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Numero do processo: 13888.906879/2012-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório O presente processo cuida de procedimento de PER/DCOMP, não homologado, em que a empresa realizou a compensação de crédito, decorrente de pagamento indevido e a maior da contribuição ao PIS/PASEP (código 6912; PA 30.04.2008), no valor de R$ 8.244,12, com o débito de IRPJ (código 236201; PA ago/2011, vencimento em 30.09.2011). O v. Acórdão recorrido (fls. 64/68), assim relatou os fatos objeto da pendenga ora em apreciação (fls. 65/66), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 06 87 9/ 20 12 -5 1 Fl. 572DF CARF MF Processo nº 13888.906879/201251 Resolução nº 3001000.181 S3C0T1 Fl. 3 2 DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 40193834 emitido eletronicamente em 05/11/2012, referente ao PER/DCOMP nº 23437.08333.290911.1.3.049053. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$ 8.244,12, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/05/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de Edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 13/12/2012, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 13888.906879/201251 Resolução nº 3001000.181 S3C0T1 Fl. 4 3 A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. O v. Acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, por entender ausentes os pressupostos legais de que cuida o art. 59 do Decreto 70.235/72; o despacho decisório restou adequadamente fundamentado; e o enquadramento legal utilizado está em consonância com a legislção de regência. Nos aspectos de mérito, sustenta a decisão guerreada que, nos termos da Lei 9.784/1999, que disciplina as regras de restituição e compensação, "cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, conforme art. 333 do CPC. Diz mais que na ausência de comprovação do alegado erro, "a divergência entre os valores informados em DACON e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação". E arremata (fls. 67), verbis. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. A comprovação do erro se faz pela indicação precisa de sua ocorrência e dos documentos fiscais e contábeis que atestem a diferença supostamente paga a maior ou indevidamente frente à apuração do tributo pago e confessado na DCTF que serviu de base para a fundamentação do Despacho Decisório. No processo, não há prova da ocorrência do erro propalado. Devidamente cientificada dos termos do Acórdão recorrido, através da Notificação nº 748/2014 (fls. 72), com ciência formalizada em 21.11.2014 (fls. 76), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário ainda em novembro (fls. 80/90), reiterando seus argumentos impugnatórios, e destacando que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON, posto que pagou R$ 34.706,24 e o valor devido era de R$ 26.462,12, gerando um montante pago a maior da ordem de R$ 8.244,12, como se comprova com exame da DACON do mês de abril de 2008; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Após citar a doutrina de Alexandre Gomes, assevera , verbis. Não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a Fl. 574DF CARF MF Processo nº 13888.906879/201251 Resolução nº 3001000.181 S3C0T1 Fl. 5 4 DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Alega mais a empresa que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Prossegue sustentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços. E conclui (fls. 90), verbis. Portanto, o pagamento a maior da Contribuição ao PIS/PASEP apontado pela Recorrente nada mais é do que o aproveitamento, ainda que a destempo, dos créditos pela aquisição de insumos, intrínseca ao regime não cumulativo do tributo disposto pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Negar ao contribuinte a repetição do tributo recolhido indevidamente a maior, pela não contabilização dos créditos na época oportuna, implica em barrar a própria incidência não cumulativa da aludida contribuição. Diante destas considerações, resta comprovada a origem da divergência verificada entre o DACON e a DCTF, apontada pela recorrida como óbice para a compensação pleiteada. Logo, uma vez superada esta questão, deve ser reformado o acórdão recorrido, para que seja homologado o PER/DCOMP apresentado pela Recorrente, nos termos de seu protocolo. Em 03 de dezembro de 2014, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 591). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento, aliás como já atestado pela DRF/Piracicaba no despacho de encaminhamento do Recurso Voluntário para este Conselho e acima referenciado (fls. 591). Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, Fl. 575DF CARF MF Processo nº 13888.906879/201251 Resolução nº 3001000.181 S3C0T1 Fl. 6 5 mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13888.906879/201251 Resolução nº 3001000.181 S3C0T1 Fl. 7 6 Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13888.906879/201251 Resolução nº 3001000.181 S3C0T1 Fl. 8 7 Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720284/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.459
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 84 /2 01 0- 66 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa vinculada às receitas de exportação, transmitido através do PER/Dcomp, pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.893. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 4 3 Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: i) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. ii) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.455, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720279/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.455): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outra matéria objeto do Despacho Decisório que não constou na sua primeira defesa, qual seja, a realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 5 4 informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa à realocação de crédito relativo a bens para revenda. De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida no tópico da peça recursal relativo à realocação de crédito relativo a bens para revenda. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 7 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 8 7 art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10925.720284/201066 Acórdão n.º 3402006.459 S3C4T2 Fl. 9 8 b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903965/2009-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/11/2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem.
Numero da decisão: 1003-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp analisado nos autos.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp analisado nos autos. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp analisado nos autos. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 39 65 /2 00 9- 23 Fl. 105DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão de proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no relatório do acórdão de piso, até então, passo a transcrevêlo abaixo: "Tratase de processo eletrônico relativo à compensação não homologada pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC) da Receita Federal, conforme despacho decisório de fl. 08, referente h. Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 40072.48324.311008.1.3.044097 (fls. 01/05), transmitida em 31/10/2008, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débito de estimativa de CSLL (2484), vencido em 31/10/2008, no valor de R$ 4.211,39, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior da mesma exação, ocorrido em 30/11/2007. O fundamento do indeferimento, conforme restou consignado no despacho recorrido, foi a completa utilização do pagamento informado na DCOMP para quitação do débito de estimativa de CSLL (2484) referente ao período de apuração (PA) 10/2007, de forma a não ter sido constatado saldo de crédito passível de restituição/compensação. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em face do referido despacho conforme peça de fls. 09/11, por meio da qual aduz, em síntese, que "o crédito informado na DCOMP "teve sua origem em Outubro/2007, quando a apuração acusou este valor total a pagar da Contribuição Social (Estimativa), conforme se verifica na página 15 da DIPJ/2008 — ano calendário 2007, fls. 324 e 354 do livro Diário n° 28 e fls. 99 do livro Razão n° 28 (documentos em anexo)". E o valor apurado (tal como declarado na DCTF ("documento incluso") foi recolhido em 30/11/2007, "no valor total (documento incluso)". Assim sendo, verificase através das PER/DCOMP anexadas que o valor a compensar é de direito do contribuinte, porém não houve a homologação, não sendo observado que foi efetuado recolhimento (DARF) referente ao período e que este recolhimento referese a ESTIMATIVA". Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13851.903965/200923 Acórdão n.º 1003000.703 S1C0T3 Fl. 3 3 E, "para melhor entendimento, é também anexada a cópia da DCTF referente ao 2° Semestre/2008, onde observase as compensações feitas corretamente, com a especificação dos valores e da data de vencimento do DARF supra mencionado". Conclui requerendo a anulação do despacho decisório e a consequente homologação da compensação declarada, uma vez "comprovado através de documentos a existência do crédito compensado, e ainda, provando não ter havido qualquer tipo de máfé ou dissimulação." Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ/RPO ao apreciar a manifestação de inconformidade, entendeu por bem julgála improcedente ante a não comprovação adequada do crédito informado pela Recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A inexistência de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior implica na não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário que, em síntese, destacou: "O Centro ingressou com manifestação de inconformidade em face de despacho, cf. pegas de fls. 09/11, aduzindo em síntese, que o crédito informado na DCOMP teve sua origem em outubro/2007, quando a apuração acusou este valor total a pagar de • Contribuição Social por Estimativa, conforme se verifica na pagina 15 da DIPJ/2008. Juntouse à manifestação cópias do livro diário, DCTF, DCOMP e PER/DCOMP. Ocorre que, por ocasião do preenchimento da PER/DCOMP relativa ao anocalendário 2007, foi informado erroneamente como Pagamento indevido ou a maior, os recolhimentos de estimativa quando deveria ter sido informado como Saldo Negativo de CSLL. Constatado referido erro, tentouse retificar a PER/DCOMP, o que não é permitido pelo sistema, que bloqueia qualquer tentativa de retificação das declarações. Nessas condições, e não tendo logrado êxito em esclarecer à DRJ, o acerto de seu direito à compensação, procedese agora, a Fl. 107DF CARF MF 4 juntada de planilhas demonstrativas do erro verificado e que demonstra o seu direito de crédito. Assim, a planilha de nº 01, demonstra os valores declarados de forma errônea na PER/DCOMP do ano calendário 2007, compensado com contribuições devidas no ano de 2008. Já a planilha de nº 02, também acostada neste ato, demonstra os valores que foram lançados como pagamento indevido ou a maior na PER/DCOMP, e que deveriam ter sido lançados como saldo negativo de CSLL. Da mesma forma, em relação à DIPJ, deixouse de informar os valores de pagamento por estimativa. Assim, através dos demonstrativos ora anexados, inclusive cópia da DIPJ entregue e outra que seria retificadora, evidenciase os erros ocorridos, ou seja Por todo o exposto, restando evidenciado através dos demonstrativos ora anexados, a procedência da compensação realizada pela empresa, requer a reformada decisão exarada pela DRJ, para homologar o crédito compensado". É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a Recorrente discorda do procedimento fiscal adotado, qual seja, a nãohomologação de compensação declarada por meio de DCOMP eletrônica, transmitida em 31/10/2008. Defende a Recorrente a correção do seu procedimento de compensação, tendo em vista as provas que já acostadas aos autos. Em suma, o que se discute é a possibilidade legal de a Recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Inicialmente, vale ressaltar que sujeito passivo ao apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, tem a possibilidade de utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13851.903965/200923 Acórdão n.º 1003000.703 S1C0T3 Fl. 4 5 Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Destarte, instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Desta forma, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Em outras palavras, o conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Fl. 109DF CARF MF 6 Nestes casos, a Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Assim, somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material1 e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Pois bem, conforme relatado, na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp, sob argumento de que o simples pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real (caso em que o recolhimento pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período), não dá direito ao crédito. Contudo, a Súmula CARF nº 84, que é de observância obrigatória por seus membros 2 3, determina que “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”. Logo, como o pedido inicial da Recorrente referese ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, em meu sentir, ele pode e deve ser analisado. Inexiste, pois, reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem. Ademais, cumpre registrar, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, à Recorrente deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Outrossim, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ de origem para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que 1 Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. 2 Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). 3 (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13851.903965/200923 Acórdão n.º 1003000.703 S1C0T3 Fl. 5 7 comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB, nos termos da Súmula CARF nº 84. Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp analisado no autos. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720331/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO.
