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Numero do processo: 16327.000643/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ.
Em se tratando de lançamento por homologação o prazo decadencial será contado nos termos do art. 150, § 4º do CTN desde que haja comprovação de pagamento do tributo para o período em cobro, o que não ocorreu no caso em tela. Precedente vinculativo do STJ retratado no RESP n. 973.733/SC, julgado sob o rito de repetitivo.
DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A existência de depósito judicial não é motivo suficiente a obstar a lavratura de auto de infração, uma vez que o lançamento, que é mero ato de formalização do crédito tributário, justifica-se como instrumento de prevenção da decadência do direito da Fazenda Pública.
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF
Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, negado.
Numero da decisão: 3402-004.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso interposto e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. Em se tratando de lançamento por homologação o prazo decadencial será contado nos termos do art. 150, § 4º do CTN desde que haja comprovação de pagamento do tributo para o período em cobro, o que não ocorreu no caso em tela. Precedente vinculativo do STJ retratado no RESP n. 973.733/SC, julgado sob o rito de repetitivo. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A existência de depósito judicial não é motivo suficiente a obstar a lavratura de auto de infração, uma vez que o lançamento, que é mero ato de formalização do crédito tributário, justificase como instrumento de prevenção da decadência do direito da Fazenda Pública. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 43 /2 00 9- 57 Fl. 963DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso interposto e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso debatido, uso como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Brasília (acórdão n. 0358.749 fls. 873/882), o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). Contra o sujeito passivo, RIO BRAVO INVESTIMENTOS DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA, foi lavrado auto de infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF (fls. 528/593), relativo a fatos geradores dos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, e cujo crédito tributário (com exigibilidade suspensa), sem a cobrança da multa moratória, perfaz o montante de R$ 3.855.201,59 (três milhões oitocentos e cinquenta e cinco mil duzentos e um reais e cinquenta e nove centavos). Entendeu a fiscalização que houve falta de retenção e recolhimento da CPMF incidente sobre contas correntes de deposito de fundos de investimentos imobiliários, e que se encontram em discussão na esfera judiciária, da ordem de R$ 4.194.420,29 (quatro milhões cento e noventa e quatro mil quatrocentos e vinte reais e vinte nove centavos), e que alcança os períodos de apuração de 28/08/2003 a 31/12/2007. A autuada teria realizado depósito judicial único. Entretanto, deixara de depositar o montante dos acréscimos moratórios, na forma dos arts. 5°, § 3°, e 61 da Lei n° 9.430/96. A partir do montante depositado judicialmente e considerando a ausência de recolhimentos dos acréscimos legais, a fiscalização providenciou a imputação do montante recolhido (fls. 460 a 520), distribuindoo a partir do fato gerador mais antigo (03/09/2003) e, assim, recompondo o valor do débito tributário (principal, multa de mora e juros de mora), vejamos (fls. 537): Assim, a partir do demonstrativo APURAÇÃO DA CPMF DOS FII (fls. 457/459), elaboramos o DEMONSTRATIVO DE VINCULAÇÃO (cuja cópia a ADMINISTRADORA recebe uma Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200957 Acórdão n.º 3402004.390 S3C4T2 Fl. 964 3 via, nesta data) onde procedemos à imputação do valor depositado (R$4.161.173,77), conforme comentado anteriormente, o qual demonstra que a CPMF abrangida pelo depósito judicial INTEGRAL corresponde aos fatos geradores ocorridos nos períodos de 28 de agosto de 2.003 a 29 de abril de 2.007, 02 a 31 de maio de 2.007, 02 de junho de 2.007 a 04 de julho de 2.007 e 06 a 20 de julho de 2.007, cujo montante total do principal da CPMF é de R$2.751.987,72, que está sendo objeto de lançamento de oficio com a suspensão da exigibilidade, de acordo com o inciso II, art. 151, da Lei n° 5.172/66, a seguir transcrito. De modo que, o presente auto de infração corresponde à distribuição (in totum) do valor depositado judicialmente e que, após a incidência dos devidos encargos moratórios, alcança apenas os períodos de apuração: 03/09/2003 a 10/07/2007. Desta forma, o presente auto de infração encontrase com a sua exigibilidade suspensa. Por outro lado, tendo em vista que a CPMF, em comento, é devida até 31/12/2007, mas o valor depositado judicialmente alcança, no máximo, o período de apuração 10/07/2007, restou saldo de CPMF a recolher no valor de R$ 1.442.432,56 (um milhão quatrocentos e quarenta e dois mil quatrocentos e trinta e dois reais e cinquenta e seis centavos) lançado de oficio nos autos do processo 16327.000645/200946. (...). 2. Uma vez notificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 621/657, oportunidade em que, de forma sintética, alegou o que segue: (i) decadência de parte do crédito lançado; (ii) inadequação do auto de infração como meio de constituição de créditos com exigibilidade suspensa; (iii) impossibilidade de se reconhecer a concomitância entre o presente processo administrativo e a questão tratada no âmbito judicial nos autos n. 2008.61.00.021074 2; (iv) que a operação em análise estaria sujeita à alíquota zero, nos temos do art. 8o, inciso III da lei n. 9.311/96; e, por fim (v) ilegalidade da SELIC, bem como a impossibilidade da sua incidência sobre a multa de mora. 3. Devidamente processada, a citada impugnação foi julgada improcedente (acórdão n. 0358.749 fls. 873/882), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Fl. 965DF CARF MF 4 Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. Nos exatos termos do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4º, caso contrário, aplicase o disposto no art. 173, I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A existência de depósito judicial não é motivo suficiente a obstar a lavratura de auto de infração, uma vez que o lançamento, que é mero ato de formalização do crédito tributário, justificase como instrumento de prevenção da decadência do direito da Fazenda Pública. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. VINCULAÇÃO. Sendo a atividade administrativa vinculada e obrigatória, compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade. DEPOSITO JUDICIAL. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. Tendo realizado o depósito judicial no montante que achava devido, mas sem a inclusão dos acréscimos moratórios, cabe ao FISCO efetuar a imputação do pagamento proporcionalmente aos elementos de que passou a ser composto, a partir do vencimento, o débito tributário (principal, multa de mora e juros de mora). LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente do depósito judicial integral, a partir da data em que é efetuado, exime do lançamento, a posterior, o ônus dos acréscimos monetários e evita a fluência dos juros e multa de mora em que incorreria até a solução da lide. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200957 Acórdão n.º 3402004.390 S3C4T2 Fl. 965 5 4. Diante deste quadro, o recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 892/924, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em impugnação. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso interposto é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento em parte, o que passo a fazer nos seguintes termos. (i) Da decadência 7. Da leitura da peça impugnatória da recorrente, é possível verificar que a mesma se insurgiu contra o lançamento perpetrado aventando, dentre outras questões, a decadência de parte do crédito lançado, mais precisamente daqueles valores atinentes aos fatos geradores ocorridos antes de 23/06/2004. Por sua vez, o acórdão recorrido assim prescreveu: (...). DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Neste caso, assiste razão, em parte, à empresa. Vejamos. Em consonância com o Parecer PGFN nº 1.617, de 2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária, a regra matriz a ser aplicada para a contagem do prazo decadencial depende da existência ou não de pagamento antecipado. Caso não haja pagamento espontâneo, aplicase a regra decadencial do art. 173, inciso I, do CTN, de modo que no lançamento notificado em 23/06/2009 deve ser reconhecida a decadência das parcelas relativas aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003. Por outro lado, o prazo a ser considerado e aplicado quando há pagamento antecipado é aquele previsto no art 150, § 4º do CTN; no presente caso verificouse a ocorrência de pagamentos efetuados pela empresa nas datas: 27/02/2004; 24/03/2004; 22/04/2004, 19/05/2004 e 23/06/2004, de modo que, estando o lançamento regulamente notificado em 23/06/2009, tais lançamentos encontramse caducos. Portanto, é de se reconhecer a decadência de todos os lançamentos efetuados anteriormente a 24/12/2003 (inclusive) e dos lançamentos relativos aos Períodos de Apuração: 04/02/2004; 24/03/2004; 21/04/2003; 19/05/2004 e 16/06/2004. (...). Fl. 967DF CARF MF 6 CONCLUSÃO Ante todo o exposto, VOTO por: (a) reconhecer a decadência parcial do lançamento para afastar os fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/12/2003 (inclusive), bem como 04/02/2004; 24/03/2004; 21/04/2003; 19/05/2004 e 16/06/2004; (b) não conhecer dos argumentos que dizem respeito à incidência da CPMF sobre contas correntes de deposito de fundos de investimentos imobiliários – FII, por concomitância entre os processos judicial e administrativo; (c) reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, até a decisão final proferida na ação judicial; e (d) afastar, no lançamento, a incidência dos juros de mora. (...) (grifos nosso). 9. Em suma, o acórdão recorrido levou em consideração os pagamentos retratados nos documentos de fls. 789/850 (demonstrativos de vinculação). E, ao assim fazer, levou em consideração os períodos de apuração semanais da CPMF anteriores à 23/06/2004 para fazer a seguinte segregação: (i) períodos de apuração com pagamento e (ii) períodos de apuração sem pagamento. Para os períodos de apuração com pagamento, fez a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Já para os períodos sem pagamento, levou em conta o disposto no art. 173, inciso I do citado Codex, o que está em perfeita sintonia com o precedente vinculativo do STJ retratado no Recurso Especial autuado sob o n. 973.733/SC, cuja ementa segue abaixo transcrita: Ementa PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 968DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200957 Acórdão n.º 3402004.390 S3C4T2 Fl. 966 7 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos nosso). 10. Em razão do seu caráter vinculativo, referido precedente deve ser seguido por este Tribunal Administrativo, nos termos do que prevê o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. 11 Assim, não merece reparo a decisão atacada neste tópico em particular. (ii) Da não utilização do meio adequado para a realização do lançamento 12. Não obstante, o contribuinte também alega que autos de infração não seriam os mecanismos adequados para a constituição de créditos com exigibilidade suspensa, tal como ocorre no caso decidendo, uma vez que não existiria infração a ser apurada. Fl. 969DF CARF MF 8 13. Tal questão não demanda maiores digressões, estando a decisão recorrido coberta de razão, conforme se observa do trecho abaixo transcrito: (...). No caso em baila, a exigência do crédito tributário decorre de um procedimento de fiscalização realizado por um Auditor Fiscal que, ao tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de CPMF não recolhidos no prazo legal, deve, por dever de oficio, adotar as devidas providências legais para que seja constituído o crédito correspondente (formalizado por meio do auto de infração), a fim de que se possa, por processo regular, judicial ou administrativo, efetuar a devida cobrança. Observese que a constituição do crédito, através do lançamento, é requisito essencial para que possa a obrigação de que decorre ser oposta ao sujeito passivo da relação jurídicotributária, uma vez que se constitui em formalidade destinada à identificação de todos os elementos do vínculo obrigacional tributário, possibilitando, assim, a sua exigência. Ademais, a despeito de estar a exigibilidade do crédito em discussão judicial, não tendo a decisão transitado em julgado, pode o FISCO realizar o lançamento a ele correspondente, formalizado corretamente por meio de auto de infração, que, no caso em exame, consiste na imputação de pagamento realizado (sem acréscimos moratórios) por meio de depósito judicial. E como se sabe, sobre o débito tributário não pago no vencimento incidem, pelo menos, encargos relativos à mora – juros de mora (sempre) e multa de mora (quando prevista) –, o que se tem é que o contribuinte, a rigor, deveria ter pago, além do valor principal, também a quantia referente aos citados encargos moratórios, incidentes entre a data do vencimento e a data da realização do depósito. Anotese que os referidos encargos (juros de mora e multa de mora) incidem imediatamente após o vencimento do débito tributário, decorrentes, como são, diretamente da lei, não se fazendo necessária, para que isso ocorra, a prática de qualquer ato da autoridade administrativa. Fácil concluir, portanto, que o depósito efetuado pelo Impugnante – que não inclui nem o valor dos juros de mora nem o valor da multa de mora (esta, quando prevista) – jamais se poderá caracterizar como um depósito no montante integral do débito tributário. Sendo, pois, parcial o depósito e estando o débito tributário – desde o vencimento – composto por mais de um elemento (quais sejam: principal e, pelo menos, encargos da mora), a conseqüência inarredável é a de que será necessário efetuarse a imputação do valor pago por entre esses elementos. De tudo, agiu corretamente a autoridade fiscal que: 1) apurou o valor do débito tributário na data do pagamento, fazendo, para isso, o acréscimo dos encargos da mora (multa de mora e juros de mora) sobre o valor que era devido na data do vencimento, incidentes entre essa data e a do pagamento; 2) apurou quanto Fl. 970DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200957 Acórdão n.º 3402004.390 S3C4T2 Fl. 967 9 de principal, quanto de juros de mora e quanto de multa de mora, foram efetivamente pagos; noutras palavras: efetuou a imputação do pagamento proporcionalmente aos elementos de que passou a ser composto, a partir do vencimento, o débito tributário (principal, multa de mora e juros de mora); 3) lançou o saldo devedor remanescente em outro processo, isto é, o valor não pago. 14. Por concordar integralmente com a decisão recorrida neste tópico em particular, emprego como minhas as razões de decidir alhures transcritas para fins de fundamentação do presente voto, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/991. (iii) Do mérito da demanda: da incidência da alíquota zero da CPMF sobre as contas correntes de depósitos de Fundos de Investimentos Imobiliários FII's 15. Por fim, o contribuinte aduz ainda que, no mérito, os Fundos de Investimentos Imobiliários ("FII's") estavam sujeitos à alíquota zero da CPMF, nos termos do art. 8o, inciso III da lei n. 9.311/96, o que tornaria a presente exigência indevida. Ressaltese, todavia, que referida discussão foi judicializada, por intermédio do mandado de segurança autuado sob o n. 2008.61.00.0210742 (fls. 105/125). 16. As causas de pedir, inclusive, desenvolvidas no aludido mandado de segurança são absolutamente idênticas àquelas trabalhadas no presente recurso voluntário, o que só reforça a existência de concomitância entre as instâncias judicial e administrativa, razão pela qual deve prevalecer aquela em detrimento desta, exatamente como prevê a Súmula n. 01 deste Tribunal Administrativo2. 17. Não obstante, ainda em relação a tal assunto, o contribuinte aduz (item III.1 do seu recurso voluntário) que não seria o caso de não conhecimento imediato de tais questões por esta instância administrativa, mas sim de sobrestamento do julgado até ulterior e definitiva decisão judicial para futuramente (i) aplicála, na hipótese de resolução de mérito ou (ii) retomar a instância administrativa, no caso da decisão judicial ser proferida sem resolução de mérito. Em suma, o contribuinte alega que o que há entre as instâncias administrativa e judicial é uma relação de prejudicialidade externa. 18. Pessoalmente coaduno integralmente com o raciocínio desenvolvido pelo recorrente, como aliás me manifesto, iterativamente, no âmbito acadêmico. Ocorre que, todavia, não posso olvidar da função que me é aqui incumbida: exercer atividade judicativa vinculada institucionalmente a um determinado Tribunal Administrativo. Logo, não posso sobrepor minhas convicções pessoais ao entendimento ao meu ver equivocado deste 1 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato." 2 "Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 971DF CARF MF 10 Tribunal Administrativo, que ignora essa minúcia e dá à concomitância de instâncias um caráter amplíssimo, conforme retratado na já citada súmula 01 do CARF. 19. Assim, ressalvado meu entendimento pessoal, deixo de conhecer a matéria que está sendo discutida judicialmente, qual seja, a incidência da CPMF sobre as contas correntes de depósitos de Fundos de Investimentos Imobiliários (art. 8o, inciso III da lei n. 9.311/96). (iv) Dos juros de mora 20. Neste tópico o contribuinte pleiteia a manutenção da decisão recorrida, conforme se observa do seguinte trecho da sua peça recursal: (...). (...). 21. Não obstante, neste ponto assim decidiu a DRJ: (...). Portanto, resta demonstrada a necessária incidência dos juros moratórios devidos sobre a CPMF não recolhida dentro dos prazos legais. Contudo, em relação ao lançamento de oficio, assiste razão à Impugnante. Vejamos. Como é cediço, o presente lançamento encontrase com a exigibilidade suspensa, por força da existência de depósito judicial que corresponde à distribuição (in totum), após a incidência dos devidos encargos moratórios, nos períodos de apuração: 03/09/2003 a 10/07/2007. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200957 Acórdão n.º 3402004.390 S3C4T2 Fl. 968 11 Assim, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário agregase o principal efeito decorrente do depósito no montante integral, qual seja, exime o sujeito passivo, a partir da data em que é efetuado, do ônus dos encargos moratórios e evita a fluência dos juros e multa de mora em que incorreria até a solução da lide ou litígio. Ou seja, no caso em tela, os encargos moratórios são devidos quando da realização do depósito judicial, contudo, tal sorte não acompanha o lançamento dos juros de mora. (...). 22. Acontece que, em razão valor envolvido, referida decisão não foi objeto de recurso de ofício. Logo, não foi devolvido para este Tribunal Administrativo a possibilidade de conhecer tal questão, sob pena, inclusive, do advento de eventual decisão que implicasse a reformatio in pejus. 23. Diante deste quadro, deixo de conhecer tal matéria no presente voto. Dispositivo 24. Ex positis, voto por não conhecer parte do recurso interposto em razão da concomitância e, na parte conhecida, negarlhe provimento. 25. É como voto. Digo Diniz Ribeiro Relator. Fl. 973DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.006400/2003-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.000575/2008-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/07/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 30/07/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 180 1 179 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.000575/200800 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.552 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BENEVIDES TÊXTIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/07/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 05 75 /2 00 8- 00 Fl. 180DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório A Fazenda Nacional , inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2803 00.660, proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção em 14/04/2011, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no art. 67 do regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, que retirou a multa de ofício de 75% constante da autuação inicial, assim ementada: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13888.000575/200800 Acórdão n.º 9202005.552 CSRFT2 Fl. 181 3 Não houve apresentação de contrarrazões pelo contribuinte. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Neste caso a controvérsia é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 182DF CARF MF 4 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13888.000575/200800 Acórdão n.º 9202005.552 CSRFT2 Fl. 182 5 previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 184DF CARF MF 6 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13888.000575/200800 Acórdão n.º 9202005.552 CSRFT2 Fl. 183 7 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação Fl. 186DF CARF MF 8 principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13888.000575/200800 Acórdão n.º 9202005.552 CSRFT2 Fl. 184 9 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da PGFN, para que seja reformado o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.720672/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA
É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida.
