Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.721362/2015-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso, quando o acórdão paradigma trata de situação fática distinta da situação consignada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso, quando o acórdão paradigma trata de situação fática distinta da situação consignada no acórdão recorrido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.721362/2015-01
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5920574
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.187
nome_arquivo_s : Decisao_10580721362201501.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10580721362201501_5920574.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7482559
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869206876160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.721362/201501 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.187 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GELSON CARDOSO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso, quando o acórdão paradigma trata de situação fática distinta da situação consignada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 62 /2 01 5- 01 Fl. 156DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201003.829 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 9 de agosto de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 68: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial" (Tema 470). O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 79 a 85, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 101 a 103, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes de verbas recebidas em reclamatória trabalhista. Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiram o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo apenas em relação as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva; b) da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, resta claro que apenas são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”; c) trazendo tais premissas para o caso em tela, deve ser restaurada a incidência de IRPF sobre os juros incidentes sobre as verbas salariais recebidas pelo contribuinte na reclamação trabalhista. Intimada, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 109 a 132, nas quais sustenta, em síntese: a) o Recurso interposto não deve ser admitido, pois utilizou como acórdão paradigma uma decisão que, em verdade, reforça a tese do recorrido; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 9202007.187 CSRFT2 Fl. 3 3 b) através do cotejo da decisão proferida em sede de recurso voluntário e a decisão utilizada como paradigma pela Procuradoria da Fazenda, é impossível encontrar uma divergência; c) o acórdão recorrido afirma que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes da reclamatória trabalhista e o acórdão utilizado como paradigma defende que os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda; d) o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n.º 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento acerca da não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais; e) as decisões administrativas devem acatar a jurisprudência consolidada acerca de determinada matéria, objetivando unificar a aplicação e o entendimento sobre uma matéria no caso concreto; f) a tributação dos juros de mora pagos na reclamatória trabalhista, desnatura o perfil constitucional do imposto de renda, pois a variação em comento não aumenta ou acresce o patrimônio do contribuinte; g) deve ser negado provimento ao recurso especial, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Mostramse relevantes, no presente caso, algumas. considerações sobre a admissibilidade do recurso especial sob análise. Conforme narrado, a divergência suscitada pela Recorrente trata da incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes de verbas recebidas em reclamatória trabalhista. A Procuradoria da Fazenda Nacional, a fim de demonstrar a divergência jurisprudencial, utilizouse do Acórdão paradigma n.º 9002004.246, no qual consta a seguinte ementa: Fl. 158DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Recurso Especial do Procurador Provido Em consulta ao inteiro teor do referido paradigma, observase que nele restou consignado o entendimento a respeito da incidência do imposto de renda sobre os juros de mora em razão da ausência da natureza indenizatória da verba, tendo como parâmetro a verba principal que é, naquele caso, a diferença de URV. Assim, não se está diante de uma rescisão do contrato de trabalho, razão pela qual não há similitude fática entre o Acórdão Paradigma Acórdão Recorrido. Além disso, pelo que se extrai da fundamentação do voto, diante da aplicação do REsp 1.227.133/RS, é possível inferir que o colegiado recorrido teria, em tese, entendimento semelhante ao decidido no acórdão vergastado, na hipótese de se tratar do contexto de rescisão do contrato de trabalho, já que tal entendimento faz parte do teor do repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Desse modo, por ausência de similitude fática entre o Acórdão Recorrido e o Acórdão paradigma, e, por conseqüência, por ausência de divergência jurisprudencial, não conheço do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11051.000729/2006-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/11/2006
MULTA.. CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIVOCADA. CABIMENTO.
A escolha por codificação 9999 - outros, cuja consequencia é a não submissão no licenciamento obrigatório, em detrimento da julgada correta, qual seja, a '0001 - alimentos', e, portanto, submetida ao licenciamento obrigatório, implica em arcar com a multa prevista
MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. CABIMENTO.
A ausência de licenciamento, decorrente da classificação incorreta praticada pela importadora, deve implicar em pagamento da multa pela importação desamparada de licença como consequência lógica.
Numero da decisão: 3001-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 27/11/2006 MULTA.. CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIVOCADA. CABIMENTO. A escolha por codificação 9999 - outros, cuja consequencia é a não submissão no licenciamento obrigatório, em detrimento da julgada correta, qual seja, a '0001 - alimentos', e, portanto, submetida ao licenciamento obrigatório, implica em arcar com a multa prevista MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. CABIMENTO. A ausência de licenciamento, decorrente da classificação incorreta praticada pela importadora, deve implicar em pagamento da multa pela importação desamparada de licença como consequência lógica.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11051.000729/2006-09
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912231
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.518
nome_arquivo_s : Decisao_11051000729200609.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA
nome_arquivo_pdf_s : 11051000729200609_5912231.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7441219
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869223653376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 125 1 124 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11051.000729/200609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.518 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria REGIMES ADUANEIROS Recorrente BEBIDAS FRUKI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/11/2006 MULTA.. CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIVOCADA. CABIMENTO. A escolha por codificação 9999 outros, cuja consequencia é a não submissão no licenciamento obrigatório, em detrimento da julgada correta, qual seja, a '0001 alimentos', e, portanto, submetida ao licenciamento obrigatório, implica em arcar com a multa prevista MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. CABIMENTO. A ausência de licenciamento, decorrente da classificação incorreta praticada pela importadora, deve implicar em pagamento da multa pela importação desamparada de licença como consequência lógica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 00 07 29 /2 00 6- 09 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Trata se de auto de infração decorrente de importação desamparada de licença de importação, ou documento equivalente, conforme informações transmitidas com o envio e registro da Declaração de Importação n° 06/14364455, de 27/11/2006. A referida D.I. trata da importação de 'PRÉFORMAS DE GARRAFAS PET', cuja classificação fiscal, em seu entender, ficou na posição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM 3923.30.00. Ausência de licenciamento Tal mercadoria deve ser submetida à anuência do Ministério da Saúde através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) , por ser utilizada na indústria alimentícia, conforme determinam os Comunicado DECEX 23/1998 (pág. 28) e Resolução RDC ANVISA 350/2005. Frisese que a própria empresa importadora reconhece a utilização das garrafas "para água mineral" (pág. 21) e que a própria ANVISA no seu oficio n° 32, de 12/12/2006, ratifica a necessidade da inspeção pela autoridade sanitária (pág. 32). Classificação Incorreta Restou incorreta classificação fiscal por que a informação dos atributos/características da mercadoria, conforme a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE tem quatro atributos a serem informados quando na classificação na NVE. Houve divergência no atributo 'AD' (utilização), uma vez que foi informado o código de especificação 9999 outros quando deveria ter sido informado 0001 para alimentos inclusive conforme declaração do importador e, também, referente à Descrição da mercadoria, vez que não foi informado, na adição, o "EX" tarifário especifico da mercadoria, pois o "EX" em questão é especifico para esse tipo de mercadoria, cujo desenho técnico da fábrica está neste processo. Impugnação A Impugnante relatou que foi autuada pela Receita Federal através do Auto de Infração com base no MPF 1011200/37060/06, da Delegacia da Receia Federal no Chui/RS, de 18 de dezembro de 2006. O Demonstrativo do Crédito Tributário se destaca como originário das seguintes infrações: a) Multa de Controle Administrativo; b) Multa Regulamentar. multa de controle administrativo A multa de controle administrativo se originou do entendimento fiscal que a importação consumouse ao desamparo de licença de importação. A multa regulamentar, Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 126 3 afirma o auto de infração, decorreu de que a mercadoria importada "préformas de garrafas pet" apresentou descrição incorreta em dois pontos. 'código 9999 outros' VERSUS 'código 0001 — alimentos' 0 primeiro porque a Impugnante teria informado que a utilização teria o código 9999, outros e não o código 0001 — alimentos; 0 outro ponto seria a falta de descrição do "ex tarifário" especifico da mercadoria — ex 01. RDC 350 2005 conceituação de alimentos e correlatos o produto importado naã se subsume ao conceito legal de alimento proposto na Resolução RDC n° 350 não estando equivocado seu enquadramento no código de especificação 9999 — outros, ao contrário do que preconizou a autuação. Ainda na seara das definições concriadas e disciplinadas pela ANVISA, na Resolução RDC n° 350, o produto não se caracteriza como embalagem alimentar as embalagens disciplinadas pela ANVISA. Dispensa de licenciamento O anexo à Portaria 35, na redação atualizada existente no sitio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, consta o rol dos produtos de licenciamento automático, licenciamento não automático conforme o artigo 7°, parágrafo único, XIV. No mencionado rol, anexado à Portaria n° 35/2006 SECEX, conforme sitio www.desenvolvimento.qov.br , não inclui o produto importado em tela como de licenciamento automático. DRJ/FNS Tendo sido o acórdão sob vergasta dispensado da formulação de ementa, importa transcrever o relatório, a fim de transparecer o correto desenrolar dos fatos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 22.510,92, referente a multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1 %, classificação incorreta). A interessada por meio da declaração de importação (DI) n° 06/14364455 (fls. 10 a 21) submeteu a despacho mercadorias descritas como "PREFORMAS DE PET COR CRISTAL, PESANDO 48 GRS.", classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3923.30.00, utilizando a aliquota prevista no Extarifário 001, não informando tal situação em campo apropriado da DI, e indicando ainda que a mercadoria em apreço esta enquadrada no subitem 9999 — "Outros" da Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) para o Fl. 127DF CARF MF 4 subitem relacionado à utilização (AD). Em relação ao "destaque", a interessada indicou 999. Considerando que a mercadoria é destinada para indústria alimentícia (garrafas para água mineral) — declaração da própria interessada à folhas 21, e que nestes casos a mercadoria esta sujeita a licença de importação com anuência da ANVISA, a fiscalização concluiu que a mercadoria deve ser enquadrada no Extarifário 001, NVE 0001 e "destaque" 030 — "Utilizados na Industria Alimentícia" (fl. 28). Considerando que a interessada no informou corretamente os dados acima, bem como não apresentou descrições corretas da mercadoria importada, a fiscalização aplicou a multa por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente. Foi aplicada também a multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente nas nomenclaturas complementares e em outros detalhamentos instituidos na Nomenclatura Comum do Mercosul. Regularmente cientificada (pessoalmente, fl. 01), a interessada apresentou impugnação de folhas 37 a 46, anexando os documentos de folhas 47 a 72. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o produto importado não é alimento nem se tipifica como embalagem pronta, não estando equivocado seu enquadramento no código especificado como 9999 —outros; Que, a mercadoria importada é dispensada de licenciamento, a Portaria SECEX n° 35/2006, em seu anexo, não incluiu o produto importado em tela como de licenciamento automático, não estando incluso também na lista de produtos com licenciamento não automático, dado que o enquadramento "utilizados na indústria alimentícia" somente faz sentido acaso se reporte à outros insumos diferentes de embalagens, porque essa está mencionada em outra posição; As menções sobre os fundamentos do voto condutor serão apresentadas em item posterior. Recurso Voluntário Após reproduzir os fatos ocorridos, a defesa acrescente, através de seu recurso voluntário Considerações acerca da controvérsia A controvérsia prendese, à parte da autuação que trata da ausência de prévia autorização de importação da ANVISA porque haveria expresso enquadramento por parte da Vigilância Sanitária a exigir tal procedimento não satisfeito pela Recorrente na sua condição de importadora do seguinte produto classificado na NCM na posição 39.23.30.00, Aponta como trecho atacado da decisão de primeira instância que o produto Ex 01 Esboços de garrafas de plástico, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 127 5 posteriormente, para se obter a dimensáo e forma desejadas, importado pela recorrente deveria ter prévia anuência da AN VISA. Segundo afirma, consta do Oficio enviado Delegacia da RFB de Chui à ANVISA (fl. 30, dos autos), com o seguinte questionamento: "5. Isto exposto, resta a seguinte dúvida: (..) estas préformas estão dispensadas da Licença de Importação?". Com base no Oficio da ANVISA, fl. 32, dos autos, a Receita Federal entendeu dissipada sua incerteza, lavrando o auto de infração, embasandose: "que a própria ANVISA no seu oficio n° 32, de 12/12/2006, ratifica a necessidade da inspeção pela autoridade sanitária. Questionou, ainda, a validade formal e material do Oficio n° 32, quanto a sua aptidão para determinar a obrigatoriedade de prévia anuência de importação de preformas. Insurgese através do argumento no qual "garrafas são embalagens de agua; préformas nada embalam". Licenciamento Contesta, também, pela interpretação sistemática da Resolução n° 350, que demonstraria a ausência da preforma no conceito de embalagem de alimento. Seguese: assim, que o produto importado não se subsume ao conceito legal de alimento proposto na Resolução — RDC n° 350 não estando equivocado seu enquadramento no código de especificação 9999 — outros, ao contrário do que preconizou a autuação. Ainda na seara das definições concriadas e disciplinadas pela ANVISA, na Resolução — ROC n° 350, o produto não se caracteriza como embalagem Por não se enquadrar no conceito de alimento, ou embalagem para alimento, a recorrente aponta, em sua defesa, o rol dos produtos de licenciamento automático, licenciamento não automático. Pelo artigo 7°, parágrafo único, XIV, do mencionado Ato, as importações não relacionadas nos caso de licenciamento automático ou não automático estão dispensadas de licenciamento. No mencionado rol, anexado à Portaria n° 35/2006 SECEX, conforme sitio www.desenvolvimento.qov.br , coloca em evidencia que não inclui o produto importado em tela como de licenciamento automático, Classificação incorreta A importadora do produto classificado na NCM na posição 39.23.30.00, Ex 01, de seguinte descrição: Ex 01 Esboços de garrafas de plástico, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensAo e forma desejadas. Falta de Descrição do Ex tarifario É o relatório. Fl. 129DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: preponderância do código 9999 outros e descabimento das multas. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. DOS FATOS Tratase de recursos voluntário interposto com o fim de insurgirse contra a cobrança do crédito tributário decorrente da aplicação de multa pelo controle administrativo e multa por classificação incorreta. A acusação de Mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação, ou documento equivalente, busca suporte nas declaração enviadas pela contribuinte conforme registra a Declaração de Importação n° 06/14364455, de 27/11/2006. A referida D.I. trata da importação de 'PRÉFORMAS DE GARRAFAS PET' (pág. 13), cuja classificação fiscal, Nomenclatura Comum do Mercosul NCM é 3923.30.00. Ofício n.º 419/06/DRF/CHUI/Gabinete. O ofício posto em destaque, acostados nestes autos sob. fls. 36, e devidamente encaminhado à ANVISA, busca construir base para a aplicação da RDC 350/2005 a respeito da competência para discorrer sobre a licença de importação. Ocorre que a fiscalização intercedeu a ponto de sinalizar pela discordância do critério adotado pela recorrente, oficiando, conforme documento de fls. 36, questionando sobre a dispensabilidade das pre formas ao licenciamento. Ofício 32/GGPAF/CVSPAF/PFC/RS/ANVISA Em resposta, sobreveio o documento acostado em fls. 38, no sentido de estabelecer as definições e prestar os esclarecimentos formulados. Mencionou. conforme destaque negritado do texto, que conforme definido no anexo I da Resolução RDC 350/05. toda a mercadoria importada como produto semi elaborado, estão sob a vigilância sanitária. Assim, deixou exposto que a referida mercadoria está sujeita ao licenciamento de importação perante a autoridade sanitária. A multa pelo controle administrativo foi imposta em razão de ausência de licenciamento para importação, enquanto que a multa pela classificação da contribuinte, ocorreu porque foi informado o código de especificação 9999 outros, enquanto que a classificação fazendária entende que deveria ser informado . 0001 para alimentos. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 128 7 Fundamento Legal Multa pela falta de licenciamento Decreto Lei 37/66 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Decreto 4.543/02 Do Licenciamento de Importação Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex. § 1o A manifestação de outros órgãos, cujo controle a mercadoria importada estiver sujeita, também ocorrerá por meio do Siscomex Art. 633. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura MÉRITO O recurso voluntário, após capitular as infrações descritas no auto de infração, inicia sua narrativa pelas informações incorretas relativas à importação de préformas defesa garrafas pet, ressaltando que houve divergência de entendimento a respeito da utilização do código '9999 outros' ou '0001 alimentos'. Decorre desta discussão, a obrigatoriedade, ou não, do licenciamento prévio, com fim a autorizar a importação. Caso fosse entendido que a codificação correta fosse 9999 outros, desnecessário o licenciamento, caso entendido pelo código 0001 alimentos, necessário o licenciamento, e, por via direta, as conseqüências abaixo consideradas. uma vez portanto, definido a codificação correta pela código 0001 alimentos, a descrição do Ex tarifário descrição: Ex 01 Esboços de garrafas de plástico, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada,: posteriormente, para se obter a dimensAo e forma desejadas. Fl. 131DF CARF MF 8 diferença entre preforma PET e embalagem para água Faz parte da tese central da defesa, o argumento pelo qual não haveria de se utilizar o código 0001 alimentos, e, portanto, não estaria submetida, a importação, à obrigatoriedade de licenciamento prévio. Isto porque, importar preformas, é, de fato, diverso de importar embalagem para água, isto, conforme muito bem explicado, haverá um beneficiamento industrial a fim de transformar a natureza do item, tornando uma embalagem para água. A discussão trazida pelo recurso voluntário, a tal respeito, utilizase como base argumentativa que poderia muito bem, ser resumida no trecho pinçado do Recurso Voluntário apresentado, conforme adiante: garrafas são embalagens de agua; préformas nada embalam. A partir deste raciocínio central, logra contestar a tese fazendária, no qual prevalece o entendimento que a utilização mais adequada seria a codificação '0001 alimentos', desconstruindo o Ofício n.º 419/06/DRF/CHUI/Gabinete, e o . Ofício 32/GGPAF/CVSPAF/PFC/RS/ANVISA, ambos relativos à necessidade de licenciamento, conforme respondido pela autoridade sanitária. Sua argumentativa põe em dúvida, a competência da autoridade sanitária para interpretar o marco regulatório representado pela RDC 350. Todavia, essa convicção nem sempre fez parte do entendimento da Fiscalização Aduaneira, haja vista, que previamente à lavratura do auto de infração predominavam incertezas quando à exigência de prévia anuência por parte da ANVISA para importação de préformas de pet. Seguindo adiante, a tese de defesa rebate a aproximação conceitual dos fundamentos regulamentares da RDC 350, anexo 01 cujo escopo é determinar a terminologia básica, e, a defesa, mediante a análise destes conceitos trazidos pela ANVISA de mercadoria importada, matéria prima alimentar, alimento, embalagem, etc. Após o sólido sentido gerado à norma, conclui, ao final, que o produto importado não se subsume ao conceito legal de alimento proposto na Resolução — RDC n° 350 não estando equivocado seu enquadramento no código de especificação 9999 — outros, ao contrário do que preconizou a autuação. Ainda na seara das definições concriadas e disciplinadas pela ANVISA, na Resolução — ROC n° 350, o produto não se caracteriza como embalagem Razões de decidir Neste ponto, passo adotar as razões de decidir da sólida decisão de primeira em que pese a louvável argumentação trazida pela recorrente, no sentido de descaracterizar a legitimidade do auto de infração, através do astuto raciocínio empreendido, no qual, por se tratar de preformas, ou seja, insumos a serem transformados, e, a partir daí, convertidos em embalagem, e, sob este ponto de vista, dispensados do Licenciamento para sua importação. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 129 9 O ponto de venia, com a respeitável tese empreendida pela defesa, decorre da exposição encontrada ao longo do texto do voto condutor do venerado acórdão de base. A definição do 'código 0001 alimentos', definitivamente, o correto a ser utilizado no caso trazido à baila, encontra fundamento nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992 que assim dispõem sobre as mercadorias que devem estar inseridas na posição 3923. A interessada por meio da declaração de importação (DI) n° 06/14364455 (fls. 10 a 21) submeteu a despacho mercadorias descritas como "PREFORMAS DE PET COR CRISTAL, PESANDO 48 GRS.", classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3923.30.0 as mercadorias em apreço tratamse de "Préformas de garrafas pet". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992 assim dispõem sobre as mercadorias que devem estar inseridas na posição 3923: A presente posição abrange os artigos de plásticos que sirvam correntemente para embalagem ou transporte de qualquer tipo de produtos. Entre eles, podem citarse: a)Os recipientes tais como caixas, caixotes, engradados, sacos (incluídos os de pequeno porte, os cartuchos e sacos de lixo), tambores, garrafóes, bidões, garrafas e frascos. A este respeito, incluemse igualmente nesta posição: 2 os esboços de garrafas de plástico, que silo produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas. Portanto, correta a análise empreendida pela autoridade administrativa de primeira instância, na qual as mercadorias inseridas na posição 3923 abrange os artigos de plásticos que sirvam para embalagem ou transporte de qualquer tipo de produtos, incluindose, nessa posição, os esboços de garrafas de plástico, tido como produto intermediário de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca a ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas. Como se observa do desenho técnico acostados aos autos e colacionado adiante, tratase de um esboço de garrafa que será transformado para se obter a dimensão e forma desejadas. Como muito bem se observa, a regra trazida pela decisão de primeira instância tem seu fundamento, visível pelo desenho, que a transformação sofrida pela esboço da garrafa, não retira a qualidade, desde já, de um recipiente que, após sofrer a transformação, receberá em seu interior, água para consumo humano, e, justamente por isso, deverá ser codificado sob item 0001 alimentos. Fl. 133DF CARF MF 10 Desta forma, passase à análise a respeito da correção da aplicação das multas. Multa pela Classificação Incorreta Entretanto, claro está que as As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992, equiparam as mercadorias que devem estar inseridas na posição 3923. No caso em apreço, os esboços de garrafas de plástico, importados, são produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, que, posteriormente, sofrerão mudanças para se obter a dimensão e forma desejadas. Mesmo assim, pelo desenho técnico acostado aos autos, verificase que tal transformaçao, não modifica sua natureza, enquanto pre forma de PET, de um recipiente que receberá água para consumo humano. Reparase, que o lançamento fiscal, para se perfectibilizar, não se sustenta, apenas, no ofício trocado entre ANVISA e Aduana, mas pela correta integração do ordenamento jurídico aduaneiro, buscando solidificar o entendimento nas NESH. Desta forma, encontrase correto o entendimento da equivocada classificação, vez que o código correto deveria ser o 0001 alimentos. Multa por ausência de licença de importação Uma vez configurada a certeza da aplicação da multa decorrente da incorreta classificação, uma vez que o código correto deveria ser 0001 alimento, e, não o utilizado pela Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 130 11 contribuinte, qual seja, o 9999 outros, decorre a clara obrigação de, conforme os fundamentos da decisão de piso, a obrigatoriedade de licenciamento. Desta forma, deve ser considerada correta a aplicação da multa decorrente do controle aduaneiro, por corretamente se subsumir ao regimento regulamentar: Acórdão nº 3402 005.479 MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. CABIMENTO É cabível a multa por falta de Licença para Importação (LI) quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro, mas deixou de fazêlo, em razão da não indicação do código devido destaque de NCM. Acórdão : 3403003.426 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO. PENALIDADES APLICÁVEIS. O erro na indicação da classificação fiscal na DI, máxime quando a descrição empregada é capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco, é declaração inexata que enseja a aplicação da multa proporcional ao valor do imposto que deixou de ser recolhido em decorrência do erros; da multa regulamentar de um por cento do valor aduaneiro, em razão do referido erro, e; da multa por infração ao controle administrativo das importações, em razão da falta de licenciamento para a importação da mercadoria efetivamente importada, discrepante da descrita na DI respectiva CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Fl. 135DF CARF MF 12 Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18183.720045/2018-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MANTER ATUALIZADO LAUDO TÉCNICO COM REFERÊNCIA AOS AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DO TRABALHO.
Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho.
Numero da decisão: 2301-005.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MANTER ATUALIZADO LAUDO TÉCNICO COM REFERÊNCIA AOS AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DO TRABALHO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18183.720045/2018-04
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900165
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.573
nome_arquivo_s : Decisao_18183720045201804.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 18183720045201804_5900165.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7414143
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869237284864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18183.720045/201804 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.573 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE CARANGOLA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MANTER ATUALIZADO LAUDO TÉCNICO COM REFERÊNCIA AOS AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DO TRABALHO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 3. 72 00 45 /2 01 8- 04 Fl. 124DF CARF MF 2 O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001634/2010 05, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/201085 (efls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/201085); com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que decorreu a impossibilidade de indicálo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0230.205, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 99 a 103), do qual utilizo o relatório fiscal: Tratase de infração ao artigo 58, § 3.° da Lei n.° 8.213, de 24/07/91, c/c artigo 68, § 4.° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 060/05/99, por ter o órgão público deixado de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente do trabalho, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Infração de fl.05. A Prefeitura Municipal de Carangola apresentou à fiscalização somente o LTCAT completo relativo ao exercício de 2005. Apresentou Declaração firmada pela Diretora de Recursos Humanos informando que em 2006 não foi confeccionado novo laudo. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl.07), a penalidade no valor de R$14.317,78 foi aplicada com base nos artigos 133 e 134 da Lei n.° 8.213/91, c/c o artigo 283, inciso II, alínea "n", e artigo 373, do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e atualizada pela Portaria MPS/MF 333 de 29/06/2010. A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento AR de fl.30, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls. 33/38). Em suma: alega que não há obrigatoriedade de elaboração do LTCAT anualmente, podendo permanecer o mesmo enquanto não houver alterações nas instalações, nos meios de produção, nos insumos ou na estrutura organizacional; aduz que desde a elaboração do laudo em 2005 as condições na estrutura organizacional permaneceram imutáveis e afirma que não há nos autos qualquer prova capaz de demonstrar que o laudo está desatualizado; argumenta que não existe qualquer menção da fiscalização acerca de alterações nas condições no ambiente de trabalho capaz de ilegitimar o laudo de 2005, o que permite inferir que a aplicação da multa se deu tão somente com base em mera presunção de que o laudo está desatualizado; assevera que o Fiscal não é dotado de capacidade técnica na área de engenharia de segurança do trabalho e que para embasar e dar veracidade à autuação seria necessário designar perito especialista para elaboração de laudo técnico que pudesse descrever as características do ambiente de trabalho. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 18183.720045/201804 Acórdão n.º 2301005.573 S2C3T1 Fl. 3 3 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (efl. 106). Em 15/04/2011 (efl. 121), foi apresentado recurso voluntário (efls. 107 a 115), sendo repetidas as razões da impugnação. O pedido consiste em se julgar improcedente o auto de infração. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, informou que (efl. 3010 do processo 10630.001638/201085): O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/201005, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifouse.) Fl. 126DF CARF MF 4 O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das efls. 3015 a 3017 (processo 10630.001631/201063) determinou o julgamento dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/2010 96, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA MULTA APLICADA Por espelhar meu entendimento, assumo, mutatis mutandis, as razões do acórdão recorrido, que transcrevo: A Prefeitura Municipal de Carangola foi autuada porque deixou de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente do trabalho. Tal fato corresponde à infração ao disposto no artigo 58, § 3.° da Lei n.° 8.213/91 c/c artigo 68, §4° do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Ao exigir a atualização do LTCAT, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil nada mais fez do que cumprir a legislação a respeito. As Instruções Normativas, baixadas pelos órgãos competentes, visam, entre outros, detalhar a atuação da fiscalização e, no caso específico da fiscalização inerente aos Riscos Ambientais do Trabalham dispõem que: Instrução Normativa INSS/DC n" 100, de 18/12/2003 Art. 400. Para fins da cobrança da contribuição prevista no inciso II do art. 22 da Lei n" 8.212, de 1991, da contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, da contribuição adicional e do percentual adicional de retenção previstos nos §§ 1º e 2º do art. Iº e no art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003, respectivamente, o INSS, por intermédio de sua fiscalização, verificará: I a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 404; II os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 18183.720045/201804 Acórdão n.º 2301005.573 S2C3T1 Fl. 4 5 III a veracidade das informações declaradas em GFIP; VI o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho; V o cumprimento das demais disposições previstas nos arts. 19, 57, 58, 120 e 121 da Lei n" 8.213, de 24 de julho de 1991. (...) Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14/07/2005 Art. 376. A SRP verificará, por intermédio de sua fiscalização, a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 381, os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, em especial o embasamento para a declaração de informações em GFIP, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho, previstas nos arts. 19 a 23 da Lei n" 8.213, de 1991, e das demais disposições previstas nos arts. 57, 58, 120 e 121, todos da Lei n" 8.213, de 1991. (...) Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009: Art. 288. A RFB verificará, por intermédio de sua fiscalização, a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 291, os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, em especial o embasamento para a declaração de informações em GFIP, de acordo com as disposições previstas nos arts. 57 e 58 da Lei n" 8.213, de 1991. Dos dispositivos transcritos podese constatar que o trabalho da fiscalização da Receita Federal do Brasil não se confunde com o trabalho da fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (Fiscal ou Médico / Engenheiro do Trabalho), porque o trabalho da fiscalização é de verificar, diante dos documentos exigidos pela legislação previdenciária, se a empresa gerencia adequadamente o ambiente de trabalho eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, afim de garantir o custeio da aposentadoria especial e inibir os benefícios indevidos. Portanto, não há que se falar em incompetência da fiscalização da Receita Federal do Brasil. A Impugnante argumenta que não há prazo previsto na legislação para a atualização do LTCAT e que tal providência só seria exigível quando houvesse a modificação dos riscos ambientais. Alega, ainda, que a fiscalização deveria demonstrar a existência de alterações para exigir a sua atualização. Contudo, a atualização do LTCAT está prevista no artigo 236 da Instrução Normativa n° 70/2002, abaixo transcrito, cuja periodicidade ficou estabelecida em 01 ano, caso não houvesse modificação do ambiente de trabalho em prazo inferior a este: Fl. 128DF CARF MF 6 Instrução Normativa n" 70/2002 Art. 236. O LTCAT, conforme definido no § 4º do art. 234, deverá ser atualizado pelo menos uma vez ao ano, ou sempre que ocorrer qualquer alteração no ambiente de trabalho, em especial aquela decorrente de mudança de layout, do alcance dos níveis de ação estabelecidos no item 9.3.6 da NR09, aprovada pela Portaria nº 3.214, de 1978, do MTE, da substituição de máquinas ou de equipamentos, da extinção do pagamento do adicional de insalubridade, ou sempre que se adotar tecnologia de proteção coletiva, (grifos nossos) § 1º Considerase atualizado o LTCAT que corresponda às condições ambientais presentes e às alterações referidas no caput, no momento da auditoria fiscal. § 2º A empresa que não apresentar LTCAT ou apresentálo com dados divergentes ou desatualizados em relação às condições ambientais existentes ou que emitir PPP em desacordo com o LTCAT estará sujeita à autuação, nos termos do § 3º do art. 58 da Lei n° 8.213, de 1991. A norma não exige que o agente demonstre a modificação das condições ambientais, a fim de considerálo desatualizado. Quando o texto diz "pelo menos uma vez ao ano " significa que este é o intervalo máximo a ser observado pela empresa para a elaboração de novo LTCAT, pois, mesmo que considere não ter havido alteração nas condições ambientais, a avaliação tem que ser feita anualmente, ou em intervalo inferior, sempre que necessário, ou seja, a cada alteração do ambiente, inclusive, mais de uma vez no mesmo ano. A elaboração anual do LTCAT indica que a empresa avaliou as condições ambientais de trabalho e, mesmo que estas permaneçam inalteradas, encontramse atualizados se emitidos naquele ano. Por outro lado, ao deixar de elaborar o LTCAT incorre na falta de atualização, porque deixou de registrar a avaliação das condições ambientais de trabalho, que vão determinar a manutenção ou implementação de iniciativas da empresa voltadas à preservação da saúde e integridade do trabalhador. O LTCAT é a base para o preenchimento do formulário ou PPP, documento imprescindível para que o trabalhador submetido aos fatores de risco obtenha a sua aposentadoria especial. Assim, ao revés do que entendeu a Impugnante, o LTCAT de 2005 não se presta para dispensar a elaboração dos anos seguintes, sob o argumento de que as condições permaneceram inalteradas, pois, contraria frontalmente a legislação atinente à matéria. Por outro lado, a Instrução Normativa n° 99, de 10/12/2003 (e Instruções Normativas que a substituíram), facultou a substituição do LTCAT pelo PPRA. Logo, havendo a elaboração do PPRA para os anos em que não houve o LTCAT, restaria afastada a aplicação de penalidade. Contudo a elaboração de tal laudo também deve, no mínimo, anual: Art. 177. A partir da publicação desta IN, para as empresas obrigadas ao cumprimento das Normas Regulamentadoras do Fl. 129DF CARF MF Processo nº 18183.720045/201804 Acórdão n.º 2301005.573 S2C3T1 Fl. 5 7 MTE, nos termos do item 1.1 da NR01 do MTE, o LTCAT será substituído pelos programas de prevenção PPRA, PGR e PCMAT. § 1" As demais empresas poderão optar pela implementação dos programas referidos no caput, em substituição ao LTCAT. § 2º Os documentos referidos no caput deverão ser atualizados pelo menos uma vez ao ano, quando da avaliação global, ou sempre que ocorrer qualquer alteração no ambiente de trabalho ou em sua organização, por força dos itens 9.2.1.1 da NR09, 18.3.1.1 da NR18 e da alínea "g" do item 22.3.7.1 e do item 22.3.7.1.3, todas do MTE. (grifos nossos) Art. 179. Considerase o LTCAT atualizado aquele que corresponda às condições ambientais do período a que se refere, observado o disposto no parágrafo 2" do artigo 177 e inciso VII do artigo 178. Em suma, ficou evidenciado, com o auxílio da legislação citada, que o LTCAT deve ser atualizado anualmente ou sempre que houver mudança nas condições ambientais de trabalho, sendo admitido que o PPRA, atualizado e elaborado de acordo com as formalidades exigidas, seja apresentado em substituição ao LTCAT. Porém, deixar de elaborar o LTCAT ou apresentar o PPRA desatualizado ou sem as formalidades exigidas não supre a falta do LTCAT e justifica a aplicação da penalidade. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração. Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723622/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros deste colegiado em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11516.723622/2013-49
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904608
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.790
nome_arquivo_s : Decisao_11516723622201349.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11516723622201349_5904608.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os membros deste colegiado em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7430508
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869240430592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 8.909 1 8.908 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723622/201349 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.790 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de julho de 2018 Assunto PIS e COFINS Recorrente BRF BRASIL FOODS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os membros deste colegiado em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Os Autos de Infração referemse a glosa de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – (PIS/Pasep), não cumulativas, indevidamente descontados em Dacon nas competências janeiro a abril de 2009, e a lançamento de valores dessas contribuições que não foram declarados, correspondentes a fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 a 30/06/2009. Do procedimento fiscal Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010. Os procedimentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 23 62 2/ 20 13 -4 9 Fl. 8909DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.910 2 relativos aos anos de 2006, 2007 e 2008 já foram encerrados anteriormente e o presente processo referese à apuração de janeiro a junho de 2009. Em relação aos períodos em que o sujeito passivo apresentou saldos credores e entregou PER/Dcomp, 1º e 2º trimestres de 2009, a análise de ofício dos créditos foi feita diretamente no despacho decisório dos pedidos de ressarcimento e compensação, cópias inseridas às folhas 3677 a 3987. Já a análise dos créditos dos períodos para os quais não há PER/Dcomp, assim como a análise dos débitos de todos os períodos foi feita dentro do procedimento de fiscalização, tendo sido lavrados os competentes autos de infração, objeto do presente processo, para a formalização das glosas de créditos e lançamentos de débitos. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração de Cofins consta: (i) a infração descrita como: 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO / OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS para o período de apuração de 31/01/2009 a 30/06/2009, no montante de R$ 21.031.986,81; (ii) a infração descrita como: 0002 GLOSA DE CRÉDITOS / CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE para os períodos de apuração 31/01/2009 e 30/04/2009, nos valores R$ 31.412.442,32 e R$ 683.229,07, respectivamente. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração de Contribuição para o PIS/Pasep consta: (i) a infração descrita como: 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO / OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP para o período de apuração de 31/01/2009 a 30/06/2009, no montante de R$ 4.566.155,04; (ii) a infração descrita como: 0002 GLOSA DE CRÉDITOS / CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE para os períodos de apuração 31/01/2009 e 30/04/2009, nos valores R$ 6.071.133,63 e R$ 167.561,61, respectivamente. Dos quadros DEMONSTRATIVO DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃOCUMULATIVO, constam os valores dos créditos das contribuições, vinculados às receitas tributáveis e não tributáveis de aquisições no mercado interno, deduzidos dos valores apurados das infrações. Glosa de créditos Em relação aos créditos glosados, os quais foram descontados/compensados ou foram objeto de pedidos de ressarcimento, parte deles era oriunda do patrimônio de empresas incorporadas nesse período e parte era decorrente da atividade da própria BRF Brasil Foods. Dos créditos das incorporadas Nos Dacon de janeiro de 2009 foram incluídos créditos transferidos pelas empresas incorporadas MAROCA & RUSSO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ 24.161.853/000173, BATAVIA S/A INDUSTRIA DE ALIMENTOS, CNPJ 02.332.390/000122 e PERDIGAO AGROINDUSTRIAL MATO GROSSO LTDA, CNPJ 02.521.635/000160. Ainda, consta no mês de abril de 2009 a inclusão de créditos Fl. 8910DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.911 3 transferidos pela empresa incorporada PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 86.547.619/000136. Os períodos de apuração dos créditos transferidos foram objeto de análise pela fiscalização, sofrendo alterações relativas a glosas devidamente especificadas em cada processo individualmente. No procedimento fiscal a que se refere o presente processo foram consolidados os trabalhos feitos nos procedimentos anteriores, de forma a levar em conta na apuração de ofício das contribuições da BRF de 2009 e períodos posteriores tão somente os créditos que foram confirmados nas fiscalizações anteriores, nos termos dos correspondentes despachos decisórios cujas cópias foram trazidas aos presentes autos. Dos Créditos da Própria Interessada Os créditos apurados em Dacon foram glosados e reclassificados de ofício conforme os despachos decisórios acostados aos processos números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/201100, 10983.911361/2011 81, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179; as cópias dos despachos decisórios foram inseridas às folhas 3677 a 3987. Os saldos remanescentes desses procedimentos estão sendo aproveitados de ofício nos autos de infração; todo o saldo de todos os tipos de créditos gerados no trimestre, à exceção dos vinculados à receita de exportação e à receita não tributada no mercado interno, foi consumido para quitação das contribuições apuradas no período. Valores Incluídos na Base de Cálculo das Contribuições Das Receitas de Créditos Presumidos de ICMS A autoridade fiscal relata que conforme os balancetes de folhas 4249 a 4843, extraídos do SPED Contábil (recibos de entrega de livro digital a fls. 4844 a 4849 e requisição de cópia de escrituração digital a fls. 4850 a 4851), a contribuinte auferiu receita de créditos presumidos de ICMS, conforme escriturado nas contas contábeis informadas de acordo com o mês, e que tais receitas não foram somadas nas linhas 02.Demais Receitas Alíquota de 1,65% da Ficha 07A e 02.Demais Receitas Alíquota de 7,6% da Ficha 17A, conforme as memórias de cálculo apresentadas em atendimento ao item 14 da Intimação 002/00236, relativas à linha 2 da ficha 07A. Uma vez que tais receitas não foram tributadas, foi realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário devido. Das Receitas de Exportação não Comprovadas A autoridade fiscal relata que, ao examinar os Dacon apresentados pela contribuinte no período fiscalizado, constatou que a BRF S/A exclui parte significativa de sua receita da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a título de receita de exportação. Verificou que os montantes informados na linha 07 (Receita Sem Incidência da Contribuição Exportação) das fichas 07A (PIS) e 17A (COFINS) do Dacon, R$ 149.551.532,66 para janeiro e R$ 131.229.515,29 para fevereiro, não são compatíveis com os registrados na contabilidade, extraída do SPED contábil, conta VENDAS NO MERCADO EXTERNO, conforme folhas 4289 e 4343, no caso, R$ 90.270.505,00 para janeiro e R$ 56.658.394,16. Informa que, entretanto, a fiscalizada não realizou operações de exportação em nome próprio em janeiro e fevereiro, conforme informações do sistema DWAduaneiro. Constatado tal fato, passou à verificação da ocorrência de vendas com fim específico de exportação, o que também possibilitaria o lançamento na linha 7 das fichas 7A e 17A. Fl. 8911DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.912 4 Em relação a estas, informa que a interessada não comprovou o fim específico de exportação nas saídas com CFOP 5501/6501 para a filial 108 da Perdigão Agroindustrial S/A, pelo que tais vendas foram consideradas como receitas tributáveis auferidas no mercado interno. Do relato do auditor fiscal, consideradas as informações prestadas pela fiscalizada em resposta à intimação fiscal, verificase que : (1) a BRF, entre 01 e 02/2009, entregava as mercadorias em estabelecimentos não alfandegados e de uso público (não exclusivo) indicados pela Perdigão Agroindustrial S/A (as notas de saídas eram destinadas à filial 108 da adquirente, situada em Itajaí/SC) e que, portanto, não se configuraria o embarque direto para exportação ou o regime de entreposto aduaneiro; (2) que também não se configuraria o regime de entreposto aduaneiro extraordinário, mesmo que a Perdigão Agroindustrial S/A fosse trading company, pois, para tanto, os recintos teriam de ser de uso privativo, aos quais fosse concedido o regime de entreposto na exportação, o que não ocorreu no presente caso; (3) que a Perdigão Agroindustrial S/A (adquirente), em seu próprio nome, adquiria as mercadorias da fiscalizada, "estufava" os contêineres em armazéns de terceiros e realizava as exportações, pelo que, as vendas da BRF para esta consistiram de vendas normais no mercado interno. A Fiscalização conclui que, no período de 01 a 02/2009 (até 10/02/2009), tendo em vista a incorporação da Perdigão Agroindustrial S/A pela BRF ocorrida no dia 11/02/2009, conforme Protocolo de Incorporação e atas de fls. 4041 e seguintes), a contribuinte não fazia jus à exclusão, da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, das saídas de mercadorias feitas em desacordo com as regras que outorgam a isenção às “vendas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação”. Da manifestação de inconformidade Das Preliminares Da Necessidade de Apreciação em Conjunto com os Processos Administrativos Correlatos Inicialmente, a recorrente, considerando trataremse das mesmas matérias fáticas, defende a necessidade de que a presente impugnação seja julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/201100, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180, 10983.911357/2011 13 e 10983.911356/201179, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.723929/201340, 11516.723931/201319, 11516.7239301201374 e 11516.723933/201316. Destaca que todos esses processos administrativos possuem origem no mesmo MPF, instituído com o fim de verificar a existência e higidez de diversos créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, no período compreendido entre 2006 e 2010. E, considerando que o que restar decidido nos autos de um processo administrativo terá efeitos diretos nos demais casos em discussão, defende que, para que seja dado um melhor tratamento à questão, todos os processos devem ser apreciados pelo mesmo órgão julgador dessa Delegacia de Julgamento. Nulidade Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material Fl. 8912DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.913 5 Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a apuração dos créditos tributários” fere os princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais destaca o da motivação, da legalidade, e da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, de exportações procedidas pela Impugnante” e não “baseandose apenas no que consta no DW Aduaneiro, afirmar que a Impugnante, uma as maiores exportadoras de produtos alimentícios do Brasil, não realizou sequer uma exportação no período compreendido entre janeiro e fevereiro de 2009”. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente lançamento fiscal não pode subsistir, devendo ser cancelado. Do mérito Das Glosas de Créditos em Processos das Empresas Incorporadas Diante da existência de discussões administrativas pendentes quanto às glosas de créditos nas empresas incorporadas, o que, segundo alega, as torna incertas, deve a DRJ afastar a desconsideração desses créditos realizada pelas Autoridades Fiscais, restabelecendoos como legítimos, para a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Alega 34. De mais a mais, eventual decisão favorável proferida nos autos dos mencionados processos administrativos impactará diretamente o presente lançamento, pois o montante do direito creditório reconhecido será maior do que o aqui utilizado para o cômputo das Contribuições supostamente devidas. Ou seja, nessa hipótese, haverá, em desfavor da Impugnante, uma dissociação entre os créditos de Contribuição ao PIS e COFINS reconhecidos e aquele montante que fundou o presente lançamento . 35. Diante desse fato, é falsa a afirmação das Autoridades Fiscais de que "independentemente do teor das decisões que forem tomadas nos processos que os regem, seus destinos foram transferidos para aqueles processos, não sendo objeto de qualquer glosa neste processo" (página 05). 36. Na verdade, como demonstrado, eventual decisão favorável influenciará o destino do presente processo administrativo, pois significará a redução do montante lançado. Acrescenta que, caso a autoridade julgadora assim não entendam deve, ao menos, aguardar o julgamento dos mencionados processos administrativos, de modo a não haver qualquer discrepância entre o decidido naqueles processos e nos presentes autos. Dos Créditos Presumidos de ICMS A impugnante alega que os créditos presumidos de ICMS não compõem a base tributável dos tributos lançados por não consistirem de receita da empresa e que, para tanto, tais ingressos deveriam resultar no efetivo aumento do patrimônio líquido e decorrer de negócios jurídicos por ela praticados, o que não é o caso. Afirma: que o crédito presumido de ICMS é uma subvenção de custeio, destinada à recuperação dos custos incorridos em respeito ao princípio da não cumulatividade; tratandose de uma técnica legislativa de outorga de créditos para a implementação da não cumulatividade, mediante a recuperação dos custos, não há que se falar em efetivo aumento do Fl. 8913DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.914 6 patrimônio líquido e, muito menos, que tais créditos decorrem de um negócio jurídico praticado pelo contribuinte. Cita julgados do STJ e do CARF. Acrescenta que a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo de referidas Contribuições fere o princípio da não cumulatividade, pois, segundo alega, se de um lado o legislador outorga o crédito fiscal, e de outro, as Autoridades Fiscais o adicionam à base de cálculo das Contribuições, o crédito presumido de ICMS perde sua utilidade, pois acaba desonerando e onerando, ao mesmo tempo, a cadeia produtiva. Em outras palavras, diz que o crédito presumido de ICMS tornase inútil para os fins que lhe foram designados pelo legislador. Conclui que, seja pelo fato de os créditos presumidos de ICMS não se configurarem como receita, seja por sua adição à base de cálculo das contribuições ferir o princípio da não cumulatividade, o lançamento realizado deve ser cancelado. Das Receitas de Exportações Em sua impugnação, a contribuinte inicialmente informa: declarou, nos meses de janeiro e fevereiro do ano de 2009 como "Receita sem incidência da contribuição — exportação", os valores de R$ 149.551.532,66 e R$ 131.229.515,29, respectivamente; a Fiscalização, a partir de informação extraída do SPED Contábil, atribuiu o valor de R$ 90.270.505,00 e R$ 56.658.394,16, respectivamente, como sendo relacionados às receitas auferidas por meio de exportação realizada por intermédio de Empresas Comerciais Exportadoras. A partir daí insurgese: conta o fato de o Fisco ter desconsiderado parte das exportações realizadas por intermédio das comerciais exportadoras, nos valores de R$ 80.381.029,79, para o mês de janeiro e R$ 20.352.530,62, relativos ao mês de fevereiro, por entender que as mercadorias destinadas à exportação não foram armazenadas em locais alfandegados; contra o fato de a Fiscalização ter desconsiderado a totalidade das exportações por ela efetuadas diretamente, sob a justificativa de que "segundo o sistema DW Aduaneiro, não há qualquer exportação da BRF diretamente para o exterior em janeiro e fevereiro de 2009". Das exportações diretas Contra a desconsideração pelo Fisco dos valores das exportações diretas, inicialmente coloca que quando do lançamento de ofício do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Autoridade Fiscal “identificar perfeitamente o fato gerador do tributo, de modo a conferir certeza e liquidez ao crédito tributário”. Alega, então, que não poderia a Autoridade Fiscal, de “forma displicente e descomprometida com a verdade dos fatos, deduzir que houve omissão de receitas por parte da Requerente” pelo simples cruzamento de Dacon com SPED Contábil e DW Aduaneiro, “sem, efetivamente, comprovar que as receitas informadas em DACON foram auferidas e não se referem a exportações”. Afirma que a “D. Fiscalização deixou de cumprir com o seu dever de determinar a matéria tributável ao desconsiderar as exportações diretas realizadas pela Impugnante”. Dessa forma, afirma que os autos de infração padecem de nulidade, por conter “erro da determinação da matéria tributável e por não observar o princípio da verdade material”. Exportações Realizadas por Meio de Empresas Comerciais Exportadoras A impugnante defende que a receita da comercialização dos produtos por intermédio de empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, Fl. 8914DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.915 7 conforme definido art. 1º, do Decreto Lei nº 1.2481/72, não está sujeita às Contribuições em tela. Alega que o simples fato de o local onde os produtos remetidos à Paranaguá foram armazenados não possuir status de “alfandegado” não é suficiente, como entendeu a Fiscalização, para desconsiderar que a receita da venda de tais mercadorias, que corresponde, em verdade, a uma receita de exportação, não estaria sujeita à norma que afasta a incidência das Contribuições em tela. Diz ser importante mencionar que, à época dos fatos, não havia, no Porto de Itajaí, locais alfandegados aptos e disponíveis para armazenar os produtos da Impugnante (aqueles que existiam estavam com capacidade esgotada). E ressalta que os produtos comercializados pela Impugnante são perecíveis e, portanto, requerem cuidados especiais no armazenamento (por exemplo, locais refrigerados, ao abrigo de luz e odores), o que limita ainda mais as opções de recintos para sua guarda e posterior exportação. Aduz que a previsão disposta no art. 6º, inciso III, da Lei n.° 10.833/2003 foi instituída com o intuito de concretizar a imunidade de que trata o art. 149, § 2º, inciso I, da CF e defende que em se tratando de norma que institui imunidade tributária, sua interpretação deve pautarse pelo método finalístico e não pelo método de interpretação restritiva ou literal, como pretendeu a Fiscalização ao realizar lançamento fiscal sobre receitas de mercadorias efetivamente exportadas, “ainda que brevemente armazenadas em local não alfadegado”. Observa que o STF alinhase ao entendimento segundo o qual a interpretação relativa às imunidades tributárias deve ser ampla, no sentido de pesquisar a finalidade da norma de imunidade; alega ser inaplicável ao caso o art. nº 111 do CTN. Aduz que mais do que comprovar o "fim específico de exportação" — o que é feito por meio do armazenamento da mercadoria em local alfandegado — “é necessário demonstrar que as mercadorias vendidas à trading foram realmente exportadas”, o que, segundo alega, resta plenamente comprovado pelas planilhas que seguem anexas (doc.04 e 05). Explica que: conforme se vê na primeira planilha anexa (vide doc. 04), os produtos eram remetidos das Unidades Produtoras ("UP"), acompanhados das devidas Notas Fiscais de Remessa (“NF REM”); de acordo com a segunda planilha de acompanhamento (vide doc. 05), os produtos eram exportadas pela trading a diversos países do mundo. Conclui que, assim, não resta dúvidas acerca da efetiva exportação dos produtos por ela vendidos, o que observa ter sido reconhecido pela Fiscalização, conforme trecho do TVF à fls 5058 que, assim, transcreve: “Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que adquiria as mercadorias da fiscalizada, 'estufava' os contêineres em armazéns de terceiros e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da BRF para a Perdigão Agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno." (g.n.) Do pedido de perícia Nos termos do art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72, a Impugnante requer a realização de perícia, para que se esclareçam os seguintes quesitos: (a) Queira o Sr. Perito esclarecer se a Impugnante efetivamente realizou as exportações, via empresa comercial exportadora, que a Fiscalização entendeu não terem fim específico de exportação, nos meses de janeiro e fevereiro de 2009; e (b) Queira o Sr. Perito apontar quais os montantes exportados em operações diretas e indiretas (via empresa comercial exportadora), bem como o motivo para a divergência entre os valores constantes do DACON e do SPED nos meses de janeiro e fevereiro de 2009. Fl. 8915DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.916 8 Segundo alega, a perícia se justificaria pela necessidade de não haver qualquer dúvida para esta C. Turma Julgadora que as exportações objeto de autuação efetivamente ocorreram e, portanto, fazem jus à imunidade da Contribuição ao PIS e COFINS. Pugna também pela realização de diligência para o atendimento do seguinte quesito: (i) Queira o Sr. Fiscal esclarecer se as exportações por intermédio de empresa comercial exportadora que a Fiscalização entendeu não terem fim específico de exportação ocorreram ou não. Isto é, as mercadorias foram efetivamente exportadas?; Segundo alega, a diligência se justificaria pela por ser fundamental que esta C. Turma Julgador constate que as exportações em questão efetivamente ocorreram, motivo pelo qual a Impugnante faz jus à imunidade das contribuições em tela. Pugna pelo integral provimento da presente Impugnação e cancelamento dos autos de infração. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0735.246, de 30/07/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MATÉRIA INCONTESTE. EFEITO. O julgador administrativo fica impedido de pronunciarse em relação a matéria que não tenham sido expressamente contestada pelo contribuinte, pelo que resta definitivo, na esfera administrativa, o conteúdo do feito fiscal com ela relacionado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessário e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE. Fl. 8916DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.917 9 Para efeito de confirmação da base de cálculo do tributo devido, conforme declarado ao Fisco, cabe ao contribuinte comprovar a natureza dos valores desta excluídos. DACON. CONTABILIDADE. RECEITAS NÃO TRIBUTÁVEIS. INCONSISTÊNCIA. Em existindo inconsistência entre os valores informados em Dacon pelo contribuinte a título de receitas não tributáveis e os valores registrados em sua contabilidade sob o mesmo título, cabelhe comprovar que os valores do Dacon e não os seus registros contábeis estariam corretos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, a partir da Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, desde que comprovado os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. Fl. 8917DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.918 10 No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, em regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, a partir da Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, desde que comprovado os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração, para cobrança de diferenças de PIS e COFINS, derivados de glosas de créditos efetuadas em outros processos administrativos e da não inclusão nas bases de cálculo de receitas consideradas como tributáveis pela fiscalização. Trago para turma proposta de conversão deste julgamento em diligência, pelas razões que adiante exponho. Dentre as razões de merito, no tópico "III.1 Das Glosas de Créditos em Processos das Empresas Incorporadas", a recorrente traz as seguintes informações e, por fim, pedidos: "35. Verificase nas páginas 4 e seguintes do TVF, que a fiscalização houve por bem proceder as glosas sobre parte dos créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS transferidos para a Recorrentente em razão da incorporação das seguintes empresas: Maroca & Russo Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ n° 24.161.8531000173); Batavia S/A Industria de Alimentos (CNPJ n° 02.332.3901000122); Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. (CNPJ n° 02.521.6351000160); e Perdigão Agroindustrial S/A (CNPJ n° 86.547.619/000136). 36. Segundo as Autoridades Fiscais, essa glosa objetiva "consolidar o trabalho feito nos procedimentos anteriores, de forma a levar em conta na apuração de ofício das contribuições da BRF de 2009 e períodos posteriores tão somente os créditos que foram confirmados nas fiscalizações anteriores." (página 04). 37. Assim, apenas os créditos já reconhecidos nas fiscalizações anteriores das incorporadas foram considerados no presente lançamento. Por sua vez, os créditos indeferidos por despachos decisórios ou autos de infração mas que ainda se encontram em discussão na esfera administrativa — não foram considerados nos autos de infração ora atacados. Fl. 8918DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.919 11 38. Todavia, é importante mencionar que a glosa de parte dos créditos objeto dos despachos decisórios e autos de infração acima, primeiramente, é improcedente , tal como se comprova das defesas administrativas ora anexadas (doc. 03) e, ainda, não é definitiva , razão pela qual não poderia a D. Fiscalização simplesmente desconsiderar a totalidade dos créditos apurados pela Recorrente. (. . .) Destarte, diante da existência de discussões administrativas pendentes quanto às glosas de créditos nas empresas incorporadas, o que as torna incertas, deve esse E. CARF afastar a desconsideração desses créditos realizada pelas Autoridades Fiscais, restabelecendoos como legítimos para a apuração da Contribuição ao PIS e COFINS da Impugnante. 40. Por fim, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, deve esse E. CARF, ao menos, aguardar o julgamento dos mencionados processos administrativos, de modo a não haver qualquer discrepância entre o decidido naqueles processos e nos presentes autos." Com leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.005 e 5.031) e consulta ao sítio virtual desta corte, confirmei as informações da recorrente. Há diversos processos administrativos que tratam de glosas de créditos (processos sobre PER ou autos de infração), os quais se encontram em diferentes estágios, tais como: i) ainda não se encontram no CARF; ou ii) não foram distribuídos; ou iii) os julgamentos ainda não ocorreram ou não foram concluídos (ex: embargos de declaração, recurso especial etc.); ou iv) o julgamento foi convertido em diligência. Isto posto, proponho que este julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo retorne para a unidade de origem, para aguardar o desfecho de todos os processos listados nas fls. 5.005 a 5.031. Em seguida, deve ser verificada a necessidade de serem efetuados ajustes nos cálculos dos lançamentos de ofício de PIS e COFINS, trabalho que deve ser objeto de emissão de relatório conclusivo, do qual deve ser dado conhecimento às partes e aberto prazo para manifestação. Por fim, vencidas as referidas etapas, deve retornar ao CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 8919DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902676/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.902676/2013-61
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914817
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.941
nome_arquivo_s : Decisao_10480902676201361.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10480902676201361_5914817.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7461846
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869260353536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.902676/201361 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.941 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente ARMAZEM CORAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 76 /2 01 3- 61 Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001482/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
LANÇAMENTO INDEVIDO. EXONERAÇÃO
Uma vez constatado erro na constituição dos créditos tributários, cabe a revisão do lançamento para exoneração do valor indevido.
