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Numero do processo: 10283.007044/2003-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
PIS. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF.
Numero da decisão: 9101-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
MARCOS AURÉLI PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Meigan Sack Rodrigues, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 PIS. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. MARCOS AURÉLI PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 01/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Meigan Sack Rodrigues, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 70 44 /2 00 3- 46Fl. 525DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: MULTIBRÁS DA AMAZÔNIA S.A., pessoa jurídica já qualificada nos autos do presente processo, recorre a este Colegiado contra decisão proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém PA (fls. 141/147), que manteve o indeferimento proferido pela Delegacia da Receita Federal em Manaus — AM do pedido de restituição de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referente ao anocalendário de 1997, protocolizado na data de 05/12/2004 (fls. 63). A denegação do pedido fundamentouse no entendimento de que o prazo para 111 exercer o direito de pleitear a restituição do indébito fiscal teria sido alcançado pela decadência, nos termos do inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional — CTN, que estabelece prazo de 5 (cinco) anos para que o direito à repetição seja exercido, contados da data da extinção do crédito tributário, pelo seu pagamento espontâneo. O inconformismo da interessada quanto à denegação em causa foi manifestada junto à Delegacia da Receita Federal de Manaus — AM através do arrazoado de fls. 107/121, cujos argumentos foram assim sintetizados na decisão recorrida (fls. 143): "a) quando se trata de pedidos de restituição/compensação de indébito de tributos lançados por homologação, só a partir da operação de homologação do lançamento por parte do fisco é que começa a correr o prazo de cinco anos; b) como no presente caso pleiteiase a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de CSLL referente ao ano calendário de 1997, encerrado no dia 31/12 daquele ano, data a que se reputa a ocorrência do fato gerador da referida contribuição, haveria que se concluir que até 31/12/2007 a recorrente poderia exercitar o seu direito à restituição. Assim concluiria a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos." A sobredita decisão de primeiro grau está assim ementada: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: CSLL. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. O prazo para pleitear a restituição e/ou compensação de valores pagos a maior ou indevidamente a título de tributos e contribuições, inclusive aqueles submetidos à sistemática do lançamento por homologação, é de cinco anos contados da data do efetivo pagamento. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10283.007044/200346 Acórdão n.º 9101001.790 CSRFT1 Fl. 250 3 Solicitação Indeferida" Cientificada dessa decisão em data não disponível nos autos, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, em 22/02/2006 (fls. 152/168), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: que "ao contrário do que entende a r. decisão 'a quo', quando se está diante de tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150, fi 4°, do CTN), como é o caso da CSLL, somente depois de transcorrido o prazo de 5 anos que tem a Fazenda Pública para homologar o pagamento é que se inicia a contagem do prazo de 5 anos que tem o contribuinte para pleitear sua devolução,"; que, conforme se depreende do artigo 168, I, o prazo começa a fluir a partir da data da 411 extinção do crédito tributário, cujo prazo somente se iniciará, nos lançamentos por homologação, como no caso, a partir da sua posterior averiguação por parte do fisco, que, por seu turno, dispõe de cinco anos para efetuála. Dessa forma, a extinção do crédito tributário estaria condicionada ao transcurso de cinco anos da data do pagamento do tributo, período do qual dispõe a Fazenda Pública para homologar o pagamento, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN; que somente a partir dos cinco anos após a ocorrência do pagamento é que se iniciaria "o outro prazo de cinco anos para o contribuinte pleitear a restituição do tributo, salvo se houver manifestação expressa do sujeito ativo não concordando com as providências do contribuinte (observado o prazo de 5 anos), o que não ocorreu no presente caso concreto, já que houve a homologação tácita", ou seja, o contribuinte disporia do prazo de 10 (dez) anos para requerer o valor do tributo pago indevidamente; que esse tem sido o entendimento dos Conselhos de Contribuintes, consoante decisões citadas mediante transcrição das ementas (fls. 161/162); que decisão do STJ, cuja ementa transcreve, estabelece o dia 31 de dezembro como a data da ocorrência do fato gerador da CSLL, a exemplo do que ocorre em relação ao IRPJ; que, de acordo com o que prescreve o art. 1° do Decreto ° 2.346, "quando da existência de orientação consagrada pelo E. STF, os atos da Administração Pública por ela devem se pautar."; É o relatório. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1997 Ementa: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 CSLL REPETIÇÃO DE INDÉBITO — PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA Dó ART. 168 — I DO CTN. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido é de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Inconformada com a decisão que negou provimento ao recurso voluntário por considerar que o prazo decadencial do pedido de restituição/compensação é de 5(cinco) anos a partir do pagamento indevido, a contribuinte apresentou recurso especial (fls. 207/220), o qual foi admitido (fls. 235/238) pela presidente da 4ª Câmara da 1ª SEJUL. Devidamente cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso do sujeito passivo (fls. 239/244). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Analisando as condições de admissibilidade do presente recurso especial, entendo que deve ser admitido. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao prazo prescricional par restituição de indébito, visto que a decisão recorrida entendeu que o prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido é de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). No caso presente, o indébito é de 1997 (suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997) e o pedido foi protocolizado em 26 de dezembro de 2003 (fls. 0102), portanto mais de cinco anos após o indébito alegado. O contribuinte propugna pela tese dos 5 mais 5 anos, contado do recolhimento indevido, e a PGFN na tese que é de cinco anos contados do pagamento. Essas posições já foram sustentadas pelos diversos órgãos julgadores do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes. Porém, atualmente nenhuma delas deve prevalecer para o período em debate. A posição que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC nº 118/2005 (que passou a ter vigência efetiva a partir do dia 09 de junho de 2005, em virtude do vacatio legis previsto em seu art. 4º). A referida decisão do STF, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie, que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE Fl. 528DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10283.007044/200346 Acórdão n.º 9101001.790 CSRFT1 Fl. 251 5 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Deve, portanto, ser revista a decisão recorrida. Os indébitos relativos aos fatos geradores anteriores a 28/09/1990 (período 01/01/1989 a 27/091990) foram atingidos pela prescrição, visto que o pedido foi protocolizado em 28/09/2000. São passíveis de restituição/compensação indébitos incorridos em relação aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28/09/1990 a 31/10/1993 Assim, no caso sob julgamento, a prescrição não atinge os débitos pleiteados, de 1997 (suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997), pois, considerando que o pedido foi protocolizado em 26 de dezembro de 2003, os fatos geradores que supostamente originaram o indébito de 1997 ocorreram dentro do interstício temporal de Fl. 529DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 dez anos contados anteriormente à data do protocolo pedido, o qual foi feito antes do dia 9 de junho de 2005. Neste sentido, deve ser afastada a prescrição em relação indébitos pleiteados para efeito de compensação. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, devendo retornar à origem, para que o pedido de compensação seja analisado pela DRF, que indefiru o pedido sem efetivar sua análise quando aos outros aspectos. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721751/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106.
O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio.
In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN.
No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
4. Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 - A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.694
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor do redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106. 1. O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. 2. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. 3. No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 4. Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 51 /2 01 0- 95 Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor do redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, período de 01/2007 a 12/2007, não recolhidas em época própria. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 03 de maio de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ABONO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. O pagamento de abono a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o saláriodecontribuição, por não estar desvinculado do salário nos termos previstos em lei. ASSINSTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Para que os valores relativos à assistência médica e odontológica ofertada pela empresa entejam fora do alcance do campo de incidência das contribuições previdenciárias, deve a mesma ser oferecida à totalidade dos empregados e dirigentes. Inteligência do Art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/91 e alterações. Os valores pagos a título de assistência médica e odontológica aos dependentes dos trabalhadores têm natureza salarial e não estão abarcados na lista de verbas não incidentes de contribuição previdenciária do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 03/12/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Para cumprimento do princípio da retroatividade benigna, deve ser comparada a multa de mora da redação anterior do artigo 35, II, ‘a”, (24%) somada à multa punitiva pelo descumprimento da obrigação acessória do art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, (CFL 68), com a multa de ofício do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Somente a parte impugnada deve ser submetida ao julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Os fatos considerados pela Fiscalização como geradores das contribuições teriam ocorrido no decorrer de 2007, tendo sido assim identificados pela fiscalização no relatório fiscal que acompanha a autuação: a) pagamento de abonos pecuniários e prêmios por tempo de serviço firmados em convenções coletivas de trabalho (levantamentos AB1, AP1 e PR1); b) pagamento efetuado a título de participação nos lucros e resultados (levantamento PL1); c) fornecimento de alimentação em desacordo com o PAT (levantamento AL1); d) pagamentos efetuados a transportadores autônomos e não incluídos em folhas de pagamento ou GFIP (levantamento FF1); e) despesas com assistência médica e odontológica (levantamentos AM1 e AO1); f) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho (levantamento CO1). A recorrente apresentou defesa apenas para questionar os lançamentos relacionados aos abonos pecuniários (rubricas AB1 e AP1), bem como os valores gastos com auxílio médico e odontológico (AM1 e AO1), que não podem ser considerados integrantes do salário de contribuição. Quanto aos abonos pecuniários, a Recorrente arguiu que, devido à ausência de habitualidade nos seus pagamentos, resta clara a impossibilidade de tal verba integrar o salário de contribuição, sobretudo porque inocorreu qualquer creditamento a esse título nos exercícios subsequentes. Por outro lado, demonstrouse a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de assistência médica e odontológica, em resumo, sob os seguintes fundamentos: (i) a assistência não é prestada a um grupo seleto de funcionários, sendo prevista sempre em convenções coletivas específicas a todos os funcionários dos estabelecimentos a elas vinculados; (ii) por força da autonomia dos estabelecimentos, a análise se o benefício é prestado a todos os funcionários e dirigentes deve ser efetuada separadamente em cada estabelecimento; (iii) o caráter assistencial do benefício, inclusive em razão dos descontos na folha dos empregados, comprova que a sua natureza é claramente indenizatória; (iv) subsidiariamente, demonstrouse a insubsistência do lançamento a partir de junho de 2007, momento em que todos os funcionários de todos os estabelecimentos se encontravam assistidos pela assistência médica e odontológica. Demonstrouse também a forma abusiva e ilegal com que a Fiscalização atuou ao aplicar multa de ofício de 75% do valor do crédito principal constituído, haja vista a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, que é a multa de mora de 20% (art. 35, da lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08). Não incide contribuições previdenciárias sobre os abonos pecuniários pagos pela recorrente. Não incide contribuições previdenciárias sobre os valores relacionados à assistência médica e odontológica. Demonstrouse na impugnação que, caso a parcela do lançamento impugnada não seja cancelada na íntegra, deve ser determinada a retificação da penalidade Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 6 5 aplicada, consubstanciada na multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da lei nº 9.430/96, não aplicável às contribuições previdenciárias quando da ocorrência dos fatos geradores. Isso, haja vista a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, que é a multa de mora de 20% (art. 35, da lei 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08). Contudo, o r. acórdão recorrido afastou esse argumento, sob o fundamento de que a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.420/1996 se referiria a contribuições sociais não pagas dentro do prazo, de forma espontânea, antes de iniciado o procedimento sancionador fiscal, sendo inaplicável ao presente caso. Por todo o exposto, requerse a reforma do r. acórdão recorrido, para que: a) Seja cancelado o lançamento fiscal no que se refere aos levantamentos “AB1”, AP1”, “AM1” e “AO1”, haja vista se ter demonstrado que os valores relacionados não podem ser considerados como integrantes do salário de contribuição; b) Na improvável hipótese desse pedido principal não ser considerado procedente: i) Seja cancelado o lançamento referente aos levantamentos “AM1” e “AO1” do período de junho a dezembro de 2007, haja vista a demonstração de que todos os funcionários de todos os estabelecimentos da Recorrente eram assistidos; ii) Seja cancelada a multa de ofício, restando aplicada a penalidade mais benéfica, nos termos expostos no item “II.3”. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como restou demonstrado, a recorrente foi autuada por descumprir diversos procedimentos previstos em lei. Contudo, em sua peça impugnatória ela limitouse a discutir apenas quatro levantamentos. No ponto, eis os argumentos do próprio contribuinte, verbis: A recorrente apresentou defesa apenas para questionar os lançamentos relacionados aos abonos pecuniários (rubricas AB1 e AP1), bem como os valores gastos com auxílio médico e odontológico (AM1 e AO1), que não podem ser considerados integrantes do salário de contribuição. No que se refere aos abonos pecuniários a fiscalização entendeu que tais benefícios não estavam em conformidade com a legislação previdenciária, motivo pelo qual efetuou o lançamento. De igual modo, o acórdão recorrido também segue esse entendimento, in verbis: De acordo com os dispositivos acima transcritos, somente abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei não integram o saláriodecontribuição. Convenções Coletivas de trabalho não dispõem de força normativa capaz de alterar a definição de institutos próprios de Direito Previdenciário, não podendo estabelecer se sobre determinada verba incidirá ou não contribuição previdenciária. Não integram o saláriodecontribuição exclusivamente as parcelas previstas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, combinado com o § 9º do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, o fato de Sindicatos entenderem que esse Abono Especial não se sujeita à incidência de nenhum encargo tributário, trabalhista ou previdenciário, não garante sua exclusão do campo de incidência das contribuições ora exigidas. De fato, o entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 8 7 De outra parte, no que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No ponto, veja como dispõe o acórdão recorrido, in verbis: A empresa argumenta que todos os cinco funcionários da filia 23.929.979/001235 também estavam devidamente assistidos, conforme pode ser verificado pelas GFIP juntadas no Anexo D, que discriminam os segurados vinculados a este estabelecimento, e pelas faturas online exemplificativas e geradas pela empresa Vitallis Saúde S.A, juntadas no Anexo C. Ocorre que essas faturas juntadas (Anexo C) não são suficientes para comprovar que esses funcionários eram beneficiários desse Plano Assistencial. A empresa deveria ter juntado outros documentos, como Folhas de Pagamento, onde constasse o desconto sofrido pelo segurado, demonstrando a sua inclusão nos Planos oferecidos pela empresa. A empresa reconhece que os benefícios assistenciais eram oferecidos apenas nos estabelecimentos vinculados aos Sindicatos que celebravam Convenções Coletivas de Trabalho que continham cláusulas expressas acerca de Planos de Saúde e Odontológicos. Como se pode observar, realmente o contribuinte não conseguiu demonstrar coerência em sua tese. Em relação às verbas relacionadas aos Planos de Saúde e Odontológico, o lançamento deverá ser mantido. Contudo, em relação à multa aplicada, entendo que razão assiste ao contribuinte. Sobre a multa de mora, Mauro José da Silva (in Contribuições Previdenciárias à Luz da Jurisprudência do CARF – São Paulo. MP Ed., 2012. p. 180 e 192), assim leciona: A multa de mora deve ser limitada a 20%, tendo em vista a determinação da nova redação do art. 35 da lei 8.212/91 c/c o art. 61 da lei 9.430/96. Esta é a posição que tem prevalecido, por maioria, nos julgamentos da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF. No Poder Judiciário há algumas decisões nesse mesmo sentido. O art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 não pode ser aplicado, uma vez que a infração falta de recolhimento só passou a ser punida com a referida multa de ofício após o advento da Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 9 8 novel legislação e sua aplicação encontraria óbice no art. 105 do CTN. Portanto, em relação à multa, correto o posicionamento do contribuinte, devendo ela ser limitada a 20% (vinte por cento), por se tratar de situação mais benéfica conforme dispõe a alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Peço vênia ao I. Relator para divergir de sua posição quanto à aplicação da multa de mora. Ficou demonstrado que o lançamento decorre do descumprimento por parte do contribuinte de suas obrigações fiscais/tributárias, bem como que o lançamento é o típico lançamento de ofício, ou seja, aquele feito pelo agente do fisco no desempenho de suas atribuições legais, bem como as contribuições não foram declaradas em GFIP. Deste modo, penso que a aplicação correta da legislação sobre a multa de ofício seja a que a seguir esclareço. A multa de setenta e cinco por cento só é aplicável a fatos geradores e lançamentos realizados a partir de 04/12/2008 data da entrada em vigor da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, uma vez que o lançamento regese pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda, que posteriormente modificada, artigo 144, da Lei 5.172/66. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 10 9 Assim sendo, até 03/12/2008 a multa a ser aplicada ao presente lançamento é a constante do artigo 35, da Lei 8.212/91 com a redação vigente antes da entrada em vigor da MP 449/2008, isto é, a multa variável de vinte e quatro a cem por cento (24% a 100%), sendo que se a multa chegar a oitenta por cento (80%), nos termos do artigo 35, III, “c”, da Lei 8.212/91, deverá ser ela limitada aos setenta e cinco (75%) instituída pelo artigo 35A, da Lei 8.212/91 introduzida pela Lei 11.941/2009, observada à época do pagamento, parcelamento ou execução. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito darlhe provimento parcial par aplicar a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação velha, limitada ao percentual da multa instituída pelo artigo 35A, da lei 8.212/91, introduzida pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.722212/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE PROVAS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA.
Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de análise de documentos juntados à impugnação/manifestação de inconformidade, bem como pela fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato.
Numero da decisão: 1102-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do acórdão recorrido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente TORRES, POPENGA E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE PROVAS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de análise de documentos juntados à impugnação/manifestação de inconformidade, bem como pela fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do acórdão recorrido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório O processo versa sobre a exclusão do contribuinte TORRES, POPENGA E CIA LTDA do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01.07.2007, e dos lançamentos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 22 12 /2 01 2- 04 Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 3 2 ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL) que lhe seguiram, efetivados na modalidade do lucro arbitrado. Originariamente os processos eram distintos, constando os referidos lançamentos de ofício no Processo nº 10.935.722.244/201200, entretanto, foram posteriormente (mas antes do julgamento pela autoridade julgadora a quo) reunidos no presente. No Termo de Representação para exclusão do Simples Nacional (fls. 211) detalha a fiscalização os motivos que conduziram à expedição do Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 005/2012, de 18.09.2012 (fls. 897). Foram dois os motivos apontados: (i) ter deixado de escriturar a movimentação bancária; e (ii) ter auferido receita bruta em valor superior ao limite para permanência no regime. Pelo segundo motivo, sua exclusão surtiria efeitos a partir de janeiro de 2008, contudo, pelo primeiro motivo, sua exclusão retroagiu a 01.07.2007. O contribuinte apresentou os extratos bancários de sua movimentação financeira, em atendimento a intimação fiscal para este fim. De acordo com o relato contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1276 1686), a fiscalização excluiu os valores que, pelo histórico do extrato bancário, denotavam não se tratar de receita (estornos, devoluções de cheques, resgates de aplicações, empréstimos e financiamentos, etc) e intimou a empresa a comprovar a origem dos demais créditos havidos. A fiscalizada não respondeu à intimação. Numa segunda intimação a respeito, apresentou alguns contratos de empréstimos bancários, os quais comprovaram a origem de apenas alguns créditos, restando a maior parte não comprovados. A fiscalização constatou que a empresa informava em suas Declarações Anuais do Simples Nacional – DASN valores de receita bruta inferiores aos que constavam em sua escrituração comercial, conforme se expõe na tabela abaixo: Período Receita Bruta Informada DASN Receita Bruta Escriturada 2o Sem2007 400.234,28 788.348,01 2008 784.693,79 1.340.583,78 2009 831.995,00 1.244.113,12 2010 1.005.061,30 1.414.541,85 2011 1.497.824,00 3.163.574,56 A fiscalização também constatou que a empresa não escriturou a movimentação bancária relativa à conta mantida no Banco do Brasil (a conta de maior movimentação) nos anos de 2007, 2008, 2010 e 2011, limitandose a escriturar apenas a movimentação bancária nos Bancos HSBC e SICOOB, de menor expressividade, naqueles períodos. E que, no ano de 2009, embora tenha escriturado a movimentação bancária no Banco do Brasil, esta se revelou muito superior (créditos totais de R$ 6.179.811,32) à receita declarada. Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 4 3 Tendo em vista a exclusão da empresa do Simples Nacional, e o disposto no art. 32, §2º da LC nº 123/2006, a fiscalização intimoua para que declinasse sua opção pela forma de tributação (Lucro Presumido, Lucro Real trimestral ou anual). Registrou a fiscalização que a empresa não se pronunciou sobre a intimação, e que, não tendo ela manifestado qualquer opção por alguma forma de tributação, tacitamente aceitou o arbitramento. O arbitramento foi justificado com base no art. 530, inciso II, alínea ‘a’, do RIR/99 (imprestabilidade da escrituração para identificar a efetiva movimentação financeira), tendo em vista que a sua movimentação financeira bancária não fora escriturada na conta Bancos, e tampouco fora possível identificála na conta Caixa. As receitas declaradas pela empresa nas declarações simplificadas (DASN) respectivas (receitas de vendas e receitas de prestação de serviços) foram tributadas pelo lucro arbitrado por meio dos percentuais específicos a cada atividade e subtraídas do montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, ao entendimento de que já estariam incluídas no montante da movimentação bancária. Com relação à parcela da receita omitida, por não haver esclarecimentos quanto à sua origem, foi utilizado o percentual de arbitramento mais elevado, correspondente à prestação de serviços. Os valores declarados no Simples Nacional foram aproveitados no lançamento de ofício. Sobre todos os valores lançados a multa de ofício cominada foi de 75%. A ciência da exclusão do Simples Nacional ocorreu em 21.09.2012, e, dos lançamentos de ofício, em 17.11.2012. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a exclusão (fls. 12201382) e contra os lançamentos de ofício (fls. 28472915), cujos argumentos sintetizo a seguir: Quanto à exclusão Preliminares: a) nulidade da exclusão por não ter o termo de exclusão sido registrado no portal do Simples Nacional, conforme previsto no artigo 4º da Resolução do CGNS nº 15 de 23/07/2007, com as alterações da Resolução CGSN nº 23, de 16/11/2007, bem como em razão de não ter sido aguardado o fim do processo administrativo instaurado para que fossem conferidos efeitos à exclusão. b) nulidade do procedimento por falta de comunicação acerca da prorrogação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, conforme determina o artigo 9º da Portaria RFB nº 3.014, de 24/06/2011, circunstância que faz com que o contribuinte se sinta coagido, caracterizando ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e ampla defesa, e ao princípio da legalidade; c) nulidade do procedimento por falta de alteração do MPF para inclusão do Simples Nacional, conforme determina o artigo 7º, §1º, da mesma Portaria; Mérito: Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 5 4 d) falta de fundamentação legal para a exclusão e não subsunção da situação de fato aos dispositivos invocados, pois: i) não houve falta na escrituração do livro caixa (a empresa apresentou os livros solicitados pelo fisco), e não houve falta de identificação da movimentação bancária (a empresa apresentou seus extratos bancários), e ii) não houve a suposta falta de comunicação da exclusão obrigatória, a hipótese utilizada pelo fisco é de exclusão por desrespeito ao limite de receita bruta permitida em razão das omissões de receita constatadas, .cujo enquadramento legal correto seria o § 9o do artigo 3o da LC 123/2006, dispositivo não invocado pelo fisco; e) decadência do direito de lançar, relativa aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, e consequente impossibilidade de considerar a receita supostamente omitida destes meses para o cálculo da receita total auferida no período de apuração considerado (julho a dezembro de 2007), o que faz com que a empresa fique dentro do limite estabelecido pela legislação de regência, e torna nula a exclusão efetuada; f) duplicidade de cômputo, na autuação, das receitas escrituradas, posto que a movimentação bancária foi somada à receita escriturada mas não declarada (vide tabela que instrui o item 4.13 do Termo de Representação.Administrativa, às fls.8 do processo), isto é, foi considerado pela fiscalização que toda a receita escriturada da empresa foi movimentada pela conta Caixa, sem passar por bancos, o que é um absurdo; g) impossibilidade de fazer a juntada integral da documentação comprobatória, em razão de o Diário e demais documentos (exceto os