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Numero do processo: 11020.003640/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.
A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa.
Somente a partir de 1º de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE.
Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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MF rl. S3-C112 ri 95 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11020.003640/2005-72 Recurso n° 265.055 Voluntário Acórdão n° 3102-00.790 — 1° Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria COFINS - COMPENSAÇÃO Recorrente RAM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa. Somente a partir de 1 0 de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição. COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passive l de compensação. Recurso Voluntário Negado. Aseinado dicilL.slinente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/12/2010 poi LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Autenticado ciigitelmente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Env ein 24/12/2010 peto lani:;tario do Fazcncla F I. 2 DF CARE ME Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntasio . Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama, (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 17/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Jose Fernandes do Nascimento, L onardo Mussi da Silva e Nanci Gama. e R L Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Interessada visando a reforma do Acórdão n° 10-17.247, de 25 de setembro de 2008 (fls. 73/74v), proferido pelos membros da 2°1 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ/POA), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apurafilo. 01/03/2005 a 31/03/2005 CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E CORNS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COF INS. Rest/Ress Indeferido Comp no homologada Por meio do presente processo, a Interessada informou a compensação do sido remanescente dos créditos da Cofins Exportação do 10 trimestre de 2005, discriminado nós Pedidos de Ressarcimento de fls, 02/05, com débitos do IRPJ e da CSLL, discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fis, 01, 16 e 21/24. Ao analisar o pleito em tela, por intermédio do Parecer de fls. 27/31, a autoridade fiscal da Uniadade da Receita Federal de origem informou que, após análise da cicumentação apresentada e dos dados extraídos dos sistemas de comércio exterior administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFE1), chegou a conclusão que os valores dos créditos pleiteados pela Recorrente estavam corretos, entretanto, como os valores das receitas de transferências de créditos de ICMS, auferidas no período, não compuseram a base cálculo da Contribuição, opinou pela glosa da parcela dos créditos equivalentes aos débitos a recolher relativos a tais receitas. Por sua vez, acantando as conclusões exaradas no referido Parecer, em 11/08/2008, a autoridade da Unidade da RFB de origem, por delegação de competência, Assinado dproferiu iiespachD.ecisórioudeLEf1s 3)1. moonhecendo;1:parcialmente;i ,o1rdireito; creditório ERRA DE CASTRO Autent1OOdo tiJiijitaimente em 17i11 , 2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 Emitido em 29/12/2010 petotOlnistrid do Fazenda latdrio OP CARP MF Fl. 3 Processou' 11020 003640/2005-72 S3-C11 2 Ac6rd5o n *3102-00.790 Fl 96 pleiteado e homologando as compensações declaradas, até o limite do valor do crédito reconhecido. Em 22/08/200S, a Interessada foi cientificada, por via postal (fl. 40), dos referidos Parecer e Despacho Decisório, bem como da Carta Cobrança de fls. , exigindo-lhe a parcela dos débitos, cuja compensação não foi homologada, por insuficiência de valor de crédito. Descontente, ern 03/09/2008, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 41/51, aduzindo as razões defesa que foram assim resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, ipsis litteris: Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação . Admite, para fins de argumentação, que 5e de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportagdo e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos creditas e de sua transferencia para terceiros doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa Sobreveio o Acórdão recorrido, em que, os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, mantiveram o indeferimento da parcela do crédito não reconhecida e, em decorrência, a não homologação dos débitos compensados, com base nos seguintes argumentos: a) a cessão dos direitos de ICMS para terceiros era uma receita do cedente (contribuinte), independente de haver lucro ou prejuízo com a operação ,juridica/contibil; b) o fato gerador da Coflns é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pala pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; c) o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica; d) o negócio jurídico em tela não se enquadrava em nenhuma de exclusão da base de cálculo, prevista na legislação, para a referida Contribuição; e e) a cessão de créditos do ICMS não era uma operação de exportação de mercadorias ou serviços, como alegara a Interessada, logo, não estaria albergada por qualquer imunidade ou isenção em favor das exportações. Em 2111012008, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 79), do referido Acórdão e da Carta Cobrança de fls. 77/78. Inconformada, em 11/11/2008 (fl. 81), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 81/91, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo integral provimento do presente Recurso . Aazinacio talmentaom 17/11r2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Amen:lc:ado rf gifatmente ern 1711112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 3 Enslido im 2011712010 pet° MmIsverio Faz(!nda Dr CA RF El. 4 F Ern cumprimento ao despacho de fl. 94 (ultima numerada), os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Ern cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria NW n°256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do cor rente ano, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este ConseIheiro. E o relatório. V to Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competancia deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo do pedido de ressarcimento do saldo remanescente do créditos da Cofins dos meses de janeiro a marco de 2005 (1° trimestre de 2005), que fora utilizado na compensação dos débitos do IRPJ e da CSLL, discriminados nas DComp de fls. OI T 16 e 21/24. }Id noticia nos autos de que o valor do crédito pleiteado corresponderia ao saldo remanescente dos créditos da Cofins — Exportação, decorrentes dos insumos vinculados reeeita de exportação auferida no citado trimestre. A presente compensação foi realizada sob a égide do inciso II do § 1 0, combinado com o § 3°, ambos do art. 6° da Lei n° 10,833, de 29 de dezembro de 2003, a seguir reproduzidos: "Art 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de, I - exportação de mercadorias para o exterior ; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jut idica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10 865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora corn o fim eipecifico de exportação § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa juridica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3e, pare fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado infer no; compensação corn débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. sr 2' A pessoa jurídica que, até afinal de cada trimestre do ano civil, não conseguir utili:ar o crédito por qualquer das formas Assinado diglialmente em 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASC1tvIEN1C) 02 7 1212010 por LUIS MARCELO GLI ERRA DE CAFRO Autenticado ti gilalmente cm 17111/2010 co/ JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Einitido em 20/12/2010 pia Wistaria da Fazerda 4 M F Fl 5 DF CARF Processo n° 11020 003640/2005-72 S3-C1T2 AcOrdilo ri ° 3102-00.790 PI 97 previstas no .s; 1° poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislavao especifica aplicável a matéria. § 3 0 disposto nos §§ 12 e 2e aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados receita de exportavao, observado o disposto nos §§ 82- e 95 do art. ) (grilos não originals) Na data da formalização do procedimento compensatório em tela, a legislação especifica que disciplinava o assunto, a que alude o dispositivo legal transcrito, era o art, 21 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, com a redação e os acréscimos da Instrução Normativa RFB 563, de 23 de agosto de 2005. Segundo o Parecer de fls. 58/62, os valores dos créditos apurados no período estavam corretos, porém, os valores dos débitos a recolher não foram corretamente determinados, posto que a Interessada não incluiu na base de calulo da dita Contribuinção os valores das receitas referentes A alienação dos créditos do ICMS. Em decorrência, foram apurados novos valores da Cotins a pagar, os quais foram deduzidos do valor do saldo remanescente do crédito pleiteado. Por sua vez, o titular da Unidade da Receita Federal de origem, acatando as conclus6es apresentadas no mencionado Parecer, decidiu manter a glosa parcial do saldo remanescente do crédito pleiteado, com base no entendimento de que o valor da receita obtida na alienação dos créditos do ICMS integrava a base de cálculo da citada Contribuição. Os membros da Turma julgadora de primeiro grau, com base no mesmo entendimento, também mantiveram a glosa parcial do valor do saldo remanescentes do crédito pleiteado pela Recorrente. Com base no exposto, fica demonstrado que o cerne da presente controvérsia consiste em saber se os valores das receitas decorrentes das vendas dos créditos do ICMS comptiem ou não base de cálculo da Cotins não-cumulativa e, caso afirmativo, se os débitos a recolher concernentes A tais receitas devem ser deduzidos do valor do crédito vinculado a receita exportação, para fins de apuração do saldo remanescente passive] de compensação, conforme procedimento adotado pela autoridade fiscal da Unidade de origem. Da alienação de créditos de 1CMS: receita atípica. Antes de analisar se valor obtido na venda de créditos de ICMS integra ou não a base de cálculo da Cams não-cumulativa, entendo pertinente que seja deslindada a natureza da operação de alienação dos créditos de ICMS provenientes das vendas ao exterior. Segundo a Recorrente, tais valores não integrariam a base cálculo da referida Contribuição porque não se tratava de receita, mas de mera operação patrimonial. Não procede a alegação da Recorrente. Do ponto de vista contábil, toda opera* que altera quantitativa ou qualitativamente o patrimônio da pessoa jurídica (ou da entidade contábil, segundo os contabilistas) tem natureza patrimonial e deve ser registrada na contabide. Assinado ern /z li u 1 1/ ad por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE C.:f\STRO AtilenaJo digilzIlmento ern 17i 1 ii2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 ErnItiOz., sin 291i2/2010 polo Iviii-slolOsio do r ozards DP CARP MF FL 6 O que caracteriza uma operação como receita é a presença do ingresso de numerário (venda a vista) ou de um de um crédito (venda a prazo) no ativo da empresa, proveniente da alienação de um bem ou direito integrante do seu ativo circulante, realizável a longo prazo ou permanente, ou da prestação de serviço. Neste sentido, é a definição apresentada no inciso I do § 3° do art. 9° da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993, que disptie sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC), que tem o seguinte teor, in verbis: Ar t 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuravao do resultado do per iodo em que ocorrerem, sempre simullaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. ) § 3° As receitas consideram-se realizadas. I — nas transag'des com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, que, pela investidura na prop, iedade de bens anterior mente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruicao de seivicos por esta prestados; ) Por sua vez, o subitem 2.6.3 da Resolução do Conselho Federal de C ntabilidade n° 774, de 1994, que aprovou o apêndice à Resolução CPC n° 750, de 1993, es larece o conteúdo e abrangência da definição de receita apresentada no referido inciso I do § 30 do art. 9°, com a seguinte dicção, ipsis litteris: 2 6 3 — Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momenta em que Irá a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazê-lo num pre= qualquer. Normahnente, a transactio é formalizada mediante a emissao de nota fiscal on documento equivalente, em que consta a quantificação e aformalização do valor de venda, pressupostamente o valor de ruem cada da coisa ou do serviço ) Com explicaçães, fica devidamente esclarecido que a venda a terceiros dos créditos de ICMS, um direito integrante do ativo circulante da contribuinte, mediante a emissão de nota fiscal, apresenta todas as características de receita da pessoa jurídica vendedora. Da definição do fato gerador da Cofins não-cumulativa: receita em geral. 0 fato gerador da Cofins, com a incidência não-cumulativa, encontra-se definido no capuz' e § 1 0 do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, nos seguintes termos, verbis: Art. 1 2 A Contribuicao para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência ,,o-cunndativa, tem como fato gerador frgliqvinetUo pjepsa, (its,rim entendfdo o total das Asoinado dip! almonto em 17/111.010 pur JoSL FLrinurelur.S Licj NA.SUlivrEN i 0..IT -12/20 por Wit; [vim:CUD GU ERRA DE C/iSTRO Autenticado clioitalmente cm 71112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Ernitido em 29/1212010 polo Ministéria da Fazontlz M F Processo n° 11020 003640/2005-72 Acórdaon °3102-00.790 I . 7 S3-C112 Fl 98 DF CARP receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § / a Para efeito da disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas opera em coma própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurldica ( ) (grifos não originais). De acordo os referidos preceitos legais, integram o fato gerador da Contribuição em apreço todas as receitas auferidas pela pessoa juridica, incluindo as receitas decorrentes da atividade principal ou típica (o faturamento ou receita bruta), bem como a da atividade atípica (as receitas não operacionais e operacionais esporádicas). A receita auferida na alienação dos créditos do ICY'S, originados de insumos vinculados is receitas de exportação, conforme o disposto no inciso II do §1 ° do art. 25 1 da Lei Complementar n 9 87, de 13 de setembro de 1996, com a redação dada pela Lei Complementar no 102, de 11 de julho de 2000, em sendo uma receita atípica, integra o fato gerador da mencionada Contribuição. Da exclusão da base cálculo da Corms não-cumulativa: fatos geradores até 31 de dezembro de 2008. Os tipos de receitas que não integravam a base de calculo da Contribuição em destaque, no período em que ocorreram os fatos geradores dos créditos objeto do presente pleito, constavam taxativamente discriminados no § 3 0 do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. l‘z ,...,.,... (. ) § 2' A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput § Não Integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas a al/quota 0 (zero); - nilo-operacionais, decorrente.s da venda de ativo permanente; "Art. 25. Para efeito de aplicaçflo do disposto no art. 24, os débitos e creditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensando-se os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. § 1° Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operWes e prestaçOes de que tratam o incise 11 do art. 3° e seu paragrafo único podem ser, na proporção que estas saldas representem do total das saidas realizadas pelo estabelecimento: 1- imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II - havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão nela autoriclude c,omnetente de document° que 'emit= o crédito Assinci oo digi cimenta ern ifilli2Ulu per ttiNANuEs rvASCImEN I L.) 02/12h:o1u per Lurs MARQL...Lb Gu ERRA DE Cf STIR° Autenticado digitalmente cm 1711112010 par -JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 7 Emitido em 20/12,2010 pale hilniteria do Fazenda OF CA RI' H 8 auferidas pela pessoa jur idica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a cant, ibuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis n" 9 990, de 21 de firth° de 2000, 10. 