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Numero do processo: 15374.900021/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 21 /2 00 8- 11 Fl. 119DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 57/62, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 48/52, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 07524.83270.191103.1.3.042230, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 8.028,32, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 8.375,14. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.4) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.5) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.900021/200811 Acórdão n.º 2201004.421 S2C2T1 Fl. 107 3 3.6) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos auto; 3.7) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e que pede a alteração de oficio das informações constantes da D TF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 48/52): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 32). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário Fl. 121DF CARF MF 4 O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 10/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 56 e a tela de consulta dos Correios de fl. 77, apresentou o recurso voluntário de fls. 57/62 em 12/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações do mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, quais sejam, documentos relativos ao processo judicial nº 1310/99, que tramitou na 20ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 83/98). Sobre esse tema, afirmou que, o crédito em questão se refere ao recolhimento do IRRF relativo às verbas trabalhistas pagas pelo RECORRENTE a um exfuncionário (autor da Reclamação Trabalhista nº 1310/99). Alega ter efetuado depósito judicial no valor de R$ 37.442,98 (valor bruto sem dedução de IR fl. 83) e, posteriormente, realizou a retenção e recolhimento no montante de R$ 8.028,32 (fl. 82). No entanto, afirma que o valor depositado não foi liberado ao reclamante (fls. 88/95) tendo em vista acordo judicial firmado entre as partes, o que resultou na retenção e recolhimento do IR no valor de R$ 8.794,48 (fl. 96). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 02/08/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15374.900021/200811 Acórdão n.º 2201004.421 S2C2T1 Fl. 108 5 Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Fl. 123DF CARF MF 6 Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 001310/99, que tramitou na 20ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15374.900021/200811 Acórdão n.º 2201004.421 S2C2T1 Fl. 109 7 confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 125DF CARF MF 8 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721740/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. VENDA DE GADO. COMPROVAÇÃO.
As receitas de tal atividade precisam ser comprovadas por documentos determinados e que possuam a sua veracidade comprovada, como documentos emitidos pelos órgãos responsáveis por tal fiscalização.
Numero da decisão: 2201-004.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo tributo lançado o valor de R$ 551.259,14, relativo ao crédito realizado em 09/09/2005 na conta nº 370003 do Banco do Brasil.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente JOSE EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. VENDA DE GADO. COMPROVAÇÃO. As receitas de tal atividade precisam ser comprovadas por documentos determinados e que possuam a sua veracidade comprovada, como documentos emitidos pelos órgãos responsáveis por tal fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo tributo lançado o valor de R$ 551.259,14, relativo ao crédito realizado em 09/09/2005 na conta nº 370003 do Banco do Brasil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 17 40 /2 01 0- 33 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 248 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente). Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 209/234, interposto contra decisão da DRJ em Recife/PE, de fls. 190/204, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 3/10, lavrado em 25/02/2010, relativo aos anos calendário 2005 e 2006, com ciência do RECORRENTE em 04/03/2010 conforme AR de fls. 162. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado devido a depósitos bancários de origem não comprovada, gerando o crédito tributário no valor de R$ 808.375,10, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura), multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 15/16: Os anexos I a IV acima citados encontramse acostados às fls. 11/14. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 164/174 em 01/04/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Recife/PE, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “O contribuinte apresenta impugnação (fls. 164 a 174), com fundamento, sinteticamente, nas alegações a seguir: ‘(...) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 249 3 Explicações sobre a origem dos seguintes depósitos, acompanhadas de documentos. a) Conta 3700003, Banco do Brasil, Ag. 29688 – valor do depósito R$ 551.259,14 – data 9/9/2005 e, posteriormente em 12/9/2005 – a origem é o resgate de investimentos, migrados da conta “investimento” conforme extrato de conta corrente nº 3700003, em idêntico valor. b) O mesmo ocorreu em relação ao valor de R$ 25.186,48, datado de 13/09/2005; c) Conta nº 959.35100 – Citibank – Ag. 0007 – valor do depósito R$ 10.000,00 – data 7/2/2006 – foi migrado via transferência da conta do Banco Boston, nº 70171307, ag. 28; d) Conta nº 70196506 Banco Boston – valor do depósito R$ 91.200,00 – migração em 29/5/2006 para o Citibank Conta nº 959.35100; e) Conta nº 99681366, anteriormente nominada como 3941434 – Citibank – valor do depósito R$ 5.000,00 – saque efetuado nessa conta e depósito de R$ 3.000,00 na conta conjunta com a esposa nº 996881306; (...) Explicações sobre depósitos originados da atividade rural: f) na conta nº 60712 – Banco do Brasil, ag. 41157 – o impugnante centralizou as operações de venda de gado no período de 4/3/2005 a 15/12/2005, totalizando o valor líquido de R$ 521.768,59, além de depósitos no período de 19/12/2005 a 18/7/2006, no valor de R$ 189.073,32; g) auferiu receita de venda de gado em 2005 no valor de R$ 1.044.475,85; e no ano de 2006 o valor de R$ 1.267.686,46. Assim, alega que “fica fácil entender que os valores assinalados foram objeto de tributação vez que compulsados e insertos nas declarações IRPF dos referidos anos, conforme se comprova cabalmente pelas declarações em causa”. Continua: “Há anos foi abolida, não se sabe porque, as notas fiscais de venda de gado, do produtor para o consumidor, e até mesmo para o abatedouro.”; h) ainda, aduz em relação à atividade rural: “ .. todo comércio de gado transita em torno da venda a prazo acobertadas por emissão de cheques prédatados, em sua totalidade, razão da não correspondência, do que exige o fisco, e daí a sujeição à omissão de receita, é um passo que se evidencia ......estando comprovada a existência da atividade rural, a falta de comprovação das receitas declaradas como relacionadas à atividade rural, não é suficiente e bastante para desatrelálas desta atividade. Consequentemente, tanto o seu deslocamento para a tributação normal como a aplicação de multa isolada são improcedentes ... é tarefa difícil na atividade rural, a conciliação dos valores de venda com os depósitos realizados, por diversas razões ...” ; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 250 4 i) lembra que outro grave indício que pode configurar como prova de que os depósitos no Banco do Brasil relacionamse às atividades rurais, verificase que eles são condizentes como os bovinos alienados e os valores das receitas declaradas na DIRPF do Impugnante (ver imagem extraída do processo): j) assegura que deve ser afastada a hipótese de presunção de omissão de receita, relativa aos depósitos mantidos na conta corrente nº 60712, do Banco do Braisl. Ainda que não seja afastada a omissão, solicita que seja aplicada a tributação prevista nos artigos 3º e 5º da Lei 8.023/90, que limita o percentual de 20% a tributação sobre os rendimentos provenientes da atividade rural declarada; l) informa que a fiscalização desconsiderou os rendimentos já oferecidos à tributação e aqueles não tributáveis. Ainda, não realizou qualquer levantamento de acréscimo patrimonial. Ainda, em relação a esse fato aduz que “a movimentação de ENTRADAS (dinheiro) em comparativo do movimento bancário glosado, em 2005, no valor de R$ 521.768,59, temse a convicção da origem dos depósitos não considerados na autuação, e que seu montante, apresenta um percentual de 10,40%. Por igual em 2006 a movimentação de ENTRADAS (dinheiro) no valor de R$ 3.347.319,00; em contrapartida do valor de R$ 189.073,22; dos depósitos glosados, o percentual é de 5,64%. Evidenciase mais uma vez o despropósito da autuação, a sua falta de equidade, a iliquidez do levantamento fiscal, tratase de infração gestada por mera presunção da Autoridade Fiscal ...”; (...) outras alegações: impropriedade dos juros: m) questiona o Auto de Infração como um todo, em virtude do desrespeito ao princípio da verdade material e da legalidade; n) por fim, levanta a impropriedade da aplicação da taxa Selic nos juros de mora cobrados na autuação. Aduz que a taxa Selic não foi instituída em lei, ferindo o princípio da legalidade. Ainda, argumenta que a referida taxa objetiva remunerar investimentos no mercado de títulos da dívida pública e não ser aplicada em sanções por atraso no cumprimento de obrigações. Da Decisão da DRJ Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou procedente em parte a impugnação. Transcrevo abaixo a ementa do acórdão de fls. 190/204. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 251 5 Anocalendário: 2005, 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não possuindo competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o sujeito passivo titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Também são considerados como rendimentos omitidos, os depósitos de origem comprovada não oferecidos à tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários e, assim, provar que se tratam de verbas oferecidas à tributação ou que não devam ser tributadas. A comprovação de que o depósito é não tributável ou que já fez parte dos rendimentos declarados no ajuste, deve ser realizada mediante documentação hábil e idônea, e demonstrado de forma individualizada, consoante o caput e o § 3º do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. VENDA DE GADO. COMPROVAÇÃO. As receitas de venda de gado devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como, nota fiscal do produtor, bem como demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Meras alegações desacompanhadas de elementos de prova, não são suficientes para comprovar receitas oriundas desse tipo de atividade. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Impugnação Procedente em Parte Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 252 6 Crédito Tributário Mantido em Parte” Em seus fundamentos, quanto aos depósitos bancários sem origem comprovada, a DRJ entendeu por acatar a justificativa do contribuinte relativo aos créditos oriundos de migração entre contas do mesmo titular ao longo do anocalendário 2006 e afastou da tributação o valor de R$ 119.200,00 neste ano. Quanto à alegação de que parte dos depósitos bancários eram oriundos do resgate de investimento no anocalendário 2005, quais sejam, os créditos de R$ 551.259,14 e de R$ 25.186,48, entendeu que o contribuinte não logrou em comprovar que o crédito de R$ 551.259,14 era oriundo de resgate de investimento, mantendo a omissão quanto a este valor e cancelou a omissão referente ao depósito no valor de R$ 25.186,48 por constatar que esta quantia está contida no valor de R$ 551.259,14. Por sua vez, quanto à alegação de que parte dos depósitos eram provenientes de atividade rural, a DRJ entendeu que o contribuinte não juntou nenhuma documentação hábil para comprovar suas alegações. Ademais, o contribuinte também não apresentou nenhuma das documentações usualmente apresentadas por produtores rurais, dentre as quais destacase a nota fiscal avulsa, a nota fiscal de entrada, a nota fiscal de produtor, a nota promissória rural, o que dificulta até mesmo a efetiva comprovação da prática de atividade rural. Quanto aos questionamentos acerca da aplicação da taxa Selic bem como acerca da abusividade e caráter confiscatório da multa proporcional, o julgador entendeu que não possui competência para julgar ilegalidades ou inconstitucionalidade de normas, portanto, considerando que tanto a multa proporcional quanto a taxa Selic são frutos de previsões legais, elas devem ser aplicadas. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 17/03/2015, conforme intimação de fl. 208, apresentou o recurso voluntário de fls. 209/234 em 10/04/2015. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, sintetizadas abaixo: o valor do crédito de R$ 551.259,14 em 09/09/2005 referese a resgate de aplicação financeira (CDB/RDB) e não de novo valor. Chama atenção para o fato de o valor do resgate ser do tipo D+1 (dia útil subsequente) e que apesar de constar aviso de crédito na conta corrente no dia 09/09/2005, referido valor é inteiramente debitado o que torna o saldo da conta negativo. Tal valor somente foi creditado efetivamente no dia útil subsequente (12/09/2005), o que pode ser constatado mediante analise da coluna correspondente ao saldo das contas corrente e de investimento (fl. 132). o extrato bancário de fls. 133/136 que identifica as movimentações do investimentos em CDB expõe justamente um resgate de R$ 551.259,14 e de R$ 49.612,08; que na declaração de bens e direitos da DIRPF relativa ao anocalendário 2005 o contribuinte informou como aplicação financeira Banco do Brasil CDB/RDB, cujo saldo era de R$ 542.000,00 em 31/12/2004 e passou a ser zero em 31/12/2005. Tal fato comprova que o RECORRENTE possuía a aplicação financeira em montante compatível com o resgate realizado em set/2005 (valor do resgate foi superior em razão dos rendimentos) e que tal aplicação foi integralmente resgatada em 2005; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 253 7 apresentou argumentos no sentido de que os depósitos na conta corrente 60712 do banco do Brasil são oriundos da sua atividade rural; e contesta a tributação dos depósitos bancários como se fossem renda ou provento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA Foi lançado o imposto de renda relativo a depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade do RECORRENTE, ao longo do ano de 2005 e 2006, cujos extratos encontramse acostados às efls. 24/110. Durante a ação fiscal, o RECORRENTE foi intimado para a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos/depósitos ocorridos em suas contas bancárias (fl. 111), conforme relatório de fls. 113/119. Em resposta, o RECORRENTE juntou os documentos de fls. 120/160. Em que pese a autoridade fiscal ter reconhecido a procedência de alguns dos depósitos, o fisco procedeu com a lavratura do auto de infração dos depósitos não comprovados (fls. 11/14). Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 254 8 foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deve apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Deve, então, a RECORRENTE ter comprovado a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 255 9 Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Desta forma, passamos a analisar, individualmente, as justificativas apresentadas pelo RECORRENTE para comprovar a origem dos depósitos bancários. Da transferência de recursos da mesma titularidade Em sua defesa o RECORRENTE alegou que grande parte dos depósitos sem origem comprovada eram oriundos de transferências bancárias de sua própria titularidade, argumento que foi acatado pela DRJ para afastar a omissão referente aos seguintes depósitos: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 256 10 De todos os depósitos que o RECORRENTE justificou como sendo oriundo de transferência bancária de contas de sua própria titularidade, apenas foi mantida a omissão em relação ao crédito de R$ 551.259,14, sob o seguinte fundamento “O depósito não comprovado é a rubrica identificada no extrato como “Aviso de Crédito” no valor de R$ 551.259,14 em 9/9;2005. Ou seja: houve um crédito inicial na contacorrente no valor e rubrica citados. Logo após, há um registro de um débito em igual valor para transferência à conta investimento e aplicação em renda fixa (CDB/RDB), conforme imagem reproduzida no processo à fl.176”. Acredito que possui razão o RECORRENTE. Basta analisar o histórico da conta corrente e da conta investimento para perceber que existem uma série de lançamentos mutuamente excludentes entre as duas contas, em outras palavras, nos dias 09/09/2005 e 12/09/2005, o mesmo valor é lançado como débito na conta de investimento e crédito na conta corrente ou visse versa, o que demonstra que a origem do lançamento é a movimentação entre estas duas contas. Perceba que, em que pese constar no extrato um suposto crédito em CDB/RDB no valor de R$ 551.259,14 na data de 09/09/2005, ao analisar o extrato constante de fls. 133/136 é possível verificar que, neste dia, apenas ocorreram resgates e que tais resgates somados atingem o valor de R$ 600.891,72, que equivale a soma aritmética das quantias de R$ 49.612,08 (lançada na conta corrente no dia 12/9/2005) e R$ 551.259,14 (efetivamente lançada Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 257 11 na conta corrente em duas parcelas, uma de R$ 526.072,66 e outra de R$ 25.186,48, ambas no dia 12/9/2005). Portanto, houve de fato um resgate de valores da CDB para conta corrente. Por fim, ressaltase que o montante investido em CDB ao término do mês de setembro é de R$ 0,00, valor absolutamente incompatível com o suposto crédito de R$ 551.259,14 que consta no extrato bancário. Em respeito ao princípio da verdade material, considerando que foi efetivamente comprovado (i) a transferência de créditos entre a aplicação em CDB/RDB, a conta de investimento e a conta corrente, (ii) o saldo final do investimento em CDB/RDB ao término do mês de setembro era R$ 0,00, apesar de não constar nenhum outro resgate com exceção do ocorrido no dia 09/09/2005, (iii) existem coincidência de valores entre os lançamentos efetuados na conta corrente e na conta investimento, decido pela procedência do argumento do RECORRENTE para afastar a omissão quanto ao crédito de R$ 551.259,14 relativo ao anocalendário 2005. Da atividade rural Quanto as alegações do contribuinte que parte das receitas é proveniente da atividade rural, tais alegações não merecem prosperar. Ora, conforme previamente definido, era dever do RECORRENTE comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos bancários, com coincidência de data e valores, o que não foi cumprido no presente caso. O RECORRENTE se limita a alegar genericamente que uma parcela dos recursos era proveniente de atividade rural. Nos termos da IN SRF 83/2001, a receita bruta da atividade rural assim deve ser comprovada: Art. 6º A receita bruta da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, deve ser comprovada por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como Nota Fiscal do Produtor, Nota Fiscal de Entrada, Nota Promissório Rural vinculada à Nota Fiscal de produtor e demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Destacase que esta não é uma norma legal desconhecida pelo contribuinte, visto que foi inclusive por ele interpretada em sede de Recurso Voluntário. Ocorre que, o RECORRENTE erroneamente interpreta o vernáculo “e”, que indica adição, como sendo “ou” que indica alternatividade, e defende ser suficiente para comprovar a atividade rural a apresentação exclusiva de documentação reconhecida pela fiscalização estadual. Tais documentações tem caráter complementar, servem para reforçar o direito do contribuinte, mas é desarrazoado acreditar que cheques prédatados são por si só suficiente para caracterizar a prática de atividade rural, ainda que a fiscalização estadual os aceite para tal fim. O RECORRENTE afirma que todos os depósitos na conta corrente nº 60712 do Banco do Brasil relacionamse com sua atividade rural e que são condizentes com os bovinos alienados e com os valores das receitas declaradas em DIRPF nos anexos de Atividade Rural. Neste sentido, afirmou ser inconteste que os rendimentos oriundos da atividade rural (declarados pelo RECORRENTE) são exatamente os que transitaram pela sua conta bancária mantida no município de Tanquinho (próximo de suas fazendas). Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 258 12 Contudo, o RECORRENTE afirma que é tarefa difícil na atividade rural a conciliação dos valores de venda com os depósitos realizados. No entanto, conforme já exposto anteriormente, a presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários desloca para o contribuinte o dever de comprovar a origem dos créditos em suas contas, seja com rendimentos não tributáveis, seja com rendimentos já declarados e tributados. Sendo assim, os argumentos do RECORRENTE desacompanhados de provas hábeis e idôneas não são capazes de comprovar que todos os depósitos na conta nº 60712 do Banco do Brasil relacionamse com valores por ele já declarados oriundos de sua atividade rural. Caberia ao contribuinte apresentar uma documentação em que demonstrasse um controle suas receitas da atividade rural a fim de relacionar tais ingressos com os depósitos na conta corrente. Sem uma comprovação de suas alegações, não há como afastar o lançamento. Ademais, mediante a análise da DIRPF do contribuinte com a relação de depósitos bancários na conta nº 60712 do Banco do Brasil é possível constatar que, em algumas situações, a soma dos depósitos objeto de fiscalização supera o valor da receita declarada pelo RECORRENTE em determinado mês. Sendo assim, não há como atestar que os depósitos relacionamse unicamente com sua atividade rural. Para exemplificar, cito o mês de junho de 2005, onde o RECORRENTE informou em DIRPF que a receita oriunda da atividade rural no período foi de R$ 12.109,00 (fl. 150) ao passo que as somas dos depósitos na conta nº 60712 do Banco do Brasil neste mesmo mês (objeto da fiscalização) foi em torno de R$ 81.000,00 (fl. 11). Ou seja, o argumento apresentado pelo contribuinte, de que o valor total por ele declarado de atividade rural supera o somatório dos depósitos fiscalizados na referida conta do Banco do Brasil, não é, por si só, suficiente para comprovar a origem dos depósitos, pois, como exposto, em alguns meses as quantias depositadas superam o valor declarado pelo RECORRENTE. Sendo assim, entendo que não merecem provimento tais argumentos. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 551.259,14 realizado em 09/09/2005 na conta nº 370003 do Banco do Brasil, devendo ser observadas as alterações promovidas pela autoridade julgadora de primeira instância (fl. 204). (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10580.721740/201033 Acórdão n.º 2201004.535 S2C2T1 Fl. 259 13 Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004466/2005-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. 10 ANOS. APLICAÇÃO DO RE 566.621/RS E DA SÚMULA CARF Nº 91.
