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Numero do processo: 18192.000206/2007-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE.
O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial entre turmas e câmaras diferentes quanto à interpretação da legislação tributária.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka - Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE. O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial entre turmas e câmaras diferentes quanto à interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 17/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 02 06 /2 00 7- 70 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 18192.000206/200770 Acórdão n.º 9202003.559 CSRFT2 Fl. 233 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 13 de junho de 2012 (efls. 169/185), em face do Acórdão n° 230101.836 (efls. 162/168), que teve a seguinte ementa: “Contribuições Previdenciárias Período de apuração: 03/2005 a 12/2006 CESSÃO DE MÃODEOBRA. OCORRÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DOS 11%. Caracterizase como cessão de mão deobra a colocação à disposição da empresa tomadora em suas dependências, ou nas de terceiros por ela indicadas de segurados que prestem serviços contínuos, conforme redação do art. 31, §3º da Lei 8.212/91, sendo obrigação da empresa Tomadora dos Serviços a retenção e o recolhimento da importância de 11% do valor bruto da nota fiscal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91.” (efl. 162). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma os Acórdãos 230100283 e 240100120, sendo que o último restou assim ementado: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2º Conselho de Contribuintes. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 18192.000206/200770 Acórdão n.º 9202003.559 CSRFT2 Fl. 234 3 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. 2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho. A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 221/222, não tendo apresentado a Recorrida contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso não deve ser conhecido. O Regimento Interno do CARF traz, em seu artigo 67, a hipótese de cabimento e os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos seguintes termos: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 18192.000206/200770 Acórdão n.º 9202003.559 CSRFT2 Fl. 235 4 § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.” Nos termos do caput do artigo 67 do atual Regimento Interno, o recurso especial é cabível em virtude de divergência jurisprudencial entre turmas e câmaras diferentes. No presente caso, o Acórdão 230100283 foi proferido pela mesma turma do acórdão recorrido, não havendo, portanto, divergência ente turmas distintas. No que se refere ao Acórdão 240100120, este decidiu não aplicar a nova redação do artigo 35A de forma retroativa, por não vislumbrar benefício ao contribuinte, inexistindo também divergência apta a autorizar o conhecimento do recurso especial. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 18192.000206/200770 Acórdão n.º 9202003.559 CSRFT2 Fl. 236 5 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001424/2003-63
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1996
COMPENSAÇÃO - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - A correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 deve levar em conta os índices já pacificados pela jurisprudência, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97.
Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9900-000.860
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/12/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado, substitindo o conselheiro Marcelo Oliveira, Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituindo o C. Vice-Presidente da CSRF).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1996 COMPENSAÇÃO - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - A correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 deve levar em conta os índices já pacificados pela jurisprudência, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional negado.
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 23/12/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado, substitindo o conselheiro Marcelo Oliveira, Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituindo o C. Vice-Presidente da CSRF).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 COMPENSAÇÃO EXPURGOS INFLACIONÁRIOS A correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 deve levar em conta os índices já pacificados pela jurisprudência, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional negado. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 23/12/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 14 24 /2 00 3- 63Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado, substitindo o conselheiro Marcelo Oliveira, Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituindo o C. VicePresidente da CSRF). Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo parte do relatório da decisão recorrida: (...) Em 21.05.2003, o contribuinte foi cientificado dos autos de infração de fls. 08/12, por meio do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 981.383,17, já. inclusos juros e multa de ofício de 75%, relativo ao IRPJ. O lançamento tem origem na falta de recolhimento do imposto de renda relativo ao ano calendário 2000. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/14, o trabalho fiscal foi realizado para verificação dos procedimentos adotados pelo contribuinte em função da ação judicial nº 93.225952, que se encontra definitivamente arquivada, por meio do qual a contribuinte pretendeu a declaração da inexistência de vínculo obrigacional de pagamento do PIS, com as alterações introduzidas pelos DecretosLei nº 2.445 e 2.449 de 1988. Na decisão que transitou em julgado, a administração tributária ficou obrigada a exigir da contribuinte a contribuição para o fundo de participação do PIS, nos moldes da Lei Complementar n° 7/70. A contribuinte deveria pagar 5% do IR devido ou como se devido; fosse, o chamado PIS/Repique, considerando inaplicáveis os citados Decretoslei, até a vigência da Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, que, no caso do PIS, vigeu até Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10675.001424/200363 Acórdão n.º 9900000.860 CSRFPL Fl. 132 3 junho de 1994. Ainda no âmbito da ação judicial, a contribuinte teve negado o pedido de compensação realizado. Na ação fiscal, a contribuinte foi intimada, conforme solicitação de documentos de fls. 15, a apresentar relação do PIS recolhido nos termos dos Decretoslei n°s 2.445/88 e 449/88, contendo data de recolhimento, código da receita e valor recolhido e, se utilizados. para compensação, com qual tributo, período de apuração e o valor utilizado; bem como cópia das guias relacionadas e relação do valor devido do PIS/repique relativas ao período de 1988 a 1994, A contribuinte respondeu pela correspondência de fls. 17 e planilhas de fls. 18 a 21. Ainda segundo o referido Termo, a planilha de fls. 19 a 21 demonstra como o contribuinte pretende que os valores recolhidos indevidamente sejam compensados. A outra, de fls. 18, demonstra como a contribuinte deve pagar a Contribuição do PIS pela sistemática estabelecida pela LC n° 7/70 (PIS/repique). O AFRFB entendeu que os valores apresentados pelo contribuinte não correspondem à realidade, apresentando, às fls. 77, o Demonstrativo do PIS/repique devido, que teve como base os espelhos de consulta à Declaração de Rendimentos, anexados às folhas 78 a 83. Com essas informações foi elaborado o fechamento entre os créditos e os débitos, a que se referem às listagens anexadas como fls. 84 a 136. (...) A Sétima Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida, por maioria de votos, proveu parcialmente o Recurso Voluntário do Contribuinte, para reconhecer o direito à correção integral dos créditos relativos a recolhimentos indevidos para fins de compensação/restituição, inclusive os expurgos inflacionários. Assim, determinou a correção dos indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 de acordo com os seguintes índices: mar/90 84,32%; abr/90 44,80%; e maio/90 7,87%, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Adicionalmente, entendeu que, reconhecido. judicialmente o direito do contribuinte para recolhimento da contribuição do PIS na modalidade Repique, de que trata a LC n° 7/70, art. 3º, § 2º, o encontro de contas entre o valor pago, sob a égide dos Decretos Lei nº 2.445/88 e 2.449/88, com o valor devido, deve ser feito a cada mês. Os saldos de pagamento devem ser utilizados para compensação com os demais débitos, na data considerada para efeito de compensação, implicando na redução do valor do IRPJ apurado no lançamento. Em seu recurso, a recorrente defendeu a impossibilidade da esfera administrativa criar formas de cálculo de atualização, monetária para a restituição de tributos e contribuições pagos a maior/indevidamente de forma diversa daquela aplicável na cobrança de créditos tributários pagos fora do prazo de Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 vencimento legal. Afirmou que, diante da ausência de ordem judicial em contrário, devem ser observados os índices constantes na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 541/550. Em suas razões, o contribuinte afirmou que a CSRF há muito vem afastando a aplicação da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, reconhecendo o direito à correção monetária plena dos créditos dos sujeitos passivos. Por fim, afirmou que a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual deve ser mantida. Por maioria de votos, a 1ª Turma da CSRF negou provimento ao recurso por meio do Acórdão CSRF/0105.953, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 COMPENSAÇÃO EXPURGOS INFLACIONÁRIOS A correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 deve levar em conta os índices já pacificados pela jurisprudência, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Recurso especial negado. Irresignada a Fazenda Nacional apresentou recurso extraordinário, no qual insurgese contra a decisão que negou seguimento ao recurso especial, determinando a inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da compensação de tributos e aplicando o IPC como índice de correção monetária para o imposto recolhido nos meses de março, abril e maio de 1990. Alega que não há previsão legal para a inclusão de expurgos inflacionários pelo índice IPC para a correção monetária de indébitos tributários alegados em pedidos de compensação.Entende que a Norma de Execução Conjunta n º 08/97 é expressa no sentido de adotar o índice BTN para o período em discussão. Aponta como paradigma o Acórdão CSRF/0203251, de 30/06/2008, que traz como ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/12/1999 A 31/12/1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A CORREÇÃO MONETÁRIA É MATÉRIA ESTRITAMENTE AFETA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. SÓ A LEI PODE FIXAR O ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. A INFLAÇÃO É UM FENÔMENO DA ECONOMIA QUE SOMENTE ENTRA NO MUNDO JURÍDICO PELA VIA LEGISLATIVA, PORTANTO, SENDO VEDADA A UTILIZAÇÃO DE ÍNDICE NÃO PREVISTO NAS DISPOSIÇÕES LEGAIS VIGENTES. O recurso foi admitido pelo presidenteSubstituto do CARF. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10675.001424/200363 Acórdão n.º 9900000.860 CSRFPL Fl. 133 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso extraordinário preenche os requisitos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários, ainda que não previstos em Norma de Execução da RFB. Sopesados os argumentos trazidos no r. extraordinário da Fazenda e nas contrarrazões do contribuinte, passo a expor meu posicionamento sobre o tema. A matéria foi objeto de debate por longo tempo no CC e depois no CARF, tendo sido cogitada a edição de súmula a respeito do tema. Nos estudos efetuados para a proposição de súmula sobre a matéria em 2013, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Viviane Vidal Wagner e Luis Marcelo Guerra de Castro, se manifestaram contrariamente è edição da súmula, a qual estabelecia que para a atualização monetária dos valores recolhidos indevidamente até 31.12.1995, deveriam ser aplicados os índices formadores dos coeficientes da Tabela Anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 08, de 27 de junho de 1997. O referido Estudo foi materializado nos seguinte termos: Através da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97, a Receita Federal do Brasil tentou uniformizar os procedimentos relativos a índices a serem utilizados na correção de indébitos tributários, nos processos administrativos de compensação e restituição de tributos e contribuições federais. Embora não publicada no Diário Oficial da União, a norma, de caráter interno, acabou se tornando pública, seja por ter sido mencionada em diversos acórdãos das Câmaras do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda ou seja por ter sido publicada ou mencionada em alguns veículos da imprensa especializada. Judicialmente, quanto aos tributos e contribuições federais, os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, que inclui os seguintes expurgos inflacionários: 42,72% (01/89), 10,14% (02/89), 84,32% (03/90), 44,80 (04/90), 7,87% (05/90), 21,87% (02/91) e o INPC de 03/91 a 12/91. De outro lado, os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97, compreendem: 1) IPC/IBGE (OTN até 01/89), no período compreendido entre janeiro de 1988 e fevereiro de 1990; Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 2) BTN no período compreendido entre março de 1990 a janeiro de 1991; 3) INPC de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991. Como se vê, as divergências ocorrem em alguns períodos de apuração dos anos de 1989 e 1990 e em fevereiro de 1991, pacificandose a questão a partir de março de 1991, com a utilização do INPC. A partir de janeiro de 1992, utilizase a UFIR, e, a partir de 1996, há incidência de juros à taxa SELIC, conforme determinado pela Lei nº 9.250/95, combinada com a Lei nº 9.532/97. Através do Parecer PGFN/GRJ nº 2601/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autoriza seus procuradores a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos, em relação às ações judiciais em que o contribuinte pleiteia a atualização monetária dos débitos judiciais com a inclusão de índices expurgados de planos econômicos, considerando a jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça no sentido da inclusão daqueles índices (Ato Declaratório nº 10, de 1º de dezembro de 2008). A Lei nº 10.522, de 18/07/2002, assim dispõe: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre:(Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO).(Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei no5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal.(Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 1oNas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10675.001424/200363 Acórdão n.º 9900000.860 CSRFPL Fl. 134 7 I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial.(Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2oA sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3oEncontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4oA Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5oAs unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO).(Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7oNa hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.(Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (destacouse) O Regimento Interno do CARF, desde 2009, tem privilegiado a jurisprudência pacificada no âmbito do STF e STJ, consoante os dispositivos abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.{2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} (destacou se) Assim, muito embora o referido Parecer não vincule os conselheiros no caso em tela, por se tratar de pedido de restituição, sua aplicação no âmbito administrativo evita que a Fazenda Nacional se torne sucumbente nas causas judiciais, visto que não poderá recorrer. Ademais, a própria jurisprudência do CARF e da CSRF vem se formando majoritariamente em sentido contrário ao proposto, para reconhecer ao contribuinte o direito aos expurgos inflacionários nos mesmos moldes do Poder Judiciário, como se vê dos julgados abaixo colacionados: Acórdão n°. CSRF/0104.456, de 25/02/2003: CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCÍPIO DA MORALIDADE —CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONARIOS — STJ — 1990 — IPC — PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Acórdão CSRF n° 40105.953, de 11 de agosto de 2008: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 COMPENSAÇÃO EXPURGOS INFLACIONÁRIOS A correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 deve levar em conta os índices já pacificados pela jurisprudência, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Acórdão n° 280200.126, de 21 de setembro de 2009: Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10675.001424/200363 Acórdão n.º 9900000.860 CSRFPL Fl. 135 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1988 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO CORREÇÃO MONETÁRIA EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Aplicação do INPC para atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito, período de fevereiro de 1991 e dezembro de 1991. índice representativo da real perda do valor da moeda no período. Acórdão nº 320200.039, de 17 de setembro de 2009: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003 FINSOCIAL, RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA, APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal. Acórdão n° 930300.248, de 21 de outubro de 2009: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1991 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária decorre necessariamente de lei e deve ser feita nos exatos termos em que prevista no ordenamento jurídico. In casu, pelos índices legais criados, especificamente, para tais fins. Todavia, em vista do reconhecimento expresso da Fazenda Nacional dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, estes tornamse incontroversos, devendo ser aplicados nas repetições de indébitos a que o sujeito passivo tenha direito. Acórdão nº 9303002.117, de 13 de setembro de 2012: CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda, portanto, cabível que seja contabilizada levandose em consideração os expurgos inflacionários. Acórdão nº 9303001.832, de 02/02/2012: CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. STJ. 1990. IPC. PRECEDENTES. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Acórdão nº 9303002.130, de 16 de outubro de 2012: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 30/09/1995 UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/ PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 37. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. STJ 1990. IPC. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Erário Acórdão nº 3202000.714, de 23 de abril de 2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/1990 a 31/05/1990 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RESOLUÇÃO N° 561 DO CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal. O Estudo então conclui pela não proposição da súmula, o que de fato não ocorreu. Vejase que a jurisprudência mais recente do Judiciário e da CSRF é contrária ao entendimento defendido pela PGFN neste r. extraordinário e a própria PGFN já abriu mão de enfrentar o tema no Judiciário, conforme se constata no Parecer PGFN/GRJ nº 2601/2008 (no qual a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autoriza seus procuradores a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos, em relação às ações judiciais em que o contribuinte pleiteia a atualização monetária dos débitos judiciais com a Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10675.001424/200363 Acórdão n.º 9900000.860 CSRFPL Fl. 136 11 inclusão de índices expurgados de planos econômicos), embora o r. extraordinário em debate seja posterior ao referido Parecer PGFN/GRJ nº 2601/2008. Entendo que os termos do Estudo acima transcritos são o melhor entendimento que deve ser dado à matéria, e os adoto, e também pelas razões adicionais expostas, nego provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 13116.720116/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42).