Numero da decisão: 9202-005.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer como Área de Preservação Permanente (APP) o total de 136,00 ha, declarada pelo contribuinte. Votaram pelas conclusões todos os demais membros do colegiado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 302 1 301 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.720672/200812 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.766 – 2ª Turma Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria ITR. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIA GENI RIBEIRO FERNANDES DOMARCO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para reconhecer como Área de Preservação Permanente (APP) o total de 136,00 ha, declarada pelo contribuinte. Votaram pelas conclusões todos os demais membros do colegiado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 06 72 /2 00 8- 12 Fl. 302DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2004. Conforme termo de "descrição dos fatos e enquadramento legal" (fls. 03 e seguintes) a autuação pode assim ser resumida: Declaração de ITR do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN. O sujeito passivo informou na Declaração de Informação e Apuração do ITR DIAT, no quadro Distribuição da Área do Imóvel, 136,0 ha como Área de Preservação Permanente. Regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado apresentou Ato Declaratório Ambiental ADA, relativo ao exercício de 2007, protocolado em 25/09/2007, documento este que não se presta a atender as exigências para as isenções do exercício de 2004. ... Em relação à Área de Preservação Permanente, além da não apresentação do ADA válido para o exercício em pauta, o interessado apresentou Planta do Imóvel Fazenda Monte Carmelo onde é informado e constatado 50,76 ha para este tipo de área ambiental referente às regiões em torno da malha hidrográfica da fazenda e não 136,0 hectares como foi declarado na DITR. ... Quanto ao Valor da Terra Nua VTN, acatamos o valor apresentado pelo contribuinte de R$ 4.132,23 (quatro mil cento e trinta e dois reais e vinte e três centavos) por hectare que está coerente com os parâmetros mínimos aceitos pela Receita Federal do Brasil para o município de Santa Maria da Serra no exercício de 2003. Intimado o contribuinte apresentou impugnação (fls. 82) fundamentada, entre outros pontos, na desnecessidade de ADA para reconhecimento da área de preservação Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 9202005.766 CSRFT2 Fl. 303 3 permanente. Fez juntar laudo complementar aqueles apresentados à fiscalização e ainda decisões judiciais favoráveis. A Delegacia de Julgamento, julgou improcedente a impugnação e manteve na íntegra o lançamento. Na parte que nos interessa conclui que para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. Em Recurso Voluntário (fls. 141) o Contribuinte ratificando os termos da impugnação reitera a existência de área de preservação permanente no total de 141,44 ha, constituídas apenas e tão somente por força da Lei nº 4.771/65. Por meio do acórdão nº 220201.739 a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer, nos termos do voto do Redator, a APP descrita no laudo técnico. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. A Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o parágrafo 7, ao artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, dispensa a apresentação do contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ressalvada a possibilidade da Administração Tributária demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo, averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material. Fl. 304DF CARF MF 4 Preliminar rejeitada. Recurso provido Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de preservação permanente da área tributável do ITR. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Em sede de contrarrazões o Contribuinte suscita o não conhecimento do recurso por três motivos: ausência de préquestionamento da matéria; a tese do recorrente contraria entendimento pacífico na esfera administrativa e também judiciária e, por fim, aponta que os paradigmas estariam superados. Em relação ao primeiro ponto, ausência de préquestionamento devemos destacar que tanto o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que trata do Processo Administrativo Fiscal PAF, quanto o §5º do art. 67 do Regimento Interno do CARF são expressos no sentido de que tal regra se aplica ao contribuinte, e não poderia ser diferente, pois via de regra, salvo a necessidade de oposição de embargos contra a decisão proferida, a primeira oportunidade de a Fazenda nacional se manifestar nos autos se dá com a interposição do Recurso Especial. vale citar os dispositivos legais mencionados: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais." Quanto ao argumento de não conhecimento do recurso pelo suposto fato de o acórdão recorrido ter aplicado jurisprudência pacífica deste Conselho ou do Poder Judiciário, destaco que não há no Regimento Interno atual ou no vigente na data da respectiva Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 9202005.766 CSRFT2 Fl. 304 5 interposição, qualquer previsão neste sentido. Segundo o já citado art. 67 do RICARF, somente não será conhecido recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF. Por fim, não há como acolher o argumento de que os paradigmas já estariam superados, além das razão exposta acima, devese destacar que nos termos do §12 do art. 67 do RICARF, apenas não servirá como paradigma o acórdão que contrariar súmula vinculante do STF, decisão judicial definitiva em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo, e súmula ou resolução do Pleno do CARF. No caso concreto não temos nenhuma das situações acima, destacando que na data da interposição do recurso, os paradigmas apontados pelo Recorrente não haviam sido reformados. Diante do exposto, conheço do recurso. Do mérito: Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se Fl. 306DF CARF MF 6 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 9202005.766 CSRFT2 Fl. 305 7 h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural Fl. 308DF CARF MF 8 familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 9202005.766 CSRFT2 Fl. 306 9 I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em se tratando de Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. Fl. 310DF CARF MF 10 Mesmo diante da clareza da norma, há quem discuta acerca da necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente. Tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97; nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. A discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 9202005.766 CSRFT2 Fl. 307 11 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa passouse a discutir se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Fl. 312DF CARF MF 12 Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, o embora essa Relatora entenda que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi apresentado antes do início da ação fiscal. Para a maioria o cumprimento desse requisito formal supriria necessidade de apresentação do ADA. No presente caso, quanto ao cumprimento dos requisitos acima, destacamos que há nos autos prova exaustiva da existência da área de preservação permanente, valendo citar os laudos técnicos de fls. 22/29, 60 e 104 onde todos atestam uma APP com área total de 141,44 ha, e temos ainda a comprovação de que o Ato Declaratório Ambiental ADA foi protocolizado junto ao IBAMA em 25/09/2007 (fls. 58), data anterior ao início da ação fiscal que ocorreu em 25/06/2008, conforme fls. 17. Vale citar que, para o objeto deste lançamento (ITR 2004) somente foram declarados como área de APP o montante de 136,00 ha, razão pela qual considerando que i) os laudos são posteriores a data da ocorrência do fato gerador, e ii) não foi apresentada qualquer declaração retificadora para exercício, somente deve ser considerada como área não tributável o valor declarado pelo contribuinte, afinal o processo administrativo não pode gerar efeitos compensatórios a inércia do sujeito passivo. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13888.720672/200812 Acórdão n.º 9202005.766 CSRFT2 Fl. 308 13 OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). ________________________ PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Assim, diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reconhecer como Área de Preservação Permanente o total de 136,00 ha, declarada pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Fl. 314DF CARF MF 14 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004595/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES.SÚMULA CARF Nº 29.
A análise dos autos permite concluir que a co-titular da conta corrente fiscalizada não foi intimada a esclarecer a origem dos depósitos. De acordo com o disposto da Súmula CARF nº 29 "todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento".
Numero da decisão: 2202-004.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES.SÚMULA CARF Nº 29. A análise dos autos permite concluir que a cotitular da conta corrente fiscalizada não foi intimada a esclarecer a origem dos depósitos. De acordo com o disposto da Súmula CARF nº 29 "todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 95 /2 00 3- 51 Fl. 939DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 1998, no valor total de R$ 208.982,15 compreendendo imposto, multa de ofício e juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 93/97 na qual alegou, resumidamente, que: a) que é arquiteto e que os valores por ele recebidos, por meio de depósito em sua conta corrente, foram sempre aplicado nas obras, de cujos dispêndios prestava contas mensalmente aos donos; b) no ano de 1998, projetou e acompanhou a execução de duas obras, uma para o Sr. Leônidas Lopes Oliveira Junior e outra para Sr. Gabriel Antonio Pinheiro da Cruz, tendo seus clientes sido instruídos a fazer depósitos na sua conta corrente. c) que todos os valores apontados no Auto de Infração como sem a comprovação de origem foram depositados, exclusivamente, para custear as obras, conforme comprova documentação juntada por ele em sua Impugnação que vem acompanhada de um demonstrativo dos depósitos e dos respectivos dispêndios feitos para cada obra. d) o Fisco exigiu, além dos seus extratos bancários, comprovação das remessas ou depósitos oriundos de seus clientes, o que foi feito em relação ao Sr. Leônidas. Em relação ao cliente Gabriel este se limitou a fazer declaração junto à repartição federal confirmando os depósitos, mas sem juntar os documentos bancários necessários. e) que procurou obter junto ao gerente do bando do Sr. Gabriel os comprovantes que ele se recusou a juntar. Todavia, o gerente informou que apenas o fisco teria o direito de solicitar tal demonstração em razão do sigilo bancário. Diante dessa negativa, o contribuinte requereu que fosse realizada diligência para que os fatos fossem devidamente esclarecidos pelas instituições financeiras. f) que uma parte dos valor autuados é inferior à R$ 80.000,00, e que, nos termos do art. 42, §3º, II da Lei 9.430/96 não foi excluído do montante do auto de infração. g) que a conta corrente analisada é de titularidade conjunta com sua esposa Dina Costa de Paiva e que ela não foi intimada a prestar esclarecimentos o que acarreta nulidade do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de julgamento deu parcial provimento à Impugnação para excluir da base de cálculo o montante de 50% em razão da cotitularidade da conta conjunta. A decisão (fls. 906/914) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19515.004595/200351 Acórdão n.º 2202004.091 S2C2T2 Fl. 940 3 A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão acima mencionada (AR fls. 917) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 920/926, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) DA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. Em sua Impugnação o Recorrente requereu o reconhecimento da nulidade do lançamento, uma vez que a conta corrente fiscalizada era de titularidade conjunta com sua esposa Dina Costa de Paiva, a qual não foi intimada a justificar a origem dos depósitos bancários. A decisão recorrida não acatou a mencionada alegação sob a seguinte fundamentação: (...) O dispositivo citado determina que se os cotitulares apresentarem Declaração de Ajuste Anual em separado, a tributação dos depósitos de origem não comprovada deve ser feita mediante a divisão do valor total pelo número de titulares, mas não determina que no processo de um dos cotitulares o outro deva ser intimado. Iniciada a fiscalização em relação a um dos cotitulares, no caso, o contribuinte se este não lograr comprovar a origem dos depósitos feitos na conta conjunta, será imputado, a cada um, parte dos rendimentos omitidos, de acordo com o número de titulares da conta. Correta a alegação do Recorrente. No caso dos autos a co titularidade da conta encontrase comprovada pela cópia do cheque constante às fls 113 (numeração e processo) e dos extratos constante dos autos. A necessidade de intimação dos cotitulares das contas bancárias é matéria sumulada neste Conselho, conforme se verifica pela Súmula nº 29 abaixo transcrita: Fl. 941DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em face do exposto, dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 942DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006356/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõe-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC
Numero da decisão: 2201-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski que não acataram a prejudicial de decadência
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Data do fato gerador: 01/01/2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõe-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski que não acataram a prejudicial de decadência (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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AÇUCAR E ALCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Data do fato gerador: 01/01/2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõese a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski que não acataram a prejudicial de decadência (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 63 56 /2 00 5- 22 Fl. 363DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão de primeiro grau que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 2 do processo digitalizado), referente ao imposto territorial rural suplementar lançado de ofício. . Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 8). Foi constituído um crédito tributário de R$ 254.752,58 referente ao imposto (R$ 96.191,13). juros de mora (R$ 86.418,11), e multa de ofício (R$ 72143,34), atualizados até dezembro de 2005. O crédito constituído referese ao fato gerador ocorrido em 01/01/2000 e se aperfeiçoou com a ciência do contribuinte em 26 de dezembro de 2005 (AR fls. 160). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 54), em 23 de janeiro de 2006. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, em 26 de abril de 2007, nega procedência à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 0411.845 (fls 189). Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE • TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 Exploração Extrativa Para que a área de exploração extrativa seja considerada, relativa ao ano base do lançamento, tal exploração deverá ser comprovada. Além da autorização do órgão ambiental, são fundamentais o relatório de cumprimento do cronograma preestabelecido e notas fiscais, ou outro documento equivalente, comprovando a comercialização do produto no referido ano base. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o V1N declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Lançamento Procedente O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 190): Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10183.006356/200522 Acórdão n.º 2201003.778 S2C2T1 Fl. 364 3 "Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR — DIAC/DIAT/2000, no valor total de R$ 254.752,58, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Coxiu, com área total de 19.974,0 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 0.253.8253, localizado no município de Aripuanã — MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 08, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03 e 06. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente área de Exploração Extrativa com 2.000,0 hectares e o Valor da Terra Nua —VTN, a interessada foi intimada a apresentar, com base na legislação pertinente detalhada no Termo de Intimação, fls. 16 e 17, diversos documentos. Alguns deles foram: Certidão ou Matrícula atualizada do imóvel, constando todas as averbações dos últimos 10 anos; Plano de Manejo aprovado ou autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA; Laudo técnico de avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, elaborado por profissional habilitado e atendendo os requisitos da Norma Brasileira — NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas— ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, tendo o Grau 2 como fundamentação mínima. 3. Conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 35, a interessada recebeu a intimação em 07/10/2005 e, em resposta, através da carta de fls. 18 e 19 datada em 25/10/2005, atendeu, parcialmente, a solicitação. Foi apresentada a documentação de fls. 20 a 34, entre eles: documentos de identificação e certidão de matrícula. Com relação à comprovação da atividade extrativa e do VTN foi solicitada dilação de prazo, trinta dias. 4. Após 50 dias do pedido de prorrogação de 30 dias para apresentação dos comprovantes solicitados, nada foi apresentado. Devido à ausência de comprovação da atividade extrativa, como notas fiscais da comercialização ou de transferência da madeira, ou outro documento probatório da extração do produto vegetal em questão, bem como a nato apresentação do laudo de avaliação, a autoridade fiscal procedeu à glosa daquela área e modificou o VTN com base nos valores constantes da tabela do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, bem como demais alterações conseqüentes. As razões de fato e de direito foram expostas pela autoridade lançadora para proceder às modificações. Fl. 365DF CARF MF 4 Apurado o crédito tributário foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência à interessada, de acordo com os AR de fl. 129, foi dada em 22 e 26/12/2005. 5. Em 25/01/2006, conforme envelope carimbado pelo correio, fl. 38, foi postada a impugnação, fls. 39 a 42, na qual, após explanação sintética dos fatos até aqui conhecidos, como a modificação dos valores declarados em virtude da não apresentação dos documentos solicitados, o atendimento parcial da intimação e a solicitação de prorrogação de prazo para tal, a impugnante alegou, em resumem, o seguinte: 5.1. Sem que houvesse o deferimento do requerimento de prorrogação de prazo sobreveio a autuação. 5.2. Diante disso, apresenta neste ato o laudo de avaliação do imóvel' em questão, elaborado por agrônomo devidamente credenciado e de acordo com as norma da ABNT. ! 5.3. Mencionou o VTN estimado de R$ 448.492,98 válido para o triênio (2000m 2001 e 2002), valor este aquém do declarado para o período, R$ 498.674,00. 5.4. Prosseguiu na explanação sobre o laudo apresentado, como o fato de evidenciar fatores desfavoráveis à utilização da propriedade, entre outros, e a respeito do Termo de Compromisso para Averbação de Plano de Manejo Florestal Sustentável, relativamente à área de Exploração Extrativa. 5.5. Protestou pela apresentação de novos esclarecimentos e laudos complementares, caso necessário. 5.6. Em face do exposto e comprovado, vêse, pois, que a revisão fiscal procedida não procede, devendo a declaração apresentada ser integralmente mantida, como medida de inequívoca aplicação do direito. 6. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 43 a 127, entre os quais: cópia da documentação já anteriormente apresentada; Laudo Técnico de Avaliação; autorização do IBAMA para exploração; ART, entre outros. 7. Das fls. 132 a 154 constam providencias quanto à comprovação de identificação e assinatura do signatário da imugnação." Ciente da decisão que contrariou seus interesses, em 29 de junho de 2007 ( AR fls. 203), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 30 de julho seguinte (fls. 206), do qual constam, em regra, os mesmos argumentos. Em 18 de junho de 2009, apreciando o apelo interposto, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Colegiado, resolve converter o julgamento em diligência para que (fls. 225): "Em vista do exposto, concluo pela imprescindibilidade de se ter o conhecimento das informações citadas, com vistas à apreciação da lide, razão pela qual voto por que se converta o julgamento em diligência à unidade da RFB de origem, a fim de que a autoridade lançadora informe sobre a origem dos dados e Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10183.006356/200522 Acórdão n.º 2201003.778 S2C2T1 Fl. 365 5 os critérios utilizados para chegar à apuração do valor atribuído como VTN no SIPT, posteriormente utilizado no lançamento." Por meio de informação fiscal (fls. 234) a SEFIS/DRF em Campo Grande/MT, em 20/04/2010, responde, fundamentadamente, ao questionamento formulado. Em 12 de março de 2013, apreciando as informações prestadas pela Autoridade Lançadora, a 1ª Turma Especial desta 2ª Seção deste Colegiado, resolve converter novamente o julgamento em diligência para que (fls. 251): Conforme relatado, foi realizada diligência para esclarecer questões relativas ao arbitramento do VTN. No que se refere à glosa da área de exploração extrativa, sustenta a Recorrente que a autorização de exploração do IBAMA comprovam suficientemente a destinação e a exploração extrativista da área. O Termo de Compromisso para Averbação de Plano de Manejo Florestal de fls. 130/131 foi firmado pelo IBAMA e pela Companhia Agrícola Pedro Ometto, incorporada pela contribuinte. À fl. 132 encontrase anexada autorização do IBAMA para realização de Plano de Manejo Sustentável Floresta, datada de 19/08/1999, firmado com a antiga proprietária, posteriormente incorporada. Face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento diligência para que o órgão competente, no caso o IBAMA, se pronuncie sobre o cumprimento do plano de manejo constante dos autos." (destaquei) Em 16 de janeiro de 2015, a Recorrente peticiona nos autos (fls 276), no sentido de alertar no julgamento que culminou na Resolução acima, arguiu a decadência do imposto territorial lançado e que a turma havia deliberado pela verificação da existência de pagamento, o que não constou da resolução publicada. Não obstante, em cumprimento da diligência determinada, a DRF competente encaminha ofício ao órgão ambiental para que se manifeste sobre o plano de manejo acordado. A Superintendência do IBAMA em Mato Grosso, em 03 de agosto de 2015, por meio do ofício de folhas 274, afirma que o processo de autorização para exploração de plano de manejo sustentável foi encaminhado para a Secretaria do Meio Ambiente de Mato Grosso, a quem cabe se manifestar sobre o assunto. Em 01 de março de 2016, a ARF de Alta Floresta, encaminha ofício à SEMAMT, pedindo os esclarecimentos constantes da diligência mencionada. Em 28 de agosto de 2016, a Agência da Receita Federal em Alta Floresta, devolve o processo para este Conselho Administrativo (folhas 339), acusando a inércia do Órgão Ambiental Estadual em responder aos ofícios enviados pela Administração Tributária. Por sorteio eletrônico, o presente processo foi para mim distribuído, em razão do Relator originário não mais pertencer ao colegiado. Fl. 367DF CARF MF 6 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo. Passo a apreciálo. Preliminarmente necessário ressaltar que em face da omissão da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso quanto à resposta à diligência, consoante consta do relatório, deixo de me manifestar sobre o tema. Verifico porém um prejudicial de mérito apontada na petição de folhas 276 pelo Contribuinte. Há decadência dos créditos tributários lançados. Demonstro. Tratase de lançamento tributário relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, relativo ao ano de 2000, consoante se comprova pelo próprio relatório fiscal constante do auto de infração acostado ás folhas 4: Novamente, encontramos a informação às folhas 8 do AI, tendo inclusive, a Autoridade Lançadora explicitado o fato gerador e o vencimento. Reproduzo: Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 01/01/2000 R$ 96.191,13 75,00 Patente que o lançamento se reporta ao tributo devido pelo sujeito passivo proprietário ou possuidor de imóvel no ano de 2000, vejamos o que diz a Lei nº 9.393/96 sobre a data de ocorrência do fato gerador do ITR: "Do Fato Gerador do ITR Definição Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano." Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10183.006356/200522 Acórdão n.º 2201003.778 S2C2T1 Fl. 366 7 (destaques não constam do texto legal) Explicito o momento de ocorrência do fato gerador do ITR: a propriedade, domínio útil ou posse de imóvel rural em 01 de janeiro de cada ano. A importância da definição do o momento de ocorrência do fato gerador se dá na medida que a Lei nº 9.393/96, explicitou que o imposto sobre a propriedade rural se sujeita ao chamado lançamento por homologação, assim entendido aquele ao qual a lei tributária determina que o sujeito passivo deve realizar o pagamento do tributo independentemente da qualquer ato praticado pela administração tributária. Inequívoca a dicção legal. Transcrevo o artigo 10 da Lei nº 9.393/96: "Da Apuração Apuração pelo Contribuinte Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior." (destaques não constam do texto legal) Como cediço, os tributos aos quais a lei determina a antecipação do pagamento se submetem a regra esculpida no parágrafo 4ª do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Recordemos: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (destaques não constam do texto legal) Fl. 369DF CARF MF 8 Patente o comando do Códex Tributário. Nos tributos em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do valor devido, sem prévio exame do Fisco, a contagem do prazo decadencial se dá a partir da ocorrência do fato gerador, sendo salvo expressa determinação de lei de 5 anos. Verifico às folhas 14 que o lançamento constante do presente auto de infração é suplementar, denotando o pagamento do tributo apurado na DITR. Em acréscimo, mister recordar que o Contribuinte anexa, às folhas 276, petição no qual reitera o reconhecimento da decadência operada em face da comprovação do pagamento do tributo devido por compensação (fls.290). Ressaltese que, nos caso da comprovação de conduto dolosa, fraudulenta ou simulada, tal regra excepcional não deve ser aplicada. Recordo que não houve no caso em apreço nenhuma menção às práticas reprováveis constantes da lei complementar mencionada. Assim, ao constatar que o lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência do sujeito passivo em 26 de dezembro de 2005 consoante comprovante de recebimento acostado às folhas 160, forçoso reconhecer, por ser matéria de ordem pública, a extinção do direito de crédito do Fisco por ocorrência da decadência apontada. Em acréscimo a todo o exposto, e aos fundamentos apresentados, transcrevo a ementa do Acórdão 9202004.539 prolatado, no mesmo sentido do entendimento aqui adotado, pela 2ª Turma da CSRF em 27 de outubro de 2016, de forma unânime: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõese a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC" CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10183.006356/200522 Acórdão n.º 2201003.778 S2C2T1 Fl. 367 9 Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.720136/2014-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/12/2011
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INFRAÇÕES. MÁ-FÉ. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente.
