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Numero do processo: 10410.720396/2010-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual.
IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS.
São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Precedentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 340,70 declarado a título de imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir Da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Precedentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Precedentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 340,70 declarado a título de imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 03 96 /2 01 0- 17 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 112 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir Da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório as seguintes considerações efetuadas pela Autoridade Julgadora de 1ª instância: “Contra o contribuinte acima identificado, foi emitida a Notificação de Lançamento, fls. 08, do exercício 2008, ano calendário 2007, em decorrência da glosa do imposto de renda retido na fonte, resultando na apuração do IRPF/2008 de R$ 3.666,78, código 0211, multa e juros de mora, totalizando em R$ 9.669,37, atualizado até 30/04/2010. 2. De conformidade com a descrição dos fatos e enquadramento legal,consta que: “Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 3.666,78, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas.Glosa do valor referente ao imposto de renda retido na fonteIRRF. por se tratar de contribuinte proprietário/administrador/responsável pela fonte pagadora COMESE LTDA.Em consulta aos Sistemas da Receita Federal do Brasil constatamos que essa empresa recolheu, no código de receita 0561 (rendimentos do trabalho assalariado apenas R$ 340,70 do total de R$ 3.666,78 de imposto de renda retido na fonte do contribuinte Sistema DIRF Batimento) contribuinte fora intimado a apresentar comprovantes de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF, nada apresentando até a presente data..” 3. Cientificado do lançamento por via postal, apresentou a impugnação de fls. 01/02, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, para alegar que : “ No transcorrer do ano de 2007, recebi retirada de Pró labore da empresa COMESE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 09.340.795/000151 e dessa retirada foi descontado o IRRF, fato esse comprovado mediante comprovante de rendimentos fornecido pela empresa, Dirf e IRPF, porém essas informações deveriam estar contidas nas DCTF entregues referente ao ano de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 113 3 2006, fato esse não tendo sido realizado na ocasião, por descuido da pessoa responsável pelo preenchimento da mesma. 1 – PRELIMINAR Antes da apreciação do mérito, ressalto que ao perceber a falta essas informações, que se diz respeito à retenção do IRRF nas DCTF do ano de 2007 as mesmas foram retificadas 11. 2 – MÉRITO Com base do inciso 111 e IV do art. 16 do Dec. 70.235/72, solicito que as informações contidas nessas DCTF retificadoras possam ser aceitas e com isso obter a solução da pendência objeto dessa Notificação. Seguem em anexo: 2ª via das DCTE'la e 2° Semestres de 2007 tendo sido retificadas em 2010. 111. 2 A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a presente impugnação seja acatadas para o fim de cancelar o lançamento.” Após discorrer sobre responsabilidade solidária, a Relatora a quo assim manifestou seu entendimento, que conduziu o Acórdão para considerar improcedente a impugnação e manter a exigência do crédito tributário: “Assim sendo, é de se manter a glosa do imposto de renda por não ter ficado comprovado o pagamento do imposto de renda retido na fonte, pela empresa da qual o contribuinte é responsável, nos termos da legislação vigente. 10 Ante o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação, para manter na integra o valor apurado na Notificação de Lançamento de fls. 02”. Observo que a Notificação de Lançamento foi lavrada em 05/04/2010, conforme fl. 4, e o Auditor Fiscal autuante consignou que o “contribuinte fora intimado a apresentar comprovantes de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF, nada apresentando até a presente data..” o que não foi questionado pelo Recorrente. Na fl. 10 consta um recibo de entrega de DCTF retificadora, referente ao ano calendário de 2007, entregue em 12/05/2010, portanto na véspera da apresentação da impugnação, que deuse em 13 de maio de 2010. Nessa Declaração, consta débito para o primeiro semestre, a título de IRRF, no montante de R$ 3.257,96 (fl. 10) e de R$ 408,84 para o segundo semestre (fl. 29). Somadas as duas quantias obtémse R$ 3.666,80. Em sede de recurso voluntário o contribuinte aduz que os valores retidos referentes ao IRRF sobre os rendimentos que lhe foram pagos foram “devidamente quitados pela empresa responsável”, sendo que do total de R$ 3.666,78 “de imposto de renda retido na fonte de todos os beneficiários constantes na DIRF”(grifei) foram pagos R$ 340,70 e o restante foi incluído no Refis, previsto na Lei nº 11.941/2009. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 114 4 Informa que anexa comprovantes de pagamento do imposto de renda retido na fonte, recibo de consolidação dos débitos incluídos no Refis e “planilha resumo da situação dos impostos” Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator A ciência do Acórdão de 1ª instância deuse em 08/02/2012 (fl. 87) sendo o recurso voluntário apresentado em 09/03/2012. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento e passo à análise. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte principalmente os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoas físicas ou jurídicas, os rendimentos do trabalho não assalariado pagos por pessoa jurídica, os rendimentos de aluguéis e royalties pagos por pessoa jurídica e os rendimentos pagos por serviços entre pessoas jurídicas, tais como os de natureza profissional, serviços de corretagem, propaganda e publicidade. Tem como característica principal o fato de que a própria fonte pagadora tem o encargo de apurar a incidência, calcular e recolher o imposto em vez do beneficiário. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. Na declaração de ajuste anual, pode o contribuinte compensar o valor do imposto que haja efetivamente sido retido e recolhido pela fonte pagadora. Quando opta por realizar esta compensação, passa a ser responsável pelo valor do tributo compensado. No caso em particular, o contribuinte, pessoa física beneficiária dos rendimentos, é sócio responsável pela pessoa jurídica, que deveria efetuar a retenção e recolhimento do imposto (extrato do CNPJ na fl. 70). Assim, surge o instituto da solidariedade, conforme artigo 124, I, do CTN: ART. 124 – São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ainda, temos o art. 723 do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito, para deixar claro o “interesse comum” a se aplicar à solidariedade, no caso: Art.723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (Decreto Lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único.A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 115 5 gestão ou representação (Decreto Lei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Na linha acima, considerando que os sócios e acionistas controladores são responsáveis solidários pelo não recolhimento do imposto descontado na fonte, irretocável a glosa do IRRF na declaração do sócio quando a pessoa jurídica, fonte pagadora, não recolhe o IRRF aos cofres públicos, nos prazos devidos. Ora, o presente lançamento se aperfeiçoou com a ciência ao sujeito passivo da Notificação de Lançamento, em 13/04/2010 (fl. 54), sendo os atos de retificação da DCTF feitos após. Os pagamentos feitos pela empresa, referentes ao IRRF, após o início da presente ação fiscal não poderiam ser utilizados pelo contribuinte, pois a espontaneidade da empresa também estava suspensa, na forma do art. 7º, I e § 1º, do Decreto nº 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.(grifei) Ressaltese que no recibo de DCTF retificadora, referente ao ano calendário de 2007, consta como entregue em 12/05/2010. Assim, tanto a pessoa física beneficiária dos rendimentos quanto a pessoa jurídica que deveria ter efetuado a retenção e o recolhimento do IRRF não tinham mais a espontaneidade para retificar declarações e efetuar pagamentos, após o início do procedimento fiscal, sendo indevidas a retificação e os recolhimentos efetuados. Entendese que quando há o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, como é o caso, aqui anexado na folha 73, o beneficiário declarante eximese de responsabilidade. Mas, no caso, existe a solidariedade, uma vez que o mesmo é o responsável pela fonte pagadora e conseqüentemente deveria ter efetivamente efetuado o recolhimento do imposto retido. Cito os seguintes precedentes deste CARF: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRRF NÃO RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO SÓCIO DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Nos termos do artigo 8° do Decreto n°. 1.736, de 1979, são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre a renda descontado na fonte. Nesse caso, o IRRF não recolhido Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 116 6 aos cofres públicos pela fonte pagadora que incidiu sobre os rendimentos auferidos por sócio deve ser glosado da declaração de ajuste anual do sócio beneficiário dos rendimentos... (Acórdão 2102001.069 de 10/02/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2001 IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Recurso negado.(Acórdão 210201.501 de 24/08/2011) IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IR DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte na DIRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios, e/ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova da sua retenção e do seu efetivo recolhimento com documentação hábil e idônea.(Acórdão 2801 003.001 de 17/04/2013) IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento.(Acórdão 2201002.225 de 15/08/2013) Assim, entendo que a ação fiscal foi procedente, ante a constatação, não elidida pelo Recorrente, de que o imposto usado para compensação na DIRPF, no importe de R$ 3.666,78, não foi efetivamente recolhido aos cofres públicos, sendo responsável pelo mesmo o contribuinte pessoa física que o utilizou. O que se comprova nos autos é que apenas R$ 340,70 (trezentos e quarenta reais e setenta centavos) foram recolhidos.(fl 74) Apesar de constar que o valor de R$ 3.666,78 referese a “todos os beneficiários constantes da DIRF”, como grifado no Relatório, observo que todo ele foi utilizado apenas na DIRPF do aqui Recorrente e que na fl. 74, onde consta a ‘tela’ de sistema com o “batimento DIRFXDARF” apresentase apenas um beneficiário. Observo ainda, que na planilha de fl. 107, onde o contribuinte busca resumir a situação do que foi pago com o que era devido, a soma das colunas de “pago” com “refis” não é igual ao valor na coluna “devido”. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 117 7 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para considerar como imposto retido na fonte o valor de R$ 340,70 (trezentos e quarenta reais e setenta centavos, correspondente a cinco pagamentos de R$ 68,14) Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 35011.002536/2005-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
IMPRECISÕES DO LANÇAMENTO NÃO APRECIADAS PELO ÓRGÃO A QUO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revela a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, se tais questões não tiverem sido devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Inteligência do art. 5°, LV, da CF, e art. 142 do CTN.
Anulada Decisão de Primeira Instância
Numero da decisão: 2302-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 IMPRECISÕES DO LANÇAMENTO NÃO APRECIADAS PELO ÓRGÃO A QUO. CERCEAMENTO DE DEFESA. A manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revela a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, se tais questões não tiverem sido devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Inteligência do art. 5°, LV, da CF, e art. 142 do CTN. Anulada Decisão de Primeira Instância
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CERCEAMENTO DE DEFESA. A manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revela a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, se tais questões não tiverem sido devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Inteligência do art. 5°, LV, da CF, e art. 142 do CTN. Anulada Decisão de Primeira Instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 25 36 /2 00 5- 38 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.002536/200538 Acórdão n.º 2302002.971 S2C3T2 Fl. 465 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 102/105), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), lavrada em substituição a NFLD DEBCAD n° 35.546.8450, lavrada em 29/08/2003, declarada nula por vicio formal, que consigna contribuições sociais previdenciárias correspondentes à parte dos segurados empregados (não descontada) e à parte do órgão público, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, previstas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Conforme Relatório Fiscal (fls. 23/29), o crédito, relativo às competências 12/1998 e 13/1998, referese às contribuições incidentes sobre os serviços prestados pelos segurados contratados sob a égide do regime jurídico dos servidores admitidos em caráter temporário — Lei n° 1.674, de 10 de dezembro de 1984, e dos contratados para ocupar exclusivamente cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, ainda não reconhecidos pelo Estado do Amazonas — Assembléia Legislativa como filiados ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Conforme o mesmo relatório, tanto os servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, quanto os servidores contratados sob regime temporário são enquadrados no RGPS, por força do disposto no artigo 40 da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 15 de dezembro de 1998. Fundamentam o presente lançamento, além dos dispositivos mencionados no Relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 11/12), o artigo 15,1, da Lei n° 8.212, de 1991. O auditor notificante informa (fls. 28) que foi analisada a defesa interposta contra a NFLD substituída, a qual não apresentou elementos novos que pudessem ensejar a retificação do débito. Informa ainda (fls. 28) que, para a constituição deste lançamento, foram examinadas as Folhas de Pagamento dos segurados temporários, contratados sob a égide da Lei 1.674, de 1984, e dos contratados para ocupar exclusivamente cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, Fl. 462DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 ainda não reconhecidos pelo Estado do Amazonas —Assembléia Legislativa como filiados ao RGPS, identificados em seu controle interno como "Quadro Temporário, Quadro Comissionado e Quadro Comissionado — Gabinete", Notas de Empenho, Notas de Liquidação de Despesas, Ordens Bancárias e Registros Contábeis do período fiscalizado. O contribuinte teve ciência da notificação em 26/10/2005, na pessoa do Subprocurador Geral do Estado, tendo apresentado impugnação em 09/11/2005, juntada aos autos As fls. 34/45, na qual, alega, em síntese, o que segue. Afirma que os servidores estaduais contratados sob a égide da Lei Estadual n° 1.674, de 1984, possuem vinculo com o Instituto Previdenciário do Estado do Amazonas (IPEAM) desde muito antes da EC n° 20, de 1998. Diz que o Estado do Amazonas sentese ofendido em sua autonomia, não reconhecendo constitucionalidade na EC n° 20, de 1998 no que pertine à obrigatoriedade de filiação de seus antigos servidores especiais, contratos pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, cujas peculiaridades não podem deixar de ser reconhecidas. Explica que estes funcionários prestam serviço ao Estado sob vinculo de natureza administrativa, que vem sendo reconhecido pelos tribunais, conforme decisões que transcreve. Informa que estes servidores pertencem agora ao quadro suplementar, identificados nas folhas de pagamento como "VINCULO C", possuindo direitos e deveres definidos pelo Estatuto do Funcionário Público Estadual (Lei Estadual n° 1.762, de 14 de novembro de 1986), inclusive quanto à aposentadoria. Afirma que, por meio da Lei Estadual n° 2.624, de 22 de dezembro de 2000, os servidores então pertencentes ao Regime Especial, instituído pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, receberam prerrogativas e deveres dos servidores estatutários, definidas pelo art. 30 daquela Lei. Transcreve alguns trechos da referida norma. Argúi, com base nos artigos 18 e 24 da CF/88 que os Estados da Federação possuem competência privativa para regular sua própria organização e afirma a necessidade de reforma da decisão administrativa que, em afronta direta ao disposto nos referidos artigos da CF/88, deixa de atribuir validade aos servidores amparados pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, até porque os mesmos, por força da Lei Estadual n° 2.624, de 2000, não mais formam relação precária e temporária com o Estado do Amazonas. Discorre acerca da inconstitucionalidade do § 13 do art. 40 da CF/88, na redação dada pela EC n° 20, de 1998, e da possibilidade de declaração de inconstitucionalidade em sede administrativa. Por fim, pede o conhecimento da impugnação e seu julgamento procedente para efeito de cancelar a NFLD. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.002536/200538 Acórdão n.º 2302002.971 S2C3T2 Fl. 466 5 Às fls. 48, consta solicitação do ProcuradorGeral do Estado para que fosse procedida a revisão fiscal do lançamento, a qual foi indeferida pela Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário, conforme despacho às fls. 50. Às fls. 52/54, consta requerimento de diligência, datado de 03/10/2006, o qual solicita o pronunciamento da autoridade lançadora a respeito da adequação ao caso concreto (servidores contratados sob a égide da Lei n° 1.674, de 1984) em relação ao conteúdo do Parecer CJ n° 3.333, de 2004, e a anexação de cópias das leis mencionadas. Às fls. 57/59, consta informação fiscal, segundo a qual os servidores admitidos sob amparo da Lei n° 1.674, de 1984, em caráter temporário, são classificados no RGPS, aplicandose o disposto no § 13 do art. 40 da CF/88, por serem segurados cuja natureza de atribuições de cargos e funções é temporária. A autoridade fiscal considera que, de acordo com o art. 1° da Lei no 1.674, de 1984, tratase de servidores admitidos em caráter temporário, não cabendo buscar apoio no previsto no caput do art. 40 da CF/88 para colocálos como beneficiários do regime próprio de previdência do Estado do Amazonas. Entende que os servidores admitidos através da referida Lei não se enquadram no disposto no item "h" do Parecer CJ n° 3.333, de 2004, mas no item "c", que se reporta ao § 13 do art. 40 da CF/88, referindose a servidores não estabilizados, que não cumpriram o interregno de cinco anos previsto no art. 19 do ADCT, quando a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja temporária, aplicandose assim o RGPS. Entende também que as disposições da Lei n° 2.624, de 2000, que transformou em cargos as funções temporárias dos servidores admitidos sob a Lei n° 1.674, de 1984, não se sustentam, por não terem respaldo na CF/88 e nem do Parecer CJ n° 3.333, de 2004, que não distingue cargos e funções ocupados por servidores para classificálos no regime próprio ou no regime geral. Anexa, às fls. 60/89, cópias das Leis Estaduais n° 1.674, de 1984, 1.762, de 1986, 2.607, de 2000, e 2.624, de 2000. Da informação fiscal foi dada ciência ao contribuinte em 10/04/2007, conforme cópia de Aviso de Recebimento (AR), as fls. 93, não tendo o mesmo se manifestado. A DRJ, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 101/108). A recorrente foi intimada da decisão em 28/02/2008 (fls. 111), apresentado Recurso Voluntário em 31/03/2008 (fls. 112/119), no qual alega: 1. os servidores estavam amparados por Regime Próprio de Previdência; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 2. são ilegítimas as contribuições referentes às competências 12 e 13 de 1998, por não observância do art. 195, parágrafo 6° da Constituição; 3. há presença de servidores efetivos no quadro comissionados; 4. não foi observado o limite máximo do saláriode contribuição; 5. não foi deduzido o valor referente ao saláriofamília; 6. deve ser excluído o nome dos Procuradores da relação de co responsáveis. Remetidos os autos a este Conselho e distribuídos os autos à esta 2ª Turma Ordinária, foi emitida a Resolução n° 230200.027 (fls. 184/186), determinandose diligência para que fosse analisada a documentação juntada em recurso (leis estaduais); para que fossem apreciadas a validade, a vigência, a regularidade do Regime Próprio, bem como a possibilidade de enquadramento dos segurados incluídos na presente NFLD no Regime do Estado do Amazonas. Tal análise seria relevante, pois interfere no cálculo relativo ao 13° salário de 1998, se proporcional ou integral. Também se determinou que fosse analisada a documentação juntada pela recorrente relativo ao argumento de servidores efetivos e dedução do salário família. Em cumprimento às solicitações supra referidas, a ilustre autoridade fiscal fez pormenorizada análise dos autos, emitindo a Informação Fiscal de fls. 190/192 e manifestando entendimento pelas retificações apontadas na Planilha de fls. 199/200. Às fls. 439/446 consta manifestação da recorrente sobre a diligência fiscal. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.002536/200538 Acórdão n.º 2302002.971 S2C3T2 Fl. 467 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Exposto, o caso concreto, é de se notar que, do resultado da diligência efetuada, o fisco manifestouse pela retificação do crédito lançado. Todavia, não foi procedida pela fiscalização a citada retificação, apenas foi informado ao sujeito passivo que alguns valores lançados deveriam efetivamente ser excluídos da notificação. Em que pese este colegiado ter competência para julgar recursos em segunda instância administrativa, temos, de fato, uma ampla manifestação da autoridade fiscal sobre o lançamento que não foi analisada na decisão de primeira instância, que dá procedência total ao lançamento, quando a diligência solicitada admite que o crédito lançado deva ser retificado. Assim, a manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revelou a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, pois tais questões não foram devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Portanto, urge que a decisão de primeira instância seja reformada, para que haja decisão do órgão a quo sobre a ampla manifestação da autoridade lançadora, em especial sobre a retificação proposta. Pelo exposto, voto por anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, considerando o resultado da diligência e a manifestação da recorrente, com posterior reabertura de prazo recursal. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 466DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.913512/2009-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 12 /2 00 9- 26 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 15/03/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência novembro de 2003, com débitos de COFINS referentes a fevereiro de 2006, no valor total de R$ 2.344,85. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2004.11954220 de 13/02/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 25.34.10.65.49. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913512/200926 Acórdão n.º 3803004.644 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913512/200926 Acórdão n.º 3803004.644 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000457/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 25/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 57 /2 00 7- 61 Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 205 01.398, proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 02 de dezembro de 2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo a sua ementa: “DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicílio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicílio eleito. Processo Anulado.” Segundo a Fazenda Nacional, o aresto recorrido merece ser reformado por ter contrariado a prova dos autos e a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2º do CTN; arts. 9, §2º, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto 70.235/72, e, ainda, arts. 2º, IX e 22, da Lei n.º 9.784/99. Na parte em que entende ter havido violação à prova dos autos, observa que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do lançamento sob a argumentação de que a decisão final do Tribunal Regional Federal determina a anulação dos atos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000457/200761 Acórdão n.º 9202002.954 CSRFT2 Fl. 9 3 Diz que o equívoco do julgado recorrido foi reputar que a decisão final do TRF da 2 Região, proferida em 15 de agosto de 2007, de natureza eminente declaratória, poderia anular atos então praticados validamente. Argumenta que, como o pedido formulado na ação judicial foi exclusivamente declaratório, dele não se pode extrair nenhuma consequência de invalidação, já que os provimentos declaratórios apenas ocasionam a certificação. Quanto à violação aos art. 127, §2º do CTN e art. 9, §2º do PAF, considera que os elementos constantes do caderno processual evidenciam que existiram motivos suficientes e legítimos para a recusa do domicílio fiscal da contribuinte. Sustenta que, à luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da NFLD, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Registra que o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, se posicionou no sentido que a recusa do domicílio ou lavratura de auto de infração por autoridade diversa do domicilio tributário eleito não constitui hipótese para declarar a nulidade do lançamento. Sobre a violação dos arts. 11,59 c/c 60,61, do Decreto n.s 70.235/72, considera que, ainda que se possa cogitar de eventual vício na autuação, esse não se mostra apto a determinar a nulidade da NFLD. Entende que a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Frisa que todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Ressalta que o contribuinte demonstrou ter pleno conhecimento da origem do débito, tanto que o rebate de forma bem minuciosa, detalhando, inclusive, ponto a ponto suposto erro existente na base de cálculo do tributo. Observa que a jurisprudência do CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, como ocorre no caso presente, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos da Informação de fls. 937/943, foi negado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou agravo às fls. 947/953. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos do Despacho n.º 2401149/2009, foi acolhido o pedido de reexame do recurso em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Preliminarmente afirma que, nos termos do art. 67, §2° do Anexo II do Regimento, o recurso da Fazenda deve ser inadmitido, uma vez que o acórdão recorrido, proferido pela C. Quinta Câmara, apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo do procedimento fiscal. Em seguida frisa que, em que pese a tentativa insistente do Recorrente em afirmar que a sede da Recorrida é no Centro do Rio onde funciona uma de suas mais antigas filiais, o próprio Contrato Social devidamente registrado atesta sua sede em Rio das Flores, Volta Redonda, sendo lá seu domicílio fiscal. Destaca que o CARF chancelou, em seus vários julgamentos, que a aferição indireta, instrumento do qual se valeu a Recorrente no caso, só tem sede e razão de existir se houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o que, decididamente, não ocorreu, pois a Recorrida disponibilizou, sim, todos os dados necessários em seu domicílio fiscal em Rio das Flores, insistindo a Fiscalização em identificálos na filial do Rio de Janeiro. Diz que toda a temática envolvendo o efetivo domicílio da empresa foi levada ao crivo do Poder Judiciário nos autos da ação ordinária n.º 2003.51.01.0224300, declarandose a sede como domicílio fiscal por decisão judicial já transitada em julgado, sendo na oportunidade a Fiscalização devidamente informada pela empresa do seu domicílio. Afirma que não há como a Recorrente atacar os fundamentos adotados pelo acórdão em relação à aplicação do art. 127, §2º do CTN, porque a decisão judicial colegiada já dispôs definitivamente sobre a matéria. Aponta que o erro no procedimento não se deu simplesmente porque a autoridade não era competente, mas porque a dita autoridade (in)competente se dirigiu a outro endereço que não o do domicílio fiscal da empresa. Argumenta que o aresto do E. STJ citado pela Recorrente em suas razões recursais (RESP 893616) não se aplica ao presente caso. Naquele julgamento, a empresa interessada pretendia anular o procedimento fiscal por ter tramitado processo perante a autoridade incompetente. No presente caso, por outro lado, a Recorrida não foi fiscalizada em seu domicílio fiscal, por isso a fiscalização não encontrou a documentação que sempre lhe esteve à disposição, e por isso procedeu irregularmente à aferição indireta. Entende que a nulidade arguida e reconhecida no julgamento da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes está embasada exatamente no texto legal, ou seja, não houve qualquer infração aos dispositivos legais suscitados pela Fazenda, sendo o prejuízo arcado somente pela Recorrida que se submeteu a flagrante cerceamento de defesa. Frisa que a Fiscalização tinha conhecimento do domicílio da empresa, assim como do fato de que todos os documentos estavam em sua sede em Rio das Flores. Ao final, requer o não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000457/200761 Acórdão n.º 9202002.954 CSRFT2 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7o e do art. 9o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à Io de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7 o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. O recurso é tempestivo e examinandose o recurso especial apresentado verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.0224300 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Tratase de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juízo da 19* Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: "MJ. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 Rio da Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicílio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizála na sua filial, situada na Rua São José, n" 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindolhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Daí o pedido. (...) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, §2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercido da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude dc mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III— Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera adrriinistrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000457/200761 Acórdão n.º 9202002.954 CSRFT2 Fl. 11 7 Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilibrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÂJUO CUSTEIO NFLD DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado " (Acórdão CARF n° 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Memteiro e Silva Vieira) Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10882.902894/2008-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 94 /2 00 8- 13 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 159 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 160 3 o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 161 4 empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 162 5 “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 163 6 “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 164 7 incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 165 8 Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 166 9 É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 167 10 O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 168 11 “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 169 12 Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 170 13 formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 171 14 comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 172 15 Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10830.000390/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PERC. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. DEDUÇÃO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES.
A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindo-se as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. A ausência delas no momento da opção não é defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori.
