Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10845.006919/94-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1992, 01/08/1992 a 31/08/1992
MULTA DE OFÍCIO. PARCELA DEVIDA. DEPÓSITO CONVERTIDO
EM RENDA DA UNIÃO FEDERAL.
Comprovada a conversão em renda do depósito judicial da parcela do crédito
tributário, cancelase
a multa de ofício lançada sob o fundamento que de não
teria havido a conversão.
MULTA DE OFÍCIO. PARCELA DEVIDA. DEPOSITO INSUFICIENTE.
Mantémse
a multa lançada em decorrência de depósito insuficiente para
liquidar a parcela do crédito tributário devido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3301-001.247
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1992, 01/08/1992 a 31/08/1992 MULTA DE OFÍCIO. PARCELA DEVIDA. DEPÓSITO CONVERTIDO EM RENDA DA UNIÃO FEDERAL. Comprovada a conversão em renda do depósito judicial da parcela do crédito tributário, cancelase a multa de ofício lançada sob o fundamento que de não teria havido a conversão. MULTA DE OFÍCIO. PARCELA DEVIDA. DEPOSITO INSUFICIENTE. Mantémse a multa lançada em decorrência de depósito insuficiente para liquidar a parcela do crédito tributário devido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10845.006919/94-91
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4824284
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 02 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-001.247
nome_arquivo_s : 330101247_108450069199491_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 108450069199491_4824284.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4749210
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358762070016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 197 1 196 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.006919/9491 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330101.247 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria COFINS AI Recorrente ARMAZÉNS GERAIS ITAÚTEC S/A LINEINVEST PARTICIPAÇÕES LTDA. (SUCESSORA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1992, 01/08/1992 a 31/08/1992 MULTA DE OFÍCIO. PARCELA DEVIDA. DEPÓSITO CONVERTIDO EM RENDA DA UNIÃO FEDERAL. Comprovada a conversão em renda do depósito judicial da parcela do crédito tributário, cancelase a multa de ofício lançada sob o fundamento que de não teria havido a conversão. MULTA DE OFÍCIO. PARCELA DEVIDA. DEPOSITO INSUFICIENTE. Mantémse a multa lançada em decorrência de depósito insuficiente para liquidar a parcela do crédito tributário devido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo contra decisão da DRJ São Paulo I que julgou procedente em parte o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de abril, maio, junho e agosto de 1992. O lançamento decorreu da falta de declaração e pagamento da contribuição devida naqueles períodos. Cientificada da exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento (fls. 6.543/6.566), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... ingressou com mandado de segurança em relação à Cofins, sendo ‘concedida liminar mediante depósito do montante integrar’ (fl. 30); de que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa; e de que, ainda que o direito pleiteado judicialmente não se assente como procedente, incabível seria a imposição de multa de mora ou por infração, assim como a imposição de juros.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente em parte, excluindo os juros de mora e multa de ofício sobre as parcelas lançadas e exigidas para as competências de abril e maio de 1992, mantendo tais exigências para as demais competência, com redução do percentual da multa de 100,0 % para 75,0%, sob os argumentos de que para o mês de junho o depósito efetuado foi inferior a parcela devida e para o mês de agosto foi levantado o depósito, conforme acórdão nº 1621.456, datado de 20/05/2009, às fls. 88/98, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. E incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração não comprovadamente lavrado por autoridade incompetente. COFINS. LANÇAMENTO. A atividade de Lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de eventual ação ou depósito judicial (integral ou parcial), cuja conseqüência é, conforme seja, a mera suspensão de exigibilidade de crédito tributário. AÇÃO JUDICIAL. Nos termos do art. 62 do Decreto n° 70.235/72, combinado com o art. 151 do Código Tributário Nacional, é devida a constituição do crédito tributário durante a vigência de medida judicial. E robustecido fica o Lançamento se o impugnante não evidencia qualquer eventual decisão/provimento judicial que porventura lhe possa efetivamente favorecer contra as pretensões do fisco relativamente à COFINS, pesando em favor da aludida contribuição a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1, da qual emerge claramente a constitucionalidade da exação. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com o princípio da retroatividade benigna e na linha do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10845.006919/9491 Acórdão n.º 330101.247 S3C3T1 Fl. 198 3 Ato Declaratório Normativo COSIT 01/1997, aplicase a atos pretéritos, não julgados definitivamente, lei que comine penalidade menos severa que a anteriormente prevista. MULTA DE OFICIO. E incabível o Lançamento de multa de ofício na constituição, para prevenir decadência, de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito do seu montante integral. JUROS. Nos termos do art. 5 ° do Decretolei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979 (Diário Oficial da União de 21.12.1979), ‘A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Paralelamente, o regular depósito judicial favorece o sujeito passivo, a partir da data em que é efetuado, contra o ônus da correção monetária e contra a fluência dos juros de mora. E embora o tributo se repute pago na data do devido depósito judicial, a extinção do crédito tributário não se operará juridicamente antes da conversão em renda.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 147/151), requerendo a sua reforma a fim de seja excluída a multa mantida sobre as parcelas de junho e agosto de 1992, alegando que, para o mês de junho, o comprovante de depósito comprova que o depósito efetuado (doc. 04), em 16/08/1993, corresponde ao valor da contribuição devida, esclarecendo que o valor depositado foi apurado com base na Declaração de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 1992, sendo que a base de cálculo autuada foi superior a do valor declarado, daí a diferença; quanto à competência de agosto de 1992, o deposito foi convertido em renda da União Federal nos autos do MS nº 92.02047405, conforme provam os documentos em anexo (doc. 06). É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Do exame da documentação acostada ao recurso voluntário, verificase que as alegações da recorrente são procedentes em parte. Quanto ao mês de agosto de 1992, as copias, às fls. 186, do Ofício nº 539/96, expedido pela 4ª Vara da Justiça Federal em Santos, SP, ao Gerente da Caixa Econômica Federal, solicitando a conversão em Renda da União do depósito efetuado no dia 21/09/1992, no valor de $ 20.210.544,18; às fls. 187, do Ofício 1732/96, expedido pela Caixa Econômica Federal ao Juiz Federal daquela Vara, comunicando a conversão em renda da União daquele depósito; e, às fls. 188, do darf, comprovam a conversão em renda União do depósito judicial referente à parcela da contribuição lança e exigida para o mês de agosto de 1992. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Já em relação ao mês de junho de 1992, o alegado erro na base de cálculo utilizada pelo autuante e, consequentemente, erro no valor da parcela da Cofins lançada e exigida, não se toma conhecimento, nesta fase recursal, por se tratar de matéria preclusa, não questionada na impugnação, ou seja, matéria nãooposta à primeira instância. Quando da impugnação do lançamento, a recorrente não contestou o valor da parcela lançada e exigida para aquele mês. Assim, seu valor e sua exigência tornaramse definitivos na instância administrativa. A fase litigiosa do procedimento se instaura com a interposição da impugnação, quando aquela matéria deveria ter sido contestada, conforme estabelece o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 15. Também, o art. 17, deste mesmo diploma legal, estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Dessa forma, não tendo a matéria sido oposta à autoridade julgadora de primeira instância, ocorreu a preclusão de seu direito de suscitála nesta fase recursal. Em obediência ao princípio da verdade material, tal preclusão poderia ser superada desde que comprovado o alegado erro na base de cálculo da contribuição para aquele mês. Contudo, a documentação apresentada pela recorrente, cópia da DIPJretificadora, desacompanhada de outros documentos, como cópia de Razão ou balancete mensais contendo a escrituração das receitas operacionais, não serve de prova de sua alegação. Do exame dos autos, verifica que a base de cálculo utilizada pelo autuante, obtida dos registros fiscais e contábeis da recorrente, foi de CR$1.379.121.330,00, contribuição apurada de R$27.582.426,60, correspondente a 13.107,77 UFIR. Já na DIPJretificadora do anocalendário de 1992, às fls. 181/183, apresentada em 10/03/1995, consta base de cálculo da Cofins, no valor de CR$817.763.002,00, correspondente a apenas 59,3 % daquele valor. Já base do PIS declarada naquela mesma retificadora foi R$1.562.832.593,00. Se as contribuições para o PIS e Cofins, naquele período de competência, tinham a mesma base de cálculo, ou seja, a receita operacional bruta, como se explica tamanha discrepância entre ambas. Caberia a recorrente apresentar provas hábeis, livro Razão, balancete mensal, ou livros fiscais, comprovando o alegado erro. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que se cancele apenas e tão somente a multa de ofício incidente sobre a parcela da Cofins lançada para o mês de competência de agosto de 1992. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10845.006919/9491 Acórdão n.º 330101.247 S3C3T1 Fl. 199 5 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000213/2006-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2002
DECADÊNCIA PARA REVER A INSCRIÇÃO NO SIMPLES
As disposições da Lei nº 9.784/99 não se aplicam ao processo administrativo fiscal, que possui legislação própria que o disciplina.
CONSTRUÇÃO CIVIL. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADES VEDADAS.
A exclusão do SIMPLES, em razão de exercício de atividade impeditiva, retroage a data em que tais atividades começaram a ser praticadas. O fato do tributo não poder ser lançado após o prazo decadencial não atinge os atos administrativos correlatos.
Numero da decisão: 1802-001.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em
REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 DECADÊNCIA PARA REVER A INSCRIÇÃO NO SIMPLES As disposições da Lei nº 9.784/99 não se aplicam ao processo administrativo fiscal, que possui legislação própria que o disciplina. CONSTRUÇÃO CIVIL. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADES VEDADAS. A exclusão do SIMPLES, em razão de exercício de atividade impeditiva, retroage a data em que tais atividades começaram a ser praticadas. O fato do tributo não poder ser lançado após o prazo decadencial não atinge os atos administrativos correlatos.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10140.000213/2006-94
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4855336
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.095
nome_arquivo_s : 1802001095_10140000213200694_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10140000213200694_4855336.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4748911
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358765215744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.000213/200694 Recurso nº 342.551 Voluntário Acórdão nº 1802001.095 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente TMJB LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 DECADÊNCIA PARA REVER A INSCRIÇÃO NO SIMPLES As disposições da Lei nº 9.784/99 não se aplicam ao processo administrativo fiscal, que possui legislação própria que o disciplina. CONSTRUÇÃO CIVIL. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. ATIVIDADES VEDADAS. A exclusão do SIMPLES, em razão de exercício de atividade impeditiva, retroage a data em que tais atividades começaram a ser praticadas. O fato do tributo não poder ser lançado após o prazo decadencial não atinge os atos administrativos correlatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000213/200694 Acórdão n.º 1802001.095 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000213/200694 Acórdão n.º 1802001.095 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) que indeferiu o pedido de permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A Delegacia da Receita Federal em Campo Grande recebeu representação contra a contribuinte (fls. 1 a 3), oriunda da Delegacia da Receita Previdenciária – DRP, da mesma localidade, que constatou o exercício de atividades econômicas incompatíveis com aquele regime tributação. De acordo com a representação, a empresa teria incorrido nas vedações da Lei n° 9.317/96, art. 9°, XII, "f", combinado com o inciso V, parágrafo 4º do mesmo artigo, a seguir transcritos. Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (…) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997)” O documento foi instruído com cópia dos atos constitutivos da sociedade e cópias de contratos de prestação de serviço que comprovam as atividades vedadas. Com base nessa documentação, em 16/03/2007 a autoridade administrativa, através do ato Declaratório nº 33, declarou a Contribuinte excluída do SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/2002. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000213/200694 Acórdão n.º 1802001.095 S1TE02 Fl. 39 4 Intimada dessa decisão em 29/03/2007 (fls. 25), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 26 a 33), descrevendo sucintamente os fatos e adicionando as suas alegações que: a) anteriormente à Lei n° 9.784/99 não havia prazo para a Administração rever seus próprios atos eivados de nulidade, contudo, com o advento da referida lei, em seu art. 54, o prazo fixado pela administração para anular seus atos administrativos é de 5 (cinco) anos contados da data em que foram praticados. Afirma que esse é o entendimento da Corte Especial do STJ, por decisões proferidas nos Mandados de Segurança nº 9.112/DF, 9.115/ DF e 9.157/DF. Desta forma, sustenta que o Ato Declaratório emitido não poderá retroagir a 1° de janeiro de 2002, determinando sua exclusão do Simples, pois já haviam passados mais de cinco anos para revisão do pagamento, tendo portanto ocorrido a decadência; b) o Ato Declaratório Executivo não pode prosperar, uma vez que ofende o principio da segurança jurídica, conforme ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, bem como o princípio da irretroatividade da lei, previsto na Constituição Federal de 1988, art. 5°, XXXVI, e art. 150, III, sendo ainda inaplicável à espécie o CTN, art. 106. Por fim, pediu o reconhecimento do ato preliminar argu ido, julgando nulo o ato Declaratório Executivo n° 0033/07 e mantendo sua permanência no SIMPLES. A DRJ Campo Grande (MS), ao analisar a manifestação de inconformidade, indeferiu a solicitação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA DE REVER A INSCRIÇÃO NO SIMPLES. As disposições da Lei n° 9.784/1999 não se aplicam ao processo administrativo fiscal, que possui legislação própria que o disciplina. CONSTRUÇÃO CIVIL. LOCAÇÃO DE MAODEOBRA. ATIVIDADES VEDADAS. A exclusão do Simples em razão do exercício de atividade impeditiva retroage, nos termos legais. Solicitação Indeferida” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/09/2009, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 59 a 65, onde alega as preliminares de decadência e de ofensa aos princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei, reiterando as mesmas razões aduzidas em sua impugnação. Este é o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000213/200694 Acórdão n.º 1802001.095 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte foi excluída do SIMPLES baseado em representação oriunda da Delegacia da Receita Previdenciária DRP de Campo Grande/MS, após o exame de diversos contratos de prestação de serviços e notas fiscais que demonstraram que as atividades econômicas exercidas pela empresa eram incompatíveis com aquele regime tributação. De acordo com a representação, a empresa teria incorrido nas vedações da Lei n.° 9.317/96, art. 9°, V, combinado com o parágrafo 4°, e XII, ‘f’. Anexo à representação vieram as cópias dos documentos informados no parágrafo anterior. Vale dizer que a Recorrente em momento algum contestou os documentos apresentados pela fiscalização ou argumentou que não havia praticado as atividades vedadas para a apuração pelo SIMPLES, mas se limitou a criticar o ato de exclusão. De acordo com as defesas apresentadas, entende a recorrente que a autoridade fiscal não pode excluíla do SIMPLES, pois passaramse mais de 5 (cinco), tendo imperado a decadência, de modo que tal conduta fere os princípios segurança jurídica e da irretroatividade da lei. A) DECADÊNCIA O argumento de que o direito de a Fazenda Pública de efetuar sua exclusão do SIMPLES estava precluso, uma vez que o ato foi emitido quando já se havia passado mais de cinco anos do fato gerador ocorrido em 2002, não pode e nem deve prosperar. Tratase de argumento totalmente infundado, eis que a preclusão invocada pela Recorrente, com fundamento no Decreto n° 70.235/72, art. 16, como já atacado pela DRJ, é impertinente à matéria. Tal dispositivo é aplicável a questões probatórias e só diz respeito à forma como o contribuinte deve formular sua defesa por ocasião da impugnação. Nenhuma relação guarda com o direito, ou poderdever, de o fisco executar ato de oficio, que, aliás, não são renunciáveis, em vista do principio da indisponibilidade e da legalidade que revestem os atos administrativos em geral. Assim, uma vez que a lei tributária prevê o ato de exclusão de oficio na Lei n° 9.317/96, art. 14, não pode a autoridade administrativa renunciar ao ato, tendo sua atividade administrativa plenamente vinculada, devendo cumprilo. Em sentido contrário temos a constituição do crédito tributário, dada através do lançamento que tem previsão legal de extinção, passados os cinco anos, em conformidade com o que dispõem os artigos 156 e 173 do CTN, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000213/200694 Acórdão n.º 1802001.095 S1TE02 Fl. 41 6 V a prescrição e a decadência;”, e, “Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Sendo assim, a decadência constituise num óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, pois se refere à perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, porém não pode este instituto, como quer a Requerente, ser invocado para afastar a constatação de situações configuradoras de vedação à permanência no SIMPLES. Pelo exposto, opino desde já pelo afastamento da preliminar suscitada pela Recorrente. B) A RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO O entendimento da contribuinte quanto a retroatividade da exclusão não reflete a determinação da Lei n° 9.317/96, art. 15, II, com redação dada pela Lei n° 9.532/98, a qual estabelece que a mesma darseá a partir do mês subsequ ente ao em que incorrida a situação excludente. Assim sendo, não há falar em violação dos princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei. C) DO MÉRITO Embora não atacado frontalmente pela contribuinte em sua defesa, passamos a abordar o mérito. O objeto dos contratos celebrados com a Prefeitura Municipal de Costa Rica denotam que a contribuinte prestou diversos serviços que tiveram como escopo a construção civil, de acordo com o conceito dado pela norma legal, ou a cessão de mãodeobra, que também é expressamente vedada a opção pela sistemática de apuração eleita. A Lei nº 9.317/96, art. 9º, V, veda expressamente o ingresso no SIMPLES às empresas que se dedicam à construção civil. De acordo com a lei, incluemse nesse conceito a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, tais como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. No Termo de Contrato n° 384/2005 (fls. 12) percebese que a empresa se obrigou a realizar serviços de reforma de vestiário, muro de divisa e demolições. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000213/200694 Acórdão n.º 1802001.095 S1TE02 Fl. 42 7 No mesmo diploma legal, o art. 9°, XII, "f", impede expressamente o ingresso no SIMPLES de pessoas jurídicas que realizem locação de mãodeobra. O Termo de Contrato n° 382/2005 (fls. 11) indica que o objeto do negócio jurídico eram serviços de pessoal, visando o atendimento das necessidades de apoio à Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Costa Rica, o que evidencia que a pessoa jurídica se comprometia a executar serviços que consistiam em pôr mãodeobra à disposição da contratante. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência argüida e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso mantendo sua exclusão do SIMPLES nos termos do ADE n° 0033/2007 . (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005223/2003-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30.04.2003 •
CANCELAMENTO DE MULTA DE OFICIO - COMPENSAÇÃO -
DECISÃO JUDICIAL
O contribuinte que realiza compensação com autorização judicial não pode
ser penalizado com a aplicação de multa, trata-se de procedimento legal que
deve ser respeitado pelas autoridades administrativas.
LEI COMPLEMENTAR 101/01 - IRRETROATIVIDADE
0 impedimento trazido pela Lei Complementar 101/01, que incluiu o artigo
170-A no Código de Processo Civil - CPC não alcança os processos
judiciais e/ou as decisões judiciais proferidas antes de sua vigência.
Irretroatividade da norma:
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3302-000.596
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro
Walber José da Silva. 0 Conselheiro Jose Antonio Francisco acompanhou a relatora pelas
conclusões.
