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Numero do processo: 10680.918858/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/10/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 58 /2 01 6- 40 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918858/201640 Acórdão n.º 3201003.539 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.680, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918858/201640 Acórdão n.º 3201003.539 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913699/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 36 99 /2 00 9- 14 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10480.913699/200914 Acórdão n.º 1301002.889 S1C3T1 Fl. 165 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP, o qual visa compensar crédito de CSLL com débito de sua responsabilidade, a título de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que apurava o imposto e a contribuição com o percentual presumido de 32%, enquanto o correto seria de 8% e 12%, respectivamente. Dessa forma, o contribuinte requer a homologação dos despachos decisórios, bem como o devido reconhecimento dos recolhimentos antecipados e a inclusão da DCTF retificadora para o processo do crédito. A decisão da DRJ prolatou o Acórdão mantendo a negativa em relação a compensação, uma vez que constatou que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando, destacando o seu equívoco quando da apuração de base de cálculo do IPRJ e CSLL, o que não obstaria o seu direito creditório. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10480.913699/200914 Acórdão n.º 1301002.889 S1C3T1 Fl. 166 3 Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu o quanto segue: A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito da CSLL apurado no 3º trimestre de 2006, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Dessa forma, não poderia a autoridade a quo ter reconhecido crédito algum, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) nessa esteira, em vão a discussão acerca dos índices de presunção. Por fim, não é possível observar a declaração retificadora para efeito de reconhecimento da disponibilidade do crédito, pois que apresentada após o despacho decisório uma vez que a disponibilidade do crédito é pressuposto da homologação da compensação, o despacho decisório não prescinde de seu prévio reconhecimento. Em sua defesa, a Recorrente se insurge alegando que apurou de modo equivocado toda sua base de cálculo de IRPJ e CSLL do período da autuação, no percentual de 32%, tanto para serviços realizados com emprego de materiais como para os realizados sem materiais não fazendo assim a devida distinção entre eles, para fins apuração do imposto e contribuição devida, conforme o arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95, in verbis: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.913699/200914 Acórdão n.º 1301002.889 S1C3T1 Fl. 167 4 Com base na leitura supra, a Recorrente alega que, em regra, aplicamse os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, às pessoas jurídicas optantes ao lucro presumido ou estimado. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10480.913699/200914 Acórdão n.º 1301002.889 S1C3T1 Fl. 168 5 Adiante, colaciona o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06/97 , que interpretou o art. 15 da Lei 9.249/95, ao declarar que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo para o imposto de renda será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a" deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Destacou que a partir de 1ª de janeiro de 1999, o emprego de materiais pelas empreiteiras passou a não mais constituir impedimento à opção das empresas pela tributação através do lucro presumido, como estabelece o art. 14 da Lei 9718/98. Assim, a vedação para a opção do lucro presumido contida no ato normativo supracitado, em seu inciso II, foi extinta a partir dessa data. Assim, trouxe aos autos, que a Recorrente obteve a Solução de Consulta nº 41 SRRF/4ª RF/DISIT de 19 de agosto de 2008, estabelecendo que a pessoa jurídica que apure o IRPJ e CSLL com base no resultado presumido e que exerça a atividade construção por empreitada, com emprego de mãodeobra e materiais, em qualquer quantidade, deverá aplicar os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida, na determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição (DOC 02 do Recurso). Com efeito, a Recorrente informa retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório emitido pela DRF competente, o que impossibilitou o agente fiscal a verificar o pagamento a maior de forma eletrônica. Juntou a DCTF retificada (DOC 03 do Recurso) para visualização do crédito pleiteado (DOC 04 do Recurso) que consubstanciou a DCOMP (DOC 05 do Recurso), visando a sua homologação, conforme se extrai da tabela abaixo: Adicionalmente, pugnou pela verdade material relativa aos fatos tributários, de modo que juntou provas que corroboram suas alegações. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10480.913699/200914 Acórdão n.º 1301002.889 S1C3T1 Fl. 169 6 Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela Recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando a alíquota de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%.(atividade de mão de obra e materiais) e 12% (sobre a receita bruta auferida) em vez de 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente entendo pela possibilidade de retificação da DCTF, posto que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Ressaltase ainda que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, ressalvo que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube a Recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Entendo, pois, não restou provado a alegação do erro do percentual de presunção. Diante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10480.913699/200914 Acórdão n.º 1301002.889 S1C3T1 Fl. 170 7 Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.721445/2015-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado, com a data do início da ocorrência da situação alegada.
Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento.
Numero da decisão: 2001-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer que os valores do imposto foram pagos com base na Declaração Original apresentada tempestivamente, considerando que há isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de setembro de 2014, não se aplicando, portanto, para o ano-base de 2010, como pleiteado na declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado, com a data do início da ocorrência da situação alegada. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer que os valores do imposto foram pagos com base na Declaração Original apresentada tempestivamente, considerando que há isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de setembro de 2014, não se aplicando, portanto, para o anobase de 2010, como pleiteado na declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 14 45 /2 01 5- 87 Fl. 70DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por pleito de direito creditório, para efeito de restituição, sobre rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 3.366,93, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: Trata o presente processo da notificação de lançamento nº 2011/346847249962235, às fls.29/32, emitida em 09/03/2015, que constatou, no anocalendário de 2010, duas omissões de rendimentos do trabalho recebidos pela pessoa física interessada, no valor total de R$86.171,99, referentes às fontes pagadoras Banco do Brasil SA, CNPJ 00.000.000/000191 (R$62.778,74), e Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ 29.979.036/000140 (R$23.393,25), nos seguintes termos: Não comprovação do quadro de portador de moléstia grave. A legislação condiciona a isenção do Imposto de Renda à verificação cumulativa de três situações: (I) que o contribuinte seja portador de qualquer das doenças relacionadas na legislação;(II) que a comprovação desta condição se dê por Laudo Médico Oficial; (III) que os rendimentos auferidos sejam da inatividade. Por intermédio do demonstrativo de fls.31, efetuouse a apuração do imposto devido, que resultou num lançamento de ofício de IRPF suplementar, no valor principal de R$3.366,93, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$2.525,19, e de juros de mora, no valor Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10530.721445/201587 Acórdão n.º 2001000.303 S2C0T1 Fl. 71 3 de R$1.240,04, com fundamento nos respectivos enquadramentos legais, devidamente discriminados na notificação de lançamento, num total de R$7.132,16. (...) Cabe, ainda, observar a legislação que disciplina a isenção do Imposto de Renda. Esta alcança apenas os proventos de aposentadoria/reforma/pensão, percebidos por portadores de moléstias graves, conforme disposto no art. 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com nova redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 1992, e alterações dadas pelos art. 30, § 2°, da Lei n° 9.250, de 1995, e art. 10 da Lei n° 11.052, de 2004: (...) Com o advento da Lei n° 9.250, de 1995, para o reconhecimento das isenções, passouse a exigir que a moléstia fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma determinada pelo artigo 30, abaixo transcrito: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 2 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Dessa forma, de acordo com a legislação acima citada, os aposentados/reformados e ainda os pensionistas portadores de doenças graves são isentos do Imposto de Renda desde que se enquadrem cumulativamente nas seguintes situações: a) Os rendimentos sejam relativos à aposentadoria/reforma/pensão; e b) Seja portador de uma das doenças relacionadas em lei, e que a doença seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. No caso concreto, compulsandose a documentação apresentada pelo impugnante e acostada aos autos, observase que foi apresentado um documento intitulado “Parecer Técnico”, emitido por serviço médico particular, às fls.11/16, afirmando que o contribuinte é portador de síndrome do túnel do carpo à direita, bursite, cervicalgia com espondilartrose, discopatia degenerativa, hérnia de disco, epicondilite lateral e fibromialgia, sem a especificação dos respectivos códigos da Classificação Internacional de Doenças – CID 10. Ocorre que o parecer em questão não atendeu o requisito legal previsto no art.30, da Lei n° 9.250, de 1995, pois não foi emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Logo, não foram cumpridos os requisitos necessários para que os rendimentos omitidos fossem considerados como rendimentos isentos. Fl. 72DF CARF MF 4 Em face do exposto, VOTO no sentido de considerar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário. Assim, ao final, conclui a decisão de piso, aqui vergastada, pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido em razão do não reconhecimento ao direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10530.721445/201587 Acórdão n.º 2001000.303 S2C0T1 Fl. 72 5 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 74DF CARF MF 6 III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser a contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser a contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor a contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento da Recorrente. O Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. O laudo médico particular que atesta a doença foi juntado ao processo judicial em 08/10/2013 e se reporta a data de feitura de 10/10/2009, e aborda a questão da moléstia em estágio anterior àquela data e anterior a concessão da carta de aposentadoria por invalidez, que ocorreu em 23/09/2014 e, que a partir de então produziu seu efeitos para o benefício da isenção do Imposto sobre a Renda, momento em que passou a ser classificado como proventos de aposentadoria. Assim, em razão da exigência legal de concomitância da existência do estágio definidor da enfermidade com a concessão da certificação da aposentadoria, conforme documento expedido pelo Instituto Nacional de Seguro Social e Previdência, datado de Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10530.721445/201587 Acórdão n.º 2001000.303 S2C0T1 Fl. 73 7 23/09/2014 (fl.17), é que a Recorrente passou a contar com o direito ao benefício da isenção do Imposto sobre a Renda. Portanto, o período anterior a essa ocorrência está fora da abrangência da isenção pleiteada e, sem a possibilidade da retroatividade pela falta do condicionante da situação de aposentada. CONCLUSÃO A Recorrente afirma que: “Sou ISENTA em 27.10.2014 apresentei Declaração Retificadora nº 04.16.26.23.81.38 para receber RESTITUIÇÃO dos valores “PAGOS” um vez que o INSS homologou BENEFÍCIO (92) 168.397.5301 em 23.09.2014 com vigência a partir de 18.08.2007, ver copia da CARTA DE CONCESSÃO aqui Anexo por copia que também constou dos anexos ao TERMO DE ATENDIMENTO Nº 2011/10000148600.” Pondera ainda que: “Referendo me a AUTUAÇÃO mencionada na intimação nº 117 solicito OBSERVÂNCIA á Declaração nº 16.95.89.70.19.56 tempestivamente apresentada em 04.03.2011 ás 18:05:12 com SALDO DE IMPOSTO A PAGARR$ 3.366,93 – PARCELAMENTO: 8 Quotas /Debito automático: SIM/Banco 001,Ag.11339,Conta 9.419.7075 todas “PAGAS”. Segue aqui em Anexo/copias dos COMPROVANTES DE PAGAMENTO. Neste sentido como o pedido da Recorrente é pela restituição dos valores que foram retidos pela fonte pagadora de seus proventos antes da aposentadoria referente ao ano base de 2010, a decisão deste Acórdão é de negar provimento, desconsiderando os efeitos da declaração retificadora apresentada pela Contribuinte. No que se refere à multa de ofício e juros de mora é de considerar que devam ser excluídos tais acréscimos de vez que não ocorreu inadimplência no pagamento do tributo e tampouco houve lesão a fisco porque a Recorrente não deixou de pagar o imposto, apenas apresentou DIRPF retificadora para pleitear os valores que lhes foram descontados a título de Imposto de Renda retidos na fonte sobre proventos de aposentadoria, em data anterior a expedição da Carta de Concessão da Aposentadoria. Da mesma forma que incabível a exigência de multas sobre valores não inadimplidos ou não oferecidos a tributação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que os valores do imposto foram pagos com base na Declaração Original apresentada tempestivamente, considerando que a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de setembro de 2014, não se aplicando, portanto, para o anobase de 2010, como pleiteado na declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e excluirse, todavia, pelas razões antes apontadas, as penalidades a título de multa e juros de mora que lhe foram aplicadas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 76DF CARF MF 8 Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723099/2015-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3201-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso voluntário quanto às isenções da ZFM, em razão da concomitância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que não reconheciam a concomitância e davam provimento ao recurso quanto a ZFM. Por maioria de votos não se conheceu da matéria referente a isenção da Amazônia Ocidental. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado para o voto vencedor quanto à concomitância o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
