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Numero do processo: 10074.000315/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 17/10/2003 a 24/03/2006 Ementa: PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.497
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário.
Nome do relator: Luiz Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/10/2003 a 24/03/2006 Ementa: PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente Auto de Infração de fls.01 a 07, contra a contribuinte acima qualificada, no qual se exige a multa no valor de R$ 23.608.749,76, decorrente de conversão de pena de perdimento, com fundamento no art. 73, §1º e §2º da Lei nº 10.833/03 e arts. 602, 604, IV e 618, §1º, do Decreto nº 4.543/02. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 2 2 Segundo consta do Relatório de Fiscalização de fls. 08 a 26, parte integrante do auto de infração em comento, a aplicação da penalidade em tela teve por base o acatamento pela autoridade competente (IRF/RJO) da Representação para Fins de Declaração de Inaptidão do CNPJ da contribuinte em epígrafe e conseqüente expedição do Ato Declaratório Executivo nº 7, de 27.04.2007 (juntado às fls. 3062/3063 do processo nº 10074.001027/200611), cujos efeitos retroagiram a 05.05.2003 (data da constituição da referida sociedade empresarial), em conformidade com o procedimento especial previsto na IN/SRF nº 228/2002, tendo em vista os fatos apontados no relatório anexo ao citado processo de inaptidão (processo nº 10074.001027/200611), cujas cópias de inteiro teor se encontram juntadas nos Anexos I a XVI do presente processo. Quando da realização da investigação regrada pela mencionada norma complementar (IN/SRF nº 228/2002), que resultou na proposta e posterior acatamento da declaração de inaptidão da referida pessoa jurídica no CNPJ, a autoridade fiscal responsável por sua efetivação concluiu que a fiscalizada “não logrou comprovar no curso do procedimento diversos fatos e circunstâncias”, destacando, dentre outros: (i) a origem lícita dos recursos financeiros transferidos pelos sócios para a empresa como parcelas do capital subscrito e integralizado; (ii) a origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; (iii) a ausência de comprovação da participação da empresa fiscalizada como real adquirente das mercadorias introduzidas no território nacional em decorrência de operações de importação efetivadas em seu próprio nome. Com efeito, afirmam as autoridades lançadoras: “Cumpre destacar, inicialmente, que o desiderato desta fiscalização, na ação fiscal levada a efeito no contribuinte, caracterizouse pela persecução do destino dado às mercadorias importadas pela fiscalizada no período referente à ação fiscal em tela” (fl. 18). Mais adiante informam também que “excetuandose as mercadorias nacionalizadas por meio das declarações de importação 03/09344411 e 03/09973168, registradas respectivamente em 28/10/03 e 14/11/03, as outras mercadorias de origem estrangeira relacionadas no anexo ao Termo de Início de Fiscalização foram alienadas através das notas fiscais de venda relacionadas à fl. 263 e apresentadas para devida conferência. Sendo assim, no tocante às mercadorias introduzidas em território nacional por meio das declarações de importação elencadas nos extratos presentes às fls. 98/202, com as devidas exclusões mencionadas no presente Relatório, bem como as mercadorias objeto das declarações de exportação relacionadas nos extratos juntados às fls. 97, cabível a aplicação da multa prevista no parágrafo 1º do artigo 618 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543/2002, [...]” (fls. 22/23). Em suma, a acusação fiscal em tela está embasada em procedimento de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 3 3 fraudulenta levado a efeito contra a autuada, no qual as autoridades lançadoras evidenciam a não comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos nelas empregados, cujo detalhamento encontrase explicitado no referido Relatório de Fiscalização, bem como no relatório anexo ao processo nº 10074.001027/200611, que compõe os Anexos I a XVI dos presentes autos. Assim, com fundamento na legislação de regência, foi aplicada a pena de perdimento pelo fato de não ter sido localizadas as mercadorias importadas e, por conseguinte, lavrado o ora impugnado auto de infração, bem como foi apresentada a Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo nº 10074.000317/200800, em apenso. A contribuinte, cientificada da presente autuação em 12.03.2008 (fls. 02 e 05), apresenta, em 11.04.2008 (fl. 265), a impugnação de fls. 266 a 284, instruída com a documentação de fls. 285 a 474. Em sua defesa a impugnante centra seu inconformismo nos procedimentos que culminaram com a decretação da inaptidão do seu CNPJ, enfatizando que a IN/SRF nº 228/02, por tratar de procedimento específico, não possibilita ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, consistindo em norma de caráter autoritário. Por conseguinte, o presente auto de infração é ilegal, pois fundamentado em Parecer que não atendeu ao devido processo legal e que sequer foi decidido administrativamente, além da suposta presunção de interposição fraudulenta de terceiros em importações diversas daquelas tratadas no âmbito do procedimento de inaptidão. Sintetizando, aduz que aplicação da pena de perdimento não prevalece, pois está fundamentada em simples declaração de inaptidão do seu CNPJ. Ademais, salienta que interpretação fiscal dada para o artigo 82 da Lei nº 9.430/1996 é por demais extensiva na medida que, por conta da declaração de inaptidão, considera inidôneos todos os documentos fiscais emitidos pela contribuinte, violando, por conseguinte, os ditames do artigo 112 do CTN, devendo, também por esse motivo, ser decretada a nulidade do auto de infração. Noutro rumo, a impugnante esclarece que em relação às mercadorias importadas por meio das declarações de importação (DI) nº 05/10025336, 05/10847913, 05/11627003, 05/14005488, 05/14005518, 06/00865767, 05/10859954, 05/12574361, 05/13443465, 05/13443473, 05/14005496, 05/14005500, 06/01379980 e 04/08731960 ocorreram Bis In Idem, pois mencionadas mercadorias já foram objeto de aplicação da pena de perdimento e respectiva conversão em pecúnia, conforme demonstram os autos dos processos nº 11684.000375/200729, 10711.006840/200617 e 10831.010871/200444, circunstância que vicia de forma inquestionável o auto de infração ora litigado, pois implica em enriquecimento sem causa da União e excesso de exação. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 4 4 Argumenta também que apresentou toda a documentação pertinente a cada uma das declarações de importação e de exportação relacionadas no termo de intimação que deu início à presente ação fiscal (fls. 28 a 36), a qual restam evidenciada a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados nas indicadas operações de comércio exterior, mas que, no entanto, foram absolutamente ignorados pelas autoridades lançadoras, em flagrante ofensa à Constituição Federal, por ignorarem os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e da legalidade, evidenciando, por conseguinte, que a autuação está fundada em meras presunções. De outra parte, alega a falta de prova da infração pelo Fisco, fato que põe em suspeição a forma de agir das autoridades lançadoras, principalmente por evidenciar a parcialidade do feito. Nesse sentido, faz as seguintes considerações, ipsis litteris: “Dentre seus esclarecimentos rebatendo os equívocos da Fiscalização que resultaram na presunção do cometimento das infrações ora apontadas, a Impugnante reiteradamente informou que adotava uma metodologia de trabalho que consistia em pesquisar o mercado a procura de possíveis compradores para produtos a que tinha acesso no exterior”. “Identificados possíveis clientes, a Impugnante adquiria as mercadorias no exterior e assim que as mesmo (sic) eram embarcadas, ou seja, quando já tinha garantia de que o produto estava a caminho, iniciava as negociações para a venda do produto. De modo que, ao chegar no Brasil e após o desembaraço, a mercadoria já poderia seguir para o seu cliente”. “Importante notar que a mercadoria era da (sic) Novo Atlântico: se no curso do transporte aduaneiro não fosse realizada a venda do produto, era ela quem iria arcar com as custas de armazenamento; se na data do fechamento de câmbio não houvesse efetuado a venda da mercadoria era ela a única responsável pelo pagamento”. “E, conforme atestam todos os documentos – indevidamente ignorados pelo Fisco – independentemente e prescindindo de qualquer pagamento anterior a data do fechamento de câmbio, a Impugnante possuía recursos para honrar todas as operações”. “O procedimento de antecipação de despesas foi adotado pela Impugnante como meio para protegerse de possível inadimplência, funcionando mesmo com SINAL que garantiria a efetivação da venda a seu Cliente. [...]”. Notese que não há qualquer ilegalidade na adoção do sinal utilizado para pagamento das despesas de importação. Tratase de estipulação negocial que não induz a interposição fraudulenta. Isto porque 100% (cem por cento) das DI’s realizadas pela Contribuinte, quando houve pagamento antecipado ao recebimento da mercadoria, o mesmo se deu Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 5 5 após a saída da mercadoria no exterior, ou seja, a venda só se realizou após a aquisição da mercadoria pela Contribuinte no exterior”. [...] “A origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações advém da lucratividade obtida nas operações anteriores, não tendo a Impugnante realizada NENHUMA operação sem lastro para arcar com os potenciais prejuízos, despesas e pagamentos caso não se realiza a venda do produto no curso do transporte marítimo que, via de regra, demandava tempo superior a 15 (quinze) dias”. “E, a origem e disponibilidade das primeiras operações advém da consolidação do capital social que, embora não seja objeto deste termo de fiscalização, deve ser observado haja vista que é utilizado como fundamento para a decretação da inaptidão que, por sua vez, está servindo como base para esta fiscalização”. Prosseguindo com seus argumentos de defesa, a impugnante sustenta que integralizou regularmente seu capital social, tanto o inicial quanto o decorrente de aumento, que alterou de R$ 200.000,00 para R$ 700.000,00, a despeito do não acatamento por parte da fiscalização, que exigiu, como elemento de prova, a apresentação dos respectivos extratos de depósitos bancários que demonstrassem a transferência dos respectivos valores, não obstante restar devidamente comprovado na sua escrita contábil. Salienta também que existe o patrimônio físico dos sócios, a despeito das considerações feitas pela fiscalização em sentido contrário. No entanto, alega que, independentemente da sua existência, não poderia a fiscalização atacar sua legalidade e origem, posto que sobre eles já se operou a homologação tácita, uma vez ultrapassado o qüinqüênio legal sem qualquer reparo por parte de fiscalização, tornando desarrazoada as insinuações e recusas da fiscalização em acatar tais recursos para fins de integralização do referido capital social da impugnante. Por fim, requer, o acolhimento dos argumentos de defesa expendidos nos autos do processo administrativo nº 10074.001027/200611, que tratou da Representação para Fins de Declaração de Inaptidão do CNPJ da contribuinte e conseqüente expedição do ADE nº 7, de 2007, tendo em vista que as autoridades lançadoras fizeram uso daquela Representação como fundamento para a presente exação, bem como a extinção do auto de infração e respectivo lançamento, pelas razões expostas. Por elucidativo, convém consignar que dos autos emergem a informação que os Anexos I a XVI referemse à cópia integral do processo nº 10074.001027/200611, que trata do procedimento de inaptidão do CNPJ da empresa fiscalizada; os Anexos XVII a XX referemse à cópia integral do processo nº 10074.000519/200509, que trata do procedimento de revisão da habilitação no Siscomex do representante legal da empresa fiscalizada; e os Anexos XXI a LXII tratam da documentação apresentada pela empresa no curso dos procedimentos de Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 6 6 auditoria/investigação que resultou na autuação fiscal em exame. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 17/10/2003 a 24/03/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O auto de infração não contém nulidade, uma vez que os vícios apontados são para o procedimento fiscal previsto na Instrução Normativa nº 228, de 2002, da expedida pela Secretaria da Receita Federal, o qual não tem os contornos de um processo fiscal, uma vez que é fase inquisitória e anterior a uma possível lavratura de auto de infração e/ou declaração de inaptidão de CNPJ. Por se tratar de dois atos administrativos diversos e autônomos, cada qual possibilita a confecção de um processo administrativo stricto sensu, na medida em que contêm sanções, e como tal, deve seguir ritos que observem os postulados do contraditório e da ampla defesa. COMÉRCIO EXTERIOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Com as presunções legais insertas no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, pela Lei nº 10.637/2002, basta a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações para que a Fazenda Nacional caracterize a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior. No caso vertente, isso ficou comprovado na medida em que se evidenciou a falta de recursos próprios da autuada para realização das operações comerciais mencionadas na ação fiscal. Inclusive a recorrente confessou a falta de origem dos recursos, ao reconhecer que as operações só eram possíveis com os recursos de outras pessoas jurídicas, e notese que mesmo os terceiros, nas importações por conta e ordem de terceiro, precisam comprovar a origem dos seus recursos. Assim é que alegar o recebimento de adiantamentos de clientes não é comprovar origem de recursos econômicofinanceiros. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 7 7 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário à ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria caso tenha sido consumida ou não seja localizada. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Valores comprovadamente lançados em duplicidade devem ser cancelados. Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Conforme recibo consignado à fl. 495, a recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 14/07/2009, uma terçafeira. Como é cediço, o prazo para interposição do recurso está previsto no art. 33, que deverá ser computado nos termos do art. 5º do Decreto no 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10074.000315/200811 Acórdão n.º 3102001.497 S3C1T2 Fl. 8 8 Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim sendo, a data limite para a apresentação de recurso voluntário seria o dia 13 de agosto de 2009. Ocorre que a recorrente postou o presente recurso no dia 14 de agosto de 2009, conforme envelope à fl. 524. De se acrescentar, finalmente, que a perempção foi consignada no despacho de fl. 526, lavrado pela repartição de origem. Sendo o recurso extemporâneo, voto no sentido de não conhecêlo. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16643.000337/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2006
CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Incide Contribuição para o PIS/Pasep-Importação sobre o pagamento à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior pela prestação de serviços, como os de assistência técnica, previstos em contrato de transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 3201-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Midori Migiyama, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2006 CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Incide CofinsImportação sobre o pagamento à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior pela prestação de serviços, como os de assistência técnica, previstos em contrato de transferência de tecnologia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2006 CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Incide Contribuição para o PIS/PasepImportação sobre o pagamento à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior pela prestação de serviços, como os de assistência técnica, previstos em contrato de transferência de tecnologia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 37 /2 01 0- 71 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Midori Migiyama, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, a ementa do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário apresentado pela recorrente: Cuida o presente processo da lavratura contra o sujeito passivo em epígrafe dos Autos de Infração discriminados abaixo, cuja ciência ocorreu em 28/12/2010 (fls. 505 e 513), cujos anexos são o Termo de Verificação Fiscal às fls. 486 a 500, bem como o disposto nos demonstrativos de apuração às fls. 501 a 503, 509 a 511: a) Auto de Infração que consta às fls. 504 a 508, em que foi constituído o crédito tributário no valor total de R$13.805.457,96, que inclui contribuição, juros de mora (calculados até 30/11/2010) e multa, relativamente à contribuição para financiamento da Seguridade Social (COFINS), código Receita 0434, cujos fatos geradores estão discriminados às fls. 506 a 508, com enquadramento legal às fls. 503 e 508; b) Auto de Infração que consta às fls. 512 a 516, em que foi constituído o crédito tributário no valor total de R$2.997.237,54, que inclui contribuição, juros de mora (calculados até 30/11/2010) e multa, relativamente à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), código Receita 0449, cujos fatos geradores são os discriminados às fls. 514 a 516, com enquadramento legal às fls. 511 e 516. 2. Irresignada com os lançamentos, em 27/01/2011, às fls. 520 a 536, apresentou a Contribuinte peça impugnativa, acompanhada dos documentos que foram juntados aos au t o s por meio da qual, em síntese, valendose de doutrina pátria, assim se manifesta: a) opõese a Contribuinte ao entendimento da Autoridade Autuante quanto a que, [...] em alguns casos, descritos pela empresa como Royalties e em outros serviços, não houve o recolhimento do PISImportação de Serviços nem da COFINS Importação de Serviços, embora o contrato entre as partes e invoice indicassem também o fornecimento de serviços. Afirma a Contribuinte que, a acolherse tal entendimento, implicaria ser ela [...] devedora das contribuições para o PIS e para a COFINS incidentes sobre a importação de serviço em decorrência da remessa de valores ao exterior denominados de "royalties", mas cujos contratos envolveriam transferência de tecnologia associada à prestação de serviços (fl. 521); Fl. 718DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 718 3 b) alega que estaria equivocada a interpretação da Autoridade Autuante quanto ao objeto do contrato firmado entre a Contribuinte e a empresa Honda Motor Co Ltd., uma vez que os valores remetidos ao exterior decorreriam de efetiva transferência de tecnologia relacionada à fabricação de veículos, e que, por isso, não se submeteriam à tributação das contribuições em tela (fl. 522); c) pretende afastar o contido no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 489, quanto a que [...] o termo royalty está relacionado à cessão e licença de uso e não se confunde com o fornecimento de tecnologia e de assistência técnica, que tem características de prestação de serviço. Alega a Contribuinte que teria sido a partir da interpretação dada ao termo royalty que entenderia a Autoridade Autuante que tudo que não estivesse relacionado à cessão ou licença de uso, seria prestação de serviço; d) valese do disposto na alínea "c" do art. 22 da Lei n.° 4.506, de 1964, para afirmar que o caso em análise se trataria de remessa de royalties para o exterior a título de direito de uso de fórmula de fabricação empregada na produção industrial da marca Honda; e) valese, outrossim, do disposto nos art. 16 e 17 da Instrução Normativa n.° 252, de 2002, da então Secretaria da Receita Federal, para concluir que os [...] royalties são rendimentos de qualquer espécie decorrente do uso, fruição, exploração de direitos dentre os quais destacamos o uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de industria e comércio, e que [...] assistência técnica é a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta [negrejado e sublinhado do texto original] [fls. 524 e 525]; f) afirma a Contribuinte, na pretensão de esclarecer a natureza da operação que realiza, que se trataria de remessas a títulos de royalties, em decorrência da transferência de tecnologia, é dizer, knowhow cedido pela Honda Motor Co Ltd., e não por consequência de prestação de serviço como teria entendido a Autoridade Fiscal (fl. 525); g) para corroborar suas alegações, transcreve a Contribuinte fragmento de contrato: "Artigo 3. (Transferência de Tecnologia) 3.1 Durante o prazo deste Contrato, HM fornecerá a HAB as Informações Técnicas na medida considerada necessária pela HM, revelandoas em forma documentada, e/ou enviando o(s) _perito(s) técnico(s) de HM ou de sua designada para instruílos e aconselhálos sobre a aplicação das Informações Técnicas e/ou de outro modo, da maneira mencionada neste Artigo 3" [negrejado e sublinhado no texto original] [fl. 525]; h) assim, assevera a Contribuinte que o objeto do contrato seria a transferência de tecnologia que implicaria o fornecimento de informações técnicas sobre produtos e peças desenvolvidos pela Honda Motor Co Ltd., sendo que, para isso, seria necessário a presença de técnicos estrangeiros especializados dessa empresa, Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 para instruir a Contribuinte sobre a aplicação destas informações técnicas [fl. 525]; i) afirma que a transferência de knowhow, que seria bem jurídico intangível, requereria a forma documental ou a forma pessoal, é dizer, neste último caso, necessitaria peritos técnicos aptos a instruir e aconselhar a Contribuinte sobre a aplicação das informações técnicas necessárias à execução do objeto do contrato [fl. 525]; j) alega que o contrato trataria de dois meios de transferência do conhecimento da produção de automóvel: [...] a transferência documental, por meio da qual o conhecimento em questão é transferido por manuais, relatórios, etc.; e a transferência pessoal, na qual o conhecimento é transmitido direta e verbalmente entre pessoas [negrejado e sublinhado no texto original] [fl. 529]; k) aponta que a Autoridade Autuante se teria equivocado [...] ao considerar que o contrato, denominado de "Contrato de Serviços", possuiria autonomia distinta daquela avençada que tem por objeto a transferência de tecnologia [fl. 529]; l) alega ausência de previsão de remuneração que pesaria sobre [... ] o conteúdo do denominado "Contrato de Serviços [fl. 529]; m) defende que seria [...] da própria natureza do produto fabricado automóveis a necessidade de treinamento técnico de engenheiros para a transmissão dos conhecimentos técnicos especializados [negrejado do texto original] [fl. 530]; n) afirma que a Autoridade Fiscal teria reconhecido que [...] eventualmente poderá haver a assistência técnica quando da transferência de tecnologia. Corrobora sua alegação ao transcrever fragmento do Termo de Verificação Fiscal à fl. 494: "Fornecimento de Tecnologia: Contratos que objetivam a aquisição de conhecimento e de técnicas não amparados por direitos de propriedade intelectual, destinados à produção de bens industriais e serviços. Este tipo de contrato PODE ter associado assistência técnica PARA FACILITAR a transferência de tecnologia, como é o caso) e "UM Licença não exclusiva" (UM Uso de Marca: Contratos que objetivam o licenciamento de uso da marca registrada ou pedido de registro depositado no INPI.) g.n. [negrejado e sublinhado no texto original] [fls 530 e 531]; o) assevera que, para configurar serviço de assistência técnica, nos termos da Instrução Normativa n.° 252, de 2002, deveria ser permanentemente prestado; p) alega a Contribuinte que [...] todos os intitulados "serviços técnicos" nada mais são do que a forma de concretização do contrato de transferência de tecnologia, que deverá ser executado nos estritos métodos e procedimentos estabelecidos pela "HM", seguindo os seus controles de qualidade. E conclui que [...] o "serviço técnico" não existe sem a transferência de tecnologia [fls. 531 e 532]; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 719 5 q) assevera que [...] o treinamento técnico dos engenheiros da "HAB", previsto na Cláusula 3.3 do "Contrato de Transferência de Tecnologia" não pode ser entendido como qualquer tipo de prestação de serviço (assistência técnica) prestado pela "HM", porque a redação é bastante clara de que este treinamento é para que se dê a própria transferência da tecnologia dos profissionais técnicos da "HM" para os profissionais da Impugnante [negrejado e sublinhado no texto original] [fl. 532]; r) alega que [...] a Cláusula 5 do Anexo II do "Contrato de Colaboração Técnica" afasta a remuneração pela cessão de profissionais de tais profissionais da HM. APENAS ENQUANTO HOUVER O CONTÍNUO PAGAMENTO DO ROYALTY PELA IMPUGNANTE, apurado nos termos da citada Cláusula 13 [negrejado e sublinhado do texto original] [fl. 532]; s) afirma que [... ] o contrato estabelecido entre as partes consiste numa obrigação de dar, e não numa obrigação de fazer, qual seja, a "HM" tem a obrigação de dar o "knowhow", e outras informações técnicas, e não a obrigação de fazer, ou seja, de prestar serviços [fl. 532]; t) refuta a existência de prestação de serviços, ao alegar que [...] um contrato desta natureza, em regra, tem sua remuneração estabelecida de acordo com o critério "homem/hora", o que não é o caso dos autos! Conclui que [...] não há prestação de serviço realizada por pessoa jurídica localizada no exterior, nos termos do que prevê o art. 1°, § 1° e incisos da Lei n° 10.865/2004. Logo, também não há que se falar em exigência de PIS Importação e de COFINSImportação [fl.533] u) rechaça a Contribuinte de que haveria prestação de serviço, porque [...] inexistiria um dos elementos essenciais para a exigência do tributo, qual seja, o elemento quantitativo da regra matriz de incidência tributária denominado de "base de cálculo", pois, quando a assistência técnica é prestada, nenhum valor é pago a "HM" [negrejado e sublinhado do texto original] [fl. 533]; v) aponta o Artigo 13. (Remuneração) para argumentar que, [...] quando houver orientação, treinamento, ou suporte técnico, há que se destacar que estes não serão remunerados pela "HAB", carecendo, assim, de um elemento necessário para a exigência de tributo: base de cálculo. Ademais, assevera que, nos termos do que preveria a Lei n.