O prazo para o sujeito passivo pedir a repetição de indébito antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 é de 10 anos. Aplicação do decidido pelo STF no RE 566.621/RS, sob a sistemática do art. 543-B da Lei nº 5.869/73, e do disposto na Súmula CARF nº 91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à unidade de origem para apreciar a liquidez e a certeza do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PRAZO REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. 10 ANOS. APLICAÇÃO DO RE 566.621/RS E DA SÚMULA CARF Nº 91. O prazo para o sujeito passivo pedir a repetição de indébito antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 é de 10 anos. Aplicação do decidido pelo STF no RE 566.621/RS, sob a sistemática do art. 543B da Lei nº 5.869/73, e do disposto na Súmula CARF nº 91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à unidade de origem para apreciar a liquidez e a certeza do direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 44 66 /2 00 5- 64 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.004466/200564 Acórdão n.º 3002000.159 S3C0T2 Fl. 91 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Compensação (fl. 02/04), formulado em 13/05/2005, no qual o sujeito passivo intentou utilizarse de crédito referente a contribuição para o PIS supostamente recolhidos a maior, período de apuração outubro/1995, em decorrência da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88. A compensação declarada não foi homologada pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, conforme Despacho Decisório (fl. 18/20). Após ser intimada da decisão em 20/05/2005, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 32/46), na qual argumentou sobre a origem do direito creditório, a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.448/88, os efeitos da Resolução do Senado Federal nº 49, a MP 1.212/95 e a aplicação do prazo prescricional de 10 anos para a restituição dos valores pagos a maior. Assim como, apresentou decisões judiciais sobre os temas citados. A recorrente asseverou, ainda, que faz jus a restituição da diferença resultante da apuração do PIS nos moldes dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.448/88 e aquela devida pela apuração da contribuição nos moldes da Lei Complementar nº 7/70. Por fim, requereu a reforma da decisão e a homologação da compensação. Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1° do CTN. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.004466/200564 Acórdão n.º 3002000.159 S3C0T2 Fl. 92 3 Compensação não Homologada Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (74/86), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido e a homologação da compensação, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e acrescentando nova jurisprudência. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No presente processo, a questão a ser decidida consiste em determinar se o direito a postular a repetição do indébito de PIS, referente ao período de apuração outubro de 1995, foi fulminado pelo prazo decadencial ou, dito de outra forma, se o crédito a favor da recorrente foi alcançado pela prescrição. Esse é o cerne da controvérsia, tendo em vista que foi a principal motivação para o indeferimento do pedido da recorrente, conforme resta evidenciado no seguinte excerto do Despacho Decisório: "Por outro lado, ainda que o crédito existisse, mas considerando que desde a data do pagamento até a data da protocolização da DCOMP já havia decorrido mais de cinco anos, temos que o direito ao crédito também já estaria decaído, a teor do item I do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/99, a seguir transcrito, c/c art. 3° da Lei Complementar n° 118/200" (grifo nosso) Da mesma maneira, a instância a quo também lastreou sua decisão nesse sentido. Reproduzse trecho do voto condutor do Acórdão recorrido: "Dessa forma, por expressa disposição legal, o pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é esta a data do termo inicial de contagem do prazo de cinco anos para se fulminar o direito de pleitear a restituição. Verificase que a Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.004466/200564 Acórdão n.º 3002000.159 S3C0T2 Fl. 93 4 Declaração de Compensação foi protocolizada em 13/05/2005, portanto, decorridos mais de cinco anos do pagamento do PIS/PASEP, cuja restituição é ora pleiteada. Assim, não cabe reparo o despacho decisório da autoridade local que indeferiu o reconhecimento do 'crédito." (grifo nosso) Sobre o assunto, o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou, em repercussão geral, RE 556.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, no sentido de reconhecer que o prazo decadencial de cinco anos para o exercício do direito a reaver indébitos tributários, imposto pela Lei Complementar nº 118/05, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.004466/200564 Acórdão n.º 3002000.159 S3C0T2 Fl. 94 5 pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A determinação do STF expressa no julgamento citado é de aplicação vinculante, de acordo o § 2º do art. 62, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, o entendimento manifestado pela suprema corte também foi reproduzido na Súmula CARF nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No presente caso, o suposto crédito consignado no pedido de compensação referese a pagamento efetuado a maior em 10/11/1995, concernente a Fato Gerador de outubro de 1995, logo, o sujeito passivo poderia ter protocolado o pedido até 08 de junho de 2005. Assim, tendo o pedido sido realizado em 13/05/2005, não há que se falar em extinção do prazo. Por outro lado, como já dito, a principal motivação para a unidade de origem indeferir o pedido foi a pretensa decadência do direito à repetição do indébito, por conseguinte, toda a discussão contenciosa posterior se ateve somente à prejudicial de mérito, não adentrando na apreciação da liquidez e certeza do direito creditório. Desse modo, superada a prejudicial, devem os autos retornar à unidade de origem para apreciar a liquidez e certeza do direito creditório oriundo da diferença a maior no Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.004466/200564 Acórdão n.º 3002000.159 S3C0T2 Fl. 95 6 recolhimento da contribuição, gerada pela adoção da sistemática de apuração determinada pelos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.448/88, declarados inconstitucionais, e o realmente devido, apurado pela sistemática da Lei Complementar nº 7/70, para tanto, analisando os documentos acostados ao processo, assim como outros, que entenda necessários. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciar a liquidez e certeza do direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002554/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO. RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A ANOS ANTERIORES. NOVA APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. PROCEDÊNCIA.
Constatado, por meio de realização de diligência, que o saldo negativo do exercício, constituído em parte por saldos de exercícios anteriores, efetivamente existiu, reconhece-se o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento integral ao recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO. RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A ANOS ANTERIORES. NOVA APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. PROCEDÊNCIA. Constatado, por meio de realização de diligência, que o saldo negativo do exercício, constituído em parte por saldos de exercícios anteriores, efetivamente existiu, reconhece-se o crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento integral ao recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
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RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A ANOS ANTERIORES. NOVA APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. PROCEDÊNCIA. Constatado, por meio de realização de diligência, que o saldo negativo do exercício, constituído em parte por saldos de exercícios anteriores, efetivamente existiu, reconhecese o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento integral ao recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 25 54 /2 00 7- 30 Fl. 708DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a reprodução do relatório da decisão de Piso. Relatório • Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foram apreciadas as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 03/18, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2002, no valor de R$ 3.448.277,12 (fls. 04 e 08). Por intermédio do despacho decisório de fls. 204/214, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba indeferiu o pleito, não homologando as declarações de compensação vinculadas ao indigitado indébito, vez que após análise do saldo negativo de IRPJ de anos anteriores (1999, 2000 e 2001), que compuseram o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, não foi apurado crédito em favor da contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 234/247, acompanhada dos documentos de fls. 248/333, na qual alega, em síntese, que: a) em face da existência de saldo negativo de IRPJ, anocalendário de 2002, no valor de R$ 3.448.277,12, transmitiu as PER/Dcomp de n° 23730.86367.311003.1.3.025015 e • 01806.14270.260204.1.3.020727, objetivando compensar o IRPJ devido por estimativa nos meses de setembro/2003 e janeiro/2004, nos montantes de R$ 578.678,19 e R$ 3.649.925,04, respectivamente; b) o despacho decisório não reconheceu direito creditório a favor da contribuinte, o que resultou na negativa da homologação das Declarações de Compensação analisadas; c) a suposta inexistência de créditos foi apurada em decorrência da divergência entre o valor compensado, a título de imposto sobre a renda retido na fonte, na DIPJ e aquele oriundo de seus informes de rendimento, nos anos de 199 a 2001; d) a autoridade fiscal retroagiu até o ano de 1999, recompondo a apuração do IRPJ dos anos de 1999 a 2002, a fim de desconsiderar os saldos negativos dos IRPJ acumulados nos citados anos; e) operouse a decadência do direito do Fisco questionar o saldo negativo do IRPJ, relativos aos anos de 1999 a 2001, visto que o imposto em questão está sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional; f) de acordo com a jurisprudência, o saldo negativo sob enfoque tornouse tacitamente homologado após transcorridos cinco anos da data de sua apuração; g) na apuração do IRPJ, do anocalendário de 1998, o IRRF, no valor de R$ 3.354.011,87, deixou de ser informado como dedução na apuração anual do IRPJ daquele ano para compor o saldo negativo de IRPJ; h) uma parcela deste valor foi informada incorretamente na linha 07 da ficha 12 da DIPJ/2000, anocalendário de 1999, como IRRF para compensar o IRPJ referente à Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13888.002554/200730 Acórdão n.º 1401002.334 S1C4T1 Fl. 702 3 antecipação de outubro (R$ 3.254.740,75) e parte da antecipação de novembro (R$ 780.009,14), quando o correto seria têla lançado em DCTF/1999, como saldo negativo de IRPJ apurado no ano anterior; i) no anocalendário de 1999, houve retenção na fonte no montante de R$ 924.362,02, conforme verificado pelo Auditor Fiscal, sendo que deste montante, o valor de R$ 300.975,14 foi utilizado para compensar a parcela remanescente da antecipação do IRPJ de novembro de 1999 e o restante, no valor de R$ 623.386,88, compôs o saldo negativo de IRPJ daquele anocalendário; j) no tocante ao IRRF do anocalendário de 2000, a intimada informou o valor de R$ 1.086.815,02, quando o correto seria o valor de R$ 528.900,57, conforme comprovado pela autoridade fiscal; k) do montante de R$ 528.900,57, a título de IRRF, R$ 406.978,94 foi compensado com outras antecipações do IRPJ de 2000, restando, portanto, o montante de R$ 122.101,63, de IRRF não utilizado, que compôs o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000; 1) no anocalendário de 2001, temse uma diferença no valor de R$ 73.610,23, a qual, apesar de passível de atualização e compensação no exercício de 2002, não foi utilizada (Anexo A); m) no anocalendário de 2002, em razão das deduções que a intimada tinha direito, resultou no saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 3.448.277,12, no qual não está incluso o saldo de R$ 73.610,23 de IRRF do anocalendário de 2001, que poderia ter composto referido saldo negativo à época; n) as diferenças entre os valores de IRRF declarados nas DIPJ e aqueles constantes nas DIRF, referentes aos anos de 1998 a 2001, decorreram de mero erro formal no preenchimento das DIPJ, o qual não tem o condão de anular o direito da intimada aos referidos créditos, o) segundo o artigo 18 da MP n° 2.189 49/2001, regulamentada pela IN SRF n° 166/99, referido erro poderia ser corrigido por meio de retificação da DIPJ dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001; p) consoante demonstrado, a requerente faz jus ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, no montante de R$ 3.448.277,12. Ao final, requer, preliminarmente, a decadência do direito do Fisco em revisar e lançar o IRP.I, relativo aos anoscalendário de 1999 a 2001 e, no mérito, reconhecendose a existência dos créditos relativos ao saldo negativo do IRPJ declarados pela requerente, com a conseqüente homologação das Dcomp em questão. Posteriormente, em 11/02/2008, foi apensado ao presente processo o processo administrativo de n° 13887.20043/200701 