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Numero do processo: 13702.000041/2009-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO.
O tribunal de origem confirmou a intempestividade da impugnação , e assim corrobora o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo
Numero da decisão: 2001-001.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. O tribunal de origem confirmou a intempestividade da impugnação , e assim corrobora o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, ano-calendário de 2004, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário de aproximadamente R$4.158,00, a ser acrescido de juros e multa. Foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas (R$15.120,00). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 00 41 /2 00 9- 87 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.324 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13702.000041/2009-87 A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação intempestiva. A DRJ Rio de Janeiro não conheceu da Impugnação por intempestividade. Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte apenas suscita que deve ser reconsiderada a decisão a quo. Não junta nenhuma prova para tal É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. Conforme se depreende dos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72, a falta de impugnação da exigência, no prazo de 30 dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. Vale dizer, quando o réu devidamente citado não apresenta a sua contestação ao tempo expresso em lei, por óbvio abriu mão do direito de contestar, e deve suportar todos os efeitos da revelia, já que o vencimento deste prazo com a inércia do réu faz nascer a preclusão, e conseqüentemente a vedação da pratica do ato. A própria legislação não é omissa quanto ao tema, e sequer deixa margem a outra interpretação, senão a proibição da pratica do ato após escoado o prazo fixado em lei. Esta é sem dúvida uma das mais explícitas evidencias do não acolhimento do Recurso por via da preclusão, já que na forma dos dispositivos aqui mencionados, a idéia central é a que o processo ande para frente e é conceituado como a perda da faculdade de se praticar um determinado ato. Deste modo, o descumprimento dos prazos estatuídos em lei para a apresentação da impugnação pelo contribuinte, faz nascer a preclusão, e via de conseqüência a revelia, sendo após a incidência destes institutos absolutamente vedada a pratica do ato. Assim, entendo que o Recurso Voluntário não deve ser conhecido pelos motivos acima expostos. Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.324 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13702.000041/2009-87 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de não CONHECER do recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.101490/2004-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000
NÃO CONTESTAÇÃO DOS TERMOS DA DECISÃO DA DRJ.
CONCORDÂNCIA TÁCITA DO CONTRIBUINTE.
O recurso voluntário que não refuta, no todo ou em parte, decisão da autoridade julgadora de primeira instância implica em matéria não impugnada naquilo que corresponder.
REMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A remissão de que trata o art. 14 da Lei nº 11.941/2009 deve ser concedida quando apurado o total dos débitos do contribuinte administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo em vista que o valor global não pode ultrapassar o valor de R$ 10.000,00.
Numero da decisão: 2102-001.144
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a decisão da DRJ, ressalvando o direito de a contribuinte, se atender aos
requisitos do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, beneficiar-se
da remissão do débito, após análise do órgão arrecadador.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 NÃO CONTESTAÇÃO DOS TERMOS DA DECISÃO DA DRJ. CONCORDÂNCIA TÁCITA DO CONTRIBUINTE. O recurso voluntário que não refuta, no todo ou em parte, decisão da autoridade julgadora de primeira instância implica em matéria não impugnada naquilo que corresponder. REMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A remissão de que trata o art. 14 da Lei nº 11.941/2009 deve ser concedida quando apurado o total dos débitos do contribuinte administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo em vista que o valor global não pode ultrapassar o valor de R$ 10.000,00.
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CONCORDÂNCIA TÁCITA DO CONTRIBUINTE. O recurso voluntário que não refuta, no todo ou em parte, decisão da autoridade julgadora de primeira instância implica em matéria não impugnada naquilo que corresponder. REMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A remissão de que trata o art. 14 da Lei nº 11.941/2009 deve ser concedida quando apurado o total dos débitos do contribuinte administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo em vista que o valor global não pode ultrapassar o valor de R$ 10.000,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a decisão da DRJ, ressalvando o direito de a contribuinte, se atender aos requisitos do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, beneficiarse da remissão do débito, após análise do órgão arrecadador. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 78 2 ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 73 a 75, interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, de fls. 67 a 68, que julgou procedente o lançamento de fls. 59 a 65, relativo ao anocalendário 2000, lavrado em 29/09/2003, com ciência do RECORRENTE em 24/04/2004, conforme AR de fl. 35. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.297,13, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 62, o presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, onde a fiscalização argumentou o seguinte: “Está sendo tributado o valor de R$ 2.025,38 de rendimentos tributáveis de acordo com a alteração efetuada na declaração de rendimentos de Hermeto Rocha do Nascimento, CPF 011.618.90025. Foi comprovado pelo Conselho Regional de Administração, CNPJ 92.913.318/000181 o valor de rendimentos tributáveis de R$ 37.700,00. A alteração de R$ 2.025,38 devese a mesma proporcionalidade utilizada pela contribuinte ao tributar os rendimentos do Conselho de Administração, pois a DIRF está em nome de Hermeto Nascimento (seu pai). Enquadramento legal: arts. 1 a 3 da Lei 7.713/88; arts. 1 a 3 da Lei 8.134/90; arts. 3, 11 e 32 da Lei 9.250/95; art. 21 da Lei 9.532/97; Lei 9.887/99; art. 45 do Decreto 3.000/99 RIR/1999. Foi comprovado pelo Sr. Hermeto a existência de uma sociedade de fato, entre ele a contribuinte.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 79 3 Assim, a autoridade lançadora procedeu, de ofício, à seguinte alteração na declaração de ajuste da RECORRENTE: a) Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 39.546,13 para R$ 41.571,51. A declaração de ajuste anual apresentada pela RECORRENTE encontrase à fl. 54 dos autos, e a declaração corrigida, à fl. 38. DA IMPUGNAÇÃO Em 24/05/2004, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 02 a 05. Na oportunidade, demonstrou conhecer os fatos que originaram o presente lançamento, e apresentou as alegações a seguir, resumidamente, transcritas: “(...) a Requerente autuada a pretexto de que dentro da sociedade de fato com HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO foi declarado, como recebido do CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL, o valor de R$ 34.800,00 (Trinta e quatro mil e oitocentos reais) e que estaria tal declaração em desacordo com a DIRF (Demonstração de Imposto Retido da Fonte), na medida em que esta declarou como recebido o valor de R$ 37.700,00 (trinta e sete mil e setecentos reais) no exercício de 2000. Apenas para compatibilizar as informações e facilitar o entendimento, no exercício de 2000 foi declarado pela Recorrente, em razão da sociedade de fato com HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO, o repasse de valor recebido do CRA/RS, portanto, pelo mesmo, enquanto que este por seu turno declarou em sua declaração de renda o recebimento proporcional, originário daquela Autarquia, no valor de R$ 21.478,20 (vinte e um mil, quatrocentos e setenta e oito reais, vinte centavos) bem como a declaração do benefício de Imposto descontado na fonte na ordem de R$ 5.250,00 (cinco mil duzentos e cinqüenta reais); O somatório do valor declarado pela Recorrente e de seu sócio, conforme sociedade de fato com HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO, correspondem à R$ 34.800,00. (...) A divergência apontada entre os valores declarados pelos contribuintes LUCIANE ARAÚJO DO NASCIMENTO e HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO, foi originária de ato alheio à vontade dos contribuintes, antes enumerados, a saber: Em especial, HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO que trabalha para Autarquia desde 1979, recebeu seus honorários Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 80 4 via RPA (recibos de pagamentos autônomos), totalizando 12 (doze) parcelas ao curso de cada ano e, em tal parâmetro, promoveu as respectivas declarações de renda usando dos direitos e obrigações correspondentes. Ocorre que no exercício de 2000 houve uma alteração de procedimentos e as declarações e os pagamentos feitos pela Autarquia passaram a não mais serem feitos pelo regime de caixa para serem operacionalizados pelo regime de competência contábil. Tal procedimento, por óbvio não foi levado ao conhecimento de HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO o que a prima face não estaria jungida a prestar tal informação. Porém, esta falta de informação por ocasião da elaboração da Declaração do Imposto de Renda de HERMETO ROCHA DO NASCIMENTO e LUCIANE ARAÚJO DO NASCIMENTO, processada no mês de abril de 2001 causou prejuízos e conseqüências aos mesmos porque equivocadamente declararam 12 meses de pagamento que eram de valores fixos quando na verdade houve 13 pagamentos em caráter excepcional, pela Autarquia no mês de dezembro de 2000. (...) esclarecidos o fatos que ocorreram em termos dos pagamento feitos pela Autarquia e declarados a menor pelos contribuintes, estes esclarecem, em seu favor para subsidiar os fundamentos do presente recurso, o que segue: No âmbito dos efeitos apontados como lesivos à União Federal, a Requerentes vem aduzir, nesta peça recursal que se, de um lado, deixou de declarar uma parcela de 1/12 avos do rendimento que tinha durante o ano, pela esdrúxula medida adotada pela Autarquia, de outro lado também deixou de computar a parcela correspondente relativo ao Imposto que a beneficiaria na proporcionalidade respectiva no valor de R$ 437,50 (quatrocentos e trinta e sete reais, cinqüenta centavos).” Por fim, a RECORRENTE juntou aos autos cópia dos Recibos de Pagamento a Autônomo – RPA no valor de R$ 2.900,00 cada (fls. 07 a 19), bem como das guias de recolhimento do imposto de renda retido na fonte fornecidas pela fonte pagadora no valor de R$ 437,50 cada (fls. 20 a 32). Deixou de juntar a cópia da declaração dos rendimentos pagos, visto que esta não foi entregue pela fonte pagadora. Assim, a RECORRENTE concorda com a acusação, mas pede a compensação do imposto retido na fonte, no valor de R$ 437,50. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 81 5 A DRJ, às fls. 67 e 68 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, resolvendo diminuir do principal o valor de R$ 437,50, com redução proporcional da multa de ofício e acréscimos legais, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Pode ser compensado na declaração de ajuste anual o imposto de renda retido na fonte, comprovado de maneira adequada. Lançamento Procedente em Parte” DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 29/12/2008, conforme AR de fl. 72, apresentou recurso voluntário, de fls. 73 a 75, em 27/01/2009. Em suas razões recursais, a RECORRENTE apenas afirmou que o valor remanescente do crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa [sic], visto que faria jus à remissão do débito nos termos do art. 14, e parágrafos, da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008. Alegou que o débito cobrado se enquadraria na hipótese de remissão prevista na referida medida provisória, uma vez que era inferior a R$ 10.000,00 e em 31/12/2007 estava vencido há mais de cinco anos. Portanto, requereu a declaração da remissão da dívida fiscal. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A RECORRENTE, autuada por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, obteve êxito quando da apresentação de sua impugnação, tendo em vista que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 82 6 a DRJ acatou o que foi pleiteado e considerou o valor do imposto retido na fonte que não havia sido computado pela autoridade lançadora. Com isso, de acordo com o extrato do processo de fl. 69, o valor do imposto em litígio (principal) passou de R$ 556,98 para R$ 119,48. Em suas razões de apelo, a RECORRENTE não contesta a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, atendose a afirmar que o crédito tributário em litígio deveria ser extinto por expressa previsão do art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008 (posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009). Ou seja, a RECORRENTE concorda com a existência e o valor do débito remanescente, após a diminuição efetivada pela decisão da DRJ. São os seguintes os termos do recurso voluntário: “LUCIANE ARAÚJO DO NASCIMENTO, brasileira, casada, advogada, OABRS 27.338, CPF 453.107.77091, residente e domiciliada nesta capital, à Rua Marcílio Dias, 517/308 Menino Deus, tendo em vista o teor da Intimação nº 1145/08/SECAT/COB, referente ao Acórdão da DRJ 1017.745 de 17/10/2008, exarado no processo nº 11080101.490/200476, bem como o teor da guia para pagamento emitida, vem RECORRER da decisão em questão, no que tange estar suspensa a exigibilidade do valor remanescente do tributo, bem como as multas e juros incidentes, posto que a recorrente faz jus à remissão do débito prevista no artigo 14 e seus parágrafos da Medida Provisória nº 449 de 03 de dezembro de 2008, haja vista que o débito em questão preenche o suporte fático para tal enquadramento, SEJA NO VALOR (MENOR DE DEZ MIL REAIS), BEM COMO EM 31.12.2007 ESTAVA VENCIDO HÁ MAIS DE CINCO ANOS (ANO CALENDÁRIO – 2000). ISSO POSTO, REQUER seja conhecido e provido o presente recurso, declarandose a remissão da divida fiscal respectiva e suas incidências, sendo o que espera do costumeiro espírito de JUSTIÇA.” O mencionado art. 14 da Lei nº 11.941/2009 (conversão da Medida Provisória nº 449/2008) dispõe que: “Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1º O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 83 7 único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2º Na hipótese do IPI, o valor de que trata este artigo será apurado considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica. § 3º O disposto neste artigo não implica restituição de quantias pagas. § 4º Aplicase o disposto neste artigo aos débitos originários de operações de crédito rural e do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária – PROCERA transferidas ao Tesouro Nacional, renegociadas ou não com amparo em legislação específica, inscritas na dívida ativa da União, inclusive aquelas adquiridas ou desoneradas de risco pela União por força da Medida Provisória no 2.1963, de 24 de agosto de 2001.” Nos termos do dispositivo legal acima transcrito, para a remissão se exige que: (i) Estejam (os débitos), em 31 de dezembro de 2007, vencidos há 5 (cinco) anos ou mais; e (ii) cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Sobre esta segunda condição, o inciso IV do § 1º da citada norma estabelece que, para apuração do limite de R$ 10.000,00, devem ser considerados, separadamente, os seguinte débitos: I – débitos inscritos em Dívida Ativa da União decorrentes das contribuições sociais; II – demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União; III – débitos decorrentes das contribuições sociais; e Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.101490/200476 Acórdão n.º 2102001.144 S2‐C1T2 Fl. 84 8 IV – demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ou seja, para fazer jus à remissão prevista no art. 14 da Lei nº 11.941/2009, é necessário que o valor global dos débitos, do sujeito passivo, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vencidos há cinco anos ou mais (em 31/12/2007), seja igual ou inferior a R$ 10.000,00. Assim, a remissão não pode ser concedida isoladamente, sendo necessária a apuração do total do “passivo” da RECORRENTE à época da edição da lei (conversão da medida provisória, como dito). Desta forma, nesta instância de julgamento, não há como apurar se existem outros débitos lavrados contra a RECORRENTE capazes de impedir a remissão prevista no art. 14 da Lei nº 11.941/2009. Assim, deve ser mantido o crédito tributário apurado após a decisão da DRJ, cabendo à DRF de origem apurar o total consolidado dos débitos da RECORRENTE administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e, se for o caso, remitir o débito objeto do presente lançamento, nos termos do art. 14 da Lei nº 11.941/2009. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo ser mantida a decisão da DRJ, ressalvando o direito de a contribuinte, se atender aos requisitos do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, beneficiarse da remissão do débito, após análise do órgão arrecadador. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10120.729218/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto.
CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.080
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, por unanimidade de votos, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (presidente).
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, por unanimidade de votos, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 92 18 /2 01 2- 89 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 5 4 maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 6 5 A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito.“ Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.073, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.729209/201298. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.073): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (b) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (c) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 7 6 (d) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 8 7 b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 9 8 Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10120.729218/201289 Acórdão n.º 3401006.080 S3C4T1 Fl. 10 9 aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do credito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 296DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721357/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009
IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES VÍCIO NO LANÇAMENTO.
O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas.
Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações.
Numero da decisão: 2401-006.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (Suplente Convocada), ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 57 /2 01 2- 24 Fl. 612DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (Suplente Convocada), ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Trata-se de Auto infração, lavrado sob o nº DEBCAD nº 51.011.1424, em desfavor da recorrente que tem por objeto as contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, nos termos do artigo 22, inciso III em seu § 1º, ambos da Lei nº 8.212/91 e do artigo 20, inciso II e seu § 6º, ambos do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, nas competências abrangidas em 01/2009 a 12/2009, incidentes sobre as remunerações pagas a determinados diretores (contribuintes individuais) por meio da outorga de opções de compra de ações (Stock Options) do Recorrente. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 6178),no curso da auditoria fiscal ficou constatado que o contribuinte remunerou os seus administradores , em função dos serviços que lhe prestaram através da outorga de opções de ações (Stock Options), opções essas que dão direito à subscrição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições estabelecidas. A situação acima mencionada foi incialmente detectada através da análise do Estatuto Social consolidado em 2006, em virtude da proposta do Conselho de Administração efetivada na Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 26/04/2006 e continuada no Estatuto Social consolidada em 2009, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 24/04/2009. Nesse sentido a Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo168, § 3º, estabelece que o Estatuto pode prever que a Companhia outorgue opções de compra de ações a seus administradores ou empregados. Ou seja, o Auditor Fiscal adotou o entendimento de que os planos de opções de compra de ações outorgados pelo Recorrente a seus administradores configuram remuneração e, como tal, sujeitam-se à incidência da contribuição previdenciária patronal. Com o objetivo de sustentar tal posicionamento, a autoridade fiscal, inicialmente, transcreveu trechos de documentos apresentados pela Companhia no curso da fiscalização ou obtidos através do seu sítio eletrônico, tais como notas explicativas de demonstrações financeiras e trechos do formulário 20F apresentado à SEC – US Securities and Exchange Comission, que fazem alusão aos planos de opções de compra de ações ofertados pelo Recorrente como remuneração dos beneficiários (diretores ou empregados de alto escalão). Em seguida efetuou uma análise das principais disposições do Plano para Outorga de Opções de Ações aprovado pela Assembléia Geral de 01/11/2002 e alterado pelas Assembléias Gerais de 28/04/2004, 27/04/2005 e 26/04/2006 e passou a defender a natureza salarial das opções de compra de ações ofertadas pelo Recorrente. Nessa linha intelectiva, o auditor apresenta distinções entre as opções de compra de ações comuns e as opções de compra de ações para trabalhadores, com objetivo de fortalecer Fl. 613DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 a alegada natureza salarial dos pagamentos decorrentes do plano de opção de compra de ações destinados aos trabalhadores. Acrescenta ainda que o que une o trabalhador ao empregador é a prestação de serviço, diante do que todo o fluxo entre os dois se deve à relação de trabalho. E que, como as instituições financeiras não têm por seu objeto a negociação de suas próprias ações, a outorga de opções de compras de ações não se trata de uma operação mercantil. Alega que as instituições financeiras, ao ofertarem opções de compra de ações a seus trabalhadores, buscam motivá-los, reter profissionais, vincular a sua remuneração à performance da empresa, alinhar os interesses dos trabalhadores aos dos acionistas, dentre outros fatores, que acabam levando o beneficiário a trabalhar mais e provocam um efeito “algemas de ouro”. Pontua que os planos de opções de ações são oferecidos como recompensa pelo trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, trata-se de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmios), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. E assim conclui que as opções de ações concedidas aos administradores devem integrar o salário de contribuição. Em seguida, o Auditor Fiscal analisou o momento da ocorrência do fato gerador nos casos envolvendo os planos de opção de compras de ações e concluiu que o fato gerador resta caracterizado com o vencimento do prazo de carência, tendo em vista que, naquele momento, há o implemento da condição suspensiva contratual, sendo irrelevante para a configuração do fato gerador se o trabalhador exerceu ou não a opção de adquirir as ações. Com o objetivo de apurar a base de cálculo devida para incidência das contribuições previdenciárias, o Auditor, em observância ao critério adotado quanto ao momento em que resta caracterizada a ocorrência do fato gerador, utilizando os dados extraídos da planilha apresentada pelo contribuinte, entendeu que o montante corresponderia à multiplicação da quantidade de opções de compra outorgadas ao trabalhador (passíveis de exercício) pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço do exercício da opção no momento do vencimento da carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. As informações utilizadas para quantificar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, de acordo com os critérios descritos acima, foram extraídas de planilha intitulada “Opções de Ações – Vencimento do Prazo de Carência”, segundo aponta o relatório fiscal. Irresignada com a autuação, a Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 16-48.130 - 14 ª Turma da DRJ/SP1, às fls. 183/202, julgando improcedente a Impugnação apresentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. Fl. 614DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido. Inconformada com a decisão exarada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 208/218, repisando suas alegações em sede de Impugnação e respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Inicialmente, os elementos característicos dos planos de outorga de opções de compra de ações, com o objetivo de atestar a natureza societária desses planos, trazendo, para tanto, a base legal (art. 168, §3º da Lei n.º 6.404/76) e ressaltando a regulamentação da CVM, que, por meio das Instruções n.