Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13116.902537/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13116.902537/2011-11
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330543
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.356
nome_arquivo_s : Decisao_13116902537201111.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13116902537201111_5330543.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5334394
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591731924992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 82 1 81 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.902537/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.356 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente CENTRO OESTE RAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 37 /2 01 1- 11 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902537/201111 Acórdão n.º 3803005.356 S3TE03 Fl. 83 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 26 de janeiro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 227,04. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902537/201111 Acórdão n.º 3803005.356 S3TE03 Fl. 84 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902537/201111 Acórdão n.º 3803005.356 S3TE03 Fl. 85 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904066/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.904066/2012-81
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350432
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.504
nome_arquivo_s : Decisao_11030904066201281.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11030904066201281_5350432.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5465689
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591783305216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 65 1 64 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904066/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.504 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS MARAU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 66 /2 01 2- 81 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 67 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 68 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 69 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 70 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 71 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 72 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 73 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 74 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 75 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 76 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 77 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 78 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 79 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 80 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 81 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 82 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 83 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904066/201281 Acórdão n.º 3803005.504 S3TE03 Fl. 84 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001014/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SISTEMÁTICA DO SIMPLES.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados. Sendo o contribuinte tributado na sistemática do Simples, correta a aplicação dos percentuais sobre os valores considerados receitas omitidas.
Numero da decisão: 1301-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados. Sendo o contribuinte tributado na sistemática do Simples, correta a aplicação dos percentuais sobre os valores considerados receitas omitidas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001014/2008-34
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5333671
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.331
nome_arquivo_s : Decisao_19515001014200834.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
nome_arquivo_pdf_s : 19515001014200834_5333671.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5366274
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591831539712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001014/200834 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.331 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2013 Matéria IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/SIMPLES Recorrente CARED COMERCIAL DISTRIBUDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados. Sendo o contribuinte tributado na sistemática do Simples, correta a aplicação dos percentuais sobre os valores considerados receitas omitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 14 /2 00 8- 34 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 23/04/2008 (fl. 267), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, contribuição para o PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social/INSS), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 205 a 210), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, tributados no montante superior à receita declarada. 2.2. Insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 215 a 220. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 226 a 233) com base nos artigos 186, 188 e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário calculado até 31/03/2008 no montante de R$ 201.768,30. 3.2. PIS (fls. 234 a 241) com base no artigo 3º, alínea “b” da Lei Complementar (LC) nº 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “b”, 5º e 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2008, no montante de R$ 201.768,30. 3.3 CSLL (fls. 242 a 249) com base nos artigos 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “c”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2008, no montante de R$ 310.412,77. 3.4. COFINS (fls. 250 a 257) com base nos artigos 1º e 2º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “d”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2008, no montante de R$ 620.825,72. 3.5. Contribuição para a Seguridade Social – INSS (fls. 258 a 265) com base nos artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “f”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº Fl. 420DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001014/200834 Acórdão n.º 1301001.331 S1C3T1 Fl. 12 3 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2008, no montante de R$ 1.310.477,95. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no montante de 75% dos tributos lançados é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996. O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 227, 235, 243, 251 e 259). 5. Irresignada com os lançamentos, em 20 de maio de 2008, a empresa, representada por procuradora (Procuração à fl. 307), apresentou a impugnação às fls. 272 a 306, instruída com os documentos às fls. 307 a 313, na qual alega, em síntese, o seguinte: Da Decadência do Direito de Lançar. 5.1. “Preliminarmente, cabe observar que, tendo a empresa sido cientificada da lavratura do Auto de Infração em 15/04/2008, já decaíra o direito da Fazenda Nacional de lançar os créditos tributários relativos ao primeiro trimestre de 2003.” (cita e transcreve às fls. 273 a 284 dispositivos legais, constitucionais, julgados administrativos e do Poder Judiciário, bem como doutrina, em apoio à sua tese). Da Forma de Apuração do Lucro – Da Presunção de Omissão de Receita. 5.2. “A Lei do Simples tem sofrido criticas pelo fato de que, sob o argumento da simplificação, angaria um grande número de pessoas que vão preferir pagar tributos de olhos vendados, valendose apenas da "Receita Bruta", como se a empresa não tivesse despesa. Alias, é o que já ocorre com o chamado lucro presumido.” 5.3. “Dessa forma, mesmo que ocorra eventual prejuízo, em razão da "presunção legal" a empresa sempre tem lucro, e sobre esse hipotético lucro, os tributos sempre incidem. Não há nenhuma previsão, no caso de prejuízo efetivo onde a opção feita para enquadramento no simples, ou no lucro presumido ,da sistemática vir a ser desfeita para o período já iniciado. A opção também é feita de olhos vendados, pois não há como "adivinhar" se as atividades de uma pessoa jurídica darão resultados positivos no futuro.” 5.4. “Ocorre que, ao optar pelo simples, induzido pela idéia da simplificação e baixos custos de contabilidade, controles, e auditorias necessários para a manutenção de escrituração calcada no Lucro Real, o contribuinte acaba por não se preocupar em guardar e escriturar outros documentos, que depois lhe são exigidos para comprovar origem de depósitos bancários que são creditados em conta bancária mas não se referem a faturamento da pessoa jurídica. E a falta dessa documentação, que nem mesmo vem indicada e explicitada na lei pois depende de o fisco entender se ela é suficiente e idônea ou não (o que é motivo de dúvida e insegurança para o contribuinte) acaba por lhe aplicar novo duro golpe, que é o de ser tributado integralmente por todo e qualquer crédito na conta bancária, como se tudo fosse uma receita tributável.” 5.5. “A presunção de receita omitida, calcada apenas e tão somente na existência de depósitos bancários, se o contribuinte não comprovar documentalmente sua origem, se constitui em verdadeiro excesso do legislador, pois o depósito bancário não é evidencia de renda. A esse respeito, citamos trabalho doutrinário, reproduzido a seguir, que se Fl. 421DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 referia ao espírito e conteúdo do artigo 42 da Lei 9430/96:” (transcreve doutrina às fls. 285 a 287). 5.6. “Se o imposto incide sobre a renda e proventos de qualquer natureza, a lei não pode criar presunções que não guardem relação com esse instituto. Renda ou rendimento é acréscimo ao patrimônio, e pelo menos esse dado precisa ser certo e exato.” 5.7. “Outro aspecto que fere os princípios gerais da tributação, é que se considere que todo e qualquer depósito bancário representa faturamento, para sobre ele incidirem as contribuições sociais.” 5.8. “Muitos clientes da impugnante são usuários de oficina de conserto e manutenção de caminhões, cujas peças de reposição são caríssimas, e nem sempre são fornecidas pela oficina, tendo de ser adquiridas no mercado. O depósito de clientes para ressarcir o custo da peça, não é faturamento da empresa, nem receita, e não pode ser utilizado para cálculo de pagamento de tributo.” 5.9. “Entretanto, com o advento da Lei Complementar 105/2001, podese afirmar que o artigo 42 da Lei 9430/96 já não vigora no sentido de ser transferido para o contribuinte o ônus de comprovar que valores creditados em conta bancária não são receita omitida.” 5.10. “Citamos a seguir, opinião abalizada de autor de trabalho doutrinário sobre esse aspecto, que submetemos ao crivo do julgador administrativo:” (transcreve doutrina às fls. 287 a 303). Da Falta de Escrituração e do Arbitramento. 5.11. “Apesar das distorções das chamadas formas de tributação onde se presume que as empresas sempre têm lucro — presumido, arbitrado ou do simples ,é de se observar que a tributação do simples pode ser mais gravosa que a tributação do chamado lucro arbitrado, quando aquela, por ser utilizada na falta de documentação comprobatória da movimentação dos negócios da pessoa jurídica, deveria ser a mais alta dentre todas.” 5.12. “Assim, no caso deste Auto de Infração, considerouse, em praticamente todos os meses de 2003 ( com exceção de janeiro e fevereiro), que deveria ser utilizada a alíquota de 10,32% do imposto simples, sobre a movimentação bancária, considerada receita omitida por presunção. Essa alíquota encontra um valor que já é tributo direto (embora englobe vários tributos, como o IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS).” 5.13. “No caso de falta de escrituração, os contribuintes se sujeitam ao chamado Lucro arbitrado, calculado com a alíquota de 9,6% (aplicada às atividades de comércio, que é preponderante no caso da CARED e serviços de transporte de carga caso do impugnante).” 5.14. “Assim, num hipotético movimento bancário de um milhão de reais, a tributação do simples (alíquota de 10,32%) implicaria no recolhimento de 103.200,00 reais em impostos (IR,PIS, COF1NS, CSLL e INSS da PJ).” 5.15. “Já no caso de lucro arbitrado, teríamos 96.000,00 reais de lucro, sobre o qual incidiriam 15% de IR, o que equivale a 14.400,00 de IR. A tributação das contribuições sociais seria também menos gravosa, e, no caso do INSS da pessoa jurídica, no caso do impugnante o valor também é pequeno (a ser calculado sobre pagamentos a empregados ou avulsos), de forma que o lucro arbitrado seria menor do que a tributação do simples utilizada.” Fl. 422DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001014/200834 Acórdão n.º 1301001.331 S1C3T1 Fl. 13 5 5.16. “Face ao exposto, se a fiscalização afirmou em seu Termo de Encerramento, que o contribuinte não possuía contabilidade em livros registrados, deveria então ter utilizado a sistemática do lucro arbitrado, não só porque esse é o comando da lei, mas até porque é mais benéfico ao contribuinte.” 5.17. “Segundo dispõe o artigo 7° da Lei 9.317/96, a opção pelo simples dispensa o contribuinte da escrituração comercial, mas especifica uma condição para o enquadramento no regime: desde que mantenha em boa ordem e guarda, o Livro Caixa onde deverá estar escriturada toda a movimentação financeira (inclusive bancária), o Livro Registro de Inventário (onde devem estar escriturados os estoques existentes no termino de cada ano calendário, e todos os documentos e papéis que serviram de base para a escrituração.” 5.18. “Conforme foi informado por escrito à fiscalização (vide resposta a intimação no processo), a documentação e escrituração da empresa não estavam em ordem, e, na época da fiscalização, a empresa estava contratando um novo profissional da área contábil para fazer uma auditoria e escrituração da contabilidade.” 5.19. “Se na época não havia a escrituração e documentação em ordem, exigidas para os optantes do simples, deveria ter sido arbitrado o lucro, que aliás seria uma forma de tributação mais benéfica para o contribuinte, para atenuar a tributação calcada em presunções absurdas sobre movimentação bancária, sem qualquer desconto.Segundo o artigo 530 do RIR vigente, "o imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando:” (transcreve o dispositivo legal à fl. 305 e julgados do Conselho de Contribuintes às fls. 305 e 306). A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1635.800, de 26/01/2012, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. A seguir passo ao voto. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001014/200834 Acórdão n.º 1301001.331 S1C3T1 Fl. 14 7 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça de defesa repete as argumentações iniciais (da impugnação), as quais, sintetiza em dois tópicos: (I) DA FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO E DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS e (II) DA FALTA DE ESCRITURAÇÃO E DO ARBITRAMENTO, que a seguir passamos a análise. Registrese que a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu a decadência das exações relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março do ano calendário de 2003. (I) DA FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO E DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS No ano calendário de 2003, a recorrente, por opção formalizada, apurou os tributos e contribuições no âmbito do SIMPLES Federal, sistema simplificado e favorecido de tributação previsto constitucionalmente, e implementado pela Lei nº 9.317/96. Nesse sistema de tributação, os contribuintes estão dispensados de fazer a escrituração comercial completa, desde que mantenham o livro Caixa escriturado, de forma detalhada, operação por operação das vendas, dos ingressos de recursos, inclusive da movimentação financeira e bancária (depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias), tudo com respectivos documentos de suporte, hábeis e idôneos. No âmbito do SIMPLES, como visto, não interessa ao fisco, não é a tônica, o controle das despesas ou custos da pessoa jurídica, mas sim as receitas auferidas, em cada mês, pela pessoa jurídica, pois sobre a receita bruta acumulada até o respectivo mês – período de apuração do Simples é mensal é aplicado, diretamente, uma alíquota do SIMPLES, englobando o IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária. Para melhor elucidação da matéria transcrevo, a seguir, trechos do voto condutor da decisão ora recorrida: 12. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fl. 25– ciência pessoal em 03/04/2007), a apresentar em 20 (vinte) dias, relativamente ao ano calendário 2003, Livro Caixa (ou Diário e Razão), Livros de Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias e/ou Serviços, Livro Registro de Inventário e Contrato Social e Alterações. Acostouse aos autos petição da interessada, protocolizada em 02/05/2007, com solicitação de prorrogação de prazo para atendimento (fl. 26). Termo de Reintimação Fiscal foi lavrado (fl. 27 ciência pessoal em 30/05/2007), nos mesmos termos do anterior, acrescentandose requerimento para apresentação de demais documentos que serviram de fonte para a Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 escrituração dos fatos contábeis, tais como documentos de despesas e de ingressos de recursos e extratos bancários das contas correntes e de investimentos movimentadas pela empresa no período compreendido entre 01/01/2003 e 31/12/2003 (fl. 27). Documentos Contratuais foram juntados às fls. 28 a 33. Termo de Reintimação foi exarado (fl. 34 ciência pessoal em 22/06/2007) para reintimála a disponibilizar extratos bancários de todas as contas por ela mantidas nas instituições financeiras, sejam contas correntes ou de investimentos, no período compreendido entre 01/01/2003 e 31/12/2003. Termo de Reintimação Fiscal foi lavrado (fl. 36 ciência pessoal em 15/08/2007) para reintimála a apresentar os Livros Diário e Razão não entregues até aquele momento. Termo de Comparecimento e Prosseguimento de Ação Fiscal foi emitido (fl. 37 ciência pessoal em 01/10/2007) para registro do comparecimento do autuante à empresa e do exame dos documentos fiscais e comerciais da recorrente. Termo de Comparecimento e Prosseguimento de Ação Fiscal foi emitido (fl. 38 ciência pessoal em 28/11/2007), nos mesmos termos do anterior. Carta de Solicitação emitida pela empresa ao Banco Itaú (data do protocolo: 08/10/2007) foi anexada à fl. 39, para requerimento de cópias de extratos bancários da conta nº 421105. Termo de Reintimação Fiscal foi exarado (fl. 40 ciência pessoal em 15/01/2008) para registro de que a fiscalizada apresentou os extratos da conta corrente por ela mantida no Banco Itaú, restando não apresentados os extratos bancários de sua conta corrente no Banco Bradesco, bem como extratos de todas as demais contas de investimentos movimentadas no mesmo período já solicitado. Referido T.R.F foi complementado com intimação para que a contribuinte apresentasse, no prazo de 5 (cinco) dias, os extratos bancários faltantes e ainda não apresentados, sob pena de caracterização de embaraço à fiscalização. 13. Termo de Intimação Fiscal foi emitido (fls. 41 e 42 – ciência pessoal em 14/02/2008) para intimar a interessada a, no prazo de 20 (vinte) dias, justificar por escrito a origem dos recursos constantes das duas Planilhas integrantes do T.I.F (fls. 43 a 82), cujos valores foram levados a crédito nos extratos bancários fornecidos pela interessada à fiscalização (Banco Itaú – conta corrente 421105 (fls. 83 a 156), e Banco Bradesco – conta corrente 78.3110 (fls. 157 a 188)). Acrescentouse, ainda, que a defendente deveria comprovar as suas informações e justificativas com documentação correspondente, suficiente e idônea, com indicação de cada um dos lançamentos contábeis na escrituração da empresa e informação do número da folha do Livro Contábil onde se encontram contabilizados. Termo de Retificação e Ratificação do Termo de Intimação anterior foi lavrado (fls. 189 a 191 – ciência pessoal em 03/03/2008) para registro de que apesar de os créditos bancários (Banco Bradesco) estarem corretamente indicados, há erros em sua totalização para os meses de outubro e dezembro, sendo correto os valores de R$ 37.821,95 e R$ 21.947,57, acrescentandose que ao mês de novembro, que se encontrava sem registro de somatório, cabe o valor de R$ 38.773,09. Ainda no referido T.R.R.T.I ratificouse todos os demais valores já informados na Planilha entregue à contribuinte, concedendolhe prazo adicional de 10 (dez) dias para atendimento do pleito da fiscalização. 14. Tendo em vista que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes consta no processo, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos às fls. 43 a 82, bem como a totalização mensal em quadro à fl. 211, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, no ano calendário 2003, no valor de R$ 11.203.434,29, tendo declarado em sua Declaração Simplificada receita bruta de R$ 580.629,15 (fls. 20 e 332). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001014/200834 Acórdão n.º 1301001.331 S1C3T1 Fl. 15 9 15. Termo de Verificação e Constatação Fiscal foi lavrado (ciência por Aviso de Recebimento em 23/04/2008 – fl. 267), com esclarecimento de todas as fases do procedimento fiscal e fundamentação legal pertinente (fls. 205 a 210). 16. Portanto, o que se observa é que, diante destes fatos e da vinculação e obrigatoriedade do lançamento tributário (parágrafo único do artigo 142 do CTN), a fiscalização não teve alternativa legal diferente da aplicação ao caso das normas contidas no § 1º do artigo 7º e no artigo 18 da Lei nº 9.317/1996, que fazem parte do enquadramento legal da autuação e dispõem sobre o regime tributário dos contribuintes optantes pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), já que no momento dos fatos geradores neste processo discutidos (ano calendário 2003) a autuada era optante pelo regime simplificado, conforme pesquisa no sistema CNPJ à fl. 330 (evento 301 em 01/01/1997) e Declaração Simplificada às fls. 7 a 24. 17. O § 1º do artigo 7º e o artigo 18 da Lei nº 9.317/1996, assim dispõe: Art. 7°(...) § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. (...) Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.(negritos acrescidos) 18. Como se vê, mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. E como o optante pelo Simples está obrigado a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios embasadores, diante da disposição do acima transcrito artigo 18, ele também está sujeito à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Pois bem. Desde o início, convém lembrar, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal (fls.165) que os depósitos bancários foram fornecidos pela própria autuada. Portanto, sendo os extratos bancários apresentados pela própria empresa e, inexistindo justificava da origem dos valores tributados, seja durante a ação fiscal, seja na fase litigiosa, passemos a análise. A propósito, quanto ao valor probatório da escrituração contábil dispõe o RIR/99, in verbis: Seção VIII Da Prova Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º) Como visto, em regra, o ônus da prova é do fisco quanto ao fato constitutivo do seu direito de lançamento do tributo (Decreto nº 70.235/72, art. 10, III e IV; CTN, art. 142; e Lei nº 5869/73 CPC, art. 333, I). Entretanto, nos presentes autos, o ônus da prova, da não ocorrência da infração imputada “Omissão de Receitas”, é da contribuinte, em face, justamente, da existência de disposição legal especial aludida, reportada no art. 925 do RIR/99. Conforme já demonstrado alhures, quanto à movimentação financeira bancária, a recorrente, em momento algum, conseguiu comprovar a origem dos valores lançados a crédito em suas contas correntes bancárias, quanto ao ano calendário 2003, embora intimada para tanto diversas vezes. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996 (art. 42), a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação (salvo prova em contrário), não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Também, no caso, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 26: Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19515.001014/200834 Acórdão n.º 1301001.331 S1C3T1 Fl. 16 11 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. De se ressaltar que, no caso, não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima mencionada, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. Esse entendimento é pacífico no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Portanto, quanto à infração omissão de receitas por presunção legal, não há reparo a fazer na decisão recorrida. (II) DA FALTA DE ESCRITURAÇÃO E DO ARBITRAMENTO Os argumentos expostos no recurso que ora se aprecia busca, em verdade, que seja adotado o regime de tributação pelo Lucro Arbitrado para o ano calendário objeto do lançamento, por ser menos oneroso que o regime pelo Simples. Verificase, de plano, que todas as alegações da contribuinte são insubsistentes, pois, nos autos de infração foram observadas rigorosamente as disposições da Lei 9.317/1996, especialmente no que concerne aos percentuais aplicados sobre as receitas. Assevero que à luz da presunção legal veiculada no art. 42 da Lei 9.430/1996 toda receita omitida deve ser tratada como receita operacional, logo, tal qual destacado no Termo de Verificação Fiscal, a tributação é exatamente a mesma que o contribuinte sofreria na sistemática do Simples, caso tivesse emitido notas fiscais naquele valor total. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, COFINS, PIS e Contribuição para Seguridade Social (INSS)Simples: A decisão prolatada no lançamento matriz IRPJ/Simples estendese aos lançamentos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725985/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/07/2007
CPMF. ALÍQUOTA ZERO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ENTIDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. COISA JULGADA MATERIAL.
Se pela decisão judicial transitada em julgado foi reconhecida a redução da alíquota a zero da CPMF apenas sobre as operações estritamente vinculadas à qualidade de arrendadora da entidade, atividades tais como aplicações, câmbio financeiro, câmbio importação, compra de ouro, resultado CETIP e operações swap realizadas pela contribuinte em sua gestão patrimonial, destinadas à administração, investimento e formação de recursos necessários à aquisição dos bens a serem arrendados, não dão direito creditório.
Numero da decisão: 3201-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário por maioria, vencido o conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2007 CPMF. ALÍQUOTA ZERO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ENTIDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. COISA JULGADA MATERIAL. Se pela decisão judicial transitada em julgado foi reconhecida a redução da alíquota a zero da CPMF apenas sobre as operações estritamente vinculadas à qualidade de arrendadora da entidade, atividades tais como aplicações, câmbio financeiro, câmbio importação, compra de ouro, resultado CETIP e operações swap realizadas pela contribuinte em sua gestão patrimonial, destinadas à administração, investimento e formação de recursos necessários à aquisição dos bens a serem arrendados, não dão direito creditório.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.725985/2011-16
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5334230
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3201-001.541
nome_arquivo_s : Decisao_10980725985201116.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10980725985201116_5334230.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário por maioria, vencido o conselheiro Daniel Mariz Gudiño. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5369228
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591838879744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725985/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.541 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria CPMF Recorrente HSBC FINANCE (BRASIL) S/A BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/2007 CPMF. ALÍQUOTA ZERO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ENTIDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. COISA JULGADA MATERIAL. Se pela decisão judicial transitada em julgado foi reconhecida a redução da alíquota a zero da CPMF apenas sobre as operações estritamente vinculadas à qualidade de arrendadora da entidade, atividades tais como “aplicações”, “câmbio financeiro”, “câmbio importação”, “compra de ouro”, “resultado CETIP” e “operações swap” realizadas pela contribuinte em sua gestão patrimonial, destinadas à administração, investimento e formação de recursos necessários à aquisição dos bens a serem arrendados, não dão direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário por maioria, vencido o conselheiro Daniel Mariz Gudiño. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 59 85 /2 01 1- 16 Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação, anocalendário de 2007, homologado parcialmente, de crédito de CPMF obtido em decisão judicial favorável no Mandado de Segurança nº 2000.70.00.0023476, cuja causa de pedir era o direito à alíquota zero da contribuição referente a operações de “leasing”. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Segundo relatado no referido Despacho Decisório, o crédito de CPMF declarado advém de decisão judicial favorável obtida pela interessada no Mandado de Segurança nº 2000.70.00.0023476 (impetrado pela incorporada HSBC Leasing Arrendamento Mercantil (Brasil) S/A CNPJ Nº 44.847.374/000112), que concedeulhe o direito à alíquota zero da CPMF às operações de “leasing”, que constituem seu objeto comercial, na forma como foi por ela solicitado. Porém, não encontrando compatibilidade entre os valores de operação de “leasing” constantes nos extratos bancários anexos ao Mandado de Segurança e os informados no Pedido de Habilitação de Crédito, intimouse a interessada a apresentar cópia dos contratos de “leasing”, que esclareceu que essas operações restringemse às identificadas nos extratos como “Operação Leasing” e os demais valores referemse a “Aplicações”, “Câmbio Financeiro”, “Câmbio Importação”, “Compra de Ouro”, “Resultado Cetip” (operações em bolsa de valores) e “Operações Swap”. Uma vez que, nos termos do Despacho Decisório, a sentença judicial não dá margem a interpretarse que outras parcelas, que não apenas as que se refiram a “Operações de Leasing”, possam beneficiarse da alíquota zero da CPMF, a autoridade administrativa apurou a diferença entre o valor recolhido da CPMF e somente em relação às operações de “leasing”, que tiveram sua alíquota reduzida a zero, perfazendo a importância de R$ 1.065.384,99, reconhecido como direito creditório e que poderia ser utilizado para a compensação. Cientificada da decisão administrativa, a interessada ingressou, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos, com Manifestação de Inconformidade, trazendo, em resumo, as argumentações a seguir expostas. Esclarece que tem por atividade principal a realização de operações de arrendamento mercantil (“leasing”) e que nos anos de 1997, 1998 e 1999 sujeitouse à incidência e cobrança da CPMF em suas operações, mas, por entender indevida, impetrou Mandado de Segurança em que pretendeu o reconhecimento de seu direito líquido e certo (i) à equiparação Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10980.725985/201116 Acórdão n.