Fizeram sustentações orais o patrono Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955, escritório Ulhoa Canto, Rezende e Guerra Advogados, bem como o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Redator designado.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso voluntário quanto às isenções da ZFM, em razão da concomitância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que não reconheciam a concomitância e davam provimento ao recurso quanto a ZFM. Por maioria de votos não se conheceu da matéria referente a isenção da Amazônia Ocidental. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado para o voto vencedor quanto à concomitância o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Fizeram sustentações orais o patrono Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955, escritório Ulhoa Canto, Rezende e Guerra Advogados, bem como o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 30 99 /2 01 5- 62 Fl. 1266DF CARF MF 2 TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09058.736, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que assim relatou o feito: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 578 a 5951, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 5.437.498,49, acrescido da multa de ofício de R$ 4.078.123,88 e dos juros de mora (calculados até 06/2015) de R$ 2.094.726,66, totalizando a exigência de R$ 11.610.349,03, cuja motivação fática encontra se no próprio documento e no Termo de Verificação Fiscal às fls. 596/611, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS BEBIDAS INFRAÇÃO: CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO PRODUTOS ISENTOS Glosa dos créditos nas aquisições com isenção de concentrados da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, CNPJ 61.454.393/000106, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. (...) CRÉDITOS INDEVIDOS BEBIDAS INFRAÇÃO: CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO NOTA FISCAL SEM O DESTAQUE DO IPI Glosa de créditos na aquisição de insumos sem o destaque do IPI nas notas fiscais, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL 4 DA AÇÃO JUDICIAL – EFEITOS DA DECISÃO PROFERIDA NO MANDADO DESEGURANÇA COLETIVO – MSC Nº 91.00477834 Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 3 3 Compulsando o MSC constatamos que a AFBCC representava todos os fabricantes de CocaCola, no entanto, a Real Comércio e Indústria de Bebidas era empresa detentora de franquia da marca RC COLA. Desse modo, não existiria qualquer possibilidade da empresa Real ser beneficiária da decisão prolatada na referida ação judicial, conforme explicitamos com mais detalhes nos parágrafos seguintes. A empresa Real Comércio e Indústria de Bebidas LTDA foi constituída em 01/08/1997, sendo seu objeto social preponderante a fabricação de refrigerantes. Em 09/07/2007, pela 10ª alteração contratual, ocorreu alteração do controle da Real Comercio com a exclusão dos sócios antigos e a inclusão de novos sócios: NRN COMERCIO DE BEBIDAS LTDA – pertencente ao Grupo Norsa, fabricante de refrigerantes da marca CocaCola. O outro sócio incluído foi AUGUSTO CESAR PARADA. Em 18/02/2008, retirase da sociedade AUGUSTO CESAR PARADA cedendo suas cotas para ANDRÉ LEONARDO ALVES SEABRA SALLES, conforme consta da 12ª alteração e consolidação do Contrato Social. (...)A Norsa Refrigerantes, através da 18ª alteração do Contrato Social da Real Comércio, datada de 31/07/2013, sucedeu por incorporação a empresa REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA. O contribuinte informou que tinha direito ao crédito de IPI, decorrente da aquisição de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus, em razão da coisa julgada formada nos autos do mandado de segurança coletivo n° 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola. Ocorre que a empresa Norsa Refrigerantes só incorporou a Real Comércio em 31/07/2013, portanto, muito tempo depois do trânsito em julgado do MSC. Além disso, quando o controle da Real Comércio passou para o Grupo Norsa, já estava em vigor a Lei n.º 9.494, de 10/09/1997, que no seu art. 2ºA, transcrito abaixo, trata dos efeitos da coisa julgada nas ações coletivas. (...) Sobre os efeitos das sentenças impetradas por entidades associativas, posicionouse o STF, em recente decisão com repercução geral, cuja ementa segue abaixo, no sentido da obrigatoriedade da autorização expressa dos associados e da lista destes juntada à inicial. (...) Pelo descrito nos parágrafos acima, concluímos que a sentença não abrangeria a Real Comércio, uma vez que o contribuinte não fazia parte da lista juntada à petição inicial e também apenas os substituídos que tinham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do juízo vinculado ao Tribunal Fl. 1268DF CARF MF 4 Regional Federal da 2ª Região, ou seja, os Estados de Rio de Janeiro e Espírito Santo. 5 – DAS NOTAS FISCAIS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS As notas fiscais que geraram os créditos de IPI lançadas na escrituração contábil, Conta 1.1.3.4.1.001.01.01.151 IPI A COMPENSAR, foram extraídas do Portal SPED, módulo Nota Fiscal Eletrônica. Da análise dos documentos, constatamos que as notas fiscais de aquisições de insumos do fornecedor RECOFARMA INDUSTRIAM DO AMAZONAS LTDA, domiciliada em ManausAM, não apresentavam destaque de IPI, mesmo assim, o contribuinte escriturou os créditos de IPI no seu Livro Registro de Entradas, correspondentes a 27% do valor das matérias primas adquiridas. O estabelecimento industrial Recofarma emitiu as respectivas notas fiscais sem o destaque do imposto, nos termos do art. 69, incisos I e II, art. 82, inciso III e art. 341, inciso II do Decreto n° 4.544/2002RIPI/2002 (respectivamente art. 81, incisos I e II, art. 95, inciso III e art. 415, inciso II do Decreto n° 7.212/2010RIPI/2010) e das Resoluções da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) nºs. 457/88, 350/92, 040/93, 098/93, 387/93 e 406/2002 e 298/2007, conforme consta do campo observações das notas fiscais emitidas. A partir da segunda quinzena de abril de 2011 deixou de constar, no campo observações da nota fiscal, a informação sobre a existência de isenção do IPI para os produtos comercializados. (...) De acordo com a legislação transcrita acima, a Recofarma teria direito à isenção do art. 6º do Decreto Lei n° 1.435/75, art. 95, inciso III, do RIPI/2010 (art. 82, inciso III, do RIPI/2002), caso utilizasse matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais na produção de seus concentrados, e ainda, que os projetos industriais para produção desses concentrados tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. (...) 7 – DO DIREITO AOS CRÉDITOS Pelo art. 153, § 3º, II da Constituição Federal de 1988, o IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Já o art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN), diz que o imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Desse modo, o princípio da nãocumulatividade não autoriza o crédito do IPI, como se devido fosse, quando a operação anterior é isenta do imposto, pois da leitura da legislação transcrita acima, a sistemática de apuração do IPI consiste no confronto do imposto creditado pelas aquisições com o imposto debitado pelas saídas. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 4 5 Inexistindo imposto na entrada não há que se falar em crédito para ser abatido com o imposto debitado, exceto em situações excepcionais previstas em lei, como o disposto no artigo 237 do RIPI/2010, transcrito abaixo: “Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º).” 8 – DA APURAÇÃO INDEVIDA DO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE INSUMO PRODUZIDO NA ZONA FRANCA DE MANAUS (...) 8.2 – DAS MATÉRIAS PRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS DE PRODUÇÃO REGIONAL Pelo exposto nos parágrafos precedentes, constatamos que a Recofarma não utilizou matérias primas de produção regional em seu processo industrial de concentrado e sim, apenas produtos industrializados. O entendimento da SRRF da 9ª Região Fiscal, manifestado na Solução de Consulta nº 36, de 10 de janeiro de 2011, da qual transcrevemos a Ementa abaixo, é no sentido de que são insuscetíveis de apropriação os créditos dos produtos isentos que não sejam elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. (...) 9 GLOSA DE CRÉDITOS 9.1 – PRODUTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL Os créditos de IPI oriundos das aquisições de insumos isentos da empresa Recofarma, escriturados nos Registro de Entradas como se devido fosse, segundo o contribuinte, amparado pela sentença no mandado de segurança coletivo n° 91.00477834, impetrado pela AFBCC, foram glosados pelos motivos abaixo descritos. A sentença prolatada no mandado de segurança coletivo nº 91.00477834, não alcança o contribuinte que tem o seu domicílio tributário na cidade de Macaíba/RN, portanto, fora da competência territorial do Tribunal da 2ª Região. Além disso, o contribuinte (Real Refrigerantes) não era associado da AFBCC na época da propositura da Ação Judicial. Conforme descrito nos parágrafos precedentes, a Recofarma não utiliza matériaprima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional em seu processo industrial, mas produtos já industrializados. Tais produtos foram Fl. 1270DF CARF MF 6 utilizados na fabricação do concentrado remetido com isenção do IPI à empresa fiscalizada, contrariando o disposto no art. 95, inciso III, do RIPI/2010, onde dispõe que são isentos de IPI, somente os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais. De todo o exposto, concluise que a Recofarma não possui o principal requisito necessários à fruição do benefício da isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/2010, qual seja, a utilização de matériaprima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional em seu processo industrial. Assim, o contribuinte, nas aquisições de concentrados adquiridos com isenção, não tem autorização legal para creditarse do IPI como se devido fosse. (...) 9.2 – NOTAS FISCAIS SEM DESTAQUES DE IPI Abaixo, segue o resumo das notas fiscais de aquisição de insumos nas quais o emitente, Norsa Refrigerantes, não efetuou o destaque do IPI. As planilhas com detalhes foram anexadas ao Processo Administrativo Digital, com o título NOTAS FISCAIS SEM DESTAQUES DE IPI. (...) Pelo art. 153, § 3º, inciso II da Constituição Federal de 1988, o IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Já o art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN), diz que o imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Desse modo, o princípio da nãocumulatividade não autoriza o crédito do IPI, como se devido fosse, quando a operação anterior é isenta do imposto, pois da leitura da legislação transcrita acima, a sistemática de apuração do IPI consiste no confronto do imposto creditado pelas aquisições com o imposto debitado pelas saídas. Inexistindo imposto na entrada não há que se falar em crédito para ser abatido com o imposto debitado, exceto em situações excepcionais previstas em lei, como o disposto no artigo 175 do RIPI/2002, que não se aplica na situação descrita. Assim, não há como reconhecer o direito ao crédito na aquisição de produtos de estabelecimentos industriais cujas notas fiscais foram emitidas sem o destaque do IPI, uma vez que não houve a cobrança do IPI. 10 – DO SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR No mês de junho de 2010, a escrituração do livro RAIPI Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos industrializados apresentou saldo credor de período anterior no valor de R$8.067.329,07, tendo em vista que o contribuinte não ajustou o livro Registro de Apuração do IPI em conformidade com as glosas efetuadas no procedimento fiscal anterior (Processo Administrativo Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 5 7 Digital número 10469.726020/201474), conforme indicado abaixo. (...) Extraímos os dados abaixo do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, anexado ao citado processo administrativo fiscal anterior, com vistas a demonstrar o saldo apurado pela fiscalização no final do mês de junho de 2010 e comprovar que não há saldo inicial credor a ser considerado no mês de julho de 2010. 11 DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL (...) 12. DA SUCESSÃO RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Tendo em vista que, em 31/07/2013, a empresa REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA foi incorporada pela Norsa Refrigerantes, contra esta está sendo lançada a presente exigência fiscal, por força do disposto no artigo 132 da Lei nº 5.172, Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: (...) Portanto, tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal/RN apontando infrações decorrentes da utilização indevida de saldo credor de período anterior e a glosa de crédito básico indevido, decorrente de aquisições de produtos isentos feitas à empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda ou de aquisições de insumos sem o destaque do IPI nas notas fiscais. A autuada Norsa Refrigerantes é sucessora, por incorporação, da empresa Real Comércio e Indústria de Bebidas Ltda., constituída em 1997, tendo por objeto social preponderante a fabricação de refrigerantes, sendo detentora, à época, de franquia da marca RC COLA. Em 09/07/2007, com a 10ª alteração contratual, ocorreu mudança no controle da Real Comércio, com a exclusão dos sócios antigos e a inclusão de novos, dentre os quais a NRN Comércio de Bebidas Ltda pertencente ao Grupo Norsa, fabricante de refrigerantes da marca CocaCola. Com a 17ª alteração contratual, em 13/07/2013, passou a fazer parte do quadro social a empresa Nordeste Refrigerantes SA, que, a partir de 31/07/2013, sucedeu por incorporação a empresa Real Comércio e Indústria de Bebidas Ltda. No curso da auditoria foi constatado que a fiscalizada utilizou créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas à empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, que foram escriturados no Livro Registro de Entradas, mediante aplicação de alíquota de 27% do valor dos insumos. Também aproveitou créditos decorrentes de compras das mesmas mercadorias, feitas à empresa Norsa Refrigerantes. Alegou estar amparada em decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola — Fl. 1272DF CARF MF 8 AFBCC, em 03/07/1991, o que não foi aceito, uma vez que a empresa Real Comércio não fazia parte da lista de empresas representadas pela impetrante na data da propositura da ação, nem estava domiciliada no âmbito da competência territorial do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, onde foi proposta a ação. A empresa Recofarma emitiu as respectivas notas fiscais sem destaque do imposto, nos termos do art. 69. incisos I e II, art. 82, inciso III e art. 341, inciso II do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do IPI RIP1/2002) e das Resoluções da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) n°s. 457/88, 350/92, 040/93, 098/93, 387/93 e 406/2002 e 298/2007, conforme consta do campo observações desses documentos. A apuração dos créditos indevidos está detalhada no Termo de Verificação Fiscal. A conclusão do autuante foi no sentido de que “a Recofarma não utilizou matérias primas de produção regional em seu processo industrial de concentrado e sim, apenas produtos industrializados” e assim não está presente o principal requisito necessário à fruição do benefício da isenção prevista no art. 82, III, do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002) , que corresponde ao art. 95, III, do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI – RIPI/2010), com o conseqüente aproveitamento posterior de créditos, qual seja, a utilização de matériaprima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional em seu processo industrial. Como visto, também foram glosados créditos que decorrem de aquisições em que não houve destaque de IPI pela fornecedora Norsa Refrigerantes. Após a ciência do Auto de Infração, em 07/07/2015, fl. 614, insurgiuse o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 616 a 973, em 30/07/2015, que assim vai resumido: 3. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO À AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS E DOS RESPECTIVOS FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E INDEPENDENTES 3.1. DA COISA JULGADA 3.1.1. A IMPUGNANTE tem direito aos créditos de IPI, em face da coisa julgada formada no MSC n° 91.0047783 4.(...) 3.1.3. Ocorre que é irrelevante o fato de que a REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA. (empresa sucedida pela IMPUGNANTE) não era associada da AFBCC, à época da impetração do MSC em questão e não autorizara expressamente a respectiva impetração, pois é suficiente e bastante, para aplicação da referida coisa julgada coletiva, o fato de a REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA. ter se associado à AFBCC em 14.11.2007, data anterior aos fatos geradores objeto do AUTO (...). Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 6 9 3.1.5. Por outro lado, também é irrelevante o fato de a REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA. não estar localizada no domicilio do órgão prolator da sentença, nos termos do art. 2A da Lei n° 9.494, de 10.09.1997, uma vez que o MSC n° 91.00477834 foi impetrado antes da publicação desse dispositivo e a respectiva coisa julgada é ampla e irrestrita e, pois, abrange todos os associados da AFBCC, independentemente de sua localização. 3.2. DA IDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA RECOFARMA E DA BOA FÉ DA IMPUGNANTE 3.3. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 6º DO DL N° 1.435/75 Ainda que superados os argumentos desenvolvidos nas seções anteriores, o que se admite apenas para fins de argumentação, o direito da IMPUGNANTE ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, com base na isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, tem amparo na Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) n° 298, de 11.12.2007, que está em vigor, e no Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007 PR/CGPRI/COAPI, que a integra, que reconheceram expressa e literalmente que o concentrado (insumo) foi contemplado pelo beneficio do art. 6o do DL n° 1.435/75, porque produzido com açúcar e/ou álcool e/ou extrato de guaraná e/ou corante de caramelo, adquiridos de produtores locais da Amazônia Ocidental.(...) 3.4. DO DIREITO AO CREDITO DO IPI RELATIVO A AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA ISENTA ORIUNDA DE FORNECEDOR SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS 3.4.1. Conforme também se verifica das notas fiscais (fls. 167 a 314), o concentrado adquirido pela IMPUGNANTE da RECOFARMA também é isento, com fulcro no art. 81, II, do RIPI/10, que tem base legal no art. 9o do DL n° 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos (refrigerantes) sujeitos ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007.(...) 3.4.14. Assim, até que seja julgado pelo STF o RE n° 592.891SP, permanece hígido, como afirmado pelo I. Ministro MARCO AURÉLIO e pelo D. Procurador da Fazenda Nacional, o entendimento do RE n° 212.484RS, que assegurou ao adquirente o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus.(...) 3.5. DA APLICAÇÃO DO ART. 11 DA LEI N° 9.779, DE 19.01.1999 Fl. 1274DF CARF MF 10 3.5.1. É fato também que a partir de 19.01.1999, com a edição do art. 11 da Lei n° 9.779/99, ao contrário do afirmado no AUTO, passou a existir o direito ao crédito do imposto, na medida em que a interpretação do referido dispositivo é no sentido de que a aquisição de qualquer matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização dá direito ao crédito do respectivo imposto sem condicionar tal direito ao pagamento do IPI na operação anterior. 3.6. DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELAS FILIAIS DA NORSA REFRIGERANTES LTDA. (ITEM 9.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) 3.6.1. Por outro lado, a AUTORIDADE também entendeu que violaria o principio da não cumulatividade o creditamento do IPI decorrente da aquisição de parte dos insumos isentos provenientes das filiais da NORSA REFRIGERANTES LTDA., localizadas em Simões Filho/BA e em Maracanau/CE, já que o imposto não teria sido destacado nas notas fiscais emitidas por esses estabelecimentos. 3.6.2. Com efeito, as referidas filiais adquiriram da RECOFARMA concentrado para refrigerante e, por sua vez, revenderam o mesmo concentrado para a REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA, sem que esse insumo tivesse sofrido qualquer processo de industrialização naquelas filiais. 3.6.3. Ou seja, o produto indicado nas notas fiscais emitidas pelas filiais da NORSA REFRIGERANTES LTDA. (listadas no item 9.2 do Termo de Verificação Fiscal) é o mesmo concentrado produzido pela RECOFARMA que é isento com base no art. 81, II, do RIPI/10 e também com base no art. 95, III, do RIPI/10 (art. 6o do DL n° 1.435/75); em razão dessas isenções, não foi efetuado o destaque do imposto nas notas fiscais. 3.6.5. Logo, a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados, independemente de tais concentrados terem sido objeto de revenda, uma vez que a isenção que justifica tal creditamento foi concedida ao produto (concentrado). 3.7. DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SALDO CREDOR DO PERÍODO ANTERIOR A AUTORIDADE concluiu, ainda, que a IMPUGNANTE teria utilizado indevidamente, em sua escrita fiscal, o saldo credor apurado no período anterior à época dos fatos geradores do presente AUTO, pois tal crédito teria sido glosado em outro auto de infração, objeto do processo administrativo n° 10469.726020/201474. 3.7.2. Ocorre que, contra o referido auto de infração, a IMPUGNANTE apresentou sua impugnação, tendo instaurado a fase litigiosa e, conseqüentemente, Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 7 11 suspendido a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. 3.7.3. Logo, tendo em vista que a discussão administrativa referente ao PA n° 10469.726020/201474 ainda não está encerrada, uma vez que aguarda o julgamento do recurso voluntário, a escrita fiscal da IMPUGNANTE não deve ser reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito. 4. DA APLICAÇÃO DO ART. 132 DO CTN 4.1. Na eventualidade de se superar todos os fundamentos das seções acima, o que se admite para fins de argumentação, temse, ainda, que somente o tributo poderia ser exigido da IMPUGNANTE.(...) 4.8. Estabelecidas essas distinções, cabe acrescentar o que estabelece o art. 132 do CTN: "Art. 132 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas." 4.9. Ora, como visto acima, a responsabilidade da sucessora restringese aos tributos não pagos pela sucedida, não sendo possível atribuirlhe responsabilidade sobre os demais componentes do crédito tributário. (...) 4.11. Vêse, pois, que não cabe exigir multa de oficio e acréscimos legais da IMPUGNANTE no presente AUTO. 5. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA 5.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar, não seria cabível a exigência de qualquer multa no presente caso. 5.2. A jurisprudência administrativa, vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação, reconhecia o direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com beneficio da isenção subjetiva regional) utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento Plenário do STF, conforme se observa do seguinte acórdão, proferido CSRF: (...) 5.3. Nesse passo, aplicase ao caso o disposto no art. 76, II, a), da Lei n° 4.502/64, abaixo transcrito: "Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...)II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: Fl. 1276DF CARF MF 12 a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado."(...) 5.5. Vêse, pois, que é descabida a imposição de multa, nos termos do art. 76, II, a), da Lei n° 4.502/64. DA IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO (...) 6.2. De fato, ao disciplinar a incidência de juros de mora sobre débitos de qualquer natureza perante a Fazenda Nacional, o parágrafo único do art. 16 do DL n° 2.323, de 26.02.1987, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 6o do DL n° 2.331, de 28.05.1987, dispõe expressamente que juros de mora não incidem sobre o valor da multa (ainda que de mora)(...) DO PEDIDO 7.1. Pelo exposto, a IMPUGNANTE pede e espera que seja cancelado o auto de infração em epigrafe, com a conseqüente extinção do crédito tributário correspondente. Assim, a impugnante aponta inicialmente que as aquisições estão documentadas por notas fiscais idôneas emitidas pela fornecedora RECOFARMA, e assim, na qualidade de adquirente de boafé, tem direito à manutenção dos créditos de IPI. A seguir, invoca a coisa julgada em decisão proferida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 que teria assegurado, no seu entendimento, de forma ampla e irrestrita, aos integrantes da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), estabelecidos em todo território nacional, o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de insumo isento, adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de seus refrigerantes. Além disso, recentes decisões monocráticas de Ministros do STJ, transitadas em julgado, como o RESP nº 1.117.887SP e RESP nº 1.295.383 BA, teriam assegurado a aplicação da citada coisa julgada a associados da AFBCC localizados em qualquer ponto do território nacional. Considera que seria irrelevante o fato de a Real Comércio e Indústria de Bebidas Ltda., empresa sucedida pela impugnante, não ser associada da AFBCC, à época da impetração do mandado de segurança em questão, tendo em vista que teria se filiado à referida entidade em data anterior aos fatos geradores objeto do auto de infração. Da mesma forma, também seria irrelevante que não estivesse localizada no domicilio do órgão prolator da sentença, nos termos do art. 2A da Lei n° 9.494/1997, uma vez que o MSC n° 91.00477834 foi impetrado antes da publicação desse dispositivo, e a respectiva coisa julgada seria ampla e irrestrita, abrangendo todos os associados da AFBCC, independentemente de sua localização. Argumenta que o direito ao crédito tem amparo no art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, base legal do art. 82, III, do RIPI/2002 Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 8 13 e que a SUFRAMA, no exercício de sua competência exclusiva, por meio da Resolução n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, considerou que a aquisição pela RECOFARMA de açúcar, álcool e/ou extrato de guaraná produzidos por produtor localizado na Amazônia Ocidental, a partir de matériasprimas agrícolas oriundas da mesma região, e sua utilização na fabricação do concentrado, atendem aos requisitos necessários para fruição do benefício em questão. A seguir invoca o princípio da nãocumulatividade do IPI e observa que, mesmo superados os argumentos antes expostos, continuaria tendo direito aos créditos, pois o concentrado adquirido da RECOFARMA também gozaria da isenção de que trata o art. 69, II, do RIPI/2002 e o art. 81, II, do RIPI/2010, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos sujeitos ao IPI. Invoca o entendimento exposto pelo STF, no julgamento do RE nº 212.484RS, no sentido de que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do princípio da nãocumulatividade. Acrescenta, ainda, a existência dos RE nº 566.819RS e RE nº 592.891SP, confirmando que a impugnante teria direito ao crédito de IPI em questão. Quanto às notas fiscais sem destaque de imposto, esclarece que se trata de concentrado produzido pela RECOFARMA vendido à Norsa Refrigerantes Ltda., que por sua vez o revendeu à sucedida REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA. Entende que a isenção acompanha o produto em si e que como o concentrado não sofreu qualquer processo de industrialização, deve ser reconhecido o direito ao crédito do IPI referente a essas operações pelos mesmos fundamentos autônomos e independentes já expostos. Em relação ao Saldo Credor do Período Anterior, alega que restou glosado nos autos do processo administrativo n° 10469.726020/201474, que não encontrase definitivamente julgado, não podendo a glosa permanecer para a presente análise. Solicita a aplicação do art. 132 do CTN, a fim de ser responsabilizada somente pelos tributos não pagos pela sucedida. Alega a impossibilidade de exigência de multa, com base no art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964, pois a jurisprudência administrativa, à época dos fatos geradores, estaria reconhecendo o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva regional), utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, conforme acórdão que cita. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista o teor do art. 16 do Decretolei 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei n° Fl. 1278DF CARF MF 14 2.331/1987, que se aplicaria às multas de oficio, conforme entendimento pacifico do STJ. A cobrança dos juros na forma pretendida pela RFB também não teria previsão no art. 59 da Lei 8.383/1991 e art. 61 da Lei n° 9.430/1996, como referendado pela jurisprudência administrativa que cita. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração com a conseqüente extinção do crédito tributário. É como relato. Passo ao voto. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2011 CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL/ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 6º DO DL 1.435/75 [Art. 82II c/c Art. 175, DO RIPI/2002]. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSA. PROCEDÊNCIA São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Zona Franca de Manaus e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos tributados do estabelecimento contribuinte com o crédito relativo ao imposto cobrado nas operações anteriores, referentes às entradas oneradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI,e ME) a serem utilizados no processo industrial do adquirente. Não tendo havido IPI cobrado nessas operações anteriores de aquisição, porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo adquirente. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR. FISCALIZAÇÃO E GLOSA EM PROCEDIMENTO DIVERSO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO DA PARTE INTERESSADA. As conclusões referentes ao processo administrativo n° 10469.726020/201474 terão lugar naquele processo, razão pela qual poderão ter reflexo no atual procedimento se o contribuinte lograr êxito em comprovar o suposto saldo credor do período, Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 9 15 reconstituindo a conta "Saldo Credor de Períodos Anteriores" para respingar na presente apuração. Na forma do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. É o contribuinte que deve demonstrar que o valor pleiteado goza de certeza e liquidez. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição, e seu alcance restringese aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADE. EXIGÊNCIA. Não há de se falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502/64 c/c o art. 100,II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PENALIDADES Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidos pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” e, como tal, está sujeita à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado. Houve apresentação de contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 1280DF CARF MF 16 Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme exposto, tratase de Auto de Infração de IPI em face de empresa industrial de refrigerantes, que adquire insumos oriundos da Zona Franca de Manaus, elaborados com base em matéria prima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental. Salientase que a fiscalização referese à empresa Real Com. e Ind. de Bebidas Ltda., relativamente aos fatos geradores do período de julho de 2010 a dezembro de 2011, que foi sucedida pela empresa Recorrente Norsa Refrigerantes Ltda. por incorporação ocorrida em 31/07/2013. Cabe ressaltar, ainda, que a empresa Norsa Refrigerantes foi submetida a ação fiscal anterior, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10469.726020/201474, relativamente ao IPI e aos fatos geradores do período de janeiro de 2009 a junho de 2010. Por conseguinte, foi reconstituída de oficio a escrita fiscal da contribuinte, com base na glosa de créditos indevidos de IPI, lançados no seu Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI, com repercussão no presente processo. O Relatório Fiscal narra que "todos os termos lavrados pela fiscalização e as respostas do contribuinte apresentadas na ação fiscal anterior foram aproveitados neste procedimento fiscal e anexados ao presente Processo Administrativo Digital", noticiando, ainda, a existência de "decisão já prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre". Acrescento, ainda, que o referido processo já foi julgado em primeira instância por este CARF (Acórdão 3402002.935, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, de 24 de fevereiro de 2016). Atualmente o processo aguarda julgamento de Recurso de Agravo em face da não admissão de Recurso Especial à CSRF. Faço tal esclarecimento para concluir que, não obstante vislumbre a existência de conexão e decorrência entre os processos, conforme art. 6ª do RICARF, não há mais possibilidade de reunião entre os feitos uma vez que o dito "processo principal" já foi decidido pelo CARF na mesma instância presente. Direito ao crédito relativo a insumos isentos Coisa julgada A Recorrente postula pela aplicação, ao caso concreto, dos termos da sentença transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, proferido a favor da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola AFBCC, entidade integrada pela Recorrente NORSA REFRIGERANTES LTDA. A questão é também já há muito conhecida deste CARF. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 10 17 A referida decisão judicial, oriunda de processo originário do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, integrada pelos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, assegurou às empresas integrantes da Associação Impetrante (AFBCC), o direito ao crédito de IPI justamente sobre os concentrados utilizados como matéria prima para a fabricação de refrigerantes, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus. Os fundamentos para se afastar a possibilidade de aplicação dos efeitos da decisão favorável aos contribuintes no âmbito do MSC nº 91.00477834 são: (i) a empresa REAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS foi constituída em data posterior a propositura da Ação Judicial, e, portanto, não fazia parte da lista juntada à petição inicial; (ii) a AFBCC representava todos os fabricantes de CocaCola, no entanto, a Real Comércio e Indústria de Bebidas era empresa detentora de franquia da marca RC COLA. Desse modo, não existiria qualquer possibilidade da empresa Real ser beneficiária da decisão prolatada; e, por fim (iii) que a empresa não estaria no âmbito da competência territorial do juízo vinculado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ou seja, os Estados de Rio de Janeiro e Espírito Santo. Como mencionado, a questão vem sendo objeto de intenso debate no CARF. A discussão aliase exclusivamente a aspectos atinentes ao Processo Civil, e não à legislação tributária. Na hipótese específica dos autos, há peculiaridade que deve ser examinada em caráter primordial, conforme ressaltado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões: De planto, insta ressaltar que, nos termos do item “7 – GLOSA DE CRÉDITOS” do TVF, a Recorrente (Real Refrigerantes) NÃO ERA ASSOCIADA DA AFBCC AO TEMPO DA IMPETRAÇÃO DO REFERIDO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO, fato que, por si só, afasta a apropriação dos efeitos surtidos naquela demanda judicial (ex vi o art. 22 da Lei 12.016/2009: No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante). Com efeito, decidiu o acórdão recorrido que "a decisão judicial nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 não alcança a impugnante, uma vez que o contribuinte não fazia parte da lista juntada à petição inicial". Pois bem. O Mandado de Segurança Coletivo constitui hipótese de substituição processual e, nos termos da Súmula STF nº 629, "a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Isso significa que o fato de o nome da Contribuinte constar ou não na lista juntada à petição inicial do Mandado de Segurança é irrelevante para se definir o alcance da referida decisão no que diz respeito aos substituídos na relação processual. Fl. 1282DF CARF MF 18 Logo, e com base nos próprios argumentos apresentados pela PFN, a questão a ser dirimida ultrapassa o argumento relativo à "lista juntada à petição inicial", mas se refere a definir se "membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante" são apenas aqueles já associados no momento da impetração, ou também aqueles que venham a se associar em momento posterior. . É fato que, no momento da impetração do referido Mandado de Segurança Coletivo, a Contribuinte não era associada à impetrante, vindo essa associação a ocorrer em momento posterior, quando houve a incorporação daquele contribuinte que originalmente adquiriu os insumos sob exame pelo contribuinte efetivamente autuado. Nesse sentido, Alexandre de Moraes, citando Celso Agrícola Barbi, defende: "No tocante à abrangência da decisão judicial, concordamos inteiramente com Celso Agrícola Barbi , no sentido de que serão beneficiários todos os associados que se encontrarem na situação descrita na inicial, pouco importando que tenham ingressado na Associação antes ou depois do ajuizamento do mandado de segurança coletivo, ou mesmo durante a execução de sua decisão, afinal o Poder Judiciário já decidiu pela ilegalidade do ato e consequente proteção ao direito líquido e certo" (MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional, 30. ed., São Paulo: Atlas, 2014. p. 176/177) Cito, ainda, precedentes judiciais que acolhem a mesma tese: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ART. 2ºA DA LEI N. 9.494/97. NÃO APLICAÇÃO À ESPÉCIE. AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO INDIVIDUAL NO FORO DO DOMICÍLIO DO BENEFICIÁRIO. POSSIBILIDADE. EFICÁCIA ULTRA PARTES DA COISA JULGADA. LIMITAÇÃO DA EXECUÇÃO AOS FILIADOS DA FENACEF NA AÇÃO DE CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. APELAÇÃO PROVIDA. 1. Tendo em vista o disposto no art. 109, § 2º, da CF/88, não se aplica à espécie a limitação territorial dos efeitos da sentença prevista no caput do art. 2ºA da Lei n. 9.494/97, uma vez que se trata de ação ajuizada no Distrito Federal. Precedentes deste Regional. (...) 3. "A coisa julgada do mandado de segurança coletivo tem eficácia ultrapartes, o que impõe, em razão do próprio interesse coletivo, que a concessão da segurança aproveite a todos os afiliados da associação impetrante, ainda que se tenham filiado após o ajuizamento da ação" (AC 0004364 49.2011.4.01.3400/DF, TRF1, Rel. Des. Fed. Leomar Barros Amorim, Rel. p/ Acórdão Des. Fed. Maria do Carmo Cardoso, DJe 17/05/2013, p. 577). Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 11 19 4. A teor do entendimento jurisprudencial pátrio, "o art. 5º, LXX, b, da Constituição da República de 1988 autoriza que a associação impetre mandado de segurança coletivo em favor dos interesses de seus associados, o que configura substituição processual e não depende de autorização expressa ou de apresentação de lista de associados" (AMS 2009.34.00.004527 4/DF, TRF1, Oitava Turma, Rel. Des. Fed. Maria do Carmo Cardoso, eDJF1 17/12/2010 p. 2311). 5. Apelação provida. (AMS 005365722.2010.4.01.3400 / DF, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL MARCOS AUGUSTO DE SOUSA, OITAVA TURMA, eDJF1 de 01/07/2016) PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SINDICATO. DEFERIMENTO DE MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DE DESCONTO NOS VENCIMENTOS DOS FILIADOS RELACIONADOS NA EXORDIAL. PERCENTUAL CORRESPONDENTE ÀS GRATIFICAÇÕES INSTITUÍDAS PELOS DECRETOSLEIS N. 2.366/87 E 2.374/87. PEDIDO DE EXTENSÃO DA DECISÃO A OUTROS MEMBROS DA CATEGORIA. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DOS SINDICATOS COMO SUBSTITUTOS PROCESSUAIS DAS CATEGORIAS REPRESENTADAS. DECISÃO REFORMADA. AGRAVO PROVIDO. 1. "Por ser indivisível, o interesse coletivo implica em que a coisa julgada no writ coletivo a todos aproveita, seja aos filiados à entidade associativa impetrante, seja aos que integram a classe titular do direito coletivo" (AgRg no Ag 435851/ PE,Rel. Ministro Luiz Fux, DJ de 19.05.2003, p. 130). 2. O fato de haver sido impetrado o mandado de segurança coletivo relativamente a alguns dos filiados não constitui óbice à extensão da medida liminar a outros membros da categoria, uma vez que "a entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria." (Verbete n. 630 da Súmula do Supremo Tribunal Federal) 3. Agravo provido para, reformandose a decisão agravada, julgar procedente o pedido formulado pelo Sindicatoagravante e, em conseqüência, estender os efeitos da medida liminar deferida no mandado de segurança n. 2003.34.00.0299152/DF aos filiados relacionados às fls. 808/866 dos autos principais (fls. 753/811 no agravo). (AG 003616945.2005.4.01.0000 / DF, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ AMILCAR MACHADO, PRIMEIRA TURMA, DJ p.80 de 31/07/2006) Fl. 1284DF CARF MF 20 Com efeito, dada a natureza da sentença proferida em sede de Mandado de Segurança Coletivo, não vejo como circunscrevêla apenas aos associados no momento da impetração. O Mandado de Segurança, diferentemente do que ocorre nas demais demandas coletivas, tem por objeto muito além de assegurar um direito das partes impetrantes / autoras, mas, essencialmente, atacar abuso de direito incorrido impetrado / réu). Por essa razão, especialmente nessa espécie processual, não vejo cabimento na limitação imposta pela DRJ. Quanto ao terceiro aspecto, este, de fato, deveras debatido neste CARF, tem se a questão da abrangência, justamente, da ordem mandamental proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, se estaria limitada à Autoridade Coatora Impetrada, ou se à Fazenda Pública / União Federal como um todo. A situação fática que se apresenta é: Existe uma decisão transitada em julgado nos autos do citado Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, assegurando às associadas da Impetrante o direito de não serem compelidos a estornar o crédito do IPI incidente sobre as aquisições de matéria prima isenta de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, cuja saída esteja sujeita ao IPI. A questão da aplicabilidade ou não dessa decisão à hipótese fática dos autos, no meu entendimento, é tida por pressuposto pela própria autuação fiscal que, a todo momento, deixa claro que deixa de aplicar tal decisão exclusivamente em razão do fato de que a decisão tem limitação territorial. Não há qualquer alegação no sentido de que a hipótese fática não estaria abrangida pelo MSC em razão de qualquer outra circunstância que não a questão territorial. Tanto a DRJ, como a PGFN em suas contrarrazões, aduzem que a decisão supra referida não alcança a contribuinte, uma vez que esta seria limitada aos atos praticados pelo Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro, jurisdição distinta da do contribuinte. A tese fazendária está pautada na decisão proferida pelo STF nos autos da Reclamação nº 7.778/SP: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 12 21 coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento.(Rcl 7778 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 30/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe094 DIVULG 16052014 PUBLIC 19052014) Vejase, assim, que a referida decisão proferida pelo STF teve por fundamento a aplicação da regra prevista no art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997, que tem a seguinte redação: Art.2oA.A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) Defende a Contribuinte, contudo, que o entendimento manifestado em sede de Reclamação pelo STF não tem aplicabilidade, devendo ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que a alteração promovida pelo 2ºA da Lei nº 9.494/1997 apenas alcançariam as ações coletivas propostas após a sua vigência. Nesse ponto, necessário apresentar um relato fático. O abordado Mandado de Segurança nº 91.00477834 transitou em julgado com decisão favorável à isenção. A Companhia de Bebidas Ipiranga, uma das substituídas, compareceu aos autos e requereu a aplicação da decisão à sua jurisdição (Ribeirão Preto), o que foi deferido pelo juízo singular. A PFN interpôs Agravo de Instrumento (2004.02.01.0132984) e teve a decisão reformada. Entendeu o TRF da 2ª Região que a coisa julgada, embora erga omnes, ficaria restrita aos associados da Impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator, aplicando o disposto no art. 2A da Lei nº 9.494/97 (incluído pela MP 2.180 35 de agosto de 2001). A Cia de Bebidas Ipiranga interpôs Recursos Especial e Extraordinário, respectivamente ao STJ e ao STF. O Recurso Especial recebeu o nº 1.438.361, de relatoria do Ministro Og Fernandes. Em decisão colegiada, foi dado provimento para afastar a aplicação do art. 2A da Lei nº 9.494/97 especificamente quanto ao Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, uma vez que sua impetração ocorreu anteriormente à inclusão do referido dispositivo. Fl. 1286DF CARF MF 22 Essa decisão transitou em julgado em 23 de Fevereiro de 2017. O Recurso Extraordinário outrora impetrado teve reconhecida sua perda de objeto, tendo sido julgado prejudicado pela Min. Cármen Lúcia na condição de Presidente do STF, em decisão proferida em 11 de abril de 2017 e transitada em julgado em 13/05/2017, conforme certidão emitida pelo STF em 15 de maio de 2017. Logo, não resta dúvida no sentido de que, uma vez reconhecido nos autos do Mandado de Segurança Coletivo que sua decisão não está adstrita à jurisdição do órgão prolator, tendo sido afastada a aplicação do art. 2A da Lei nº 9.494/97 (incluído pela MP 2.18035 de agosto de 2001), tendo sido por mim assinalado que o Contribuinte pode se beneficiar da referida decisão, entendo que a despeito da argumentação de direito despendida, há que ser obedecida a determinação judicial transitada em julgado. Não obstante, necessário analisar, ainda, a questão relativa à Reclamação nº 7.778/SP, defendida pela PGFN. Inicialmente, vale salientar que, uma vez tendo concluído que a Contribuinte faz jus ao entendimento firmado no MSC, sequer caberia analisar a questão relativa à Reclamação nº 7.778/SP, que não tem efeito vinculante. Não obstante, a análise é pertinente em razão da possibilidade de entendimentos contrários ao por mim apresentado no presente voto. Pois bem. A referida Reclamação foi apresentada pela mesma Companhia de Bebidas Ipiranga, afirmando que o Delegado da Receita Federal do Brasil se negava a cumprir a decisão judicial transitada em julgado no MSC. O Supremo Tribunal Federal julgou improcedente a Reclamação por entender que o Art. 2A era aplicável ao MSC, indepentendemente da data sua impetração, limitando, portanto, o seu alcance. Sensível não só a essa realidade, mas também ao risco iminente de lesão irreparável ao Patrimônio Público, é que o art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347/1985, trouxe a tempestiva limitação geográfica para o provimento judicial, estabelecendo sua força apenas no território do órgão prolator. Registrese, ainda, que o fato de o MSC nº 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. Ademais, o trânsito em julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997. (grifamos) Como mencionado acima, essa decisão vinha sendo tomada pelo STF em diversas oportunidades, posicionandose quanto à aplicabilidade do disposto no art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997 às sentenças proferidas em sede de mandado de segurança coletivo, ou seja, vinha aplicando exatamente o que restou decidido na referida Reclamação. Citase o seguinte excerto de voto de Relatoria da Ministra Camem Lúcia: Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 13 23 3. Quanto à incidência da Lei n. 9.494/1997 ao Mandado de Segurança Coletivo, o Supremo Tribunal assentou, ao julgar o Agravo Regimental na Reclamação n. 7.778, relator o Ministro Gilmar Mendes, não ter afastado o disposto no caput do art. 2ºA da referida lei (“ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, (...) abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”) ao declarar a inconstitucionalidade do parágrafo único desse artigo. (RE 832689 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 12/05/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe096 DIVULG 21052015 PUBLIC 22052015) Logo, em primeira análise, poderseia entender pela necessidade de aplicação do entendimento do STF no sentido da referida Reclamação. Ocorre que a referida decisão foi objeto de Embargos de Declaração e, em decisão do Relator Ministro Gilmar Mendes, prolatada em 11 de maio de 2017, foi declarada a extinção da Reclamação por perda de seu objeto. A perda de objeto se deu exatamente em razão do trânsito em julgado da decisão do STJ que afastou a aplicação do art. 2A da Lei nº 9.494/97. Desse modo, podese afirmar que a Reclamação foi extinta. Não existe decisão judicial de mérito final nesta reclamação. Não obstante, qualquer discussão nesse sentido resta inócuo nos presentes autos, uma vez que não se pode superar a existência de uma decisão judicial transitada em julgado reconhecendo expressamente que o art. 2ºA da Lei 9.494/97 não se aplica especificamente ao Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, portanto, que a decisão nele proferida se aplica a todos os