Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.002202/2006-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto.
Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9202-004.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, que o conheceu e apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Andreia Caetano Brito, OAB-SP 235475, escritório Souza, Cescon, Barrieu e Flesch.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.002202/2006-18
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5625171
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.298
nome_arquivo_s : Decisao_19515002202200618.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002202200618_5625171.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, que o conheceu e apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Andreia Caetano Brito, OAB-SP 235475, escritório Souza, Cescon, Barrieu e Flesch. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6474202
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688030384128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 725 1 724 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.002202/200618 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.298 – 2ª Turma Sessão de 20 de julho de 2016 Matéria IRF REMESSAS PARA O EXTERIOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICAN TOWER DO BRASIL CESSÃO DE INFRAESTRUTURAS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, que o conheceu e apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Andreia Caetano Brito, OABSP 235475, escritório Souza, Cescon, Barrieu e Flesch. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 16/08/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 02 /2 00 6- 18 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda na Fonte, multa de ofício e juros de mora, relativos ao período de 05/2001 a 06/2006, tendo em vista que a Contribuinte não procedeu à retenção sobre juros incidentes sobre empréstimos contraídos no exterior, por ocasião de seu crédito contábil, antes do vencimento das obrigações junto ao credor. No julgamento em Primeira Instância o lançamento foi considerado improcedente, conforme a seguinte ementa: "(...) MÉRITO. IRF. FATO GERADOR. JUROS INCIDENTES SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAIDOS NO EXTERIOR. Somente ocorre o fato gerador por ocasião do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de importâncias a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, feito por fonte situada no País, a título de juros, na forma do art. 702 do RIR/1999. A apropriação contábil de tal despesa, em obediência ao princípio da competência, não caracteriza a ocorrência do fato gerador do tributo, em razão da inocorrência da comprovação de quaisquer das situações elencadas pelo dispositivo acima. Lançamento Improcedente" O resultado do julgamento foi assim registrado: "Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE o lançamento, exonerando o crédito tributário exigido." A decisão da DRJ ensejou Recurso de Ofício, julgado em 11/03/2015, oportunidade em que foi prolatado o Acórdão nº 2202003.029, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, impõese o conhecimento do recurso de ofício. IRRF. CRÉDITO CONTÁBIL. RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. FATO GERADOR Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 726 3 Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no país. O simples registro contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte, Dr. Hugo Barreto Sodré Leal, OAB/SP 195.640." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/04/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 663). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu 30 dias após a referida data (02/05/2015) e, em 07/05/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 664 a 669 (Despacho de Encaminhamento de fls. 670), com fundamento no art. 37, § 2º, II, do Decreto nº 70.235/72, c/c arts. 64, I, e 67, do RICARF, visando rediscutir se o crédito contábil de juros a beneficiário no exterior, antes do pagamento, constitui fato gerador do Imposto de Renda na Fonte. Como paradigma, foi indicado o Acórdão nº 10610.809, de 13/05/1999. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 30/07/2015 (fls. 671 a 674). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: como é notório, a aquisição do direito de receber e dispor do valor também representa fato gerador do imposto de renda, de acordo com o próprio art. 43 do CTN: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” ainda no que tange à legislação, ao caso devese atentar para os seguintes dispositivos do Decretolei nº 5.844, de 1943: “Art. 97. Sofrerão o desconto do imposto à razão de 15% os rendimentos percebidos. a) pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no estrangeiro; [...] Art. 100. A retenção do imposto, de que tratam os arts. 97 e 98, compete à fonte, quando pagar, creditar; empregar, remeter ou entregar o rendimento.” Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 no presente litígio, tratase de incidência de imposto de renda na fonte sobre quantias devidas a beneficiário no exterior; o art. 702 do RIR/99 dispõe sobre o fato gerador do imposto, verbis: “Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 28)”. evidentemente, devese interpretar o dispositivo acima em consonância com o art. 43 do CTN, que prevê que o imposto de renda incide quando houver disponibilidade econômica ou jurídica de renda, o que significa que o imposto deve incidir tanto na hipótese de pagamento, de entrega efetiva dos recursos ao beneficiário no exterior, quanto na hipótese em que a renda é disponibilizada a esse mesmo beneficiário, o que ocorre quando a importância é creditada pela fonte; no caso do paradigma, considerouse que o fato de os juros terem sido registrados como despesa, ainda que não tivessem sido remetidos ao beneficiário no exterior, estaria caracterizado, com base no regime de competência, que a receita correspondente foi adquirida, ainda que virtualmente, pelo credor, e esta é exatamente a hipótese dos autos; o registro da receita e a sua remessa ao exterior são fatos diversos, a receita decorre dos juros sobre capital próprio, e não da remessa do numerário ao exterior; nem se alegue que o regime de tributação na fonte de rendimentos de residentes no exterior não permitiria essa ilação, já que o art. 43, do Código Tributário Nacional, não permite a incidência de imposto de renda apenas sobre valores pagos, entregues (até fisicamente) ao beneficiário, mas, também, quando a receita é disponibilizada; portanto, temse que de acordo com o regime de competência, bem como a hipótese de incidência do imposto de renda previsto no art. 43 do CTN, o registro contábil pela fonte pagadora é premissa lógica a autorizar a conclusão de que a receita correspondente foi disponibilizada ao beneficiário. uma vez caracterizada a ocorrência do fato do gerador do IRRF no momento de seu creditamento na contabilidade da fonte pagadora, deve ser mantido o crédito tributário conforme lançamento efetuado pelo Fisco. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose o crédito tributário. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 26/08/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 677), a Contribuinte ofereceu, em 09/09/2015, as Contrarrazões de fls. 681 a 722, contendo os seguintes argumentos, em síntese: preliminarmente, o recurso não pode ser conhecido; conforme os requisitos de admissibilidade, merece destaque aquele que se refere à necessária constatação de que o acórdão recorrido tenha dado interpretação à lei Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 727 5 tributária diversa daquela dada por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF; esse requisito traduzse na verificação de que outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, ao analisar situação idêntica, isto é, ao analisar caso que apresente as mesmas características quanto à situação fática, à infração imputada e à defesa apresentada, tenha expressado entendimento diverso daquele contido no acórdão recorrido; sem embargo, não basta que o acórdão paradigma expresse conclusão aparentemente diversa daquela obtida pelo acórdão recorrido, sendo imprescindível que tenha enfrentado a mesma situação de fato; se os fatos envolvidos ou a tese jurídica são diversos, é evidente que não há uma divergência real entre as conclusões apresentadas. nessa linha, a fim de verificar a divergência dos julgados, a Contribuinte analisou não só o suposto acórdão paradigma, proferido em sessão realizada em 13/05/1999, mas também a decisão proferida no mesmo processo em sede de Recurso Especial; da análise dessas decisões é possível constatar que, enquanto no acórdão recorrido não havia ocorrido o vencimento da obrigação (mas o simples crédito contábil dos juros), no suposto acórdão paradigma o tribunal administrativo considerou que já havia ocorrido o vencimento contratual da obrigação de pagamento dos juros e que não teria havido a comprovação das repactuações alegadas pelo contribuinte, ou seja, o suposto acórdão paradigma considerou que o vencimento da obrigação ensejaria o fato gerador do IRFonte; entretanto, não é essa a tese que se discute no caso do acórdão ora recorrido, ou seja, no presente caso não se discute a tese de que o simples vencimento dos juros não configura fato gerador do IRFonte e de que seria imprescindível que ocorra o seu efetivo pagamento ou um ato de disponibilização equivalente; com efeito, no presente caso é fato incontroverso que o IRFonte foi exigido anteriormente ao vencimento da obrigação, em razão do simples crédito contábil dos juros; se a tese jurídica em torno da caracterização do fato gerador em razão do simples vencimento da obrigação (independentemente do efetivo pagamento) é matéria controvertida no CARF, por outro lado, a tese de que o simples lançamento contábil não caracteriza o fato gerador do IRFonte, tese que se discute no presente caso, constitui matéria pacífica, há muito consolidada pela jurisprudência do CARF; nesse passo, se o que se busca por meio do recurso em questão é definir, diante de dois entendimentos opostos sobre a mesma situação, qual é o "melhor" ou o "mais correto" a ser adotado, não pode ser admitido o apelo fazendário justamente porque não há entendimentos opostos; no acórdão paradigma se verifica da leitura do respectivo inteiro teor bem como da análise do acórdão proferido no mesmo processo em sede de recurso especial que o julgamento foi no sentido da necessidade de apreciação de prova, em razão da alegada repactuação do prazo de vencimento dos juros; Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 baixado o processo em diligência, foi emitido parecer no sentido de que, a despeito de a contribuinte ter alegado que os valores tomados a título de empréstimo de sua coligada no exterior jamais teriam se tornado exigíveis, não foi apresentada qualquer prova de eventual repactuação ou de outra alteração do compromisso comercial, senão vejamos o que consta do referido parecer: A questão nos autos é meramente de prova, por isso houve a necessidade de baixarse o processo em diligência. A análise dos documentos, anexados pela defesa, resultaram no parecer de fls.216/217, que assim registra: "Em resposta à intimação, o contribuinte limitouse a apresentar três quadros demonstrativos e cópias de folhas de Diário, onde constam os créditos de Imp. de Renda Retido na Fonte — IRFON a Recolher, desde 1989 a 1992 e posteriores estornos, em novembro de 1992, fis. 170 a 215; quedouse silente quanto aos juros levados a conta resultado. Verificase nos quadros 1 a 3, col. 1, o valor do IRFON, equivalente a 25% dos juros creditados, já reajustados, como descrito às fls. 03. Assim, os valores correspondentes a 01/90, de 184.207, (quadro 1, col. 1) e 186.388 (quadro 2, col 1), perfazem o total de 370.595, equivalente a 25% do valor constante às fls. 03, col. "d", em 01/90, 25% de 1.482.381. Os valores constantes do Quadro Demonstrativos de Infrações, fls.03, colunas a, b e c, encontramse nas fls. 53 a 70, apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação. O histórico dos estornos foi "cf. instruções recebidas exterior". Não foi apresentada qualquer prova de eventual repactuação ou outra alteração do compromisso comercial, com as competentes averbações do Banco Central. O primeiro valor estornado, de Cr$ 560.762.544, fls. 04, último campo à esquerda, corresponde a 33,333% dos juros creditados, saldo acumulado em nov/92 de Cr$ 1.682.367.233 (última linha do mapa, fis.173). O segundo valor, de Cr$ 3.636.545.575, 115.05, referese ao IRFON calculado sobre o saldo acumulado de juros devidos, em nov/92, de Cr$ 14.180.636.502 (última linha do mapa, fls. 172) e o terneiro valor, de Cr$ 3.302.856.878, fis.06, referese ao IRFON calculado sobre o saldo de juros devidos em nov./92, de Cr$ 9.921.326.408 (última linha do mapa, fls. 171). O percentual de 33,33 eqüivale ao pagamento líquido de imposto de 25%. Na realidade não houve estorno de juros e sim do imp. de renda devido sobre esses valores. Houve o registro contábil, através de estorno, com a finalidade de exclusão de débito tributário anteriormente reconhecido, no período de 1989 a 1992, "tout court". A propósito de estorno, devese ter presente a NBC T 2.4 aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade 596/85. No item II, temos que são formas de retificação o estorno, a transferência e a complementação. "Em qualquer destas modalidades, o histórico do lançamento deverá precisar o motivo da retificação, a data e a localização do lançamento de origem." Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 728 7 Ainda que tivesse havido o estorno de juros anteriormente creditados, "ad argumentandum" o contribuinte não escaparia à incidência do IRFON. Não seria omissão do registro de crédito na época própria que teria o condão de deslocar o momento do fato gerador da retenção na fonte. O crédito do credor surge com a utilização pelo recebedor/devedor do numerário recebido, as taxas anuais pactuadas em contrato, cujos juros devem ser consignados mensalmente, em obediência, a teor da legislação que vigia à época, RIR/80, arts. 154, par. único; 160, § 1o; 157 e 171. No caso presente, o contribuinte contabilizou tais créditos, como demonstrado. O estorno não impediria a incidência do que já havia incidido."(destaquei) em suma, no acórdão paradigma a questão da exigibilidade dos juros, em razão do vencimento do prazo de pagamento, foi colocada em dúvida, não tendo o contribuinte conseguido se desincumbir do ônus de provar que houve a repactuação do contrato de mútuo; já no caso em tela, apreciase lançamento contábil de crédito de juros, por antecipação à data aprazada contratualmente, ou seja, os juros não estavam disponíveis e não eram exigíveis, mas apenas tinham sido registrados contabilmente a crédito da conta passiva que reconhece a obrigação existente junto à American Tower Corp. e à ATC South América Holding Corp.; aliás, dos doze contratos de empréstimo, o primeiro vencimento (da obrigação principal e dos juros) está previsto para o anocalendário de 2016, conforme cláusula III, que trata do vencimento e pagamento dos contratos já juntados aos autos (docs. 3 a 14 da Impugnação); verificase que, diferentemente do paradigma, o crédito contábil realizado pela Contribuinte decorre de obrigação futura a vencer e, não vencida a obrigação, o beneficiário no exterior não poderá reclamar frutos do capital emprestado e, portanto, antes disso, há mera expectativa de renda, e não tributável; vejase as palavras do julgador, no acórdão recorrido: Por si só, o fato da fonte pagadora lançar contabilmente o acréscimo do valor de sua obrigação na respectiva conta de passivo não torna devido o imposto de renda na fonte, por não importar na aquisição de qualquer disponibilidade econômica ou jurídica de renda pelo beneficiário. No caso dos autos, os rendimentos só passaram a ser devidos quando do vencimento previsto no contrato. Ora, por dedução lógica, o simples registro contábil, nos períodos questionados, não tem, por si só, o condão de modificar o prazo de vencimento da obrigação contratual. diante disso, ao contrário do que afirmou a Recorrente, o acórdão tido como paradigma não analisou a mesma questão tratada no acórdão recorrido, portanto não há divergência jurisprudencial capaz de sustentar o Recurso Especial interposto, motivo pelo qual não pode ser conhecido o apelo fazendário, consoante jurisprudência dessa CSRF: Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1996 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS DIVERGÊNCIA Não se conhece de Recurso Especial quando os fatos contidos nos arestos postos em confronto são distintos, as decisões foram alicerçadas nas provas dos autos e não na interpretação da lei e o contribuinte deixa de enfrentar e de apresentar divergência em relação a determinado argumento fulcral para a solução da lide. (RICSRF — Arts. 7° II e 15 § 2° Port. MF 147/2.007)." (Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma. Acórdão n° 910100.092. Relator CONSELHEIRO JOSÉ CLÓVIS ALVES. Sessão de 11/5/2009, grifamos) pelo exposto, não merece ser conhecido o Recurso Especial, tendo em vista que não preenche os requisitos para sua admissibilidade; ainda que se entenda que o acórdão trazido como paradigma tratou da mesma situação fática e da mesma tese jurídica versada no acórdão recorrido ou seja, da tese de que o mero lançamento contábil seria suficiente para caracterizar o fato gerador do IRFonte o que se admite apenas para argumentar, é de se destacar que o entendimento proferido pela 6a Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes já foi inteiramente superado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não podendo servir, portando, como fundamento para demonstração do dissídio; confirase a seguinte decisão proferida pelo CSRF, em data posterior ao mencionado acórdão: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 30/11/2001, 31/12/2001 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DATA DOS CRÉDITOS CONTÁBEIS. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência exige que as importâncias sejam pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários domiciliados no exterior, por fonte situada no País. As dicções "pagas", "creditadas", "entregues", ' "empregadas" ou "remetidas" não deixam dúvidas de que o beneficiário nãoresidente tem que ter tido a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica do rendimento, conforme disciplina contida no art. 43 do CTN. "A disponibilidade econômica decorre do recebimento do valor que se vem a acrescentar ao patrimônio do contribuinte. Já a disponibilidade jurídica decorre do simples crédito desse valor, do qual o contribuinte passa a juridicamente dispor, embora este não lhe esteja ainda nas mãos." (Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros Editores, 2000, p. 243). Não há fato gerador do imposto incidente na fonte quando as importâncias são contabilmente creditadas ao beneficiário do rendimento em data anterior ao vencimento da obrigação, consoante os prazos ajustados em contrato. O simples crédito contábil, antes da data aprazada para seu pagamento, não extingue a obrigação nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador do imposto de renda na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 729 9 econômica ou jurídica. Por si só, o fato de a fonte pagadora lançar contabilmente o acréscimo do valor de sua obrigação na respectiva conta de passivo não torna devido o imposto de renda na fonte, por não importar na aquisição de qualquer disponibilidade econômica ou jurídica de renda pelo beneficiário. No caso dos autos, os rendimentos só passaram a ser devidos quando do vencimento previsto no contrato. Ora, por dedução lógica, o simples registro contábil, nos períodos questionados, não tem, por si só, o condão de modificar o prazo de vencimento da obrigação contratual. Recurso especial negado. (Acórdão n° 9202003.120, da 2a Turma da CSRF, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire. Sessão de 26.03.2014) (sem destaques no original) da análise do trecho do acórdão proferido por esta C. CSRF, mister que se conclua pelo não seguimento/conhecimento do Recurso Especial, vez que o acórdão trazido aos autos não pode ser considerado paradigma, nos termos do § 10, do artigo 67, do antigo RICARF (Portaria n° 256, de 2009): § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. ainda, por analogia, não é demais destacar que o Superior Tribunal de Justiça ("STJ") já editou a Súmula 83, a qual dispõe: "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" (cita doutrina de Vicente Greco Filho); com efeito, para o cabimento do recurso especial é imprescindível que a divergência seja atual e não pretérita, desta forma não pode servir como paradigma um acórdão cuja tese jurídica já se encontra sepultada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; diante disso, tendo essa CSRF já superado o entendimento exposto no suposto acórdão paradigma, o Recurso Especial sequer merece seguimento; ainda que se pudesse ultrapassar as razões expostas no tópico anterior, o que se admite apenas para argumentar, no mérito também não prospera o recurso especial; de acordo com as razões expostas pela Recorrente, "o registro contábil pela fonte pagadora é premissa lógica a autorizar a conclusão de que a receita correspondente foi disponibilizada ao beneficiário". todavia, a assertiva não é verdadeira, nem correta, na medida em que, em observância ao art. 43 do CTN, o reconhecimento contábil dos juros não equivale à aquisição de disponibilidade, econômica ou jurídica de tais valores pelo beneficiário, pois, enquanto não vencida a obrigação, o beneficiário no exterior não poderá reclamar os frutos do capital emprestado, ou seja, antes de vencida a obrigação há mera expectativa de renda; em outras palavras, o mero lançamento contábil (fato contábil) não gera qualquer disponibilidade econômica ou jurídica, não configurando o fato gerador do IRFonte; Fl. 733DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 com efeito, não há como aceitar a precipitação do recolhimento de imposto sobre renda indisponível se, a toda evidência, seu fato gerador está projetado para o futuro, momento que, para o credor domiciliado no exterior, é o momento da remessa, ou, em último caso, no momento do vencimento da obrigação; sendo assim, a única conclusão possível é de que os rendimentos pertencentes ao credor dos juros devem ser tributados quando ocorrer a sua realização, ou seja, no momento em que houver efetiva disponibilidade ao beneficiário, e esse é o entendimento, inclusive, da CSRF: Há disponibilidade jurídica quando se adquire título vencido, ou quando este vencer, ocasião em que exsurge o direito à pretensão e/ou à ação para exigir o crédito. Enquanto o direito não puder ser exigido, temse direito de crédito, mas não ainda disponibilidade jurídica de renda. (Acórdão CSRF/010.632, de 11 de abril de 1986. Grifouse.) o entendimento acima, consolidado há mais de 25 anos, permanece sendo acatado por essa CSRF, como já demonstrado nas preliminares arguidas, como também pelo E. CARF, conforme se verifica nos julgados abaixo: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003, 2004 IRRF. REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. DATA DO FATO GERADOR. INOBSERVÂNCIA. O fato gerador do IRRF aplicado a remessa de juros ao exterior é o momento em que o rendimento foi pago ou remetido ao beneficiário. É improcedente o lançamento formalizado sem observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame pela afronta ao Princípio da Estrita Legalidade. Negase provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora singular aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. (Acórdão n° 2102 001.845, de 09 de fevereiro de 2012. Grifouse) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE JUROS E CORREÇÃO PELA VARIAÇÃO CAMBIAL DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO DE PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR COM CLÁUSULA DE VENCIMENTO EM 10 ANOS ENCARGOS FINANCEIROS LANÇADOS ATRAVÉS DE CRÉDITOS CONTÁBEIS REGISTRADOS EM DATA ANTERIOR AO VENCIEMNTO DO EMPRÉSTIMO FATO GERADOR Não há fato gerador do imposto de renda incidente na fonte quando os ¡uros e a correção pela variação cambial são contabilmente creditados ao beneficiário do rendimento em data anterior ao vencimento da obrigação. O simples crédito em conta, antes da data aprazada para seu pagamento, não extinque a obrigação nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador do imposto na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica. Recurso Provido. (Acórdão n° 10421.549, de 27 de abril de 2006. Grifouse). Fl. 734DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 730 11 deste último acórdão citado acima, convém ainda transcrever o seguinte trecho: Ora, na situação dos autos, o fato de a fonte pagadora lançar contabilmente o acréscimo do valor de sua obrigação na respectiva conta de passivo não torna devido o imposto de renda na fonte, por não importar na aquisição de qualquer disponibilidade econômica ou jurídica de renda para o beneficiário, (p. 21; grifouse) em seguida, o i. Relator arremata de forma contundente: Assim sendo, não há fato gerador do imposto de renda incidente na fonte quando os juros e a correção pela variação cambial são contabilmente creditados ao beneficiário do rendimento em data anterior ao vencimento da obrigação. O simples crédito contábil, antes da data aprazada para seu pagamento, não extingue a obrigação nem antecipa sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador dos rendimentos relacionase, necessariamente com a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica, (p. 22; grifouse) portanto, também no mérito não se sustenta a alegação da Recorrente, uma vez que a Contribuinte não pode ser compelida ao recolhimento do IRRF supostamente devido antes do vencimento dos juros com fulcro, exclusivamente, na suposição de que o crédito contábil equivale à aquisição de disponibilidade de renda para o beneficiário, suposição esta que se afasta de pronto quando analisados os elementos que atestam o contrário, devendose, assim, ser negado provimento ao recurso especial interposto. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do recurso e, se assim não se entender, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda na Fonte, multa de ofício e juros de mora, relativos ao período de 05/2001 a 06/2006, tendo em vista que a Contribuinte não procedeu à retenção sobre juros incidentes sobre empréstimos contraídos no exterior, por ocasião de seu crédito contábil, antes do vencimento das obrigações junto ao credor. A Primeira Instância, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento, o que ocasionou a interposição de Recurso de Ofício, ao qual foi negado provimento, por meio de acórdão também unânime. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 A Fazenda Nacional, por sua vez, pede o restabelecimento da autuação, indicando como paradigma o Acórdão nº 10610.809, de 13/05/1999. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando, em síntese, que a situação fática do paradigma indicado pela Fazenda Nacional não seria similar à do acórdão recorrido. No caso do acórdão recorrido, exigiuse o IRRF relativo ao período de 05/2001 a 06/2006, com base nos créditos contábeis, quando o primeiro vencimento da obrigação somente ocorreria em 21/12/2006. Assim, nesse julgado a discussão diz respeito à possibilidade de o mero registro contábil, antes de que a obrigação seja exigível, constituir fato gerador do IRRF incidente sobre remessas ao exterior. Quanto ao paradigma, este trata de situação em que, após efetuada diligência para instrução probatória, constatouse que, feito o crédito contábil das obrigações e do respectivo imposto, estornouse apenas o imposto, mantendose a obrigação, sem que se verificasse o pagamento ou qualquer repactuação com o credor, concluindose então que o crédito contábil efetivamente constituiria fato gerador do IRRF. Confirase o voto condutor do paradigma, que registra o parecer exarado pela fiscalização, quando da realização de diligência: "A questão nos autos é meramente de prova, por isso houve a necessidade de baixarse o processo em diligência. A analise dos documentos, anexados pela defesa, resultaram no parecer de fls.216/217, que assim registra: "Em resposta à intimação, o contribuinte limitouse a apresentar três quadros demonstrativos e cópias de folhas de Diário, onde constam os créditos de Imp. de Renda Retido na Fonte — IRFON a Recolher, desde 1989 a 1992 e posteriores estornos, em novembro de 1992, fis. 170 a 215; quedouse silente quanto aos juros levados a conta resultado. Verificase nos quadros 1 a 3, col. 1, o valor do IRFON, equivalente a 25% dos juros creditados, já reajustados, como descrito às fis. 03. Assim, os valores correspondentes a 01/90, de 184.207, (quadro 1, col. 1) e 186.388 (quadro 2, col 1), perfazem o total de 370.595, equivalente a 25% do valor constante às t7s. 03, co/ Nd", em 01/90, 25% de 1.482.381. Os valores constantes do Quadro Demonstrativos de Infrações, fis.03, colunas a, b e c, encontramse nas fls. 53 a 70, apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação. O histórico dos estornos foi `cf instruções recebidas exterior'. Não foi apresentada qualquer prova de eventual repactuação ou outra alteração do compromisso comercial, com as competentes averbações do Banco Central. (...) "Na realidade não houve estorno de juros e sim do imp. de renda devido sobre esses valores. Houve o registro contábil, através de estorno, com a finalidade de exclusão de débito tributário anteriormente reconhecido, no período de 1989 a 1992, 'tout cour'." (destaques no original) Assim, no paradigma houve o estorno dos registros contábeis do IRRF, sem o correspondente estorno das obrigações, sem comprovação de pagamento ou de repactuação Fl. 736DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 731 13 com o credor, considerandose ocorrido o fato gerador, ainda que não tivesse ocorrido a efetiva remessa ao exterior. Por outro lado, a divergência jurisprudencial somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. No presente caso, as situações fáticas em confronto efetivamente não guardam a necessária similitude, a ponto de caracterizarse o alegado dissídio interpretativo, no que tange à caracterização do momento de ocorrência dos fatos geradores do IRRF, já que o paradigma apresenta especificidades inexistentes no acórdão recorrido. Assim, não há como concluirse que os Colegiados que infirmaram o lançamento efetuado no processo ora em julgamento (DRJ e CARF), fariam o mesmo em face da situação do paradigma. Da mesma forma, não há no paradigma elementos que permitam deduzir que aquele Colegiado também manteria a autuação, se tivesse de julgar o caso do acórdão recorrido, simplesmente porque a discussão travada fora ancorada em fatos distintos daqueles observados no julgado guerreado. A impossibilidade de caracterização da divergência arguida fica clara quando da análise do seguinte trecho do paradigma: "Equivocouse a defesa ao argumentar que o fato gerador não ocorreu, uma vez que o montante pertinente aos juros jamais foi remetido para a pessoa jurídica domiciliada no exterior, porque o fato gerador do imposto de renda na fonte é a percepção de rendimentos e o momento da retenção é a primeira, da hipóteses definidas no inciso IV, que ocorrer no caso concreto (item 7. Do Parecer Normativo CST 140/73)." Com efeito, resta claro que, no que tange ao momento de ocorrência do fato gerador do IRRF, o cerne da discussão, no caso do paradigma, não foi "meros registros contábeis pelo regime de competência versus exigibilidade dos pagamentos" (como se verifica no acórdão recorrido), e sim "crédito dos juros versus efetiva remessa dos juros para o exterior". Afinal, essa era a alegação do Contribuinte, naquele caso concreto, ou seja, o seu principal argumento fora no sentido de que o fato gerador não teria ocorrido, uma vez que nenhum valor fora efetivamente remetido ao exterior. Em face de tal alegação, aquele Colegiado concluiu que a efetiva remessa não constituiria condição para a exigência do tributo. Naquela assentada sequer se discutiu acerca de eventual liame entre registros contábeis e exigibilidade dos pagamentos, que foi a tônica da discussão verificada no acórdão recorrido. Tanto é assim que, em face das alegações do Contribuinte, no sentido de que as remessas não teriam sido efetivamente realizadas, o julgamento do paradigma foi primeiramente convertido em diligência, para complemento da instrução probatória. Ora, se o posicionamento daquele Colegiado fosse no sentido de que os meros registros contábeis já caracterizariam o fato gerador do IRRF, independentemente de qualquer outro fator, não haveria razão para se converter o julgamento em diligência, para que fossem verificadas as alegações do Contribuinte. Registrese que a afirmação no sentido de que seria irrelevante a constatação do estorno dos juros, uma vez que estes foram contabilizados, não foi feita pelo Colegiado que julgou o paradigma mas sim pelo fiscal que elaborou o parecer na diligência solicitada quando do primeiro julgamento. Confirase: "A questão nos autos é meramente de prova, por isso houve a necessidade de baixarse o processo em diligência. A analise Fl. 737DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 dos documentos, anexados pela defesa, resultaram no parecer de fls.216/217, que assim registra: (...) Ainda que tivesse havido o estorno de juros anteriormente creditados, 'ad angumentandum' o contribuinte não escaparia à incidência do IRFON. Não seria omissão do registro de crédito na época própria que teria o condão de deslocar o momento do fato gerador da retenção na fonte. O crédito do credor surge com a utilização pelo recebedor/devedor do numerário recebido, as taxas anuais pactuadas em contrato, cujos juros devem ser consignados mensalmente, em obediência, a teor da legislação que vigia à época, RIR/80, arts. 154, par. único; 160, § 1°; 157 e 171. No caso presente, o contribuinte contabilizou tais créditos, como demonstrado. O estorno não impediria a incidência do que já havia incidido." Em conclusão, o que se pode afirmar é que no acórdão paradigma não se considerou a efetiva remessa ao exterior como uma condição à exigência do IRRF, já que houve o respectivo crédito, o que de forma alguma se compara ao que foi discutido no acórdão recorrido. Registrese que o paradigma ora analisado Acórdão nº 10610.809, de 13/05/199 foi objeto de Recurso Especial do Contribuinte, cujo paradigma, por sua vez, era acórdão que retratava situação idêntica à do acórdão ora recorrido (meros registro contábeis anteriores ao vencimento da obrigação). Desta feita, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/0105.007, de 09/08/2004, chegou à conclusão de inexistência de divergência interpretativa. Confirase: "Conforme relatado, a decisão guerreada deixa claro que a matéria em questão é meramente de prova no tocante a crédito de juros a pessoa domiciliada no exterior. No acórdão recorrido, temse a informação de ter o sujeito passivo registrado em seu livro Diário créditos de imposto de renda retido na fonte a recolher, desde 1989 a 1992 e posteriores estornos, silenciando quanto aos juros levados à conta de resultado. Esclarecese, também, que no histórico dos estornos temse somente a anotação de "cf. instruções recebidas exterior", sem qualquer prova de eventual repactuação ou alteração de compromisso comercial. E, ainda, de que o estorno se deu exclusivamente em relação ao imposto de renda na fonte, não alcançando os juros creditados. Já no aresto paradigma, a E. Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes levou a julgamento crédito contábil de juros, anteriormente à data do vencimento pactuada em contrato. Ou seja, não houve disponibilidade quando do crédito contábil. Tais juros não poderiam sequer ser exigidos pelo beneficiário. Caso distinto e não julgado divergente foi julgado na Câmara ora recorrida. A propósito, os acórdãos não são divergentes mas convergentes, na medida em que ambos afirmam que o fato gerador do imposto na fonte se relaciona, necessariamente, com a aquisição da disponibilidade. A diferença é que no Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 732 15 acórdão recorrido deuse a necessária disponibilidade enquanto no acórdão divergente não. Constatase, outrossim, a ocorrência de estorno do lançamento relativo ao imposto retido na fonte sobre os juros creditados sem o devido estorno dos juros, fato este não ocorrido no julgado trazido a confronto. Podese concluir, portanto, não se tratar de julgados divergentes. As situações fáticas são diversas não sendo caso de julgados divergentes. Também no caso levado a julgamento manifestase no sentido de apreciação de prova enquanto no acórdão paradigma apreciase lançamento contábil de crédito de juros, por antecipação à data aprazada contratualmente, ou seja, os juros não estavam disponíveis e não eram exigíveis. Evidenciase, portanto, que o acórdão apontado não se presta para comprovar o pretendido dissídio jurisprudencial. Conforme dispositivo regimental anteriormente transcrito, a divergência só se evidencia quando os fatos e a norma legal interpretada sejam os mesmos em ambos os julgados, o que não ocorre nos julgados em confronto. Voto, pois, no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em face de não caracterizado o pretendido dissídio jurisprudencial." (grifei e sublinhei) Diante do exposto, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto, e seguindo o posicionamento já adotado na Instância Especial no Acórdão CSRF/0105.007, de 09/08/2004, em que o acórdão recorrido que era o próprio acórdão ora indicado como paradigma foi confrontado com julgado retratando situação idêntica à do acórdão ora recorrido, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao não conhecimento do pleito da Fazenda Nacional. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Explico. Depreendo da leitura do Acórdão paradigma (Acórdão no. 106 10.809, consultado no sítio deste CARF), mais especificamente em suas fls. 07 e 08, que, ainda que naquele feito se estivesse diante de crédito contábil apropriado contabilmente antes do vencimento da obrigação, sem evidência de repactuação e com existência de estorno exclusivamente relativo ao IRRF devido sobre tais juros (sem estorno, todavia, da obrigação principal), concluiu o Colegiado paradigmático no sentido de que o crédito, a ser contabilizado consoante o regime de competência, conforme prescrito pelo art. 157 do RIR/80, ensejaria, sim, naquele caso ali sob análise, percepção de rendimentos e, consequentemente, fato gerador do IRRF, verbis (grifei): "(...) Ainda que tivesse havido o estorno de juros anteriormente creditados, "ad argumentandum" o contribuinte não escaparia à incidência do IRFON. Não seria omissão do registro de crédito na época própria que teria o condão de deslocar o momento do fato gerador da retenção na fonte. O crédito do credor surge com a utilização pelo recebedor/devedor do numerário recebido, as taxas anuais pactuadas em contrato, cujos juros devem ser consignados mensalmente, em obediência, a teor da legislação que vigia à época, RIR/80, arts. 154, par. único; 160, § 1°; 157 e 171. No caso presente, o contribuinte contabilizou tais créditos, como demonstrado. O estorno não impediria a incidência do que já havia incidido. Assim, ficou demonstrado que a contribuinte reconheceu na escrituração as despesas financeiras e levouas a conta de resultado, reduzindo, assim, o lucro líquido e, por conseqüência o lucro real. Dessa forma e levandose em conta a legislação que disciplina a matéria, consolidada no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 85.450/80, nos seguintes dispositivos: "Art. 554 — Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Título, os rendimentos e os ganhos de capital provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I — pelas pessoas tísicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior ( Decreto — lei n° 5.844/43, art. 97, a); "Art. 555 — Estão sujeitos ao desconto do imposto na fonte: I — à allquota de 25% (vinte e cinco por cento), os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas ou jurídicas a que se refere o artigo anterior, inclusive os auferidos em operações de curto prazo e os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira, excetuados os de que tratam os incisos II e III (Lei n° 3.470/58, art. 77, e Decretolei n° 1.401/74, art 4 ); "Art. 575 — A retenção do imposto é obrigatória: (...) IV— na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa: (...) c) dos rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, de que tratam os artigos 555, 557, 558 e 560, ressalvados os casos Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002202/200618 Acórdão n.º 9202004.298 CSRFT2 Fl. 733 17 da alínea 1" deste inciso e dos incisos VIII e IX, alínea "a" deste artigo." "Art. 576 — A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decretolei n° 5.844/43, art. 103)." Equivocouse a defesa ao argumentar que o fato gerador não ocorreu, uma vez que o montante pertinente aos juros jamais foi remetido para a pessoa jurídica domiciliada no exterior, porque o fato gerador do imposto de renda na fonte é a percepção de rendimentos e o momento da retenção é a primeira, da hipóteses definidas no inciso IV, que ocorrer no caso concreto (item 7. Do Parecer Normativo CST 140/73). Observo que se alinha tal posicionamento, esposado no paradigma, de forma perfeita, ao daqueles que entendem no sentido da contabilização passiva dos juros devidos, segundo o regime de competência, ser caracterizadora da existência da disponibilidade econômica dos valores ao contribuinte prevista no art. 43 do CTN, a qual, notese, não se confunde nem com a disponibilidade financeira e nem com a disponibilidade jurídica do montante obrigacional (entendimento que diverge do recorrido também quanto aos conceitos adotados para cada um destes três institutos). Faço notar, ainda a propósito, que a estrutura contábil passiva da empresa contempla diversas obrigações cujo vencimento pode se dar em prazos diversos (p.ex., grupo do passivo exigível a longo prazo), sendo esta estrutura, no caso do entendimento supra, a correta associação a ser efetuada ao conceito de disponibilidade econômica para a contraparte (e, também, ao de acréscimo patrimonial desta) para fins de incidência do IR, no caso de transações envolvendo pessoas jurídicas. Assim, agora concentrandome no presente litígio, o que se tem, em meu entendimento, é que, independentemente, seja: a) da ocorrência de repactuação; b) de posterior estorno do crédito contábil imposto e/ou dos juros devidos e c) de forma mais relevante, da remessa de valores ao credor, entendeu o Colegiado paradigmático que, uma vez realizado o crédito contábil mediante adoção do regime de competência, haveria incidência do IRRF, ainda que o vencimento da obrigação, momento em que a obrigação deve ser extinta (que abrange o prazo adicional para remessa dos recursos), se desse em momento diverso, futuro. Por sua vez, de forma diametralmente oposta conclui o recorrido, ao rechaçar o crédito contábil como caracterizador de ocorrência da hipótese legal de incidência do IRRF, verbis: IRRF. CRÉDITO CONTÁBIL. RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. FATO GERADOR Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no país. O simples registro contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos." (grifei) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 Daí entender este Conselheiro como caracterizada a divergência jurisprudencial para situações fáticas semelhantes, independente de qualquer valoração probatória diversa entre os Colegiados recorrido e paradigmático. Por fim, reforça tal entendimento, agora sob uma ótica pragmática, minha conclusão, no sentido de que ao se transmudar o recorrido para o Colegiado paradigmático ("teste de aderência") o resultado do decisum se inverteria, concluindose, hipoteticamente, agora, no presente feito, pela incidência do IRRF, uma vez que, no caso em questão, pelo que compulsei dos autos, a contabilização dos juros sob análise obedeceu ao regime de competência. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. È como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/0 8/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000269/2002-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997, 1998
VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA.
Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.
Numero da decisão: 9202-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997, 1998 VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA. Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.000269/2002-94
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5674206
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.382
nome_arquivo_s : Decisao_19515000269200294.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 19515000269200294_5674206.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6632238
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688038772736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.000269/200294 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.382 – 2ª Turma Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria IRPF Recorrente JOSE PRADO DE ANDRADE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998 VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA. Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 69 /2 00 2- 94 Fl. 261DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 220100.432, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 30/38, referente aos anoscalendário de 1997 e 1998, motivado pela infração omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica, especificamente, de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, à título de “auxílioencargos gerais de gabinete” e “auxílio hospedagem”, declarados como nãotributáveis. O Imposto de Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 54.351,25, foi acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 129.523,67. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 42/80, alegando, em síntese, que, conforme art. 11 da Resolução 783/97 da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, tais verbas se destinam a cobrir gastos necessários ao funcionamento dos gabinetes dos deputados, no exercício de seus mandatos; que não constitui acréscimo patrimonial ou riqueza nova e, portanto, não há base para a tributação; que o fato configurase hipótese de não incidência e não de isenção, não cabendo invocarse o art. 40,1 do RIR/99 para sustentarse que só é alcançada pela isenção a ajuda de custos comprovadamente destinada a suportar as despesas de transporte, frete e locomoção do beneficiário, de um município para outro. Argumenta que não se pode isentar aquilo que não é passível de tributação. Reafirma que a verba é resultado de uma resolução, com força de lei ordinária e que, até que seja declarada inconstitucional, gera os efeitos que lhe são próprios. Defende, com base no art. 110, III do CTN que, ainda que devido fosse o imposto, deveriam ser excluídos os acréscimos legais, pois teria havido erro escusável. Contesta a aplicação da taxa Selic para a atualização monetária de tributos federais a qual diz ter natureza remuneratória e não indenizatória. A DRJSão Paulo/SP I julgou integralmente procedente o lançamento, restando assim ementado: MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Ausente da legislação tributária federal dispositivo que determine a exclusão da remuneração paga a Parlamentar a titulo de "AuxilioEncargos Gerais de Gabinete e AuxílioHospedagem", deve ela ser incluída entre os rendimentos brutos para todos os efeitos fiscais. Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. O caráter indenizatório e a exclusão, dentre os rendimentos tributáveis, do pagamento efetuado a assalariado devem estar previstos pela legislação federal para que seu valor seja excluído do rendimento bruto. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.000269/200294 Acórdão n.º 9202004.382 CSRFT2 Fl. 10 3 Não pode o EstadoMembro ou seus Poderes, mediante invasão da competência tributária da União, estabelecer, no campo do imposto de renda, isenção ou casos de nãoincidência tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Lançamento procedente O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 104/162), reiterando os argumentos anteriores. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 180/188, deu provimento parcial ao Recurso Ordinário, para afastar a multa de ofício sobre os rendimentos recebidos a título de “auxílioencargos gerais de gabinete” e “auxílio hospedagem”. Às fls. 198/225, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo que o acórdão paradigma teve entendimento em sentido diametralmente oposto ao do Acórdão recorrido, no sentido de que a verba de gabinete é fornecida para o trabalho e não pelo trabalho, motivo pelo qual não se incluem no conceito de renda especificado no art. 43 do CTN, não se constituindo em acréscimo patrimonial. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 247/252, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, deu seguimento do recurso, por entender que ser possível caracterizar a divergência, haja vista que as matérias discutidas são coincidentes, e as decisões divergem. Isso porque o recorrente anexou paradigma cuja decisão, em situação semelhante, reconheceu o caráter indenizatório da verba de gabinete recebida para a atividade parlamentar. Na decisão recorrida, ao contrário, entendeuse que a mesma verba estaria sujeita à tributação. Às fl. 254/257, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 30/38, referente aos anoscalendário de 1997 e 1998, motivado pela infração omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica, especificamente, de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de Fl. 263DF CARF MF 4 São Paulo, à título de “auxílioencargos gerais de gabinete” e “auxílio hospedagem”, declarados como nãotributáveis. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao Recurso Ordinário, para afastar a multa de ofício sobre os rendimentos recebidos a título de “auxílioencargos gerais de gabinete” e “auxíliohospedagem”. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência entre o Acórdão paradigma, com entendimento em sentido diametralmente oposto ao do Acórdão recorrido, no sentido de que a verba de gabinete é fornecida para o trabalho e não pelo trabalho, motivo pelo qual não se incluem no conceito de renda especificado no art. 43 do CTN, não se constituindo em acréscimo patrimonial. Merece reforma o acórdão recorrido, pois, em se tratando de verba de gabinete, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já firmou entendimento, observe se: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Para melhor compreensão do tema cabe citar excerto do voto proferido pelo Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, no acórdão: Na condição de relator de alguns recursos, quanto ao mérito da exigência, tenho destacado que o exame da matéria passa, obrigatoriamente, "pela análise da natureza jurídica das verbas de gabinete recebidas pelos senhores deputados. Há que se identificar se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. Tenho que a "verba de gabin ete" se constitiu nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a "verba de gabinete" do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove saia participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. (...) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.000269/200294 Acórdão n.º 9202004.382 CSRFT2 Fl. 11 5 Em relação aos argumentos daqueles que, enfrentando o presente, alicerçam sua tese no fundamento de que os EstadosMembros não têm competência para concederem isenção, entendo, com a devida vênia, que se faz necessário distinguir os conceitos de não incidência e de isenção. Só é possível conceder isenção em relação a tributo se houver uma regramatriz de incidência tributária sobre o fato juridicamente qualificado. Não cabe falar em isenção do imposto de renda sobre o denominado "auxílio de gabinete", na medida em que tais verbas não se inserem no conceito de subsídio de que tratam os artigos 27, § 2°. e 39, § 4° da Constituição Federal, nem no conceito de renda do artigo 43 do CTN. Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Diante do exposto, em razão de expressa aplicação da Súmula/CARF 87, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte para no mérito darlhe provimento, devendo o acórdão recorrido ser reformado, uma vez que o imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa, o que não aconteceu no caso em tela. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.721075/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência conforme proposto pela relatora. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10215.721075/2013-99
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5641007
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-000.529
nome_arquivo_s : Decisao_10215721075201399.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA CLECI COTI MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 10215721075201399_5641007.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência conforme proposto pela relatora. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6506651
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688052404224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10215.721075/201399 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.529 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de agosto de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente AMAZÔNIA PROJETOS ECOLÓGICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência conforme proposto pela relatora. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 15 .7 21 07 5/ 20 13 -9 9 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10215.721075/201399 Resolução nº 2401000.529 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Recurso de ofício em face do Acórdão 03064.594 1a. Turma da DRJ/BSB que considerou procedente a impugnação do contribuinte, com base em informações relativas à Ação Civil Pública de desapropriação da área objeto do crédito tributário lançado. A decisão recorrida está assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA DESAPROPRIAÇÃO. DA IMISSÃO PRÉVIA OU PROVISÓRIA NA POSSE PELO PODER PÚBLICO Demonstrado nos autos, de maneira inequívoca, que houve, no curso do processo de desapropriação do imóvel, imissão provisória na posse a favor do Poder Público, em data anterior à do fato gerador do ITR/2009 (1º.01.2009, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393/96), não há como prosperar o crédito tributário lançado em nome do impugnante, posto que não há incidência do ITR. Transcrevo do Relatório do Acórdão de Impugnação as informações solicitadas pela autoridade fiscal ao contribuinte e também a argumentação do mesmo para a exoneração do crédito tributário. Por meio da Notificação de Lançamento nº 02102/00033/2013 de fls. 31/37, emitida, em 09.12.2013, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário, no montante de R$133.541.536,83, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2009, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Seringal Mossoró”, cadastrado na RFB sob o nº 6.510.9350, com área declarada de 421.893,7 ha, localizado no Município de Altamira/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2009 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02102/00010/2013 de fls. 03/04, recepcionado em 19.09.2013, às fls. 07, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as áreas de preservação permanente e reserva legal; 3º Ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10215.721075/201399 Resolução nº 2401000.529 S2C4T1 Fl. 4 3 4º Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2009, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2009 no valor de R$740,28. A impugnação do contribuinte arguiu o que segue: Cientificado do lançamento, em 30.12.2013, às fls. 39 e 59, ingressou o contribuinte, via postal, em 28.01.2014, às fls. 57 e 59/60, com sua impugnação de fls. 50/51, instruída com os documentos de fls. 52/55, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: preliminarmente, informa que, em 05.11.2013, encaminhou, tendo chegado à fiscalização em 12.11.2013, dentro do prazo, cópia dos Decretos Presidenciais que criaram as Unidades de Conservação denominadas Resex do Médio Xingu, Estação Ecológica da Terra do Meio e Parque Nacional da Serra do Rio Pardo, cuja criação atingiu a totalidade das áreas que eram de seu domínio e que a partir da edição dos referidos Decretos foi alijada da posse dessas mesmas áreas, não só por força das citadas normas, mas, também, por força de Ordem Judicial proferida em sede Liminar em Ação Civil Pública, movida pelo Ministério Público Federal em Processo em curso perante à Justiça Federal de Altamira, fato levado ao conhecimento da fiscalização e que de nada serviu como elemento a considerar para não ter sido lavrada a Notificação de Lançamento; no mérito, com base nos incisos III e IV do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, entende que nada deve a título de ITR, posto que faz prova de que foi alijada da posse das áreas que possui o domínio, anteriormente ao fato gerador, tendo feito a DITR no tempo e modo legais, haja vista que fez defesa no citado Processo Judicial, para manter a sua propriedade e posse, não obtendo êxito, deixando de, por Sentença, possuir o domínio do imóvel, cuja posse já não lhe pertencia desde a edição dos Decretos e da concessão de Liminar na citada Ação; pelo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10215.721075/201399 Resolução nº 2401000.529 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora A decisão a quo fora motivada pelo mandado de desocupação oriundo do Tribunal Regional Federal da primeira Região. Contudo, a consulta formulada ao sítio do TRF1 sobre o processo 2006.39.03.0024371, e sobre o mandado de desocupação n. 62/2007/SEPODCIV para conferir as decisões finais proferidas no processo restou improfícua. Desta forma, não foi possível obter informações adicionais sobre o andamento do processo de desocupação da propriedade rural. Entretanto, considerando que a atividade exercida é a extrativista e que poderia, em tese, não conflitar com a existência da reserva ecológica, entendo que são necessárias informações adicionais sobre o andamento do processo e também sobre a ocupação das terras. Observo ainda que o auto de desocupação foi datado de 21/09/2007. Contudo, informação na internet (http://reservasextrativistas.blogspot.com.br/) relata que a empresa poderia ter continuado ocupando a área em outro local, ainda dentro da propriedade rural, conforme a seguir: A operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes, Polícia e Justiça Federais, realizada recentemente, é resultado de um processo iniciado ainda no ano passado, fruto de uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF). Depois de uma investigação inicial, já havia sido determinada a desocupação da área, através de liminar.Segundo Patrícia Greco, do Instituto Chico Mendes, naquela época a empresa saiu de sua base e se estabeleceu no seringal Monte Alegre, antes denominado Mossoró. Como a liminar não mencionava o nome atual, e sim Mossoró, a empresa entendeu que poderia permanecer na área.O grupo C.R. Almeida, proprietário da empresa Amazônia Projetos Ecológicos, controlava os seringais da região a partir de contratos de cessão de uso emitidos pelo Estado. Era através da grilagem, e com base nesses contratos, que foram forjadas escrituras com o apoio do Cartório local, para legitimar a presença da empresa. Considerando o desencontro de informações, entendo que é necessário buscar auxílio para esclarecer os fatos sobre a ocupação da área e também sobre as decisões no processo de desocupação, e no da ação civil pública mencionada, junto à unidade local da Receita Federal . Desta forma, voto por diligenciar junto à unidade da Receita Federal em Altamira para obter junto ao TRF1 e ao Cartório de Registro de Imóveis da matrícula da propriedade, as informações sobre ocupação/uso da área e também sobre o resultado/decisões judiciais no processo relativo á mencionada ação civil pública que serviu de base para a decisão a quo. O contribuinte deve ser cientificado do resultado da diligência e do prazo regulamentar de 30 dias para manifestação nos autos. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011850/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do Contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
CAIO CESAR NADER QUINTELLA- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do Contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.011850/2007-85