º 3201001.541 S3C2T1 Fl. 94 3 ao regime dispensado às demais instituições financeiras em relação à CPMF; (ii) ao gozo da alíquota zero de CPMF prevista no art. 8º II e IV, da Lei nº 9.311/96; e (iii) à compensação dos valores pagos indevidamente a título de CPMF com débitos de qualquer natureza administrados pela RFB. A ação foi julgada totalmente procedente, sendo concedida a segurança, e a decisão judicial transitou em julgado em 03/03/2004. Aduz que o entendimento dado pela autoridade administrativa não procede, uma vez que contraria frontalmente (i) a decisão transitada em julgado; (ii) o art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 c/c Port. MF nº 134/99; (iii) a intrínseca e indissociável vinculação das demais operações financeiras com a sua atividade de arrendamento mercantil; e (IV) a jurisprudência pacífica do STJ que reconhece o direito de empresas de arrendamento mercantil ao gozo da alíquota zero de CPMF, em relação a todas às suas atividades. Relativamente ao alcance da decisão judicial transitada em julgado, diz que impetrou Mandado de Segurança com fundamento no art. 8º, III, da Lei nº 9.311, de 1996,que reduz à alíquota zero a CPMF das instituições financeiras não abrangidas no conceito de “bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas”, em relação às operações relacionadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Expõe que, conforme consta em seu Pedido no Mandado de Segurança, a equiparação da empresa às instituições financeiras implica o benefício da alíquota zero da CPMF a todas as operações financeiras relacionadas à atividade de arrendamento de bens, as quais eram materializadas nas contas correntes bancárias relacionadas na ação judicial, abrangendo também aquelas destinadas à administração, investimento e formação de recursos necessários à aquisição dos bens a serem arrendados (funding), restando claro o integral acolhimento de sua pretensão formulada na ação judicial. Observa que, por lógica, o reconhecimento da equiparação às instituições financeiras implica necessariamente o direito ao gozo do benefício nas mesmas condições de fruição que estas instituições, sob pena de esvaziamento da equiparação obtida e reconhecida judicialmente. Diz que é lícito afirmar que a tutela judicial concedida afastou a exigência da CPMF em relação a todas as atividades financeiras direta ou indiretamente relacionadas ao arrendamento mercantil, desde que contempladas e abrangidas nas hipóteses da Portaria MF nº 134/99. Alega que a qualidade de arrendador é a condição necessária para a equiparação às instituições financeiras, mas não tem o caráter restritivo que o despacho decisório busca lhe atribuir, a fim de, por via indireta, tolherlhe os efeitos naturais ao regime de apuração da CPMF dispensado às demais instituições financeiras. Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 No título “Da intrínseca vinculação das operações excluídas pelo despacho decisório com as operações de arrendamento mercantil”, enfatiza que a premissa adotada no despacho decisório de que “o contribuinte, na qualidade de arrendador, não realiza operações financeiras” contraria o acórdão do TRF na 4ª Região que “as empresas dedicadas às operações de arrendamento mercantil equiparamse às instituições financeiras, uma vez que o leasing é uma operação de financiamento, nos termos da Lei nº 4.595/64, art. 17, sendo, nesta qualidade, destinatárias da alíquota zero da contribuição provisória sobre movimentação financeira (CPMF), nos termos do art. 8º, inciso XXVI, da Portaria 6/97, como arrendadoras”. Assim, não há como segregar e desvincular das operações de arrendamento mercantil as demais operações financeiras (aplicações, câmbio financeiro, câmbio importação, compra de ouro, resultado Cetip e operações de Swap), já que a pluralidade de operações são necessárias às operações de arrendamento mercantil, tais como a captação de recursos no Brasil e no exterior, encontrase cristalizada na Resolução nº 2.309, de 28/08/1996, do Bacen, que disciplina e consolida as normas relativas às operações de arrendamento mercantil. Ressalta que o Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento de que a exoneração da CPMF deve ser reconhecida não apenas para as movimentações financeiras decorrentes das operações de leasing, mas em relação a todas as operações da empresa arrendante, vez que esta se encontra equipara à instituição financeira e necessita da captação de recursos junto ao mercado financeiro e de capitais para a efetivação de suas operações. Entende que a exoneração prevista no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 abarca todas as operações elencadas no art. 3º da Portaria MF nº 134/99 (e não apenas aquelas indicadas no inciso XXVI), pois a desoneração também se dirige às operações de captação/administração de recursos por ela utilizados em suas operações. Por fim, solicita a reforma do despacho decisório e a homologação integral da compensação declarada, em razão da liquidez e certeza de seus créditos. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007 COMPENSAÇÃO. CPMF. ALÍQUOTA ZERO. ENTIDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, foi reconhecida a redução da alíquota a zero da CPMF de acordo com a regulamentação da Portaria nº 134/99 do Ministério da Fazenda, no sentido de serem compensados somente os valores Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10980.725985/201116 Acórdão n.º 3201001.541 S3C2T1 Fl. 95 5 recolhidos, à título de CPMF, sobre as operações estritamente vinculadas à qualidade de arrendadora da entidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, após discorrer sobre o histórico do mandado de segurança transitado em julgado, que de acordo com o dispositivo da decisão judicial, a isenção ao recolhimento da CPMF seria somente sobre as operações estritamente vinculadas à qualidade de arrendadora da impetrante . E isto porque a redução da alíquota zero restringirseia às operações financeiras relacionadas em Portaria do Ministro da Fazenda, que constituíssem o objeto social da entidade; no caso, somente as operações de arrendamento mercantil, em que aquela figurasse na qualidade de arrendador, ainda que realizasse outras operações, necessárias direta ou indiretamente, ao desenvolvimento de sua atividade. Por conseguinte, atividades tais como “aplicações”, “câmbio financeiro”, “câmbio importação”, “compra de ouro”, “resultado CETIP” e “operações swap” realizadas pela Recorrente em sua gestão patrimonial, que seriam destinadas à administração, investimento e formação de recursos necessários à aquisição dos bens a serem arrendados, não estariam abrangidos pela coisa julgada material. Observouse, por fim, que a despeito de a manifestação de inconformidade referirse à redução da alíquota a zero “em relação a todas as atividades financeiras relacionadas ao arrendamento mercantil”, na causa de pedir e no pedido da exordial do mandado de segurança, restringiuse o pleito à atividade de arrendamento mercantil que constituía o objeto social da ora Recorrente , na qualidade de arrendadora. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade, quais sejam: i.o mandado de segurança n° 2000.70.00.0023476 garantiulhe o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de CPMF em todas as operações relacionadas no art. 3° da Portaria MF n° 134/99, direta ou indiretamente, vinculadas às operações de arrendamento mercantil, inclusive às descritas como "aplicações", "câmbio financeiro", "câmbio importação", "compra de ouro", "resultado CETIP" e "operações swap"; ii. detém equiparação de regime dispensado às demais instituições financeiras em relação à CPMF, uma vez que: (a) as sociedades de arrendamento mercantil .são sujeitas às normas do BACEN; (b) a legislação tributária em geral e a própria Constituição Federal sempre consideraram as empresas de arrendamento mercantil como instituições financeiras; (c) a Delegacia Especial de Instituições Financeiras nas 7a e 8a Regiões são competentes para fiscalizar as empresas de arrendamento mercantil; iii. a alíquota zero de CPMF, prevista no artigo 8o, incisos III e IV da Lei n° 9.311/96, estendese às empresas de arrendamento mercantil, que figuram entre as instituições financeiras indicadas no inciso III da referida norma, do que resulta a exoneração da Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 contribuição sobre todas as operações descritas pelo art. 3° da Portaria n° 134/99, conforme jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria; iv. as demais operações financeiras “dirigemse especialmente à formação do funding necessário à realização das operações de leasing”, “em razão do reconhecimento da equiparação da Recorrente às instituições financeiras”, e por essa razão, restariam também beneficiadas pela alíquota zero de CPMF; v. a fundamentação da ação judicial, ainda que importante para a compreensão da parte dispositiva da sentença, não se revestiria da autoridade da coisa julgada material, nos termos do art. 469, I do CPC, mas somente a parte dispositiva da decisão transitada em julgado "tem força de lei nos limites da lide e das questões decidida " (CPC, art. 468); vi. em face da coisa julgada material, a Fazenda Nacional apenas poderia questionála pela interposição de recurso, ou ajuizamento de ação rescisória, não se afigurando legítima a rediscussão dos termos da decisão transitada em julgado de modo a limitar seus efeitos, conforme o art. 474 do CPC; vii. como se verifica das fls. 94/95, nos autos do mandado de segurança, autorizouse a realização de depósito judicial da CPMF incidente sobre as operações registradas nas contas 1244950, 0221523 e 0090011, as quais abrangiam não apenas as operações de arrendamento mercantil, mas também às relativas 'Aplicações', 'Câmbio Financeiro', 'Câmbio Importação', 'Compra de ouro', 'Resultado CETIP' e 'Operações Swap'; viii. diante do trânsito em julgado favorável à Recorrente, esta efetuou o levantamento integral dos depósitos judiciais de CPMF incidente sobre as referidas operações sem qualquer oposição da Fazenda Nacional; ix. a Portaria PGFN n° 294/2011, dispensou a interposição de recurso nos processos de discussão da alíquota zero da CPMF pelas empresas de arrendamento mercantil; x. não se pode segregar e desvincular das operações de arrendamento mercantil as demais operações financeiras realizadas pela Recorrente com o específico propósito de formar e obter os recursos financeiros necessários à realização de suas operações de arrendamento (funding), tais como a aquisição dos bens a serem entregues ao arrendatários; xi. a Resolução n° 2.309, de 28/8/1996, do BACEN, relaciona as operações financeiras necessárias às operações de arrendamento mercantil, incluindo a realização de operações financeiras de financiamento. E para corroborar as suas alegações, citou diversos precedentes jurisprudenciais, especialmente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, que apontariam para o entendimento segundo o qual a exoneração prevista no artigo 8o, inciso III, da Lei n° 9.311/96 abarcaria todas as operações elencadas nos artigo 3° da Portaria do MF n° 134/99, uma vez que a desoneração também se dirige às operações direta e indiretamente vinculadas à atividade de arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10980.725985/201116 Acórdão n.º 3201001.541 S3C2T1 Fl. 96 7 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, ponto fundamental para o deslinde da controvérsia é o alcance da decisão judicial transitada em julgado, nos autos do mandado de segurança n° 2000.70.00.0023476, que é a origem do direito creditório afirmado, posto que concessiva do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de CPMF, incidente sobre as operações efetuadas pela Recorrente. Nesse contexto, em consonância com a decisão recorrida, a decisão judicial reconheceu o direito à alíquota zero de CPMF tãosomente em relação às operações de arrendamento mercantil, em que a Recorrente figurou na qualidade de arrendador, que coincidem com o objeto social da entidade. Quaisquer outras operações, ainda que necessárias direta ou indiretamente, ao desenvolvimento do objeto social, estariam sujeitas à regular incidência da CPMF. Por outro lado, a Recorrente requer o direito creditório referente a outras atividades, tais como “aplicações”, “câmbio financeiro”, “câmbio importação”, “compra de ouro”, “resultado CETIP” e “operações swap”, que seriam necessárias à formação de recursos para a aquisição dos bens a serem arrendados, e, que estariam abrangidas pela coisa julgada material. Compulsandose os autos verificase que às fls.15 e ss., consta o pedido efetuado pela ora Recorrente no mandado de segurança em referência, que se transcreve e grifa, por sua relevância para o deslinde da controvérsia: CONCLUSÃO: O PEDIDO Como conclusão de todo o exposto, a Impetrante tem como plenamente demonstradas a liquidez e a certeza do seu direito de se ver exonerada da cobrança da CPMF pelo fato de sua exigência ser indevida para as sociedades de arrendamento mercantil ("leasing"), como é o caso da Impetrante, por se configurar como instituição financeira, não devendo sofrer a cobrança da CPMF sobre as operações próprias de sua atividade, ou seja, sobre os débitos em contas correntes bancárias mencionadas no item. 2 acima, relativos à atividade de arrendamento de bens, nos termos do artigo 8o, incisos III e IV da L 9311 c/c o artigo 3o, inciso XXVI da Portaria n° 6/97, reeditada em 11.6.99 sob o n° 134, ambas do Ministério da Fazenda. Dessa forma, demonstrado seu direito líquido e certo, a Impetrante requer a concessão de medida liminar, com base no artigo 7o, inciso II, da Lei li0 1.533/1951, até final decisão, quando a ação mandamental deverá ser julgada totalmente procedente, concedendose a ordem em definitivo, para que: (i) seja reconhecida a inexigibilidade da CPMF sobre as operações próprias de suas atividades, quais sejam, arrendamento mercantil de bens, a fim de se evitar futuras Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 imposições e, conseqüentemente, (ii) reconhecido o direito da Impetrante efetuar a compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de CPMF, desde a sua instituição, com outros tributos arrecadados pela Receita Federal, afastadas quaisquer restrições ao exercício do seu direito à compensação. Por outro lado, às fls.113 e ss. do processo digitalizado, encontrase a sentença concessiva da segurança, vazada nos seguintes termos (transcrevese excerto às fls.116117): Portanto, evidente a possibilidade de, por meio da presente ação, ser declarada a possibilidade de compensaremse os tributos devidos pela Impetrante com a CPMF recolhida indevidamente, desde que administrados pela Receita Federal. Todavia, a isenção ao recolhimento da CPMF farseá de acordo com a regulamentação da Portaria 134/99 do Ministério da Fazenda. Ou seja, somente serão compensadas os valores recolhidos, à título de CPMF, sobre as operações estritamente vinculadas à qualidade de arrendadora da Impetrante. Por tudo o exposto, merece acolhida o pleito formulado na inicial. 3. DISPOSITIVO Em face do exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado na inicial por HSBC LEASING ARRENDAMENTO MERCANTIL (BRASIL) S.A., contra ato ato do Delegado da Receita Federal em Curitiba/Pr, para CONCEDER A SEGURANÇA pretendida, julgando extinto o feito com julgamento do mérito, com fulcro no artigo 269, I, do Código de Processo Civil. Observese que em relação à referida sentença, a Recorrente opôs embargos de declaração, apenas para questionar o destino dos depósitos judiciais efetuados, em face da ausência de medida liminar, não havendo quaisquer questionamentos acerca do teor meritório da sentença. Às fls. 133 e ss. , encontrase o recurso de apelação interposto pela União e às fls.138, há o dispositivo do acórdão, que deu parcial provimento à apelação, apenas para afastar a compensação entre tributos de espécies distintas, como se depreende: ISSO POSTO, dou parcial provimento ao apelo e à remessa oficial, tãosomente para afastar a compensação entre tributos e contribuições de diferentes espécies, nos termos da fundamentarão. A decisão do Tribunal Regional Federal da 4a Região restou assim ementada: MANDADO DE SEGURANÇA.COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. CPMF. OPERAÇÕES DE LEASING. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10980.725985/201116 Acórdão n.