extratos bancários, que foram devolvidos) ainda se encontrarem em poder da fiscalização; h) existência de equívocos na apuração dos valores omitidos, que serão oportunamente demonstrados, e necessidade de exclusão de outros valores da base de cálculo da omissão de receitas, conforme planilhas (empréstimos, desconto de títulos, cheques descontados, empréstimos de sócios – transferências e depósitos on line, desbloqueio de depósitos); i) necessidade de recomposição das receitas e da verificação quanto aos eventuais efeitos sobre a sua exclusão. Quanto aos lançamentos de ofício Preliminar: j) necessidade de reunião de todos os processos decorrentes da ação fiscal para o julgamento em conjunto: processos 10935.722212/201204 (exclusão do Simples Nacional), 10935.722244/201200 (lançamentos de ofício do IRPJ e reflexos), 10935.722242/201211 (lançamento das contribuições previdenciárias de julho/2007 a dezembro/2008), e 10935.722432/201257 (contribuições previdenciárias de janeiro/2009 a dezembro/2011), de modo a preservar a segurança jurídica e evitar decisões conflitantes; Mérito: Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 6 5 k) a impossibilidade do lançamento de ofício depois de protocolada a manifestação de inconformidade com efeito suspensivo contra o Termo de Exclusão do Simples Nacional; l) subsidiariamente, a inaplicabilidade da multa de ofício, caso se considere que o presente lançamento tenha ocorrido para fins de prevenir a decadência, uma vez que se encontrava suspensa a exigibilidade dos débitos; m) decadência dos fatos geradores ocorridos nos meses de julho e agosto de 2007; n) não subsunção da situação de fato aos dispositivos invocados para fundamentar a exclusão (letra ‘d’ acima); o) não superação do limite para permanência no regime em 2007, ante a comprovação da origem de parte da movimentação bancária, da decadência parcial, e duplicidade de cômputo das receitas escrituradas; p) ausência de explicação para o fato de a fiscalização ter descontado do valor de movimentação bancária o valor de receita declarada, mas não ter procedido da mesma forma com relação ao valor de receita não declarada, estando tanto uma quanto a outra escrituradas; q) quanto ao §9º do art. 3º, caso não se entenda pela sua aplicação com base na redação original da LC 123/06, que prevê a exclusão por excesso ao limite no anocalendário seguinte, e se entenda pela sua aplicação com base na nova redação dada pela Lei Complementar n° 139, de 2011, que prevê a exclusão por excesso ao limite no mês subseqüente à ocorrência do excesso, exceto se o excesso não for superior a 20%, é importante identificar exatamente o mês em que se deu o excesso, para só então estabelecer o início dos efeitos da exclusão, o que a autoridade fiscal não fez, limitandose a excluir a contribuinte com efeitos retroativos ao mês de julho de 2007; r) quanto ao PIS e à COFINS, erro no enquadramento legal, e necessidade de exclusão do ICMS das suas bases de cálculo; s) não incidência de juros sobre a multa de ofício; t) impossibilidade da utilização do arbitramento como forma de apuração, pois, embora a empresa não tenha contabilizado a conta Bancos, sua escrituração não apresenta fraudes, vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar o que nela está disposto, ademais, a movimentação bancária é plenamente identificável por meio dos extratos apresentados; u) ilegal desconsideração da forma de apuração adotada por opção da empresa, e, subsidiariamente, obrigatoriedade da fiscalização de adotar o lucro real, e não o arbitrado, quando desconsidera a opção da empresa. Analisando a peça de defesa, a 2a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba julgoua parcialmente procedente, proferindo o Acórdão no 0639.942, cuja ementa encontrase assim redigida: Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 7 6 “Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRAZO DECADENCIAL. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas na Lei Complementar nº 123 de 2006. Todavia, a eventual constituição de crédito tributário estará sujeita aos prazos de decadência estabelecidos no CTN. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO PERMITE IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Restando comprovado que a escrituração mantida pela contribuinte não permite identificar a movimentação financeira, principalmente bancária, caracterizando afronta ao inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 que instituiu o regime simplificado, é de se julgar procedente o Termo que determinou sua exclusão ao benefício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA Impõemse reconhecer decaído o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento para exigir tributos relativos aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 17/11/2012. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ATOS LEGAIS. DISCUSSÃO As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada ao Poder Judiciário. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS E PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 8 7 O protesto pela juntada de novos documentos aos autos, deve ser fundamentado e concomitante à apresentação da correspondente documentação, ficando prejudicado, destarte, o pedido efetuado no desfecho da peça impugnatória, no sentido de posterior juntada de documentos, frisandose que, até a data do presente julgamento, o suplicante não trouxe qualquer documentação adicional que pudesse justificar o referido pedido. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que restasse caracterizada a falta de indicação do tributo ou contribuição no Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento de controle interno da administração tributária, não constituiria causa à nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CIÊNCIA DAS PRORROGAÇÕES VIA INTERNET. PREVISÃO LEGAL. A ciência pelo sujeito passivo das prorrogações e demais alterações no curso do procedimento se dá por intermédio da Internet, mediante a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. LIMITAÇÃO À COMPETÊNCIA QUANTO À MATÉRIA DESIGNADA A CADA TURMA DE JULGAMENTO As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos, observada a limitação quanto à matéria designada via Portaria específica a cada uma das Turmas de Julgamento que compõem a DRJ. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de escrituração da movimentação financeira registrada em contas correntes bancárias demonstra a existência de falhas na escrituração contábil da pessoa jurídica, autorizando o arbitramento do lucro, no caso presente, com base na receita bruta conhecida, composta por receitas escrituradas e receitas omitidas. LIVROS FISCAIS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Configura omissão de receita a escrituração insuficiente, nos correspondentes livros comerciais/fiscais das receitas auferidas pelo contribuinte e verificadas em sua movimentação bancária. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 9 8 Por expressa previsão legal caracterizamse omissão de receita os valores creditados em contas de depósito mantidas juntos a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS Na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep é incabível a exclusão do ICMS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS Na apuração da base de cálculo da Cofins é incabível a exclusão do ICMS.” Em síntese, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da empresa do Simples Nacional nos moldes em que efetuada, e julgou parcialmente procedente a impugnação, para reconhecer decadente o direito de efetuar o lançamento para exigência dos tributos referentes aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, e para manter, na íntegra, as exigências relativas aos demais períodos alcançados pela autuação. Cientificada desta decisão em 15.04.2013, conforme AR de fls. 3031, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14.05.2013, fls. 30383151, no qual reprisa integralmente os argumentos expostos na inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: A decisão recorrida não analisou os autos do processo e ignorou a manifestação expressa e inequívoca da recorrente acerca do regime de apuração do lucro a ser utilizado em decorrência da sua exclusão do sistema do Simples Nacional, pois ratificou a equivocada afirmação da fiscalização de que, ao ser intimada a respeito, nada respondera.. Às fls. 15051506 encontrase a resposta dada pela recorrente em 08.10.2012, na qual informa sua opção pelo lucro presumido, nos seguintes termos: “Assim, informa a Requerente que irá optar pelo recolhimento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do Lucro Presumido.” A decisão recorrida também não apreciou os diversos documentos apresentados pela recorrente, alegando que teriam sido juntadas somente notas fiscais sem outras provas que as correlacionassem a questionamentos da autoridade fiscal, os quais a recorrente torna a insistir e especificar onde se encontram nos autos. Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 10 9 Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Procede o protesto da recorrente com relação à falta de análise, por parte da autoridade recorrida, de parte dos documentos apresentados na impugnação. Transcrevese a seguir trecho do acórdão recorrido a respeito (destaquei): “Da solicitação para exclusão de valores 92. A manifestação de inconformidade vem repleta de planilhas, algumas das quais estão reproduzidas no relatório, onde a contribuinte solicita a desconsideração de valores que seriam decorrentes de cobranças, cheques descontados empréstimos dos sócios e outros. Ocorre que embora o contribuinte tivesse alegado que apresentaria a documentação comprobatória em sessenta dias ou afirmasse que a documentação comprobatória se encontrava nos autos, nada foi apresentado e, desta forma nenhum valor foi considerado comprovado. Quanto aos documentos juntados à manifestação de inconformidade, como já mencionado anteriormente, tratamse apenas de notas fiscais emitidas no ano calendário de 2011, sem outras provas que possam correlacionar a valores que tenham sido objeto de questionamento pela autoridade fiscal.” Entretanto, a manifestação de inconformidade é acompanhada de diversos anexos, contendo documentação relativa aos valores que pretende a recorrente ver excluídos: as notas fiscais a que se refere a DRJ estão no Anexo IV, e a ele seguemse os Anexos V a XIII, contendo outros itens, entre empréstimos bancários, desconto de títulos, desconto de cheques, etc, os quais não foram mencionados pela autoridade julgadora a quo. É compreensível que a DRJ possa ter sido induzida ao erro, em razão da má qualidade na instrução dos autos na sua forma eletrônica. Explico: a manifestação de inconformidade inicia às fls. 1220 e segue (já nos anexos citados pela DRJ) até as fls. 1496. Contudo, ela continua às fls. 903 e segue até as fls. 1216 (nesta parte contendo os anexos não citados pela DRJ). Ainda que escusável ou justificado o equívoco perpetrado pela DRJ, resta patente que a recorrente teve o seu direito de defesa cerceado, uma vez que parte significativa da sua peça de defesa não foi analisada por aquele colegiado. Entendo que esta falha não pode ser suprida ou sanada nesta instância. Deste modo, em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 11 10 Fiscal, e visando a garantir o exercício do direito à ampla defesa, necessário se faz declarar a nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja proferido, contemplando a análise dos citados documentos. Além disto, procede também o protesto da recorrente com relação ao fato de ter a DRJ ignorado a sua manifestação acerca do regime de apuração do lucro a ser utilizado em decorrência da sua exclusão do sistema do Simples Nacional. Transcrevese a seguir trecho do acórdão recorrido a respeito (destaquei): “DO RECLAMO DE QUE DEVERIA TER SIDO TRIBUTADA PELO LUCRO REAL (...) 136. Eis mais uma alegação que não prospera. (...) 137. A contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04/2012, recepcionado em 21/09/2012, foi chamada a optar pela forma de tributação que pretendia adotar, posto que fora excluída do Simples Nacional, mas nada respondeu. Desta forma, foi adotado o arbitramento por aceitação tácita, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. Assim, nenhuma irregularidade foi constatada. Todos os atos observaram os ditames legais vigentes, no caso o previsto no §2º do artigo 32 da Lei Complementar nº 123, de 2006, que expressamente prevê a consulta feita. Se algum equívoco ocorreu, foi por parte da interessada que se furtou a responder ao questionamento do fisco e agora vem contestar o lançamento.” Conforme relatei ao norte, de fato a fiscalização, equivocadamente, também mencionara que o contribuinte não teria respondido à intimação, o que caracterizaria aceitação tácita do arbitramento levado a efeito. Entretanto, o arbitramento propriamente dito foi justificado pela fiscalização, conforme também ao norte relatado, com base no art. 530, inciso II, alínea ‘a’, do RIR/99 (imprestabilidade da escrituração para identificar a efetiva movimentação financeira), tendo em vista que a sua movimentação financeira bancária não fora escriturada na conta Bancos, e tampouco fora possível identificála na conta Caixa. Ou seja: o fato de a fiscalização ter equivocadamente afirmado que o contribuinte não respondera à intimação não caracterizou qualquer vício que inquine o procedimento fiscal de nulidade, uma vez que não foi a suposta falta de resposta à intimação a causa do arbitramento levado a efeito. Contudo, por parte da DRJ, o fundamento utilizado para a manutenção do arbitramento foi tão somente a falta de resposta à intimação, a qual, conforme visto, não ocorreu de fato. A ementa do acórdão recorrido, já ao norte transcrita, a bem da verdade, aponta outros fundamentos para o arbitramento do lucro, que não a falta de resposta à intimação. Contudo, neste caso, há que se destacar o descompasso entre o que da ementa constou e o fundamento apontado no voto para justificar o arbitramento. Assim, também por este motivo há de ser proferida uma nova decisão. Afinal, considerando que o contribuinte respondeu à intimação fiscal para declinar sua opção pela Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 12 11 forma de tributação que pretendia adotar ao ser excluída do Simples Nacional, cumpre à DRJ fundamentar adequadamente os motivos pelos quais entende cabível (ou não), no caso, o arbitramento. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja proferido na boa e devida forma. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15504.018255/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
O fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, torna-se elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta.