147, de 21 de dezembro dg 2000, 10 485, de 3 de julho de 2002, e 10 560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas ci incidência monofásica da contribuição; V- referentes a. a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) revetsões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do pan inrônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (grifos não originais) Da leitura do transcrito preceito legal, não se encontra qualquer menção receita proveniente da alienação dos créditos de 1CMS, o que conduz a conclusão de que esse tipo de receita não se encontrava contemplado no rol taxativo contido no transcrito parágrafo 3° Assim, fica demonstrado que, por falta de previsão legal, o referenciado tipo del receita integra a base de cálculo da Cotins não-cumulativa. Cabe ressaltar ainda que, para fins de incidência da refer ida Contribuição, a origem dos referidos créditos torna-se irrelevante. Com efeito, o que é determinante, no caso presente, é que a alienação ocorreu no mercado interno e gerou uma receita que, conforme definido em lei, integra a base de calculo da referida Contribuição. 0 fato de os referidos créditos estarem vinculados as receitas de exportação, que gozam de imunidade da Contribuição em apreço (art. 149, § 2°, 1, da CF/88), em nada al era o regime tributário atinente as receitas decorrentes da alienação dos citados créditos. Portanto, não procede a alegação da Recorrente de que a imunidade da receita e portação seria extensível a receita decorrente das vendas dos citados créditos. Não é demais ressaltar que, em se tratando de norma de natureza excepcional, por força do exposto no art. 150, § 5 0, da CF/88, a exclusão da receita auferida na alienação de créditos [CMS do campo incidência ou da base de calculo da Contribuição em apreço somente poderia ser efetivada mediante disposição legal expressa, veiculada em lei especifica. Dessa forma, demonstrado que na data do fato gerador não havia previsão legal para tal exclusão, a contrario sensii, é de se concluir que, no citado trimestre, a dita r ceita integrava a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Da previsão legal da exclusão da receita da venda de créditos do ICMS di base da Cofins: efeitos prospectivos. 0 art. 17 da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, deu nova redação ao art. 1° Assioad04 , .irtR.,iredrPt0,17idg 3902)saSIPP,999t.g. PJ9K991V,71,,a, PN.)Yts.-492491V$.:Ou..§.:413MarkaARARFalculd da ERRA OE CASTRO Auienticada ritilatmentr.". ern 17/112010 f-,c,r JOSE FERNAINIDES DO I1ASCIMENTO Ernaido eat 291 1212010 pele Mintstério da Fazenda Cofins não-cumulativa as receitas decorrentes de transferencia de créditos de 1CMS originados de operações de exportação, nos termos a seguir reproduzido: Art. 17. Os arts. 2R, 3", 10, 58-J e 58-0 da Lei na 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. .§ 3 R • - VI - decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e huermunicipal e de Comunicação - 'CMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do ,¢ J do art 25 da Lei Complementar n°87, de 13 de setembro de 1996." A referida norma não se aplica ao caso em tela, haja vista que os seus efeitos passaram ser produzidos somente a partir de 1 0 de janeiro de 2009, conforme expressamente determinado na alínea "d" do inciso I do art. 33 da referida Lei, a seguir reproduzida: Art, 33 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos I - a partir de I' de janeiro de 2009, em relação ao disposto: d) no art 17, relativamente ao inciso I/1 do s5 32 do art la e ao art. 58-J da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; ( A inclusão do novel inciso, acompanhado de previsão expressa de produção de efeitos apenas para os fatos geradores ocorridos a partir 1 0 de janeiro de 2009, vem ratificar o acerto das conclusões precedentemente apresentadas, no sentido de que, até 31 de dezembro de 2008, as receitas obtidas na venda dos citados créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Do direito de compensação do saldo remanescente dos créditos da Cofins Exportação. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no período (mês ou trimestre), o saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o P1S/Pasep, referente a custos, despesas e encargos vinculados its receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, vencidos ou vincendos, referente aos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Neste sentido dispõe os incisos I e o § 5° do art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB 563, de 2005, a seguir transcrito: Assinado ii9i aline:Me ern 1:1 /11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/1212010 por LUIS MARCELO GlJ ERRA DE C/ STRO AineritFcado r iglialinente ern 1711 I/2010 or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 9 Ernitido ern 2011212010 pelt: M ■ disi&io da Fazencia DE CARE ME Process+) if 11020 00364012005-72 Ac6rd5o n° 3102-00,790 El. 9 S3-Cl'r2 Fl 99 I. I 0 MF Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Colitis apurados na forma do ai:, 32 das Leis n2 s 10637, de 30 de dezembto de 2002, e 10833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribidOes, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuiçães de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes. (Redação dada pela IN SRP 563, de 23/08/2005) I - de custos, despesas e encargos vinculados its receitas decorrentes das operaçães de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa finca ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; ) § 52 Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Colins a que se refere o inciso I do capia, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do ano-calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art, 26 (grifos não originais). Em consonfincia com o disposto no referido dispositivo legal, previamente utilização na compensação, o contribuinte deve deduzir do valor total do crédito do período, relacionado com as receitas de exportação, o valor total da contribuição a recolher, apurada no respectivo período, referente As demais receitas tributadas no mercado interno Assim, somente o saldo remanescente dos créditos da Cofins, vinculados as operações de exportação, apurado após a dedução da valor a recolher da respectiva Contribuição, sera passível de compensação, Logo, eventual diferença a maior do valor da contribuição a recolher, apurada em procedimento de fiscalização, deve ser previamente deduzida do saldo dos créditos originados das operações de exportação, para fins de determinação do saldo remanescente passível de compensação. Em decorrência, somente no caso inexistência ou insuficiente de saldo remanescente, seria cabível lançamento de oficio do valor total ou da parcela no deduzida, conforme o caso. No presente caso, o valor do direito creditório, reconhecido pela autoridade fi cal da Unidade de origem, foi determinado tendo em conta o valor do crédito utilizado na compensação, após a dedução do valor do débito recolher, apurado na fase de análise do presente procedimento compensatório. No caso presente, evidentemente, não houve necessidade de lançamento, haja vista que o valor total do débito suplementar a recolher foi inferior ao valor do saldo re' anescente do credito utilizado na compensação em tela. Cabe esclarecer ainda que, no caso em tela, a realização do lançamento, além d contrariar orientação expressa no § 5° do art. 21 da instrução Normativa SRF n°460, de 2003, com a nova redação, agravaria a situação da Recorrente, imputando-lhe elevado ônus A.53irocio dfinanceiro,, umai2vez que déhit supJementarIt5eriaacrescidt deLn1ulta 14aSoflçio de 75% ERRA DE CASTRO AutentIcado cligitalmento ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 10 Ei em 20/12/201D palQ hrlinistério do Fezencla , DE CAR P DE CARP' Processo n° 11020 003640/2005-72 S3-C I T2 Acórchlo n ° 3/f/2-01790 F1 100 (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, ao passo que o valor originário do saldo remanescente do crédito compensado (forma de ressarcimento crédito escritural), por falta de previsão legal, não teria nenhum acréscimo legal. Assim, fica demonstrado que a glosa parcial do crédito em questão foi realizada em consonância com a legislação tributiria ern vigor, por conseguinte, não merece reparo o Acórdão o recorrido. Da conclusão. Ern face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na Integra o Acórdão recorrido. Sala das SessÉlies, em 27 de outubro de 2010, (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Assinado ditititatments il:tn 17/1112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Aulenticado digitalmente ern I 711 1 ,2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emitido em 29112/2010 pelo Moisterio da Fazerda 11
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720482/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 82 /2 01 0- 71 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.196, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), referente ao processo administrativo n° 11080.720482/201071, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde 4 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, 6 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; ” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900032/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
PIS. Calculo. Isonomia com Instituições Financeiras. Impossibilidade.
A base de cálculo eleita pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.718/98 (faturamento) encontra seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea b, da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, descabendo-se a pretensão de transformar o PIS em tributo sobre resultado.
Ademais, as exclusões previstas para as instituições financeiras estão afinadas com a tipicidade da atividade. Ainda que assim não o fosse, a pretensão de alterar a base de cálculo prevista em lei em razão da aplicação do princípio constitucional da isonomia esbarraria na restrição imposta pelo art. 62 do RICARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida, Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Calculo. Isonomia com Instituições Financeiras. Impossibilidade. A base de cálculo eleita pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.718/98 (faturamento) encontra seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea ‘b’, da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, descabendose a pretensão de transformar o PIS em tributo sobre resultado. Ademais, as exclusões previstas para as instituições financeiras estão afinadas com a tipicidade da atividade. Ainda que assim não o fosse, a pretensão de alterar a base de cálculo prevista em lei em razão da aplicação do princípio constitucional da isonomia esbarraria na restrição imposta pelo art. 62 do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida, Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 00 32 /2 00 8- 14 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 0628.231, de 15/09/2010, da 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: Trata o processo de manifestação de inconformidade (fls. 08/23), apresentada em 25/03/2008, em face da nãohomologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 25213.84901.130906.1.7.043927 (que retificou o Per/Dcomp nº 18003.63304.111103.1.3.046800) nos termos do despacho decisório emitido em 14/02/2008 pela DRF em Ponta Grossa/PR (cópia à fl. 06). Segundo o despacho decisório, cientificado em 28/02/2008 (fl. 07), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado (pagamento de PIS de R$ 774,73) encontravase totalmente utilizado, não restando crédito disponível para os fins desejados. Na manifestação a contribuinte disserta sobre o crédito pleiteado, ressaltando que decorre de diferença de tratamento tributário em relação às instituições financeiras (ressalta que se deve estender o benefício concedido às instituições financeiras, de modo que as mesmas deduções de base de cálculo da Cofins e do PIS sejam passíveis de aplicação para as demais pessoas jurídicas). Esclarece que vem recolhendo a contribuição sem as exclusões a que tem direito, não restando dúvidas acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior. Juntamente com a manifestação, a interessada apresentou cópias de documentos societários (fls. 24/25). Às fls. 01/05, cópia do Per/Dcomp apresentado em 13/09/2006. À fl. 27, extrato de consulta ao sistema de controle de arrecadação federal. Após delimitar a matéria impugnada, a 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR, através do acórdão já referenciado, negou provimento à manifestação de inconformidade pelas motivações bem retratadas na ementa do referido julgamento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 56 3 Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PIS. CÁLCULO. ISONOMIA COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Nos termos da legislação de regência, a contribuição devida a título de PIS pelas pessoas jurídicas de direito privado deve ser calculada com base no faturamento, assim, o pleito para observância do princípio da isonomia em relação à forma de cálculo aplicável às instituições financeiras, não pode ser atendido.. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual seguiu a linha da defesa de que suas despesas operacionais podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, tomando como paradigma as exclusões que são asseguradas às instituições financeiras pela mesma lei de regência das referidas contribuições. E concluiu, finalmente, que o tratamento desigual em relação aos demais contribuintes viria configurar comportamento vedado pelo art. 150, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, em essência. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo voto lido em sessão, que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes: Estando preenchidos os pressupostos de admissibilidade recursal e sendo o tema afeto à competência da 3a. Seção do CARF, dele tomo conhecimento. Em princípio, devese delimitar o cerne da controvérsia do recurso em exame. Neste particular, apressome a observar que inexiste qualquer pendência fática a ser resolvida, sendo o exame proposto eminentemente de direito. Mais especificamente, pretende a recorrente assegurar o recolhimento da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o lucro bruto, ou seja, deduzindo todas as suas despesas operacionais da sua receita bruta. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 57 4 Sob o ponto de vista constitucional, devese chamar a atenção que a base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, embora pudesse ter como signo de riqueza tributável o lucro, foi definida pelo art. 3o da Lei n º 9.718/1998 como o faturamento. Tal definição encontra fundamento de validade na alínea ‘b’, do inciso I, do art. 195 da Carta Magna. Destaquese que a discussão história sobre da amplitude da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, cujo Supremo Tribunal Federal, reiteradamente, já reconheceu a impropriedade do alargamento da base, sob os auspícios da Lei n º 9.718/98, para além da receita operacional do contribuinte, não encontra eco nos autos. A pretensão do recorrente, por sua vez, vai bem além. Pretende transformar o tributo sobre faturamento em exação sobre o lucro, o que, como demonstramos, incompatibilizase com a base definida no art. 3o da Lei n º 9.718/98 (receita operacional), cujo fundamento de validade esta no art. 195, I, ‘b’, da CF/88. De outro giro, quanto à tentativa de legitimar sua pretensão nas exclusões prescritas na mesma Lei n º 9.718/98 para as instituições financeiras, além de entendermos que as previstas para tais atividades estão atreladas as suas respectivas particularidades do negócio desenvolvido pelas mesmas (de igual modo, por exemplo, como seria insensato imaginar em exclusão de valores referentes à vendas canceladas e descontos incondicionais para instituições financeiras), admitilas sob o argumento de ferir a norma do art. 150, inciso II, da CF/88 iria de encontro a restrição constante do art. 62 do Regimento Interno do CARF, assim vazado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Isto posto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10680.913508/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 08 /2 00 9- 68 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 13/01/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência maio de 2003, com débitos de CSLL referentes ao 4º trimestre de 2005, no valor total de R$ 3.979,41. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2003.41532969 de 14/08/2003 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 03.98.97.56.66. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913508/200968 Acórdão n.º 3803004.640 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913508/200968 Acórdão n.º 3803004.640 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11128.005993/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/05/2006
TRANSPORTADOR. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE.