º 3201001.541 S3C2T1 Fl. 97 9 E cabível a utilização de mandado de segurança para obter o reconhecimento do direito à compensação de tributos pagos indevidamente. As empresas dedicadas às operações de arrendamento mercantil equiparamse às instituições financeiras, uma vez que o leasing é uma operação de financiamento, nos termos da Lei n° 4595/64, art. 17, sendo, nessa qualidade, destinatárias da alíquota zero da contribuição provisória sobre movimentação financeira (CPMF), nos termos do art. 8o, inciso III e IV, da Lei n° 9.311/96, combinado com o disposto no art. 3o, inciso XXVI, da Portaria 6/97, como arrendadoras. Às fls.143 e ss., encontrase embargos de declaração opostos pela ora Recorrente, acolhidos parcialmente provocar o prequestionamento da matéria ventilada, postulando, também, manifestação expressa dessa Corte sobre questão superveniente à impetração do mandado de segurança, apenas no que tange à possibilidade de compensação entre tributos de espécies diferentes. Às fls. 145 e ss., temse o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, que deu provimento ao Recurso Especial n. 508.467 – PR, em que a ora Recorrente alega negativa de vigência ao art. 66 da Lei n. 8.383 e ao art. 74 da Lei n° 9.430, bem como divergência jurisprudencial com o entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, isto é, tão somente para atacar a questão relativo à vedação de compensação de tributos de espécies diferentes. A decisão do Superior Tribunal de Justiça teve a seguinte ementa (fls.146): TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CPMF. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Em virtude da alteração legislativa levada à efeito pela Lei n° 10.637/02, não há mais que se perquirir acerca da espécie dos tributos que se pretende compensados, uma vez que a Lei de regência não mais alberga esta limitação. Forçoso concluir que, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, é possível a compensação, ainda que o destino de suas respectivas arrecadações não seja o mesmo. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que " A posição firmada pela egrégia Ia Seção é que a compensação só poderia ser utilizada, nos termos da Lei n° 8.383/91, entre tributos da mesma espécie, isto é, entre os que tiverem a mesma natureza jurídica, e uma só destinação orçamentária. No entanto, a legislação que rege o tema sofreu alterações ao longo dos anos, mais ainda por intermédio da Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002 (convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002), que em seu art. 49 alterou o art. 74, §§ Io e 2°, da Lei n°9.430/96. O referido art. 74 passou a expor: "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão " (RESP 491.598/SP). Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 Aos tributos sujeitos à administração da Secretaria da Receita Federal aplicase a Lei 9.430/96. A lei que rege o procedimento de compensação tributária é aquela ''em vigor na data do encontro dos créditos e débitos que se pretende compensados. Precedentes. Recurso Especial provido. Da análise exposta, verificase cristalinamente que o direito subjetivo à alíquota zero de CPMF apenas abrangeu, no processo judicial em referência, as operações de leasing da Recorrente, na qualidade de arrendadora, em conformidade com o objeto de seu contrato social. Ainda que a jurisprudência tenha caminhado para a ampliação desse direito, como defendido no recurso voluntário, o fato é que a decisão judicial transitada em julgado, foi pontual e delimitou a sua abrangência, não cabendo a sua revisão em sede administrativa, no âmbito do pedido de habilitação do crédito, uma vez que em nosso ordenamento jurídico, vige o Principio da Unicidade de Jurisdição. É dizer, o controle de legalidade com foros de imutabilidade é de competência exclusiva do Judiciário, que sempre deverá, em última instância, manifestarse sobre a legitimidade ou não de determinado ato. Sobre os limites objetivos da coisa julgada, é certo que apenas o dispositivo da decisão transita em julgado, de maneira que os fundamentos não teriam essa eficácia. Contudo, não se pode olvidar que a causa de pedir (próxima e remota), que originam a respectiva fundamentação da decisão judicial, é um dos elementos identificadores da ação, conforme prescreve o parágrafo 2º, do artigo 301, do Código de Processo Civil: “Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido”. Assim, a tutela jurisdicional emanada pelo Judiciário é produzida nos estritos limites do pedido formulado pelo autor, sendo vedada a sua concessão extra ou ultra petita. Nesse contexto, se a decisão judicial acobertada pela coisa julgada material concedeu o direito da Recorrente à alíquota zero da CPMF às operações de leasing , não é possível a extensão desse direito a outras operações, ainda que necessárias para viabilizar as primeiras, falecendo competência ao órgão administrativo julgador para a apreciação da matéria. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10980.725985/201116 Acórdão n.º 3201001.541 S3C2T1 Fl. 98 11 Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904548/2012-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10930.904548/2012-25
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350222
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.898
nome_arquivo_s : Decisao_10930904548201225.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930904548201225_5350222.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5464973
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591844122624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904548/201225 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.898 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 48 /2 01 2- 25 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904548/201225 Acórdão n.º 3803004.898 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904548/201225 Acórdão n.º 3803004.898 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904548/201225 Acórdão n.º 3803004.898 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721243/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10140.721243/2012-86
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348113
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-000.345
nome_arquivo_s : Decisao_10140721243201286.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10140721243201286_5348113.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5458386
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591847268352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721243/201286 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.345 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2014 Assunto DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SIMPLES, PATRONAL Recorrente PAGUEAQUI RECEBIMENTOS E SERVIÇOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 24 3/ 20 12 -8 6 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 51.008.9445, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES. Os fatos geradores compreendem o no período de 01/2009 a 07/2010. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 14 e seguintes, diante da constatação e caracterização de grupo econômico de fato e da consideração da receita bruta do grupo, elaborouse representação fiscal, propondo a exclusão do contribuinte Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda do regime tributário Simples Nacional, previsto na Lei Complementar 123, de 14/12/2006. O Ato Declaratório Executivo ADE n°. 15, de 21/05/2012, publicado no Diário Oficial da União n°. 99, Seção 1, de 23/05/2012, estabeleceu a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/07/2007. O ADE estabeleceu ainda o prazo de 30 dias, contados da ciência deste, para a apresentação de manifestação de inconformidade. A ação fiscal estendeuse a todas as empresas, as quais são geridas pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, com suporte técnico do contador Luiz Fernando Ferreira da Silva. São elas: 1 Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP; 2 Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda – ME; 3 ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda – ME e 4 ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/05/2012. Consta informação fiscal fls. 423, acerca da cientificação dos sujeitos passivos – grupo econômico, onde consta a seguinte informação: No dia 24/05/2012 foram entregues as cópias dos ADE´s nº 11, 12, 13, 14 e 15, de 21/05/2012, e da "Representação Fiscal Exclusão do Simples" e seus anexos a Arthur Lemos Nogueira (Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, CNPJ 04.716.037/000171, e Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME, CNPJ 09.555.050/000100) e a Deyse Liliana Faccin Nogueira (Contafacil Serviços Expressos Ltda– EPP, CNPJ 06.253.153/000127, Contafacil Fl. 609DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 4 3 MS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.467.807/000155 e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.471.415/000160), conforme atestam os "Termos de Entrega de Cópia de Documento". Isto ocorreu na rua Rachid Neder, nº 115, Bairro Monte Castelo, Campo GrandeMS, endereço onde mantêm escritório comercial. 2. No dia 29/05/2012, conforme anteriormente agendado, compareci neste mesmo endereço para colher ciência nos autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra estas empresas. Desta feita, entretanto, Arthur Lemos e Deyse Liliana informaram que receberiam apenas os autos e termos das empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME e ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, conforme orientação recebida de seu advogado. 3. Diante disto, os autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra as empresas Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME foram encaminhados por via postal para o endereço cadastral das sedes destes contribuintes, qual seja, rua Gonçalves Luiz Martins, nº 371, Centro, JaraguariMS. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 428 A 448. 1 A autoridade fiscal autuou, por solidariedade passiva tributária, os impugnantes ARTHUR LEMOS NOGUEIRA e DEYSE LILIANA FACCIN, porque ambos seriam "sóciosadministradores" da empresa ora, também, impugnante, sem, contudo, descrever os fatos que implicariam a atribuição de responsabilidade tributária a suas pessoas; 2 – a exclusão de ofício das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL deverá ocorrer em observância à forma regulamentada pelo CGSN (Art. 29, § 3o). Ainda, a lei complementar assinala o marco a partir do qual são aplicáveis as regras gerais da tributação no caso das empresas excluídas: a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (Art. 32, caput); 3 – de acordo com as disposições regulamentares a exclusão das microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL somente se torna eficaz a partir do seu trânsito em julgado administrativo, isto é, a partir do momento em que houver decisão administrativa definitiva e desfavorável ao contribuinte. Isto, para o caso de o contribuinte ter impugnado o termo de exclusão; 4 a autoridade autuante constituiu o crédito tributário contra os impugnantes com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sem que ela estivesse sujeita ao regime jurídico geral da tributação. A primeira impugnante, quando da lavratura do auto de infração, sujeitavase ao regime do SIMPLES NACIONAL e não às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 5 a autoridade fiscal autuou a primeira impugnante por violação à legislação tributária geral quando ela estava sujeita às normas do Fl. 610DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 5 4 regime simplificado. De fato, ela pretendeu conferir à representação fiscal, mera proposta de exclusão, efeitos jurídicos que ela não possui; 6 tendo a primeira impugnante apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, esta não produz efeitos enquanto não se tornar definitiva a decisão favorável ao Fisco, caso ocorra. Assim, a primeira impugnante continua sujeita às normas do SIMPLES NACIONAL; 7 o Art. 75, § 5o, da Resolução CGSN n. 94/2011 prevê expressamente que é condição sine qua non para que se aperfeiçoe a exclusão de qualquer micro ou pequena empresa, que esta exclusão seja registrada no Portal do Simples Nacional na internet, sem o que não produz qualquer efeito; 8 a exclusão da primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL, no caso em tela, é ineficaz, ainda não se tornou efetiva, na forma do Art. 32, caput c.c Art. 75, § 3o, da Resolução CGSN n. 94/2011. Em consequência, autuação é ilegal, pois que fundada em normas legais inaplicáveis, no caso, o regime geral da seguridade social previsto na Lei n. 8.212/91 e seu regulamento. DAS MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. 9 – há que se reconhecer a impossibilidade de aplicação aos impugnantes da multa prevista pelo Art. 35 da Lei n. 8.212/91, como pretendido pela autoridade fazendária; Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 10 uma vez excluída a empresa do SIMPLES NACIONAL, ela ficará sujeita ao recolhimento dos valores tributários devidos acrescidos, tão somente, de juros de moras, consoante Art. 32, § 1 o , da LC 123/2006; Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1º Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 6 5 11 – existe procedimento específico para a exclusão da ME ou EPP do SIMPLES NACIONAL. Primeiro, há que se excluíla, desenquadrála efetivamente, ou seja, com uma decisão definitiva no âmbito administrativo desfavorável ao contribuinte (Art. 75, § 3o , RCGSN 94/2011). Ato subsequente, à empresa deverá ser concedido prazo de 30 dias, na forma do Art. 160, caput, do CTN, já que não há previsão legislativa expressa a respeito, para que se efetue o pagamento "da totalidade ou da diferença dos respectivos tributos, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência", o que deverá ocorrer acrescidos, tãosomente, de juros de mora; 12 há que se instaurar, de modo sucessivo dois procedimentos administrativos distintos, quais sejam: O primeiro, visando a exclusão da ME ou da EPP do SIMPLES NACIONAL e, o segundo, na eventualidade de, tendo sido definitivamente excluída a empresa, e transcorrido in albis o prazo para pagamento do crédito tributário devido com o acréscimo dos juros de mora, a fiscalização de ofício, visando a aplicação das penalidades pecuniárias cabíveis, sendo que este último é absolutamente dependente do primeiro. 13 ilegal e indevida a aplicação das multas de mora e de ofício, pois embora proposta sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, ela ainda não se tornou definitiva, já que impugnada; e se tivesse sido efetivamente excluída, a LC 123/2006, regulamentada pela RCGSN n.94/2011, impõe como procedimento obrigatório, que se fixe o prazo para pagamento do crédito tributário eventualmente devido acrescido tão somente dos juros de mora. Somente depois disso, se escoado o prazo referido sem o pagamento na forma como prevista pelo Art. 32, § 1 o , da LC 123/2003, poderseia falar em procedimento fiscalizatório de ofício com a consequente aplicação das penalidades. 14 a autuação fiscal é improcedente, por ausência do fato antecedente a fundamentarlhe a imputação do crédito tributário na forma como pretendida e por violação ao Art. 29, I c.c § 3 o e Art. 32, caput e § 1 o , ambos da Lei Complementar n.123/2006, os quais disciplinam o procedimento de exclusão das ME's e EPP's do SIMPLES NACIONAL. DA SOLIDARIEDADE 15 as contribuições para o custeio da seguridade social, instituídas com suporte nos Arts. 149 e 195 da Constituição Federal de 1988, têm natureza tributária, de modo que se submetem às limitações constitucionais ao poder de tributar e às normas gerais de direito tributário. Desta forma, o inciso IX do Art. 30 da Lei n. 8.212/91 não guardou observância aos critérios estabelecidos no Art. 128 do CTN para fins de atribuição de responsabilidade tributária solidária ao pagamento de tributos, o qual exige que, para tanto, a terceira pessoa a qual se atribua a sujeição passiva por responsabilidade tributária tenha, obrigatoriamente, vinculação com o fato gerador da respectiva obrigação, conforme se depreende do texto do dispositivo; 16 não se pode responsabilizar qualquer terceiro pela arrecadação e recolhimento de tributos devidos à Seguridade Social, ainda que por norma legal expressa, ín casu, norma de solidariedade trazida pelo inciso IX do Art. 30, da Lei n. 8.212/91, a fim de atribuíla às empresas Fl. 612DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 7 6 que integrem "grupo econômico", sem qualquer verificação de efetivo vínculo com o fato gerador das contribuições em questão; 17 a lei pode atribuir vínculo de solidariedade aos responsáveis tributários — salvo naqueles casos em que o CTN já tenha estabelecido de modo diverso, como acentuado pela doutrina e pela jurisprudência — porém, o Art. 128 do CTN impõe um limite a tanto: exige a vinculação do terceiro responsável com o fato gerador do respectivo tributo; 18 não é qualquer tipo de vínculo com o fato gerador que pode ensejar a responsabilidade de terceiro; é necessário que esse vínculo seja de tal sorte que permita a esse terceiro, elegível como responsável, fazer com que o tributo seja recolhido sem onerar seu próprio bolso. 