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Numero do processo: 13884.722782/2016-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime o contribuinte a apresentar comprovação documental de que os rendimentos são de aposentadoria e laudo médico oficial para comprovação da moléstia grave (mal de Alzheimer), vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização de diligência, por entender que caberia ao sujeito passivo ter juntado a prova ao seu recurso.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime o contribuinte a apresentar comprovação documental de que os rendimentos são de aposentadoria e laudo médico oficial para comprovação da moléstia grave (mal de Alzheimer), vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização de diligência, por entender que caberia ao sujeito passivo ter juntado a prova ao seu recurso. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
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score : 1.0
Numero do processo: 10552.000464/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 28/02/2006
EMBARGOS. ERRO DE FATO.
Constatada a ocorrência de erro de fato na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos.
Numero da decisão: 2401-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o voto do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 28/02/2006 EMBARGOS. ERRO DE FATO. Constatada a ocorrência de erro de fato na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos.
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score : 1.0
Numero do processo: 15504.012725/2009-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.599 1 1.598 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.012725/200993 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.708 – 2ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria Contribuições Previdencárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 27 25 /2 00 9- 93 Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 15504.012725/200993 Acórdão n.º 9202006.708 CSRFT2 Fl. 1.600 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402002.883, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 10 de julho de 2012 (efls. 465 a 472). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTUAÇÃO. ANULAÇÃO. Constituído o lançamento com base em premissa equivocada, há o desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício material. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI Nº 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI Nº 8.212/91. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica “Empregador x Empregado”. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação, independentemente de prévia inscrição do contribuinte no PAT Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Recurso voluntário provido em parte. Decisão: por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade por vício material no levantamento relativo a PLR, vencidos Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exclusão das parcelas relativas ao auxílioalimentação, ao Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 15504.012725/200993 Acórdão n.º 9202006.708 CSRFT2 Fl. 1.601 3 abono único e a participação estatutária da diretoria executiva, PLE. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 26/11/2012 (efl. 473) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, inicialmente, embargos de declaração de efls. 474 a 478, rejeitados consoante elementos de efls. 481 a 483. Novamente enviados os autos à PGFN em 07/03/2014 (efl. 484), esta apresenta, em 17/03/2014 (efl. 495), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 485 a 494). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 13/03/2012, no Acórdão 2401002.335, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 2401002.335 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL VALE REFEIÇÃO PAGAMENTO IN NATURA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Estando ou não a empresa inscrita no PAT, incide contribuições previdenciárias sobre o pagamento de vale refeição que não for pago in natura. O fornecimento de tickets aos segurados é considerado pagamento em espécie. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda quanto à matéria que: a) De acordo com o previsto no art. 28 da Lei no. 8.212, de 1991, para o seguradoempregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Desse modo, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991; b) De fato, conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição, a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321. Portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura”, o que não abrange ticket (cartão) e ressarcimento de custos. Cita jurisprudência do CARF a propósito; Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 15504.012725/200993 Acórdão n.º 9202006.708 CSRFT2 Fl. 1.602 4 c) O Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º do Decreto nº 5, de 1991 que regulamenta o programa; d) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Dessarte, ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212. de 1991, o que vai de encontro com a legislação tributária. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga “in natura” não integra o saláriodecontribuição. Nesse sentido é a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ); e) Convém registrar que a Lei n°. 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212, de 1991, conforme demonstrado. A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento, a fim de que seja reformada a decisão recorrida. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 497 a 500. Encaminhados os autos à autuada e devedores solidários para fins de ciência, ocorrida em 04/05/16 (efls. 527 a 539), somente a, a contribuinte ofereceu, em 19/05/16 (efl. 540), contrarrazões tempestivas de efls. 541 a 548, onde: a) Conforme se verifica do Relatório de Fiscalização, a justificativa para a autuação em relação ao auxílio alimentação foi a de que “estes benefícios foram concedidos sem a devida inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT no período auditado, já que o Comprovante de Inscrição apresentado pelo sujeito passivo é datado de 20/03/1997”; Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 15504.012725/200993 Acórdão n.º 9202006.708 CSRFT2 Fl. 1.603 5 Podese notar, desta forma, que o motivo que levou a Fiscalização a entender que o vale alimentação deve se submeter à incidência das contribuições previdenciárias foi unicamente o de que o Recorrido teria concedido tais benesses sem que, no entanto, estivesse inscrito em algum Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. E foi, portanto, com base nestas alegações que o Recorrido apresentou sua Impugnação, na qual questionou o fato de que a inscrição em PAT é indiferente para a verificação da incidência das contribuições sobre esta verba; b) Delimitada a discussão acerca do vale alimentação neste ponto específico, qual seja, se a falta de inscrição no PAT pressupõe a tributação desta parcela, A partir da leitura do acórdão recorrido, notase que a matéria objeto de análise foi a incidência das contribuições previdenciárias sob a ótica da necessidade, ou não, da inscrição da empresa em PAT. Já o acórdão paradigma analisou questão diversa, qual seja, a incidência destas contribuições no pagamento da verba alimentícia nos casos em que é concedida por meio de ticket. Ou seja, a questão analisada nos dois acórdãos é distinta, de forma que não há a divergência exigida para a admissibilidade do Recurso Especial. Inclusive, o próprio acórdão paradigma reconhece a desnecessidade de inscrição no PAT: “No caso do levantamentos “vale Refeição”, estando a empresa, inscrita ou não no PAT, esta verba somente não sofreria incidência de contribuição se não fosse paga em dinheiro”. E essa constatação também foi confirmada pela própria Fazenda no seu Recurso Especial. Para forçar o cabimento do Recurso, alegouse, sem o devido critério, que a divergência entre os acórdãos reside no conceito do termo “in natura”. Ora, o significado do termo “in natura” não foi objeto de deliberação pelos Conselheiros do CARF em momento algum. Verificase, portanto, que a União Federal somente trouxe a discussão acerca do pagamento, se "in natura", ou por meio de ticket, no seu Recurso Especial. Assim, notase claramente que o que pretende a Recorrente é trazer à discussão matéria nova, a qual não foi suscitada em nenhum momento processual, nem mesmo em sede de Embargos de Declaração. Desta forma, não pode a União alterar o critério jurídico para autuação nesta fase, uma vez que tal matéria não foi objeto de discussão ao longo do processo; c) Por isto, requer o Recorrido, desde já, não seja admitido o Recurso Especial interposto pela União Federal, devido à evidente ausência de divergência existente entre o acórdão recorrido e o paradigma; d) Quanto ao mérito, entende que o entendimento restritivo da Recorrente já foi superado tanto pelo STJ, quanto pelo próprio CARF. Com base nos recentes julgados destes Tribunais, evidenciase que a expressão “in natura” de que cuida a Lei n. 8.212/91, abarca as concessões de vale alimentação feitas por meio de tickets (Cita o RESP 1.185.685/SP, onde relata que o entendimento adotado é o de que a concessão do benefício alimentação por meio de tickets, não desclassifica, por si só, a sua natureza não contraprestacional e, ainda, jurisprudência do CARF no sentido de ser abarcada pela expressão "in natura"); e) Ressalta que não remanescem dúvidas nestes autos quanto à natureza alimentícia da verba paga, conforme consignou a própria DRJ/BHE ao asseverar que “no presente caso, constatase que, de fato, o contribuinte incorreu em despesas relacionadas com o custeio de alimentação de seus empregados em período no qual não estava inscrito no Programa de Alimentação do trabalhador” (fls. 1.253/1.253v). Visto isso, é importante advertir que o oferecimento da alimentação pelo Recorrido é opcional. Se assim o faz, é com o Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 15504.012725/200993 Acórdão n.º 9202006.708 CSRFT2 Fl. 1.604 6 único intuito de melhorar as condições de trabalho de seus empregados. Por isso é que não tem a referida prestação o intuito de remunerar o trabalho. De fato, o fornecimento da alimentação pelo Recorrido visa, tão somente, o aumento da produtividade e eficiência funcionais, de forma que o auxílio não se presta a remunerar o empregado, que não terá direito de recebêlo nos períodos de interrupção do trabalho (férias, icença média etc.). Dessa forma, da análise do auxílio alimentar ofertado pelo Recorrido,resta evidente seu caráter nãosalarial. Tratase de benesse fornecida para o trabalho e não pelo trabalho, sendo, por certo, despida de natureza remuneratória, não podendo se sujeitar, então, às contribuições previdenciárias; Dessa forma, analisandose todo este conjunto jurisprudencial, aliado às razões expostas pelo Recorrido, certo é que o entendimento da Recorrente, no sentido de que há a incidência de contribuições previdenciárias sobre o vale alimentação oferecido por meio de ticket, já se encontra superado há anos, razão pela qual deve ser negado provimento ao Recurso Especial. Requer, assim, (i) seja inadmitido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, (ii) ou, acaso se chegue a tanto, seja julgado improcedente o Recurso, mantendose, assim, o acórdão recorrido. De se notar, por fim, que as efls. 570 e seguintes referemse a saneamento do processo, por anexação de folhas anteriormente faltantes (fl. 202 a 1200, constituindose nos volumes II a VI do processo) . É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto à insurgência contra a caracterização de divergência levantada em sede de contrarrazões, entendo que as razões de decidir do Colegiado paradigmático envolvem considerações relacionadas à forma de pagamento do auxílioalimentação em litígio (dependendo a nãoincidência da caracterização como pagamento "in natura", que ali não ocorre, pois tratase de pagamento em tickets, tido como equivalente a em pecúnia), considerações estas não realizadas pelo relatório fiscal e, assim, nem pelo recorrido. Assim, diante da situação fática sob análise, seria impossível dizer se concluiria o Colegiado paradigmático pela incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre a rubrica de auxílio alimentação. Explico. Notese que não há, aqui, efetiva comprovação ou acusação de que os valores tenham sido disponibilizado em tickets, independentemente da regular inscrição ou não no PAT. O que há é um pagamento que, por ter sido feito à empresa Ticket S.A., podese supor ter sido em tickets e não "in natura" (apesar de, notese, se fazer menção, ali, a despesas realizadas consoante notas fiscais e recibos), sem que haja, porém, nenhuma comprovação ou acusação neste sentido, conforme relatório fiscal à efl. 39, verbis: Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 15504.012725/200993 Acórdão n.º 9202006.708 CSRFT2 Fl. 1.605 7 (...) as contribuições foram apuradas com base nos valores pagos a título de alimentação aos segurados empregados, conforme despesas realizadas em pagamento de notas fiscais/ recibos, tendo como favorecida a empresa Ticket Serviços S.A., CNPJ 47.866.934/000174, lançadas a débito da conta de despesas 8.1.7.27.00.31.10 DESPESAS DE PESSOAL BENEFÍCIOS PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. Tais valores encontramse individualizados nas Folhas de Pagamentos ( evento 291 Alimentação Empresa) apresentadas pela empresa em meio magnético (...)" Assim, realizado o teste de aderência, dependeria a ocorrência de decisão divergente quanto à matéria litigada entre os Colegiados recorrido e paradigmático (não incidência vs. incidência), de tal incerta suposição, não se podendo caracterizar, em meu entendimento, assim, a existência de divergência interpretativa. Assim, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1605DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901241/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DAPROVA. ERRO DE FATO.CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação.
