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Numero do processo: 10860.001574/2001-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPF
Período de apuração:1997 E 1998
IRPF. INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT).
O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior
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INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT). O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos temios do art. 156, VII do CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, p r maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli / unes da Silva. Á CARLOS ALBERT• 1 • EITAS B • ETO- Presidente A L COEL O Ar • U1.A.J IOR - Relator • DITADO EM: 1 4 Ma 2019 ( Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial por divergência [fls. 182 e ss] interposto em face do v. acórdão [fls. 169 e ss] proferido pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho do Conselho de Contribuintes, com espeque nos artigo 7°, inciso II, do RICSRF, aprovado pela Portaria n. 147/2007. O e. Órgão do Conselho de Contribuintes entendeu que não são tributáveis os rendimentos pagos pela Petrobrás – Indenização por Horas Trabalhadas (IHT) IRPF - INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) - Não são tributáveis os rendimentos pagos pela Petrobrás em razão da desobediência ao ' novo regime de sobreaviso implementado pela Constituição Federal de 1988. Hipótese distinta do pagamento de hora extra a destempo. A Petrobrás apenas conseguiu adaptar os contratos de trabalho e implantar turmas de serviço de acordo o novo regime de trabalho dois anos após a promulgação da CF188, daí porque as verbas pagas em decorrência de acordo coletivo têm caráter nitidamente indenizatório. O dinheiro recebido pelo empregado não se traduz em riqueza nova, nem tampouco em acréscimo patrimonial, mas apenas recompõe o seu patrimônio diante do prejuízo sofrido por não exercitar o direito à folga previsto pela nova regra constitucional. Recurso provido. Alega a Fazenda Nacional existir divergência jurisprudencial entre o decidido no acórdão recorrido e o entendimento manifestado no Acórdão n° 104-20.700, conforme ementa, abaixo transcrita: IRPF - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - RETENÇÃO NA FONTE - INDENIZAÇÃO HORAS EXTRAS TRABALHADAS - IHT — A importância recebida a este titulo é tributável nos termos da legislação vigente - Lei 7.713/88. Recurso Negado Argumenta a Recorrente que há clara divergência jurisprudencial uma vez que tanto a decisão recorrida como a constante do acórdão paradigma foram proferidas em situações fáticas semelhantes, qual seja o pagamento de 'Indenização de Horas Trabalhadas — IHT pela PETROBRÁS. Do breve voto do Acórdão n° 104-20.700 colhe-se o excerto: A controvérsia gira em torno da natureza tributária dos rendimentos percebidos da PETROBRÁS a título de diferença à 2 Processo n° 10860.001574/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.771 Fl. 2 de horas trabalhadas que excederam a jornada normal de trabalho. Esclareça que esse rendimento foi percebido em decorrência de efetiva contraprestação de jornada diária de trabalho, tanto assim o foi, que a fonte pagadora em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção na fonte, apesar da denominação ali posta. Por outro lado, o acórdão recorrido, por sua vez, manifesta entendimento expresso a própria ementa no sentido de que tais verbas têm caráter nitidamente indenizatório, colhendo-se de seu voto condutor o seguinte arrazoado: A Constituição de 1988 alterou, em seu art. 7 0, inc. XIV, as jornadas de trabalho até então vigentes. Por isso, a partir de então, o revezamento no regime de sobreaviso, que era de 1 dia de trabalho para um dia de folga (I x 1), passou a ser de um dia de trabalho para um dia e meio de folga (I x 1,5). Alguns empregados da Petrobrás — como é o caso do Recorrente — se enquadravam em tal regime, trabalhando no sistema de 1 x 1: Ocorre que com a alteração constitucional, caberia aos empregadores alterar o referido regime de revezamento. A Petrobrás, entretanto, só conseguiu se adequar à nova sistemática dois anos após sua entrada em vigor: em 1990. Ao fazê-lo, a Petrobras estava descumprindo uma determinação constitucional (de folga de um dia e meio). Por isso, em razão da violação ao direito dos empregados constitucionalmente garantido — ao descanso na sistemática do 1 x 1,5 —foi feito um acordo com a Petrobrás (homologado judicialmente), para pagamento dos valores devidos pelo descanso não gozado (e por isso valores denominados de "hora extra). O pagamento destes valores, conforme o acordo, seria feito parceladamente, nos anos de 1995e 1996. [...] Diante de tal explicação, parece-me que, de fato, os valores ora em discussão tratam de verdadeira indenização. Isto porque as verbas pagas pela Petrobrás em razão do mencionado acordo tinham o objetivo de repor a violação a um direito dos trabalhadores — ou seja, tinham o objetivo de indenizá-los em razão do desrespeito ao descanso constitucionalmente garantido. (grifei) Diante disso, entendeu o i. Presidente da então Quarta Câmara do Primeiro Conselho do Conselho de Contribuintes [fls. 191-192] pelo seguimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Devidamente intimado para ofertar contra-razões ao recurso especial, o sujeito passivo da obrigação tributária pugnou pela manutenção do decisum recorrido. É o relatório. 3 .\ Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relator Sendo tempestiva a interposição e demonstrada a divergência jurisprudencial [Acórdão 104-20700] pela Fazenda Nacional, deve o Especial ser conhecido. Perpassado o exame de admissibilidade, passo à apreciação do mérito. A controvérsia gira em torno da natureza tributária dos rendimentos percebidos da PETROBRÁS a titulo de diferença de horas trabalhadas que excederam a jornada nounal de trabalho. Esclareça que esse rendimento foi percebido em decorrência de efetiva contraprestação de jornada diária de trabalho, tanto assim o foi, que a fonte pagadora em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção na fonte, apesar da denominação ali posta. Os entendimentos conflitantes a respeito do tema surgiram em razão da dúvida quanto à natureza de tais verbas. A corrente que entende que as mesmas sejam tributáveis, atribui a elas o caráter de mero pagamento de horas-extras. Já a corrente que entende pela sua não-tributabilidade, lhes atribui caráter indenizatório. Não obstante o posicionamento colacionado no decisurn recorrido, entendo, com espeque na jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, que a referida "indenização de horas trabalhadas (IHT)" tem caráter remuneratório. Deveras, a verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, ainda que fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda, consoante restou assente pela Primeira Seção do STJ: "TRIBUTÁRIO. IHT. PETROBRÁS. CARÁTER REMUNERATÓRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1- Está pacificado no âmbito da Primeira Seção do STJ, desde o julgamento do EREsp 695.499/RJ, da relatoria do Min. HERMAN BENJAMIN, publicado no DJU de 24.09.2007, o entendimento de que o pagamento de horas extraordinárias, ainda que em virtude de acordo coletivo, tem natureza remuneratória a caracterizar acréscimo patrimonial sujeito à incidência de imposto de renda, nos termos do art. 43 do CTN. Precedentes: EREsp 666.288/R1% Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.05.2008, DJe de 09.06.2008; AgRg no REsp 933. 117/RN, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.05.2008, DJe de 16.06.2008; REsp 904.057/RN, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.05.2008, DJe de 15.05.2008. II - Embargos de divergência improvidos." (EREsp 939.974/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, julgado em 22.10.2008, DJe 10.11.2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR HORAS EXTRAS. TRABALHADAS - (43,4 Processo n° 10860.001574/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.771 Fl. 3 IHT PETROBRÁ S. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. Os valores recebidos a título de verba indenizatória sobre horas extras trabalhadas - "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT" - pagos a funcionário da Petróleo Brasileiro S.A - Petrobrás possuem natureza remuneratória, devendo sofrer a incidência do imposto de renda. 2. Não é o nomen juris, mas a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária sobre renda e proventos, conforme dispõe o art. 43 do CTN, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte. 3. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6°, V; da Lei 7.713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. • 4. Precedentes da Primeira Seção deste Tribunal; EREsp 695.499/RJ,Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007; • EREsp 670514 / RN, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, DJ de 16.06.2008, p. 1. 5. Embargos de divergência providos." (EREsp 979.765/SE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 13.08.2008, DJe 01.09.2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PETROBRÁ S. HORAS-EXTRAS. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. PRECEDENTES. 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CIN, os "acréscimos patrimoniais", assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 2. A Primeira Seção, no julgamento do recurso dos Embargos • de Divergência 695.499/RJ (Min. Herman Benjamin, DJ de 24.09.07), assentou o entendimento de que o pagamento a título de horas extraordinárias, ainda que efetuado por força de acordo coletivo, configura acréscimo patrimonial e, portanto, é fato gerador de imposto de renda. 3. Embargos de divergência conhecidos e desprovidos." (EREsp 666.288/ZN, Rel. Ministro Teori Albino Zavascici, julgado em 28.05.2008, DJe 09.06.2008) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MULTA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PETROBRÁ S. HORAS-EXTRAS TRABALHADAS (IHT). IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que negou seguimento a recurso especial. 2. O acórdão a quo entendeu pela não-incidência do imposto de renda em horas-extras pagas em decorrência de ruptura de contrato de trabalho que ocasionou a redução da jornada de trabalho para os empregados em regime de turnos ininterruptos, em face da natureza salarial. 5 '• 3. A questão da multa constante do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 não foi debatida em momento algum no acórdão recorrido, assim como não foi trazida pela recorrente na sua apelação, ressentindo-se, assim, do necessário pregues tionamento. 4. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CT1V). 5. Apesar da denominação "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT", é a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária, conforme dispõe o art. 43 do CT1V, sobre renda e proventos, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte, e aí estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é remuneratória, e não indenizatória. 6. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6°, V, da Lei 7.713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. 7.A Primeira Seção deste Tribunal, no julgamento dos EREsp 695.499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007, pacificou a tese de que as verbas pagas a título de indenização por horas rabalhadas possuem caráter remuneratório e configuram acréscimo patrimonial, e ensejam, nos termos do art. 43 do CTN, a incidência de imposto de renda. 8. Precedentes desta Corte: REsp 939974/RN, Rel. Min. Castro Meira; AgRgREsp 666288/RN, Rel. Min. João Otávio de Noronha; AgRgREsp 978178/RN, Rel. Min. Humberto Martins; EREsp 695499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin. 9. Agravo regimental provido." (AgRg no REsp 933.117/RN, Rel. Ministro ' José Delgado, julgado em 28.05.2008, DJe 16.06.2008) "TRIBUTÁRIO. "INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS". FUNCIONÁRIOS DA PETROBRÁS. NATUREZA DA VERBA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1. Com o julgamento dos EREsp 695.499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, a Primeira Seção firmou o entendimento de que "o pagamento, por força de acordo coletivo, de verba devida em razão de horas extraordinárias tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, incidindo, pois, o Imposto de Renda." 2. Para fins de incidência de Imposto de Renda, é irrelevante o nomen iuris que empregado e empregador atribuam a pagamento que este faz àquele, importando, isto sim, a real natureza jurídica da verba em questão. 3. O pagamento, por força de acordo coletivo, de quantia devida em razão de quitação de dívida salarial de sobrejornada tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, em que incide o Imposto de Renda. 4. Embargos de Divergência providos." (EREsp 952.196/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 28.05.2008, DJe 19.12.2008) 6 Processo n° 10860.001574/2001-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.771 Fl. 4 Nesse sentido, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto. Manoel telho - da Júnio - ator • • 7
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001645/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
SISTEMA NÃO CUMULATIVIDADE. CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03 prevê o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídas, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE.
Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluí-los, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama que davam total provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF 29.266.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator designado.
(assinatura digital)
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SISTEMA NÃO CUMULATIVIDADE. CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03 prevê o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídas, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE. Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluí-los, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento. Recurso Voluntário Negado
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CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03 prevê o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídas, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE. Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluílos, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Álvaro Arthur AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 45 /2 00 7- 05 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama que davam total provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF 29.266. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator designado. (assinatura digital) Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Recife que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero, não têm amparo legal para o creditamento de PIS/COFINS, relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos. Segundo a DRJ/REC, admitir o creditamento seria contrariar em sua essência a lógica da tributacã̧o monofásica, além do que o art. 3°, I, h, da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pela mesma Lei n° 10.865/2004, vedou expressamente a apuração de créditos sobre despesas de frete e de armazenagem incorridas na operacã̧o de revenda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gas liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. A ora Recorrente protocolou, em 14/03/2006, Pedido de Ressarcimento – (PER) nº 35982.40527.230206.1.1.110825 seguido de Declarações de Compensação – DCOMPs, para compensar débitos próprios com créditos de PIS/COFINS, apurado em razão da aquisição de mercadorias para a revenda e outros créditos autorizados pela legislação e não aproveitados na dedução da contribuição devida. Iniciada a fiscalização pela DRF/Natal, com os documentos apresentados pela empresa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, foi verificado que todos os pagamentos feitos a título de frete ou armazenagem estão vinculados ao transporte de gasolinas, óleo diesel e álcool combustível, cuja revenda está fora do campo de abrangência da nãocumulatividade. Assim, a DRF/Natal, ao examinar o pedido de ressarcimento e as compensações a ele vinculados, concluiu pela impossibilidade de apuração de créditos em face das receitas de revenda de combustíveis sob as seguintes premissas: [...] A partir de agosto de 2004, portanto, a venda de combustíveis derivados de petróleo pelas refinarias passou a ser regida por nova sistemática com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei n° 10.865/2004 no art. 1° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Processada a alteração legal, os produtos de que trata a Lei n° 9.990/2000, à excecã̧o do álcool para fins carburantes, passam a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, ficando instituída a partir de então a sistemática monofásica nãocumulativa de pagamento das contribuições para as refinarias de combustíveis. As demais integrantes da cadeia de producã̧o e comercialização destes produtos continuam, independentemente da alteração legal, fora do campo de incidência das referidas contribuintes. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 3 3 Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, protestando pela legitimidade dos créditos apurados aduzindo que a Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei 10.865/04, excluiu apenas receitas de vendas com álcool para fins carburantes da sistemática nãocumulativa da COFINS, não vinculando esse produto a nenhum sujeito especifico, é certo que os demais combustíveis anteriormente vedados (gasolina e oleo diesel) passaram a compor referida sistemática, não importando a qualidade do contribuinte que efetuou a venda desses mesmos produtos. Ademais, segundo a Recorrente, o despacho decisório não merece prosperar na media em que: a) como visto, a Lei n° 10.865/04, ao excepcionar apenas o álcool para fins carburantes da sistemática nãocumulativa, determinou a inclusão das demais receitas de petróleo (gasolina e óleo diesel, por exemplo) sem qualquer limitação de natureza subjetiva; b) o inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03, não confirma que os créditos são destinados apenas a produção, pois os créditos de revenda estão previstos no inciso I desse dispositivo e os créditos pleiteados pela Manifestante encontram amparo nos demais incisos, como, por exemplo, o do inciso IX (despesas com armazenagem e frete); c) a continuidade do regime monofásico dos derivados de petróleo no âmbito da refinaria não implica exclusão das receitas auferidas pela Manifestante, referentes a esses produtos, da nãocumulatividade, pois, como visto, esses regimes não são conflitantes, mas sim concomitantes (regime híbrido); d) da mesma forma, a aliquota 0% da gasolina e óleo diesel prevista no art. 42 da MP n° 2.158/2001 não afeta a inclusão das receitas auferidas com esses produtos na sistemática nãocumulativa por qualquer contribuinte que pratique a sua venda. Alegou, ainda, a ora Recorrente que realiza operação de industrialização nos moldes previstos no art. 4°, II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, qualificandose como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina, não podendo ser qualificada, portanto, como mera comerciante revendedora de combustíveis. Neste contexto, a gasolina "Tipo C" seria um produto industrializado, à maneira definida no art. 3° do RIPI, o que justificaria a apropriação dos créditos de PIS e COFINS. Salienta a Recorrente que a vedação do abatimento constante do artigo 3°, §7°, das Leis n°10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), não impacta às operações da empresa que é regida por legislação especifica, a Lei n° 10.485/02. Admitir o contrário, implica majoração da alíquota do PIS e COFINS, a qual só faz sentido se vier acompanhada de abatimentos legais ("créditos") que neutralizem o impacto econômico sofrido pelos contribuintes, sob pena de haver acréscimo de ônus tributário sem o correspondente aumento da capacidade contributiva. E conclui: Desta forma, não restam dúvidas de que a limitação ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em razão da incidência monofásica (entendimento da r. decisão recorrida), em respeito a própria finalidade para que foram promulgadas, jamais poderia restringir o aproveitamento integral dos créditos. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 Assim, revelase inválida, além de incompatível com a técnica da não cumulatividade do PIS e da COFINS, a vedação aos créditos nessas circunstâncias, sob pena de implicar majoração da alíquota do PIS e da COFINS e inconstitucional imposição de um ônus fiscal ao contribuinte. No que se refere especificamente à glosa dos valores despendidos com frete, alega a ora Recorrente que (i) referidas despesas se incluem no conceito de insumos; (ii) que formulou Consulta à Administração Tributária com o objetivo de indagar a respeito da correta aplicação da legislação federal no tocante à apuração de créditos de PIS e de COFINS relacionados à contratação de serviços de transporte na aquisição dos insumos destinados ao seu processo produtivo, à qual lhe fora favorável, tendo reconhecido expressamente que o valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda compõe o custo do bem, podendo, portanto, ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos; (iii) que as consultas têm efeito vinculante em relação ao contribuinte e as autoridades fiscais, o que não fora observado no caso concreto, já que a fiscalização lhe aplicou entendimento contrário ao não acatar os créditos da contribuinte calculados sobre fretes. Por fim, alega que a não homologação das declarações de compensação não pode ser acompanhada de multa e de juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito no caso de apresentação de recurso administrativo. A DRJ em Recife julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática nãocumulativa da Cofins em nada alterou a situação dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à alíquota zero, sem possibilidade de creditamento, seja relativa aos custos nas aquisições dos produtos revendidos, seja referente aos custos, despesas e encargos de comercialização. Admitir o creditamento seria contrariar em sua essência a lógica da tributação monofásica, além do que o inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, veda expressamente a apuração de créditos sobre despesas de frete e de armazenagem incorridas na operação de venda de combustíveis derivados de petróleo incluídos no regime de tributação monofásico. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Fl. 877DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 4 5 ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRODUTOS TRIBUTADOS PELO IPI. COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. Somente são considerados estabelecimentos industriais aqueles que fabricam produtos tributados (art. 8º do RIPI/2010) e os combustíveis são imunes ao IPI (art. 155, §3º, da CF), portanto, os distribuidores de combustíveis que misturam o álcool anidro à gasolina “Tipo A”, para a obtenção da gasolina “Tipo C”, não são produtores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Ementa: DILIGÊNCIAS. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18 do Decreto nº 70.235/72). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho, basicamente, repetindo as razões da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O relatório do Acórdão Recorrido (DRJ/REC) bem circunscreve a matéria controversa nos autos: 12. Delimitado, portanto, está o escopo da lide: a possibilidade ou não de creditamento das despesas (por óbvio, se devidamente comprovadas) com frete (na operação de venda) e armazenagem incorridas na distribuição de gasolinas e suas correntes, exceto_gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo — GLP derivado de petróleo e de gás natural. Para avaliar o direito ao crédito cumpre examinar o regime de tributação vigente para as receitas decorrentes da venda de combustíveis para averiguar a possibilidade de apropriação de créditos pela ora Recorrente. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Pois bem, de início, a incidência de PIS/COFINS nas operações decorrentes da producã̧o e comercializaçaõ de combustíveis e derivados de petróleo foi disciplinada Lei nº 9.718/98, com regra de substituição tributária, elegendo as refinarias como substitutos tributários dos demais contribuintes integrantes da cadeia produtiva. Essa sistemtática foi alterada pela Lei nº 9.990/00, que alterou substancialmente o regime jurídico de apuração do PIS e da COFINS, introduzindo a regra de tributação concentrada nas refinarias de combustíves, com alíquota mais elevada. Complementando esse novo regramento, o art. 42, I da Medida Provisória n° 2.15835/2001, reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, óleo diesel e GLP auferida por distribuidores e comerciantes varejistas. Nesse cenário, as contribuições para o PIS/COFINS, antes apuradas e recolhidas sob a sistemática de substituição tributária para frente, passaram a adotar o regime de incidência concentrada, tendo as refinarias como únicas obrigadas ao recolhimento das exações em toda cadeia de produçaõ e comercializaçaõ dos combustíveis. Assim, como asseverado pela DRJ, as demais empresas que atuam na producã̧o e comércio de combustíveis, embora sofram com a carga econômica dos tributos, deixaram de ser contribuintes do PIS e COFINS incidentes sobre receitas desta natureza, perdendo a condição de sujeitos passivos das contribuições.(fls 930). A introdução da nãocumulatividade como novo regime de apuração e recolhimento de PIS/COFINS, implementada com a edição das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, a princípio, não alterou as regras para as receitas decorrentes da venda de combustíveis. Isso porque, essa duas leis excluíam do regime não cumulativo as receitas sujeitas à tributação monofásica. Todavia, em agosto de 2004, com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04 os produtos de que trata a Lei n° 9.990/00, a exceção do álcool para fins carburantes, passam a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos. Noutro giro, a partir de agosto de 2004, as receitas da venda de combustíveis integram o regime não cumulativo de apuração e recolhimento de PIS/COFINS. Essa mudança de regime colocou no regime não cumulativo todas as receitas decorrentes da venda de combustíveis, sem fazer distinção sobre os sujeitos passivos, importador e industrial ou distribuidor revendedor. Não há como sustentar as razões do acórdão recorrido no sentido de que estarseia diante de tributação monofásica, concentrada na figura do distribuidor/importador uma vez que há incidência (sob alíquota zero) para os demais sujeitos da cadeia. Isso porque o art. 4º da Lei nº 9.718/98 ao estabelecer as alíquotas para os combustíveis não implementou regime monofásico, ao contrário, definiu alíquotas majoradas para as distribuidoras importadoras ao passo que o art. 42 da Medida Provisória nº 2.158/0135 definiu alíquota zero para os revendedores. Vejase a redação dos dispositivos: Lei nº 9.718/98 Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 5 7 I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Medida Provisória nº 2.158/0135 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Nesse contexto, verificase que todas as receitas estão dentro do campo de incidência do PIS e da COFINS, e desde agosto de 2004 submetidas à sistemática não cumulativa. Aliás, essa é a interpretação vem sendo reconhecida por parte da Administração Federal como se vê da resposta às Consultas abaixo reproduzidas: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 351 de 28 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. CRÉDITOS POSSÍVEIS. INCIDÊNCIA PARCIAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. REVISÃO DO CÁLCULO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Na tributação pela sistemática não cumulativa da COFINS sobre a receita proveniente da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, apesar da incidência de alíquota zero, podem ser descontados créditos referentes aos incisos IV a IX da Lei nº 10.637/2002 e III a IX da Lei nº 10.833/2003 (energia elétrica, aluguel etc.), sendo vedado o desconto de créditos relativos a bens sujeitos à tributação monofásica adquiridos para revenda, a bens e serviços usados como insumo e à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A tributação da receita de venda de álcool para fins carburantes está obrigatoriamente sujeita à sistemática cumulativa, de modo que não é possível o desconto de créditos relativos a esta receita. O valor dos créditos, no caso de incidência parcial das receitas à cumulatividade e à nãocumulatividade, será determinado exclusivamente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita nãocumulativa e à parcela dos custos, despesas e encargos comuns, referentes à receita não cumulativa, determinada alternativamente pelo método da apropriação direta ou do rateio proporcional. O cálculo da contribuição poderá ser revisto pelo contribuinte através de retificação do DACON, com a compensação ou ressarcimento de eventual saldo credor, sem a incidência de juros e de correção monetária, por meio do programa PER/DCOMP, de acordo com a IN SRF nº 600/2005. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244 de 07 de Julho de 2010 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 EMENTA: CRÉDITOS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME DE APURAÇÃO MONOFÁSICA. A pessoa jurídica revendedora dos produtos sujeitos à incidência monofásico não pode, por expressa vedação legal, apurar créditos sobre o custo de aquisição daqueles produtos adquiridos para revenda, nem tampouco sobre o custo de aquisição de bens e serviços supostamente por ela utilizados como “insumos” de sua atividade comercial e sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Por outro lado, a pessoa jurídica revendedora dos referidos produtos, submetida ao regime de apuração não cumulativa da contribuição, pode descontar créditos sobre os custos, despesas e encargos previstos nos incisos III, IV, V, VII, VIII e IX do “caput” do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Nos períodos de 1º de maio de 2008 a 23 de junho de 2008, e de 1º de abril de 2009 a 04 de junho de 2009, por força do art. 15 da Medida Provisória nº 413, de 2008 e do art. 9º da Medida Provisória nº 451, de 2008, os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos sujeitos ao regime de apuração monofásica estavam expressamente impedidos de descontar todos os créditos listados nos incisos do caput do referido art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, parece claro que a Recorrente tem suas receitas submetidas à tributação pela alíquota zero, fazendo jus ao direito creditório, que passo a examinar. Com efeito, após a edição das Leis nºs 10.485/02 e 10.637/03, sobreveio a Emenda Constitucional 42, de 19 de dezembro de 2003, que deu status constitucional à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS, ao introduzir o § 12 no artigo 195 da Constituição Federal, determinando que “a lei definirá setores de atividade econômica para os quais as contribuições (...) serão não cumulativas.” Logo, nos termos da Constituição Federal, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS não é ampla e irrestrita, aplicável a todas as pessoas jurídicas, mas sim adstrita aos setores de atividade econômica definidos em lei. Assim, mesmo após a constitucionalização da nãocumulatividade das referidas contribuições, continuam vigentes outros regimes de apuração do PIS e da COFINS, como o cumulativo (Lei 9.718/98). Não raro acontecer atualmente que uma única pessoa jurídica tenha suas receitas tributadas por mais de um regime, dependendo de cada atividade por ela desenvolvida, o que demonstra não ser plena e absoluta a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. É com escopo nessa não cumulatividade “mitigada” que as regras de apuração de crédito de PIS e COFINS, como definidos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, que prevê o direito de creditamento nas seguintes hipóteses: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A seu turno, a exceção prevista na alínea “b” acima mencionada tem a seguinte redação: Fl. 881DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 6 9 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) X – no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo – GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004). Conjugando todas as normas que versam sobre a tributação das receitas de venda de combustível e suas correntes verificase que o direito ao crédito de PIS e COFINS vinculado a revenda de gasolina e suas correntes está restrito às importadoras e industriais desses produtos que têm autorização expressa do crédito. Para as distribuidoras e revendedoras desses produtos, não há que se falar em direito creditório nesse item. No entanto, como já exposto, o crédito que a Recorrente busca ver reconhecido referese em essência a gastos com fretes e armazenagem de combustiveis. Para esses gastos, há expressa permissão para a apropriação de crédito nos termos dos incisos III a X das Leis nºs 10.673/02 e 10.833/03. Reconhecido o direito de creditarse, aplicase ao caso o artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, assegurou o direito a manutenção do crédito nas operações em que venda é submetida à alíquota zero nos eguintes termos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Sendo assim, ao que tudo indica, o artigo 17 da Lei 11.033/04 deve se aplicar para garantir o pleno cumprimento aos setores econômicos, ou melhor, às receitas sujeitas ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, nas hipóteses em que uma das etapas da cadeia de produção é desonerada das contribuições por meio de isenção, alíquota zero, não incidência ou suspensão. Entendido dessa forma, faz todo sentido o comando do referido artigo 17, que garante ao vendedor a manutenção dos créditos nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência do PIS e da COFINS. De fato, somente assim fica assegurada a plenitude do regime da nãocumulatividade, que não deve sofrer nenhuma restrição. Estabelecida estas premissas, passamos a verificar a possibilidade de a Recorrente se creditar dos valores relativos ao frete (insumos e produtos acabados) e à armazenagem. Antes, porém, analisaremos o conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Conceito de insumo Pois bem. A nãocumulatividade da COFINS foi instituída pela Lei nº 10.833/03, a qual permite o desconto de créditos sobre (i) bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e sobre (ii) custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a Fl. 882DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 pessoa jurídica domiciliada no País. Neste sentido, o artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, estabelece que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Nos termos do referido dispositivo legal, o valor devido a título de COFINS será apurado pela aplicação da alíquota de 7,6% sobre a base de cálculo definida no artigo 1º, da Lei nº 10.833/03, e, do valor apurado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desse modo, é possível observar que o direito creditório do sujeito passivo surge com a aquisição de insumos que serão utilizados no desenvolvimento de sua atividade. Ao dispor sobre o conceito de insumo contemplado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, Natanael Martins nos explica que ele “está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar um determinado serviço”. 