Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13839.903338/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.979
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13839.903338/2011-75
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722220
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.979
nome_arquivo_s : Decisao_13839903338201175.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 13839903338201175_5722220.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755391
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212933898240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903338/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.979 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 38 /2 01 1- 75 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903338/201175 Acórdão n.º 3302003.979 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.506. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903338/201175 Acórdão n.º 3302003.979 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903338/201175 Acórdão n.º 3302003.979 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903338/201175 Acórdão n.º 3302003.979 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.903338/201175 Acórdão n.º 3302003.979 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903393/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13896.903393/2008-85
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5742181
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.565
nome_arquivo_s : Decisao_13896903393200885.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 13896903393200885_5742181.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6858317
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212937043968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.903393/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.565 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria IRPJ/CSLL/Compensação Recorrente NYLOK TECNOLOGIA EM FIXAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 33 93 /2 00 8- 85 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13896.903393/200885 Acórdão n.º 1402002.565 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13896.903393/200885 Acórdão n.º 1402002.565 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13896.903393/200885 Acórdão n.º 1402002.565 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13896.903393/200885 Acórdão n.º 1402002.565 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13896.903393/200885 Acórdão n.º 1402002.565 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.730398/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.076
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.730398/2013-15
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729413
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.076
nome_arquivo_s : Decisao_11128730398201315.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128730398201315_5729413.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6783322
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212971646976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.730398/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.076 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 03 98 /2 01 3- 15 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.989. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.730398/201315 Acórdão n.º 3302004.076 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901112/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.417
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10940.901112/2012-65
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5741711
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.417
nome_arquivo_s : Decisao_10940901112201265.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10940901112201265_5741711.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6855057
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212982132736
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-13T19:13:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-13T19:13:45Z; Last-Modified: 2017-07-13T19:13:45Z; dcterms:modified: 2017-07-13T19:13:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-07-13T19:13:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-13T19:13:45Z; meta:save-date: 2017-07-13T19:13:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-13T19:13:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-13T19:13:45Z; created: 2017-07-13T19:13:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2017-07-13T19:13:45Z; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-13T19:13:45Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901112/201265 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.417 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 12 /2 01 2- 65 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10940.901112/201265 Acórdão n.º 3302004.417 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10940.901112/201265 Acórdão n.º 3302004.417 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10940.901112/201265 Acórdão n.º 3302004.417 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.230. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10940.901112/201265 Acórdão n.º 3302004.417 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.901112/201265 Acórdão n.º 3302004.417 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.901112/201265 Acórdão n.º 3302004.417 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722415/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.463
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino Silva e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.722415/2012-16
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729478
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-000.463
nome_arquivo_s : Decisao_19515722415201216.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515722415201216_5729478.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino Silva e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6783692
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212988424192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.447 1 3.446 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722415/201216 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1401000.463 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de maio de 2017 Assunto IRPJ/Reflexos Desconto Recorrente NOVARTIS SAÚDE ANIMAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino Silva e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 41 5/ 20 12 -1 6 Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.448 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de ofício no Acórdão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ.. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada IRPJ, PIS, CSLL e COFINS sobre fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007, nos valores abaixo discriminados, acrescidos de multa de 150% e juros de mora. TRIBUTO MONTANTE (R$) IRPJ 19.445.712,86 PIS 1.285.001,04 CSLL 7.009.096,63 COFINS 5.918.792,71 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 631 a 650) e Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 591 a 599), foram apurados os fatos abaixo descritos. OMISSÃO DE RECEITAS A partir da análise da Contabilidade e a DIPJ/2008, anocalendário 2007, foi constatado que havia um grande disparate entre os valores das Receitas informadas pelo contribuinte, em 31/12/07, na Demonstração do Resultado do Exercício/Receitas/Receitas Brutas de Vendas e Serviços (conta 3.301013.01.01, com lançamentos a Débito de R$ 18.589.509,61, a Crédito R$ 167.538.404,89 e Saldo Credor de R$ 148.948.895,28) e os valores das Receitas declaradas na sua DIPJ. Nas Receitas Brutas de Vendas e Serviços (conta 3.301013.01.01), verificase que a subconta contábil Vendas Brutas a Terceiros (4.500001 3.01.01.01) foi lançado a Débito R$ 17.871.325,92, a Crédito R$ 162.016.113,93 e Saldo Credor de R$ 144.144.788,01, conforme Balancete de Contas Anual da empresa. As deduções de receitas lançadas pelo contribuinte em 31/12/2007, na Conta 3 3.01.02.3.01.02 DEDUÇÕES DE RECEITAS, tendo como Débito R$ 93.629.634,93, a Crédito R$ 18.606.650,17 e Saldo Devedor de R$ 75.022.984,76. Nas DEDUÇÕES DE RECEITAS, verificouse que na subconta contábil Descontos s/ Vendas de Mercadorias (4.50.00.86 3.01.02.08) foi lançado a Débito R$ 80.012.792,46, a Crédito R$ 18.168.643,43 e Saldo Devedor de R$ 61.844.149,03, conforme Balancete de Contas Anual da empresa. O contribuinte foi intimando a justificar e apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis, selecionados por amostragem, referentes ao Razão do contribuinte, anexos ao citado termo, de fl. 1/2 de 18 e 17/18 de 18, ou seja, Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.449 3 lançamentos contábeis de 21/12/2007 a Crédito da Conta Contábil 500086 = 3.01.02.08 Desconto s/ Vendas de Mercadoria no valor de R$ 16.034.702,46 e a Débito da Conta Contábil 500001 = 3.01.01.01 Vendas Brutas a Terceiros. Na resposta o contribuinte informa que os Descontos s/ Vendas são decorrentes de políticas comerciais (exceto distribuidor, cooperativa, outros) e descontos de campanhas (campanha comercial por produto). Constatouse que tais descontos concedidos de janeiro a novembro/07 (redutor de Receitas Brutas de Vendas e Serviços), acumulados e contabilizados até novembro, no valor de R$ 72.062.215,35, conforme "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS e REDUÇÕES ", estão desacobertados de documentos fiscais, os quais não foram emitidos pelo fiscalizado. Em dezembro/07 o contribuinte reduziu em R$ 10.218.066,32 tais descontos, passando seu saldo de R$ 72.062.215,35 para R$ 61.982.128,71. Neste mês, foram constituídos descontos de R$ 5.816.636,14, reduzindo a Receita Bruta nas Vendas a Terceiros, também desacobertados de documentos fiscais. A redução do acumulado em dezembro de R$ 10.218.066,32 (ainda não contabilizada no mês) somada ao desconto concedido do mês, de R$ 5.816.636,14, totalizou R$ 16.034.702,46 e foi contabilizada através do ajuste efetuado em 21/12/07. O contribuinte informou que as diferenças de Descontos s/ Vendas desse item foram contabilizados erradamente e que fez um acerto contábil de R$ 16.034.702,46 em 21/12/07. Os descontos que o contribuinte pretendeu conceder (a exemplo do que tentou explicar no verso da correspondência e nota fiscal no. 87886), por estarem sem o respaldo de documentos fiscais, classificamse simplesmente como Reduções das Receitas Brutas de Vendas e Serviços, cujos valores foram lançados nas subconta contábil Vendas Brutas a Terceiros (4 500001 3.01.01.01 e, nas DEDUÇÕES DE RECEITAS, nas subconta contábil Descontos s/ Vendas de Mercadorias (4 500086 3.01.02.08), perfazendo o total de R$ 77.878.851,49 (R$ 61.982.128,71 mais R$ 16.034.702,46). Intimada a justificar a razão da divergência entre o valor contabilizado, em 31/12/2007, no titulo contábil 3.01.01.1 Vendas Brutas a Terceiros, no valor de R$ 162.016.113,93 e o valor da Receita de Venda de Mercadoria Mercado Interno de R$ 82.162.659,30 declarado na sua DIPJ 2008. Foi solicitada a comprovação da receita bruta de R$ 162.016.113,93, e noutro termo, a comprovação dos Descontos s/ Vendas de Mercadorias e a justificar sua não inclusão na DIPJ, a empresa em resposta de 16/08/12, ao Termo de Intimação, declara o seguinte: "O valor de desconto sobre vendas não foi demonstrado na DIPJ pelo fato que demonstração foi feita pelo valor líquido das vendas, ou seja, considerando os devidos abatimentos acima demonstrado." A empresa emitiu as Notas Fiscais, por valores totais das notas, menores que os valores que foram contabilizados. Segundo a empresa, na contabilidade, dá Abatimento aos clientes, calculados sobre os valores da Receita Bruta Contabilizada a Maior, a título de Descontos Incondicionais. Tais Abatimentos Contábeis, de que tratam as subcontas contábeis DESCONTOS s/ VENDAS DE MERCADORIAS 4 500086 3.01.02.08, com lançamento a debito, em 31/12/2007, de R$ 80.012.792,46, segundo a empresa aplicados sobre as VENDAS BRUTAS A TERCEIROS 4 500001_3.01.01.01", com Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.450 4 lançamento a crédito, em 31/12/2007, de R$ 162.016.113,93, não tem qualquer base legal, um vez que as Notas Fiscais emitidas não continham deduções a titulo de descontos incondicionais. Tais valores foram abatidos/descontados indevidamente das VENDAS BRUTAS A TERCEIROS, quais sejam: a) os Abatimentos/Descontos indevidos de R$ 16.034.702,46, que somado ao descontos legais e aceitos de R$ 1.836.623,46, somaram R$ 17.871.325,92, lançado a débito das Vendas Brutas a Terceiros, e, b) os Abatimentos/Descontos Indevidos de R$ 61.844.149,03, contabilizados até novembro/07, ambos no total de R$ 77.878.851,49, conforme "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS e REDUÇOESANEXO ao TVCF", de fls 01d e02 e 02de02, caracterizamse como Omissão de Receita. Com base no DRE apresentado pelo contribuinte, sob intimação, verificase que o mesmo utilizouse da Receita Bruta de Venda de 148.948.895,28 quando deveria ter utilizado, conforme Balancete, Receitas Brutas de Vendas e Serviços de R$ 167.538.404,89, que deduzida a receita de exportação (R$ 4.804.107,27 e os descontos legais de R$ 718.186,69), sobraria a Receita/Vendas Brutas a Terceiros de R$ 162.016.113,93. Juntouse a cópia da nota fiscal n° 87886, e outras, com parte da explicação/procedimento adotado pelo contribuinte, com relação aos descontos x valor de emissão da mesma. Foi providenciada a Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista que foram utilizados subterfúgios e meios ilícitos para burlar o fisco. O contribuinte infringiu o artigo 24 da Lei 9.249/95, e, os Artigos. 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 277; 278; 279; 280 e 288 do RIR/99. O valor tributável da omissão de receita apurada por esta fiscalização, no ano calendário de 2007, representa R$ 77.878.851,49. A interessada se insurgiu, em 21/12/2012 (fl. 1882), contra o disposto no Auto de Infração, do qual tomou ciência em 26/11/2012 (fl. 634), através de impugnação (fl. 657 a 693) apresentando os argumentos que se seguem: • A impugnante possui políticas comerciais, as quais estabelecem condições especiais de preços. No decorrer do procedimento fiscalizatório foram apresentadas as políticas de descontos (por exemplo a Instrução Normativa 80.00 2 Doc . 