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Numero do processo: 15215.720005/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2011
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA.
A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser exercer a competência para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças ou homologação de acordos trabalhistas.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2011 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA. A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser exercer a competência para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças ou homologação de acordos trabalhistas. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA. A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser exercer a competência para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças ou homologação de acordos trabalhistas. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 00 05 /2 01 2- 56 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720005/201256 Acórdão n.º 2402003.147 S2C4T2 Fl. 458 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 17/01/2012 sobre valores informados em folhas de pagamento dos segurados empregados e contribuintes individuais. Também foram lançadas diferenças de contribuições de GILRAT e autuada a recorrente por não apresentação de documentos, não prestação de esclarecimentos de interesse da fiscalização e incorreções/omissões em GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem JUROS equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, aplicados sobre o valor atualizado. Os juros, equivalentes à taxa SELIC, são aplicáveis ao lançamento por descumprimento de obrigação acessória. Compete privativamente ao Poder Judiciário decidir acerca de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis. ... DEBCAD 51.005.7551 – valor R$ 16.696,00, referente às contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, calculadas sobre os valores pagos a segurados em Reclamatória Trabalhista, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. DEBCAD 51.005.7543 – valor R$ 5.810,32, referente às contribuições sociais dos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme Relatório Fiscal, a Prefeitura deixou de apresentar no prazo estipulado no Termo de Intimação Fiscal 002, de 4/1/2012, os processos trabalhistas e/ou cível solicitados para verificação de incidência de contribuição previdenciária. Assim, foram considerados como base de cálculo, os valores totais pagos aos exequentes informados nos documentos encaminhadas à Receita Federal do Brasil pelo Juízo da Comarca de Galilea – MG _ Planilha 002, utilizando como competência para os fatos geradores o mês do depósito efetuado pelo Banco ao exequente. Obrigação acessória: DEBCAD 51.005.7527 (CFL 35) – não apresentação dos processos judiciais movidos contra o INSS, SRP ou RFB Fl. 459DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal, de 23/11/2011, e nos Termos de Intimação Fiscal 001 e 002, de 24/11/2011 e 04/1/2012, bem como não apresentação de declaração sobre a impossibilidade de apresentação ou inexistência dos mesmos. Infringência: Lei 8.212/1991, artigo 32, inciso III e § 11, com a redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. DEBCAD 51.005.7535 (CFL 38) – não apresentação da memória de cálculo e informações adicionais sobre as compensações efetuadas e cópia dos processos trabalhistas, indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Infringência: Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 2º e 3º, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DEBCAD 51.005.7519 (CFL 78 – competências 01/2006 a 12/2006 e 01/2007) – A empresa apresentou GFIP com incorreções ou omissões relacionadas a fato gerador de contribuição previdenciária e recolhidas ou não relacionadas a fato gerador. ... Informa ainda a fiscalização no tocante à alíquota RAT que o Município declarou incorretamente, em suas GFIPs, o código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. O enquadramento correto é o da Administração Pública em geral 84.11/600, correspondente à alíquta de 2%, sendo que o declarado pelo autuado foi 75.11/6 (alíquota 1%), gerando diferença de contribuição a recolher. ... O contribuinte não impugna o lançamento fiscal, questionando tão somente a aplicação dos juros com base na taxa SELIC. Entende ser inconstitucional e ilegal a aplicação da taxa SELIC nos autos de infração. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Faz ampla explanação sobre juros moratórios, taxa SELIC, cita os artigos 146 e 150, inciso I, da Constituição Federal, 161, § 1º, do CTN, para concluir que a matéria relativa a juro moratório é reservada à Lei Complementar e que a aplicação da taxa SELIC aos débitos fiscais é inconstitucional e ilegal. Alega que o Código Tributário Nacional não veda a mera atualização do tributo, desde que o critério atualizador esteja previsto em lei, o mesmo ocorrendo com os juros de mora, que, na ausência de lei em sentido contrário, devese ater à taxa de 1% ao mês. Diz que a SELIC é uma taxa de remuneração de capital investido. Quando o contribuinte deixa de recolher impostos e contribuições é obrigação do Fisco efetuar o lançamento e não Fl. 460DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720005/201256 Acórdão n.º 2402003.147 S2C4T2 Fl. 459 5 agir como agente financeiro e cobrar juros. Elabora à fl. 410, quadro comparativo, calculando sobre uma dívida de R$100,00 a aplicação de juros de 1% am. versus taxa SELIC, deduzindo pela evidência da natureza remuneratória da taxa SELIC, que tem o fim de recompensar o investidor que se dispõe a aplicar em títulos públicos com o ânimo de obter lucro, fim que não se compatibiliza com a atividade estatal de cobrar tributo. É o Relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 462DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720005/201256 Acórdão n.º 2402003.147 S2C4T2 Fl. 460 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As folhas de pagamentos e escrituração contábil foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no Fl. 463DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Quanto às diferenças de contribuintes ao GILRAT, o lançamento explicita os critérios para apuração da atividade preponderante e a recorrente também não se insurge contra a cobrança. Também se resigna quanto ao mérito dos demais fatos geradores. Entretanto, no que refere às reclamatórias trabalhistas, embora não alegado pelo recorrente, entendo que o lançamento contraria a regra de competência, devendo a matéria ser conhecida de ofício. O que passo a fazêlo. Antes de quaisquer das demais questões, fazse necessário o exame da competência para constituição e cobrança de créditos relativos às contribuições previdenciárias que decorram de sentenças ou homologação de acordos na Justiça do Trabalho. A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser competente para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças, verbis: Constituição Federal: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). ... VIII. a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). A reconhecimento de vínculos empregatícios ou de direitos a parcelas remuneratórias tem repercussão tributária – são devidas contribuições previdenciárias sobre as remunerações. Antes da EC nº 20/98, A fiscalização comparecia às Varas da Justiça do Trabalho para realizar os lançamentos tributários, mas desde então a competência passou a ser exercida com exclusividade pelos juízes do trabalho. O eventual não exercício da competência pela Justiça do Trabalho, inclusive conferida pela própria Constituição Federal, não a defere para outro órgão, sendo improcedente a parte do lançamento que constitui crédito sobre as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. SELIC Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : Fl. 464DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720005/201256 Acórdão n.º 2402003.147 S2C4T2 Fl. 461 9 ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de Fl. 465DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos como devidas as contribuições, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 466DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13894.000167/98-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992, 1993
SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. REGRAS APLICÁVEIS.
O direito à restituição e compensação do saldo negativo nasce do mesmo arcabouço jurídico autorizador da restituição de qualquer outro crédito tributário administrado pela Secretaria da Receita Federal e, por isso, o prazo para a restituição do Saldo Negativo deve seguir as mesmas regras de restituição de qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, proferido no julgamento do RE 566.621, analisado sob a sistemática da repercussão geral, ao pedido de restituição, nos casos de recolhimento indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve ser aplicado o prazo de cinco anos, contados a partir da homologação tácita do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-001.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Susy Gomes Hoffmann, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado) e Valmir Sandri.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. REGRAS APLICÁVEIS. O direito à restituição e compensação do saldo negativo nasce do mesmo arcabouço jurídico autorizador da restituição de qualquer outro crédito tributário administrado pela Secretaria da Receita Federal e, por isso, o prazo para a restituição do Saldo Negativo deve seguir as mesmas regras de restituição de qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, proferido no julgamento do RE 566.621, analisado sob a sistemática da repercussão geral, ao pedido de restituição, nos casos de recolhimento indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve ser aplicado o prazo de cinco anos, contados a partir da homologação tácita do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 01 67 /9 8- 19 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Susy Gomes Hoffmann, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado) e Valmir Sandri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte (fls. 614/631) com fundamento no artigo 67, do anexo II, do Regimento Interno Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF 256/09 e alterado pela portaria MF 446/09. O presente processo cuida de pedido de restituição/compensação de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ dos anos calendário de 1992 a 1994 (fls. 01 a 03), tendo em vista a apuração de prejuízo e a existência de valores de IRRF passíveis de compensação na declaração anual. O pleito foi denegado pela Delegacia da Receita Federal em Guarulhos/SP (fls. 180/182). Ademais, a DRJ manteve o indeferimento (466/477) da restituição em virtude da prescrição que abrangeu o período de 1992 e parte de 1993 (período de janeiro a maio de 1993), porém reconheceu o direito creditório relativo ao restante do ano calendário de 1993 e a totalidade do ano calendário de 1994 (período de junho de 1993 a dezembro de 1994). Quanto ao pedido de compensação, a DRJ considerou alguns débitos, excluindo outros. Apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte, o acórdão proferido n° 10709.621 manteve a decisão da DRJ. Nesse passo, o contribuinte, ora Recorrente, insurgiuse contra o acórdão n° 10709.621 (fls. 599/603), proferido pela Sétima Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário para manter a cobrança dos valores de R$ 2.595,34, R$ 50.402,15 e R$ 6.454,42, por entender que os pedidos de restituição apresentados pelo contribuinte foram apresentados intempestivamente. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992, 1993 RESTITUIÇÃO – IRPJ O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, Fl. 831DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13894.000167/9819 Acórdão n.º 9101001.481 CSRFT1 Fl. 831 3 sujeito a lançamento por homologação, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1° e 4°, do Código Tributário Nacional (CTN).” O Recorrente afirmou que os pedidos de restituição foram tempestivos e trouxe como paradigma o acórdão nº 910100.411 da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que o contribuinte exerça seu direito a restituição nos casos de saldo negativo de IRP.I e CSLL, quando mantido o regime de apuração do lucro real, unia vez que o saldo negativo é apurado e renovado a cada período.” Outrossim, argumentou que não é razoável ou lógico que o prazo para restituição do indébito, no regime de apuração mensal, seja contado a partir de cada mês ou de cada semestre, no caso de a apuração ser semestral, sendo, portanto, impossível considerar como termo a quo para contagem do prazo prescricional, nos casos em que há lançamento por homologação, a data do pagamento ou da retenção do tributo. Nesse passo, afirmou, que somente com encerramento do anocalendário e com a entrega da DIPJ é que o contribuinte passa a ter condições de verificar se apurou lucro ou prejuízo, razão pela qual não merece prosperar o prazo aplicado pelo acórdão recorrido. Pugnou, por fim, o conhecimento e o provimento do Recurso Especial para o cancelamento da autuação fiscal e reconhecimento do direito creditório correspondente ao saldo negativo de IR relativo aos períodos de janeiro a dezembro do ano base de 1992/exercício 1993 e de janeiro a maio do ano base de 1993/exercício 1994. A Recorrida apresentou contrarrazões ao Recurso Especial às fls. 668/672, por meio da qual sustentou que o direito de pleitear a restituição, diante do artigo 168, I, do CTN e da lei complementar 118/05, extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos contados da data do pagamento do tributo. Sustentou, subsidiariamente, que mesmo se considerado pertinente o raciocínio de que a Lei 9.430/96 inaugurou nova sistemática para os pedidos de restituição/compensação de prejuízo fiscal de IRPJ e saldo negativo de CSLL, o fato gerador do saldo negativo dos autos se refere a valores retidos na fonte relativos a aplicações financeiras da empresa nos anoscalendário 1992 a 1994, ou seja, o saldo negativo foi constituído antes da edição da referida lei. Por fim, requereu seja negado provimento ao recurso especial interposto e mantido o acórdão proferido pela câmara a quo. É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de restituição do saldo negativo do imposto de renda dos anoscalendário de 1992 a 1994, formulados em 04/06/1998, no valor total de R$ 332.620,00 (trezentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte mil reais), cumulado com compensação de débitos pleiteada posteriormente, no valor total de R$ 59.451,91(cinqüenta e nove, quatrocentos e cinqüenta e um mil reais e noventa e um centavos). O acórdão recorrido consignou que o prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1° e 4°, do Código Tributário Nacional, por isso, manteve o indeferimento do pedido de restituição em relação ao ano calendário de 1992 e parte de 1993 (janeiro a maio). Assim, o Recurso Especial limitase à discussão quanto ao prazo para se pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ. Esta Câmara vem adotando posicionamento de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, isto porque a sua apuração se dá de maneira dinâmica e pode ser alterada a todo mês ou semestre. Nesse sentido trago o posicionamento consignado no voto do Ilustre Conselheiro Antônio Praga, proferido no Recurso Especial nº 108148.347, que cuidou de caso semelhante ao presente: "Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direto creditório da CSLL apurado no encerramento do anocalendário de 1995, apresentado em 05/12/2001, que segundo a decisão recorrida foi fulminado pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN. O recurso especial da contribuinte está calcado na tese dos "5 + 5" (cinco anos para homologar o lançamento + cinco anos para pleitear a restituição do indébito). Este colegiado nos últimos 2 anos, sedimentou o entendimento no sentido que, rega geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, Fl. 833DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13894.000167/9819 Acórdão n.