As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1302-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/201276 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 03 31 /2 01 2- 18 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13749.720331/201218 Acórdão n.º 1302003.507 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de ato de lançamento eletrônico por meio do qual foi imposto ao recorrente multa por falta/atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de setembro de 2010. Em suas razões de impugnação, sustenta o contribuinte que, por se tratar de entidade religiosa, faria jus ao gozo da regra imunizante preconizada pelo art. 150, IV, "b", da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB e, ato contínuo, estaria dispensada do cumprimento, não só da obrigação principal, mas também das obrigações acessórias tendentes à apuração de impostos e contribuições federais (DCTF). Instada a analisar a defesa oposta, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente, ao argumento sintetizado na ementa abaixo reproduzida: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento acima em 10/06/2013, tendo interposto seu recurso voluntário em 03/07/2013, por meio do qual reprisa os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1302003.502, de 16/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº13749.720339/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.502): O recurso é tempestivo e preenche todos os demais pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. A matéria aqui tratada não é, nem de longe, complexa. Outrossim, como o contribuinte se limita a reprisar os argumentos já aviados em sua impugnação, e por concordar em absoluto com os argumentes despendidos pela Turma a quo, valendo Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13749.720331/201218 Acórdão n.º 1302003.507 S1C3T2 Fl. 4 3 me dos preceitos do art. 57, § 3º, do anexo II, do RICARF, tomoos, agora, como minhas razões de decidir, reproduzindoos a seguir: De conformidade com o art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, que trata das DCTF com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2010, temos que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No art. 3º da mesma Instrução Normativa, que trata das pessoas jurídicas dispensadas e das hipóteses de dispensa de apresentação das DCTF, não constam as pessoas jurídicas imunes, como os templos de qualquer culto, citadas no item “b”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, que faz menção à limitação de instituição de impostos federais, estaduais e municipais, e não de obrigações acessórias, como a entrega de declarações, ou à imposição de multa punitiva por atraso na apresentação das mesmas. Assim, correta está a imposição à pessoa jurídica imune, como a interessada, da multa prevista no inciso II, do § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, por atraso na entrega da DCTF do mês de janeiro de 2010, uma vez que o prazo final para a mesma se encerrava em 19/03/2010, e a interessada somente apresentou a em 24/08/2012. Quanto a qualquer argüição de inconstitucionalidade na peça impugnatória, há que se destacar que a mesma refoge à competência desta autoridade administrativa julgadora, por ser da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei e os atos normativos tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, à 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13749.720331/201218 Acórdão n.º 1302003.507 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais e normativas vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude inconstitucionalidade. Com efeito, as regras de imunidade preconzidas pela CRFB tem razões axiológicas em outros princípios e garantias constitucionais descritos ao longo de seu texto, conformando, assim, hipótese de incompetência tributária. Nada obstante, semelhantes disposições ainda se encontram condicionadas à verificação efetiva da condição imunizante dos entes por elas "beneficiados", mormente se o resultado de suas atividades se afeiçoam, v.g., ao fim a que destina o preceitos constitucional. As obrigações acessórias, neste particular, não tem o condão de constituir, per se, a obrigação tributária (especialmente no caso de entidades imunes) e, ato contínuo, não representam ofensa à prescrição contida no art. 150, IV, "b", servindo, de outra sorte, como instrumento de confirmação das condicionantes alhures mencionadas. A míngua de determinações legais que "isentem" (e termo correto, aqui, é, de fato isenção) as entidades imunes do cumprimento da obrigação acessória, não há como dar sustento à tese exarada no recurso voluntário, restando absolutamente correta a DRJ e, também, a autoridade fiscal. A luz do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.998793/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.914743/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.914743/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório O contribuinte apresentou o PER/Dcomp nº 29760.34694.301107.1.3.040089, por meio do qual formalizou o Pedido de Restituição/Ressarcimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real anual relativo ao ano calendário 2003. O recolhimento indevido ou a maior teria sido feito por meio de DARF, código 2390, arrecadado em 27/02/2004, no valor de R$ 1.929.979,42, sendo R$ R$ 1.910.870,71 de principal e R$ 19.108,71 de juros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 98 79 3/ 20 09 -2 2 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 3 2 O crédito formalizado por meio do PER nº 29760.34694.301107.1.3.040089 foi aproveitado nas seguintes Declarações de Compensação DComp: PER/DComp Processo Total compensado R$ 24220.76480.290405.1.3.046174 10880.914743/200909 1.760.055,41 16037.87817.301007.1.7.041060 10880.691569/200911 230.838,16 07523.80467.130505.1.3.047665 10880.925775/200921 151.744,99 40164.67039.150605.1.3.044117 10880.925776/200976 36.995,97 29760.34694.301107.1.3.040089 10880.998793/200922 195.569,23 Por meio de Despacho Decisório, a Delegacia Especial de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP cotejou o DARF em comento com o débito de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real de 2003 declarado em DCTF. O débito declarado era de R$ 1.929.979,41. Assim, a DERAT/SP reconheceu parcialmente o crédito solicitado, no valor original de R$ 0,01. A decisão da DERAT/SP afetou todas as compensações acima mencionadas. Irresignado, o contribuinte manejou a manifestação de inconformidade, por meio da qual, em síntese, alegou: 1) Que o despacho decisório não homologou as referidas compensações porque o pagamento indevido ou a maior não foi informado na DCTF original e o recolhimento e a PER/DCOMP utilizaram código de receita diferente do informado na DCTF; 2) Que no ano calendário de 2003, na DIPJ, apurou saldo negativo de IRPJ e mesmo assim recolheu o montante de R$ 1.929.979,42 a título de IRPJ ajuste anual do AC2003, comprovando o recolhimento indevido do IRPJ; 3) Que no caso em questão, em função do que dispõe o princípio da legalidade e o princípio da verdade material, não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar a incidência tributária, ocorrendo, na verdade, preenchimento equivocado da DCTF (erro formal), no campo débito apurado, onde na original foi incluído incorretamente o montante de R$ 1.910.870,71, sendo que o correto seria “zero”. Também, o código de receita foi informado incorretamente “2430”, que corresponde ao IRPJ de PJ obrigadas ao lucro real – entidades não financeiras, enquanto tanto o recolhimento quanto à informação no PER/DCOMP indicam tratarse de IRPJ – 2390 PJ obrigadas ao lucro real – entidades financeiras. Tal fato ocorreu em função do próprio programa DCTF; 4) Que o CARF, reiteradamente, tem decidido em favor dos contribuintes, no tocante ao “erro de fato”, consoante acórdãos anexados. Ao final, pugnou pelo acolhimento da manifestação de inconformidade, pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado e pela homologação das compensações declaradas. A instância de piso julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão ora combatido restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO PARCIAL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA EM PARTE. Mantémse o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação quando constatado, sobre a parte não homologada, que parte do recolhimento indicado como fonte de crédito foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. É ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante solicitação de diligência. Não se admite pedido de diligência sem os motivos que a justifiquem e sem a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual, após reiterar os argumentos lançados na Manifestação de Inconformidade acerca da legitimidade do crédito pleiteado, pede: a vinculação dos processos número 10880.914743/200909, 10880.691569/200911, 10880.925775/200921, 10880.925776/200976 e 10880. 998793/200922: aduz o contribuinte que o crédito formalizado no PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174, foi utilizado parcialmente nas diversas Declarações de Compensação acima mencionadas e, portanto, os processos devem ser julgados em conjunto. a retificação de ofício do débito declarado na Declaração de Compensação que compõe o PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174: alega que o débito declarado no valor de R$ 1.535.010,87, relativo ao IRPJ devido no 1º trimestre de 2005, está errado (erro de fato) e que o valor correto seria de R$ 1.205.291,50. A diferença decorreria de IRRF no valor de R$ 329.719,37, que teria deixado de ser considerado na apuração do débito declarado no PER/DComp. Para instruir esse pedido, juntou a DIPJ 2006 e a DCTF de março/2005. a apreciação dos elementos de prova juntados em sede de recurso voluntário, em respeito ao princípio da verdade material: considerando a decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade devido à ausência de provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado, o contribuinte juntou no recurso voluntário novos elementos de prova que, a seu ver, comprovam o dito crédito. Em relação à legitimidade do crédito, o Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 5 4 contribuinte juntou a DIPJ retificadora do anocalendário 2003, demonstrativos do lucro líquido e do lucro real, livro razão, DARF com os recolhimentos das estimativas de IRPJ e a DCTF retificadora. Ao final, o recorrente requer que seja dado provimento ao recurso voluntário e, caso não seja este o entendimento, que se converta o julgamento em diligência para que seja apurado o crédito pleiteado. Era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº1401000.630, de 20/03/2019, proferida no julgamento do Processo nº 10880.914743/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº1401000.630): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Para que se tenha uma compreensão clara dos fatos relativos ao presente processo, é preciso colocálos em ordem cronológica. Inicialmente, o contribuinte apresentou o PER/DComp nº 24220.76480. 290405.1.3.046174, por meio do qual formalizou pedido de repetição de indébito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real do anocalendário 2003, no montante de R$ 1.929.979,42, em valores originais. Como relatado acima, o crédito formalizado por meio do PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174 foi aproveitado em diversas Declarações de Compensação. De acordo com a DIPJ/2004 (anocalendário 2003), o contribuinte teria apurado um saldo negativo de IRPJ no ano de 2003. Uma vez que não haveria IRPJ a pagar no ajuste de 2003, o pagamento efetuado seria inteiramente indevido. Na ficha 12A da DIPJ/2004 original, o contribuinte declarou os seguintes valores: Imposto sobre o lucro real (alíquota de 15%) R$ 3.331.267,83 Imposto sobre o lucro real (adicional) R$ 2.196.845,22 Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 1.545,69) IRRF (R$ 2.025.065,38) IR mensal pago por estimativa (R$ 3.866.744,25) Imposto de Renda a Pagar (R$ 365.242,27) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 6 5 Em 31/10/2008, antes do Despacho Decisório, o contribuinte retificou a DIPJ/2004 e a ficha 12A passou a ter os seguintes valores: Imposto sobre o lucro real (alíquota de 15%) R$ 3.331.267,83 Imposto sobre o lucro real (adicional) R$ 2.196.845,22 Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 1.545,69) IRRF (R$ 2.025.065,38) IR mensal pago por estimativa (R$ 3.567.546,53) Imposto de Renda a Pagar (R$ 66.044,55) No Despacho Decisório nº 821099104, a DERAT/SP deferiu parcialmente o pedido de repetição e homologou parcialmente as compensações declaradas tendo em vista que o DARF teria sido quase integralmente utilizado no pagamento de débito de IRPJ declarado em DCTF. O deferimento parcial somou apenas R$ 0,01, tendo em vista que o débito declarado na DCTF original era de R$ 1.929.979,41. O Despacho Decisório foi emitido em 18/02/2009 e a ciência deste ocorreu em 04/03/2009. No dia 13/03/2009, após a ciência do Despacho Decisório relativo ao PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174, o contribuinte apresentou uma DCTF retificadora, por meio da qual alterou o débito de IRPJ lucro real / ajuste anual anocalendário 2003 para R$ 0,01. A este débito, vinculou o DARF sob análise. É relevante que, antes do Despacho Decisório que tratou da formalização do crédito objeto de pedido de repetição, o contribuinte tenha retificado a DIPJ/2004 e alterado a apuração do IRPJ a Recolher, que passou de R$ 365.242,27 para R$ 66.044,55. Em que pese a vultosa discrepância no montante de IRPJ a Recolher, o fato de se apurar saldo negativo de IRPJ indicaria, a princípio, que o recolhimento de IRPJ relativo ao ajuste anual configuraria pagamento indevido ou a maior, passível de repetição de indébito. Contudo, não é a DIPJ que constitui débito ou crédito. É na DCTF que o contribuinte constitui seus débitos. E a DCTF original entregue pelo contribuinte apresentava um débito de IRPJ relativo ao anocalendário de 2003 no valor de R$ 1.929.979,41. A retificação da DCTF com o débito declarado de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real do anocalendário 2003 foi posterior à ciência do mencionado Despacho Decisório. Até o momento em que a fiscalização apreciou o PER/DComp, a DCTF indicava o débito de IRPJ de R$ 1.929.979,41. Como se viu, diante da situação fáticojurídica posta para análise da fiscalização, bastou o cotejamento do DARF com o débito em DCTF para indeferir praticamente todo o crédito pleiteado. Dentro do escopo do procedimento de verificação do direito creditório pleiteado, não havia necessidade de se realizar um procedimento fiscal complexo, voltado para a apuração do IRPJ do anocalendário 2003. Afinal, juridicamente, o débito de IRPJ havia sido espontaneamente constituído e pago pelo contribuinte. É justamente por essa razão que, nesses casos, para que se demonstre a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve o contribuinte juntar Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 7 6 robustos elementos de prova para desconstituir o débito formalizado por meio da DCTF que estava valendo no momento do procedimento fiscal. Neste sentido é reiterada a jurisprudência deste Conselho, como se pode ver nos seguintes julgados: ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão nº 3302 006.401, de 13/12/2018, relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho) COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013). Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 8 7 Na primeira instância, o contribuinte não apresentou nenhuma documentação que desse suporte à retificação da DCTF. Não foi por outra razão que a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Diante da decisão da DRJ de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade por ausência de provas, o contribuinte apresentou novas provas e pugnou pelo conhecimento destas em razão do Princípio da Verdade Material. Tenho que este princípio não deve ser compreendido como uma autorização para a apresentação a qualquer tempo de novos elementos probatórios, em frontal ofensa aos princípios do devido processo legal e da igualdade. Afinal, o legislador, ponderou os princípios mencionados e realizou uma concordância prática entre estes ao instituir a regra geral de preclusão e suas exceções conforme disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Todavia, entendo que subsumemse à hipótese do artigo 16, § 4º, "c", do PAF os casos como o presente, no qual (i) a matéria controversa é eminentemente probatória e o ônus probatório é do contribuinte; (ii) o procedimento de fiscalização foi singelo, limitandose ao cotejamento entre o DARF indicado no PER/DComp e o débito declarado em DCTF; (iii) não houve a oportunidade de o contribuinte apresentar os seus elementos de prova acerca do saldo negativo de IRPJ antes do Despacho Decisório; (iv) a DRJ entendeu que as provas que instruíram a Manifestação de Inconformidade (a DIPJ e a DCTF retificadoras) eram insuficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito; e (v) o contribuinte, dialogando com a decisão da instância de piso, trouxe os elementos de prova que entende serem necessárias, diante da ratio decidendi que fundamentou o acórdão da DRJ. Assim, tomo conhecimento das provas juntadas e passo a analisálas. No que tange à comprovação do saldo negativo de IRPJ, que redundaria em inexistência de débito de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real do anocalendário 2003 e, por consequência, ao pagamento indevido de R$ 1.929.979,42, o contribuinte apresentou demonstrativos da composição do lucro líquido e do lucro real, bem como um relatório denominado "Livro Razão movimento mensal", além dos comprovantes de recolhimento. Conversão do julgamento em diligência. Diante da apresentação de novos documentos em sede de recurso voluntário, penso que seria prudente converter o presente julgamento em diligência, pelas razões que passo a expor. Primeiro, é de se relembrar que a DERAT/SP não teve oportunidade de analisar os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Isso traz um prejuízo para a apreciação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois a DERAT/SP não pode realizar os procedimentos típicos de auditoria fiscal, que são de sua competência, como a verificação de documentos de suporte, a análise dos lançamentos, o cruzamento de informações em bases de dados internas e externas e os pedidos de esclarecimentos que são normais na Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 9 8 verificação da apuração do IRPJ devido por uma pessoa jurídica submetida ao lucro real. Segundo, é de se destacar que os relatórios e demonstrativos apresentados pelo contribuinte não estão assinados pelo responsável legal da empresa e pelo contador. O "Livro Razão movimento mensal", por exemplo, tem apenas 12 páginas e assemelhase mais a um balancete do que à escrituração comercial a que estão obrigadas as sociedades corretoras de seguros, nos termos da Circular SUSEP nº 29, de 28 de dezembro de 1989, que instituiu o Plano de contas das Sociedades Corretoras de seguros. A citada norma da Superintendência de Seguros Privados SUSEP exige, por exemplo, que a escrituração deve ser completa, com registro de todos os atos e fatos que modifiquem a composição patrimonial, conforme as normas contábeis geralmente aceitas, e que a escrituração seja acompanhada de notas explicativas. O "Livro Razão movimento mensal" não tem lançamentos individualizados, nem por totais diários ou mesmo mensais, e não está assinado. Ressaltese, também, que o contribuinte, sendo uma Sociedade Anônima, está sujeito às normas atinentes à escrituração e às demonstrações financeiras nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações). Os documentos apresentados não se enquadram nas exigências das normas de regência acerca da escrituração contábil e fiscal. O Demonstrativo do Lucro Líquido, que corresponderia à Demonstração do Resultado do Exercício DRE, não está assinado e não há referência de que esteja transcrito no Livro Diário. O Demonstrativo do Lucro Real não está assinado e não há indicação de que componha o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. A título de exemplo, acerca da importância da apresentação integral do LALUR, considerando as fortes posições em swaps cambiais registrados no "Livro Razão movimento mensal", seria de se olhar na Parte B do Livro se há controle de saldos de adições de perdas indedutíveis, nos termos do artigo 772 do Decreto nº 3.000/99, que estava vigendo na época dos fatos geradores. Terceiro, a própria inconsistência das informações prestadas nas DIPJ/2004 (original e retificadora) e dos débitos declarados em DCTF (original e retificadora) traz dúvidas acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quarto, para coroar, os próprios elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte não corroboram de forma harmônica o crédito pleiteado, como passo a expor. Como se viu, a DIPJ/2004 retificadora apresentou um resultado negativo de IRPJ a Recolher no valor de R$ 66.044,55. Contudo, não é esse o resultado apurado no demonstrativo do lucro real. Vejamos uma tabela comparativa: DIPJ retificadora (Ficha 12A) Demonstrativo do Lucro Real IR apurado R$ 5.528.113,05 R$ 5.528.113,05 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 10 9 PAT (R$ 1.545,69) (R$ 1.545,69) Estimativas (R$ 3.567.546,53) (R$ 3.069.051,18) IRRF (R$ 2.025.065,38) (R$ 2.025.065,38) IR a Recolher (R$ 66.044,55) R$ 432.450,80 Enquanto a DIPJ apresenta um saldo negativo de R$ 66.044,55, o documento juntado pelo contribuinte apresenta um saldo positivo de R$ 432.450,80. Diante das fragilidades dos documentos apresentados e das divergências entre as declarações e os elementos probatórios juntados, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência e os autos sejam encaminhados à delegacia de origem para que a autoridade administrativa realize o procedimento de diligência com o seguinte escopo: 1 Cotejar o relatório "Livro Razão movimento mensal" e o demonstrativo de composição do lucro líquido com a contabilidade e verificar se o lucro antes da provisão de imposto de renda registrado na contabilidade é de R$ 20.168.022,93; 2 Cotejar o Livro de Apuração do Lucro Real com o demonstrativo do lucro real e demais elementos probatórios que entender necessários para verificar qual o efetivo montante do lucro real e se, de fato, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ a Recolher no ano calendário 2003 e qual o valor correto; 3 Elaborar relatório dos procedimentos adotados e das conclusões a que tiver chegado. Dar ciência ao contribuinte para que se manifeste em 30 dias. Após a diligência, o processo deverá retornar a este Conselho para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Diante das fragilidades dos documentos apresentados e das divergências entre as declarações e os elementos probatórios juntados, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência e os autos sejam encaminhados à delegacia de origem para que a autoridade administrativa realize o procedimento de diligência com o seguinte escopo: 1 Cotejar o relatório "Livro Razão movimento mensal" e o demonstrativo de composição do lucro líquido com a contabilidade e verificar se o lucro antes da provisão de imposto de renda registrado na contabilidade é de R$ 20.168.022,93; 2 Cotejar o Livro de Apuração do Lucro Real com o demonstrativo do lucro real e demais elementos probatórios que entender necessários para verificar qual o efetivo montante do lucro real e se, de fato, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ a Recolher no anocalendário 2003 e qual o valor correto; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.998793/200922 Resolução nº 1401000.634 S1C4T1 Fl. 11 10 3 Elaborar relatório dos procedimentos adotados e das conclusões a que tiver chegado. Dar ciência ao contribuinte para que se manifeste em 30 dias. Após a diligência, o processo deverá retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.723046/2010-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11.