Apurado o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, , na forma e condições que prescreve o regulamento, cabe ao responsável - transportador ou seu representante no território nacional,-indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3101-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo E Eu, Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 12/05/2006 TRANSPORTADOR. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE. Apurado o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, , na forma e condições que prescreve o regulamento, cabe ao responsável - transportador ou seu representante no território nacional,-indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo E Eu, Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro
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Recorrida DRJ/SÃO PAULOSP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/05/2006 TRANSPORTADOR. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE. Apurado o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, , na forma e condições que prescreve o regulamento, cabe ao responsável transportador ou seu representante no território nacional, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo E Eu, Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 59 93 /2 00 6- 90 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 209 2 Relatório Tratase de exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos em virtude de extravio, formalizada após vistoria aduaneira que identificou o extravio/perda da mercadoria importada, a qual foi atribuída responsabilidade ao Recorrente por ser representante, no país, do transportador estrangeiro. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 08/12/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 112.167,10, em face dos fatos a seguir descritos. • O importador CORREIAS MERCÚRIO S/A solicitou vistoria aduaneira através do Processo Administrativo No. 11128.003361/200691, para a realização de conferência física em 50 caixas, amparadas pelo conhecimento de carga (B/L) No. SEASAN1106W01, para verificação de avaria e/ou extravio visando a apuração de responsabilidade tributária; • No ato de vistoria, a comissão constituída, constatou o extravio de parte da mercadoria importada, 50 caixas soltas, PRENSA – MAQUINA PARA PRODUÇÃO DE CORREIAS, conforme DAAF — Demonstrativo de Apuração de Avarias e/ou Falta de mercadoria estrangeira (folhas 34); • Foi apurada a falta de 07 (sete) caixas, referente a 06 (seis) colunas de dimensões de 5310 x 3860 mm em aço carbono e uma base medindo 5000 x 400 mm; • O Laudo de Assistência Técnica EQLAP No. 1692/2006 revelou que os itens faltantes são essenciais na linha de produção; • No ato de Vistoria o transportador apresentou protesto marítimo, sob a alegação de que foram surpreendidos com o mar extremamente violento; • Intimado o transportador marítimo a apresentar plano de carga do navio com descrição detalhada da localização das mercadorias amparadas pelo conhecimento de carga em questão, relatório de danos, escalas previstas até o Porto de Santos, limitouse a apresentar cópia do protesto marítimo; • A valoração das mercadorias teve por base a fatura comercial No. FMBR —0501; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 03/10/2006 (fls. 126verso), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 09/10/2006, de fls. 127 à 135, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 210 3 a) Preliminarmente, alega sua ilegitimidade passiva "ad causam" por não estar vinculado ao fato gerador da obrigação tributária, seja como contribuinte, seja como responsável; b) Tal exação é atacada pele entendimento esposado na Súmula n° 192 do extinto TFR e demais entendimentos jurisprudenciais; c) Nos termos do artigo 60 do Decreto Lei 37/66 e do artigo 591 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02 é atribuída a responsabilidade a quem der causa a avaria. No caso em questão, o impugnante não teve nenhuma contribuição nas operações de carga e durante a operação marítima quando o navio enfrentou mau tempo. Logo, não há como cogitar qualquer responsabilidade; d) A questão é de responsabilidade civil extracontratual; e) Ninguém pode ser responsabilizado por presunção ou culpa presumida, nos termos do artigo 186 do Código Civil; f) Transcreve trechos do protesto marítimo para alegar a excludente de responsabilidade por força de caso fortuito ou força maior; Pugna a IMPROCEDÊNCIA do lançamento. Este é o Relatório. Diante dessas alegações apresentadas em sua impugnação, o Recorrente requereu a procedência da impugnação, que, sob apreciação da autoridade julgadora de primeira instância, proferiu decisão mantendo a autuação, cuja ementa está transcrita nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOli Data do fato gerador: 12/05/2006 Falta de recolhimento do Imposto de Importação ocorreu em razão da falta de mercadoria apurada pela Comissão de Vistoria. A lógica arquitetada pelo legislador foi de apurar a responsabilidade pela avaria da mercadoria dentro do elo TRANSPORTADOR OPERADOR DEPOSITÁRIO, que são os agentes que atuam junto à importação da mercadoria. Dada a lógica empreendida pelo legislador, a ausência de carga foi apurada enquanto o container estava sob a responsabilidade do impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos na impugnação. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 211 4 Sob apreciação desta Turma , o julgamento foi convertido em diligência {a repartição de origem com as seguintes considerações e providências: Como no presente caso a perda das mercadorias se deu durante seu transporte marítimo, em razão de uma tempestade enfrentada pelo navio, o depositário no momento do extravio era o Comandante da embarcação, na qual apresentou em Juízo a competente RATIFICAÇÃO DE PROTESTO MARÍTIMO, o qual foi devidamente homologado por sentença judicial. Para bem instruir o feito, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para providencie a juntada aos autos de cópia integral do processo judicial – Ratificação e Protesto Marítimo, processo n° 562.01.2006.0172617/000000000, a fim de que se possa ter conhecimento do deslinde daquele feito. Concluída a diligência, intimese a Recorrente para, querendo, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias, sendo que esgotado o prazo, retorne o feito para apreciação desta Turma. Tendo sido infrutífera a diligência, pautei o processo para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Tratase de Recurso Voluntário, no qual o Recorrente se insurge contra a exigência do Imposto de Importação, PIS importação e COFINS importação exigidos devido ao extravio de mercadorias importadas, por entender ilegítima a atribuição de responsabilidade à Agente Marítimo, bem como pelo fato de estar amparado pelas excludentes de responsabilidade – caso fortuito e força maior. Inicialmente, entendo que, a partir da eterna Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que alterou a redação dos artigos 31 e 32 do DecretoLei nº 37/66, a dúvida em relação à atribuição da sujeição passiva na pessoa agente marítimo representante do transportador, foi resolvida. Aliás, a Recorrente compareceu ao procedimento de Vistoria Aduaneira (fls. 34) como representante do Transportador/Armador, do Operador Portuário, do Emissor do BL Máster, sem contestar. Não há elementos probatórios nos autos de que o representante do transportador (ou responsável pelo transporte) seja outra pessoa que não a Recorrente. Para deslinde de causa, resta fundamental tecer algumas considerações, a começar pelo conceito de extravio regulamentado pelo art. 580 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002 – vigente à época dos fatos): Art. 580. Para os fins deste Decreto, considerase (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60): Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 212 5 I avaria, qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou o seu envoltório; II extravio, toda e qualquer falta de mercadoria; e III acréscimo, qualquer excesso de volume ou de mercadoria, em relação à quantidade registrada em manifesto ou em declaração de efeito equivalente. Parágrafo único. Será considerada total a avaria que acarrete a descaracterização da mercadoria. Ocorrida uma destas hipóteses, realizadase a vistoria aduaneira, que tem por finalidade “verificar a ocorrência de avaria ou extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível” (art. 580 do Regulamento Aduaneiro de 2002), vistoria esta realizada em 06/06/2006 com a devida ciência dos interessados – fls. 34/37. Ademais, prescreve o art. 583 do Regulamento Aduaneiro/2002: Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Como no presente caso a perda das mercadorias se deu durante seu transporte marítimo, em razão de uma tempestade enfrentada pelo navio, o depositário no momento do extravio era o Comandante da embarcação, na qual apresentou em Juízo a competente RATIFICAÇÃO DE PROTESTO MARÍTIMO, o qual foi devidamente homologado por sentença judicial. Assim, diante das informações prestadas pelos interessados, foi atribuída à Recorrente responsabilidade tributária pelas mercadorias extraviadas, conforme o art. 591 e seguintes do RA/2002: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). O fato de ter sido providenciada a ratificação do protesto marítimo junto ao Juízo da Comarca de Santos não exclui da Recorrente a responsabilidade pelo extravio. A responsabilidade atribuída pela lei decorre da presunção legal de que aquele que recebe a coisa em depósito ou transporte tem o dever de zelar pela coisa e restituir da forma como recebeu. Nesse pressuposto, e considerando que o controle aduaneiro se faz para garantir a soberania nacional, evitando que mercadorias ditas extraviads ingressem irregularmente no território nacional, é que o DecretoLei nº 37/66, previu a responsabilização Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 213 6 daquele que, diante do dever de guarda de bens sob controle aduaneiro, “indenize” a Fazenda pelos tributos que não foram recolhidos em decorrência de avaria ou extravio1. Impende ressaltar, aliás que o extravio não constou do protesto do manifesto, sendo que sua divergência com o extravio ocorrido não exclui a responsabilidade. Aliás não considerado o extravio no protesto marítimo, ratifica a dúvida em relação à destinação dos bens: se sumiram em alto mar ou se sumiram quando da descarga do navio, antes da transferência ao depositário ou importador, o que confirma a aplicação da presunção legal que motiva a previsão legal do art. Do DL 37/66. O argumento de intempéries, atualmente, não pode ser considerado como força maior, uma vez que, como bem destacado no fundamento do lançamento, não configuram fato imprevisível, inevitável ou estranho às atividades desenvolvidas pela transportadora marítima, sendo não apenas possível, como exigível, a adoção de medidas, por parte do transportador, aptas a eliminar os previsíveis danos delas decorrentes. Note‐se que, apenas parte da carga foi perdida, de modo que a intempérie pode ter colaborado para a perda, mas não pode ser considerada isoladamente, haja vista que a maior parte das cargas mantevese ilesa. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo 1 Digno de nota que a partir da lei 12.350/2010, o instituto da indenização foi substituída pela responsabilidade pelos impostos, mediante lançamento de ofício. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721771/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. INDÍCIOS DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE DELEGAÇÃO DA ELABORAÇÃO DA DIRPF A TERCEIROS NÃO COMPROVADA. NADA A DEFERIR.
Havendo evidentes indícios de fraude, quando o contribuinte faz declaração retificadora passado longo tempo da apresentação da declaração original, em razão da qual passa a fazer jus a restituição em valor elevado, não o socorre a alegação genérica de que foi iludido por profissional de contabilidade que teria elaborado a retificadora, sem fazer acompanhar suas alegações de quaisquer provas.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PEDIDO DE DEDUÇÃO DE DESPESAS RELATIVAS A PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR. IMPOSSIBILIDADE.
Tendo sido apurado o montante tributável com a devida consideração de despesas que o Contribuinte alega não terem sido observadas, é de se manter o lançamento de ofício.
MULTAS E JUROS. PEDIDO DE EXCLUSÃO POR INCAPACIDADE DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO PELO CARF DE EXAÇÕES PREVISTAS EM LEI.
Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que os mesmos tem fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Sendo matéria de execução do crédito tributário a capacidade pagadora do contribuinte.
IRREDUTIBILIDADE SALARIAL E IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS DE BOA-FÉ PELO SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LIAME LÓGICO COM A HIPÓTESE DOS AUTOS.
Nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boa-fé. A uma porque presentes fortes indícios de fraude, não há que se falar em boa-fé, a duas porque o presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL JÁ DEDUZIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO, NADA HAVENDO A PLEITEAR NESTE PARTICULAR.
Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear quanto a tal aspecto.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente).
Carlos André Ribas de Mello Relator.
EDITADO EM: 19/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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INDÍCIOS DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE DELEGAÇÃO DA ELABORAÇÃO DA DIRPF A TERCEIROS NÃO COMPROVADA. NADA A DEFERIR. Havendo evidentes indícios de fraude, quando o contribuinte faz declaração retificadora passado longo tempo da apresentação da declaração original, em razão da qual passa a fazer jus a restituição em valor elevado, não o socorre a alegação genérica de que foi iludido por profissional de contabilidade que teria elaborado a retificadora, sem fazer acompanhar suas alegações de quaisquer provas. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PEDIDO DE DEDUÇÃO DE DESPESAS RELATIVAS A PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR. IMPOSSIBILIDADE. Tendo sido apurado o montante tributável com a devida consideração de despesas que o Contribuinte alega não terem sido observadas, é de se manter o lançamento de ofício. MULTAS E JUROS. PEDIDO DE EXCLUSÃO POR INCAPACIDADE DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO PELO CARF DE EXAÇÕES PREVISTAS EM LEI. Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que os mesmos tem fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Sendo matéria de execução do crédito tributário a capacidade pagadora do contribuinte. IRREDUTIBILIDADE SALARIAL E IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS DE BOAFÉ PELO SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LIAME LÓGICO COM A HIPÓTESE DOS AUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 17 71 /2 00 9- 35 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boafé. A uma porque presentes fortes indícios de fraude, não há que se falar em boafé, a duas porque o presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL JÁ DEDUZIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO, NADA HAVENDO A PLEITEAR NESTE PARTICULAR. Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear quanto a tal aspecto. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello – Relator. EDITADO EM: 19/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls.94 e ss.) lavrada em decorrência de revisão de Declaração de ajuste Anual do imposto de Renda referente aos Exercícios 2004 a 2008, Anos Calendário 2003 a 2007, em razão de supostas dedução indevida de previdência oficial, de dependente, de despesas médicas, de pensão judicial, de despesas de instrução e de previdência privada/FAPI. Incidiu multa isolada, no percentual de 150%, sobre o imposto suplementar apurado para o anocalendário 2003, por flagrantes indícios de fraude, nos termos do relatório de fiscalização de fls.109 e ss. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 118 e ss., alegando, em síntese, que foi iludido por profissional de contabilidade que o procurou em seu local de trabalho e que apresentou, sem o seu conhecimento, DIRPF em nome do Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10280.721771/200935 Acórdão n.º 2802002.526 S2TE02 Fl. 176 3 contribuinte da qual constaram informações falsas, causandolhe prejuízo; que não agiu dolosamente, requerendo o cancelamento do débito fiscal. Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/BEL, em sessão realizada no dia 03/03/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, ao fundamento de que nos termos do artigo 135 do CTN, o preposto responde pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, mas que tal responsabilidade não exclui a do próprio contribuinte, havendo solidariedade, nos termos dos artigos 819 e 820 do RIR/99 e do artigo 1177 do Código Civil. Cientificado da supramencionada decisão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 140 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ e repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e requerendo a não incidência de juros, de modo a viabilizar o pagamento da obrigação pelo contribuinte; que sejam deduzidos da base de cálculo do imposto devido o valor relativo a contribuições para o PSSS (Plano de Seguridade Social do Servidor), por consistir em bitributação o contrário proceder; que não se pode exigir a restituição de valores recebidos de boafé pelo servidor público; que a irredutibilidade de salário veda que se imponha ao contribuinte exação que implicará em redução significativa de seus vencimentos, ameaçando o sustento de seus familiares; que o imposto está sendo exigido à vista, quando seria direito do contribuinte o parcelamento; cita decisão judicial neste sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso deve ser recebido, por tempestivo. Nos presentes autos não há qualquer elemento de prova que indique ter o contribuinte, de fato, entregue a elaboração de sua DIRPF a contador. As discussões sobre a responsabilidade de tal profissional dependeriam da prova de ter a elaboração da DIRPF sido delegada ao mesmo pelo contribuinte. Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que,a imposição dos mesmos possui fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Outrossim, nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boafé. Seria de indagar como de um momento para o outro, pela graça de uma declaração retificadora, alguém recebe mais de dez mil reais em restituição de imposto de renda, sem indagarse como isso foi possível, se a declaração original apontava imposto devido. Diante de tal quadro, pretenderse alegar a boafé ou transferir para terceiros a responsabilidade revelase mesmo espantoso. O presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho, mas apenas do fato de que parte deles deverá pelo mesmo ser desembolsado, após sua percepção, para fazer frente às obrigações para com o Fisco, como qualquer cidadão. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Questões relativas a capacidade de pagar débito, não cabem no escopo de presente administrativo, sendo matéria a ser enfrentada quando da execução da obrigação. Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear neste particular. Isto posto, nego provimento ao recurso. Carlos André Ribas de Mello, Relator. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000118/2010-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO.NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, obedecendo o art. 142 do CTN. Inexistindo tais omissões, o lançamento não pode ser considerado nulo.
FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SENAR. NECESSIDADE DE EFETIVA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA.
As contribuições arrecadadas em favor do SENAR têm como hipótese de incidência prevista pela legislação operações de compra e venda de produtos rurais, logo a contribuição somente é devida nos casos em que há real realização de tal operação, como disciplinada pelos institutos do direito privado, não podendo ser considerada aplicada a analogia ou alteração do conteúdo e alcance para justificar a aplicação.