1 De fato, a definição de insumo, para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, se relaciona com a ideia de relação intrínseca entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, os quais devem refletir, ainda que mediatamente, na receita/faturamento sobre o qual incidirá referidas contribuições. Neste contexto, sempre deverá ser considerado como o insumo o bem ou serviço que seja necessário ao desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica ou para a existência do processo produtivo ou do produto, ou ainda, que contribua para que estes (processo e produto) tenham determinadas características. Neste sentido, são os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: Vale dizer, “utilizar como insumo” é extrair dos bens ou dos serviços todas as utilidades que lhes sejam próprias para o fim de fazer com que o processo produtivo ou o produto destinado a venda existam ou tenham as características almejadas. Vale dizer, fazer com que – no específico contexto da atividade 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In PIS COFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 7 11 econômica desenvolvida pelo contribuinte – processo e produto sejam o que são. (...) A análise feita leva a uma conclusão preliminar no sentido de deverse considerar “utilizados como insumo” para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais – o que abrange bens, serviços e utilidades deles decorrentes, ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições – que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições.2 Tecidos esses comentários e tomando de empréstimo as terminologias utilizadas por esses autores, concluímos que para que um determinado bem ou serviço seja considerado como insumo, devese analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência “(em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências)”.3 Neste ponto, vale ressaltar que a definição do conceito de insumo proposta pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, na sistemática não cumulativa, é manifestamente ilegal, na medida em que estabelece restrição não prescrita na lei. Eis sua formula textual: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário – RFDT. Julho/Agosto de 2008, v. 34, pp. 1620. 3 GRECO, Marco Aurélio. Op. cit. p. 17. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Como é possível perceber, a Receita Federal do Brasil pretendeu, com a promulgação da referida Instrução Normativa, limitar o alcance de legislação ordinária (Lei nº 10.833/08). Entretanto, por se tratar de veículo introdutor secundário, não se sustentam os comandos que são manifestamente contrários aos da norma de superior hierarquia que lhe empresta fundamento de validade (a lei). Ademais, ainda que fosse possível a alteração das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 por norma de inferior hierarquia, o que se admite apenas para argumentar, não se pode olvidar que a IN SRF nº 404/04, ao equiparar a definição de insumo para fins de não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, com o de insumo para fins de não cumulatividade de IPI e ICMS, incorreu em manifesto equívoco. De fato, a presente equiparação não tem qualquer sustentação jurídica, uma vez que a não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS não tem o mesmo perfil da empregada ao IPI e ao ICMS. Isso porque, no caso do IPI e do ICMS, o referencial para se analisar o conceito de insumo, é um objeto físico (produto). De forma diferente, no caso da COFINS, o referencial é a atividade e processo de produzir e fabricar, sendo que a partir dessa referência que se identificará quais os bens e serviços serão considerados insumos. Por outro lado, enquanto o IPI e ICMS incidem sobre o produto/mercadoria, a COFINS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, o que demonstra que o universo de elementos abrangidos pela nãocumulatividade de COFINS é mais amplo do que o de IPI/ICMS. Sobre a inaplicabilidade da Instrução Normativa SRF nº 404/04, face às diferenças existentes entre os insumos de COFINS e os insumos de IPI e ICMS, Ricardo Mariz de Oliveira ensina que: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 8 13 Com efeito, essa interpretação está assentada, ou ao menos influenciada determinantemente, pelo conceito de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI, e também de ICMS. Acontece que as leis destes dois impostos não admitem, como fazem as Leis nº 10.637 e 10.833, a dedução ou o crédito relativo a insumos em geral, pois restringem os créditos aos valores devidos na operação imediatamente anterior sobre apenas alguns tipos de insumos, que são exatamente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Sem ser necessário adentrar em qualquer discussão relativa à extensão dos créditos de IPI e de ICMS, para se poder distingui los das deduções relativas a insumos para efeito de quantificação da COFINS e da contribuição ao PIS, basta ver que, quanto ao IPI, a redução dos créditos a apenas os três grupos de insumos deriva de expressa disposição da respectiva legislação, enquanto que no ICMS as leis que o regem têm disposições inteiramente diversas das contidas nas Leis nº 10.637 e 10.833. Além disso, em benefício da citada instrução normativa sequer existe uma disposição legal que diga que, para a identificação dos insumos que geram dedução da COFINS e da contribuição ao PIS, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como ocorre com o crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 13.12.1996, neste caso por força de expressa determinação do parágrafo único do art. 3º. Portanto, o que dizem as mencionadas instruções normativas quanto a que somente são insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e quaisquer outros bens que sofram alteração, carece inteiramente de base legal. Esse ato fazendário somente teria validade jurídica se a lei expressamente tivesse permitido a dedução exclusivamente quanto a matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens sob aquele requisito, em vez de autorizála abertamente sobre insumos destinados à produção de bens e serviços.4 Neste contexto, não resta dúvida de que a restrição estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 não encontra amparo legal, motivo pelo qual não poderá sequer ter seus dispositivos considerados pelo órgão julgador. No caso em análise, a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica à comercialização de combustíveis. Por outro lado, pretende ver reconhecido o direito ao crédito de COFINS relativo às despesas com fretes (insumos e revenda de produtos acabados) e armazenagem de combustíveis. Sendo essa a sua utilização, não há dúvida que tais serviços guardam inerência com a atividade desenvolvida pela empresa, na medida em que são efetivamente 4 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Aspectos Relacionados à “Nãocumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. In PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 43/44. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 14 importantes para a sua produção, razão pela qual devem gerar direito ao crédito no caso concreto. No que toca especificamente ao frete, vale esclarecer que, do meu ponto de vista, não gera direito à crédito apenas aquele destiando à venda, nos termos expressamente autorizados pelo inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 e da Lei nº 10.637/02, mas também aquele dedicado à compra de insumos Isso porque, este último se insere no conceito serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a que se refere o art. 3º, II, das referidas leis. Como bem pontuado pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ao proferir voto vencedor no Acórdão nº 3401002.075 (Processo nº 16366.003307/200738), o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 apenas ampliou o rol dos fretes que dão direito ao crédito, haja vista que o frete de insumos e produtos acabados (vendidos ou não) já estavam contemplados pelo inciso II. nas suas palavras: A norma introduzida pelo inc. IX, acima, segundo a qual a armazenagem e o frete contratados junto a pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base no inciso II (mais antigo, quando considerada a não cumulatividade do PIS, em vigor desde dezembro de 2002) os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e produtos acabados (vendidos ou não), já davam direito a crédito. O que importa averiguar, a meu ver, é se o transporte é de insumos, de produtos acabados (não vendidos) ou de produtos já vendidos. Fosse transporte de imobilizado, de material de escritório ou de trabalhadores do setor administrativo, por exemplo, não devia ser admitido crédito. Mas, como informado no voto vencido, a situação destes autos é de insumos e produtos acabados. Em três momentos – um inicial, quando transportados insumos; outro intermediário, quando transportados produtos acabados, mas não vendidos; e um final, quando entregues produtos vendidos – o crédito deve ser concedido, seja pela norma extraída do inc. II (transporte entre os estabelecimentos da mesma empresa, inclusive antes de 1º fevereiro de 2004 na hipótese do PIS) ou pela do inc. IX (entrega dos produtos vendidos aos adquirentes, nesta hipótese a partir de 1º de fevereiro de 2004, já que introduzida norma específica com vigência a partir dessa data, a mesma que contemplou os custos com armazenagem). Por conta disso, entendo que o frete, seja na aquisição de insumos, seja na venda de produtos acabados, dá direito ao crédito de Contribuição ao PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por DAR TOTAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito relativo aos custos dos serviços de fretes prestados por pessoa jurídica situada no Brasil, relativos ao transporte de insumos e de venda de produtos acabados, bem assim o de armazenagem. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 887DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Apresento a seguir as razões porque decidi inaugurar a divergência em relação à decisão proposta pela i. Relatora do Processo. Em primeiro plano, fundamental que sejam enquadrados com clareza os gastos sobre os quais recai a controvérsia instaurada no presente litígio, uma vez que daí parte minha contrariedade ao entendimento e decisão que vinham se encaminhando. A esse respeito, conforme bem situado pela i. Relatora, cumpre esclarecer que o presente julgamento se circunscreve à possibilidade ou não de creditamento das despesas com frete (na operação de venda) e armazenagem incorridas na distribuiçaõ de gasolinas e suas correntes, exceto_gasolina de aviaçaõ, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo — GLP derivado de petróleo e de gás natural. Isso porque o direito ao crédito relativo às despesas com alugueis e despesas com depreciação foi reconhecido pela instancia recorrida. Definida a circunscrição do litígio, de grande importância definir que, a meu sentir, nenhuma razão existe para que se adentre a questão relacionada ao conceito válido de insumos para o Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Leis 10.637/02 e 10.833/03. Digo isso por duas razões. Primeiro, como resta claro do disposto no artigo 3º das Leis 10.637/02 10.833/03, o direito de crédito vinculado às despesas com frete na venda e aluguel está especificado no inciso IX do artigo 3º, descolado, portanto, da previsão específica de crédito na aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, definido no inciso II deste mesmo artigo. De fato, não se identifica qualquer relação de interdependência entre um tipo de gasto e outro. Quero dizer, insumos, a despeito da polêmica que haja em torno da amplitude do conceito válido para a tal expressão, são insumos. Gastos com frete (na venda) e aluguel estão dentre os outros gastos para os quais admitese o crédito, não compreendidos no conceito de insumo. Segundo, uma vez aqui não se cogita de uma operação de produção que transborde o conceito de industrialização, o direito de crédito na aquisição de insumos destinados à produção ou fabricação de bens destinados a venda está necessariamente vinculado ao exercício de uma atividade que possa ser enquadrada nesse conceito (de industrialização). Na medida em que sejam os combustíveis imunes ao Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme limitação do poder de tributar especificada no art 155, § 3º, da Constituição Federal, tal operação não pode ser considerada uma operação de industrialização, por força do disposto no artigo 3º da Lei nº 4.502/64, in verbis. Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. (grifos acrescidos) Fl. 888DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 16 Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) Quanto a isso, de extrema pertinência a menção feita nos autos no sentido de que, fosse reconhecida a atividade industrial da Recorrente, e necessariamente ela deveria ser submetida à tributação concentrada própria das refinarias, uma vez que essa deva ser aplicada à receita auferida pelos produtores. Como se vê, não tem cabimento a pretensão da Parte. Isto posto, necessário que o pleito seja analisada a partir da compreensão de que o que se discute nos autos é o direito de crédito em relação a outros gastos previstos no artigo 3º das Lei 10.637/02 e 10.833/03, que não compreendidos no conceito de insumo nem no conceito de bens adquiridos para revenda. Analisase, por conseguinte, o direito de creditar se dos gastos com frete na venda e aluguel para uma empresa que atua como distribuidora de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. A autorização legal para a apuração de créditos no cálculo das Contribuições com gastos dessa natureza encontrase descrita nas Leis supra citadas nos seguintes e precisos termos. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O inciso IX do artigo 3º é o único que contém expressa restrição aos casos dos incisos I e II. É famoso o brocardo segundo o qual a lei não contem palavras inúteis. De fato, nenhum outro inciso do artigo 3º demonstrou a preocupação do legislador em determinar limite de alcance ao direito concedido, apenas o inciso IX. É preciso que se lhe atribua sentido. A esse respeito, entendo falha a interpretação de que tal restrição esteja destinada a coibir excessos cometidos pelo Fisco, garantindo a todos, comerciantes, industriais e prestadores de serviço, o direito ao crédito. Tal não resiste a mais perfunctória análise, já que nada de especial há em relação a esses gastos que lhes exigisse tratamento diferenciado em comparação com os demais. De fato, creio que a razão para tal distinção encontrase, exatamente, na coexistência de diversas exceções à regra geral de apuração pelo Sistema Não Cumulativo, que comportam restrições de crédito, como é, no caso concreto, incontroversa a proibição ao crédito na aquisição do produto destinado a venda pelas distribuidoras e varejistas. Assim, ao delimitar o crédito aos casos dos incisos I e II, o legislador, ainda que não tenha escolhido a melhor maneira, retirou desse universo as situações que tenham sido excluídas de um dos dois incisos, o que é justamente o caso em tela, já que os produtos Fl. 889DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 10 17 referidos no § 1ª do artigo 2º das Leis sob escrutínio foram excepcionados do inciso I do artigo 3º. Observese o texto legal. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) (...) Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) Converge com esse entendimento, pelo menos em parte, a Solução de Consulta nº 149 SRRF06/Disit, de 07 de dezembro de 2010, nos seguintes termos. O exame dos dispositivos legais transcritos no item anterior indica que, com relação a produtos sujeitos aos sistemas de tributação concentrada, quando adquiridos para revenda: a) vedase a apropriação de créditos referentes à aquisição dos referidos produtos (inc. I); b) vedase a apropriação dos créditos da Cofins referidos na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, caput, inc. IX, bem como dos créditos do PIS referidos na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, caput, inc. IX, c/c art. 15, inc. II. Com efeito, admitemse tais créditos apenas nas hipóteses dos incs. I e II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, sendo que nem o inc. I nem o inc. II se aplicam à situação sob análise (cf. item ‘a’ supra e item “d’ infra, respectivamente); (...) Fl. 890DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 18 E não se diga que, se o legislador assim desejasse, o teria dito de outra forma. Nada há de claro na legislação sub examine. As disposições parecem vir mais de um confronto de ideias do que de uma iniciativa governamental de regulamentação do assunto. Com base nessas considerações, a conclusão a que chego é a de que a Recorrente não tem direito a creditarse dos valores gastos a título de armazenagem e frete na venda dos produtos que negocia. Quanto a isso, pertinente acrescentar que, embora não se esteja aqui tratando especificamente desse assunto, também não haveria direito ao crédito se os gastos com frete fossem entre estabelecimento ou na aquisição dos produtos. Em relação ao primeiro, porque o frete de produto acabado, não sujeito a novo processo de industrialização ou produção, não pode ser compreendido dentro do conceito de insumo, exatamente porque o produto já está acabado. Quanto ao segundo, uma vez que tal dispêndio se caracterize como custo de aquisição do produto em si5, não vejo como admitilo, uma vez que ele, o produto, esteja excluído da relação de gastos para os quais admitese o direito de crédito. Finalmente, concluo por acrescentar que, ainda que não tenham prosperado as tentativas do Poder Executivo de definir de forma taxativa a impossibilidade de aproveitamento do crédito nas operações de que aqui se trata, o fato é que nenhum sentido há para que se admita tal possibilidade. Como já bem delineado nos autos, a origem das normas que hoje regulam a tributação exigida nas operações de venda de gasolina e suas correntes (...) encontrase nas regras definidas pela Lei nº 9.718/98, que previa a substituição tributária para frente, sob responsabilidade das refinarias. O problema é que, como é cediço, neste tipo de operação, por princípio6 (ou regra constitucional) o substituído tem o direito de pleitear a restituição de valores que considere lhe sejam devidos, o que termina por trazer grandes obstáculos à eficiência e simplificação pretendidas pelo o sistema. Foi essa a razão para introdução do Sistema de Tributação concentrada, que se equivale a tributação monofásica, garantindo, contudo, em relação a essa, o direito a apuração de créditos pelo sujeito passivo onerado pela tributação. Em regimes dessa natureza, difícil encontrar sentido na outorga de direito de crédito para aquele que encontrase fora do alcance da exação. Isso seria uma espécie de concessão àquele que não é responsável por nenhuma contrapartida. 5 Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. 6 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Fl. 891DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 11 19 De se acrescentar a esse respeito, que nada há de incompatível entre esse raciocínio e a autorização reconhecida pela Lei 11.003/04 às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A uma, porque as Leis 10.637/02 e 10.833/03 nunca vedaram o direito de manutenção do crédito escriturado no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, razão pela qual o disposto na Lei 11.003/04 assume caráter meramente enunciativo. A duas, porque trata se de um direito de ampla aplicação em diversos segmentos de mercado desonerados das Contribuições, mas que não foram submetidos ao sistema de concentração de que aqui se trata. Sobre a inexistência do direito de crédito às empresas submetidas ao regime de tributação concentrada, vêm sendo tomadas diversas decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ. REsp 1265198 Ministra ELIANA CALMON PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE POR ESTA CORTE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ALEGAÇÕES GENÉRICAS (SÚMULA 284/STF). PIS. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO LITERAL. APLICAÇÃO EXCLUSIVA AOS CONTRIBUINTES DO REPORTO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA EXTENSÃO AOS DEMAIS CONTRIBUINTES. (...) 3. A Constituição Federal no art. 195, § 12, remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. 4. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. 5. As receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições para o PIS e à COFINS em regime de tributação monofásica, com alíquota concentrada na atividade de venda e alíquota zero na revenda, não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do regime de incidência nãocumulativo. (Precedente: REsp 1.267.003/RS). 6. Tratandose de tributo monofásico por expressa determinação legal, descabe falar em direito a creditamento, o qual pressupõe, fática e juridicamente, sobreposição de incidências tributárias, que não existe na espécie. (Precedentes: REsp 1.200.996/AL, REsp 1.380.915/SE e AgRg no REsp 1.239.794/SC). (...) REsp 1380915 Ministra ELIANA CALMON TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO LITERAL. APLICAÇÃO EXCLUSIVA AOS CONTRIBUINTES DO REPORTO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA EXTENSÃO AOS DEMAIS CONTRIBUINTES. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 20 1. A Constituição Federal no art. 195, § 12, remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. 2. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. Precedentes. 3. Na chamada incidência monofásica aplicase uma alíquota concentrada para os fabricantes e importadores e alíquota zero para os demais integrantes da cadeia produtiva. 4. Tratandose de tributo monofásico por expressa determinação legal, descabe falar em direito a creditamento, o qual pressupõe, fática e juridicamente, sobreposição de incidências tributárias, que não existe na espécie. 5. Para a criação e extensão de benefício fiscal o sistema normativo exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) e veda interpretação extensiva (cf. art. 111 do CTN), de modo que benefício concedido aos contribuintes integrantes de regime especial de tributação (REPORTO) não se estende aos demais contribuintes do PIS e da COFINS sem lei que autorize. 6. Recurso especial não provido. AgRg no REsp 1206713 Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SÚMULA 284/STF. PIS E COFINS. COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. INVIABILIDADE. 1. É incontroverso que a Lei 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, onerando as refinarias. Por essa razão, as operações subseqüentes não são tributadas. 2. A agravante é distribuidora de combustíveis e defende que tem direito ao creditamento relativo a essas contribuições, por força das alterações promovidas pela Lei 10.865/2004. 3. Impossível entender, pela leitura das peças recursais, como a contribuinte pretende se creditar no regime monofásico ou como podem coexistir este regime em relação à refinaria e o plurifásico (com nãocumulatividade) para a distribuidora de combustível. Aplicase, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF. 4. Ademais, a jurisprudência pacífica do STJ reconhece a ilegitimidade ativa processual das distribuidoras por conta da incidência monofásica do PIS e da Cofins. Pela mesma razão, inviável o creditamento pretendido. 5. Agravo Regimental não provido. Por todas as razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Sala de Sessões, 26 de fevereiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Fl. 893DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001645/200705 Acórdão n.º 3102002.157 S3C1T2 Fl. 12 21 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10120.908108/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 81 08 /2 00 9- 86 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908108/200986 Acórdão n.º 9303002.586 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908108/200986 Acórdão n.º 9303002.586 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10384.007161/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano- calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Faz-se necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 71 61 /2 00 8- 86 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Fazse necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Foi lavrado Auto de Infração contra MARLON ROSEMBERG DE ALMEIDA DUARTE, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercícios 2005 e 2006, sendo formalizada a exigência de imposto no valor de R$ 879.394,38, juros de mora de Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10384.007161/200886 Acórdão n.º 2202002.907 S2C2T2 Fl. 371 3 R$ 183.285,69 (calculados até 30/09/2008) e multa de ofício de R$ 659.545,77 (no percentual de 75%), totalizando R$ 1.722.225,84 (fls. 01 a 10). A exigência foi decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não identificada, em relação às contas bancárias nº 53384, agência 21750, do Banco Bradesco S/A e n° 0367800, agência 1363, do Banco HSBC. Intimado a apresentar os extratos bancários das suas contas, o contribuinte os entregou, por meio das respostas às intimações, datadas de 11/03/2008 (fls. 19 a 70), 10/06/2008 (fls. 74 a 140) e 13/08/2008 (fls. 178 a 189). A autoridade fiscal efetuou o lançamento com base nos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, conforme Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fls. 224 e 225) e planilhas anexas (fls. 226 a 256). O contribuinte foi cientificado da exigência em 23 de outubro de 2008 (A.R. à fl. 261) e apresentou impugnação em 19 de novembro de 2008 (fls. 264 a 276), na qual alega, em síntese: Preliminar de violação do sigilo bancário afirma que o sigilo bancário é uma garantia constitucional, que visa proteger movimentações bancárias e as aplicações financeiras dos indivíduos, sendo uma extensão do direito à intimidade e à privacidade, assegurado no art. 5º , inciso X, da Constituição Federal e somente o poder judiciário tem permissão constitucional para determinar o afastamento desse direito; não poderia a fiscalização da Secretaria da Receita Federal aplicar o art. 6oº da LC 105/2001, pois ele é incompatível com a Carta Magna. Preliminar de invalidade da Lei nº 10.174/2001 Com o advento da Lei Complementar n° 105/2001, publicada no Diário Oficial no dia 11/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, as autoridades fiscais passaram a ter acesso aos dados bancários dos contribuintes para fins de constituição de crédito tributário; para por em prática as alterações inseridas no ordenamento jurídico pela LC 105, foi publicada no D.O.U., no dia 10/01/2001, a lei n° 10.174/2001, que alterou a redação original da Lei n° 9.311/96, possibilitando a Secretaria da Receita Federal a utilização da CPMF para fins de verificação da existência de crédito tributário; é flagrante a ilegalidade da Lei n.° 10.174/2001, pois foi publicada antes da LC 105/2001, não podendo buscar seu fundamento de validade em norma inexistente na época em que ingressou no ordenamento jurídico, ou seja, a lei 10.174/2001 não poderia ingressar no sistema antes da publicação da LC n° 105/2001; a invalidade da lei n° 10.174/2001 não se altera com a publicação da Lei Complementar com a qual mantém referência. Isso porque a introdução da norma de referência no ordenamento não pode tornar válidas as normas que não o são desde a origem; Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 assim, o procedimento de fiscalização adotado pela Secretaria da Receita Federal no presente caso deve ser declarado nulo, pois tomou por base uma norma inválida no sistema, não podendo os auditores fiscais terem acesso aos dados da CPMF do contribuinte para dar ensejo a abertura de procedimento fiscal, muito menos para constituir crédito tributário. Preliminar de erro de apuração do imposto de renda – Do Critério Temporal do Fato Gerador. Apuração com Base Mensal. Impossibilidade de Tributação com Base Anual o levantamento da base tributável realizado pela fiscalização está em desconformidade com a legislação de regência, pois de acordo com o parágrafo 4º do art. 42 da Lei n. 9.430/962 e IN 246/02, que trata da tributação dos valores creditados em conta de depósito em relação os quais o contribuinte não comprova a origem dos recursos, estipula que os rendimentos serão apurados mês a mês; o autor do procedimento fiscal não procedeu de acordo com a forma determinada pela lei, tendo apurado a omissão de receitas do recorrente no final dos anos calendário de 2005 e 2006, ou seja, de forma anualizada, ao invés da apuração mensal; como bem determina a lei. a análise dos valores depositados para fins de levantamento do acréscimo patrimonial, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, deve reportarse aos períodos mensais para conformarse às disposições legais; a adoção do levantamento da base tributável de forma anual, além de ferir as disposições legais mencionadas, traz em si a imperfeição de provocar distorções que prejudicam a determinação da matéria tributável, afetando não somente o elemento temporal do fato gerador, mas também o valorativo. Cita acórdãos do CARF. Mérito Do erro no levantamento da base tributável do Imposto de Renda lastreado em depósitos bancários. Não exclusão dos cheques devolvidos e estornos de créditos lançados a maior nas contas correntes do recorrente o levantamento realizado pela autoridade autuante está equivocado, tendo em vista que não considerou os rendimentos declarados pelo autuado em suas declarações de ajuste anual, conforme os comprovantes de rendimentos juntados às fls. 17 e 18 dos presentes autos, bem como não excluiu da base tributável os valores dos cheques devolvidos e operações irregulares decorrentes do crédito a maior efetuados nas contas depósitos de titularidade do recorrente, conforme demonstra as planilhas que segue com a impugnação; de acordo com as planilhas anexas à impugnação, restou demonstrado que a fiscalização inseriu, indevidamente, na base tributável do Imposto de Renda devido pelo recorrente, o montante de R$ 154.001,40 no ano calendário de 2005 e R$ 472.328,27 no ano calendário de 2006. Do aproveitamento das Origens de Recursos já tributados é errôneo tributar os valores depositados somando uns aos outros, mês a mês, como se os valores sacados em cada mês fossem valores consumidos e os depósitos efetuados a cada mês significasse renda nova; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10384.007161/200886 Acórdão n.