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4876717 #
Numero do processo: 10183.901936/2008-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 REVISÃO DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 149 do CTN, é possível revisão de ofício de lançamento de débito confessado pelo contribuinte em PER/DCOMP, que posteriormente alega sua inexistência, cabendo em Primeira Instância à DRF que não homologou a compensação e, em Segunda Instância, à Superintendência da Região Fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901936/2008­78  Acórdão n.º 1801­00.834  S1­TE01  Fl. 211          2 A  Recorrente  registrou  Declaração  de  Compensação  em  30/11/2004,  objetivando  compensar  crédito  de  CSLL  recolhida  em  31/10/2004,com  débito  de  IRPJ  vencendo em 30/11/2004,. no valor de R$ 161.070,37 (fls. 12/17).  Em  Despacho  Decisório  de  18/07/2008  (fls.  11)  a  DRF  em  Cuiabá  NÃO  HOMOLOGOU  a  compensação  declarada,  sob  a  alegação  de  que  o  valor  oferecido  à  compensação fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. No mesmo  Despacho a DRF em Cuiabá manteve o débito e a cobrança do IRPJ não compensado, no valor  de R$ 161.070,37, acrescido de juros e de multa.  Intimada  do Despacho Decisório,  apresentou Manifestação  de  Inconformidade  em 27/08/2008 (fls. 02/05), afirmando:  Indo  diretamente  ao  ponto,  razão  assiste  ao  Auditor  Fiscal  da  RFB,  Sr.  Paulo  Eduardo  Borges  ao  glosar  o  aludido  procedimento de compensação, vez que o pagamento da CSLL,  citado  acima,  que  deu  origem  ao  crédito  utilizado  no  PER/DCOMP,  serviu  para  quitar  débito  desta  mesma  contribuição  ­  referente  ao  PA  09/2004,  cujo  montante  havia  sido devidamente apurado e confessado em sua escrita fiscal.  Na  mesma  Manifestação  de  Inconformidade  a  Recorrente  afirma  que  o  pedido de compensação foi equivocado, pois não existia o crédito de CSLL ­ PA­09/2004, nem  o  débito  de  IRPJ  ­  PA­10/2004.  Tratava­se,  segundo  ela,  de  IRPJ  pago  por  estimativa,  suficiente para o pagamento do imposto devido no período, conforme apurado no balancete de  suspensão e  redução,  levantado no mês de outubro de 2004. Não havia,  portanto, nada a  ser  compensado nem débito de IRPJ relativo ao PA 10/2004.  Pelas razões expostas, pediu a anulação do lançamento do crédito tributário a  ela imputado no Despacho Decisório  Em sessão de 07 de maio de 2010, a 2ª Turma da DRJ em Campo Grande –  MS,  com  o  Acórdão  04­20.319  (fls.  70/72),  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente e o Direito Creditório Não Reconhecido, registrando em seu Voto:  Se,  de  fato,  o  débito  confessado  for  inexistente,  trata­se  de  matéria cujo exame cabe à unidade local, em revisão de oficio,  na  forma  do  art.  149  do Código  Tributário  Nacional — CTN,  não  cabendo,  portanto,  a  este  órgão  de  julgamento  qualquer  exame da matéria.  Advirta­se, entretanto, que a autoridade a quo, antes de enviar o  débito  à  inscrição  em divida  ativa,  deverá  verificar  sua  efetiva  existência,  bem  como  os  efeitos  acaso  projetados  sobre  exercícios subsequentes, sob a forma de saldo credor  Intimada  do  Acórdão  em  15/06/2010  (fls.  73/74),  interpôs  Recurso  Voluntário em 15/07/2010 (fls. 197/205),onde pede:  I – preliminarmente, a anulação da decisão de 1ª Instância, por cerceamento  de defesa; ou  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901936/2008­78  Acórdão n.º 1801­00.834  S1­TE01  Fl. 212          3 II  –  no  mérito,  provimento  do  Recurso  Voluntário,  reconhecendo  a  inexistência de débito de IRPJ PA 10/2004.  Voto             Conselheiro Edgar Silva Vida ­ Relator,  Em prejudicial, não  conheço do  recurso  interposto pois  foge à  competência  deste  órgão  julgador  de  segunda  instância  apreciar  a  manifestação  a  respeito  de  débito  confessado  pela  recorrente.  Se  o  débito  confessado  for  inexistente,  conforme  afirma  a  contribuinte, só cabe revisão de ofício pela DRF competente (art. 149 do CTN).  Conforme já é sabido, a Dcomp tem natureza de constituição de dívida para  os débitos que são nela confessados pelo contribuinte, conforme o disposto no art. 34, § 4º, IN  RFB nº 900/08.  Resta  claro,  portanto,  que  tratando­se  de  confissão  de  dívida  realizada  espontaneamente  pelo  contribuinte,  não  há  que  se  falar  em  instauração  de  litígio  quando  o  contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco.  Por  conseguinte,  não  há  litígio  administrativo,  mas  mera  revisão  da  declaração entregue pelo contribuinte, daí que o rito processual NÃO é previsto pelo Decreto  nº  70.235/72  –  PAF,  mas  aquele  insculpido  no  art.  56  da  Lei  nº  9.784/99  (processos  administrativos em geral):  Art.  56. Das decisões administrativas  cabe  recurso, em  face de  razões de legalidade e de mérito.:   §  1o  O  recurso  será  dirigido  à  autoridade  que  proferiu  a  decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o  encaminhará à autoridade superior.   §  2o  Salvo  exigência  legal,  a  interposição  de  recurso  administrativo independe de caução.   §  3o  Se  o  recorrente  alegar  que  a  decisão  administrativa  contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade  prolatora  da  decisão  impugnada,  se  não  a  reconsiderar,  explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior,  as  razões  da  aplicabilidade  ou  inaplicabilidade  da  súmula,  conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006)  Não compete aos órgãos julgadores administrativos se manifestarem, mas às  autoridades com competência para processar as declarações entregues e acatar as  retificações  de declarações ou procederem às revisões de ofício, ou seja, em primeira instância as unidades  de jurisdição do contribuinte (DRF – Delegado – art. 220, IX, do Regimento Interno da RFB,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  587/2010))  e  em  segunda  instância  à  autoridade  hierárquica  superior( Superintendência da Região Fiscal – SRRF).  O  Recurso  hierárquico  contra  decisão  da  DRF  que  for  desfavorável  à  pretensão  da  contribuinte,  deve  ser  interposto  para  a  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal da Região Fiscal que jurisdiciona a contribuinte, conforme IN­RFB nº 900, de 2008:  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901936/2008­78  Acórdão n.º 1801­00.834  S1­TE01  Fl. 213          4 Art. 97­B. Os recursos fundamentados no art. 56 da Lei nº 9.784,  de  1999,  contra  decisões  originadas  em  unidades  locais,  são  decididos  em  última  instância  pelos  titulares  das  Superintendências  Regionais  da  Receita  Federal  do  Brasil.  (Incluído  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.224,  de  23  de  dezembro de 2011  Por tais motivos, não conheço do recurso.  É como voto  (Documento assinado digitalmente).  Edgar Silva Vidal                              Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES

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4876536 #
Numero do processo: 10825.720828/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. 2 O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRATO DE COMODATO SEGUIDO DE LOCAÇÃO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Não há como confundir o proprietário pessoa física com a pessoa jurídica da qual o proprietário é sócio, dado o princípio da entidade, que estabelece a não confusão entre a pessoa jurídica e a pessoa física de seus sócios. Contrato de comodato em que o comodante é a pessoa física proprietária do imóvel e o comodatário é a pessoa jurídica da qual o proprietário do imóvel é sócio, não afasta o fato de que os rendimentos de aluguel são de titularidade da pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA. Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados, mesmo que de forma continuada, independentemente do montante recebido, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência acolhida. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.882
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de ofício, acolher a arguição decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2005 e rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN

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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de ofício, acolher a arguição decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2005 e rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, termos do voto do Relator.

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. 2 O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRATO DE COMODATO SEGUIDO DE LOCAÇÃO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Não há como confundir o proprietário pessoa física com a pessoa jurídica da qual o proprietário é sócio, dado o princípio da entidade, que estabelece a não confusão entre a pessoa jurídica e a pessoa física de seus sócios. Contrato de comodato em que o comodante é a pessoa física proprietária do imóvel e o comodatário é a pessoa jurídica da qual o proprietário do imóvel é sócio, não afasta o fato de que os rendimentos de aluguel são de titularidade da pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA. Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados, mesmo que de forma continuada, independentemente do montante recebido, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência acolhida. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   2 O  auto  de  infração  deverá  conter,  obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de  infração é que se  instaura o  litígio  entre o  fisco  e o  contribuinte,  podendo­se,  então,  falar  em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  CONTRATO  DE  COMODATO  SEGUIDO DE LOCAÇÃO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE.  Não há como confundir o proprietário pessoa física com a pessoa jurídica da  qual o proprietário é sócio, dado o princípio da entidade, que estabelece a não  confusão entre a pessoa jurídica e a pessoa física de seus sócios. Contrato de  comodato em que o comodante é a pessoa física proprietária do  imóvel e o  comodatário é a pessoa jurídica da qual o proprietário do imóvel é sócio, não  afasta o fato de que os rendimentos de aluguel são de titularidade da pessoa  física.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA.  Restando  configurado,  através  de  documentação  hábil  e  idônea,  que  o  contribuinte  omitiu  rendimentos  recebidos,  há  que  se  manter  a  infração  tributária  imputada  ao  sujeito  passivo.  Cabe  ao  interessado,  não  ao  Fisco,  provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir  do  pagamento  do  imposto  de  renda  pessoa  física,  tendo  em  vista  que  são  contribuintes  todas  as  pessoas  físicas  domiciliadas  ou  residentes  no  Brasil,  titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de  qualquer natureza,  sem distinção de nacionalidade,  sexo,  idade, estado civil  ou profissão.  SANÇÃO  TRIBUTÁRIA.  MULTA  QUALIFICADA.  JUSTIFICATIVA  PARA  APLICAÇÃO.  NECESSIDADE  DA  CARACTERIZAÇÃO  DO  EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.  A  evidência  da  intenção  dolosa  exigida  na  lei  para  a  qualificação  da  penalidade  aplicada  há  que  aflorar  na  instrução  processual,  devendo  ser  inconteste  e  demonstrada  de  forma  cabal.  A  prestação  de  informações  ao  fisco  em  resposta  à  intimação  divergente  de  dados  levantados  pela  fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados,  mesmo que de forma continuada,  independentemente do montante recebido,  por  si  só,  não  caracterizam  evidente  intuito  de  fraude,  que  justifique  a  imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei  nº.  9.430,  de  1996,  já  que  ausente  conduta  material  bastante  para  sua  caracterização.  Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 3          3 MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de  lançar com multa de  oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de  ofício,  para  exigi­lo  com  acréscimos  e  penalidades  legais.  A  multa  de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal.   ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  Argüição de decadência acolhida.  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  desqualificando  a  multa  de  ofício,  acolher  a  arguição  decadência  suscitada  pela  Recorrente  para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao  ano­calendário  de  2005  e  rejeitar  as  demais  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  dar  provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao percentual  de 75%, termos do voto do Relator.   (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de  Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro  Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente  justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha  Pontes.  Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   4 Relatório  CÉLIA VICENTE  IACHEL MARQUES,  contribuinte  inscrita  no  CPF/MF  sob o nº 145.776.058­48, com domicílio fiscal na cidade de Bauru, Estado de São Paulo, à Av.  Nações  Unidas,  nº  3737,  Bairro  Jardim  Panorama,  jurisdicionado  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do Brasil  em Bauru  ­ SP,  inconformada com a  decisão de Primeira  Instância de  fls.  1268/1288, prolatada pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando  a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1295/1326.  Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 22/06/2011, o Auto  de  Infração de  Imposto de Renda Pessoa Física  (fls.  03/24),  com ciência  através de AR,  em  30/06/2011 (fls. 228/229), exigindo­se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$  1.681.677,79  (padrão  monetário  da  época  do  lançamento  do  crédito  tributário),  a  título  de  Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de  lançamento de ofício qualificada de  150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de  renda  relativo  aos  exercícios de 2006 a 2009,  correspondente  aos  anos­calendário de 2005 a  2008, respectivamente.  A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  de  revisão  de  Declaração  de Ajuste  Anual  referente  aos  exercícios  de  2006  a  2009,  onde  a  autoridade  fiscal  lançadora  entendeu  haver  omissão  de  rendimentos  pela  cessão  gratuita  de  imóvel a terceiros, não parente de primeiro grau, conforme descrito no Termo de Verificação  Fiscal e seus anexos, partes  integrantes do presente Auto de  Infração.  Infração capitulada no  art. 23, inciso VI, da Lei nº 4.506, de 196; no art. 6º, inciso III, da Lei nº 7.713, de 1988 e art.  49, § 1º do RIR/99.   Os  Auditores  Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  responsáveis  pela  constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação  Fiscal, datado de 22/06/2011 (fls. 25/40), entre outros, os seguintes aspectos:  ­ que a ação fiscal teve origem em trabalho de circularização de informações  referentes  às  empresas  Servimed  Comercial  Ltda.  CNPJ  44.463.156/000184  e  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  CNPJ  01.273.936/000159,  das  quais  o  contribuinte  acima identificado é responsável;  ­ que a empresa Servimed Comercial Ltda. iniciou suas atividades em 1973 e,  de acordo com o cadastro mantido junto á Receita Federal do Brasil, desde então está sediada  na Av. Nações Unidas, 3737, Bauru/SP. Pedra Azul Empreendimentos e Participações Ltda. foi  criada em 1996;  ­  que  segundo matrícula  fornecida pelo Sr. Antônio  Iachel Marques,  este  e  sua  esposa  eram donos  do  referido  imóvel  até  repassá­lo  para  a SERVIMED COMERCIAL  LTDA. em dezembro de 2009, para integralização de capital;  ­  que,  em  1996,  é  criada  a  Empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  e,  em agosto de 1996,  a Sra. Célia Vicente  Iachel Marques  e  seu  esposo o Sr.  Antônio Iachel Marques, cedem o imóvel da Av. das Nações Unidas, 3737, em comodato para  essa empresa. No mesmo dia do contrato de comodato a empresa Pedra Azul celebra contrato  de aluguel com a empresa SERVIMED COMERCIAL.”;  Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 4          5 ­ que, em 1996, a empresa SERVIMED COMERCIAL LTDA. já ocupava o  imóvel  de  propriedade  dos  sócios,  quando  estes  o  cederam  em  comodato  para  a  PEDRA  AZUL. Isto pode ser verificado no "contrato de aluguel" apresentado pela empresa Pedra Azul.  Tanto o contrato de comodato, como o contrato de locação, estão datados do mesmo dia: 01 de  agosto de 1996.”;  ­  que  o  que  a  contribuinte  faz  é  ceder  em  comodato  um  imóvel  comercial  para  uma  de  suas  empresas  para,  nesse  mesmo  dia,  essa  empresa  alugá­lo  para  uma  outra,  também de sua propriedade que já ocupava dito imóvel. Por que não cedê­lo diretamente para a  empresa  SERVIMED  COMERCIAL?  Ou  mesmo,  como  acabou  fazendo,  em  dezembro  de  2009, utilizá­lo para integralização de capital da SERVIMED?;  ­  que  o  valor  do  suposto  aluguel,  despesa  para  a  SERVIMED,  passa  a  ser  fonte de rendimento para a Pedra Azul, que com esse valor começa a adquirir imóveis e outros  bens;  ­  que  a  Pedra  Azul  não  possui  funcionários  (consta  apenas  pagamentos  ao  escritório de contabilidade Meta Assessoria) e seu endereço cadastral é o da residência do Sr e  da Sra. Iachel Marques, localizado num condomínio residencial de luxo da cidade de Bauru;  ­ que a empresa Pedra Azul foi criada com um capital de R$ 5.000,00 e tem  como sócios os senhores Antônio Iachel Marques, sua esposa Célia Vicente Iachel Marques e o  filho de ambos, Walace Iachel Marques. Seu objeto social era e é "administração e locação de  bens  móveis  e  imóveis  próprios...".  E  a  locação  de  imóvel  de  propriedade  dos  sócios  da  empresa é contrária a seu objeto social. (destaque do original);  ­ que em julho de 2007, conforme consta da Terceira Alteração Contratual, o  valor do  capital,  integralizado em dinheiro,  passa a  ser de R$ 50.000,00. Em  junho de 2008  passa a ser de R$ 100.000,00 (quarta alteração contratual);  ­  que  durante  o  ano­calendário  2005  a  empresa  Pedra  Azul  declarou  um  faturamento de R$ 630.000,00. Desse montante, R$ 600.000,00 seriam resultado do aluguel do  imóvel dos sócios à Servimed, pelo valor de R$ 50.000,00 mensais. De 2006 a 2009 o aluguel  mensal passou para R$ 80.000,00;  ­ que os aluguéis estão escriturados no  livro Diário da Empresa Pedra Azul  Empreendimentos e Participações. Os livros diário de 2005 a 2009 estão anexados ao presente  e foram entregues pela empresa Pedra Azul no curso do MPFD 08.103.2010.1598.”;  ­  que  a  situação  que  se  configurou  exigiu  análise  à  luz  de  diversos  dispositivos legais, a saber: (a) arts. 43 e 45 do Código Tributário Nacional definição de base  de cálculo e contribuinte do imposto de renda; (b) arts. 109, 110 e 123 do Código Tributário  Nacional aplicação da lei tributária e sua relação com institutos, conceitos e formas de direito  privado, restrições à oponibilidade de convenções particulares à Fazenda Pública; (c) arts. 81,  82, 107 e 108 do Código Civil  forma e validade do ato  jurídico;  (d) arts. 425, 565 e 579 do  Código Civil regra geral para estipulação de contratos atípicos, locação e comodato; (e) art. 6º,  III, da Lei nº 7.713/88 – isenção de imposto de renda com relação a valor  locativo de prédio  ocupado pelo proprietário ou cedido gratuitamente para uso de cônjuge ou parentes de primeiro  grau; (f) do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99;  Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   6 ­ que as informações e documentos apresentados pela contribuinte de pronto  deixavam claro à autoridade lançadora que a situação sob análise não poderia ser caracterizada  como cessão gratuita de imóvel, cujo valor locativo é isento de imposto de renda, pois “(...) a  expressão ‘para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau tem o sentido de ocupação do  imóvel por quem recebe imóvel cedido gratuitamente, ou seja, esse imóvel não pode ser cedido  ou alugado a terceiros sob pena de descaracterização da isenção. Percebe­se que o dispositivo  tem a intenção de equiparar tributariamente o valor locativo do prédio construído ocupado por  seu proprietário com o ocupado pelo cônjuge ou parentes de primeiro grau.”;  ­  que  em  nosso  ordenamento  jurídico  prevalece  o  conceito  de  que  “(...)  a  propriedade é o direito que o proprietário tem de usar, gozar e dispor de um bem, observado a  lei  (CC/2002, art. 1.228), bem como o de que o proprietário pode  transferir esses atributos a  terceiros, isoladamente ou totalmente” e, por outro, a regra geral é a de liberdade de contratar,  sendo  que  “(...)  os  contratantes  (que  sejam  capazes)  podem  estipular  livremente,  mediante  acordo de vontade,  desde que  essa  liberdade  seja exercida  em  razão e nos  limites da  função  social do contrato”;  ­  que  o  contrato,  por  sua  vez,  independe  de  forma  especial,  salvo  quando  expressamente  exigida  pela  lei  e,  nos  casos  de  locação  e  comodato,  prescinde  de  forma  especial, bastando o consentimento das partes;  ­  que,  todavia,  no  presente  caso,  o  imóvel  foi  cedido  pelos  proprietários  a  uma  empresa  e  alugado  por  esta  a  outra  pessoa  jurídica,  ambas  tendo  como  sócios  os  proprietários do imóvel em questão;  ­ que, diante do exposto, com base na legislação transcrita, pode­se concluir  que: (a) a isenção do imposto de renda das pessoas físicas relativo ao valor locativo do prédio  construído, de que trata o inciso III do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, está condicionada a que  o  prédio  construído  seja  cedido  gratuitamente  a  cônjuge  ou  parentes  de  primeiro  grau  do  proprietário  do  imóvel  e  que  ele  seja  ocupado  pelo  cessionário;  (b)  se  a  cessão  do  prédio  construído  se  der  por  empréstimo  gratuito  (comodato)  ou  por  outro  contrato  equivalente  inominado que transfira de forma graciosa a ocupação do imóvel, sendo o imóvel locado para  terceiros,  o  titular  do  rendimento  (aluguel)  é  o  proprietário,  sendo  ele  o  contribuinte  do  imposto;  ­  que,  portanto,  não  resta  a  menor  dúvida  de  que  o  ocorrido  é  infração  à  legislação do Imposto de Renda conforme os artigos retro­citados. Daí resulta o lançamento no  proprietário  do  imóvel,  dos  valores  dos  aluguéis  pagos  pela  SERVIMED,  vez  que  é  este  o  titular do rendimento. O contrato de comodato não é o instrumento legal de cessão do direito  de posse do mesmo. Como já dito, para a Pedra Azul ser o contribuinte do imposto, ela  teria  que ser a proprietária do imóvel em questão;  ­  que  de  todo  o  exposto,  foi  efetuado  lançamento  na  pessoa  física  da  Sra.  Célia  Vicente  Iachel  Marques,  valor  referente  à  metade  dos  valores  escriturados  como  recebimento de aluguel no Livro Diário da empresa Pedra Azul. A outra metade, por tratar­se  de bem comum ao casal, foi lançada na pessoa física do Sr. Antonio Iachel Marques( Processo  10825.720825/201165).”;  ­  que,  assim,  concluiu  pela  caracterização  de  infração  consubstanciada  em  omissão  de  rendimentos  decorrentes  de  cessão  gratuita  de  imóvel.  O  enquadramento  legal,  descrição  e  demonstrativo  do  fato  gerador,  e  valor  tributável  foram  registrados  no  Auto  de  Infração e Termo de Verificação Fiscal, que o integra;  Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 5          7 ­ que, em face do exposto, considerando que “Esta fiscalização entende que,  ao  criar  uma  empresa  para  alugar  um  imóvel  já  ocupado  por  outra  de  sua  propriedade,  a  contribuinte  pretendeu  ocultar  da Receita  Federal  do Brasil  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  IRPF referente a receitas de aluguel. A cessão por comodato, visando desonerar a pessoa física  da obrigação de pagar imposto de renda sobre rendimentos de aluguel foi, no entendimento da  fiscalização, um ato de sonegação, vez que inclusive foi criada uma empresa a fim de ocultar a  ocorrência  do  fato  gerador.  Afinal,  a  tal  cessão  gratuita  poderia  ter  se  dado  diretamente  à  empresa  que  já  ocupava  o  imóvel,  e  ainda  assim,  a  contribuinte  deveria  recolher  o  imposto  calculado sobre o valor venal conforme estabelecido na legislação. Por que então o artifício de  se criar uma empresa para ceder a ela esse imóvel que já era ocupado pela outra empresa?;  ­ que, entendemos, por tudo isso, haver sido caracterizado o dolo e aplicamos  a multa qualificada.  Irresignada  com  o  lançamento  a  autuada  apresenta,  tempestivamente,  em  02/08/2011,  a  sua  peça  impugnatória  de  fls.  232/260,  instruído  pelos  documentos  de  fls.  261/1222,  solicitando  que  seja  acolhida  a  impugnação  e  determinado  o  cancelamento  do  crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos:  ­ que a  impugnação é  tempestiva, pois, cientificado do auto de  infração em  30/06/2011, o prazo final para apresentação de impugnação foi 01/08/2011, feriado municipal  na cidade de Bauru;  ­  que  o  lançamento  ora  impugnado  é  do  tipo  por  homologação,  ao  qual  se  aplica o art. 150, §1º, do CTN. O contribuinte sempre informou em sua Declaração de Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  sua  participação  no  quadro  societário  da  empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  a  qual  mantém  escrituração  contábil  hígida  e  que  registra sua receita;  ­ que a própria fiscalização reconhece que os aluguéis foram escriturados no  livro Diário da referida empresa, como consta do auto de infração. Outrossim, foram recolhidos  os tributos devidos tanto pela pessoa física quanto pela pessoa jurídica no período sob análise,  2005 a 2009. Assim, ocorreu o pagamento antecipado exigido pelo §4º do citado art. 150 do  CTN e a pecha de “simulação” visa apenas a justificar lançamento atingido pela decadência;  ­ que tendo em vista a ciência da autuação em 30/06/2011, é de se concluir  estar extinto pela decadência o lançamento relativo ao período janeiro/2005 a junho/2006;  ­ que de acordo com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, em seus incisos III e  IV, o  auto de  infração deve  conter,  obrigatoriamente,  a descrição do  fato,  a disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável.  Todavia,  no  presente  caso,  o  contribuinte  foi  acusado,  genericamente, de praticar “omissão de  rendimentos” e “simulação”,  apontando  textos  legais  que  não  apresentam  conexão  com  tais  infrações,  tais  como  arts.  43,  45,  109,  110  e  123,  do  CTN, arts. 81, 82, 107, 108, 425, 565 e 579, do Código Civil;  ­ que a fiscalização tece considerações acerca da concessão de isenções, que  não se aplica ao presente caso. Aponta desconexão entre a base legal apontada pela fiscalização  e  os  fatos  narrados,  estes  “(...)  deficientemente  relatados,  pois  se  reportam  às  autuações  anteriores – nulificando in totum o auto aqui vergastado.” Tais fatos resultam em preterição do  direito de defesa do contribuinte o que, a teor do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, acarreta  nulidade do lançamento;  Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   8 ­  que  a  veracidade  das  operações  afasta  a  pecha  de  “simulação”  formulada  pela fiscalização que, partindo de suposições, imputou ao contribuinte a infração de omissão de  rendimentos, olvidando­se do conteúdo da escrituração contábil e das declarações entregues ao  fisco  tanto pela pessoa física como pelas pessoas  jurídicas, das quais o  impugnante participa  como  sócio.  Junta  cópia  de  suas  DIRPF  e  das  DIPJ  da  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações Ltda., bem como recibos dos aluguéis em questão;   ­  que  o  imóvel  gerador  de  alugueres  considerados  como  omissão  de  rendimentos, atualmente identificado pela matrícula 94.628, foi integralizado no capital social  da empresa Servimed Comercial Ltda. em 27/12/2007, como demonstram os documentos em  anexo, espancando qualquer hipótese de infração tributária. Assim, o período posterior lançado  carece  de  amparo,  pois  desde  2007  o  imóvel  em  questão  é  de  propriedade  de  Servimed  Comercial Ltda.;  ­  que,  com  a  transmissão  da  posse  do  imóvel  em  questão,  mediante  comodato,  a  empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  passou  a  deter  liberdade para efetuar a locação para Servimed Comercial Ltda. Colaciona o art. 110 do CTN,  assegurador de que a lei tributária não pode alterar conteúdo e alcance de institutos, conceitos e  formas  de  direito  privado  utilizados  no  ordenamento  jurídico,  para  definir  ou  limitar  competência tributária;  ­  que  a  receita  da  empresa  Pedra  Azul  tem  origem,  também,  em  outro  contrato  de  aluguel,  firmado  em  01/01/2008,  relativo  a  imóvel  diverso  do  apontado  pela  fiscalização,  a  saber,  de  matrículas  3.545,  4.804,  59.903,  77.511,  77.512,  4.694,  34.663,  34.662, 87.450, 76.050, 53.470, 7.711 e 37.885;  ­  que  o  lançamento  ora  impugnado  apresenta  aspectos  eminentemente  confiscatórios,  pois  exige  imposto  da  pessoa  física  ao  mesmo  tempo  em  que  ignora  os  recolhimentos  efetuados  pela  pessoa  jurídica  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda., da qual o contribuinte é sócio, malferindo o art. 3º do CTN, pois utiliza a exigência de  IRPF como penalidade e, ao mesmo tempo, imputa ao impugnante, levianamente, a prática de  simulação;  ­ que, consoante demonstrado, o contribuinte declarou e escriturou  todas as  suas operações, pagando os tributos inerentes à receita aferida, fatos esses incontroversos;  ­ que de acordo com o próprio auto de infração, o impugnante atendeu a todas  as  solicitações  da  fiscalização,  a  qual  teve  irrestrito  acesso  à  escrituração  contábil  do  impugnante, mormente livros Diário e Razão;   ­ que, assim, a qualificação da multa e a representação penal para fins penais  não  se  justificam,  tendo  em  vista  a  legalidade  da  gerência  patrimonial  desenvolvida  pelo  contribuinte.     Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas  pela  impugnante,  os  membros  da  Décima  Turma  da  Delegacia  da  Receita  do  Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, concluíram pela procedência parcial da ação fiscal  e  pela  manutenção,  em  parte,  do  crédito  tributário,  com  base,  em  síntese,  nas  seguintes  considerações:  ­  que  da  definição  do  termo  inicial  do  prazo  de  decadência,  há  de  se  considerar  o  cumprimento  pelo  sujeito  passivo  do  dever  de  se  antecipar  à  autuação  da  autoridade  administrativa  para  constituição  do  crédito  tributário,  interpretando  a  legislação  Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 6          9 aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou  contribuição correspondente;  ­  que  a  impugnante  argumenta  que,  no  presente  caso,  configura­se  o  lançamento por homologação de que  trata o  art.  150 do Código Tributário Nacional – CTN,  contando­se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Como consequência, o  direito de a fazenda pública efetuar o lançamento teria sido atingido pela decadência no que se  refere  ao  período  de  janeiro/2005  a  junho/2006,  haja  vista  ter  sido  cientificada  do  auto  de  infração em 30/06/2011;  ­ que o ponto essencial de sua alegação encontra­se no fato de que houve o  pagamento  antecipado  do  tributo,  pois  informou  em  sua  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  –  DIRPF  a  condição  de  sócio  da  empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações Ltda.,  a qual  registrou em sua contabilidade a  receita decorrente da  locação do  imóvel em questão, recolhendo os tributos devidos;  ­  que,  assim,  considerando­se  o  que  dispõe  o  art.  173,  I,  do  CTN,  cabe  analisar o período mais antigo neste lançamento, ou seja, exercício 2006 / ano­calendário 2005.  