substituídos, independentemente da sua localização geográfica. Em que pese o fato de a decisão tenha sido proferida em recurso manejado por apenas um dos representados, tenho que tal circunstância não afasta o fato de que a decisão proferida pelo STJ verdadeiramente interpretou a decisão transitada em julgado no MSC. Até porque, seria absolutamente atentatório aos princípios da segurança jurídica e à isonomia que, para um dos substituídos a decisão judicial deva ser interpretada de uma forma (afastar a limitação territorial) e, para os demais, interpretada de modo diametralmente oposto (aplicando a limitação territorial). Por fim, passo ao exame da recente decisão do STF reconhecendo a constitucionalidade do art. 2A da Lei nº 9.494/97, que transcrevo: EXECUÇÃO – AÇÃO COLETIVA – RITO ORDINÁRIO – ASSOCIAÇÃO – BENEFICIÁRIOS. Beneficiários do título executivo, no caso de ação proposta por associação, são aqueles que, residentes na área compreendida na jurisdição do órgão julgador, detinham, antes do Fl. 1288DF CARF MF 24 ajuizamento, a condição de filiados e constaram da lista apresentada com a peça inicial. (RE 612043, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 10/05/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 229 DIVULG 05102017 PUBLIC 06102017) A decisão proferida pelo STJ não afastou a constitucionalidade do art. 2A da Lei nº 9.494/97, mas, apenas, esclareceu que esta não se aplica ao caso concreto, uma vez que o MSC teve sua impetração e também o trânsito em julgado antes da vigência da referida Lei. Ademais, ainda que a decisão que declara a constitucionalidade reconheça a validade da norma desde o início da sua vigência, como dito, a decisão que entendo prepondera não teve o condão de afastar a declaração de constitucionalidade da norma, mas, apenas, afastar sua aplicação a situações anteriores à sua vigência. Nesse sentido, vale ressaltar que é pacífico na doutrina e jurisprudência que a norma processual apenas se aplica às situações ocorridas após o início da sua vigência. Ademais, o art. 2A da Lei nº 9.494/97 em fato, altera a redação da Lei nº 7.347 de 24 de julho de 1985, cujo objeto está assim estabelecido: Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meioambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico(VETADO)e dá outras providências. Assim, não se trata de norma específica ao Mandado de Segurança, em que pese, no direito processual brasileiro, exista ampla convergência entre as diversas formas processuais de tutela do direito coletivo, com a aplicação de normas expressas quanto à uma espécie, a outra distinta. Logo, entendo que todos os créditos cuja glosa foi fundamentada na determinação de estorno do crédito do IPI incidente sobre as aquisições de matéria prima isenta de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, cuja saída esteja sujeita ao IPI, devem ser cancelados em obediência à decisão judicial transitada em julgado. Por fim, quanto à possibilidade de reconhecimento da concomitância, tenho que está é inviável à hipótese dos autos. A concomitância, na própria acepção do vocábulo, pressupõe a ocorrência simultânea. Ou seja, para se falar em concomitância, deveria existir simultaneidade entre a ação judicial proposta pelo contribuinte e a autuação fiscal. E isso não ocorre na hipótese dos autos. A autuação fiscal foi lavrada bastante tempo depois do próprio encerramento da ação judicial e, como visto, em desconformidade com esta. Desse modo, cabe à este órgão julgador efetivamente avaliar se a autuação ocorreu em conformidade ou não com a decisão judicial, jamais reavivar qualquer discussão atinente ao mérito da demanda. Ademais, a "discussão judicial" que se seguiu e se encerrou há pouco, dizia respeito à interpretação da decisão judicial quanto ao seu alcance territorial e não quanto ao mérito reconhecimento do direito ao crédito sobre a aquisição de insumos, da qual sequer foi parte a Recorrente. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 14 25 O instituto da concomitância se aproxima do conceito de litispendência do processo civil, exige "mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido". Na hipótese, o MSC tinha como objeto exclusivamente o reconhecimento do direito ao crédito sobre insumos isentos. E este mérito foi definitivamente julgado anteriormente à lavratura do Auto de Infração. A decisão proferida jamais aplicou qualquer limitação territorial e, mais do que isso, a legislação vigente à época da impetração também não trazia esta limitação. A questão relativa à limitação territorial foi trazida aos autos pela Fiscalização Tributária, indo além daquilo que foi formalizado na decisão judicial transitada em julgado no MSC. E esta discussão, portanto, ficou limitada à este Auto de Infração. A discussão judicial posterior que se travou não diz respeito ao contribunte ora Recorrente e, portanto, não é apta a atrair a concomitância. A conclusão nela obtida está sendo aplicada aos autos na condição de fundamento para por fim à lide administrativa que se formou acerca da sua aplicação. Assim, competia ao agente autuante tãosomente verificar as operações realizadas pela Recorrente e, identificando que estas ocorreram em desconformidade com a decisão judicial, lavrar o tributo que entendia devido. E não foi o que ocorreu, o próprio lançamento fiscal deixa claro que desprezou em absoluto o conteúdo da decisão judicial, por entender que esta não alcançava a Recorrente, efetuando o lançamento como se não existisse qualquer baliza judicial. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO, para determinar o cancelamento do Auto de Infração, posto que lavrado em desrespeito a decisão judicial transitada em julgado a favor da Contribuinte, anteriormente ao lançamento. As demais matérias objeto do Recurso, por conseguinte, perdem objeto, não cabendo sua apreciação por esta Turma Julgadora. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Em que pese o extenso e bem elaborado voto da i. Relatora, a Turma concordou em parte com a sua posição, decidindo por maioria de seus membros, que aplicava se ao caso a concomitância, determinando o não conhecimento do recurso voluntário. Diante da divergência da Relatora e da decisão da turma, fui designado para redigir o voto quanto a posição que restou vencedora. A Relatora entendeu que a Recorrente era parte do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, proferido a favor da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Fl. 1290DF CARF MF 26 CocaCola AFBCC, entidade integrada pela Recorrente NORSA REFRIGERANTES LTDA e enfrentou o mérito referente a aplicação de benefícios fiscais à Recorrente. A turma concordou com a posição da Relatora pela participação da Recorrente no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, entretanto, divergiu quanto a possibilidade de enfrentamento do mérito da lide. O Código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. A concomitância visa impedir a existência de decisões divergentes no processo administrativo, que possam ter posições diferentes no Poder Judiciário, submeter matérias discutidas em ações judiciais ao processo administrativo alem de se mostrar infrutíferas, pois independe da decisão que seja adotada, a decisão que vier a ser adotada pelo poder judiciário sempre será soberana, portanto não existe nenhum sentido processual em discutir na esfera administrativa matéria submetida ao poder judiciário, matéria já amplamente consolidada no nosso ordenamento e objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Considerando, a existência de ação judicial em que a Recorrente é parte e que trata da matéria discutida no presente processo. Resta prejudicada a apreciação administrativa do recurso voluntário, nos termos definidos na súmula 1 do Carf. Quanto a possibilidade de utilização dos benefícios fiscais previstos para a Amazônica Ocidental. Entendo, que para está matéria também não se pode conhecer do recurso. A maioria da turma decidiu pela existência de ação judicial discutindo a aplicação dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. Assim, caso seja analisado a matéria referente a Amazônia Ocidental, a turma estaria enfrentando matéria ligada diretamente ao mérito da presente lide, que já está submetida ao Poder Judiciário, pois se enfrentado a turma teria que se manifestar sobre a aplicação do benefício fiscal referente a Amazônia Ocidental em substituição ou de forma concomitante ao benefício fiscal previsto para a Zona Franca de Manaus. O que implicaria em adentrar a matéria que vai ser dirimida pelo Poder Judiciário, Assim, a turma entendeu por não conhecer da matéria referente ao pedido de aplicação subsidiária do benefício previsto para a Amazônia Ocidental. Diante do exposto, voto, no sentido de acatar a posição da Relatora quanto a participação da Recorrente no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 e não conhecer do restante do recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10469.723099/201562 Acórdão n.º 3201003.452 S3C2T1 Fl. 15 27 Fl. 1292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720259/2016-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave.
Numero da decisão: 2001-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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score : 1.0
Numero do processo: 10860.900008/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos processos relativos a pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação do direito creditório alegado incumbe ao postulante. No caso, diante da ausência de comprovação pela recorrente da legitimidade do crédito de IPI, mormente quando esse sequer foi escriturado nos livros fiscais, não há como acolher a sua pretensão de ressarcimento.
A compensação tributária pressupõe a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado no encontro de contas, nos termos do art. 170 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. ÔNUS DA PROVA. Nos processos relativos a pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação do direito creditório alegado incumbe ao postulante. No caso, diante da ausência de comprovação pela recorrente da legitimidade do crédito de IPI, mormente quando esse sequer foi escriturado nos livros fiscais, não há como acolher a sua pretensão de ressarcimento. A compensação tributária pressupõe a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado no encontro de contas, nos termos do art. 170 do CTN. Recurso Voluntário Negado
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. ÔNUS DA PROVA. Nos processos relativos a pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação do direito creditório alegado incumbe ao postulante. No caso, diante da ausência de comprovação pela recorrente da legitimidade do crédito de IPI, mormente quando esse sequer foi escriturado nos livros fiscais, não há como acolher a sua pretensão de ressarcimento. A compensação tributária pressupõe a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado no encontro de contas, nos termos do art. 170 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 00 08 /2 00 9- 48 Fl. 179DF CARF MF 2 convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITOS DE IPI. NOTAS FISCAIS. DOCUMENTOS ESSENCIAIS A COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA.INDEFERIMENTO. O direito ao crédito do IPI condicionase à apresentação das notas fiscais de aquisição de insumos, que comprovam o direito creditório pleiteado. A parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS ENSEJADORES DE CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito do IPI condicionase, cumulativamente, a que seja efetivamente onerada pelo imposto a aquisição do insumo e que este seja adquirido para utilização no processo de industrialização, bem como esteja compreendido na conceituação de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem estabelecida pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO. É de se manter intacto o despacho decisório quando a manifestação de inconformidade não logra êxito em demonstrar qualquer inconsistência no processamento eletrônico do PER DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre o PERD/COMP n° 40381.84120.030504.1.1.016011, transmitido em 03/05/2004, para ressarcimento/compensação de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 1º trimestre de 2004, no montante de R$83.878,25. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas em face da ausência de apresentação das notas fiscais de entrada, aplicação dos insumos na industrialização de produtos não tributados, bens fora do conceito de insumo, falta de registro dos créditos no Livro Registro de Entradas (LRE) e no Livro Registro de Apuração do IPI (LRAIPI) e ausência de estorno no Livro de Apuração do IPI. A contribuinte apresentou sua defesa, alegando, em síntese, o que se segue: Como os produtos resultantes da industrialização da Manifestante estão sujeitos a alíquota zero, o IPI incidente sobre as aquisições de materiais de embalagens utilizadas na industrialização restaria credor na sua conta gráfica, razão pela qual a Manifestante formulou seu pedido de ressarcimento de créditos de IPI, como previsto no art. 8º da Instrução Normativa nº 21/97, para utilização na compensação com outros débitos. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10860.900008/200948 Acórdão n.º 3402005.211 S3C4T2 Fl. 180 3 O fato é que a Manifestante adquiriu materiais de embalagens com a incidência do IPI, o qual veio incluso no preço da mercadoria, porquanto é seu direito, legal, constitucional e incontestável de apropriálo em seus registros fiscais. A Manifestante não possui débito pelas saídas, portanto, ao proceder ao pedido de ressarcimento dos referidos créditos, cuidou de elaborar planilha demonstrativa de cada documento formador do crédito solicitado. Assim, não há razão alguma para que este crédito não seja reconhecido em sua integralidade, mesmo porque o Despacho Decisório pouco diz a respeito deste não reconhecimento, atendose a afirmar somente que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, em resumo, sob os seguintes fundamentos: Ao contribuinte foi oportunizada por três vezes a possibilidade de apresentação das notas de aquisição de insumos e não houve qualquer movimento nessa direção. Na peça de insurgência, mais uma vez, a contribuinte deixou de apresentar as notas fiscais de entrada ou pelos menos uma amostra delas, além de sequer contestar os motivos do não reconhecimento do direito creditório pela autoridade fiscal. O ônus da prova quando se pede um provimento por parte do Estado pertence ao interessado, e não ao Fisco. A parte que invoca o direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. Cientificada dessa decisão em 25/06/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/07/2016, sustentando, em síntese: O direito ao crédito do IPI relativo a produtos não tributados decorre do princípio constitucional da não cumulatividade previsto no artigo 153, § 3º, II da CF. Resta claro, a garantia do aproveitamento de créditos na não incidência, uma vez que envolvem produtos industrializados. Ademais, o não aproveitamento ou anulação tornariam o imposto cumulativo. A necessidade de o insumo ser consumido no processo fabril, de que trata o Regulamento do IPI, não demanda que este tenha contato direto com o produto em fabricação, sendo este “requisito” verdadeira inovação do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. No caso em comento, as embalagens detentoras dos créditos que a recorrente pretende compensar são intimamente relacionadas ao processo de fabricação do produto final, noutras palavras, a atividade fim da empresa não seria possível, acaso não possa ser acondicionada em embalagens para transporte e acondicionamento. A presente demanda deve ser julgada utilizandose, por analogia, entendimento do STJ pacificado no Resp nº 1.075.508/SC – citado anteriormente, que expressamente prevê a possibilidade de aproveitamento do crédito do IPI. Não se afigura legítima a recusa da administração pública em conceder o crédito, após a verificação de parcela das notas fiscais de entrada, bem como da planilha apresentada pela ora recorrente. É facilmente verificável a ausência de motivação da autuação ora guerreada. Isto porque o próprio Agente Fiscal atesta que houve a entrada de insumos na empresa ora recorrida, em sendo passiveis de crédito, alternativa não resta, se não o deferimento da apropriação, sob pena de ferir de morte o princípio da não cumulatividade. É o relatório. Voto Fl. 181DF CARF MF 4 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Da leitura do Despacho Decisório e do Relatório Fiscal observase que as glosas da fiscalização foram devidamente fundamentadas, não havendo que se falar em falta de motivação. O fato de o autuante mencionar a entrada de bens ou "insumos" no estabelecimento da recorrente, não representa nenhuma contradição com o fato de, em conformidade com a legislação vigente, não ter reconhecido o direito creditório em face da ausência de comprovação das efetivas aquisições, aplicação dos insumos na industrialização de produtos não tributados, bens fora do conceito de insumo, falta de registro dos créditos nos livros e ausência de estorno. Como se sabe, nos casos de pedidos de contribuintes de reconhecimento de direito creditório, como o presente, o ônus da prova é da contribuinte, a quem cabe a demonstração cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99, segundo a regra geral no sentido de que quem pleiteia um direito deve proválo. Não obtendo êxito em seu pleito no despacho decisório, poderia a contribuinte apresentar a documentação que comprovaria o seu direito juntamente com a manifestação de inconformidade, o que não fez a ora interessada. Tampouco no recurso voluntário a contribuinte ocupouse de juntar as provas do seu direito creditório. Conforme prescreve o Regulamento do IPI/2002, em seu art. 196, o direito à utilização do crédito do IPI está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração no Regulamento. Determina o art. 190 do RIPI/2002 que os créditos devem ser escriturados em seus livros fiscais à vista do documento que lhes confira legitimidade.1 1 Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . § 2º No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na efetiva entrada do mesmo no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10860.900008/200948 Acórdão n.