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-003.004
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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DESAPROPRIAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42). Recurso provido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 01 16 /2 01 2- 55 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARCIO SOARES DE QUEIROZ, foi lavrado por Auditor Fiscal da DRF/Anápolis – GO, o Auto de Infração de fls. 3/37, referente ao imposto de renda pessoa física do ano calendário 2008. O crédito tributário apurado está assim constituído: No decorrer da ação fiscal foram emitidos Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, Termo de Início do Procedimento de Fiscal, Termos de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal, Termos de Intimação Fiscal e Termo de Constatação de Infração, todos devidamente notificados ao contribuinte, conforme demonstra as fls. 13/23 do Relatório Fiscal. O lançamento relativo ao MPF que deu origem à fiscalização foi formalizado em autos distintos – processos nºs 13116.722024/201129 e 13116.720116/201255. A autoridade do órgão lançador emitiu ofícios solicitando documentos relacionados à ação fiscal ao Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato de Notas de Luziânia. Realizou, ainda, diligências em terceiros de interesse para o desenvolvimento da ação fiscal. Depois da análise da documentação e das informações obtidas, a autoridade fiscal apurou as infrações a seguir enumeradas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 4/5 e 27/37: 001 – GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, com fato gerador em 30/04/2008, 31/05/2008, com o seguinte valor apurado. A metodologia de apuração da omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital está demonstrada no Relatório Fiscal, fls. 27/37. Os fatos geradores constantes da tabela acima correspondem a ganho de capital decorrente da alienação (desapropriação) de 388 chácaras do loteamento Chácaras Aurora, alienação da Fazenda Catalão (glebas A e B) e alienação da Fazenda Sistema Solar (glebas A e B), respectivamente, todas localizadas no município de Luziânia – GO Depois da ciência do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 537/573. Inicialmente faz referência aos termos do Auto de Infração para, em seguida, suscitar preliminares de nulidade e expor as razões de sua defesa. Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 657DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.720116/201255 Acórdão n.º 2202003.004 S2C2T2 Fl. 3 3 Alega que obteve ciência do lançamento em 31/1/2012, contudo, não teve conhecimento de qualquer ato de prorrogação do MPF 0120200.2010.000135, recebido em 18/3/2010, tornando sem efeito os trabalhos de lançamento. O instrumento de prorrogação deveria ser apresentado ao contribuinte dentro do prazo de vigência do MPF. A doutrina leciona no sentido de que só existe prorrogação de algo que esteja em vigor. Ultrapassada a sua vigência, surge a necessidade de um novo MPF. Menciona que a autoridade fiscal, além de usar MPF para período e tributo diverso, ampliou o horizonte de atuação sem ordem ou poderes para tal. Discorre e faz considerações sobre o MPF. Transcreve dispositivos da Portaria SRF nº 3.007/2001 para, em seguida, repisar a necessidade de acolhimento da Preliminar de Nulidade do MPF e anular o Auto de Infração por falta de legitimidade ativa e ausência de poderes da autoridade autuante. Ganho de Capital Afirma que todos os documentos e esclarecimentos foram apresentados ao Fisco, não se justificando o lançamento relativo à omissão de rendimentos decorrentes de desapropriação. Expõe longamente sobre a não tributação de valores oriundos de desapropriação. Comenta que os cotejamentos legais adotados no Auto de Infração não autorizam de forma alguma a inserção em base de cálculo do valor recebido a título de desapropriação. Lições doutrinárias e a jurisprudência ensinam que o valor da desapropriação revela uma indenização para recompor o patrimônio do expropriado em sua parcela mínima. Menciona que as alegações de que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), anteriores à Constituição Federal de 1988, no sentido de não incidir imposto de renda somente nas indenizações decorrentes de desapropriação para fins de reforma agrária, estão maculadas pelas razões de decidir. Recorre à Representação de Inconstitucionalidade nº 12603, julgada pelo STF em 12/8/1987, para amparar seu entendimento. Faz referência a julgados dos tribunais, à Súmula nº 42 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e a doutrinadores para concluir pela total improcedência do lançamento no que se refere ao valor recebido a título de desapropriação. Esclarece que, diante da omissão das benfeitorias por ocasião das escrituras das Fazendas Catalão e Sistema Solar, o que dificulta sua utilização, lança mão de pagar o imposto decorrente das omissões de Ganho de Capital de R$ 21.008,45 e R$ 44.068,37, conforme cópia dos recolhimentos juntados aos autos. Pedidos Por fim, requer: 1. O acolhimento das preliminares de nulidade; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 2. Improcedência da autuação e, conseqüentemente, arquivamento dos autos do presente processo administrativo; 3. O arquivamento da Representação Fiscal para fins penais, pela ausência de motivação justa. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é documento destinado a controle e uso interno da Administração, não caracterizando causa de nulidade do lançamento a ciência do mandado por meio eletrônico. Descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa relativamente à ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GANHO DE CAPITAL (PARCIAL). Considera se não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. A pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, incluindo a hipótese de desapropriação de bens imóveis, está sujeita ao pagamento do imposto de renda à alíquota de quinze por cento. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de Representação Fiscal para Fins Penais. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE Ao órgão colegiado de julgamento administrativo de primeira instância não é dada a competência para pronunciar se sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. Somente produzem efeitos no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões judiciais definitivas do Supremo Tribunal Federal acerca de inconstitucionalidade da lei em litígio, e desde Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.720116/201255 Acórdão n.º 2202003.004 S2C2T2 Fl. 4 5 que emitido ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso esta dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Objetivamente o Auto de Infração, a exigência decorreu de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel rural, conforme Termo de Constatação Fiscal –, parte integrante do auto de infração, com aplicação de multa no percentual de 75%. Os valores lançados podem assim ser descritos: O contribuinte não questionou no processo administrativos tributário os valores lançados referentes a 31/05/2008, nos valores respectivamente de R$ 21.008,45 e R$44.068,37. Restou portanto par análise a omissão de ganho de capital auferidos na desapropriação de 388 chácaras do loteamento Chácaras de Aurora, localizadas em Luziania GO. As fls. 27 a 39 descreve com exatidão a desapropriação que sofreram esses imóveis. O contribuinte alega como argumento principal que a desapropriação não gera ganho de capital, não podendo haver tributação incidente sobre a mesma. Ante mesmo de apreciar a preliminar, cabe apontar a questão prejudicial de que no mérito a desapropriação não gera ganho de capital tributável. Para o deslinde da questão colocada em controvérsia nestes autos, é preciso saber se seria possível à União exercer sua competência impositiva, exigindo o imposto de renda sobre a diferença apurada entre o custo de aquisição do imóvel do recorrente e o valor por ele recebido a título de indenização pela desapropriação do referido bem. Na lição do jurista CARLOS AUTRAN MASSENA “A desapropriação, instituto de direito público, é uma das garantias constitucionais do direito de propriedade.” (cfr. Desapropriação, Editora Rio, 1976, pág. 11). Como já dá para perceber, a desapropriação é instituto que deve ser enxergado pela ótica constitucional, desprezandose qualquer outra norma, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. É a própria Constituição Federal, portanto, que assegura aos expropriados a justa e prévia indenização em função da desapropriação de bem imóvel por necessidade pública ou interesse social. Significa dizer que os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o expropriado pela perda do bem, mas também indenizálo pelos lucros cessantes e pelo atraso da fazenda Pública em ressarcilo. Como bem destaca HELY LOPES MEIRELLES, “A indenização justa é a que cobre não só o valor real e atual dos bens expropriados, à data do pagamento, como, também, os danos emergentes e os lucros cessantes do proprietário, decorrentes do desalojamento do seu patrimônio. Se o bem produzia renda, essa renda há de ser computada no preço, Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.720116/201255 Acórdão n.º 2202003.004 S2C2T2 Fl. 5 7 porque não será justa a indenização que deixe qualquer desfalque na economia do expropriado. Tudo que compunha seu patrimônio e integrava sua receita há de ser reposto em pecúnia no momento da indenização; se o não for, admite pedido posterior, por ação direta, para complementarse a justa indenização. A justa indenização inclui, portanto, o valor do bem, suas rendas, danos emergentes e lucros cessantes, além de juros compensatórios e moratórios, despesas judiciais, honorários de advogado e correção monetária” grifos do original (cfr., Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, 25ª edição, 2000, pág. 565). Como se vê, a doutrina é suficiente clara ao entender que justa indenização é expressão que só admite ampla interpretação, sob pena de desvirtuar os desígnios do legislador constituinte. Para a indenização ser justa, é preciso que nela também estejam compreendidos todos os valores que efetivamente repõem a perda suportada pelo beneficiário dos rendimentos. É exatamente por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o enfoque das isenções. O que se deve ter em mente é a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem. Deve ser observado que, se fosse possível a exigência do imposto sobre os rendimentos decorrentes de desapropriações, inegavelmente ocorreria uma redução indevida no valor indenizado, igualmente desvirtuando o princípio constitucional da justa indenização. Essa matéria já possui entendimento sumulado no CARF: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42). Assim, entendo não ser cabível a exigência do imposto de renda sobre a os rendimentos em decorrência de desapropriações, seja pela sua natureza eminentemente indenizatória, seja porque o tributo iria desfalcar o preço, desvirtuando o princípio constitucional da justa indenização em dinheiro. Dentro do contexto do autos, a luz da jurisprudência administrativa e judicial, o eventual ganho em desapropriações não são fatos geradores tributáveis. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10830.901701/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório O litígio posto a julgamento tem por objeto a homologação parcial das compensações solicitadas fundadas no saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2003. O valor original direito do creditório pleiteado, relativo a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2003, é de R$ 44.324.807,83, objeto da Declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 01 70 1/ 20 10 -2 9 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 3 2 Compensação DCOMP n° 37225.08405.160409.1.7.032368 (fls. 01/03), bem como das DCOMP n° 21158.38906.150704.1.3.037525 (fls. 270/271), 22500.39374.160409.1.7.03.1772 (fls. 268/269), 11707.68712.010904.1.3.039060 (fl. 07), 00648.76161.300904.1.3.030017 (fls.04/06), 29575.76897.181208.1.7.036010 (fl. 10), 36407.02828.181208.1.3.039395 (fl. 08), 04338.06080.181208.1.3.030000 (fl. 09). O despacho decisório da autoridade administrativa competente, emitido em 19/05/2010, homologou parcialmente as compensações, até o montante de R$ 14.436.460,22, em razão de glosa de estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores. Em manifestação de inconformidade a interessada suscitou, inicialmente, nulidade do despacho decisório por superficialidade da busca das informações necessárias, limitandose a cruzar dados dos sistemas eletrônicos, sem análise crítica da Fiscalização, ferindo o princípio da verdade material. Quanto ao mérito, alegou: a) Quando da ciência do Despacho Decisório proferido pela DRF/Campinas em 25/05/2010, já havia ocorrido a homologação tácita das Declarações de Compensação n.° 11707.68712.010904.1.3.039060 e n.° 00648.300904.1.3.030017, apresentadas pela Requerente em 01/09/2004 e em 30/09/2004, respectivamente, em função do transcurso do prazo de 5 anos; b) As autoridades fiscais revisaram a apuração da CSLL quanto ao ano calendário de 2003, revertendo o saldo negativo de CSLL. No entanto, o lançamento por homologação, quanto à CSLL, já se encontra homologado tacitamente, razão pela qual decaiu o Fisco de seu direito de revisar o procedimento adotado pela Requerente; c) Quanto à estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2003, no valor de R$ 10.317.327,47, não considerada na composição do saldo negativo do ano calendário, tratase de parcela compensada com o saldo negativo do anocalendário de 2002 sem envio de Declaração de Compensação, feita contabilmente, conforme permitia a legislação vigente à época (tributos da mesma espécie), e não havia como indicar a compensação contábil no PER/DCOMP. Postula pela aplicação da IN 210/2002, vigente à época da ocorrência da compensação praticada, sem as alterações da IN 323/2003. Pondera que a desconsideração desse valor pela mera ausência de preenchimento da Declaração de Compensação, caso fossem obrigatórias antes do advento da IN 323/2003, feriria o princípio da verdade material. d) Quanto aos valores de estimativas de maio de 2003 (R$ 13.842.180,97 e R$ 4.445.031,07) e de setembro de 2003 (R$ 1.715.118,70 e R$ 18.689,50), foram elas efetivamente quitadas conforme explicação a seguir: d.1) Maio de 2003 (R$ 13.842.180,97 e R$ 4.445.031,07): A Requerente apurou CSLL a pagar no montante de R$ 17.927.212,04, compensado com saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000, em Declaração de Compensação formalizada no processo n.° 13804.008130/200338. Essa declaração foi objeto de Despacho Decisório proferido em 18/04/2007, com homologação parcial, decisão objeto de manifestação de inconformidade indeferida em 06/09/2007, e consequente Recurso Voluntário, pendente de julgamento. Assim, por ora, os débitos objeto da compensação estão extintos, sob condição de sua ulterior homologação, nos termos do §2° do artigo 74 da Lei n.° 9.430/967. Assim, para todos os efeitos, os débitos encontramse quitados. E ainda que não sejam homologadas as compensações, ou sejam homologadas parcialmente, o débito de estimativa de CSLL do mês de maio de 2003 será exigido da Requerente, que terá de proceder ao seu pagamento. Feito o Fl. 776DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 4 3 pagamento, tal estimativa será considerada quitada e, portanto, fará parte do saldo negativo de CSLL. Assim, não há como se pretender desconsiderar esta estimativa na formação do saldo negativo de CSLL de 2003, já que, de duas uma: ou a compensação será homologada; ou o débito será pago. d.2) Setembro de 2003 (R$ 1.715.118,70 e R$ 18.689,50): A Requerente apurou CSLL a pagar no montante de R$ 18.123.334,36. Nos autos do processo administrativo n.° 13804.008453/200321 foram compensados R$ 12.132.729,82, dos quais as autoridades fiscais não acataram R$ 1.715.118,70. Contra o Despacho Decisório proferido em 08/02/2002 foi apresentada manifestação de inconformidade, indeferida em 23/06/2010, e consequente Recurso Voluntário, pendente de julgamento. Assim, da mesma forma que a estimativa de maio de 2003, o débito encontrase extinto até que se decida, em caráter definitivo, acerca da homologação. O valor da parcela de R$ 18.689,50 foi apreciado nos autos do processo administrativo n.° 13804.008454/200376, no qual havia sido compensada mais uma parte da estimativa mensal de CSLL de setembro de 2003, no valor de R$ 2.002.603,55, não foi homologado, foi inscrito na Dívida Ativa da União sob o n.° 8060901106922 e exigido na execução fiscal n.° 296.01.2009.0031665, e incluído no programa de parcelamento instituído pela Lei 11.941/09. Portanto, o valor deve ser considerado na composição do saldo negativo do anocalendário de 2003. e) É evidente que as cobranças decorrentes das compensações não homologadas nos presentes autos configuram cobranças em duplicidade, já que decorrentes de crédito cuja confirmação já se encontra em discussão nos autos de outros processos administrativos; f) Na provável hipótese de que o crédito da Requerente venha a ser confirmado pela Turma Julgadora, é imperioso consignar o afastamento da utilização do método de imputação proporcional para compensar o crédito da Requerente com os débitos cuja compensação se declarou, determinandose a aplicação da metodologia de cálculo preconizada no artigo 354 do Código Civil, o que implicará na liquidação do débito fiscal compensado e a sobra de saldo em favor do Requerente. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, vencido o Relator no que tange à homologação tácita. É a seguinte a ementa da decisão da 2ª Turma: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCOMP RETIFICADORA. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação do procedimento pelo Fisco é a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Quando a DCOMP retificada for a inicial, da qual consta o demonstrativo do crédito, todas as outras DCOMPs que tratem do mesmo direito creditório e se reportem a DCOMP inicial, também se consideram retificadas na mesma data, devido à necessária vinculação entre elas. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 5 4 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.” Ciente da decisão em 18/07/2013 (fl. 614/615), a interessada ingressou com recurso em 19/08/2013, reeditando a preliminar e as razões de defesa apresentadas na manifestação de inconformidade. Em relação à nulidade do despacho decisório, repete os argumentos erigidos perante a instância a quo. Quanto ao mérito, assim rebate, em síntese, os argumentos da decisão recorrida: I Homologação tácita: Especificamente sobre a questão da homologação tácita referente às DCOMP n.° 11707.68712.010904.1.3.039060 e n.