º 9101001.481 CSRFT1 Fl. 832 5 inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão n° 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1993 a 1997, esta turma da CSRF vem decidindo que o início da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado: Acórdão n°0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRP e CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6º/ RIR.199 ART. 858 § 1º INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Compus o colegiado em ambos os julgamentos e acompanhei os relatores, sendo que os debates centraramse na contagem do prazo para interposição do pleito, a mesma questão ora enfrentada. Todavia, tendo agora a oportunidade de atuar como relator, resolvi analisar outros aspectos que envolvem a matéria. Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos — retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos Fl. 834DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. § 1" 0 imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2° A parcela da base de calculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1 ° e 2° do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3° da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção cio imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6° O imposto devido, apurado na forma do art. 2°, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o ultimo dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2°; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2° O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5º, a partir de 10 de fevereiro ate o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1° não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que devera ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Fl. 835DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13894.000167/9819 Acórdão n.º 9101001.481 CSRFT1 Fl. 833 7 Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2° fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro liquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social — Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1° A obrigação peia retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6° O valor da contribuição social sobre o lucro liquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7° O valor da contribuição para a seguridade social COF1NS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8° O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago.’ Fl. 836DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 8 ‘Instrução Normativa SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL SRF n° 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. 0 imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6° do art. 2° será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2°. §1° A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro liquido com observância das leis comerciais. §2° Considerase lucro real o lucro liquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda. §3° Observado o disposto no §4° do art. 2°, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3° a 60 e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6° e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei n° 9.430, de 1996.’ ‘IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF n°210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2° Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a titulo de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I. cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido Fl. 837DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13894.000167/9819 Acórdão n.º 9101001.481 CSRFT1 Fl. 834 9 previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3° A restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de oficio, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6° Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração.’ Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se manter no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear essa a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 10 Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para afastar a decadência, determinando o retorno do autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte no anocalendário de 1995." Peço vênia para discordar do posicionamento trazido no voto acima. O saldo negativo de IRPJ e da CSLL surge quando o valor das antecipações desses tributos, somados às retenções na fonte, ultrapassam o valor devido dos referidos tributos no momento da apuração do lucro real (IRPJ) ou lucro líquido ajustado (CSLL). Assim, nasce para o contribuinte o direito ao crédito referente ao pagamento a maior realizado antecipadamente. Referido crédito é revestido de liquidez e certeza e, por isso, uma vez findo o exercício, o contribuinte pode buscar sua restituição imediatamente. A liquidez e certeza do crédito confere ao mesmo individualidade, ou seja, identidade. Ele tem nome e endereço: saldo negativo referente ao ano calendário x, no valor de y. Tratálo como parte de um conta corrente que ano a ano vai se renovando, se somando a outros saldos de outros anos e consequentemente se transformando é tirar dele a identidade, é aceitar que ele deixa de ser saldo de referido ano para passar a ser saldo de ano futuro. O Saldo negativo enquanto não restituído não perde sua origem, sua liquidez e certeza; pelo contrário, permanece intacto, apenas sendo diminuído conforme sua compensação parcial. O "conta corrente" que controla o saldo de crédito a ser utilizado serve apenas para controle do saldo existente e não tem o poder de transformar as características do crédito. O Lalur, onde se faz o referido controle, não tem a força da alquimia. Outrossim, o direito à restituição e compensação do saldo negativo nasce do mesmo arcabouço jurídico autorizador da restituição de qualquer outro crédito tributário administrado pela Secretaria da Receita Federal, conforme trazidas pelo acórdão acima. Não consigo encontrar justificativa possível que me autorize não subsumir a restituição/compensação à parte dessas normas que cuidam dos limites temporais. Por fim, a interpretação dada no sentido que o Saldo Negativo se renova a cada período e passa a ser um novo Saldo, cria um direito imprescritível, pois se a cada ano ele passa a ser outro, a eternidade não conseguirá por fim a esse ciclo. Tal conclusão vai de encontro a todo o sistema tributário nacional, pois as normas que regem a tributação impõem limites temporais para o exercício de todos os direitos e deveres no mundo tributário. Há limite temporal tanto para a constituição do crédito quanto para a sua restituição; há prazos para o cumprimento das obrigações acessórias, para o exercício do contraditório e da ampla defesa, para o procedimento administrativo de fiscalização, para a guarda de documentos. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13894.000167/9819 Acórdão n.º 9101001.481 CSRFT1 Fl. 835 11 Admitir a imprescritibilidade no presente caso é criar exceção por interpretação, a qual fere o arcabouço do sistema legal tributário, que elege o limite temporal como pilar para a sustentação da segurança jurídica. Assim, sou pelo entendimento de que o prazo para a restituição do Saldo Negativo segue as mesmas regras para a restituição de qualquer tributo administrado pela Receita Federal. No entanto, no presente caso, o objeto da discussão é o reconhecimento do direito de crédito do contribuinte referente ao saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 1992 e dos meses de janeiro a maio de 1993, cujo pedido de restituição foi protocolado em 04/06/98. Acerca da questão em debate, o Supremo Tribunal Federal enfrentou o tema e decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), submetido à sistemática da repercussão geral, no seguinte sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição do indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata Fl. 840DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 12 às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Portanto, decidiuse na corte suprema que o prazo de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120 dias, da referida lei complementar. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, concluise que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido, findando o mesmo após dez anos. No presente caso, o pedido de restituição foi efetuado em 04 de junho de 1998, cujo objeto era Saldo negativo de 1992 a 1994. Aplicandose o prazo de 5 anos a partir da homologação tácita do pagamento, nos termos da decisão do STF, revelase óbvio que não se encontrava prescrita pretensão do contribuinte à restituição do indébito. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13894.000167/9819 Acórdão n.º 9101001.481 CSRFT1 Fl. 836 13 Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte, e determino o retorno dos autos à DRF de origem para a análise do mérito do pedido de restituição relativo aos anos de 1992 e 1993. É como voto. João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 842DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 11020.915073/2009-22
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 73 /2 00 9- 22 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915073/200922 Acórdão n.º 3803003.748 S3TE03 Fl. 98 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 64 a 83) interposto em decorrência da decisão da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 57 a 60) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 7 a 43) apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada (fls. 1 a 5), nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem (fl. 6). O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 22 de abril de 2009, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado totaliza o valor de R$ 15.571,54. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou, com base no princípio da verdade material, pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, assim como o cancelamento de qualquer cobrança dele advinda, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ausência de fundamentação do despacho decisório e violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte para obter as informações relativas à origem do crédito, tendo ocorrido ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.123/1972; c) o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade; d) a defesa do contribuinte restou prejudicada por desconhecimento das razões da não homologação da compensação; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915073/200922 Acórdão n.º 3803003.748 S3TE03 Fl. 99 3 e) inaplicabilidade da multa em razão do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; f) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, em razão da limitação dada pelo § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se fixam os juros em 1% ao mês, percentual esse passível de redução por lei, mas nunca de ampliação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 1) inocorrência de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o despacho decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, tendo sido observados todos os requisitos formais e materiais para a sua validade; 2) a motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada, tendo sido apontado que o pagamento declarado havia sido localizado, mas que teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para a quitação do débito informado na declaração de compensação; 3) no que tange à multa de ofício e aos juros de mora, por se tratar o presente processo de compensação, a competência das delegacias de julgamento se limita ao julgamento da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, falecendolhes competência para a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa acerca da nulidade do despacho decisório, exceto em relação à multa de ofício e aos juros de mora, estes não mais contestados, e requer a declaração de nulidade da decisão recorrida por violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e por afrontar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, valendose dos mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Por fim requer o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou o provimento do recurso com a consequente homologação da compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915073/200922 Acórdão n.º 3803003.748 S3TE03 Fl. 100 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915073/200922 Acórdão n.º 3803003.748 S3TE03 Fl. 101 5 No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915073/200922 Acórdão n.º 3803003.748 S3TE03 Fl. 102 6 Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915073/200922 Acórdão n.º 3803003.748 S3TE03 Fl. 103 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10283.902684/2008-76
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 173 1 172 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902684/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.536 – 3ª Turma Especial Sessão de 3 de outubro de 2012 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente SONOPRESS RIMO DA AMAZÔNIA IND. E COM. FONOGRÁFICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 26 84 /2 00 8- 76 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902684/200876 Acórdão n.º 1803001.536 S1TE03 Fl. 174 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902684/200876 Acórdão n.º 1803001.536 S1TE03 Fl. 175 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 120verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 15.12.2004, através do qual foi pedida restituição de IRPJ (PA março/2004 lucro real estimativa mensal) no valor original de R$ 51.772,54 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com parte desse crédito (fl. 05). 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. 3. Cientificada em 21.08.2008 (fl. 09) a interessada apresentou, tempestivamente, em 19.09.2008, manifestação de inconformidade (fl. 10/22) na qual, em síntese: a) Afirma que há, no Despacho Decisório, confusão entre os conceitos de pagamento por estimativa e pagamento a maior, sendo que, no seu caso, os recolhimentos das estimativas foram feitos em valor superior ao exigido pela legislação, caracterizando o pagamento a maior; b) Relaciona os recolhimentos feitos ao longo do anocalendário, a título de estimativas mensais, reiterando que o valor a ser restituído não compõe esse rol, tratandose, na verdade, de pagamentos feitos a maior que os apurados a título de estimativa; c) Cita decisão da segunda instância administrativa que vai ao encontro do seu entendimento; d) Como argumento adicional, alega que a autoridade administrativa deveria ter feito o confronto com os valores recolhidos de estimativas e os devidos ao final do período, quando teria verificado a existência de saldo negativo e aproveitado esse valor para compensar, de ofício, os débitos do PER/DCOMP, em vez de considerála não homologada; e) Acrescenta, ainda, que, mantida a não homologação, o débito objeto do PER/DCOMP “não pode mais ser questionado, uma vez que, após o encerramento do anocalendário, somente haveria que se falar em cobrança do valor apurado no ajuste anual”. Cita decisão administrativa nesse sentido; f) Ao final, requer a revisão do Despacho Decisório. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 120): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902684/200876 Acórdão n.º 1803001.536 S1TE03 Fl. 176 4 Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Na vigência das Instruções Normativas SRF nº 460, de 2004, e nº 600, de 2005, os valores pagos a título de estimativa somente poderiam ser utilizados na dedução do imposto devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 03/02/2011 (fls. 124 numeração digital ND), a tempo, em 02/03/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 125ND a 142ND, instruído com os documentos de fls. 143ND a 170ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902684/200876 Acórdão n.º 1803001.536 S1TE03 Fl. 177 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. O Despacho Decisório de fls. 6 não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 6. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 7. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 8. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 9. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902684/200876 Acórdão n.º 1803001.536 S1TE03 Fl. 178 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10980.016120/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1983 a 31/12/1996
RECURSO REPETITIVO E REPERCUSSÃO GERAL. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do Carf.