º 2202002.907 S2C2T2 Fl. 372 5 é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados em conta corrente como renda presumida, evidenciado sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não caracterizam fato gerador de nenhum tributo; Assim, devem ser abatidos os valores declarados pelo presente sujeito passivo, bem como os valores que já foram tributados no mês anterior e, portanto, considerados como origens dos meses anteriores. Ao final, o impugnante requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração. Os autos foram baixados em diligência em 29 de outubro de 2010 (fls. 299 e 300), para verificação, pelo Fiscal autuante, se haviam sido lançados créditos que foram estornados, conforme alegado pelo contribuinte. Em 29 de novembro de 2010, foi emitido Relatório Fiscal pelo autuante (fls. 303 a 307), no qual concluiu que parte das alegações do contribuinte era procedente, pois algumas devoluções de cheques ou estorno de créditos haviam sido indevidamente tributados, os quais devem ser excluídos da base de cálculo do imposto, de acordo com planilha que integra o relatório. A DRJ/FOR julgou procedente em parte a impugnação, cujo Acórdão nº 08 20.262 (fls. 309 a 318) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005,2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. FATO GERADOR ANUAL. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. RENDIMENTOS PRESUMIVELMENTE AUFERIDOS POR DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O art. 83, inciso I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o ano compõem a base de cálculo do imposto devido no anocalendário, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não se situam entre as exceções acima apontadas, estão sujeitos à apuração anual do IRPF. Os §§ 1º e 4º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, não se considerando aqueles correspondentes a depósitos em cheques que não foram efetivados em virtude de devolução posterior por não compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não seapresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se cogitar nulidade processual, nem nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra' ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. PROVA ILÍCITA. SIGILO BANCÁRIO. Não há que se invocar a discussão acerca do sigilo bancário tendo o próprio contribuinte apresentado extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal em procedimento administrativo regularmente instaurado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de primeira instância excluiu da tributação os seguintes valores, decorrentes de estornos que haviam sido incluídos indevidamente pela autoridade lançadora: Fato gerador Total dos estornos 31/12/2005 R$ 103.464,90 31/12/2006 R$ 386.031,07 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15 de abril de 2011, conforme comprovante à fl. 323, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 11 de maio de 2011 (fls. 324 a 351), no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação, em relação aos créditos tributários mantidos pela decisão recorrida, acrescentando que somente entregou os extratos bancários à fiscalização em decorrência da LC 105 permitir o acesso aos dados bancários de qualquer contribuinte e com medo de ser aplicada uma multa qualificada (150%) pelo fato de não cooperação com o Fisco. Ao final, requer a sua reforma para declarar totalmente improcedente o Auto de Infração. Em pedido sucessivo, pede que os valores de R$ 50.536,50 (2005) e R$ 86.297,20 (2006) sejam retirados da base tributável apurada pela fiscalização, bem como sejam abatidos os valores que já foram tributados no mês anterior e, portanto, considerados como origens dos meses anteriores. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10384.007161/200886 Acórdão n.º 2202002.907 S2C2T2 Fl. 373 7 É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão de primeira instância excluiu da tributação os seguintes valores decorrentes de estornos que haviam sido incluídos indevidamente pela autoridade lançadora: R$ 103.464,90 do anocalendário 2005 e R$ 386.031,07 do anocalendário 2006. Preliminar de violação do sigilo bancário O recorrente alega que o lançamento é nulo pois não houve autorização judicial para violação de seu sigilo bancário, o que feriu o seu direito fundamental assegurado no inciso X do artigo 5º da Carta Magna. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o próprio contribuinte apresentou à Fiscalização seus extratos bancários, conforme suas respostas datadas de 11/03/2008 (fls. 19 a 70), 10/06/2008 (fls. 74 a 140) e 13/08/2008 (fls. 178 a 189), apesar de afirmar no recurso que só os entregou em decorrência da LC 105 permitir o acesso aos dados bancários de qualquer contribuinte e com medo de ser aplicada uma multa qualificada (150%) pelo fato de não cooperação com o Fisco. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas pela Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.62, Redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964. Rel. Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, Rel. Nathalia Mesquita Ceia ). Preliminar de invalidade da Lei nº 10.174/2001 O contribuinte alega que o procedimento de fiscalização adotado pela no presente caso deve ser declarado nulo, pois tomou por base a Lei nº 10.174/2001, que é norma inválida no sistema. Portanto, não podem os AuditoresFiscais terem acesso aos dados da CPMF do contribuinte para dar ensejo a abertura de procedimento fiscal, muito menos para constituir crédito tributário. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10384.007161/200886 Acórdão n.º 2202002.907 S2C2T2 Fl. 374 9 O entendimento consolidado deste Conselho sobre a utilização das informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos está consignado na Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. Diferentemente do alegado pelo recorrente, o auto de infração em questão foi lavrado em conformidade com o disposto no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, atendendo, portanto, todos os requisitos formais e materiais exigidos para a autuação. Outrossim, não se encontram presentes nos autos aspectos que implicassem nulidade do lançamento, como os dispostos nos artigos 59, 60 e 61 do referido Decreto. Por todas essas razões, rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração apontadas pelo recorrente. Erro de apuração do imposto de renda – apuração com base anual Embora o recorrente tenha tratado como preliminar, entendo que se cuida de matéria de mérito e assim foi tratada pela DRJ, pois diz respeito à forma de apuração do imposto. Argumenta o recorrente que o autor do procedimento fiscal não procedeu de acordo com a forma determinada pelo parágrafo 4º do art. 42 da Lei n. 9.430/962 e IN 246/02, tendo apurado a omissão de receitas do recorrente no final dos anoscalendário de 2005 e 2006, ou seja, de forma anualizada, ao invés da apuração mensal. Afirma que a adoção desse modo, além de ferir as disposições legais mencionadas, traz em si a imperfeição de provocar distorções que prejudicam a determinação da matéria tributável, afetando não somente o elemento temporal do fato gerador, mas também o valorativo. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula nº 38 do CARF: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Do erro no levantamento da base tributável não exclusão dos cheques devolvidos e estornos de créditos A decisão de primeira instância excluiu da tributação os seguintes valores, decorrentes de estornos que haviam sido incluídos indevidamente pela autoridade lançadora: Fato gerador Total dos estornos 31/12/2005 R$ 103.464,90 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 31/12/2006 R$ 386.031,07 O recorrente alega que, mesmo com exclusão determinada pela primeira instância, ainda restam ser excluídos R$ 50.536,50 no ano calendário de 2005 e R$ 86.297,20 no anocalendário de 2006, tendo em vista que foram desconsiderados alguns cheques devolvidos e estornos de lançamento efetuados a maior na conta corrente de sua titularidade, conforme planilhas anexadas na impugnação. Ressaltese que o contribuinte não individualiza quais lançamentos não teriam sido considerados pela DRJ, para fins de exclusão. Conforme diligência efetuada pela autoridade lançadora (fls. 303 a 307), os valores alegados pelo contribuinte R$ 50.536,50 no ano calendário de 2005 e R$ 86.297,20 no anocalendário de 2006 – não haviam sido tributados no auto de infração. A diligência apontou individualmente cada lançamento reputado indevido pelo recorrente, vinculandoo com o lançamento no extrato bancário, apontando inclusive as folhas do processo no qual se encontram os extratos com os registros do estorno e do crédito. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração (fl. 04), o lançamento foi embasado com as planilhas de fls. 226 a 256. Confrontandose essas planilhas com aquelas feitas por ocasião da diligência (fls. 303 a 307), verificase que todos os valores apontados na diligência como não incluídos na tributação realmente não foram tributados. Assim, não há o que reparar na decisão de primeira instância que excluiu apenas os valores reconhecidos como indevidos na diligência efetuada, conforme abaixo: TOTAL DOS ESTORNOS E LANÇAMENTOS DE IGUAL VALOR NÃO INCLUÍDOS NA TRIBUTAÇÃO DO ANOCALENDÁRIO 2005 Total dos estornos pleiteados para serem excluídos da tributação....... RS 154.001,40 Total dos lançamentos não tributados .................................................... R$ 50.536,50 Total dos valores tributados a maior ................................................... R$ 103.464,90 TOTAL DOS ESTORNOS E LANÇAMENTOS DE IGUAL VALOR NÃO INCLUÍDOS NA TRIBUTAÇÃO DO ANOCALENDÁRIO 2006 Total dos estornos pleiteados para serem excluídos da tributação ..... .R$ 472.328,27 Total dos lançamentos não tributados ................................................... R$ 86.297,20 Total dos valores tributados a maior ................................................... R$ 386.031,07 Do aproveitamento das origens de recursos já tributados O recorrente alega que é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados em conta corrente como renda presumida, evidenciado sinais exteriores de riqueza, uma vez que, os depósitos bancários, por si só, não caracterizam fato gerador de nenhum tributo. Aduz, ainda, que devem ser abatidos os valores declarados pelo presente sujeito passivo, bem como os valores que já foram tributados no mês anterior e, portanto, considerados como origens dos meses anteriores Quanto ao argumento do recorrente de que se deve deduzir da tributação os valores por ele declarados, não lhe assiste razão, posto que é ônus exclusivo do contribuinte comprovar de forma individualizada os créditos bancários. Ou seja, é necessária a comprovação depósito a depósito, de maneira inequívoca, conforme imposição legal. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10384.007161/200886 Acórdão n.º 2202002.907 S2C2T2 Fl. 375 11 Segue decisão do CARF nesse sentido: RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. [...] (Acórdão nº 10616.977, Rel. Giovanni Christian Nunes Campos). No que se refere à necessidade de o Fisco demonstrar o acréscimo patrimonial, conforme alegado pelo recorrente, é de se aplicar o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Segundo o contribuinte, não se pode tributar os valores depositados somando uns aos outros, mês a mês, como se os valores sacados em cada mês fossem valores consumidos e os depósitos efetuados a cada mês significasse renda nova. No entanto, a tributação nesse caso decorre da aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 O § 1º é claro ao dispor que deve ser considerado auferido o rendimento no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Desse modo, também não merece reparo o lançamento nesse ponto. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10930.723356/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2014
ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. REPRESENTAÇÃO LEGAL.
O pedido de isenção de IPI para aquisição de veículo por deficiente mental deve ser feito pelo próprio interessado ou por seu representante legal, caso em que essa condição deve ser comprovada, estando sujeito a curatela o maior que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiver o necessário discernimento para os atos da vida civil, conforme prevê o Código Civil Brasileiro.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DEFICIENTE MENTAL. REPRESENTAÇÃO LEGAL. O pedido de isenção de IPI para aquisição de veículo por deficiente mental deve ser feito pelo próprio interessado ou por seu representante legal, caso em que essa condição deve ser comprovada, estando sujeito a curatela o maior que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiver o necessário discernimento para os atos da vida civil, conforme prevê o Código Civil Brasileiro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 33 56 /2 01 2- 10 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10930.723356/201210 Acórdão n.º 3801004.747 S3TE01 Fl. 113 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A pessoa física em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência mental, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 79/82, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Londrina (PR) indeferiu o pedido, por falta de comprovação de que o signatário do pedido é representante legal da interessada. Devidamente cientificada da decisão (fl. 84), foi interposta manifestação de inconformidade, conforme peça de fls. 85/87, por meio da qual o genitor da requerente alegou que somente com a morte dos pais será necessário nomear curador, pois a obtenção da curatela tem alto custo e outros entraves. Acrescentou que o ideal seria a isenção objetiva, ao invés da subjetiva. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. REPRESENTAÇÃO LEGAL. O pedido de isenção de IPI para aquisição de veículo por deficiente mental deve ser feito pelo próprio interessado ou por seu representante legal, caso em que essa condição deve ser comprovada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10930.723356/201210 Acórdão n.º 3801004.747 S3TE01 Fl. 114 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida às pessoas portadoras de deficiência para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) § 3o Na hipótese do inciso IV, os automóveis de passageiros a que se refere o caput serão adquiridos diretamente pelas pessoas que tenham plena capacidade jurídica e, no caso dos interditos, pelos curadores. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) A regulamentação da norma pela Instrução Normativa (IN) RFB nº 988, de 2009, assim dispõe: Art. 11. Para efeito do benefício de que trata esta Instrução Normativa: (...) VI – consideramse representantes legais os pais, os tutores e os curadores, conforme definidos pela Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Brasileiro. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: outorga de isenção, conforme determina o art. 111, II, CTN, o que inviabiliza uma interpretação ampliativa ou mesmo analógica da norma com base em critério subjetivo de justiça do julgador. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10930.723356/201210 Acórdão n.º 3801004.747 S3TE01 Fl. 115 4 O Art. 1.767 . da Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Brasileiro dispõe que estão sujeitos a curatela aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil, que se aplica no caso vertente. No caso vertente quem assina a documentação em nome do requerente é o seu pai, mas que pelo fato de não possuir a curatela do requerente e este ser maior de idade, não reveste a condição da representação prevista em lei. Não comprovado que o pedido de fl. 2, bem como as declarações de fls. 11/12, foram assinadas pelo representante legal. do interessado, é de se indeferir o benefício. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10675.720841/2010-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2003
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 08 41 /2 01 0- 38 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 277 2 Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do acórdão prolatado pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara deste Conselho, que, por voto de qualidade, negou provimento ao seu recurso voluntário, cuja ementa é a seguinte: “PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição de PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.” Em face da decisão acima, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência no qual sustentou que a decisão recorrida não só interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, como contrariou a coisa julgada obtida pelo contribuinte que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como aquelas provenientes da “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Por meio de Resolução, com base no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o processo foi suspenso até que o STF no RE nº 609.096 se pronunciasse definitivamente sobre a matéria. Em face da revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retornou em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 278 3 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento, ressaltando a bem demonstrada divergência pelo Recorrente em seu recurso especial. Como mencionado no relatório, o pedido de reforma do acórdão recorrido está suportado na alegação do Recorrente de que a referida decisão viola a coisa julgada, em face da decisão por ele obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que não somente reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo), como limitou a incidência da contribuição ao PIS as receitas provenientes do faturamento, cujo significado restringese a “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”, como expressamente se constata de referida decisão, prolatada como base no artigo 557, § 1ºA, do CPC), bem assim, e especialmente, do conteúdo do acórdão prolatado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal por oportunidade do julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840/MG. O Recorrente sustenta ainda, caso não acatada a alegação de violação de coisa julgada, que seja firmado o entendimento, em consonância com a Lei Complementar 7/70, de que o conceito de faturamento empregado na referida norma somente compreende as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, e que, portanto, não alcança outras receitas recebidas pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrentes de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos de intermediação financeira ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, capitalização, leasing, etc. A meu ver, a alegação do contribuinte no sentido que o respeitável acórdão recorrido viola coisa julgada, como assim também entendo com apoio no voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Tereza Lopes Martinez em caso análogo ao ora em análise, não exclui, por outro lado, a necessidade de se interpretar o conceito de faturamento empregado no acórdão prolatado no Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, bem assim nas decisões judiciais citadas na referida decisão e que consubstancia a jurisprudência dos Tribunais Superiores vigente a época em que prolatada. Em primeiro lugar, se faz necessário buscar no ordenamento jurídico a definição e alcance do termo faturamento tomado como hipótese de incidência da contribuição ao PIS pela Lei Complementar 7/70 e pela Constituição Federal, artigo 195, não obstante o PIS ter sido instituído sob a égide da Constituição Federal de 1967 com as alterações da Emenda Constitucional nº 1 de 1969. Os artigos 2º e 3º de mencionada Lei Complementar previam que o PIS seria “executado” mediante um “Fundo de Participação”, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal, por meio de duas modalidades: a primeira mediante dedução do imposto de renda devido pelas empresas e a segunda com recursos próprios das empresas, calculada mediante a aplicação de percentuais sobre o faturamento. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 279 4 O § 2º de mencionado artigo 3º dispunha que as instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas, que não realizassem operações de vendas de mercadorias, recolheriam ao Programa de Integração Social uma contribuição diferenciada (recursos próprios de valores idênticos aos apurados mediante a dedução do imposto de renda) das demais sociedades que realizassem operações de venda de mercadorias (percentual sobre o faturamento). Em 30 de outubro de 1998, foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998, que unificou o tratamento, dispondo sobre as contribuições do PIS e COFINS de forma conjunta. A Lei nº 9.718/1998 inovou a base de cálculo dessas contribuições, na medida em que equiparou faturamento à receita bruta e considerou esta como a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Vale a transcrição dos dispositivos para que a matéria seja bem compreendida: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei”. “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. “§ 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Diante da ausência de qualquer exceção feita no que se refere ao âmbito subjetivo de incidência, podese afirmar que com o advento da Lei nº 9.718, em 27 de novembro de 1998, as instituições financeiras passaram a recolher o PIS e a COFINS conforme os ditames normativos desta Lei1. É bem verdade que, em 30 de dezembro de 2002, foi publicada a Lei nº 10.637, que alterou radicalmente o mecanismo de tributação do PIS, adotando o princípio da nãocumulatividade. No entanto, as instituições financeiras foram expressamente excluídas do âmbito de aplicação do regime nãocumulativo (artigo 8º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e 1 No que respeita especificamente ao PIS devido pelas instituições financeiras, cumpre notar que da edição da Lei Complementar nº 7/70 até o advento da Lei nº 9.718/1998, referido tributo teve sua base de cálculo estabelecida pelos DecretosLei nºs 2.445/1988 e 2.449/1988 (receita operacional bruta), pela Lei nº 9.701/1988, que ressalvava o tratamento próprio das instituições financeiras consistente no artigo 72, inciso V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994 (receita bruta operacional como definida na legislação do imposto de renda, a saber, produto da venda de bens e serviços nas transações ou operações de conta própria). O artigo 72, inciso V, do ADCT foi previsto para vigorar temporariamente. A Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994 previu a incidência do PIS sobre a receita bruta operacional para os exercícios de 1994 e 1995. As Emendas Constitucionais nº 10/1996 e 17/1997 “estenderam” essa incidência até 31 de dezembro de 1999. Sendo assim, a partir de 1º de janeiro de 2000, o PIS instituições financeiras passou a ser regulado pela Lei nº 9.718/1998. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 280 5 artigo 10, inciso I, da Lei nº 10.833/2003), permanecendo, portanto, sujeitas às normas de legislação anterior, especificamente, a Lei nº 9.718/1998. Portanto, podese dizer que a base de cálculo das contribuições do PIS das instituições financeiras deveria observar o estabelecido no § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998, que definia o alcance da expressão receita bruta empregada no caput do artigo 3º, ou seja, a totalidade das receitas percebidas pela pessoa jurídica. Ocorre que o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1998, em sua redação original, vigente à época da publicação da Lei nº 9.718/1998, não permitia a incidência de referidas contribuições sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas. Com efeito, somente em dezembro de 1998, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 20, que alterou vários artigos do texto constitucional, inclusive o inciso I do artigo 195, o qual passou a prever, na alínea “b”, que as contribuições para a seguridade social poderão incidir sobre a receita ou o faturamento. Diante dessas considerações, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 09 de novembro de 2005, por oportunidade do julgamento do Recurso Extraordinário n.º 390.840/MG2, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/19983, tendo o acórdão, acolhido por maioria, merecido a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. (grifouse) 2 V. os RE nºs 346.084, 357.950, 358.273, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, cujas ementas são do mesmo teor. 3 O controle de constitucionalidade foi realizado em caráter concentrado, sendo que o dispositivo declarado inconstitucional somente foi extirpado do ordenamento jurídico com o advento, em 27 de maio de 2009, da Lei nº 11.941/2009, que, em seu artigo 79, inciso XII, o revogou expressamente. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 281 6 De acordo com essa decisão, proferida pelo órgão ao qual incumbe a palavra final em exame de constitucionalidade, devese entender que a hipótese de incidência do PIS é o faturamento, devendo ser incluída na base de cálculo dessas contribuições somente a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços. E referida tributação sobre o faturamento, assim entendido como a receita proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, é a que se coaduna com a natureza e a finalidade da contribuição ao PIS/COFINS. Assim, temse que, no caso das instituições financeiras, as contribuições ao PIS/COFINS devem recair tão somente sobre negócios jurídicos em que é possível estabelecer um preço como contraprestação à mercadoria ou serviço disponibilizado. Se não atingirem exclusivamente os preços do tráfico de mercadorias e serviços, as contribuições ao PIS/COFINS estarão recaindo sobre o patrimônio da empresa, o que não é o objetivo dessas contribuições, e representarão uma injustificável sobreposição em relação à contribuição social sobre o lucro, no campo do financiamento da seguridade social. E a não caracterização, por exemplo, dos valores percebidos pelos bancos pelas operações de crédito por eles realizadas como contraprestação de serviços, decorre inclusive da previsão contida Lei Complementar nº 116/2003 (cfr. artigo 2º, inciso III), que exclui da incidência do ISS “o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras”. No julgamento do já mencionado RE nº 390.840/MG, o Ministro Cezar Peluso, embora tenha acompanhado o relator no sentido de votar pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, votou pela obrigatoriedade de não só as seguradoras, mas também os bancos estarem sujeitos ao recolhimento do PIS/COFINS, rejeitando o conceito de faturamento tido por “tradicional”, que abrangeria somente o ganho de empresas produtoras de bens e prestadoras de serviços que emitem fatura. De acordo com o Ministro, o conceito “moderno” de faturamento deve abranger não só a venda de mercadorias e serviços, mas também todas as atividades que integram o objeto social da sociedade. Ocorre que esse entendimento do Exmo. Ministro Cezar Peluso, com a devida licença, parece estar em contradição com o que o próprio defende. No voto proferido no RE nº 390.940/MG, o Ministro Cezar Peluso pugnou pela necessidade de conferir interpretação conforme à Constituição Federal para que a receita bruta referida na Lei nº 9.718/1998 seja considerada como sinônimo de faturamento, a saber, o resultado da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O próprio Ministro também afirmou que quando não há conceito jurídico expresso na Constituição Federal, o intérprete deve socorrerse dos instrumentos disponíveis no sistema do direito positivo. Do sistema do direito positivo brasileiro é possível extrair os conceitos de mercadoria e de serviços. E as receitas financeiras não se adequam a esses conceitos. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 282 7 Sendo assim, se o Ministro concebe faturamento como as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços, não há, a nosso ver, como se pretender tributar receitas que não se adequem perfeitamente a esse conceito. Não se olvida que o conceito de serviços é plurissignificativo, isto é, admite várias acepções, dependendo do enfoque: social, econômico, político etc., podendo assumir contornos mais ou menos amplos a depender da abordagem conferida. No entanto, o artigo 110 do Código Tributário impõe que, em matéria tributária, a acepção tomada seja restrita, ou melhor, jurídica. Com efeito, o conceito tido por “moderno” pelo Ministro Cezar Peluso, com a devida licença, é, a meu ver, inaplicável em matéria tributária, face ao princípio da legalidade e o disposto no artigo 110 do CTN, também corolário do princípio da legalidade, que exige que se recorra aos conceitos de direito privado para que se defina a hipótese de incidência dos tributos, conforme disposta na Constituição Federal. As notas de Misabel Abreu Machado Derzi às lições do renomado Aliomar Baleeiro4 são muito elucidativas quanto à impossibilidade de se adotar a interpretação econômica – como parece pretender o Ministro Cezar Peluso para se definir os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição Federal na definição das incidências tributárias. Os trechos a seguir destacados são contundentes: “A chamada interpretação segundo o critério econômico, consiste em apreender o sentido das normas, institutos e conceitos jurídicos, de acordo com a realidade econômica subjacente por detrás das formas jurídicas. Desenvolveuse plenamente na Alemanha, em distintos períodos, mas serviu, em certa época, ao desenvolvimento do fiscalismo e da insegurança jurídica, ao direito do Reich fascista e totalitário. (...) Assim, a interpretação econômica, que serviu a um regime totalitário foi erradicada da própria Alemanha, onde prosperou em tempos sombrios. Hoje, o critério ‘econômico’, que se invoca eventualmente na interpretação por um tribunal tedesco, serve à apuração da capacidade econômica de contribuir e somente se justifica, na medida em que, dentro dos limites dos sentidos possíveis da palavra, colher aquele sentido que melhor se ajustar aos postulados da justiça tributária. Ora, o Código Tributário Nacional também não acolheu a tese da interpretação econômica. Ao contrário, como observa Aliomar Baleeiro, o art. 110 proclama, como um limite ao próprio legislador: ‘... o primado do Direito Privado quanto à definição, ao conteúdo e ao alcance dos institutos, conceitos e formas deste ramo jurídico quando utilizado (sic) pela Constituição Federal, pelas dos Estados ou pelas Leis Orgânicas do DF e dos 4 In BALEEIRO, Aliomar, Direito tributário brasileiro, 11ª ed. atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro, Forense, 1999, pp. 689690. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 283 8 Municípios. A contrario sensu, tal primado não existe se aquelas definições, conceitos e formas promanam de outras leis ordinárias’ (v. comentários supra, tópico 3). Mas, e isso é de suma relevância, somente o legislador poderá atribuir efeitos tributários distintos, alterando o alcance e o conteúdo dos institutos e conceitos do Direito Privado, se inexistir obstáculo na Constituição. Não o intérprete e aplicador da lei. A licença, como diz Baleeiro, contida no art. 109, a contrario sensu, dirigese ao legislador, mesmo assim, naqueles casos, que são restritíssimos, em que institutos, conceitos e formas do Direito Privado não foram utilizados pela Constituição para definir ou limitar competências”. (itálico no original) O autor Rodrigo Caramori Petry5 compartilha do entendimento de que, tendo em vista a disposição contida no artigo 110 do Código Tributário Nacional, o conceito de faturamento deve conceber a prestação de serviços em sentido estrito. É o que se infere do seguinte trecho: “Por fim, ainda cumpre ressaltar que o conceito de ‘faturamento’ toma a expressão ‘prestação de serviços’ em sentido estrito. Assim sendo, não podem ser objeto de incidência da COFINS enquanto incidente sobre o ‘faturamento’, v.g., as receitas derivadas de locação de bens móveis ou imóveis, tendo em vista que a ‘locação de bens” não se configura como ‘prestação de serviço’, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 116.11213/SP”. O entendimento que vem sendo manifestado pelo Ministro Cezar Peluso contraria, ainda, a própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, ao menos desde o julgamento do RE nº 116.121/SP passando pelo julgamento do RE 390.840/MG, vem concebendo serviço como uma obrigação de fazer, conforme a conceituação trazida pelo Código Civil Brasileiro. Com as devidas vênias, não há como entender que outras receitas, que não aquelas provenientes da venda de mercadorias ou serviços, que não decorram de uma obrigação de fazer, possam ser incluídas na base de cálculo do PIS/COFINS, como parece defender o Ministro Cezar Peluso. Defender tal entendimento implica, em última análise, uma “reconstitucionalização” do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, na medida em que se passará a admitir a inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS de outras receitas que não as provenientes da venda de mercadorias e serviços, alargandose sobremaneira o conceito de faturamento adotado pela Constituição Federal, ao arrepio do disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, ou se permitindo uma nova fonte de custeio da seguridade social (receita), que não estava prevista na redação original do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, vigente à época da edição da Lei nº 9.718/1998. 5 PETRY, Rodrigo Caramori. Contribuições Pis/Pasep e Cofins – Limites Constitucionais da Tributação sobre o “Faturamento”, a “Receita”, e a “Receita Operacional” das empresas e outras entidades no Brasil. São Paulo: Quartier Latin, 2009, pp. 148 e 149. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 284 9 Diante do acima exposto, tendo em vista que o recorrente é possuidor de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS, como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 285 10 Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil6. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os 6 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 286 11 demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 19707, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras8. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro9, sem nenhuma menção à receita. 7 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 8 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. 9 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 287 12 É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 288 13 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 289 14 Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 290 15 o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 291 16 Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento10. Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. 10 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 292 17 É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 293 18 A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 294 19 é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 295 20 operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 296 21 Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 297 22 O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 298 23 então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento11“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e 11 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 299 24 fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0112. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando 12 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720841/201038 Acórdão n.º 9303002.942 CSRFT3 Fl. 300 25 calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10909.001343/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital, decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado ao índice de correção monetária. Precedente.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a Decisão recorrida em todos os seus termos, admitindo decadentes apenas as parcelas vencidas anteriores a junho de 2005. Vencido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, que votou por dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001343/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.645 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente JULIANO DALMEIDA VICTORINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital, decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado ao índice de correção monetária. Precedente. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a Decisão recorrida em todos os seus termos, admitindo decadentes apenas as parcelas vencidas anteriores a junho de 2005. Vencido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, que votou por dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 13 43 /2 01 0- 00 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 19/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0728.129 da 5ª Turma da DRJ/FNS (fls. 453/476), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo em parte o lançamento fiscal, remanescendo o valor de R$ 714.120,43 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. No caso, o Contribuinte/Recorrente teria omitido ganhos de capital nos meses de fevereiro/2005 a fevereiro/2008, advindos da alienação de suas participações societárias nas empresas Distribuidora Clean Ltda., Quimivale Industrial Ltda. e Baule Participações Ltda., para a empresa Assolan Industrial Ltda. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “O contribuinte apresenta, por meio de procurador habilitado (v. mandato à fl. 283), a impugnação de fls. 247 a 279, na qual expõe suas razões de contestação. Argúi que o lançamento pautouse no Contrato de Compra das empresas Quimivale Industrial Ltda., Distribuidora Clean e Baule Participações e o agente notificante, apesar de possuir cópia de todos os contratos das empresas, bem como os extratos onde circularam os valores recebidos e os comprovantes de pagamento do ganho de capital, preferiu pautarse tãosomente no 2º Aditamento e Re Ratificação do Contrato de Opção de Compra das Quotas, ou seja, a exigência fundouse tãosomente em parte da documentação, o que teria resultado na dissonância entre os valores lançados e a realidade fática, base da tributação. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 3 3 Diz que o cálculo “arbitrado” pelo agente notificante é totalmente incoerente. Relata que, em outubro de 2004, a empresa Monte Cristalina firmou Contrato de Opção de Compra de Quotas com as empresas da família, ou seja, tanto a Distribuidora Clean, da qual detinha 50% do capital social que era de R$ 20.000,00, sendo 50% do outro sócio, Joine D'Almeida Victorino, como a Quimivale Industrial Ltda., da qual detinha 2% do capital social de R$ 50.000, sendo 98% da sócia Viviane Klann Victorino. A intenção era de adquirir as duas empresas, com tudo o que elas representavam, incluindo lucros acumulados, e, no intuito de firmar um único Contrato, a Assolan, empresa posteriormente adquirente, exigiu dos alienantes a transferência de suas cotas para uma terceira empresa, a Baule Participações, no intuito de dispor dos percentuais dos capitais sociais das duas empresas de forma equânime. E, assim, foi feita a transferência das cotas das empresas da família para a Baule Participações, distribuindose para cada sócio os percentuais de acordo com a sua participação nas antigas empresas. Em razão disso, a composição das cotas na Baule Participações ficou da seguinte forma: Viviane Klann Victorino 70%, Juliano D'Almeida Victorino 16% e Joine D'Almeida Victorino 14%. Em 01/02/2005, foi firmado contrato com a Assolan para a aquisição das empresas Distribuidora Clean Ltda, Quimivale Industrial Ltda e Baule Participações. Argúi que o agente notificante “entendeu pela facilidade de lançar todos os valores com base tãosomente no 2º Aditivo”, impondolhe o percentual de 50% sobre o total da alienação e, como já destacado, do total das cotas alienadas para a Assolan, possuía apenas 16%, sendo manifesta a impossibilidade jurídica da apuração de ganho de capital com base no percentual de 50%. A circunstância de o "Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas" estipular que caberia a cada um dos cotistas 25% dos valores recebidos na venda das cotas da Baule/Distribuidora Clean/Quimivale Industrial e, portanto, que receberia o percentual de 50%, não teria aptidão jurídica de alterar a real composição societária da empresa, sendo titular de apenas 16% dos direitos alienados. “Há gritante impossibilidade jurídica da alienação por sócio de cotas que não lhe pertencem e, portanto, da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica dos valores pagos por tais cotas!”. Para a tributação do ganho de capital imporseia a consideração da verdade “real”, repetindo que se possuía a titularidade de apenas 16% das cotas da Baule, somente 16% do preço da venda da empresa lhe pertence, sendo esta a realidade fática e jurídica que deveria ter sido considerada para o lançamento. Expõe que declarou no ano de 2005 o recebimento da venda de suas cotas, no percentual de 16%, e tributou o montante com base na alíquota de 15% como impõe a legislação. Discorre sobre sujeição passiva, argüindo que não há disponibilidade econômica ou jurídica pela posse de numerário de terceiro e, assim, o recebimento do preço das cotas por quem não era seu titular não gera IRPF por descaracterizar sujeição passiva. Cita Leandro Paulsen e Acórdão do Primeiro CC sobre a posse de numerário alheio e a posse de bens de terceiros. Pretender tributar montante superior àquele decorrente da venda do seu percentual de cotas, abarcando valores referentes à venda das cotas de outro sócio, com justificativa em disposição contratual, que prevê percentuais aleatórios de distribuição dos valores, importa na alteração da sujeição passiva, por convenção particular, o que é categoricamente vedado pelo art. 123 do Código Tributário Nacional. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Repisa que é evidente o erro ao considerar como base do imposto sobre ganho de capital o percentual de 50% do preço da venda da Baule/Distribuidora Clean/Quimivale Industrial, quando possuía somente 16% das cotas alienadas, parcela sobre a qual recairia a tributação. Aduz que, como já destacado, a fiscalização pautouse no Segundo Aditamento e Reratificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, para fins de apuração do montante tributável, desconsiderando, no entanto, aspectos importantes do referido contrato, expressos também nos outros dos quais originou (contrato de "Opção de Compra e o Primeiro Aditamento"), especialmente quanto ao objeto da referida alienação. Para fins meramente contratuais, utilizouse a nomenclatura genérica de "QUOTAS" para referirse a todo o objeto da operação comercial realizada, no entanto, analisadas em harmonia, as disposições do contrato e seus aditamentos evidenciam que o objeto da alienação é mais abrangente do que o valor nominal das referidas cotas. Na verdade, todo o patrimônio da empresa de que era cotista foi alienado com base em seu valor contábil, apurado por meio do respectivo balanço patrimonial, deixando de existir e sendo incorporada à adquirente ASSOLAN. O agente notificante teria considerado, equivocadamente, que os valores dados em pagamento referiamse única e exclusivamente à totalidade das cotas que representam o capital social integralizado das empresas Baule Participações Ltda., Quimivale Industrial Ltda. e Distribuidora Clean Ltda., e, assim, como custo de aquisição apenas o montante relativo ao valor nominal das mesmas. Ocorre que a operação de alienação das cotas abrangia tudo o que elas representavam, e não somente o valor nominal utilizado para fins de integralização do capital social, como fica evidente no item 1.1 do Contrato de Opção de Compra. Argúi que na apuração do ganho de capital real há que se levar em conta o valor contábil dos bens e direitos alienados na operação, apurado em balanço patrimonial, somando o seu montante às cotas do capital social, constituindo, assim, o custo de aquisição a ser considerado. Da análise fática aprofundada dos negócios feitos pelas empresas, restaria cristalino que houve a alienação de todos os bens e direitos representados pelas cotas, inclusive os equipamentos e as máquinas, indispensáveis para a continuidade das atividades da empresa, além dos lucros acumulados. Conclui que não houve qualquer ilegalidade nos negócios realizados, tampouco nas declarações apresentadas ao fisco, uma vez que estas teriam sido feitas com base no real ganho de capital, de acordo com o valor de aquisição dos bens e direitos alienados e na exata proporção de sua participação societária de 16%, sendo esta a disponibilidade econômica tributável. O fato do contrato particular prever a distribuição do valor recebido na proporção de 25% para cada um dos sócios das três empresas incorporadas não tem o condão de afastar a responsabilidade tributária dos contribuintes em suas declarações individuais de renda. Repisa que os valores pagos na aquisição das empresas englobavam todo o patrimônio, com tudo o que elas representavam, incluindo lucros acumulados. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 4 5 Cita a Lei nº 6.404/1976, o Código Civil, o artigo 21 da Lei no 9.249/95, a Instrução Normativa DNRC nº 88/2001, discorre sobre a operação de incorporação, arguindo que, após o contrato de compra e venda, a Assolan incorporou as empresas Baule Participações, Distribuidora Clean e Quimivale Industrial e, obrigatoriamente, na transferência do patrimônio para a incorporadora deve se dar a avaliação pelo valor contábil ou de mercado. Aduz que a incorporação foi realizada tendo por base o valor contábil do patrimônio registrado na contabilidade, tanto que o laudo de avaliação foi realizado com base nos balanços patrimoniais emitidos pelas empresas posteriormente incorporadas, sendo este o custo de aquisição para o cálculo do ganho de capital. Argumenta que a alienação das empresas necessariamente deve ocorrer antes de qualquer procedimento para a incorporação, o que foi efetuado, que cabe à incorporada a aprovação do projeto acerca da reforma do ato constitutivo, não possuindo maiores obrigações para a operação, devendo a incorporadora realizar a avaliação da sociedade incorporada, para posterior agregação ao seu patrimônio. Reclama que dos documentos apresentados na fiscalização, ou seja, os laudos de avaliações das empresas alienadas, protocolo e justificação de incorporação, a Ata de Assembléia e a posterior alteração contratual com a incorporação, tiveram o intuito de comprovar que o custo de aquisição nada mais é do que o valor contábil agregado pela empresa incorporadora, mas que, apesar da comprovação, emitiu o fiscal, Auto de Infração sob a alegação de que a incorporação não ocorreu nos exatos termos da legislação e que tal afirmação, sem especificar exatamente qual procedimento foi inadequado deve ser rechaçada. Destaca o seguinte termo do RF: “De modo, as reavaliações procedidas visaram unicamente ajustar o patrimônio das empresas proprietárias em decorrência dos valores despendidos para suas aquisições, não aproveitando esses novos valores aos seus exproprietários.(grifo nosso)”, argüindo a distinção entre reavaliação e laudo de avaliação, que só ocorreria reavaliação se as empresas tivessem realizado o levantamento patrimonial tendo por base o valor de mercado. E, como já explicado e comprovado, o patrimônio foi repassado pelo valor contábil, ou seja, o valor do ativo e do passivo registrado na contabilidade na época dos fatos, não existindo qualquer reavaliação. Refere que, nos termos do Contrato de Opção, deveria ser levantado balanço especial para apuração do valor do saldo circulante, valor do estoque de matéria prima, valor de produtos acabados, valor em caixa, valor do contas a pagar a terceiros, bem como valor da dívida financeira, ficando, assim, claro que a aquisição não se deu somente das cotas e sim da totalidade do patrimônio registrado na contabilidade. Somando o patrimônio das duas empresas denotase que o total do custo para a venda é de aproximadamente doze milhões e, assim, considerando que, segundo o Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Aditivo ao Contrato de Opção de Compra de Quotas o valor da alienação se deu no montante global de R$ 17.685.000,00, temse que o valor do ganho de capital gira em torno de R$ 6.000.000,00, valor esse tributado pelos sócios na proporção já mencionada, ou seja, Viviane (70%), Juliano (16%) e Joine (14%). Invoca os artigos 521 a 523 do RIR/1999 e o artigo 4º, § 2º, da IN SRF nº 93, de 1997, argüindo que nas alienações de bens classificáveis no ativo permanente, o ganho de capital corresponderá diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo custo contábil. Refere que o cálculo apresentado encontrase dentro das normas da lei, merecendo análise apurada ante aos fatos destacados, e, se necessário, perícia para avaliação do custo contábil. Argúi que não pode ocorrer tributação sobre renda fictícia, conforme delimitado pela própria Constituição, devendo a base de cálculo do imposto ser na medida da disponibilidade da riqueza nova realmente experimentada pelo contribuinte, ou seja, as empresas já valiam aproximadamente doze milhões, portanto é esse o montante que deve ser excluído para se chegar ao ganho de capital. Cita Ives Gandra da Silva Martins, e prossegue argüindo que se deve manter a mesma linha de raciocínio no caso de sócios que se retiram da sociedade em andamento. Na prática, o que ocorre não é somente a retirada do valor das quotas integralizadas, e sim de todo o patrimônio advindo do faturamento e já tributado, conforme reza o artigo 238 do RIR. É de se imaginar que a empresa iniciou suas atividades com somente o valor das quotas integralizadas por seus sócios, mas que, ao longo de sua vida, após oferecer à tributação seu faturamento, a empresa pode quitar suas obrigações, e sobraramlhe reservas para investir na sociedade, aumentando seu estoque e adquirindo bens fixos ou imobilizados e até intangíveis que valoraram suas cotas. Diz que se impõe a análise do patrimônio da empresa como um todo com base no valor contábil demonstrado por meio do Balanço Patrimonial. No mais, estando todos os documentos que comprovam a transação de posse da empresa Assolan e, havendo necessidade de apresentação de outros documentos para comprovação do explanado até então, requerse diligências com fulcro no inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72 para comprovação do valor contábil das empresas. Citando Alberto Xavier, o artigo 142 do CTN e Acórdãos do CARF, argúi ser nulo o lançamento, sob o argumento de que o Fisco apurou de maneira incorreta a base de cálculo do imposto, ao considerar 50% do valor da venda quando possuía apenas 16% das cotas alienadas, sendo este um vício insanável. Às fls. 275 a 278, contesta o contribuinte a multa de ofício (75%), argüindo, em síntese, ser a mesma excessiva, revestida de todas as características de confisco, enfim, alegações tendentes, todas, à demonstração da inconstitucionalidade desta exigência, pugnando pela sua redução. Requer, assim, o cancelamento integral do Auto de Infração, tendo em vista o erro na base de cálculo, o que viciaria totalmente o lançamento, e, se assim não se entender, diz que o mesmo deve ser refeito, para considerar os valores das empresas Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 5 7 alienadas quando incorporadas pela adquirente. E, ainda, se assim não se entender, requer perícia dos documentos que estão de posse da empresa adquirente Assolan, para a comprovação do valor contábil da empresa na época da alienação. À fl. 447, memorando da SECAT da DRF em Florianópolis, encaminhando a petição de fl. 448 a 450, apresentada pela contribuinte em 23/08/2011, na qual argúi a decadência do lançamento.” (fls. 458/461 – grifos no original). Atentando aos argumentos de defesa, a 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (SC) proferiu decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL. O Imposto de Renda sobre Ganho de Capital é tributo sujeito ao lançamento por homologação, estando a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários regrada pelo parágrafo 4.º do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O descumprimento da obrigação tributária, verificado em procedimento fiscal, acarreta a cobrança do imposto devido, com o acréscimo de multa de ofício. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS COTAS. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das cotas é apurado pela média ponderada dos seus custos unitários. Não é possível alterar o valor original de aquisição de participações societárias constantes da declaração de bens e direitos. Está sujeito ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que efetuar alienação de participações societárias com valores superiores aos constantes da declaração de bens. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento já tem seu conteúdo definido em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” No Recurso Voluntário disposto às fls. 484/487, o Recorrente repisou exclusivamente sua argumentação pela decadência da exigência fiscal. No caso, argumenta que o debate normalmente se estabelece em torno da identificação da data para o início da contagem do respectivo prazo (5 anos), confrontandose, quase sempre, a aplicação do art. 150, § 4º (data de ocorrência do fato gerador) com a do art. 173, I (primeiro dia do exercício seguinte), ambos do CTN. Assim, se a contagem do prazo decadencial iniciar na data de ocorrência do fato gerador, que seria em 07/10/2004 (data do contrato), o termo decadencial final ocorreria em 07/10/2009. Por outro lado, se o início da contagem for o primeiro dia do exercício seguinte, 01/01/2005, a decadência estaria configurada em 01/01/2010. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 6 9 Deste modo, como o Auto de Infração foi lavrado em 13/05/2010, o Recorrente conclui que crédito tributário estaria atingido pela decadência em qualquer das hipóteses de início de contagem do prazo decadencial. Nesses termos, o Contribuinte/Recorrente aponta que entendimento proferido no julgado recorrido, de que nas alienações a prazo o fato gerador da obrigação tributária ocorreria no recebimento das parcelas, estaria em dissonância a entendimentos do CARF em sentido diverso. Ressalta ainda as disposições trazidas no art. 140 do RIR/99 e no art. 31 da IN nº 84/2001, para discorrer que não se pode confundir a ocorrência do fato gerador com as datas de recebimento das parcelas. Ao final, pede o provimento do recurso para reformar a decisão combatida, no sentido de declarar insubsistente o lançamento fiscal. Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que no Recurso Voluntário em julgamento, restou levantado como argumento de defesa e combate a decisão recorrida, apenas a incidência da decadência no lançamento fiscal. Para a apreciação do feito, inicialmente devemos atentar que a tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF sobre ganhos de capital, está fundada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...)” No mesmo sentido, o imposto de renda incidente no ganho de capital apurado pela pessoa física, deve observar o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que disciplina tal tributação nos seguintes termos: “Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). § 1º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, ao ganho de capital auferido em operações com ouro não considerado ativo financeiro (Lei nº 7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único). § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). (...)” Ocorre que, como o referido imposto sobre a renda em decorrência de ganho de capital é apurado e ofertado a tributação pelo contribuinte sem prévio exame da Administração Tributária, tal procedimento figura na modalidade de lançamento por homologação. Nestes casos, o Código Tributário Nacional estipula o prazo de homologação em cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, sob pena de extinção do crédito tributário. Na letra da lei: Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 7 11 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência;” Por outro lado, conforme entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, nos termos do art. 543C do CPC, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação no procedimento do contribuinte, o prazo de homologação só começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, atentando ao inc. I, do art. 173, do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Diante do arcabouço legislativo, para estipulação do prazo decadencial do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital decorrente de alienação de bens, cujos pagamentos são efetivados em parcelas, importa definir o momento do fato gerador a ser considerado na contagem do referido prazo. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Ora, o Código Tributário Nacional aponta a hipótese de incidência do imposto de renda, consubstanciando seu fato gerador, nos seguintes termos: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Portanto, não pode haver dúvida de que o fato gerador do imposto é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Ou seja, o fato gerador ocorre no momento em que o rendimento se torne disponível para o beneficiário. Não obstante, o RIR/99 determina que a apuração do ganho de capital a prazo deverá ser apurado nos moldes de uma venda à vista. Vejamos: “Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21).” No mesmo sentido depõe o art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de Outubro de 2001: “Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I.” Fl. 509DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 8 13 A bem da verdade, com fundamento nas regras dispostas no art. 140 do RIR/99 e no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, existem precedentes deste CARF se posicionando no sentido de não separar os elementos formadores do fato gerador na apuração do ganho de capital das pessoas físicas, conquanto sejam decorrentes de alienações de bens a vista ou a prazo, diferindose, tão somente, o pagamento do tributo, a ser efetuado no momento do recebimento de cada parcela. Nesses termos, o fato gerador do imposto de renda ocorreria com a conclusão da operação de alienação dos bens, independente da previsão de pagamento ser fracionado ou de uma só vez, modo pelo qual o prazo decadencial teria o mesmo marco temporal. Contudo, com absoluto respeito aos antigos posicionamentos existentes sobre a matéria, entendo que não expressam a melhor solução jurídica ao caso. Ora, se a legislação tributária define que o fato gerador do imposto de renda ocorre com a disponibilidade econômica do contribuinte (art. 43 do CTN), e no caso de ganho de capital, o imposto é apurado e pago no mês do recebimento (art. 117, § 2º do RIR/99), e apenas na proporção das respectivas parcelas em caso de alienações a prazo (art. 140 do RIR/99), a única conclusão plausível seria compreender o fato gerador da obrigação tributária quando ocorrido o efetivo acréscimo patrimonial. Pensar diferente permitiria admitir a possibilidade da exigência de imposto mesmo após ultrapassados cinco anos do seu fato gerador, em flagrante afronta aos preceitos do § 4º do art. 150 do CTN. Bastaria que houvesse a previsão contratual de pagamento parcelado, referente a uma alienação de bens, em mais de cinco anos. No entanto, o caso em questão também se apresenta diferenciado dos julgados iniciais nesta Corte, pois se trata de venda de participação societária a prazo, cujas parcelas estão indexadas pelo IGPMFGV/S, conforme se observa no Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, mais especificamente nas fls. 316, 319, 320, 321, 322 e 326 dos autos. Ou seja, a quantificação do imposto a pagar quando do recebimento das parcelas futuras depende de um índice variável que apenas será possível aferir no momento do recebimento da parcela. Nesse sentido não se poderia acolher a data do fato gerador do imposto de renda como sendo o momento da conclusão contratual, porquanto o ganho de capital Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 decorrente de cada parcela é variável, figurando indexado, diferente do ocorrido em caso pagamento a vista. Este é o entendimento mais inteligente e justo desta Corte Tributária, conforme se observa na ementa de recente julgado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008, 2009 IRPF. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. PREÇO INDEXADO À MOEDA ESTRANGEIRA. VENDA A PRAZO. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital de contrato com preço indexado em moeda estrangeira e alienação a prazo é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado à taxa de câmbio futura. GANHO DE CAPITAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. PREÇO INDEXADO EM MOEDA ESTRANGEIRA. Eventual variação do preço em decorrência da flutuação cambial havida para com o valor em moeda nacional (Real) deve ser considerada como preço de venda e tributada segundo a sistemática do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. CORREÇÃO MONETÁRIA DO PREÇO. Correção monetária do preço de venda integra o preço para fins de apuração do ganho de capital. (Acórdão nº 2201002.264, Processo nº 10680.726553/201280, Relatora Conselheira NATHALIA MESQUITA CEIA, 1ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 19/05/2014). Diante dos ensinamentos dispostos no citado julgado, percebese que a operação de compra e venda a prazo indexada pende de uma variável futura, e apenas se aperfeiçoa no momento do recebimento, pois é nesse instante que se revela o quantum a ser pago pelo bem, comportando o preço da venda para fins de ganho de capital. Por sua vez, na conclusão da operação contratual de alienação de cotas participativas das empresas em questão, não há definição de uma quantia certa e determinada a ser recebida pela venda, apenas projeções e expectativas. Como não se pode calcular imposto com base em projeções e expectativas, sendo necessário que se conheça o exato valor da venda (preço), e tal valor deve ser o efetivamente recebido pelo contribuinte, considerando que apenas o montante recebido enseja a tributação com base no acréscimo patrimonial para fins de apuração do ganho de capital, Fl. 511DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.001343/201000 Acórdão n.º 2101002.645 S2C1T1 Fl. 9 15 também não se pode abrigar a tese de ocorrido o fato gerador do imposto no momento da conclusão contratual em caso de alienação de bens a prazo, cujas parcelas são indexadas. Esta é a razão pela qual a alegativa de decadência do lançamento fiscal trazida pelo Contribuinte/Recorrente finda superada, tendo em vista que o contrato de alienação de participações societárias em questão se configura em operação de venda a prazo indexada, aperfeiçoada apenas no momento do recebimento cada parcela, porquanto o índice de atualização monetária é elemento variável e necessário para apurar o valor da parcela no momento do pagamento, conformando elemento essencial para apuração do ganho de capital. Em face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a Decisão recorrida em todos os seus termos, admitindo decadentes apenas as parcelas vencidas anteriores a junho de 2005, tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 07/06/2010, conforme AR de fls. 245. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10880.910882/2008-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 82 /2 00 8- 74 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910882/200874 Acórdão n.º 3803006.701 S3TE03 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 7.126,73, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910882/200874 Acórdão n.º 3803006.701 S3TE03 Fl. 62 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910882/200874 Acórdão n.º 3803006.701 S3TE03 Fl. 63 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910882/200874 Acórdão n.º 3803006.701 S3TE03 Fl. 64 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000790/00-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/10/1995
PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional/decadencial é de 10 anos a partir do pagamento. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621.