Para tal exercício, a DIRPF teve seu prazo de entrega encerrado no último dia útil de abril de  2006,  data  a  partir  da  qual  a  Receita  Federal  poderia  exigir  o  imposto  de  renda  relativo  ao  citado ano­calendário. Assim, segundo a  regra contida no artigo 173,  I,  a contagem do prazo  decadencial  começaria  a  fluir  a  partir  de  01/01/2007  (primeiro  dia  do  exercício  seguinte),  findando em 31/12/2011;  ­ que tendo sido o auto de infração  lavrado em 21/06/2011 e a contribuinte  cientificada em 30/06/2011  (fls. 228),  constata­se que o  lançamento ocorreu dentro do prazo  quinquenal, não havendo que se falar, portanto, em decadência do direito de lançar;  ­  que  embora  a  constatação  da  prática  de  sonegação  será  objeto  de  análise  mais  adiante,  importa  destacar  que, mesmo  se  a  contagem  do  prazo  decadencial  seguisse  o  critério contido no dispositivo  legal eleito pelo  impugnante (§ 4º do art. 150 do CTN), ainda  assim,  não  teria  se  operado  a  decadência,  pois,  a  intenção  dolosa  de  omitir  e  retardar  o  conhecimento pelo fisco de fatos ocorridos no ano­calendário de 2005, deslocou o termo inicial  para  a  contagem do prazo de decadência para o primeiro dia do  exercício  seguinte  ao que o  lançamento poderia ser efetuado, ou seja, 01/01/2007, em face da ressalva constante ao final do  texto do § 4º do art. 150 do CTN;  ­  que  alega  a  impugnante  que,  pelo  fato  de  o  auto  de  infração  não  conter  precisa descrição do fato e da disposição legal infringida, teve seu direito de defesa cerceado e  acrescenta que a autoridade fiscal lançadora apontou textos do CTN e do Código Civil que não  guardam qualquer relação com as infrações apontadas. Alega serem igualmente impertinentes  as considerações desenvolvidas acerca de isenção relativa a cessão gratuita de imóvel para uso  de cônjuge ou parente de primeiro grau;  ­  que quanto  aos  textos que a  impugnante  aponta  como não  tendo  conexão  com  os  fatos  relatados  pela  autoridade  fiscal  lançadora,  cabe  destacar  que  foram  por  ela  transcritos  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  que  integra  o  Auto  de  Infração,  de  modo  a  demonstrar  o  raciocínio  jurídico­legal  empreendido  e  que  resultou  nas  conclusões  que  ensejaram o lançamento objeto destes autos;  Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   10 ­  que  da  análise  dos  autos  verifica­se  que  houve  a  identificação  do  sujeito  passivo, a descrição objetiva e precisa do conteúdo do presente lançamento, sua fundamentação  legal, indicação da matéria tributável, dos fatos geradores, das bases de cálculo, alíquotas e do  montante do tributo devido;  ­ que na peça impugnatória protesta, reiteradamente, contra o fato de que os  auditores­fiscais  não  teriam  levado  em  conta  que  o  contribuinte  declarou  sua  condição  de  participante  no  quadro  societário  das  empresa  Pedra Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  e  Servimed  Comercial  Ltda.  e  estas,  por  sua  vez,  mantêm  escrituração  contábil  que  registra suas receitas, as quais foram devidamente declaradas e os tributos devidos recolhidos.  Inicialmente cabe ressaltar que nestes autos não se discute o conteúdo da escrituração contábil  da empresa Pedra Azul Empreendimentos e Participações Ltda., mas sim a operação realizada  pelo contribuinte envolvendo  tais pessoas  jurídicas– comodato seguido de  locação do  imóvel  matrícula 94.628 e a  respeito da qual concluiu a autoridade fiscal  lançadora  ter  resultado em  sonegação, pela pessoa física, de valores locativos do referido imóvel;  ­ que nestes autos não estão em discussão os conceitos jurídicos comodato e  locação. Ao contrário, a autoridade fiscal lançadora lançou mão dos seguintes dispositivos do  Código  Civil,  os  quais  o  impugnante  reputa  de  não  terem  conexão  com  as  conclusões  explicitadas no auto de infração: arts. 81, 82, 107 e 108 do Código Civil forma e validade do  ato  jurídico e arts. 425, 565 e 579 do Código Civil  regra geral para estipulação de contratos  atípicos, locação e comodato;  ­ que outro elemento que a impugnante aponta como desconexo em relação à  infração  que  lhe  foi  imputada  são  as  considerações  apresentadas  pela  fiscalização  acerca  da  cessão gratuita de imóvel e seus efeitos tributários. Verifico que o Termo de Verificação Fiscal  registra  o  encadeamento  do  raciocínio  jurídico  empreendido,  o  qual  partiu  da  hipótese mais  benéfica ao contribuinte para, diante das informações e documentos coligidos, afastá­la;  ­  que  alega  a  impugnante  que  o  imóvel  foi  cedido  em  comodato  para  a  empresa  Pedra Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  a  qual  o  locou  para  Servimed  Comercial Ltda., o que a excluiria da condição de titular dos rendimentos da locação, em razão  da cessão em comodato. Acrescenta que, a partir de 2007, o  imóvel deixou de pertencer­lhe,  pois foi  transferido, a  título de integralização de capital, para a empresa Servimed Comercial  Ltda.;  ­ que tenta, assim, demonstrar que os rendimentos do aluguel não foram por  ela  auferidos  por  força  de,  num  primeiro  momento,  cessão  em  comodato  e,  noutro,  transferência a título de integralização de capital;  ­ que a respeito da cessão em comodato, a fiscalização aponta que a empresa  Servimed Comercial  Ltda.,  da  qual  a  contribuinte  é  sócia,  já  ocupava  o  imóvel  em  questão,  pelo que se torna questionável a operação. Se o objetivo era a posse do imóvel pela Servimed,  porque não foi cedida em comodato para esta, que já o ocupava? Por que o foi para Pedra Azul,  empresa que, conforme informado no Termo de Verificação Fiscal, foi criada no mesmo ano de  1996,  não  possui  funcionários  e  cujo  endereço  cadastral  coincide  com  o  da  residência  da  contribuinte e seu esposo? Em consulta ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas da Receita  Federal  do  Brasil,  verifico  que  a  data  de  abertura  de  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações Ltda. foi 20/06/1996 e as operações que se discutem nestes autos ocorreram em  01/08/1996;  ­  que  a  fiscalização  destaca  o  fato  de  ambas  as  operações  –  cessão  em  comodato  para  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  e  locação  desta  para  Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 7          11 Servimed Comercial Ltda. terem ocorrido na mesma data, o que eleva o grau de dúvida acerca  da real natureza da operação;  ­  que  no  tocante  à  transferência  do  imóvel  matrícula  94.628  a  título  de  integralização de capital na empresa, embora o impugnante alegue ter ocorrido em dezembro  de  2007,  o  documento  de  fls.  1.070/1.072  demonstra  que  o  registro  público  dessa  operação  ocorreu apenas em 07/12/2009;   ­ que, desse modo, os efeitos pretendidos pela contribuinte só ocorreriam a  partir de 07/12/2009, data do registro público da operação. Embora a contribuinte alegue que a  transferência do imóvel a título de integralização de capital da Servimed Comercial ocorreu em  dezembro/2007, como demonstrariam os documentos de fls. 1.074/1.082, outros documentos,  juntados à  impugnação (fls. 1.046/1.069), demonstram que o aluguel em questão continuou a  ser pago;  ­  que,  assim,  a  situação  apontada  pela  impugnante  seria  que,  embora  fosse  proprietária do imóvel, a empresa Servimed Comercial Ltda. teria continuado a pagar aluguel à  empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  como  demonstram  os  documentos de  fls.  1.046/1.069 –  recibos de  aluguel  e 214/226–  livro Diário de Pedra Azul.  Todavia, não há como acolher tal situação como factível;  ­ que o conteúdo dos autos leva à convicção de que assiste razão à autoridade  fiscal  lançadora,no sentido de que, no período de 2005 a 2009, a contribuinte  (e seu esposo)  mantiveram­se como efetivos proprietários do imóvel e reais beneficiários dos rendimentos de  aluguel gerados;  ­ que a impugnante argumenta que, pelo fato de ter atendido às solicitações,  fornecendo  aos  auditores­fiscais  todos  os  documentos  necessários  e  diante  da  legalidade  da  gerência  patrimonial  por  ele  exercida,  não  caberia  a  qualificação  da multa  e  a  representação  fiscal para fins penais;  ­  que,  assim,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  a  regra  é  a  aplicação  da  multa de 75%, estabelecida no dispositivo legal supra transcrito, sendo impossível à autoridade  administrativa,  tanto lançadora como julgadora, afastá­la. Por seu turno, dentro da concepção  de que as penalidades devem guardar uma proporcionalidade em relação à reprovabilidade da  conduta que se pretende coibir, a multa de ofício será de 150% do tributo não recolhido quando  o sujeito passivo pratica atos dolosos para burlar a legislação tributária, conforme prevê o §1º  do art. 44 da mencionada lei;  ­ que o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, o  que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos  na declaração de ajuste anual ou, ainda, da entrega de declaração de isento, seja ela pelos mais  variados motivos  que  se  possa  alegar.  Dessa  forma,  o  intuito  doloso  deve  estar  plenamente  demonstrado,  sob  pena  de  não  restarem  evidenciados  os  ardis  característicos  da  fraude,  elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada.  A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   12 Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009  PRELIMINAR.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros  requisitos  formais,  a  capitulação  legal  e a  descrição  dos  fatos.  Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na  invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.  Ademais,  se  o  sujeito  passivo  revela  conhecer  plenamente  as  acusações que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  defesa  ,  abrangendo  não  só  outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a  proposição de cerceamento do direito de defesa.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  A existência de antecipação de pagamento do  imposto devido é  requisito  essencial  para  a  caracterização  do  lançamento  por  homologação.  Na  sua  ausência,  o  termo  inicial  do  prazo  decadencial desloca­se para o primeiro dia do exercício seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  por  se  tratar  de  lançamento  de  ofício  decorrente  de  discordância  do  fisco quanto à natureza e consequências jurídicas de operações  praticadas pelo contribuinte.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRATO DE COMODATO  SEGUIDO DE LOCAÇÃO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE.  Não  há  como  confundir  o  proprietário/pessoa  física  com  a  pessoa jurídica da qual o proprietário é sócio, dado o princípio  da  entidade,  que  estabelece  a  não  confusão  entre  a  pessoa  jurídica e a pessoa física de seus sócios. Contrato de comodato  em que o comodante é a pessoa física proprietária do imóvel e o  comodatário  é  a  pessoa  jurídica  da  qual  o  proprietário  do  imóvel  é  sócio,  não  afasta  o  fato  de  que  os  rendimentos  de  aluguel são de titularidade da pessoa física.  TRANSFERÊNCIA  DE  IMÓVEL  POR  PESSOA  FÍSICA  A  TITULO  DE  INTEGRALIZAÇÃO  DE  CAPITAL  DE  PESSOA  JURÍDICA. EFEITOS.   Os  efeitos  tributários  da  transferência  de  imóvel  por  pessoa  física para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é  sócio  são  produzidos  a  partir  do  registro  da  operação  no  Registro de Imóveis competente.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  APLICABILIDADE.  CONFISCO.  Cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação  tributária,  quando  o  conjunto  probatório  demonstra  que  o  procedimento  adotado  pelo  sujeito  passivo  enquadra­se  em  hipótese tipificada na Lei nº 4.502/64.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 8          13 Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  29/09/2011,  conforme  Termo constante às fls. 1289/1294, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em  tempo hábil (21/10/2011), o recurso voluntário de fls. 1295/1326, instruído pelos documentos  de fls. 1327/1358, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado,  em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória.  É o Relatório.  Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   14 Voto             Conselheiro Nelson Mallmann, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Da análise preliminar dos autos do processo se verifica, que a ação fiscal, em  discussão,  teve  origem  em  trabalho  de  circularização  de  informações  referentes  às  empresas  Servimed  Comercial  Ltda.  CNPJ  44.463.156/000184  e  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda., CNPJ  01.273.936/000159,  das  quais  o  contribuinte  acima  identificado  é  responsável,  em  razão da cessão gratuita de uso de um  imóvel. Segundo matrícula  fornecida  pelo Sr. Antônio Iachel Marques, este e sua esposa eram donos do referido imóvel até repassá­ lo  para  a  SERVIMED COMERCIAL  LTDA.  em  dezembro  de  2009,  para  integralização  de  capital social.   Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial,  a  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais pleiteando a  reforma da decisão prolatada na Primeira  Instância onde, em sua defesa,  apresenta  a  argüição  de  decadência  do  direito  da  Fazenda  Nacional  de  constituir  o  crédito  tributário  relativo  ao  período  de  01/01/2005  a  22/06/2005,  suscita  preliminares  de  nulidade,  bem como apresenta razões de mérito sobre o lançamento efetuado (omissão de rendimentos de  aluguel).  Quanto  a  preliminar  de  decadência,  levantada  pelo  suplicante,  sob  o  argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação e  que nos casos de omissão de rendimentos caracterizados por alugueis recebidos o fato gerador  é mensal, estou com a corrente que entende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o  imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador  se completa no encerramento do ano­calendário.   Assim sendo, entendo que imposto lançado (IRPF) no período mais favorável  ao  recorrente,  que  é  o  relativo  ao  ano­calendário  de  2005,  já  se  encontrava  alcançado  pelo  prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (22/06/2011), de acordo com as regras  contidas nos artigo 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, cuja regra seria a  mais favorável possível para o contribuinte (existência de pagamento antecipado para o IRPF,  sem constatação do evidente intuito de fraude – desqualificação da multa de ofício lançada).  A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais,  pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por início da  contagem  do  tempo  o  instante  em  que  o  direito  nasce.  Durante  o  qüinqüênio,  qualquer  atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original,  ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um  dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência.   Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em  tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até  que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial.  Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 9          15 É  de  se  esclarecer,  que  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  são  classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio  nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo  este  suficiente  por  si  só  (imposto  de  renda  na  fonte).  Em  contraposição,  os  fatos  geradores  complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de  tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são  destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se  corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de  tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da  pessoa física, apurado no ajuste anual.  Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de  1988,  pelo  qual  se  estipulou  que  “o  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente, à medida que os  rendimentos  e ganhos de capital  forem  recebidos”, há que se  ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n°  8.383,  de  1991 mantiveram  o  regime  de  tributação  anual  (fato  gerador  complexivo)  para  as  pessoas físicas.  Não há dúvidas, que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange  todos os  rendimentos  tributáveis  recebidos durante o ano­calendário diminuído das deduções  pleiteadas.  Não é sem razão que o § 2º do art. 2º do Decreto nº. 3.000, de 1999 – RIR/99,  cuja  base  legal  é  o  art.  2º  da  lei  nº.  8.134,  de  1990,  dispõe  que:  “O  imposto  será  devido  mensalmente  na medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  forem  percebidos,  sem  prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/99 refere­ se  à  apuração  anual  do  imposto  de  renda,  da  declaração  de  ajuste  anual,  relativamente  aos  rendimentos percebidos no ano­calendário.   Em  relação  ao  cômputo  mensal  do  prazo  decadencial,  como  dito,  anteriormente, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto  de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos.  Contudo,  embora  devido  mensalmente,  quando  o  sujeito  passivo  deve  apurar  e  recolher  o  imposto  de  renda,  o  seu  fato  gerador  continuou  sendo  anual.  Durante  o  decorrer  do  ano­ calendário o contribuinte antecipa, mediante a  retenção na  fonte ou por meio de pagamentos  espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação  da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134,  de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser  do  tipo complexivo,  segundo a  classificação doutrinária, o  fato gerador do  imposto de  renda  surge  completo  no  último  dia  do  exercício  social.  Só  então  o  contribuinte  pode  realizar  os  devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as  despesas  realizadas,  as  deduções  legais  por  dependentes  e  outras,  as  antecipações  feitas  e,  assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco.  Ora,  a  base  de  cálculo  da  declaração  de  rendimentos  abrange  todos  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  durante  o  ano­calendário.  Desta  forma,  o  fato  gerador  do  imposto  apurado  relativamente  aos  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual  se  perfaz  em  31  de  dezembro de cada ano.  Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   16 No  caso  em  discussão,  vale  a  pena  traçar  alguns  comentários  acerca  do  denominado  lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário  Nacional,  no  qual  o  contribuinte  auxilia  ostensivamente  a  Fazenda  Pública  na  atividade  do  lançamento, cabendo ao fisco realizá­lo de modo privativo, homologando­o, conferindo a sua  exatidão.  Verifica­se,  que  o  grau  de  participação  do  particular  nesta  espécie  de  lançamento  atinge  nível  de  suficiência  capaz  de  compor  a  pretensão  tributária  limitando­se  a  autoridade  administrativa  competente  tão­somente  a  uma  atividade  de  controle  a  posteriori  do  procedimento de apuração exercido.   No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em  constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos  termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.  A  jurisprudência  pacificou­se  no  sentido  de  que  o  prazo  decadencial  para  Fazenda  Pública  constituir  crédito  tributário  no  lançamento  por  homologação  é  de  5  (cinco)  anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude  ou simulação.  Por  outro  lado,  nos  precisos  termos  do  artigo  150  do  Código  Tributário  Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  a  qual,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida,  expressamente  a  homologa.  Inexistindo  essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador  do  tributo.  Com  outras  palavras,  no  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte  apura  o  montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes  posteriores.  Ora,  o  próprio  Código  Tributário  Nacional  fixou  períodos  de  tempo  diferenciados  para  atividade  da  administração  tributária.  Se  a  regra  era  o  lançamento  por  declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo determinou o art. 173 do Código,  que o prazo qüinqüenal  teria  início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado”,  imaginando  um  tempo  hábil  para  que  as  informações  pudessem  ser  compulsadas  e,  com  base  nelas,  a  administração  tributária  preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência.  De  outra  parte,  sendo  exceção  o  recolhimento  antecipado,  fixou  o Código,  também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde  os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma  vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce  para  o  sujeito  passivo  à  obrigação  de  apurar  e  liquidar  o  crédito  tributário,  sem  qualquer  participação do sujeito ativo que, de outra parte,  já  tem o direito de investigar a regularidade  dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer  informação ser­lhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário  Nacional.  Nesta  ordem,  sempre  refutei  nos  meus  votos  o  argumento  daqueles  que  entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o  lançamento  efetuado  pelo  fisco  decorre  da  falta  de  recolhimento  de  imposto  de  renda,  o  procedimento  fiscal  não  mais  estaria  no  campo  da  homologação,  deslocando­se  para  a  modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do  Código Tributário Nacional.  Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 10          17 É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput  do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da  conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras  que  “o  lançamento  por  homologação  (...)  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa”.  O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito  passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar  a  atividade  de  homologação  exclusivamente  à  quantia  paga  significa  reduzir  a  atividade  da  administração  tributária  a  um nada,  ou  a  um procedimento  de  obviedade  absoluta,  visto  que  toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que  não está pago.  Em segundo  lugar, mesmo que assim não  fosse,  é certo que  a  avaliação da  suficiência  de  uma  quantia  recolhida  implica,  inexoravelmente,  no  exame  de  todos  os  fatos  sujeitos  à  tributação,  ou  seja,  o  procedimento  da  autoridade  administrativa  tendente  à  homologação fica condicionado ao “conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,  na linguagem do próprio Código Tributário Nacional”.  Nos  dias  atuais  esta  discussão  se  tornou  irrelevante  já  que  em  21/12/2010,  houve  a  edição  da  Portaria  MF  nº.  586,  que  alterou  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho  de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não  se aplica aos casos  de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou   II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   18 Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.  Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes  do  CARF  devem  se  adaptar,  nos  casos  de  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código de Processo Civil, a estes  julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é  um destes temas.  A  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  decidiu,  por  ocasião  do  julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/0176994­0), que a contagem do prazo  decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir  o  rito  do  julgamento  do  recurso  especial  representativo  de  controvérsia,  cuja  ementa  é  a  seguinte:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 11          19 "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  Documento: 6162167 ­ EMENTA / ACÓRDÃO ­ Site certificado  ­ DJe:  18/09/2009 Página  1  de  2  Superior Tribunal  de  Justiça  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Nos  julgados  posteriores,  sobre  o  mesmo  assunto  (contagem  do  prazo  decadencial),  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  aplicou  a  mesma  decisão  acima  transcrita,  conforme  se  constata  no  julgado  do  AgRg  no  RECURSO ESPECIAL Nº.  1.203.986  ­ MG  (2010/0139559­7), verbis:   PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  N°  973.733/SC.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  PRESCRIÇÃO  DO  DIREITO  DE  COBRANÇA  JUDICIAL  PELO  FISCO.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  TRIBUTO  SUJEITO  À  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA.  Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   20 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência,  causa  extintiva  do  crédito  tributário,  assim  estabelece  em  seu  artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir  o crédito tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:I ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal,  o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória  indispensável ao lançamento."  2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência  do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento  de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao  lançamento por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado;  (ii)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos em que notificado o  contribuinte de medida preparatória  do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento  de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação  em  que  inocorre  o  pagamento  antecipado;  (iii)  regra  da  decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a  lançamento por homologação em que há parcial pagamento da  exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em  que  o  pagamento  antecipado  se  dá  com  fraude,  dolo  ou  simulação,  ocorrendo  notificação  do  contribuinte  acerca  de  medida  preparatória;  e  (v)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  perante  anulação  do  lançamento  anterior  (In:  Decadência  e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos  Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).  Documento: 12878841 ­ EMENTA / ACÓRDÃO ­ Site certificado  ­ DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3.  A Primeira Seção, quando do  julgamento do REsp 973.733/SC,  sujeito  ao  regime  dos  recursos  repetitivos,  reafirmou  o  entendimento  de  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida regra decadencial rege­se pelo disposto no artigo 173, I,  do CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo,  2004, págs.  183/199).  (Rel. Ministro  Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR)  Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 12          21 4.  À  luz  da  novel  metodologia  legal,  publicado  o  acórdão  do  julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no  artigo  534­C,  do  CPC,  os  demais  recursos  já  distribuídos,  fundados  em  idêntica  controvérsia,  deverão  ser  julgados  pelo  relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ  8/2008).  5.  In  casu:  (a)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado  de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente  ao  fato  gerador  compreendido  a  partir  de  1995,  consoante  consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar  iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a  constituição  do  crédito  tributário  pertinente  ocorreu  em  15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  que  formalizou  os  créditos  tributários  em  questão,  sendo  a  execução ajuizada tão somente em 21.03.2005.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7. Agravo regimental desprovido.  É de  se  esclarecer,  que  na  solução  dos Embargos  de Declaração  impetrado  pela  Fazenda  Nacional  no  Recurso  Especial  nº.  674.497  ­  PR  (2004/0109978­2),  houve  o  acolhimento  em  parte  do  embargo  pelo  STJ  para  modificar  o  entendimento  sobre  os  fatos  geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano  seguinte, verbis:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   22 O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim  se manifestou em seu voto:  Sobre  o  tema,  a  Primeira  Seção  desta  Corte,  utilizando­se  da  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  introduzido  no  ordenamento  jurídico  pátrio  por  meio  da  Lei  dos  Recursos  Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j.  12.8.2009),  reiterou  o  entendimento  no  sentido  de  que,  em  se  tratando de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação não  declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe  de  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  para  a  constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173,  I, do  CTN.  Somente  nos  casos  em  que  o  pagamento  foi  feito  antecipadamente,  o  prazo  será  de  cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador (art. 150, § 4º, do CTN)  (...)  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994.  Sendo  assim,  na  forma  do  art.  173,  I,  do  CTN,  o  prazo  decadencial  teve  início  somente  em 1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000. Considerando que o auto de  infração  foi  lavrado em  29.11.1999, tem­se por não consumada a decadência, in casu.  Desta  forma, para  lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é  de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de  que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado  corresponde,  de  fato,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos  150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional.  Por outro  lado, para os  lançamentos em que houve pagamento antecipado a  contagem  do  prazo  decadencial  tem  início  na  data  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  discutida.  O caso em questão trata de imposto de renda pessoa física, cujo lançamento é  por de omissão de rendimentos de alugueis, por via de conseqüência o fato gerador do imposto  de renda mais antigo é 31/12/2005 (ajuste anual).   Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada  pelo  Superior  Tribunal  de  justiça  está  em  definir  o  que  seria  considerado  “pagamento  antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo.  Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do  prazo  do  art.  150,  §  4º,  sem  manifestação  do  Fisco,  significa  a  aquiescência  implícita  aos  valores  declarados  pelo  contribuinte,  porque  o  silêncio,  neste  caso,  é  qualificado  pela  lei,  trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há  pagamento  antecipado,  que  de  acordo  com  Superior  Tribunal  de  Justiça,  se  aplicaria,  para  efeitos  de marco  inicial  do  prazo  decadencial,  o  art.  173,  I,  do  Código  Tributário  Nacional  (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que  dispõe  o  parágrafo  único  deste  mesmo  preceptivo.  Exaurido  o  prazo,  o  Fisco  não  poderá  Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 13          23 manifestar  qualquer  intenção  de  cobrar  os  valores.  Há,  pois,  falar­se  em  decadência  nos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação.  No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o  significado de “pagamento antecipado”,  já que houve recolhimento de imposto de renda pela  recorrente,  como  restou  consignado  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual,  relativo  ao  ano­ calendário de 2005, bem como nos comprovante de rendimentos recebidos (fls. 84/87).   Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça,  o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/12/2005, já que o fato gerador ocorreu  em 31/12/2005. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo  inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é  a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição do lançamento  ocorreria  em  31/12/2010,  tendo  ocorrido  a  ciência  do  lançamento  em  22/06/2011,  está  decadente  o  direito  de  a  Fazenda Nacional  constituir  o  crédito  tributário  questionado  para  o  ano­calendário de 2005.  Somente para fins de argumentação, é de se dizer, que nos casos de argüição  de  decadência quanto  restar  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  que  não  se  aplica  ao  presente caso, já que houve a desqualificação da multa de ofício, reduzindo­a ao percentual de  75%, merece transcrição à lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva,  1995, p. 226):  Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente,  usa  de  procedimento  aparentemente  lícito.  Ela  altera  deliberadamente  a  situação  de  fato  em  que  se  encontra,  para  fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente  em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrar­se  de seus efeitos.  A  simulação  consiste  na  "prática  de  ato  ou  negócio  que  esconde  a  real  intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem  necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470).  A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência  do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução  distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação  da existência de dolo, fraude ou simulação.   Assim, a configuração desse  ilícito  interessa ao direito  tributário na medida  em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto.  O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final  do  art.  150,  §  4º.,  do  CTN)  deve,  para  consecução  dos  objetivos  estabelecidos  nestes  dispositivos,  ser  constituída  na  via  administrativa,  determinando,  desse  modo,  a  obrigatoriedade  do  lançamento  de  ofício  (art.  149,  VII,  do  CTN)  ou  a  impossibilidade  da  extinção do crédito pela homologação tácita. Deve­se observar que a ocorrência de dolo, fraude  ou  simulação  só  é  relevante  nos  casos  de  efetivo  pagamento  antecipado.  Se  não  houver  pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o  tributo por sua  natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados  Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   24 no  procedimento  administrativo  de  fiscalização  realizado  de  ofício,  não  servindo  como  hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência.  O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final  do  art.  150,  §  4º.,  do  CTN)  deve,  para  consecução  dos  objetivos  estabelecidos  nestes  dispositivos,  ser  constituída  na  via  administrativa,  determinando,  desse  modo,  a  obrigatoriedade  do  lançamento  de  ofício  (art.  149,  VII,  do  CTN)  ou  a  impossibilidade  da  extinção do crédito pela homologação tácita. Deve­se observar que a ocorrência de dolo, fraude  ou  simulação  só  é  relevante  nos  casos  de  efetivo  pagamento  antecipado.  