Embora intimado, em procedimento de diligência fiscal solicitada pelo CARF, o contribuinte não produziu prova do alegado erro de fato que teria implicado, indevidamente, pagamento e confissão em DCTF de débito inexistente.
A redução ou exclusão do débito confessado em DCTF requer, necessariamente, a comprovação do alegado erro de fato.
Numero da decisão: 1301-002.867
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DAPROVA. ERRO DE FATO.CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. Embora intimado, em procedimento de diligência fiscal solicitada pelo CARF, o contribuinte não produziu prova do alegado erro de fato que teria implicado, indevidamente, pagamento e confissão em DCTF de débito inexistente. A redução ou exclusão do débito confessado em DCTF requer, necessariamente, a comprovação do alegado erro de fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DAPROVA. ERRO DE FATO.CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. Embora intimado, em procedimento de diligência fiscal solicitada pelo CARF, o contribuinte não produziu prova do alegado erro de fato que teria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 12 41 /2 00 6- 32 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 221 2 implicado, indevidamente, pagamento e confissão em DCTF de débito inexistente. A redução ou exclusão do débito confessado em DCTF requer, necessariamente, a comprovação do alegado erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 222 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (efls. 70/78) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls.61/63) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 15/08/2003, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela Internet a Declaração de Compensação Tributária n° 18799.36934.150803.1.3.04.0206 (efls. 28/34), informando: a) Crédito: R$ 50.000,00 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 31/03/2003, código de receita 6012 (CSLL demais PJ que apuram o IRPJ pelo Lucro Real Balanço trimestral), data de arrecadação 30/04/2003, valor original do recolhimento DARF R$50.000,00 (efl. 106); b) Débito: PIS (Código de receita 2912 PIS não cumulativo Lei 10.637/02), Período de Apuração maio/2003, data vencimento: 13/06/2003, assim discrimnado: Débito original: R$ 51.485,00. Em 23/11/2007, a DRF/Brasília expediu o Despacho Decisório (eletrônico), efl. 35, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 50.000,00. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada (...). Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 223 4 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN).Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 03/12/2007 Aviso de Recebimento AR (efls. 36 e 43), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/12/2007 (efls. 02/05), juntando ainda documentos ( efls. 06/39 e 45/59), cujas razões, em resumo, são as seguintes: que, devido a erro de apuração (problemas na escrituração contábil), recolheu em 30/04/2003 valor estimado a título de CSLL, ou seja, R$ 50.000,00, relativo ao 1° trimestre/2003, código de receita 6012. Cópia do comprovante de pagamento (efl. 106); que o valor, assim recolhido, foi confessado como sendo o débito da CSLL do referido PA na DCTF transmitida em 15/05/2003 (efls. 07/16); que, entretanto, não houve débito apurado desse PA, conforme DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 17), transmitida em 29/06/2004, onde consta consignado que restara apurado base de cálculo negativa da CSLL para o 1° trimestre/2003, no valor de (R$ 1.844.082,16). Ou seja, nesse PA não houve apuração de débito de CSLL (efls. 12/22); que o crédito pleiteado é existente, em face do pagamento indevido ou a maior, faltando apenas fazer a retificação da DCTF; que se trata de mero erro de pagamento e preenchimento da DCTF; logo, com base no art. 147, § 2°, do CTN, seria hipótese para a autoridade administrativa corrigir de ofício a referida declaração (DCTF primitiva). A 4a Turma da DRJ/Brasília, no mérito, julgou a manifestação de inconformidade improcedente não reconhecendo o crédito pleiteado, pois faltou à contribuinte comprovar o alegado erro de fato quanto pagamento indevido e indevida confissão na DCTF, ou seja, faltou comprovar a liquidez e certeza do alegado crédito, conforme Acórdão, de 11/11/2011 (efls.61/63), cuja ementa e voto condutor transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Nos termos da legislação de regência, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 224 5 Voto (...) Em consulta aos documentos acostados aos autos, verificase que na DCTF do 1º Trimestre de 2003 apresentada pela interessada constou débito de CSLL de R$50.000,00 (fl. 06), enquanto que na DIPJ 2004 a contribuinte declarou base de cálculo negativa da contribuição e, por conseguinte, não apurou CSLL a pagar (fl. 18). Com base apenas na divergência entre a DIPJ e a DCTF a interessada requer a retificação de ofício da DCTF e o consequente reconhecimento do direito creditório objeto da Dcomp em questão. Contudo, essa divergência por si só não pode ser aceita como prova da existência do indébito de CSLL informado na Dcomp que aqui se aprecia. Mais do que isso, seria necessária a apresentação de documentos que demonstrassem a certeza e liquidez do referido indébito. Os balancetes de fls. 23/25 não são suficientes para comprovação do erro alegado. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme reza a legislação tributária (art. 5º do DL n.° 2.124, de 1984, e demais atos normativos da SRF pertinentes a DCTF), a retificação por parte do declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único). Assim, para comprovar eventual erro na apuração da CSLL declarada na DCTF, bem como a existência do crédito reclamado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos deste processo seus registros contábeis e fiscais, acompanhado de documentação hábil, de modo a infirmar a motivação que levou a autoridade fiscal a não reconhecer o crédito e, em consequência, não homologar o Per/Dcomp. Demais disso, a retificação de declarações somente se legitima enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, consoante §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional e antes da ciência do despacho decisório. Nesse contexto, revelase correta a motivação do Despacho de não homologação da compensação, por inexistência de crédito, pois, na data de sua emissão, o Darf informado como origem do direito creditório estava integralmente vinculado a débito declarado pela contribuinte e já regularmente extinto. (...) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 225 6 Ciente desse decisum, em 15/07/2011 sextafeira, por AR (efl. 65), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/08/2011 segundafeira (efls.70/78), juntando ainda documentos de efls. 79/106, aduzindo em suas razões, in verbis: que a decisão a quo deve ser reformada e reconhecido o crédito, bem como extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação; que os documentos e as planilhas, até então carreados aos autos, já seriam provas hábeis e suficientes a comprovar a conduta contábil e fiscal, quanto a operações realizadas no referido período de apuração; que, além das razões do recurso, juntou ainda alguns documentos (cópia de folhas do LALUR, contendo transcrição do balancete do 1º trimestre/2003, apuração base de cálculo negativa, e cópias da conta contábil despesa com CSLL, valor R$ 50.000,00 do PA 1º trimestre/2003 e conta contábil CSLL a compensar (efls. 103/105); que o processo administrativo pautase pelos princípios da verdade material e do informalismo; que não é dado ao julgador administrativo deixar de apreciar questões que fragilizem ou lancem por terra direito creditório; que somente se exija dos administrados estritamente o pagamento dos tributos no montante devido; que exigir do contribuinte mais do que é devido configura enriquecimento ilícito, violação dos princípios da razoabilidade e do não confisco; que a Administração Pública deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade; que o art. 5°, XXXV, da CF estatui: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito"; que o crédito pleiteado existe, e não há qualquer óbice para que se proceda a apuração da sua liquidez e certeza, sob pena de negativa de vigência dos princípios da eficiência, legalidade, moralidade e do não confisco. Em face dos argumentos da contribuinte e documentos juntados aos autos, na Sessão de 03/03/2015, a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para instrução processual complementar (complementação de provas pela contribuinte), conforme Resolução nº 1802000.622 – 2ª Turma Especial (efls. 119/125), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente: (...) Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência do erro de fato. Compulsando os autos, constatase que a contribuinte juntou: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 226 7 a) cópia do comprovante de pagamento da CSLL do PA 31/03/2003, valor de R$ 50.000,00, código de receita 6012, data de arrecadação 30/04/2003 (efl. 106); b) cópia da DCTF primitiva, onde confessou débito da CSLL do referido PA, no valor de R$ 50.000,00 (efls. 07/16); c) cópia de fragmento da DIPJ 2004, anocalendário 2003 (juntou cópia apenas da Ficha 17), constando apuração de base de cálculo negativa da CSLL no valor de (R$ 1.844.082,16) para o 1° trimestre/2003 (efls.18/22); d) cópia de balancete do PA março/2003 de apuração da base de cálculo negativa da CSLL (efls. 24/26); e) cópia do Livro de Apuração do Lucro Real 1° trimestre/2003 Parte A Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício (efls. 100/101); f) cópia das Contas Despesa com CSLL e CSLL a Compensar (e fls. 103/105). Entretanto, a contribuinte não trouxe aos autos elementos de prova de sua escrituração contábil quanto ao PA objeto do crédito pleiteado para comprovação, de forma cabal, da ocorrência do alegado erro de fato que implicara confissão de débito a maior na DCTF, ou seja: a) falta cópia dos livros Razão e Diário do anocalendário 2003, mormente do 1° trimestre PA 31/03/2003; b) falta juntar cópia completa da DIPJ 2004, anocalendário 2003 (não se sabe houve, ou não, CSLL a pagar no ajuste anual e respectiva quitação) e se a CSLL dos demais trimestres foi paga ou não. c) faltou juntar cópia dos Balanços Trimestrais do AC 2003 (1°, 2°, 3° e 4°). Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Brasília a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil (livros Razão, Diário, documentos de suporte etc) e fiscal (Balanços trimestrais, LALUR), comprovar o alegado erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (divergência dos dados da DCTF primitiva e a DIPJ 2004, anocalendário 2003, quanto ao 1° trimestre/2003); Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 227 8 b) verifique, à luz da escrituração contábil/fiscal, a existência, ou não, do pretenso crédito da CSLL R$ 50.000,00 (valor original) do PA 1° trimestre/2003 e, caso existente, se preenche os requisitos de certeza e liquidez e se está disponível para compensação com o débito PIS confessado na DCOMP objeto deste processo; c) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e caso existente, se está ou não disponível para compensação do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos); d) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (...) Realizada a Diligência Fiscal pela Diort da DRF/Brasília, os resultados foram apresentados no Relatório de Informação Fiscal de 10/05/2017 juntados aos autos (efls. 163/164), e intimada a contribuinte dos resultados desse Relatório, em 18/05/2017 (efls. 212/215), juntou manifestação nos autos em 14/06/2017 (efls. 201/111). É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 228 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. A admissibilidade do Recurso Voluntário já fora realizada na Sessão de 03/03/2015, quando a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.622– 2ª Turma Especial, voto condutor de minha Relatoria, na época (efls. 119/125). Realizada a diligência fiscal, os autos retornaram ao CARF, e foram distribuídos a esta 1ª Turma/3ª Câmara/1ª SEJUL para minha Relatoria, em face do disposto no art. 49, §§ 5º, 6º e 7º, Anexo II, RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 49 (...) ........................................................................................................ §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. §7º Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em colegiado integrante de outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para o novo colegiado. Efetuada essa explicitação, passo analisar o recurso. Inexistindo preliminar, enfrento o mérito da lide. Nas razões do recurso, a recorrente suscitou os seguintes pontos em relação ao direito creditório demandado da CSLL, quanto ao 1º trimestre/2003, em