Nome do relator: Não Informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30.04.2003 • CANCELAMENTO DE MULTA DE OFICIO - COMPENSAÇÃO - DECISÃO JUDICIAL O contribuinte que realiza compensação com autorização judicial não pode ser penalizado com a aplicação de multa, trata-se de procedimento legal que deve ser respeitado pelas autoridades administrativas. LEI COMPLEMENTAR 101/01 - IRRETROATIVIDADE 0 impedimento trazido pela Lei Complementar 101/01, que incluiu o artigo 170-A no Código de Processo Civil - CPC não alcança os processos judiciais e/ou as decisões judiciais proferidas antes de sua vigência. Irretroatividade da norma: Recurso de Oficio Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11080.005223/2003-98
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 5037560
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-000.596
nome_arquivo_s : 330200596_11080005223200398_201009.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Não Informado
nome_arquivo_pdf_s : 11080005223200398_5037560.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva. 0 Conselheiro Jose Antonio Francisco acompanhou a relatora pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
id : 4753403
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358780944384
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-27T14:53:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-27T14:53:29Z; Last-Modified: 2011-06-27T14:53:30Z; dcterms:modified: 2011-06-27T14:53:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d997e285-ffb3-4073-bf4a-590a550c46f4; Last-Save-Date: 2011-06-27T14:53:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-27T14:53:30Z; meta:save-date: 2011-06-27T14:53:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-27T14:53:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-27T14:53:29Z; created: 2011-06-27T14:53:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2011-06-27T14:53:29Z; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-27T14:53:29Z | Conteúdo => Walber a Silva residente • Oa CA-L(94P' , -A Fabiola Cassianf eramidas — Relatora S3-C3T2 Fl. 386 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.005223/2003-98 Recurso n" 249.974 De Oficio Acórdão n° 3302-00.596 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2010 Matéria Credito Premio IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADUBOS TREVO S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30.04.2003 • CANCELAMENTO DE MULTA DE OFICIO - COMPENSAÇÃO - DECISÃO JUDICIAL O contribuinte que realiza compensação com autorização judicial não pode ser penalizado com a aplicação de multa, trata-se de procedimento legal que deve ser respeitado pelas autoridades administrativas. LEI COMPLEMENTAR 101/01 - IRRETROATIVIDADE 0 impedimento trazido pela Lei Complementar 101/01, que incluiu o artigo 170-A no Código de Processo Civil - CPC não alcança os processos judiciais e/ou as decisões judiciais proferidas antes de sua vigência. Irretroatividade da norma: Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva. 0 Conselheiro Jose Antonio Francisco acompanhou a relatora pelas conclusões. EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de compensação de débitos diversos com crédito prémio de IPI de terceiros, transferidos com base ern decisões judiciais não transitadas em julgado proferidas nos autos do Mandado de Segurança n 2000.5101000732-3 (24 Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ), e da Medida Cautelar n 2000.02.01.051555-7 (2" Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ), ambas as ações de titularidade de Simab S/A. Importa ainda registrar que, na referida DCOMP foi citado, como origem do credito, o processo administrativo n 2 13706.001764/00-54, também de Simab S/A. Os fatos são complexos, envolvendo diversas decisões judiciais que estão bem retratadas no relatório proferido na decisão de primeira instância administrativa, razão pela qual passo a transcrevê-la, verbis: "Tanto no verso da DCOMP, quanto no verso do formulário 'Créditos Decorrentes de Decisão Judicial', consta Informação prestada pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributciria (Derat) no Rio de Janeiro, firmada, inclusive, pelo titular daquela unidade, em 20 de maio de 2003, no seguinte sentido: '0 contribuinte SIMAB S/A, CNPJ n 33.044.058/0001-96, através do Processo Administrativo 13706.001764/00-54, faz jus ao Crédito Prêmio do IPI pleiteado com base no Decreto-Lei 11 2 491/69, conforme Decisão Judicial proferida nos Autos do MS le 2000.5101000732-3 e da Medida Cautelar 11 2 2000.02.01.051555-7. Atendendo ao Requerido, está sendo transferida ;testa data a débito desse crédito prêmio a importância de R$ 2.592.626,56 (..) a favor do contribuinte ADUBOS TREVO S/A, CNPJ 92.660.604/0001-82, para a sua utilização na quitação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme a determinação judicial supramencionada. Observação: Esta Informação substitui o DCC (Documento Comprobatório de Compensação), o qual foi extinto em face da revogação da IN n' 21/1997. O Adquirente do crédito deverá apresentar na Unidade da SRF da sua jurisdição os formulários 'Créditos Decorrentes de Decisão Judicial' e Declaração de Compensação' para efeito da formalização do respectivo processo. 6. ) " Conforme petição inicial reproduzida nas fls. 136 a 165 (vol. I), o estabelecimento Simab S/A, do Rio de Janeiro, impetrou o Mandado de Segurança n' 2000.51.01.000732-3, em 17 de 2 Processo n° 11080.005223/2003-98 Acórdão n.° 3302-00.596 janeiro de 2000, contra o Delegado da Receita Federal naquela cidade, em caráter preventivo, corn o pedido a seguir transcrito: `(.) REQUER A VOSSA EXCELÊNCIA: I — a concessão de MEDIDA LIMINAR, 'inaudita altera pars' com fidcro no art. r, inciso II, da Lei n' 1533/51, para o fim de não sofrer, a Impetrante, em face do justo receio que lhe sobrepaira, qualquer coação, por parte da autoridade coa tora, que venha a exigir-lhe o estorno e, via de conseqüência, impedir- lhe a utilização do crédito lançado ern sua escrita fiscal, nas formas autorizadas nas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de números 21/97 (consolidada pela IN/SRF 73/97) e 37/97, determinando-se que se abstenha a digna autoridade coatora, por si e por seus subordinados, de cobrar da Impetrante, através de Auto de Infra cão, o valor do IPI acrescido de multa e correção, de forma abusiva e ilegal, ferindo, .flagrantemente, o inarreddvel direito liquido e certo e sem nenhum óbice ao seu gozo, fazendo prevalecer o exercício do dir'eito conferido no artigo 1" do Decreto 491/69, cleterminando-se, ainda, a honrada autoridade coatora, a prática dos atos necessários a efetivação da medida liminar; IV — a concessão, no mérito, da segurança, para o fim de, consolidando a medida liminar deferida, reconhecer-se, it Impetrante, em definitivo, o direito ao lançamento em seus livros fiscais e it utilização dos créditos de IPI decorrentes das exportações de produtos manufaturados de que trata o Decreto- lei n' 491/69 e legislação subseqüente, sob a forma de compensação com débitos * próprios e de terceiro e de ressarcimento, conforme rezam o art. 1, § 2,do Decreto lei n2 491/69 e as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de números 21/97 (consolidada pela IN/SRF 73/97) e 37/97. ' (destaquei) Foi apurado no Processo if 10909.001144/2001-01 que a liminar pleiteada no citado mandado de segurança foi deferida, em 17 de janeiro de 2000, por despacho manuscrito pela meritissima Juiza Federal Substituta da 24' Vara Federal do Rio de Janeiro, parcialmente reproduzido nail. 239 (vol. I) deste processo, com a seguinte disposição: `(...) Diante do exposto, DEFIRO a liminar 'inaudita altera pars', nos termos do item I, de fl. 29 O 'item I de fl. 29' (IL 29 do processo judicial), foi transcrito no item precedente, e se acha, neste processo administrativo, reproduzido nas fls. 163 e 164 (vol. 1). Nas fls. 166 a 184 (vol. 1), consta reprodução da sentença proferida em 17 de abril de 2000, no Mandado de Segurança n" 2000.51.01.000732 - 3, que foi alvo de apelação, tanto da Fazenda Nacional, quanto de Simab S/A, além de ficar sujeita a reexame necessário, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 2" Região, no Rio de Janeiro. 0 dispositivo da sentença em questão é transcrito a seguir: S. S3-C3T2 Fl. 387 Lt 3 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCL4LMEN2TE PROCEDENTE o pedido ora formulado e, em conseqüência, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para assegurar à impetrante o direito de efetuar, de modo definitivo, o lançamento em seus livros fiscais, utilizando-se dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI decorrentes das exportações de produtos manufaturados de que trata o • artigo 1 , ,sç 3" (sic), da Lei n' 8.402/92, com as devidas remissões as legislações anteriores, procedendo ao lançamento dos mesmos nos estabelecimentos respectivos as entradas dos insumos, através de registro em seus livros fiscais, a fim de que seja compensado Coln parcelas da própria exação apuradas em períodos subseqüentes, nos termos da fundamentação supra, que fica fazendo parte integrante deste dispositivo. 0 valor a ser apurado deverá ser corrigido monetariamente desde o momento em que o crédito era devido (interpretação analógica das Súmulas 46 do TFR e 162 do ST, aplicando-se a variação da UHR a partir de janeiro de 1992 e o disposto no artigo 39, §* 4", da Lei n' 9.250/95 (taxa SEL1C), a partir de 12: de janeiro de 1996." Além da impetração do Mandado de Segurança 2000.51.01.000732-3, a petição inicial copiada nas fls. 185 a 221 (vol. 1) chi conta da proposihtra da Medida Cautelar Inominada e 2000.02.01.051555-7, em 21 de agosto de 2000, por Simab S/A, perante o TRF da 2' Região, em face da sentença proferida no Mandado de Segurança n" 2000.51.01.000732-3, coin o seguinte pedido (fl. 220), literalmente: "89.À vista do exposto, demonstrados os requisitos do litmus boni juris' e do `periculum in mora' requer a ora Requerente, com fundamento no art. 798 e 800, parágrafo único do CPC, digne-se V. Exa. Conceder-lhe medida liminar, 'inaudita altera pars', apenas e tão somente para, até ulterior deliberação desse Tribunal ou até o julgamento da apelação no processo principal, garantir o resultado útil do processo principal e assegurar o seu direito — reconhecido por sentença naquele feito — de utilizar-se dos créditos premio de 'PI, cumulativamente, através de (i) compensação com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, de responsabilidade da Requerente; (ii) compensaaio com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, de responsabilidade de terceiros e (iii) ressarcimento em espécie, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa SRF n2 21/97, consolidada na IN SRF nQ 73/97, com supedâneo no art. 1,§ 22, do DL n" 491/69, no Decreto le 2.138/97, e art. 179, do Decreto le 2.637/98 (Regulamento do 1P1), e conforme seja o entendimento de Vossa Excelência em: (a) declarar válida, mantida e vigente a liminar concedida em primeira instância, e não revogada expressamente na prolação da sentença; ou (b) atribuição de efeito substitutivo ativo à apelação interposta, em harmonia com a tutela recursal antecipada, por força do art. 558, parágrafo único c/c art. 273, CIO CPC; ou (c) conceder 'ex novo' a presente liminar, com fulcra no poder geral de cautela do Tribunal. 90. Com efeito, deferida a presente medida, requer seja expedido oficio à autoridade apontada como coa tora no 'writ' — processo Processo no 11080.005223/2003-98 S3 -C3T2 Acórao n.° 3302-00.596 Fl. 388 principal —, para que cumpra a ordem, expedindo, na forma preconizada pela IN SRF re. 21/97, todos os Documentos Comprobatórios de Compensação, até o limite dos créditos reconhecidos pela Fiscalização da Fazenda Nacional, correspondente ao período expressado na sentença do mandado de segurança. 1.1 Na j7. 225 (vol. 1), acha-se reproduzida decisão do Desembargador Federal Francisco Pizzolante, de 24 de agosto de 2000, na mencionada Medida Cautelar 2000.02.01.051555-7, que concedeu a liminar requerida, para considerar válida, mantida e vigente a liminar concedida em primeira instância, no Mandado de Segurança re 2000.51.01.000732-3, até o trânsito em julgado, tendo em vista que não foi revogada expressamente na sentença. Na fl. 226 (vol. I), consta cópia de despacho manuscrito pelo mesmo Desembargador Federal, em 31 de agosto de 2000, determinando a expedição dos Documentos Comprobatórios de Compensação (DCCs), até o limite dos créditos. A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão na Medida Cautelar n° 2000.02.01.051555-7 e com a determinação judicial subseqüente, interpôs, em 5 de setembro de 2000, agravo regimental, segundo consta nas fls. 228 a 238 (vol. 1), requerendo a cassação da decisão reproduzida na fl. 226, que determinou a expedição de DCCs, ou, alternativamente, requereu que fosse exigida a respectiva contra-cautela, mediante depósito judicial do valor correspondente, agravo que foi rejeitado em 26 de setembro de 2000, pela Terceira Turma do TRF Região, por unanimidade, conforme consta nas fls. 130 a 135 (vol. I). Nas fls. 69 a 71 (vol. 1), verifica-se que, em 16 de dezembro de 2003, foi proferida decisão na Medida Cautelar 2000.02.01.051555-7, pela Terceira Turma do TRF da 2' julgando, por maioria, extinto o processo, sem julgamento do mérito. Segundo o acórdão reproduzido nas fls. 88 a 96 (vol. I), relativo ao julgamento da Apelação em Mandado de Segurança 2000.02.061320-8, também em 16 de dezembro de 2003, a Terceira Turma do TRF da 2' Região, no Rio de Janeiro, examinou a remessa necessária e as apelações de Simab S/A e da Fazenda Nacional. A apelante Simab S/A havia pleiteado a reforma parcial da sentença, no sentido de ser declarado o direito de compensar os créditos reconhecidos pela decisão recorrida, coin débitos próprios e de terceiros, de quaisquer tributos ou contribuiçães administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF). A Fazenda Nacional, por seu turno, recorrera, dizendo que o crédito-prêmio foi extinto em 30 de junho de 1983; sob outra perspectiva, entendeu a Fazenda que devem ser declaradas a prescrição qüinqüenal do crédito, a ausência de liquide:- e certeza dos valores compensáveis e vr deseabimento da correção monetária. A decisão do TRF da 2' Região foi no sentido de que (a) o prazo prescricional teve inicio em 12 de abril de 2002, (b) a aliquota aplicável é c/c 15% e (c) o crédito-prêmio que remanescer da compensação com débitos do próprio IPI pode ser compensado com débitos de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, ou ser transferido a terceiros. Nas fls. 97 a 100 (vol. I), acha-se o acórdão de 15 de junho de 2004, relativo ao julgamento dos embargos de declaração interpostos por Simab S/A, quanto à decisão na apelação ern mandado de segurança antes referida, acórdão que deu provimento aos citados embargos, para esclarecer que os produtos sujeitos ao regime de exoneração tributária, independentemente de sua qualificação tributária no mercado interno (isentos, não-tributados ou tributados à aliquota zero) e efetivamente exportados pelo embargante, geram direito ao crédito-prêmio do IPL Na seqüência, em 20 de dezembro de 2004, segundo consta nctfl. 101 (vol. 1), o Vice-Presidente do TRF da 71 Região inadnzitiu o recurso especial dirigido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), interposto pela Fazenda Nacional, contra o julgamento da Apelação em Mandado de Segurança n' 2000.02.061320-8, referida no item precedente, por falta de pré-questionamento dos arts. 173 e 174 da Lei n-°- 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), e do Decreto-lei n" 1.658, de 24 de janeiro de 1979. Essa decisão foi mantida, ern 19 de abril de 2005, pelo STJ, no julgamento do Agravo de Instrumento n' 666.890-RJ, conforme consta nas fls. 106 e 107 (vol. 1), decisão que, todavia, foi revertida, com o julgamento do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n" 666.890-RJ, ern 11 de outubro de 2005, no sentido da subida dos autos do recurso especial, para melhor exame pelo STJ, segundo os documentos das fls. 108 a 113 (vol. 1). Pelas fls. 121 a 129 (vol. I), verifica-se que, en, 9 de maio de 2005, a Fazenda Nacional propôs, perante o STJ, a Medida Cautelar le 10.000-RJ, para que fosse dado efeito suspensivo ao recurso especial por ela interposto contra o julgamento da Apelação em Mandado de Segurança 112 2000.02.061320-8, pelo TRF da 2" Região. A decisão inicial do STJ, em 12 de maio de 2005, foi no sentido de indeferir a petição inicial e julgar extinto o processo, sem exame do mérito, segundo consta nas 118 a 120. Posteriormente, em 11 de outubro de 2005, o STJ deu provimento ao Agravo Regimental na Medida Cautelar 10.000-RJ, em beneficio da Fazenda Nacional, contra Sintab S/A, conforme se vê nas fls. 115 e 116. A ementa desse último acórdão, publicado em 31 de marco de 2006, foi obtida na página do STJ na Internet e vem transcrita a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. 1P1. CRÉDITO- PRÊMIO. MATÉRIA CONTROVERTIDA. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. I. Ação cautelar ajuizada com a finalidade de agregar efeito suspensivo a recurso desprovido de tal eficácia é medida de caráter restrito, só deferivel quando cabalmente satisfeitos os Processo n° 11080.005223/2003-98 S3-C3T2 Acórchio n.° 3302-00.596 Fl. 389 requisitos dos arts. 798 e 799 clo Código de Processo Civil, cabendo à parte demonstrar a real possibilidade de êxito do recurso interposto. 2. Caracterizados os pressupostos da ação cautelar fumus boni iuris e periculum in mora' —, há de ser concedido o efeito suspensivo almejado, sobretudo porque, tendo o Regional permitido a acessibilidade do crédito-prêmio, que, 'in casu', já deve ter ocorrido, não seria prudente facilitar novas comercializações ate a decisão final do mérito. 3. Agravo regimental provido." De volta ao presente processo administrativo, cabe relatar que, uni ines depois, no dia 11 de novembro de 2005, foi elaborado o Parecer DRF/POA/Seort n2 508, das fls. 265 a 273 (vol. 1), concluindo (a) pela não-homologação das compensacões efetivadas neste processo e (b) pela necessidade de lançamento de oficio referente à multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 0 referido parecer foi aprovado pelo Despacho Decisório da fl. 274 (vol. 1), de 6 de dezembro de 2005, do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre, ato que não reconheceu o direito creditório em favor de Adubos Trevo S/A e não homologou as compensações, além de ter determinado a cobrança dos débitos objeto da DCOMP e o lançamento da multa isolada, sobre as diferenças apuradas, decorrentes da compensação indevida. 0 interessado teve ciência do referido parecer e do citado Despacho Decisório em 13 de dezembro de 2005, conforme Aviso de Recebimento (AR), da fl. 276 (vol. 1). A ementa do Parecer DRF/POA/Seort ri 2 508 vem transcrita a seguir: "Ementa: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO-PRÉMIO DE IPI DECORRENTE DE CESSÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS COM BASE EM AÇÃO JUDICIAL. Cumpre não homologar as compensações efetivadas com base em créditos de terceiros (crédito-premio de IPI originário de ação judicial), porque em desconformidade com as disposições constantes de expressa vedação legal (art. 74 da Lei 9.430/97, com a redação dada pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03). NÃO- HOMOLOGAÇÃO." No devido prazo, em 10 de janeiro de 2006, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, das /Is. 279 a 301 (vol. 2), firmada por seu representante legal, segundo consta nas fls. 302 a 325 (vol. 2), e instruída com os documentos das fls. 326 a 362 (vol. 2), alegando, em síntese, o que segue. Preliminarmente, requer a reunião da manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e da impugnação apresentada no Processo n° 11080.010604/2005- 51, relativo el multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n2 10.833, de 2003. 7 No mérito, afirma que o estabelecimento Siniab S/A, detentor legitimo do crédito-prêmio, para fins de compensação corn débitos de quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, tem o direito de transferir tal crédito para terceiros, na forma da SRF le 21, de 1997. Prossegue, dizendo que, apoiado na respeitável decisão judicial, o interessado adquiriu parte dos créditos do IPI do estabelecimento Simab S/A, conforme comprovam as Declarações de Compensação apresentadas perante a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, no Processo se 13706.001764/00-54, tendo a referida unidade efetuado as compensações, mediante a transferência do crédito a favor do interessado, para utilização na quitação de tributos administrados pela SRF, dando integral cumprimento à decisão judicial. 0 que ocorreu posteriormente foi que, visando cumprir a exigência contida no art. 15, § 2, da IN SRF n 21, de 1997, o interessado protocolizou a segunda via dos formulários de compensação na DRF em Porto Alegre, unidade que não homologou as comfiensações. , pelo Parecer DRF/POA/Seort n' 508, sem ter competência para tanto e em desacordo coin a decisão judicial válida e vigente, além de ir de encontro aos princípios da justiça, da isonomia e da moralidade dos atos da Administração Pública e de contrariar o Decreto n j̀- 1.171, de 1994, que aprovou o Código de ttica Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, e o art. 14 da Lei nQ 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (CPC), inserido pela Lei nQ 10.358, de 27 de dezembro de 2001. Transcreve excerto doutrinário de Enrico Ttilio Liebman, a respeito da eficácia das decisões judiciais. Ressalta que o estabelecimento Simab S/A possui autorização judicial, nos autos do Processo nQ 2000.51.01.000732-3, dada pela Terceira Turma do TRF da 2Q- Região, a qual assegura o direito fruição do crédito-premio do IPI sobre as exportações de produtos manufaturados e reconhece expressamente utilização do referido crédito, para compensação corn quaisquer tributos administrados pela SRF, como também a transferencia para terceiros, sem condicionar o aproveitamento dos créditos ao trânsito em julgado da ação. Transcreve ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no sentido de que a decisão judicial tem prevalência sobre a decisão administrativa. Afirma o interessado que o Ato Declaratório SRF n 31, de 1999, e o art. 42 da IN SRF n 210, de 2002, são inconstitucionais e ilegais, em razão dos mesmos fundamentos que levaram os tribunais a rejeitar a extinção do crédito -prêmio do IPI, mediante portarias do Ministro da Fazenda. A manifestação de inconformidade também invoca a Resolução nQ 71, de 26 de dezembro de 2005, do Senado Federal, no sentido da vigência do crédito-prêmio do IPI Ao vedar a transferência de créditos para terceiros, para fins de compensação com 'débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os arts. 73 e 74 da Lei 172 9.430, de 8 Processo n ° 11080.005223/2003-98 S3 -C3T2 Acórclao n.° 3302-00.596 F1.390 1996, e o art. 40 da IN SRF n° 460, de 2004, colidem com o disposto no § 20 do art. 1° do Decreto-lei n° 491, de 1969, e com o art. 179 do Decreto re- 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998, e COM decisões judiciais. Na seqüência, o interessado sustenta que o art. 170-A do CTN inaplicável ao presente caso concreto, porque esse dispositivo alcança, taxativa e limitadamente, aqueles processos judiciais em que o crédito a ser compensado origina-se de uni tributo que é alvo de contestação judicial, conforme transcrição de trecho de parecer do tributarista Sacha Calmon Navarro Coelho. Para reforçar suas razões, o interessado invoca decisão da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, segundo a qual foi cancelada a parcela do debito do IP1, compensada com crédito de terceiro, admitindo- se, portanto a transferência efetivada. Refere a manifestação de inconformidade que a decisão em comento foi alvo de recurso de oficio, ao Segundo Conselho de Contribuintes, ao qual foi negado provimento. Também refere despacho da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro, no sentido de ser incabível dar seguimento a quaisquer procedimentos de cobrança dos débitos compensados, os quais devem permanecer com sua exigibilidade suspensa. O interessado finaliza, pedindo a revogação do Parecer DRF/POA/Seort le 508, além de solicitar a reunido da manifestação de inconformidade ora relatada, com a impugnação apresentada no Processo n° 11080.010604/2005-51, para decisão simultânea, devendo ser consideradas válidas as compensações discutidas e, conseqüentemente, prejudicados quaisquer procedimentos de cobrança dos débitos compensados, cuja suspensão da exigibilidade, pela apresentação da manifestação de inconformidade, formalmente requer. Este relator, mediante pesquisa na página do STJ na Internet, constatou a subseqüente propositura, perante aquele tribunal, por Simab S/A, em 24 de abril de 2006, da Reclamação 2.161-RJ, coin pedido de liminar, para garantir a autoridade da decisão proferida pelo STJ, no Agravo Regimental na Medida Cautelar le 10.000-RJ, em 11 de outubro de 2005, decisão essa explicitada na ementa anteriormente transcrita. Também foi constatado que a citada Reclamação n° 2.161-RJ foi apreciada pelo STJ, em 25 de abril de 2006, corn decisão monocrática do Ministro Joao Otávio de Noronha, a seguir transcrita, suspendendo os efeitos de atos declaratórios executivos da SRF que haviam anulado DCCs, utilizados em operações com créditos reconhecidos no já citado Mandado de Segurança rig- 2000.51.01.000732-3: 'Nos termos do que dispõe o artigo 105, inciso I, alínea if', da Constituição Federal e artigo 187 e seguintes do R1STJ, a reclamação ajuizada perante o STJ tem por finalidade a preservação de sua competência ou a garantia da autoridade de suas decisões. No caso em exame, verifico, em juizo de cognição .sumária, a plausibilidade jurídica da argumentação que ampara o pleito correicional, porquanto, não obstante tenha a Segunda Turma do STJ provido o agravo da Fazenda nos autos da MC n2 10.000/RJ, de modo a agregar efeito suspensivo ao recurso especial por ela interposto, foi suficientemente claro ao preservar a integridade e furidicidade das operações anteriormente realizadas, restringindo os efeitos do `decistun' its operações de compensação/transferência realizadas a partir daquela data. Confira-se, a propósito, a observação inserida na parte final do voto-condutor, que, fazendo referência expressa ao termo 'novas comercializações, aperfeiçoa o julgado, esclarecendo, ainda que de modo sutil, acerca da impossibilidade de se extrairenz dali os efeitos pretéritos pretendidos pelas autoridades reclamadas. 'Entretanto parece-me razoável reconsiderar o decisum ora agravado para conceder o pretendido efeito suspensivo ao recurso especial, sobretudo porque, tendo o Regional permitido a cessibilidacle do crédito-prêmio, que a essa altura já deve ter ocorrido, não seria prudente facilitar novas comercializações até a decisão final de mérito.' Por outro lado, é evidente o 'periculum in mora', tendo em vista os graves prejuízos a que estará sujeita a reclamante na hipótese de subsistência dos atos reclamados. Ante o exposto, com base nos arts. 14, II, da Lei n(-2 8.038/90 e 188, II, do R1STJ, defiro a liminar para suspender os efeitos dos atos impugnados (Atos Declaratórios Executivos us. 8 e 9, de 6/2/2006 — DOU de 10/2/2006 e 14/2/2006 —, e 37, de 18/4/2006 —DOU de 20/4/2006). Na seqüência, cumpre relatar que se encontra apensado ao presente o Processo n2 11080.010604/2005-51, relativo a lançamentos de oficio da multa isolada, em decorrência de compensações de débitos do interessado, com crédito-prêmio recebido de terceiro, decorrente de ação judicial ainda não transitada em julgado. Segundo o Termo de Constatação Fiscal, das fls. 16 a 19 do citado Processo nQ 11080.010604/2005 -51 (apensado), o lançamento foi realizado porque: a) é caso de DCOMP indevida, pois o crédito não é passível de compensação por expressa disposição legal; b) as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) constituem confissão de divida e instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos débitos indevidamente compensados; Processo n° 11080,005223/2003-98 S3-C3T2 Acórdão ri.° 3302-00.596 Fl. 391 c) as diferenças apuradas em DCOMPs indevidas serão objeto de lançamento de oficio; e d) o lançamento de oficio corresponde ei nut/ta isolada, sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida. Á vista disso, no mesmo Processo e 11080.010604/2005-51 (apensado) foram lavrados os Autos de Infração a seguir discriminados, relativos a lançamentos de oficio da multa isolada de 75%, por compensação indevida, de que trata o art. 18 da Lei e 10.833, de 2003, lançamentos que, somados, atingem R$ 1.944.469,92: nas .fls. 21 e 22, Auto de Infração, para formalizar a exigência da multa isolada, no valor de R$ 1.157.387,77, por compensação indevida de débito da Cofins; e b) nas fls. 27 e 28, Auto de Infra gelo, para formalizar a exigência da nut/ta isolada, no valor de R$ 787.082,15, por compensa cão indevida de débito da Contribuição para o PIS/Pasep. Cientificado das citadas exigências em 13 de dezembro de 2005, segundo consta no AR da fl. 32 do Processo re- 11080.010604/2005-51 (apensado), o autuado apresentou, tempestivamente, em 10 de janeiro de 2006, a impugnação das subseqüentes fls. 33 a 57, firmada por seu representante legal, segundo consta nas fls. 58 a 81, e instruída com os documentos das ,f1s. 82 a 124. 0 sujeito passivo repete, na essência, as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade contra a não-homologação das compensações, em especial, o pedido para reunido das peças de defesa apresentadas nos Processos no- 11080.007025/2003-69 e 11080.010604/2005-51. No tocante á multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n(1 10.833, de 2003, especificamente, o interessado alega que a penalidade é confiscatória, o que viola o art. 150, IV, da Constituição, além de ser ilegal." (destaques do texto meus e do original citado) Após analisar a extensão dos fatos e as alegações da Recorrente, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS, proferiu o acórdão n° 10-12.880, fl.s. 364/377, por meio do qual cancelou parcialmente o auto de infração, para o fim de cancelar a multa isolada aplicada (processo n° 11080.010604/2005 -51 anexado nor apensação) e manter o valor do principal. 