JUNTADA EXTEMPORÂNEAS DE PROVAS. VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, a parte deve apresentar as provas que alega pretender juntar.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de cancelar e declarar insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO.NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, obedecendo o art. 142 do CTN. Inexistindo tais omissões, o lançamento não pode ser considerado nulo. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SENAR. NECESSIDADE DE EFETIVA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. As contribuições arrecadadas em favor do SENAR têm como hipótese de incidência prevista pela legislação operações de compra e venda de produtos rurais, logo a contribuição somente é devida nos casos em que há real realização de tal operação, como disciplinada pelos institutos do direito privado, não podendo ser considerada aplicada a analogia ou alteração do conteúdo e alcance para justificar a aplicação. JUNTADA EXTEMPORÂNEAS DE PROVAS. VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, a parte deve apresentar as provas que alega pretender juntar. Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de cancelar e declarar insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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Inexistindo tais omissões, o lançamento não pode ser considerado nulo. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SENAR. NECESSIDADE DE EFETIVA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. As contribuições arrecadadas em favor do SENAR têm como hipótese de incidência prevista pela legislação operações de compra e venda de produtos rurais, logo a contribuição somente é devida nos casos em que há real realização de tal operação, como disciplinada pelos institutos do direito privado, não podendo ser considerada aplicada a analogia ou alteração do conteúdo e alcance para justificar a aplicação. JUNTADA EXTEMPORÂNEAS DE PROVAS. VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, a parte deve apresentar as provas que alega pretender juntar. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 18 /2 01 0- 66 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 174 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de cancelar e declarar insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 175 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve crédito tributário de obrigação principal de contribuições ao SENAR sobre a comercialização de produtos rurais, com base em relação de notas fiscais fornecidas pela Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 06.2006 a 12.2007 de forma intercalada. A consolidação do auto de infração foi em 03.05.2010, e cientificado em 07.05.2010. Em recurso voluntário, tempestivo, apenas recorre alegando nulidade do lançamento por não ter trazido os documentos que lhe teriam baseado (art. 9º e 10 do Dec. 70.235), falta de clareza da exposição dos motivos jurídicos e fáticos do lançamento, houve pagamento de contribuições questionadas, bem como algumas das notas fiscais não representam venda de produtos rurais, mas integralização de capital e transporte (remessa) de gado para leilão. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 176 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Das Preliminares. Quanto à preliminar de aplicação direta dos artigo 9º, do Decreto n. 70.235, devido ao objeto do lançamento contribuições às terceiras entidades (SENAR), efetivamente não pode ser acolhida, por determinação do § 6º, do mesmo artigo, incluso pela Lei n. 11941/2009. Em que ele exclui dos lançamentos de contribuições a terceiras entidades a juntada de todos os documentos e laudos que lhe deram origem. Contudo, coaduno com ao respeito à necessidade de respeito art. 10, do Decreto do 70.235, contudo, verificase que no auto houve esse atendimento, estando claro o lançamento, na medida do possível, inclusive com a impossibilidade da fiscalização em obter os documentos solicitados diretamente com a contribuinte, como efetivamente relatado. Mesmo assim, houve a relação de todas as notas fiscais que basearam o lançamento, bem como os mesmos foram confrontados com os livros apresentados pelos representantes da recorrente. Ou seja, não houve prejuízo à oportunização da defesa e contraditório, pois a parte teve conhecimento, pelo menos de forma essencial, tanto que o mérito foi bem tratado. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento por suposta impossibilidade da lavratura de autos de infração de créditos oriundos de obrigações principais e acessórias, a mesma gera espécie, pois as duas obrigações, ao contrário do Direito Civil, são expressamente de naturezas e hipóteses distintas. As primeiras dizem respeito à origem e satisfação do direito do Estado em obter receita com base de tributos, a segunda é justamente o direito do Estado em obter informações tributárias do contribuinte, tudo conforme disciplina o art. 113, do CTN, o qual estabelece a desvinculação entre as obrigações. Ainda, o art. 7º, 8º e 9º, do Decreto n. 70.235, é claro em permitir a fiscalização lançar créditos tributários de naturezas diversas desde que vinculados aos mesmos fatos geradores em um mesmo ato. Assim, deixo de acolher as preliminares de nulidade do lançamento. Do mérito. Neste caso, efetivamente há elementos que deveriam ter sido observados pelo órgão de julgamento de primeiro grau. Quanto às alegações de que houve pagamento das contribuições questionadas da competência de 06/2006, verificase que houve o pagamento conforme comprovado pela GPS (fls. 60 e 61), e a relação das notas fiscais de fls. 62, mas todos os valores foram pagos por empresa diversa(Iaco Agrícola S/A) à adquirente dos produtos (recorrente). O art. 3º da Lei nº 8.315/91, artigo 2º da Lei 8.540/92 e na Lei 9.528/97, com a redação dada pela Lei Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 177 5 10.256/2001, definem o fato gerador e o responsável pela retenção e recolhimento da contribuição. No caso, as vendas representadas pelas Notas Fiscais enumeradas foram realizadas em nome da compradora, não da vendedora. Logo, não há como realizar a apropriação, sem a efetiva retificação da GPS. Quanto à incidência da contribuição sobre as transferências de produtos a título de integralização de capital, devese atentar que a transferência para fins de integralização de capital social não se enquadra na hipótese de incidência da regramatríz tributária do tributo em questão. Observese que o art. 2o. da Lei n. 8.540/1992, estabelece que o fato gerador da contribuição é a comercialização do produto rural. No caso transferência de direitos de propriedade para fins de integralização de capital, na verdade não há uma efetiva comercialização, mas sim transferência de propriedade para fazer parte de um patrimônio que o titular será o próprio sujeito que transferiu, não constituindo em comercialização que é justamente a alteração da propriedade entre sujeitos e patrimônios distintos. Conforme o Código Civil, no art. 481,compra e venda ocorre quando “um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro”, no caso em tela houve a subscrição de quotas sociais, o que, salvo desconsideração do negócio jurídico na forma do art. 148, do CTN, não pode ser considerada como uma compra e venda, assim não se trata de comercialização, sob pena de desvituarse instituto do direito privado sem devida justificativa (art. 110 e 111 do CTN). A tentativa do lançamento de equiparação da integralização do capital, quando realizada com bens, com uma comercialização, com base no art. 10, da Lei 6404/1976, desvirtua o sentido e alcance do próprio dispositivo, pois a equiparação é somente quanto à responsabilidade pela qualidade e quantidade do bem, mas não a um contrato de compra e venda, pois não há comprador. Logo neste ponto, merece acolhida o recurso voluntário. Quanto à alegação de que parte das notas fiscais de remessa de gado para leilão ou coleta de sêmen que serviram como base do lançamento, não houve demonstração de que efetivamente tais notas fiscais tinham tal fim, pois as mesmas não foram juntadas, nem foi demonstrado que o gado retornou. Assim, tornamse insubsistentes as alegações da recorrente, por falta de elementos probatórios como oportunizado pelo art. 16, do Decreto 70.235. Isso posto, voto para conhecer recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, no sentido de cancelar e declarando insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 178 6 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001516/2006-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES.
A operação societária de subscrição de ações equipara-se a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7º.e 8º. da Lei 9.532/1997).
Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária.
CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA - Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO - As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Numero da decisão: 9101-001.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Por maioria de votos, foi dado provimento em parte ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional: a) Por maioria de votos, recurso negado em relação ao ágio. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva e Plínio Rodrigues Lima. b) Por maioria de votos, recurso negado em relação a multa isolada. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). c) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação a juros sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Fez sustentação oral o advogado Giancarlo Chamma Matarazzo OAB/SP nº 163.252.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
(assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, , Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. A operação societária de subscrição de ações equipara-se a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7º.e 8º. da Lei 9.532/1997). Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária. CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA - Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO - As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Por maioria de votos, foi dado provimento em parte ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional: a) Por maioria de votos, recurso negado em relação ao ágio. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva e Plínio Rodrigues Lima. b) Por maioria de votos, recurso negado em relação a multa isolada. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). c) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação a juros sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Fez sustentação oral o advogado Giancarlo Chamma Matarazzo OAB/SP nº 163.252. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, , Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu Susy Gomes Hoffmann.
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AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. A operação societária de subscrição de ações equiparase a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7º.e 8º. da Lei 9.532/1997). Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária. CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Por maioria de votos, foi dado provimento em parte ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional: a) Por maioria de votos, recurso negado em relação ao ágio. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 15 16 /2 00 6- 64 Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.568 2 Plínio Rodrigues Lima. b) Por maioria de votos, recurso negado em relação a multa isolada. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). c) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação a juros sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. – Fez sustentação oral o advogado Giancarlo Chamma Matarazzo OAB/SP nº 163.252. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, , Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.569 3 As questões versadas nos recursos referemse a: a) possibilidade de amortização do ágio na subscrição de ações; b) concomitância da multa isolada; c) aplicação de juros sobre a multa. Para o bom entendimento destas questões, é importante entender o cerne da operação que foi o objeto da autuação. A CPQ (Casa do Pão de Queijo) Brasil S.A (contribuinte autuado) incorporou as empresas Futura Alimentos Ltda., a CNM Participações Ltda. e a ENF (Empresa Nacional de Franquias S/C Ltda). Nessa operação de incorporação, a contribuinte (CPQ Brasil S.A) manteve em seu ativo o valor do ágio existente na Futura (ágio oriundo de investimento da Futura na CNM) e amortizouo (o ágio), considerando as contrapartidas de amortização como despesas dedutíveis na apuração do lucro tributável. No fim da operação, a CPQ passou, unicamente, a concentrar a sua atuação na exploração do sistema de franquias da Casa do Pão de Queijo. Isto foi o resultado de uma reorganização societária, cujo panorama de partida era o seguinte: Os senhores Alberto Carneiro Neto e Marco Aurélio Aliberti Mammana possuíam a totalidade do capital social da empresa CNM, isto é, as pessoas físicas citadas controlavam, por meio da CNM (holding) a operação da Casa do Pão de Queijo. Esta holding, a CNM detinha a totalidade do capital (menos uma cota), das empresas ENF (empresa nacional de franquia), da Sutram Indústria e Comércio Ltda, empresa que, posteriormente, veio a ser denominada CPQ Brasil S.A (contribuinte autuada) e CPQ LTDA. Então havia o seguinte: Entendida a arrumação societária do grupo, passase a verificar a operação de alienação de participação societária. A empresa Futura Alimentos Ltda., controlada pela empresa Garuda S.A, representou esta empresa no negócio firmado com as pessoas físicas de Alberto e Marco Aurélio para aquisição de parte da CNM, em que se estabeleceu, em síntese, que: a) 55,48% do capital social da CNM seriam vendidos pelos sócios (Alberto e Marco Aurélio) para a Garuda; Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.570 4 b) a transformação da CNM em sociedade anônima; c) aumento do seu capital social no valor de R$ 10.000.000,00, a ser integralmente subscrito pela Garuda, por meio de subscrição de novas ações, o que geraria para a Garuda um ganho de percentual da CNM. Desta forma, a Futura pagou o preço das cotas da CNM a Alberto e Marco Aurélio, ingressando com a participação de 55,48% na CNM. Na mesma data (28/02/2000), a Futura também subscreveu capital da CNM no valor de R$ 10.000.000,00, com emissão de novas ações. Então a entrada da empresa Garuda na CPQ se deu por três passos: Primeiro passo – aquisição de cotas sociais da CNM pela Garuda por meio da empresa Futura. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal temse que a aquisição das cotas da CNM, compradas pela Futura de Alberto e Marco foi pelo valor inicial de R$ 7.742.219,00 e de uma nota promissória com vencimento em um ano no valor de R$ 3.724.009,00. Então após a alienação da participação societária, a estruturação societária ficou assim: Segundo passo – transformação da CNM em sociedade por ações (ata de AGE – fls. 125 dos autos). Terceiro passo – integralização pela Futura na CNM de R$ 10.000.000,00 a partir de subscrição de 103.099 novas ações. Estas ações foram subscritas com ágio de R$ 95,99 em cada ação. (Fls. 132 dos autos) Depois da integralização do capital social a estruturação societária ficou assim: (fls. 147 a 148.) Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.571 5 A Futura contabilizou parte do valor pago pela integralização das ações emitidas como ágio fundado na perspectiva de rentabilidade futura da CNM. Após tais operações, portanto, a Futura possuía ágio referente: i) à compra das participações societárias e ii) aumento de capital com subscrição de ações. Portanto, pela aquisição das cotas a Futura contabilizou um ágio no valor de R$ 11.348.011,00 e pela aquisição de ações por meio de subscrição e integralização de capital contabilizou um ágio de 7.560.683,43. O ágio total registrado foi de R$ 18.908.694,43. Na sequência, a Recorrida CPQ Brasil incorporou, pelo mesmo ato de reorganização societária as empresas Futura, CNM e ENF (documento de fls. 68 a 72 do processo). Na operação de incorporação, em que a CPQ figurou como incorporadora, esta incorporou, conforme referido, a CNM (antes, sua controladora direta) e a Futura (sua controladora, anteriormente, indireta) e a ENF. Uma vez que no ativo da CNM havia as participações controladoras na ENF e na Casa do Pão de Queijo, e que a ENF também fora incorporada pela CPQ, esta passou a ter, em seu ativo, a participação controladora da Casa do Pão de Queijo, que não fora incorporada. Desta forma, a CPQ contabilizou em seu ativo o valor do ágio existente na incorporada Futura. Leiase, o ágio proveniente da aquisição das cotas da CNM vendidas por Alberto e Marco Aurélio e o ágio na subscrição no aumento do capital, passando, com fundamento no artigo 7° da Lei n° 9.532/97, a amortizálo e a reconhecer as contrapartidas da amortização como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Após a incorporação da CNM pela CPQ, Alberto e Marco Aurélio passaram a participar do capital da CPQ, através da MCN Participações Ltda., pessoa jurídica por eles constituída. A estruturação societária ficou assim: Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.572 6 A Fiscalização procedeu à autuação, com base no entendimento de que o ágio não poderia ser contabilizado no ativo da CPQ, e que as contrapartidas das amortizações não são despesas dedutíveis. A glosa das despesas de amortização de ágio fundamentouse em duas razões: a) As incorporações feitas pela CPQ das empresas CMN e Futura foram feitas na mesma data e por meio do mesmo instrumento e, por consequência, não haveria uma ordem estabelecida para as incorporações. Daí a fiscalização entendeu que a CPQ teria incorporado primeiro a CMN e depois a Futura, e por isso, quando incorporou a Futura o investimento na CMN já teria sido deixado de existir. b) Impossibilidade de ser reconhecido o ágio na subscrição de ações. A conclusão do auto de infração é a seguinte: Concluise que a reorganização societária adotada pelos acionistas implicou uma situação não prevista pela regra de incidência do artigo 386 do RIR/99 e que não existe previsão legal que permita a dedução das contrapartidas das amortizações do ágio contabilizado pela CPQ na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Concluise também que a parcela contabilizada como ágio referente à subscrição de ações pela Futura não é verdadeiramente ágio, mas custo do investimento. Procedemos à glosa de 100% das despesas relativas às amortizações do ágio em questão, no período de março/2001 a setembro/2005, deduzidas pelo contribuinte na sua apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, conforme quadros "Apuração do valor a recolher" anexos. Do valor glosado, 100% devese ao fato de o artigo 386 do RIR/99 não se aplicar ao caso e à contabilização indevida de um ágio que deveria ter sido baixado pela Futura, conforme demonstrado nos itens Motivo 1 (a amortização do ágio não é dedutível) e Motivo 2 (o ágio não é recepcionado pelo CPQ) anteriores, e 39,99% devese contabilização como ágio do valor integralizado que na realidade é custo do investimento, conforme Motivo 3 (ágio pago na subscrição de ações) anterior. Os quadros "Apuração do valor a recolher" apresentam, para IRPJ e CSLL, os valores glosados do ágio; o resultado em cada período representado pela adição do valor glosado ao declarado pelo contribuinte e subtraído do valor compensado ou pago; o imposto a recolher; e a multa isolada pelo não recolhimento. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 658/685 dos autos alegando em síntese que: a) a operação foi legítima e legal; que haveria contradição Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.573 7 nas imputações fiscais: de um lado, de que as operações teriam ocorrido num único documento; de outro, quando confere uma ordem às operações; b) a contabilização do ágio foi regular e feita nos ditames da lei; c) que o ágio é válido na subscrição de ações. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 861/892) julgou o lançamento procedente. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001,2002, 2003, 2004, 2005 Ágio. Amortização pela Incorporadora. Dedutibilidade. Para a incidência da norma de dedutibilidade da amortização do ágio pela incorporadora, prevista no art. 386, III, do RIR/1999, em se tratando de incorporação de controladora por controlada, a participação societária tem que ser direta na incorporadora. Ágio. Subscrição de Ações. Nos termos da legislação em vigor, como parte do preço de emissão das ações, que ultrapassa a importância destinada à formação do capital social, deve integrar o patrimônio liquido da empresa investida, e que o valor do ágio é justamente apenas o que supera o valor de patrimônio liquido da investida, não integra o valor do ágio, na subscrição de aumento de capital, a parcela que representa um ganho para o próprio subscritor. Multa Isolada. Redução. Retroatividade Benigna. Em face do principio da retroatividade benigna da legislação tributária penal mais benéfica, cumpre reduzir o percentual da multa de oficio isolada, haja vista a vigência da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs Recurso voluntário (fls. 1051/1093). A antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1250/1289) deu parcial provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.574 8 poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a lei não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio liquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA: Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3° do CTN). Recurso Parcialmente Provido Em vista desta decisão houve unanimidade entre os Conselheiros no que se refere à primeira parte da autuação, isto é, sobre a forma da operação societária de incorporação. Constou do voto vencedor: Mas o legislador não parou o incentivo no caso em que a investidora absorva património de sua investida adquirida com ágio, foi além, autorizou também que se uma terceira pessoa jurídica incorpore a empresa que detinha tal participação e que tenha absorvido patrimônio a investida, ela, a incorporadora poderá continuar a amortizar o ágio ou deverá continuar a amortizar o deságio, ou iniciar obviamente se a questão temporal não houver sido implementada. Entendo que se o legislador autorizou a primeira investidora, aquela que adquiriu a participação com ágio, a que amortizasse o ágio se absorvesse o patrimônio da investida, não determinou que o investimento com ágio ficasse em uma empresa diferente daquela que absorveu o patrimônio, pelo contrário, deu isso como condição. Assim se uma terceira pessoa incorpora a investidora que tenha absorvido patrimônio de sua investida, adquirido com ágio, poderá a amortizar o ágio e deverá amortizar o deságio. O legislador não determinou uma seqüência nas operações como na análise feita pelos autores do lançamento. No caso em lide a operação em relação ao ágio na aquisição das ações foi feita dentro dos estritos ditames da lei, pois, baseado Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.575 9 em estudos que previram a capacidade deprodução de lucro, a Futura, adquiriu a participação acima do valor patrimonial, a razão do ágio foi justificada pela capacidade do conglomerado controlado pela CMN de produzir lucro futuro com o negócio de pão de queijo. Ao contrário do que disse a fiscalização, a legislação não veda a continuidade do registro da amortização quando uma terceira empresa incorpora tanto sua controladora como a controladora da controladora. Por outro lado à legislação admite claramente que a amortização possa ser feita quando a investidora for uma das empresas incorporadas, conforme artigo 386 § 6° inciso II supra transcrito. Assim não havendo legislação que proíba a CPQ Brasil S.A , sucessora universal da FUTURA, em direitos e obrigações, pode ela continuar a usufruir da amortização que vinha sendo feita na empresa incorporada. O fato da reorganização empresarial ter sido feita num único instrumento não invalida e nem impossibilita a utilização do direito. A própria fiscalização, bem como a autoridade julgadora, fl. 885, admitem que se a Futura tivesse incorporado a CMN poderia dar continuidade à amortização do ágio pela incorporadora nos termos do artigo 386111 do RIR/99. Justifica a impossibilidade por ter sido uma terceira a CPQ que não participava da relação de investimento visto que não era investida nem investidora. Ora tal proibição não consta de nenhuma norma eis que não fora citada pela fiscalização nem pela autoridade de primeira instância. Neste item em que o Acórdão foi unânime não houve a interposição de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional. Na outra parte do Acórdão em que também se deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mas neste item por maioria de votos, e que é o objeto do presente recurso especial interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, equiparouse, no voto vencedor, aquisição à subscrição, sendo possível, neste caso, a amortização do ágio, decorrente da incorporação da Futura pelo contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 1294/1299, suscitando contradição e obscuridade. Os Embargos foram acolhidos, retificandose o acórdão recorrido, para dele fazer constar, da conclusão do voto vencedor: “Ante o exposto, seguindo o voto do conselheiro relator em relação aos demais aspectos, voto para afastar também a tributação em relação à parcela de amortização mensal no valor de R$ 58.050,69 (R$ 3.483.041,38 : 60 meses), decorrente da incorporação da FUTURA pela recorrente (e oriunda da totalização da 7 (sete) subscrições da ações da CMN pela FUTURA), mantendo a glosa da amortização do inexistente Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.576 10 ágio mensal no valor de R$ 67.960,71 (R$ 4.077.642,05: 60 meses)”. Às fls. 1308/1340, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial bem como em violação à legislação tributária. Importante esclarecer, mais uma vez, que o acórdão recorrido foi unânime no que se refere ao que chamei de motivo “a” para a glosa do ágio, ou os motivos 1 e 2 expostos no TVF que, em síntese, tratam da impossibilidade de amortização do ágio, porque a fiscalização entendeu que a incorporação das empresas Futura e CMN pela empresa CPQ foi simultânea e daí presumiu que a autuada primeiro incorporou a CMN e depois a Futura; e, daí, entendeu que a lei não permitiria que a sucessora continuasse a se beneficiar da amortização do ágio. A parte do acórdão que foi por maioria de votos e em que o Relator ficou vencido versou sobre a possibilidade da amortização do ágio na subscrição de ações na investida, pois a FUTURA subscreveu R$ 10.000.000,00 na investida e deste valor indicou R$ 7.560.683,43 como ágio. O Acórdão recorrido entendeu que a lei prevê o ágio na subscrição de ações, nas palavras do Conselheiro Redator “tenho para mim que a subscrição é sim uma forma de aquisição da participação societária. A aquisição pode se dar em função de uma negociação primária, a subscrição, em que a subscritora se torna a primeira proprietária da ação, ou secundária, em que a propriedade é transmitida de um para outro acionista. A legislação que autoriza a amortização não distingue o tratamento a ser dada a uma ou outra situação.” Importante, ainda, observar que neste item a procedência foi parcial porque a Câmara manteve o lançamento fundado no entendimento de que o contribuinte teria feito um cálculo a maior do ágio da subscrição de ações. Colocou que deve ser aplicado para tal cálculo o entendimento da CVM e, por isso, entendeu que era cabível apenas o valor de R$ 3.483.041,28 como passível de amortização em 60 meses. A empresa fiscalizada, quanto a esta parte em que foi vencida, não apresentou o recurso e pagou o valor por meio de adesão à lei especial de parcelamento. Feitos estes esclarecimentos, volto ao recurso especial da Fazenda Nacional que busca a reforma do julgado por entender que é inexistente o ágio na subscrição de ações na investida. Transcrevo o principal trecho do referido recurso: 29. Senhores Conselheiros, a contrariedade à lei aqui apontada se deve à definição do alcance da expressão "aquisição" contida nas normas relativas ao beneficio fiscal de permissão da amortização do ágio pago na obtenção de participação societária. 30. A maioria se pronunciou no sentido de que, no termo aquisição, está incluída a operação de subscrição de novas Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.577 11 ações decorrentes de aumento de capital em investida da qual a adquirente já era investidora. 32. Ainda que se entenda que a interpretação a ser dada não é propriamente a literal e, sim, a restritiva, verificase que a Câmara recorrida não restringiu o alcance do termo "aquisição" no caso concreto. 33. Na hipótese em apreço, o acórdão proferido estabeleceu sentido amplo para a expressão mencionada, de modo a considerar como ágio passível de dedução o valor pago pela CNM pelo novo investimento feito, quando da subscrição e integralização das ações desta pela Futura (detentora das parcelas do ágio aproveitado pela recorrente). Com isso, contrariou não só o art. 20 do Decreto lei n° 1.598/77, como também olvidou o disposto no transcrito art. 111 do CTN. 35. Eis as razões pelas quais deve ser mantida a glosa referente ao "ágio" na subscrição do aumento de capital feito pela Futura na CNM e que foi aproveitado pela autuada.” A Fazenda Nacional também pleiteia por meio deste recurso a aplicação da Taxa Selic sobre a multa, uma vez que o acórdão recorrido entendeu que a SELIC só pode ser aplicada sobre os tributos. Requer a reforma do julgado por afronta à lei. E, finalmente, sustentou a legalidade da cumulação das multas de ofício e isolada. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1410/1437). O contribuinte interpôs recurso especial de divergência às fls. 1440/1456 para pleitear a reforma do julgado para que não incidam os juros sobre a multa de ofício. Às fls. 1515/1540, o contribuinte apresentou petição, informando o pagamento dos montantes concernentes ao IRPJ e à CSLL, devidos em face da glosa parcial do ágio na subscrição de ações, nos termos do Programa de anistia instituído pela Lei 11.941/09. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 1559/1566. É, em síntese, o relatório. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.578 12 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Os presentes recursos especiais são tempestivos. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência e por maioria. O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, possuem o mesmo objeto (incidência de juros de mora sobre a multa aplicada no lançamento) com diferentes pleitos: o contribuinte sustenta não caber juros de mora sobre a multa; e a Fazenda Nacional defende o cabimento de juros, e que estes devem ter por base a taxa Selic, em contraposição ao artigo 161, §1°, do CTN (1% ao mês), conforme estabelecido no acórdão recorrido. Deixarei para analisar estes recursos posteriormente. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o ágio na subscrição de ações Detenhome, primeiramente, no recurso especial por maioria interposto pela Fazenda Nacional, no qual esta se insurge contra a admissão da amortização do ágio na subscrição de ações no valor total de R$ 3.483.041,38, bem como contra o afastamento da multa isolada, aplicada com fundamento no artigo 44, inciso I, e §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Neste ponto, o recurso especial da Fazenda preenche todos os seus requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a Recorrente apontou os dispositivos legais que entendeu por violados: art. 44, I e seu § 1°, IV, da Lei n° 9.430/96; e artigo 20 do Decreto lei n° 1.598/77. Primeiramente, antes de proceder à analise do mérito recursal propriamente dito, pareceme relevante, por sua complexidade, trazer novamente os dados fáticos de como ocorreram as operações negociais que renderam ensejo à autuação. A CPQ Brasil S.A (contribuinte autuado) incorporou as empresas Futura Alimentos Ltda., a CNM Participações Ltda. e a ENF (Empresa Nacional de Franquias S/C Ltda) por meio de um único ato societário. Nessa operação de incorporação, a contribuinte (CPQ Brasil S.A) manteve em seu ativo o valor do ágio existente na Futura (ágio oriundo de investimento da Futura na CNM, como adiante se expõe) e amortizouo (o ágio), considerando as contrapartidas de amortização como despesas dedutíveis na apuração do lucro tributável. No fim da operação, a CPQ passou, unicamente, a concentrar a sua atuação na exploração do sistema de franquias da Casa do Pão de Queijo. Isto foi o resultado de sucessivas alterações societárias que ocorreram na forma abaixo, sinteticamente, descrita. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.579 13 Os senhores Alberto Carneiro Neto e Marco Aurélio Aliberti Mammana possuíam a totalidade do capital social da empresa CNM, isto é, as pessoas físicas citadas controlavam, por meio da CNM (holding) a operação da Casa do Pão de Queijo. Esta holding, a CNM detinha a totalidade do capital (menos uma cota), das empresas ENF (empresa nacional de franquia) e da Sutram Indústria e Comércio Ltda, empresa que, posteriormente, veio a ser denominada CPQ Brasil S.A (contribuinte autuada). Por sua vez, a CPQ Brasil S.A detinha 99,15% do capital social da Casa do Pão de Queijo Ltda. Entendida a arrumação societária do grupo, passase a verificar a operação de alienação de participação societária. A empresa Futura Alimentos Ltda., controlada pela empresa Garuda S.A, representou esta empresa no negócio firmado com as pessoas físicas de Alberto e Marco Aurélio, em que se estabeleceu, em síntese, que: a) 55,48% do capital social da CNM seriam vendidos pelos sócios da CNM (Alberto e Marco) para a Garuda; b) a transformação da CNM em sociedade anônima; c) integralização pela Futura na CNM de R$ 10.000.000,00 a partir de subscrição de 103.099 novas ações. Estas ações foram subscritas com ágio de R$ 95,99 em cada ação. (Fls. 132 dos autos) Desta forma, a Futura pagou o preço das cotas da CNM a Alberto e Marco Aurélio, ingressando com a participação de 55,48% na CNM. Na mesma data (28/02/2000), a Futura também subscreveu novas ações da CNM pelo valor de R$ 10.000.000,00. A Futura contabilizou parte do valor pago pela integralização das ações emitidas como ágio fundado na perspectiva de rentabilidade futura da CNM. Após tais operações, portanto, a Futura possuía ágio referente à compra das participações societárias e à subscrição do aumento de capital. Na operação de incorporação, em que a CPQ figurou como incorporadora, esta incorporou, conforme referido, a CNM (antes, sua controladora direta) e a Futura (sua controladora, anteriormente, indireta) e a ENF. Uma vez que no ativo da CNM havia as participações controladoras na ENF e na Casa do Pão de Queijo, e que a ENF também fora incorporada pela CPQ, esta passou a ter, em seu ativo, a participação controladora da Casa do Pão de Queijo, que não fora incorporada. Desta forma, a CPQ contabilizou em seu ativo o valor do ágio existente na incorporada Futura. Leiase, o ágio proveniente da aquisição das cotas da CNM vendidas por Alberto e Marco Aurélio e o ágio na subscrição de novas ações por meio de aumento do capital social, passando, com fundamento no artigo 7° da Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.580 14 Lei n° 9.532/97, a amortizálo e a reconhecer as contrapartidas da amortização como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. A Fiscalização procedeu à autuação, com base no entendimento de que o ágio não poderia ser contabilizado no ativo da CPQ, e que as contrapartidas das amortizações não são despesas dedutíveis. A glosa das despesas de amortização de ágio, como mencionado no relatório, fundamentaramse em duas razões: a) As incorporações feitas pela CPQ das empresas CMN e Futura foram feitas na mesma data e por meio do mesmo instrumento e, por consequência, não haveria uma ordem estabelecida para as incorporações. Daí a fiscalização entendeu que a CPQ teria incorporado primeiro a CMN e depois a Futura, e por isso, quando incorporou a Futura o investimento na CMN já teria sido deixado de existir. b) Impossibilidade de ser reconhecido o ágio na subscrição de novas ações por meio de aumento de capital. Como mencionado, o Acórdão recorrido, por unanimidade, afastou a razão indicada no item “a”. No recurso especial, a Fazenda Nacional insurgese contra o entendimento fixado, por maioria de votos, no acórdão recorrido, segundo o qual se equiparou à aquisição, para fins de amortização do ágio, computandoo como despesa, a subscrição de novas ações decorrentes de aumento de capital em investida da qual a adquirente já era investidora. Portanto, o recurso especial versa somente sobre este tema, estando superada a questão do ágio na aquisição das ações. E, sobre o tema, tenho para mim que a razão está com o acórdão recorrido. Com efeito, devese ter em mente que os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97 autorizam a pessoa jurídica a reconhecer as contrapartidas da amortização do ágio como despesas dedutíveis do IRPJ e CSLL, na absorção, em incorporação, do patrimônio de outra empresa, em que possua participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade. Eis os textos dos artigos 7° e 8°: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.581 15 II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.582 16 Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Estas normas foram regulamentadas no artigo 386 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 386 do RIR A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (lei 9.532/97, art. 7º. E Lei 9.718/98, art. 10) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Lei nº 9.718, de 1998) A questão está em que o termo “aquisição”, ressaltado nas normas, não pode ser restringido, em seu significado, apenas à compra e venda de ações, para possibilitar a amortização do ágio proveniente da aquisição da participação societária. Não há qualquer fundamento legal que enseje tal restrição, de modo a excluir a subscrição, debatida nos autos. O fundamento do voto vencido no acórdão de que a aquisição exige uma outra pessoa é, com o devido respeito, um entendimento diferente da previsão legal. A legislação possibilita que a aquisição de participação societária de uma companhia se dê por subscrição de novas ações, desde que respeitados os limites legais. Constou do voto vencido que: O termo aquisição não é sinônimo e nem se confunde com o termo subscrição. Na aquisição existem três atores, um que não detém a participação, comprador, um que detém a participação e quer alienar — vendedor — e um terceiro que é a pessoa jurídica onde se encontram os ativos representativos da participação objeto da transação. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.583 17 Já na subscrição existem apenas dois atores, a sociedade que receberá injeção de capital, e um sócio — acionista — já existente, que resolve investir na companhia. Temos então que a segunda parte da autuação, relativa ao "AGIO" na SUBSCRIÇÃO de ações, não se enquadra dentro do conceito estabelecido pelo artigo 385, pois não pode ser tratado como aquisição, nos termos da legislação. E nem essa foi a intenção do legislador eis que com o incentivo que passaremos a analisar contido no artigo 386, quis facilitar o mercado de ações, a compra e venda de companhias, não vejo nos dispositivos nenhum termo que possa a levar a entender que os incrementos de capital por parte de sócios préexistentes possam estar nele contidos. Cabe ressaltar que a IN CVM 247/96, está em consonância com a forma de contabilização estabelecida no artigo 385 do RIR199, porém nada estabeleceu sobre a equivalência do termo — subscrição a aquisição. Pelas razões acima mantenho a autuação relativa ao ágio pago na subscrição de ações, nos termos e valores contidos na decisão recorrida. Na verdade, entendo de forma totalmente diversa ao apresentado no voto vencido do acórdão recorrido, pois uma pessoa física ou jurídica, nos termos da legislação positiva, pode “adquirir” participação societária por meio de uma operação de alienação, em que há a aquisição direta da participação societária de outra pessoa física ou jurídica, ou, por meio de um aumento de capital em que há a emissão de novas ações que são subscritas pelo novo acionista, ou pelo acionista que quer aumentar a sua participação na Companhia. Para tanto cito os artigos 166 e seguintes da Lei 6.404/74, em especial o artigo 170 nos seguintes termos: Aumento mediante subscrição de ações Art. 170. Depois de realizados 3/4 (três quartos), no mínimo, do capital social, a companhia pode aumentálo mediante subscrição pública ou particular de ações. § 1º O preço de emissão deverá ser fixado, sem diluição injustificada da participação dos antigos acionistas, ainda que tenham direito de preferência para subscrevêlas, tendo em vista, alternativa ou conjuntamente: (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) I a perspectiva de rentabilidade da companhia; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) II o valor do patrimônio líquido da ação; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) III a cotação de suas ações em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão organizado, admitido ágio ou deságio em função das condições do mercado. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléiageral, quando for de sua competência deliberar sobre o aumento, poderá delegar ao conselho de administração a fixação do preço de emissão de ações a serem distribuídas no mercado. § 3º A subscrição de ações para realização em bens será sempre procedida com observância do disposto no artigo 8º, e a ela se aplicará o disposto nos §§ 2º e 3º do artigo 98. § 4º As entradas e as prestações da realização das ações poderão ser recebidas pela companhia independentemente de depósito bancário. § 5º No aumento de capital observarseá, se mediante subscrição pública, o disposto no artigo 82, e se mediante subscrição particular, o que a respeito for deliberado pela assembléiageral ou pelo conselho de administração, conforme dispuser o estatuto. § 6º Ao aumento de capital aplicase, no que couber, o disposto sobre a constituição da companhia, exceto na parte final do § 2º do artigo 82. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.584 18 § 7º A proposta de aumento do capital deverá esclarecer qual o critério adotado, nos termos do § 1º deste artigo, justificando pormenorizadamente os aspectos econômicos que determinaram a sua escolha. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) Assim, pela análise da legislação positiva, resta indubitável que a Lei 6.404/74 fez a previsão da aquisição de participação societária por subscrição de ações. Na verdade, os efeitos contábeis independem da forma como a investidora adquiriu o seu investimento, quer tenha sido por subscrição de capital com recursos financeiros ou mediante a conferência de bens ou em participações societárias. A Lei não discriminou nenhuma dessas alternativas de aquisição de participação societária e não negou, em nenhuma dessas hipóteses, a possibilidade da amortização do ágio nos casos de incorporação reversa. A origem dos recursos utilizados para aumento do capital social na empresa investidora (por exemplo, se recursos dos sócios, imóveis, subscrição de ações, contribuição de investimento em outra companhia) não é relevante no tocante a análise da dedutibilidade fiscal do ágio na empresa operacional quando esta incorpora sua investidora. Portanto, a subscrição de ações por aumento de capital é uma forma de aquisição. Não é possível categorizar ou enquadrar esta operação de subscrição de ações por meio de aumento de capital que não seja uma aquisição de participação societária, pois, também na subscrição há, ainda que indiretamente, a participação de um outro sócio (ou sócios) que passa(m) a ter a sua participação societária reduzida em razão da entrada do novo sócio ou do aumento da participação do sócio já existente. Todavia, este sócio que perde a sua participação societária quando há subscrição de novas ações e diluição de sua participação não recebe nenhum valor, porque o valor da subscrição ingressa na Companhia. E este fato é relevante: o ingresso do valor, o aporte é feito na sociedade, de tal modo que o sócio ingressante (ou o sócio ou acionista que aumenta a sua participação) não entrega o valor para os outros sócios ou acionistas, mas coloca este valor na própria sociedade com a diminuição da participação societária dos demais sócios. É certo que pode causar (ou melhor me manifestando poderia ter, no passado, causado) espanto, esta forma de aquisição de participação societária, em que a participação não é adquirida diretamente dos demais acionistas, mas sim pela diluição da participação destes acionistas na composição do capital social em razão do aumento do referido capital por meio de emissão e subscrição de novas ações, mas esta é uma previsão da Lei 6.404, ou seja, devidamente positivada em nosso sistema. Importante registrar que o valor da subscrição que ingressa no capital social não é destinado aos acionistas, por isso que não se pode tratar de uma alienação de ações. Se o capital social ingressou para a Companhia por meio de subscrição de ações não há que se falar em alienação, mas em subscrição; entretanto, as duas caracterizamse como meio de aquisição de participação societária; a primeira direta do comprador para os sócios/acionistas, a segunda com o ingresso do numerário na empresa e com a diminuição da participação societária dos demais sócios. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.585 19 Entretanto, este evento é, indubitavelmente, uma forma de aquisição de participação societária. E se estas ações foram subscritas com ágio, este ágio terá o mesmo tratamento do ágio pago na aquisição de participação societária ocorrida por meio de uma operação de compra e venda de ações. Foi este o teor do voto vencedor constante do Acórdão recorrido: Com efeito, tenho para mim que a subscrição é sim uma forma de "aquisição" de participação societária. A aquisição pode se dar em função de uma negociação primária, a subscrição, em que a subscritora se toma a primeira proprietária da ação, ou secundária, em que a propriedade é transmitida de um para outro acionista. A legislação que autoriza a amortização não distingue o tratamento a ser dado a uma ou outra situação. Concretamente, o ágio é a parcela do preço de aquisição de um bem que supera o seu valor contábil. Esse sobrepreço pode ser apurado tanto em uma emissão primária, quanto em uma negociação secundária, mas a forma de cálculo é diferente em cada uma das hipóteses. Isso porque, no caso da subscrição, parte do sobrepreço pago reverte em beneficio do próprio subscritor, na medida em que valoriza as ações que já são de sua propriedade. Ainda neste mesmo sentido que foi trazido pelo Voto Vencedor, partilho do entendimento do ilustre professor Ricardo Mariz de Oliveira, extraído do parecer presente às fls. 1204/1248: “Outrossim, a alusão, aqui feita, a aquisição, abrange todo e qualquer ato ou negócio jurídico pelo qual uma participação societária, nas condições do art. 20 do Decretolei n. 1598, venha para o ativo permanente da pessoa jurídica que passa a participar do capital de uma coligada ou controlada, ou pelo qual seja aumentada a participação antes já existente. Ademais, o art. 7° da Lei n. 9532 alude expressamente ao referido art. 20, de tal arte que, se este disciplina tanto os ágios pagos na aquisição de uma participação societária quanto os pagos na subscrição de um aumento de capital, o tratamento â amortização de ambos é o previsto, sem distinção, pelos art. 7° e 8° daquela lei. Ou seja, esses dois dispositivos albergam indistintamente três possíveis situações, a saber: ágio pago na aquisição de participação societária (inclusive de controle) por meio de aquisição de quotas ou ações pertencentes aos antigos sócios ou acionistas; ágio pago na aquisição de participação societária (inclusive de controle) por meio de subscrição de capital novo; Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.586 20 ágio pago na aquisição de participação societária (inclusive de controle) pelas duas vias anteriores, isto é, parte paga aos antigos sócios ou acionistas e parte a pessoa jurídica. Não havendo na lei qualquer discriminação entre uma e outra situação, em cada caso as partes envolvidas são livres para pactuarem o que for mais condizente aos interesses dos sócios ou acionistas e da pessoa jurídica, ou melhor, o que for mais adequado às circunstâncias econômicas e empresariais existentes.” De fato, não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Podese dar, como na hipótese, pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de “participação societária adquirida”. Não se vislumbra, portanto, a alegada violação ao artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/77. Neste dispositivo, também, o termo aquisição não aponta para qualquer restrição do seu significado. Na mesma linha, o artigo 385 do RIR/99 esclarece o tratamento tributário que deve ser dado pelo contribuinte à participação societária adquirida, qualquer que seja a forma de aquisição, o que inclui a subscrição de capital. Uma vez que a controlada incorpore sua empresa controladora, aplicarseá o disposto na Lei 9.532/97 e o ágio será dedutível. Caso o legislador quisesse excluir cada uma dessas formas de aquisição de participação societária do tratamento tributário disposto nos artigos 385 e 386 do RIR o teria feito na própria Lei. Ocorre que é esperado que a regra legal alcance todas as hipóteses equivalentes de forma homogênea, garantindo um tratamento isonômico aos contribuintes a elas sujeitos. Não é relevante para a amortização do ágio a origem dos recursos investidos: se já estavam na empresa, ou se derivam de subscrição de capital, ou se decorrem da contribuição de bens e direitos em aumento de capital. O que importa é que, em todas essas hipóteses de aquisição de participação societária, a posição patrimonial da investida e da investidora é equivalente e não há razão para não permitir a fruição do benefício de amortização do ágio após realizada a incorporação reversa. Desta forma, o termo aquisição abrange a subscrição de ações, ensejando, legitimamente, a amortização do ágio, reconhecendo a sua contrapartida como despesas dedutíveis. Importante salientar que o CARF tem se manifestado, ainda que indiretamente, sobre o tema, com inúmeros julgados, por suas Turmas Ordinárias neste mesmo sentido. Cito, a título de exemplo, os seguintes acórdãos: 1301000.711 (Caso Tele Norte); 140200.802 (Caso Santander); 140200.993 (Caso Cosern); 120100.689 (Caso CELPE); 920200.662; 110100.354; 120100.548 (Caso Ale); 110100354 (Caso Vivo); 101 96.125 (Caso Coinbra); 140200.342 (Casp DAS); 110100.708. Em todos estes casos na reorganização societária houve o ágio na subscrição de ações das respectivas Companhias, sendo esta subscrição de novas ações Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.587 21 também uma forma de aquisição, observando que neste caso o ágio vem pela subscrição de valores acima do valor das ações. Ainda, cabe registrar que foi citada no Voto Vencedor do Acórdão Recorrido, a Nota Explicativa à Instrução CVM n. 247/96, que em seu item 7 assim dispõe: Até algum tempo atrás, era entendimento de muitas pessoas que o ágio e o deságio somente surgiam quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação direta entre vendedor e comprador). Hoje, entretanto, já existe o entendimento de que o ágio ou o deságio pode também surgir em decorrência de uma subscrição de capital. Em um processo de subscrição de ações, quando há alteração no percentual de participação, o entendimento era de que a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações constituía uma perda de capital na investidora (e um ganho na empresa cuja participação estava sendo diminuída), e essa perda/ganho deveria ser contabilizada, no resultado não operacional, como variação de percentual de participação. Posteriormente, verificouse que quando essa parcela subscrita decorre, por exemplo, da subavaliação no valor contábil dos bens, existe a figura do ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros. Ou seja, na própria nota explicativa já ficou descrito o entendimento atual de a subscrição de ações é uma forma de aquisição. Notese que tanto não há dúvidas sobre o fato de que a subscrição de novas ações num aumento de capital social é uma forma de aquisição, que o pronunciamento número 15 do CPC (comissão de procedimentos contábeis), no item 7, traz expressamente a menção à subscrição de novas ações como meio de aquisição de participação societária. Para maior clareza cito os itens 5, 6 e 7 do citado Pronunciamento: Registro Contábil de uma Operação de Combinação de Negócios 5. Na data da combinação de negócios (data da aquisição), os registros contábeis devem refletir os efeitos decorrentes da transação a que se refere, observandose os itens 6 a 12 a seguir. 6. Na adquirente, o montante do investimento adquirido decorrente de aquisição de participações societárias ou incorporação de ações deve ser registrado nas contábeis individuais da adquirente, segregado entre investimento e ágio: (a) investimento, representado pela percentagem adquirida aplicada sobre o patrimônio líquido determinado a valor justo da entidade adquirida. Antes do ajuste do saldo do investimento, os ativos e passivos da entidade adquirida devem ser ajustados, pela adquirente, ao valor justo, inclusive os itens (como exemplo, ativos intangíveis) registrados originalmente pela entidade adquirida, mas que são reconhecidos pela adquirente como consequência de uma transação de combinação de negócios, na data da aquisição da participação societária ou da incorporação das ações. Considerando que nos registros contábeis originais da entidade adquirida os ativos e passivos permanecerão registrados pelos valores históricos, sem que sejam refletidos os ajustes a valor justo, a entidade adquirente deverá identificar todos os itens que resultem em diferenças entre os valores contábeis e os valores justos, para fins de controle de realização, amortização ou baixa nos seus registros contábeis. Subsequentemente, quando realizadas, as diferenças decorrentes de ajuste a valor justo devem ser registradas, nas demonstrações contábeis da adquirente, como item de resultado de equivalência patrimonial, em adição ao valor de equivalência patrimonial capturado diretamente das demonstrações contábeis da entidade adquirida, cujo resultado foi produzido com base nos valores históricos que ficaram registrados na entidade adquirida. (b) ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), representado pela diferença positiva entre o valor pago (ou valores a pagar) e o montante líquido do valor justo dos ativos e Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.588 22 passivos da entidade adquirida. Subsequentemente, a realização das diferenças decorrentes de ajuste a valor justo, assim como as eventuais perdas por redução ao valor recuperável, devem ser registradas, nas demonstrações contábeis da adquirente, como item de resultado de equivalência patrimonial, em adição ao ajuste de equivalência patrimonial capturado diretamente das demonstrações contábeis da entidade adquirida, cujo resultado foi produzido com base nos valores históricos que ficaram registrados na entidade adquirida. (c) Na eventualidade de se apurar deságio, o registro contábil deve ser feito conforme previsto no item 28 a seguir. Em seu reconhecimento inicial, a soma dos valores apresentados em 6a e 6b acima deve corresponder ao valor justo total dos pagamentos efetuados, ativos transferidos, títulos emitidos e considerações a pagar como conseqüência da operação de combinação de negócios. 