DEDUÇÕES. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO.
A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa.
É dedutível a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2002-000.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. LIVROCAIXA. Recorrente BRUNO VICENTE FERREIRA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DEDUÇÕES. LIVROCAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. É dedutível a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 30 46 /2 01 0- 89 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 163 2 (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 21/24), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2008. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.013,21 para saldo de imposto a pagar de R$22.985,71. A notificação noticia a dedução indevida de livrocaixa, no valor de R$79.900,00, consignando (fl.66): Glosa de R$ 79.900,00 deduzidos como pagamento a profissionais autônomos desde que os pagamentos são mensais, o que caracteriza habitualidade no procedimento, cuja despesa só poderá ser deduzida das receitas do Livro Caixa quando os terceiros tiverem vinculo empregaticio e forem comprovados os pagamentos dos encargos trabalhistas e previdenciários. Valores pagos anualmente: Carlsberg Campelo da Silva,R$ 23.500,00;Gilson Nascimento R$ 18.000,00 e Carmen Silvia Oliveira, R$ 38.400,00. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 20/11/2009, a NL foi objeto de impugnação, em 27/10/2010, à fl. 2/48 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: a) trabalha como contador, profissional liberal autônomo e preparou, confeccionou e enviou sua declaração de imposto de renda conforme a legislação pertinente, a qual determina que todos os pagamentos a terceiros podem e devem ser colocados no livrocaixa, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo que, em Direito, a norma cogente é a regra que é absoluta e cuja aplicação não depende da vontade das partes, devendo ser obedecida fielmente sem excluíla ou modificála; b) está totalmente inconformado com o lançamento, visto que a auditorafiscal não procedeu às consultas necessárias e não Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 164 3 considerou as orientações da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), uma vez que para todos os valores existem comprovação legal, conforme cópias anexas, e também previsão legal para utilização como despesas dedutíveis no livro caixa; c) não existe na legislação pátria nenhuma afirmação de que pagamentos a terceiros não possam ser mensais ou que, no caso de habitualidade, somente seriam dedutíveis caso houvesse vínculo empregatício com comprovação de pagamento de encargos trabalhistas e previdencários; d) a própria RFB, em seu site, na seção de Perguntas e Respostas, informa que valores pagos a terceiros podem se deduzidos desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como no caso em tela; e) Carlsberg Campelo da Silva, Gilson Lopes do Nascimento e Carmem Silvia Meira de Oliveira são profissionais autônomos contabilistas e prestaram serviços ao impugnante, que também desenvolve a mesma atividade profissional, tratandose, pois, de despesa de custeio como definida no site da RFB; f) Transcreve diversos acórdãos do então Conselho de Contribuintes e vasta doutrina para suportar suas alegações de que houve descaso por parte da autoridade fiscal ao não considerar as orientações do próprio órgão, ofendendo princípios constitucionais como o devido processo legal, contraditório e ampla defesa; g) Requer, por fim, a nulidade do lançamento e arquivamento dos autos, pelas razões expostas. Em 1º/3/2016, o julgamento foi convertido em diligência (Despacho 873 –fl. 73) para que o contribuinte fosse intimado a apresentar sua identidade profissional, bem como as dos trabalhadores Carlsberg, Gilson e Carmen, emitidas pelo Conselho Regional de Contabilidade (CRC), acompanhadas de documentos que pudessem demonstrar que as atividades por eles desenvolvidas em 2007 mantinham correlação com a atividade desenvolvida pelo impugnante. Em resposta à intimação, o impugnante apresentou esclarecimentos, carreados às fls. 79 a 81 dos autos, acompanhados dos documentos de fls. 83 a 98. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 102/107): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 165 4 DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. O profissional autônomo somente pode deduzir no LivroCaixa os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício quando tais pagamentos caracterizarem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O colegiado de primeira instância restabeleceu, a título de dedução de livro caixa, despesas no montante parcial de R$41.500,00. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 22/7/2016 (fl. 160), o contribuinte, em 17/8/2016 (fl. 116), apresentou recurso voluntário, às fls. 116/130, no qual alega, em apertado resumo, que: preliminarmente, seria nula de pleno direito a autuação, visto que a notificação original efetuou a glosa total do livrocaixa sem discriminar quais seriam as despesas indevidas. teria tido defesas deferidas nos processos dos anoscalendário 2005 e 2006, envolvendo despesas efetuadas com Carmem Silvia Meira de Oliveira, sendo cabível o reconhecimento da despesa nestes autos. estaria juntando certidão emitida pelo órgão de classe da profissional, sanando a falha apontada na decisão recorrida acerca de sua diplomação. ao contrário do que afirma a decisão recorrida, constariam às fls. 37 a 48 todos os pagamentos efetuados à profissional, com a descrição dos serviços prestados. a informação de que a profissional seria seu cônjuge constaria de sua declaração de ajuste, mostrandose estapafúrdia, extravagante, esquisita e fora de contexto o apontamento da decisão recorrida. já constariam dos autos elementos suficientes a demonstrar que as despesas correspondentes teriam sido efetivamente pagas e seriam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. inexistiria impedimento legal para que ele deduza os valores pagos ao cônjuge pela prestação de serviços profissionais. teria preenchido sua declaração de ajuste observando a legislação de regência, bem como orientações emanadas da RFB. todas as despesas pagas a terceiros seriam dedutíveis em livrocaixa desde que caracterizem despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. seria indevida a inversão do ônus da prova. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 166 5 ao final, protesta por todos os meios de prova e pela anulação da autuação com base em todos os argumentos expostos. Posteriormente, em 28/6/2017, o recorrente voltou a se manifestar (fls.138/144, documentos juntados também às fls. 148/154), reiterando a preliminar de nulidade da autuação e suscitando a ocorrência da prescrição intercorrente. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Prescrição intercorrente No tocante a essa alegação, a matéria já se encontra sumulada, sendo de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Portanto, afastase tal argumento. Preliminar de nulidade O recorrente suscita a nulidade da autuação, considerando que a autuação inicial foi levada a efeito sem sua intimação, vindo posteriormente a ser revista e substituída pelo lançamento ora em análise. A Solicitação de Retificação de Lançamento SRL é pedido realizado pelo contribuinte de revisão do crédito apurado, que ocorre antes de ser instaurado o contencioso administrativo. A apresentação da impugnação é que dá início à fase litigiosa do procedimento, a teor do art. 14 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, tendo o sujeito passivo garantida, a partir daí, a ampla defesa e o contraditório. Na fase que antecede o contencioso administrativo, na qual é possibilitado ao contribuinte apresentar a SRL, qualquer modificação no lançamento terá como base os art. 145, inciso III, c/c art. 149 do CTN, que cuidam da revisão de ofício. No caso, tendo sido a SRL deferida parcialmente (fl.20), a NL original foi substituída pela NL de fls. 21/24, onde a autoridade fiscal consignou as razões para a glosa parcial das despesas declaradas de forma clara. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 167 6 Não se vislumbra qualquer irregularidade no procedimento, tendo sido garantida a ampla defesa do recorrente. Dessa feita, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Mérito O litígio recai sobre despesas relacionadas no livrocaixa relativas a pagamentos efetuados a Carmen de Oliveira. A autuação consignara: Glosa de R$ 79.900,00 deduzidos como pagamento a profissionais autônomos desde que os pagamentos são mensais, o que caracteriza habitualidade no procedimento, cuja despesa só poderá ser deduzida das receitas do Livro Caixa quando os terceiros tiverem vinculo empregaticio e forem comprovados os pagamentos dos encargos trabalhistas e previdenciários. Valores pagos anualmente: Carlsberg Campelo da Silva,R$ 23.500,00;Gilson Nascimento R$ 18.000,00 e Carmen Silvia Oliveira, R$ 38.400,00. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer as deduções efetuadas com os profissionais Carlsberg e Gilson, mantendo a glosa dos pagamentos efetuados a Carmem. Seguem trechos da decisão: Em sua defesa, o impugnante afirmou que os valores glosados se referem a pagamento de profissionais autônomos contabilistas os quais com ele atuaram em sua atividade de contador. Para melhor convencimento acerca do atendimento dos requisitos legais exigidos para caracterização das despesas como despesas de custeio necessárias, baixouse o processo em diligência para que o contribuinte apresentasse as identidades profissionais dos prestadores de serviço acompanhadas de documentos que pudessem demonstrar direta correlação entre as atividades por eles desenvolvidas e as atividades desenvolvidas pelo impugnante. Em resposta, o contribuinte apresentou cópias de identidades profissionais emitidas pelo Conselho Regional de Contabilidade de Pernambuco (CRCPE) e declarações dos três prestadores de serviço informando que desempenharam atividades de contabilidade no escritório do impugnante no anocalendário de 2007. Pois bem, a identidade profissional de Carlsberg Campelo da Silva indica que ele foi diplomado Técnico em Contabilidade em 21/12/1988 e a de Gilson Lopes do Nascimento que ele é Bacharel em Ciências Contábeis desde 10/7/2002, o que permite inferir que os serviços prestados ao contribuinte se trataram realmente de despesas de custeio necessária a percepção da receita e a manutenção da fonte produtora – escritório de contabilidade, de forma que a glosa referente a tais pagamentos Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 168 7 (R$ 23.500,00 – Carlsberg e R$ 18.000,00 – Gilson) devem ser canceladas. Porém, no que diz respeito ao suposto serviço prestado por Carmem Silvia Meira de Oliveira, não há nos autos documentos que demonstrem a efetiva prestação dos serviços, a natureza destes e o efetivo repasse dos valores declarados, visto que: a) na cópia da identidade profissional apresentada não consta a data da diplomação (os fatos geradores dos autos se referem ao anocalendário 2007); b) o contribuinte não apresentou documentos produzidos à época, ainda que intimado para tal em sede de diligência: “[...] documentos que possam demonstrar que as atividades por eles desenvolvidas no anocalendário 2007 mantém direta correlação com a atividade desenvolvida pelo interessado” – Intimação 27/2016 (fl. 82); e c) Carmem Silvia Meira de Oliveira é esposa ou companheira do interessado, visto que é mãe de Ana Luiza e Ana Carla, filhas arroladas como dependentes do contribuinte em sua DAA (fl. 87), e seu domicílio tributário é o mesmo do impugnante, conforme consulta ao Cadastro da Pessoa Física – CPF (fl. 101). Quanto à declaração assinada por Carmem informando que desempenhou atividades para os clientes do interessado que dependiam de sua inscrição no CRCPE, importa salientar que, ainda que se revistam em indícios a serem sopesados no âmbito de todo o conjunto probatório, tal documento não comprova perante a Fazenda Pública, de forma inequívoca e por si só, a ocorrência dos fatos declarados, não sendo suficiente para permitir a dedução da respectiva despesa declarada (R$ 38.400,00), eis que não restou demonstrado se tratar de despesas de custeio efetivamente pagas e necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devendo tal glosa ser mantida. (destaques acrescidos) A dedução de despesas do livro Caixa é amparada pelo art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que dispõe: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 169 8 § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. Pela leitura do dispositivo, identificamse três grupos de despesas dedutíveis: (a) a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício; (b) os emolumentos pagos a terceiros e (c) as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Nesse tocante, observo que a autuação consignou que, dada a habitualidade dos pagamentos efetuados a três profissionais, o contribuinte só poderia deduzir esses despesas de livrocaixa quando há vínculo empregatício. O colegiado de primeira instância na análise do feito consigna: Como antes transcrito, a legislação permite a dedução a título de livrocaixa quando existe vínculo empregatício. Em não havendo vínculo empregatício, como no caso em análise, tais despesas somente são passíveis de dedução se se tratar de despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, conforme entendimento constante do Manual de Perguntas e Respostas referente ao IRPF exercício 2008/anocalendário 20071: 397 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 170 9 Imposto sobre a Renda (RIR), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº16, de 1979) Vêse que a decisão recorrida manifesta entendimento diverso da autuação, admitindo esses pagamentos a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Nesse sentido, após proceder a conversão do julgamento em diligência (fl.73), acatou as despesas com dois dos profissionais, registrando: Pois bem, a identidade profissional de Carlsberg Campelo da Silva indica que ele foi diplomado Técnico em Contabilidade em 21/12/1988 e a de Gilson Lopes do Nascimento que ele é Bacharel em Ciências Contábeis desde 10/7/2002, o que permite inferir que os serviços prestados ao contribuinte se trataram realmente de despesas de custeio necessária a percepção da receita e a manutenção da fonte produtora – escritório de contabilidade, de forma que a glosa referente a tais pagamentos (R$ 23.500,00 – Carlsberg e R$ 18.000,00 – Gilson) devem ser canceladas. Porém, no que diz respeito ao suposto serviço prestado por Carmem Silvia Meira de Oliveira, não há nos autos documentos que demonstrem a efetiva prestação dos serviços, a natureza destes e o efetivo repasse dos valores declarados, visto que: a) na cópia da identidade profissional apresentada não consta a data da diplomação (os fatos geradores dos autos se referem ao anocalendário 2007); b) o contribuinte não apresentou documentos produzidos à época, ainda que intimado para tal em sede de diligência: “[...] documentos que possam demonstrar que as atividades por eles desenvolvidas no anocalendário 2007 mantém direta correlação com a atividade desenvolvida pelo interessado” – Intimação 27/2016 (fl. 82); e c) Carmem Silvia Meira de Oliveira é esposa ou companheira do interessado, visto que é mãe de Ana Luiza e Ana Carla, filhas arroladas como dependentes do contribuinte em sua DAA (fl. 87), e seu domicílio tributário é o mesmo do impugnante, conforme consulta ao Cadastro da Pessoa Física – CPF (fl. 101). Em seu recurso, o recorrente junta comprovação quanto ao registro da senhora Carmen como técnica em contabilidade desde 2003, e, como contadora, a partir de 30/11/2012 (fl.129). Entendo que os argumentos suscitados pela decisão recorrida para manutenção da glosa das despesas realizadas com Carmem extrapolam a motivação original. Na autuação, não se questionou a efetiva prestação dos serviços ou o efetivo pagamento das despesas. Registro que a informação de que a senhora Carmem é cônjuge do recorrente Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.723046/201089 Acórdão n.º 2002000.948 S2C0T2 Fl. 171 10 constava da declaração de ajuste dele e que caberia a autoridade autuante, entendendo cabível, fazer exigências adicionais dado esse vínculo familiar. No entanto, não o fez e não pode a autoridade julgadora invadir a função da autoridade lançadora. Assim, tendo em vista que a autuação fundamentou a glosa sob o fundamento de que pagamentos habituais efetuados a terceiros somente seriam dedutíveis se existente o vínculo empregatício, o que foi afastado pela decisão recorrida, cabe restabelecer a dedução. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.900360/2009-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Existe a possibilidade jurídica de serem corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo no caso de regular início da fase processual. O princípio da eventualidade prevê que toda a matéria de defesa deve ser alegada na oportunidade legal.