02 e também campanhas de vendas). • A impugnante adota políticas comerciais diferenciadas para grandes cliente. São oferecidos descontos agressivos para produutos cujos prazos de vencimento fossem inferiores a 6 meses.A impugnante apresenta documentação que demonstra a política de preços. • Os descontos eram negociados antes da emissão das notas fiscais de modo que o preço já era líquido dos abatimentos. As notas fiscais apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos. Por exemplo, um produto de R$ 100,00, vendido por R$ 90,00, a nota fiscal apresentava o valor de R$ 90,00, mas em virtude dos sistema contábil da impugnante (SAP) foram escriturados os seguintes valores: débito de R$ Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.451 5 90,00 na conta clientes e débito de R$ 10,00 na conta de desconto (conta redutora da receita bruta). A contrapartida foi um lançamento a crédito em conta de receita de venda no montante de R$ 100,00. • Da nulidade Cerceamento do direito de defesa inexistência de fundamentação da norma infringida e a discrepância dos fundamentos com a conclusão • A Fiscalização aponta que a impugnante apontou o artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 e os artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Ela apenas alega que as regras contábeis teriam sido inobservadas pela impugnante, entretanto, em momento algum menciona o dispositivo contábil infringido, tampouco fundamenta a alegação. • O artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 que, verificada a omissão de receita, a autoridade deverá lançar o imposto. No caso analisado a Fiscalização não demonstrou a ocorrência da omissão de receita. Portanto, inaplicável este dispositivo. • O inciso II do artigo 249 RIR/99 dispõe que as receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido devem ser adicionados na apuração do Lucro Real. No caso, valores considerados como omitidos sequer são receitas. • O artigo 251 e parágrafo único estabelece que a pessoa jurídica deve manter a escrituração com a observância da legislação comercial e fiscal. A escrituração da Impugnante ocorreu em conformidade com a legislação comercial e fiscal, bem como contemplou todas as operações. • Os artigos 277, 278, 279 e 280 apenas dispõem acerca dos conceitos e não indicam qualquer irregularidade. • O artigo 288 apenas reproduz o disposto no artigo 24 da Lei n° 9.249/1995. • A impugnante não identificou a norma que teria infringido em virtude da citação genérica dos dispositivos legais, completamente dissociados dos fatos descritos. • O Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 10, estabelece que o Al será lavrado por autoridade competente, no local da verificação da falta, e conterá: (i) a qualificação do autuado; (ii) o local, a data e a hora da lavratura; (iii) a descrição do fato; (iv) a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (v) a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias, e (vi) a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo e o seu número de matrícula. • No artigo 50, parágrafo 1°, da Lei n° 9.784/1999, o AI deve descrever, detalhadamente, os motivos de fato e de direito que embasam a autuação. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, incluindo a citação das normas legais infringidas . • Os elementos de fato citados pela Fiscalização não constam da legislação como presunção de omissão de receita e não indicam sequer a existência de um único indicio de omissão de receita. • A impugnante não sabe qual teria sido a norma por ela infringida, ou seja, desconhece o suposto dispositivo legal aplicável ao caso, cerceado fica o seu direito de defesa, fato que acarreta na nulidade dos AI conforme disposto no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. • Da Decadência. O PIS e a COFINS são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito Fl. 5350DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.452 6 tributário desses tributos é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional ("CTN)". • Embora os Autos de Infração considerem que os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorreram em dezembro de 2007, no "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS E REDUÇÕESANEXO" ao TVF, a Fiscalização apresenta os valores das receitas supostamente omitidas nos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2007. • Portanto, deve ser reconhecida a decadência dos créditos tributários de PIS e COFINS, referentes aos períodos de apuração de janeiro a outubro de 2007, pois: os tributos são sujeitos a lançamento por homologação; ocorreram pagamentos dos tributos; inexiste comprovação de dolo, fraude ou simulação; e os Autos de Infração foram lavrados em 26 de novembro de 2012. • MÉRITO. • Da Inocorrência de omissão de receita. A divergência entre os valores de Receita de Vendas e o montante declarado em DIPJ referiase a descontos/abatimentos concedidos aos clientes da impugnante, antes da emissão das notas fiscais, suportados em Políticas Internas de Concessão de Descontos, bem como em Campanhas de Vendas. • Tais descontos são decorrentes de políticas que objetivam aumentar as vendas. A impugnante apresenta documentação que demonstra a política de preço agressiva para a venda de tais produtos. Os descontos/abatimentos oferecidos em face do valor de lista eram negociados antes da emissão das notas fiscais, de modo que o preço acordado entre as partes já era líquido dos descontos oferecidos, isto é, as notas fiscais de venda, em todos os casos, apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos em face do preço de lista. • O sistema contábil estava parametrizado para registrar receita com base no valor de lista dos produtos.O sistema contábil não considerava o valor efetivamente praticado na operação com o cliente, mas sim o valor de lista, superior ao montante realmente praticado na operação. • O valor efetivamente praticado na venda era o preço de lista dos produtos, sendo realizados lançamentos contábeis em conta de desconto, correspondente à redução de preço concedida ao cliente, de modo que, ao efetuar um encontro de contas, o valor efetivamente recebido pela impugnante, e registrado em sua contabilidade, a título de receita de venda de seus produtos, corresponde ao valor da transação comercial após a concessão do desconto/abatimento. • O valor declarado na linha 4 da Ficha 06A da DIPJ corresponde ao valor da receita de vendas reduzido pelos descontos/abatimentos. (fl. 13). • O valor de R$ 77.878.851,49, base de cálculo da exigência, está vinculado a 12.000 notas fiscais de vendas de produtos diversos, produzidos e comercializados pela impugnante. A impugnante selecionou uma amostra representativa das 12.000 notas fiscais envolvidas na autuação, cujo tamanho entende ser suficiente para inferir, com segurança, a inexistência de omissão de receita, no caso concreto. • O objetivo da amostragem é obter uma estimativa da proporção dos descontos/abatimentos concedidos que seja representativa da população total. Com base em metodologia estatística bem aceita, o tamanho mínimo de uma amostra aleatória Fl. 5351DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.453 7 simples que seja representativa de uma população homogênea é dado pela seguinte equação: n = N 1+(N1)(B2/Z2)/(PP2) n = tamanho mínimo da amostra para ser representativa da população total N = tamanho da população total B = margem de erro da proporção amostral z = índice de confiabilidade do resultado amostral P = taxa máxima esperada de exceções (estimativa subjetiva com base em experiências do gestor) • Foram selecionadas 72 notas fiscais que representam uma estimativa confiável para comprovação da contabilização das vendas, bem como dos descontos. No doc. 5, a impugnante apresenta demonstrativo contendo todas as notas fiscais emitidas. • O valor considerado como omitido é assim composto: (i) R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos; e (ii) R$ 16.034.702,46, referente a um ajuste efetuado pela impugnante, em sua contabilidade, em 21/12/2007. • A impugnante passa a comprovar a escrituração correta e regular da receita relacionada à venda dos produtos comercializados, no tocante ao item (i). • A nota fiscal 91581 será utilizada como exemplo. Tal nota foi emitida no valor de R$ 244.310,00 e é espelho da venda de 40 unidades de Tiamutin 80 Coated à Avipal, em 09/05/2007. O valor de lista do Tiamutin 80 Coated, na data da venda, era de R$ 9.742,83 por unidade, de modo que o registro contábil em conta de Receita (conta 0 500001), foi no valor de R$ 389.713,20, mas foram concedidos descontos/abatimentos. • A escrituração contábil de tal venda teve como partida lançamentos a débito, um na conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no valor de R$ 244.310,00 correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no montante de R$ 145.403,23, correspondente ao desconto/abatimento concedido à Avipal. • A contrapartida de tais lançamentos foi efetuada por meio de lançamento a crédito em conta de Receita n° 500001, no valor de R$ 389.713,23, corresponde ao preço de lista do produto sem o cômputo do desconto/abatimento. • O custo da venda foi escriturado com lançamento a débito em conta de Despesa n° 600001 (Venda de mercadoria para terceiros), tendo como contrapartida lançamento a crédito em conta de Ativo n° 200511 (Estoque). • O valor de R$ 11.444,31, destacado na nota fiscal a título de ICMS, foi registrado com lançamento a débito na conta de resultado (despesa) n° 500085 (ICMS Conta Corrente), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440851 (ICMS s/ faturamento). Fl. 5352DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.454 8 • O PIS incidente sobre a operação, no montante de R$ 5.130,51 foi lançado a débito na conta de resultado (despesa) n° 500084 (PIS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440860 (PIS). • A COFINS apurada, no montante de R$ 24.186,69 foi lançada a débito na conta n°500083 (COFINS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta n° 440862 (COFINS). • O recebimento dos valores relacionados a tal nota, no valor de R$ 244.310,00, já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Impugnante com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor. • No doc. 6, a impugnante apresenta o seu Plano de Contas. o registro de tal nota do Livro de Saídas, as cópias do Livro Diário aptas a comprovar a contabilização acima descrita, bem como o extrato bancário que com o recebimento do valor líquido pela Impugnante , relacionados à nota fiscal, estão acostadas a presente impugnação (doc. 7). • Logo, a impugnante entende ter explicado o critério contábil utilizado para o registro de suas operações e demonstrado a inocorrência de omissão de receita no valor de R$ 61.982.128,71. • No doc. 8 a impugnante apresenta, documentos nos moldes acima descritos para as demais notas selecionadas por amostragem para a comprovação da regularidade do registro contábil. • A impugnante esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (item (ii) desta impugnação e mencionado no item a, fl. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. O sistema, equivocadamente, considerava como receita bruta de vendas valores superiores aos efetivamente praticados. • O ajuste relacionase com tal equívoco sistêmico, e foi realizado com o intuito de que constasse, como receita bruta, o valor do preço de lista dos produtos, sobre os quais seriam calculados os descontos. • Inexistência de dispositivo legal que autoriza a presunção de omissão de receita. A impugnante observou, sim, as normas contábeis.O fato de o sistema contábil ter sido parametrizado para escriturar os valores de lista dos produtos e não os efetivamente realizados nas operações de venda, sendo o ajuste realizado mediante escrituração contábil do desconto é prática reiterada adotada pelas empresas. • O procedimento adotado não acarretou em prejuízo ao Fisco, pois, o montante efetivamente acordado entre as partes, constante da nota fiscal e efetivamente recebido pela venda dos produtos é aquele sujeito à incidência dos tributos, como de fato tributado. • A própria Receita Federal já se pronunciou no sentido de que a "forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte (... ) e a repartição só a impugnará se a mesma omitir detalhes indispensáveis à determinação do verdadeiro lucro", conforme exposto no Parecer Normativo n° 347/97. • Ainda que o procedimento contábil não tivesse sido o melhor mesmo assim, em virtude da falta de prejuízo ao Fisco, a exigência deveria ser cancelada. Fl. 5353DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.455 9 • A Fiscalização não observou que o Lucro Operacional e o Lucro Bruto escriturados nos balanços apresentados à JUCESP, constantes do doc. 04 do TVF e os declarados na DIPJ são consistentes: (...) Em relação à diferença percentual de 0,09 entre o Lucro Operacional declarado na DIPJ e o constante no Balancete, a impugnante esclarece que decorre da estruturação de seu plano de contas, destacando que o Lucro Líquido apurado é o mesmo. O conceito de Lucro Operacional e de Lucro Bruto adotado para a contabilidade foi o mesmo daquele declarado na DIPJ. Não observou a Fiscalização que o Lucro Líquido constante da escrituração comercial é o mesmo daquele declarado na DIPJ. Embora não tenham sido citados nos AI, fato que, conforme já apresentado anteriormente, causa preterição do direito de defesa, pois a impugnante não sabe qual o dispositivo legal que teria deixado de observar, os únicos dispositivos que poderiam servir para a exigência dos tributos sob a acusação de omissão de receita, seriam os artigos 281 a 288 do RIR/99. A acusação da Fiscalização, no sentido de que os valores escriturados em conta de desconto supostamente caracterizariam omissão de receita não consta do referido enquadramento legal Não foi apontada a existência de saldo credor de caixa (art.281). O artigo 282, também não mencionado pela Fiscalização, é regra que determina o cálculo do valor omitido. Pelo menos é que se depreende dos documentos juntados, dado que não há nenhuma acusação de entrada financeira cuja origem não tenha sido conhecida. A Fiscalização analisou os extratos bancários de todas as contas de bancos e identificou a origem de todas as entradas. Não há um indício que permita desconfiar da prática de omissão de receita. O artigo 283 dispõe sobre a falta de emissão de nota fiscal ou a emissão em valor inferior ao da operação. Mencionado artigo visa a exigência de tributos nos casos em que as empresas emitem notas fiscais (ou sequer emitem) com valores inferiores aos recebidos pelas vendas dos produtos ou serviços. Pela análise do artigo 283, a autuação fiscal é descabida. Os artigos 284 e seguintes dispõem sobre o arbitramento da receita por indícios de omissão, levantamento quantitativo por espécie e falta de comprovação da origem dos depósitos. Também não houve infringência aos artigos mencionados, muito pelo contrário, pois a impugnante apresentou todos os extratos bancários à Fiscalização, que não ofereceu qualquer acusação quanto à origem dos valores creditados nas contas bancárias da impugnante. • Em virtude da falta de adequada fundamentação dos AI, e na hipótese de a Fiscalização ter entendido pela ocorrência de subfaturamento, pelo fato de as vendas não terem ocorrido pelo valor de lista, tal acusação seria completamente descabida. Isso porque, a Impugnante tem políticas comerciais que possibilitam a redução do preço de venda dos produtos. O valor efetivo da operação é o constante da nota fiscal, que corresponde ao recebido pela impugnante. Logo, não há que se falar em omissão de Fl. 5354DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.456 10 receita, subfaturamento ou qualquer outra hipótese que possa caracterizar a ocorrência de tal prática. • Ainda que houvesse um único indicio da ocorrência de subfaturamento, a Fiscalização deveria aprofundar a auditoria para colher outros elementos que possibilitam a demonstração da omissão de receita. • Em virtude do Princípio da Eventualidade, a impugnante pede e espera que, na remota hipótese dos AI não serem cancelados em sua totalidade, seja reconhecido que os créditos tributários de IRPJ e CSLL não gozam de certeza e liquidez, pois a Fiscalização não levou em consideração diversos fatores que influenciam diretamente na apuração desses tributos. • As despesas com PIS e COFINS. Outros equívocos foram praticados pela Fiscalização na composição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. • A desconsideração das despesas dedutíveis a serem abatidas na formação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mais especificamente as despesas com o PIS e a COFINS lançados. A Fiscalização não efetuou