PROCESSO PRINCIPAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE AJUSTE DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foi homologada parcialmente a compensação declarada, impõe-se o ajuste da multa aplicada.
Numero da decisão: 1302-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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DCOMP. Recorrente BRAZIL TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/12/2011 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÕES. MÁFÉ. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. PROCESSO PRINCIPAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE AJUSTE DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foi homologada parcialmente a compensação declarada, impõese o ajuste da multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 01 36 /2 01 4- 86 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 335 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 207 a 232) interposto contra o Acórdão nº 0132.039, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 196 a 202), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. As disposições do Código de Processo Civil têm aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal, neste não se impondo quando houver previsões legislativas específicas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. INFRAÇÕES. RESPONSABILIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 336 3 O presente processo cuida de Auto de Infração (fls. 12 a 15), relativo a multa isolada aplicada, com base no art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação conferida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, em decorrência da não homologação da compensação de que trata a Declaração de Compensação (DComp) nº 15955.49304.291211.1.3.030704, com crédito total apurado no valor de R$ 1.407.570,20. O sujeito passivo apresentou, em 20/10/2014, Impugnação ao lançamento (fls. 22 a 40), cujas alegações foram sintetizadas pelo Acórdão recorrido, do seguinte modo: "1. Houve a decadência do direito da fazenda pública promover a glosa das despesas ocorridas no anocalendário 2006; 2. Apresentou impugnação contra o lançamento que alterou a base de cálculo da CSLL (processo nº 15578.720163/201378), bem como manifestação de inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação (processo nº 15578.720032/201391); 3. Dessa forma, o lançamento é nulo por não haver decisão definitiva acerca dos recursos apresentados nos processos nº 15578.720163/201378 e 15578.720032/201391; 4. Deve ser reconhecida a prejudicialidade da impugnação e da manifestação de inconformidade em relação a este processo, conforme art. 265, IV, “a” e “b”, do Código Processo Civil; 5. Apenas com o trânsito em julgado dos citados processos administrativos que a situação jurídica se constituirá definitivamente, nos termos do art. 116, II, do CTN; 6. Devese aguardar o desfecho daqueles processos administrativos, sob pena de ofender o art. 151, III, do CTN; 7. Requer a suspensão do processo e/ou a conversão do julgamento em diligência, até que seja proferida decisão final (com trânsito em julgado) nos autos dos processos n° 15578.720163/201378 e 15578.720032/201391; 8. A multa é inconstitucional por violar o direito de petição, o devido processo legal e os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 9. A multa é ainda indevida pela ausência de máfé do sujeito passivo na apresentação das compensações não homologadas; 10. A multa aplicada representa um verdadeiro bis in idem, pois nos autos do processo 15578.720163/201378 já foram aplicadas penalidades/multas, objetivando coibir a prática de atos contrários à legislação em vigor." Este processo foi juntado por apensação ao processo administrativo nº 15578.720032/201391, que trata do Recurso Voluntário contra a decisão que não homologou a compensação informada na DComp nº 15955.49304.291211.1.3.030704 (fl. 32). Fl. 336DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 337 4 O Acórdão recorrido afastou as preliminares de nulidade do Auto de Infração, de conexão e prejudicialidade do processo administrativo n° 15578.720163/201378 em relação aos presentes autos, e os pedidos de suspensão ou conversão do processo em diligência. Refutou, ainda, a apreciação de alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de preceitos normativos. No mérito, rejeitou a alegação de decadência do direito da Fazenda Pública para promover glosas de despesas em relação ao anocalendário de 2006, por ser matéria já apreciada nos autos do processo nº 15578.720032/201391. Por fim, não acatou as teses de que a multa aplicada seria indevida, por não haver sido configurada a máfé do sujeito passivo, e de que a penalidade constituiria bis in idem em relação àquelas aplicadas nos autos do processo administrativo nº 15578.720163/201378. No Recurso Voluntário apresentado (fls. 207 a 232), a Recorrente: a.1) Suscita, mais uma vez, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2006, o que violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN, posto que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos. a.2) Sustenta, ainda, que ao contrário do afirmado no Acórdão recorrido, o caso trata sim de lançamento de créditos tributários, posto que em decorrência do não reconhecimento do direito creditório, teria sido realizado tal lançamento; a.3) Invoca, em favor de sua alegação, o Acórdão nº 10708.306, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), bem como aponta que decisão proferida pelo julgador de primeira instância, no âmbito do processo administrativo nº 15578.720163/201378, já teria reformado parte da glosa que fundamentou aquelas procedidas no âmbito dos presentes autos; b.1) Igualmente, repete as alegações de nulidade do Auto de Infração, bem como de prejudicialidade dos Recursos Voluntários apresentados nos processos administrativos nº 15578.720163/201378 e 15578.720032/201391, já que, ao seu ver, os fatos produzidos na ação fiscal que resultou naquele processo foram ilegal e indevidamente utilizadas para embasar as glosas realizadas no caso sob análise; b.2) Afirma que, ao não se aguardar o trâmite do processo administrativo nº 15578.720163/201378, houve cerceamento do seu direito de defesa, no sentido de que foi impedida de se defender de fato consumado com base em situação pendente de julgamento e que após o resultado definitivo daquele processo poderá resultar em reflexos na apuração do saldo negativo de que tratam os presentes autos; b.3) Por força da alegada prejudicialidade, defende a suspensão do presente processo, ou conversão em diligência, até que decisão final seja proferida nos processos administrativos nº 15578.720163/201378 e 15578.720032/201391; Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 338 5 c) No mérito, assevera a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, posto que violaria o direito de petição previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal; d) Repete a alegação de ausência de máfé quando da apresentação das DComp que ensejaram a lavratura do Auto de Infração de que tratam os autos; e) Finaliza, sustentando que a multa aplicada representaria bis in idem com a penalidade imposta no processo administrativo nº 15578.720163/201378. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo 1. DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 09 de julho de 2015 (fl. 205) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 207 a 232, em 07 de agosto de 2015, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradoras, devidamente constituídas às fls. 328 a 332. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso II, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. DA REVISÃO DA BASE DE CÁLCULO DO DIREITO CREDITÓRIO A Recorrente invoca a decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2006, uma vez que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos, posto que isso violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN. A análise de tal questão já foi analisada exaustivamente por esta Turma no Acórdão proferido no processo apenso de nº 15578.720032/201391, quando se concluiu pela inexistência da referida decadência, posto que, com base no art. 74, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a Fazenda Pública dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a correção da compensação declarada por meio de Declaração de Compensação, o que inclui, inclusive, a base de cálculo do suposto crédito invocado pelo sujeito passivo, ainda que se refira a fatos ocorridos a mais de 5 (cinco) anos, não para que realize lançamento tributário, mas para embasar a decisão acerca da restituição/compensação. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 339 6 Ademais, como já relatado, os presentes autos dizem respeito apenas à lavratura de auto de infração para constituição de multa isolada, em decorrência de não homologação de compensação declarada em DComp. Assim, a alegação da Recorrente é matéria a ser tratada no âmbito do processo administrativo que analisa a não homologação da DComp (exatamente o de 15578.720032/201391), e não neste, onde devem ser examinado apenas a legalidade do procedimento de constituição da referida penalidade. Isto posto, voto no sentido de não reconhecer a decadência suscitada pela Recorrente. 3. DA INEXISTÊNCIA DE DECORRÊNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720163/201378 No mesmo Acórdão proferido no processo apenso de nº 15578.720032/2013 91, também ficou demonstrada a inexistência de qualquer decorrência entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378. Como esclarecido, este último processo administrativo trata de procedimento fiscal e Autos de Infração relativos aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010. Os presentes autos, por outro lado, como já relatado, dizem respeito a lavratura de auto de infração, em decorrência de não homologação de compensação declarada em DComp apresentada com base em suposto saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado em relação ao anocalendário de 2006, e compensado com débito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do período de apuração de dezembro de 2011 (fls. 4 a 11). Fica patente, portanto, a total dissociação de períodos. O único vínculo existente diz respeito ao aproveitamento, no processo nº 15578.720032/201391, de elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento fiscal que originou o processo administrativo nº 15578.720163/201378, cuja valoração é realizada de modo independente em um e outro processo. Não procede, em absoluto, a argumentação da Recorrente no sentido de que o Despacho de NãoHomologação da compensação informada em DComp e o Auto de Infração de que tratam os presentes autos deveriam aguardar o desfecho final do processo administrativo nº 15578.720163/201378, já que é cristalino que se trata de matérias totalmente desvinculadas, sendo plenamente possível ao sujeito passivo exercer o seu pleno direito de defesa, como realizou perante as instâncias do contencioso administrativa. Deste modo, inexiste qualquer nulidade na lavratura do Auto de Infração de que tratam os presentes autos, tampouco prejudicialidade deste processo com relação ao de nº 15578.720163/201378, não se aplicando, portanto, o sobrestamento previsto no art. 6º, §5º, do Anexo II do RI/CARF. 4. DA DECORRÊNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720032/201391 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 340 7 No que diz respeito à relação existente entre os presentes autos e o processo administrativo nº 15578.720032/201391, é óbvia a decorrência, sendo importante examinar o procedimento previsto na legislação para tal situação. Vejamos o que dispõe, portanto, o Art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal." Observase, deste modo, que o procedimento previsto pela legislação, para evitar julgamentos conflitantes, é que os processos tramitem, sempre que possível, vinculados e que o julgamento do processo decorrente aguarde o julgamento de mesma instância do processo principal. Pois bem, no caso sob análise, os processos tramitam apensos, tendo sido distribuídos à mesma relatoria e o julgamento do presente processo pelo CARF somente acontece após este Conselho haver proferido decisão no processo. Inclusive, os reflexos da decisão proferida nos autos principais serão observados em tópico específico deste Acórdão. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 341 8 Não há, portanto, qualquer nulidade, nem há previsão na legislação de que se aguarde decisão definitiva no processo principal que analisa a compensação, para a lavratura do auto de infração referente à multa isolada pela nãohomologação, ou mesmo para o julgamento de recurso apresentado no processo decorrente. A invocação que a Recorrente faz à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência de reclamações e recursos (art. 151, inciso III, do CTN) é plenamente aplicável ao caso, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído nos presentes autos, enquanto pendente de julgamento os recursos nele interpostos, na forma prescrita pela legislação. Contudo, a referida suspensão (também aplicável ao débito indevidamente compensado por meio de DComp), não obsta a lavratura do auto de infração decorrente da não homologação nem impede o trâmite administrativo do processo que trata desta penalidade. Isto posto, mais uma vez, rejeitase a alegação de nulidade do Auto de Infração de que tratam os presentes autos, bem como de suspensão do presente processo até a decisão final do processo administrativo nº 15578.720032/201391. 5. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL A Recorrente sustenta a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, posto que violaria o direito de petição previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal. Neste ponto, cabe invocar a Súmula CARF nº 2 (de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termo do Art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), que dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". No mesmo sentido o Art. 62 do Anexo II do RI/CARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Não procede a alegação da Recorrente de que a inconstitucionalidade invocada já teria sido reconhecida por Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, o que enquadraria o caso na exceção prevista no §1º, inciso II, alínea b, do citado art. 62 do RI/CARF. Deixo, portanto, de analisar as razões recursais apresentadas pelo sujeito passivo em relação a tal ponto, por força dos citados dispositivos. 6. DA AUSÊNCIA DE MÁFÉ A Recorrente repete a alegação de ausência de máfé quando da apresentação das DComp que ensejaram a lavratura do Auto de Infração de que tratam estes autos. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 342 9 Como bem exposto no Acórdão recorrido, a máfé não é elemento constitutivo da penalidade imposta, que decorre meramente de infração à legislação tributária, independentemente da intenção do agente, conforme preceituado pelo art. 136 do CTN. É necessária disposição expressa de lei, para que o elemento volitivo seja considerado, o que não ocorre no caso do art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 1996. Nego provimento, portanto, ao Recurso Voluntário em relação a tal fundamento. 7. DA INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM Finaliza a Recorrente sustentando que a multa aplicada nestes autos representaria bis in idem com a penalidade imposta no processo administrativo nº 15578.720163/201378. Ora a total desvinculação entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378 já ficou demonstrada nesta decisão. Assim, as penalidades impostas naqueles autos dizem respeito a fatos ocorridos na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da CSLL nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010. A penalidade de que trata esse processo, repisese, diz respeito à compensação de suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado em relação ao ano calendário de 2006. Assim, de plano, fica afastada a existência de qualquer bis in idem entre as referidas penalidades. 8. DOS REFLEXOS DA DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720032/201391 Por meio do Acórdão proferido nos autos do processo administrativo nº 15578.720032/201391, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente, de modo que a compensação declarada por meio da DComp nº 15955.49304.291211.1.3.030704 foi considerada homologada parcialmente, até o montante original de R$ 910.697,82 (novecentos e dez mil reais, seiscentos e noventa e sete reais e oitenta e dois centavos), que, atualizado na forma dos art. nº 39, §4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e nº 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, corresponde, à data da apresentação da DComp, a R$ 1.394.005,15 (R$ 910.697,82 x 1,5307). Isto posto, a multa imposta ao sujeito passivo deve ser reduzida para considerar apenas a parcela da compensação que restou nãohomologada, ou seja, R$ 701.135,24 (R$ 2.095.140,39R$ 1.394.005,15). Em decorrência do dispositivo legal invocado no lançamento, o montante da multa corresponde a 50% do valor do crédito objeto da DComp não homologado, o que, in casu, significa R$ 350.567,62 (50% de R$ 701.135,24). 9. DA ALTERAÇÃO DA BASE NORMATIVA Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15578.720136/201486 Acórdão n.º 1302002.329 S1C3T2 Fl. 343 10 Cabe, por fim, fazer alusão à inovação legislativa que alterou o dispositivo que embasou o lançamento da multa isolada de que trata o presente processo. É que, à data do lançamento, o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, possuía a redação conferida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, nos seguintes termos: "§ 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." (destacouse) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 (posteriormente convertida na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015), porém, conferiu nova redação ao citado dispositivo: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (destacouse) Como se observa, a penalidade pela compensação indevida foi mantida, alterandose apenas a sua base de cálculo, que poderá ser de mesmo montante (no caso da compensação integral do crédito) ou inferior (no caso da compensação parcial do crédito). No caso dos autos, o suposto crédito foi integralmente compensado pela Recorrente, de modo que o valor da multa aplicada de acordo com a nova redação do dispositivo legal em tela corresponde ao valor constante do Auto de Infração, de modo que não há que se falar em retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa imposta ao valor de R$ 350.567,62 (trezentos e cinquenta mil, quinhentos e sessenta e sete reais e sessenta e dois centavos). (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Fl. 343DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.720077/2014-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. ORDEM DE PREFERÊNCIA.
