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Numero do processo: 15504.722743/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.364
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. Sustentação oral Advogado Dr César Almeida Pereira, OAB/DF nº 36386.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 27 43 /2 01 2- 82 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Sustentação oral Advogado Dr César Almeida Pereira, OAB/DF nº 36386. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por ter a empresa infringido o art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.04899, ao apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições (CFL 68). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 13 de março de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Apresentar GFIP com omissão de fato gerador ou contribuição previdenciária constitui infração à legislação. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Trata o presente PAD de auto de infração lavrado em face da empresa Fresar Tecnologia de Pavimento Ltda., objetivando a cobrança de supostas contribuições patronais destinadas à Seguridade Social – conforme relatório fiscal outrora anexado e abaixo pormenorizado , inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados e às contribuições da empresa supostamente incidentes sobre valores pagos ou creditados a contribuintes individuais (diretores). A Recorrente é sociedade limitada que atua no ramo de construção civil, tendo como norma de conduta a transparência e a honestidade nas diversas relações estabelecidas no exercício normal de suas atividades, dentre as quais se insere, indubitavelmente, as relações jurídicotributárias mantidas com o fisco federal, Estadual e Municipal. Discordando veementemente dos parâmetros assinalados no auto de Infração, a recorrente demonstrou os motivos pelos quais o presente foi lavrado de maneira Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 5 4 equivocada, sem observar a realidade factual envolvida, bem como a legalidade na constituição e operacionalização das Sociedades Individuais prestadoras de serviços específicos a esta Empresa Recorrente. Os pressupostos da vinculação empregatícia não foram demonstrados em sua inteireza pelo auditor fiscal, particularmente a subordinação jurídica, outorga que o empregado concede ao empregador para este comandar ou direcionar a atividade, fundamental para distinguir o trabalho sem vínculo empregatício. Todos os sócios se reportavam somente aos termos do contrato firmado, desenvolvendo suas atividades, desde que não transbordando os limites fixados, como bem entenderem, e assim, assumindo o risco pessoal pelos serviços prestados conforme disciplina a legislação pertinente às sociedades individuais. No mesmo sentido temos que não há que se falar em exclusividade, pois, como já tratado, as pessoas jurídicas prestadoras dos serviços possuíam a autonomia de produzirem negócios jurídicos com qualquer outro sujeito de demandasse os seus serviços. Não existe em nosso ordenamento jurídico qualquer norma legal que vede a possibilidade de uma sociedade prestar, em um período de tempo, serviços somente a uma única pessoa jurídica, não podendo, ainda, as notas fiscais emitidas serem sequencias e genéricas. Nada razoável a interpretação fática tomada pela julgadora. O auditor fiscal informa haver constatado a existência de pagamentos aos segurados empregados Ronan Álvares Diniz Júnior, Vitor Ephigênio da Silva e Nilton Roberto de Assis, a título de locação de veículos de propriedade dos mesmos. Por fim, relata que o contrato de locação permite o uso próprio e a serviços da FRESAR ou de outras empresas do grupo econômico de modo que entendeu o auditor subsumir o rendimento do aluguel nos termos do artigo 28, § 9º, “s”, da Lei 8.212/91, integrandoo ao salário contribuição. O Auditor fiscal informa haver constatado a existência de pagamentos a administradores da empresa, mediante custeio de aluguel residencial para o segurado Eduardo Vilela de Sanatanna e através de Notas Fiscais de Serviços – NFS, ao segurado Saulo Vilela de Santana. O i. Auditor fiscal desconsiderou a personalidade jurídica da ABS Engenharia e Consultoria, sob o fundamento de que os valores pagos pelas Notas Fiscais emitidas pela referida PJ, tratarseiam de remuneração do prólabore de forma indireta. A fiscalização tributária posicionouse no sentido de conferir às operações havidas em relação à criação da empresa ABS consultoria, caráter de simulação, entendendo que a intenção real seria proceder ao pagamento de “prólabore ao sócio administrador”, sem que, com isso, fosse contabilizado a contribuição previdenciária correspondente. Tornamse ainda insubsistentes, pela via reflexa, as multas, juros e as obrigações acessórias alinhadas nos autos de Infração 37.349.2952, 51.007.0248, 51.007.025 6 e 37.349.2944, por não haver qualquer descumprimento legal. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 6 5 Diante de todo o exposto, entende a recorrente que merece ser reformada a decisão de primeira instância para, reconhecendo os argumentos ora aduzidos: cancelar o auto de infração ora objurgado, diante da ilegalidade da autuação fiscal lavrada. Requerse, por corolário, a exclusão das multas impostas, por insubsistir a obrigação principal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 6 e seguintes), constatou se que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Apesar da clareza das informações contidas nos autos, o sujeito passivo, em seu recurso, utiliza os mesmos argumentos de suas defesas em relação às obrigações principais. Ao agir da forma em que agiu, não resta qualquer dúvida de que a matéria de mérito não foi contestada pelo contribuinte, situação que se amolda na regra disposta no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O lançamento foi realizado em virtude de descumprimento de obrigação prevista na legislação de regência. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais acima referidos. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 8 7 alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 9 8 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722743/201282 Acórdão n.º 2803003.364 S2TE03 Fl. 10 9 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.720123/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
A decisão proferida por autoridade competente que traz em seu bojo as razões de decidir, permitindo ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, manifestando sua inconformidade com argumentos claros e lógicos na instância recursal, não padece de nulidade, posto que não apontadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
Preliminar rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A decisão proferida por autoridade competente que traz em seu bojo as razões de decidir, permitindo ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, manifestando sua inconformidade com argumentos claros e lógicos na instância recursal, não padece de nulidade, posto que não apontadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte
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OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A decisão proferida por autoridade competente que traz em seu bojo as razões de decidir, permitindo ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, manifestando sua inconformidade com argumentos claros e lógicos na instância recursal, não padece de nulidade, posto que não apontadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 23 /2 00 9- 71 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720123/200971 Acórdão n.º 2801003.490 S2TE01 Fl. 97 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1a.Turma da DRJ/CGE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (f. 01/04), mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural ITR, Exercício 2006, no valor total de R$ 111.769,89, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 5.113.6252,.localizado no município de Canelinha SC. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa das áreas informadas como de preservação permanente e de reserva legal, além da alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação de f. 16/24. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento. No mérito, argumenta, em síntese, que repetiu, na DITR, as informações que vinham sendo prestadas anteriormente pelo seu falecido marido. Defende que há 27 anos as informações são prestadas desta forma, sendo que nunca houve questionamento. Aduz que tem direito adquirido ao reconhecimento da veracidade das informações. Alega, que a matrícula do imóvel dá conta da existência de bacia hidrográfica de captação de água para abastecimento do município, fato que por si só indica que a área é recoberta por grande fração de área de preservação permanente. Com relação ao valor da terra nua, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720123/200971 Acórdão n.º 2801003.490 S2TE01 Fl. 98 3 afirma que os valores atribuídos ao imóvel, além de absurdamente altos, são desproporcionais e completamente fora da realidade comercial da região. Manifesta interesse em entregar, pelo valor de avaliação, imóvel para que seja destinado ao programa de reforma agrária A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de ( fls.87/91numeração digital), assim ementado a seguir: A s s u n t o :Imposto sobre a Propriedade Território Rural– ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. AVERBAÇÃO. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão da DRJ restabeleceu 67,40 m2 de área de preservação permanente, declarada, tendo em vista a sua comprovação documental por meio do ADA( fl.67). Cientificado da decisão de 1a instância em 20.10.2011 (fl.74numeração digital), a contribuinte, representado por seu advogado (fl.39), apresentou recurso em 11.11.2011 às ( fls.78/83numeração digital). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte Apresentou DITR/2006 repetindo os dados lançados nos exercícios anteriores. Alega que toda área do imóvel 100%, está coberta com mata nativa e Mata Atlântica. Diz que contratou Engenheiro Agrônomo e Florestal para proceder, eventual retificações do registro do imóvel. Aduz que a área registra de 413,50 há, não existe, pois atualmente as confrontações respeitados pelo lindeiros confere a área de 281,8311 há. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720123/200971 Acórdão n.º 2801003.490 S2TE01 Fl. 99 4 Diz que o levantamento feito apresentou o seguinte área:Área APP 67,40ha e 214,43 há de Mata Atlantic. Cita o Decreto 759/1993, revogado pelo Decreto 6600/2008. Ao final pede a cancelamento do Auto de infração e do lançamento de ofício e seja acolhida parcialmente as razões expostas. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser reconhecido. PRELIMINAR A recorrente argui a nulidade do auto de infração, quanto ao pedido, penso que não haja razão de ser. A decisão, proferida por autoridade competente e que explana claramente suas razões, permitindo ao contribuinte que, discordando, apresente seu recurso voluntário, é válida e não há que se levantar vício de nulidade, posto que não apontado nenhum motivo dos elencados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Considerando a decisão proferida pela DRJ que deu parcial provimento a impugnação apresentada pela Recorrente, a matéria que restou em discussão no presente processo diz respeito a (i) área de reserva legal e (ii) VTN – valor da terra nua. RESERVA LEGAL DA AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à redução o sujeito passivo deverá proceder, dentre outros exigências, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720123/200971 Acórdão n.º 2801003.490 S2TE01 Fl. 100 5 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Portanto, entendo que a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente até o inicio do procedimento fiscal. A Recorrente apresentou Laudo Técnico às (fls.58/64), com a impugnação a DRJ entendeu não ser apto a comprovar o VTN, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da ABNT, para enquadramento os graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco), na data do fato gerador do ITR. Portanto, a decisão de piso considerou o valor por hectare para o Município do imóvel em 2005, em R$ 2.474,95, “VTNDITR” médio por Aptidão Agrícola (fl.69). Inicialmente, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720123/200971 Acórdão n.º 2801003.490 S2TE01 Fl. 101 6 I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720123/200971 Acórdão n.º 2801003.490 S2TE01 Fl. 102 7 §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001 Ante à legislação supramencionada, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Convém destacar que o art. 8o , parágrafo 2o, da Lei n. 9.393/96, estabelece que o Valor da Terra Nua – VTN deve refletir necessariamente o preço de mercado do imóvel, apurado no 1o de janeiro do ano que se referir o DIAT. Ocorre que, no presente caso, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta a tela SIPT (fl.69). Assim, tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento, portanto inadmissível o VTN por aptidão agrícola. Registro por fim, que não existe nos autos nenhum documento que evidencie que a área apontada pela contribuinte é mata atlântica. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado,. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva , Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 13976.000069/2002-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2000, 15/03/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento da certeza e liquidez do total ou de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o limite do valor apurado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
O saldo credor apurado trimestralmente é passível de ressarcimento e/ compensação, mediante apresentação/transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), com débito tributário vencido, ambos do mesmo contribuinte.