7. O critério contábil descrito no item 6 aplicase, também, quando a aquisição de participação societária ocorrer por meio de subscrição de ações, tanto para um novo acionista e/ou cotista quanto para aquele que aumentar a participação atualmente existente. E, ainda, verifiquese, para melhor fundamentar este voto, as lições extraídas do “Manual de Contabilidade Societária” (editora Atlas, Sérgio de Iudícius, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos), ps. 196 e SS: 10.7.6 Ágio na subscrição Em tópicos anteriores vimos: As variações na porcentagem de participação nos aumentos de capital podem gerar diferenças no valor patrimonial do investimento, avaliados por equivalência patrimonial, oriundas das diluições (ou concentrações) de participações de certos acionistas. Essas diferenças, como analisado no item 10.4.4, são tratadas como resultado abrangente (ganho ou perda) e contabilizadas diretamente no patrimônio líquido da investidora; Por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 10.7 que pode surgir mais valia ou ágio (ou deságio) na obtenção de influência ou controle quando uma empresa já existente (pagando por estas um valor acima de seu valor patrimonial). Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar maisvalia e ágio (ou deságio) na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento adicional e o valor patrimonial do aumento da participação, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa M) de uma empresa N resovem admitir novo acionista (Empresa Z) sem perder o controle pela emissão de novas ações a serem subscritas pelo novo acionista, dado que o primeiro declinou do seu direito de exercício (...) Vejamos o seguinte A empresa M possui 100% do capital da Empresa N, sendo que em 313X1 resolve admitir um novo acionista da Empresa Z através da subscrição de novas ações. Os dados contábeis das empresas M e N antes da subscrição das novas ações são: Empresa N antes da subscrição Capital social (4.000 ações $150 cada) $ 600.000 Reservas de Lucros $ 200.000 Total do PL $ 800.000 Valor patrimonial por ação= $ 200 ($800.000/4.000 ações) Empresa M antes da subscrição Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.589 23 Investimento na controlada N Valor Patrimonial $ 800.000 (100% x $ 800.000) A Empresa Z efetua subscrição de 1.000 ações por $ 250 cada uma. O Patrimônio Líquido da Empresa N teria agora uma conta de Reservas de Capital Ágio de Subscrição de Ações no valor de $ 100.000, proveniente da diferença entre o preço pago e o valor nominal das ações [1.000 ações x ($250 $150)]. Empresa N após a subscrição Capital Social [5.000 ações a $ 150 cada] $750.000 Reservas de Capital: Ágio na Subscrição das Ações $ 100.000 Reservas de Lucros $ 200.000 Total do PL $ 1.050.000 Valor Patrimonial por ação = 4 210 [$ 1.050.000/5.000 ações] A participação da empresa M passa de 100% para 80%, pois agora ela possui 4.000 ações de um total de 5.000; então o novo valor patrimonial do investimento seria: Empresa M após a subscrição Investimento na Controlada N Valor Patrimonial $ 840.000 [80% x $ 1.050.000] Note que, se não fosse pago ágio na subscrião de ações pela Empresa Z, o efeito da diluição de 20% na participação relativa da Controladora M levaria a uma perda de $ 40.000 [$ 800.000 ($950.000 x 80%)]. Contudo, como houve o pagamento de $ 100.000 de ágio na subscrição das ações, a Controladora M automaticamente leva 80% desse aumento do patrimônio líquido da Controlada N (ou seja, tem um ganho de $ 80.000). O efeito final é um ganho de $ 40.000 [$ 80.000 $ 40.000], que é justamente a diferença entre o saldo atual e o anterior da subconta do valor patrimonial do investimento na Controlada N [Ajustes de Avaliação Patrimonial, em subconta de variação na Participação em Controladas). Afinal, não se trata de desempenho (lucro ou prejuízo) da investida, e sim transação entre os sócios. Caso exista saldo remanescente nas subcontas de maisvalia, a Controladora M também deverá fazer os ajustes correspondentes, atribuindo aos não controladores (no exemplo, a Empresa Z) a parte que lhes cabe. Para esclarecer a questão, é pertinente citar o disposto nos itens 30 e 31 da CPc 36 Demonstrações Consolidadas: 30. As mudanças na participação relativa da controladora sobre uma controlada que não resultem em perda de controle devem ser contabilizadas como transações de capital (ou seja, transações com sócios, na qualidade de proprietários). 31. Em tais circunstâncias, o valor contábil da participação da controladora e o valor contábil da participação dos não controladores devem ser ajustados para refletir as mudanças nas participações relativas das partes na controlada. Alguma diferença entre o montante pelo qual a participação dos não controladores foi ajustada e o valor Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.590 24 justo da quantia recebida ou paga deve ser reconhecida diretamente no patrimônio líquido atribuível aos proprietários da controladora. Apesar de o CPC 36 ser aplicável para elaboração das demonstrações consolidadas, essa observação é relevante, pois nas demonstrações individuais da Controladora devem ser feitos os registros contábeis de forma uniforme e consistente com o procedimento e a política contábil das suas demonstrações consolidadas. Ademais, não se pode, consoante o meu entendimento, sugerir que neste caso, deveria ser aplicada a regra prevista no artigo 111 do Código Tributário Nacional que determina que “interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção e III – dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias”. E, não pode ser utilizado o artigo 111 porque seria inútil a sua aplicação. Primeiro porque a utilização do ágio não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no referido artigo. Segundo porque o termo “aquisição” para fins de aquisição de participação societária está previsto na Lei 6.404/76 com as alterações da Lei 9.457/1997, de tal forma, que não há que se cogitar de interpretação do termo, pois a lei já fez a previsão de seu conteúdo e alcance. Terceiro, o termo aquisição não requer que a aquisição seja direta ou indireta, de tal forma, que a participação societária, como a lei positiva prevê, pode ser adquirida diretamente dos sócios ou acionistas (estes recebendo o preço) ou, indiretamente, por meio de subscrição de novas ações, quando o valor/preço ingressa na sociedade com a diluição da participação societária dos demais sócios ou acionistas. Assim, para concluir, entendo que por todo e qualquer ângulo que se analise o tema, a única conclusão possível é de que na legislação vigente, a subscrição de ações é uma forma de aquisição de participação societária, prevista, especialmente pela Lei 6.404/76 e que o ágio pago pela empresa que adquiriu as ações pode ser objeto de amortização fiscal desde que preenchidos os demais requisitos legais. Em vista do acima exposto, e da firme jurisprudência do CARF, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, afastando o lançamento quanto ao tema da possibilidade do aproveitamento do ágio quando a participação societária é adquirida por meio de subscrição de ações. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a multa isolada simultânea à multa de ofício Ainda analisando o recurso especial por maioria, concernente à aplicação da multa isolada, já possuo entendimento firmado a respeito. A questão é: admitese a imposição simultânea de multa de ofício e de multa isolada? Não haveria, na hipótese bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.591 25 sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. Na hipótese, o recorrente sustenta que as multas em questão decorrem de infrações diversas: a multa de ofício, das infrações às regras de determinação do lucro real; a multa isolada, decorrente do descumprimento do modo de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada. Óbvio, no entanto, que ambas as infrações são resultado de um fato comum, que pode caracterizar, abstratamente, mais de uma infração, o que não descaracteriza o bis in idem. É nesse sentido que tem entendido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando enfrenta o tema e para tanto cito os números de acórdãos que referendam o entendimento por mim adotado: acórdãos nº 110200.748 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Primeira Seção de Julgamento do CARF; nº 140200.947 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF; Acórdão nº 9101001.261 – 1ª Turma da CSRF Diante disso, em face da inequívoca configuração do bis in idem, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida neste ponto. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a aplicação dos juros sobre a multa com base na Selic e Recurso Especial do Contribuinte sobre a não incidência do juros sobre a multa de ofício. Passo a analisar, finalmente, os recursos de divergência do contribuinte e da Fazenda Nacional, ambos com o mesmo objeto: a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Deles conheço, pois que caracterizada a divergência jurisprudencial. Sobre o tema, há grande discussão. O meu entendimento segue no sentido de que, sobre a multa de ofício, não incidem juros de mora. Como muito bem sustentado em sessões anteriores pela Nobre Conselheira Karem Jureidini Dias, adoto o seu posicionamento esposado no Acórdão 9101001191 que ora transcrevo: No tocante à incidência de juros sobre a multa de ofício, não obstante ter sido vencida na última sessão, mantenho meu voto, o qual reproduzo abaixo. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.592 26 Cumpre inicialmente fazer uma análise da legislação que regula a matéria. A aplicação de taxa de juros lastreada em indicadores do mercado financeiro foi, inicialmente, determinada pela Lei n° Lei n° 8.981/95, por meio do art. 84, que assim dispunha: Art 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.) A taxa referida pelo artigo 84 da Lei nº 8.981/95 foi substituída pela taxa SELIC, conforme se verifica pela leitura do disposto no artigo 13 da Lei n° 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por fim, a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, leiase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições. A d. Porcuradoria da Fazenda Nacional defende que a multa de oficio também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. No entanto, este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados – Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão nº 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo – interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, asseverou o seguinte: “Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.593 27 decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que juros de mora só incidem sobre as multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A meu ver não poderia ser outra a conclusão e, nesse ponto, reforçoa a partir de duas premissas básicas. A uma, tributo não se confunde com penalidade, porquanto o ordenamento jurídico é regido sistemicamente pelos códigos lícito/ilícito e claramente assevera que o tributo é devido por motivo lícito, sendo jamais cobrado por motivação ilícita. A ilicitude não é per si suporte fático tributário. Já a penalidade é devida em razão da prática de uma ilicitude, por exemplo, pelo pagamento em atraso, pelo não pagamento ou pela não declaração. É bem verdade que o crédito tributário pode corresponder à cobrança de um tributo ou de uma penalidade, mas é o ordenamento jurídico que diz quando ele toma para incidência de juros de mora o tributo ou a penalidade, ou ambos. A duas, porque o crédito tributário não pode ser cobrado senão ex lege, cumprindo ao julgador preservar o direito subjetivo do contribuinte de ser cobrado apenas e tão somente na medida da lei, que deve ser interpretada segundo todo o contexto jurídico em que inserida. Ora, é nesse contexto que vislumbramos que o ordenamento tratou, para efeito de incidência dos juros de mora calculados à taxa SELIC, o termo débitos para com a União (artigo 61 da Lei nº 9.430/96), quando decorrente de tributos e contribuições, não abarcando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, ao mesmo tempo em que tratou da incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (artigo 43 da Lei nº 9.430/96) que formaliza exigência exclusiva de multa ou juros de mora cobrados isoladamente ou estes em conjunto. Enfim, a distinção é clara. Incide juros de mora sobre tributo, aí incluídas as contribuições, e sobre os lançamentos exclusivamente de multa (isolada) e/ou juros de Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.594 28 mora. Com relação à interpretação dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, importante, ainda, apontar relevante consideração feita em alguns julgados deste Conselho Administrativo (por exemplo no Acórdão nº 10422.508, sessão de 13/06/2007), no sentido de que “se a expressão ‘débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições’ constante no ‘caput’ do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do ‘caput’ do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.” Por fim, peço vênia também para reproduzir as conclusões da Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 110200.060 (sessão de 28/08/2009), que resumem os argumentos que concluem pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.595 29 De mais a mais, a fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: "JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005)". "JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007)”. “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008)”. Com efeito, o Código Tributário Nacional trata da incidência de juros de mora em seu artigo 161, segundo o qual: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei n° 9.430/96, a seu turno, em seu artigo 61, estabelece que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.596 30 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Vêse, portanto, que a Lei n° 9.430/96 prevê expressamente, em consonância com a previsão geral do artigo 161 do CTN, que os juros de mora somente incidem sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Tributos e Contribuições não possuem a mesma natureza de multa, não obstante ambos originem crédito tributário. O artigo 3° do CTN deixa isto claro, ao prever que: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Penalidade não é tributo, de sorte que os juros de mora não podem incidir sobre a multa, mas apenas sobre crédito tributário concernente a tributos e contribuições. Desta forma, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e dou provimento ao recurso do contribuinte, para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É como voto. Sala das sessões em, 15 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann, Relatora. VOTO VENCEDOR QUANTO AO TEMA DOS JUROS SOBRE A MULTA Tendo acompanhado a Ilustre Relatora pelas conclusões em relação ao mérito em seu bem fundamentado voto e, discordado quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o qual entendo devido quando pago fora de prazo, fui Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.597 31 então designado para redigir o voto vencedor quanto a esta matéria, e para isso, transcrevo os diversos dispositivos legais que trataram e tratam da incidência e cobrança de juros de mora, para logo após, tecer minhas considerações que me levaram pela procedência de sua exigência. Vejamos os dispositivos legais: Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.598 32 Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) Da leitura dos dispositivos legais ora transcritos, depreendese claramente que os legisladores definiram, como base de incidência de juros de mora ora, exclusivamente, “tributos e contribuições” (até o advento da Lei 8.981/95), e posteriormente estendendo sobre os “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União” (a partir da Lei n. 9.430/96) e, débitos de qualquer natureza, no meu entender, esta incluída a multa de ofício. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. Por sua vez, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da sua falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por seu turno, o § 1o do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não paga no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora calculados com base na taxa Selic acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.599 33 Na verdade, o que se extrai de toda essa legislação é que o legislador, cessada a correção monetária, quis fazer incidirem os juros de mora também sobre a multa por lançamento de ofício, eis que sua cobrança representa uma compensação pela não disponibilização do valor do débito não recolhido no devido tempo. De forma genérica, correspondem a uma compensação por um empréstimo ou pela utilização do capital de terceiros, os quais, no caso de demora no pagamento de obrigações de natureza tributária têm a mesma natureza, a mesma finalidade: compensar, atualizar, equilibrar, ressarcir as perdas sofridas pelo Fisco, ou seja, seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Portanto, em relação a esta matéria, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, para manter a exigência dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício não paga no seu vencimento, calculados com base na taxa Selic. É como voto. Sala das sessões em, 15 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11080.723165/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, que deverão ser auditados pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