° 10.865, de 2004, não haveria que se falar em [...] exigência das contribuições analisadas sem que haja remuneração, pois esta lei considera como devido o tributo quando do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado . Conclui que não houve pagamento [... ] em decorrência da prestação de "serviço técnico" [negrejado e sublinhado do texto original] [fls. 533 e 534]; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 w) cita o disposto na Lei n.° 4.131, de 1962, e Portaria do Ministério da Fazenda n.° 436, de 1958, que estabelecem percentual máximo para a remessa de valores ao exterior quanto à transferência de tecnologia, e conclui que não existiria [... ] margem de discricionariedade para a remuneração da operação pela ora Impugnante, que o faz no limite máximo permitido pela legislação pertinente [fl. 535]; x) após apresentar o rol de argumentos para afastar a exigência das contribuições em tela sobre a prestação de serviços, consoante atestado no Termo de Verificação Fiscal, protesta a Contribuinte pela juntada de outros documentos que comprovem suas alegações, em atendimento do princípio da verdade material que seria inerente ao processo administrativo fiscal [fl. 536]. 2.1. Consta, ainda, à fl. 521 que a Contribuinte informa que [...] a impugnação é parcial em virtude do reconhecimento de valores devidos a título de "Demais Serviços", correspondentes ao item "C" do AI [Auto de Infração], cujos montantes serão pagos pela empresa. A decisão de primeira instância, proferida em Sessão de Julgamento de 29/11/2011 pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2006 CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMUNERAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Incide PIS/PASEPImportação sobre o pagamento a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior pela prestação de serviços, como os de assistência técnica, de natureza de assessoria permanente, previstos em contrato de transferência de tecnologia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2006 CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMUNERAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Incide COFINSImportação sobre o pagamento a pessoa física o jurídica residente ou domiciliada no exterior pela prestação de serviços, como os de assistência técnica, previstos em contrato de transferência de tecnologia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 FASE LITIGIOSA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 720 7 Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação de provas é o definido pelo disposto no parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235, de 1972 e alterações posteriores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 5/1/2012 , tendo protocolado recurso voluntário em 6/2/2012, no qual reitera os argumentos expedidos na peça impugnatória. Em resumo, afirma que não teria havido “prestação de serviços”, mas sim remessa de royalties para o exterior, a título do direito de uso da fórmula de fabricação empregada na produção industrial da marca Honda de automóveis. Assim, tratouse de transferência de tecnologia, know how cedido pela Honda Motor CO. Ltd., através da prestação de informações técnicas na forma escrita ou por envio de perito técnico e/ou engenheiro. Entende também que não teria ocorrido a prestação do serviço de assistência técnica, pois esta exige a prestação permanente de processo ou fórmula secreta, mediante técnicos, estudos e outros serviços semelhantes, que possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. Aduz ter existido apenas serviço técnico, considerado o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, conforme a IN SRF nº 252/02 (tratou do tema para fins de IR), e entendido pela recorrente como forma de concretização do contrato de transferência de tecnologia. Afirma que as remessas efetuadas para a Honda Motor CO. Ltd. não devem sofrer a incidência das contribuições, pois não servem à remuneração dos serviços de assistência técnica, pois se referem à atividademeio para o processo de produção. Aduz que o contrato não contempla previsão de “remuneração da prestação de assistência técnica”, tendo afastado expressamente a remuneração dos profissionais da Honda Motor CO. Ltd. enquanto houver o contínuo pagamento do royalty pela recorrente devido, nos termos do Contrato de Transferência de Tecnologia (art. 13 do Contrato de Transferência de Tecnologia c/c cláusula 5 do anexo II do “Contrato de Colaboração Técnica”). Salienta que todos os contratos apresentados pela recorrente estão averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que é o órgão responsável pela averbação do contrato de transferência de tecnologia, regulamentando também a remessa de valores a esse título. Embasa seu entendimento em resposta à Consulta formulada pela recorrente ao INPI, que confirmaria que a transferência de tecnologia já está fixada no limite máximo permitido pela legislação (5% sobre o preço líquido de venda dos produtos contratuais), de modo que não haveria meio de se remunerar qualquer assistência técnica eventualmente prestada, inexistindo, assim, base de cálculo das contribuições. Contesta ainda a incidência sobre o valor global, porque apenas a transferência de tecnologia estaria sendo remunerada. A eventual prestação de assistência Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 técnica, entendida no presente caso como treinamento via técnico especialista ou por meio de manuais, não seria remunerada. A recorrente manifestase ainda pela possibilidade de se juntar outros documentos aos autos, em especial a Carta/INPI/DICIG/ nº 0311/2011, pois se trataria de fato superveniente, previsto no artigo 16, §4º, “b” do Decreto nº 70.235/72. A Fazenda Nacional aprestou contrarazões ao recurso voluntário, com os argumentos abaixo expostos. Aduz que, apesar da qualificação jurídica das remessas para o exterior apenas como royalties efetuada pela recorrente, os contratos entre as partes são mistos, pois além de veicular a cessão e licença de uso, veicula também assistência técnica, que tem natureza jurídica de prestação de serviços. Entende que os contratos celebrados com a autuada, apesar de veicularem royalties, tratam também de prestação de serviço, sendo referidos contratos utilizados para concretização da própria operação econômica de fabricação e venda de veículos automotores. A autuada é montadora dos veículos automotores, de maneira que a Honda Motor CO. Ltd. tem sua operação econômica reproduzida no Brasil através da Honda Automóveis do Brasil, incluída a prestação do serviço técnico e de assistência técnica. Salienta que se evidencia a prestação de serviço, ex vi, nos termos do Certificado de Averbação registrado no INPI, fls. 230 a 235, em que o objeto do contrato é “FT Tecnologia e Assistência Técnica para fabricação de automóvel HONDA CIVIC OITAVA GERAÇÃO”, sendo o contrato de fornecimento de tecnologia definido como “contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparados por direitos de propriedade industrial, destinados à produção de bens industriais e serviços” e o contrato de assistência técnica conceituado como “contratos que estipulam as condições de obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, bem como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução ou prestação de serviços especializados. São passíveis de registro no INPI os serviços relacionados a atividade fim da empresa, assim como os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior, quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem qualquer tipo de documento, como por exemplo, relatório”, conforme definição do INPI. Afirma ainda que é ônus do contribuinte individualizar e segregar os valores referentes à prestação de serviços prevista nos contratos, para que as contribuições recaiam sobre estes valores, já que não incidirá PIS/CofinsImportação, sobre o valor pago a título de royalties. Como foi verificada a prestação de serviço e o contribuinte não procedeu à individualização, apesar de devidamente notificado, o valor total foi considerado referente a serviços e sofreu a incidência das mencionadas contribuições. Defende que seja negado provimento ao pedido de apresentação extemporânea de provas, pois não ser trataria de hipótese permitida pela legislação. Requer, por fim, que seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões frente ao Recurso Voluntário interposto, requerendo que seja negado provimento ao mesmo. É o relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 721 9 Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, em relação à juntada extemporânea de documentos, temse que a recorrente apresentou, após o decurso do prazo previsto para a impugnação ao lançamento, resposta de consulta formulada ao INPI. A resposta foi cientificada a recorrente apenas em 1º/4/2011, o que configura a hipótese prevista no artigo 16, §4º, “b” do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual dela tomo conhecimento. A Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004 (conversão da Medida Provisória nº 164, de 2004), da qual se extrai os artigos abaixo: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. [...] Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. [...] Art. 7o A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 10 imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(Grifo nosso) Mostrase claro que a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a Cofins Importação incidem na importação de bens estrangeiros ou serviços do exterior. Quanto aos serviços, enquadramse na hipótese de incidência aqueles provenientes do exterior, considerados assim os serviços prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Os serviços devem ser prestados no País ou, caso executados no exterior, o seu resultado deve ser verificado no país. Ressaltase que os serviços possuem características de obrigação de fazer. Tal entendimento já foi objeto de decisão pelo Pleno do STF (RE 116121SP), da qual se transcreve excerto do voto do Min Celso de Mello: Cabe advertir, neste ponto, que a locação de bens móveis não se identifica e nem se qualifica, para efeitos constitucionais, como serviço, pois esse negócio jurídico, considerados os elementos essenciais que lhe compõem a estrutura material – não envolve a prática de atos que substanciam um praestare ou um facere. (grifo nosso) Ingressandose na lide, esta se concentra na possibilidade de incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação sobre as remessas financeiras efetuadas pela recorrente em decorrência de contratos celebrados com a empresa Honda Motor CO. Ltd., descritos pela recorrente como valores pagos a título de royalties decorrentes de transferência de tecnologia. O termo royalty tem origem na Ciência da Economia, sendo conceituado por Arthur Seldon nestes termos: ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original. O sistema de royalty é comumente usado, por exemplo, quando um autor ou tradutor é pago por um editor segundo uma percentagem do preço de capa de um livro; quando um proprietário fundiário é pago por uma companhia mineradora para o privilégio de explorar o subsolo da sua terra; quando o dono de uma patente é pago por um fabricante pelo direito de reproduzir sua invenção. (Dicionário de Economia, Editora Bloch) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 722 11 O pagamento de royalties, portanto, objetiva partilhar o rendimento de um produto entre aquele que detém a propriedade intelectual deste e aquele que efetivamente explora este produto, colocandoo no mercado consumidor. O conceito de royalties para fins tributários encontrase previsto no artigo 22 da Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (grifo nosso) Sobre o tema trata ainda o art. 17, § 1o, incisos I e II da Instrução Normativa SRF no 252, de 3/12/2002: Art. 17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1o Para fins do disposto no caput: I classificamse como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando recebidos pelo autor ou criador do bem ou obra; II considerase: a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços Fl. 727DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 12 semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. (grifo nosso) O professor Alberto Xavier, em análise a legislação referente aos royalties, esclarece que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição e exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. [...] No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais , inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos minerais; o uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964). (Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, pg. 617/618) No tocante ao pagamento de royalties a título de transferência de tecnologia (knowhow), o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI define transferência de tecnologia como o processo através do qual um conjunto de conhecimentos, habilidades e procedimentos aplicáveis aos problemas da produção são transferidos, por transação de caráter econômico, de uma organização a outra, ampliando a capacidade de inovação da organização receptora. Tal conceito encontra amparo nos ensinamentos de Fran Martins: Consiste o know how em certos conhecimentos ou processos, secretos e originais, que uma pessoa tem e que, devidamente aplicados, dão como resultado um benefício a favor daquele que os emprega. Esses conhecimentos ou processos devem, como se disse, ser originais e secretos. É justamente com a sua aplicação que resultam benefícios em favor do utilizador do knowhow. Daí a sua transferência ser considerada, hoje, uma forte fonte de renda para os possuidores de knowhow, sejam pessoas físicas ou jurídicas. (Contratos e Obrigações Comerciais. Editora Forense.) Observese que o INPI – autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – tem como responsabilidade, dentre outras, o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, de acordo com determinado pelo art. 211, da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Esses contratos são classificados em contratos de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas), contratos de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e contratos de franquia, conforme o disposto no Ato Normativo INPI nº 135, de 15 de abril de 1997: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 723 13 ATO NORMATIVO INPI Nº 135, de 1997: [...] 2. O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e os contratos de franquia. O INPI, dada a diferente natureza jurídica dos institutos, diferencia o fornecimento de tecnologia dos serviços de assistência técnica conforme os conceitos abaixo transcritos: Fornecimento de Tecnologia (FT) Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparados por direitos de propriedade industrial, destinados à produção de bens industriais e serviços. Esses contratos deverão conter uma indicação perfeita do produto, bem como o setor industrial em que será aplicada a tecnologia. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica (SAT) Contratos que estipulam as condições de obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, bem como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução ou prestação de serviços especializados. São passíveis de registro no INPI os serviços relacionados a atividade fim da empresa, assim como os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior, quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem qualquer tipo de documento, como por exemplo, relatório. Tendo em vista o exposto, para a definição da lide mostrase necessário verificar se o fornecimento de tecnologia e a prestação de serviços e assistência técnica e científica se enquadram no conceito de serviços passíveis de tributação pela Contribuição ao PIS/PasepImportação e pela CofinsImportação. Conforme já esclarecido, a transferência de tecnologia corresponde à transferência de conhecimentos ou técnicas (knowhow). O que se transmite são dados de uma experiência adquirida no uso de técnica em escala industrial.Transferese o direito de uso ou exploração do conhecimento ou da técnica. Nesta situação, constatase inexistir qualquer prestação de serviços, razão pela qual os valores pagos a este título não se enquadram na hipótese de incidência das contribuições em tela. Em se tratando de prestação de serviços e assistência técnica e científica, contudo, tais contratos encerram obrigações de fazer – a prestação de serviços especializados de assistência técnica, suporte, treinamento, etc. – de forma a enquadrarse como fato gerador da Contribuição ao PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Concluise, portanto, que os contratos que se restrinjam a transferência de conhecimentos ou técnicas (knowhow) não envolvem operações passíveis de tributação pelas contribuições em tela, ao passo que os contratos de prestação de serviços e assistência técnica e científica abrangem situações que representam hipótese de incidência. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 14 Observase, contudo, que podem ser formalizados contratos envolvendo simultaneamente o fornecimento de tecnologia e a prestação de assistência técnica ou científica. Mostrase necessário, nestes contratos, que os valores correspondentes aos respectivos pagamentos sejam discriminados separadamente, sujeitandose à Contribuição para o PIS/PasepImportação e à CofinsImportação somente sobre a parcela relativa à prestação do serviço de assistência técnica ou científica. Caso o contrato não seja suficientemente claro para individualizar estes componentes, dada a impossibilidade de se verificar o valor pago a título de prestação de serviços, a incidência recai sobre o valor total. Isto devido a apuração do valor devido ser impraticável. Assim, tendo em vista que a impossibilidade de se definir os valores incidentes decorrem de ato do contribuinte, que deixou de especificar no contrato os valores devidos a título de prestação de serviços, o lançamento deve ser efetuado com base no total dos valores pagos em decorrência do contrato. Após estes esclarecimentos, resta a tarefa de analisar os contratos formalizados pela requerente para definir a situação que estes se enquadram. Com esta finalidade, transcrevese as principais disposições contidas no Contrato de Colaboração Técnica celebrado em 13 de abril de 2006: CONTRATODE COLABORAÇÃO TÉCNICA Celebrado por e entre: HONDA MOTOR CO.LTD., (...) (doravante designada "HM"). (...) HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL, (...) (doravante denominada "HAB"), (...) CONSIDERANDO QUE a HAB deseja obter e receber informações e assistência técnicas conforme seja necessário para a produção, fabricação e venda de modelos específicos de veículos automotores, e a HM está disposta a dar tal assistência e informação técnica; Cláusula 1 (Finalidade de Contrato) Este CONTRATO DE COLABORAÇÃO TÉCNICA estabelece o relacionamento geral entre a HM e a HAB com relação à transferência de tecnologia com relação aos Produtos e às Peças.[...] Cláusula 2 (Definições) (1) O termo 'Produtos" significará os veículos automotores, cujo modelo específico e tipo estão listados no Anexo 1, anexo a este Contrato; (2) O termo 'Peças" significará (i) as partes integrantes a serem usadas para a produção em massa dos Produtos e,) (ii) as peças sobressalentes para uso no conserto ou substituição dos Produtos(...) (3) O termo "Recursos para a Fabricação" significará cabedais de montagem, ferramentas, matrizes, maquinaria e equipamentos Fl. 730DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 724 15 que HAB utiliza para a fabricação, montagem, teste ou inspeção dos Produtos; [...] (5) O termo "KnowHow" significará toda e qualquer informação técnica secreta (exceto por qualquer dos diretos de propriedade intelectual da HM tais como patentes, patentes de projeto e direitos autorais relacionados diretamente aos Produtos, Peças ou com a fabricação dos mesmos), quer estejam escritos, ou não, inclusive, mas não limitado a desenhos, padrões, especificações, listas de material, manuais do processo e mapas de direção que se relacionem diretamente aos Produtos e/ou às Peças ou que sejam necessários à fabricação do Produtos e/ou das Peças e que a HM possui quando da celebração deste Contrato ou possa possuir de tempos em tempos durante a vigência deste Contrato ou de acordo com o que a HM tem o direito de fornecer para a HAB; (6) O termo "Informações Técnicas" significará (i) KnowHow (ii) qualquer informação técnica, não incluída no KnowHow, tais como materiais de serviço e JIS (Padrão Industrial Japonês), quer estejam por escrito, ou não, que se relacionam diretamente com os Produtos e/ou as Peças ou que seja necessária para a fabricação dos Produtos e/ou das Peças e que a HM possua quando da celebração deste Contrato ou. que possa possuir de tempos em tempos durante a vigência deste Contrato, ou de acordo com o quê a HM tem o dever de fornecer para a HAB; Cláusula 3 (Transferência de Tecnologia) 3.1 Durante a vigência deste Contrato, HM fornecerá a HAB as Informações Técnicas na medida considerada necessária pela HM, ao divulgálas sob a forma documentada, e/ou pelo envio do especialista(s) técnico da HM ou de sua designada para a HAB e/ou aceitação do engenheiro(s) de HAB nas instalações de HM ou de sua designada para instruir e aconselhálos quanto à aplicação das Informações Técnicas e/ou de outra forma, da maneira mencionada nesta Cláusula 3. 3.2 O fornecimento das Informações Técnicas sob a forma documentária escrita em idioma inglês será efetuado de tempos em tempos na época em que HM considerar necessário fazêlo ou quando a HM aprovar a solicitação da HAB. 3.3 A orientação técnica ao enviar para a HAB um especialista (ou especialistas) técnico da HM ou de sua designada e o treinamento técnico do engenheiro(s) da HAB nas instalações da HM ou de sua designada será feita de acordo com os termos e condições previstas no Anexo II, apenso a este Contrato. Cláusula 13. (Pagamento) 13.1 Em pagamento pelo fornecimento de KnowHow e outras Informações Técnicas de forma documentária, de acordo com a Fl. 731DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 16 Cláusula 3.2 a este respeito e do fornecimento de orientação técnica e treinamento técnico de acordo com a Cláusula 3.3 a este respeito, a HAB pagará a HM uma taxa operacional no valor calculado pela seguinte metodologia de acordo com tais termos e condições estabelecidos a seguir: A importância da taxa operacional pelos Produtos e Peças fabricadas e/ou adquiridas no Território e vendidas pela HAB será igual ao percentual especificado no Anexo I, apenso a este Contrato, do somatório de: (a) o valor agregado local de cada modelo dos Produtos [...] multiplicado pela quantidade de unidades do modelo pertinente dos Produtos vendidos pela HAB de acordo com este Contrato; (b) Preço de Venda Líquido de cada uma das Peças de Substituição fabricada e/ou adquiridas pela HAB no Território multiplicado pelo número de unidades (...) vendidas por HAB, de acordo com este Contrato;[...] Cláusula 15 (Marcas Registradas) 15.4 Na extensão da vigência deste Contrato, fica entendido e combinado pelas partes que não será cobrada nenhuma taxa adicional pelo uso das Marcas Registradas por parte da HAB, além da Taxa Operacional devida pela HAB para a HM, de acordo com a Cláusula 13 [...] ANEXO II AO CONTRATO DE COLABORAÇÃO TÉCNICA OS TERMOS E CONDIÇÕES PARA A ORIENTAÇÃO TÉCNICA E PARA O TREINAMENTO TÉCNICO I. DISPOSIÇÕES GERAIS CLAUSULA 1. DEFINIÇÃO [...] A expressão “Serviços Técnicos” significará os serviços prestados pela HM a fim de fornecer (i) a orientação técnica (ii) o treinamento técnico e (iii) outros suportes técnicos para a fabricação de produtos, e cujos detalhes estão mencionados no Anexo I, apenso a este. A expressão “Especialistas Técnicos” significará aquelas pessoas que são empregados da HM e de sua designada (inclusive as filiadas da HM, fabricantes de equipamentos ou fornecedores) e possuem knowhow, habilidade e proficiência na fabricação, produção, teste, inspeção ou reparo dos Produtos e que sejam enviadas pela HM para prestar os Serviços Técnicos para a HAB, de acordo com este contrato. CLÁUSULA 2. ESCOPO DESTE CONTRATO Este Contrato estabelece os termos e condições sobre os quais: (i) A HM enviará os Especialistas Técnicos para a HAB para o fornecimento da orientação técnica e suportes, conforme especificado no Anexo I e (ii) a HAB enviará o seu engenheiro para ser treinado pela HM ou sua designada. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 725 17 A orientação técnica, o treinamento, o treinamento técnico e os suportes fornecidos para a HAB pela HM de acordo com este contrato incluirão os itens a seguir e tais outros itens que a HM considere necessários de tempos em tempos durante a realização dos Serviços Técnicos: Orientação Técnica para : sistema de Controle de qualidade sistema de do processo de produção uso de processo manual método de inspeção das partes adquiridas de fabricantes locais e das peças fornecidas pela HM e suas subsidiárias Treinamento Técnico para: Método para controle de produção Método logístico Suporte Técnico para: (...) CLÁUSULA 5. TAXAS E SUBSÍDIOS PARA O ENVIO DOS ESPECIALISTAS TÉCNICOS Fica entendido e conformado pelas partes deste Contrato que a contratação dos Serviços Técnicos prestados pela HM pelo envio de Especialistas Técnicos para a HAB não importará em pagamentos adicionais para a HM, desde que HAB esteja pagando e remetendo para a HM a importância estabelecida na cláusula 13 deste Contrato. Os termos acima transcritos assemelhamse aos termos presente nos demais contratos firmados entre a recorrente e a HONDA MOTOR CO.LTD. Da leitura dos termos contratuais, mostrase clara a sua natureza mista, envolvendo tanto o fornecimento de tecnologia (knowhow) como a prestação de assistência técnica. Conforme a cláusula 2 do contrato, o termo KnowHow compreende toda e qualquer informação técnica secreta, inclusive desenhos, padrões, especificações, listas de material, manuais do processo e mapas de direção. O contrato abrange ainda a prestação de Informações Técnicas, que envolvem não só KnowHow mas também qualquer informação técnica não incluída no KnowHow, tais como materiais de serviço e JIS (Padrão Industrial Japonês). A cláusula 3 do contrato esclarece que as informações técnicas serão prestadas sob a forma documentada, e/ou pelo envio do especialista(s) técnico da HM, ou também pela aceitação do engenheiro(s) de HAB nas instalações de HM, com a finalidade de Fl. 733DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 18 instruir e aconselhálos quanto à aplicação das Informações Técnicas. O item 3.3 inclusive trata da realização de treinamento técnico do engenheiro(s) da HAB nas instalações da HM. A natureza deste contrato, portanto, abrange não só o fornecimento de tecnologia (knowhow) mas também a prestação de assistência técnica, caracterizada pelo envio de especialistas técnicos e pelos treinamentos de engenheiros, que viabilizam a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. O Anexo II é ainda mais explícito quanto aos serviços prestados, definindo como serão desenvolvidos a orientação técnica, o treinamento, o treinamento técnico e os suportes. Constatase ainda que os serviços de assistência técnica são permanentes, sendo prestados de forma contínua durante toda a vigência do contrato, sempre que for necessário. A forma de pagamento encontrase prevista na cláusula 13 do contrato, que define uma taxa operacional de 5% sobre o preço líquido de venda dos produtos. Esta taxa abrange o fornecimento de KnowHow e Informações Técnicas de forma documentária e o fornecimento de orientação técnica e treinamento técnico. A cláusula 5 do Anexo II esclarece ainda que “a contratação dos Serviços Técnicos prestados pela HM pelo envio de Especialistas Técnicos para a HAB não importará em pagamentos adicionais para a HM, desde que HAB esteja pagando e remetendo para a HM a importância estabelecida na cláusula 13 deste Contrato.” O contrato, desta forma, não discrimina o valor devido pelo fornecimento de tecnologia e o valor devido pelos serviços prestados, definindo apenas um valor global para o contrato. Observase que o INPE concluiu da mesma forma no momento da averbação dos contratos, que tiveram seu objeto classificado como “FT – Tecnologia e assistência técnica para fabricação do automóvel [...]”, sendo o valor devido “FT – Pela tecnologia e assistência técnica – 5% (cinco por cento) sobre o preço líquido de venda dos produtos contratuais [...]”. Entenderam, portanto, que os contratos, além de veicular a cessão de know how, abrangiam também a assistência técnica, que, como visto, tem natureza jurídica de prestação de serviços. Quanto à consulta formulada pela recorrente ao INPI, a resposta traz a informação de que: [...]as remessas da subsidiária brasileira para sua controladora no exterior [...] devem respeitar os limites máximos de dedução fiscal [...]. Tal limite, no ramo da indústria automobilística é de 5% (cinco por cento) sobre o preço líquido de venda do produto a que se refere o contrato [...] Ora, tal entendimento nada mais faz do confirmar que no valor dos contratos encontramse tanto o pagamento do fornecimento de tecnologia como da prestação de assistência técnica, afinal, este valor é o máximo permitido para remessas, e essas remessas obrigatoriamente decorrem de todas as obrigações assumidas no contrato. Observese que o fato de a resposta, em outro item, postar considerações divergentes sobre a forma de pagamento de serviços (valores homem/hora) mostramse Fl. 734DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 726 19 equivocadas, pois inexiste qualquer norma ou lei que restrinja o pagamento de serviços prestados a formula homens/dia ou homens/hora. Esclarecese ainda que tal entendimento não vincula este órgão julgador. Em sendo esta a situação em litígio, mostrase correto o lançamento, tendo em vista ter sido confirmada a prática do fato gerador – importação de serviços – e definida corretamente a base de cálculo – diante da falta de discriminação nos contratos dos valores referentes aos serviços, utilizado o valor total pago. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso ordinário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Declaração de Voto De acordo com o entendimento das autoridades fiscais, as atividades previstas nos Contrato de Transferência de Tecnologia, caracterizariam serviços a serem prestados pela empresa não residente, assim considerada a empresa japonesa. Nos instrumentos contratuais, a empresa brasileira não segregou a remuneração do que foi reputado como prestação de serviços, das demais atividades decorrentes da transferência de tecnologia (knowhow), de sorte que se reputou o valor total das remessas efetuadas pela empresa brasileira, como se fossem prestação de serviços, incluindoas como base de cálculo de PIS e COFINS incidentes na importação de serviços e lavrando auto de infração com a respectiva imposição de multa para a cobrança desses valores. A empresa autuada defendeuse argumentando que a prestação de serviços desenvolvidas pela matriz no exterior possuiria caráter acessório ao objeto dos referidos instrumentos contratuais, sendo simplesmente meios pelos quais os conhecimentos tecnológicos lhe poderiam ser transferidos. Por essa razão, nos termos do contrato, as empresas acordaram que as “atividades meio” não seriam remuneradas. Nesse contexto, a orientação técnica e/ou treinamento técnico dos funcionários da empresa brasileira por especialistas da empresa japonesa seriam “atividades meio”, isto é, os modos pelos quais se dá a transmissão da tecnologia e conhecimentos técnicos, não se restringindo à entrega de planos, desenhos, fórmulas ou documentos, nos quais tais conhecimentos estão incorporados, como também pelo treinamento, orientação, instrução, dos funcionários do licenciado. Aduziu, ademais, que no âmbito dos contratos de knowhow, as prestações de serviço não podem ser consideradas isoladamente, pois se inserem no âmbito do objeto daqueles contratos, qual seja, a transferência de conhecimentos especializados imprescindíveis à fabricação de veículos automotivos elétricos. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 20 Assim, a manutenção das exigências fiscais, tais como formalizadas pela fiscalização redundou na tributação do principal (knowhow) pelo acessório (atividadesmeio). A transferência de tecnologia entre empresas decorre de contrato conhecido como contrato de know how ou transferência de tecnologia, cuja remuneração é paga a título de royalties. No direito positivo brasileiro os royalties são definidos na Lei Federal n° 4.506/64, que se transcreve: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b)direito de pesquisar e extrair recursos minerais; C) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio: d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra.” (g.n.) Em casos em que há a transferência de tecnologia, a remuneração dáse mediante remessa de royalties para o exterior a título do direito de uso da fórmula de fabricação empregada na produção industrial da marca. Os contratos de transferência de tecnologia devem ser registrados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), devem estabelecer os modos de realização da transferência do conhecimento, conhecido como “know how” e as formas de remuneração dessa tecnologia. Referidos instrumentos contratuais, de modo geral, estipulam a forma como a contratante transferirá as informações técnicas, seja revelandoas em forma documentada, ou pelo envio de perito técnicos, para instruir e aconselhar sobre a aplicação das referidas informações, veiculando, ademais, cláusulas de manutenção do sigilo quanto ao know how transmitido, limitação de uso, alteração de desenho dos produtos, cumprimento de qualidade, entre outras exigências quanto à fórmula de fabricação. É certo que nesse tipo de relação, invariavelmente há necessidade de suporte físico para sua materialização, por meio de treinamento técnico especializado, ou pela apresentação de manuais, relatórios e outros documentos escritos. É dizer, embora o contrato de transferência de tecnologia, em sua essência, tenha como objeto uma obrigação de dar, muitas vezes a complexidade da tecnologia cedida envolve a atividade de técnicos especializados e detentores do conhecimento, aptos a transmiti los apropriadamente àquele que adquiriu o direito de uso desses conhecimentos. Os técnicos especializados são canais para a transmissão de conhecimento. Por conseguinte, parece razoável extrair a ilação segundo a qual, quando uma empresa celebra um contrato de transferência de tecnologia, tem como finalidade precípua a aquisição de conhecimentos, não as prestações de serviços que, eventualmente possam estar encerradas no bojo de tal acordo. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 727 21 Sobre os contratos de transferência de tecnologia, diz Orlando Gomes1: “O contrato de knowhow difundese com os avanços da tecnologia. Consiste num acordo de vontades pelo qual uma pessoa, física ou jurídica, se obriga a transmitir a outro, para que os aproveite, os conhecimentos que tem de processo especial de fabricação, informações, ou práticas, originais e só por essa pessoa conhecidos. Por diversos modos ocorre a transmissão: mediante simples entrega de planos, desenhos ou outros papéis, através de fornecimento do material que incorpore os conhecimentos ou, finalmente, pelo ensino prático de sua aplicação, seja por meio de técnicos enviados para esse fim, seja pela admissão, na própria fábrica, de pessoas designadas para aprender, praticando, o processo de fabricação. [...] É controvertida a natureza do knowhow. Tentase reconduzilo a uma figura conhecida como a prestação de serviços ou a licença do direito industrial. Explica melhor sua natureza jurídica a teoria que vê no conjunto dos seus elementos um bem incorpóreo, mas patrimonial, que se torna objeto de cessão temporária ou definitiva. Aproximase, pois, da locação se a cessão é por algum tempo. O knowhow é, entretanto, contrato autônomo irredutível a qualquer dos conhecidos.” E Alberto Xavier2: “A distinção entre rendimentos de prestação de informações resultantes de experiência acumulada e rendimentos de simples prestação de serviços, ainda que de conteúdo técnico, como os serviços de informática, de “engineering” ou similares (technical fees), deve fazerse em função do objeto do contrato. O contrato de “know how” tem por objeto a transmissão de informações tecnológicas preexistentes e não reveladas ao público, em si mesmas consideradas, na forma da cessão temporária ou definitiva de direitos, para que o adquirente as utilize por conta própria. sem que o transmitente intervenha na aplicação da tecnologia cedida ou garanta ou seu resultado. Ao invés, o contrato de prestação de serviços tem por objeto a execução de serviços que pressupõem, por parte do prestador, uma tecnologia, a qual porém não se destina a ser transmitida, mas meramente aplicada ao caso concreto mediante idéias, 1 Contratos, 17a edição, Ed. Forense, p. 466. 2 Direito Tributário Internacional do Brasil. Editora Forense. Rio de Janeiro. 6a edição, págs. 770 e seguintes. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 22 concepções e conselhos baseados no estudo pormenorizado de um projeto. No contrato de “know how”, transferese tecnologia: no contrato de prestação de serviços, aplicase tecnologia. Como bem diz Philip Baker, no primeiro ocorre “supplying know”, no segundo “supplying knowhow to guide the company”.(g.n.) E nesse tema, é importante destacar que a legislação que disciplina a remessa de valores ao exterior, atinente à transferência de tecnologia, determina limite máximo, fixado por percentual da receita bruta do produto fabricado ou vendido, para fins de dedutibilidade, conforme prescreve a Lei n° 4.131 de 3 de setembro de 1962, que disciplina a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores para o exterior3: Art. 12 As somas das quantias devidas a título de “royalties” pela exploração de patentes de invenção, ou uso de marca de indústria e de comércio e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas, nas declarações de renda, para efeito do art. 37 do Decreto n° 47.373, de 7 de dezembro de 1959, até o limite máximo de 5% (cinco por cento) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. Assim, conforme prescreve o parágrafo único do artigo 50 da Lei n° 8.383/914, as remessas da subsidiária brasileira para sua controladora no exterior devem respeitar os limites máximos de dedução fiscal fixados pelo Ministério da Fazenda (que podem variar de 1% a 5%, conforme se tratar de indústria de base, indústria de transformação, máquinas e aparelhos etc.) sobre o preço líquido de venda do produto a que se refere o contrato. Os contratos de fornecimento de tecnologia e de licença para exploração de patentes, conforme mencionado, invariavelmente, contêm cláusula prevendo a prestação de assistência técnica pelo cedente e de treinamento do pessoal técnico da cessionária, que, em princípio, recebe a remuneração pela transferência de tecnologia, embora possa haver previsão contratual de pagamentos especificamente relativos à prestação de serviços de assistência técnica, que, de acordo com o INPI, órgão competente para receber o registro desses contratos, serão demonstrados de acordo com valores homem/dia ou homem/hora. Contudo, observese que caso haja a opção pela empresa de estabelecer contratualmente, remuneração específica para a prestação de serviços, na forma mencionada, deverá respeitar o teto estabelecido pela Portaria MF 436/1958, que, no caso concreto em tela, é de 5%. 3 A Portaria MF n° 436 de 30 de dezembro de 1958, estabelece coeficientes percentuais máximos para a dedução de royalties, pela exploração de marcas e patentes, de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, amortização, considerados os tipos de produção, segundo o grau de essencialidade, estipula o percentual de 5% (cinco por cento) para “Automóveis, Caminhões e Veículos Congêneres”. 4 Art. 50. As despesas referidas na alínea b do parágrafo único do art. 52 e no item 2 da alínea e do parágrafo único do art. 71, da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e registrados no Banco Central do Brasil, passam a ser dedutíveis para fins de apuração do lucro real, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor. Parágrafo único. A vedação contida no art. 14 da Lei n° 4.131, de 3 de setembro de 1962, não se aplica às despesas dedutíveis na forma deste artigo. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 728 23 O atual posicionamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o tema é no sentido de que é ônus do contribuinte individualizar e segregar os valores referentes à prestação de serviços prevista nos contratos de transferência de tecnologia. No caso em que se verifique no instrumento contratual a previsão de prestação de serviço e o contribuinte não procedeu à individualização, o valor total deve ser referente a serviços, submetendose à incidência do PIS e da Cofins, incidentes sobre as importações. Destarte, de acordo com entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil veiculado na Solução de Divergência n° 11, de 28/04/2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), que dispõe sobre os casos em que há previsão de prestação de serviços em contrato. Transcrevese abaixo sua ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da Cofins Importação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Importação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004 Portanto, entende o Fisco que, se no contrato de transferência de tecnologia houver a previsão de prestação de serviços, deduzse que não apenas ocorreram remessas a título de pagamento de royalties, mas também para satisfazer a prestação de serviços. Se não houver estipulação contratual do valor a fim de remunerar a prestação desses serviços, devem ser lançados de ofício as exigências de PIS e Cofins incidente sobre a importação, sobre o valor global das remessas realizadas. Contudo, os contratos de transferência de tecnologia, conforme visto, comumente encerram dentre as obrigações, prestações de serviços atreladas ao próprio objetivo de transmissão do conhecimento, que são absorvidas no bojo do objeto contratual principal. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 24 Por essa razão, é comum, da mesma forma, que nesses contratos não sejam segregados os valores dos serviços correlatos, além do que, conforme referido, a legislação brasileira adota tetos máximos para a dedutibilidade das remessas a título de royalties, considerandose ainda, que no caso de controladas, há pouca ou nenhuma ingerência no formato das cláusulas contratuais, celebradas com a controladora. No caso concreto, a medida adotada pelo Fisco assume como única finalidade a ser alcançada pela fiscalização, a arrecadação. Nesse caso, resta claro, fosse a única finalidade estatal a arrecadação, qualquer medida, ainda que extremada, para a exigência de créditos tributários do contribuinte se legitimaria. Entretanto, a arrecadação é desígnio estatal que apenas se legitima quando acomodado a outras finalidades, como a garantia da livre iniciativa, dos direitos e garantias fundamentais, da capacidade contributiva, da certeza do direito, da segurança jurídica. Aqui, o Princípio da Proporcionalidade atuando como medida de concretização prática dos direitos garantidos no ordenamento jurídico determina como proporcional, no caso concreto, apenas a medida que viabiliza a otimização ou acomodação dos seus diversos vetores. In casu, sob o viés da proporcionalidade, tributar o valor global de remessas, presumindo que se não foram segregados os serviços, como se tudo fosse importação serviços, não se coaduna com o postulado. Se o contribuinte alega que realizou pagamentos para remunerar o contrato de transferência de tecnologia, que os serviços nele estão absorvidos, os pagamentos são feitos sob a rubrica de royalties, não há critério jurídico que determine que seja considerado o montante total como “prestação de serviços”. Ao contrário, notadamente no âmbito dos contratos de knowhow, os serviços apenas serão meios de consecução da transferência de tecnologia, portanto, é induvidoso que o contratante está adquirindo transferência de tecnologia, não serviços. O critério material do PIS e Cofins incidentes na importação de serviços é “importar serviços”, “serviço” aqui entendido como produto resultante de labor humano, isto é, não se referindo à atividade de prestação. O critério material “importar serviços” pressupõe a existência de contrato de prestação de serviços, cujo objeto é a entrega de serviço, mediante contraprestação5, com elemento de estraneidade, que pode vincular esse contrato a mais de uma jurisdição. Nesse contexto, a hipótese de incidência das contribuições é negócio jurídico que pressupõe dever e obrigação, contrapostos serviço e contraprestação, de natureza sinalagmática.Verificada a ocorrência dessa hipótese, a celebração de contrato de prestação de serviços internacional, deflagrase outra relação jurídica, de cunho tributário, de se pagar à União, contribuições sobre a importação. Por essa razão, é o objeto do contrato celebrado entre as partes que determinará como se estruturará a tributação, não sendo suficiente que a previsão de 5O Código Civil dispõe sobre o contrato de prestação de serviços nos artigos 593 e ss.: Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição. Art. 597. A retribuição pagarseá depois de prestado o serviço, se, por convenção, ou costume, não houver de ser adiantada, ou paga em prestações. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000337/201071 Acórdão n.º 3201001.431 S3C2T1 Fl. 729 25 “obrigações de fazer” como parte da execução do objeto contratual, seja determinante do seu objeto, produto, resultado ou utilidade que será remunerada pela contraprestação. Portanto, não há óbice jurídico para que, prevendo o contrato obrigações de fazer para a consecução do objeto contratado, que estas sejam absorvidas na contraprestação do contrato de know how. A aquisição é de conhecimentos tecnológicos, sendo este o objeto contratual. No âmbito desse raciocínio, mencionouse nos contratos de fornecimento de tecnologia e de licença para exploração de patentes, que contenham cláusula de prestação de assistência técnica e de treinamento do pessoal técnico da cessionária, pode a haver previsão contratual de pagamentos especificamente relativos à prestação de serviços de assistência técnica, que, de acordo com o INPI, órgão competente para receber o registro desses contratos, serão demonstrados de acordo com valores homem/dia ou homem/hora. Acresçase que esse entendimento vem atrelado ao contexto de que a assistência técnica prestada é indissociável da transferência de tecnologia, posto que um canal para sua realização, ou seja, é apenas atividademeio, sem autonomia, fortes na distinção feita por Alberto Xavier citada anteriormente, segundo a qual, a prestação de serviços na esfera do contrato de know how pressupõe que haja transferência de tecnologia, ao passo que no contrato de prestação de serviços autonomamente considerado, há tãosomente aplicação de tecnologia. Por outro lado, sobre o requisito de se optar pela medida menos gravosa, como condição de satisfação da Proporcionalidade, deve ser considerado que para situações fáticas em o Fisco não dispõe de informações suficientes para determinar a base de cálculo, o Código Tributário Nacional prevê a hipótese de arbitramento, no art. 148, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Poderseia argumentar que, o arbitramento, embora disciplinado minudentemente para o imposto sobre a renda, não o está para o PIS e Cofins sobre importações, o que, nos conduziria à problemática da ausência de previsão legal para que, na inexistência de regulamentação específica, ao Fisco não seria lícito realizar determinados procedimentos para o lançamento. Contudo, precisamente aí está o ponto, talvez o mais importante para a questão: não há qualquer previsão normativa para que, na ausência de informações sobre preço de serviços, a fiscalização, por presunção, considere todo o montante, que é certo, envolve também pagamento de royalties, como serviço. Ao contrário, o Código Tributário Nacional, em seu art.148, estabelece o procedimento do arbitramento em situações quetais. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI 26 Observese que nem mesmo o Fisco discute que, embora desconhecida as exatas quantias, se houvesse remuneração pelos serviços, essa seria em quantia infinitamente menor que as relativas aos royalties. Ademais, não há qualquer respaldo jurídico para que, em face de duas possibilidades de qualificação do fato jurídico, a Administração Pública opte pela mais gravosa ao contribuinte. Ao se (re)qualificar a hipótese de incidência para “importar serviços”, é certo que haverá aumento sensível na carga tributária do contribuinte, pois haverá a competência dos Municípios para a exigência do ISS sobre os montantes pagos. Ainda, não se poderia invocar a Praticabilidade, por ausência de critérios para definição de preços e como medida para combater eventual sonegação, pois, como antes referido, este princípio deve sempre convergir para a realização dos demais princípios jurídicos do ordenamento. E suma, a tributação dos serviços deve se realizar em consonância com o instrumento contratual, respeitandose a legítima manifestação de vontade das partes, e em harmonia com os princípios vetores da ordem jurídica. Assim, voto pelo provimento do recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 742DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/04/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10805.000034/2004-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/11/1996
PEDIDO RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 4º DA LC Nº 118/2005. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RE 566621, ELLEN GRACIE, STF. Reprodução do entendimento do STF, na forma do art. 62-A do RICARF.
Inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, para o pedido de restituição solicitado em 2002.
PIS-REPIQUE. COMPENSAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual a recorrente se restringe a reprisar as afirmações da impugnação, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito, assentada no acórdão recorrido.
A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições (REsp. 1.136.210/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 01.02.2010, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC e da Res. 8/STJ).
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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PISREPIQUE. Recorrente IRR Vidros e Borrachas para Autos Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1994 a 30/11/1996 PEDIDO RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 4º DA LC Nº 118/2005. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62A DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RE 566621, ELLEN GRACIE, STF. Reprodução do entendimento do STF, na forma do art. 62A do RICARF. Inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, para o pedido de restituição solicitado em 2002. PISREPIQUE. COMPENSAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual a recorrente se restringe a reprisar as afirmações da impugnação, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito, assentada no acórdão recorrido. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições (REsp. 1.136.210/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 01.02.2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC e da Res. 8/STJ). Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 00 34 /2 00 4- 24 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de pedido de restituição, protocolado em 08/01/2004, no valor de R$ 15.649,98, com base nos supostos créditos de PIS, distribuídos da seguinte forma: a) R$ 2.673,66 referente ao período 01/94 a 07/94, pagamento a maior pela diferença de recolhimento entre o PISFATURAMENTO e o PISREPIQUE; b) R$ 6.661,46 referente à 10/95 a 02/96, pagamento indevido do PISFATURAMENTO; e c) R$ 6.314,86, de 03/96 á 11/96, pagamento indevido do PISFATURAMENTO. A DRF em Guarulhos emitiu Despacho Decisório de fls. 71/72, não homologando as compensações efetuadas, sob o fundamento que: • relativamente ao período de apuração 01/94 a 07/94 e tendo como base o objeto social da empresa, verificase não se tratar de pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviço, e, consequentemente, é devido o PIS Faturamento e não o PIS Repique; • no que respeita ao período 10/95 a 02/96, não tem fundamento a alegação de que a empresa é exclusivamente prestadora de serviço e que inexistia fato gerador de 01/10/1995 até a publicação da Lei n° 9.715/98, pois com a inconstitucionalidade do artigo 18 da referida lei, a contribuição passou a ser devida com base na Lei Complementar n°7/70; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.000034/200424 Acórdão n.º 3202001.093 S3C2T2 Fl. 131 3 • a partir de março de 1996 fica valendo o que determina a MP n° 1.212/95, e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, sendo a base de cálculo, no caso da interessada, o faturamento na alíquota de 0,65%.• no que respeita ao período 10/95 a 02/96, não tem fundamento a alegação de que a empresa é exclusivamente prestadora de serviço e que inexistia fato gerador de 01/10/1995 até a publicação da Lei n° 9.715/98, pois com a inconstitucionalidade do artigo 18 da referida lei, a contribuição passou a ser devida com base na Lei Complementar n°7/70; • a partir de março de 1996 fica valendo o que determina a MP n° 1.212/95, e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, sendo a base de cálculo, no caso da interessada, o faturamento na alíquota de 0,65%.não ser razoável que, dentre oitenta e seis transações aduaneiras analisadas, o fisco utilizase de apenas quatro para desqualificar as demais. Cientificada do despacho, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, pedindo o reconhecimento do crédito em relação ao período de 03/1996 a 11/1996 (fls. 82 e ss.). Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ a julgou improcedente (fl. 106 e ss). Primeiramente, o acórdão recorrido alega estar extinto o direito de pleitear a restituição/compensação de todos os períodos em comento, tendo em vista ter passado mais de 5 (cinco) anos entre a data do protocolo do pedido de restituição (08/01/2004) e a data do pagamento (mais recente março de 1996). Não bastasse a alegação da DRJ de que teria decaído o direito de pleitear a restituição de todo o período em discussão, afirma o arresto recorrido que não merece ser acolhida a tese da contribuinte no que tange a suposto diferença entre o recolhimento do PIS FATURAMENTE e o PISREPIQUE, referente ao período de apuração de 01/03/1994 a 30/07/1994, considerando que a empresa não levou aos autos nenhuma comprovação da sua condição exclusivamente prestadora de serviço, requisito básico para recolhimento com base no PISREPIQUE. Logo, é devido o PISFATURAMENTO e não o PISREPIQUE. Em relação ao período de 10/95 a 02/96, na ótica na DRJ, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98, essa contribuição para o referido período, passou a ser exigida nos moldes da Lei complementar nº 07/70. Art. 1.° Fica vedada a constituição de crédito tributário referente a contribuição para o PIS/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n.° 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1.0 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 10 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar n.° 7 de 7 de setembro de 1970, e n.° 8, de 3 de dezembro de 1970. (grifei). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 No que se refere ao período de 03/96 até 11/96, de acordo com o arresto recorrido, ficou valendo o que determina a MP 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.718/1998), publicada em 28/11/1995, mas com seus efeitos vigorando apenas a partir de março de 1996, respeitando o principio da anterioridade nonagesimal (art. 195, §7, da CF/88). Observase, ainda, no que respeita à data em que teria passado a ter eficácia a Medida Provisória n° 1.212, de 1995 que, afastada a regra específica que pretendia dar aplicação retroativa, volta a incidir a regra geral, estampada no art. 195, § 6°, da Constituição Federal, dispondo que as contribuições sociais serão exigidas após decorridos noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou modificado. Assim, a Medida Provisória n° 1.212, de 1995, passou a produzir os efeitos jurídicos por ela pretendidos, ou seja, obteve eficácia a partir de 1° de março de 1996, quando então já decorridos noventa dias de sua publicação. Assim, de acordo com a DRJ, também não merece prosperar a tese da contribuinte no que se refere ao período de 03/96 até 11/96. Contra o acórdão recorrido, a empresa interpôs o presente recurso voluntário defendendo que o prazo para restituição/compensação dos tributos em referência pagos indevidamente ou a maior do que devidos é de dez anos e não de cinco anos. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em seu recurso voluntário, a contribuinte pede seja afastada a decadência. Entendo que merece ser acolhida, nessa parte, a pretensão da recorrente, uma vez que o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, em regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Confirase a ementa do julgado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005 . Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.000034/200424 Acórdão n.º 3202001.093 S3C2T2 Fl. 132 5 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 ano s contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156 , VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo juríd ico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, por quanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, se m resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não a penas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, ELLEN GRACIE, STF.) Diante da decisão do STF acima transcrita, impõese adotar tal entendimento na forma do art. 62A do RICARF: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) In casu, o pedido de restituição foi protocolizado em 08/01/2004, e os recolhimentos abarcam o período de 1996. Assim, acolho o recurso voluntário para afastar a decadência e aplicar a regra dos cinco mais cinco. Superado a questão da decadência, passo a discorrer acerca do direito de restituição sobre o PIS, indeferido pelo acórdão recorrido também por razões que ultrapassam a decadência. Nesse aspecto, observo que o recurso voluntário refutou genericamente os diversos argumentos de mérito, constantes do acórdão recorrido, para rejeitar o pedido de restituição e não homologar as correspondentes compensações. Não contraditada as asserções constantes da decisão da DRJ acerca da improcedência do pedido de restituição, equiparase a matéria não impugnada, devendo ser mantido o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos nessa parte. Nesse sentido, leiase o seguinte precedente desta 2º TO/2ª CAM/3ªS: COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO, Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual a recorrente se restringe a reprisar as afirmações da impugnação, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito, assentada no acórdão recorrido. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA E JUROS. SÚMULA CARF Nº 2. Ao teor da Súmula CARF nº 2,o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte e, na parte conhecida, negado provimento. [CARF. 2º TO/2ª CAM/3ªS. Processo 13509.000153/200410. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves.Julgado em 21/03/2013]. Não bastasse isso, cumpre frisar que, entre outros fundamentos para indeferir o pleito do contribuinte, o acórdão recorrido decidiu que, a partir de março de 1996, não há que se falar em inexistência de fato gerador de PIS, pois, nesse período, a mencionada contribuição estava em vigor, conforme determina a MP n° 1.212/95, e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, sendo a base de cálculo, no caso da interessada, o faturamento na alíquota de 0,65%, o que condiz com a jurisprudência do STJ em sede de recurso repetitivo: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. PIS. MP 1.212, REEDIÇÕES E LEI 9.715/98. QUESTÃO DECIDIDA PELO TRIBUNAL A QUO COM BASE EM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. AGRAVO DESPROVIDO EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.000034/200424 Acórdão n.º 3202001.093 S3C2T2 Fl. 133 7 PERÍODO DE OUT/95 A FEV/96 E MARÇO/96 A OUTUBRO/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LC 7/70. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 18 DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. QUESTÃO DECIDIDA NO RESP. 1.136.210/PR, REL. MIN. LUIZ FUX, DJ 01.02.2010, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RES. 8/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Solucionada a controvérsia com base em fundamento constitucional, descabe a análise da controvérsia por esta Corte, sob pena de usurpação da competência do STF. 2. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições (REsp. 1.136.210/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 01.02.2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC e da Res. 8/STJ). 3. Agravo Regimental desprovido. (STJ AgRg nos EDcl no Ag: 1425633 SP 2011/01653812, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 19/09/2013, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 07/10/2013) Forte nessas razões, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para afastar a decadência. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905887/2011-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 87 /2 01 1- 75 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905887/201175 Acórdão n.º 3803006.049 S3TE03 Fl. 161 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 4.621,61. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905887/201175 Acórdão n.º 3803006.049 S3TE03 Fl. 162 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905887/201175 Acórdão n.º 3803006.049 S3TE03 Fl. 163 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905887/201175 Acórdão n.º 3803006.049 S3TE03 Fl. 164 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901845/2006-08
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 45 /2 00 6- 08 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 121/125 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Sobre o débito vencido incidem juros e multa de mora, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação, a qual foi homologada apenas parcialmente, uma vez que o crédito indicado pela empresa foi insuficiente para quitar totalmente os débitos indicados do PER/DCOMP. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que o que fundamenta o referido despacho é o fato de a requerente haver entregue declaração de compensação relativa a tributo já vencido; c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901845/200608 Acórdão n.º 3802003.352 S3TE02 Fl. 161 3 A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 05/07/2011 (fls. 158). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/08/2011, o recurso voluntário de fls. 127/147, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação integral da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda se restringe à contestação da incidência de juros de mora e de multa de mora, uma vez que o tributo já se encontrava vencido quando da formalização do PER/DCOMP. Tal incidência é legítima, como demonstraremos a seguir. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. No que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento integral do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento integral do tributo ou de sua quitação completa via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Por fim, com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901845/200608 Acórdão n.º 3802003.352 S3TE02 Fl. 162 5 reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação integral pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários em aberto, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.907660/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/1999
DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO.
Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/1999 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 60 /2 00 8- 74 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/12/2003 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 046728), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 907.486,88, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 15/07/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 06/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621798851. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621798851, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 048891), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 907.486,88 para R$ 9.349.995,68, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 907.486,88). Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 06/99 (R$ 9.962.206,49) dois DARF: um de R$ 9.349.995,68 e outro de R$ 612.210,81, ambos pagos no dia 15/07/1999. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou os pagamentos e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 2º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 06/99, no valor de R$ 9.962.206,49. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.519.697,69 por compensação com parte do pagamento da COFINS de PA de 04/95, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 8.442.508,80 com a utilização parcial do pagamento de R$ 9.349.995,68, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 4 3 efetuado no dia 15/07/1999. Na referida DCTF Retificadora a Recorrente não utilizou o DARF de R$ 612.210,81, também pago no dia 15/07/1999. Com a utilização parcial do DARF de R$ 9.349.995,68, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.519.697,69 passível de restituição ou compensação, relativo ao DARF utilizado parcialmente, e é exatamente parte desse valor (R$ 907.486,88) que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 781218720, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 172.695,37, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 30/06/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em junho de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 8.442.508,80, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 9.349.995,68, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 38370.79791.121203.1.3.046728,, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 5 4 fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.065, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 6 5 INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época – formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico – Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/06/2013, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 06/99, o recolhimento a maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 1.519.697,69, Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de junho/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003”, passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins do PA 04/95, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende ser de 10 anos, a contar do fato gerador, e que as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de junho de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP ocorreu no dia 15/07/1999, no valor original de R$ 907.486,88. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 7 6 O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamento feito no dia 15/07/1999, no valor de R$ 9.349.995,68. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referido pagamento estava integralmente declarado e alocado ao débito da COFINS do PA 06/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 06/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Não obstante as razões apresentadas pela empresa, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, devendo a decisão da DERAT São Paulo, que não homologou a compensação declarada, ser mantida em sua integralidade pelas razões a seguir expostas. Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS – Db: cód 2172 PA 30/06/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 30/06/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 9.962.206,49, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 8 7 eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto – Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir – que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP – sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido”. [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em julho de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/07/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 06/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 9 8 de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS do PA 04/95 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 06/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de julho de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS do PA 04/95, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 06/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 06/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 10 9 passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907660/200874 Acórdão n.º 3302002.618 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11516.722635/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97).