Numero da decisão: 3402-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bias (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente DAL PAI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1983 a 31/12/1996 CRÉDITOPRÊMIO. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. É de cinco anos da data do efetivo embarque das mercadorias para o exterior o prazo para pleitear o créditoprêmio do IPI previsto no art. 1° do Decreto lei n° 491, de 1969. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1983 a 31/12/1996 RECURSO REPETITIVO E REPERCUSSÃO GERAL. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do Carf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 61 20 /2 00 8- 51 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bias (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) oriundo de operações de exportação realizadas no período de janeiro de 1983 a dezembro de 1996, protocolizado em 13 de novembro de 2008. O pedido foi indeferido e a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO) que, nos termos do Acórdão constante das fls. 53 a 61verso, manteve o indeferimento, em virtude da decadência do direito de pleitear o ressarcimento e por considerar que o benefício fiscal conhecido, no jargão técnico, como créditoprêmio do IPI fora extinto. Foi então apresentado recurso voluntário a este colegiado para alegar, em síntese, que: I – não se aplica ao caso o Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932, pois, por força do art. 146, inc. III, “b”, da Constituição Federal, o prazo decadencial ou prescricional deve ser fixado em lei complementar específica; II – é devida a correção monetária do crédito, tendo em vista que o ressarcimento é espécie do gênero restituição; e III – continua vigente o incentivo fiscal, conforme Resolução do Senado Federal n° 71, de 26 de dezembro de 2005. Ao final, a recorrente solicitou o integral provimento do seu recurso para reformar a decisão da DRJ/RPO e autorizar o ressarcimento pleiteado com a correção monetária. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Carf, devendo, pois, ser conhecido. Inicialmente, registro meu entendimento acerca da competência para apreciação da matéria, à vista das normas de regência do referido créditoprêmio e, para tanto, cumpre inicialmente lembrar que tratase aqui de estímulo à exportação cuja natureza jurídica foi, por algum tempo, objeto de polêmica e o Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10980.016120/200851 Acórdão n.º 3402001.866 S3C4T2 Fl. 324 3 Extraordinário (RE) nº 186.3595, tangenciou a matéria, assim se pronunciando o Ministro Ilmar Galvão: (...) Tratase, portanto, não propriamente de um incentivo fiscal, mas de um créditoprêmio, de natureza financeira, conquanto destinado à compensação do IPI recolhido sobre as vendas internas ou de outros impostos federais, podendo, ainda, ser residualmente pago ao contribuinte em espécie, conforme previsto no art. 3º, §2º,II, letra “b”, do mencionado Regulamento (Decreto nº 64.833/69). (...) E parece que ficou claro, aqui no meu voto, que, na verdade não se trata de um benefício fiscal, não é uma redução ou isenção de imposto, é antes um mero prêmio à exportação. Então, não é o caso de incidência de norma do Código Tributário Nacional, embora o DecretoLei nº 1.724, impropriamente, tenha falado em crédito tributário. (...) (Grifouse) Ocorre que, desde a edição do Decretolei nº 1.722, de 3 de dezembro de 1979, cujo art. 5º procedeu à revogação, a partir de 1º de janeiro de 1980, dos §§ 1º e 2º do art. 1º do Decretolei nº 491, de 1969, que previam formas de aproveitamento do créditoprêmio relacionadas à dedução dos débitos de IPI e a outras formas de utilização, inclusive compensação e ressarcimento, não resta dúvida que ficaram definitivamente afastados os vínculos de natureza tributária que possuía o estímulo em questão, purificandose então sua natureza jurídica que, se antes parecia híbrida, com elementos indicativos da natureza financeira e da natureza tributária, passou a firmarse em sua essência financeira. Assim dispôs o precitado DecretoLei nº 1.722: Art. 1º Os estímulos fiscais previstos nos art. 1º e 5º do Decreto Lei nº 491/69, de 05 de março de 1969, serão utilizados pelo beneficiário na forma, condições e prazo, estabelecidos pelo Poder Executivo. (..) Art. 3º – O §2º, do art. 1º, do DecretoLei nº 1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: §2º O estímulo será reduzido de vinte por cento em 1980, vinte por cento em 1981, vinte por cento em 1982 e de dez por cento até 30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda. (...) Art. 5º Este DecretoLei entrará em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1980, Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 data em que ficarão revogados os parágrafos 1º e 2º do Decreto Lei nº 491, de 05 de março de 1969, o §3º, do art. 1º do Decreto Lei nº 1.456, de 7 de abril de 1976, e demais disposições em contrário. (Grifouse) Conseqüentemente, ficou derrogado todo o art. 3º do Decreto nº 64.833, de 1969, que regulamentava o estímulo em tela, ficando este Decreto totalmente revogado em 25 de abril de 1991, pelo Decreto s/n, publicado no Diário Oficial da União (DOU) do dia 26 daquele mesmo abril. Assim, revogada a matriz legal da utilização do créditoprêmio para dedução do IPI devido e para outras formas de utilização estabelecidas em regulamento, conforme art. 1º, §§ 1º e 2º, do Decretolei nº 491, de 1969, o referido crédito deixou de interferir na apuração e cálculo do IPI e também não mais era passível de ressarcimento ou de restituição, passando a ser aproveitado na forma prevista pela Portaria MF nº 89, de 1º de janeiro de 1981. Tal Portaria espancou de vez as dúvidas sobre a natureza jurídica do estímulo em questão, pois o Senhor Ministro de Estado da Fazenda, com fulcro nas revogações efetuadas pelo Decretolei nº 1.722, de 1979, que, vale lembrar, não foram afetadas pelas declarações de inconstitucionalidade de parte de dispositivos dos DecretosLeis nº 1.724, de 1979, e nº 1.894, de 1981, na referida Portaria, assim determinou: (...) I – O valor do benefício de que trata o artigo 1º, do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, será creditado a favor da empresa em cujo nome se processar a exportação, em estabelecimento bancário. I.1 – O crédito será efetuado à vista de declaração de crédito, cujo modelo será instituído pela Carteira de Comercio Exterior do Banco do Brasil S.A.CACEX, ouvida a Secretaria da Receita Federal. I.2 – Fica vedada a escrituração do benefício fiscal a que se refere este item em livros previstos na legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados. (...) (Grifouse) Notese, pois, que, ademais de se ter eliminado as formas anteriores de utilização do créditoprêmio, que guardavam relação com a administração do IPI, determinando o crédito do valor do estímulo diretamente em estabelecimento bancário, ficou expressamente vedada sua escrituração nos livros próprios do IPI e, assim, afastouse a matéria da esfera de atribuições regimentais da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). De se observar que, nessa nova modalidade de efetivação do créditoprêmio, o crédito no estabelecimento bancário estava subordinado apenas à apresentação da declaração de crédito a que se refere o subitem 1.1 da Portaria MF nº 89, de 1981, transcrito acima, sendo incabível, por óbvio, pois o referido crédito não mantinha mais nenhuma vinculação com apuração e cobrança de tributo, a manifestação da RFB, que seria ouvida apenas por ocasião da instituição da referida declaração pela Cacex. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10980.016120/200851 Acórdão n.º 3402001.866 S3C4T2 Fl. 325 5 Dessa forma, desvinculado o créditoprêmio da escrituração fiscal, sua natureza jurídica, se já não o era, tornouse claramente financeira e sua forma de aproveitamento, salvo pela manifestação na instituição inicial do modelo da declaração de crédito, não mais guardava nenhuma relação com as atribuições da RFB, estando claro que não são o ressarcimento ou a compensação os instrumentos legais para se efetivar o estímulo às exportações aqui focalizado. Por todo o exposto, lembrando que as declarações de inconstitucionalidades relativas ao créditoprêmio somente alcançaram os dispositivos em questão naquilo que implicaram delegação de atribuições legislativas, privativas do legislador e que, portanto, o art. 5º do DecretoLei nº 1.722, de 1979, permaneceu incólume, só se pode concluir que o crédito prêmio do IPI, a partir de abril de 1981, passou a firmarse apenas em sua natureza financeira e processarse por meio de crédito em estabelecimento bancário à vista de declaração de crédito instituída pela Cacex, nos termos das Portarias MF nº 89, de 1981, e nº 292, de 17 de dezembro de 1981, e alterações; não se prevendo trâmite de pedidos do benefício em questão, pelas unidades da RFB. Em face dessas considerações, o que concluo é que a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não caberia conhecer do recurso, por exorbitar sua esfera de competência que, nos termos do art. 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 Regimento Interno do Carf, estaria limitada ao julgamento de recursos de decisões de primeira instância e recurso especial sobre a aplicação de legislação relativa a tributos administrados pela RFB. Todavia, consideranto que posso restar vencida quanto à competência para apreciação do recurso voluntário interposto nestes autos, passo a examinar as rezões recursais apresentadas. Primeiro, sobre a incidência do Decreto n° 20.910, de 1932, é pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que os pleitos que visam ao recebimento de créditoprêmio do IPI não se confundem com os pleitos de repetição de indébito e, sobre aqueles, incinde o prazo quinquenal previsto no referido Decreto. Dessa jurisprudência destacase: (...) 3. As ações que objetivam o recebimento do créditoprêmio do IPI não se confundem com as demandas de restituição oriundas do recolhimento de tributo indevido ou a maior, motivo pelo qual não se lhes aplica a disciplina do CTN, mas a do Decreto nº 20.910/32, que estabelece o prazo prescricional qüinqüenal. (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2005/01710069, Ministro José Delgado, Sessão de 16/05/2006, DJ 08/06/2006, p. 125). Dessa forma, o prazo para requerer o créditoprêmio do IPI é de cinco anos contados do efetivo embarque das mercadorias para o exterior e, no caso em questão, tratando se de pedido protocolizado em 13 de novembro de 2008, não pode ele alcançar exportações efetuadas no período de janeiro de 1983 a dezembro de 1996, tendo em vista a fluência do prazo decadencial. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 Quanto à vigência do créditoprêmio, cumpre lembrar que a questão foi definida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE 577.3485/RS, em que ficou assentado que esse benefício fiscal deixou de vigorar em 05 de outubro de 1990, por força do disposto no art. 41, § 1°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988. Destarte, uma vez que a matéria foi decidida na Suprema Corte, com repercussão geral reconhecida, impõese aqui a aplicação do entendimento lá assentado, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf. Com essas considerações e constatada a fluência do prazo quinquenal previsto no Decreto n° 20.910, de 1932, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicado o exame da incidência de correção monetária sobre o valor pleiteado. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.073995/92-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1989
CONTRATO DE LEASING. VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VRG) ÍNFIMO. VALOR EFETIVAMENTE DILUÍDO NOS PAGAMENTOS MENSAIS. IRRELEVÂNCIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 293 DO STJ.