Não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, em momento oportuno, justifica a lavratura de auto de infração.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. O fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, tornase elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta. Não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, em momento oportuno, justifica a lavratura de auto de infração. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 82 55 /2 00 9- 71 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo Banco BMG S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e que manteve o crédito tributário referente ao período de 01/06/2004 a 31/12/2005. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff. 122/128, o auto de infração 37.238.2673 foi lavrado por descumprimento de obrigação principal, tendo em vista que a empresa deixou de recolher a contribuição social previdenciária incidente sobre os prêmios Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 350 3 pagos aos empregados segurados, nas competências de 06/2004 a 12/2005, correspondente à parte da empresa. Transcrevo abaixo parte do referido relatório: “1 Este Relatório é integrante do Auto de Infração AI DEBCAD N° 37.238.2673 de contribuições devidas a Seguridade Social, pela empresa autuada, na qualidade de sujeito passivo da contribuição social prevista no artigo 195, inciso I da Constituição Federal, correspondente à parte da empresa, inclusive o RAT (Riscos Ambientais de Trabalho) incidente sobre valor de premiação paga a empregados. 1.1 A empresa tem como objetivo social a prática de todas as operações ativas, passivas e acessórias permitidas nas normas legais e regulamentares para o funcionamento dos bancos comerciais, dos bancos de investimento, inclusive câmbio, das sociedades de crédito, financiamento e investimento, das sociedades de arrendamento mercantil e das sociedades de crédito imobiliário (5a Região) através das respectivas carteiras.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 140), impugnou o lançamento tempestivamente às ff. 135/155. Ao analisar os argumentos trazidos na peça impugnatória, a primeira instância administrativa, à f. 225, remeteu os autos ao auditor fiscal responsável pelo lançamento a fim de que emitisse Relatório Fiscal Complementar, com a respectiva reabertura do prazo para a defesa, uma vez que não houve a citação da Lei 8.212, de 1991, artigo 33, parágrafos 3º e 6º, fundamento legal que autoriza o arbitramento. 4. Dessa feita, a complementação do relatório foi oferecida pelo agente fazendário (ff. 227 e 228), oportunidade em que apresentou o respaldo legal necessário para o lançamento, como consta no ponto 2.1 do mesmo. 5. A empresa foi novamente intimada (f. 241) e protocolizou impugnação tempestivamente às ff. 232/262. Após o exame das peças, a instância a quo julgou parcialmente procedentes os pedidos da empresa e manteve em parte o crédito tributário. A decisão restou ementada às ff. 302/311, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A regra da decadência é a prevista no Código Tributário Nacional. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 A verga paga pela empresa aos segurados por meio de programa de incentivo, administrado por intermédio de empresas de premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 6. Irresignada, a empresa interpôs tempestivamente o recurso voluntário às ff. 321/343, no qual aduz, em síntese: Preliminarmente, : a) pugna pela aplicação do artigo 150, § 4º do CTN para declarar decaídos os créditos tributários das competências de 06/2004 a 10/2005, tendo em vista que considera que o lançamento se deu de forma válida, apenas em 18/10/2010, com o recebimento da notificação do Relatório Fiscal Complementar; b) alega ainda que devese aplicar o artigo 150, § 4º pois não houve ausência de recolhimento e somente a arrecadação a menor; c) no mérito, sustenta que não se pode exigir crédito tributário por presunção, como o fez o auditor fiscal ao considerar a totalidade dos valores pagos à empresa SIM Incentive Markeing Ltda, sem afastar o que foi pago a título de remuneração da mesma. O fato de a Recorrente não ter em seus controles a relação discriminada dos supostos beneficiários, não enseja a possibilidade do lançamento ser auferido indiretamente; d) o prêmio concedido não possui natureza salarial o que afasta o disposto no inciso I do artigo 22, da Lei 8.212, de 1991, para incidência da contribuição social previdenciária; e) entende que o Fisco deveria ter diligenciado junto à empresa responsável pelo programa de incentivo (SIM incentive marketing) ao invés de ter aferido indiretamente o débito, com base nos pagamentos efetuados a empresa de marketing; g) busca a aplicação da lei mais benéfica, artigo 79, I, da Lei 11.941, de 2009, que seria a multa de mora limitada a 20%, conforme artigos 35, da Lei 82.212, de 1991 e art. 61, da Lei 9.430, de 1996. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a este Conselho para exame e julgamento desta matéria em sede recursal. Este é o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 351 5 Voto Vencido Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Em sede de preliminar, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte. 3. A primeira instância administrativa considerou que “não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, pois o sujeito passivo sequer reconhecia a base de cálculo ora apurada como salário de contribuição” e assim, como regra decadencial aplicou o art. 173, inciso I do CTN. 4. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 5. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 352 7 da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 9. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (f. 16), que foram analisados os seguintes documentos: Folhas de pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e outros elementos. Reconhecese, portanto, que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Assim, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 10. Ressaltese que no presente caso, houve a lavratura de Relatório Fiscal Complementar em 18/10/10, assim considerase essa a data definitiva do lançamento fiscal, fato já reconhecido pelo colegiado a quo. 11. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do Relatório Fiscal Complementar em 18/10/10, referente às contribuições do período de 01/06/2004 a 31/12/2005 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 06/2004 a 10/2005, restando mantidas somente as competências 11/2005 e 12/2005. 12. Na sequência, considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO 13. Como bem relata o relatório fiscal no item 2.1.4 (f. 196) os elementos que serviram de base para o levantamento fiscal do débito foram as notas e faturas de serviços, emitidas pela empresa SIM Incentive Marketing Ltda, apresentadas pelo próprio sujeito passivo, as quais foram confrontadas com os lançamentos contábeis do período. 14. Isso por que, apesar da fiscalização ter requerido a apresentação da “relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas fiscais emitidas pela SIM Incentive Marketing LTDA”, conforme consta no Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), ff. 13/14 a recorrente não atendeu ao solicitado e por consequência o auditor fiscal aferiu indiretamente o valor do débito, nos termos da Lei 8.212/91, artigo 33, §3º, conforme relatório fiscal complementar f. 227. 15. Dessa forma, o fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, tornouse elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta. 16. Ainda sobre esse aspecto a recorrente aduz em seu recurso que “o fato de o recorrente não ter em seus controles a relação discriminada dos supostos beneficiários das parcelas pagas pela empresa contratada não enseja a possibilidade do lançamento se efetivar via aferição indireta. Ora, o Recorrente não estava obrigado a manter em sua escrita fiscal os documentos solicitados pela Fiscalização, posto que não há a presença dos requisitos que compõem o alicerce normativo da incidência das contribuições previdenciárias (habitualidade e nãoeventualidade)”e sugere que o Fisco deveria ter diligenciado em face da empresa SIM Incentive Marketing, pois a contratada para fazer o pagamento e controle do recebimento do Cartão Prêmio possuía a documentação pertinente. 17. Ocorre que entendo que nesse ponto não merece guarida a alegação da recorrente, uma vez que tendo em vista que os pagamentos de fato eram feitos à empresa de marketing que apenas os repassava para aqueles que fizessem jus ao benefício, a empresa deveria sim manter esse controle de pagamentos e têlos apresentado ao Fisco no momento oportuno. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 353 9 18. Ressalto ainda que foi dada ao contribuinte a oportunidade de apresentar tais documentos tanto na apresentação da primeira impugnação, quanto na apresentação da segunda, após o relatório complementar e ainda assim a empresa sequer teve a preocupação de requerer os documentos da empresa contratada. 19. Sendo assim, apesar de entender que a incidência de contribuição previdenciária somente seria cabível se comprovado a habitualidade dos pagamentos, retirando a incidência daqueles que respeitarem o limite de dois pagamentos ao ano, por analogia à legislação de regência da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), não vislumbro tal hipótese in casu, tendo em vista que a recorrente não acostou aos autos documentos hábeis que possibilitassem o meu posicionamento nesse sentido. 20. Dessa forma, não acato os argumentos colacionados pela recorrente nesse ponto. DA MULTA APLICADA 21. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 23. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: a) decotar do lançamento o período abrangido pela decadência quinquenal, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, qual seja 06/2004 a 10/2005; b) aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, quanto à aplicação do prazo decadencial, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por aplicar a regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. De fato, o STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Todavia, no caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, I, do CTN, , uma vez que não houve recolhimento antecipado da contribuição devida, incidentes sobre as rubricas objeto do lançamento. O referido dispositivo legal, estabelece que: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 354 11 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entendo, ainda, que o prazo começa a contar a partir da cientificação do sujeito passivo do AI, e não a partir da ciência do Relatório Fiscal Complementar, como quer o Relator. Dessa forma, considerando que a cientificação do AI pelo contribuinte se deu em 26/11/2009 (AR de fls.130), e o débito se refere ao período de 06/2004 a 12/2005, constata se que não se operara a decadência, pois, a partir de 12/2003, inclusive, a Fazenda Pública encontravase ainda no direito de lançar o crédito tributário. Cumpre esclarecer que, na aplicação da regra contida no art. 173, I, do CTN, para a competência 12/2003, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2004, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2005, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, voto por NEGAR provimento ao recurso, em relação à decadência. É como voto. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11610.002504/00-67
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Perc. Momento da Comprovação da Regularidade Fiscal
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37).
Numero da decisão: 1801-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Perc. Momento da Comprovação da Regularidade Fiscal Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes
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Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 25 04 /0 0- 67 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho que indeferiu o PERC apresentado pela interessada em 29/09/2000. Trata, assim, o processo, de pedido de emissão de incentivos fiscais – PERC, protocolizado pela interessada em 29/09/2000, com destinação de parte do IRPJ apurado ao FINOR em investimentos direcionados à Lever Igarassú S/A, estabelecida na área da SUDENE, no valor total de aplicação de R$ 909.148,35, conforme opção que teria sido feita na respectiva DIRPJ do anocalendário 1997, ficha 10. (fls. 01/02). Por meio de Despacho Decisório (fls. 318 e ss.) o pedido foi indeferido, ao argumento de que a empresa possuiria pendências – débitos em aberto relativos a FGTS, PROFISC, SIEF, PGFN – que a impediriam de usufruir do benefício fiscal. Afirmou a autoridade que a interessada teria sido intimada a regularizar as pendências, conforme intimação n º 1.260, cientificada em 10/03/2008 (fls. 118 e verso) Consignouse que, após a intimação, foram feitas novas análises e, ainda assim, persistiriam pendências, conforme relatório à fl. 360 débitos na PGFN, débitos no Sief, débitos no Profisc, e FGTS. Como não houve regularização da situação, o pedido foi indeferido. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a interessada invocou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, alegou ter apresentado, ao longo do andamento dos autos, certidões positivas com efeito de negativas, da SRF, PGFN e INSS, que teriam sido ignoradas pela autoridade administrativa competente, entendendo, dessa forma, haver cumprido com o que lhe fora solicitado. Apreciando o litígio a 2a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo /SPI afastou a preliminar de nulidade do despacho decisório. No mérito observou que a certidão apresentada e anexada à fl. 52 trataria, apenas, de débitos administrados pela então SRF, o que não comprovaria a regularidade perante outros órgãos como PGFN, INSS e FGTS. Argumentou aquela turma julgadora que a aferição da regularidade da situação fiscal do contribuinte deve se referir ao momento em que é proferida a decisão que lhe conferirá o benefício e que, naquele momento, a interessada não estava com sua situação fiscal regular, razão pela qual julgou improcedente o pedido (fls. 402/413). Notificada da decisão, em 30/10/2009 (AR fl. 414, verso), apresentou a interessada, em 30/11/2009, recurso voluntário. Em sua defesa invoca, novamente, a nulidade do despacho decisório por considerálo genérico e superficial na motivação, caracterizando, Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 3 3 assim, cerceamento do direito de defesa. Nesse aspecto afirma que a DRF de origem não teria especificado as pendências e restrições verificadas em seu nome, o que teria prejudicado o seu direito de oferecer a correta defesa. Entende que o Despacho Decisório deveria ter trazido os elementos necessários à identificação dos débitos pendentes junto à RFB e PGFN, e não ter se referido, genericamente, às pendências, como o fez, sem apontálas expressamente. No mérito aduz que obteve, no dia 23/11/2009, nova certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, perante a RFB e PGFN, além de nova certidão, em 21/08/2009, perante o INSS. Ressalta que sempre possuiu situação regular perante a Receita Federal do Brasil, tendo apresentado documentos fiscais em momentos distintos para comprovar a sua regularidade desde o protocolo do PERC. No entanto, devido à burocracia enfrentada perante as repartições da RFB, se viu impossibilitada de renovar constantemente suas CNDs, o que não significa que a sua situação estava irregular perante os órgãos e repartições públicas. Alega possuir atividade empresarial notoriamente conhecida em diversos segmentos comerciais, e muitas sociedades empresárias incorporadas e considerando a dimensão de sua atividade empresarial, juntamente com a burocracia enfrentada perante as repartições públicas responsáveis pela emissão de Certidões Negativas de Débito, não seria razoável que a autoridade fiscal lhe exigisse a constante renovação das referidas certidões como único meio de prova da sua regularidade fiscal. Invoca a inconstitucionalidade do art. 60 da Lei n º 9.069, de 1995, que teria instituído sanção política ou indireta, violando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e, conseqüentemente, as disposições do art. 5o., LIV, da CF. Esclarece que independentemente das CNDs já apresentadas, também seriam aptos a comprovar sua regularidade fiscal os demais documentos apresentados ao longo do processo, uma vez que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, se valido fosse, exige mera comprovação, mediante qualquer meio adequado, de situação de regularidade fiscal, sem fazer qualquer menção à apresentação de CND. E acrescenta que, exigir isso de contribuinte que, em diversos momentos anteriores, já havia obtido CND para esse fim, seria postura ainda mais descabida, concluindo que, além das certidões já apresentadas no passado, os demais documentos apresentados, sendo legítimos, válidos, idôneos, e englobando inclusive documentos oficiais do Poder Judiciário, não poderiam ser recusados ou ignorados pelas autoridades administrativas como forma de comprovação da situação de regularidade fiscal. Quanto ao momento da aferição da comprovação da regularidade fiscal observa que o entendimento adotado pela Turma Julgadora de 1a.instância seria incabível, uma vez que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, não traria qualquer previsão quanto ao referido momento. A referida norma limitaria a estabelecer a necessidade de comprovação de regularidade fiscal do contribuinte como condição para a concessão de incentivos fiscais. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente. 1.1 NULIDADE DA DECISÃO DA DRF A recorrente alega que a decisão do órgão de origem a respeito de seu pleito foi “genérica e superficial” e “não forneceu subsídios que viabilizassem suas defesa”. Aduz que o indeferimento do PERC não trouxe “qualquer mínimo detalhe acerca dos eventuais débitos questionados”. A afirmação não é verdadeira. Antes da emissão do referido parecer, a DRF/SPO efetuou inúmeras pesquisas juntos aos sistemas internos da RFB, PGNF e FGTS. Como resultado foram produzidos e anexados aos autos: 1) o extrato obtido junto à CEF, datado de 29/02/2008, do qual constam o apontamentos de diversas pendências em empresas do grupo da recorrente, nos seguintes termos: As informações disponíveis não são suficientes para a comprovação automática da regularidade do empregador perante o FGTS. Solicitamos comparecer a uma das Agências da Caixa, para obter esclarecimentos adicionais... (fls. 87/117); 2) o extrato obtido junto aos sistemas internos da SRF e PGNF (fls. 121/216, também datado de 29/02/2008 apontando várias pendências existentes junto aos referidos órgãos – débitos em cobrança junto ao PROFISC (fls. 177, 208), débitos inscritos em DA na PGFN (fls. 123/124, 142, 186; 196/204) e débitos em cobrança junto ao SIEF (fl. 190/192). Tendo constatado tais irregularidades a DRF em São Paulo/SP, providenciou a intimação da interessada para que regularizasse referidas pendências. Assim, foi emitida a intimação n º 1.260, de 03/03/2008 (fl. 118), cientificada em 10/03/2008 (AR fl. 118, verso) da qual constou a seguinte solicitação: Por este instrumento, fica o contribuinte acima identificado intimado a solucionar as pendências constantes dos itens assinalados com "X": ... (X) Débito(s) inscrito(s) na Dívida Ativa da União. (Apresentar Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa quanto a Dívida Ativa da União emitida pela PFN) . (X) Pendência junto ao FGTS. (Apresentar Certificado de Regularidade na CV dos CNPJ:61.068.276/000104; 00.797.015/000122; 01.811.558/000110; 56.911.506/000107; 59.274.068/000101; 61.339.529/000129; 60.397.387/0001 93; 92.238.211/000185; 66.644.170/000117 e 60.397.395/000130). (X) Débito(s) em cobrança no SIEF, conforme consulta anexa. (Efetuar as devidas regularizações). Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 4 5 (X) Débito(s) em cobrança no PROFISC, conforme consultas anexas. (Efetuar as devidas regularizações). E a advertência, ao final da intimação: O prazo para estas providências será de trinta dias, a contar da data da assinatura no Aviso de Recebimento do Correio. O não atendimento a esta intimação provocará o indeferimento do Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais, exercícios 1998 (PERC/ 1998). Um dos documentos apresentado pela recorrente é o de fls. 52 E a resposta da recorrente, à fl. 120, que consignou a impossibilidade de atender à intimação pois (i) não poderia apresentar certidão de regularidade fiscal em nome de Kibon, que havia sido incorporada pela Gessy Lever que, posteriormente, passou a chamar Unilever e, (ii) o PERC já havia sido apresentado com todas as certidões de regularidade fiscal pertinentes. As certidões mencionadas pela empresa, na resposta a intimação, tratamse, na verdade, de uma única certidão positiva com efeitos de negativa de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal anexada à fl. 52 e não engloba os débitos existentes perante a PGFN. Posteriormente, em 24/07/2008, foram efetuadas novas pesquisas junto aos sistemas internos da RFB, PGFN e CEF, conforme extratos às fls. 219/348, e as pendências persistiam, como constou do quadro resumo à fl. 360. Portanto, o parecer da DRF em São Paulo/SP, emitido em 28/07/2008, que indeferiu o PERC, foi exaustivamente fundamentado e devidamente motivado nas diversas pesquisas efetuadas e na intimação encaminhada à interessada, cuja solicitação não foi atendida. Todos os fatos e dados foram devidamente deduzidos no parecer atacado e se encontram amplamente demonstrados nos autos, que sempre estiveram à disposição da parte interessada para análise. Afasto, portanto, a alegação de nulidade do parecer da DRF em São Paulo/SP, por cerceamento do direito de defesa. 2 Mérito. 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 60 DA LEI N º 9.069, DE 1995. Não serão apreciadas as alegações a respeito de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei, em virtude da existência de posicionamento consolidado deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 2.2 REGULARIDADE FISCAL E MOMENTO DE SUA COMPROVAÇÃO. Afirmou a recorrente que “esteve com sua situação fiscal em perfeita regularidade desde o momento em que foi apresentado o PERC para o exame das autoridades fiscais, tendo elas simplesmente ignorado toda a documentação anteriormente apresentada pela...” Como já foi consignado em parágrafos anteriores, a documentação a que se refere a Recorrente tratase, em verdade, de uma única certidão – não conjunta – emitida pela SRF, positiva com efeitos de negativa. A certidão da SRF, sozinha, não prova a regularidade fiscal de nenhum contribuinte, que pode possuir débitos de tributos administrados pela SRF, mas que se encontram em aberto perante a PGFN, por terem sido inscritos em Dívida Ativa, ou por se encontrarem em fase de cobrança amigável. Nesse ponto específico a própria certidão documento apresentada pela defesa foi clara, consignando ao final a seguinte observação: Esta certidão referese exclusivamente à situação do contribuinte no âmbito da Secretaria da Receita Federal, não constituindo por conseguinte, prova de inexistência de débitos inscritos em divida ativa da União, administrados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Nessas condições, a certidão apresentada pela recorrente, à fl. 52, por ocasião da protocolização de seu pedido, não provou, na época, a regularidade de sua situação fiscal. Assim, desde a data do protocolo dos autos até a data de emissão do parecer do órgão de origem, datado de 28/07/2008 (fl. 361), que analisou o pedido, a interessada não se encontrava em situação regular e possuía diversos débitos e pendências em aberto, junto ao FGTS (Caixa Econômica Federal), SIEF, PROFISC e PGFN. E, como consignado acima, todas essas pendências foram perfeitamente identificadas por ocasião da intimação n º 1.260/2008 (fl. 118), pela qual foram solicitadas as devidas regularizações. E nada foi acrescentado aos autos, comprovando a regularidade da situação fiscal da recorrente, até o momento em que foi proferida a decisão da DRJ em São Paulo – DRJ/SPI, em 29/09/2009. Contudo, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, a recorrente providenciou a apresentação e anexação aos autos das certidões de fls. 441 e 442 que se referem, respectivamente, a (i) certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União (fl. 441) e (ii) certidão positiva com efeitos de negativa de débitos relativos às contribuições previdenciárias e às de terceiros. A Portaria Conjunta PGFN/RFB, n º 3, de 2 de maio de 2007, com as alterações introduzidas pela Portaria Conjunta n º 01, de 2010, que estabelece a forma como deverá ser comprovada a regularidade fiscal do contribuinte, determina: Art. 1º A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de: I certidão específica, emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com informações da situação do sujeito passivo quanto às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 5 7 II certidão conjunta, emitida pela RFB e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Divida Ativa da União, por elas administrados. § 1º A comprovação de inexistência de débito de que trata o art. 257 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, farseá mediante apresentação da certidão a que alude: I o inciso I do caput, em relação às contribuições de que tratam os incisos I, III, IV e V do parágrafo único do art. 195 do referido Decreto; II o inciso II do caput, em relação às contribuições de que tratam os incisos VI e VII do parágrafo único do art. 195 do referido Decreto. § 2º A certidão de que trata o inciso I do caput será emitida conforme os modelos constantes nos Anexos XI a XVIII a esta Portaria, nos termos do disposto na Instrução Normativa RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009. § 3º O direito de obter certidão nos termos desta Portaria é assegurado ao sujeito passivo, devidamente inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Física (CPF), independentemente do pagamento de taxa. § 4º No caso de pessoa jurídica, a certidão será emitida em nome da matriz e abrangerá todas as suas filiais. Assim, as referidas certidões apresentadas pela recorrente, emitidas em agosto e novembro de 2009, demonstram a regularidade fiscal da empresa, naquele momento, e atendem às exigências do artigo 1o. da Portaria Conjunta n º 3, de 2007, acima transcrito. Quanto ao momento processual para comprovação da regularidade fiscal este órgão de julgamento já possui entendimento consolidado e pacificado, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. Antecipandome àqueles que entendem que antes de sua aplicação devese extrair o sentido da referida Súmula, à luz dos fatos processuais, assinalo que todas as interpretações possíveis a respeito do tema foram exaustivamente feitas ao longo dos anos, neste próprio órgão colegiado e o teor da Súmula resume, com precisão, todas essas posições. Entendo pertinente, neste momento, reproduzir, apenas a título ilustrativo, trechos de acórdãos que serviram de paradigma na edição da Súmula. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Com efeito, o Acórdão n º 10809.808, de 19/12/2008, do então 1o. Conselho de Contribuintes, 8a. Câmara, de relatoria do Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA 1RPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. – É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido, Do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro, extraio os seguintes trechos: Ora, conforme aduzido pelo próprio Recorrente, a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida quanto ao período relacionado à opção, que, no presente caso, deveria ser de 1995 ou, no máximo de 1996, ano de entrega da declaração de rendimentos. Noutro falar, não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal com a indicação de existência de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa, no momento do despacho denegatório de seu pleito. Isto porque, o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo, inclusive o primeiro despacho decisório se deu em 2000, sendo a retificadora entregue em 1996 (fls. 85), evidenciando, naquela oportunidade, que o débito encontravase suspenso por medida liminar, tendo sido inscrito na dívida ativa equivocadamente, conforme consta a fls.258 verso e clara petição do sujeito passivo a fls. 256/257. Este entendimento foi adotado em recente julgamento deste E. I° Conselho de Contribuintes, que em caso semelhante, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, restando assim ementado: "INCENTIVOS FISCAIS PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatá rio do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Provido". (Recurso n" 159255; 7a. Câmara; Relatora Silvana Rescigno Guerra Barreto; Sessão 06/03/2008; Acórdão 10709323). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 6 9 E ainda o Acórdão n º 19500.110, de 10/12/2008, do então 1o. Conselho de Contribuintes 5a. Turma Especial de relatoria do Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" – COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. E do voto: Destarte, que este conselho reiteradamente tem se manifestado no sentido de que não é razoável exigir do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal no momento (incerto) de exame do PERC, devendo esta comprovação se reportar ao momento da opção pelo incentivo fiscal, com a entrega da DIPJ. Por outro lado, a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível (ao contribuinte) que essa comprovação se faça em qualquer fase do processo. Com efeito, esse entendimento já se encontra assentado neste conselho, como se extrai do brilhante voto da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido, no acórdão n° 10196.863 de 13/08/2008, da l° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que assevera (in verbis): "O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo." (Nossos Grifos) Corrobora essa assertiva também a brilhante decisão que teve como relator o Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto da 3a. Câmara do 1° Conselho de contribuintes, cuja ementa, peço vênia para transcrever (in verbis): "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:1997 Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Publicado no D.O.U. n°226 de 20/11/2008. Acórdão n°10323569 da 3a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 17/09/2008 Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (Nossos Grifos). No caso tratado nos presentes autos, a autoridade administrativa deslocou a aferição da regularidade fiscal da empresa para o momento em que examinou o PERC. Nessas condições, devese admitir a comprovação da regularidade fiscal, pela defesa, no momento da apresentação do recurso voluntário, já que ainda não esgotada a discussão acerca de seu pleito na esfera administrativa. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11020.000004/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE MATA NATIVA.
Em 2005, as áreas de mata nativa somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto se fossem efetivamente caracterizadas como áreas de preservação permanente ou de reserva legal, nos termos dos artigos 2o. e 16 do Código Florestal, o que não se verificou no presente caso.