A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o não conhecimento da manifestação de inconformidade, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/POA/RS nos limites das questões ali constantes, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1003-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito pela instauração da fase litigiosa do procedimento, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/POA/RS para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, por ser afastada a preliminar de não conhecimento da manifestação de inconformidade.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Existe a possibilidade jurídica de serem corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo no caso de regular início da fase processual. O princípio da eventualidade prevê que toda a matéria de defesa deve ser alegada na oportunidade legal. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o não conhecimento da manifestação de inconformidade, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/POA/RS nos limites das questões ali constantes, sob pena de supressão de instância.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Existe a possibilidade jurídica de serem corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo no caso de regular início da fase processual. O princípio da eventualidade prevê que toda a matéria de defesa deve ser alegada na oportunidade legal. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o não conhecimento da manifestação de inconformidade, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/POA/RS nos limites das questões ali constantes, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 03 60 /2 00 9- 23 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 179 2 de indébito pela instauração da fase litigiosa do procedimento, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/POA/RS para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, por ser afastada a preliminar de não conhecimento da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 31255.1572.110505.1.3.042749, em 11.05.2005, fls. 104108, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$12.737,58, contido no DARF de R$35.660,48, arrecadado em 31.01.2005 para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 29, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 12.737,58 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 06.03.2009 (sextafeira), fl. 110, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 06.04.2009 arguindo as seguintes questões, fls. 0116: Do Erro Material no Preenchimento da PER/DCOMP; Da inaplicabilidade da Taxa SELIC; Da multa aplicada; e Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 180 3 Da possibilidade da análise da inconstitucionalidade no âmbito administrativo. Conclusão Face ao todo exposto, é a presente para, à vista da retificação na DCTF ora apresentada (doc. 03), requerer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade e reformado o despacho decisório ora atacado, com o necessário reconhecimento do crédito em favor da requerente e a conseqüente homologação da compensação em análise, tudo em homenagem ao princípio da verdade material (artigo 149 do CTN), de acordo com as alegações expendidas e os documentos anexados na presente manifestação. Alternativamente, requer seja recalculado o valor em cobrança na notificação, aplicandose a taxa de 2% de multa e 12% de juros a.a., excluindose a aplicação da Taxa SELIC. Por fim, requer sejam todas as intimações, comunicações e notificações do presente processo, realizadas sempre e exclusivamente em nome de seus procuradores signatários, com endereço profissional na Av. Padre Cacique, n. 320 5º Andar, Porto Alegre RS, CEP n. 90.810240. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 10 30.911, de 19.04.2011, fls. 112115: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. AUTORIDADE COMPETENTE. RITO PROCEDIMENTAL. CARTA COBRANÇA. 1. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b).a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria n° 587/2010). 2. Se a contribuinte não discorda das razões do despacho decisório, discorrendo sobre situações de fato não analisadas na origem, a competência para apreciar esse pedido é, em regra, do titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo (art. 57 da IN RFB 900/2008). 3. A carta cobrança, expedida em decorrência de compensação não homologada, não comporta manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Notificada em 13.05.2011 (sextafeira), fl. 116, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.06.2011, fls. 121134, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 181 4 I DOS FATOS [...] Ocorre que, após cientificada do Despacho Decisório da DRF/POA/SEORT, a Recorrente verificou tratarse em realidade de erro material no preenchimento da DCTF entregue em 09.02.2005, referente ao 4º trimestre de 2004 (documento n. 03 da Manifestação de Inconformidade). Por ocasião dos dados inseridos na folha 03 desta declaração, o valor do IRPJ informado no montante de R$ 53.711,05, estaria incorreto. Desta forma, procedeu a entrega da DCTF retificadora em 12.03.2009, informando o valor correto a título de IRPJ de R$ 40.973,47 (documento n. 04 da Manifestação de Inconformidade), restando evidente o recolhimento a maior do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2004, no valor de R$ 12.737,58, justamente o valor do crédito informado na PER/DCOMP n.° 31255.11572.110505.1.3.042749. Inconformada com a decisão referida, e diante da constatação de mero erro material, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, nos termos do artigo 74, § 9º da Lei 9.430/96, através da qual solicitou a reconsideração do despacho decisório, haja vista o equívoco cometido no preenchimento da DCTF. [...] II PRELIMINARMENTE [...] II.A) Da tempestividade [...] II.B) Da Ofensa ao Princípio da Ampla Defesa [...] Conforme se verifica da síntese fática do presente recurso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Porto Alegre DRJ/POA manteve o lançamento impugnado sob a alegação de que a Recorrente não teria manifestado contrariedade ao despacho decisório, mas tão somente se limitado a solicitar a retificação da DCTF apresentada. [...] A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, atacando diretamente o argumento principal que fundamentou o indeferimento da compensação pleiteada, qual seja, a suposta insuficiência do crédito pleiteado para compensação com os débitos constantes da PER/DCOMP em análise, demonstrando cabalmente a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF relativa ao 4o trimestre de 2004. Assim, anexou à Manifestação de Inconformidade vasta documentação comprovando que os créditos referidos na PER/DCOMP não haviam sido utilizados, em face de recolhimento a maior do IRPJ relativo ao 4o trimestre de 2004, de modo que a compensação solicitada deveria ser homologada, e, conseqüentemente, o débito consolidado no despacho decisório que deixou de homologar a compensação requerida não mereceria subsistir. [...] Equivocado, portanto, o entendimento exarado na decisão recorrida, posto que: a) A Recorrente efetivamente apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho que não homologou a compensação, comprovando a existência do crédito cuja compensação foi requerida, bem como a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF. Apenas isto bastaria para desconsideração do despacho decisório e conseqüentemente homologação da compensação declarada. b) Ainda que admitíssemos a ausência de impugnação sobre determinado ponto do lançamento fiscal, o que de fato não ocorreu, não caberia ao julgador de I o Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 182 5 grau a decisão quanto a possibilidade de interposição de recurso, haja vista tratarse de garantia fundamental da Recorrente, disponível apenas à ela. Verificase assim que é totalmente infundada a decisão atacada neste particular, impondose o recebimento e processamento do presente recurso, bem como sua apreciação por este órgão colegiado na forma como dispõem a Constituição Federal e as normas que regulamentam o processo administrativo tributário. III DO DIREITO III.A) Da Existência do Direito Creditório Pleiteado e da Possibilidade Homologação da Compensação pela DRJ [...] Todavia, conforme sustentado na Manifestação de Inconformidade, não há que se falar em utilização integral do crédito referido na PER/DCOMP em tela. Tratase de mero erro material no IRPJ da requerente no preenchimento da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004, o que impossibilitou a autoridade fiscal a identificar o crédito. Na DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004 (doc. 3, da Manifestação de Inconformidade), entregue em 09 de fevereiro de 2005, o IRPJ apurado pela requerente perfazia o montante de R$ 53.711,05. Entretanto, o valor que deveria constar como IRPJ apurado naquele período é de R$ 40.973,47, conforme se verifica da DCTF retificadora apresentada em 12 de março de 2009 (doe. 04, da Manifestação de Inconformidade). É dizer, o crédito utilizado nas PER/DCOMP recusadas pela fiscalização existe e foi apurado no período relativo ao 4° trimestre de 2004, conforme exaustivamente comprovado pela ora Recorrente no presente processo administrativo. Ora, muito embora na DCTF relativa ao 4o trimestre de 2004 transmitida originariamente existisse um valor maior de IRPJ devido, cujo pagamento realizado em 31 de janeiro de 2005 restaria integralmente utilizado, a recorrente procedeu a retificação da referida DCTF, com a conseqüente redução do valor devido, assim comprovando a existência do crédito em análise. Ressaltese para que dúvidas não haja quanto a manifestação da Recorrente: O DIREITO AO CRÉDITO CUJA COMPENSAÇÃO FOI SOLICITADA EM 2005 COMPROVADAMENTE EXISTE. E FOI APURADO NO 4o TRIMESTRE DE 2004. Gizese ainda que em momento algum a recorrente reconheceu a inexistência do crédito pleiteado, como maliciosamente afirmou o r. julgador de Ia instância no acórdão ora atacado. Na realidade, a Manifestação de Inconformidade apresentada, e sequer conhecida pela 1ª Turma da DRJ/POA, prestase exatamente para demonstrar, à exaustão, de modo indene, a existência do direito ao crédito pleiteado, de modo que sejam homologadas as compensações declaradas nas PER/DCOMP! [...] Através da verificação da DCTF retificadora apresentada (doc. 04, da Manifestação de Inconformidade), é facilmente constatável que houve recolhimento à maior do imposto relativo ao 4 o trimestre de 2004, existindo, portanto, saldo negativo do IRPJ passível de compensação na forma como declarada na PER/DCOMP em análise. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 183 6 Cumpre destacar que a PER/DCOMP ora em referência não possui qualquer erro ou inexatidão. O que ocorre é que a fiscalização não pôde verificar a efetiva existência do crédito informado na PER/DCOMP, por que a DCTF apresentada pela requerente no 4º Trimestre de 2004 não informava corretamente o valor do IRPJ devido naquele período de apuração. Sanado este equívoco, impõese a constatação do crédito em favor da requerente, e conseqüentemente a homologação da compensação requerida. Assim, uma vez que demonstrado o equívoco cometido no preenchimento de sua DCTF, equívoco este que serviu como fundamento para a decisão de não homologação da compensação, a reconsideração do despacho decisório atacado na manifestação de inconformidade era medida que se impunha, face à flagrante ilegalidade da cobrança de um suposto débito a toda evidência inexistente! Percebese no caso em tela o erro material cometido pela Requerente no preenchimento da DCTF, sendo improcedente, pois, o valor exigido na intimação do despacho decisório, bem como sendo totalmente procedente a compensação pleiteada pela Recorrente. [...] Assim, em tendo ocorrido apenas um equívoco no preenchimento da DCTF, demonstrado mediante a apresentação da documentação anexa à presente, sem qualquer prejuízo ao Erário, é de ser retificada de ofício a DCTF e reformado o despacho decisório em apreço, na esteira da jurisprudência que consagra o princípio da verdade material frente aos princípios da legalidade e da reserva absoluta da lei tributária. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: III DO PEDIDO Face ao todo exposto, requer seja provido em todos os seus termos o presente recurso, reformandose a decisão DRJ/POA n. 1030.911, de 19 de abril de 2011, nos autos do processo administrativo n. 11080.900360/200923, determinandose ao final a homologação da compensação pleiteada pela Recorrente, bem como determinando o cancelamento do suposto débito em cobrança, face aos argumentos ora expendidos e a documentação comprobatória do direito da Recorrente já acostada aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual comprova à saciedade a existência de crédito em seu favor perante esta Receita Federal do Brasil. Consta no Parecer Cosit nº 23, de 14 de junho de 2012, efls. 157165: Conclusão 15. Em face do exposto, verificase que: 15.1. a emissão do despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de competência da DRF de origem do contribuinte, cabendo a este, em caso de discordância, apresentar manifestação de inconformidade, regulada pelo Decreto nº 70.235, de 1972; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 184 7 15.2 caso a DRJ entenda que, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte não esteja discutindo o mérito da decisão de não homologação da compensação, e esteja apenas solicitando retificação de declarações, pode decidir pelo não conhecimento do recurso, sem prejuízo de eventual apresentação do recurso voluntário ao CARF. 16. Desta forma, o que tange à situação descrita no presente processo, propõe se sua remessa à DRF/POA para que aquela unidade submeta o recurso voluntário ao julgamento pelo CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 185 8 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 186 9 segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Nesse sentido prevê o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6o do art. 9o da IN RFB n°1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação,respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9°A da IN RFB n° 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 187 10 comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n° 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Verificase que os dados presumidamente errados podem ser considerados, pois podem ser produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, delimita o objeto da lide no caso de Per/DComp: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. [...] § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. A manifestação de inconformidade em procedimento de Per/DComp deve ter como objeto a matéria contra a não homologação da compensação. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 188 11 Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1030.911, de 19.04.2011, fls. 112115: Consoante se depreende do relatório, a contribuinte não ataca os fundamentos do Despacho Decisório que não lhe reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por ela efetuada; pelo contrário, o Despacho Decisório lastreouse nas informações declaradas em DCTF espontaneamente entregue. No intento de ser reconhecido seu direito creditório, alterou questão de fato, ou seja, retificou a DCTF em 23/05/2009, depois de ter sido cientificada do Despacho Decisório. Assim procedendo, expressou tacitamente concordância com o Despacho Decisório, expedido em face da situação fática e jurídica existente antes da entrega da DCTF retificadora. A nova situação de fato originada a partir da entrega desta nova DCTF não pode ser conhecida por esta Delegacia de Julgamento, por não ser objeto de apreciação prévia por parte do órgão de origem, não tendo se firmada a necessária competência da DRJ determinada pelo art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria n° 587, de 21 de dezembro de 2010 , que é restrita ao julgamento de questões previamente apreciadas: [...] Não é logicamente possível que a contribuinte manifeste sua inconformidade de questão não apreciada pela unidade de origem. A nova situação de fato alegada pela contribuinte deve ser analisada pela autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição e homologar a compensação, que, de regra, é o titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio da contribuinte, em face do disposto nos arts. 57 e 63 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008: [...] Sob outro enfoque, poderseia entender que a contribuinte estivesse intentando, com a apresentação da DCTF retificadora, a retificar sua PER/DCOMP. Melhor sorte não teria a interessada, uma vez que, de acordo com o art. 77 da IN RFB 900/2008, a Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Em relação ao ataque da multa moratória e dos juros calculados pela taxa SELIC, ocorre que tais valores são incidentes sobre os débitos não homologados, confessados por meio do PER/DCOMP, forte no § 6º do art. 74 da Lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, dos quais a contribuinte foi intimada em cumprimento ao § 7º do art. 74 do mesmo texto legal; sendo assim, sobre eles não há litígio, e, decorrentemente sua impugnação ao pode ser conhecida pelas instâncias julgadoras, por serem mera comunicação da existência de débitos declarados pela própria contribuinte, pendentes de pagamento. [...] A título informativo, esclareço que (a) as petições que não se enquadram no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (como ocorre no presente caso) se submetem à Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e em especial os arts. 56 a 65, (b) é definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento de que tratam os arts. 76 a 79 e 82 da IN RFB n° 900/2008 (IN RFB n° 900/2008, art. 67°) e (c) é possível a retificação de ofício de despacho decisório, uma vez que "O despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de declaração entregue para Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 189 12 confessar a existência de crédito tributário, e a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação efetuada". Com base nos fundamentos retro, voto por desconhecer do protesto apresentado. Verificase que, diferente do entendimento da decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta matéria especificamente contra a não homologação da compensação na manifestação de inconformidade de modo que houve instauração da fase litigiosa no procedimento, pois a manifestação de inconformidade foi formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação do Despacho Decisório. No que se refere às questões apresentadas na petição observese que se harmonizam com o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015. Logo, deve ser afastada a preliminar de não conhecimento da manifestação de inconformidade, fls. 0116. Ademais, não houve negativa geral, mas a aplicação do princípio da eventualidade, já que toda a matéria de defesa deve ser alegada na oportunidade legal, sob pena de preclusão, como forma de resistir à pretensão da Administração Pública. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ/POA/RS para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo no caso de regular início da fase processual. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o não conhecimento da manifestação de inconformidade, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/POA/RS nos limites das questões ali constantes, sob pena de supressão de instância. Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito pela instauração da fase litigiosa do procedimento, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/POA/RS para verificação da existência, suficiência e Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11080.900360/200923 Acórdão n.º 1003000.597 S1C0T3 Fl. 190 13 disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, por ser afastada a preliminar de não conhecimento da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907207/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/09/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO.