Se  não  houver  pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o  tributo por sua  natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados  no  procedimento  administrativo  de  fiscalização  realizado  de  ofício,  não  servindo  como  hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência.  Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para  operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão  sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de  modo  que  os  prazos  não  fiquem  ad  eternum  em  aberto.  Os  prazos  do  Direito  Civil  são  inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular.   A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de  se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código  Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do  Código Tributário Nacional nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou  a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública .  Embora o prejuízo a  terceiro, que, no caso, é a Administração Pública,  não  seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém  deles se utilize sem interesse econômico.  Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou  simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do  crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos.  É  nessa  linha  que  autores  como  JOSÉ  SOUTO  MAIOR  BORGES,  mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI  (Decadência e Prescrição no Direito  Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165),  assinala que ao direito  tributário o que  importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado.  Quanto  a  isso,  vale  lembrar  o  que  dispõe  o  art.  136  do  Código  Tributário  Nacional, verbis:  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  Isso,  obviamente,  não  afasta  a  aplicação  de  eventuais  sanções  especificamente  pelas  condutas  dolosas,  fraudulentas  ou  simuladas,  conforme  se  infere,  por  exemplo,  da  Lei  Federal  n.º  8.137,  de  1990,  e  do  art.  137  do  próprio  Código  Tributário  Nacional.  Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costuma­se apontar nessa parte  final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria  Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 14          25 tratamento  legal  quanto  ao  prazo  para  lançar  quando  presente  dolo,  fraude  ou  simulação  (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394).  Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria  aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.  Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito  Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291):  b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida  com  dolo,  fraude  ou  simulação  –  o  trato  de  tempo  para  a  formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é  de  cinco  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.  Assim  sendo  e  tendo  em  vista,  que  o  Código  Tributário  Nacional,  como  norma  complementar  à  Constituição,  é  o  diploma  legal  que  detém  legitimidade  para  fixar  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  dos  créditos  tributários  pelo  Fisco  e  inexistindo  regra  específica, no  tocante  ao prazo decadencial aplicável aos  casos de evidente  intuito de  fraude  (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do  Código  Tributário  Nacional,  tendo  em  vista  que  nenhuma  relação  jurídico­tributária  poderá  protelar­se indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica.  Da análise do mérito se verifica que a autoridade lançadora constatou, através  do levantamento de entradas e saídas de recursos – fluxo financeiro (“fluxo de caixa”), que o  contribuinte  apresentou,  durante  o  ano­calendário  de  2005,  saldos  negativos,  representando  desta  forma  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  já  que  consumia/aplicava  mais  do  que  possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados,  isentos e não­ tributáveis, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, etc.  Não  há  dúvidas,  nos  autos,  de  que  o  suplicante  foi  tributado  diante  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos,  pelo  fato  do  fisco  ter  verificado,  através  do  levantamento  mensal  de  origens  e  aplicações  de  recursos,  que  o  mesmo  apresentava  “um  acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo mensal”, ou seja, aplicava e/ou consumia  mais do que possuía de recursos com origem justificada.    Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pela suplicante, sob  o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo  legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais.  Como  visto  a  suplicante  entendeu  que  o  Auto  de  Infração  é  improcedente  porque a fiscalização considerou como rendimentos da pessoa física os valores pagos a título  de aluguel a pessoa jurídica de qual é sócia.  Com  a  devida  vênias  dos  que  assim  não  entendem,  estou  com  a  decisão  recorrida, já que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da  estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo  Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento  que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no  Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   26 sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10 do Decreto nº 70.235, de 1972.  Inicialmente, verifica­se que para o contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias  a sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Quanto ao procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se, ainda, que o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal,  identifica por nome e CPF a autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  em  Bauru  ­  SP,  cuja  ciência  foi  através  de  AR  e  descreve  as  irregularidades  Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 15          27 praticadas, bem como o seu enquadramento legal assinado pelos Auditores­Fiscais da Receita  Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional ­ CTN, ou seja, o ato  é próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor­Fiscal.   Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de  omissão  de  rendimentos  caracterizados  por  aluguéis,  sem  que  a  recorrente  justificasse,  a  princípio,  estes  valores  escriturados  na  pessoa  jurídica  de  qual  é  sócia.  Constam  dos  autos  diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca desta  conduta.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão  do  procedimento  adotado,  da  base  tributável  apurada  e  do  cálculo  do  imposto  resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   28 forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Além  disso,  o  art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.  Quanto à preliminar de nulidade argüida, sob o entendimento de que de que  houve,  em  síntese,  ofensa  ao  princípio  constitucional  do  contraditório  e  ampla  defesa,  assegurado no art. 5º,  inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por discordar, em síntese,  dos procedimentos adotados pela fiscalização para lavratura do presente Auto de infração, é de  se dizer que não tem razão o suplicante, pelos motivos que se seguem.  Resta  claro,  no  desenvolvimento  do  procedimento  fiscal,  que  os  demonstrativos esclarecem de maneira convincente a origem dos valores que tomaram parte do  demonstrativo de apuração do lançamento questionado.  Ora, é dever do contribuinte  informar e,  se  for o caso, comprovar os dados  nos  campos  próprios  das  Declarações  de  Ajuste  Anual  apresentadas  e,  conseqüentemente,  calcular  e  pagar  o montante  do  imposto  apurado,  por  outro  lado,  cabe  a  autoridade  fiscal  o  dever  da  conferência  destes  dados.  Assim,  na  ausência  de  comprovação,  por  meio  de  documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda,  do  lançamento  de  rendimentos  isentos  e não­tributáveis  e  sujeitos  a  tributação  exclusiva,  do  lançamento  de  ganhos  de  capital  e  de  renda  variável,  bem  como  do  lançamento  de  bens  e  direitos, dívidas e ônus reais, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa.  Não  tenho  dúvidas,  que  o  excesso  de  formalismo,  a  vedação  à  atuação  de  ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são  exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo  administrativo fiscal.  A etapa contenciosa caracteriza­se pelo aparecimento formalizado no conflito  de interesses, isto é, transmuda­se a atividade administrativa de procedimento para processo no  momento  em  que  o  contribuinte  registra  seu  inconformismo  com  o  ato  praticado  pela  administração, seja ato de  lançamento de  tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender,  causa­lhe  gravame  com  a  aplicação  de  multa  por  suposto  não­cumprimento  de  dever  instrumental.  Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 16          29 Assim,  a  etapa  anterior  à  lavratura  do  auto  de  infração  e  ao  processo  administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada  em  leis  e  regulamentos,  faculta  à  Administração  a  mais  completa  liberdade  no  escopo  de  flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas  coletando  dados  para  se  convencer  ou  não  da  ocorrência  do  fato  imponível  ensejador  da  tributação.  Não  há,  ainda,  exigência  de  crédito  tributário  formalizada,  inexistindo,  conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado.  O  lançamento,  como  ato  administrativo  vinculado,  celebra­se  com  estrita  observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja  motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo  de  oportunidade  e  conveniência  pela  autoridade  fiscal.  O  ato  administrativo  deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pela recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários.   Nunca  é  demais  lembrar,  que  até  a  interposição  da  peça  impugnatória  pelo  contribuinte,  o  conflito  de  interesses  ainda  não  está  configurado.  Os  atos  anteriores  ao  lançamento  referem­se  à  investigação  fiscal  propriamente  dita,  constituindo­se  medidas  preparatórias  tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos  que tão­somente poderão conduzir a constituição do crédito tributário.  Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa,  pois  não  há  ainda,  qualquer  espécie de  pretensão  fiscal  sendo  exigida  pela Fazenda Pública,  mas  tão­somente  o  exercício  da  faculdade  da  administração  tributária  em  verificar  o  fiel  cumprimento  da  legislação  tributária  por  parte  do  sujeito  passivo.  O  litígio  só  vem  a  ser  instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não  se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência  fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento.  Assim,  após  a  impugnação,  oportuniza­se  ao  contribuinte  a  contestação  da  exigência fiscal. A partir daí, instaura­se o processo, ou seja, configura­se o litígio.  Ora,  não  há  como  negar  que  as  irregularidades  apontadas  pela  autoridade  lançadora foram devidamente caracterizadas e compreendidas pela suplicante, tanto é verdade  que a mesma contestou o referido auto de  infração de forma a não deixar dúvidas quanto ao  perfeito  conhecimento  dos  fatos,  através  da  Impugnação.  Portanto,  o  fundamental  é  que  o  contribuinte  tenha  tomado  ciência  do  presente  auto  de  infração,  e  tenha  exercido  de  forma  plena,  dentro  do  prazo  legal,  o  seu  direito  de  defesa  e  oportunidade  para  apresentar  dos  documentos comprobatórios de suas alegações.   Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos  estabelecidos  na  legislação  em  vigor  e  o  lançamento  foi  efetuado  com  base  em  dados  reais  sobre  a  suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela  recorrente,  ou  seja,  não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração de nulidade do Auto de Infração.  Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   30 No  que  diz  respeito  ao  mérito  propriamente  dito,  a  recorrente  se  insurge  contra  o  fato  de  que  os  auditores­fiscais  não  teriam  levado  em  conta  que  o  contribuinte  declarou  sua  condição  de  participante  no  quadro  societário  das  empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  e  Servimed  Comercial  Ltda.  e  estas,  por  sua  vez,  mantêm escrituração contábil que registra suas receitas, as quais foram devidamente declaradas  e os tributos devidos recolhidos. Inicialmente cabe ressaltar que nestes autos não se discute o  conteúdo  da  escrituração  contábil  da  empresa  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  mas  sim  a  operação  realizada  pelo  contribuinte  envolvendo  tais  pessoas  jurídicas–  comodato  seguido  de  locação  do  imóvel  matrícula  94.628  e  a  respeito  da  qual  concluiu  a  autoridade fiscal lançadora ter resultado em sonegação, pela pessoa física, de valores locativos  do referido imóvel.  Aponta, ainda, como desconexo em relação à  infração que  lhe foi  imputada  são as considerações apresentadas pela fiscalização acerca da cessão gratuita de imóvel e seus  efeitos tributários.   Alega,  ainda,  que  o  imóvel  foi  cedido  em  comodato  para  a  empresa Pedra  Azul Empreendimentos e Participações Ltda., a qual o locou para Servimed Comercial Ltda., o  que  a  excluiria  da  condição  de  titular  dos  rendimentos  da  locação,  em  razão  da  cessão  em  comodato.  Acrescenta  que,  a  partir  de  2007,  o  imóvel  deixou  de  pertencer­lhe,  pois  foi  transferido, a título de integralização de capital, para a empresa Servimed Comercial Ltda.  Resta  claro  nos  autos  de  que  fiscalização  aponta  que  a  empresa  Servimed  Comercial Ltda., da qual a contribuinte é sócia, já ocupava o imóvel em questão, pelo que se  torna  questionável  a  operação. Afirma,  ainda,  que  se  o  objetivo  era  a  posse  do  imóvel  pela  Servimed, porque não foi cedida em comodato para esta, que já o ocupava? Por que o foi para  Pedra Azul, empresa que, conforme informado no Termo de Verificação Fiscal, foi criada no  mesmo  ano  de  1996,  não  possui  funcionários  e  cujo  endereço  cadastral  coincide  com  o  da  residência  da  contribuinte  e  seu  esposo?  Em  consulta  ao  Cadastro  Nacional  de  Pessoas  Jurídicas da Receita Federal do Brasil, a decisão recorrida, verificou, que a data de abertura de  Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  foi  20/06/1996  e  as  operações  que  se  discutem nestes autos ocorreram em 01/08/1996.  Observa, ainda, a autoridade fiscal lançadora o fato de ambas as operações –  cessão em comodato para Pedra Azul Empreendimentos e Participações Ltda. e locação desta  para Servimed Comercial Ltda.  terem ocorrido na mesma data, o que eleva o grau de dúvida  acerca da real natureza da operação.  Resta claro, nos autos, que a transferência do imóvel matrícula 94.628 a título  de  integralização  de  capital  na  empresa,  embora  o  impugnante  alegue  ter  ocorrido  em  dezembro  de  2007,  o  documento  de  fls.  1070/1072  demonstra  que  o  registro  público  dessa  operação ocorreu apenas em 07/12/2009. Desse modo, os efeitos pretendidos pela contribuinte  só  ocorreriam  a  partir  de  07/12/2009,  data  do  registro  público  da  operação.  Embora  a  contribuinte  alegue  que  a  transferência  do  imóvel  a  título  de  integralização  de  capital  da  Servimed Comercial ocorreu em dezembro/2007, como demonstrariam os documentos de fls.  1074/1082,  outros  documentos,  juntados  à  impugnação  (fls.  1046/1069),  demonstram  que  o  aluguel em questão continuou a ser pago.  A situação apontada pela impugnante seria que, embora fosse proprietária do  imóvel, a empresa Servimed Comercial Ltda. teria continuado a pagar aluguel à empresa Pedra  Azul  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  como  demonstram  os  documentos  de  fls.  1046/1069 – recibos de aluguel e 214/226– livro Diário de Pedra Azul. Todavia, não há como  acolher tal situação como factível.  Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 17          31 O  conteúdo  dos  autos  leva  à  convicção  de  que  assiste  razão  à  autoridade  fiscal  lançadora,no sentido de que, no período de 2005 a 2009, a contribuinte  (e seu esposo)  mantiveram­se como efetivos proprietários do imóvel e reais beneficiários dos rendimentos de  aluguel gerados.  Assim, é de se deixar claro, que os agentes do Fisco têm, mais que direito, o  dever  de  recorrer,  quando  for  o  caso,  às  declarações  de  rendimentos  apresentadas  pelos  contribuintes,  para  analisar  os  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis  declarados,  sempre que,  por motivos mais diversos, entender que tais rendimentos são componentes da base de cálculo  do imposto anual e as informações do contribuinte não se estribem em documentação hábil e  idônea demonstrando o contrário.   Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real  intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação  saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal,  em defesa até dos  legítimos beneficiários  daquele  tratamento. Dessa  forma,  não  podia  e não  pode  o  fisco  permanecer  inerte  diante de  procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o  surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular,  como no presente caso compete ao fisco proceder como fez. É óbvio, que o autuado tem que  ter uma prova de que  já submeteu estes  rendimentos a  tributação ou que não era passível de  tributação.   Assim, vê­se o quão acertado  foi o procedimento do Fisco,  ao  submeter os  rendimentos questionados a tributação. Não haveria outra forma de se proceder senão essa, já  que a contribuinte não apresentou nenhuma prova contundente que invalidasse o feito fiscal.  A  legislação  é  bastante  clara,  quando  determina  que  a  pessoa  física  está  obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano­calendário, até que  se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até  que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem  que  ter  um  mínimo  de  controle  de  suas  transações,  para  possíveis  futuras  solicitações  de  comprovação.   Sendo  assim,  entendo  que  cabia  a  recorrente  comprovar  o  alegado,  porque  somente  ele  tinha  condições  de  fazê­lo,  razão  pela  qual  mantenho  a  decisão  da  autoridade  julgadora de Primeira Instância.  No que diz respeito a multa qualificada, é de se dizer, que por entender que  os  fatos  levantados  caracterizavam  o  intuito  deliberado  da  contribuinte  de  subtrair  valores  à  tributação, tratou a autoridade fiscal de, sobre os valores apurados de oficio, aplicar a multa de  oficio qualificada de 150%, prevista no § 1º, inciso I, do artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996.   O  fundamento  de  fato  para  a  qualificação  da  penalidade  consta  das  folhas  38/40 do Termo de Verificação Fiscal. Qual seja: A cessão por comodato, visando desonerar a  pessoa  física  da  obrigação  de  pagar  imposto  de  renda  sobre  rendimentos  de  aluguel  foi,  no  entendimento da fiscalização, um ato de sonegação, vez que inclusive foi criada uma empresa a  fim de ocultar a ocorrência do fato gerador. A fiscalização fundamenta ainda a qualificação da  multa no argumento de que cessão gratuita poderia  ter se dado diretamente à empresa que  já  ocupava o imóvel, e ainda assim, a contribuinte deveria recolher o imposto calculado sobre o  valor venal conforme estabelecido na legislação. Por então o artifício de se criar uma empresa  para ceder a ela esse imóvel que já era ocupado pela outra empresa.   Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   32 Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na Primeira Instância o  recorrente  apresenta  a  sua peça  recursal  pleiteando a  reforma da decisão prolatada onde,  em  sua defesa, sustenta que só é cabível a multa qualificada, quando, perfeitamente demonstrado  nos autos, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, além  de  omitirem  a  informação  em  suas  declarações  de  rendimentos,  deixaram  de  recolher  os  tributos devidos, merecendo daí a imposição da multa qualificada de 150%.   De  fato,  os  autos  noticiam  a  aplicação  da  multa  de  lançamento  de  ofício  qualificada  de  150%,  sob  argumento  de  que  a  contribuinte  teria  deixado  de  oferecer  a  tributação rendimentos tributáveis, já que deu um revestimento de comodato aos rendimentos  recebidos com o claro intuito de evitar a tributação desse, cometendo sonegação fiscal.   Resta  nítido  pela  análise  dos  autos  de  que  a  autoridade  fiscal  lançadora  resolveu  qualificar  a  multa  de  ofício  diante  do  fato  de  entender  que  ficou  caracterizada  a  conduta dolosa da contribuinte de se eximir do imposto devido, em razão do mesmo justificar  que deixará de tributar tais valores porque os mesmos não lhe pertenceriam e sim pertenceriam  a empresa da qual é sócia.  Assim,  verifica­se  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  ser  perfeitamente  normal  aplicar  a  multa  de  lançamento  de  ofício  qualificada  na  constatação  de  omissão  de  rendimentos. Ou  seja,  a  fiscalização  amparou  o  lançamento  sob  o  argumento  de  que  nesses  casos  é  possível  inferir  que  o  contribuinte  deixou  deliberadamente  de  informar  rendimentos  auferidos  fazendo  declarações  simuladas  e  apresentando  provas  materiais  de  conteúdo  inexistente, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está  comprovado nos autos  a  intenção dolosa e  fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte,  com  o  propósito  específico  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  das  infrações,  ocultando  rendimentos auferidos.   Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à  intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na  Declaração de Ajuste Anual, de valores representativos de rendimentos tributáveis ocasionando  a  falta  ou  o  retardamento  do  imposto  a  pagar,  independentemente,  da  habitualidade  e  do  montante  utilizado,  caracteriza  falta  simples  de  omissão  de  receitas,  porém,  não  caracteriza  evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista  no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas.  Da  análise,  dos  autos  do  processo,  é  cristalino  a  conclusão  de  que  a multa  qualificada  foi  aplicada  em  decorrência  de  que  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  estaria  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  a  contribuinte  teria  se  utilizado  de  meios  escusos para deixar de lançar rendimentos tributáveis na sua Declaração de Ajuste Anual. Ou  seja, entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte prestou informações ao fisco, em sua  declaração de imposto de renda e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela  fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda.  Ora, o máximo que poderia  ter acontecido é o  fato da autoridade  lançadora  desconsiderar  os  dados,  argumentos  e  provas  apresentadas  (matéria  de  prova)  e  constituir  o  lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que a meu ver  caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício  normal  de  75%,  já  que  a  irregularidade  apontada  jamais  seria  motivo  para  qualificação  da  multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização.   Verifica­se,  que  os  elementos  de  prova  que  serviram  para  subsidiar  o  procedimento  fiscal  em  curso,  foram  obtidos  pela  fiscalização  através  das  informações  Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 18          33 fornecidas pela própria autuada e, que por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer  contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que estes valores não eram  passíveis de tributação pelo imposto de renda. Ou seja, a suplicante não conseguiu provar que  os recursos recebidos já foram tributados ou não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade  fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerá­ los como rendimentos tributáveis nos anos­calendário questionados.   Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  aplicada,  muitas  vezes,  de  forma  generalizada  pelas  autoridades  lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que  ficar  nitidamente  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  conforme  farta  Jurisprudência  emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais.   Sem  dúvida,  que  se  trata  de  questão  delicada,  pois  para  que  a  multa  de  lançamento  de  ofício  se  transforme  de  75%  em  150%  é  imprescindível  que  se  configure  o  evidente  intuito  de  fraude.  Este  mandamento  se  encontra  no  inciso  II  do  artigo  957  do  Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese  prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o  evidente  intuito de  fraude. Para  tanto,  se  faz necessário  sempre  ter  em mente o princípio de  direito de que a “fraude não se presume”, devem existir,  sempre, dentro do processo, provas  sobre o evidente intuito de fraude.  Como se vê o art. 957,  II, do Regulamento do  Imposto de Renda, de 1999,  que  representa  a  matriz  da  multa  qualificada,  reporta­se  aos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  n.º  4.502/64,  que  prevêem  o  intuito  de  se  reduzir,  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá­la.  Com  a  devida  vênia,  dos  que  pensam  em  contrário,  a  simples  omissão  de  receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos;  a  classificação  indevida  de  receitas  /  rendimentos na Declaração de Ajuste Anual,  a  falta de  comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta  de  inclusão  de  algum  valor,  bem  ou  direito  na Declaração  de Bens  ou Direitos,  não  tem,  a  princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude.  Da  mesma  forma,  a  prestação  de  informações  ao  fisco,  em  resposta  à  intimação  emitida  divergente  de  dados  levantados  pela  fiscalização,  bem  como  a  falta  de  inclusão na Declaração de Ajuste Anual de rendimentos tributáveis, não evidencia, por si só, o  evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista  no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996.   Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi  realizado  tendo  em  vista  a  apuração  de  omissão  de  rendimentos,  diante  do  fato  de  que  o  contribuinte não conseguiu lograr de forma diferente, o que, até prova em contrário, permite ao  fisco a cobrança do imposto de renda sobre estes valores, porém, por si só, é insuficiente para  amparar  a  aplicação  de  multa  qualificada.  No  mesmo  sentido,  estaria  a  prestação  de  informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base  de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia no máximo ser um indicativo de  que  sobre  tais  valores  deveria  ser  constituído  o  lançamento  e  cobrado  o  crédito  tributário  respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude.   Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   34  Quando  a  autoridade  lançadora  age  deste  modo,  aplica,  no  meu modo  de  entender,  incorretamente  a  multa  de  ofício  qualificada,  pois,  tais  infrações  não  possuem  o  essencial,  qual  seja,  o  evidente  intuito de  fraudar. A prova, neste  aspecto,  deve  ser material;  evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte ou declaração inexata,  jamais será motivo para qualificar a multa de ofício.  Com  efeito,  a  qualificação  da multa,  nestes  casos,  importaria  em  equiparar  uma  infração  fiscal  de  omissão  de  rendimentos,  detectável  pela  fiscalização  através  da  confrontação e analise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que  seu  responsável  surrupia  dados  necessários  ao  conhecimento  da  fraude.  A  qualificação  da  multa,  nestes  casos,  importaria  em  equiparar  uma  prática  identificada  de  omissão  de  receitas/rendimentos  por  presunção  legal,  aos  fatos  delituosos mais  ofensivos  à ordem  legal,  nos  quais  o  agente  sabe  estar  praticando  o  delito  e  o  deseja,  a  exemplo:  da  adulteração  de  comprovantes,  da  nota  fiscal  inidônea,  movimentação  de  conta  bancária  em  nome  fictício,  movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de  pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade  ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das  notas  fiscais  paralelas,  do  subfaturamento  na  exportação  (evasão  de  divisas),  do  superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc.  O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas  fiscais  na  escrituração,  pode  ser  considerado,  de  plano,  com  evidente  intuito  de  fraudar  ou  sonegar o imposto de renda? Obviamente que não.   Ora,  se  nestas  circunstâncias,  ou  seja,  a  simples  não  declaração  de  valores  não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em  discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o  imposto sobre a omissão de rendimentos apurada, já que a contribuinte esta pagando imposto a  menor,  ou  seja,  deixou  de  declarar  rendimentos  auferidos  e  não  trouxe  provas  para  ilidir  a  acusação ou as provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o  condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos.  Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas,  a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício,  passivo  não  comprovado,  saldo  credor  de  caixa,  suprimento  de  numerário  não  comprovado,  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  ou  créditos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  tratar­se  de  rendimentos  /  receitas  já  tributadas  ou  não  tributáveis,  embora  clara  a  sua  tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  por  isso,  é  evidente  a  tributação, mas  não  existe  a  prova da evidente  intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso.  Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc.  Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a  simples  omissão  de  receitas  ou  de  rendimentos;  a  simples  declaração  inexata  de  receitas  ou  rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual;  a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão  indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de  despesas  por  falta  de  comprovação  ou  a  falta  de  declaração  de  algum  rendimento  recebido,  através  de  crédito  em  conta  bancária,  pelo  contribuinte,  daria  por  si  só,  margem  para  a  aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal,  ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as  infrações  tributárias, a exemplo  de:  passivo  fictício,  saldo  credor  de  caixa,  declaração  inexata,  falta  de  contabilização  de  receitas,  omissão  de  rendimentos  relativo  ganho  de  capital,  depósitos  bancários  não  Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 19          35 justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa  de despesas, etc.  Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a  multa qualificada somente será passível de aplicação quando se  revelar o evidente  intuito de  fraudar o  fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente  justificada e comprovada nos  autos, conforme se constata nos julgados abaixo:  Acórdão n.º 104­18.698, de 17 de abril de 2002:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  –  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  ­  JUSTIFICATIVA  PARA  APLICAÇÃO  DA  MULTA  ­  Justifica­se  a  exigência  da  multa  qualificada prevista no artigo 4°,  inciso  II, da Lei n° 8.218, de  1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430,  de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar  se  possuía  conta  bancária  no  exterior,  em  diversas  ocasiões,  faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de  impedir,  ou  no mínimo  retardar,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente  da  percepção  dos  valores  recebidos  e  que  transitaram  nesta  conta bancária não declarada.  Acórdão n.º 104­18.640, de 19 de março de 2002:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  FRAUDE ­ JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA ­  Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de  lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada  nos  autos.  Além  disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige­se que o  contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos  casos  definidos  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  n.º.  4.502,  de  1964.  A  falta  de  inclusão,  como  rendimentos  tributáveis,  na  Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a  crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte,  caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  art.  992,  inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo  Decreto n° 1.041, de 1994.  Acórdão n.º. 104­19.055, de 05 de novembro de 2002:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE ­ Qualquer circunstância que autorize a  exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista  como  regra  geral,  deverá  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada nos autos. Além disso,  para que a multa de 150%  seja aplicada, exige­se que o contribuinte tenha procedido com  evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  n.