De acordo com o § 3º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/77, os meios de intimação previstos no mencionado dispositivo legal não estão sujeitos a ordem de preferência, de sorte que, válida é a intimação da decisão de 1ª instância por meio eletrônico, ainda que a intimação do auto de infração tenha sido realizada pela via postal.
Numero da decisão: 1302-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em primeira votação, por voto de qualidade, não acolher a proposta de diligência. Vencidos os Conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins. Em 2ª votação, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. Vencido o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca acompanhou o voto da relatora pelas conclusões. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, declarou-se impedido de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausentes justificadamente, os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.720077/201402 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1302002.350 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria Preliminar Tempestividade Recorrente TAM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. ORDEM DE PREFERÊNCIA. De acordo com o § 3º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/77, os meios de intimação previstos no mencionado dispositivo legal não estão sujeitos a ordem de preferência, de sorte que, válida é a intimação da decisão de 1ª instância por meio eletrônico, ainda que a intimação do auto de infração tenha sido realizada pela via postal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em primeira votação, por voto de qualidade, não acolher a proposta de diligência. Vencidos os Conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins. Em 2ª votação, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. Vencido o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca acompanhou o voto da relatora pelas conclusões. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, declarouse impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Rogério Aparecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 77 /2 01 4- 02 Fl. 1385DF CARF MF 2 Gil, Julio Lima Souza Martins e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausentes justificadamente, os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (efls.1.170/1.202) que a seguir transcrevo: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/38, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa ao anocalendário 2011, constatouse o seguinte: DA INTERPRETAÇÃO TRIBUTÁRIA: O REAL E O APARENTE O progresso intelectual e a evolução das idéias são aspectos inerentes à raça humana. Diuturnamente inovações tecnológicas surpreendemnos a cada dia, indo das comunicações aos avanços na medicina; dos meios de transporte aos novos medicamentos. Mas a criatividade das inovações e a evolução das idéias obviamente não se restringe ao mundo tecnológico. O Direito se conforma a cada dia diante das novas realidades que surgem. Em especial, no campo tributário, verificase um movimento no sentido de identificar a realidade dos fatos e não apenas o formal, o aparente. De desmistificar a casca para atingir o conteúdo, quando desconexos. A fiscalização cita, às fls. 19/20, jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ, acerca de planejamentos tributários abusivos. É neste contexto que a auditoria interpreta os fatos societários a seguir descritos e suas conseqüências em sede tributária. DAS OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS DA MULTIPLUS Inicialmente, em 06/08/2009, foi constituída a empresa Q.X.A.S.P.E.Empreendimentos e Participações S.A., tendo por objeto social a participação em outras sociedades (holding). Sua denominação social foi modificada, passando a se chamar Multiplus S.A., com alteração do objeto social para o desenvolvimento de direitos de resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes. Posteriormente, foi aprovado o aumento de capital social autorizado até o limite de R$ 1.200.000.000,00. Em 10/12/2009, o capital social da Multiplus era de R$ 500,00 (500 ações de R$ 1,00), possuindo a TAM S.A. quase a totalidade das ações da empresa (495 ações, 99%), sendo as demais ações (5) divididas igualmente entre 5 pessoas físicas. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 3 3 Na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15/01/2010, cada ação ordinária foi desdobrada em 236.040 ações, sendo o capital social representado por 118.020.000 ações ordinárias nominativas, escriturais e sem valor nominal. O total do capital social subscrito e integralizado continuou sendo R$ 500,00. O Auditor Fiscal não relata, mas é importante observar que, na supracitada Assembléia, cada uma das 5 pessoas físicas sócias da Multiplus recebeu 236.039 novas ações, mas as cedeu gratuitamente à TAM S.A. Dessa forma, cada pessoa física ficou com uma ação da Multiplus (total de 5), ficando a TAM S.A. com as demais 118.019.995 (=118.020.000 – 5). Nesta data a TAM S.A. tinha praticamente 100% das ações da Multiplus (acima de 99,99999%) Em 03/02/2010, foi realizada oferta de distribuição primária de ações IPO (Inicial Public Offer), da seguinte forma: · Preço da ação fixado em R$ 16,00; · Aprovar o aumento de capital, dentro do limite do capital autorizado, mediante a emissão de 39.340.000 ações ordinárias, as quais foram integralizadas à vista, no ato da subscrição, em moeda corrente nacional, ao preço de R$ 16,00 por ação, passando o capital social da empresa de R$ 500,00, representado por 118.020.000 ações ordinárias, para R$ 629.440.500,00, representado por 157.360.000 ações ordinárias, com exclusão do direito de preferência dos acionistas da Companhia na sua subscrição, em conformidade com o disposto no inciso I do artigo 172 da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76) e nos termos do parágrafos Segundo e Terceiro do artigo 6o do Estatuto Social da Companhia; · Integralização de R$ 629.440.000,00 (R$ 16,00 por ação, em 39.340.000 ações); · Novo capital social: R$ 629.440.500,00; · Novo numero de ações: 157.360.000 ações. Posteriormente, em 01/03/2010, foi aprovada a integralização de um lote suplementar de ações na IPO, na forma como segue: · Ações ordinárias (lote principal e suplementar), nominativas, escriturais e sem valor nominal, as quais possuirão características idênticas àquelas das ações já existentes, fazendo jus aos mesmos direitos a elas conferidas. · Integralização de R$ 62.944.000,00 (R$ 16,00 reais por ação, em 3.934.000 ações) · Novo capital social: R$ 692.348.500,00; · Novo numero de ações 161.294.000 ações. Fl. 1387DF CARF MF 4 Após o implemento da IPO, foi aprovada em AGE, de 18/03/2011, a redução de capital na Multiplus. Houve, neste caso, a retirada do caixa da empresa e redução de capital para os acionistas. Isto significou a redução do capital social da Companhia em R$ 600.013.680,00, passando de R$ 692.384.500,00 para R$ 92.370.820,00. Na ocasião ficou consignado que, decorrido o prazo de 60 dias para oposição de credores, nos termos do artigo 174 da Lei nº 6.404/76, e não tendo havido manifestação dos mesmos, os acionistas da Companhia receberiam, na proporção de suas participações e a título de restituição de capital, o equivalente a R$ 3,72 por ação, em moeda corrente nacional, sem alteração na quantidade de ações de emissão da Companhia. DA MULTIPLUS DA CONTINUIDADE DO PROGRAMA TAM FIDELIDADE O programa de fidelidade da TAM Linhas Aéreas S.A. (TAM LA), que existe desde 1993, foi "transferido" para a nova empresa criada pela TAM S.A. Mesmo assim, comercialmente os nomes TAM e Multiplus Fidelidade inicialmente confundiramse. Isto porque é de conhecimento comum que o programa TAM Fidelidade transaciona com os pontos de fidelidade Multiplus. Tanto é assim que ainda hoje as trocas de pontos por passagens aéreas, representativas de cerca da quase totalidade do pagamento de prêmios aos participantes, são efetuadas nos estabelecimentos da TAM ou em seu “site” da internet. Em assim sendo, como há relacionamento quase exclusivo com a TAM, ainda que a negociação dos pontos do programa ocorra através da Multiplus, a marca forte de mercado é o programa TAM Fidelidade. Tais assertivas estão em consonância com informações veiculadas na IPO e de acordo com o prospecto da Multiplus (pág. 122). Por outro lado, a TAM LA é o principal destino dos pontos de fidelidade, conforme descrito no mesmo prospecto (pág. 131). Da entrega graciosa do programa de fidelidade Um dos aspectos que mais chama a atenção nas etapas do negócio Multiplus, é a cessão do programa e da exclusividade para a nova empresa. De início, a dona do negócio de fidelização de clientes, a TAM LA, "transferiu", a título gratuito, sem qualquer ônus financeiro para a Multiplus, este rentável negócio, pelo prazo inicial de 15 anos. Essa "benesse comercial", evidentemente, só foi possível porque a TAM S.A.controla os dois lados que firmam o contrato, ou em linguagem coloquial, foi firmado um contrato entre mim e eu mesmo. O contrato operacional firmado entre a Multiplus e a TAM LA transfere a título gratuito a gestão, administração e operação do programa de fidelização. Neste firmase um acordo de "Associação TAMMULTIPLUS", bem como cedemse os Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 4 5 parceiros da TAM LA para a Multiplus representando 112 contratos da TAM LA referentes ao acúmulo e/ou resgate de pontos. Em verdade, para o programa de fidelização de clientes da TAM LA operar, necessitase da Multiplus, exclusiva detentora da emissão e resgate dos pontos. E a cada emissão de bilhetes aéreos pela TAM LA, o participante acumula pontos de emissão da Multiplus. Assim a TAM LA compra pontos na Multiplus para beneficiar os participantes do programa de fidelização. Como o objeto social da Multiplus é o negócio de fidelização, a Multiplus sempre será um apêndice operacional da TAM LA. Considerada a extensão do programa fidelidade, as operações da companhia aérea significarão negócios para a Multiplus. Da Multiplus Empresa formalmente nova O fato de a Multiplus ser a continuidade do programa TAM Fidelidade não é novidade para ninguém. Mais do que isto, a própria empresa, no prospecto de emissão de ações (pág. 71), posicionase como sucessora da TAM Fidelidade. Desta forma, o início de atividades da Multiplus significou tão somente a sua abertura ao mercado de capitais, isto porque as atividades antes existentes de fidelização de clientes em nada foram alteradas. Ou, nas suas próprias palavras, são novas somente na formalidade. DOS CONTORNOS SOCIETÁRIOS DA IPO E SUAS FINALIDADES As empresas de capital aberto têm por característica a transparência de suas informações contábeis e terem suas ações negociadas em mercado aberto, podendo obter recursos para financiar seus projetos de investimento. O financiamento por meio da emissão de ações, ou seja, do aumento de capital, admitindo o ingresso de novos acionistas, significa a capitalização através do mercado de capitais. A Multiplus formalmente assim o fez, capitalizandose por meio de oferta primária de ações. Para tanto, devia seguir as diretrizes do mercado de capitais, obedecendo a Instrução Normativa CVM nº 400/2003. A Multiplus, em seu prospecto da oferta pública (pág. 70), esclarece que deveria realizar um estudo de viabilidade segundo disciplinado no artigo 32, incisos II e IV, da IN CVM nº 400/2003. Ao se enquadrar no inciso IV, a Multiplus considera que os recursos captados visam à expansão ou diversificação de atividades. Não foi o apurado nos trabalhos de auditoria. Fl. 1389DF CARF MF 6 Isto porque os contratos antes existentes praticamente não foram aumentados, os riscos permanecem os mesmos da operação anterior, não há incremento que necessite de aporte de capitalização para que a Multiplus opere. A capitalização serviu tão somente para captar recursos mediante alienação de parte do controle acionário (e oportunamente injetar temporariamente recursos na TAM LA), para posteriormente retornálos aos acionistas pela redução de capital como será adiante detalhado. A outra razão apresentada para a ausência do estudo de viabilidade é pela inexistência de riscos na sociedade novata, inclusive informando que seria nova apenas na formalidade de sua constituição. Da diluição do capital subscrito entre os acionistas No momento da subscrição de capital pelos novos acionistas na IPO, perfazse a diluição do capital social (pág. 80 do prospecto). Isto significa que os recursos líquidos captados representaram um aumento imediato no valor patrimonial contábil por ação de R$ 3,81 para a controladora TAM S.A. e uma diluição imediata no valor patrimonial contábil por ação de R$ 12,19 para os novos acionistas que subscreverem ações na oferta de IPO. Os acionistas que subscreveram perderam imediatamente na diluição de capital, por isso as justificativas de rentabilidade futura e as demonstrações financeiras carveout para atrair os acionistas. De outro lado, os antigos acionistas diluíram sua participação em troca de ganho no valor patrimonial do investimento, que posteriormente foi realizado com a redução de capital. Das demonstrações financeiras carveout No intuito de viabilizar a entrada de novos acionistas na empresa, a Multiplus apresentou no prospecto da IPO (págs. 87 e 88) as demonstrações financeiras carveout. Nestas, fraciona a atividade do programa TAM Fidelidade realizadas na TAM LA no anocalendário de 2008 e em 9 meses de 2009. Estas demonstrações tem por finalidade justificar aos futuros acionistas a rentabilidade do negócio de fidelização de clientes TAM Fidelidade. Ao segregar as atividades anteriores da TAM Fidelidade e sua rentabilidade, confirmam a falta de necessidade de caixa nas operações da Multiplus, uma vez que não há solução de continuidade nos negócios. Aqui cabe novamente caracterizar a função da IPO no abusivo planejamento tributário engendrado: venda de participação societária. Em realidade, para a venda da participação societária ocorrida posteriormente, necessitase de compradores para as ações repartidas. No momento da IPO é exatamente o que ocorre na diluição de capital: as ações são repartidas entre a TAM S.A. (antiga acionista) Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 5 7 e os novos acionistas. E os argumentos de rentabilidade futura do negócio estão matematicamente descritas nestas demonstrações financeiras carveout. Desta forma, constatase que a IPO serviu ao acionista controlador tãosomente para atrair os interessados do mercado de capitais, alienando em seguida a participação diluída, ao descapitalizar a Multiplus. A informação da diluição de capital já propiciava aos novos acionistas a percepção de que estavam perdendo capital em favor do acionista controlador, mas indicava que poderiam assumir o risco em face da rentabilidade futura. DA FORMA DE UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS CAPTADOS Neste negócio de pontuação e fidelidade, os recursos financeiros são imediatos, isto porque a Multiplus emite os pontos do programa, vendendoos aos parceiros comerciais e recebendo financeiramente. De outra parte, seus custos advém da aquisição das passagens aéreas que somente ocorre nos resgates das mesmas pelos participantes do Multiplus Fidelidade. Desta forma, no início das atividades da Multiplus não haveria necessidade financeira, pois ela inicialmente emite os pontos para depois ser obrigada a custeálos pela compra de passagens. Há uma defasagem temporal entre os recursos captados da venda de pontos e o posterior custeio pela compra de bilhetes aéreos da TAM LA. Tal fato é explicitamente citado no prospecto da Multiplus (pág. fl. 128), ao comentar sobre uma fonte potencial de receita: Isto pode ser comprovado em outro lugar do prospecto da oferta pública da Multiplus, quando estabelece que 94% dos recursos captados pela IPO serão direcionados para a TAM LA na aquisição de passagensprêmio. Como a atividade da Multiplus não sofreu solução de continuidade quando comparada com a da TAM Fidelidade, os recursos captados foram enviados para a TAM LA. Tanto a Multiplus não necessitava de recursos imediatos que antecipou a aquisição dos bilhetes. Este fato tem conexão imediata com a futura redução de capital perpetrada pela Multiplus, pois se sabia desde o início que a Multiplus não necessitava de expressivos aportes de recursos. A própria empresa reconhece isso mesmo antes da IPO. Seu ramo de atividades requer pouca necessidade de investimentos e capital, conforme pág. 24 de seu prospecto. E efetivamente tais fatos se confirmaram: dos recursos líquidos captados em 2010, conforme consta da contabilidade, R$ 622 milhões foram destinados para pagamento antecipado para compra de passagensprêmio da TAM LA. Disto resultou que, ao final do anocalendário 2010, a Multiplus possuía em disponibilidade financeira R$ 630 milhões. Os fluxos de caixa entre 2010 e 2012 comprovam que a Multiplus tem por política a manutenção de baixíssima retenção de caixa. Verificase isto por dois motivos: a uma que desde sua Fl. 1391DF CARF MF 8 origem a atividade desempenhada não requer disponibilidade imediata de recursos em face dos desembolsos financeiros serem posteriores aos ingressos; por outra que distribui quase a totalidade dos lucros obtidos. Constatase deste fluxo financeiro da Multiplus que os recursos captados não ampliaram a capacidade operacional da Multiplus; apenas se prestaram a financiar as atividades do seu principal fornecedor, com quem mantém unicidade de controle societário. Ainda a consolidar a falta de necessidade de caixa, a TAM LA obrigase a reembolsar pelos prêmios descontados pelos clientes Multiplus ou a conceder descontos nas passagensprêmio, no caso de utilização de pontos obtidos até 31/12/2009, conforme informado na pág. 146 do prospecto da Multiplus: Da realização de nova IPO Digase ainda, quanto à falta de justificativa econômica para a IPO, que recentemente, em reunião do Conselho de Administração ocorrida em 07/03/2013, foi deliberado pela Multiplus a realização de oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias de emissão da Companhia, com o conseqüente aumento de capital social da Companhia dentro do limite do capital autorizado. Futuramente, por força de razões de mercado que inviabilizaram as IPOs no ano corrente, foi cancelada a futura IPO. Isso significa que, novamente, a empresa faria um IPO sem necessidade de financiamento, eis que possui um ativo disponível de mais de um bilhão de reais, conforme pode ser analisado do balancete contábil extraído da sua contabilidade. Também neste caso foi deliberado que os recursos alimentariam a empresa do grupo TAM LA pela compra antecipada de passagensprêmio. Segundo informações de mercado (publicadas no “site” do jornal Valor Econômico em 15/04/2013), seriam captados cerca de R$ 800 milhões para aquisição de passagens da TAM LA . Esta prática de baixa retenção de recursos nos fluxos de caixa não se coaduna com a sistemática capitalização da empresa, uma vez que não houve expansão relevante no negócio, nem foram efetivados investimentos de monta que assim justificassem a necessidade financeira. Destarte, a nova IPO seria mais uma alienação disfarçada através da diluição de capital do controlador das ações. A análise foi exposta no Valor Econômico identificando o conflito de interesses entre a TAM S.A. e a Multiplus quando esta faria a segunda IPO, isto porque não necessitava de recursos, pois detinha R$ 1 bilhão em dezembro/2012 em Caixa, e não possuía dívidas. Isto apenas fortaleceria financeiramente a TAM. A conclusão de mercado foi a de que o controlador tomou essa decisão, e não a de vender suas próprias ações, para evitar o pagamento do ganho de capital. Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 6 9 O claro sinal de mercado que foi espraiado entre os investidores da Multiplus refletiuse em sua cotação de mercado que se seguiu ao anúncio da IPO. A cotação da empresa em bolsa sucumbiu quase 50%, fazendo com que houvesse desistência futura da IPO. DA DISTÂNCIA ENTRE O CAPITAL SUBSCRITO E O VALOR CAPITALIZADO (TRÊS MILHÕES DE VEZES) O capital social inicial da Multiplus era de R$ 500,00 para 500 ações. Posteriormente, após o desdobramento das ações na proporção 1:236.040, temos o mesmo capital social de R$ 500,00 para 118.020.000 ações ordinárias. Ou ainda, aproximadamente R$ 4,24 para cada 1.000.000 de ações. Por outro lado, após estudo de mercado, 39.430.000 ou 45.241.000 ações (no caso Ações Suplementares) foram oferecidas na IPO pelo valor de R$ 16,00 para 1 ação. Isto significa um valor de mais de 3 milhões de vezes o valor do capital nominal da ação. Como seria isto possível? Que atividade poderia pensar numa valorização tão astronômica? Como poderia o mercado se interessar por uma empresa com capital social tão insignificante? Tal distorção é parte da seqüência de eventos para promover a venda de parte do controle do negócio de fidelidade pelo mercado de capitais. Há que se observar que alguns planejamentos tributários abusivos são rejeitados pelo Fisco, dadas as distorções existentes, como, por exemplo, o pequeno lapso temporal na seqüência do planejamento atos encadeados em datas e sem substância econômica. Aqui, um dos abusos evidentes da forma transparece na insignificância da integralização em face do Contrato Operacional (TAM LA Multiplus) bilionário não registrado no ativo da Multiplus. Somente este justifica o ingresso dos novos acionistas pelos valores aportados. DA REDUÇÃO DE CAPITAL COMO CONCLUSÃO DA ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Em seguida à IPO, a fiscalizada descapitalizouse. Assim constatado, a interpretação deve vir associada à falta de motivação da IPO e aos fatos societários que se sucederam. Isto porque se conectam quando implementados para a não apuração do ganho de capital. A oferta de IPO com transmissão de recursos para a TAM LA, está conjugada com a posterior redução de capital da Multiplus, empresa que não necessitava de capitalização inicial. A incongruência entre capitalizarse e em seguida descapitalizarse chamou atenção inclusive dos Fl. 1393DF CARF MF 10 especialistas de mercado, que justificaramna tendo como causa o não recolhimento de ganho de capital. Do valor captado líquido = valor da redução de capital Aspecto que evidencia o começo e o final do enredo está na "curiosa" coincidência entre os valores líquidos captados do mercado e o valor da redução de capital. Com a IPO foram captados cerca de 692,3 milhões de reais. Descontadas as despesas relacionadas com a venda, de R$ 91,5 milhões, chegase ao valor líquido de venda de R$ 600,8 milhões. Formalmente a redução de capital justificouse, na Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 18/03/2011, que considerou "a redução do capital social da Companhia, atualmente considerado elevado, de R$ 692.384.500,00 (seiscentos e noventa e dois milhões, trezentos e oitenta e quatro mil e quinhentos reais), para R$ 92.370.820,00 (noventa e dois milhões, trezentos e setenta mil e oitocentos e vinte reais), com uma redução efetiva no valor de R$ 600.013.680,00 (seiscentos milhões, treze mil e seiscentos e oitenta reais) e sua redução oferecerá perspectivas de otimização da estrutura de capital em favor do acionista". O capital social foi reduzido a 13,34% do anterior. A redução do valor captado não é uma operação de mercado Relatos de mercado veiculados na imprensa estranharam as operações de IPO e redução de capital encadeados pela Multiplus. Nada mais significativo para a compreensão do real objetivo impetrado pela fiscalizada do que "ouvir" o que o mercado tem a dizer. Conforme notícia publicada no “site” do jornal Valor Econômico em 11/03/2011, causou espécie que a Mutiplus tenha aberto mão de cerca de 600 milhões de reais em caixa. Não é uma operação própria do mercado de capitais. Ela é rara e inusitada. Do ganho de capital através da redução de capital Também de acordo com este mesmo “site” de internet de informações empresariais do jornal Valor Econômico, entre especialistas de mercado opinouse que há discrepância entre a vontade manifestada ao mercado de capitais e a efetiva intenção dos acionistas controladores (TAM S.A.) de fugir do efeito fiscal do ganho de capital. Ora, por qual razão o capital social foi considerado elevado se no ano anterior a IPO teria sido feito para captar recursos para a Multiplus? Como detalhadamente informado e previsto das declarações da Multiplus presentes no prospecto, não havia necessidade de captação de recursos pela IPO. Este fato evidenciase no momento de descapitalização pela redução de capital. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 7 11 Em verdade, a IPO e sua subseqüente redução de capital representam apenas uma vontade premeditada. O que se quis desde o início foi alienar cerca de 27% das ações da Multiplus pela TAM S.A.. Esta vontade fica clara quando se analisa o enredo do início ao fim, não apenas seus atos de maneira isolada. Não apenas a seqüência dos atos, mas também as vontades apresentadas para justificálos. Estas vontades distanciam o informado do pretendido e foram interpretadas de maneira clara nas suas entrelinhas pelo mercado aberto. Neste ciclo entre a IPO e a redução de capital, a investidora que detinha apenas R$ 500,00 de participação, recebeu R$ 439.034.381,40 na redução de capital. Concluindose que a IPO não se serviu ao propósito informado no prospecto, mas tão somente para adiantamento de recursos para a TAM LA e para futura realização do ganho de capital quando da redução de capital, concretizase a intenção anteriormente mascarada. De forma subreptícia a investidora TAM S.A. alienou parcela das ações da Multiplus sem o correspondente recolhimento do ganho de capital. Ao final das operações mantémse no controle societário e obtém os recursos da alienação das ações. A IPO serviu não para captar recursos com novos acionistas, mas para vender as novas ações emitidas. Como capítulo final, a vontade real de alienação da participação societária da investidora TAM S.A. foi perpetrada na redução de capital da Multiplus. Daí emerge a conclusão de que todo o procedimento implementado objetivou não recolher o ganho de capital pela investidora quando alienou parte do negócio de fidelização aos novos acionistas pelo mercado de capitais. DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL A TAM S.A. foi intimada a informar como foi contabilizado o valor recebido decorrente da restituição de capital. Também foi instada a justificar a falta de tributação dos recebimentos da redução de capital. Informou que o tratamento fiscal dado ao investimento foi a aplicação da equivalência patrimonial. Com efeito, quando ocorreu o ágio na integralização de capital pelos novos acionistas, o artigo 428 do RIR/99 estabelece que não será computado na determinação do lucro real o acréscimo do valor do patrimônio líquido de investimento decorrente de ganho de capital por variação na percentagem de participação no capital social da controlada. Aplicase para investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Este dispositivo difere a tributação do investimento na aplicação de capital quando há aumento do investimento. Em verdade difere a tributação do investimento para quando este seja realizado. Esta a sua aplicação, qual seja, postergar o ganho de capital no investimento de acordo com a sua realização. Fl. 1395DF CARF MF 12 O investimento avaliado pela equivalência patrimonial tem por princípio a variação do investimento na investidora de acordo com a avaliação do patrimônio líquido da investida. Nesta sistemática de avaliação do investimento, conforme varia o PL da investida por prejuízo ou lucro, há reflexo na investidora. Portanto os ajustes no investimento pela investidora refletem apenas a conta gráfica do PL da investida. Sendo assim, para o investidor há variação no investimento proporcional à variação do PL do investido. Neste sentido, quando da alienação do investimento tomase possível receber mais ou menos do que o valor aplicado; seja porque há lucros ainda não recebidos, prejuízos não cobertos ou mesmo alienação por valor superior ou inferior ao investimento inicial. Considerando esta técnica contábil, quando há distribuição de lucro da investida deverá ser diminuído o investimento porque parte do investimento foi realizado. Esta realização do lucro não sofre tributação na investidora em decorrência da diminuição do investimento, pois afetou o lucro real da investida. A justificativa para o tratamento das variações de investimento não serem tributadas na apuração do lucro real está na anterior tributação dos resultados na investida. Dentro desta sistemática contábil fica claro que a fiscalizada diferiu a tributação do ganho decorrente do ágio na subscrição de capital, nos termos do artigo 428 do RIR/99, para em seguida realizar o investimento através da redução de capital. Daí que as duas operações (IPO + redução de capital) significaram para a investidora TAM S.A. a realização do ganho de capital no investimento. Neste caso, o método da equivalência patrimonial é descabido, eis que a mais valia do investimento não teve suporte no resultado positivo apurado pela investida. Realizouse o investimento através da redução de capital na forma subreptícia antes elucidada. As operações societárias detalhadamente descritas acima tiveram como vontade única a alienação da participação societária. Neste ponto o tratamento fiscal cabível é a apuração do ganho de capital pelo custo de aquisição. Revestiuse da aparência de integralização de capital seguida de redução de capital, com todas as incoerências apontadas entre ambas, mas na sua essência tratouse de venda de participação societária, sobre a qual será apurado o ganho de capital. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A evasão tributária perpetrada pela TAM S.A. foi idealizada antes da constituição da Multiplus. Desde a decisão estratégica da TAM S.A. de segregar o negócio de fidelização de clientes da TAM, os passos que se seguiram foram realizados no sentido de perpetrar a infração tributária. O caso em apreço indica que houve simulação pela TAM S.A. na alienação da participação societária. Para evadirse do Fisco, engendrou uma IPO para captar investidores e em seguida Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 8 13 reduzir o capital da Multiplus. Ainda que formalmente tenham ocorrido as duas operações societárias, com as vestes de veracidade formal, em realidade visou camuflar a tributação do ganho de capital. A auditoria aplica interpretação teleológica para evitar a fraude à lei. Os fatos, minuciosamente relatados, caracterizam a figura da sonegação fiscal. A TAM S.A. tinha conhecimento dos valores dos tributos devidos na apuração do ganho de capital, mas preferiu agir de maneira evasiva, caracterizando o intuito de fraude e justificando a aplicação da multa qualificada. A conduta deliberada e sistemática destes atos demonstra a presença do dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação ou fraude descritas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei n2 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. DOS LANÇAMENTOS Considerando que, após o pagamento aos acionistas, em 18/03/2011, o capital social da Multiplus ficou reduzido a 13,34% do anterior, entendese que foi alienado 86,66% (100% 13,34%) do investimento inicial (R$ 500,00). Conforme Autos de Infração, a base de cálculo tributável (ganho de capital de R$ 439.033.948,10) resultou da diferença entre o valor recebido pela TAM S.A. (R$ 439.034.381,40 e a parcela de 86,66% do custo do investimento (R$ 433,30 = 86,66% * R$ R$ 500,00). Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2011: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) 94.603.141,90 Imposto 141.904.721,85 Multa proporcional (150%) 15.325.708,99 Juros de mora (cálculo até 01/2014) Crédito Tributário (em reais) 251.833.572,74 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) 33.242.988,12 Contribuição 49.864.482,18 Multa proporcional 5.385.364,08 Juros de mora (cálculo até 01/2014) Crédito Tributário (em reais) 88.492.834,38 TOTAL ... Obs: Fl. 1397DF CARF MF 14 · Houve compensação com prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSLL) do período e de períodos anteriores; · Fundamento legal constante dos respectivos Autos de Infração. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 13/01/2014 (fl. 540), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 12/02/2014, a impugnação de fls. 542/604, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS Do sumário do Auto de Infração A presente autuação consubstancia a exigência do IRPJ e da CSLL, cumulados com juros de mora e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, sobre o suposto ganho de capital auferido pela impugnante quando do recebimento de valores, a título de restituição de capital, em razão de redução do capital social da empresa controlada Multiplus S.A., realizada em março de 2011. Como será demonstrado ao longo da presente defesa, o aumento do valor do investimento da impugnante na Multiplus foi registrado em razão dos recursos aportados por terceiros no contexto da IPO, tendo sido contabilizado por meio do resultado de equivalência patrimonial, o qual não é tributável nos termos do artigo 428 do RIR/99. Em contrapartida, quando do recebimento dos valores provenientes da Multiplus, a título de restituição de capital, também não foi apurado qualquer ganho de capital, uma vez que tais valores corresponderam apenas à restituição de parte do capital social da empresa, em benefício de todos os seus acionistas, mantendose inalterados os percentuais de participação societária. Cumpre destacar que a impugnante (TAM S.A.) é controladora da TAM Linhas Aéreas S.A. (TAM LA) e da Multiplus, conforme indica o quadro societário do grupo econômico da impugnante no momento imediatamente anterior à IPO (pág. 127 do prospecto da IPO da Multiplus). Do sumário do Auto de Infração A presente autuação consubstancia a exigência do IRPJ e da CSLL, cumulados com juros de mora e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, sobre o suposto ganho de capital auferido pela impugnante quando do recebimento de valores, a título de restituição de capital, em razão de redução do capital social da empresa controlada Multiplus S.A., realizada em março de 2011. Como será demonstrado ao longo da presente defesa, o aumento do valor do investimento da impugnante na Multiplus foi registrado em razão dos recursos aportados por terceiros no Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 9 15 contexto da IPO, tendo sido contabilizado por meio do resultado de equivalência patrimonial, o qual não é tributável nos termos do artigo 428 do RIR/99. Em contrapartida, quando do recebimento dos valores provenientes da Multiplus, a título de restituição de capital, também não foi apurado qualquer ganho de capital, uma vez que tais valores corresponderam apenas à restituição de parte do capital social da empresa, em benefício de todos os seus acionistas, mantendose inalterados os percentuais de participação societária. Cumpre destacar que a impugnante (TAM S.A.) é controladora da TAM Linhas Aéreas S.A. (TAM LA) e da Multiplus, conforme indica o quadro societário do grupo econômico da impugnante no momento imediatamente anterior à IPO (pág. 127 do prospecto da IPO da Multiplus). Da breve síntese dos fatos discutidos no Auto de Infração Em 1993, a TAM LA criou seu programa de fidelização de clientes: o Programa TAM Fidelidade. Contudo, em decorrência de resultados crescentes, a partir de 2008, a impugnante deu início a reestruturação societária, a fim de segregar e transferir a gestão do negócio de fidelização de clientes à outra empresa, com o objetivo de conferir maior racionalização nas estruturas operacional, administrativa e financeira, bem como obter maior eficiência, rentabilidade e independência. Nesse contexto, ocorreu a criação da Multiplus, que tem por objeto social o desenvolvimento e o gerenciamento de programas de fidelização de clientes, incluindo a venda de pontos da rede Multiplus para os parceiros comerciais e a gestão dos programas de fidelização desses parceiros, incluindo o Programa TAM Fidelidade. Explicitase a seguir o histórico dos principais eventos ocorridos desde a criação da Multiplus até a realização da IPO e a posterior redução de capital. Formação da Multiplus: · 28/10/2009 A impugnante adquire a totalidade das ações da empresa Q.X.A.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., cuja denominação social foi alterada para Multiplus e cujo objeto social foi alterado para compreender as atividades de desenvolvimento e gerenciamento de programas de fidelização de clientes. · 10/12/2009 Aprovação do aumento do capital social autorizado da Multiplus para R$ 1.200.000.000,00 (doc. 05). · 10/12/2009 Aprovação da abertura de capital da Multiplus e a realização da IPO. (doc. 06). · 10/12/2009 Assinatura do (1) Contrato Operacional (doc. 07) e do (2) Contrato de Serviços Compartilhados (doc. 08), Fl. 1399DF CARF MF 16 ambos celebrados entre a TAM LA e a Multiplus, os quais prevêem as condições que passaram a reger o relacionamento entre as duas empresas a partir de 01/01/2010. · 01/01/2010 A Multiplus assumiu a gestão exclusiva do Programa TAM Fidelidade, bem como iniciou suas atividades em relação aos 120 parceiros comerciais e seus 6,9 milhões de participantes. · 15/01/2010 Aprovação do desdobramento das ações da Multiplus, de modo que cada ação ordinária preexistente passou a ser representada por 236.040 ações (doc. 09). À época, o capital social da Multiplus era de R$ 500,00, dividido em 118.020.000 ações ordinárias. · 15/01/2010 Assinatura do Compromisso de Adiantamento para Compra e Venda de Bilhetes Aéreos (doc. 10), celebrado entre a TAM LA e a Multiplus, no qual a Multiplus se comprometeu a entregar à TAM LA 94% dos recursos obtidos por meio da IPO a título de adiantamento de futuras aquisições de passagens aéreas. · 03/02/2010 Aprovação do aumento de capital social da Multiplus para R$ 629.440.500,00, mediante a emissão de 39.340.000 novas ações ordinárias (doc. 11). Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), expansão de atividades e redução de capital: · 04/02/2010 Início da IPO da Multiplus, resultante da emissão de 39.340.000 novas ações ordinárias e do aporte de R$ 629.440.000,00. · 01/03/2010 Aprovação pela Multiplus do lote suplementar de ações na IPO, mediante o aumento do capital social para R$ 692.384.500,00, com a emissão de 3.934.000 novas ações ordinárias (doc. 12) . O lote suplementar de ações resultou no aporte de R$ 62.944.000,00. Como resultado da IPO, a Multiplou captou R$ 692.384.000,00 e a impugnante teve a sua participação societária reduzida de 100% para 73,17%. O custo líquido (despesas com assessores financeiros, assessores legais, bolsa de valores, taxas, comissões etc.) da IPO foi de aproximadamente R$ 23.322.000,00 (doc. 13). Com base no Compromisso de Adiantamento para Compra e Venda de Bilhetes Áereos (doc. 10), celebrado entre a TAM LA e a Multiplus em 15/01/2010, a Multiplus adiantou à TAM LA após a IPO o montante aproximado de R$ 604.764.000,00, o qual foi integralmente consumido (a TAM LA emitiu passagens aéreas a pedido da Multiplus) até o mês de junho de 2011. · 18/03/2011 Aprovação pela maioria absoluta dos acionistas da Multiplus da redução do capital social, de R$ 692.384.500,00 para R$ 92.370.820,00, com uma redução efetiva de R$ 600.013.680,00 (doc. 13). Portanto, todos os acionistas receberam, a título de restituição de capital, o equivalente a R$ 3,72 por ação em moeda corrente nacional. Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 10 17 · 18/03/2011 Publicação de Fato Relevante (doc. 14), por meio do qual a Multiplus comunicou a seus acionistas e ao mercado em geral a redução do seu capital social, iniciando o prazo de 60 dias para oposição dos credores, nos termos do artigo 174 da Lei n° 6.404/76. · Junho de 2011 Recebimento pela impugnante do montante de R$ 439.034.381,40, a titulo de restituição do capital. Aos acionistas minoritários foi pago o montante de R$ 160.979.298,60 a título restituição de capital. A impugnante apresentou o histórico acima para permitir que esta Delegacia de Julgamento, ao analisar os argumentos que serão apresentados a seguir, considere os fatos como ocorreram e não sob a ótica da autoridade fiscal, baseada em uma visão parcial de toda a operação aqui discutida. Passase, então, a refutar os argumentos de acusação da fiscalização. DA INEXISTÊNCIA DO GANHO DE CAPITAL Da matéria preliminar: nulidade por ausência de motivação Antes de adentrar ao mérito da discussão, importa destacar que a autoridade fiscal não apontou norma apta a justificar a desconsideração das transações realizadas e, mais especificamente, a validar a atribuição de infração à legislação fiscal, havendo, portanto, vício de motivação no Auto de Infração. O que se percebe é que, diante da dificuldade em apontar qualquer infração aos dispositivos que regem a apuração do ganho de capital, a autoridade fiscal acaba por desconsiderar os atos validamente praticados, para atribuir uma interpretação própria aos fatos, sem apontar a norma violada. Para atribuir legalidade ao ato de lançamento, ao final do Termo de Verificação Fiscal, são indicados como supostos fundamentos legais normas gerais sobre apuração do IRPJ e CSLL, do RIR/99, tais como o artigo 247 (que define o conceito de lucro real) e o artigo 418 (que define o que são ganhos e perdas de capital). Ao furtarse do dever legal de fundamentar as infrações apontadas, a autoridade lançadora incorreu em verdadeiro vício insanável. O dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se inclue o ato de lançamento do crédito tributário) é tema incontroverso. Nesse sentido, observemse, entre outros, o artigo 2º da Lei nº 9.784/99 e o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Há, portanto, nulidade do Auto de Infração, pois a autoridade fiscal não se desincumbiu do seu ônus processual de motiválo. A ausência de indicação expressa do dispositivo violado, além de ser contrária à legislação vigente, prejudica o direito de defesa Fl. 1401DF CARF MF 18 dos contribuintes e a segurança jurídica, que deve pautar as relações jurídicas em um Estado de Direito. Resta, assim, demonstrada a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, por ausência de fundamentação legal e por estar fundamentado em alegações de caráter genérico. Da correta compreensão das teorias sobre a validade dos atos jurídicos em face da finalidade e do propósito negociais A discussão em torno da exigência de propósito negocial ou de substância econômica como requisito de validade das operações vem ganhando força há alguns anos, sendo objeto de intensos debates e discussões na esfera administrativa. Podese dizer que esse cenário foi delineado pela prevalência histórica, inclusive na jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, da doutrina, que, fundada no princípio da legalidade, impedia a desconsideração de negócios jurídicos lícitos, ainda que resultassem na redução da carga tributária em comparação com aquela que incidiria se houvesse outra estrutura negocial sido adotada. Discutiase, em diversas decisões, o conceito de "negócio jurídico indireto". Segundo a visão tradicional das cortes administrativas, à luz do referido conceito, na medida em que não exista qualquer elemento que indique que as partes, por qualquer meio, se furtaram aos efeitos jurídicos dos negócios praticados, tendo obedecido todos os regimes legais a eles aplicáveis, uma reestruturação societária empreendida não pode ser questionada pela ausência de justificativa que não seja somente fiscal. A teoria do "negócio jurídico indireto" é considerada válida por grande parte da doutrina e aplicadores do direito. A título de exemplo, a Conselheira Suzy Gomes Hoffman, membro da CSRF, afasta a exigência de motivação extratributária para preservação dos negócios jurídicos privados, conforme declaração de voto proferida no Acórdão 9101 000.869, da 1ª Turma da CSRF, em sessão de 23/02/2011. Naquela oportunidade, a Conselheira, embora acompanhando as conclusões do Relator, redigiu sua declaração de voto, a fim de fazer constar sua divergência quanto aos fundamentos que motivaram o cancelamento da autuação. Na declaração de voto, a Conselheira trata da possibilidade de realização de operações societárias unicamente calcadas no objetivo de alcançar economia tributária, desde que não reste distorcida a causa típica do negócio jurídico. Como contraponto a essa visão, as autoridades fiscais, há longa data, vem procurando restringir o direito dos contribuintes de organizar as suas atividades, de forma lícita, a fim de reduzir suas respectivas cargas tributárias. Nesse sentido, buscaram amparo, inicialmente, na criação de uma suposta "norma geral antielisão", a partir da introdução da Lei Complementar nº 104/2001, que incluiu o § único ao artigo 116 do CTN (que dispõe que “A autoridade administrativa poderá desconsiderar Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 11 19 atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”). Referida norma, contudo, foi classificada como de eficácia limitada, requerendo a edição de lei ordinária que a regulamentasse, para que passasse a produzir efeitos. Foi, então, publicada a Medida Provisória nº 66/2002, que, nos seus artigos 13 a 19, tratava das condições e limites para a "requalificação", para fins tributários, de negócios jurídicos lícitos. A reação do Congresso Nacional foi imediata e resultou na não conversão em lei dos artigos da MP nº 66/2002 que tratavam da matéria. Nesse contexto, embora a questão da ineficácia da Lei Complementar nº 104/2001 seja hoje pacífica e não tenha havido a edição de novo normativo nos moldes da MP nº 66/2002, as autoridades fiscais vêm laborando arduamente para ver aplicados princípios assemelhados àqueles havidos nos citados artigos 13 a 19, independentemente de estarem ou não previstos no ordenamento jurídico tributário. Atualmente, o que se verifica são inúmeros Autos de Infração e decisões inconstantes, calcadas em teorias distintas e sem uniformidade nos seus fundamentos jurídicos, levando a um cenário de forte insegurança. Alargouse, em alguns casos, o conceito de simulação, para nele abarcar todos e quaisquer negócios que pudessem "prejudicar" o Fisco. Além disso, criouse a exigência do "propósito negocial" sem referência a dispositivo legal que fundamentasse tal requisito. Tais "teorias" procuram estabelecer uma relação entre a validade das operações realizadas pelos contribuintes e o seu motivo ou finalidade. Nesse caso, mesmo sabendose que o custo tributário é notoriamente um dos maiores custos da atividade empresarial, essas "teorias" adotam, arbitrariamente, a posição no sentido de que o motivo (intenção) e a finalidade do negócio jurídico não podem ser predominantemente tributários, devendo haver um propósito outro que não a obtenção de economia tributária. Tendo em vista que a questão está longe de ser pacífica e a jurisprudência ainda não logrou consolidar os requisitos para que determinado grupo de negócios jurídicos privados sejam considerados lícitos e efetivos também para fins tributários, as autuações calcadas na exigência de propósito negocial ou de substância econômica continuam freqüentes, em linha com o ocorrido no presente caso, em que a autoridade fiscal não cita o embasamento legal por ela adotado para desqualificar os atos e negócios jurídicos praticados pela impugnante. Fl. 1403DF CARF MF 20 Ainda que o intérprete entenda como legítima a exigência de propósito negocial o que se suscita apenas para fins de raciocínio, já que essa exigência não pode ser estabelecida sem fundamento legal , é necessária a análise crítica dos fatos e circunstâncias de cada caso, a fim de definir se a transação tem efetivamente motivação ou propósito negocial. Nessa linha de raciocínio, até mesmo doutrinadores como Marco Aurélio Greco, um dos defensores de tal teoria, afirma textualmente que essa necessidade não pode levar a posturas arbitrárias e parciais por parte das autoridades fiscais. Assumindo como sustentável a posição no sentido de se exigir o propósito negocial, não pode a autoridade fiscal enxergar o "tudo proibido" naquilo que vê, isto é, a condenação de todo e qualquer negócio jurídico que não implique a incidência da máxima carga tributária possível. Em suma, a questão do propósito negocial (ou da exigência de motivação extratributária) deve ser vista com cautela, sob pena de se partir do extremo da legalidade estrita para o oposto: a completa ausência de legalidade, aqui referida como garantia do contribuinte contra as arbitrariedades que fatalmente decorreriam da imposição de tributos sem limites previamente estabelecidos. Ademais, ainda que fosse aplicável a exigência de propósito negocial como requisito de validade das operações que impliquem eventual economia de tributos, tal proposição não é aplicável ao caso da impugnante, já que as operações foram pautadas em legítimo propósito negocial e são revestidas de intenção extratributária, conforme será demonstrado nos tópicos a seguir. Do contexto negocial da criação da Multiplus Com a finalidade de sustentar a existência dos supostos valores devidos a título de ganho de capital, a autoridade fiscal alega que todas as operações envolvendo a Multiplus, desde a sua aquisição até a redução do respectivo capital social, teriam ocorrido em "pequeno lapso temporal" e "sem substância econômica". Para tanto, a autoridade fiscal alega que (1) a Multiplus é uma empresa apenas formalmente nova, sendo verdadeira sucessora do Programa TAM Fidelidade e (2) a capitalização por meio da IPO da Multiplus era desnecessária e foi intencionalmente projetada pela impugnante para a alienação de parte de seu controle acionário. Nada mais absurdo. Em primeiro lugar, não há base legal no ordenamento jurídico vigente para se questionar a validade de atos jurídicos a partir da suposta ausência de substância econômica e propósito negocial, tratandose de construção que não encontra respaldo na legislação tributária vigente. Ainda assim, no presente caso, encontramse indubitavelmente presentes a finalidade negocial e, também, a perfeita Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 12 21 congruência das operações realizadas, pelo que não se pode admitir como válido o entendimento da autoridade fiscal. A abertura de capital e a IPO da Multiplus foram resultado de uma iniciativa empresarial legítima da impugnante, que apostou em uma oportunidade de negócio diante de um modelo de negócio inédito no País e de um mercado aquecido. Não obstante, tratandose de uma operação no mercado de capitais, a impugnante não poderia prever seu sucesso, tendo alertado os investidores sobre este risco, inclusive, no Prospecto Definitivo da IPO. Embora sob o controle comum da impugnante, as atividades da Multiplus são, e sempre foram, totalmente independentes dos negócios da TAM LA. Enquanto a TAM LA é uma companhia aérea, que opera vôos nacionais e internacionais de cargas e passageiros, a Multiplus é uma empresa que se ocupa unicamente da consolidação de programas de fidelização de clientes, seja da própria TAM LA, seja das outras centenas de parceiros comerciais, tais como bancos, postos de combustível e lojas. Com o fito de viabilizar, desde o início, as atividades da Multiplus no contexto da reorganização societária ocorrida, a TAM LA e a Multiplus assinaram o Contrato Operacional (doc. 07) e o Contrato de Serviços Compartilhados (doc. 08), por meio dos quais, além de oferecer suporte de estrutura básica, a TAM LA cedeu a gestão do Programa TAM Fidelidade, tornandose verdadeira empresa parceira da Multiplus. As operações envolvendo a Multiplus seguiram a fórmula de negócio que já havia sido desenvolvido no exterior, especificamente, pela Aeroplan (programa de fidelização que nasceu junto à companhia aérea Air Canada). Tanto o modelo de negócios desenvolvido pela Aeroplan e pela Multiplus foi um sucesso, que outras empresas do mercado iniciaram sua implementação, tais como a Gol Linhas Aéreas, concorrente da TAM LA, por meio do programa de milhagem "Smiles". Após a Multiplus iniciar efetivamente suas atividades e pouco antes da realização da IPO, foi assinado com a TAM LA, em 15/01/2010, o Compromisso de Adiantamento para Compra e Venda de Bilhetes Aéreos, por meio do qual a Multiplus se comprometeu a entregar à TAM LA aproximadamente 94% dos recursos que fossem obtidos através da IPO. Nesse contexto, a Multiplus anteciparia à TAM LA determinado montante para a aquisição de passagens aéreas para entrega aos seus clientes em futuros resgates. Esse negócio era interessante para a Multiplus, pois lhe permitia adquirir passagens aéreas em boas condições de mercado, bem como para a TAM LA, que tinha acesso a recursos com custos financeiros inferiores aos cobrados pelos bancos.. Fl. 1405DF CARF MF 22 E assim aconteceu. Logo após a IPO, a Multiplus adiantou à TAM LA o montante aproximado de R$ 604.764.000,00, o qual foi integralmente consumido (a TAM LA emitiu passagens aéreas a pedido da Multiplus) até o mês de junho de 2011. Essa sistemática deu tão certo que dois meses depois, precisamente em 08/08/2011, a Multiplus e a TAM LA celebraram um novo Compromisso de Adiantamento para Compra e Venda de Bilhetes Áereos, no valor aproximado de R$ 400.000.000,00, cujas passagens foram integralmente utilizadas em apenas 3 meses. Em razão do fato de ser a primeira no mercado, bem como da visão e competência da sua administração, a Multiplus acabou se destacando como nenhuma outra rede de fidelização. Tanto é assim que, atualmente, possui em seu portfólio mais de 450 parceiros, que vão desde agências de viagens, hotéis, locadoras de veículos, postos de gasolina, livrarias, instituições financeiras etc. Desde agosto de 2010, a Multiplus vem distribuindo periodicamente JCP e dividendos aos seus acionistas, sendo o montante total distribuído até o final de 2013 de aproximadamente R$ 753 milhões. Em 18/03/2011, foi publicado Fato Relevante por meio do qual a Multiplus comunicou a seus acionistas e ao mercado em geral a redução do seu capital social, iniciando o prazo de 60 dias para oposição dos credores, nos termos do artigo 174 da Lei n° 6.404/76. Não tendo ocorrido qualquer oposição, em junho de 2011 a impugnante e os acionistas minoritários receberam, a título de restituição de capital, o equivalente a R$ 3,72 por cada uma das ações detidas. Destacase, portanto, que a redução de capital foi realizada em benefício de todos os acionistas: a impugnante recebeu R$ 439.034.381,40, de forma que os restantes R$ 160.979.298,60 foram distribuídos aos acionistas minoritários, na proporção das ações por eles detidas. Como é possível notar, a simples descrição dos fatos denota a impropriedade do trabalho realizado pela fiscalização, já que as alegações são acompanhadas de suposições, indícios, presunções, sem qualquer fundamentação legal que possa ensejar a atribuição de ilicitude aos atos praticados pela impugnante. Da inexistência de incongruência entre os atos praticados e a intenção das partes A autoridade fiscal inicia sua superficial análise sustentando que no presente caso existiria uma incongruência entre os atos praticados e a real intenção das partes, uma vez que as operações teriam sido realizadas pela impugnante com o único objetivo de evitar a tributação incidente sobre o suposto ganho de capital na alienação da sua participação societária detida na Multiplus. Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 13 23 Ao contrário do raciocínio confuso que a autoridade fiscal pretende construir, todas as operações realizadas pela impugnante tiveram causa e motivos alheios a qualquer motivação de economia fiscal. A única e exclusiva intenção da impugnante foi de reestruturar seu grupo econômico e criar uma empresa focada em programas de fidelização de clientes, a qual permitiu a expansão do negócio para um mercado de coalizão, no qual programas individuais de fidelização, detidos por diferentes parceiros, incluindo a TAM LA. (Programa TAM Fidelidade) foram integrados. A impugnante jamais teve a intenção de alienar sua participação societária na Multiplus. Ao contrário, a impugnante queria introduzir no mercado brasileiro um novo modelo de negócio de fidelização, com a coalizão de diversos programas, e a IPO foi uma oportunidade de capitalização. Ao suportar o lançamento em jurisprudência que sequer é aplicável, a autoridade fiscal apenas demonstra sua confusão diante das operações realizadas e a precariedade do lançamento, que merece ser integralmente reformado. Da materialidade das atividades desenvolvidas pela Multiplus A autoridade fiscal relata que a aquisição da Multiplus pela impugnante teria decorrido de uma "premeditada seqüência" de fatos, a qual resultou em uma empresa apenas formalmente nova na medida em que teria supostamente dado continuidade às atividades outrora exercidas pela TAM LA. Ocorre que a autoridade fiscal não compreendeu os fatos que permeiam a presente autuação, uma vez que a Multiplus não se prestou a dar continuidade ao Programa TAM Fidelidade, mas a tornar possível um projeto muito maior de criação de uma empresa para gerenciar o negócio de fidelização, do qual a TAM LA passou a ser cliente. Nesse sentido, ao contrário da alegação da autoridade fiscal de que "há relacionamento quase exclusivo com a TAM, ainda que a negociação dos pontos do programa ocorra através da Multiplus a marca forte do mercado é Programa TAM Fidelidade", foi a rede Multiplus que cresceu e que se tornou conhecida. O Programa TAM Fidelidade, que veicula a possibilidade de aquisição e troca de pontos por passagens aéreas, é apenas um programa individual de fidelização, cuja conta é gerenciada pela Multiplus. Nesse contexto, a cessão da gestão do Programa TAM Fidelidade, pela TAM LA à Multiplus, não representou nenhum tipo de "benesse comercial", mas, ao contrário, o Contrato Operacional prevê direitos e obrigações para ambas as partes. Dessa forma, é absurda a afirmação da autoridade fiscal de que a Multiplus seria um "apêndice operacional" da TAM LA. A TAM LA é uma companhia aérea e a Multiplus atende, além da Fl. 1407DF CARF MF 24 TAM LA, centenas de clientes. No entanto, a TAM LA não depende da Multiplus para sobreviver, tampouco a Multiplus depende da TAM LA. É preciso ficar claro que, embora a TAM LA e a Multiplus estejam sob o controle da impugnante, elas são empresas que exercem atividades completamente diferentes e seu controle e administração são totalmente independentes. Da correta compreensão sobre o uso dos recursos da IPO A autoridade fiscal alega que o adiantamento efetuado pela Multiplus em favor da TAM LA atestaria que a IPO se prestou unicamente a financiar as atividades da impugnante, que mantém o controle societário das referidas empresas. Ocorre que o Compromisso de Adiantamento para Compra e Venda de Bilhetes Áereos (doc. 10) foi firmado, exclusivamente, para atender aos resgates dos participantes da Multiplus que desejam converter e resgatar seus pontos em passagens aéreas da TAM LA. Importante notar que o adiantamento pago à TAM LA não foi uma transferência de valores sem o pagamento de tributos, mas uma verdadeira compra e venda de passagens aéreas, que foi integralmente tributada conforme as receitas foram sendo registradas na TAM LA, ou seja, na medida em que os participantes da rede Multiplus trocavam seus pontos por passagens aéreas. Nesse contexto, os valores captados na IPO foram integralmente utilizados pela Multiplus na consecução de suas atividades. Ainda que exista, de fato, um déficit temporal entre a obtenção de receita e a geração de despesas, isso jamais quer dizer que a Multiplus "tem por política a manutenção de baixíssima retenção de caixa“, conforme sugere a autoridade fiscal. A verdade é que o modelo de negócios da Multiplus apresentou uma capacidade de gerar receitas muito maior do que se vislumbrava e ocorreu um verdadeiro acúmulo de caixa após a realização da IPO e da realização do adiantamento para a TAM LA. Esse acúmulo de caixa (um “novo caixa”), gerado pelas operações próprias da Multiplus ocorridas após o adiantamento de recursos, permitiu a distribuição de dividendos, juros sobre capital próprio e o pagamento da redução de capital. Dessa forma, é ilógico acusar a impugnante de ter alienado participação acionária da Multiplus, especialmente, quando os recursos da suposta venda não advêm da IPO desqualificado. Para que o raciocínio fiscal fosse minimamente lógico, ainda que fossem superadas todas as demais deficiências apontadas no trabalho da fiscalização, os recursos financeiros da IPO deveriam ter sido destinados à impugnante. Cumpre esclarecer que os valores captados na IPO e o valor da redução de capital são apenas coincidentemente próximos, já Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 14 25 que