 4. A necessidade de conversão em diligência, se os documentos acostados aos autos se revelarem insuficientes para a comprovação do direito creditório. Na sessão de 17/09/2014, a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento acolheu o pleito da recorrente de reunião dos processos para que pudessem ser apreciados simultaneamente e converteu o julgamento em diligência para que "possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data." Em cumprimento da resolução requerida (Resolução 3803000.540), a autoridade fiscal elaborou relatório reconhecendo o recolhimento indevido no montante de R$6.039,19, retornado os autos a este conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.525, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.904435/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10280.905794/201115 Acórdão n.º 3302003.592 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.525): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Verificase que o pedido de restituição foi no montante de R$ 1.947,78, ao passo que a informação fiscal em cumprimento da diligencia requerida por este Conselho reconheceu o direito creditório no montante de R$ 1.947,69, decorrentes de recolhimento indevido sobre receitas que compuseram o alargamento de base de cálculo previsto no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, declarado inconstitucional pelo STF. Destarte, voto para dar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que no caso do paradigma, o presente processo foi objeto de diligência requerida pelo CARF (Resolução 3803000.540), sendo que a informação fiscal elaborada em atendimento à resolução também atestou recolhimento indevido da contribuição em montante suficiente para o deferimento do valor total do pleito de restituição da Contribuinte, ou seja, R$ 3.746,11 (valor original). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720881/2012-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, no acórdão, há omissão quanto a uma das matérias abordadas na ementa e voto.
Embargos de declaração providos.
Numero da decisão: 9202-005.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.342, de 24 de novembro de 2016, sem efeitos infringentes, para que passe a constar na parte dispositiva do acórdão que: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram. E, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para considerar como integrantes do salário de contribuição todos os pagamentos realizados a um mesmo empregado a título de PLR, seja com base no Acordo Coletivo ou na Convenção Coletiva, que descumpram os requisitos de (i) máximo de dois pagamentos no ano e (ii) periodicidade mínima de 6 meses, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Ainda no mérito, por unanimidade de votos, dar-lhe provimento quanto à aplicação de retroatividade benigna à multa para manter o critério utilizado pela autoridade lançadora. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra."
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: Florisvaldo
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão, há omissão quanto a uma das matérias abordadas na ementa e voto. Embargos de declaração providos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.342, de 24 de novembro de 2016, sem efeitos infringentes, para que passe a constar na parte dispositiva do acórdão que: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram. E, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para considerar como integrantes do salário de contribuição todos os pagamentos realizados a um mesmo empregado a título de PLR, seja com base no Acordo Coletivo ou na Convenção Coletiva, que descumpram os requisitos de (i) máximo de dois pagamentos no ano e (ii) periodicidade mínima de 6 meses, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Ainda no mérito, por unanimidade de votos, dar-lhe provimento quanto à aplicação de retroatividade benigna à multa para manter o critério utilizado pela autoridade lançadora. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra." (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão, há omissão quanto a uma das matérias abordadas na ementa e voto. Embargos de declaração providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, reratificando o Acórdão nº 9202004.342, de 24 de novembro de 2016, sem efeitos infringentes, para que passe a constar na parte dispositiva do acórdão que: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram. E, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para considerar como integrantes do salário de contribuição todos os pagamentos realizados a um mesmo empregado a título de PLR, seja com base no Acordo Coletivo ou na Convenção Coletiva, que descumpram os requisitos de (i) máximo de dois pagamentos no ano e (ii) periodicidade mínima de 6 meses, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Ainda no mérito, por unanimidade de votos, darlhe provimento quanto à aplicação de retroatividade benigna à multa para manter o critério utilizado pela autoridade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 81 /2 01 2- 88 Fl. 1093DF CARF MF 2 lançadora. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra." (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase do Acórdão nº 9202004.342, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 24 de agosto de 2016, que teve a seguinte ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL. É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas. O decisum foi assim exarado: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram. E, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para considerar Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16327.720881/201288 Acórdão n.º 9202005.253 CSRFT2 Fl. 3 3 como integrantes do salário de contribuição todos os pagamentos realizados a um mesmo empregado a título de PLR, seja com base no Acordo Coletivo ou na Convenção Coletiva, que descumpram os requisitos de (i) máximo de dois pagamentos no ano e (ii) periodicidade mínima de 6 meses, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. Para esclarecimento, segue breve relato do processo: (a) O processo trata de exigências da contribuição previdenciária, parte patronal e relativa ao Seguro Acidente de Trabalho (SAT), da contribuição destinada a outras entidades e fundos e da multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), todos os valores relativos a Participação nos Lucros e Resultados PLR nos períodos de apuração 04/2007, 08/2007 a 10/2007, 02/2008 a 05/2008, 08/2008 a 09/2008 e 11/2008. (b) A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara proferiu o Acórdão nº 2403002.202, no qual, reconheceu a decadência do período de apuração 04/2007 e, no mérito, (i) manteve o lançamento somente das parcelas que excederam a periodicidade de duas vezes no ano civil ou inferior a um semestre civil aos mesmo segurados e (ii) determinou o recálculo da multa com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 aos arts. 35 e 32A da Lei nº 8.212/91. Na formalização do acórdão, este relator identificou que a ementa e voto tratam expressamente de ambas as matérias, porém o decisum somente registra decisão para a primeira matéria (pagamento de PLR em periodicidade inferior à legal), tendo sido omisso em relação à segunda (cálculo da multa mais benéfica). Essa situação implicou contradição entre os termos da ementa/voto e os termos do decisum. Por essa razão, apresentei os embargos que foram admitidos pelo Presidente desta 2ª Turma (efls. 1089 a 1091) para que fossem apreciados pelo Colegiado. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, os embargos atenderam aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. É patente a omissão da parte dispositiva do acórdão embargado, sendo necessária sua correção por meio deste acórdão. Diante do exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão no 9202004.342, de 24 de novembro de 2016, , para que passe a constar na parte dispositiva do acórdão que: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram. E, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para considerar como integrantes do salário de contribuição todos os pagamentos realizados a um mesmo empregado a título de PLR, seja com base no Acordo Coletivo ou na Convenção Coletiva, que descumpram os requisitos de (i) máximo de dois pagamentos no ano e (ii) periodicidade mínima de 6 meses, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Ainda no mérito, por unanimidade de votos, darlhe provimento quanto à aplicação de retroatividade benigna à multa para manter o critério utilizado pela autoridade lançadora. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra.” (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1096DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006786/2005-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 24/07/1998 a 09/12/1999
REGIME AUTOMOTIVO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. TERMO INICIAL.
O direito de o fisco constituir o crédito tributário relativo a descumprimento das condições para importar com redução de alíquota previsto na Lei 9.449/97 e no Decreto 2.072 rege-se pelas disposições do art. 173, I do Código Tributário Nacional e tem o seu termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte ao da comunicação pelo Decex do descumprimento daquelas condições.
REGIME AUTOMOTIVO. ÍNDICE MÉDIO DE NACIONALIZAÇÃO. NEWCOMERS.
O índice médio de nacionalização a ser observado pelas empresas newcomers, como definidas na Lei 9.449, corresponde à média dos três anos de prazo ali concedido.
REGIME AUTOMOTIVO. APURAÇÃO DO VALOR FOB DAS IMPORTAÇÕES. DEDUÇÃO DA DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL OCORRIDA EM 1999. IMPOSSIBILIDADE.
O valor FOB das importações é apurado na data de desembaraço das mercadorias e convertido para reais pelas "taxas cambiais médias do segmento de taxas livres, divulgadas pelo Banco Central do Brasil", consoante disposições dos arts. 15 e 16 do Decreto 2.072.
Numero da decisão: 9303-004.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada no recurso, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que acolheram a preliminar. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído em 06/12/2016.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada no recurso, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que acolheram a preliminar. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído em 06/12/2016. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 24/07/1998 a 09/12/1999 REGIME AUTOMOTIVO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. TERMO INICIAL. O direito de o fisco constituir o crédito tributário relativo a descumprimento das condições para importar com redução de alíquota previsto na Lei 9.449/97 e no Decreto 2.072 regese pelas disposições do art. 173, I do Código Tributário Nacional e tem o seu termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte ao da comunicação pelo Decex do descumprimento daquelas condições. REGIME AUTOMOTIVO. ÍNDICE MÉDIO DE NACIONALIZAÇÃO. NEWCOMERS. O índice médio de nacionalização a ser observado pelas empresas newcomers, como definidas na Lei 9.449, corresponde à média dos três anos de prazo ali concedido. REGIME AUTOMOTIVO. APURAÇÃO DO VALOR FOB DAS IMPORTAÇÕES. DEDUÇÃO DA DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL OCORRIDA EM 1999. IMPOSSIBILIDADE. O valor FOB das importações é apurado na data de desembaraço das mercadorias e convertido para reais pelas "taxas cambiais médias do segmento de taxas livres, divulgadas pelo Banco Central do Brasil", consoante disposições dos arts. 15 e 16 do Decreto 2.072. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada no recurso, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 67 86 /2 00 5- 10 Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.476 2 Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que acolheram a preliminar. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído em 06/12/2016. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte (fls. 2.327 a 2.348) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 320200.200 (fls. 2.248 a 2.265) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27 de outubro de 2010, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.477 3 Período de apuração: 24/07/1998 a 09/12/1999 REGIME AUTOMOTIVO. PERÍODO DO PROGRAMA: 1998 A 2001. LANÇAMENTO EFETUADO EM 18/7/2005. DECADÊNCIA NÃO OCORRIDA. Nos casos de benefício concedido sob acordo do Regime Automotivo (Lei nº 9.449/97), o prazo decadencial para lançamento do crédito tributário ficará sujeito ao prazo do art. 173, I, do CTN, a ser contado a partir da comunicação do encerramento do programa à SRF pelo órgão gestor. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO/IPI. REGIME AUTOMOTIVO. Fundado em interpretação da PGFN, o Parecer Cosit nº 13/2004 tratou da matéria de forma profunda e abrangente e concluiu pelo descabimento da exigência desses tributos e consectários legais no caso de inadimplemento de compromissos assumidos no Regime Automotivo. REGIME AUTOMOTIVO. DESCUMPRIMENTO DO ÍNDICE MÉDIO DE NACIONALIZAÇÃO (IMN). MULTA REGULAMENTAR. A legislação é expressa e clara quanto à condição de que seja observado o IMN em cada ano calendário, exceto no caso das newcomers, em que esse índice deverá ser atingido no prazo de até três anos (art. 7º, §2º, da Lei nº 9.449/97 e art. 11, §2º, "a", do Decreto nº 2.072/96). Descumprido o IMN, o beneficiário do regime fica sujeito à multa regulamentar de 70% sobre o valor FOB das importações de insumos com redução do Imposto de Importação que concorreram para o inadimplemento do compromisso, sendo que, no caso em exame, todas as importações com redução concorreram para esse inadimplemento. Recurso Voluntário Provido em Parte. A discussão dos presentes autos tem origem em exigência do Imposto de Importação II e do IPI vinculado, além de multa regulamentar de 70% (setenta por cento) sobre o valor FOB das importações, por descumprimento de normas pertinentes ao regime automotivo de que trata o Decreto nº 2.072, de 1996 e Lei nº 9.449, de 1997. Reportandose ao relatório constante no acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, a decisão recorrida traz minuciosa descrição dos fatos ocorridos, a qual é abaixo transcrita: [...] "Em face do Ofício Nº 221/02SDP/COGIFI datado de 04 de março de 2002, encaminhado à Receita Federal pela Secretaria do Desenvolvimento da Produção vinculada ao MDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em que foi comunicado o encerramento do Programa "Newcomer" referente ao regime automotivo da empresa supra mencionada, objeto do Certificado de Habilitação nº 198 de 05/12/1997, por decurso de prazo, com indicativo de adimplemento contratual aos arts. 6º, 7º, 8º e 9º e de inadimplemento contratual com relação à alínea "a" do Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.478 4 parágrafo 2º do artigo 11 do Decreto 2.072/96, bem como com indicativo de não utilização de benefício no ano de 2002 no que se refere à exigência estabelecida pela alínea "c" do parágrafo 2º do artigo 11 do mencionado Decreto (fls. 04/05). A fiscalização foi instada a proceder a verificações tendentes a confirmar a acusada inadimplência do compromisso em foco (fls. 01, 02 e 03). O referido Certificado reportase ao Termo de Aprovação nº 198 de 1997 (fls. 17/18) que assegurou ao titular o direito de proceder a determinadas importações com redução de impostos condicionados ao cumprimento dos limites estabelecidos no Decreto nº 2.027/96. Encontrase anexado ao processo o Certificado de Habilitação Nº 198/97 (fl. 19), bem como o Certificado Aditivo de número 198/II/98 (fl. 20). Procedimentos fiscais preliminares à autuação envolveram intimação à fiscalizada (Termo de Intimação fls. 22), para que fossem apresentados documentos e esclarecimentos com vistas a esclarecer a acusada inadimplência. A empresa apresentou documentos solicitados (fls. 47/49). Em 18/07/2005, foram lavrados os Autos de Infração (fls. 58/ss) para cobrança do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício sobre o I.I. (art. 44, da Lei nº 9.430/96), multa de ofício sobre o IPI (art. 80, inciso I da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei 9430/96), multa regulamentar de 70% (prevista no artigo 13º, da Lei nº 9.449/97) e os devidos juros moratórios. A descrição dos fatos consta do "Relatório Fiscal" (fls. 51/57), onde a fiscalização alega, em síntese que: procedeu a fiscalização do programa referente ao Regime Automotivo firmado entre a União Federal e a empresa Land Rover do Brasil Ltda., registrada sob CNPJ nº 65.533.218/000157, atualmente cancelada por sido incorporada pela Ford Motor Company do Brasil Ltda. CNPJ nº 03.470.727/000120; o Regime Automotivo, instituído pela Lei 9.440/97, permitiu que determinadas empresas (parágrafo 1º do artigo 1º) importassem bens de capital e insumos, desde que fossem utilizados em seu processo produtivo, e veículos com redução do imposto de importação, desde que atendidas condições fixadas em regulamento. As condições que as empresas deveriam atender estavam previstas nos artigos 2º e 7º da Lei 9.440/97, que foram regulamentadas pelos artigos 6º e 13º do Decreto 2.072/96. As multas pelo descumprimento do regime estão previstas no artigo 13º da Lei 9.440/97; a partir do momento em que o MIDC Ministério Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior comunicou (através do Ofício nº 221/02 de 04/03/2002) o encerramento do programa é que foi estabelecido o início do prazo decadencial para verificação do cumprimento do contrato, nos termos do disposto no artigo 173, inciso I do CTN; assim, através do MPF nº 0815500.2005000653 foi efetuada a fiscalização do Regime Automotivo retro mencionado. A empresa foi intimada a apresentar documentos de interesse da fiscalização; Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.479 5 a fiscalização elaborou "planilhas" comparando o "Demonstrativo do IMN Índice Médio de Nacionalização Declarado", com base nos Relatórios fornecidos pela empresa e o "Demonstrativo do IMN Índice Médio de Nacionalização Apurado", com base nos dados apurados pela auditoria fiscal realizada (folha 54); a fiscalização não detectou variação significativa entre o IMN informado pela empresa e o apurado pela auditoria fiscal, permanecendo ambos em 40,1%, sendo a empresa deveria ter cumprido com IMN de pelo menos 50%, segundo o que dispõe o parágrafo 2º do artigo 11 do Decreto 2.072/96; desta forma, entendeu que como o IMN Índice Médio de Nacionalização ficou abaixo de 50% cabe a penalidade prevista no inciso V do artigo 14º do Decreto 2.072/96; foi demonstrada a forma de apuração da base de cálculo da multa pelo descumprimento do IMN, bem como a relação das declarações de importações sobre os quais será aplicada a citada multa (folha 55/57). Ciente da exigência fiscal em 03/08/2005, a autuada apresentou tempestivamente, em 02/09/2005, Impugnação de folha Nº 2.166 e seguintes, onde alega em síntese: preliminarmente, entende que a cobrança não deve prosperar haja vista a decadência do direito à constituição do crédito tributário relativo ao imposto de importação correspondente a operações realizadas em 1998/1999, que foi lançado em 18/07/2005. Aduz que é flagrante a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituílo, já que transcorreu o prazo estabelecido no artigo 150, parágrafo 4º do CTN, ou seja, o lançamento deve ser efetuado em 5 anos contados da data de ocorrência do fato tributário, isto é, 5 anos contados da data do registro de cada Declaração de Importação; neste sentido, transcreve ementa de decisão da 2ª Câmara do 3º CC relativo ao regime Drawback (fl. 2169); entende que, mesmo aplicando o prazo decadencial estabelecido no artigo 173, I, do CTN, resta decaído o direito da Fazenda Nacional à constituição do crédito tributário em questão. O lançamento, neste caso, poderia ter sido efetuado até o 1º de janeiro de 2004 e 1º de janeiro de 2005 e não em 18/07/2005 como foi feito; enquanto vigente o "contrato do regime automotivo" o Fisco permanece impedido de exigir o pagamento do crédito tributário, entretanto, não há norma legal impeditiva da constituição do crédito tributário pelo lançamento, com exigibilidade suspensa; cita o Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/93 no sentido de que deve a autoridade constituir o crédito tributário pelo lançamento, deixando suspensa a sua exigibilidade; no tocante ao cumprimento das obrigações assumidas no "contrato do regime automotivo", alega que a alínea "a" do artigo 11 do Decreto 2.072/96 estabeleceu o IMN para as "newcomers" em 50%. Com base Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.480 6 nisso, entende que a fiscalização deveria ter verificado se a Impugnante em algum dos três anos que lhe foram conferidos (1998 a 2001) atingiu o IMN de 50%; em 2001 a Impugmante atingiu o IMN de 55,3%, assim, resta atendida a exigência estabelecida na adesão ao "regime automotivo"; equivocase a fiscalização que o BIN a ser levado em conta deve ser calculado "considerandose a media de 3 anos". O referido dispositivo legal estabelece expressamente que o índice deve ser atendido no prazo de até 3 anos, e não mediante "media dos três anos"; entende integralmente cumprida a clausula do IMN, uma vez que no 3° ano do prazo que lhe foi concedido, ou seja, em 2001, atingiu o percentual de 53% superior ao exigido de 50%; alega, ainda, que a fiscalização sequer levou em conta os efeitos da variação cambial, em prejuízo à Impugnante, isto porque no período de .Vigência do "contrato do regime automotivo" a media anual da taxa de câmbio no Brasil variou muito, afetando o custo em reais do material importado. Se considerados os efeitos da variação cambial no cálculo do IMN — Índice Médio de Nacionalização tanto no ano 2001 (0 índice seria de 70,7%) como na média dos três anos "criada pela fiscalização" (passaria a 51,6%) estaria atendido o citado índice; salienta que é inadmissível a sobreposição de multas de lançamento de oficio, prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96 com a multa regulamentar prevista na legislação que disciplinou o Regime Automotivo. Entende que deve ser afastada a cobrança da multa de lançamento de oficio, que é inaplicável ao presente caso; a multa regulamentar, se cabível, deve ser calculada unicamente sobre as importações em excesso efetuadas com redução do imposto de importação e que resultarem no não cumprimento do IMN de 50%, nos termos do inciso V do artigo 14 do Decreto 2.072/96; a fiscalização, em afronta ao dispositivo acima citado, utilizou como base de cálculo o valor FOB correspondente ao total das importações de insumos com redução dos tributos, e não apenas o valor FOB das importações em excesso; assim, pedese o reconhecimento da nulidade da multa aplicada, uma vez que consoante demonstrado, não é a penalidade prevista para a infração por ela supostamente praticada, sob pena de violação ao principio constitucional da legalidade. Caso não seja este o entendimento, requer a realização de perícia para a correta apuração do valor da multa regularmente aplicável ao caso, indicando seu perito; alega, ainda, que a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC não pode prosperar, posto que afronta os artigos 161,, parágrafo 10 do CTN e 192, parágrafo 30 da Constituição Federal; caso se entenda devidos os juros de mora, há que ser afastada a cobrança dos mesmos no período anterior a março de 2002, ou seja no período Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.481 7 anterior a data de expedição do Oficio no 220/02 do MIDC, pois foi o ato que constituiu a Impugnante em mora, no que tange ao imposto; conclui, solicitando que sejam julgados improcedentes os Autos de Infração lavrados pelos motivos expostos." O julgamento de primeira instância foi realizado pela 1ª Turma da DRJ em São PauloII/SP, tendo sido o lançamento considerado procedente por unanimidade, nos termos do Acórdão DRJ/SPOII n' 1725.729, de 12/6/2008 (fls. 2202/2219), cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 REGIME AUTOMOTIVO. Descumprimento de condições onerosas previstas no Regime Ficou demonstrado que o beneficiário não atingiu o IMN Índice Médio de Nacionalização mínimo previsto na legislação. Para o caso em tela, em que a lmpugnante é empresa montadora ou fabricante de veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de três rodas ou mais e jipes, o IMN deve ser de 50% tomandose por base um período de três anos, considerandose com o primeiro ano o prazo entre a data de inicio da produção e 31 de dezembro do ano subseqüente, conforme estabelece a alínea "a", parágrafo 2°, artigo 11 do Decreto 2.072/96. Por força do disposto no artigo 13 da Lei 9.449/97, regulamentado pelo artigo 14 do Decreto nº 2.072/96, o beneficiário está sujeito ao pagamento da multa de 70% sobre o valor FOB das importações de insumos realizadas que concorrerem para o descumprimento do IMN. Na falta de pagamento de tributos é cabível a aplicação da multa de oficio, infração prevista no art. 44, inciso I, e art.45 da Lei 9.430/96. Lançamento Procedente" O órgão