º 290/98, 291/98 e 390/09, estabelece requisitos para instituição do plano, como, por exemplo, a necessidade de disciplina em estatuto e aprovação do plano por meio de assembléia geral de acionistas, o que reafirmaria o caráter societário dos planos de stock options. Ressalta que a outorga da opção gera apenas expectativa de direito, que, uma vez exercida, e a depender das perspectivas do mercado de ações, pode acarretar ganho ou perda de capital ao trabalhador ou, até mesmo, pode nem vir a ser exercida após findo o prazo de carência do plano. Tais circunstâncias seriam aptas a demonstrar a ausência de caráter remuneratório que a fiscalização tenta imputar aos pagamentos decorrentes do plano de opções de compra de ações. Alega, em seguida, que o entendimento manifesto na acusação fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador é equivocado, devendo ser considerado configurado o fato gerador apenas com o exercício do direito, ou seja, quando a ação objeto da outorga é adquirida. Com o objetivo de demonstrar as distorções ocasionadas pelo equivocado entendimento da acusação fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, o Recorrente ressaltou que algumas opções foram consideradas como exercidas quando findo o prazo de carência, embora os respectivos funcionários jamais tenham exercido a referida opção, pois se desligaram da companhia antes de findo o prazo de carência, ou seja, antes mesmo de o direito de compra das ações poder ser exercido. Aduz, ainda, que a jurisprudência do TST manifesta-se no sentido de que a opção pela compra de ações não proporciona ao trabalhador vantagem de natureza salarial. Em relação à multa, alega que, considerando que as verbas oriundas do exercício da opção de compra de ações não possuem natureza salarial e, portanto, não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não seria cabível a cobrança referente à obrigação acessória. Por fim, pleitea a não incidência de juros sobre multa ofício, tendo em vista que, nos termos do art. 61, caput, apenas os débitos de tributos e contribuições se sujeitam aos juros de mora, além de não ser cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. Ressalta ainda que dois diretores, cujos pagamentos decorrentes do plano de opção de compra de ação foram incluídos na base de cálculo, tinham sido desligados da empresa antes mesmo de findo o prazo de carência, como demonstram as atas de assembléia apresentadas, de modo que tais diretores sequer poderiam ter exercido a opção de compra das ações que lhes foi outorgada. Tal exemplo apenas ratificaria o equívoco da acusação em considerar configurada a ocorrência do fato gerador quando findo o prazo de carência para o exercício da opção de compra das ações. O Recorrente trouxe, ainda, como exemplo, situação em que, durante todo o prazo de carência do plano, o exercício da opção não seria vantajoso, considerando os valores de mercado das ações da Companhia naquele período, de modo que o direito poderia sequer vir a ser exercido. Fl. 615DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 Requerendo ao final o provimento do recurso com a conseqüente determinação de improcedência do presente Auto de Infração. Este Colegiado, por intermédio do Acórdão nº 2401-003.889 (fls. 427/452), por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório e, via de consequência, apresentou declaração de voto nos termos defendidos. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 30/04/2015 (fls 453),a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou, em 09/06/2015 (fls.486), Recurso Especial de Divergência, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de julho de 2009 (fls.454 a 485), o qual tem por objetivo precípuo a uniformização de dissídio de interpretação verificado entre as diversas Turmas do CARF, defendendo, em síntese, que os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviços da empresa, por meio da opção de compra de ações, caracterizam-se como fato gerador de imposto de renda, apresentando inúmeros acórdãos paradigmas da CSRF/CARF que ao analisar situação análoga à dos presentes autos, reconheceu a natureza remuneratória das vantagens auferidas pelos beneficiários. Assim, demonstrada a similitude de situações fáticas, bem como a divergência jurisprudencial, requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja reconhecida a natureza remuneratória das Stock Options, e cancele-se, por decorrência lógica, o acórdão recorrido, a fim de que a Turma a quo prossiga no julgamento dos demais pontos de insurgência. O Contribuinte, reiterando os argumentos expendidos em suas defesas anteriores, apresentou contrarrazões às fls. 507/541 alegando em síntese que nenhum dos itens invocados pela PGFN em socorro de sua tese é indício de suposta natureza salarial; pelo contrário, quando corretamente interpretados indicam que as regras do Plano se direcionam para o cumprimento do seu objetivo de integrar executivos no processo de desenvolvimento da instituição a `médio e longo prazo, facultando-os a participarem das valorizações que seu trabalho e dedicação trouxeram para as ações representativas do capital da Instituição, e não, data venia, como alega a PGFN , para atribuir remuneração variável aos diretores. A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por intermédio do Acórdão nº 9202-006.628 (fls. 550/600), por unanimidade, votou para conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. O Contribuinte foi intimado do resultado do julgamento em 06/09/2018 (fls. 607), após o processo retornou a este Colegiado. Fl. 616DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 É o relatório. Voto O Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. DO MÉRITO Conforme já mencionado, alhures, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por intermédio do Acórdão nº 9202-006.628 (fls. 550/600), por unanimidade, votou para conhecer do Recurso Especial proposto pela PGFN e no mérito, por voto de qualidade, acordaram em dar-lhe provimento, adotando o entendimento de que os planos de opções de compra de ações outorgados pelo Recorrente a seus administradores configuram remuneração e, como tal, sujeitam-se à incidência da contribuição previdenciária patronal, razão pela qual, determinou-se o retorno dos autos a este Colegiado, para apreciação das demais questões, pendentes de pronunciamento, constantes do recurso voluntário. Assim, em análise do recurso voluntário, para identificar as matérias remanescentes que foram devolvidas para julgamento, verificou-se que está pendente de análise e manifestação deste Colegiado as seguintes razões recursais: 2.1) momento de indicação do fato gerador e, 2.2) não incidência de juros sobre a multa de ofício. Assim, passamos à análise das mencionadas alegações. 2.1) momento de indicação do fato gerador. Cumpre registrar que o entendimento sobre os fatos em comento, já foi manifestado em caso análogo, envolvendo o mesmo Contribuinte, nos autos do Processo nº 16327.721356/2012-80, de relatoria do Ilustre Conselheiro Dr Rayd Santana Ferreira, razão pela qual adoto as mesmas razões de decidir, com eventuais alterações Impende salientar que tendo em vista que a natureza salarial foi caracterizada pela d. Câmara Superior, cumpre-nos, manifestar sobre a alegação relacionada ao momento da indicação do fato gerador. A tese que ora se defende, parte da premissa que o fato gerador aperfeiçoa-se no momento em que há o exercício das opções de compra das ações (até então não há vantagens financeiras ao beneficiários das opções, em razão das vedações pactuadas em contratos ) , pois é neste momento que se configura a remuneração sob forma de utilidade, e via de consequência, é à partir deste momento que o beneficiário pode usufruir das vantagens advindas da aquisição do ativo financeiro. Fl. 617DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 Razão pela qual entendo que a Ilustre Autoridade Lançadora agiu de forma equivocada na indicação da ocorrência do fato gerador. Assim, assiste razão ao Recorrente. Esse entendimento é reforçado por inúmeros julgados, consoante se observa do voto condutor do Acórdão n° 2401-003.891, da lavra da Ilustre Conselheira Drª Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, exarado por esta Colenda Turma nos autos do processo n° 16327.721267/2012-33, in verbis: Contudo, não tenho como concordar com a premissa trazida pelo auditor, qual seja: "data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador". Até poderíamos acatar, conforme indicado no relatório, que o fato gerador ocorreria na data do vencimento da carência, partindo do raciocínio de que no presente caso, ocorreria a carência antecipada, porém não foi essa a indicação da autoridade fiscal, mas a de que o fato gerador ocorreria independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. O que se conclui do raciocínio ali exposto é que exercendo ou não, o valor da ação seria automaticamente incorporado ao patrimônio do trabalhador, seja empregado ou contribuinte individual, afastando qualquer ato de vontade deste. Não entendo ser possível levar como correto esse raciocínio, pois se acatássemos, estaríamos desconstruindo o pagamento como "outorga de ações", desconsiderando tudo narrado pelo auditor e partido da premissa de que os pagamentos seriam simplesmente prêmios, ou gratificações. (...) Face o exposto, entendo existir um erro essencial na constituição do lançamento, qual seja, a indevida indicação dos fatos geradores, que pela forma trazida pela autoridade fiscal, impossibilitam dizer se os valores lançados correspondem apenas ao ganho obtido sobre ações exercidas, ou foram lançadas as totalidades de valores, independentemente do exercício, razão pela qual, nessa parte entendo exista um vício no lançamento que inviabiliza a manutenção do lançamento na forma como lançado Na mesma linha de entendimento, transcrevo excerto exarado pelo Ilustre Conselheiro Dr. Cleberson Alex Friees no bojo do Acórdão n° 2401-004.861, de 6 de junho de 2017, senão vejamos: (...) Quanto ao fato gerador, aperfeiçoa-se no momento no qual há o exercício das opções de compra das ações, pois configurada a remuneração sob a forma de utilidade, a partir do qual o beneficiário pode fruir as vantagens advindas da aquisição do ativo financeiro. Até então, não há qualquer vantagem econômica ao beneficiário das opções, dadas as restrições contratuais existentes. Dessa maneira, correto o procedimento fiscal que considera a data de ocorrência do fato gerador "aquela em que houve o exercício das opções", levando em conta a base de cálculo como a diferença entre "o valor das contribuições para aquisição das ações, estipulado nos contratos e atualizado até a data da compra, (...), e o valor de mercado das ações na data de liquidação financeira das referidas aquisições" (item 14, às fls. 65/66). (...) (grifo nosso) Nesse diapasão, podemos citar, ainda, os Acórdãos n° 2301-004.973, 2202- 003.510, 2402-005.781, entre diversos outros. Saliente-se ainda, que a prórpia PFN reconhece tal entendimento. Fl. 618DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.796 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721357/2012-24 Assim, é inequívoca a improcedência do lançamento. Registre-se que, considerando a improcedência do feito, abstenho-me de apreciar as demais questões devolvidas pela Câmara Superior (JUROS SOBRE A MULTA), pelas razões acima narradas, o que leva a improcedência do demais autos de infração (obrigação acessória), lavrados no presente processo. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER DO RECURSO e no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Fl. 619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10516.000042/2010-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 17/01/2008
IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE AUTOMÓVEL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA.
Nos termos do entendimento firmado no RE nº 723.651/PR, "incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtos nacionais e estrangeiros.
Entendimento de reprodução obrigatória neste Tribunal Administrativo por força do §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/01/2008
IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. FRAUDE.
Comprovada pela fiscalização a prática de fraude, tanto pelo importador quanto pela empresa contratada para assessorar a importação, na Declaração de Importação através do registro de valor menor que o efetivamente pago, cabível a multa qualificada prevista no art. 44, I, §1º da Lei no 9.430/96.
Numero da decisão: 3001-000.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 17/01/2008 IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE AUTOMÓVEL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA. Nos termos do entendimento firmado no RE nº 723.651/PR, "incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtos nacionais e estrangeiros. Entendimento de reprodução obrigatória neste Tribunal Administrativo por força do §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/01/2008 IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. FRAUDE. Comprovada pela fiscalização a prática de fraude, tanto pelo importador quanto pela empresa contratada para assessorar a importação, na Declaração de Importação através do registro de valor menor que o efetivamente pago, cabível a multa qualificada prevista no art. 44, I, §1º da Lei no 9.430/96.