0 acórdão seguiu da seguinte forma ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS, COM CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI, RECEBIDO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL MANDAMENTAL, PROVISÓRIA, MAS COM EFICÁCIA DELIMITADA NO TEMPO, PELO STJ. A compensação de débitos, com crédito-prêmio do IPI, de terceiro, determinada por decisão judicial mandamental, provisória, mas com eficácia delimitada no tempo, pelo STJ, que garante a suspensão da exigibilidade dos débitos, não pode ser 11 homologada na esfera administrativa, porque a homologação extingue definitivamente o crédito Tributário (débito do sujeito passivo). • MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A multa isolada por compensação indevida não é aplicável a declarações de compensação apresentadas antes de 31 de outubro de 2003, data da vigência da norma instituidora da referida penalidade." Importante esclarecer que o pedido de reunião dos processos administrativos — o que trata de crédito e o que se refere A. multa — foram apensados e o julgamento da DRJ considerou-os conjuntamente. No mais, em relação ao mérito das compensações, a decisão administrativa de primeira instancia reconheceu que a suspensão da compensação se aplica apenas As compensações futuras, concluindo que as compensações analisadas pelo presente processo encontram-se sub judice, razão pela qual não podem ser exigidas da Recorrente. A mencionada decisão vinculou, ainda, o desfecho deste processo administrativo aos citados processos judiciais, verbis: "Fls. 375 - Tal decisão foi muito clara, no sentido de que, no julgamento, também pelo SD; do Agravo Regimental na Medida Cautelar n2 10.000-RJ, a par de ter sido agregado efeito suspensivo ao recurso especial , interposto pela Fazenda Nacional, contra o julgamento do TRF da 22 Região, na Apelação em Mandado de Segurança n2 2000.02.061320-8, que autorizou a compensação do credito-premio de Simab S/A, com débitos de terceiros, o STJ preservou a integridade e iuridicidade das operações realizadas anteriormente concessão do efeito suspensivo ao citado recurso especial. Assim, o efeito suspensivo concedido ao recurso especial citado implica a suspensão da autoriza cão judicial dada pelo TRF da 22 Regido, para compensar o crédito-prêmio reconhecido provisoriamente e de forma ilíquida, em favor de Simab S/A, com débitos de terceiros, a partir da data da publicação do acórdão proferido no Agravo Regimental na Medida Cautelar e 10.000- RJ, interposto pela Fazenda Nacional, que ocorreu em 31 de março de 2006. Conseqüentemente, considerando que a DCOMP objeto deste processo foi apresentada em 27 de maio de 2003 (antes, portanto, de 31 de março de 2006), as compensações a que se refere estão, por ora, amparadas pelo acórdão do TRF da Y. Região, referente a Apelação em Mandado ' de Segurança n2 2000.02.061320-8, no que diz respeito ao direito de compensar crédito-prêmio de Simab S/A, com débitos de terceiros, ficando impedida a. Fazenda Nacional, nesse contexto, de cobrar os débitos de Adubos Trevo S/A, alcançados por aquela DCOMP, a menos que seja revertido o amparo judicial hoje existente. E exclusivamente esse, então, o direito que emerge em favor de Adubos Trevo S/A. Portanto, o Despacho Decisório da fl. 274 (vol. I), de 6 de dezembro de 2005, do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre, fundamentado no Parecer DRF/POA/Seort e 508, das Processo n° 11080.00 5223/2003-98 S3-C3T2 Acórdiio n.° 3302-00.596 Fl. 392 fls. 265 a 273 (vol. I), restou correto, ao não homologar as DCOMPs, eis que essa homologação implicaria a extinção definitiva dos débitos compensados, com base em decisão judicial, que poderá ser reformada pelo STJ, devendo-se, no caso, aguardar a decisão definitiva do Poder Judiciário, observando-se a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das DCOMPs, em respeito 14 decisão judicial vigente." (destaques meus e do original) Em virtude do alto valor exonerado, os autos foram remetidos a este Conselho para análise do Recurso de Oficio apresentado — fls. 378, não tendo sido apresentado Recurso Voluntário. E o relatório. Voto Conselheiro Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora 0 recurso de oficio contém os requisitos necessários para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. De acordo corn o relatado, claro está que a (mica questão ainda em discussão nos presentes autos refere-se à multa isolada aplicada ao procedimento de compensação de crédito-premio de IPI. Em relação ao próprio crédito de IPI a decisão entendeu que o destino das compensações seguirá o desfecho dos processos judiciais, a saber: "Fls. 377 — Acórdão 10-12.880 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de que: I — em relação ao presente Processo n 11080.005223/2003-98, seja julgada procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reformar o Despacho Decisório da fl. 274 (vol. 1), exclusivamente para reconhecer a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da DCOMP da fl. 1, devendo-se aguardar a decisão definitiva no Mandado de Segurança 2000.51.01.000732-3, ou agir de acordo corn eventual pronunciamento judicial que restabeleça a exigibilidade dos mesmos débitos; e II — em relação ao Processo ng- 11080.010604/2005-51 (apensado), sejam julgados improcedentes os lançamentos, para cancelar integralmente as exigências formalizadas nos Autos de Infração a seguir relacionados, as quais somam R$ 1.944.469,92: a) nas fls. 21 e 22, Auto de Infração, para formalizar a exigência da multa isolada, no valor de R$ 1.157.387,77, por compensação indevida de débito da Coflns; e 4(4 13 b) nas fls. 27 e 28, Auto de Infração, para formalizar a exigência da multa isolada, no valor de R$ 787.082,15, por compensação indevida de débito da Contribuição para o PIS/Pasep." (destaquei) Em vista do valor exonerado da multa ser de R$ 1.944.469,92, o recurso foi encaminhado a este Conselho para revisão de oficio. De acordo com o decidido pela primeira instancia administrativa, a multa foi aplicada no percentual de 75%, de acordo com art. 18 da Lei ri g- 10.833, de 2003, por ter sido interpretado que a compensação foi realizada indevidamente. Neste aspecto, os julgadores administrativos concluíram pela impossibilidade de aplicação da penalidade, uma vez que à época da ocorrência dos fatos não havia legislação aplicável. Disse a decisão que "o referido dispositivo foi aplicado a DCOMP apresentada em 27 de maio de 2003, antes, portanto, da entrada em vigor do dispositivo que instituiu a referida penalidade, que foi o art. 18 da Medida Provisória na 135, de 30 de outubro de 2003, vigente no dia seguinte, e sucedido pelo art. 18 da referida lei." Informa a decisão que esta questão tornou-se pacifica corn a Solução de Consulta Interna xi' 1, de 10 de janeiro de 2007, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, que, por ser ato interpretativo, retroage, A vista do disposto no art. 106, I, do CTN. "A referida Solução de Consulta assentou que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei na 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, aplicável, portanto, aos fatos ocorridos a partir da sua vigência, no caso, a partir da vigência do art. 18 da Medida Provisória na 135, de 2003, que lhe deu origem (31 de outubro de 2003)." A legislação pertinente a compensação, bem como As penalidades impostas nesta espécie de procedimento, sofreram inúmeras alterações ao longo dos últimos anos, o que tornou a sua aplicação confusa e complicada. t. preciso muita atenção ao período dos fatos geradores e da apresentação das Declarações de Compensação. Para delimitar o tempo e espaço, lembro que no presente caso a compensação foi realizada em 27/05/2003. Neste período não havia mais o pedido de compensação, que demandava a análise do Fisco e o lançamento do débito pela autoridade administrativa - na hipótese de não homologação desta compensação — para evitar a decadência dos débitos. A partir da Lei n° 10.833/03 (acrescido o prazo da Medida Provisória n° 135/03) o legislador criou a figura da compensação "não declarada" e alterou todo o procedimento de compensação. A partir de então, as compensações passaram a ser simplesmente informadas ao Fisco e a constituição do crédito/débito realizada pelo próprio contribuinte (auto-lançamento). Assim, deixou de haver a necessidade de o agente administrativo constituir o lançamento por meio de auto de infração, sendo possível exigir de forma imediata o tributo erroneamente compensado. Esta mesma Lei n° 10.833/03 trouxe alterações em relação As penalidades cabíveis, instituindo punição especifica para o caso de a compensação ser considerada como "não declarada". Vejamos o artigo 18 da citada lei, verbis: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-it unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de Processo no 11080.005223/2003-98 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302 -00.596 Fl. 393 natureza não tributária, ou em que flair caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. "(destaquei) 0 art. 90 da Medida Provisória ng- 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, é o que define a penalidade decorrente de qualquer vicio porventura existente em declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco, a saber: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declara cão prestada pelo sujeito passivo, decorrentes cie pagamento, parcelamento, compensaao ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." (destaquei) É de sumaria nitidez que a partir da Lei n° 10.833/03 a compensação seguiu novo procedimento, e em vista deste novo procedimento, institui-se nova penalidade. De acordo corn o citado artigo, era considerada infração "as hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei le 4.502, de 30 de novembro de 1964." Neste sentido, a DComp apresentada na vigência da redação original da Lei n° 10.833/03, ao ser considerada como "não declarada" teve por conseqüência a si aplicada multa de 75%. 0 dispositivo legal autorizava o lançamento da multa de oficio isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida nas seguintes hipóteses: 1°) o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; 2°) o crédito ser de natureza não tributária; 3°) quando ficar caracterizado a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Ocorre que a Recorrente não se enquadra em nenhuma das três situações acima, e este fato é ainda mais evidente porque o crédito é judicial e a compensação está amparada por decisão judicial. Neste particular, conforme relatado, tanto os processos judiciais, quanto as decisões (liminar e sentença) são anteriores à Lei Complementar 101 de 2001, razão pela qual entendo que não há impedimento legal para o procedimento do contribuinte. Abaixo trecho do relatório que esclarece os fatos: "Foi apurado no Processo n 10909.001144/2001-01 que a liminar pleiteada no citado mandado de segurança foi deferida, em 17 de janeiro de 2000, por despacho manuscrito pela meritíssima Juiza Federal Substituta da 240 Vara Federal do Rio de Janeiro, parcialmente reproduzido • na fl. 239 (vol. 1) deste processo, corn Cl seguinte disposição: Diante do exposto, DEFIRO a liminar 'inaudita altera pars', nos termos do item I, de fl. 29'. 0 'item I de fl. 29' (fl. 29 do processo judicial), foi transcrito no item precedente, e se acha, neste processo administrativo, reproduzido nasfls. 163 e 164 (vol. I). Nas fls. 166 a 184 (vol. 1), consta reprodução da sentença proferida em 17 de abril de 2000, no Mandado de Segurança re 2000.51.01.000732-3, que foi alvo de apelação, tanto da Fazenda Nacional, quanto de Simab S/A, além de ficar sujeita a reexame (0( necessário, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 2 Regido, no Rio de Janeiro. 0 dispositivo da sentença em questão á transcrito a seguir: 'Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido ora formulado e, em conseqüência, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para assegurar it impetrante o direito de efetuar, de modo definitivo, o lançamento em seus livros fiscais, utilizando-se dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — lEI decorrentes das exportações de produtos manufaturados de que trata o artigo I,§ 3' (sic), da Lei le. 8.402/92, com as devidas remissões ás legislações anteriores, procedendo ao lançamento dos mesmos • nos estabelecimentos respectivos ás entradas dos insumos, através de registro em seus livros fiscais, afim de que seja compensado com parcelas da própria exação apuradas em períodos subseqüentes, nos termos da fundamentação supra, que fica fazendo parte integrante deste dispositivo. 0 valor a ser apurado deverá ser corrigido monetariamente desde o momento em que o crédito era devido (interpretação analógica das Súmulas 46 do TFR e 162 do STJ), aplicando-se a variação da UFIR a partir de janeiro de 1992 e o disposto no artigo 39, ,ss' 4-Q, da Lei nQ 9.250/95 (taxa SELIC), a partir del' de janeiro de 1996." Além da impetração cio Mandado de Segurança re 2000,51.01.000732-3, a petição inicial copiada nas Ils. 185 a 221 (vol. 1) dá conta da propositura da Medida Cautelar Inominada nQ 2000.02.01.051555-7, em 21 de agosto de 2000, por Simab S/A, perante o TRF da 2a Regido, em face da sentença proferida no Mandado de Segurança na 2000.51.01.000732-3, coin o seguinte pedido 07. 220), literalmente: "89.A vista do exposto, demonstrados os requisitos do Yinnus bani juris' e do 'periculum in mora' requer a ora Requerente, com fundamento no art. 798 e 800, parágrafo unico do CPC, digne-se V. Exa. Conceder-lhe medida liminar, 'inaudita altera pars', apenas e tão somente para, até ulterior deliberação desse Tribunal ou até o julgamento da apelação no processo principal, garantir o resultado útil do processo principal e assegurar o seu direito — reconhecido por sentença naquele feito — de utilizar-se dos créditos prémio de IPI, cumulativamente, através de (i) _compensação com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, de responsabilidade da Requerente; (ii) compensação com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, de responsabilidade de terceiros e (iii) ressarcimento em espécie, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa SRF n 2̀ 21/97, consolidada na IN SRF n 2 73/97, com supedâneo no art. 12, ,ss 2', do DL re 491/69, no Decreto re 2.138/97, e art. 179, do Decreto 2.637/98 (Regulamento do IP1), e conforme seja o entendimento de Vossa Exceléncia em: (a) declarar válida, mantida e vigente a liminar concedida em primeira instancia, e não revogada expressamente na pro/ação da sentença; ou (b) atribuição de efeito substitutivo ativo a apelação interposta, em harmonia com a tutela recursal antecipada, por força do art. 558, parágrafo único c/c art. 273, do CPC; ou (c) conceder 'ex novo' apresente liminar, com fulcro no poder geral de cautela do Tribunal." Claro está, a meu ver, que não há hipótese legal que justifique a imposição da multa de oficio. Ante o exposto, concluo por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa no que se refere ao cancelamento da multa de oficio aplicada. E como voto. Fa Iola Cassian Keramidas 16
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907590/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano calendário: 1999
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada.
Numero da decisão: 1402-001.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15374.907590/2008-98
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5008246
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.049
nome_arquivo_s : 1402001049_15374907590200898_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 15374907590200898_5008246.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4751879
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358900482048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.907590/200898 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402 001.049 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ARPET REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.907590/200898 Acórdão n.º 1402 001.049 S1C4T2 Fl. 2 2 Trata o presente de Declaração de Compensação (Dcomp), através da qual a interessada solicita a compensação de parte do valor de IRPJ apurado no 4° trimestre de 1999 na sistemática do lucro presumido (código de arrecadação 2089), com parte do suposto recolhimento indevido do CSLL em 01/11/1999, no código de arrecadação 2484 e fato gerador ocorrido em 30/10/1999. Através do Despacho Decisório com n° de rastreamento 775529453 (fl. 07) a autoridade administrativa da Receita Federal do Brasil (RFB) não homologou a solicitação, tendo em vista que o pagamento em questão teria sido totalmente utilizado para quitar débito declarado pelo sujeito passivo, inexistindo assim crédito a ser compensado. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 11/18, com documentação de fls. 19/48) a interessada reclama que a decisão questionada teria analisado apenas as informações constantes da DCTF sem examinar a DIPJ, entregue na mesma data de transmissão da Dcomp. Sustenta que deveriam prevalecer os dados constantes da DIPJ e afirma que estaria retificando a DCTF para a correta adequação. Tece arrazoado teórico para defender o direito à repetição do indébito sob pena de se caracterizar o enriquecimento sem causa do Poder Público e, por fim, requer a atualização monetária pela taxa SELIC do valor a ser restituído. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1227.703 (fls. 63/68) considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade e mantendo o entendimento do Despacho Decisório. Posicionouse o Acórdão no sentido de que não há previsão legal para que o declarante escolha, entre as informações que prestou ao Fisco (Darfs, DIRFs,.DIPJs e DCTFs etc. )a que deve prevalecer para fins de homologação de compensação, como também não existe previsão legal para que a informação prestada em DIPJ se preste a retificar Dcomp. Acrescenta que a reclamante não teria trazido provas documentais ou escriturais de que o valor informado na DIPJ seria o correto nem demonstrou a entrega da DCTF retificadora. Nesse caso as informações veiculadas em DIPJ não produzem o efeito pretendido pelo interessado, qual seja, o de alterar dívida confessada em DCTF. Finaliza sustentando que, mesmo que DIPJ tivesse efeito retificador de DCTF, o interessado sequer especificou o valor do débito a ser compensado (porque se limita a afirmar que "deve prevalecer o débito informado em DIPJ"). Devidamente cientificada (fl.69), a interessada recorre a este Colegiado (fls. 71/79, com documentos de fls. 80/94) ratificando em essência as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.907590/200898 Acórdão n.º 1402 001.049 S1C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Conforme exposto no Relatório, tratase de Dcomp através da qual a interessada solicita a compensação de parte do de valor de IRPJ apurado no 4° trimestre de 1999 na sistemática do lucro presumido (código de arrecadação 2089), com parte do suposto recolhimento indevido do CSLL em 01/11/1999, no código de arrecadação 2484 e fato gerador ocorrido em 30/10/1999.. Como informado acima, o código 2089 corresponde ao IRPJ para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Já o código 2484 referese ao pagamento da CSLL devido a título de estimativa para as pessoas jurídicas não obrigadas à apuração do lucro real. A DCTF referente ao 2° trimestre de 1999 foi entregue em 13/10/1999 (fl. 61) com a indicação do débito de CSLL a título de estimativa (cód. 2089) referente ao período de apuração no mês de outubro/99 no valor de R$ 3.576,44 fl. 62). O pagamento foi realizado nas condições informadas nessa Declaração. Portanto, a princípio não haveria que se falar em pagamento indevido. De acordo com as informações constantes dos arquivos da RFB (fls.50/51) , a interessada apresentou quatro DIPJs para o anocalendário de 1999. Excluindose as canceladas pelo sistema, constatase que em 29/06/2000 foi apresentada a DIPJ n° 0702096 sob a sistemática do lucro real. Nesse caso, mais um motivo para se considerar a razoabilidade da existência de recolhimentos feitos a título de estimativa da contribuição. Entretanto, na mesma data em que foi transmitida a Dcomp sob exame (27/03/2004) a interessada apresentou DIPJ retificadora com apuração de resultado sob a sistemática do lucro presumido. Nessa Declaração foi informado IRPJ devido no 4° trimestre no valor de R$ 6.374,53. A retificadora encontrase na situação cadastral "”RETIDA" indicando que não foi ainda integralmente processada. Assim, num conceito simplista a interessada deseja "transformar" o pagamento da estimativa da CSLL, feito sob regime do lucro real, em parcela de pagamento do IRPJ apurado sob o regime do lucro presumido. Tal procedimento não encontra amparo na legislação. As normas em vigência são extremamente restritivas quanto à mudança no regime de tributação do IRPJ. Poderseia imaginar, por exemplo, que bastaria a retificação do código no DARF de 2484 para 2089 e a solicitação estaria atendida mesmo sem apresentação da Dcomp. Ao tratar dos pedidos de retificação de Documentos de Arrecadação, a Instrução Normativa SRF n° 403/2004, em redação mantida pela IN/SRF/ 672/2006 estabeleceu: Art. 10.Serão indeferidos os pedidos de retificação de Darf ou DarfSimples que versem sobre: (........) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por contrariar o disposto na legislação específica; (.......) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.907590/200898 Acórdão n.º 1402 001.049 S1C4T2 Fl. 4 4 A restrição também atinge a retificação da DIPJ nos termos efetuados pela interessada. Ao dispor sobre a retificação da DIRPJ, DIPJ e DITR; a IN/SRF n° 166/99 estabeleceu: Art. 4ºNo caso de DIPJ ou DIRPJ, , não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Mesmo que em prol da verdade material fossem superados todos os obstáculos formais supra mencionados, restaria ainda a circunstância de que a defesa da interessada preocupouse com aspectos teóricos do direito à repetição do indébito, sem trazer aos autos qualquer elemento de prova que embasasse o pleito. Não há como acatar o simplismo da afirmativa de que " a DIPJ está certa e a DCTF está errada" sem qualquer interesse ou esforço da interessada em demonstrar a origem do erro. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004319/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 28/02/1997 a 12/02/2002
PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RE 566.621 - STF.
REPERCUSSÃO GERAL.
Para as ações e pedidos de compensação realizados após a vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 28/02/1997 a 12/02/2002
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SOCIEDADE CIVIL. SERVIÇOS MÉDICOS
Aplica-se o percentual de 32% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido, em relação às sociedades simples que se dedicam ao exercício de profissão legalmente regulamentada (medicina).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1999 a 31/01/2003
CONSTITUCIONAL1DADE E LEGALIDADE DE LEI. AUTORIDADE
ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 1401-000.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: a) declarar a prescrição do pedido de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/09/2000;
b) em relação aos demais pagamentos, afastar a prescrição e indeferir o pedido de restituição.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/1997 a 12/02/2002 PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RE 566.621 - STF. REPERCUSSÃO GERAL. Para as ações e pedidos de compensação realizados após a vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 28/02/1997 a 12/02/2002 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SOCIEDADE CIVIL. SERVIÇOS MÉDICOS Aplica-se o percentual de 32% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido, em relação às sociedades simples que se dedicam ao exercício de profissão legalmente regulamentada (medicina). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1999 a 31/01/2003 CONSTITUCIONAL1DADE E LEGALIDADE DE LEI. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10830.004319/2005-16
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 5008916
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.724
nome_arquivo_s : 140100724_10830004319200516_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Fernando Luis Gomes de Matos
nome_arquivo_pdf_s : 10830004319200516_5008916.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: a) declarar a prescrição do pedido de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/09/2000; b) em relação aos demais pagamentos, afastar a prescrição e indeferir o pedido de restituição.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
id : 4750003
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358909919232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 266 1 265 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004319/200516 Recurso nº 511.968 Voluntário Acórdão nº 140100.724 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente Occupmédica Assessoria em Medicina e Seg. do Trabalho Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/1997 a 12/02/2002 PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RE 566.621 STF. REPERCUSSÃO GERAL. Para as ações e pedidos de compensação realizados após a vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 28/02/1997 a 12/02/2002 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SOCIEDADE CIVIL. SERVIÇOS MÉDICOS Aplicase o percentual de 32% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido, em relação às sociedades simples que se dedicam ao exercício de profissão legalmente regulamentada (medicina). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1999 a 31/01/2003 CONSTITUCIONAL1DADE E LEGALIDADE DE LEI. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 a) declarar a prescrição do pedido de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/09/2000; b) em relação aos demais pagamentos, afastar a prescrição e indeferir o pedido de restituição. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10830.004319/200516 Acórdão n.º 140100.724 S1C4T1 Fl. 267 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 254v255): Trata o presente processo de pedido de restituição efetuado em 08/09/2005, no valor atualizado de R$40.984,95, referente a pagamentos a título de IRPJ, efetuados nos anoscalendário de 1997 a 2002, nos quais a contribuinte apresentou declaração de rendimentos na forma do Lucro Presumido e aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda. 2 Entende a interessada que, nos termos do art. 15, § 1°, inciso III, letra "a", da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os serviços profissionais po: ela prestados são equiparados a serviços hospitalares. Em razão disso, pleiteia a aplicação do percentual de 8% pata a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda na forma do Lucro Presumido, e a restituição do que pagou a maior pela alíquota de 32%. 3 A DRF em Campinas/SP, em decisão de fls. 155/165, datada de 02/07/2007, indeferiu o pedido de restituição do imposto, por entender estarem decaídos os supostos indébitos tributários, relativos aos períodos anteriores a 08/09/2000, além do fato de a empresa não se enquadrar como prestadora de serviços hospitalares. 4 Inconformada com a decisão de indeferimento do pedido de restituição, da qual tomou ciência por via postal em 06/07/2007,. AR de fl. 168, a contribuinte, por meio de seu bastante procurador, legalmente habilitado, interpôs, em 02/08/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 169/183, acompanhada dos documentos de fls. 184/187, na qual oferece as seguintes razões de fato e de direito: 4.1 — após detalhar os fundamentos da decisão proferida pela DRF/Campinas, a contribuinte especifica sua área de atuação, destacando a importância de definir a abrangência do conceito de serviços hospitalares; 4.2 — afirma que o conceito de serviço hospitalar deve ser traçado com base na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento e não na figura do prestador de serviço, citando e transcrevendo ementa, de lavra da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça; 4.3 — invocando o artigo 109, do CTN, diz que o Direito Tributário não possui "fertilidade", para alterar ou gerar novos conteúdos e definições, quando os casos já sejam disciplinados em outras áreas jurídicas; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 4.4 — a legislação tributária nunca especificou exatamente a abrangência do conceito de serviço hospitalar, até a edição da IN/SRF nº 306, de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo n° 18, de 23 de outubro de 2003, por meio das quais se adotou o conceito fixado pela legislação médicosanitária, embora parcialmente; 4.5 aduz que "Tratandose de um ‘declaratário interpretativo', não poderia ter sido criado nenhum requisito novo no conceito até então traçado pela legislação sanitária. Todavia, isso não foi respeitado no inciso I do artigo 2°, da norma complementar em comento, em razão de sua natureza ‘constitutiva’ (e não exclusivamente declaratária) e 'inovadora' (não se limitando, verdadeiramente, a interpretar as legislações médicosanitárias estudadas, inserindo requisito inédito) "; 4.6 traz a definição dc verbo equiparar, para dizer que é ilegal o requisito trazido pelo inciso I, do artigo 2°, do Ato Declaratório Interpretativo n° 18, de 2003, ao definir que os serviços prestados exclusivamente pelos sócios do estabelecimento assistencial à saúde não se enquadram como serviço hospitalar; 4.7 faz menção à Lei n° 9.249, de 1995, artigo 15, inciso III, alínea "a" e IN/SRF n° 306, de 2003, que definiram o conceito de serviços hospitalares, alterado posteriormente pela IN/SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004, sem que houvesse qualquer disposição a respeito na Medida Provisória n° 232, de 30 de dezembro de 2004; 4.8 citando doutrinadores e transcrevendo o artigo 110 do CTN, afirma que a IN/SRF n° 480, de 2004, legislou de forma ilegal, em seu:artigo 27, quando determinou o conceito de hospital e equiparados; 4.9 passa, em seguida, a tratar do prazo decadencial de lançar, transcrevendo o artigo 3°, da Lei Complementar n° 118, de 2005, bem como o artigo 142, do CTN, dizendo que o lançamento é privativo. da autoridade fiscal, razão pela qual, nos lançamentos por homologação, apenas quando esta ocorre é que o lançamento se completa; 4.10 o prazo decadencial passa a ser contado, pois, da extinção do crédito tributário, que ocorre com a homologação, tácita ou expressa, conforme artigos 165, 168, 4.150 e 156, do CTN, do que se conclui pela ilegalidade do artigo 3°, da Lei Complementar n° 118, de 2005; 4.11 . esclarece que o STJ, apreciando o dispositivo em debate, concluiu pela irretroatividade do novo entendimento imposto pelo Poder Legislativo, por se tratar de regra nova e, assim, somente poder se aplicar aos casos ocorridos posteriormente à vigência dn Lei Complementar n°. 118, de 2005; 4.12 transcreve os artigos 165, do CTN, 66, da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de1991, e 74, da Lei n° 9.430, de 1996, para reafirmar o seu direito à compensação de valores indevidamente pagos; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10830.004319/200516 Acórdão n.º 140100.724 S1C4T1 Fl. 268 5 4.13 assevera que os seus créditos, líquidos e certos, devem sofrer a correção pela utilização da Taxa Selic, em atenção ao princípio da isonomia tributária, além daquele relativo à não cumulatividade e moralidade pública, que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado 4.14 requer, ao final, seja dado provimento integral ao presente recurso, para modificar por completo a decisão proferida, deferindo o pedido de restituição e homologando todas as compensações efetuadas com base no presente processo. A 4ª Turma da DRJ Campinas, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 0522.503, assim ementado (v. fls. 189): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 28/02/1997 a 15/02/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição de tributo, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido, se exaure com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados no art. 27 da IN SRF n° 480, de 2004, com a redação alterada pela IN SRF n° 791, de 2007. Solicitação Indeferida Intimada desse Acórdão em 13/05/2009 (fls. 264), a contribunte apresentou em 24/09/2009 o Recurso Voluntário de fls. 138151, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar – Prescrição do direito de requerer a restituição/compensação O tema da prescrição do direito de requerer restituição/compensação foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática prevista no art. 543B, § 3º do CPC (repercussão geral). Vale dizer que o Superior Tribunal de Justiça, por meio de reiteradas decisões, já havia firmado o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos sob o regime de lançamento por homologação deveria ser contado a partir da data da homologação do pagamento, e não da data do pagamento. Esse entendimento, popularmente conhecido como “tese dos cinco mais cinco”, outorgava aos contribuintes que não tiveram o seu pagamento expressamente homologado pela autoridade fiscal, que postulassem a restituição de tributos no prazo de até cinco anos após a homologação tácita do pagamento, ou seja, cinco anos para homologação tácita (contados da ocorrência do fato gerador) mais cinco anos para prescrição (contados da homologação tácita). Em decacordo com este entendimento, foi editada a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, estabeleceu que o prazo prescricional para postular a repetição deveria ser contado da data do pagamento, e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Transcrevo a ementa do julgado do STF, verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS Fl. 294DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10830.004319/200516 Acórdão n.