MULTA ISOLADA. COBRANÇA APÓS O EXERCÍCIO. CABIMENTO
A legislação tributária determina o lançamento de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer as matérias acerca da (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância com ação judicial, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80 e, por maioria, em negar provimento quanto a alegação de concomitância das multas isoladas de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, e quanto à exigência de multa isolada após o encerramento do exercício, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias e ainda, por unanimidade, em negar provimento quanto a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. LANÇAMENTO INDEVIDO. EXONERAÇÃO Uma vez constatado erro na constituição dos créditos tributários, cabe a revisão do lançamento para exoneração do valor indevido. MULTA ISOLADA. COBRANÇA APÓS O EXERCÍCIO. CABIMENTO A legislação tributária determina o lançamento de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.001482/2010-52
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918581
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.098
nome_arquivo_s : Decisao_16327001482201052.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA LUCIA MICELI
nome_arquivo_pdf_s : 16327001482201052_5918581.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer as matérias acerca da (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância com ação judicial, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80 e, por maioria, em negar provimento quanto a alegação de concomitância das multas isoladas de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, e quanto à exigência de multa isolada após o encerramento do exercício, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias e ainda, por unanimidade, em negar provimento quanto a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7473914
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869277130752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.685 1 1.684 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001482/201052 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.098 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria CONCOMITÂNCIA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.ESTIMATIVA IRPJ E CSLL Recorrente BANCO GMAC SA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. LANÇAMENTO INDEVIDO. EXONERAÇÃO Uma vez constatado erro na constituição dos créditos tributários, cabe a revisão do lançamento para exoneração do valor indevido. MULTA ISOLADA. COBRANÇA APÓS O EXERCÍCIO. CABIMENTO A legislação tributária determina o lançamento de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 82 /2 01 0- 52 Fl. 1687DF CARF MF 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer as matérias acerca da (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância com ação judicial, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80 e, por maioria, em negar provimento quanto a alegação de concomitância das multas isoladas de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, e quanto à exigência de multa isolada após o encerramento do exercício, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias e ainda, por unanimidade, em negar provimento quanto a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos no processo, reproduzo o Relatório Fiscal de fls. 1394/1397: 1. O presente processo administrativo fiscal trata de débitos de IRPJ e CSLL, anoscalendário 2005 a 2009, lançados em Auto de Infração (AI) de fls. 381403, que glosou as despesas mensais de ágio deduzidas indevidamente pelo contribuinte, bem como os valores resultantes de compensação indevida da base negativa de CSLL. Adicionalmente, lançouse multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas. 2. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação, julgada em acórdão n° 1237.900 da 5a Turma da DRJ/RJl, que manteve integralmente o lançamento. Em suma, ratificouse a glosa das despesas com amortização de ágio e, consequentemente, confirmouse que as alterações para maior das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL tornaram a Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.686 3 compensação das bases negativas de CSLL indevidas. Ademais, concluiuse pela procedência da aplicação da multa isolada, inclusive após o término do anocalendário. Quanto aos juros de mora com base na taxa SELIC, a DRJ abstevese de julgamento, tendo em vista a ausência de competência para se pronunciar a respeito da conformidade de lei, atribuindose tal função ao Judiciário. Por fim, considerou que, restando comprovada a procedência da glosa das despesas de ágio, também confirmou se a falta de recolhimento das estimativas, conforme indicado nos autos de infração. 3. Recurso Voluntário foi interposto às fls. 9891086, questionando: (I) a dedução de despesas de amortização de ágio, (II) a compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores e (III) a inadequação da multa e dos juros aplicados. Este último item desdobrouse nas seguintes alegações: (IIIa) abusividade da multa de ofício aplicada, (IIIb) erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007, (IIIc) abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de ofício, (IIId) impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário, (e) juros SELIC, (IIIf) impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. 4. Em 11/06/2013, acórdão n° 1301001.224 da 3a Câmara / Ia turma Ordinária do CARF deu provimento ao recurso, no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas reconhecer a legítima dedutibilidade das despesas com amortização de ágio. Os demais aspectos (itens II e III) não foram analisados, pois decorreram da glosa das despesas de ágio (fls. 11941222). 5. Em seguida, Recurso Especial da Procuradora foi integralmente provido em Acórdão n° 9101002.805 da 1a Turma da CSRF (fls. 13551389), que restabeleceu os lançamentos, por entender que nos casos em que o ágio ocorre no bojo das transações entre entidades sob o mesmo controle, este não apresenta consistência econômica ou contábil, devendo expurgarse a amortização do resultado do exercício. Por fim, determinou o retorno dos autos para análise tão somente dos temas não discutidos no acórdão do recurso voluntário, quais sejam: compensação das bases negativas e inadequação da multa e juros aplicados, correspondentes aos itens II e III do parágrafo 3° deste despacho Conclusão Em face a todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer os lançamentos. Contudo, tendo em vista que as demais razões de defesa deduzidas no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo não foram apreciadas pelo colegiado a quo, por ter exonerado totalmente as exigências, deverão os autos retomar àquele colegiado para se pronunciar sobre essas razões de Fl. 1689DF CARF MF 4 defesa e que se referem a: (i) compensação das bases negativas da CSLL, (ii) inadequação da multa e juros aplicados, itens "VII" e "VIII" do Recurso Voluntário. Portanto, resta encerrada administrativamente a discussão quanto a dedutibilidade da amortização do ágio produzido por meio de operações societárias entre empresas do mesmo grupo econômico (item I), tornando estes valores plenamente exigíveis. Os demais valores lançados devem retornar ao CARF para apreciação dos respectivos temas. A recorrente ainda apresentou Embargos de Declaração em face ao Acórdão nº 9101002.805, fls. 1403/1413, cuja admissão foi rejeitada conforme Decisão de fls. 1469/1476. Ainda foi apresentada petição intitulada de Embargos de Declaração em face à decisão que não admitiu o embargo anterior, fls. 1481/1486, indeferida pela DEINF Delegacia Especial de Instituições Financeiras, por meio de despacho de fls. 1551. Em 26/03/2018, a recorrente apresentou petição, fls. 1578/1579, onde informa que ajuizou Ação Anulatória nº 500662631.2018.4.03.6100 para discutir judicialmente a questão específica quanto à cobrança do valor principal de IRPJ e CSLL relativo à dedução do ágio. Finaliza requerendo o retorno do processo administrativo a este colegiado para julgamento das questões pendentes, uma vez que não houve renúncia à esfera administrativa para estes pontos. A seguir, transcrevo trechos do pedido inicial: 3. Por esse motivo, a presente ação anulatória referese somente à discussão acerca da exigibilidade dos valores de IRPJ e CSL decorrentes da glosa de despesas de amortização fiscal de ágio que foram deduzidas pelo Autor nos anos calendários de 2005 a 2009, com os respectivos juros de mora e multa de 75%. O Autor não renunciou à discussão administrativa no que diz respeito aos valores relativos aos juros sobre a multa de 75% e à multa isolada, que ainda aguardam julgamento pelo CARF Assim, reproduzo a seguir as alegações que ainda devem ser apreciadas por este colegiado, relativas aos itens VII e VIII do recurso voluntário: VII. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DA CSLL uma vez demonstrada a total improcedência da glosa das despesas anuais de ágio da recorrente, fica também comprovado que as compensações de bases negativas de CSLL efetuadas em todo o período examinado foram válidas e legítimas, não cabendo à fiscalização exigir da recorrente qualquer ajuste em seus saldos de bases negativas de CSLL e de Prejuízos Acumulados. VIII. A INADEQUAÇÃO DA MULTA E JUROS APLICADOS a) A abusividade da multa de oficio aplicada alega que há exagero na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito. nos termos do artigo 142 do CTN, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível apenas se e quando for o caso. no caso destes autos, ainda que a autuação pudesse ser considerada procedente, a recorrente demonstrou que agiu em conformidade com a legislação societária e fiscal em vigor, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.687 5 do suposto crédito tributário, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida, citando jurisprudência na esfera judicial. (b) Erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007 em sua Impugnação, a Recorrente destacou a ocorrência de um erro de cálculo relativamente à multa isolada aplicada pela D. Fiscalização no mês de dezembro de 2007. Isso porque, mesmo após a recomposição das bases negativas de CSL da Recorrente pela D. Fiscalização, no mês de dezembro de 2007 seria ainda apurada uma situação de prejuízo, de modo que não cabia a aplicação de multa isolada em relação a este mês. conforme a DIPJ 2007/2008, ficha 16, linha 01 dos meses de novembro e dezembro, a base de cálculo do mês de dezembro de 2007 de CSL foi negativa em R$ 37.493.568,65. (acumulado de dezembro menos o acumulado de novembro R$ 82.962.264,42 R$ 120.455.833,07). com a desconsideração da dedutibilidade do ágio daquele mês, a base negativa diminuiu para R$31.651.350,91, ou seja, continuava a não haver estimativa a ser recolhida no mês, de tal forma que não há multa isolada a ser aplicada, já que não houve necessidade de antecipação no mês. Confirase: o art. 44, inc. II, b, da Lei 9.430/96 determina a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado. Ora, se não houve pagamento mensal com ou sem a despesa glosada, não há que se falar em aplicação dessa multa. (c) A abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de oficio se admitíssemos a possibilidade de cobrança da multa no caso em tela, tem se que a mesma somente poderia ser exigida uma única vez e não duas, como proposto na r. decisão recorrida. o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96 é claro ao estabelecer que a multa isolada somente pode ser exigida quando a pessoa jurídica, sujeita ao pagamento do imposto por estimativa deixar de fazêlo, mesmo que essa pessoa jurídica tenha prejuízo fiscal/base negativa de CSL no período ou que já tenha recolhido o tributo. Nesse caso, por não existir valor de principal exigível, em princípio, poderia ser exigida a multa isolada. entretanto, quando houver tributo a ser pago, o referido artigo é claro ao estabelecer que a multa punitiva deverá ser cobrada juntamente com o valor do principal. É importante notar que, nesse caso, não teria cabimento a exigência da multa isolada, pois a mesma, como visto, somente pode ser exigida, em princípio, quando não existe valor de principal a ser exigido. a autoridade julgadora pretende justificar a manutenção das multas de ofício e isolada sob a tortuosa argumentação de que o momento do pagamento (anual e mensal, Fl. 1691DF CARF MF 6 respectivamente), teria o condão de caracterizar duas hipóteses de incidência tributária distintas. tal raciocínio, além de equivocado, se mostra completamente em desacordo com o próprio conceito de obrigação tributária previsto pelo artigo 113, §1° do CTN, posto que o tempo do pagamento não se confunde com a obrigação tributária. não restam dúvidas de que as bases de cálculo, fatos geradores, sujeitos envolvidos são os mesmos, e, conseqüentemente, a obrigação tributária também o é, ao contrário do que foi proposto pela decisão recorrida. o valor da multa deve ser exigido somente uma única vez, e sobre uma única base de cálculo, qual seja, o tributo supostamente não pago, sob de contrariar o artigo 44 da Lei 9.430/96. a exigência da multa no caso em análise, é certo que a mesma não poderia ser cobrada duas vezes, já que só ocorreu uma suposta irregularidade, qual seja, o não pagamento do tributo. resta demonstrada, portanto, a improcedência do presente lançamento que pretende aplicar, simultaneamente, a multa de ofício em razão da suposta redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSL; e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais. (d) Impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário mesmo que as multas aplicadas a título de falta de pagamento mensais de IRPJ e de CSLL por estimativa fossem de fato exigíveis, o que se admite apenas para argumentar, elas sequer poderiam ser cobradas da recorrente. os pagamentos mensais antecipados pelo contribuinte a título de IRPJ (estimativas) não têm o condão de extinguir de imediato o crédito tributário em questão, o que só ocorrerá quando encerrado o exercício fiscal, quando ocorre o fato gerador do tributo. uma vez encerrado o período de apuração anual da contribuição sobre o lucro e tendo a recorrente entregue a DIPJ, não pode mais ser exigido, como ocorre no presente caso, o pagamento mensal por estimativa referente aos meses entre janeiro de 2007 e novembro de 2009, devendo prevalecer o valor do tributo efetivamente devido no final do anocalendário e regularmente recolhido pela recorrente. desse modo, constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, a fiscalização apenas poderia apurar o tributo devido após o encerramento dos períodosbase e constituir eventual diferença do crédito tributário. cita jurisprudência administrativa neste sentido. notase, portanto, que o ordenamento jurídicotributário atual veda a exigência de estimativa após o encerramento do anobase. Assim, tendo em vista que este é oriundo da incorreta aplicação da lei à situação fática, todos são indevidos, pois, se o principal não poderia ter sido lançado, tampouco poderiam seus acréscimos. diante disso, não há que se falar em multa isolada ou falta de pagamento de IRPJ ou de CSL por estimativa, após o encerramento do períodobase com a devida apuração da base de cálculo do IRPJ (lucro real). (e) Os juros SELIC ressalta que a jurisprudência tem reconhecido inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada para fins tributários. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.688 7 não obstante a posição sumulada do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC via a ser considerada inconstitucional para fins tributário pelo Poder Judiciário, a recorrente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. não se pretende questionar a constitucionalidade da aplicação dos juros calculados com base na taxa SELIC, mas apenar requerer sua desconsideração com base na jurisprudência. (f) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de oficio ainda que estejam sendo cobrados juros de mora apenas sobre o valor dos tributos lançados, vem esclarecer, para se precaver de eventual desfecho desfavorável, que há impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. a multa configura penalidade e não tem natureza tributária, não havendo razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável. a Lei n° 9.250, de 26.12.1995, que instituiu a taxa SELIC como parâmetro para correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, isto é, tributos e contribuições propriamente ditos. multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize sua correção pela taxa SELIC. o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 autoriza a aplicação dos juros SELIC quando a multa é lançada isoladamente, sem tributo principal devido. dessa forma, resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora Os requisitos de admissibilidade já foram verificados quando do julgamento do recurso voluntário na sessão de 11/06/2013, acórdão n° 1301001.224 da 3a Câmara / 1a turma Ordinária do CARF. Como visto, em sede de julgamento de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento integral, restabelecendo os lançamentos, que tiveram origem em glosa de despesas com ágio interno. Nesta toada, o processo retornou a este colegiado a fim de que fossem apreciadas as demais matérias não discutidas no acórdão do recurso voluntário, a saber: Item VII Compensação de base negativa de períodos anteriores; Item VIII Inadequação da multa e dos juros aplicados. Fl. 1693DF CARF MF 8 a) abusividade da multa de ofício aplicada; b) erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007; c) abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de ofício; d) impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário; e) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários; f) impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Da Ação Anulatória nº 500662631.2018.4.03.6100 A recorrente informa que ajuizou Ação Anulatória nº 5006626 31.2018.4.03.6100, afirmando que não haveria interferência no julgamento das questões pendentes de julgamento no CARF. Está anexado aos autos o pedido inicial, fls. 1580/1642, onde consta que o objeto da demanda seria apenas com relação à exigência dos valores principais exigidos nestes autos, do IRPJ e CSLL. Naquele pedido, consta a afirmação de que não houve renúncia à discussão administrativa no que diz respeito aos valores relativos aos juros sobre a multa de 75% e à multa isolada. Ocorre que, compulsando o pedido inicial, a recorrente, autora da ação, traz a baila matérias que estão pendentes de julgamento por este Colegiado, e utilizando os mesmos argumentos. A seguir, trago os trechos do pedido inicial acerca destas questões: • As compensações de bases negativas de CSL 101. No lançamento a partir do qual se originou o processo 16327.001.482/201052, o Fisco também alega que o Autor teria compensado bases negativas de CSL além do permitido nos anoscalendários de 2006 a 2009. Entretanto, como essa alegação é resultado da própria glosa das despesas de amortização de ágio válidas e legítimas, como visto nos tópicos acima fica comprovado, consequentemente, que as compensações em questão foram válidas e são cabíveis quaisquer ajustes nas bases negativas de CSL e de prejuízos acumulados do Autor. • Improcedência da multa de ofício (75%) e juros moratórios (SELIC) 102. Ainda que fosse admitida a exigência do principal neste caso, o que se admite apenas para argumentar, devese ressaltar que a penalidade de ofício de 75% é claramente descabida, por ser uma exigência desproporcional e abusiva, especialmente se considerado o disposto no artigo 142 do CTN: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.689 9 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (não destacado no original) Como se vê, o CTN deixa claro que, apenas se e quando for o caso, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível. A cobrança de multa em valores tão elevados já foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal ("STF") nos autos da ADI 5511/600RJ e de diversos outros precedentes, como o RE 81.550/75 MG, o RE 91.707 MG, o AgRg no RE 523.471/MG e o RE 754.554/GO. Nesse último julgado, o Tribunal considerou que a aplicação de multa de 25% já violaria os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. No presente caso, há sólidos elementos que corroboram a validade do ágio há uma decisão administrativa exonerando completamente o débito lançado e três Pareceres confirmando a legitimidade desses valores sob as perspectivas contábil, jurídicotributária e regulatória (docs. n°s 10, 11 e 23, acima). 105 O próprio fato de haver uma decisão integralmente favorável ao Autor no Processo Administrativo 16327.001.482/201052 apenas confirma que, no mínimo, há uma dúvida razoável quanto à qualificação dos fatos, o que, de acordo com o artigo 112 do CTN, leva ao afastamento de qualquer penalidade: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (...)" (não destacado no original) 106. E mesmo na hipótese de serem mantidos quaisquer valores a título de principal ou multa o que também se coloca somente para argumentar não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC, na medida em que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários, como já decidiu o STJ nos autos do Recurso Especial n° 450.422/PR, julgado em 28.6.2004.(grifei) (...) Ademais, o Autor requer seja JULGADA INTEGRALMENTE PROCEDENTE a presente ação para o fim de que sejam totalmente cancelados os débitos de IRPJ e CSL (principal, juros de mora e multa de 75%) consubstanciados no Auto de Infração relacionado ao Processo Administrativo 16327.001.482/2010 52, com o consequente restabelecimento das compensações de bases negativas de CSL nos anoscalendários de 2006 a 2009. Requer ainda a condenação da União Federal (Fazenda Fl. 1695DF CARF MF 10 Nacional) ao pagamento das custas e despesas processuais e honorários advocatícios a que der causa, na proporção prevista no artigo 85, §3°, do CPC. (grifei) Assim, entendo que, a despeito de a recorrente afirmar que não teria renunciado na esfera administrativa, é necessário observar a aplicação da Súmula CARF nº 1, já que algumas matérias estão em discussão na esfera judicial, ainda que seja uma consequência da demanda principal, que seria o cancelamento da autuação: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste sentido, concluo que deverá ser aplicada a Súmula CARF nº 1 para as seguintes matérias: VII compensação de base negativas da CSLL VIII.a) abusividade da multa de ofício aplicada VIII.e) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários A seguir, passo ao julgamento das demais questões. VIII. A INADEQUAÇÃO DA MULTA E JUROS APLICADOS (b) Erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007 A recorrente alega que houve erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007: Afirma que, mesmo após a recomposição das bases negativas de CSLL, ainda teria prejuízo, de modo que não caberia a cobrança da multa neste mês. Segundo a recorrente, a base de cálculo do mês de dezembro foi negativa em R$ 37.493.568,65. Esclarece, ainda, que este valor a diferença entre o acumulado do mês de dezembro (R$ 82.962.264,42 ) e o acumulado no mês de novembro (R$ 120.455.833,07). Para demonstrar o erro, apresentou a seguinte planilha: Assiste razão à recorrente. Tendo por base planilha (fls. 367) elaborada pelo próprio auditor fiscal para determinação da multa isolada da CSLL, constatase que, para o mês de dezembro/2007 não há estimativa devida: Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.690 11 Entretanto, no extrato do processo é possível verificar o lançamento da multa isolada para o mês de dezembro/2007 no valor de R$ 262.899,80: Comprovado o erro, voto por dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento a cobrança da multa isolada da CSLL, do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80. (c) A abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de oficio A recorrente ainda se insurge contra a cobrança da multa isolada e a multa de ofício, alegando a concomitância, não aceita na jurisprudência. Afirma que as multas possuem a mesma base de cálculo, fatos geradores, sujeito passivo, sendo incabível a aplicação simultânea. Entendo que não assiste razão à recorrente, ressaltando que as multas isoladas foram aplicadas para os anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, ou seja, após as alterações da MP nº 351/2007. A multa de ofício, cujo fundamento legal é o já citado artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, penaliza o contribuinte que omite rendimentos. Já a multa isolada, prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b", visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL. A seguir, os citados dispositivos legais: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 1697DF CARF MF 12 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Neste contexto, não há a alegada concomitância, uma vez que estamos diante de duas infrações distintas. E, em que pese a jurisprudência trazida pela recorrente, importante frisar que, com a alteração da redação do artigo 44 pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, a jurisprudência deste CARF tem sido em considerar legítima a aplicação cumulativa das duas multas. Neste sentido, trago ementa de Acórdão nº 9101002.438, proferido pelo Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Concluo, portanto, ser cabível a cobrança da multa isolada e da multa de ofício, nos termos da legislação tributária já citada. (d) Impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário A recorrente afirma que, após o término do anocalendário, só é possível cobrar o tributo devido apurado no final do período. Suas alegações não encontram respaldo na legislação, pois o dispositivo legal que fundamenta a multa isolada é claro e não possui qualquer condicionante. É claro que o lançamento de multa isolada só tem aplicação após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). Do contrário, se for constatada, durante o anocalendário, falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa, o lançamento deverá constituir o crédito tributário em sua totalidade principal, multa de ofício e juros de mora, para cobrança da estimativa devida. (f) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de oficio Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.691 13 Por fim, a recorrente contesta a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. Logo, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por: 1) não conhecer das seguintes em razão da aplicação da Súmula CARF nº 1 (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância e necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 01. 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 1699DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000120/2007-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido.
CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL.
É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras.
PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO.
É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972.
RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002.
A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002.
Numero da decisão: 9101-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL. É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras. PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO. É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002. A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.000120/2007-76
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918533
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.816
nome_arquivo_s : Decisao_16561000120200776.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 16561000120200776_5918533.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7473802
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869298102272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 9.158 1 9.157 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000120/200776 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.816 – 1ª Turma Sessão de 02 de outubro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL. É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras. PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO. É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002. A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 20 /2 00 7- 76 Fl. 9158DF CARF MF 2 mérito, em darlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por auto de infração de IRPJ e CSLL quanto ao ano de 2002, identificandose equívoco na apuração de preços de transferência, com imposição de multa de 75%. (fls. 2264, volume 11, pdf 108). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo decidiu manter em parte o lançamento (fls. 8.395, volume 42, pdf 3), conforme acórdão do qual se transcreve a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Sendo prescindível, indeferese a perícia solicitada. Fl. 9159DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.159 3 DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método de Preço de Renda menos Lucro (PRL) mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor aos custos dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou o contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou o contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. Desconsiderandose, dessa forma, a segregação efetuada pela fiscalização – em “ajuste do estoque inicial” e “ajuste das importações do ano” – recalculase o ajuste total e exonerase parcialmente a exigência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Lançamento procedente em parte. Em síntese, a DRJ entendeu equivocado o lançamento porque “a fiscalização se equivocou ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período” e “apesar de a impugnante trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC) esse equívoco da fiscalização ocorreu com relação a todos os itens objeto de ajuste, e será considerado nesta decisão” (trecho em conclusão do voto condutor, fls. 8.441, pdf. 48, volume 42). Fl. 9160DF CARF MF 4 Assim, o processo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, quando foi negado provimento ao recurso de ofício e dado parcial provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado (acórdão nº 1402 001.808, fls. 8.558): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. REACONDICIONAMENTO/FRACIONAMENTO. POSSIBILIDADE. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos produtos no Brasil. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 9161DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.160 5 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. A Procuradoria, intimada em 09/12/2014 (fls. 8.612), opôs embargos de declaração na mesma data (fls. 8.613), identificando omissões no acórdão, entendendo que haveria preclusão no questionamento de alguns itens importados. Assim, requereu pronunciamento da Turma a quo sobre o artigo 16, II e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. Os embargos foram admitidos, decidindo o Colegiado a quo por sanar omissão mencionada pela Procuradoria, conforme acórdão nº 1402001.966 (fls. 8.670). A Procuradoria, intimada do acórdão de embargos em 06/01/2016 (fls. 8.676), interpôs recurso especial em 02/02/2016 (fls. 8.677). No recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) preclusão, nos termos dos artigos 16, II e 17, do Decreto nº 70.235/1972, apontando como acórdãos paradigmas o de nº 2301003.469 (processo administrativo nº 13864.000511/201093) e 1401000.805 (processo administrativo nº 10218.000512/200769); (ii) nulidade por vício formal, com paradigmas 240100.018 (processo administrativo nº 13971.001934/200716) e 30131.801 (processo administrativo nº 10715.001961/9726). (iii) Aplicação do método PRL 60%, constando os seguintes acórdãos paradigmas: 1301000.451 (processo administrativo nº 16561.000076/2008 85). O Presidente da 4ª Câmara (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) admitiu o recurso especial apenas quanto à primeira matéria (fls. 8.723) No exercício da competência estabelecida no inciso III do art. 18 do Anexo II do RICARF/2015, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, somente em relação à matéria "impossibilidade de apreciação de matéria não impugnada que não seja de ordem pública", pois sobre tal assunto foi comprovada a alegada divergência de interpretação da legislação tributária. A respeito das outras duas matérias tratadas no recurso especial ("efeitos da constatação de vício formal no lançamento tributário" e "impossibilidade de aplicação do método PRL20 em caso de fracionamento do item importado"), entendo que não foram comprovadas as divergências jurisprudenciais requeridas pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, motivo pelo qual é negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a estas partes. Sendo intimada em 08/08/2016 (fls. 8.725), a Procuradoria apresentou agravo na mesma data (fls. 8.726). Fl. 9162DF CARF MF 6 O Presidente da CSRF (fls. 8.732) confirmou a decisão do Presidente de Câmara, negando seguimento às duas matérias acima referidas. A Procuradoria foi regularmente cientificada desta decisão (fls. 8.739). O contribuinte apresentou embargos de declaração em 08/05/2017 (fls. 8.744), alegando omissões e contradição no acórdão do Colegiado de origem. Os embargos não foram admitidos (fls. 8.941). O contribuinte, ainda, apresentou contrarrazões ao recurso especial, pleiteando (fls. 9.055), em síntese: (i) O não conhecimento do recurso especial, na medida em que não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Segundo o contribuinte, os paradigmas tratariam de situação em que não houve questionamento de matéria em impugnação, situação distinta da relatada nestes autos. (ii) No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido. O contribuinte, intimado em 08/08/2017 (fls. 8.950), também interpôs recurso especial em 22/08/2017 (fls. 8.953). No recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito de: (i) Impossibilidade de aplicação da IN 243 quanto ao ano de 2002, constando como paradigma o acórdão nº 120100.658 e 9101002.839; (ii) Ilegalidade da IN 243, matéria tratada pelo paradigma nº 1202000.970. O Presidente da 4ª Câmara apenas admitiu o recurso especial do contribuinte quanto à primeira matéria (fls. 9.086). O contribuinte foi intimado quanto a esta decisão em 18/09/2017 (fls. 9.096). A unidade de origem, assim, transferiu os débitos definitivamente julgados para o processo nº 16151.720284/201717 (fls. 9.092). A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte, pedindo seja negado provimento ao recurso. Por fim, o contribuinte pediu preferência no julgamento deste processo (fls. 9.148), diante do valor envolvido É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento Recurso Especial da Procuradoria O recurso especial da Procuradoria foi admitido quanto à matéria preclusão, com relação a ambos os paradigmas indicados (2301003.469 e 1401000.805). Fl. 9163DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.161 7 O contribuinte questiona o conhecimento do recurso quanto a ambos os paradigmas. O primeiro paradigma tem o seguinte contexto fático descrito em seu relatório (2301003.469): Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP de forma inexata, incompleta ou omissa, nos dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme se infere do Relatório Fiscal. Nos termos do Relatório Fiscal, a Recorrente (a) informou código FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando deveria ter sido 515; (b) informou código de outras entidades 0099, quando o correto seria 0115; (c) omitiu informação de código e data de transferência dos segurados da incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, bem como código e data de movimentação de segurados acidentados com período de afastamento inferior a 15 dias e, por fim, (e) informou erroneamente valores retidos em decorrência de prestações de serviços conforme verificado nas Notas Fiscais de Serviço. Em virtude de ter infringido o art. 32, IV, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV, § 4º do Decreto nº 3.048/1999, foi aplicada à Recorrente multa no montante de R$ 143.179,00 (cento e quarenta e três mil cento e setenta e nove reais), com fulcro no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/1991 e arts. 284, III e 373, do Decreto nº 3.048/1999. Diante deste panorama, decidiu a Turma no primeiro paradigma (2301 003.469): Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada, ainda, em decorrência da omissão de informação de código e data de transferência dos segurados da incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, bem como código e data de movimentação de segurados acidentados com período de afastamento inferior a 15 dias e, por fim, de informação errônea dos valores retidos em decorrência de prestações de serviços. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento faz referência às infrações em apreço, especificadas às fls. 60 do Relatório Fiscal, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Fl. 9164DF CARF MF 8 Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Entendo que não há divergência na interpretação da lei tributária, eis que este primeiro acórdão paradigma trata de norma não analisada nos presentes autos (art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004). Assim, não conheço o recurso especial da Procuradoria quanto ao primeiro paradigma (2301003.469). Passo à análise do segundo paradigma, nº 1401000805, lembrando o que consta de seu relatório: Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e complementando em sua defesa da seguinte forma: Que seja anulado o auto de infração em virtude de nulidades formais e materiais envolvendo o MPF conforme exposto nos itens 4 e 5 do recurso. Em resumo, a Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPFC, para o PIS, teria sido expedido a destempo sem darlhe ciência do mesmo obstando assim a espontaneidade prevista no art. 47 da Lei n. 9.43096. Que seja reconhecido o excesso de exação por incluir os impostos que não constitui faturamento, na receita tributável; Que sejam ajustados os créditos considerados na apuração fazendo prevalecer os dados informados nos balancetes atendendose ao disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002; Por fim, que seja reaberto o prazo de 20(vinte) dias para que o contribuinte pague os valores devidos de PIS/PASEP sem a multa punitiva de 75%. Fl. 9165DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.162 9 Diante deste contexto fático, decidiu a Turma no segundo acórdão paradigma (1401000.805): PRECLUSÃO Conforme relatado a Recorrente somente em fase recursal traz à baila matéria não inaugurada na fase impugnatória, qual seja, requer que seja reconhecido o excesso de exação por incluir os impostos que não constitui faturamento, na receita tributável. Não sendo matéria de ordem pública, a qual a autoridade julgadora poderia apreciála até de oficio, a ausência da instauração de controvérsia na impugnação tem o condão de fazer incidir os efeitos da preclusão administrativa sobre a matéria somente agitada no recurso voluntário, tornando o ponto incontroverso. Essa é a inteligência inclusive do artigo 16, §4°, do Decreto n°70.235/72, verbis(...) Portanto, considero preclusa referida matéria O contribuinte pede não seja conhecido o recurso quanto ao segundo paradigma, pelas razões seguintes: Da leitura das duas ementas dos acórdãos paradigmas, vêse que ambos tratam de casos em que foi reconhecida a preclusão diante da não contestação pelo contribuinte de determinada matéria objeto dos processos discutidos. No entanto, não é essa a situação que se vê nos presentes autos, uma vez que a Recorrida questionou expressamente a desqualificação do método PIC, o que fora, inclusive, ratificado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção quando do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela própria Fazenda Entendo que o pleito do contribuinte não merece acolhida. Afinal, definir o que foi – ou não – contestado pelo contribuinte é exatamente o mérito do recurso especial, para, interpretando o caso dos autos e dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, decidir pela manutenção ou reforma do acórdão recorrido. Assim, conheço o recurso especial com relação ao segundo paradigma (acórdão 1401000.805). Mérito Recurso do Contribuinte – Aplicação da IN 243 no ano de 2002 Adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial do contribuinte quanto à única matéria admitida (aplicação da IN 243 no ano de 2002), nos termos do artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Fl. 9166DF CARF MF 10 Esta Turma da CSRF já analisou esta matéria, decidindo no acórdão nº 9101 002.839 – um dos acórdãos identificados como paradigmas pela impossibilidade de aplicação desta Instrução Normativa SRF no ano de 2002: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Destaco, ainda, manifestação da COSIT em Processo de Consulta também mencionado no acórdão 9101002.839, explicitando inexistir obrigatoriedade na aplicação da IN 243 no ano de 2002 pelo contribuinte: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) Com efeito, até a publicação da Instrução Normativa SRF 243, em 13 de novembro de 2002, , vigia a IN SRF 32, que é interpretada como norma complementar em matéria tributária, em conformidade com o artigo 100, I, do Código Tributário Nacional: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 9167DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.163 11 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A alteração na interpretação da Receita Federal, explicitada pela Instrução Normativa SRF 243, em novembro de 2002, assim, não poderia implicar na aplicação deste novo entendimento quanto aos fatos ocorridos do curso do ano de 2002, no curso deste ano. Apenas quanto aos anoscalendários subsequentes é exigida a aplicaçãoda IN 243, inclusive em respeito ao artigo 146, do Código Tributário Nacional: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, afastando a aplicação da IN 243 no ano de 2002. Mérito Recurso Especial da Procuradoria Preclusão A preclusão foi enfrentada pelo Colegiado a quo após a apresentação de embargos pela Procuradoria, conforme acórdão 1402.001.966. Destacamse razões do Conselheiro Relator: Entretanto, argumenta a embargante que a contribuinte, em sua impugnação, se limitara a trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), e a decisão embargada, assim como a decisão recorrida, considerou que o equívoco da fiscalização teria ocorrido em caráter geral, com relação a todos os itens objeto de ajuste. Nessa esteira, a questão levantada pela embargante diz respeito à omissão, no voto condutor do acórdão embargado, assim como no acórdão recorrido, quanto à explicitação dos pressupostos e motivos que fundamentaram a apreciação do tema em caráter geral, já que esse não configuraria matéria de ordem pública e Fl. 9168DF CARF MF 12 tampouco teria sido questionado tempestivamente pelo contribuinte. Com efeito, entendo caber razão à embargante quanto à existência da omissão a ser sanada, pelo que acolho os embargos e passo à análise do seu mérito. (...) Considero que o equívoco cometido pelo Fisco, no caso em análise, diz respeito ao procedimento adotado ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período. A defesa, por sua vez, questiona tal procedimento em sua impugnação, vejase o excerto da parte da impugnação. “... Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. ..." Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados. ...” Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), não entendo que tal questionamento esteja adstrito tãosomente àqueles itens. Há, no caso, uma regra errada que se expressa em vários itens do lançamento. O fato de a defesa ter detectado, e questionado, tal regra apenas em algumas de suas expressões não elide o fato de que a defesa, efetivamente, questionou tal regra. Assim, ao considerar que houve o questionamento tempestivo, por parte da defesa, do procedimento adotado pelo Fisco, considero sanada a omissão aventada pela embargante. Caracterizada a omissão aventada, Voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão, ratificar os termos do acórdão embargado. Em seu recurso especial, a Procuradoria sustenta em seu recurso especial que: A contribuinte questionou o procedimento do Fisco apenas para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864. Contudo, a e. 2ª Turma Ordinária cancelou também o procedimento fiscal voltado para outros itens não impugnados. Portanto, a e. Turma a quo divergiu do entendimento de outras Câmaras do Conselho, que proibiram a apreciação de matéria que não se enquadra como de ordem pública e que não foi tempestivamente e expressamente questionada. Com efeito, preveem os artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 9169DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.164 13 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, à ocasião da apresentação de impugnação administrativa, o contribuinte deve expor as razões de sua defesa, restando preclusa a discussão de temas não enfrentados. No entanto, no caso dos autos, o contribuinte apresentou impugnação tratando expressamente do equívoco na apuração do Método PIC – Preços Independentes Comparados em arrazoado de 5 folhas (fls. 2.304 a 2.309, pdf 130, volume 11). Neste arrazoado, um dos fundamentos de defesa (equívoco na apuração do estoque inicial) não tem qualquer referência a produtos, como bem indicado pelo acórdão recorrido: Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. Antes disso, o contribuinte também aponta impugna a apuração do Método PIC no lançamento tributário, quando aponta que “a amostragem realizada ... restou prejudicada”. Nesse ponto, menciona os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864, verbis: Em relação ao método de preços independentes comparados, a r. Auditora Fiscal concluiu que não foi possível formar convicção quanto ao preço parâmetro apurado pela Impugnante em relação aos produtos (...), pois nesses casos a amostragem realizada supostamente restou prejudicada, uma vez que (....) Ora, com base nos documentos apresentados já é possível constatar que os preços pelos quais os bens são importados não diferem dos preços praticados pelo exportador em operações com terceiros no mercado argentino (...) Assim, entendo que a impugnação administrativa expressamente tratou da apuração do Método PIC, questionando indistintamente o equívoco na apuração do estoque inicial. Portanto, entendo que o acórdão recorrido não merece reparos, razão pela qual nego provimento ao recurso da Procuradoria. Conclusão: Diante de tais razões, concluo por: (i) conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos da decisão do Presidente de Câmara, e lhe dar provimento, devendo ser analisado as repercussões em relação ao saldo de prejuízo pela unidade de origem; Fl. 9170DF CARF MF 14 (ii) conhecer do recurso especial da Procuradoria quanto a um dos paradigmas, no mérito negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 9171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.721372/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2010,2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO.