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OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE AUTOMÓVEL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA. Nos termos do entendimento firmado no RE nº 723.651/PR, "incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratarse de consumidor final", não havendo violação ao princípio da nãocumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtos nacionais e estrangeiros. Entendimento de reprodução obrigatória neste Tribunal Administrativo por força do §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/01/2008 IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. FRAUDE. Comprovada pela fiscalização a prática de fraude, tanto pelo importador quanto pela empresa contratada para assessorar a importação, na Declaração de Importação através do registro de valor menor que o efetivamente pago, cabível a multa qualificada prevista no art. 44, I, §1º da Lei no 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 00 00 42 /2 01 0- 74 Fl. 468DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 114.831,01 (cento e catorze mil, oitocentos e trinta e um centavos), referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep incidentes na importação, acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além da multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Ressaltase que a Inspetoria de Porto Alegre considerou apenas impugnados os débitos referentes ao IPI na importação e à multa proporcional ao valor aduaneiro, não passível de redução (fls. 254). O crédito tributário correspondente à parte do Auto de Infração que não foi impugnado foi declarado definitivo na esfera administrativa e transferido para o processo nº 11080.723944/201193. Os Autos de Infração (fls. 02 a 24) foram lavrados em 13/12/2010 contra a pessoa física e o responsável solidário CONVECTOR DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (CNPJ n.º 05.832.157/000105), de acordo com o Termo de Sujeição Passiva Solidária 020/2010 de fls. 195. Estabelecido o litígio, o processo foi encaminhado a julgamento em 30/09/2013 (fls. 255). Em 18/12/2013 esta 1ª Turma de Julgamento proferiu o Acórdão nº 0733.711 por meio do qual, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado (fls. 257 a 274). Intimado do resultado do julgamento (fls. 277) o interessado apresentou, perante o Poder Judiciário, a Reclamação nº 17.176 (fls. 302 a 306) na qual alega descumprimento de decisão do Supremo Tribunal Federal que deferiu pedido de medida liminar nos autos da Ação Cautelar nº 3.091MC/RS, de autoria de CONVECTOR DISTRIBUIÇÃO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, ajuizada visando atribuir efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.71.00.0243287/RS, no qual as impetrantes questionam validade de diligência fiscal efetuada pela fiscalização aduaneira em 11/06/2008 na sede da empresa. Referida medida liminar assim determinou, em 19/03/2012 (fls.279 a 285): “em ordem a suspender, cautelarmente, até final julgamento do recurso extraordinário em questão, ‘qualquer processo, administrativo e/ou judicial, bem assim todo e qualquer procedimento investigativo inquisitorial em curso, que Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10516.000042/201074 Acórdão n.º 3001000.904 S3C0T1 Fl. 3 3 tramitem ou venham a tramitar perante qualquer instância de Poder, relacionados e/ou embasados, direta ou indiretamente, mediata ou imediatamente, nas provas coletadas com ofensa aos direitos e garantias fundamentais’ (Grifado)” Em 26/02/2014 foi emitido “Termo de Suspensão” do presente processo (fls. 307), sendo este encaminhado a esta DRJ/Florianópolis para que se analisasse a validade do Acórdão nº 0733.711, de 18/12/2013 (fls. 310 e 309). Verificouse que desde 19/03/2012 havia a favor do interessado decisão liminar do Supremo Tribunal Federal para que se suspendesse o presente processo administrativo fiscal, haja vista, de acordo com os autos, ser albergado por aquela decisão. Todavia, somente posteriormente à proferição do Acórdão nº 0733.711, em 18/12/2013, essas informações passaram a instruir os autos e a tramitação do processo foi suspensa. Assim, em cumprimento à decisão liminar do Ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, nos autos da Medida Cautelar Fiscal nº 3.091/RS, de 19/03/2012, e tendo em vista a proferição do Acórdão nº 0733.711, em 18/12/2013, referido Acórdão nº 0733.711 foi tornado nulo em 28/02/2014 em Resolução nº 7000.052 da 1ª Turma da DRJ/Florianopolis (fls. 311/312). Na mesma data, em 28/02/2014, o interessado impetrou Recurso Voluntário ao CARF (fls 314). Porém, como foi tornado nulo o Acórdão nº 0733.711, ficou prejudicado o encaminhamento do recurso voluntário para apreciação (fls. 369). O processo permaneceu na Inspetoria de Porto Alegre até o final do julgamento do recurso extraordinário decorrente do MS nº 2008.71.00.0142387/RS, conforme a liminar do STF. Em 15/10/2015 o presente processo ficou apto a prosseguir seu trâmite administrativo uma vez que o Supremo Tribunal Federal negou provimento à Medida Cautelar nº 3.091/RS (fls. 389). Em 23/12/2015 o presente processo foi encaminhado em devolução a esta DRJ/Florianópolis, para análise e prosseguimento. Segundo relata a fiscalização às fls. 25 a 56, o procedimento fiscal em causa teve por base documentos e arquivos magnéticos coletados em diligência realizada no estabelecimento da empresa CONVECTOR DISTRIBUIÇÃO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Nesta diligência, restou constatado que o automóvel, marca Mazda, modelo CX9, ano 2007 e modelo 2008, chassi JM3TB28A380126114, fabricado no Japão, oriundo dos Estados Unidos da América EUA e introduzido no País através da Declaração de Importação DI n.º 08/00870551, foi importado fraudulentamente, por meio de declaração de valor inferior ao preço efetivamente praticado na referida operação. A referida DI foi registrada na modalidade de importação direta, pelo contribuinte em epígrafe, em 17/01/2008. As autoridades autuantes relatam terem efetuado as seguintes constatações: O Sr. OSCAR LORENZO INZULZA CONCHA (CPF n.º 262.548.13000), diretor comercial da empresa CONVECTOR, foi o responsável pelas negociações comerciais envolvendo a importação do veículo, ao passo que a despachante aduaneira Sra. MÁRCIA LUCIANA VELLOSO DA SILVA (CPF nº 479.028.840 49), diretora operacional da empresa CONVECTOR, registrou a declaração de importação sob apreço, em nome de LEONARDO PAES BORBA. Fl. 470DF CARF MF 4 A aquisição do veículo foi efetuada com a intermediação do Sr. ROSSANO ALANO DIAS DE SOUZA, inscrito no CPF sob n° 547.285.09087, o qual era responsável pela AutoRoads, o website da divisão de veículos da CONVECTOR (autoroads.com.br). A DI foi instruída com a fatura comercial n° Z1261114, de 06/09/2007, emitida em nome do exportador Potamkin Bird Road LLC, empresa com sede nos EUA, com o valor FOB (Free on Board) de US$ 31.322,00, e com o Conhecimento de Transporte Marítimo BL n° MIA 221006286, de 24/11/2007. Não foi informada, na DI, qualquer parcela referente à contratação de seguro internacional. Ao ser intimado a apresentar documentos relativos à operação de importação do veículo (Termo de Intimação n° 120/2010 fls. 80), o Sr. LEONARDO PAES BORBA entregou uma nota de prestação de serviços emitida pela empresa CONVECTOR, no valor de R$15.959,37 e informou que o veículo não estava mais em sua posse. Informou ainda que como a empresa CONVECTOR realizava o pagamento de todas as despesas necessárias à prestação do seu serviço, houve o depósito de valores a seu favor com a consequente prestação de contas, e apresentou os recibos que dispunha, tendo em vista, especialmente, o tempo já transcorrido. Até o presente momento a transferência do veículo ainda não foi efetuada no sistema RENAVAM (fls. 116), ou seja, permanece o Sr. LEONARDO como proprietário. A importação em relevo recebeu da empresa CONVECTOR o número n° 163/07, com data de início em 05/09/2007 (o contato inicial efetivamente ocorreu entre o Sr. ROSSANO, da Autoroads, e o Sr. LEONARDO, em agosto de 2007). Em 28/08/2007 o Sr. ROSSANO troca mensagens eletrônicas com o Sr. LEONARDO, e lhe envia link para que este verificasse a descrição de um veiculo Mazda e o negócio é fechado (fls. 119 e 120). Em 03/09/2007 o contato do revendedor Potamkin Mazda de Miami, Sr. LUIS ALMEIDA, envia correio eletrônico ao Sr. ROSSANO, informandolhe que fará o acompanhamento do processo de aquisição do veículo e lhe pede as especificações exatas do veículo a ser adquirido. Em correspondência datada de 06/09/2007, o Sr. LUIS ALMEIDA informa ao Sr. ROSSANO as características do veículo a ser importado e, bem assim, os acessórios que fariam parte da operação (fls. 152 a 155), sendo que o valor do automóvel, segundo o documento intitulado de “Previsão de Importação Direta” (fls. 163), era de US$39.585,00. Em resposta, o Sr. ROSSANO afirma que gostou e pede os dados bancários e o n° do chassi do carro (fls. 124). Dentre os documentos coletados também foi encontrada planilha excel intitulada “LEONARDO BORBA 16307MAZDA CX9 DEMONSTRATIVO.xls” (fls. 161), de onde se extrai o seguinte demonstrativo: Item de Custo Dólares R$1,92 Valor a declarar sem frete 30.842,00 59.062,43 Valor a declarar com frete 31.592,00 60.498,68 Valor base 33.355,00 63.874,83 Opcionais considerados 5.635,00 10.791,03 Taxa entrega da fábrica 595,00 1.139,43 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10516.000042/201074 Acórdão n.º 3001000.904 S3C0T1 Fl. 4 5 VALOR DA UNIDADE 39.585,00 75.805,28 Os valores do veículo são superiores ao que foi informado na fatura comercial e na DI além do que, em uma negociação FOB, o imposto de consumo e as despesas na origem deveriam ter sido agregados ao valor do automóvel. Em 14/09/2007 o Sr. OSCAR envia mensagem eletrônica ao Sr. LUIS ALMEIDA, com cópia ao Sr. ROSSANO, assunto “Swift comprovante pago Mazda CX9 para Brasil”, informando sobre o pagamento parcial de US$31.322,00 e o saldo a pagar, de US$8.263,10. A diferença entre os valores foi paga mediante remessa ao exterior, à margem do sistema formal de câmbio. Em 23/10/2007 a empresa de seguros Brascorp é contatada, via mensagem eletrônica, para apresentar proposta de seguro do veículo Mazda CX9 e, na seqüência, o Sr. PAULO LUNA, da CONVECTOR, confirma a contratação do prêmio do seguro no valor de US$112,71, para um total segurado de US$37.570,50 fls. 148 a 151. O valor do pagamento do seguro foi omitido no registro da DI. Em 24/10/2007 o Sr. OSCAR (mensagem eletrônica, assunto: Autorización para retirar y embarcar Mazda CX9 azul), informa ao Sr. LUIS ALMEIDA que está enviando a autorização (Export Power of Attorney fls. 152 a 154) para a retirada e embarque do automóvel pelo Sr. RAUL HERNANDEZ, da empresa Caribex Worldwide, contratada e paga por ele (Sr. OSCAR), e pede, ainda, que o kit de reposição seja colocado dentro do carro, em local não visível. Quanto ao pagamento das peças, informa que o valor será enviado pela pessoa encarregada de retirar o carro. Em 01/11/2007 o Sr. ROSSANO informa à CONVECTOR que o pagamento de R$4.074,65, correspondente à 3a etapa do cronograma despesas de embarque e contratação de seguro, e CPMF, será depositado nessa data (mensagem eletrônica, fls. 155). Em 17/01/2008 a DI nº 08/00870551 é registrada e o desembaraço do veículo ocorre no dia 18/01/2008. Foi apurado também que as faturas comerciais que instruíram o despacho aduaneiro do veículo importado (fls. 185/186) foram materialmente falsificadas, visto que foram montadas em arquivos de planilha excel encontrados nos computadores da empresa CONVECTOR. Foi constatado também que tampouco o veículo importado foi adquirido em uma venda para exportação na modalidade FOB, já que as despesas