síntese: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 229 10 que, devido a erro de apuração (problemas na escrituração contábil), recolheu em 30/04/2003 valor estimado a título de CSLL, ou seja, R$ 50.000,00, relativo ao 1° trimestre/2003, código de receita 6012. Cópia do comprovante de pagamento (efl. 106); que o valor, assim recolhido, foi confessado como sendo o débito da CSLL do referido PA na DCTF transmitida em 15/05/2003 (efls. 07/16); que, entretanto, não houve débito apurado desse PA, conforme DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 17), transmitida em 29/06/2004, onde consta consignado que restara apurado base de cálculo negativa da CSLL para o 1° trimestre/2003, no valor de (R$ 1.844.082,16). Ou seja, nesse PA não houve apuração de débito de CSLL (efls. 12/22); que se trata de mero erro de pagamento e preenchimento da DCTF; logo, com base no art. 147, § 2°, do CTN, seria hipótese para a autoridade administrativa corrigir de ofício a referida declaração (DCTF primitiva); que o crédito pleiteado é existente, em face do pagamento indevido ou a maior, faltando apenas fazer a retificação da DCTF; que não há qualquer óbice para que se proceda a apuração da sua liquidez e certeza, sob pena de negativa de vigência dos princípios da eficiência, legalidade, moralidade e do não confisco; que o art. 5°, XXXV, da CF estatui: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Como já mencionado antes, em face dessa argumentação da contribuinte e insuficiência de provas, existindo dúvida do julgador quanto à existência do alegado erro de fato que implicara o pagamento da CSLL do 1º trimestre/2003 e confissão do débito na DCTF do respectivo trimestre (período de apuração), na Sessão de 03/03/2015 a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência a fim de que a contribuinte pudesse produzir provas, juntar aos autos cópia da escrituração contábil (livros Diário e Razão) no sentido de comprovar o alegado erro de fato, nos termos do art. 147,§ 1º, do CTN, conforme Resolução nº 1802000.622 – 2ª Turma Especial (efls. 119/125). A propósito, quanto ao débito da CSLL confessado em DCTF transcrevo a disciplina legal para sua modificação, redução ou exclusão de débito (Arts. 141 e 147, I, do CTN), in verbis: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Art. 147. (...). § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 230 11 Intimada em procedimento de diligência, a contribuinte não conseguiu comprovar o alegado erro de fato que pudesse justificar a retificação da DCTF (exclusão do débito confessado da CSLL do 1º trimestre/2003), ou seja, não conseguiu comprovar o fato constitutivo do direito de crédito alegado. Nesse sentido, transcrevo o resultado da diligência, constante da Informação Fiscal Diort/DRFBrasília/DF Nº 0494/2017, de 10 de maio de 2017 (efls. 163/164), realizada por solicitação Resolução 1802000.622 – 2ª Turma Especial (folhas 119 a 125), do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: (...) a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil (livros Razão, Diário, documentos de suporte etc) e fiscal (Balanços trimestrais, LALUR), comprovar o alegado erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (divergência dos dados da DCTF primitiva e a DIPJ 2004, anocalendário 2003, quanto ao 1º trimestre/2003); b) verifique, à luz da escrituração contábil/fiscal, a existência, ou não, do pretenso crédito da CSLL R$ 50.000,00 (valor original) do PA 1º trimestre/2003 e, caso existente, se preenche os requisitos de certeza e liquidez e se está disponível para compensação com o débito PIS confessado na DCOMP objeto deste processo; c) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e caso existente, se está ou não disponível para compensação do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos); d) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. 2. O item a) foi cumprido, quando da intimação na folha 137. A Contribuinte respondeu com os documentos das páginas 156 a 161. 3. Quanto ao item b), o CARF pede uma análise à luz da escrituração contábil/fiscal do objeto da discussão administrativa. A Contribuinte por três vezes interagiu com o processo. Quando do recurso à Delegacia de Julgamento da Receita Federal (DRJ, folhas 2 a 40); quando do resultado improcedente da DRJ e recurso ao CARF (folhas 70 a 106); e finalmente quando da intimação por determinação do CARF, cuja resposta foi apresentada no item 2 (folhas 156 a 161). Essas foram as oportunidades de a Contribuinte apresentar os documentos contábeis e fiscais para justificar seu direito creditório. Reforçase que esse era o tema da intimação do item a), conforme citado no item 2. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 231 12 4. Em nenhuma dessas oportunidades foram apresentados documentos contábeis. Nas folhas 18 a 22, apresentouse a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) para o período em que a Contribuinte alega ter crédito. Nas folhas 24 a 26, apresentouse uma planilha. Esta planilha apresenta o resultado da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que é a origem do pretenso crédito. Nas folhas 100 e 101 há cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) do período e tributo em foco. 5. Os documentos apresentados, como citado, não são contábeis. Temos, sim, dois documentos fiscais e uma planilha (documento sem formalidade). Todavia, apesar da ausência de documentos contábeis, podese afirmar que os papéis fiscais são harmônicos em dizer que, para a apuração em questão (1º trimestre de 2003), a Empresa não teve crédito tributário de CSLL apurado. Ao contrário, teve saldo negativo desse tributo. E que, portanto, o pagamento realizado para essa competência seria indevido. 6. Para a existência de crédito em favor da Requerente, duas ocorrências deveriam acontecer. A primeira é o pagamento de CSLL realizado pela Requerente. Conforme os documentos postos no processo e incontestes, houve o pagamento de R$ 50.000,00 de Contribuição Social para o 1º trimestre de 2003. 7. A segunda ocorrência necessária é a apuração do fato gerador igual a zero. A apuração ocorreu na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF). Na DCTF do 1º trimestre de 2003 (folha 07) há a constituição do crédito tributário de CSLL no valor de R$ 50.000,00 (contrariando diretamente os documentos nãocontábeis citados no item 5). A DRJ analisou essa DCTF, à luz da DIPJ e dos documentos apresentados. E concluiu que, apesar da divergência, não havia a comprovação de erro para rever a DCTF. Como até a presente data não foi apresentado outros documentos, e nenhum documento contábil, a conclusão permanece a mesma. 8. Assim, à luz dos documentos apresentados e considerando as conclusões anteriores, não há revisão da DCTF e, portanto, não há pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para o 1º trimestre de 2003, em atendimento à determinação c) do CARF 9. A última determinação do CARF é que, deste documento, a Contribuinte tome ciência. E que, a partir dessa data, tenha 30 dias para manifestarse novamente. Assim, encaminhase esta Informação Fiscal para ciência e, após o prazo de 30 dias, este processo será encaminhado para continuidade, no Conselho de Recursos Fiscais. (...) Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 232 13 Intimada a contribuinte dos resultados desse Relatório de Diligência, em 18/05/2017 (efls. 212/215), juntou manifestação nos autos em 14/06/2017 (efls. 201/111), assim manifestouse nos autos, in verbis: (...) A comprovação documental foi feita através da escrituração contábil correspondente aos registros contábeis do crédito do pagamento indevido de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), com as seguintes rubricas: "CSLL a compensar pagamento a maior" rubrica n° 1.1.3.08.06, conforme partida contábil CTB9049, de 01/04/2003; "Contribuição Social sobre o Lucro" rubrica nº 2.1.3.02.00, conforme partida contábil TES2747, de 30/04/2003; "Despesas de Contribuição Sobre o Lucro Líquido" rubrica n° 5.9.2.00.00, reclassificando a despesa de CSLL indevidamente contabilizada anteriormente, conforme partida CTB9049, de 01/04/2003 e extratos contábeis apresentados junto à Manifestação de Inconformidade (fls. 103 à 105). Com essas considerações, não assiste razão à RFB, que desconsiderou a DCTF retificadora encaminhada pela empresa e alegou a inexistência de comprovação através de documentação contábil apta. (...) Não assiste razão à recorrente na sua pretensão. Adoto, como razão de decidir, a conclusão da relatório de Informação Fiscal, já transcrito acima, cujo resultado foi, embora intimada no procedimento de diligência fiscal, a contribuinte não produziu prova do alegado erro de fato na apuração da CSLL do 1º trimestre/2003 que pudesse justificar a exclusão do débito confessado na DCTF, nos termos arts. 141 e 147,§1º, do CTN e comprovar o fato constitutivo do crédito demandado, sua existência, liquidez e certeza. Aqui uma correção, consta do relatório de diligência que a contribuinte não teria juntado aos autos documentos de sua escrituração contábil, antes da diligência. Porém, conforme relatado, após a decisão da DRJ a contribuinte juntou documentos aos autos, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, como: cópia de folhas do LALUR, contendo transcrição do balancete do 1º trimestre/2003 (apuração base de cálculo negativa), e cópias da conta contábil despesa com CSLL R$ 50.000,00 PA 1º trimestre/2003, seu estorno, e conta CSLL a compensar (efls. 103/105). Entretanto, por serem elementos de provas insuficientes para formação da convicção julgador quanto à existência do alegado erro de fato que pudesse justificar a exclusão do débito confessado na DCTF (CTN, arts. 141 e 147,§1º). por isso, da solicitação de realização da diligência pela então 2ª Turma Especial do CARF no sentido de proporcionar à contribuinte a complementação das provas. Porém, como demonstrado no relatório de diligência já transcrito, a contribuinte não juntou outras provas da sua escrituração contábil. Assim, não restou Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 233 14 comprovado nos autos pela recorrente o alegado erro de fato na apuração da CSLL de R$ 50.000,00 do 1ª trimestre/2003, pois persistem as seguintes dúvidas, indagações sem resposta, nos autos: 1) Pelo qual houve essa imensa discrepância na apuração da CSLL do PA 1º trimestre/2003? Primeiro, a contribuinte apurou débito da CSLL R$ 50.000,00 (base de cálculo positiva da CSLL, portanto), efetuou o pagamento desse valor e confessou na DCTF do respectivo período de apuração (referido valor como débito) e, por último, foi apurado débito R$ 0,00 de CSLL, base de cálculo negativa da CSLL para o mesmo PA na DIPJ. Ora, como já dito, para desconstituir o débito confessado na DCTF, necessário é comprovar, de forma cabal, o erro de fato, com fulcro nos registros da escrituração contábil e documentos de suporte. Demonstrar as duas situações (1ª apuração e última apuração para o mesmo PA), com registros contábeis e documentos de suporte. 2) O que gerou essa discrepância de resultados entre a primeira e a última apuração da CSLL do PA 1º trimestre/2003? Necessário a contribuinte comprovar as duas situações, ou seja, as duas apurações (a primeira e a última do PA 1º trimestre/2003), com a escrituração contábil e documentos de suporte. Demonstrar, de forma cabal, pelo qual ocorreu essa discrepância entre as apurações: a primeira e a última. A contribuinte não logrou êxito em demonstrar o erro de fato que justificaria a última apuração da CSLL como correta, débito (R$ 00,00), e não a primeira débito da CSLL R$ 50.000,00. A recorrente, como autora do pedido de crédito no processo de compensação tributária (pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório de suposto pagamento indevido da CSLL do PA 1º trimestre/2003 para extinção do débito confessado na DCOMP, por compensação tributária), tem o ônus de produzir prova do fato constitutivo do direito creditório alegado, sua liquidez e certeza. Vale dizer, à luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constitutivo do direito creditório alega do contra o fisco (CPC Lei 13.105/2015, art. 373, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Assim, não restou comprovado nos autos o alegado erro de fato e, por conseguinte, também não restou comprovado a existência do direito creditório pleiteado, sua liquidez e certeza nos termos do art. 170 do CTN. Logo, não se homologa a compensação tributária informada, objeto dos autos. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10166.901241/200632 Acórdão n.º 1301002.867 S1C3T1 Fl. 234 15 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.000945/2006-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/07/2001 a 31/07/2001, 21/08/2001 a 31/08/2001, 11/03/2003 a 20/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. INCLUSÃO.