Numero da decisão: 9303-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o transcurso do prazo para repetição do indébito anteriores a abril/1990.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado) e Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 30/10/1995 PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional/decadencial é de 10 anos a partir do pagamento. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621.
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RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional/decadencial é de 10 anos a partir do pagamento. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma do Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o transcurso do prazo para repetição do indébito anteriores a abril/1990. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 07 90 /0 0- 64 Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado) e Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada). Relatório Tratase de pedido de restituição (protocolizado em 28/04/2000), por via de compensação, de valores pagos a maior pelo contribuinte a titulo da Contribuição ao PIS em decorrência da reconhecida inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2447/88. A interessada pleiteia a restituição/compensação de valores pagos a maior entre 01/01/90 e 30/10/95. Por meio do Acórdão nº 20402.418, por maioria de votos, foi afastado a prescrição/decadência. A decisão guerreada possui a seguinte redação: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 Ementa: CONTRIBUIÇÃO AO PIS. DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N° 07/70. A declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do Senado n° 49/95, importa na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar n° 07/70. SEMESTRALIDADE PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da LC n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. Recurso Voluntário Provido em Parte. Consta do voto do acórdão recorrido: Por conseguinte, considerando os articulados precedentes e que o pedido de Restituição foi protocolado no dia 28 de abril de 2000, dou provimento parcial ao presente Recurso Voluntário para: a) reconhecer a semestralidade; e b) garantir o direito da empresa de utilizar os créditos oriundos da referida semestralidade para compensação, resguardado o direito da Fazenda Pública de verificar a correção dos procedimentos da empresa. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.000790/0064 Acórdão n.º 9303003.004 CSRFT3 Fl. 5 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de contrariedade à lei, alegando, em suma, que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial ocorre com o pagamento indevido, nos termos do art. 168, do CTN. Requer a União o provimento do presente recurso, para “restabelecer a decisão de primeira instância, visto restar demonstrado que o prazo prescricional para repetição de indébito extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos 165,1 e 168, I, c/c art. 150, § 1° do Código Tributário Nacional.” Por meio do Despacho nº 20400166 (fl.1093) e sob o entendimento de estarem presentes os requisitos de admissibilidade deuse seguimento ao recurso interposto, por contrariedade à lei, quanto ao inicio da contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição/compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS advindos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nº 2.445 de 29 de junho de 1988 e 2.449 de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal – STF. É o relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora O recurso especial por contrariedade à lei atende aos requisitos legais de admissibilidade presentes à época 1, e dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de restituição (protocolizado em 28/04/2000), por via de compensação, de valores pagos a maior pelo contribuinte a titulo da Contribuição ao PIS em decorrência da reconhecida inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2447/88. A interessada pleiteia a restituição/compensação de valores pagos a maior entre 01/1990 a 10/1995. A Procuradoria da Fazenda Nacional defende que o direito à repetição de indébito extinguese após cinco anos a contar da data do pagamento indevido, nos termos do artigo 168, I, c/c artigo 155, I, ambos do CTN, e também nos termos do artigo 3° da Lei Complementar 118, ao contrário do acórdão recorrido, que entendeu que no caso de pagamento de tributos cuja norma impositiva veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, o termo a quo para contagem do prazo seria a data da publicação da Resolução do Senado (nº 49/95) que veio a suspender a execução das normas declaradas inconstitucionais. Passo à análise do recurso interposto. 1 ART. 4º OS RECURSOS COM BASE NO INCISO I DO ART. 7º, NO ART. 8º E NO ART. 9º DO REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, APROVADO PELA PORTARIA MF Nº 147, DE 25 DE JUNHO DE 2007, INTERPOSTOS CONTRA OS ACÓRDÃOS PROFERIDOS NAS SESSÕES DE JULGAMENTO OCORRIDAS EM DATA ANTERIOR À VIGÊNCIA DO ANEXO II DESTA PORTARIA, SERÃO PROCESSADOS DE ACORDO COM O RITO PREVISTO NOS ARTIGOS 15 E 16, NO ART. 18 E NOS ARTIGOS 43 E 44 DAQUELE REGIMENTO Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 A matéria já se encontra pacificada neste Colegiado. De acordo com o art. 62A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, de acordo com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º, da lei complementar 118/2005, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada. Assim sendo, considerando que os pagamentos ocorreram no período entre 01/01/90 e 30/10/95 e a data da protocolização do pedido de restituição na via administrativa se verificou em 28/04/2000, aplicandose a tese dos 10 anos retroativos ao pedido de restituição/compensação, apenas parte do período (pagamentos anteriores a 04/90) encontrase decaído/prescrito. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, de forma a ser aplicado a jurisprudência pacífica deste Conselho. Sala das Sessões, em 4 de junho de 2014 Maria Teresa Martínez López Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.000790/0064 Acórdão n.º 9303003.004 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000105/2011-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PROVA EMPRESTADA. VALIDADE E EFICÁCIA.
Constatado que em processo anterior, a produção de prova foi realizada com contraditório, e que o fato probando foi o mesmo, é válida a sua transferência para outro processo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDA ESCRITURADA. INOCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO DO FATO INDICIÁRIO X PRESUNÇÃO DE COMPRAS X PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
Não comprovada pela autoridade fiscal a inexistência da devolução de venda ou simulação da devolução, como fato indiciário da omissão de compras, resta afastada a consequente presunção da omissão de receita imputada pelo Fisco a quem cabe o ônus de apresentar o conjunto probatório a evidenciar a infração. Apenas a falta de anotações sobre a recusa da mercadoria na 1ª (primeira) via da nota fiscal de saída para acompanhar o retorno das mercadorias não entregues ao destinatário como previsto na legislação do ICMS, não é indício suficiente que permita inferir que as mercadorias não retornaram ao estoque do remetente, mormente quando os fatos (saída e retorno das mercadorias) encontram-se devidamente escriturados pelo contribuinte remetente. Desse modo, não é permitido presumir-se o fato indiciário (devolução de vendas) para a presunção do fato gerador da obrigação tributária (omissão de compra e por consequencia omissão de receitas).
LANÇAMENTO REFLEXO - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José De Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE E EFICÁCIA. Constatado que em processo anterior, a produção de prova foi realizada com contraditório, e que o fato probando foi o mesmo, é válida a sua transferência para outro processo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDA ESCRITURADA. INOCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO DO FATO INDICIÁRIO X PRESUNÇÃO DE COMPRAS X PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Não comprovada pela autoridade fiscal a inexistência da devolução de venda ou simulação da devolução, como fato indiciário da omissão de compras, resta afastada a consequente presunção da omissão de receita imputada pelo Fisco a quem cabe o ônus de apresentar o conjunto probatório a evidenciar a infração. Apenas a falta de anotações sobre a recusa da mercadoria na 1ª (primeira) via da nota fiscal de saída para acompanhar o retorno das mercadorias não entregues ao destinatário como previsto na legislação do ICMS, não é indício suficiente que permita inferir que as mercadorias não retornaram ao estoque do remetente, mormente quando os fatos (saída e retorno das mercadorias) encontram-se devidamente escriturados pelo contribuinte remetente. Desse modo, não é permitido presumir-se o fato indiciário (devolução de vendas) para a presunção do fato gerador da obrigação tributária (omissão de compra e por consequencia omissão de receitas). LANÇAMENTO REFLEXO - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José De Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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VALIDADE E EFICÁCIA. Constatado que em processo anterior, a produção de prova foi realizada com contraditório, e que o fato probando foi o mesmo, é válida a sua transferência para outro processo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDA ESCRITURADA. INOCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO DO FATO INDICIÁRIO X PRESUNÇÃO DE COMPRAS X PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Não comprovada pela autoridade fiscal a inexistência da devolução de venda ou simulação da devolução, como fato indiciário da omissão de compras, resta afastada a consequente presunção da omissão de receita imputada pelo Fisco a quem cabe o ônus de apresentar o conjunto probatório a evidenciar a infração. Apenas a falta de anotações sobre a recusa da mercadoria na 1ª (primeira) via da nota fiscal de saída para acompanhar o retorno das mercadorias não entregues ao destinatário como previsto na legislação do ICMS, não é indício suficiente que permita inferir que as mercadorias não retornaram ao estoque do remetente, mormente quando os fatos (saída e retorno das mercadorias) encontramse devidamente escriturados pelo contribuinte remetente. Desse modo, não é permitido presumirse o fato indiciário (devolução de vendas) para a presunção do fato gerador da obrigação tributária (omissão de compra e por consequencia omissão de receitas). LANÇAMENTO REFLEXO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 01 05 /2 01 1- 63 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José De Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa –Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fl.387/391) que a seguir transcrevo: Trata o processo de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória, DRF/Vitória/ES, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), respectivamente, nos valores de R$170.809,90 e R$61.491,55, acrescidos em cada um deles, de multa de ofício de 75% e 150%, e juros de mora calculados até 29.07.2011. A descrição dos fatos informa que houve duas infrações: Infração 001. Não comprovação de devolução de mercadorias vendidas; Infração 002. Entrada de mercadorias não comprovada. Consta no termo de verificação fiscal, fls.79/83 o que segue: Inicialmente, a ação fiscal tratava da fiscalização do PIS e da COFINS, conforme MPFF 07.2.01.002010020691, quando foi detectado que foram solicitados créditos de devoluções de vendas maiores do que os apurados no Livro Registro de ICMS. Ocorre que, em 19/04/2011, foi recebido o processo de representação fiscal nº 12466.001032/201014, referente a auto de infração aduaneiro constante do processo Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 4 3 12466.001030/201025, onde foram constatadas irregularidades fiscais. A representação tratava de verificação da receita líquida do anocalendário de 2008, gerando a inclusão do IRPJ e da CSLL no MPFF 07.2.01.002010020691, conforme documentos de fls.15/78. Quanto à infração 01, foi relatado que: da leitura da ficha 06A da DIPJ 2009 (fls.74), de onde se extrai o valor de R$2.171.068,04 a título de devoluções de venda, e das constatações relatadas nos processos administrativos 15586.001137/201003, 15586.001138/201040 e 15586.001123/201081, referentes ao PIS e à COFINS, em conjunto com os processos aduaneiros acima mencionados, 12466.001032/201014 e 12466.001030/201025, constatouse aumento indevido de devoluções de vendas, conforme a seguir discriminado: Discriminação Valor (R$) Devoluções de Vendas Declaradas (fls.74) 2.171.068,04 Valores Não Escriturados no LRAICMS (fls. 12 a 14) 22.783,00 Notas de Devoluções Glosadas (fls. 15 a 17) 652.696,60 Devoluções de Vendas Apurada 1.495.588,44 a glosa de créditos no valor de R$22.783,00 ocorreu porque somente foram admitidos os lançamentos encontrados no Livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 12 a 14). além disto, não foram consideradas as notas fiscais 18476, 18984 e 18985 (fls.15/17), referentes a devoluções de venda de mercadorias e contabilizadas no Livro Registro de Entradas (fls.19/21); a glosa decorreu pelo fato de a auditoria fiscal do processo 12466.001030/201025 (fls.22/73), informar que ocorreu a venda, mas não a devolução, uma vez que, em procedimento de circularização, a empresa FNAC Brasil declarou desconhecer a existência de notas fiscais de venda e de devolução da Interessada; a auditoria conclui que os documentos fiscais apresentados pela Interessada são ineficazes para comprovar a efetiva ocorrência de devolução dessas mercadorias, em razão de terem sido emitidos sem observância das exigências legais estabelecidas pelo Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto n° 1.090R, de 25/10/2002, (parágrafos 2º., do artigo 109 e 111, do RICMS/ES); tendo por base que as devoluções de vendas não escrituradas e não comprovadas reduziram indevidamente a base de cálculo do imposto de renda no ano calendário de 2008, conforme Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 5 4 documentos às fls.12/17, 19/21 e 22/74, foi glosado o valor de R$675.479,60, (R$22.783,00 +R$652.696,60); quanto aos valores não escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, no total de R$22.783,00, a multa aplicada foi de 75%; quanto aos valores das notas fiscais glosadas, foi aplicada multa de 150%. Quanto à infração 02, foi relatado: o retorno de notebooks discriminado na nota fiscal 18.986 (fl. 18), a título de bonificações, não foi comprovado; a glosa das entradas dos notebooks gerou a apuração de estoque final negativo, conforme planilha extraída do processo 12466.001032/201014 (fls.22/23) e quadro de fls.82, no valor total glosado de R$7.760,00; no lançamento da multa de ofício, aplicouse 150% sobre o imposto resultante da nota fiscal glosada. Consta no termo de verificação fiscal que os fundamentos do agravamento da multa encontramse no processo administrativo 12466.001030/201025 e no processo de representação fiscal para fins penais 12466.001031/201070. As infrações refletiram na CSLL. O enquadramento legal consta nos autos de infração. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, o qual tomou ciência em 06/09/2011, a Interessada apresentou impugnação em 05/10/2011, instruída por documentos, na qual alegou em síntese, que: todas as intimações sejam feitas no seu endereço; a autoridade fiscal se baseou nos elementos contidos em outros processos administrativos fiscais, sem proceder às necessárias averiguações, uma vez que teve como fundamento fático, provas colhidas em outros processos administrativos: 15586.001137/201003 e 15586.001138/201040, que trataram de ressarcimento de COFINS; 15586.001123/201081, tratou de ressarcimento do PIS; 12466.001032/201014 e 12466.001030/201025, que versaram sobre assuntos aduaneiros; a autoridade fiscal, com base nas equivocadas constatações obtidas no curso do PA 12466.001030/201025, presumiu que os notebooks não foram devolvidos, uma vez que os documentos fiscais e outras provas apresentadas no processo não estariam de acordo com normas de cunho instrumental constantes do Regulamento do ICMS/ES, o que não se coaduna com o que dispõe o artigo 9o do Decreto n° 70.235/72; ainda que se admita a utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, esta deve ser utilizada apenas para o início do procedimento físcalizatório, jamais podendo ser Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 6 5 utilizada sem qualquer produção de prova própria para fundamentar o lançamento, conforme posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, (jurisprudência transcrita); apresentou toda a documentação exigida quando da autuação que constou no PA 12466.001030/201025, sendo, portanto improcedente o correlato lançamento, e, por decorrência, o presente lançamento; a própria autoridade fiscal verificou a perfeita vinculação entre as notas fiscais de devolução de vendas (Entrada), e as notas fiscais de vendas (Saídas), conforme se verifica nos quadros 1 e 2, elaborados às fls. 14/15 do PA 12466.001030/201025; da mesma forma, a autoridade confirmou a vinculação entre as notas fiscais relativas a outras entradas “(provenientes de transferência da filial, remessa de mercadoria para demonstração, retorno em bonificação)” e as notas fiscais de saída, conforme evidenciado nos quadros 3 e 4, às fls. 15/16 do PA 12466.001030/201025; a autoridade fiscal também mencionou que os processos de importação foram instruídos com toda a documentação, que foi composta de notas fiscais de entrada, Declaração de Importação, Comercial Invoice, packing list, guia de exoneração do FUNDAP e AWB –AirWaybill, conforme fls.108/491; no PA 12466.001030/201025, a autoridade fiscal alegou que houve uma suposta venda e devolução fictícias, com o intuito de acobertar notebooks supostamente importados irregularmente; não foi intimada quando da ação fiscal do presente lançamento para apresentar informações sobre os notebooks importados; assim, nos itens da presente impugnação, denominados “MEMORIAL DESCRITIVO DAS OPERAÇÕES”, baseados em documentos fiscais e lançamentos contábeis, que foram analisados pela autoridade fiscal que lavrou o auto de infração do PA 12466.001030/201025, podese comprovar que os notebooks foram vendidos e devolvidos regularmente, e que, após isto, realizou novas operações de saída; o cerne do lançamento no PA 12466.001030/201025, residiu na resposta apresentada pela FNAC às fls. 1251, em que ela afirma desconhecer a existência das Notas Fiscais n°. 29.129, 29.130 e 29.154, todas emitidas em 29/07/2008, as quais não se encontram escrituradas em seu Livro de Registro de Entradas; ocorre que as notas fiscais referentes às mercadorias devolvidas não poderiam estar escrituradas no Livro de Registro de Entrada da FNAC, uma vez que não houve a entrada, conforme se confirma pelos documentos que constam no processo 12466.001030/201025; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 7 6 a alegada simulação das operações de venda e devolução foi baseada em supostas irregularidades formais dos documentos fiscais de acordo com o Regulamento do ICMS do Estado do Espírito Santo; tais vícios de ordem formal não têm o condão de comprovar que não houve a operação de venda e posterior devolução; ainda que assim não se entenda, as sanções aplicáveis teriam que ser as previstas por descumprimento de obrigações acessórias veiculadas no próprio RICMS/ES, por atuação somente do Fisco do Estado do Espírito Santo; o principal argumento da autoridade fiscal para se negar a idoneidade às operações em foco, foi a falta de identificação da pessoa que fez a ressalva de "estar em desacordo com nosso pedido" no verso das notas fiscais de venda para a FNAC; tal argumento cai por terra frente aos documentos que traz aos autos, quais sejam: contrato de fornecimento formalizado com a FNAC (DOC n° 06), o qual prevê nas cláusulas 2.3 e 9, a possibilidade de devolução dos pedidos pela FNAC, e os pedidos de compra emitidos pela própria FNAC (DOC n° 07), referentes aos notebooks remetidos àquela empresa, acobertados pelas Notas Fiscais 29.129, 29.130 e 29.154, restando, pois, incontroversa a relação comercial existente com a FNAC para fornecimento de notebooks da marca ACER; na prática, nas empresas de grande porte, as recusas de mercadorias podem ser feitas por empregados sem conhecimento adequado dos procedimentos contábeis a serem adotados, o que em hipótese alguma demonstra que não houve a devolução; não houve qualquer violação ou irregularidade nas notas fiscais de entrada emitidas, uma vez que o § 2°, do artigo 111, do RICMS/ES, se refere às notas fiscais de saída que devem acobertar o retorno; atuou em conformidade com o parágrafo 3º., do artigo 109, do RICMS/ES; da mesma forma, a devolução de mercadorias provenientes da Companhia Brasileira de Distribuição resta comprovada pelos documentos acostados aos autos; no PA 12466.001030/201025, demonstrou de maneira cabal a efetiva venda, a efetiva devolução, e a saída dos respectivos notebooks até mesmo após a devolução; não foi comprovada a inidoneidade das informações constantes da escrituração que aponta o seu lucro, e muito menos comprovado que as mercadorias não foram devolvidas; foi violado o artigo 9o, §§ 1o e 2o, do Decreto Lei n° 1.598/77; Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 8 7 inexistência de estoque final negativo, uma vez que a própria autoridade atestou que a relação apresentada indicou exatamente o mesmo estoque evidenciado na conferência física; ausência de fundamentação para a aplicação da multa de ofício agravada, em 150%, uma vez que a autoridade fiscal simplesmente afirmou que os “fundamentos do agravamento da multa encontramse no processo administrativo n° 12466.001030/201025 e no processo de representação fiscal n° 12466.001031/201070" ; as provas carreadas pela fiscalização não evidenciam qualquer intenção dolosa de suprimir tributos, mesmo porque, a autuação derivou de presunção relativa de omissão de receitas, a qual restou absolutamente desconstituída; realização de diligências, com o objetivo de oportunizar a produção de provas que jogarão por terra qualquer indício que a devolução dos 278 notebooks da marca ACER que a autoridade fiscal reputa como não devolvidos, efetivamente ocorreu, o que frisese, restou inequívoco; quesitos e perito indicados na petição. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ I) deu provimento parcial à impugnação para desconstituir a glosa da parcela de R$ 22.783,00 ( lançamento com multa de ofício de 75%) e manter a glosa da parcela de R$ 652.696,60 ( com multa de ofício de 150%) , conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1243.364, de 19 de janeiro de 2012, fls.385/397, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE E EFICÁCIA. Constatado que em processo anterior, a produção de prova foi realizada com base nas formalidades previstas em lei, com o contraditório, e que o fato probando foi o mesmo, é válida a sua transferência para outro processo. DILIGÊNCIA. OBJETIVO. O objetivo da diligência é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Não cabe diligência para suprir falhas ou incorreções tanto da autuação fiscal quanto da defesa do contribuinte. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA. NOTA FISCAL. O destinatário, mediante declaração datada e assinada, consignará, no verso da nota fiscal, o motivo pelo qual a mercadoria não foi entregue e, sendo o destinatário contribuinte do ICMS, aporá nela o seu carimbo do CNPJ. MULTA AGRAVADA. FUNDAMENTAÇÃO. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 9 8 Constatado que os motivos de fato que revelaram o ilícito definido em lei como dano ao Erário foram os mesmos que constaram em autuação anterior, a cópia da fundamentação daquela supre a de processo posterior. A recorrente foi cientificada do referido acórdão, em 09/02/2012, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em 09/03/2011, reiterando, no essencial, as mesmas razões expendidas na impugnação acima relatadas. Ao final requer seja provido o presente recurso. Este colegiado, entendeu que pelo explicitado no Termo de Verificação Fiscal, os fatos que deram ensejo aos lançamentos a título de IRPJ e CSLL do presente processo, foram os mesmos apurados no processo 12466.001030/2010 para aplicação da pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, tipificada pela fiscalização no art. 105, X, do Decreto Lei nº 37/66. Assim, os presentes autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC para a necessária juntada ao processo 12466.001030/201025 e posterior julgamento por conexão. O mencionado processo nº 12466.001030/201025 foi julgado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, mediante o Acórdão nº 08 030.620, de 12/08/2014, que decidiu pela nulidade do lançamento por vício material, sob o fundamento de que a conduta imputada ao fiscalizado não se enquadrava no art. 105, X, do Decreto Lei nº 37/66. Entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que a tipificação potencialmente aplicável à conduta imputada ao fiscalizado seria a prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 e não a prevista no art. 105, X, do Decreto Lei nº 37/66, já que não havia nos autos comprovação da importação irregular dos notebooks, mas de sua entrada (suposta entrada) irregular, através de uma devolução de vendas não comprovada mediante notas fiscais hábeis, nos termos da legislação do ICMS. Para melhor entender transcrevo os mencionados atos legais. Decreto Lei nº 37/66: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular; ...................................................................................................... Lei nº 4.502/64 Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 10 9 I os que entregarem ao consumo, ou consumirem, produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país ou importados irregular ou fraudulentamente, ou que tenham entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, desacompanhados da nota de importação ou de nota fiscal com tudo os requisitos desta lei, conforme o caso ou sem que tenham sido regularmente registrados, quando da entrada e da saída, nos livros ou fichas de controle quantitativo próprio; ............................................................................................... Finalmente, o presente processo foi devolvido ao CARF com o Despacho nº 24, de 03/09/2014, proferido pela DRJ/Fortaleza, com a seguinte conclusão: Com efeito, ao decidir em sede de preliminar de nulidade, esta DRJ não chegou a pronunciarse sobre o mérito da devolução de vendas objeto de glosa, sequer analisou as provas dos autos quanto à efetiva existência dessa devolução ou a idoneidade e habilidade das notas fiscais apresentadas pela impugnante para comprovála. Logo, a discussão sobre a glosa da devolução de vendas e, por conseguinte, dos lançamentos de IRPJ e CSLL dela decorrentes, permanece em aberto, cabendo, smj, a apreciação da matéria pelo CARF no processo nº 15586.000105/201163. ... É o relatório. Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Conforme a descrição dos fatos dos autos de infração ((IRPJ e CSLL) do presente processo tratase das seguintes infrações (fls.84/96): 001. OMISSÃO DE RECEITAS DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE MERCADORIAS VENDIDAS (Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela não comprovação de devolução de mercadorias vendidas, conforme Termo de Verificação Fiscal parte integrante do auto de infração, fls.80/83, no valor de R$652.696,60. Enquadramento Legal: Art.24 da Lei nº 9.249/95, arts. 251, parágrafo único, 286 e 288, do RIR/99. 002. OMISSÃO DE RECEITAS, caracterizada pela entrada de mercadorias não comprovada, , no valor de R$ 7.760,00. Enquadramento Legal: Art.24 da Lei nº 9.249/95, arts. 251 e parágrafo único, 279. 286 e 288, do RIR/99. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 11 10 Quanto à infração 001, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.80/83) e do Relatório supra, que: da leitura da ficha 06A da DIPJ 2009 (fls.74), de onde se extrai o valor de R$2.171.068,04 a título de devoluções de venda, e das constatações relatadas nos processos administrativos 15586.001137/201003, 15586.001138/201040 e 15586.001123/201081, referentes ao PIS e à COFINS, em conjunto com os processos aduaneiros acima mencionados, 12466.001032/201014 e 12466.001030/201025, constatouse aumento indevido de devoluções de vendas, conforme abaixo discriminado: Discriminação Valor (R$) Devoluções de Vendas Declaradas (fls.74) 2.171.068,04 Valores Não Escriturados no LRAICMS (fls. 12 a 14) 22.783,00 Notas de Devoluções Glosadas (fls. 15 a 17) 652.696,60 Devoluções de Vendas Apurada 1.495.588,44 a glosa no valor de R$22.783,00 ocorreu porque somente foram admitidos os lançamentos encontrados no Livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 12 a 14). além disto, não foram consideradas as notas fiscais 18476, 18984 e 18985 (fls.15/17), referentes a devoluções de venda de mercadorias e contabilizadas no Livro Registro de Entradas (fls.19/21); a glosa decorreu pelo fato de a auditoria fiscal do processo 12466.001030/201025 (fls.22/73), informar que ocorreu a venda, mas não a devolução, uma vez que, em procedimento de circularização, a empresa FNAC Brasil declarou desconhecer a existência de notas fiscais de venda e de devolução da Interessada; a auditoria conclui que os documentos fiscais apresentados pela Interessada são ineficazes para comprovar a efetiva ocorrência de devolução dessas mercadorias, em razão de terem sido emitidos sem observância das exigências legais estabelecidas pelo Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto n° 1.090R, de 25/10/2002, (parágrafos 2º., do artigo 109 e 111, do RICMS/ES); tendo por base que as devoluções de vendas não escrituradas e não comprovadas reduziram indevidamente a base de cálculo do imposto de renda no ano calendário de 2008, conforme documentos às fls.12/17, 19/21 e 22/74, foi glosado o valor de R$675.479,60, (R$22.783,00 +R$652.696,60); Grifei Quanto à infração 002: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 12 11 Consta do Termo de Verificação Fiscal (fl.81) que, não foram comprovadas as entradas discriminadas na Nota Fiscal de Entrada nº 18.986 (fl.18), a título de bonificação. Ou seja, segundo a fiscalização, não houve a comprovação do retorno dos notebooks dados como bonificação à FNAC discriminados na nota fiscal n° 18986, fl.18, sendo glosada a entrada das mercadorias, o que gerou estoque negativo, conforme planilha extraída do processo n° 12466.001032/201014 (fls.22/23) e quadro de fls.82 do presente processo, no valor total glosado de R$7.760,00. Conclui a fiscalização, em relação ao quadro de fls.82 do Termo de Verificação Fiscal, que: Se o contribuinte não comprovou estas entradas no valor de R$ 7.760,00 e concomitantemente houve estoque final negativo apurado, considerase omissão de receitas o valor do retorno em bonificações. No lançamento da multa de ofício, quanto aos valores não escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, no total de R$22.783,00, a multa aplicada foi de 75%; quanto aos valores das notas fiscais glosadas, foi aplicada multa de 150%, por simulação de devolução. Em relação à infração "001", na decisão de primeira instância, a glosa da parcela de R$ 22.783,00 ( com multa de ofício de 75%) fora desconstituída pelos seguintes fundamentos: Do exame das cópias do citado livro às fls.12/14 e 19/21, constatase que somente foram acostados aos autos, os registros referentes aos meses de março, agosto e setembro de 2008, portanto, não há como, neste julgamento, terse a convicção que o total registrado com a rubrica “DEVOLUÇÃO DE VENDA DE MERC.ADQ./REC.TERC”, não alcançou o valor de R$2.171.068,04. Era ônus da Fiscalização acostar aos autos os registros de todos os meses do ano de 2008, ocorridos no Livro Registro de Apuração do ICMS, para que se houvesse a convicção que do valor de R$2.171.068,04, R$22.783,00 não foram registrados. Dáse provimento à impugnação para desconstituir a glosa da parcela de R$22.783,00. Desse modo, o litígio cingese às infrações "001" e "002", no que restou mantido o Total das Notas Fiscais Glosadas (fls.15 a 18) no valor de R$ 660.456,60 (R$ 652.696,60 + R$ 7.760,00) porque não foram consideradas as notas fiscais 18476, 18984 e 18985, 18986 (fls.15/18), referentes a devoluções de mercadorias vendidas registradas no no Livro Registro de Entradas (fls.19/21) e contabilizadas. Inicialmente, a Recorrente suscita a nulidade dos Autos de Infração nos quais se exige o IRPJ e a CSLL alegando que, a autoridade fiscal se baseou unicamente nos elementos contidos em outros processos administrativos fiscais, sem proceder às necessárias averiguações no presente processo administrativo, o que é inadmissível. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 13 12 Argúi que ainda em sede de 1ª instância a Recorrente aduziu duas questões preliminares que determinam a nulidade do auto de infração combatido, quais sejam, i) a ausência de constatação da omissão de receita no presente processo administrativo; ii) a nulidade do lançamento formalizado no Processo Administrativo n° 12466.001030/201025, que serviu de supedâneo para o presente lançamento. Diz a Recorrente que o Acórdão recorrido não enfrentou a segunda preliminar argüida, consubstanciada na nulidade do processo administrativo que serviu de supedâneo para os presentes Autos de Infração, o que configura flagrante omissão, em total desrespeito às normas que regem o processo administrativo fiscal na esfera federal. Ora, apesar dos fatos colhidos e descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls.22/73) para o lançamento da multa aduaneira constante do Processo Administrativo n° 12466.001030/201025 serem os mesmos trazidos para o lançamento do IRPJ e CSLL de que tratam os presentes autos, conforme os Termos de Verificação Fiscal (fls.22/73 e 79/83), no julgamento do presente processo não cabia a autoridade julgadora pronunciarse acerca daquela outra infração (multa aduaneira) não submetida a julgamento nos presentes autos. Conforme relatado, o mencionado processo nº 12466.001030/201025 de que trata a multa aduaneira foi julgado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, mediante o Acórdão nº 08030.620, de 12/08/2014, que decidiu pela nulidade do lançamento por vício material, sob o fundamento de que a conduta imputada ao fiscalizado não se enquadrava no art. 105, X, do Decreto Lei nº 37/66. No mencionado processo, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que a tipificação potencialmente aplicável à conduta imputada ao fiscalizado seria a prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 e não a prevista no art. 105, X, do Decreto Lei nº 37/66, já que não havia nos autos comprovação da importação irregular dos notebooks, mas de sua entrada (suposta entrada) irregular, através de uma devolução de vendas não comprovada mediante notas fiscais hábeis, nos termos da legislação do ICMS. O Despacho nº 24, de 03/09/2014, nos presentes autos, expedido pela DRJ/Fortaleza, tem a seguinte conclusão: Com efeito, ao decidir em sede de preliminar de nulidade, esta DRJ não chegou a pronunciarse sobre o mérito da devolução de vendas objeto de glosa, sequer analisou as provas dos autos quanto à efetiva existência dessa devolução ou a idoneidade e habilidade das notas fiscais apresentadas pela impugnante para comprovála. Logo, a discussão sobre a glosa da devolução de vendas e, por conseguinte, dos lançamentos de IRPJ e CSLL dela decorrentes, permanece em aberto, cabendo, smj, a apreciação da matéria pelo CARF no processo nº 15586.000105/201163. ... A Recorrente alega que os Autos de Infração em que se exige o IRPJ e a CSLL, são reflexos diretos do Auto de Infração decorrente do MPF n° 0727600/00188/10, instrumentalizado no processo n° 12466.001030/201025 (fls. 25/73). E que, conforme exposto na impugnação ao lançamento, a autoridade fiscal se baseou unicamente nos elementos Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 14 13 contidos em outros processos administrativos fiscais, especialmente no processo nº 12466.001030/201025 (fls. 25/73) sem proceder às necessárias averiguações no presente processo administrativo, o que é inadmissível, pois, a comprovação do ilícito deve ser invariavelmente procedida pela autoridade fiscal responsável pela autuação, a qual deverá demonstrar de forma inequívoca a ocorrência da infração. Vêse que há equívoco da Recorrente, pois, o presente processo não está instruído apenas com as conclusões formais de outros Processos Administrativos anteriores, mas com a descrição dos fatos, demonstrações, levantamentos, em função do que firmase um convencimento. De sorte que, admitese o empréstimo da prova feita por outro Auditor Fiscal no exercício regular de suas funções, na fiscalização de tributos externos, ao efeito de embasar a ação fiscal relativamente ao IRPJ e a CSLL, ditos tributos internos. Ademais, comungo com o entendimento embasado no Princípio da Comunhão ou Comunidade da Prova no. sentido de que, "a prova" uma vez produzida no Processo Administrativo Fiscal, pertence ao processo fiscal, e pode ser utilizada por outra autoridade fiscal, independente de quem a produziu, pouco importa quem tenha sido responsável por sua produção já que se trata de unidades do Fisco Federal (Alfândega de Vitória e Delegacia da Receita Federal de Vitória) Não se pode entender como razoável que a Alfândega de Vitória empregando esforços dos Auditores Fiscais colham provas com repercussão tributária e seja impedida de encaminhálas à Delegacia da Receita Federal de Vitória para possíveis lançamentos dos tributos de sua competência Registrese que de acordo com o artigo 30 da Lei nº 9784/99 "Somente são inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos." Não se cogita dessa ilicitude nos presentes autos. Portanto, afastada tal hipótese de nulidade, passemos a análise dos Autos de Infração à luz dos fatos e fundamentos descritos nos Autos de Infração relativos ao IRPJ e a CSLL em consonância com o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, vejamos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. .... Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 15 14 É certo que os Autos de Infração nos quais se exige o IRPJ e a CSLL tratados no presente processo decorrem dos mesmos fatos e provas levantados e descritos no Termo de Verificação Fiscal constante do Processo nº 12466.001030/201025 (em que são partes o Fisco Federal e a Recorrente) e, por economia processual, trasladados para os presentes autos (fls. 22/73). Como se não bastasse, a escrituração e documentação comprobatória trazidas aos autos (notas fiscais de saída e devolução, escrituração contábil e fiscal) a configurar as infrações possuem natureza de prova préconstituída com força probatória antes do seu ingresso no mencionado processo. Portanto, não se está diante de prova emprestada imprópria, haja vista que não foram formadas no Processo nº 12466.001030/201025. Desse modo, a controvérsia que se estabelece nos presentes autos gira em torno da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que o autuante, tendo adotado a receita bruta escriturada pela empresa, desconsiderou as notas fiscais de entrada nºs 18476, 18984, 18985 e 18.986 (fls.15/18), referentes a "Devolução de Vendas de Mercadorias" registradas no Livro Registro de Entradas (fls.19/21), por considerar que ditas notas fiscais não constituem prova hábil e idônea, ainda que contabilizadas no Livro Registro de Entradas (fls.19/21), o que gerou a glosa do valor de R$ 660.456,60 (R$ 652.696,60 + R$ 7.760,00). Conforme relatado a glosa das referidas Notas Fiscais de "Devolução de Vendas" ocorreu porque a empresa FNAC Brasil (indicada nas notas fiscais na condição de cliente da CLAC) declarou por escrito desconhecer a existência das notas fiscais de saída/venda e de "Devolução de Vendas". Ou seja, a FNAC não reconhece que comprou ou recebeu os notebooks da CLAC e também não reconhece que efetuou a devolução dos mesmos. É sabido que a "Devolução de Vendas" é conta redutora da Receita Bruta, de modo que desconsideradas as notas fiscais de entrada nº 18476, 18984, 18985 e 18.986 (fls.15/18), referentes a "Devolução de Vendas de Mercadorias" , temse como configurada a dedução indevida do lucro líquido da pessoa jurídica (OMISSÃO DE RECEITAS), tal como descrito nos Autos de Infração em que se exige a diferença de IRPJ e CSLL. E esta receita ao ser apurada pelo Fisco, por sua vez, pode ter origem nos mais diversos procedimentos de auditoria, que resultam em provas emprestadas, diretas ou indiretas. No caso, foram utilizadas os documentos e as informações prestadas pela própria empresa ao fisco federal e circularização junto a terceiros. A Recorrente diz que, em momento algum foi notificada para apresentar qualquer explicação acerca das devoluções que a autoridade reputa como não ocorridas, o que demonstra que não foram empreendidas as diligências necessárias para a inequívoca comprovação do suposto ilícito, até mesmo porque, este é absolutamente inexistente, conforme já demonstrado no processo administrativo que serviu de supedâneo para o presente lançamento, e pela Impugnação apresentada pela Recorrente. Perscrutando o Termo de Verificação Fiscal, relativo ao PA12466.001030/201025, integrado ao presente processo (fls.28/29), constatase que a Recorrente fora intimada a comprovar a efetiva ocorrência das devoluções de mercadorias, vejamos: (...) Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 16 15 Ainda no decorrer da visita à empresa, foi lavrado pela fiscalização, o Termo de Constatação de Estoque" (fls. 88/89), no qual ficou registrado o estoque físico de computadores portáteis existentes no local. A CLAC prestou atendimento ao Termo de Ação Fiscal e Intimação no dia 24/11/2008, com apresentação da documentação das folhas 95 até 1013. (...) No dia 26/03/09, a CLAC apresentou à fiscalização as notas fiscais originais indicadas em sua resposta ao Termo de Início de Ação fiscal e Intimação (...). A CLAC prestou atendimento ao Termo de Intimação Fiscal e Constatação N° 002 no dia 07/04/09, com apresentação documentação e esclarecimentos adicionais, as fls. 1024 até 1109. No dia 08/05/09, a CLAC foi intimada a apresentar esclarecimentos acerca da baixa de notebooks no seu estoque, através do Termo de Intimação n° 003 (fls. 1110), sendo que no dia 14/05/09 apresentou documentação complementar (fls. 1111/1136). (...) No dia 20/08/09, através do Termo de Intimação ne004/09 (fls. 1287/1288), a empresa foi intimada a apresentar os Livros Diário e Razão Analítico e o Plano de Contas, referente a 2008, sendo que apresentou atendimento, conforme folhas de 1289 até 1304. No dia 07/10/09, através do Termo de Intimação nº 005/09 (fls. 1305/1306), a empresa foi intimada a comprovar a efetiva ocorrência das devoluções de mercadorias, sendo que no dia 27/10/09, apresentou a documentação das folhas 1307 até 1378. No dia 20/01/10, através do Termo de Intimação nº 006/09 (fls. 1379/1380), a empresa foi intimada a apresentar os originais das notas fiscais apresentadas na resposta à intimação anterior. A empresa procedeu o atendimento à intimação n9006, no dia 25/01/10, com a apresentação da documentação das folhas 1381 até 1426. ... Grifei Consta da decisão recorrida a seguinte afirmação cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: A prova emprestada é aquela que foi produzida em determinado processo e foi transferida para outro processo. A doutrina e jurisprudência ensinam que a eficácia e a validade da prova emprestada exigem a presença de quatro requisitos: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 17 16 que a prova tenha sido colhida em processo entre as mesmas partes; que tenham sido observados no processo anterior as formalidades previstas em lei durante a produção daquela prova; o fato probando seja o mesmo; que tenha havido o contraditório no processo originário. Do exame das fls.22/73, referentes a planilhas e ao auto de infração realizado no âmbito do PA12466.001030/201025, constatase que o processo anterior também referese à Interessada, as intimações e a colheita de provas foram realizadas conforme os preceitos legais, o fato probando foi nele tratado, eis que também se referiu à falta de comprovação das mesmas devoluções de vendas que o presente processo trata, sendo certo que as respostas feitas pela Interessada quando das intimações realizadas no processo originário e consignadas naquelas folhas, revelam que nele ocorreu o contraditório quando da aquisição das provas. Portanto, restando certo que a Interessada foi intimada para se pronunciar sobre os fatos levantados no processo originário, que são os mesmos que embasaram o presente lançamento, não há que se falar em ilegalidade ou que as mesma careçam de legitimidade. Enfim, os documentos obtidos pela fiscalização federal aduaneira da Alfândega de Vitória no âmbito do PA12466.001030/201025 são admissíveis como prova no presente processo administrativo fiscal, instaurado pela Delegacia da Receita Federal de Vitória, por serem submetidos a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. Portanto, legítimo e correto o procedimento adotado pelo fisco, e, sem qualquer procedência as alusões feitas à ausência de contraditório ou a violação de direitos constitucionais da contribuinte. O fisco constituiu a prova que entendeu necessária, e submeteua ao contraditório, que está sendo exercido pela Recorrente no âmbito do presente processo, exatamente nos termos do que prevê o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF. A Recorrente argúi que o "fato probando" não guarda identidade absoluta com o fato verificado no processo anterior. Pois, o processo administrativo anterior, presidido por autoridade fiscal aduaneira, teve como escopo verificar irregularidades no recolhimento dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior, e não a apuração de tributos incidentes sobre o resultado do contribuinte, como é o caso do IRPJ e da CSLL. Como frisado acima, o fato jurídico tributário tratado no processo anterior : entrada irregular, através de uma devolução de vendas não comprovada mediante notas fiscais hábeis produz repercussão tanto para o controle aduaneiro como para a exigência do IRPJ e da CSLL. Nesse contexto, correto o entendimento da decisão recorrida esboçado na seguinte ementa: Constatado que em processo anterior, a produção de prova foi realizada com base nas formalidades previstas em lei, com o Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 18 17 contraditório, e que o fato probando foi o mesmo, é válida a sua transferência para outro processo. E foi por entender que o fato objeto do auto de infração aduaneiro no âmbito do PA12466.001030/201025 fora consubstanciado na "devolução não comprovada de mercadorias vendidas", é que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, mediante o Acórdão nº 08030.620, de 12/08/2014, decidiu pela nulidade do lançamento por vício material, sob o fundamento de que a conduta imputada ao fiscalizado não se enquadrava no art. 105, X, do Decreto Lei nº 37/66, e sim, a prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64, já que não havia nos autos comprovação da importação irregular dos notebooks, mas de sua entrada (suposta entrada) irregular, através de uma devolução de vendas não comprovada mediante notas fiscais hábeis, nos termos da legislação do ICMS. Assim, os fatos constatados naquele procedimento fiscal, são utilizados nos presentes autos na medida em que guardam relação com os fatos que têm impacto na incidência do IRPJ e da CSLL. Preliminar de nulidade rejeitada. Passemos ao exame do mérito. No tocante ao exame das Infrações 001 e 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE MERCADORIAS VENDIDAS (Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela não comprovação de devolução de mercadorias vendidas e ENTRADA DE MERCADORIA NÃO COMPROVADA), para melhor compreensão dos fatos transcrevo parte do Termo de Verificação Fiscal do PA12466.001030/201025, tratados nos seguintes itens (4, 5 e 6). Vejamos: 4 DA CIRCULARIZACÃO DE INFORMAÇÕES JUNTO A TERCEIROS A fiscalização, com intuito de realizar procedimento de circularização de informações junto a terceiros, identificou através das notas fiscais de saída os maiores clientes da empresa em termos de unidades de notebooks da marca ACER vendidas, conforme se verifica no Anexo 5 MAIORES ADQUIRENTES (fls.72/79), que foi ordenada por CNPJ. Sendo assim, foram identificadas as 3 (três) empresas que mais adquiriram notebooks da CLAC, conforme quadro a abaixo: Maiores Adquirentes Quantidade de notebooks adquiridos 1 DEXCOM Ind. E Com. Inf. Ltda 2.392 2 B2W Companhia Global do Varejo 2.026 3 FNAC Brasil Ltda 1.859 ... A fiscalização em analise da documentação apresentada não encontrou divergência entre às notas fiscais de venda apresentadas pela CLAC e as notas fiscais de aquisição apresentadas pela B2W. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 19 18 ... A fiscalização não verificou nenhuma diferença, seja de quantidade, marca, modelo e/ou valor, entre as notas fiscais apresentadas pela DEXCOM e as notas fiscais apresentadas pela CLAC. ... A FNAC apresentou, nos dias 11/05/09 e 25/05/09, em atendimento (fls.1198/1241 e 1245/1254) às intimações fiscais nº44301 e 44302, demonstrativo em papel e em meio magnético, contendo a indicação de notas fiscais de aquisição de notebooks da marca ACER, efetuadas pela filial da empresa sediada em Barueri/SP e encaminhou 18 (dezoito) notas fiscais de entrada, sendo 15 (quinze) de emissão da CLAC e 3 (três) de emissão da empresa ITERSMART Com. Imp. Exp. De Equip. Eletrônicos Ltda, CNPJ:05.996.801/000172. A empresa prestou a seguinte declaração (fl.1251), transcrita abaixo: FNAC BRASIL LTDA. estabelecida a Praça do Omaguás, 34 Pinheiros São Paulo, inscrita no CNPJ sob n° 02.634.926/000164 através de seu procurador abaixo assinado, em atendimento à intimação n° 44302, vem através desta prestar os seguintes esclarecimentos: Em relação ao item (1) da intimação, informamos que desconhecemos existência das NFs n°s 29.129 de 29/07/08; 29,130 de 29/07/08 e 29.154 de 29/07/08, as mesmas não se encontram escrituradas em nosso Livro Registro de Entradas. Confirmamos a entrada dos produtos referente à NF 29.227 de 05/08/08 e apresentamos, anexo, cópia autenticada da página do Livro Registro de Entradas na qual consta o lançamento m NF/conforme solicitado no item (2). Em relação ao item (3), informamos que também desconhecemos a existência das NFs 18.984 de 04/08/08,18.985 de 04/08/08 e 18.986 de 04/08/08. Essa numeração de NFs não corresponde à numeração das nossas NFs de saídas emitidas nessa data e não constam no nosso Livro Registro de Saídas as referidas NFs, o que nos impede de apresentar a documentação solicitada no item (4), A empresa portanto declarou desconhecer a existência das notas fiscais ne29.129, 29.130 e 29.154, datadas de 29/07/08 (fls.732/737), assim como as notas fiscais ns18.984, 18.985 e 18.986, datadas de 04/08/08 (fls.794/796). As referidas notas foram apresentadas pela CLAC, sendo que as três primeiras, de 29/07/08, se referem a venda de notebooks da marca ACER para FNAC, e as três últimas, de 04/08/08, se referem à devolução de notebooks da FNAC para CLAC (nas idênticas quantidades constantes das notas de 29/07/08). Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 20 19 Com relação as demais notas fiscais apresentadas por ambas empresas, a fiscalização não apurou qualquer divergência. O procedimento de circularização de informações junto a terceiros identificou, portanto, uma divergência de informações entre a CLAC e a FNAC, o que motivou uma análise mais aprofundada das notas fiscais de devolução, que será detalhada em capítulo próprio deste Relatório 5 DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL Para efeito de verificar os lançamentos contábeis referentes às devoluções de vendas, a empresa foi intimada, através do Termo de Intimação ne004 (fls. 1287/1288) no dia 20/08/09 a apresentar o Livro Diário e o Livro Razão Analítico, referente ao ano do 2008. ... Com base na escrituração contábil digital foram analisados os lançamentos contábeis referentes às devoluções de vendas, através do comando de visualização do Sped, com posterior impressão das folhas de interesse para conferência (fls. 1294/1304). Verificouse que foram registrados inicialmente os lançamentos referentes às vendas dos notebooks e posteriormente, para efeito de registro de devolução das respectivas vendas, foram feitos lançamentos que em linhas gerais resultaram no estorno das contas utilizadas, desfazendo a operação e zerando o saldo das contas utilizadas, expurgando desta forma os efeitos da operação de venda na contabilidade. ... 6 DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DEVOLUÇÕES A fiscalização se voltou para uma "análise mais específica das devoluções de vendas e de outras entradas, no período fiscalizado. As devoluções de vendas somaram o montante de 276 unidades de notebooks da marca ACER, enquanto que as outras entradas somaram 54 unidades. As quatro notas fiscais de devoluções de vendas estão indicadas no quadro abaixo: Data Emissão N2 NF Natureza Modelo Quantidade Remetente 11/03/2008 18476 Devolução Venda Merc. Adq. Rec. Terceiros l_X.ANK0X.322 10 Cia Brasileira de Distribuição 06/06/2008 1812 Devolução de Compra Comercialização LX.AKV0X.439 1 IPD ST AR Informática Ltda 04/08/2008 18984 Devolução Venda Merc. Adq. Rec. Terceiros LX.AkVbX.898 100 FNAC Brasil Ltda LX.AJA0X.238 100 LX.ANK0X.815 25 04/08/2008 18985 Devolução Venda Merc. Adq. Rec. Terceiros l_X.APQ0X.459 40 FNAC Brasil Ltda TOTAL 276 Tais devoluções se vinculam às vendas realizadas anteriormente, nas idênticas quantidades e modelos de notebooks, efetuadas através de quatro notas fiscais de vendas (Saídas), conforme quadro abaixo: ... Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 21 20 Pela declaração, observase que a FNAC confirma APENAS a existência da nota fiscal ne 29.227, a qual consta registrada em seu Livro de Entrada e da qual dispõe de uma via. A FNAC desconhece a existência das notas fiscais de venda da CLAC de nºs 29.129 e 29.130, bem como a nota fiscal n929.154, referente a remessa em bonificação. Este fato traz o entendimento de que as referidas notas fiscais da CLAC (desconhecidas pela FNAC) representam operações de vendas e saídas de notebooks da marca ACER, que tiveram destinatário distinto daquele indicado nas próprias notas fiscais. A FNAC também declarou desconhecer a existência das notas fiscais de devolução de notebooks nQ18.984, 18.985 e 18.986, referentes respectivamente às notas fiscais nQ29.129, 29.130 e 29.154. Com RELAÇÃO às REFERIDAS notas, fiscais, a FNAC não reconhece que comprou ou recebeu os notebooks da CLAC e também não reconhece que efetuou a devolução dos mesmos. Vale mencionar que a FNAC foi escolhida como uma das empresas para o procedimento fiscal de circularização de informações junto a terceiros por ter sido uma das três empresas que mais adquiriu notebooks da marca ACER da CLAC, no período fiscalizado, atingindo o montante de 1.859 unidades. A fiscalização, então, no dia 07/10/09, através do Termo de Intimação Fiscal ns005/09 (fis. 1305/1306), intimou a CLAC para apresentar esclarecimentos e documentação que comprovasse a efetiva ocorrência de todas as saídas e de todas as devoluções de notebooks constantes DOS Quadros 1, 2, 3 e 4 apresentados no início DESTE Capítulo. Tais quadros também fizeram parte do Anexo ÚNICO da Intimação Fiscal. ... Como se verifica nos documentos apresentados pela CLAC (fis. 1335/1378), a referida observação foi apenas parcialmente atendida, haja vista que foram apresentadas, como documentação comprobatória, cópias de documentos fiscais sem autenticação. Em função disto, a empresa foi intimada no dia 20/01/10, através do Termo de Intimação n9006/10 (fis.1379) a apresentar todas as notas fiscais originais que foram indicadas pela empresa nos memoriais descritivos das operações, que fizeram parte da resposta anterior, em atendimento à Intimação na005/09. ... No dia 25/01/2010, a CLAC, em atendimento à Intimação nQ006/10, encaminhou os originais de todas as notas fiscais solicitadas (fls.1381/1426). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 22 21 Para facilitar à localização das notas fiscais, foi elaborada a tabela abaixo com a relação das notas fiscais objeto desta análise (vendas/saídas e respectivas devoluções/entradas), com a indicação das folhas deste processo, conforme atendimentos efetuados pela CLAC a intimação nº 006 (fl.1379). ... Observação: foram feitas cópias autenticadas pela fiscalização das notas fiscais acima indicadas, sendo que os documentos originais passaram a fazer parte do processo de representação fiscal para fins penais, que será abordado no capítulo 9 deste relatório. As solicitações contidas no Termo de intimação Fiscal n9005 (fls.1305/1306) e as análises e observações efetuadas pela fiscalização, acerca de cada uma das respostas encaminhadas pela empresa, seguem transcritos abaixo: (1) Comprovar a efetiva ocorrência de todas as saídas e de todas as devoluções (entradas) de notebooks constantes das notas fiscais apresentadas no Anexo Único a este termo. A CLAC prestou a seguinte declaração (fls.1307/1308): ... A CLAC deixa claro que a efetiva comprovação das saídas, devoluções e novas saídas das mercadorias se respaldam nas notas fiscais emitidas e na escrituração contábil e fiscal da empresa, que pode ser verificada através da documentação apresentada. Desta forma a fiscalização entende que a CLAC apresentou toda documentação de que dispunha para fazer as comprovações solicitadas. ... 3 Apresentar quadro informativo no qual sejam indicadas em quais notas fiscais de venda, os notebooks objeto de devolução (ENTRADA), deram a sua segunda saída, bem como apresentar as referidas notas fiscais. A CLAC apresentou os seguintes documentos: quadro informativo, contendo um memorial descritivo das operações que envolveram as notas fiscais, cópias das notas fiscais, algumas delas com anexo, contendo relação do número de série dos notebooks (fls. 1309/1313); ... O demonstrativo apresentado pela CLAC é composto pelas letras : a, b, c, d, e, f, g, h, i e j (fls. 1309/1313), cada uma das quais contém um memorial descritivo das operações, com o percurso de cada um dos notebooks, constantes das notas ficais, objeto da intimação. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 23 22 Para comprovar as saídas, devoluções e saídas de mercadorias, a CLAC apresentou cópias das notas fiscais relativas às operações em análise. Os memoriais descritivos do demonstrativo fazem referência às notas fiscais que, segundo a CLAC, respaldaram todas as operações. A CLAC confirma, através do memoriais descritivos, de letras c, d, e, e f, que efetuou a venda de notebooks para a FNAC, através das notas fiscais nºs 29.129 e 29.130. Já nas letras h e i dos memoriais, a CLAC confirma que efetuou a remessa em bonificação para FNAC, através da nota fiscal 29.154 Com estas confirmações fica evidenciada de forma inequívoca a divergência de informações entre CLAC e FNAC. A CLAC emitiu as notas fiscais de saída nºs 29.129, 29.130 e 29.154, tendo como destinatário das mercadorias estrangeiras a FNAC, no entanto, a FNAC desconhece a existência dessas notas fiscais. O mesmo fato ocorre em relação às notas fiscais de devolução dessas mesmas mercadorias, de nºs 18.984, 18.985 e 18.986, nas quais consta como remetente a FNAC, a qual por sua.vez também desconhece a existência das notas. 4 Apresentar esclarecimentos acerca da razão de não ter sido efetuado o procedimento de cancelamento das notas fiscais de saída indicadao no Anexo Único juntado a este termo, já que à princípio, as operações não se concretizaram. A CLAC, em resposta a esta solicitação, apresentou as alegações 007, 008, 009, 010 e 011, das folhas 1314 até 1316, conforme transcrito abaixo: 007.Dispõe o artigo 109, e seus parágrafos, do Regulamento do ICMS do Estado do Espírito Santo, aprovado pelo Decreto n31.090R, de 25 de outubro de 2002. " (...) 008.Notase, portanto, que é a própria regulamentação estadual, que define a sistemática de apuração do ICMS, impõe o procedimento, segundo o qual, não há cancelamento das notas fiscais no caso de devolução, mas sim, a emissão de nota fiscal de entrada, nos termos do dispositivo supra transcrito. 009.Ademais, o próprio RICMS regulamenta a Nota Fiscal de Entrada, no seu artigo 546. Senão vejamos: ... A CLAC em resposta à 4ª solicitação da intimação fiscal, como transcrito acima, apresentou as alegações 007, 008, 009 e 010 e 011 . Em relação à alegação 007, a CLAC recorre ao §3Q do artigo 109 do RICMS/ES, que determina que o estabelecimento que Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 24 23 receber mercadoria, em devolução ou troca, emitirá nota fiscal na entrada, da qual constarão número, série e data da nota fiscal emitida por ocasião da saída da mercadoria devolvida. Abaixo transcrevemos a íntegra do artigo 109 do RICMS/ES, com grifos nossos, para uma melhor análise: ... Com este entendimento, somente existe fundamento para que uma empresa se utilize das regras do artigo 109, em situações, nas quais as mercadorias sejam devolvidas por particulares, produtores rurais ou pessoas não contribuintes do ICMS ou não obrigadas à emissão de documentos fiscais. Não é o caso que se verifica na maioria das devoluções registradas pela CLAC. Abaixo novamente são apresentadas as relações das notas fiscais de devolução, com indicação dos remetentes das mercadorias identificados nas mesmas: ... A aplicação das regras do artigo 109 para os demais casos de devolução (Notas Fiscais n9s 18.476, 1812, 18.984, 18.985 e 18.986) não tem sentido de ser, posto que, conforme verificado, se tratam de devoluções de mercadorias efetuadas por pessoas jurídicas, contribuintes do imposto do iCMS e obrigadas à emissão de documentos fiscais. Essas notas fiscais, emitidas com base nesse artigo, conforme declara a CLAC, são, portanto, ineficazes para comprovar a efetiva devolução das mercadorias. Todavia, ainda sim, mantendo o raciocínio de que essas devoluções satisfazem a condição para aplicação do caput do artigo 109, temos que o § 2 do referido artigo determina que a devolução ou troca serão comprovadas mediante: a restituição, pelo adquirente, das vias do documento fiscal a ele destinadas e pela declaração do adquirente, na primeira via do documento fiscal, de que devolveu as mercadorias, com menção do seu documento de identidade. Debruçados sobre este comando do§2ºdo artigo 109 e levando em consideração a documentação comprobatória enviada pela CLAC, qual seja, memoriais descritivos das operações e notas fiscais, procedemos a analise das Notas Fiscais abaixo: ... ANÁLISE DAS NOTAS FISCAIS COM BASE NO ART.111 ... iv. Devolução feita pela COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 25 24 Tratase de uma devolução feita por pessoa jurídica, contribuinte do ICMS, obrigada a emissão de documentos fiscais. Apresentou a 1a via da nota fiscal de saída n927.770 (fl.1382), emitida pela CLAC e a 1a via da nota fiscal de entrada n218.476 (fl.1383), também emitida pela CLAC. Não consta em nenhuma parte das citadas notas fiscais, tanto no rosto (frente), quanto no verso (que está totalmente em branco), declaração datada e assinada pelo transportador ou destinatário, com o seu carimbo do CNPJ, contendo o motivo pelo qual a mercadoria não foi entregue, conforme previsão do §29 do artigo 111, tampouco foi apresentado nenhum documento em separado, com tal declaração. É importante frisar que o verso das notas apresentadas está em branco, sem nenhuma declaração ou anotação. Notase ainda que o rosto da nota fiscal ns27.770 consta apenas o carimbo da Fazenda Estadual do Espírito Santo, sendo que o destinatário tem endereço na cidade de São Paulo/SP. Em suma as determinações do §29 do artigo 111 não foram respeitadas, o que torna a nota fiscal ineficaz para comprovar a efetiva ocorrência da devolução. v. Devoluções efetuadas pela FNAC BRASIL LTDA Tratase de uma devolução feita por pessoa jurídica, contribuinte do ICMS, obrigada à emissão de documentos fiscais. Apresentou as 1ªs vias das notas fiscais de saída nºs 29.129, 29.130 e 29.154 emitidas pela CLAC e as 1ºs vias das notas fiscais de entrada nºs 18.984,18.985 e 18.986 também emitidas pela CLAC. Em cada uma das 1a vias das notas de venda (saída) consta tão somente no verso, a seguinte declaração„datada e assinada: "Estamos devolvendo por estar em desacordo com nosso pedido" ... Além da declaração solta acima, nenhuma outra informação consta no verso dessas notas fiscais, nem nenhum outro documento, em folha à parte, foi apresentado na resposta. Não consta indicação do n9 do CPF da pessoa que procedeu a assinatura. Não se tem como identificar o nome da pessoa que assinou, haja vista a assinatura não permitir esta identificação. Não consta o nome por extenso e legível da pessoa que procedeu a assinatura. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 26 25 Não consta o carimbo do CNPJ da empresa FNAC BRASIL Ltda Não consta identificação da pessoa que assinou, se é funcionário da FNAC, nem tampouco seu cargo ou função na empresa. No rosto das notas (frente) não consta nenhuma informação que justifique a razão da devolução. No rosto das notas de saída constam carimbos das Fazendas Estaduais de Espírito Santo e do Rio de Janeiro, sendo que o destinatário tem endereço na cidade de Barueri/SP. A devolução em relação à NF n29.154, pela motivação acima exposta, é atípica em virtude de que se trata de remessa em bonificação, ou seja, é de se estranhar que um cliente se recuse a receber produto que lhe foi enviando em bonificação. Não se tem como afirmar que a declaração constante nos versos das notas fiscais de venda tenha sido proveniente da FNAC. Além disso, a própria FNAC declarou desconhecer a existência tanto das notas fiscais de venda, quanto das notas fiscais de devolução a elas relativas (f 1.1251). Já com relação às 1ãs vias das notas fiscais de entrada n9s 18.984, f1.1392; 18.985, fl.1405 e 18.986, fl.1423, não consta em nenhuma parte das citadas notas fiscais, tanto no rosto (frente), quanto no verso (que está totalmente em branco), declaração datada e assinada pelo transportador ou destinatário, que se for contribuinte, deverá ainda apor nela o seu carimbo do CNPJ, contendo o motivo pelo qual a mercadoria não foi entregue, conforme previsão do §2Q do artigo 111, tampouco foi apresentado nenhum documento em separado, com tal declaração. É importante frisar que o verso das notas de entrada apresentadas está em branco, sem nenhuma declaração ou anotação, ou mesmo carimbo. Como se observa das analises até aqui efetuadas em relação às devoluções efetuadas pela FNAC, as determinações do §2º do artigo 111 não foram observadas com rigor pela CLAC, o que torna as notas fiscais ineficazes para comprovar a efetiva ocorrência das devoluções das mercadorias. Ainda em relação ao Regulamento do ICMS/ES, há determinação expressa de que os contribuintes deverão emitir nota fiscal sempre que promoverem a saída de mercadorias. O inciso I do artigo 539 traz esta determinação: ... Em função dessa determinação, o adquirente, contribuinte do ICMS, que promover a devolução de mercadorias, deverá promover a emissão de nota fiscal de saída do seu estabelecimento. Pelo que se infere dos memoriais descritivos (fIs. 1309/1313), a CLAC afirma que as mercadorias foram vendidas aos Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 27 26 destinatários, que por sua vez procederam a devolução. Nesse caso, em se tratando de contribuintes do ICMS, os destinatários deveriam ter emitido notas fiscais de saída, conforme determinação do inciso I do artigo 539 do RICMS/ES. ... Já com relação às demais devoluções de mercadorias feitas pelas empresas, contribuintes do ICMS, Companhia Brasileira de Distribuição, CNPJ: 07.508.411/114321 e FNAC Brasil Ltda, CNPJ:02.634.926/000407, não foram apresentadas as Notas Fiscais de Saída, de emissão destas empresas, conforme determinações do inciso l do artigo 539 do RICMS/ES. Com isso, as notas fiscais que foram apresentadas em relação a essas devoluções, conforme determinações do RICMS/ES, não se prestam para comprovar a efetiva devolução das mercadorias. ... CONCLUSÕES Como resultado das análises até aqui efetuadas, com base nas alegações da CLAC, nos documentos apresentados e no Regulamento do ICMS/ES, formamos a seguinte convicção: A efetiva devolução de mercadorias proveniente da Companhia Brasileira de Distribuição, registrada através da NF de Entrada n218.476, NÃO FOI COMPROVADA, em virtude de que: Não se enquadra no §39 do artigo 109, em virtude de que não satisfaz a restrição contida no caput do próprio artigo 109, como também não cumpriu a exigência do §2Q do referido artigo. Não se enquadra no inciso I do artigo 546, em virtude de que não satisfaz a restrição contida no próprio inciso I. Não se enquadra no inciso VI do artigo 546, em virtude de que não satisfaz a exigência contida no §2º do artigo 111. Não se enquadra no inciso I do artigo 539, em virtude de que não foi apresentado o documento fiscal exigido no próprio inciso I. As devoluções de mercadorias da FNAC Brasil Ltda, registrada através das NF's de Entrada ne18.984,18.985 e 18.986, NÃO FORAM COMPROVADAS, em virtude de que: Não se enquadram no §39 do artigo 109, em virtude de que não satisfazem a restrição contida no caput do próprio artigo 109, bem como não cumprem a exigência do §29 do referido artigo. Não se enquadram no inciso I do artigo 546, em virtude de que não satisfazem a restrição contida no próprio inciso l. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 28 27 Não se enquadram no inciso VI do artigo 546, em virtude de que não satisfazem a exigência contida no §2a do artigo 111. Não se enquadram no inciso I do artigo 539, em virtude de que não foi apresentado, respectivamente para cada uma das devoluções, o documento fiscal indicado no próprio inciso I. A própria FNAC Brasil Ltda declarou desconhecer a existência tanto das notas fiscais de venda, quanto das notas fiscais de devolução dessas vendas. Em conclusão deste estudo, constatamos que os documentos fiscais apresentados pela CLAC, em relação às devoluções, referentes às notas fiscais nQ18.476,18.984,18.985 e 18.986 são ineficazes para comprovar a efetiva ocorrência da devolução das mercadorias, em razão de terem sido emitidos sem observância das exigências legais, estabelecidas pelo Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nQ1.090R, de 25/10/2002 Data Emissão Ns NOTA FISCAL Natureza (Resumida) Quantidade Destinatário /Remetente Comprovação da efetiva devolução 11/03/08 18.476 Devolução 10 Cia Brasileira de Distribuição Não comprovada 04/08/08 18.984 Devolução 100 FNAC BRASIL Não comprovada 04/08/08 18.985 " Devolução 165 FNAC BRASIL Não comprovada 04/08/08 18.986 Retorno Bonificação 3 FNAC Brasil Não comprovada TOTAL 278 Com isso, do total de devoluções de mercadorias registradas, 278 (duzentas e setenta e oito) unidades de notebooks da marca ACER, não tiveram sua efetiva devolução comprovada pela empresa. Como se vê, em síntese, a Fiscalização entendeu que, por se tratar de contribuintes do ICMS, as determinações do parágrafo 2º, do 111, do Decreto n° 1.090R, de 25/10/2002 (Regulamento do RICMS do Espírito Santo) não foram respeitadas, o que tornou as notas fiscais de entrada acima discriminadas, ineficazes para comprovar a efetiva ocorrência da devolução. Eis o teor do mencionado ato normativo: ... Art. 111. O estabelecimento que receber, em retorno integral, mercadoria não entregue ao destinatário, para recuperar o imposto anteriormente debitado, deverá: I emitir nota fiscal na entrada, fazendo referência à nota fiscal que acobertou o transporte da mercadoria; II escriturar a nota fiscal no livro Registro de Entradas de Mercadorias, nas colunas "ICMS Valores Fiscais" e "Operações com Crédito do Imposto"; e III manter arquivada, pelo prazo regulamentar, a primeira via da nota fiscal que acobertou o transporte da mercadoria, anotando a ocorrência na via fixa. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 29 28 § 1.º Na hipótese deste artigo, a mercadoria será acobertada, em seu retorno, pela mesma nota fiscal que tenha acobertado a sua saída. § 2.º O transportador ou destinatário, mediante declaração datada e assinada, consignará, no verso da nota fiscal, o motivo pelo qual a mercadoria não foi entregue e, sendo o destinatário contribuinte, aporá nela o seu carimbo do CNPJ. ... Art. 546. 