º 140100.724 S1C4T1 Fl. 269 7 PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A decisão acima transcrita transitou em julgado. No caso dos autos, o pedido de restituição postulado pelo Recorrente ocorreu em 08/09/2005, ou seja, após a vigência da Lei Complementar nº 118/05. Diante do exposto, constato que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, que considerou prescrito o direito da interessada de pleitear a restituição dos pagamentos a maior supostamente efetuados no período compreendido entre 28/02/1997 e 08/09/2000, uma vez que o presente pedido de restituição foi protocolado em 08/09/2005. Em relação aos demais pagamentos, afastase a prescrição. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 8 Mérito Tratase de pedido de restituição em que a contribuinte requer o reconhecimento do seu direito creditório relativo aos recolhimentos do IRPJ — Lucro Presumido, efetuados entre 28/02/1997 e 15/02/2002. Conforme decidido no item anterior, estava prescrito o direito da interessada de pleitear a restituição dos pagamentos a maior supostamente efetuados antes de 08/09/2000. Conforme consta do Contrato Social anexado ao pedido de compensação, fls. 37 e seguintes, a contribuinte, ora Recorrente, é uma sociedade simples com fins lucrativos, que presta serviços na área de medicina e segurança do trabalho. Tratase, pois, de uma pessoa jurídica de natureza civil, ou seja, sem natureza empresarial, dedicada à prestação de serviços médicos especializados. Em outras palavras, a Recorrente é uma sociedade civil dedicada ao exercício de profissão legalmente regulamentada (medicina), por parte de seus únicos sócios, todos médicos. Nada nos autos nos permite supor que o estabelecimento da contribuinte preste serviços hospitalares, mas tão somente os serviços médicos na área de medicina e segurança do trabalho, conforme acima mencionado. O cartão de inscrição da Recorrente no CNPJ traz a seguinte indicação (v. fls. 36): “outras atividades relacionadas com a atenção à saúde”. A referida sociedade simples, por se dedicar ao exercício de profissão regulamentada, não pode optar pelo SIMPLES, devendo optar pelo regime do lucro real ou do lucro presumido. Caso opte pelo lucro presumido, a referida sociedade simples, prestadora de serviços médicos na área de medicina e segurança do trabalho, estará sujeita à aplicação da alíquota de 32% sobre a receita bruta auferida, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Esta é a regra geral aplicável a todas as pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral, que abrange a prestação de serviços médicos. A única exceção existente referese a pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, situação em que claramente a Recorrente não se enquadra. Sobre o tema, é suficientemente clara a disposição constante do art. 15 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês. será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981. de 20 de janeiro de 1995. §1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10830.004319/200516 Acórdão n.º 140100.724 S1C4T1 Fl. 270 9 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares: (destaques acrescidos) Todas os atos normativos já editados sobre a matéria pela Receita Federal confirmam este entendimento. A Instrução Normativa SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997, estabelecia: Art. 30 À opção da pessoa jurídica, o imposto poderá ser pago sobre base de cálculo estimada, observando o disposto no § 60 do artigo anterior. § 2° Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: (...) II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na prestação de serviços hospitalares e de transporte de carga; () IV 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: a) prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; Como se percebe, durante a vigência da Instrução Normativa SRF n°306. de 12 de março de 2003 (revogada expressamente pela IN SRF n° 480/2004), os serviços médicos (tais como os prestados pela Recorrente) não podiam ser considerados serviços hospitalares, razão pela qual continuavam sujeitos à alíquota de 32% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. Sobre o tema, era suficientemente clara a orientação constante do Ato Declaratório 1nterpretativo SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, verbis: Art. 1º Para fins do disposto no art. 15, §1º, III, "a" da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2° Para .fins do disposto no art. 1°, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 10 técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo A Instrução Normativa SRF n°480, de 15 de dezembro de 2004, com a redação alterada pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005, por sua vez, trouxe a definição clara do que seriam serviços hospitalares. De acordo com a retrocitada Instrução Normativa, para fins tributários, somente são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das seguintes atribuições: (1) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia; (2) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde; (3) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação; (4) atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia; e em qualquer das 4 hipóteses desde que a estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde atenda ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50. de 21 de fevereiro de 2002 alterada pela RDC n°307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n° 189, de 18 de julho de 2003, comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Finalmente, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, alterou o dispositivo da Lei n° 9.249, de 1995, que tratava dos percentuais aplicáveis em relação aos serviços hospitalares, assim dispondo (grifado): Art. 29. A alínea "a" do inciso III do ,§ 1° do art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15 (...) 1° (...) (... I III (...) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às .normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; Diante do exposto, considero suficientemente demonstrado que a Recorrente não podia ser enquadrada como prestadora de serviços hospitalares, porque na época dos fatos não era uma sociedade empresária e sim uma sociedade simples, que prestava apenas serviços médicos na área de medicina e segurança do trabalho. Tais serviços eram prestados pelos sócios da Recorrente, todos médicos. É provável que houvesse o concurso de auxiliares e colaboradores (recepcionistas, atendentes, técnicos em medicina e segurança do trabalho e outros), mas tal fato não modifica a natureza dos serviços prestados (exercício de profissão legalmente regulamentada medicina). Fl. 298DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10830.004319/200516 Acórdão n.º 140100.724 S1C4T1 Fl. 271 11 Não merecem prosperar as alegações da Recorrente relativas à suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade das leis e atos normativos que fundamentaram o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação do pedido de compensação. As referidas leis e atos normativos em nada afrontam os arts. 196 e 197 da Constituição Federal, que apenas estabelecem normas gerais sobre o Sistema Nacional de Saúde. Dos referidos artigos, é impossível extrair qualquer conclusão contrária à plena constitucionalidade e legalidade dos atos combatidos pela Recorrente. Também não vioslumbro qualquer afronta ao disposto nos arts. 100 e 110 do CTN, uma vez que os atos questionados, em momento algum, alteraram a definição, conteúdo ou alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado. Além disso, devese ter em conta que nenhum dos atos questionados tratada da definição ou limitação de competências tributárias, que é o escopo específico da norma vazada no art. 110 do CTN. No tocante às decisões judiciais mencionadas no Recurso, vale dizer que a Recorrente não figura no pólo ativo de nenhum destes processos, razão pela qual não pode se beneficiar do conteúdo das referidas decisões. Ressalto que não observo, na espécie, nenhum afronta ao princípio da isonomia. Todas as pessoas jurídicas que se encontrem na mesma situação da Recorrente terão idêntico tratamento na esfera administrativa, sujeitandose à alíquota de 32% incidente sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. Importante frisar que se a tributação pelo lucro presumido é apenas uma faculdade, e não uma obrigação da Recorrente. Em outra palavras, se o lucro real da Recorrente (ou qualquer outra prestadora de serviços) for inferior ao percentual presumido de 32% da sua receita bruta, ela preserva o direito de optar pela tributação pelo lucro real. Diante de todo o exposto, voto no sentido de: a) declarar a prescrição do pedido de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/09/2000; b) em relação aos demais pagamentos, afastar a prescrição e indeferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 299DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011868/2003-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:2000
Ementa: PERC. INCENTIVO FISCAL. APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM
INVESTIMENTOS REGIONAIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº2.145/2001.EFEITOS EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2001.
A revogação da faculdade do contribuinte de optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais levada
a efeito por meio da MP 2.145/2001 — surte efeitos apenas para fatos geradores de IRPJ ocorridos a partir do ano calendário de 2001 (inclusive), ano da publicação da citada Medida Provisória. (Acórdão CSRF 9101001.090 — 1ª Turma de 28 de junho de 2011)
PERC REGULARIDADE FISCAL.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do
Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF Nº 37).
Numero da decisão: 1802-001.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:2000 Ementa: PERC. INCENTIVO FISCAL. APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM INVESTIMENTOS REGIONAIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº2.145/2001.EFEITOS EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2001. A revogação da faculdade do contribuinte de optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais levada a efeito por meio da MP 2.145/2001 — surte efeitos apenas para fatos geradores de IRPJ ocorridos a partir do ano calendário de 2001 (inclusive), ano da publicação da citada Medida Provisória. (Acórdão CSRF 9101001.090 — 1ª Turma de 28 de junho de 2011) PERC REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF Nº 37).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10380.011868/2003-12
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4855084
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.083
nome_arquivo_s : 1802001083_10380011868200312_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10380011868200312_4855084.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4748913
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358934036480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 197 1 196 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.011868/200312 Recurso nº 150.408 Voluntário Acórdão nº 1802001.083 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria PERC Recorrente CASCAJU AGRO1NDUSTRIAL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: PERC. INCENTIVO FISCAL. APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM INVESTIMENTOS REGIONAIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.145/2001.EFEITOS EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2001. A revogação da faculdade do contribuinte de optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais levada a efeito por meio da MP 2.145/2001 — surte efeitos apenas para fatos geradores de IRPJ ocorridos a partir do ano calendário de 2001 (inclusive), ano da publicação da citada Medida Provisória. (Acórdão CSRF 9101001.090 — 1ª Turma de 28 de junho de 2011) PERC REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF Nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitamente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.011868/200312 Acórdão n.º 1802001.083 S1TE02 Fl. 198 3 Relatório Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais —PERC, apresentado cm 26/11/2003 (fl. 01), mediante o qual o Recorrente busca o acolhimento de sua opção por destinar parcela do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2000 para aplicações em incentivos fiscais (FINOR), por meio da entrega da DIPJ atinente ao exercício de 2001, tendo em vista o recebimento do extrato das aplicações com valores “zerados” e as pendências(fl. 25). O referido PERC foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE sob dois fundamentos, a saber: (i) "a empresa apresenta pendências junto a Procuradoria Geral e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, conforme relatório CADIN do sistema SISBACEN EMFSR de fl.48”, razão pela qual não poderia ter seu incentivo fiscal deferido, ante a necessidade de "comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais", conforme determinado pelo parágrafo único do artigo 614 do RIR/99 (artigo 60 da Lei n° 9.069/95); e (ii) a Recorrente ter realizado a opção pelo beneficio por intermédio da entrega da DIPJ, efetuada tempestivamente em 29.06.2001 (fl. 51), mas "a data limite para usufruir o beneficio é 02.05.2001, tendo em vista que em 03 de maio de 2001, foi publicada a MP n° 2.145/2001, que revogou expressamente a legislação que dispõe sobre a matéria". Ao analisar a impugnação da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE novamente indeferiu o PERC sob os mesmos fundamentos da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE. Não se conformando com a decisão referida acima, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 95 a 99), sustentando a mesma linha da defesa anteriormente apresentada, ou seja, que (i) na data do indeferimento tinha total condição de obter a liberação dos incentivos fiscais em questão, por estar com sua Certidão Negativa de Débitos válida e que (ii) o artigo 32, inciso XVIII, da Medida Provisória n° 2.1565/2001 revogou a faculdade de opção pela aplicação em benefícios fiscais, ressalvando o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos. A antiga e extinta TERCEIRA TURMA ESPECIAL do então PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, negou provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão nº 193 00.066, de 03/02/2009, nos termos do voto vencedor, fls.124/126, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: Incentivo Fiscal Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais — PERC A faculdade do contribuinte em optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais, nos termos dos artigos 609, 611 e 613 do RIR199, foi revogada a partir de 03/05/2001, não prevalecendo a indicação nesse sentido feita na DIPJ apresentada após aquela data. Irresignado com a decisão proferida no acórdão acima, o Recorrente interpôs recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que mediante o Acórdão 9101 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 001.090 — lª Turma de 28 de junho de 2011, fls.181/185, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar o indeferimento do PERC com base no disposto na MP n° 2.145/2001, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais questões de mérito versadas no recurso voluntário, notadamente no que se refere à regularidade fiscal do Contribuinte à data de opção pelo incentivo, nos termos da Súmula n°. 37 do CARF. O mencionado acórdão está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: PERC. INCENTIVO FISCAL. APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM INVESTIMENTOS REGIONAIS. MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.145/2001.EFEITOS EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2001. A revogação da faculdade do contribuinte de optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais levada a efeito por meio da MP 2.145/2001 — surte efeitos apenas para fatos geradores de IRPJ ocorridos a partir do ano calendário de 2001 (inclusive), ano da publicação da citada Medida Provisória. Recurso da Contribuinte provido. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.011868/200312 Acórdão n.º 1802001.083 S1TE02 Fl. 199 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado, o Recorrente interpôs recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que mediante o Acórdão 9101001.090 — 1ª Turma de 28 de junho de 2011, fls.181/185, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar o indeferimento do PERC com base no disposto na MP n° 2.145/2001, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais questões de mérito versadas no recurso voluntário, notadamente no que se refere à regularidade fiscal do Contribuinte à data de opção pelo incentivo, nos termos da Súmula n°. 37 do CARF. Sobre o assunto, vale lembrar que, a empresa acima identificada protocolizou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC referente ao exercício de 2001, tendo em vista constarem no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl.25) as ocorrências: 11 —Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais e/ou com irregularidades cadastrais (lei 9.069/95 art. 60), 14— Contribuinte com pendências junto ao FGTS. Consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza/CE (fl.51) que, a ocorrência 14 foi resolvida, conforme Certificado de Regularidade do FGTS — CRF de fl. 46. A exigência do PERC discriminada à fl.01 é para APRESENTAR REGULARIZAÇÃO DOS DÉBITOS DE ITR NIRF 10955690 EX 97 E 98. Pois bem, o exame do recurso voluntário cingese ao indeferimento do PERC sob o fundamento de que o sujeito passivo não comprovou sua regularidade fiscal quando da análise matéria pela DRF/Fortaleza/CE, em 24/02/2005 (fls.51/53). O indeferimento do pedido teve por fundamento legal o disposto no art. 195, § 3º da atual Constituição Federal e art. 60 da Lei nº 9.069/95, que dá amparo ao § único do art.614 do RIR/99, a seguir transcritos: CF/88: “Art. 195. § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.” ......................................................................................................... Lei nº 9.069/95: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” O texto constitucional claramente impõe restrição à pessoa jurídica em receber benefícios ou incentivos fiscais quando em débito com o sistema da seguridade social. Semelhante restrição também faz a Lei nº 9.069/95, para os casos de contribuinte com débito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Depreendese que a mencionada lei exige como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal que a pessoa física ou jurídica não esteja com débito exigível junto a Secretaria da Receita Federal. O contribuinte, alega, que o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), que, na época do despacho decisório estava em processo de regularização. Nesse aspecto consta do voto vencido (fl.124) do Acórdão nº 19300.066, de 03/02/2009, objeto do recurso especial, o seguinte: Com relação a regularidade fiscal, o Primeiro Conselho já se manifestou no sentido que comprovada a regularidade fiscal no momento da opção ou no curso do processo administrativo deve ser deferido o PERC. A Recorrente demonstrou sua regularidade fiscal no momento do protocolo do PERC, através dos recolhimentos de ITR acostados aos autos. Tal regularidade foi definitivamente comprovada com e expedição de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa acostada a fls. 119. A aludida CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA. DE DÉBITOS RELATIVOS A TRIBUTOS FEDERAIS E À DIVIDA ATIVA DA UNIÃO, fl.119, foi expedida em 30/12/2005, válida até 28/06/2006, após o despacho decisório da DRF/FOR, de 24/02/2005. O elemento móvel trazido pela administração tributária para o indeferimento do pleito teve por base pendências fiscais junto à Procuradoria Geral e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, conforme relatório CADIN do sistema SISBACEN EMFSR de fl. 48, com registro de débito relativo a 2003, portanto, não se atém ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (Ano calendário 2000) na qual se deu a opção pelo incentivo, nem tampouco, aos débitos relacionados no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl.25). Ademais, havendo o Recorrente trazido aos autos documento que comprova a satisfação da exigência mediante a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), requisito indispensável para a concessão do incentivo fiscal, e, não tendo a Constituição Federal nem tampouco a Lei nº 9.069/95 (art.60) especificado que a regularidade fiscal não poderia ocorrer enquanto não esgotada a discussão no âmbito administrativo ou somente antes do despacho decisório que analisou a matéria, entendo não subsistir a motivação para o indeferimento do pleito em sede de recurso administrativo, restando aplicável o entendimento consubstanciado na (Súmula CARF Nº 37), verbis: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.011868/200312 Acórdão n.º 1802001.083 S1TE02 Fl. 200 7 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário em questão, e, por conseqüência seja DEFERIDO o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, fl. 01. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720156/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT) ORIUNDA DA MÉDIA DAS DITRs. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL.
Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido.
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao
primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de
desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT) ORIUNDA DA MÉDIA DAS DITRs. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10120.720156/2008-63
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5040472
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.916
nome_arquivo_s : 210201916_10120720156200863_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10120720156200863_5040472.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4751006
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358941376512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720156/200863 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210201.916 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2012 Matéria ITR Recorrente JONAS TEODORO FRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT) ORIUNDA DA MÉDIA DAS DITRs. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte JONAS TEODORO FRANCO, CPF/MF nº 040.092.74620, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 24/11/2008, auto de infração (fls. 11 e seguintes), decorrente da revisão da DITR – exercício 2003 do imóvel NIRF nº 3.149.3750, com ciência pessoal em 09/12/2008 (fl. 17). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 14.974,54 MULTA DE OFÍCIO R$ 11.230,90 A autuação cingiuse a alterar o valor do VTN de R$ 1.350.000,00 para R$ 4.677.676,65, de acordo com arbitramento com base no SIPT (fl. 15). Vêse, ainda, que o contribuinte apurou um imposto de R$ 6.075,00 em sua DITR – exercício (fl. 15). Devese anotar que a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar laudo técnico, seguindo a Norma ABNT nº 146533, sob pena de sofrer arbitramento com base no Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.720156/200863 Acórdão n.º 210201.916 S2C1T2 Fl. 2 3 SIPT, que, para o exercício 2003 no município de localização do imóvel, montaria um VTN R$ 346,11 por hectare (fl. 07). O contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0331.492, de 17 de junho de 2009 (fls. 46 a 53). Na decisão acima foi asseverado que não houve comprovação nos autos do pagamento do imposto apurado na DIRTexercício 2003 auditada, mas apenas pagamentos para outro imóvel rural de propriedade do Sr. Jonas Teodoro Franco, o de NIRF 6.662.6030, conforme telas de fls. 41/44. Com isso, aplicouse o prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN, rejeitandose esta preliminar de mérito suscitada pelo então impugnante. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 07/08/2009 (fl. 61). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 24/08/2009 (fls. 67 e 84). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. teve seu direito de defesa cerceado por ausência de disponibilização dos dados do SIPT, que serviram para arbitrar o valor da terra, não podendo ser aceito para tanto a mera disponibilização do valor do VTN, como constou na intimação fiscal; II. o imposto foi lançado além do qüinqüênio previsto no art. 150, § 4 º, do CTN, que se amolda ao ITR (imposto sujeito ao lançamento por homologação), sendo certo que houve lançamento suplementar, além do imposto apurado na DITRexercício 2003, o que desmonta a tese de não pagamento, como acolhida pela decisão recorrida, o que levou esta equivocadamente a conta o prazo no forma do art. 173, I, do CTN. Contado o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN, forçoso reconhecer que a decadência fulminou o crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 07/08/2009 (fl. 61), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 24/08/2009 (fls. 67 e 84), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 08/09/2009, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras – SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que no caso vertente a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, extraído a partir da média das DITR, no montante de 346,11 por hectare, para o exercício 2003. O valor acima constou na intimação fiscal, quando a autoridade lançadora informou a origem do valor (SIPT) e que ele seria utilizado, caso o contribuinte não apresentasse laudo técnico de avaliação da área auditada. Posteriormente, a autoridade julgadora a quo juntou aos autos a cópia da tela do SIPT (fl. 45). Não me parece a mera ausência da juntada da tela do SIPT no momento em que antecedeu a autuação, especificamente quando posteriormente se demonstrou a presença de apenas um preço avaliatório, pelas médias das DITRs do município de localização do imóvel auditado, possa inquinar de nulidade o auto de infração. A juntada da tela do SIPT posteriormente apenas ratificou o preço utilizado pela autoridade fiscal, sendo certo que o contribuinte deveria ter apresentado um laudo técnico que pudesse contraditar tal valor. Isso não ocorreu até a presente data, a indicar que, no mérito, não há discordância no tocante à avaliação do preço da terra nua. Na forma acima, no momento em que a autoridade fiscal indicou o VTN que seria utilizado, oriundo do SIPT, informação, repisese, posteriormente ratificada pela tela do SIPT juntada pela autoridade julgadora a quo, parece claro que não há qualquer nulidade, pois o preço arbitrado encontrase comprovado nos autos, a autoridade o havia informado primitivamente à concretização do lançamento e o contribuinte nunca o contraditou. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade. Agora se passa a apreciar a prejudicial de mérito da decadência. Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria decadencial. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.720156/200863 Acórdão n.º 210201.916 S2C1T2 Fl. 3 5 tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; e 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessou uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Dessa forma, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, apreciouse o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o julgado submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.720156/200863 Acórdão n.º 210201.916 S2C1T2 Fl. 4 7 No caso destes autos, para o exercício 2003, vêse que o contribuinte apurou o imposto em sua DITR, porém não o pagou, como informado pela autoridade julgadora a quo. Ora, não se pode utilizar como pagamento a mera apuração do imposto em declaração, o qual não foi pago. Alega ainda o recorrente que a mera apuração do imposto na DITR será suficiente para desnaturar a tese da ausência de pagamento, como acatada na decisão recorrida, e tanto assim o era que houve um lançamento suplementar, levando em consideração o imposto apurado na DITR. Ora, o procedimento da fiscalização foi absolutamente correto, pois não se lança de ofício a parte do imposto que foi declarado em procedimento espontâneo, como se vê na Súmula STJ nº 436: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”. Somente o imposto que sobejar o declarado é que será objeto do lançamento de ofício, como se viu nestes autos. Dessa forma, não basta confessar determinado débito em DITR para auferir o prazo minorado do art. 150, § 4º, do CTN (em face do art. 173, I, do mesmo codex), mas é necessário pagálo, mesmo que parcialmente, hipótese não ocorrida nestes autos. Por tudo, ausente o pagamento de qualquer valor a título de ITR do imóvel NIRF nº 3.149.3750, do exercício 2003, auditado nestes autos, devese aplicar à espécie a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN, ou seja, o fisco teria um qüinqüênio para efetuar o lançamento após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador em discussão ocorreu em 1º/01/2003, com entrega da DITR em fins de 2003, o prazo decadencial tem seu início a partir de 1º/01/2004, com término em 31/12/2008, ou seja, quando da ciência do lançamento (09/12/2008), hígida a pretensão da Fazenda Pública. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005347/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003,
21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a
20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA
GERAL.
O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por
homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de
cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os
tributos já poderiam ter sido lançados.
INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO
DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na
indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da
impugnação depreende-se
não ter prejudicado a defesa.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO.
Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela
Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem
um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se
ter sido alcançado, presta-se
a comprovação do ilícito.
CRÉDITO DO IMPOSTO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA
Devem ser Glosados os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados
escriturados nos livros fiscais quando respaldados em documentos fiscais
inidôneos.
CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÃO ISENTA. INDUSTRIALIZAÇÃO.
REQUISITO. SIMULAÇÃO. GLOSA.
Devem ser glosados os créditos do Imposto quando constatada simulação de
processo industrial, no qual teriam sido utilizados insumos adquiridos com
isenção em operações para as quais a legislação condiciona a manutenção e
utilização dos créditos à efetiva industrialização do bem..
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA
QUALIFICATIVA.
A multa por falta de pagamento do Imposto, no percentual de 75% é
agravada para 150% quando comprovado nos autos a ocorrência de fraude,
sonegação ou conluio.
PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Compete à autoridade julgadora decidir, em despacho fundamentado, sobre o
pedido de perícia apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da impugnação depreende-se não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se ter sido alcançado, presta-se a comprovação do ilícito. CRÉDITO DO IMPOSTO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA Devem ser Glosados os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados escriturados nos livros fiscais quando respaldados em documentos fiscais inidôneos. CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÃO ISENTA. INDUSTRIALIZAÇÃO. REQUISITO. SIMULAÇÃO. GLOSA. Devem ser glosados os créditos do Imposto quando constatada simulação de processo industrial, no qual teriam sido utilizados insumos adquiridos com isenção em operações para as quais a legislação condiciona a manutenção e utilização dos créditos à efetiva industrialização do bem.. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A multa por falta de pagamento do Imposto, no percentual de 75% é agravada para 150% quando comprovado nos autos a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio. PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13888.005347/2008-18
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5134160
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-01.442
nome_arquivo_s : 310201442_13888005347200818_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 13888005347200818_5134160.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4751557
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358950813696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.005347/200818 Recurso nº 911.244 Voluntário Acórdão nº 310201.442 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria Auto de Infração IPI Recorrente INDÚSTRIA DE BEBIDAS PARIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da impugnação depreendese não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstrase ter sido alcançado, prestase a comprovação do ilícito. CRÉDITO DO IMPOSTO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA Devem ser Glosados os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados escriturados nos livros fiscais quando respaldados em documentos fiscais inidôneos. CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÃO ISENTA. INDUSTRIALIZAÇÃO. REQUISITO. SIMULAÇÃO. GLOSA. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Devem ser glosados os créditos do Imposto quando constatada simulação de processo industrial, no qual teriam sido utilizados insumos adquiridos com isenção em operações para as quais a legislação condiciona a manutenção e utilização dos créditos à efetiva industrialização do bem.. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A multa por falta de pagamento do Imposto, no percentual de 75% é agravada para 150% quando comprovado nos autos a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio. PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A AUTUAÇÃO Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, consoante capitulação legal consignada à fl. 1.067, foi lavrado o auto de infração de fls. 1.062/1063, em 04/12/2008, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Rubens Fernando Zilio, para exigir R$ 11.453.604,49 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 7.601.037,96 de juros de mora calculados até 28/11/2008, e R$ 17.180.406,59 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 36.235.049,04. A EMPRESA E O SUPOSTO PRODUTO: “PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZÔNIA – PCNAA” OU “PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO – PCNA” Da descrição dos fatos, de fl. 1.064, que se reporta ao termo de verificação fiscal de fls. 1.007/1.061, cabe sumariar que a Indústria de Bebidas Paris Ltda., Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 3 3 doravante referida como IBP, domiciliada em Rio das Pedras, SP, tem contrato social registrado na Jucesp em 24/10/2002, de fls. 11/16, em que figuram como sócios Oriental Participações S/C Ltda., CNPJ 05.038.261/000114, com 99% de participação, e Altamísio Matos de Lima, CPF 518.955.87204, com 1%. O objeto social é a exploração do ramo de indústria e comércio de bebidas, em todas as formas, e das matérias primas, secundárias e embalagens, assim como o comércio de importação e exportação. Consta no sistema CNPJ da SRFB o código CNAE 1111 901, relativo à “fabricação de aguardente de cana de açúcar”, sendo que a IBP industrializa e comercializa a aguardente de cana da marca “Caninha da Roça”. No período de 28/02/2003 a 08/11/2004, a IBP teria adquirido 469.160 kg. do produto “preparado composto não alcoólico da Amazônia – PCNAA” ou “preparado composto não alcoólico – PCNA” das empresas fornecedoras STRATUS Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 04.475.883/000147, COEMA Química Ltda., CNPJ 60.765.740/000140, e Indústria e Comércio de bebidas NUVEM DE PRATA Ltda. – ME, CNPJ 52.593.084/000118, com o preço total das mercadorias de R$ 42.385.054,00 (média de 90,34/kg), com a seguinte classificação fiscal na TIPI: 2106.90.10. O produto foi registrado no “controle de estoque” com o código 3012, como “preparo composto não alcoólico”, sendo que, do total supostamente adquirido (469.160 kg.) de PCNA, 180.950 kg foram “transferidos” para o estoque do produto de código 2992, “preparado não alcoólico padronizado”; 340 kg foram contabilizados como “quebra”; 174.660 kg teriam sido vendidos diretamente às empresas OU TAIVER, da República da Estônia, e CINKOLL, do Uruguai, ao preço de R$ 12.087.539,00 (média de R$ 69,21/kg.), sem ser submetidos a nova industrialização, à vista de notas fiscais com CFOP 7.101 (venda de produto industrializado para o exterior); 113.210 kg permaneceram no estoque até o fim de 2004. Após a adição de outros elementos (649 kg), a maior parte do produto “preparado não alcoólico padronizado”, não contabilizada como “quebra”, foi transferida (180.000 kg) para o estoque do produto de código 1330, “preparo não alcoólico”, que teria sido vendida às empresas PROAD S/A, CNPJ 27.063.270/000874, e SWISSFARMA Ltda., CNPJ 05.070.660/000162, ao preço de R$ 12.344.400,00 (média de R$ 68,58 kg), com a emissão de notas fiscais com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros com o fim de exportação) e CFOP 6.949 (outras saídas não especificadas). As operações da imputada com o produto PCNAA teria resultado em um prejuízo de mais de R$ 7,6 milhões: de 2003 a 2004, teriam sido comprados 469.160 kg (R$ 42.385.054,00) e vendidos 354.660 kg (R$ 24.431.939,00). Intimada a esclarecer a apropriação de créditos, a IBP indicou a isenção do art. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.435/75, e chamou a atenção para o restabelecimento, pela Lei nº 8.402/92, art. 1º, III, do direito ao crédito de que trata o Decretolei nº 1.894/81, art. 1º, I. Porém, segundo o exator, tratase de dispositivos diferentes. O produto supostamente adquirido pela IBP da fornecedora STRATUS (sem incidência do imposto em virtude de isenção) não teria sofrido industrialização e não faria jus à apropriação de créditos prevista no Decretolei nº 1.435/75, sendo as demais empresas fornecedoras, NUVEM DE PRATA e COEMA, de fachada, não sendo a estas aplicável o direito ao crédito preconizado pelo Decretolei nº 1.894/81. Acerca da composição química do produto PCNA, a IBP respondeu que está de acordo com o art. 60 do Decreto nº 2.314/97 e que estão adequados os percentuais dos subprodutos aos registros no Ministério da Agricultura, sendo a Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 característica do produto de verdadeiro “segredo industrial”; a finalidade do produto seria o emprego na produção de bebidas refrigerantes e energéticas refrescantes, principalmente à base de cafeína natural. Aduz a autoridade fiscal que um produto adquirido a cerca de R$ 100,00 o litro, protegido por segredo industrial, seria empregado como matéria prima na produção de refrigerantes, vendidos no varejo na base de R$ 1,00 o litro. Segundo a IBP, o produto em causa teria sido submetido a industrialização de acordo com o art. 4º do Decreto nº 4.544/2002 e depois revendido. Ao Fisco Estadual a IBP havia informado a ausência de nova industrialização do produto, apenas revenda (aquisição e venda com a mesma classificação fiscal da TIPI: 2106.90.10). Instada a descrever o processo de industrialização do produto, com a indicação de todos os insumos utilizados, a IBP informou a adição de “gludex” (0,00250 a 0,00350%) e “caramelo” (0,00020 a 0,00035%), para atendimento da demanda contratada. Segundo a fiscalização, ambos os ingredientes do processo produtivo que seria “segredo industrial” são usualmente usados na linha de produção normal da empresa na padronização de aguardente de cana, o que dá conta da existência de notas fiscais de compras desses itens. O produto PCNA não consta como insumo na elaboração de outros produtos da IBP e não foi enviado a industrialização por terceiros. Além disso, a adição de 649 kg, relatada alhures, conforme resposta da IBP, diz respeito a 420 kg de xarope de açúcar invertido (gludex), 49 kg de corante caramelo e 180 litros de água: a adição de quantidade irrisória de gludex e corante caramelo é reputada pela IBP como “processo de industrialização”. E, relevante é destacar, conforme o “controle de estoque” da empresa, que os sobreditos ingredientes passaram a ser acrescentados somente a partir de 18/09/2004, data até a qual o produto PCNA fora revendido diretamente (174.660 kg) com o direito ao crédito, segundo a IBP, amparado pelo Decretolei nº 1.894/81. O curioso processo industrial teria ocorrido de 18/09/2004 a 15/12/2004, com as apropriações de PCNA no “processo produtivo” sempre na casa do milhar, sendo os valores restantes equivalentes às adições de “gludex” e caramelo, além de quebras. As vendas nesse período de “industrialização” têm notas fiscais emitidas sob o CFOP 6.502 (remessa de mercadoria de terceiros para exportação) e os créditos, segundo a IBP, teriam arrimo no Decretolei nº 1.435/75. Acerca da venda com evidente prejuízo (compra de PCNA a preço médio de R$ 90,00/kg e venda do “produto” resultante com preço médio de R$ 68,50/kg), redargüiu a IBP que teria ocorrido, na verdade, “lucro operacional bruto da ordem de 5%”, em virtude da falta de tributação na venda (imunidade) e a contabilização de créditos referentes às aquisições. Confirmada, aí, nessa explicação da empresa, segundo o fiscal, a tese da elaboração das “operações” com o simples objetivo de apropriação de créditos: “resultado positivo” financiado pela Fazenda Pública. Indagada a apresentar comprovantes de pagamento e de transporte pelas supostas aquisições de PCNA, a IBP respondeu o seguinte: “(...) Quanto aos pagamentos, segue em anexo, no Pacote 07, o Razão de contas a pagar, cujos comprovantes encontramse no arquivo morto, que em face da elevada quantidade de documentos, estarão à disposição. O saldo parcial devedor remanescente é objeto de negociações e tratativas para acordo de pagamento. A empresa passa por dificuldades financeiras. Como as mercadorias foram adquiridas com o transporte por conta do vendedor, não dispomos dos conhecimentos de transporte. (...)” Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 4 5 A suposta fornecedora COEMA teria vendido R$ 7.798.435,00 de PCNA à IBP à vista de apenas 10 (dez) notas fiscais (fls. 114/124) entre 03/02/2003 e 20/08/2003. Desse total, somente teria sido paga a importância de R$ 3.248.881,70, de 05/05/2003 a 20/04/2004, conforme o Razão de Contas a Pagar apresentado sem lastro em documentos comprobatórios de pagamento, com prorrogação substancial de prazo para apresentação (fls. 594/695). Quanto ao restante, nada foi pago no período de 20/04/2004 a 01/03/2007, tendo sido quitada, subitamente, em um único dia (01/03/2007), a dívida no valor de R$ 4.549.553,30. Quanto à NUVEM DE PRATA, teria ocorrido a venda de PCNA no importe de R$ 2.465.832,00 com a emissão de apenas 4 (quatro) notas fiscais (fls. 127/130) no exíguo período de 25 a 28/08/2003. Desse total, teria sido paga a importância de somente R$ 774.195,26, de 24/04/2004 a 03/01/2006, conforme o Razão de Contas a Pagar apresentado sem fulcro em documentos comprobatórios de pagamento, tendo sido feito o primeiro pagamento oito meses depois da primeira compra. Não há em poder da IBP os conhecimentos de frete das aquisições precitadas, a despeito de que conste das notas fiscais de aquisição os fretes por conta da destinatária: a IBP. Já a suposta fornecedora STRATUS teria vendido R$ 34.302.954,00 de PCNA, de 06/05/2003 a 20/09/2004, com suporte em notas fiscais de fls. 154/282. Desse total, teria sido paga a importância de somente R$ 7.387.901,82, de 02/07/2003 a 09/12/2004, conforme o Razão de Contas a Pagar apresentado sem o amparo de documentos comprobatórios de pagamento, tendo sido feito o primeiro pagamento oito meses depois da primeira compra. Posteriormente, até outubro de 2008, a IBP teria quitado a dívida. A empresa foi intimada a exibir as notas fiscais de venda do produto PCNA, os comprovantes de recebimento pelas vendas e a documentação comprobatória das efetivas exportações, o razão contábil com os registros dos recebimentos e os conhecimentos de transporte rodoviário e aquaviário de carga. Detalhes sobre as supostas vendas da IBP, segundo os elementos apresentados pela IBP: • Nota fiscal (fl. 424), de 03/07/2003, de venda para a empresa OU TAIVER, da Estônia, de 23.460 kg de PCNA, no valor de R$ 1.579.475,00, com vencimento em 04/07/2003: conforme a rubrica “contas a receber” do “livro de clientes” (fls. 594/695), foram recebidos R$ 424.445,48 em 29/04/2004 (quase um ano depois) e R$ 894.501,38 entre 20/03/2006 e 24/08/2006 (três anos depois da venda), com a baixa por abatimento de R$ 260.528,14; à guisa de comprovação, três contratos de câmbio com o BankBoston, de R$ 317.263,11, celebrados quase três anos após as vendas (fls. 513/532 e fls. 588/593); • Nove notas fiscais (fls. 380/417), do período de 08/09/2003 a 21/01/2004, de venda para a empresa CINKOLL, do Uruguai, de 151.200 kg de PCNA, no montante de R$ 10.508.664,00, com último vencimento em 22/07/2004: conforme “contas a receber”, a quantia de R$ 8.627.830,23 foi recebida entre 05/12/2003 e 14/07/2006, com a baixa de R$ 1.880.233,77 a título de abatimento; dos contratos de câmbio apresentados, 20 foram avençados após 12 meses das vendas (fls. 453/512 e fls. 523/587) – última nota fiscal de 21/01/2004, último embarque de 28/01/2004, mas último contrato de câmbio de 12/07/2006 (fls. 381, 382 e 583/587); Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 • Seis notas fiscais (fls. 326/370), do período de 20/09/2004 a 22/11/2004, de venda para a empresa comercial exportadora PROAD, de 120.000 kg de PCNA, no montante de R$ 8.229.600,00, com último vencimento em 22/03/2005: conforme “contas a receber”, a quantia de R$ 4.017.111,37 foi recebida entre 18/04/2005 e 14/03/2006, estando ainda em aberto a quantia de R$ 4.212.488,63; • Três notas fiscais (fls. 305/319), de 15/12/2004, de venda para a empresa SWISSFARMA, de 60.000 kg de PCNA, no montante de R$ 4.114.800,00, com vencimentos em 14/04/2005: em “contas a receber” consta uma quarta nota fiscal de venda de 80.000 kg do produto, sendo o total de R$ 5.486.400,00; o valor total teria sido recebido de 08/11/2005 a 28/05/2006. Em 12/2004, a conta do passivo da IBP, “2110101 – Fornecedores Diversos”, apresentava dívidas em aberto de quase R$ 40 milhões, ao passo que as duas contas de clientes, no país e no mercado externo, apresentavam valores em aberto, a receber, de quase R$ 27 milhões. AS INFORMAÇÕES REPASSADAS PELO FISCO ESTADUAL Conforme o relatório de auto de infração e imposição de multa lavrado pelo Fisco Paulista (fls. 698/894): • O PCNAA, um produto típico de “planejamento tributário”, é apenas uma solução aquosa inservível e imprestável como insumo intermediário destinado à fabricação de bebida refrigerante de guaraná, sem utilidade econômica e valor comercial, conforme comprovam as análises laboratoriais; • A atividade da STRATUS, em um processo artesanal, se limita à adição pura e simples de água filtrada a extrato de guaraná adquirido de produtor local, na proporção média de uma parte para cinco partes, além de pequenas quantidades de outros produtos químicos como benzoato de sódio, ácido cítrico e substância edulcorante. Apesar do mínimo acréscimo de produtos ao extrato vegetal de guaraná, sendo maior o volume de água, seria de se esperar um preço final do preparado não muito maior do que o do insumo básico (extrato de guaraná): preço do extrato vegetal adquirido e produzido pelos irmãos Pazini – R$ 13,10/L; preço do preparado composto – R$ 104,80/L; um lucro bruto de 700%; mediante a agregação de água filtrada e elementos químicos ao extrato líquido de guaraná a indústria de bebidas fabrica o refrigerante de guaraná, assim, não faz sentido uma etapa intermediária em que seria produzido um “preparado” ou um “concentrado” especial com quantidade de água maior que a do extrato, porém menor que a existente no produto final; não faz sentido a adição de um mesmo elemento diluente em duas etapas sucessivas, sendo a seguinte a conclusão: a “fabricação” de um produto intermediário sem utilidade comercial com a finalidade de agregar valor em montante suficiente para permitir a transferência maciça de créditos de IPI e ICMS em benefício de adquirentes situados fora da Zona Franca de Manaus, além das vantagens tributárias atinentes ao PIS, à COFINS e ao IRPJ; • Não se trata de um produto de tecnologia de ponta, mas de algo produzido, mediante um processo altamente rudimentar e artesanal, em uma empresa estabelecida em um galpão mal ajambrado, com objetos espalhados pelo chão e provida de tanques obsoletos. Dessa maneira, a empresa teria faturado 247 milhões de reais em apenas 2 anos!; • O PCNAA não se enquadra nos parâmetros da legislação federal, referente a “preparado ou concentrado líquido para refresco ou refrigerantes”, veiculada na Portaria 544/98 do Ministério da Agricultura, que define concentrado de guaraná (produto classificado no código NCM/SH 2106.90.10, que não constitui matéria prima para a indústria de bebidas, mas produto pronto para consumo e destinado ao preparo de refrigerante em máquina “prémix” ou “postmix”) como Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 5 7 “bebida que contiver suco de fruta, extrato vegetal ou parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento do consumo”; conforme as notas fiscais emitidas, o PCNAA não se apresenta como produto pronto para consumo, mas sim como produto destinado a sofrer novo processo de industrialização: na verdade, um produto inadequado à fabricação de bebida refrigerante de guaraná, pois mero artifício de planejamento tributário; • O preço unitário do extrato de guaraná praticado por empresa conhecida de Jaraguá do Sul, SC, em 2006, era de R$ 1,60/L. Já a STRATUS, de maio de 2003 a agosto de 2004, teria adquirido do produtor rural João Pazini Filho o extrato de guaraná na base de R$ 13,10/L a R$ 33,10/L; no tocante ao PCNAA, consoante documento da STRATUS, o extrato de guaraná é utilizado na proporção de 1 para 5: em 2003, Pazini teria emitido notas fiscais para a STRATUS de 58.411 kg de extrato de guaraná, quantidade apta a produzir 292.055 kg de PCNAA, mas no mesmo ano a STRATUS emitiu documentos fiscais de venda de 405.762 kg de PCNAA; em 2004, supostas aquisições de 80.920 kg de extrato de guaraná, quantidade suficiente para a produção de 404.600 kg de PCNAA, mas com vendas da STRATUS de 1.142.973 kg de PCNAA; DIPJ/2003: compras declaradas de extrato de guaraná – R$ 18.876.951,20; vendas declaradas por Pazini – R$ 376.949,83; DIPJ/2004: compras declaradas de extrato de guaraná – R$ 11.425.840,64; vendas declaradas por Pazini – R$ 935.587,80; • Outra suposta fornecedora de extrato de guaraná para a STRATUS em 2004, a empresa JRFF Comércio e Indústria Ltda., conforme diligências no local, seria o estabelecimento com espaço muito pequeno, tendo permanecido praticamente fechado durante o tempo do pagamento dos aluguéis. AS SUPOSTAS EMPRESAS FORNECEDORAS STRATUS Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 04.475.883/000147: Com sede na Zona Franca de Manaus, AM; sócios, Miguel Haddad e José Henrique Pinheiro Pavão; cadastrada no sistema CNPJ à época da emissão das notas fiscais com CNAEFiscal 1589099 – “fabricação de outros produtos alimentícios”; teria operado em instalações modestas, com precárias condições e equipamentos obsoletos, conforme reproduções fotográficas (fls. 870/872). Teria vendido à IBP 385.860 kg de PCNAA, de junho de 2003 a novembro de 2004, no valor de R$ 34.302.954,00 (média de R$ 88,90/kg), com notas fiscais sem IPI (isenção), relacionadas às fls. 285/286, apreendidas pelo Fisco Estadual (fls. 150/153), sendo que, conforme o “razão do contas a pagar”, apresentado sem documentação comprobatória, de julho de 2003 a dezembro de 2004 teria sido pago somente R$ 7.387.901,82 (21,54%) e, de janeiro de 2005 a outubro de 2008, o restante teria sido praticamente quitado sem a fornecedora tomar nenhuma medida contra a demora da cliente em pagar (protesto ou execução). DIPJ anocalendário 2003: a STRATUS declara a aquisição de R$ 18.876.951,20 da matéria prima “concentrado de guaraná” da pessoa física João Pazini Filho e a venda de R$ 37.188.616,00 de PCNA a diversos adquirentes, sendo R$ 13.716.370,00 à IBP; DIPJ anocalendário 2004: aquisição declarada de R$ 24.187.075,19 da mesma matéria prima da fornecedora JRFF Comércio e Indústria Ltda. e R$ 11.425.840,64 do fornecedor João Pazini Filho, com a venda de R$ 100.065.596,30 a vários clientes, sendo R$ 20.505.674 à IBP. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 O produtor rural, João Pazini Filho, único fornecedor da STRATUS de extrato de guaraná em 2003 e o segundo maior em 2004, teria declarado a receita bruta de apenas R$ 376.949,83 em 2003 e de R$ 935.787,80 em 2004. A empresa JRFF fez declaração de INATIVA quanto ao anocalendário de 2004 (ausência de operação com mercadorias e de recebimentos ou de pagamentos de valores); entregou a GFIP, de informações previdenciárias, como SEM MOVIMENTO já em 1999, situação que perdura (ausência de empregados ou autônomos a serviço em 2004, ano de um montante muito grande de vendas; movimentação financeira: nula em 2003, de R$ 35,00 em 2004 e de R$ 38,00 em 2005. A empresa transportadora das supostas vendas da STRATUS à IBP, PB Transportes Ltda., (pelas notas fiscais, o frete por conta da STRATUS, ficou sob a responsabilidade da PB) não teve movimento em 2003 e declarou inatividade em 2004, sendo omissa nos anos posteriores, o que foi corroborado por declaração prestada pelo respectivo contador à época (“a empresa não estava operando”, fls. 901/904); a empresa contava com um único empregado registrado de junho/2004 a janeiro/2005, embora meia tonelada de PCNAA teria sido transportada de Manaus a Rio das Pedras, SP. COEMA Química Ltda., CNPJ 60.765.740/000140: Com sede em Paulínia, SP; sócios, Antonio José Hadade de Souza e Arthur Chaves Figueiredo; cadastrada no sistema CNPJ com CNAEFiscal 5154399 – “comércio atacadista de produtos químicos”. Teria vendido à IBP 63.300 kg de PCNA “Coema”, de fevereiro a agosto de 2003, no valor de R$ 6.140.500,00 (média de R$ 97,01/kg), com notas fiscais com destaque de IPI no importe de R$ 1.657.935,00 (alíquota de 27%), relacionadas à fl. 285, apreendidas pelo Fisco Estadual (fls. 150/153), sendo que, conforme o “razão do contas a pagar”, apresentado sem documentação comprobatória, de maio de 2003 a abril de 2004 teria sido pago somente R$ 3.248.881,70 (41,66%) e, a partir de abril de 2004 até março de 2007, não houve nenhum pagamento; subitamente, em 01/03/2007, a IBP teria quitado o restante da dívida no valor de R$ 4.549.553,30 (fls. 616/617), sendo que, conforme a movimentação financeira da matriz da COEMA no sistema de processamento de dados da Receita Federal, a conta corrente mantida no Banco Banespa teria sido movimentada pela última vez em 2004 (uma filial teria tido movimentação na conta bancária de valor muito pequeno em 2006 e outra filial não teria apresentado movimentação financeira de 2002 a 2008); mesmo em 2004, ano da quitação de R$ 589.051,44 pela IBP, a COEMA teria tido um fluxo financeiro durante todo o ano de R$ 509.492,32; as mercadorias correspondentes às notas fiscais emitidas teriam chegado à IBP em prazos variados (de 6 dias a 25 dias), incompatíveis com a pequena distância entre as cidades (cerca de 100 km). Os fretes, por conta da destinatária, a IBP, teriam sido realizados por ADAGA Transportes Ltda – ME, mas há somente o registro de um pagamento à transportadora (R$ 3.600,00 em 24/02/2003). DIPJ anocalendário 2003: a COEMA declarou inatividade (sem atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial) e não entregou a DCTF; quanto ao sistema previdenciário, nenhum registro de remuneração de pessoa física, empregado ou autônomo, ou recolhimento previdenciário; sendo 2003 o ano da emissão das notas fiscais de venda à IBP, o contador responsável pela entrega da DIPJ foi intimado e respondeu que o sócio da empresa informara que “a empresa estava sem movimento desde meados de 2002”. Industria e Comércio de Bebidas NUVEM DE PRATA Ltda – ME, CNPJ 52.593.084/000118: Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 6 9 Com sede em Botucatu, SP; eram sócios gerentes, somente no período de 03/2003 a 09/2003, Gilvan Marques e Wady Hadad Neto; no sistema CNPJ consta como responsável, Paulo Cesar Cavinato, e como CNAEFiscal o código 1591101 – “fabricação, retificação, homogeneização e mistura de aguardente de canade açúcar”; declarada INAPTA por ser INEXISTENTE DE FATO, com efeitos a partir de 01/01/2003, pelo Ato Declaratório Executivo nº 25, de 11/12/2007 (fl. 909). Teria vendido à IBP 20.000 kg de “Concentrado Não Alcoólico Nuvem de Prata – CNANP”, de 25 a 28 de agosto de 2003, no valor de R$ 1.941.600,00 (média de R$ 97,08/kg), com quatro notas fiscais com destaque de IPI no importe de R$ 524.232,00 (alíquota de 27%), relacionadas à fl. 285, apreendidas pelo Fisco Estadual (fl. 145), sendo que, conforme o “razão do contas a pagar”, apresentado sem documentação comprobatória, de abril de 2004 a janeiro de 2006 teria sido pago somente R$ 774.195,26 (31,40%) e, com o primeiro pagamento feito somente oito meses depois da primeira compra, a partir de janeiro de 2006 não houve nenhum outro pagamento; houve dois pagamentos, em 02 e 03/01/2006, no total de R$ 10.000,00, mas nesse ano nenhuma movimentação financeira foi registrada para NUVEM DE PRATA. Os fretes referentes às quatro notas fiscais emitidas, conforme as quais seriam os fretes por conta da IBP, foram efetuados pela empresa ADAGA Transportes Ltda – ME, com somente um pagamento feito pela IBP de R$ 3.600,00 em 24/02/2003, como mencionado anteriormente: o único pagamento feito à ADAGA pela IBP é bem anterior às datas das notas fiscais emitidas por NUVEM DE PRATA – agosto de 2003. DIPJ anocalendário 2003: nas fichas IPI/Remetentes de Insumos e IPI/Entradas Insumos não constam dados sobre a origem do insumo utilizado na “fabricação” do produto vendido ou da mercadoria revendida à IBP; quanto ao sistema previdenciário, nenhum registro de remuneração de pessoa física, empregado ou autônomo, ou recolhimento previdenciário à época da emissão das notas fiscais (08/2009). A empresa NUVEM DE PRATA foi flagrada pela Receita Federal do Porto de Santos tentando exportar “água” como sendo “preparado composto não alcoólico”, com superfaturamento, consoante documentação de fls. 893/894: “(...) preparação composta à base de extrato de canela, ácido cítrico, sal de sódio, corante caramelo, com teor de diluição aproximado de 98% (noventa e oito por cento) de água, muito próximo aos preparados refrigerantes encontrados no mercado prontos para consumo. Ocorre que os preparados refrigerantes existentes no mercado custam no varejo, em média, R$ 1,00 por litro, sendo que o valor declarado na nota fiscal nº 000114, de 17/02/2004, (...) é de aproximadamente R$ 76,92 por litro.