No cálculo do crédito presumido do IPI, a receita de exportação deve ser apurada com utilização da taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data do embarque das mercadorias exportadas.
Numero da decisão: 9303-006.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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AUTO DE INFRAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FCA FIAT CHRYSLER AUTOMOVEIS BRASIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/07/2001 a 31/07/2001, 21/08/2001 a 31/08/2001, 11/03/2003 a 20/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. INCLUSÃO. No cálculo do crédito presumido do IPI, a receita de exportação deve ser apurada com utilização da taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data do embarque das mercadorias exportadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 09 45 /2 00 6- 88 Fl. 832DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 833 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3402001.754, proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência decorrente da diferença do crédito presumido apropriado no terceiro decêndio de julho de 2001. Este processo se refere a auto de infração que exige IPI, com multa de ofício e os juros moratórios correspondentes, para fatos geradores ocorridos no segundo decêndio de março de 2003, no terceiro decêndio de julho de 2001 e no terceiro decêndio de agosto de 2001. A autoridade lançadora constatou que a contribuinte deixara de declarar e de recolher parte do imposto e se apropriara de créditos lançados a título de correção monetária de créditos escriturados extemporaneamente. A exigência tributária foi impugnada apenas em relação à exigência da diferença verificada no terceiro decêndio de julho de 2001, no valor de R$ 236.665,18 (duzentos e trinta e seis mil seiscentos e sessenta e cinco reais e dezoito centavos), com a alegação de que a planilha de cálculo utilizada pela fiscalização se apoiou na Lei n° 9.363, de 1996, quando, de fato, a contribuinte optou por calcular o crédito presumido na forma da Lei n° 10.276, de 2001. Em seu recurso voluntário a contribuinte alegara, em resumo, que a diferença encontrada na apuração do crédito presumido do IPI referese a diferenças nos valores das receitas de exportação e operacional bruta decorrentes de variações cambiais ocorridas entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do efetivo embarque da mercadoria para o exterior. O colegiado de 2º piso deu provimento ao recurso. O acórdão recorrido restou assim ementado: CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. TAXA DE CÂMBIO. No cálculo do crédito presumido do IPI, a receita de exportação deve ser apurada com utilização da taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data do embarque das mercadorias exportadas. Devidamente Cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, contestando o Acórdão e apontando divergência jurisprudencial com relação à inclusão na receita de exportação, para o cálculo do crédito presumido do IPI, da variação cambial das mercadorias exportadas apurada com utilização da taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data do embarque . Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 3103001.527 e 20178588. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 834 3 Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por entender que foi comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 794/798. A Contribuinte apresentou contrarrazões, ás fls.803/810. No essencial é o Relatório. Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de auto de infração lavrado para formalizar a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com multa de ofício e os juros moratórios correspondentes, decorrente de fatos geradores ocorridos no segundo decêndio de março de 2003, no terceiro decêndio de julho de 2001 e no terceiro decêndio de agosto de 2001. De acordo com o relatório fiscal, ensejou a formalização da exigência tributária a existência de diferença na apuração do crédito presumido do IPI entre os valores das receitas de exportação e operacional bruta decorrentes de variações cambiais ocorridas entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do efetivo embarque da mercadoria para o exterior. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 835 4 A DRJ de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do contribuinte, entendendo pela impossibilidade de inclusão da variação cambial pela empresa no cálculo da receita de exportação. O processo seguiu o trâmite e subiu ao CARF por meio de recurso voluntário, julgado pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção, que, por maioria dos votos, deu provimento ao apelo do contribuinte para considerar como receita de exportação a diferença relativa ao câmbio entre a data da emissão da nota fiscal e a data do efetivo embarque. Por sua vez, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, contestando o acórdão e apontando divergência jurisprudencial no sentido de que a variação cambial ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal e a data do efetivo embarque não compõe a receita de exportação. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigmas, os acórdãos nº 3103001.527 e 20178588. Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido a divergência jurisprudencial, não foi observado que á data da admissibilidade do recurso, ocorrido em 28/07/2015, o Supremo Tribunal Federal STF, já havia concluído o julgamento do Recurso Extraordinário nº 627.815/PR, submetido ao rito do artigo. 543 do CPC, no qual a Corte decidiu que as receitas advindas de variações cambiais ativas compõe a receita de exportação. Vejamos: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando conseqüências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 836 5 afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal". Como se vê, a receita de variação cambial ativa deve submeterse ao mesmo regime jurídico das receitas de exportação, dessa forma, os acórdãos paradigmas não se prestam a comprovar divergência, considerando que adotaram o entendimento de que as receitas de variação cambial seriam receitas financeiras, diametralmente oposto de receita de exportação. Diante de tudo que foi exposto, no esteio do artigo 67, parágrafo 12, IV, do Regimento Interno do CARF "multivigente", os acórdãos paradigmas contrariam decisão transitada em julgada, nos termos do artigo 543B do CPC, portanto, não tomo conhecimento do Recurso interposto. Como fui vencido em relação ao conhecimento do recurso, quanto ao mérito nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional com fundamento no RE nº 627.815/PR, submetido ao rito do artigo. 543 do CPC, no qual a Corte decidiu que as receitas advindas de variações cambiais ativas compõe a receita de exportação. E caso não seja esse o entendimento, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº CSRF nº 9303003.043, de 12/08/2014, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A Lei 9363 autoriza a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Para efeito de apuração da receita bruta de vendas nas exportações, existe ato normativo específico, disciplinando a matéria. Refirome ao disposto nos itens I e II da Portaria MF nº 356, de 05 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: Fl. 836DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 837 6 I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) De acordo, com os referidos comandos normativos, o valor da receita de venda na exportação é determinado com base na taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Somente a variação no preço em moeda nacional decorrente da alteração da taxa câmbio, ocorrida após a referida data e o fechamento do contrato de câmbio, será tratada como variação monetária passiva ou ativa, conforme o caso. Corrobora o asseverado, o disposto no inciso I do art. 6º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que em complemento ao estabelecido na lei instituidora do incentivo fiscal em destaque, determinou que a relação das notas fiscais relativas às exportações diretas deveria conter, dentre outros dados, a data do embarque da mercadoria para o exterior, a qual, nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex, conforme determinado no inciso I do art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. O mesmo entendimento foi manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit), conforme exposto no excerto da Solução de Consulta nº 10, de 17 de junho de 2002, a seguir transcrito: A receita de vendas nas exportações de bens, com o valor expresso em moeda estrangeira, será convertida em reais à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos bens para o exterior. Considerase como data de embarque dos bens para o exterior aquela averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Assim, embora a lei instituidora do incentivo determine que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins e, subsidiariamente, com base na legislação do Imposto de Renda e do IPI (art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996), por ser específica, o disposto no itens I e II da Portaria MF nº 356, de 1988, não conflita com o estabelecido no art. 9º5 da Lei nº 9.718, de 27 de Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 838 7 novembro de 1998, que trata das variações monetárias concernentes apenas aos “direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Como na operação de exportação, os direitos de crédito surgem após o embarque da mercadoria para o exterior, logo, somente após a referida data, eventual variação na taxa de câmbio será tratada como despesa ou receita financeira, respectivamente, de variação monetária passiva ou ativa, itens que integram a receita operacional da pessoa jurídica, segundo a legislação do Imposto de Renda. Logo, para efeito do benefício fiscal em apreço, a receita de exportação é considerada efetivada, no ato da entrega do bem ao comprador, ou seja, na data de embarque da mercadoria, que nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex. Em decorrência, qualquer variação no preço do produto, especialmente, em decorrência da variação na taxa câmbio entre a data de emissão da nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimentos e a data de embarque, deve ser objeto de nota fiscal complementar de preço, conforme expressamente determinado no parágrafo único do art. 19 da Lei nº 4.502, de 1964". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13603.000945/200688 Acórdão n.º 9303006.664 CSRFT3 Fl. 839 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Fui designado para elaborar o voto vencedor somente em relação ao conhecimento do recurso especial que, ao contrário do ilustre relator, com a devida vênia, entendo que é o caso de ser conhecido. Como visto o relator votou por não conhecer do recurso especial sob o argumento de que na data da análise de sua admissibilidade, o STF já havia concluído o julgamento do Recurso Extraordinário nº 627.815/PR, submetido ao rito do artigo. 543 do CPC, no qual a Corte teria decidido que as receitas advindas de variações cambiais ativas compõe a receita de exportação. Portanto o relator reconhece que há a divergência entre as conclusões dos acórdãos recorrido e paradigmas, porém que o entendimento dos paradigmas contrariam o decidido pelo julgamento do STF no Recurso Extraordinário nº 627.815/PR, submetido ao rito do artigo. 543 do CPC. Porém, o objeto do julgamento do referido recurso extraordinário é o alcance ou não da imunidade constitucional das receitas de variações cambiais para fins da incidência do PIS e da Cofins. Destaco abaixo um trecho da ementa do referido julgado, já transcrito no voto do relator: IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. Acontece que nos acórdãos recorrido e paradigmas, a discussão é relativa ao crédito presumido de IPI e os elementos da composição do coeficiente de exportação para fins de apuração da base de cálculo do referido crédito. Não entendo que o decido pelo STF tenha alcance imediato e direto sobre referido assunto, pois suas legislação de regência são diferentes. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 839DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.010080/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/06/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/06/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 00 80 /2 00 5- 11 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10814.010080/200511 Acórdão n.º 9303006.654 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 380200.987, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10814.010080/200511 Acórdão n.º 9303006.654 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10814.010080/200511 Acórdão n.º 9303006.654 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10814.010080/200511 Acórdão n.º 9303006.654 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10814.010080/200511 Acórdão n.º 9303006.654 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10814.010080/200511 Acórdão n.º 9303006.654 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902682/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE.
Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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PERDCOMP Recorrente JOSÉ MARIA DOS SANTOS TRANSPORTADORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 82 /2 01 3- 41 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13851.902682/201341 Acórdão n.º 1401002.462 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte pretende compensar débito de sua titularidade com crédito de IRPJ, recolhido via DARF em 14/01/2013, no valor de R$ 2.737,70. Analisando o pedido, a Autoridade Administrativa que jurisdiciona a Recorrente não homologou a compensação pretendida ante a constatação de que o pagamento indicado teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Irresignado com o indeferimento do PER/DCOMP, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, tendo a Delegacia de Julgamento assim se pronunciado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário onde, em apertada síntese, argui o seguinte: 1) Reitera a arguição de nulidade do despacho decisório haja vista a forma sintética como foi tratado o direito da Recorrente, o que o estaria impedindo de ter uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Fundamenta suas alegações no disposto no art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72; 2) Entende que deveria, obrigatoriamente, ter sido intimado previamente à edição do despacho decisório para que tivesse oportunidade de comprovar a existência do crédito pleiteado, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13851.902682/201341 Acórdão n.º 1401002.462 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.457, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.902677/201338, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.457): O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A peça recursal limitase a reclamar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada. Nenhuma arguição de mérito, principalmente em relação à existência do crédito declarado, foi trazida pelo recurso. E, como veremos adiante, as alegações de que o despacho decisório incorreria em nulidade são totalmente descabidas. O primeiro ponto, relativo à falta de motivação/fundamentação, que teria impedido a Contribuinte de "ter uma visão clara" do porque o seu crédito fora declarado inexistente foi assim tratado no acórdão recorrido: O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.902682/201341 Acórdão n.º 1401002.462 S1C4T1 Fl. 5 4 A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Perfeita a análise empreendida pela DRJ. Os motivos pelos quais o despacho decisório declarou a inexistência do crédito estão muito bem delineados. Vejam abaixo uma fotografia do próprio despacho decisório que evidencia o dito pelo acórdão: Aliás, a própria decisão recorrida traz uma informação, não contestada pela Contribuinte no Recurso Voluntário, de que o mesmo DARF tido como origem do crédito teria sido utilizado em outras 19 (dezenove) PER/DCOMP, além desta. Vejam: Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 11.411,75, foi utilizado em 20 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$93.176,36, conforme abaixo discriminado: Então, resta claramente demonstrado que a Contribuinte sabia exatamente o que estava fazendo, bem assim do porque o alegado crédito seria inexistente. Também muito bem explicado o porque de a Contribuinte limitarse a aventar a nulidade do despacho decisório, ao invés de tentar demonstrar a existência do crédito. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.902682/201341 Acórdão n.º 1401002.462 S1C4T1 Fl. 6 5 O segundo ponto levantado pela Recorrente trata da pretensa obrigatoriedade de a Autoridade Administrativa intimála, previamente à edição do despacho decisório, para que comprovasse a existência do crédito pleiteado, diante da inconsistência apontada, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Curioso, neste ponto, é que quando da manifestação de inconformidade, a norma citada fora a Instrução Normativa SRF nº 1.300/2012, e não a IN SRF nº 900/2008. Ocorre que a IN SRF nº 900/2008 foi totalmente revogada pela IN SRF nº 1.300/2012, esta sim, passível de citação pelo Recurso Voluntário, eis que vigente à época da transmissão da PER/DCOMP. Fato é que a IN SRF nº 1.300/2012 reproduziu em seu art. 74 a redação contida no art. 65 da IN SRF nº 900/2008, utilizada pela Recorrente. Abaixo colaciono o referido dispositivo: IN SRF nº 1.300/2012 Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Quer nos fazer crer a Recorrente que a expressão "poderá", grifada no texto, constituirseia em um poderdever da Administração de intimar o contribuinte quando, durante a análise de pedidos como este que estamos apreciando, houver sido verificada, em suas próprias palavras, "uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte". Aqui, claramente, estamos diante de uma tentativa de inversão do alcance do dispositivo colacionado. Tal norma nada mais é do que uma garantia posta ao Fisco de somente conceder a restituição/ressarcimento/compensação quando estiver seguro quanto a liquidez e certeza do crédito apresentado pelo Contribuinte. Em havendo dúvida por parte do Fisco em relação ao crédito apresentado, o referido dispositivo lhe permite condicionar o pagamento/compensação à sua efetiva comprovação, seja pela apresentação "de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos", seja pela determinação de "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso em apreço, não houve dúvida nenhuma da parte do Fisco ao não homologar a compensação, eis que patente a inexistência do crédito pleiteado, ante à sua total utilização para a quitação de outros débitos que não aqueles apontados na PER/DCOMP sob análise. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.902682/201341 Acórdão n.º 1401002.462 S1C4T1 Fl. 7 6 Não se trata, portanto, de uma obrigação, mas tão somente de uma faculdade posta à disposição da Autoridade Administrativa para garantir a correção no deferimento dos pleitos dos Contribuintes. Portanto, também neste ponto, rechaço as alegações da Recorrente. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000880/2008-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL.
Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 08 80 /2 00 8- 82 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13609.000880/200882 Acórdão n.º 1003000.024 S1C0T3 Fl. 92 2 A Recorrente formalizou em 24.06.2008, fls. 0103, o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional alegando que: Solicitou sua inclusão no “Simples Nacional” no dia 21/05/2008 e o mesmo não foi aceito pela Receita Federal do Brasil (doc.anexo) por ter ultrapassado 180 (cento e oitenta) dias da data do CNPJ (§ 6° Art. 7° Resolução CGSN n° 004 de 30/05/2007). O Cadastro Sincronizado foi requerido no dia 22/11/2007 (primeiro pedido) protocolo n° MG2267395000.056.750.167.687, sendo que foi indeferido pela SefazMG, e o segundo pedido, transmitido em 03/01/2008, protocolo MG6178538000.056.750.137.687 que foi “deferido” (doc. anexo), sendo que a liberação ao n° CNPJ ocorreu em 25/01/2008. O registro junto a Prefeitura do Município Sede, somente foi liberado em 21/05/2008, sob o n° 02.528396 / 11602/2008 (cópia anexa), portanto, o prazo para solicitação da Opção pelo Simples Nacional seria até 31.05.2008. Esclarecemos que a empresa já está recolhendo os impostos através do “DAS” Documento de Arrecadação do Simples Nacional, (xérox anexo), uma vez que iniciou suas atividades em 01.03.2008. [...] Diante do exposto acima, vem requerer a sua inclusão no regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), retroativo a data do seu registro na JUCEMG, ou seja, 14.11.2007. O Despacho Decisório de Inclusão Retroativa no Simples Nacional DRF/Sete Lagoas/MG, de 31.07.2009, fls. 2122, consta que o pedido foi indeferido fundamentado no fato de que: Em consulta feita ao Portal do Simples Nacional, verificouse que o contribuinte solicitou a opção uma vez, em 21/01/2009, que foi deferida imediatamente, incluindo 0 contribuinte a partir de 01/01/2009. De acordo com o Sistema CNPJ, o pedido de inscrição no CNPJ foi feito em 03/01/2008, e o processamento se deu em 25/01/2008. O Contrato Social, às fis. 04 a 06, foi registrado na Junta Comercial de Minas Gerais em 14/1 1/2007, que é a data de abertura da empresa no CNPJ. O Alvará de Licença, de Localização, Fiscalização e Funcionamento da Prefeitura Municipal de Sete LagoasMG, à fl. 09, foi emitido em 21/05/2008. [...] A atividade administrativa tributária é plenamente vinculada. Para a Administração, somente é permitido executar aquilo expresso em lei. A data de abertura no CNPJ é a data de registro na Junta Comercial (14/11/2007). A última inscrição (municipal) foi deferida mais de 180 após a abertura da empresa (21/05/2008), 0 que impede a opção pelo Simples Nacional. A legislação não prevê a inclusão retroativa nesses casos, mesmo na hipótese de atraso por parte dos entes na liberação das inscrições. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0238.580, de 09.09.2010, fl. 55: Simples Nacional Inicio de atividade Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13609.000880/200882 Acórdão n.º 1003000.024 S1C0T3 Fl. 93 3 A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Impugnação Improcedente Notificada em 20.01.2011, fl. 57, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.02.2011, fls. 5859, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos cumulativos para deferimento da inclusão retroativa pelo Simples Nacional no caso de início de atividades aduz que: III O cadastro Sincronizado foi requerido no dia 22/11/2007 (primeiro pedido) protocolo n°. MG2267395000.056.750.137.687, sendo que foi indeferido pela SefazMG, e o segundo pedido, transmitido em 03/01/2008, protocolo MG61785380 00.056.750.l37.687 que foi “deferido” (doc. 04 e 05 anexo), sendo que a liberação do n°. CNPJ ocorreu em 25/01/2008. IV A Prefeitura Municipal de Sete Lagoas somente disponibilizou o Alvará de Funcionamento desta empresa em 21/05/2009 inscrição municipal n° 02528396 (doc. 06 anexo), sendo que a primeira vistoria na empresa foi feita no dia 18/04/2008, (doc. 07 anexo). No laudo da vistoria (18/04/2008 ), consta os seguintes dizeres: “ Levando a efeito a vistoria administrativa em apreciação ao processo n° 334113.03.2008, comunicamos que depois de cumprido todas as exigências deste Laudo, o contribuinte estará em condições de exercer suas atividades em conformidade com a legislação vigente". Nesta declaração a Prefeitura Municipal de Sete Lagoas comprova que existia um pedido de inscrição municipal feito desde a data de 13.03.2008, ou seja, dentro do prazo legal de 180 dias da constituição da empresa. Sabemos que a adesão ao Simples Nacional deveria ter sido efetuada antes do transcurso de 180 dias da data da abertura da empresa (14/11/2007). Em função de todo atraso da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas, tal prazo não foi cumprido, porém o contribuinte não pode ser prejudicado pelo não enquadramento no Simples pela desorganização e demora da Prefeitura de Sete Lagoas. V Como forma de comprovar que a solicitação de Inscrição Municipal ocorreu em 13/03/2008, antes do prazo legal, anexamos ao processo cópia do protocolo de pedido de inscrição municipal (doc. 08 anexo). VI Esclarecemos que a empresa recolheu em 2008 todos os impostos através do “DAS” Documento de Arrecadação do Simples Nacional, (docs 09 anexo), e que iniciou sua movimentação financeira em 01/03/2008. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13609.000880/200882 Acórdão n.º 1003000.024 S1C0T3 Fl. 94 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional no início de atividade. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13609.000880/200882 Acórdão n.º 1003000.024 S1C0T3 Fl. 95 5 até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0238.580, de 09.09.2010, fl. 55: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13609.000880/200882 Acórdão n.º 1003000.024 S1C0T3 Fl. 96 6 Preliminarmente, há de se observar que as Delegacias de Julgamento não detêm competência para se manifestar sobre atrasos de análise de processo de órgãos públicos. O indeferimento tem como fundamento a extrapolação do prazo de 180 dias contados a partir da data de abertura constante do CNPJ. Por consequência, este será o aspecto a ser analisado. No caso sob exame, o prazo é aquele determinado pelo § 6° do dispositivo legal acima referenciado, a saber: [...] Desta forma, considerando que a data de abertura consignada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica é o dia 14 de novembro de 2007, a impugnante teria até o dia 11 de maio de 2008, para providenciar os documentos necessários, resolvendo as pendências eventualmente existentes, e manifestando a sua opção, no máximo, em 10 (dez) dias, contados do ultimo deferimento. Neste caso, o último deferimento deveria ser até 0 dia 0l de maio de 2008 Portanto, são dois os limites temporais a serem cumpridos. No caso em tela, o limite estabelecido pelo § 6° do art. 7°, da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007 não foi obedecido, tendo em vista constar no CNPJ a data de abertura em 14 de novembro de 2007 e o pedido ter sido apresentado em 25 de maio de 2008. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) teve sua abertura em 14.11.2007, conforme registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais JUCEMG, fl. 63; (b) iniciou suas atividades junto a RFB em 14.11.2007, de acordo com o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 12; (c) teve sua inscrição municipal deferida em 14.11.2007, em conformidade com a Certidão da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas/MG, fl. 13; (d) teve a emissão do Alvará de Licença de Localização Fiscalização e Funcionamento da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas/MG deferida em 21.05.2008, fl. 09; (e) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 24.06.2008, fls. 0103. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) poderia efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade até 24.11.2007 (dez dias contados do último deferimento de inscrição formal); (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 12.05.2008 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: 16 dias em novembro + 31 dias em dezembro do ano de 2007 + 31 dias em janeiro + 29 dias fevereiro + 31 dias em março + 30 dias em abril + 12 dias em maio do ano de 2008. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13609.000880/200882 Acórdão n.º 1003000.024 S1C0T3 Fl. 97 7 Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tãosomente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). No que se refere a emissão do Alvará de Licença de Localização Fiscalização e Funcionamento Prefeitura Municipal de Sete Lagoas/MG deferida em 21.05.2008, fl. 09, não pode ser considerado como documento legal a substituir a inscrição municipal datada de 14.11.2007, comprovada pela Certidão da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas/MG, fl. 13. Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional no dia 24.06.2008, fls. 0103, ou seja, após do decurso dos prazos legais permissivos. Analisando o conjunto probatório produzidos nos autos verificase que a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.965821/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Reproduzo relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos: Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da não homologação das compensações informadas nos PER/DCOMP nºs. 32062.32435.161211.1.7.028478, 09103.14147.310511.1.3.02 9070, 17917.94451.230409.1.3.025603 e 36429.82746.301009.1.3.02 0075, fundadas em crédito de saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 44.728.866,86, referente ao exercício 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 65 82 1/ 20 12 -2 1 Fl. 4104DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.105 2 Conforme registrado no quadro 3 do despacho decisório combatido, acostado às fls. 656, a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas porque considerou inexistente o apontado saldo negativo, uma vez que, do montante das parcelas de composição do crédito informado no PER/DCOMP nº 32062.32435.161211.1.7.02 8478, não confirmou o valor de R$ 93.991.115,25, correspondente ao Imposto de Renda pago no exterior. Cientificada da decisão em 09.10.2012 (fls. 661), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 08.11.2012 (fls. 2/9), alegando, em síntese, que: a. Apresentou, em cumprimento a intimação fiscal, comprovantes do imposto pago no exterior declarado na DIPJ/2008, demonstrativos de cálculos, demonstrativo do momento em que computou na base de cálculo do tributo os lucros, rendimentos e ganhos de capital correspondentes e a escrituração contábil comprobatória; b. Não obstante os documentos apresentados e sem que tivesse sido novamente intimada a apresentar qualquer outro, foi proferida a decisão atacada, que excluiu integralmente os valores do imposto pago no exterior da composição do saldo negativo do IRPJ; c. Não há motivo para indeferir o aproveitamento do imposto pago no exterior, tendo em vista que foram apresentadas as guias de pagamento do imposto com tradução juramentada (doc. 06) e foram detalhados os cálculos de apuração do IRPJ no Brasil com a inclusão dos lucros no exterior e respeitado os limites legais para o aproveitamento do imposto pago (doc. 07); d. Ressaltese que a prova apta a comprovar os pagamentos são as respectivas guias com tradução juramentada, na forma do art. 16, § 2º, II da Lei nº 9.430/1996 e da Solução de Consulta da RFB nº 54/2011; e. Portanto, do valor do imposto pago no exterior de R$ 134.927.352,25, observado o limite legal, a contribuinte aproveitou o montante de R$ 93.991.115,25; f. Ao final, ressalta seu entendimento de que se trata de questão restrita a provas, informando ter condições de apresentar qualquer outro documento que venha a ser solicitado por diligência, pedindo a reforma do despacho decisório para o fim de homologar as compensações declaradas. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo I julgou a lide contrariamente ao interesses da Contribuinte, acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE. TRADUÇÃO JURAMENTADA. AUTENTICAÇÃO. FISCO ESTRANGEIRO. CONSULADO BRASILEIRO. A tradução juramentada de documento de arrecadação de imposto de renda incidente sobre lucros no exterior, é condição necessária, mas não suficiente para fins de compensação com o apurado no País, Fl. 4105DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.106 3 devendo ainda estar o documento autenticado pelo respectivo órgão arrecadador e reconhecido pelo consulado brasileiro no país em que ele for devido, ou fique demonstrado, à luz do direito estrangeiro, a finalidade arrecadatória do documento apresentado. Insatisfeita com a decisão prolatada, a AMBEV apresentou recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando: a) que a decisão da DRJ teve fundamento na não consularização das guias de pagamento do imposto no exterior, todavia a referida medida é dispensada quando comprovada a incidência do imposto no exterior através do documento de arrecadação apresentado juntamente com sua tradução juramentada; b) por outro lado, o STJ, em voto proferido pelo Ministro Teori Zavaski, dispensa a própria tradução juramentada quando o documento não tem a a validade contestada e a tradução é considerada dispensável para a sua compreensão, como é o caso presente; c) não obstante, embora dispensável esta obrigação, a Contribuinte, paralelamente, busca a consularização de todas as guias adimplidas no exterior, juntandoas parcialmente com o presente recurso sob título de Doc. 2 (fls. 756/895). Em maio de 2017 a Contribuinte apresentou petição solicitando a juntada aos autos de laudo técnico de natureza contábil e fiscal elaborado pela Empresa KPGM, a fim de confirmar a regularidade do crédito de imposto pago no exterior que compõe a base dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2007. Juntamente com a petição foram anexados os documentos de folhas 915/4103. É o relatório. Voto Não há no processo informação quanto à data da ciência da decisão recorrida, pelo que o recurso deve ser considerado tempestivo. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. A legislação que regulamenta a compensação no Brasil de imposto pago no exterior está consolidada no artigo 395 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito: Compensação do Imposto Pago no Exterior Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, eLei nº 9.430, de 1996, art. 15). § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, §1º). Fl. 4106DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.107 4 § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, §2º). § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte americanos e, em seguida, em Reais (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, §3º). § 4º Para efeito da compensação do imposto referido neste artigo, com relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do §10 do art. 394(Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2º, inciso I). § 5º Fica dispensada da obrigação de que trata o § 2º deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2º, inciso II). § 6º Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, §4º). § 7º Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerarseá vencido o prazo a que se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999 (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, §5º). § 8º O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 245, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil (Medida Provisória nº1.8072, de 25 de março de 1999, art. 9º). § 9º Aplicamse à compensação do imposto a que se refere o parágrafo anterior o disposto no caput deste artigo (Medida Provisória nº 1.807 2, de 1999, art. 9º, parágrafo único). Da legislação transcrita concluise que as exigências para a compensação são: a) que ela obedeça ao limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços, nos termos do § 1º do artigo 395 acima; Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.108 5 b) que os documentos relativos ao imposto pago no exterior sejam reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país, ou, alternativamente, que a empresa comprove que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado; c) com relação aos lucros, a empresa deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes; d) os créditos só serão compensados se os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração Pois bem, como bem apontado no acórdão recorrido, o Processo 16306.720956/201279 apresenta a intimação que a autoridade tributária que realizou a análise do pedido de compensação fez à AMBEV. Nela é solicitado o seguinte: 1. Comprovantes de pagamento dos valores de Imposto pago no exterior declarados na DIPJ 2008 anocalendário 2007 (Fichas 11liha 08; 12Alinha 12; 16linha 06; 17linha 54) com todas as formalidades para sua utilização (Decreto 3.000, de 26/03/1999, art. 395); 2. demonstrativo de cálculo dos valores declarados; 3. demonstrativo de quando os lucros, rendimentos ou ganhos de capital correspondentes foram computados na base de cálculo do imposto, acompanhado da escrituração contábil comprobatória. A Empresa tomou ciência em 13 de julho de 2012 e, em 3 de agosto, solicitou 30 dias de prorrogação de prazo para apresentar a documentação solicitada. Passados mais de 60 dias, nada foi providenciado. No Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, a justificativa para a nãoconfirmação do imposto pago no exterior foi a "nãocomprovação". Em sua manifestação de inconformidade a AMBEV informou que os documentos solicitados foram entregues à autoridade tributária, conforme atestariam os documentos de folhas 102/103, e alegou também: Fl. 4108DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.109 6 Juntou à referida manifestação as Fichas 09A Demonstração do Lucro Real e Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, ambas da DIPJ 2008; os comprovantes de pagamento dos tributos no exterior com tradução juramentada (folhas 108/383). Juntou também, às folhas 389/397, o que intitulou "Cálculo do IRPJ com o Lucro no Exterior", que tratam da demonstração da base de cálculo da CSLL e do Lucro Real, constando a adição e exclusão dos resultados, negativo e positivo, respectivamente, da equivalência patrimonial. Finalmente, apresenta cópia das Fichas 34 e 35 da DIPJ 2008 (fls. 399/402), apontando o cálculo dos lucros recebidos: (i) da AMBEV Internacional (Ilhas Cayman), no valor de R$1.297.279,20); (ii) da BAH Beverage Associates Holding LTD (Ilhas Bahamas), no valor de R$56.637.123,14; LABATT Holding APS (Dinamarca), no valor de R$165.335.548,04; e QUILMES Industrial (QUINSA) AS (Luxemburgo), no valor de R$153.991.789,84. A Primeira Turma da DRJ de São Paulo I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob o seguinte fundamento: Compulsando as supostas guias de arrecadação, constatase a ausência de autenticação dos correspondentes fiscos estrangeiros ou de consularização, medidas que a contribuinte estava obrigada a providenciar, uma vez que deixou de demonstrar que os documentos apresentados, à vista da legislação externa, seriam aqueles previstos para a arrecadação dos respectivos impostos de renda. Portanto, considerando que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de apresentar os documentos exigidos pela legislação para demonstrar Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.110 7 seu direito de crédito, voto por julgar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Pelo entendimento a AMBEV teria, para afastar a necessidade de consularização, que comprovar que os documentos que juntou com tradução juramentada, os comprovantes de pagamentos, seriam os que a legislação do país do pagamento prevê para a arrecadação dos impostos. Em seu Recurso Voluntário, por fim, a AMBEV renova suas alegações no sentido de que a consularização dos comprovantes de pagamento é dispensável no caso, haja vista que apresentou os comprovantes com tradução juramentada. Afirma que as demais provas da regularidade da compensação, com os cálculos legais e demonstração da inclusão dos lucros e demais receitas nas respectivas declarações fiscais de 2007 foram feitas