º.  4.502,  de  1964.  A  falta  de  esclarecimentos,  bem  como  o  vulto  dos  valores  omitido  pelo  contribuinte,  apurados  através  de  fluxo  financeiro,  caracteriza  falta  simples  de  Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   36 presunção  de  omissão  de  rendimentos,  porém,  não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  art.  992,  inciso  II  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  n°  1.041, de 1994.  Acórdão n.º. 102­45­584, de 09 de julho de 2002:   MULTA  AGRAVADA  –  INFRAÇÃO  QUALIFICADA  –  APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  utilizou­se  de  documentação  inidônea  a  fim  de  promover  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  e  considerando  que  estes  pagamentos  não  transitaram  pelas  contas  de  resultado  econômico  da  empresa,  vez  que,  seus  valores  foram  levados  e  registrados  em  contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza  o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo  inaplicável  à  espécie  a multa qualificada  de  que  trata  o  artigo  44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996  Acórdão n.º. 101­93.919, de 22 de agosto de 2002:   MULTA  AGRAVADA  –  CUSTOS  FICTÍCIOS  –  EVIDENTE  INTUITO DE  FRAUDE  –  Restando  comprovado  que  a  pessoa  jurídica utilizou­se de meios inidôneos para majorar seus custos,  do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação,  aplicável  é  a  penalidade  exasperada  por  caracterizado  o  evidente intuito de fraude.  Acórdão n.º. 104­19.534, de 10 de setembro de 2003:   DOCUMENTOS  FISCAIS  INIDÔNEOS  ­  MULTA  DE  LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO  POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  ­  No  lançamento  por  decorrência,  cabe  aos  sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram  efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de  recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À  utilização de documentos ideologicamente falsos ­” notas fiscais  frias “­, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente  intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de  150%,  conforme  previsto  no  art.  728,  inc.  III,  do  RIR/80,  aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980.  Acórdão n.º.104­19.386, de 11 de junho de 2003:   MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS  EM NOME DE  TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO  DE  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  DE  EMPRESA  DESATIVADA  ­  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  –  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  ­  JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA  –  Cabível  a  exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da  Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II,  da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido  com evidente  intuito de  fraude, nos  casos definidos nos artigos  71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas  bancárias  em  nome  de  terceiros  e/ou  em  nome  fictício,  devidamente,  comprovado  pela  autoridade  lançadora,  Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 20          37 circunstância agravada pelo  fato de não  terem sido declarados  na Declaração  de  Ajuste  Anual,  como  rendimentos  tributáveis,  os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja  origem  não  comprove,  somado  ao  fato  de  não  terem  sido  declaradas  na  Declaração  de  Bens  e  Direitos,  bem  como  compensação  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  de  imposto  de  renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com  inscrição  bloqueada  no  fisco  estadual,  caracterizam  evidente  intuito  de  fraude  nos  termos  do  art.  992,  inciso  II,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  n°  1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada.  Acórdão n.º. 106­12.858, de 23 de agosto de 2002:  MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência  de  comprovação  da  veracidade  dos  dados  consignados  nas  declarações  de  rendimentos  entregues,  espontaneamente  ou  depois  de  iniciado  o  procedimento  de  ofício,  implica  em  considerá­las  inexatas  e,  nos  termos  da  legislação  tributária  vigente,  autoriza  a  aplicação  da  multa  de  setenta  e  cinco  por  cento  nos  casos  de  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo.  Acórdão n.º. 101­93.251, de 08 de novembro de 2000:   MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  AGRAVAMENTO.  Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável  é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996.  É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e  os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata­ se  de  aplicar  uma  sanção  e,  neste  caso,  o  direito  faz  com  cautela,  para  evitar  abusos  e  arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido.   Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir  em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou  fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a  verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica.   Para um melhor deslinde da questão, impõe­se invocar o conceito de fraude  fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde­se o que determina o Regulamento do  Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos:  Art.  957  –  Serão  aplicadas  as  seguintes  multas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  do  imposto  devido,  nos  casos  de  lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º)  (...)  II  –  de  trezentos  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30  de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.”  Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   38 A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte:  Art. 71 – Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  –  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais;  II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal,  na  sua  natureza  ou  circunstância materiais.  Art.  72  ­  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do  imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  artigos 71 e 72.  O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte:  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de  junho de 2007)  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 15 de junho de 2007)  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa  física;  (Incluída  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007)  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 21          39 não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação  para:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho de 2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei  nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho  de 2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  “c”  com  nova  redação  pela  Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §  4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.   §  5º  Aplica­se  também,  no  caso  de  que  seja  comprovadamente  constatado dolo ou má­fé do contribuinte, a multa de que trata o  inciso  I  do caput  sobre:  (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de  junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d)   I ­ a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte  pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser  restituída  por  infração à  legislação  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010,  art. 139, inc I, d).   Como se vê,  a  fraude  se  caracteriza  em  razão de uma ação ou omissão,  de  uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública,  num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses  casos,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional,  específico,  de  causar  dano  à  fazenda  pública,  onde  se  utilizando  subterfúgios  se  esconde  à  ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária.   Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação,  uma  vez  comprovadas  estas  e  por  decorrência  da  natureza  característica  desses  tipos,  o  legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”.  Como se vê, exige­se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar  a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria  tributável,  quer  pela  exclusão  ou modificação  das  características  essenciais  do  fato  gerador,  com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável  nos  casos  de  presunção  simples  de  omissão  de  rendimentos  /  receitas  ou mesmo  quando  se  tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato.  Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   40 No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu  presente,  ipso  facto,  o  “intuito  de  fraude”.  E  nem  poderia  ser  diferente,  já  que  por  mais  abrangente  que  seja  a  descrição  da  hipótese  de  incidência  das  figuras  tipicamente  penais,  o  elemento de culpabilidade, dolo, sendo­lhes inerente, desautoriza a consideração automática do  intuito de fraudar.   Quando  a  lei  se  reporta  à  evidente  intuito  de  fraude  é  óbvio  que  a  palavra  intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de  seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente,  já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já  denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual,  finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem  em vista ao agir.  O  evidente  intuito  de  fraude  floresce  nos  casos  típicos  de  adulteração  de  comprovantes,  adulteração  de  notas  fiscais,  conta  bancária  em  nome  fictício,  falsidade  ideológica,  notas  calçadas,  notas  frias,  notas  paralelas,  etc.,  conforme  se  observa  na  jurisprudência abaixo:  Acórdão CSRF/01­04.917, 13 de abril de 2004:  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  APLICAÇÃO  ­  No  caso  de  lançamento de ofício  será aplicada multa  calculada  sobre o  crédito  tributário  apurado,  no  percentual  de  150%,  quando  caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado,  em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e  fatos revelados nos autos do processo.  Acórdão n.º. 103­12.178, de 17 de março de 1993:  CONTA  BANCÁRIA  FICTÍCIA  –  Apurado  que  os  valores  ingressados  na  empresa  sem  a  devida  contabilização  foram  depositados  em  conta  bancária  fictícia  aberta  em  nome  de  pessoa  física  não  encontrada  e  com  movimentação  pelas  representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão  de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada  de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80.  Acórdão n.º. 101­92.613, de 16 de fevereiro de 2000:  DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS  INEXISTENTES  OU  BAIXADAS  –  Os  valores  apropriados  como  custos  ou  despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas  inexistentes,  baixadas,  sem prova efetiva de  seu pagamento,  do  ingresso  das mercadorias no  estabelecimento  da  adquirente  ou  seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo  legítima a  aplicação  da  penalidade  agravada  quando  restar  provado  o  evidente intuito de fraude.  Acórdão n.º. 104­14.960, de 17 de junho de 1998:  DOCUMENTOS  FISCAIS  A  TÍTULO  GRACIOSO  –  Cabe  à  autuada demonstrar  que  os  custos/despesas  foram  efetivamente  suportados,  mediante  prova  de  recebimento  dos  bens  e/ou  serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de  documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos,  Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 22          41 eis  que  os  serviços  não  foram  prestados,  para  comprovar  custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa  qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80.  Acórdão n.º. 103­07.115, de 1985:   NOTAS  CALÇADAS  –  FALSIDADE  MATERIAL  OU  IDEOLÓGICA – A nota  fiscal calçada é um dos mais gritantes  casos  de  falsidade  documental,  denunciando,  por  si  só,  o  objetivo  de  eliminar  ou  reduzir  o montante  do  imposto  devido.  Aplicável a multa prevista neste dispositivo.  Acórdão n.º. 104­17.256, de 12 de julho de 2000:   MULTA  AGRAVADA  –  CONTA  FRIA  –  O  uso  da  chamada  ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis,  caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a  penalidade exacerbada.  É  de  se  ressaltar,  que  não  basta  que  atividade  seja  ilícita  para  se  aplicar  à  multa  qualificada,  deve  haver o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  a  tributação  independe da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título.  Assim,  entendo  que,  no  caso  dos  autos,  não  se  percebe,  por  parte  do  contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que  o  suplicante  não  logrou  comprovar  a  não  tributação  dos  valores  questionados,  bem  como  deixou de lançar rendimentos em suas declarações de imposto de renda em valores expressivos  e  de  forma  continuada,  para  mim  caracteriza  motivo  de  lançamento  de  multa  simples  sem  qualificação.   Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento  de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal  de 75%.  Por fim, se faz necessários tecer algumas considerações sobre as penalidades  aplicadas.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   42 Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 23          43 administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  (...).  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal  e,  por não  constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em  lei  é  inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  De  qualquer  forma,  há  que  se  esclarecer  que  o  Imposto  Renda  da  Pessoa  Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levando­se  em  consideração  aos  rendimentos  tributáveis  auferidos  e  em  razão  do  valor  é  enquadrada  Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN   44 dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito  passivo da obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Da  mesma  forma,  não  vejo  como  se  poderia  acolher  o  argumento  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como  juros  de  mora  sobre  o  débito  exigido  no  presente  processo  com  base  na  Lei  n.º  9.065,  de  20/06/95,  que  instituiu  no  seu  bojo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia de Títulos Federais (SELIC).  É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento,  que  quanto  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a  lei,  não  seria  razoável  que  subordinados,  na  escala  hierárquica  administrativa,  considerasse  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.   Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10825.720828/2011­07  Acórdão n.º 2202­01.882  S2­C2T2  Fl. 24          45 Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as  considerações  expostas  no  exame  da  matéria  e  por  ser  de  justiça,  voto  no  sentido  de,  desqualificando  a  multa  de  ofício,  acolher  a  arguição  decadência  suscitada  pela  Recorrente  para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao  ano­calendário  de  2005  e  rejeitar  as  demais  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  dar  provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao percentual  de 75%.  (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann                              Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por NELSON MALLMANN

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4872232 #
Numero do processo: 10611.000291/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 134          1 133  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10611.000291/2001­91  Recurso nº              Resolução nº  3201­000.329  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  23/05/2012  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  VITEK CONSULTORIA LTDA .  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    Acordam  os  membros  do  colegiado,   ACORDAM  os  membros  da  2ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  TERCEIRA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do  relator.    MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente    LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES ­ Relator.  EDITADO EM: 26/06/2012  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Mara  Regina  Sefuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel mariz  Gudiño.    Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  relativos  ao  contencioso,  adoto  o  relato  do  órgão  julgador de primeira instância até aquela fase:  Contra  o  Sujeito  Passivo  acima  identificado  foi  lavrado  Auto  de  Infração do Imposto de Importação (II), fls. 01/04, para formalização e     Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10611.000291/2001­91  Resolução n.º 3201­000.329  S3­C2T1  Fl. 135          2 cobrança  do  crédito  tributário  nele  estipulado  no  valor  total  de  R$  3.890,46, inclusive encargos legais.  As  infrações apuradas pela  fiscalização e relatadas na Descrição dos  Fatos  e Enquadramento Legal,  fls.  02  e  no Relatório  de Ação Fiscal  (fls. 06/14), foi, em síntese, a seguinte:  Através das DI’s nos 96/002916/008, o contribuinte importou 03 (três)  unidades de Analisadores de Espectro de Freqüência (Analisadores de  Máquinas)  no  modelo  A190OR,  com  acessórios  classificando­os  na  posição  9030.89.20  da  TEC,  com  alíquota  de  0% para  o  Imposto  de  Importação e isenção para o Imposto sobre Produtos Industrializados,  conforme documentos de importação, folhas 15 a 29.  A  fiscalização  entendeu  que  a  correta  classificação  tarifária  para  os  citados  equipamentos  é  o  NCM  9031.80.90,  com  alíquotas  do  II  de  18%.  Segundo entendimento da fiscalização, os equipamentos declarados, de  acordo  com  as  especificações  contidas  nos  catálogos  técnicos  do  próprio  fabricante,  além  das  informações  prestadas  na  Fatura  Comercial,  tratavam de um "Analisador de Vibração" adequado para  monitorar  vibrações  mecânicas  em  máquinas  e  fazer  a  análise  de  freqüência destas vibrações.  Argumenta que não cabe a posição adotada pelo contribuinte ­ "9030  osciloscópios,  analisadores  de  espectro  e  outros  instrumentos  e  aparelhos para medida ou controle de grandezas elétricas,..." ­ pois as  mercadorias em referência destinam­se ao monitoramento de vibrações  mecânicas  em  máquinas,  sendo  que  "vibração"  não  se  trata  de  grandeza elétrica.  Afirma, ainda, que a NESH, com relação aos analisadores de espectro  da posição 9030, especifica:  "Os  analisadores  de  espectro  são  aparelhos  que  identificam  os  diferentes componentes do espectro de freqüências de um sinal elétrico.  Permitem principalmente a análise das grandezas elétricas"  (grifo da  fiscalização)  Assim,  entende,  que  os  analisadores  e  medidores  possíveis  de  serem  enquadrados na posição 9030 são apenas aqueles destinados a medir,  controlar,  identificar  e  analisar  grandezas  elétricas.  Como  as  mercadorias  importadas  no  caso  destinam­se  ao  monitoramento  e  análise  de  vibrações  mecânicas  em  máquinas,  não  se  enquadram  na  posição 9030.  Por  conta  da  aplicação  do  disposto  nas  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado,  que  regem  a  classificação  tarifária das mercadorias na Nomenclatura, utilizou a Regra nº 1 que  determina: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas  valor indicativo. Para os efeitos  legais, a classificação é determinada  pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo e, desde  que  não  sejam  contrárias  aos  textos  das  referidas  posições  e  Notas,  pelas regras seguintes."  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10611.000291/2001­91  Resolução n.º 3201­000.329  S3­C2T1  Fl. 136          3 E,  complementarmente,  pela  aplicação  da  Regra  nº  6  que  diz:  "A  classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é  determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das  Notas  de  subposições  respectivas,  assim  como,  'mutatis  mutandis',  pelas  regras precedentes,  entendendo­se que apenas  são comparáveis  subposições do mesmo nível. Para os  fins da presente regra, as notas  de  Seção  e  de Capítulo  são  também aplicáveis,  salvo  disposições  em  contrário".  Assim,  como  não  existe  posição  específica  para  este  aparelho,  ele  deverá ser classificado na posição residual 9031.  Segundo a NESH da posição 9031, temos:  "I ­ Instrumentos, aparelhos e máquinas de medida ou de controle:  (...)  Podem citar­se.­  18)  Os  aparelhos  para  detecção  de  vibrações,  de  alongamento,  oscilações,  trepidações  ou  acelerações  (para,  conforme  os  casos,  máquinas, pontes, barragens, etc..) " (grifos da fiscalização ).  Dentro  da  posição  9031,  aplicando­se  a RGI  nº  6,  o  equipamento  se  enquadra  na  sub­posição  9031.80.  Dentro  da  sub­posição,  aplicando­se  a  RGC  nº  1,  teremos  9031.80.90  ­  outros  instrumentos,  aparelhos e máquinas ­ outros.  O Auditor­Fiscal para corroborar a classificação fiscal adotada citou  dois  despachos  homologatórios  efetuados  pela  COSIT  para  equipamentos similares:  ­ DH Cosit 48/95: "Aparelho para medição de vibração em máquinas,  estruturas  e  veículos,  denominado  comercialmente  Acelerômetro  ­  Código TEC 9031.80.90"  ­  DH  Cosit  47/95:  "Instrumento  de  acompanhamento  contínuo  dos  movimentos  de  orbitação  e  posição  axial  dos  rotores,  e  outros  parâmetros  associados  ao  desempenho  das  máquinas  e  de  seus  elementos,  denominado  comercialmente  Monitor  de  vibrações  –  Código TEC 9031.80.90"  Ciente da exigência fiscal em 22/02/2001 (fl. 01), a autuada apresentou  tempestivamente,  em  21/03/2001,  a  Impugnação  de  fls.  47/57,  onde  alega preliminarmente que, anteriormente, a empresa  já  fora autuada  sobre  o  mesmo  tema  e  fundamento  de  reclassificação  tarifária  de  idênticos  equipamentos,  cuja  ação  à  época  foi  considerada  improcedente por Decisão DRJ­BHE.  Em síntese, as alegações da interessada assim se apresentam:  1.  Deve  ser  anulado  o  auto  de  infração  que  refaz  exigência  ao  contribuinte  cujo  tema  e  fundamento  de  reclassificação  tarifária,  de  idênticos  equipamentos,  já  foi  objeto  de  apreciação  conforme  se  depreende da Decisão DRJ­BHE nº 11170.2019/95­41, às fls. 61/64;  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10611.000291/2001­91  Resolução n.º 3201­000.329  S3­C2T1  Fl. 137          4 2.  Conforme  a  citada  decisão,  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  reproduzem  com  total  fidelidade  as  funções  desempenhadas  pelos  analisadores  de  espectro  modelo  A1900R,  assunto do presente litígio, quando assim dispõe:  "Os  analisadores  de  espectro  são  aparelhos  que  identificam  os  diferentes componentes do espectro de freqüências de um sinal elétrico.  Permitem  principalmente  a  análise  de  grandezas  elétricas.  Estes  aparelhos podem ser utilizados para a análise de radiações ionizantes,  de  ondas  sonoras  ou  qualquer  outro  fenômeno  não  elétrico  quando  utilizados em conexão com um detector de radiações ou qualquer outro  dispositivo apropriado que permita captar as grandezas não elétricas e  convertê­las em sinais elétricos".  3.  A  posição  tarifária  9031.8090  proposta  pela  fiscalização,  para  os  equipamentos  em  tela,  contraria  a  norma  legal,  privilegia  a  posição  mais genérica em detrimento da específica;  4. O art.  100,  II  do CTN determina  que  são  normas  complementares  das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos as  decisões  dos  órgãos  singulares  ou  coletivos  de  jurisdição  administrativa,  a  que  a  lei  atribua  eficácia  normativa.  No  caso  dos  autos, além de contrariar expressa disposição legal constante de Regra  Geral  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado,  a  Fiscalização  contraria  deliberação  da  DRJ  ­  Belo  Horizonte  e  a  determinação  categórica do Código Tributário Nacional.  5. No caso em questão, a autoridade  fiscal não só contraria expressa  disposição  legal  contida  na  Regra  Geral  para  a  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  como  também  a  decisão  administrativa  e  a  determinação categórica do Código Tributário Nacional;  6.  A  intempestiva  reclassificação  fiscal  realizada  pela  autoridade  administrativa modifica seu próprio critério jurídico e contraria norma  legal  aplicável,  fato  já  reconhecido  e  combatido  pelos  tribunais  superiores;  7.  O  art.  447  do  Regulamento  Aduaneiro  aprovado  pelo  Decreto  nº  91.030/85 dispõe que: Eventual exigência de crédito tributário relativo  a  valor  aduaneiro,  classificação  ou  outros  elementos  do  despacho  deverá  ser  formalizada  em  5  (cinco)  dias  úteis  do  término  da  conferência;  8. Contrariando disposto acima e, após 5 (cinco) anos, o representante  do fisco modifica os critérios jurídicos utilizados à época e deduz que o  mencionado equipamento merece nova classificação, que ocasionará o  pagamento da diferença de  tributos bem como multas  e  juros. Assim,  entende, que a reclassificação ora proposta é uma clara violação da lei  e  evidente  modificação  dos  critérios  jurídicos  adotados  pela  Administração  Tributária,  fato  veementemente  combatido  pelos  tribunais  superiores  do  Brasil,  inclusive  pelo  STF.  Transcreve  acórdãos judiciais;  9. Anexa aos autos Decisão DRJ­BHE nº 11170.2019/95­41, cópia de  laudo técnico produzido em 1995, dois novos laudos técnicos versando  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10611.000291/2001­91  Resolução n.º 3201­000.329  S3­C2T1  Fl. 138          5 sobre  o  equipamento  objeto  da  lide,  elaborados  em 03  de  janeiro  de  2001 e em 14 de março de 2001.  Ante  o  exposto,  requer  o  integral  cancelamento  do Auto  de  Infração  com seu conseqüente arquivamento.  Posteriormente,  por  determinação  da  DRJ­BHE  (fls.  83/84)  foi  solicitada  à  repartição  fiscal  preparadora  que  providenciasse  a  realização  de  diligência  junto  à Reclamante,  para  elaboração  de  um  Laudo  Técnico  acerca  das mercadorias  importadas. Assim  sendo,  foi  solicitada  a  perícia  por  meio  do  Pedido  de  Assistência  Técnica  (fls.  87/89) e elaborado o Laudo Técnico (fis. 90/96) pelo engenheiro Flávio  H. Vasconcelos da Fundação Christiano Ottoni.  Em  31/07/2002,  a  Interessada  apresenta  documentos  (fis.125/149),  elaborado pelo seu diretor técnico engenheiro Bendt Lasse Hansen, em  complemento à sua Impugnação inicial.  Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento  de  Fortaleza/CE  deferiu  o  pleito  da  recorrente,  conforme  Decisão  DRJ/FOR  n.º  12.577,  de  21/12/2007:  Assunto: Classificação de Mercadorias  Ano­calendário: 1996  CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA.  Sistema Analisador de Espectro de Freqüência para Monitoramento de  Vibrações  em Máquinas  classifica­se  no  código  9031.80.90  da  TEC,  com  base  nas  RGI  1ª  a  6ª  (textos  da  posição  9031),  com  os  esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado.  Trata­se de  instrumento que executa funções características de vários  outros  instrumentos  convencionais.  A  maior  parte  de  sua  funcionalidade não é encontrada em um analisador de espectro.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 1996  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.   As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se  constituem  em  normas  gerais,  posto  que  inexiste  lei  que  lhes  atribua  eficácia  normativa,  razão  pela  qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão  àquela  objeto  da  decisão.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 1996  NULIDADE.   Somente a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de  defesa são vícios insanáveis que conduzem a nulidade.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10611.000291/2001­91  Resolução n.º 3201­000.329  S3­C2T1  Fl. 139          6 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Tendo o sujeito passivo ingressado com impugnação, demonstrando de  forma  inequívoca  seu  pleno  conhecimento  do  procedimento  fiscal,  contra  o  qual  exerceu  o  mais  amplo  direito  de  defesa,  não  pode  prosperar a pretensa nulidade do lançamento.  Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário.  Iniciado o julgamento, o processo foi convertido em diligência.  Retornado  o  processo  da  diligência,  é  novamente  colocado  em  pauta  para  julgamento.    É o relatório.  Voto   Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes  Como verificamos neste processo, foi convertido o processo em diligência para:  fiscalização.  Assim, não se podendo decidir por esta ou aquela classificação e  que  nos  termos  do  Decreto  n°  70.235/72  e  para  minha  livre  convicção,  sugiro  que  baixe  em  diligência  junto  ao  Instituto  Nacional  de Tecnologia­INT,  para  emissão  de novo  laudo,  com  os devidos esclarecimentos, pelos motivos abaixo:  a)  para  identificar  qual  a  função  principal  do  produto  ora  em  debate;  b)  para  informar  qual  a  utilização  que  a  recorrente  dá  ao  referido produto;  c) para informar se o produto importado, na composição em que  o  foi, poderia medir,  controlar,  identificar e analisar grandezas  elétricas ou apenas monitorar vibrações mecânicas, ou ambas.  Ainda,  deve  a  autoridade preparadora  informar  qual  o  canal  a  que a mercadoria objeto deste processo foi submetida quando do  desembaraço.  Ocorre que, conforme informa o INT, em 06/07/2011, a perícia não foi realizada  porque,  após  contatos  realizados,  não  obteve  êxito  em  agendar  a  sua  realização  com  o  contribuinte.  Entretanto, não há prova nos autos desta situação.  Ressalto  que  não  se  está  duvidando  da  explanação  do  INT,  pelo  contrário,  entende­se  de  que  deve  haver  prova  desta  situação,  para  evitar  eventual  alegação  de  cerceamento do direito de defesa do contribuinte.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10611.000291/2001­91  Resolução n.º 3201­000.329  S3­C2T1  Fl. 140          7 Assim, entendo que o INT deve estabelecer uma data e hora para a realização da  perícia e informar o contribuinte, através de carta AR.  No caso de negativa deste, que seja juntada a mesma aos autos e devolvido para  julgamento.  Desta feita, entendo deva ser baixado novamente em diligência o processo para  que o INT proceda à diligência anteriormente requerida, que consiste:  a) na identificação de qual a função principal do produto ora em debate;  b) na informação de qual a utilização que a recorrente dá ao referido produto;  c) na informação se o produto importado, na composição em que o foi, poderia  medir,  controlar,  identificar  e  analisar  grandezas  elétricas  ou  apenas  monitorar  vibrações  mecânicas, ou ambas.  Informo  ainda  que  deve  ser  repassada  a  data  e  hora  ao  contribuinte  para  a  referida realização da diligência, por AR , com prazo não inferior a 15 dias do recebimento, e,  no caso de nova negativa, deve ser juntado aos autos termo circunstanciado da negativa.  Ressalto que a autoridade preparadora informar qual o canal a que a mercadoria  objeto deste processo foi submetida quando do desembaraço.  Realizada a diligência,  deverá  ser dado vista  ao  recorrente para  se manifestar,  querendo, pelo prazo de 30 dias.  Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da perícia realizada.  Realizados os procedimentos, devem os autos  retornar a este Conselheiro para  fins de julgamento.  Sala de sessões, 23 de maio de 2012.    Luciano Lopes de Almeida Moraes ­ Relator  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES

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Numero do processo: 16327.720390/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO NA CAPTULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa nula a autuação por suposto erro na identificação da fundamentação legal ao se verificar que a contribuinte identificou com precisão as imputações fiscais, desenvolvendo a contento seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando-se na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dá-se com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1o., IV, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1301-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada ; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que apresentou Declaração de voto; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa SELIC. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     2 Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de  meio  e  fim,  ou  de  parte  e  todo,  sendo  assim,  a  obrigatoriedade  do  recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou  base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a  sua não observância  enseja  a aplicação da penalidade prevista no  art.  44,  §  1o., IV, da Lei 9.430/96.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar  suscitada  ;  por  maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse  ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que  apresentou Declaração de voto;  por maioria  de  votos,  em negar  provimento  ao  recurso,  quanto  a  não  incidência de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  à  taxa  SELIC.  Vencido  nesse  ponto  o  Conselheiro  Wilson  Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%;  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso,  quanto  a  não  incidência  da  multa  isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula  Fernades  Junior  e  Valmir  Sandri.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  desse  ponto  o  Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.  (assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Redator  Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson  Fernandes Guimarães,  Paulo  Jakson  da  Silva Lucas, Valmir  Sandri,  Edwal  Casoni  de  Paula  Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 3          3   Relatório  Cuida­se  de Recurso Voluntário  interposto  contra  decisão  proferida  pela  1ª  Turma da DRJ em São Paulo/SP.  Consta  dos  autos  que  em  decorrência  de  ação  fiscal,  UNIBANCO  CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO S/A. e ITAÚ CORRETORA DE  VALORES  S/A,  CNPJ  nº  61.194.353/000164,  foram  autuadas  e  as  constatações  e  procedimentos  adotados  pela  Fiscalização  demonstram  a  implementação  de  glosa  de  custos,  ganho de capital,  ganhos  auferidos  na devolução de patrimônio  social  de  entidades  isentas  e  falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL – que provocaram o presente lançamento,  todos descritos no Relatório Fiscal de folhas 840 a 867.  Resumidamente, apurou a Fiscalização:  (i)  As  infrações  foram  praticadas  por  Unibanco  Investshop  –  Corretora  de  Valores Mobiliários  e  Câmbio  S/A,  cuja  denominação  social  foi  alterada  para UNIBANCO  CORRETORA  DE  VALORES  MOBILIÁRIOS  E  CÂMBIO  S/A  que,  por  sua  vez,  verteu  parcela do seu patrimônio para a empresa ITAÚ CORRETORA DE VALORES S/A, em razão  de  cisão  parcial  da  autuada,  decidida  em  assembleia  geral  extraordinária  realizada  em  30/06/2009,  cujos  documentos  foram  registrados  na  JUCESP  sob  o  nº  330.832/104  em  14/09/2010, razão pela qual esta responde solidariamente pelo crédito tributário, nos termos do  artigo 207, parágrafo único, inciso II do RIR/1999;  (ii) A  recorrente  alienou  6  títulos  patrimoniais  da Bovespa  para  a  empresa  Hedging­Griffo Corretora  de Valores S/A,  através  de Contrato  de  Instrumento  de Recibo  de  05/06/2006, CNPJ  61.809.182/000130,  em  05/06/2006,  pelo  valor  total  de R$  5.400.000,00,  sendo  que  a  contribuinte  não  reverteu  em  nenhum  momento  a  Reserva  de  Atualização  de  Títulos Patrimoniais – RATP desses títulos, cuja tributação estava diferida por força da Portaria  MF nº 785/1977;  (iii)  Ante  a  falta  de  comprovação  do  custo  de  aquisição  dos  6  títulos  vendidos, seu valor foi considerado como sendo R$ 0,00, e o valor de alienação passou a ser o  mesmo  do  ganho  de  capital  de  R$  5.400.000,00,  conforme  previsto  no  artigo  129,  VI  do  RIR/1999,  ao  qual  foi  adicionado  um  prejuízo  indevidamente  reconhecido  na  DIPJ  da  contribuinte de R$ 244.637,34;  (iv)  A  Bovespa  e  a  BM&F  decidiram  mudar  sua  forma  de  constituição,  passando  de  associação  civil  sem  fins  lucrativos  para  sociedade  com  finalidade  lucrativa,  ocorrendo  o  processo  de  desmutualização  dessas  entidades  em  (28/08/2007)  e  (01/10/2007),  respectivamente;  (v) Na  desmutualização  da  Bovespa  e  da  BM&F,  há  incidência  de  IRPJ  e  CSLL sobre a diferença entre o valor recebido a título de devolução do patrimônio da entidade  isenta e o valor originalmente entregue pelos associados para a formação desse patrimônio, nos  termos  dos  §§  3º  e  4º  do  art.  17  da  Lei  nº  9.532/97,  entendimento  fixado  na  Solução  de  Consulta Cosit nº 10/2007;  Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     4 (vi) Na apuração do ganho oriundo da substituição do  título patrimonial da  BOVESPA por ações da BOVESPA HOLDING S/A (processo de desmutualização), ou seja,  originado  da  devolução  do  patrimônio  da  Associação  Bovespa  ao  associado  Unibanco  Investshop, não foi comprovado o custo de aquisição dos títulos;  (vii) Na apuração do ganho oriundo da substituição dos  títulos patrimoniais  da  BM&F  por  ações  da  BM&F  S.A.  (processo  de  desmutualização),  ou  seja,  originado  da  devolução  do  patrimônio  da  BM&F  à  sua  associada  Unibanco  Investshop,  também  não  foi  comprovado  o  custo  de  aquisição  dos  títulos,  apurando­se  um  ganho  no  montante  de  R$  9.869.625,00;  (viii)  Verificou­se  que  a  contribuinte  vendeu  as  ações  da  BOVESPA  e  da  BM&F  recebidas  no  processo  de  desmutualização  para  Unicard  Banco  Múltiplo,  CNPJ  61.071.387/000161,  sendo  que  na  apuração  do  resultado  dessa  operação,  foi  glosado  R$  5.000,00  relativo  ao  custo  de  aquisição  das  ações  recebidas  em  troca  do  título  de  “sócio  efetivo”, que deveria ter sido registrado por R$ 10.000,00, e não, por R$ 15.000,00;  (ix) Foram lançadas multas isoladas de 50% sobre os valores de estimativas  de IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidas no mês de junho do ano­calendário de 2006,  sem incluir o ganho de capital proveniente da venda de 6 títulos patrimoniais da BOVESPA à  empresa  Hedging­Griffo,  no  valor  de  R$  5.400.000,00,  bem  como  sobre  os  ganhos  dos  processos  de desmutualização da BOVESPA e da BM&F e da  renda na  venda das  ações da  BM&F para Unicard, não incluídos nas apurações das bases de cálculo das estimativas mensais  dos meses de agosto, outubro e novembro de 2007;  (x) Foi lançada a multa de 75% incidente sobre o imposto não recolhido, por  força do disposto no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996; e,   (xi) As mesmas infrações fundamentaram a exigência da Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido, a teor do art. 28 da Lei n° 9.430/96.  Devidamente  notificadas  do  lançamento  em  14/04/2011  (fl.  867),  UNIBANCO  CORRETORA  DE  VALORES  MOBILIÁRIOS  E  CÂMBIO  S/A  e  ITAÚ  CORRETORA DE VALORES S/A,  representadas pelos mesmos advogados  (fls.  894  ­  911)  apresentaram impugnação ao feito em 16/05/2011 (fls. 869 ­ 893), oferecendo, em resumo, as  seguintes razões:  (a) Preliminarmente, o crédito tributário constituído é nulo, visto que, ao ser  informado  pelo  autuado  que  não  dispunha  de  documentos  que  indicassem  os  valores  de  aquisição  dos  títulos  patrimoniais  convertidos  em  ações  das  Bolsas,  a  autoridade  teria  “arbitrado”  o  valor  inicial  como  “zero”,  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  129,  VI  do  RIR/1999, que é aplicável às pessoas físicas;  (b)  Não  é  possível  a  analogia  prevista  no  artigo  108,  inciso  I  do  Código  Tributário Nacional, pois, de acordo com o seu próprio § 1º, seu emprego não poderá resultar  na exigência de tributo não previsto em lei e, portanto, demonstrado que a norma invocada pela  autoridade fiscal para considerar como “zero” o valor da aquisição dos títulos patrimoniais não  guarda correlação com a realidade fática, deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração;  (c)  No  mérito,  não  houve  a  extinção  das  associações,  que  justificaria  a  devolução de patrimônio e, via de consequência, a aplicação do artigo 17 da Lei n° 9.532/97,  mas  sim  mera  reestruturação  societária,  em  que  ocorreu  uma  cisão  parcial  das  bolsas  de  Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 4          5 valores,  sendo  o  patrimônio  cindido  incorporado  às  novas  sociedades  empresárias  e,  em  seguida, houve a substituição dos títulos patrimoniais dos associados por ações;  (d) No tocante a esse processo de desmutualização, é imperioso destacar que  tal fato ocorreu por fatores alheios à vontade das corretoras, ou seja, as corretoras associadas às  bolsas foram obrigadas a se adequar ao novo formato (substituição de títulos por ações), já que  para  ingressarem  na  bolsa,  deveriam,  necessariamente,  ser  detentoras  de  tais  títulos  patrimoniais e, para permanecerem, seus títulos foram trocados por ações.  (e) Considerando que houve mera troca dos títulos patrimoniais por ações –  as corretoras associadas da BOVESPA tiveram seus títulos patrimoniais substituídos por ações  da BOVESPA HOLDING S.A. e seus títulos da BM&F substituídos por ações da BM&F S.A  ocorreu, portanto,  apenas uma  troca de  ativos  sem  troco em dinheiro  e,  uma vez que ambos  possuem a mesma qualificação contábil, não há como se apurar diferenças de valores, passível  de tributação;  (f) O que se verifica na  situação em análise é que houve a continuidade do  mesmo  ativo,  só  que  com  outra  roupagem  jurídica,  em  razão  dos  efeitos  inerentes  à  incorporação, pois conforme previsto pelo artigo 229, § 3o da Lei n° 6.404/76, a operação de  cisão, seguida de incorporação, rege­se pelas regras relativas à incorporação de sociedades;  (g) Em momento algum houve acréscimo patrimonial sujeito à incidência do  IRPJ e da CSLL que somente ocorrerá quando da venda das ações recebidas em substituição  aos títulos patrimoniais;  (h)  A  atualização  dos  títulos  patrimoniais  é  determinada  pelo  Conselho  Monetário  Nacional,  mediante  previsão  no  Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema  Financeiro Nacional  – COSIF, Resolução BACEN 1.656/89  e Ofício Circular CVM 325/79,  sendo  contabilizado  a  débito  de  ativo  permanente  –  investimento  em  títulos  de  Bolsa,  e  a  crédito  de  conta  de  patrimônio  líquido,  Reserva  de  Atualização  de  Títulos  Patrimoniais  –  RATP,  sem  trânsito  pelo  Resultado  do  exercício,  representando  avaliação  dos  títulos  pelo  Método da Equivalência Patrimonial MEP;  (i) No mesmo sentido, o artigo 248 da Lei nº 6.404/1976 estabelece que os  títulos  patrimoniais  devem  ser  avaliados  pelo  método  da  equivalência  patrimonial  e  a  legislação fiscal estabelece a não incidência de IRPJ e, via de consequência, da CSLL sobre a  atualização dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, conforme previsto nos artigos 225,  388 e 289 do RIR/99;   (j)  A  Portaria  nº  785/77  do  Ministério  da  Fazenda,  citada  pelo  autuante,  estabelece que as atualizações dos  títulos patrimoniais, quando positivas, não estão sujeitas à  tributação pelo IRPJ;  (k)  A  própria  Receita  Federal  se  manifestou,  por  ocasião  do  primeiro  processo  de  desmutualização  ocorrido  no  Brasil,  no  sentido  de  que  a  atualização  do  valor  patrimonial  não  configurava  ganho  de  capital,  mediante  a  Solução  de  Consulta  nº  13/97,  reiterando a neutralidade tributária preconizada na Portaria MF 785/1977;  (l) Pautadas nessa orientação, que configuraria norma complementar,  a  teor  do  artigo  100  do  CTN,  as  corretoras  teriam  conferido  o  mesmo  tratamento  da  operação  realizada em 1997, à substituição de títulos patrimoniais na desmutualização ocorrida em 2007;  Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     6 (m) Entretanto, a Solução de Consulta nº 10/2007, de 26/10/2007 trouxe novo  posicionamento  que  considerou  ocorrido  ganho  de  capital  nesta  operação  e,  mesmo  que  se  admitisse  a  correção  desse  entendimento,  ele  não  poderia  resultar  em  exigência  do  IRPJ  e  CSLL para  o  ano­calendário  de  2007,  porque  representaria mudança  de  critério  jurídico  que  somente  poderia  produzir  efeitos  a  partir  do  ano­calendário  subsequente,  em  respeito  ao  disposto no artigo 146 do CTN;  (n) Também não  procede  a  tributação  incidente  sobre  a  operação  de venda  dos  6  títulos  patrimoniais  para  a  empresa  Hedging­Griffo,  ocorrida  antes  do  processo  de  desmutualização, pois a  intenção da autoridade  fiscal  foi  tributar a atualização dos  títulos no  decorrer  dos  anos,  que,  conforme  já  demonstrado,  não  deve  ser  tributada,  tendo  em  vista  o  efeito de neutralidade fiscal previsto nas normas que regem a equivalência patrimonial;  (o) Ademais, a Fiscalizada apurou efetivo prejuízo na operação, pois o valor  da  venda  de  referidos  títulos  foi  menor  que  o  valor  registrado  contabilmente  na  data  da  alienação;  (p) O fundamento para exigência da multa isolada foi o recolhimento a menor  de  estimativas mensais  de  IRPJ  e  CSLL  que  não  são mais  exigíveis  depois  de  encerrado  o  período de apuração desses tributos, já que prevalece a exigência do valor efetivamente devido  ao final do exercício (ajuste anual);  (q)  Ademais,  não  seria  possível  a  aplicação  de  multa  isolada,  prevista  no  artigo  44,  inciso  II,  alínea b,  da  Lei  9.430/96,  cumulada  com  a multa  de  ofício,  prevista  no  artigo  44,  inciso  I,  da  Lei  9.430/96,  pois  representaria  dupla  incidência  sobre  a  mesma  materialidade, na medida em que o valor do pagamento mensal é exatamente a  totalidade ou  diferença  do  tributo  incluído  pela  autoridade  fiscal  no  cálculo  do  ajuste  anual,  consoante  jurisprudência administrativa, cujos excertos colaciona;  (r) Não é cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois o  § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 prevê que os juros de mora incidem tão somente sobre  débitos  (tributos)  afastando­se  sua  aplicação  sobre  a multa de mora  e,  da mesma  forma, não  caberia aplicar  tais  juros  sobre a multa de ofício, os quais,  se devidos, deveriam se  limitar a  1%;  A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas  962  a  1005,  julgou  procedentes  as  imputações  fiscais  assentando,  resumidamente,  que  na  hipótese de os esclarecimentos necessários para fins de apuração de ganho de capital deixarem  de ser prestados pelo contribuinte, ou serem insatisfatórios, com respeito ao custo de aquisição  de determinado ativo, no caso, títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F adquiridos por  sociedades  corretoras  associadas,  a  atribuição  de  valor  “zero”  ao  ativo  não  configura  arbitramento, mas mera  observância  do  comando  legal  contido  no  artigo  79  do Decreto­Lei  5.844/43,  que  permite  à  autoridade  fiscal  efetuar  o  lançamento  do  imposto  com  base  nas  informações de que disponha.  Quanto  ao mérito  das  imputações  fiscais,  assentou  a  decisão  recorrida  que  sujeita­se à incidência do imposto de renda, computando­se na determinação do lucro real do  exercício,  a  diferença  entre  o  valor  dos  bens  e  direitos  recebidos  de  instituição  isenta,  por  pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens  e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio, a exemplo do que  teria ocorrido nos autos.  Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 5          7 No mais, entendeu­se cabível aplicação de multa  isolada decorrente de falta  de  pagamento  de  estimativas  mensais  de  imposto  de  renda  concomitantemente  com  multa  proporcional motivada pelo não pagamento do imposto devido ao final do período de apuração  anual,  haja  vista  cuidarem  de  hipóteses  de  incidência  tributária  distintas  e  aduziu­se  que  modificado  o  quadro  normativo  de  referência  de  determinada  orientação  fiscal  dada  em  Solução de Consulta, não configura alteração de critério jurídico, nos termos do artigo 146 do  CTN, o fato de tal orientação ser modificada posteriormente em outra Solução de Consulta, no  caso,  tendo por  fundamento dispositivo  legal novo, o artigo 17 da Lei 9.532/97, que prevê a  incidência do IRPJ sobre o ganho de capital apurado por ocasião de devolução de patrimônio  de entidade isenta para associado.  Concluiu  também,  que  a multa  de  ofício,  sendo parte  integrante  do  crédito  tributário,  está  sujeita  à  incidência  dos  juros  de  mora  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequente ao do vencimento e que os créditos tributários vencidos e ainda não pagos devem  ser  acrescidos  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia (Selic).  Cientificada  da  decisão  desfavorável,  a  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário,  reiterando  a  preliminar  de  nulidade  e,  no mérito,  por  igual  turno,  reprisando  os  argumentos sustentados em sede de Impugnação, todos já devidamente relatados.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  suas  Contrarrazões,  afirmando o acerto da decisão impugnada.  É o relatório.  Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     8   Voto Vencido  Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  dotado  dos  pressupostos  genéricos  de  recorribilidade. Admito­o para julgamento.  De  início  convém  afastar­se  a  preliminar  de  nulidade  invocada  pela  recorrente,  porquanto  o  suposto  equívoco  na  fundamentação  da  capitulação  do  arbitramento,  utilizando­se o dispositivo aplicável às pessoas físicas, não importou qualquer prejuízo à defesa  da  recorrente,  que  identificou  com  exatidão  as  imputações  fiscais  e  pode  desenvolver  a  contento suas teses defensivas.  Quanto ao mérito, trata­se na espécie, resumidamente, de autuação acerca do  processo de desmutualização das Bolsas de Valores,  assim compreendidos os procedimentos  pelos  quais  se  levou  a  efeito  diversas  alterações  societárias  que modificaram  a  estruturação  jurídica das Bolsas de Valores, e a Fiscalização reputa que a  recorrente deixou de recolher o  IRPJ  e  a  CSLL  incidentes  na  alienação  de  título  patrimonial  da BOVESPA  e  que  omitiu  a  tributação incidente sobre a atualização de títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F.  A  Fiscalização,  bem  como  a  recorrente  e  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  nos  arrazoados  que  apresentaram,  bem  cuidaram  de  delinear  em  que  consistiu  o  processo de desmutualização das bolsas de valores, sendo que estas, falo das bolsas de valores,  nos  termos  da  Lei  nº  6.385/76,  ostentam  a  posição  de  órgão  integrante  do  sistema  de  distribuição  de  valores  mobiliários  (art.  15,  IV),  bastando  referir,  para  que  se  entenda  o  processo de desmutualização, que em sua constituição originária detinham natureza jurídica de  Associações sem Fins Lucrativos e assim o foi até o ano de 2007, quando então se alterou o  regime jurídico das bolsas de valores.  Enquanto  existiram  como  “associações  sem  fins  lucrativos”,  as  bolsas  de  valores  emitiram  títulos  representativos  do  seu  patrimônio,  sendo  condição  inarredável  para  “operar”  no  mercado  financeiro,  melhor  dizendo,  às  operações  nas  bolsas  de  valores,  ser  detentor dos apontados títulos.  Sabidamente,  dado  a  natureza  jurídica distinta,  bem como  a destinação  das  bolsas  de  valores,  estas  dispunham  de  tratamento  tributário  diferenciado, mas,  sem  prejuízo  disso,  as  bolsas  de  valores  aprovaram  o  que  se  chamou  de  processo  de  desmutualização,  acarretando  a  extinção  das  “associações  sem  fins  lucrativos”  com  a  conversão  dos  títulos  patrimoniais dos associados, a exemplo da recorrente, em ações ordinárias da Bovespa Holding  S.A. e da BM&F S.A.  A Fiscalização  reputa,  em  resumo, que a extinção das associações  sem fins  lucrativos,  irradiou a aplicação do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, de sorte que tendo havido  devolução de patrimônio de pessoa isenta, o constatado ganho haveria de ser tributado.  A  recorrente,  por  seu  turno  sustenta  ter  havido  mera  cisão  parcial  e  incorporação no processo de desmutualização das bolsas, ou seja, teria ocorrido a cisão parcial  do  patrimônio  das  antigas  associações  e  a  incorporação  da  parcela  cindida  em  novas  sociedades, situação que obstaria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, porquanto  não teria havido qualquer devolução de patrimônio.  Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 6          9 Antes mesmo de seguir­se com os demais fundamentos, convém reproduzir o  referido artigo, in verbis:  Art. 17. Sujeita­se à  incidência do  imposto de renda à alíquota  de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o  valor  dos  bens  e  direitos  recebidos  de  instituição  isenta,  por  pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em  dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para  a formação do referido patrimônio.  § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicam­se  as normas do inciso I do art. 17. da Lei nº 9.249, de 1995.  § 2º O imposto de que trata este artigo será:  a) considerado tributação exclusiva;  b)  pago  pelo  beneficiário  até  o  último  dia  útil  do  mês  subseqüente ao recebimento dos valores.  § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens  e  direitos  devolvidos  for  pessoa  jurídica,  a  diferença  a  que  se  refere o caput será computada na determinação do lucro real ou  adicionada  ao  lucro  presumido  ou  arbitrado,  conforme  seja  a  forma de tributação a que estiver sujeita.  § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  a  pessoa jurídica deverá computar:  a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento  do imposto de renda com base no lucro real;  b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos,  se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado.  Conquanto não se tenha formado uma jurisprudência sólida no âmbito deste  CARF,  entendo  que  na  espécie  a  decisão  recorrida  conferiu  correta  interpretação  aos  fatos  sucedidos e não está, portanto, a merecer qualquer reforma.  Não me parece legítimo concluir, por tudo quanto já se relatou nestes autos e  pelo  que  se  sabe  do  processo  de  desmutualização  das  Bolsas  de  Valores,  ter  havido  cisão  parcial  e  posterior  incorporação  sem  qualquer  devolução  de  patrimônio  de  sociedade  isenta,  contrário disso, não sobram dúvidas de que a desmutualização alterou de tal modo a situação  jurídica, que atraiu para a espécie a incidência do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, porquanto em  momento ao processo, a recorrente participava de uma entidade isenta, que não podia distribuir  resultados e era participante por exigência da legislação, pois lhe era impossível o exercício de  sua atividade em caso contrário. Com a desmutualização, a recorrente recebeu da BM&F e da  Bovespa, cotas do capital social, na forma de devolução de capital social.  Como bem descrito no termo de verificação fiscal e reafirmando pela decisão  impugnada, os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de  aquisição,  pois  nunca  estiveram  as  sociedades  corretoras  autorizadas  a  avaliar  tais  cotas  ou  frações ideais pelo Método de Equivalência Patrimonial, mas, sim, autorizados pela Portaria nº  785/1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das  Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     10 cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores  para  o  momento  em  que  houvesse  a  redução  do  capital  ou  até  mesmo  a  extinção  dessas  associações.  Como  bem  reconheceu  a  decisão  recorrida,  o  embate  que  se  trava  nestes  autos coincide com o que  tratado no âmbito da Receita Federal  do Brasil, pela Coordenação  Geral de Tributação por meio da Decisão Cosit nº 13/1997, que, numa primeira interpretação,  reconheceu a aplicação do Método de Equivalência Patrimonial – MEP para avaliar os títulos  patrimoniais  representativos  da  participação  das  corretoras  no  capital  das  Bolsas,  que  eram  instituições  isentas,  admitindo  a  neutralidade  dos  seus  efeitos  quanto  à  tributação,  o  que,  segundo a recorrente acolheria sua tese e seria aplicável ao presente caso.  Mas,  como  referido  acima,  a  despeito  do  posicionamento  da  COSIT  supramencionado, o que se imputa à recorrente é que, em momento posterior à Decisão 13/97,  foi promulgada, em 10/12/1997, a Lei 9.532 que, em seu artigo 17, afastou a eficácia daquele  entendimento  porque  previu,  no  caso  de  devolução  de  patrimônio,  a  tributação  do  valor  de  atualização  do  investimento  no  patrimônio  de  instituição  isenta,  representado  pelo montante  que excede o custo histórico do investimento, situação que esvazia o argumento de que se teria  mudado o entendimento fiscal sem alteração do critério jurídico.  Importante também salientar que os títulos representativos do patrimônio das  Bolsas  eram  contabilizados  na  conta  de  ativo  permanente  das  corretoras,  ficando  sujeitos  às  atualizações periódicas de acordo com as informações fornecidas pela BM&F e pela Bovespa,  decorrentes do engrandecimento do patrimônio das Bolsas.  Essas atualizações eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos citados  ativos, em contrapartida à sub­conta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", dentro da  conta "reserva de capital", que compõe o patrimônio liquido das corretoras de acordo com as  orientações contidas no COSIF — Plano Contábil das Instituições Financeiras, Capitulo 1, item  11, sub item 3, § 3º;  A  Portaria  MF  n°  785/1977  conferiu  neutralidade  tributária  aos  referidos  acréscimos  do  valor  desses  títulos,  enquanto  mantidos  no  ativo  de  seus  detentores.  Assim  disposto:   I  ­"Os  acréscimos  do  valor  nominal  dos  títulos  patrimoniais  das  Bolsas  de  Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho  de  capital  das  sociedades  corretoras  associadas  e,  por  isso,  pode  ser  excluído  do  lucro  real  destas  desde  que  não  seja  distribuído  e  constitua  reserva  para  oportuna  e  compulsória  incorporação ao capital."  II — "Aos aumentos de capital assim procedidos aplica­se o disposto no DL  n° 1.109/70, art. 3°, § 3°." Decreto n° 1.109/70, art. 3°: " Os aumentos de capital das pessoas  jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do  IR(..)§3°  Ocorrendo  a  redução  do  capital  ou  a  extinção  da  pessoa  jurídica  nos  5  anos  subsequentes  o  valor  da  incorporação  será  tributado  na  pessoa  jurídica  como  lucro  distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao imposto de renda da declaração  de  rendimentos,  ou  na  fonte,  no  ano  em  que  ocorrer  a  extinção  ou  redução."  Portanto,  em  função da Portaria, os aumentos nominais dos  títulos patrimoniais em virtude de aumento do  capital social das bolsas ficam sujeitos à tributação em caso de extinção ou redução do capital  social (a qualquer titulo) da bolsa de valores.  Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 7          11 A  descrição  da  legislação  e  dos  fatos  evidencia  que  houve  aumento  patrimonial da recorrente decorrente do aumento do patrimônio das Bolsas e que esse aumento  de riqueza teve sua tributação diferida para momento futuro que foi alcançado com o processo  de  desmutualização  e  a  Lei  9.532/97  definiu  esse  como  o  critério  temporal  da  hipótese  tributária.  De igual modo, é certo que houve a devolução de capital pelas extintas bolsas  à  recorrente  e  esses  direitos  recebidos  foram  utilizados  para  compor  o  capital  das  novas  empresas.  Considerar  de  forma diferente  seria  admitir  isenção  sem  lei  que  a  autorize,  pois  é  inegável  que  os  associados  aportaram  recursos  no  momento  de  ingressarem  na  associação  sem  fins  lucrativos  e,  tiveram  acréscimos  nos  valores  de  suas  participações  decorrentes  dos  acréscimos  patrimoniais  nas  associações,  acréscimos  estes  que  não  foram  tributados  pela  permissão  do  diferimento  dada  pela  Portaria MF  785/77,  mas  deveriam  ser  tributados no momento da devolução.  Registre­se ainda, para afastar o argumento da recorrente de que teria havido  mera cisão  e posterior  incorporação do patrimônio das bolsas,  e apenas  em complemento  ao  que já que foi exposto, é que sendo as Bolsas, primitivamente associações sem fins lucrativos,  regida  por  normas  do  Direito  Civil,  é  seguramente  inaplicável  a  sua  sucessão  a  forma  da  legislação comercial, próprio das sociedades mercantis,  situação que ainda mais se evidencia  com  a  presença  do  tratamento  distinto  da  associação  e  da  sociedade,  inclusive  tratamento  tributário, mas sem afastar­se do fato de serem tratadas em capítulos inteiramente distintos na  legislação civil e tributária.  Tanto é assim que o Novo Código Civil dispõe separadamente seus preceitos  legais,  princípios,  órgãos,  e  a  sua  própria  dissolução,  conforme  se  constata  do  Livro  I  do  Código Civil que rege os preceitos das associações, ao passo que o Livro II rege a sociedade  empresarial.  Sendo assim, somados aos outros fundamentos já expostos, tem­se que o que  de fato ocorreu, ainda que outra tenha sido outra a denominação, foi a dissolução da BM&F e  Bovespa, com a respectiva restituição do seu patrimônio, tal como expresso no artigo 61, § 1º,  do Código Civil, na forma de ações a seus associados, e a constituição de novas sociedades.  Em conclusão, não se pode olvidar  também o posicionamento da Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  nos  termos  da Solução  de Consulta  nº  10/2007,  que  tem  como  interessado a Comissão Nacional de Bolsa de Valores:  (...)  32.  Visto  que  não  se  aplica  às  associações  (bolsas  de  valores)  nenhum  dos  institutos  regulados  pela  Lei  n.  6.404,  de  1976,  pois  esses  entes  estão  submetidos  ao  regime  jurídico  do  Código  Civil,  analisemos,  então,  a  natureza  da  operação  denominada pela consulente como “desmutualização”.  33. A primeira questão que se coloca é que tanto o Código Civil  de 1916 não versava como o de 2002 não versa sobre cisão de  associação ou mesmo sobre sua  incorporação a uma sociedade  de  fins  lucrativos, mesmo porque,  conforme  já  abordado,  estes  são  institutos próprios das  sociedades, em especial das S. A.,  e  estranhos aos entes sem fins lucrativos. Assim sendo, ainda que a  Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     12 consulente  insista  em  chamar  a  operação  descrita  de  “cisão  parcial”  e  de  “incorporação”,  na  verdade,  a  natureza  das  operações  consiste  em  uma  mera  devolução  e  patrimônio  aos  associados  divididas  em  duas  etapas,  conforme  a  seguir  explicado:  33.1.  Na  primeira  etapa,  quando  ocorrer  o  que  a  consulente  chama  de  “cisão  parcial”,  com  a  aquisição  de  parte  do  patrimônio  da  associação  (bolsa  de  valores)  por  uma  pessoa  jurídica  com  fins  lucrativos  (sociedade)  e  a  troca  dos  títulos  patrimoniais  dos  associados,  proporcionais  a  parte  segregada,  por ações desta sociedade, ou seja, o associado deixa de assim  ser qualificado, para se tornar sócio de empresa lucrativa, com  todas  as  liberdades  próprias  da  qualificação  resultante  desta  transformação.   33.2.  Na  segunda  etapa,  diz  a  consulente  que  o  patrimônio  remanescente  nas  associações  bolsas  de  valores  serão  “incorporados”  por  uma  pessoa  jurídica  de  fins  lucrativos  (sociedade) e novamente os associados passarão a condição de  sócios  desta  empresa  lucrativa,  o  que  na  verdade  se  constitui  numa  transformação  disfarçada,  já  que  também  sem  esteio  no  Código Civil. (...)  De  qualquer  sorte,  para  o  prisma  tributário,  tais  efeitos  são  tributados  abstratamente de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário  Nacional. Assim, a aludida “desmutualização”, qual seja, a transformação de títulos em ações  gera  acréscimo  patrimonial,  já  que  de  mera  associada,  passou  a  recorrente  a  ser  sócia  de  empresa  com  fins  lucrativos,  cuja  projeção  econômica  foi  divulgada  internacionalmente  por  todos  os  meios  de  comunicação,  dada  a  dimensão  econômica  dos  negócios.  Daí  o  patente  acréscimo  patrimonial,  interpretado  nos  termos  do  artigo  118  do  CTN,  em  sintonia  com  a  norma impositiva de dissolução da associação.  Diante  de  tais  fundamentos,  de  rigor  manter­se  a  parcela  da  autuação  relacionada ao ganho obtido no processo de desmutualização das Bolsas de Valores.  Tratando­se da autuação relacionada à alienação de títulos patrimoniais pelo  Unibanco  Investshop à Hedgin­Griffo, como bem descreveu a decisão  recorrida  tal operação  ocorreu em 2006, em momento anterior ao processo de desmutualização das Bolsas de Valores,  ocorrida em 2007.  A Fiscalização adicionou à base de cálculo do IRPJ do ano­calendário 2006 o  valor  de  R$  5.644.637,34  originados  da  Reserva  de  Atualização  de  Títulos  Patrimoniais  da  Bovespa – Conta 6.1.3.70.00.000012,  tendo constatado de que tal valor não fora reconhecido  recorrente,  por  ocasião  da  alienação  desses  bens  à  Hedging­Griffo,  ou  seja,  exige­se  da  recorrente  a  contabilização  do  ganho de  capital  apurado  na  alienação/baixa  de bem do  ativo  permanente em razão da alienação dos títulos patrimoniais da Bovespa, porquanto teria havido  a  baixa  total,  realizando­se  a  conta  de  Reserva  de  Atualização  de  Títulos  Patrimoniais  da  Bovespa.  Sustenta  a  recorrente  em  relação a  este  tópico  especifico  as mesmas  razões  que utiliza para definir a natureza e os efeitos das devoluções analisadas no item precedente,  afirmando  que  a  Portaria  do  Ministério  da  Fazenda  nº  785/77  estaria  plenamente  vigente,  autorizando  a  exclusão  do  lucro  real  dos  valores  correspondentes  as  atualizações  do  títulos  patrimoniais em questão.  Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 8          13 Já  se  afirmou  nestes  autos  que  as  bolsas,  na  condição  de  entidades  associativas destituídas de finalidade  lucrativa, gozavam do benefício da  isenção  tributária e,  assim, não podiam distribuir  seus  superávits,  sendo que os  resultados positivos obtidos pelas  bolsas  implicavam na valorização dos  títulos patrimoniais, sem, contudo, o acompanhamento  de  uma efetiva  disponibilidade  econômica ou  financeira  para  as  corretoras  associadas,  razão  pela  qual,  foram  elas  autorizadas  a  constituir  uma  conta  de  reserva,  a  RATP,  para  que  pudessem  refletir  em  seus balanços  essa  atualização,  sem que  esse valor  transitasse por  seus  resultados.  Bem  reconheceu  a  decisão  recorrida,  que  em  consonância  com  essa  perspectiva  de  não  distribuição  de  lucros  é  pelas  associações  sem  fins  lucrativos  é  que  foi  editada  a  Portaria  MF  nº  785/1977  que,  interpretando  a  legislação  tributária,  fixou  o  entendimento  de  que  “o  acréscimo  do  valor  nominal  dos  títulos  patrimoniais  das  Bolsas  de  Valores em decorrência da alteração de seu patrimônio social não constitui receita nem ganho  de  capital  das  sociedades  corretoras  associadas  e,  por  isso,  pode  ser  excluído  do  lucro  real  destas  desde  que  não  seja  distribuído  e  constitua  reserva  para  oportuna  e  compulsória  incorporação ao capital.”, a revelar que as variações positivas do valor patrimonial dos títulos  detidos  pelas  corretoras  associadas  não  eram  tributadas,  enquanto  mantidas  em  conta  de  reserva ou utilizadas para aumento de capital.  Ou seja, ao efetuar a alienação de seus 6 títulos patrimoniais da Bovespa em  2006  à  Hedging­Griffo,  a  recorrente  baixou  o  correspondente  valor  desses  ativos,  reconhecendo  em  seu  resultado  uma  despesa,  nada  fazendo  em  relação  à  conta  de  reserva  ­  RATP que, em simetria ao ativo, foi realizada e, portanto, deveria ter sido reconhecida em seu  resultado,  tendo  agido  corretamente  a  autoridade  fiscal  ao  adicionar  à  base  de  cálculo  dos  tributos o valor correspondente à realização da reserva de R$ 5.611.637,34.  De  igual  forma  tem  razão  a  decisão  recorrida  ao  considerar  o  valor  “zero”  como custo de aquisição desses títulos, porquanto a recorrente muito embora tenha feito uma  média dos  títulos que detinha, mesmo sendo  intimada a demonstrar a data,  forma e valor do  custo de  aquisição  com o demonstrativo de  apuração de  ganho de capital  e da  realização da  reserva de reavaliação, com os respectivos registros contábeis, conforme termos de intimação  nºs.  06  e  10  de  fls.  250/254  e  382/385,  não  individualizou  as  aquisições,  reiterando  que  a  alienação se deu com deságio e que teria provocado um prejuízo de R$ 244.637,34.  Em  conclusão,  tem­se  que  ao  deixar  de  apresentar  os  documentos  e  informações  necessários  à  confirmação  do  custo  de  aquisição  dos  títulos  patrimoniais  da  Bovespa, a recorrente não se desincumbiu do ônus de fazer prova de fatos e valores registrados  em sua contabilidade que repercutiram na apuração do imposto de exercício futuro, isto é, do  ano­calendário  de  2006,  quando  houve  o  ganho  de  capital  decorrente  da  venda  dos  títulos  patrimoniais, sendo procedente esta parcela da autuação.  Tratando­se do argumento da recorrente segundo o qual não haveria previsão  legal para cobrança de  juros sobre a multa, mencionou a contribuinte que o artigo 13 da Lei  9.065/95,  que  prevê  a  cobrança  dos  juros  de  mora  com  base  na  taxa  Selic,  estabelece  a  cobrança de  tais  acréscimos  apenas  sobre  tributos,  concluindo que multa não  é  tributo  e por  isso não há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre elas (multas).  Seguramente,  a matéria  alusiva  à cobrança de  juros  sobre multa é daquelas  controvertidas no  âmbito  administrativo,  sendo certo que  a própria CSRF, no  julgamento do  Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     14 PA  nº  18471.001680/2004­30,  manifestado  no  Acórdão  nº  02­03.133,  entendeu  não  ser  aplicável os juros sobre a multa.  Ocorre, que configurada a relação obrigacional, polarizada entre sujeito ativo  e  passivo  e  tendo  por  objeto  uma  prestação  em  dinheiro,  se  afigura  pelo  sujeito  ativo  o  “crédito” e pelo sujeito passivo um “débito”, a revelar que “débito” e “crédito” são duas facetas  de obrigação dita cumulativa.  Com  efeito,  não  me  parece  prosperar  a  tese  defendida  pela  recorrente,  de  ausência de fundamento legal para hospedar a cobrança de juros sobre a multa, na medida em  que o próprio artigo 161, § 1º, do CTN dispõem exatamente que “crédito” não integralmente  pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis e da  aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas em lei, e que, se a  lei não dispuser de modo diverso, os  juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  Sendo assim, não se concebe conclusão outra, diversa daquela consagradora  de sobre o crédito tributário (sua totalidade, principal e consectários), não pago no vencimento  incidem  sempre  juros  de mora  (exceto  na  pendência  de  consulta,  conforme  §  2º  do mesmo  artigo 161).  Tanto  é  assim  que  o  artigo  139  do  CTN,  estatui  que  o  crédito  tributário  decorre  da  obrigação  principal,  possuindo  a  mesma  natureza.  Obrigação  que  a  seu  turno,  consoante o § 1º do artigo 113 do mesmo CTN dispõe que “a obrigação principal surge com a  ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e  extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente”.  Diante  disso,  aperfeiçoado  o  fato  gerador,  presente  a  obrigação  principal  nasce o crédito dela decorrente, ou seja, da concretização do fato gerador, surge o direito de  lançamento que, conforme define o artigo 142 do CTN, implica identificar o sujeito passivo e  calcular o montante do  tributo devido e,  se  for o caso, aplicar a multa,  a  revelar,  estreme de  dúvidas,  que  a  multa  de  ofício  proporcional  decorrente  do  descumprimento  da  obrigação  principal  compõe  o  crédito  tributário  (é  parte  dele),  ou  seja,  não  há  falar  em  ausência  de  fundamento legal para as exigências da espécie.  Tanto é assim, que artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que a multa de  ofício, se não paga do vencimento, sujeita­se a juros de mora segundo a taxa Selic (§ 3° do art.  5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o  mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.  Por fim, reputo que a única parte da decisão recorrida que merece reparos diz  com a aplicação da multa isolada. A exemplo do que tenho manifestado em casos semelhantes,  conquanto vencido, entendo que a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base  de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento  de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como, considero que no curso  do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, é que incide a penalidade sobre as  estimativas não recolhidas, situação que obsta  tal exigência após o encerramento do período,  quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste  pelo confronto  entre o valor devido efetivamente e os valores  recolhidos na forma estimada,  incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido.  Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 9          15 Com  tais  ponderações,  encaminho  meu  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar e no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para o único fim de  afastar a multa isolada.  Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2012  (assinado digitalmente)  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.  Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     16   Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator designado  Inobstantes  as  valiosas  considerações  do  Ilustre  Conselheiro  Relator,  o  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  divergiu  do  entendimento  acerca  da  incidência  da multa  isolada sobre as estimativas não recolhidas  Para  o  Relator,  a  referida  sanção  só  pode  ser  aplicada  dentro  do  próprio  exercício fiscal. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária.  Com  efeito,  predominou  o  entendimento  de  que  inexiste  na  legislação  de  regência  as  condições  acima  referenciadas,  isto  é,  o  diploma  legal  instituidor  da  sanção  administrativa,  ao  descrever  as  situações  motivadoras  da  aplicação  da  penalidade,  não  fez  menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada só subsistiria  no caso de apuração de saldo positivo de imposto.  Destacou­se,  inclusive,  que  a  norma  impositiva  estabelece,  de  forma  expressa,  que,  ainda  que  se  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa,  a  penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua  hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre  a base de cálculo estimada.  A conclusão, pois, dirigiu­se no sentido de que os requisitos condicionadores  da  aplicação  da  penalidade  indicados  pelo  Ilustre  Relator  decorrem  de  exercício  de  interpretação da norma sancionadora que, na visão do Colegiado, não pode ser recepcionado.  Mantida, assim, as multas  isoladas decorrentes da falta de recolhimento das  estimativas devidas.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado  Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 10          17   Declaração de Voto  Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier.  A discussão em torno da regularidade nas operações apontadas já foi objeto  de análise neste CARF, sendo relevante, a título de destaque, o acórdão exarado nos autos do  processo  16327.000679/2010­74,  da  lavra  do  Conselheiro  MARCOS  RODRIGUES  DE  MELLO,  que,  por  maioria,  negou  provimento  ao  recurso  da  empresa  CREDIT  SUISSE  (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, em acórdão que  assim restou ementado:   Nº Recurso 902838   Número do Processo 16327.000679/2010­74   Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento   Contribuinte  CREDIT  SUISSE  (BRASIL)  S.A.  CORRETORA  DE  TITULOS  E  VALORES MOBILIARIOS   Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO ­ Recurso Voluntário   Negado POR MAIORIA   Data da Sessão 10/04/2012   Relator(a) MARCOS RODRIGUES DE MELLO   Nº Acórdão 1302­000.879 Tributo / Matéria   Decisão   Acordam  os  membros  do  colegiado,  Por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso,  vencidos  Lavinia  e  Eduardo  quanto  ao  lançamento  de  IRPJ  e  CSLL  e  por  maioria de votos, manter a aplicação da multa isolada, vencidos lavinia, Guilherme e  Diniz.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano­calendário: 2007   Ementa:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. IRPJ e CSLL  Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA. O processo de desmutualização da  BMF  e  da  Bovespa  redundou  na  devolução  do  capital  e  conseqüente  tributação  nos  termos  do  art.  17  da  Lei  9532. Método  de  Equivalência  Patrimonial.  O MEP  só  se  aplica aos  investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem  fins  lucrativos,  não  reguladas  pela  Lei  6404.  Decadência.  Não  há  de  admitir  a  decadência do direito de lançar se entre o momento da ocorrência do fato gerador e o  lançamento não  foi ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150 do CTN  Multa isolada e multa de ofício. Não há impedimento de aplicação simultânea da multa  de  ofício  por  pagamento  insuficiente  de  tributo  e  da  multa  isolada  por  falta  de  pagamento de estimativa.   Em  que  pesem,  entretanto,  os  relevantes  fundamentos  adotados  naquela  decisão,  entendo,  particularmente,  que,  do  ponto  de  vista  da  exclusiva  análise  jurídica,  a  conclusão possível e aplicável à hipótese, com a devida vênia, não poderia, de forma alguma,  imputar à contribuinte a referida sustentação do gravame apontado.  Isso porque, conforme aqui restará apontado, ao menos em análise sumária,  não se verifica – ab initio ­, no patrimônio da contribuinte, o recebimento ou a disponibilidade  de um “ganho” quando das referidas operações. Senão, vejamos.  Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     18 Em primeiro lugar, insta destacar a discussão em torno da (im)possibilidade  de  aplicação  dos  critérios  de  “cisão/incorporação”  às  chamadas  associações  civis  sem  fins  lucrativos.  Ora,  sustenta  a  recorrente  que  o  sistema  jurídico  pátrio,  não  veda  a  utilização dessas formas de “transformações” societárias a essas entidades, havendo, ao revés  inclusive, expressa previsão legal, conforme se afere nas disposições do invocado Art. 2033 do  Código Civil Brasileiro, que assim especificamente se apresenta:  Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas  referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem­se desde logo  por este Código.   O invocado art. 44, por sua vez, assim especificamente se apresenta:   Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:    I ­ as associações;  II ­ as sociedades;  III ­ as fundações.  IV ­ as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)  V ­ os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)  VI ­ as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441,  de 2011) (Vigência)  (...)  O  entendimento  fazendário  a  respeito  da  impossibilidade  de  aplicação  das  sistemáticas  de  cisão/incorporação  às  chamadas  associações  civis,  seria  decorrente  da  interpretação das disposições da Lei 6.404/76, que, pela redação contida nas disposições de seu  art.  220  e  seguintes,  apenas  a  admitiria  às  “sociedades”,  não  fazendo,  assim,  qualquer  referência às associações e/ou outras das pessoas jurídicas mencionadas.   Ainda  de  acordo  com  a  visão  fazendária,  o  único  destino  possível  para  as  associações seria a sua dissolução, a teor, então, do que determinariam as disposições do art. 61  do Código Civil.   Ocorre  que,  com  todas  as  vênias,  a meu  ver,  aqui  se  verifica  um  efetivo  e  verdadeiro  equívoco  exegético,  uma vez  que,  ao  contrário  do  que  sustentado  pela  r.  decisão  recorrida, nas relações civis provadas – ao contrário das relações próprias de direito público ­,  não se exige a expressa autorização legal para a admissão e/ou execução de atos lícitos, sendo  aplicável,  a  esse  respeito  –  inclusive  ­,  a  expressa  garantia  constitucional  da  liberdade,  constante nas disposições do Art. 5o, inciso II da CF/88, que determina:   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo­ se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à  vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:  II ­ ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude  de lei;  (Grifos nossos)   Nessas  circunstâncias,  ao  contrário  do  que  pretende  fazer  crer  a  douta  Procuradoria,  entendo  que,  inexistindo  óbice  legal  específico  para  a  aplicação  de  transformação  (cisão,  fusão,  incorporação)  de  uma  “associação  civil”  em  “sociedade  por  Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 11          19 ações”,  tal  ato  seria  pois  perfeitamente  lícito  e  regular,  apenas  dependendo  da  concordância  estatutária/regimental dos agentes envolvidos.   Sob  essas mesmas  razões,  inclusive,  não  vejo  suficiência  no  argumento  de  inexistência de referências à possibilidade de aplicação da cisão/incorporação a entidades que  não  sejam  “sociedades mercantis”,  de  acordo  com  as  disposições  da Lei  6.404/76,  seja  pela  simples  análise  das  disposições  do  mencionado  art.  2033  do  Código  Civil,  aqui  antes  comentado,  ou  ainda,  pela  própria  verificação  de  que,  tratando­se  a  Lei  6.404/76  de  norma  específica anterior às disposições do Novo Código Civil (Lei 10.406/2002 – norma geral), aqui  restaria  pois  perfeitamente  aplicada  a  chamada  “Teoria  do  Diálogo  das  Fontes”,  tendo  em  vista a dinâmica da interpretação das disposições aplicáveis à matéria.  Assim,  em  que  pese  inexistir  na  Lei  6.404/76  qualquer  referência  ás  “associações  civis”,  a  partir  das  novas  disposições  do  Código  Civil  Brasileiro  (Lei  10.406/2002), inexiste óbice para a sua aplicação a essa modalidade de atuação civil, podendo  ser­lhes aplicadas assim, perfeitamente, as disposições daquela norma.  A  possibilidade  de  admissão  da  aplicação  de  transformações  societárias  também  às  associações  civis,  cumpre  destacar,  encontram­se  também  travestidas  nas  disposições da referida lei 9.532/97, que, em seu art. 16, assim especificamente aponta:  Art. 16. Aplicam­se à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições  isentas as disposições do art. 23 da Lei n.º 9.249, de 1995.  Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas  para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,  deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação.  Além  do  mais,  entender,  no  âmbito  das  relações  jurídico­civis  privadas  (como  o  é  a  das  associações  civis  e  também  a  das  sociedades  comerciais),  que  o  fim  único  possível das  instituições privadas não seria outro, senão, a extinção/dissolução da entidade, é  simplesmente desconsiderar  a  liberdade  contratual  e  o  “princípio  da  preservação”,  aplicável,  por nosso sistema, com vistas à manutenção e a continuidade das atividades civis.  Em  síntese:  nada,  absolutamente  nada,  veda  a  aplicação  das  formas  de  transformações  societárias  às  associações  civis,  apenas  sendo  exigível  a  manutenção  do  respeito  às  regras  específicas  a  elas  aplicáveis,  ao  respeito  das  suas  próprias  disposições  estatutárias e, ainda, em cada caso, a adequação dessa transformação a sua atuação própria.  A  partir  desses  paradigmas,  entendendo  pela  possibilidade  de  alteração  da  formatação jurídica das associações civis, para a sua transformação em sociedades mercantis,  verifico,  desde  logo,  como  afastada  a  obrigatoriedade  da  conclusão  de  que,  na  apontada  “desmutualização”, a única conseqüência possível seria a entrega (devolução) de dinheiro, bens  e/ou direitos às associadas, tendo ocorrido de fato, da forma como antes amplamente apontado  pela  contribuinte,  a  simples  “permuta”,  substituindo­se  os  títulos  de  associadas  pelas,  agora,  ações das respectivas sociedades mercantis.  Ora,  afastado  o  óbice  supostamente  existente  da  aplicação  de  cisão/incorporação no presente caso, conforme aqui apontado, verifica­se que, por conseguinte,  inexiste  qualquer  “devolução”  dos  valores  apontados,  sendo  relevante,  nesse  ponto,  as  disposições  contidas  nos  art.  227  e  229  da Lei  6.404/76,  que,  sobre  aquelas  transformações,  assim determina:  Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     20 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas  por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.  § 1º A assembléia­geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento  de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos  que o avaliarão.  § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores  a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora.  §  3º  Aprovados  pela  assembléia­geral  da  incorporadora  o  laudo  de  avaliação  e  a  incorporação,  extingue­se  a  incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação.  (...)  Art.  229.  A  cisão  é  a  operação  pela  qual  a  companhia  transfere  parcelas  do  seu  patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse  fim ou  já existentes,  extinguindo­se  a  companhia  cindida,  se  houver  versão  de  todo  o  seu  patrimônio,  ou  dividindo­se o seu capital, se parcial a versão.  § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida  sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades  que  absorverem  parcelas  do  patrimônio  da  companhia  cindida  sucederão  a  esta,  na  proporção  dos  patrimônios  líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados.  § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléia­ geral  da  companhia  à  vista  de  justificação que  incluirá as  informações de  que  tratam os  números  do  artigo  224;  a  assembléia, se a aprovar,  nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a  ser  transferida, e  funcionará  como assembléia de constituição da nova companhia.  §  3º  A  cisão  com  versão  de  parcela  de  patrimônio  em  sociedade  já  existente  obedecerá  às  disposições  sobre  incorporação (artigo 227).  § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem  absorvido  parcelas  do  seu  patrimônio  promover  o  arquivamento  e  publicação  dos  atos  da  operação;  na  cisão  com  versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela  do seu patrimônio.  § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em  substituição às extintas,  na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente  requer aprovação de  todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997)       Diante  dessas  considerações,  em  ambas  as  hipóteses  (cisão/incorporação)  inexiste,  de  fato,  qualquer  devolução  de  numerário,  bens  e/ou  direitos  aos  anteriores  sócios,  mas apenas, como se sabe, a alteração da formatação  jurídica de atuação da entidade, o que,  como se sabe, foi exatamente o que acontecido no caso tratado nos presentes autos.  Em  face  dessas  considerações,  forçosa  se  faz  a  conclusão  de  que,  não  se  tratando de finalização das atividades da associação, inexistindo, como se verifica, qualquer ato  de dissolução dos haveres, não se  tratando de qualquer  tipo de “devolução” de bens/direitos,  conclui­se,  inexoravelmente, na total  impossibilidade de aplicação das disposições do Art. 17  das lei 9.532/97, que, em suas disposições, assim arremata:   Art.  17.  Sujeita­se  à  incidência  do  imposto  de  renda  à  alíquota  de  quinze  por  cento  a  diferença  entre  o  valor  em  dinheiro  ou  o  valor  dos  bens  e  direitos  recebidos  de  instituição  isenta,  por  pessoa  física,  a  título  de  devolução  de  patrimônio,  e  o  valor  em  dinheiro  ou  o  valor  dos  bens  e  direitos  que  houver  entregue para a formação do referido patrimônio.  § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicam­se as normas do inciso I do art.  17 da Lei n.º 9.249, de 1995.  § 2º O imposto de que trata este artigo será:  a) considerado tributação exclusiva;  Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.720390/2011­56  Acórdão n.º 1301­001.110  S1­C3T1  Fl. 12          21 b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos  valores.  § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for  pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do  lucro  real  ou  adicionada  ao  lucro  presumido  ou  arbitrado,  conforme  seja  a  forma  de  tributação a que estiver sujeita.  §  4º  Na  hipótese  do  parágrafo  anterior,  para  a  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar:  a)  a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do  imposto de renda com base  no lucro real;  b)  o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no  lucro  presumido ou arbitrado.  Ora,  inexistindo  a  finalização  das  atividades  da  entidade,  inexistindo  a  dissolução  da  associação  (mas  apenas  a  sua  transformação),  inexistindo  qualquer  forma  de  “devolução”  de  dinheiro,  bens  e/ou  direitos,  inexiste,  por  conseqüência,  a  possibilidade  de  incidência das referidas disposições, sendo, portanto, inexistente, também por isso, a obrigação  de sustentação do ônus tributários sobre o eventual ganho apontado.  A BOVESPA e a BM&F, como é de sabença geral, não deixaram de existir.  O  que  ocorreu  –  e  isso  é  completamente  incontroverso  nos  autos  ­,  foi  apenas  a  sua  readequação à formatação jurídica mundialmente aplicável ás bolsas de valores, a partir de atos  e  operações  perfeitamente  admitidas  pelo  ordenamento  jurídico  brasileiro,  e,  ainda,  expressamente  acolhidos  pela  CVM,  pelo  BACEN  e  por  todos  os  órgãos  de  controle  das  atividades relacionadas ao mercado financeiro brasileiro.  A  recorrente,  por  sua vez,  era  antes  associada daquelas  entidades,  e,  agora,  acionista das mesmas, mantendo, inclusive, com elas relevante relação de atuação.  Tal apontamento, a nosso sentir, apresenta­se como relevante, tendo em vista  que,  ultrapassadas  as  discussões  a  respeito  da  validade  jurídica  da  operacionalização  das  referidas “transformações societárias”, discute­se ainda, nos autos – conforme antes destacado  ­, a (ir)regularidade do  tratamento contábil da atualização dos  títulos patrimoniais antes da  desmutualização.  Conforme  destaca  a  recorrente,  em  decorrência  das  regras  de  controle  das  atividades do mercado financeiro estabelecidas pelo BACEN e pela CVM (Resolução BACEN  1.656/89 e Ofício Circular CVM 325/79), tinham as empresas associadas a obrigatoriedade de  manutenção da escrituração contábil da valorização dos títulos daquelas referidas associações,  o que, inclusive, deveria ser feito sob rubrica contábil própria, criada para esse específico fim,  conforme, inclusive, expressamente contido no COSIF, intitulada “Reserva de Atualização de  Títulos Patrimoniais – RATP”.  A  portaria  MF  785/77,  por  sua  vez,  expressamente  reconhecera  que  a  atualização dos títulos patrimoniais não seria tributada, desde que registrada a contrapartida  da atualização do ativo em conta de Reservas de Capital no Patrimônio Líquido, e que tal valor  registrado em Reservas de Capital não seja distribuído e seja usado somente para capitalização.  O caso é de expressa não­incidência tributária, e não de diferimento de tributação, da forma  como parece pretender a fiscalização, o que se confirma, inclusive, no fato de que a Portaria,  Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA     22 em suas disposições, expressamente invoca o art. 3º do Decreto­lei 1.190/70, segundo o qual a  incorporação de reservas de lucros não deve ser tributada.  Por  essa  razão,  verifica­se  que,  existindo  a  específica  regra  relativa  à  manutenção  da  escrituração  contábil  da  valorização  patrimonial  do  ativo  mantido  pela  recorrente – que era o título de associação à BM&F e BOVESPA ­, ulteriormente transmutado  em  participação  acionária  desta  naquelas  entidades  (em  decorrência  da  referida  “transformação”),  completamente  nula,  se  verifica,  é  a  substituição  dos  referidos  ativos,  inexistindo, naquela oportunidade, qualquer possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL, da  forma como pretendido.  Por  essas  razões,  pedindo  vênia  à  maioria  já  formada,  entendo  pela  inexistência  de  óbice  para  a  materialização  da  referida  operação,  e,  por  essas  razões,  completamente insubsistente o lançamento efetivado.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  Carlos Augusto de Andrade Jenier – Voto vencido.    Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA

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4842371 #
Numero do processo: 10840.907374/2009-66
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.907374/2009­66  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.389  –  1ª Turma Especial   Sessão de  10 de abril de 2013  Matéria  Compensação ­ Darf ­ pagamento indevido  Recorrente  MEDEIROS E GUIMARÃES INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA (M G  ENGª ELÉTRICA LTDA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2001  RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.  O ônus  da prova  do  crédito  tributário  pleiteado  no Per/Dcomp  ­  Pedido  de  Restituição é da contribuinte  (artigo 333,  I, do CPC). Não sendo produzida  nos autos, indefere­se o pedido e não homologa­se a compensação pretendida  entre crédito e débito tributários.  LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM  EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.  As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais  na  execução  dos  serviços,  estão  obrigadas  a  aplicar  o  coeficiente  de  32%  sobre  a  receita  bruta  auferida  para  a  apuração  do  Lucro  Presumido,  pelos  serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e  pela  empresa  não  ser  especificamente  deste  ramo.  Somente  as  obras  de  construção  civil,  com  emprego  de  materiais,  sem  repasse  de  seus  custos,  realizadas  na  modalidade  de  empreitada  são  suscetíveis  da  utilização  do  coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.  LUCRO  PRESUMIDO.  ATIVIDADES  DIVERSIFICADAS,  COEFICIENTES.  É  dever  da  empresa  que  possui  atividades  diversificadas  ­  prestação  de  serviços  e  comércio  ­  segregar  as  receitas  auferidas  de  forma  a  aplicar  o  coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta  segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma  resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 73 74 /2 00 9- 66 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros  Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão  do julgamento na realização de diligências.    (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva,  João Carlos de  Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.  Relatório  A empresa recorre do Acórdão nº 14­30.731/10 exarado pela Quinta Turma  de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 60 a 66, que julgou improcedente  o direito  creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações  deste  crédito  com  débitos  tributários,  formalizados  nos  Per/Dcomp  (pedidos  de  restituição  e  declaração de compensação) – fls. 01 a 03.  Aproveito  trechos do  relatório e voto do aresto vergastado para historiar os  fatos:  “Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  em  face  do  Despacho  Decisório  em  que  foi  apreciada Declaração  de Compensação  (PER/DCOMP),  por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de  tributo (IRPJ­lucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período  de apuração 7/2001.  Por  despacho  decisório,  não  foi  reconhecido  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não  homologada  a  compensação  declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  os  pagamentos  informados  foram  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Cientificada,  a  contribuinte  apresentou manifestação  de  inconformidade  alegando,  em síntese, de acordo com suas próprias razões:  ­  que  tendo optado  pela  apuração  do  imposto  pela  sistemática  do  lucro  presumido,  teria  cometido  erro  ao  efetuar  o  recolhimento  relativo  ao  período  de  7/2001,  ao  percentual  de  32%,  "como  se  só  houvesse  emprego  de  mão­de­obra",  quando o  correto  seria aplicar o percentual de 8%,  "por  ter utilizado materiais  em  suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997;  ­  que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem  para dúvidas quanto à veracidade da compensação.  Ao final,  requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido  de compensação e extinto o débito apurado.  [...]  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907374/2009­66  Acórdão n.º 1801­001.389  S1­TE01  Fl. 3          3 VOTO  [...]  A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de  preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem  suas  afirmações,  considerando  o  disposto  nos  artigos  15  e  16  do  Decreto  n°  70.235/1972, a seguir transcritos:  [...]  Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas  na  legislação  (DCTF,  DIPJ  ou  PER/DCOMP)  situam­se  na  esfera  de  responsabilidade  do  próprio  contribuinte,  a  quem  cabe  demonstrar,  mediante  adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas  pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.°  70.235/72  (PAF).  Assim,  uma  vez  constatada  incongruência  entre  informações  prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações  retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a  evidenciar a realidade dos fatos.  No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior  do  imposto  que,  no  seu  entender,  decorreria  de  errônea  mensuração  da  base  de  cálculo  por  aplicação  indevida  do  percentual  de  32%  sobre  a  receita  bruta,  na  determinação  do  IRPJ  devido  pela  sistemática  do  lucro  presumido,  nos  termos  do  art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos:  [...]  Para  tanto,  imprescindível  a  juntada,  ao  processo,  dos  registros  contábeis  e  respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da  base  de  cálculo  do  imposto  no  período  em  questão,  os  critérios  adotados  para  aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei  n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995,  a  apuração do  imposto devido e  eventuais  deduções.  Embora  ausentes  os  registros  contábeis,  a  interessada  apresentou  os  seguintes  elementos:  a)  "planilha  de  cálculo  do  IRPJ  devido",  à  fl.  12;  b)  cópias  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  com  fornecimento  de  materiais,  numeração  315,  316,  valor  total  de  R$  16.435,73,  às  fls.  21,  27;  c)  cópias  de  notas  fiscais  de  aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 23/25, 27, 29/31, 33/36, 39/42,  44/46; d) cópias de notas fiscais de transferência de mercadorias para prestação de  serviços, numeração 425, 426, 427, 428, 423, 422, valor  total de R$ 12.817,38, às  fls. 22, 26, 28, 32, 38, 43.  Verifica­se,  de  plano,  que  as  cópias  de  notas  fiscais  de  aquisição  de mercadorias  junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada  sua  correlação  com  a  receita  bruta  auferida  no  período  e  respectiva  apuração  do  imposto devido. As notas fiscais de transferência de mercadorias para prestação de  serviços,  por  seu  turno,  referem­se  às  respectivas  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  com  fornecimento  de  materiais,  conforme  indicação  expressa  no  campo  "informações  complementares".  