A partir de 2007, não integram a área tributável desde que observem o disposto no art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, alínea e, da Lei n.° 9.393, de 1996.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. ÁREAS DE “MATA NATIVA”. Em 2005, as áreas de “mata nativa” somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto se fossem efetivamente caracterizadas como áreas de preservação permanente ou de reserva legal, nos termos dos artigos 2o. e 16 do Código Florestal, o que não se verificou no presente caso. A partir de 2007, não integram a área tributável desde que observem o disposto no art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, alínea “e”, da Lei n.° 9.393, de 1996. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 00 04 /2 00 9- 12 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 142 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 117/135) interposto em 28 de outubro de 2011 contra o acórdão de fls. 109/112, do qual o Recorrente teve ciência em 10 de outubro de 2011 (fl. 116), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 71/73, lavrado em 05 de janeiro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n° 4.771/1965 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei n° 7.803/1989. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 109) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 117/135, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, ter comprovado nos autos que a área de mata nativa apontada foi comprovada por meio de laudo técnico, motivo pelo qual deveria ser considerada área de preservação permanente, para efeitos do cálculo do ITR. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 143 3 De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 144 4 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 145 5 Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 146 6 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 147 7 § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 148 8 § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 149 9 ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 150 10 Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.º 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.º 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.º 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1º, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de uma análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §7º do art. 10 da Lei n.º 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n.º 2.16667/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo referese justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste último. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 151 11 Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior à data da ocorrência do fato gerador, no caso que ora se trata. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 152 12 entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 153 13 De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Poderseia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 154 14 ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, o auto de infração foi lavrado pelos seguintes motivos: “De acordo com o Laudo Técnico apresentado, o levantamento planimétrico efetuado para demarcação das áreas de APP's, conforme o art. 2o. do Código Florestal (Lei n° 4.771/65), demonstrou que estas áreas totalizam 344,80 ha, constituindose em áreas que margeiam rios e arroios (202,57 ha), áreas de açudes, lagoas, lagos e banhados (128,88 ha) e áreas que circulam nascentes d'água (13,35 ha). Entretanto, em sua DITR o.contribuinte informou uma área de APP de 762 ha, excedendo, portanto, em 417,20 ha, que, segundo o Laudo Técnico, constituemse, genericamente, em área de "mata nativa". Essas áreas denominadas de matas nativas passaram a poder beneficiarse de isenção de ITR apenas a partir do exercício de 2007 e se em acordo com a legislação pertinente (Lei n°11.428/2006 que introduziu a alínea "e" no inciso II, § 1o., do art. 10 da Lei n° 9.393/96). Para efeitos tributários esta área, de 417,2 ha, que não se enquadra como área de preservação permanente e nem em nenhuma outra hipótese de.isenção prevista na Lei 9.393/96, não pode ser excluída da tributação de ITR.” A DRJ julgou improcedente a impugnação, confirmando esse entendimento, nos seguintes termos: “Na impugnação e no Laudo apresentado, a justificativa apresentada para a declaração da área como de preservação permanentes é que se trata de área de mata nativa. Registrese que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR. com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. E, portanto, não há justificativa Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 155 15 para se reconhecer que as referidas áreas estavam isentas de ITR antes dessa alteração no artigo citado. Não há que se falar em retroação, pois a norma que estipula isenção somente tem validade para fatos geradores futuros e deve ser interpretada literalmente (Código Tributário Nacional, art. 111).” Em seu recurso, o Recorrente pede que a área de “mata nativa” seja considerada “área de preservação permanente” para os efeitos do cálculo do ITR. Ocorre, todavia, que, em 2005, ano do fato gerador do tributo, a área de “mata nativa” somente poderia ser excluída da base do cálculo do tributo se fosse efetivamente caracterizada como área de preservação permanente nos exatos termos do artigo 2o. do Código Florestal ou como área de reserva legal, à luz do artigo 16 do mesmo Código, o que não se verificou na hipótese dos autos. Assim, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10921.000340/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/01/2005 a 28/03/2005
INFORMAÇÕES SOBRE A CARGA TRANSPORTADA. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA.
A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decreto-lei nº 77, de 1966.
CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quando o auditor-fiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66.
MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO.
No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado.
INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA.
Aplica-se a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto-lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindo-se a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3401-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decretolei nº 77, de 1966. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quando o auditorfiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E”, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO. No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado. INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 40 /2 00 9- 49 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Aplicase a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindose a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 133 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, pelo qual foi lançada multa de R$ 50.000,00, em razão de a Autuada ter, supostamente, prestado informações fora do prazo, em relação a exportações realizadas no ano de 2005. A Autuada apresentou impugnação, mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o lançamento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veiculo transportador. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/10/2011 (fl. 84) e interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2011, com as alegações resumidas abaixo: 1 Ilegitimidade passiva, haja vista a Recorrente não ser transportador, mas sim agente de navegação; 2 O auto de infração é nulo porque a descrição dos fatos está incorreta, vez que a Recorrente está sendo indicada como transportadora quando, na verdade, é agente marítima; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 3 A infração descrita na legislação é deixar de prestar informação, contudo, a Recorrente prestou informação, ainda que intempestivamente, de modo que não se pode aplicar a multa por conduta diversa da prevista na legislação; 4 A multa aplicada é irrazoável e desproporcional; 5 A prestação de informação fora do prazo, mas antes do início do procedimento fiscal constitui denúncia espontânea; Ao fim, a Recorrente pediu que o auto de infração seja anulado, em razão das preliminares apontadas, ou julgado insubsistente. Alternativamente, pediu a redução da multa. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente combate a manutenção do auto de infração, lavrado em razão de ela ter prestado informação sobre operações de exportação fora do prazo. No recurso voluntário, são suscitadas as seguintes matérias: (1) ilegitimidade passiva; (2) nulidade do auto de infração por erro na descrição dos fatos; (3) conduta descrita na lei diversa da praticada; (4) irrazoabilidade e desproporcionalidade da multa aplicada; (5) denúncia espontânea. Limitadas as matérias, podese passar a análise. 1. Da ilegitimidade passiva A Recorrente alega sua ilegitimidade passiva, por ser mera agência de navegação marítima. Todavia a alegação da Recorrente não prospera. Conforme elucida o art. 4º, da IN/SRF nº 800, de 28 de dezembro de 2007, as agências marítimas são as representantes da empresa de navegação estrangeira no país. Por sua vez, o parágrafo único, inciso II, do art. 32, do Decretolei nº 37/66 dispõe que é responsável solidário pelo imposto “o representante, no país, do transportador estrangeiro”. Nessa linha, é inquestionável que a Recorrente é responsável solidária, nos termos do art. 128, do CTN. Portanto, não resta dúvida quanto à responsabilidade passiva da Recorrente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 134 5 2. Da nulidade do auto de infração por erro na descrição dos fatos A Recorrente sustenta que o auto de infração é nulo em razão da incorreta descrição dos fatos, pois no auto de infração ela é indicada como transportadora quando, na realidade, é agência marítima. A alegação da Recorrente não é suficiente para causar a nulidade do auto de infração, pois, como mencionado acima, ela é representante da transportadora internacional e, como tal, é responsável pelas informações, figurando, assim, como transportadora no SISCOMEX. Logo, não há motivo para declarar o auto de infração nulo. 3. Da descrição legal da conduta O enquadramento legal da infração praticada pela Recorrente é o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que assim dispõe: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga”. A Recorrente alega que, muito embora tenha prestado as informações intempestivamente, não praticou o ato descrito no decretolei, pois não deixou de prestar a informação. Todavia a alegação apresentada não corresponde à melhor interpretação da norma. A tipificação da conduta não é apenas deixar de prestar informação, mas também deixar de prestar na forma ou no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Nessa linha, se o sujeito apresentar as informações depois do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, estará cometendo a infração de “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pela Recorrente. O que Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 se discute é se o atraso na informação é a conduta tipificada no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66 e, como já analisado, a conduta da Recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração. 4. Da multa aplicada A Recorrente argumenta que a multa aplicada é desproporcional e irrazoável. Foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em consonância com a previsão do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66, por cada embarque, cuja informação foi prestada fora do prazo. O valor da autuação chegou ao patamar R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) porque foram 10 (dez) embarques em datas e em navios diferentes. Em outras palavras, não existiu lançamento desproporcional ou desarrazoado, o montante de autuação somente ficou alto por causa do grande número de embarques com descumprimento da legislação. Outrossim, a multa está prevista na legislação e não existe previsão para a redução do valor aplicado. 5. Da denúncia espontânea A Recorrente sustenta que ocorreu a denúncia espontânea, em razão de ela ter prestado as informações antes da lavratura do auto de infração. A denúncia espontânea é instituto previsto no art. 138, do CTN, a qual exclui a responsabilidade do sujeito passivo, quando este cumpre a obrigação e, se for o caso, paga o tributo e os juros antes do início do procedimento fiscal. Nessa hipótese, a multa pela infração cometida é excluída. A infração tratada nestes autos, por ser infração administrativa, até o ano de 2010, não gozava do benefício da denúncia espontânea. Contudo, no ano de 2010, com o advento da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º, do art. 102, do Decretolei nº 37/66 passou a prever a exclusão da multa na denúncia espontânea também para as infrações administrativas, conforme é possível verificar abaixo: “§ 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento”. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 135 7 Muito embora a nova redação acima transcrita seja posterior aos fatos que ensejaram a multa, sua aplicação é retroativa, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN. No caso ora analisado, não resta dúvida de que as informações sobre os embarques, não obstante tenham sido prestadas depois do prazo, foram informadas antes da lavratura do auto de infração, cediço que a lavratura ocorreu somente em 2009, enquanto as informações de todos os embarques foram prestadas ainda no ano de 2005, conforme exposto pelo próprio auditorfiscal na planilha elaborada na fl. 11. Diante desses fatos, é clara a existência de denúncia espontânea, motivo de declaração de insubsistência do auto de infração. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reformar o acórdão da DRJ e declarar insubsistente o auto de infração objeto deste processo. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 35415.000026/2006-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE.
É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak- OAB/ SP nº13.8192
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak OAB/ SP nº13.8192 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 26 /2 00 6- 64 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 533 3 Relatório Com início em 31/03/2005 e término em 20/12/2005, a junta fiscal composta por 3 Auditores, definida no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09230037 às fls. 45, concluiu a ação fiscal na forma do Relatório de fls. 51. Aduz que no sobredito Relatório o crédito em comento fora constituído em razão de se observarem : “ Diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas á Seguridade Social e destinadas a Terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados pelo fornecimento de veículos” Nos itens 3.1 a 3.8, reproduzidos na íntegra com grifos de minha autoria, a Junta Fiscal registra todos demais detalhes que motivaram o lançamento: “ DÉBITO PREVIDENCIÁRIO 3.1 Tratase de débito previdenciário lançado, contra a empresa acima identificada, referente às diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas à Seguridade Social contribuição da empresa na qualidade de empregador e contribuição da empresa para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa e destinadas às Entidades e Fundos (Terceiros), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. 3.2 0 valor do débito previdenciário é de R$ 2.237.763,48 (dois milhões, duzentos e trinta e sete mil, setecentos e sessenta e três reais e quarenta e oito centavos) consolidado em 19/12/2005, abrangendo o período de 07/2000 a 09/2005. 3.3 0 débito previdenciário tem por base em pagamentos efetuados a segurados empregados. 3.4 Os pagamentos e ou créditos mensais efetuados a segurados empregados no período de 01/2000 a 09/2005 a titulo de disponibilização pela empresa de veículos blindados para a diretoria e veículos convencionais para alguns funcionários da alta administração. Os funcionários trabalham no escritório, não sendo, desta forma, os veículos fundamentais para o desenvolvimento de suas atividades. 3.5 Este beneficio concedido por liberalidade deve ser oferecido tributação previdenciária em face de legislação não dispor sobre a isenção fiscal pelo fornecimento de veículos a empregados. Lançamos o crédito previdenciário pelo valor das depreciações mensais dos veículos. 3.6 Em planilha anexa detalhamos os valores mensais das depreciações. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.7 Não foram incluídos no presente levantamento os gastos com veículos oferecidos a empregados que exerçam atividades em que o uso do carro é imprescindível. 3.8 A ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias citadas acima foram constatadas durante auditoria de diagnóstico.