° 00648.76161.300904.1.3.030017, tece, em resumo, as seguintes considerações: A Turma Julgadora entendeu improcedente a homologação tácita argumentando que o PERDCOMP por meio do qual a Recorrente, primeiramente, requereu o crédito referente ao saldo negativo em tela foi retificado em 16.04.2009, o que fez com que todas as DCOMP a ele vinculadas, automaticamente, tivessem o seu termo inicial de contagem do prazo de que trata o parágrafo 5º, do art. 74 da Lei n.° 9.430/96 transferidos para a data retromencionada. A pretensão da DRJ não encontra guarida na legislação vigente. Conforme dispõe o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.933/2003, operase a homologação tácita quando se esgota o prazo de 5 (cinco) anos a contar da entrega da DCOMP, sem que a autoridade administrativa tenha se manifestado acerca dessa atividade do sujeito passivo. Conforme se depreende do texto do dispositivo, a Fiscalização possui o prazo legal de 5 anos, desde a sua transmissão, para analisar as compensações efetuadas e,caso não p faça nesse prazo, ocorre a homologação tácita. As DCOMP em questão foram apresentadas em 01/09/2004 e 30/09/2004, e já se encontravam homologadas tacitamente quando da ciência do despacho decisório emitido em 19/05/2010. A DRJ entendeu que a retificação do PER/DCOMP inicial alterou a composição do crédito passível de compensação, possuindo efeitos no que concerne a estipulação do início do prazo de contagem da homologação tácita não só daquela declaração como de todas as demais, que devem ser consideradas acessórias àquela, além do que o art. 80 da IN 900/2008 dispõe que “Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo Fl. 778DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 6 5 inicial da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora.” Da leitura do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96 e do art. 80 da IN SRF nº 900/2008 é possível afirmar que a legislação vigente determina que: (i) a homologação tácita ocorrerá quando transcorridos 05 (cinco) anos da apresentação da DCOMP; e (ii) caso a mencionada DCOMP seja retificada, o mencionado termo inicial será transferido para a data da apresentação da DCOMP retificadora. A legislação é clara ao dispor que somente a DCOMP que for objeto de retificação será o termo inicial para fins de homologação tácita modificado, não havendo qualquer disposição no sentido de que o PERDCOMP a ela relacionado, se retificado, produzirá efeitos em relação ao mencionado prazo. II Decadência do direito do Fisco de revisar a apuração da CSLL do ano calendário de 2003. Reedita as razões já deduzidas perante a instância a quo e aduz serem “ infundadas são as alegações da DRJ de que o procedimento de revisão do saldo negativo de 2003 tem guarida, pois ‘se faz necessário para a apuração da liquidez e certeza de direito creditório como preconizado no art. 170 do CTN’. Isso porque, como já exposto, a prerrogativa do Fisco de revisão do saldo negativo se esgota imediatamente no momento que transcorre o lapso temporal previsto em lei e, nem mesmo a suposta falta de liquidez ou certeza do direito creditório, o que se admite agora apenas a título de argumentação, pode invalidar a decadência do direito de revisão. III Da Compensação Contábil de R$ 10.317.327,47 — Desnecessidade de Apresentação de DCOMP para Compensação de Tributos de Mesma Espécie na Época. Sobre essa questão, aduziu, em resumo, o que se segue: A DRJ alegou não ter a Recorrente demonstrado a existência do direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002, tampouco comprovado a compensação efetuada contabilmente. O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar os Embargos de Declaração em Recurso Especial n.° 134.484, em decisão relatada pelo I. Ministro José Delgado, reconheceu que a compensação de créditos nos moldes do artigo 66 da Lei n.° 8.383/91 é de responsabilidade exclusiva do contribuinte, cabendo à fiscalização apenas analisar a legitimidade dos créditos e a correção dos valores utilizados. O antigo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF), por meio da Primeira e da Terceira Câmaras, também já se manifestou nesse sentido (Ac. 20307576, Ac. 20306669). O entendimento de que a compensação de tributos da mesma espécie independe de autorização prévia foi ratificado pela Secretaria da Receita Federal por meio da IN SRF 21/1997, cujo art. 14 dispõe que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa Fl. 779DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 7 6 jurídica, correspondente a períodos subsequentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Muito embora a IN SRF n.° 21/97 tenha sido revogada pela IN SRF n.° 210/2002, a compensação de tributos de mesma espécie continuou sendo realizada sem qualquer tipo de requerimento prévio. Nem mesmo a partir de agosto de 2002, com a entrada em vigor da sistemática da "Declaração de Compensação", instituída pela Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, passou a existir a obrigatoriedade de se requerer previamente a compensação de créditos de mesma natureza . Isto porque deixaram de existir os "requerimentos", passando apenas a se exigir as "declarações" de compensação. As declarações de compensação instituídas pela IN SRF n° 210/02, não eram de apresentação obrigatória nos casos de compensação de tributos de mesma espécie. Tanto que é assim que, em 24 de abril de 2003, foi editada a IN SRF n° 323/03, que alterou a IN SRF n° 210/02 para incluir o § 6º no artigo 21, com o seguinte teor: “§ 6º A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição." Tanto não existia obrigatoriedade de apresentação de declaração de compensação nos casos de compensação de tributos de mesma espécie que a IN SRF n° 323/03 veio dispor expressamente sobre a questão. E posteriormente, com a entrada em vigor da IN SRF n.° 460/2004, mantevese a exigência da IN SRF n° 323103 de efetuar declaração de compensação em relação às compensações de tributos de mesma espécie (art. 8º inciso 1). Assim, devese aplicar ao presente caso a legislação vigente à época da efetiva ocorrência da compensação da estimativa de CSLL de janeiro de 2003, a qual se deu em 28/02/2003, ,qual seja, a Instrução Normativa SRF n.° 210/02, sem as alterações da Instrução Normativa SRF n.° 323/03, pelo que há de se admitir a compensação contábil entre tributos de mesma espécie. Frágil é a alegação da D. DRJ de que a Recorrente não acostou aos autos provas robustas da mencionada compensação, vez que as demonstrações contábeis já foram acostadas em sede de manifestação de inconformidade e são apresentadas novamente (doc. 03). Ademais, para que não restem dúvidas acerca da existência do crédito referente ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002, a Recorrente anexa, ao presente recurso, a DIPJ/2003, a qual indica a existência do saldo negativo ora questionado pela r. decisão recorrida (doc. 04). Desse modo, ainda que a prerrogativa do Fisco de revisão do saldo negativo esteja decaída, a Recorrente colacionou aos autos provas cabais da existência de seu direito creditório. Ademais, em nome da verdade material, é imperioso que este E. CARF acate a compensação realizada pela Recorrente no valor de R$ 10.317.327,47, o qual deverá ser considerado na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003. IV Impossibilidade de se considerar como não confirmadas as estimativas compensadas com Saldo Negativo de períodos anteriores. Ainda não houve decisão administrativa final acerca da procedência ou não da compensação das estimativas de CSLL de maio e de parte de setembro de 2003. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 8 7 Consequentemente, por ora, os débitos objeto de compensação encontramse extintos, sob condição de sua ulterior homologação, nos termos do §2° do artigo 74 da Lei n.° 9.430196. Só há dois desfechos possíveis para os processos administrativos n.° 13804.0081301200338 e n.° 13804.0084531200321: (i) homologação das compensações; ou (ii) não homologação, ou homologação parcial, das compensações. Se as compensações forem homologadas terseá a confirmação da extinção do débito de estimativa de CSLL do mês de maio e parte do mês de setembro de 2003, não havendo dúvida de que comporá regularmente o saldo negativo da referida contribuição e que ora se discute nos presentes autos. Se as compensações não forem homologadas ou forem homologadas parcialmente, o débito de estimativa de CSLL do mês de maio e parte da do mês de setembro de 2003 serão exigidos da Recorrente naqueles autos e, feito o pagamento, as estimativas serão consideradas quitadas e, portanto, farão parte do saldo negativo de CSLL. Ainda considerando a hipótese de indeferimento ou deferimento parcial, se a recorrente não efetuar o pagamento administrativamente, a RFB efetuará a cobrança daqueles valores compensados mediante inscrição dos débitos em Dívida Ativa, com o consecutivo ajuizamento de Execuções Fiscais e adoção dos demais procedimentos atinentes à expropriação dos bens do devedor (art. 646 do Código de Processo Civil). Ou seja, "ganhando" ou "perdendo" aqueles processos, a Recorrente terá direito ao aproveitamento desses valores de estimativas mensais de CSLL para formar o saldo negativo do anocalendário de 2003. Não há uma terceira saída. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas já se posicionou no sentido de que a estimativa mensal compensada por meio de DCOMP deve integrar o saldo negativo, mesmo nas hipóteses em que a DCOMP restar não homologada, in verbis: "SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. Até 3010912002, apenas as compensações das estimativas, efetuadas sem processo, nos termos da legislação à época vigente, passíveis de validação, podem integrar o saldo negativo. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO EM DCOMP. A partir da edição da Medida Provisória n° 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja nãohomologada." (Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – 2ª. Turma DECISÃO 0525533 em 27/04/2009) Apesar da nítida cobrança em duplicidade pretendida pelas autoridades fiscais nos presentes autos, a decisão recorrida, equivocadamente, alegou que mencionada duplicidade "não procede, pois o que será cobrado neste PAF são os débitos compensados e não os montantes, os quais compuseram o direito creditório”. A pretensão das autoridades fiscais, ao procederem à cobrança dos débitos compensados, traduzse, justamente, na "exigência" das estimativas mensais de maio e setembro, as quais a D. Fiscalização considerou como não extintas por compensação. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 9 8 Em outras palavras, a partir do momento que as autoridades fiscais não homologam as compensações objeto dos presentes autos sob a justificativa de que o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 não é líquido e certo, há a cobrança, de certa forma, dos montantes que "compuseram o direito creditório", ou seja, das estimativas mensais de maio e parte de setembro de 2003 tanto nos presentes autos, como nos autos dos processos administrativos n.° 13804.0081301200338 e n.° 13804.0084531200321. Especificamente sobre a parcela de R$18.689,50, que está sendo quitada no âmbito do parcelamento especial, para que não restem dúvidas acerca da improcedência das alegações da DRJ de que "não há nos autos qualquer prova de que o referido valor foi pago à União", a Recorrente colaciona também aos autos, além do comprovante de adesão ao parcelamento, o extrato atualizado do status das parcelas (doc. 08), por meio do qual se nota que a Recorrente se encontra "em dia" com o pagamento das mencionadas parcelas. Ademais, não há nem que se cogitar a alegação de que deveria a Recorrente aguardar a quitação integral do mencionado parcelamento para, então, poder integrar o valor de R$ 18.689,50 na composição do saldo negativo em tela, pois não se mostra razoável que se aguarde até outubro de 2024 para poder fazer uso da mencionada parcela. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo, dele conheço. Como visto de relatório, as compensações cuja não homologação são objeto do presente litígio vinculamse a direito creditório relativo ao saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2003. O saldo negativo declarado é representado pela diferença entre a contribuição apurada no final do período (R$ 118.253.358,42) e aquela antecipada (R$ 162.578.166,25) por meio de estimativas, as quais foram quitadas mediante DARF (R$ 101.179.594,96) e mediante compensação com saldo negativo de períodos anteriores (R$ 61.398.571,39), perfazendo um crédito total de R$ 44.324.807,88. O litígio gira em torno da não confirmação integral do direito creditório em razão de glosa de estimativas no anocalendário, que foram quitadas mediante compensação com saldo negativo de anos anteriores. A preliminar de nulidade do Despacho Decisório por superficialidade da análise é de ser rejeitada. Exatamente para contestar essa análise abrese ao contribuinte a possibilidade de contestálo mediante manifestação de inconformidade e, eventualmente, recurso voluntário, que poderão resultar em sua reforma, mas não em nulidade. Quanto ao mérito, o processo não está em condições de ser julgado, tendo em vista sua conexão com os processos administrativos nº 13804.008453/200321 e nº 13804.008454/200376, que se encontram pendentes de decisão de recurso voluntário. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 10 9 É que um dos argumentos defendidos pela Recorrente é a impossibilidade de se considerar como não confirmadas as estimativas de maio e setembro compensadas com Saldo Negativo de períodos anteriores. Esse argumento tem relação com as parcelas das estimativas de maio de 2003 (R$ 13.842.180,97 e R$ 4.445.031,07) e de setembro de 2003 (R$ 1.715.118,70 e R$ 18.689,50), que teriam sido quitadas mediante utilização de saldo negativo de períodos anteriores. O valor da estimativa de maio (R$ 17.927.212,04) foi compensado pela Recorrente com saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000, em Declaração de Compensação formalizada no processo n.° 13804.008130/200338. O valor apurado para a estimativa de setembro (R$ 18.123.334,36) foi objeto de compensação nos autos de dois processos administrativos, o de nº 13804.008453/200321 (compensada a parcela de R$ 12.132.729,82, não tendo sido homologada R$ 1.715.118,70) e o de nº 13804.008454/200376 (no qual foi compensada a parcela de R$ 18.689,50). Os dois primeiros processos acima citados estão pendentes de julgamento do recurso voluntário no CARF, e quanto ao terceiro, o débito nele apurado (R$ 18.689,50) foi incluído em processo de parcelamento (fls. 679) e está sendo regularmente pago (fls. 681). Quanto à parcela de R$ 18.689,50, objeto de parcelamento cujos pagamentos estão regulares, entendo não haver como desconsiderála na composição do saldo negativo de 2003, sob pena de resultar em exigência em duplicidade. Tal, contudo, não se aplica às parcelas discutidas nos processos administrativos nº 13804.008453/200321 e nº 13804.008454/200376, que se encontram pendentes de decisão de recurso voluntário. Caso tais declarações tivessem sido apresentadas após a entrada em vigor das normas veiculadas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não caberia a glosa das estimativas quitadas por compensação, independentemente de serem ou não homologadas as compensações, eis que os débitos não extintos seriam cobrados com base nas Dcomp. Essa a orientação da Solução de Consulta Interna nº 18/2006, cuja ementa assenta: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres PGFN/CAT nº 1658/2011 e 193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de, verbis: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Fl. 783DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.901701/201029 Resolução nº 1301000.243 S1C3T1 Fl. 11 10 Assim, caso se tratasse de Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), as estimativas mensais compensadas nas referidas DCOMP deveriam integrar o saldo negativo do anocalendário de 2003 porque, ainda que a compensação não seja homologada, seriam cobradas nas respectivas DCOMP. Contudo, as Dcomp que se encontram subjudice foram apresentadas antes de 31/102003, e se regem pela legislação então em vigor, que não previa que a Declaração de Compensação constitui confissão de dívida. Nessas condições, o presente recurso não se encontra em condições de ser julgado. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, encaminhandose os autos à origem para aguardar a decisão definitiva dos processos nº 13804.008453/200321 e nº 13804.008454/200376, cujas cópias deverão ser anexadas ao presente para posterior devolução a este CARF para julgamento. É como voto. Sala das sessões, 26 de setembro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012134/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmente o recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmente o recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 21 34 /2 00 8- 10 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, JORGE LUIZ DONATO, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/06, acompanhado dos demonstrativos de fls. 07/09 e do termo de verificação fiscal de fls. 11/21, além do demonstrativo de valores de fls. 22/89, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos anos calendário de 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 978.272,11. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 05, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do presente Auto de Infração. Fatos geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 04/05. Consta do citado Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/21 que: o fiscalizado tomou ciência em 09.09.2008, do termo de início de ação fiscal, tendo sido intimado, dentre outros, a apresentar os comprovantes de rendimentos, recebidos a qualquer título, com discriminação mensal; em 13.10.2008, o fiscalizado recebeu a intimação fiscal n.º 02, intimando o a informar qual o percentual de sues rendimentos na conta mantida na instituição Banco Itaú, ag. 0316, contas 47789 e 14015; em resposta, apresentou em 23.10.2008, documento no qual afirmou que nos anos fiscalizados seus rendimentos não transitaram por estas contas; mediante intimação fiscal n.