(...)”; em diligência realizada pela DRF/Bauru/SP foi constatada a capacidade duvidosa para produção das mercadorias, sendo o valor total de vendas das notas fiscais das mercadorias apreendidas de R$ 14.236.700,00, sendo as aquisições de “insumos” para fabricação no montante apenas de R$ 43.818,07. AS SUPOSTAS EMPRESAS ADQUIRENTES SWISSFARMA Ltda., CNPJ 05.070.660/000162: Empresa atualmente INAPTA por inexistência de fato, sediada em Anápolis, GO, tendo como sócio Paulo Roberto Rios e administrador Jessé Silva; CNAE Fiscal 211060 (fabricação de produtos farmoquímicos). Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 As vendas da IBP, 60.000 kg do produto “preparo não alcoólico” no valor total de R$ 4.114.800,00 (média de R$ 68,58 kg), foram efetuadas sem destaque do IPI e sob o código de CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação); vendas em 12/2004 com vencimento em 04/2005 e com recebimentos somente entre 11/2005 e 05/2006, sem que a IBP tenha protestado a cliente. DIPJ anocalendário 2004: o valor da aquisição feita da IBP, R$ 4.114.800,00, é o valor declarado como receita de exportação, sem margem de lucro; a movimentação financeira em todo o ano de 2004 foi de R$ 4.534.056,86; quanto ao sistema previdenciário, somente o registro de uma única empregada à época da emissão das notas fiscais (12/2004). A empresa é citada em representação da DRF/Presidente Prudente/SP, na qual consta como beneficiária de um duvidoso esquema de acumulação de créditos de IPI e de ICMS e que teria fornecido PCNA para a IBP, produto que, segundo análise laboratorial, conteria 97,2% de água (fls. 1.042/1.044). PROAD S/A, CNPJ 27.063.270/000106: Empresa atualmente em situação de SUSPENSA por “prática irregular em operação de comércio exterior”, sediada em Vitória, ES, tendo como sócios Rafael Amaral e Silva Nader e Tuffy Nader Neto; CNAEFiscal 5192600 (comércio atacadista de mercadorias não especificadas anteriormente). As vendas da IBP, 120.000 kg do produto “preparo não alcoólico” no valor total de R$ 8.229.600,00 (média de R$ 68,58 kg), foram efetuadas sem destaque do IPI e sob o código de CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação); vendas de 9 a 11/2004 e recebimento em 2005 e 2006 de somente R$ 4.017.111,37, sendo o restante ainda não quitado, mas sem protesto. DIPJ anocalendário 2004: na ficha IPI/Remetentes de Mercadorias não consta a IBP como fornecedora e na ficha IPI/Entradas de Mercadorias consta a aquisição de apenas R$ 1.982.240,00 de PCNA, montante muito inferior ao das notas fiscais: 8.229.600,00; quanto ao sistema previdenciário, nenhum registro de remuneração de pessoa física, empregado ou autônomo, e sem movimento no período das supostas vendas (2004), no que concerne à filial destinatária da mercadoria (filial 000874). A empresa é citada em representação da DRF/Presidente Prudente/SP a respeito de exportação efetuada para a IBP em que teria ocorrido fraude no valor da transação (superfaturamento), sendo o produto declarado como sendo PCNAA com 97,2% de água (fls. 1.045/1.046). OU TAIVER, empresa estrangeira sediada na Estônia: A conta da IBP vinculada ao recebimento de R$ 424.445,48 em 29/04/2004 no “livro de clientes” foi a ‘1120101 – ClientesPaís”, apesar de se tratar de exportação direta, conta esta com um saldo devedor acumulado em 12/2004 de R$ 16.532.469,23. A mercadoria supostamente exportada à OU TAIVER foi baixada diretamente do estoque do produto PCNA (código 3012), tratandose da mesma conta contábil concernente às aquisições de PCNAA pela IBP: ou seja, não teria ocorrido nova industrialização, somente revenda. As vendas de PCNA à OU TAIVER, ao custo unitário de R$ 67,32 kg, representariam um prejuízo comercial de mais de R$ 600 mil em face das compras Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 7 11 efetuadas das fornecedoras COEMA e STRATUS, de 02 a 07/2003, ao custo médio de R$ 93,42 kg. CINKOLL, empresa estrangeira sediada no Uruguai: A mercadoria pretensamente exportada à CINKOLL também foi baixada diretamente do estoque do produto PCNA (código 3012), tratandose da mesma conta contábil concernente às aquisições de PCNAA pela IBP: ou seja, não teria ocorrido nova industrialização, somente revenda. As vendas de PCNA à CINKOLL, ao custo unitário de R$ 69,50 kg, representariam um prejuízo comercial de mais de R$ 3 milhões em face das compras efetuadas da fornecedora STRATUS, na mesma época, ao custo médio de R$ 88,90 kg. CONSTATAÇÕES E CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO A IBP tem como sócia majoritária (99% das quotas) uma empresa cujas sócias são duas empresas sediadas no Uruguai, para onde teria sido, inclusive, enviada a maior parte do “preparo não alcoólico”, sendo desconhecidos os verdadeiros proprietários (pessoas físicas) e inexistentes bens imóveis em nome da IBP em ambos os cartórios de registro de imóveis de Piracicaba (sendo que Rio das Pedras é da circunscrição de um deles). Há evidente relação entre os responsáveis pelas empresas fornecedoras de PCNA: Miguel Hadad, sócioadministrador e responsável pela STRATUS, é irmão de Wady Hadad Neto, sóciogerente da NUVEM DE PRATA; Antonio José Hadade Souza é sócioadministrador da COEMA. A IBP é uma empresa do ramo de aguardente de canadeaçúcar e emprega no respectivo processo produtivo a aguardente bruta e o destilado alcoólico, matérias primas outrora adquiridas com créditos de IPI. Com o advento da Lei nº 9.493, de 10/09/1997, as aludidas matérias primas passaram a ser vendidas sob suspensão do IPI, sendo que a aguardente padronizada na saída sofre o gravame de 60% de IPI. O PCNA não constitui insumo no processo industrial da IBP, mas há a simulação de operações com tal substância para a apropriação de créditos em grande monta e consequente redução do saldo devedor de IPI atrelado às atividades usuais: com a utilização dos créditos referentes às aquisições de PCNA, os recolhimentos decendiais foram na ordem de R$ 28.000,00, enquanto que, desconsiderados tais créditos, os recolhimentos decendiais seriam da ordem de R$ 280.000,00 (10 vezes mais!). Nos anos de 2003 e 2004, a IBP teria adquirido 469.160 kg de PCNA ao preço total de R$ 42.385.054,00 (média de R$ 90,34/kg) com o aproveitamento de créditos à alíquota de 27%, além de créditos de ICMS, PIS e COFINS, e vendido 354.660 kg do produto “preparo não alcoólico” para o mercado externo, ou seja, com imunidade tributária, sob a mesma classificação fiscal das aquisições (código TIPI 2106.9010), ao preço de R$ 24.431.939,00 (média de R$ 68,89 kg): um prejuízo de R$ 7,6 milhões! Com a inclusão dos créditos apropriados de IPI, ICMS, PIS e COFINS na avaliação, a vantagem do negócio para a empresa fica evidente. A simulação nas operações com o PCNA não implica a inexistência destas: houve movimentação física do produto, com apreensões no Porto de Santos e coleta de amostras pelo Fisco Estadual, com transportes, pagamentos e recebimentos parciais, com o fito de conferir uma aparência de normalidade e legalidade. O produto PCNA, em si, é uma simulação de mercadoria: “neste caso, a dita Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 mercadoria PCNA, “fabricada” na Zona Franca de Manaus com incentivos fiscais, desprovida de valor comercial e vendida a alto preço, não passa de um suporte físico para a transferência de créditos” O PCNA, destinado ao mercado externo, não tem valor comercial, pois, caso contrário, teria aceitação no país: as indústrias nacionais de refrigerantes adquirem o extrato concentrado de guaraná e não esse PCNA que, além de dispendioso e volumoso, nada mais é do que extrato de guaraná diluído em água. O código de classificação fiscal da TIPI, 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27%, utilizado tanto nas notas fiscais de aquisição quanto nas de saída, tem o seguinte texto descritivo: “Preparações compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. O PCNA tratado nos autos apresentava teor de água superior a 97%. A despeito de que as operações concernentes ao PCNA possam ser, de certo modo, reputadas como legítimas, não haveria o direito ao crédito em virtude da inexistência de industrialização: o produto foi adquirido e revendido, apenas com a adição de quantidades ínfimas de “gludex” e de corante caramelo (baixados posteriormente como quebra de produção), tendo sido as notas fiscais de venda emitidas com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS, MAJORAÇÃO DA MULTA E OUTROS DETALHES Créditos de IPI referentes a aquisições de PCNA da fornecedora COEMA cujas notas fiscais foram emitidas com destaque do imposto (não recolhido): R$ 1.657.927,09, registrados no livro Registro de Apuração do IPI no item 6 (“por entrada com crédito do imposto”). Créditos do imposto referentes a aquisições de PCNA da fornecedora NUVEM DE PRATA cujas notas fiscais foram emitidas com destaque do imposto (não recolhido): R$ 524.232,00, registrados no livro Registro de Apuração do IPI no item 6 (“por entrada com crédito do imposto”). Créditos imposto referentes a aquisições de PCNA da fornecedora STRATUS cujas notas fiscais foram emitidas sem destaque do imposto: R$ 9.271.445,40, registrados no livro Registro de Apuração do IPI no item 10 (“outros créditos”) com o histórico: “art. 1º, inciso II da Lei nº 8.402 de 08/01/1992”. Total do crédito de IPI utilizado pela IBP: R$ 11.453.604,49. Em virtude da inexistência de saldos credores na escrita fiscal do sujeito passivo em alguns períodos de apuração, foi necessária a reconstituição da escrita fiscal (fl. 910). Sobre o imposto devido, resultante da glosa de créditos, foi imposta a multa majorada de 150%, cominada pela Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 80, II, em virtude das circunstâncias qualificativas observadas: simulação, em conluio (ajuste doloso entre os responsáveis pelas empresas participantes do esquema), de operações de compra e venda de mercadoria inservível com o intuito de aproveitamento de créditos do imposto, tendo como finalidade a sonegação fiscal. A peça fiscal foi instruída com farta documentação, com todo o lastro probatório detalhado nos parágrafos precedentes deste relatório. A seguinte documentação, carreada pela autoridade fiscal, integra os autos: Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 8 13 • Termo de intimação fiscal nº 01 e cópia do livro Registro de Apuração do IPI (fls. 08 e 23/98); • Termo de intimação fiscal nº 02, resposta e cópias de notas fiscais de aquisição (fls. 99/282); • Termo de intimação fiscal nº 03, resposta e cópias de notas fiscais de compra de corante caramelo e gludex, de notas fiscais de venda, de comprovantes de exportação, de contratos de câmbio e do razão de contas a pagar (fls. 283/695); • Ofício ao Delegado Tributário de Campinas, resposta e documentação: auto de infração, laudos etc. (fls. 696/894); • Ofício ao 1º Oficial de Registro de Imóveis e Anexos de Piracicaba e resposta (fls. 895/897); • Ofício ao 2º Oficial de Registro de Imóveis e Anexos de Piracicaba e resposta (fls. 898/900); • Intimações a terceiros (responsáveis pela contabilidade das empresas P.B. Transportes Ltda. e Coema) e respostas (fls. 901/908); • Página do DOU com o Ato Declaratório Executivo nº 25, de 2007, ref. inaptidão da empresa Nuvem de Prata (fl. 909); • Reconstituição da apuração do IPI da IBP (fl. 910); • DIPJ dos anoscalendário 2003 e 2004 da IBP (fls. 911/993); • Termo de apreensão de notas fiscais e respectivas cópias (994/1.006). Presentes elementos que caracterizam, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária, foi formulada a representação fiscal para fins penais processada sob o nº 13888.005353/200875. Foi promovido também, à luz da Lei nº 9.532, de 1997, art. 64, e da Instrução Normativa SRF nº 264, de 2002, o arrolamento de bens e direitos (processo nº 13888.005355/200864). A IMPUGNAÇÃO A empresa tomou ciência da exação em 12/12/2008, por intermédio do respectivo procurador, Sr. Marcelo de Moraes Frota, qualificado no instrumento de fl. 1.083. Em 13/01/2009, não conformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.085/1.133, subscrita pelo sobredito procurador da pessoa jurídica, em que aduz as seguintes razões de defesa, em resumo: • O fundamento legal utilizado na acusação fiscal não é suficiente para que se possa deduzir efetivamente quais sejam os fundamentos da acusação, mesmo considerando que tenha ocorrido simulação; os dispositivos não são compatíveis com os relatos, ou seja, o enquadramento legal indicado nada tem a ver com o relatório fiscal e com as circunstâncias da autuação: os dispositivos apontados não têm qualquer relação com os fatos narrados; o art. 10 do Decreto 70.235/72 determina que o auto de infração deve conter a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, sendo a ausência da disposição legal e da penalidade aplicável, Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 14 ou a demonstração deficiente, causas de nulidade do lançamento tributário, de acordo, inclusive, com doutrina; • O princípio da nãocumulatividade tem base constitucional e a impugnante, ao se creditar do IPI, nada fez além de utilizar garantias constitucionais; há contradição no auto de infração: o direito ao crédito, sendo o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus, é previsto no Decretolei nº 1.435/75 e no Decretolei nº 1.894/81, mas a razão apontada para a impossibilidade do creditamento pela IBP seria a ausência de nova industrialização no produto adquirido, sendo que, segundo a fiscalização, afastando a aplicação dos diplomas acima, a fornecedora STRATUS teria vendido o produto com isenção e as fornecedoras NUVEM DE PRATA e COEMA seriam empresas de fachada e que não teriam recolhido os tributos devidos; não há provas de que a IBP tenha deixado de industrializar o produto adquirido; nãoincidência não se confunde com isenção, já que com esta há a ocorrência do fato gerador; condicionar o direito de crédito decorrente do imposto incidente nas fases anteriores ao efetivo recolhimento significa criar restrições ao princípio da nãocumulatividade; • O auto de infração é baseado em meras conjecturas e presunções, tendo sido adotado o mesmo relatório utilizado pelo fisco estadual (de um processo ainda sub judice), o que representa um caminho equivocado: não existe perícia e não foram considerados os documentos oferecidos pela impugnante à fiscalização, como comprovantes de pagamento, de transporte, etc.; as operações tiveram existência efetiva, pois houve produção, transporte e pagamento: inexistem provas de que o produto seria inservível; o produto existe e está registrado no Ministério da Agricultura , sendo que todos os lotes têm certificação prévia, ou seja, foram inspecionados e liberados pelos órgãos competentes; o “procedimento de autuar contribuintes sem fundamento legal, sem comprovação baseado em meras especulações e conjecturas (sic), apenas na busca de espetáculos jornalísticos, como os que temos assistido nos últimos dias, revelam verdadeiro abuso do Estado. Mas este comportamento está com dias contados, o levante da sociedade e do Judiciário demonstra a inaplicabilidade destes procedimentos dentro do Estado de direito. (...) os desmandos e abusos perpetrados por Fiscais que, desvirtuados, de suas atribuições legais, enveredam por caminhos oblíquos para se tornarem celebridades. ”; a prova utilizada é emprestada do Fisco do Estado de São Paulo, que periciou amostras com validade vencida; o uso da prova emprestada é possível, mas dentro de limites e com requisitos, conforme jurisprudência: referências a laudos ou análises não podem ter o condão de sustentar nenhuma autuação, não tendo sido demonstrada e comprovada a imprestabilidade do produto; • O auto de infração é nulo de pleno direito, por ausência de provas, uma vez que, pela teoria dos motivos determinantes, o motivo determina a validade de um ato administrativo, e, sendo invalidado o ato, este não pode ser refeito segundo motivo diverso, conforme doutrina; • Ademais, o ônus de provar a acusação é do Fisco; é falsa a alegação de “imprestabilidade” econômica do produto; segundo a Nota Técnica nº 179/2007 da Superintendência da Zona Franca de Manaus os dados teriam sido obtidos de informações prestadas mensalmente pelas próprias empresas, sendo que no quadro IV desse documento há a informação de que a empresa Arosuco teria faturado em 2006 R$ 482.025.831,00 com o produto PCNAA, praticando o preço de R$ 146,07 o quilo, e a empresa Recofarma, a impressionante cifra de R$ 2.439.382.281,00, com o preço de R$ 83,45 o quilo; “imprestável e inservível é este lançamento”; • Outro vício que macula a autuação deve ser considerado: a decadência – o auto foi lavrado em 12/12/2008 e inclui períodos de apuração compreendidos entre fevereiro e dezembro de 2003, todos alcançados pela decadência; não pode ser Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 9 15 invocado o CTN, art. 150, § 4º, pois não há comprovação das alegações do Fisco, muito menos de simulação; existem apenas conjecturas; • O art. 118 do CTN teria sido violado, uma vez que a desclassificação do produto pelo Fisco paulista não implica que o direito ao crédito seja considerado inexistente, conforme julgado do STJ referente a caso semelhante; por outro lado, não poderia ser invocado o art. 116, § único, pelo Fisco; • A alegação de que o produto é inservível é fundada apenas na referência à autuação feita pelo Fisco de São Paulo, baseada em um laudo fajuto; o produto PCNAA deve ser enquadrado pelo arcabouço normativo de regência: Lei nº 8.918/94, Decreto nº 2.314/97, que consagram os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, assim como a garantia do direito e dever de o Estado fiscalizar; são apontadas ilegalidades cometidas pelo Fisco Estadual na produção do laudo, o que implica a ilicitude da prova utilizada, sendo que a adoção de prova emprestada “já remonta o absurdo”; • A fundamentação legal para o agravamento da multa, art. 80, II, da Lei nº 4.502/64, é nula já que o dispositivo teria sido revogado pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, mas, pelo princípio da eventualidade, é sustentado que o agravamento é inaplicável, pois o dolo não se presume, devendo ser provado de forma convincente, com o Fisco tendo um “duplo ônus de prova”, ou seja, “ônus de provar a conduta infracional e ainda ônus de provar a existência de conduta dolosa”; sobre os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, na “fútil tentativa de distorcer a verdade dos fatos, porque os primeiros dispositivos (sonegação e fraude) de plano já ficam descartados”, o tipo escolhido foi o conluio, apesar de dependente que é dos demais tipos; não há prova da conduta infracional com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, ou mesmo impedir ou retardar a própria ocorrência do fato gerador, e, portanto, não há a demonstração do dolo; a multa de 150% aplicada é, pois, absolutamente improcedente; • O arrolamento de bens e direitos de que trata o art. 64 da Lei nº 9.532/97 foi efetuado antes do término do processo administrativo, de forma precoce, o que pode tipificar o crime de abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65, art. 4º, “h”), sendo pacífico na doutrina e na jurisprudência que a defesa administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), e, além disso, não teria sido cumprido o procedimento interno previsto na IN SRF nº 264/2002; • Para a realização de perícia, houve a formulação de quesitos, mas sem a indicação do assistente técnico; é mencionado na impugnação que o servidor público federal indicado na lei deverá realizar a perícia a partir de amostras colhidas nos termos legais; também, à guisa de prova testemunhal, é requerido o encaminhamento de ofício à autoridade competente em Manaus concernente a informações acerca dos produtos vendidos pela Stratus quanto a especificações físicoquímicas e preços; • Por fim, reitera a necessidade da produção de prova pericial, de prova testemunhal, ou, pelo menos, requer a realização de diligências no órgão do Ministério da Agricultura responsável pelos laudos que certificam a regularidade do produto e do preço, e, sobretudo, requesta a anulação do procedimento fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 16 Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 GLOSA DE CRÉDITO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes. GLOSA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS DEPENDENTE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE BEM ADQUIRIDO COM ISENÇÃO. SIMULAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Glosamse os créditos do imposto se for constatada a simulação de processo industrial, no caso de bem adquirido com isenção em operações para as quais a legislação condicione a manutenção e utilização dos créditos à industrialização do bem pelo destinatário. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando ficar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENQUADRAMENTO LEGAL DEFICIENTE. A judiciosa exposição dos fatos elaborada pelo autuante, com a demonstração inequívoca dos valores submetidos a cobrança, assim como a oferta de um apelo impugnatório em que o direito de defesa é plenamente exercido, suprem as falhas existentes na capitulação legal da infração. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. INDÍCIOS. Todos os meios de prova legais e moralmente legítimos são hábeis a fazer prova dos fatos que consubstanciam a imputação, notadamente as provas indiretas (indícios) que se revelam copiosas e convergentes. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITO BÁSICO AUSENTE. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia, se estiver ausente um dos requisitos legais cumulativos e se os elementos existentes na peça acusativa forem suficientes para o convencimento da autoridade julgadora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 10 17 interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, a sonegação e o conluio, indicadoras de dolo. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Começa por relatar que a origem da presente autuação estaria em procedimento levado a efeito pelo Estado de São Paulo que teria buscado “a qualquer custo desvirtuar a operação, promovendo, pois, fiscalizações abusivas com desvios de finalidades e em aberta violação ao sistema normativo”. Alega, mais uma vez, decadência de parte do crédito tributário constituído no auto de infração. Por haver pagamentos parciais, traz a lume o jurisprudência do STJ, em Regime de Recurso Repetitivo, que determina nestes casos não ser aplicável o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Que o dolo não se presume. Assevera não existir nos autos, “além de meras suposições fantasiosas do fisco, de provas robustas capazes de demonstrar a simulação. As alegações foram "emprestadas" do relatório fiscal produzido pelo Fisco paulista e utilizado em uma série de abusivas autuações. REPITASE, ALGUMAS JA APRECIADAS PELO TRIBUNAL DE IMPOSTOS E TAXAS DE SAO PAULO E, ACERTADAMENTE, CANCELADAS”. (grifos no original) Requer a decretação de nulidade da autuação em virtude da abstrata capitulação das irregularidades apontadas. Considera que “No caso dos autos, o enquadramento legal citado nada tem que ver com o relatório fiscal e com as circunstancia da autuação.” Defende que, segundo “Ficou constatado que a IBP simulou operações comerciais com o produto denominado "Preparado composto não alcoólico", aproveitandose indevidamente de créditos de IPI gerados com as respectivas aquisições deste produto”. E prossegue, Entretanto, a autoridade administrativa afirma diversas outras coisas no curso do Termo de Verificação Fiscal. Em fls. 20, por exemplo, é dito que a IBP "não tem direitos de apropriar os créditos segundo o Decretolei n° 1.435/75". Por outro lado, a partir de fls. 3, o auto de infração utiliza o trabalho fiscal da Fiscalização do Estado de São Paulo que considerou o PCNAA da IBP inservível e imprestável a partir de laudos periciais produzidos com produtos de validade vencida. Noutro giro, o fundamento legal utilizado pela acusação não é suficiente para que ao menos se possa deduzir efetivamente quais sejam os fundamentos da acusação. Nem mesmo considerando que houve simulação os dispositivos não são compatíveis com os relatos. Vejamos: ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 18 Arts. 34, inciso II, 122, 127, 130, 164, inciso I, 199, 200, inciso IV e 202 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02). Segue, transcrevendo teor dos dispositivos legais acima listados, para confirmar a nulidade argüida. Também considera nula a prova utilizada como fundamento do lançamento, “porquanto "emprestada" e ainda baseada em perícia realizada em produto fora do prazo de validade ônus de prova é do Fisco”. Quanto a isso, esclarece que o “julgamento ao qual faz alusão o ilustre Agente Fiscal é o Auto de Infração de Imposição e Multa lavrado pelo Fisco estadual contra a Recorrente (Decisão em anexo). Ocorre, porém, que os argumentos deduzidos pela defesa, em sede de Recurso Voluntário naquela esfera, foram suficientes para fazer com que o Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo reconhecesse a vicissitude que maculava a malfadada análise laboratorial que aparelhava a autuação e convertesse o julgamento em diligencia para se apurar se: A PROVA FORA ELABORADA EM MATERIAL COM PRAZO DE VALIDADE VENCIDA E NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA (Decreto n.° 2.314/07)”. Rebate a afirmação contida no voto condutor da decisão recorrida, de que “sobejam provas diretas e indiretas (indícios) nos autos de que houve simulação...” com a seguinte pergunta: “ONDE SE ENCONTRA, NOS AUTOS, ESTE “AMPLO CONJUNTO PROBATÓRIO" QUE PUDESSE SUPRIMIR A QUESTÃO DA VALIDADE DO LAUDO, SE TODA AUTUAÇÃO TEM COMO PANO DE FUNDO OS RESULTADOS APRESENTADOS PELO ALUDIDO LAUDO?”. Destaca o que entende terem sido “violações perpetradas quando da produção da perícia à legislação”. 99. Pois bem, implicaram então em violação o seguinte: (i) Os Fiscais paulistas não têm a competência exigida pelo Decreto para proceder as coletas dentre outros procedimentos (violação aos Arts. 112/117) (ii) A aludida imprestabilidade perde força quando se indaga se: a) o produto da amostra, ilegalmente, coletada é o mesmo do Art. 60 do Decreto n.°2.314/97? b) o produto da amostra é o produto descrito no rótulo dos vasilhames? c) O produto da amostra é o produto descrito na nota fiscal correspondente? (iii) Não foi obedecido o disposto nos Arts. 127/128 do Decreto n.° 2.314/97; (iv) Por fim, a coleta do material utilizado na perícia fajuta foi feita com produto já fora de seu prazo de validade. Ou seja, no próprio rótulo do PCNAA está indicado o prazo de validade de 6 (seis) meses. Ora se a coleta/apreensão foi efetuada em 10/01/2006, mas o próprio Termo de Apreensão DRT/05 001/2006 indica que o material utilizado referese ao da Nota Fiscal n.° 305 que teve sua saída do estabelecimento fornecedor em 18/04/2005 e a análise pericial só ocorreu em 21/09/2007, confirase: (apresenta cópia do Termo) No mérito, argumenta a legalidade e legitimidade “da apropriação dos créditos, ora glosados, em respeito ao regime constitucional do IPI, o qual prevê, a não cumulatividade do mesmo”. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 11 19 Contesta os apontamentos presentes na decisão recorrida em relação às disposições Constitucionais em relação à nãocumulatividade do IPI para afirmar que “o produto adquirido e exportado pela Recorrente denominado PCNAA (produto composto não alcóolico da Amazônia) atende a todos os requisitos legais acima transcritos (Art. 1° Decreto lei n. 1.894/81). Razão pela qual é plenamente induvidoso, legitimo e legal o creditamento do IPI destacado nas Notas Fiscais de entrada pela Recorrente. A glosa dos referidos créditos, tal pretendida nesta autuação, representa, destarte, violação ao principio da nãocumulatividade e ainda ao principio da legalidade, pois representa a criação de uma nova hipótese de incidência, bem como à legislação mencionada”. Assevera que Lei n° 9.779/99 (Art. 11) c/c a Instrução Normativa SRF n.° 33/99 não tornou sem efeito o teor do Decretolei n° 1.894/81. Argumenta que a autoridade julgadora tenta condicionar a utilização dos créditos a situações distintas. Nas palavras da defesa, “quando se percebe que não há como "sonegar" o direito de crédito às aquisições de determinado fornecedor, utilizase critério de outro diploma para negar vigência de um ou outro dispositivo normativo”. Menciona a falta de comprovação das acusações veiculas no Auto de Infração. Afirma que o que “consta nos autos, nada mais é do que meras e fantasiosas suposições. Ora, cediço na doutrina e na jurisprudência que o ônus de prova, em matéria fiscal, é do Fisco”. Contesta a decisão pela inidoneidade de documentos emitidos pelos fornecedores, lastreadas em Atos Declaratórios Executivos de efeitos projetados a fatos pretéritos. Contesta com veemência a afirmação contida na decisão de piso dando conta à falta de comprovação das internações de insumos mediante páginas ou fichas em livro de registro. Transcrever excertos do auto de infração e da decisão de piso para demonstrar o reconhecimento de que ocorreu o ingresso de insumos no estabelecimento industrial. Considera que “a verdadeira motivação jurídica para sustentar esta autuação só pode ser a prevista no Art. 116 § único do CTN. Conquanto o que se pretende é a desconsideração dos negócios” Quanto a isso, defende a licitude das operações e consequente inexistência de simulação. Protesta pela exclusão da multa agravada. Defende que todos os dispositivos tratam de hipóteses dolosas e que o dolo não se presume, “provase e de forma convincente, o que de plano se percebe não ser o caso dos autos”. Que “o tipo escolhido pelo Fisco, na tentativa de distorcer a verdade dos fatos, porque os primeiros dispositivos (sonegação e fraude) de plano já ficam descartados, uma vez que não se buscou nenhum dos efeitos elencados nos tipos, foi o "CONLUIO". (...) Ocorre, porém, que nesta modalidade; necessariamente, há de estar configurado um dos dois efeitos descartados, ou sonegação ou fraude. Ou seja, o conluio é dependente dos demais” E questiona: “Onde restou demonstrado e comprovada a prova da conduta infracional, que tivesse por objetivo impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento da autoridade fazenddria da ocorrência do fato gerador ou mesmo impedido ou retardado a própria ocorrência do mesmo fato?”. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 20 Reclama do “indeferimento de produção de provas sem fundamentação legal e consequente cerceamento de defesa violação ao contraditório e ampla defesa e a verdade material”. Ao final requer, (i) seja recebido, processado e reconhecidas as preliminares seja o presente Recurso integralmente provido para o fim de anular a autuação; (ii) na hipótese de restarem superadas as preliminares, o conhecimento da matéria de fundo e, igualmente, provido o recurso e ainda, na eventualidade de não assim entender, que seja o julgamento convertido em diligência para se apurar a regularidade do Produto, junto ao Ministério da Agricultura e, sobre os pagamentos parciais para efeito de reconhecimento da decadência bem como para aferirse se a produção do laudo que originou a autuação observou a legislação de regência, notadamente quanto ao prazo de validade do produto periciado; (iii) por fim, a anulação total da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Dáse início pelas preliminares argüidas. Quanto à decadência de parte do crédito tributário constituído no auto de infração, a recorrente alega o impedimento pelo fato de ter efetuado, em todas as situações, pagamentos, ainda que parciais, dos valores devidos nos períodos de apuração correspondentes. Traz à lume jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, inclusive em Regime de Recurso Repetitivo, versando sobre a inaplicabilidade do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional nas situações em que haja pagamento dos tributos. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, a decisão mencionada de fato referese à inaplicabilidade do regime geral de contagem do prazo decadencial nos casos em que o contribuinte tenha efetivamente antecipado o pagamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, contudo, não alcança as situações nas quais tenham ocorrido uma das circunstâncias identificadas no parágrafo quarto do artigo 150: o dolo, a fraude ou a simulação. Em outras palavras, o que se discute nos autos em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial não diz respeito à sua prorrogação ou não em face do pagamento apenas parcial do valor devido, mas em razão do disposto no parágrafo quarto do artigo 150, com o seguinte teor. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 12 21 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos meus) Nestes termos, a contagem do prazo decadencial depende apenas do reconhecimento da presença de intuito doloso dos atos praticados pela contribuinte, não sendo favorável à defesa e nem mesmo pertinente discutir se, por conta da ocorrência de pagamentos parciais, devase ou não levar em considerar e aplicar a citada decisão do Superior Tribunal de Justiça. Sendo matéria de mérito o exame dos fatos apurados pela fiscalização e sua qualificação, fica a decisão sobre a contagem do prazo decadencial na dependência do que será a seguir examinado e decidido. Ainda em preliminar, a recorrente requer a decretação de nulidade da autuação em virtude da abstrata capitulação legal das irregularidades apontadas pela fiscalização, que, segundo entende, nada tem a ver com as acusações descritas nos Termos de Verificação Fiscal e no próprio auto de infração. Transcreve os artigos 34, inciso II, 122, 127, 130, 164, inciso I, 199, 200, inciso IV e 202 do Decreto n° 4.544/02 RIPI/02 para comprovar a ocorrência de preterição ao direito de defesa em face da falta de correspondência entre as irregularidades acusadas e a base legal. À folha 1.067 do processo encontrase o enquadramento legal transcrito pela autuada no corpo do Recurso Voluntário acima reproduzido. Como se lê no quadro do auto de infração a menção da base legal é, de fato, idêntica a informada pela autuada; contudo, não foi mencionado o texto seguinte, no qual é referido o que segue. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Mais adiante, à folha 1.082 do processo consta a base legal correspondente às infrações cometidas pela autuada que, conforme terminologia empregada, “simulou operações comerciais com o produto denominado "Preparado composto não alcoólico", aproveitandose indevidamente de créditos de IPI gerados com as respectivas aquisições deste produto”. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 22 Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 80, inciso II, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n°9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente. A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Importante acrescentar que, depois de contestar a falta de adequada capitulação legal do auto de infração, em momento oportuno, a recorrente defendese demonstrando criteriosamente a incompatibilidade entre os tipos legais previstos em Lei e a fundamentação da autuação, do que se depreende adequado entendimento dos fatos relatados pelo Fisco e suficiente conhecimento da legislação que foi acusada de descumprir, razão suficiente para que seja afastada a hipótese de preterição ao direito de defesa. Importante retomar, aqui, a questão da comprovação da prática dos ilícitos, tantas vezes contestada pela autuada. Quanto a isso, penso que a questão das provas mereça especial atenção, de tal sorte se possa delinear a linha de raciocínio que deve ser observada para fins de considerar as alegações apresentadas pelo Fisco como “meras suposições fantasiosas”, nas palavras da autuada, ou em constatações decorrentes de cognição lógica baseada nos elementos coletados durante o procedimento de fiscalização. Sabese que, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base nesse critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa ou nos sistemas de controle interno do Órgão. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 13 23 registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas exceções, não haverá como comprovar a ocorrência de um fato. Isto posto, adentramos ao caso concreto. Liminarmente, não se aceita a recusa de que sejam levados em consideração os fato apurados pelo Fisco Estadual. Como é cediço, todos os meios de prova são aceitos no processo de formação de opinião do julgador, desde que obtidos por meios lícitos. Ademais, a decisão de piso foi determinante a respeito do assunto. Há, na peça fiscal vergastada, como meio probante principal, o válido empréstimo de provas oriundas do órgão de fiscalização estadual, sendo a prestação mútua de assistência entre os diversos entes tributantes prevista no CTN, art. 199, caput, e regulamentada pelo Convênio abaixo destacado em excertos de interesse, disponível para consulta no sítio da internet “www.fazenda.gov.br/confaz/”: “CONVÊNIO S/Nº, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1970 • Publicado no DOU de 18.02.71. • Alterado pelos Ajustes 01/71, 03/71, 05/71, 07/71, 01/72, 04/73, 02/74, 01/75, 02/75, 01/76, 03/76, 02/78, 03/78, 04/78, 01/79, 01/80, 01/82, 01/84, 02/84, 01/85, 02/85, 03/85, 01/86, 02/86, 03/86, 04/86, 05/86, 01/87, 02/87, 03/87, 04/87, 01/88, 02/88, 01/89, 05/89; 11/89, 16/89, 22/89, 01/90, 04/90, 01/91, 02/94, 03/94, 05/94, 02/95, 04/95, 06/95, 01/96, 02/96, 06/96, 07/96, 02/97, 04/97, 05/97, 06/97, 07/97, 09/97, 10/97, 03/98, 06/98, 02/99, 10/99, 03/00, 04/00, 06/00, 02/01, 07/01, 10/01, 05/02, 07/02, 05/03,12/03, 01/04, 03/04, 07/04, 08/04, 09/04, 13/04, 05/05, 06/05, 09/05, 01/06, 01/07, 03/08, 06/08. O Ministro da Fazenda e os Secretários de Fazenda ou de Finanças dos Estados e do Distrito Federal, reunidos na Cidade do Rio de Janeiro nos dias 14 e 15 de dezembro de 1970, Considerando que a racionalização e a integração de controles e de fiscalização, alicerçados em informações que têm como fonte a escrita e o documentário fiscais dos contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto de Circulação de Mercadorias, poderão conduzir a uma Administração Tributária mais justa e mais eficaz; Considerando que a implantação de um sistema básico e homogêneo de informações levará ao conhecimento, mais rápido e preciso, das estatísticas indispensáveis à formulação de políticas econômicofiscais dos diversos níveis de governo; Considerando que com um Sistema de Informações EconômicoFiscais adequado, promoverseá coleta, elaboração e distribuição de dados básicos, essenciais à implantação de uma política tributária realista; Considerando a necessidade de unificar os livros e documentos fiscais a serem utilizados pelos contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto de Circulação de Mercadorias; Considerando que a simplificação e a harmonização de exigências legais poderão reduzir despesas decorrentes de obrigações tributárias acessórias, com reflexos favoráveis no custo da comercialização das mercadorias; Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 24 Considerando que o art. 199 do Código Tributário Nacional dispõe: “A Fazenda Pública da União e a dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio”, Acordam em criar o Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico Fiscais, incorporando às suas respectivas legislações tributárias as normas consubstanciadas nos seguintes artigos: CAPÍTULO I Dos Objetivos do Sistema Art. 1º O Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais tem como objetivos: I a obtenção e permuta de informações de natureza econômica e fiscal entre os signatários; II a simplificação do cumprimento das obrigações por parte dos contribuintes. (...) Art. 91. As partes signatárias fornecerão ou permutarão entre si informações de interesse das respectivas Administrações Tributárias”.(g.m.) Assim, o que é preciso extrair dos autos é o tipo de informação que dele se obtém pela análise das inúmeros elementos disponíveis. Neste intento, não vejo melhor providência do que recorrer à descrição do trabalho da fiscal conforme anotações contidas no voto condutor da decisão dos i. Julgadores de Primeira Instância. O PCNAA ou PCNA, segundo a fiscalizada, seria submetido, em suas dependências industriais, de tal maneira a configurar um segredo industrial, a um “processo de industrialização” em que haveria a adição de xarope de açúcar invertido (gludex) – 0,0025 a 0,0035% – e corante de caramelo – 0,0002 a 0,00035%: um produto adquirido com um custo de cerca de R$ 100,00 por litro para o emprego como matéria prima na fabricação de refrigerantes com preço de varejo de R$ 1,00 o litro. A adição dos referidos ingredientes foi iniciada somente em 18/09/2004, consoante o controle contábil de estoque da empresa, e teria durado até 15/12/2004. Tratase, segundo o Fisco Estadual, de uma solução aquosa, sem utilidade econômica intrínseca e sem valor comercial, destinada à fabricação de refrigerantes e que não pode ser enquadrada nos parâmetros fixados pela legislação federal (Portaria nº 544, de 1998, do Ministério da Agricultura) no que concerne a “preparado ou concentrado líquido para refrescos ou refrigerantes”. O concentrado de guaraná legítimo, com código NCM/SH 2106.90.10, não se caracteriza como insumo para a indústria de bebidas, mas um produto pronto para consumo, destinado à preparação de refrigerantes em máquinas “prémix” ou “postmix”. O PCNAA ou PCNA constante das notas fiscais emitidas não figura como produto pronto para consumo, mas destinado a ulterior processo industrial. Não é, pois, um produto adequado à mistura em máquinas próprias do qual resulte bebida refrigerante apta ao consumo imediato. “MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO GABINETE DO MINISTRO Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 14 25 PORTARIA Nº. 544, DE 16 DE NOVEMBRO DE 1998. O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 159, inciso I, alínea "a" e II do Regulamento da lei n° 8.918, de 14 de julho de 1994, aprovado pelo Decreto n° 2.314, de 4 de setembro de 1997, resolve: Art. 1° Aprovar os Regulamentos Técnicos para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade, para refresco, refrigerante, preparado ou concentrado líquido para refresco ou refrigerante, preparado sólido para refresco, xarope e chá pronto para o consumo, em anexo. Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. FRANCISCO SÉRGIO TURRA” No anexo, que traz, entre outros, o “Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante”, assim estão estabelecidos alguns tópicos de interesse: “1. ALCANCE 1.1. Objetivo: Fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que deverá obedecer o Preparado ou Concentrado Líquido Para Refresco ou Refrigerante. 1.2. Âmbito de Aplicação: O presente Regulamento se aplica ao Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante. 2. DESCRIÇÃO 2.1. Definição 2.1.1. (...) 2.1.2. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante é a bebida que contiver suco de fruta, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...) 2.1.6. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante (sem açúcar) é a bebida que contiver suco, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...)”(g.m.) A IBP, indagada a respeito da composição química da substância PCNAA ou PCNA, informou a existência de segredo industrial e afiançou a respectiva conformidade com o art. 60 do Decreto nº 2.314, de 1997: “DECRETO No 2.314, DE 4 DE SETEMBRO DE 1997. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 26 Regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, DECRETA: Art. 1º Fica aprovado o Regulamento da Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, que com este baixa. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Ficam revogados os Decretos nº 73.267, de 6 de dezembro de 1973, 96.354, de 18 de julho de 1988, e 1.230, de 24 de agosto de 1994. Brasília, 4 de setembro 1997; 176º da Independência e 109º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Arlindo Porto” O referido art. 60 é vazado nos seguintes termos: “Art. 60. Extrato de guaraná é o produto resultante da extração dos princípios ativos da semente de guaraná (gênero Paullinia), com ou sem casca, observados os limites de sua concentração previstos em ato administrativo próprio”. Nada esclarecido: realidade diversa da declarada, escamoteada nos meandros da legislação que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O produto em tela, nas aquisições (469.160 kg), foi contabilizado pela IBP como “preparo composto não alcoólico”. Com uma quebra contabilizada de 340 kg, uma parte da substância (180.950 kg) foi transferida para uma conta de estoque correspondente a “preparado não alcoólico padronizado”, e, sem a mediação de nenhuma operação industrial, outra parcela (174.660 kg) foi vendida a empresas do exterior, OU TAIVER e CINKOLL, por R$ 69,21/kg, em média, sendo as notas fiscais emitidas com o CFOP 7.101, que diz respeito a “venda de produto industrializado para o exterior”; o restante (113.210 kg) permaneceu registrado no estoque até o final do ano de 2004. Com o acréscimo de 649 kg, no total, de xarope de açúcar invertido (gludex) (420 kg), corante de caramelo (49 kg) e de água (180 litros), a maior parte (180.000 kg) da substância “preparado não alcoólico padronizado” foi transferida para a conta de estoque correspondente a “preparo não alcoólico”, que teria sido destinado às empresas PROAD e SWISSFARMA à vista de notas fiscais com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros para exportação) ou CFOP 6.949 (outras saídas não especificadas), com um preço médio de R$ 68,58 por kg. Como se pode observar, tratase de vendas com indiscutível prejuízo: preço médio de R$ 90,00/kg nas compras e de R$ 68,50 nas vendas. A IBP alega que, considerados os créditos nas aquisições, haveria um lucro operacional bruto na faixa de 5%. Os ingredientes “gludex” e corante de caramelo são normalmente empregados na padronização de aguardente de cana industrializado pela IBP, o que explicaria a existência de notas fiscais de compra desses aditivos. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 15 27 Uma das supostas fornecedoras da substância para a IBP, a NUVEM DE PRATA, foi pilhada pela Receita Federal de Santos/SP tentando exportar água à guisa de “preparado composto não alcoólico”, com superfaturamento: um composto com diluição em 98% de água, com composição semelhante à dos preparados refrigerantes prontos para consumo, usuais no mercado, mas com o valor declarado em nota fiscal de cerca de R$ 76,92 por litro, bem acima do valor dos preparados existentes no mercado – R$ 1,00 por litro. A pretextada empresa fornecedora STRATUS, instalada em um galpão mal ajambrado, alugado de terceiros, em área degradada de Manaus, dotada de tanques obsoletos e com objetos acomodados no chão (bombonas, caixas, estrados, sacos e latas), preparava o refrigerante de guaraná (PCNAA) por meio de um processo artesanal (agregação de água filtrada e elementos químicos a extrato líquido de guaraná) e teria vendido à IBP, de junho de 2003 a novembro de 2004, 385.860 kg de PCNAA, no valor de R$ 34.302.954,00. Cerca de 80% do valor das compras teria sido pago no período de 2005 a 2008, sem que a fornecedora tivesse tomado providências de protesto contra a demora, nos termos do relatório deste voto. O extrato de guaraná teria sido adquirido pela STRATUS, de maio de 2003 a agosto de 2004, do produtor rural João Pazini Filho por um preço entre R$ 13,10/L e R$ 33,10/L (sendo o preço de mercado, em 2006, de R$ 1,60/L). O preço médio de venda do PCNAA para a IBP teria sido de R$ 88,90: uma diferença brutal para uma simples adição de água filtrada e elementos químicos. Além do mais, é de clareza hialina que o refrigerante de guaraná (PCNAA) vendido pela STRATUS, pronto para consumo em máquinas adequadas (“postmix” ou “prémix”), prescindiria totalmente de uma etapa intermediária, representada pela IBP, na qual seria produzido um “concentrado” especial com uma quantidade de água maior que a do extrato de guaraná, mas menor que a quantidade presente no produto final. Em 2 anos, somente com esse processo rudimentar, a STRATUS teria faturado R$ 247.000.000,00. São os seguintes os valores, de compras e de vendas de extrato de guaraná, respectivamente, declarados em DIPJ, pela STRATUS e por João Pazini: a) ano calendário de 2003: R$ 18.876.951,20 e R$ 376.949,83; b) anocalendário de 2004: R$ 11.425.840,64 e R$ 935.587,80. Diferenças avassaladoras, tendo sido o produtor rural João Pazini Filho o único fornecedor de extrato de guaraná da STRATUS em 2003 e o segundo maior em 2004. Em 2003, João Pazini Filho emitiu notas fiscais para a STRATUS no total de 58.411 kg de extrato de guaraná, o que representaria uma produção de PCNAA pela STRATUS de 292.055 kg (sendo utilizado o extrato de guaraná na proporção 1 : 5), contudo, a produção as STRATUS sustentada pela documentação fiscal emitida teria sido de 405.762 kg de PCNAA; no ano de 2004, a STRATUS vendeu 1.142.973 kg de PCNAA, ao passo que teria condições de vender apenas 404.600 kg à luz das aquisições documentadas de extrato de guaraná. A principal fornecedora do extrato de guaraná para a STRATUS em 2004, JRFF Comércio e Indústria Ltda., com R$ 24.187.075,19 em vendas, conforme o relatório, declarou inatividade no tocante ao anocalendário de 2004, com ausência de empregados ou autônomos a serviço em 2004 e com movimentação financeira desprezível no mesmo ano. Essa empresa, instalada em exíguo espaço, segundo diligência aludida pelo Fisco Estadual, teria permanecido com as portas fechadas durante todo o período de pagamento da locação do imóvel. A empresa transportadora, PB Transportes Ltda., incumbida dos fretes nas vendas para a IBP, segundo declaração prestada pela pessoa responsável pela Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 28 respectiva contabilidade, não teria operado nos anos de 2003 e 2004. Com efeito, a despeito de que a aludida empresa tivesse efetuado o transporte de meia tonelada de PCNAA de Manaus até Rio das Pedras, SP, sede da IBP, não teve movimento em 2003 e declarou inatividade para o ano de 2004 e possuía apenas um empregado registrado de junho de 2004 a janeiro de 2005. Outra suposta fornecedora, a COEMA, com sede em Paulínia, SP, tinha como CNAEFiscal, no cadastro do sistema de processamento de dados relativo ao CNPJ da Receita Federal, o código 5154399, referente a “comércio atacadista de produtos químicos”, isto é, nada a ver com a atividade de comércio atacadista de bebidas: 46354. A COEMA teria vendido à IBP, de fevereiro a agosto de 2003, 63.300 kg de PCNA “Coema”, no valor de R$ 6.140.500,00, por um preço médio de R$ 97,01/kg, à vista de notas fiscais com IPI destacado no importe de R$ 1.657.935,00. Cerca de 60% do valor das compras teria permanecido sem pagamento no período de 2004 e 2007, sendo que, repentinamente, em março de 2007 teria sido quitada a dívida de R$ 4.549.553,30, conforme os registros contábeis da IBP. Todavia, apesar dos pagamentos parciais que teriam sido realizados de maio de 2003 a abril de 2004, a conta corrente do Banco Banespa teria sido movimentada somente até 2004, e, mesmo para o ano de 2004, com uma quitação no montante de R$ 589.051,44 de dívida com a IBP, a movimentação financeira teria sido de R$ 509.492,32. Com apenas um pagamento registrado de R$ 3.600,00 em fevereiro de 2003, conforme o relatório, a empresa ADAGA Transportes Ltda. teria efetuado os fretes para a IBP em prazos incompatíveis com a distância das cidades (Paulínia a Rio das Pedras, em SP: 100 km): 6 a 25 dias. A empresa, inativa em 2003, conforme DIPJ, não teria tido movimento desde 2002, nos termos do depoimento prestado pelo respectivo sócio. Mais outra empresa fornecedora, a NUVEM DE PRATA, de Botucatu, SP, foi declarada INAPTA, por inexistência de fato, em procedimento que culminou no Ato Declaratório Executivo nº 25, de 11/02/2007 (fl. 909), com efeitos operantes quanto aos fatos ocorridos desde 01/01/2003, sendo que, supostamente, teria vendido à IBP, de 25 a 28 de agosto de 2003, 20.000 kg de “Concentrado Não Alcoólico Nuvem de Prata – CNANP”, no importe de R$ 1.941.600, com preço médio de R$ 97,08 e IPI destacado nas notas fiscais de R$ 524.232,00. As informações quanto ao pagamento pelas aquisições (apenas pouco mais de 30% do montante quitado), frete, DIPJ, remuneração de empregados ou autônomos, além de flagrante de superfaturamento de exportação realizado pela Alfândega de Santos, estão no relatório deste voto, sendo suficiente a declaração de inaptidão retroativa a janeiro de 2003 para a empresa em comentário ser reputada como “de fachada”. Todas as pretensas empresas fornecedoras do preparado ou concentrado não alcoólico, STRATUS, COEMA e NUVEM DE PRATA, têm como sócios alguém da família Hadad (Miguel Haddad, Antonio José Hadade Neto e Wady Hadad Neto), desconsideradas as diferenças de grafia. Uma das empresas que teria adquirido a substância revendida pela IBP, a SWISSFARMA, de Anápolis, GO, tem como CNAEFiscal o código 211060, concernente a “fabricação de produtos farmoquímicos”, e foi declarada INAPTA por inexistência de fato (Ato Declaratório Executivo nº 09, de 17/04/2008). A aquisição de 60.000 kg da substância “preparo não alcoólico”, no valor de R$ 4.114.800,00, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI nas notas fiscais emitidas com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 16 29 terceiros, com o fim de exportação” (vendas feitas em dezembro de 2004, com vencimento para abril de 2005, mas com os efetivos pagamentos efetuados somente de novembro de 2005 a maio de 2006, sem o protesto da credora). O detalhe é que a movimentação financeira registrada para a SWISSFARMA durante todo o ano de 2004 foi de R$ 4.534.056,86. A outra suposta empresa destinatária do “preparo não alcoólico”, a PROAD, com sede em Vitória, ES, tem atualmente a situação cadastral suspensa e o CNAE Fiscal como 5102600, referente a “comércio atacadista de mercadorias não especificadas anteriormente”. 120.000 kg adquiridos da IBP, no montante de R$ 8.229.600, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI, tampouco, nas notas fiscais emitidas também com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação” (vendas feitas de setembro a novembro de 2004, com o recebimento referente a apenas menos da metade do total em 2005 e 2006, com o restante sem quitação até agora, sem o protesto da credora, a IBP). Na DIPJ de 2004, apenas o registro da aquisição de R$ 1.982.240,00 da substância e sem registro de empregados ou autônomos no ano de interesse. Em 03/07/2003, a IBP teria exportado 23. 