o recalculo do valor do lucro líquido marco inicial para a apuração do IRPJ e da CSLL considerando as despesas com o PIS e a COFINS e com os juros de mora apurados na mesma ação fiscal. Ao lavrar os AI com base na suposta omissão de receitas, a Fiscalização lançou valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sendo que, estes últimos, somam um valor de R$ 10.652.249,81 (valor do principal e juros de mora dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL). • A falta do abatimento da despesa com o PIS e a COFINS, bem como dos respectivos juros de mora, implica em violação ao artigo 37 da Constituição Federal. O art. 2o , parágrafo único, inciso IV, da Lei n° 9.784/99, que estabelece a atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé, é atribuído à Administração Pública, em atendimento ao princípio da moralidade. • Deve ser analisado, também, os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade dos atos administrativos, visto que, estes se constituem numa forma de limitar o poder discricionário da Administração Pública. • Ademais, o artigo 3° do Código Tributário Nacional, dispõe que o tributo não constitui sanção. • Caso não seja efetuado o abatimento do PIS e a COFINS e os juros de mora, estará sendo exigido tributo para punir a impugnante por supostamente não ter escriturado corretamente todas as receitas. • Do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da CSLL A Fiscalização considerou outros elementos essenciais: (i) a desconsideração do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL apurados no anocalendário de 2007 (Doc. 9 Fichas 12 e 17 da DIPJ); (ii) falta de compensação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, em até 30% (trinta por cento), com o saldo de Prejuízo Fiscal ("PF") e de base negativa de CSLL ("BNCSLL") escriturados em 31 de dezembro de 2006 (Doc. Parte B do LALUR e Ficha 61 da DIPJ), e (iii) a existência de saldo negativo de IRPJ (Doc. 9 Ficha 12 da DIPJ). • O direito à compensação de 30% do PF e da BNCSLL está assegurado pelo art. 510 do RIR/99. Fl. 5355DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.457 11 • Da dedução do Programa de Alimentação do Trabalhador ("PAT"). A Fiscalização deixou de deduzir do IRPJ supostamente devido os valores decorrentes do PAT. De acordo com o artigo 581 do RIR/99 as despesas com o PAT são dedutíveis do IRPJ. • Os créditos objeto da presente exação devem ser reduzidos, aplicandose aludida dedução legal. • Do artigo 142 do CTN. A Fiscalização cometeu evidentes equívocos na composição dos valores de IRPJ e CSLL. Tal conduta infringe o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Como a matéria tributável para fins do IRPJ e da CSLL foi apurada em desacordo com a legislação, constatase que os supostos créditos tributários constituídos não são líquidos, ou seja, não tiveram os seus valores devidamente apurados. • Comprovado que há graves erros na determinação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, por meio da falta de (1) abatimento da despesa com o PIS e COFINS lançados na mesma ação fiscal; (2) consideração do prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2007; (3) e compensação do lucro real e da base de cálculo da CSLL com prejuízos apurados em anos anteriores; (4) dedução do PAT; e, ainda, (5) dedução das exigências pelo saldo negativo apurado no ano de 2007, resta contaminada a determinação dos tributos supostamente devidos, de modo que são nulos os lançamentos. • Da multa qualificada. a multa de 150% só pode ser aplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, ou seja, condutas dotadas da intenção de lesar o Fisco. • A Fiscalização deve demonstrar, de forma individualizada e descritiva, a subsunção da conduta do contribuinte ao tipo penal, sob pena de restar desconfigurada a própria infração imputada e não simplesmente citar vários e possíveis ilícitos sem comprovação efetiva do comportamento delituoso. • A caracterização da fraude depende da comprovação do elemento subjetivo da operação, ou seja, da intenção de praticar ato para disfarçar ou mascarar a ocorrência do fato gerador. Se faz necessário que haja dolo nas operações realizadas pela impugnante, ou seja, que haja a intenção em omitir receitas e prejudicar a arrecadação de tributos. • Da impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Pela análise do art.13 da Lei n° 9.065/95 e do artigo 84, da Lei n° 8.981/95:, verificase a aplicação de juros apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal, inexistindo qualquer previsão legal para o cômputo dos referidos juros sobre a multa de ofício lançada • Do mesmo modo não se pode fundamentar a cobrança de juros sobre a multa com base no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. • A incidência de juros deve ser sobre o valor do tributo e não sobre a incidência de juros sobre a multa de lançamento. • Da Diligência. Com respaldo no disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 a impugnante requer a realização de diligência, para que se comprove o equívoco na determinação da suposta exigência materializada nos AI ora impugnados. • Requer às Autoridades Fiscais que respondam aos seguintes quesitos: Fl. 5356DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.458 12 a) É possível afirmar que o valor declarado na Ficha 6 , Linha 4 da DIPJ corresponde ao somatório dos valores escriturados nas notas fiscais?; b) A partir dos trabalhos efetuados pela Fiscalização, existem créditos em conta corrente junto à administração financeira cuja origem não foi comprovada? Em caso positivo, em qual conta corrente há valores cujas origens não foram comprovadas? c) É possível afirmar, em diligência junto aos clientes da Impugnante, que o valor pago tem relação com o valor da respectiva nota fiscal? Em caso negativo, em qual conta bancária da Impugnante os valores foram depositados pelos clientes? E d) É possível afirmar que o valor de R$ 16.034.702,46 escriturado a débito na conta Venda Brutas a Terceiros visando acertar equívocos que ocasionaram registro indevido de receitas possui suporte documental adequado? É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange às garantias do contraditório e da ampla defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser inferido o pedido de diligência, quando esta se revela prescindível para a instrução do processo e solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS DESCONTOS CONCEDIDOS. Tendo o contribuinte comprovado, com notas fiscais, parte dos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes, cumpre exonerálo desta parcela da autuação. APROVEITAMENTO DO PREJUÍZO FISCAL DO PERÍODO. Não tendo o fiscal autuante computado o prejuízo fiscal do período, no cálculo dos tributos devidos, cumpre ao julgador fazêlo na fase contenciosa, retificando, assim, a base tributável. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 PIS. COFINS. ERRO NO PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 5357DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.459 13 O período de apuração relativo ao PIS e à COFINS é mensal. Cancelase a autuação que tomou por base a apuração anual destes tributos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Afastase o agravamento da multa de ofício para 150%, quando não restam nos autos provas caracterizadoras do evidente intuito de fraude. Neste caso, a multa deve ser reduzida para 75%. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que esta se inclui no conceito de débito para com a União (art. 161 do CTN c/c art. 61 da Lei n° 9.430/1996). Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF (fls.1956/1989) em relação à parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação reforçando sua defesa sobremaneira nos dois pontos da autuação, trazendo inclusive provas adicionais referente a cada um dos eventos que compuseram a base de cálculo dá autuação: Em relação ao primeiro item da autuação, aduz, em contraponto ao provimento parcial da DRJ que cancelou parte da autuação em função das provas colhidas por amostragem trazidas na fase impugnatória: (...)Porém, tendo em vista a fundamentação da r. decisão recorrida, para que não restem questionamentos quanto à ausência de omissão de receita no caso concreto, bem como em decorrência da aplicação do Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta, com o presente recurso, a totalidade da documentação comprobatória, relacionada aos R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos, tomados como base para a autuação que originou o presente processo administrativo. Neste ponto, assim como na Impugnação, a Recorrente utilizará uma das notas fiscais componentes do montante acima citado como exemplo a ser demonstrado no corpo deste Recurso Voluntário, sendo que os documentos comprobatórios relacionados às demais notas fiscais serão, também, aqui acostados. Pois bem. Utilizaremos como exemplo a nota fiscal 94103. Tal nota foi emitida no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), e apresenta a venda de 12 (doze) unidades de Tiamutin 80 Coated (25 Kg) à Sadia S.A., em 01/08/2007. Em momento que antecedeu a concretização da venda, foram concedidos descontos/abatimentos, em razão das políticas comerciais. Neste cenário, a escrituração contábil da venda teve como partida lançamentos a débito, (i) na conta de Ativo n° 210000 (Devedores por Duplicatas Clientes), no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais e trinta e seis centavos), correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e (li) outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no montante de R$ 61.023,73 (sessenta e um mil, vinte e três reais, setenta e três centavos), correspondente ao desconto/abatimento concedido à Sadia. Fl. 5358DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.460 14 A contrapartida de tais lançamentos foi efetuada por meio de lançamento a crédito em conta de Receita n° 500001, no valor de R$ 123.007,09 (cento e vinte e três mil, sete reais e nove centavos), correspondente ao preço de lista do produto, vale dizer, sem o cômputo do desconto/abatimento praticado. O custo da venda foi escriturado com lançamento a débito em conta de Despesa n° 600001 (venda mercadoria para terceiros), tendo como contrapartida lançamento a crédito em conta de Ativo n° 200511 (Estoque). O valor de R$ 2.903,51 (dois mil, novecentos e três reais, cinquenta e um centavos), destacado na nota fiscal a título de ICMS, foi registrado com lançamento a débito na conta de resultado (despesa) n° 500085 (ICMS Conta Corrente), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440851 (ICMS s/ faturamento). O PIS incidente sobre a operação, no montante de R$ 1.301,65 (um mil, trezentos e um reais, sessenta e cinco centavos) foi lançado a débito na conta de resultado (despesa) n° 500084 (PIS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440860 (PIS). A COFINS apurada, no montante de R$ 6.136,35 (seis mil, cento e trinta e seis reais, trinta e cinco centavos) foi lançada a débito na conta de resultado (despesa) n° 500083 (COFINS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440862 (COFINS). Por fim, o recebimento dos valores relacionados a tal nota, no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Recorrente com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor. Este último lançamento demonstra o valor efetivamente recebido pela Recorrente no tocante à venda de produtos objeto da nota fiscal n° 94103. Demonstra na sequência, a dinâmica dos lançamentos contábeis. Em relação ao segundo ponto da autuação, tenta esclarecer melhor o referido ajuste que foi glosado pela fiscalização e que teria sido originado de falha na instalação na programação de novo módulo contábil, que em alguns casos estava duplicando a receita bruta de vendas. Eis suas palavras: (...) Ainda, em relação ao registro de suas vendas, a Recorrente esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (mencionado no item a, fls. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. Neste cenário, em determinados casos, o sistema, equivocadamente, considerava a receita bruta de vendas em duplicidade, ou seja, o valor da nota fiscal pelo dobro daquele constante em tal documento fiscal. Em dezembro de 2007, mencionado equívoco foi constatado e a Recorrente realizou o ajuste na conta contábil 500086. Fl. 5359DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.461 15 A título exemplificativo, a Recorrente apresenta o equívoco ocorrido quando da escrituração contábil da nota fiscal 90737. Nesta nota fiscal foi consta a venda para o cliente AVIPAL S/A AVIC AGROPEC, no valor de R$ 8.333,64. No Doc. 7 deste Recurso Voluntário é apresentada mencionada nota Fiscal. Na contabilidade da Recorrente, conforme demonstrado no Livro Diário (Doc. 7), de forma resumida, os seguintes lançamentos foram realizados: Conta Contábil Valor D 210000 Clientes 8.333,64 D 500086 Descontos 12.405,53 C 500001 Vendas 20.739,17 Da análise da documentação apresentada (nota fiscal e Livro Diário), constatase que, para a mencionada venda, no valor de R$ 8.333,64, a Recorrente escriturou receita de R$ 20.739,17. Abaixo a Recorrente apresenta a composição do valor registrado na contabilidade (R$ 20.739,17 somatório da coluna "a"). Vejase a composição dos valores: Valor Unitário (Lista) d Quantidade Vendida e Valor Total f=(d*e) ICMS Receita Bruta h=(f*g) Desconto i Receita Líquida j=(hi) Valor Total R$ 45,45 R$ 45,45 66 186 R$ 2.999,70 R$ 8.453,70 108,313% 108,313% R$ 3.249,07 R$ 9.156,46 R$ (1.066,45) R$ (3.005,44) R$ 2.182,62 R$ 6.151,02 R$ 8.333,64 Na coluna "d" é demonstrado o valor de lista dos produtos, o qual multiplicado pelas quantidades vendidas coluna "e" (demonstradas na nota fiscal) implicaria no registro contábil de uma receita no valor de R$ 11.453,40 (somatório dos R$ 2.999,70 e R$ 8.453,70). Entretanto, no cálculo do preço, também se considera o ICMS, cujo percentual consta na coluna "g" (operação interestadual e com redução da base de cálculo, conforme descrito na nota fiscal). Já na coluna "h" é apresenta a receita registrada considerandose o preço de lista o efeito do ICMS no preço dos produtos, que monta em R$ 12.405,52 (somatório de R$ 3.249,07 e R$ 9.155,46). A diferença entre R$ 12.405,52 e R$ 8.333,64 (valor da nota fiscal), de R$ 4.071,88, apresentada na coluna "i", compõe os R$ R$ 61.982.128,71, cuja justificativa foi acima apresenta (diferença entre o valor de lista e o preço praticado). Pois bem, como a receita registrada foi no valor de R$ 20.739,17 e R$ 4.071,88 se refere à diferença entre o valor de lista e o efetivamente praticado, verificase que na receita bruta remanesce o montante de R$ 16.667,29. Multiplicandose o valor da venda escriturado na nota fiscal (R$ 8.333.64) por dois chegase exatamente em R$ .6.667,39. Assim, o erro do sistema que levou a distorções no registro da receita bruta da Recorrente, objeto de autuação, foi justamente duplicar o valor da nota fiscal de venda. Logo, entende a Recorrente que restou demonstrada a inexistência de omissão de receita, pois, em verdade, o desconto registrado decorreu do computo em duplicidade do valor da nota fiscal na sua contabilidade. Fl. 5360DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.462 16 No Doc. 8 a Recorrente apresenta outros exemplos, nos moldes do acima, que corroboram a inexistência de omissão de receita, devidamente acompanhados das notas fiscais e das folhas do Livro Diário. No Doc. 9 a Recorrente apresenta a listagem das notas fiscais escrituradas em duplicidade que compõem o valor de R$ 16.034.702,46. Nos já citados Docs, 3, 4, 5 e 6 é apresentada a totalidade das notas