dizem respeito a montantes de diferentes origens: o caixa obtido com a IPO foi antecipado à TAM LA no âmbito do Contrato Operacional e o caixa que foi objeto da redução de capital foi gerado a partir de atividades desenvolvidas pela própria Multiplus, em períodos completamente distintos. Conforme se verá a seguir, a redução de capital aconteceu exatamente nesse contexto, no qual a Multiplus conseguiu repor e multiplicar em seu caixa o valor que havia sido objeto do adiantamento à TAM LA. Da redução do capital social da Multiplus: inexistência de ganho de capital tributável Os valores que foram entregues aos acionistas, em razão da redução do capital, não foram pagos com os recursos obtidos na IPO, mas com recursos gerados pela própria Multiplus no desenvolvimento de suas atividades. A antecipação de 94% dos recursos captados na IPO da Multiplus à TAM LA não teve qualquer conexão com a redução do capital social ocorrida quase um ano e meio depois;tampouco se prestou a financiar eventuais atividades da TAM LA. Conforme documentos contábeis da Multiplus (docs. 19 a 26), até a data da redução do capital social, os recursos captados na IPO foram multiplicados. Ou seja, é absurda a alegação da autoridade fiscal no sentido de que o dinheiro da IPO teria ingressado na Multiplus unicamente para ser descapitalizado. Ele não foi descapitalizado, mas multiplicado. Ademais, à época da IPO, a impugnante não vislumbrava uma redução do capital social da Multiplus, uma vez que não havia caixa e justificativa para isso. Vale destacar, inclusive, que a impugnante não poderia prever se a IPO seria ou não um sucesso. Ocorre que, após a Multiplus gerar novas receitas e acumular muito dinheiro em seu caixa, cujos números cresciam a cada dia, fazia todo o sentido devolvêlos aos seus acionistas. Indo mais além, como poderia a autoridade fiscal embasar uma suposta infração tributária em notícias veiculadas na mídia social? Como é sabido, em muitos casos as notícias são meras especulações que não guardam qualquer relação com o contexto negocial da empresa da qual se comenta, particularmente quando envolvem questões atinentes ao mercado financeiro. O aumento do valor do investimento da impugnante na Multiplus em razão da IPO foi contabilizado por meio do resultado de equivalência patrimonial (ganho por variação no percentual da participação), o qual não foi tributado nos termos do artigo 428 do RIR/99. Por outro lado, posteriormente, a redução do capital social da Multiplus não produziu quaisquer efeitos fiscais em relação à impugnante. Fl. 1409DF CARF MF 26 Diante de todo exposto, a atribuição de suposto ganho de capital é totalmente descabida, merecendo o presente Auto de Infração ser integralmente cancelado. Das considerações acerca do Método da Equivalência Patrimonial Conforme se depreende das páginas 17 e 18 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal tenta descaracterizar a utilização pela impugnante do Método de Equivalência Patrimonial ("MEP"). A impugnante avaliou seu investimento na Multiplus pelo MEP, por se tratar de sociedade controlada, conforme previsto nos artigos 21 do Decretolei n° 1.598/77 e 248 da Lei n° 6.404/76. Tais artigos definem que o valor d a participação societária a ser avaliada com base no método de equivalência patrimonial é função de duas variáveis: o valor de patrimônio liquido e a porcentagem de participação. Nesse contexto, como conseqüência da alteração no percentual de participação societária na Multiplus, em razão dos recursos aportados por terceiros no contexto da IPO, a impugnante sofreu um ajuste no valor do seu investimento. No entanto, nos termos do artigo 428 do RIR/99 (que dispõe que Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada), esse aumento do valor do investimento não foi oferecido à tributação. Na verdade, a impugnante somente irá apurar ganho de capital em relação à participação societária da Multiplus quando alienála. O que não aconteceu. No que se refere à incidência da CSLL, vale notar que foi conferido o mesmo tratamento previsto no artigo 428 do RIR/99, uma vez que o artigo 2º da Lei nº 7.689/88 determina que sua base da cálculo deve corresponder ao resultado do exercício, ajustado pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Este é o entendimento da Solução de Consulta n° 31/2001, emitida SRRF/10ª Região Fiscal. Em contrapartida, quando do recebimento dos valores provenientes da Multiplus, na redução de capital, também não foi apurado qualquer ganho de capital, uma vez que tais valores corresponderam apenas à restituição de parte do capital social da empresa, em benefícios de todos os seus acionistas, mantendose inalteradas as participações societárias. Alegações da fiscalização: · Ausência de propósito negocial e substância econômica no suposto planejamento fiscal fraudulento envolvendo a Multiplus. Argumentos da impugnante: Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 15 27 · A autoridade fiscal faz uso de uma série de alegações retóricas, sem fazer referência a dispositivo legal que lhe desse competência para desqualificar os atos e negócios jurídicos praticados, implicando a nulidade da autuação por ausência de motivação. · A abertura de capital e a IPO da Multiplus foram resultado de uma decisão empresarial da impugnante diante de um modelo de negócio inédito no País e de um mercado aquecido. · Todas as operações realizadas pela impugnante tiveram causa e motivos alheios a qualquer finalidade fiscal · Todas as operações realizadas cumpriram os requisitos legais, inclusive, a IPO foi submetida ao rigoroso controle da CVM. Alegações da fiscalização: · Incongruência entre os atos praticados e a intenção das partes. Argumentos da impugnante: · O objetivo da impugnante na reestruturação societária foi de segregar e transferir a gestão do negócio de fidelização de clientes a outra empresa, com o propósito de conferir maior racionalização nas estruturas operacional, administrativa e financeira, bem como obter maior eficiência, rentabilidade e independência. · Todas as operações guardam um nexo lógico entre si. Alegações da fiscalização: · A Multiplus seria "apêndice operacional" da TAM LA, sendo sucessora do Programa TAM Fidelidade. Argumentos da impugnante: · A Multiplus foi pioneira em seu segmento no mercado brasileiro. · A criação da Multiplus e a atribuição da gestão do Programa TAM Fidelidade decorreram de uma decisão empresarial da impugnante de segregar um intangível da TAM LA e a IPO foi a forma escolhida para identificar o valor desse ativo. · As operações envolvendo a Multiplus seguiram a fórmula de negócio que já havia sido desenvolvido no exterior, especificamente, pela Aeroplan (programa de fidelização que nasceu junto à companhia aérea Air Canada). · A TAM LA tornouse cliente da Multiplus, assim como toda as outras 450 empresas parceiras. · As atividades da Multiplus restringemse tão somente à gestão e administração dos pontos que as empresas parceiras oferecem Fl. 1411DF CARF MF 28 aos seus clientes, inclusive a própria TAM LA por meio do Programa TAM Fidelidade. Alegações da fiscalização: · Desnecessidade de capitalização da Multiplus por meio da IPO, cujo único objetivo teria sido de adiantar recursos à TAM LA. Argumentos da impugnante: · A IPO foi o marco de mudança para as atividades da Multiplus · Não obstante, tratandose de uma operação no mercado de capitais, a impugnante não poderia prever seu sucesso, tendo alertado os investidores sobre este risco, inclusive, no Prospecto Definitivo da IPO. · Sendo a IPO uma operação no mercado de capitais, os investidores não foram partes relacionadas da TAM LA. · Logo após sua realização, a Multiplus comunicou ao mercado a contratação de novas parcerias com grandes empresas de diferentes segmentos do mercado. · A IPO foi essencial para a expansão das atividades da Multiplus, que atualmente possui em seu portfólio mais de 450 empresas parceiras e 10 milhões de participantes. · O Compromisso de Adiantamento para Compra e Venda de Bilhetes Aéreos, datado de 15/01/2010, foi firmado entre a TAM LA e a Multiplus com o único objetivo de atender aos participantes da rede Multiplus que desejam converter e resgatar seus pontos em passagens aéreas. · O adiantamento efetuado à TAM LA era interessante para a Multiplus, pois lhe permitiu adquirir passagens aéreas em boas condições de mercado, bem como para a TAM LA, que tinha acesso a recursos com custos financeiros inferiores. · Diante das intensas operações e troca de pontos, os valores adiantados à TAM LA foram integralmente consumidos até o mês de junho de 2011. · Desde agosto de 2010, a Multiplus vem distribuindo periodicamente JCP e dividendos aos seus acionistas, sendo o montante total distribuído até o final de 2013 de aproximadamente R$ 753 milhões. Alegações da fiscalização: · A IPO e a posterior redução de capital representariam uma forma indireta de alienação da participação societária detida pela impugnante na Multiplus, a qual deveria estar sujeita à tributação do respectivo ganho de capital. Argumentos da impugnante: · À época da IPO, a impugnante não vislumbrava uma redução do capital social da Multiplus, uma vez que não havia caixa e Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 16 29 justificativa para isso e sequer era possível prever se seria um sucesso. · A Multiplus apresentou uma capacidade lucrativa muito maior do que se imaginava e, após gerar receitas novas e acumular muito dinheiro em seu caixa, fazia todo sentido devolvêlos aos seus acionistas. · Não obstante este fato tenha sido ignorado pela autoridade fiscal, todos os acionistas da Multiplus (a impugnante e, inclusive, os acionistas minoritários) foram beneficiados pela redução de capital. · Os valores entregues aos acionistas não foram pagos com os recursos obtidos na IPO, mas com recursos gerados pela própria Multiplus no desenvolvimento de suas atividades. · Os recursos gerados na IPO foram entregues à TAM LA e, ainda assim, as operações da Multiplus ocorridas a partir dessa data geraram um novo caixa, que foi usado no pagamento da redução de capital. · É ilógico acusar a impugnante de ter vendido a Multiplus, especialmente, quando os recursos da suposta venda não advêm da IPO desqualificada. · Os valores captados na IPO e o valor da redução do capital social da Multiplus são apenas coincidentemente próximos. · O aumento do valor do investimento da impugnante na Multiplus em razão da IPO foi contabilizado por meio do resultado de equivalência patrimonial, o qual não foi tributado nos termos do artigo 428 do RIR/99. · A restituição do capital social da Multiplus não é hipótese de alienação, não havendo que se falar em ganho de capital sujeito à tributação. DO EXCESSO NA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Do não cabimento da multa agravada: falta de comprovação da suposta intenção de fraude por parte da impugnante Como detalhadamente exposto na presente defesa, a reorganização societária do grupo econômico da impugnante, com a criação da Multiplus e todos os atos subseqüentes, tais como a IPO e a redução do respectivo capital social, foram resultantes de uma decisão amadurecida por parte da impugnante, o que revela a inexistência, em absoluto, de qualquer intenção de simulação ou fraude para se esquivar do pagamento do ganho de capital. A evidenciação da consciência da ilicitude, isto é, a demonstração do evidente intuito de fraudar, é essencial para qualificar a conduta infracional e, desta forma, justificar a Fl. 1413DF CARF MF 30 imposição de multa agravada, por se tratar de uma reprimenda severa, aplicável a situações extremas e, portanto, excepcionais. Ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, nenhum dos atos praticados pela impugnante objetivaram deixar de recolher tributos ou envolveram qualquer tipo de planejamento tributário ilegal. Conforme exposto, quando da aquisição da Multiplus ou, até mesmo, quando da IPO, a impugnante sequer planejou a redução do capital social da Multiplus. A referida redução foi fruto, único e exclusivo, do contexto em que a própria Multiplus vivia no desenvolvimento de suas atividades: geração vultosa de receitas e caixa inflado. Importante se ter em mente que os recursos utilizados para o pagamento aos acionistas em razão da redução do capital social não foram os recursos captados por meio da IPO. Nesse Ínterim, além da expressiva geração de receitas pela Multiplus, vale lembrar que os recursos captados por meio da IPO foram utilizados como adiantamentos à TAM LA nos dias que a sucederam. Dessa forma, é indubitável o excesso cometido na capitulação da multa de lançamento de ofício em sua modalidade agravada, nos termos o artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, a qual somente pode ser aplicada em casos de "evidente intuito de fraude", o que não ocorreu no caso aqui discutido. Assim, resta demonstrado que, ainda que a presente autuação pudesse ser considerada procedente, a multa de 150% aplicada pela autoridade lançadora não se subsume aos fatos descritos no presente processo, devendo ser reduzida para 75%. Da Ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício Muito embora a incidência de juros SELIC não seja objeto de discussão nesse momento do processo administrativo, a RFB tem calculado juros SELIC sobre a multa de ofício quando o lançamento é mantido e é feito o recálculo do valor autuado. Por esta razão, a impugnante esclarece que, nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Assim, na remota hipótese do Auto de Infração não ser cancelado, não poderão incidir juros SELIC sobre a multa de ofício na cobrança do crédito tributário. DO PEDIDO Diante de tudo o quanto aqui exposto, requer a impugnante o integral cancelamento das exigências consubstanciadas nos Autos de Infração. Por cautela, em que pese a juntada da documentação anexa, protesta a impugnante pela juntada posterior de quaisquer Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 17 31 documentos adicionais que possam comprovar tudo o quanto foi alegado na presente impugnação e também pela sustentação oral de suas razões de defesa em sede recursal. DA LISTA DE DOCUMENTOS A impugnante apresenta, às fls. 603/604, a lista de documentos juntados, por ela, aos autos. A 5ª Turma da DRJ/São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no mencionado Acórdão nº 1661.234, de 09 de setembro de 2014, (efls.1.170/1.202), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTOS.TRIBUTAÇÃO. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO/FRAUDE. A conduta deliberada e sistemática dos atos praticados demonstra a presença do dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação/fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. O contribuinte cientificado, por meio eletrônico, da mencionada decisão em 19/11/2014, conforme o Despacho (efl.1.208), interpôs o Recurso Voluntário (e fls.1210/1294) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 20/01/2015. O Recorrente alega preliminarmente a tempestividade do seu recurso. Afirma que somente tomou ciência espontânea da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em 12 de janeiro de 2015, e, não, conforme informação constante dos autos, de que teria sido realizada em 19/11/2014, por via eletrônica. Isso porque, no seu entender, deveria ter sido intimada por via postal. Argúi que: Como estabelece o art.23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações podem ser efetuadas de três formas, quais sejam: (i) pessoalmente; (ii) por via postal com aviso de Fl. 1415DF CARF MF 32 recebimento; ou (iii) por meio eletrônico, encaminhadas ao domicílio tributário do contribuinte. A intimação eletrônica está sujeita a algumas condições e formalidades. O parágrafo 4o do referido artigo 23 estabelece que o domicílio tributário do contribuinte é aquele eleito por ele ou o endereço eletrônico que lhe for atribuído pela Administração Tributária, desde que autorizado como transcreve. cabe ao contribuinte eleger o domicílio para o recebimento de intimação, visando atender à finalidade da intimação, sendo que à RFB cabe informar previamente as normas e condições de utilização e manutenção do endereço eletrônico.E que, dentre essas normas está a obrigação da RFB, nos termos do art. 1o, § 3o, da Portaria SRF 259/2006, de enviar comunicação expressa aos contribuintes, informandoos sobre processos nos quais os atos serão praticados de forma eletrônica. que, no caso concreto, a Recorrente aderiu ao DTE em 28/11/2013. Porém, o fato de ter aderido ao DTE não significa dizer que a Recorrente passaria a ser automaticamente intimada por essa via digital neste processo. Isso porque, para que seja permitido o envio de comunicação eletrônica pela via do DTE, devem ser observados três requisitos adicionais, quais sejam: (i)expresso consentimento do sujeito passivo, conforme disposto no §5° do artigo 23 do DecretoLei 70.235/72; (ii)expressa informação, pela Administração Tributária, das normas e condições para manutenção do endereço eletrônico, também conforme § 5o do art. 23 do Decreto 70.235/72; e (iii)comunicação expressa da Receita Federal informando aos contribuintes os processos nos quais os atos serão praticados de forma eletrônica, conforme disposto na Portaria SRF 259/2006. Particularmente em relação a esse terceiro requisito,transcreve o art. 1o, §3° da Portaria SRF 259/2006: Art. I o O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (...) §3° Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Não houve, no caso dos autos, o cumprimento desses requisitos, o que viola as normas em questão e também o art. 100 do CTN. A simples adesão ao DTE é insuficiente para fixar a regra de intimações em determinado processo. Funciona como uma norma de eficácia limitada, que necessita de regulamentação específica para aplicação. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 18 33 Tanto é verdade que a simples adesão ao DTE não é suficiente para fixar a regra de intimação em processo administrativo, que a própria RFB, no caso específico dos autos, intimou a Recorrente por via postal da lavratura do Auto de Infração, posteriormente à adesão ao DTE. Com efeito, se a intimação da lavratura do auto de infração ocorreu por via postal, jamais a Receita Federal do Brasil poderia alterar esse procedimento e pretender que as comunicações nestes autos passassem a ser automaticamente pela via eletrônica. Tal atitude viola sobremaneira o princípio da segurança jurídica. A seu favor a Recorrente cita doutrina e o Acórdão nº 1101001.077 1ª Câmara/1a Turma Ordinária, sessão de 07de abril de 2014. Finalmente requer a nulidade da intimação da Recorrente, feita pelo DTE em 19/11/2014, quanto ao v. acórdão recorrido, porque entende haver tomado ciência espontânea da intimação apenas em 12/01/2015, reconhecendose, portanto, a tempestividade do presente recurso com protocolo nesta data. As razões de mérito aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte que se opõe ao Acórdão nº 1661.234, de 09 de setembro de 2014, (efls.1.170/1.202), proferido pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo/SP. Inicialmente fazse mister analisar e decidir sobre a tempestividade argüida pela Recorrente, que entende ser nula a sua intimação feita pelo Domicílio Tributário Eletrônico ( DTE) em 19/11/2014. Afirma que tomou ciência espontânea da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em 12 de janeiro de 2015, e, não, conforme informação constante dos autos, de que teria sido realizada em 19/11/2014. Isso porque a Recorrente, deveria ter recebido a intimação do acórdão recorrido, em vez do DTE, deveria ter sido intimada por via postal, ou seja, pela mesma via em que recebeu o auto de infração. Assim, jamais a Receita Federal do Brasil poderia alterar esse procedimento e pretender que as comunicações nestes autos passassem a ser pela via eletrônica. O art.23 do Decreto nº 70.235 de 1972, assim dispõe sobre a forma de efetuar as intimações ao sujeito passivo das obrigações tributárias. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada Fl. 1417DF CARF MF 34 com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 19 35 § 3oOs meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4oPara fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5oO endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6oAs alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Não verifico qualquer plausibilidade/legalidade nessa alegação da Recorrente de que o fato de o sujeito passivo receber o auto de infração por via postal, a intimação da decisão de 1ª instância, obrigatoriamente, também tenha que ser realizada por essa mesma via (postal). Conforme o art.23 (caput), a intimação poderá ser feita pessoalmente, por via postal, telegráfica ou por outro meio, como no presente caso, o meio eletrônico com prova de recebimento, e, o § 2° prescreve qual o momento em que se considera feita a intimação. Com efeito, o § 3º do predito artigo 23, literalmente prescreve que "Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência." Nessa esteira, resta afastada a pretensão da Recorrente, pois, válida a intimação da decisão de 1ª instância por meio eletrônico, ainda que a intimação do auto de infração tenha sido realizada pela via postal. De acordo com as regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/72, art.23, § 2º, inciso III, com a opção pelo Domicilio Tributário Eletrônico (DTE), o contribuinte será considerado intimado 15 dias após o registro da comunicação em sua caixa postal (endereço eletrônico). Somente após esses 15 dias é que iniciará o prazo para que atenda à intimação recebida. Assim, o contribuinte terá 15 dias a mais para preparar suas impugnações, seus recursos, etc. Portanto, independentemente de o sujeito passivo haver sido intimado do auto infração pela via postal, nada impede que no mesmo processo ou em Fl. 1419DF CARF MF 36 outro, o contribuinte seja intimado por outro meio de intimação (pessoal, postal ou eletrônico). Questões que merecem relevo é saber: 1) se o sujeito passivo possuía Domicilio Tributário Eletrônico DTE; e, 2) se havia expresso consentimento do sujeito passivo, para receber intimações por meio eletrônico, visto que, os §§ 4º e 5º do citado art.23, assim dispõem: § 4oPara fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5oO endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Em consonância com os mencionados dispositivos legais (§§ 4º e 5º do art.23), é notório que as condições essenciais para a validade da intimação eletrônica é que o contribuinte faça expressamente sua opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) e possua endereço eletrônico atribuído pela administração tributária. A Recorrente confessa que aderiu ao DTE em 28/11/2013. Portanto, há expresso consentimento do sujeito passivo para a implementação do endereço eletrônico e não consta dos autos carência de informação quanto às normas e condições de sua utilização e manutenção pelo interessado. Tampouco, existe qualquer pedido de cancelamento da adesão ao DTE. Apenas, no entender da Recorrente, o fato de ter aderido ao DTE em 28/11/2013 não significa dizer que passaria a ser automaticamente intimada por essa via digital neste processo, em 19/11/2014. Isso porque, no seu entendimento, para que seja permitido o envio de comunicação eletrônica pela via do DTE, a RFB está obrigada, nos termos do art. 1o, § 3o, da Portaria SRF 259/2006, de enviar comunicação expressa aos contribuintes, informandoos sobre processos nos quais os atos serão praticados de forma eletrônica. A Portaria SRF nº 259/2006, alterada pela Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009), dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, verbis. Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 20 37 § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (eprocesso). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais.(Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica.(Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (...) Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante:(Redação dada pela Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico.(Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) De fato, consta no § 3º do art.1º, da mencionada Portaria que, para o encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), esta informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica, mas não significa dizer que a RFB antes de proceder a intimação eletrônica ao contribuinte tenha que enviarlhe previamente uma comunicação expressa, informandolhe sobre o processo no qual a intimação seria praticada de forma eletrônica. O que redundaria em "intimação para intimação". Conforme se depreende do artigo 4º acima transcrito, a intimação por meio eletrônico, para ser feita ao contribuinte no seu endereço eletrônico, necessita de sua autorização mediante Termo de Opção sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. Fl. 1421DF CARF MF 38 Nesse próprio termo de opção, o sujeito passivo autoriza a Administração Tributária a enviar mensagens de comunicações de atos oficiais para Caixa Postal eletrônica disponibilizada no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, a qual será considerada domicílio tributário eletrônico. E declara estar ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação for registrada na Caixa Postal eletrônica e de que deve observar as condições e normas estabelecidas para obtenção, utilização e manutenção do certificado digital válido que possibilite o acesso às mensagens registradas na Caixa Postal eletrônica. A Recorrente não discute que os documentos: “Acórdão de Impugnação”, “Intimação de Resultado de Julgamento” e “Documentos Diversos – Outros – DARF para pagamento” não estavam disponíveis para consulta na Caixa Postal DTE do contribuinte em 04/11/2014, conforme o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO (efl.1.208), litteris. PROCESSO/PROCEDIMENTO: 13855.720077/2014 02 INTERESSADO: TAM S/A. DESTINATÁRIO: 01832635000118 TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/11/2014 Data da ciência por decurso de prazo: 19/11/2014 Intimação de Resultado de Julgamento Acórdão de Impugnação Documentos Diversos Outros Demonstrativo de débitos Darf DATA DE EMISSÃO : 20/11/2014 Também, nesse aspecto não se vislumbra prejuízo ao Recorrente, pois, não se verifica qualquer falha na intimação eletrônica para ser considerada nula como pretende a Recorrente. Como se vê a intimação fora disponibilizada na Caixa Postal, em 04/11/2014 (terça feira), data da ciência por decurso de prazo: 19/11/2014; portanto 15 dias depois. Fixada a data da ciência para fins de prazos processuais, em 19/11/2014 (quarta feira), caberia ao contribuinte apresentar o Recurso Voluntário, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, em 19/12/2014. O recurso voluntário foi protocolizado em 20/01/2015 . É sabido que, o prazo de trinta dias, de acordo com o critério previsto no artigo 210 do CTN e 66 da Lei nº 9.784/99, é contado excluindose o dia do recebimento da intimação e incluindose o último. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 13855.720077/201402 Acórdão n.º 1302002.350 S1C3T2 Fl. 21 39 Com efeito, o início da contagem do prazo recursal ocorreu em 19/11/2014 (quartafeira), porém, o recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fora apresentado somente em 20/01/2015 (terçafeira) portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo final o dia 19/12/2014 (sextafeira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto pelo não conhecimento do recurso voluntário por intempestivo. ( assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 1423DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.001271/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.021
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 71 /2 01 1- 56 Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de PIS nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.192. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 10935.001271/201156 Acórdão n.º 3301004.021 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001133/94-17
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.
Não ficando comprovada a correspondência entre a mercadoria efetivamente importada e aquela descrita na Guia de Importação e na Declaração de Importação, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, e excluir u benefício da suspensão de tributos previsto no Decreto 61.244167, cabendo portanto, a cobrança dos tributos devidos, multas pertinentes e juros de mora. Inaplicável, contudo, a multa do art. 80 da Lei nº 4.502/64.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: CSRF/03-03.031
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa do art. 526, inciso II, do RA, os juros moratórios e a multa do art. 4º, inciso I, da 1ei 8.218/91, e manter a exclusão da multa do art. 80 da Lei 4.502/64, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa que proviam integralmente o recurso e os Conselheiros Ubaldo Campello Neto e Nilton Luiz Bartoli que negavam provimento.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T21:13:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T21:13:01Z; Last-Modified: 2009-07-07T21:13:02Z; dcterms:modified: 2009-07-07T21:13:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T21:13:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T21:13:02Z; meta:save-date: 2009-07-07T21:13:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T21:13:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T21:13:01Z; created: 2009-07-07T21:13:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-07T21:13:01Z; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T21:13:01Z | Conteúdo => , 4(4%, MINISTÉRIO DA FAZENDA r CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 21n-- PROCESSO N° : 10283.001133/94-17 RECURSO N0 : RP 302-0.632 MATÉRIA : RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : r CÂMARA DO 3" CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: MURATA AMAZÔNIA INDÚSTRIA COMÉRCIO LTDA SESSÃO : 18 DE OUTUBRO DE 1999 ACÓRDÃO N" : CSRF/03-03.031 ZONA FRANCA DE MANAUS INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Não ficando comprovada a correspondência entre a mercadoria efetivamente importada e aquela descrita na Guia de Importação e na Declaração de Importação, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, e excluir u benefício da suspensão de tributos previsto no Decreto 61.244167, cabendo portanto, a cobrança dos tributos devidos, multas pertinentes e juros de mora. Inaplicável, contudo, a multa do art. 80 da Lei n" 4.502/64. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos UN presentes autos de recurso interposto por FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da 'Terceira Mima da Câmara Superior \ de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa do arl. 526, inciso H, do RA, os juros moratórios e a multa do art. 4", inciso I, da 1ei 8.218/91, e manter a exclusão da multa do art. 80 da Lei 4.502/64, nos termos do relatório e voto que passaóa a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megdq e João Holanda Costa que proviam integralmente o recurso e os Conselheiros Ubaldo (empeno Neto e Nilton Luiz Bartoli que negavam provimento. „.n ON P 1' I ODRIGUES resident ‘OACYR- ELOY DE MEDEIROS Relator Formalizado em: 31 juL 2000 Participaram, ainda, do presente j ulgamento, os seguintes Conselheiro: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ. une â4k MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCMS L„rezP/ PROCESSO -N° 10283001133/94-17 ACÓRDÃO CSRF/03-03 031 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA . 2a CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO MURATA AMAZONIA INDÚSTRIA COMÉRCIO LTDA RELATÓRIO Em ato de desembaraço aduaneiro da DI if 018381/93 (adições 03 e 04) foi solicitado laudo técnico para constatação do grau de industrialização de mercadoria, discriminada na DI como PARTES PARA PRODUÇÃO DE FILTRO CERÂMICO SELETIVO DE FAIXA PASSANTE (produto semi-elaborado de filtro cerâmico seletivo de faixa passante) A mercadoria foi desembaraçada mediaine assinatura de Termo de Responsabilidade, condicionada a homologação do despacho ao resultado do laudo, conforme INTSRF 106/83 Verificado em exame fisico mercadoria e constatado por laudo ser a amostra coletada FILTRO CERÂMICO SELETIVO DE FAIXA PASSANTE, cujos terminais metálicos estão ligados ao elemento elétrico, ou seja, produto pronto para ser utilizado, portanto, não correspondendo à discriminação constante na GI e Di Estava configurada a importação ao desamparo de guia de importação, não cabendo o beneficio da suspensão, previsto no Decreto ri° 61 244/67, aplicando-se, neste caso, o tratamento tributário dado a uma importação normal, exigindo-se os impostos e multas, de acordo com o enquadramento legal previsto nos art.. 1°, inciso I, do Decreto 205/91, art inciso I, da Lei 8218191, art. 364, inciso II, do RTI, aprovado pelo Decreto 87,981/82 e art. 526, inciso II, do RA, aprovado pelo Decreto 91 030/85, pelo qual foi lavrado em 03/02/94, o AI. n° 27194 Em razão de a empresa recusar-se a tomar ciência 40 referido auto, também foi exarado Termo de Declaração, em 14/03/94 A importadora impugna, tempestivamente, o auto de infração, baseando-se em prova pericial we descreve as etapas do processo produtivo do filtro cerâmico, alegando cerceamento de defesa e, que o laudo anteriormente apresentado é inexpressivo, parcial e conclusivo Que o enquadramento legal não corresponde à realidade dos autos, contestando-o em sua totalidade, pleiteando seja julgada a improcedência da ação fiscal Para fins de continuidade do processo administrativo, a repartição fiscal solicitou do contribuinte que lhe fosse enviada a Resolução da Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUERAMA, que aprovou o processo produtivo básico do produto "filtro cerâmico-, bem como o respectivo parecer técnico A DRI/A1VI julga procedente o auto para exigência do crédito tributário, intimando-a ao recolhimento do mesmo, que, por sua vez, interpõe recurso ao Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10283001133/94-17 ACÓRDÃO N° • CSRF/03-03 031 A DRFAM, ao julgar procedente o auto para exigência do crédito tributário, consubstanciou-se, entre outros, nos fundamentos adiante discriminados a) Não cabe o argumento de cerceamento de direito de defesa, visto que o art 16, inciso IV, do Processo Administrativo Fiscal, trata-se de impugnação, e conforme o Decreto 70.235/72, para firmar-se uma convicção sobre a mercadoria a ser desembaraçada, solicitou-se um laudo técnico que serviu yara comprovar o ilícito b) Que o laudo apresentado pela importadora infringiu o art 16, inciso IV, do PAF, uma vez que, segundo o mesmo, na impugnação deveria ter sido mencionada a sua pretensão de efetuar a perícia, expondo os motivos, formulando quesitos e indicando nome, endereço e qualificação do perito c) Que o Decreto 783/93, anexo I, item XI, estabelece o processo produtivo básico do produto "filtro de banda passante", e de acordo com o próprio laudo técnico e fotografias apresentadas pela empresa ao importar o produto com os terminais soldados ao elemento pré-elétrico e a marcação das cores já efetuada, verifica-se que a mesma vem descumprindo a legislação. Acrescente-se que em outubro/96 o Conselho de Administração da SUFRAMA aprovou a produção do filtro cerâmico, ctljo processo produtivo tinha como uma das etapas a soldagem dos terminais e, como outra, a marcação da cor. A decisão da Colenda Câmara foi no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso interposto pelo sujeito passivo, para excluir as penalidades e os juros de mora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, por maioria de votos, manter os tributos, excluir todas as multas e os juros de mora. A FAZENDA NACIONAL recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, do acórdão não unânime prolatado pela Egrégia Segunda Câmara, que proveu, em parte, o recurso interposto pela empresa autuada, para 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10283001133/94-17 ACÓRDÃO NÕ CSRF/03-03 031 exclusão da exigência das muitas e dos juros de mora, baseados nos seguintes pressupostos a) Que houve contradição ao apreciar as matérias de fato ç de direito postas nos autos e, por isso, merece ser reformada b) Foi caracterizada a importação ao desamparo de Guia de Importação, não cabendo o beneficio da suspensão, conferido às importações contempladas na legislação disciplinadora da SLTRAIvIA c) Não há como se entender incomprovada a má fé do importadór. Configura-se o evidente intuito de fraudar o Fisco, no ato de prestar informações incorretas quanto ao estágio de industrialização do produto importado, para beneficiar-se indevidamente de tratamento tributário mais favorecido. Por conseguinte, é de ser restabelecida a multa do art., 4', 1, da Lei if 8218, de 29/08/91 d) Deve subsistir a multa do IPT, inserta no art. 80, da Lei if 4 592, de 30/11/64, em razão da falta de lançamento do valor total ou parcial do imposto na nota fiscal, ou de seu recolhimento ao órgão arrecadador competente, no prazo e na forma legais e) Descabida a exclusão de juros de mora O art 161 do CTN estatui a incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento O art 3 da Lei if 8- 218/91, fixa como termo inicial dos juros de mora, o dia em que o débito deveria ter sido pago, sendo obrigação do contribuinte cumprir espontaneamente suas obrigações tributárias nos prazos fixados Tais as razões, pleiteia o provimento do presente recurso, nós termos do auto de infração e do julgamento de primeiro grau, ou seja, sendo restabelecidos as muitas e os juros de mora Regularmente notificada e intimada, a autuada apresenta suas contra-razões e interpõe recurso adesivo à Câmara Superior de Recursos Fiscais, insurgindo-se contra o recurso da Fazenda Nacional nos termos seguintes Que o referido órgão, no assanhamento da defesa, emprega expressões injuriosas Dessa forma, com base no art 15 do CPC, requer à CSRF mandar riscar as expressões injuriosas não há como se entender incomprovada a má- 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECLTRSOS FISCAIS w- 4 PROCES SO 10283001133194-17 ACÓRDÃO N° SRF/03-03 031 fé do importador. Configura-se, sim, o evidente intuito de fraudar o fisco no ato de prestar informação incorreta Quanto aos demais aspectos, persiste nas razões constantes da peça impugnatória No que tange ao ponto nodal do recurso extremo da Fazenda, caracterizando importação ao desamparo de GI, dir-se-á: não há nos autos uma linha onde tenha ocorrido a má-fé do importador, com o intuito de fraudar o fisco Finalmente, pleiteia seja mantida a decisão do Terceiro Conselho de contribuintes, Segunda Câmara e improcedente o recurso da Fazenda Nacional à C SRF É o relatório _ 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA - CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS _FISCAIS PROCESSO Nc 10283001133/94-17 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 031 VOTO Está sobejamente demonstrado nos autos que a mercadoria submetida a despacho de importação, pela autuada, não corresponde àquela declarada na DI e na GI, o que exclui, do produto, o beneficio da suspensão previsto no Decreto 61 244/67, cabendo a aplicação do rito das importações comuns, e no caso, a exigências dos tributos e multas pertinentes Com relação à multa do art. 80 da Lei if 4 502/64, entendo-a inaplicável por falta de previsão legal, uma vez que o dispositivo alegado refere-se exclusivamente à falta de lançamento do W1 em Nota Fiscal - Quanto à cobrança de multa e juros de mora, no caso do não recolhimento do II devido, constatado durante ato de revisão aduaneira, temps a seguinte posição Na cobrança de juros devemos considerar que o art. 540 do Regulamento Aduaneiro é, também, bastante claro, sobre a incidência de juros de mora, em débitos para com a Fazenda Nacional. Quanto à multa de mora, o entendimento desta CSRF, ao qual me filio, é no sentido de só considerá-la devida após esgotados os prazos do Recurso Não acolho, também, a afirmativa da PFN, de que teria havido, por parte do sujeito passivo, o "evidente intuito de fraudar o fisco", fatos que merecei iam inquestionáveis provas Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao RP, para restabelecer as multas do art. 526, II, do RA, os juros moratórios, e a multa do art. 40, 1, da Lei 8.218/91 e manter a exclusão da multa do art. 80 da Lei 4.502/64 Saia das Sessões, em 18 de outubro de 1999 iviOAWat—ErÔÃ; DE MEDEIROS Relator 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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