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Numero do processo: 14041.000451/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Não houve violação cometida pelo presente lançamento já que devidamente embasado nas disposições da Lei nº 8.212/91, devidamente transcritas no relatório fiscal.
Não compete ao CARF (Súmula 02) apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de normas.
Numero da decisão: 2301-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não houve violação cometida pelo presente lançamento já que devidamente embasado nas disposições da Lei nº 8.212/91, devidamente transcritas no relatório fiscal. Não compete ao CARF (Súmula 02) apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de normas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 96 1 95 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000451/200831 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.946 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 Matéria NFLD Contribuições previdenciárias Recorrente CESB CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRASILIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não houve violação cometida pelo presente lançamento já que devidamente embasado nas disposições da Lei nº 8.212/91, devidamente transcritas no relatório fiscal. Não compete ao CARF (Súmula 02) apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de normas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 51 /2 00 8- 31 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de AI nº 31.114.4574 objetivando a cobrança de crédito previdenciário no montante de R$ 4l.66l,49 (quarenta e um mil seiscentos e sessenta e um reais e quarenta e nove centavos), referente às competências: 08/2003 a 12/2005. De acordo com o relatório fiscal, fls. n.°s l7/30, o objeto do presente Auto de Infração são as contribuições sociais patronais (empresa e SAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos (contribuintes individuais), que prestaram serviços à empresa. O presente lançamento referese a diferenças encontradas em relação aos valores apurados em Auditoria Fiscal realizada em 2006, cujo lançamento fiscal ocorreu pela NFLD n.º 37.017.6642, processo 10167001278/200730, no estabelecimento matriz, tendo em vista os questionamentos apresentados pela defesa constantes das fls. 395 a 489. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando que havia duplicidade de lançamento, além do que aplicou legislação posterior à ocorrência dos fatos geradores. A DRJ em Brasília julgou improcedente a impugnação, o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário, por meio do qual argüi que o AI aplica legislação posterior ao lançamento, bem como se utiliza de normas infralegais para definir o fato gerador. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Mérito As questões suscitadas em sede recursal podem ser apreciadas em conjunto, tendo em vista a relação evidente na fundamentação trazida pelo recurso quanto à utilização da IN SRP 03/2005 pela fiscalização. Analisando o relatório fiscal verificase que em determinados trechos a fiscalização fez menção à IN SRP nº 03/2005, a qual não estava vigente durante a ocorrência de alguns dos fatos geradores apurados no presente AI. Contudo, não verifico o prejuízo alegado pela recorrente, pois as transcrições no relatório fiscal, ao qual faz alusão a citada IN, reproduz nada mais do que já estava em vigor na Lei nº 8.212/91, a qual foi devidamente transcrita pela autoridade autuante, seja para fundamentar a incidência das contribuições devidas pela empresa em decorrência da folha de Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 14041.000451/200831 Acórdão n.º 2301003.946 S2C3T1 Fl. 97 3 salários (artigo 22, inciso I), como também aquelas relativas ao financiamento dos riscos de acidentes de trabalho (artigo 22, inciso II). Em relação ao SAT, verificase, ainda, que a fiscalização efetuou o devido enquadramento conforme a listagem de CNAE prevista no Anexo V do Decreto n º 3.048/91. Logo, há embasamento na Lei n º 8.212/91 para exigir as contribuições ora apuradas, não cabendo também a esse órgão fazer juízo de inconstitucionalidade, conforme Sumula CARF 02. Em relação à multa deixo de aplicar a retroatividade prevista no artigo 106, do CTN, em relação às modificações introduzidas pela Lei 11.941/09 ao artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, uma vez que o percentual da multa apurado no presente lançamento é inferior àquele previsto na novel legislação. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720038/2012-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR PESSOA JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A contribuição devida à seguridade social a cargo do empregador produtor rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural encontra esteio no art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94, cuja constitucionalidade está sendo discutida no RE 700.922, de relatoria do Ministro Marco Aurélio.
Em que pese já haver decisão reconhecendo a repercussão geral da controvérsia, o referido recurso ainda se encontra pendente de julgamento perante a Corte Suprema, motivo pelo qual este Conselho permanece impedido de apreciar a questão controvertida, nos termos dos arts. 62 e 62-A do Regimento Interno do CARF.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão, dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) ratificar a decisão anterior no que concerne à exoneração dos valores atinentes à contribuição incidente sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física, na condição de sub-rogado; b) considerar procedente a autuação sobre a parte de contribuição incidente sobre a produção própria, constante na Lei 8.887/94; c) determinar o recálculo da multa de mora referente à obrigação principal remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; d) determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, excluídas as incorreções decorrentes da parte exonerada, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR PESSOA JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A contribuição devida à seguridade social a cargo do empregador produtor rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural encontra esteio no art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94, cuja constitucionalidade está sendo discutida no RE 700.922, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. Em que pese já haver decisão reconhecendo a repercussão geral da controvérsia, o referido recurso ainda se encontra pendente de julgamento perante a Corte Suprema, motivo pelo qual este Conselho permanece impedido de apreciar a questão controvertida, nos termos dos arts. 62 e 62-A do Regimento Interno do CARF. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão, dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) ratificar a decisão anterior no que concerne à exoneração dos valores atinentes à contribuição incidente sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física, na condição de sub-rogado; b) considerar procedente a autuação sobre a parte de contribuição incidente sobre a produção própria, constante na Lei 8.887/94; c) determinar o recálculo da multa de mora referente à obrigação principal remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; d) determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, excluídas as incorreções decorrentes da parte exonerada, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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PRODUTOR PESSOA JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A contribuição devida à seguridade social a cargo do empregador produtor rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural encontra esteio no art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94, cuja constitucionalidade está sendo discutida no RE 700.922, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. Em que pese já haver decisão reconhecendo a repercussão geral da controvérsia, o referido recurso ainda se encontra pendente de julgamento perante a Corte Suprema, motivo pelo qual este Conselho permanece impedido de apreciar a questão controvertida, nos termos dos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 38 /2 01 2- 21 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão, dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) ratificar a decisão anterior no que concerne à exoneração dos valores atinentes à contribuição incidente sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física, na condição de subrogado; b) considerar procedente a autuação sobre a parte de contribuição incidente sobre a produção própria, constante na Lei 8.887/94; c) determinar o recálculo da multa de mora referente à obrigação principal remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; d) determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, excluídas as incorreções decorrentes da parte exonerada, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.720038/201221 Acórdão n.º 2403002.591 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, fls. 247/250, opostos pela Fazenda Nacional, fls 247/250, em face do Acórdão nº 2403001.946, fls. 238/245, prolatado em 12 de março de 2013, na qual consignou o provimento do Recurso Voluntário, fls. 201/232, para declarar inexigível a contribuição previdenciária à cargo da empresa adquirente de produção rural de pessoa física, com esteio no art. 25, I e II da Lei 8.212/91. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. Recurso Voluntário Provido. Segundo a Embargante, a Turma deixou de se manifestar acerca da hipótese de incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produção própria, em relação ao qual o autuado, na condição de produtor rural pessoa jurídica, responde diretamente pelo seu recolhimento, tendo como fundamento legal o art. 25, I e II da Lei n. 8.870/94 (redação alterada pela Lei n. 10.256/2001). Três são os DEBCADS que integram o presente processo: 37.342.0854 – R$1.386.026,21 – relativo ao período de 01/2008 a 12/2008, obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária patronal para custeio da seguridade social e contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre a aquisição e comercialização de produtos rurais; 37.342.0862 – R$ 132.731,75, relativo a contribuição social para custeio das entidades e fundos – SENAR incidente sobre a aquisição e comercialização de produtos rurais; 37.376.5003 – R$ 24.256,80 – descumprimento de obrigação acessória, por infração ao disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212/91, em razão de a empresa ter informado em GFIP com informações incorretas ou omissas. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 187/191 as contribuições tiveram incidência sobre a aquisição de produtos rurais (compra de bovinos) e a receita bruta da comercialização de produtos rurais (venda de bovinos), além de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias. Analisando a Fundamentação Legal de Débito – FLD, fls. fl. 16, há a citação da Lei n. 8.870/94 e do Discriminativo de Débito, fls. 04/10, o processo possui seis levantamentos, três para aquisição e três de comercialização própria, por tal razão, há que ser enfrentado o mérito ante a caracterização da omissão. Considerando que a apreciação dos Embargos Declaratórios modificarão a decisão anteriormente proferida, em respeito ao princípio do contraditório, foi proferido a Resolução nº 2403000.212, fls. 259/262, na qual converteu o feito em diligência para intimar o Embargado para, querendo, apresentar contrarrazões. Intimado do resultado através de Edital de ciência eletrônica, fl. 270, em virtude do AR da citação postal ter sido devolvido com a informação “desconhecido”, fls. 268/269, o Embargado não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.720038/201221 Acórdão n.º 2403002.591 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme o despacho de fls. 253/254, a análise da admissibilidade já foi realizada constatandose que todos os requisitos foram preenchidos. DO MÉRITO Vêse que a presente autuação se pauta em duas exigências: aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, na qual o contribuinte atua na condição de subrogado; e na condição de produtor rural pessoa jurídica em decorrência de sua produção rural própria. Quanto a primeira exigência, cumpre destacar que a matéria é incontroversa, posto já ter sido apreciada por esta Turma, bem como não foi objeto questionamento por parte da Fazenda Nacional. O acórdão, quanto à matéria reproduziu o entendimento consolidado do STF em sede de repercussão geral, de vinculação obrigatória nos termos do art. 62A do RICARF, razão pela qual o crédito tributário deve permanecer exonerado. Entretanto, no que concerne à segunda exação, temse que são devidas algumas considerações. A contribuição devida à seguridade social a cargo do empregador produtor rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural encontra esteio no art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94, cuja constitucionalidade está sendo discutida no RE 700.922, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. Em que pese já haver decisão reconhecendo a repercussão geral da controvérsia, o referido recurso ainda se encontra pendente de julgamento perante a Corte Suprema. Portanto, este Conselho é impedido de analisar as alegações de inconstitucionalidade da Recorrente, por força da Súmula nº 02 do CARF, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 e o art. 62 A do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Portanto, tendo em vista que este Conselho não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade e considerando a pendência de decisão definitiva em sede de repercussão geral, temse devida a autuação com base no art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94. MULTA – VALOR REMANESCENTE No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.720038/201221 Acórdão n.º 2403002.591 S2C4T3 Fl. 5 7 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.720038/201221 Acórdão n.º 2403002.591 S2C4T3 Fl. 6 9 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/91 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) ratificar a decisão anterior no que concerne Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 à exoneração dos valores atinentes à contribuição incidente sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física, na condição de subrogado; b) considerar procedente a autuação sobre a parte de contribuição incidente sobre a produção própria, constante na Lei 8.887/94; c) determinar o recálculo da multa de mora referente à obrigação principal remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; d) determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, excluídas as incorreções decorrentes da parte exonerada, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10909.002655/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS. POSSIBILIDADE
Os rendimentos declarados pela pessoa física devem ser considerados como origem para fins de apuração do imposto de renda devido nos casos em que a tributação se dá com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados tenham sido utilizados de qualquer outra forma que não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 19.700,00 (ano-calendário de 2006), R$ 21.112,81 (ano-calendário de 2007) e R$ 24.077,54 (ano-calendário de 2008), nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS. POSSIBILIDADE Os rendimentos declarados pela pessoa física devem ser considerados como origem para fins de apuração do imposto de renda devido nos casos em que a tributação se dá com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados tenham sido utilizados de qualquer outra forma que não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 26 55 /2 01 0- 22 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 810 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 19.700,00 (anocalendário de 2006), R$ 21.112,81 (anocalendário de 2007) e R$ 24.077,54 (anocalendário de 2008), nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 778/779 deste processo digital), reproduzido a seguir: Mediante auto de infração de folhas 386 a 396, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 167.068,88 de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, relativo aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. Conforme consta do referido auto de infração, o fato que deu origem ao lançamento tributário foi a constatação de depósitos efetuados em contacorrente do contribuinte fiscalizado, cuja origem não foi por ele comprovada, no montante de R$ 269.625,49, em 2006; R$ 157.876,24, em 2007; e R$ 200.586,96, em 2008. Do procedimento fiscal: O procedimento fiscal foi instaurado em decorrência da movimentação financeira dos anos de 2006 a 2008 ser incompatível com os rendimentos declarados. Teve inicio em 13/01/2010 com a ciência do contribuinte do Termo de Inicio de Fiscalização, por meio do qual foram solicitados ao fiscalizado que apresentasse os extratos bancários de contas correntes, aplicações financeiras e cadernetas de poupança de sua titularidade e de seus dependentes, relativos aos anoscalendário de 2006 a 2008. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 811 3 Atendida a solicitação, foi intimado o contribuinte para, desta feita, comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos valores creditados em sua contacorrente do Banco do Brasil n° 51.0009, agência n° 3164x, de acordo com a discriminação realizada pelo fiscal, num total de 964, os quais somaram R$ 951.734,74. Além disto, também foi instado a apresentar os extratos bancários de movimentações financeiras no banco HSBC. Em atenção à intimação levada a efeito, o interessado explicou que os ingressos eram oriundos de depósitos feitos por condôminos de vários lugares do país e até do exterior, com os quais mantinha relação de amizade, como forma de ressarcimento da quitação de dívidas pagas por si na cidade de Itapema, local onde residia. Diz que não tinha como comprovar individualmente todas as despesas, porém demonstraria que tinha recursos para movimentar as contas bancárias. Assevera que a partir de 2007 passou a receber créditos da empresa Famo Comércio e Representações Ltda. para pagamento de tributos. À resposta da intimação, anexa comprovantes de pagamentos em nome da citada pessoa jurídica. Em 13/08/2010, foi emitido Termo de Diligência n° 1 para que a Famo confirmasse ou não os valores alegados pelo contribuinte como depositado pela sociedade citada. Em atenção, a empresa confirmou valores no montante de R$ 323.646,05, os quais foram considerados pela autoridade lançadora. Quanto às demais importâncias, o agente fiscal pediu novamente ao fiscalizado que fossem comprovadas, ressaltando o ônus do interessado em fazêlo. Não obstante a persistência da fiscalização, o sujeito passivo não se pronunciou a respeito, dando ensejo a lavratura do auto de infração que se examina. Inconformado com a lavratura do auto de infração, o contribuinte apresentou instrumento de impugnação, por meio do qual apresenta, em síntese, as seguintes razões. Alega que, quando intimado, comprovou a origem de todos os recursos utilizados nas operações, demonstrou que efetuou os pagamentos em nome da empresa Famo, bem como os valores disponíveis que possuía em 2006. Explica que os valores eram transferidos para sua conta como ressarcimento aos valores pagos por si pagos em favor de terceiros. Argumenta que poderia fazer uso dos numerários informados em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2005, posto que já haviam sido oferecidos à tributação. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 812 4 Pondera que o fiscal tributou pela movimentação bancária todos os rendimentos indicados nas respectivas declarações, configurando uma segunda taxação sobre os mesmos rendimentos, assim como aqueles isentos recebidos pelo autuado. A impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 451/454 deste processo digital) foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 777/780, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. A fim de não restar caracterizada a omissão de rendimentos, por se tratar de presunção legal, compete ao depositário dos recursos, demonstrar a origem dos valores creditados em sua contacorrente, e não ao fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/02/2012 (fl. 783 deste processo digital), o Interessado interpôs, em 16/03/2012, o recurso de fls. 784/801. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINAR NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA A Turma julgadora não apreciou todas as alegações apresentadas na impugnação. A ausência de fundamentação afrontou os princípios da legalidade e da eficiência, bem como o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972. A não apreciação de todos os pontos impugnados, bem como a ausência de fundamentação do acórdão recorrido violam o principio constitucional do devido processo legal, do qual derivam os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. MÉRITO O ônus da prova em processo administrativo fiscal é do Fisco. Não cabe ao contribuinte provar que não sonegou. Deve o fisco diligenciar para apurar a verdade. O ônus da prova do fato constitutivo do direito é do Fisco, não do contribuinte. Cabe ao Fisco comprovar que houve omissão rendimentos, bem como a origem dos valores creditados na conta corrente do contribuinte. O Fisco não juntou nenhum documento comprobatório de que o contribuinte omitiu rendimentos por intermédio de depósitos efetivados por terceiros em sua conta corrente. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 813 5 Tampouco se valeu a fiscalização das presunções legais de omissão de receitas, as quais teriam o condão de inverter o ônus da prova. O Recorrente utilizou a sua conta corrente para pagamento de contas de terceiros (água, luz, telefone, IPTU). Este fato, por si só, não caracteriza omissão de rendimentos. Os valores movimentados foram efetivamente declarados, através das Declarações de Imposto de Renda dos períodos. Na qualidade de sócio de escritório de contabilidade efetua pagamentos de despesas para os condôminos que não residem na cidade de Itapema, relativamente aos apartamentos de veraneio, razão pela qual sua conta corrente foi movimentada da forma como demonstrado neste processo. Ficou devidamente comprovado, por intermédio da declaração anual de imposto de renda, que o contribuinte possuía disponibilidade de caixa para efetuar o pagamento de contas de terceiros e posteriormente ser reembolsado, mediante transferências bancárias. Os juros de mora, caso venha a prosperar o lançamento, devem ser exigidos à base de 1% (um por cento) ao mês, consoante determinado pelo art. 161, parágrafo 1°, do Código Tributário Nacional – CTN. PEDIDO I Ao final, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão recorrido. II Alternativamente, pleiteia: II.1 o provimento do recurso para atribuir ao Fisco o ônus da prova, a fim de comprovar, de forma cabal e definitiva, a alegada omissão de rendimentos; II.2 seja julgada improcedente a autuação; II.3 seja declarada a extinção do crédito tributário; II.4 na hipótese de procedência do lançamento, seja aplicado o percentual previsto no art. 161, parágrafo 1°, do CTN; II.5 seja procedida a perícia contábil na conta corrente para identificar todas as transferências e depósitos bancários efetuados nos anos de 2006, 2007 e 2008, a fim de comprovar que foram feitos por condôminos proprietários dos apartamentos de veraneio dos condomínios administrados pela sociedade empresária da qual o Recorrente é sócio. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 814 6 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA O Recorrente entende que a decisão de piso não apreciou todas as alegações apresentadas na peça impugnatória. Ocorre que o órgão julgador não é obrigado a rebater cada um dos argumentos declinados pelo contribuinte, aqui compreendida a documentação colacionada aos autos, desde que tenha adotado argumento suficiente para fundamentar a sua decisão. O voto condutor, após esclarecer qual o montante de recursos depositados foi acatado pela Fiscalização como de origem comprovada, assentou que não restou demonstrada a origem dos recursos ingressados na conta corrente do Interessado objeto da presente autuação, e o fez com base nos seguintes fundamentos: Em relação aos demais valores, não foram trazidos aos autos documentos comprovando de onde e a que título ingressaram em conta de titularidade do Sr. Antônio de Almeida Junior. No caso de depósitos bancários, é bom deixar claro que, para ser amparado como valor de prova dos ingressos de recursos, o contribuinte deve extrapolar o terreno das alegações, apresentando os elementos hábeis e idôneos suficientes para vinculálos as importâncias depositadas, o que, de fato não ocorreu em sede de impugnação. O impugnante ainda procura justificar os ingressos por meio das disponibilidades financeiras que possuía ao fim de 2005, conforme informado em sua DIRPF. Todavia, em que pese o esforço do contribuinte em fundamentar as entradas dos numerários, cabeme declarar quão frágil é a tentativa por este meio. Não há efetivamente relação lógica que prenda os ingressos de recursos em contacorrente com o saldo remanescente de 2005. Não há nexo entre o simples fato de constar saldo financeiro em um ano e a ocorrência de depósitos em outro, não significando que estes devam ser decorrentes daqueles. Desse modo, considero que não ha força probatória bastante para o caso em questão o fato de existir disponibilidade em determinado ano. Na hipótese dos autos, é importante ainda salientar que incumbiria ao defendente, para ver os créditos tributários, total ou parcialmente, exterminados, demonstrar de forma inequívoca que os depósitos não decorreram de obtenção de rendimentos tributáveis, pois, no caso em comento, a simples falta de comprovação da origem dos créditos, é suficiente para se configurar a omissão de rendimentos. Este é o reflexo do instituto da presunção legal estampada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que fundamentou o presente lançamento. No mesmo caminho antes percorrido, devese repisar, então, que competiria ao autuado comprovar que dentre os valores elencados como sem origem comprovada estariam aqueles correspondentes aos já informados na declaração de ajuste ou os isentos de tributação de IRPF, procedimento não realizado pelo impugnante. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 815 7 Assim, diante de tudo o que foi exposto, entendo que, no caso em comento, estão presentes as condições que autorizam o Fisco a proceder ao lançamento, portanto legítimo é o procedimento. Nesse contexto, penso que deve ser afastada a preliminar suscitada pelo Recorrente, porquanto as razões que levaram os julgadores de 1ª instância a concluir pela improcedência da impugnação estão evidenciadas no acórdão recorrido. MÉRITO Depósitos com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Nesse cenário, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. No caso concreto, o Recorrente alega que efetuava pagamentos de despesas para pessoas que não residiam em sua cidade, mas que possuíam apartamentos de veraneio na localidade, razão pela qual sua conta corrente era utilizada para receber os recursos utilizados com os referidos pagamentos. Observo, no entanto, que a alegação do Interessado não veio acompanhada de prova documental demonstrando que os depósitos efetuados em sua conta corrente eram decorrentes de reembolso pelos supostos pagamentos. Demais disso, tais pagamentos, se realmente realizados (não há prova inequívoca nos autos confirmando os pagamentos), demonstra apenas a aplicação ou consumo da renda, jamais a origem dos depósitos realizados nas contas bancárias. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 816 8 Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, é razoável presumir que os valores creditados na conta bancária do Interessado configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Ressalto, ainda, por importante, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em conta de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova material que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram na conta corrente do Interessado no período, mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Possibilidade de dedução dos valores declarados pelo Recorrente em suas DIRPF dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 Na peça impugnatória (fl. 453) o Interessado alegou que a Fiscalização desconsiderou os valores declarados nas Declarações de Imposto de Renda dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008. É fato que a jurisprudência deste Conselho vem entendendo que os rendimentos declarados pela pessoa física podem e devem ser considerados como origem para fins de apuração do imposto de renda devido nos casos em que a tributação se dá com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados tenham sido utilizados de qualquer outra forma que não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Nesse sentido: Acórdão 210202.220, de 14/08/2012, Acórdão 220200.415, de 04/02/2010, dentre outros. No caso concreto, as declarações acostadas aos autos revelam que o Interessado declarou ter recebido nos anoscalendário 2006 (fls. 357/360), 2007 (fls. 362/367) e 2008 (fls. 369/375) os seguintes rendimentos, e que, por isso mesmo, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento: Anocalendário Rendimentos Declarados 2006 R$ 19.700,00 2007 R$ 21.112,81 (20.160,94 + 951,87) 2008 R$ 24.077, 54 (21.558,12 + 1.549,81 + 969,61) Fl. 816DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.002655/201022 Acórdão n.º 2801003.533 S2TE01 Fl. 817 9 Juros de Mora – Taxa SELIC Os juros de mora cobrados no lançamento equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, estando em consonância com a Súmula CARF nº 4, assim descrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 19.700,00 (anocalendário de 2006), R$ 21.112,81 (anocalendário de 2007) e R$ R$ 24.077, 54 (anocalendário de 2008). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 817DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000408/2007-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção pleiteada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção pleiteada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 04 08 /2 00 7- 14 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13841.000408/200714 Acórdão n.º 2801003.479 S2TE01 Fl. 99 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/SP2 (Fls. 80), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte em epígrafe, referente ao anocalendário de 2004, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01 a 03, através da qual houve uma reclassificação dos rendimentos indevidamente considerados como isentos e não tributáveis, resultando redução no total de imposto a restituir para o valor de R$ 11.937,38. Por intermédio da impugnação de fl. 04, a contribuinte alega que não omitiu rendimentos mas sim declarou os rendimentos de R$ 153.745,28, recebidos do Ministério da Fazenda como isentos e não tributáveis por tratar de rendimentos de pensão e a contribuinte ser portadora de moléstia grave, conforme comprova Laudo Médico que anexa. Da análise do Laudo Pericial anexado como fl. 05, constatouse a impossibilidade de identificar o serviço médico que emitiu o referido Laudo. Identificouse o médico e os locais onde o mesmo trabalha, contudo, não foi possível identificar qual Unidade Médica que se deu o atendimento da contribuinte em epígrafe. Por tais razões, o presente processo foi baixado em diligência, em 21/09/2010, a firo de que se intimasse o interessado a apresentar um novo Laudo contendo as informações necessárias, ficando claro na intimação que não tinha sido possível identificar a unidade de "Serviço Médico Oficial" que havia emitido o referido Laudo Pericial, conforme fl. 40. Em atendimento, e tendo em vista o falecimento da contribuinte em 03/09/2009 (Certidão de Óbito de fl. 51), a inventariante (nomeação em fls. 53/54) faz juntada dos documentos de fls. 47 a 62. Passo adiante, a 7a Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre_ proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse benefício e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cientificada em 06/01/2011 (Fls. 87), a Inventariante interpôs Recurso Voluntário em 02/02/2011 (fls. 88 e 93), argumentando em síntese: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13841.000408/200714 Acórdão n.º 2801003.479 S2TE01 Fl. 100 3 (...) Em consonãncia com o descrito verificase, que a Contribuinte apresentou em impugnação o Laudo Pericial assinado pelo médico Dr. Benedito Carlos Rocha Westin da Unidade de Saúde Municipal denominada U.I.S. Rosário — 41709 cumprindo integralmente o requerido pela DRJ/SP2. Em análise do Laudo Pericial, FORAM IDENTIFICADOS O MÉDICO E OS LOCAIS ONDE O MESMO TRABALHA, contudo, alegou a DRJ/SP2 pela impossibilidade de identificar a Unidade Médica que se deu o atendimento. Entretanto, a mesma encontrase claramente identificada como U.I.S.ROSÁRIO — 41709. Foi intimado o interessado para apresentar um novo Laudo, contudo, a contribuinte constatou que A PRESENTE UNIDADE DE SAÚDE NÃO POSSUI UM CARIMBO MAIS COMPLETO, sendo o mesmo apresentado como única forma de Laudo que a Unidade poderia apresentar. O laudo é verdadeiro e indubitável. Tanto que através desta COMPROVASE ATRAVÉS DE UMA DECLARAÇÃO APRESENTADA PELA AUTORIDADE COMPETENTE DA PREFEITURA MUNICIPAL, QUE O ALUDIDO LAUDO REALMENTE É ORIUNDO DA UNIDADE U.I.S. ROSÁRIO, ESTABELECIDA NA RUA FRANCISCO PASCHOAL N° 260, NO MUNICIPIO DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA, CONFORME ENCONTRASE EM ANEXO. Informase que a devida Unidade possui hoje o nome U.I.S Dr. Delvo de Oliveira Westin, conforme carimbo constando no laudo em anexo. Esclarece ainda que a referida Unidade É ADMINISTRADA PELO DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE SAÚDE DO MUNICIPIO DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA, E QUE O CARIMBO APRESENTADO NO REFERIDO LAUDO PERICIAL É OFICIAL, SENDO O MESMO PADRONIZADO PELO ÓRGÃO. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13841.000408/200714 Acórdão n.º 2801003.479 S2TE01 Fl. 101 4 Em sua impugnação, e em seu recurso, a contribuinte combate a omissão de rendimentos unicamente com a alegação que tais rendimentos seriam isentos em razão da existência de moléstia grave à época dos fatos. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13841.000408/200714 Acórdão n.º 2801003.479 S2TE01 Fl. 102 5 De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Por seu turno, a DRJ, após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, entendeu que houve a omissão de rendimentos; por achar que o laudo médico apresentado não identifica a unidade de serviço médico oficial que o emitiu. O Acórdão recorrido assim estabeleceu; in verbis: “Da análise da documentação juntada ao processo, verificase que o Laudo Médico de fl. 05, anteriormente analisado e não aceito em razão de impossibilidade de identificar a unidade de "Serviço Médico Oficial" que o emitiu, não foi complementado com as informações solicitadas através da intimação de fl. 40. A inventariante fez juntada de algumas informações acerca dos locais de trabalho do médico que emitiu o Laudo, Dr. Benedito Carlos Rocha Westin, mas em nenhum dos locais há coincidência com o local registrado no carimbo do Laudo de fl. 05..(página 83 dos autos) Deste modo, entendo que não há dúvida quanto ao fato de os rendimentos se referirem a proventos de aposentadoria, reforma, ou pensão. Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Buscando sanear a falha apontada pela fiscalização, a contribuinte anexou documento emitido pela Prefeitura do Município de São João da Boa Vista, no qual dito Município identifica a unidade médica que emitiu o laudo médico. Segundo mencionado documento o laudo médico é oriundo da unidade U.I.S. Rosário, administrada pelo Município, estabelecida na Rua Francisco Paschoal, n° 260, no Município de São João da Boa Vista. (doc. pág. 94 dos autos) Esclareço que o laudo médico oficial afirma que a contribuinte é portadora de neoplasia maligna desde o ano de 2002. Assim, entendo que a recorrente logrou êxito em provar que os seus rendimentos eram oriundos de aposentadoria, e que era, à época, portadora de Moléstia Grave. Tendo, portanto, direito à isenção pleiteada, à partir de 2002. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer a isenção pleiteada. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13841.000408/200714 Acórdão n.º 2801003.479 S2TE01 Fl. 103 6 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 03/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11516.722584/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
POSTERGAÇÃO DE RESULTADOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea da infração de postergação de reconhecimento de resultados dependeria da reconstituição da apuração do lucro no período de competência e do recolhimento do tributo ali devido, com o acréscimo de juros de mora. O cômputo dos resultados em período subseqüente, reduzindo o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL, não se presta a desconstituir a infração apurada.
GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. FORNECEDOR INEXISTENTE DE FATO. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Afasta-se a argüição de nulidade se a autoridade fiscal junta aos autos os elementos que corroboraram a declaração de inaptidão do fornecedor e reúne outras evidências para negar validade às operações escrituradas pela fiscalizada. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO REGULAR. Não há reparos ao procedimento fiscal se há evidências de que foram observados os requisitos da legislação de regência. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A investigação fiscal pode alcançar os terceiros envolvidos na infração e a utilização dos elementos que demonstram a inexistência de fato do fornecedor em favor do qual foram escriturados vultosos adiantamentos, parcialmente vinculados a serviços demonstrados apenas por notas fiscais, não afeta a validade do lançamento. FUNDAMENTAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Se o Termo de Verificação Fiscal expõe com minúcias as apurações acerca das operações escrituradas pelo sujeito passivo e indica precisamente os dispositivos legais que fundamentam o lançamento, inexiste nulidade. PRESUNÇÕES E ILAÇÕES. Reunidas diversas evidências acerca da anormalidade das operações escrituradas, e ausente qualquer prova de sua efetividade por parte da autuada, subsistem a glosa de custos e a exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa. MULTA QUALIFICADA. Evidenciada a fraude, correta a qualificação da penalidade.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2)
Numero da decisão: 1101-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR o pedido de julgamento conjunto de processos administrativos; 2) relativamente à infração de postergação de resultados: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão de 1a instância; e 2.2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto ao mérito; 3) relativamente às glosas de despesas inidôneas e de pagamentos sem causa: 3.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; 3.2) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 3.3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo fiscal; 3.4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto às exigências principais de IRPJ, CSLL e IRRF; e 3.5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto à qualificação da penalidade; e 4) relativamente à arguição de efeito confiscatório da penalidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea da infração de postergação de reconhecimento de resultados dependeria da reconstituição da apuração do lucro no período de competência e do recolhimento do tributo ali devido, com o acréscimo de juros de mora. O cômputo dos resultados em período subseqüente, reduzindo o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL, não se presta a desconstituir a infração apurada. GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. FORNECEDOR INEXISTENTE DE FATO. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Afastase a argüição de nulidade se a autoridade fiscal junta aos autos os elementos que corroboraram a declaração de inaptidão do fornecedor e reúne outras evidências para negar validade às operações escrituradas pela fiscalizada. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO REGULAR. Não há reparos ao procedimento fiscal se há evidências de que foram observados os requisitos da legislação de regência. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A investigação fiscal pode alcançar os terceiros envolvidos na infração e a utilização dos elementos que demonstram a inexistência de fato do fornecedor em favor do qual foram escriturados vultosos adiantamentos, parcialmente vinculados a serviços demonstrados apenas por notas fiscais, não afeta a validade do lançamento. FUNDAMENTAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Se o Termo de Verificação Fiscal expõe com minúcias as apurações acerca das operações escrituradas pelo sujeito passivo e indica precisamente os dispositivos legais que fundamentam o lançamento, inexiste nulidade. PRESUNÇÕES E ILAÇÕES. Reunidas diversas evidências acerca da anormalidade das operações escrituradas, e ausente qualquer prova de sua efetividade por parte da autuada, subsistem a glosa de custos e a exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa. MULTA QUALIFICADA. Evidenciada a fraude, correta a qualificação da penalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 84 /2 01 1- 45 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 3 2 MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR o pedido de julgamento conjunto de processos administrativos; 2) relativamente à infração de postergação de resultados: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão de 1a instância; e 2.2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto ao mérito; 3) relativamente às glosas de despesas inidôneas e de pagamentos sem causa: 3.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; 3.2) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 3.3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo fiscal; 3.4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto às exigências principais de IRPJ, CSLL e IRRF; e 3.5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto à qualificação da penalidade; e 4) relativamente à arguição de efeito confiscatório da penalidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ENGEPLAN TERRAPLENAGEM SANEAMENTO E URBANISMO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/01/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.282.552,18. Consta da decisão recorrida o seguinte resumo da acusação fiscal: Em face do contribuinte ENGEPLAN TERRAPLENAGEM SANEAMENTO E URBANISMO LTDA, CNPJ/MF nº 83.897.504/000183, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/01/2012 (fls. 690 e seguintes), auto de infração, com ciência postal em 26/01/2012 (fl. 714), decorrente das seguintes infrações: 1. comprovação inidônea de custos, referente ao fornecedor Tracterra Solopavi, no importe de R$ 741.845,00, com fato gerador em 31/12/2007, conduta essa apenada com multa de ofício de 150% sobre os tributos lançados; 2. pagamento sem causa ou de operação não comprovada, no importe de R$ 500.434,00, com fato gerador ocorrido em 31/12/2008, conduta essa apenada com multa de ofício de 150% sobre o imposto lançado; 3. redução indevida do lucro real causada por postergação de receitas (contratos de longo prazo), no importe de R$ 791.829,56 (lucro postergado), com fato gerador em 31/12/2007, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre os tributos lançados. As imputações acima implicaram em lançamento de IRPJ e CSLL para a primeira e a terceira das infrações acima e IRRF para a segunda. No tocante às infrações nºs 1 e 2 (comprovação inidônea de custos e pagamento sem causa ou de operação não comprovada), assim as motivou a autoridade fiscal: ● “Durante os anos calendário de 2007 e 2008, a contribuinte contabilizou como “adiantamento a fornecedores” e/ou como custos diferidos (obras em andamento), valores relevantes a título de Locação de Máquinas e Equipamentos, especialmente da empresa TRACTERRA SOLOPAVI TERRAPLENAGEM E LOCAÇÕES, conforme resumo dos lançamentos do Livro Razão da conta “adiantamento a fornecedores”...” (fl. 678); ● “Ocorre que conforme “Representação Fiscal” e “Informação Fiscal” (anexados às fls. 333 a 362) constantes do processo administrativo 10980.001617/200956, a TRACTERRA Solopavi Terraplenagem e Locações, fornecedor acima filtrado, não tinha capacidade operacional que lhe permitisse arrendar máquinas ou equipamentos, tendo sido revelado (e oficializada) como uma empresa “INEXISTENTE DE FATO”, cujos sócios se revelaram assumidamente “laranjas”, nos termos do TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA (anexado às fls. 349 a 362), que se transcreve abaixo:...” (fl. 678); ● “Considerando o caráter fictício e inidôneo do fornecedor em questão (Tracterra Solopavi), assim como das operações (fictas) por este prestadas, intimouse a instituição financeira (Banco Real), por intermédio da RMF de fls. 116 a 149, que apresentasse cópia dos cheques que a contabilidade da Engeplan Fl. 844DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 5 4 informara terem sido emitidos para pagamento dos “adiantamentos à Tracterra”, acima identificados” (fl. 681); ● apreciados os cheques emitidos em favor da Tracterra, viuse que na verdade foram emitidos nominalmente para a própria Engeplan (cheques da Engeplan, nominais a própria Engeplan), a indicar que a fiscalizada sacava os cheques na boca do caixa, efetuando o pagamento em espécie ao fornecedor, a demonstrar um procedimento completamente inesperado e desarrazoado, pois seria muito mais fácil, prático, emitir os cheques nominais ao fornecedor, que serviria, inclusive, como recibo dos pagamentos; ● alguns cheques referentes aos pagamentos à Tracterra foram depositados em contas de outras empresas, inclusive na conta bancária do próprio diretor presidente da Engeplan. Aqui, intimado a justificar tal situação, o contribuinte asseverou que estaria verificando os motivos para tanto, pediu prorrogação de prazo e, até o encerramento da ação fiscal, nunca justificou tais lançamentos; ● apesar de constar na conta “adiantamento a fornecedores” da Tracterra um saldo de no mínimo de R$ 200.000,00 em 31/12/2007, vêse que paradoxalmente a Engeplan teria pagado em cartório (por atraso no pagamento, portanto), a quantia de R$ 3.600,00, à Tracterra. Não se concebe como o contribuinte, credor do fornecedor, pudesse vir a pagar débitos com a Tracterra, em atraso; ● ainda a demonstrar a inexistência de qualquer relação comercial entre o fiscalizado e a Tracterra, o primeiro contabilizou adiantamentos superiores a R$ 1,2 milhões de reais em 2007 e 2008, tendo ativado apenas notas fiscais no importe de R$ 425.400,00 nesses anos, não havendo qualquer nota fiscal de prestação de serviço no AC 2009, comprovando a inexistência de uma relação comercial que pudesse justificar os adiantamentos, que ficaram abertos na contabilidade; ● parte dos ativos (R$ 515.000,00) em desfavor da Tracterra teria sido devolvido pela Tracterra, via conta Caixa, sem comprovação, além da mera contabilização. Ora, além da ausência de comprovação dessa devolução, não se concebe como o fiscalizado pudesse ter efetuado uma milionária antecipação, com prestação de serviço da ordem da terça parte, com devolução dos valores sem qualquer comprovação documental; ● mesmo o fornecedor tendo devolvido pretensamente parte dos valores adiantados, viuse, no AC2008, que o fiscalizado voltou a adiantar recursos para a Tracterra; ● no AC2009, viuse que o fiscalizado fez uma faxina na conta adiantamento a fornecedores, creditandoa em R$ 454.671,31, com contrapartida de conta de empréstimo do diretorpresidente da Engeplan, lançamento sem explicação, a demonstrar a inexistência fática dessas movimentações na conta adiantamento a fornecedores. “Tentando traduzir tal excentricidade contábil: poderíamos inferir que a contribuinte, em 2009, quase que admitindo que grande parte dos cheques contabilizados para a Tracterra Solopavi, em 2007 e 2008, na conta “adiantamento a fornecedores” (que haviam curiosamente sido descontados na boca do caixa), não haviam sido efetivamente pagos aquele fornecedor, e que pelo menos em parte foram algumas vezes abduzidos pela conta bancária do Diretor Presidente, Sr. Jair Osvaldo Galvão, como se viu anteriormente; acabou ela mesma por considerálos (os cheques/adiantamentos), meses depois, em 2009, como pagamentos realizados ao próprio Diretor Presidente; tanto que acabou anulando parte desses valores ativos, portando devedores, debitandoos como pagamentos de supostos empréstimos efetuados por aquele Diretor à Fl. 845DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 6 5 Engeplan!!!” (fls. 686 e 687). Devese ressaltar que o contribuinte foi intimado duas vezes a justificar essa contabilização, nada esclarecendo; ● não comprovada a contabilização acima em nome do Diretorpresidente, em duas oportunidades, o contribuinte ‘... também deixou de comprovar com documentação hábil as “devoluções” supostamente efetivadas pela Tracterra (solicitada no item “1” daquela duas intimações idênticas, nºs 14 e 15), motivo pelo qual restanos ratificar mais uma vez as conclusões exaradas no processo administrativo 10.980.001617/200956, e concluir que a empresa “Tracterra Solopavi Terraplenagem e Locações” é inidônea, inexistente de fato, sendo os pagamentos contabilizados à esta, não comprovados, assim como os supostos serviços prestados e notas fiscais por ela emitidas, considerados meros subprodutos da FRAUDE E DA SIMULAÇÃO, portanto inidôneos e sujeitos à multa agravada prevista no parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 11.488/2007. Concluindo, por tudo que aqui ficou demonstrado, solidificase (e muito) a constatação de que a empresa Tracterra Solopavi, diferentemente do que quer fazer crer a contabilidade da Engeplan, não recebeu recurso algum de “adiantamentos”, nem prestou efetivamente serviço nenhum à contribuinte (exceto, obviamente, aqueles relativos ao fornecimento das notas fiscais graciosas e fraudulentas), corroborando, pois, a Representação Fiscal de fls. 333 a 362, e todas as conclusões exaradas e oficializadas no processo 10980.001617/200956, motivo pelo qual tais pagamentos deverão ser apontados como “pagamento sem causa”, e quando se traduziram em custos, esses devem ser irremediavelmente glosados, pois que inexistentes, sem comprovação, desnecessários e/ou inidôneos” (fl. 687 – grifos do original). Em relação à infração nº 3 (redução indevido do lucro real causada por postergação de receitas), a autoridade fiscal ativou as receitas e custos no ano calendário 2007, e assim motivou a infração: ● “Durante o ano calendário de 2007 a contribuinte postergou indevidamente receitas (e resultados) operacionais, faturados por intermédio de notas fiscais emitidas nos meses de janeiro a março daquele período base, e que foram recebidas por intermédio de contas correntes bancárias mas que não foram tributadas, uma vez que ao invés de terem sido lançadas a crédito de conta de receita de serviços, foram sim, indevidamente lançadas a crédito de “resultados de exercícios futuros” (sic)” (fl. 670); ● intimado a justificar o procedimento acima, o contribuinte alegou que precisava preservar os índices do balanço patrimonial, para preservar o crédito junto a fornecedores, bancos e para participar de licitações públicas (vide oficio de fl. 81); ● a autoridade fiscal rejeitou a justificativa acima, pois, para melhorar o balanço patrimonial, a invés de diferir receitas, deveria contabilizálas no exercício correto, sendo certo que o contribuinte tributou várias notas fiscais posteriores às diferidas, com comportamento contraditório. Ademais, por ser tributado pelo lucro real, caberia o respeito ao regime da competência, sendo certo que jamais poderia diferir quaisquer das receitas em foco, pois estas foram efetivamente recebidas, realizadas, com custos incorridos, conforme medições, tudo no anocalendário 2007; ● com as considerações acima, o contribuinte devese sujeitar ao lançamento da “postergação de lucros” no valor de R$ 791.829,56, no anocalendário 2007, lucros esses que deverão ser diminuídos do balanço relativo ao ano calendário seguinte (2008), com aumento, pois, os prejuízos até então constantes no Lalur do ano calendário 2008. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 7 6 Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu cerceamento ao seu direito de defesa por não ter sido parte do processo administrativo no qual foi declarada a inidoneidade do fornecedor; questionou a quebra de sigilo bancário pelo Fisco; apontou provas ilícitas juntadas aos autos porque acobertadas pelo sigilo fiscal de terceiros; exigiu prova do Fisco de que os serviços não foram prestados e questionou a inversão do ônus da prova; apontou nulidade do lançamento do lançamento em razão dos dispositivos legais que o fundamentam; discordou da retroatividade da declaração de inidoneidade do fornecedor; afirmou que a multa qualificada não foi fundamentada; defendeu a necessidade de exclusão de valores relativos ao ISS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS; argüiu denúncia espontânea em relação aos resultados postergados; e afirmou confiscatórias as penalidades aplicadas. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. AUTUAÇÃO ALICERÇADA EM INIDONEIDADE DE FORNECEDOR, EM PROCESSO EM QUE O AUTUADO NÃO FEZ PARTE. DIREITO DE DEFESA CERCEADO. INOCORRÊNCIA. INIDONEIDADE DE FORNECEDOR QUE FOI APENAS UMA PROVA SUPLEMENTAR A DEMONSTRAR A INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO COMERCIAL ENTRE O FORNECEDOR E O AUTUADO. CORREÇÃO DA AUTUAÇÃO. Não se pode acatar a presente nulidade, a uma porque a fiscalização juntou aos autos o relatório de encerramento da representação fiscal que culminou com a inaptidão do fornecedor, pela ausência de sede, presença de interpostas pessoas no quadro societário deste e inexistência de bens patrimoniais, situações que poderiam ser arrostadas pelo fiscalizado, já que o fornecedor seria digno de receber vultosos adiantamentos. A duas porque a inaptidão foi apenas um elemento adicional a demonstrar a inidoneidade dos adiantamentos e pagamentos efetuados pelo fiscalizado ao fornecedor, pois os pagamentos foram efetuados com cheques nominais a própria fiscalizada, situação inverossímil, já que não se pode compreender como a maioria dos pagamentos ao fornecedor pudesse ser nominal ao próprio emitente do cheque (fiscalizado), com saque na boca do cheque e pagamento em espécie, sendo que alguns dos cheques foram depositados na conta do diretorpresidente da autuada, tudo isso aliado a contabilização de ajuste na conta de adiantamentos a fornecedores, com contrapartida à conta passiva deste diretorpresidente, a demonstrar que os adiantamentos ao fornecedor eram fictícios. NULIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO. CONTROVÉRSIA AINDA INCONCLUSA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE DAS LEIS. O contribuinte alegou que teve o sigilo bancário violado sem autorização judicial, violando a garantia constitucional do art. 5º, X e XII, sendo certo que o STF teria afastado a possibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente pelo fisco, como se vira no julgamento do RE nº 389.808, com declaração da inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, com efeito ex tunc. Ocorre que essa matéria encontrase em debate na Excelsa Corte no rito da repercussão geral (Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 Relator o Min. Ricardo Lewandowski), ou seja, ainda não há decisão definitiva do STF na controvérsia. Assim, até que o STF decida sobre a constitucionalidade da Lei Fl. 847DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 8 7 Complementar nº 105/2001, que autoriza a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando tal Lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis. NULIDADE. DOCUMENTOS FISCAIS DE TERCEIROS. SIGILO FISCAL. VULNERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PESSOAS ENVOLVIDAS NA INFRAÇÃO DO FISCALIZADO. NECESSIDADE DE INSTRUÇÃO PROBATÓRIA DOS AUTOS. Acatar a argumentação do contribuinte seria simplesmente cercear a investigação fiscal, que ficaria limitada ao próprio fiscalizado, não podendo espraiar sua ação para terceiros envolvidos. Assim, por exemplo, o já vetusto Decreto nº 70.235/72, que tem força de lei ordinária, assevera, em seu art. 7º, § 1º, que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do fiscalizado e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, ou seja, a autoridade fiscal está expressamente autorizada a investigar todos os envolvidos na infração tributária, devendo colacionar a prova ao processo administrativo fiscal. Ademais, somente os terceiros poderiam suscitar tal preliminar, pois a ninguém é dado pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º do CPC), e não se conhece qualquer lei que autorize o contribuinte fiscalizado a defender o sigilo fiscal de terceiros. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CITAÇÃO DE MÚLTIPLOS DISPOSITIVOS LEGAIS, COMO BASE LEGAL, QUE NÃO EXPLICA COMO OS FATOS IMPUTADOS AO FISCALIZADO SE CONSTITUEM INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CORREÇÃO DO LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL QUE EXPLICITA, COM MINÚCIAS, AS INFRAÇÕES. As imputações em desfavor do contribuinte estão minudentemente explicitadas no Termo de Verificação Fiscal, no qual se demonstrou a motivação para a glosa de despesas e para o reconhecimento dos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Frisese que o Termo de Verificação detalhou as imputações, o que permitiu a perfeita compreensão dos fatos pelo impugnante, como se vê por sua defesa, centrada, em defesas de nulidade e de caráter formal, pois o contribuinte não teve como defender a higidez dos custos glosados, pois não há qualquer dúvida de que os serviços não foram prestados e os pagamentos não foram efetuados. Aqui, por relevante, aplicase o brocardo de que não há nulidade sem prejuízo, pois o autuado não conseguiu comprovar o prejuízo a sua defesa. Por tudo, perfeito o auto de infração que discriminou a base legal infringida, como ocorre corriqueiramente nos trabalhos da espécie, com as imputações descritas claramente no Termo de Verificação que encerrou a ação fiscal. GLOSA DE CUSTOS A PARTIR DE SUPOSIÇÕES, PRESUNÇÕES E ILAÇÕES. INOCORRÊNCIA. DETIDA INVESTIGAÇÃO QUE DEMONSTROU A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO COMERCIAL ENTRE O AUTUADO E FORNECEDOR. Os custos foram glosados a partir de minudente investigação da autoridade fiscal, que demonstrou que os lançamentos contábeis na conta adiantamento a fornecedor eram inexistentes, quer porque se conseguiu demonstrar que os pretensos valores favoreceram empresas diversas do pretenso beneficiário e até o diretorpresidente da fiscalizada. E, concluindo, a diligência em fornecedor que teria emitido as notas fiscais glosadas, este que não tem sede ou patrimônio, tem quadro societário composto por laranjas, interpostas pessoas, comprovouse de forma iniludível que tal fornecedor inexiste, servindo unicamente para fornecer notas fiscais graciosas. DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DE FORNECEDOR. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. GLOSAS DE DESPESAS QUE NÃO SE BASEARAM APENAS NA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. HIGIDEZ DO TRABALHO FISCAL. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 9 8 A declaração de inaptidão do fornecedor foi apenas mais um elemento de prova para demonstrar a inidoneidade das notas fiscais emitidas por ele. O auto de infração poderia subsistir tranqüilamente com as demais provas dos autos, a partir da investigação feita na contabilidade do fiscalizado. Dessa forma, mesmo que a inaptidão não tivesse sido declarada, forçoso glosar os custos oriundos das notas fiscais do fornecedor inapto, pois, repisese, em nenhum momento, mesmo nesta impugnação, o fiscalizado conseguiu demonstrar a prestação dos serviços. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. GLOSAS DE DESPESAS E PAGAMENTOS INIDÔNEOS. CORREÇÃO DO EXASPERAMENTO. A motivação da qualificação encontrase no singelo e gravíssimo fato de que o contribuinte fiscalizado fez uso de notas fiscais frias, inidôneas, que não representaram qualquer serviço prestado, efetuando, ainda, pagamentos a partir delas inexistentes. Em situação da espécie, correta a qualificação da multa de ofício. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Inteligência aplicada por simetria aos julgamentos de primeira instância. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/10/2013 (fl. 801), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/11/2013 (fls. 803/838), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, inclusive reiterando, preliminarmente, o pedido de apreciação conjunta com o processo administrativo nº 11516.722585/201190, na medida em que a infração de postergação de resultados do anocalendário 2007 para o ano calendário 2008 trouxe efeitos na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, naqueles autos, devendo ser evitadas decisões conflitantes. Com referência à postergação de resultados, acrescenta que a decisão de 1a instância não abordou integralmente seus argumentos, incidindo, sobre as teses omitidas, em nulidade por carência de fundamentação. Reafirma a aplicação do art. 138 do CTN, observando que referido dispositivo somente exige pagamento se for o caso, e estando dispensado o pagamento do principal, os juros também seriam indevidos. Quanto aos pedidos sucessivos de exclusão do principal e da multa, ou apenas do principal, em decorrência do disposto no art. 6o, §§ 4o a 7o do Decretolei nº 1.598/77, caso este Conselho entenda possível apreciar os argumentos acerca dos quais a autoridade julgadora de 1a instância se omitiu, assevera que referida determinação foi ignorada pela Fiscalização, e entende que, em função do Fl. 849DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 10 9 que ali exposto, somente é possível a exigência dos juros de mora, correspondentes ao valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito, após o ajuste do lucro ou prejuízo às respectivas competências. Cogita, na pior das hipóteses, que somente seria exigível a multa e os juros, para impedir a ocorrência, ainda que futura, de dupla tributação. Quanto à glosa de despesas inidôneas, reafirma que os procedimentos observados pela fiscalização resultaram na nulidade do lançamento pelo cerceamento de defesa (a Recorrente não pode ser prejudicada por decisão proferida em processo administrativo do qual não participou ou sequer teve acesso), e na quebra dos sigilos bancário (da própria Recorrente) e fiscal (da empresa Tracterra, de seus sócios e de outras pessoas físicas e jurídicas), o que é vedado em nosso sistema jurídico que não admite no processo provas que tenham sido obtidas por meios ilícitos). Argumenta que a decisão recorrida atribuiulhe prova cujo ônus é da Fiscalização e não se manifestou acerca de seu conhecimento acerca do questionamento administrativo da declaração de inidoneidade do fornecedor. Ressalta que a fiscalização em questão teve início por conta da Representação formulada naqueles autos, e observa que a sua comprovação acerca da existência de fato e de direito de uma relação comercial com a empresa Tracterra dependeria do conhecimento amplo da situação da empresa Tracterra após o desenrolar do seu processo administrativo e eventualmente o judicial. Ademais, o dia a dia das atividades empresariais não permite que um tomador de serviços fique colacionando provas de todos os seus fornecedores em todas as suas operações. Aduz que seus extratos bancários e cópias de cheques foram requeridos diretamente à instituição financeira, sem que prévia intimação lhe fosse dirigida, e defende que a quebra de sigilo bancário só poderá ocorrer, mediante ordem judicial, para fins de investigação criminal e instrução do processo penal. Cita manifestação do Supremo Tribunal Federal neste sentido, mas subsidiariamente argumenta que a legislação complementar que rege a matéria não autoriza as medidas praticadas pela fiscalização, tratandose de prova obtida por meio ilícito que não pode ser aceita no processo administrativo. Acrescenta que a decisão recorrida não se manifestou acerca de seus questionamentos a respeito da indispensabilidade dos exames realizados pela Fiscalização, reportandose aos termos da Requisição de Movimentação Financeira para afirmar que inexiste justificativa para sua expedição. Daí a nulidade deste documento e a invalidade das provas a ele vinculadas, bem como a nulidade dos lançamentos nelas pautados. Discorda dos argumentos apresentados na decisão recorrida para afastar os questionamentos vinculados à violação de sigilo fiscal de outras pessoas físicas e jurídicas, observando que o procedimento fiscal não foi desenvolvido em face de Tracterra e que os direitos individuais não podem ser ignorados de acordo com a livre escolha da administração. Ademais, a posição fazendária é contraditória porque ao mesmo tempo em que quer utilizar provas sigilosas de determinado contribuinte para fundamentar lançamento fiscal contra a Recorrente, deixa de prestar todas as informações relacionadas. Reafirma que cabe ao Fisco o dever de infirmar operações e pagamentos registrados em sua contabilidade, aduz que a decisão recorrida incorreu no mesmo erro praticado pela autoridade fiscal e renova a apresentação de aspectos que não foram comprovados pelo Fisco com vistas a demonstrar que a empresa Tracterra não poderia ter prestado os serviços escriturados. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 11 10 Reitera que o lançamento cita inúmeros dispositivos do regulamento do imposto de renda, sem explicitar, pontualmente e fundamentadamente, a subsunção dos fatos às referidas normas, e observa que a decisão recorrida faz referência genérica ao Termo de Verificação Fiscal, ao invés de indicar pontualmente em que momento, folha, parágrafo e documento houve a indicação precisa da infração. Discorda da retroatividade dos efeitos da declaração de inaptidão, e observa que se não fosse esta acusação, seu ônus probatório seria muito menor, pois lhe caberia a comprovação de poucos fatos, tais como os pagamentos efetuados em dinheiro (após saques em contas), o que seria muito mais fácil do que comprovar que a empresa Tracterra era idônea, especialmente sem ter acesso às informações de tudo o que ocorreu nos processos relacionados a referida empresa. Defende a interpretação do art. 217 do RIR/99 em conjunto com o art. 81 da Lei nº 9.430/96, e assim discorda das disposições do art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 748/2007, acerca da retroatividade dos efeitos da inaptidão. Quanto à multa qualificada, reitera que não foi apontado no auto de infração, precisamente, em qual dispositivo, de que modo e por qual motivo que os fatos apontados como incorretos se enquadram nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Com referência à imputação de pagamentos sem causa, reportase às alegações de cerceamento de defesa, de quebra de sigilo bancário e fiscal, de inversão do ônus da prova e de imprecisão da fundamentação legal da exigência, deduzidas contra a glosa de despesas indôneas. Deduz argumentos contra a insuficiência de recolhimentos de Contribuição ao PIS e de COFINS, e finaliza afirmando confiscatórias as penalidades aplicadas. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre rejeitar a preliminar de conexão e de necessário julgamento conjunto do presente litígio e daquele formado nos autos do processo administrativo nº 11516.722585/201190. A autoridade julgadora de 1a instância, embora apreciando ambas exigências na mesma sessão de julgamento, esclareceu que: Inicialmente, rejeitase o pedido de julgamento conjunto das impugnações tombadas no presente processo (IRPJ, CSLL e IRRF) e no processo administrativo fiscal nº 11516.722585/201190 (PIS/PASEP e COFINS), por conexão, pois o segundo processo alicerçouse apenas na divergência entre o PIS/PASEP e COFINS apurado a partir da contabilidade em face daquele pago/retido/confessado em DCTF, como se vê no excerto abaixo do Termo de Verificação Fiscal Engeplan – PIS/COFINS: Constatada a falta de recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS, em alguns meses do ano calendário 2007 e 2008, e, sabendo da existência de faturamento, por parte da Engeplan, naqueles períodos, intimouse a contribuinte, por intermédio do Termo de Intimação 02/2011, a fornecer, por intermédio do DACON, as bases de cálculo e os valores devidos daqueles dois tributos. Em resposta àquela intimação, a Engeplan apresentou os DACON com as bases de cálculo e o valor dos PIS e da COFINS devidos, nos anos calendário de 2007 e 2008. No entanto, como os DACON apresentados pela contribuinte continuaram a diferir da RECEITA BRUTA registrada na CONTABILIDADE, optouse por utilizar esta última, uma vez as bases de cálculo dessas contribuições nada mais são do que a própria Receita Bruta contábil. Cotejando a contabilidade com as DCTFs entregues pela fiscalizada, verificase que, não raramente, a contribuinte está em falta com a declaração e o recolhimento daquelas contribuições, como se poderá demonstrar por intermédio das planilhas abaixo: Não há que se falar assim em conexão, a justificar a apreciação dos feitos em uma mesma sessão. No caso presente, entretanto, como ambos os processos foram distribuídos a este relator, serão ambos julgados por esta Turma, na mesma sessão. A recorrente argumenta que a infração referente a postergação de resultados do anocalendário 2007 para o anocalendário 2008 repercutiria nas exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS em referência. Assim, é certo que o julgamento da matéria aqui em litígio não depende da apreciação das exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS. Por sua vez, os autos do processo administrativo nº 11516.722585/201190 aguardam sorteio na 2a Seção de Julgamento deste Conselho, e se alguma repercussão se verificar em razão do que decidido nestes autos, a contribuinte poderá submeter seu requerimento ao Conselheiro que vier a ser designado para apreciação daquele litígio, assim evitando que decisões conflitantes sejam proferidas. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR o pedido de julgamento conjunto dos processos administrativos em referência. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 13 12 Na seqüência, abordando inicialmente a infração de postergação de resultados, a recorrente argúi a nulidade da decisão de 1a instância, por omissão acerca de teses deduzidas pela interessada em impugnação. Observase na impugnação que a contribuinte, argüindo a denúncia espontânea da infração através do reconhecimento da receita no exercício seguinte, apresentou pedidos sucessivos de: 1) cancelamento integral da exigência; 2) manutenção apenas dos juros devidos à taxa SELIC; ou 3) exclusão integral do principal exigido. Como a decisão recorrida se limitou a analisar (e rejeitar) a tese de denúncia espontânea, sem, contudo, se manifestar sobre as demais, a recorrente entende que o julgado incidiria, sobre as teses omitidas, em nulidade por carência de fundamentação. A decisão recorrida assim se manifestou acerca do tópico da defesa dirigido contra a exigência decorrente de postergação de resultados: Superado a defesa do item II do relatório, passe à defesa do item III, na qual o contribuinte alega que os resultados que haviam sido postergados para o AC 2008, e tributados nestes autos no AC2007, foram apenas tributados a destempo, com tributos pagos, fazendo jus, então, aos benefícios da denúncia espontânea, com exclusão de todas as cominações legais em face dos valores recolhidos em 2008, que deveriam ter sido feitos em 2007. Antes de tudo, para se falar em benefício da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN (A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração), quando existe tributo a pagar, mister a presença do pagamento dele, com os juros de mora respectivos, como se vê no artigo retro transcrito. No caso destes autos, o contribuinte nada pagou no anocalendário 2008, pois apurou prejuízo fiscal, no importe de R$ 102.827,48, com o mesmo montante de base de cálculo da CSLL, como se vê na DIPJ do anocalendário 2008 (fls. 35 e 45), tudo secundado pelo LALUR do fiscalizado (fls. 61 a 64). Na verdade, a autoridade fiscal antecipou um resultado de 2008 para 2007, no importe de R$ 791.829,56, o que fez aumentar o prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL do AC2008 no mesmo valor. Assim, não havendo qualquer pagamento de IRPJ e CSLL no AC2008, inviável falar em benefício da denúncia espontânea, ou mesmo a exclusão dos acréscimos moratórios na proporção dos valores de IRPJ e CSLL pagos no AC2008, pois neste ano nada foi pago. Como se vê, os pedidos da interessada foram integralmente apreciados, porque infirmada a premissa que justificaria todos eles: o pagamento de tributo no ano calendário 2008. A pretensão da interessada consistiu em configurar a denúncia espontânea exclusivamente em razão do fato de os resultados terem sido reconhecidos no anocalendário 2008, e apenas com base nesta ocorrência pleiteou o cancelamento integral da exigência, ou apenas do principal, ou do principal acompanhado da multa. Por sua vez, ao constatar que não houve recolhimento de tributo no anocalendário 2008, a autoridade julgadora concluiu, pelas razões acima expostas, que não se verificou a denúncia espontânea da infração, sendo incabível a exclusão de qualquer parcela lançada, inclusive dos valores correspondentes a acréscimos moratórios. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 14 13 Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade da decisão de 1a instância. No mérito, a contribuinte complementa a defesa apresentada em impugnação argumentando que o art. 138 do CTN ressalva que o pagamento só será condicionante à exclusão das penalidades e dos juros “se for o caso”, não sendo exigível em todas as situações. Seria possível, assim, a exclusão da responsabilidade por denúncia espontânea mesmo nos casos em que não se faz necessário o pagamento do valor principal. E, não sendo necessário o recolhimento do principal, também não são exigíveis juros de mora e deve ser afastada a penalidade. Argumenta que esta deve ser a única aplicação possível para a expressão “se for o caso”, contida no art. 138 do CTN. Contudo, o equívoco de sua argumentação está na premissa de que sua conduta de reconhecer, no anocalendário 2008, o resultado das operações descritas pela Fiscalização, representaria denúncia espontânea da infração. A obrigação da contribuinte, por ela não questionada, era reconhecer os resultados no anocalendário 2007, agregandoos ao lucro apurado e recolhendo o tributo daí resultante. A denúncia espontânea, em tais condições, somente se verificaria se a interessada reconstituísse a apuração daquele período, tal como feito pela Fiscalização, e o tributo apurado fosse recolhido com os juros de mora cabíveis, antes do início do procedimento fiscal. A providência da contribuinte de reconhecer os resultados em 2008, embora espontâneo, não configura denúncia, porque não apresenta o fato constitutivo da obrigação tributária com seus reais contornos, nem o submete à tributação que seria devida. É certo que sua conduta ensejou a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário 2008. Mas estas ocorrências somente se convertem em pagamento de tributo quando, no futuro, lucros são submetidos à tributação por inexistência de prejuízos ou bases negativas a compensar, fatos não alegados pela recorrente. Assim, diante das circunstâncias aqui apresentadas, a contribuinte está obrigada a recolher integralmente o tributo apurado pela Fiscalização no anocalendário 2007, muito embora possa retificar sua apuração no anocalendário 2008 para aumentar os saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL disponíveis para compensações futuras. Quanto aos pedidos sucessivos de exclusão do principal e da multa, ou apenas do principal, como decidido pela autoridade julgadora de 1a instância, a ausência de pagamento futuro impede que seja dispensada não só a exigência do principal, como também qualquer parcela dos acréscimos aplicados em razão da falta de recolhimento do tributo. A recorrente invoca as disposições do art. 6o, §§ 4o a 7o do Decretolei nº 1.598/77, assim consolidados no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 15 14 § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). A recorrente destaca o disposto no §7o do art. 6o do Decretolei nº 1.598/77, integrado ao §2o do dispositivo acima transcrito, mas olvidase no disposto no §1o que lhe antecede: a exigência limitada aos acréscimos moratórios somente é pertinente quando o lançamento se faz pelo valor líquido do imposto, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração. Se o tributo está sendo exigido integralmente, porque não houve recolhimento posterior, não há parcela que possa autorizar a exigência, apenas, dos acréscimos moratórios pelo atraso no recolhimento. Por fim, também não deve ser acolhida a pretensão da recorrente de que se promova a exclusão integral do principal (afastamento do principal = manutenção dos juros sobre o período e da multa), para impedir a ocorrência, ainda que futura, de dupla tributação, porque o lançamento deve ser formalizado segundo as circunstâncias fáticas presentes no momento de sua lavratura. Neste caso, se depois de formalizado o lançamento a contribuinte deixou de compensar prejuízos fiscais ou bases negativas que estariam amparados pelos resultados postergados para o anocalendário 2008, cumprelhe adotar as providências necessárias para reconstituir sua apuração e pleitear os indébitos eventualmente daí decorrentes, e não defender a alteração do lançamento com base em eventos futuros e, naquele momento, incertos. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à postergação de resultados. Passando à infração de glosa de despesas inidôneas e à exigência de IRRF em razão da constatação de pagamentos sem causa, cumpre ter em conta, inicialmente, o procedimento fiscal aqui desenvolvido. Por meio do Termo de Intimação e Início de Ação Fiscal de 26/01/2011, a contribuinte foi intimada a apresentar os arquivos digitais representativos da contabilidade, bem como seus atos constitutivos, livros contábeis e fiscais, e colocar à disposição da Fiscalização as notas fiscais de entrada e saída referentes ao anocalendário 2007 (fls. 65/66). Em 06/02/2011 a contribuinte é intimada a apresentar o LALUR e os extratos bancários, bem como manter à disposição da Fiscalização os documentos comprobatórios da contabilidade (fls. 67/68). Em 22/02/2011, 25/02/2011 e 17/03/2011, intimações são lavradas para apuração de fatos vinculados às outras infrações constatadas, sendo esta última reiterada em 07/04/2011, respondida superficialmente em 15/04/2011 (fls. 69/81), ensejando novas intimações em 18/05/2011 e 30/05/2011, e posterior resposta em 06/06/2011 (fls. 82/87). Às fls. 333/362 consta a representação fiscal lavrada pela DRF/Foz do Iguaçu, recomendando verificações em face da autuada, em razão da declaração de inaptidão Fl. 855DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 16 15 da inscrição da pessoa jurídica Tracterra Solopavi Terraplanagem e Locações Ltda, instruída com os relatórios que resultaram na declaração de inaptidão. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora reproduz o termo de encerramento de diligência lavrado na DRF/Foz do Iguaçu, no qual concluise que aquela pessoa jurídica não tinha capacidade operacional que lhe permitisse arrendar máquinas ou equipamentos, tendo sido revelada (e oficializada) como uma empresa “INEXISTENTE DE FATO”, cujos sócios se revelaram assumidamente “laranjas”. Na seqüência, esclarece que considerando o caráter fictício e inidôneo do fornecedor em questão (Tracterra Solopavi), assim como as operações (fictas) por este prestadas, intimouse a instituição financeira (Banco Real), por intermédio da RMF de fls. 116 a 149, que apresentasse cópia dos cheques que a contabilidade da Engeplan informara terem sido emitidos para pagamento dos “adiantamentos à Tracterra”, acima identificados. Em 28/07/2011 a autoridade fiscal lavra comunicação de continuidade do procedimento fiscal, informando à contribuinte que o procedimento fiscal ora em execução encontrase AINDA aguardando informações das INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS para seu deslinde (fls. 88). Em 28/08/2011 a autoridade fiscal intima a contribuinte a prestar esclarecimentos acerca dos pagamentos contabilizados em favor de “Tracterra”, informando lhe o destino dos correspondentes cheques fornecidos pelo Banco/Real Bamerindus, exigindo lhe também a apresentação das correspondentes notas fiscais originais de fornecimento de serviços (fls. 89/90). A resposta parcial a estes questionamentos consta às fls. 238/244, e foi complementada às fls. 245/269 e 270/332. Em 13/09/2011 outra intimação é lavrada para apresentação dos extratos bancários da conta mantida pelo diretor Jair Osvaldo Galvão, na qual foram depositados cheques contabilizados em pagamento a “Tracterra” (fl. 91) e em 17/10/2011 esta exigência é dirigida em intimação a Jair Osvaldo Galvão (fl. 92/93). Às fls. 94/96 consta resposta da contribuinte, apresentando os extratos referentes ao anocalendário 2007. Mais uma intimação é lavrada em 18/11/2011 acerca de outros fatos, e respondida às fls. 97/99, e em 12/12/2011 a Fiscalização exige comprovação de “devoluções de adiantamentos” vinculados à “Tracterra”, bem como esclarecimentos acerca da recuperação parcial dos valores adiantados e de lançamento contábil de “adiantamento a fornecedores” em contrapartida a conta denominada “Jair Osvaldo Galvão” (fls. 100/101 e 651/652). Na resposta de fls. 654 a contribuinte informa não ter condições de, naquele momento, prestar os esclarecimentos solicitados, e afirma que no início do ano seguinte iniciaria as investigações necessárias. Em 11/01/2012 a contribuinte é reintimada (fl. 655/663), mas apresenta a mesma resposta anterior (fl. 665). No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora relaciona os diversos pagamentos contabilizados ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008 a título de adiantamento ao fornecedor “Tracterra”, no valor total de R$ 618.835,00, e questiona o fato de os cheques terem sido emitidos nominalmente à autuada, que assim precisaria sacálos no caixa e pagar em espécie o fornecedor, localizado em outro Estado. Observa que os pagamentos teriam sido promovidos sem recibos em contrapartida, e se verificaram muito antes da prestação de serviço pelo fornecedor que nem mesmo possuía máquinas ou equipamentos que pudessem realizar as operações supostamente contratadas. E conclui confirmada a simulação ante a constatação de que alguns cheques emitidos em favor de “Tracterra” foram depositados em contas bancárias de outros titulares e até mesmo do diretor presidente da autuada (Jair Osvaldo Galvão). Por sua vez, intimada, a contribuinte não logrou comprovar efetivamente os pagamentos antecipados ao fornecedor, nem justificar as demais constatações fiscais. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 17 16 A autoridade fiscal também relata condutas da contribuinte incompatíveis com a sua condição de credora de “Tracterra”, e aponta que do total adiantado de R$ 1.242.279,00, apenas a parcela de R$ 425.400,00 correspondeu a notas fiscais emitidas pelo suposto fornecedor, sendo a parcela de R$ 550.000,00 supostamente devolvida à fiscalizada ao longo do anocalendário 2008, mas também apenas mediante registros em conta Caixa, os quais foram seguidos por outros adiantamentos promovidos pela autuada ao mesmo fornecedor. Ao final, em 30/09/2009 a contribuinte liquida a conta de adiantamento a fornecedores transferindo seu saldo para outra conta de ativo, representativa de empréstimos de Jair Osvaldo Galvão. Intimada, a contribuinte não esclareceu a razão deste lançamento contábil. Em conseqüência, a autoridade fiscal glosa os custos inidôneos representados pelas notas fiscais emitidas depois dos primeiros adiantamentos a fornecedores, bem como exige o IRRF sobre os pagamentos considerados sem causa. Preliminarmente a contribuinte argúi a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa (a Recorrente não pode ser prejudicada por decisão proferida em processo administrativo do qual não participou ou sequer teve acesso). Todavia, a decisão de 1a instância aborda com propriedade a matéria: Passase agora inicialmente para a defesa do item I.a (o contribuinte teve seu direito de defesa cerceado, pois a fiscalização apreendeu a pretensa inidoneidade da empresa Tracterra em processo administrativo do qual o impugnante não foi parte, tendo sido colacionado aos presentes autos apenas parte do processo levado a efeito contra a Tracterra e os sócios destas). Não se pode acatar a pretensa nulidade acima, a uma porque a fiscalização juntou aos autos o relatório de encerramento da representação fiscal que culminou com a inaptidão do contribuinte Tracterra (fls. 333 e seguintes), pela ausência de sede, presença de interpostas pessoas no quadro societário desta e inexistência de bens patrimoniais, situações que poderiam ser arrostadas pelo fiscalizado, pois a Tracterra seria um importante fornecedor do contribuinte, digno de receber vultosos adiantamentos, como se viu nestes autos. A duas porque a inaptidão do contribuinte Tracterra foi apenas um elemento adicional a demonstrar a inidoneidade dos adiantamentos e pagamentos efetuados pelo fiscalizado à Tracterra, pois os pagamentos foram efetuados com cheques nominais à própria fiscalizada, situação inverossímil, já que não se pode compreender como a maioria dos pagamentos ao fornecedor Tracterra pudesse ser nominal ao próprio emitente do cheque (fiscalizado), com saque na boca do caixa e pagamento em espécie à Tracterra, quando os envolvidos estavam localizados em unidades da federação diversas, a implicar na implausível movimentação física de numerário. Ademais, alguns dos cheques contabilizados em prol da Tracterra foram depositados na conta do diretorpresidente da Engeplan fiscalizada, tudo isso aliado à contabilização de ajuste na conta de adiantamentos a fornecedores (Tracterra), com contrapartida a conta passiva deste diretorpresidente, a demonstrar que os adiantamentos à Tracterra eram completamente fictícios. Dessa forma, claramente, a diligência perpetrada em face da Tracterra simplesmente robusteceu as demais provas colacionadas nos autos, a partir da contabilidade da própria fiscalizada Engeplan, que em nenhum momento comprovou documentalmente sua relação comercial com a Tracterra ou justificou como os pagamentos a tal fornecedor foram parar na conta do diretorpresidente da Engeplan, sendo desarrazoado afirmar que a diligência na Tracterra implicou isoladamente na autuação da Engeplan. Ao revés disso, foi a própria ausência de Fl. 857DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 18 17 comprovação da relação comercial Engeplan/Tracterra, a partir da contabilidade da primeira, que demonstrou de forma iniludível a inexistência das operações contabilizadas na conta de adiantamento a fornecedores. Indo além, repisese, nada há de inaudito na utilização da prova emprestada do processo de inaptidão da Tracterra, que veio apenas corroborar as conclusões alcançadas a partir da investigação da própria contabilidade da Engeplan. No caso, caberia ao contribuinte fiscalizado simplesmente demonstrar e comprovar a efetividade de sua relação comercial com a Tracterra, o que não ocorreu nestes autos. Rejeitase, no ponto, a presente nulidade. A recorrente argumenta que a decisão recorrida não se manifestou quanto ao seu desconhecimento acerca da impugnação administrativa à declaração de inidoneidade do fornecedor, porém, como se vê, a autoridade julgadora de 1a instância bem demonstrou o alcance da prova emprestada utilizada pela Fiscalização e a relevância dos demais elementos reunidos a partir da própria escrituração do sujeito passivo, evidenciando ser inócua a decisão administrativa acerca de eventuais questionamentos dirigidos contra a declaração de inidoneidade do fornecedor, mormente tendo em conta que a contribuinte, quer no procedimento fiscal, quer no contencioso administrativo, não logrou demonstrar a efetividade das operações com “Tracterra”. E, neste ponto, também não tem razão a recorrente quando alega que a autoridade julgadora teria lhe atribuído prova cujo ônus é da Fiscalização, pois a comprovação acerca da existência de fato e de direito de uma relação comercial com a empresa Tracterra não dependeria do conhecimento amplo da situação da empresa Tracterra após o desenrolar do seu processo administrativo e eventualmente o judicial, mas apenas da apresentação das evidências materiais da relação comercial mantida entre ela e “Tracterra”. Em outras palavras, a contribuinte não foi obrigada a provar a existência da empresa “Tracterra”, mas sim a efetividade das operações com ela contratadas, para além de adiantamentos escriturados sem prova de sua transferência à contratada, e algumas notas fiscais de prestação de serviço de locação de máquinas e equipamentos, dissociadas de contratos ou da demonstração da mencionada medição que teria justificado o preço pago, ou mesmo do detalhamento dos equipamentos locados. A recorrente diz que o dia a dia das atividades empresariais não permite que um tomador de serviços fique colacionando provas de todos os seus fornecedores em todas as suas operações, mas se os serviços em questão tivessem sido prestados seus traços materiais estariam presentes em diversos outros documentos que autorizariam os pagamentos promovidos e, especialmente, os significativos adiantamentos, os quais não revelam prática comum no setor de construções, mormente em razão de locação de máquinas e equipamentos, no caso supostamente contratada em razão da medição dos serviços prestados. Estas as razões para REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ainda, o lançamento seria nulo em razão da quebra dos sigilos bancário (da própria Recorrente) e fiscal (da empresa Tracterra, de seus sócios e de outras pessoas físicas e jurídicas), o que é vedado em nosso sistema jurídico que não admite no processo provas que tenham sido obtidas por meios ilícitos). Quanto à quebra de sigilo bancário, aponta a ausência de intimação prévia para apresentação dos extratos bancários e cópias de cheques e defende que a quebra de sigilo bancário só poderá ocorrer, mediante ordem judicial, para fins de investigação criminal e instrução do processo penal. Cita manifestação do Supremo Tribunal Fl. 858DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 19 18 Federal neste sentido, mas subsidiariamente argumenta que a legislação complementar que rege a matéria não autoriza as medidas praticadas pela fiscalização, tratandose de prova obtida por meio ilícito que não pode ser aceita no processo administrativo. Como antes demonstrado, a contribuinte foi previamente intimada a apresentar os extratos bancários, e estes não foram requeridos à instituição financeira, mas sim as informações acerca do destino dado aos cheques emitidos pela contribuinte, e contabilizados como adiantamento ao fornecedor cuja inidoneidade já havia sido declarada em razão de sua inexistência de fato. Por sua vez, nos termos do art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, os agentes fiscais estão autorizados a examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras se houver procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, e o Decreto nº 3.724/2001, em seu art. 3o, classifica como indispensáveis tais exames, dentre outros casos, na presença de uma das hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430/96, cujo inciso VI reportase à incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária, ao passo que a Fiscalização justifica a requisição considerando o caráter fictício e inidôneo do fornecedor em questão (Tracterra Solopavi), assim como as operações (fictas) por este prestadas. Ressaltese, por fim, que a legislação não exige que a motivação da expedição da Requisição de Movimentação Financeira – RMF esteja expressa neste documento, como alega a recorrente, mas sim que conste de relatório circunstanciado elaborado pela autoridade fiscal. Imprópria, assim, a afirmação de que, nos termos em que redigida, a RMF não atendeu aos requisitos legais. No mais, a recorrente aduz que a decisão recorrida não se manifestou acerca da indispensabilidade dos exames realizados pela Fiscalização. Pertinente, assim, transcrever a abordagem da decisão recorrida quanto aos questionamentos veiculados em impugnação acerca do tema: Passase agora à defesa do item I.b (ilicitude na quebra do sigilo bancário do contribuinte por parte do fisco). O impugnante defendeu que a Lei Complementar nº 105/2001, pelos seus art. 1º, § 3º, II, art. 5º e art. 6º, c/c o art. 11, § 2º, da Lei nº 9.311/96, somente autorizaria o fisco a assenhorearse dos dados bancários pelos montantes globais mensais movimentados, “sendo que um extrato não pode, nem deve, ser equiparado ao montante global movimentado” (fl. 740), e, adicionalmente, vedase qualquer elemento nas informações que permita identificar a origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (art. 5º, § 2º, da LC nº 105/2001), o que se aplica aos cheques e fitas magnéticas solicitadas pela fiscalização. Ademais, as informações somente poderiam ser destinadas para fins penais (art. 1º, § 4º, da LC nº 