Numero da decisão: 3301-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida a conselheira Fábia Regina Freitas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITOS. MATÉRIAPRIMA/INSUMO ONERADOS. PRODUTOS. ALÍQUOTA ZERO/ISENTO. As aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos isentos e/ ou tributados à alíquota zero geram créditos do imposto. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. O saldo credor apurado trimestralmente é passível de ressarcimento e/ compensação, mediante apresentação/transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), com débito tributário vencido, ambos do mesmo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2000, 15/03/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento da certeza e liquidez do total ou de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o limite do valor apurado. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 00 69 /2 00 2- 28 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedida a conselheira Fábia Regina Freitas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre (RS) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado para o 4º trimestre de 2001, às fls. 02, e não homologou as compensações declaradas na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 117, apresentada em 29/04/2002. A DRF em Joinville (SC) indeferiu o pedido e não homologou as compensações sob o fundamento de que o saldo credor decorreu da equivocada classificação fiscal dos produtos fabricados pela recorrente, conforme Despacho Decisório às fls. 173/175. Inconformada com a aquela decisão, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo no ressarcimento/homologação das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: 3.1 Diz o requerente que ficou demonstrado, nas impugnações apresentadas, Processos nºs 10920.000540/200154 e 10920.002581/200428. que é correta a classificação fiscal dos seus produtos no código 7308.90.90 da TIPI, de 1996, os quais estão sujeitos à alíquota zero. 3.2 A convicção do requerente se funda em laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia em decisões do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região e dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como em soluções de consulta expendidas por unidades da Secretaria da Receita Federal (SRF). 3.3 Por último, o requerente solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada, até decisão final deste processo, pedido, sobretudo, a reforma do despacho decisório hostilizado, para ser autorizado o ressarcimento do saldo credor do IPI, homologandose, em razão disso, a compensação. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13976.000069/200228 Acórdão n.º 3301002.307 S3C3T1 Fl. 224 3 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 8.296, datado de 27/04/2006, às fls. 202/205, sob a seguinte ementa: “SALDO CREDOR DO IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento de pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito tributário do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 213/221), requerendo, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que o julgador de primeira instância já exerceu seu ofício jurisdicional ao decidir que a solução neste processo deveria aguardar a decisão definitiva no processo 10920.002581/200428, para, se for o caso, ser proferido novo despacho decisório, e, no mérito, o deferimento de seus pedidos de ressarcimento/compensação, alegando, em síntese, que o julgamento definitivo daquele processo lhe foi favorável o que tacitamente implicou reconhecimento do saldo credor do IPI, ora em discussão, devendo ser homologada a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminar A suscitada nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que o julgador de primeira instância já exerceu seu ofício jurisdicional ao decidir que a solução neste processo deveria aguardar a decisão definitiva no processo 10920.002581/200428, para, se for o caso, ser proferido novo despacho decisório, não tem amparo legal e não merece prosperar. Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulos somente os despachos e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59 São nulos: [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 No presente caso, a decisão recorrida foi proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre (RS), colegiado competente para julgar a impugnação interposta. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. II – Mérito A autoridade administrativa indeferiu os pedidos de ressarcimento/ compensação sob o fundamento de que, em virtude da reconstituição da escrita fiscal da recorrente, apurouse saldo devedor do IPI, para o trimestre objeto dos pedidos em discussão. Do exame dos autos, concluise que apresentado o pedido de compensação/ressarcimento, instalouse um procedimento administrativo fiscal para verificar a certeza e liquidez do valor pleiteado. Concluído o procedimento, a Fiscalização apurou saldo devedor de IPI e não saldo credor. O saldo credor apurado pela recorrente decorreu, segundo a Fiscalização, da equivocada classificação fiscal dos produtos fabricados, adotada por ela, posição 7308.90.90, alíquota de 0,0 % (zero por cento), quando o correto seria nas posições 7210.41.10; 7210.61.00; e 7210.70.10, todas com alíquota de 5,0 % (cinco por cento). A escrita fiscal foi então reconstituída, com a utilização integral dos créditos do IPI para dedução do imposto, e os saldos devedores apurados, exigidos por meio de lançamento de ofício, via processo administrativo nº 10920.002581/200428. A recorrente insurgiu contra a classificação fiscal adotada pela Fiscalização e impugnou o lançamento decorrente de sua adoção. Em consulta ao eProcesso, verifiquei que o processo nº 10920.002581/2004 28 em que discutiu a classificação fiscal, adotada por ela, para seus produtos, no período de competência em que apurou o saldo credor, em discussão, já teve decisão definitiva. Em primeira instância, a autoridade julgadora reconheceu, em parte, o direito da recorrente, conforme acórdão DRJ/POA nº 8.257, datado de 20/04/2006, sob as seguintes ementas: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. Telhas de aço galvanizado, onduladas ou trapezoidais, para construção de telhados ou fechamentos laterais de construções, constituindose em elemento estrutural e de acabamento de edificações, e respectivos acabamentos, denominados rufos e cumeeiras, classificamse no código 7308.90.90 da TIPI, com alíquota zero do IPI, de l 2 de agosto de 2000, a 31 de outubro de 2002, e com alíquota de 5%, de l 2 de novembro a 31 de dezembro de 2002. SUSPENSÃO DO IPI. DESCABIMENTO. É descabida a suspensão do IPI nas saídas de produtos, sem a devida observância das normas que regem esse instituto. Lançamento Procedente em Parte.” Por ter exonerado crédito superior ao limite de alçada, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício de sua decisão. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13976.000069/200228 Acórdão n.º 3301002.307 S3C3T1 Fl. 225 5 Intimada da decisão de primeira estância, a recorrente não interpôs recurso voluntário, apresentando, contudo, contrarrazões ao recurso de ofício. Julgado o recurso de ofício, a Primeira Turma do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes negoulhe provimento, nos termos do acórdão nº 30134.457, datado de 19/05/2008. Intimada desse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência que foi analisado e julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, cujos membros do colegiado negaramlhe provimento, nos termos do acórdão nº 930301.742, datado de 09/11/2011. Como essa decisão, já se materializou de forma definitiva, a classificação fiscal adotada pela recorrente estava correta, o que implicará em saldo credor do IPI, para o 4º trimestre de 2001, passível de ressarcimento/compensação. As normas legais que tratam de ressarcimento de IPI assim dispõem: Lei nº 9.779, de 19/01/1999: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Em cumprimento a este dispositivo legal, foi expedida a IN SRF nº 210, de 30/09/2002, que assim dispôs: “Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do ‘Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI, bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. [...] Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) [...]. Art. 15. No período de apuração em que for encaminhado à SRF o ‘Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI’, bem assim em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da ‘Declaração de Compensação’. [...]. § 6º A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) [...].” Ora, segundo estes dispositivos legais, o saldo credor do IPI apurado para o 4º trimestre de 2001, objeto deste processo, é passível de ressarcimento/compensação. Já a homologação da compensação de débito fiscal vencido com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13976.000069/200228 Acórdão n.º 3301002.307 S3C3T1 Fl. 226 7 ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). [...].” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento/compensação do saldo credor do IPI, apurado por ela para o 4º trimestre de 2001, declarado na Dcomp em discussão, cuja certeza e liquidez deverá ser confirmada pela autoridade administrativa competente. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito da recorrente ao ressarcimento/compensação do saldo credor do IPI, apurado para o 4º trimestre de 2001, cabendo à autoridade administrativa competente apurar a certeza e liquidez do saldo credor reclamado e homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do valor apurado e ressarcir/compensar possível saldo credor remanescente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.906680/2011-05
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO.
Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Constatado que não há qualquer vício a ser sanado, e não havendo qualquer premissa equivocada, não há que se falar em reparo do acórdão.