fiscais, das folhas dos Livros Diários e dos extratos bancários relacionados a presente discussão. Pelo exposto, a Recorrente entende que comprovou a inexistência de omissão de receita no montante de R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos (diferença entre os preços de lista e os efetivamente praticados), e (ii) R$ 16.034.702,46, referente ao ajuste efetuado pela Recorrente, em sua contabilidade, em 21/12/2007 em virtude de equívoco do sistema contábil. Anexo ao Recurso voluntário, seguem 16 volumes de provas, ampliando sua amostra para mais 200 notas fiscais, relacionandoas contábil e fiscalmente, a fim de prova a existência de desconto. A Recorrente ainda complementou seu recurso voluntário (fls. 3412) com razões adicionais que visariam ratificar o cancelamento de parte da autuação pela DRJ, bem assim tecer considerações adicionais a respeito da desqualificação da multa de ofício. O processo foi convertido em diligência através da Resolução nº 1401000.317 desta Turma. Às fls. 3.485/3.495 consta Informação Fiscal ao retorno de diligência. Às fls. 5.285/5.341 encontrase manifestação de inconformidade contra o resultado da diligência. É o relatório. Fl. 5361DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.463 17 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a autuação foi baseada em dois itens de omissão de receitas: 1) As Deduções de Receitas lançadas pelo contribuinte em 31/12/2007, na Conta 3.01.02.3.01.02 DEDUÇÕES DE RECEITAS, tendo Saldo Devedor de R$ 75.022.984,76. Na subconta contábil Descontos s/Vendas de Mercadorias (4.50.00.86 3.01.02.08) tem Saldo Devedor de R$ 61.844.149,03 (Débito de R$ 80.012.792,46 e Crédito de R$ 18.168.643,43),conforme Balancete de Contas Anual da empresa (fl. 619). Tal valor foi lançado 2) Além deste valor foi lançado um acerto contábil efetuado em 21/12/2007 o valor de R$ 16.034.702,46. Tal valor se refere a parte do débito de vendas brutas a terceiros de R$ R$ 17.871.325,92, que segundo a fiscalização valor corresponde a descontos/abatimentos de receitas. este sobre vendas não comprovados; Somandose os dois itens da autuação perfaz o total de R$ 77.878.851,49, que foi lançado como omissão de receitas. A infração relativa à omissão de receitas (item 1) foi cancelada parcialmente pela DRJ e submetida a Recurso de Ofício. E o motivo da primeira diligência passou justamente pelo fato de a DRJ ter acatado parcialmente essa infração em função das provas trazidas aos autos pelo contribuinte. Acontece que o contribuinte trouxe a prova, dado o grande volume, através de uma amostragem e a DRJ entendeu que o momento de trazer toda a prova seria na fase impugnatória, não cabendo trazêla por parte. Para ser fiel no relato dos fatos, transcrevase abaixo o acatamento parcial da DRJ a esse item “1”: “(...) O contribuinte apresenta uma série de notas fiscais onde pretendo comprovar que os descontos constam das notas fiscais e são incondicionais. A interessada alega que apresentou apenas uma amostra dos documento. Porém, há que se esclarecer que a amostragem é uma técnica válida para selecionar documentos no âmbito da fiscalização, contudo tal técnica não é válida no âmbito do julgamento, onde o contribuinte deve apresentar todas as provas relativas àquilo que ele pretende comprovar. Na verdade, todas as defesas devem ser apresentadas na defesa, sob pena de preclusão, conforme dispõe o art.300 do CPC (Princípio da eventualidade). Do conceito de amostragem resulta que o método leva a um juízo de possibilidade e não ao juízo de certeza que é imperativo da verdade material. Nas fl.787 a 803, consta uma Instrução Normativa do contribuinte onde está expressa a política de descontos para alguns clientes. Nas fl.804 a 820, consta uma campanha de vendas da empresa. De qualquer maneira, o que importa é o desconto concedido na nota fiscal que não possua nenhuma condição a ser cumprida pelo comprador. Consta na fl. 1031 uma lista com as empresas para as quais, supostamente, houve vendas de mercadorias. Nas fls 1032 a 1210, há uma listagem elaborada pela interessada com os supostos descontos concedidos. Fl. 5362DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.464 18 As notas fiscais estão acostadas nas fl.1226, 1236,1291, 1345, 1354, 1362, 1373, 1381, 1395, 1406, 1414, 1421, 1428, 1436, 1449, 1460, 1468,1475, 1482, 1490, 1505, 1513, 1522, 1530, 1537, 1547, 1556, 1564, 1572, 1580, 1592, 1599, 1608, 1617, 1624, 1632, 1633, 1642, 1650, 1662, 1670, 1678, 1686, 1694, 1702, 1712, 1719, 1726, 1727, 1735, 1742, 1750, 1760, 1778, 1785, 1793, 1803, 1812, 1820, 1829, 1837, 1838, 1846, 185. Tais documentos estão acompanhados da escrituração com os respectivos lançamentos. Na fl 1.235 há uma planilha contendo dados de uma amostra de notas fiscais onde supostamente teria ocorrido descontos incondicionais, contudo tal planilha não destaca o desconto. Nota Fiscal Conta Comprador Data Valor com desconto Valor total da nota Valor dos descontos 087892 500001 24027 PERDIGÃO Vend.Brut.terc. 08/01/2007 194472,32 210639,36 16.617,04 087898 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 08/01/2007 129692,20 140474,00 10781,80 087899 500001 24091 SADIA Vend.Brut.terc. 08/01/2007 105448,32 113629,44 8.181,12 088049 500001 24055 COOP LANGU Vend.Brut.terc. 17/01/2007 14400,00 15597,12 1.197,12 088112 500001 24586 PATRICIA Vend.Brut.terc. 19/01/2007 23,52 23,52 0,00 088325 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 24/01/2007 133022,32 134628,24 1.605,92 088872 500001 24023 FRANGOSUL Vend.Brut.terc. 08/02/2007 109998,24 118532,32 8.534,08 088943 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 12/02/2007 140532,00 151435,00 10.903,00 089104 500001 25097 MARILENE Vend.Brut.terc. 14/02/2007 35,71 35,71 2,00 089553 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 27/02/2007 316160,00 342443,52 26.283,52 089498 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 27/02/2007 113401,80 122829,30 9.427,50 089516 500001 24366 PROSUI Vend.Brut.terc. 27/02/2007 20039,22 21705,15 1.665,93 089730 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 13/03/2007 154804,56 167674,08 12869,52 089837 500001 25324 MARCELLA Vend.Brut.terc. 15/03/2007 93,37 93,37 0,00 089935 500001 24672 ELIAS Vend.Brut.terc. 19/03/2007 26465,60 27625,88 1.160,28 090049 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 20/03/2007 125573,20 136012,40 10.439,20 090194 500001 25395 AGROSUL Vend.Brut.terc. 23/03/2007 299982,28 324891,44 24.909,16 090574 500001 25395 AGROSUL Vend.Brut.terc. 27/03/2007 136472,08 147058,88 10.586,80 090715 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 03/04/2007 123676,80 133958,40 10.281,60 090801 500001 25578 RICARDO Vend.Brut.terc. 09/04/2007 110,70 110,70 0,00 090915 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 12/04/2007 191899,76 207853,20 15.953,44 091394 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 26/04/2007 101131,20 105562,80 4.431,60 091357 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 26/04/2007 99740,49 107477,92 7.737,43 091353 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 26/04/2007 14938,89 15638,78 699,89 091447 500001 24087 AVIPAL Vend.Brut.terc. 03/05/2007 21627,78 23426,28 1.798,50 091806 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 16/05/2007 188099,95 203737,20 15.67,25 092015 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 24/05/2007 119595,16 129556,00 9.960,84 092053 500001 25986 RODRIGO Vend.Brut.terc. 25/05/2007 8,74 8,74 0,00 092203 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 28/05/2007 78465,80 84553,56 6.087,76 092335 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 05/06/2007 185678,40 201114,56 15.436,16 092488 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 13/06/2007 83020,42 89950,00 6.929,58 092485 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 13/06/2007 77090,39 83525,00 6.934,61 092914 500001 26319 ANDRE Vend.Brut.terc. 21/06/2007 77,40 77,41 0,01 093125 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 26/06/2007 97501,60 101779,60 4.728,00 093088 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 26/06/2007 14868,72 16104,00 1.235,28 093208 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 02/07/2007 116332,80 126004,00 9.671,20 093304 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 06/07/2007 231397,60 250634,80 19.237,20 093794 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 24/07/2007 89154,81 93065,80 3.910,99 093797 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 24/07/2007 71247,55 76774,92 5.527,37 093922 500001 26600 THAIS Vend.Brut.terc. 25/07/2007 23,52 23,52 0,00 093949 500001 24084 COAMO Vend.Brut.terc. 26/07/2007 49773,00 53634,72 3.861,72 094110 500001 24305 ARTHUR Vend.Brut.terc. 01/08/2007 69500,70 72746,20 3.245,50 094264 500001 25578 RICARDO Vend.Brut.terc. 09/08/2007 127,32 127,32 0,00 Fl. 5363DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.465 19 094397 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 14/08/2007 351698,40 390936,40 39238,00 094817 500001 24717 SYNGENTA Vend.Brut.terc. 28/08/2007 233343,36 284816,16 51.472,80 095040 500001 26742 AGROSUL Vend.Brut.terc. 29/08/2007 391572,00 421956,00 3.245,50 095035 500001 24092 GOMERCINDO end.Brut.terc. 29/08/2007 96900,00 104418,00 7.518,00 095137 500001 24869 LUCI Vend.Brut.terc. 04/09/2007 71,66 71,65 0,01 095309 500001 24086 ELEVA Vend.Brut.terc. 13/09/2007 300314,04 325280,16 24.966,12 Nota Fiscal Conta Comprador Data Valor com desconto Valor total da nota Valor dos descontos 095411 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 17/09/2007 277224,16 280556,26 3.332,10 095647 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 21/09/2007 149038,90 160.601,94 11.563,04 095630 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 21/09/2007 124904,60 130380,09 5.475,49 096033 500001 24551 SORI Vend.Brut.terc. 26/09/2007 37053,60 45187,24 8.133,64 096177 500001 23565 LEONARDO Vend.Brut.terc. 03/10/2007 16,64 16,64 0,00 096405 500001 24086 ELEVA Vend.Brut.terc. 10/10/2007 284344,32 307982,82 23.638,50 096843 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 23/10/2007 253516,00 256608,80 3.092,80 096912 500001 24717 SYNGENTA Vend.Brut.terc. 24/10/2007 174885,12 213274,16 38.389,04 096964 500001 24207 BIOPET Vend.Brut.terc. 24/10/2007 64014,60 64014,60 0,00 097269 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 29/10/2007 83160,00 90073,37 6.913,37 097539 500001 24775 CONFORTEN Vend.Brut.terc. 08/11/2007 45675,00 49472,11 3.797,11 098007 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 23/11/2007 95804,84 103237,77 7.432,93 097943 500001 27618 FERNANDA Vend.Brut.terc. 23/11/2007 23,52 23,52 0,00 098214 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 26/11/2007 264574,00 267936,69 3.362,69 098201 500001 26742 AGROSUL Vend.Brut.terc. 26/11/2007 76139,28 82046,47 5.907,19 098451 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 28/11/2007 87879,80 95185,54 7.305,74 098655 500001 23978 CLAUDIA Vend.Brut.terc. 06/12/2007 60,78 60,78 0,00 098795 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 10/12/2007 90193,48 971919,06 7.725,58 099015 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 12/12/2007 105155,33 108259,13 3.103,80 099025 500001 24442 PROPET Vend.Brut.terc. 12/12/2007 76630,52 76630,52 0,00 099129 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 13/12/2007 110757,33 115612,64 4.855,31 099321 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 17/12/2007 250800,00 271649,84 20.849,84 Total 8315769,52 9.570.982,52 1.255.213,00 Da análise dos documentos verificase que das notas fiscais acostadas pela interessada, verificase que algumas delas não contém qualquer desconto. Tal fato está expresso na tabela, sendo registrado o valor de R$ 0,00 para o desconto. Atentese que a existência de notas fiscais sem desconto na amostra apresentada pela interessada é mais um motivo para que não se aceite a amostragem no julgamento, posto que, face a ocorrência de vícios na mesma. Na tabela apresentada pelo contribuinte na fl. 1235 em que lista notas fiscais que teriam registro de descontos, consta a nota fiscal n° 091806, contudo tal documento não foi apresentado, portanto, não há desconto a ser considerado. Como se vê o total descontos comprovados montam a R$ 1.255.213,00 e como sã o incondicionais podem ser abatidos da receita bruta e não R$ 61.844.149,03. Portanto, do volume de deduções autuadas de R$ 77.878.851,49, o contribuinte deve ser exonera do de R$ 1.255.213,00, restando o valor de R$ 76.623.638,49 de deduções não compro vadas. Na primeira diligência asseverei que a DRJ estaria correta em afirmar que a amostragem feita pelo contribuinte não poderia ensejar o cancelamento completo da autuação, em primeiro lugar porque, a amostragem foi feita pelo próprio interessado e não pelo fiscal e, segundo, porque o resultado demonstrou alguns insucessos. Fl. 5364DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.466 20 Em sede recursal, a Recorrente reforça ainda mais a sua defesa no sentido de destacar que o valor declarado na linha 4 da Ficha 06A da DIPJ corresponde ao valor da receita de vendas já reduzido pelos descontos/abatimentos concedidos antes da emissão das notas fiscais. Para isso, acostou aos autos documentação que diz ser comprobatória de mais 200 operações relacionadas à acusação de omissão de receita, acompanhada de demonstrativos contendo a dinâmica dos lançamentos contábeis. No Recurso Voluntário foi utilizada como exemplo a nota fiscal 94103, que será aqui reproduzida. Tal nota foi emitida no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), e apresenta a venda de 12 (doze) unidades de Tiamutin 80 Coated (25 Kg) à Sadia S.A., em 01/08/2007. Em momento que antecedeu a concretização da venda, foram concedidos descontos/abatimentos, em razão das políticas comerciais. Neste cenário, a escrituração contábil da venda teve como partida lançamentos a débito, (i) na conta de Ativo n° 210000 (Devedores por Duplicatas Clientes), no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais e trinta e seis centavos), correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e (li) outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no montante de R$ 61.023,73 (sessenta e um mil, vinte e três reais, setenta e três centavos), correspondente ao desconto/abatimento concedido à Sadia. A contrapartida de tais lançamentos foi efetuada por meio de lançamento a crédito em conta de Receita n° 500001, no valor de R$ 123.007,09 (cento e vinte e três mil, sete reais e nove centavos), correspondente ao preço de lista do produto, vale dizer, sem o cômputo do desconto/abatimento praticado. O custo da venda foi escriturado com lançamento a débito em conta de Despesa n° 600001 (venda mercadoria para terceiros), tendo como contrapartida lançamento a crédito em conta de Ativo n° 200511 (Estoque). O valor de R$ 2.903,51 (dois mil, novecentos e três reais, cinquenta e um centavos), destacado na nota fiscal a título de ICMS, foi registrado com lançamento a débito na conta de resultado (despesa) n° 500085 (ICMS Conta Corrente), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440851 (ICMS s/ faturamento). O PIS incidente sobre a operação, no montante de R$ 1.301,65 (um mil, trezentos e um reais, sessenta e cinco centavos) foi lançado a débito na conta de resultado (despesa) n° 500084 (PIS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440860 (PIS). A COFINS apurada, no montante de R$ 6.136,35 (seis mil, cento e trinta e seis reais, trinta e cinco centavos) foi lançada a débito na conta de resultado (despesa) n° 500083 (COFINS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440862 (COFINS). Por fim, o recebimento dos valores relacionados a tal nota, no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Recorrente com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor. Este último lançamento demonstra o valor efetivamente recebido pela Recorrente no tocante à venda de produtos objeto da nota fiscal n° 94103. Demonstra ainda, a dinâmica dos lançamentos contábeis Fl. 5365DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.467 21 Em um segundo ponto, tentou esclarecer melhor o referido ajuste que foi glosado pela fiscalização e que teria sido originado de falha na instalação na programação de novo módulo contábil, que em alguns casos estava duplicando a receita bruta de vendas. Eis suas palavras: (...) Ainda, em relação ao registro de suas vendas, a Recorrente esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (mencionado no item a, fls. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. Neste cenário, em determinados casos, o sistema, equivocadamente, considerava a receita bruta de vendas em duplicidade, ou seja, o valor da nota fiscal pelo dobro daquele constante em tal documento fiscal. Em dezembro de 2007, mencionado equívoco foi constatado e a Recorrente realizou o ajuste na conta contábil 500086. A título exemplificativo, a Recorrente apresenta o equívoco ocorrido quando da escrituração contábil da nota fiscal 90737. Nesta nota fiscal foi consta a venda para o cliente AVIPAL S/A AVIC AGROPEC, no valor de R$ 8.333,64. No Doc. 7 deste Recurso Voluntário é apresentada mencionada nota Fiscal. Na contabilidade da Recorrente, conforme demonstrado no Livro Diário (Doc. 7), de forma resumida, os seguintes lançamentos foram realizados: Conta Contábil Valor D 210000 Clientes8.333,64 D 500086 Descontos12.405,53 C 500001 Vendas20.739,17 Da análise da documentação apresentada (nota fiscal e Livro Diário), constatase que, para a mencionada venda, no valor de R$ 8.333,64, a Recorrente escriturou receita de R$ 20.739,17. Abaixo a Recorrente apresenta a composição do valor registrado na contabilidade (R$ 20.739,17 somatório da coluna "a"). Vejase a composição dos valores: Valor Unitário (Lista) d Quantidade Vendida e Valor Total f=(d*e) ICMS Receita Bruta h=(f*g) Desconto i Receita Líquida j=(hi) Valor Total R$ 45,45 R$ 45,45 66 186 R$ 2.999,70 R$ 8.453,70 108,313% 108,313% R$ 3.249,07 R$ 9.156,46 R$ (1.066,45) R$ (3.005,44) R$ 2.182,62 R$ 6.151,02 R$ 8.333,64 Na coluna "d" é demonstrado o valor de lista dos produtos, o qual multiplicado pelas quantidades vendidas coluna "e" (demonstradas na nota fiscal) implicaria no registro contábil de uma receita no valor de R$ 11.453,40 (somatório dos R$ 2.999,70 e R$ 8.453,70). Entretanto, no cálculo do preço, também se considera o ICMS, cujo percentual consta na coluna "g" (operação interestadual e com redução da base de cálculo, conforme descrito na nota fiscal). Já na coluna "h" é apresenta a receita registrada considerandose o preço de lista o efeito do ICMS no preço dos produtos, que monta em R$ 12.405,52 (somatório de R$ 3.249,07 e R$ 9.155,46). A diferença entre R$ 12.405,52 e R$ 8.333,64 (valor da nota fiscal), de R$ 4.071,88, apresentada na coluna "i", compõe os R$ R$ 61.982.128,71, cuja justificativa foi acima apresenta (diferença entre o valor de lista e o preço praticado). Pois bem, como a receita registrada foi no valor de R$ 20.739,17 e R$ 4.071,88 se refere à diferença entre o valor de lista e o efetivamente praticado, verificase que na receita bruta remanesce o montante de R$ 16.667,29. Multiplicandose o valor da venda escriturado na nota fiscal (R$ 8.333.64) por dois chegase exatamente em R$ .6.667,39. Fl. 5366DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.468 22 Assim, o erro do sistema que levou a distorções no registro da receita bruta da Recorrente, objeto de autuação, foi justamente duplicar o valor da nota fiscal de venda. Logo, entende a Recorrente que restou demonstrada a inexistência de omissão de receita, pois, em verdade, o desconto registrado decorreu do computo em duplicidade do valor da nota fiscal na sua contabilidade. No Doc. 8 a Recorrente apresenta outros exemplos, nos moldes do acima, que corroboram a inexistência de omissão de receita, devidamente acompanhados das notas fiscais e das folhas do Livro Diário. No Doc. 9 a Recorrente apresenta a listagem das notas fiscais escrituradas em duplicidade que compõem o valor de R$ 16.034.702,46. Nos já citados Docs, 3, 4, 5 e 6 é apresentada a totalidade das notas fiscais, das folhas dos Livros Diários e dos extratos bancários relacionados a presente discussão. Pelo exposto, a Recorrente entende que comprovou a inexistência de omissão de receita no montante de R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos (diferença entre os preços de lista e os efetivamente praticados), e (ii) R$ 16.034.702,46, referente ao ajuste efetuado pela Recorrente, em sua contabilidade, em 21/12/2007 em virtude de equívoco do sistema contábil. Como se vê, embora não tenha prestado talvez os esclarecimentos, provas e detalhamentos necessários quando da autuação, trouxe à colação na fase impugnatória e, mais ainda na fase recursal indícios de provas que a meu ver precisariam de uma resposta mais satisfatória do que a que foi dado pela decisão de piso e por isso o feito foi baixado em diligência para que a fiscalização fizesse uma investigação melhor, para que fossem adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: 1) Por amostragem, validasse a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais; 2) Intimasse novamente a recorrente, levando em consideração as provas trazidas na fase impugnatória e recursal, bem assim solicitandolhe o que mais for necessário a fim de dar continuidade a uma investigação mais aprofundada em relação a real existência aos descontos incondicionais constante em notas fiscais; 3) Considerasse os descontos como ocorrido, quando constar na nota fiscal original em campo de observação, como foram os casos acolhidos pela DRJ na amostragem feita pelo contribuinte na fase impugnatória; 4) Por amostragem, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. Tentar produzir, se for possível, alguma documentação vinda de terceiros não relacionados que dê veracidade à tese do contribuinte (emails, correspondências etc); 5) Dentro desse mesmo contexto, esclarecer melhor a duplicidade produzida pelo sistema de informática que levou a autuação do valor de R$ 16.034.702,46, levando em consideração as novas provas trazidas em sede recursal; Fl. 5367DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.469 23 6) Tecer considerações adicionais que reputar necessárias para o perfeito deslinde do caso; 7) Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ/Reflexos. A Informação Fiscal trouxe a seguinte conclusão: Referentes aos itens 2 e 3 (dois e três), considerando que todas as provas trazidas na fase impugnatórias e recursal não comprovaram os elementos da autuação, diante das intimações desta Diligencia e das respostas, planilhas e documentos apresentados pelo contribuinte, efetuamos profunda e detalhada investigação e CONCLUÍMOS que Não Existem Descontos Incondicionais Constantes e Destacados nas notas fiscais de venda do contribuinte, entre o número 87886 de emissão em 04/01/2007, inclusive, e o número 99618 de emissão em 31/12/2007, inclusive, na forma do presente relatório conclusivo. Ratificando, os descontos relacionados na amostragem, no valor de R$1.255.213.00. mencionados no item 3, acolhidos pela DRJ, na verdade, os mesmos não ocorreram, vez que não constam das notas fiscais originais, nem fora nem em campo próprio da nota. 2) Referente ao item 4, consideramos desnecessária a circularização vez que não resta dúvida de que as notas fiscais, encadernadas nos 48 livros, são cópias fieis das notas originais, nas quais verificamos e constatamos que nelas não ocorreram os Descontos Incondicionais Destacados, matéria autuada. 3) Referente ao item 5, não há porque se falar em duplicidade produzida pelo sistema. Teria se tivéssemos na Ia autuação lançado 72.062.215,35 (61.844.149,03 mais 10.218.066,32) e na 2a autuação 16.034.702,46, quando estaria em duplicidade o valor de 10.218.066,32. Ao contrário, está correto quando deduzimos dos 72.062.215,35 os 10.218.066,32 e a este acrescentamos os 5.816.636,14, lançando na 2a autuação o montante de 16.034.702,46, na forma do Termo de Verificação e Constatação FiscalIRPJ e Reflexo. No caso, o contribuinte deve comprovar que os descontos incondicionais lançados na 1a e na 2a autuação constaram das notas fiscais, entre o número 87886 de emissão em 04/01/07, inclusive, e o número 99618 de emissão em 31/12/07, inclusive, e não o fez. 4) Como se vê na “Planilha das NFs”, que contêm os Mestres e Itens da nota, parte do desconto incondicional autuado compõe o valor de R$16.034.702,46 e parte compõe o valor de R$61.844.149,03, que deveriam constar em destaque nas notas fiscais, o que o contribuinte não comprovou. 5) Dentre esses dois valores autuados, o contribuinte também não comprovou o Destaque dos Descontos Incondicionais relacionados nas 72 notas fiscais por ele amostradas, no montante de R$1.255.213,00, já concluído no item 1 acima. 6) Referentes aos itens 1 e 6, nada temos a acrescentar. Quanto ao item 7, fica este prejudicado, uma vez que esta fiscalização mantém a mesma convicção quando da lavratura do Auto de Infração. Dependendo da conclusão deste conceituado CARF, nada temos em contrário que as bases de calculo de apuração do IRPJ/Reflexos sejam refeitas, inclusive com relação a Multa Qualificada. Fl. 5368DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.470 24 Confesso que interpretei errado a menção que a DRJ fez abaixo ao “registro de descontos”: Na tabela apresentada pelo contribuinte na fl. 1235 em que lista notas fiscais que teriam registro de descontos, consta a nota fiscal n° 091806, contudo tal documento não foi apresentado, portanto, não há desconto a ser considerado. Na verdade, a DRJ quis dizer que ela pelo conjunto das provas demonstrou na realidade que o desconto incondicional existiria, mas apenas naqueles caso. Sem querer fazer um juízo de valor definitivo, adianto desde já que, a partir do conjunto probatório que se apresenta, tenho essa mesma convicção da DRJ, porém o fiscal foi induzido a fazer uma avaliação diferente da que pretendia, quando foi colocado no tópico 3: 3) Considerasse os descontos como ocorrido, quando constar na nota fiscal original em campo de observação, como foram os casos acolhidos pela DRJ na amostragem feita pelo contribuinte na fase impugnatória; A investigação, obviamente tomou outro rumo. Ao invés de dar continuidade ao que a DRJ fez, correlacionar o contábil/fiscal com a nota fiscal e averiguar a coerência da existência do desconto na forma apregoada, a investigação caminhou mais no sentido de saber se existia efetivamente consigado na NF o desconto. Daí porque o autuante não cumpriu o primeiro tópico comandado, que seria investigar a amostra maior trazida no recurso voluntário (200 notas), bem assim o item 4: 1) Por amostragem, validasse a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais; 4) Por amostragem, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. Tentar produzir, se for possível, alguma documentação vinda de terceiros não relacionados que dê veracidade à tese do contribuinte (emails, correspondências etc); Por todo exposto, a fim de esclarecer esses fatos, bem assim obter elementos capazes de cobrir todo o universo da autuação: 1) Por amostragem, validar a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais, tal qual a DRJ fez, sem precisar que o desconto esteja expresso na nota fiscal. Ou seja, em tese a prova contábil e fiscal seria no caso aceita para provar o desconto. Caso a amostra esteja 100% correta, parar a investigação. Caso haja descrepâncias significativas, haverá necessidade de cobrir todo o universo objeto da autuação. 2) Se houver dúvidas quanto ao item 1, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. Fl. 5369DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.463 S1C4T1 Fl. 3.471 25 4) Dentro desse mesmo contexto, revisar a duplicidade alegada pelo contribuinte que teria sido produzida pelo sistema de informática e que levou a autuação do valor de R$ 16.034.702,46, levando dessa feita em consideração a premissa aqui aceita(desconto não precisar estar expresso na nota) e a razões expostas manifestação de inconformidade quanto ao retorno de diligencia. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 5370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904467/2009-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10783.904467/2009-61
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5743703
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.965
nome_arquivo_s : Decisao_10783904467200961.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
nome_arquivo_pdf_s : 10783904467200961_5743703.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6867116
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213005201408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 233 1 232 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.904467/200961 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.965 – 1ª Turma Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADM DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 44 67 /2 00 9- 61 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 234 2 Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ I (DRJ/RJI), como constante às fls. 40/42, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, in verbis: “Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório nº 83168996 (fl. 6), não homologou a compensação declarada. Na fundamentação do Despacho Decisório, temse: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O interessado apresentou manifestação de inconformidade de fls. 1/5. Nesta peça, alega, em síntese que: apurou e recolheu valor referente a débito do período de 11/2004; veio a corrigir a DCTF, constituindo, assim, um crédito por recolhimento a maior, que tem o direito de utilizar para compensação, conforme legislação. A decisão de fls. 41, proferida pela DRJ/RJI, foi assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido Ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Inconformada com a decisão da DRJ/RJI, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 57/58, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, que “a base de cálculo original foi alterada e criou uma nova situação. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 235 3 Não estamos mais falando em pagamento indevido ou a maior em decorrência de regime de estimativa e, sim, de pagamento indevido ou a maior por equívoco da Recorrente, devidamente registrado e informado em DCTF”. Ao final, requer que seja anulado o Despacho Decisório e que seja homologada a compensação em questão. Ao julgar o recurso, a Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 180201.156, de 15 de março de 2012, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CSLL. ART. 165 DO CTN. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de CSLL, a título de estimativa mensal, tem direito à restituição/compensação do valor. O recolhimento indevido ou a maior é um pagamento, que, sendo indevido, deve ser restituído, conforme preconiza o art. 165 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. Do acórdão recorrido, transcrevo os seguintes trechos (destaque do original): Com efeito, havendo recolhimento de tributo maior do que aquele previsto em lei, ainda que seja por estimativa, fica caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Ou seja, o recolhimento que exceda o valor apurado com base nas regras para o cálculo do quanto devido a título de antecipações mensais por estimativa de IRPJ e CSLL tem natureza de pagamento indevido, sendo, portanto, passível de restituição conforme artigo 165 do CTN, in verbis: [...]