O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação.
PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR.
As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
Numero da decisão: 3301-006.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.15970/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 72 07 /2 00 9- 88 Fl. 104DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP , de nº 15503.38835.150609.1.3.043490, onde se declara a compensação de pagamento indevido ou maior de CIDE/REMESSAS – código 8741, no valor de R$ 118.649,96, referente ao fato gerador ocorrido em 15/09/2008, com débito da própria CIDE/REMESSAS – código 8741, referente ao fato gerador ocorrido em 15/06/2009. 2 Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/MANAUS/AM) emitiu o Despacho Decisório nº de rastreamento 848504208 (fls. 1 dos autos digitais), não homologando a compensação, contra o qual a recorrente apresenta suas razões de irresignação, chegando até este CARF.. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/RIO DE JANEIRO 1 : Trata o presente processo da Declaração de Compensação Nº 15503.38835.150609.1.3.043490, a qual utilizou suposto pagamento indevido ou a maior de CIDE, código 8741, período de apuração de agosto de 2008, data de arrecadação em 15/09/2008, para compensar débito de CIDE do mês de maio de 2009, no valor de R$ 118.649,96, conforme fls. 3541. O pagamento em tela foi realizado no montante total de R$ 155.776,07, sendo indicado um crédito de R$ 109.043,25, o qual foi totalmente utilizado na presente DCOMP. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu o Despacho Decisório Eletrônico (nº de Rastreamento 848504208) – fl. 01, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente utilizado para o débito de CIDE de agosto de 2008, código 8741, no valor de R$ 155.776,07, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Isto é, o pagamento já havia sido totalmente alocado ao próprio débito ao qual estava destinado, não remanescendo nenhuma quantia a ser aproveitada para a compensação dos débitos objeto da Dcomp. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10283.907207/200988 Acórdão n.º 3301006.115 S3C3T1 Fl. 105 3 débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela (fls. 0413). Prossegue em sua defesa, solicitando a realização de diligência em seus livros fiscais e contábeis para aferição do crédito, alegando que nenhuma diligência foi efetuada, tendo em vista que a decisão se pautou tão somente nas informações prestadas no PER/DCOMP. Finaliza a peça recursal solicitando que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente com amparo nas informações prestadas a RFB, bem como nos documentos examinados por meio de diligência, e, protesta ainda pela juntada de novos documentos antes da decisão deste Colegiado. É o relatório. 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/RIO DE JANEIRO 1 exarou o Acórdão de nº 12.060.545 – 15ª Turma, aqui combatido, que assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008 MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Ano calendário: 2008 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido de CIDE. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCOMP. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não sendo comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido, há de se decidir pela não homologação da compensação declarada. 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa, os seguintes argumentos : O julgador administrativo afastou a pretensão da Recorrente sob o argumento da desnecessidade de produção de prova pericial e, em seguida, deixou de reconhecer o direito creditório do contribuinte alegando que não se trata de pagamento indevido ou a maior, posto o Fl. 106DF CARF MF 4 valor de R$155.776,07 ter sido totalmente absorvido pelo débito da CIDE, informado pelo contribuinte. É inegável a existência do pagamento a maior ou indevido, haja vista não ter sido deduzido do valor da CIDE apurado na remessa realizada em 2009, o crédito decorrente do artigo 4o. da Medida Provisória n. 2.159/2001, perfeitamente demonstrado na manifestação de inconformidade, relativamente à CIDE paga no ano de 2008, no montante de R$155.776,07. O fato de a Recorrente ter utilizado o sistema PERD/COMP para pleitear a restituição/compensação não lhe retira o direito ao reconhecimento do crédito, por ser essa a forma determinada pela Receita Federal para o contribuinte fazer o encontro de dívidas com o fisco federal. A interpretação adotada pelo julgador de primeira instância administrativa em relação ao inciso II, do parágrafo 1 o. do artigo 4o. da referida medida provisória, é tacanha e vai de encontro aos princípios da administração tributária. Quando a lei diz "II será utilizada, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo", não está excluindo o direito do contribuinte de pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente. Basta analisar uma situação hipotética de um contribuinte que tenha efetuado o pagamento a maior de CIDE nos moldes da MP 2.159/2001, para um único contrato. Esse contribuinte, pela análise do julgador, não terá o direito de pleitear a restituição ou compensação do valor pago a maior? Sendo a resposta positiva, haverá o enriquecimento sem causa do fisco, o que é vedado na legislação pátria. Entre as formas de comprovar o direito alegado, a lei elegeu uma delas como sendo a perícia. A Receita Federal do Brasil em dispositivos legais que regulamentam diversos procedimentos administrativos de fiscalização adota a denominação de diligência fiscal, eleita inclusive pelo próprio Decreto n° 70.235/67, como também pelas Instruções Normativas n° 900/2008 e pela atual IN SRF 1.300/2012. Negar a realização de perícia para buscar a verdade material discutida no processo administrativo vai de encontro à Constituição Federal, ao mesmo tempo em que cerceia o direito de defesa do contribuinte. Para amparar o direito dos litigantes em processos administrativos tributários, os anteriores Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda afastaram a omissão do fisco em analisar documentos apresentados posteriormente à defesa administrativa. Resta comprovado que não se pode negar ao sujeito passivo o direito de ter examinado seus documentos e livros fiscais para fazer prevalecer o direito ao contraditório e à ampla defesa. Ficou soberanamente demonstrado pelas planilhas e darfs comprobatórios dos pagamentos da CIDE, juntados na manifestação de inconformidade pela Recorrente, o crédito para o qual se pleiteia o reconhecimento, oriundo do artigo 4°, da Medida Provisória n. 2.159 70/2001, por não ter ocorrido a dedução prevista no dispositivo legal, apresentandose, portanto, como pagamento a maior da CIDE no ano de 2007, gerando crédito para a SHOWA a ser deduzido no ano de 2008. Não está se discutindo neste processo a legitimidade do pagamento da CIDE, ou seja, se é legítima ou não a cobrança, mas tão somente a diferença paga a maior que não fora deduzida na forme determinada Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.907207/200988 Acórdão n.º 3301006.115 S3C3T1 Fl. 106 5 pela referida medida provisória. O crédito, portanto, é originário de pagamento a maior da CIDE, sendo a utilização do mesmo prevista na Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de Agosto de 2001, em seu artigo 4º. Não há, portanto, como negar a existência do crédito que se encontra comprovado pelos documentos anexos, inclusive com O DARF comprobatório do pagamento no total de R$155.776,07 e dos demonstrativos de apuração da CIDE no ano de 2008, incidente sobre a importância remetida para o exterior a título de róialties,relativos aos contratos de exploração mantidos com a empresa coligada sediada no Japão. Esse, inclusive, seria um dos motivos para buscar a verdade material pela análise dos documentos contábeis e fiscais da empresa. Nós autos administrativos constam o valor da remessa para o exterior, a data dessa remessa, o Darf comprovando o pagamento e o fechamento do câmbio. Esses elementos são mais do que suficientes para calcular a CIDE devida e, com conhecimento da MP 2.15970/2001, calcular o valor da dedução que deixou de ser feita pela Recorrente. Através de uma simples operação matemática e superficial análise da MP, restaria comprovado o crédito reclamado pela ora Recorrente Em relação ao direito à compensação, uma vez apurado o crédito em beneficio do contribuinte, não poderá haver resistência do fisco federal por estar amparado na legislação tributária, especificamente no artigo 74, da Lei n. 9.430/96, Acrescentese, ademais, que a compensação está sendo pleiteada entre tributos da mesma espécie, ou seja, CIDE com CIDE, na forma determina pela Medida Provisória em referência, sendo que a Recorrente esta pretendendo comunicar através da Declaração de Compensação que está aproveitando o crédito do ano de 2008, para DEDUZIR parte da CIDE calculada, sob fato gerador semelhante, no exercício de 2009. Isto posto, a Recorrente pede a Vossas Excelências: a) com amparo nos argumentos aduzidos, a reforma total do ACÓRDÃO N° 12 060.54215a Turma da DR.J/RJI, a fim de, se entenderem necessário,determinar diligência nos livros fiscais e contábeis da Recorrente, relativamente ao cálculo da CIDE, incidente sobre royalties calculadas nos anos de 2008/2009, conforme documentos demonstrativos nos autos; b) a homologação do direito de crédito pleiteado, bem como a extinção do débito, nos moldes requeridos na Manifestação de Inconformidade e neste Recurso Voluntários. 6. Em julgamento deste recurso voluntário, a Primeira Seção de Julgamento deste CARF expediu o Acórdão nº 10031.987, onde declarou sua incompetência para apreciação da matéria, diante do Regimento Interno do CARF. O Acórdão restou assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Exercício: 2005 COMPETENCIA Fl. 108DF CARF MF 6 Não se conhece de recurso cuja matéria trata de diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE no período de setembro de 2005, é de competência da Egrégia 3a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a teor da norma contida no artigo 4o , do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF COMPETENCIA DECLINADA 7. Relevante destacar o voto do ilustre Conselheiro Relator : Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, tenho que me furtar em adentrar no mérito da questão, tendo em vista a determinação expressa do artigo 4o, do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF que outorga à 3a Seção deste Conselho Administrativo a competência absoluta para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação referente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, tendo em vista que as DCOMP´s, fls. 02 e seguintes, tratam da compensação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE com parcelas vincendas da mesma contribuição sob o código de receita nº 8741(CIDE REMESSAS AO EXTERIOR). Assim, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de a Egrégia 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para análise do recurso voluntário. 8. Assim os autos vieram para julgamento por esta 3ª Seção. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 9. A discussão nos presentes autos cingese ao direito a compensar crédito de CIDEREMESSAS, oriundo de alegado pagamento a maior, com débito da própria CIDE/REMESSAS. 10. A solução da questão está na própria legislação do tributo. 11. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE foi instituída pelo artigo 2º da Lei 10.168, DOU 30/12/2000, como forma de atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (art.1º da mesma lei). O referido art.2º, em sua redação atual, estabelece: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.907207/200988 Acórdão n.º 3301006.115 S3C3T1 Fl. 107 7 “Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. “(Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) 12. A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa aos autos (Contratos de Câmbio, planilhas e DARFs), verificase que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior no anocalendário de 2008 (de junho a dezembro), recolhendo valor via DARF correspondente á CIDE devida (R$ 74.166,32) no período com a redução de 70% (R$ 109.043,25)), tendo como base de cálculo recolhimento do período anterior ( R$ 192.816,29), conforme planilha e DARF de fls. 34 dos autos digitais e o Contrato de Câmbio de fls. 45, Dessa maneira, no período em que houve apuração de CIDE – Remessas, houve o aproveitamento do crédito correspondente a 70% do valor recolhido, não restando configurado o pagamento indevido ou a maior pleiteado. Fl. 110DF CARF MF 8 13. A redução se deu em decorrência do aproveitamento de crédito de parte da CIDE recolhida em período anterior. O §1º , Inciso I, letra b) do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2000, com a ressalva contida no Inciso II, assim estabelece : “Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei no 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.” 14. Verificase na legislação transcrita que o artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2000, concedeu crédito incidente sobre a CIDEREMESSAS, aplicável á importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de patentes e de uso de marcas. O crédito seria determinado com base na CIDEROYALTIES devida pela utilização do percentual de 70% (setenta por cento) relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º/01/2004 a 31/12/2008, e será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da CIDEREMESSAS incidente em operações posteriores, relativas a royalties descritos no caput do mesmo artigo. 15. Percebese, dessa maneira, que a CIDE tem como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. As quantias a serem remetidas são apuradas nos termos de contrato de tecnologia estabelecido entre as partes. 16. Quanto ao crédito concedido pelo artigo 4º da MP 2.15970/2000, este deve ser utilizado, exclusivamente, para dedução da CIDE incidente em operações posteriores, ou seja, não há previsão legal para utilização deste crédito para compensação, como pretende a recorrente. 17. Como bem destacado pela decisão de piso, a recorrente não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento da CIDE foi indevido, muito menos anexou aos autos o contrato exigido pela legislação para qualificarse como pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.907207/200988 Acórdão n.º 3301006.115 S3C3T1 Fl. 108 9 19. Por derradeiro, quanto ao pedido de realização de diligência, esta deve ser realizada quando existem fatos a serem esclarecidos, diante de documentos apresentados, ou de alegações imprecisas, que necessitam de esclarecimentos, sempre a critério do julgador que decidirá se tais diligências são necessárias ou imprescindíveis para formação de sua convicção. 20. No caso em exame nos presentes autos, diante das provas juntadas pela recorrente nos autos, não há necessidade de diligências para que se esclareça o direito guerreado, por tal motivo, indefiro o pedido de diligência. Conclusão 21. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, não havendo, portanto, crédito disponível para compensação. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914491/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 44 91 /2 01 4- 77 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.914491/201477 Acórdão n.º 3301005.891 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02070.631, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.914491/201477 Acórdão n.º 3301005.891 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.914491/201477 Acórdão n.º 3301005.891 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.914491/201477 Acórdão n.º 3301005.891 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720123/2017-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PRAZO. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Nas hipóteses de falta de pagamento ou em que estiver evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 38.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. INTERPOSTA PESSOA. EFETIVO TITULAR.
Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO ÔNUS DO RECORRENTE.
O lançamento tributário, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA.
Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 108.
Nos termos da legislação de regência, a multa de ofício integra o crédito tributário e, dessa forma, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Nessa linha é a Súmula CARF 108.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUINTES DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE.
A autoridade lançadora não pode, de ofício, promover à compensação de tributos pagos na empresa, quando imputa rendimento tributável à pessoa física. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro.
Numero da decisão: 2402-007.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PRAZO. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Nas hipóteses de falta de pagamento ou em que estiver evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 38. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. INTERPOSTA PESSOA. EFETIVO TITULAR. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO ÔNUS DO RECORRENTE. O lançamento tributário, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 108. Nos termos da legislação de regência, a multa de ofício integra o crédito tributário e, dessa forma, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Nessa linha é a Súmula CARF 108. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUINTES DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade lançadora não pode, de ofício, promover à compensação de tributos pagos na empresa, quando imputa rendimento tributável à pessoa física. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-23T14:41:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-23T14:41:08Z; Last-Modified: 2019-04-23T14:41:08Z; dcterms:modified: 2019-04-23T14:41:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-23T14:41:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-23T14:41:08Z; meta:save-date: 2019-04-23T14:41:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-23T14:41:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-23T14:41:08Z; created: 2019-04-23T14:41:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2019-04-23T14:41:08Z; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-23T14:41:08Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.419 1 1.418 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720123/201707 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.178 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IRPF Depósito bancário de origem não comprovada Recorrente ALEX WALDEMAR ZORNIG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PRAZO. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Nas hipóteses de falta de pagamento ou em que estiver evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 38. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. INTERPOSTA PESSOA. EFETIVO TITULAR. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 23 /2 01 7- 07 Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.420 2 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO ÔNUS DO RECORRENTE. O lançamento tributário, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 108. Nos termos da legislação de regência, a multa de ofício integra o crédito tributário e, dessa forma, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Nessa linha é a Súmula CARF 108. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUINTES DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade lançadora não pode, de ofício, promover à compensação de tributos pagos na empresa, quando imputa rendimento tributável à pessoa física. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos os seguintes excertos do relatório constante do Acórdão nº 1683.544, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de São Paulo/SP, fls. 1.141 a 1.233: Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.421 3 Versa o presente processo sobre autuação, relativa aos anos calendário de 2011 a 2013, em razão da apuração de omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada, gerando crédito tributário da ordem de R$ 17.307.295,26 [...] Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento, sob a alegação, em breve síntese, de haver ilegitimidade passiva na presente autuação. Assinala a impossibilidade do lançamento lastrearse em simples depósitos bancários, e que os documentos que lastrearam a Autoridade Fiscal, no lançamento, encontram se rasurados, motivo pelo qual alega cerceamento à defesa. Assinala ocorrência da decadência relativamente aos anos calendário de 2011 e 2012, e insurgese contra a multa qualificada. Ressalta a ausência de provas quanto à utilização dos valores, e a inexistência de elementos concretos comprovadores das ilações lançadas no relatório fiscal. Insurge se contra a exigência de juros sobre a multa de ofício. Ao julgar a impugnação, a 11ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, em 31/7/18, conforme assim restou ementado no decisum: DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE. Nas hipóteses de falta de pagamento ou em que estiver evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. OBSERVÂNCIA DE PRINCÍPIOS. CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador e, existente a norma, sua aplicação se impõe de forma objetiva, sem espaço para juízos discricionários por parte de quem a ela deve obediência. INTERPOSTA PESSOA. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.422 4 A presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada, caracterizada como omissão de receitas, está prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/1996 e autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal relativa inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado fato indiciário corresponde, efetivamente, ao recebimento de rendimentos fato jurídico tributário. Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso de prática de sonegação fiscal e simulação, omitindo rendimentos em sua declaração de ajuste anual, a fim de se eximir do imposto devido. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUINTES DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade lançadora não pode, de ofício, promover à compensação de tributos pagos na empresa, quando imputa rendimento tributável à pessoa física. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro. Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/8/18, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.240, o Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fl. 825), interpôs o recurso voluntário de fls. 1.243 a 1.288, em 6/9/18, alegando, em síntese: I.A. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR 4. Quanto ao erro da determinação do fato gerador, a DRJ limitouse simplesmente a alegar que “o critério temporal da Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.423 5 RMIT do IRPF seguiu regramento do último dia do ano calendário”. 5. Mas não é isso o que se extrai da autuação. Verificase claramente que, para a apuração do IRPF que está sendo exigido do Recorrente, o agente Fiscal aplicou regime de apuração mensal do fato gerador [...] 6. Ocorre que o fato gerador do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) é anual e não mensal; se perfaz apenas em 31 de dezembro do ano calendário. O entendimento encontrase, inclusive, sumulado no CARF, com efeito vinculante [...]. 7. O erro na determinação do fato gerador consubstancia vício material insanável, que acarreta a nulidade da autuação. [...] Com efeito [...] Antes do ajuste anual não se pode cogitar que o contribuinte tenha auferido renda (fato gerador do imposto de renda). Simples depósitos bancários em contas de terceiros não representam renda a ensejar a tributação pelo IRPF. [...] 8. Nesse sentido, o fiscal deveria ter recomposto a base tributável do IRPF, apurado pelo Recorrente em dezembro dos respectivos anos calendário objeto da autuação (aplicando as deduções cabíveis); e não simplesmente tributado mensalmente os depósitos que, de maneira alguma, consubstanciam, por si só, renda tributável. Ao assim proceder, o Auto de Infração incorreu em vício insanável. [...] 10. Todavia, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF já decidiu que é incabível o lançamento tendo como suporte apenas valores de depósitos bancários, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos e, portanto, não serem fatos geradores do imposto de renda. Lançamento calcado em depósitos bancários somente é admissível quando comprovado (pelo Fisco) o vínculo do valor depositado com a omissão da receita que o originou [...]. 11. Com efeito, a cobrança ora combatida decorre da aplicação invertida pelo Fisco do art. 42 da lei 9.430/96 [...] 12. Como se vê, a referida lei ordinária estabeleceu novo fato gerador do Imposto de Renda, presumindo incidente o tributo sobre valores de depósitos bancários de origem não comprovada, à revelia do que preveem os arts. 153, inciso III, da CF/88 e 43 do CTN. [...] Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.424 6 13. Porquanto instituída por lei ordinária, tal presunção infringe o art. 146, inciso III, alínea ‘a’ da CF/88, segundo o qual apenas a lei complementar pode dispor sobre fato gerador de impostos [...]. 16. E nem se alegue – como pretendido pela DRJ – que tais questões não poderiam ser consideradas nessa via administrativa. [...] 15. Por esses motivos, o STF já reconheceu a repercussão geral da matéria, nos autos do RE 855.649, a saber: [...] Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, , valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito do procedimento fiscalizatório. Ao contrário da objeção da DRJ, os julgados repetitivos proferidos no âmbito do STJ devem ser observados por esse Órgão Julgador Administrativo, conforme expressamente previsto no Regimento Interno do CARF [...]. I.B. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO RECORRENTE 19. Segundo a DRJ, “os documentos de fls. 96/98 trazem elementos bastantes à defesa do impugnante, diversamente do que alegou o Impugnante” [...]; e “o fato do depoimento conter vedações não impediu o entendimento do contexto e das declarações, e nem impediu a defesa” [...]. Sugere, ainda, que como esses elementos foram colhidos antes da impugnação, a sua deficiência não poderia ensejar nulidade por cerceamento do direito de defesa [...]. 21. Ao contrário do que consignou a DRJ, os extratos acostados às fls. 96 a 98 não identificam sequer os dados da conta bancária onde os montantes foram depositados, além do que os documentos se apresentam rasurados [...]. 22. O documento contendo o depoimento do Sr. Norberto de Campos, ao qual se reporta o agente fiscal como um dos principais elementos que embasariam a responsabilização do Impugnante, está igualmente rasurado [...], não sendo possível conhecer por completo o que foi ali declarado e tampouco o contexto das declarações. [...] 23. À toda evidência, as rasuras nos documentos coligidos pela Fiscalização implicam grave empecilho ao direito do impugnante, na medida em que não permitem conhecer por completo o seu conteúdo, pressuposto indispensável ao exercício do contraditório administrativo [...]. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.425 7 25. De rigor, pois, a decretação da nulidade do auto de infração, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. II. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDIR IRPF SOBRE MONTANTES JÁ TRIBUTADOS NA FONTE 26. Restou demonstrado na defesa que, face aos mesmo depósitos referidos acima, o Fisco já está exigindo das fontes pagadoras e do Recorrente, na qualidade de suposto responsável tributário, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF – à alíquota de 35%), lançado com fundamento no art. 61 da Lei 8.981/95 (art. 674 do RIR/99), a pretexto de que tais depósitos decorreram de pagamentos sem causa (processos administrativos nº 13864.720154/201679, nº 13864.720155/201613 e nº 13864.720070/201716). Ressaltese que todos esses processos, atualmente, permanecem suspensos por terem sido incluídos em programa de parcelamento pelas empresas devedoras principais. Com efeito, a pretensa identificação do Recorrente no presente processo, como suposto beneficiário dos pagamentos (alegação essa que, como será exposto adiante, é despida de qualquer fundamento) não permite nova exigência fiscal, tendo em vista que já houve lançamentos anteriores para exigência do imposto exclusivamente na fonte, como esteio no art. 674 do RIR/99. 27. Sobre esse ponto, a DRJ limitouse a sustentar que “independentemente da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da adesão ao PERT, é certo que a solidarização em auto de infração que descreve outra RMTI (diferentes a sujeição passiva, o critério material, alíquota e bases de cálculo, e o critério temporal) não impede a presente autuação [...]. 28. Todavia, ao contrário do eu sustentou a DRJ, inequívoco que o Fisco está exigindo Imposto de Renda naqueles processos tomando por base os mesmos depósitos objeto destes autos, o que, por si só (independentemente da identidade dos outros elementos da Regra Matriz de Incidência Tributária – RMIT), já inviabiliza a lavratura do presente auto de infração, tendo em vista que o art. 83 do RIR/99 determina expressamente, a exclusão de rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte da base de cálculo do IRPF. [...] III. DECADÊNCIA 34. Para afastar a decadência no presente caso, a DRJ sustentou a aplicação do art. 173, I, do CTN, pelo só fato de ter sido lançada multa qualificada [...]. 37. É preciso, pois, que esteja caracterizada (devidamente comprovada no processo administrativo) a efetiva ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para aplicarse o art. 173, inciso I, do CTN. Não basta a simples qualificação da multa em razão de Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.426 8 suposto omissão de receita para que haja o deslocamento do prazo de decadência. [...]. 39. Nesse sentido, afastada a qualificação da multa – que será combatida topicamente a seguir – é de rigor a contagem do prazo decadencial com esteio no art. 150, § 4º, do CTN. IV. IMPOSSIBILIDADE DE SE IMPUTAR RESPONSABILIDADE AO RECORRENTE POR PRESUNÇÃO 44. No ponto, a DRJ reconheceu que a responsabilidade tributária foi imputada ao Recorrente por simples presunção, [...]. 46. No presente caso, os montantes (ditos omitidos) foram depositados pelas empresas Telemar Norte Leste S/A e OI A/A em conta bancária de titularidade da ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., cabendo à referida empresa (titular da conta bancária) – e não ao Recorrente – o ônus da prova quanto à origem dos referidos depósitos. 47. A hipótese aqui versada – redirecionamento da responsabilidade a terceiro – é aquela prevista no § 5º do art. 42 da Lei 9.430/96 [...]. 48. Vejase que, nessa hipótese, o dispositivo impõe ao Fisco o dever de provar que “os valores creditados em conta de depósito ou investimento pertencem a terceiro”. [...] 50. Ao contrário do que sustenta a DRJ, portanto, não compete ao Recorrente o ônus da prova quanto à titularidade da conta bancária em que efetuados os depósitos; mas si, sim, ao Fisco. ATÉ PORQUE IMPOSSÍVEL A PRODUÇÃO DE PROVA NEGATIVA! [...] 53. Não há qualquer prova de transferência desses depósitos ao Recorrente. Além disso, não consta dos autos cópia da ficha ou cartão de abertura da conta bancária onde os montantes foram depositados, não se podendo aferir, sequer, quem seriam os titulares da conta e se todos foram previamente intimados para comprovar a origem dos depósitos, a evidenciar a absoluta improcedência da autuação [...]