º 3402005.211 S3C4T2 Fl. 181 5 No caso, apurou a fiscalização, e não foi infirmado pela interessada no curso do processo, que a contribuinte, além de não cumprir as exigências regulamentares relativas à adequada escrituração do crédito, não apresentou os documentos fiscais das aquisições, apesar das oportunidades que lhe foram oferecidas, como se vê abaixo: (...) Vale dizer, a falta de apresentação da documentação comprobatória de pedido de ressarcimento de créditos do IPI (notas fiscais de compra com a identificação dos insumos), obsta a análise da legitimidade de eventuais créditos e impõe a glosa deles. A fiscalizada não apresentou as notas fiscais de entrada informadas nos PER/DComp sob análise, que foram solicitadas mediante o Termo de Inicio de Fiscalização, de 10/12/2008; o Termo de Intimação no 1, de 28/01/2009 e o Termo de Intimação n° 2, de 10/02/2009. Em resposta a este Ultimo Termo de Intimação, em 12/02/2009, a fiscalizada asseverou, em síntese, que tais notas fiscais de entrada não foram encontradas e solicitou mais 60 (sessenta) dias para apresentálas; sendo prorrogado o prazo, por esta fiscalização, até o dia 20/02/2009. No entanto, até a presente data, a fiscalizada não apresentou a esta fiscalização as aludidas notas fiscais. Desta forma, considerando que cabe ao contribuinte manter sob sua guarda os documentos que conferem legitimidade aos créditos escriturados em seus livros fiscais, nos termos da legislação supracitada, e a não apresentação pela fiscalizada das notas fiscais que conferem legitimidade aos créditos informados nos PER/DC0mp n° 403818412003050411016011 e 108297290211110411013051, temos como imperioso o não acolhimento dos ressarcimentos em comento (...) Sendo assim, cumpre assinalar que a fiscalizada, não obstante pedir o ressarcimento de determinados créditos do IPI, não escriturou tais créditos, pois considerou tais operações como "operações sem crédito do imposto — outras" e, por conseguinte, não consta do LARIPI o saldo credor pleiteado como ressarcimento, conforme cópias anexas do LARIPI e do Livro de Entradas; sendo imperioso, pois, o não acolhimento da totalidade dos créditos do IPI pleiteados pela fiscalizada. (...) A fiscalizada também não cumpriu todas as formalidades dispostas na legislação vigente à época da formalização do pedido em comento, vale dizer, ela não procedeu, no Livro Registro de Apuração do IPI, ao estorno do valor solicitado a titulo de ressarcimento, no período de apuração correspondente à data de sua apresentação (03/05/2004 e 11/11/2004), § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. Fl. 183DF CARF MF 6 assecuratõrio de que tal valor solicitado não seja aproveitado em duplicidade, infringindo, assim, o artigo 15 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30/09/2002, e o artigo 17 da Instrução Normativa n° 460, de 18/10/2004, os quais disciplinavam o ressarcimento e a compensação de créditos do IPI: (...) Assim, diante da ausência de comprovação pela recorrente da efetiva existência das aquisições que amparariam eventual crédito de IPI e da irregularidade na sua escrituração, não há como acolher a sua pretensão de ressarcimento. Ademais, a maioria dos insumos informados pela contribuinte nas planilhas foi aplicada na industrialização de produtos não tributados (NT) (leite, coalhada e bebida láctea), o que afasta o direito creditório nos termos da Súmula CARF nº 20 (Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT"), de aplicação obrigatória pelos membros deste CARF. Com relação à compensação, ela somente seria cabível com a utilização de créditos líquidos e certos do sujeito passivo, conforme determina expressamente o caput do art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909837/2006-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1616; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.909837/200613 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.419 – 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3801003.873, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 37 /2 00 6- 13 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 9303006.419 CSRFT3 Fl. 3 2 Data do fato gerador: 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o tratamento conferido, no acórdão recorrido, às bonificações auferidas pela contribuinte, às quais, ao contrário do entendimento nele adotado, representariam receita tributável pelo PIS/Cofins. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.119 e 3403002.367. O recurso foi admitido mediante Despacho de Exame de Admissibilidade do então Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.418, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.909826/200625, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.418): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. Com efeito, restou decidido, no acórdão recorrido, que as bonificações em mercadorias, ainda que não se qualifiquem como descontos incondicionais, não são receitas tributadas pelo PIS/Cofins em face da gratuidade da operação, equiparandose, assim, a doações. O regime de apuração da contribuinte era o cumulativo. Todavia, em ambos os casos apreciados nos acórdãos paradigmas, os contribuintes foram tributados na sistemática não cumulativa, regime de apuração substancialmente diverso. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 9303006.419 CSRFT3 Fl. 4 3 Há, ademais, ainda duas outras divergências, que, a nosso juízo, impedem a admissibilidade dos recurso especial. É que, enquanto as bonificações aqui tratadas foram concedidas em mercadorias, as bonificações de que tratam os paradigmas foram recebidas em pecúnia. Tratase, neste último caso, de dois grandes supermercadistas, que receberam recursos financeiros de seus fornecedores. Vejam: Acórdão nº 3302002.119: De um lado a fiscalização entende que tais descontos não se enquadram na categoria de incondicionais, por não se tratarem de parcelas redutoras de custo e por não cumprirem os requisitos da IN/RFB nº 51/78, ou seja, não estarem destacadas nas notas fiscais de aquisição. Aduz que, na verdade, o que a Recorrente chama de descontos incondicionais na verdade seria uma remuneração cobrada de seus fornecedores pelos serviços de distribuição de mercadorias e propaganda, bem como valores cobrados referentes a aniversários, inauguração, reforma de lojas, fidelização, não devolução de mercadorias defeituosas, bonificações e fundo de desenvolvimento de negócios. Em síntese todos teriam característica condicional. A Recorrente, por sua vez, aduz que todos os descontos obtidos não representam receita ou acréscimo patrimonial uma vez que são de natureza incondicional. Alega não prestar serviços a terceiros de transporte ou publicidade, bem como afirma não poderem ser consideradas como receitas os descontos recebidos por conta de campanhas promocionais, promoções de aniversário e inauguração de lojas por se caracterizarem como reembolso de despesas. (g.n.) Acórdão nº 3403002.367: A glosa efetuada pelo fisco, ensejadora da autuação, deveuse ao fato de a recorrente ter tributado à alíquota zero determinadas receitas (contas: receitas de promoções,..., cf. relatório), e de não ter computado outras receitas (contas: recuperação ordenado repositores, ..., cf. relatório) na base de cálculo das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS). Na sua defesa (tanto na impugnação quanto no Recurso Voluntário) a empresa sustenta em relação a ambas as situações que se tratam de descontos incondicionais (e, ainda que não o fossem, ad argumentandum tantum, seriam meros reembolsos de despesas, e não receitas). (...) Contudo, além de não constarem nas notas fiscais, os descontos a que se refere o presente caso são contraprestacionais, e não incondicionais. E se há contraprestação, há a possibilidade de incumprimento desta (por mais que se afirme na defesa da recorrente que os fornecedores não fiscalizam efetivamente se o produto está em gôndolas de destaque, etc.). (g.n.) Ora, sabese que nos regimes de apuração cumulativo e não cumulativo as bases de cálculo das contribuições sociais são bem diversas, de modo que, enquanto a base de cálculo no primeiro é o faturamento (na acepção mais moderna, as receitas que decorrem da realização das atividades típicas da pessoa jurídica), no segundo regime é a totalidade das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, excetuadas algumas que as próprias leis que o instituíram expressamente excluiu. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 9303006.419 CSRFT3 Fl. 5 4 A meu sentir, o recurso especial somente se viabilizaria se, em todos os casos confrontados, o regime de apuração fosse o mesmo e se os contribuintes ou fossem todos os recebedores das bonificações (donatários), ou fossem todos os que promoveram a sua entrega (os doadores), porquanto tais circunstâncias se afiguram, a nosso juízo, fundamentais para o deslinde do litígio. Não sendo o caso, não há como conhecer do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da PFN." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000112/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 70 .0 00 11 2/ 20 03 -4 1 Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 840 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 662 a 720), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ (fls. 644 a 654) negando provimento ao petitório recebido como Manifestação de Inconformidade apresentado (fls. 473 a 527), mantendo a negativa ao crédito estampado no PER (fls. 02 a 64) totalmente rejeitado pelo r. Despacho Decisório (fls. 129 Relatório Conclusivo às fls. 127 e 128). O presente processo versa sobre o Pedido de Restituição (PER) na monta de R$ 5.979.238,21, originário de IRRF incidente sobre aplicações financeiras do anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001. Apenso ao presente processo estão os autos dos Processos Administrativo nº 10070.000407/200318, nº 10070.000719/200321, nº 100070.0000628/200396 e nº 10070.000663/200313, cujo objeto são DCOMPs, nas quais fora o utilizado o crédito pleiteado no PER em questão, mas sendo agora julgado nesse feito a homologação dessas compensações. Antes da prolatação do r. Despacho Decisório a Contribuinte apresentou um pedido de retificação do seu PER, requerendo a alteração de seu valor para R$ 5.979.238,21 para R$ 5.266.545,09, juntando documentação fundamentando tal retificação. Importante frisar que, mesmo após a prolatação do r. Despacho Decisório, que negou o crédito em razão da inviabilidade tal compensação de IRRF com outros tributos pela via procedida, a Contribuinte apresentou outras Petições inominadas visando à retificação do seu pleito creditório, inclusive alterando seu valor, motivo e origem (vide fls. 133 a 463). Não houve oposição direta de Manifestação de Inconformidade. Apenas após a prolatação do Despacho da DIORT/EQPEJ (fls. 464 465), que rejeitou as retificações pleiteadas e determinou a cobrança dos débitos, que a Contribuinte apresentou Defesa sobre seu direito creditório, pleiteando ao final que a autoridade administrativa se abstenha de proceder a cobrança dos créditos constantes nos processos administrativos em referência e consubstanciados nas cartas de cobrança encaminhadas à Requerente, remetendoos à autoridade competente para apreciação da "manifestação de inconformidade" anteriormente apresentada. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 841 3 Doravante, reproduzse o completo e esclarecedor relatório da DRJ a quo: Em 17.01.2003, o interessado protocolou Pedido de Restituição (t1.1) de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF sobre Aplicações Financeiras, que discriminou assim (fls.23): 2 O sobredito Pedido veio instruído com os comprovantes de rendimentos às fls.30134 (Unibanco) e 35139 (B.Brasi1). 3 Em 27.11.2003, em petição às fls.42, instruída com os documentos de fls.43/75, sob a alegação de ter cometido erro no cálculo da correção, o interessado solicitou que o valor do pedido fosse retificado de R$ 5.979.238,21 (f1.1. e 23) para R$ 5.266.545,09, como discriminou às fls.43, a saber: 4 Pelo Parecer Conclusivo n° 195, de 26.10.2004 (11s.77179), a Derat/RJO indeferiu o sobredito Pedido, sob o fundamento de que "o 1RRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração...". 5 Em 07.12.2004, o interessado tomou ciência do sobredito Parecer (fis.79). 6 Em petição protocolada em 15.12.2004 (fls.82), o interessado solicitou as seguintes retificações: a) que o Motivo de seu Pedido: de "LRRF s/Aplicações Financeiras — 1998 a 2001" (fl.1), fosse alterado Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 842 4 para "Saldo Negativo de LRPJ/CSLL — exercício1998 a 2002"; e b) que o Demonstrativo de Cálculo passasse de R$ 5.266.545,09 para R$ 9.089.240,17, como discrimina à fis.84: 7 A petição veio instruída com "Demonstrativo do Saldo Negativo do 1RYNCSLL" (fis.84/89). Após, foram juntadas as cópias .de Declaração *de Informações EconômicoFiscais dos anoscalendário de. 1998, recebida em 21. 1.0J.999 (fls.103/146); de:1999, recebida em 29.062000 (fis.14/187); 4.2000, recebida em 28.06.2001 (fis:1881234); de 2001, recebida em 28.06.2002 (fis.2351291) e de 2002, recebida em 26.06.2003 (lis 292/376). 8 Em seguida, em petição às fls.379, 380 e 387, de 25.04.2005, o interessado solicitou fossem incluídas no processo duas Declarações de Compensação que, por erro, haviam recebido o endereço da filial sediada no Estado de Minas Gerais, a saber: 9 A autoridade lançadora proferiu o despacho de fis.395/396, onde se lê: A retificação de pedido de restituição deve obedecer às disposições constantes do artigo 56 da Instrução Normativa SRF n"460, de 2004: Art.56 O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, e, no que se refére à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Diante do exposto, e nos termos da legislação tributária vigente, a retificação solicitada pela interessada não deve surtir os efeitos esperados, tendo em vista que a sua apresentação foi posterior à ciência do Despacho Decisório e Parecer Conclusivo. 10 No mesmo Despacho, a autoridade lançadora encaminhou os autos à cobrança, "tendo em vista a interessada não ter apresentado manifestação de conformidade no prazo de 30 (trinta) dias". Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 843 5 11 Irresignado, o interessado, em petição às fls.403/407, que veio instruída com os documentos de fls. 408/463, diz que em apenas uma semana após ter sido cientificado da decisão, apresentou "a sua insurgência quanto à não homologação das compensações", demonstrando que Se tratava somente e tãosomente de um mero erro material quanto à indicação da origem do crédito a respaldar as compensações pretendidas. 12 Afirma que a autoridade administrativa não poderia ter simplesmente encaminhado para a cobrança os créditos decorrentes das compensações realizadas, uma vez que, dentro do prazo legal, foi apresentada manifestação de inconformidade diante do indeferimento das compensações, peça que, ainda que não corretamente denominada, deveria ter sido recebida como recurso, e encaminhada à autoridade administrativa competente para apreciar a questão. 13 Pede sejam remetidos os autos à autoridade competente para a apreciação da manifestação de inconformidade. 14 À vista da mencionada petição, a autoridade lançadora remeteu os autos a esta DRJRJO1, aos quais vieram apensados os seguintes processos: 15 Nesta Turma, foram acostadas,as consultas de fis.4671570. 16 Relatados. Decido. Encaminhados os autos à 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO1, foi proferido o v. Acórdão ora recorrido, rejeitando totalmente a Manifestação de Inconformidade apresentada, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001,2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITORIO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não comprovado o direito creditório alegado, mantémse o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório alegado e não homologou as compensações declaradas. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 844 6 Solicitação Indeferida Em tal v. Acórdão acatouse em conjunto os esclarecimentos e as retificações feitas antes do r. Despacho Decisório, superando o entendimento objetivo dessa r. decisão de que o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração, tratandoo seu motivo como existência de "saldo negativo", de acordo com a retificação pleiteada, analisando, individualmente por cada anocalendário, a prova de existência e procedência do crédito. Confirase: Anocalendário de 1998 24 No anocalendário de 1998, conforme declaração de rendimentos, o interessado se submeteu à apuração anual do Lucro Real, lendo apurado saldo negativo de imposto de renda a pagar no valor de R$ 100.674,90 (fis.470). (...) 35 Temos, assim, em síntese, que, no anocalendário de 1998: a) o interessado, na declaração, aproveitou 1RRF no valor total de R$ 214.184,05, porém, na consulta à D1RF, por beneficiário, o 1RRF retido sob seu CNPJ soma apenas R$ 9.850,54; b) os comprovantes de • retenção juntados somam apenas R$ 27.151,09; c) não comprovou que os rendimentos foram oferecidos à tributação. 36 Assim sendo, não há como reconhecer ao interessado direito creditório relativamente ao anocalendário de 1998, que, segundo o quadro às fis.84, seria de R$ 100.674,90 (principal). Anocalendário de 1999 37 No anocalendário de 1999, o interessado apresentou duas declarações de 1RPJ : a) a primeira, em 29.06.2000; b) a segunda, em 30.12.2005. (...) 43 Temos, assim, em síntese, que, no anocalendário de 1999: a) ambas as declarações de rendimentos apresentadas estão retidas; b) o IRRF da declaração original passou de R$ 4.193.206,84 para R$ 1.032.275,51; c) em nenhuma das declarações há informação sobre receita auferida; d) não obstante este último valor corresponder ao constante das Dirfs, não há provas nos autos de que os ditos rendimentos tenham sido oferecidos à tributação, tampouco do registro contábil da compensação alegada. (...) Anocalendário de 2000 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 845 7 46 Embora o anocalendário de 2000 não integre o quadro às fis.84, cabe analisálo. 47 No anocalendário de 2000, o interessado apresentou duas declarações de IRPJ: a) a primeira, em 28.06.2001; b) a segunda, em 26.10.2005 (fls.5 11). (...) 53 Temos, assim, em síntese, que, no anocalendário de 2000: a) ambas as declarações de rendimentos apresentadaS estão retidas; b) em nenhuma delas foi informada receita auferida. Anocalendário de 2001 54 No anocalendário de 2001, o interessado apresentou duas declarações de 1RPJ: a) a primeira, em 28.06.2002; b) a segunda, em 26.10.2005 (fis.532). (...) 58 Segundo a consulta SRF às Declarações de IRRF (Dirf), no ano calendário em exame, o interessado figura como sendo beneficiário de rendimentos no total de R$ 11.551.419,67, em face dos quais, as fontes pagadoras declararam retenções no total de 2.468.028,18 (fls.548/551), tal como consta da DIPJ retificadora entregue em 26.10.2005 (fis.545). 59 Os comprovantes de rendimentos da fonte pagadora, referidos no item anterior, constam às fls.30,31 e 35. 60 Como já asseverado na análise dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, cujas razões de indeferimento também aqui se aplicam, o processo administrativo de compensação se submete ao Decreto n° 70.235, de 1972, por força do qual, a manifestação de inconformidade deve vir instruída com provas, que deverão ser apresentadas juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. 61 Neste caso, não obstante o interessado ter declarado que auferiu receitas, não há provas nos autos de que as receitas sobre as quais incidiu o IRRF foram oferecidas à tributação. Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando, em suma, a nulidade do v. Acórdão, por ter deixado de analisar o crédito referente ao IRRF incidente sobre as aplicações financeiras o anocalendário de 2002, que deu tratamento contábil e tributário plenamente lícito e adequado às receitas e despesas dos períodos, inclusive em fase préoperacional, não sendo procedente as conclusões alcançadas no v. Acórdão recorrido acerca da prova da existência do saldo negativo que deu origem ao crédito, bem como pugna pela realização de diligência/perícia, a fim de que reste comprovado que os "saldos negativos" de "IRPJ/CSLL" referentes aos anoscalendários (sic) de 1998 a 2001 decorreram de sua "fase préoperacional", entre outros. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 846 8 Encaminhado o processo a este E. CARF, os autos foram inicialmente distribuídos a I. Relator da C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, que acabou por entender ser incompetente seu Órgão de Julgamento, devendo ser os autos encaminhados para esta C. 1ª Seção (fls. 772 e 723). O processo acabou sendo depois sorteado para outro I. Relator, agora desta C. 1ª Seção, o qual declarouse impedido para julgar (fls. 724 a 729). Ainda, os autos acabaram sendo encaminhados para Turma Especial, sendo proferido despacho do novo I. Relator, declinando sua competência em razão de valor de litígio superior a alçada de julgamento daquele Colegiado (fls. 730 e 731). Não obstante, a Recorrente compareceu novamente aos autos, por meio de Petição inominada, trazendo fatos novos, alegando no interregno entre a apresentação do multicitado Pedido de Restituição e a redistribuição do Recurso Voluntário interposto no bojo do Processo Administrativo nº 10070.000112/200341, parte substancial do direito creditório vindicado pela PETICIONÁRIA no presente feito administrativo, restou reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, culminando com a consequente extinção dos débitos tributários objeto do referido feito. Diante de tal alegação e documentos comprovando tais fatos, requer adicionalmente i) a exclusão, do presente Processo Administrativo, dos valores compensados e pagos no bojo do Processo Administrativo nº 16682.901562/201222; e, ii) o prosseguimento do feito em relação ao reconhecimento do direito creditório atinente aos saldos negativos do "IRPJ" e da "CSLL" dos anoscalendário 1998, 1999, 2000 e 2002, eis que o crédito relativo ao saldo negativo do "IRPJ" do anocalendário 2001 já foi integralmente reconhecido através do Despacho Decisório nº 022413180 (fls. 736 a 819). Em razão da apresentação de tal requerimento, o feito foi encaminhado ao I. Presidente da 1ª Seção de Julgamento que recebeu o Petitório como memoriais, dentro da ótica das previsões regimentais deste E. Conselho, determinando a ciência da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e a inclusão do processo em Lote para sorteio (fls. 820 e 821). Ciente dos novos fatos, alegações e documentos, a PGFN apresentou petição, na qual afirma que, em atenção aos fatos novos trazidos pelo contribuinte, fazse necessária a realização de diligência para que a Receita Federal se pronuncie sobre a possível extinção dos débitos indicados nas declarações em anexo (fls. 823 e 824). Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 847 9 Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 848 10 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se extrai do relatório supra, foi noticiado nos autos fatos novos, que, se confirmados, alterariam o objeto de julgamento desta lide, em face da suposta liquidação dos débitos, então confessados nas DCOMPs objeto dos processos apensos (cujas compensações dependem do julgamento do crédito aqui debatido), utilizando direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 para tanto, tendo havido seu reconhecimento e homologação parcial do pleito (e o restante teria sido recolhido pela Contribuinte). Como fica claro, se procedentes tais afirmações, a abrangência do litígio em tela ficaria reduzida com a confirmação externa de grande parcela do direito pretendido. Para um melhor esclarecimento, confirase trechos das alegações da Recorrente: Em 30 de dezembro de 2005, a PETICIONÁRIA apresentou á Secretaria da Receita Federal do Brasil ("RFB"), o Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação ("PER/DCOMP") nO00391.22044.301205.1.2.029687, posteriormente retificado pelo de nO36967.77350.130907.1.6.028532, em 13 de setembro de 2007, onde o crédito atinente ao saldo negativo de "IRPJ" do anocalendário 2001, no valor histórico de R$ 2.468.028,18 (dois milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, vinte e oito reais e dezoito centavos), foi indicado para a quitação dos nove débitos listados nos autos do presente processo administrativo Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 849 11 A única divergência quanto aos débitos confessados em duplicidade, verificouse em relação ao "IRPJ" da competência de março de 2003. Enquanto na primeira Declaração de Compensação foi informado o valor de R$ 2.266.239,44 (dois milhões, duzentos e sessenta e seis mil, duzentos e trinta e nove reais e quarenta e quatro centavos), para o aludido débito, na segunda, foi requerida apenas a compensação parcial do mesmo, no valor de R$ 1.260.858,45 (um milhão, duzentos e sessenta mil, oitoce~tos e ciflquenta e oito reais e quarenta e cinco centavos). À exceção de tal divergência, todos os demais débitos indicados no bojo do presente processo administrativo, foram também objeto do "PER/DCOMP" posteriormente apresentado pela PETICIONÁRIA, embasado no crédito decorrente do saldo negativo de "IRPJ" apurado no anocalendário 2001. É dizer, no "PERlDCOMP" apresentado em 2007, o qual foi embasado no crédito decorrente do saldo negativo de "IRPJ" apurado no ano calendário 2001, foram novamente confessados todos os nove débitos indicados no Processo Administrativo n º 10070.000112/2003.41, excetuandose, como visto, uma parcela do débito de "IRPJ", da competência de março de 2003, tendo sido requerida a sua compensação apenas no montante de R$ 1.260.858,45 (um milhão, duzentos e sessenta mil, oitocentos e cinquenta e oito reais e quarenta e cinco centavos). Analisando o "PER/DCOMP" nº 36967.77350.130907.1.6.028532, foi proferido o Despacho Decisório nº 022413180, em 04 de maio de 2012, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Doc: nº 03),onde o saldo negativo de "IRPJ" do anocalendário 2001, no montante total de R$ 2.468.028,18 (dois milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, vinte e oito reais e dezoito centavos), apurado pela PETICIONÁRIA, foi integralmente homologado. (...) Nesse ponto, impera salientar que, o crédito objeto do Despacho Decisório nº 022413180 (Doc.nº 3), muito embora tenha sido integralmente validado, não foi suficiente para extinguir todos os nove débitos confessados. Dos dois débitos faltantes, a compensação de um deles foi apenas parcial "CSLL" da competência de março de 2003 enquanto que a do outro restou indeferida "IRPJ da competência de março de 2003. Em razão da não quitação integral dos nove débitos confessados, o Despacho Decisório nº 022413180 (Doc. nº 3) indicou um saldo remanescente que deveria ser recolhido pela PETICIONÁRIA, para que fosse reconhecida a extinção integral de todos os débitos confessados em duplicidade, e que restaram incluídos no Processo Administrativo nº 16682.901562/201222. Objetivando ver reconhecida a extinção integral de todos os débitos arrolados no Processo Administrativo nº 16682.901562/201222, a PETICIONÁRIA efetuou o pagamento do saldo remanescente indicado Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 850 12 no aludido Despacho Decisório, conforme os comprovantes ora juntados (Doc. nº 04). Para provar o alegado, a Recorrente juntou DCTF do 1º Trimestre de 2003, sua DIPJ do exercício 2004, cópias das novas DCOMPs, cópia do Despacho Decisório homologatório correspondente e de Comprovantes de Arrecadação em relação às parcelas dos débitos não abrangidas pelas compensações homologadas (fls. 743 a 819). Posto isso, e analisando tais alegações, bem como a documentação que lhe instrui, parece muito plausível a efetiva homologação da compensação dos débitos do 1ª Trimestre e de IPI de abril de 2003, com o saldo negativo de IRPJ de 2001, principalmente diante da cópia do Despacho Decisório proferido nos autos do processo nº 16682.901562/2012 22. Contudo, tal fato também aponta também para uma possível utilização em duplicidade de crédito oriundo do mesmo evento (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001), que vinha sendo apurado precisamente nessa demanda. Essa eventual duplicidade não foi detectada e nem apontada como elemento impeditivo em tal decisão administrativa confirmatória das novas DCOMPs. Tal fato lança certa obscuridade na análise do presente feito. Não obstante, e muito importante, a própria PGFN não se manifestou pela manutenção das decisões desse processo administrativo que negaram o crédito pretendido, requerendo a realização de diligência, deixando claro seu entendimento pela plausibilidade das afirmações da Contribuinte. Confirase: Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 851 13 O contribuinte alega que, no curso deste processo, apresentou PER/DCOMP por meio da qual teria indicado como crédito o saldo negativo de 2001 no valor de R$ 2.468.028,18 para compensação dos débitos anteriormente confessados nas declarações em apenso, vinculadas ao presente processo. (...) Aduz ainda que teria efetuado o pagamento do saldo remanescente indicado no despacho decisório proferido no âmbito desta última compensação. Contudo, a documentação juntada nesta oportunidade, por si só, não se mostra hábil para confirmar as alegações do contribuinte. Deste modo, por segurança, e, em atenção aos fatos novos trazidos pelo contribuinte, fazse necessária a realização de diligência para que a Receita Federal se pronuncie sobre a possível extinção dos débitos indicados nas declarações em anexo. Por todo o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer a determinação da realização de diligência para que Receita Federal se manifeste sobre a alegada extinção dos débitos tratados neste processo. (destacamos) Em consulta efetuada por este Conselheiro ao banco de dados do comprot, referente ao andamento do Processo Administrativo nº 16682.901562/201222, verificouse que este encontrase arquivado1, reforçando a situação de homologação e quitação dos débitos apontados, supostamente coincidentes com aqueles confessados nas DCOMPs dos processos apensos ao presente. Temos então situação atinente a conexão processual (ainda que com demanda extinta, supostamente de forma favorável à Recorrente), fato modificativo do direito da Contribuinte e, consequentemente, incerteza quanto à extensão do objeto litigioso dessa demanda. Ainda que o debate sobre o crédito referente aos demais anoscalendário tratados no v. Acórdão (1998, 1999, 2000) e a alegação de ausência de apreciação do saldo negativo formado no anocalendário de 2002 não sejam temas diretamente afetados por tal fato novo, a delimitação da matéria sob julgamento e quaisquer medidas de saneamento processual devem ser adotadas preliminarmente ao julgamento definitivo do feito. 