19 a imputação de solidariedade no pagamento das contribuições devidas à Seguridade Social requer a prova inequívoca de que as empresas envolvidas, de fato, configuram grupo econômico e que se encontram vinculadas ao fato gerador das contribuições ora imputadas; 20 o ônus da prova de configuração de grupo econômico é da Administração, sob pena de nulidade da autuação. In casu, a autoridade fazendária restringiuse a alegações desprovidas de provas, baseandose em meras suposições que acabaram por lastrear o ADE n. 12/2012, que excluiu a primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL; 21 o inciso IX do Art. 30, da Lei n. 8.212/91 está eivado de ilegalidade, por inobservância dos requisitos essenciais estabelecidos no Art. 128 do CTN, lei complementar de caráter nacional, o que veda ao legislador ordinário alterálos ou suprimilos para atribuição de responsabilidade solidária a terceira pessoa, in casu, sem relação com o fato gerador das contribuições sociais; 22 a autoridade fazendária sequer logrou demonstrar que as empresas (i) CONTAFÁCILMS COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDAME, (ii) PAGUEAQUI RECEBIMENTO E SERVIÇOS LTDA EPP, (iii) CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP, (iv) MAISFACIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME e (v) CONTAFACILES COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME configuram grupo econômico, quanto menos juntou aos autos prova inequívoca de que referidas empresas praticaram conjuntamente todos os fatos geradores referentes às contribuições sociais em questão, o que revela a inaplicabilidade do dispositivo, a despeito de sua ilegalidade; 23 a autoridade fiscal não provou a configuração de grupo econômico, justamente porque não há grupo econômico, nem de fato, nem de direito, na circunstância ora tratada. Há, sim, sociedades distintas que exercem, cada qual, atividades específicas: Uma exerce atendimento, outra exerce cobrança, outra presta serviço de senhas, outra lida com leituras — que foram criadas por diferentes indivíduos Fl. 613DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 8 7 para desenvolverem atividade de prestação de serviços em diferentes localidades. Uma exerceu atividade em alguns municípios do Estado do RJ, do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, ou do Espírito Santo — e para diferentes clientes — concessionárias de fornecimento de energia, concessionárias de fornecimento de água e coleta de esgoto, empresas privadas de diferentes naturezas —realizadas por pessoas da mesma família, aproveitando do networking de negócios criado pelos seus membros; 24 o auto de infração DEBCAD n. 37.338.6001 é nulo, seja por ausência absoluta de fundamentação legal, em face da ilegalidade do inciso IX, do Art. 30 da Lei n. 8.212/91; seja por ausência de prova inequívoca de que as empresas (i) CONTAFÁCILMS COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDAME, (ii) PAGUEAQUI RECEBIMENTO E SERVIÇOS LTDA EPP, (iii) CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP, (iv) MAISFACIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME e (v) CONTAFACILES COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ 11.471.415/000160 formam grupo econômico de fato e, ainda, praticaram em conjunto todos os fatos geradores das contribuições sociais ora discutidas. SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOSADMINISTRADORES 25 a autuação fiscal imputou responsabilidade solidária a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA, sócioadministrador da impugnante, e a DEYSE LILIANA FACCIN, quem não possui qualquer vínculo com a impugnante; 26 – qt à imputação de solidariedade a DEYSE LILIANA FACCIN por ser "sócioadministrador" da impugnante, não há dúvidas de que não procede. A prova é o contrato social e sua última alteração consolidada, corroborada pela própria narrativa da autoridade fiscal no relatório fiscal e na representação fiscal para fins exclusão do Simples Nacional que acompanharam a autuação; 27 no que se refere a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA, embora de fato sócioadministrador da primeira impugnante, é indevida, na situação, a imputação de responsabilidade tributária com vínculo de solidariedade com a impugnante e demais pessoas jurídicas arroladas como grupo econômico de fato; 28 o Art. 135 do Código Tributário Nacional enumera em três incisos os casos em que a responsabilidade tributária será pessoal dos terceiros ali previstos. Veicula regra que, mais propriamente, caberia no capítulo seguinte, que trata da responsabilidade por infração. 29 a característica individual que atrai a aplicação da responsabilidade tributária na forma do Art. 135, III, do CTN, é ser administrador "diretor, gerente ou representante" de pessoa jurídica de direito privado, e não ostentar a natureza de sócio; 30 fica afastada, portanto, qualquer intenção (ou confusão) de se afirmar haver solidariedade ou subsidiariedade na obrigação dos administradores prevista pelo Art. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 9 8 135, III, do CTN. Solidariedade e subsidiariedade, recordese, consistem em graus de responsabilização entre coobrigados pelo adimplemento da relação jurídica. 31 a obrigação de efetuar o pagamento do tributo é do responsável tributário e só dele, eximindo, assim, a pessoa jurídica de direito privado da relação jurídica tributária; 32 – a responsabilidade tributária veiculada pelo art. 135, III, do CTN decorre de ter o administrador praticado "atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatuto". Ou seja, a situação que configura a hipótese de incidência desta responsabilidade é a prática, pelo administrador da pessoa jurídica de direito privado, de ato ilícito contra a sociedade, agindo voluntária e dolosamente contra ou em desacordo com os poderes e atribuições que lhe foram outorgados; 33 apenas se comprovadas as seguintes condições é que se estará diante da hipótese configuradora da responsabilidade tributária pessoal do "diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica de direito privado" de que trata o art. 135, III, do CTN: (i) o sujeito responsável deve ser o administrador da sociedade; (ii) é imprescindível que o administrador tenha agido "com excesso de poder, em infração de lei, contrato social ou estatuto" da sociedade por ele gerida, sendo que o mero inadimplemento das obrigações tributárias não se presta a caracterizar o fato da "infração de lei" de que fala o dispositivo legal; e (iii) em decorrência da "infração a lei" tenha ocorrido um evento tributável que tenha feito surgir uma obrigação tributária para a pessoa jurídica; 34 ao impugnante ARTHUR LEMOS NOGUEIRA não se pode imputar responsabilidade tributária, tanto menos vinculandoo em nível de solidariedade com a primeira impugnante e com as outras empresas do suposto "grupo econômico de fato" à qual alude a autoridade fiscal; 35 embora ARTHUR LEMOS NOGUEIRA exerça a função de administrador da primeira impugnante, Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, a autoridade autuante não logrou êxito em demonstrar a ocorrência de ato "com excesso de poder, infração à lei, ao contrato social e ao estatuto" da empresa; 36 enfim, é absolutamente ilegal a atribuição de responsabilidade tributária solidária a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA e DEYSE LILIANA FACCIN, na forma e nos termos como efetuado na autuação fiscal. Seja porque, nos casos disciplinados pelo Art.135, III, do CTN não é possível falar em solidariedade; seja porque a impugnante Deyse não é, nem nunca foi administradora, formal ou faticamente, da primeira impugnante; e também porque não restou demonstrada a situação autorizadora prevista na hipótese do Art. 135, III, do CTN, qual seja, a ação praticada com "excesso de poder, infração de lei, do contrato social ou do estatuto" da Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, da qual tenha resultado em obrigações tributárias a ela. Do Pedido Os impugnantes requerem: Fl. 615DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 10 9 1 – Seja anulado o auto de infração DEBCAD n. 51.008.9445, afastandose, por conseguinte, a cobrança dos valores exigidos; 2 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, diligências e, se necessário, testemunhas, a fim de alcançar a verdade material e a legalidade objetiva que informam o processo administrativo tributário; 3 o acolhimento da impugnação para excluir do processo administrativo em questão a pessoa do ora impugnante, eximindo assim sua responsabilidade solidária pelos débitos apontados. O recorrente anexou a sua impugnação cópia da manifestação de inconformidade no processo n. 10140.721137/201201, no qual questiona a sua exclusão do SIMPLES, fls. 461 a 475. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 483 a 509, destacando àquela autoridade que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Transcrevese abaixo, ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES Os procedimentos atinentes ao ato de exclusão de empresas do programa Simples Nacional devem ser contestados em processo próprio, ou seja, em manifestação de inconformidade apresentada em razão do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Empresa integrante de Grupo Econômico de Fato responde, solidariamente, pelo crédito tributário lançado, conforme determina o inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. SÓCIO DE FATO. Caracterizada a intenção de ocultar do Fisco receitas auferidas em razão da atividade comercial da empresa, responde o sócio pela obrigação tributária. Provada a condição de sócio de fato, responde este, da mesma forma, pela obrigações fiscais. MULTAS DE MORA MULTA DE OFÍCIO. Excluídas do Simples Nacional, as empresas sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo que os Fl. 616DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 11 10 créditos tributários apurados serão acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando o pagamento for efetuado antes do início de procedimento de ofício. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi emitido termo de Revelia para as empresas MAIS FÁCIL CONS E ASSESS EMPRESARIAL LTDA E CONTAFÁCILES COBRAN E ATEND. E SERV LTDAA, FLS. 522. A DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 512. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela empresa PAGUEAQUI RECEBIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, ARTHUR LEMOS NOGUEIRA E DEYSE LILIANA FACCIN, conforme fls. 572 a 597, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: (i)preliminarmente, improcedência da autuação em razão razão da falta de definitividade da exclusão da primeira recorrente do SIMPLES NACIONAL, conforme Arts. 29 c.c. 32 da Lei Complementar n. 123/2006 e Art. 75, §§ 3o e 4o da Resolução CGSN 94/2011; (ii) aplicação indevida das multas de mora e de ofício, por inobservância ao devido processo legamente estabelecido para exclusão e autuação das MEs e EPPS, em contrariedade ao Art. 32, § 1o , da lei complementar n. 123/2006; (iii) indevida atribuição de responsabilidade solidária às empresas do suposto "grupo econômico de fato", por ausência de provas e inobservância aos limites previstos no Art. 128 do CTN; (iv) indevida atribuição de solidariedade aos sóciosadministradores, por falta de amparo legal e em violação ao Art. 135, III, do CTN. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 12 11 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 599. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório e na Representação de Exclusão, face a carcaterização de grupo econômico de fato. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Em ´pesquisa ao sistema e processo foi possível identificar a existência de despacho determinando o arquivamento do processo, porém existe pedido de juntada de documentos em aberto, onde conta recurso voluntário do recorrente. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o autodeinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201 seja julgado no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão Fl. 618DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721243/201286 Resolução nº 2401000.345 S2C4T1 Fl. 13 12 do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000855/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
PRESUNÇÃO AFASTADA
Não caracteriza omissão de rendimentos os depósitos individuais de valores inferiores a R$ 12.000,00 que somados, no ano, não ultrapassem o total de R$ 80.000,00. Súmula 61 do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO AFASTADA Não caracteriza omissão de rendimentos os depósitos individuais de valores inferiores a R$ 12.000,00 que somados, no ano, não ultrapassem o total de R$ 80.000,00. Súmula 61 do CARF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 18471.000855/2008-15
conteudo_id_s : 5340156
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-002.756
nome_arquivo_s : Decisao_18471000855200815.pdf
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 18471000855200815_5340156.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5395979
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591866142720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 190 1 189 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000855/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.756 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria IRPF Omissão de Rendimentos Recorrente ANGELO GIUSEPPE ALMASIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO AFASTADA Não caracteriza omissão de rendimentos os depósitos individuais de valores inferiores a R$ 12.000,00 que somados, no ano, não ultrapassem o total de R$ 80.000,00. Súmula 61 do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000855/200815 Acórdão n.º 2102002.756 S2C1T2 Fl. 191 2 Relatório O presente Recurso Voluntário é decorrente de decisão proferida em 09 de abril de 2.009, pela 2a Turma da DRJ/RJ0II (fls. 170/175), que por maioria de votos manteve integralmente a exigência objeto do Auto de Infração lavrado em 26/05/2008 (fl. 143) no valor total de R$ 36.281,77, sendo R$ 15.663,00 a título de imposto, R$ 8.871,52 de juros de mora calculados até 30/04/2008, multa proporcional de R$ 11.747,25, onde constam como infrações à legislação fiscal, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Intimada do lançamento fiscal, apresentou impugnação, que recebeu do relator de primeira instancia o seguinte relatório (fl. 171): Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 308 a 317, relativo ao anocalendário de 2003, em virtude da apuração da seguinte infração: a) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA — o trabalho iniciouse com relação As operações em que o contribuinte aparece como beneficiário de divisas remetidas por meio de contas do banco Chase de Nova York ligadas ao BHSC. Foram desconsiderados os depósitos referentes A transferência entre contas de mesma titularidade, doações, resgates automáticos, etc. Após tais desconsiderações, os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 atingiram o montante de R$ 142.038,83. Continuando, também foram excluídos os depósitos oriundos de remessas do exterior e identificados como tendo sido realizados pelo contribuinte ou decorrentes de doação, consequentemente os valores inferiores a R$ 12.000,00 baixaram para o total de R$ 137.998,83. 0 contribuinte foi então intimado a se manifestar sobre a origem dos depósitos remanescentes, tendo esclarecido a origem de alguns como sendo venda de ações por intermédio da Prime e pagamentos de empréstimos. 