ainda em fase de fiscalização. Finalmente a Recorrente solicita a juntada de laudo técnico que, por meio de tradução juramentada da legislação vigente no país de origem, confirma que as guias por ela juntadas são legítimas para o pagamento do imposto apurado. O laudo e anexos compõem os documentos de folhas 915 a 4103. Todo este processo encontrase eivado de equívocos, desencontros e dúvidas no que se refere à prova necessária e suficiente para o aproveitamento de imposto pago no exterior para compensação de imposto no Brasil. Destaco inicialmente que, embora o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório relativo ao imposto pago no exterior tenha fundamento em "não comprovação", houve uma concentração ou foco nos comprovantes de recolhimento no exterior, quando, em verdade, nada foi comprovado na origem. Isto é de total obviedade, uma vez que a fiscalização intimou a Contribuinte para apresentar os comprovantes de pagamento, demonstração do cálculo e do oferecimento à tributação dos lucros no exterior e, passados mais de 60 dias, nada foi apresentado. Ora, se nada foi apresentado, nada foi provado. Registrese, ainda, que em sua manifestação de inconformidade a Empresa afirmou que apresentou os documentos requeridos, juntando ofício endereçado à fiscalização e AR ilegível/incompreensível. Por outro lado, o item 3.2. do Laudo apresentado em 2017, o perito afirma que: O Ilmo. Representante do Fisco informou nos processos nº 10880.965821/201221 e nº 10880.955922/201275, relativos ao saldo negativo de IRPJ e CSLL 2007, que os documentos apresentados pela Ambev não foram admitidos tendo em vista que a Companhia não comprovou a quitação do IR no exterior. A informação é incerta quanto ao momento: no primeiro contato, na decisão adotada no despacho decisório, a autoridade fiscal não afirma isso em nenhum momento, pois a afirmativa de "nãocomprovação" se deveu à não apresentação de nenhum comprovante; no segundo momento, na decisão da DRJ de São Paulo I, aí sim, temos a concentração na não comprovação por falta de consularização. Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.111 8 Temos que atentar, também, para o fato de que, embora a Empresa afirme que houve a comprovação de obediência ao limite de compensação; do oferecimento dos lucros no exterior à tributação no Brasil, tais provas não foram apresentadas ou, se o foram, não foram consideradas na origem deste processo. Finalmente temos que estabelecer um entendimento plausível sobre qual atitude dos contribuintes dispensa a consularização dos comprovantes de pagamento no exterior: basta apresentar os recibos de pagamento com tradução juramentada? Vejamos a norma: § 5º Fica dispensada da obrigação de que trata o § 2º deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2º, inciso II). A norma inserida no artigo § 5º do artigo 395 do RIR/99 é de redação confusa, reconheço, mas podemos concluir seu sentido teleológico pela simples insegurança gerada pela análise de documento estrangeiro, desconhecido. O que a consularização acresce ao documento é a certeza de que ele é oficial do país de origem, pois o consulado conhece a legislação tributária do país de sua localização, bem como os documentos usados na arrecadação. Vejam, se o lucro no exterior é computado no cálculo do lucro real (e só no lucro real) e existe um comprovante de recolhimento de imposto no exterior legítimo apresentado pela empresa, basta verificar o limite de compensação e efetuar o confronto de débito e crédito. Acredito ser desnecessária a comprovação de que a legislação prevê o imposto no exterior, pois é evidente que a Empresa não pagaria imposto desnecessário (e o pagamento é comprovado pelas guias) para, depois, tentar compensálo, de forma limitada, com o imposto pago no Brasil. Seria um planejamento tributário para perder. Nessa esteira, a simples tradução juramentada do documento de arrecadação em nada ajuda. A tradução nada mais faz do que verter para o português o que é redigido em língua estrangeira, e faz isso com fé pública. Todavia, o documento falso também seria traduzido e a fé pública em nada seria afetada, pois que a tradução seria fiel. Assim, entendo que o que se pretende com o referido parágrafo 5º supra é a comprovação de que o documento apresentado como prova de quitação do imposto no exterior é verdadeiro, o que só se concretiza com a demonstração de que aquele documento juntado é o que a legislação prevê como forma de pagamento. Assim, não seria suficiente a juntada dos documentos de quitação com tradução juramentada. Todavia, a Recorrente anexa documentos de quitação com o visto do consulado, como se vê às folhas 755/895, embora informe que são parciais. Finalmente, vêse que não foi comprovado no processo, também, o vínculo societário entre as empresas no exterior e a AMBEV, outra lacuna fundamental para dar início aos trabalhos de conferência. Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 10880.965821/201221 Resolução nº 1302000.574 S1C3T2 Fl. 4.112 9 Desta forma, considerando que nenhum documento foi analisado no início deste procedimento de compensação e que a Recorrente alega ter apresentado os documentos em resposta a intimação fiscal inicial, considerando ainda que a prova do direito creditório incumbe à Recorrente, entendo que este processo deve retornar à Unidade de origem, convertendose o julgamento em diligência, para que a Recorrente seja intimada a: a) comprovar, de forma objetiva e direta, o vínculo societário e o percentual de participação relativo a cada empresa cujo pagamento no exterior estiver sendo objeto de pedido de compensação; b) apresentar, de forma objetiva, o demonstrativo de que o lucro relativo aos valores a serem compensados foi oferecido à tributação, de forma deixar clara a composição dos totais constantes das declarações. bem como os correspondentes documentos contábeis; c) apresentar o demonstrativo de cálculo do limite de compensação, nos termos do § 1º do artigo 395 do RIR/99, individualizados por empresa no exterior; d) apresentar os comprovantes de quitação consularizados, ou, a comprovação de que eles são legítimos, o que pode ser feito com a juntada da lei que estabelece sua utilização com tradução juramentada. Neste ponto pode ser considerado o laudo anexado em 2017, a critério da autoridade encarregada da diligência; e) apresentar o demonstrativo de conversão para o Real dos impostos pagos no exterior; Após a entrega dos documentos, a autoridade deve apresentar relatório acerca do pedido, informando o resultado da diligência à AMBEV, abrindo prazo de 30 dias para o exercício do contraditório, retornando o processo à turma para decisão. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 4112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.729013/2014-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É nulo, por vício material, lançamento cuja apuração da base de cálculo mensal tomou por base o rateio dos valores apurados anualmente, divididos por doze, por não encontrar fundamento na legislação vigente.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-005.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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NULIDADE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VIGOR ALIMENTOS S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, lançamento cuja apuração da base de cálculo mensal tomou por base o rateio dos valores apurados anualmente, divididos por doze, por não encontrar fundamento na legislação vigente. Recurso de Ofício Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 90 13 /2 01 4- 98 Fl. 1040DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS não cumulativa decorrente de suposta omissão de receita identificada pela fiscalização quando da comparação dos valores lançados no SPED CONTÁBIL, no DACON e nas DIPJs relativas ao ano calendário de 2010. A diferença foi sinteticamente identificada no Termo de Verificação Fiscal às efls. 74/75 somente por meio de uma comparação matemática entre os valores declarados pelo contribuinte, sendo que para apurar o valor da base tributável mensal, o I. Fiscal somente dividiu o valor da diferença apurada por 12 (doze), aplicando sobre esse resultado "mensal" a alíquota do PIS de 1,65%. Vejamos os termos do trabalho fiscal: Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa alegando, dentre outros argumentos, a nulidade da autuação por não trazer os fundamentos legais para a exigência do PIS e não identificar o fundamento legal para se chegar à base tributável mensal arbitrada, pela simples divisão por 12 (doze) da aparente diferença identificada. Naquela oportunidade, a empresa sustentou ainda que a fiscalização teria indevidamente considerado como operação de venda as transferências realizadas pelas empresas "Companhia Leco de Produtos Alimentícios" ("LECO") e "Laticínios Serrabella Ltda." ("SERRABELLA"), incorporadas pela empresa autuada no ano de 2009. Diante da ausência de fundamento para a apuração da base de cálculo e da documentação apresentada pela empresa buscando demonstrar que os valores lançados correspondiam exatamente às operações de transferência de estoque, sem alteração de titularidade das mercadorias, o processo foi convertido em diligência pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza, por meio da Resolução 3.017/2016 (efls. 932/942), sintetizada nos seguintes termos: "O auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal não fazem qualquer referência às supostas operações de transferência de mercadoria das empresas Companhia Leco de Produtos Alimentícios" e "Laticínios Serrabella Ltda.” à “SA Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor” (incorporada pela autuada). Assim, não se sabe se o autuante efetivamente tomou conhecimento dessas alegações durante a auditoria fiscal. Não consta no Termo de Verificação Fiscal o motivo que justificou a determinação das diferenças mensais, a partir da divisão do resultado anual por 12 (doze). Com efeito, tendo em vista o pedido de diligência requerido e em respeito ao princípio da verdade material, encaminho meu voto no sentido de que o processo retorne à autoridade lançadora, para: Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10314.729013/201498 Acórdão n.º 3402005.261 S3C4T2 Fl. 1.041 3 a) em diligência ao estabelecimento da empresa, verificar a procedência da alegação de que as empresas incorporadas "Companhia Leco de Produtos Alimentícios" e "Laticínios Serrabella Ltda." emitiram notas fiscais de vendas para a “SA Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor” e viceversa, de janeiro a setembro de 2010, quando o correto seria de transferência de mercadorias (transferência de estoque). Tal fato justificaria as diferenças encontradas pela fiscalização; b) analisar a idoneidade dos documentos anexados pela defesa às fls. 479/484 (Doc. 06), que indicam que a receita bruta de 2010 seria de R$ 1.579.476.183,22. Do mesmo modo, quanto ao Doc. 07, fls. 485/862, com relação às contribuições já declaradas; c) informar o motivo que justificou a determinação da base de cálculo com a utilização dos valores totais, relativos ao ano de 2010, dividido por 12 (doze), para se chegar ao valor da contribuição devida mensalmente, e não a partir da apuração do faturamento real de cada um dos meses do referido ano. Solicitase que, ao final da diligência, seja elaborado relatório conclusivo, indicando, se for o caso, os novos valores devidos da contribuição." (efl. 941 grifei) No relatório da diligência, especificamente quanto aos motivos para o cálculo da base de cálculo sem a identificação do faturamento real (resposta ao item c da diligência), a fiscalização apresentou as seguintes informações (efl. 954): Exatamente em razão da ausência de fundamento legal para o procedimento realizado pela fiscalização para a apuração da base de cálculo mensal, o Auto de Infração foi anulado por vício material pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza, em acórdão unânime ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Fl. 1042DF CARF MF 4 É nulo, por vício material, o lançamento da Cofins cuja apuração da base de cálculo mensal tomou por base o rateio dos valores apurados anualmente, divididos por doze. Não existe dispositivo na legislação vigente que embase esse procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 TIPICIDADE CERRADA. O direito tributário brasileiro consagra a reserva formal da lei, sendo indispensável ato legislativo como veículo para instituir ou alterar tributo, e a reserva absoluta da lei, em decorrência de competir à lei a descrição de todos os elementos do tipo tributário (tipo cerrado). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" (efl. 997 grifei) Uma vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que a decisão recorrida não merece reparo. Como evidenciado pela diligência realizada nos presentes autos, vislumbrase que a fiscalização não trouxe qualquer fundamento legal ou mesmo fático para proceder com a apuração da base de cálculo de uma forma arbitrada, por meio da divisão em 12 do valor da diferença identificada. Como frisado pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal e na Diligência Fiscal, todos os valores supostamente devidos estavam discriminados no SPED CONTÁBIL da empresa, evidenciando a possibilidade da efetiva apuração mensal do faturamento que aparentemente não estaria declarado no DACON e na DIPJ da empresa. A r. decisão recorrida bem evidenciou a ausência de fundamento legal da apuração da COFINS não cumulativa da forma feita pela fiscalização no presente caso, especialmente diante da viabilidade de ser apurada mensalmente. Isso porque, além de considerar a documentação já constante dos autos, a fiscalização poderia solicitar outros documentos que considerasse necessários para a apuração mensal (Livros Diário, Razão, Caixa, Registros de Entrada e de Saída), o que não ocorreu no caso, inexistindo sequer uma intimação da empresa para apresentar uma planilha com os valores mensais apurados e a documentação contábil suporte entendida necessária. Por conseguinte, a r. decisão recorrida concluiu que a fiscalização cometeu grave erro na apuração da base de cálculo, em verdadeiro vício material não passível de retificação naquela seara, seja por implicar em alteração do critério jurídico adotado pela fiscalização, seja pela decadência do direito de proceder com a revisão do lançamento na forma Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10314.729013/201498 Acórdão n.º 3402005.261 S3C4T2 Fl. 1.042 5 do art. 149, V e parágrafo único do Código Tributário Nacional1, combinado com o art. 150, §4º do mesmo diploma legal2 (fatos geradores de 2010). Vejamos os exatos termos da irretocável decisão: "Independentemente da análise da procedência da irregularidade praticada pela empresa, convém de início abordar a questão relacionada à apuração da base de cálculo da contribuição lançada de ofício. Como foi reafirmado no relatório de diligência, foi adotada a sistemática de determinação da base de cálculo a partir da utilização de valores totais, relativos ao ano de 2010, sendo o resultado dividido por 12 ( doze), para se chegar ao valor do tributo devido mensalmente. O relatório de diligência não deixa margem de dúvidas nesse sentido, tendo sido reafirmado que “Não há material de apoio, além da DACON, que traga a informação analítica mensal do montante das exportações, conforme discriminamos: Somatória da DACON MENSAL: 14.518.343,54, contra Somatória da DIPJ: 15.229.218,29”. Continua: “A DACON é o único elemento que fornece informações mensais sobre o desmembramento da composição da Receita de Exportação”. Tendo em vista essa discrepância, optou pela totalização anual, baseandose na DIPJ, com a consequente divisão por 12 (doze). O raciocínio pode ter lógica, mas desconheço dispositivo na legislação tributária que permita tal procedimento. Os arts. 1º e 2º da lei nº 10.637/2002, vigentes no anocalendário de 2010, possuem a seguinte redação: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) Art. 2oPara determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Notese que a legislação determina a apuração da base de cálculo sobre o faturamento mensal, o que obriga obviamente que se busque a identificação desses valores, a partir dos dados e documentos da escrituração do contribuinte. Apesar de a legislação tributária não estabelecer livro próprio para a determinação e apuração da Cofins e do PIS e dos créditos a elas relacionados, os dados poderão ser obtidos nos seguinte livros da escrituração da pessoa jurídica: 1 "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." 2 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Fl. 1044DF CARF MF 6 1 – Livro Diário – possui o registro individualizado e em ordem cronológica das operações realizadas pela pessoa jurídica. Poderá ser substituído pelo livro Balancetes Diário e Balanços, observada as formalidades extrínsecas exigidas para aquele livro, bem como que fique registrado (arts. 1.185 e 1.186 do Código Civil). 2 – Livro Razão – escriturado sob a forma de livro ou fichas, registra de forma resumida e totalizada, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, obedecendo à ordem cronológica das operações e mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218/1991, art. 14, e Lei nº 8.383/1991, art. 62). 3 – Livro Caixa – no caso específico de pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderá, alternativamente e em substituição à escrituração contábil regular, proceder à escrituração dos recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária (Lei nº 8.981/1995, art. 45). 4 – Livro de Registro de Saídas livro de escrituração obrigatória para cada estabelecimento da pessoa jurídica, no qual estão registradas as saídas de mercadorias no estabelecimento da pessoa jurídica, a qualquer título. As operações devem ser registradas individualmente, desdobradas em linhas de acordo com a natureza das operações, segundo o CFOP, na ordem cronológica das efetivas saídas das mercadorias no estabelecimento. 5 Livro de Registro de Entradas livro de escrituração obrigatória para cada estabelecimento da pessoa jurídica, no qual estão registradas as entradas de mercadorias no estabelecimento da pessoa jurídica, a qualquer título. Do exame deste livro, podese verificar se a pessoa jurídica está apurando créditos previstos na legislação vigente, em relação às operações de registradas de aquisição de bens para revenda; bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; despesa de energia elétrica dos estabelecimentos da pessoa jurídica; e devoluções de vendas. A partir de 1º de janeiro de 2008, foi instituído o Sistema Público de Escrituração Digital SPED, através do qual a escrituração comercial e fiscal passa a ser emitida, autenticada e armazenada de forma eletrônica, conforme disposto no Decreto nº 6.022, de 2007. Para fins fiscais e previdenciários, se submetem à escrituração contábil digital (livros Diário e auxiliares, Razão e auxiliares, balancetes diários, balanços e fichas de lançamentos), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787/2007, atualizada pela IN RFB nº 926/2009, as seguintes pessoas jurídicas: I – Em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008: A sociedade empresária sujeita a acompanhamento econômicotributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 11.211/2007, e sujeitas à tributação do imposto de renda com base no lucro real; II Em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009: Demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. Verificadas irregularidades na apuração da contribuição, a recomposição da base de cálculo deve ser feita para cada período de apuração mensal objeto de lançamento de ofício, de forma a incluir eventuais receitas não tributadas, como também, eventuais receitas omitidas apuradas na fiscalização. Como já citei no presente voto, não existe previsão na legislação vigente para apuração de diferenças anuais, e posterior rateio proporcional ao número de meses de atividade no anocalendário. O direito tributário brasileiro consagra a reserva formal da lei (art. 150, inciso I, da Constituição Federal), sendo indispensável ato legislativo como veículo para instituir ou alterar tributo, e a reserva absoluta da lei, em decorrência de competir à lei a descrição de todos os elementos do tipo tributário (tipo cerrado). Por sua vez, o art. 97 do CTN dispõe que (grifei): Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10314.729013/201498 Acórdão n.º 3402005.261 S3C4T2 Fl. 1.043 7 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Para Sacha Calmon Navarro Coelho, “A tipicidade é cerrada para evitar que o Administrador ou o juiz, mais aquele do que este, interfiram na sua modelação, pela via interpretativa ou integrativa”. (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p.200). Da mesma forma manifestase Ives Gandra da Silva Martins: “é fechada a tipicidade de tributo e pena. É absoluta a reserva da lei. Sua veiculação normal deve conter todas as informações necessárias para aplicação da norma”. (MARTINS, Ives Gandra da Silva. Teoria da imposição tributária. São Paulo: Saraiva,1983, p.185). Compulsandose os autos, chegase a conclusão de que os dados foram extraídos dos seguintes documentos: Receita Bruta Anual – Balancete de contas, fls. 956: DIPJ, fls. 102: Fl. 1046DF CARF MF 8 Dados da Dacon, fls. 79/101: Com efeito, se a fiscalização poderia obter os dados da Receita Bruta mensal e das devoluções de vendas, a partir do SPED Contábil; se dispunha da receita mensal das operações sujeitas à alíquota zero, a partir dos dados informados no DACON (não questionados no presente lançamento); caberia, como alternativa, se não fosse possível identificar as receitas de exportação na contabilidade, intimar o contribuinte a comprovar as diferenças de receita de exportação. Em não obtendo resposta consistente, poderseia utilizar os dados do DACON, afinal é um documento elaborado pela própria autuada (nesse caso, teríamos a apuração de valores até mais elevados, do que com a utilização dos dados da DIPJ). Portanto, a dificuldade em identificar qual seria o valor correto da receita de exportação não justifica o abandono da sistemática de apuração real mensal dos demais valores que compõem a base de cálculo, para adoção de um rateio anual. Assim, não vejo como manter a autuação na forma como o crédito tributário foi apurado, pois não está em consonância com a legislação vigente. Ressalto que, não cabe na presente fase processual a apuração por esta autoridade dos valores corretos da base de cálculo mensal, por dois motivos básicos. Primeiro, tal medida implicaria numa inovação do lançamento original, dado que esse não foi o critério adotado pelo autuante. A função subjetiva ou garantística da impugnação impede que os poderes de cognição e decisão do órgão de julgamento vão ultra petita, no sentido de uma reformatio in pejus, ou seja, que o ato jurídico de lançamento seja anulado e substituído por outro diverso do ato impugnado. Conforme lição de Alberto Xavier (Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Editora Forense), na medida em que os atos secundários produzidos pelos órgãos que compõem a Administração Judicante (acórdãos) não substituem os atos primários praticados pela Administração Ativa (auto de infração, notificação de lançamento ou despacho decisório), limitandose a aferir a regularidade destes nos planos formal e material em face de contestação apresentada pelos contribuintes (impugnação, manifestação de inconformidade, recursos voluntário e especial), não há possibilidade jurídica de que ocorram duas situações que, apesar de distintas, possuem íntima conexão: Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10314.729013/201498 Acórdão n.º 3402005.261 S3C4T2 Fl. 1.044 9 (a) prolação de decisões cujos fundamentos não estejam relacionados aos motivos do ato administrativo contestado e às alegações contribuinte contra aqueles (exceção feita às questões de direito prolatáveis ofício); e (b) prolação de decisões prolação de decisões citra, extra e ultra petita Segundo, embora a legislação processual tributária permita a inovação da exigência inicial, esse procedimento somente poderia ser efetuado, nos termos do §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/721, em exames posteriores, diligências ou perícias, e mediante a lavratura de auto de infração complementar. A competência para proceder ao lançamento complementar é, nos termos do regimento interno da Receita Federal, da mesma autoridade imbuída de efetuar o lançamento de ofício. Quando do retorno dos autos à autoridade local, em decorrência da Resolução nº 3.016, de 24 de junho de 2016, a responsável pela diligência não optou em adotar esse procedimento, alegando que “a fiscalização não cria valores. Ela apenas valida ou não as informações fornecidas pelo próprio contribuinte”. Aliás, mesmo que se pretendesse, a alteração na forma de apuração da exigência resta prejudicada no presente caso, devido ao decurso de prazo de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores de 2010 decadência (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – homologação tácita). Destarte, independentemente da análise do mérito, sou forçado a declarar a nulidade da exação, por vício material, em decorrência de ter sido utilizada na apuração da base de cálculo uma sistemática (rateio) não prevista na legislação vigente. É como voto." (efls. 1.009/1.015 grifei) Cumpre acrescentar que ainda que a fiscalização tenha procedido com o lançamento por arbitramento dos valores, ela não fundamentou sua atuação nos requisitos exigidos pelo art. 148 do CTN3 (omissão ou desqualificação das declarações prestadas por não merecerem fé), tendo atuado sem qualquer respaldo na lei para a apuração do quantum debeatur. Confirmase, portanto, que o procedimento para a apuração da base de cálculo do tributo lançamento foi realizado de forma arbitrária pela fiscalização, sem qualquer respaldo na legislação tributária, sendo correto o cancelamento da autuação por erro material cometido no cálculo do tributo devido. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. 3 "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Fl. 1048DF CARF MF 10 É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 1049DF CARF MF
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