Assinado digitalmente
ALICE GRECCHI Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 163 1 162 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723165/200973 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2102000.160 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de outubro de 2013 Assunto Diligência Recorrente NAIR HELLER DE BARROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, que deverão ser auditados pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. Assinado digitalmente ALICE GRECCHI – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 16 5/ 20 09 -7 3 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 164 ___________ Relatório Contra NAIR HELLER DE BARROS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 96/100, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda São Miguel, com área total de 1.294,5ha (NIRF 3.255.5920), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 496.112,12, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 27/11/2009. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa parcial da área de preservação permanente, glosa total da área ocupada por benfeitorias e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2006 Declarado Apurado na Notificação de Lançamento 03Área de Preservação Permanente 700,0 ha 333,0 ha 08Área Ocupada com Benfeitorias 320,0 ha 0,00 ha 16Valor da Terra Nua R$ 900.000,00 R$ 3.713.182,64 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls.49/74, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0425.974, de 19/09/2011, fls.107/116: Preliminar Suscita invalidade do lançamento pois entende que não ficou configurada a ocorrência das hipóteses autorizadoras do uso da técnica do arbitramento (omissão do sujeito passivo, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas art. 10 § I, inc. I e art. 14, ambos da Lei 9.393/96), uma vez que a interessada apresentou o D1AT. Complementa argumentando que restaram omissos, na notificação de lançamento, os fundamentos de fato e de direito infringidos, o que afronta o princípio da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e o art. 10 do Decreto 70.235/72, em conformidade com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme ementas transcritas na peça impugnatória. Reforça que constitui ônus do Fisco a prova quanto à inveracidade dos dados tributários declarados pelo sujeito passivo que autoriza a adoção do arbitramento, conforme preceituam os considerandos e o art. 2º do Decreto 83.936, instituidor do "Programa Nacional de Desburocratização", o art. 14 da lei 9.393/96 e o art. 10 § 7º da Lei 9.393/96 com a redação da MP 216667. Mérito Afirma, com base no levantamento georeferenciado, protocolocado no INCRA, que a área de preservação permanente (APP) é de 448,7332ha. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 165 3 Afirma também, com base em laudo técnico emitido por profissional habilitado, que a área ocupada com benfeitorias é de 317,0 ha, a qual foi reconhecida pela Receita Federal em relação ao exercício 2005. Pretende, com base nisso, que seja considerada aproveitável a área de 528,77 ha, correspondente à área total de 1294,5 ha menos APP de 448,7332 ha e área ocupada com benfeitoria de 317,0 ha. Alega que incorreu em erro de fato no preenchimento da DITR ao informar a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel era de 682 cabeças, conforme comprovam os formulários de controle de vacinação do gado e os registros contábeis da impugnante. Acrescenta que a média de animais de grande porte no exercício em questão foi de 892 cabeças de gado, sendo que, deste total, 210 cabeças de gado foram informadas na DITR do imóvel identificado pelo NIRF 610042749, restando, no imóvel em questão, 682 cabeças. Diante disso, a área de pastagem utilizada, considerando o índice de lotação de 0,70, seria de 974 ha. Considerando que ficou comprovada que a área aproveitável é de 528,77 ha, o grau de utilização adotado no lançamento deve ser alterado de 28,60% para 100% e a alíquota de 8,60% para 0,30%. Ainda que seja mantida a área aproveitável apurada no lançamento de 961,5 ha, o grau de utilização deve ser alterado para 100% à vista do número de cabeças de animais ora comprovados. Pedido Pede pela realização de diligência e de perícia para comprovar a alegação de que a quantidade de cabeça de animais apascentados no imóvel era 682. Para tanto, indica perito e formula quesitos. Pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja reconhecida a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário lançado. A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação. Cientificada da referida decisão, por via postal, em 21/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 119, a contribuinte apresentou, em 21/11/2011, recurso voluntário, fls.120/144, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 166 4 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que neste voto somente será aqui apreciada a possibilidade de acolhimento de novas provas, as quais somente foram apresentadas juntamente com memoriais distribuídos aos membros desta Turma em 15/10/2013. Por entender pertinente, devese dizer que este recurso esteve em julgamento na sessão plenária desta Turma, realizada em 18/09/2013 e que naquela ocasião depois de lido o relatório, feita a sustentação oral e proferido o voto desta relatora foi concedida vista para a Conselheira Alice Grecchi. Em razão da mudança da composição da Turma, houve nova sustentação oral, na sessão plenária realizada em 15/10/2013, sendo certo que em ambas as ocasiões – sessões de outubro e novembro de 2013 – a defesa fez a distribuição de memoriais. Ocorre que na sessão de 15/10/2013 os memoriais apresentados vieram acompanhados de novas provas, que segundo a defesa fariam a comprovação da área ocupada com benfeitorias e da área de pastagens. Veja que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a fazer a comprovação da área de 320,0 ha ocupada com benfeitorias, informada em sua DITR/2006. Na falta de tal comprovação a autoridade fiscal glosou integralmente tal área. Quando da apresentação da impugnação, a contribuinte juntou aos autos Laudo Técnico, fls. 83/85, específico sobre as áreas ocupadas com benfeitorias, que foi rechaçado pela decisão recorrida por referirse a situação do imóvel em 03/10/2007, deixando de especificar as benfeitorias existentes no ano de 2006 e também porque o laudo menciona a existência de barragem de 300 ha, destinada à irrigação da cultura de arroz, cultura, esta, não informada na DITR/2006. No recurso, a contribuinte, em suma, insiste em afirmar que o Laudo apresentado juntamente com a impugnação seria suficiente para o acolhimento da área ocupada com benfeitorias, sendo certo que nenhuma outra prova foi apresentada, seja quando da apresentação do recurso ou nos primeiros memoriais, entregues aos membros do Colegiado, na sessão realizada em 18/09/2013. Somente na sessão realizada em 15/10/2013, a defesa juntou aos memoriais, cópia de mapa, que seria datado de 1968, onde consta a indicação dos limites e da área da bacia do açude em questão. Já no que se refere à área ocupada com pastagens, a contribuinte em sua impugnação informou que incorreu em erro de preenchimento da DITR/2006, de modo que pretende ver retificada a área de pastagens de 274,5 ha para 974 ha, posto que teria informado a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças. Contudo, nenhuma documentação que comprovasse sua alegação foi juntada aos autos, seja na impugnação, no recurso ou quando da apresentação dos memoriais distribuídos aos membros do colegiado na sessão de 18/09/2013. Mais uma vez, a defesa apenas procurou demonstrar o erro de fato alegado nos memoriais distribuídos na sessão de 15/10/2013, ocasião em que apresentou duas Fichas de Registro de Vacinação e Movimentação de Gados, em nome da contribuinte. Ocorre que o nome do estabelecimento ali indicado é Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 167 5 Parceria Butiá, que difere da denominação do imóvel em questão – Fazenda São Miguel – e também o endereço que consta nas Fichas não coincide com o endereço do imóvel auditado. Frisese que nas referidas fichas não há indicação de carimbos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, tampouco protocolos de entrega. Por oportuno, devese examinar o que estabelece o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, no que diz respeito à apresentação de provas: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) Como se vê, o contribuinte deve juntar à sua impugnação os documentos que fundamentam suas alegações, não havendo previsão legal para concessão de prazo para apresentação de provas após a impugnação, ressalvados, apenas, os casos previstos no parágrafo 4° acima transcrito. Importante dizer que em nenhum momento a contribuinte demonstrou a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo relevante dizer que a área ocupada com pastagens, sequer foi objeto do lançamento. Ora, se a contribuinte queria ver retificada sua DITR/2006, deveria ter juntado aos autos todos os documentos que estivessem em seu poder quando da apresentação da impugnação, sendo totalmente descabida a aceitação de documentos relacionados à retificação da DITR em memoriais entregues aos membros do Colegiado, quando da segunda vez que o recurso esteve em apreciação por esta Turma. É usual a afirmação de que no processo judicial vige o princípio da verdade formal e de que no processo administrativo impera o princípio da verdade material. Contudo, com o crescente enrijecimento do processo administrativo – operado por disposições como a que prevê prazos preclusivos para a apresentação de provas , há hoje o reconhecimento de que a verdade material é um mito em qualquer seara, e que o julgador, seja o judicial ou seja o administrativo, na expressiva maioria das vezes acaba chegando apenas a um juízo de verossimilhança, a uma verdade parcial, portanto, a uma verdade que é verdade a partir da realidade restrita dos autos que compõem fisicamente o processo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 168 6 Há que se dizer que não há dúvidas de que o processo administrativo é informado pelos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Mas parece haver um certo exagero na afirmação de que a limitação temporal à produção de provas macula tais princípios. É certo que no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes. Ocorre, porém, que tal dever atribuído ao julgador, não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental. A rigor, a verdade material está associada ao poder do julgador de ir para além das versões de fato defendidas pelas partes com base nas provas que produziram tempestivamente. O julgador pode ir para além das provas trazidas tempestivamente, quando entender que elas não espelham a realidade dos fatos. Mas esta prerrogativa, que é do julgador, não deve ser base para o estabelecimento de uma prerrogativa das partes (tanto contribuinte quanto Fazenda Nacional) que extrapola, de forma injustificada os limites de restrições temporais legalmente postas. De outro lado, tratase aqui, também, de compulsar outros princípios de igual monta, como os da razoável duração do processo e do duplo grau de jurisdição, corolário este da ampla defesa, bem como o de tutelar o objetivo de que o processo não seja utilizado como meio de dilação injustificada do litígio. É bem verdade que diante de situações nas quais não se vislumbra prejuízo para o curso normal do processo e que envolvem a apresentação de um documento que, por si só, atesta de forma concludente e definitiva a invalidade do lançamento independentemente de cognição mais aprofundada e da realização de diligências para atestar sua veracidade ou conteúdo, poderia tal apresentação ser considerada válida quando efetuada a destempo. Contudo, se as provas juntadas posteriormente à impugnação compõemse, como é o caso, de documentos que apenas indiretamente atestam a versão da defesa, demandando, por conta disto, desdobramentos processuais complementares para sua análise, e com isto atrasando de modo desmesurado o julgamento, só poderia ser acatada a juntada de tais provas fora do prazo legal, caso a parte demonstrasse a ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais previstas no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não há dúvida, que no presente caso, as provas apresentadas em memoriais não demonstram de forma inequívoca as alegações da defesa. Aliás, tais provas são apenas indiciárias, demandando a realização de diligências complementares, de modo que não podem ser acolhidas, pelas razões acima expostas. Nestes termos, voto no sentido de que o documentos apresentados em memoriais distribuídos na sessão de 15/10/2013 não sejam apreciados e, também pela não realização da diligência suscitada pela divergência, que foi acolhida pela maioria desta Turma. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 169 7 Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Relatora designada. Com a devida licença da nobre relatora da matéria, Conselheira Núbia Matos Moura, quanto à possibilidade de juntada de novas provas, não posso acompanhála no entendimento, em homenagem ao princípio da verdade material, inclusive, seguindo a jurisprudência deste Egrégio CARF. Transcrevo Ementa da recente Decisão (07 de agosto de 2013) da 2ª Turma da CSRF, que por unanimidade de votos, assim decidiu: Processo nº 10183.006493/200567 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.819 – 2ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FOAD GATTASS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integral aos autos, analisando a, ou convertendo o feito em diligência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (g.n.) Embora o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece a regra geral, esta não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 170 8 perante os fatos do caso concreto, especialmente por ser de domínio público que todas as áreas rurais possuem algum tipo de benfeitoria. Portanto, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo no entender desta Conselheira, poderão vir a rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Ademais, os documentos comprovam alegações constantes desde o início do processo, que embora as provas foram acostadas aos memoriais, por ocasião da sustentação oral, devem ser juntadas e analisadas, visto que complementam as informações constantes na DITR/2006 e o Laudo Técnico. Esta, inclusive, é a orientação da Câmara Superior de Recursos Fiscais como pode ser constatado na Decisão consubstanciada na Ementa ao Acórdão abaixo transcrita: Processo nº 11634.001245/200707 Recurso nº 266.345 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.162 – 2ª Turma Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALICE REIKO HAYAMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Recurso especial negado. As novas provas acostadas aos memoriais apresentados, segundo a defesa e numa análise perfunctória desta julgadora, poderiam fazer a comprovação da área ocupada com benfeitorias e da área de pastagens. Na DITR/2006 a Recorrente informava uma área com benfeitorias de 320,0 ha, bem como, o Laudo Técnico, acostado com a impugnação, fls. 83/85, constam as áreas ocupadas com benfeitorias, inclusive, o laudo noticia a existência de uma barragem de 300 ha. Na sessão, a defesa juntou aos memoriais, cópia de mapa, que comprovaria a existência da barragem desde 1968, onde consta a indicação dos limites e da área da bacia do açude em Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 171 9 questão. A defesa apresentou, ainda, Fichas de Registro de Vacinação e Movimentação de Gados, em nome da contribuinte, as quais merecem ser analisadas, com a acuidade necessária. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica; se a área em litígio foi ou não excluída da tributação pela isenção, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento, evitando, inclusive, um novo litígio na esfera judicial. A verdade material tem como supedâneo os princípios da legalidade e do interesse público, na medida em que a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade da situação então investigada. Determina o caput, do art. 2º, da Lei no 9.784/99, que no processo administrativo a Administração Pública obedecerá: Art. 2o a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Tratase da primazia no processo administrativo, sobre os fatos praticados pelo contribuinte, com vistas a corrigir eventuais fatos equivocadamente postos ou, ainda, suprimir possível existência de lacuna seja por meio de outras provas documentais, através de perícia, seja por diligências. E tal análise deve ser feita de maneira consciente e responsável pelo órgão julgador. Deixar de observar a verdade dos fatos, seria o mesmo que eliminar a discussão extrajudicial, pois sem sentido e inócua restaria, levandose as inconformidades diretamente ao poder judiciário. E não é esta a finalidade do processo administrativo. Outrossim, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dá guarida ao posicionamento desta julgadora, pois vem decidindo que as partes podem acostar memoriais e documentos que reputem imprescindíveis à escorreita solução da lide, com fundamento no princípio da verdade material, decidindo que o julgador pode após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, os quais deverão ser auditados pela fiscalização. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930863/2011-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL 01/02/2002 a 28/02/2002 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 63 /2 01 1- 48 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.350, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930863/201148 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente 6 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte:COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 7 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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