É o relatório. Analisando a manifestação de inconformidade em contraponto ao despacho decisório, a Delegacia de Julgamento proferiu decisão considerando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão a recorrente apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes razões: O acórdão recorrido não negou as informações e os números trazidos na manifestação de inconformidade, tampouco o crédito final apurado, mas apenas se limitou a defender a insuficiência dos elementos contábeis. Contudo, a própria autoridade fiscal, quando Fl. 710DF CARF MF 4 decidiu pela não homologação das compensações, recompôs a cadeia de informações do período, inclusive trazendo aos autos as informações complementares necessárias ao trabalho de revisão. A autoridade fiscal também confirmou em seus sistemas os valores retidos e demais pagamentos e/ou compensações efetuadas. Ademais, somese a isso que as informações apresentadas pela contribuinte na sua manifestação de conformidade estão consubstanciadas nos informes de rendimentos e nas composições de valores efetivamente devidos sem os erros de preenchimento. A regularidade e suficiência dessas informações foi reconhecida pela prestigiada empresa de consultoria PriceWhiteHouseCoopers, cujas considerações são parcialmente transcritas e integralmente anexadas. Se alguma outra informação fosse considerada relevante pela autoridade julgadora, esta deveria ter determinado a realização de diligência. O acórdão recorrido incidiu em erro manifesto ao defender que houve novo pedido de reconhecimento de crédito. Na verdade, a contribuinte apenas alertou que, ao refazer os cálculos, verificavase um crédito até mesmo superior ao utilizado na compensação (saldo de R$ 73.610,23), mas, obviamente, isso não implicou em pedido de reconhecimento de um novo crédito. A contribuinte não consentiu com a glosa do montante de R$ 557.884,45 referente ao IRRF de 2000. A recomposição de todo o valor do IRRF e do crédito utilizado entre os anoscalendário de 1999 a 2002 engloba o montante acima. Não se trata, portanto, de matéria incontroversa. Da análise dos argumentos de recurso apresentados este CARF determinou a conversão do julgamento em diligência a fim de que fossem apuradas as informações apresentas pela recorrente em seu recurso voluntário e fosse realizada o recálculo dos valores devidos ou saldos negativos de IRPJ a partir do anocalendário de 1999 para se chegar à confirmação ou não da existência de saldo negativo no anocalendário 2002. Encaminhados os autos para a realização de diligência a Delegacia de Origem, após intimação ao contribuinte emitiu a seguintes informação fiscal, com a devida apuração de todos os saldos a pagar ou negativos dos anoscalendário de 1999 a 2002. CONCLUSÃO Ressalvado o fato de a empresa não ter apresentado os registros contábeis dos Livros Diário e Razão, relativamente à apuração e forma de quitação das estimativas de IRPJ para os períodos analisados, embora tenha apresentado os argumentos citados inicialmente nesta informação fiscal e, considerando que as tabelas acima expostas, as telas e os relatórios anexados neste processo demonstram os valores constantes nos sistemas da RFB e que serviram de base para essa informação e, ressaltando, por oportuno, que esta análise foi elaborada à luz dessas informações, não se eximindo o contribuinte em se submeter a procedimento fiscal posterior, se for o caso, para verificação dos dados constantes dos autos, sobretudo quanto a fatos não trazidos a conhecimento desta autoridade administrativa, concluise que foi apurado o crédito do Saldo Negativo de IRPJ para o anocalendário de 2002 no valor de R$ 3.448.277,12, conforme informado no PER/DCOMP 23730.86367.311003.1.3.025015. (grifo do original) Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13888.002554/200730 Acórdão n.º 1401002.334 S1C4T1 Fl. 703 5 É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento; Com base na informação apresentada pela diligência realizada pela Delegacia de Origem temos que o crédito informado pela empresa já foi objeto de confirmação. Entretanto, dada a situação dos autos devemos fazer alguns comentários sobre o andamento do processo. No presente caso a empresa utilizou créditos relativos a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 que foram indeferidos pela Delegacia de Origem. O que verificamos ter ocorrido no caso é que o contribuinte apurou seu saldo negativo com base em compensações de créditos relativos ao mesmo saldo negativo de exercícios anteriores, compensações estas baseadas em suas apurações e registros contábeis. Ocorre no entanto, a presença de um fato que pe comum nestes casos. A empresa em um dos exercícios nos quais utilizou crédito para compensações futuras (AC/1999) apresentou DIPJ na qual apurou prejuízo fiscal e, em desconsideração nas normas de preenchimento da DIPJ, simplesmente deixou em branco as linhas de preenchimento da apuração do IRPJ a pagar na referida declaração. Ora, decorre deste fato que em vez de a empresa registrar um saldo negativo de pouco mais de R$ 3.500.000,00, apurou zero de IRPJ a pagar ou a restituir. Desta forma, ao se realizar o confronto dos valores de crédito de períodos anteriores para a compensação de estimativas que comporiam o saldo do anocalendário 2002, não existia saldo suficiente nas DIPJ apresentadas para compensar integralmente as estimativas. Por estas falhas na apresentação das declarações de IRPJ é que ocorreu toda a discussão neste processo. Por óbvio a Delegacia de Julgamento poderia, desde o início, ter solicitado a diligência para realizar toda a apuração agora levada a efeito e ter solucionado antecipadamente este processo. Entretanto a de se destacar, como ocorre em inúmeros processos, que todo o problema da não homologação dos créditos e das compensações decorre, muitas vezes, de informações prestadas incorretamente pelos próprios contribuinte que impedem a conclusão Fl. 712DF CARF MF 6 satisfatória da análise dos créditos e, mais ainda, provocam o movimento de realização de um processo administrativo custoso que decorre das incorretas informações fornecidas pela empresa em suas DIPJ. Inobstante esta repreensão que serve apenas de norte para análise de outros possíveis casos e demonstração de que as decisões de improcedência que demandam o seguimento de processos administrativos nem sempre decorrem de mávontade da administração, mas sim, muitas vezes das informações incorretas apresentadas pelos contribuintes em suas declarações, há de se considerar, no presente caso, a necessidade de atendimento ao princípio da Verdade Material. Em razão de tal princípio deve o julgador buscar a verdade do caso a partir de todas as informações disponíveis. Assim foi feito. A diligência levada a efeito pela provocação da conversão do processo em diligência foi bastante detalhada e realizou a reapuração de todos os valores a pagar ou a restituir de IRPJ dos anoscalendário de 1998 a 2002 e, ao final, reconheceu, conforme exposto no relatório deste voto, a existência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. Assim, à vista do exposto e concordando com os termos da informação fiscal apresentada como resultado da diligência solicitada, voto no sentido de reconhecer o direito de crédito do contribuinte, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 no montante original de R$ 3.448.277,12, conforme apontado no PER/DCOMP nº 23730.86367.311003.1.3.025015. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002805/2010-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
Numero da decisão: 1002-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 04678402969 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 28 05 /2 01 0- 34 Fl. 126DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 65 e 66) interposto contra o Acórdão n° 0431.660, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (efls. 52 à 56), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa lastreada na responsabilidade objetiva, por conta do descumprimento da obrigação tributária (art. 136 do CTN). Nestes termos, concluiu que descabe a alegação de erro na escolha da modalidade de apresentação da DCTF, devendo a Contribuinte arcar com os ônus de sua opção. Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Em síntese, alega existência de erro na escolha de apresentação da DCTF na modalidade "mensal", quando se pretendia, na verdade, realizar tal adimplemento na modalidade "semestral" (com atenção especial ao item I, na efl. 76). Os demais fatos são bem resumidos no Relatório da DRJ, o qual transcrevo abaixo, com lastro no §3º do art. 57 do RICARF: Contra a contribuinte acima identificada foi formalizada a Notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federal DCTF do mês de março do anocalendário de 2009, fls. 05, na qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 51.600,57. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação em 09/04/2010 (fls. 0204) alegando, em síntese, que: a) os valores de faturamento no período de 2007 a 2009, que podem ser comprovados nas DIPJ, DACON e DCTF apresentadas à RFB, não a enquadravam para entrega da DCTF na forma mensal; b) passou a entregar suas obrigações acessórias de forma mensal em 2008, por ter sido enquadrada pela RFB, em desacordo com a legislação vigente; c) no exercício 2009, por estar dispensada da entrega mensal das obrigações acessórias, optou pela entrega semestral, sendo que ao tentar enviar a declaração em outubro de 2009, foi impedido pelo sistema da RFB, que exigia a entrega na forma mensal; d) não lhe restou outra alternativa senão apresentar a declaração mensal, e ao fazêlo, foi considerado em atraso, gerando a multa por atraso; e) a vedação da RFB no recebimento da declaração semestral causou transtornos, pois foi necessário a utilização do Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13807.002805/201034 Acórdão n.º 1002000.189 S1C0T2 Fl. 127 3 certificado digital para a transmissão da declaração mensal, retardando ainda mais a entrega. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se fundam na existência de intenção em entregar as DCTFs na modalidade mensal, durante os anos de 2008 e 2009. Tais aspectos foram fundamentadamente afastados no juízo administrativo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do Acórdão Recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: Alega a impugnante que foi impelida a entregar as DCTF mensais em atraso porque o sistema informatizado da RFB não aceitou a sua DCTF semestral. Afirma ainda que não estava enquadrada nas hipóteses que obrigavam a entrega de DCTF mensais. Ressaltese que a interessada não juntou tela do Receitanet para comprovar a tentativa de entrega da DCTF semestral. Não está demonstrado ainda que a contribuinte buscou uma solução junto à administração tributária para que conseguisse entregar a DCTF semestral. A extemporaneidade na entrega de declaração de tributos, no prazo fixado pela norma, é considerada como sendo descumprimento de obrigação tributária exigida do contribuinte. Cumpre esclarecer que a multa exigida decorre de fatos ocorridos na vigência de Instruções Normativas que regulamentaram as penalidades previstas no art. 7º da Lei nº 10.426 de abril de 2002, reproduzido a seguir: (...) A IN SRF nº 583, 20 de dezembro de 2005, seguidas pela Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, e pela Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, dispõem de forma idêntica que: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: Fl. 128DF CARF MF 4 I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais). (...) Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas no disposto no art. 3º deverão apresentar a DCTF Semestral. Da Opção pela Apresentação da DCTF Mensal Art. 5º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3º poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da primeira DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. § 2º Exercida a opção de que trata o caput com a apresentação de DCTF Mensal relativa a mês posterior a janeiro, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação das declarações relativas aos meses anteriores ao da primeira DCTF apresentada, sendo devida a multa pelo atraso na entrega das referidas declarações. § 3º A obrigatoriedade de entrega na forma prevista no § 2º não se aplica no caso de pessoa jurídica dispensada da apresentação da DCTF no período considerado. A impugnante alega que estava obrigada a apresentar a DCTF Semestral, e que apresentara as mensais porque o sistema da RFB impediu a entrega a semestral. É fato que ela não faz prova de suas alegações. E, mesmo que estivesse desobrigada, não restou comprovado que a contribuinte tenha tomado as devidas providências para exercer o seu pretenso direito de entregar a DCTF Semestral. Além disso, a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, no parágrafo único do art. 12, prevê a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DCTF Mensais: Parágrafo único. Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado. A alegação de dificuldades com a certificação digital não pode ser acatada, pois no anocalendário de 2008, a contribuinte Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13807.002805/201034 Acórdão n.