Numero da decisão: 1802-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Constatado que não há qualquer vício a ser sanado, e não havendo qualquer premissa equivocada, não há que se falar em reparo do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 66 80 /2 01 1- 05 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 393 2 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 394 3 Relatório Tratase de recurso inominado, o qual consideramos no curso do processo como se tratando de embargos de declaração, interpostos por pessoa jurídica de direito privado, visando trazer novas informações ao processo, cujo acórdão nº 1802002.001 foi proferido por este colegiado na sessão de 11/02/2014 (efls. 52 a 58). Inicialmente vale frisar que a petição trazida pela Embargante não encontra base legal expressa na legislação desse Conselho, conforme se observa abaixo. O acórdão em análise teve a seguinte ementa “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA SE DECLARAR A NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO. Tendo o ato administrativo cumprido todos os requisitos legais, não há que se falar em nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DO DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. O fato de não constar expressamente o dispositivo legal referente ao juros de mora não invalida o ato praticado, tampouco cerceia o seu direito de defesa da Recorrente.” Nesse momento a contribuinte apresenta petição ao chefe da Agência da Secretaria da Receita Federal do Brasil onde apresenta os seguintes fatos: “A Requerente emitiu eletronicamente declaração de compensação de n. 24718.42868.300608.1.3.024103, para utilização de créditos originados de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) códigos de receita 5993 e 6800, relativo ao período de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2007, para quitação de débito de tributo federal. Todavia, através do Despacho Decisório n. 009825274, emitido no curso do Processo Administrativo Fiscal nº 10735.906680/201105, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) homologou as compensações parcialmente, entendose que remanesceu em aberto, conforme informe “PER/DCOMP Despacho Decisório – Análise do Crédito”, extraído na página da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil (doc.03), o valor de: R$ 1.350,84 (um mil, trezentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos), em relação ao qual não teria sido localizado o comprovante de pagamento; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 395 4 R$ 449,05 (quatrocentos e quarenta e nove reais e quatro centavos), referente a retenções na fonte não comprovadas. Na referida decisão administrativa, julgouse improcedente o pedido de homologação das compensações efetuadas, por não se comprovar a existência de créditos suficientes decorrentes de saldo negativo de IRPJ no período de apuração de 2007 para quitar os débitos compensados. A Requerente apresentou manifestação de inconformidade, nos termos facultados pela Lei nº 9.430/96, art. 74, § 9º, em 22/12/2011, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro. Da decisão denegatória, a Requerente interpôs recurso voluntário, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), do Ministério da Fazenda, que, da mesma forma, foi julgado improcedente, pois não foram apresentadas provas da existência de crédito originado de base de cálculo negativa de IRPJ do período de apuração de 2007, como se depreende dos autos. Entrementes, a Impetrante, ciente da decisão administrativa que negou sua compensação, realizou uma auditoria interna para a apuração dos fatos passados, que haviam sido realizados por outra equipe de contabilidade, o que gerou o Parecer Contábil Interno n. 003/13 (doc.04), em que se concluiu: “IVDA COMPROVAÇÃO DE ADESÃO A PARCELAMENTO Durante o anocalendário de 2007, a Contribuinte em questão aproveitouse indevidamente de crédito obtido via liminar/antecipação de tutela não confirmada em sede de sentença no bojo dos processos judiciais CNJ n. 0000693754.2005.4.02.5110 (antigo 2005.51.10.0069376) e 000590259.2005.4.02.5110 (antigo 2005.51.10.0059044) fator este crucial para as divergências encontradas pelo Fisco através do despacho decisório sub examine. Assim, aderiu a Parcelameno Ordinário no âmbito da RFB tendo em vista procedimento fiscal instaurado identificado pelos ns. 10735.318/201131 e 10735.720.344/201169. Conforme se verifica através do Extrato do Processo Administrativo n. 10735.720.318/201131, verificase que houve a inclusão da parcela não homologada de R$1350,84 – fato este que torna o discutível lançamento insustentável ante seu parcelamento e comprovado adimplemento.” No parecer contábil cujo excerto trascreveuse, portanto, concluiuse que o valor de R$ 1.350,84, que compôs o crédito não confirmado na declaração de compensação n. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 396 5 02051.13104.040608.1.3.027866, foi objeto de cobrança no processo administrativo nº 10735.906680/201105, devidamente parcelado e cumprido regularmente, conforme demonstra o relatório de parcelamento emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doc. 05). Posteriormente, fez a opção de migração do parcelamento ordinário para o instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Referidos parcelamentos, reiterese, estão sendo regularmente adimplidos, conforme demonstram os extratos de “Informações Gerais de Inscrição” emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (doc. 05). O valor de R$ 499,04, foi objeto retenções na fonte, por instituições financeiras, conforme demonstram os seus livros contábeis (Livro Diário – doc. 06). Vale dizer que, a ora Requerente, à época do processo administrativo fiscal, não trouxe aos autos elementos suficientes para o cancelamento da exigência no processo em epígrafe, pois ainda estava trabalhando com as conclusões levantadas na auditoria que redundou no Parecer Contábil Interno n. 003/13, de forma que não fez qualquer alegação a esse respeito em suas defesas administrativas, vindo apresentálas agora, sob pena de ter dupla tributação. Nesse prisma ainda será transcrito uma uniformização de procedimento da própria fiscalização, expedido pela COSIT, que elucida essa matéria e corrobora a situação do contribuinte. Portanto, Exa., o cerne da presente controvérsia, pode ser resumido nos seguintes termos: a) não houve a homologação da compensação efetuada na declaração de compensação n. 24718.42868.300608.1.3.02 4103, pois não se confirmaram, na composição do crédito, no valor de R$ 1.350,84, a título de pagamento não localizado e R$ 499,04; b) contudo, a Requerente parcelou o valor de R$ 1.350,04 que compôs o crédito, bem como comprova que houve a retenção na fonte do valor R$ 499,04, por sua contabilidade, o que teve o condão de perfazer o montante de crédito necessário para efetivar e aperfeiçoar a compensação, objeto do presente processo.” Junta documentação onde procura demonstrar que os valores em questão já encontravamse suspensos através de parcelamento ordinário, que posteriormente migrou para o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Busca assim o reconhecimento dos embargos, para que se dê efeitos infringentes, modificando os efeitos do julgamento. Este é o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 397 6 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 398 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. Os Embargos são tempestivos, portanto deles tomo conhecimento. Conforme exposto no relatório a Embargante ingressou com o presente recurso alegando a ilegitimidade da cobrança dos valores que haviam sido compensados, eis que os mesmos já se encontram suspensos através do programa de parcelamento. Tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, não consta qualquer informação a título do mencionado pedido de parcelamento. A documentação acostada busca comprovar que já no Recurso Voluntário os valores em questão encontravamse suspensos através de parcelamento ordinário, que posteriormente migrou para o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. No entanto com base na documentação apresentada não se pode afirmar com segurança que o parcelamento se refira aos presentes autos. Por outro lado, entendo que cabe a autoridade administrativa a análise da documentação acostada, antes de proceder com a exigibilidade do crédito tributário tratado nos presentes autos para evitar que o contribuinte seja penalizado com uma cobrança em duplicidade, no caso de haver o referido parcelamento. Portanto entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Nos termos do RICARF, art. 65, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Sendo assim, conheço dos embargos, mas no mérito voto no sentido de REJEITÁLOS, mantendo o acórdão nos exatos termos em que foram proferidos. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906680/201105 Acórdão n.º 1802002.248 S1TE02 Fl. 399 8 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.000887/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO.
Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade.
CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA.
Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN.
INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTA-CORRENTE.
Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem.
Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindo-lhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadra-se perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009.
Recursos Voluntário e de Ofício negados.