julgador rejeitou a preliminar de decadência do direito de, a Fazenda constituir o crédito tributário, por ter se pautado pela conclusão de que a contagem desse prazo regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, do que resulta ter sido lançado no prazo o credito tributário. Também indeferiu o pedido de realização de prova pericial para os efeitos de apuração do valor da multa, por entender que o pedido não se refere ao esclarecimento de dúvidas técnicas, e sim, apenas para buscar guarida para a sua interpretação de textos legais. No mérito, o órgão julgador decidiu com base no entendimento de que, em sendo a impugnante uma empresa montadora ou fabricante de veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de três rodas ou mais e jipes, o Índice Médio de Nacionalização — IMN deve ser de 50% tomandose por base um período de três anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data de inicio da produção e 31 de dezembro do ano subsequente conforme estabelece o art. 11, § 2º, "a", do Decreto nº 2.072/96; que foi esse o critério utilizado pelo Fisco. Acrescentou a DRJ que a impugnante tenta aplicar ao seu caso a hipótese prevista no § 2, "b", que pode ser aplicado apenas às empresas montadoras e fabricantes de autopeças e pneumáticos Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.482 8 (alinea "h" do inciso IV do art 2º do Decreto). Concluiu a DRJ, assim, que o Fisco interpretou e aplicou corretamente a legislação de regência da matéria. Quanto à multa regulamentar, o órgão julgador concluiu que não procede a alegação da impugnante, de que deve ser calculada unicamente sobre as importações em excesso efetuadas com redução do imposto, e não sobre o total das importações de insumos com redução, tendo em vista que o Fisco considerou como base de cálculo exatamente os insumos importados com redução que concorreram para o descumprimento do IMN. De mais, foi mantida a multa de oficio, por entender que ficou caracterizada a falta de pagamento de tributos e em vista de ter natureza diversa da multa regulamentar, esta por descumprimento especifico de condições do regime automotivo. Quanto à exigência da taxa Selic como juros de mora, o órgão julgador entendeu ter sido correta sua aplicação, em vista de previsão legal no art. 61, § 3, da Lei n° 9.430/96, e por não possuir a autoridade administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis (CF/1988, art. 102). A interessada apresenta recurso às fls. 2232/2252, no qual repete a preliminar de decadência e as razões de mérito já arguidas em sua impugnação, e alega o descabimento da exigência dos tributos, a vista do que dispõe o Parecer Cosit n" 13/2004 e decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes. [...] O recurso voluntário da Contribuinte foi parcialmente provido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 3202 00.200 (fls. 2.248 a 2.265), de 27 de outubro de 2010, ora recorrido, rejeitando a preliminar de decadência do lançamento e provendo parcialmente o recurso quanto às demais matérias. Na sequência, o Sujeito Passivo interpôs embargos de declaração (fls. 2.287 a 2.291), os quais foram rejeitados por meio do Despacho S/Nº de 25 de julho de 2014 (fls. 2.315 a 2.318). Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 2.327 a 2.348), alegando divergência jurisprudencial quanto (a) à decadência para exigência da multa pelo descumprimento do Índice Médio de Nacionalização (IMN) e (b) à possibilidade de serem consideradas as variações cambiais no cálculo do IMN. Foi admitido o recurso especial do sujeito passivo por meio do despacho s/nº, de 29 de junho de 2015 (fls. 2.390 a 2.394), proferido pelo ilustre Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2.396 a 2.409) postulando a negativa de provimento ao recurso especial, com fundamento nas alegações de que (a) não se operou a decadência, sendo exigível a multa pelo descumprimento do IMN e (b) é incabível considerar as variações cambiais no cálculo do IMN, por falta de previsão legal. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.483 9 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, centrase a controvérsia quanto à (a) decadência do direito do Fisco de lançar o crédito tributário entendido como devido; e (b) aos efeitos da variação cambial a serem considerados para a apuração do Índice Médio de Nacionalização. Da decadência do crédito tributário lançado Decidiu o acórdão recorrido que nos casos de benefício fiscal decorrente de Regime Automotivo, a contagem do prazo decadencial tem início a partir da comunicação do órgão gestor à Receita Federal acerca do encerramento do programa, pela sistemática do art. 173, inciso I do CTN. Por outro lado, o entendimento dos acórdãos indicados como paradigmas são no sentido de que o termo de início do prazo decadencial não é contado após o final do regime, mas sim no final de cada ano, uma vez que o beneficiário deve atingir determinado índice em cada ano calendário, tendo o Fisco condições de verificar o cumprimento do IMN igualmente após o final de cada ano calendário, ainda que pela sistemática do art. 173, I do CTN. Nesse ponto, entendese assistir razão à Recorrente. Nos Regimes Automotivos, boa parte dos compromissos assumidos pelas empresas beneficiárias só poderão ser verificados ao término do Programa, que ocorre anos após a realização das operações de importação. No entanto, há alguns compromissos assumidos pelas pessoas jurídicas, como no caso da Recorrente, que são anuais e, assim, seu adimplemento pode ser verificado ao final de cada ano do Programa, obedecendo a decadência ao critério do art. 173, inciso I do CTN, qual seja, iniciandose a contagem do prazo no ano seguinte àquele em que o adimplemento do compromisso poderia ter sido verificado, com o consequente lançamento do crédito tributário correspondente se for o caso. O cumprimento do índice médico de nacionalização (IMN) pela recorrente dá se, no contrato do Regime Automotivo, anualmente, e portanto, podendo ser verificado pela Fiscalização ao final de cada anocalendário em que o mesmo deveria ter sido cumprido. Assim, para os anos de 1998 e 1999, o lançamento deveria ter sido efetuada até 01/01/2004 e 01/01/2005, respectivamente. Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.484 10 Assim, no caso dos autos, a exigência fiscal decorre de operações de importação efetuadas nos anoscalendário de 1998 e 1999, com amparo no contrato de Regime Automotivo, tendo sido lançados em 18/07/2005, por meio de auto de infração. Portanto, pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, estão extintos pela decadência os créditos tributários lançados e que são objeto do presente processo administrativo. Com o acolhimento da preliminar de decadência, resta prejudicado o exame do tópico relativo à consideração do cumprimento integral das obrigações relativas ao contrato do Regime Automotivo. Diante do exposto, com fulcro no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional, há de ser reconhecida a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto do presente processo administrativo. Mérito Em sede de julgamento, restou ultrapassada a preliminar de decadência, adentrandose ao mérito do recurso. Nesse aspecto, a controvérsia dáse em torno da aplicação da penalidade do art. 13 da Lei nº 9.449/97, consistente na aplicação de multa, em razão de não ter sido cumprido pela Recorrente o Índice Médio de Nacionalização (IMN) à razão de 50% (cinquenta por cento), no período de 98/99 a 2001. O auto de infração lavrado em face da Contribuinte exigia, além da referida multa do art. 13 da Lei nº 9.449/97, o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a penalidade da Lei nº 9.430/96. Na decisão do recurso voluntário, foi cancelada a cobrança do II e do IPI, bem como das multas respectivas, mantendose, no entanto, a penalidade do art. 13 da Lei nº 9.449/97. A Lei nº 9.449, de 14 de março de 1997, resultado da conversão da Medida Provisória nº 1.53622, de 13 de fevereiro de 1997, concedeu benefícios fiscais aos fabricantes de veículos nas importações de equipamentos, partes, peças, e outros, mediante o atendimento de condições a serem fixadas pelo Poder Executivo, dentre elas que as empresas atendessem certa proporção entre os produtos importados e os produtos nacionais na sua atividade de industrialização, o chamado Índice Médio de Nacionalização IMN. Com relação ao IMN, o art. 7º da Lei nº 9.449/97 estabeleceu a competência do Poder Executivo para sua fixação. Além disso, em seus parágrafos 1º e 2º diferenciou do IMN anual o índice específico a ser verificado para as empresas que venham a se instalar no país, as denominadas "newcomers", como é o caso da Recorrente. O dispositivo legal tem a seguinte redação: Art. 7º O Poder Executivo poderá estabelecer, para as empresas montadoras e fabricantes dos produtos relacionados nas alíneas “a “ a “h” do § 1º do art. 1º, em cuja produção forem utilizados insumos importados, relacionados no inciso II do mesmo artigo, índice médio de nacionalização atual, decorrente de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.485 11 § 1º O índice médio de nacionalização anual será uma proporção, entre o valor das partes, peças, componentes, conjuntos, subconjuntos e matérias primas produzidos no País e a soma do valor destes produtos produzidos no País com o valor FOB das importações destes produtos, deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas sob o regime de drawback utilizados na produção global das empresas, em cada ano calendário. § 2º Para as empresas que venham a se instalar no País, para as linhas de produção, novas e completas, onde se verifique acréscimo de capacidade instalada e para as fábricas novas de empresas já instaladas, definidas em regulamento, o índice de que trata este artigo deverá ser atendido no prazo de até três anos, conforme dispuser o regulamento, sendo que o primeiro ano será considerado a partir da data de início da produção dos referidos produtos, até 31 de dezembro do ano subseqüente, findo o qual se utilizará o critério do ano calendário. Para regulamentar a Lei nº 9.449/97, foi editado o Decreto nº 2.072, de 14 de novembro de 1996, que estabeleceu em 50% (cinquenta por cento) o IMN para as empresas "newcomers", conforme se verifica da leitura do art. 11, §2º, alínea "a" do Decreto, in verbis: Art. 11. O "Índice Médio de Nacionalização" deverá ser de, no mínimo, sessenta por cento. § 1º Os "Insumos" procedentes e originários dos países membros do MERCOSUL, cujos valores sejam compensados com exportações, serão considerados produzidos no País para efeito de apuração do "Índice Médio de Nacionalização". § 2º Para as Newcomers o "Índice Médio de Nacionalização" será de, no mínimo: a) cinqüenta por cento, tomandose por base um período de três anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data de início da produção dos produtos relacionados nas alíneas a a g do inciso IV do art. 2º e 31 de dezembro do ano subseqüente; b) cinqüenta por cento, tomandose por base um período de um ano, definido como o prazo entre a data de início da produção dos produtos relacionados na alínea h do inciso IV do art. 2º e 31 de dezembro do ano subseqüente; c) sessenta por cento, por ano calendário, a partir do final do período a que se referem as alíneas anteriores. (grifouse) Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.486 12 Da análise conjunta dos dispositivos, imperioso concluir que foi estabelecido pelo legislador o prazo de até 3 (três) anos para que a empresa "newcomer" cumprisse o IMN de 50%, como é o caso da Recorrente. O art. 7º, §2º da Lei nº 9.449/97 expressamente determina como sendo de até três anos o período a ser verificado para atendimento da obrigação e manutenção da redução dos tributos. Portanto, ilegítimo é conferir outra interpretação à referida norma, no sentido de que o IMN deveria ser verificado pela média dos três anos, com base em Decreto que regulamenta a aplicação da legislação. Além disso, na função de determinar como a regra deve ser aplicada, o Decreto não pode extrapolar as determinações da lei, mas apenas fornecer diretrizes para que a mesma seja integralmente atendida. Portanto, a verificação do cumprimento do IMN em 50% para as empresas "newcomers", como é o caso da Recorrente, deverá ser considerandose o prazo de até três anos, critério pelo qual resta atendida a exigência no caso dos autos, devendo ser cancelada a autuação para cobrança da multa do art. 13 da Lei nº 9.449/97. Ainda que se admitisse ser cabível a interpretação de que o IMN de 50% deveria ser atendido pelo cálculo da média dos três anos, o requisito resta suprido pela Contribuinte em razão da significativa variação cambial ocorrida no período e que não pode ser desconsiderada para efeitos de aferição do cumprimento do IMN e, por conseguinte, da íntegra das condições do regime automotivo. A variação cambial ocorrida no período de 1998 a 2001 tem contornos de extraordinário, decorrente de conjuntura política, alheia à vontade dos Contribuinte e cujos efeitos eram imprevisíveis às empresas na época, desenhandose como "fato de príncipe". Nesse sentido, são os argumentos externados pela Colenda Terceira Turma do outrora Terceiro Conselho de Contribuintes, de relatoria do Ilustre Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, e cujos destaques passam a integrar o presente voto, in verbis: [...] Não se trata de desconsiderar a margem de risco inerente a qualquer negócio, inclusive quanto a uma possível flutuação da taxa cambial, porém quando se examina o ocorrido especificamente no ano de 1999, no Brasil, a questão ganha contornos específicos que caracterizam com nitidez o chamado fato do príncipe. Por mais artificial e discutível que fosse a política cambial patrocinada pelo governo brasileiro desde a implantação do "real", essa política que definia uma faixa rígida dentro da qual poderia flutuar o câmbio (as bandas cambiais) era a política não apenas reitora de toda a política econômica levada a efeito por mais de quatro anos, mas foi defendida ardorosamente pelo governo nas eleições presidenciais de 1998 como fator essencial de equilíbrio da economia. A sua brusca mudança de orientação levou a demissões seqüenciadas dos condutores da política econômica no Banco Central, e representou uma radical mudança de rumos, absolutamente inesperada, pelo menos para o comum dos mortais. Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.487 13 Não seria legal, nem lógico e nem ético, que se desconsiderasse que o ato governamental foi decisivo para o cálculo do índice em foco pela mera superdesvalorização do real, ou seja, o que aqui se firma é que no ano de 1999 não houve uma aquisição de insumos nacionais em desproporção com 1997 ou 1998, exercícios em que foi sabidamente cumprido o índice, e mais, agora sim serve o argumento do triênio levantado pela recorrente, que mesmo com a maxidesvalorização, ainda assim, se for considerado o triênio,de 1997 a 1999, o índice médio de nacionalização seria atingido, o que serve como argumento de reforço de que o volume de aquisições de insumos nacionais foi dentro dos padrões exigidos para a obtenção do beneficio fiscal, e que a razão extraordinária de descumprimento fugiu completamente à possibilidade de atuação da recorrente, por um fato que decorreu de uma mudança brusca e inesperada da política cambial do governo brasileiro que decidiu, por razões de conveniência e oportunidade, desvalorizar fortemente sua moeda e dessa maneira afetou profundamente o cálculo do índice médio de nacionalização de insumos. Portanto, no caso, é de se reconhecer que não cabe a sanção regulamentar pelo não atendimento do índice de 60% especificamente no ano de 1999. [...] Com base nesses argumentos, entendese que a aferição do IMN de, no mínimo, 50% deve ser realizada no período de até três anos e, ainda, levandose em consideração a variação cambial ocorrida no período em exame. Adotadas essas premissas, a Contribuinte atendeu ao IMN de 50% dentro do prazo estabelecido por lei. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.488 14 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator designado Fui incumbido pela Presidência da redação do acórdão naquilo em que não prevaleceu o voto da dra. Vanessa, especificamente, quanto à decadência e ao cumprimento do percentual previsto na legislação. Quanto à decadência, é importante registrar que o voto da decisão recorrida apenas a examinou mediante o confronto das disposições do art 173, I e do art. 150, ambos do CTN. Desnecessário até dizer, tal confronto não pode mais sequer ser cogitado administrativamente na medida em que, pacífico, não houve recolhimento no período, o que contraria o decidido pelo STJ em acórdão submetido ao rito dos recursos repetitivos1, de reprodução obrigatória no âmbito deste colegiado2. Até por isso mesmo, em seu recurso especial, o sujeito passivo apenas propõe a discussão do termo inicial do prazo, contado ele pelo art. 173, I. Sobre isso, é necessário registrar, de logo, que nada há no voto do dr. Rossari, que se limitou a afastar o art. 150. Tomada como certa a aplicação do art. 173, I, o relator considerou que isso implica que o seu termo inicial seja o primeiro dia do exercício seguinte ao da comunicação do encerramento do regime com descumprimento das condições. Não analisou ele, portanto, nenhuma outra possibilidade de termo inicial desde que aplicável o art. 173. A atenta leitura do recurso voluntário do sujeito passivo, por seu turno, mostra que esse pleito lá estava, ainda que não explicitamente. É que lá defendeuse que os anos de 1998 e 1999 teriam decaído em 2003 e 2004, respectivamente, mesmo que se aplicasse o art. 173. Por óbvio, tal só se pode dar se o prazo for contato ano a ano. Essas observações estão postas aqui para demonstrar que, a rigor, o recurso não deveria ser conhecido nessa parte por falta de prequestionamento, na medida em que a omissão indicada não foi apontada em embargos de declaração do sujeito passivo, ainda que eles tenham sido apresentados. De todo modo, não tendo sido isso o que votou o colegiado, atenho me a seu exame, feito, pois, incorretamente. O colegiado a rejeitou com os mesmos argumentos já aduzidos na decisão de primeiro grau. Deveras, não procede a afirmação de que o imposto pode ser apurado para cada ano, dado que o índice é anual. Conforme definido quanto ao mérito, o colegiado ratificou a interpretação de que a apuração do índice exige a fluência daquele prazo. Não por outro motivo, aliás, a 1 Resp 973.733, relator o Ministro Luiz Fux 2 Parágrafo 2º do art. 62 do RICARF baixado pela Portaria MF 343/2015: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.489 15 manifestação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior só ocorre ao seu final. Em suma, o argumento quanto à decadência pretendido pelo sujeito passivo está intimamente relacionado a sua interpretação de que o índice deve ser apurado apenas levando em conta as operações de cada ano. Rejeitada a premissa, cai, com ela, a consequência pretendida. No que tange ao cumprimento ou não das condições, especificamente do percentual anual, é mister reconhecer a complexidade da análise em muito reforçada pela péssima redação dos atos legais atinentes. Já se vê que não partilho a visão do dr. Rossari segundo a qual a legislação é "expressa e clara" sobre esse ponto. Em minha opinião, ela pode ser tudo, menos clara, e não só sobre isso. De fato, a interpretação feita pelo sujeito passivo parece, à primeira vista, bastante razoável: a lei teria dado um prazo de três anos para que o índice de nacionalização fosse atingido, de sorte que se ele não for atingido mesmo nos dois primeiros, terá de sêlo, ao menos, no terceiro, como de fato ocorreu aqui. E, de fato, essa leitura pareceme inteiramente de acordo com o disposto no §1º do art. 7º da Lei 9.44933, já transcrito pela relatora, e mesmo com o art. 2º, XI do decreto 2.072, que meramente o reproduz: Art. 2º Para fins desse Decreto, consideramse: (...) XI "Índice Médio de Nacionalização": proporção entre o valor dos "Insumos" produzidos no País e a soma dos "Insumos" produzidos no País com o valor FOB das importações de "Insumos", deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas sob o regime de drawback, utilizados na produção global de cada "beneficiário", em cada ano calendário. Por eles, portanto, não resta nenhum dúvida de que se trata de um índice médio anual. 3 Art. 7º O Poder Executivo poderá estabelecer, para as empresas montadoras e fabricantes dos produtos relacionados nas alíneas “a “ a “h” do § 1º do art. 1º, em cuja produção forem utilizados insumos importados, relacionados no inciso II do mesmo artigo, índice médio de nacionalização atual, decorrente de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. § 1º O índice médio de nacionalização anual será uma proporção, entre o valor das partes, peças, componentes, conjuntos, subconjuntos e matériasprimas produzidos no País e a soma do valor destes produtos produzidos no País com o valor FOB das importações destes produtos, deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas sob o regime de drawback utilizados na produção global das empresas, em cada ano calendário. § 2º Para as empresas que venham a se instalar no País, para as linhas de produção, novas e completas, onde se verifique acréscimo de capacidade instalada e para as fábricas novas de empresas já instaladas, definidas em regulamento, o índice de que trata este artigo deverá ser atendido no prazo de até três anos, conforme dispuser o regulamento, sendo que o primeiro ano será considerado a partir da data de início da produção dos referidos produtos, até 31 de dezembro do ano subseqüente, findo o qual se utilizará o critério do ano calendário. Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.490 16 Há, no entanto, uma aparente diferença entre o que dispõe o já mencionado art. 7º da Lei, agora em seu § 2º, acerca das newcomers e a forma como são elas tratadas no decreto regulamentar. De fato, neste último, a expressão "o índice de que trata este artigo deverá ser atendido no prazo de até três anos" constante da Lei passa a "tomandose por base um período de três", no decreto4. Ora, para este relator, as duas expressões não dizem a mesma coisa. Por esse último dispositivo, parece que o índice deixa de ser anual e passa a ser trienal, somandose os valores a ele pertinentes ocorridos nesse período de três anos. Aparentemente para o Poder Executivo, ao regulamentar a lei, a expressão "de até.. " apenas indicava um limite para o prazo que se poderia conceder às newcomers, mas não se confunde com "em até..." como quer a defesa. E é forçoso reconhecer a necessidade de observância desse dispositivo "regulamentar", gostemos ou não dele. Em primeiro lugar, porque a própria lei afirma que o limite deverá ser atendido naquele prazo "conforme que dispuser o regulamento". Em segundo lugar, porque o nosso Regimento nos impede de afastar o decreto por pretensa inconstitucionalidade5. E por fim porque esse é também o entendimento dos nossos melhores administrativistas, uníssonos em asseverar a obrigatoriedade de sua observância salvo questionamento judicial. Com efeito, afirma o saudoso mestre Hely Lopes Meirelles6, acerca do alcance e vinculação dos decretos regulamentares: Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva dos chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo expresso, explícito ou implícito pela legislação. Comumente, o decreto é normativo e geral, constituindo exceção o decreto individual. Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei, e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo. O nosso ordenamento administrativo admite duas modalidades de decreto geral (normativo): o independente ou autônomo e o regulamentar ou de execução. 4 Art. 11. O "Índice Médio de Nacionalização" deverá ser de, no mínimo, sessenta por cento. § 1º Os "Insumos" procedentes e originários dos países membros do MERCOSUL, cujos valores sejam compensados com exportações, serão considerados produzidos no País para efeito de apuração do "Índice Médio de Nacionalização". § 2º Para as Newcomers o "Índice Médio de Nacionalização" será de, no mínimo: a) cinqüenta por cento, tomandose por base um período de três anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data de início da produção dos produtos relacionados nas alíneas a a g do inciso IV do art. 2º e 31 de dezembro do ano subseqüente; b) cinqüenta por cento, tomandose por base um período de um ano, definido como o prazo entre a data de início da produção dos produtos relacionados na alínea h do inciso IV do art. 2º e 31 de dezembro do ano subseqüente; c) sessenta por cento, por ano calendário, a partir do final do período a que se referem as alíneas anteriores. 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6 MEIRELES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 181. Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.491 17 Decreto regulamentar ou de execução é o que visa a explicar a lei e facilitar a sua execução, aclarando seus mandamentos e orientando sua aplicação. Tal decreto comumente aprova, em texto à parte, o regulamento a que se refere. Regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo): ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa. Idêntico posicionamento (salvo quanto à possibilidade dos chamados decretos autônomos) adota outro de nossos mais celebrados administrativistas, o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello7, para quem o princípio da legalidade ínsito no art. 84, IV da Lei Maior impõe “que mesmo os atos mais conspícuos do Chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos, inclusive quando expedem regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei. Ou seja: pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores”. Definindo, na mesma obra, o que seja essa “fiel execução”, ensina, com a característica clareza (op.cit., p. 330) : “Ditos regulamentos cumprem a imprescindível função de, balizando o comportamento dos múltiplos órgãos e agentes aos quais incumbe fazer observar a lei, de um lado, oferecer segurança jurídica aos administrados sobre o que deve ser considerado proibido ou exigido pela lei (e ipso facto, excluído da livre autonomia da vontade), e, de outro lado, garantir aplicação isonômica da lei,pois, se não existisse esta normação infralegal, alguns servidores públicos, em um dado caso, entenderiam perigosa, insalubre ou insegura dada situação, ao passo que outros, em casos iguais, dispensariam soluções diferentes”. E mais adiante referindose à vinculação dos regulamentos (op. Cit. pp. 331 a 332): “É bem de ver que as disposições regulamentares a que ora se está aludindo presumem, sempre e necessariamente, uma interpretação da lei aplicanda... ....A respeito destes regulamentos cabem importantes acotações. A primeira delas é a de que interpretar a lei todos fazem – tanto a Administração, para imporlhe a obediência, quanto o administrado, para ajustar seu comportamento ao que nela esteja determinado – mas, só o Poder Judiciário realiza, caso a caso, a interpretação reconhecida como a ‘verdadeira’, a ‘certa’ juridicamente. Seguese que, em juízo, poderá, no 7 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso De Direito Administrativo. 17ª Ed. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 94. Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.492 18 interesse do administrado, ser fixada interpretação da lei distinta da que resultava de algum regulamento. De outra parte, entretanto, não há duvidar que o regulamento vincula a Administração e firma para o administrado exoneração de responsabilidade ante o Poder Público por comportamentos na conformidade dele efetuados. Isto porque o Regulamento é ato de “autoridade pública”, impositivo para a Administração e, reflexamente, mas de modo certo e inevitável (salvo questionamento judicial), sobre os administrados, que, então, seja por isso, seja pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, têm o direito de, confiadamente, agir na conformidade de disposições regulamentares”. Assim definidas as coisas, pareceunos que a única forma de observar conjuntamente o art. 7º da Lei e o art. 11 do decreto é precisamente aquela adotada pela autoridade fiscal: tomar a média dos três anos de prazo em ambos definido para o alcance do índice, pois só assim se preserva a anualidade do índice, seu qualificativo "médio" e o prazo de três anos. Esses os motivos que me levaram, e à maioria do colegiado, a entender correta a leitura feita pela decisão recorrida. Por fim, o último ponto do recurso, tocante à pretensão de que se levem em conta os efeitos da desvalorização cambial ocorrida no ano de 1999, esbarra, primeiro, na falta de clareza do argumento. Com efeito, embora o sujeito passivo tenha apresentado em sua defesa uma tabela "demonstrandoo", não explicou como ele se materializaria. Mais especificamente, o que significa o "ajuste" que promoveu no valor do material importado, na segunda coluna de sua tabela. Obviamente, para que o percentual possa aumentar, esse valor tem de ser menor do que aquele que a fiscalização considerou, já que ele impacta o denominador. Suponho, mas é só uma suposição, que ela refez os cálculos tomando em conta a taxa vigente no início do ano. Essa é, até onde consigo ver, a única forma de uma importação ocorrida em algum mês do ano ser convertida em um valor em reais menor do que aquele apurado pela fiscalização, dado que, sabidamente, o que ocorreu foi uma desvalorização do real. Ocorre que essa pretensão colide com a previsão legal atinente ao assunto, como bem apontado na decisão recorrida, pois, como já se disse, o índice leva em conta o valor FOB, em reais, das importações realizadas. E ele está regulamentado pelos artigos 15 e 16 do decreto 2072: Art. 15. Para efeito deste Decreto, serão consideradas realizadas: I as importações, na data do desembaraço aduaneiro; II as aquisições de "Bens de Capital" produzidos no País, na data da incorporação ao ativo permanente dos "Beneficiários"; Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10314.006786/200510 Acórdão n.º 9303004.426 CSRFT3 Fl. 2.493 19 III as aquisições de "Insumos" fabricados no País, na data da entrada no estabelecimento do "Beneficiário". Art. 16. Para os fins do disposto neste Decreto, serão considerados os valores em dólares dos Estados Unidos da América, adotandose para conversão as taxas cambiais médias do segmento de taxas livres, divulgadas pelo Banco Central do Brasil. Ou seja, esse valor FOB é o que decorre da conversão, na data do desembaraço aduaneiro, do valor expresso em dólares dos Estados Unidos, utilizandose, para tal conversão, "as taxas cambiais médias do segmento de taxas livres, divulgadas pelo Banco Central do Brasil". Não há controvérsia de que assim procedeu a fiscalização nos cálculos que fez. Notese, por fim, que parece contraditório o pleito de que eles devam ser considerados mesmo não havendo disposição legal autorizativa com a pretensão de que se aplique ao instituto em discussão a literalidade exigida pelo art. 111 do CTN. Com essas considerações, votou o colegiado, pelo voto de qualidade, pelo improvimento do recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 2494DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002455/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2007
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 304, DE 2003. LEGALIDADE.
São legais as disposições contidas na Instrução Normativa SRF 304/2003, exigindo Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB (STJ, REsp nº 838.143/PR, julgado em 15/10/2009, DJe de 23/10/2009).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.037
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 304, DE 2003. LEGALIDADE. São legais as disposições contidas na Instrução Normativa SRF 304/2003, exigindo Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB (STJ, REsp nº 838.143/PR, julgado em 15/10/2009, DJe de 23/10/2009). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 87DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11543.002455/200995 Acórdão n.º 180301.037 S1TE03 Fl. 81 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11543.002455/200995 Acórdão n.º 180301.037 S1TE03 Fl. 82 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 52 e 53): Do lançamento O presente processo tem origem na notificação de lançamento de fl. 13, datada de 09/10/2009, por meio do qual está sendo exigida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB do anocalendário de 2006, no valor de R$ 160.000,00. O lançamento teve como enquadramentos legais o artigo 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e na Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Da Impugnação Inconformada, a interessada apresentou, em 06/11/2009, a impugnação de fls. 01/11, onde descreve a autuação, resume a Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, que trata da instituição da DIMOB, e analisa a natureza jurídica das obrigações acessórias, para protestar, transcrevendo texto do professor Souto Maior Borges, que não pode ser aceita a possibilidade de edição de ato administrativo que crie obrigações e restrinja direitos sem apoio em lei. Concluindo que as obrigações tributárias, principais ou acessórias, só podem ser veiculadas por lei, discorre sobre a instituição e regulamentação da DIMOB com base no art. 16 da Lei nº 9.779/1999 e pela Instrução Normativa SRF nº 304/2003. Protesta que a instituição da DIMOB, através de instrução normativa, não encontra amparo no ordenamento jurídico constitucional, sendo absurdo o art. 16 da Lei nº 9.799/1999 delegar à Secretaria da Receita Federal competência para dispor sobre cumprimento de obrigações acessórias, uma vez que o Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 7º, determina que a competência legislativa tributária é indelegável, o que torna ilegal o art. 16 da Lei nº 9.799/1999. Protesta que a imposição da multa pecuniária se deu no texto de Instrução Normativa, o que seria uma “aberração jurídica”, uma vez que qualquer imposição pecuniária só pode ser prevista em Lei, conforme art. 97, inciso V, do CTN. Protesta também que seria igualmente ilegal a equiparação da não entrega da DIMOB a um crime contra a ordem tributária, uma vez que as normas penais são regidas pelo princípio da legalidade cerrada, em face da importância ímpar inerente à matéria. Reconhece que a multa aplicada estaria expressamente prevista no art. 57, e incisos I e II, da Medida Provisória nº 2.158/2001, que transcreve, protestando, porém, que a Instrução Normativa SRF nº 304/2003 estaria eivada de ilegalidade, por ter suprimido as expressões “próprias da pessoa jurídica ou de terceiro em relação aos quais seja responsável tributário” no inciso II do seu art. 3º, extrapolando o previsto na Medida Provisória nº 2.158/2001, o que já teria sido julgado ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa que transcreve às fls. 10/11, que Fl. 89DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11543.002455/200995 Acórdão n.º 180301.037 S1TE03 Fl. 83 4 afastou a aplicabilidade do art. 3º, inciso II, e art. 4º da IN 304/2003, este tratando da previsão de crime contra a ordem tributária. Encerra, pedindo o cancelamento das multas impugnadas, em face das ilegalidades de sua aplicação. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 51): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2010 (fls. 59), a tempo, em 15/04/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 60 a 70, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11543.002455/200995 Acórdão n.º 180301.037 S1TE03 Fl. 84 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. O Recurso apresentado é, basicamente, uma cópia da Impugnação anteriormente oferecida (possui, aliás, o mesmo nome desta: Impugnação), com ligeiras alterações em seu início e fecho, não tendo sido, nem mesmo, alterada a data que nela inicialmente constara (data da Impugnação). 5. A situação da Recorrente enquadrase no inciso I do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003 (falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo), e não em seu inciso II (informação omitida, inexata ou incompleta), ou art. 4º (omissão de informações ou a prestação de informações falsas), motivo pelo qual revela se inócua a discussão, por ela proposta, sobre eventuais ilegalidades desses últimos dispositivos. 6. De todo modo, não remanescem dúvidas quanto à legalidade da referida Instrução Normativa, conforme se observa do aresto do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a seguir colacionado: TRIBUTÁRIO – DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS – DIMOB – IN SRF 304/2003 – ART. 16 DA LEI 9.779/1999 E ART. 197 DO CTN – MULTA – PREVISÃO LEGAL NO ART. 57 DA MP 2.15835/2001. 1. São legais as disposições contidas na Instrução Normativa SRF 304/2003, exigindo Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB. Precedente do STJ. 2. Descabe falar em ausência de previsão legal no tocante à multa por descumprimento da obrigação acessória, uma vez que fundada no art. 57 da Medida Provisória 2.158/2001. 3. Recurso especial não provido. (REsp 838.143/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2009, DJe 23/10/2009) 7. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de lei (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 16), incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 91DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11543.002455/200995 Acórdão n.º 180301.037 S1TE03 Fl. 85 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 92DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006964/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA.
Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento de diferenças a pagar apuradas entre a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), quando, devidamente intimado a esclarecer a divergência, o sujeito passivo nada se lhe contrapõe. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 154DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10410.006964/200930 Acórdão n.º 180301.078 S1TE03 Fl. 149 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10410.006964/200930 Acórdão n.º 180301.078 S1TE03 Fl. 150 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 98 a 100): Contra a sociedade empresária acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 27 a 36, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, para exigência de créditos tributários referentes ao anocalendário de 2005, adiante especificados: [...]. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do respectivo Auto de Infração (fls. 30/31), que passa a integrar a presente decisão como se aqui transcrito fosse, a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata a infração apurada nesta auditoria, que passamos a resumir abaixo: DA AÇÃO FISCAL A empresa foi selecionada a partir de revisão parametrizada em virtude de insuficiência de recolhimento da CSLL informada na DIPJ, tendo em vista que os valores declarados não foram encontrados nos sistemas de pagamento SINAL, em DCTF ou PER/DCOMP da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Intimada via postal em 10/11/2009, com data de ciência em 13/11/2009, e reintimada em 30/11/2009, com data de ciência em 04/12/2009, a esclarecer o porquê de os valores informados em DIPJ referentes a CSLL A PAGAR estarem superiores aos informados em DCTF, bem como não ter apresentado qualquer PER/DCOMP compensando os valores informados de CSLL. [...]. Em resposta datada de 03/12/2009, a empresa alegou que estava impossibilitada de apresentar os livros fiscais e contábeis, em virtude de roubo de documentos financeiros, contábeis, fiscais e administrativos. Para tanto, apresentou cópia de boletim de ocorrência denunciando o fato ocorrido. Alegou, ainda, a impossibilidade de apresentar o que fora solicitado nas intimações, em virtude de também estar sob fiscalização por parte da Secretaria da Receita Estadual do Estado de Alagoas; a qual, segundo a empresa, estava com seus livros contábeis e fiscais. Para tanto, apresentou cópia da Intimação Fiscal emitida por aquele órgão, em que o mesmo solicita vários documentos e livros fiscais. Em análise da referida intimação do Fisco Estadual, a autoridade fiscal não vislumbrou a solicitação, por parte daquela fiscalização, dos livros Diário e Razão, que, em tese, seriam as bases de confecção da DIPJ objeto desta revisão. Desta forma, como a empresa não contestou os valores do IRPJ declarados na DIPJ Retificadora apresentada em 01/12/2006, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Infração, concernente à CSLL trimestral com base no lucro presumido. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10410.006964/200930 Acórdão n.º 180301.078 S1TE03 Fl. 151 4 DA IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO Após ter ciência do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou impugnação ao mesmo (fls. 50 a 70), apresentando, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito: De início, apresentou breve estudo sobre aspectos constitucionais pertinentes ao Processo Administrativo Tributário (fls. 51/53), destacando, ao final, que nenhum ato administrativo pode ser discricionário, pois as atividades administrativofiscais de lançamento e julgamento são atividades administrativas plenamente vinculadas, nos moldes estatuídos no art. 3º do CTN. Em seguida, ressaltou que a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício encontrase suspensa, por força dos comandos emitidos pelo art. 151 do CTN. DA AUTUAÇÃO FISCAL A exigência fiscal corresponde ao crédito tributário referente à insuficiência de recolhimento da CSLL informada na DIPJ, cujos valores declarados estão superiores aos informados em DCTF. Para a apuração do valor do crédito tributário, o fisco adotou como base de cálculo apenas a DIPJ, não considerando o valor contido na DCTF. DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO A informação contida na DIPJ não é elemento induvidoso para constituição do crédito tributário, mas é a DCTF que pode aparelhar a exigência do crédito tributário, e não é o que se visualiza nos presentes autos. De tal forma, se houver divergência entre os valores contidos na DIPJ e DCTF, o lançamento deve pautarse levando em conta apenas a DCTF (Instrução Normativa SRF nº 127/98 e Decreto Lei nº 2.124/84, art. 5º). A partir do exercício 2000, anocalendário 1999, a DIPJ não mais se constitui em meio próprio para confissão de dívida. Somente por meio da DCTF é que os débitos tributários são confessados, pelo que os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de ofício, mesmo que constem de DIPJ. Com efeito, levandose em consideração que o lançamento fora promovido eminentemente com base na DIPJ, não resta dúvida de que o mesmo é totalmente improcedente. O fisco não se desincumbiu de investigar minuciosamente todos os elementos a fim de efetuar um lançamento com base em informações seguras, não podendo simplesmente se utilizar dos dados contidos na DIPJ para efetuar o lançamento de ofício, mesmo porque houve erro de fato, não se podendo atribuir esse valor como base de cálculo a aparelhar a exigência do tributo. Como a DIPJ não pode ser considerada para efeito de exigência do crédito tributário, caberia ao fisco fazer o lançamento com base nos elementos contidos na DCTF, e não o contrário, demonstrando a insubsistência do lançamento, através do auto de infração respectivo. DA MULTA FISCAL ESCORCHANTE, COM EFEITO CONFISCATÓRIO E O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A hipótese discutida nos presentes autos é o exemplo clássico de regra jurídica inconstitucional, haja vista ferir flagrantemente o princípio da Fl. 157DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10410.006964/200930 Acórdão n.º 180301.078 S1TE03 Fl. 152 5 proporcionalidade. A multa aplicada possui caráter confiscatório, sendo suficiente, inclusive, para extinguir definitivamente as suas atividades mercantis, caso seja mantida. Impor ao contribuinte uma multa muito elevada implica desvirtuar a função da multa regulamentar, que passa de sanção pela omissão/mora, com vista a inibir a infração, a uma afronta descabida ao patrimônio do contribuinte. O Impugnante relatou posições doutrinárias e decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal no sentido de sua defesa (fls. 57/64). DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA SELIC O Impugnante alegou que a utilização da taxa SELIC como fator de correção monetária dos tributos ofende os seguintes princípios constitucionais: da legalidade; da anterioridade; da indelegabilidade da competência tributária e, ainda, da segurança jurídica. Transcreveu decisão judicial do STJ e posição doutrinária. Concluiu afirmando ser a taxa SELIC inconstitucional e ilegal, devendo ser excluída do crédito fiscal descrito no auto de infração. DOS PEDIDOS Por todo o exposto, demonstrada a impertinência da exigência contida no referido auto de infração, requereu o reconhecimento da improcedência absoluta do lançamento fiscal. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 97): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os valores declarados na DCTF, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) INCONSTITUCIONALIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 12/11/2010, uma sextafeira (fls. 108), a tempo, em 13/12/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 109 a 123, instruído com os documentos de fls. 124 a 144, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos, com exceção da suposta ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10410.006964/200930 Acórdão n.º 180301.078 S1TE03 Fl. 153 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Lançamento DIPJ x DCTF 4. O raciocínio em que se fundamenta a Recorrente é, basicamente, o seguinte: a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não se constitui em meio próprio para confissão de dívida, ao contrário da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); logo, os valores desta é que devem ser considerados pela fiscalização, desprezandose os daquela. 5. Todavia, se é certo que não contém a DIPJ a expressão “Esta declaração constitui confissão de dívida”, também é correto que passou a constar em seu Recibo de Entrega a expressão “As informações prestadas na DIPJ correspondem à expressão da verdade (Decretolei nº 2.124/84, art. 5º e Lei nº 9.779/99, art. 16)”. 6. De todo modo, na DCTF apresentada, nada constava como valor a pagar (fls. 12 e 13), ao contrário da DIPJ (fls. 9 e 10). 7. Assim, andou bem a fiscalização ao efetuar o lançamento da diferença de valores constatada entre essas duas declarações (DIPJ e DCTF), quando, devidamente intimada (fls. 17) e reintimada (fls. 20) para esclarecer essa divergência, a autuada nada se lhe contrapôs. 8. Em sua Impugnação e Recurso, afirma a Recorrente o seguinte (fls. 57 e 116): De mais a mais, o fisco não se desincumbiu de investigar minuciosamente todos os elementos, a fim de efetuar um lançamento com base em informações seguras, não podendo simplesmente se utilizar dos dados contidos na DIPJ para efetuar o lançamento de ofício, mesmo porque, como houve erro de fato, não se pode atribuir esse valor como base de cálculo a aparelhar a exigência do tributo. 9. Sucede que caberia à Recorrente o ônus de comprovar qualquer inexatidão nas informações prestadas na DIPJ, por ela mesma declarada, sendo de se ressaltar que se está diante de uma declaração retificadora (fls. 7), o que torna ainda mais improvável a existência de qualquer erro de preenchimento. Multa de ofício 10. No que se refere à alegada inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício, por pretensamente ferir flagrantemente o princípio da proporcionalidade e possuir caráter confiscatório, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 159DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10410.006964/200930 Acórdão n.º 180301.078 S1TE03 Fl. 154 7 11. Quanto às irresignações relativas ao seu montante pretensamente escorchante e elevado, tratandose de lei regularmente inserida no ordenamento jurídico nacional e de observância obrigatória pelo poder Executivo, ao qual pertence o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), resta à Recorrente socorrerse perante os poderes Judiciário ou Legislativo: aquele, para considerar inconstitucional referida multa, se for o caso; e este, para alterarlhe o percentual, o valor ou a base de cálculo, se assim entender conveniente. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 160DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 19515.720388/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010
RENDIMENTOS DO TRABALHO. BÔNUS. APORTES EM PLANO DE PREVIDÊNCIA. CARTÕES DE INCENTIVO DE VENDA. TRIBUTAÇÃO.
O pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores não empregados, por meio de aportes em conta de fundo de previdência privada e de cartões de incentivos de vendas, está sujeito à incidência do imposto sobre a renda na fonte, a título de antecipação, por constituir rendimento do trabalho assalariado ou não assalariado, conforme o beneficiário.
RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA.
Após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, embora cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa isolada pela falta de retenção ou recolhimento do imposto, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007.
MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. MARGEM DE DÚVIDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo.