105/2001) e, para fins tributários, para fiscalização da decaída CPMF. Concluindo, o impugnante alegou que a Constituição Federal somente autorizaria a quebra do sigilo bancário dos contribuintes por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer, para fins de investigação criminal e instrução do processo penal, sendo inadmissível no processo as provas obtidas por meio ilícitos, sendo certo que sequer a Lei Complementar nº 105/2001 autoriza o fisco a assenhorearse dos dados bancários do contribuinte. Excluindo a discussão sobre a reserva de jurisdição para quebra do sigilo bancário dos contribuintes, toda a argumentação acima buscou enquadrar a hipótese de quebra do sigilo bancário do art. 6° da Lei Complementar nº 105/2001 (As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de Fl. 859DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 20 19 instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente), aos limites do art. 1º, § 3º, III (Art. 1ºAs instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: III – o fornecimento das informações de que trata o§ 2º do art. 11 da Lei no9.311, de 24 de outubro de 1996;) e 5º, caput e § 2º (Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados). Ora, a hipótese de quebra do sigilo bancário do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, inclusive de contas de depósitos e de aplicações financeiras, é absolutamente independente das informações bancárias em bases globais e mensais que as instituições financeiras devem fornecer ao Fisco federal, pois, atentese, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, pode esta ter acesso aos registros de contas de depósitos e aplicações financeiras dos contribuintes. Não por outro razão, este artigo legal foi especificamente regulamentado pelo Decreto nº 3.724/2001, que somente versa sobre o procedimento que o fisco deve tomar, quando do assenhoreamento compulsório dos dados bancários dos fiscalizados, na forma do artigo citado. Dessa forma, inviável enquadrar os poderes fiscalizatórios do art. 6º da Lei nº 105/2001 apenas quanto à obtenção de dados agregados mensais dos contribuintes, pois tal artigo é autônomo e efetivamente defere poderes ao fisco para obtenção compulsória dos registros bancários dos contribuintes fiscalizados. Nessa linha, vejase que o art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001 está regulamento pelo Decreto nº 4.489/2002, regulamento diverso do citado no parágrafo precedente. No ponto, sem razão o impugnante. No tocante à reserva de jurisdição para quebra do sigilo bancário, reconhecese que há atualmente grave controvérsia no Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, no rito da repercussão geral (Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski), disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/listarProcesso. asp?tipo=AC&numeroTema=&txtTituloTema=sigilo+banc%E1rio&acao= acompanhamentoPorTema&botao=, não havendo decisão definitiva do STF sobre a controvérsia. E, a demonstrar que o assunto acima não se resolveu no âmbito do STF, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012, com devolução dos autos à origem, para aguardar decisão do STF no mesmo tema sob repercussão geral. Dessa forma, até que o STF decida sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando tal Lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis. Não podem as turmas de julgamento do contencioso administrativo anteciparse ao próprio STF, julgando a Fl. 860DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 21 20 constitucionalidade da Lei, pois, assim agindo, estariam usurpando a competência do STF. E, é cediço, o contencioso administrativo não pode apreciar a constitucionalidade de leis e tratados, posição pacificada com a edição da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com tais considerações, afastase a preliminar de nulidade deduzida pelo impugnante. Ocorre que a defesa apresentada na impugnação apenas enunciou a exigência, contida na lei, de que os exames deveriam ser considerados indispensáveis, e não a afirmou desatendida. A contribuinte desenvolveu sua argumentação nos pontos precisamente abordados na decisão recorrida, acerca dos limites que entendeu veiculados na legislação que rege a matéria, especialmente no que tange à possibilidade de fornecimento, apenas, de movimentações globais pelas instituições financeiras, e outras restrições contidas no art. 5o da Lei Complementar nº 105/2001, expressamente afastado pela autoridade julgadora, que vinculou o procedimento aqui realizado ao art. 6o da mesma lei. Para além disso, invocou as limitações antes expressas no art. 11 da Lei nº 9.311/96 e a necessidade de autorização judicial para acesso às informações bancárias. Assim, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade por quebra de sigilo bancário. Quanto à alegada violação de sigilo fiscal, a contribuinte discorda dos argumentos assim apresentados na decisão recorrida para rejeitar a argüição de nulidade do lançamento: Dando sequência ao deduzido pela defesa, passase ao item I.c (a fiscalização juntou aos autos documentos fiscais de terceiros (Tracterra e sócios desta), que estão acobertados pelo sigilo fiscal, o qual não está excepcionado pelo art. 198 do CTN, sendo, assim, provas ilícitas, a justificar a decretação de nulidade do presente lançamento). Obviamente que não se pode acatar a argumentação acima, pois a Tracterra e sócios estavam envolvidos na infração perpetrada pela Engeplan, ou seja, como tem decidido recorrentemente o Supremo Tribunal Federal, nenhum direito individual, como as cláusulas protetoras do sigilo fiscal, pode ser manejado como apanágio para o cometimento de ilícitos. Assim, por exemplo, o já vetusto Decreto nº 70.235/72, que tem força de lei ordinária, assevera, em seu art. 7º, § 1º, que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do fiscalizado, e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, ou seja, a autoridade fiscal está expressamente autorizada a investigar todos os envolvidos na infração tributária. Acatar a argumentação do contribuinte seria simplesmente cercear a investigação fiscal, que ficaria limitada ao próprio fiscalizado, não podendo espraiar sua ação para terceiros envolvidos. Na verdade, a argumentação do impugnante é absolutamente contraditória, pois, se um lado levanta a preliminar de nulidade em decorrência do acostamento aos autos de informações de terceiros, de outro exigiu, como se viu, o conhecimento de toda a representação fiscal que culminou na decretação de inaptidão da Tracterra. A cabeça do art. 198 do CTN (Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou Fl. 861DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 22 21 atividades) veda a divulgação de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros, o que foi respeitado nestes autos, pois não se tem notícia que as informações tombadas nestes autos tenham sido divulgadas. Não precisaria o Código Tributário Nacional autorizar o tombamento aos autos de informações de terceiros envolvidos na infração fiscal, pois isso é ínsito à atividade fiscalizatória, que deve circularizar todos os envolvidos na infração fiscal, trazendo ao processo as provas que alicercem as imputações. E, por fim, a ninguém pode pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º do CPC), ou seja, não caberia ao fiscalizado insurgirse contra a pretensa quebra do sigilo fiscal da Tracterra, quer porque se trata de direito da própria Tracterra, quer porque não há lei que autorize. Simplesmente, apenas a Tracterra, se entendesse pertinente, poderia deduzir a presente questão, em processo próprio, e não o contribuinte fiscalizado, que não tem autorização legal para pleitear direito de terceiro. Com as considerações, rejeito a preliminar acima deduzida. Diz a recorrente que o procedimento fiscal não foi desenvolvido em face de “Tracterra” e que os direitos individuais não podem ser ignorados de acordo com a livre escolha da administração. Contudo, como bem exposto pela autoridade julgadora, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal prestamse a demonstrar que os registros contábeis que afetaram o lucro apurado pela contribuinte, e atribuíram causa fictícia a pagamentos sem causa, não correspondem a operações efetivamente realizadas, operações estas que a contribuinte não realizaria sozinha, mas sim, necessariamente, com a intervenção de terceiros. Tais informações não são consideradas sigilosas em relação àquele que supostamente teria contratado a pessoa jurídica inexistente de fato e não exigem prévia autorização judicial de quebra de sigilo fiscal, assim como a autorização para fiscalização da contribuinte autuada é suficiente para utilização da prova colhida no procedimento fiscal em face de “Tracterra”, mesmo que não emitido Mandado de Procedimento Fiscal – MPF especificamente em relação a esta. Argumenta, ainda, que a posição fazendária é contraditória porque ao mesmo tempo em que quer utilizar provas sigilosas de determinado contribuinte para fundamentar lançamento fiscal contra a Recorrente, deixa de prestar todas as informações relacionadas, todavia, como também demonstrado na decisão recorrida, os elementos juntados aos autos justificam as conclusões fiscais acerca da inexistência de fato do fornecedor, e se constituem em mais uma evidência do conjunto que prova a inidoneidade das operações escrituradas pela contribuinte fiscalizada. As outras informações que não teriam sido prestadas, embora não especificadas pela recorrente neste ponto, possivelmente são aquelas referentes ao litígio que ela supõe ter se formado em relação à declaração de inidoneidade, o qual já se demonstrou ser irrelevante no presente caso, em razão das demais evidências reunidas pela Fiscalização, e que pode sequer ter se formado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento em razão de quebra ilícita de sigilo fiscal. Na seqüência, a contribuinte questiona outros aspectos do lançamento pretendendo a declaração de sua nulidade, mas como se verá os argumentos dirigemse ao mérito da exigência e sob esta ótica serão apreciados. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 23 22 A recorrente reafirma que cabe ao Fisco o dever de infirmar operações e pagamentos registrados em sua contabilidade, aduz que a decisão recorrida incorreu no mesmo erro praticado pela autoridade fiscal e renova a apresentação de aspectos que não foram comprovados pelo Fisco com vistas a demonstrar que a empresa Tracterra não poderia ter prestado os serviços escriturados. Como bem esclarecido na decisão recorrida, a fiscalização não efetuou a glosa de custos a partir de suposições, presunções ou ilações, mas efetuou detida investigação, tanto na empresa Tracterra, como na contabilidade do fiscalizado, para daí apreender que os custos/pagamentos oriundos da conta adiantamento a clientes eram inidôneos. Em especial, a autoridade fiscal demonstrou a anormalidade dos adiantamentos a fornecedores registrados pela contribuinte ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, bem como o depósito de cheques destinados a estes adiantamentos em conta do diretor presidente da autuada, e a posterior reclassificação do saldo de créditos decorrentes daqueles adiantamentos como dívida deste mesmo diretor presidente. Intimada acerca de todas as irregularidades e anormalidades constatadas nestes registros a título de adiantamento a fornecedores, a contribuinte não prestou qualquer esclarecimento no curso do procedimento fiscal acerca dos motivos que teriam ensejado os sucessivos desembolsos, ou mesmo a escrituração das despesas posteriormente a eles vinculadas. Nenhum documento veio aos autos para justificar estas operações, e a destinação de volumosos recursos a uma pessoa jurídica que emitiu notas fiscais de serviços de efetividade não demonstrada. Limitase a recorrente a argumentar que foi prejudicada em razão de cerceamento ao seu direito de defesa e da utilização de provas ilícitas, mas as evidências reunidas pela Fiscalização estão clara e validamente demonstradas e cumpriria à recorrente, apenas, contrapor as provas das quais certamente disporia se tivesse entabulado tais contratações com uma pessoa jurídica que efetivamente lhe tivesse prestado os serviços. A recorrente argumenta que caberia ao Fisco infirmar as operações registradas em sua contabilidade, mas olvidase que o art. 923 do RIR/99 somente atribui à escrituração o valor de prova em favor do contribuinte relativamente aos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, e nenhum elemento de prova foi apresentado para sustentar os adiantamentos a fornecedores contabilizados pela contribuinte. De outro lado, além de demonstrar que o fornecedor foi declarado inapto por inexistência de fato, a autoridade fiscal reuniu todas as evidências antes citadas acerca da anormalidade dos pagamentos escriturados. Concluise, assim, que a Fiscalização desincumbiuse do ônus probatório que a lei lhe impõe, ao passo que a contribuinte não logrou dar sustentação probatória a seus registros contábeis. Aduz, ainda, que caberia à Fiscalização comprovar que as máquinas locadas para Recorrente não foram aquelas cuja empresa Tracterra afirma ter feito parcerias para trabalhar, e assevera que não ficou provado que a empresa não teria estrutura, em 2008, para prestar os serviços objeto das notas fiscais emitidas. Acrescenta que a decisão recorrida não refutou estes argumentos, motivo pela qual é pertinente, mais uma vez, transcrever o que disse a autoridade julgadora de 1a instância: Ora, as provas acima indicam claramente que os lançamentos contábeis na conta adiantamento a fornecedor, em nome da Tracterra, eram inexistentes, quer porque se conseguiu demonstrar que os pretensos valores em prol da Tracterra favoreceram outras empresas e até o diretorpresidente da fiscalizada, quer porque se demonstrou que o pretenso fornecedor nada recebeu, quer porque a contabilidade do fiscalizado, com o ajuste de contrapartida a conta em nome do referido diretor, como citado, confessa, por si só, que os adiantamentos são Fl. 863DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 24 23 inidôneos, pela incompreensível mistura de pagamentos à Tracterra e depósitos na conta do diretorpresidente da fiscalizada. Na verdade, somente há uma explicação: essas notas fiscais eram emitidas graciosamente e serviam, inclusive, para que o diretorpresidente da fiscalizada se apropriasse de recursos desta. E, concluindo, a diligência na Tracterra, que não tem sede ou patrimônio, com quadro societário composto por laranjas, interpostas pessoas, feita em 2009, período logo após o exercício aqui fiscalizado, comprovou de forma iniludível que tal fornecedor inexistia, servindo unicamente para fornecer notas fiscais graciosas. Dessa forma, despropositada a afirmação do impugnante de que a fiscalização alicerçou em ilações, suposições ou presunções, invertendo o ônus da prova, ao arrepio da lei. Na verdade, a fiscalização verticalizou a investigação, inclusive em desfavor da Tracterra, trazendo aos autos um conjunto de provas diretas que não deixam qualquer dúvida quanto à inexistência da Tracterra e a inidoneidade das notas fiscais emitidas por tal empresa (e dos pagamentos respectivos). Como se vê, a autoridade julgadora de 1a instância demonstrou como o procedimento fiscal validamente infirmou a efetividade dos serviços supostamente prestados pelo fornecedor, e para além disso podese apenas acrescentar que a prova de despesas vinculadas à prestação de serviços, mormente tendo em conta a gama de irregularidades nos pagamentos escriturados, não se faz apenas com a apresentação de notas fiscais, mas sim por meio de contratos e, no caso, evidências das medições que teriam autorizado as cobranças enunciadas nas notas fiscais. Considerando a inexistência de fato apurada em relação ao fornecedor, e as irregularidades nos pagamentos promovidos, os custos escriturados não são legitimados com a apresentação, apenas, das notas fiscais de prestação de serviços. A recorrente reitera que o lançamento cita inúmeros dispositivos do regulamento do imposto de renda, sem explicitar, pontualmente e fundamentadamente, a subsunção dos fatos às referidas normas, e observa que a decisão recorrida faz referência genérica ao Termo de Verificação Fiscal, ao invés de indicar pontualmente em que momento, folha, parágrafo e documento houve a indicação precisa da infração. Novamente não tem razão a recorrente, como se vê no correspondente excerto do voto condutor da decisão recorrida: Passase agora ao item I.e da defesa (“Há também uma nulidade no auto de infração porque, apesar de citar inúmeros dispositivos do regulamento do Imposto de Renda (artigos 217, 247, 248, 249, I, 251, 256, 277. 278, 289, 299 e 300 do RIR), não explica, pontualmente, por qual motivo e de que forma os fatos imputados à impugnante constituem infração à legislação tributária. Tratase, inegavelmente, de cerceamento de defesa”). As imputações em desfavor do contribuinte estão minudentemente explicitadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 666 e seguintes, no qual se demonstrou a motivação para a glosa de despesas e para o reconhecimento dos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Quanto à base legal, a fiscalização discriminou os diversos dispositivos do Decreto nº 3.000/99 que versam sobre a auditoria do IRPJ, onde avulta o art. 217 (Art.217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº9.430, de 1996, art. 82)), que assevera não produzir efeitos tributários, em prol de terceiros, o documento emitido por empresa inapta, como ocorreu com a Tracterra. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 25 24 Ademais, frisese mais uma vez, o Termo de Verificação detalhou as imputações, o que permitiu a perfeita compreensão dos fatos pelo impugnante, como se vê por sua defesa, centrada, como este julgador percebeu, em defesas de nulidade e de caráter formal, pois o contribuinte não teve como defender a higidez dos custos glosados, pois, não há qualquer dúvida, os serviços não foram prestados. Aqui, por relevante, aplicase o brocardo de que não há nulidade sem prejuízo. Por tudo, perfeito o auto de infração que discriminou a base legal infringida (fl. 693), como ocorre corriqueiramente nos trabalhos da espécie, porém com as imputações descritas com minúcias no Termo de Verificação que encerrou a ação fiscal. Acrescentese, ainda, que para justificar a exigência de IRRF sobre os pagamentos sem causa a autoridade fiscal transcreve, também no Termo de Verificação Fiscal, as disposições do art. 61 da Lei nº 8.981/95. A recorrente também discorda da retroatividade dos efeitos da declaração de inaptidão, e observa que se não fosse esta acusação, seu ônus probatório seria muito menor, pois lhe caberia a comprovação de poucos fatos, tais como os pagamentos efetuados em dinheiro (após saques em contas), o que seria muito mais fácil do que comprovar que a empresa Tracterra era idônea, especialmente sem ter acesso às informações de tudo o que ocorreu nos processos relacionados a referida empresa. Como já dito, não cabe à recorrente demonstrar que “Tracterra” era uma empresa idônea, mas apenas que ela existia de fato, mediante prova de que com ela foram contratados os serviços enunciados nas notas fiscais, e acordados os adiantamentos em favor dela escriturados, mas destinados a beneficiários diversos, e inclusive ao diretor presidente da autuada. Daí a irrelevância da discordância da contribuinte acerca da retroatividade dos efeitos da inaptidão determinados no art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 748/2007, como bem exposto na decisão recorrida: Passase à defesa do item I.f da defesa (a declaração de inaptidão da empresa Tracterra, ocorrida em 15/09/2009, que levou a fiscalização a considerar os documentos fiscais dessa empresa inidôneos, não podem retroagir a data anterior a tal declaração, por ausência de previsão legal nos arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430/96 e por violação ao ato jurídico perfeito). Como já dito e redito, a declaração de inaptidão da Tracterra, com a diligência nela feita, foi apenas mais um elemento de prova para demonstrar a inidoneidade das notas fiscais emitidas por tal empresa. O auto de infração poderia subsistir tranqüilamente com as demais provas dos autos, a partir da investigação feita na contabilidade do fiscalizado. Dessa forma, mesmo que a inaptidão não tivesse sido declarada, forçoso glosar os custos oriundos de tais notas fiscais, pois, repisese, em nenhum momento, mesmo nesta impugnação, o fiscalizado conseguiu demonstrar a prestação dos serviços. Como já se disse, tratase de serviços não prestados, pagos a terceiros e até em prol do diretorpresidente da fiscalizado, a demonstrar a imperiosa necessidade da manutenção da glosa. Dessa forma, a eventual vedação da retroatividade dos efeitos da inaptidão não teria o condão de restabelecer as despesas glosadas, pois se trata de serviços não prestados, alicerçados em notas fiscais graciosas, como já dito. Afastase, mais uma vez, a defesa do impugnante. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 26 25 Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter as exigências principais de IRPJ, CSLL e IRRF aqui formalizadas. Quanto à multa qualificada, a recorrente reitera que não foi apontado no auto de infração, precisamente, em qual dispositivo, de que modo e por qual motivo que os fatos apontados como incorretos se enquadram nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Mais uma vez merece reprodução a argumentação desenvolvida pela autoridade julgadora de 1a instância para rejeitar estes argumentos: Por fim, passase à defesa do item I.g (a autoridade fiscal não fundamentou a aplicação da multa agravada de 150%, não tendo sido apontada onde a conduta do contribuinte se enquadraria nos tipos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.520/64). No ponto, colacionase excerto do Termo de Verificação Fiscal, no qual a autoridade fundamentou a multa qualificada no percentual de 150%: “... também deixou de comprovar com documentação hábil as “devoluções” supostamente efetivadas pela Tracterra (solicitada no item “1” daquela duas intimações idênticas, nºs 14 e 15), motivo pelo qual restanos ratificar mais uma vez as conclusões exaradas no processo administrativo 10.980.001617/200956, e concluir que a empresa “Tracterra Solopavi Terraplenagem e Locações” é inidônea, inexistente de fato, sendo os pagamentos contabilizados à esta, não comprovados, assim como os supostos serviços prestados e notas fiscais por ela emitidas, considerados meros subprodutos da FRAUDE E DA SIMULAÇÃO, portanto inidôneos e sujeitos à multa agravada prevista no parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 11.488/2007. Concluindo, por tudo que aqui ficou demonstrado, solidificase (e muito) a constatação de que a empresa Tracterra Solopavi, diferentemente do que quer fazer crer a contabilidade da Engeplan, não recebeu recurso algum de “adiantamentos”, nem prestou efetivamente serviço nenhum à contribuinte (exceto, obviamente, aqueles relativos ao fornecimento das notas fiscais graciosas e fraudulentas), corroborando, pois, a Representação Fiscal de fls. 333 a 362, e todas as conclusões exaradas e oficializadas no processo 10980.001617/200956, motivo pelo qual tais pagamentos deverão ser apontados como “pagamento sem causa”, e quando se traduziram em custos, esses devem ser irremediavelmente glosados, pois que inexistentes, sem comprovação, desnecessários e/ou inidôneos” (fl. 687 – grifos do original). Claramente se vê que a motivação da qualificação encontrase no singelo e gravíssimo fato de que o contribuinte fiscalizado fez uso de notas fiscais frias, inidôneas, como custos e pagamentos sem causa, que não representaram qualquer serviço prestado. Ora, a utilização de notas fiscais inidôneas autoriza a qualificação da multa de ofício, pois aqui não se está de frente a uma mera glosa de despesas, mas, ao revés, de uma conduta dolosa, qualificada, a merecer a devida e qualificada reprimenda pecuniária. [...]. Quanto ao item II.c, titulado como “(c.3) Pagamentos sem causa – A ausência de fundamentação na aplicação da multa agravada de 150%” (fl. 753), o contribuinte discorreu sobre o instituto da denúncia espontânea (sic), pedindo:“Com relação ao principal, convém registrar, por lealdade processual, que está condicionado ao não aproveitamento por restituição e/ou compensação do valor principal recolhido indevidamente nos períodos subseqüentes, e se este procedimento foi aceito pela Receita Federal” (fl. 755). Obviamente, não há qualquer liame da aplicação da multa qualificada com o instituto da denúncia espontânea. As condutas qualificadas não foram confessadas Fl. 866DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.722584/201145 Acórdão n.º 1101001.096 S1C1T1 Fl. 27 26 espontaneamente pelo fiscalizado, mas a ele imputadas pela fiscalização. Se assim fossem, com o efetivo pagamento, não haveria falar em aplicação de qualquer multa de ofício. Parece claro que o impugnante inseriu na peça defensiva matéria completamente estranha aos autos. Em todo caso, mesmo que se considerasse a defesa apenas pelo seu título, aqui se aplicaria, in totum, as razões do item I.g. do tópico precedente, pois a qualificação da multa de ofício decorreu pagamentos inexistentes em prol da Tracterra, em benefício até do diretorpresidente da fiscalizada. Acrescentese, apenas, que a fraude é a figura prevista no art. 72 da Lei nº 9.430/96, e a falta de indicação específica destes dispositivo legal em nada prejudica a acusação formatada como antes reproduzido. Logo, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade. Por fim, quanto à alegação de que as penalidades aplicadas seriam confiscatórias, estando seu percentual previsto em lei, resta apenas invocar a Súmula CARF nº 2, no sentido de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registrese, ainda, que as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS não compõe estes autos, motivo pelo qual os argumentos contra elas opostos pela recorrente não serão aqui apreciados. Diante de todo o exposto, além de REJEITAR as preliminares argüidas pela recorrente, o presente voto é no sentido de, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 867DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720462/2012-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010
EXAÇÃO FISCAL VÁLIDA. LASTRO LEGAL. CONSTITUCIONAL. SITUAÇÃO RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AS EXPRESSÕES ADMINISTRADORES; EMPRESÁRIOS E AUTÔNOMOS FORAM CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. TODAVIA TAL SITUAÇÃO É INDIFERENTE A ESTE LANÇAMENTO, POIS O PERÍODO LANÇADO É POSTERIOR A NOVA REDAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO QUE ALARGOU A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO E DA NOVA LEI QUE CRIOU A EXAÇÃO COM APOIO NO TEXTO CONSTITUCIONAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Recorrente TRANSPORTES URBANOS E RURAIS FRAGATA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 EXAÇÃO FISCAL VÁLIDA. LASTRO LEGAL. CONSTITUCIONAL. SITUAÇÃO RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AS EXPRESSÕES “ADMINISTRADORES”; “EMPRESÁRIOS” E “AUTÔNOMOS” FORAM CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. TODAVIA TAL SITUAÇÃO É INDIFERENTE A ESTE LANÇAMENTO, POIS O PERÍODO LANÇADO É POSTERIOR A NOVA REDAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO QUE ALARGOU A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO E DA NOVA LEI QUE CRIOU A EXAÇÃO COM APOIO NO TEXTO CONSTITUCIONAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 04 62 /2 01 2- 39 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720462/201239 Acórdão n.º 2803003.393 S2TE03 Fl. 736 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.352.3580, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente do pagamento aos contribuintes individuais – sócios – parte patronal, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 11 a 17, com período de apuração de 06/2007 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 21 e 22. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 30/04/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 661 a 666, estando acompanhada dos documentos, de fls. 667 a 673. Consta, as fls. 674, Termo de Apensação (1), onde consta a apensação do PROC: 11040.720464/201228 a este, datado de 01/06/2012. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 675. A empresa impugnante apresenta ratificação à impugnação, conforme peça, de fls. 681 e 682, acompanhado do documentos, de fls. 683. O órgão julgador a quo baixou os autos em diligência, fls. 685. A diligência foi atendida pelo, despacho, de fls. 686, e supostamente cientificada ao contribuinte com reabertura de prazo de defesa, conforme AR, as fls. 687 e 688. O contribuinte apresentou resposta a intimação da diligência, as fls. 699 e 700, acompanhada da documento, de fls. 701. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1042.964 7ª, Turma DRJ/POA, em 20/03/2013, fls. 707 a 716. A impugnação foi considerada procedente em parte e a contribuição foi reduzida, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 718 a 720. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/04/2013, conforme AR, de fls. 722. Consta, as fls. 723, Termo de Desapensação (1), onde consta a desapensação do PROC: 11040.720464/201228 destes autos, datado de 06/05/2013. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 725 a 729, recebida, em 26/04/2013, acompanhada do documento, de fls. 730, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720462/201239 Acórdão n.º 2803003.393 S2TE03 Fl. 737 3 Mérito · que a exação fiscal é infundada, pois baseada nas Leis 7.787/89 e 8.212/91, uma vez que ambas maculam a Carta Magma ao exigir contribuição patronal do prólabore, promovendo expansão das fontes de custeio sem lastro constitucional é o que dizem Sacha Calmon Navarro Coelho e Mizabel Abreu Machado Derzi; · Dos requerimentos: a) espera acolhimento integral do recurso, para promover a reforma do acórdão de primeiro grau. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 733. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 733. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 23/01/2014, fls. 734, Lote 03. É o Relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720462/201239 Acórdão n.º 2803003.393 S2TE03 Fl. 738 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. Assiste razão à recorrente, o artigo 3º, I, da Lei 7.787/89, que exigia a contribuição sobre “administradores e autônomos” acabou declarada inconstitucional pelo STF no RE 177.2964/210, que acabou reconhecida pela Resolução do Senado Federal nº 14/1995. No que concerne as expressões “empresários e autônomos” constantes do inciso I, da Lei 8.212/91 em sua redação primitiva foram consideradas inconstitucionais pelo STF nas ADIN’s 1.102; 1.108 e 1.116/95. Todavia, de forma alguma o presente crédito fica afetado em razão disso, pois a Emenda Constitucional Nº 20/1998 alterou a redação do artigo 195, I, “a”, da CRFB/88, ampliando a base de incidência da contribuição social previdenciária e os inciso III, da Lei 8.212/91 foi acrescentado pela Lei 9.876/99 com vigência a partir de 03/2000, sem a mácula anterior, sendo desta forma devida a contribuição. O relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 07 e 08, no rubrica 224 e 224.05 deixam isso claro. Esta questão, também, se esclarece pelo período de exigência do crédito 01/2008 a 12/2008, haja vista que a modificação do texto constitucional já havia ocorrido e a promulgação da nova lei já a tornava existente, válida e eficaz e, assim, aplicável em sua plenitude. Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720462/201239 Acórdão n.º 2803003.393 S2TE03 Fl. 739 5 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015991/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL.
É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 59 91 /2 00 8- 51 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.015991/200851 Acórdão n.º 2801003.428 S2TE01 Fl. 248 2 Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Para a contribuinte identificada no preâmbulo, foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Brasília DF, a Notificação de Lançamento de fls. 10/13, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2007. Foi apurado imposto suplementar de R$ 4.234,64, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND 01/17.747.333, quando foram alterados os dados nela informados em razão da seguinte irregularidade: • Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos valores de R$ 11.293,30, R$ 5.819,53 e R$ 383,90, pagos por Comando do Exército, Sociedade de Ensino Superior Fênix Ltda e CAPEMI, respectivamente. Foi considerado o IRRF de R$ 118,20. A descrição dos fatos e o enquadramento legal estão anotados à fl. 13. O Órgão de origem registra que a Notificação de Lançamento Automática foi finalizada indevidamente, tendo em vista que não foi suspenso o prazo no sistema “com a entrega da impugnação/solicitação de retificação de lançamento”. Por este motivo, o lançamento foi revisado pela fiscalização, contudo, por ausência da comprovação do direito à isenção por moléstia grave, a Notificação de Lançamento foi mantida, fls. 174/186. Depois da ciência, a contribuinte apresenta impugnação às fls. 190/194. Afirma que os rendimentos de pensão e aposentadoria devem ser considerados isentos por moléstia grave, uma vez que o Dr. Fernando Medeiros e a Drª Rosângela são médicos da Câmara dos Deputados e da Secretaria de Saúde, respectivamente, bem como o Dr. Renault de Matos é médico conceituado no Distrito Federal. Solicita que os laudos, atestados e perícias constantes de sua defesa sejam Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.015991/200851 Acórdão n.º 2801003.428 S2TE01 Fl. 249 3 ratificados por junta médica de própria Receita Federal, para que não paire dúvidas sobre o precário estado de saúde da impugnante. Informa que os rendimentos recebidos da Sociedade de Ensino Superior Fênix são os mesmos oriundos do IESGO, os quais já foram declarados. Aos autos foram juntados os documentos de fls. 14/116, 127/164 e 208/223. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.230/235numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 PERÍCIA E DILIGÊNCIA. No processo administrativo fiscal, a teor do disposto na legislação de regência, os pedidos de diligência e perícia somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. É devido o lançamento de ofício para incluir rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica e não informados pelo sujeito na Declaração de Ajuste Anual. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 14.12.2011(fl.239), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 12.01.2012,(fls.231/243). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte: • Alega que os documentos acostados aos autos provam que os rendimentos são oriundos do Comando do Exercito referente a pensão militar, bem como da CAPEMI e CAPEMISA. • Aduz que não foram analisados nenhum documentos acostado aos autos. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.015991/200851 Acórdão n.º 2801003.428 S2TE01 Fl. 250 4 • Diz que os inúmeros LAUDOS MÉDICOS provam cabalmente a moléstia grave da contribuinte e que foram emitidos pelo serviço publico de notório saber. • Ao final pede a improcedência do Lançamento fiscal. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese no lançamento de omissão de rendimentos tributáveis das fontes pagadoras; Comando do Exercito (R$11.293,30), Sociedade de Ensino Superior Fênix Ltda (R$ 5.819,53) e CAPEME (R$ 383,90) e IRRF R$ 118,20 e Isenção de imposto de renda em face de Moléstia grave. Percebese dos autos que, a recorrente alega que tal valor tem natureza de rendimentos de pensão e aposentadoria, pois foi lançada na Declaração de Ajuste Anual como rendimentos isentos em face de ser portadora de Moléstia grave. Em sede de recurso, assim como na fase impugnatória, a contribuinte sustenta que os rendimentos recebidos de pensão e aposentadoria são isentos do imposto de renda. Entretanto, a interessada nada trouxe como prova a respeito da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica que lhe foi imputada. Isto é, a recorrente não apresentou qualquer argumento ou elemento de prova no sentido de rechaçar a conclusão da autoridade fiscal no que se refere a este aspecto. Alega que apresentou o Laudo Médico fornecido pelo Dr. Fernando Medeiros, e Dra. Rosangela e que são médicos da Câmara dos Deputados e Secretaria da Saúde. Cita, ainda, o Dr. Renault de Matos médico conceituado no Distrito Federal às (fls.156/166) No presente caso, a recorrente argumenta que não pode prosperar a exigência formalizada na Notificação de Lançamento em apreço, eis que a contribuinte faz jus à isenção prevista no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações. Sobre a matéria, assim dispõe o inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988: “Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas”: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.015991/200851 Acórdão n.º 2801003.428 S2TE01 Fl. 251 5 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)” Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995 determina: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).” Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto a essa matéria, a decisão recorrida concluiu que não consta dos autos laudo médico pericial emitido por serviço oficial de saúde (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios) para comprovar a Doença Grave alegada e a data em que foi diagnosticada, conforme determina o §4° do artigo 39, incisos XXXI e XXXIII do RIR/99, portanto, entendo, deve ser mantida a decisão de piso. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 251DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.015991/200851 Acórdão n.º 2801003.428 S2TE01 Fl. 252 6 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.004906/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Atilio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Atilio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 49 06 /2 00 8- 63 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.004906/200863 Acórdão n.º 2102002.633 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 39 a 42: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2005, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 4 a 7, cm q*e foi apurada dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 23.227,50, resultando num saldo de imposto a restituir ajustado de R$ 42,49. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 4 a 7 em 17/06/2008 (fl. 20), o Contribuinte apresentou em 14/07/2008 a impugnação de fl. 1, pleiteando, em síntese, que fossem canceladas as glosas de despesas médicas efetuadas no auto de infração em epígrafe, juntando, para esse fim, os comprovantes de despesas médicas de fls. 8 a 14. Em 12/02/2010, o interessado juntou a petição de fl. 31 e o laudo pericial de fl. 32. Foi solicitada prioridade no julgamento, conforme fls. 35. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, considerando comprovadas as despesas médicas relativas aos recibos de fis. 8 (R$ 300,00 e R$ 300,00), 9 (R$ 268,07), 10 (R$ 60,14), 11 (R$ 170,00), 12 (R$ 350,00), 14 (R$ 187,50). Já a despesa de R$ 21.130,56 não pode ser abatida em razão de o comprovante de fl. 13 não informar o titular e os beneficiários do plano de saúde Bradesco S/A no anocalendário de 2005, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. As deduções de despesas médicas somente são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 53 a 68, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes pedidos: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.004906/200863 Acórdão n.º 2102002.633 S2C1T2 Fl. 4 3 a) O refazimento dos cálculos constantes da fl. 3 do Acórdão, para o fim de se recalcular o imposto realmente devido ao contribuinte tendo em vista o laudo apresentado e os documentos juntados quanto ao valor global do Plano de Saúde dos Membros do Tribunal de Contas do Rio de JaneiroAcoterj; b) A restituição do valor retido pela Receita Federal; c) A observância, no ato de restituição, da prioridade postulada na preliminar deste Recurso. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR OBJETO DO LITÍGIO – ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Pede o contribuinte a restituição do valor retido pela Receita Federal. Ocorre que essa questão foge ao objeto da notificação de lançamento de fls. 04 a 07, objeto do litígio que ora se julga. Caso o contribuinte, entenda que é de seu direito essa questão, ela deve ser feita via procedimento próprio de pedido de restituição junto a unidade de origem da RFB da sua jurisdição. Assim sendo, voto pela não apreciação desse pedido pela falta de objeto no processo. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS – BRADESCO SAÚDE – R$21.130,56. Sobre esse item assim, se manifestou a DRJ ao indeferir o pedido: Já a despesa de R$ 21.130,56 não pode ser abatida em razão de o comprovante de fl. 13 não informar o titular e os beneficiários do plano de saúde Bradesco S/A no anocalendário de 2005. Com o Recurso, o contribuinte complementou as suas alegações acerca do seu direito de dedutibilidade das despesas com o Plano Bradesco Saúde, apresentando a Carta da Associação Dos Conselheiros Dos Tribunais De Contas Do Estado e Do Município Do Rio De Janeiro – ACOTERJ de fls. 55/56. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.004906/200863 Acórdão n.º 2102002.633 S2C1T2 Fl. 5 4 A norma do Imposto de Renda é clara ao dizer que são dedutíveis as despesas com planos de saúde do titular e seus dependentes e é condição necessária que se possa identificar cada parcela de um plano de saúde para que se possa avaliar os casos de abatimento da base de cálculo. O documento que o contribuinte trouxe com o Recurso não respondeu a questão que o Acórdão recorrido levantou, supratranscrito, razão do indeferimento, considerando que podese ter dependentes do plano que não são dependentes do IR. Acerca da alegações de onde se obtém o raciocínio que os valores são independentes do número de dependentes, não é factível que um associado de um determinado plano de saúde sem dependentes pague o mesmo que outro com 10 dependentes, em hipótese. Assim, entendo que não respondida a questão do indeferimento da instância anterior, resta impossível a reversão da glosa efetuada. CONCLUSÃO Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903922/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Tratase de processo eletrônico de cobrança gerado em função da não homologação de compensações declaradas no Processo de n º 15374.901929/200923 que foi juntado, por apensação, ao presente processo. A interessada apresentou, em 14/02/2005, o PERDCOMP n º 12567.14464.140205.1.3.042201, a fim de obter o reconhecimento de direito creditório no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 03 92 2/ 20 09 -4 6 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.903922/200946 Resolução nº 1801000.337 S1TE01 Fl. 3 2 valor de R$ 14.619,61, decorrente de pagamento a maior de IRPJ apurado pelo Lucro Presumido, no 2o. trimestre do ano de 2003. De acordo com a DCTF retificadora apresentada junto da manifestação de inconformidade, o valor do IRPJ devido no 2o. trimestre/2002 teria sido de R$ 106.887,54, enquanto que o pagamento realizado por DARF somou R$ 121.507,15. Pelo Despacho Decisório de fl. 22 a DERAT/RJ não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações a ele vinculadas pois o DARF com o pagamento no valor de R$ 121.507,15 teria sido totalmente alocado a débitos da interessada, não restando saldo passível de utilização em compensações. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada argüiu, a empresa, que teria direito ao indébito e que a prova seria a DCTF retificadora juntada. A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito ao fundamento de que a DCTF retificadora apresentada após a edição do Despacho Decisório denegatório da compensação não comprovaria a liquidez e certeza do indébito. Notificada da decisão, em 18/03/2013 (fl. 47 do processo apensado), apresentou a interessada, em 17/04/2013, recurso voluntário. Aduz, inicialmente, que as compensações declaradas não foram homologadas em face da existência de mero erro material de preenchimento da DCTF original e que o equívoco cometido foi demonstrado na DCTF retificadora que fez constar o valor efetivamente devido de IRPJ do 2o. trimestre de 2003, no valor de R$ 106.887,54. Anexou cópia da página do Livro Razão Analítico a fim de demonstrar o IRPJ devido no período. Alega que não há na legislação de regência da DCTF qualquer redação que vede a retificação após a ciência de Despacho Decisório e que em respeito ao princípio da verdade material, devese reconhecer a correção do procedimento adotado. Ao final pugna pelo provimento das razões recursais. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345. É o relatório. VOTO Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente apresentou PERDCOMP a fim de utilizar, em compensações com débitos de sua responsabilidade, direito creditório oriundo de pagamento a maior de IRPJ do 2o. trimestre de 2003, que pretende provar pela apresentação de DCTF retificadora do 2o. trimestre de 2003 e de cópia de página de Livro Razão. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.903922/200946 Resolução nº 1801000.337 S1TE01 Fl. 4 3 É fato que o órgão de origem não instruiu adequadamente os autos, pois não foram anexadas a cópia da DCTF original e da DIPJ do 2o. trimestre de 2002. Em que pese a falha, a recorrente ofereceu um princípio de prova a seu favor, pois colacionou cópia da página de suposto Livro Razão Analítico (fls. 12/122 do processo apensado), que traz as seguintes informações: Data Histórico Débito Crédito 30/06 Vr Ref. I. Renda s/o L Presumido do 2o trimestre 2002 129.254,53 31/07 IRPJ (LP) 2o. Tri 2003 121.507,15 31/07 Compensação IRRF s/ IRPJ (LP) 2o. tri 2003 22.199,22 31/07 Compensação IRRF s/ IRPJ (LP) 2o. tri 2003. (IR s/ Apl Fin) 67,77 31/07 Vl Ref. Pgto a maior 14.619,61 Verificase, assim, que a recorrente pode, de fato, ter efetuado pagamento de IRPJ sobre o Lucro Presumido do 2o. trimestre de 2002, em valor maior que o devido. Necessário, contudo, para validação do direito creditório invocado e da homologação das compensações a ele vinculadas que outros elementos sejam trazidos aos autos. Proponho, assim, o retorno do presente processo ao órgão de jurisdição da recorrente para que, em diligência fiscal, seja a empresa intimada a demonstrar, com elementos de sua escrituração contábil e fiscal, a apuração completa do IRPJ sobre o Lucro Presumido do 2o. trimestre de 2002, a partir da aplicação do percentual de presunção sobre a base de cálculo corretamente demonstrada, assim como do IRRF utilizado na dedução do valor apurado. Devem ser anexadas, ainda, pelo órgão de origem, as cópias da DIPJ e da DCTF original referentes ao 2o. trimestre de 2002. Ao final dos trabalhos DEVERÁ o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, a fim de que fique demonstrado se houve, realmente, pagamento de IRPJ sobre o Lucro Presumido, no 2o. trimestre de 2003, em valor maior que o devido. Do referido relatório deverá ser cientificada a recorrente para aditar suas razões de defesa, no prazo de 30 dias, se assim o desejar, retornandose, posteriormente os autos, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.940751/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DIREITO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SUJEIÇÃO AO PRAZO PRESCRICIONAL DO ART. 168 DO CTN
Sendo a compensação forma pela qual pode ser operada a restituição, sujeita-se ao prazo prescricional de 5 anos do Art. 168 do CTN, contados do momento em que restar caracterizado o pagamento indevido, consoante estipulado pela Lei Complementar nº 118/2005 (Art. 3º), caso o direito de compensação tenha sido exercido após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 9.6.2005.
Numero da decisão: 1801-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DIREITO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SUJEIÇÃO AO PRAZO PRESCRICIONAL DO ART. 168 DO CTN Sendo a compensação forma pela qual pode ser operada a restituição, sujeita-se ao prazo prescricional de 5 anos do Art. 168 do CTN, contados do momento em que restar caracterizado o pagamento indevido, consoante estipulado pela Lei Complementar nº 118/2005 (Art. 3º), caso o direito de compensação tenha sido exercido após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 9.6.2005.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SUJEIÇÃO AO PRAZO PRESCRICIONAL DO ART. 168 DO CTN Sendo a compensação forma pela qual pode ser operada a restituição, sujeita se ao prazo prescricional de 5 anos do Art. 168 do CTN, contados do momento em que restar caracterizado o pagamento indevido, consoante estipulado pela Lei Complementar nº 118/2005 (Art. 3º), caso o direito de compensação tenha sido exercido após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 9.6.2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 07 51 /2 00 9- 59 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face ao acórdão da DRJ em Belo HorizonteMG (fl. 110117), com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: O direito à restituição/compensação de crédito tributário pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apurou no anocalendário de 2004, saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 300.941,75, utilizandoo nas Declarações de Compensação indicadas às fls.104/107. A negativa à homologação, segundo a DRJ, seria a ocorrência de prescrição, ou perda do direito de efetuar a compensação, uma vez que o crédito se perfez em 31 de dezembro de 2004 e as compensações ocorreram em 25 de março de 2011, logo, em mais de 05 anos contados daquela data. Irresignado, aduz o contribuinte em seu recurso voluntário (fl. 190 e ss. Do e processo): a) Que existe um “grande equívoco” na Decisão da DRJ/BHE, na medida em que o contribuinte não pretende compensação de pagamento indevido ou a maior, disciplinado pelos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, mas sim saldo negativo do imposto de renda, que ostentaria natureza de “antecipações obrigatórias e decorrentes de lei”. Assim, o saldo negativo do imposto de renda seria transferido obrigatoriamente e automaticamente para os anos posteriores, “devendo seu controle ser efetuado em um conta corrente, assim como o saldo credor do IPI, do PIS e da COFINS, que se transferem sempre para os períodos seguintes, sem falar em prescrição”; b) Que o prazo de contagem do prazo decadencial/prescricional para a restituição ou compensação do saldo negativo do imposto de renda somente se inicia se o contribuinte sair do regime de tributação do lucro real ou for extinta a pessoa jurídica, o que não é o caso dos autos; c) Que da época da geração do saldo negativo 31 de dezembro de 2004, até o dia 31 de dezembro de 2011, o contribuinte não apurou lucro real e, por consequência, não apurou imposto a pagar; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10680.940751/200959 Acórdão n.º 1801001.981 S1TE01 Fl. 506 3 Ao final, cita em seu favor, jurisprudências administrativas e pede seja o recurso provido e homologada a compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Não merece provimento a irresignação do contribuinte. O direito à compensação integra as possibilidades asseguradas ao contribuinte para obter a restituição de tributo pago à maior ou indevidamente (como no caso de formação de saldo negativo de IRPJ): “[...] A restituição do tributo pago indevidamente fazse mediante repetição propriamente, via precatório ou requisição de pequeno valor, ou, conforme a opção do contribuinte, mediante compensação com outros tributos efetivamente devidos, quando haja lei específica autorizando (PAULSEN, Leandro. Código tributário nacional. Porto Alegre : livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2012, pg. 168). Por esse motivo, a jurisprudência admite até mesmo que o contribuinte pode optar pela compensação, apesar de ter requerido a restituição, a teor do AgRg no REsp 1.086.243/SC, STJ, Ia Turma, Luiz Fux, unânime, 1342010, DJe 2742010 (sob o regime do art. 543c do CPC): "[...]1. O contribuinte tem a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via do precatório ou proceder à compensação tributária, seja em sede de processo de conhecimento ou de execução de decisão judicial favorável transitada em julgado." O legislador ordinário, a título expletivo, reconhece o direito à restituição de eventual saldo negativo de IRPJ, podendo, a critério do contribuinte, ser este exercido através de declaração de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, consoante já se defluia da redação vigente à época dos seguintes dispositivos: Lei 9.430/96: Art. 6º, §1º. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: [...] II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. [...] Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Tratandose, a compensação de forma pela qual pode ser operada a restituição, resta indubitável a aplicação do Art. 168 do CTN ao caso sob análise. De outro lado, resta também pacificado na jurisprudência a aplicação da contagem do prazo prescricional de 5 anos previsto naquele artigo a partir do pagamento indevido para o caso do direito de compensação ter sido exercido após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005 (Art. 3º), ou seja, a partir de 9.6.2005: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA "C". NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. ARTS. 105, 150, §§ 1º E 4º, 150, VI, 165, I, 168, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO QUINQUENAL A CONTAR DE CADA PAGAMENTO INDEVIDO. APLICAÇÃO RETROATIVA INDEVIDA. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO NOVO PRAZO ÀS AÇÕES AJUIZADAS A PARTIR DE 9.6.2005. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fáticojurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizandose o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 2. A alegação de afronta aos arts. 105, 150, §§ 1º e 4º, 150, VI, 165, I, 168, I, do Código Tributário Nacional, a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Incide a Súmula 211/STJ porque, para que se tenha por atendido o requisito do prequestionamento, não basta que a Corte local dê por prequestionado o dispositivo (fl. 449, eSTJ), é indispensável também a emissão de juízo de valor sobre a matéria. 3. O egrégio STF concluiu o julgamento de mérito do RE 566.621/RS em repercussão geral, em 4.8.2011, afastando parcialmente a jurisprudência do STJ fixada no REsp 1.002.932/SP (repetitivo). 4. O STF ratificou a orientação do STJ, no sentido de ser indevida a retroatividade do prazo de prescrição quinquenal, nos termos da LC 118/2005, para o pedido de repetição do indébito referente a tributo lançado por homologação. Entretanto, em relação ao termo e ao critério para incidência da novel legislação, entendeu "válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005", afastando o óbice à incidência sobre pagamentos realizados antes do início de vigência da LC 118/2005, como o STJ vinha decidindo. 5. A Primeira Seção, na assentada do dia 23 de maio de 2012, ao julgar o REsp 1.269.570/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell, sob o rito dos recursos Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10680.940751/200959 Acórdão n.º 1801001.981 S1TE01 Fl. 507 5 repetitivos (art. 543C do CPC), acabou por adequar a jurisprudência do STJ ao recente posicionamento do STF. 6. No presente caso, a demanda foi ajuizada em 29.9.2011, razão pela qual a prescrição é regida pela tese dos "cinco mais cinco". 7. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que a interpretação do conceito de faturamento para fins de incidência de contribuição ao PIS e à Cofins é matéria eminentemente constitucional, que foge da sua competência no âmbito do Recurso Especial. Precedentes: REsp 1.017.645/CE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 10.9.2010; AgRg no REsp 1.224.734/RN, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 13.6.2012. 8. Agravo Regimental não provido. (STJ : AgRg no Resp 1438555/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2014, DJe 22/05/2014) Considerando, no presente caso, que as compensações ocorreram em 25 de março de 2011, logo, mais de 05 anos contados do nascimento do direito subjetivo à repetição de indébito (31 de dezembro de 2004), mister se faz a manutenção do aresto recorrido. Nego, portanto, provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES
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