º 03, o fiscalizado foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a proveniência dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas contas bancárias relacionadas, tendolhe sido fornecido planilha intitulada “Demonstrativo de Valores – Extrato Bancário/Extrato da Movimentação Financeira – que, de forma individualizada, discriminam os valores creditados, por data e crédito; em 21.11.2008, o fiscalizado afirmou através de documento levado ao protocolo desta Delegacia, que “...como já informado inúmeras vezes pelo seu irmão João Carlos Donato, as contas fiscalizadas são de titularidade da pessoa jurídica Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. Segundo ainda seu irmão, todos os documentos necessários para prova da titularidade da conta já foram apresentados mais de uma vez a Fl. 584DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 essa fiscalização.” Por último, informou novamente que “o percentual de seus rendimentos nas referidas contas é ZERO”. o contribuinte foi cotitular das contas 47789 e 14015, mantidas na agência 0316 do Banco Itaú. Nessas contas, os outros cotitulares eram o Senhor João Carlos Donato e o Senhor Aldomir Donato. Intimado inicialmente o Senhor João Carlos Donato afirmou que os valores depositados nestas contas correntes estavam relacionados a negócios efetuados por pessoa jurídica na qual figurava como sócio. No entanto, deixou de apresentar a esta fiscalização prova irrefutável de sua alegação, restringindose a apresentar alguns contratos celebrados pela empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda., CNPJ 04.810.614/000190, e alguns comprovantes de pagamento destes contratos; o Senhor João Carlos Donato não logrou êxito em demonstrar a origem (e respectiva tributação) dos depósitos bancários efetuados nas contas bancárias 47789 e 14015, nas quais era titular juntamente com o ora fiscalizado; com relação ao percentual de participação em cada uma das contas, o fiscalizado informou que era zero; por este motivo, foi obedecida a legislação que determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares (art. 58 da Lei n.º 10.637/02, que acrescentou o § 6º ao art. 42 da Lei n.º 9.430/96 e art. 1º, § 2º da IN SRF n.º 246/02); o Senhor João Carlos Donato apresentou cópias de alguns cheques no intuito de demonstrar que os depósitos efetuados nas contas 47789 e 14015, cujos titulares são pessoas físicas, referiamse a pagamentos efetuados pelos compradores de unidades residenciais da empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda.; tomemos como exemplo o contrato celebrado entre a referida empresa e os compradores Francisco Assis Del Bianco e Sandra Maria Castan Del Bianco. O instrumento de compra e venda reza que o preço é de R$ 63.000,00. O fiscalizado anexou dois cheques, um de R$ 3.000,00 do próprio comprador (Francisco Assis Del Bianco) e outro de R$ 60.000,00 de um senhor que sequer figura no contrato (Warleynilson Silva da Costa). Ou seja, justamente o cheque de maior valor não pertence ao comprador e é desta forma que pretende o fiscalizado elidir a presunção que milita contra si; nos poucos exemplos trazidos pelo Senhor João Carlos Donato, ou os contratantes não são os mesmos que emitem os cheques ou os valores não coincidem com os estampados nos respectivos contratos; intimado, o fiscalizado não apresentou a composição da receita mensal da pessoa jurídica, que segundo ele, teria ofertado os rendimentos à tributação. O livro Diário da pessoa jurídica traz a rubrica “Receitas da venda de unidades imobiliárias” resumida por mês. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 4 5 Admitese a escritura resumida no livro Diário, desde que utilizados livros auxiliares para registros individualizados que permitam sua perfeita verificação; Ou seja, não é possível verificar se o cheque “a” ou “b” compôs a receita de determinado mês da empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. Tal verificação somente seria viabilizada com o cotejo de todos os cheques e demais ingressos que compuseram a receita mensal; ademais, conforme pode ser verificado no quadro a fl.17, existe uma enorme discrepância entre o valor movimentado nas contas n.º 47.789 e 14.015, ambas do Itaú e o valor informado no Livro Diário da empresa, o que serve para afastar de vez a alegação do fiscalizado quanto à utilização destas contas correntes para movimentar recursos exclusivos de pessoa jurídica; um outro dado que chama a atenção é a existência de cinco sócios na empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda., sendo que dois deles, justamente os sócios gerentes (os senhores Dejanir José Thomé e Pedro Motta), não figuravam como cotitulares das contas 47.789 e 14.015, o que vem contrariar os argumentos trazidos pelo fiscalizado de que se tratam de recursos movimentados pela empresa em questão; por outro lado, verificase no quadro a fl. 18, a discrepância entre o total de rendimentos declarados pelo fiscalizados e o total movimentado nas contas bancárias sob exame: diante das constatações acima, fica o fiscalizado sujeito a lançamento de ofício. Cientificado do lançamento em 08/12/2008 (fl. 366), o contribuinte apresentou, em 07/01/2009, a impugnação de fls. 376 a 406, por intermédio de procurador (procuração a fl. 407), acompanhada dos documentos de fls. 409/482, alegando: preliminarmente, nulidade por estar o sigilo bancário sob reserva do Judiciário. O acesso às contas bancárias estava sob a denominada reserva de jurisdição, o que significa dizer que o alcance dessas informações só podia ser autorizado pelo Poder Judiciário. Transcreve doutrina sob o tema; nulidade: ausência de motivação para uso dos extratos. Cita o art. 2º do Decreto n.º 3.724/2001, para dizer que o acesso aos extratos bancários depende de motivação, ou seja, o Fisco precisaria demonstrar a existência de outros indícios que pudessem acenar para a prática de sonegação, dentre as 11 hipóteses que configuram as denominadas “informações indispensáveis”, única condição para autorizar o acesso aos extratos bancários. O autuante utilizou as informações bancárias sem demonstrar porque as considerava “indispensáveis”; erro na determinação do momento do fato gerador o § 1º, do art. 42, da Lei n.º 9.430/96 é claro ao determinar que os valores tidos como receita ou rendimentos auferidos pelo contribuinte deverão ser apurados mensalmente. Se a lei manda considerar os depósitos não comprovados como rendimentos auferidos “no mês do crédito efetuado pela instituição financeira”, é imperativo reconhecer que, considerados os respectivos meses, Fl. 586DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 decaiu o direito do Fisco de constituir crédito tributário sobre depósitos bancários efetuados há mais de cinco anos; nulidade – conta corrente conjunta – o origem e titularidade dos depósitos foi lastreada em documento de terceiros, sem a participação do impugnante. Ora, o fiscalizado é acusado de ser titular de depósitos de origem não comprovada, de omitir rendimentos porque um terceiro não logrou êxito em provar o contrário? Talvez o d. Agente Fiscal tenha se confundido com a linguagem por insistir na informação sobre percentual dos rendimentos, ora como exposto antes, todo os rendimentos declarados foram depositados na conta ora questionada; Se a lei manda imputar, proporcionalmente, a cada titular das contas de depósito ou de investimento os valores dos depósitos não comprovados, inferese que todos os cotitulares devem ser intimados a se manifestar sobre a origem dos recursos que transitaram nas contas mantidas em conjunto, procedimento esse que não foi observado pela autoridade autuante; Erro na eleição do sujeito passivo – depósitos bancários relativos à pessoa jurídica previamente informada à fiscalização – a presunção legal esculpida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não alcança a titularidade dos valores movimentados, apenas considera depósitos cuja origem não seja justificada como renda, sem, contudo, autorizar a presunção de sua titularidade; No caso ora em julgamento, desde a primeira resposta acerca da origem dos valores depositados nas contas n.º 140159 e 477890, foi informado à fiscalização tratarse de valores referentes a operações comerciais (vendas de lotes) da pessoa jurídica Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. De fato, a citada empresa não possuía conta corrente em seu nome e por isso praticava todas as suas operações através das contas n.º 140159 e 477890; Para fins de aplicação da presunção de renda contida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, quando a movimentação dos valores em conta bancária é de terceira pessoa, a esta (no caso, a Jardim América) deve ser atribuída a titularidade dos valores ali depositados. Cita julgado do Conselho de Contribuintes; Uma vez demonstrado o verdadeiro titular dos depósitos bancários pelo contribuinte sob fiscalização, é ônus do Fisco desconstituir esse fato. É preciso registrar que foram entregues à fiscalização elementos, que por si só, sustentam a titularidade dos valores pela pessoa jurídica, quais sejam: a) pagamentos das taxas condominiais dos lotes a serem vendidos pela empresa – conforme documentos juntados as fls. 311/322, lista contendo os valores devidos (por quadra e lote) e recibo de depósito em benefício da Associação dos Proprietários do Residencial Jardim América. Ora, tais valores têm a natureza de taxa condominial. É evidente que somente a pessoa jurídica Jardim América é que é responsável por esses pagamentos dos lotes que ainda não haviam sido vendidos; b) contratos de venda e compra de lotes com pagamento nas contas correntes n.º 140159 e 477890 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 5 7 – além do exemplo de contrato de venda e compra de lotes trazidos pela fiscalização, foram entregues outros contratos e depósitos em que há perfeita coincidência entre datas e valores. Vejamse os demais documentos juntados: b1) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Cláudio Leite Pinto e Marina Alda Leite, no valor de R$ 59.000,00, pagos da seguinte forma: (i) R$ 11.800,00 pagos com um único cheque depositado em 15/01/2003 – fl. 130 dos autos; (ii) R$ 11.800,00 pagos em um único cheque nominal a empresa Jardim América;(iii) R$ 11.800,00 pagos com dois cheques no valor de R$ 5.900,00 em 13/05/2003. É possível identificar um dos depósitos nas fls. 132 dos autos (o outro cheque deve ter sido depositado em conjunto com outros valores); b2) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Heraul Stella, no valor de R$ 61.859,19 pagos em parcelas de R$ 10.309,86. É possível identificar nos extratos constantes dos autos três depósitos coincidentes em datas e valores, nos dias 13/05/2003 (fl. 132), 30/05/2003 (fl. 132) e 10/07/2003 (fl. 134); b3) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Sérgio Gandini, no valor de R$ 69.000,00, pagos de forma parcelada. O valor acordado foi depositado na conta 47.7890 em quatro parcelas da seguinte forma: (i) R$ 5.000,00 (dois cheques de R$ 2.500,00) depositados conforme recibo; (ii) R$ 18.000,00 (cheques prédatados para dezembro de 2005) conforme recibo; (iii) R$ 23.000,00 (cheques de terceiros) pagos em 03 de janeiro de 2006 conforme recibo; c) movimentação de títulos e cobranças – cumpre registrar que a grande soma de títulos movimentados (na conta 47.7890 ultrapassa a cifra de 900 lançamentos enquanto a conta n.º 140159 atinge mais de 90), é indício para atestar a titularidade dos depósitos para a qual não existe presunção (presunção é só para omissão de receitas). MÉRITO – os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos – a presunção legal de omissão de rendimentos encontra sérios obstáculos técnicos para a sua instituição e concreção. É evidente que a presunção não surge do olimpo: ela deve resultar sempre da experiência, da observação dos fatos na ordem natural das coisas. Cita doutrina a inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/96, única norma que sustenta o lançamento tributário, uma vez que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. A Súmula 182, do extinto TRF, demonstra quanto é precipitada a tentativa de ser elevar os simples depósitos ao plano da presunção de rendimentos omitidos; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 É inquestionável que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial da mesma; Desconsideração das sobras de recursos do mês anterior – apurado pelo Fisco como tributável um valor no mês de janeiro, esse valor deveria ser excluído da tributação no mês de fevereiro, e assim sucessivamente, uma vez que a origem dos recursos movimentados no mês subseqüente estaria comprovada pelos valores apurados e tributados pelo Fisco no mês anterior, a exemplo da metodologia utilizada pelo Fisco na apuração de suposto acréscimo patrimonial; Da comprovação da origem dos depósitos – tomando como base a planilha fornecida pelo próprio fiscal, anexa ao auto de infração, sob a rubrica Demonstrativos de Valores, vejase os seguintes itens que jamais deveriam ter sido considerados como valores de origem não comprovada: 1) resgate de aplicações financeiras dentre os valores considerados via presunção como rendimentos omitidos na conta n.º 47.7890 estão diversos lançamentos a crédito sob a rubrica Resgate de Aplicações Financeiras. Ora, tais lançamentos são meras transferências patrimoniais que não representam ingresso, quanto mais renda. As fls. 396/399, estão listados os valores e as datas relativas ao resgate de aplicações financeiras; 2) redução do saldo devedor – dentre os lançamentos a crédito na conta 47.7890 tomados como renda constam valores que, de fato, não ingressaram no patrimônio do impugnante. A redução do saldo devedor nada mais é do que o registro no extrato da concessão de um empréstimo (costumeiramente chamado de limite especial) que não é renda. A fl. 402, consta o demonstrativo das reduções de saldo devedor; 3) estornos bancários – os estornos efetuados pelo banco não foram excluídos. A fl. 403, encontrase a lista dos estornos de lançamentos; 4) cheques devolvidos – foram considerados depósitos de origem não comprovada e tributados como rendimentos omitidos, valores que se referem à devolução de cheques. As fls. 404/405 constam as listas de cheques devolvidos/depósitos estornados. Não se pode tributar valores que não ingressaram de falto na contacorrente do impugnante; dispensa de comprovação de pequenos depósitos – inexistência de valores a serem tributados – excluídos os valores apontados como indevidos e somados os depósitos de valor individual inferior aos R$ 12.000,00 em cada conta bancária, constatase que a soma global (de cada ano) não ultrapassa os R$ 80.000,00. Dessa forma, é patente a necessidade de exclusão de tais valores; Por fim, questiona a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e requer o reconhecimento da nulidade do lançamento de ofício. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003, 2004 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 6 9 PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA USO DOS EXTRATOS. Não é exigida a demonstração da indispensabilidade dos extratos bancários, quando estes são solicitados pela fiscalização diretamente ao contribuinte. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. A partir do ano calendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei nº 8.134/90, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo titular de fato das contas bancárias em que se baseou a autuação, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA DO MÊS ANTERIOR. A sistemática de apuração de omissão de rendimentos por meio de depósitos bancários prevê a análise individualizada dos mesmos, não podendo a receita tributada em um mês ser considerada como disponibilidade financeira do mês seguinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE DE TRIBUTAÇÃO. Devem ser mantidos na autuação, os créditos bancários de valor inferior a R$ 12.000,00, uma vez que a soma desses depósitos, nos anos calendário de 2003 e 2004, superou o montante de R$ Fl. 590DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 80.000,00, considerando se, para efeito de cálculo desse limite anual, os créditos efetuados em todas as contas de depósito ou de investimento, cuja titularidade seja do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após análise da autoridade de primeira instância parte do lançamento foi afastada: Em relação ao resgate de aplicações financeiras constantes da conta n.º 47.7890 constatouse serem procedentes as alegações do contribuinte, foram excluídos da tributação os valores referentes a 1/3 dos resgates de aplicações financeiras constantes dos demonstrativos de fls. 396/399, os quais totalizam R$ 61.225,84 no ano calendário 2003 (1/3 de R$ 183.677,52) e R$ 11.563,32 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 34.689,97). Foram excluídos da tributação os valores referentes a redução do saldo devedor, discriminados a fl. 402, que totalizam R$ 6.702,17 no ano calendário 2004, na proporção de 1/3, ou seja, foi excluída a importância de R$ 2.234,06. Os valores listados a fl. 403 referentes à conta 47.7890 foram excluídos da tributação, por serem depósitos/créditos estornados na mesma data em que se deu o depósito. Além desses, há mais um depósito a ser excluído, referente a crédito posteriormente estornado. É o depósito efetuado em 27/02/2004, no valor de R$ 16.149,35. Assim, foi excluída da tributação no ano calendário 2004 a importância de R$ 33.270,38, correspondente a 1/3 do somatório dos valores estornados na conta n.º 47.7890 (R$ 99.811,15). Em relação aos cheques devolvidos, temos que em relação à conta n.º 47.7890, dos depósitos cujos cheques foram devolvidos, dois valores não foram incluídos no Demonstrativo de Valores, quer sejam, o depósito no valor de R$ 67,57 efetuado em 16/09/2003 e o depósito no valor de R$ 1.000,00 efetuado em 23/01/2003. Todos os demais valores listados pelo contribuinte as fls. 404 e 405 foram excluídos da tributação, totalizando R$ 1.280,21 no ano calendário 2003 (1/3 de R$ 3.840,63) e R$ 7.617,02 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 22.851,06). Fl. 591DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 7 11 Já em relação à conta n.º 14.0159, os valores a serem a serem excluídos são os referentes aos depósitos efetuados em 30/05/2003, no valor de R$ 45,33 (fl. 282), 30/06/2003, no valor de R$ 4,94 (fl. 287) e em 31/03/2004, no valor de R$ 45,71 (fl. 326). Cabe esclarecer que o valor de R$ 3.200,00 de 15/04/2003 não foi incluído pela fiscalização entre os depósitos tributados. Assim, deve ser excluída da tributação a importância de R$ 16,76 (1/3 de R$ 50,27) no ano calendário 2003 e R$ 15,24 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 45,71) e não os valores de R$ 2.096,20, R$ 30.431,70, R$ 4.798,20 e R$ 3.200,00 informados no quadro de fl. 405. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Preliminarmente nulidade pela quebra do sigilo bancário; Preliminarmente ausência de motivação para uso dos extrato; Pelo erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador; Da nulidade da conta corrente conjunta; Do erro na eleição do sujeito passivo; De que os depósito bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos. Da selic que não pode incidir sobre a multa de ofício. Esta turma julgadora , em 19/02/2014, resolveu converter o processo em diligência nos seguintes termos: No caso concreto percebese de acordo com o TVF ás fls. 14, que os Srs. João Carlos Donato e Aldomir Donato são cotitulares da conta objeto da autuação. Não há provas nos autos de que a Srs. João Carlos Donato e Aldomir Donato foram intimado a prestar os esclarecimentos sobre a referida movimentação bancária. Presume se que sim, uma vez que segundo consta no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, os depósitos bancários teriam sido divididos entre a recorrente e seus cotitulares. A recorrente em seu recurso pede nulidade do auto de infração em função de irregular intimação de cotitulares. Cabe registrar os efeitos da Súmula CARF No. 29. Diante dos fatos, tendo em vista o cenário descrito nos autos, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo a prova de que a Srs. João Carlos Donato e Aldomir Donato foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação, dando se vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 8 13 (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar da ausência de motivação para uso dos extrato No que toca a ausência de motivação cabe reproduzir os argumentos utilizados pela autoridade recorrida: Ocorre que o Decreto n.