TERCEIROS - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AIOP CORRELATAS -
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, bem como os AIOP relativos as contribuições destinadas a terceiros sob a mesma base de cálculo está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97). TERCEIROS - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AIOP CORRELATAS - A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, bem como os AIOP relativos as contribuições destinadas a terceiros sob a mesma base de cálculo está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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O próprio parágrafo terceiro do Decreto n º 2.536/98 citado acima, descreve a necessidade de pedido tempestivo para que haja a continuidade da condição de filantropia. No presente caso, independente do julgamento do pedido iniciado em 2004 ainda estar pendente, deveria a empresa ter entrado como pedido de renovação para o período posterior, pois só assim, teria a cobertura para todo o período. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 35 /2 01 2- 10 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. TERCEIROS AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOP CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, bem como os AIOP relativos as contribuições destinadas a terceiros sob a mesma base de cálculo está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela ASSOCIAÇÃO FLORIANOPOLITANA S/A. aos seus empregados, no período de 09/2007 a 12/2008, a título de Participação nos Resultados da empresa, bem como a multas por descumprimento de obrigações tributárias acessórias.encontrase assim dividido: 1. AI DEBCAD nº 37.360.4351, compreende as contribuições patronais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 09/2007 a 11/2008, cujo valor consolidado em 09/10/2012 corresponde a R$ 5.134.719,73, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 142 a 145; 2. AI DEBCAD nº 37.360.4360, compreende as contribuições para as terceiras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE e SESC), que tiveram como fatos geradores as remunerações de segurados empregados no período de 01/2008 a 12/2008, cujo valor consolidado em 09/10/2012 corresponde a R$ 1.107.164,94, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 149 a 152; e 3. AI DEBCAD nº 37.360.4378, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de deixar de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, cujo valor em 09/10/2012 corresponde a R$ 1.389.573,74, conforme fl. 156. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 02 a 07 consta que a autuada se declarava isenta da contribuição social, utilizandose do código FPAS 639 em GFIP. Que intimada à entidade a apresentar a condição de entidade beneficente de assistência social, trouxe protocolo de pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), datado de 08/06/2004, que foi deferido pela Resolução CNAS nº 03, de 23/01/2009, para o período de 12/06/2004 a 11/06/2007, com fundamento no art. 37 da Medida Provisória nº 446, de 07/01/2008. Cita que a entidade protocolizou novo pedido de renovação do CEBAS somente em 09/10/2009, que restou declarado intempestivo pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Que a entidade em interpretação que considera equivocada, procurou esclarecer que está amparada nos arts. 40 e 41 da MP 446/2008. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relata a autoridade fiscal que o art. 40 da citada norma diz respeito à concessão originária, que não é o caso da entidade, e que o art. 41 desta norma se reporta ao certificados que se expirassem no prazo de 12 meses contados da publicação da MP 446/2008. No caso da entidade, o CEBAS expirou em 11/06/2007, portanto, sem os efeitos desta norma, mesmo que fosse retroagido o prazo. Colaciona excertos do Parecer CJ nº 2575, de 31/08/2001, aprovado pelo Ministro da Previdência Social, que trata do termo final do CEBAS e o protocolo de renovação requerido após seu término, em cujo interregno a entidade deixa de atender o requisito de isenção.Concluiu que a entidade não comprovou sua condição de entidade beneficente de assistência social no período de 12/06/2007 a 08/10/2009, por falta de CEBAS, e efetuou o correto enquadramento no FPAS 566, sujeitandose as mesmas regras das empresas em geral. Esclarece que por força da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, procedeu ao cálculo da multa mais favorável, conforme planilha de fls. 8 e 9, aplicando ao lançamento a que melhor favoreceu o sujeito passivo. Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 27/09/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/09/2012. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 161 a 171. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente o lançamento fls. 220 a. 231. Segue ementa do acordão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 ISENÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA.AUSÊNCIA DE CEBAS. A manutenção do benefício da isenção das contribuições sociais, prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91 no período de sua vigência, pressupõe o preenchimento dos requisitos objetivos, dentre os quais o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência social (CEBAS). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. ISENÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. CEAS. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com falta de informação de contribuição social, decorrente indevido uso de código FPAS de entidade isenta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 4 5 O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 237 a 231, onde em geral traz o recorrente os mesmos argumentos já apresentados na impugnação, quais sejam: 1. Diz que atua sob o amparo da imunidade tributária decorrente do cumprimento dos requisitos legais para a emissão do CEBAS. 2. Fala que em 08/06/2004, na véspera do vencimento do CEBAS anterior, expedido pela Resolução n° 072/2003 com validade de 12/06/2001 a 11/06/2004, requereu a renovação junto ao CNAS, que somente a deferiu por meio da Resolução n° 03/2009, por força do art. 37 da Medida Provisória n° 446/2008, publicada no Diário Oficial da União de 26/01/2009, cujo certificado foi renovado para o período de 08/06/2004 a 08/06/2007. 3. Cita que desde a data do protocolo do pedido de renovação do CEBAS em 2004, foram repetidamente emitidas certidões provisórias, atestando a manutenção da análise do requerimento, com validade de 6 (seis) meses cada, sendo a última emitida em 18/08/2008, que considera válida até 18/02/2009, conforme prova que junta. 4. Que em 09/10/2009 protocolizou novo pedido de renovação, ainda não examinado, embora considerado intempestivo por referido órgão. 5. Entende que a legislação aplicável ao caso dispõe que o prazo de vigência do CEBAS é de três anos após a publicação da Resolução concessiva, pelo que considera o seu válido até 26/01/2012. 6. Aduz que o órgão público agiu em evidente mora em seu poder dever de expedir o CEBAS requerido em 2004 cinco anos após e somente para o período de 2004 a 2007 e que, sob outro enfoque, entende ilegal o cancelamento de sua imunidade, posto que da exclusiva mora do CNAS. 7. Diz que, ainda que a legislação garanta a sua imunidade tributária até 2012, é de se destacar que sem a manifestação tempestiva do CNAS, a ausência do CEBAS não pode servir de fundamento para cancelar a imunidade de que é merecedora, posto que, ainda que fosse intempestivo o novo protocolo do pedido de renovação do CEBAS em 10/2009, tal fato não retira da entidade o caráter de filantropia. 8. Colaciona evolução da legislação e doutrina sobre a imunidade e isenção, que culminou na Lei nº 12.101/2009 e Decreto nº 7.237/2010. 9. Que no caso em debate, as contribuições referem se ao período de 9/2007 a 09/2009, portanto sob a vigência do Decreto 2.536/98, revogado pelo Decreto n° 7.237/10, e da Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 MP 446/08, que teve seus efeitos prorrogados até a edição da Lei n° 12.101, em 27/11/2009. 10. Reforça que, consoante Decreto 2.536/98 e jurisprudência judicial, o seu CEBAS tem validade de até três anos após a publicação da Resolução; que o pedido de renovação foi formulado em 08/06/2004 e a publicação da Resolução em 26/01/2009, portanto, o prazo de validade seria até 26/01/2012. 11. Considera que o protocolo intempestivo do pedido de renovação não seja causa para o cancelamento de sua imunidade e sua condição de entidade filantrópica, conquanto preencha as condições para tanto. 12. De outra forma, argui que as reiteradas certidões provisórias emitidas pelo CNAS respaldam a legalidade de sua situação pelo menos até 18/02/2009, por força da última certidão expedida em 18/08/2008, cujos documentos junta. 13. Cita que, mesmo não havendo previsão expressa no Decreto n º 2.536/98 para validar CEBAS emitido a destempo para três após sua decisão concessória, as certidões do CNAS mantiveram a sua condição de entidade beneficente até 18/02/2009. 14. Que é ilegal e arbitrária a restrição da renovação somente até 2007 pela Resolução 03/2009. 15. Que, dado o seu caráter filantrópico e a expectativa da renovação do seu CEBAS, o que tornaria indevidas as contribuições sociais, entende que também seria indevida exigência da obrigação acessória da informação em GFIP. 16. Por fim requereu a improcedência do lançamento fiscal ou, sucessivamente, desconstituído o crédito no período de 06/2007 a 02/2009, face as certidões emitidas pelo CNAS, cuja validade foi até 02/2009 e, ainda, o acolhimento dos documentos apresentados e outros que se fizerem necessários no decorrer da demanda. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 236. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO AI DEBCAD nº 37.360.4351 Ao apreciarmos o longo arrazoado do recorrente, identificamos que a base de seu recursa fundase em três frentes. 1) A nulidade do lançamento posto a condição de imune da entidade; 2) A mora por parte do CNAS para apreciação do pedido formulado em 2004, é que ensejou a intempestividade do seu segundo pedido. 3) A isenção é válida por um período de 3 anos, após a publicação da resolução que concedeu o CEBAS., ou seja até 26/01/2012. 4) Manteve durante todo o período da análise certidões com validade de 6 meses, descrevendo a sua regularidade. DA CONDIÇÃO DE IMUNE Conforme apreciamos acima, perante a Administração Tributária, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme se demonstrará adiante. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que mesmo que a entidade em questão se enquadrasse em algum dos casos descritos acima, para enquadrarse como detentora do direito adquirido a isenção, a emissão de ato cancelatório lhe afastaria tal direito, pois o direito a isenção pode ser cassado, pelo descumprimento das obrigações inerentes as entidades filantrópicas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 6 9 apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 7 11 § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, mais especificamente não possui para o período objeto do lançamento CEBAS, tendo em vista ter protocolado o pedido de renovação de forma intempestiva, que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida a partir da expiração do prazo de validade do certificado anterior. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação, Por tratarse de imunidade. Também não se venha argumentar que a mora do Estado em reconhecer o direito do recorrente, quanto a concessão do CEBAS, seja justificativa par a prorrogação do referido certificado. O próprio Decreto 2536/98, descrito pelo recorrente demonstra que a inércia do recorrente em pedir a renovação é que lhe tirou o direito a usufruir do benefício pretendido, qual seja, ter o CEBAS válido para todo o período que pretendi ter a condições de filantrópica reconhecida. Senão vejamos o art. 3: “Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:” §2 O certificado de Entidade de fins filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 §3 Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. Ora, o próprio parágrafo terceiro citado acima, descreve a necessidade de pedido tempestivo para que haja a continuidade da condição de filantropia. No presente caso, independente do julgamento do pedido iniciado em 2004 ainda estar pendente, deveria a empresa ter entrado como pedido de renovação para o período posterior, pois só assim, teria a cobertura para todo o período. Também não venha argumentar que as certidões apresentadas com validade de 6 meses prorrogaram a certificação, posto que o teor das certidões apenas destaca a existência do pedido em 2004 e que o mesmo encontravase em análise, mas é tão somente com a definição no próprio CEBAS de qual o período de sua cobertura é que se pode falar no cumprimento dos requisitos legais. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) é o principal instrumento de reconhecimento, pelo poder público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento de entidade que pretenda ser beneficiária da imunidade de contribuições para a seguridade social, de acordo com o que prevê o art. 195, § 7º, da Constituição Federal (CF). Tal imunidade é uma das poucas exceções à regra geral prevista na CF, que instituiu o princípio da solidariedade no custeio do sistema de seguridade social, assim, a ausência de cobertura para um determinado período afasta a imunidade pretendida pelo recorrente. Assim destacou o ente julgador: Por oportuno, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 esclarece os requisitos que deveriam ser cumpridos para o gozo do benefício, conforme a legislação de regência: Art. 232. A Ebas certificada até 29 de novembro de 2009 fará jus à isenção, até a validade do respectivo certificado: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) I desde o deferimento do pedido de isenção apresentado na forma do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, se cumpriu, sucessivamente, durante os períodos das respectivas vigências, os requisitos: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) a) do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, até 9 de novembro de 2008, data anterior à da publicação da Medida Provisória nº 446, de 7 de novembro de 2008; (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) b) do art. 28 da Medida Provisória nº 446, de 2008, no período de 10 de novembro de 2008 até 11 de fevereiro de 2009, data da publicação da rejeição da Medida Provisória; (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) c) do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, a partir de 12 de fevereiro de 2009 até 29 de novembro de 2009, data da publicação da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 8 13 d) do art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009, a partir da vigência desta; (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) II desde a certificação originária deferida pela Medida Provisória nº 446, de 2008, se cumpriu, sucessivamente, durante os períodos das respectivas vigências, os requisitos da legislação referida nas alíneas "b", "c" e "d" do inciso I; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) III desde o início da concessão da isenção sustentada no certificado cuja renovação ou prorrogação foi concedida pela Medida Provisória nº 446, de 2008, e desde que tenha cumprido os requisitos da legislação referida nas alíneas do inciso I. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012) Como demonstrado, tratase de requisito objetivo e, uma vez não dispondo do CEBAS, não há que se falar em isenção. Observase que a renovação do CEBAS, por meio do processo 71010.001596/200426, e deferido pela Resolução CNAS nº 3, de 23/01/2009, teve por período de validade 12/06/2004 a 11/06/2007 (fls. 202 a 204), o que mostra que o período do lançamento fiscal não estava abrangido, portanto, sem direito à isenção. Como relatado pela autoridade fiscal, o requerimento de renovação do CEBAS apresentado intempestivamente não se constitui em direito à manutenção de isenção, posto que desprovida do requisito objetivo da certificação, como se denota do Decreto nº 2.536/98 e do Parecer CJ nº 2575, de 31/08/2001, que por conveniência trago à colação: Aliás outro trecho destacado pelo julgador também esclarece os efeitos da apresentação tardia. Ou seja, esclarecer que o fato de pedir intempestivamente não é motivo para indeferimento do pedido, podendo o mesmo ser deferido, porém não o fará com efeitos retroativos, dando continuidade ao período anterior, mas tão somente amparando a instituição dali em diante Também entendo despicienda a análise dos efeitos da lei 8742/93, argumentado pelo recorrente, uma vez que não foi esse o cerne da questão para que e entidade não pudesse usufruir o direito a isenção de contribuições. Da mesma forma a entrega por sua mantenedora dos relatórios de atividades junto ao Ministério da Justiça, pode ser relevante para cumprir exigências junto aquele órgão, mas de forma, alguma supriria o necessário cumprimento dos requisitos do art. 55 da lei 8212/91, já apreciado. DA APLICAÇÃO DO ART. 14 DO CTN Da mesma forma, não acato a tese de que os dispositivos legais aptos a delimitar os requisitos necessários seriam os art. 9 e 14 do CTN – abaixo transcrito –, haja vista a entidade entender que cumpre esse dispositivo legal. Nesse sentido, ao contrário do argumento recursal, o CTN regula o artigo 150 da CF/88 (restrito à imunidade de impostos), ao Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 passo que o art. 195, parágrafo 7º da Constituição (específico para contribuições sociais) era regulado pelo art. 55 da Lei 8.212. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (...) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Evidenciado, então, que a imunidade do art. 150, VI, “a” do texto constitucional referese apenas a impostos, não se aplicando às contribuições sociais. Destarte, cumprir ou não o art. 14 e o 9 do CTN são irrelevantes, visto o lançamento não se referir a impostos. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 9 15 A própria Constituição Federal em seu art. 150, § 7º reconhece a distinção entre as espécies tributárias impostos e contribuições, nestas palavras: Art. 150 (...) § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(grifei) Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para fazer jus a imunidade (conforme afirma o recorrente) prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; 11 seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despacharo pedido. Assim, não acato os argumentos do recorrente de que apenas por meio de lei complementar, poderseia estabelecer os limites para o direito a isenção do art. 195, § 7º da CF/88, justamente por tratarse de imunidade.. Estando vigente o art. 55 da lei 8212/91, que determina o alcance do art. 195, § 7º para as contribuições previdenciárias cumpri ao auditor fiscal aplicalo ao caso concreto. EFEITOS DA MP 446 Quanto aos efeitos da MP 446 no presente lançamento, entendo que equivocado encontrase o entendimento do recorrente. A MP 446, editada pelo Poder Executivo em 7 de novembro de 2008, dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regulou os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. O ato normativo, que tem eficácia de lei desde a edição, vigorou por três meses, tendo sido rejeitada pela Câmara dos Deputados em 10 de fevereiro de 2009 sob o fundamento de que não atendia aos pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Nesse sentido, no que diz respeito à renovação do CEBAS, a MP n. 446/08 previu, em seu artigo 41, que as entidades certificadas cujas titulações fossem expirar no prazo de 12 (doze) meses a contar da publicação do ato (como visto, 10/11/2008), não precisariam pleitear a renovação do CEBAS, posto que automaticamente foram considerados renovados pelo prazo de 12 (doze) meses. Vejase o que dispunha referido dispositivo da MP n. 446/08, in verbis: Art. 41. Os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social que expirarem no prazo de doze meses contados da publicação desta Medida Provisória ficam prorrogados por doze meses, desde que a entidade mantenha os requisitos exigidos pela legislação vigente à época de sua concessão ou renovação. Entretanto, importante fato, acabou por tolher o direito das entidades, posto que em 10/02/2009, o Congresso Nacional rejeitou expressamente a MP em questão, de sorte que o comando do Executivo perdeu sua eficácia a partir de 11/02/2009. Frente tal situação, repristinouse o artigo 55 da Lei n. 8.212/91 (e do Decreto n. 2.536/98). OU seja,, não deve prevalecer o entendimento do recorrente da efetividade da MP até a edição da lei 12.101/2009 e sua posterior regulamentação pelo Decreto n. 7.237/2010, que revogaram por completo a sistemática anterior, a situação foi finalmente resolvida. Mencionese, ainda, que a entidade ora autuada, teve seu certificado deferido até 11/06/2007, ou seja, mesmo quando da edição da MP não possuía a entidade cobertura, razão pela qual entendo não estaria abarcada nem mesmo durante a vigência da referida Medida provisória. POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorente. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991, principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção.. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual deve o auditor, no exercício de atividade vinculada, cumprir e aplicar todos os dispositivos da legislação previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 10 17 Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AI DEBCAD nº 37.360.4360 Compreende as contribuições para as terceiras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE e SESC), que tiveram como fatos geradores as remunerações de segurados empregados no período de 01/2008 a 12/2008. Cumpre observar, primeiramente, que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Todavia, o resultado do presente auto de infração, em relação ao mérito, segue Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 o mesmo resultado da obrigação principal correlata, onde foram lançadas as contribuições patronais, qual seja: Processo 15504.003278/201015, DEBCAD: 37.237.3291. Identificada a conexão entre os processos darseá encaminhamento no mesmo sentido do processo principal em relação aos fatos geradores que constituem base de cálculo da contribuição destinada a terceiros. AI DEBCAD nº 37.360.4378 DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Por fim, os AIOP (PROCESSO 10580.728445/200974, DEBCAD N. 37.201.9153), lavrados em relação aos mesmos fatos geradores, encontram se em julgamento nessa mesma sessão, sendo que a procedência do mesmo e das contribuições devidas elos segurados e destinadas a terceiros, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.722635/201210 Acórdão n.º 2401003.532 S2C4T1 Fl. 11 19 Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário, devendo não apenas arcar com a contribuição previdenciária correspondente, como com a multa imposta pela ausência de informação em GFIP. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Com relação da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP 449/2008, convertida na lei 11.941, entendo que não há qualquer reparo na decisão proferida. Filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO aos recursos AI DEBCAD nº 37.360.4351, 37.360.4360 e 37.360.4378. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005957/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
NÃO CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS E DE RECEBIMENTOS DE MENSALIDADES. UTILIZAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS PARA RECEBIMENTOS DE BOLETOS DE COBRANÇA. PRÁTICAS DOLOSAS. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.
Uma série de atos coordenados no sentido de ocultar receitas, mediante não contabilização de mensalidades recebidas por alunos, utilização de contas bancárias de interpostas pessoas para o recebimentos de valores cobrados em boletos bancários, não escrituração de notas fiscais de serviços, apresentação de informações divergentes entre Fiscos Municipal e Federal,caracterizam práticas que se encontram tipificadas como crimes contra a ordem tributária e que afrontam diretamente as condições estabelecidas para que a entidade possa usufruir da isenção concedida pela adesão ao Programa Universidade Para Todos - PROUNI.
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES.PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. PROUNI. EFEITOS.
Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos - PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória n° 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei n° 11.096, de 13/01/2005. A suspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo ano-calendário no qual a infração foi cometida.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
LANÇAMENTOS FISCAIS. NÃO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS.OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS.
Em razão da suspensão da isenção, cabem ser lançados os valores devidos dos tributos referentes aos anos-calendário albergados pelo benefício fiscal. Por sua vez, como foi verificada a ocorrência de infrações, devem também ser lançadas, referentes à omissão de receitas prevista no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, na medida em que a contribuinte não contabilizou notas fiscais de prestação de serviço no montante total de R$697.650,00 e depósitos de liquidação e cobrança de recebimentos de mensalidades no valor de R$12.617.990,17, e à presunção de omissão de receitas do qual dispõe o art. 42 da Lei no 9430, de 1996, pela não comprovação da origem dos depósitos bancários cuja soma perfaz o resultado de R$16.609.182,08.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
As ações da contribuinte formaram um conjunto de atos ordenados, praticados com planejamento, visando ocultar da autoridade fazendária o auferimento de receitas, mediante não escrituração de notas fiscais, recebimentos de mensalidades em contas à margem da contabilidade e a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas para depósitos de boletos de cobrança, práticas que evidenciam o intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, suporte fático descrito no art. 71,I, da Lei no 4.502/64 como sonegação, razão pela qual cabe a qualificação da multa de oficio.
SUJEIÇÃO PASSIVA INDIRETA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.EXCLUSÃO
Uma vez não comprovada, com elementos robustos e insofismáveis, a atuação dolosa de ex-sócio minoritário, para a prática de atos infracionais tributários e penais, não há como subsistir sua responsabilização solidária passiva.
CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO
FATO.
O decidido em relação ao IRPJ estende-se aos lançamentos decorrentes deCSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos
de prova e se referir à mesma matéria tributável.