. E mais, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece que os créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior podem ser utilizados para compensação de tributos arrecadados pela Receita Federal, a saber: [...]. No mesmo sentido, tem decidido a Câmara Superior de Recursos Fiscais e este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...]. Diante do exposto, concluise que o valor recolhido a maior deve ser restituído à Recorrente devido a sua natureza de pagamento efetuado a maior, passível de restituição conforme a legislação tributária. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 236 4 No entanto, entendo que, no caso concreto, não é possível homologar, desde já, a compensação declarada pela Recorrente, uma vez que apenas a questão da restituição do valor pago a maior é que foi submetida ao contraditório nos autos, não existindo aprofundamento quanto aos valores discutidos nos autos. [...]. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar o óbice relativo à restituição de estimativa, previsto na Instrução Normativa nº. 600, de 2005, devolvendo os autos à DRF para examinar o direito [de] crédito e as compensações pleiteadas. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que, após o término do anocalendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP; b) que o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo do IRPJ e/ou CSLL efetivamente devidos e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo do tributo; c) que cabe ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, o que não foi por ele observado; d) que as antecipações indevidas efetuadas na forma de estimativa não dão ensejo à compensação com tributos outros ou com o próprio IRPJ e/ou CSLL e estimativas de períodos subsequentes, pois somente o imposto apurado no levantamento do balanço em 31 de dezembro pode ser compensado; e) que a compensação das estimativas mensais com débitos tributários somente se afiguraria cabível diante de autorização legal; f) que a efetivação da compensação tributária não depende apenas da inexistência de restrição legal, pressupondo necessariamente a autorização expressa por lei, observadas as condições e garantias definidas pelo legislador; g) que a lei autoriza a compensação de créditos passíveis de restituição ou de ressarcimento com débitos próprios, relativos aos tributos administrados pela Receita Federal; h) que a discussão acerca da aplicabilidade das Instruções Normativas da Receita Federal é irrelevante no deslinde do processo, na medida em que a impossibilidade de se compensar as estimativas decorre do regime jurídico plasmado nos arts. 2º e 6º da Lei nº 9.430/96, e não da regra prevista nos atos infralegais supracitados, os quais simplesmente explicitam um aspecto inerente ao recolhimento mensal por estimativas; i) que, ainda que a IN SRF nº 460/2004 e a IN SRF nº 600/2005 sequer existissem, as compensações pleiteadas pelo recorrido não poderiam ser homologadas, em face da inexistência de direito creditório; Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 237 5 j) que as estimativas pagas ao longo dos meses são absorvidas na apuração definitiva do imposto, de maneira que, encerrado o períodobase, não há que se falar em estimativa a pagar ou a restituir, mas apenas no saldo negativo ou positivo da CSLL; k) que, por consequência, após a apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP; l) que, noutro giro, após o término do anocalendário, não é dado ao Fisco exigir estimativas inadimplidas no curso do anobase; m) que, ao optar pelo regime de apuração anual de IRPJ/ CSLL, a pessoa jurídica deve observar o sistema integralmente, e não apenas de forma parcial; n) que apenas por ocasião do ajuste anual é possível verificar se o montante recolhido por estimativa é efetivamente indevido, após a comparação ao IRPJ/CSLL apurado em definitivo; o) que, na hipótese em que o contribuinte verifica, após o término do período base, que efetuou pagamento de estimativa em montante superior ao devido (por exemplo, em virtude de equívoco no cálculo da receita bruta mensal), e que essa diferença não refletiu na apuração definitiva do tributo, o procedimento a ser adotado é a retificação da apuração anual, para que o recolhimento a maior da estimativa seja incorporado no saldo de IRPJ/CSLL isto é, reduzindo o tributo a pagar ou majorando o saldo negativo; p) que o regime legal em análise não estabelece qualquer distinção entre (i) a estimativa mensal devidamente recolhida e (ii) o pagamento a maior da estimativa; q) que, em ambos os casos, tratase de pagamentos de estimativas mensais, meras antecipações do tributo efetivamente devido em 31 de dezembro do períodobase; r) que a eventual admissão da restituição/compensação do recolhimento estimado a maior, após o transcurso do anocalendário (como pleiteado pelo interessado), significaria que a sistemática de apuração anual seria aplicável parcialmente, apenas até determinado limite, qual seja, até o valor devido da estimativa mensal; e s) que, logo, não havendo norma, à época do encontro de contas, autorizativa do procedimento adotado pelo interessado, e não sendo a compensação tributária direito subjetivo do contribuinte oponível ao Fisco, é cediço que merece reforma o acórdão recorrido. O recurso especial foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, repisando as argumentações do recurso voluntário e requerendo a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 238 6 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada, contudo, os paradigmas apresentados contrariam a Súmula 84 do CARF. A matéria preliminar posta à apreciação desta Câmara Superior esbarra no entendimento de que nos casos em que os paradigmas apresentados sejam contrários à súmula do CARF o recurso não deve ser conhecido, a teor do 3º do art. 67 do RICARF – Anexo II, que diz: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, a referida matéria é, hoje, objeto de súmula por este CARF, aprovada posteriormente à data da interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, contrariamente ao entendimento por ela defendido, que segue abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Embora não concorde com entendimento do não conhecimento nesses casos em homenagem ao princípio tempus regit actum (observandose que o recurso, no mérito, devesse ser improvido pela aplicação da mesma Súmula, o que surtiria o mesmo resultado processual), curvome à jurisprudência da 1ª T. da CSRF e adoto seu entendimento, expressado de forma mais detalhada no Ac. 9101002.150, de 08 de dezembro de 2015 (embora se tratasse de outra súmula, oque não afeta o raciocínio desenvolvido), cujo voto condutor, da lavra do C. Rafael Vidal de Araújo, segue abaixo transcrito: Com a devida vênia ao relator, ouso divergir de seu voto no tocante ao conhecimento do recurso, para fins de aplicação de súmula. É fato que já acompanhei o relator em outros julgamentos relativamente ao conhecimento de recurso especial em casos de aplicações de súmulas. Entretanto, esses julgamentos foram todos anteriores a junho de 2015, quando então vigia o Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Atualmente está vigente o RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que modificou a disciplina do processamento dos recursos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 239 7 especiais, o que motiva a minha posição de agora divergir do relator. Para que a compreensão da discussão seja suficiente e de forma que eu possa detalhar quais as mudanças que me levaram a modificar meu entendimento anterior, vou reproduzir texto adaptado que elaborei no passado para defender exatamente a tese que hoje entendo não ser aplicável sob a égide do novo RI CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), ficando válida apenas para os julgamentos que ocorreram na vigência do RI CARF anterior (aprovado pela Portaria MF nº 256/2009). 2. Inicialmente, trato de um tema que impactará diretamente na verificação dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial (REsp) e consequente decisão quanto ao conhecimento do recurso, qual seja: os aspectos temporal e processual dos efeitos de uma Súmula (seja Súmula CARF, seja Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal STF) no julgamento de um Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). ... 2.3. Nesse cenário, duas possibilidades se apresentam: 1a) a Súmula é anterior à impetração de um Recurso Especial; 2a) a Súmula é posterior à impetração de um Recurso Especial, ou seja, o Recurso Especial é formalizado e apresentado sob um ordenamento jurídico (sem a Súmula), no período em que o recurso aguardava julgamento é aprovada a Súmula tratando da matéria do Recurso Especial. Assim, entendimentos diferentes têm surgido em relação ao comportamento a ser adotado pela CSRF em relação à segunda possibilidade acima, o que demanda estudo. 2.4. Colocando o assunto em termos gerais, procurase saber se, no exame dos pressupostos processuais de um recurso, devese aplicar a legislação do momento do julgamento ou a legislação da época da interposição, ou ainda se a súmula passa a ser uma lei (em sentido lato) processual, além de ser uma lei material (onde está o seu conteúdo). Nesse concepção, a súmula nova corresponderia a nova lei e a súmula revogada seria o vazio normativo, ou mesmo eventual súmula revogada (em havendo, que não é o caso). 2.5. A Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), DecretoLei nº 4.657, de 04/09/1942, assim denominado pela Lei nº 12.376, de 30/12/2010, traz, em seu art. 6º, regra geral de aplicação das leis no tempo. "Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) ..." Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 240 8 2.5.1. Conforme essa regra geral, o ato jurídico perfeito, definido conforme o §1º do art. 6º da LINDB, está protegido contra alterações legais posteriores. Prerrogativa essa elevada constitucionalmente a direito e garantia fundamental, estando gravada no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição da República de 1988 (CR88). 2.5.2. A questão então é saber se a interposição do recurso especial é um ato jurídico perfeito. A meu ver, o momento de incidência das súmulas (sejam dos Conselhos de Contribuinte, sejam do CARF, sejam as Súmulas Vinculantes do STF – SV/STF) é no dia de interposição do recurso especial, outro não poderia ser o entendimento, pois a força normativa das súmulas é atual e ultrativa (prospectiva) e não retroativa (exceto apenas no caso das SV/STF quando assim dispõe expressamente o STF na forma do art. 4º da Lei nº 11.417/2006), tanto é assim que elas somente têm vigência imediata (na data das suas publicações), se não houver disposição diversa. 2.5.3. Logo, estando a interposição do recurso especial já consumada segundo o corpo de súmulas existentes e vigentes ao tempo em que se efetuou, reputase como ato jurídico perfeito; inevitável, portanto, o enquadramento ao §1º do art. 6º da LIDB; e, conseqüentemente, é imperioso aplicar as proteções do caput do mesmo art. 6º e do inciso XXXVI do art. 5º da CR88 ao caso concreto. 2.6. Superados os exames quanto às regras gerais, passemos propriamente ao direito processual. Relativamente à controvérsia de saber qual lei processual é aplicável aos processos em curso, Cintra, Dinamarco e Grinover explicam os três diferentes sistemas que tentam resolver o problema: (Teoria Geral do Processo. 30aed. Malheiros, 2014, págs. 121 e 122): a) o da unidade processual, segundo o qual, apesar de se desdobrar em uma série de atos diversos, o processo apresenta tal unidade que somente poderia ser regulado por uma única lei, a nova ou a velha, de modo que a velha teria de se impor para não ocorrer a retroação da nova, com prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência; b) o das fases processuais, para o qual distinguirseiam fases processuais autônomas (postulatória, ordinatória, instrutória, decisória e recursal), cada uma suscetível, de per si, de ser disciplinada por uma lei diferente; c) o do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais. 2.6.1. O sistema adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro, como se verifica tanto no Código de Processo Penal (art. 2°) como no Código de Processo Civil (art. 1.211), é o sistema do isolamento dos atos, verbis: Código de Processo Penal (CPP) DecretoLei nº 3.689, de 03/10/1941: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 241 9 "Art. 2º A lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior." Código de Processo Civil (CPC) Lei nº 5.869, de 11/01/1973: "Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes." 2.6.2. Consultandose a doutrina a respeito da questão, constatouse que: a) comentando o artigo 1.211 do CPC, Pontes de Miranda ensina que "a lei processual civil é de incidência sobre todos os atos que se vão praticar ou se estão praticando". (Comentários ao Código Processo Civil, Vol. XVII, 2ªed. Forense, pág. 4); b) Sobre a aplicação da lei nova aos processos pendentes, leciona Moacyr Amaral Santos que "... válidos e eficazes são os atos realizados na vigência e conformidade da lei antiga, aplicandose imediatamente a lei nova aos atos subseqüentes. Esta regra ampara até mesmo as leis de organização judiciária ..., as quais se aplicam de imediato aos processos pendentes". (Primeiras Linhas de Direito Processo Civil, 1º Vol., 29aed. Saraiva, 2012, pág. 56). 2.6.3. A jurisprudência, a respeito do art. 1.211 do CPC, assim se manifesta1: "Segundo princípio de direito intertemporal, salvo alteração constitucional, o recurso próprio é o existente à data em que publicada a decisão" (STJ2a Seção, CC 1.133, Min. Sálvio de Figueiredo, j. 11332, DJU 13.4.92). No mesmo sentido: Súmula 26 do TRF1a Reg.: "A lei regente do recurso é a em vigor na data da publicação da sentença ou decisão" (RT 732/424) "O recurso regese pela lei do tempo em que proferida a decisão, assim considerada nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado, nos termos do art. 556 do CPC. ..." (STJRF 385/263: Corte Especial, ED no REsp 649.526, um voto vencido). "A lei nova que impõe exigência formal para a interposição de apelação, antes inexistente — comprovação do preparo no momento de protocolar a petição de recurso — não incide sobre os casos em que o prazo recursal já está em curso" (STJRF 337/230, maioria). "A lei em vigor, no momento da prolação da sentença, regula os recursos cabíveis contra ela, bem como a sua sujeição ao duplo grau obrigatório, repelindose a retroatividade da norma nova, in casu, da Lei 10.352/01" (STJCorte Especial, ED no REsp 600.874, Min. José Delgado, j. 1.8.06, DJU 4.9.06). "As condições de admissibilidade da ação rescisória são as da lei sob cujo império transitou em julgado a sentença 1 NEGRÃO, Theotonio. Código de Processo Civil 2014 e Legislação Processual em Vigor. 46a Edição, Saraiva, págs. 1130 e 1131. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 242 10 rescindenda" (STJ2a Seção, AR 48, Min. Fontes de Alencar, j. 25.4.90, DJU 28.5.90) 2.7. Há de se reconhecer e dar pleno cumprimento no caso em exame ao princípio de que o tempo rege o ato (em latim: tempus regit actum), ou ainda, ao se reger o ato devese utilizar o seu tempo (e não outro tempo, ainda que o tempo de terceiros que o analisam). Citese ainda elucidativo precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que traz excelente definição deste princípio geral e essencial de direito público: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. ... 