Far-se-á o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-004.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:2010,2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Far-se-á o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10437.721372/2015-91
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921560
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.811
nome_arquivo_s : Decisao_10437721372201591.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10437721372201591_5921560.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7485308
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869303345152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 405 1 404 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10437.721372/201591 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.811 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de outubro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente AROLDO MESSIAS BARROS DA CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2010,2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Farseá o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 13 72 /2 01 5- 91 Fl. 405DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Tratam os presentes autos de lançamento de ofício (Auto de Infração fls. 221/232), nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; b) Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos referentes à movimentação financeira junto aos Bancos BVA S.A. e Bradesco do ano calendário de 2010. Em 25/11/2014, 03/02/2015 e 24/02/2015 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou os extratos bancários mensais da conta 0040388 1, agencia 0103, do Banco Bradesco e da conta 8173601, agência 0004, do Banco BVA S.A. Em 03/03/2015, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2015, intimando o contribuinte a comprovar, mediante apresentação de documentação bancária (comprovantes de depósito bancário, cheques nominais, DOC, etc) e documentação complementar hábil, e idônea (contratos, recibos, contracheques, etc), a origem dos recursos creditadas nas mencionadas contas bancárias. Nesse mesmo documento o contribuinte foi notificado do procedimento do lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita ou de rendimento, dos valores cuja origem não fosse comprovada, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, alterado pelo artigo 4º da lei 9.481/97 e artigo 58 da Lei 10.637/02 e artigos 841, 845 e 926 do Decreto ns 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Em resposta ao referido termo de intimação, o contribuinte apresentou sucessivos pedidos de prorrogações de prazo (em 07/04/2015, 12/05/2015, 23/0672015 e 14/07/2015) para atendimento dos esclarecimentos formulados. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 406 3 Em 22/09/2015, 06/10/2015 e 26/10/2015 o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, compareceu a esta Repartição Fiscal para apresentação de documentos e esclarecimentos complementares correspondentes a movimentação financeira ocorrida na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S.A. Em 20/10/2015, a fiscalização lavrou Termo de Constatação Fiscal cientificando o contribuinte ora fiscalizado de que os documentos apresentados em 11/08/2015 também subsidiariam a ação fiscal relativamente ao anocalendário de 2010, período incluído em 20/10/2015 Diante da documentação apresentada, a fiscalização concluiu: 1) Quanto ao Banco BVA, conta 81736013 agência 0004: A) "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.104,010/000353” e “DOC/TED Eletrônico Ever.Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191": Visando comprovar a origem dos lançamentos efetuados a crédito, na conta 8173601, durante todo o ano de 2011, cujo histórico referese a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191", o contribuinte anexou cópia do "Instrumento Particular de Solução de Mútuos. Cessão de Direitos e Outras Avenças", datado de setembro/2010, celebrado entre as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comercio de Veículos Ltda, constante de 06 (seis) folhas. Analisando o Instrumento Particular apresentado, constatamos, em resumo, que as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107 e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 06.194.010/0001 91. Que a empresa Ever Electric tinha a obrigação contratual, dentre outras, de pagar a Super Mart o valor de R$ 24.000.000,00, cm 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC. Que tais prestações deveriam pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A, conta esta de titularidade pessoal do sócio da empresa Super Mart, Sr. Aroldo Messias Barros da Cunha. Que. excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto a empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107, contra recibo. Assim, verificamos que os lançamentos efetuados a crédito na conta 8173601, durante todo o ano de 2011, cujo histórico referese a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191" são compatíveis com o disposto no Instrumento Particular supra citado. B) "RESGATE LCI/LCA Fl. 407DF CARF MF 4 Visando comprovar a origem dos lançamentos efetuados a credito nesta conta, no período de 18/02/2011 a 23/02/2011, cujo histórico referese a "Resgate LCI e LCA", o contribuinte apresentou cópia do extrato mensal, do período de 30/09/2010 a 30/12/2010, do Banco BVA, da conta 8173601, agência 0004, constante de 02 (duas) folhas. Assim, ficou comprovado que a origem dos recursos resgatados das aplicações em LCI e LCA, no período de 18/02/2011 a 23/02/2011, é proveniente de depósitos ocorridos e aplicados nesta conta entre 30/09/2010 e 30/12/2010, adicionado dos respectivos rendimentos. C) "DEPÓSITO DE CHEQUE" 01/03/2011: Concluindo a análise a respeito do Banco BVA, temos a relatar que, em 06/10/2015 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou um email datado de 23/09/2015 enviado pelo SAC Banco BVA <sac@bancobva.com.br, com esclarecimento sobre os valores debitados da conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A abaixo relacionados: Através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 04/2015, intimamos o contribuinte a apresentar documentação bancária complementar a fim de comprovar que as operações acima estavam interligadas, sendo que o contribuinte apresentou tais documentos em 26/10/2015. Analisando o extrato da conta, bem como a documentação apresentada pelo contribuinte em 06/10/2015 e 26/10/2015 constatamos que em 23/02/2011 e 28/02/2011 foram emitidos cheques administrativos, tendo como favorecido o próprio contribuinte. Posteriormente, em 01/03/2011, tais cheques foram novamente depositados na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A. Assim sendo, ficou comprovado que os depósitos ocorridos em 01/03/2011 têm sua origem nos cheques administrativos anteriormente emitidos. 2) Quanto ao Banco Bradesco, conta 00103881, agência 0103 Para alguns créditos efetuados na nesta conta, não foram anexados quaisquer documentos e/ou esclarecimentos a respeito. Tais ocorrências foram listadas no "Demonstrativo de Valores Creditados Não Comprovado 2011 Banco Bradesco, conta corrente 00403881, agência 0103", elaborado por esta fiscalização, com a observação "sem documentos/esclarecimentos". Visando comprovar a origem de diversos lançamentos efetuados a crédito nesta conta, o contribuinte apresentou, em 11/08/2015, 22 (vinte e duas) folhas contendo comprovantes denominados "Segunda Via de Comprovante de Depósito/Transferência" Preliminarmente cabe destacar que tais folhas foram apresentadas como supostamente emitidas pelo Banco Bradesco. Entretanto, verificamos que as informações não estão impressas em papel timbrado do Banco, que não consta nenhuma assinatura do responsável pela emissão de tais informações ou documento oficial do Banco (Oficio, Carta, Comunicação) encaminhando tais folhas. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 407 5 Analisando as "Segunda Via de Comprovante de Depósito/Transferência", constatamos que as mesmas não identificam o respectivo remetente de cada recurso. O contribuinte não anexou documentos e/ou esclarecimentos complementares, coincidente em datas e valores, que efetivamente comprovassem a que título tais recursos foram recebidos Assim sendo, tais ocorrências foram listadas no "Demonstrativo de Valores Creditados Não Comprovados 2011 Banco Bradesco, contacorrente 0040388 1, agência 0103", elaborado por esta fiscalização, com a observação "Segunda Via do Depósito/Transferência. 3.2) Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica: Conforme já relatado, o contribuinte apresentou cópia do "Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avenças", datado de setembro/2010, celebrado entre as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comercio de Veículos Ltda, constante de 06 (seis) folhas. Analisando o Instrumento Particular apresentado, constatamos, em resumo, que as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107 e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 06.194.010/0001 91. Que a empresa Ever Electric tinha a obrigação contratual, dentre outras, de pagar a Super Mart o valor de R$ 24.000.000,00, em 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC. Que tais prestações deveriam pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601. agência 0004, do Banco BVA S/A, conta esta de titularidade pessoal do sócio da empresa Super Mart, Sr. Aroldo Messias Barros da Cunha. Que, excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto a empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/0001 07, contra recibo. Em 18/08/2015, lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 03/2015, intimando o contribuinte a apresentar documentação complementar hábil e idônea que pudesse comprovar que os recursos creditados em sua conta pessoal, por força do disposto na cláusula quarta, inciso IV do referido Instrumento Particular, foram devidamente e integralmente repassados a empresa Super Mart Ltda. Em 22/09/2015 o contribuinte apresentou esclarecimento por escrito, datado de 21/09/2015 e assinado pelo próprio contribuinte, informando que os recursos em questão foram depositados em sua conta pessoal tendo em vista que, naquela época, a conta pessoa jurídica estava com problemas, não sendo possível sua utilização. Informou, ainda, que não efetuou as transferências dos recursos para empresa Super Mart Ltda, pois o Banco BVA S.A, faliu e os valores em questão ficaram retidos. As alegações do contribuinte, entretanto, não podem prosperar. O contribuinte não especificou que tipo de problema a conta Fl. 409DF CARF MF 6 pessoa jurídica tinha, nem tão pouco anexou documentos hábeis e idôneos pertinentes. Não anexou documentos referentes aos montantes que foram retidos pelo Banco BVA e em que data tais retenções teriam ocorrido. Consultando o site oficial do Banco Central do Brasil (BACEN), constatamos que a intervenção do BACEN no Banco BVA S/A iniciou em 19/10/2012. Entretanto, os recursos ora questionados foram depositados entre setembro/2010 e novembro/2011, ou seja, bem antes da intervenção. O contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que pudesse comprovar que os recursos em questão foram devidamente e integralmente repassados a empresa Super Mart Ltda nos anocalendário de 2010 e 2011. Ainda, não constam das respectivas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte ora fiscalizado quaisquer lançamentos referentes a operação em questão, a saber: o contribuinte não informou os saldos, em 31/12/2010 e 31/12/2011, da conta 8173601, agência 0004 do Banco BVA, nem das aplicações financeiras a ela vinculadas; o contribuinte não informou o valor dos rendimentos auferidos, durante os anoscalendário de 2010 e 2011, provenientes das aplicações financeiras vinculadas a conta 8173601, agencia 0004 do Banco BVA; o contribuinte não informou quaisquer valores recebidos da empresa Super Mart Ltda, seja a titulo de rendimentos tributáveis (exemplo: rendimentos do trabalho assalariado ou não), rendimentos isentos (exemplo: lucros distribuídos) e/ou dívidas/empréstimos. Adicionalmente, não constam lançados nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107, dos anos calendário de 2010 e 2011, valores compatíveis e condizentes com a operação descrita no Instrumento Particular apresentado. Assim sendo, consideramos que o contribuinte ora fiscalizado foi o real beneficiário de tais recursos, tendo em vista que: 1) aplicou sistematicamente os valores recebidos nos anos calendário de 2010 e 2011 da empresa Ever Electric, em aplicações financeiras, que por sua vez produziram rendimentos, vinculadas a sua conta pessoal 8173255, agencia 0004, do Banco BVA; 2) não comprovou o repasse dos valores recebidos nos anos calendário de 2010 e 2011 para a empresa Super Mart Ltda; Pelo exposto, os lançamentos efetuados a crédito, na conta 8173601, durante os anos de 2010 c 2011, cujo histórico refere se a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191" serão Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 408 7 tributados como Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, com respaldo nos artigos 1º a 3º da Lei 7.713/88 e nos artigos 37, 38 e 45 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). O contribuinte apresentou impugnação de fls. 238/241, na qual alegou, resumidamente que: a) Os valores não caracterizam, receita ou rendimentos, posto que são de origem do contribuinte e a este retomou; b) os valores pertenciam à empresa Super Marte Ltda, foram escriturados e só não transitaram pela conta da empresa, pois esta possuía impedimentos legais que impossibilitavam abertura de conta corrente em seu nome; c) Como o rendimento pertencia à pessoa jurídica, mesmo que tributável, deveria ser como lucro e não em seu principal; d) apesar do Auditor Fiscal reconhecer que foram depositados dois cheques administrativos os quais saíram e voltaram pelo mesmo instrumento e titularidade, mesmo assim os enquadrou como depósito sem comprovação de origem; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza negou provimento ao recurso em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Farseá o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E OITIVA DE TESTEMUNHA. INDEFERIMENTO. DOCUMENTOS Fl. 411DF CARF MF 8 ANEXADOS AOS AUTOS SUFICIENTES PARA FORMAR A LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No que tange ao pedido de apresentação de provas testemunhais, há que se esclarecer que não há previsão legal para este tipo de prova no Processo Administrativo Fiscal, a não ser nas formas de declarações firmadas pelas testemunhas, apresentadas pela defesa, ou na forma de depoimentos tomados pelas autoridades preparadoras, quando entenderem necessárias, no decorrer das investigações, ou atendendo a pedido de diligência dos órgãos julgadores. Cientificado (AR fls. 290) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 293/300, no qual reitera as alegações suscitadas. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL, TESTEMUNHAL E DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte alega, novamente, como preliminar a nulidade do lançamento em razão da necessidade de provas periciais e oitivas de testemunha. Tratase de protesto genérico sem qualquer fundamentação. Correto, portanto, seu indeferimento pela decisão recorrida. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 não deixa dúvida sobre a necessidade motivação do pedido de perícia. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 409 9 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifamos) Da mesma forma, o pedido de realização de produção de prova testemunhal e oitiva de testemunhas carece de motivação, motivo pelo, devem ser igualmente indeferidos. Improcedentes as preliminares suscitadas. 1.2) ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC Alega o Recorrente que "a multa não pode ou deve ser arbitrada" e a ilegalidade da taxa SELIC. Não houve qualquer arbitramento da multa. Aliás, não existe previsão de arbitramento de multa. Essas estão taxativamente previstas em lei. Igualmente improcedente a alegação do Recorrente quanto à ilegalidade da taxa SELIC. A aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários é matéria pacificada no âmbito deste conselho conforme se verifica pela Súmula 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 2) MÉRITO 2.1) DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESTINO DOS VALORES Alega do Recorrente ser ilegal o arbitramento de lucros efetuados com base nos depósitos bancários, bem como o lançamento sem a comprovação do destino dos valores depositados. Em primeiro lugar, é importante registrar que, em momento algum, houve a tributação do lucro, uma vez que tratase de lançamento de imposto de renda pessoa física. Fl. 413DF CARF MF 10 É pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 410 11 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.2) OMISSÃO DOS VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Novamente o Recorrente desenvolve alegações genéricas quanto ao lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Alega os valores depositados na conta 8176013, agência 0004 do Banco BVA, referiase a um contrato de mútuo comprovado por Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avenças (fls. 71/76). Todavia, como bem observado pela decisão recorrida, da análide da referida documentação restou comprovado que: · as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda; · a empresa Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda tinha a obrigação contratual de pagar a empresa Super Mart Ltda o valor de R$ 24.000.000,00, em 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC; · tais prestações deveriam ser pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A;e, excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto à empresa Super Mart Ltda, mediante recibo. · esta conta era de titularidade do sócio da empresa Super Mart, o próprio contribuinte; (...) A defesa ainda alegou que toda a movimentação e lançamentos estavam amparados pelo contrato de mútuo e que embora figurasse duas personalidades jurídicas, os valores foram depositados em nome do contribuinte, uma vez que este era proprietário de uma delas empresas. Disse ainda que cedeu os valores objetos daquele Contrato de Mutuo. Nesse ponto reside o cerne da questão, pois o contrato de Mútuo poderia explicar e resolver a lide. No entanto, como afirmado nos parágrafos acima deste voto, o contribuinte não justificou inúmeras questões que confirmassem suas alegações, vejamos: a) Intimado a explicar porque os rendimentos foram depositados em sua conta particular, o contribuinte limitouse a afirmar que a conta da empresa apresentava problemas. No entanto, dos autos verificase que o impugnante não especifica, nem comprova qual foi o problema que a empresa teria tido e nem tão pouco anexou documentos capazes de provar suas alegações. b) Intimado a explicar por quais razões não fez o repasse para a empresa Super Mart Ltda, a defesa afirmou que o banco havia falido (liquidação da Instituição Financeira). No entanto, nos autos resta demonstrado cabalmente que os depósitos ocorreram Fl. 415DF CARF MF 12 bem antes da intervenção, fato este que ocorreu em 19/10/2012. Cumpre destacar que a defesa não anexou quaisquer documentos que comprovassem o quantum foi retido pelo Banco BVA e em que data tais retenções teriam ocorrido. c) Não foram lançados nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da empresa Super Mart Ltda, dos anoscalendário de 2010 e 2011, valores compatíveis e condizentes com a operação descrita no Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avencas . Improcedentes, portanto, as alegações do contribuinte. |3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002346/2003-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
GLOSA DE DESPESA LASTREADA EM DOCUMENTO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O BENEFICIÁRIO.