0 resultado foi que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 chegou a R$ 75.417,83 os quais o contribuinte não logrou comprovar a origem, sendo tributado no presente lançamento. 0 enquadramento legal consta As fls. 312, 314 e 316. Sobre o imposto apurado, no montante de R$ 15.663,00, foi aplicada multa de oficio de 75% e juros de mora regulamentares, alcançando um total de R$ 36.281,77. Após cientificado do Auto de Infração em referência, em 28/05 ./08 (fl. 318 verso), o interessado apresentou a impugnação de fls. 322 a 326, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) o lançamento teria como origem os depósitos efetuados na conta corrente mantida pelo reclamante no Banco do Brasil, agência 15172, conta 10723; 2) protesta contra o auto de infração, pois somente são considerados tributáveis os rendimentos oriundos dos depósitos bancários e aplicações financeiras não comprovadas, nos casos Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000855/200815 Acórdão n.º 2102002.756 S2C1T2 Fl. 192 3 em que o Fisco estabeleça sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; 3) em outras palavras, a fiscalização teria que ter provado que teria ocorrido a realização de gastos inCompaiiveis com a renda disponível do contribuinte; 4) como não existe declaração mensal, o saldo disponível de um mês deve ser levado em consideração para o mess seguinte, e isto não ocorreu; 5) o fato de constar nos extratos bancários depósitos de valores diversos, não di direito ao fiscal de afirmar que os mesmos são omissão de rendimentos; 6) o fiscal solicitou a apresentação de todos os gastos inseridos na declaração e aqueles usuais no âmbito familiar, tendo percebido que não resultaria em incompatibilidade de aplicações e recursos. Por isso, a fiscalização tributou os valores contidos na conta bancária; 7) o montante dos depósitos tributados foi de R$ 75.417,83 e os valores mensais não foram superiores a R$ 10.634,03. Cita o art. 849, parágrafo 2° do art. 849 do RIR199 quanto aos valores igual ou inferior a R$ 12.000,00; 8) portanto, o próprio enquadramento legal da fiscalização exclui terminantemente a possibilidade de prosperar o presente lançamento, haja vista que todos os valores são inferiores ao valor individual de R$ 12.000,00, como também a totalização não ultrapassa os R$ 80.000,00; 9) assim, pede o cancelamento do auto de infração. Apreciados os argumentos apresentados, por maioria de votos, o trabalho fiscal foi julgado procedente, vencidos os julgadores Bernardo Schmidt e Maria Cecília Alvim da Cunha Pereira Rodrigues quanto aos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00. O julgamento proferido recebeu a seguinte ementa (fl. 170): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não' comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SOMATÓRIO DE R$ 80.000,00. Nos termos do art. 42, §3°, da Lei n° 9.430, de 1996, serão considerados os depósitos de valor individual igual ou Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000855/200815 Acórdão n.º 2102002.756 S2C1T2 Fl. 193 4 inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório ultrapassar o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano calendário. Lançamento Procedente Em grau de recurso voluntário a este colegiado, resumidamente, aduz o recorrente: a) “que somente são considerados tributáveis os rendimentos oriundos dos depósitos bancários e aplicações financeiras não comprovadas, nos casos em que o fisco estabeleça sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com renda disponível do contribuinte”; o que não foi comprovado; b) que o total dos depósitos realizados naquele ano foi de R$ 75.417,83, com valores mensais registrados não superiores a R$ 10.634,03, e a autuação contraria os termos do par. 2o, I do art. 849 do RIR/99, bem como precedente deste colegiado, dando equivocada interpretação ao art. 42 da lei 9.430/96 c) não houve comprovação de gastos incompatíveis com a renda. Este é o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade com o prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n.o 70.235/72, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, dele conhecendo. A questão que originou este processo, cingese à interpretação do art. 42 da lei 9.430/96, que estabelece: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000855/200815 Acórdão n.º 2102002.756 S2C1T2 Fl. 194 5 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) A respeito, a Súmula CARF 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Com efeito, à fl. 147 do lançamento fiscal, a autoridade fiscal autuante, antes de elencar os valores de janeiro a dezembro de 2003, cujo maior valor individual é o do mês de novembro, de R$ 10.634,03, ele consigna que a soma dos valores é de R$ 75.477,83, portanto, inferior a R$ 80.000,00. Destarte, evidenciase o acerto dos julgadores que divergiu do relator, no tocante aos depósitos inferiores ao valor de R$ 12.000,00, que acabou vencidos, e que não ultrapassaram o valor total de R$ 80.000,00 naquele ano de 2003. Assim, com fundamentos nesses fatos e na legislação, já sumulada pelo CARF, a pretensão fiscal não pode prosperar. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000023/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Redator Designado
EDITADO EM: 12/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10976.000023/2010-21
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5346912
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.269
nome_arquivo_s : Decisao_10976000023201021.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
nome_arquivo_pdf_s : 10976000023201021_5346912.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Designado EDITADO EM: 12/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Andréa Medrado Darzé.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5446342
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591869288448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000023/201021 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.269 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de junho de 2013 Assunto Auto de Infração IPI Recorrente LONAX INDÚSTRIA BRASILEIRA DE LONAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente e Relator. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado EDITADO EM: 12/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em que se busca a reforma do Acórdão 09 31.111, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, assim ementado:. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa:LONA PLÁSTICA.CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .0 00 02 3/ 20 10 -2 1 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 3 2 Uma vez comprovado que a fabricação da lona plástica deuse a partir da utilização preponderante de polietileno, correto o posicionamento do Fisco ao localizar o referido produto na codificação 3920.10.90 da Tabela de Incidência do IPITIPI. PEDIDO DE PERÍCIA. É de se tomar por não formulado o pedido de perícia do qual estejam ausentes os requisitos exigidos pelo art.16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 Impugnação Improcedente Relata a autoridade autuante1 que a recorrente enquadrara os produtos por ela industrializados em destaque (“ex”) da Tabela Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados e que, após as devidas verificações, restara demonstrado que tal destaque seria incabível. Segundo aponta, após a análise da fórmula e da lista de produtos apresentadas em resposta a intimação2, concluíra a autoridade fiscal que os produtos seriam elaborados a partir de polietileno e que o produto denominado “reciclado”, responderia por mais de 90% das matériasprimas utilizadas na produção das lonas plásticas, produto fabricado pela recorrente. Narra a Autoridade Fiscal, ainda, que as notas fiscais de entrada demonstrariam que a maioria das compras efetuadas em 2005 e 2006 diriam respeito à aquisição de polietileno de baixa densidade, não tendo sido identificada nenhuma nota fiscal de polipropileno. Acrescenta, ademais, que, com base nas informações colhidas no sítio mantido pela autuada na internet, seria possível apurar que a autuada fabricaria lonas plásticas, empregadas em um vasto rol de aplicações como proteção, cobertura, silagem, forragem de poços de piscicultura. embalagem de objetos pontiagudos ou pesados, etc. Tal pesquisa exemplificaria, ainda, as dimensões das lonas plásticas fabricadas. Defende, nessa linha, que a impropriedade da classificação adotada pela recorrente: 3920.20.19 Ex 01, própria para a classificação de “substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura a ultravioleta”. Por outro lado, inobstante reconheça a correção do item eleito pelo sujeito passivo (3920), defende que em face das características dos produtos, segundo alega, elaborados a partir de polietileno de baixa densidade, caberia classificálo no subitem 3920.10.90, cujas saídas eram tributadas a 15%. Outra acusação formulada pelo Fisco diz respeito à apuração irregular de créditos, alegadamente decorrentes de aquisições a pessoa jurídica que se declarou inativa no período de expedição das notas fiscais e que não foi localizada no endereço indicado. Consta, ainda, do relatório fiscal que as notas fiscais não teriam recebido qualquer carimbo do Fisco Estadual, apesar do emitente se situar em estado diverso do da contribuinte. 1 Termo de Verificação às fls. 29 a 36. 2 Doc. às fls. 100 a 105. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 4 3 Narra ademais, que intimara a contribuinte a apresentar comprovantes da efetiva transferência dos recursos e que tal intimação não surtira efeito. Regularmente cientificada, comparece a autuada ao processo para, sinteticamente, arguir que: 1 O auto de infração seria nulo, pois teria sido lavrado por pessoa tecnicamente incompetente para discorrer acerca das características físicoquímicas do produto elaborado; 2 As conclusões acerca das características das matériasprimas utilizadas teriam se embasado exclusivamente em presunções; 3 A verificação da correta classificação dos produtos fabricados demandaria uma análise técnica específica, tarefa para a qual a autoridade fiscal não estaria qualificada; 4 Para a fabricação do produto por ela elaborado lona plástica de material reciclado empregaria todo o material reciclado que seja possível de se transformação, aí incluídos lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixo doméstico, ou seja, uma diversidade de lixo plástico; 5 Consequentemente seria inviável identificar as características de suas matériasprimas, que incluiriam polietileno de alta, baixa e media densidade, linear, industrial, polipropileno, poliestireno e outros polímeros flexíveis, chamados de resinas termoplásticas. No processo de industrialização estes produtos seriam fundidos pelo calor e após este processo, a diferença entre os mesmos seria exclusivamente o seu peso molecular; 6 No processo de reciclagem os produtos seriam novamente aquecidos, ocasião em que ocorreria união entre cadeias de polietileno, polipropileno, poliestireno e outros. Na oportunidade, seriam ainda acrescidos aditivos, protetor uv, tintas e pigmentos. Conclui que não seria possível promover a identificação pretendida pelo Fisco e que tal inviabilidade teria sido relatada no curso da ação fiscal;. 7 Inobstante, no seu sentir, sem qualquer análise técnica, concluíra o Fisco que a classificação adotada estava incorreta e que a correta seria o código 390 1.10.90. Tal conclusão teria sido extraída exclusivamente das notas fiscais de entrada apresentadas pela empresa, que na sua maioria, retratariam aquisições de polietileno de baixa densidade, classificados na posição 3901.10.91; 8 As conclusões, adotadas sem o apoio de laudo técnico, estariam completamente equivocadas, pois o termo polietileno constante nas notas fiscais de entrada referirseiam exclusivamente à nomenclatura usual do mercado de venda de lixo reciclado. Por questões práticas, ante a impossibilidade de se detalhar precisamente cada tipo de lixo plástico esta sendo adquirido, o termo é utilizado para designar todo material plástico reciclado; 9 A grande maioria das notas fiscais fariam referência à aquisição de polietileno reciclado, plástico reciclado e até mesmo polipropileno e não polietileno de baixa densidade, conforme mencionado pelo d. Fiscal; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 5 4 10 O código 3901.10.91 seria próprio para a classificação de polímeros de etileno de forma primária, ou seja, “polietileno virgem”, que somente seria empregado em 0,1% do processo de industrialização; 11 No curso do procedimento fiscal que foi alvo do processo nº 13603.00.01081/200611, em teria sido formalizada exigência nos mesmos termos do presente, foi apresentado laudo técnico em que se demonstraria que tanto as matériasprimas quanto as lonas plásticas fabricadas não poderiam ser classificadas como polietileno. Seriam utilizados no processo de industrialização reciclados de polietileno e polipropileno, oriundos do lixo industrial, domiciliar e outros. O polietileno (polímero de etileno) virgem seria utilizado de forma ínfima. Afirma que exigência foi afastada pelo Conselho de Contribuintes, em decisão unânime e pleiteia que as peças daquele processo sejam trasladadas para o presente processo; 12 Ressaltaria, ainda, o Perito, em nota esclarecimento datada de 22/07/2008, que o termo polietileno reciclado referirseia a aparas de polietileno, polipropileno, PVC , PET e demais plásticos/polímeros, em percentuais variados, oriundos do lixo e de resíduos; 13 Os créditos decorrentes das notas fiscais emitidas pela empresa Queop’s Comércio de Embalagens Ltda., apesar escriturados, não teriam sido utilizados para reduzir o pagamento do IPI. Como afirmara a própria Autoridade Fiscal, os produtos fabricados pela recorrente seriam tributados à alíquota de 0%. Mantida integralmente a exigência fiscal, sobreveio recurso voluntário em que a recorrente, sinteticamente, reitera os fundamentos aduzidos por ocasião da apresentação de sua impugnação, acrescentando que: 1 Seus questionamentos acerca da inobservância, por parte do órgão julgador de primeira instância, da decisão exarada pelo Conselho de Contribuintes em caso idêntico ao presente. Destaca trechos do acórdão de segunda instância que retificariam suas conclusões; 2 Sua insurgência acerca da afirmação do órgão de primeira instância no sentido de que o perito confirmaria que os produtos da recorrente seriam fabricados a partir de polietileno. Transcreve trecho de nota de esclarecimento datada de 22/07/2008, em que o expert , complementando o laudo datado de 25/08/2006, afirmaria que a expressão “polietileno reciclado” empregada no laudo, diria respeito a aparas de polietileno, polipropileno , PVC , PET te demais plásticos/polímeros, em percentuais variados, oriundos do lixo e de resíduos. 3 Ainda que se considere que houve equívoco quanto à definição da classificação fiscal, estarseia diante de dúvida capaz de determinar a aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. Transcreve o dispositivo Pleiteia o provimento do recurso ou, alternativamente, a exclusão das multas de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Antes de adentrar na análise dos Fl. 479DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 6 5 fundamentos recursais, é importante destacar qual é o cerne do litígio que cabe a este Colegiado solucionar. Como já antecipado, a recorrente vem aplicando a alíquota de 0%, fixada no Ex 001 do subitem 3920.20.19, assim descrito: “Substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura a ultravioleta”. A autoridade fiscal, por sua vez, afirma que o produto industrializado em seu estabelecimento, lona plástica, não reúne as características acima enumeradas, bem assim que não é elaborado a partir de polipropileno, mas de polietileno de baixa densidade. De fato, como venho me posicionando em outras oportunidades, não se poderia confundir o “Ex”, benefício outorgado a determinado produto, que reúna determinadas características e que é indexado a partir da Nomenclatura Comum do Mercosul, com a classificação propriamente dita. Tal distinção, conforme será melhor exposto adiante, é essencial para a análise do litígio. Feita tal demarcação, analiso separadamente a seguir cada um dos pontos acerca dos quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Preliminarmente Nulidade por Ausência de Capacidade Técnica O primeiro ponto a ser enfrentado, diz respeito à suposta impossibilidade da autoridade fiscal, independentemente de assistência de perito, concluir que as lonas plásticas teriam determinada composição química. Não vejo como tal alegação possa prosperar; Evidentemente, a competência a que se refere o inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 19723 diz respeito à ao poder legalmente outorgado para a prática do ato de lançamento. Ou seja, ao conceito jurídico de competência. Ora, como é cediço, o art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002, em qualquer de suas versões, deixa claro que a lavratura de auto de infração e a realização de procedimentos fiscais são atribuições do AuditorFiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Confirase: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (...) 