º 3.724/2001 trata de acesso às informações bancárias solicitadas diretamente pelo Fisco às instituições financeiras mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, quando as informações obtidas destas análises forem utilizadas em face de um terceiro. Seria o caso, por exemplo, da análise de um documento contábil de uma instituição bancária cujos dados serviriam de base para o lançamento de um tributo cujo sujeito passivo seria um cliente da instituição e não esta. No caso em tela, não houve qualquer procedimento fiscal executado pela Auditoria Fiscal junto a qualquer instituição financeira. Os extratos bancários que serviram de base para o lançamento foram solicitados pela Fiscalização diretamente ao irmão do contribuinte e por este foram apresentados, tornando se inaplicáveis a este caso concreto, portanto, as normas contidas nos artigos 2º e 3º do Decreto nº 3.724/2001. Uma vez que os extratos foram trazidos aos autos pelo irmão do contribuinte, não houve necessidade de se formular uma RMF. Rejeitase a preliminar. Do Erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador Mais uma vez se reproduz o argumento da autoridade recorrida por não se encontrar na mesma razão para questionamento: Aduz o autuado que a autoridade lançadora não observou o disposto no §4º do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 ao realizar a tributação dos depósitos bancários sem origem comprovada no final de cada ano calendário (31/12) e não mês a mês, quando ocorre o crédito pela instituição financeira, consoante previsto. Ocorre que os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). Em relação ao alegado erro na determinação da base de cálculo, salientese que a posição pacífica desse Conselho encontrase sumulada, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de de Fl. 595DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 9 15 pósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (SÚMULA CARF Nº 38). Deste modo, é de se rejeitar esse argumento de nulidade. Da nulidade da conta corrente conjunta Ao contrário do que afirma o peticionário, todos os cotitulares foram intimados a se manifestar sobre a origem dos recursos que transitaram nas contas bancárias mantidas em conjunto, conforme ficou demonstrado pela diligência fiscal proposta, não havendo dúvidas que os três irmão foram intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a proveniência dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas contas bancárias mantidas. Deste modo em face do resultado fiscal de fls. 579, todos os contribuinte e seus irmãos foram devidamente intimados, deste modo legitimo o lançamento. Rejeitase a preliminar de nulidade pela falta de intimação prévia dos co titulares. Do erro na eleição do sujeito passivo; Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) Em face das ausências de provas contundentes, não há como acolher os indícios que o fiscalizado suscita. Rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Na espécie, a fiscalização, verificou em exame dos documentos e esclarecimentos trazidos que o fiscalizado não logrou êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que a origem dos depósitos creditados na sua conta corrente não eram provenientes de operações levadas a cabo por empresa da qual ele era sócio. Relativamente à tese defendida quanto à tributação dos depósitos bancário, é de se observar a Súmula CARF n° 26, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não merece melhor sorte o argumento do recorrente que afirma as sobras de um mês devem ser considerados como origens para os depósitos do mês seguinte, pois não existe previsão legal nesse sentido. Ao contrário, quando a lei exige que os depósitos sejam comprovados mediante documentação hábil e idônea, está determinando que se justifique a origem de cada crédito, não admitindo explicações genéricas ou presumidas. O aproveitamento de sobras de recursos de um mês para outro diz respeito ao método de apuração de receitas com base em acréscimo patrimonial a descoberto, onde se confronta, mensalmente, o total de recursos e origens disponíveis com os dispêndios e aplicações efetuadas, procedimento não adotado no lançamento sob análise. Ademais, em sentido contrário ao pretendido, foi publicada a Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não Fl. 597DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 10 17 comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A respeito da dispensa de comprovação de pequenos depósitos, o comando existente no parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, obse rvado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta ml reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Dos citados dispositivos inferese que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente as créditos de valor individual inferiores a R$12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$80.000,00, no anocalendário, sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). È de se observar que os limites acima devem ser aplicados em benefício de cada cotitular das contas bancárias, considerando que a regra do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96, que determina o rateio dos depósitos bancários em contas com cotitulares quando estes não comprovam a origem dos depósitos, busca tratar os cotitulares individualmente, considerando os como um centro de imputação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando tais cotitulares tenham rendimentos independentes, com apresentação de declarações de ajuste em separado, como ocorreu no caso vertente. Ora, considerando que cada cotitular tem rendimentos diversos e ofertam nos à tributação em suas individuais declarações de ajuste, plausível o entendimento de que os limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 devem ser aplicados a cada cotitular, já que os limites devem ser encarados como uma benesse da Lei que excluiu do espectro da presunção legal os valores abaixo de R$ 12.000,00, desde que o somatório de tais valores não exceda o limite de R$ 80.000,00, dentro do ano calendário. Assim, mesmo considerando o limite anual de R$ 80.000,00 para cada um dos titulares, constatase que, neste caso, os depósitos bancários inferiores a R$ 12.000,00 excedem R$ 80.000,00 nos anoscalendários de 2003 e 2004, pois, após a decisão da DRF, o somatórios desses depósitos correspondem aos montantes superiores a R$ 300.000,00 nos anoscalendários de 2003 e 2004, respectivamente. Das Razões de Mérito Pessoalmente, revi as provas e as alegações e a mesmas firmaram a convicção, não podendo me afastar das conclusões da DRJ. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício Acompanho o entendimento da legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Uma análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 599DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.012134/200810 Acórdão n.º 2202002.994 S2C2T2 Fl. 11 19 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13971.722492/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/02/2006 a 04/10/2006
DIREITO DE IMPOR PENALIDADE. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO.
O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extingue-se em cinco anos a contar da data da infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/02/2006 a 04/10/2006 DIREITO DE IMPOR PENALIDADE. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extingue-se em cinco anos a contar da data da infração. Recurso Voluntário Provido.
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INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 92 /2 01 1- 13 Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 59.771,35, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através das Declarações de Importação nº 06/01932689, de 16/fev/06, 06/03409754, de 24/mar/06, 06/07160750, de 20/jun/06 e 06/1194603 8, de 04/out/06, registradas em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa FIOS BLUMENAU LTDA., praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: • FIOS BLUMENAU LTDA. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 25/11/2011 (fls. 428 do processo digital), o contribuinte FIOS BLUMENAU protocolou impugnação, tempestivamente em 22/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.584, de 29/09/2011, e fls. 432 à 456, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. · DA ILICITUDE DAS PROVAS CONSTANTES DO AUTO DE INFRAÇÃO. Como o próprio auto de infração revela, as provas foram “emprestadas” dos autos do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793), que tramita na Justiça Federal de Florianópolis. A FIOS BLUMENAU LTDA não faz parte daquele processo, nunca teve acesso aos autos. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 4 3 Reiterese aqui o dito pela empresa D&A com relação à prova emprestada, busca e apreensão e outras atitudes do agente fiscal, o que fica a fazer parte da presente impugnação, deixandose contudo de colacionarse, por questão de economia processual. · DA AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO E DO AUTO DE INFRAÇÃO. A Portaria da SRF RFB 11371/2007 que estabelece normas para a execução de procedimentos ficais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, dispõe que todo e qualquer procedimento fiscal deverá ser instaurados por ordem específica da autoridade competente (in casu do Delegado da Receita Federal), denominada esta ordem de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Depreendese isto do artigo 2º da supra citada portaria, ou seja que os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Temos assim portanto, da análise dos dispositivos acima citados que a fiscalização é um procedimento fiscal que somente poderá ser iniciado após ordem da autoridade competente, denominada esta ordem de Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização. E a autuação, somente após a competente fiscalização, o que não ocorreu com relação à empresa FIOS BLUMENAU LTDA, devendo assim, o auto de infração contra si lavrado ser anulado. · DA AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO – NULIDADE Repitase aqui que a D&A e a empresa FIOS BLUMENAU LTDA são pessoas jurídicas totalmente diversas, com quadros societários distintos e sem qualquer ligação entre ambas, a não ser meras negociações comerciais. O art. 142 do CTN determina que o lançamento tributário deve ser individualizado, dirigido a um determinado sujeito passivo, visando a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, a determinação da matéria a tributável, o montante do tributo devido e, se for o caso, a aplicação de penalidade sobre o sujeito passivo. Assim, é vedada a constituição de crédito tributário contra duas pessoas jurídicas distintas (dois sujeitos passivos), em um único auto de infração. Tratase de nulidade absoluta, decorrente de vício insanável, que torna o crédito ilíquido e incerto, face a ofensa ao art. 5º, XLV da CF, e ao art. 9º, § 1º do Dec. 70.235/72. Assim, como as empresas D&A e FIOS BLUMENAU LTDA são empresas distintas, sujeitos de direito distintos, a aplicação da penalidade deveria ser formalizada em auto de infração distinto e constante de Processo Administrativo distinto, como determina o art. 9º, § 1º do Dec. 70.235/72, sendo que tal decreto impede e veda que sejam reunidos em um único processo, autos de infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 5 4 Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: Ac. N° 20209.266, DOU de 12.12.97, p. 29.565. Assim, a anulação do presente auto de infração é medida de justiça e de lei, a fim de que se determine a devida separação e individualização das condutas das empresas autuadas, bem como sejam lavrados autos de infração distintos para cada contribuinte, sob pena, inclusive, de cerceamento de defesa. · ILEGITIMIDADE DE FIOS BLUMENAU LTDA. A operação havida entre as empresas D&A e FIOS BLUMENAU LTDA, foi absolutamente normal. A D&A, empresa comercial importadora, realizava operações de importação por conta e ordem de terceiros, bem como de importações para revenda, e para encomendante prédeterminado, o que não é defeso em lei. De outro lado não há que se falar em solidariedade, eis que estarseia ferindo o princípio do bis in idem. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentese aqui que a FIOS BLUMENAU LTDA é contratante de boafé, não tendo praticado nenhum ato relativo à importação, tendo apenas efetuado a compra do equipamento. Lembrese aqui que a empresa FIOS BLUMENAU LTDA não tinha conhecimento de nenhum ato fiscalizatório em progresso. Na verdade tinha certeza de que não estava sendo fiscalizada, principalmente porque jamais tinha tomado conhecimento de qualquer termo de abertura de fiscalização contra si. Daí, ser surpreendida, ser surpreendida com uma intimação de decisão de autuação por infração fiscal, de um processo de importação que remonta há anos, é uma total afronta aos princípios basilares do procedimento administrativo fiscal. Digase ainda que inexiste qualquer prova da impossibilidade da apreensão do equipamento ou de seu consumo, sendo impossível a conversão da pena em multa. Aliás, a própria alegação de que a empresa FIOS BLUMENAU LTDA não atendeu a intimação é desprovida de qualquer veracidade. E foi exclusivamente com base neste suposto silêncio da empresa FIOS BLUMENAU LTDA que a autoridade fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa. Inadmissível que uma mera intimação seja suficiente para se comprovar a impossibilidade de localização da mercadoria ou consumo. Não há que se falar em solidariedade. · DA INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. Digase ainda, e os autos estão a demonstrar que a empresa FIOS BLUMENAU LTDA, apenas adquiriu junto à empresa D&A o equipamento que por esta fora importado, como oi pagamento de todas as obrigações tributárias, numa operação legal e permitida. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 6 5 Jamais houve conluio, ou seja, jamais ocorreu o ajuste doloso entre as empresas para suprimir ou diminuir imposto. Aliás, em momento algum o conluio restou provado. · DA INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DA CADEIA DO IPI As mercadorias objeto das DIs que fundamentam o auto d infração, estão classificadas na NCM 6310.10.00 (DI 06/01932689) na qual o IPI sequer incide (não tributável), ou na NCM 5503.20.00 (DIs 06/03409750 e 06/07160750), na qual a alíquota de IPI sempre foi 0% conforme dispõe o ComexData. Assim rui a afirmativa de quebra fraudulenta do IPI na medida em que nunca incidiu IPI sobre as mercadorias em questão. As notas fiscais de saída das mercadorias, acostadas ao auto de infração, pela própria autoridade fiscal, por si só, comprovam que sequer há o destaque do IPI na operação, justamente porque não incide tal imposto para tais mercadorias. Portanto, não há qualquer conduta dolosa, tendente a praticar fraude ou sonegação de IPI, eis que o tributo não incide na operação. · EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS –DECADÊNCIA As infrações apontadas pelo Fisco remontam, respectivamente, às seguintes datas: ♦ 06/01932689, de 16/fev/06; ♦ 06/03409754, de 24/mar/06; ♦ 06/07160750, de 20/jun/06; e ♦ 06/11946038, de 04/out/06. O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no DecretoLei n° 37/66. O direito de a Administração punir se extinguiu. Transcreve os seguintes artigos: artigo 54 do DecretoLei nº 37/66, artigo 638 do Decreto n° 4.543/2002 Regulamento Aduaneiro, artigo 752 do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (3º Conselho de Contribuintes / 2ª. Câmara / ACÓRDÃO 30238.904 em 11.09.2007) Diante disso, a pretensão da Autoridade Fiscal deve ser julgada integralmente procedente e, consequentemente, o integral cancelamento do presente Auto de Infração é medida que se impõe. · DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 7 6 Junta textos da doutrina a respeito do assunto: Leandro Paulsen e Hugo de Brito Machado. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta “quebra da cadeia do IPI”, já restou amplamente demonstrado que não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis de IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. No entanto, antes da entrada em vigor desta Instrução Normativa, não havia qualquer previsão legal exigindo a prévia vinculação do importador ao encomendante, nem na DI, nem nos demais documentos que instruem o despacho aduaneiro. O que ocorria era justamente uma importação direta. A empresa Importadora (D&A) bem como a encomendante (FIOS BLUMENAU LTDA), cuidaram de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar “às claras” o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em “simulação”, como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Só pode haver simulação do negócio jurídico quando sua manifestação não se coaduna com a verdadeira vontade das partes, com a real intenção de se produzir determinado efeito. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). Ressaltese que tais hipóteses não são cumulativas, pois o art. 2º do referido ADN, deixou claro que, a ocorrência de apenas uma delas é o bastante. De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, consequentemente, qualquer hipótese de “interposição fraudulenta”. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. Diante do exposto, tendo em vista que não houve nenhuma ocultação de informações nos documentos aduaneiros até porque inexistia regulamentação específica para tal a improcedência do lançamento tributário em questão é medida de Justiça que se impõe. REQUER: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 8 7 Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração; Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal; Determinar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF; Decretar a nulidade do Auto de Infração, por conta da ausência de individualização do lançamento tributário, em virtude da existência de diversos sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração; Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de FIOS BLUMENAU LTDA, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal; Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro; No mérito, o Impugnante ainda requer: Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação e/ou conluio que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta; Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão, mormente diante por ser produto não tributável e/ou de alíquota 0%; Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento do Auto de Infração; Seja declarada a inocorrência conluio para a ocultação dolosa do real encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão; Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades da Impugnante, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 25/11/2011 (fls. 428 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 21/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 470 à 532. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 9 8 Alegouse que: · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 10 9 fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 11 10 Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 12 11 processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 13 12 Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 14 13 No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa FIOS BLUMENAU seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei n° 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Como se vê, para a concretização da pena de perdimento é imprescindível se obter a exata e completa identificação do proprietário da mercadoria, pois é unicamente este o sujeito que poderá ser apenado ou alcançado pela sanção do perdimento. No presente caso, apesar de identificar quem supostamente seria o real proprietário oculto, o Fisco autuou as empresas D&A e FIOS BLUMENAU conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção. Assim, se o Auditor Fiscal entende que a FIOS BLUMENAU se ocultou, então deveria, vem Processo Administrativo e Auto de Infração próprio, individualizar sua conduta, e punila unicamente. Não existe, porque impossível, a "pena de perdimento solidária". A responsabilização solidária, quando prevista em lei, só pode ocorrer para fins de pagamento de tributo, que não se confunde com pena de perdimento e, evidentemente, também não pode ser confundida com a responsabilização penal do agente infrator, esta prevista no art. 95 do Dec.Lei 37/66. O Decreto 70.235/72 veda e impede que sejam reunidos em um só processo. Autos de Infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. In casu, porém, não se trata de reunião em um só processo de dois autos de infração contra dois contribuintes diversos, o que já seria ilegal. No presente caso a ilegalidade é ainda mais flagrante, pois se trata de constituir em um único auto de infração, ou seja, um único crédito tributário constante em um único processo administrativo contra dois contribuintes distintos. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 15 14 Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 16 15 Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 17 16 qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 18 17 Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 19 18 Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 20 19 Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI As mercadorias objeto das DI's que embasam este Auto de Infração estão classificadas ou na NCM 6310.10.00 (DIs 06/01932689 e 06/11946038), na qual o IPI sequer incide (nãotributável), ou na NCM 5503.20.00 (DIs 06/03409750 e 06/07160750), no qual a alíquota sempre foi 0%, conforme consulta feita ao ComexData. Ou seja, não há qualquer conduta dolosa, tendente a praticar fraude ou sonegação de IPI, eis que este tributo sequer incide na operação. Destarte, diante da ausência de qualquer intuito doloso; da ausência de sonegação ou de fraude; da ausência de "quebra da cadeia do IPI"; o Auto de Infração em questão deve ser julgado integralmente improcedente, pois, repitase, não há qualquer fraude na operação em questão, e todos os tributos nela incidentes foram devidamente recolhidos. · EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS –DECADÊNCIA IN CASU, as infrações apontadas pelo Fisco remontam, respectivamente, às seguitnes datas: Data do Registro (infração) Declaração de Importação 16/fev/2006 06/01932689 24/mar/2006 06/03409754 Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 21 20 20/jun/2006 06/07160750 04/out/2006 06/11946038 O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no DecretoLei n° 37/66. O direito de a Administração punir se extinguiu, não podendo gerar conseqüências sancionatórias sobre a Impugnante, o que torna o Auto de Infração NULO DESPE O NASCIMENTO. Ora, em razão do transcurso in a/bis do período de 5 anos, a contar da data da suposta Infração leiase: registro da DI), extinguiuse o direito de o Fisco aplicar a pena de perdimento e, por consequência, de cobrar multa de conversão. A REVISÃO ADUANEIRA, ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação (art. 638 do RA), extrapolou o prazo legal para sua conclusão. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 22 21 propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 23 22 Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 24 23 · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por conta da ausência de individualização do lançamento tributário, em virtude da existência de diversos sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração (tópico 2.5); · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.7); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.8); · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.8); No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou subfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.9); · Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão, mormente diante de ser produto não tributável e/ou de alíquota 0% (tópico 2.10); · Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento do Auto de Infração (tópico 2.11); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real adquirente/encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão; · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A.; · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 25 24 A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.677, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/02/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. As empresas autuadas D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA e FIOS BLUMENAU LTDA, e os responsáveis pessoais CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, tomaram ciência desse decisão entre os dias 18/10/2013 e 21/10/2013, conforme AR de fls. 909/912. No dia 14/11/20113 a empresa FIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA (nova denominação de FIOS BLUMENAU LTDA) protocolizou recurso voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação e alega a incompetência da DRJ em São Paulo SP para julgar a lide, entendendo que a competência é da DRJ em Santa Catarina. Em consequência, entende que deve ser cassada a decisão recorrida. No dia 18/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 26 25 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais e regimentais. Deles se conhece. Como relatado, contra as empresas D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e FIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA (nova denominação de FIOS BLUMENAU LTDA) foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Em sede de preliminar, a empresa FIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA (nova denominação de FIOS BLUMENAU LTDA) alega que ocorreu a extinção do direito de a Fazenda Nacional realizar a revisão aduaneira, por decurso de prazo, e de, conseqüentemente, efetuar o lançamento da multa objeto deste processo. As mercadorias objeto do perdimento, convertido em multa, foram desembaraçadas por meio das DIs nsº 06/01932689, de 16/02/2006, 06/03409754, de 24/03/2006, 06/07160750, de 20/06/2006 e 06/11946038, de 04/10/2006. A ciência do Auto de Infração pelas recorrentes ocorreu nos dias 25/11/2011 (D&A, Caio e Érica) e 28/11/2011 (FIOS BLUMENAU), portanto, já havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data do registro de todas as DI acima citadas, objeto da autuação. Sobre esse tema, comungo com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento no Recurso de Ofício contido nos autos do Processo nº 12466.002712/201055, cujo Acórdão nº 3202001.391, da lavra do conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, tem a seguinte ementa: PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado. No voto condutor do referido Acórdão nº 3202001.391, o Ilustre Conselheiro Relator transcreve o seguinte enxerto do voto da decisão da DRJ, objeto do recurso de ofício: Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 27 26 Todavia o artigo 139 do Decretolei n° 37/1966, assim dispõe, in verbis: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Tal dispositivo foi reprisado no Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/2002, nos seguintes termos, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 139). Desses dispositivos, observase que as penalidades têm prazo de contagem próprio para sua constituição, qual seja, cinco anos contados a partir da data da infração. No presente caso, considerandose que as infrações imputadas à interessada possuem como data de seu cometimento a data do registro das Declarações de Importação e que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, ocorreu em 18/10/2010, o lançamento referente a Declarações de Importação registradas antes de 18/10/2005 deve ser declarado nulo. O auto de infração em tela se refere as Declarações de Importação registradas entre 07/03/2005 e 20/06/2005, portanto nulo. Sobre essa matéria, não posso concordar com a fundamentação da decisão recorrida que, após um longo arrazoado, concluiu o seguinte: Assim, o marco inicial para transcorrer o prazo a que se refere o artigo 139 do DecretoLei nº 37/66 é quando se apreende a mercadoria (retirada do mercado interno) ou o órgão responsável pelo controle aduaneiro tem a ciência inequívoca da infração [...] Portanto, a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, que vem a ser substitutiva da pena de perdimento, na forma do §3º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, tem como inicio do seu prazo decadencial o primeiro dia ao ano subsequente da data da intimação não respondida pelo autuado para a apresentação das mercadorias passíveis de serem apenadas com perdimento. Em primeiro lugar, a decisão recorrida utilizouse de disposições da Lei nº 9.873/99 que, pelo disposto no seu art. 5º, abaixo reproduzido, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária, como é o presente caso. Art.5o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em segundo lugar, não posso concordar com a referida conclusão do acórdão recorrido sobre essa matéria, acima reproduzida. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722492/201113 Acórdão n.º 3302002.872 S3C3T2 Fl. 28 27 E não o faço porque, a meu sentir, o art. 139 do DL 37/66 diz que extinguese em cinco anos o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. E para mim, a infração, nesse caso, não é continuada, como alegado pela decisão recorrida, e ocorreu pontualmente com o registro da DI, onde deixou de ser informado o real importador. Tudo o que aconteceu antes do registro da DI era absolutamente normal e legal as tratativas de compra no exterior e as transferência de recursos da FIOS BLUMENAU para a D&A, devidamente contabilizado. Se tivesse sido registrado a DI como importação por conta e ordem da FIOS BLUMENAU, não haveria que se falar que ocorreu ocultação do real importador. E o que ocorreu depois venda pela D&A e compra e venda pela FIOS BLUMENAU das mercadorias não se constitui na mesma infração imputada às empresas autuadas: interposição fraudulenta de terceiros. Diante da extinção do direito de a Fazenda Nacional de impor a penalidade, e a conseqüente improcedência do Auto de Infração, desnecessário abordar e discutir aqui as demais questões preliminares e de mérito argüidas pelas recorrentes. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar improcedente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000235/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ano-calendário: 1997
MULTA ISOLADA. DÉBITOS DO IPI PAGOS FORA DO PRAZO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos voluntários do contribuinte sobre a aplicação da legislação do imposto sobre produtos industrializados, inclusive penalidade isolada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.343
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria. O Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Recorrente PCE BEBIDAS LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1997 MULTA ISOLADA. DÉBITOS DO IPI PAGOS FORA DO PRAZO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos voluntários do contribuinte sobre a aplicação da legislação do imposto sobre produtos industrializados, inclusive penalidade isolada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. _ Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria. O Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira declarou-se impedido de votar. , n r, iliihIgk•------- ite , ci elen1 T ajano Damorim - Presidente \ i. i' i .re s s'a 1 Rosa - Relator \ \ EDITADO EM: 10/05/2010 - Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida _ i - Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Em auditoria interna de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) de que tratam a IN SRF n° 045, de 1998, e a IN SRF n° 077, de 1998, foi constatado pagamento em atraso do IPI sem o acréscimo da multa de mora e, então, foi lavrado o auto de infração para exigir R$ 1.047.930,77 de multa de oficio isolada. Regularmente cientificada, a empresa apresentou impugnação, considerada tempestiva pela delegacia de origem, alegando que os valores do tributo relativo às competências citadas no auto de infração foram recolhidos em atraso, devidamente acrescidos de juros morató rios, quando cabíveis e sendo assim, o procedimento fiscal não poderia prosperar pela ausência de - infração a qualquer dispositivo legal, já que o procedimento de recolhera tributo após o vencimento, antes de qualquer processo de fiscalização, caracteriza-se como denúncia espontânea, que acarreta a exclusão da obrigação de recolher a multa, nos termos no artigo 138 do código Tributário Nacional. Acrescentou que a empresa ajuizou ação declaratória objetivando o reconhecimento do instituto da denúncia espontânea no caso em tela, processo n° 98.0611520-1, em trâmite na 2" Vara Federal de Campinas — SP e, desta forma, enquanto não julgada a ação, não há que se falar em débito, posto que pendente de solução definitiva. Tendo como fundamentos a falta de infração e a inexistência de débito por falta de decisão judicial definitiva, solicitou a nulidade do auto de infração, por não ter o Fisco observado o princípio da busca da verdade material na autuação, pois não verificou a veracidade dos dados lançados pelo contribuinte, para após ser verificada alguma irregularidade e só assim proceder na autuação, além de não observar os pressupostos administrativos: motivação; causa e formalização do ato administrativo, o que implica a insubsistência do auto. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1997 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da impugnação, importa em renúncia ao litígio 2 Processo n° 13839.000235/2002-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00343 Fl. 207 administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. É o Relatório, Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. A recorrente reitera, agora mediante recurso voluntário apresentado a esse Conselho de Contribuintes, não ter ocorrido a renúncia à esfera administrativa pelo fato de ter ajuizado ação declaratória visando o reconhecimento do instituto da denúncia espontânea como fator excludente da aplicação da multa de oficio sobre o valor dos créditos tributários correspondentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados pagos fora do prazo estabelecido na legislação e sem o acréscimo de multa de mora. Reza o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes que compete ao Segundo Conselho o julgamento de recursos de oficio e voluntário sobre a aplicação da legislação do imposto sobre produtos industrializados, inclusive penalidade isolada. Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I - às Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras, os relativos a: a) imposto sobre produtos industrializados (IPI), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI nos casos de importação; b) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários (I0F); c) contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, quando suas exigências não estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislaçã o do imposto sobre a renda; d) contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e de direitos de natureza financeira (CPMF); e e) apreensão de mercadorias nacionais encontradas - em situação irregular. II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das 3 _ contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. Embora o presente processo tenha chegado a mim sob o titulo de multa por atraso na entrega de DCTF, na verdade, trata-se de pleito de reconhecimento do instituto da espontaneidade, com vistas à exclusão da multa de isolada aplicada sobre o valor de débitos do IPI pagos fora do prazo legal, sem o acréscimo da multa moratória, assunto de competência do Segundo Conselho de Contribuintes. 1Pel exposto, VOTO POR DECLINAR COMPETÊNCIA para o julgamento do feito ao Segundo IY selho de Contribuintes. i 1 (1 Ç\ ' 1 \ ifti .44' a911 Rosa \,,, \,,. _ _ 4
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721055/2012-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.179