Numero da decisão: 3202-001.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) Em relação ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; e b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Antônio Mário de Abreu Pinto. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves apresentará declaração de voto. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Antônio Mário de Abreu Pinto, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN. INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTA-CORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindo-lhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadra-se perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recursos Voluntário e de Ofício negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Em relação ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; e b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Antônio Mário de Abreu Pinto. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves apresentará declaração de voto. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Antônio Mário de Abreu Pinto, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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INCIDÊNCIA. Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO CBD E FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO CBD E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN. INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTACORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindolhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadrase perfeitamente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 87 /2 00 8- 59 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.151 2 na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recursos Voluntário e de Ofício negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Em relação ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; e b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Antônio Mário de Abreu Pinto. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves apresentará declaração de voto. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Antônio Mário de Abreu Pinto, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração (fls. 02/ss) com ciência em 25/06/2008, para a cobrança da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 14.945.418,53, relativos aos períodos de apuração de 02/01/2003 a 29/12/2004. Para melhor compreensão dos fatos, transcrevese parte do Relatório constante do Acórdão da DRJCampinas, verbis: No Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/40, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: Foi constatado que a CBD firmou contratos com empresas de transporte de valores para prestação de serviços de coleta de numerários e cheques. Também assinou procurações para dar poderes para essas empresas endossarem os cheques Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.152 3 recebidos. Os numerários e cheques eram entregues a bancos, contratados previamente, para efetuarem pagamentos de fornecedores da CBD, sem transitar pela sua conta corrente. Os procedimentos efetuados são: 1º O cliente paga suas compras com cheque ou dinheiro; 2° Esses valores são recolhidos por empresa de transporte de valores; 3° A empresa de transporte de valores faz o endosso dos cheques por procuração; 4° Os valores em espécie e os cheques endossados são disponibilizados para os bancos fazerem pagamentos de fornecedores. Os valores não utilizados são depositados em conta corrente. (...) A empresa ajuizou em julho de 2001, ação ordinária com pedido de antecipação de tutela n° 2001.61.00.0182053 (...), contra o Banco Central do Brasil e União Federal, requerendo (...) a concessão de Tutela Antecipada nos termos do artigo 273, inciso I do Código Processo Civil, que suspenda a aplicação da Circular BACEN n° 3.001/2000, garantindo o direito das Autoras de continuarem endossando por uma única vez os seus cheques coletados por sistema organizado, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, independentemente da obrigatoriedade de depósito bancário e da incidência da CPMF. O MM Juízo proferiu despacho postergando a apreciação da antecipação da tutela para após a vinda da contestação da União. Contra tal decisão foi interposto Agravo de Instrumento sob o n° 2001.03.00.0236540, no qual foi deferido o pedido para afastar a aplicação da Circular BACEN n°3.001/2000, garantindo o direito das empresas de continuarem endossando seus cheques coletados por sistema organizado uma única vez, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, independentemente da obrigatoriedade de depósito bancário e da incidência da CPMF. Conforme Certidão de Objeto e Pé, de 6 de setembro de 2006, constatamos que foi deferida a Tutela Antecipada, em sede de agravo, nos termos do pedido mencionado. Em 16 de abril de 2007, o MM Juiz da 2° Vara da Seção Judiciária da Capital do Estado de São Paulo julgou, sentença Tipo A, procedente o pedido (...) de afastar as determinações da Circular BACEN 3001/2000, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Em 28 de maio de 2007, acatando embargos de declaração contra a sentença proferida em 16/04/2007, MM Juiz da 2ª Vara da Seção Judiciária da Capital do Estado de São Paulo julgou, sentença Tipo M, procedente o pedido (...) estendendo seus efeitos também com relação aos numerários coletados. Diante da decisão de 26 de julho de 2001 (...), que concedeu o efeito suspensivo ao agravo de instrumento para afastar a aplicação da Circular BACEN no 3.001/2000, garantindo o direito das agravantes (...) de continuarem endossando seus cheques coletados por sistema organizado uma única vez, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, independentemente da obrigatoriedade de depósito bancário e da incidência da CPMF formulouse consulta Procuradoria Regional da Fazenda Nacional (PRFN) da 3° Região para que fosse avaliada a extensão material de tal Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.153 4 decisão, em especial quanto a exigibilidade do crédito tributário e a sujeição passiva. Analisandose a resposta da PRFN e os demais documentos referentes ação judicial verificase que os limites objetivos do pedido e da decisão exarada restringemse a não obrigatoriedade do trânsito de valores da titularidade da CBD (cheques e numerário) pelas contascorrentes de depósito, para efeito de fato gerador de CPMF, sistemática prevista na Circular BACEN no 3.001/2000. A liminar proferida concedeu o efeito suspensivo sendo que a decisão abrangia também a coleta de numerários em espécie. Dessa forma, não ocorre a hipótese prevista no art. 2°, inciso I da Lei n° 9.311/96. Em nenhum momento se discutiu judicialmente a existência de outros fatos geradores da CPMF, como aquele previsto no inciso III do art. 2° da Lei n° 9.311/96. É fato concreto que a (...) (CBD) utiliza sistema organizado para coleta de cheques e valores em espécie e instituições financeiras (bancos) para efetuar pagamentos a fornecedores sem transitar esses valores em conta corrente, evitando, dessa forma a incidência de CPMF, de acordo com o inciso I. Podese inferir então que, conforme inciso III do art. 2° da Lei 9.311/96, constitui fato gerador independente de CPMF a simples liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos I e II. Para esclarecer o alcance do dispositivo, a Secretaria da Receita Federal divulgou o Ato Declaratório SRF n° 033, de 17 de maio de 2000. (...). Conclui a autoridade fiscal: Qualquer movimentação ou transmissão de valores efetuada por um banco encontra no campo de incidência de CPMF. Num simples pagamento de cheque em dinheiro ocorrem duas movimentações, correspondentes a dois fatos geradores, o primeiro pelo débito na conta corrente do emitente, sendo o emitente do cheque o contribuinte, (art. 2°, Inciso I da lei n° 9311/96), e o segundo pelo pagamento em dinheiro ao beneficiário, neste caso o contribuinte é o beneficiário, (artigo 2°, Inciso III da Lei n° 9311/96). Nesta última não há cobrança de CPMF em razão de a alíquota ser zero (artigo 8° inciso V da Lei 9.311/96). Dessa forma, qualquer outra forma de liquidação do cheque que não seja crédito em conta corrente do beneficiário, tais como liquidação de quaisquer obrigações, tais como pagamentos de fornecedores, impostos, funcionários, financiamentos e demais obrigações, com a utilização de cheques de terceiros ocorre o fato gerador previsto no inciso III do artigo 2° da Lei n°9.311/96. Quando o legislador cria a norma tributária, cria a hipótese de incidência que é a descrição legal de um fato: é a formulação hipotética, prévia e genérica, contida na lei, de um fato', (Geraldo Ataliba, in Hipótese de Incidência Tributária). Nas operações sob análise, a ocorrência do fato gerador descrito na hipótese de incidência do artigo 2°, Inciso III da Lei n° 9.311/96, se concretiza no instante em que os bancos que a Companhia Brasileira de Distribuição firmou contrato disponibilizam recursos decorrentes de cheques de terceiros para liquidação de suas obrigações e compromissos, sem que os valores tenham sido depositados nas contas correntes da empresa. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.154 5 Considerando o exposto e o fato da Ação Judicial transitada em julgado, que deu ganho de causa a Companhia Brasileira de Distribuição, se restringir aos efeitos da Circular BACEN 3001/2000, e não tendo sido afastada judicialmente a hipótese de incidência da CPMF, de acordo com o inciso III do art. 2° da Lei 9311/96, será lavrado Auto de Infração de CPMF relativo aos pagamentos efetuados pelos bancos com quem mantinha contratos para esse fim, utilizando cheques de terceiros, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 considerando o disposto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. O Auto de Infração será lavrado na Companhia Brasileira de Distribuição, considerando o disposto no § 3° do artigo 5° da Lei 9.311/96. (grifos no original) A Recorrente apresentou sua Impugnação, em 25/07/2008 (fls. 677/ss), onde em apertada síntese alega: I. Em preliminares: nulidade do Auto de Infração, em decorrência da incompetência da Delegacia Especial de Instituições Financeiras ("DEINF"); ilegitimidade para figurar no polo passivo da presente autuação; a decadência do direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente aos meses de janeiro a junho de 2003; II. Mérito erro do enquadramento legal e consequente nulidade da autuação, uma vez que a Impugnante ajuizou Ação Declaratória (Nº 2001.61.00.0182053), com pedido de tutela antecipada, para o fim de fosse reconhecido seu direito de continuar a endossar, por uma única vez, os seus cheques coletados por sistema organizado, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, reconhecendose, por consequência, a não incidência da CPMF na operação em questão, tendo em vista a manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade da Circular Bacen nº 3.001/2000. Obteve sentença favorável, restando reconhecido seu direito de continuar endossando os cheques por ela recebidos uma única vez, tal como estabelecido no artigo 17, inciso I, da Lei no 9.311/96, sem a necessidade de depósito dos valores em conta (tal como determinado pela Circular Bacen no 3.001/2000) e, consequentemente, sem a incidência da CPMF nas operações em questão. Entretanto, não obstante o reconhecimento nos autos da mencionada ação judicial da não incidência da CPMF, nas operações analisadas nos autos do presente processo administrativo, uma vez que se subsomem a hipótese de não incidência prescrita no inciso I, do artigo 17 da Lei n0 9.311/96, os Srs. Agentes Fiscais pretenderam enquadrar as operações em questão na hipótese descrita no inciso III, do artigo 2°, do mencionado dispositivo legal, ou seja, a autuação foi fundamentada em outro artigo da mencionada lei; inocorrência de pagamento por conta e ordem de Terceiros, por inexistência do "Terceiro". A Impugnante foi autuada por suposta infração ao disposto no inciso III, do artigo 2º, da Lei nº 9.311/96, uma vez que, no entendimento dos Srs. Agentes Fiscais teria ocorrido o pagamento de obrigações por conta e ordem de terceiro, apesar do fato praticado Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.155 6 pela Impugnante em obediência à decisão judicial ter sido aquele previsto no inciso I, do artigo 17, da Lei no 9.311/96 (único endosso de cheque). contratou empresas especializadas em coleta, transporte e processamento de numerários, que recolhiam e transportavam os cheques recebidos por seus estabelecimentos comerciais. Ato