3 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 7 6 c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados;(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts.1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal;(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Por outro lado, narra a autoridade fiscal que, baseada na analise das notas de compra que, em sua maioria, tratariam de polietileno da baixa densidade4, e nas fórmulas de produto descritas às fls. 100 a 105, chegou à conclusão de que as mercadorias seriam elaboradas a partir de polietileno de baixa densidade e que, consequentemente, deveriam ser classificadas no item 3920.10.90, próprio para a classificação de chapas, folhas, películas, tiras ou lâminas de plástico de polímeros de etileno de baixa densidade. Restando inegável que, formalmente, foi cumprida a regra de instrução processual gizada no art. 9º5 do Decreto 70.235, de 1972 e que o servidor responsável pela lavratura do auto de infração detinha competência legal para tanto, não há espaço para se decretar a nulidade do procedimento. Evidentemente, decidir se tais elementos seriam suficientes para, no mérito, manter a exigências, é discussão a ser tratada no momento oportuno. 2 Mérito 2.1 Alíquota Empregada Enquadramento em Destaque “Ex” A primeira questão de mérito a ser enfrentada é a aplicação da tributação diferenciada dos produtos litigiosos no “Ex” 001 do subitem 3920.20.19, aplicável a produtos que se enquadrem na seguinte descrição: Ex 01 Substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura a ultravioleta Como é possível perceber, conforme restou incontroverso no presente processo, a recorrente fabrica lonas plásticas. Relembrese, essa informação sempre constou de todas as respostas da recorrente, bem assim dos documentos que lhe dão suporte. O Fisco, por sua vez, chegou à mesma conclusão, a partir da leitura das fórmulas colacionadas às fls. 100 a 105 e de pesquisa ao sítio da rede mundial de computadores mantido pela recorrente. 4 À guisa de exemplo, colacionou as cópias de fls. 136 a 146. 5 Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 8 7 Assim, sendo, revelase inconteste que tal produto não guarda semelhança com a descrição fixada na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, que se baseia na Nomenclatura Comum do Mercosul. De se destacar que, segundo a pacífica jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o reconhecimento do benefício originário de “Ex” reclama a perfeita identidade entre o produto e a descrição contida no ato que institui aquele tratamento diferenciado. Tratase de matéria sujeita à interpretação literal capitulada no art. 111, II do Código Tributário Nacional6. Confirase os arestos: a) Acórdão CSRF nº 0306.081, de 08/09/2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1995 O Extarifário é uma redução de Imposto de Importação de caráter geral. A descrição prevista em um "EX" especifico deve corresponder exatamente com a mercadoria que é importada. Aplicase ao Extarifário a disposição contida no art. 111, inciso II, do CTN. b) Acórdão CSRF /0304.441 de 08/08/2005 CLASSIFICAÇÃO 'EX" TARIFÁRIO. A interpretação da legislação que outorga beneficio fiscal deve ser feita de forma literal. c) Acórdão 30130309 de 20/08/2002. BENEFÍCIOS FISCAIS. EX "TARIFÁRIO. Não restando devidamente comprovado que o equipamento importado exerce as funções previstas no "ex" tarifário, não está o mesmo amparado pela alíquota reduzida, devendo sujeitarse o contribuinte ao recolhimento dos impostos calculados sob a alíquota estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, bem como ao recolhimento das multas e acréscimos legais. Ante a tais conclusões, não vejo como, independentemente da confirmação do erro de classificação, deixar de aplicar a alíquota prevista para o subitem 3920.20.19, eleito pelo sujeito passivo (15%). 2.2 Classificação Fiscal. De qualquer forma, tomando como referência os elementos carreados ao processo, penso que razão também assiste ao Fisco no que se refere à fixação da classificação. Destaco, inicialmente, que estudei detidamente o voto condutor do acórdão 320100.264, de lavra do i. Conselheiro Ricardo Paulo Rosa que, atualmente, é o Decano deste Colegiado, bem assim que, após analisar as premissas ali assumidas e os elementos de instrução do presente processo, passei a concluir que tais premissas não poderiam ser replicadas no presente julgamento. 6 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 9 8 Essencialmente, concluiu o acórdão que a recorrente pretende ver replicado, que não haveria segurança em relação a pelo menos dois elementos imprescindíveis para a determinação da classificação da mercadoria: a composição e a densidade das matériasprimas. A rigor, não posso nem afirmar que discordo de tais conclusões, pois não sei quais teriam sido os elementos carreados àquele processo. Posso apenas me posicionar no sentido de que, no presente processo há, a meu ver, elementos que conduziriam a tal convicção. Abro aqui um parêntese para registrar que faço coro com acórdão apontado como paradigma no sentido que ao julgador administrativo é defeso analisar uma acusação com base na “similaridade da tributação”. Ou seja, não poderia o julgador aquiescer com a possibilidade de se atribuir uma terceira classificação ao produto e, ainda assim, ratificar as conclusões da autoridade fiscal. Evidentemente isso não significa que, em face do efeito devolutivo do recurso voluntário, este Conselheiro não possa reanalisar a integralidade da matéria litigiosa e igualmente concluir pela procedência da autuação. Em primeiro lugar, há que se registrar que não foi colacionada ao processo nenhuma nota fiscal que noticie a aquisição de polipropileno, sacolas plásticas, Politereftalato de etileno (PET) ou Policloreto de vinila (PVC) reciclados. Todas as notas fiscais que constam dos autos dizem respeito à aquisição de polietileno. Algumas descrevem especificamente como de baixa densidade7, outras polietileno “de baixa” 8 e outras simplesmente “polietileno reciclado”9. Notar que estas últimas, apesar de não descreverem suficientemente o produto, identificam sua classificação fiscal: 3901.90.90 (outros polímeros de etileno em formas primárias). Relevante destacar, ainda, que as notas fiscais às fls. 141, 142, 143 144, 145 últimas trazem uma denominação compatível com a descrição das matériasprimas empregadas no processo produtivo (Reciclado Preto e Reciclado Canela), conforme Fórmula do Produto e Lista do Produto colacionada às fls. 100 a 107. Por outro lado, o processo de fabricação de lonas foi descrito pela recorrente nos seguintes termos10 (original não destacado): PREPARAÇÃO E MATERIAIS NECESSÁRIOS: • Polietileno; • Pigmento; • Aditivo; • Balança; • Dosadores • Aglutinadores PRINCIPAIS ATIVIDADES: • Preparar as misturas nos dosadores conforme IT — PROD— 09— CENTRAL DE DOSAGEM, (...) 7 Cópias às fls. 136, 137, 138, 141, 142, 145 e 146.. 8 Fls. 139 e 140 9 Fls. 143 e 144. 10 Vide documento intitilado "Fórmula do Produto e Lista de Produtos", às fls. 100 a 107. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 10 9 CUIDADOS ESPECIAIS: • Atentar ao funcionamento correto das balanças. • 'Conferir regularmente, de acordo com tabela de fórmula do produto, percentuais de mistura de cada produto nos dosadores conforme produção diária informado no formulário de Resumo de Produção."_, • Quando necessário comparar produto final com pasta de amostra de produto final disponível com encarregado de produção Poderão ocorrer variações nos percentuais da mistura de acordo com o resultado da avaliação de amostra da lona. Nos quadros seguintes, descrevese o percentual de “reciclado preto” e “reciclado canela” (descrição que coincide com algumas notas fiscais de compra”, pigmento e dessecante, bem assim as características nas lonas (peso e dimensões). Outra informação que se extrai da fórmula dos produtos é que a proporção entre “reciclado preto” e “reciclado canela” altera em razão do tipo de produto fabricado. Como é possível observar, por exemplo, o produto “Lona Preta Leve” é composto de 98,40% de “Reciclado Preto”, 1% de pigmento e 0,60% de dessecante, enquanto que o produto denominado “Lona Preta Pesada”, é composto de 67,90 % de “Reciclado Preto” e 30% de “Reciclado Canela”, 1,50% de pigmento preto e 0,60% de dessecante. Concluise, a partir desses elementos, que, diferentemente do alegado, os “reciclados” adquiridos não seriam formados indistintamente, a partir de qualquer resíduo de matéria plástica. Por outro lado, resta ainda afastada a alegação de que as cores (preto, canela, cristal) diriam respeito exclusivamente à pigmentação dos reciclados. Se o preponderante fosse a cor, não haveria porque, em dois produtos igualmente pretos, acrescentar “reciclados” de cores diferentes. A cor das lonas, pelo menos segundo as fórmulas, decorre da adição de pigmentos. De fato, há um padrão de composição associado a cada um desses produtos e tal padrão é utilizado, inclusive, para fixar a composição do produto final. Ora, admitir que o contribuinte desconhece a composição dos insumos seria o mesmo que concluir que o contribuinte desconhece o produto que revende. O que, com a devida vênia, não corresponde à realidade. Tanto ele conhece que publica em seu sítio que produz lonas diferentes, com aplicações diferentes. Diante de tal quadro e, principalmente da ausência de fundamentação, peço licença para desconsiderar as conclusões assentadas no laudo técnico colacionado às fls. 220 a 239. Em primeiro lugar, há que se recordar que o direito processual pátrio incorpora a sistemática que a doutrina convencionou denominar “persuasão racional” ou “livre convencimento motivado”, onde o julgador, nas hipóteses expressamente previstas, deve observar critérios prédeterminados na avaliação da prova. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 11 10 Quanto a tal aspecto, peço licença para trazer a lição de Humberto Theodoro Júnior11, que pondera (destaquei): Deve, pois, em nosso sistema de julgamento, verificar o juiz se existe uma norma jurídica sobre a prova produzida. Se houver, será ela aplicada. Adotou o Código, como se vê, o sistema da persuasão racional, ou “livre convencimento motivado”, pois: a) embora livre o convencimento, este não pode ser arbitrário, pois fica condicionado às alegações das partes e às provas dos autos; b) a observância de certos critérios legais sobre provas e sua validade não pode ser desprezada pelo juiz (arts. 335 e 366) nem as regras sobre presunções legais; c) o juiz fica adstrito às regras de experiência, quando faltam normas legais sobre as provas, isto é, os dados científicos e culturais do alcance do magistrado são úteis e não podem ser desprezados na decisão da lide; d) as sentenças devem ser sempre fundamentadas, o que impede julgamentos arbitrários ou divorciados da prova dos autos. No plano do processo administrativo, a dogmatização dessa metodologia encontrase gizada nos art. 29 a 30 do Decreto nº 70.235/72. Senão vejamos (original não destacado): Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Como é possível verificar, a par da liberdade para formação da convicção do julgador consignada no art. 29, no artigo seguinte, determinouse que, salvo comprovada improcedência, os laudos e pareceres daqueles institutos deverão ser adotados em seus aspectos técnicos de sua competência. Em que pese o extenso currículo do perito, não se tem notícia da sua vinculação a quaisquer das instituições enumeradas no diploma legal. Por outro lado, o que é mais relevante, as conclusões do perito não indicam a realização de qualquer exame laboratorial capaz de identificar a natureza das matériasprimas. O únicos meios de investigação que se pode extrair da leitura do laudo são a inspeção visual dos estoques que se encontravam no estabelecimento e a entrevista ao contribuinte e estes, com a devida vênia não são suficientes para identificar a composição química. A única documentação que acompanha o laudo são as fotos tiradas no estabelecimento. 11 Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro, Forense, 9ª ed., volume II, p.p. 416/417. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 12 11 Se não foi feita qualquer análise química, área de conhecimento à qual se encontraria vinculado o expert não há que se falar em aspecto técnico. O que remete ao segundo fundamento para não considerar as conclusões do perito. Para tanto, tomo emprestados os ensinamentos de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez, que esclarecem12: Destacase que o fato de a ressalva in fine, relativa ao alcance da vinculação, restringirse aos aspectos técnicos é oportuna porque ao perito é apenas destinada a função de confirmar ou negar fato com base em levantamentos feitos e conhecimentos. A prova pericial é inidônea para atestar fatos que independem de conhecimentos especializados do perito. (original não destacado) De fato, sem a análise química dos “reciclados” preto e canela adquiridos pela recorrente, ou do processo de elaboração das recicladoras, não há como considerar que o “expert” tenha discorrido acerca de aspectos afetos à sua qualificação profissional. Assim sendo, ainda que o “expert”, praticamente dois anos depois, informe, que o termo “polietileno reciclado diverso”, empregada no laudo original, compreenda aparas de polietileno, polipropileno, PVC, PET e demais plásticos ou polímeros, em percentuais variados, na ausência de qualquer elemento adicional, como por exemplo, uma publicação especializada ou informações coletadas junto aos fornecedores de reciclados, não vejo desconsiderar a descrição constante das notas fiscais e dos documentos expedidos pela recorrente, que fazem referência expressa à aquisição e à utilização de polietileno. De fato, teria que ser apresentada prova robusta de que as notas fiscais e as fórmulas utilizariam uma expressão quando, na verdade, estariam referência a outra. Não se pode esquecer, ademais, que, além da descrição, consta dos autos notas fiscais que demonstram a aquisição de “reciclados” com a classificação própria de polietileno em formas primárias. Por outro lado, não há dúvida de que, segundo as formulas colacionadas às fls. 100 a 104, o processo produtivo da recorrente consiste em exclusivamente misturar o material plástico previamente adquirido a pigmentos e aditivos que, somados, nunca superam 10%. Ou seja, nenhum produto da recorrente é elaborado a partir de outra matéria plástica diversa do “reciclado” e do polietileno de baixa densidade “virgem”. Assim, sendo certo que, pelo menos segundo os elementos carreados ao processo, os “reciclados” são igualmente elaborados a partir de polietileno, partese do pressuposto de que esta é principal matériaprima das lonas plásticas. Nessa linha, pelo menos para efeito de julgamento do presente processo, será considerado que as lonas plásticas são fabricadas a partir de polietileno. É importante esclarecer que este relator não desconhece a Nota 4 do Capítulo 39, relativa aos copolímeros, brilhantemente expostas pelo Conselheiro Ricardo Paulo Rosa no votocondutor do Acórdão 320100.264. Muito pelo contrário, tais, 12 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo. Dialética, 2010, 3ª ed., p. 429. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 13 12 4.Consideramse copolímeros todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95% ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluídos os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine em peso sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. No sentido da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem em uma mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros, conforme o caso, classificamse na posição situada em último lugar, na ordem numérica, entre as que poderiam considerarse para a sua classificação. No caso concreto, relembrese, podese verificar, a partir das fórmulas das lonas e dos demais elementos colhidos do documentário fiscal, que o polímero de etileno predomina sobre os demais componentes. Havendo predominância daquele, ainda que se considere que os produtos são elaborados um copolímero, cabe classificar o produto na subposição 3920.10, relativa ao produto que predomina em peso. Ou seja a correspondente aos polímeros de etileno. Pois bem, como antecipado, não há dissenso acerca da posição que classificaria os produtos. Fisco e Contribuinte estão de acordo com relação à utilização do código 3920, assim redigido: 3920 OUTRAS CHAPAS, FOLHAS, PELÍCULAS, TIRAS E LÂMINAS, DE PLÁSTICOS NÃO ALVEOLARES, NÃO REFORÇADAS NEM ESTRATIFICADAS, NEM ASSOCIADAS DE FORMA SEMELHANTE A OUTRAS MATÉRIAS, SEM SUPORTE 3920.10 De polímeros de etileno 3920.20 De polímeros de propileno 3920.30.00 De polímeros de estireno 3920.4 De polímeros de cloreto de vinila 3920.5 De polímeros acrílicos 3920.6 De policarbonatos, de resinas alquídicas, de poliésteres alílicos ou de outros poliésteres 3920.7 De celulose ou dos seus derivados químicos 3920.8 De outros plásticos Demonstrase evidente, a partir das premissas anteriormente exposta, que a subposição que melhor classificaria o produto seria a 3910.10, assim desdobrada: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 14 13 3920.10.10 De densidade superior ou igual a 0,94, espessura inferior ou igual a 19 micrometros (mícrons), em rolos de largura inferior ou igual a 66cm 3920.10.90 Outras Para a classificação dos produtos no item 3910.10.10 é necessário que o produto reúna, concomitantemente, três condições: densidade, espessura e largura. Se não for preenchida qualquer dessas condições, o produto deve ser classificado no item 3920.10.90. Dúvida não há de que os autos não reúnem elementos que revelem qual é a ordem de grandeza da densidade dos “reciclados” empregados no processo produtivo ou a espessura das lonas. Entretanto, imagino, isso não seria obstáculo para se afastar o item 3920.10.10 e, consequentemente, ratificar o item eleito pelo Fisco. Em primeiro lugar, há que se ter em mente o qua diz a NESH da Posição 3901 (original não destacado): O polietileno é um polímero translúcido com uma vasta gama de aplicações.O polietileno de baixa densidade (LDPE), isto é, o polietileno de densidade inferior a 0,94 a 20°C, medida utilizandose um polímero sem aditivo, é utilizado sobretudo como película para embalagem, especialmente de produtos alimentícios, como revestimento de papéis, de painéis de fibras, de folhas de alumínio, etc., como isolante elétrico e na fabricação de diversos artigos de uso doméstico, brinquedos, etc. A presente posição abrange igualmente o polietileno de baixa densidade linear (LLDPE). O polietileno de alta densidade (HDPE) é um polietileno de densidade igual ou superior a 0,94 a 20°C, medida utilizandose um polímero sem aditivo. É empregado na fabricação de um grande número de artefatos por injeção, insuflação (sopragem) e moldação por injeção, de sacos de tecidos, de recipientes próprios para conter gasolina ou óleo, para de extrusão tubos, etc. Os copolímeros de etileno e acetato de vinila utilizamse especialmente na fabricação de tampas de garrafas e semelhantes, no revestimento interior de recipientes de cartão e de películas extensíveis para embalagens. Se os documentos noticiam a realização de operação com o polietileno de baixa densidade ou simplesmente “de baixa”, poderseia concluir que os “reciclados” possuiriam densidade inferior a 0,94, o que seria suficiente para excluílo do item 3920.10.10. De qualquer forma, mesmo que não se chegue a tal conclusão, admitindo que os emitentes não utilizaram do devido rigor técnico quando expediram seus documentos fiscais ou até mesmo que a fusão realizada no estabelecimento alteraria a densidade dos produtos, não há a menor dúvida de que as lonas plásticas possuem largura superior a 66 cm. Com efeito, compulsando as cópias de notas fiscais às fls. 148 a 151 e, principalmente, a relação de produtos às fls. 104 a 107 deixam claro que nenhuma das lonas fabricadas possui largura inferior a 2 metros. 2.3 Glosa dos Créditos Baseados em Notas Fiscais Inidôneas Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 15 14 Andou bem, a meu ver, a autoridade fiscal ao glosar créditos oriundos de notas fiscais que, após as devidas verificações demonstraramse inidôneas e que a recorrente não logrou êxito em demonstrar a afetiva transferência dos recursos. Por outro lado, é inegável que a redução do saldo credor repercute no cálculo do imposto que deixou de ser recolhido e consequentemente, no valor da multa de ofício incidente sobre essa diferença. Pelo que foi demonstrado, a autoridade autuante promoveu a necessária reconstituição da escrita fiscal e apurou o imposto que, se mantidas as premissas fixadas para a autuação, será devido. 2.4 Multa de Ofício Igualmente devida é a multa de 75%. Como já repisado, amparada em um ex ao qual não faria jus, a Recorrente deu saída a seus produtos autolançando o imposto em valores inferiores ao devido e, conforme o saldo credor da sua escrita fiscal, recolheu o imposto em valores igualmente inferiores ao devido. Restam claramente delineadas as infrações previstas no art. 80, I da Lei nº 4.502, de 1964, que, à época dos fatos geradores litigiosos tinha a seguinte redação: "Art. 80.A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Isetenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Quanto a este ponto, resta assentar que, em face da ausência de qualquer dúvida acerca das infrações perpetradas, não vejo como afastar a exigência de tributos e multa em razão da alegação de dúvida capaz de atrair a aplicação do art. 112 do CTN13. Está claro que a recorrente não observou a legislação que disciplina a fixação da classificação e qual seriam as consequências desse descumprimento. Finalmente, resta registrar, quanto a esse ponto, que não há que se investigar acerca da intenção do agente, pois não foi acusada a presença de dolo, fraude ou simulação e que a infração capitulada se insere no plano da responsabilidade objetiva. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013. 13 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 16 15 (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado Em que pese a elogiável análise fática procedida pelo i. Relator do Processo, tanto quanto o foi o exame da legislação aplicável; fato é que, durante a Sessão de Julgamento, a Turma chegou à conclusão que seria prudente, em face de certas lacunas observadas na instrução probatória do Processo, a conversão do feito em diligência com vistas a obtenção de informações adicionais, capazes de dirimir quaisquer dúvidas a respeito da matériaprima empregada na fabricação do produto final obtido no processo fabril da Recorrente. Durante a sustentação oral, o Perito convocado pela empresa para prestar esclarecimentos técnicos fez menção ao fato de que a identificação observada nas notas fiscais de aquisição dos insumos não tem o rigor imaginado. Lançando mão de amostras coletadas (conforme afirmou) ao acaso, procurou demonstrar a grande variedade de plásticos utilizados no processo de reciclagem e fabricação das lonas. Diante da variedade de especificações possíveis, enfatizou que o coletor descreve o material genericamente como polietileno, sem atentarse à precisa identificação de cada um dos produtos coletados. Uma vez que a descrição contida nas notas fiscais constituiuse em um importante elemento probatório dentro de um contexto no qual há, inclusive, laudo pericial atestando a especificação técnica informada pelo contribuinte, entendeuse necessário confirmar que a matériaprima empregada na fabricação do produto final pode de fato ser reconhecida, conforme assevera a Fiscalização Federal, como Polímeros de Etileno. Fundamental destacar que, a despeito da precisa conclusão a que chegou o i. Relator do Processo, no sentido de que o produto fabricado pela Recorrente, independentemente da sua classificação tarifária, não poderia ser enquadrado no “EX” utilizado pela empresa, fato é que o Auto de Infração, salvo entendimento em contrário, não subsistirá se chegarse à conclusão de que a classificação fiscal indicada pela Fiscalização não está correta. VOTO pela conversão do julgamento em diligência, a ser conduzida pela Unidade Preparadora, com o objetivo de identificar a matériaprima empregada nas lonas fabricadas. Amostras do produto industrializado pela Recorrente, representativas da mercadoria em exame no Processo deverão ser coletadas no local de funcionamento da empresa, assim como da matériaprima utilizada na sua fabricação14. 14 Especificamente na fabricação do tipo de lona objeto do presente processo. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3102000.269 S3C1T2 Fl. 17 16 Para que não sobrevenham dúvidas em relação a situação de normalidade das atividades da indústria, a visita para obtenção das amostras necessariamente deverá ser realizada sem o conhecimento prévio da empresa. A critério da Unidade, deverá ser designado perito ou laboratório credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, o Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere, a fim de periciar o processo produtivo e os produtos acabados elaborados pela recorrente. Em face das informações coletadas, esclarecer: a) Procede a alegação de que as lonas plásticas que são objeto do presente processo podem ser fabricados a partir de qualquer matéria plástica reciclada, como, por exemplo, policloreto de vinila (PVC), polietileno, polipropileno, politereftalato de etileno (PET)? b) Em caso de resposta afirmativa ao quesito anterior, seria correto concluir que, para a obtenção das características que distinguem os produtos periciados, seria necessário o emprego de um percentual mínimo de polietileno, virgem ou reciclado, e, da mesma forma, haveria um máximo percentual para emprego de outros materiais policloreto de vinila (PVC), polipropileno, politereftalato de etileno (PET)? Quais seriam os valores correspondentes? c) É possível, a partir de análise química das lonas plásticas fabricadas, identificar e quantificar os polímeros empregados em sua fabricação? Caso seja possível, enumerálos e identificar o percentual empregado. d) Seria correto afirmar que o processo de reciclagem propriamente dito ou qualquer outro processo físicoquímico realizado durante a fabricação das lonas seria capaz de modificar a matériaprima reciclada a ponto de alterar sua fórmula química. Por exemplo: o polietileno reciclado poderia transformarse em polipropileno ou em um outro polímero? Em caso de resposta afirmativa, em qual etapa e por meio de qual equipamento? e) identificar a matériaprima coletada no local de funcionamento da empresa pela Fiscalização Federal, indicando a categoria a que pertence, por exemplo, policloreto de vinila, polietileno, polipropileno, politereftalato de etileno etc. Uma vez realizada a perícia, a Fiscalização Federal poderá pronunciarse a respeito dos resultados. Feito isso, abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Após, o Processo deverá retornar a este Conselho para decisão final. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905930/2011-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.905930/2011-96
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350312
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.920
nome_arquivo_s : Decisao_11080905930201196.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 11080905930201196_5350312.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5465426
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591875579904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 816 1 815 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.905930/201196 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.920 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 59 30 /2 01 1- 96 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905930/201196 Acórdão n.º 3803005.920 S3TE03 Fl. 817 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 12 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905930/201196 Acórdão n.º 3803005.920 S3TE03 Fl. 818 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905930/201196 Acórdão n.º 3803005.920 S3TE03 Fl. 819 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905930/201196 Acórdão n.º 3803005.920 S3TE03 Fl. 820 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905930/201196 Acórdão n.º 3803005.920 S3TE03 Fl. 821 11 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.015395/2001-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.015395/2001-32
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329747
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-000.532
nome_arquivo_s : Decisao_10480015395200132.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10480015395200132_5329747.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5334225
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591880822784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.015395/200132 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.532 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de restituição do saldo credor de escrita relativo ao 2º Trimestre de 2001, formalizado em 05/10/2001 com base no art. 11 da Lei nº 9.779/98, cumulado com pedidos de compensação. A autoridade administrativa ao proceder à aferição do direito de crédito constatou que o contribuinte vinha dando saída a seus produtos com erro de classificação fiscal e alíquota. Segundo a fiscalização o contribuinte vinha dando saída ao produto FORRO DE PVC com alíquota de 5% e classificação fiscal sob o código 3916.20.00 ex01, quando o correto seria classificar este produto sob o código 3925.90.00 com alíquota de 15%. A RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 15 39 5/ 20 01 -3 2 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.015395/200132 Resolução nº 3403000.532 S3C4T3 Fl. 4 2 fiscalização elaborou a reconstituição dos saldos da escrita fiscal e constatou a existência de saldos devedores. Foi lavrado auto de infração por falta de lançamento e de recolhimento do IPI, objeto do processo administrativo 10480.015340/200211 e, ato contínuo, indeferido o ressarcimento solicitado neste processo e não homologadas as compensações solicitadas. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se depreende do relatório, após a reconstituição dos saldos da escrita fiscal desapareceu o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento do contribuinte. No lugar de saldo credor, surgiram saldos devedores que foram objeto do lançamento de ofício albergado no processo 10480.015340/200211. O processo que contém o auto de infração encerra questão prejudicial ao pedido de ressarcimento objeto deste processo, uma vez que se o lançamento de ofício for julgado improcedente, prevalecerão os saldos credores de escrita apurados pelo contribuinte antes da reconstituição de escrita procedida pela fiscalização. Sendo assim, não há como decidir o pedido de ressarcimento antes do desfecho do processo que contém o auto de infração. Com essas considerações, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que seja anexada a este processo a decisão administrativa final a ser proferida no processo administrativo 10480.015340/200211. Antonio Carlos Atulim Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