1 https://comprot.fazenda.gov.br/comprotegov/site/index.html#ajax/processoconsultadados.html Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 852 14 E deve se considerar que a própria PGFN, representante processual da Fazenda Pública federal, requereu expressamente a realização de diligência para confirmar as alegações trazidas incidentalmente. Realmente, como apontado pela I. Procuradora, a documentação não basta para a confirmação cabal e inequívoca do ocorrido, ainda que seja contundente indício (tanto assim é que não houve oposição à precedência do alegado). Tal situação se agrava pela possível ocorrência de duplicidade na utilização do crédito. Acrescentese que a Secretaria da Receita Federal possui sistemas de controle de créditos e compensações, bem como de seu acompanhamento, com possibilidade de cruzamento de informações presentes nas declarações prestadas pela Contribuinte e por terceiros, podendo com técnica, precisão e segurança confirmar as informações estampadas na documentação trazida, confirmando ou contradizendo as afirmações agora apresentadas. O que se apresenta é a legítima necessidade de diligência, medida que inclusive atende ao pleito de ambas as Partes do processo. Podese também, na mesma oportunidade, confirmar outras alegações, tendo em vista que r. Despacho Decisório proferido neste feito, há mais de 14 anos, apenas rejeitou objetivamente o crédito (sem a análise de documentos e declarações), por entender que o IRRF não é compensável diretamente como outros tributos. Após tal trabalho administrativo, prestados esclarecimentos e confirmações, poderá ser precisamente delimitado o objeto litigioso desse processo administrativo, seu valor e implicações, procedendose então, definitivamente, à formação da convicção necessária ao julgamento, seja em relação às matérias preliminares ou meritórias. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar diligência, remetendose os autos à N. Unidade Local, para que, analisando a documentação acostada as fls. 743 a 819 e esclarecimentos/tabelas às fls. 736 a 741, determinese: 1) se há identidade entre os débitos compensados no Processo Administrativo nº 16682.901562/201222, bem como quitados por meio de pagamento expresso nos Comprovantes de Arrecadação juntados, com aqueles referentes às competências de janeiro, fevereiro, março e abril 2003 compensados/confessados nas DCOMPs objeto dos Processos Administrativos nº 10070.000407/200318, 10070.000628/200396, 10070.000663/200313 e 10070.000719/200321, conforme a tabela explicativa abaixo exprime: Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10070.000112/200341 Resolução nº 1402000.571 S1C4T2 Fl. 853 15 2) caso positivo, confirmar se o saldo negativo de IRPJ anocalendário de 2001 utilizado nas compensações do Processo Administrativo nº 16682.901562/201222, coincide com aquele declarado e utilizado no PER de fls. 2 a 64, documentado também nas fls. 66 a 463. 3) Verificar se as retenções de IRRF incidentes sobre as aplicações financeiras, que formaram os saldos negativo dos anos calendário de 1998, 1999, 2000 e 2002, conforme documentadas às fls. 02 a 463, são compatíveis com as DIRFs correlatas, bem como se a Contribuinte devidamente ofertou suas receitas correspondentes à tributações, ainda que em períodos subsequentes, considerando o período préoperacional da companhia. 4) Poderão ser solicitadas informações e documentos à Contribuinte, bem como procederse a mais diligências necessárias. 5) Elaborar Relatório formal, explicando e fundamentando, conclusivamente, as confirmações solicitadas e a eventual procedência do crédito pretendido pela Contribuinte. 6) Deverá ser dada ciência à Recorrente do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 854DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.722855/2014-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução levantados em conformidade com a lei, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência.
Numero da decisão: 9101-003.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução levantados em conformidade com a lei, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência.
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MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução levantados em conformidade com a lei, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do períodobase de incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 28 55 /2 01 4- 11 Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13888.722855/201411 Acórdão n.º 9101003.599 CSRFT1 Fl. 899 2 Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 1401001.676, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O procedimento de análise de despesas deduzidas é bastante conhecido. A Fiscalização intima o contribuinte para comprovar que suas despesas estão suportadas em documentos hábeis. Não o sendo feito, elas são glosadas, tendo o contribuinte o direito de comproválas ao longo do processo administrativo fiscal gerado mediante apresentação de Impugnação. Como a Recorrente não o fez em nenhum momento, apenas desviando a atenção para alegações de direito, deve ser mantida a glosas das despesas. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA MULTA ISOLADA. Ainda que com algumas divergências, tem se consolidado nesta turma a interpretação da Súmula nº 105 do CARF, apresentada a esta turma pelo Conselheiro Guilherme Mendes, no sentido de que não pode haver concomitância entre as multas isoladas e de ofício. "Concomitância", no entanto, significa que a multa isolada não pode ser maior do que a multa de ofício após a sua multiplicação por 2/3. Em outras palavras, a multa isolada é cancelada desde que sua base de cálculo seja igual ou menor à base de cálculo da multa de ofício. Como neste caso concreto, após multiplicadas as multas de ofício por 2/3, os valores são idênticos aos das multas isoladas, exceto por uma diferença de R$ 0,01 no caso da CSLL, devem ser canceladas ambas as multas isoladas." De acordo com o voto condutor do aresto recorrido, a partir da vigência da Lei nº 11.488/2007, quando o valor total da multa isolada superar o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, devese cancelar a multa de ofício e manter a isolada, ou seja, devese sempre absorver a multa de menor valor para evitar a concomitância, como um desdobramento da Súmula CARF nº 105, pois, desse modo, evitase o problema de se afastar a multa isolada e manter a multa de ofício quando o valor daquela é maior que o valor dessa. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 15/08/2016, à efl. 797. Recurso Especial da Fazenda Nacional interposto no dia 19/09/2016, à efl. 19/09/2016, à efl. 818. Nessa oportunidade, alegouse divergência em relação ao entendimento que prevaleceu no nos acórdãos nº 1101001.057 e 1802001.592. No mérito, aduziuse o seguinte: 1) a recorrida deve pagar a multa disposta no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, porquanto não se configura, no presente caso, hipótese que dispense a exigência; Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13888.722855/201411 Acórdão n.º 9101003.599 CSRFT1 Fl. 900 3 2) a teor do referido dispositivo legal, a multa isolada é devida em função do não pagamento das estimativas, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa; 3) no caso, não há dúvida de que o recorrido optou por recolher o IRPJ e a CSLL pelo regime de estimativa. Por outro lado, também não há dúvida de que o recorrido descumpriu o regime, pois não recolheu integralmente as estimativas e não justificou o não recolhimento mediante a apresentação dos balancetes de suspensão ou redução; 4) a Turma a quo manifestou que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser cobrada juntamente com a multa de lançamento de ofício porque não cabem duas penalidades sobre a mesma infração; 5) a aplicação da multa de ofício, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no artigo 44, inciso II, alínea b, da mesma lei foi aplicada em razão do descumprimento, pelo recorrido, do modo de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada (art. 2º da Lei 9.430/96); 6) Com efeito, as infrações apenadas pela chamada multa de ofício e pela multa isolada são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa; 7) a sistemática de recolhimento por estimativa se justifica diante da necessidade que arrecadação, por parte da União, precisamente para fazer face às despesas em que incorre também nesse período. Caso não houvesse essa antecipação mensal, a União apenas teria acesso a receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e da CSLL ao final do ano calendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do Ajuste Anual; 8) a multa de ofício somente será devida caso exista tributo a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do ano calendário, não reste tributo a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e da CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do tributo. Intimação para a apresentação de contrarrazões à efl. 834. Edital eletrônico de 02/11/2016, fixando prazo para a apresentação de contrarrazões, à efl. 837. Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13888.722855/201411 Acórdão n.º 9101003.599 CSRFT1 Fl. 901 4 Na interposição do presente Recurso Especial, reuniramse os requisitos de admissibilidade. Adotando os fundamentos do Despacho às efls. 820/830, conheço do apelo a esta instância. Conforme descrevem os autos de infração de IRPJ e CSLL, o recorrido não comprovou despesas que havia contabilizado, reduzindo o lucro líquido do anocalendário de 2011. Essa glosa também foi considerada nos balanços de suspensão e redução dos meses do mesmo anocalendário, refletindose na apuração de estimativas inferiores àquelas verdadeiramente devidas. Como consequência dessa redução, a Fiscalização aplicou a multa isolada, calculada sobre as diferenças de estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas. De início, é preciso assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do tributo por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento integral das estimativas. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; " Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em exame depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao Fl. 901DF CARF MF Processo nº 13888.722855/201411 Acórdão n.º 9101003.599 CSRFT1 Fl. 902 5 recolhimento mensal de antecipações de um provável IRPJ e CSLL devidos ao final do ano calendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13888.722855/201411 Acórdão n.º 9101003.599 CSRFT1 Fl. 903 6 A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução regularmente levantado. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução regular, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas devidas. Vale dizer, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de um regular balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. No caso concreto, as estimativas apuradas em balanço de redução foram calculadas sob a influência de despesas não comprovadas que estavam refletidas naqueles balanços, reduzindo a base de cálculo das anteditas estimativas. Essas despesas não comprovadas não deveriam ter sido computadas no cálculo dos resultados mensais apurados em cada balanço de redução. Considerando que as despesas não comprovadas são substancialmente extrínsecas a balanços de redução levantados de acordo com as regras jurídicas de determinação das bases de cálculo das estimativas, as diferenças correspondentes às parcelas das estimativas indevidamente reduzidas (portanto, indevidamente não recolhidas), não estando lastreadas em balanço de suspensão ou redução juridicamente válido, atraem a incidência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, nos termos do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, como bem elucida o artigo 15, § 1º, da IN SRF nº 93/1997, Fl. 903DF CARF MF Processo nº 13888.722855/201411 Acórdão n.º 9101003.599 CSRFT1 Fl. 904 7 Em face do exposto e à luz dos argumentos aqui arrolados, devese conhecer do Recurso Especial fazendário para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 904DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000550/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 50 /2 00 9- 35 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11634.000550/200935 Acórdão n.º 1301003.087 S1C3T1 Fl. 126 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0639.380, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração – DEBCAD 37.211.0088, cadastrado no COMPROT sob nº 11634.000550/200935, lavrado contra C. H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA, para constituir o crédito relativo a contribuições previdenciárias (contribuição dos segurados), devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e a sócioadministrador, no período de 07/2007 a 11/2008 , totalizando R$ 413,62 (quatrocentos e treze reais e sessenta e sete centavos). 2. Em razão de a autuada ter deixado de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, com base no disposto no art. 337 do Decreto Lei nº 2.848/1940, restou formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais. 3. Cientificada em 03/09/2009 (fl. 50), a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 54/64, em 02/10/2009, alegando, em síntese: a) presume a autoridade administrativa que a Requerente efetuou pagamentos a título de ajuda de custo “sem caráter indenizatório” e, embora detenha o dever de provar tal fato, não o fez. A verdade é que os pagamentos realizados representam ressarcimentos decorrentes da utilização de veículos próprios em razão de atividades esporádicas exercidas fora da sede da empregadora, exigindo deslocamento, motivo pelo qual devem ser excluídas as contribuições calculadas sobre tais valores, nos termos do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91; b) a penalidade (multa) não se sustenta quer pela própria improcedência do auto de infração, quer pela inexistência de ajuda de custo com natureza de verba remuneratória ou, ainda, pela ilegalidade material frente aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) todos os dados, fatos e informações obtidos pela fiscalização encontramse registrados nos livros contábeis, inclusive a ajuda de custo, presumida pela autoridade fiscal como remuneratória, não havendo como aceitar a existência de tipificação da sonegação de contribuição previdenciária. Assim, requer a Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11634.000550/200935 Acórdão n.º 1301003.087 S1C3T1 Fl. 127 3 nulidade da representação fiscal para fins penais, quer pelo vício formal quer pelo excesso de poder ao indicar processamento antes da decisão definitiva do procedimento administrativo de apuração de eventuais débitos. 4. O presente Auto de Infração foi apensado ao processo nº 11634.000419/200978. 5. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a empresa autuada apresenta seu Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou vários processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias relativo a contribuições previdenciárias (contribuição dos segurados), devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e a sócioadministrador, no período de 07/2007 a 11/2008 , totalizando R$ 413,62 (quatrocentos e treze reais e sessenta e sete centavos), em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados e de seu sócioadministrador. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11634.000550/200935 Acórdão n.º 1301003.087 S1C3T1 Fl. 128 4 (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício. Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias em remunerações de seus empregados e de seu sócioadministrador, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11634.000550/200935 Acórdão n.º 1301003.087 S1C3T1 Fl. 129 5 Fl. 130DF CARF MF
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