º 1002000.189 S1C0T2 Fl. 128 5 apresentou as DCTF Mensais, que já exigiam a citada certificação. O prazo final de entrega da DCTF semestral do primeiro semestre do anocalendário 2009 foi até o quinto dia útil de outubro de 2009, no entanto, a contribuinte somente apresentou as DCTF mensais de janeiro a dezembro de 2009, no dia 24/02/2010. Sendo assim, é forçoso concluir que, no mínimo, a contribuinte optou por entregar em 24/02/2010 a DCTF Mensal, cabendo a ela aceitar as consequências de sua decisão. Nos termos do § 1º, do art. 5º, da IN SRF nº 695/2006, exercida a opção pela DCTF Mensal, ela é irretratável para todo o anocalendário. Portanto, tendo optado pela entrega da DCTF mensal, com a apresentação em atraso da declaração, a impugnante sujeitouse à multa, nos termos da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7o. Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação para manter o crédito tributário deste processo. (GN) Reiterando a fundamentação legal do Acórdão Recorrido supra, pontuo que regulamentação infralegal dispõe sobre a indigitada obrigação acessória com hialina clareza. Nessa trilha, cito a IN SRF nº 583, 20 de dezembro de 2005, seguidas pela Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, e pela Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008; todas essas também foram abordadas na decisão a quo. Especificamente tocante à Declaração, vale transcrever o art. 4º da IN RFB 903/08, o qual não deixar margens para interpretações divergentes, quando deixa evidente em seu teor que a escolha na sistemática de apresentação da DCTF (mensal ou semestral) será definitiva e irretratável para todo o anocalendário. Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3º poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da 1º (primeira) DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. § 2º Exercida a opção de que trata o caput com a apresentação de DCTF Mensal relativa a mês posterior a janeiro, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação das declarações relativas aos meses anteriores ao da 1º (primeira) DCTF Fl. 130DF CARF MF 6 apresentada, sendo devida multa pelo atraso na entrega das referidas declarações. De arremate, observo que a Contribuinte não colacionou aos autos quaisquer provas aptas a ilidir a aplicação da multa, tampouco a demonstrar eventual erro da autoridade fiscal. Forçoso reconhecer, portanto, que o equívoco no enquadramento na modalidade de entrega mensal (ao invés da semestral) é de única responsabilidade da Recorrente. Destaco, ademais, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720817/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente OROZINA FERREIRA LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 17 /2 01 3- 80 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS): Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física n° 2012/742410234161176, f. 45, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2012, anocalendário 2011, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 1.705,37, assim discriminado: (...) Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Glosa das despesas médicas: R$ 16.600,00. A ciência do lançamento se deu por via postal, em 17/04/2013, conforme consta da f. 5051. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, em 10/05/2013, através da qual a interessada, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa cujo ponto relevante para a solução do litígio é a apresentação dos documentos que entende suficientes para comprovar as deduções glosadas: Por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e restituição do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), negou provimento à Impugnação (fls. 56), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Cientificada (AR fls. 70), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 72/73), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos recibos emitidos pela fisioterapeuta Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.720817/201380 Acórdão n.º 2202004.484 S2C2T2 Fl. 96 3 Tatiana Paradiso Martins, uma vez que os dados relativos ao CPF e endereço da prestadora de serviço e exigidos pela decisão recorrida encontravamse no verso nos mencionados documentos. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 97DF CARF MF 4 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: Quanto à comprovação do efetivo pagamento, entendo que pode ser exigida quando os valores das despesas são exagerados em relação aos rendimentos declarados e não há prova de que o paciente tenha necessitado do tratamento. No caso em comento há documentação médica com indicação do tratamento fisioterápico, bem como o valor pago durante o ano é compatível com as justificativas trazidas, razão pela qual entendo dispensável tal prova. (...) Pela leitura dos dispositivos acima, fica claro que os recibos devem conter “nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF” do prestador do serviço. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.720817/201380 Acórdão n.º 2202004.484 S2C2T2 Fl. 97 5 Os recibos de f. 19 e seguintes não contém o endereço do prestador do serviço, faltandolhes elemento essencial para sua aceitação. Em sede de impugnação, limitouse o contribuinte a argüir pela validade dos documentos já apresentados como aptos para comprovar a dedução pretendida. Uma vez que os documentos não cumprem os requisitos de admissibilidade, o interessado deveria ter procurado complementar os requisitos de ordem formal ausentes e, como isto não foi feito, a glosa destas despesas deve ser mantida. Intimada da referida decisão, a contribuinte, juntou, em fase recursal, os documentos de fls. 76/87 por meio dos quais procura sanar as objeções apontadas na decisão recorrida. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) Fl. 99DF CARF MF 6 "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) A documentação juntada ao recurso voluntário comprova que os dados dos recibos emitidos pela fisioterapeuta Tatiana Paradiso Martins (ao CPF e endereço da prestadora de serviço) e exigidos pela decisão recorrida encontravamse no verso nos mencionados documentos Ademais, ainda que tais documentos não tivessem sido juntados aos autos, entendo que a ausência de endereço do prestador de serviço pode ser suprida por outras provas ou até mesmo pela autoridade administrativa. Nesse sentido, mencionese a Solução Interna nº 7 da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial (COCAJ): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. A ausência de endereço nos recibos médicos é razão suficiente para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova das despesas médicas. Entretanto, isso não impede que outras provas sejam utilizadas evitando, assim, a glosa da despesa. Além disso, a autoridade administrativa poderá suprir, de oficio, a ausência do endereço do prestador do serviço, por meio de consulta aos sistemas informatizados da Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB). Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10140.720817/201380 Acórdão n.º 2202004.484 S2C2T2 Fl. 98 7 Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.909928/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 28 /2 01 2- 92 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.750, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.909928/201292 Acórdão n.º 3301004.433 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 13746.001223/2002-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/10/2002 a 10/10/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-005.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/10/2002 a 10/10/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3302002.820, cuja ementa segue abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 12 23 /2 00 2- 92 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13746.001223/200292 Acórdão n.º 3302005.463 S3C3T2 Fl. 416 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão embargada aplicou o decidido no 10735.000001/9918. Os embargos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900, repetindo as alegações efetuadas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. O despacho de admissibilidade entendeu haver omissão quanto à não observância da Súmula CARF nº 1 (concomitância entre as esferas judicial e administrativa), havendo contradição entre os fundamentos do voto na medida que reconhece a existência de ações judiciais que discutem a matéria em litígio, mas, ainda assim, debateu e decidiu sobre tais matérias, não aplicando os efeitos decorrentes da concomitância. Na forma regimental,o processo foi distribuído a este relator por conexão com processos anteriormente distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Os embargos opostos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900 e, como afirmado pela embargante, reiteraramse as alegações aduzidas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. Ocorre que o julgamento efetuado no processo nº 10735.000001/9918 abrangeu diversas matérias, nem todas aplicáveis a todos os processos, devendo ser analisado os efeitos daquela única decisão em cada processo. Assim, concernente a este processo, a recorrente alegou em recurso voluntário a preliminar de homologação tácita, que fora decidida favoravelmente à recorrente no Acórdão nº 3302002.816, proferido nos autos nº 10735.000001/9918, cujo resultado foi aqui aplicado. Transcrevemse a ementa e excertos do referido acórdão: Ementa: Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13746.001223/200292 Acórdão n.º 3302005.463 S3C3T2 Fl. 417 3 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp) que não seja objeto de despacho decisório proferido ou que o sujeito passivo não tenha sido cientificado no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo Excertos: **DÉBITOS ** (i) Homologação Tácita das Compensações de Terceiros Apreciadas as matérias referentes à composição do crédito e às possibilidades de sua utilização, passo a analisar as alegações referentes aos débitos aplicáveis aos processos anexos bem como aqueles que estão sendo apreciados também neste julgamento, quais sejam: Processos nº 10283.002024/200117, 13746.000060/200310, 13746.001220/200259, 13746.001223/200292, 10735.000896/200347, 10930.003102/200391, 11516.001792/200488, 11610.001259/200367, 13746.000058/200332, 13746.000144/200345, 13746.000147/200389, 13746.000252/200318 e 11516.002703/200411. [...] Ou seja, as compensações da Recorrente com débitos próprios e de terceiros estão sujeitas ao regime de homologação, produzindo desde seu protocolo efeito extintivo sob condição resolutória de ulterior homologação, com prazo de 5 (cinco) anos para ocorrer contados da data do protocolo. Não pode agora a SRF alegar inaplicabilidade da homologação tácita “in casu”. Ante o exposto, para as compensações que citem os processos administrativos de crédito n°s 10735.000001/9918, 10736.000202/9970 e 13746.000533/200117 para as quais transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre a data de protocolo do pedido de compensação e a data de cientificação do despacho decisório de nãohomologação, entendese que houve homologação tácita da declaração de compensação, razão pela qual entendese por definitiva a imputação da forma como foi realizada. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13746.001223/200292 Acórdão n.º 3302005.463 S3C3T2 Fl. 418 4 [...] Nos processos nº 13746.001223/200292, as compensações foram protocoladas em 10/10/2002, ao passo que a Recorrente somente foi cientificada da decisão de nãohomologação das compensações em 19/10/2010 (fl. 23). [...] Nesse sentido, voto por: a) Homologar tacitamente as compensações para as quais decorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre o seu protocolo e a cientificação da contribuinte constante dos processos nº 10283.002024/200117, 13746.000060/200310, 13746.001220/200259, 13746.001223/200292, 13746.000058/200332, 13746.000144/200345, 13746.000252/200318, 13746.000147/200389 e 10735.000896/200347, devendo as imputações realizadas serem consideradas definitivas;" Constatase, portanto, que, para este processo, a decisão única proferida no Acórdão nº 3302002.816 e aqui aplicada reconheceu a homologação tácita das compensações analisadas nestes autos, sendo que as demais matérias abordadas na decisão única tornamse aqui prejudicadas. Destarte, os embargos de declaração opostos, ao versarem sobre matérias não decididas neste processo, terminaram por abordar questões estranhas ao julgamento aplicado a este processo, não sendo passíveis de conhecimento. Diante do exposto, voto para rejeitar os embargos de declaração opostos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 418DF CARF MF
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Numero do processo: 16306.720525/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DILIGÊNCIA. NULIDADE.
Embasado no artigo 18 Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora entendeu pela desnecessidade da diligência, diante da subjetiva prescindibilidade da prova e, dada a ausência de comprovações de sua efetiva solicitação às instituições financeiras, a sua suposta impraticabilidade. A motivação da decisão, então, resta patente, de modo que não se cogita qualquer ofensa à ampla defesa e ao contraditório da recorrente.
GLOSA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
EXCLUSÃO DO ADICIONAL DE IRPJ. APLICAÇÕES FINANCEIRAS ANTES DE 01.01.1995.
Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata o artigo 67, § 5º e 73, § 7º, ambos da Lei nº 8.981/95, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovados.