Numero da decisão: 1202-001.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, e afastar da responsabilização tributária o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Rodrigo Lourenço da Silva- OAB/GO 25374.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat , Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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UTILIZAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS PARA RECEBIMENTOS DE BOLETOS DE COBRANÇA. PRÁTICAS DOLOSAS. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. Uma série de atos coordenados no sentido de ocultar receitas, mediante não contabilização de mensalidades recebidas por alunos, utilização de contas bancárias de interpostas pessoas para o recebimentos de valores cobrados em boletos bancários, não escrituração de notas fiscais de serviços, apresentação de informações divergentes entre Fiscos Municipal e Federal,caracterizam práticas que se encontram tipificadas como crimes contra a ordem tributária e que afrontam diretamente as condições estabelecidas para que a entidade possa usufruir da isenção concedida pela adesão ao Programa Universidade Para Todos PROUNI. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES.PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. PROUNI. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória n° 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei n° 11.096, de 13/01/2005. A suspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo anocalendário no qual a infração foi cometida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LANÇAMENTOS FISCAIS. NÃO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS.OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 59 57 /2 01 0- 10 Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 2 Em razão da suspensão da isenção, cabem ser lançados os valores devidos dos tributos referentes aos anoscalendário albergados pelo benefício fiscal. Por sua vez, como foi verificada a ocorrência de infrações, devem também ser lançadas, referentes à omissão de receitas prevista no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, na medida em que a contribuinte não contabilizou notas fiscais de prestação de serviço no montante total de R$697.650,00 e depósitos de liquidação e cobrança de recebimentos de mensalidades no valor de R$12.617.990,17, e à presunção de omissão de receitas do qual dispõe o art. 42 da Lei no 9430, de 1996, pela não comprovação da origem dos depósitos bancários cuja soma perfaz o resultado de R$16.609.182,08. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. As ações da contribuinte formaram um conjunto de atos ordenados, praticados com planejamento, visando ocultar da autoridade fazendária o auferimento de receitas, mediante não escrituração de notas fiscais, recebimentos de mensalidades em contas à margem da contabilidade e a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas para depósitos de boletos de cobrança, práticas que evidenciam o intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, suporte fático descrito no art. 71,I, da Lei no 4.502/64 como sonegação, razão pela qual cabe a qualificação da multa de oficio. SUJEIÇÃO PASSIVA INDIRETA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.EXCLUSÃO Uma vez não comprovada, com elementos robustos e insofismáveis, a atuação dolosa de exsócio minoritário, para a prática de atos infracionais tributários e penais, não há como subsistir sua responsabilização solidária passiva. CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO FATO. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos decorrentes deCSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, e afastar da responsabilização tributária o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Rodrigo Lourenço da Silva OAB/GO 25374. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 22 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat , Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório A contribuinte aderiu ao Programa Universidade para Todos PROUNI, nos termos da Lei n° 11.096, de 2005, nos anoscalendário de 2005 e 2006, usufruindo nesse período da isenção relativa ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. No entanto, procedimento fiscal, cuja ciência do termo de início foi dada ao contribuinte em 05/04/2009, a autoridade constatou que a contribuinte não atendeu aos requisitos previstos nos artigos 3° e 4° da IN SRF n° 456, de 2004, que dispõem sobre as condições necessárias para usufruir da isenção. Por bem descrever os fatos, adotase parte do relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: Os fatos determinantes levantados pela Fiscalização foram, em síntese, assim descritos: a) não contabilização de notas fiscais de prestação de serviços, no ano calendário de 2005, no valor total de R$ 697.650,00, caracterizando omissão de receitas; b) não contabilização da totalidade de receitas auferidas no anocalendário de 2006, na medida em que a contribuinte omitiu à Receita Federal informação de valores sobre rendas percebidas e declaradas ao Fisco Municipal; c) não contabilização de valores creditados/depositados em contas correntes junto ao Banco Itaú e ao Banco Bradesco decorrentes do pagamento de mensalidades, e não comprovação da origem dos depósitos bancários; d) utilização de contas bancárias de terceiros (Água Mineral Puríssima Ltda. e Seg Bank Seguradora Ltda.) para recebimento de boletos de cobrança de mensalidades dos alunos, movimentações que, por consequência, não foram contabilizadas; e) na medida em que os valores de receita informados à Receita Federal, por meio das Declarações de Informações Econômico Fiscais — DIPJ, referentes aos anoscalendáriode 2005 e 2006, não refletiram precisamente os valores escriturados Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 4 nos livros contábeis, e que foram encontradas receitas não contabilizadas, constata se que foram declarados ao Fisco valores inferiores aos efetivamente auferidos. Concluiu a Fiscalização que os atos praticados pela contribuinte, ao impedir ou retardar parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizaram sonegação, prevista nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, e ao fazer declaração falsa e omitir informaçãosobre rendas, tipificaram crime contra a ordem tributária disposto no art. 2° inciso I, da Lei n° 8.137, de 1990. Informou a Autoridade Fiscal que o sujeito passivo ainda foi autuado por infrações à legislação previdenciária que resultou em lançamento de ofício no valor original de R$ 11.226.979,00, com a elaboração de duas representações fiscais para fins penais em razão de ter ficado evidenciado a ocorrência de atos que, em tese, caracterizariam crimes contra a ordem tributária. Nesse contexto, conclui o Relatório Fiscal, parte integrante do Termo de Notificação Fiscal, que, como a contribuinte não demonstrou em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados, do período de apuração referentes às atividades albergadas pela isenção, incorrer na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária e deixou de emitir notas fiscais, ou seja, não atendeu às condições previstas nos arts. 3° e 4° da IN SRF n° 456, de 2004, necessárias para a manutenção do benefício fiscal, a isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins concedida pelo PROUNI, referentes aos anos calendário de 2005 e 2006, deve ser suspensa. Manifestação de Inconformidade à Notificação da Suspensão da Isenção Cientificada do Termo de Notificação Fiscal em 21/07/2010 (fls. 02verso), a contribuinte, em 20/08/2010, dentro do prazo prescrito no § 2° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c o § 2° do artigo 5° da IN SRF n° 456, de 2004, ofereceu a peça de defesa acostada às fls. 338/341. Discorreu a interessada que foram praticadas irregularidades contra a instituição pelo então sócio Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, detentor de 0,5% do Capital Social da Fiscalizada, que consistiram em desvio de recursos e tentativa de transferência de todo o capital e domínio da entidade. Por sua vez, apesar da retomada da coordenação da empresa, antes que pudesse ser refeita a escrituração foi iniciada a presente ação fiscal, razão pela qual não foi possível corrigir a contabilidade. Entende a requerente que o PROUNI, instituído pela Lei n° 11.096, de 2005, tem como essência não um beneficio de isenção, mas sim uma forma de remuneração das entidades aderentes ao programa, por meio do não pagamento de tributos federais, desdeque a instituição de ensino fornecesse um mínimo de bolsas Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 23 5 integrais. No caso em tela, teriam sido fornecidas mais bolsas do que o mínimo previsto. Ainda, estabelece que as penas previstas no caput deste artigo não poderão ser aplicadas quando o descumprimento das obrigações assumidas se der em face de razões a que a instituição não deu causa, ou seja, como a instituição teria sido vítima de práticas delituosas contra sua atividade e patrimônio, tanto que apresentou notícia crime à polícia que instaurou os correspondentes inquéritos, concluindo pela culpabilidade do sócio, não poderia a Receita Federal lançar qualquer tributo motivado pela conduta dolosa de terceiros. A IN SRF n° 456, de 2004, admite no parágrafo único do art. 3° a hipótese de que, se a contabilidade não oferecer condições para a apuração dos valores de forma segregada, o lucro da exploração por atividade poderia ser determinado com aplicação de regras matemáticas. Enfim, a requerente concluiu que a emissão do ato declaratório suspensivo da isenção de forma retroativa levaria ao cancelamento das bolsas concedidas, e à cobrança simultânea das anuidades devidas pelos alunos bolsistas, situação que instauraria não um caos administrativo e financeiro, mas um caos social ao se cobrar de centenas de alunos bolsistas do PROUNI. Decisão da Suspensão da Isenção A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília proferiu Despacho Decisório às fls. 538/541 reconhecendo a procedência da Notificação Fiscal de fls. 02/06, e por consequência, decidiu suspender a isenção prevista no PROUNI e determinou a expedição do Ato Declaratório Executivo n° 8, de 30 de agosto de 2010, à fl. 542. Esclarece a autoridade tributária que o beneficio fiscal concedido sobre lucro e receitas só seria aplicável ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins quando o lucro apurado e as receitas auferidas referiremse efetivamente à realização de atividades de ensino superior de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica, ou seja, não há que se falar em isenção sobre receitas e lucros decorrentes de outras atividades. Nesse contexto, cabe à beneficiária promover a devida segregação das atividades na contabilidade, observada a alternativa de apuração do lucro de exploração por presunção prevista no parágrafo único do art. 3° da IN SRF n° 456, de 2004, pois, caso não observado ocorrerá a perda da isenção. Nesse contexto, a Fiscalização tomou conhecimento de ação cível no qual o sócio minoritário (Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira) da entidade denuncia o desvio de recursos, por meio do depósito de mensalidades em contas bancárias não pertencentes à beneficiária. Aprofundando a investigação descobriu que as empresas titulares de contas bancárias destinatárias dos depósitos dos boletos de cobrança de mensalidades, quais sejam, a Água Mineral Puríssima Ltda e a Seg Bank — Segurança Básica e Patrimonial Ltda — ME, são representadas pela mesma procuradora da fiscalizada, e que o Sr. Walter Paulo de Oliveira Santiago, pai do sócio majoritário fundador da Faculdade Padrão, Sr. Alex Marconio Santiago Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 6 (detentor de 95% do Capital Social), detem procuração com poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar a Água Mineral Puríssima Ltda. Assim, não há como acolher a alegação da fiscalizada de que não teria responsabilidade por atos que teriam sido praticados unilateralmente pelo seu exsócio minoritário. Em 02/09/2010, foi cientificada pessoalmente a contribuinte por meio do Termo de Ciência de Despacho Decisório e Ato Declaratório Executivo de fl. 544. Quanto aos Lançamentos de Ofício Em face da expedição do Ato Declaratório Executivo n° 8, de 30 de agosto de 2010, que suspendeu a isenção do contribuinte concedida pelo Programa Universidade para Todos — PROUNI, a Fiscalização, com fulcro no art. 32, § 6°, da Lei n° 9.430, de 1996, c/c oart. 5° § 5 inciso II da IN SRF n° 456, de 2004, efetuou os lançamentos fiscais, decorrentes do não recolhimento dos tributos devidos nos anoscalendário de 2005 e 2006 e das infrações cometidas pela interessada previstas na legislação tributária. As infrações referemse, primeiro, à ocorrência de omissão de receitas prevista no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, na medida em que a contribuinte não contabilizou: (i) notas fiscais de prestação de serviço de n° 406 a 413, no montante total de R$697.650,00 e (ii) depósitos de liquidação e cobrança efetuadas em contas do Banco Bradesco e Itaú,referentes a receitas de mensalidades, cuja soma dos anoscalendário de 2005 e 2006 perfazem o resultado de R$12.617.990,17. Segundo, restou caracterizada a presunção de omissão de receitas do qual dispõe o art. 42 da Lei n° 9430, de 1996, na medida em que a fiscalizada não comprovou a origem dos depósitos bancários das contas correntes do Banco Bradesco. Desta forma foram lavrados pela autoridade fiscal sete Autos de Infração, referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes aos anoscalendário de 2005 e 2006. A multa foi qualificada em razão das condutas da contribuinte que evidenciaram o intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizando a sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964. Além de integram também o pólo passivo na condição de responsáveis tributários os sócios gerentes Sr. Alex Marconio Santiago, Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira e Sr. Walter Paulo Oliveira Santiago, nos termos do art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). Ciência do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção. Ciência dos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Defesa Apresentada. A contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo n° 8, de 30 de agosto de 2010 em 02/09/2010 e dos Autos de Infração em 28/09/2010. Os responsáveis tributários foram cientificados em 01/10/2010. A Sociedade de Educação e Cultura de Goiânia Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 24 7 Ltda apresentou as impugnações de fls. 1181/1373 (IRPJ), 1376/1393 (CSLL), 1593/1609 (Cofins) e 1809/1825 (PIS), em 10/09/2010. As peças de defesa apresentadas, com idêntico conteúdo, manifestamse sobre a revogação da isenção, os lançamentos de ofício e pugnam pela exclusão do Sr. Walter Paulo de Oliveira Santiago do pólo passivo, conforme se pode observar pela síntese a seguir. Introducão A contribuinte afirma ter sido vítima de um esquema minuciosamente articulado pelo seu sócio minoritário, o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, que foi admitido na sociedade em outubro de 2005, com repasse de 0,5% do capital da sociedade. Assumiu com poderes de gerência, sem, contudo, estar apto a proceder com a movimentação financeira que era exercida pelo sócio majoritário. Afirma que haver inquérito policial em andamento e, que os documentos constantes do referido inquérito, assim como declarações de várias testemunhas, demonstram que o antigo sócio incorreu em atos ilícitos. Ainda, o antigo sócio foi indiciado por crime de estelionato, em razão da prática de falsificação de documentos com o fim de provar a propriedade da entidade, em tentativa de transferir em seu beneficio todo o patrimônio da entidade SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE GOIÂNIA LTDA. b) Qualificação do Sujeito Passivo Alega que o Fisco não descreve quais as ações praticadas pelo Sr. Walter Paulo de Oliveira Santiago, considerados como excesso de poderes ou infração à lei previstos no art. 135 do CTN. Se houve prática de atos pelo Sr. Walter em nome da sociedade, foi na qualidade de procurador mandatário do titular da mesma e os atos foram praticados dentro da estrita competência do mandato, conforme procuração vista pela autoridade tributária. Em seguida, volta a atacar o sócio minoritário afirmando que não se pode alegar o mesmo do Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, sócio minoritário da entidade que praticou atos considerados criminosos. Portanto, imputar responsabilidade tributária ao Sr. Walter é exorbitar a competência fiscal. Um simples relatório investigativo entregue pela Superintendência da Polícia Federal, estribado em denúncia anônima contra o Sr. Walter, não tem o peso de desconsiderar documento oficial, registrado em cartório e na Junta Comercial do Estado de Goiás. Do Lançamento O lançamento fiscal é atividade vinculada e obrigatória, e não pode a autoridade administrativa agir à revelia da lei. O presente lançamento teve nascimento em fatos praticados fora do alcance dos responsáveis pela administração da entidade, que não conhecia o volume de movimentos realizados e, para tal, será necessária uma recomposição total de seu Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 8 movimento, o que somente será possível após o encerramento do procedimento fiscal. O lançamento efetuado com base no faturamento é indevido e extrapola a realidade econômica da impugnante. d) Do Procedimento Fiscal Somente se observados os princípios da legalidade, da objetividade da ação fiscal, da audiência do interessado e da instrução probatória plena é que haverá procedimento fiscal regular e lançamento válido. Assim, a coleta genérica de documentos ou investigação sem prévia notificação é ato arbitrário e passível de invalidação. e) Do Fato Gerador O fato gerador do imposto de renda é a obtenção de rendas sob qualquer forma e considera que a entrada de valores sem a comprovação de sua origem constituise em omissão de receita. Ocorre que os valores demonstrados pela autoridade fiscal que tramitaram em contas diversas daquelas costumeiramente utilizadas pela entidade foram realizadas mediante procedimentos de fraude. Desconsidera o Fisco o contrato de fornecimento de bolsas de estudos celebrado em obediência ao contrato com a PROUNI, já que a isenção foi revogada pelo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil de Goiânia. f) Da Base de Cálculo Ao tributar o lucro apurado com base na receita total da entidade, incluindo aquela proveniente da venda de vagas ao governo federal, a Receita Federal do Brasil promove uma duplicidade de encargos à entidade. Se já foram prestados os serviços aos beneficiários do PROUNI, nos exercícios de 2005 e 2006, não pode agora a União quebrar de forma unilateral o contrato. Cancelado o contrato, deverá ser ressarcido o valor gasto pela entidade na concessão de bolsas àqueles indicados pelo Ministério da Educação. Por outro lado, não foi a auditoria da Receita Federal que denunciou o desvio de valores da contabilidade da empresa, mas sim quando representamos junto à autoridade policial os crimes cometidos contra o patrimônio da sociedade. Não pode, portanto, o senhor julgador anteciparse aos julgamentos criminais em andamento e considerar a denunciante, vítima de crimes, como criminosa em outro processo. g) Multa Proporcional Alega a multa agravada ser inibida em enunciados do art. 5° da Constituição Federal, tais como o inciso XLV, LIII, LIV e LVII. E em seguida, arremata dizendo que ao aplicarse a penalidade em dobro, afirmando que a entidade teria cometido crime contra a ordem tributária, a autoridade lançadora está antecipando uma decisão que não é de sua competência e que está em análise no Judiciário. Somente após caracterizada a ocorrência de crime pelo magistrado poderá a autoridade lançadora do tributo aplicar a penalidade contra a empresa. h) Análise do Procedimento Enfatiza o fato de que ao longo do período em que esteve sob ação fiscal manteve com a autoridade tributária relação harmoniosa, e se deixou de apresentar alguns documentos e informações foi por estrita falta de condições. Jamais a empresa restringiu a liberdade da Fiscalização. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 25 9 Por sua vez, não devem prevalecer os dados de um relatório de diligência para apuração de denúncia anônima formulada para a lavratura de Termos de Responsabilidade Tributária a pessoa não sócia da entidade, em detrimento de toda a documentação apresentada e vistoriada pela autoridade lançadora. Em 03/11//2010(protocolo de recepção à fl. 2046), o responsável tributário Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira apresentou petição de fls. 2046/2047, no qual discorre sobre os pontos a seguir: • O Terno de Responsabilidade Tributária está prejudicado já que como sócio da empresa tinha apenas 0,5% das quotas, e não 5% como transcrito no referido termo; • A função exercida na empresa era somente pedagógica e acadêmica, e não possuía nenhuma autoridade nem função administrativa/financeira; • Somente o sócio Sr. Alex Marconio Santiago ou o seu pai procurador Sr. Walter Paulo de Oliveira Santiago possuíam autonomia para gerir a empresa; • Como responsável pela área pedagógica e acadêmica jamais assinou uma folha de cheque, nunca contratou funcionário ou professor; • A alegação de que como gerente de banco teria conhecimento de movimentação financeira do cliente não é verdadeira; • O gerente da conta era outra pessoa e, além disso, por diversas vezes, o Sr. Alex Marconio Santiago e o seu procurador Sr. Walter Paulo Oliveira Santiago alegavam que todas asreceitas da Faculdade eram contabilizadas • Já foi excluído da sociedade de forma unilateral, e tem ainda valores a receber da empresa, tanto que ingressou com processo de prestação de contas, outro de exibição de documentos e até mesmo de alienação judicial da empresa, que já tramitam desde2009; • Foi com surpresa que tomou conhecimento da responsabilidade tributária, já que tinha participação de apenas 0,5% da sociedade e não tinha poderes de administração, e, por isso, não concorda e solicita a exclusão do pólo passivo; • Solicita cópia integral do processo junto à Receita Federal e requer prazo de vinte dias para apresentar uma defesa completa. Em 24/01/2011, o responsável tributário Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira foi cientificado pela DRFBrasília dos procedimentos para obtenção da cópia do processo, e foi informado de que se não houvesse manifestação no prazo de quinze dias, o processo seria encaminhado à DRJ para o devido prosseguimento. Diante da não manifestação do interessado, a DRFBrasília encaminhou os autos a esta Delegacia de Julgamento. Os responsáveis tributáriosSr. Alex Marconio Santiago e Sr. Walter Paulo Oliveira Santiago não apresentaram impugnação. Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 10 Acórdão da DRJ (fls.2059/2089) Acordam os membros da 2 Turma de Julgamento da DRJ/BSB, por unanimidade devotos: (i) julgar improcedente a impugnação na parte referente à suspensão da isenção e manter a suspensão de isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao ano calendário de 2005 conferida pelo Programa Universidade para Todos — PROUNI; (ii) julgar improcedente a impugnação na parte atinente aos lançamentos de oficio do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e manter o crédito tributário exigido; (iii) manter no pólo passivo na condição de responsáveis tributários os srs. Alex Marconio Santiago e Walter Paulo Oliveira Santiago; (iv) excluir João Rodrigues de Paula Oliveira do pólo passivo na condição de responsável tributário para os lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2005, e do PIS e Cofins dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho de 2005; (v) manter João Rodrigues de Paula Oliveira do pólo passivo na condição de responsável tributário para os demais lançamentos não relacionados no item iv. A referida decisão teve a seguinte ementa: Acórdão 0342.644 2' Turma da DRJBSB Sessão de 18 de abril de 2011 Processo 10120.005957/201010 Interessado SOCIEDADE DE EDUC.E CULT.DE GOIANIA LTDA CNPJ/CPF 02.684.686/000102 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 NÃO CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS E DERECEBIMENTOS DE MENSALIDADES. UTILIZAÇÃO DE CONTASBANCÁRIAS DE TERCEIROS PARA RECEBIMENTOS DEBOLETOS DE COBRANÇA. PRÁTICAS DOLOSAS. CRIMESCONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. Uma série de atos coordenados no sentido de ocultar receitas, mediante não contabilização de mensalidades recebidas por alunos, utilização de contas bancárias de interpostas pessoas para o recebimentos de valores Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 26 11 cobrados em boletos bancários, não escrituração de notas fiscais de serviços, apresentação de informações divergentes entre Fiscos Municipale Federal,caracterizam práticas que se encontram tipificadas como crimes contra a ordem tributária e que afrontam diretamente as condições estabelecidas para que a entidade possa usufruir da isenção concedida pelaadesão ao Programa Universidade Para Todos PROUNI. SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. Os atos da pessoa jurídica são exteriorizados pela atuação dos seus sócios,administradores, mandatários, prepostos e empregados. Tendo a empresa relação pessoal e direta com a situação que constitua fato gerador, ela é sujeito passivo da obrigação tributária principal, conforme artigo 121 do CTN. INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE IRRELEVANTE. As infrações, que se traduzem em uma conduta comissiva ou omissiva contrária ao direito, para se caracterizarem na seara tributária, basta a consumação do elemento objetivo, sendo, portanto, a intenção do agente irrelevante. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES.PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. PROUNI. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória n° 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei n° 11.096, de 13/01/2005. A suspensão deisenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo anocalendário no qual a infração foi cometida. Impugnação ImprocedenteSuspensão da Isenção Mantida Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTOS FISCAIS. NÃO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS.OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Em razão da suspensão da isenção, cabem ser lançados os valores devidosdos tributos referentes aos anoscalendário albergados benefício fiscal. Por sua vez, como foi verificada a ocorrência de infrações, devem também serlançadas, referentes à omissão de receitas prevista no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, na medida em que a contribuinte não contabilizou notas fiscais de prestação de serviço no montante total de R$697.650,00 e depósitos de liquidação e cobrança de recebimentos de mensalidades no valor de R$12.617.990,17, e à presunção de omissão de receitas do qual dispõe o art. 42 da Lei no 9430, de 1996, pela não comprovação da origemdos depósitos bancários cuja soma perfaz o resultado de R$16.609.182,08. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. As ações da contribuinte formaram um conjunto de atos ordenados, praticados com planejamento, visando ocultar da autoridade fazendária o auferimento de receitas, mediante não escrituração de notas fiscais, recebimentos de mensalidades em contas à margem da contabilidade e a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas para depósitos de boletos de cobrança, práticas que evidenciam o intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, suporte fático descrito no art. 71,I, da Lei no 4.502/64 como sonegação, razão pela qual cabe a qualificação da multa de oficio. SUJEIÇÃO PASSIVA INDIRETA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. I Exsócio que continua atuando na sociedade na condição de sócio de fato, administrando interpostas pessoas que agem no sentido de ocultar rendimentos percebidos pela empresa e movimentando recursos substanciais, deve ser chamado ao pólo passivo da relação tributária, em razão de condutas praticadas com excesso de poderes, consoante artigo 135 do CTN. Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 27 13 II Outro exsócio que operava as contas bancárias não contabilizadas onde eram depositadas as mensalidades, aproveitandose da condição de gerente de banco e, ao mesmo tempo, era sócio da instituição de ensino, em razão das condutas dolosas visando deliberadamente ocultar aocorrência do recebimento das receitas, também deve ser incluído no pólopassivo da relação tributária, para aqueles lançamentos fiscais referentesaos períodos em que ele detinha quotas da sociedade. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequadojulgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Além disso, não cumpridos os requisitos estipulados no inciso IV do art. 16 do PAF, cabe considerar não formulados quaisquer pedidos de diligência ou perícia, consoante § 1° do mesmo art. 16 do citado diploma normativo. CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO FATO. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos decorrentes deCSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. A pessoa jurídicaSociedade de Educacão e Cultura de Goiania – apresentou recurso voluntário, de fls. 2.125 a 2.277, com teor idêntico ao da impugnação em 16/11/2011, tendo sido cientificada da decisão do acórdão em 16/05/2011, o mesmo é tempestivo. Já o sócio Sr. Walter Paulo Oliveira Santiago foi cientificado, em 18/05/2011,Sr.AlexMarconio Santiago e Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira em 17/05/2011, conforme ARs de fls.2.114, 2.115, 2.116 e 2.117. Dos responsáveis tributários, apenas o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira apresentou em16/06/2011 o recurso de fls. 2.280 a 2.331, portanto tempestivo. Do Recurso Voluntário do Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira Ante o exposto no Acórdão supracitado, o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, inconformado com parte da decisão contida no Acórdão, apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente. Vez que ao julgar a defesa do Recorrente, a DRJ decidiu por manter a sua responsabilidade pessoal, pois, segundo o entendimento daquele órgão julgador: Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 14 (... ) Outro exsócio que operava as contas bancárias não contabilizadas onde eram depositadas as mensalidades,aproveitandose da condição de gerente de banco e, aomesmo tempo, era sócio da instituição de ensino, em razão das condutas dolosas visando deliberadamente ocultar a ocorrência do recebimento das receitas, também deve ser incluído no pólo passivo da relação tributária, para aqueles lançamentos fiscais referentes aos períodos em que ele detinha quotas da sociedade. Assim, aduz que conforme se constata do contrato social contido nos autos, o Recorrente foi sócio cotista minoritário da autuada, detendo apenas 0,5% (meio por cento) das suas cotas, e nunca possuiu quaisquer poderes de administração, a qual, como dito alhures, era exercida com exclusividade pelo principal sócio e também diretor da sociedade, o Sr. Alex Marconio Santiago, conforme já alegado na impugnação. Ressalta que em momento algum ocupou cargo de diretoria na Associação de Educação e Cultura de Goiás (MANTENEDORA), pois, consoante se verifica da Resolução 20/05/2001 (DOC. 02), ele unicamente foi nomeado para ocupar o cargo de diretor da FACULDADE PADRÃO e do INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PADRÃO (INSTITUIÇÕES MANTIDAS), cujas atribuições eram voltadas apenas para as atividades acadêmicas. Alegando que não há nos autos qualquer prova, ou mesmo alegação por parte do fiscal, de que o Recorrente tenha praticado atos enquanto sócio da autuada, ou seja, que tenha representado juridicamente a pessoa jurídica. Insurge contra o Fisco e também da DRJ terem se prendido ao fato de o mesmo ter sido gerente em uma das Agencias do Bradesco na qual a autuada detinha contas para depósitos, quando ao mesmo tempo era sócio da fiscalizada. Alega ainda que se faz necessário esclarecer o que diz respeito à afirmativa inverossímil de que o Recorrente era quem autorizava operações fraudulentas realizadas pela autuada, dando a falsa idéia de que o mesmo tinha conhecimento dessas irregularidades, o que não é verdade, o Recorrente era o gerente geral da agência do Banco Bradesco que, como é sabido, não gerencia nenhuma conta específica, o que é feito por um dos gerentes pessoa jurídica. No caso em questão, a gerência das contas da autuada, à época, era exercida pelo gerente pessoa jurídica, o Sr. Flávio Vieira Cardoso, conforme se constata da declaração em anexo (DOC. 03), firmada pelo aludido senhor na qual ele diz expressamente que: “( ... ) desempenhei diversas funções na mesma, inclusive, de Gerente Pessoa Jurídica, e como tal, fui gerente responsável pelas contas do Grupo PADRÃO, que envolviam diversas empresas tais como, dentre outras: Sociedade de Educação e Cultura de Goiânia Ltda(diversas contas) CNPJ 02.684.686/000102 Idônea Factoring Vig Bank Vigilância Patrimonial CAPS Administração e Participações Jota ConstrutoraLtda Construalpha Construtora Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 28 15 Sociedade Mestra de Educação e Cultura (faculdade Padrão de Aparecida de Goiânia) Todas as contas acima, e outras, que no momento não me recordo, eram movimentadas sob as ordens do Sr. Walter Paulo de Oliveira Santiago e seu filho Sr. Alex Marconio Santiago. Todo o grupo Padrão, não era tomador de crédito, e por isso, nunca necessitaram de recursos do banco e portanto, nunca nos apresentaram balanços e outros documentos contábeis para elaboração de cadastro para crédito, embora tenhamos solicitado diversas vezes. Ressalta também, que ao questionarmos se os recursos que transitavam por todas suas contas eram contabilizados, a resposta sempre era que TODOS os recursos que transitavam em contas do grupo eram totalmente contabilizadas. A gerência geral, na época, exercida pelo Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, não gerenciava nenhuma conta específica, pois, à época a agência possuía mais de 3.000 contas, sendo impossível a gerência geral manter em sua carteira quaisquer contas, sendo que inexistia carteira de clientes específicas para o gerente geral, que o mesmo era responsável por estratégias e cumprimentos das metas da agência. Dessa feita, se houvesse autorização legal (o que não há), quem deveria ter sido arrolado como coresponsável seria o gerente da conta, e não o Recorrente que apenas eventualmente praticou atos inerentes ao seu cargo de funcionário do Bradesco Em razão disso, o Recorrente repudia a conduta adotada pelo fiscal autuante, quiçá propositadamente, com o claro fito de legitimar sua malfadada atuação no que pertine ao termo de responsabilização. Assim, postos tais esclarecimentos, conclui por inadequada a responsabilização do Recorrente, já que inexiste no mundo jurídico, mais precisamente Com efeito, segundo dispõe o CTN, na hipótese do art. 135, o sócio somente pode ser responsabilizado por débitos da sociedade quando tenha praticado atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso dos autos, o Recorrente, por não possuir poderes de gestão, como demonstrado alures, não poderia ser responsabilizado por débitos fiscais da sociedade, eis que a norma do art. 135 do CTN é dirigida apenas aos administradores, posto que o simples sócio cotista não detem poderes de que possa abusar. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 16 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomoconhecimento. Conforme ARs de fls.2.114, 2.115, 2.116 e 2.117 a contribuinte foi cientificada dadecisão supra em 16/05/2011, enquanto que os sócios Sr. Walter Paulo Oliveira Santiago, em18/05/2011, Sr. Alex Marconio Santiago em 17/05/2011 e Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira em17/05/2011. A Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.2.125/2.277) 16/06/2011, portanto, recebido como tempestivo. O recurso voluntário é de teor semelhante à impugnação. Por isso, num primeiro momento, será apreciada a suspensão da isenção de pagamento, por serquestão central do presente processo administrativo. De acordo com a Instrução Normativa 456/2004 é requisito fundamental para a isenção que a instituição de ensino demonstre com clareza e exatidão em sua contabilidade os elementos que compõem a receitas, custos, despesas e resultados referentes às atividades beneficiadas pela isenção, em separado das demais fontes de renda da entidade. A fiscalização realizou um trabalho detalhado e não deixou dúvidas quanto às infrações detectadas. Por isso, a questão fática foi provada pelo Fisco, sendo, portanto, aceito por esta Corte, até mesmo porque em momento algum a Recorrente apresentou defesa negando os fatos, apenas alegou que foi vítima da má administração de um dos sócios minoritários. Questão irrelevante, pois de acordo com o art. 136 do CTN a responsabilidade por infrações tributária independe da intenção do agente ou do responsável. Conforme verificado nos autos de infração a Recorrente não contabilizou as notas fiscais de n° 406 a 413; não contabilizou o recebimento de mensalidades de alunos, não atendeu a intimação do Fisco para apresentar extratos de movimentação financeira e comprovação de depósitos bancários; utilizou contas de terceiros para recebimentos de boletos de cobrança de mensalidades de alunos. Para realizar as irregularidades acima mencionadas, utilizouse de contas bancárias à margem da contabilidade que foram movimentadas pelo sócio majoritário Sr. Alex Marconio Santiago, bem como fez uso de contas bancárias de interpostas pessoas do mesmo grupo econômico (Água Mineral Puríssima Ltda e Seg Bank Segurança Bancária e Patrimonial Ltda). Portanto, como a Recorrente desrespeitou as normas referentes à concessão de isenção (artigos 3° e 4° da IN SRF n° 456, de 2004), tendo também sido praticado Crime Contra a Ordem Tributária, tipificado no artigo 2º, inciso I, da Lei 8.137/90, visto que o sujeito passivo realizou condutas ordenadas, planejadas, fez declarações falsas, com o intuito de omitir informações sobre seu faturamento. Desta forma mantida a suspensão da isenção, conforme decisão da DRJ/BSB, e portanto exigíveis IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006. O único responsável tributário a interpor Recurso Voluntário (fls.2.280/2.331) foi o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira em 16/06/2011, portanto tempestivo de acordo com o art. 33 do DecretoLei 70.235/72, e dele passemos a analisar. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 29 17 A responsabilização de sócios da pessoa jurídica prevista no art. 135, inciso III do Código Tributário Nacionalé situação excepcional que deve ser utilizado somente nos casos onde reste constatado que os créditos decorrem de obrigações tributárias oriundas de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ouestatutos. Se não vejamos: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (....) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilização dos sócios não decorre pura e simplesmente do não cumprimento da obrigação tributária, pois os mesmo têm a proteção da pessoa jurídica, no entanto, quando da ocorrência de atos praticados com infração a lei essa proteção quanto à pessoa do sócio desaparece, e então, passa a ser responsabilizado pessoalmente por tais atos. Quanto aos atos praticados pelos sócios com poderes de administração, Hugo de Brito Machado, muito bem expôs as irregularidades que geram a responsabilidade destes, vejase: “É importante notarse que a responsabilidade dos sócios gerentes, diretores e administradores de sociedades, nos termos do art. 135, III, do CTN, é por obrigações resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Poderseia, assim, sustentar que a obrigação, pela qual respondem, há de ser resultante de atos irregularmente praticados. O próprio nascimento da obrigação tributária já teria de ser em decorrência de atos irregulares.” Aliás, Hugo de Brito Machado em outra passagem esclarece: “Não se pode admitir que o não pagamento do tributo configure a infração de lei, capaz de ensejar tal responsabilidade, porque isto levará a suprimirse a regra, fazendo prevalecer, em todos os casos, a exceção. O não cumprimento de uma obrigação tributária qualquer, e não apenas de uma obrigação tributária, provocaria a responsabilidade do diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica de direito privado inadimplente. O que a lei estabelece como regra, isto é, a limitação da responsabilidade dos diretores ou administradores dessas pessoas jurídicas, não pode ser anulado por esse desmedido elastério dado à exceção”. Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 18 Logo, podese chegar a conclusão que a responsabilidade disposta no art. 135 do CTN é subjetiva e que para sua ocorrência resta necessário a existência de provas da efetiva conduta intencional. Percebese que as condutas irregulares fiscais praticadas foram tão bem demonstradas pelo Fisco por um dos sócios, Alex Marconio Santiago que não houve, em momento algum, a resistência quanto aos fatos narrados. Dentro desta linha de raciocínio cabenos perquirir, se ao sócio minoritário, Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira incumbiaa gestão e administração da fiscalizada, pois os atos ilícitos e suas consequências apuradas pelo Fisco restam incontroversos, e para se atribuir a responsabilidade tributária pessoal prevista no art. 135, III do CTN, necessário se faz o poder de administração ou direção. Se não vejamos, novamente, os ensinamentos de Hugo de Brito Machado: “Destaquese desde logo que a simples condição de sócio não implica responsabilidade tributária. O que gera a responsabilidade, nos termos do art. 135, III, do CTN, é a condição de administrador de bens alheios. Por isto a lei fala em diretores, gerentes ou representantes. Não em sócios. Assim, se o sócio não é diretor, nem gerente, isto é, se não pratica os atos da administração da sociedade, responsabilidade não tem pelos tributos desta”. O sócio minoritário Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira foi admitido na empresa com participação de 0,5% das quotas da sociedade, em 28 de julho de 2005, consoante se verifica da Cláusula Oitava do Contrato Social da autuada, fls. 605/657. Realmente não exerceu a função de direção na Associação de Educação e Cultura de Goiás (MANTENEDORA), ora sujeito passivo, ainda que, conforme demonstrado na Resolução 2005/2/001 (DOC. 02, fls.2.298/2.299), tenha sido nomeado Diretor Geral da Faculdade Padrão e do Instituto Superior de Educação Padrão (Instituições Mantidas), em 10 de agosto de 2005, cujas atribuições eram voltadas exclusivamente para as atividades acadêmicas. Conforme se depreende do próprio documento pelo mesmo juntado,este exercia a função de Diretor Geral, no entanto, essa função estava ligada às atividades acadêmicas e nunca teve poderes de administração, ao menos, pelo conjunto probatório juntado pelo fisco não há prova cabal e inequívoca para se chegar a essa conclusão. Fato que corrobora com essa situação é o de que para obter dados da contribuinte foi preciso ajuizar Ação Cautelar de Exibição de Documentos (2.306/2.329). Aliás, o Fisco se prendeu ao fato de que por ter exercido a Gerência Geral no banco onde foram depositadas as quantias desviadas seria o suficiente para atribuirlhe a responsabilidade pessoal. No entanto, não demonstrou, em momento algum, que essas contas eram movimentadas ou controladas pelo Sr. João Rodrigues de Paula Rodrigues. Apenas fez a intuiçãodedutiva motivada exclusivamente pelo cargo por ele ocupado. Todavia, o acusado, Sr. João Rodrigues de Paula a preocupação e trouxe aos autos declaração do Sr. Flávio Vieira Cardoso, fls. 2.300/2.302, gerente pessoa jurídica na Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 30 19 época, em que afirma ter sido o responsável pelas contas do Grupo Padrão e que envolvia diversas empresas, dentre as quais as identificadas pelo Fisco como as que recebiam os valores desviados e que o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, não gerenciava nenhuma conta específica, pois, à época a agência possuía mais de 3.000 contas, sendo impossível a gerência geral manter em sua carteira quaisquer contas, sendo que inexistia carteira de clientes específicas para o gerente geral. Além de que, por ser sócio minoritário detentor de apenas 0,5% do capital social para se atribuir a responsabilidade pessoal nestas circunstâncias, imprescindível se faz a demonstração de que o mesmo exercia a função de administração ou gerência, conforme doutrina acima relatada e jurisprudência neste sentido. Processo: AC 44916 PA 2004.01.99.0449166 Relator(a): Juiz Federal Grigório Carlos dos Santos Julgamento: 07/05/2012 Órgão Julgador: Quinta Turma Suplementar Publicação: eDJF1 p.744 de 17/05/2013 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUCÃO FISCAL. DESNECESSIDADE DE AUTENTIFICACÃO DE DOCUMENTOS. DISSOLUÇÃO IRREGULAR POR DEVOLUÇÃO DE CARTA CITATORIA. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO MINORITÁRIO SEM PODERES DE GERÊNCIA, ADMINISTRAÇÃO OU REPRESENTAÇÃO. 1... 2 Verificase que, com efeito, o embargante jamais exerceu atividades gerenciais ou administrativas na sociedade, não passando de mero sócio. O embargante não tinha nenhum poder de gerência ou administratação, nem era seu representante, de maneira que não há como imputarlhe a responsabilidade pela dissolução da sociedade, nos moldes pretendidos pela Fazenda Nacional, que apenas está a defender uma aplicação mais abrangente do art. 135,I , combinado com art. 134,VII do CTN, para alcançar aquele que detinha apenas 5% (cinco por cento) das cotas da empresa (fls. 29), sem nenhum dos poderes acima. Processo: AC 4520 MG 1998.01.00.0045205 Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO 20 Relator(a): Juiz Federal Moacir Ferreira Ramos (conv.) Julgamento: 03/12/2003 Órgão Julgador: Segunda Turma Suplementar Publicação: 29/01/2004 DJ p.67 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA (CTN,ART. 135). SÓCIO MINORITÁRIO QUE NÃO EXERCIA FUNÇÃO DE GERÊNCIA OU ADMINISTRAÇÃO. 1. Não pode ser responsabilizado pelos débitos tributários devidos pela sociedade o sócio que tinha inexpressiva participação no capital da empresa e não exercia função de gerência ou administração na ocasião do fato gerador da obrigação tributária (CTN art. 135). 3. Apelação e remessa oficial improvidas. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA (CTN, ART. 135). SÓCIO MINORITÁRIO QUE NÃO EXERCIA FUNÇÃO DE GERÊNCIA OU ADMINISTRAÇÃO. 1. Não pode ser responsabilizado pelos débitos tributários devidos pela sociedade o sócio que tinha inexpressiva participação no capital da empresa e não exercia função de gerência ou administração na ocasião do fato gerador da obrigação tributária (CTN art. 135). 3. Apelação e remessa oficial improvidas. (AC 1998.01.00.0045205/MG, Rel. Juiz Federal Moacir Ferreira Ramos (conv), Segunda Turma Suplementar,DJ p.67 de 29/01/2004). Podes e concluir dos julgados colacionados acima que a mera alusão ao fato do recorrente (Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira) ser sócio da empresa não autoriza a responsabilização pessoal, se não restar comprovado a mínima relação de causa e efeito entre as imputações e a condição de cotista, sob pena de se reconhecer a responsabilidade pessoal objetiva perante uma situação não prevista em lei. Desta forma, podemos concluir objetivamente que para a configuração da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN, resta necessário a existência de poderes de administração, ocorrência de uma conduta abusiva e, por fim, ligação temporal destas com o lançamento de ofício, ou o fato gerador da obrigação tributária. Como não ficou suficientemente provado que o Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira tinha poderes de administração, não se mostra viável manter a responsabilidade do mesmo. Portanto, é de se considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, negandose provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo e dandose provimento ao recurso voluntário do Sr. João Rodrigues de Paula Oliveira, para excluílo do termo de sujeição passiva solidária. Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10120.005957/201010 Acórdão n.º 1202001.136 S1C2T2 Fl. 31 21 (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 13888.004781/2010-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentá-los de forma deficiente.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA.