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa interpôs impugnação de fls 120, na qual alega, em síntese, que: a) o crédito previdenciário relativo ao período de janeiro a novembro de 2000 já se encontrava, abrangido pela decadência a que alude o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional; b) em momento algum o auditor fiscal notificante aponta quais são os critérios que o levaram a considerar as atividades cujo "uso do carro é imprescindível" e as atividades cuja utilização do veiculo seria "prescindível", bem como não aponta quais são os funcionários em relação aos quais o fornecimento de veiculo foi considerado verba salarial, o que caracteriza absoluto cerceamento do direito de defesa do impugnante; c) os vícios apontados no item anterior caracterizam inobservância do disposto no art. 9° do Decreto n° 70.235/72, da qual resulta a falta de liquidez e de exigibilidade do crédito lançado; d) a depreciação é a diminuição do valor dos bens corpóreos que integram o patrimônio de alguém, em decorrência de desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolescência, além de ser um fenômeno ligado A propriedade, razões pelas quais não pode ela (a depreciação) servir de critério para apurar o crédito tributário; e) desta forma, a eleição dos valores de depreciação dos veículos, como de cálculo das contribuições exigidas, além de não encontrar amparo na legislação, não vem acompanhada da necessária motivação, o que também constitui um vicio do procedimento fiscal; f) de todo modo, o fornecimento de veículos não tem, no caso, natureza salarial, seja porque eles são utilizados para deslocamento "residênciatrabalho", seja porque, mesmo quando utilizados de forma particular, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho afasta aquela natureza; g) é totalmente desprovida de fundamento a exigência da contribuição ao INCRA, uma vez que a Lei n° 7.787/89, no § 1° de seu art. 3°, suprimiu as contribuições incidentes sobre a folha de salários destinadas ao PRORURAL, com o que restaram extintas as contribuições àquela autarquia e ao FUNRURAL, previstas no inciso II do art. 15 da Lei Complementar n° 11/71; DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.522, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas (SP) DRJ/CPS, em 18 de julho de 2008, exarou o Acórdão n° 0522.425 , decidindo por Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 534 5 unanimidade de votos, em ANULAR o lançamento, extinguindose o crédito constituído sem julgamento de mérito. DO RECURSO DE OFÍCIO Com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda , a instância a quo recorreu de oficio da decisão que tomara. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não constam nos autos que a Recorrente tenha interposto Recurso Voluntário. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não consta nos autos que a empresa tenha interposto Recurso Voluntário. Aduz que o Recurso de Ofício reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DAS DILIGÊNCIAS Às fls. 375, solicitaramse diligência onde no item 2 se exigia atentar para o fato de a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal seria capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte, verbis: “ 2. Lembrando que, no lançamento fiscal, a motivação é a demonstração, nos autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos da exigência, sendo a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte e que o processo administrativo, como espécie de procedimento em contraditório, exige reabertura de prazo para a audição da outra parte, na seguinte forma” Às fls. 396, uma segunda diligência, reiterando as observações que se fizeram na primeira, registrou que : “ Não constam nos autos os segurados beneficiados com os veículos disponibilizados pela empresa; b. A contribuição referente a segurados foi calculada utilizando se a alíquota mínima de oito por cento, sem levar em consideração o valor recolhido pelo empregado e a aplicação da tabela de contribuição mensal; 2. Em relação à diligência anterior, tratada no despacho de fls. 375/376, fazse necessária a juntada dos seguintes documentos: a. Telas do Girafa Siscol referentes ao Relatório Coresp e Vínculos; b. MPFC 0923003703; 3. Lembrando que, no lançamento fiscal, a motivação é a demonstração, nos autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 535 7 da exigência, sendo a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte e que o processo administrativo, como espécie de procedimento ” ( grifos de minha autoria) Analisando o econômico Relatório Fiscal de fls. 51, contraposto às alegações do Contribuinte efetuadas em sede de impugnação, a instância a quo requereu as sobreditas diligências cujos resultados foram criticados às fls. 526 pelo Julgador a quo nos seguintes termos: “ Enfim, do conjunto de vícios acima apontados os quais, salientese, restaram não saneados em qualquer das duas diligencias requeridas ” Às fls. 170, o Contribuinte colacionou documento denominado TERMO DE RESPONSABILIDADE PELO USO DE VEICULO onde os usuários concordam e declaram que o veiculo é ferramenta de trabalho e seu uso é vedado para fins particulares ou desvinculados de suas funções contratuais e, ainda, que o veiculo é de utilização exclusiva do funcionário, não sendo autorizado seu empréstimo para familiares e/ou terceiros : “Declaro, ainda, ter conhecimento e concordar com a Política de Concessão de Veículos, da qual este Termo é parte integrante, tendo ciência expressa de que o veiculo é ferramenta de trabalho e seu uso é vedado para fins particulares ou desvinculados de minhas funções contratuais. Autorizo expressamente meu empregador a descontar de minha remuneração e de minhas verbas rescisórias quaisquer valores correspondentes a danos causados ao veiculo que me foi confiado, ou a terceiros, e que decorram de dolo, imperícia, imprudência ou negligência e aqueles causados pel o. uso em desconformidade com a referida Política, incluindo os montantes referentes a multas por infração de trânsito. UTILIZAÇÃO DO VEÍCULO O veiculo é de utilização exclusiva do funcionário, não sendo autorizado seu empréstimo para familiares e/ou terceiros.” DO VALOR DA DEPRECIAÇÃO DOS VEÍCULOS COMO BASE DE CÁLCULO No item 3.5 do Relatório Fiscal de fls. 51 , a Junta Fiscal registra que o crédito previdenciário foi constituído pelo valor das depreciações mensais dos veículos: 3.5 Este beneficio concedido por liberalidade deve ser oferecido tributação previdenciária em face de legislação não dispor sobre a isenção fiscal pelo fornecimento de veículos a empregados. Lançamos o crédito previdenciário pelo valor das depreciações mensais dos veículos. Por depreciação podese entender como sendo o custo ( na produção ) ou a despesa decorrentes do desgaste ou da obsolescência dos ativos imobilizados (máquinas, Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 veículos, móveis, imóveis e instalações) da empresa. Ao longo do tempo, com a obsolescência natural ou desgaste com uso na produção, os ativos vão perdendo valor, essa perda de valor é apropriada pela contabilidade periodicamente até que esse ativo tenha valor reduzido a zero. Tratandose os veículos de bens que compõem o ativo imobilizado do contribuinte e que sequer sofreram transferência de propriedade para os empregados as depreciações havidas não podem de modo algum constituir pagamento indireto para formar critério para apurar o crédito tributário. Isto posto não há como anuir o procedimento. DO VOTO “AD QUOD” Na condução do voto aquo, o i. Julgador assim se manifestou: “Não pode este Colegiado abstrairse dos vícios de natureza formal a seguir enumerados, os quais, pela sua gravidade, são passíveis de acarretar a nulidade do lançamento. 1°) Da ausência de identificação dos trabalhadores Conforme ressaltado pela impugnante, a fiscalização não identifica, em momento algum, os trabalhadores que fizeram uso de veículos de propriedade da empresa e foram, por tal motivo, contemplados no lançamento. Neste aspecto, o relatório fiscal limitase à afirmação de que se tratam de membros da diretoria e "alguns funcionários da alta administração", que trabalham no escritório e em relação aos quais os veículos não são fundamentais para o desenvolvimento das respectivas atividades. 2°) Da não aplicação das faixas de saláriosdecontribuição e do limite estabelecidos, respectivamente, no art. 20 e no § 5° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 Da não especificação dos trabalhadores cujo salárioutilidade foi utilizado como base de cálculo na NFLD decorreu, naturalmente, a não aplicação das alíquotas previstas no art. 20 da lei de custeio, segundo a faixa de salário de contribuição mensal de cada um deles, bem como do limite máximo referido no § 5° do art. 28 do mesmo diploma. A esse respeito, os agentes do Fisco limitamse a dizer, no item 4.1 de seu relatório, que "a contribuição dos segurados foi calculada pela alíquota mínima", sem apontar as razões pelas quais este procedimento de exceção foi adotado. Com o intuito de sanear este vicio, é emitido o TIAD de fls. 398, em que, segundo vimos, a impugnante é intimada a apresentar "planilha onde constem os empregados beneficiados com os veículos disponibilizados pela empresa, com salários e respectivas retenções para a previdencia ...". Todavia, o AFRFB que subscreve o despacho de fls. 516 diz somente que: Supõese que os valores que constam nessa planilha sejam as que figuram na contabilidade da empresa (mais especificamente na conta de depreciação de veículos), mas, além disto não poder ficar apenas suposto nos autos ao contrário, era imperioso que se o dissesse explicitamente, acrescentamos que não é Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 536 9 informado se os mesmos valores correspondem a depreciação mensal da totalidade dos veículos da empresa, ou somente dos cedidos aos empregados que deles não tinham necessidade para exercer as suas atividades laborativas (...) Enfim, do conjunto de vícios acima apontados — os quais, salientese, restaram não saneados em qualquer das duas diligencias requeridas ” Corroborando as razões do “decisium” a quo, inclusive a ementa, por economia processual, descabe expor arrazoado sinônimo para ao final meramente anuir àquelas bem estruturadas motivações. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso de Ofício, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a nulidade do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "ab initio. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902490/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do Fato Gerador: 30/04/2001
PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação não-homologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/2008-25), com observância da decisão definitiva nele proferida.
Numero da decisão: 1802-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação não-homologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/2008-25), com observância da decisão definitiva nele proferida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/200825), com observância da decisão definitiva nele proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 24 90 /2 00 8- 75 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, fl.49, que a seguir transcrevo: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 130313.79481.311003.1.3.045012, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 30/04/2001 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 251.513,01 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 251.513,01 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 251.513,01 O crédito teria origem no DARF recolhido em 30/04/2001, de IRPJ (código 2362), no valor de R$ 484.822,34. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 07, n° de rastreamento 757785945, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 251.513,01. Analisando as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pleiteado. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação pleiteada." A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 05/05/2008, conforme AR, fls. 06. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 04/06/2008, fls.09/12, alegando: para efeitos da compensação realizada, atualizou o crédito tributário disponível, com base na evolução da taxa SELIC, até a data do efetivo vencimento dos débitos fiscais compensados. todavia, a administração fazendária resolveu incluir encargos moratórios sobre os débitos fiscais, objeto da compensação realizada, não obstante a existência de recursos mais do que Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 3 3 suficientes, na época da apresentação do pedido, quitação dos tributos. não concorda que sejam cobrados encargos moratórios sobre tributas liquidados, em tempo hábil, com créditos disponíveis a seu favor, na data da compensação efetivada. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1237.361 de 20 de maio de 2011 (fls.48/51). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2001 COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO PARCIAL ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO DATA DE VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Cientificada da mencionada decisão em 15/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 13/10/2011, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Finalmente requer provimento do recuso voluntário para que se dê a integral compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por lhe faltar requisitos de admissibilidade como será visto adiante. O litígio do presente processo se apresenta com a Manifestação de Inconformidade (fls.09/12), interposta em face do Despacho Decisório (fl.07) vinculado ao processo nº 15374.901577/200825 no qual constatouse a procedência do crédito pretendido no valor de R$ R$ 251.513,01 informado no PER/DCOMP nº 130313.79481.311003.1.3.045012. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 débitos informados no PER/DCOMP, a autoridade administrativa HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada. O contribuinte, nos presentes autos, contesta a cobrança do débito, em que restou não homologada a compensação no valor de R$ 53.870,27 e acréscimos legais, conforme detalhado às fls.39/40. A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: (...) Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais ... Art. 55. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 4 5 remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. (...) Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à compensação de contribuição previdenciária. § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (...) (G.N) Portanto, cabe a manifestação de inconformidade e o recurso a ser obedecido o rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. Desse modo, no processo nº 15374.901577/200825, em que analisado o crédito, foi proferido o Despacho Decisório (fl.07) que resultou na homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP nº 130313.79481.311003.1.3.045012, ficando o sujeito passivo CIENTIFICADO desse despacho e INTIMADO a, no prazo de 30(trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Vêse que, o processo de cobrança de que tratam os presentes autos indica os fatos e os elementos de comprovação que lastrearam o processo nº 15374.901577/200825, inclusive a manifestação de inconformidade de fls.09/12, traz em epígrafe o número do mencionado processo. Nesse passo, depreendese que o processo nº 15374.901577/200825 em que se discutiu o crédito e a compensação do débito objeto do PER/DCOMP em comento, é principal (apreciado primeiro) e o presente processo é dele decorrente. Portanto, o objeto desse é o resultado (reflexo) daquele outro. Sobre procedimentos conexos, assim dispõe o § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72: Art. 9o (...) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (G.N) Assim, dada a íntima relação entre o processo principal e o dele decorrente, devem os presentes autos ser juntados ao processo nº 15374.901577/200825 a fim de que não sejam proferidas decisões contraditórias, no que tange à compensação nãohomologada versada nos mesmos processos. A teor da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, acima transcrita, concluise por inadmissível que o processo nº 15374.901577/200825 trate da análise do PER/DCOMP com decisão pela homologação parcial submetida ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, e o processo de cobrança do saldo devedor resultante da nãohomologação seja novamente submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, o que significa dizer que a mesma matéria seria duplamente discutida nas instâncias administrativas, sem que haja qualquer previsão normativa. Com efeito, no presente processo administrativo cuja essência é exclusivamente de cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação homologada parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER da cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo nº 15374.901577/200825, com observância da decisão definitiva nele proferida. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.731763/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011
MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE
Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditava-se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditava-se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 93 1 92 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.731763/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.027 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria IPI/MULTA Recorrente SULGRÁFICA EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditavase de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 17 63 /2 01 2- 11 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 94 2 Tratase de recurso voluntário interposto por SULGRÁFICA EMBALAGENS LTDA. contra Acórdão nº 1041.902, de 17 de dezembro de 2012 (de fls. 1029 a 1035), proferido pela 3ª Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação ao lançamento de fls. 956/982, o qual tem por objeto a cobrança de IPI, com fundamento na glosa de créditos básicos indevidos (de 31/01/2008 a 31/12/2011) e cobrança da diferença entre o declarado e recolhido em relação ao saldo devedor apurado e o escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI (LAIPI) (de 31/03/2009 a 31/05/2009), com acréscimo de juros moratórios e multa de 150 %. O Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 983/995) motiva as duas infrações. Em relação aos créditos glosados, afirma o agente fiscal que no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2011 foram escriturados créditos de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento, conforme relação constante às fls. 984/985, onde consta o nº da NF emitida, data de emissão e o valor do crédito de IPI. Aduz que essas notas fiscais foram registradas no LAIPI e no Livro Registro de Entrada. No período de nov/2009 a jan/2010 os referidos créditos não foram registrados no Livro de Entrada. Esclarece a fiscalização, em sequência, que o contribuinte foi intimado, em 28/11/2011, a apresentar cópia das notas fiscais de entrada emitidas pelo estabelecimento, para fins de verificação da origem e base legal dos créditos. Em 20/12/2011 o contribuinte respondeu nos seguintes termos: “a base legal para a escrituração extemporânea dentro do prazo prescricional dos créditos de IPI relacionados, é relativa a insumos comprados e consumidos no processo de produção segundo ao princípio da não cumultatividade insculpido pela Constituição Federal do Brasil, como base também na jurisprudência do próprio CARF subordinado ao Ministério da Fazenda, nos acórdãos....entre outros”. Posteriormente, em 26/12/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de suporte para a escrituração dos créditos de IPI no ano de 2010, tendo aquele apresentado, em 14/02/2012, “planilha exemplificativa” (fl. 48 e segs.) contendo dados de notas fiscais de aquisições efetuadas pela empresa no período de janeiro/2005 a dez/2010, “totalizando créditos de IPI no valor de R$ 46.467,98”. Conclui o Fisco que “o contribuinte apresentou como origem para a escrituração de créditos de IPI no ano de 2010 no valor de R$ 1.024.412,36, planilhas exemplificativas com dados de notas fiscais de aquisições que totalizam créditos de IPI no valor de R$ 46.467,98”. Afirma a fiscalização que em análise da escrita contábil do autuado, constatou que nos períodos de 2008, 2009 e 2011 “também foram escriturados créditos de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento”, o que levou aquela a intimar o contribuinte para que apresentasse planilhas “com os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de base para escrituração de créditos de IPI no período de jan/2008 a dez/2011”. Averba o Fisco que “as planilhas apresentadas pelo contribuinte (312 pgs), contendo dados de notas fiscais de aquisições, totalizam créditos de IPI no valor de R$ 229.005,02”. Em análise dessas planilhas, constatou o agente fiscal autuante “que constam dados de notas fiscais de aquisições relativas a bens que não geram direito a créditos de IPI”. E exemplifica os bens adquiridos: “rolamentos, serra manual, lâmpada mista, filtro óleo, faca, correias, mangueira, tomada sobrepor, atilho, saco plástico, tomada, lavatório, fita isolante, tesoura, arruela, ...etc.”. Nesse ponto, a fiscalização sacou a primeira conclusão: Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 95 3 Portanto, o contribuinte apresentou como origem para a escrituração de créditos de IPI no período de jan/2008 a dez/2011 no valor de R$ 3.489.301,86, planilhas com dados de notas fiscais de aquisições que totalizam crédito de IPI no valor de R$ 275.473,00 (1ª planilha apresentada de R$ 46.467,98 + 2ª planilha apresentada de R$ 229.005,02). Nesta planilhas constam bens que não geram direito a créditos de IPI. Com base nesses fatos, foi lavrado Termo constando os mesmos, cujo teor leio em Sessão, cientificando o autuado de que se dados adicionais não fossem apresentados, seria adotado o seguinte procedimento. 13.1 – Todos os créditos extemporâneos de IPI, escriturados pelo contribuinte, correspondem a bens que não se caracterizam como matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, não gerando portanto direito a créditos de IPI. 13.2 – Para a maior parte do valor dos créditos extemporâneos de IPI, não foram atendidos os artigos 190 do RIPI/2002 e 251 do RIPI/2010. 13.3 – Os créditos extemporâneos de IPI foram escriturados sem base legal, resultando no estorno dos mesmos da escrita fiscal do contribuinte. A empresa não apresentou resposta a esse Termo de Intimação, datado de 25/07/2012. Assim, entendeu a fiscalização que o contribuinte não comprovou a origem dos créditos de IPI, escriturado no valor de R$ 3.489.301,86, tendo como base notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento ante o fato de que “não foram apresentadas pelo contribuinte as planilhas com os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de base para a escrituração dos créditos de IPI”, bem como “não apresentou as notas fiscais de aquisições que serviram de base para a escrituração dos créditos de IPI”. Diante disso, os “créditos” de IPI no valor de R$ 3.489.301,86 foram estornado pela fiscalização. A segunda infração constatada pela fiscalização foi que, no período 31/03/2009 a 31/05/2009, o imposto recolhido e declarado em DCTF o foi em valor inferior ao IPI devido apurado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI, conforme quadro à fl. 989. Intimado, em 11/07/2012, a esclarecer tais divergências, que totalizaram R$ 184.478,89, o contribuinte quedouse silente. Por fim, o autuante aplicou a multa a que alude o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a exasperação do § 1º daquele artigo, que determina que “o percentual de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Consignou o agente do Fisco que “as condutas descritas evidenciam a intenção do contribuinte em reduzir ao percentual aproximado de 10% do IPI devido...”, conforme tabela às fls. 991 e 992, onde o fiscal demonstra que a reiterada prática de se creditar de valores de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo estabelecimento autuado, reduziu o valor do IPI declarado em DCTF e recolhido a valores em torno de 10 % do que deveria ter sido recolhido sem essa prática, considerando os estornos perpetrados. O mesmo é demonstrado em relação à outra infração, quando os valores declarados em DCTF e recolhidos foram exatamente 10 % do IPI apurado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI, conforme o quadro de fl. 992. Não resignado com o lançamento, foi o mesmo impugnado (fls. 999/1004) exclusivamente em relação à exasperação da multa, sendo admitida a ocorrência das infrações narradas naquele. Ao analisar o teor do art. 72 da Lei 4.502, a impugnante faz leitura da norma no sentido de que ela “visa atingir somente as infrações relacionadas com o fato gerador da obrigação principal dos tributos” e que no caso do IPI “tal norma visa abarcar as infrações relacionadas com as saídas de produtos industrializados ou Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 96 4 importados do estabelecimento industrial ou importador, o que não ocorre no caso dos fatos descritos no Auto de Infração supramencionado”. Entende que a norma não se subsume aos fatos narrados no lançamento, uma vez que “as infrações cometidas pela impugnante não afetaram o fato gerador da obrigação principal do ...IPI”. Assevera que “as infrações cometidas pela Impugnante não se enquadram no conceito de fraude”, pugnando que a “sanção adequada para suas infrações é a que está prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que é de 75%”, sob o fundamento de que em matéria tributária, nos termos do art. 112, IV, do CTN, “a autoridade fiscal deve aplicar a penalidade menos gravosa ao contribuinte”. Consigna que o art. 112, IV, do CTN “tem como fonte os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, expresso no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal”. Finaliza averbando “que o enquadramento pela Fiscalização das infrações cometidas pela Impugnante como fraude é inaplicável, porque a norma que trata do preceito tributário de fraude não se enquadra aos fatos descritos”, pelo que requer “o reconhecimento da aplicação da sanção prevista no artigo 44, inciso I, da Lei supramencionada, que trata da multa de 75 % (setenta e cinco por cento)”. É o relatório. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte, considerando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA ANTE À OCORRÊNCIA DE FRAUDE Provado, e sequer contestado, que o contribuinte, sistematicamente, creditava se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, caracterizada está a fraude no sentido de evitar ou diferir o pagamento do IPI. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. A multa aplicada pelo Fisco decorre de previsão legal vigente e eficaz, descabendo ao agente fiscal perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não. Para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da referida decisão, por decurso de prazo de 15 dis a contar da disponibilizarão através da Caixa Postal, Módulo eCAC do site da Receita Federal em 02/01/2013, conforme fl. 1040, a interessada, em 30/01/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 1042 1053, onde se insurge contra o lançamento. Voto Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 97 5 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 02/01/2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 30/01/2013. Da multa Consta da peça de defesa da empresa que cuidase de discussão sobre o percentual da multa aplicada, pois a autoridade fazendária aplicou a de 150%, enquanto a recorrente entende que o correto seria a multa no patamar de 75 %, alegando que os fatos não se subsumemse ao descrito na norma legal que trata da definição de fraude (art. 72 da Lei 4.502/64). Aduz a recorrente que a sanção aplicada pela autoridade fazendária e corroborada pela DRJ/POÁ para as infrações cometidas é inadequada porque os fatos não se enquadram ao descrito na norma jurídica, haja vista que o art. 72 da lei 4.502/64 – in verbis: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou diferir o seu pagamento.” Entende a recorrente que tratase de uma norma, de natureza sancionatória de exceção, que deve ser interpretada e aplicada de forma estrita, ou seja, circunscrita a situações e conduta que inequivocadamente, se enquadram na hipótese legal, reduzindose ao máximo as avaliações subjetivas que possam cercar a hipótese material da conduta. O que, no que tange ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o fato gerador da obrigação principal se materializa com a saída de produtos industrializados ou importados do estabelecimento industrial ou do estabelecimento importador – não se lhes aplicando o dispositivo em questão. Insurge que, de acordo com as regras de hermenêutica, para que ocorra a incidência de norma jurídica sobre um caso concreto, todas as circunstâncias do caso concreto devem se refletir na norma jurídica (Lei), caso contrário a norma seria inaplicável ao caso concreto. Em síntese, com tais argumentações, pleiteia, considerando que as infrações em questão não se enquadram no conceito de fraude, a aplicação da multa de 75%, conforme reza o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Fundamenta seu pedido expondo que em matéria de infrações a legislação tributária, a autoridade fazendária deve aplicar a penalidade menos Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 98 6 gravosa ao contribuinte. Para tanto, frizase no art. 112, inciso IV, da Lei 5.172/66 – CTN, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV – a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Importante trazer que a recorrente concorda ter praticado as infrações a si imputadas no auto de infração objeto deste processo administrativo fiscal, não trazendo defesa para tanto no recurso voluntário ora apresentado. Sendo assim, após descrever sinteticamente suas argumentações, depreendendose da análise do processo e das planilhas e demonstrações trazidas à fiscalização, entendo não assistir razão à recorrente – o que concordo integralmente com o entendimento exarado pela DRJ – o qual passo a transcrever parte do voto: “(...) Não prosperam as alegações da recorrente. A um porque o agente do Fisco, nos termos do art. 142, vinculase à Lei. Portanto, já neste ponto afasta se a aplicação do art. 112, IV, do CTN, pois esta norma só incidiria se não houvesse outra que, às claras, determinasse a aplicação de uma penalidade específica. O § 1º do artigo 44 da Lei 9.430, vincula o agente, restando a este o ônus de demonstrar em que artigo (71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64) o agir do contribuinte se subsume, o que foi feito e não contestado quanto aos fatos narrados. De outro turno, faz leitura incompleta do artigo 72 da lei 4.502, uma vez entender que esta norma só alcançaria o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a saída do produto industrializado do estabelecimento fabril, no seu caso. Não são esses os termos da referida norma, em seu todo, pois alem de frisar que “fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal” ela prossegue com “ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Ora, cediço que um fato é a incidência da norma impositiva do IPI e outro o cálculo do valor a ser pago, que no caso desse imposto é mais complexo, pois em atenção aos preceitos constitucionais e legais, isso se faz com base em conta gráfica, com a confrontação entre seus débitos pela ocorrência do fato gerador do IPI e seus créditos passíveis, nos termos legais e regulamentares, de escrituração. Para o contribuinte, o art. 72 da 4.502, só incidiria quando ele fraudasse a ocorrência do fato gerador, diminuindo o débito do imposto calculado na saída do produto industrializado. Contudo, para ele, quando a fraude de se dá, como in casu, do que não há dissenso, no lado dos créditos ou se o valor declarado em DCTF e recolhido for inferior ao apurado no LAIPI, de fraude não se trataria, ao menos nos termos daquele artigo. Com a devida vênia, o legislador teve ótica mais abrangente, fazendo incidir o mencionado art. 72 da 4.502 não somente em relação à burla na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, seja pela forma que for, mas, igualmente, a faz incidir quando essa fraude tivesse por mote “reduzir o montante do imposto devido...”. E foi isso que, sistematicamente, a defendente fez, quer “criando” créditos inverossímeis, cuja glosa não discute, quer apurando um valor a pagar na escrita fiscal do IPI, mas declarando ao Fisco em DCTF e recolhendo valores a menor. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 99 7 O auditor fiscal demonstrou às escâncaras essa atitude fraudulenta com o evidente dolo, elemento subjetivo do tipo, de reduzir o montante do imposto devido, ação abarcada pelo teor do art. 72 da 4.502. Na hipótese do valor declarado e recolhido a menor nos períodos exacionados (março, abril e maio de 2009), o quadro da fl. 992 demonstra que o valor recolhido foi de 10% do valor escriturado e devido. A mesma tendência se dá quanto aos créditos glosados, conforme demonstrado pela fiscalização na motivação da duplicação da multa às fls. 991/992, quando os valores recolhidos, considerando os créditos “criados” pela empresa a partir de notas fiscais próprias de entrada ( sem qualquer lastro documental da efetiva compra de mercadorias), representam de 9 a 75% (com a moda em 10%) do total do IPI devido. Com base nesses fatos incontestes, é evidente a ação dolosa, premeditada, da recorrente no sentido de pagar menos imposto do que o devido, usando os meios fraudulentos já relatados.” Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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