contínuo, por meio de procuração especifica concedida pela Impugnante, as referidas empresas endossavam os cheques (na qualidade de mandatários da Impugnante), para pagamento de fornecedores da Impugnante, configurando a hipótese de não incidência prevista no inciso I, do artigo 17 da Lei nº 9.311/96 (conforme decisão judicial já mencionada). Dessa maneira, entende que não se trata, portanto, de hipótese de pagamento por conta e ordem de terceiro, nos termos do inciso III, do artigo 20 da Lei no 9.311/96, tal como pretendido pelos Srs. Agentes Ficais, mas, sim, mero pagamento em nome da própria Impugnante por meio do endosso de cheques, realizados por seus mandatários, nos termos do inciso I, do artigo 17 do referido diploma legal. haveria incongruência da caracterização da movimentação financeira ocorrida como "pagamento por conta e ordem de terceiros", como pretenderam as Autoridades Fiscais. A hipótese de incidência prescrita no inciso III, do artigo 2º da Lei no 9.311/96 — pagamento por conta e ordem de terceiros — não pode ser confundida, tal como pretendido pelos Srs. Agentes Fiscais, à hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 17 do referido diploma legal — endosso único de cheque; a multa de oficio imputada à Impugnante deverá ser cancelada, uma vez que os valores supostamente devidos pela Impugnante a título de CPMF encontramse abrangidos pela decisão judicial proferida nos autos da mencionada ação judicial; ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0523.891 em 23/10/2008 (folhas 800/ss), julgando procedente parcialmente o lançamento de ofício efetuado, o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. LEGMMIDADE PASSIVA. FALTA DE RETENÇÃO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LANÇAMENTO CONTRA O CONTRIBUINTECORRENTISTA. Constatada a falta de retenção da contribuição pelas instituições financeiras, correta a lavratura do Auto de Infração contra o correntista na sua condição de contribuinte e responsável supletivo pela obrigação tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.156 7 Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem inicio na data de ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTACORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente em Parte Conforme consta do voto condutor da decisão de primeira instância, foram excluídos os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos de 02/01/2003 a 25/06/2003, alcançados pela decadência. Em decorrência de exclusão parcial do crédito tributário foi apresentado Recurso de Ofício. Cientificada da decisão de primeira instância administrativa, em 13/03/2009 (fl. 844), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 14/04/2009 (fls. 845/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, reforçando, ainda, a existência de ações judiciais relativas à matéria (ação ordinária processo nº 2001.61.00.0182053 e agravo de instrumento processo nº 2001.03.00.0236540 fl. 847) O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Em sessão realizada no dia 26/04/2012, esta 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 3202000.063 – folhas 943/ss) para que fossem juntadas aos autos informações completas e atualizadas sobre a Ação Ordinária nº 2001.61.00.0182053 e o Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.0236540. A diligência foi efetuada e as informações solicitadas foram anexadas aos autos (efls 1022/1142). É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Da competência da autoridade fiscal A primeira preliminar trazida pela Recorrente diz respeito à alegação de incompetência das autoridades fiscais que subscreveram o auto de infração, tendo em vista Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.157 8 estarem vinculadas à Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, órgão responsável pela fiscalização das instituições financeiras, e por isso não poderiam fiscalizar outras empresas que não aquelas do setor financeiro. Conforme pontuado pela decisão recorrida, a competência para a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e não do órgão jurisdicionante. O exercício de tal competência decorre do pleno e inviolável exercício das atribuições do auditorfiscal, que tem o deverpoder atribuído pelo art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destacamos) Por sua vez, o art. 194 do CTN prescreve que a legislação tributária regulará a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização. Nesse sentido, a competência do AuditorFiscal para fiscalizar e constituir o crédito tributário foi regulamentada por diversos dispositivos legais, desde o art. 7º da Lei nº 2.354, de 29/11/1954, até o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, atualmente vigente. Confirase: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) (...) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. (destacamos) Por fim, importante registrar que o § 2º, art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe sobre prevenção de jurisdição, nos seguintes termos: Art. 9º A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. (...) § 2º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (destacamos) Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.158 9 Destarte, o AuditorFiscal lotado em uma unidade da Receita Federal detém competência para fiscalizar e constituir o crédito tributário em relação a qualquer contribuinte domiciliado na esfera de jurisdição da União. No caso em tela, a constituição do crédito tributário por meio do ato administrativo de lançamento tributário foi efetuada por autoridade fiscal competente, no exercício regular de suas funções, logo não há que falar em incompetência da autoridade autuante. Acerca da questão já foi editada, inclusive, Súmula nº. 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SÚMULA CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade por incompetência arguida pela Recorrente. Da ilegitimidade passiva A segunda preliminar levantada diz respeito à suposta ilegitimidade passiva da Recorrente, quando argumenta que a responsabilidade pelo recolhimento da CPMF é das instituições financeiras e não daquele que eventualmente praticou o fato jurídico tributário. Mais uma vez, não assiste razão à Recorrente. A Lei nº 9.311, de 1996, prescrevia em seus artigos 4º (os contribuintes) e 5º (os responsáveis) as pessoas aptas a figurarem no polo passivo da contribuição. Confiramse: Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; II o beneficiário referido no inciso III do art. 2°; III as instituições referidas no inciso IV do art. 2°; IV os comitentes das operações referidas no inciso V do art. 2°; V aqueles que realizarem a movimentação ou a transmissão referida no inciso VI do art. 2°. Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2°; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2°; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2°. (...) §3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.159 10 (destacamos) No caso em litígio, muito embora o artigo 5º tenha atribuído a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição às instituições financeiras (incisos I, II e III), caso não o façam, o contribuinte deve fazêlo, em caráter supletivo, como dispõe expressamente o §3°, do art. 5º da Lei nº 9.311, de 1996. A questão não demanda maiores divagações. O dispositivo legal é extremamente claro e direto: caso o tributo não tenha sido retido e recolhido pela instituição financeira, o Fisco pode proceder ao lançamento e, consequentemente, a cobrança diretamente do contribuinte, que ao fim é quem efetivamente arca com o ônus financeiro do tributo. O art. 128 do CTN prescreve que a lei pode atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a ao contribuinte em caráter supletivo. A Lei nº 9.311/1996 optou pela segunda alternativa: atribuiu às instituições financeiras a responsabilidade pela retenção/recolhimento da CPMF e, caso estas não o façam, deve o contribuinte, supletivamente, responder pelo pagamento do tributo. O responsável pela retenção do tributo, por determinação legal, é verdadeiro longa manus do Estado, mero facilitador da atividade de arrecadação, de modo que o descumprimento da sua atribuição não ilide a obrigação do contribuinte pelo tributo devido. Neste sentido já está pacificada a jurisprudência do CARF, assim como estava a do antigo Conselho de Contribuintes. Confiramse os seguintes Acórdãos: nº 3403 01.623, de 23/05/2012; 340300.134, de 19/10/2009; 340100.235, de 17/09/2009; 3402 00.468, de 04/02/2010; nº 20181.392, de 03/09/2008; 29300.021, de 29/10/2008. Destarte, não tendo sido feita a retenção/recolhimento da CPMF pelas instituições financeiras, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento tributário para exigir do contribuinte, devedor principal (art. 121, inciso I, CTN), o pagamento do tributo. Mérito Da incidência da CPMF O cerne do litígio referese à incidência da CPMF sobre as operações efetuadas pela empresa consistentes nos seguintes procedimentos: (a) os clientes da Recorrente pagam suas compras com cheque ou dinheiro; (b) esses valores são recolhidos por empresa de transporte de valores; (c) a empresa de transporte de valores faz o endosso dos cheques por procuração; (d) os valores em espécie e os cheques endossados são disponibilizados para os bancos fazerem pagamentos de fornecedores; (e) os valores não utilizados são depositados em conta corrente. Inicialmente transcrevo as hipóteses de incidência da CPMF previstas na Lei nº 9.311, 24/10/1996, vigentes à época da ocorrência dos fatos, verbis: Art. 2° O fato gerador da contribuição é: I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.160 11 parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; II o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; IV o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V a liquidação de operação contratadas nos mercados organizados de liquidação futura; VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizála. (...) Pois bem. A Lei nº 9.311/1996 estabelecia diversas hipóteses de incidência para a CPMF, dentre as quais interessam no caso em tela aquelas previstas no inciso I e III do art. 2º. A primeira hipótese (inciso I) prescrevia a incidência da contribuição no caso de lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, de empréstimo ou de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento; a segunda (inciso III) estabelecia a incidência sobre a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores. A meu ver, não restam dúvidas que o objeto de discussão nos autos dos processos judiciais (Ação Ordinária nº 2001.61.00.0182053 e o Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.0236540), conforme consta da Petição Inicial apresentada pela interessada, foi “ver afastada norma editada pelo Banco Central do Brasil, qual seja, a Circular nº 3.001, de 24.08.2000, que revogou dispositivo da Lei nº 9.311/96” (vide efolha 1.042), norma esta que determinava “a revogação do disposto no artigo 17 da Lei nº 9.311/96, em nítida extrapolação de competência, (...)” (vide efolha 1.048). Isto pode ser confirmado pela simples leitura dos pedidos feitos pela interessada em sua Petição Inicial, abaixo transcritos (efolha 1.051): (i) seja reconhecido o direito das Autoras de continuarem a endossar por uma única vez os seus cheques coletados por sistema organizado, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei nº 9.311/96; (ii) seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da Circular BACEN nº 3.001/2000, por ter o Banco Central do Brasil invadido esfera de competência exclusiva do legislador federal, revogando a norma contida no artigo 17 da Lei nº 9.311/96 por meio de simples Circular; (iii) sejam definitivamente afastados os efeitos da aplicação da Circular BACEN nº 3.001/2000, a fim de que as instituições financeiras que recebem os cheques Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.161 12 das Autoras coletados por sistema organizado fiquem autorizadas a aceitar um único endosso nestes títulos, conforme assegurado pelo artigo 17 da Lei nº 9.311/96. A empresa fez ainda aditamento a Inicial, requerendo a antecipação de tutela “também para o fim de assegurar o destino desejado ao numerário coletado por sistema organizado, independentemente da obrigação de depósito bancário e da incidência da CPMF, até o julgamento final da lide, para o que igualmente requerem as Autoras seja afastadas definitivamente a aplicação da aludida Circular (...)” (efl. 1057). Consta da Certidão de Objeto e Pé nº 2376321 – UTU3, emitida em 30/08/2012 pela Subsecretaria da Terceira Turma do TRF