Numero da decisão: 1302-001.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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PERC Recorrente ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS S/A Recorrida FAZENDA NACONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PERC. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. DEDUÇÃO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindose as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. A ausência delas no momento da opção não é defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 03 90 /2 00 8- 64 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 351 2 Relatório ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0531.660, de 15 de Dezembro de 2010, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP., recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal – PERC, tendo em vista que não teria cumprido os requisitos previstos no art. 9º da Lei nº 8.167/1991, no anocalendário (2005) em que efetuou a opção pelo incentivo destinado ao FINAM em sua Declaração de Imposto de Renda. Irresignada, tempestivamente apresentou sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Ao descrever os fatos, assevera ter informado sua opção por destinar parcela do IRPJ referente aos meses de setembro e outubro do anocalendário de 2005 ao Fundo de Investimento da Amazônia – FINAM, para posterior aplicação dos recursos em investimentos regionais. Acrescenta ter recolhido as importâncias de R$ 6.642.664,75 e R$ 5.475.697,28, relativas aos períodos de setembro e outubro de 2005, respectivamente, em DARF com código 9032, que identifica as importâncias do IRPJ destinados a FINAM pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime de recolhimento do imposto por estimativa, bem como ter manifestado sua opção irretratável pela participação do programa FINAM quando da entrega da DIPJ do anocalendário de 2005 situação especial. Na seqüência, argumenta que: o direito de ingresso da Requerente no programa FINAM está pautado na disposição contida no art. 9º, § 4º da Lei nº 8.167/91, que autoriza expressamente os novos acionistas de empresas já detentoras de projetos anteriormente aprovados pelo Ministério da Integração Nacional a se beneficiarem, da mesma forma, do referido incentivo, revertendo os recursos para os projetos de terceiros; devem ser obedecidos alguns requisitos, em especial, a existência de um projeto de terceiro préaprovado e a participação mínima de 5% do novo sócio no capital da pessoa jurídica; no caso concreto, a Requerente adquiriu 727.016 ações preferenciais emitidas pela empresa SIMARA – Siderúrgica Marabá S . A . (atual SINOBRÁS – Siderúrgica Norte Brasil S/A) que representavam 5,66% de seu capital social (doc. 5, fls. 258); o ingresso da Requerente nos projetos beneficiários do FINAM como acionista da empresa SIMARA foi aprovado pelo Ministério de Integração Nacional em despacho emitido pelo Ilmo. Sr. Gerente de Projetos do referido órgão em 31 de janeiro de 2006 (doc. 06 , fls. 260); Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 352 3 apesar disso, foi emitido Extrato não reconhecendo a sua opção, o que ensejou a apresentação do Pedido de Revisão (PERC), o qual foi indeferido pelo Despacho ora impugnado. Defende, então, o cumprimento a todos os requisitos impostos pela Legislação para Participação do Programa de Incentivo FINAM, iniciando por breve histórico e fundamentos do programa de incentivo FINAM e sintetizando os requisitos para a participação de novo acionista no programa FINAM e FINOR., como segue: I – o novo acionista deve deter a participação mínima de 5% (...) do capital social da pessoa jurídica; II – os demais integrantes do grupo societário da pessoa jurídica com projeto aprovado não devem ter apresentado, nos dois últimos exercícios, capacidade de geração de incentivo compatível com os compromissos financeiros assumidos por ocasião da aprovação do projeto; III – o novo acionista deve garantir os recursos dos incentivos antes previstos, em substituição aos demais integrantes do grupo; IV – a pessoa jurídica coligada deve possuir projeto aprovado pelo Ministério da Integração antes da edição das Medidas Provisórias nºs 2.19914 e 2.1575/01. Sob título “da existência de projeto préaprovado na região do FINAM – da possibilidade de participação em projetos de terceiros”, argumenta que duas foram as razões para indeferimento do PERC pela DRF: (i) a primeira, específica, relacionada à inexistência de projeto próprio na região incentivada e (ii) a segunda, genérica decorrente do descumprimento das condições impostas pelas Medidas Provisórias nºs 2.19914, 2.1565 e 2.1575. Reconhece não possuir projeto em seu nome na região incentivada pelo FINAM e alega que o projeto para o qual a requerente visa a reverter os valores de IRPJ recolhidos é de titularidade da empresa coligada SIMARA – hipótese que defende estar amparada pelo art. 9º da Lei nº 8.167/91, transcrevendo seu § 10. Acrescenta que: quando da análise do PERC apresentado, o Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos – DGFI da Gerência Regional de Belém parece ter ficado adstrito à verificação da participação direta da Requerente no FINAM, deixando de examinar a situação da empresa SIMARA, na qual a requerente possui participação acionária e que é titular de projeto de infraestrutura aprovado pelo Ministério da Integração Nacional; se esta pesquisa tivesse sido realizada, o DGFI concluiria pela existência de projeto aprovado, como reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional no despacho da Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos – UGFIN do Ministério da Integração Nacional (doc. 11, fls. 279). Aborda o atendimento às demais condições estabelecidas na legislação para fruição do incentivo, alegando existir vício na decisão recorrida, porque a Delegacia se furtou da obrigação de indicar quais as condições ou requisitos que deixaram de ser cumpridos, fazendo apenas uma alegação genérica de descumprimento, ensejando cerceamento de direito de defesa, uma vez que a requerente não conhece com exatidão as razões pelas quais as infrações lhe estão sendo imputadas. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 353 4 Busca, então, demonstrar o cumprimento de todas as condições impostas na Lei nº 8.167/91, como segue: quanto ao requisito da existência de projeto próprio ou de terceiro aprovado pelo Ministério da Integração antes da edição das MP 2.19914 e 2.1575/01, reitera que a SIMARA, empresa coligada da Requerente, é detentora de projeto aprovado anteriormente à edição das referidas MP; quanto à sua participação na empresa SIMARA, assevera que, atendendo expressamente a esta condição, em 2005 a requerente adquiriu 727.016 ações preferenciais classe B nominativas da empresa SIMARA (doc. 05, fls. 258), sendo o patrimônio acionário da requerente na SIMARA equivalente a 5,66% do capital social; quanto à necessidade de comprovação, para ingresso de novo acionista, de que os acionistas anteriores não tivessem revertido valores ao FINAM nos dois anos anteriores, assevera que a empresa SIMARA e seus antigos acionistas não apuraram lucro real nos anoscalendário de 2005 e 2006, tendo desta forma, impossibilitado a destinação dos recursos ao projeto de investimento na região do FINAM – condição cujo cumprimento foi atestado pelo Ministério da Integração Nacional quando da análise do pedido de inclusão da requerente como acionista da SIMARA; quanto à garantia pelo novo acionista da capacidade de gerar recursos para o FINAM, reportase a recolhimentos sob código 9032. Sob o título “Da aprovação da participação da Requerente no Programa de Incentivo FINAM pelo Ministério da Integração Social”, reportase novamente ao Ofício nº 37 de fls. 260 pelo qual a empresa SIMARA foi informada do deferimento de seu pleito de ingresso da Elektro como acionista, e transcreve Parecer que teria ensejado referido Ofício. Finaliza requerendo a reforma do Despacho Decisório e o deferimento da ordem de emissão de incentivos fiscais. A 5ª Turma da DRJ em Campinas/SP. analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0531.660, de 15 de Dezembro de 2010 (fls. 290), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVO FISCAL. PERC. FINAM. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS. Não superada a motivação indicada no Despacho Decisório para indeferimento do PERC, mediante comprovação do enquadramento no art. 9º da Lei 8.167/91, no período da opção pelo investimento, mantémse o indeferimento do pedido de revisão. Analisando os argumentos da interessada, a turma julgadora da DRJ Campinas observou que, em face da legislação vigente no anocalendário 2005, somente aquelas empresas que detinham projetos próprios nas áreas de aplicação de recursos e/ou participação como acionista (51% do capital votante) em projetos incentivados estavam autorizadas a fazer a opção e que a situação excepcional prevista no § 10 do art. 9º da Lei nº 8.167/1991, mediante o ingresso no quadro societário de empresa detentora de projeto aprovado, dependia de autorização prévia do Ministério da Integração Nacional. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 354 5 No caso concreto, entendeu o acórdão recorrido que a interessada não detinha projetos próprios e tampouco comprovou que estava autorizada pelo Ministério da Integração Nacional, no momento da opção, a ingressar no quadro societário da empresa SIMARA que possuía projetos próprios na área incentivada, indeferindo a manifestação de conformidade. Ciente da decisão de primeira instância em 16/09/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 307, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/10/2011. Alega, preliminarmente, que o acórdão recorrido, ao simplesmente afirmar que a recorrente não teria atendido às condições previstas nas Medidas Provisórias 2.199/14, 2156 e 2157/2001, deixou de indicar quais não teriam sido cumpridas pela recorrente, fazendo apenas um alegação genérica de descumprimento, o que resultaria em cerceamento do direito de defesa, uma vez que não foi dado conhecimento das razões pelas quais as infrações lhe estão sendo imputadas. No mérito, repete em grande parte os argumentos trazidos na sua manifestação de inconformidade, aditando os argumentos abaixo sintetizados: a) Que a pesquisa realizada pela unidade da Receita Federal junto ao Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos – DGFI da Gerência Regional de Belém deixou de examinar a situação da empresa Simara, na qual possui participação societária, e que é titular do projeto de infraestrutura aprovado pelo Ministério da Integração Nacional; b) Que comprovou que o Ministério de Integração Nacional reconheceu que a empresa SIMARA era detentora de projeto aprovado na região incentivada e que foi autorizada a admitir a interessada no seu quadro societário, nos moldes previstos no art. 9º, § 10 da Lei nº 8.167/1991; c) Que comprovada a existência de projeto de infraestrutura de empresa coligada da recorrente é perfeitamente legítima sua participação no programa FINAM, mediante a destinação de recursos ao projeto de terceiro; d) Que optou pelo direcionamento de parcela do valor do imposto para aplicação em quotas do FINAM, em caráter excepcional, como novo acionista que ingressa com participação mínima de 5% no capital social de pessoa jurídica que já detinha projeto aprovado, atendendo aos requisitos previstos no § 10 do art. 9º da Lei nº 8.167/1991; e) Que o acórdão recorrido se equivoca ao afirmar que não foi comprovado que a recorrente detinha autorização do Ministério da Integração Nacional para ingressar como acionista da empresa SIMARA, pois o pedido foi deferido integralmente pelo órgão competente, conforme Ofício nº 037 do GerenteGeral da Unidade de Gerenciamento do Fundo de Investimentos; f) Que o Ministério da Integração, que aprovou a participação da recorrente na empresa SIMARA verificou pontualmente o atendimentos das condições para ingresso como novo acionista, entre eles: a insuficiência de destinação de recursos dos acionistas anteriores, a existência de um projeto préaprovado, a participação da no capital da empresa investida em percentual mínimo e a declaração de destinação de parte dos recursos do IRPJ ao FINAM; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 355 6 g) Que a competência para autorização de ingresso de acionista em empresa detentora de projeto aprovado é do Ministério da Integração Nacional, o que atesta a regularidade do procedimento da recorrente, uma vez que foi comprovada a autorização por aquele órgão, não existindo motivo de indeferimento do PERC pela Receita Federal; h) Que no que tange a questão relativa ao momento em que a recorrente obteve a mencionada autorização, mesmo que a aplicação no FINAM tenha sido realizada no curso do anocalendário, é evidente que a autorização do Ministério da Integração Nacional veio convalidar a opção já realizada pela recorrente, nos termos do art. 55 da Lei nº 9.78499. i) Que não é aplicável ao caso a Súmula nº 37 do CARF , como fez o acórdão recorrido; e j) Que não houve nenhum prejuízo ao Poder Público com toda a transação. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido e que seja deferido o PERC, conforme apresentado. É o Relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 356 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais; assim, dele conheço. A recorrente alega em preliminar a nulidade da decisão recorrida tendo em vista que ao simplesmente afirmar que a recorrente não teria atendido às condições previstas nas Medidas Provisórias 2.199/14, 2156 e 2157/2001, deixou de indicar quais não teriam sido cumpridas, e que teria feito apenas um alegação genérica de descumprimento, o que resultaria em cerceamento do direito de defesa, uma vez que não foi dado conhecimento das razões pelas quais as infrações lhe estão sendo imputadas. Não assiste razão à recorrente. O acórdão recorrido analisou extensamente a legislação aplicável ao caso dos autos e a documentação a ele acostada, deixando claro em suas conclusões que a recorrente não possuía, no momento da opção, as condições exigidas para a opção pelo incentivo fiscal, qual seja: ser detentora de projeto próprio na região incentivada pelo FINAM, o que a própria recorrente reconhece não possuir, e/ou a participação societária mínima exigida pela Lei em empresa detentora de projeto, devidamente autorizada pelo Ministério da Integração Nacional. Assim rejeito a alegação de nulidade do acórdão recorrido. Com relação ao mérito, a discussão centrase no fato da recorrente ter efetuado a opção pelo incentivo fiscal no FINAM, destinando ao Fundo parte do Imposto de Renda apurado no anocalendário 2005, antes mesmo da empresa detentora do projeto incentivado aprovado (SIMARA) receber a autorização do Ministério da Integração Nacional para admitila como sócia, no percentual mínimo de 5% de suas ações. Alega a recorrente que uma vez autorizado o seu ingresso no quadro societário da empresa detentora do projeto restou convalidada a sua opção pelo incentivo fiscal na sua DIPJ. Para melhor compreensão da controvérsia, julgo importante resgatar a análise da legislação aplicável feita com bastante propriedade pelo acórdão recorrido, in verbis: No Despacho Decisório ora questionado, o pedido de revisão formulado pela pessoa jurídica interessada foi indeferido sob fundamento de não se enquadrar a Requerente no disposto no artigo 9º da Lei nº 8.167/91. As disposições desse artigo 9º foram ressalvadas de revogações a teor do art. 18 da Medida Provisória 2.19914, de 24/08/2001, bem como de previsões contidas nas Medidas Provisórias 2.156 e 2.157, de 2001, que extinguiram a Sudene e a Sudam, tendo origem e reedições a seguir resumidas: [...] Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 357 8 No presente caso, é citado no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 04) o artigo 18 da Medida Provisória nº 2.19914, de 24/08/2001, que dispôs: Art. 18. Revogase o art. 4o da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, ressalvado o disposto nos arts. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória no 2.1565, e 32, inciso IV, da Medida Provisória no 2.1575, ambas de 24 de agosto de 2001. O artigo 4º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que fora revogado, assim dispunha: Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º Os recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 4º A liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 9º da Lei n.º 8.167, de 16 de janeiro de 1991, será feita à vista de DARF específico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 358 9 § 6º Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) em relação às empresas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) b) pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 7º Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 8° Fica vedada, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2014, a opção pelos benefícios fiscais de que trata este artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Já o artigo art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, cujo direito nele previsto foi ressalvado da revogação efetivada pelos artigos 32 das Medidas Provisórias no 2.1565 e 2.1575, de 2001, assim prescreve: Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o, inciso I. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 1o Na hipótese de que trata este artigo, serão obedecidos os limites de incentivos fiscais constantes do esquema financeiro aprovado para o projeto, o qual, além de ajustado ao orçamento anual dos Fundos, não incluirá qualquer parcela de recursos para aplicação na conformidade do art. 5o desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2o Nos casos de participação conjunta, será obedecido o limite mínimo de vinte por cento do capital votante para cada pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas, a ser integralizado com recursos próprios. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º O limite mínimo de que trata o parágrafo anterior será exigido para as opções que forem realizadas a partir do exercício seguinte ao da entrada em vigor desta lei. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 359 10 § 4o Relativamente aos projetos de infraestrutura, conforme definição constante do caput do art. 1o da Lei no 9.808, de 20 de julho de 1999, bem como aos considerados estruturadores para o desenvolvimento regional, assim definidos pelo Poder Executivo, tomando como base os planos estaduais e regionais de desenvolvimento, o limite de que trata o § 2o deste artigo será de cinco por cento. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 5o O disposto no § 1o do art. 1o da Lei no 9.808, de 1999, será realizado somente na forma deste artigo ou, excepcionalmente, em composição com recursos do art. 5o desta Lei, mediante subscrição de debêntures conversíveis em ações, a critério do Ministério da Integração Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 6o Excepcionalmente, apenas para os casos de empresas titulares dos projetos constituídas na forma de companhias abertas, serão mantidas as regras vigentes no inciso II do § 2o do art. 1o da Lei no 9.808, de 1999. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 7o Consideramse empresas coligadas, para fins do disposto neste artigo, aquelas cuja maioria do capital votante seja controlada, direta ou indiretamente, pela mesma pessoa física ou jurídica, compreendida também, esta última, como integrante do grupo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 8o Os investidores que se enquadrarem na hipótese deste artigo deverão comprovar capacidade de aportar os recursos necessários à implantação do projeto, descontadas as participações em outros projetos na área de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, cujos pleitos de transferência do controle acionário serão submetidos ao Ministério da Integração Nacional, salvo nos casos de participação conjunta minoritária, quando observada qualquer das condições previstas no § 9o. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 9o A aplicação dos recursos das pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que se enquadrarem na hipótese deste artigo será realizada: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I quando o controle acionário ocorrer de forma isolada, sob a modalidade de ações ordinárias ou preferenciais, observadas as normas das sociedades por ações; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) II nos casos de participação conjunta minoritária, sob a modalidade de ações ou debêntures conversíveis em ações. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 10. O Ministério da Integração Nacional poderá, excepcionalmente, autorizar o ingresso de novo acionista com a participação mínima exigida nos §§ 2o, 4o e 6o, deduzidos os Fl. 359DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 360 11 compromissos assumidos em outros projetos já aprovados pelas extintas SUDENE e SUDAM, com o objetivo de aplicação do incentivo na forma estabelecida neste artigo, desde que a nova participação acionária minoritária venha a garantir os recursos de incentivos anteriormente previstos, em substituição às deduções de pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas que: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I esteja em processo de concordata, falência ou liquidação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 2.21637, de 31.8.2001) II não tenha apresentado, nas declarações de imposto sobre a renda dos dois últimos exercícios, capacidade de geração de incentivo compatível com os compromissos assumidos por ocasião da aprovação do projeto, com base em parecer técnico da SecretariaExecutiva da respectiva Superintendência de Desenvolvimento Regional extinta. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 11. Nas hipóteses de fusão, incorporação ou cisão de pessoa jurídica titular de participação acionária, o direito à utilização do incentivo, na forma estabelecida neste artigo, será automaticamente transferido à pessoa jurídica sucessora, que deverá manter o percentual de que tratam os §§ 2o, 4o e 6o deste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 12. Os recursos deduzidos do imposto sobre a renda para aplicação em projeto próprio, conforme estabelecido neste artigo, deverão ser aplicados até 31 de dezembro do segundo ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder a opção, sob pena de reversão ao Fundo respectivo com a correspondente emissão de quotas em favor do optante. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 13. O prazo de que trata o § 12 poderá ser prorrogado, a critério do Ministério da Integração Nacional, quando a aplicação dos recursos estiver pendente de decisão judicial ou administrativa. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 14. A aplicação dos recursos na modalidade prevista neste artigo não poderá ultrapassar sessenta por cento do valor do investimento total previsto no projeto ou, excepcionalmente, setenta por cento para o caso de projetos de infraestrutura, a critério do Ministério da Integração Nacional, obedecidos aos limites de incentivos fiscais constantes do Calendário de Inversões e Mobilização de Recursos Aprovado. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Assim, não é toda e qualquer pessoa jurídica que no anocalendário ora em análise (2005) poderia optar pela aplicação de parcela do IRPJ nos fundos de investimento (FINOR, FINAM e FUNRES), pois somente aquelas empresas que detinham projetos próprios nas áreas de aplicação de recursos e/ou participação como acionista (51% do capital votante) em projetos incentivados estavam autorizadas a fazer a opção. As condições excepcionais previstas no parágrafo 10 do Fl. 360DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 361 12 art. 9º acima transcrito condicionase à autorização do Ministério da Integração Nacional, o qual, em resposta a questionamento da autoridade da DRF, informou que a empresa ora interessada não participou de projeto próprio, na região incentivada pelo Fundo de Investimento da Amazônia – FINAM, até a data das Medidas ProvisóriasMPs 2.19914, 2156 e 2157, todas de 24 de agosto de 2001, bem como não chegou a atender às condições das citadas MPs. Na verdade, até 02/05/2001, a aplicação de parte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica em investimentos regionais estava ao alcance de quaisquer pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. Contudo, com a publicação da MP 2.12809, de 26/04/2001 e MP 2.145, de 02/05/2001, a partir de 03/05/2001 a aplicação nos fundos de Investimentos Regionais passou a ser restrita às pessoas jurídicas de que trata o art. 9º da Lei n.º 8.167, de 1991, ou seja, àquelas detentoras de pelo menos 51% do capital votante de sociedade titular de projetos com pleitos aprovados, no órgão competente, até 02/05/2001 e enquadrados em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional. A Instrução Normativa SRF n.º 267, de 23 de dezembro de 2002, ao dispor sobre o assunto na Seção I do capítulo VII, Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais, mencionando como detentoras do referido direito somente as pessoas jurídicas com projetos aprovados nos termos do art. 9º da Lei n.º 8.167, de 1991, confirma o entendimento de que as empresas sem projeto deixaram de ter a opção de destinar parcela do imposto devido para aplicações em investimentos regionais: INSTRUÇÃO NORMATIVA No. 267 DE 23 /12 /2002 Art. 105. A pessoa jurídica que tiver projetos aprovados e em implantação nos termos do art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, gozarão do direito de aplicar parcelas do imposto nos Fundos de Investimentos Regionais, nos termos do disposto neste Capítulo. § 1º A aplicação fica assegurada até o final do prazo previsto para a implantação do projeto, desde que a pessoa jurídica tenha exercido o direito até 2 de maio de 2001 e o projeto esteja em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. § 2º A opção poderá ser manifestada na DIPJ ou no curso do anocalendário nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado apurado mensalmente ou no lucro real apurado trimestralmente. § 3º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de Darf específico, de parte do imposto de valor equivalente a até: I dezoito por cento, para o Finam e 25% (vinte e cinco por cento), para o Fundo de Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Funres), a partir de 1º janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II doze por cento, para o Finam e dezessete por cento, para o Funres, a partir de 1º janeiro de 2004 até dezembro de 2008; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 362 13 III seis por cento, para o Finam e nove por cento, para o Funres, a partir de 1º janeiro de 2009 até dezembro de 2013. § 4º A opção por aplicar parte do imposto nos Fundos de Investimentos Regionais fica extinta a partir de 1º de janeiro de 2014. § 5º Nos Darf a que se refere o § 3º, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado, observado os seguintes códigos: ... § 6º Os recursos de que trata o caput serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. § 7º A liberação dos recursos será feita à vista de Darf específico, observadas as normas expedidas pela SRF. § 8º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. § 9º Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na DIPJ, a parcela excedente será considerada como recursos próprios aplicados no respectivo projeto. § 10. Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. § 11. As administrações dos fundos beneficiários consultarão os sistemas que registram os pagamentos, para fins de validação dos Darf específicos. § 12. No caso de apuração trimestral, a pessoa jurídica deverá, para efeito de determinar a parcela do imposto a ser recolhida, apurar a base de cálculo do incentivo fiscal segundo o disposto no § 2º do art. 110. (destaques acrescidos) Aliás, a Instrução Normativa SRF nº 146/2002, que aprovou instruções de preenchimento da DIPJ/2002 (AC 2001), em seu item 17.1.6.6, já dispunha: “A pessoa jurídica ou grupos de empresas coligadas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1997, que isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos, cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos nas áreas de atuação das extintas Sudam e Sudene, aprovados no órgão competente, até o dia 2 de maio de 2001, enquadrado em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, que sejam beneficiários das aplicações no Finor, Finam e Funres, poderão manifestar a opção pela aplicação de parte do imposto de renda em investimentos regionais, na declaração ou no curso do ano calendário, nas datas de pagamento do imposto apurado trimestralmente. A opção será manifestada na declaração ou no Fl. 362DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 363 14 curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. As aplicações somente poderão ser efetuadas até o final do prazo previsto para a implantação dos respectivos projetos. As pessoas jurídicas submetidas à apuração do imposto de renda pelo lucro real, trimestral ou anual, que não se enquadrem no art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991 puderam optar pela aplicação de parte do imposto de renda devido em investimentos regionais destinados ao Finor, Finan e Funres até 2 de maio de 2001, mediante recolhimento por Darf específico (Medida Provisória nº 2.1289 de 26 de abril de 2001 e MP nº 2.145, de 2 de maio de 2001). Não é possível, para essas pessoas jurídicas, a opção pela aplicação na DIPJ. A partir de 2 de maio de 2001, somente é possível a aplicação nesses Fundos pelas pessoas jurídicas ou grupos de empresas detentores de cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projeto acima referidas.” (Os destaques constam do texto transcrito) Pelo exame da legislação citada resta claro que, a partir da revogação do art. 4º da Lei nº 9.532/1997, a opção de aplicação de parte do Imposto de Renda em incentivos fiscais regionais ficou restrita às empresas detentoras de projetos de infraestrutura, já aprovados, na região incentivada. Em caráter excepcional, o § 10 do art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, ressalvado pela norma revogadora, admite a entrada, sob condições, de novo sócio em empreendimento préaprovado, desde que autorizado pelo Ministério da Integração Nacional. No caso concreto, verificase pelas informações e documentos acostados aos autos, que a empresa detentora de projeto préaprovado na região incentivada, SIMARA – SIDERÚRGICA MARABÁ S/A, teve seu pleito de 16/12/2005, protocolizado em 19/12/2005, deferido pelo Ministério da Integração Nacional, para o ingresso da empresa ELEKTRO, ora recorrente como seu novo acionista, conforme OFICIO Nº 037/2006/UGFINGM/MI, de 31/01/2006 (fls. 260). Também consta do processo (fls. 258), o Boletim de Subscrição de 727.016 ações feito pela recorrente junto à empresa SIMARA, com data de 06 de junho de 2006, que corresponde, segundo informação da recorrente (fls. 264) a 5,66% do capital da empresa investida. Assim, resta comprovado nos autos que a recorrente foi autorizada pelo Ministério da Integração Nacional a ingressar como sócia de empresa detentora de projeto de infraestrutura já aprovado na região abrangida pelo FINAM e que efetivamente ingressou no quadro societário da empresa SIMARA, mediante a subscrição do percentual de 5,66% que atende ao requisito legal previsto (§ 4º do art. 9º da Lei nº 8.167/1991). Ocorre que, conforme comprovado nos autos a empresa efetuou a opção pela aplicação no incentivo fiscal em discussão, mediante os recolhimentos em DARF’s efetuados em 31/10/2005 e 30/11/2005, no montante total de R$ 12.118.362,03, situação informada posteriormente em sua DIPJ do anocalendário 2005. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 364 15 Ora, no momento em que fez a opção pela aplicação de parte do imposto de renda em incentivos fiscais do FINAM sequer a empresa SIMARA, havia feito qualquer solicitação ao Ministério da Integração Nacional visando obter a autorização para o ingresso da recorrente como sua nova acionista. Portanto, não vejo como admitir a homologação da opção em incentivos fiscais realizada se, no momento da opção, inexistia qualquer vínculo jurídico, autorizado ou não pelo Ministério da Integração Nacional, entre a recorrente e a empresa SIMARA, o que só veio a se materializar em junho de 2006, quando da subscrição das ações naquela companhia. Somente após esta data, considerando a autorização do Ministério da Integração Nacional, exarada em janeiro de 2006, para o ingresso como sócia minoritária na empresa detentora do projeto aprovado é que se viabilizou a opção pela aplicação de parte do imposto de renda como incentivo fiscal junto ao FINAM. Não merece guarida o argumento da recorrente, invocando o art. 55 da Lei nº 9.784/1999, de que o despacho autorizativo do Ministério da Integração Nacional teve o condão de convalidar a opção feita anteriormente. A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindose as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. Não se trata, portanto, de defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori. Desta feita, a autorização recebida e o ingresso como sócio na empresa SIMARA, detentora do projeto de infraestrutura aprovado, no que respeita à opção pela aplicação nos incentivos fiscais em discussão, somente podem projetar seus efeitos para o futuro; a partir do preenchimento das condições legais, ou seja, junho de 2006. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 04 de Dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 364DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 365 16 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.912954/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 54 /2 00 9- 55 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 13/01/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência outubro de 2003, com débitos de IRPJ referentes ao 4º trimestre de 2005, no valor total de R$ 5.133,32. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no periodo de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2004.11954220 de 13/02/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 25.34.10.65.49. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.912954/200955 Acórdão n.º 3803004.626 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito liquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.912954/200955 Acórdão n.º 3803004.626 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.912963/2006-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 399 1 398 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.912963/200647 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.348 – 2ª Turma Especial Data 8 de outubro de 2013 Assunto IRPJ Recorrente Y&R PROPAGANDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 12 96 3/ 20 06 -4 7 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 400 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte face à decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP1, a qual julgou improcedente o pedido do mesmo referente a não homologação da declaração de compensação número 15598.37698.141003.1.3.045089. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no ano calendário de 2002. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SAO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; Nos termos da IN SRF n° 600/2005 (artigo 5°), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; No presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; Nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; Em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 401 3 Pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; Como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; Não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referemse àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor especifico de IRRF recolhido sob o código 8045; Dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação compensação pleiteada; O preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a titulo de saldo negativo de IRPJ; Ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; O processo administrativo tributário está sujeito as garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do principio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; Outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9°, § 10 do Decreto 70.235. Em sua decisão, a DRJSP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1622.556, da 2ª Turma da DRJ/SP1, sessão de 20 de agosto de 2009, cuja ementa está abaixo transcrita: “PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO. INOVAÇÃO. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 402 4 A indicação, na fase litigiosa, de direito creditório distinto do apontado na Per/Dcomp original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, resumidamente que: A Recorrente, por ser uma agência de publicidade, está submetida a regime especifico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), já que a obrigação de retenção e recolhimento do IRRF sob o código 8045 compete a ela (prestadora do serviço) e não ao tomador (anunciante), ao contrário do que determina a regra geral de retenção para os demais serviços; Conforme a DIPJ 2003, a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto, excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; A Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano (uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período), bem como cumpriu todas as obrigações acessórias determinadas pela legislação em vigor, entendendo que possui o direito à compensação deste crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic (art. 5° da IN SRF n° 600/2005); Incorreu em erro ao elaborar a competente PERD/COMP, uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente no anocalendário de 2002, fora exatamente igual ao valor do IRRF (código 8045) recolhido por meio de DARF e a Recorrente acabou optando – desavisadamente – pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF e não a saldo negativo de IRPJ; Ou seja, ao apresentar a presente DComp, a Recorrente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF, recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e que tal procedimento acarretou a não homologação da compensação por parte da Receita Federal; Tratase, no caso, de mero erro formal, que deve ser retificado de oficio e não de uma nova solicitação – inovação do pedido – na tentativa de a Recorrente "burlar o prazo de decadência", pois, a DComp em questão foi transmitida à Receita Federal no ano de 2003, ou seja, dentro do prazo legal de prescrição e; além disso, em momento algum a Recorrente pleiteia credito em valor superior àquele informado em sua DIPJ e DCTFs; Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 403 5 Admitir o contrário seria o mesmo que ir de encontro às garantias constitucionais que regem o processo administrativo tributário, em especial, ao principio da verdade material; É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 18.11.2009, conforme aviso de recebimento fls. 384 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 02.12.2009, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar A Recorrente requereu apensamento de todos os processos administrativos nos quais se discute o mesmo saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 para julgamento em conjunto. Ressalta que o apensamento de todos esses processos se mostra imprescindível para o correto deslinde da presente discussão, a uma para não haver aproveitamento em duplicidade do saldo negativo que venha a ser deferido e, a duas, para que não haja decisões conflitantes emanadas pela administração sobre o mesmo tema. Determina o art. 9º, parágrafo 1° do Decreto n° 70.235/72, que as exigências de créditos tributários em relação a um mesmo sujeito passivo podem ser objeto de um único processo quando depender do mesmo elemento de prova, como no caso em questão, em que houve o preenchimento equivocado de algumas DComps relacionadas ao mesmo crédito de saldo negativo de 2002. Quanto a esse contexto, dispõe o artigo o art. 9º, parágrafo 1° do Decreto n° 70.235/72: Art. 9ºA exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1ºOs autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 404 6 Desta forma, conforme se conclui da legislação, por tratarse de uma possibilidade (faculdade) e, considerando que os processos são autônomos e encontramse aptos a serem julgados, rejeito pedido de conexão e passo análise do mérito. Do Mérito do Recurso Voluntário Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse não ter reformado a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 07521.85698.201003.1.3.041223, utilizado para quitar os débitos de IRRF do 5º dia de Novembro de 2002 (código 05611), IRRF do 1º e 2º dia de Dezembro de 2002 (código 1708 1) e IRRF do 3º dia de Dezembro de 2002 (código 05611). A DRJ/SP1 ressaltou em seu julgado que a Recorrente alegou ter informado erroneamente em sua PER/DCOMP, crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF (código de receita: 8045), quando o correto seria ter informado crédito de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. Nestes termos, a DRJ/SP1 entendeu que a alteração do tipo de crédito para Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, revelouse em inovação do pedido inicial, ou seja, configurouse em nova solicitação, gerando impedimento formal para análise do pleito pela DRJ/SP1, pois estarseia suprimindo a atribuição regimental da Delegacia da Receita Federal de São Paulo de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. Por fim, o julgado da autoridade a quo sugere que a Recorrente formalize nova declaração para que seja devidamente analisada pela autoridade competente, qual seja, a Delegacia da Receita Federal de São Paulo. Não obstante a alegação de inovação do pleito, a Recorrente juntou aos autos os DARF’s recolhidos sob o código 8045 durante o ano de 2002 (folhas 108 a 160), DCTF’s trimestrais do ano de 2002 (folhas 161 a 203), bem como a DIPJ 2003, calendário 2002 (folhas 46 a 107), que, uma vez analisadas, sugeremme indícios de um crédito de Saldo Negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. Entendo que a indicação equivocada no PERD/COMP pelo "Tipo de Crédito" relativo a “pagamento indevido ou a maior de IRRF” e não a “saldo negativo de IRPJ”, não inviabiliza a compensação pretendida. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever a decisão trazida pela Recorrente em seu recurso voluntário: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 405 7 A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EXERCÍCIO: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO Liquidez e certeza são requisitos indispensáveis, sem os quais não se há de reconhecer direitos creditórios. DIPJ ERROS DE PREENCHIMENTO RETIFICAÇÃO – Tendo sido comprovados erros no preenchimento da declaração, deve ser considerada sua retificação para fins de determinação dos direitos creditórios, passíveis de restituição ou compensação. (Acórdão 10516804, 5' Câmara, 1 ° Conselho, sessão de 05/12/2007) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ADMISSÃO. O procedimento administrativo tributário preza pelo princípio da verdade material, vale dizer, no processo administrativo não se permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas. Constatado erro nas informações prestadas à Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 406 8 fiscalização, este não prevalece quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência do Tribunal Administrativo Federal corrobora este entendimento, impedindo que o formalismo se sobreponha à matéria e à realidade dos fatos. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INOCORRÊNCIA. A apresentação de provas antes (ou juntamente) da manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido do contribuinte não configura preclusão, cabendo à autoridade de primeira instância apreciálas. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE A falta de apreciação das provas apresentadas na fase impugnatória constitui cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo e fundamento de nulidade da decisão recorrida. Decisão 1ª instância anulada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido, decisão de primeira instância anulada. Recurso Voluntário. Processo 13804.001582/200127. Sessão 26/06/2012. (grifos meus) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de erro no preenchimento de PER/Dcomp, de se considerar, à luz da documentação acostada aos autos, os valores corretos obtidos a partir do Reg. Apuração do IPI e do Livro Diário. Recurso Voluntário Provido. Processo 10120.906824/200848. (grifos meus) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Contudo, apesar da juntada dos DARFs, da DCTFs, da DIPJ 2003, demonstrando a existência de prejuízo fiscal nesse período, entendo que ainda não é possível extrair a liquidez e certeza do saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002 e, se tal crédito já fora compensado com outros tributos, de sorte que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. Isto porque, para se autorizar a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte, é imprescindível a comprovação de que a receita tenha sido considerada para fins de incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), conforme determina a súmula 80 do CARF: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que se entenda necessários para que verifique e informe: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 407 9 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3) Se as receitas que geraram a respectiva retenção do IRRF, foram efetivamente consideradas na base de cálculo do IRPJ do respectivo ano calendário; 4) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 07521.85698.201003.1.3.041223 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar a preliminar de conexão e converter o julgamento em diligência, para que a DRF Juiz de Fora atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 15374.944182/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/07/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA.
Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas.
Numero da decisão: 3803-004.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/07/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA. Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas.
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EXCLUSÃO DO ICMS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo do IPI. A legislação do PIS e da COFINS, e suas interpretações, não se aplicam ao IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/07/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA. Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 41 82 /2 00 9- 06 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo da PER/DCOMP de número 34660.13621.180406.1.3.049499, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ 7.708,29, oriundo de recolhimento efetuado em 20/07/2001 neste mesmo valor, relativo ao 1º decêndio de julho de 2001, com o qual o contribuinte pretende compensar débito de IPI do período de apuração março de 2006 no valor total de R$ 3.007,76. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 19/04/2010, manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 14/05/2010, argumentando o que se segue: i) Alega que houve cerceamento do direito de defesa por falta de relação entre a narração dos motivos que incidiram o Despacho Decisório com o enquadramento legal e por isso o ato é nulo. ii) Alega que o crédito na PER/DCOMP advém da exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, visto que o ICMS não constitui faturamento ou receita do contribuinte, ocorrendo, então, tributação sobre tributação, o que violaria os princípios constitucionais. iii) Requer o acolhimento da preliminar invocada, provimento da manifestação de inconformidade, sendo homologada a compensação e, ainda, caso entenda necessário a conversão do julgamento em diligência para constatar e confirmar os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tribunais Federais. Agrega longos trechos de doutrina e jurisprudência em defesa da sua tese. Não trouxe qualquer prova contábil ou fiscal que confirmasse as suas alegações. A 3ª Turma da DRJ/JFA através do acórdão nº 0939.529 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 20/07/2001 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944182/200906 Acórdão n.º 3803004.595 S3TE03 Fl. 11 3 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a não homologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde afirma que atualmente os tribunais coadunam com o entendimento atinente a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, PIS e Cofins. Procura estabelecer uma analogia entre a base de cálculo das referidas contribuições ao citar o RE 240.7852/MG que versa apenas sobre Cofins e do mesmo modo ao citar o posicionamento dos ministros do STF no que se referem ao PIS e a COFINS. Acumula excertos de doutrina, jurisprudência e de legislação, entre os quais expõe seu entendimento de forma a concluir que é possível a restituição e a compensação do IPI. Defende que o ICMS não integra o faturamento do contribuinte e por isso não deve participar da base de cálculo do IPI. Afirma, ainda, que por tratarse de direito potestativo não existe prazo para o exercício da compensação. Assim, requer o provimento do recurso para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação declarada. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. O IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] era regulado à época do crédito pelo Decreto 2.637/98 que no artigo 118 estabelece como valor tributável o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento, se expressando da seguinte forma: “Art. 118. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, inciso I, alínea "b"); b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 18); II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 15) . § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea "b" e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, § 1º , Decretolei n.º 1.593, de 1977, art. 27, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 15). “ NEGRITAMOS”. De forma semelhante se expressa o RIPI atualmente em vigor Decreto nº 7.212/2010 , o qual estabelece em seu artigo 1901 que o valor tributável abarca o valor total da operação que decorrer a saída do estabelecimento acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. 1 “Art. 190. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; e b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a; ou II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1o O valor da operação referido na alínea “b” do inciso I e no inciso II compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário.” Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944182/200906 Acórdão n.º 3803004.595 S3TE03 Fl. 12 5 Dessa forma o ICMS, que é encargo do comprador ou destinatário, está embutido no preço final, integra o valor total da operação e assim na base de cálculo do IPI. O contribuinte alega que o IPI deve ser calculado com base apenas no faturamento e que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo por não ser faturamento do contribuinte. Há de se falar, frente à argumentação do contribuinte, que não existe previsão legal que autorize a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, assim, as decisões judiciais aplicamse exclusivamente às partes envolvidas no processo, não estando este Conselho autorizado a reproduzilas nos seus julgamentos. O recorrente argumenta que conforme posicionamentos recentes dos tribunais o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, sendo assim, por analogia ou por lógica extensão aos demais tributos federais, também não deve ser abarcado pela base de cálculo do IPI. A analogia defendida pelo contribuinte que utiliza como paradigma a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas seria aceita na hipótese de decisão vinculante sobre a tributação das referidas contribuições, o que até o momento é inexistente, sendo exigível também que a interpretação fosse estendida ao IPI, o que também não ocorre. Contrária à pretensão do recorrente, se manifesta o Superior Tribunal de Justiça, conforme relatado pelo ministro Mauro Campbell Marques, no RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439): “A sistemática da cobrança do ICMS, desde o Decretolei 406/68, interpretando literalmente a Constituição, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, para permitir a dedução nas operações seguintes. É o chamado cálculo por dentro, próprio do IPI, diferente do ICMS, cujo cálculo é feito em destaque, ou seja, por fora. A mesma sistemática foi mantida com a LC 87/96 (art. 2º, § 7º).” Dessa forma, o nosso entendimento é no sentido de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo do IPI. Da repercussão jurídica Ainda que admitíssemos, por hipótese, a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, esbarraríamos na impossibilidade de restituílo ao requerente por falta de prova de ter assumido o ônus do imposto, vejamos. A doutrina classifica o IPI como um imposto indireto, qual seja, aquele em que o contribuinte de fato, ou seja, o adquirente é quem efetivamente arca com o ônus do imposto (embutido no preço do produto), contudo, o recolhimento é feito aos cofres públicos pelo contribuinte de direito, ou seja, a empresa que efetuou a venda do produto. O artigo 166 do CTN disciplina a restituição de tributos indiretos nos seguintes termos: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Entendemos que o IPI é um tributo que requer o atendimento dos requisitos do artigo 166 do Código Tributário Nacional, pois, ele se agrega ao preço do produto e é destacado, em separado na respectiva Nota Fiscal, o quem implica na repercussão jurídica do tributo. Assim, embora quem recolha o IPI seja o contribuinte, não é ele, mas, o adquirente quem suporta a repercussão jurídica do IPI. Para o direito à repetição do IPI importa que o contribuinte demonstre que suportou o ônus do pagamento do imposto ou que esteja autorizado por aquele que suportou a repercussão jurídica, comprovação esta que não identificamos nestes autos, o que nos leva à conclusão da ilegitimidade ativa da Valplast para requerer a restituição do IPI. Da falta de comprovação do crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte ao abatimento do ICMS da base de cálculo do IPI, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração do IPI, planilhas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja a sua aferição. Da conclusão Haja vista a falta de previsão legal, entendemos que não é possível a redução da base de cálculo do IPI com a exclusão do ICMS devido na operação. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e não reconhecer o direito creditório pretendido. É como voto. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720537/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não é nula a decisão de primeira instância que apreciou devidamente todos os argumentos das impugnações apresentadas.
O fato de não se ter feito referência direta à última impugnação não trouxe prejuízos à defesa, uma vez que ela apenas repetia as alegações do primeiro recurso.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. NULIDADE POR NÃO CONSTAR DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA.
O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas.
SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas em sigilo.
Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm.
No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes.
Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis.
NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA.
A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais.
Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais - SÚMULA CARF nº 28.
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazê-lo.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO.
Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%.
RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN).
Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário.
A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco.
No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos.
LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que divergiam do relator para atribuir a responsabilidade a Valter Prado Lopes de forma subsidiária. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação à matéria atinente ao cancelamento do auto de infração por falta de arbitramento. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares com relação à preliminar relativa ao MPF.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que divergiam do relator para atribuir a responsabilidade a Valter Prado Lopes de forma subsidiária. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação à matéria atinente ao cancelamento do auto de infração por falta de arbitramento. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares com relação à preliminar relativa ao MPF. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que apreciou devidamente todos os argumentos das impugnações apresentadas. O fato de não se ter feito referência direta à última impugnação não trouxe prejuízos à defesa, uma vez que ela apenas repetia as alegações do primeiro recurso. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. NULIDADE POR NÃO CONSTAR DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas em sigilo. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais - SÚMULA CARF nº 28. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazê-lo. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO. Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco. No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que apreciou devidamente todos os argumentos das impugnações apresentadas. O fato de não se ter feito referência direta à última impugnação não trouxe prejuízos à defesa, uma vez que ela apenas repetia as alegações do primeiro recurso. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. NULIDADE POR NÃO CONSTAR DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas em sigilo. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 37 /2 01 2- 31 Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.220 2 verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais SÚMULA CARF nº 28. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazêlo. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO. Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.221 3 Caracterizase sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco. No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que divergiam do relator para atribuir a responsabilidade a Valter Prado Lopes de forma subsidiária. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação à matéria atinente ao cancelamento do auto de infração por falta de arbitramento. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares com relação à preliminar relativa ao MPF. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.222 4 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, bem como Autos de Infração reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que totalizaram R$ 2.302.869,75, incluindo principal, multa de 150% e juros de mora calculados até novembro de 2012 (fls. 2 e 1.946 a 2.026). Foi também atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Valter Prado Lopes, CPF nº 299.136.24800, sócioadministrador da empresa (fls. 2.027 a 2028). Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório do acórdão de 1a instância (fls. 2.144 a 2.145): Conforme descrito no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 20132026, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão, bem como demonstrativos com o resumo mensal dos valores recebidos em 2008 e 2009 decorrentes de repasses efetuados pelas administradoras de cartões, acompanhados de cópias dos extratos fornecidos por estas empresas. Em sua resposta, apresentou os livros Diário e Razão do período de 01/01/2008 a 31/12/2009, mas não apresentou os demonstrativos e os extratos solicitados. Diante disso, foi emitida Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, a fim de obter as informações diretamente junto às operadoras de cartão de crédito/débito. Em seguida, o contribuinte foi intimado a detalhar a formação da receita bruta auferida, indicando datas das vendas, forma como foram liquidadas (pagamento em espécie, em cheque, cartão de débito, cartão de crédito à vista ou parcelado, especificando cada parcela), bem como a apresentar a documentação fiscal comprobatória, indicando o regime de reconhecimento das receitas declaradas. Em sua resposta, o contribuinte afirmou estar impedido legalmente de produzir a documentação requerida, invocando o art. 195 do CTN. A partir das informações constantes dos extratos obtidos diretamente junto às operadoras de cartões, a autoridade autuante consolidou mensalmente os valores recebidos pelo contribuinte por meio de cartões de crédito/débito, adotando o regime de competência, consoante opção manifestada nas DIPJs dos anos de 2008 e 2009 e o regime utilizado na escrituração contábil. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.223 5 O contribuinte foi, então, intimado novamente a detalhar a formação da receita bruta, com a apresentação dos elementos já referidos anteriormente. Essa intimação foi acompanhada de demonstrativos dos valores consolidados mês a mês relativos aos recebimentos por meio de cartões de crédito/débito, bem como da receita bruta mensal declarada para os anos de 2008 e 2009. O contribuinte foi alertado de que, caso não comprovasse a forma de recebimento da receita bruta declarada, a totalidade das receitas recebidas por meio de cartão de crédito e débito seria considerada como omitida, sem abatimento da receita declarada, pois esta poderia ser resultante de vendas cujos pagamentos foram efetuados mediante cheque ou em espécie. Na resposta apresentada, o contribuinte afirmou que “as informações pretendidas já se encontram em poder dessa fiscalização, possibilitando os esclarecimentos necessários ao correto e adequado prosseguimento das investigações fiscais”. Porém, ressalta a autoridade autuante que a análise dos livros Diário e Razão apresentados não permite a identificação da forma de recebimento das receitas declaradas, pois o histórico dos lançamentos contábeis é genérico, não trazendo informações detalhadas sobre a forma de pagamento, especialmente se o pagamento foi realizado em dinheiro, cheque ou cartão. Em razão dessas inconsistências e da não apresentação dos esclarecimentos solicitados ao contribuinte, concluiu a autoridade autuante que a totalidade dos valores relativos aos repasses efetuados pelas operadoras de cartões deve ser reputada receita omitida, sem abatimento das receitas declaradas. Sobre os créditos tributários apurados com base nas receitas omitidas foi aplicada multa qualificada (150%). Como fundamento para a multa, afirma a autoridade autuante que os repasses de valores pelas operadoras de cartão de crédito/débito sempre foram maiores que os valores escriturados nos livros contábeis apresentados e que as receitas informadas em DIPJ. Assim durante 24 meses o contribuinte escriturou e declarou receitas bem menores que as efetivamente auferidas, evidenciando que essa divergência não é fruto de mero erro, mas uma prática habitual e reiterada. Foi imputada ao Sr. Valter Prado Lopes, sócioadministrador da empresa, responsabilidade tributária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, por haver ele, intencionalmente, apresentado à Receita Federal do Brasil declarações inexatas e escriturado os livros Diário e Razão relativos ao período sob análise com valores distintos da realidade, com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Esclarece a autoridade autuante que o Sr. Valter Prado Lopes consta com sócioadministrador nos atos arquivados na JUCESP, figura como representante da pessoa jurídica nas DIPJs e DACON apresentadas e sua assinatura consta nos termos de abertura e encerramento dos Livros Diário nº 25 e 26 e dos Livros Razão nº 25 e 26. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.224 6 IMPUGNAÇÃO Cientificados do lançamento, o contribuinte e o Sr. Valter Prado Lopes apresentaram impugnação (fls. 2071 a 2088 e 2048 a 2066), acatadas como tempestivas. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desses recursos (fls. 2.145 a 2.147): No recurso apresentado pela PRADO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Afirma o impugnante que, após a ciência dos autos de infração, ocorrida em 09/11/2012, tentou obter cópias do processo digital, dirigindose à Central de Atendimento ao Contribuinte CAC, de onde foi encaminhado para a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT, de onde foi encaminhado à Seção de Fiscalização – SAFIS e desta de volta à SACAT e de volta à SAFIS, sempre com a observação de que a outra seção deveria fornecer as cópias dos autos. Assevera que somente após a terceira tentativa, no dia 20/11/2012, o processo foi encaminhado da SAFIS a SACAT, onde, em 21/11/2012, as cópias solicitadas foram fornecidas. Conclui o impugnante que, em razão desses fatos, teve apenas 20 dias para elaborar seu recurso, razão pela qual houve cerceamento ao direito de defesa. Aduz que sua alegação é comprovada pelo documento de fl. 2034, no qual consta a comunicação do encerramento da ação fiscal ao chefe da fiscalização, bem como a proposta de encaminhamento dos autos à SACAT, documento este com assinatura digital datada de 20/11/2012. Por fim, pede a concessão de novo prazo, ou ao menos o prazo faltante (dez dias), para apresentação de nova impugnação ou para aditamento da apresentada, a fim de que se evite a nulidade. Tece o impugnante extensas considerações sobre o caráter vinculado da atividade de lançamento e sobre a necessidade de cumprimento das normas atinentes ao mandado de procedimento fiscal MPF para que o procedimento seja válido. Afirma que as prorrogações de prazo do MPF não observaram o disposto no art. 9º da Portaria RFB nº 3014/11, pois não foram realizadas pela autoridade emitente, uma vez que não há nelas assinatura dela. Ademais, alega não haver fundamentação que demonstre a necessidade das prorrogações, razão pela qual também o art. 12 da referida Portaria foi descumprido. Conclui que as prorrogações de prazo do MPF foram inválidas, de modo que todos os documentos constantes dos autos são provas ilícitas, pois obtidos após o esgotamento do prazo do MPF original. Observa, ainda, que o MPF expedido autorizou apenas a fiscalização do IRPJ e foram lavrados também autos de infração de CSLL, PIS e COFINS. Aduz que, a despeito de autorização nesse sentido constante do art. 8º da Portaria RFB nº 3014/11, esta norma extrapola seu fundamento de validade, que é o Decreto nº 3.724/2001, de modo que deveria ter sido expedido MPFC para a lavratura dos autos de infração relativos aos demais tributos. Os autos de infração foram lavrados em 01/11/2012 e o processo administrativo foi protocolizado em 16/10/2012. Ademais, o processo administrativo relativo à Representação Fiscal para Fins Penais foi protocolizado em 24/09/2012, em afronta á Portaria RFB nº 2.439/2012. Assim, caso se repute que em 24/09/2012 a autoridade autuante já havia apurado as infrações fiscais que supôs existentes, então deve ser declarada a nulidade do processo administrativo, pois na mesma data ainda transcorria prazo de intimação para prestar esclarecimentos. As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF foram expedidas em desacordo com as regras inscritas no art. 6º da Lei Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.225 7 Complementar nº 105/2001 e no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, pois a autoridade não fez constar a motivação para a expedição delas, consistente na demonstração da respectiva indispensabilidade. Por essa razão, as informações obtidas das empresas administradoras de cartão de crédito e débito são provas ilícitas, devendo ser desconsideradas. Não há base legal para a adoção da presunção de que os valores repassados pelas administradoras de cartão de crédito e de débito correspondem a receitas omitidas, desconsiderando as receitas informadas em DIPJ. A conduta dolosa hábil a fundamentar a imposição de multa qualificada (150%) não pode ser presumida, devendo ser comprovado o evidente intuito de fraude, prova esta não produzida no curso da ação fiscal. O art. 135, III, do CTN, invocado pela autoridade autuante para a atribuição de responsabilidade tributária ao representante legal da impugnante trata de responsabilidade pessoal ao agente e não de responsabilidade solidária, de modo que a impugnante deve ser excluída do processo administrativo, mantendose somente o terceiro a quem se pretende impor responsabilidade pessoal. Por fim, pede a concessão de novo prazo, ou ao menos o prazo faltante (dez dias), para apresentação de nova impugnação ou para aditamento da apresentada. Caso assim não se entenda, requer o reconhecimento da nulidade dos autos de infração lavrados. Na impugnação apresentada pelo Sr. Valter Prado Lopes são reproduzidos os argumentos constantes do recurso da PRADO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA, acrescidos das seguintes alegações: O Termo de Responsabilidade lavrado é nulo, pois pretende impor responsabilidade solidária, mas o art. 135 do CTN contempla apenas responsabilidade pessoal. Além disso, não houve prova do dolo na prática de ato com infração à lei. A prática de condutas previstas na Lei nº 8.137/1990 não pode ser invocada como fundamento para a aplicação do art. 135 do CTN, pois aquele diploma normativo prevê crimes contra a ordem tributária e não houve condenação por prática delituosa. A infração à lei prevista no art. 135 do CTN referese a lei que trata de formas de gestão e administração das pessoas jurídicas. A assinatura de documentos contábeis pelo representante legal da empresa é parte de seu mister, não caracterizando infração dolosa à lei. O art. 1016 do Código Civil não pode ser invocado como fundamento para a imputação de responsabilidade tributária, pois contempla hipóteses de culpa no desempenho das funções de administrador, diversas daquelas previstas no art. 135 do CTN. Não houve emissão de MPF para o impugnante e não há na legislação de regência do MPF previsão para que se atribua responsabilidade a terceiro sem prévia emissão desse documento. Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.226 8 DILIGÊNCIA SOLICITADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA Na decisão de fls. 2.099 a 2.100, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) decidiu baixar o processo em diligência para conceder novo prazo de 30 dias de impugnação para a empresa e o responsável solidário, e assim afastar os argumentos de cerceamento de defesa por falta de conhecimento do inteiro teor dos autos durante parte do prazo de recurso. Cumprida a determinação, o Sr. Valter Prado Lopes apresentou o documento de fl. 2.111, onde reitera todos os argumentos tecidos na defesa administrativa anteriormente oferecida, com exceção da preliminar de cerceamento do direito de defesa. Já o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2.123 a 2.140, de conteúdo praticamente idêntico à defesa originalmente apresentada, agora sem a preliminar de cerceamento de defesa, e trazendo novas considerações sobre a impossibilidade de se embasar o lançamento em presunção simples de omissão de receitas (seção 2.1.4 do recurso). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou procedente o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2.142 a 2.154): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CÓPIAS DO PROCESSO DIGITAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL REQUISITOS REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INDISPENSABILIDADE MULTA QUALIFICADA DOLO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADMINISTRADOR POR ATO ILÍCITO A obtenção de cópias do processo digital independe da respectiva localização na repartição. Para a caracterização de cerceamento ao direito de defesa, a negativa de oferecimento de cópia solicitada deve estar devidamente documentada. A assinatura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e das respectivas prorrogações pela autoridade emitente se dá pela forma digital. Eventuais irregularidades na emissão do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. A não apresentação injustificada de informações sobre movimentação financeira é fundamento bastante para a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira. A escrituração de livros e a apresentação de declarações com valores de receitas sabidamente inferiores às efetivamente auferidas é conduta dolosa que autoriza a aplicação de multa qualificada. A responsabilidade tributária prevista no art. 135 do CTN é Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.227 9 solidária e não exclui a responsabilidade do contribuinte pelos créditos tributários lançados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.228 10 Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não procede a alegação de cerceamento ao direito de defesa por falta de acesso às cópias dos autos durante todos os trinta dias de prazo para impugnação, pois os processos foram formalizados em meio digital anteriormente à ciência dos autos de infração e a solicitação de cópias somente foi documentada no dia 20/11/2012; b) não procedem os argumentos de nulidade em decorrência do MPF, pois os documentos foram emitidos de acordo com a legislação. Além disso, questões ligadas ao descumprimento do MPF, inclusive quanto a prazo, devem ser resolvidas no âmbito de processo administrativo disciplinar, e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário; c) a simples protocolização do processo administrativo ou da Representação Fiscal para Fins Penais não significa que o procedimento fiscal já estava concluído nesse momento, não configurando qualquer nulidade; d) inexiste nulidade na expedição das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, pois a autoridade autuante consignou expressamente que ficou caracterizada a indispensabilidade de se examinar as informações junto às operadoras de crédito/débito, nos termos do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001; e) é descabida a afirmação de que a autoridade autuante presumiu que os valores repassados pelas administradoras de cartão de crédito e de débito correspondem a receitas omitidas, pois era dever do contribuinte, após intimado a tanto, comprovar qual a parte dessas receitas já tinham sido devidamente declaradas, e sua escrituração não permitia que se verificasse essa contabilização; f) há fundamento bastante nos autos para a aplicação de multa qualificada (150%) sobre os créditos tributários lançados, pois a prova do dolo consiste precisamente na profunda divergência entre as informações constantes dos extratos fornecidos pelas administradoras de cartões de crédito e de débito e as informações constantes da escrituração contábil e fiscal e das DIPJs apresentadas pelo contribuinte; g) não há a necessidade de emissão de MPF para se atribuir a responsabilidade a terceiro; h) a pretensão do contribuinte de ser excluído do processo administrativo, mantendose a exigência apenas em relação ao Sr. Valter Prado Lopes, deve ser indeferida, pois a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa não exclui a responsabilidade do contribuinte, salvo quando a lei assim prescrever, na dicção do art. 128 do CTN. No caso do art. 135 do CTN, não há exclusão expressa da responsabilidade do contribuinte, de modo que permanece ele respondendo pelo crédito tributário lançado; i) tampouco procede a alegação do Sr. Valter Prado Lopes no sentido de que não foi produzida prova do dolo na prática de ato com infração à lei, pois a autoridade autuante consignou expressamente que ele, de maneira intencional, apresentou à Receita Federal do Brasil declarações inexatas e escriturou os livros Diário e Razão relativos ao período sob análise com valores distintos da realidade, com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Ademais, a atuação do Sr. Valter Prado Lopes como administrador da empresa foi devidamente evidenciada. Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.229 11 RECURSOS VOLUNTÁRIOS Cientificado da decisão de primeira instância em 15/5/2013 (fl. 2.164), o contribuinte apresentou, em 3/6/2013, o recurso de fls. 2.166 a 2.188, onde afirma que: a) a decisão recorrida deixou de considerar os argumentos da nova impugnação, apresentada após o cumprimento da diligência determinada pela DRJ, especialmente da parte que trata de presunções; b) as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF foram expedidas em desacordo com as exigências do Decreto n° 3.724/2001, da Lei Complementar n° 105/2001 e da Portaria SRF n° 180/2001, impondo a anulação dos Autos de Infração, uma vez que completamente baseados em provas obtidas ilicitamente. Destacase a falta de relatório circunstanciado anteriormente à emissão do RMF, que não pode ser suprida pelo Termo de Constatação Fiscal anexo ao lançamento, e a ausência de demonstração de hipótese de indispensabilidade, que não existe no caso, pois o contribuinte negou justificadamente o fornecimento de informações. c) a apuração da base de cálculo da exigência se deu em razão de presunção, por parte da autoridade autuante (sem qualquer fundamentação legal e, portanto, sem autorização da lei), de que a totalidade dos valores repassados pelas empresas de cartões de crédito e débito teria sido omitida, mesmo constando da escrituração fiscal da empresa valores declarados no período investigado; d) as presunções simples não podem embasar um auto de infração em matéria tributária. O auditor acreditou partir de um fato conhecido, qual seja, “a omissão de receitas tributáveis” e concluiu a existência do fato desconhecido, qual seja, “de quanto foi a omissão” (“omissão total”). No entanto, essa correlação lógica é impossível de ser realizada, já que há um segundo fato conhecido, qual seja, a empresa “declarou receitas tributáveis”, e também um terceiro fato conhecido, “é possível que as receitas declaradas sejam de cartões de crédito e débito”. Desses três fatos conhecidos não é possível inferir a existência do fato desconhecido “houve omissão total de receitas de cartões de crédito ou débito”; e) não é possível imputar ao contribuinte o dever de apresentar provas de que as receitas provenientes de cartões correspondem às receitas declaradas, pois compete ao Fisco a produção de provas que respaldem suas acusações de omissão total de receitas, principalmente quando existam provas apresentadas pelo contribuinte no sentido de que há receitas declaradas. A Fiscalização exigiu que a empresa produzisse documentos e esta respondeu que estava legalmente proibida de fazêlo. Assim, se é verdade que a escrituração fiscal da empresa não permitia o completo conhecimento da formação das receitas tributáveis declaradas, deveria a fiscalização ter iniciado procedimento de arbitramento, espécie de presunção autorizada por lei, desqualificando formalmente a escrituração do contribuinte e seguindo todos os trâmites específicos impostos pela legislação tributária federal para se chegar aos valores que considerasse omitidos; f) não é possível a qualificação da multa por falta de comprovação do evidente intuito de fraude, fato reconhecido por um dos julgadores da DRJ. Não há notícia do uso de documentos falsos, de utilização de interpostas pessoas, etc, e a simples divergência de informações não comprova o dolo específico; Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.230 12 g) o art. 135 do CTN consagra hipótese de responsabilização pessoal daquele que pratica atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto, e não responsabilidade solidária, razão pela qual o recorrente deve ser excluído do processo administrativo, mantendose somente o teceiro a quem se pretende impor responsabilidade pessoal; h) o lançamento é nulo por irregularidades nos MPFs relativas a faltas de assinatura, de fundamentação das prorrogações e de previsão para os tributos reflexos. No último caso, a autorização do artigo 8o, da Portaria RFB n° 3.014/11 afronta seu fundamento de validade que é o Decreto 3.724/01, que somente autoriza a lavratura de autos de infração reflexos em casos de riscos aos interesses da Fazenda Nacional; i) o procedimento administrativo é irregular uma vez que os Autos de Infração já estavam prontos em data anterior àquela informada, inclusive quando ainda corria prazo para que o contribuinte se manifestasse na fiscalização, o que se comprova pelas datas de protocolização do presente processo administrativo (16/10/2012) e da Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP (24/9/2012), o que significaria que a data constante dos lançamentos (01/11/12) não corresponderia à realidade. Ao final, pugna pela anulação dos Autos de Infração combatidos, ou a sua exclusão do processo administrativo em razão da atribuição de responsabilidade pessoal a terceiro, ou ainda a diminuição da multa qualificada para o patamar de 75%, pela ausência de comprovação de evidente intuito de fraude. Apesar de não constar dos autos a comprovação de ciência do acórdão pelo sócio considerado responsável solidário, em 3/6/2013, o Sr. Valter Prado Lopes apresentou o recurso voluntário de fls. 2.191 a 2.214, onde repete os argumentos do apelo interposto pela empresa e defende também sua exclusão do processo administrativo sob as seguintes alegações: a) é nulo o “Termo de Responsabilidade Solidária” contra ele lavrado, pois o artigo 135, do CTN, consagra hipótese de responsabilização pessoal daquele que pratica atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto, e não de responsabilidade solidária; b) para a atribuição de responsabilidade pessoal (art. 135, CTN) é necessário comprovar que o terceiro responsabilizado agiu com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, e que a obrigação tributária tenha surgido em razão desse agir doloso, prova essa ausente neste caso, pois quem apresentou as declarações à Receita Federal foi a pessoa jurídica autuada e não a pessoa física do sócio. O fato de ter assinado os documentos contábeis da empresa nada mais é que o cumprimento de seu dever de representante legal, já que tais documentos, sem sua assinatura, não possuem qualquer validade; c) a acusação fiscal constante dos autos se dá no sentido de que o recorrente teria infringido a Lei 8.137/90, o que justificaria a aplicação do artigo 135, do CTN. Ocorre que tal diploma legal se refere a crimes contra a ordem tributária e o Recorrente não foi condenado por qualquer prática delituosa. Vale lembrar que não há crime se ainda há discussão administrativa, como é o caso. Além disso, a lei de que fala o artigo 135, do CTN, é relativa às formas de gestão e administração das pessoas jurídicas. Não fosse assim, qualquer mero Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.231 13 inadimplemento se configuraria como infração à lei por parte de terceiro, o que já foi afastado pela jurisprudência; d) foi também mencionado como fundamento legal o art. 1.016 do Código Civil para a atribuição de responsabilidade. No entanto, tal dispositivo legal se refere a hipóteses de culpa no desempenho das funções de administrador, hipóteses totalmente distintas daquelas previstas no artigo 135, do CTN (dolo), portanto, inaptas a justificar a pretensão de imposição de responsabilidade, no presente caso. Além disso, qualquer “ato” teoricamente praticado pelo Recorrente não fez surgir obrigações tributárias para a empresa autuada, mais uma razão para a não aplicação do artigo 135, do CTN. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 2.218. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Os autos foram inicialmente incluídos em pauta na sessão de 5 de dezembro de 2013, mas foram dela retirados a pedido deste relator, em razão da alteração no Regimento Interno do CARF realizada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, que obrigou nova análise dos argumentos do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator Os recursos voluntários da empresa e do responsável solidário são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Tratase de lançamento de omissão de receitas decorrente de repasses efetuados pelas administradoras de cartões cuja contabilização não restou comprovada. 1 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inicialmente, o recorrente relata que a decisão recorrida deixou de analisar a sua nova impugnação, apresentada após o cumprimento da diligência determinada pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, especialmente na parte em que trata de presunções. Apesar de não pugnar pela nulidade decorrente dessa omissão, devese analisar se tal fato, caso existente, traz alguma consequência à solução da lide. De fato, nas impugnações originalmente apresentadas após a ciência do lançamento (fls. 2071 a 2088 e 2048 a 2066), constava o argumento de cerceamento de defesa por falta de acesso às cópias dos autos durante todos os trinta dias de prazo para recurso. E para Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.232 14 afastar qualquer nulidade decorrente desse fato, a DRJ decidiu por baixar o processo em diligência para conceder novo prazo de 30 dias de impugnação para a empresa e o responsável solidário (fls. 2.099 a 2.100). Como decorrência, foram apresentadas novas impugnações onde foram retiradas as alegações de cerceamento do direito de defesa (fls. 2.111 e 2.123 a 2.140). Contudo, pela leitura do acórdão de primeira instância, fica claro que foram analisados somente os argumentos das primeiras impugnações, pois não se faz menção aos novos recursos, e ainda se enfrenta a matéria relativa ao cerceamento do direito de defesa. Penso que, caso as novas impugnações trouxessem novos argumentos, seria necessária a anulação da decisão recorrida para enfrentamento da defesa como um todo, já que o direito aos novos recursos foi dado pelo próprio órgão julgador, que estava obrigado a apreciálos. Contudo, entendo que a nulidade fica superada ao se constatar que as novas impugnações apenas repetem os argumentos dos recursos originais, retirando somente as alegações de cerceamento. Isso é evidente no recurso do responsável solidário, que apenas reitera a defesa anterior. Já a segunda impugnação da pessoa jurídica difere da primeira apenas na parte em que versa sobre a impossibilidade de se embasar o lançamento em presunção simples de omissão de receitas. Contudo, há que se concluir que o fundamento das duas defesas é o mesmo, sendo que, na segunda, o raciocínio é explicitado de forma mais extensa. Nesse sentido, a seção 2.2.4 do primeiro recurso (fls. 2.085 e 2.086) é mais sucinta, mas deixa claro o inconformismo do contribuinte com a presunção adotada pela autoridade fiscal de que todas as receitas recebidas de cartões de crédito e de débitos haviam sido omitidas, e não estavam incluídas nos rendimentos originalmente declarados. Já a seção 2.1.4 da segunda impugnação (fls. 2.135 a 2.137) traz exatamente o mesmo argumento, mas agora busca sustentálo com entendimentos doutrinários que reputam inviável o uso de presunções simples para embasar lançamentos tributários. Com relação a essa matéria, o acórdão de primeira instância deixou claro seu entendimento no sentido de que o lançamento estava correto nessa parte, pois seria dever do contribuinte comprovar qual a parcela das receitas recebidas das operadoras de cartões já tinha sido devidamente declarada, após intimado para tanto, em especial porque a escrituração apresentada não permitia que se fizesse essa distinção. Assim, apesar de não fazer direta referência aos novos recursos apresentados, a decisão recorrida terminou por analisar suficientemente todos os seus argumentos, não existindo proveito na determinação de novo julgamento. Do mesmo modo, o enfrentamento dos argumentos relativos ao cerceamento de defesa, que já não constavam do novo recurso, não maculam a análise dos pontos que permaneciam em discussão. Desse modo, não havendo prejuízos à defesa, não há que se declarar a nulidade, por ausência de preterição do direito de defesa, como se depreende do conteúdo do Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.233 15 art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), que cuida do processo administrativo fiscal. Essa é a aplicação do brocardo jurídico “pas de nullité sans grief” (não há nulidade sem prejuízo), que impede que se decrete a nulidade de um ato que não traga prejuízo ao direito das partes. 2 – NULIDADES DO LANÇAMENTO 2.1 – Nulidades da RMF O recorrente defende a nulidade do lançamento por irregularidades das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMFs, que teriam sido expedidas em desacordo com as exigências da legislação de regência. O acesso a informações financeiras do contribuinte pelo Fisco está previsto no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que determinou que a requisição às instituições financeiras deveria ser formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos seguintes termos: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.234 16 III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3º O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. § 4º As informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1º, inclusive por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários, bem assim de cotejo com outras informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. § 7º Na RMF deverão constar, no mínimo, o seguinte: I nome ou razão social do sujeito passivo, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ; II número de identificação do MPF a que se vincular; III as informações requisitadas e o período a que se refere a requisição; IV nome, matrícula e assinatura da autoridade que a expediu; V nome, matrícula e endereço funcional dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; VI forma de apresentação das informações (em papel ou em meio magnético); VII prazo para entrega das informações, na forma da legislação aplicável; VIII endereço para entrega das informações; IX código de acesso à Internet que permitirá à instituição requisitada identificar a RMF. Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.235 17 § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. A primeira irregularidade apontada seria a falta de relatório circunstanciado previsto no §5º do artigo acima transcrito, o que, no entender do recurso, resultaria em nulidade insanável do auto de infração. Sem razão o recorrente. A legislação de regência de fato exige a emissão de relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato, onde deve constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista na legislação, observado o princípio da razoabilidade (§§5o e 6o acima transcritos). Mas tratase de procedimento interno para emissão da RMF, sem o qual não poderá a autoridade competente emitir o documento, sob pena de responsabilidade funcional. Emitida a RMF, presumese a indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos do §8o acima transcrito. A análise dos termos da Portaria SRF nº 180, de 1 de fevereiro de 2001, que regulamenta a expedição de RMF, confirma não ser necessária a inclusão do relatório circunstanciado no processo. Isso porque, apesar de, em seu art. 5o, constar a obrigatoriedade do relatório circunstanciado como requisito para a solicitação da expedição da RMF, o seu art. 10 obriga que façam parte do processo administrativo apenas as requisições, as intimações e os termos de restituição ou destruição de documentos não utilizados e dos arquivos magnéticos recebidos. Em outras palavras, o relatório circunstanciado deve existir como requisito para que se solicite a requisição às instituições financeiras, mas não precisa constar do processo administrativo do lançamento, sendo que a simples emissão da RMF pressupõe sua existência. Foi esse o entendimento dos acórdãos cujas ementas estão abaixo transcritas: REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. O relatório de que trata o Decreto n° 3.724, de 2001, destinase a convencer a autoridade administrativa competente da necessidade de emissão da RMF Requisição de Movimentação Financeira e não é a sua ausência que determina a ilegalidade da prova. As informações requeridas nas RMF devem integrar o processo administrativo fiscal instaurado, se for útil à prova do lançamento de ofício. (Acórdão nº 120200.434, 1a Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 11 de novembro de 2010, relatora Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta) Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.236 18 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA Constatado que o motivo esposado em Termo integrante da peça acusatória autoriza, nos termos da norma reguladora do procedimento, o acesso à movimentação financeira, descabe falar em nulidade do lançamento em razão de inobservância de requisito legal. (Acórdão nº 130100.126, 1a Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 17 de junho de 2009, relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ALCANCE. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n°3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. (Acórdão nº 220200.241, 2a Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 20 de agosto de 2009, relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga) E apenas para complementar, registro que a própria leitura do Termo de Constatação Fiscal (fl. 2.013) indica a existência do relatório circunstanciado, uma vez que a autoridade autuante faz constar que, após não ter recebido as informações solicitadas, emitiu, em 26/9/2012, Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), e esse documento, nos termos do anexo I à Portaria SRF n° 180, de 2001, contém tal relatório. Uma outra irregularidade relativa à RMF seria a falta de demonstração de hipótese de indispensabilidade para sua emissão. Na verdade, esse argumento recursal está diretamente relacionado àquele de falta de relatório circunstanciado, pois, no entender do recorrente, somente nesse relatório deveria constar os fatos que motivaram o enquadramento na hipótese de indispensabilidade. Nesse sentido, o raciocínio já expendido afasta a necessidade de que a motivação para a emissão da RMF esteja obrigatoriamente contida em relatório circunstanciado constante dos autos. Como se verá abaixo, foi devidamente demonstrada a necessidade de se obter as informações diretamente das instituições financeiras. Além disso, deves recordar o conteúdo do §8o do art. 4o do Decreto nº 3.724, de 2001, que determina que a simples expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.237 19 Finalmente, o recorrente defende que a RMF é irregular por inexistir hipótese de indispensabilidade para sua expedição, pois deixou de prestar as informação de forma justificada, evitando afrontar os incisos X e XII, do artigo 5o da Constituição Federal, que impõem sigilo aos dados exigidos pela Fiscalização. Mais uma vez sem razão o contribuinte. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil no exercício de suas funções, nos termos do art. 927 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Já o art. 195 do Código Tributário Nacional – CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Além disso, o já citado art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, desde que atendidos determinados requisitos. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade, que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. Por consequência, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001. Dessa forma, rejeito os argumentos de nulidade do lançamento decorrentes de irregularidades na expedição de RMF. 2.2 – Nulidades do MPF O recorrente também defende a nulidade do lançamento devido às seguintes irregularidades nos Mandados de Procedimento Fiscal MPFs: a) faltas de assinatura e de fundamentação das prorrogações e b) não inclusão expressa dos tributos reflexos, o que, apesar de previsto no art. 8o, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, afrontaria o Decreto 3.724, de 2011, que somente autorizaria a lavratura de autos de infração reflexos em casos de riscos aos interesses da Fazenda Nacional. Entretanto, a decisão recorrida demonstrou, de forma consistente, que nenhuma irregularidade existiu na emissão dos MPFs. Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.238 20 Com respeito a indigitada irregularidade do item “a”, explicitou o julgador a quo (fl. 2.148): No tocante à alegada falta de assinatura das prorrogações do MPF, cabe esclarecer que, nos termos do art. 4° da Portaria RFB n° 3.014/2011, o MPF é emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido. A ciência desse documento pelo sujeito passivo, nos termos do parágrafo único do referido art. 4°, se dá no sítio da RFB na Internet, com a utilização de código de acesso. A prorrogação do prazo, segundo o art. 12 desta mesma Portaria, poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias. Portanto, as normas que regulamentam a matéria não exigem que seja explicitada fundamentação para a prorrogação de prazo do MPF. Além disso, a ciência desse documento, no presente processo administrativo, se deu de acordo com o previsto na legislação, conforme atesta o documento de fl. 2089, no qual constam inclusive as indicações das prorrogações. No voluntário, o contribuinte insiste que não é possível aferir se foi mesmo a autoridade competente quem prorrogou os prazos, já que não há assinatura (ainda que eletrônica) sob as prorrogações, o que seria contra o princípio da segurança jurídica. Entretanto, o simples fato de o modelo eletrônico utilizado não trazer espaço para a assinatura abaixo de cada prorrogação não diminui a certeza de sua emissão pela autoridade competente. A análise de sua estrutura, como comprova o documento de fl. 2.089, deixa claro o cumprimento de todos os requisitos legais. Ademais, a possibilidade de consulta direta do documento no sítio da Internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB dá ao fiscalizado toda a segurança de que está submetido a procedimento fiscal legal. Já a desnecessidade de inclusão expressa dos tributos reflexos no MPF é consequência direta do art. 8o, da Portaria RFB n° 3.014, de 2011, como reconhecido pela própria defesa. Não concordo com a tese do recurso de que essa disposição contrariaria o Decreto n° 3.724, de 2011. Segundo o recorrente, somente existiria a possibilidade de dispensa para a expedição de MPF nos casos em que houver risco aos interesses da Fazenda Nacional. Entretanto, a ressalva apontada se refere aos casos em que é necessário se iniciar o procedimento fiscal de imediato, quando a espera pela emissão do MPF prejudicaria o resultado da ação, como diante de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária. Nessas situações, iniciase a fiscalização sem o MPF, que deve ser emitido e cientificado ao sujeito passivo no prazo de cinco dias. Na situação dos autos o MPF foi emitido normalmente, e a desnecessidade de inclusão dos tributos reflexos foi regulamentada pela RFB, nos termos do art. 2o, caput e §4o, do Decreto n° 3.724, de 2011. Ademais, devo registrar que é o entendimento majoritário desta Turma, apesar de não unânime, de que o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.239 21 caracterizam vícios insanáveis. Como exemplo, cito o Acórdão nº 1102000.911, julgado na sessão de 7 de agosto de 2013, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. No mesmo sentido, transcrevo ementa de decisão unânime da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101001.457, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012, tendo por relator o Conselheiro Valmir Sandri: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. Dessa forma, rejeito os argumentos de nulidade do lançamento decorrentes de irregularidades no MPF. 2.3 – Nulidade por Formalização Prévia de Processo O recorrente também entende que o lançamento é nulo devido à irregularidade no procedimento administrativo decorrente da lavratura dos autos de infração e da Representação Fiscal para Fins Penais enquanto ainda corria prazo para manifestação do contribuinte. Isso estaria comprovado porque, apesar de a data de lavratura constante dos autos de infração ser 1º/11/2012, o processo administrativo foi protocolado em 16/10/2012 e o processo da Representação Fiscal para Fins Penais, em 24/9/2012, quando ainda corria o prazo para que se manifestasse sobre intimação. Como a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, exige que a Representação Fiscal para Fins Penais seja formalizada após a lavratura do auto de infração, nulo seria o lançamento. Contudo, a simples protocolização de processo não significa que seu conteúdo já tenha sido formalizado. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. Quanto aos argumentos específicos quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, devese recordar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias sobre essa matéria, nos termos da Súmula CARF nº 28. Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.240 22 3 – MÉRITO No mérito, entende a defesa que a base de cálculo foi apurada com o uso indevido de presunção simples, o que seria impossível na esfera tributária. Isso porque a autoridade fiscal considerou que toda a receita obtida das operadoras de cartões de crédito e de débito foram omitidas, mesmo constando valores de receitas escriturados. Se fosse necessário utilizar de presunção, então deveria se ter presumido que toda a receita escriturada havia sido recebida por meio de cartões. Acrescenta que não é possível imputar ao contribuinte o dever de comprovar que os valores provenientes de cartões correspondem às receitas declaradas, pois compete ao Fisco a demonstração de sua acusação de omissão total de rendimentos, principalmente quando existem provas apresentadas pelo sujeito passivo no sentido de que há receitas declaradas. Argumenta que a Fiscalização exigiu que a empresa produzisse documentos e esta respondeu que estava legalmente proibida de fazêlo. Assim, se é verdade que a escrituração fiscal da empresa não permitia o completo conhecimento da formação das receitas tributáveis declaradas, deveria a Fiscalização ter iniciado procedimento de arbitramento, espécie de presunção autorizada por lei, desqualificando formalmente a escrituração do contribuinte e seguindo todos os trâmites específicos impostos pela legislação tributária federal para se chegar aos valores que considerasse omitidos. Sem razão o recorrente. Não há dúvidas de que a omissão de receitas foi cabalmente comprovada. O contribuinte declarou rendimentos de R$ 3.091.536,55, em 2008, e R$ 3.911.560,57, em 2009. Contudo, as operadoras de cartões de crédito e de débito informaram ter repassado receitas de R$ 5.969.855,58, em 2008, e de R$ 6.711.096,61, em 2009. Diante desses fatos, buscou a autoridade fiscal diligentemente apurar o montante da receita efetivamente omitida, pois seria razoável se considerar que parte dos rendimentos declarados havia sido recebida por meio de cartões, enquanto outra parcela teria sido paga por outros meios, tais como cheques, boletos bancários ou em espécie. Nesse sentido, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a demonstrar como foram auferidos os rendimentos declarados, mas se recusou expressamente a fazêlo. Por sua vez, a escrituração apresentada em nada ajudou a resolver a questão, pois os lançamentos contábeis não especificavam qual a forma de pagamento. Nesse contexto, nada mais razoável do que se considerar que todos os valores recebidos por meio de cartões não haviam sido declarados. A questão se resolve pela repartição do ônus da prova. A autoridade fiscal comprovou a existência de receitas omitidas e demonstrou que a escrituração contábil e os documentos apresentados não permitiam concluir que parte delas já havia sido tributada. Nesse momento, passou a ser ônus do contribuinte desconstituir a prova apresentada e demonstrar que parte dos rendimentos já estava declarada. Não o fazendo, prevalece a conclusão de que a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões estavam à margem da escrituração. Acrescentese que essa prova poderia ter sido feita no curso do julgamento administrativo. Esse relator não teria qualquer dificuldade em excluir parte do lançamento Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.241 23 diante da comprovação de que parcela dos valores lançados já havia sido declarada. Entretanto, o recorrente preferiu concentrar sua defesa apenas em argumentos de direito, deixando de lado os fatos efetivamente ocorridos. Finalmente, entendo que o arbitramento dos lucros poderia ter sido uma possibilidade a ser considerada pela autoridade fiscal, caso decidisse enveredar sua acusação no sentido de imprestabilidade da escrituração. Entretanto, foi também correta a alternativa utilizada de admitir que a escrituração era aceitável, mas que apenas não comprovava que as receitas recebidas por meio de cartões estavam nela contida. O que não se pode admitir é o contribuinte em nada colaborar com a Fiscalização no sentido de esclarecer se determinados rendimentos estavam escriturados, forçar um lançamento de omissão de receitas pelo valor total, e em sede de recurso defender que a autoridade fiscal deveria ter considerado sua escrituração imprestável e arbitrado seus lucros, escapando assim da totalidade do lançamento. Tratase, no meu entender, de tentativa de se beneficiar de sua própria torpeza, atitude em tudo rechaçada pelo Direito. Mantenho, assim, o lançamento do principal em sua totalidade. 4 – MULTA QUALIFICADA O recorrente alega que não é possível a qualificação da multa por falta de comprovação do evidente intuito de fraude, fato reconhecido por um dos julgadores da DRJ. Acrescenta que não há notícia do uso de documentos falsos, de utilização de interpostas pessoas, etc, e que a simples divergência de informações não comprova o dolo específico. Contudo, em análise do Termo de Constatação Fiscal (fls. 2.021 a 2.023), verificase que a majoração da penalidade não foi relacionada à simples divergência de valores, mas sim à prática reiterada (24 meses) de informar receitas de vendas bem menores do que as efetivamente recebidas (foram omitidos rendimentos 193% maiores do que os efetivamente declarados em 2008 e 171%, em 2009). Assim, o dolo estaria comprovado tanto pelo valor da omissão quanto pela repetição da infração. Concordo com a conclusão de que a prática reiterada de declarar receitas em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos serve, por si só, para comprovar a intenção dolosa de suprimir tributos, não podendo ser compreendida como simples erro de escrituração. Nesse sentido, ficou demonstrada a ocorrência de omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que é considerado como prática de sonegação nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, e justifica a duplicação da penalidade, de acordo com o §1o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É esse o entendimento de diversos julgados do CARF e da CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: QUALIFICAÇÃO DE MULTA INTUITO DOLOSO PRÁTICA REITERADA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO À FAZENDA FEDERAL COM VALORES INFERIORES AOS Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.242 24 ESCRITURADOS NOS LIVROS A reiteração da entrega de declaração em valor significativamente inferior ao constante em seus livros fiscais por longo período caracteriza o intuito doloso e autoriza a qualificação da multa. (Acórdão nº CSRF/0105.740, 1ª Turma CSRF, sessão de 3/12/2007, relator Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima) MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. (ACÓRDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008). (Acórdão nº 9101001.689, 1ª Turma/CSRF, sessão de 17/7/2013, relator Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. (Acórdão nº 1401001.004, 4ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1a Seção/CARF, sessão de 10/7/2013, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto) MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar a totalidade das vendas efetuadas, apresentando DIPJs e DCTFs com valores fictícios, durante vários períodos, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%. (Acórdão nº 1202001.015, 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/1a Seção/CARF, sessão de 7/8/2013, relator Conselheiro Geraldo Valentim Neto) Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.243 25 Assim, mantenho a multa qualificada. 5 – EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 5.1 – Responsabilidade decorrente do art. 135 do CTN A Fiscalização atribuiu ao Sr. Valter Prado Lopes, sócioadministrador da empresa, responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído de ofício, em decorrência de atos praticados com infração da lei (prática reiterada e contumaz de apresentar as declarações fiscais inexatas da empresa, com receitas sabidamente menores que as efetivamente auferidas), de acordo com o art. 135, inciso III, do CTN. Tanto o recorrente quanto o responsável tributário defendem que a responsabilidade decorrente do art. 135 do CTN é pessoal e não solidária. Como consequência, a empresa pretende ser excluída do lançamento, que deveria se voltar apenas contra o terceiro responsabilizado pessoalmente. Já o sócio deseja ser retirado do polo passivo por entender que, como não poderia ser responsabilizado solidariamente por esse dispositivo, seria nulo o Termo de Responsabilidade Solidária. Transcrevo o dispositivo em discussão: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Apesar de conhecer os posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais no sentido defendido no recurso, penso serem melhores os argumentos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT/nº 55, de 14 de janeiro de 2009, que concluem que o citado dispositivo legal trata de responsabilidade solidária. O principal argumento a favor da solidariedade é que o art. 135 do CTN não prescreve que a responsabilidade dos terceiros é por substituição, e o art. 128 do CTN somente permite a exclusão da responsabilidade do contribuinte por expressa previsão legal. Assim, no caso não se admite interpretação extensiva da legislação, prevalecendo a obrigatoriedade do sujeito passivo principal. Além disso, o sentido dessa norma é aumentar as garantias do crédito tributário, fazendo que por ele também respondam pessoalmente os terceiros que ajam com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Já a interpretação proposta diminui essa garantia, pois retira a responsabilidade da pessoa jurídica responsável pela ocorrência do fato gerador. Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.244 26 Em recente decisão, a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu que a responsabilidade do art. 135 do CTN é solidária. Transcrevo excerto do Acórdão nº 9101001.656, julgado na sessão de 14 de maio de 2013, tendo como relator o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima: A constatação acima, responsabilidade por ato ilícito, nos termos do CTN, art. 135, III, mostra que o interessado responde não por ser sócio, mas por praticar ato ilícito na gerência dos negócios da pessoa jurídica, como demonstrado nestes autos. Dessa forma, entendo que a reponsabilidade (sic) por ato ilícito exclui a subsidiariedade do responsável quanto à exigência do crédito tributário. A expressão pessoalmente, inserida no caput do referido artigo, significa que a União pode cobrar imediatamente do reponsável (sic) o cumprimento da obrigação tributária.(...) (...) (...) tratase de obrigações autônomas, a saber: o dever jurídico originário da pessoa jurídica de pagar o crédito tributário e o dever jurídico sucessivo, decorrente de ato ilícito, de adimplir a obrigação tributária descumprida pela pessoa jurídica. As duas obrigações vinculamse da seguinte forma: o inadimplemento da obrigação tributária da pessoa jurídica decorreu por ato ilícito de quem agiu como representante desta, na forma do preconizado no inciso III, do art. 135, do CTN. Assim, por serem obrigações distintas, a obrigação da pessoa jurídica permanece exigível. Corrobora desse entendimento LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA, que leciona: A grande diferença entre a regra atual (art. 135) e do dispositivo acima transcrito (art. 134) é que a responsabilidade deixa de ser supletiva para assumir um caráter de solidariedade. A justificativa é plausível: aqui, há a prática de um ato ilícito pelo responsável, seja violando a lei, seja desrespeitando o contrato ou estatuto da sociedade em que trabalha. Há quem defenda o fato da responsabilidade ser “pessoal” afastaria qualquer obrigação dos contribuintes, que ficariam, pois, exonerados. Não penso assim. A responsabilidade exclusiva do agente pode se restingir (sic) às infrações, nos casos devidamente previstos no art. 137, a ser estudado infra. Mas, quanto ao tributo em si, não vejo como excluir os contribuintes da solidariedade, afinal de contas são eles que detêm relação pessoal e direta com o fato gerador, ou seja, são eles que realizam o fato previsto na lei como tributável, ainda que por seus representantes.” (Freitas, Vladmir Passos de (Coord.)Código Tributário Nacional Comentado, 4. ed., São Paulo: RT, 2007, pp. 643644) Além do mais, o art. 128 do CTN proíbe a exclusão do contribuinte sem expressa determinação legal: (...) Para aumentar a garantia do pagamento da obrigação tributária, nos casos elencados no art. 135 do CTN, o próprio artigo estendeu a sujeição passiva ao terceiro. A “impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte” contida no art. 134 do CTN não foi repetida no art. 135 do Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.245 27 mesmo diploma legal. Naquele artigo, constatase a subsidiariedade da obrigação do responsável; neste, em decorrência da prática de ato com infração à lei, tornase razoável uma maior garantia ao Fisco, fornecida pela ausência do benefício de ordem. Estas são as razões pelas quais considero solidária a obrigação do responsável. Nesse sentido, sendo solidária a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, devese manter no polo passivo o recorrente, e rejeitar a nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária defendida pelo sócioadministrador. 5.2 – Responsabilidade Tributária do Sócio O sócio responsabilizado pelo crédito tributário também alega que não agiu com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, pois quem apresentou as declarações à Receita Federal foi a pessoa jurídica autuada e não a pessoa física do sócio. Acrescenta que o fato de ter assinado os documentos contábeis da empresa nada mais é que o cumprimento de seu dever de representante legal, já que tais documentos, sem sua assinatura, não possuem qualquer validade; Afirma também que a acusação fiscal constante dos autos se dá no sentido de que o recorrente teria infringido a Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o que justificaria a aplicação do artigo 135, do CTN. Entretanto, como não há crime no curso da discussão administrativa, impossível se falar em infração a essa lei Aduz que a lei de que fala o artigo 135, do CTN, é aquela relativa às formas de gestão e administração das pessoas jurídicas. Não fosse assim, qualquer mero inadimplemento se configuraria como infração à lei por parte de terceiro, o que já foi afastado pela jurisprudência. Refuta ainda a menção ao art. 1.016 do Código Civil para a atribuição de responsabilidade, pois tal dispositivo legal se refere a hipóteses de culpa no desempenho das funções de administrador, que são totalmente distintas daquelas previstas no artigo 135, do CTN, que exige o dolo. Finaliza afirmando que qualquer “ato” teoricamente por ele praticado não fez surgir obrigações tributárias para a empresa autuada, mais uma razão para a não aplicação do artigo 135, do CTN. Sem razão o recorrente. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a responsabilidade do “sóciogerente” decorre de sua condição de “gerente” e não de “sócio”. Assim, não basta ser sócio para que responda solidariamente pelo crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provada pelo Fisco. Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.246 28 Entendo que a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. Como já consignado, considero que restou comprovada a sonegação, caracterizada pela prática reiterada de declarar receitas em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos. E foi o sóciogerente quem elaborou os documentos contábeis e fiscais que continham as informações incorretas, não sendo possível afastar sua participação na conduta ilícita apurada. Não macula o Termo de Responsabilidade Solidária o fato de nele se ter apontado infração aos arts. 1o e 2o da Lei nº 8.137, de 1990, que trata de crimes contra a ordem tributária, pois a qualificação da multa por sonegação implica a ocorrência desses crimes. O entendimento de que só se pode falar em crime contra a ordem tributária após o fim da discussão administrativa, ou ainda o fato de que só o Poder Judiciário poderá condenar pela prática desses delitos não impedem a imputação, em tese, das infrações a esses dispositivos. Do mesmo modo, pareceme evidente que o CTN buscou responsabilizar o administrador pela infração a qualquer lei que gere consequências tributárias, e não apenas àquelas relacionadas à gestão e à administração das pessoas jurídicas. Já o argumento de que o art. 135 do CTN exige o dolo e não a culpa do agente é irrelevante para a discussão, pois foi comprovado o intuito doloso. Finalmente, a alegação de que os atos praticados pelo sócio não fizeram surgir obrigações tributárias para a empresa autuada carece de sentido, já que o presente processo cuida justamente do crédito tributário decorrente do lançamento que autuou as omissões de rendimentos surgidas a partir das ações que lhe foram imputadas. Assim, mantenho a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Valter Prado Lopes. 6 CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.247 29 Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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