de embarque, frete interno nos Estados Unidos, frete marítimo e despesas na aduana americana não foram pagas pelo exportador que figura na DI, mas sim pela importadora através da CONVECTOR, constando o valor de US$2.503,00, referente a essas despesas (despesas na origem) na tabela intitulada “Previsão de Importação Direta” (fls. 129). Esse fato demonstra que a fatura apresentada não era verdadeira, sendo, portanto, falsa. O valor pago ao agente de carga Sr. RAUL HERNANDEZ, da empresa Caribex Worldwide teria que ser agregado ao valor do veículo, pois se refere a despesas com preparação e embarque do automóvel no exterior e a negociação, segundo a fatura, teria sido efetuada na modalidade FOB. Nos arquivos magnéticos da empresa CONVECTOR, mais precisamente na pasta denominada “CLIENTES” foram encontrados vários documentos relativos à Fl. 472DF CARF MF 6 importação do veículo em relevo (fls. 169 a 173), dentre eles a procuração por meio da qual o importador LEONARDO BORBA nomeia o Sr. RAUL HERNANDEZ, da empresa CARIBEX WORLDWIDE, para representálo perante a aduana norte americana e conduzir todas as operações necessárias à exportação do referido veículo. A CONVECTOR contratou a empresa Caribex Worldwide para retirar o veículo na revenda, providenciar os documentos para apresentar à aduana americana, e outras atividades inerentes ao embarque, mas o pagamento a esses serviços não constou na fatura, e sim foi enviado pelo importador, por outra maneira que não a remessa cambial regular. Houve a redução da base de cálculo dos tributos incidentes na importação do veículo em comento, com a remessa de valores à margem do controle cambial, valores esses que deveriam integrar o valor aduaneiro. No caso presente, restou prejudicada a aplicação da pena de perdimento, tendo em vista a transferência do veículo sem que se tenha constatado a participação do terceiro adquirente nas negociações para importação ou qualquer outra vinculação com a operação fraudulenta. Segundo informação do importador, este veículo está na posse de Ricardo Wagner Araujo Cristo, inscrito no CPF sob n° 578.332.49068, que nada teve a ver com a importação. Às folhas 101, o Sr. LEONARDO BORBA, em resposta ao Termo de intimação de fls. 98, informa que o veiculo está na posse de Ricardo Wagner Araujo Cristo, com endereço na Rua Lua de Prata 92, bairro Barra da Tijuca, Cep 22793420, Rio de Janeiro/RJ, promitente comprador, desde 04/10/2010. Documento encontrado nos arquivos da empresa CONVECTOR, denominado DECLARAÇÃO, emitido pela despachante aduaneira MÁRCIA VELLOSO (fls. 140), declara que o veículo Mazda foi importado diretamente pelo seu proprietário, Sr. LEONARDO BORBA, pelo valor total da operação de R$185.243,11, valor este muito maior do que o valor aduaneiro. Assim, foram lançadas as diferenças dos tributos incidentes (imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação e Cofins importação), acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios. Foi proposta ainda no auto de infração a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria determinado pela Fiscalização R$73.417,49 (Artigo 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76), por ser mais benéfica ao autuado se comparada à multa de 100% da diferença entre o valor declarado e o valor aduaneiro da mercadoria (Artigo 88, parágrafo único da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001) e à multa de 100% do valor comercial das mercadorias (artigo 83, inciso I; da Lei n° 4.502/64). Nos termos da Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008, formalizase em auto apartado a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. Regularmente cientificados dos autos de infração, LEONARDO PAES BORBA, irresignado, apresentou, em 18/01/2011, impugnação de fls. 203 a 215, onde expõe: O impugnante, seduzido pela oportunidade de adquirir um veículo "importado", confiou na expertise oferecida pela CONVECTOR. Em várias passagens do auto de infração, foi analisado que a responsabilidade pela importação era da CONVECTOR, sendo que, inclusive, o impugnante jamais efetuou quaisquer pagamentos, declarações, contatos ou diligências junto aos órgãos responsáveis pela tramitação da importação, assim como junto aos órgãos aduaneiros e fazendários. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10516.000042/201074 Acórdão n.º 3001000.904 S3C0T1 Fl. 5 7 A decisão recorrida está amparada em presunção ilegal. Não há nos autos qualquer informação, indício ou elemento de prova que possa lastrear a sua conclusão. Meras ilações e presunções não são fontes aptas a sustentar a aplicação da penalidade. Para aplicação da referida multa punitiva há a necessidade de se demonstrar o dolo, ou, no mínimo, a máfé do ora impugnante. Ao importador não pode ser imposta a penalidade ora impugnada visto que não contribuiu em quaisquer fases da importação, especificamente das declarações ou recolhimento dos impostos. Em momento algum optou por declarar valor inferior, muito menos, como destacado no auto de infração, em "fabricar" documentos para apresentar à aduana. Na seara dos ilícitos tributários, consubstanciado no elemento fraude, impõese a demonstração do agir doloso ou, ao menos culposo, do agente. Não é o presente caso, no qual toda a construção do ilícito vem lastreada unicamente na conduta da empresa CONVECTOR, para a qual não concorreu o impugnante. Segundo interpretação dos Tribunais superiores para os casos de bens importados por pessoa física, destinados ao uso próprio do importador, como no presente caso, não haverá incidência do IPI. Requer seja provida a presente impugnação, para afastar a multa punitiva em razão da absoluta ausência de demonstração de dolo ou culpa e seja reconhecida a não incidência IPI, com o reconhecimento, desde já, da compensação dos valores já recolhidos a título de IPI. A empresa CONVECTOR DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, apresentou, em 20/01/2011, a impugnação de fls. 219 a 227, onde expõe: O conjunto de documentos e arquivos magnéticos que foram coligidos pela fiscalização, durante diligência realizada na empresa CONVECTOR, foi obtido de forma ilícita porque foi apreendido ao desamparo de mandado de busca e apreensão judicial, malferindo as disposições contidas nos incisos X, XII e LVI do artigo 5º da Carta da República; Aduz que, na importação em causa, os tributos foram recolhidos integralmente e o procedimento de nacionalização do veículo importado deuse sob rigorosa fiscalização das autoridades aduaneiras, em razão de que entende ser improcedente a ação fiscal ora atacada porque foi realizada quando decorridos mais de dois anos depois de ter havido o desembaraço; Critica, de modo geral, o que considera serem exorbitâncias praticadas pelo Fisco, aduzindo que, por referirse à aquisição de veículo importado por pessoa física e para uso próprio, deveria a Receita Federal até restituir à importadora o valor pago a título de IPI, a teor do entendimento já veiculado pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em conta o princípio da nãocumulatividade, expresso nos termos do art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal (RE 255.682 AgR/RS e RE 272.230 Agr/SP). Cita as disposições contidas no caput e no inciso VII do art. 2º e, bem assim, no caput e no inciso II do art. 50, todos da Lei n.º 9.784, de 1999, e reclama que a fiscalização não apresentou o motivo de fato e de direito que ensejou a diligência realizada na CONVECTOR, o que torna nulo, a seu ver, o Termo de Realização de Diligência / MPF – D 10154002008000450 e, por via de conseqüência, contamina Fl. 474DF CARF MF 8 também de nulidade o Termo de Sujeição Passiva Solidária n.º 020/2010, lavrados pelas autoridades autuantes. “Da mesma forma os Agentes da Receita Federal atendendo e relembrando seu compromisso e obrigação funcional, deveriam chamar o contribuinte importador para instruirlo a requerer a devolução do valor recolhido a mais com relação ao cálculo e pagamento da Contribuição PIS e COFINS, que como previsto na parte final da Lei nº 10.685/2004, o cálculo destes tributos é sobre o Valor Aduaneiro, desconsiderado para o efeito da base de cálculo o valor do Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias, Prestação de Serviços Transporte Interestadual e Intermunicipal e de comunicação, assim como o valor das próprias contribuições. Sendo que este procedimento de cálculo está definido no art. 149, § 2, Inciso Ill da Constituição Federal, de tal forma que qualquer cálculo que não atenda a esses conceitos fere o mencionado dispositivo constitucional.” (sic). Cita as disposições contidas no art. 37 da Lei n.º 9.784, de 1999, como fundamento para requerer a juntada aos autos do registro de todos os dados e valores relativos a veículos automotores, com motor de gasolina de 3.500 cc de cilindrada, NCM 8703.24.10, iguais ou similares ao veículo de que trata o presente processo, que tenham sido desembaraçados e liberados pela Alfândega da Receita Federal do Brasil, nos cinco anos anteriores ao dia 13/03/2008, nas dez principais unidades aduaneiras do Brasil. Acrescenta que é tal o poder que se outorgam e o desprezo pelo cidadão e contribuinte que no mesmo dia da Diligência, um dos Agentes permitiuse assediar com fins escusos, por email particular, a uma das colaboradoras, utilizandose para tal das informações privativas recém tomadas da empresa (cópia da mensagem do e mail em anexo). Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer, em síntese, que seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária n.º 020/2010, nos termos do caput e do inciso VII do art. 2º e, bem assim, nos termos do caput e do inciso II do art. 50, todos da Lei n.º 9.784, de 1999, ou cancelado referido termo, em face da disposição contida no inciso III do art. 100 do Código Tributário Nacional, reconhecendose a ilegitimidade da CONVECTOR para figurar como responsável solidário no pagamento do crédito tributário ora exigido.”. A DRJ de Florianópolis julgou procedente a impugnação, mantendo o lançamento do auto de infração conforme Acórdão no 1297.870 a seguir transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/01/2008 SUBFATURAMENTO. FATURA FALSA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Constatado o subfaturamento é cabível a exigência do pagamento dos tributos que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa qualificada e juros moratórios. REVISÃO ADUANEIRA. A legislação de regência autoriza a revisão aduaneira das informações prestadas na declaração de importação, ainda que esta tenha sido objeto de conferência por ocasião do desembaraço das mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10516.000042/201074 Acórdão n.º 3001000.904 S3C0T1 Fl. 6 9 Indeferese o pedido de diligência consistente na juntada de documentos relativos a outras importações quando a elucidação do litígio depende tão somente do exame dos elementos probatórios representativos dos dados e fatos referentes à importação que deu causa ao lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. CONCURSO DE PESSOAS. Comprovado nos autos que tanto o importador quanto a empresa que assessorou a importação concorreram para a prática da fraude apurada pela fiscalização, ambos devem responder pelo pagamento dos gravames não recolhidos e demais consectários legais, respectivamente, como contribuinte e responsável solidário. LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. FATO GERADOR. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que fica impossibilitada a aplicação da penalidade prevista. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Destaquese que a decisão de piso decidiu ser indevida a penalidade correspondente a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro aplicada com fundamento no art. 23, §3º do Decretolei no 1455/76 tendo em vista que o veículo importado poderia ter sido localizado. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância mantendo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação e rebatendo o que foi decidido pelo Acórdão de Impugnação. Outro ponto relevante para a presente demanda é que a empresa CONVECTOR – DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não apresentou recurso a esta instância administrativa, motivo pelo qual foi lavrado o Termo de Perempção de efl. 448. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Fl. 476DF CARF MF 10 Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento do lançamento do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) devido na importação de veículo automotor realizada por pessoa física e da qualificação da multa de ofício alcançado o a alíquota de 150%. Inicialmente a recorrente alega que não cabe a incidência do IPI sobre a importação de automóvel para uso pessoal feito por particular. Para fundamentar suas alegações, apresenta algumas decisões de Tribunais Superiores que decidiram pela não incidência do IPI na importação de veículo destinado a uso próprio, aplicando, para isso, o princípio da nãocumulatividade previsto no art. 153, §3º, II da Constituição Federal. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, alterando a jurisprudência até então pacificada, em sede de repercussão geral, passou a adotar o seguinte entendimento a respeito da matéria: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IMPORTAÇÃO DE BENS PARA USO PRÓPRIO – CONSUMIDOR FINAL. Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratarse de consumidor final". (RE nº 723.651/PR; Data: 04/02/2016; Relator: Ministro Marco Aurélio) Como se depreende do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio, firmou entendimento de que o IPI é devido na importação de veículo automotor, sem que haja qualquer ofensa ao princípio da nãocumulatividade nesta operação. Outro ponto tocado pela voto concerne a isonomia entre os produtos nacionais e estrangeiros, nos seguintes termos: Surgem, ainda, questões afetas ao almejado tratamento igualitário e à harmonia de valores. Em primeiro lugar, considerese que, ocorrendo a produção em território nacional, há a incidência do tributo. Políticas de mercado, visando a isonomia, devem ser conducentes a homenagear, tanto quanto possível, a circulação dos produtos nacionais, sem prejuízo, evidentemente, do fenômeno no tocante aos estrangeiros. A situação estaria invertida se, simplesmente, desprezandose a regência constitucional e legal, fosse assentado que não incide o imposto em produtos industrializados de origem estrangeira, fabricados fora do país e neste introduzido via importação. Portanto, nos termos do §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, é de reprodução obrigatória pelos Conselheiros desse Tribunal Administrativo as decisões Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10516.000042/201074 Acórdão n.º 3001000.904 S3C0T1 Fl. 7 11 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral nos termos do art. 543 B e 543C da Lei no 5.869/73 ou dos arts. 1.036 a 1041 da Lei no 13.105/15, motivo pelo qual não deve prosperar a alegação da Recorrente de que não cabe a incidência de IPI na importação de veículo automotor realizada por pessoa física. O segundo ponto objeto da presente demanda versa sobre a majoração da multa de ofício ao patamar de 150% pela fiscalização tendo em vista a constatação da ocorrência de fraude nas faturas comerciais apresentadas à Receita Federal do Brasil quando da nacionalização do veículo. O acórdão de impugnação assim decidiu a respeito da questão: Quanto ao mérito, os documentos e os dados relativos à operação de importação sob apreço, ao contrário do que alega a defesa, demonstram claramente a intenção fraudadora dos autuados. Em documento encontrado nos arquivos da empresa CONVECTOR – DISTRIBUIÇÃO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, denominado DECLARAÇÃO, emitido pela despachante aduaneira MÁRCIA VELLOSO (fls. 141), esta declara que o veiculo Mazda foi importado diretamente pelo seu proprietário, Sr. LEONARDO BORBA, pelo valor total da operação de R$ 185.243,11, valor este muito maior do que o valor aduaneiro calculado pela Fiscalização em R$73.417,49 (fls. 49/50). Verificase, ainda, que o importador LEONARDO PAES BORBA não nega ter se servido da intermediação da empresa CONVECTOR – DISTRIBUIÇÃO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, para realizar a importação em causa. O importador LEONARDO PAES BORBA tampouco nega ter recebido a correspondência datada de 06/09/2007 (fls. 124 a 126) e que lhe fora enviada pelo responsável pelo website da divisão de veículos da CONVECTOR, Sr. ROSSANO, informandoo das características do veículo a ser importado e, bem assim, dos acessórios que fariam parte da operação. O valor unitário do automóvel, segundo o documento constante desta correspondência e intitulado de “Previsão de Importação Direta” (fls. 127 a 129), monta a US$ 39.585,00. Isto é, o importador LEONARDO PAES BORBA sabia que o preço do automóvel importado (valor unitário) não seria inferior a US$ 39.585,00, e, no entanto, declarou na DI n.º 08/00870551 (fls. 182 a 184) o veículo no valor de US$ 31.322,00. Ora, a prova da anuência e da participação do impugnante no esquema fraudulento materializase com a própria declaração de importação e com o recebimento do veículo pelo preço subfaturado, e não importa que o autuado tenha deixado ao encargo da empresa CONVECTOR a intermediação da operação. Temos ainda que os documentos às fls 178 e 179 demonstram pagamento em duas etapas, confirmando o valor de aquisição de US$39.585,00, o que deixa claro a existência de um pagamento à margem do controle cambial, para completar o valor do veículo. A prova da remessa de parte do preço pago pelo veículo à margem do controle cambial é um indício não menos válido do que a prova direta, eis que, em face dos documentos juntados pelas autoridades autuantes e do próprio desembaraço do veículo por um preço inferior àquele que foi cotado pelo exportador, é razoável concluir que as parcelas complementares do preço não declarado foram remetidas Fl. 478DF CARF MF 12 pelo impugnante, com o auxílio da CONVECTOR, para saldar, integralmente, o respectivo pagamento. Ao modificar as características essenciais dos fatos geradores dos tributos incidentes na importação em relevo, de modo a reduzir o montante dos gravames fiscais devidos, os impugnantes incorreram na fraude que se encontra legalmente definida nos termos do art. 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, e que estabelece: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Vejase que o impugnante LEONARDO figura como importador e adquirente dos veículos em questão, sendo, portanto, responsável pelo pagamento dos gravames não recolhidos, na qualidade de contribuinte, de acordo com o previsto na alínea “b” do inciso I do art. 35 da Lei n.º 4.502, de 1964, relativamente ao IPI : Lei n.º 4.502, de 1964 Art . 35. São obrigados ao pagamento do imposto: I como contribuinte originário: ... b) o importador e o arrematante de produtos de procedência estrangeira – com relação aos produtos tributados que importarem ou arrematarem. (Grifado) Ademais, por ter incidido na fraude definida pelo art. 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, deve ser considerada procedente a aplicação da multa qualificada, prevista nos termos do inciso I combinado com o § 1º, ambos, do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação dada pelo artigo 14 da Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, e que determina o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O Recorrente alega em seu recurso voluntário a ausência de dolo ou máfé. Afirma que não há nos autos qualquer informação, indício ou elemento de prova que venha a dar suporte à ocorrência de fraude e, por conseguinte, a majoração da multa. Diz ainda que no presente caso a “construção do ilícito vem lastreada em suposta conduta da empresa Convector, para a qual não concorreu o recorrente”. Por fim, aduz que, em face da ausência de sua participação em todo o arranjo da importação, com evidente ausência de dolo ou culpa, são inaplicáveis as multas decorrentes de fraudes. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10516.000042/201074 Acórdão n.º 3001000.904 S3C0T1 Fl. 8 13 Primeiramente cumpre destacar que o Recorrente não nega ter se servido da intermediação da empresa CONVECTOR – DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORRTAÇÃO LTDA para realização da importação do veículo objeto da presente demanda. O recorrente também não nega em seu recurso que tenha recebido as correspondências datadas de 28/08/2007 (fechando negócio) e de 06/09/2007 com os arquivos de cronograma e proposta na qual consta o valor de US$39,585.00 e não a quantia declarada de US$31,322.00. Portanto, com esses dados fica evidente que o Recorrente tinha conhecimento dos valores praticados na referida operação de aquisição do veículo a ser importado. Constatase ainda, como elemento probante tanto da redução do valor do veículo aposto na DI 08/00870551 quanto do conhecimento do Recorrente das respectivas operações, os seguintes documentos obtidos junto à CONVECTOR: Demonstrativo de Despesas de Importação (efl. 160); Planilha Previsão de Importação Direta Mazda CX9 Grand Touring 2008 para Leonardo Borba (efl. 163); cópia da procuração consularizada para exportação Export Power of Attorney (efls. 164 a 167), certificado de registro do veículo nos EUA (efl. 169), folha com dados bancários da revenda no exterior, com anotações feitas a mão do valor a ser remetido, cópia do extrato da DI e dos documentos instrutivos do registro da mesma (efls. 181 a 186) e procuração do importador para a despachante MARCIA VELLOSO e para o Sr. OSCAR INZULZA (efls. 189 a 192). Portanto, não restam dúvidas de que o Recorrente tinha conhecimento da operação fraudulenta praticada pela CONVECTOR em seu nome, materializada especialmente com o registro da declaração de importação em valor inferior ao efetivamente praticado na operação, bem como com o efetivo recebimento do veículo subfaturado, não importando, no presente caso se a Recorrente tenha deixado ao encargo da empresa CONVECTOR a intermediação que resultou na prática fraudulenta. Com isso, cabível a Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter na íntegra a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 480DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.724903/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 12/08/2015, 19/08/2015
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.363