da 3ª. Região, que foi proferida sentença julgando procedente o pedido feito pela autora da ação e que foi feita apelação no agravo de instrumento pelo Banco Central do Brasil, a qual aguarda julgamento pelo Tribunal. É de concluise, portanto, que a discussão judicial, ao fim e ao cabo, tratou de questões relativas à ilegalidade da Circular BACEN nº 3.001/2000, de modo a permitir que a empresa continuasse a endossar por uma única vez os seus cheques coletados por sistema organizado, nos termos previstos pelo artigo 17 da Lei nº 9.311/96. Deste modo, em face da decisão judicial proferida a empresa não estaria obrigada a efetuar depósitos em suas contas correntes dos cheques e numerário recolhidos pela empresa de transporte de valores. Por conseguinte, não haveria como se dar a incidência da CPMF com base no inciso I do artigo 2º da Lei nº 9.311/96, pois não houve o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito. É fato que a Recorrente conseguiu contornar um dos aspectos materiais da hipótese de incidência (inciso I), ao não depositar em suas contas correntes os cheques e numerários recebidos de seus clientes. Afastada, assim, a aplicação dessa hipótese de incidência ao caso em tela. Contudo, o provimento judicial não abrangeu as demais hipóteses, que em momento algum foram objeto de discussão nos autos da Ação Ordinária nº 2001.61.00.0182053 e no Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.023654. Resta, então, analisar se a operação efetuada pela Recorrente subsumese a hipótese de incidência prevista no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. O legislador, no meu entender sabiamente, previu outras hipóteses de incidência para a CPMF, justamente para evitar a utilização de estratagemas diversos que resultassem em não recolhimento do tributo, ferindose, com isso, o princípio da isonomia e da capacidade contributiva. Fazendose uma interpretação teleológica do dispositivo legal, percebese claramente que o legislador teve a intenção de alcançar as movimentações realizadas no âmbito do sistema financeiro, em suas diversas modalidades. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindolhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores (da CBD) em rede bancária, a meu juízo, enquadrase perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. Vejam: É fato incontroverso que houve o “pagamento”, por “instituição financeira”, de “valores” devidos aos fornecedores da Recorrente, por intermédio das empresas de transporte de valores, utilizandose cheques endossados, valores esses que não Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.162 13 foram “creditados”, em “nome do beneficiário” (a Recorrente, uma vez que era em sua conta correntes que deveriam, via de regra, transitar os cheques/numerários recebidos de seus clientes), em suas “contas correntes”, ou seja, “nas contas correntes referidas nos incisos anteriores” (incisos I e II). Os fatos acima descritos subsumemse perfeitamente à hipótese de incidência prescrita no inciso III, abaixo transcrito. Confiramse: III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; Em relação à expressão “por conta e ordem de terceiros” constante do dispositivo normativo, objeto de extensa argumentação por parte da Recorrente, transcrevemse trechos do elucidativo voto condutor da decisão recorrida, com os quais concordo inteiramente e utilizo também para fundamentar o meu voto, nos termos do que dispõe o §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, verbis: Sob outra perspectiva, a impugnante pretende demonstrar que os fatos ocorridos não se subsumem a hipótese de incidência que é o fundamento da autuação. Numa das suas vertentes, questiona a ocorrência de pagamento por conta e ordem de terceiros, na dicção do dispositivo legal, alegando que se trata de pagamento em seu próprio nome por meio de seus mandatários pelo que não haveria a figura do terceiro. Reconhecendo a redação truncada daquele dispositivo, a interpretação sistemática da Lei nº 9.311, de 1996, permite definir o alcance do inciso III, do art. 2°. Com efeito, o art. 4º, II, que trata dos contribuintes, define: “Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; II o beneficiário referido no inciso III do art. 2º”; Em correspondência com os fatos geradores, o inciso I define como contribuintes os titulares das contas que sofreram os lançamentos a débito. Assim, quando a lei elege como contribuinte o beneficiário envolvido no fato gerador descrito no inciso III do art. 2°, depreendese que "beneficiário" é o titular da conta corrente na qual deveriam ter transitado os valores de seus créditos e direitos a serem utilizados para pagamento de suas obrigações, trânsito este que geraria a incidência da contribuição. Aqui vale a pena voltar ao texto do inciso III do art. 2° para que se consolide o seu entendimento: (...) Ainda nessa atividade de construção normativa, resta tratar do termo "terceiros", por conta e ordem de quem são feitos os pagamentos e liquidações, que é o ponto central da argumentação da defesa. Todo o contexto normativo que já foi explicitado aqui só permite que se chegue conclusão de que o legislador usa a expressão "terceiros" para se referir ao mesmo correntista, em nome e por conta do qual a instituição financeira realiza o pagamento. No caso especifico sob análise, o "terceiro" é a própria autuada, a qual, por intermédio de instituição financeira, deu a ordem de pagamento a seus credores, utilizandose dos recursos representados pelos cheques endossados. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.163 14 Ao explorar a expressão "terceiros" da dicção legal, a contribuinte omite a participação da instituição financeira no pagamento de seus fornecedores, fato essencial na caracterização do fato gerador. Com efeito, como surge da interpretação sistemática aqui exposta, a condição de terceiro é aferida em relação à instituição financeira que intervém na operação. E aqui, em consonância com a argumentação da defesa, são idênticos os efeitos no caso de a autuada aparecer diretamente na operação ou de ser representada nela por seus mandatários. Assim, a norma contida no inciso III diz que ocorre o fato gerador da contribuição toda a vez que a instituição financeira realiza movimentações e/ou transmissões financeiras em nome de seus correntistas, utilizandose de recursos destes, os quais estão disposição da instituição sem que tenha havido o regular lançamento a crédito em conta corrente. Os pagamentos feitos dessa maneira, sem a correspondente formalização de lançamento a débito, são considerados também fatos geradores. Não há, portanto, como concordar com o argumento da Recorrente quando afirma que “as instituições financeiras se utilizavam dos cheques endossados pela Recorrente (devidamente representadas por seus mandatários constituídos para tal fim, i.e., empresas de coleta, transporte e processamento de numerários), para quitação de dívidas/fornecedores em nome da Recorrente (com recursos próprios da Recorrente), e não por sua conta e ordem, (,...)”. Discordamos desse entendimento, que tenta fazer uma interpretação meramente literal do dispositivo legal, em detrimento de uma interpretação sistemática, onde se constrói o significado da norma a partir dos enunciados constantes do art. 2º conjuntamente com o art. 4º da Lei nº 9.311, de 1996. A expressão “por conta e ordem”, a meu ver, deve ser compreendida no sentido de que a instituição financeira efetua o pagamento de dívidas com fornecedores por conta e ordem de terceiro seu cliente, ou seja, de outra pessoa não integrante da relação “instituição financeira X fornecedores” – no caso, a instituição efetua os pagamentos por conta e ordem da Recorrente, justamente o beneficiário citado no inciso II, do art. 4º, que tem suas dívidas com fornecedores quitadas. Concluise, deste modo, a conduta praticada pela Recorrente está enquadrada na hipótese normativa prevista no inciso III, art. 2º, da Lei no 9.311, de 1996. Da multa de ofício Em relação a multa de ofício, aduz a Recorrente que deve ser cancelada, uma vez que os valores supostamente devidos pela Impugnante a título de CPMF encontravamse abrangidos pela decisão judicial proferida nos autos da mencionada ação judicial. Como demonstrado no tópico anterior, na decisão judicial proferida restou decidido que a empresa não estaria obrigada a efetuar depósitos em suas contas correntes dos cheques e numerário recolhidos pela empresa de transporte de valores, de modo que ficou afastada a incidência da CPMF com base no inciso I do artigo 2º da Lei nº 9.311/96. Contudo, no lançamento tributário efetuado está sendo cobrada a CPMF com base na hipótese de incidência prevista no inciso III do artigo 2º da Lei nº 9.311/96. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.164 15 Destarte, uma vez demonstrada a falta de recolhimento da contribuição, restou caracterizada a conduta descrita no artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Deste modo, praticada a conduta tipificada na norma, correta a aplicação da penalidade prevista, como determina o artigo 44, I da Lei 9.430/96. Dos juros moratórios aplicados à taxa SELIC Em relação à utilização da taxa Selic como juros moratórios, o argumento apresentado pela Recorrente também não merece ser acolhido. Vejamos. A Lei nº 9.065, de 20/06/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, dispôs em seu art. 13, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata o art. 84, inciso I, e §§ 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. De igual modo dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Os juros de mora representam a indenização da mora. Constituem o rendimento que o credor teria se pudesse contar com o principal desde a data do vencimento da obrigação. Seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago, repitase, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. A adoção da taxa de referência SELIC como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta o § 1º do art. 161 da Lei nº 5.172/1966. Convém lembrar que as Leis nº 9.065/1995 e nº 9.430/1996 foram editadas pelo Poder Legislativo e sancionadas pelo Poder Executivo, a quem compete a fiel execução das normas legais. Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Ademais, cumpre reiterar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Conforme já mencionado, cabe tãosomente verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está ou não conforme a legislação tributária, Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.165 16 sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram o ato. Em última análise, não existe qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial SELIC para fins de utilização no cálculo dos juros de mora devidos pelo contribuinte em mora. Este, inclusive, é o teor da Súmula CARF nº 4, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do recurso de ofício O recurso de ofício alcança o limite mínimo fixado pela Portaria MF nº 03/2008, motivo pelo qual deve ser conhecido. Na decisão recorrida foi exonerada parcela do crédito tributário lançado em face da decadência. A empresa foi cientificada da autuação fiscal em 25/06/2008, portanto, devem ser excluídos os valores relativos aos fatos geradores anteriores a 25/06/2003, considerandose o prazo decadencial contado de acordo com o art. 150, § 4º do CTN. Isto porque, como destacou o voto condutor da decisão recorrida, a falta de pagamento restringiuse a uma determinada natureza de operação, sem que a fiscalização houvesse se referido às demais operações da contribuinte tributadas pela CPMF. Revendo os argumentos expendidos na decisão recorrida, concluise que não merece qualquer reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, notadamente em face da Súmula Vinculante nº 8, do STF, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.166 17 Declaração de Voto Com a devida vênia, discordo do douto voto do ilustre Relator, apenas na parte em assentou que as circunstâncias dos autos se subsomem à hipótese de incidência do CPMF, prevista no art. 2º, III, da Lei 9.311/1996, abaixo transcrita: Art. 2º O fato gerador da contribuição é: [...] III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; Isso porque, "para que ocorra a hipótese de incidência da CPMF nos termos do art. 2º, inciso III da Lei nº 9311/96 é preciso que haja a efetiva liquidação por instituição financeira de qualquer crédito, direito ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditado em nome do beneficiário em contas corrente de depósito, o que não restou configurado no caso dos autos, já que os valores objeto do endosso dos cheques permaneceram sob a titularidade do beneficiário do endosso, não servindo para liquidar qualquer obrigação do endossatário junto a terceiros, mas sim junto ao próprio beneficiário do endosso" [CARF. Processo nº 16327.000461/0086, Acórdão nº 20403.147, Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Rela. Nayra Bastos Manatta. Unânime. Julgado em 08.04.2008. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Sílvia de Brito Oliveira, Renata Auxiliadora Maracheti (Suplente) e Leonardo Siade Manzan]. Ante o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário, julgando improcedente o lançamento. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 12269.003775/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