Conforme o entendimento há muito pacificado pelo STJ, a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. Conforme a atual tendência do CARF, aplica-se no âmbito do processo administrativo fiscal, os entendimentos já consolidados no STJ e no STF.
Numero da decisão: 9101-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Susy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima e Valmir Sandri.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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HUBER EQUIPAMENTOS AUTOMOTIVOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1989 CONTRATO DE LEASING. VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VRG) ÍNFIMO. VALOR EFETIVAMENTE DILUÍDO NOS PAGAMENTOS MENSAIS. IRRELEVÂNCIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 293 DO STJ. Conforme o entendimento há muito pacificado pelo STJ, “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. Conforme a atual tendência do CARF, aplicase no âmbito do processo administrativo fiscal, os entendimentos já consolidados no STJ e no STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 07 39 95 /9 2- 41 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.073995/9241 Acórdão n.º 9101001.467 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Susy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima e Valmir Sandri. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em divergência jurisprudencial. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a cobrança de IRPJ e CSLL, referente ao exercício de 1989, períodobase de 1988, tendo em vista a indevida dedução, nas bases de cálculo, de despesas a título de leasing, gastos com benfeitorias, reforma de tratores e instalação de motor automotivo. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 57/63 dos autos. A Delegacia da Receita federal de Julgamento (fls. 90/104) julgarão pelo afastamento da exigência da CSLL, referente ao exercício de 1989, períodobase de 1988. Julgouse, por outro lado, procedente em parte o lançamento do IRPJ, mantendose a exigência de 1.476,34 UFIR de imposto, além da multa de ofício e dos encargos legais, excluídos os juros moratórios calculados com base na TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991, remanescendo, nesse período, juros de mora à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, de acordo com a legislação pertinente. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 134/142). A 3° Turma Ordinária da 1° Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF (fls. 147/148), por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. IRPJ. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VALOR RESIDUAL ÍNFIMO. Não descaracteriza o contrato de leasing a fixação, tãosomente, de valor residual de importância ínfima. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 152/163), trazendo à tona os seguintes fundamentos: “Tratase o arrendamento mercantil financeiro de contrato a ser realizado por instituição financeira — dai sua denominação — podendo ter como objeto qualquer bem móvel ou imóvel — em verdade o que se percebe é a grande utilização de tal instituto tendo como objeto veículos automotores — onde o arrendador transfere a posse direta do objeto ao arrendatário por tempo e preço certos. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.073995/9241 Acórdão n.º 9101001.467 CSRFT1 Fl. 4 3 Tem como característica essencial o arrendamento mercantil uma tríplice opção facultada ao arrendatário por ocasião do término do contrato e configurase em: a) adquirir o bem; b) renovar o contrato ou; c) devolver o objeto (...) É dizer, não há como olvidarse no contrato de arrendamento mercantil a opção de compra do bem objeto do contrato, por tratarse de característica essencial à sua natureza. Daí chegase ao conceito do valor residual garantido (VRG), que é o aquele convencionado no contrato a ser despendido pelo arrendatário acaso opte pela aquisição do bem. Valor este necessariamente deve restar abaixo do preço ordinariamente pago pelo bem, em face dos pagamentos já efetuados a titulo de aluguel. Evidentemente, a cobrança antecipada do VRG descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil, passando este a ser contrato de compra e venda a prestação. É dizer, a antecipação da cobrança do VRG, assim como sua fixação em patamares irrisórios tem como corolário lógico a desconfiguração do contrato de arrendamento mercantil (leasing financeiro).” O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 169/174). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Tratase de se definir, na hipótese, se o valor residual ínfimo descaracteriza o contrato de leasing, assumindo natureza de contrato de compra e venda, para efeitos de dedução ou não da base de cálculo do IRPJ. No caso, entendeuse, no acórdão recorrido, que tal ínfimo valor, ou sua cobrança antecipada, não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. A súmula n° 293 do STJ estabelece que: “A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.073995/9241 Acórdão n.º 9101001.467 CSRFT1 Fl. 5 4 Esta súmula é o resultado da jurisprudência pacificada pelo STJ, a qual vem sendo acolhida no âmbito do CARF, conforme o seguinte julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE. Sendo o valor exonerado inferior ao valor estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, não se conhece do recurso de ofício. PRELIMINAR DE NULIDADE. FALTA DE EMISSÃO DE MPF COMPLEMENTAR. O MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1265/99, é apenas um instrumento de controle administrativo e tem o objetivo de regular a execução dos procedimentos fiscais, e eventuais irregularidades quanto ao cumprimento de suas disposições podem ser apuradas no âmbito funcional, mas não são suficientes para anular o lançamento. LUCRO REAL. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. Reconhecese que o ilícito fiscal limitase à desconsideração da natureza jurídica do fundamento econômico do ágio e que a demonstração arquivada como comprovante do fundamento econômico do ágio, traduz a avaliação dos ativos, pela expectativa de rentabilidade futura. LUCRO REAL. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONDIÇÃO DE EFETIVIDADE DO LUCRO. A legislação fiscal editada no contexto de incentivo às privatizações e que permaneceu em vigor nos períodos objeto da autuação não condicionou a dedutibilidade da amortização do ágio à efetiva apuração de lucro, e nem estabeleceu prazo para a geração de lucros. A Instrução CVM 247/96 alterada pela 285/98 não pode ser aplicada para efeitos fiscais. AMORTIZAÇÃO DE BENFEITORIAS REALIZADAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS (PESSOAS LIGADAS). Constatada a realização de benfeitorias em imóveis de terceiros, pessoas ligadas, sem a previsão de reembolso, é cabível a glosa das amortizações. Porém, à luz dos artigos 307 do RIR/99 devem ser consideradas as parcelas de depreciação até o período anterior à autuação. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Exclui se do lançamento a parte dos custos e despesas comprovados por meio de documentos, bem como, as despesas para as quais não se consegue identificar a razão da glosa de cada item, uma vez que nos termos do art. 149 do CTN, o lançamento não pode ser impreciso. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. Para que custos e despesas sejam dedutíveis é necessária a Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.073995/9241 Acórdão n.º 9101001.467 CSRFT1 Fl. 6 5 apresentação de prova documental de que são usuais, normais e necessários às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Nos termos da súmula nº 293 de 05.05.2004 do STJ: “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. JUROS DE MORA TAXA ELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA DO CARF Nº 2. O colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula nº 2 do CARF. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase o decidido em relação ao tributo principal ao lançamento da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Recurso de ofício não conhecido. Recurso voluntário provido em parte. (Processo nº 10882.001031/200495; Acórdão nº 140200.342; Sessão de 15 de dezembro de 2010) Adoto tal posicionamento, até porque, atualmente, o CARF, nos termos do seu Regimento Interno (artigo 62A), tem tendido a conformar o seus julgados com os entendimentos já pacificados no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.073995/9241 Acórdão n.º 9101001.467 CSRFT1 Fl. 7 6 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 12269.003963/2008-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/10/2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reformar a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430-1996, desde que mais favorável ao contribuinte, comparando-se apenas a aplicação desses dispositivos. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/10/2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reformar a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430-1996, desde que mais favorável ao contribuinte, comparando-se apenas a aplicação desses dispositivos. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
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O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reformar a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte, comparandose apenas a aplicação desses dispositivos. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 39 63 /2 00 8- 69 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 152 2 Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 153 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.126 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 110 e seguintes do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário referente à contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos (SEST e SENAT), arrecadadas pela empresa mediante desconto quando do pagamento dos serviços de frete no período de 08/2003 a 03/2006, reconhecendo a extinção do crédito referente ao mês 08/2003 e 09/2003 por decadência. A ciência do auto de infração inaugural foi em 01.10.2008 (fls. 51 dos autos digitais). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: alegou a ilegalidade/inconstitucionalidade das contribuições ao SEST/SENAT e das multas aplicadas, a ilegal responsabilização dos sócios, e o dever de aplicação da norma mais benéfica quanto à sanção na forma da redação do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Lei n. 11.941/2009. Esse é o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 154 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à suposta inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições ao SEST/SENAT e à responsabilização do tomador de serviço por sua retenção e recolhimento (art. 1º, inciso II e parágrafos I o e 2o , da Lei 8.706, de 14/09/1993), das multas aplicadas (art. 35, da Lei n. 8.212/1991) e juros aplicados, por afronta aos princípios da legalidade, da competência legislativa, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, adequação, necessidade e razoabilidade, e aos artigos 154,I, e 195, 240, da CF/1988, devese atentar que é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF, que traduz o Decreto n" 70.235/72, que em seu art. 26A, com redação da Lei n° 11.941/2009. Logo, a apreciação de tais questionamentos resta prejudicada, III – Quanto à responsabilização dos sócios administradores, nesse ponto entendemos que a decisão a quo foi muito clara e bem justificada, merecendo a nossa completa adesão e transcrição: A notificada alega, ainda, que os sócios gerentes indicados no Auto de Infração são partes ilegítimas para figurar como co responsáveis pelos débitos apurados, pois não houve excesso de poder ou infração à lei. Ocorre que a identificação dos sócios gerentes da sociedade, responsáveis pela administração à época da ocorrência dos fatos geradores, é uma exigência da instrução processual. Salientese que administrativamente nada está sendo exigido dos referidos sócios gerentes, porém esta informação nos autos é importante para, se necessário, acionar os responsáveis pela empresa, no momento processual oportuno. Os representantes legais relacionados pela fiscalização não figuram no pólo passivo do débito levantado e sim a pessoa jurídica, sendo seus dirigentes citados no intuito de resguardar o crédito tributário somente nos casos em que não houver adimplência pela pessoa jurídica e assim, serem acionados os citados dirigentes caso comprovada a conduta praticada com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, 111, do Código Tributário Nacional CTN. 0 chamamento dos representantes legais da pessoa dos diretores para responder com seus bens particulares por dívida de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 155 5 natureza tributária é medida que se adota no caso de esta não dispor de bens suficientes para a satisfação da dívida. E isto só acontece em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o , do artigo 4o , da Lei n° 6.830/80, que trata da cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública, mormente depois de se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, que permitam sua futura inscrição em dívida ativa e execução: "Ari. 202 CTN. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: 1 — o nome do devedor e, sendo caso, o dos coresponsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; (grifamos) II a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos; III' — a origem e a natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado; IVa data em que foi inscrita; V — sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito. Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior ou o erro a eles relativo são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente (...)"Portanto, a relação de co responsáveis anexa à presente notificação fiscal deve fornecer os elementos necessários para que órgão executor da dívida fiscal possa atender ao disposto no inciso I, do parágrafo 5", do artigo 2o, da Lei 6.830/80, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa: Portanto, a relação de coresponsáveis anexa ao presente Auto de Infração deve fornecer os elementos necessários para que o órgão executor da dívida fiscal possa atender ao disposto no inciso I, do parágrafo 5o , do artigo 2o , da Lei n° 6.830/80, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa: (...) Pelo exposto, concluise que a finalidade do arrolamento, no processo administrativo, dos representantes legais da empresa na condição de coresponsáveis é de que os mesmos sejam previamente identificados, o que não significa que essas pessoas serão convocadas para pagamento, na esfera administrativa, do débito que é imputado à empresa. No dizer do tributarista Alexandre Macedo Tavares é salutar que se diga que o redirecionamento do executivo fiscal em desfavor das pessoas arroladas no art. 135 do CTN não quer significar, intuitu personae, imediato reconhecimento da responsabilidade pelo débito fiscal da sociedade. Apenas assinala sobre a possibilidade da configuração da responsabilidade tributaria por substituição, nos termos do art. 135 do CTN, que poderá ser amplamente discutida em sede de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 156 6 embargos à execução pelo diretor, sóciogerente ou administrador. Acrescentase que, a não vinculação direta da responsabilidade tributária dos sócios administradores é tão clara e reconhecida administrativamente, que a Portaria n. 2284/2010 da Secretaria da Receita Federal do Brasil, hoje disciplina procedimento específico para o direcionamento da cobrança dos créditos contra possíveis responsáveis solidários e subsidiários com o devedor principal. Assim, não há correção a ser feita no acórdão quo neste ponto. IV Contudo, entendo que a fiscalização e a decisão a quo deram uma interpretação equivocada em face ao novo art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 157 7 regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse, não podendo ser definida por instrumento infralegal. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. VI Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte, comparandose apenas a aplicação desses dispositivos. Sala de Sessões, 15 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 2803001.762 S2TE03 Fl. 158 8 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001864/98-17
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995
PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 24/09/1998, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 24/09/1988.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 24/09/1998, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 24/09/1988. Recurso extraordinário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 24/09/1998, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 24/09/1988. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 18 64 /9 8- 17 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0203.033 da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 204 a 212) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 24/09/1998, repetição de PIS referente a fatos geradores ocorridos de 01/01/1990 a 31/10/1995. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 216 a 228), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10640.001864/9817 Acórdão n.º 9900000.803 CSRFPL Fl. 6 3 Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 230 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 24/09/1998. Fatos Geradores: 01/01/1990 a 31/10/1995. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 24/09/1998, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 24/09/1988. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 01/01/1990 a 31/10/1995, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10640.001864/9817 Acórdão n.º 9900000.803 CSRFPL Fl. 7 5 Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 247DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004334/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o contribuinte, no curso do procedimento fiscal, é intimado de todos os atos e elementos solicitados, e quando constam do termo de verificação, do auto de infração (cujas vias lhe foram entregues) e dos autos do respectivo processo administrativo fiscal todos os elementos necessários ao exercício de sua ampla defesa.
LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que deixar de apresentar, regularmente intimado, à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação.
GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS - GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AOS FISCOS FEDERAL E ESTADUAL. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. A divergência, não justificada, nas informações acerca das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nas declarações apresentadas aos Fiscos Federal e Estadual, configura omissão de receitas, e revela a conduta dolosa da empresa de omitir ao Fisco Federal as receitas efetivamente auferidas.
Configurado está o evidente intuito de fraude (latu sensu), na medida em que a falta de tal informação, visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador (sonegação) e a excluir as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude strictu sensu), de modo a evitar o pagamento do imposto devido.
MULTA DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitando-se ainda o autuado ao agravamento da exigência para 225%, em decorrência de embaraço à fiscalização, caracterizado pela falta de atendimento reiterado a intimações fiscais para prestar esclarecimentos e mudanças de endereços.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado Provido.
Numero da decisão: 1402-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o contribuinte, no curso do procedimento fiscal, é intimado de todos os atos e elementos solicitados, e quando constam do termo de verificação, do auto de infração (cujas vias lhe foram entregues) e dos autos do respectivo processo administrativo fiscal todos os elementos necessários ao exercício de sua ampla defesa. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que deixar de apresentar, regularmente intimado, à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AOS FISCOS FEDERAL E ESTADUAL. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. A divergência, não justificada, nas informações acerca das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nas declarações apresentadas aos Fiscos Federal e Estadual, configura omissão de receitas, e revela a conduta dolosa da empresa de omitir ao Fisco Federal as receitas efetivamente auferidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 34 /2 01 0- 61 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 2 Configurado está o evidente intuito de fraude (latu sensu), na medida em que a falta de tal informação, visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador (sonegação) e a excluir as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude strictu sensu), de modo a evitar o pagamento do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência para 225%, em decorrência de embaraço à fiscalização, caracterizado pela falta de atendimento reiterado a intimações fiscais para prestar esclarecimentos e mudanças de endereços. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório COGEB SUPERMERCADOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte COGEB SUPERMERCADOS LTDA., CNPJ 01.676.583/000184, foram lavrados Autos de Infração referentes ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, relativos ao ano calendário de 2006, em razão de omissão de receita. O crédito tributário constituído totaliza R$ 2.778.969,76, aí incluídos juros de mora e multa de 225% por entender a fiscalização ter havido embaraço à fiscalização e indícios de crime de sonegação fiscal. Por bem descrever os fatos, excerto do Termo de Constatação de Irregularidades de fls. 277/285 (fls. 77, v2) é abaixo reproduzido: 17. ... em 26/05/2010 procedeuse a intimação à COGEB (fls. 109), no seu domicílio tributário à Rua Cavalheiro Torquato Rizzi, 1093, sala 02, Jardim São Luiz, Ribeirão Preto/SP, onde solicitouse o comparecimento do Sr. Eros José Fernandes, CPF nº 715.220.85815, sócio administrador, responsável perante a RFB, a comparecer a esta DEFIS/SP em 14/06/2010, para prestar esclarecimentos sobre a ação fiscal em andamento; 18. O AR retornou em 02/06/2010 “ausente”, após três tentativas de entrega (fls. 110 a 112); 19. Em 14/06/2010, encaminhamos novamente intimação à COGEB, na pessoa do sócio administrador EROS JOSÉ FERNANDES (fls. 113), no seu domicílio tributário à Rua Dr. Paulo Pinheiro Werneck, 860, Parque Santa Mônica, São Carlos/SP, para comparecimento do mesmo à esta DEFIS em 28/06/2010, para prestar esclarecimentos sobre a ação fiscal em andamento; 20. A intimação foi recebida em 21/06/2010, conforme AR (fls. 114) ; 21. Concomitantemente, na mesma data, procedemos a mesma intimação ao Sr. Eros (fls. 115), no domicílio tributário de uma das suas filiais, em São Carlos, para comparecimento do mesmo à esta DEFIS em 28/06/2010, para prestar esclarecimentos sobre a ação fiscal em andamento; 22. A intimação foi recebida em 23/06/2010, conforme AR (fls. 116); 23. Apesar das duas intimações haverem sido recebidas, o sócio EROS não compareceu no local e data mencionados na intimação; 24. Considerandose que o contribuinte não atendia as nossas intimações, e antes de darmos início ao processo de inaptidão do mesmo, achamos por bem proceder a diligencia junto ao Sr. Julio de Amadeu Correia Abrantes, contador do contribuinte e proprietário do imóvel onde constava o domicílio tributário da COGEB no início da fiscalização; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 4 25. A Diligência foi executada conforme MPF Vinculado nº 08190002010 020852 (fls. 117), onde solicitouse esclarecimentos conforme Termo de Intimação e Início de Diligência (fls. 118 a 120) e Termo de Intimação às fls. 124; 26. O Sr. Júlio apresentou esclarecimentos em 26/07/2010 através do seu procurador (fls. 123 e 127), onde informou que sua relação com a empresa é de prestação de serviços contábeis, que seu imóvel foi cedido sem ônus para a empresa onde funcionaria um escritório de compras, e que os domicílios tributários da COGEB e do seu sócio é o constante do cadastro da RFB, apresentando, ainda, procuração da COGEB para representála na presente fiscalização, com data de 21/06/2010 (fls. 90); 27. Em 26/07/2010, a fiscalizada foi mais uma vez intimada através do seu procurador a apresentar os livros Diário e Razão (fls. 128); 28. Em 16/09/2010, foi intimado a proceder a retificação na sua DIPJ e apresentar a DACON (fls. 129); 29. Em 19/10/2010, foi intimado no seu domicílio tributário, através da via postal, a esclarecer as diferenças apuradas por esta fiscalização entre a receita declarada na GIA e registrada no Livro de Apuração de