460 kg da substância PCNA para a empresa OU TAIVER, domiciliada na Estônia, com a emissão de uma nota fiscal no importe de R$ 1.579.475,00, com vencimento em 04/07/2003. Conforme o relatório, quase um ano depois foi recebido menos de um terço do valor e, em 2006, três anos depois da venda, menos de dois terços do valor da transação, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Como comprovantes, foram exibidos pela IBP contratos de câmbio no montante de R$ 317.263,11 celebrados três anos após a venda! A mercadoria supostamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à idêntica conta contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA: vale dizer, teria havido revenda e não industrialização. Custo unitário na venda (exportação): R$ 67,32; custo unitário das aquisições do “produto” das empresas COEMA e STRATUS (fevereiro a julho de 2003): R$ 93,42; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 600.000,00. De setembro de 2003 a janeiro de 2004, a IBP teria exportado 151.200 kg da substância PCNA para a empresa CINKOLL, domiciliada no Uruguai, com a emissão de nove notas fiscais no montante total de R$ 10.508.664,00, com último vencimento em 22/07/2004. De dezembro de 2003 a julho de 2006, foi recebido cerca de 80% do valor, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Tendo ocorrido o último embarque em 28/01/2004, à guisa de comprovantes foram apresentados pela IBP contratos de câmbio, sendo o último de 12/07/2006. Da mesma forma, a mercadoria pretensamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à mesma rubrica contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA: ora, também, teria ocorrido revenda e não industrialização. Custo unitário nas vendas (exportações): R$ 69,50; custo unitário das aquisições do “produto” da empresa STRATUS: R$ 88,90; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 3.000.000,00. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 30 Instada a esclarecer a razão para a apropriação dos créditos, a empresa invocou a isenção prevista no Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, no tocante às aquisições da STRATUS. Quanto aos fornecimentos de NUVEM DE PRATA e COEMA, foi suscitado o Decretolei nº 1.894, de 16 de dezembro de 1981, art. 1º, I, sendo que o direito ao crédito assegurado por este ato teria sido restabelecido pela Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, III. Até 18/09/2004, a IBP teria revendido diretamente, sem o acréscimo dos ingredientes (gludex e corante de caramelo), ou seja, sem o singelo “processo industrial”, 174.660 kg de PCNA com o direito ao crédito pelas entradas estribado no Decretolei nº 1.894, de 1981; subsequentemente, até 15/12/2004, período em que teria acontecido o “processo produtivo”, as vendas foram promovidas com as notas fiscais emitidas sob o código CFOP 6.502, correspondente a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”, e com o direito ao crédito pelas aquisições arrimado no Decretolei nº 1.435, de 1975. Vale dizer, em todos os períodos teria havido simples revenda. Nos termos da resposta ao termo de intimação de fl. 99, as supostas vendas de PCNAA da STRATUS para a IBP teriam acontecido de junho de 2003 a novembro de 2004, com a invocação da isenção do Decretolei nº 1.435, de 1975; já, as vendas de PCNA da COEMA para a IBP teriam sido promovidas de fevereiro a agosto de 2003; e, por fim, as vendas do “concentrado” não alcoólico” da NUVEM DE PRATA para a imputada: agosto de 2003. Em ambos os últimos casos foi indicado o Decretolei nº 1.894, de 1981. Ora, as vendas do PCNA sem “industrialização” teriam ocorrido, até 18/09/2004, com o direito ao crédito nas entradas amparado no Decretolei nº 1.894, de 1981; posteriormente, até 15/12/2004, as vendas do PCNA submetido ao “processo industrial” teriam sido efetuadas com esteio no Decretolei nº 1.435, de 1975, quanto ao direito ao aproveitamento do crédito pelas aquisições do insumo. Há uma discrepância ululante nesses dados: compras de “produto” de junho de 2003 a novembro de 2004 da STRATUS com o direito ao crédito vinculado a vendas realizadas de setembro a dezembro de 2004 de um “produto” que teria sofrido “processo industrial”, mas com notas fiscais emitidas com CFOP relativo a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”; e compras de “produto”, de 03/02/2003 a 20/08/2003 de 2003, da COEMA, e, de 25 a 28/08/2003, da NUVEM DE PRATA, com o direito ao crédito jungido às vendas efetuadas de julho de 2003 a setembro de 2004. Em resumo: vendas pela IBP do “produto” submetido a “processo industrial”, de 19/09/2004 a 15/12/2004, com toneladas do “insumo” principal (PCNAA) adquirido da STRATUS desde junho de 2003 (mais de um ano antes !), com o necessário armazenamento; revenda pela IBP, sob a denominação de PCNA, até 18/09/2004, do “preparado não alcoólico” ou “concentrado não alcoólico” adquiridos, também às toneladas, da COEMA e da NUVEM DE PRATA, somente até 28/08/2003 (também mais de uma ano antes!), igualmente com os imprescindíveis e adequados acondicionamento, estocagem e refrigeração de composto que seria bebida refrigerante pronta para o consumo (por período superior a um ano). Ora, diante dessa verdadeiro avalanche de informações detalhadamente coletadas pela Fiscalização, criteriosamente examinadas, conformandose em um robusto quadro de elementos indiciários cuja dissociação remete ao inimaginável, não há como acolher as reclamações contidas no Recurso Voluntário no sentido de que “o dolo não se presume”, ou que não haja nos autos “além de meras suposições fantasiosas do fisco”. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 17 31 De fato, tenho, neste ponto, que me filiar ao pensamento reproduzido na decisão recorrida de que “a impugnante não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa” , deixando “passar in albis a oportunidade para a ampla defesa representada pela apresentação da peça impugnatória”. O mesmo se diga em relação ao Recurso Voluntário. Neste mesmo diapasão devem ser consideradas as alegações tendentes a demonstrar que a análise laboratorial que prestouse à identificação do produto na autuação procedida pelo Fisco Estadual tenha sido feita com produto fora do prazo de validade. Tratase de uma questão acessória em um cenário repleto de elementos dando conta de operações simuladas com o fito aproveitamento de créditos de IPI de forma fraudulenta. Fosse constatado qualquer equívoco nas informações técnicas oferecidas pelo laudo pericial e isso não haveria de ter nenhum efeito na decisão final da lide. Dito isso manifesto aqui, desde logo, a desnecessidade de realização de qualquer tipo de perícia técnica com vistas a melhor instrução processual. Não será demais relembrar as informações contidas no auto de infração acerca do assunto. A autuada recebeu amostras testemunhas , mas não se interessou em providenciar análises laboratoriais que pudessem afastar os resultados obtidos pelos exames procedidos pelo fisco. (...) A defesa não apresentou sequer um documento, laudo ou parecer técnico que pudesse fundamentar sua pretensão de desqualificar as análises laboratoriais promovidas pelo fisco. Melhor sorte não assiste à recorrente ao adentrar à discussão de mérito. Embora a detida análise dos preceitos constitucionais nos quais baseiase o sistema de apuração nãocumulativo de tributos, assim como as duras críticas aos comentários contidos na decisão recorrida, o fato é que não se discute nos autos se o sistema em si e os preceitos constitucionais estão principalmente destinados ao legislador ordinário ou a todos operadores do direito indistintamente. O que importa é que, nas circunstâncias descritas no auto de infração, não há como admitir que as operações que deram direito ao crédito e a sua correspondente contabilização tenhamse dado de forma regular e lícita, razão pela qual não podem tais lançamentos serem admitidos e, por conseguinte, devem ser objeto de glosa e constituição em auto de infração como de fato foi feito. A recorrente contesta a decisão pela inidoneidade de documentos emitidos pelos fornecedores lastreadas em Atos Declaratórios Executivos de efeitos projetados a fatos pretéritos, contudo a Instrução Normativa RFB 748/2007 é taxativa, em seu artigo 48, parágrafo 4º, em relação à admissibilidade de que os documentos sejam considerados inidôneos anteriormente às datas fixadas na norma. Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 32 I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e III na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarse á ao pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Quanto aos protestos de que “salta aos olhos a ausência de imparcialidade da autoridade julgadora de primeira instância, à medida que, sem qualquer pudor, tenta ludibriar esta Corte. Os trechos colacionados revelam inequivocamente que o argumento de não internação das mercadorias é cristalinamente falso”, elementar compreender que a Delegacia de Julgamento foi precisa em esclarecer que não se trata de afirmar que o insumo nunca tenha existido. Tanto existe que dele foi colhida uma amostra com vistas à elaboração do contestado Laudo Pericial. Ao afirmar que “Nenhures, nos autos, há qualquer menção da impugnante à comprovação das internações de insumos mediante páginas ou fichas do precitado livro de registro, nem mediante a apresentação de conhecimentos de transporte, apesar de instada a assim fazer (termo de intimação – itens 9 e 10 – e resposta de fls. 283/294)”, a Delegacia faz referência à ausência de provas da efetiva internação e utilização do insumo nas quantidades informadas. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 18 33 Quanto a isso, de se repetir que a Recorrente mais uma vez não fez qualquer esforço com vistas a reformulação do entendimento manifesto em primeira instância. Tampouco vejo como considerar que a ação da autuada não esteja enquadrada na definição de circunstância qualificativa contida na legislação de regência. A Lei 4.502/64 conceitua a sonegação como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Não restam dúvidas, no caso concreto, que circunstâncias materiais do fato gerador do tributo foram dolosamente modificadas. Pelo exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES arguidas e, no mérito, POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de abril de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.000178/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao
próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação.
Hipótese em que o recorrente demonstrou ter declarado as despesas médicas erroneamente como despesas de instrução, e teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o recorrente demonstrou ter declarado as despesas médicas erroneamente como despesas de instrução, e teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19679.000178/2005-29
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5027874
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.517
nome_arquivo_s : 210101517_19679000178200529_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Jose Evande Carvalho Araújo
nome_arquivo_pdf_s : 19679000178200529_5027874.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4750272
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358971785216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 68 1 67 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.000178/200529 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.517 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO GRANIZO LOPEZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o recorrente demonstrou ter declarado as despesas médicas erroneamente como despesas de instrução, e teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Eivanice Canário da Silva (Suplente). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 7, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para glosar despesas com instrução, cancelando o Imposto a Restituir de R$1.576,02 e formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.717,58, acrescido de multa e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 13), que “houve erro de preenchimento na sua declaração, já que informou o valor total das despesas médicas a serem deduzidas (R$ 30.158,57), no campo referente a despesas com instrução”, “que não houve nenhuma despesa com instrução e que o valor total declarado naquele campo confere com a soma dos pagamentos informados na Relação de Pagamentos da citada Declaração.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, pois o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem as despesas médicas deduzidas, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 12 a 15): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 70 3 relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 7/10/2009 (fl. 18v), o contribuinte apresentou, em 23/10/2009, o recurso de fls. 21 a 66, onde afirmou: a) que, quando da entrega da sua solicitação de revisão de lançamento, em janeiro de 2005, não foi informado da necessidade de anexar documentos, tendo sido orientado a aguardar eventuais exigências adicionais da comissão que julgaria o caso; b) que traz agora os documentos comprobatórios das despesas médicas; c) que a maioria das despesas médicas se refere à assistência dada a sua esposa Aparecida da Silva Granizo, que é sua dependente; d) que não dispunha de comprovação do valor de R$ 7.000,00 pago ao Dr. Henrique Guedes. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 67, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte deduziu, em sua declaração de ajuste do exercício de 2004 (fls. 3 a 4v), R$ 30.158,57 de despesas com instrução, que foram glosadas por superar o limite legal. A impugnação esclarece que as deduções se referem a despesas médicas, fato apontado na declaração com uma seta indicativa. O julgador a quo aceitou as explicações, mas não admitiu a dedução por falta de apresentação de documentos comprobatórios. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 71 4 No voluntário, o sujeito passivo esclarece que não tinha apresentado documentos anteriormente por ter sido orientado a aguardar exigências adicionais, e acosta a documentação comprobatória. Inicio por admitir as novas provas apresentadas no recurso. Penso que, nas fiscalizações de pessoas físicas, em regra sem formação jurídica e contábil, devese mitigar um pouco o rigor do direito processual, e flexibilizar o direito à produção de provas. E, no caso, vêse que o sujeito passivo efetivamente informou as despesas médicas na relação de pagamentos efetuados, preenchendo o campo errado na planilha de cálculo da declaração, que informou o fato em sua impugnação, e que apresentou os documentos com base no exigido pelo julgamento recorrido. O recorrente pleiteia a dedução das seguintes despesas médicas: BENEFICIÁRIO VALOR PLANO DE SAÚDE SAMCIL 4.390,60 CONVÊNIO IESP x SAMCIL HOLLERITHE 1.604,33 HOSPITAL SÍRIOLIBANÊS 16.033,64 CLÍNICA DR.CÂNDIDO E DR.MAURÍCIO S/C LTDA. 700 DR. OMAR E. BOTTER 150 DR. HENRIQUE J. GUEDES 280 23.158,57 Todas essas despesas haviam sido informadas na declaração de ajuste (fl. 3 v), que informava ainda um pagamento ao Dr. Henrique Guedes no valor de R$7.000,00, que o contribuinte afirma não possuir comprovação. Acrescentese que a Sra. Aparecida da Silva Granizo, CPF no 165.912.468 94, foi declarada como dependente nesse anocalendário. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 72 5 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. No caso em tela, resta verificar se os documentos apresentados servem para comprovar as deduções pleiteadas, o que se faz a seguir. a) PLANO DE SAÚDE SAMCIL – R$4.390,60: Valor comprovado pelos boletos de pagamento a PRO SAUDE ASSISTENCIA MEDICA (SAMCIL), em nome de Aparecida da Silva Granizo (fls. 23 a 33), que correspondem a dez parcelas de R$395,81 e uma de R$432,50, totalizando R$ 4.390,60. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 73 6 b) CONVÊNIO IESP x SAMCIL HOLLERITHE – R$1.604,33: Valor correspondente às rubricas “Seguro Saúde” nos contracheques do contribuinte (fls. 34 a 39), correspondentes a onze parcelas de R$116,73 e uma de R$320,30, totalizando R$ 1604,33. c) HOSPITAL SÍRIOLIBANÊS – R$16.033,64: Valor comprovado com os recibos e notas fiscais de fls. 40 a 62, que demonstram pagamentos de R$1.323,16, R$6.000,00, R$4.290,38, R$77,37, R$77,37, R$41,99, R$41,99, R$3.660,86 e R$520,52, efetuados nos meses de novembro e dezembro de 2003, totalizando R$ 16.033,64, sendo beneficiária a Sra. Aparecida da Silva Granizo. d) CLÍNICA DR.CÂNDIDO E DR.MAURÍCIO S/C LTDA – R$700,00: Valor comprovado pelos recibos de fls. 63 a 64, totalizando R$700,00. e) DR. OMAR E. BOTTER – R$150,00 Valor comprovado pelo recibo de fl. 65. f) DR. HENRIQUE J. GUEDES – R$280,00 Valor comprovado pelo recibo de fl. 66. g) DR. HENRIQUE J. GUEDES R$7.000,00 Valor sem comprovação. Desta forma, restam comprovadas despesas médicas que totalizam R$23.158,57. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917102/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/03/2002
COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO.
Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos
referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal
tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que
tenha transitado em julgado a respectiva decisão.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO.
IMPOSSIBILIDADE.
É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar
tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de
inconstitucionalidade.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 15/03/2002
SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins
relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões
regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2002 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15374.917102/2008-51
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4831004
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.457
nome_arquivo_s : 330201457_15374917102200851_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 15374917102200851_4831004.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4749684
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359020019712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 89 1 88 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917102/200851 Recurso nº 909.222 Voluntário Acórdão nº 330201.457 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria Cofins Declaração de Compensação Recorrente JOÃO MAURÍCIO DE ARAÚJO PINHO CONS. E ADVOGADOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2002 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 50 a 57) apresentado em 15 de abril de 2009 contra o Acórdão no 1333.441, de 16 de fevereiro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 43 a 46), cientificado em 07 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de 15 de março de 2002, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins, prevista no inciso II do art. 6º da LC 70/1991, foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430/1996. RECOLHIMENTO DEVIDO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo sido constatadas a correção do recolhimento efetuado e a inexistência de crédito em relação a esse pagamento, não há que se reconhecer o direito da interessada ao pretenso crédito. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 29 de outubro de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917102/200851 Acórdão n.º 330201.457 S3C3T2 Fl. 90 3 Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 13090.65742.291004.1.3.04 0642, em 29/10/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/2/2002, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (cód. 2172), atinente ao período de apuração 1/2002 no valor original de R$ 58.946.386, com débito de CSLL(23721) referente ao período de 3º trim./2004, no valor original de R$ 85.185,96. 2. Por meio do Despacho Decisório nº 781147056, emitido eletronicamente (fl. 9), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 25/08/2008 (fl.9), a Interessada, inconformada, ingressou, em 11/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 12, na qual alega, em síntese, que: 3.1 O presente processo objetiva compelir o suplicante ao pagamento de crédito fiscal já compensado; 3.2 O despacho decisório considera que o pedido deve ser indeferindo diante da existência de crédito; 3.3 O pagamento referente a este processo já foi realizado em DARF anexo; 3.4 Qualquer impugnação ao crédito conforme art. 150, § 4º do CTN só poderia ser realizada até 2006. Por conseguinte, o pagamento se tornou definitivo em razão da decadência; 3.5 Como este foi o único fundamento para o indeferimento do pedido de compensação e a suplicante junta em anexo o comprovante do DARF respectivo, a decisão recorrida tem de ser revista para que se dê o pagamento como realizado, até porque é impossível contestálo, quer materialmente em função da comprovação do recolhimento, quer juridicamente em função da decadência; 3.6 O pagamento se refere à Cofins. Segundo o enunciado da Súmula 276 do STJ, em 14.05.2003: “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da cobrança para o financiamento da seguridade social (Cofins), independente do regime tributário adotado. Com base na súmula todas as sociedades civis de profissões regulamentadas poderão buscar direito de não pagar a Cofins e pedir restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente a partir de 1996”; 3.7 Como a suplicante se enquadra exatamente nas condições referidas na aludida decisão, o pagamento reputase indevido e o crédito apurado pode ser usado para quitação de tributos por compensação, como ocorreu; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 3.8 Ressalta, porém, que este ponto não foi levantado para fundamentar o indeferimento do pedido de compensação, que é discutido e aponta apenas a inexistência do pagamento feito; 4. Por estas razões, a suplicante está certa de que a questão será melhor examinada e a decisão recorrida reformada. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. No recurso, inicialmente a Interessada alegou haver ocorrido homologação tácita. Acrescentou que, quando houve o pagamento, vigorava a Súmula STJ n. 276, segundo a qual “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS irrelevante o regime tributário adotado”. Citou, ainda, os arts. 100 e 144 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que não se trata de auto de infração, mas de não homologação de compensação. Ainda assim, segundo dispõe o art. 74, § 5º, da Lei n. 9.430, de 1996, o prazo de homologação tácita é de cinco anos, contados da transmissão da declaração: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso, conforme esclarecido no relatório, a declaração de compensação foi transmitida em 03 de fevereiro de 2004 e o despacho decisório foi exarado em 09 de maio de 2008, dentro do prazo legal. O equívoco da Interessada foi considerar como termo de início do prazo a data de recolhimento da contribuição, o que não se coaduna com a lei. Quanto ao mérito, sua pretensão esbarra em outra questão, que se inicia pela não aplicação ao presente caso da disposição do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf Ricarf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917102/200851 Acórdão n.º 330201.457 S3C3T2 Fl. 91 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em relação a tal matéria, a Portaria Carf n. 1, de 2012, esclareceu que somente caberia o sobrestamento de processos administrativos, nos casos de o STF houver determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários: Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. No caso dos autos, voltando à análise da isenção, a repercussão geral da matéria foi decidida no RE n. 575.093 (STF, < http://www.stf.jus.br/ portal/ diarioJustica/ verDiarioProcesso.asp? numDj =92&dataPublicacaoDj =23/05/2008 &incidente =3747060 &codCapitulo =2&numMateria =12&codMateria =7>, acesso em 03 fev 2012): COFINS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LEI Nº 9.430/96 PROCESSO LEGISLATIVO ISENÇÃO DISCIPLINA MEDIANTE LEI ORDINÁRIA RESERVA DE PLENÁRIO. Possui repercussão geral controvérsia sobre a observância do processo legislativo e do princípio da reserva de Plenário, considerada revogação de isenção por meio de lei ordinária. Entretanto, no referido RE, não foi determinado o sobrestamento dos demais RE que trataram da matéria, de forma que descabe o sobrestamento dos processos administrativos que versem sobre a matéria. Nesse contexto, aplicase, no entanto, o art. 62 do Ricarf e a Súmula Carf n. 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. [...] Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É certo que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse na conclusão de que o regime de apuração do imposto de renda não condicionaria a isenção da Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar n. 70, de 1991, que não fez ressalvas s relativas à isenção. A principal premissa desse entendimento é o fato de que a opção pela forma de tributação não pode alterar a natureza da sociedade civil, à vista do estritamente disposto no art. 1º do Decreto nº 2.397, de 1987. Entretanto, a Lei nº 9.430, de 1996, revogou expressamente a referida isenção. O Superior Tribunal de Justiça posicionou pela impossibilidade de uma lei ordinária revogar disposição instituída por lei complementar, pela suposta existência de hierarquia entre lei complementar e ordinária. No entanto, tratase de questão de natureza constitucional, matéria cuja competência para apreciação é do Supremo Tribunal Federal. De fato, desde a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, de 1993, o STF já havia se posicionado pela inexistência de hierarquia entre lei complementar e ordinária e, mais ainda, pelo entendimento de que a LC nº 70, de 1991, teria natureza material de lei ordinária, podendo, portanto, ser revogada por uma lei formalmente ordinária. No âmbito dos recursos extraordinários 377.457 e 381.964, o Tribunal posicionouse pela constitucionalidade da revogação (DJe241, DIVULG 18122008, PUBLIC 19122008, EMENT VOL0234608, PP01774): EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917102/200851 Acórdão n.º 330201.457 S3C3T2 Fl. 92 7 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Portanto, o entendimento do STF temse firmado em sentido contrário ao do STJ e deve, assim, não há como, administrativamente, considerar que a referida isenção não tenha sido revogada. Nesse contexto, o STJ reviu seu posicionamento anterior, alinhandose ao entendimento do STF, conforme demonstra a ementa a seguir reproduzida (AgRg no Ag 1248980 / DF 2009/02187450, Relator(a): Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 16/08/2011, Data da Publicação/Fonte: DJe 19/08/2011): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. COFINS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. ISENÇÃO. LC N. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ORIENTA NO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 377.457/PR. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO. 1. No tocante à decadência/prescrição do crédito tributário, essa matéria sequer foi objeto de conhecimento pelo Tribunal de origem, o que acarreta a ausência de prequestionamento, conforme o teor do entendimento consubstanciado na Súmula 282/STF. 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 17/9/2008, ao concluir o julgamento do RE 377.4573/PR, decidiu que não existe relação hierárquica entre lei complementar e lei ordinária e que a possibilidade de revogação da isenção concedida pela LC 70/91, por meio da Lei 9.430/96, encerra questão exclusivamente constitucional concernente à distribuição material entre as espécies legais. Na mesma oportunidade, o Pretório Excelso, ponderando preceitos constitucionais relativos à matéria tributária (arts. 195, I, e 239), afirmou que a LC 70/91 é materialmente ordinária. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 3. Considerando que as leis confrontadas (art. 6º, II, da LC 70/91 e art. 56 da Lei 9.430/96) são materialmente ordinárias e ostentam normatização incompatível em si, é de se concluir pela prevalência do diploma mais moderno e, por conseguinte, pela legitimidade da revogação da isenção da Cofins (art. 2º, § 1º, da LICC lex posterior derrogat priori). 4. Agravo regimental não provido. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