. 56. É de se ressaltar que as declarações prestadas nesse sentido pelo Sr. Norberto de Campos [...] são insuficientes à sua responsabilização, porquanto dissociadas de qualquer elemento concreto de prova do quanto ali declarado. [...] 57. Ao contrário do que sustentado pelo agente fiscal, não há nos autos qualquer extrato que comprove a transferência de R$ Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.427 9 6,5 milhões da ASCON para a MAXCONSULT. Notese que a alegação tem arrimo em simples planilhas elaboradas pela fiscalização[...] que, em flagrante contrariedade ao TVF, indicam um suposto fluxo de pagamentos da ASCON para a MAXCONSULT de R$ 4,5 milhões – e não de 6,5 milhões como apontado pelo agente fiscal. [...]. 66. Enfim, não há dúvida que a beneficiária dos rendimentos foi a ASCON Consultoria Empresarial Ltda. Inexistindo, ademais, qualquer indicação de que a referida empresa tenha deixado de tributar os rendimentos nos autos de 2011, 2012 e 2013, não se justifica, de forma alguma, a responsabilização do Recorrente. V. INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA [...] 68. Ocorre [...] que em momento algum o agente fiscal comprovou conduta dolosa do Recorrente que justifique a elevação da multa, de modo que não se justifica a agravação. [...]. Inexiste, em suma, qualquer fundamento que justifique a aplicação de multa qualificada ao Recorrente. VI. IMPOSSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO [...] 70. [...], ao contrário do que aduz o acórdão, não há previsão legal que a incidência de juros sobre a multa de ofício sendo também indevida a exigência fiscal nesse ponto. VII. NECESSIDADE DE ABATIMENTO DO IMPOSTO PAGO PELA EMPRESA SALVETI [...] 77. [...] o montante apontado às fls. 732 (transferências feitas para conta bancária da empresa Salveti no montante de R$ 2.918.000,00) não guarda qualquer correspondência com os depósitos objeto da presente autuação. 78. Ainda que assim fosse, o que se admite apenas à guisa de argumentação, cabe ressaltar que o agente fiscal deveria, no mínimo, ter excluído da base de cálculo do IRPF ora combatido os montantes devidamente declarados e tributados por aquela empresa. Caso contrário, restará claro o “bis in idem”, tributandose duas vezes (pelo IR) o mesmo fato gerador [...]. VII. PEDIDO (i) Preliminarmente Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.428 10 (a) anular o auto de infração, por vício material insanável, eis que o fato gerador do IRPF é anual [...] e não mensal como equivocadamente apontou a fiscalização; (b) reconhecer sua ilegitimidade passiva, tendo em vista que a hipótese versada [...] está sujeita à incidência de imposto exclusivamente na fonte [...], que já está sendo exigido do Recorrente [...] nos processos administrativos nº 13864.720154/201679, nº 13864.720155/201613 e nº 13864.720070/201716; (ii) no mérito (a) decretar a extinção dos débitos atinentes ao período de 30/04/2011 a 31/10/2012, pela decadência[...]; (b) cancelar integralmente a exigência fiscal, tendo em vista a impossibilidade de se imputar responsabilidade ao Recorrente por presunção [...]; (c) excluir da base do IRPF ora combatido os montantes devidamente declarados pela empresa Salveti; (d) reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, por inexistente causa qualificadora da penalidade; (e) afastar os juros moratórios sobre a multa de ofício [...]. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Todavia, no presente julgamento, em que pese a classificação data pelo Recorrente às suas alegações, as reordenaremos de acordo com a sua natureza, tratando das matérias na seguinte ordem: preliminares, prejudiciais de mérito e questões de mérito. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Segundo o Recorrente, os extratos bancários, utilizados pela fiscalização (fls. 96 a 98), além de estarem rasurados, não identificam os dados da conta bancária onde os montantes foram depositados. Por sua vez, o depoimento do Sr. Norberto de Campos também se encontra rasurado, o que não permitiria o conhecimento completo do que ali foi declarado. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.429 11 Dessa forma, ao contrário do que entendeu a DRJ, aduz o Recorrente que tais elementos probatórios, na condição em que se encontram, teriam implicado em grave empecilho ao exercício do direito de defesa, acarretando a nulidade do lançamento, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235, de 6/3/72. Pois bem, antes de considerações outras, vejamos o que restou consignado na decisão recorrida: Cumpre mencionar que a descrição do fato constante do auto de infração indica, de forma inequívoca, que a autoridade fiscal considerou que a sujeição passiva das regras matrizes de incidência tributária, relativamente às infrações tributárias, eram afetas ao Impugnante, motivo pelo qual intimou o sujeito passivo para que apresentasse justificativas. Na impugnação apresentada, percebese, com absoluta clareza, que o Impugnante demonstra ter identificado e compreendido as infrações apontadas no lançamento. Ademais, verificase que o Auto de Infração veio estribado de todas as razões que ensejaram a sua lavratura, permitindo, ao Impugnante, o conhecimento nítido das acusações imputadas, com detalhamento do desenvolvimento da fiscalização em exame. Além disso, conforme já indicado, não há litígio e, portanto, não há contraditório antes de apresentada a impugnação, de forma a não se considerar cabível o alegado cerceamento à defesa. Não bastasse isso, os documentos de fls. 96/98 trazem elementos bastantes à defesa do impugnante, diversamente do que alegou o Impugnante [...]. Conforme se observa na transcrição acima, por meio de sua impugnação, o sujeito passivo deixou absolutamente claro que identificou e compreendeu as infrações apontadas no lançamento. Importante destacar que nenhuma informação utilizada pela fiscalização e extraída dos citados documentos foi rasurada, mas apenas aquelas que não interessavam ao presente caso. Além do mais, conforme se depreende dos autos, o Termo de Verificação Fiscal TVF (com 57 páginas) e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores do imposto devido e dos anoscalendário a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; o nome do AuditorFiscal, a indicação do seu cargo e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado da exação tributária, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa que utilizou dessa Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.430 12 prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa. Portanto, temse por afastado o alegado cerceamento do direito de defesa. Da alegada decadência Segundo o Recorrente, a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, exige a caracterização e comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e não apenas a qualificação da multa em razão da omissão. Nesse sentido, afastada a qualificação da multa, entende que deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN. De início, insta trazermos à baila as seguintes considerações da decisão de primeira instância: No caso dos autos, houve aplicação de multa qualificada sobre a omissão de rendimentos oriundos de pessoa jurídica, haja vista a caracterização de fraude e simulação na conduta dolosa do Impugnante. Em razão dessas circunstâncias, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN, a Fazenda poderia cientificar o Contribuinte do auto de infração relativo ao anocalendário de 2011 até 31/12/2017, o relativo ao ano calendário de 2012 até 31/12/2018, e quanto a 2013, até 31/12/2019. Considerando a cientificação da autuação aos 10/11/2017, e considerando a aplicação do art. 173, I, do CTN em face da simulação e fraude, cumpre rechaçar as alegações de decadência suscitadas pelo Impugnante. (Grifos no original) Como e vê, a decisão de primeira instância não tomou por base a qualificação da multa, mas sim a caracterização da conduta dolosa voltada à pratica de fraude e simulação, tendo sido tais práticas bem demonstradas no TVF, conforme será visto mais adiante neste voto. Logo, havendo a subsunção da conduta do Recorrente à regra prevista na parte final do § 4º do art. 150 do CTN, correta a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma. Sendo assim, não há retoques a se fazer na decisão recorrida. Do alegado erro na determinação do fato gerador Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.431 13 Segundo o Recorrente, em que pese o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) ser anual, ocorrendo em 31 de dezembro, a fiscalização teria aplicado o regime de apuração mensal do fato gerador, o que representaria vício material insanável por erro na determinação do fato gerador. Aduz, ainda, que antes do ajuste anual não se pode cogitar que o contribuinte tenha auferido renda e que simples depósitos bancários em contas de terceiros não representariam renda a ensejar a tributação pelo IRPF, consoante decisão do CARF que cita, bem como que o art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/96, estaria infringindo o art. 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, segundo o qual apenas a lei complementar pode dispor sobre o fato gerador de impostos. Por fim, nesse tópico do recurso, alega que a constitucionalidade do art. 42, da Lei 9.430/96 estaria sendo discutida no RE 855.649, com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que tal julgado deve ser observado por esse Órgão Julgador Administrativo. Pois bem, com relação ao momento do fato gerador, não assiste razão ao Recorrente. Conforme se observa no Demonstrativo de Apuração do IRPF de fls. 6 a 8, nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, a fiscalização apenas detalhou as infrações mês a mês, porém, fez a apuração anual do imposto devido, segundo se extrai da imagem a seguir, que mostra o procedimento utilizado em 2013, e que foi igual para os três anos: Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.432 14 Também não merece guarida a alegação do Recorrente de que simples depósitos bancários em contas de terceiros não representariam renda a ensejar a tributação pelo IRPF, pois o caso concreto se amolda à regra do art. 42, da Lei 9.430/96, de observância obrigatória pela autoridade fazendária, nos termos do que dispõe o art. 142, § único, do CTN. Senão, vejamos: Lei 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Segundo o TVF, restou evidenciado no procedimento fiscal que o Recorrente é o real beneficiário dos depósitos bancários, nos seguintes termos: II.1.14 CONTRIBUINTE (REAL BENEFICIÁRIO) 126. De acordo com exposto em todos os subtópicos acima, o contribuinte – em relação ao crédito tributário que será constituído com base nos valores depositados pela TELEMAR NORTE LESTE S/A e pela Oi S.A. na conta bancária de titularidade formal da interposta pessoa ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA nos meses de abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2011, janeiro, julho e outubro de 2012 e janeiro, fevereiro, março, maio e junho de 2013 é o Sr. ALEX WALDEMAR ZORNIG, tendo em vista que ele foi o real beneficiário, nos termos do art. 42, § 5º, da Lei 9.430/96, o qual teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato causador da obrigação tributária, nos Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.433 15 termos do art. 121, § único, inciso I, da Lei nº 5.172/66 (CTN), na medida em que adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica dos depósitos na conta bancária da interposta pessoa ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, critério material da hipótese de incidência do imposto de renda das pessoas físicas, antecedente da norma tributária primária. E nem se diga que o entendimento do Recorrente encontraria amparo nas decisões do CARF1, citadas no recurso, pois, além de produzirem efeitos apenas inter partes e não erga omnes, são muito antigas, tendo quase 20 anos e não espelham a atual jurisprudência deste Conselho, conforme se observa em recentes julgados, cuja ementa transcrevemos a seguir: Acórdão da CSRF nº 9202007.441, de 12/12/18 IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias. Acórdão da CSRF nº 9202007.510, de 30/1/19 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Nesse caso, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em contas do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Quanto à alegada infringência do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/96, ao disposto no art. 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, insta destacar que este 1 Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) nº 0102.884 e 0103.172, de 13/3/00 e 7/11/00, respectivamente. Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.434 16 Conselho não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias. Sendo nessa linha, inclusive, a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto à repercussão geral reconhecida no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 855.649, insta destacar que a observância obrigatória deste Conselho se restringe às decisões definitivas do STF, o que não a ocorre, até o momento, em relação ao citado RE. Dessa forma, temse por improcedentes as alegações quanto à determinação do fato gerador. Dos montantes já tributados na fonte Segundo o Recorrente, o “Fisco já está exigindo das fontes pagadoras [...] Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF – à alíquota de 35%), lançado com fundamento no art. 61 da Lei 8.981/95 (art. 674 do RIR/99), a pretexto de que tais depósitos decorreram de pagamentos sem causa (processos administrativos nº 13864.720154/201679, nº 13864.720155/201613 e nº 13864.720070/201716)”. O Recorrente informa, também, que todos esses processos permanecem suspensos, por terem sido incluídos em programa de parcelamento. Dessa forma, entende o Recorrente que não pode haver “nova exigência fiscal, tendo em vista que já houve lançamentos anteriores para exigência do imposto exclusivamente na fonte, como esteio no art. 674 do RIR/99”, e, ao contrário do que sustentou a DRJ, defende o Recorrente que, independentemente da identidade dos elementos da Regra Matriz de Incidência Tributária (RMIT), não poderia ter havido a lavratura do auto de infração ora discutido, “tendo em vista que o art. 83 do RIR/99 determina, expressamente, a exclusão de rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte da base de cálculo do IRPF”. Pois bem, compulsando a decisão de primeira instância, notase que seu voto condutor traz cópia dos autos de infração lavrados contra as fontes pagadoras, dos acórdãos de primeira instância que julgaram improcedentes as impugnações, bem como dos documentos que demonstram a inclusão dos débitos em parcelamento. A par desses elementos e do seu cotejamento, assim concluiu o julgado a quo quanto à possibilidade do presente lançamento: Independentemente da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da adesão ao PERT, é certo que a solidarização em auto de infração que descreve outra RMIT (diferentes a sujeição passiva, o critério material, alíquota e base de cálculo, e o critério temporal) não impede a presente autuação. De fato, em relação à fonte pagadora e ao Recorrente, a RMIT aponta sujeitos passivos e fundamentos legais distintos, ou seja, de um lado temos pagamentos sem causa, realizados pela Telemar e pela Oi, sobre os quais está sendo cobrado 35% de IRRF, nos termos do art. 61 da Lei 8.981/95, e de outro lado temos depósitos bancários cuja origem não foi Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.435 17 comprovada, sendo o Recorrente o real beneficiário dos valores depositados, os quais foram considerados como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Desse modo, uma vez que o valor cobrado das fontes pagadoras diz respeito a pagamento sem causa, não há como compensálo com o imposto incidente sobre os rendimentos omitidos pelo Recorrente em sua Declaração Anual de Ajuste (DAA). Ademais, o Recorrente não fez qualquer demonstração da existência de vínculo específico entre valores recolhidos pelas fontes pagadoras (Telemar e Oi) e a base de cálculo que ensejou o presente lançamento. Lembrando que tais fontes pagadoras transferiram mais de 21 milhões para a empresa ASCON e, deste total, apenas 6,5 milhões foram disponibilizados ao Recorrente. Sendo assim, mantemos a decisão recorrida quanto a esse ponto. Da imputação de responsabilidade ao Recorrente Nos termos da defesa, a DRJ teria reconhecido que a “responsabilidade tributária foi imputada ao Recorrente por simples presunção”, porém, no entendimento do Recorrente, não competiria ao mesmo o ônus da prova em contrário quanto à titularidade da conta bancária na qual foram efetuados os depósitos, mas sim ao Fisco, uma vez que seria “impossível a produção de prova negativa”. Também aduz não haver “qualquer prova de transferência desses depósitos ao Recorrente” e que a ASCON Consultoria Empresarial Ltda. foi a beneficiária dos depósitos, inexistindo qualquer indicação de que esta “tenha deixado de tributar os rendimentos nos autos de 2011, 2012 e 2013”. Pois bem, ao contrário do que é dito no recurso voluntário, a decisão de primeira instância, após transcrever longo trecho do TVF, no qual são descritos os fatos ocorridos e as condutas praticadas pelo Recorrente, afirma que “não houve presunção por parte do Fisco” e acrescenta o seguinte: No lançamento em questão, a D. Autoridade Fiscal identificou o contribuinte segundo a regra do art. 121, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, atribuiuse a responsabilidade pela obrigação principal àquele que de fato teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda, com comprovação de fraude tributária perpetrada com a finalidade de reduzir ou suprimir tributo. O relatório fiscal, de forma clara e precisa, demonstrou o planejamento tributário utilizado pelo Impugnante, de forma abusiva e fraudulenta, caracterizador da evasão fiscal. Explicita o fato da utilização de interpostas pessoas, com a finalidade de redução do pagamento de impostos. Da impugnação Doutro lado, as alegações da defesa não vieram acompanhadas de nenhum novo documento comprobatório das suas alegações, de forma a que pudessem restar afastadas as provas acostadas no curso da fiscalização. Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.436 18 Ao contrário, há farta instrução processual descritiva do recebimento de valores, injustificadamente e por interpostas pessoas. Ora, ao decidir apresentar a impugnação em face do lançamento, o Impugnante assumiu o ônus de apresentar documentos que fundamentem as alegações apresentadas, sob pena de serem considerados não alegados os fatos não provados. [...] Comprovado nos autos o recebimento de valores pelo impugnante por interpostas pessoas, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda encontrase plenamente demonstrada. Cabe, portanto, exclusivamente ao Impugnante o ônus da comprovação do não recebimento ou do oferecimento dos valores, de forma correta, à tributação, o que não ocorreu nos presentes autos. O ônus da comprovação da natureza do rendimento é do beneficiário e não do Fisco. Não cabe ao Fisco comprovar que o rendimento é tributável, mas tãosomente que o contribuinte percebeu os rendimentos, no montante e na data especificados. A D. Autoridade Fiscal respeitou a farta documentação probatória juntada aos autos para aferir o rendimento omitido, respeitados os critérios materiais e temporais. (Grifos no original) Conforme assentado de modo cristalino na transcrição acima, o acórdão recorrido manteve o lançamento com base nos esclarecimentos prestados pela fiscalização e no consistente conjunto probatório presente nos autos, não tendo o Impugnante, ora Recorrente, trazido aos autos elementos de prova capazes de afastar o pressuposto de fato do lançamento. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção. Vide o disposto no art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ademais, o fluxograma elaborado pela fiscalização e constante do TVF mostra, de forma muito clara, o caminho do dinheiro e a posição do Recorrente no “esquema” 2 perpetrado: 2 Termo utilizado pela fiscalização no TVF. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.437 19 Em relação a esse fluxograma, a fiscalização teceu os seguintes esclarecimentos: 109. Dos recursos financeiros transferidos à ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA pela TELEMAR NORTE LESTE S/A e pela Oi S.A. por meio de depósitos na conta bancária 137189, agência 5572, banco Itaú, os quais tiveram como real beneficiário o Sr. ALEX WALDEMAR ZORNIG e que ficaram à disposição dele na referida conta bancária, verifica se, conforme a seguir, o caminho percorrido de parte desses valores até ele (Sr. ALEX WALDEMAR ZORNIG) a partir da ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. 110. A ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA remeteu 6,5 milhões de reais para a MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA, CNPJ 06.254.779/000158, conforme os extratos da conta bancária 137189, agência 5572, banco Itaú, Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.438 20 obtidos por meio das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de números 08.1.20.002015000685 e 08.1.20.002016000336. 111. De acordo com o depoimento do sócio Sr. NORBERTO DE CAMPOS, a MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA é interposta pessoa, na medida em que foi utilizada somente para transferência de recursos. 112. Vale lembrar que os sócios da ASCON CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA e da MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA, NORBERTO DE CAMPOS e DIVA BERALDO DE CAMPOS JESUS, também foram utilizados como interpostas pessoas. [...] 114. A MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA emitiu cheques no valor total de 1,272 milhões de reais (quadro abaixo) diretamente para o ALEX WALDEMAR ZORNIG, conforme documentação obtida por AuditoresFiscais em exercício na Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Processo Administrativo Fiscal de número 16327720.784/201619). [...] 115. Os cheques foram assinados individualmente pela DIVA BERALDO DE CAMPOS JESUS e pelo NORBERTO DE CAMPOS, sócios, interpostas pessoas, da MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA. 116. A MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA emitiu cheques no valor total de 2,918 milhões de reais (quadro abaixo) para a SALVETTI SERVIÇOS FINANCEIROS EIRELI, cujo sócio é o ALEX WALDEMAR ZORNIG, conforme documentação obtida por AuditoresFiscais em exercício na Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Processo Administrativo Fiscal de número 16327 720.784/201619). [...] 117. Os cheques foram assinados individualmente pela DIVA BERALDO DE CAMPOS JESUS e pelo NORBERTO DE CAMPOS, sócios, interpostas pessoas, da MAXCONSULT ADMINISTRAÇÃO E ASSESSORIA LTDA. 118. A SALVETTI SERVIÇOS FINANCEIROS EIRELI é interposta pessoa, conforme apurado por AuditoresFiscais em exercício na Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras, Processo Administrativo Fiscal de número 16327720.784/201619, cujo Termo de Verificação Fiscal, página 49, é transcrito abaixo, “in verbis”: 3.2 ANÁLISE DO FLUXO FINANCEIRO Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.439 21 Analisando o fluxo financeiro das operações (follow the money), através dos documentos obtidos e através da movimentação financeira obtida mediante RMF (Requisição da Movimentação Financeira), podemos constatar os reais beneficiários do "esquema" montado pelos envolvidos e os artifícios utilizados para dar legalidade aos valores recebidos: Diretor do Bank Boston ALEX ZORNIG através da empresa SALVETI mediante suposta prestação de serviço de consultoria recebeu recursos da empresa de "fachada" MAXCONSULT, que conforme depoimento do próprio sócio, foi utilizada somente para transferência de recursos. A empresa SALVETI não apresentou contratos de prestação de serviços, não apresentou elementos que comprovem a efetividade do serviço prestado, se limitando apenas em apresentar as Notas Fiscais de Serviços emitidas por ele (DOC 15), conforme podemos observar em suas respostas as intimações realizadas no curso da Diligência junto a mesma. Dos documentos obtidos através da RMF junto ao Banco Itaú, podemos constatar os valores repassados pela MAXCONSULT a empresa SALVETI e ao Sr. ALEX ZORNIG (DOC 16). Como se vê, o Recorrente, na condição de diretor da Telemar S/A e da Oi S/A, autorizou depósitos na conta bancária da Ascon Consultoria Empresarial Ltda., tendo, então, os valores sido transferidos para a Maxconsult Administração e Assessoria Ltda., que, por sua vez, emitiu cheques em favor do próprio Recorrente e em favor da empresa Salvetti Serviços Financeiros – EIRELI, que tem como sócio o próprio Recorrente. Lembrando que tal quadro restou evidenciado por meio de documentos, diligências e depoimentos. Logo, temse por demonstrado, de forma inequívoca, que os recursos depositados na conta da Ascon Consultoria Empresarial Ltda. e que compuseram a base de cálculo do presente lançamento, tiveram como beneficiário o Recorrente, o que leva a subsunção do quadro fático à norma do art. 42, § 5º, da Lei 9.430/96. Portanto, deve ser mantida a decisão de primeira instância quanto à responsabilidade do Recorrente. Da multa qualificada Segundo a defesa, “em momento algum o agente fiscal” teria comprovado a conduta dolosa do Recorrente que justificasse a “elevação da multa”. Todavia, como visto anteriormente neste voto, restou demonstrada e comprovada a evasão tributária engendrara pelo Recorrente e, nesse ponto, acertada foi a decisão recorrida, que assim dispôs: A D. Autoridade Fiscal comprovou e demonstrou a prática de sonegação fiscal, mediante simulação, com utilização de interpostas pessoas para ocultar o real contribuinte/beneficiário Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.440 22 dos recursos. Aliás, a comprovada utilização de interposta pessoa é bastante para evidenciar o intuito doloso do Impugnante. Indubitavelmente, o Impugnante, ao efetuar movimentação bancária (recebimento de valores, da Telemar e Oi, nas contas da Ascon e repassadas à Maxconsult e Salvetti) por meio de interpostas pessoas, teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. [...] No caso restou comprovado que o titular de direito da conta (Ascon R$ 21 mi) é interposta pessoa (como as demais Maxconsult e Salvetti). A forma como foram movimentados os recursos financeiros, e os demais elementos obtidos indicam o autuado como o beneficiário dos valores. Cabe destacar, inclusive, a Súmula Vinculante CARF nº 34, que autoriza a qualificação de multa de ofício no caso de omissão de rendimento decorrente de depósito bancário de origem não comprovada quando a movimentação dos recursos envolver conta bancária de interpostas pessoas: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada. Dos juros sobre a multa de ofício Segundo o Recorrente, não há previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício, porém, não comungamos desse entendimento. Vejamos, primeiramente, o que dispõe CTN a esse respeito: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.441 23 [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (Grifo nosso) Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, a multa lançada de ofício (penalidade pecuniária) constitui uma obrigação principal da qual decorre o crédito tributário, estando este sujeito a juros de mora quando não pago no vencimento. Logo, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em outras palavras, como a multa de ofício integra o crédito tributário e este está sujeito a juros de mora por inadimplência, obviamente, a multa de ofício também está sujeita a juros de mora. Nesse sentido é a Solução de Consulta nº 47 da Cosit, de 04/05/2016: Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário, do qual faz parte a multa lançada de ofício. Além do mais, a incidência de juros sobre a multa de ofício já se encontra sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do abatimento do imposto pago pela Salvetti Segundo o Recorrente, “o agente fiscal deveria [...] ter excluído da base de cálculo do IRPF ora combatido os montantes devidamente declarados e tributados [pela empresa Salvetti]. Caso contrário, restará claro o ‘bis in idem’, tributandose duas vezes (pelo IR) o mesmo fato gerador”. O Recorrente alega, ainda, em relação ao seguinte trecho do julgado a quo, que transcreve em sua peça defensiva, que a DRJ teria se manifestado laconicamente, e que tal fato permitiria perceber “claramente a pretensão de enriquecimento ilícito do Fisco”: Eventuais pagamentos ou recolhimentos tributários feitos pelas pessoas jurídicas, indevidos, poderão ensejar pedidos de Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 13864.720123/201707 Acórdão n.º 2402007.178 S2C4T2 Fl. 1.442 24 restituição ou compensação previstos em rito próprio, perante a Autoridade Competente. Por serem questões estranhas à competência desta autoridade administrativa de julgamento, não conheço desse pedido. (Grifo no recurso voluntário e na decisão a quo) Contudo, esse trecho não se apresenta sozinho na decisão, conforme se observa na transcrição completa desse tópico da decisão de primeira instância: Da compensação de ofício. Requerse a compensação dos valores de tributos pagos pela Salvetti com o valor do crédito tributário lançado, sob o argumento de que os valores teriam sido recolhidos. O pedido formulado encontra óbice na ausência de previsão legal para que a compensação seja feita de ofício pela própria autoridade lançadora no momento do lançamento de ofício, tampouco pela a autoridade julgadora de primeira instância ao apreciar a impugnação. A única previsão legal para a compensação de ofício está contida no Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a qual não se coaduna com o entendimento do Impugnante. Eventuais pagamentos ou recolhimentos tributários feitos pelas pessoas jurídicas, indevidos, poderão ensejar pedidos de restituição ou compensação previstos em rito próprio, perante a Autoridade Competente. Por serem questões estranhas à competência desta autoridade administrativa de julgamento, não conheço desse pedido. (Grifo no original) Como se nota, a decisão recorrida esclarece que eventuais recolhimentos indevidos podem ser objeto de pedido de restituição ou compensação e que, no caso em análise, não há previsão legal para a compensação de ofício pleiteada. Ademais, é bom lembrar que, segundo apurado pela fiscalização, a empresa Salvetti se apresentou apenas como uma “empresa de fachada” (interposta pessoa), não tendo sido comprovada qualquer prestação de serviço que justificasse os valores a ela repassados. Sendo assim, mantemos a decisão de primeira instância em relação a esse ponto da defesa. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1442DF CARF MF
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