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5631244
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.277
nome_arquivo_s : Decisao_10980011850200785.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10980011850200785_5631244.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) CAIO CESAR NADER QUINTELLA- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6485743
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688059744256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2115; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 200 1 199 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.011850/200785 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.277 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ Recorrente BANCO BANESTADO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 18 50 /2 00 7- 85 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 201 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) CAIO CESAR NADER QUINTELLA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 202 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 130 a 198) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (fls. 124 a 127) que manteve o r. Despacho Decisório de indeferimento (fls. 103 a 105) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl.3). A opção pelo incentivo ao FINOR foi feita pelo ora Recorrente, Banco Banestado S/A, na sua DIPJ especial, transmitida em 30 de dezembro de 2004 (cisão parcial), relativa ao anocalendário de 2004. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, sem a devida emissão de extrato de aplicação financeira, o PERC foi, em 25/09/2007, apresentado por procurador do contribuinte, trazendo o recibo de entrega e cópias das Fichas 01, 02, 03, 9B, 11, 12B, 36 e 53 da sua DIPJ especial de 2004, quando da opção efetuada. Também instrui o pedido com inúmeros comprovantes de recolhimento de Imposto de Renda do anocalendário 2004, demonstrativos de apuração, DCOMPs transmitidos em 20/08/2004 e 31/05/2004 e outros documentos fiscais do mesmo período (fls 4 a 39). Devidamente processado o Pedido, e após juntada de Consulta ao CADIN, Certidão Previdenciária e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, em junho de 2008, a Fiscalização regional emitiu a Intimação SEORT/EQEST nº 96/2008 (fls. 58 a 59), instruída com tal documentação levantada internamente pela RFB. A referida Intimação exigia a seguinte documentação: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 203 4 Na seqüência, depois de pedido de dilação de prazo (fl. 59), que restou deferido mas não comprido pelo contribuinte, em agosto de 2008, foi juntada novamente aos autos Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, consulta ao CADIN, Certidão de Regularidade do FGTS e Previdenciária e Consulta de Declarações (71 a 96), acompanhado de diagnóstico feito pelo Órgão interno da Fiscalização (fls. 97 a 102), que supriu a falta de emissão do extrato de aplicação, antes do inicio do feito, e comprovando a razão do indeferimento do incentivo pela suposta violação ao art. 60 da Lei nº 9.069/95. Imediatamente após, foi exarado o r. Despacho Decisório (fls. 104 a 106) indeferindo PERC, na data de 26/08/2008. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 204 5 Tal decisão indefere o pedido com base na simples alegação de que o sistema da RFB e o CADIN apontam débitos ativos, naquele momento, em nome do Banco. Eis o trecho que fundamenta e decide pela rejeição do pedido: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 205 6 Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade(fls. 107 a 122), alegando que a decisão é nula, seja pela Fiscalização não ter analisado a opção pelo benefício à época de sua entrega, bem como pelo sistema da RFB ser manifestamente falho e incongruente em relação a pendências ativas. Ato contínuo, a DRJ de Curitiba/PR proferiu o v. Acórdão (fls. 124 a 127) ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: (...) (...) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 206 7 Em face do v. Acórdão, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 130 a 198), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e acostando novos documentos (listagem SINCOR, extrato de débitos de IRRF referentes a processo administrativo de 2003 e seus respectivos DARFs recolhidos, cópias de Petições e Cartas à RFB esclarecendo a suposta não entrega de declarações de ITR, pedidos de baixa cadastral fiscal de tais bens e cópia de acordo judicial, no qual os imóveis rurais, inicialmente arrestados e sequestrados, foramlhe dados em pagamento por Réus em Ação de Prestação de Contas e de Indenização), todos visando à comprovação da ausência dos débitos apontados pelo sistema da RFB. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 207 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como demonstram os autos, podese constatar inicialmente que em momento algum foi feita a análise específica da existência de débitos ativos em face da decorrente no momento da opção ao benefício para o FINOR (DIPJ especial de 2004 cisão parcial). Ao seu turno, todas as manifestações das Autoridades Fazendárias julgadoras se voltaram a verificar as pendências constantes do sistema da Receita Federal do Brasil nos momentos de análise e apreciação de procedência do PERC, o que foi feito no ano de 2008. Nesse sentido, a r. Decisão que primeiro indeferiu o PERC se limita a atestar que o sistema IRPJOEIF foi alimentado com a informação de irregularidade fiscal do contribuinte, determinando, conforme diagnóstico de fls. 94 a 99, o indeferimento do Perc em questão. Essa é fundamentação da denegação ao contribuinte, não se aprofundando na origem e data das pendências, apenas remetendo às consultas efetuas em agosto de 2008. E, por sua vez, no v. Acórdão recorrido a situação é muito semelhante, afirmando que deveria [o Recorrente]: 1) comprovar a extinção ou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários relativos a três débitos já ajuizados (processos n° 10980 502.690/200606, n° 10980003.871/200727, e n° 10980011.369/200285); 2) comprovar o recolhimento dos tributos declarados na DIPJ 2005; 3) apresentar recibos de entrega de três DITR, ali perfeitamente discriminadas; e 4) apresentar comprovantes da regularização das situações que deram causa à sua inclusão no CADIN, indicadas no demonstrativo que lhe foi enviado junto com a intimação. (...) O fato concreto é, primeiro, que por expresso comando legal (art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995), a existência de débitos fiscais obsta a concessão de incentivos fiscais; e, segundo, que existem pendências e que estas, debalde foram apontadas de forma absolutamente inequívoca à contribuinte, bem como lhe foi assinalado prazo posteriormente dilatado para que as remediasse. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 208 9 Em primeiro lugar, o V. Acórdão contém informação equivocada. Não foi solicitado ao Recorrente as comprovações dos tributos declarados na DIPJ 2005. Ainda, todos os supostos débitos mencionados neste v. Acórdão têm origem posterior à opção feita na DIPJ especial de 2004, (inclusive aqueles apontados em consulta ao CADIN e o do Processo Administrativo nº 10980011.369/200285, o qual, apesar de gerado em 2002, só teve sua inserção no sistema como "ativo" em 18/06/2006 e ajuizamento para cobrança em 26/06/2007 fl. 90) não se demonstrando com sucesso a existência de um débito plenamente exigível no período original da opção. Mister esclarecer que a mera constatação de ausência de entrega de DITRs, per si, não constitui débito tributário exigível, ativo, visto que não constam lançamentos isolados de penalidades por descumprimento de tal obrigação acessória em seu "conta corrente" (o art. 60 da lei nº 9.069/65 é claro quando condiciona os benefícios à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais). Mas mesmo assim, nesse ponto, justificando a razão da ausência de entrega de Declarações, o Recorrente faz prova nos recursos apresentados de que já estava esclarecendo, junto à RFB, tais supostas pendências acessórias, existindo inúmeros processos administrativos específicos para cada imóvel, ainda sob análise, e pedidos de baixa cadastral deles, sendo estes, inclusive, objeto de uma Ação Judicial de Prestação de Contas e de Indenização. Mesmo que de forma equivocada, é relatado no v. Acórdão o descumprimento do Recorrente em trazer documentos de recolhimento do ano de 2004 (DIPJ 2005, que sequer foi a Declaração objeto da opção referente ao PERC sob julgamento). Ainda que tivesse sido solicitado ao contribuinte tal documentação o que NÃO HOUVE estaria sendo criada uma espécie de presunção de débito em aberto, o que não poderia obstar o benéfico pretendido. Melhor explicando, tal exigência claramente se trata de requisito genérico para concessão de benefício, vez que nos Extratos, várias vezes juntados aos autos, não há menção expressa a débito de IRPJ ou CSLL de tal período, representando, igualmente, uma inversão automática do ônus comprobatório da existência de débitos. Fica claro que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de supostos débitos em aberto nos momentos em que os decisórios foram exarados, qual seja agosto e novembro de 2008 e pelo descumprimento de exigências descabidas. Ainda que o Recorrente não tenha atendido a Intimação para esclarecimento e regularização das supostas pendências apresentadas, todas aquelas que foram objetivamente detectadas são referentes a débitos ativos, posteriores à opção pelo benefício. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 209 10 Claramente, o v. Acórdão deve ser reformado, à medida em que colide frontalmente com o teor da Súmula 37 e com a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF. Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. Diante disso, em não havendo a constatação precisa e objetiva de que, na data da entrega da DIPJ, o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais plenamente exigíveis, não há motivação legal para impedir a fruição do benefício optado. Ainda que novos débitos surjam após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Superada a ponderação de necessidade de reforma do v. Acórdão, a qual se mostra imperiosa, deve ser feita a análise devida da documentação constante dos autos, seja trazida pelo contribuinte, seja acostada pelos Órgãos de Fiscalização, à luz da Súmula mencionada. Não obstante ter o ora Recorrente trazido documentos probatórios e esclarecimentos de sua regularidade em relação a determinados períodos no seu Recurso Voluntário (fls. 138 a 198) e, da mesma forma, tenha sido acostado diversas vezes Certidões e Extratos referente à situação fiscal do contribuinte, não há elementos nos autos bastantes à clara comprovação precisa da inexistência de débitos ativos, ao tempo da opção. Ressalvese aqui, mas uma vez, o descabimento de se exigir, genericamente, do contribuinte a prova de sua lisura fiscal na época da opção pelo incentivo. Mesmo assim, é interessante apontar que, no julgamento do Acórdão nº 10323546, de 14/08/2008, proferido pela C. 3ª Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37, os I. Julgadores enfrentaram situação muito semelhante e adotaram o seguinte entendimento: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 210 11 A análise do favor fiscal caminhou em sentido diverso da jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração (e não na data do pedido de revisão ou do despacho administrativo ou em outro qualquer). (...) Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava regular em 1998; por outro lado, também não há prova em contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova. É cediço que a SRF orienta a apresentação da prova da regularidade relativamente à data do pedido, assim como no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos No mesmo sentido é o Acórdão n.º 1102001.334, de votação unânime e de Relatoria do I. Cons. Ricardo Marozzi Gregório, proferido em 04/05/2015, pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, trazendo, de forma explicativa, essa mesma posição jurisprudencial do CARF/MF: Este acórdão[o de nº 10323546, acima citado, que deu origem à Súmula 37] traz lição no sentido de determinar a distribuição dos ônus de prova. Entendese que, tendo a Administração Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à Contribuinte a possibilidade de comprovar que os débitos não existiam, ou não eram exigíveis. Entretanto, caso nenhuma das duas partes consiga comprovar nada, então a presunção é que deve ser aceito o pleito da Contribuinte. Como se observa, o entendimento foi claramente firmado no sentido de ser necessária, inicialmente, a oposição pelo Fisco ao contribuinte da existência de determinada pendência, à época da opção e, por sua vez, caberia ao contribuinte elidir tal demonstração, através de prova, durante o processo administrativo. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 10980.011850/200785 Acórdão n.º 1402002.277 S1C4T2 Fl. 211 12 Posto isso, vez que a Fiscalização não apontou, objetivamente, débitos ativos no momento da escolha pelo benefício, tendo o v. Acórdão a quo baseado sua improcedência na análise de débitos surgidos em momento posterior e no descumprimento de exigência abstrata e genérica de prova de regularidade, concluise não haver a causa legal prevista no artigo 60 da Lei nº 9.060/95 capaz de obstar o gozo do incentivo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal ,em seus termos, concedendo ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10111.720769/2013-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/06/2012
MULTA POR PRESTAR INFORMAÇÃO INEXATA EM DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E DESPACHO ADUANEIRO. REQUISITO.
Para justificar a multa prevista no artigo 69 da Lei n. 10.833/2003, é necessário caracterizar e demonstrar a infração, qual seja que a falta da informação ou a prestação inexata da informação influenciou, em pelo menos um caso, na determinação do controle aduaneiro apropriado.
DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. MULTA POR PRESTAR INFORMAÇÃO INEXATA EM DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INFLUENCIA SOBRE A DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADUANEIRO APROPRIADO.
Em revisão aduaneira, não corresponde ao tipo definido no artigo 69 da Lei 10.833/2003 a suspeita de que a informação sobre a existência de vínculo entre fornecedor/produtor e importador influenciaria o procedimento de valoração aduaneira.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, sendo que a existência de vinculação entre as partes não foi examinada em função da prejudicialidade pelo acolhimento do argumento de descabimento da multa. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, Douglas Guidini Odorizzi, OAB-SP nº 207.535, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Eloy Eros da Silva Nogueira - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2008 a 30/06/2012 MULTA POR PRESTAR INFORMAÇÃO INEXATA EM DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E DESPACHO ADUANEIRO. REQUISITO. Para justificar a multa prevista no artigo 69 da Lei n. 10.833/2003, é necessário caracterizar e demonstrar a infração, qual seja que a falta da informação ou a prestação inexata da informação influenciou, em pelo menos um caso, na determinação do controle aduaneiro apropriado. DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. MULTA POR PRESTAR INFORMAÇÃO INEXATA EM DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INFLUENCIA SOBRE A DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADUANEIRO APROPRIADO. Em revisão aduaneira, não corresponde ao tipo definido no artigo 69 da Lei 10.833/2003 a suspeita de que a informação sobre a existência de vínculo entre fornecedor/produtor e importador influenciaria o procedimento de valoração aduaneira. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10111.720769/2013-77
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633237
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.217
nome_arquivo_s : Decisao_10111720769201377.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10111720769201377_5633237.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, sendo que a existência de vinculação entre as partes não foi examinada em função da prejudicialidade pelo acolhimento do argumento de descabimento da multa. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, Douglas Guidini Odorizzi, OAB-SP nº 207.535, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante. Robson José Bayerl Presidente e Relator Eloy Eros da Silva Nogueira - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6493414
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688077570048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.720769/201377 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.217 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria ADUANA OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/06/2012 MULTA POR PRESTAR INFORMAÇÃO INEXATA EM DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E DESPACHO ADUANEIRO. REQUISITO. Para justificar a multa prevista no artigo 69 da Lei n. 10.833/2003, é necessário caracterizar e demonstrar a infração, qual seja que a falta da informação ou a prestação inexata da informação influenciou, em pelo menos um caso, na determinação do controle aduaneiro apropriado. DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. MULTA POR PRESTAR INFORMAÇÃO INEXATA EM DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INFLUENCIA SOBRE A DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADUANEIRO APROPRIADO. Em revisão aduaneira, não corresponde ao tipo definido no artigo 69 da Lei 10.833/2003 a suspeita de que a informação sobre a existência de vínculo entre fornecedor/produtor e importador influenciaria o procedimento de valoração aduaneira. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida, sendo que a existência de vinculação entre as partes não foi examinada em função da prejudicialidade pelo acolhimento do argumento de descabimento da multa. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, Douglas Guidini Odorizzi, OABSP nº 207.535, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 07 69 /2 01 3- 77Fl. 5573DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Robson José Bayerl – Presidente e Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem refletir a situação albergada nos autos, reproduzo o relatório da primeira instância, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de (...), referente a multa por prestação inexata de informação necessária ao controle aduaneiro. Depreendese da descrição dos fatos do ‘Termo de Verificação Fiscal’ anexo ao auto de infração (fls. 07 a 36), que a interessada registrou, entre 01 de julho de 2008 e 30 de junho de 2012, declarações de importação (listadas às folhas 37 a 175), de diversas mercadorias, indicando nas respectivas adições a ausência de vinculação entre a interessada e o exportador estrangeiro. Ocorre que em razão da declaração de existência de vínculo, segundo a fiscalização com o mesmo exportador (e outros pertencentes ao ‘grupo MITSUBISHI MOTORS CORPORATION’), em outras declarações de importação, a fiscalização iniciou o procedimento de revisão aduaneira, intimando a interessada a prestar esclarecimentos sobre o tema. Relata a fiscalização que a Instrução Normativa SRF n° 680/06, em seu Anexo Único determina que o importador informe, item 44.1, para fins de determinação do método de valoração aduaneira, a existência ou não de vinculação entre o comprador e o vendedor. Considerando o disposto no Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 – AVAGATT e também o indicado na Instrução Normativa SRF n° 327/03 a fiscalização ressalta que existência de vinculação entre as partes pode vir a influenciar o preço efetivamente pago, o que pode implicar na adoção de outro método de valoração aduaneira, que não o primeiro. Considerando também as definições contidas nas alíneas ‘b’ e ‘e’ do parágrafo 4 e o parágrafo 5, ambos do Artigo 15 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 – AVAGATT, a fiscalização concluiu que o conceito de pessoas vinculadas abrange não somente aquela vinculação societária convencional, Fl. 5574DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 11 3 nas quais há vinculação explícita no capital social, mas também as associações de cunho comercial, nas quais empresas que estejam associadas em negócios detém interesses comuns e nas quais haja controle direto ou indireto de uma sobre os negócios da outra. No caso concreto da empresa fiscalizada, os ‘Contratos de Distribuição’ apresentados pela Empresa MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA., em atendimento às intimações realizadas no curso do procedimento fiscal, associam legalmente a empresa à sua contraparte internacional, a saber a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, sediada no Japão, e mais, as cláusulas pactuadas demonstram a existência de uma série de exigências comercias nas quais fica evidente que a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION controla indiretamente a Empresa do Brasil (quadro societário; percentuais de participação dos sócios; forma de revenda dos produtos, quantidade de produtos vendidos e estoque no País; proibição de comercialização de produtos e serviços de concorrentes; manutenção de um capital de giro líquido e de um patrimônio líquido conforme determinado; repasse de informações sobre o progresso das vendas e informações financeiras como demonstrações de resultado, balanço patrimonial, orçamento anual, etc; livre acesso aos livros e registros). A fiscalização indica que é possível depreender das próprias declarações de importação com informação de vinculação declarada pela importadora que a Empresa MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. está vinculada ao grupo econômico formado por diversas empresas sob a denominação de MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, uma vez que em 330 (trezentos e trinta) declarações de importação foram constatadas existências de vinculações declaradas e, de diversos países: Estados Unidos da América, Suécia, Tailândia e Japão), e ainda, de exportadores com as mais diversas denominações dentro do referido grupo econômico (cita MITSUBISHI CORPORATION, MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, MITSUBISHI MOTORS KYOTO e MMC AUTOMOTORES, INC.). Aduz a fiscalização que a informação relacionada à eventual vinculação entre as partes tem reflexo direto na determinação de medidas que visam o controle aduaneiro por parte da Receita Federal do Brasil, em especial aqueles relacionados aos procedimentos de valoração aduaneira para fins de verificação da existência de influência ou não sobre o preço praticado nas operações de comércio exterior. Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 5.443 a 5.471, anexando os documentos de folhas 5.472 a 5.487. Em síntese apresenta as seguintes alegações: Que, não há vinculação entre a MMCO e MMCB. Importadora e exportadora não são partes vinculadas; Que, não são empresas associadas em negócio. A impugnante é distribuidora não exclusiva de MMCO, logo inexistente a vinculação. Consta expressamente dos contratos firmados que a impugnante é distribuidora não exclusiva do exportador, logo houve aplicação equivocada do disposto no Fl. 5575DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 artigo 15, § 5º, do AVA. Nesse sentido, devese observar o disposto nos itens 1 e 2 da Nota Explicativa 4.1 do AVA; Que, a MMCO não detém participação no capital da MMCB, nem a controla. Os sócios da impugnante estão listados no seu contrato social, são pessoas diversas e independentes de MMCO. Logo, não detém o poder de controle – de fato ou de direito – sobre as decisões tomadas pela impugnante. O vínculo a que se referem as normas aduaneiras necessariamente tem por origem a relação entre sócios e o poder de mando de um sobre o outro, a ponto de fazer prevalecer as suas vontades nas deliberações sociais. Tal raciocínio é confirmado na Opinião 21.1, do Comitê de Valoração Aduaneira da OMC (integrante da IN 318/03). Nenhum dos sócios da impugnante tem participação, relação, ajuste ou vínculo com a MMCO e seus sócios, à exceção dos negócios relacionados aos veículos Mitsubishi no Brasil; Que, os elementos contratuais identificados pela fiscalização não revelaram a existência de vinculação. Os pontos identificados pela fiscalização são típicos do negócio em exame, com prestações comutativas. Para caracterizar o controle (limitações impostas ou ordens a serem observadas), devem existir medidas que tenham por finalidade assegurar a ingerência de uma pessoa sobre a outra, a ponto de permitir a fixação arbitrária de preços, com o propósito de distorcer as bases dos tributos aduaneiros. Os contratos firmados não possuem disposições atípicas que deliberadamente permitam a uma das partes alterar o valor das mercadorias, as hipóteses elencadas pela fiscalização não são atípicas; Que, as restrições relacionadas ao quadro societário têm por objetivo assegurar que as pessoas que negociaram o acordo com a empresa japonesa continuem à frente da operação no Brasil, tendo em vista a confiança neles depositada, o que dá um caráter ‘personalíssimo’ ao acordo, situação compatível com a cultura oriental; Que, a observância de regras mínimas na revenda de produtos e na quantidade dos estoques são condições tipicamente encontradas nos contratos de concessão comercial de veículos automotores; Que, a proibição de venda de produtos de concorrentes não representa exclusividade, mas limite à liberdade da MMCB (e dos revendedores por ela autorizados) para comercializar veículos de outras marcas. Este fato não tem o condão de distorcer o real valor das mercadorias. Ademais é disposição inerente às relações entre montadoras e distribuidoras/concessionárias; Que, a observância de critérios patrimoniais mínimos e disponibilização e exame de informações financeiras à concedente tem o propósito de assegurar (ao exportador) a continuidade e solvabilidade na execução das atividades. Não se tratam de ingerências capazes de configurar controle e vinculação. Tais informações permitem, inclusive, que a MMCO possa conferir a exatidão do devido a título de royalties; Que, os contratos possuem outras disposições contratuais que demonstram a independência entre MMCO (exportador) e MMCB (importador), cláusulas 3, 5, 6, 11, 12 e 13; Fl. 5576DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 12 5 Que, as DI’s nas quais constavam haver vinculação não confirmam a tese da fiscalização. As importações originárias da MMC Automotores Inc. (Flórida – EUA) são de fato de empresa vinculada, já que tal pessoa jurídica é controlada pela impugnante, inclusive em importações que houve equívoco da Impugnante ao indicar o país exportador; nas demais importações (37 DI’s) houve erro no preenchimento dos documentos de importação ao se mencionar a vinculação. A relação é de coordenação e não de subordinação; Que, o CARF possui precedentes com a conclusão pela inexistência de vinculação tratando particularmente da relação entre MMCO e MMCB, Acórdãos n° 3101001.018, 3101001.017, 310100.574 (não foi possível localizar), 30235.879 e 3201001.004; Que, inexiste fundamento legal para imputação da multa de que se cuida no âmbito do controle aduaneiro. O procedimento de valoração aduaneira não se confunde com o procedimento de controle aduaneiro. Ademais a norma não exige informação ligada à particularidade da ‘vinculação’ (exigência infralegal não pode fundamentar a autuação); Que, ocorre ausência de pressuposto material (ajuste ao valor declarado). Não houve dolo ou dano ao Erário. A suposta vinculação não influenciou o valor aduaneiro, haja vista a fiscalização ter aceitado a correição do valor declarado; Que, interpretação contrária atentaria contra a proporcionalidade, razoabilidade e a vedação ao confisco na imputação de penalidades, cânones de observância obrigatória na auditoria fiscal; Requer seja integralmente cancelada a autuação.” A DRJ Florianópolis/SC julgou o lançamento procedente mediante decisão assim ementada: “VÍNCULO ENTRE COMPRADOR E VENDEDOR. INFORMAÇÃO INEXATA. MULTA. A multa aplicase ao importador que prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à existência de vinculo entre importador e exportador, devem ser informadas pelo importador nas respectivas declarações de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Em recurso voluntário o contribuinte sustentou ausência de identidade entre as motivações do lançamento e da decisão da DRJ; ausência de vinculação entre MMCO e a MMCB, por não haver participação societária e controle entre ambas e pelo fato dos elementos contratuais não revelarem a existência de vinculação; inexistência de fundamento legal para imputação da multa no âmbito do controle aduaneiro; e, ausência de pressuposto material (ajuste de valor declarado) que autorizaria a imputação da sanção. É o relatório. Fl. 5577DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Tocante à suposta diversidade de motivação entre o lançamento e a decisão recorrida, não assiste razão ao recorrente, haja vista que a infração constatada pela fiscalização e confirmada pelo colegiado a quo é única, consistente na vinculação entre o exportador e o importador brasileiro, não sendo admissível o destaque de trechos aleatórios do relatório fiscal e da decisão reclamada para estabelecer um dissídio interpretativo, como pretende o recorrente. Com efeito, o trecho recortado do relatório fiscal vislumbra o controle indireto das operações entre a MMCO e a MMCB, seja pela proibição de comercialização de produtos de concorrentes, seja pela manutenção de capital de giro líquido ou prestação de informações de cunho comercial e financeira, para concluir pela indigitada vinculação. Já pelo excerto reproduzido da decisão da DRJ, a inferência desta situação parte de aspectos atinentes à administração da sociedade, como a impossibilidade de alteração do quadro societário sem prévia anuência da contraparte, definição de valor do capital, acesso aos livros e registros da empresa, de maneira que não há qualquer incompatibilidade entre os fundamentos arrolados pela autuação e pelo acórdão de piso. Como ressaltado no mesmo texto reproduzido no recurso, a vinculação enxergada por ambas as autoridades decorre do conjunto de limitações, restrições e imposições previstas no contrato firmado entre a MMCO e MMCB, como dito, não havendo qualquer contradição entre as motivações deduzidas, razão porque não se verifica qualquer alteração da fundamentação do lançamento, tampouco modificação do critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, como proclama o recorrente. Respeitante à ausência de controle entre aludidas empresas, a partir dos elementos contratuais de distribuição, onde são definidos os direitos e obrigações de cada qual, temse que o cerne da questão não está no controle societário entre a exportadora estrangeira e a importadora brasileira, mas sim na existência (ou não) de vinculação entre elas para a finalidade de prestação das informações a que alude a IN SRF 680/06 (item 44.1, do Anexo Único), haja vista que esse foi o viés da autuação. Neste passo, tomo por empréstimo as referências alocadas pela decisão de primeiro grau quanto à capitulação da multa, a IN SRF 680/06, então vigente, e o Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT), aprovado pelo Decreto nº 1.355/1994, todos temas imbricados à propalada vinculação: “A multa por prestar de forma inexata informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro, regulamentada no artigo 711 do Decreto n° 6.759/09, está lastreada no § 1° e § 2º, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03 (fl. 05), que assim dispõe: ‘Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. Fl. 5578DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 13 7 § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: ...’ (Grifos acrescidos) Por sua vez, o artigo 84, da MP 2.158/01, assim estabeleceu: ‘Art.84.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: ...’ (Grifos acrescidos) A leitura do § 1° indica que a multa deve ser aplicada ao importador que prestar de forma inexata informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Quanto aos limites definidos no § 2º, há que se registrar que o legislador facultou à Secretaria da Receita Federal do Brasil que, em ato normativo, sejam estabelecidas outras informações que estejam fora do conceito de ‘descrição detalhada da operação’, mas que se enquadrem como necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Neste sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF n° 680/06, determinou em seu Anexo Único quais as informações devem ser prestadas pelo importador, e entre elas a necessidade de indicar o vinculo entre o comprador e vendedor (importador e exportador): ‘Art. 4º A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. ...’ (Grifos acrescidos) O Anexo Único da citada Instrução Normativa SRF assim dispõe: ‘ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR Fl. 5579DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 ... 44.1 Método de Valoração Método utilizado para valoração da mercadoria, conforme a tabela ‘Método de Valoração’, administrada pela SRF, e indicativo de vinculação entre o comprador e o vendedor. ....’ (Grifos acrescidos) A vinculação entre comprador (importador) e exportador pode, em razão do estreito relacionamento, vir a influenciar os preços transacionados por ocasião das operações de comércio exterior. Tal situação foi devidamente tratada no âmbito do Acordo sobre Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT). Reconhecido no País pelo Decreto Legislativo nº 30/1994 que aprovou e pelo Decreto nº 1.355/1994 que promulgou a Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT1994. O Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII, do Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994 (AVA/GATT) assim dispõe: ‘1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: ... (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. 2. (a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito. Fl. 5580DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 14 9 (b) no caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: (i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados de mercadorias idênticas ou similares, destinadas a exportação para o mesmo país de importação; (ii) O valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 5; (iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 6; Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no Artigo 8 e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele o comprador sejam vinculados; (c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2 (b) devem ser utilizados por iniciativa do importador, e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b).’ (Grifos acrescidos) Já o Artigo 15 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII, do Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994 (AVA/GATT), em seu parágrafo 4 e 5 traz as situações em que as pessoas serão consideradas vinculadas: 4. Para os fins deste Acordo, as pessoas serão consideradas vinculadas somente se: (a) uma delas ocupar cargo de responsabilidade ou direção em empresa da outra; (b) forem legalmente reconhecidas como associadas em negócios; (c) forem empregador e empregado; Fl. 5581DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 (d) qualquer pessoa, direta ou indiretamente, possuir, controlar ou detiver 5% ou mais das ações ou títulos emitidos com direito a voto de ambas; (e) uma delas, direta ou indiretamente, controlar a outra; (f) forem ambas, direta ou indiretamente, controladas por uma terceira pessoa; ou (g) juntos, controlarem direta ou indiretamente uma terceira pessoa; (h) forem membros da mesma família. 5. As pessoas que forem associadas em negócios, pelo fato de uma ser o agente, o distribuidor ou o concessionário exclusivo da outra, qualquer que seja a denominação utilizada, serão consideradas vinculadas para os fins deste Acordo, desde que se enquadrem em algum dos critérios do parágrafo 4 deste Artigo.’ (Grifos acrescidos) Por sua vez as “Notas Interpretativas” – Anexo I do citado acordo, trazem as seguintes explicitações sobre o tema: ‘Nota ao Artigo I ... Parágrafo 2 ... 2. O parágrafo 2 (a) estabelece que, quando o comprador e o vendedor forem vinculados, as circunstâncias que envolvem a venda serão examinadas e o valor de transação será aceito como valor aduaneiro, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Com isso não se pretende que seja feito um exame de tais circunstâncias em todos os casos em que o comprador e o vendedor forem vinculados. Tal exame só será exigido quando houver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço. Quando a administração aduaneira não tiver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço, ele deverá ser aceito sem que outras informações sejam solicitadas ao importador. Por exemplo, a administração aduaneira pode ter examinado previamente a vinculação, ou pode ter informações detalhadas a respeito do comprador e do vendedor, e pode, diante de tais exames e informações, estar convencida de que a vinculação não influenciou o preço. ... Nota ao Artigo 15 Fl. 5582DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 15 11 Parágrafo 4 Para os fins do Artigo 15, o termo ‘pessoas’ inclui pessoas jurídicas, conforme o caso. Parágrafo 4(e) Para os fins deste Acordo, entenderseá que uma pessoa controla outra quando a primeira estiver, de fato ou de direito, numa posição de impor limitações ou ditar ordens à segunda.’ (Grifos acrescidos) Também a Instrução Normativa SRF n° 327/03 traz orientação sobre o tema em seus artigos 15 e 16: ‘Art. 15. A utilização do método do valor de transação nas operações comerciais entre pessoas vinculadas somente será permitida quando a vinculação não tiver influenciado o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Art. 16. A vinculação de que trata o artigo anterior diz respeito à relação existente entre o comprador e o vendedor na transação comercial de compra e venda das mercadorias. ...’ (Grifos acrescidos) De antemão, cumpre esclarecer que não se está a discutir nesses autos se o valor da transação sofreu ou não influência da pretensa vinculação entre exportador e importador, mas tãosomente se, em decorrência desta circunstância, deveria o contribuinte ter prestado tal informação quando do registro das declarações de importação. Na seqüência, após a leitura dos trechos transcritos e destacados, definese que, no caso vertente, a vinculação entre as sociedades mercantis se revelaria quando legalmente reconhecidas como associadas em negócios ou uma delas, ainda que indiretamente, controlasse a outra, valendo acentuar o teor do parágrafo 5, do art. 15 do AVAGATT, consoante o qual as pessoas que forem associadas em negócios, pelo fato de uma ser agente, distribuidor ou concessionário exclusivo da outra, qualquer que fosse a denominação utilizada, seriam consideradas vinculadas para os fins do acordo, desde que atendessem àqueles critérios. In casu, o exame da situação deixa clara a existência da propalada vinculação entre a MMCO e a MMCB, pelo simples fato de ser esta última distribuidora daquela primeira no Brasil, havendo controle societário1, administrativo e comercial da MMCO sobre a MMCB, como sobejamente demonstrado nos autos, pelo contrato de distribuição juntados às fls. 5072 e ss, acompanhada da correspondente tradução juramentada. Nesse passo, ainda que a cláusula 3 do referido contrato (fl. 5126) disponha que a relação não será de subordinação, mas de vendedor/comprador, a verdade é que as 1 Não quanto à participação no capital social da pessoa jurídica, mas à necessidade de anuência prévia em relação à sua modificação. Fl. 5583DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 demais cláusulas demonstram que existe, sim, ingerência da primeira sobre a segunda, como se dá com a aquiescência antecedente a qualquer modificação no quadro societário, a obrigação da MMCB informar à MMCO a lista detalhada dos produtos vendidos no mês anterior e a posição de estoque (cláusula 5), a obrigatoriedade de informação à MMCO, pela MMCB, dos motivos de rescisão contratual entre a MMCB e os concessionários por ela contratados (cláusula 6), a proibição de negociação de veículos concorrentes e compra de peças e serviços concorrentes (cláusulas 7 e 8), a concorrência de ambas na definição do valor do capital de giro e patrimônio líquido necessário à operação da MMCB (cláusula 10), a imposição de gastos mínimos com publicidade por parte da MMCO à MMCB (cláusula 13), ainda que ajustados em comum, e o poder de inspeção deferido à MMCO sobre os livros, registros, balanços, demonstrativos, dentre outros, da MMCB (cláusula 18). Vêse pelos itens destacados que há uma estreita relação entre as partes, que vai além das obrigações comerciais típicas, mormente quanto à necessidade de prévio consentimento a modificações do quadro societário e o livre acesso aos livros e registros da distribuidora, estampando a vinculação designada pelo lançamento. De outra banda, a alegação que não haveria exclusividade na comercialização dos produtos em território nacional é uma meia verdade, pois, nada obstante prever o contrato que a MMCO possa unilateralmente escolher outros distribuidores no Brasil, a MMCB, na condição de distribuidora, está proibida de comercializar veículos, peças e serviços concorrentes, não se tratando de uma simples limitação, mas de caso de exclusividade comercial. Também não procede o argumento que indigitada exclusividade é típica entre os contratos desta natureza, o que viria a descaracterizar a vinculação entre os envolvidos, haja vista que esta característica comercial não retira a obrigatoriedade de prestar as informações ora questionadas, tampouco desqualifica a condição de vinculação entre as pessoas jurídicas, pelo contrário, apenas a realça. Quanto à alegação que a vinculação aludida pelo AVAGATT almeja aquelas situações em que a ingerência chegue a ponto de permitir que uma das partes possa alterar ou influir na valoração das mercadorias, respeitadas as opiniões em contrário, não convence, porque, segundo o trecho citado pelo recurso, acerca da manifestação do Comitê de Valoração Aduaneira, esta vinculação não poderia ser extraída da interpretação de acordos usuais de distribuição, o que não ocorre no caso dos autos, onde determinadas obrigações fogem à regra, como reconhece o próprio recorrente, quando aduz que a manifestação prévia da MMCO sobre alterações do quadro societário da MMCB decorre do caráter personalíssimo do acordo, “compatível com a cultura oriental (MMCO)”. A referência ao item 11.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, anexo à IN SRF 318/03, consoante o qual é comum nos contratos de distribuição a notificação de mudanças na propriedade ou direção da parte contratante, não aproveita à recorrente, uma vez que, neste processo, não há simples comunicação (notificação), como asseverado, mas exigência de “aprovação prévia por escrito da MMC”, conforme cláusula 2.2. Então não se pode falar que contratos que apresentem essas características especiais possam se qualificar como usuais. Outrossim, fornecer informações sobre o andamento dos negócios da distribuidora não corresponde, de forma alguma, ao poder de livremente inspecionar os livros, registros, balanços, demonstrações financeiras, etc., da contraparte, o que só corrobora as especificidades do contrato e impedem reconhecêlo como usual. Fl. 5584DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 16 13 A suposta livre gerência e administração do negócio, por parte da distribuidora, a meu ver, esbarra nas limitações impostas pelo próprio contrato, que restringe demasiadamente esta liberdade gerencial. Em síntese, tanto o lançamento quanto a decisão objurgada abordaram com precisão a situação e não merecem qualquer reparo. No que concerne à atipicidade da conduta para inflição da multa exigida, melhor sorte não ampara o recorrente, tendo em conta que o art. 69, § 1º da Lei nº 10.833/03, ao estabelecer que a multa incide nas hipóteses de omissão, prestação inexata ou incompleta de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, indubitavelmente abrange a informação de vinculação entre exportador e importador, conforme item 44.1, Anexo Único, IN SRF 680/2006, exigível para a parametrização das declarações de importação nos canais de despacho aduaneiro. No que diz respeito à ausência de ajuste no valor aduaneiro, dolo e dano ao erário, como dito alhures, o recorrente não foi autuado por qualquer vício no valor aduaneiro, que, aliás, sequer chegou a ser examinado neste processo, mas pela ausência de informação acerca da vinculação entre exportador e importador, o que afetou o controle aduaneiro apropriado, motivo pelo qual desnecessário qualquer juízo axiológico sobre a ocorrência de dolo ou dano ao erário, visto tratarse de questão eminentemente objetiva. Por derradeiro, atinente à desproporcionalidade e falta de razoabilidade da penalidade imposta, temse que a sua imposição encontra amparo na legislação tributária, não cabendo a este sodalício aquilatar a sua justeza, mas exclusivamente a adequada subsunção dos fatos à norma aplicável, o que, no caso concreto, ocorreu. Em face de todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Redator designado. Fui designado para redigir o voto que procure resumir o entendimento vencedor. Ele difere e, com a máxima vênia, é contrário ao exposto pelo relator o mui ilustre Conselheiro Robson José Bayerl em seu bem fundamentado voto. Peço compreensão pela brevidade e objetividade deste voto, mas procurarei expor o entendimento que, após os longos debates, chegaram os respeitáveis Conselheiros durante a sessão e nos conduziu a concluir que seria justificável dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 5585DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 Como vimos, este processo cuida de auto de infração que constituiu e exige a multa por prestação inexata de informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro, prevista no artigo 69 da Lei n. 10.833/2003, que traz acréscimo à redação do artigo 84 da MP n. 2.15835/2001. A autoridade fiscal lavrou esse auto a partir de revisão aduaneira realizada nas declarações de importação registradas pela contribuinte no período entre 01/07/2008 e 30/06/2012. A informação que teria sido prestada de modo inexato, segundo a autoridade fiscal, seria a vinculação entre as empresas fornecedoras dos produtos no exterior e a importadora, ou seja, a contribuinte teria omitido a existência dessa vinculação. No entendimento da autoridade fiscal, e dos julgadores a quo, esta informação seria necessária para a determinação do apropriado procedimento de controle aduaneiro, tendo como base, além do disposto no artigo 69 da Lei n. 10.833/2003, o anexo (item 44.1) da Instrução Normativa IN RFB n. 680/2006. A autoridade fiscal afirma que o procedimento aduaneiro apropriado que teria sido influenciado pela falta da informação correta seria o da valoração aduaneira. Após essa rápida identificação do objeto da exigência e dos seus fundamentos e motivação, passemos à análise da sua procedência e correção. Primeiramente, deixemos claro o nosso entendimento de que a multa em questão exige que tenha havido prejuízo na determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Vejamos o que consta do texto da Lei: Lei n. 10.833/2003: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial NECESSÁRIA À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; Fl. 5586DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 17 15 IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. § 3o (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 3o Quando aplicada sobre a exportação, a multa prevista neste artigo incidirá sobre o preço normal definido no art. 2º do DecretoLei nº 1.578, de 11 de outubro de 1977. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Medida Provisória 2.15835, de 2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (Vide) I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Notemos que a própria Lei traz as informações consideradas por ela relevantes a justificar que, por não terem sido prestadas ou o terem sido de forma inexata, se considere infração e se deva imputar a multa. A Lei esclarece a sua natureza (informações que descrevem a operação) e lista textual e pontualmente as hipóteses: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador) /fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. Fl. 5587DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 Primeiro ponto: Não temos dúvida de que a IN RFB n. 680/2006 não pode ser considerada base legal para caracterizar a infração e para a exigência da multa. Nesse ponto divergimos do ilustre Conselheiro relator, bem como da autoridade de lançamento e dos julgadores a quo, pois essa instrução normativa não traz definição de quais informações atenderiam aos fins dispostos no artigo 69 da Lei n. 10.833/2003. Na verdade, essa IN apenas disciplina o despacho aduaneiro e a forma de preenchimento da declaração de importação. Ela não teve e não tem a finalidade de complementar ou suplementar aquele texto de lei (art. 69 da Lei 10.833/2003). O anexo desta instrução normativa lista e detalha todos os campos, os dados e as informações prevista para uma declaração de importação. Essa instrução normativa não aponta quais dessas deveriam ser alçadas e destacadas das outras para serem consideradas mais relevantes. Não é possível que todos ou qualquer um desses dados justifique aquelas penalidades, como não é possível que fique dependendo da interpretação subjetiva da contribuinte ou da autoridade administrativa identificar quais dados constituem as hipóteses daquele artigo 69 da Lei 10.833/2003 e do artigo 84 da MP 2.15835/2001. Mais especifica e objetivamente quanto ao caso em análise, essa instrução normativa não define que a informação a respeito da existência ou não de vínculo entre fornecedores/produtores estrangeiros e importador deve ser considerada relevante para os fins do artigo 69 da Lei n. 10.833/2003. A nosso ver, falta essa teleologia para e na Instrução Normativa adotada como base da autuação. Segundo ponto: Além do mais, parecenos equivocada a crença de que uma instrução normativa estaria pretendendo estabelecer elementos definidores do tipo infracional ou administrativopenal. Certamente não seria propósito da Administração Tributária estabelecer infrações e penalidades por outro meio que não a própria lei. Portanto, falta base legal para a exigência fiscal e também lhe falta correspondência com o tipo definido em Lei, no sentido de que a informação quanto à existência de vínculo entre fornecedores/produtores estrangeiros e o importador constituiria tipo de informação necessária para a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Terceiro ponto: Retornemos, por favor, ao texto da Lei E para o primeiro aspecto por nós levantado neste voto. A nosso ver, como requisito para a aplicação da multa deve se caracterizar a infração. E a infração tem como dimensão inescapável o prejuízo na determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Cremos que, no caso aqui em discussão, a exigência não logrou atender a essa caracterização. Bastaria apenas a autoridade fiscal apresentar uma única importação, dentre as submetidas a revisão aduaneira, para demonstrar que a ausência da informação (da existência do vínculo entre fornecedores/produtores estrangeiro e importador) ou a informação inexata significou e significaria para todas as outras importações prejuízo na determinação do procedimento de controle. Mas não é o que temos nessa autuação. A exigência fiscal se apóia exclusivamente em afirmar que há vínculo entre os fornecedores estrangeiros e o importador, e que a contribuinte omitiu essa informação nas declarações de importação. Mas o auto de infração não comprova a sua implicação no procedimento aduaneiro. Fl. 5588DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.720769/201377 Acórdão n.º 3401003.217 S3C4T1 Fl. 18 17 Mais uma vez, com a máxima vênia, divergindo do Conselheiro relator, não nos pareceu suficiente para manter a multa a argumentação de que a falta dessa informação poderia levar o despacho aduaneiro de importação a um procedimento de valoração aduaneira. S.m.j., essa é uma hipótese que não foi demonstrada nos autos, ela foi apenas argumentada. Nesse ponto, sublinhamos que a exigência fiscal não afirma que aquela informação na DI teria influência sobre o tipo de canal de tratamento do despacho de importação (o que também demandaria demonstração, ou dependeria de disposição legal assim o definindo): a exigência fiscal se cinge a estabelecer uma relação entre a informação na DI e o procedimento de valoração aduaneira. Quarto ponto: Recordemos que essas declarações de importação traziam todos os dados a respeito dos fornecedores, produtores, dos produtos (incluindo sua marca, modelos, especificações), e as autoridades do despacho delas teve ciência, podendo decidir pela adoção do procedimento de valoração aduaneiro, ou mudança de canal de despacho. Mas não consta dos autos que tenha havido questionamento da possibilidade de vínculo entre fornecedores e importador, ou da possibilidade de que esse vínculo estaria influenciando no preço e no valor aduaneiros declarados. O que consta dos autos permite afirmar que, para as autoridades fiscais e julgadoras, a contribuinte não informou a existência do vínculo por ser sua convicção de que não há, ou que ele não se caracterizou. Caso contrário, essas autoridades teriam suscitado que a contribuinte teria deliberadamente prestado informação inexata, hipótese que, a nosso ver, não foi por elas suscitada ou tratada neste processo. Em adição a essa considerações, necessário sublinhar que o procedimento de valoração aduaneira, apontado pela autoridade fiscal, não está dentre os procedimentos de controle aduaneiro previstos na instrução normativa RFB n. 680/2006. Finalizando quanto a esse último ponto, faltou à exigência fiscal demonstrar que efetivamente a informação da existência de vínculo entre fornecedores/produtores e importador influenciou na determinação do controle aduaneiro apropriado das declarações de importação submetidas a revisão aduaneira. Conclusão Com essas considerações justificamos por que entendemos que a exigência fiscal não deve prosperar, tornando desnecessária a análise da existência ou não do vínculo, debatido ao longo do contraditório. Daí propormos o acolhimento da preliminar do recurso voluntário, sem adentrarmos à apreciação do mérito a respeito da caracterização ou não do vinculo entre fornecedores/produtores e importador. Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 5589DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901386/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.321
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.901386/2014-96
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647590
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.321
nome_arquivo_s : Decisao_13888901386201496.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13888901386201496_5647590.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6544060
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688091201536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901386/201496 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.321 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 86 /2 01 4- 96 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901386/201496 Acórdão n.º 3402003.321 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901386/201496 Acórdão n.º 3402003.321 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901386/201496 Acórdão n.º 3402003.321 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901386/201496 Acórdão n.º 3402003.321 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901395/2014-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.901395/2014-87
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647599
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.330
nome_arquivo_s : Decisao_13888901395201487.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13888901395201487_5647599.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6544078
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688093298688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901395/201487 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.330 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 95 /2 01 4- 87 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901395/201487 Acórdão n.º 3402003.330 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901395/201487 Acórdão n.º 3402003.330 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901395/201487 Acórdão n.º 3402003.330 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901395/201487 Acórdão n.º 3402003.330 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720669/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.720669/2009-38
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626259
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.046
nome_arquivo_s : Decisao_10580720669200938.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580720669200938_5626259.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6476822
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688103784448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 22 1 21 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.720669/200938 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.046 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente VERA LUCIA BARRETO MARTINS LIMA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 69 /2 00 9- 38 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 9202004.046 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 9202004.046 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 9202004.046 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 9202004.046 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 9202004.046 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 9202004.046 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001376/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13161.001376/2007-15
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5653335
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.286
nome_arquivo_s : Decisao_13161001376200715.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13161001376200715_5653335.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6554769
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688117415936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 48 1 47 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.001376/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.286 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria PIS/COFINS RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL COOAGRI "Em Liquidação". Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 76 /2 00 7- 15 Fl. 346DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 348DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.286. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 350DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 352DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 354DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 356DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 358DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 360DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 362DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 364DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 366DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 368DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 370DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 372DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 374DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 376DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 378DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 380DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 382DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 384DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 386DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 388DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 390DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13161.001376/200715 Acórdão n.º 3302003.286 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 392DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721320/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
GLOSA DE DESPESAS. PAGAMENTO EFETUADO A ENTE PÚBLICO PARA GARANTIR EXCLUSIVIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSAÇÃO DO CONTRATO EM RAZÃO DE VÍCIO DE LEGALIDADE.