Assim,  apenas  os  valores  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  com  fornecimento  de  materiais  devem  ser  incluídos  no  cômputo da receita bruta, sob pena de duplicidade.  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     4 De outra parte,  com base nos demais elementos probatórios,  elabora­se o  seguinte  demonstrativo:  [...]  Resta assim evidenciado  (Coluna E) que o  somatório dos valores das notas  fiscais  apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta  (Coluna  C)  considerado  para  determinação  da  base  de  cálculo  e  recolhimento  do  imposto, período de apuração em foco.  Tal  constatação  remete  à  necessidade  ­  já  apontada  ­  de  verificação  dos  registros  contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os  quais não foram  juntados aos autos pela  interessada. A ausência de  tais elementos  impossibilita  exame  da  apuração  da  receita  bruta  e  do  IRPJ,  na  contabilidade  da  interessada,  e  seu  cotejo  com  o  montante  efetivamente  recolhido,  restando  assim  prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações  prestadas  à  RFB  e  cálculos  demonstrativos  juntados  à  impugnação,  embora  relevantes, mostram­se insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos  termos acima.  [...]  Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não  contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis  para  reconhecimento  pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez  não  comprovada,  nos  autos,  a  existência  de  direito  creditório  líquido  e  certo,  do  contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento  do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.”  A empresa  interpôs  tempestivamente  (AR – 21/02/11,  fls  64; Recurso – 18/03/11,  fls. 65) o Recurso de fls. 65 a 72, reiterando os termos da defesa exordial.   É o suficiente para o relatório. Passo ao voto.    Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora  Conheço do recurso interposto, por tempestivo.  A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende  por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º,  sob  a  argumentação  de  que  é  prestadora  de  serviços  com  emprego  de  materiais  e,  por  esta  circunstância,  faz  jus  ao  menor  coeficiente,  devendo­se­lhe  repetir  as  diferenças  de  tributos  indevidamente  recolhidas.  Para  comprovar  o  alegado  junta  ao  processo  cópia(s)  de  Nota(s)  Fiscal(is)  de  Prestação  de  Serviços  (receita)  emitida  para  o  período  (trimestral)  e  Nota(s)  Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda).  A tese da recorrente não merece guarida.  Como  bem  explicitado  no  acórdão  vergastado,  a  recorrente  não  apresenta  documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação  tributária  vigente,  por  excepcionada  do  coeficiente  de  32%  para  apuração  de  seu  Lucro  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907374/2009­66  Acórdão n.º 1801­001.389  S1­TE01  Fl. 4          5 Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por  este regime de tributação.  A norma é clara e expressa:  Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995  Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o  disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005)   §  1º  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este  artigo será de:   [...]  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida  Provisória nº 232, de 2004 )   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares;( Vide  art.29  e  art.  41  da Lei  nº  11.727,  de  23  de  junho de 2008 )   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora  destes  serviços  seja  organizada  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  e  atenda  às  normas  da  Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária  ­  Anvisa;  (  Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 23 de junho de 2008 )   b) intermediação de negócios;   c)  administração,  locação ou cessão de bens  imóveis, móveis e  direitos de qualquer natureza;   d)  prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia, mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  de  riscos,  administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos  creditórios  resultantes  de  vendas  mercantis  a  prazo  ou  de  prestação de serviços (factoring).   §  2º  No  caso  de  atividades  diversificadas  será  aplicado  o  percentual correspondente a cada atividade.  (grifos não pertencem ao original)  Pelo  teor  da  norma,  as  prestadoras  de  serviços  em  geral,  com  ou  sem  utilização  de  materiais  nos  serviços  realizados,  não  foram  excepcionadas  pela  norma  de  regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços  a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda  assim,  que,  na  modalidade  de  empreitada,  e  que  utilizam  materiais  nas  edificações,  sem  o  repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     6 pela Receita  Federal  do Brasil  foram  normatizadas  na  Instrução Normativa RFB  nº  480,  de  2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito  de  construção  civil,  na  modalidade  total,  o  empreeiteiro  fornece  todos  os  materiais  indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de  trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º):  [...]  § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considera­se:  [...]  II  ­  construção  por  empreitada  com  emprego  de  materiais,  a  contratação por empreitada de construção civil, na modalidade  total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis  à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.  [...]  §  9º  Para  efeito  do  inciso  II  do  §  7º  não  serão  considerados  como  materiais  incorporados  à  obra,  os  instrumentos  de  trabalho  utilizados  e  os  materiais  consumidos  na  execução  da  obra.  O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual  a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda  mensal na atividade de construção por empreitada, declara:  I­Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser  aplicado  sobre  a  receita  bruta  para  determinação  da  base  de  cálculo do imposto de renda mensal será:   a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em  qualquer quantidade;   b)32%  (trinta  e  dois  por  cento)  quando  houver  emprego  unicamente  de  mão­de­obra,  ou  seja,  sem  o  emprego  de  materiais.  (grifos não pertencem ao original)  A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas  Contratuais de fls. 18 a 20:   “II­DO OBJETO SOCIAL   A  sociedade  tem  como  objetivo  o  ramo  de  "Projetos,  consultoria,  instalações  e  administração  na  área  de  engenharia  elétrica  e  comércio de materiais  elétricos  em  geral".                                                              1  019    Qual  a  base  de  cálculo  para  as  empresas  que  executam  obras  de  construção  civil  e  optam  pelo  lucro  presumido?  O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade  de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente  de mão­de­obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção  civil, na  modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais  incorporados à obra.   http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIII­IRPJ­LucroPresumido2011.pdf    Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907374/2009­66  Acórdão n.º 1801­001.389  S1­TE01  Fl. 5          7 Em  nenhum  momento  dos  autos  verifica­se  que  a  recorrente  tenha  comprovado  que  opera  no  ramo  de  construção  civil.  A  atividade  da  empresa  descrita  no  Contrato  Social,  pois,  de  realizar  projetos,  consultoria,  instalações  elétricas  e/ou  a  venda  de  materiais  elétricos  não  pode  ser  equiparada  a  obras  de  construção  civil  e,  implicitamente,  contratadas  na  modalidade  de  empreitada,  de  pronto. Mister  é  a  realização  de  provas  neste  aspecto.  À  receita  proveniente  da  venda  de  mercadorias,  por  ser  atividade  de  comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a  legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços  e comércio) o dever de  segregarem as  receitas de cada atividade para efeito de aplicação do  coeficiente  pertinente,  o  que  a  empresa  não  comprova  ter  feito  ­  §  2º  do  artigo  15  da  lei  nº  9.249/95.  A  mera  apresentação  de  Nota  Fiscal  de  receitas  auferidas  e  Notas  de  mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa  destinado à venda de mercadorias,  na  forma  isolada  apresentadas,  sem o devido  respaldo na  contabilidade, ainda que escriturada de  forma  resumida, e mais documentos que a embasam,  primordialmente  eventuais  os  contratos  de  empreitadas  de  edificações,  não  possui  qualquer  valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo  de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu  lucro.  Cito  para  robustecer  este  voto,  Soluções  de  Consultas2,  como  fonte  subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos:  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS  É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  Renda  no  lucro  presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou  manutenção  de  motores  elétricos  com  emprego  de  materiais  (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05)  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL,  EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL  Aplica­se  o  percentual  de  32%  sobre  a  receita  bruta  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  emprego  ou  não  de  materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF,  Solução de Consulta nº 170/03)  INSTALAÇÃO  E  MANUTENÇÃO  DE  SISTEMAS  DE  AR  CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO.  As  atividades  de  instalação  e  manutenção  de  sistemas  de  ar  condicionado  e  refrigeração,  ainda  que  realizadas  sob  a  modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não  caracterizam  obras  de  construção  civil,  estando  sujeitas  as  receitas  assim  auferidas  à  aplicação  do  percentual  de  32%  (trinta  e  dois  por cento) para  determinar  a  base  de  cálculo  do                                                              2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª  ed, MP Editora  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     8 IRPJ  sob  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  presumido.  (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06).  INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE  EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE  TRÁFEGO.  As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de  equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a  modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não  caracterizam  obras  de  construção  civil,  estando  sujeitas  as  receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para  determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação  com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta  nº 94/06)  A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora  espelhado no Acórdão, cuja ementa transcreve­se3:  1402­01.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara  da Primeira Seção do CARF)  LUCRO  PRESUMIDO.  PERCENTUAIS  SOBRE  A  RECEITA  BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do  coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral,  tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais.   Recurso Voluntário Negado.   Com  relação ao outro  tópico  aventado pela  recorrente,  deve ser  esclarecido  que as empresas que optam pelo  regime do Lucro Presumido estão obrigadas,  sim, a manter  registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação  financeira  –,  dos  quais  são  apurados  os  tributos  devidos  ­  artigo  527  do  Regulamento  do  Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99):  Art. 527.  A  pessoa  jurídica  habilitada  à  opção  pelo  regime  de  tributação com base no  lucro presumido deverá manter  (Lei nº  8.981, de 1995, art. 45):  I ­ escrituração contábil nos termos da legislação comercial;  II ­ Livro  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados os estoques existentes no término do ano­calendário;  III ­ em  boa  guarda  e  ordem,  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  todos  os  livros  de  escrituração  obrigatórios  por  legislação  fiscal  específica,  bem como os documentos  e demais  papéis  que  serviram  de  base  para  escrituração  comercial  e  fiscal.  Parágrafo único.  O  disposto  no  inciso  I  deste  artigo  não  se  aplica  à  pessoa  jurídica  que,  no  decorrer  do  ano­calendário,                                                              3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907374/2009­66  Acórdão n.º 1801­001.389  S1­TE01  Fl. 6          9 mantiver  Livro Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturado  toda  a  movimentação  financeira,  inclusive  bancária  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art. 45, parágrafo único)  Outro  ponto  relevante,  é  que  para  a  recorrente  proceder  à  retificação  das  declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma  cabal  a  existência  de  erro  de  fato  dos  valores  originalmente  declarados  à  Administração  Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento).  Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08:  DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES  Art.  11. A alteração das  informações prestadas  em DCTF será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para a declaração retificada.  § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração  nos créditos vinculados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto  alterar os débitos relativos a impostos e contribuições:  I ­ cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em  DAU,  nos casos em que importe alteração desses saldos;  II  ­  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou   III ­ em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada  de início de procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores  informados na DCTF, que resulte  em  alteração  do montante  do  débito  já  enviado  à  PGFN  para  inscrição em DAU,  somente poderá  ser  efetuada pela RFB nos  casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de  fato no preenchimento da declaração.  §  4º  Na  hipótese  do  inciso  III  do  §  2º,  havendo  recolhimento  anterior ao  início do procedimento  fiscal, em valor superior ao  declarado,  a  pessoa  jurídica  poderá  apresentar  declaração  retificadora,  em  atendimento  a  intimação  fiscal  e  nos  termos  desta,  para  sanar  erro  de  fato,  sem  prejuízo  das  penalidades  calculadas na forma do art. 9º.  Para  comprovar  o  erro  de  fato  mister  é  a  apresentação  da  contabilidade  escriturada à época dos  fatos,  repito,  ainda que na  forma simplificada do Livro Caixa com a  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES     10 movimentação  financeira  registrada  por  completo  e  Inventário  (possibilita  a  verificação  do  faturamento da empresa e a consequente tributação devida).  E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de  repetição do indébito é da empresa.  Este  princípio  é  consagrado  pelo  art.  333,  inciso  I,  do Código  de  Processo  Civil  –  CPC,  aplicado  subsidiariamente  ao  processo  administrativo  fiscal  –  Decreto  nº  70.235/72 (PAF):  Art. 333 ­ O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;   [...]  Desta  forma,  há,  nos  autos,  absoluta  ausência  de  provas  hábeis  para  comprovar  que  os  tributos  recolhidos  à  época  própria  não  foram  devidos.  A  recorrente  não  logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo  já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8%  para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos  que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa.  E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento  nas  razões  de  decidir  do  acórdão  combatido,  pois  o  despacho  denegatório  fundamentou­se  justamente  na  carência  de  prova  da  existência  do  crédito,  asseverando  que  o  tributo  fora  recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado  pela  turma  julgadora de primeira  instância e ora  adotado neste decisório para manter  tanto o  decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado.  No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância  por não confrontadas pontualmente pela recorrente.  Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes                                  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 11020.908153/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. O pagamento e/ ou compensação tempestivos de saldo devedor apurado na escrita fiscal, posteriormente deduzido de forma incorreta para apuração de saldo credor, é passível de ressarcimento/compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de crédito financeiro suplementar, referente ao crédito declarado na Dcomp, implica em homologação da compensação do saldo do débito tributário declarado, remanescente da homologação parcial realizada pela autoridade administrativa competente. Recurso Provido
Numero da decisão: 3301-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Fábia Regina Freitas.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Real e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  o  despacho  decisório  que  homologou,  em  parte,  a  compensação  dos  débitos  tributários  declarados  na  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  às  fls.  02/04,  transmitida  em  09/06/2004,  com  ressarcimentos de saldo credor dos créditos presumidos do IPI, apurado para o 1º trimestre do  ano calendário de 2004.  A  DRF  em  Caxias  do  Sul,  RS,  homologou,  em  parte,  a  compensação  declarada sob o fundamento de que o crédito declarado foi  inferior ao valor a que recorrente  fazia  jus,  pelo  fato  de  ela  ter  utilizado,  na  escrita  fiscal,  parte  do  saldo  credor  passível  de  ressarcimento e/ ou compensação em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a  data da apresentação da Dcomp em discussão, conforme Despacho Decisório às fls. 05.  Inconformada  com  a  aquela  decisão,  a  recorrente  interpôs manifestação  de  inconformidade  (fls. 12/15),  insistindo na homologação  integral  da compensação dos débitos  declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ:  “...  a diferença de R$ 6.056,34 entre o  valor  solicitado e o  reconhecido no  Despacho Decisório corresponde ao somatório dos  saldos devedores apurados na  escrita fiscal entre a 1ª quinzena de abril e a 1ª quinzena de junho de 2004, os quais  teriam  sido  declarados  em  DCTF  e  pagos  ou  compensados  nos  respectivos  vencimentos,  motivo  pelo  devem  ser  integralmente  homologada  as  compensações  declaradas e cancelada a cobrança dos débitos remanescentes que estariam sendo  indevidamente exigidos.”  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente,  conforme  Acórdão  nº  10­36.681,  datado  de  19/01/2012,  às  fls.  49/55,  sob  a  seguinte ementa:  “RESSARCIMENTO  DO  SALDO  CREDOR  DO  IPI  –  PER/DCOMP  Devem  ser  observadas  as  instruções  de  preenchimento  integrantes do programa gerador de PER/DCOMPs, no sentido  de  que  as  informações  prestadas  nesse  documento  devem  espelhar a escrituração feita pelo contribuinte no Livro Registro  de  Apuração  do  IPI  –  modelo  8,  bem  assim  deve  ser  rigorosamente cumprida a disposição normativa, segundo a qual  somente  são  passíveis  de  ressarcimento  os  créditos  presumidos  escriturados no trimestre­calendário em referência.”  Cientificada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  60/67),  requerendo a  sua  reforma a  fim de que se homologue, na  íntegra, a compensação do  débito  tributário  declarado,  alegando,  em  síntese,  as  mesmas  razões  expendidas  na  manifestação  de  inconformidade,  ou  seja,  a  diferença  no  crédito  declarado  corresponde  ao  somatório dos saldos devedores apurados nas contas gráficas referentes as 1ª quinzena de abril  (R$173,87), 2ª de abril (R$580,19), 1ª de maio (R$164,22), 2ª de maio (R$3.625,87), e 1ª de  junho (R$1.512,19), todas de 2004, totalizando R$6.053,34, que foram devidamente liquidados  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.908153/2008­41  Acórdão n.º 3301­001.814  S3­C3T1  Fl. 72          3 tempestivamente, via pagamentos e/ ou Dcomps, conforme provam os documentos acostados  no anexo II da manifestação de inconformidade; assim, não poderiam ter sido abatidos da conta  gráfica para apuração do crédito presumido do IPI a que tem direito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  Nesta fase recursal se discute a certeza e liquidez do crédito suplementar, no  valor de R$6.056,34, que não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente.  A recorrente declarou na Dcomp, às fls. 02/04, crédito financeiro no valor de  R$35.214,48.  Contudo,  a  DRF  reconheceu  a  certeza  e  liquidez  do  valor  de  R$29.158,14,  apurado para o 1º trimestre de 2004, informado na Dcomp.  No  recurso  voluntário,  a  recorrente  reconheceu  que  o  valor  do  crédito  apurado para aquele trimestre é o valor reconhecido no despacho decisório e que a diferença de  R$6.056,34 se refere aos saldos devedores apurados nas contas gráficas da 1ª quinzena de abril  (R$173,87), 2ª de abril (R$580,19), 1ª de maio (R$164,22), 2ª de maio (R$3.625,87), e 1ª de  junho (R$1.512,19), todas de 2004, que foram liquidados tempestivamente via pagamentos e/  ou  Dcomps,  conforme  provam  os  documentos  acostados  no  anexo  II  da  manifestação  de  inconformidade.  A IN SRF nº 210, de 30/09/2002, vigente na data de transmissão da Dcomp  em  discussão  assim  dispunha  sobre  a  compensação  de  crédito  financeiro  contra  a  Fazenda  Nacional, com débito vencido, ambos do mesmo contribuinte:   “Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo  ou  contribuição  administrado  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  quaisquer  tributos ou contribuições sob administração da SRF.   §  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  pelo  sujeito  passivo  mediante  o  encaminhamento  à  SRF  da  ‘Declaração de Compensação’.   §  2º  A  compensação  declarada  à  SRF  extingue  o  crédito  tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do  procedimento.  [...].”  No presente caso, a DRF reconheceu crédito financeiro a favor da recorrente,  no valor de R$29.158,14, correspondente ao saldo credor do IPI (crédito presumido) apurado  para o 1º  trimestre de 2004 e homologou, em parte, compensações de débitos declarados em  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   4 outras Dcomps, remanescendo saldo de débito não compensado, no valor de R$6.056,34, que  foi então exigido da recorrente, conforme prova o darf às fls. 57.  A recorrente carreou aos autos as cópias dos darfs e Dcomps comprovando os  pagamentos/compensação dos saldos devedores apurados para a 1ª quinzenas de abril,  às  fls.  34; para a 2ª abril, às fls. 35; 1ª de maio, às fls. 36, 2ª de maio, às fls. 37/39 e fls. 41, e, para 1ª  de junho, às fls. 42/46 e fls. 47.  Ora,  levando­se  em  conta  que  tais  valores  foram  pagos/compensados  e  ao  mesmo  tempo  deduzidos  nas  contas  gráficas  para  apuração  do  saldo  do  crédito  do  IPI,  os  recolhimentos  configuram  pagamentos/compensação  indevidos  passíveis  de  repetição/  compensação.  Assim, comprovados os pagamentos/compensação indevidos, embora o valor  total do crédito financeiro, informado na Dcomp, não corresponda somente ao saldo credor do  IPI apurado para o 1º trimestre de 2004 e sim àquele saldo e aos saldos das referidas quinzenas  que  foram  pagos/compensados  e  posteriormente  deduzidos  da  escrita  fiscal  indevidamente,  entendo que, nos termos do dispositivo legal citado e transcrito anteriormente, aqueles valores  são também passíveis de compensação.  O erro cometido pela recorrente no preenchimento da Dcomp não impede o  reconhecimento do crédito financeiro complementar, no valor de R$6.056,34, correspondente  aos  saldos  devedores  apurados  para  as  referidas  quinzenas  e  pagos  tempestivamente  e  posteriormente deduzidos de forma incorreta da escrita fiscal.  A  homologação  da  compensação  de  débito  fiscal  vencido  com  crédito  financeiro  contra  a  Fazenda Nacional  está  prevista  na  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  art.  74,  assim dispõe:  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada  pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de  30/12/2002).  “§  1º.  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos  compensados”.(Redação  dada  pela  MP  nº  66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002).  § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior  homologação.  (Redação  dada  pela  MP  nº  66,  de  29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002).  (...).”  Conforme  se  verifica  deste  dispositivo  legal,  a  compensação,  mediante  a  entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e  liquidez dos créditos financeiros declarados.  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.908153/2008­41  Acórdão n.º 3301­001.814  S3­C3T1  Fl. 73          5 No  presente  caso,  a  recorrente  faz  jus  ao  ressarcimento/compensação  do  crédito  complementar,  no  valor  de  R$6.056,34  referente  aos  pagamentos/compensação  indevidos dos saldos do IPI (crédito presumido), apurados para a 1ª quinzenas de abril, 2ª de  abril, 1ª de maio 2ª de maio e 1ª de junho de 2004.  Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o  direito  de  a  recorrente  repetir/compensar  o  crédito  financeiro  complementar,  no  valor  de  R$6.056,34  (seis mil  cinqüenta e  seis  reais  e  trinta e quatro  centavos),  cabendo a autoridade  administrativa competente homologar a compensação do saldo do débito, neste mesmo valor.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                                Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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4876546 #
Numero do processo: 16327.001487/2005-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº. 9.069/95, art. 60). A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal. Aplicação do Enunciado nº. 37 da Súmula do CARF. Recurso provido
Numero da decisão: 1103-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, DAR provimento por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T3  Fl. 1          1             S1­C1T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.001487/2005­18  Recurso nº  166.733   Voluntário  Acórdão nº  1103­00.653  –  1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de abril de 2012  Matéria  IRPJ  Recorrente  ALFA ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício: 2002  Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS.  EXIGÊNCIA  DE  REGULARIDADE  FISCAL.  INDEFERIMENTO  DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA  DE REGULARIDADE FISCAL.  A  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  ou  benefício  fiscal  fica  condicionada  à  comprovação  da  quitação  de  tributos  e  contribuições  federais (Lei nº. 9.069/95, art. 60).  A  apresentação  de  certidões  de  regularidade  fiscal  supre  a  exigência  legal,  nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional.  Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente  em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos  de negativa comprova a regularidade fiscal.  Aplicação do Enunciado nº. 37 da Súmula do CARF.  Recurso provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, DAR provimento por unanimidade, nos  termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA ­ Presidente.        Fl. 321DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001487/2005­18  Acórdão n.º 1103­00.653  S1­C1T3  Fl. 2          2 HUGO CORREIA SOTERO ­ Relator.    EDITADO EM: 04/05/2012  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio  da  Silva,  Mário  Sérgio  Fernandes  Barroso,  Marcos  Shigueo  Takata,  José  Sérgio  Gomes,  Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero.    Relatório  Trata­se  de  Pedido  de  Revisão  de  Ordem  de  Benefícios  Fiscais  (PERC)  relativo  ao  ano­calendário 2002, motivado o pleito  formulado pela  ausência de confirmação,  pela  Delegacia  da  Receita  Federal,  dos  valores  destinados  pelo  contribuinte  ao  Fundo  de  Investimentos da Amazônia (FINAM).  O pedido foi indeferido pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras  de  São  Paulo  através  do Despacho Decisório  de  fls.  161/165,  sob  o  argumento  de  que  “foi  inscrito  no  Cadin  pela  PGFN  em  17/01/2006,  após,  portanto,  da  data  em  que  esse  órgão  deliberou  pela  liberação  da  CND  mais  recentemente  emitida  em  proveito  do  interessado  –  22/09/2005 (fls. 149; 156); – está com a CND mais recentemente emitida pelo INSS vencida  desde 26/02/2006 (fl.155); – em situação  irregular  junto à PGFN (f1.152); –  impedindo­o de  apresentar  a  comprovação atualizada da quitação de  tributos  e  contribuições  federais,  com o  que fica materializada a vedação prevista na legislação transcrita”.  Em escorço, o indeferimento do pedido formulado pela Recorrente decorreu  da verificação da existência de débitos exigíveis na data da prolação do Despacho Decisório.  Em face da decisão apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade  (fls.  167/172),  argumentando  no  sentido  a  impropriedade  da  análise  pontual  da  regularidade  fiscal  para  fins  de  análise  de  Pedido  de  Revisão  de  Ordem  de  Benefícios  Fiscais,  já  que  a  situação fiscal oscila entre regular e irregular, sendo obrigado o contribuinte a, amiúde, corrigir  problemas  gerados  por  deficiências  do  sistema  de  acompanhamento  da  Receita  Federal.  Apresentou, juntamente à manifestação de inconformidade, certidão de regularidade fiscal (fl.  182).  A manifestação de inconformidade foi  indeferida pela Delegacia da Receita  Federal de Julgamento de São Paulo (SP) por acórdão assim ementado:   “INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS.  A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições  federais pelo contribuinte, bem como a sua inscrição no CADIN,  impedem  o  reconhecimento  ou  a  concessão  de  benefícios  ou  incentivos fiscais.  Solicitação Indeferida”.  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001487/2005­18  Acórdão n.º 1103­00.653  S1­C1T3  Fl. 3          3 Da decisão se extrai:   “DA CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO DO INSS  Quanto à certidão negativa de débito do INSS apresentada pela  contribuinte  às  fls.177,  verifica­se  que  a  data  da  expedição  do  documento foi 10/03/2006, ou seja, posterior data de expedição  do Despacho Decisório.  Logo,  a  contribuinte  não  comprovou  a  regularidade  fiscal  perante o INSS na data de expedição do Despacho Decisório.”  Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 277/288,  reproduzindo as razões de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Hugo Correia Sotero ­  Relator  Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade.  Como  se  depreende  do  teor  da  decisão  impugnada,  a  questão  submetida  à  apreciação deste Conselho  se  resume  à possibilidade de  concessão de Revisão de  Incentivos  Fiscais  na  hipótese  de  ter  o  contribuinte  débitos  em  relação  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  com  exigibilidade  plena,  fixando  a  decisão  pronunciada  pela Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  que  a  regularidade  fiscal  deve  estar  presente  na  data  da  emissão  do  despacho decisório.  Assim dispõe o art. 60 da Lei nº. 9.069/95, verbis:   “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo  ou  benefício  fiscal,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou  jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais”.  A outorga de benefícios e incentivos fiscais pressupõe, nos termos do citado  preceito  normativo,  a  regularidade  do  contribuinte  no  que  tange  ao  pagamento  de  tributos  e  contribuições federais.  Ao contrário do que afirma a Delegacia da Receita Federal de São Paulo, não  se  exige a  inexistência de  ´pendências´ do  contribuinte no  sistema de controle de débitos  da  Secretaria da Receita Federal – critério assaz fluído, mormente diante da acentuada burocracia  e das incorreções normais na administração do sistema.  A prova de regularidade de pagamento de tributos e contribuições é feita pela  apresentação  de  certidões  de  regularidade  fiscal  emitidas  pelos  órgãos  arrecadadores  das  exações, na esteira do que dispõe o art. 205 do Código Tributário Nacional, nestes termos:  Fl. 323DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001487/2005­18  Acórdão n.º 1103­00.653  S1­C1T3  Fl. 4          4  “Art.  205.  A  lei  poderá  exigir  que  a  prova  da  quitação  de  determinado  tributo,  quando  exigível,  seja  feita  por  certidão  negativa, expedida à  vista de  requerimento do  interessado, que  contenha  todas  as  informações  necessárias  à  identificação  de  sua  pessoa,  domicílio  fiscal  e  ramo  de  negócio  ou  atividade  e  indique o período a que se refere o pedido.”  Como  é  cediço,  a  prova  de  regularidade  deverá  ser  expedida  ainda  que  existam  em  nome  do  contribuinte  débitos  impagos,  desde  que  configuradas  as  hipóteses  descritas no art. 206 do CTN – penhora em ação de execução e suspensão de exigibilidade.  A regularidade fiscal – requisito estabelecido pelo art. 60 da Lei nº. 9.069/95  –  foi  devidamente  comprovada  pela  Recorrente  mediante  apresentação  da  certidão  de  regularidade fiscal (negativa de débito) de fl. 182.   Este Conselho, analisando a questão da prova da regularidade fiscal para fins  de  deferimento  de  pedidos  de  revisão  de  ordem  de  emissão  de  incentivos  fiscais  editou  o  Enunciado nº. 37 da sua Súmula, nestes termos:   “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido  de  Revisão  de  Ordem  de  Incentivos  Fiscais  (PERC),  a  exigência  de  comprovação  de  regularidade  fiscal  deve  se  ater  ao  período  a  que  se  referir  a  Declaração  de  Rendimentos  da  Pessoa  Jurídica  na  qual  se  deu  a  opção  pelo  incentivo,  admitindo­se  a  prova  da  quitação  em  qualquer momento do processo administrativo, nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72.  SÚMULAS  VINCULANTES  Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010”.  A  aplicação  do  entendimento  sumulado  impõe  o  provimento  do  recurso  voluntário,  face  à  apresentação de  certidão de  regularidade  fiscal  pela Recorrente quando da  apresentação de manifestação de inconformidade.  Com estas considerações, conheço do recurso para dar­lhe provimento.    HUGO CORREIA SOTERO ­ Relator                             Fl. 324DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