Não havendo a individualização do beneficiário, nos termos do 304 do RIR, é correta a glosa da despesa.
IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Sendo incerto o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 674 do RIR, é correto o lançamento do IRRF.
Numero da decisão: 1302-000.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Eduardo de Andrade
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 GLOSA DE DESPESA LASTREADA EM DOCUMENTO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O BENEFICIÁRIO. Não havendo a individualização do beneficiário, nos termos do 304 do RIR, é correta a glosa da despesa. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sendo incerto o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 674 do RIR, é correto o lançamento do IRRF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 18471.002346/2003-12
conteudo_id_s : 5913344
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.418
nome_arquivo_s : Decisao_18471002346200312.pdf
nome_relator_s : Eduardo de Andrade
nome_arquivo_pdf_s : 18471002346200312_5913344.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
id : 7443844
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869315928064
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2400262_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-27T23:18:01Z; Last-Modified: 2010-12-27T23:18:01Z; dcterms:modified: 2010-12-27T23:18:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2400262_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:3b5a6bf7-b67e-44c1-bbf3-71d1dd420fea; Last-Save-Date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-27T23:18:01Z; meta:save-date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2400262_0.doc; modified: 2010-12-27T23:18:01Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-27T23:18:01Z; created: 2010-12-27T23:18:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2010-12-27T23:18:01Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 206 1 205 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002346/2003-12 Recurso nº 166.096 Voluntário Acórdão nº 1302-00.418 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria IRPJ - GLOSA DE DESPESAS Recorrente PATRIMOVEL CONSULTORIA IMOBILIARIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 GLOSA DE DESPESA LASTREADA EM DOCUMENTO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O BENEFICIÁRIO. Não havendo a individualização do beneficiário, nos termos do 304 do RIR, é correta a glosa da despesa. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sendo incerto o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 674 do RIR, é correto o lançamento do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Fl. 1DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Trata o processo do auto de infração, com ciência em 03/10/2003, referente ao ano- calendário de 1999, através do qual é exigido da interessada o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ, no valor de R$ 11.924,66 (fls. 91/95), acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação de IRPJ teve como motivo as seguintes constatações, tendo como base o Termo de Verificação Fiscal, fls. 139/104, e a descrição do Auto de Infração: 1) Custos, Despesas Operacionais e Encargos não necessários. Conforme item 3 do Termo de Verificação, a interessada, depois de cientificada da Intimação Fiscal n° 04, apresentou como justificativa do lançamento da despesa de R$ 24.000,00 na Conta 51422-5 - Serv. Prof. P. Jurídica, a nota fiscal de n° 001, emitida em 05/10/1999 pela empresa CLEAN A. P. Participações LTDA-CNPJ. 72.421.829/0001-79, a título de "comissão pela venda de imóvel da Av, das Américas, n º 4.441". Entretanto, a interessada é a compradora do imóvel, cujo proprietário era o Banco Santander Meridional S.A., que deveria ter arcado com a despesa. Portanto, efetuou-se o lançamento decorrente de glosa de despesa por ser desnecessária à atividade da empresa. O enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 300 do RIR/99. 2)Pagamentos a Beneficiário Não Identificado. Conforme item 1 do Termo de Verificação, depois de cientificada do Termo de Intimação n° 01 e do Termo de Intimação n° 04, a interessada deixou de justificar as despesas contabilizadas, tendo apresentado comprovantes de pagamento supostamente efetuados a Raul de Vasconcellos ou Raul de Vasconcelos, sem informação de CPF e tampouco retenção de Imposto de Renda na Fonte. Desta forma, se sujeita a glosa do valor das despesas contabilizadas, bem como ao pagamento do Imposto de Renda, neste caso, sendo considerado o valor da despesa como "valor líquido pago a beneficiário não identificado". O enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 304 do RIR/99. 3) Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado — Excesso em função do bem. Conforme item 4 do Termo de Verificação, depois de cientificada do Termo de Intimação Fiscal n° 01, no qual era solicitada a apresentar os documentos de aquisição que dessem respaldo ao registro, em 01/01/1999, na conta 13202-0 - Veículos, do valor de RS 92.304,46, a interessada logrou apresentar somente dois documentos, de valor de R$ 34.000,000 e R$ 7,618,36, totalizando R$ 41.618,36. Desta forma, deixou a interessada de comprovar registro de valor igual a R$ 50.686,10 (54,91% do total). No decorrer do ano-calendário de 1999, ocorreu somente um registro na Conta 51712,7 - Despesas com Depreciação de Veículos, em 31/12/1999, no valor de RS 6.153,64. Em conseqüência, se sujeita à glosa de RS 3.378,96 (54,91% de RS 6.153,64) da despesa contabilizada. O enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 305 do RIR/99. Fl. 2DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.002346/2003-12 Acórdão n.º 1302-00.418 S1-C3T2 Fl. 207 3 Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração exigindo-lhe a CSLL no valor de R$ 5,329,82, acrescida de juros de mora e multa de oficio de 75%, fls. 96/100. O enquadramento legal: art. 2 o e §§ da Lei n° 7.689/88, art. 19 da Lei n° 9.249/95, art. 1º da Lei n° 9.316/96 e art. 38 da Lei n° 9.430/96; art. 6 o da MP n° 1.858/99 e reedições. Também foi lavrado auto de infração para cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de RS 10.941,36, acrescida de juros de mora e multa de ofício de 75%, fls. 101/104. A exação decorre da constatação de pagamento a pessoa física sem a retenção do imposto, conforme o item 2 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 89/91. Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação relativa ao IRPJ, em 31/10/2003, de fls. 111/129, alegando, em síntese: Requer a nulidade do lançamento pois entende que foi indevido, abusivo e arbitrário. Afirma que havia farta documentação apresentada, e que não caberia a glosa de despesa. Afirma que houve inversão ônus da prova pelo fisco, transferindo-o ao sujeito passivo, embora sabendo que tal exação era de legitimidade no mínimo duvidosa. Alega também o cerceamento de defesa, pela impropriedade técnica da exação, indo de encontro ao CTN, ao Decreto 70.235/72 e IN SRF n° 94/97. 4)Quanto ao mérito, traz os seguintes argumentos. 4.1 ) Glosa de despesas - Pagamento a Beneficiário não Identificado. O auto do procedimento não levou a bom termo a auditoria, pois deixou de verificar dentre as 6 (seis) pessoas físicas se alguma delas havia recebido os valores em referência, deixando de esgotar o processo probatório, pois se trata de urna tarefa plausível. Caberia ao agente do Fisco a prova de que o pagamento não foi efetuado e que o serviço na foi prestado. Portanto, a imposição do Fisco é desprovida de algum elemento probante, decorrendo de meras presunções não amparadas na legislação. Como o fisco não comprovou que os pagamentos não foram efetuados e que os serviços não foram prestados, há que ser cancelada a exação. 4.2) Glosa de despesa - Comissão - Corretagem. A glosa decorre da afirmação do Fisco de que o pagamento da comissão pela venda é obrigação do vendedor. Entretanto, é uma premissa inaceitável e sem respaldo legal, posto que não há lei que determine a quem cabe pagar a comissão nesse tipo de negócio. Como prevalece o Princípio da Autonomia da Vontade, a comissão tanto pode ser paga ao intermediário pelo comprador, pelo vendedor ou, eventualmente, por ambos. Logo, o Fisco invadiu, sem base legal, o campo restrito à vontade das partes e determinou quem deve pagar a comissão na relação jurídica em comento, Aduz que nos artigos 722 a 729 do Código Civil, que trata da Corretagem, em nenhum deles se vê fixada a obrigação de pagamento da corretagem como atribuição única e exclusiva do vendedor do bem jurídico. Argumenta que talvez houve erro material constante no texto da nota fiscal "... comissão pela venda do imóvel", uma vez que a impugnante é a compradora, mas que não seria motivo para macular a real relação jurídica entre as partes, que ajustaram que, se a Clean A. P. Participações viabilizasse o negócio, receberia da interessada o valor da comissão de R$ 24.000,00. Portanto, não procede a desqualificação da despesa efetuada, visto que esta poderia ser efetuada pelo comprador e era necessária a seu objetivo. 4.3- Glosa de Depreciação - Depreciação Acumulada de Veículos Fl. 3DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 É descabida a glosa efetuada, já que se acha fundamentada em um simples exercício matemático, pois competiria ao Fisco verificar, contabilmente, sobre que bens foi calculada a depreciação que alcançou a cifra de R$ 6.153,64. Ressalta que poderia lançar depreciação de 20%, que calculado sobre o valor aceito como comprovado de RS 41.618,36, teria o direito a depreciar R$ 8.323,67. Este fato, por si só, já seria mais que suficiente para recomendar um detido exame do cálculo da depreciação, antes de estabelecer meros percentuais para efeito da exação. A 7ª Turma da DRJ/RJOI, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, rejeitar as preliminares, e, no mérito, julgar parcialmente procedentes os lançamentos, com supedâneo nos seguintes fundamentos: - o auto de infração obedece aos termos do art. 142 do CTN, e não infringe os termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, não há nulidade por cerceamento; - não comprovada a prestação de serviços que deu causa ao pagamento a “Raul Vasconcelos” ou “Raul Vasconcellos”, é correta a glosa do valor e o lançamento do IRRF por pagamento a beneficiário não identificado; - a legislação não obriga o vendedor a pagar a comissão sobre a compra e venda de imóvel, prevalecendo o princípio da autonomia das vontades. Assim, descabe alegação de que a despesa de R$ 24.000,00, relativa à comissão de vendas, paga à Clean A. P. Participações (que intermediou as negociações) não é necessária, porque teria ela figurado como compradora, devendo o lançamento ser cancelado, neste ponto; - de acordo com o art. 311 do RIR e IN SRF nº 162/98, os veículos poderiam ser depreciados à razão de 20% ao ano, totalizando R$ 11.039,45. Desta forma, a glosa de despesa de depreciação de veículos no valor de R$ 6.153,64 é descabida, porque menor que o valor permitido, calculado com base na legislação vigente. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: - foi comprovado, através de recibos idôneos, embora emitidos pela própria recorrente, que houve o pagamento correspondente à prestação dos serviços e que eles foram efetivamente realizados; - o pagamento identificou o beneficiário. O auditor poderia tê-lo intimado a comprovar a prestação do serviço, pois estava na posse do recibo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Fl. 4DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.002346/2003-12 Acórdão n.º 1302-00.418 S1-C3T2 Fl. 208 5 A fiscalização intimou o recorrente a apresentar os documentos que deram embasamento aos registros efetuados nas contas 51418-7 (gastos div) e 51421-7 (serv. Prest. PJ). Em resposta, a recorrente apresentou recibos de pagamento, os quais demonstravam que o pagamento era feito, ora a Raul Vasconcelos, ora a Raul Vasconcellos. O auditor-fiscal apurou que existem 5 homônimos “Raul Vasconcellos”, e apenas um “Raul Vasconcelos”, o qual consta com CPF cancelado por omissão. Assim, de primeiro, não procede a afirmativa da recorrente que o auditor poderia ter intimado o beneficiário para dele obter a confirmação do serviço, uma vez que pela multiplicidade de homônimos, era ele incerto. A aposição do CPF do beneficiário é medida que permite identificar e individualizar o beneficiário, devendo constar dos recibos de pagamento a pessoa física. Como bem observou o auditor, não foi também feita a retenção na fonte do pagamento, o que impossibilita a confirmação do pagamento junto à sua declaração de rendimentos. Desta forma, entendo correto o lançamento que efetuou a glosa, por não estar individualizado o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 304 do RIR/99. Mesmo entendimento se aplica ao lançamento do IRRF por ocorrência de pagamento a beneficiário não identificado (art. 674, RIR/99). Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o quanto decidido na DRJ. Sala das Sessões, 11 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 5DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE ANDRADE em 27/12/2010 21:17:22. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE ANDRADE em 27/12/2010. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 30/12/2010 e EDUARDO DE ANDRADE em 27/12/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1018.16533.BXWJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 15E9772E0DA64FDB985DFB92733DAA612034FD41 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.002346/2003-12. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000036/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12571.000036/2010-88
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906429
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.747
nome_arquivo_s : Decisao_12571000036201088.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 12571000036201088_5906429.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7437639
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869363113984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 475 1 474 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.000036/201088 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.747 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de julho de 2018 Assunto PIS Recorrente DINIZ SEMENTES E DEFENSIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 6/ 20 10 -8 8 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 12571.000036/201088 Resolução nº 3301000.747 S3C3T1 Fl. 476 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 477DF CARF MF Processo nº 12571.000036/201088 Resolução nº 3301000.747 S3C3T1 Fl. 477 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