ICMS e a declaradas na DIPJ (fls. 130 a 132); 30. Apresentou DIPJ retificadora em 04/11/10 (fls. 37 a 81), onde constam valores de receita divergentes do Livro de Apuração de ICMS /GIAS; 31. Em resposta ao Termo de Intimação de 19/10/2010, apresentou as alegações abaixo transcritas (fls. 133 a 134), juntando a DIPJ Retificadora (fls. 135 a 170) e as DCTFs apresentadas (fls. 171 a 213); ‘............................................................................. As eventuais diferenças apontadas da intimação não correspondem a realidade, eis que foram apresentadas a Receita Federal DIPJ e DCTF´s, conforme cópias anexas. Para comprovação das receitas foram entregues a fiscalização os livros fiscais do exercício de 2006 que atesta os valores apurados nas GIAS do ICMS, bem como entregues a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo que são os mesmos valores que constam da DIPJ do período de 2006’; 32. Em 22/11/2010 procedemos ao Termo de Constatação e Intimação, recebido em 29/11/2010 (fls. 214 a 217), onde o contribuinte foi intimado a apresentar novos elementos que complementassem ou retificassem as informações contidas naquele termo, sob pena de procedermos ao lançamento de ofício, tomandose por base de cálculo os valores registrados no Livro de Apuração de ICMS/GIA. 33. Em 06/01/2010, o Sr. Eros Jose Fernandes compareceu a esta DEFIS, onde foramlhe devolvidos os livros fiscais apresentados, conforme Termo de Devolução de Livros e documentos (fls. 224). DO EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO Ante o exposto, e considerandose que restou caracterizado o EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO referido no art. 919 e parágrafo único do RIR/99, na forma de o contribuinte não ser encontrado nos endereços declarados à RFB, deixar de atender Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 5 às intimações, deixar de apresentar os livros a que está obrigado de acordo com os arts. 251, 258 e 259 do RIR/1999, procedemos ao Auto de Embaraço à fiscalização, recepcionado por AR em 03/12/2010 (fls. 218 a 223), nos termos do art. 919 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, e art. 330 do Código Penal (Decreto Lei 2.848/1940, com redação dada pela Lei 7.209/84) ... DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Face ao acima exposto e considerandose: 1. Que até a presente data o contribuinte deixou de atender as intimações com datas de 06/01/2010 (fls. 86) e 26/07/2010 (fls. 128), onde solicitouse a apresentação dos livros Diário e Razão a que está obrigado em consonância com os arts. 251, 258 e 259 do RIR/99; 2. Que em resposta a nossa Intimação de 19/10/10, onde solicitouse esclarecimentos sobre as diferenças apuradas entre a receita registrada no Livro Registro de Apuração de ICMS/GIAS e a DIPJ entregue sem valores, o contribuinte limitouse a apresentar a DIPJ Retificadora (fls. 37 a 81), que mesmo assim, continuou a apresentar diferenças com o Livro de Apuração de ICMS 1º, 2º e 3º trimestre de 2006; 3. Que o fato do contribuinte ter apresentado DIPJ sem valores e ter deixado de apresentar os livros contábeis obrigatórios caracteriza omissão de receita; 4. Que o sujeito passivo não apresentou resposta ao nosso Termo de Constatação e Intimação de 22/11/10 (fls. 214 a 216), onde foi lhe dado ciência dos fatos acima narrados, sendo o mesmo intimado a apresentar novos elementos que complementassem ou retificassem as informações contidas naquele Termo; 5. Que a falta de escrituração contábil por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real constitui hipótese de arbitramento de lucros, quando a Fiscalização tomará por base a receita bruta conhecida. Não logrando o contribuinte justificar as diferenças a menor entre os valores da receita bruta declarada e a informada ao Fisco Estadual, é legítimo o arrolamento, para fins de arbitramento do lucro, dos valores constantes das Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAs) entregues à Administração Fazendária Estadual. Assim, procederseá ao lançamento de ofício relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com o fim precípuo de promover a sua constituição, que será objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004334/200161, através do arbitramento do lucro, conforme inciso I do art. 530 do RIR/99, tomandose por base de cálculo os valores registrados no Livro Registro de Apuração de ICMS (fls. 247 a 272) e declarados nas GIAs (235 a 246), conforme abaixo demonstrado, aplicandose o coeficiente de arbitramento de 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL, de acordo com o art. 532 do RIR/99, conforme planilhas anexas ao presente Termo (fls. 286 a 290), reconhecendose os valores declarados em DCTFs de PIS e COFINS: Os valores apurados pela fiscalização de receitas mensais de vendas declaradas nas GIAs de acordo com o Livro de Apuração de estão apresentados nos quadros de fls. 282/283; Juntamos às fls. 273 a 275, as páginas de nº. 01 a 136 do Livro Registro de Saídas nº 024, relativas a abertura e encerramento, cujos registros correspondem aos registrados no Livro de Registro de Apuração de ICMS. ... Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 6 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS .... com base no art. 1º da Portaria RFB nº 665/08, que ficará vinculada ao processo administrativo do auto de infração de nº 19515.004334/201061, por ter ficado demonstrada a ocorrência de fatos que, EM TESE, configuram crime de sonegação fiscal, definido pelo inciso I do art. 71 da Lei 4.502/64, e crime contra a ordem tributária definido pelo art. 1º, inciso I e II e art. 2º, inciso I da Lei 8.137/90, que transcrevemos abaixo: ... DO AGRAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Procedemos à qualificação da multa de lançamento de ofício, conforme §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (abaixo aprovado pelo Dec. 3.000/99, tendo em vista que o contribuinte foi enquadrado no crime de sonegação fiscal, e, consequentemente, ao seu agravamento, com alíquota de 225%, de acordo com o inciso I do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (abaixo transcrito), combinado com o art. 959 do RIR/99, por ter deixado de atender a intimação, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos. Cientificado, em 13/12/2010, nos próprios autos de infração, o contribuinte apresentou em 27/12/2010, a impugnação de fls. 322/345, com as alegações abaixo sintetizadas. A fiscalização teria adotado parca fundamentação que justificasse o lançamento cuja base de cálculo foi arbitrada sobre as Guias de Informação e Apuração do ICMS. Não teria havido qualquer omissão ou imprestabilidade das declarações prestadas ou dos documentos disponibilizados que caracterizasse qualquer das hipóteses que levaram ao arbitramento dos lucros. Seria necessário o conhecimento pelo contribuinte dos fundamentos da imposição tributária para que pudesse ser exercido o contraditório e a ampla defesa. Como teria ficado prejudicada a defesa do contribuinte resultaria nulo todo o procedimento. O procedimento estaria baseado em mera presunção simples, não podendo prosperar, mesmo porque a base de cálculo para a apuração do valor aqui devido, valeuse das GIAs de apuração do ICMS, sem qualquer desconto de valores pagos ou de produtos devolvidos, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos ou impostos não cumulativos. Existiriam erros na base de cálculo, por exemplo, como pode ser observado nas cópias do Registro de Apuração do ICMS, o código (CFOP) 5929, lançado pela Sra. Auditora Fiscal como venda, não é venda, estando os valores registrados por este código, inclusos parte no código 5405 e parte no código 5102. Pelo fato de que estaria majorada e por englobar a totalidade do imposto devido, sem abatimento dos tributos já pagos, a base de cálculo errônea do Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 7 Imposto de Renda irá refletir de forma equivocada nos demais tributos aqui cobrados. Como haveria divergência entre a base de cálculo utilizada pela empresa e a apurada pela fiscalização, caso ainda houvesse tributo devido, a tributação deveria recair sobre a diferença resultante entre essas bases de cálculo e não sobre a totalidade apurada pela fiscalização. A Fiscalização não teria levado em conta que se considera receita bruta, na determinação do lucro, o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e os resultados auferidos nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, além das devoluções de vendas. Em conseqüência, como a auditoria não desconsiderasse as exclusões procedidas pelo contribuinte, obviamente que jamais chegará à mesma base de cálculo, não sendo isso motivo para a fiscalização autuar a empresa. O lançamento de ofício do IRPJ e seus reflexos deveria ter considerado a diferença resultante entre as apurações do fisco e da empresa e não o total apurado pela fiscalização. O Termo de Constatação de Irregularidades conteria várias contradições, não poderia ser considerado que houve embaraço à fiscalização em razão de a fiscalização no início do procedimento ter ser dirigido a pessoas não seriam habilitadas a responder pelo contribuinte. Não seria coerente, salvo melhor juízo, acusar o contribuinte de ter se negado a fornecer livros fiscais obrigatórios, tendo consignado sua devolução no item 14 do termo de constatação de irregularidades. A taxa SELIC não se prestaria a apuração dos juros de mora, seria ilegal a capitalização de juros e as multas aplicadas seriam flagrantemente confiscatórias. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o contribuinte, no curso do procedimento fiscal, é intimado de todos os atos e elementos solicitados, e quando constam do termo de verificação, do auto de infração (cujas vias lhe foram entregues) e dos autos Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 8 do respectivo processo administrativo fiscal todos os elementos necessários ao exercício de sua ampla defesa. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que deixar de apresentar, regularmente intimado, à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AOS FISCOS FEDERAL E ESTADUAL. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. A divergência, não justificada, nas informações acerca das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nas declarações apresentadas aos Fiscos Federal e Estadual, configura omissão de receitas, e revela a conduta dolosa da empresa de omitir ao Fisco Federal as receitas efetivamente auferidas. Configurado está o evidente intuito de fraude (latu sensu), na medida em que a falta de tal informação, visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador (sonegação) e a excluir as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude strictu sensu), de modo a evitar o pagamento do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência para 225%, em decorrência de embaraço à fiscalização, caracterizado pela falta de atendimento reiterado a intimações fiscais para prestar esclarecimentos. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão em 14/11/2011 (fl. 624), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 8/12/2011 (fls. 625 e seguintes), no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de apuração de omissão de receitas em face da diferença entre o valor do faturamento declarado à Receita Federal e as informações prestadas à Fazenda Estadual (ICMS), sendo que a exigência de IRPJ e CSLL se deu pelo Lucro Arbitrado, além de PIS e Cofins. A Fiscalização Aplicou multa qualificada de 150%, agravada para 225% em face de não atendimento às intimações fiscais. Passo a apreciar as alegações recursais. Preliminares. Nulidade do Auto de Infração e Cerceamento do direito de defesa. De inicio, o recorrente repisou a alegação de nulidade do auto de infração. Por certo, não lhe cabe razão. Isso porque o auto de infração lavrado não possui qualquer vício que o torne nulo. O art. 10 do mesmo diploma legal, determina: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Conforme se verifica dos autos, o lançamento foi lavrado por servidor competente e com observância dos requisitos exigidos pela legislação tributária, não podendo ser acolhida, por conseguinte, a argüição de nulidade levantada pela Impugnante. No que tange à alegação de cerceamento do direito de defesa, a decisão de 1a. Instância foi precisa ao registrar que: “A base tributável encontrase, ao contrário do que alega a Impugnante, plenamente descrita nos autos, na documentação anexada, nas intimações e mormente no Termo de Constatação de Irregularidades, bem assim a fundamentação legal. A fonte da qual se originou os valores que serviram à Fl. 664DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 10 autuação foram as GIAs – Guia de Informação e Apuração do ICMS, entregues pelo próprio contribuinte à Administração Fazendária Estadual. Todos os elementos essenciais de validade do lançamento tributário encontramse presentes, conforme prescreve o art. 142 do CTN. Assim, por constar dos autos todos os elementos que deram ensejo ao lançamento, os quais, ademais, possibilitam o seu perfeito entendimento pelo Contribuinte, não procede a alegação de cerceamento do seu direito de defesa.” Pelo exposto, rejeito as preliminares. Mérito. Omissão de Receitas e Arbitramento. O contribuinte repisa também as alegações contra o arbitramento do lucro. Afirma que o Agente Fiscal não teria esgotado todas as medidas para apurar o lucro real supostamente devido, devendo ser decretada, por mais este motivo, a nulidade do auto de infração. O recorrente contesta também a acusação de que teria se negado a fornecer livros fiscais obrigatórios, e que não procederia o termo de embaraço a fiscalização, visto que o próprio autuante teria consignado no item 14 do termo de constatação de irregularidades a devolução dos referidos livros. Tais alegações já foram suficientemente enfrentadas em 1a. instância pelos seguintes fundamentos: “(...) Ora, primeiro que da leitura do Termo de Devolução de Documentos e do indigitado item 14 do Termo de Constatação de Irregularidades se verifica que os livros fiscais obrigatórios a que se refere o impugnante se resumem tão somente ao livro de Registro de Apuração do ICMS. Observese, também, que o Contribuinte apresentou inicialmente a DIPJ, do ano calendário de 2006, com os valores zerados e não apresentou a DACON. A isto se acrescente que, a despeito das alterações em seu domicílio tributário durante o procedimento fiscal, foi o contribuinte devidamente intimado a apresentar os Livros Diário e Razão reiteradamente e não o fez, os quais deveriam, a bem da verdade, terem sido apresentados de pronto à Fiscalização, já que são obrigatórios (por lei) e comuns na vida da empresa. Assim, teve o Contribuinte o tempo adequado e suficiente para apresentar os elementos solicitados, mas assim não procedeu. Por esse motivo, não restou à Fiscalização outra saída a não ser lavrar o termo de embaraço à fiscalização e arbitrar o lucro do Contribuinte, conforme determina a lei para esses casos. (...)” Frisese que o lucro arbitrado é forma prevista na lei para o cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. O art. 530 do RIR/99 assim trata da questão: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 665DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 11 I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.” Conforme se verifica, o texto do dispositivo legal acima citado dá total respaldo à autuação pelo lucro arbitrado praticada pela Autoridade Fiscal. No que tange a utilização das Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIA para apurar o valor real das receitas, aduz a recorrente que a fiscalização teria se valido das GIAs, sem qualquer desconto de valores pagos ou de produtos devolvidos, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos ou impostos não cumulativos, ora que o código (CFOP) 5929, lançado pela Sra. Auditora Fiscal como venda, não seria venda, e que os valores registrados por este código estariam inclusos parte no código 5405 e parte no código 5102; e, ainda de que a base de cálculo do IRPJ estaria majorada e que englobaria a totalidade do imposto devido, sem abatimento dos tributos já pagos, o que refletiria de forma equivocada nos demais tributos lançados. Reitera também que caso houvesse tributo devido a tributação deveria recair sobre a diferença resultante entre a base de cálculo da retificadora do IRPJ apresentada pelo contribuinte e a apurada pela fiscalização, e, não sobre a totalidade apurada pela fiscalização, pois a divergência entre a base de cálculo utilizada pela empresa e a apurada pela fiscalização, decorreria do que esta teria levado em conta para considerar receita bruta, na determinação do lucro, pois o contribuinte teria considerado também o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e os resultados auferidos nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, além das devoluções de vendas. Pois bem. No que tange a utilização dos valor das receitas informadas nas GIA, verificase que foi a única saída que restou ao Fisco, pois reiteradamente intimado o contribuinte não logrou apresentar seus registros contábeis e fiscais que permitissem considerar eventuais descontos sobre as receitas de vendas. Ademais por serem as GIAs documentos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 12 apresentados ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes, constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. Conforme salientado na decisão recorrida, os elementos de prova colacionados pelo contribuinte, nos quais sustenta sua argumentação são exatamente os mesmos documentos juntados pela fiscalização e em que se fundou a autuação. Aqui vale novamente transcrever os fundamentos da decisão de 1a. instancia que foi precisa neste ponto. ‘(...) Verificase das cópias dessas GIAs que a fiscalização tomou como valores de vendas os valores registrados nos códigos (CFOP) 5405, 5102 e 5929, sobre os quais insurgese o impugnante apenas contra o de código 5929, alegando a respeito desse último que os valores ali registrados estariam inclusos parte no código 5405 e parte no código 5102. Ora, o ônus da prova cabe a quem ela aproveita, e no caso não trouxe o impugnante elementos para sustentar o alegado. É consabido que se classificam neste código (5929) os registros relativos aos documentos fiscais emitidos em operações ou prestações que também tenham sido registradas em equipamento Emissor de Cupom Fiscal – ECF, como é o caso de caixas registradoras de supermercados, não havendo, como frisado, qualquer elemento nos autos que permitam fazer prevalecer a pretensão do requerente. (...)” Em síntese: formei pleno convencimento de que arbitrar o lucro era mesmo o único procedimento cabível ao caso, sendo que está provado nos autos a omissão de receitas com base nas GIA apresentadas pelo próprio contribuinte. Confirmo, pois, a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Dos Recolhimentos Espontâneos do Contribuinte No que tange aos recolhimentos espontâneos efetuados pelo contribuinte, verificase que se tratam de diversos tributos federais mas não incluem tributos sobre o lucro; e, os sobre faturamento foram considerados na apuração do PIS e da COFINS conforme demonstram os quadros anexos ao termo fiscal. Portanto, nada cabe ser aproveitado. Da multa de oficio e juros de mora Quanto a exigência da multa de oficio e juros de mora a taxa Selic, esclareço que estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 13 De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Frisese que não há nenhum reparo a se fazer nos lançamentos no tocante à exigência da multa de ofício no percentual aplicado (225%). Isso porque a reiterada divergência, não justificada, nas informações acerca das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nas declarações apresentadas aos Fiscos Federal e Estadual, configura omissão de receitas, e revela a conduta dolosa da empresa de omitir ao Fisco Federal as receitas efetivamente auferidas, tudo destacado no relatório de auditoria fiscal, conforme adiante transcrito: 1. Inicialmente verificamos que o contribuinte além de ter apresentado a DIPJ do ano calendário de 2006 com valores zerados (fls. 03 a 37), o mesmo não apresentou DACON do periodo; 2. O sujeito passivo não foi localizado no endereço que constava do cadastro da RFB no inicio da Fiscalização à Av.Lins de Vasconcelos, 1571, São Paulo/SP (fls. 225); 3. Após o inicio da ação fiscal em 06/01/2010, procedeu a alteração do seu domicilio tributário, em 12/01/2010, para Rua Cavalheiro Torquato Rizzi, 1093, Ribeirão Preto/SP (fls. 225),onde também não foi localizado; 4. Em 03/08/2010, procedeu a nova alteração do seu domicilio tributário para Rua Antonio Rodrigues Cajado, 1720, São Carlos/SP (fls. 225); 5. Os trabalhos de auditoria iniciaramse com a lavratura do Termo de Intimação e Inicio de Fiscalização de 19/11/2009 (fls. 82 e 83) que foi encaminhado ao contribuinte pela via postal em 25/11/2009 para o seu domicilio tributário à Av. Lins de Vasconcelos, 1571, São Paulo/SP, que retornou com a informação "ausente 3 vezes", em 01/12/2009 (fls. 84); 6. Em 06/01/2010, comparecemos pessoalmente ao domicilio do sujeito passivo, onde constatamos que no local funciona a Academia de lutas marciais "WadôKai" (fls. 230), sendonos informa o que referida Academia funciona no local há aproximadamente 20 anos, e que o proprietário do imóvel seria o Sr. Txlio Amadeu Fl. 668DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 14 Correia Abrantes, sócio do escritório de contabilididade Globo Contábil, com escritório à Rua Inglês de Luz no. 67, há duas quadras daquele local; 7 . Dirigimonos então, ao escritório do Sr. Júlio, onde fui recebido pelo Sr. Rogério Senefonte, CPF no. 08 6.833.89820, que apresentou procuração para representar o contribuinte junto à FRB, com data de 30/04/2008 (fls. 87); 8. Considerandose que a procuração apresentada, apesar de antiga, não tinha prazo de validade, e estava com a assinatura do sócio da fiscalizada com firma reconhecida, resolvemos aceitála, declarandose, o Sr. Rogério, ciente do Termo de Intimação e Inicio de Fiscalização em 06/01/2010 (fls. 85 e 86), cientificandoo ainda, verbalmente, da necessidade de apresentação de procuração recente; 9. O Sr. Rogério apresentou então, as procurações com datas de 03/01/2010 e 10/01/2010 (fls. 88 3 89), a primeira, com data de reconhecimento da assinatura do sócio ilegivel, e a segunda com firma reconhecida em 11/02/2010, ambas com o número do CNPJ da fiscalizada errado, sendo novamente cientificado verbalmente a apresentar nova procuração com os dados corretos; 10. Apresentou ainda, alterações dos contratos sociais (fls. 92 a 105), o livro de Registro de Entradas e Saidas e Registro de Apuração do ICMS do ano calendário de 2006 (fls. 247 a 272), deixando de apresentar os Livros Diário e Razão solicitados. 11. Verificamos que o Sr. Eros José Fernandes, CPF 715.220.85815, sócio responsável perante a RFB da pessoa juridica sob fiscalização, declarou endereços diferentes para a Junta Comercial, fls. 226 a 229, (Rodovia Washington Luiz, 235, KM, São Carlos/SP) e para a RFB, 276, (Av. Lins de Vasconcelos, 1571, São Paulo/SP), sendo o endereço declarado para a RFB, o mesmo da pessoa juridica, endereço este em que nem o sócio, nem a pessoa juridica foram encontrados; 12. Na alteração de endereço efetuada pela pessoa juridica junto à Junta Comercial em 12/01/2010, foi efetuada também a alteração do endereço do Sr. Eros para Rua Doutor Paulo Pinheiro Werneck, 860, Parque Santa Mônica, São Carlos/SP (fls. 228); 13. No dia 05/03/2010, o contribuinte foi reintimado a apresentar os Livros Diário e Razão (fls. 106); 14. No dia 09/03/2010, devolvemos o Livro Registro de Apuração do ICMS ao contribuinte, conforme Termo de Devolução de Documentos (fls. 107), tendo em vista sua solicitação verbal de que necessitavaa do livro para proceder a alteração em uma GIA da empresa, com a ressalva, no termo de devolução de documentos, que r :er ao livro deveria ser devolvido no prazo de dez dias, permaneccendo, com a Fiscalização cópia do mesmo; 15. Em 05/05/2010, procedemos a Termo de Continuidade de procedimento fiscal (fls. 108); 16. A partir desta data, o Sr. Rogério Senefonte (procurador da fiscalizada) passou a evitar os contatos por telefone desta auditora fiscal, deixando de apresentar os livros solicitados (Diário e Razão), de devolver o Livro Registro de Apuração de ICMS e de apresentar a procuração retificando o no. do CNPJ do contribuinte; 17. Tendo em vista esse fato, em 26/05/2010 procedeuse a intimação à COGEB (fls. 109), no seu domicilio tributário à Rua Cavalheiro Torquato Rizzi, 1093, sala 02, Jardim São Luiz, Ribeirão Preto/SP, onde solicitouse o comparecimento do Sr. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 15 Eros José Fernandes, CPF no. 715.220.85815, sócio administrador, responsável perante a RFB, a comparecer a esta DEFIS/SP em 14/06/2010, para prestar esclarecimentos sobre a ação fiscal em andamento; 18. O AR retornou em 02/06/2010 "ausente", após três tentativas de entrega (fls. 110 a 112); 19. Em 14/06/2010, encaminhamos novamente intimação à COGEB, na pessoa do sócio administrador EROS JOSÉ FERNANDES (fls. 113), no seu domicilio tributário à Rua Dr. Paulo Pinheiro Werneck, 860, Parque Santa Mônica, São Carlos/ SP, para comparecimento do mesmo à esta DEFIS em 28/06/2010, para prestar esclarecimentos sobre a ação fiscal em andamento; 20. A intimação foi recebida em 21/06/2010, conforme AR (fls.114); 21. Concomitantemente, na mesma data, procedemos a mesma intimação ao Sr. EROS (fls. 115), no domicilio tributário de uma das suas filiais, em São Carlos, para comparecimento à esta DEFIS em 28/06/2010, para prestar esclarecimentos sobre a ação fiscal em andamento; 22. A intimação foi recebida em 23/06/2010, conforme AR (fls. 116) ; 23. Apesar das duas intimações haverem sido recebidas, o sócio EROS não compareceu no local e data mencionados na intimação; 24. Considerandose que o contribuinte não atendia as nossas intimações, e antes de darmos inicio ao processo de inaptidão do mesmo, achamos por bem proceder a diligencia junto ao Sr. Júlio de Amade, correia Abrantes, contador do contribuinte e proprietário do imóvel onde constava o domicilio tributário da COGEB o inicio da fiscalização; 2r A Diligência foi executada conforme MPF Vinculado no. C 19 30201002085 2 (fls. 117), onde solicitouse esclarecimentos conforme Termo de Intimação e Inicio de diligência (fls. 118 a 120) e Termo de Intimação às fls. 124 ; 26. O Sr.Júlio apresentou esclarecimentos em 26/07/2010 através do seu procurador (fls. 123 e 127)), onde informou que sua relação com a empresa é de prestação de serviços contábeis, que seu imóvel foi cedido sem ônus para a empresa onde funcionaria um escritório de compras, e que os domicílios tributários da COGEB e do seu sócio é o constante do cadastro da RFB, apresentando, ainda, procuração da COGEB para representála na presente fiscalização, com data de 21/06/2010 (fls.90). 27. Em 26/07/10, a fiscalizada foi mais uma vez intimada através do seu procurador a apresentar os livros Diário e Razão (fls. 128) ; 28. Em 16/09/2010, foi intimado a proceder a retificação na sua DIPJ e apresentar a DACON (fls. 129); 29. Em 19/10/2010, foi intimado no seu domicilio tributário, através da via postal, a esclarecer as diferenças apuradas por esta Fiscalização entre a receita declarada na GIA e registrada no Livro de Apuração de ICMS e a declaradas na DIPJ (fls. 130 a 132) ; 30. Apresentou DIPJ retificadora em 04/11/10 (fls. 37 a 81), onde constam valores de receita divergentes do Livro de Apuração de ICMS / GIAS ; Fl. 670DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 16 31. Em resposta ao Termo de Intimação de 19/10/2010, apresentou as alegações abaixo transcritas (fls. 133 a 134), juntando a DIPJ Retificadora (fls. 135 a 170)e as DCTFs apresentadas ( fls. 171 a213) : “As eventuais diferenças apontadas da intimação não correspondem a realidade, eis que foram apresentadas a Receita Federal DIPJ e DCTF's, conforme cópias anexas. Para comprovação das receitas foram entregues a fiscalização os livros fiscais do exercício de 2006 que atesta os valores apurados nas GIAS do ICMS, bem como entregues a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo que são os mesmos valores que constam da DIPJ do periodo de 2006”. (...) III DO EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO Ante o exposto, e considerandose que restou caracterizado o EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO referido no art. 919 e parágrafo único do RIR/99, na forma de o contribuinte não ser encontrado nos endereços declarados à RFB, deixar de atender às intimações, deixar de apresentar os livros a que está obrigado de acordo com os arts. 251, 258 e 259 do RIR/1999, procedemos ao Auto de Embaraço à fiscalização, recepcionado por AR em 03/12/2010 (fls. 218 a 223), nos termos do art. 919 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, e art. 330 do Código Penal (Decreto Lei 2.848/1940, com redação dada pela Lei 7.209/84), que transcrevemos abaixo: (...) IV DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Face ao acima exposto e considerandose : 1. Que até a presente data o contribuinte deixou de atender as intimações com datas de 06/01/2010 (fls. 86 e 86) e 26/07/2010 (fls. 128), onde solicitouse a apresentação dos livros Diário e Razão a que está obrigado em consonância com os arts. 251, 258 e 259 do RIR/99; 2. Que em resposta a nossa Intimação de 19/10/10, onde solicitouse esclarecimentos sobre as diferenças apuradas entre a receita registrada no Livro Registro de Apuração de ICMS/ GIAS e a DIPJ e ^regue sem valores, o contribuinte limitouse a apresen ar i DIPJ Retificadora (fls. 37 a 81), que mesmo assim, conti' ou a apresentar diferenças com o Livro de Apuração de ICMS Io., 2o. e 3o. trimestres de 2006; 1 Que o fato do contribuinte ter apresentado DIPJ sem valores e ter deixado de apresentar os livros contábeis obrigatórios caracteriza omissão de receita; 4. Que o sujeito passivo não apresentou resposta ao nosso Termo de Constatação e Intimação de 22/11/10 (fls. 214 a 216), onde foi lhe dado ciência dos fatos acima narrados, sendo o mesmo intimando a apresentar novos elementos que complementassem ou retificassem as informações contidas naquele Termo; 5. Que a falta de escrituração contábil por parte da pessoa juridica tributada com base no lucro real constitui hipótese de arbitramento de lucros, quando a Fiscalização tomará por base a receita bruta conhecida. Não logrando o contribuinte justificar as diferenças a menor entre os valores da receita bruta declarada e a informada ao Fisco Estadual, é legitimo o arrolamento, para fins de arbitramento do lucro, dos valores constantes da Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAs) entregues à Administração Fazendária Estadual. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004334/201061 Acórdão n.º 1402001.189 S1C4T2 Fl. 0 17 Assim, procederseá ao lançamento de oficio relativo ao IRPJ , CSLL, PIS e COFINS, com o fim precipuo de promover a sua constituição, que será objeto do Processo Administrativo Fiscal no. 19515.004334/20161, através do arbitramento do lucro, conforme inciso I do art. 530 do RIR/99, tomando —se por base de cálculo os valores registrados no Livro Registro de Apuração de ICMS (fls. 247 a 272) e declarados nas GIAs (235 a 246), conforme abaixo demonstrado, aplicandose o coeficiente de arbitramento de 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL, de acordo com o art. 532 do RIR/99, conforme planilhas anexas ao presente Termo (fls. 286 a 290), reconhecendose os valores declarados em DCTFs de PIS e COFINS (fls. 321 a 234) : (...) V DO AGRAVAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Procederemos à QUALIFICAÇÃO da multa de lançamento de oficio, conforme § 1° do art. 44 Lei 9.430/1995 (abaixo transcrito), combinado com o inciso II do art. 957 do RIR/99, aprovado pelo Dec. 3.000/99, tendo em vista que o contribuinte foi enquadrado no crime de sonegação fiscal, e, conseqüentemente, ao seu AGRAVAMENTO, com alíquota de 225%, de acordo com o inciso I do § 2o. do art.44 da Lei 9.430/96 (abaixo transcrito), combinado com o art. 959 do RIR/99, por ter deixado de atender a intimação, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos. (...)” Os fatos acima narrados falam por si só. O Embaraço a Fiscalização está patente. A omissão receitas é de clareza solar, comprovada não só pelas GIA quanto pelo Livro Registro de ICMS, sendo que o contribuinte apresentou DIPJ zerada, sem realizar qualquer recolhimento, mesmo tendo auferido receitas mensais superiores a R$ 1.000.000,00 durante todo o ano de 2006 (vide demonstrativo às fls. 282283). Por fim, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Diante do exposto, voto no sentido em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 672DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13767.000187/2007-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 01 87 /2 00 7- 14 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13767.000187/200714 Acórdão n.º 2801002.819 S2TE01 Fl. 100 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 46), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida por auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, notificação de lançamento (fls. 02/04) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 28/05/2007, conforme Aviso de Recebimento (fls. 24). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído, conforme Demonstrativo do Crédito Tributário (fl. 02): . Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 771,26 Multa de Ofício (passível de redução) 578,45 Juros de Mora (cálculo até mai/2007) 361,41 Imposto de Renda Pessoa Física sujeito a muita de mora 3.012.26 Multa de Mora (não passível de redução) 602,45 Juros de Mora (cálculo até mai/2007) 1.411,54 Crédito Tributário Apurado 6.737,37 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias peio contribuinte supracitado, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Previdência Oficial Dedução indevida de contribuição à previdência oficial, por não comprovação da dedução de previdência declarada, conforme documentos apresentados. Valor glosado: RS 7.692.30.' O Enquadramento Legal encontrase às fls. 04. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, em virtude da não comprovação, pelo contribuinte, por meio de Dirf ou Darf da retenção do imposto de renda na fonte, referente a fonte pagadora S/A União Manufatura de Roupas. Valor glosado: RS 7.845.71. O Enquadramento Legal encontrase às fls. 03. Em 26/06/2007, no pedido de impugnação (fl. 01), o contribuinte alega que: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13767.000187/200714 Acórdão n.º 2801002.819 S2TE01 Fl. 101 3 os documentos foram apresentados à Receita Federal: o imposto de renda retido na fonte foi recolhido em 20/04/2007. conforme darf em anexo; à época da apresentação dos documentos não era possível saber se o imposto de renda retido na fonte havia sido recolhido ou não. Requer a revisão da Notificação de Lançamento e o recebimento da restituição que lhe é devida. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Mantémse a glosa efetuada quando os valores deduzidos na Declaração de Ajuste Anual não são comprovados por documentação hábil e idônea. COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Mantémse a glosa efetuada quando os valores deduzidos, na Declaração de Ajuste Anual, a titulo de imposto de renda retido na fonte não são comprovados por documentação hábil e idônea. Cientificado em 01/03/2011 (Fls. 57), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/04/2011 (fls. 59), alegando: Eu Agnaldo de Souza veio através relatar que no ano 2003 recebi uma indenização da empresa S/A UNIÃO MANUFATURA DE ROUPAS. Na qual ela teria que recolher o imposto de renda na fonte não o fez. Somente recolheu em 2007, comprovado pela DARF. Estando eu certo de terem recolhido os devidos tributos não me preocupei com o mesmo, por isso estou escrevendo esta carta para pedir que revisem minha situação junto à receita. Eu de boa fé enviei todos os documentos que teria que enviar xerox da guia da previdência social, alvará judicial (nº 118/2007). Trabalhei na mesma do ano de 1992/1998 quando fui despedido, sem justa causa, foi tudo feito dentro da lei, só peço que analise minha causa por que, não tive intenção de lesar os órgãos competentes, por que estava certo que a S.A. união manufatura de roupas estava cumprindo com suas obrigações, Novamente estou enviando copias de todos os documentos que tenho em mão. Para ser analisados novamente por que não tive intenção de lesar o fisco. É o Relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13767.000187/200714 Acórdão n.º 2801002.819 S2TE01 Fl. 102 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço do contribuinte, via correio, tendo sido recebida em 01/03/2011, conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls. 35. A peça recursal somente foi protocolizada em 12/04/2011, conforme atesta documento de fls. 36, portanto, fora do prazo fatal. Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13767.000187/200714 Acórdão n.º 2801002.819 S2TE01 Fl. 103 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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