A cessação do contrato de prestação de serviços firmado pelo contribuinte com ente público, em razão do descumprimento de normas licitatórias, não justifica, por si só, a glosa da despesa referente ao pagamento feito àquele ente público com o fito de garantir a exclusividade na prestação de serviços.
GLOSA DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO DO CAPITAL APLICADO NA AQUISIÇÃO DE DIREITOS REFERENTES À ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS.
As despesas com amortização do capital aplicado na aquisição de direitos referentes à atividade de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management) só serão consideradas dedutíveis, quando existir um limite de prazo, legal ou contratual, para a sua exploração.
GLOSA DE DESPESAS. LIBERALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não demonstrado nos autos que o pagamento de remuneração estaria condicionado à ocorrência de evento futuro não implementado, tratando-se, pois, de despesa operacional antecipada normal e usual da atividade comercial, não merece prosperar a glosa de despesas.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O que ficou decidido no lançamento do IRPJ, em relação à glosa de despesas, aplica-se também à CSLL.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O valor do crédito tributário lançado compreende o tributo e multa de ofício. Logo, sobre a multa de ofício não paga no vencimento, incidem juros de mora, calculados com base na taxa Selic.
Numero da decisão: 1401-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL apenas para cancelar os lançamentos em relação ao contrato do contribuinte com as Casas Bahia.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS. PAGAMENTO EFETUADO A ENTE PÚBLICO PARA GARANTIR EXCLUSIVIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSAÇÃO DO CONTRATO EM RAZÃO DE VÍCIO DE LEGALIDADE. A cessação do contrato de prestação de serviços firmado pelo contribuinte com ente público, em razão do descumprimento de normas licitatórias, não justifica, por si só, a glosa da despesa referente ao pagamento feito àquele ente público com o fito de garantir a exclusividade na prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO DO CAPITAL APLICADO NA AQUISIÇÃO DE DIREITOS REFERENTES À ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. As despesas com amortização do capital aplicado na aquisição de direitos referentes à atividade de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management) só serão consideradas dedutíveis, quando existir um limite de prazo, legal ou contratual, para a sua exploração. GLOSA DE DESPESAS. LIBERALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstrado nos autos que o pagamento de remuneração estaria condicionado à ocorrência de evento futuro não implementado, tratando-se, pois, de despesa operacional antecipada normal e usual da atividade comercial, não merece prosperar a glosa de despesas. CSLL. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido no lançamento do IRPJ, em relação à glosa de despesas, aplica-se também à CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O valor do crédito tributário lançado compreende o tributo e multa de ofício. Logo, sobre a multa de ofício não paga no vencimento, incidem juros de mora, calculados com base na taxa Selic.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.721320/2012-04
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5642144
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.683
nome_arquivo_s : Decisao_16327721320201204.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16327721320201204_5642144.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL apenas para cancelar os lançamentos em relação ao contrato do contribuinte com as Casas Bahia. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
dt_sessao_tdt : Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6507841
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688184524800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 531 1 530 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721320/201204 Recurso nº 999.999 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.683 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2016 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente BRADESCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS. PAGAMENTO EFETUADO A ENTE PÚBLICO PARA GARANTIR EXCLUSIVIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSAÇÃO DO CONTRATO EM RAZÃO DE VÍCIO DE LEGALIDADE. A cessação do contrato de prestação de serviços firmado pelo contribuinte com ente público, em razão do descumprimento de normas licitatórias, não justifica, por si só, a glosa da despesa referente ao pagamento feito àquele ente público com o fito de garantir a exclusividade na prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO DO CAPITAL APLICADO NA AQUISIÇÃO DE DIREITOS REFERENTES À ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. As despesas com amortização do capital aplicado na aquisição de direitos referentes à atividade de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management) só serão consideradas dedutíveis, quando existir um limite de prazo, legal ou contratual, para a sua exploração. GLOSA DE DESPESAS. LIBERALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstrado nos autos que o pagamento de remuneração estaria condicionado à ocorrência de evento futuro não implementado, tratandose, pois, de despesa operacional antecipada normal e usual da atividade comercial, não merece prosperar a glosa de despesas. CSLL. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido no lançamento do IRPJ, em relação à glosa de despesas, aplicase também à CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O valor do crédito tributário lançado compreende o tributo e multa de ofício. Logo, sobre a multa de ofício não paga no vencimento, incidem juros de mora, calculados com base na taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 20 /2 01 2- 04 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 532 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL apenas para cancelar os lançamentos em relação ao contrato do contribuinte com as Casas Bahia. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no Acórdão nº 1269.106 da da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro RJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de autos de infração, às folhas 03/08 e 09/15, lavrados contra o contribuinte acima qualificado, por meio dos quais são exigidos Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativo ao ano calendário 2007, no valor total de R$ 62.003.490,19, conforme descrito no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à folha 02, demonstrado no quadro abaixo: Tributo Principal Juros Multa Total IRPJ RS 22.121.568,08 RS 10.810.810,32 RS 16.591.176,06 RS 49.523.554,46 CSLL RS 5.574.635,19 RS 2.724.324,20 RS 4.180.976,37 RS 12.479.935,76 Total RS 27.696.203,27 RS 13.535.134,52 RS 20.772.152,43 RS 62.003.490,22 De acordo com as informações contidas no Termo de Verificação Fiscal de folhas 17/27, o contribuinte deixou de adicionar ao lucro real e à base de cálculo da CSLL no ano calendário 2007, de forma indevida, despesas decorrentes da amortização dos valores pagos antecipadamente, no âmbito de contratos celebrados entre o contribuinte e o Banco do Estado da Bahia, Banco J.P. Morgan e Casa Bahia Comercial Ltda. Com relação ao Banco do Estado da Bahia, a fiscalização glosou a amortização do saldo das despesas antecipadas no valor de R$ 46.237.953,77, relativas ao Termo Aditivo ao Contrato entre o contribuinte e o Estado da Bahia, cujos efeitos cessaram em 03/10/2007, em razão do Ofício n° 215/2007, expedido pela Secretaria da Fazenda do Governo da Bahia. A autoridade autuante consignou no Termo de Verificação Fiscal que: "Por conseguinte, não há como se considerar que uma despesa possa ser caracterizada como normal, usual ou ainda necessária à atividade da pessoa jurídica quando decorrente de operação com vicio declarado pelo poder público, devendo por esta razão ser adicionado de oficio o valor resultante da soma das amortizações mensais efetuadas com o saldo remanescente integralmente baixado, o qual totalizou no ano de 2007 o montante de R$ 46.237.953,77. (fls. 5 do TVF). " Com relação ao Banco J.P. Morgan, foi glosado o valor de R$ 19.513.971,97, correspondente à amortização, realizada no anocalendário 2007, de despesas antecipadas decorrentes do contrato celebrado entre o contribuinte, na qualidade de cessionário, e o Banco J.P. Morgan S.A. ("J.P. Morgan"), na qualidade de cedente, em 28/01/2003, tendo por objeto a cessão, por este último, de direitos e obrigações relacionados à atividade de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management). A autoridade autuante entendeu que o contribuinte não poderia ter amortizado o valor pago ao Banco J.P. Morgan em decorrência do referido contrato, haja vista Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 534 4 que o artigo 325, inciso I, do RIR/99, somente permite a amortização do capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, e que este não seria o caso. A autoridade autuante consignou no Termo de Verificação Fiscal que: "Da leitura do contrato celebrado entre o Bradesco e o J.P. Morgan sobressai que a cessão realizada tem caráter definitivo, atemporal, dado que os direitos adquiridos pelo Bradesco são por prazo incerto, compreendendo, notadamente, a transferência da titularidade do serviço de administração de fundos de investimentos financeiros pertencentes, que pertenciam aos clientes do J.P. Morgan. A legislação fiscal não autoriza a amortização destes valores, que deve ser adicionada de ofício ao lucro liquido para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. " Com relação às Casas Bahia, a autoridade autuante desconsiderou parcela da amortização feita no anocalendário de 2007, relativamente às despesas com o pagamento de remunerações decorrentes do contrato celebrado entre o contribuinte e a Casa Bahia Comercial Ltda, pelo qual o autuado, em caráter exclusivo, emitiria, administraria e comercializaria cartões de crédito personalizados com a logomarca das Casas Bahia, bem como ofereceria todos e quaisquer produtos financeiros aos clientes desta, em todas as suas lojas. O fundamento utilizado pela fiscalização para desconsiderar o referido montante consiste em suposta liberalidade no pagamento de parcela da remuneração, que estaria acordada em R$ 30,00 a serem pagos às Casas Bahia para cada cartão de crédito comercializado e, teria passado a ser, em dezembro de 2006, de R$ 45,45, sem que houvesse qualquer justificativa para tal aumento. A parcela amortizada que excedia os R$ 30,00 por cartão, atualizados pela variação do IPCA (conforme previsão contratual), foi então glosada pela fiscalização, que procedeu à adição do valor de R$ 22.734.346,56 ao lucro real e à base de cálculo da CSLL do contribuinte. A autoridade autuante consignou no Termo de Verificação Fiscal que: "A legislação fiscal não admite como dedução do lucro tributável as despesas que não se encaixam no conceito do artigo 299 do RIR/99, as quais obrigatoriamente devem atender as condições de necessidade, usualidade e normalidade. No caso ora em exame, os valores das amortizações contabilizadas pela instituição, as quais tiveram sua origem nos pagamentos realizados com nitido caráter de liberalidade, em razão da elevação da remuneração praticada sem justificativas plausíveis para tanto, devem ser adicionados de oficio para fins de apuração do lucro tributável. (fls. 9 do TVF) " Em razão das glosas de amortizações efetuadas pela fiscalização em razão das infrações apuradas no procedimento fiscal, foi adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2007, o montante total de R$ 88.486.272.301. O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 08/11/2012 (folha 15), tendo apresentado em 10/12/2012 a impugnação de folhas 239/283. Na peça, afirma que não merecem prosperar os autos de infração devendo ser integralmente cancelados pelas razões que abaixo indicadas. II DO DIREITO Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 535 5 CONTABILIZAÇÃO E AMORTIZAÇÃO DAS DESPESAS ANTECIPADAS PELO IMPUGNANTE No desenvolvimento de suas atividades, o contribuinte diz que mantém relações com diversos parceiros de negócios, com os quais celebra acordos operacionais variados, necessários à consecução de seu objeto social. Alega que os valores decorrentes de tais acordos são, em diversas situações, pagos antecipadamente pelo próprio contribuinte. Assim, fazse um registro em seu Ativo correspondente a "Despesas Antecipadas" (as quais serão amortizadas e apropriadas como despesas segundo o regime de competência) contra um lançamento a crédito da conta Caixa. Afirma que, conforme esclarecido à autoridade autuante em resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal, de 02/12/2011, os fluxos contábeis, no pagamento dos valores contratuais pelo contribuinte e no reconhecimento da despesa, por competência, são os seguintes: Pelo pagamento: D Despesas Antecipadas C Caixa Apropriação do resultado: D Outras Despesas Operacionais (Amortização Desp. Antecipada Acordo Operacional) C Despesas Antecipadas Aponta o interessado que as despesas antecipadas por ele amortizadas consistiam em despesas operacionais, portanto dedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e encontramse comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Afirma que, nos termos do artigo 299 do RIR/99, despesas operacionais são aquelas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Aduz o autuado que, nesse dispositivo legal, o legislador pretendeu impor alguns limites ou condições para que as pessoas jurídicas pudessem considerar determinadas despesas como sendo operacionais e, conseqüentemente, deduzilas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos. Desta forma, somente as despesas que tivessem as mencionadas características é que poderiam ser dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, devendose considerar os requisitos: (i) a despesa deverá ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora; e (ii) a despesa deverá ser usual e normal no tipo de atividade desenvolvida pelo contribuinte que a suportou. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 536 6 Afirma o autuado que a necessidade da despesa é comprovada na medida em que ela é empregada na otimização das operações ou dos negócios exigidos pela atividade que constitui o objeto social da pessoa jurídica. Ademais, uma despesa será necessária quando for justificável do ponto de vista gerencial da empresa. Continuando, já a usualidade pode ser definida em razão de a despesa ser habitual para a realização do objeto social. Caso a despesa seja justificável do ponto de vista negocial, ela possuirá grande potencial para tornarse usual. No que tange à normalidade, afirma que há que se considerar se determinada despesa é normal na realização das atividades e negócios pertinentes ao objeto social exercido pela empresa, ou seja, se é comumente verificada na realização do objeto social pelas empresas do ramo. Aduz o interessado que este entendimento é compartilhado pela Receita Federal do Brasil, conforme Parecer Normativo CST n° 32, bem como pela jurisprudência administrativa. Conclui o autuado que se as despesas são operacionais (dedutíveis), pois são justificáveis do ponto de vista gerencial, os montantes despendidos pelo contribuinte, da mesma forma, são essenciais aos seus negócios. Assim, uma vez comprovado que o autuado, no ano calendário 2007, incorreu em determinadas despesas que são usuais, normais e necessárias à sua atividade, não poderá prevalecer o entendimento manifestado pela fiscalização, motivo pelo qual devem ser cancelados os autos de infração lavrados para cobrança de créditos tributários de IRPJ e CSLL. O contribuinte passa a analisar cada uma das despesas antecipadas cuja amortização foi glosada pela autoridade autuante. CONTRATO ENTRE O IMPUGNANTE E O ESTADO DA BAHIA Afirma o interessado que em 11/06/1999, o Estado da Bahia, entidade de direito público interno, celebrou com o Banco do Estado da Bahia S.A. ("BANEB") o "Instrumento Particular de Prestação de Serviços", que tinha por objeto a prestação de serviços bancários diversos ao Estado, pelo BANEB tais como pagamento de servidores, licenciamento de veículos, recolhimento de tributos, manutenção das contas das autarquias e fundações, dentre outros. Tal contrato tinha duração inicial prevista de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco anos. Posteriormente, o controle acionário do BANEB foi adquirido pelo contribuinte, em leilão de privatização promovido pelo Banco Central do Brasil ("BACEN"). Em momento futuro, o "Instrumento Particular de Prestação de Serviços" foi cedido ao autuado, por meio do "Instrumento de Cessão de Ativos e Passivos", conforme permitido pelo Edital de Leilão. Desta forma, em cumprimento ao referido contrato, bem como em obediência ao princípio da continuidade do serviço público, a prestação dos serviços até então afeitos ao BANEB passou a ser realizada pelo contribuinte. Afirma o interessado que em 11/06/2004, foi assinado o "Termo Aditivo ao Contrato de Prestação de Serviços", sendo o contribuinte uma de suas partes, na qualidade de cessionário do contrato original. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 537 7 Consoante disposto na cláusula primeira do referido Termo Aditivo, seu objeto era a prorrogação do prazo de vigência do contrato original, bem como a retificação e ratificação de algumas condições nele previstas. No que diz respeito à remuneração acordada, a cláusula quarta do Termo Aditivo estabelecia que em razão do relacionamento comercial mantido entre as partes, o autuado comprometiase a realizar, em favor do Estado da Bahia, o pagamento de R$ 68.501.000,00, em razão da exclusividade na prestação dos serviços bancários mencionados. Afirma que tal valor tinha sido registrado na conta do Ativo "Despesas Antecipadas Governo da Bahia", e vinha sendo amortizado, no anocalendário de 2007 (período objeto da presente autuação), mediante a apropriação de parcelas mensais de R$ 1.541.265,13. Aduz que este expediente deuse de janeiro a setembro de 2007. Em 03/10/2007, afirma o interessado que a Secretaria da Fazenda do Governo do Estado da Bahia, unilateralmente, expediu o Ofício n° 215/2007, por meio do qual cientificou ao autuado a sua decisão de fazer cessar a eficácia do "Termo Aditivo ao Contrato de Prestação de Serviços", assegurada, tão somente, a prestação do serviço por mais 30 dias, para a preservação do princípio da continuidade do serviço público. Aduz o autuado que a emissão do Ofício n° 215/2007 teria sido motivada pelo exercício do poder/dever de autotutela pelo Poder Público, por parecer emitido pela Procuradoria Geral do Estado e pela decisão do Governador do Estado nos autos no Processo n° PGE20072311660, por suposta ofensa a dispositivos da Lei n° 8.666/93 e pela decisão proferida na Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 3.5789/DF, que suspendeu a eficácia do artigo 4°, § 1°, da Medida Provisória n° 2.19270, que assim determinava: "Art. 4° O financiamento dos ajustes prévios imprescindíveis à privatização da instituição financeira, de que trata o inciso III do art. 3°, concedido pela União ou pelo Banco Central do Brasil, restringese aos casos em que haja: (...) § lo As disponibilidades de caixa dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou das entidades do poder público e empresas por eles controladas poderão ser depositadas em instituição financeira submetida a processo de privatização ou na instituição financeira adquirente do seu controle acionário, até o final do exercício de 2010. " Continua o autuado, afirmando que após a ciência do referido Ofício, entendeu por amortizar o saldo remanescente da conta "Despesas Antecipadas Governo da Bahia", que naquele momento somava R$ 32.366.567,60, lançandoo como despesa efetiva, nos exatos termos do artigo 324, § 3°, do RIR/99. Com isso, as amortizações relativas ao contrato com o Estado da Bahia foram realizadas, em 2007, de acordo com o seguinte quadro: QUADRO DAS AMORTIZAÇÕES EM 2007 Janeiro R$ 1.541.265,13 Fevereiro R$ 1.541.265,13 Março R$ 1.541.265,13 Abril R$ 1.541.265,13 Maio R$ 1.541.265,13 Junho R$ 1.541.265,13 Julho R$ 1.541.265,13 Agosto R$ 1.541.265,13 Setembro R$ 1.541.265,13 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 538 8 Outubro R$ 32.366.567,60 TOTAL R$ 46.237.953,77 Contudo, afirma que diverso foi o entendimento fiscalização: os valores acima não poderiam ser aceitos como dedutíveis, por tais despesas decorrerem de contrato de prestação de serviços cujos efeitos foram cessados em razão de alegados vícios de legalidade, e por conseqüência, não estariam atendidos os requisitos do artigo 299 do RIR/99. Da Dedutibilidade Integral dos Valores Decorrentes do Contrato com o Estado da Bahía Inicialmente, o contribuinte afirma que a sustação dos efeitos do Oficio n° 215/2007 e a validade e eficácia do Termo Aditivo são objeto do Mandado de Segurança n° 000368996.2007.805.00000, por ele impetrado em 22/10/2007, cujo pedido de liminar foi indeferido e que até o momento não houve julgamento do mérito. Aduz o contribuinte que é sabido que os motivos que levaram o Governo da Bahia a rescindir o Termo Aditivo, com a concomitante transferência das operações para o Banco do Brasil, revestiuse de caráter essencialmente político, o que foi duramente criticado pela imprensa baiana, conforme reportagens publicadas á época (doc. 04). De qualquer forma, independentemente das discussões travadas no Mandado de Segurança n° 000368996.2007.805.00000, devese reconhecer que o efeito fiscal decorrente da cessação da eficácia do Termo Aditivo foi o reconhecimento da parcela não amortizada como encargo do período de apuração em que se extinguiu o direito de exclusividade, qual seja, 2007. De fato, é essa a disposição constante do § 3° do artigo 324 do RIR/99, verbis: "Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLein° 1.598, de 1977, art. 15, § 1°). § 1o Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lein° 4.506, de 1964, art. 58, §2o). § 2o Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58, § 5o). §3° Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lein° 4.506, de 1964, art.58, §4°). § 4o Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei n ° 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). " Assim, entende o autuado que a legislação fiscal admite, na hipótese em que um determinado direito ou bem venha a se extinguir antes da amortização integral de seu custo de aquisição, "o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminara utilização do bem". Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 539 9 Afirma que tal entendimento é seguido e até mesmo recomendado no Perguntas e Respostas, na pergunta n° 070 Como proceder se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem terminar antes da amortização integral? Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem. Normativo: RIR/1999, art. 324, § 3o. Aduz que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora decidiu a respeito de bens e direitos extintos antes da amortização integral de seus custos, apresentando entendimento consentâneo com o que aqui se expõe. Vejase, assim, a ementa da decisão: "Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. BASE DE CÁLCULO. Somente os créditos oriundos da atividade operacional da empresa podem compor a base de cálculo da Provisão para Devedores Duvidosos. DESPESA PRÉOPERACIONAL. AMORTIZAÇÃO. Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá prejuízo no ano em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. As importâncias integrantes das contas Duplicatas a Pagar, Fornecedores e congêneres estão sujeitas à comprovação, sob pena de serem presumidamente consideradas omissão de receitas. GLOSA DE DESPESAS. Logrando o contribuinte demonstrar na fase impugnatória a existência de despesas, as quais não haviam sido comprovadas durante a fiscalização, há de se afastar o lançamento correspondente. " (Decisão n° 3.014, de 25/02/2003, 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora; g.n.) Afirma o contribuinte que n seu caso, com a extinção do direito de exclusividade na prestação de serviços ao Estado da Bahia, que ocorreu antes da amortização integral do custo de R$ 68.501.000,00, surgiu para o autuado, nos exatos termos da legislação mencionada acima, o direito de amortizar, no próprio anocalendário 2007, a parcela remanescente de R$ 32.366.567,60. Afirma que negar a dedutibilidade do saldo remanescente da conta "Despesas Antecipadas Governo da Bahia" é penalizar o interessado duplamente por um mesmo fato: deixa de usufruir os benefícios econômicos advindos do Termo Aditivo e da exclusividade na prestação de serviços bancários ao Estado da Bahia, e, não poder deduzir o valor no período de apuração em que o direito foi extinto. Por fim, entende o interessado que, uma vez que agiu de acordo com a legislação fiscal ao amortizar integralmente o saldo remanescente da conta "Despesas Antecipadas Governo da Bahia" em outubro de 2007, mês em que foi emitido o Ofício n° 215/2007, os autos de infração lavrados não poderão ser mantidos. Da lliquidez e Incerteza dos Autos de Infração Lavrados Da Inquestionável Dedutibilidade dos Valores Amortizados de Janeiro a Outubro de 2007 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 540 10 Alega a contribuinte que os autos de infração foram apurados pela fiscalização de forma equivocada, portanto são nulos e devem ser cancelados, que estão eivados de iliquidez e incerteza. Afirma que o montante de R$ 15.412.651,30, correspondente às parcelas amortizadas mensalmente entre os meses de janeiro a outubro, é indiscutivelmente dedutível, uma vez que sua amortização se deu durante a plena vigência do Termo Aditivo, antes da emissão do Ofício n° 215/2007. Considera a contribuinte que também no mês de outubro, ao menos a parcela mensal de amortização de R$ 1.541.265,13 deverá ser considerada dedutível, indiscutivelmente. Alega que de fato, embora o Ofício n° 215/2007 tenha sido expedido no começo do mês de outubro (03/10/2007), nele se assegurava a continuidade da prestação de serviços por mais 30 dias, ou seja, até 03/11/2007. Logo, ao menos a parcela mensal de amortização referente ao mês de outubro, no qual houve a prestação de serviços ao Estado da Bahia, deve ser reconhecida. E em sendo inquestionável a dedutibilidade da parcela de R$ 15.412.651,30, amortizada antes da cessação dos efeitos do contrato (janeiro a outubro), e considerandose que esse montante também foi objeto de autuação pela autoridade autuante, esta acabou por incorrer em evidente erro ao apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Conclui a interessada que, por este motivo, os autos de infração lavrados padecem de iliquidez e incerteza, uma vez que ferem o disposto no artigo 142 do CTN, e também o disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual devem ser cancelados. CONTRATO ENTRE O IMPUGNANTE E O BANCO J. P. MORGAN Alega o interessado que os valores por ele amortizados devem ser considerados como despesas dedutíveis, na medida em que o procedimento adotado encontrase em perfeita consonância com a legislação fiscal, bem como com a regulamentação contábil sobre a matéria. Características do Contrato entre o Impugnante e o Banco J.P. Morgan e Tratamento Contábil Conferido aos Valores Pagos pelo Impugnante Aduz o interessado que em 28/01/2003, celebrou contrato com o Banco J.P. Morgan denominado "Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças" ("Contrato de Cessão"), tendo o contribuinte figurado como interveniente nesta relação jurídica o BRAM Bradesco Asset Management Ltda. Afirma o autuado que o referido Contrato de Cessão tinha por objeto, estabelecido em sua cláusula 2.1, a cessão das atividades de administração e gestão de recursos do J.P. Morgan ao impugnante. Os direitos e obrigações cedidos ao autuado em razão do Contrato de Cessão compreendiam uma série de direitos e obrigações, todos relacionados às atividades até então exercidas pelo J.P. Morgan, de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management). Aduz que o preço a ser pago pelo impugnante ao J.P. Morgan pela cessão das atividades mencionadas estava previsto na cláusula 2.2 do Contrato de Cessão, que assim dispõe: Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 541 11 "2.2 Preço e Forma de Pagamento. Pela cessão e transferência das Atividades de Administração de Recursos, o Cessionário pagará ao Cedente o preço máximo, de R$ 120.000.000,00 (cento e vinte milhões de reais) ("Preço Máximo"), compreendendo 2 (duas) parcelas, uma fixa (Parcela Fixa') e uma variável ("Parcela Variável"). " A parcela fixa correspondia a R$ 100.000.000,00, a serem pagos um dia após a assinatura do Contrato de Cessão, enquanto a parcela variável poderia atingir o montante de até R$ 20.000.000,00, a depender do percentual de perda dos recursos administrados nos fundos e carteiras cuja gestão e administração foram cedidas. Aduz o impugnante que o valor efetivamente por ele pago ao J.P. Morgan em decorrência do Contrato de Cessão totalizava o montante de R$ 97.569.860,28. Assim, o valor pago pelo contribuinte, nos termos do Contrato de Cessão que celebrou com o J.P. Morgan foi, inicialmente, registrado em conta do Ativo Diferido, denominada "Outros Gastos Diferidos" (COSIF 2.4.1.90.006). Com efeito, no Ativo Diferido, subgrupo do Ativo que foi revogado pela Lei n° 11.941/09, registravamse as aplicações de recursos em despesas que contribuíssem para formação do resultado de mais de um exercício, tais como gastos de constituição, expansão, fundo de comércio, instalação e adaptação de dependências. Afirma que a aquisição de direitos e obrigações relacionados às atividades de asset management adquiridas do J.P. Morgan representavam, para o impugnante, aplicação de recursos e efetivo gasto para a expansão de suas atividades, sendo o retorno deste investimento em suas atividades esperado para os exercícios seguintes. Com efeito, com a referida aquisição, o contribuinte tornouse o maior gestor de recursos privados do País, conforme amplamente noticiados pelos veículos de comunicação. Aduz o interessado que passou a amortizar, em janeiro de 2003, à razão de 1/60, o montante pago na aquisição dos direitos e obrigações relacionados à gestão da carteira de clientes adquirida do J.P. Morgan, tendo em vista a natureza dos direitos e obrigações adquiridos, a classificação contábil originalmente adotada e a necessária observância aos regramentos do BACEN, sobretudo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF. Afirma que, de fato, a submissão do contribuinte às normas COSIF está prevista na Circular n° 1.273/87, do BACEN, que assim determina: "2. As normas consubstanciadas no COSIF aplicamse aos bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de arrendamento mercantil, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, caixas econômicas e cooperativas de crédito. " De outra parte, o procedimento contábil previsto nas referidas normas, relativamente às amortizações do Ativo Diferido, está regrado na Seção 11 do Capítulo "Normas Básica" do COSIF, transcrito pelo contribuinte abaixo: "9. Aplicações no Diferido 1 As aplicações de recursos classificáveis no Diferido registramse pelo custo e sujeitamse a correção monetária. A amortização fazse a partir do inicio das operações normais da instituição ou do período em que passem a ser usufruídos os benefícios decorrentes das aplicações. " (CAPÍTULO: Normas Básicas 1; SEÇÃO: Ativo Permanente 11) Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 542 12 Mais adiante, ao tratar da constituição de Provisão para Amortização do Diferido, a regulamentação COSIF é esclarecedora ao dispor, a este respeito: "amortizamse os recursos aplicados no Diferido em prazo não superior a 10 (dez) anos, a partir da data do início da operação normal ou do período em que passam a ser usufruídos os benefícios deles decorrentes", nos seguintes termos: "10. Provisão para Amortização do Diferido 1 Mensalmente, constituise a provisão, em contrapartida com a Conta especifica de despesas operacionais, para amortização do capital aplicado em despesas e direitos classificados no Diferido. 2 A amortização do Diferido deve ser contabilizada independentemente da existência de lucro e a provisão correspondente acumulase até atingir o valor dos Custos originais corrigidos monetariamente. 3 Amortizamse os recursos aplicados no Diferido em prazo não superior a 10 (dez) anos, a partir da data do início da operação normal ou do periodo em que passam a ser usufruídos os benefícios deles decorrentes. 4 Se, em qualquer circunstância, houver dúvida quanto à recuperação das despesas diferidas com lucros de períodos futuros, ou quanto à continuidade do empreendimento ou atividade a que se destinavam os recursos, em regime operacional, os montantes ativados deverão ser imediatamente amortizados pela totalidade, mediante registro em PERDAS DE CAPITAL. 5 Procedese à baixa do registro quando o valor da provisão acumulada se nivelar ao do ativo a amortizar. Adotase igual procedimento no caso do item anterior, quanto à parcela do ativo já amortizada. 6 As amortizações calculamse pelo método linear, exceto quando, pela natureza das despesas, o Banco Central determinar ou autorizar a adoção de outro critério de amortização. 7 A conta AMORTIZAÇÃO ACUMULADA DO DIFERIDO figura de forma subtrativa nos balancetes e balanços no final do subgrupo Diferido." Conclui o autuado que, considerandose as normas COSIF, aplicáveis à contabilidade do contribuinte, prevêse a amortização de contas do Ativo Diferido, desde que em prazo inferior a 10 anos, o impugnante passou a amortizar, mensalmente, em sua contabilidade, a parcela de R$ 1.626.164,34, correspondente a 1/60 do valor total pago ao J.P. Morgan, R$ 97.569.860,28. Posteriormente, como afirma o autuado, em 2005, o saldo da conta COSIF 2.4.1.90.006 foi reclassificado, passando a ser registrado na conta "Despesas Antecipadas J.P. Morgan" (COSIF 1.9.9.10.002), tal como relatado pela autoridade autuante. Aduz que continuou procedendo à amortização da conta "Despesas Antecipadas J.P. Morgan", nos exatos termos prescritos pelas já citadas normas COSIF, haja vista que a reclassificação contábil em nada alterou a natureza dos valores anteriormente registrados no Ativo Diferido. No ano de 2007, teve fim a amortização do montante relativo ao Contrato de Cessão realizada pelo contribuinte, procedendose, então, a amortização do saldo final de R$ 19.513.971,97 registrado na conta "Despesas Antecipadas J.P. Morgan". Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 543 13 Considerandose que a legislação fiscal permite que se considerem como dedutíveis as parcelas amortizadas, o contribuinte não adicionou a parcela do custo de aquisição das atividades de asset management do J.P. Morgan amortizada em 2007 às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Afirma o contribuinte que este não foi o entendimento da fiscalização, tendo esta adicionado de ofício o saldo amortizado em 2007 (R$ 19.513.971.97), considerado pela autoridade autuante indedutível para fins tributários. Do Cumprimento dos Requisitos Legais Previstos no Artigo 325 do RIR/99 e da Improcedência da Autuação Fiscal Segundo o contribuinte, a fiscalização, na tentativa de infirmar a dedutibilidade do montante amortizado em 2007, relativamente à conta "Despesas Antecipadas J.P. Morgan", invocou o artigo 325 do RIR/99, inciso I, pelo qual poderão ser amortizados "o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado", não se podendo admitir a dedutibilidade dos valores amortizados pelo contribuinte, na medida em que a cessão realizada entre o autuado e o J.P. Morgan tinha sido definitiva, atemporal e ilimitada, compreendendo, notadamente, a transferência da titularidade do serviço de administração de fundos de investimento financeiros pertencentes, que pertenciam aos clientes do J.P. Morgan. Entretanto, afirma o interessado o inciso do artigo 325 do RIR/99 aplicável ao caso concreto é o inciso II, que trata da amortização de "custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração" e não o inciso I. Continua, afirmando, que era exatamente esta a classificação contábil inicial conferida aos valores pagos ao J.P. Morgan em razão do Contrato de Cessão (registro no ativo diferido). A reclassificação contábil ocorrida em 2005 em nada altera a natureza de Ativo Diferido destes valores, que à época dos fatos o Ativo Diferido ainda não havia sido revogado. Conclui o autuado que se tratam de valores plenamente amortizáveis e dedutíveis, nos termos dos artigos 324, caput 325, II, do RIR/99, o que torna o fundamento legal utilizado na lavratura das autuações equivocado. Adiciona que, ainda que se pretendesse alegar que a situação ora analisada enquadrarseia no artigo 325, I, do RIR/99, também se chegaria à inevitável conclusão de que a dedutibilidade dos valores amortizados no anocalendário 2007 deveria ser reconhecida. Argumenta que embora esteja correta a fiscalização ao afirmar que o Contrato de Cessão não possui prazo e limitação temporal quanto ao exercício dos direitos e obrigações ali transferidos, o artigo 325, I, do RIR/99 não trata exclusivamente dos bens e direitos que possuam limitação temporal para exercício ou duração decorrente de contrato, mas também de lei. Aduz o interessado que o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF determina que os valores registrados no Ativo Diferido sejam amortizados em prazo não superior a 10 anos, assim, a principal norma contábil que vincula as instituições financeiras, como o autuado, estabelece, de forma clara e expressa, que o prazo legal para a amortização de valores registrados no Ativo Diferido é de, no máximo, 10 anos. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 544 14 E continua: que existe, portanto, ao contrário do afirmado pela autoridade autuante, um prazo legal máximo para a amortização, o qual foi devidamente respeitado pelo contribuinte, que amortizou os valores questionados em 60 meses. Por essa razão, entende o autuado que, ainda que estivesse correta a fiscalização ao fundamentar a atuação no artigo 325, inciso I, do RIR/99, forçoso é que se reconheça que também os requisitos trazidos por este dispositivo foram cumpridos pelo impugnante. Conclui o interessado que a parcela dos valores pagos ao J.P. Morgan em razão do Contrato de Cessão, amortizada em 2007, registrada no Ativo Diferido por contribuir para a formação do resultado de mais de um período de apuração, deve ter sua dedutibilidade reconhecida, e por conseqüência, devem ser canceladas as autuações fiscais no que diz respeito a este ponto. Por fim, alega o contribuinte que ainda que assim não se entenda, e se adote a interpretação de que o dispositivo aplicável ao caso é o artigo 325, inciso I, do RIR/99, também é forçoso que se decida pela improcedência dos autos de infração, na medida em que o os direitos e obrigações adquiridos efetivamente possuíam prazo legal limitado, que é o prazo legal de amortização previsto nas normas COSIF, de observância obrigatória pelo impugnante. CONTRATO ENTRE O IMPUGNANTE E AS CASAS BAHIA Alega o contribuinte que a fiscalização desconsiderou parcela da amortização realizada no ano calendário 2007 pelo impugnante, relativamente às despesas decorrentes do contrato celebrado com as Casas Bahia. Aduz que, de acordo com a fiscalização, parte do valor pago pelo impugnante às Casas Bahia para a emissão de cartões de crédito não teria base contratual, correspondendo a mera liberalidade, sendo, portanto, indedutível, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Por essa razão, procedeuse à glosa da despesa amortizada no montante de R$ 22.734.346,56. Contudo, os autos de infração lavrados contra o impugnante não poderão prosperar no que diz respeito a este ponto, devendo ser cancelados uma vez que todos os pagamentos realizados em favor das Casas Bahia estavam previstos contratualmente, figurando desta forma como efetivas despesas necessárias e, portanto, dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Características do Contrato entre o Impugnante e as Casas Bahia e das Remunerações nele Previstas Alega o impugnante que em 10/11/2006 celebrou com as Casas Bahia "Acordo Operacional para Oferta de Cartões de Crédito e Outros Produtos Financeiros" ("Acordo Operacional"). Nos termos do referido Acordo Operacional, o impugnante e as Casas Bahia firmaram parceria com o objetivo de expandir as suas respectivas atividades por meio da oferta de cartões de crédito, bem como de operações de crédito pessoal, contacorrente e outros produtos e serviços financeiros e correlatos aos clientes das Casas Bahia. Assim, segundo alega o autuado, o Acordo Operacional regulou, dentre outras matérias, os aspectos comerciais, operacionais, financeiros e administrativos da estrutura operacional estabelecida pelas partes para a consecução da mencionada parceria, cujas operações já haviam sido iniciadas em 20/11/2005, conforme disposto na cláusula 3.1. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 545 15 Afirma que a cláusula 2.1 do Acordo Operacional descreve as atividades objeto da parceria, as quais consistiam essencialmente na oferta e comercialização de produtos financeiros do impugnante, de forma exclusiva, aos clientes das Casas Bahia. O impugnante transcreveu a redação a cláusula 2.1: "CLÁUSULA SEGUNDA OBJETO 2.1. O presente Acordo tem como objeto estabelecer, em grau de detalhe, os termos, condições, direitos e obrigações que deverão pautar as relações entre as Casas Bahia e o Bradesco, no que diz respeito ás atividades de oferta e comercialização de Produtos Financeiros comercializados pelo Bradesco e por suas Afiliadas de forma exclusiva (esse conjunto de atividades sistematizado doravante denominado simplesmente a 'Parceria'), conforme disposto na Cláusula 6.1 abaixo." Afirma o autuado que sua remuneração devida às Casas Bahia no âmbito do Acordo Operacional encontrase devidamente discriminada na cláusula oitava deste instrumento contratual. Nesse passo, transcreveu a cláusula 8.1 do Acordo Operacional: "8.1 As partes acordam que as Casas Bahia serão remuneradas, no âmbito da Parceria exclusivamente da seguinte forma (a 'Remuneração'): (i) O Bradesco pagará às Casas Bahia, uma única vez, o valor de R$ 30,00 (trinta reais) por cada Conta de Cartão comercializada nos termos do presente Acordo. Esse valor será a remuneração pelos primeiros 12 (doze) meses contados da comercialização da Conta de Cartão; e (ii) do 13° (décimo terceiro) ao 120° (centésimo vigésimo) mês, contados a partir da data em que o Cartão de Crédito tiver sido comercializado, o Bradesco pagará ás Casas Bahia o valor de R$ 30,00 (trinta reais) por Cartão de Crédito Ativo, a cada período de 12 (doze) meses. 8.1.1. Os valores referidos nos itens (i) e (ii) da Cláusula 8.1 acima serão atualizados a partir do segundo ano da assinatura deste Acordo pela variação do IPCA." Aduz o autuado que ainda no que diz respeito à remuneração, há a previsão, na cláusula 8.5, de que as condições de pagamento poderiam vir a ser renegociadas, mediante solicitação das Casas Bahia ou do impugnante, ao final do prazo de 36 meses após a assinatura do Acordo Operacional, que se deu em novembro de 2006. A falta de consenso das partes a respeito da referida renegociação poderia até mesmo ensejar a rescisão do Acordo Operacional, nos termos da cláusula 8.5.1. Alega que o Acordo Operacional também tratava dos termos e condições em que se daria a chamada "Campanha de Venda no Primeiro Ano", destinada a certas categorias de funcionários das Casas Bahia, que receberiam prêmios pelo atingimento de metas individuais. A "Campanha de Venda no Primeiro Ano" estava prevista na cláusula 7.1.3.1 do Acordo Operacional, abaixo reproduzida: "7.1.3.1. Campanha de Venda no Primeiro Ano. As Partes lançarão uma campanha de vendas com a participação de determinadas categorias de funcionários das Casas Bahia que farão jus a prêmios pelo alcance de metas de vendas de novos Cartões de Crédito. A meta de venda para a Campanha de Venda no Primeiro Ano será a abertura de 3.300.000 (três milhões e trezentas mil) Contas de Cartão ('Meta do Primeiro Ano'). O valor dos prêmios e as respectivas categorias beneficiadas estão definidas no Anexo 7.1.3.1. As metas individuais de cada loja beneficiada serão definidas pelas Partes, caso a caso. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 546 16 O Bradesco arcará com o custo econômico dos prêmios que serão distribuídos e pagos pelas Casas Bahia aos funcionários participantes. Para fins de clareza, o pagamento dos prêmios previstos nesta Cláusula será baseado unicamente nas metas de vendas de novas Contas Cartão, e os prêmios não serão devidos em nenhum outro caso. " Afirma o impugnante que pela citada cláusula, a meta de vendas de novos cartões de crédito estabelecida para a "Campanha de Venda no Primeiro Ano" correspondia à 3.300.000 novas contas, que esta campanha não era desconhecida pela autoridade autuante, e que vinculada à meta, havia a previsão do pagamento antecipado de R$ 150.000.000,00, a ser realizado pelo impugnante em até 10 dias úteis após a assinatura do Acordo Operacional, nos termos da cláusula 8.3 do Acordo Operacional. Aduz o interessado que em 23/11/2006 depositou, em conta corrente das Casas Bahia, o valor antecipado de R$ 150.000.000,00, conforme atestam o comprovante de depósito e o documento denominado "Recibo e Quitação", de 24/11/2006, juntados aos autos do presente processo administrativo, às fls. 170 e 171. No documento de quitação emitido pelas Casas Bahia, inclusive, mencionase expressamente que o montante de R$ 150.000.000,00 recebido do Impugnante referese às disposições da cláusula 8.3 do Acordo Operacional. Do Correto Procedimento Adotado pelo Impugnante e da Improcedência da Autuação Fiscal Alega o contribuinte que no ano calendário 2007, em relação ao Acordo Operacional, amortizou o montante de R$ 96.416.063,95. Aduz que este valor compreende o total das amortizações mensais da remuneração paga pelo impugnante para cada cartão de crédito emitido, na fração de 1/12, realizadas a partir do mês de emissão do cartão. No período analisado, as amortizações correspondiam às remunerações pagas pelo contribuinte para os cartões de crédito emitidos em 2006 e 2007. Aduz que o procedimento contábil adotado era o mesmo de despesa antecipada: os valores pagos às Casas Bahia eram debitados na conta do Ativo "Despesas Antecipadas" (COSIF 1.9.9.10.00.2), tendo como contrapartida um lançamento a crédito em "Caixa" (ou conta equivalente), no momento em que ocorria a emissão dos cartões de crédito. Assim, a cada mês, a parcela de 1/12 dos valores contabilizados em "Despesas Antecipadas" era amortizada, com a transferência para a conta "Outras Despesas Operacionais" (COSIF 8.1.9.99.00.6), em obediência ao princípio da competência. A contabilização do valor de R$ 150.000.000,00, antecipado às Casas Bahia nos termos da cláusula 8.3 do Acordo Operacional não divergiu muito da referida sistemática. Tal valor foi registrado, inicialmente, sob a rubrica contábil "Adiantamento p/ Cta. Acordos Operacionais" (COSIF 1.8.8.05.00.8), também uma conta representativa do Ativo, com o respectivo débito na conta "Caixa" (ou equivalente). Continuando o autuado alega que após, à medida que iam sendo emitidos novos cartões de crédito no período abrangido pela "Campanha de Venda do Primeiro Ano", creditavase a conta "Adiantamento p/ Cta. Acordos Operacionais", debitandose a conta "Despesas Antecipadas". Posteriormente, a amortização dos valores registrados na conta "Despesas Antecipadas" davase exatamente da forma já enunciada: mensalmente, na proporção de 1/12. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 547 17 Afirma que considerava tais valores em ambas as situações dedutíveis, uma vez que são operacionais, decorrentes de atividades desenvolvidas em cumprimento ao seu objeto social. Aduz que a fiscalização considerou indedutível parte das despesas amortizadas no ano calendário 2007, por entender que não guardam correspondência com a remuneração a ser paga às Casas Bahia para cada cartão de crédito emitido, prevista no Acordo Operacional, que a partir de dezembro 2006, para cada cartão de crédito emitido, passou de R$ 30,00 para R$ 45,45. O contribuinte afirma que respondeu o questionamento da fiscalização sobre o aumento da remuneração, dizendo que o valor unitário de remuneração de R$ 30,00, passou a ser de R$ 45,45 a partir de Dezembro/2006, em decorrência de atualização monetária prevista na cláusula oitava do contrato. Entretanto, aduz que a fiscalização não aceitou a justificativa, uma vez que a variação do IPCA no período de novembro de 2005 (início da parceria) e novembro de 2006 (mês a partir do qual foram praticados os novos valores) foi de 3,01%, percentual diferente da atualização de 51,50% praticada. Ademais, a fiscalização também afastou uma renegociação das condições e remunerações contratuais, pois, nos termos da cláusula 8.5 do Acordo Operacional, esse evento somente ocorreria após o prazo de 36 meses, contado da assinatura de tal documento. Afirma que a fiscalização concluiu que o valor discutido decorre de liberalidade não justificada, não se enquadrando no disposto no artigo 299 do RIR/99. Afirma o interessado que equivocouse deixando de apresentar a justificativa correta para a alteração de valores. Alega que em 26/10/2012, respondeu, em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/10/2012, que o pagamento dos R$ 150.000.000,00 às Casas Bahia realizado em 2007 deviase à antecipação prevista na cláusula 8.3 do Acordo Operacional, estando vinculado ao atingimento de metas. Entende o contribuinte que, de acordo com a cláusula 8.3 do Acordo Operacional, o valor antecipado "será compensado com os valores devidos pelo Bradesco a titulo de Remuneração na data dos respectivos pagamentos". Assim, o valor de R$ 150.000.000,00 nada mais é do que o pagamento antecipado pelo cumprimento da meta de emissão de 3.300.000 cartões de crédito. Fazendose o simples cálculo de dividir o valor antecipado às Casas Bahia (R$ 150.000.000,00) pela meta estabelecida na "Campanha de Venda no Primeiro Ano" (3.300.000 cartões), chegase ao nada surpreendente valor unitário, por cartão de crédito, de R$ 45, 45, da seguinte forma: R$ 150.000.000,00 / 3.300.000 cartões = R$ 45,45 por cartão Assim, o interessado alega que, no ano calendário 2007, em razão da "Campanha de Venda no Primeiro Ano" e da remuneração antecipada atrelada ao cumprimento de suas metas, estas efetivamente cumpridas, a remuneração por cartão de crédito emitido passou a ser de R$ 45,45. Afirma que, ainda que tenha, equivocadamente, alegado que o valor unitário de R$ 45,45 pago por cartão de crédito emitido decorreria de atualização monetária, a verdade que decorre dos fatos, respostas e documentos apresentados é que esse Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 548 18 montante corresponde à remuneração paga antecipadamente em virtude do cumprimento das metas o que ocorreu efetivamente nos termos das cláusulas 8.3 e 7.1.3.1 do Acordo Operacional. Afirma o contribuinte que tanto é assim que, nos anos 2008, 2009 e 2010, a remuneração por ele paga às Casas Bahia em razão de novas contas de cartão de crédito voltou a ser de R$ 30, 00, devidamente atualizados pelo IPCA acumulado no período, conforme atestam as planilhas anexas (doc. 05 Demonstrativo dos pagamentos mensais efetuados no período de janeiro de 2008 a outubro de 2010) e (doc. 06 Demonstrativo dos reajustes anuais a partir de novembro de 2007 até outubro de 2009). Assim, para o autuado, a fiscalização não analisou o tema de forma adequada, tendo se valido de uma incorreção do contribuinte para imputarlhe as autuações, haja vista que os valores pagos, diferentemente do que foi alegado pelo próprio contribuinte nas respostas às intimações, possuem efetiva previsão contratual. Da Necessária Observância ao Princípio da Verdade Material Alega o interessado que a autoridade autuante valeuse de seu equívoco nas respostas às intimações para lavrar as autuações, deixando assim de investigar a verdade dos fatos e dos documentos apresentados e de agir em consonância com o princípio da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário e não pode ser violado. Aduz que no processo administrativo tributário deve prevalecer a verdade material, uma vez que, estando em jogo a legalidade da tributação, os fatos devem ser analisados pela administração pública tal como efetivamente ocorreram. Afirma que constitui dever da Administração Pública a busca incessante pela verdade material, de modo a reconhecer a regularidade do reconhecimento de perda realizado em 2008, sob pena de estar atentando contra princípio norteador do processo administrativo. Afirma que o princípio verdade material decorre de outro, da legalidade, cláusula pétrea e verdadeira viga mestra de todo ordenamento jurídico brasileiro. Dessa forma, na formação da livre convicção do órgão fiscal, são concedidos vastos meios instrutórios de inquisição da verdade dos fatos, pelo que não deve a autoridade fiscal retroceder diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstâncias. Ao contrário, deve provála para garantir a certeza, que deve reger toda atividade administrativa tributária. Conclui o interessado que demonstrado o flagrante desrespeito ao princípio da verdade material, tendo em vista que a fiscalização simplesmente valeuse de equívoco cometido pelo impugnante no curso do procedimento fiscalizatório para autuálo, sem proceder a maiores investigações ou elucubrações sobre os documentos e respostas apresentados, requerse o cancelamento integral dos autos de infração, objeto do presente processo. DA AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, À BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DE DESPESA CONSIDERADA INDEDUTÍVEL. Alega o interessado que não há previsão legal para a adição de despesa considerada indedutível à base de cálculo da CSLL, como pretendeu a autoridade autuante. De fato, muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 549 19 tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. O contribuinte entende pela análise do artigo 2° da Lei n° 7.689/88, que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas exclusões e adições previstas nas alíneas 1, 2, 3 (revogado) e 4. Argumenta o interessado que a única adição permitida ao resultado do exercício, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, está prevista na alínea 4, qual seja: a adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. E continua, não há, portanto, previsão legal, na legislação que regulamenta a CSLL, para a adição, ao lucro líquido, de qualquer despesa considerada indedutível, tal como as despesas operacionais que foram indevidamente glosadas pela fiscalização. Deveras, não é possível à Administração Tributária querer atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas. O que existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais do que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. O contribuinte cita acórdão do antigo Conselho de Contribuintes quanto à impossibilidade da utilização da legislação do IRPJ, no tocante à glosa de despesa, para o lançamento da CSLL. Em outra citação, por oportuno, o trecho do voto proferido no Acórdão n° 10194.286, que reconhece a diferença entre a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: "E inequívoco que a base de cálculo da contribuição social instituída pela Lei n ° 7.689/1988, conforme definida no art. 2° do mesmo diploma legal, com a alteração introduzida pelo art. 2° da Lein° 8.034/1990, é distinta daquela fixada para o imposto de renda de pessoa jurídica. Assim, despesas ou encargos contabilmente apropriados, para efeito de apuração do resultado comercial da pessoa jurídica, ainda que considerada não dedutíveis para os efeitos do IRPJ (no caso, por se submeterem a tributação em separado), nem por isso deixariam de ser considerados na apuração da base de cálculo da Contribuição Social. Para esta, ao lucro dos diplomas legais mencionados, bem do art. 13 da Lei n. 9.249/1995. Outras exclusões, ainda que pertinentes ao IRPJ, não o são para efeitos da contribuição em questão, por absoluta falência de amparo legal." Argumenta o interessado que a CSLL tem regras que lhe são próprias, razão pela qual não se pode aceitar a aplicação, para fins de composição da base de cálculo da contribuição em questão, de regras que são próprias do IRPJ, como fez a fiscalização no presente caso, que indevidamente adicionou despesas nitidamente operacionais para fins de apuração da base de cálculo dessa contribuição social. Ante o exposto, o impugnante requer o cancelamento da referida parcela do auto de infração de CSLL objeto do presente processo. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Argumenta o interessado que ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 550 20 calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. De fato, o artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Aduz que, como é sabido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3° do Código Tributário Nacional. A multa fiscal, de forma diversa, decorre de infração cometida pelo contribuinte, como bem conceitua De Plácido e Silva1 1: "É a imposição pecuniária devida pela pessoa, por decisão da autoridade fiscal, em face de infração às regras instituídas pelo Direito Tributário." Ainda, segundo Alfredo Augusto Becker1 2, "sanção é o dever preestabelecido por uma regra que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular, diretamente, um ato ou um fato que a ordem jurídica proíbe". Essa característica distingue os tributos das multas. De fato, a instituição de uma multa tem como objetivo sancionar esse comportamento repudiado pelo ordenamento jurídico. Os fatos que ensejam o pagamento dos tributos, por outro lado, são fatos lícitos: auferir renda, prestar serviços, ser proprietário de veículos automotores, utilizar efetiva ou potencialmente um serviço público específico e divisível etc. Continua o autuado, verificase, assim, que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3° do Código Tributário Nacional. Ademais, o §1° do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5°, II, e 37 da Constituição Federal1 3, o que não pode ser admitido por essa E. Turma Julgadora. Isso porque, o princípio da legalidade representa a base do Estado de Direito e significa que, assim como os particulares, a Administração Pública só pode atuar na conformidade da Lei. Deveras, a atividade administrativa é subalterna à lei, ou seja, a autoridade fiscal não poderá fazer qualquer exigência, salvo se embasada em expressa disposição legal. A função da Administração é concretizar os comandos existentes no ordenamento jurídico pátrio, dando efetividade aos textos legais, sendolhe vedado extrapolar os limites delineados pelo legislador. Ante o exposto, o impugnante aguarda o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada no auto de infração originário do presente processo administrativo. DO PEDIDO Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 551 21 Pelo exposto, o contribuinte requer o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente impugnação, com a conseqüente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento integral dos autos de infração originários do presente processo administrativo. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE MATÉRIA DE MÉRITO. Afastase a preliminar de nulidade do auto de infração, quando este for lavrado por autoridade competente e contiver os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, podendo o contribuinte exercer o contraditório e a ampla defesa. Versando o lançamento sobre glosa de despesas, a discussão da dedutibilidade é própria razão da autuação, é o núcleo da análise, portanto tratase de matéria de mérito e não de preliminar de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. PAGAMENTO EFETUADO A ENTE PÚBLICO PARA GARANTIR EXCLUSIVIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSAÇÃO DO CONTRATO EM RAZÃO DE VÍCIO DE LEGALIDADE. A cessação do contrato de prestação de serviços firmado pelo contribuinte com ente público, em razão do descumprimento de normas licitatórias, não justifica, por si só, a glosa da despesa referente ao pagamento feito àquele ente público com o fito de garantir a exclusividade na prestação de serviços. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO DO CAPITAL APLICADO NA AQUISIÇÃO DE DIREITOS REFERENTES À ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. As despesas com amortização do capital aplicado na aquisição de direitos referentes à atividade de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management) só serão consideradas dedutíveis, quando existir um limite de prazo, legal ou contratual, para a sua exploração. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. LIBERALIDADE. PAGAMENTOS EFETUADOS EM MONTANTE SUPERIOR AO PREVISTO NO CONTRATO. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 552 22 O pagamento de remuneração, condicionado à ocorrência de evento futuro, não se configura como despesa dedutível, quando não verificada a implementação desta condição, justificandose, assim, a glosa efetuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido no lançamento do IRPJ, em relação à glosa de despesas, aplicase também à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O valor do crédito tributário lançado compreende o tributo e multa de ofício. Logo, sobre a multa de ofício não paga no vencimento, incidem juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação na parte mantida. É o relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 553 23 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos (voluntário e de ofício) preenchem os requisitos de admissibilidade. RECURSO DE OFÍCIO Glosa de Despesa do Contrato com o Estado da Bahia A DRJ, em síntese, considerou que a cessação do contrato de prestação de serviços firmado pelo contribuinte com ente público, em razão do descumprimento de normas licitatórias, não justificaria, por si só, a glosa da despesa referente ao pagamento feito àquele ente público com o fito de garantir a exclusividade na prestação de serviços. Eis os fundamentos pelos quais a DRJ cancelou o presente item: Conforme consta nos autos, o controle acionário do Banco do Estado da Bahia S.A.(BANEB) foi adquirido pelo autuado, em leilão de privatização promovido pelo Banco Central do Brasil. Entretanto, em 11/06/1999 (antes de ser privatizado), o BANEB o tinha celebrado com Estado da Bahia contrato de prestação de serviços bancários com duração inicial prevista de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco anos, conforme contrato de folhas 69/81. Assim, a prestação dos serviços bancários para o Estado da Bahia, até então afeitos ao BANEB, passou a ser realizada pelo Banco Bradesco (seu cessionário). Em 11/06/2004, foi assinado o "Termo Aditivo ao Contrato de Prestação de Serviços" entre o contribuinte e o Estado da Bahia para a continuidade da prestação dos serviços bancários por outros cinco anos, folhas 82/100. Na cláusula quarta do "Termo Aditivo ao Contrato de Prestação de Serviços" consta que em razão do relacionamento comercial mantido entre as partes, o contribuinte se comprometeu a realizar, em favor do Estado da Bahia, o pagamento de R$ 68.501.000,00, em razão da exclusividade na prestação dos serviços bancários. Ou seja, o contribuinte, em razão da exclusividade na prestação de serviços bancários incorreu em despesa no valor de R$ 68.501.000,00 expressamente estabelecido em contrato. Neste aspecto, não há como desconsiderar o fato de que o contribuinte incorreu em um dispêndio, diretamente relacionado com a prestação de serviços bancários perante o Estado da Bahia. Assim, levandose em conta o contrato celebrado entre o contribuinte e o Estado da Bahia, entendo que o valor amortizado pelo contribuinte, relativo ao pagamento de R$ 68.501.000,00, em razão da exclusividade, nada mais é do que despesa incorrida e necessária à sua atividade na prestação de serviços bancários. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 554 24 Considero, assim, esta despesa como normal, usual na realização das atividades e negócios pertinentes ao objeto social exercido pelo contribuinte. Desta feita, dou razão ao impugnante para considerar a despesa com a exclusividade na prestação de serviços bancários como necessária. Contrato declarado ilegal pelo poder público Importa analisar aqui os efeitos de ilegalidade atribuída pelo poder público face à Lei n° 8.666/1993. Nos termos do Ofício n° 215/2007, O Governador do Estado da Bahia decidiu por fazer cessar a eficácia dos Termos Aditivos ao Contrato de Prestação de Serviços firmado entre o Estado da Bahia e o Banco do Estado da Bahia S/A BANEB, de que é cessionário o BRADESCO, ante os vícios de legalidade, tendo sido informado pela autoridade autuante que foram ofendidos os artigos 24, VIII e 57, II da Lei n° 8.666/1993, que cuida das normas gerais sobre licitações e contratos administrativos. Os citados artigos da Lei n° 8.666/1993 são abaixo transcritos: "Art. 24. E dispensável a licitação: (...) VII quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente superiores aos praticados no mercado nacional, ou forem incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes, casos em que, observado o parágrafo único do art. 48 desta Lei e, persistindo a situação, será admitida a adjudicação direta dos bens ou serviços, por valor não superior ao constante do registro de preços, ou dos serviços; " "Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos: II à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições mais vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses;" Federal, institui providências. A Lei n° 8.666/1993 regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras Os dispositivos elencados pela autoridade autuante dizem respeito à ilegalidade atribuída ao regramento do processo licitatório e sua duração, não fazendo menção a qualquer nulidade, desde o seu início, acerca da prestação de serviços bancários até então realizada pelo contribuinte para o Estado da Bahia. Assim, a ilegalidade argüida teve a força de cessar o contrato entre o Estado da Bahia e o contribuinte, mas não desfez o passado, nem de anular os atos anteriormente praticados na prestação dos serviços bancários. O próprio Ofício n° 215/2007, quando determina cessão do contrato, determina também a continuidade da prestação de serviço por parte do contribuinte ao Estado da Bahia por outros trinta dias. Disso concluo que: o serviço foi prestado pelo contribuinte até a data da emissão do Ofício n° 215/2007; Fl. 557DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 555 25 o serviço continuou a ser prestado, por outros 30 dias, da data de ciência do Ofício, objetivando preservar o princípio da continuidade do serviço público. Vale dizer, a prestação de serviços bancários é confirmada entre o contribuinte e o Estado da Bahia até o final do mês de outubro/2007, tempo este necessário para que o Estado pudesse contratar outra Instituição Financeira preservandose o princípio da continuidade do serviço público. Ressalto ainda que, se as receitas do citado contrato foram consideradas normais, usuais e necessárias para a formação do lucro que foi tributado pela Fazenda Nacional, as despesas relativas a tal contrato também devem ser assim consideradas, nos termos do artigo 118 do CTN: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: 1 da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." Concluo então, que não tem razão a autoridade autuante quando alega que a dedução realizada pela instituição feriu os mandamentos da legislação fiscal, pois, as despesas escrituradas tiveram origem em contrato de prestação de serviços celebrado com entidade pública, cujos efeitos foram cessados em razão de vícios de legalidades. A despesa amortizada no contrato do contribuinte com o Estado da Bahia é necessária, pois há correlação com a essência e natureza dos fatos pertinentes à atividade empresarial explorada. Revisados os autos, constato a correção integral da decisão de piso. Sem razão o autuante quando aduz que a dedução realizada pela Recorrente tenha ferido a legislação fiscal. Embora a ilegalidade apontada tenha feito cessar o contrato entre o Estado da Bahia e do contribuinte, como aduziu a decisão de piso, o passado não foi desfeito, não sendo assim pertinente se pretender anular os atos anteriormente praticados com a prestação de serviços, pois se esse fosse o caso, as receitas provenientes desses contratos também deveriam ser expurgadas para efeito de tributação, mas isso não é compatível com o art. 116 do CTN que dispõe " A definição legal do fato gerador é interpretada Iabstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos" Outrossim, na hipótese em que um determinado direito ou bem venha a se extinguir antes da amortização integral de seu custo de aquisição, a lei determina que "o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminara utilização do bem". E foi isso exatamente que aconteceu no caso concreto. E não poderia ser diferente, porque o fato gerador da despesa já aconteceu no momento em que o ativo foi diferido. O que foi diferido foi a apenas a apropria ção da despesa para se confrontar com as receitas vinculadas a essa despesa e formação do lucro. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 556 26 RECURSO VOLUNTÁRIO Glosa de despesa no contrato do contribuinte com o Banco J. P. Morgan Conforme relatado, foi glosada a parcela de R$ 19.513.971,97, correspondente à amortização, realizada no anobase de 2007, de ativo diferido em virtude da celebração, em 28/01/2003, de contrato a Recorrente (cessionário), e o Banco J.P. Morgan S.A. (Cedente), tendo por objeto a cessão, por este último, de direitos e obrigações relacionados à atividade de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management). O atuante entendeu que a Recorrente não poderia ter amortizado o montante pago ao Banco J.P. Morgan em decorrência do referido contrato, uma vez que o artigo 325, inciso I, do RIR/99, somente permite a amortização do capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, o que não seria o caso. A esse respeito o TVF assim dispôs: "Da leitura do contrato celebrado entre o Bradesco e o J.P. Morgan sobressai que a cessão realizada tem caráter definitivo, atemporal, dado que os direitos adquiridos pelo Bradesco são por prazo incerto, compreendendo, notadamente, a transferência da titularidade do serviço de administração de fundos de investimentos financeiros pertencentes, que pertenciam aos clientes do J.P. Morgan. A legislação fiscal não autoriza a amortização destes valores, que deve ser adicionada de ofício ao lucro líquido para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL". A Recorrente, por sua vez, afirma que ao contabilizar tal aquisição, optou pelo registro no Ativo Diferido, devido à natureza dos direitos e obrigações adquiridos e da necessária observância aos regramentos do BACEN, sobretudo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF. Aduz em complemento que a principal norma contábil que vincula as instituições financeiras estabeleceu que o prazo legal para a amortização de valores registrados no Ativo Diferido era de, no máximo, 10 anos, e o contribuinte efetivou a amortização em 60 meses, desde janeiro de 2003, à razão de 1/60, tendo em 2005, o saldo da conta passado a ser registrado na conta "Despesas Antecipadas J.P. Morgan" (COSIF 1.9.9.10.002) e que em 2007, tendo fim a amortização do montante relativo ao Contrato de Cessão, procedeu, então, a amortização do saldo final de R$ 19.513.971,97 Entende o contribuinte que a parcela dos valores pagos ao J.P. Morgan em razão do Contrato de Cessão, amortizada em 2007, registrada no Ativo Diferido por contribuir para a formação do resultado de mais de um período de apuração, teve sua dedutibilidade reconhecida. Concluiu o autuado, pois, que tendo em vista se tratarem de valores que contribuiriam para a formação do resultado de mais de um período de apuração, seriam plenamente amortizáveis e dedutíveis, nos termos dos artigos 324, caput 325, II, do RIR/99. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 557 27 Sem razão a Recorrente. Transcrevo a legislação correlata: "Critérios de Avaliação do Ativo Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) §2° A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: § 2o A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado, intangível e diferido será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei n° 11.638, de 2007) § 2o A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) § 2o A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração." 1 1 Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): a) patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões; b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; d) custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor; e) o valor dos direitos contratuais de exploração de florestas de que trata o art. 328; II os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou préindustriais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "a"); b) as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação para criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção, administração ou venda, de que trata o caput do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "b"); Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 558 28 Como se vê, o dispositivo é claro em esclarecer, que, são passíveis de serem amortizados os direitos com vida útil definida que será apropriada de forma sistemática ao longo da sua vida útil estimada. O inciso I do art. 327 do RIR/99 em consonância com o inciso I do art. 325 do RIR/99 deixa mais claro ainda a necessidade de existir um vida útil definida para o caso de amortização de capital: Taxa Anual de Amortização Art. 327. A taxa anual de amortização será fixada tendo em vista: I o número de anos restantes de existência do direito (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 1º); II o número de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos os benefícios decorrentes das despesas registradas no ativo diferido. Parágrafo único. O prazo de amortização dos valores de que tratam as alíneas "a" a "e" do inciso II do art. 325 não poderá ser inferior a cinco anos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º). Como se vê tem uma razão de ser para a possibilidade de amortização da qual não se pode afastar: somente se utiliza o conceito de vida útil definida em ativos cujos valores se reduzem ao longo do tempo. A contrário senso, como é o caso concreto, no caso da cessão ocorrida, não há necessidade de amortização, ou seja, se a vida útil do direito em questão não se perde não tem razão de ser a sua amortização e transformação paulatina em despesa, pois é atemporal, ilimitada e definitiva. A esse mesmo respeito, como bem colocou a DRJ: c) as despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por concessionárias de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro de minas, de que trata o § 1º do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "b");d ) os custos e as despesas de desenvolvimento de jazidas e minas ou de expansão de atividades industriais, classificados como ativo diferido até o término da construção ou da preparação para exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "c"); e) a parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou as suas instalações (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "d"); f) os juros durante o período de construção e préoperação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "a"); g) os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais ou de implantação do empreendimento inicial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "b"); h) os custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou modernização da empresa (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "c"). § 1º A amortização terá início (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º): I no caso da alínea "a" do inciso II, a partir do início das operações; II no caso da alínea "d" do inciso II, a partir da exploração da jazida ou mina, ou do início das atividades das novas instalações; III no caso da alínea "e" do inciso II, a partir do momento em que for iniciada a operação ou atingida a plena utilização das instalações. § 2º Não será admitida amortização de bens, custos ou despesas, para os quais seja registrada quota de exaustão (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 6º). Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 559 29 Relembrando, o custo de aquisição de administração de fundo de investimento, a rigor, não possui vida útil definida, pois, assim como uma marca, não é direito cujos valores é esperado que se reduzam ao longo do tempo." Nesse sentido, a Recorrente em seu recurso defendese em duas frentes: i) Em primeiro lugar, tenta dar uma interpretação diferenciada ao inciso I do do art. 325 do RIR/99, caso se queira entender que tal inciso se aplicaria ao caso; (iI) Para depois defender a inaplicabilidade do inciso I do art. 325 do RIR/99 e a aplicabilidade do inciso II do mesmo artigo ao presente caso, onde tal aquisição se assemelharia a uma despesa operacional que contribuiria para a formação do resultado de mais de um período de apuração; i) interpretação diferenciada do inciso I do art. 325 do RIR/99 Alega que é um equívoco entender que o Contrato de Cessão não possui prazo e limitação temporal quanto ao exercício dos direitos e obrigações ali transferidos (ausência de limitação prevista em contrato). É que, segundo ela, o artigo 325, I, do RIR/99 não trataria exclusivamente dos bens e direitos que possuam limitação temporal para exercício ou duração decorrente de contrato, mas também de lei. Transcrevase novamente o referido dispositivo: Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58): Quota de Amortização Art. 326. A quota de amortização dedutível em cada período de apuração será determinada pela aplicação da taxa anual de amortização sobre o valor original do capital aplicado ou das despesas registradas no ativo diferido (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 1º). § 1º Se a amortização tiver início ou terminar no curso do período de apuração anual, ou se este tiver duração inferior a doze meses, a taxa anual será ajustada proporcionalmente ao período de amortização, quando for o caso. § 2º A amortização poderá ser apropriada em quotas mensais, dispensado o ajuste da taxa para o capital aplicado ou baixado no curso do mês. Taxa Anual de Amortização Art. 327. A taxa anual de amortização será fixada tendo em vista: I o número de anos restantes de existência do direito (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 1º); II o número de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos os benefícios decorrentes das despesas registradas no ativo diferido. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 560 30 Parágrafo único. O prazo de amortização dos valores de que tratam as alíneas "a" a "e" do inciso II do art. 325 não poderá ser inferior a cinco anos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º). E, na época dos fatos, afirma ela, dispunha o § 3o do artigo 183 da Lei das S/A que os recursos aplicados no ativo diferido deveriam ser amortizados no prazo máximo de 10 anos: "Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: () § 3° Os recursos aplicados no ativo diferido serão amortizados periodicamente, em prazo não superior a 10 (dez) anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios deles decorrentes, devendo ser registrada a perda do capital aplicado quando abandonados os empreendimentos ou atividades a que se destinavam, ou comprovado que essas atividades não poderão produzir resultados suficientes para amortizálos." Ora, o denominado "prazo legal" referido no art. 325, I do RIR/99 é nada mais do que um limite temporal máximo a qual os limites contratuais devem se subordinar. Apenas isso. É então falacioso o argumento da Recorrente no sentido de que por referência a esse prazo legal afirmar que " não trataria exclusivamente dos bens e direitos que possuam limitação temporal para exercício ou duração decorrente de contrato, mas também de lei. ". Na verdade o prazo legal reforça mais ainda o reconhecimento de que tem que haver uma vida útil definida, limitada, nem que seja por força de Lei, como é o caso. Afinal, o objetivo da amortização é apenas representar a perda do capital ao longo do tempo, mas se não há perda de capital por que haveria que se falar amortização de sua perda? Portanto, afasto esta argumentação. ii) Defende a aplicabilidade do inciso II do art. 325 do RIR/99 e não do iniciso I coomo fez a fiscalização Capital e Despesas Amortizáveis Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): a) patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões; b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 561 31 A esse respeito, alega que a Fiscalização fundamentou equivocadamente o lançamento com base no inciso I do artigo 325 do RIR/99, pois os fatos deveriam ter sido analisados sob a égide do inciso II do mesmo dispositivo aplicável ao caso Segundo a Recorrente, contudo, ao analisar a aplicação do inciso II do artigo 325 do RIR/99, entendeu equivocadamente a DRJ que o Contrato em questão não teria natureza de ativo diferido. Ainda em sua defesa aduz que a classificação das contas contábeis está prevista no artigo 179 da Lei n° 6.404/76. De acordo com a redação do inciso V do referido dispositivo, revogado pela lei n° 11.941/2009, mas que estava vigente na época dos fatos, eram classificadas no ativo diferido as contas relativas às "aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais " (destacou). Assim o inciso do artigo 325 do RIR/99 aplicável ao caso concreto é o inciso II, que trata da amortização de "custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração" e não o inciso I. Segundo ela, da leitura do referido dispositivo, para ser classificada no ativo diferido a conta deveria: (i) Se referir à aplicação de um recurso; (ii) A aplicação desse recurso deve refletir em despesa; e (iii)A despesa deve contribuir para gerar receita em mais de um período. Assim, não haveria qualquer exigência legal no sentido de que o intangível se assemelhe a uma despesa operacional para ser classificado no ativo intangível. Por outro lado, o recurso despendido pelo Recorrente para a celebração do Contrato com o J.P. Morgan se encaixa perfeitamente nos requisitos previstos no inciso V, do artigo 179, da Lei n° 6.404/76 anteriormente expostos. Confirase: (i) Houve pagamento em contrapartida à cessão das atividades de administração e gestão de recursos de terceiros (asset management), (ii) O custo de aquisição deste ativo foi baixado em contrapartida a conta de despesa contábil; e (iü) A despesa incorrida serviu para gerar receitas, compreendidas nas taxas pela prestação de serviços de administração de fundos, mantendo a contraposição entre receitas e despesas, escopo da norma . Portanto, segundo a Recorrente, não haveria dúvida que o Contrato firmado com o J.P. Morgan se trata de um ativo diferido, de modo que a possibilidade de amortização da despesa em questão deve ser analisada à luz do artigo 325, inciso II, do RIR/99. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 562 32 O que se percebe na verdade é que a Recorrente tenta forçar um entendimento de que o caso concreto, uma verdadeira aplicação de capital na aquisição de atividade de administração e gestão de recursos de terceiros, de natureza atemporal e permanente, teria a natureza de despesas antecipadas e que por isso seria classificado e amortizado no Ativo Diferido. Também não convence o seu argumento de que "despesa incorrida" (aplicação de capital) serviu para gerar receitas compreendidas nas taxas de prestação de serviços de administração dos fundos. Isso porque tais receitas, de pequena monta se comparado ao capital investido, seriam apenas para a manutenção do fundo e não de recuperação de "despesas" (capital). Por fim, nem tudo que gera receitas tem por origem despesas. Aplicação de capital, como é o caso concreto também gera receitas, o que não transmuta a natureza de uma em outra, como quer fazer crer a Recorrente. Acontece que a aplicação em capital, que se assemelha aqui a uma aquisição de marca, patente ou fundo de comércio, segundo o art. 325, I não dá direito a amortização, pois precisa ter prazo limitado, o que não é o caso. Outrossim, cabe aqui ressaltar como fundamento complementar o que foi muito bem colocado pela decisão de piso: Ademais, ressalto que o regramento do BACEN, notadamente o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF não estabelecia que o contribuinte tivesse que contabilizar os direitos de propriedade industrial ou comercial, como no presente caso, a aquisição de atividade de administração e gestão de recursos de terceiros no Ativo Diferido, como de fato fez autuado. Assim, o argumento do contribuinte de que havia seguido as normas do BACEN para contabilizar sua aquisição, e que a amortização também seguiu o regramento da COSIF, que autorizava a amortização em até dez anos, não leva em conta o aspecto mais importante daquilo que o contribuinte busco amortizar: a natureza do direito de propriedade comercial, indevidamente contabilizado no ativo diferido. Seguiu nessa mesma linha de entendimento o Acórdão n° 10195.469, de 26/04/2006, do antigo 1° Conselho de Contribuintes /1a Câmara, abaixo transcrito: "DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS AMORTIZAÇÃO FUNDO DE COMERCIO Não é dedutível a amortização do custo de aquisição do fundo de comércio quando inexistir limite de prazo legal ou contratual para a sua exploração. (...)" Pelo exposto, nego provimento a este item. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 563 33 Glosa de despesa no contrato do contribuinte com as Casas Bahia Segue abaixo breve relato da DRJ que muito bem contextualizou o tema: O contribuinte se insurge contra a glosa de despesa considerada pela fiscalização indedutível, por ser mera liberalidade do interessado, nos termos do artigo 299 do RIR/1999, afirmando que se equivocou em sua resposta prestada à autoridade autuante no procedimento fiscal, acabando por dar causa à conclusão da autoridade autuante. O valor glosado corresponde à amortização feita pelo contribuinte da remuneração ele pagou às Casas Bahia, por cada cartão de crédito emitido no acordo operacional Bradesco/Casas Bahia, que excedeu o valor contratual de R$ 30, 00, acrescido do IPCA. O contribuinte havia amortizado o valor de R$ 45,45 por cartão emitido Bradesco/Casas Bahia. A autoridade, tendo como resposta do contribuinte à intimação fiscal de que a citada atualização de valor (de R$ 30,00 para R$ 45,45) teve como fundamento a atualização monetária nos termos da cláusula 8.4.3.3. do contrato verificou a autoridade a variação do IPCA no período de novembro/2005 (início das emissões dos cartões Bradesco/Casas Bahia) até novembro/2006 (início da amortização pelo contribuinte do valor de R$ 45,45) e concluiu por injustificada a atualização do excedente a 3,01%, do aludido período. Já na impugnação, o interessado muda sua argumentação acerca da diferença entre o valor previsto no acordo operacional para remuneração às Casas Bahia. Se no procedimento fiscal, o argumento era atualização monetária, na impugnação o argumento passa a ser remuneração paga antecipadamente em virtude do atingimento da meta acordada, nos termos das cláusulas 8.3 e 7.1.3.1 do Acordo Operacional entre contribuinte e Casas Bahia. Afirma o contribuinte, que mesmo em 26/10/2012, a autoridade já tinha conhecimento, pela resposta do interessado ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/10/2012, que o pagamento dos R$ 150.000.000,00 às Casas Bahia realizado em 2007 deviase à antecipação prevista na cláusula 8.3 do Acordo Operacional, estando vinculado ao atingimento de metas. Afirma segundo a cláusula 8.3 do Acordo Operacional, o valor antecipado "será compensado com os valores devidos pelo Bradesco a titulo de Remuneração na data dos respectivos pagamentos". Assim, o valor de R$ 150.000.000,00 nada mais seria do que o pagamento antecipado pelo cumprimento da meta de emissão de 3.300.000 cartões de crédito nos doze primeiros meses do Acordo. O interessado calculou, dividindo o valor antecipado às Casas Bahia (R$ 150.000.000,00) pela meta estabelecida na "Campanha de Venda no Primeiro Ano" (3.300.000 cartões), chegandose ao valor unitário, por cartão de crédito, de R$ 45,45. Conclui o autuado que a verdade dos fatos, respostas e documentos apresentados é que o valor de remuneração que amortizou por cartão emitido, de R$ 45,45, correspondeu à meta cumprida na "Campanha de Venda no Primeiro Ano" (3.300.000 cartões). Fl. 566DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 564 34 A DRJ manteve o lançamento partindo da premissa de que as despesas antecipadas com o Plano de metas só seriam amortizáveis a partir do momento em que a meta fosse alcançada, nos seguintes termos: "Da discussão acima, verificase que o ponto central da análise está em saber se, durante as amortizações levadas a efeito pelo contribuinte, durante o ano calendário 2007, o contribuinte havia atingido ou não a meta dos 3.300.000 cartões da 'Campanha de venda do Primeiro Ano', de forma a comprovar se faria jus à amortização de R$ 45,45 (meta atingida), ou R$ 30,00 do valor previamente acordado. (...) Isto porque o fato gerador da despesa de amortização, como despesa antecipada que é, somente ocorreria se e quando fosse atingida tal meta de vendas. (...) Desta feita, o contribuinte não poderia ter se aproveitado das amortizações pelo valor unitário de R$ 45,45 (por cartão emitido) como se a meta tivesse sido atingida desde o início, ou seja, em dezembro/2006, quando na realidade o acordo operacional tinha acabado de ser celebrado com as casas Bahia" (...) Que, a partir de janeiro/2007, a campanha de vendas no primeiro ano, de fato havia apenas se iniciado, e somente em dezembro/2007 é que teria, em tese, transcorrido o prazo dos doze meses de venda de cartões (ou primeiro ano de vendas). Assim, inicialmente, verifico que não há correspondência entre o início das amortizações pelo valor de remuneração "cheio", de R$ 45,45, a partir de janeiro/2007 e o atingimento da meta, pois o prazo necessário para vender três milhões e trezentos mil cartões não havia transcorrido. Ou seja, não é crível o atingimento de meta logo no início do prazo das vendas. Ademais, no corpo do Acordo Operacional, folha 133, a Cláusula Terceira define o que a data de início da operações da parceria se deu em 20/11/2005, denominada data de início da parceria. Esta data foi observada pela autoridade autuante, quando efetuou a atualização monetária da amortização da remuneração paga pelo contribuinte às Casas Bahia pelo IPCA. Muito embora o contribuinte se defenda com a cláusula contratual de "primeiro ano de vendas", na folha 214, verifico que o contribuinte não demonstrou que haviam sido emitidos os 3.300.000 cartões. Aliás, o autuado, ao alterar a justificativa da alteração da remuneração paga às Casas Bahia por cartão emitido (de R$ 30,00 para R$ 45,45), de atualização monetária do valor para cumprimento de meta já estabelecida em contrato, deve comprovar inequivocamente a nova justificativa. E isso o contribuinte não fez. O único documento juntado pelo interessado com alguma informação acerca da quantidade de cartões que teriam sido emitidos é uma planilha (folha 214) que o próprio contribuinte elabora, denominada "planilha de amortização dos pagamentos efetuados pelas Casas Bahia", na qual existe a informação totalizada de 3.309.195 cartões emitidos em 2007. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 565 35 De fato, a mudança de discurso da Recorrente da fase inquisitorial para a fase impugnatória implica dizer que a nova história conta pela Recorrente possui sobre ela uma necessidade de carga de prova maior ainda. E penso que a Recorrente nesse aspecto se desincumbiu perfeitamente trazendo uma versão bastante coerente e fundada em fatos, isso implica dizer que a sua versão anterior foi fruto de mero equívoco na avaliação dos fatos. Nesse contexto, vejo que a DRJ partiu da premissa equivocada de que as despesas antecipadas com o Plano de metas só seriam amortizáveis a partir do momento em que a meta fosse alcançada. A Recorrente em seu recurso voluntário através de uma interpretação correta do contrato desconstruiu perfeitamente essa premissa a partir da qual partiu a DRJ. (...) Ocorre que, ao assim decidir, a DRJ acabou não se atentando para os próprios termos do contrato que foram reportados na decisão recorrida. Isto porque, transcrevese da própria decisão recorrida que "consta no item (ii) da Cláusula 8.3.1, que caso as Casas Bahia não alcancem a meta do primeiro ano, durante esse período adicional, o valor antecipado será compensado com o valor devido a título de Remuneração, e a diferença proporcional que faltar para o atingimento da meta do primeiro ano será restituída ao Bradesco (folha 194)' (fls. 37 da decisão recorrida g.n.). Ou seja, caso a meta não fosse cumprida, deveria ser restituído ao Recorrente o montante da despesa Antecipada que correspondesse apenas aos cartões não emitidos. Em um exemplo prático, na hipótese de não ser atingida a meta estipulada em contrato por uma diferença de 100 cartões, caberia às Casas Bahia devolver ao Recorrente R$ 4.545,00, dos R$ 150.000.000,00 antecipados. Diante do exposto, a premissa adotada pela DRJ no sentido de que a despesa com a Campanha de Venda só poderia ser amortizada após o cumprimento da meta estipulada se mostra manifestamente descabida. De fato, nos termos da própria cláusula reportada pela DRJ, independentemente do cumprimento da meta dos 3.300.000 cartões, naquele primeiro ano, o Recorrente estava obrigado a remunerar as Casas Bahia pelo valor de R$ 45,45 quando da emissão de cada novo cartão, de modo que a parcela amortizada se tratou efetivamente de uma despesa incorrida. Em outras palavras, a cada cartão emitido, as Casas Bahia teria direito à parcela do que lhe foi antecipado (i.e. R$45,45 dos R$ 150.000.000,00), que era compensada com o montante da remuneração ordinária que seria devida pelo Recorrente a cada cartão emitido, (i.e. R$30,00), conforme previsto na própria cláusula 8.3 do Acordo Operacional, anteriormente transcrita2. 2 "8.3 No prazo de 10 (dez) Dias Úteis da assinatura deste Acordo, o Bradesco antecipará o valor de R$ 150.000.000,00 (cento e cinquenta milhões de reais) a título de expectativa de Remuneração das Casas Bahia pelo atingimento das metas da campanha de vendas prevista na Cláusula 7.1.3.1 (o 'Valor Antecipado'), para os primeiros doze meses contados desta data. O Valor Antecipado será corrigido pela variação de 100% da Taxa CDI, e será compensado com os valor devidos pelo SÃO PAULO BRASÍLIA RIO DE JANEIRO NEW YORK 32 Al Joaquim Eugênia de Uma 447 SHS Q6 Bloco C Cj A sala 1901 Praia do Flamengo 200 11° andar 712 Fifth Avenue 26"' Floor 01403 001 São Paulo SP Brasil 70322 915 Brasília DF Brasil 22210 901 Rio de Janeiro RJ Brasil New York NY 10019 USA T +55 11 314' 7<00 T +55 61 3218 6000 T+55 21 3231 8200 T +1 646 695 1100 SP ‐ 11838871vl Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 566 36 Por este motivo, a cada cartão vendido pelas Casas Bahia durante a Campanha e Venda, o Recorrente passou a amortizar os R$ 45,45, na proporção de 1/12, correspondentes à despesa que havia sido anteriormente antecipada e passava a se tornar incorrida na medida em que cada cartão era emitido. Ora, diante do anteriormente exposto, não há sentido na afirmação da DRJ de que a glosa da despesa em questão estava correta, "uma vez que a despesa antecipada ainda não havia sido incorrida' (fls. 37 da decisão recorrida). Frisese, a autoridade fiscal glosou amortizações correspondentes às remunerações pagas às Casas Bahia no montante de R$45,45 por cartão efetivamente emitido, que eram levadas a resultado na razão de 1/12, tendo em vista que a remuneração se referia ao período de 12 meses da vigência do contrato com o usuário do cartão, nos termos das cláusulas 8.1 (i) e 8.1 (ii) do Acordo Operacional. Dessa forma, tratavamse de despesas efetivamente ocorridas, já que os valores não seriam devolvidos ao Recorrente caso a meta de 3.300.000 cartões não fosse atingida, nos termos da cláusula 8.3.1 do mesmo Acordo Operacional. Em outros termos, não se está tratando, nos presentes autos, da dedutibilidade de valores correspondentes a prêmio por cartões não emitidos. Tratase simplesmente do pagamento de valores efetivamente devidos em razão da emissão de cartões, nos termos do Acordo Operacional. Ademais, ainda que (i) as Casas Bahia não tivessem cumprido a meta prevista em contrato no prazo de um ano e (ii) que o contrato não previsse a restituição apenas da parcela correspondente aos cartões não emitidos, o Recorrente poderia ter optado por estender o prazo da Campanha ou simplesmente considerar a meta como cumprida, mesmo que emitidos menos cartões do que o esperado, como forma de estreitar relações com este que era um dos maiores Grupos varejistas do país e incentivar novas parcerias (ou seja: tratarseia de medida para manutenção de importante cliente — fonte geradora de receitas para o Recorrente). Exigir a restituição dos valores questionados por uma meta supostamente não cumprida em sua totalidade, por exemplo, poderia gerar descontentamento por parte das Casas Bahia, levando ao fim de um contrato importante para o Recorrente, com prejuízo potencialmente muito maior do que o referido valor. Deste modo, ainda que o Recorrente não tivesse demonstrado o cumprimento da meta acordada, como alegado pela DRJ, em nada seria alterada a natureza dessa despesa antecipada, que se mostra operacional por Bradesco a título de Remuneração na data dos respectivos pagamentos, observado o disposto na Cláusula 8.3.1." (g.n.) SÃO PAULO BRASILIA RIO DE JANEIRO NEW YORK 33 Al Joaquim Eugênio de Uma 447 SHS Q6 Bloco C Cj A sala 1901 Praia do Flamengo 200 11° andar 712 Fifth Avenue 26m Floor 01403 001 São Paulo SP Brasil 70322 915 Brasília DF Brasil 22210 901 Rio de Janeiro RJ Brasil Nev» York NY 10019 USA T+55 II 3147 7600 T +55 61 3218 6000 T+55 21 3231 8200 T+1 646 695 1100 SP ‐ 11838871vl www mattosriiho.com.br Fl. 569DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 567 37 servir como incentivo para que se mantenha a relação contratual entre as partes e para que novos cartões sejam emitidos em anos posteriores. Como se vê, nos termos do contrato (cláusula 8.3.1) independentemente do cumprimento da meta dos 3.300.000 cartões, naquele primeiro ano, a Recorrente estava obrigado a remunerar as Casas Bahia pelo valor de R$ 45,45 quando da emissão de cada novo cartão, de modo que a parcela amortizada se tratou efetivamente de uma despesa incorrida. Ou seja, na hipótese de não ser atingida a meta estipulada em contrato por uma determinada diferença de cartões, caberia às Casas Bahia apenas devolver ao Recorrente de R$ 45,45 multiplicado pelo número dessa diferença de cartões não vendidos. Por este motivo, a cada cartão vendido pelas Casas Bahia durante a Campanha a Recorrente passou a amortizar os R$ 45,45, na proporção de 1/12, correspondentes à despesa que havia sido anteriormente antecipada e passava a se tornar incorrida na medida em que cada cartão era emitido. Dessa forma a despesa antecipada era incorrida, diferentemente do que entendeu a DRJ. Outrossim, cabe ressaltar o que bem colocou a Recorrente em seu recurso: Em outros termos, não se está tratando, nos presentes autos, da dedutibilidade de valores correspondentes a prêmio por cartões não emitidos. Tratase simplesmente do pagamento de valores efetivamente devidos em razão da emissão de cartões, nos termos do Acordo Operacional Dessa forma, não demonstrado nos autos que o pagamento de remuneração estaria condicionado à ocorrência de evento futuro não implementado, tratandose, pois, de despesa operacional antecipada normal e usual da atividade comercial, não merece prosperar a glosa de despesas. Por todo o exposto, DOU provimento a este item. Lançamento Decorrente(CSLL) Alega a Recorrente ausência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL de despesa considerada indedutível. No contrato com o Estado da Bahia, o crédito tributário foi todo exonerado pela DRJ e negado provimento ao recurso de ofício neste voto, perdendose o objeto. Da mesma forma aconteceu com a Glosa de despesa no contrato do contribuinte com as Casas Bahia que foi exonerado no presente voto. Em relação a glosa de despesa que remanesceu (Glosa de despesa no contrato do contribuinte com o Banco J. P. Morgan), reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que negaram provimento a este tema de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adotoas também como razões de decidir do presente voto: Ausência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL de despesa considerada indedutível. O contribuinte argumenta que em relação aos lançamentos de CSLL, não há previsão legal para a adição à base de cálculo da CSLL de despesa considerada indedutível. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 568 38 Aduz que embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para a CSLL existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. Pela análise do artigo 2° da Lei n° 7.689/88, verificase que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas exclusões e adições previstas nas alíneas 1, 2, 3 (revogado) e 4. Insiste o interessado que a única adição permitida ao resultado do exercício, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, está prevista na alínea 4, qual seja: a adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Entende o interessado que não há, portanto, previsão legal, na legislação que regulamenta a CSLL, para a adição, ao lucro líquido, de qualquer despesa considerada indedutível, tal como as despesas operacionais que foram indevidamente glosadas pela fiscalização. Deveras, não é possível à Administração Tributária querer atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas. O que existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais do que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. Neste aspecto, não dou razão ao interessado. Explico. No contrato com o Estado da Bahia, o crédito tributário foi todo exonerado por item anterior deste voto, perdendose o objeto. Já com relação ao contrato do contribuinte junto ao Banco J.P. Morgan, verifico que, como já abordado no item respectivo neste voto, a amortização levada a efeito pelo contribuinte naquele contrato foi considerada à margem do disposto na legislação fiscal. O RIR/1999, em seu artigo 325, inciso I estabelece que somente será amortizado o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, como nos casos da letra "c": custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio. Transcrevo o dispositivo abaixo: "Art. 325. Poderão ser amortizados: 1 o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei n ° 4.506, de 1964, art. 58): (...) c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; " Ademais, o pronunciamento técnico contábil número 04, que trata do Ativo Diferido esclarece que um ativo intangível com vida útil indefinida não deve ser amortizado. Já em relação à glosa da amortização do contrato com as Casas Bahia, tenho a comentar que aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento Fl. 571DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 569 39 estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor (Lei n° 8.981, de 1995, artigo 57). Assim, o fato de ser procedente o auto de infração de IRPJ, por falta de comprovação da necessidade, significa ser também procedente o lançamento reflexo da CSLL. Como se observa, entre as hipóteses previstas em lei para o ajuste do lucro líquido se enquadra a adição de despesas ou custos consideradas desnecessárias com fulcro na legislação do imposto de renda (art. 299 do RIR/1999). Exemplifico com a Solução de Consulta Cosit n° 120 de 27/05/2014, publicada no DOU em 05/06/2014, que transcrevo abaixo: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA: LUCRO REAL. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DECORRENTES DE CLÁUSULA DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA. Tratandose de contrato de compra e venda de baterias automotivas novas, no qual o comprador, comerciante atacadista, comprometese a enviar para o vendedor, fabricante das mercadorias em questão, baterias automotivas inservíveis, as despesas referentes à aquisição das baterias inservíveis podem ser deduzidas na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, desde que o comprador em questão seja tributado pelo Lucro Real e que essas despesas sejam usuais e normais nesse ramo de negócios, além de serem efetivamente incorridas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n° 8.981/1995, art. 57; RIR/1999, arts. 299 e 300; PN CSTn° 32/1981, itens 4 e 5." Assim sendo, o que ficou decidido no lançamento do IRPJ, em relação à glosa de despesas, aplicase também à CSLL. Juros sobre multa de ofício Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício . Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721320/201204 Acórdão n.º 1401001.683 S1C4T1 Fl. 570 40 Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO RECURSO DE OFÍCIO e, quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO DOU provimento PARCIAL apenas para cancelar os lançamentos em relação ao contrato do contribuinte com as Casas Bahia (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 573DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