Numero da decisão: 1201-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações formalizadas por meio dos PER/DCOMPS nºs12666.49104.300608.1.7.020114, 03399.43504.310308.1.3.027380 e 30852.39460.300608.1.3.020531, nos limites do direito creditório reconhecido. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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NULIDADE. Embasado no artigo 18 Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora entendeu pela desnecessidade da diligência, diante da subjetiva prescindibilidade da prova e, dada a ausência de comprovações de sua efetiva solicitação às instituições financeiras, a sua suposta impraticabilidade. A motivação da decisão, então, resta patente, de modo que não se cogita qualquer ofensa à ampla defesa e ao contraditório da recorrente. GLOSA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). EXCLUSÃO DO ADICIONAL DE IRPJ. APLICAÇÕES FINANCEIRAS ANTES DE 01.01.1995. Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata o artigo 67, § 5º e 73, § 7º, ambos da Lei nº 8.981/95, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações formalizadas por meio dos PER/DCOMPS nºs12666.49104.300608.1.7.020114, 03399.43504.310308.1.3.027380 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 72 05 25 /2 01 1- 21 Fl. 341DF CARF MF 2 30852.39460.300608.1.3.020531, nos limites do direito creditório reconhecido. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório A contribuinte transmitiu os PER/DCOMPnºs12666.49104.300608.1.7.020114, 03399.43504.310308.1.3.027380 e 30852.39460.300608.1.3.020531, por meio dos quais fora apontado crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário (AC) de 2007, no montante de R$34.829.440,95. Foi emitido Despacho Decisório (fls. 121 a 128) homologando parcialmente as compensações declaradas nos PER/DCOMP referidos acima, reconhecido o crédito de apenas R$23.793.600,54, conforme a seguir resumido. Em consulta à DIPJ/2008, foi constatado que a forma de tributação utilizada foi a do Lucro Real, com apuração anual (fl. 23), e que não foi informado corretamente, na ficha 12A (Item 2; fl. 30), o valor do adicional do Imposto sobre o Lucro Real. O cálculo fora, então, refeito. No demonstrativo de crédito do PER/DCOMP (fls. 07/10), a interessada informa que recolheu o montante de R$117.042.076,03, por meio de DARF, a título de antecipações de IRPJEstimativa, o que foi confirmado, conforme fl. 91. Acrescenta, ainda, a contribuinte (fl. 11), que compensou parcela do IRPJ Estimativa de junho/2007, no valor de R$742.800,44, com o crédito demonstrado no PER/DCOMP n° 41029.86943.310707.1.3.026772,o qual foi retificado posteriormente pelo de n° 28987.13525.080409.1.7.022204. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 3 3 No entanto, essa parcela não fora considerada no cômputo do saldo negativo pleiteado pelo contribuinte, uma vez que a compensação efetuada no citado PER/DCOMP não foi homologada (Despacho Decisório; fls. 92/94). Com relação ao IRRF, foram confrontados os valores declarados pelo contribuinte no PER/DCOMP, com os existentes em DIRF, retidos em seu nome durante o anocalendário 2007 (fls. 50/90), conforme demonstrativo abaixo: Diante do exposto, foi confirmada a existência de Saldo Negativo de IRPJ do AC 2007 no montante de R$23.793.600,54, de acordo com o quadro a seguir: Fl. 343DF CARF MF 4 Basicamente, portanto, a diferença encontrada pela fiscalização concerne ao suposto equívoco quanto à mensuração e apuração do adicional de IR e a não homologação da compensação que objetivava a satisfação da estimativa mensal de junho de 2007. Manifestação de Inconformidade II.1 O adicional do IRPJ Alega a contribuinte, inicialmente que o argumento utilizado pela fiscalização para justificar a glosa de parte do saldo negativo, relativo ao AC 2007, estaria equivocado, pois ela não atentou para o fato de que os valores excluídos pela requerente, da apuração do adicional do IRPJ, correspondem a rendimentos de aplicações financeiras existentes em 31.12.1994, que, por expressa disposição legal, não estão sujeitos ao referido adicional. Os art. 67, parágrafo 5º, e 73, parágrafo 7º, da Lei n. 8981, de 20.1.1995,determinariam, segundo a impugnante, que os rendimentos produzidos, a partir de 1.1.1995, por aplicações financeiras e fundos e clubes de investimento existentes em 31.12.1994, poderiam ser excluídos do lucro real para efeito da incidência do adicional do IRPJ. Os anexos documentos demonstrariam que o valor de R$102.930.399,64,excluído do lucro real para efeito de incidência do adicional do imposto de renda, corresponderia às receitas auferidas pela requerente, no AC 2007, em aplicações financeiras realizadas antes de 31.12.1994 (docs. 2 a 5). Além desses documentos, a impugnante informa que solicitou à instituição financeira declaração atestando a origem de tais rendimentos. Contudo, até a presente data o seu pleito não foi atendido, razão pela qual protesta pela juntada posterior desse documento. Coube destacar ainda que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro decidiu em idêntico sentido ao racional desenvolvido nesta demanda, ao proferir o acórdão n. 1212224,de 31.10.2006,em processo no qual a própria recorrente figurava como parte, mas referente a período base de 2000. Essa decisão teria restado, posteriormente, confirmada pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, negara provimento ao recurso de ofício interposto pela Delegacia de Julgamento (acórdão nº 10516930,de 16.4.2008). II.2 A estimativa de junho/2007 Atesta a impugnante que, de fato, por meio de despacho decisório, emitido em 23.10.2009, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT São Paulo não homologou a compensação realizada pela requerente, do débito da estimativa do imposto de renda do mês de junho de 2007 (processo n. 10880.690352/200985). No entanto, constata que contra aquele despacho decisório, em 8.12.2009, foi interposta manifestação de inconformidade (doc. 7), que ainda aguarda julgamento (doc. 8). Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 4 5 Assim, verificouse que a matéria versada neste tópico da presente manifestação de inconformidade está intimamente relacionada com aquela que é objeto do processo nº 10880.690352/200985. Consequentemente, entende que se a decisão proferida naquele processo administrativo for favorável à requerente, com a consequente homologação da compensação da estimativa doIRPJ, relativa ao mês de junho de 2007, o despacho decisório ora impugnado deverá será automaticamente reformado. Concluise, então, diante da evidente correlação existente entre ambos os processos, que a decisão proferida nos autos do mencionado processo deverá necessariamente será aplicada na solução do presente litígio, pleiteando, assim, a suspensão deste até a decisão definitiva daquele. Acórdão nº 1647.573 4ª Turma da DRJ/SP1 Sobrestamento De pronto, entendeu a autoridade julgadora que não pode ser suspenso o trâmite do presente processo, no aguardo de decisão definitiva a ser proferida em outro processo em andamento. Sustentouse que o processo administrativo fiscal (regulamentado pelo Decreto n° 70.235/1972) é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo a autoridade executiva sobrestar sua apreciação na inexistência de impeditivo legal. Além do princípio da oficialidade, alegase que a administração não poderia aguardar a decisão de outro processo indefinidamente, pois tem o prazo de cinco anos da data da entregada declaração de compensação para decidir sobre essas compensações antes de incorrer em sua homologação tácita, segundo o parágrafo 5°, art. 74, da Lei nº 9.430 de 26 de dezembro de1996 (e alterações). Ademais, argumentase que nas disposições do art. 170 do CTN consta, expressamente, que o reconhecimento do direito à restituição ou à compensação de créditos condicionase à efetiva existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, significando, portanto, que não deveria pairar a menor dúvida acerca do direito do sujeito passivo sobre esses créditos. Assim, indeferiuse o pleito de sobrestamento. Estimativa de Junho/2007 Em alinho ao disposto em tópico pretérito, constatase que em consulta ao Sistema Comprot, identificouse que o processo nº 10880.690352/200985 fora enviado em diligência pela 7ª Turma desta DRJ/SP, em 11/06/2013. Até o momento restaria prevalecente o Despacho Decisório já considerado quando da apreciação do presente processo pela Autoridade Administrativa (fls. 92 a 94; Fl. 345DF CARF MF 6 subitem 3.6.), razão pela qual decidiu a autoridade julgadora por não considerar a compensação da parcela do IRPJEstimativa de junho/2007, no valor de R$742.800,44, por falta da liquidez e certeza preconizada na legislação. Adicional de IRPJ Constatouse, de início, que, tendo em vista as mudanças ocorridas na legislação, foram criadas regras de transição §1º do art. 67 da Lei n.º 8.981 e §1º do art. 11 da Lei n.º 9.249, de26/12/1995 determinando a apropriação pro rata tempore dos rendimentos auferidos nos anos de 1993, 1994 e 1995. Ou seja, em que pese a retenção da fonte ter sido efetuada somente no resgate da aplicação, as respectivas receitas financeiras deveriam ser reconhecidas à medida que auferidas. Com estas regras de transição, percebeuseque a preocupação do legislador era tãosomente discriminar os rendimentos de aplicações financeiras auferidos até 31/12/1994,dado que antes eram tributados exclusivamente na fonte, daqueles auferidos a partir de01/01/1995, submetidos à nova sistemática que determinava sua inclusão ao lucro líquido para efeitos de determinação do lucro real. Segundo a autoridade julgadora, a impugnante, para provar que atuou nos ditames legais acima dispostos, apresentou documentos e informou o quanto segue. Em resposta à intimação (em que instado a comprovar o oferecimento à tributação das receitas financeiras de R$103.286.079,02 e R$6.426.377,82,acompanhado de cópia dos respectivos registros contábeis), indicou (fls. 101 a 120) que o rendimento no valor de R$103.286.079,02 estaria segregado em duas linhas da DIPJ:R$102.930.399,64 na linha 06A/19 e R$355.679,38 na linha 06A/22. O saldo contábil da linha 06A/22 seria composto por outros valores, como "juros ativos", "descontos obtidos", "remuneração sobre cobrança", entre outros, conforme cópia do razão anexado (Doc. 03; fls. 113 a 115). O valor de R$6.426.377,82 teria sido oferecido à tributação na linha 6A/22. Na Manifestação de Inconformidade, teria alegado que os documentos anexados (fls. 150 a 156) demonstram que o valor de R$102.930.399,64, excluído do lucro real para efeito de incidência do adicional do imposto de renda, corresponde às receitas auferidas pela requerente, no AC 2007, em aplicações financeiras realizadas antes de31.12.1994. Examinando o acima exposto, a DRJ/SP1 observou que os documentos trazidos não teriam sido hábeis a provar o quanto alegado. Salientouse que o informe de rendimentos (fl. 156) não apresenta nenhuma informação de que se trata de aplicação existente em 31/12/1994. Ademais, consulta ao Sistema CNPJ (fl. 170) teria indicado que a fonte pagadora (CNPJ 03.384.738/000198)teve comodata de abertura 10/09/1999. Destarte, não comprovado que as receitas sob análise referiamse a aplicações existentes em 31/12/1994 – condição exigida pela legislação para permitir a exclusão da base de cálculo do adicional do IRPJ, entendeuse não haver como expurgálas do cálculo do adicional. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 5 7 Assim, mantevese o valor de R$47.880.891,18 a título de adicional do imposto de renda, para o AC 2007 (linha 12A/02). Por fim, houvese por bem indeferir o pedido de diligência formulado, visto que desnecessário (art.18, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972). Além do mais, alegase que não teriam sido atendidos os requisitos previstos no artigo 16 do referido decreto. Recurso Voluntário Nulidade do Acórdão Recorrido Neste ponto alega a recorrente que se o v. acórdão recorrido tinha dúvidas quanto às suas alegações deveria ter, ao menos, convertido o julgamento em diligência para a correta averiguação dos fatos que ensejaram a discussão em comento, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa, garantido aos cidadãos pelo inciso LV do art. 5º da Constituição Federal. Argumenta que a prova que atestaria o seu direito não pôde antes ser produzida visto que dependida da atuação de um terceiro (instituição financeira), o que, por si só, demonstraria a imprescindibilidade da diligência em questão. Tanto isso seria verdade que somente após o protocolo da manifestação de inconformidade a recorrente recebeu uma declaração da referida instituição financeira atestando a veracidade de suas afirmações. Assim, conclui que fazse imperioso o reconhecimento da nulidade do acórdão nº 1647573, dada a manifesta precariedade de sua motivação, visto que não teriam sido devidamente investigados os fatos que deram ensejo ao não reconhecimento do direito em foco. Esses acontecimentos teriam implicado evidente prejuízo à defesa, sendo, pois, de rigor a decretação da nulidade do despacho decisório, na forma do art. 59, inciso II, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972. Esclareceuse, por fim, que a nulidade decretada por ofensa ao princípio da motivação não se dá apenas quando ausente fundamentação de qualquer espécie, mas, também, quando esta for precária, deficiente, ou quando não se correlacionar ao conteúdo ou ao objeto decidido, implicando prejuízo ao direito à ampla defesa. Ademais, dentre os princípios que regem o processo