Quando não demonstrada pela fiscalização a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, proporcional e isolada, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, para excluir a multa isolada. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso e mantinham a qualificadora da multa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010 RENDIMENTOS DO TRABALHO. BÔNUS. APORTES EM PLANO DE PREVIDÊNCIA. CARTÕES DE INCENTIVO DE VENDA. TRIBUTAÇÃO. O pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores não empregados, por meio de aportes em conta de fundo de previdência privada e de cartões de incentivos de vendas, está sujeito à incidência do imposto sobre a renda na fonte, a título de antecipação, por constituir rendimento do trabalho assalariado ou não assalariado, conforme o beneficiário. RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA. Após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, embora cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa isolada pela falta de retenção ou recolhimento do imposto, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. MARGEM DE DÚVIDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Quando não demonstrada pela fiscalização a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, proporcional e isolada, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MULTA ISOLADA. Recorrente AON HOLDINGS CORRETORES DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 RENDIMENTOS DO TRABALHO. BÔNUS. APORTES EM PLANO DE PREVIDÊNCIA. CARTÕES DE INCENTIVO DE VENDA. TRIBUTAÇÃO. O pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores não empregados, por meio de aportes em conta de fundo de previdência privada e de cartões de incentivos de vendas, está sujeito à incidência do imposto sobre a renda na fonte, a título de antecipação, por constituir rendimento do trabalho assalariado ou não assalariado, conforme o beneficiário. RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA. Após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, embora cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa isolada pela falta de retenção ou recolhimento do imposto, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. MARGEM DE DÚVIDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Quando não demonstrada pela fiscalização a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, proporcional e isolada, até o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 88 /2 01 4- 09 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 873 2 importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa ao patamar trivial de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, para excluir a multa isolada. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso e mantinham a qualificadora da multa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 874 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1664.799 (fls. 776/801): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. TRIBUTAÇÃO. As contribuições aportadas pela empresa no Fundo FGB e os pagamentos aos empregados por meio de cartões de incentivos de vendas devem sofrer a incidência do IRRF, pois constituem rendimentos do trabalho assalariado. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Verificada, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, a falta de retenção do imposto que tiver a natureza de antecipação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados. MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. As operações engendradas pela contribuinte visando, dolosamente, impedir a ocorrência do fato gerador do imposto e a tributação correspondente, justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. O recorrente foi autuado pela falta de retenção e recolhimento pela fonte pagadora do Imposto sobre a Renda, a título de antecipação, incidente sobre pagamentos realizados a empregados, autônomos e diretores não empregados, nos anoscalendário de 2009 e 2010, os quais configuram, no ponto de vista da acusação fiscal, rendimentos do trabalho assalariado e não assalariado. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 875 4 2.1 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 563/587, que integra o Auto de Infração juntado às fls. 117/135, a fiscalização identificou pagamentos: (i) de bônus, mediante depósitos pela pessoa jurídica em contas de plano de previdência privada; e (ii) de incentivo ao aumento de produtividade, por intermédio de cartões de premiação, chamados pela empresa de CASH CARD. 2.2 Tendo em vista que as infrações foram apuradas após o encerramento do prazo para entrega da Declaração de Ajuste Anual (DAA) pelas pessoas físicas beneficiárias dos pagamentos, a exigência fiscal compreende a aplicação da multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº 10.462, de 24 de abril de 2002, além da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, calculados até o dia 30 (trinta) de abril do anocalendário seguinte aos fatos geradores. 3. Adicionalmente, a autuação fiscal é composta pelo crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), incidente sobre pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3.1 Nesse caso, mesmo que intimada três vezes, a empresa deixou de indicar os beneficiários dos valores pagos por meio das notas fiscais emitidas pelas empresas MOLLS MARKETING PROMOCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA, e IBPG CONSULTORIA SERV. MARKETING E COMUNICAÇÃO, referentes à distribuição de premiações aos seus colaboradores pelo cumprimento de metas (fls. 605/718). 4. Com relação às penalidades, consta a aplicação pela autoridade fiscal do percentual duplicado, no importe de 150% (cento e cinquenta por cento), denominada de "multa qualificada", incidente sobre a multa proporcional e multa isolada por falta de retenção na fonte do imposto. 5. Cientificado da autuação pessoalmente em 23/5/2014, às fls. 119 e 128, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 722/744). 6. Intimada da decisão do colegiado de primeira instância em 6/2/2015, às fls. 815/817, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 9/3/2015 (fls. 819/839): 6.1 Em breve resumo, enumero os argumentos de fato e direito apresentados pela recorrente: (i) a acusação fiscal não comprovou o dolo, fraude ou simulação, descabendo a qualificação da multa; (ii) os aportes feitos em planos de previdência complementar e sobre os valores pagos por meio de cartões de premiação escapam à incidência do imposto sobre a renda; Fl. 875DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 876 5 (iii) no caso dos depósitos a título de previdência privada, segundo a legislação, não podem sofrer qualquer tributação, não tendo demonstrado o agente fiscal que os aportes realizados pela pessoa jurídica referemse a comissões. Ademais, os resgates efetuados pelos beneficiários estão previstos em regulamento, não havendo ilicitude nessa conduta e nem podendo a recorrente interferir na esfera de atuação dos segurados; (iv) para fins de retenção do imposto sobre a renda na fonte, não há como desvincular a expressão "rendimentos de trabalho assalariado" do conceito trabalhista de salário, que envolve contraprestação pelo trabalho e periodicidade do pagamento pelo empregador ou tomador; e (v) é inaplicável a penalidade prevista no art. 9º da Lei nº 10.462, de 2002, porquanto o imposto, após o prazo de entrega da declaração de ajuste anual, não mais pode ser cobrado da fonte pagadora. Em consequência, não mais sendo exigível o imposto não recolhido da fonte pagadora, não há respaldo para incidência daquela multa. É o relatório. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 877 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Aportes em Previdência Privada (Fundo Garantidor de Benefícios FGB) 8. O art. 68 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, dispõe sobre as contribuições do empregador, em benefício de seus empregados, a entidades de previdência privada: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (grifouse) (...) 9. Acontece que a fiscalização constatou que os aportes efetuados pela recorrente em um plano tradicional, denominado de Fundo Garantidor de Benefícios (FGB), não correspondiam a depósitos com as finalidades específicas da previdência privada complementar, destinados à formação de reservas garantidoras de benefício futuro. 10. Com efeito, durante a fase investigatória do procedimento de auditoria, o agente fiscal identificou na escrituração contábil da empresa contas que evidenciavam o pagamento de bônus ou comissões por vendas. De acordo com o relato fiscal, as despesas com os bônus e as provisões de bônus foram escrituradas nas contas 3119814 (Provisão de bônus) e 3119830 (Provisão de Contra). 10.1 Essa contas contábeis, assim como outras correlatas, foram analisadas pela autoridade lançadora, que solicitou, por meio de termos de intimações e reintimações, esclarecimentos e documentos comprobatórios da origem dos lançamentos na contabilidade (fls. 35/38, 57/60 e 68/71). 11. A par dessa frente de investigação, foi desenvolvida diligência fiscal na pessoa jurídica Itaú Vida e Previdência S/A (antiga Unibanco Aig Previdência), com o fim de que ela apresentasse dados e informações sobre os planos de previdência contratados pela Fl. 877DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 878 7 patrocinadora, ora recorrente, tais como contratos, tipos de plano, contribuições dos participantes e da instituidora e pedidos e valores resgatados pelos beneficiários, relativamente aos planos de previdência privada corporativa (fls. 567/568). 11.1 Em resposta à intimação, a Itaú Vida e Previdência S/A apresentou as informações e documentos solicitados, tendo sido entregue uma cópia do relatório à empresa fiscalizada, para subsidiar a sua análise. 11.2 De acordo com as informações prestadas, foi identificada a existência dos seguintes planos de previdência complementar empresarial: PGBL (Plano Garantidor de Benefício Livre), VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e FGB. 11.3 Desses planos, a autoridade fiscal concluiu que os planos PGBL e VGBL constituíamse em fundos destinados a garantir uma renda previdenciária, estando disponíveis a totalidade dos empregados, administradores ou sócios da recorrente, mediante adesão facultativa. 12. Por outro lado, ao confrontar e avaliar as informações e os dados coletados, o agente fiscal chegou a opinião diversa com relação ao plano FGB. Diferentemente dos outros planos, o FGB estava sendo utilizado como uma espécie de conta corrente para o pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores, decorrente de bônus pelas vendas, em nítido descompasso com a sua finalidade previdenciária. 12.1 Contrariando as regras básicas para esse tipo de investimento, foram constatados resgates quase que em seguida aos aportes realizados pelo empregador, em contas individualizadas, para a previdência privada. 13. Os nomes dos beneficiários, as datas, os valores das contribuições distribuídas e outras informações referentes aos aportes ao plano FGB foram juntadas aos autos às fls. 502/556. 14. Em contraponto à acusação fiscal, a recorrente conduz a sua defesa em termos superficiais, carente de uma refutação convincente, em linguagem apropriada de provas, que os valores identificados na sua contabilidade, a titulo de remuneração variável mediante bônus, não foram destinados aos aportes no plano FGB. 15. É relevante enfatizar que o agente fiscal examinou contas contábeis, expediu intimações e realizou diligência na entidade de previdência complementar, confrontando, ao final, as informações e os dados obtidos. Apoiado em um conjunto indiciário consistente, afirmou a existência do fato jurídicotributário, mediante o ato de lançamento expedido devidamente motivado. 15.1 A mera negativa do autuado, sem o mínimo suporte em contraprova da inocorrência do pagamento aos colaboradores de valores a título de remuneração variável em forma de aportes nas contas de previdência privada, é insuficiente para demonstrar a inexistência do fato gerador do imposto sobre renda, hipótese que invoca como fundamento à sua pretensão. 16. A possibilidade de resgates nos planos de previdência, via de regra condicionados a prazos de carência, é aspecto que não possui uma relevância absoluta para o deslinde da questão. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 879 8 16.1 É claro que a rotina de resgates totais ou parciais é mais um indício para a convicção sobre a natureza dos fatos jurídicos, no sentido do desvirtuamento da utilização do fundo de previdência. 16.2 Porém, o aspecto essencial é o fato gerador do imposto sobre a renda, que se dá com a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica resultado do produto do trabalho, mais especificamente, no caso sob exame, em face dos pagamentos de remunerações variáveis devidas aos trabalhadores pelos serviços prestados à empresa, mediante aportes no plano de previdência FGB. 17. A respeito do aspecto material da hipótese de incidência do imposto sobre a renda, é salutar reproduzir o que dispõe a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: (...). Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei: I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas; II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. (...) 18. Percebese que o imposto não incide somente sobre a renda auferida, mas também sobre os proventos de qualquer natureza, desde que representando acréscimo patrimonial, revelador de capacidade contributiva. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 880 9 18.1 Especificamente na hipótese de rendimentos do trabalho, a base de cálculo não está restrita aos conceitos de salário, remuneração ou saláriodecontribuição previstos na legislação trabalhista e previdenciária, ainda que haja uma correlação entre as dimensões econômicas aferidas para a tributação. 