A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores.
A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN.
No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação.
MULTA COM AGRAVANTE. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS.
Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa nos termos do art. 290, II, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, não merece prosperar o agravamento, razão pela qual deve ser afastada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa aplicada bem como a responsabilidade dos sócios. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentá-los de forma deficiente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação. MULTA COM AGRAVANTE. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS. Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa nos termos do art. 290, II, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, não merece prosperar o agravamento, razão pela qual deve ser afastada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa aplicada bem como a responsabilidade dos sócios. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentálos de forma deficiente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação. MULTA COM AGRAVANTE. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS. Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa nos termos do art. 290, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, não merece prosperar o agravamento, razão pela qual deve ser afastada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 47 81 /2 01 0- 03 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa aplicada bem como a responsabilidade dos sócios. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004781/201003 Acórdão n.º 2403002.557 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 14 33.977, fls. 89/100, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.303.3710, lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento que não atendas as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. O Relatório Fiscal, fls. 08/15, consigna que ao longo do procedimento fiscal, foram emitidos diversos termos, dentre os quais era solicitada a apresentação da escrituração contábil referente ao período 11/2006 a 12/2009, solicitação esta que não foi cumprida pela empresa, recusandose a apresentála. Acrescenta, ainda, a autoridade fiscal o agravamento da multa imputada, nos termos do art. 290, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter caracterizado a prática de sonegação por parte da empresa, em razão dos fatos a seguir relatados: Os fatos descritos nos itens 9 a 11 deste relatório, entre outros, evidenciam inequivocamente ser o contribuinte: a) devedor contumaz da contribuição previdenciária e daquelas devidas a outras entidades e fundos, incluindo ainda as contribuições dos trabalhadores que são arrecadadas pela empresa mediante o desconto da respectiva remuneração (item 9); b) negligente em relação às orientações da GFIP ao adotar a prática reiterada de apresentar declarações inexatas com valores ínfimos das contribuições devidas, assumindo o risco de ocultar da administração tributária o efetivo valor das contribuições a recolher, o que, dada a habitualidade, afasta a hipótese de erro tolerável (item 10 e subitens); c) devedor contumaz dos depósitos mensais do FGTS a que os seus empregados têm direito em suas contas vinculadas na CEF (subitem 10.4); d) negligente em relação às suas obrigações fiscais (item)11; e) resistente em apresentar a escrituração contábil, apesar de intimado e reintimado (Doc. 01); impedindo, ao deixar de apresentála, que se tenha conhecimento de outros fatos geradores da contribuição previdenciária não incluídos em folha de pagamento além das suas informações financeiras; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 f) omisso em prestar esclarecimentos detalhados de todas as suas atividades econômicas exercidas para fins de correto enquadramento na CNAE, apesar de intimado (Doc. 01). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 74/80. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 33. 977, fls. 89/100, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentálos de forma deficiente. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 106/112, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. A empresa é optante do Lucro Presumido não lhe sendo obrigada a escriturar Livro Diário, apenas Livro Razão. 2. Os levantamentos concernentes às Folhas de Pagamento configura hipótese de bis in idem, posto que os valores do salário de contribuição constantes da folha de pagamento já haviam sido informados em GFIP, o que configura confissão de dívida. A prova da remessa correta está no próprio relatório fiscal, item 10, já demonstrado, quando o auditor informa que o contribuinte sempre informou todos os meses do período fiscalizada GFIP com todos os fatos geradores, que teria sido substituída por outra com apenas um empregado. Tratase de GFIP com modalidade diferente. A GFIP com todos os fatos geradores e todos os empregados é declaratória. As demais, sempre com apenas 1 empregado referese apenas a documento utilizado para recolhimento do FGTS em atraso; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004781/201003 Acórdão n.º 2403002.557 S2C4T3 Fl. 4 5 3. Não se vislumbra hipótese de sonegação, eis que não houve qualquer intuito fraudulento, assim como a empresa realizou todos os procedimentos nos ditames da lei. Se não houve a entrega devida de documentos ou informações, tais condutas possuem enquadramento específico a ensejar multa. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 121, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A Recorrente alega que é optante do Lucro Presumido, razão pela qual não é obrigada a escriturar Livro Diário, apenas Livro Razão e portanto, não haveria que se falar em descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que, além de ter requerido os livros acima, intimação a qual a empresa não respondeu, a fiscalização, através do Termo de Reintimação Fiscal n. 002, na fl. 36 do autos, demonstra claramente o pedido da fiscalização: “Escrituração contábil de 11/2006 a 12/2009”. O que é o motivo explicitado no Relatório Fiscal, mais especificamente na fl. 12, item 14 do Tópico IV – DA SITUAÇÃO CARACTERIZADORA DA INFRAÇÃO. Tal fato ensejou a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 33, parágrafos 2. e 3. e art. 92, art. 102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art. 283, II, ‘j’ , in verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004781/201003 Acórdão n.º 2403002.557 S2C4T3 Fl. 5 7 responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ************************************************** Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Por tal razão há de ser mantida a multa aplicada. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS E DA MULTA AGRAVADA Em razão dos fatos narrados no relatório, a autoridade fiscal caracterizou a prática de sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, imputando, conseguintemente, a responsabilidade solidária aos sócios, fundamentandose no art. 135 do CTN, assim como a exasperação da multa em três vezes, nos termos do art. 292, inciso II do RPS. Por tal razão ambas as situações serão tratadas conjuntamente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Primeiramente, cabe verificar a ocorrência da prática de sonegação fiscal, conforme configurado pela autoridade fiscal: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Da leitura do enunciado normativo, verificase que, para a caracterização da prática de sonegação por parte da empresa, é imprescindível o dolo, o qual deve estar devidamente comprovado nos autos do processo em epígrafe, segundo a melhor doutrina (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Martins de; FERRAGUT, Maria Rita. coord. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 311), in verbis: No momento em que a fiscalização verifica que o contribuinte cometeu um ato ilícito de descumprimento de obrigação principal ou acessória no âmbito fiscal federal, é necessário que reste demonstrado não só o descumprimento da obrigação, como também o cometimento do ato fraudulento, se ocorrido. (...) Entretanto, dentro de um Estado Democrático de Direito, não se pode permitir a caracterização de ato fraudulento senão baseada em parâmetros legais e com a devida demonstração dos fatos que se pretende assim qualificar. A demonstração do ato fraudulento não se dá por outro meio senão pela prova a ser produzida pela fiscalização. Portanto, segundo o auditor, os motivos que culminaram na caracterização da prática de sonegação podem ser assim sintetizados: a empresa é (1) devedora contumaz das contribuições previdenciárias, (2) negligente quanto às orientações da GFIP, (3) resistente em apresentar a escrituração contábil e (4) omissa em prestar esclarecimentos. Entretanto, algumas considerações fazemse imperiosas. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim, descumprimento de obrigação principal de pagar, apenas, que pode ter como origem diversos fatores, lícitos ou ilícitos. A própria autoridade fiscal relata que houve declaração dos segurados da empresa em GFIP, sendo posteriormente substituída por outra onde constava um único empregado. Assim, quanto ao item (2), tal fato denota que a empresa não possuía o objetivo de omitir informações, ante o equívoco do envio de mais de uma GFIP para a mesma competência, caracterizando sim imperícia do agente que realizou a declaração, elemento integrante da culpa, conforme o art. 18, II do Código Penal Brasileiro, ou seja, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Quanto aos itens (3) e (4), tais atos constituem descumprimento de obrigação acessória, devidamente previsto em lei, razão pela qual, a sua ocorrência culmina na imputação de multa em autuação própria, afastando, assim, eventual duplicidade na aplicação de penalidades. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004781/201003 Acórdão n.º 2403002.557 S2C4T3 Fl. 6 9 Ademais, vejase que a norma é categórica quanto à necessária presença de dolo para a efetiva configuração da ocorrência de dolo, o que não ocorreu no caso em tela, mas sim culpa. É neste mesmo sentido que o art. 135 do CTN, fundamento legal indicado pela autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária dos sócios, prevê a imprescindibilidade de que o ato ilegal ou exorbitante dos limites contratuais ou estatutários resulte no surgimento de obrigações tributárias, fazendose necessário, pois, que haja a demonstração de culpa subjetiva ou dolo do agente, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Isso porque o simples fato do sócio exercer a gerência da empresa, por si só, não constitui elemento suficiente à imputação de responsabilidade pretendida pela autoridade fiscal, em que pese o art. 135 do CTN trazer a previsão de responsabilidade pessoal, hipótese em que ocorreria a substituição do pólo passivo pelo sócio comprovadamente infrator. Não é outro o posicionamento da jurisprudência. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ – EXERCÍCIO: 2000 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Sujeição passiva indireta que se afasta eis que não foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, que o integrante do quadro societário da empresa à época da ocorrência dos fatos agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) (Primeiro Conselho dos Contribuintes. Quinta Câmara. Processo nº 10508.000642/200574. Acórdão nº 10516.463. Sessão de 23 de maio de 2007. Conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães) A possibilidade da imputação da responsabilidade solidária, por sua vez, só encontraria amparo acaso houvesse a cumulação dos arts. 124 e 135 do CTN, pois, tendo em vista este último tratarse de responsabilidade por substituição, em decorrência da exigência de pessoalidade na prática dos atos, o art. 124 dispõem acerca daqueles que possuam interesse comum na situação que constitui o fato gerador. A jurisprudência é vasta neste sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004, 2005 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, respondem solidariamente pelas obrigações tributárias da sociedade, os sócios e administradores que agem com infração à lei e ao Contrato Social pois tem interesse direto e comum na situação que constitui o fato gerador. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Processo nº 16004.001329/200853. Acórdão nº 180300.824. Sessão de 23 de fevereiro de 2011. Conselheiro Relator Walter Adolfo Maresch) ____________________________________________________ (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10660.001639/200939. Acórdão nº 1101000.996. Sessão de 5 de novembro de 2013. Conselheira Relatora Mônica Sionara Schpallir Calijuri) ____________________________________________________ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 (...) RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizandose neste a caso a norma antes citada com a prevista no art. 124, I, do CTN, tendo Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004781/201003 Acórdão n.º 2403002.557 S2C4T3 Fl. 7 11 em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. (...) (Terceiro Conselho dos Contribuintes. Terceira Câmara. Processo nº 12466.003632/200479. Acórdão nº 30334.941. Sessão de 4 de dezembro de 2007. Conselheiro Relator Zenaldo Loibman) Tendo em vista a insuficiência de fundamentação legal e a ausência de provas de dolo quanto à prática de sonegação, não subsistem razões para a manutenção da imputação da responsabilidade tributária aos sócios, razão pela qual eles devem ser afastados do pólo passivo da presente demanda administrativa. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para afastar o agravamento da multa aplicada, bem como a responsabilidade dos sócios, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11060.003121/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE.
Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR as PRELIMINARES de nulidade do lançamento e da decisão da DRJ, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva que reconhecia a nulidade do lançamento. No MÉRITO, por unanimidade, acordam em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 09/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Eivanice Canário Da Silva.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE. Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR as PRELIMINARES de nulidade do lançamento e da decisão da DRJ, vencida a Conselheira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 31 21 /2 00 9- 61 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 3 2 Eivanice Canário da Silva que reconhecia a nulidade do lançamento. No MÉRITO, por unanimidade, acordam em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 09/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Eivanice Canário Da Silva. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 72 a 84: Contra a contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 41 a 50) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, a interessada apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentarse na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 4 3 A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizandoas, verificase que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: no anocalendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; no anocalendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; no anocalendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse, a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao anocalendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõese o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos calendário de 2003 e 2005. Argüi a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 5 4 Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verificase que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verificase que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filhovarão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verificase que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fabio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceirooutorgante e parceirosarrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnicofinanceiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terranua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terranua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, tornase evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 6 5 A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poderseia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verificase que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 7 6 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verificase que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verificase que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjugemeeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. A improcedência da glosa das "demais despesas" A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apóia se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de nulidade e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, mantendo somente as glosas das despesas da atividade rural no valor de R$58.972,87 (R$55.573,57 – despesas como imóvel de 4ha + R$3.399,30 IR, IRRF, IPTU e Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 8 7 as multas e infrações), mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO.Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 90 a 99, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Preliminarmente, declare a nulidade do lançamento instância; conforme os argumentos apresentados com a impugnação indicados acima e/ou da decisão de 1a. instância por usar prova emprestada de outro processo fiscal, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Ainda, acusa a autoridade julgadora de ter inovado o lançamento alterando o critério jurídico adotado pela fiscalização e II. No mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1ª a instância; alegando que a existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas. não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terranua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/conseqüente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias (e anexos) sobre ela (terranua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que, sobre a terranua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, tornase evidente a propriedade condominial das benfeitorias (e anexos). Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 9 8 Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINARES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA AUTUAÇÃO / AC. DRJ. PROVA EMPRESTADA. PAF n° 11060.001682/201060. Alega o recorrente que desconhece os fatos do outro processo protegido pelo sigilo fiscal, impedindo o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Noutros termos, alterou o critério jurídico adotado pela fiscalização, culminando na nulidade da decisão recorrida. Em relação ao desconhecimento da contribuinte do outro processo do Sr. Pedro Herter, aclaramos que na própria impugnação apresentada, consta o seguinte: O sujeito passivo explora atividade rural em parceria com i outros membros da família que possui as seguintes denominações possíveis, conforme contrato de parceria, firmado em 11/01/2001, e termo aditivo, firmado em 22/01/2001; levados a registro em 13/02/2001 e 21/11/2001, respectivamente, fls. 47 a 49: Multi Agropecuária, Multi Parceria Agropecuária ou Multi Pap, cabendo a administração a Pedro Luiz Herter e, em seu impedimento, Fábio Pinto Herter. ; Nas cláusulas do contrato, fls. 47 a 48, constou que os cinco parceiros agrícolas, Pedro Luiz Herter; Maria Odila Abreu Pinto Terra Pinto; Margareth Maria Pinto Herter; Ingrid Pinto Herter; e Fábio Pinto Herter, fariam jus à participação sobre o resultado financeiro na proporção de 20% para cada um e que os parceiros deveriam colocar todas as glebas rurais de suas propriedades, bem como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria para serem exploradas pela mesma, recebendo, em troca a participação do resultado financeiro. Ou seja, o outro processo que trata do ganho de capital e que serviu de base pela DRJ para a determinação dos “custos das benfeitorias" é do seu pai e sócio e responsável pela parceria rural fiscalizada que comungavam de um mesmo livro caixa. Ora, diante de comprovado estreito relacionamento, não é razoável supor que a contribuinte teve o seu direito de defesa cerceado pela falta de condições de conhecer o conteúdo do processo referido pela DRJ no acórdão recorrido. O que a DRJ fez foi a correta adequação de um critério único na avaliação dos custos das benfeitorias do imóvel de 4ha, no bojo das auditorias fiscais realizadas e não há o que se falar de prejuízo ao contribuinte quando essa adequação culminou da redução do valor do crédito tributário lançado. Diferentemente seria se houvesse algum agravamento a exação cobrada mas não foi isso que ocorreu. A própria interessada trouxe com o recurso cópia do Acórdão da DRJ do Processo n° 11060.001682/201060, demonstrando que tem acesso e conhecimento do processo de ganho de capital lançado em nome do seu pai e, assim, afasto qualquer acusação Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 10 9 que o critério adotado pela DRJ nesse tema posso ter causado alguma preterição ao direito de defesa ou ilegalidade. Em relação as demais nulidades e ilegalidades trazidas no recurso, na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus recursos durante a fiscalização, como se vê, v.g., nas intimações às fls.: 03, 06, 52, 74, 79, 82, 85, 95, 106, 114. E com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, não vejo qualquer cerceamento ou ilegalidade para se requerer qualquer nulidade do lançamento em questão. MÉRITO. INFRAÇÃO GLOSA DE .DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. Em relação as alegações recursais dessa infração, importante frisar que a glosa sobre despesas de construção feita pela autoridade fiscal diz respeito exatamente às benfeitorias realizadas no terreno de 4ha, conforme trecho do Relatório Fiscal: Procedemos, então, à glosa das despesas de construção do galpão e demais benfeitorias efetuadas pelo Sr. Pedro no imóvel de matrícula n° 11.702 (fração de terras de 4 ha) por estarem indevidamente contabilizadas no livro caixa da atividade rural da parceria. Em relação a estas despesas indevidamente utilizadas pela parceria rural, devese observar que, embora o Sr. Pedro tenha indicado que sua contabilização tenha ocorrido na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", podese inferir que os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção: mãodeobra, construções de cercas, fretes e carretos, honorários, horamáquina e mudas e reflorestamento. Portanto, procedeuse à glosa do valor total contabilizado na conta "Construções e Reformas" no anocalendário 2005, no montante de R$ 716.311,97, fls. 30v, cabendo ao sujeito passivo a glosa de despesas de livro caixa de R$ 143.262,39, 20% do valor total, em decorrência da proporção que lhe cabe na parceria rural. O contribuinte contesta este valor afirmando o seguinte: Visualizandoas, verificase que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: no anocalendário 2003, foram despendidos R$;238.534,72; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.003121/200961 Acórdão n.º 2102002.382 S2C1T2 Fl. 11 10 no anocalendário 2004 , foram despendidos R$ 320.534,72; no anocalendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observo que a soma dos valores não bate com o valor total informado pelo contribuinte, ou seja a soma das parcelas é de 859.081,38 e não 875.91,51. Ou seja, os argumentos da contribuinte estão consistentes e nenhum ponto específico de erro de cálculo foi demonstrado. Já a DRJ considerou em 2004 os investimentos com benfeitorias de R$ 277.867,83, valor menor do que aquele indicado pelo contribuinte na impugnação, superando assim todas as questões de mérito levantadas pelo recorrente acerca dessa exação, pois, atendeu o pleito do próprio recorrente acima da suas próprias expectativas. Importante observar que nenhum ato será declarado nulo, se da alegada nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa, CPP, art. 563, como no presente caso. Já em relação a glosa das "demais despesas", o contribuinte traz em seu recurso apenas uma observação dizendo que baseada no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta ser, também, improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do quantum eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida tocante aos tópicos anteriormente questionados, fl. 99. Entendo que esse mero alerta nos seus próprio dizeres em nada pode modificar a infração e, assim, determino a sua manutenção. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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