administrativo fiscal coube destacar o princípio da verdade material, decorrente do princípio da legalidade, que busca averiguar a correta apuração e a ocorrência do fato gerador, devendo o julgador pesquisar exaustivamente os fatos. Adicional de IRPJ Além dos documentos anexados à manifestação de inconformidade, a recorrente pede vênia para acostar a esta defesa a anexa declaração (doc. 3)emitida pela “Votorantim Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários”, atestando Fl. 347DF CARF MF 8 que os valores suscitados referemse a aplicações financeiras realizadas anteriormente a 1.1.1995. A recorrente informa também que não obstante a declaração anexada tenha o condão de impor o reconhecimento do direito creditório em tela, uma vez que atestaria de forma evidente que os valores deduzidos, quando da apuração do adicional do imposto de renda de 2007, estavam incluídos no limite temporal fixado nos arts. 67, parágrafo 5º, e 73, parágrafo 7º, da Lei nº 8981 , solicitou a elaboração de laudo de auditoria independente para corroborar numericamente e com base nos registros da recorrente, o que já teria sido atestado pela própria instituição financeira que administra o fundo de investimentos que originou aqueles rendimentos. Sobre a origem de tais valores, registrou a recorrente que a alegação da r. decisão recorrida no sentido de que “consulta ao Sistema CNPJ (fls. 170) indica que a fonte pagadora (CNPJ 03.384.738/000198) teve como data de abertura 10/09/1999”, não poderia prevalecer. Seria possível verificar, através dos documentos acostados, que o próprio fundo foi constituído em 30.9.1992, anteriormente, portanto, a 1.1.1995. Segundo a recorrente, o que houve foi a mera transferência, em 19.4.2000, da administração do fundo de investimentos, originalmente feita pelo Banco Votorantim S.A., para a Votorantim Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários Ltda., empresa controlada pelo Banco, conforme atestam os documentos anexos. Assim, por todas as razões expostas, requerse seja reformado o acórdão recorrido, impondo o reconhecimento do valor do adicional do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2007, na forma como originalmente informado pela recorrente. Estimativa Mensal de Junho/2007 Verificouse que a matéria versada neste tópico da presente manifestação de inconformidade está intimamente relacionada com aquela que é objeto do processo nº 10880.690352/200985. E, uma vez que não foi produzida qualquer decisão a respeito do mérito discutido no processo nº 10880.690352/200985, deveria prevalecer a compensação realizada pela recorrente por força do vetusto princípio in dubio, contra fiscum, o qual, por privilegiar o princípio da legalidade na seara tributária, foi traduzido no art. 112 do Código Tributário Nacional. E mesmo que assim não fosse, argumenta a recorrente que o art. 151, inciso III, também do Código Tributário Nacional, impõe a suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto pender quaisquer recursos no âmbito do processo administrativo tributário. Não cogitouse o acato da alegação de que o reconhecimento da prejudicialidade acima referida implicaria em ofensa ao princípio da oficialidade “que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo a autoridade executiva sobrestar sua apreciação na inexistência de impeditivo legal.”. Arguise, neste sentido, que o princípio da oficialidade visa impedir a omissão ou inércia dos agentes fiscais mas, de forma alguma, poderia ser suscitado como fundamento para constrição dos contribuintes ao recolhimento de crédito tributário pendente de discussão. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 6 9 Diante de todo o exposto, pleiteiase que, em virtude da prejudicialidade do quanto for decidido naqueles autos, sobre o destino da compensação em discussão, deve ser, no mínimo, determinada a suspensão do presente feito quanto a este aspecto da presente discussão, como admite a jurisprudência administrativa, firmada no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para a qual, quando o mérito de um processo depender do desfecho de outro, devese aguardar o desenlace deste, antes de qualquer decisão naquele, a teor do que prevê o artigo 265, inciso IV, alínea ‘a’, do Código de Processo Civil, supostamente aplicável subsidiária e analogicamente ao processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Nulidade do Acórdão Recorrido Em suma, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que os documentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade não seriam hábeis e idôneos a comprovar que as aplicações financeiras haviam sido concretizadas até 31/12/1994, para fins de exclusão dos respectivos rendimentos do lucro real, com efeito específico na incidência do adicional do imposto de renda. A recorrente, em contrapartida, pugna, nesta oportunidade recursal, pela ausência de acolhimento do pedido de diligência pela DRJ/SP1, arguindo que haveriam provas substanciais e norteadoras de seu direito. Em verdade, a nulidade suscitada remete diretamente a suposta inobservância do quanto disposto na seguinte assertiva: “Além desses documentos, a requerente informa que solicitou à instituição financeira declaração atestando a origem de tais rendimentos. Contudo, até a presente data o seu pleito não foi atendido, razão pela qual, desde já, protesta pela juntada posterior desse documento.” Segundo a recorrente, então, a referida declaração atestaria que os valores suscitados se referiam a aplicações financeiras realizadas anteriormente a data de 1.1.1995. Vale salientar que tal documento se faz presente nos autos neste momento processual, o que valida a afirmação da recorrente naquela ocasião, mas, veja, a simples alegação, sem qualquer comprovação, aliada a provas insubsistentes, não tem a força de invalidar o juízo subjetivo do julgador. Fl. 349DF CARF MF 10 Ora, na manifestação de inconformidade a recorrente se limita simplesmente a afirmar que providenciou a produção deste elemento probante, mas não traz qualquer documentação apta a ratificar este ato, de modo inequívoco. Portanto a questão remanesce no campo presuntivo e indicioso. O princípio da verdade material poderia ter guiado o racional adotado pelo julgador, forçandoo a introduzir a, até então suposta, prova, mas esse optou pela prudência e viu naquele elemento isolado, sem qualquer respaldo probante, apenas mais uma evidência corroborando para um conjunto frágil, inapto à comprovação irretorquível do aspecto temporal originário das aplicações financeiras. A discussão deste ponto, não há como negar, calcase em bases totalmente subjetivas, mas há um alicerce objetivo que fundamenta a decisão pessoal adotada por aquele julgador, o que por si, traz à tona a motivação da decisão. Neste sentido, vejamos a dicção legal do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Ainda que se discuta, assim, acerca da efetiva prescindibilidade da prova, é certo que este quesito guarda um caráter objetivo, no qual se funda o julgador, mas que abre margem para propagações subjetivas de todas as espécies, variando conforme variamse as personalidades de cada ser humano. A discussão pode ir longe, atingindo patamares filosóficos, sociológicos, psicológicos e até espirituais. Mas aqui nos basta constatar que cada mente sofre as influências externas do meio em que se desenvolve, dadas as condições culturais, sociais, econômicas, políticas, etc., próprias. A tomada de decisão sempre envolverá uma série de componentes construídos de acordo com padrões peculiares incrustados na consciência de cada indivíduo. Portanto, o que é (im)prescindível para um pode não o ser para outro. Neste sentido, a recorrente entende de um modo diverso da autoridade julgadora e reputa imprescindível a prova suscitada. No entanto, suas argumentações, em sede de manifestação de inconformidade, não são veementes neste sentido e, ainda, não há, naquela ocasião, a comprovação inequívoca de que a referida declaração tinha sido solicitada de fato. Remanesce a prova somente no campo das alegações. A autoridade julgadora, de outro modo, traz aos autos um aglomerado de conclusões e observações que tornam a referida prova um indício fraco e inapto a contribuir para a verdade. Reputa, então, totalmente prescindível a diligência para apurar sua existência fática e sua consequente validade e efetividade. Ao ver daquele julgador as provas dispostas neste processo administrativo, do modo como estavam dispostas, seriam suficientes para formar sua livre convicção. Não há como reconhecerse a nulidade neste ponto. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 7 11 Embasado no supracitado artigo de lei do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora, entendeu pela desnecessidade da diligência, diante da subjetiva prescindibilidade da prova e, dada a ausência de comprovações de sua efetiva solicitação às instituições financeiras, a sua suposta impraticabilidade. A motivação da decisão, então, resta patente, de modo que não se cogita qualquer ofensa à ampla defesa e ao contraditório da recorrente. Os elementos dispostos nos autos até aquele momento e a conduta pouco incisiva e persuasiva da recorrente em suas alegações na defesa inicial, foram suficientes para que a autoridade julgadora formasse sua convicção e dispensasse a diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, apesar da subjetividade imensa que norteia as nuances de uma decisão cuja análise direcionase ao pleito diligencial ou pericial, a presente fundouse em um quesito objetivo, legalmente disposto ao julgador, bastante para caracterizar a sua devida fundamentação e ofertar ao contribuinte todas as bases para a confecção de seu respectivo recurso. Ao recorrente foram garantidos, desta forma, os direitos essenciais perpetrados na Magna Carta de 1988, de modo que deve manterse intacta a decisão. Estimativa Mensal de Junho/2007 O presente julgador já se manifestou em outras ocasiões acerca da relação direta que se estabelece entre um processo materializando a cobrança das estimativas mensais de determinado período e outro por meio do qual veiculase a utilização do saldo negativo oriundo do ajuste anual do mesmo período, como um direito creditório líquido e certo apto a compensar débitos fiscais diversos. A jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que não é devida a medida adotada no presente procedimento fiscal, qual seja, a glosa do crédito (saldo negativo de IRPJ de 2007) limitado a não homologação da compensação que intentava o pagamento da parcela mensal de junho de 2007. Recentemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) colocou uma pá de cal na controvérsia que norteia a questão: COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EMPER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão nº 9101002.493 1ª Turma Sessão de 23/11/2016) Fl. 351DF CARF MF 12 Tal entendimento embasase, em parte, diante do pacificado tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), como segue: “Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” “PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança.” É certo, então, diante das assertivas supra delineadas, que não cabe a glosa do crédito referente à saldo negativo de IRPJ simplesmente pela não homologação da compensação das estimativas do mesmo período, o que relativiza frontalmente os atos perpetrados pela fiscalização nesta demanda e sua consequente ratificação pela autoridade julgadora de primeira instância, por meio do v. acórdão recorrido. Firmado este pressuposto, duas linhas de raciocínio complementares (i e ii) são passíveis de consideração, sendo ambas aceitas na pátria jurisprudência, uma vez em consonância com o pátrio ordenamento jurídico. A primeira delas (i)é norteada pela ideologia de que não há qualquer prejudicialidade material ou formal entre a homologação das compensações do período de 2007, instrumentalizadas pelos processos administrativos correspondentes, e o saldo negativo de IRPJ que compõe o direito creditório da contribuinte, relativo exatamente ao mesmo ano calendário. Firmase, neste passo, que a homologação ou não das compensações que intentam a satisfação das estimativas mensais em nada deve influenciar na composição do saldo negativo de IRPJ de 2007. São duas as hipóteses invocadas: se homologadas as compensações das estimativas deste período, estas restariam quitadas e permaneceria intacto o saldo negativo; se não homologadas, restando pendente o pagamento das parcelas mensais, também remanesceria inalterado o saldo negativo, uma vez já consolidada sua cobrança administrativapor meio dos respectivos processos fiscais. Entendese que a partir do momento em que a contribuinte intentou a declaração de compensação, confessou o montante que supostamente devia à título de Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 8 13 estimativas mensais. Os efeitos deste ato se propagariam na direção da instauração dos correspondentes PAFs, materializando de forma definitiva a cobrança. Portanto, os valores confessados estariam sendo discutidos de forma individualizada e apartada a este processo, especificamente para a definição da maneira como seria satisfeita a obrigação tributária, mas é certo que tais montantes seriam pagos de algum modo, em algum momento, por ser um dever do contribuinte confesso. Este racional impõe que, independente da forma como será concretizado o pagamento, o saldo negativo formase diante de elementos imutáveis e incontestes, respaldados única e exclusivamente pelo valor probante de uma confissão. Neste sentido, os