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 49 03 /2 01 5- 11 Fl. 341DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.724903/2015-11 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Trata o presente processo da constituição do crédito tributário para exigência dos impostos incidentes sobre operação de comércio exterior, realizada ao amparo da(s) declaração(ões) de importação identificada(s) no auto de infração. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), relata a fiscalização que os lançamentos tributários então efetuados objetivaram a prevenção da decadência dos tributos devidos, haja vista haver a autuada ingressado em juízo, consoante Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, pleiteando a suspensão da exigibilidade dos tributos incidentes sobre as importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e, no art. 141 do Decreto nº 6.759/2009, por meio da qual obteve antecipação de tutela. Cientificada dos lançamentos, a autuada tempestivamente apresentou sua defesa, reafirmando as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, fundamentalmente que: 1. As exigências fiscais seriam descabidas, devendo, pois, serem canceladas, haja vista que a Impugnante não incidira em qualquer falta que ensejasse o auto de infração, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72; este, inclusive, encontrar-se-ia lavrado sem qualquer sanção punitiva; 2. O Fisco teria se utilizado de instrumento inadequado para constituir o crédito, vez que a Impugnante procedeu ao desembaraço dos bens, respaldada por decisão judicial concedida liminarmente; 3. Consoante considerações aduzidas na inicial impetrada em juízo, não incidem tributos nas operações de importação da Impugnante devido à sua condição (imunidades prescritas no art. 150, IV, alínea “c”, e, no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/CF); 4. Por derradeiro, requereu que sua impugnação fosse declarada procedente. Por seu turno, ao enfrentar a matéria, a DRJ declarou a Impugnação Não Conhecida. A decisão proferida registra que a propositura de ação judicial em que se discute objeto idêntico ao da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte ao direito de contestá-la na instância administrativa, cabendo declarar a definitividade das respectivas exigências tributárias, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração, por ser tal via inadequada para a constituição do crédito em questão. Também aduziu a nulidade da decisão recorrida, por não haver concomitância entre os processos administrativo e judicial. No mérito invocou novamente a imunidade tributária (CR/88, arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º). Por fim, requereu a decretação da nulidade da decisão de primeiro grau. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. E Fl. 342DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.724903/2015-11 que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.323, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 15771.722345/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.323): O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo alertar que o pedido para que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório, só pode ser atendido parcialmente, uma vez que não há previsão legal para serem intimados os seus advogados, no respectivo escritório. Inteligência do art. 23 do Decreto nº 70.235, que prevê o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por ser a via inadequada. Dizia que quando ausente a prática de infrações tem o Fisco outro instrumento jurídico para constituir o crédito tributário - a notificação de lançamento. Agora, em sede de recurso voluntário, reprova a mantença do lançamento e reproduz a preliminar trazida anteriormente. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário deveria ser usado. Quando não há obrigatoriedade de utilização de uma forma de lançamento, são legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72: auto de infração ou notificação de lançamento. Dessarte, afasta-se a preliminar de nulidade do auto de infração. DA DECISÃO RECORRIDA Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, por não haver concomitância de processos judicial e administrativo e consequente ausência de renúncia parcial ao contencioso, a recorrente assevera: (...) no processo administrativo pretende a Recorrente obter a desconstituição e o cancelamento da autuação em razão da não incidência do IPI, II, PIS/PASEP E COFINS na operação de importação de bens do exterior realizada por meio da DI n.º 17/0935234-7. O objeto em discussão no presente caso, portanto, trata tão somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos em determinada operação efetuada pela Recorrente. Fl. 343DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.724903/2015-11 Por outro lado, na ação judicial ajuizada anteriormente, discute-se o reconhecimento da imunidade latu sensu da Recorrente. Em outras palavras, pretende a Recorrente obter o reconhecimento de que, por ser entidade de assistência social, goza de imunidade constitucional. Cumpre ressaltar que tal imunidade foi devidamente reconhecida em sede de tutela antecipada e confirmada pela sentença proferida no caso. Logo a seguir, a recorrente parte para o mérito da lide administrativa, e apresenta o seguinte título: Da imunidade da Recorrente e sua extensão aos tributos incidentes na importação. Ora, a contradição é evidente! Em sede administrativa diz tratar somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos, porém o único argumento para tanto é justamente a imunidade, objeto por excelência da disputa judicial. Não há como enfrentar o mérito da lide sem passar por matéria que está sob análise do Poder Judiciário! Aliás, é bom rememorar que o auto de infração sub analisis foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Dito isso, entendo por afastar também a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Superadas as preliminares, passar-se-ia a analisar a matéria de fundo, todavia, como se viu no item supra, a alegação de imunidade tributária é causa de pedir da Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, que tem por objeto justamente ficar livre das exigências tributárias de que trata o presente contencioso. Corolário disso, falta competência a este Colegiado para apreciar tal matéria neste expediente, razão por que não se conhece da imunidade da recorrente. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas e negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919492/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA DESVINCULAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE
O art. 9º da IN RFB nº 1.110/10 autoriza a retificação da DCTF para alteração da vinculação de créditos a débitos.
Numero da decisão: 3301-006.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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POSSIBILIDADE O art. 9º da IN RFB nº 1.110/10 autoriza a retificação da DCTF para alteração da vinculação de créditos a débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 94 92 /2 01 2- 01 Fl. 165DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.542 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.919492/2012-01 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, por meio da qual pleiteia-se o reconhecimento do direito creditório relativo a PIS, bem como a compensação do(s) débito(s) discriminado(s). De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e desde que não haja alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que o débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado a nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. Por seu turno, a DRJ designada julgou a manifestação de inconformidade improcedente, assentando o entendimento de que na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. O processo foi pautado e trazido para julgamento, ocasião em que este Colegiado decidiu pela realização de diligência, para que a unidade de origem verificasse na DCTF ‘ativa’ se o crédito apontado teria sido ou não vinculado ao débito alegado pela Unidade de Origem. O relatório de diligência, em síntese, confirma que na DCTF “ativa” do período de apuração (PA) apontado não consta crédito vinculado ao débito alegado. Não obstante, informou que o sistema “SIEF Fiscal” vinculou o outro pagamento àquele débito. Adicionalmente, consignou que o contribuinte não poderia retificar DCTF para desvincular crédito de débito declarado, com o intuito de incluí-lo em parcelamento da Lei nº 11.941/09. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.542 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.919492/2012-01 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.535, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.535): O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. De pronto, consigno que não conheço dos seguintes pedidos da recorrente, por serem estranhos ao feito em debate: inclusão do débito de R$ 172.020,11 no parcelamento da Lei nº 11.941/09 e consequente extinção do processo administrativo nº 10680.921484/2012-16, por meio do qual está sendo operada a cobrança. Trata-se de retorno de diligência, de cujo voto reproduzo o trecho principal: “(. . .) Trata-se de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). O DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculá-lo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 167DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.542 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.919492/2012-01 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 - em vigor na data da retificação da DCTF): ‘Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)’ Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que, na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. (. . .)” A diligência foi efetuada e o relatório encontra-se nos autos (fls. 153 a 156). O auditor responsável relata que foram transmitidas duas DCTF retificadoras, a primeira, em 26/03/11, e a segunda, em 20/04/11. Confirmou que não consta crédito vinculado ao débito de COFINS de R$ 172.020,11 na DCTF “ativa” do período de apuração (PA) de agosto de 2007. Não obstante, informou que o sistema SIEF Fiscal “aloca automaticamente pagamentos e declarações de compensação que se refiram a um débito ou parte dele, mesmo que a vinculação não seja informada na DCTF”. E que tal rotina teria vinculado o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Por fim, apesar de não constituir matéria do processo, dispôs que o contribuinte não poderia retificar a DCTF para desvincular o pagamento de débito outrora declarado em DCTF, com o intuito de incluí-lo no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Ao exame da defesa e da diligência. Reitero o que consignei na Resolução nº 3301-000.925, o que, em conjunto com o resultado da diligência, faz-me propor o provimento do recurso voluntário. Inicio com a íntegra do art. 9º da IN RFB nº 1.110/10: “Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os Fl. 168DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.542 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.919492/2012-01 valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador.” (g.n.) Da leitura do § 1º do art. 9º da IN RFB nº 1.110/10 (em vigor nas datas das retificações das DCTF), não resta dúvida de que o contribuinte está autorizado a retificar a DCTF para alterar a vinculação de créditos a débitos. Nos autos, não consta ter sido verificada qualquer uma das ocorrências previstas no art. 9º que pudesse invalidar a DCTF retificadora, o que se confirma pelo fato de a diligência ter mencionado que está “ativa” a DCTF retificadora em que figura o débito de COFINS de R$ 172.020,11 e nenhum crédito a ele vinculado. E, entre tais ocorrências, também não se encontra a levantada pelo agente responsável pela diligência: a eventual impossibilidade de inclusão do débito em parcelamento não torna sem efeito a DCTF retificadora que efetivou a desvinculação do crédito a débitos. Por fim, não há legislação que autorize o Fisco a efetuar “vinculações automáticas” de créditos e débitos, em detrimento do que anteriormente tenha sido incidcado em DCTF. Portanto, reconheço o direito creditório de R$ 225. 172,22. Conclusão Conheço parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, dou provimento. Fl. 169DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.542 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.919492/2012-01 É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13674.000171/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 2 compreende-se que nesta esfera administrativa não há competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS.
Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 2 compreende-se que nesta esfera administrativa não há competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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COMPETÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 2 compreende-se que nesta esfera administrativa não há competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 69 a 79) interposto pelo Contribuinte, em 16 de março de 2009, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02-20.303 (fls. 53 a 60), de 9 de dezembro de 2008, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) – DRJ/BHE – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 27 a 43) apresentada pelo Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 4. 00 01 71 /2 00 7- 32 Fl. 92DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.522 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13674.000171/2007-32 Com o objetivo de auxiliar no esclarecimentos dos fatos e de direito, bem como, por economia processual, cito o relatório do referido acórdão: A contribuinte aqui identificada requereu em 18/10/2007 junto à Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG, a restituição de valores recolhidos a título de Cofins nos períodos de apuração de out/2002 a dez/2004, alegando se constituir em consumidora final de combustível e fazendo referência à Lei 9.990/2000 (fls. 01/10). Posteriormente transmitiu a Dcomp de fls. 21, para uso do mesmo crédito. A DRF Divinópolis, por intermédio do Despacho Decisório de 03/01/2008, à fl. 22, indeferiu o pedido por absoluta inexistência do crédito, não homologando a compensação. Cientificada da decisão em 18/01/2008 (fl. 23), a contribuinte manifestou sua inconformidade, às fls. 24/40, alegando, em síntese: sob o título "Breve Síntese dos Fatos", informa que apresentou pedido de restituição relativo ao pagamento indevido ou a maior, a título de Cofins incidente sobre combustível adquirido por consumidor final, no período de jan/2002 a dez/2004; com as mudanças havidas na legislação, embora nem as distribuidoras e tampouco as refinarias se submetessem mais às regras da substituição tributária do PIS e da Cofins, o certo é que a carga tributária foi mantida inalterada; sob o regime da substituição tributária, a Instrução Normativa SRF n° 6, de 1999, permitia a imediata restituição dos valores de PIS e Cofins pagos em substituição tributária pela ausência de operação no varejo, ex vi artigo 150, § 7°, da Constituição Federal; a partir do momento em que se extinguiu o regime de substituição tributária da Cofins e do PIS e se manteve a mesma carga tributária, passando o encargo tributário a ser exigido embutido no preço praticado pelas refinarias e repassado veladamente aos contribuintes, que não mais puderam requerer o ressarcimento com base na IN SRF n° 6, de 1999, desrespeitou-se o artigo 150, § 7°, da Constituição Federal; subsiste o direito de restituição dos valores de PIS e Cofins pagos nas aquisições de combustíveis diretamente das distribuidoras, pelo encargo tributário veladamente embutido em uma operação inexistente (operação de varejo), em respeito ao preceito contido no § 7° do artigo 150 da Constituição; foi igualmente violado o artigo 110 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN; a extinção da substituição tributária pelas MP n°1.991-15, de 2000, e 2.158-35, de 2001, não encontra amparo legal, porque afronta o disposto no artigo 246 da Constituição que impede que medidas provisórias regulamentem texto da Constituição que tenha sido alterado por emendas constitucionais datadas a partir de janeiro de 1995 até setembro de 2001; sobre os valores requeridos há de ser acrescida a devida atualização monetária, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, retroativa à data de apuração dos valores; - a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem permanecer com exigibilidade suspensa na forma do artigo 151 do C1N, ate decisão final do presente processo, nos termos do artigo 29 do artigo 48, § 3°, da IN SRF n° 600, de 2005. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.522 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13674.000171/2007-32 Voto Conselheiro Valcir Gassen - Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 02-20.303 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Solicitação Indeferida O Contribuinte repisa em seu recurso os argumentos já expostos quando da Manifestação de Inconformidade, conforme consta no Relatório acima. Com isso posto, cito trechos do recurso para esclarecer o seu entendimento quanto ao alegado direito a restituição de crédito de PIS e COFINS (fls. 70 e seguintes): citado art. 150, § 7°, da Lex Fundamentalis. Melhor explicando, as distribuidoras de 1212/95, posteriormente convertida na Lei PIS, - 43, - é que a CARGA TRIBUTARIA FOI MANTIDA INALTERADA. (...) - Fl. 94DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.522 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13674.000171/2007-32 a fim de a PIS e de venda inexistente. Ou seja, verdadeiro locupletamento sem causa, permissa venia. (...) distribuidores. - - - (...) — Ex Positis, conhecer e julgar O argumento central do Contribuinte, em que requer a restituição de pagamento indevido ou a maior das contribuições ao PIS e COFINS, é de que a legislação contraria o disposto na Constituição Federal, isto é, são inconstitucionais. Com a devida vênia aos argumentos do Contribuinte, não cabe a este Conselho administrativo discutir a inconstitucionalidade de atos normativos, matéria já sumulada desta forma: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Para reforçar esse entendimento, cito também trechos da decisão ora recorrida, como razões para decidir, que enfrenta todas as questões fáticas e de direito acerca da matéria: -15, de 2000, e 2.158-35, de 2001, do r distribuidoras de Fl. 95DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.522 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13674.000171/2007-32 diretamente da distribuidora, procedeu a minucioso exame, reproduzido a seguir, dos dispositivos legais editados ao longo do tempo ac (...) Portanto, a partir de 1° de julho de 2000, nos termos do artigo 3° da Lei n° 9.990, d - - c varejistas. - - , cessaram, de imediato, seus efeitos. - - - da - a constitucionalidade das (...). Do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 96DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.522 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13674.000171/2007-32 Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.724070/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.257
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. O colegiado a quo entendeu que o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal a título de incentivo fiscal constitui receita tributável que deve integrar a base de crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal a título de incentivo fiscal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo do PIS não cumulativo. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: o crédito pleiteado teria como origem o pagamento a maior de PIS e COFINS, considerando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS concedidos pelo PRODEPE – Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco – Lei Estadual nº 11.675/1999, que teria sido erroneamente adicionados nas bases de cálculo das contribuições. Alegou que tais valores seriam redutores de custo, e que não poderiam ser classificados como receitas, pela inexistência de um acréscimo patrimonial. Ainda apresenta jurisprudência administrativa e judicial. É o relatório. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 24 07 0/ 20 16 -3 6 Fl. 175DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.257 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.724070/2016-36 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3402-002.235, de 22 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.723922/2016-78. Portanto, transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402-002.235): “A questão trazida a julgamento refere-se à incidência da contribuição sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS (crédito presumido), recebidos do Governo do Estado de Pernambuco, no programa denominado “Prodepe” (Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco), instituído pela Lei Estadual nº 11.675/1999, regulamentado pelo Decreto nº 26.920/2004 (atividade industrial) e pelo Decreto nº 30.456/2007 (centrais de distribuição). A questão não é nova neste Conselho, tanto nas turmas baixas, quanto na Câmara Superior. O i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no voto vencedor do Acórdão nº 9303-007.622, da 3ª Turma da CSRF, sessão de 20 de novembro de 2018, fez a seguinte reconstrução história dos conceitos de subvenção para custeio e para investimento e seu tratamento fiscal ao longo do tempo, especialmente para o período que vai até o ano de 2007 (período que interessa ao presente julgamento), que transcrevo a seguir: “Até 2007, período da vigência da redação original do art. 183 da Lei das S/A, encontrava-se disposto em seu § 1º, que deveriam ser classificados como reservas de capital as doações e subvenções recebidas para investimento. A seguir, para fins de esclarecimento, encontra-se reproduzido o referido dispositivo: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. ... (grifos na transcrição) A característica da Reserva de Capital é a de ser composta por valores oriundos da contribuição de proprietários ou outros interessados no resultado da companhia, sem característica de exigibilidade, ou seja, a título definitivo. À época, a Lei das S/A entendeu que subvenções para investimento enquadrar-se-iam nessa categoria, por serem contribuições do Poder Público para a atividade da companhia, o que é de interesse para o Estado. Por outro lado, diferente era o conceito de subvenção para custeio, composta por contribuições do Estado cujos valores eram Fl. 176DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.257 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.724070/2016-36 utilizados para fazer frente aos custos da atividade e, assim, poderiam influir nos lucros da companhia, que poderia ser distribuído aos proprietários. Nesse sentido, é importante referir que o valor registrado como reserva de capital não pode ser distribuído aos proprietários, sob pena de perder sua natureza, nos termos do art. 200 da Lei das S/A, até hoje vigente na redação original, conforme a seguir reproduzido: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I – absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); ... Assim, vemos que uma subvenção para investimento era reconhecida diretamente como reserva de capital, sem transitar pelo resultado, conforme lançamento contábil a seguir: O lançamento contábil acima e a respectiva legislação antes referida deixam claro que a subvenção para investimento reconhecida como reserva de capital não caracteriza nem receita nem faturamento. Portanto, não integra a base de cálculo da Cofins ou da Contribuição para o PIS/Pasep, nem na sistemática cumulativa, nem na sistemática não- cumulativa. Ora, na sistemática cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelo faturamento, nos termos da redação original dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 1999, aplicáveis aos fatos geradores ocorridos no período em análise, a seguir reproduzidos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não compunha o faturamento e, consequentemente, não integrava a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Da mesma forma, na sistemática não-cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelas receitas, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, ambos reproduzidos a seguir, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise: Lei n° 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Lei n° 10.833, de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Grifos na transcrição) Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não caracterizava receita e, consequentemente, não integrava a base de cálculo Fl. 177DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.257 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.724070/2016-36 das contribuições na sistemática não-cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Diferente é o tratamento dado às subvenções que não se enquadravam no conceito de subvenção para investimento, no período. Tais subvenções, denominadas subvenções para custeio eram reconhecidas no resultado das companhias e, compondo o a receita de subvenção para custeio lucro, não tinham qualquer restrição em relação a sua distribuição aos proprietários. O lançamento correspondente a essas subvenções para custeio era o seguinte: O lançamento acima deixa claro que, em que pese não caracterizar faturamento, ela se enquadra no conceito de receita e, assim: - não compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa; - porém compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática não-cumulativa, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise, ambos já reproduzidos anteriormente nesse voto.” Destaca-se, também, algumas alterações legislativas posteriores, que constam do referido acórdão: “Em 28 de dezembro de 2007, a Lei das S/A foi alterada pela Lei n° 11.638, de 2007, e a nova redação teve vigência a partir de 1º de janeiro de 2008. Entre os vários itens alterados, encontra-se o tratamento contábil dado às subvenções para investimento, que antes eram classificadas como reserva de capital e que passaram a ser classificadas como receita, compondo o resultado. [...] Em face dessa nova realidade jurídica, para fins societários, a legislação preocupou-se em dar um tratamento fiscal adequando. Assim, foi instituído o RTT Regime Tributário de Transição, pela Lei n° 11.941, de 2009. Pois bem, o tratamento fiscal dado às subvenções para investimento, especificamente no tocante à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, encontra-se nos arts. 18 e 21 da Lei nº 11.941, de 2009, a seguir reproduzidos, na redação então vigente e aplicável aos fatos geradores ocorridos no período em análise (lembrando que à opção do sujeito passivo, a Lei n° 11.941, de 2009, pode ser aplicada retroativamente, desde 2008): Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do Decreto-Lei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo§ 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976,no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; Fl. 178DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.257 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.724070/2016-36 IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3odeste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. ... Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência)(Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e [...] Com o advento da Lei n° 12.973, de 2014, para fatos geradores a partir de 2015, temos um tratamento similar àquele dado às subvenções para investimento durante a vigência do RTT, qual seja, a subvenção para investimento, desde seu valor tenha sido destinado para formação da Reserva de Lucros de Incentivos Fiscais, não estaria sujeita a compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. [...] Adicionalmente, para conferir tratamento compatível em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, os art. 54 e 55 da Lei n° 12.973, de 2014, alteraram, respectivamente o art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e o art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003: Lei n° 10.637, de 2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Lei n° 10.833, de 2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: IX – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)” Fl. 179DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.257 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.724070/2016-36 Entretanto, a questão deve ser analisada considerando os efeitos do art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei. Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: [...] § 4º. Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo.(Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º. O disposto no § 4odeste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Portanto, claro está que todos os incentivos relativos ao ICMS sejam considerados como subvenções para investimento, entendimento este que se aplica aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados, como é o presente caso. Ocorre que tal entendimento (configuração do crédito presumido de ICMS como sendo subvenção para investimento e a não incidência das contribuições sobre tais valores) estão sujeitos à condição imposta pela lei: que os valores sejam registrados em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76. Dessa forma, torna-se obrigatório identificarmos se os valores em questão foram registrados em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76, e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores, para fins de sua configuração como subvenções para investimento e sua consequente exclusão da base de cálculo da contribuição. Diante do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) identifique se os valores em questão foram contabilizados como reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76; (ii) verifique foram dados destinos diversos àqueles previstos no inciso I do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014: (I) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (II) aumento do capital social; (iii) considerando o disposto no art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei, analise o direito creditório do contribuinte, e manifeste-se sobre o mérito do pedido de compensação em questão, apresentando um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto.” Fl. 180DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3402-002.257 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.724070/2016-36 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: i. identifique se os valores em questão foram contabilizados como reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76; ii. verifique se foram dados destinos diversos àqueles previstos no inciso I do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014: (I) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (II) aumento do capital social; iii. considerando o disposto no art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei, analise o direito creditório do contribuinte, e manifeste-se sobre o mérito do pedido de compensação em questão, apresentando um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.900893/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.523
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 08 93 /2 01 5- 68 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11020.900893/201568 Acórdão n.º 3401006.523 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 251DF CARF MF
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