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário tão somente da obrigação acessória em questão, Debcad nº 37.349.959-0, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Eduardo de Oliveira e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário tão somente da obrigação acessória em questão, Debcad nº 37.349.9590, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 10 55 /2 01 2- 60 Fl. 964DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Eduardo de Oliveira e Gustavo Vettorato. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 965 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela SOCIEDADE EDUCATIVA UNIMAX LTDA. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente parte da impugnação apresentada. O lançamento do crédito tributário referese aos seguinte autos de infração: a) Debcad nº 37.349.9630: referente à exigência de contribuições destinadas à Previdência Social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), parte da empresa, incidentes sobre as remunerações de empregados. Referidos valores não foram declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); b) Debcad nº 37.349.9604: referente à exigência de contribuições destinadas à Previdência Social relativa à parte dos segurados. Referidos valores não foram declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); c) Debcad nº 37.349.9655: referente à exigência de contribuições destinadas à outras entidades e fundos, parte da empresa, incidentes sobre as remunerações de empregados; e d) Debcad nº 37.349.9590: lavrado por descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV. § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o disposto no artigo 225, inciso IV e § 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999 – Código de Fundamentação Legal (CFL) nº 68. Narra o relatório fiscal que os valores das contribuições previdenciárias lançadas referemse a remunerações aferidas em relações de pagamentos identificadas em documentos de instituições financeiras, in verbis: DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÕES EXTRAÍDAS DE RELAÇÕES DE PAGAMENTOS BANCÁRIAS 7. Em procedimento fiscal de nº 2011.000164 realizado em 2011 para fiscalização de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e tributos reflexos, constatouse por meio de análise dos extratos bancários do ano de 2008 a omissão nos registros contábeis de pagamentos feitos a pessoas físicas. 8. O contribuinte, em vista da omissão observada, no procedimento fiscal de que trata o presente relatório fiscal, foi intimado a apresentar, além de outros documentos, os extratos bancários dos anos de 2008 e 2009, conforme Fl. 966DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência pessoal em 17/11/2011. O fiscalizado não apresentou os documentos solicitados, informando ainda que os mesmos não seriam apresentados por entender que tratariam de sigilo bancário. 9. Ante a negativa da Sociedade Empresária fiscalizada em apresentar os documentos solicitados, foram requisitados aos bancos em que o contribuinte teve movimentação no exercício de 2009, através de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, os extratos do período. Os documentos citados do ano de 2008 não foram solicitados às instituições financeiras em vista de os mesmos já terem sido apresentados à Receita Federal em procedimento fiscal concluído em 2011, conforme acima citado. 10. Após apresentação dos extratos bancários do ano de 2009 pelas instituições financeiras, foram verificados, também, pagamentos a pessoas físicas, com utilização do histórico “PAGAMENTO FUNCIONARIOS”, em valores muito superiores aos apresentados em registros contábeis, folhas de pagamento e GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. 11. Em nova Intimação Fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar as folhas de pagamento que deram origem aos valores creditados aos trabalhadores, anos 2008 e 2009. Sob a alegação de que foram extraviados, os documentos solicitados, mais uma vez, não foram apresentados. 12. Por meio de nova Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, foram solicitadas às Instituições Financeiras as relações das pessoas que receberam os valores que deram origem aos lançamentos bancários. Após apresentação dos documentos solicitados, constatouse que grande parte dos beneficiários dos pagamentos não foi declarada pela empresa em GFIP, bem como não consta das folhas de pagamento apresentadas à fiscalização e dos registros contábeis. 13. Em outros casos, foram verificados, também, que os valores efetivamente pagos foram muito superiores aos informados nos documentos citados. A omissão foi constatada desde o mês de fevereiro de 2008. 14. Em relação à omissão dos segurados da Previdência Social em GFIP e em folha de pagamento, observase, ainda, que durante os anos de 2008 e 2009 foram declarados/informado o montante total de massa salarial de segurados do regime geral de previdência social nos valores, respectivos, de R$115.126,11 (cento e quinze mil, cento e vinte e seis reais e onze centavos) e R$245.732,26 (duzentos e quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e dois reais e vinte e seis centavos). Foram creditados aos trabalhadores, consoante os extratos bancários, por outro lado, em 2008 R$ 481.891,63 (quatrocentos e oitenta e um mil, oitocentos e noventa e um reais e sessenta e três centavos) e R$ 843.597,77 (oitocentos e quarenta e três mil, quinhentos e noventa e sete reais e setenta e sete centavos) em 2009.Grande parte das remunerações pagas não foi declarada. 15. No ano de 2008 foram 306 (trezentos e seis) créditos bancários com omissão total em GFIP e folha, em 2009 369 (trezentos e sessenta e nove). Fl. 967DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 966 5 Houve, ainda, 27 (vinte e sete) omissões parciais de remunerações pagas em 2008 e 11 (onze) em 2009. 16. Da análise dos pagamentos efetuados por meio das instituições financeiras, constatouse que parte dos valores destinouse a pessoas físicas que são/eram sócias da sociedade empresária fiscalizada. As referidas pessoas são: Eliezer de Souza Guimarães, Fernando Mota Ribeiro, Helen Patrícia Vieira Maia, José Luiz Maia Ribeiro, Milton Aparecido Azevedo, Nilce Aparecida Ferreira Pinto, Roberto Ronison Nascimento Souza e Sara Morais Machado Sales. Os valores em questão foram considerados pela fiscalização como pagamentos a empregados em vista de que as pessoas físicas citadas são, ou eram, professores da fiscalizada, consoante cópias de alterações contratuais em anexo. 17. Ratificase a conclusão de que os valores foram pagos pelos serviços prestados como professores, não pelo capital aplicado na sociedade empresária, o fato de que cada pessoa recebeu um valor diferente, mesmo possuindo as mesmas participações no capital social da empresa. Observa se, ainda, que os pagamentos variaram mês a mês, certamente em função do número de aulas dadas em cada período. 18. Em demonstrativo anexo, segue relação das pessoas omissas em GFIP e folha de pagamento. Em apenso, seguem, também, as relações de pagamentos efetuados, encaminhadas pelas instituições bancárias, bem como, por amostragem, cópias de folhas de pagamento e de GFIP. 19. Em vista de que os registros contábeis e folhas de pagamento apresentadas à fiscalização não contemplam grande parte das remunerações pagas aos segurados empregados da previdência social, bem como da não apresentação de folha de pagamento que deram origem aos lançamentos bancários, as bases de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades, foram apuradas, por aferição indireta, com base nas relações de pagamento encaminhadas pelas instituições financeiras à Fiscalização. As contribuições lançadas incidiram, assim, sobre as remunerações pagas e não declaradas em GFIP, extraídas dos citados documentos. 20. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, aferidas consoante acima mencionado, foram lançadas nos seguintes levantamentos e períodos: i. “EN EMPREGADO NÃO DECLARADO EM GFIP”, competências 07/2008 a 11/2008, onde foram lançadas contribuições patronais e de Terceiros; ii. ‘EN1 EMPREGADO NÃO DECLARADO EM GFIP”, competências 02/2008 – 05 e 06/2008, com lançamento de contribuições patronais e de Terceiros; iii. “EN2 EMPREGADO NÃO DECLARADO EM GFIP”, competência 12/2008, onde foram lançadas contribuições patronais e de Terceiros; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 iv. “CE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADO NÃO DECLARADA, competências 07 a 11/2008, onde foram lançadas contribuições devidas pelos segurados; v. “CE1 – CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADO NÃO DECLARADA, competências 02/2008 – 05 e 06/2008, com contribuições dos segurados; vi. “CE2 – CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADO NÃO DECLARADA, competência 12/2008, onde foram lançadas contribuições devidas pelos segurados; 21. As contribuições foram constituídas em levantamentos distintos em vista da multa aplicada, conforme será relatado adiante; sendo que as devidas pela empresa foram lançadas no AI 37.349.9639, as dos segurados no Auto 37.349.9604 e as destinadas a Outras Entidades no AI 37.349.9655. Observase, também, que para o cálculo das contribuições devidas pelos segurados foi aplicada alíquota mínima, consoante a legislação em vigência, sendo respeitado o limite máximo do salário de contribuição vigente na época do pagamento. 22. Considerouse como competência dos fatos geradores das contribuições em questão, o mês imediatamente anterior ao crédito bancário, sendo que as remunerações foram creditadas, consoante extrato bancário, sempre nos inícios de cada mês. Além disso, ainda de acordo com o relatório fiscal (fls. 24/32), a empresa fiscalizada era optante do Simples Nacional, no entanto em 30/12/2011, por conta própria, requereu a exclusão do sistema de tributação simplicaficado, com efeitos a partir de 01/01/2012. Ocorre que, por meio do procedimento fiscalizatório, o auditor fiscal constatou i) omissão de receita bruta pelo contribuite que ultrapassaria o limite máximo para adesão ao sistema simplificado; e ii) pagamentos a diversos segurados da Previdência Social que não tinham sido incluidos na folha de pagamento e na GFIP da empresa. Diante de tais constatações, em 11/06/2012, foi emitada representação fiscal requerendo a exlusão da recorrente do Simples Nacional desde 01/01/2009, e não a partir da data já requerida anteriormente pela empresa (01/01/2012). Após a exlusão da empresa, foram constituídas as contribuições patronais, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empresados e contribuinte individuais referentes ao período de 02/2008 a 12/2008. Ademais, foi lavrado auto de infração e aplicada a multa correspondente, referente ao descumprimento de obrigação acessória tendo em vista que o contribuinte deixou de declarar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social (GFIP) as contribuições levantadas. Após ser devidamente da constituição do crédito tributário em 26/06/2012 (fl. 390) e, por não concordar com o débito a ele imputado, apresentou impugnações ao lançamento fiscal. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 967 7 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), ao rejeitar em parte os argumentos da impugnação da contribuinte, proferiu acórdão (fls. 760/775) lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo e para outras entidades e fundos, bem como as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS OBTIDAS JUNTO AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O exame e a utilização de informações e documentos relativos a movimentação financeira, obtidos de instituições bancárias por meio de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, é permitida por lei, desde que haja processo administrativo fiscal em curso, amparado por Mandato de Procedimento Fiscal MPF e que reste demonstrada a necessidade do exame de tais documentos/informações pela autoridade competente. MULTA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A contribuinte foi intimada do referido acórdão em 24/01/2014, conforme faz prova a cópia do Aviso de Recebimento de fl. 787, tendo interposto o recurso voluntário de fls. 789/801, no qual , em apertado escorço, alega: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração, uma vez que o inciso LVI, do artigo 5º, da Constituição Federal assevera que são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos e que a constitucionalidade da LC 105/2011 está sendo questionada, no que concerne à autorização da quebras de sigilo pelo fisco federal, estadual e municial; b) o procedimento adotado pela fiscalização de apurar falta de recolhimento de contribuição previdenciária por meio de extratos de contascorrente do contribuinte, obtidos mediante quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, não possui respaldo jurídico; Fl. 970DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 c) entende que o procedimento fiscalizatório está eivado de vício, tendo em vista que antes da expdição do MPF a fiscalização já possuía conhecimento dos dados bancários da recorrente, utilizandoos posteriomente, conforme consta no relatório fiscal; d) ao embasar o lançamento em extratos e documentos bancários, a Fiscalização incorreu em erro e infringiu as regras inculpidas no art. 142 do CTN, uma vez que a recorrente não é sujeito passivo da obrigação tributária; e) o fato de os funcionários apontados pelo Fisco – os quais estariam sem a devida anotação na CTPS – nunca terem ajuizado qualquer ação trabalhista em face da recorente, prova que tais funcionários jamais trabalharam para a recorrente; f) defende que tanto do relatório de lançamentos quanto do discriminativo de débito anexos no auto de infração não é possível identificar a base de cálculo e a alíquota aplicadas para se chegar ao valores do tributo apurado; e g) sustenta que o ônus de fundamentar o lançamento é do agente fiscal, que não anexou ao auto de infração a movimentação financeira emitida pelo banco Bradesco a partir dos mês de 04/2009, apesar de tais documentos comprobatórios serem imprescindíveis ao lançamento fiscal; Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 968 9 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Das Preliminares de Nulidade do Lançamento – Inconstitucionalidade e Ilegalidade na Quebra de Sigilo Bancário Insurgese a recorrente contra a quebra do sigilo bancário sob o argumento da inconstitucionalidade, uma vez que a Lei Complementar nº 105/2011, em sua interpretação, ofende o disposto no artigo 5º, inciso LVI, da Carta Magna, o qual considera inadmissíveis no processo judicial ou administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. No entanto, é forçoso ressaltar que não compete a este Colegiado declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, uma vez que tal mister foi atribuído ao Poder Judiciário. A esse propósito, há inclusive a Súmula nº 02, deste Órgão, aprovada nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Dessa forma, as alegações da recorrente que dizem respeito à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 não têm o condão de cancelar as autuações feitas com base nos dados obtidos a partir da quebra do sigilo bancário. De outro lado, no que concerne à ilegalidade alegada, é imperioso salientar que, no Brasil, o sigilo bancário para fins tributários é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses estritamente previstas na Lei Complementar nº 105/2011. Dos documentos constantes dos autos, emerge hialino que as Requisições de Movimentação Financeira (RMF) emitidas não descumpriram as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar nº 105/2001. Em verdade, no caso dos autos, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários e, no entanto, não os apresentou, fato que motivou a Fiscalização a emitir as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto, como no caso dos autos. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 Rejeito, portanto, todos os questionamentos arguidos quanto à ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Das Demais Alegações As demais alegações lançadas pela recorrente sintetizamse no argumento de que o fiscal não juntou quaisquer elementos/documentos utilizado para a formação ou a perpetuação de seu convencimento acusatório, sendo os mesmos imprescindíveis ao pleno exercício da ampla defesa, a fim de que pudesse exercer o contraditório, o que seria veementemente repudiado pelo ordenamento jurídico, tanto na esfera judicial, como na administrativa. Notase que, em seu recurso, a recorrente dedicouse a tecer vários questionamentos sobre ilegitimidade passiva, ausência e erro na base de cálculo, cerceamento de defesa e, contudo, não aproveitou a oportunidade para apresentar contraprova, que desconstituísse a lógica e a coerência do lançamento demonstradas no relatório fiscal. Outrossim, outrora foi oportunizada a apresentação de impugnação à recorrente, nos termos do Decreto 70.235/72, que era o momento adequado para fazer contraprova as alegações do Fisco, podendo ter solicitado perícia, juntada de documentos, requerido diligências, porém não o fez. Em verdade, a recorrente teve a intenção de contestar a lisura do procedimento de fiscalização sem, no entanto, demonstrar a retidão de seus argumentos. Não vislumbro, por consectário, vício de defesa capaz de ensejar lesão aos princípios do contraditório e da ampla defesa, que são basilares do Estado Democrático de Direito. Assim, quanto aos fundamentos lançados no recurso voluntário, mantenho incólume o lançamento fiscal, uma vez que não restou comprovada qualquer razão que demonstrasse a necessidade de revisão no lançamento fiscal. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 969 11 § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: Fl. 974DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por Fl. 975DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 970 13 meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 977DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 971 15 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Todavia, há de se fazer, ainda a análise da anistia instituída pela Lei n. 13.097/2015. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada e 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 16 Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do Fl. 979DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 972 17 legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenómeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida porque nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 18 Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. O CTN, art. 180, fala, assim, em anistia de infracões e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia. limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Fl. 981DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10670.721055/201260 Acórdão n.º 2803004.179 S2TE03 Fl. 973 19 Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicado ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe parcial provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário tão somente da obrigação acessória em questão, Debcad nº 37.349.9590, nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Relator Fl. 982DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 20 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10680.006347/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO.
Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF.
BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA AMPLIADO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. OBRIGATORIEDADE.
O STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RG, processado no regime de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, para incluir na definição de receita bruta, além da receita da venda de mercadorias, serviços ou de mercadorias e serviços, as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da atividade por ela desenvolvida e da classificação contábil adotada.
ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA.