RELATÓRIO
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 03 77 5/ 20 09 -1 1 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.210.0686 em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES, bem como face a remuneração indireta paga a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 68 e seguintes, a empresa acima identificada foi excluída do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte, a partir da competência janeiro/2004, através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n ~ 031 de 03/06/2009 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n°036 de 08 /06/2009, a partir de 01/07/2007. Os fatos geradores da obrigação previdenciária foi levantado com base na remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, lançados nas folhas de pagamento, e nas seguintes contas contábeis: 31000 Pro Labore;31008 Vale Transporte; 31009 Vale Refeição; 31010 Assistência a Empregados; 31047 Material Aplicado. O presente Auto de infração compõese dos seguintes levantamentos para identificar a s diversas situações encontradas na empresa: I. Levantamento L01 e Zl REFEIÇÃO NAO DECLARADO GFIP • 01/2004 a 09/2006 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. A parcela "in natura" recebida pelo empregado, sob a forma de alimentação pronta, integra o saláriodecontribuição quando não existe adesão ao PAT. A multa foi agravada em 50% no levantamento Z1, uma vez que a empresa não atendeu a intimação fiscal (TIF 03), para apresentação de planilha identificando os beneficiários do vale refeição. II. L02 e Z2 VALE TRANSPORTE NAO DECLAR GFI. 01/2004 a 08/2006 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Os saláriosdecontribuição foram obtidos na conta contábil 31008 VALE TRANSPORTE. Das despesas com o vale transporte foi deduzido o valor da participação do segurado empregado, lançados nessa mesma conta. Naqueles lançamentos em que não foi possível identificar, pelo histórico, que o pagamento foi efetuado para pessoa jurídica, o vale transporte foi considerado pago em moeda corrente, para os segurados empregados e não a entrega de vales transporte. A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não à s exibiu. Portanto o transporte foi fornecido em desconformidade com a legislação, uma vez que está vetado o fornecimento do vale transporte em espécie. III. L03 e Z3 ASSISTÊNCIA EMPREGADO NAO GFI 01/2004 a 12/2007 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 4 3 Remuneração dos segurados empregados não declaradas em GFIP, referente ao pagamento de assistência a empregados conforme demonstrado na "Planilha 5 Salário de Contribuição dos segurados empregados referente a assistência a empregados". Naqueles lançamentos em que não foi possível identificar, pelo histórico, que o pagamento foi efetuado para pessoa jurídica, os valores pagos a título de assistência a empregados, foram considerados como sendo pagos aos segurados empregados A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não à s exibiu. Os valores foram obtidos na conta contábil 31010 ASSISTÊNCIA A EMPREGADOS. IV. L04 CONTRIB INDIVL NAO DECLAR GFI 02/2004 a 09/2004 Não declarado em GFIP parte patronal referente aos segurados contribuintes individuais. Remuneração dos contribuintes individuais e não declaradas em GFIP , conforme "Planilha 6 Salário de Contribuição dos segurados Contribuinte Individual". Os valores dos serviços prestados pelos contribuintes individuais foi obtido na conta contábil 31047 MATERIAL APLICADO. A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não à s exibiu, e portanto tais lançamentos foram considerados como sendo pagamentos a beneficiários não identificados, na categoria de segurados contribuintes individuais. V. L05 PRO LABORE NAO DECLAR GFIP 03/2004 a 07/2005 Não declarado em GFIP parte patronal referente aos segurados contribuintes individuais (sócios administradores), Remuneração dos contribuintes individuais (sócios administradores), e não declaradas em GFIP, conforme "Planilha 7 Salário de Contribuição dos administradores (Pro Labore) ". Os valores da retirada de Pró labore foram obtidos na conta contábil 31000PRO LABORE. VI. L06 e Z4 CONTRIB P LABORE NAO DECL GFIP 01/2004 a 12/2007 Não declarado em GFIP parte patronal referente aos segurados contribuintes individuais (sócios administradores). Contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a Remuneração dos contribuintes individuais (sócios administradores), não declaradas em GFIP, conforme "Planilha 7 Salário de Contribuição dos administradores (Pro Labore) ". Cabe ressaltar que a s remunerações de Prólabore foram declaradas em GFIP. Os valores da retirada de Prólabore foram obtidos na conta contábil 31000PRO LABORE " L07 e Z5 FOL PAG NAO DECL GFIP 03/2004 a 09/2007 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Remuneração dos segurados empregados, e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na "Planilha 1 Salário de Contribuição CONSOLIDADO dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" e na "Planilha 2 Salário de Contribuição dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" . Os saláriosdecontribuição foram obtidos nas folhas de pagamentos. VII. L08 e Z6 CONTR PATRONAL NAO DEC GFIP 01/2004 a 13/2007 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a Remuneração dos segurados empregados, e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na "Planilha 1 Salário de Contribuição CONSOLIDADO dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" e na "Planilha 2 Salário de Contribuição dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" . Os saláriosde Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 5 4 contribuição foram obtidos nas folhas de pagamentos. Cabe ressaltar que a s remunerações foram declaradas em GFIP. VIII. L09 13 SALÁRIO 2004 13/2004 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre o décimo terceiro salário de 2004 dos segurados empregados e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na "Planilha 11 Salário de Contribuição do 13° salário de 2004". Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 193 a 202. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 218 a 231. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AI DEBCAD n° 37.210.0686 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DECADÊNCIA. SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS. NULIDADE. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VERBAS SALARIAIS. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Não tendo sido esgotado o prazo decadência!, o lançamento pode ser Estando a empresa excluída do sistema SIMPLES a partir de 01/02/2004, somente é cabível o lançamento a partir desta data. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando demonstrada a matéria tributável e seus fundamentos legais. Os valores pagos pela empresa a título de Alimentação, Vale Transporte e Assistência a segurados enquadramse no conceito de salárioclecontribuiçâo quando não atendem todos os requisitos legais de isenção das contribuições previdenciárias devidas. Considerarseão não formulados os pedidos de diligência e perícia quando a empresa não apresentar os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e no caso de perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 252 a 262 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que! conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede | material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 6 5 2. É o que deve ser aplicado ao caso em discussão. A impugnante deve ser mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, bem como do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, Simples Nacional, pois a par da falta de registro da movimentação financeira, a mesma é uma microempresa de pequeno porte, e preenche os requisitos necessários para tanto. 3. De outra banda, ainda que o entendimento seja diverso do acima exposto, deve ser invalidade o presente auto de infração, pois é consabido que os efeitos da exclusão do SIMPLES passam a vigorar a partir do ato de exclusão. Insurgese, quanto aos efeitos do ato de exclusão, reclamando da retroatividade pois, no caso em tela, não é possível aplicar a norma que dá efeitos retroativos à exclusão do regime. Sustenta por sua vez, que o artigo 15, inciso II da Lei 9.317/96 determina que a exclusão, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°, gera efeitos no mês subsequente à ocorrência da situação excludente. 4. Aduz que a empresa está dentro do enquadramento legal que lhe permite participar do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e que o critério utilizado pela fiscalização para a exclusão foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Ressalta que em nenhum momento foi detectada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante dos referidos sistemas. Sustenta que a movimentação bancária não é documento de obrigação principal, mas sim acessória c que por ter apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço à fiscalização. 5. Requer, ao final, o seu reenquadramento nos sistemas SIMPLES, a suspensão do presente Auto de Infração até o trânsito em julgado do processo administrativo dc exclusão, e que seja declarada a sua nulidade, pois os atos declaratórios executivos n° 031 e 036 não devem prosperar. 6. Afirma que as cobranças e multas aplicadas neste Auto de Infração não são válidas eis que retroagiram em data pretérita à data de exclusão, o que é ilegal. 7. Quanto ao mérito, aduz que conforme verificase do auto acima referido destinase a cobrança de créditos previdenciários relativo as contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados e dos contribuintes individuais, e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de jincapacidade laborativa decorrente dos ricos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao [segurados empregados. 8. A cobrança é feita sobre as rubricas pagas a título de vale transporte, vale refeição, assistência médica e assistência a empregados, considerados pela fiscalização "in natura". 9. Ocorre que totalmente equivocado o entendimento do fisco, eis que não são parcelas salariais e não possuem natureza de salários os benefícios concedidos por liberalidade aos empregados. O fornecimento de vale transporte, vale refeição, assistência médica e assistência a empregados não possuem natureza salarial e sim indenizatória e como tal não está sujeita a tributação. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 7 6 10. De outra banda, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o ato de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Omite se relativa ou parcialmente, ou seja , o fundamento legal da infração supostamente cometida pela autuada, de forma direta, o que inviabiliza, ou no mínimo, torna difícil o exercício pleno do direito de defesa. 11. Caso não seja este o entendimento, o que admite apenas para argumentar alega que deve ser declarada a prescrição dos créditos relativos às competências anteriores a 03/06/2005, eis que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador. Cita a Súmula Vinculante n° 08 do STF para ratificar o entendimento do prazo decadencial qüinqüenal. 12. A recorrente requer seja dado provimento ao seu recurso no sentido de ser totalmente julgada procedente a impugnação ora apresentada, declarandose a nulidade do auto de infração ora impugnado, primeiro por conter vícios insanáveis relativos a sua válida constituição , uma vez que não consta a indicação do dispositivo legal infringido, caracterizandose cerceamento de defesa, e segundo, por estar em total desrespeito a lei, não preenchendo os requisitos mínimos para |sua validade, tal como [exigidos pela disposição legal pertinente, e por conseguinte, ver desconstituído o crédito tributário apurado. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 251 a 252. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi o fato da empresa ter sido excluída do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte, a partir da competência janeiro/2004, através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n ~ 031 de 03/06/2009 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n°036 de 08 /06/2009, a partir de 01/07/2007. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando a impossibilidade de suspensão do presente processo, face a existência de recurso nos processos em que se discute a procedência da exclusão do SIMPLES e seus efeitos retroativos. Assim, pronunciouse aquela autoridade: Do Pedido de Suspensão do Auto de Infração Uma das características do chamado efeito suspensivo é a necessidade de previsão expressa na lei que criou o recurso; era outros termos, o efeito suspensivo não se presume, ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito. É o que ensina Maria Sylvia Zanella Dl PIETRO, em seu "Direito Administrativo, São Paulo: Atlas. 19a ed., 2006, p. 697: O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso: ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. Esse princípio foi positivado na legislação do processo administrativo federal, através da Lei n° 9.784/99, que assim dispõe em seu artigo 61: Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Todavia, aplicase a suspensão da exigibilidade às exigências fiscais formalizadas nos presentes autos, em razão desta própria impugnação apresentada, nos termos do art. 151, III do CTN, in verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) ¡11 as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 9 8 Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito szjii suspenso, ou dela consequentes, (g. n.) Não há, igualmente, previsão de efeito suspensivo em eventual recurso contra a exclusão, na própria Lei n.° 9.317/96. Donde se conclui não haver previsão legal para o efeito suspensivo no recurso cabível contra o ato de exclusão do Simples, em relação à constituição dos créditos tributários previdenciários decorrentes. Não bá razão para sobrestar o presente julgamento. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo os autosdeinfração ficarem sobrestados aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925 sejam julgados no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF, com cópia das referidas decisões para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 14041.000218/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 18 /2 00 9- 39 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.920 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] A) OMISSÃO NO EXAME DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE As peças de insurgência da contribuinte revelam não apenas o pleno conhecimento do teor dos acórdãos prolatados pelo CRPS que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087, denotando a ciência das decisões, mas confirmam a ocorrência da intimação a que se referiu a fiscalização, inclusive trazendo seu teor à colação na peça recursal (CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, em 18 de fevereiro de 2004). O julgamento sobre (i) a comprovação da intimação da contribuinte e (ii) sobre a expedição da carta de intimação deve necessariamente se debruçar sobre as manifestações da própria contribuinte acerca de tais fatos, seja para acatar suas alegações, seja para rejeitálas fundamentadamente. Assim, cumpre que o acórdão embargado seja suprido com manifestação sobre as alegações da contribuinte acerca de sua efetiva intimação. B) OMISSÃO SOBRE O ART. 334, II E III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Com efeito, seja em sede de impugnação ou recurso voluntário, a Embargada nunca arguiu que aquela intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco 18 de fevereiro de 2004 ou mesmo que não havia sido intimada das referidas decisões. De modo inverso, afirmou expressamente que foi intimada. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 3 3 A contribuinte nada opôs àquele fato, pois centra sua defesa na tese de que a decadência, na forma do disposto no CTN, art. 173, inciso II, deveria ser contada a partir da prolação dos r. acórdãos do CRPS que anularam o lançamento originário em 31/10/2003. Portanto, a teor do disposto no art. 334 do Código de Processo Civil, a efetiva ocorrência e a data da intimação, por configurarem fatos incontroversos, não dependem de prova, In verbis: (...) C) OMISSÃO QUANTO AO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72 Repisase que a defesa da interessada, no tocante à decadência, baseouse tãosó em questão de direito qual o termo a quo para contagem do prazo decadencial insculpido no art. 173, II, do CTN – restando incontroversas as premissas fáticas sobre as quais se assentou o lançamento. Destarte, por mais este motivo, merecem estes Embargos acolhimento, para que seja suprida omissão do julgamento com a indicação das razões pelas quais deixou o Colegiado de aplicar a previsão do art. 17 da Lei do PAF. D) OMISSÃO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CARTA DE INTIMAÇÃO SOB OS CUIDADOS DA CONTRIBUINTE – VERDADE MATERIAL O órgão Colegiado determinou que fosse promovida diligência para localização do aviso de recebimento relativo à carta por meio da qual fora a contribuinte intimada da decisão que anulou os lançamentos originários. Em virtude da ausência de registros da intimação postal na Delegacia de origem, o Colegiado, a despeito das alegações em sentido contrário por parte da própria contribuinte, julgou que não era possível determinar se transcorrera o prazo decadencial antes da intimação do novo lançamento. Ao assim decidir, o julgado desprezou por completo a carta que se encontra sob os cuidados da contribuinte e foi por ela reproduzida em sua impugnação. Antes de concluir pela impossibilidade de precisar se decorrera o prazo decadencial, caberia examinar o documento reproduzido nos autos, uma vez que referido documento compõe o arcabouço probatório que instrui o presente feito. Poderia, inclusive, chamar a contribuinte a colacionálo ao feito, caso reputasse necessário o exame do documento original para afastar eventuais dúvidas acerca das informações nele veiculadas. Dado que há uma carta, documento oficial, sob os cuidados da contribuinte, que a ela teve acesso após a data de 18 de fevereiro de 2004 (visto ser essa a data de redação da carta), o que basta Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 para conclusão no sentido da inocorrência de decadência, necessariamente dito documento deve ser analisado na apreciação da questão do decurso do prazo decadencial, sob pena de manifesta ofensa ao princípio da verdade material. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 5 7 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 6 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11030.904388/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 88 /2 01 2- 21 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 30/06/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13884.004152/2003-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os Embargos de Declaração, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma.
Numero da decisão: 1803-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), rerratificando o Acórdão nº 1803-002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial, na forma do item 12 deste Acórdão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os Embargos de Declaração, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 41 52 /2 00 3- 86 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 235 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), rerratificando o Acórdão nº 1803002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial, na forma do item 12 deste Acórdão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 236 3 Relatório Os Embargos de Declaração (fls. 225 a 229verso) foram recebidos nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. 2. A Embargante (Procuradoria da Fazenda Nacional) alega omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma, relativamente ao Acórdão nº 1803002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial (fls. 215 a 220), sob o seguinte fundamento (fls. 225verso): 3. Da análise dos autos, entendeuse estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma (fls. 232 e 233). Em mesa para julgamento. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 237 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Acolho os Embargos, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. 5. Conforme bem observado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), “o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 23/01/2008, conforme AR de fls. 117” (fls. 225verso). 6. Devese observar, porém, que foi objeto de cobrança, pela Intimação nº 29/2008, de fls. 115, apenas o débito original de R$ 7.686,45 (fls. 116), correspondente ao valor indicado na Declaração de Compensação de fls. 1. 7. Segundo tela de consulta de fls. 118, consta recolhimento, em 16/05/2008, do valor original de R$ 7.686,45, com acréscimos legais, totalizando R$ 13.973,19. 8. Um ano após esses fatos (mais precisamente em 06/04/2009), efetuou a repartição de origem levantamento de outros Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) vinculados ao presente processo (fls. 119 a 183), do que resultou a relação de débitos de fls. 184 a 189, que podese assim entender substituiu a relação anterior, de fls. 110 (Extrato de Processo), a qual apenas indicava o débito já mencionado, de R$ 7.686,45. 9. Dessa forma, procedeuse a nova intimação à Recorrente (Intimação nº 118/2009, de fls. 190) para a cobrança desses outros débitos, esta, sim, recebida em 14/04/2009 (fls. 191), como indicado no Acórdão embargado (fls. 218). 10. Por conseguinte, resulta lógico que, para todas as demais Declarações de Compensação que não a de fls. 1 (cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), resta tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente, em 30/04/2009 (fls. 194), considerandose, por economia processual, o Despacho Decisório de 11/11/2003, da DRF em São José dos CamposSP (fls. 74) e o Acórdão nº 0520.338, de 28/11/2007, da DRJ de CampinasSP (fls. 111 a 113), como alcançando, também, todas aquelas declarações. 11. Daí o conhecimento do Recurso Voluntário por parte do Acórdão embargado (fls. 219). 12. Para melhor espelhar a situação dos autos, devem ser rerratificados os seguintes trechos do Acórdão embargado, como segue (fls. 216 e 220): De: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 238 5 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, temporariamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. [...]. Considerando que, no presente caso, o pleito de compensação foi protocolado em 14/10/2003, não procede a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, inclusive, arguida pela DRF de origem. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação. Para (destacaramse as alterações procedidas): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia dos dez anos anteriores ao registro de cada declaração de compensação constante dos autos (excetuada a de fls. 1, cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, temporariamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. [...]. No presente caso, não procede a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia dos dez anos anteriores ao registro de cada declaração de compensação constante dos autos, todas anteriores a 9 de junho de 2005 (excetuada a de fls. 1, cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), arguida pela DRF de origem. Conclusão Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 239 6 Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia dos dez anos anteriores ao registro de cada declaração de compensação constante dos autos (excetuada a de fls. 1, cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ACOLHER os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), rerratificando o Acórdão nº 1803002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial, na forma do item 12 deste Acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918343/2012-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918343/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.490 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente ELIPSE SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 43 /2 01 2- 48 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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