18.2 Quero dizer assim que compõem os "rendimentos do trabalho", para fins da incidência do imposto sobre a renda, mesmo os ganhos não habituais ou eventuais obtido em retribuição do trabalho que configuram acréscimo patrimonial, incorporados ou não ao salário ou remuneração do beneficiário, ressalvadas as hipóteses de isenção expressamente previstas na legislação tributária. 19. Dessa feita, em que pese a nomenclatura utilizada para os pagamentos, os aportes da empresa no Fundo FGB estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, nos termos dos incisos I e II do art. 7º da Lei nº 7.713, de 1988, na medida em que equivalem, conforme a natureza do beneficiário, a rendimentos do trabalho assalariado ou não assalariado. 19.1 Em nível infralegal, a previsão da tributação encontrase reproduzida pelos arts. 624 e 628 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. b) Cartões de Incentivos de Vendas (CASH CARD) 20. Pelas mesmas razões expostas linhas acima, sobre o conceito de "rendimentos do trabalho", para fins da incidência do imposto sobre renda, tenho como certo que as comissões de vendas, na forma em que foram pagas, mediante cartões de incentivos, são fatos geradores do tributo, constituindose em rendimento do trabalho, vinculados à remuneração e ao cumprimento de metas pelos colaboradores pessoas físicas, e destinadas a retribuir os serviços prestados à pessoa jurídica (fls. 137/141 e 605/718). 21. Tais parcelas não possuem natureza indenizatória ou compensatória de maneira a escapar do campo de incidência do imposto, tampouco existe regra isentiva prevista na legislação tributária. 22. Estão sujeitos também, portanto, os pagamentos efetuados mediante cartões de incentivos de vendas à incidência do imposto sobre a renda na fonte, consoante disposto nos arts. 624 e 628 do RIR/99, cuja matriz legal localizase nos incisos I e II do art. 7º da Lei nº 7.713, de 1988. c) Multa isolada (art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002) 23. Como linhas inaugurais, digo que não se deve confundir: (i) a penalidade isolada estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, ora em debate, aplicável à fonte pagadora dos rendimentos do trabalho assalariado ou não assalariado; e (ii) a multa de ofício proporcional imposta na hipótese de não recolhimento do imposto sobre a renda pelo beneficiário dos rendimentos recebidos, a qual é exigida com fulcro no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 881 10 24. Para melhor visualização da questão, transcrevo a redação dos dispositivos citados, à época dos fatos geradores: Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 25. É uma só a ligação existente entre os preceptivos legais. A remissão pelo art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, diz respeito ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) ou, duplicado, de 150% (cento e cinquenta por cento) previsto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins de determinação do aspecto quantitativo da penalidade isolada. 26. Daí porque equivocada a linha de compreensão da recorrente acerca da aplicação das penalidades, no sentido de que se a multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é calculada sobre o imposto devido e, após o prazo de entrega da declaração de ajuste anual pelo beneficiário dos rendimentos, o imposto não mais é cobrado da fonte pagadora, deixaria de existir a base de cálculo necessária para a multa isolada (parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002). 27. Ao contrário do que pretende a recorrente, cuidando os dispositivos legais mencionados de penalidades distintas, não há que se cogitar que a aplicação da multa isolada estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, esteja condicionada ao não oferecimento dos rendimentos à tributação por parte do beneficiário. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 882 11 28. Igualmente pareceme inviável a tese de que a Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, ao promover a alteração do comando inserto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, teria afastado a aplicação da multa isolada na fonte pagadora, pela inexistência da base cálculo para a penalidade. 29. É que as alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007, tanto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, quanto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, não acarretaram reflexo na penalidade isolada deste último dispositivo. 29.1 A Lei nº 10.426, de 2002, cuida de penalidade pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora, na qualidade de responsável tributário. 29.2. Já o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, disciplina a multa em face do sujeito passivo contribuinte, beneficiário dos rendimentos, que deixa de recolher ou declarar o tributo devido. 29.3 Reforço, por fundamental para a compreensão, que a conexão entre os dispositivos referese unicamente aos percentuais de 75% e 150%. 30. A fim de robustecer tal ponto de vista, reproduzo "in verbis" trecho do voto vencedor da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no âmbito do Acórdão nº 9202003.582, de 3 de março de 2015, proferido em sessão da 2ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), o qual complementa, desse modo, as minhas razões de decidir quanto à matéria objeto do recurso voluntário: "(...) A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 883 12 base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)" Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar Fl. 883DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 884 13 de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 885 14 Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)" Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos Fl. 885DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 886 15 legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. (...)" 31. Exposta assim a questão controvertida, concluo não assistir razão à recorrente nos seus argumentos de defesa. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 887 16 d) Qualificação das multas (150%) 32. Aduz a recorrente em seu recurso voluntário que é inadmissível a qualificação da multa, como fez o agente fiscal, porquanto ausente o dolo, a fraude ou a simulação, não tendo cometido qualquer das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 33. A multa isolada e a multa proporcional, as quais estão previstas, respectivamente, no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, e no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, admitem a elevação do percentual básico de 75%. Em ambos os casos, o respectivo dispositivo de lei faz alusão ao § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que cuida da duplicação do percentual, equivalente a 150%: Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) (GRIFEI) 34. Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, acima mencionados, estão assim redigidos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 888 17 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 35. A despeito do critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% sobre o valor principal, a legislação prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, quando evidenciada pela fiscalização sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 36. Para essa elevação do percentual básico é condição indispensável a acusação identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a simulação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da conduta. 37. Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. 38. Pois bem. Em síntese, a fiscalização resumiu a justificativa para a exasperação do percentual das multas nos termos abaixo: "(...) pelo fato da empresa ter agido, em tese, dolosamente tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do IR retido na fonte, ao fazer pagamento de remunerações via cartões de premiação e informando tais valores na contabilidade como despesa com marketing e propaganda, e também, em tese, praticou fraude, ao agir dolosamente tendente a modificar as características do fato gerador do IR fonte ao depositar os valores de comissões e bônus em previdência privada, conforme os arts. 71 inciso I e 72 da Lei nº 4.502/1964:(...)" [multa isolada, fls. 576] "(...) pelo fato da empresa ter agido, em tese, dolosamente tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do IR retido na fonte, ao fazer pagamento de remunerações via cartões de premiação e informando tais valores na contabilidade como despesa com marketing e propaganda, e sendo essa atitude considerada uma sonegação, conforme o inciso I do art. 71 da Lei nº 4.502/1964:(...)" [multa proporcional, fls. 582] (GRIFEI) 39. Ainda que a tese de dolo, fraude ou simulação não possa ser irrefutavelmente afastada pelo conjunto probatório acostado aos autos, entendo que as provas trazidas pela Fl. 888DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 889 18 autoridade lançadora a qual tem o dever de fazer prevalecer os fatos que alega na hipótese de aplicação de penalidade mais gravosa não comprovam efetiva e cabalmente a existência do elemento subjetivo ilícito na conduta da recorrente. 39.1 Em caso de dúvida, não restando convencido o julgador que houve a intenção deliberada do fiscalizado em impedir a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, ou de excluir ou modificar suas características essenciais, devese afastar a qualificação da penalidade de ofício. 40. Nessa linha de raciocínio, chamoume a atenção a utilização pelo agente fiscal da expressão "em tese", conforme sublinhado no texto copiado, quando da sua narrativa a respeito da conduta perpetuada pela empresa autuada. 40.1 Isso porque não se está diante de um contexto de comunicação de possível cometimento de crime ao Ministério Público, mas sim da aplicação concreta de sanção pecuniária em dobro para a multa prevista em lei. 40.2 A toda a evidência, para tal exarcebação da penalidade exigese da autoridade lançadora total segurança na tarefa de demonstrar, por meio dos elementos de prova juntados aos autos, a existência da intenção firme do infrator de atuar com dolo, fraude ou simulação perante o Fisco. 41. Verifico que a recorrente não deixou de contabilizar os desembolsos efetuados relacionados ao crédito tributário exigido, estando integralmente registrados na escrituração contábil, mesmo que se possa argumentar que alguns dos lançamentos estão localizados em contas com nomenclatura menos apropriada a sua natureza jurídica. 41.1 De qualquer forma, em nenhum momento, a fiscalização questionou ou demonstrou a idoneidade da documentação que lhe foi apresentada, inclusive as notas fiscais de repasse de créditos de aumento de performance e produtividade aos trabalhadores recompensados pela empresa. Neste último caso, a falta de identificação dos beneficiários dos pagamentos é que ensejou a tributação extraordinária do imposto sobre a renda, com base de cálculo reajustada, na alíquota de 35%. 42. A realização de depósitos em contas de previdência privada, assim como os créditos mediante cartões de benefícios para premiações pelo atingimento de metas, não são formas ilícitas, proibidas pela lei. 42.1 Por isso, a linguagem de provas utilizada pela fiscalização não tem o condão de afastar a possibilidade de planejamento fiscal pela autuada, amparada em uma interpretação jurídica, equivocada é verdade, de que os aportes efetuados nas contas de previdência privada e os valores pagos por meio de cartões de premiação escapariam à incidência do imposto sobre a renda, por não se enquadrarem tais desembolsos no conceito de remuneração ou salário. 43. Destaco que os fatos narrados pela autoridade fiscal podem evidenciar indícios da ocorrência de conduta fraudulenta ou sonegatória e, dessa maneira, suficientes para confecção de representação fiscal para fins penais dirigida ao Ministério Público Federal. Em vista disso, talvez, o uso da expressão "em tese" pelo fiscal autuante. 44. Entretanto, a existência de indícios de crime tributário não autoriza sem as justificativas materiais apropriadas a imposição de penalidade de ofício qualificada, a qual Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19515.720388/201409 Acórdão n.º 2401004.592 S2C4T1 Fl. 890 19 demanda a comprovação minudente de uma das hipóteses de aplicação dessa sanção mais gravosa. 45. Na esfera penal a sociedade tem o direito de ver devidamente apuradas eventuais condutas delituosas, cuja instrução probatória permitirá demonstrar, com os meios disponíveis, a verdade possível dos fatos. 46. Por outro lado, na hipótese de qualificação da multa, além da descrição dos fatos ocorridos, as provas indispensáveis e contundentes para justificar a duplicação do percentual da penalidade devem ser carreadas aos autos pelo agente fiscal, via de regra, no momento da formalização do auto de infração, dados os limites existentes para a produção da prova no curso do processo administrativo tributário. 47. Assim, penso que faltou à autoridade lançadora estabelecer, em relação aos específicos valores lançados, uma liame indubitável entre os elementos de sua convicção da conduta ilícita do sujeito passivo e o cometimento de fraude ou sonegação, mediante ação dolosa, nos moldes previstos na Lei nº 4.502, de 1964. 48. Dessa feita, não demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. 49. O percentual trivial de 75% aplicase à multa de ofício proporcional aplicada sobre o lançamento de ofício relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados, conforme art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, bem como ao lançamento de ofício da multa isolada pela falta de retenção do imposto sobre a renda na fonte, exigida com base no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002 (fls. 118, 128 e 499). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para reduzir as penalidades ao patamar trivial em casos de lançamento de ofício (75%). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 890DF CARF MF
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