Incluem-se nas receitas relativas às atividades próprias, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-002.621
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Relator. Designada para a redação do voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada
Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO. Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA AMPLIADO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. OBRIGATORIEDADE. O STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RG, processado no regime de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, para incluir na definição de receita bruta, além da receita da venda de mercadorias, serviços ou de mercadorias e serviços, as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da atividade por ela desenvolvida e da classificação contábil adotada. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Incluem-se nas receitas relativas às atividades próprias, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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REPRODUÇÃO. Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA AMPLIADO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. OBRIGATORIEDADE. O STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RG, processado no regime de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, para incluir na definição de receita bruta, além da receita da venda de mercadorias, serviços ou de mercadorias e serviços, as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da atividade por ela desenvolvida e da classificação contábil adotada. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Incluemse nas “receitas relativas às atividades próprias”, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 63 47 /2 00 8- 73 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Crédito Tributário Exonerado ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Relator. Designada para a redação do voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula – Redatora designada Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. Relatório A Administração Regional do SESC em MG teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 7 a 9, para formalizar a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando RS 1.810.390,02. Segundo o Termo de Verificação da Ação Fiscal (TVF), fls. 14 a 19, foram tributadas receitas tais como decorrentes de “Receita de Serviços”, Receita “Financeira”, “Receita de Aluguéis”, “Receita de Comodato” e “Outras Receitas Eventuais”, que não se enquadraram no conceito de atividades próprias, conforme disposto no artigo 47 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002. O feito foi impugnado, fls. 186 a 215, sob a alegação fundamental de isenção à Contribuição e de ilegalidade do § 2° do inciso II do art. 47 da INSRF n° 247, de 2002. O contribuinte considera que todas as receitas que aufere são pertinente às suas atividades próprias. A 1ª Turma da DRJ/BHE reconheceu a isenção do SESC à Cofins, no entanto exclui dessa isenção receitas que considera de atividades impróprias, razão pela qual julgou a impugnação improcedente. O Acórdão n° 0226.094, de 22 de março de 2010, fls. 286 a 295, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Receitas próprias. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 3402002.621 S3C4T2 Fl. 330 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE. O arrazoado de fls. 302 a 325, após protesto de tempestividade, apresenta sua qualificação e sintetiza os fatos relacionados com a lide, destacando que o cerne da controvérsia são as atividades legais e regulamentares desempenhas pelo SESC. Reitera que todas as receitas auferidas são receitas próprias, oriundas do desempenho de suas atividades institucionais e reaplicadas na continuidade dessas próprias atividades. Esclarece que as receitas do SESC, previstas nas alíneas “a” a “Í” do artigo 29 de seu Regulamento, aprovado pelo Decreto n° 61.836/67, advêm de: a) contribuições dos empregadores do comércio e dos de atividades assemelhadas na forma da lei; b) doações e legados; c) auxílios e subvenções; d) multas arrecadadas por infração de dispositivos legais e regulamentares; e) as rendas oriundas de prestação de serviços e de mutações de patrimônio, inclusive as de locação de bens de qualquer natureza; f) rendas eventuais. Insiste na ilegalidade da IN. Argumenta que é justamente por meio da prestação de serviços que realiza o seu fim social. Se não fosse pela prestação de serviços, não poderia o SESC prestar assistência ao trabalhador do comércio, concorrendo para o bem estar social de tal classe e para a melhoria do padrão de vida no País. Também as receitas proveniente de contratos de comodato firmados e que se destinam à cessão de espaços físicos são relativas às suas atividades próprias, nos termos da alínea c” do art. 3° do Regulamento do SESC, aprovado pelo Decreto n° 61.836/1967. Refere jurisprudência que entende amparar a sua tese recursal. Discorre também sobre a imunidade tributária do SESC, amparada pela alínea “c” do inciso VI, do artigo 150 da Constituição da República de 1988, Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 302 a 325 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBHE1ª Turma nº 0226.094, de 22 de março de 2010. Discutese lançamento de oficio relativo à Contribuição para a Seguridade Social Cofins incidente, no dizer da Fiscalização, sobre receitas de caráter contraprestacional auferidas pelo SESC, entidade de assistência social. A matéria, como detectou a recorrente, é freqüentemente debatida nesta instância recursal e, mesmo na Câmara Superior de Recursos Fiscais, o entendimento prevalente varia segundo a composição do colegiado julgador. Alinhome com os entendem que a posição mais consentânea com a norma legal é aquela em que as entidades como o SESC, criadas por lei, no interesse da coletividade, gozam de regalias fiscais no tocante ao exercício de suas atividades fins, e submetemse, por força do § 1° do art. 173 da Constituição Federal de 1988, às normas civis, comerciais e tributárias, dispensadas às demais empresas quando exploram atividades mercantis. Do contrário, estarseia infringindo, primeiramente, o princípio da isonomia, já que, em relação às atividades mercantis praticadas pela entidade de assistência social, na essência, em nada difere das exercidas pelas demais empresas de direito privado. Assim, nesse particular, tanto as entidades sociais quanto às demais empresas estão na mesma situação pois exercem atividades de igual natureza jurídica, não podendo o Estado dispensar a uma delas tratamento diferenciado do da outra, sob pena de estar vulnerando o mandamento constitucional de não tratar desigualmente os iguais. Em segundo lugar, nem mesmo as empresas públicas e as de economia mistas que explorem atividades econômica podem gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. Tal vedação visa a proteger a iniciativa privada, evitando que o setor público, por meio de privilégios fiscais, desequilibre a concorrência. Ora, se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, em suas atividades econômicas, é vedado ao Estado conceder regalias fiscais não extensível às empresas privadas (§ 2° do art. 173 da Constituição Federal de 1988), como então entender que o SESC, com personalidade jurídica de direito privado, em relação às atividades mercantis, goze de privilégio tributário não extensivo às demais pessoas jurídicas? O dito interesse social que detém essa entidade deve ser sempre entendido como o proveniente do exercício de atividades diretamente ligadas ao fim que ensejou sua criação, qual seja, a assistência social. As incursões mercantis como o comércio de medicamentos, perfumarias e cestas básicas, próprias das empresas comuns não podem ser enquadradas como de interesse social. Nesse sentido, julgo que (a) as receitas provenientes de serviços prestados à clientela nas atividades: serviços de saúde, serviços recreativos e culturais (bailes, campeonatos, bingos, outros), matriculas dos associados, diárias de hospedagens e excursões; (b) as receitas de aluguéis (cessão de espaço para instalação de Torre da Telemig Celular S/A no terreno localizado em Contagem/MG, onde funciona a Unidade Operacional LACES/ContagemBetim, bem como imóveis destinados à moradia de 03 funcionários do SESC/MG; (c) as receitas de contratos de comodato firmados no Regional e que se destinam à cessão de espaços físicos e (d) outras receitas eventuais, provenientes da venda de materiais inservíveis, multas sobre atrasos nas devoluções de livros das bibliotecas, multas sobre recebimentos em atraso dos valores dos contratos de comodato, restituição de despesas com interurbanos, e outras, escapam do conceito de receitas próprias e devem ser tributadas pela Contribuição. Excepciono, no entanto, as receitas compulsórias, proveniente da contribuição compulsória recolhida pelas empresas do comércio e de bens e serviços, arrecadadas pelo INSS a favor do SESC, haja vista subsumirse perfeitamente no conceito de receitas da atividade própria emanado do art. 47 da INSRF n° 247, de 2002, e no item 5 do Fl. 332DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 3402002.621 S3C4T2 Fl. 331 5 PNCST n° 5, de 1992, referido e transcrito na decisão recorrida. Essa parcela, no entanto, já foi excluída do lançamento, que almejou exclusivamente as receitas referidas nos itens 2 a 6 do rol da fl. 18. Devese expurgar da base de cálculo do lançamento de ofício também as receitas financeiras (juros e correção monetária sobre aplicações das disponibilidades financeiras em títulos mobiliários ,Caderneta de Poupança, CDB e Fundo CX FAC Fundações; em face das disposições do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, haja vista que tais receitas escapam do conceito de faturamento adotado na Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e o RE 585.235 QO decretou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Na sessão de julgamento do presente processo ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator no que concerne ao mérito do recurso voluntário, tendo prevalecido o entendimento divergente na Turma por maioria de votos. Tratase de discussão acerca de lançamento relativo à Contribuição para a Seguridade Social Cofins incidente sobre receitas de caráter contraprestacional auferidas por entidade de assistência social. O art. 14, X da Medida Provisória nº 2.15835/2001 estabelece a isenção para Cofins para as receitas relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no seu art. 13. A Instrução Normativa SRF nº 247/2002, em seu art. 47, §2°, ora transcrito, estabelece as receitas que poderiam ser consideradas como derivadas das "atividades próprias" para fins de fruição do benefício fiscal: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Sobre as receitas derivadas das atividades próprias, o entendimento manifestado da decisão recorrida, conforme consta na ementa, é de que: Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. No entanto, a interpretação da fiscalização e do julgador de primeira instância das "receitas próprias" da entidade acaba por restringir muito o âmbito de aplicação da isenção disposta em lei ordinária, além de considerar somente os ingressos (contribuições, doações, anuidades ou mensalidade dos associados) que não seriam tecnicamente "receitas", eis que essas são os ingressos que remuneram a atividade da entidade. De acordo com José Antonio Minatel1, a receita pode ser assim definida: (...) anunciamos ser receita qualificada pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos. Em relação às receitas próprias para fins da isenção sob estudo, esclarece também o Ilustre Professor Minatel2: Também não a descaracteriza o fato de a entidade prestar serviços a terceiros ou aos seus próprios associados, ainda que remunerados, desde que essa seja a sua missão institucional e o faça sem pretensão econômica de finalidade lucrativa, buscando 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. São Paulo: MP Editora, 2005. 2 MINATEL, José Antonio. In “Grandes Questões Atuais do Direito Tributário 7º Volume”, Dialética, 2003. p. 287. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 3402002.621 S3C4T2 Fl. 332 7 recursos unicamente para a satisfação dos gastos vinculados com suas finalidades sociais. Conforme disposto no art. 111, II do CTN, devese interpretar literalmente a outorga de isenção e, não havendo qualquer menção na lei instituidora da isenção à necessidade de ausência de caráter contraprestacional direto, esta restrição disposta em norma infralegal não deve ser considerada. Em situação semelhante, em recente julgado desta Turma, em votação unânime, no Acórdão nº 3402002.552 (Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, j. 12/11/2014), conforme ementa abaixo transcrita, decidiuse pela ilegalidade da restrição imposta pela Instrução Normativa SRF nº 247/2002, nos termos dos arts. 96, 99 e 100 do CTN, por restringir o conteúdo e alcance da isenção disposta em lei: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 COFINS ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS CONCEITO DE RECEITA PRÓPRIA ISENÇÃO ART.14, INC. X DA MP Nº 2.15835/ 01; ART. 46, INC. II DO DECRETO Nº4.524/02; IN/SRF nº 247/02. O critério legal objetivamente estabelecido para efeitos da isenção de impostos e contribuições federais concedida “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis” sem fins lucrativos (art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), vinculase fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por elas obtidos no desempenho de suas atividades institucionais. Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. Nesse mesmo sentido, estão alguns precedentes na jurisprudência administrativa, a definir, para fins da referida isenção, receitas da atividade própria da entidade como todos os valores que são aplicados no desenvolvimento das atividades do seu objeto social: COFINS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADE DE ENSINO. CONCEITO DE ATIVIDADE PRÓPRIA. As entidades sem fins lucrativos estão isentas do recolhimento da Cofins sobre a sua atividade própria (MP no 2.15835, art. 14, inciso X, c/c o art. 13, inciso IV, e Decreto no 4.524/2002, art. 46, inciso II, parágrafo único). Devese entender como atividade própria todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI No 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A Lei nº 9.718/98 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF. Não é possível considerar devida, pelo contribuinte, contribuição decorrente de lei nula. Recurso provido. [Acórdão 20180.173, j. 28/03/2007, Rel. Fabíola Cassiano Keramidas] ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO.RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades, relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social. [Acórdão 3302001.93, 3 ª Câmara / 2ª Turma Ordinária] COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP 2.15835/ 2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). [Acórdão 3403002.280, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária] No caso concreto sob análise, conforme o Termo de Verificação Fiscal, foram tributadas as receitas de atividades consideradas não próprias, como as decorrentes de “Receita de Serviços”, "Receita Financeira”, “Receita de Aluguéis”, “Receita de Comodato” e “Outras Receitas Eventuais”. As fontes de recursos da entidade estão descritas no art. 29 do Regulamento SESC, abaixo transcrito: Art. 29 Constituem renda do SESC: a) contribuições dos empregadores do comércio e dos de atividades assemelhadas na forma da lei; b) doações e legados; c) auxílios e subvenções; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 3402002.621 S3C4T2 Fl. 333 9 d) multas arrecadadas por infração de dispositivos legais e regulamentares; e) as rendas oriundas de prestação de serviços e de mutações de patrimônio, inclusive as de locação de bens de qualquer natureza; f) rendas eventuais. Sobre a aplicação desses recursos, o art. 34 desse mesmo Regulamento, determina que: Art. 34 Nenhum recurso do SESC, quer na administração nacional, quer nas administrações regionais, será aplicado, seja qual for o título, senão em prol das finalidades da instituição, de seus beneficiários, ou de seus servidores, na forma prescrita nesse regulamento. Nesse contexto, entendo que as receitas de que tratam o presente processo são decorrentes da atividade própria da recorrente, em consonância ao seu objeto social, considerandose que todos os ingressos delas decorrentes, inclusive das receitas financeiras, são aplicados no desenvolvimento das suas próprias atividades. No entanto, conforme bem observou o Relator deste Acórdão, as receitas financeiras não poderiam mesmo ser tributadas, em face da declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais pelo STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RGQO/MG, processado no regime de repercussão geral, que deve ser acatada nos julgamentos desta Casa em face das disposições do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Por todo o acima exposto, em face da isenção das receitas decorrentes das atividades próprias da entidade, ou, em relação às receitas financeiras, da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015 (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula – Redatora designada Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por M ARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado di gitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10935.000172/2003-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 17 2/ 20 03 -4 7 Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000172/200347 Resolução nº 3801000.933 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 07) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, formalizado em 30/12/2002 e no montante de R$ 566.339,88, respeitante ao 2º trimestrecalendário de 1998, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1536/1538, com débitos no total de R$ 95.346,90. Pelo Despacho Decisório nº 023/2007 (fls. 1576/1583), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 92.431,71. Na manifestação de inconformidade (fls. 1601/1633), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 20/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 93/2008 (fls. 1677/1682) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1708/1712) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000172/200347 Resolução nº 3801000.933 S3TE01 Fl. 12 3 Em 29/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 328/2008 (fl. 1748), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1720. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1754/1764) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.648 (fls. 1777/1781) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 27/07/2011 o recurso voluntário às fls. 1788/1849). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1869/1877), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 05/04/2013, no Despacho Decisório nº 195/2013 (fls. 1884/1889) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 023/2007, no VALOR de R$ 92.431,71 (noventa e dois mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e um centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 093/2008, no VALOR de R$ 237.774,36 (duzentos e trinta e sete mil, setecentos e setenta e quatro reais e trinta e seis centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 328/2008 (fls. 1740), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 30/12/2002 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95).”.(grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1918), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1944/1954), em 06/06/2013, firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1956/1963). Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000172/200347 Resolução nº 3801000.933 S3TE01 Fl. 13 4 Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 237.774,36, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que a DRJ interpretou equivocadamente o pedido da recorrente, pois entendeu que a pretensão se resumia, pura e simplesmente, em atualizar os créditos presumidos de IPI incontroversos. Pontua que o erro fundamental da DRJ é ignorar o efeito da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/PR. Recorda que a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança tem o condão de anular o ato administrativo impugnado e tem efeito “mandamental.” Insiste que a ordem do Juiz foi no sentido de que o AFRFB deixasse de reconhecer apenas o valor de R$ 92.431,71 em créditos presumidos e reconhecesse mais o valor de R$ 237.774,36. Ou seja, que ressarcisse R$ 330.206,07. Argumenta que a autoridade fiscal deveria ter ignorado ignorasse toda e qualquer análise até então feita, como se nunca tivesse tido contato com o pedido de ressarcimento da recorrente. A partir de então, apreciando os elementos constantes nos autos, reconhecesse que a recorrente tem direito a R$ 330.206,07. Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000172/200347 Resolução nº 3801000.933 S3TE01 Fl. 14 5 Assim, consoante determina o Mandado de Segurança, deveria a autoridade administrativa fazer incidir a SELIC desde a data do pedido de ressarcimento até o momento em que a recorrente utiliza o crédito ou lhe dê outra destinação. Apresenta quadro do impacto financeiro que referida medida produz no crédito presumido da recorrente. Quanto à matéria atualização pela Selic sobre créditos, apresenta em síntese as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o STJ enfrentou o tema pelo rito dos recursos repetitivos, quando firmou peremptoriamente que a oposição do Fisco faz surgir o direito do contribuinte de ter seus créditos atualizados pela SELIC; é incontroverso no presente feito que houve a oposição do Fisco ao aproveitamento integral do crédito presumido; o ressarcimento foi negado pela Receita Federal do Brasil, o que impossibilitou a recorrente de aproveitar seus créditos devidos por mais de 10 (dez) anos; este Conselho Administrativo possui idêntico entendimento ao que se disse acima; Por fim requer que seja conhecido o recurso voluntário e provido integralmente seus pedidos, especialmente para determinar que incida a correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente (R$ 330.206,07), uma vez que é inequívoca a existência de injusta oposição estatal ao direito líquido e certo da recorrente. É o relatório. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000172/200347 Resolução nº 3801000.933 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da DRJ. Entendese, a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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