0 contribuinte/ excetuado o produtor agropecuário, emitirá nota fiscal sempre que em seu estabelecimento entrarem bens ou mercadorias, real ou simbolicamente: I novos ou usados, remetidos a qualquer título por particulares, produtores agropecuários ou pessoas físicas ou jurídicas não obrigados a emissão de documentos fiscais; II em retorno, quando remetidos por profissionais autônomos ou avulsos, aos quais tenham sido enviados para industrialização; III em retorno de exposições ou de feiras, para as quais tenham sido remetidos exclusivamente para fins de exposição ao público; IV em retorno de remessas feitas para venda fora do estabelecimento, inclusive por meio de veículos; V importados diretamente do exterior, bem como os arrematados em leilão ou adquiridos em concorrência, promovidos pelo Poder Público; VI em retorno, em razão de não terem sido entregues ao destinatário, por qualquer motivo; ou VII em outras hipóteses previstas na legislação de regência do imposto. ... Conforme se extrai do artigo 111, o documento hábil para acobertar o transporte das mercadorias em retorno ao estabelecimento do vendedor é a mesma nota fiscal (1ª via) que serviu para acobertar a saída, com a informação de que as mercadorias não foram entregues por qualquer motivo, e, não a nota fiscal de entrada pelo retorno das mercadorias. Tanto na impugnação quanto na fase recursal a Recorrente alega que nos itens “MEMORIAL DESCRITIVO DAS OPERAÇÕES”, baseados em documentos fiscais e lançamentos contábeis, que foram analisados pela autoridade fiscal que lavrou o auto de infração do PA 12466.001030/201025, podese comprovar que os notebooks foram vendidos e devolvidos regularmente, e que, após isto, realizou novas operações de saída. É incontroverso que em relação às "devoluções" glosadas, foram escrituradas e apresentadas à fiscalização as notas fiscais de saída (da CLAC) e notas fiscais de entrada emitidas pela CLAC, em virtude de devolução/retorno das mercadorias, a saber: 1) Destinatária: COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO: NF nº 27.770 (saída da CLAC); NF nº 18.476 (entrada da CLAC, fl.15); Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 30 29 2) Destinatária: FNAC 2.1) NF nº 29.129 (saída da CLAC); NF nº 18.984 (entrada da CLAC, fl.16); 2.2) NF nº 29.130 (saída da CLAC); NF nº 18.985 (entrada da CLAC, fl.17) e, 2.3) NF nº 29.154 (saída da CLAC); NF nº 18.986 (entrada da CLAC, fl.18) Não há falar em documento emitido pela COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO ou pela FNAC. Diz o autuante: Em conclusão deste estudo, constatamos que os documentos fiscais apresentados pela CLAC, em relação às devoluções, referentes às notas fiscais nQ18.476,18.984,18.985 e 18.986 são ineficazes para comprovar a efetiva ocorrência da devolução das mercadorias, em razão de terem sido emitidos sem observância das exigências legais, estabelecidas pelo Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nQ1.090R, de 25/10/2002 Verifico que há impropriedade na conclusão acima, haja vista que o fundamento para a glosa das "devoluções" fora a inobservância ao parágrafo 2º, do 111, do Decreto n° 1.090R, de 25/10/2002, e este não se reporta às notas fiscais de entrada e sim, às notas fiscais que acobertaram a saída das mercadorias ( no caso, as NFs: 27.770, 29.129, 29.130, 29.154 e não às notas fiscais nº 18.476,18.984,18.985 e 18.986 que são de entrada ). As notas fiscais de saída da CLAC, com as observações e restrições feita pela fiscalização, apesar de mencionadas e apresentadas à fiscalização, não foram juntadas aos presentes autos. Os requisitos previstos no artigo 111 do RICMS dizem respeito ao aproveitamento dos créditos do ICMS para os contribuintes que receberem produtos em devolução/retorno, e não propriamente dito aos aspectos Da Devolução e do Retorno de Mercadorias que é o caso dos presentes autos. Conforme explicitado acima, o autuante se reporta aos artigos 109 a 111 do Decreto nº 1.090R (RICMS) que tratam "Do Crédito Relativo às Devoluções, Trocas e Retornos de Mercadoria", porém, são os artigos 411 e 412 que tratam "Da Devolução e do Retorno de Mercadorias". Apesar da identidade dos institutos da devolução e do retorno, merece que se faça uma distinção, na medida em que a "devolução" pressupõe o recebimento e a entrada da mercadoria no estabelecimento do destinatário, enquanto que, no retorno, a mercadoria não chega a entrar fisicamente e contabilmente no estabelecimento do destinatário. Em ambos os casos procede o mesmo resultado econômico e jurídico, isto é, o reingresso da mercadoria ao patrimônio do estabelecimento remetente ou vendedor da mercadoria. No caso dos presentes autos, apesar da constante menção feita à "devoluções de mercadorias", entendo que a questão envolve não a "devolução" e sim, o retorno de mercadorias, haja vista que não há nos autos qualquer prova de que as mercadorias em debate chegaram a entrar fisicamente e contabilmente no estabelecimento do destinatário para que se Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 31 30 possa falar em "devolução" e exigir nota fiscal de saída expedida pelos destinatários indicados nas notas fiscais de saída da CLAC (NFs: 27.770, 29.129, 29.130, 29.154) como entende a fiscalização, verbis: Ainda em relação ao Regulamento do ICMS/ES, há determinação expressa de que os contribuintes deverão emitir nota fiscal sempre que promoverem a saída de mercadorias. O inciso I do artigo 539 traz esta determinação: ... Em função dessa determinação, o adquirente, contribuinte do ICMS, que promover a devolução de mercadorias, deverá promover a emissão de nota fiscal de saída do seu estabelecimento. Pelo que se infere dos memoriais descritivos (fIs. 1309/1313), a CLAC afirma que as mercadorias foram vendidas aos destinatários, que por sua vez procederam a devolução. Nesse caso, em se tratando de contribuintes do ICMS, os destinatários deveriam ter emitido notas fiscais de saída, conforme determinação do inciso I do artigo 539 do RICMS/ES. É equivocado tal entendimento, pois, cabe ao destinatário apenas efetuar a recusa no ato da entrega, não se exigindo notas fiscais de saída emitidas pelo destinatário como expressa a fiscalização com base no inciso I do artigo 539, pois, como dito acima quando não houve o recebimento da mercadoria, fisicamente, não há falar em nota fiscal de saída a ser expedida pelo destinatário. Quanto ao retorno das mercadorias vejamos o que dispõe o artigo 412, acima mencionado, do RICMS: ... Art. 412. O estabelecimento que receber, em retorno, mercadoria por qualquer motivo não entregue ao destinatário, para creditar se do imposto debitado por ocasião da saída, deverá: I emitir nota fiscal de entrada, com menção dos dados identificadores do documento fiscal original, lançandoa no livro Registro de Entradas de Mercadorias e consignando os respectivos valores nas colunas “ICMS Valores Fiscais Operações com Crédito do Imposto”; II manter arquivada a primeira via da nota fiscal emitida por ocasião da saída, que deverá conter a anotação prevista no parágrafo único; III anotar a ocorrência na via presa ao bloco ou em documento equivalente; e IV exibir ao Fisco, quando exigidos, todos os elementos, inclusive contábeis, comprobatórios de que a importância eventualmente debitada ao destinatário não foi recebida. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 32 31 Parágrafo único. O transporte da mercadoria em retorno será acompanhado pela própria nota fiscal emitida pelo remetente, cuja primeira via deverá conter, no verso, anotação, efetuada pelo destinatário ou pelo transportador, do motivo pelo qual não foi entregue a mercadoria ... Como se vê, o parágrafo único acima, ao tratar da nota fiscal a acompanhar o retorno da mercadoria apenas determina que seja efetuada pelo destinatário o motivo pelo qual não foi entregue a mercadoria e não menciona os demais elementos ditos no § 2º do artigo 111 que dispõe sobre a recuperação de créditos dos ICMS. Portanto, conforme se extrai do artigo 412 do RICMS, o documento hábil para acobertar o transporte das mercadorias em retorno ao estabelecimento do vendedor é a nota fiscal de saída com a informação de que as mercadorias não foram entregues por qualquer motivo. Não há determinação para que seja expedido documento fiscal de "cancelamento" como sugere a fiscalização. A questão imposta pela fiscalização envolve apenas a glosa relativa à "devolução"/retorno de mercadorias não entregues ao destinatário e consequente redução da receita bruta para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Sabendose que, tanto a operação de devolução quanto o retorno tem os mesmos efeitos fiscais que anulam completamente a operação anterior (venda). Em relação à FNAC, a Fiscalização diz que: A própria FNAC Brasil Ltda declarou desconhecer a existência tanto das notas fiscais de venda, quanto das notas fiscais de devolução dessas vendas. ... Este fato traz o entendimento de que as referidas notas fiscais da CLAC (desconhecidas pela FNAC) representam operações de vendas e saídas de notebooks da marca ACER, que tiveram destinatário distinto daquele indicado nas próprias notas fiscais. A conclusão da fiscalização é inconsistente. O fato de a FNAC não reconhecer as Notas Fiscais de Saída emitidas pela CLAC, em nada contribui para a conclusão esboçada pela Fiscalização. Eis que, nos casos de retorno de mercadoria que não foram entregues ao destinatário, este não tem obrigação de registrar o fato em sua escrituração contábil e fiscal, tampouco emitir nota fiscal de saída ou devolução ou exigir cópia das notas fiscais expedidas pela remetente. para reconhecimento posterior. Portanto, a declaração da FNAC não faz prova concreta de que as saídas das mercadorias tiveram destinatário distinto. Haveria consistência na afirmação da fiscalização se por acaso houvesse notas fiscais de saídas ou de devolução emitidas pela FNAC e por ela posteriormente não reconhecidas o que caracterizaria "fraude" praticada pela CLAC. Não é o caso. Tratase de notas fiscais expedidas pela CLAC Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 33 32 sem reflexo na escrituração da FNAC, haja vista a falta de comprovação do efetivo recebimento das mercadorias pela FNAC. Disse a fiscalização em relação a CLAC: Apresentou as 1ªs vias das notas fiscais de saída nºs 29.129, 29.130 e 29.154 emitidas pela CLAC e as 1ºs vias das notas fiscais de entrada nºs 18.984,18.985 e 18.986 também emitidas pela CLAC. Em cada uma das 1a vias das notas de venda (saída) consta tão somente no verso, a seguinte declaração„datada e assinada: "Estamos devolvendo por estar em desacordo com nosso pedido" ... Além da declaração solta acima, nenhuma outra informação consta no verso dessas notas fiscais, nem nenhum outro documento, em folha à parte, foi apresentado na resposta. Não consta indicação do n9 do CPF da pessoa que procedeu a assinatura. Não se tem como identificar o nome da pessoa que assinou, haja vista a assinatura não permitir esta identificação. Não consta o nome por extenso e legível da pessoa que procedeu a assinatura. Não consta o carimbo do CNPJ da empresa FNAC BRASIL Ltda Não consta identificação da pessoa que assinou, se é funcionário da FNAC, nem tampouco seu cargo ou função na empresa. No rosto das notas (frente) não consta nenhuma informação que justifique a razão da devolução. No rosto das notas de saída constam carimbos das Fazendas Estaduais de Espírito Santo e do Rio de Janeiro, sendo que o destinatário tem endereço na cidade de Barueri/SP. A devolução em relação à NF n29.154, pela motivação acima exposta, é atípica em virtude de que se trata de remessa em bonificação, ou seja, é de se estranhar que um cliente se recuse a receber produto que lhe foi enviando em bonificação. Não se tem como afirmar que a declaração constante nos versos das notas fiscais de venda tenha sido proveniente da FNAC. Além disso, a própria FNAC declarou desconhecer a existência tanto das notas fiscais de venda, quanto das notas fiscais de devolução a elas relativas (f1.1251). A determinação contida no parágrafo único do artigo 412 é de que o transporte da mercadoria em retorno seja acompanhado pela própria nota fiscal emitida pelo Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 34 33 remetente, cuja primeira via deverá conter, no verso, anotação, efetuada pelo destinatário ou pelo transportador, do motivo pelo qual não foi entregue a mercadoria. A fiscalização põe em dúvida a saída das mercadorias (notebooks) pelas empresas Companhia Brasileira de Distribuição, CNPJ: 07.508.411/114321 e FNAC Brasil Ltda, CNPJ:02.634.926/000407, havendo a fiscalização interpretado pela existência de fraude, na medida em que aplicou a multa de ofício de 150%. Depreende se do parágrafo único acima que, a exigência é que o retorno dos notebooks para a CLAC deverá ser acompanhado pela própria 1ª via da nota fiscal com anotação de que não houve a entrega da mercadoria. É certo que de acordo com o parágrafo único do artigo 412 retrotranscrito o transporte da mercadoria em retorno ao estabelecimento originário deve ser acompanhado pela Nota Fiscal emitida pelo próprio remetente, devendo conter, no verso da 1ª (primeira) via , com a indicação do motivo de não ter sido entregue a mercadoria. Todavia, entendo que o fato de não constar na 1ª via da nota fiscal retornada ao remetente a anotação efetuada pelo destinatário ou mesmo constando a anotação sem a fácil identificação de quem procedeu a recusa da mercadoria, pode ser considerada como irregularidade junto ao Fisco Estadual, porém não é prova cabal para a fiscalização refutar tais documentos sob a pecha de que houve "simulação de devolução" e que tiveram destinatário distinto daquele indicado nas próprias notas fiscais. Quanto a dificuldade de identificação da anotação procedida pelo destinatário, caberia ao Fisco aprofundar a fiscalização para uma conclusão consistente baseada em conjunto probatório. A conclusão feita pelo Fisco se dá apenas com raso indício. Na dúvida quanto a validade das notas fiscais retornadas, em virtude da falta de anotação ou da identificação da rubrica aposta no verso da 1a via, cabe ao autuante aprofundar a fiscalização e verificar se houve de fato o retorno da mercadoria ao estoque para uma futura saída. Desse modo, toda a polêmica converge para a verificação de que os produtos (notebook) constantes das notas fiscais de saída (( 27.770, 29.129, 29130, e 29154) não retornaram ao estoque do remetente (CLAC) para que não se aperfeiçoe o desfazimento da primeira operação de saída das mercadorias. Para tanto transcrevese a seguir o item 7 do Termo de Verificação Fiscal do PA12466.001030/201025: 7 DO INVENTARIO FINAL COM SALDO NEGATIVO A falta de comprovação da devolução das 278 unidades de notebooks da marca ACER apurada pela fiscalização, conforme constatações do capítulo anterior 6 Da Falta de Comprovação das Devoluções tem repercussão direta no inventario final do estoque, haja vista que as entradas de notebooks referentes a essas devoluções não se efetivaram de fato. A apuração preliminar do estoque (considerando todos os modelos, sem distinções), realizada antes de ter sido efetuada Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 35 34 análise fiscal das devoluções de mercadorias, indicava inexistência de diferenças entre o estoque final, calculado pela fiscalização, com base nos registros de inventário, documentos fiscais e demais registros, e aquele resultante de conferência física, realizada na presença dos representantes da empresa. A conferência física indicou um estoque final de 27 unidades de notebooks, sendo que esta foi a mesma quantidade final, apurada pela fiscalização, com base no exame documental do contribuinte. Apuração PRELIMINAR de Estoque unidades de notebooks Ocorrência Notebooks ACER A) Estoque inicial, conforme Inventário 645 B) (+) Compras no período fiscalizado 7257 C) (+) Outras entradas (transf. da filial; retorno em bonificação) 54 D) () Saídas no período fiscalizado 8205 E) (+) Devoluções de vendas no período fiscalizado 276 F) (=) Estoque final, conforme exame documental 27 G) Estoque final, conforme conferencia física 27 H) (=) diferença (FG) 27 27 = 0 Todavia, após a análise das devoluções de mercadorias registrada pela empresa em seus documentos fiscais, a fiscalização constatou a falta de comprovação das devoluções indicadas abaixo: 3 unidades de notebbooks da marca ACER ( Outras Entradas letra C), referente às devoluções de mercadorias registrada pela nota fiscal de entrada n218.986; 275 unidades de notebooks (Devoluções de Vendas Letra E) , referente às devoluções de mercadorias registradas pelas notas fiscais de entrada nQ18.476, 18.984 e 18.985. Desta forma, a fiscalização constatou que as entradas ao estabelecimento da empresa, no total de 278 unidades de notebooks da marca ACER, não se efetuaram, pois não foram comprovadas. O inventário final de estoque, sem distinção de modelos, atualizado com base nessa constatação, passa então a apontar diferenças entre o estoque final, calculado pela fiscalização e o estoque final, conforme conferência física: Apuração FINAL de Estoque unidades de notebooks Ocorrência Notebooks ACER A) Estoque inicial, conforme Inventário 645 B) (+) Compras no período fiscalizado 7257 C) (+) Outras entradas (transf. da filial; retorno em bonificação 5 4 3 = 51 D) () Saídas no período fiscalizado 8205 E) (+) Devoluções de vendas no período fiscalizado 276 275 = 1 F) (=) Estoque final, conforme exame documental (251) G) Estoque final, conforme conferência física 27 H) (=) diferença (F G) (251)27 = (278) A apuração final de estoque tratou de todas as unidades de notebooks comercializados pela CLAC, sem fazer distinção entre Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 36 35 os diferentes tipos de modelos, os quais podem ser verificados no Anexo 4 Modelos da Marca Acer, à folha 71. A diferença negativa entre o estoque calculado pela fiscalização com base no exame documental e aquele resultante da conferência física indica que houve omissão de compras, ou seja, ocorreram entradas de mercadorias sem documentos fiscais e sem escrituração. No caso em questão, como se trata de mercadorias estrangeiras, a diferença negativa indica que, as mesmas deram entrada no estabelecimento à margem dos registros fiscais, contábeis e documentais, ou seja, sem prova de sua importação regular, tendo sido/posteriormente distribuídos no mercado interno. ... A tabela abaixo apresenta os valores em reais atribuídos a cada um dos modelos de notebooks da marca ACER. Tais valores foram extraídos das próprias notas fiscais de saída e de entrada utilizadas pela CLAC, na simulação das devoluções. Modelos NF de Saída Data da Quantidade Valor em Reais Notebook ACER Na Saída unitário Total LX.ANK0X.322 27.770 17/02/2008 10 2.766,21 27.662,10 LX.AJA0X.238 29.130 31/07/2008 100 2.065,21. 206.521,00 LX.AJA0X.238 29.154 31/07/2008 1 2.060,00 2.060,00 LX.AKV0X.898 29.129 31/07/2008 100 2.193,15 219.315,00 LX.ANK0X.815 29.130 31/07/2008 25 2.541,86 63.546,50 LX.APD0X.078 29.154 31/07/2008 1 2.400,00 2.400,00 LX.APQ0X.459 29.130 31/07/2008 40 3.391,30 135.652,00 LX.APQ0X.459 29.130 31/07/2008 1 3.300,00 3.300,00 Total 278 Total 660.456,60 A seguir será feita uma análise individualizada por modelo de notebook com saldo negativo no estoque final: Notebook da marca ACER modelo: LX.AJA0X.238 INVENTARIO FINAL CALCULAC )0 PELA F SCALIZAÇAO Marca ACER Estoque Inicial Estoque Final Modelos 31/12/2007 ENTRADAS Outras Entradas Extravios SAÍDAS DEVOLUÇÕES 19/11/2008 LX.AJA0X.238 0 1100 0 (0) (1201) 0 (101) No dia 29/07/2008, foi emitida, pela CLAC, nota fiscal de venda nQ29.130, indicando uma operação de VENDA de 100 unidades, tendo como destinatário a FNAC Brasil Ltda. A nota fiscal de venda indica ter ocorrido a efetiva saída das mercadorias estrangeiras, todavia a FNAC declarou desconhecer a existência desta nota fiscal de venda, o que denota que a saída se deu para destinatário diferente. No dia 04/08/2008, foi emitida, pela CLAC, nota fiscal de entrada ne18.985, indicando haverem sido DEVOLVIDAS as 100 unidades pela FNAC Brasil. A devolução efetiva dessas mercadorias não foi comprovada pela CLAC, que emitiu documentos fiscais em desacordo com o Regulamento do ICMS/ES, conforme extensa abordagem feita pela fiscalização no capítulo 6 Da Falta de Comprovação das Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 37 36 Devoluções deste Relatório FNAC também declarou desconhecer a existência desta nota fiscal de devolução, ou seja empresa não reconhece que efetuou esta devolução. A fiscalização concluiu que as 100 unidades deste modelo de notebook, com saldo negativo no estoque final, foram importadas de forma irregular, sem documentação comprobatória, sendo que a CLAC promoveu sua circulação comercial, simulando operação de devolução, através de emissão de documentos fiscais, sem observação do Regulamento do ICMS/ES. No dia 29/07/2008, foi emitida, pela CLAC, nota fiscal de saída n229.154, indicando uma operação de REMESSA EM BONIFICAÇÃO de 1 unidade, tendo como destinatária a FNAC Brasil Ltda. A nota fiscal de saída indica ter ocorrido a efetiva saída de mercadoria estrangeira, todavia a FNAC declarou desconhecer a existência desta nota fiscal de saída, o que denota que a saída se deu para destinatário diferente. No dia 04/08/2008, foi emitida, pela CLAC, nota fiscal de entrada n918.986, indicando haver sido DEVOLVIDA a unidade pela FNAC Brasil. A devolução efetiva dessa unidade não foi comprovada pela CLAC, que emitiu documentos fiscais em desacordo com o Regulamento do ICMS/ES, conforme extensa abordagem feita pela fiscalização no capítulo 6 Da Falta de Comprovação das Devoluções deste Relatório. A FNAC também declarou desconhecer a existência desta nota fiscal de devolução, ou seja, a empresa não reconhece que efetuou esta devolução. A fiscalização concluiu que a unidade deste modelo de notebook, com saldo negativo no estoque final, foi importada de forma irregular, sem documentação comprobatória, sendo que a CLAC promoveu sua circulação comercial, simulando operação de devolução, através de emissão de documentos fiscais, sem observação do Regulamento do ICMS/ES. ... Da explicação dada pela fiscalização e do entendimento que se dá ao CMV negativo pela tabela acima, utilizando a fórmula, CMV = EI + C EF, é que o Estoque Final (EF) excedeu a parcela, Estoque Inicial + Compras (EI + C), em 278 notebooks expresso em R$ 660.456,60, caracterizando omissão de entrada de mercadorias neste mesmo valor. Toda a conclusão da fiscalização para a apuração de saldo negativo do estoque, ou melhor, CMV negativo, leva em consideração que não ocorreu a devolução/retorno das mercadorias objeto das notas fiscais de saída acima relacionadas e que houve simulação de devolução, resultante da apuração do CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) negativo, que seria prova de omissão de entradas de mercadorias, ou seja, existência de entradas de mercadorias no estabelecimento, sem que as mesmas sejam registradas na escrita da empresa. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15586.000105/201163 Acórdão n.º 1802002.406 S1TE02 Fl. 38 37 Na literalidade da Fiscalização, a falta de comprovação da devolução das 278 unidades de notebooks da marca ACER apurada pela fiscalização, conforme constatações do capítulo anterior 6 Da Falta de Comprovação das Devoluções tem repercussão direta no inventario final do estoque, haja vista que as entradas de notebooks referentes a essas devoluções não se efetivaram de fato. Desse modo, não comprovada a existência de CMV negativo, por outro motivo que não a glosa das mesmas devoluções, já analisado, resta mantido o mesmo entendimento já explicitado acima no sentido de que a falta de anotação nas notas fiscais de saída, apesar da irregularidade perante a legislação do ICMS, não é indicio suficiente para a conclusão de que não ocorreu o retorno das mercadorias ao estoque da Recorrente e que, a mercadoria fora entregue a outro contribuinte distinto dos indicados nas notas fiscais em comento. Assim, não comprovada pela autoridade fiscal a inexistência da devolução de venda, e, simulação de devolução, como fato indiciário da omissão de compras, resta afastada a consequente presunção da omissão de receita imputada pelo Fisco a quem cabe o ônus de apresentar o conjunto probatório a evidenciar a infração. Apenas a falta de anotações sobre a recusa da mercadoria na 1ª (primeira) via da nota fiscal de saída para acompanhar o retorno das mercadorias não entregues ao destinatário como previsto na legislação do ICMS, não é indício suficiente que permita inferir que as mercadorias não retornaram ao estoque do remetente, mormente quando os fatos (saída e retorno das mercadorias) encontramse devidamente escriturados pelo contribuinte remetente. Desse modo, não é permitido presumirse o fato indiciário (devolução de vendas) para a presunção do fato gerador da obrigação tributária (omissão de compra e por consequencia omissão de receitas). LANÇAMENTO REFLEXO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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