débitos apostos pela recorrente em DCTF e, posteriormente, em PER/DCOMP, são consideradas uma verdade absoluta e definitiva. A segunda posição (ii), culmina na mesma definição, mas por meios diversos. Tratase da aplicação ferrenha do princípio da verdade material a este caso concreto, ou seja, a adoção de um olhar enviesado para o maior acervo probatório possível, capaz de abrir um leque de possibilidades ao legislador através da disponibilização de uma série de elementos objetivos que solidifiquem sua conclusão iminentemente subjetiva. Vejam, enquanto a primeira tese sustentada (i) está engessada a apenas uma prova, a segunda (ii) deve, a princípio, flexibilizar a análise, colhendo versões e prismas diversos de um mesmo fato, extrapolando a suposta imutabilidade e absolutismo encrustada em um único objeto. Ora, a confissão, apesar de ter força probante, não deve ser considerada, por si, como uma prova suficiente e bastante para encerrar a verdade dos autos. A declaração do contribuinte é eivada de uma presunção relativa de veracidade (juris tantum), de modo que pode ser ilidida pela fiscalização, caso esta traga à baila um conjunto probante hábil e idôneo para tanto. No âmbito do processo administrativo tributário, a confissão deve ser considerada como apenas mais uma prova por meio da qual será elucidada a verdade. Não há como concebêla em caráter individualmente resolutório. Desta forma a professora Fabiana Del Padre nos ensina que: “A confissão consiste na declaração voluntária em que o individuo admite como verdadeiro um fato que lhe é considerado prejudicial, alegado pela parte adversa. Conquanto já tenha sido considerada a rainha das provas, atualmente a confissão não é qualificada pela doutrina sequer como meio de prova, por considerarse que a admissão da veracidade do fato dispensa a produção probatória. Não é, entretanto, o que ocorre na esfera tributária, assim como na penal, tendo em vista o princípio da tipicidade que rege esses dois campos do direito. Estando a confissão nos autos, esta será valorada pelo julgador, juntamente com as demais provas produzidas pelas partes, com Fl. 353DF CARF MF 14 vistas a certificar o fato jurídico ou o ilícito tributário, modificá lo ou extinguilo.”(TOMÉ: 2007, p. 367) Em caso análogo, também discorre o ilustre Hugo de Brito: “Assim, quando a norma contida na legislação pertinente ao parcelamento de dívidas tributárias diz que a confissão é irretratável, tal norma deve ser interpretada no sentido de que uma vez feita a confissão não pode o sujeito passivo da obrigação tributária desfazêla simplesmente, retirando as afirmações que fizera sobre o fato. Mas se constata que o fato por ele confessado não ocorreu, ou não ocorreu tal como foi confessado, o que dá no mesmo, então poderá elidir os efeitos da confissão provando o erro.” (MACHADO: 2003, p. 7) O AuditorFiscal do Tesouro Nacional EVANDRO PEDRO PINTO articula no mesmo sentido: "4. Em se tratando de lançamento por homologação, a informação prestada pelo sujeito passivo e que o obriga ao consequente pagamento, no prazo estipulado, do 'quantum debeatur'declarado constitui 'confissão de dívida', obviamente retratável, se erro ou incorreção houver na informação, posto que decorrente de lei a dívida confessada.” Este ato, portanto, é suficiente para instaurar os procedimentos fiscais e materializar a cobrança administrativa, mas, por si, pode não ser bastante para a definição do crédito tributário devido pela contribuinte, uma vez que outras provas podem vir à tona para derrubar a presunção de veracidade dos valores declarados a priori. Qualquer equívoco, seja ele intencional ou não, no preenchimento das DCTFs, dos PER/DCOMPS ou mesmo no cálculo do ajuste anual (DIPJ), pode implicar na alteração concomitante do saldo negativo e, assim, do direito creditório da recorrente nestes autos. Ocorre que todo esse racional, apesar de válido, esbarra frontalmente com a sistemática de apuração do Lucro Real Anual através do recolhimento das estimativas mensais e, especialmente, com o disposto na Súmula nº 82 do CARF: “Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ainda que neste momento fossem juntadas provas que atestassem o equívoco na confissão das estimativas mensais do anocalendário de 2007, evidenciando a declaração de débito a menor do que o devido, não seria factível a constituição do correspondente lançamento, pois os valores já seriam cobrados por ocasião do ajuste anual, sob pena de caracterização dobis in idem. De fato, a desconsonância das medidas perpetradas para a análise da apuração do ajuste anual com aquelas que guiam o pagamento das estimativas, poderia trazer sério dano ao contribuinte ao até mesmo ao erário. Se por meio da apuração do ajuste anual já Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 9 15 está se cobrando o efetivo valor devido, qualquer inconsistência quanto ao pagamento das estimativas já estará refletida e oportunamente abrangida na análise da DIPJ do período. Portanto, a partir do momento em que apurase o ajuste anual, passa a ser este o alvo de atuação do trabalho fiscal, pois este supostamente exprime a real capacidade contributiva da entidade. A declaração e pagamento das estimativas são apenas presunções que devemser consideradas para a validação do quanto apurado em DIPJ, apontando as eventuais diferenças que poderão culminar ou no lançamento (tributos a pagar), ou no saldo negativo (tributos a restituir). O lançamento concernente às estimativas, então, neste contexto atual, não faria qualquer sentido. Estas já estão intrinsecamente consideradas na apuração do ajuste anual.Considerar valores excedentes ou insuficientes em processo apartado que veicula a cobrança das estimativas, representaria automaticamente a cobrança (ou formação do saldo negativo) em duplicidade, pois tais valores já estariam abarcados no ajuste do período e no montante ali apurado de forma global. Também nesta hipótese deve restar inalterado o valor constante nos autos do processo nº 10880.690352/200985. Portanto, qualquer que seja o prisma lançado, não há como se acatar a validade da glosa do crédito quanto a estimativa de junho de 2007. Ainda que se aguarde o deslinde definitivo do supracitado PAF, suspendendo a presente demanda, é certo que a conclusão será inequivocamente pelo pagamento dos valores ali perpetrados, os quais, a partir da apuração do ajuste anual, tornaramse irretocáveis e intocáveis. Deste modo, voto por deferir o pleito da recorrente neste ponto, restabelecendo o montante confessado a título de estimativa de junho de 2007 para o cômputo do saldo negativo do período. Adicional de IRPJ A discussão quanto ao cálculo do adicional de IRPJ, neste momento processual, limitase a uma análise puramente probatória(documental). O presente julgador compartilha do entendimento sustentado pela recorrente, e inclusive atestado pelo v. acórdão recorrido, de que prevalece, no presente caso, a observância do quanto disposto nos artigos 67, § 5º e 73, § 7º, da Lei nº 8.981/95: “Art. 67. As aplicações financeiras de que tratam os arts. 65, 66 e 70, existentes em 31 de dezembro de 1994, terão os respectivos rendimentos apropriados prorata tempore até aquela data e tributados nos termos da legislação à época vigente. (...) Fl. 355DF CARF MF 16 § 5º Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata este artigo, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do imposto de renda de que trata o art. 39. (...) Art. 73. O rendimento auferido no resgate de quota de fundo de ações, de commodities, de investimento no exterior, clube de investimento e outros fundos da espécie, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de dez por cento. (...) § 7º Os rendimentos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, referentes a aplicações existentes em 31 de dezembro de 1994 nos fundos e clubes de que trata este artigo, poderão ser excluídos do lucro real para efeito de incidência do adicional do imposto de renda de que trata o art. 39. (...) Art. 116 . Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1995.” Caberia ao contribuinte, desta forma, apenas discriminar as aplicações financeiras constituídas até 31/12/1994, para fins de exclusão dos respectivos rendimentos da incidência do adicional de IRPJ. Firmada esta premissa, resta identificar se a recorrente trouxe aos autos elementos suficientes para ratificar a origem de suas aplicações financeiras e assim, validar o seu direito isentivo legalmente disposto. Conforme já delineado em tópico pretérito, a turma julgadora do v. acórdão recorrido entendeu que os autos não foram abastecidos com provas capazes de eivar de certeza e clareza o suposto direito da recorrente. Realmente, até aquela ocasião, as provas eram um tanto quanto frágeis, dotadas de total unilateralidade e superficialidade. Estas apontavam para o direito, mas sua confecção estava condicionada apenas à vontade e ao arbítrio da recorrente, sem qualquer envolvimento com a ação de terceiros desinteressados, ou, de outra forma, com sujeitos totalmente desvinculados da ocorrência do fato gerador dos tributos em cobro. No entanto, nas circunstancias contemporâneas, se encontra presente nos autos a fatídica prova invocada, mas não juntada, em sede de manifestação de inconformidade. A recorrente traz a esta demanda, em fls. 250, a declaração emitida pela “Votorantim Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários”, atestando que os valores correspondentes a R$ 103.286.079,02 são provenientes de aplicações realizadas no “Fundo de Investimento em Cotas de Investimento Master Multimercado – Crédito Privado”, inscrito no CNPJ nº 69.093.714/000198, antes de 01 de janeiro de 1995.A memória de cálculo vem em seguida, em fls. 251, através do informe de rendimentos auferidos pela Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 1201002.132 S1C2T1 Fl. 10 17 recorrente no ano de 2007, elaborado pela própria instituição financeira, atestando a veracidade dos valores constantes em DIPJ. Ressaltese que do total de rendimentos, apenas o valor de R$ 102.930.399,64, constante na linha 06A/19 da DIPJ/08, fora alvo da exclusão a que faz jus a recorrente. Além disso, constam a fls. 328 a 338, laudo de auditoria independente que assim conclui: Ainda, em fls. 285, há a comprovação inequívoca de que a administração do “Fundo Master de Investimento Financeiro” (CNPJ nº 69.093.714/000198), fora transferida para a “Votorantim Capital Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários Ltda.”, instituição financeira integrante do mesmo conglomerado econômico do Banco Votorantim S.A., em 19.04.2000. Tal fato, que deveras levara à fiscalização a erro sob a suposição de que seria impossível a existência de um fundo concomitante à inexistência fática de sua administradora, aqui está evidenciado, validando, em contrapartida, as alegações da recorrente. Portanto, há nos autos, de forma inédita, documentos que norteiam inequivocamente o direito invocado. Apesar dos julgadores de primeira instância não dotarem de tais elementos elemento à época do proferimento do voto, há aqui um conjunto de fatos complementares que indicam uma mesma verdade. De fato, a inserção da declaração aposta pela “Votorantim Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários”, ratificada pelo laudo de auditoria independente, aliada a apresentação do documento societário que revela a transferência da administração do fundo após o ano de 1995, dão sentido lógico e conexão fática a todas as outras provas que em um primeiro momento eram apenas indícios e presunções soltas, sem qualquer lastro documental que as suportasse e as garantisse, conjuntamente, uniformidade. Uma vez provado de forma inconteste que as aplicações financeiras se insurgiram antes de 01.01.1995 e que até o período sob análise continuam gerando efetivos rendimentos, é cediço que deve ser aplicado ao caso concreto os dispositivos legais supracitados, validando totalmente as medidas adotadas pela recorrente e considerando, portanto, a exclusão de incidência do adicional de IRPJ sobre os R$ 102.930.399,64 concernentes aos rendimentos dali advindos, auferidos especialmente neste ano de 2007. Fl. 357DF CARF MF 18 Assim, deve ser restabelecido o montante de IRPJ original apurado pela recorrente para fins de cálculo do saldo negativo do período, conforme quadro abaixo: Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DARLHE TOTAL PROVIMENTO, homologando as compensações formalizadas por meio dos PER/DCOMPS nºs12666.49104.300608.1.7.020114, 03399.43504.310308.1.3.027380 e 30852.39460.300608.1.3.020531, nos limites do direito creditório pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado – Relator Fl. 358DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.901107/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccon
e.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccon AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 07 /2 01 4- 21 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.901107/201421 Acórdão n.º 1402003.092 S1C4T2 Fl. 3 2 e. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.901107/201421 Acórdão n.º 1402003.092 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.901107/201421 Acórdão n.º 1402003.092 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.901107/201421 Acórdão n.º 1402003.092 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.901107/201421 Acórdão n.º 1402003.092 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.901107/201421 Acórdão n.º 1402003.092 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