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Numero do processo: 10640.900398/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 128          1 127  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10640.900398/2009­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­001.609  –  2ª Turma Especial   Sessão de  10 de abril de 2013  Matéria  IRPJ  Recorrente  JORGE FELIPPE FEREZ RESKALLA & CIA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  Ementa:  Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da  compensação  pleiteada  e,  não  havendo  análise  pelas  autoridades  a  quo,  quanto  ao  aspecto  quantificativo  do  direito  creditório  alegado  e  a  compensação  objeto  do  PERDCOMP,  deve  ser  analisado  o  pedido  de  restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito  creditório alegado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  PARCIAL  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.    (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Marco Antonio Nunes Castilho – Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 03 98 /2 00 9- 41 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900398/2009­41  Acórdão n.º 1802­001.609  S1­TE02  Fl. 129          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (Presidente),  Marco  Antonio  Nunes  Castilho,  Marciel  Eder  Costa,  Jose  de  Oliveira  Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Juiz  de  Fora  –  RJ  (DRJ­JFA),  que  julgou  improcedente  a  Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente.  Por  esclarecer  os  fatos  e  também  por  economia  processual,  transcrevo  o  relatório constante do Acórdão citado, verbis:   O  interessado  transmitiu  a  Dcomp  nº  18902.77266.240105.1.3.048166,  visando compensar  os  débitos  nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior ao  IRPJ, efetuado em 30/11/2004;  A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico,  no qual não homologa a compensação pleiteada;  A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01), na  qual  alega  que  “o  crédito  tributário  foi  apurado  seguindo  as  normas  tributárias,  com  base  em  balanço  ou  balancete  de  suspensão, competência 08/2004”;  É o breve relatório.    Em  sua  decisão,  a  DRJ­JFA  houve  por  bem  não  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado  pelo  contribuinte  (Acórdão  n°  09­37940),  de  20  de  dezembro  de  2011,  conforme ementa transcrita abaixo:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano calendário: 2004  ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO.  Pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser  objeto  de  compensação,  devendo  ser  usado  para  dedução  da  contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo  respectivo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900398/2009­41  Acórdão n.º 1802­001.609  S1­TE02  Fl. 130          3 Inconformada  com  a  decisão,  a  Recorrente  apresentou,  em  02/04/2012,  Recurso Voluntário (fls. 118/120) no qual aduziu, em síntese;  1)  Entende que a existência do  recolhimento a maior da estimativa mensal de  IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação;  2)  Alega  por  derradeiro  que  a  não  homologação  do  pedido  de  compensação  ensejaria a perda do crédito tributário em decorrência da prescrição.     É o relatório, passo a decidir    Voto             Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho  A  recorrente  foi  cientificada  da  decisão  da DRJ,  em  06.03.2012,  conforme  aviso de recebimento às fls. 116 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias,  em  02.04.2012,  atendendo  aos  demais  pressupostos  para  sua  admissibilidade.  Portanto,  dele  conheço.  Em  sua  defesa  alega  que  restou  comprovado  nos  documentos  apresentados  perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora, que apurou estimativa de IRPJ,  para o período de 10/2004, no valor de R$3.384,78 e, efetuou em 30.11.2004, pagamento de  estimativa (código 5993) para o período correspondente, no valor de R$17.495,97, sendo que  posteriormente  transmitiu  a  DComp  nº  18902.77266.240105.1.3.04­8166,  na  qual  utiliza  a  diferença como crédito a ser compensado.  A  DRJ  manteve  a  não  homologação  da  compensação  efetuada,  sob  o  argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de  compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição  do saldo negativo respectivo.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  Recorrente  alega  que  a  não  homologação  ensejaria  a  perda  do  direito  creditório  em  decorrência  da  prescrição,  sendo  uma  questão  de  “justiça” a autoridade fiscal permitir a utilização do crédito na compensação solicitada.  Assim,  a  decisão  da DRJ  concluiu  que,  somente  o  saldo  negativo  do  IRPJ  apurado  no  encerramento  do  ano  calendário  constitui  valor  passível  de  restituição/compensação,  não  sendo  cabível,  portanto,  a  solicitação  decorrente  de  eventuais  valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário.   À  época  em  que  a  compensação  foi  processada  encontrava­se  em  vigor  a  Instrução  Normativa  nº  460/2004,  que  em  seu  artigo  10  previa  a  impossibilidade  de  compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do  julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10,  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900398/2009­41  Acórdão n.º 1802­001.609  S1­TE02  Fl. 131          4 reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando  a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa.  Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do  artigo  106  do  Código  Tributário  Nacional,  deve  ser  admitida  a  retroatividade  benéfica  da  revogação  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  600/05,  pelo  artigo  100  da  Instrução  Normativa  RFB  n°  900/08  que,  inclusive,  não  mais  veda  a  compensação  de  créditos  relativos  a  pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11.  De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN  SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores.  Portanto,  ressalvadas  as  situações  do  parágrafo  3º  (créditos  não  compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação  no  âmbito  federal,  o  sujeito  passivo  que  apurar  crédito  relativo  a  tributo  e/ou  contribuição  administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento,  poderá utilizá­lo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte,  relativos  a  quaisquer  tributos  ou  contribuições  sob  administração  do  mencionado  órgão  administrativo, vejamos:  ...  Artigo  74  ­  0  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de  ressarcimento, poderá  utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele órgão.  ...  §  3o  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de  cada  tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação  mediante  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  da  declaração  referida  no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)   I ­ o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Física;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.637, de 2002)   II  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  devidos  no  registro  da  Declaração  de  Importação.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.637, de 2002)   III  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham  sido encaminhados à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional  para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº  10.833, de 2003)   IV  ­  os  créditos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito  consolidado  no  âmbito  do  Programa  de  Recuperação  Fiscal  ­  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900398/2009­41  Acórdão n.º 1802­001.609  S1­TE02  Fl. 132          5 Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei  nº 10.833, de 2003)    IV  ­  o  débito  consolidado  em  qualquer  modalidade  de  parcelamento  concedido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)   V  ­  os débitos que  já  tenham sido objeto de  compensação não  homologada pela Secretaria da Receita Federal.  (Incluído pela  Lei nº 10.833, de 2003)   V  ­  o  débito  que  já  tenha  sido  objeto  de  compensação  não  homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de  decisão  definitiva  na  esfera  administrativa;  e  (Redação  dada  pela Lei nº 11.051, de 2004)   VI ­ o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento  já  indeferido  pela  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita Federal ­ SRF, ainda que o pedido se encontre pendente  de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei  nº 11.051, de 2004)   VII­os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  de  valores  originais  inferiores  a  R$  500,00  (quinhentos  reais);  (Incluído  pela Medida Provisória nº 449, de 2008)  VIII­os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da  pessoa  física apurados na  forma do art.  8o  da Lei no  7.713, de  1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)  IX­os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica­IRPJ  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido­CSLL  apurados  na  forma  do  art.  2o.  (Incluído  pela Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)   Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor:  Súmula  84:  Pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.    Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só,  tanto  pela  DRF­JFA  quanto  pela  DRJ,  não  encontram  amparo  na  norma  legal  que  rege  a  matéria.  A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de  estimativa,  comprovado  mediante  escrituração  contábil  e  fiscal,  para  que  se  possa  aferir  a  certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código  Tributário Nacional­CTN).  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900398/2009­41  Acórdão n.º 1802­001.609  S1­TE02  Fl. 133          6 Nesse sentido, apesar de constar dos autos a DIPJ/2005, DCTF(s), DARF de  recolhimento da estimativa, não fora possível aferir qual valor das estimativas que fora levado  para  compor  o  ajuste  final.  Isto  porque,  a  Recorrente  possui  diversos  PERDCOMPS  requerendo compensação de estimativas pagas durante o ano­calendário de 2004: Processos no.  10640.900400/2009­81, 10640.900398/2009­41, 10640.900401/2009­26, 10640.900402/2009­ 71,  10640.901865/2009­50,  10640.901866/2009­02,  10640.901867/2009­49,  10640.901866/2009­02, 10640.901868/2009­93.  Desta  forma,  torna­se  inviável,  nessa  fase  processual,  a  análise  quanto  ao  crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada.  Porém,  a  motivação  para  o  indeferimento  do  pleito  tanto  pela  autoridade  administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringe­se ao teor da  IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº  9430/96.  Assim,  não  havendo  análise  quanto  ao  aspecto  quantificativo  do  direito  creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da  IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não  homologação  da  compensação  pleiteada,  deve  ser  analisado  o  pedido  de  restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório  alegado.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora/MG)  para análise do PERDCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser  cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso.          (documento assinado digitalmente)  Relator Marco Antonio Nunes Castilho                                  Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO

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4840154 #
Numero do processo: 35346.000223/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1995 a 30/06/1998 DECADÊNCIA - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.240
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:57:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:57:31Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:57:32Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:57:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:57:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:57:32Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:57:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:57:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:57:31Z; created: 2009-09-09T16:57:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-09T16:57:31Z; pdf:charsPerPage: 855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:57:31Z | Conteúdo => y S2-C3T1 ÇYs'7 Fl. 752 3;:lat, MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 '. • (C.:3/4 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS1 ..Q:zh-,t-: • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ..._ • ..• Processo n° 35346.000223/2006-44 Recurso n° 148.063 Voluntário Acórdão n° 2301-00.240 — 3* Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 05 de maio de 2009 . Matéria Cessão de Mão de Obra: Retenção. Empresas em Geral Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL - SENAR/SC • Recorrida DRP/FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 30/06/1998 DECADÊNCIA - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei In° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. I(' k . i - Processo n° 35346.000223/2006-44 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.240 Fl. 753 ACORDAM os membros da 3' Câmara I V' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda ikl\iJunior e Edgar Silva Vida acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, § d . ui J 1 IO Shi:f. VIEIRA GOMES •p.iden dl d e 1101®.." R • • ATO delatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Gelson Guilherme Werleng, OAB/SC n° 19.926. ' 2 • . . Processo n°35346.000223/2006-44 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.240 Fl. 754 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cujo objeto da notificação são as contribuições devidas pela Recorrente na condição de responsável solidária, correspondente a serviços executados sobre cessão de mão de obra, nos quais não foram comprovados os devidos recolhimentos das contribuições previdenciárias dos segurados. O período do débito abrange as competências de novembro de 1995 a junho de 1998. Os documentos examinados para o levantamento de débito foranr livros diários e razão, e, NFLD if 35.125.636-9 de 29/12/2000. Fazem parte do crédito previdenciário levantado, as contribuições devidas pelo SENAR na condição de responsável solidário do Sindicato Rural de Alfredo Wagner, destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, segurados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (até 06/97), ao financiamento dos beneficio concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho — RAT (a partir de 07/1997) e as destinadas a outras Entidades (Terceiros). A Recorrente foi cientificada da lavratura da NFLD em 06/07/2005 (fls.45), apresentou defesa (fls.46/77) e a DN julgou o lançamento procedente (fls.268/282). Em 02/02/2006 a Recorrente foi cientificada do teor da DN, e, inconformada, apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: Ilegitimidade passiva; Falta de ação prévia contra o contribuinte principal; Decadência; A? CaJ converteu o julgamento em diligência para que o Recorrido juntasse aos autos a NFLD n°35.125.636-9 ou sua cópia integral, bem como fizesse os esclarecimentos elencados no acórdão. A Recorrente apresentou sua manifestação sobre os documentos e esclarecimentos do Recorrido. É o relatório. • 3 Processo n° 35346.000223/2006-44 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.240 Fl. 755 VOTO Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse !agida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, ' aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa iç\-tV 4 e . -. Processo n°35346.000223/2006-44 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.240 Fl. 756 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: . Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta LeL á' E O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das . quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. • Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, Ido CTN. Assim sendo, tendo sido cientificada a recorrente do lançamento em 08/07/2005, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto do lançamento. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. 1,s.. as Ses-, em 05 de maio de 2009 Á Ir I 05(k) 4I R . NA ' ATO - Relatora s • Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10735.904393/2009-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR. 1- Em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos, mas isto diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto tal, ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução. 2- A estimativa que fica vinculada à apuração de ajuste é aquela apurada e recolhida de acordo com a norma tributária, não se incluindo aí pagamento que desde o início mostra-se indevido ou a maior, que não guarda relação com a base de cálculo do próprio mês a que deveria corresponder.
Numero da decisão: 1802-001.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10735.904393/2009­38  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1802­001.649  –  2ª Turma Especial   Sessão de  07 de maio de 2013  Matéria  CSLL  Recorrente  AIS ASSOCIAÇÃO PARA INVESTIMENTO SOCIAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2005  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  DE  ESTIMATIVA  RECOLHIDA  A  MAIOR.  1­ Em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ ou de  CSLL, e não as estimativas destes tributos, mas isto diz respeito ao valor da  estimativa  efetivamente  devida  enquanto  tal,  ou  seja,  ao  valor  que  corretamente  resulta ou  do  cálculo  com base na  receita bruta mensal ou  da  apuração fundada em balancete cumulativo de redução.  2­ A estimativa que  fica vinculada à apuração de ajuste é aquela apurada e  recolhida de  acordo com a norma  tributária, não  se  incluindo aí pagamento  que  desde  o  início mostra­se  indevido  ou  a maior,  que  não  guarda  relação  com a base de cálculo do próprio mês a que deveria corresponder.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao  recurso, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 43 93 /2 00 9- 38 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 3          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira  Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.   Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  no Rio  de  Janeiro  – DRJ/RJ  I,  que manteve  a  negativa  de  homologação  em  relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já  havia decidido anteriormente a Delegacia de origem.  Em  24/02/2006,  a  Contribuinte  transmitiu  o  PER/DCOMP  nº  37737.28339.240206.1.3.04­9690  (fls.  1  a  5),  em  que  utiliza  um  alegado  crédito  de  R$  3.150,00 proveniente de pagamento  a maior de  estimativa de CSLL  referente  a março/2005,  conforme DARF recolhido em 29/04/2005, no valor total de R$ 13.550,04.  O débito objeto de compensação corresponde à estimativa de CSLL do mês  de janeiro/2006, no valor de R$ 3.605,18.  A  Delegacia  de  origem  (DRF  Nova  Iguaçu/RJ),  por  meio  do  Despacho  Decisório  nº  831661266,  de  20/04/2009  (fls.  6),  não  homologou  a  compensação  porque  o  alegado  crédito  corresponde  a  pagamento  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  e porque, como tal,  somente poderia ser utilizado na dedução do  IRPJ ou da  CSLL devida  ao  final  do  período  de  apuração  ou  para  compor  o  saldo  negativo  de  IRPJ  ou  CSLL do período.  Com a manifestação de fls. 9 a 23, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, e  conforme  descrito  na  decisão  de  primeira  instância, Acórdão  nº  12­38.012  (fls.  139  a  149),  apresentou os seguintes argumentos:  a) recolheu R$ 13.550,04, a título de estimativa mensal, que não  era  devida,  “em  razão  de  os  montantes  apurados  terem  sido  absorvidos  com crédito  de meses  anteriores,  apurado mediante  elaboração de Balanço de Suspensão ou Redução (...)”;  b)  existem  duas  normas  que  disciplinam  o  reconhecimento  da  antecipação mensal:  a  sobre  receita  bruta  apurada no  período  (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996); e a mediante levantamento de  balanço  de  suspensão  e  redução  (art.  35  da  Lei  nº  8.981,  de  1995);  c) ao levantar balanço para fins de recolhimento da estimativa,  “acabou por apurar o Lucro Real do período”;  d) “dessa forma, todo e qualquer valor recolhido nesse período,  a  título  de  estimativa  mensal  é,  inegavelmente,  crédito  de  titularidade da Requerente, já passível de utilização no momento  de sua constatação, por representar montante recolhido a maior  que o devido”;   e) “quem pode o mais (deixar de recolher valores em cenário de  base  negativa  quando  levantado  balanço  de  suspensão  ou  redução),  deve  poder  também  o menos  (aproveitar  o montante  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 5          4 recolhido  a  maior  do  que  o  apurado  como  devido  a  título  de  estimativa mensal com o levantamento do mesmo balanço)”;  f)  “fica  claramente  demonstrado  o  completo  preenchimento  da  hipótese prevista no art. 165, I, do CTN, que disciplina o direito  do  contribuinte  de  reaver  (seja  via  restituição,  seja  mediante  compensação,  como  visto)  “pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  a  maior  que  o  devido  em  face  da  legislação  tributária”,  o  que  lhe  autoriza,  em  contrário  ao  decidido  no  despacho ora  atacado, a  compensação  em  questão,  ainda mais  em um cenário de levantamento de balanço de suspensão ou de  redução,  quando  foi  devidamente  apurado  o  lucro  real  do  período”;  g)  “era,  já  na  época  do  recolhimento  realizado  (por  óbvio  confirmado ao encerramento do exercício), detentora de créditos  contra  a  Administração  Federal,  em  razão  de  recolhimento  realizado em valor maior do que o apurado como devido a título  de estimativa mensal de CSLL”;  h)  não  existe  previsão  legal  vedando  o  aproveitamento  de  créditos  apurados  em  razão  de  recolhimento  maior  do  que  o  devido, mesmo que a título de estimativas”;   i)  “(...)  norma  veiculada  pela  Instrução Normativa  600/05,  em  seu art. 10, a qual, inclusive, não encontra qualquer respaldo em  LEI  capaz  de  lhe  atribuir  a  necessária  validade  perante  o  Ordenamento  Jurídico  Positivo,  ainda  mais  porque  assim  se  apresenta  contrária  às  regras  legais  que  disciplinam  o  aproveitamento do crédito em questão”;   j) “evidencia­se a certeza e a liquidez do crédito da Requerente,  perfeitamente oponível ao fisco, com a atualização já no próprio  período de recolhimento e devidamente retratado na Declaração  de Ajuste anual quando do encerramento do exercício”;  k)  “é  direito  do  contribuinte  compensar  o  valor  recolhido  a  maior, mesmo sobre bases mensais  estimadas,  logo a partir do  mês  seguinte,  sem  ter  que  aguardar  o  encerramento  do  exercício”.  4  O  interessado  reproduz  ementa  e  parte  de  decisão  do  então  Conselho  de  Contribuintes  (recurso  voluntário  n°  152.057,  acórdão  105­15.943),  dizendo  que  “esse  direcionamento  é  perfeitamente  aplicável  ao  caso  concreto”,  e  pleiteando  que  “seja  a  decisão  acima  transcrita  aplicada  ao  caso  concreto,  mediante reforma do r. despacho decisório ora atacado”.  5.  Pede  a  reforma  do  Despacho  Decisório,  “para,  então,  ser  reconhecido  o  direito  creditório  referente  ao  valor  recolhido  a  título  de  estimativa  mensal  de  CSLL,  no  mês  de  03/2005,  no  montante  total  de  R$  13.550,04,  dos  quais  apenas  3.150,00  foram  utilizados  na  declaração  em  questão”,  ou,  caso  a  compensação  não  seja  homologada,  “que  esse  crédito  seja  computado  no  saldo  negativo  do  ano  de  2005,  passível  de  restituição/compensação até o ano de 2010”.  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 6          5 6  Com  a  Manifestação  de  Inconformidade­MI  vieram  os  documentos  de  fls.24/101.  Nesta  Turma,  foram  acostadas  as  consultas de fls.103/138.  [...]  Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio  de  Janeiro  –  DRJ/RJ  I  manteve  a  negativa  em  relação  à  compensação,  expressando  suas  conclusões com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2005   DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVAS MENSAIS. CSLL.  O  pagamento  a  título  de  estimativa  mensal  de  CSLL  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  da  CSLL  devida  ao  final  do  período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL  do período.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  26/08/2011  (sexta­feira), AR às fls. 156, a Contribuinte apresentou em 26/09/2011 o recurso voluntário de  fls. 157 a 173, onde basicamente reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme  descrito nos parágrafos anteriores.    Este é o Relatório.  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 7          6   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  Conforme  relatado,  a  Contribuinte  questiona  decisão  que  não  homologou  declaração de compensação por ela enviada em 24/02/2006, na qual utiliza crédito decorrente  de um alegado pagamento a maior referente à CSLL/estimativa do mês de março/2005.  De  acordo  com  os  autos,  tanto  a  DIPJ  (original  e  retificadora),  quanto  a  DCTF retificadora/ativa, informam débito de estimativa para o mês de março/2005 no valor de  R$ 10.400,04.  Para  quitar  esta  estimativa,  a  Contribuinte  realizou  dois  recolhimentos:  R$  13.550,04, em 29/04/2005, e R$ 5.652,00, em 31/08/2005.  O crédito utilizado na compensação a ser aqui examinada corresponde à parte  excedente já verificada em relação ao primeiro pagamento, no valor de R$ 3.150,00.  A declaração de compensação visa a quitação da estimativa de CSLL do mês  de janeiro/2006, no valor de R$ 3.605,18.  Este  colegiado  tem  admitido  compensação  com  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativa  desde  que  reste  comprovado  que  o  pagamento  efetivamente  superou  o  valor mensal  que  seria  devido  (seja  com  base  na  receita  bruta,  seja  a  partir  de  balancete  de  suspensão/redução), e que ele não tenha sido incluído no saldo negativo do período.  De fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ  ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos.   Mas isto diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto tal,  ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da  apuração fundada em balancete cumulativo de redução.  As  estimativas  que  são  corretamente  apuradas  e,  portanto,  devidas  a  esse  título, realmente não são restituíveis e nem compensáveis de imediato, independentemente dos  resultados que venham a ser apurados nos meses subseqüentes, ou mesmo no ajuste anual.  Estas  só  se  apresentam  como  indébito  a  ser  restituído  ou  compensado  na  forma de “saldo negativo”, incorporadas a essa nova rubrica, que surge apenas com o ajuste no  final do ano, dependendo do resultado do exercício.   A  decisão  recorrida  faz  menção  ao  art.  20,  §  1º,  “b”,  da  Lei  8.981/1995,  segundo o qual os balancetes de suspensão só produzem efeitos para fins de quantificação da  parcela mensal do IRPJ/CSLL devida no curso do ano­calendário.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 8          7 Cita  também  o  art.  2°,  §  4°,  da  Lei  9.430/1996,  que  estabelece  que  as  estimativas pagas na forma daquele mesmo artigo serão computadas na determinação do saldo  final a pagar ou a ser compensado.  E  frisa  que  o  balancete mensal  demonstra  apenas  se  o  valor  acumulado  de  antecipações excede a parcela mensal a ser paga no curso do próprio ano­calendário, mas que  não produz o efeito de antecipar a data de apuração do  IRPJ/CSLL, que só ocorre em 31 de  dezembro.  Tais argumentos correspondem exatamente ao que  já  foi  dito anteriormente  sobre  as  estimativas  efetivamente  devidas,  ou  seja,  aquelas  que  resultam  ou  do  cálculo  com  base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução.  O  objetivo  é  evitar  que  um  pagamento  ainda  provisório,  tido  como  mera  antecipação,  seja  objeto  de  restituição  ou  compensação  antes  de  encerrado  o  período  de  apuração anual.  E  o  balancete  de  suspensão  realmente  não  tem  o  escopo  de  antecipar  a  formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado.   Mas não é esse o caso.  A  Contribuinte  não  está  buscando  a  restituição/compensação  de  estimativa  que  foi  corretamente  apurada  em  relação  a  um  determinado mês,  e  que  passou  a  configurar  excedente em relação a balancete de mês subseqüente.   O  problema  aqui  envolve  um  pagamento  de  estimativa  que  desde  o  início  mostrou­se indevido, que não guardava correspondência com a base de cálculo de seu próprio  mês.   As normas legais citadas acima nada dizem a esse respeito.   O art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, também mencionado na  decisão  recorrida,  procurou  tratar  da  matéria,  mas  acabou  extrapolando  os  contornos  da  lei  quando limitou a utilização de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal.  A  citada  regra  não  foi  repetida  nas  instruções  normativas  posteriores  que  tratam do mesmo tema (IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012).  Nestes outros atos normativos, a Receita Federal manteve a referida restrição  apenas para o aproveitamento de retenções na fonte indevidas ou a maior, e não mais para os  pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa.  A IN SRF nº 600/2005 foi, inclusive, expressamente revogada pela IN RFB  nº 900/2008.  No  caso,  a Contribuinte  apurou  na DIPJ  retificadora  um  saldo  negativo  de  CSLL no valor de R$ 38.962,03 para o ano de 2005.  Nesta  apuração,  ela  computou  estimativas  anuais  no  montante  de  R$  103.549,62,  não  incluindo  aí  o  excedente  de R$  3.150,00  (referente  ao  primeiro  pagamento  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 9          8 para  a  estimativa  de  março/2005),  conforme  indica  não  apenas  a  DIPJ,  mas  o  próprio  demonstrativo constante da decisão recorrida, às fls. 149.  Em relação a março/2005, a Contribuinte considerou estimativa no valor de  R$  10.400,04,  ao  passo  que  realizou  dois  pagamentos  para  quitar  esta  estimativa  (R$  13.550,04, em 29/04/2005, e R$ 5.652,00, em 31/08/2005).  O  próprio  relatório  SIEF,  às  fls.  135,  e  o  já  mencionado  demonstrativo  constante  da  decisão  recorrida  evidenciam  a  existência  do  mencionado  excedente  de  R$  3.150,00, que não foi alocado a nenhum débito (ao contrário dos demais recolhimentos a título  de estimativa), e que, portanto, está disponível desde o seu surgimento.   Deste modo, não há como negar o reconhecimento do crédito.  Em  seu  PER/DCOMP,  a  Contribuinte  computou  juros  de  14,45%,  que  correspondem exatamente ao somatório dos juros selic do período entre o pagamento a maior e  a sua utilização:        Mês   Taxa Selic         mai/05  1,50%  jun/05  1,59%  jul/05  1,51%  ago/05  1,66%  set/05  1,50%  out/05  1,41%  nov/05  1,38%  dez/05  1,47%  jan/06  1,43%  fev/06  1,00%  Somatório  14,45%    A incidência dos juros sobre o crédito resulta em R$ 3.605,18, que é o valor  do débito objeto da compensação.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso,  para  homologar a declaração de compensação constante deste autos.     (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904393/2009­38  Acórdão n.º 1802­001.649  S1­TE02  Fl. 10          9                 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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