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in "Comentários ao Código Processual Civil", Forense, 1975. T. VII, p. 44) ..." (AgRg no REsp 663864 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005 p. 205) 2.7.1. Este princípio deixa claro que o ato deve ser regido (julgado, criticado, avaliado) pela legislação que estava vigente e aplicável no momento em que todos os seus elementos entraram para o universo das coisas criadas e, devidamente ajustados, culminaram na prática do mesmo ato. 2.7.2. Portanto, ao se julgar o conhecimento, ou seja, ao se reexaminar (reger) os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (o ato), devese utilizar a legislação da época da sua interposição (que era o momento no qual esses pressupostos deveriam ser atendidos: o seu tempo) e não a legislação vigente no momento em que se faz esse julgamento (exame da regular interposição). 2.7.3. Sintetizando, concluise, que o principio do "tempus regit actum", somente é observado quando, na decisão sobre a regular formalização do recurso ou a respeito do seu conhecimento, a legislação apreciada e aplicada é aquela vigente ao tempo de sua formalização e não a do tempo do seu Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 243 11 julgamento, que pode ocorrer e ocorre vários anos após a formalização. 2.7.4. Se não fosse assim, no julgamento do conhecimento, deveriam ser consultados um a um os paradigmas para verificação se foram reformados após a formalização do recurso; caso tenham sido, então todos os recursos sustentados por esses paradigmas deveriam ser não conhecidos, o que, além de impertinente, soa como contrário à justiça. 2.8. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é silente a respeito das Súmulas, quando da apreciação do conhecimento do recurso. Assim, para fins de busca de um comportamento que deva ser adotado nos julgamentos do CARF quanto à aplicação de Súmulas, devese procurar primeiramente normas do Regimento Interno do CARF que possam ser tomadas por analogia para integração desse vazio normativo. 2.9. Entre as normas que tratam de entendimentos vinculantes, encontramse o art. 72, o §2º do art. 67, art. 62, o caput do art. 62A e o inciso XXI do art. 18, todas do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Sejam elas: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. ... § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 244 12 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993." "Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: ... XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; e" 2.10. Primeiramente, cabe tecer comentários ao principal artigo do RICARF que impõe a observância das súmulas CARF, qual seja: o art. 72. Da simples leitura desse dispositivo verifica se que ele não faz considerações de âmbito temporal e processual, sendo indiferente para o mesmo se houve ou não o conhecimento do recurso. Assim, para o principal dispositivo não importa que haja o conhecimento e a aplicação da súmula ou, diversamente, que não haja o conhecimento em função da súmula, o que importa é que seja observada a súmula, observância esta que ocorre tanto numa forma de proceder como na outra. 2.11. O art. 67, §2º, é o dispositivo que trata especificamente do Recurso Especial e que prevê o seu não cabimento quando o recurso for interposto contra decisão de Turma que aplicar súmula dos Conselhos de Contribuintes ou súmula do CARF. 2.11.1. Ora, se a súmula for posterior ao REsp, obviamente, na impossibilidade do julgamento da Turma voltar no tempo e aplicar essa súmula, obviamente a sua decisão não terá aplicado a súmula. Conseqüentemente, o REsp não estará sendo interposto contra decisão que aplicou súmula. Essa previsão é perfeitamente adequada para a primeira possibilidade da qual se tratou no item 2.3, mas não se enquadra para a segunda possibilidade do mesmo subitem, pois, quando o REsp foi impetrado, ainda não havia a súmula. 2.11.2. O recorrente não poderia prever que esta matéria viesse a ser objeto de súmula; logo, não se pode penalizar o recorrente ao negar conhecimento ao seu recurso especial em razão de fato superveniente a regular formalização do seu recurso, que este não tinha condições nenhuma de saber. 2.11.3. Assim, o §2º do art. 67 do Regimento Interno não serve de fundamento legal para sustentar a teoria do não conhecimento e tampouco veda o conhecimento. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 245 13 2.12. O art. 62A referese ao comportamento que deve ser adotado nas sessões de julgamento, no caso de existência de repetitivos do STF/STJ. 2.12.1. O efeito vinculante de uma súmula (seja súmula CARF, seja SV/STF) assemelhase ao efeito vinculante de um repetitivo, pois, a meu juízo, os efeitos práticos da vinculação a um repetitivo do STF/STJ são os mesmos da vinculação a uma súmula do CARF ou a uma Súmula Vinculante do STF. 2.11.2. Portanto, não vejo razão para não se proceder com uma súmula da mesma forma que com um repetitivo do STJ/STF (em julgamentos realizados antes do novo regimento interno). Ressalto, ainda, que esse comportamento nos julgamentos está plenamente de acordo com o art. 72 do RICARF ou com o §1º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006, onde o que se busca é a adequação ao conteúdo da súmula e não da repercussão procedimental que a sua existência superveniente venha a provocar. 2.11.3. Não se concebe de forma alguma deixar de conhecer um Recurso Especial em razão da existência de um repetitivo (sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009): o procedimento padrão (senão dizer na totalidade das vezes) tem sido o de conhecer o recurso e aplicar o repetitivo. 2.12. O que se disse relativamente ao art. 62A também se estende ao art. 62, parágrafo único, sendo as conclusões ali alcançadas válidas na mesma medida. 2.13. O art. 18, XXI, não trata de procedimento em sessão de julgamento, mas sim de decisão monocrática de Presidente de Câmara no âmbito do recurso voluntário, sendo de plano não aplicável ao caso. 2.14. Não obstante, a só existência deste dispositivo regimental (art. 18, XXI, do RICARF) é definitivo para decidir a questão: não poderia o Presidente de Câmara, com base apenas no art. 67, §2º, negar seguimento em razão da existência de súmula superveniente à impetração do REsp. Tanto é assim que se fez necessário positivar (e demonstrar o respeito do regimento pelo princípio do "tempus regit actum"), entre as competências do Presidente de Câmara, a atribuição de negar seguimento a REsp em razão de súmula superveniente. E nem se diga que essa competência cuida de recurso voluntário; pois, se assim fosse, deveria ser atribuição de Presidente de Turma. 2.15. Apenas para diferenciar as situações, esclareço que os casos de não conhecimento a que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais vem acordando não são por mudança do ordenamento jurídico, mas por interpretação do recorrido e dos paradigmas diferente da interpretação da autoridade. 2.16. Assim, por todo o exposto, a meu ver: 1º) se a impetração do Recurso Especial se deu posteriormente à publicação de Súmula relativa a tema do processo, é caso de não conhecimento do Recurso Especial, por desatendimento ao art. 67, §2º, do RICARF; 2º) se a interposição do Recurso Especial Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 246 14 se deu anteriormente à publicação de Súmula relativa a tema do processo, é caso de aplicação analógica do art. 62A do Regimento Interno do CARF, ou seja, no julgamento conhecer do Recurso Especial para aplicar, no mérito, o conteúdo do entendimento vinculante. 2.17. O procedimento que aqui proponho não contraria o enunciado da súmula, não sendo caso do art. 45, VI, do RI CARF, quando a súmula for do CARF, nem do art. 7º da Lei nº 11.417/2006, bem como do §3º do art. 56 e do art. 64B, ambos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, incluídos pela Lei nº 11.417/2006, quando a súmula for vinculante do STF. Vistas todas essas considerações que justificavam, sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, conhecer do recurso especial e aplicar o entendimento da súmula superveniente à interposição do recurso, o que sustentava o meu entendimento de acompanhar o relator nos julgamentos daquela época, fato é que, a partir de 10 de junho de 2015, não se pode mais conhecer de recurso especial que contrarie entendimento de súmula emitida e publicada posteriormente à impetração do recurso, pois no RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, há disposição expressa nesse sentido. Confirase: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso." Portanto, tendo em vista que a Turma de julgamento da decisão recorrida adotou o entendimento da Súmula CARF nº 105, ainda que ela tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição deste recurso, então não cabe este recurso especial, devendo não ser conhecido. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN em relação a concomitância da multa. Assim, aderindo à jurisprudência desta 1ª T, da CSRF, acompanho os demais Conselheiros e voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10783.904467/200961 Acórdão n.º 9101002.965 CSRFT1 Fl. 247 15 Deve o presente processo, na forma da decisão recorrida, retornar à DRF de origem para prosseguimento da análise do pedido de compensação, uma vez afastado o óbice contra a possibilidade desse pedido. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901135/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.663
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13558.901135/2009-86
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728803
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.663
nome_arquivo_s : Decisao_13558901135200986.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13558901135200986_5728803.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6781400
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213020930048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.901135/200986 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.663 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente PORTO SEGURO VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 35 /2 00 9- 86 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901135/200986 Acórdão n.º 3201002.663 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.453. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901135/200986 Acórdão n.º 3201002.663 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901135/200986 Acórdão n.º 3201002.663 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004850/2001-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação restringe-se a aspectos atinentes à possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o aspecto prejudicial, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação restringe-se a aspectos atinentes à possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o aspecto prejudicial, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11610.004850/2001-12
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735185
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.853
nome_arquivo_s : Decisao_11610004850200112.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 11610004850200112_5735185.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
dt_sessao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6812186
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213041901568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 178 1 177 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.004850/200112 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.853 – 1ª Turma Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO RESTITUIÇÃO: SÚMULA CARF N º 91 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BUNGE FERTILIZANTES S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação restringese a aspectos atinentes à possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o aspecto prejudicial, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 48 50 /2 00 1- 12 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 179 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 121 e ss (do volume 2 digitalizado), contra o Acórdão de nº 10423.191 (fls. 105 e ss do volume 2 digitalizado), proferido pela Quarta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes em 28/05/2008 que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela interessada, afastando a decadência e determinando o retorno dos autos ao órgão de origem para apreciar o mérito do pedido de restituição de ILL do ano calendário 1992. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1992 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITIJCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem inicio na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da data de publicação da resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data da publicação de ato da administração tributária que reconhece caráter indevido de exação tributaria. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Assim, não tendo transcorrido entre a data da publicação da Resolução n° 82 do Senado Federal e a do pedido de restituição, lapso de tempo. superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BUNGE FERTILIZANTES S. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retomo dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 180 3 Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Antonio Lopo Martinez e Maria Helena Cotta Cardozo, que mantinham a decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. A PFN tomou ciência da referida decisão em 11/12/2008, conforme demonstra a tela COMPROT à fl. 120 do volume 2 digitalizado e manejou, em 18/12/2008, Recurso Especial com fundamento no art. 7º , I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 Recurso contra decisão não unânime, contrária à lei ou à evidência de prova. Aduz a PFN que a decisão atacada vai frontalmente de encontro ao estabelecido nos arts. 165 e 168, I, do CTN, que fixam como termo inicial do prazo decadencial para o requerimento de restituição do pagamento indevido a data da extinção do crédito tributário. Aponta que o pedido de restituição foi apresentado somente em 23/10/2001, quando já haviam transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data de extinção do crédito tributário, em 31/05/1993, razão pela qual o pedido fora alcançado pela decadência. Em seu arrazoado afirma que o CTN jamais elegeu como termo inicial do prazo para o requerimento de restituição as datas assinaladas na decisão recorrida e que o referido diploma legal fixou que tal prazo se inicia no momento da ocorrência de algum dos eventos elencados em seu art. 156, dentre os quais não se encontra a publicação de resolução do Senado ou o reconhecimento administrativo da cobrança indevida. Colaciona jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que ilustra sua tese e assevera que o STJ já se pronunciou, de forma pacífica, no sentido de que o termo inicial para o requerimento da repetição do indébito não é qualquer outro momento senão a data da extinção do crédito tributário, consoante decidido pela 1ª Seção no julgamento do EREsp 435.835/SC, em 24/3/2004 (DJ de 4/6/2008, p. 287). E prossegue: Entretanto, a interpretação adotada pela e. Câmara a quo, além de negar vigência ao art. 168, I, do Código Tributário Nacional, importa em esvaziar por completo o conteúdo do princípio da segurança jurídica, na medida em que a repetição de indébito poderia ser requerida muitos anos após a data do efetivo adimplemento, em um ambiente de constante instabilidade. [...] Destarte, se nem mesmo a decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle objetivo de constitucionalidade detém a aptidão de reabrir os prazos de decadência e prescrição, como muito maior razão, não possui tal capacidade o simples reconhecimento administrativo da cobrança tributária indevida ou a publicação de resolução pelo Senado. [...] Portanto, extinto o crédito tributário pelo pagamento; ainda que indevido, caberia à recorrida requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do indébito (3115/1993), ex vi do art. 168, I, c/c o art. 165 do CIN, independentemente de a Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 181 4 ilegitimidade da cobrança do tributo ser reconhecida mediante a 111 63/1997. Devese consignar, finalmente, que a disciplina da decadência e prescrição tributária está reservada constitucionalmente à lei complementar (art. 146, III b, da Carta Magna), de sorte que os termos iniciais dos prazos em questão são exclusivamente aqueles insculpidos no Código Tributário Nacional, razão pela qual é descabida a criação de novos marcos com base em atos normativos infralegais ou através de simples interpretação extensiva. Ao final, requer seja provido o Recurso Especial para reformar o acórdão da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, reconhecendose em definitivo que o direito da contribuinte à restituição foi extinto pela decadência, por força do art. 168, I, c/c o art. 165 do Código Tributário Nacional. O Recurso foi admitido por meio do despacho de fls. 136 e verso do volume 2 digitalizado. Cientificada do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, em 15/10/2009, a interessada apresentou contrarrazões em 30/10/2009 (fls. 138 e ss do volume 2 digitalizado). Invoca, em preliminares, o não conhecimento do apelo especial porque tal recurso afrontaria as disposições do Regimento Interno do CARF, art. 67, § 2º , que prevê que não cabe Recurso Especial contra decisão que, em preliminares, declare a nulidade da decisão de primeira instância. Afirma, ainda, que a decisão proferida não é contrária à lei, nem à evidência de prova. No mérito, aduz, em apertada síntese, que a Resolução n.° 82 do Senado Federal, publicada no DOU em 19.11.1996, teria efeitos "erga omnes" e somente a partir dessa data é que passou a correr o prazo de cinco anos para que os contribuintes pedissem a restituição do indébito relativo ao ILL e que, no caso, como o pedido de restituição foi protocolado em 23/10/2001, teria sido feito dentro prazo de cinco anos contado de 19.11.1996, não havendo que se falar em decadência. Assinala que desde o julgamento do REsp 435.835/SC, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento conhecido como "5 mais 5", segundo o qual, nos tributos sujeitos à homologação do recolhimento antecipado, o prazo para a cobrança ou restituição do tributo é de cinco anos contados da extinção do crédito, fato esse ocorrido quando da homologação do pagamento ou, na inércia do Fisco, cinco anos após a ocorrência do fato gerador, totalizando dez anos. Pugna, ao final, pelo não provimento do Recurso Especial. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 182 5 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Preliminarmente Aduziu a contribuinte que o recurso da Fazenda não deve ser conhecido porque: i) de acordo com o art. 67, §2º, do Anexo II , da Portaria MF nº 256, de 2009, vedava recurso especial contra decisão que, na apreciação de matéria preliminar, decidisse pela anulação da decisão recorrida; e ii) a decisão não seria contrária à lei. Analisandose a decisão recorrida, verificase que o acórdão nº 10423.191 entendeu de forma contrária à decisão de primeira instância, no sentido de reconhecer não prescrito o direito de a contribuinte pleitear o indébito e, em face disso, determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito. Ora, com a devida vênia, essa decisão não anulou a decisão anterior, mas sim a reformou na única matéria que foi objeto de apreciação pela decisão de primeira instância, que foi o prazo prescricional para pleitear o indébito. O que o dispositivo regimental vedava era um recurso especial contra uma decisão de turma ordinária ou especial que anulasse a decisão de primeira instancia para que outra fosse proferida. Esse entendimento, de fato, está melhor explicado no atual regimento (Portaria MF nº 343, de 2015, art. 67, §4º), que trouxe a mesma vedação, porém nos seguintes termos: § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Se a interpretação da contribuinte estivesse correta, no caso de a decisão da turma ordinária divergir do entendimento da delegacia de julgamento sobre uma matéria preliminar, a CSRF jamais iria poder se manifestar, o que não é o desejável. Por essa razão, rejeito esse argumento de não conhecimento, como também rejeito o segundo, porque a aferição se a decisão é contrária ou não à lei é uma decisão de mérito. Para fins de conhecimento do recurso por contrariedade à lei basta verificar se a decisão é não unânime e se a Procuradoria apontou o dispositivo sobre o qual entende que a decisão era contrária. No caso, a decisão é não unânime porque restaram vencidos três conselheiros: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 183 6 ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retomo dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Antonio Lopo Martinez e Maria Helena Cotta Cardozo, que mantinham a decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Negritei) E a Fazenda expressamente consignou sobre qual lei entendia ser a decisão contrária: Não obstante, a decisão proferida pela e. Câmara a quo viola frontalmente o disposto nos artigos 165 e 168, I, do Código Tributário Nacional,que fixam como termo inicial do prazo decadencial para o requerimento de restituição do pagamento indevido a data da extinção do crédito tributário. Logo, nenhuma das preliminares suscitadas pela contribuinte para o não conhecimento merecem ser acolhidas. Por oportuno saliento que, em que pese haja Súmula CARF e julgados do STF e STJ, sob os ritos da repercussão geral e dos repetitivos, contrários à tese defendida pela Fazenda Nacional em seu recurso, não se pode aplicar as disposições regimentais relacionadas ao não conhecimento porque tanto a Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo da interposição do recurso da Fazenda, quanto a Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o atual regimento, vedam o conhecimento quando a decisão recorrida aplicou o entendimento vinculante ou quando o paradigma é contrário ao entendimento vinculante. E no caso em apreço, não se trata de recurso de divergência, então não há que se falar em acórdão paradigma, e a decisão recorrida adotou como termo inicial para contagem do prazo, que chama de decadencial, a data da publicação da IN SRF nº 63, 1997, instrução que reconheceu administrativamente o indébito. Por todas essas razões, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Mérito. A matéria litigiosa prazo para pleitear reconhecimento de direito creditório de tributo lançado por homologação, ainda que oriundo de lei declarada inconstitucional foi objeto de tormentosos debates no âmbito deste CARF, como também foi submetida à apreciação de nossos tribunais superiores. É certo que o Supremo Tribunal Federal, ao se manifestar no julgamento do RE nº 172.058/SC, que teve como Relator o Ministro Marco Aurélio, declarou que o art. 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é inconstitucional quando alude ao termo "o acionista", como se observa da seguinte publicação extraída do endereço eletrônico do STF: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, O TRIBUNAL CONHECEU DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DECIDINDO A QUESTÃO PREJUDICIAL DA VALIDADE DO ART. 35 DA LEI Nº 7.713/88, NELE DECLAROUSE A Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 184 7 INCONSTITUCIONALIDADE DA ALUSÃO A "O ACIONISTA" E A CONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO "O TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL". QUANTO ÀS PALAVRAS "O SÓCIO COTISTA", O TRIBUNAL DECLAROU SUA CONSTITUCIONALIDADE, SALVO QUANDO, SEGUNDO O CONTRATO SOCIAL, NÃO DEPENDA DO ASSENTIMENTO DE CADA SÓCIO A DESTINAÇÃO DO LUCRO LIQUIDO A OUTRA FINALIDADE QUE NÃO A DE DISTRIBUIÇÃO. Por outro lado, em decorrência de tal decisão, o Senado Federal editou a Resolução nº 82, de 1996, suspendendo a execução do art. 35 da Lei nº 7.713/1988, nos seguintes termos: O Senado Federal resolve: Art. 1º. É suspensa a execução do art. 35, da Lei nº 7.713, de 29 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão "o acionista", nele contido. Art. 2º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º. Revogamse as disposições em contrário. Não pairam dúvidas de que os valores pleiteados foram recolhidos nos termos da imposição do art. 35, da Lei nº 7.713/1988, o que comprova a sua caracterização como indébito. Também é certo que o antigo ILL, que era devido na fonte, tratase de tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação. Embora tenha sido muito rechaçada nas discussões travadas neste tribunal, a tese de que, somente após a homologação tácita do lançamento do tributo que se submete às regras do lançamento por homologação, é que começa a fluir o prazo prescricional para pleitear restituição de eventual indébito, previsto no art. 168, I, do CTN, passou a ser pacificada pelo STJ. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.002.932/SP, afetado como representativo de controvérsia, ao apreciar as disposições da Lei Complementar nº 118, de 2005, fixou o entendimento no sentido de que, relativamente aos pagamentos indevidos, efetuados anteriormente à referida Lei Complementar, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos "cinco mais cinco", ou seja, cinco anos para que se verifique a homologação tácita do lançamento e mais cinco anos, a partir da homologação tácita, para que se verifique a prescrição do indébito. Contudo, limitou o prazo a cinco anos totais contados a partir da vigência daquela lei. Por outro lado, é certo que o STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários imposto pela Lei Complementar nº 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, a saber: RE 566.621/RS – Rio Grande do Sul – Recurso Extraordinário. Relator(a): Min. Ellen Gracie. Julgamento: 04/08/2011 – Transito em Julgado em 17/11/2011. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 185 8 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Por esse entendimento, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos somente atinge repetições de indébitos discutidas em ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da Lei Complementar n º 118, de 2005, submetemse ao prazo prescricional de 10 (dez) anos. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11610.004850/200112 Acórdão n.º 9101002.853 CSRFT1 Fl. 186 9 Este tribunal administrativo curvouse ao entendimento assentado pela STJ e STF, em sede de repetitivo e de repercussão geral, e editou a Súmula CARF nº 91, de seguinte teor: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso sob apreciação, a interessada apresentou o Pedido de Restituição, em 23/10/2001 (fl. 01, volume 01 digitalizado), ou seja, anteriormente a 09/06/2005, razão pela qual deve ser aplicado o prazo prescricional de 10 anos (cinco mais cinco). Como o indébito relativo ao ILL foi constituído e recolhido em 31/05/1993 (fls. 02 e ss do volume 1 digitalizado), in casu, o prazo prescricional para a repetição do indébito de ILL de 31/05/1993 se esgotava em 31/05/2003. Tendo em vista que o pleito foi protocolizado em 23/10/2001 (fl. 01, volume 1 digitalizado)1, vêse que o indébito não prescreveu. Contudo, uma vez que a autoridade administrativa, que detém a competência para analisar a procedência e liquidez do direito creditório, bem como o seu aproveitamento em possíveis compensações, limitou sua análise à questão prejudicial, e não se pronunciou sobre o mérito do litígio, é necessário que o processo retorne àquela autoridade para que seja proferido novo Despacho Decisório, pronunciandose sobre o mérito das compensações, ofertandose à recorrente a possibilidade de se defender, em todas as esferas administrativas de julgamento, caso as compensações pleiteadas não sejam homologadas. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da PFN e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para apreciação do mérito do litígio, ou seja, analisar a procedência e liquidez do direito creditório, bem como o seu aproveitamento em possíveis compensações. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902731/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário:2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.315
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário:2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.902731/2011-40
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722027
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.315
nome_arquivo_s : Decisao_10120902731201140.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10120902731201140_5722027.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755198
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213047144448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902731/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.315 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 31 /2 01 1- 40 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10120.902731/201140 Acórdão n.º 3301003.315 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.590. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10120.902731/201140 Acórdão n.º 3301003.315 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10120.902731/201140 Acórdão n.º 3301003.315 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10120.902731/201140 Acórdão n.º 3301003.315 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10120.902731/201140 Acórdão n.º 3301003.315 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902828/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.902828/2012-71
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739038
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.191
nome_arquivo_s : Decisao_10283902828201271.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10283902828201271_5739038.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6840521
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213057630208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902828/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.191 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 28 /2 01 2- 71 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902828/201271 Acórdão n.º 3302004.191 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.039. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902828/201271 Acórdão n.º 3302004.191 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902828/201271 Acórdão n.º 3302004.191 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902828/201271 Acórdão n.º 3302004.191 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902828/201271 Acórdão n.º 3302004.191 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10283.902828/201271 Acórdão n.º 3302004.191 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
