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Numero do processo: 19679.002405/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COMPETÊNCIA DO CARF - a apreciação da lide pelo CARF não se circunscreve pelo Principio da adstrição -, e que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo.
NULIDADE. PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO QUANDO FALTAM INFORMAÇÕES SOBRE AS BASES PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. - Deve ser decretada a nulidade do ato administrativo que deixe de informar e ser instruído com os elementos adotados para seu fundamento.
VERDADE MATERIAL E PRODUÇÃO DE PROVAS. POSSIBILIDADE.
É ônus processual do peticionário provar os fatos constitutivos do seu direito. É ônus processual dos julgadores no processo administrativo fiscal buscar a verdade material, sem com isso suprir a inércia do peticionário. Tendo o peticionário instruído sua manifestação de inconformidade ou impugnação com documentos que pretendem provar seu direito, eles devem ser apreciados, em louvor do disposto no artigo 4ª da Lei n. 9.784, de 1999.
Numero da decisão: 3401-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator), Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento para anular também o despacho decisório. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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RESSARCIMENTO. Recorrente PARMALAT BRASIL SA INDUSTRIA DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COMPETÊNCIA DO CARF a apreciação da lide pelo CARF não se circunscreve pelo Principio da adstrição , e que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo. NULIDADE. PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO QUANDO FALTAM INFORMAÇÕES SOBRE AS BASES PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. Deve ser decretada a nulidade do ato administrativo que deixe de informar e ser instruído com os elementos adotados para seu fundamento. VERDADE MATERIAL E PRODUÇÃO DE PROVAS. POSSIBILIDADE. É ônus processual do peticionário provar os fatos constitutivos do seu direito. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 24 05 /2 00 4- 70 Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n° 38/97, referente ao ano de 2002, no montante de R$ 2.143.943,66. A ele havia sido vinculado declarações de compensação, objeto dos processos ns° 19679.002416/200450 e 19679.003776/200479. A Delegacia da Receita Federal de Jundiaí SP indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, devido à falta de apresentação dos documentos solicitados para a realização dos exames. A contribuinte manifestou sua inconformidade alegando, em síntese do relator do acórdão recorrido que reproduzo, que: a) Seja declarada nula a decisão ora atacada, em razão da forma arbitrária e contra legem pela qual foi conduzido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0812400/00443/2007, devendo ser determinado o retomo do presente processo à instância administrativa inicial, para análise de toda a documentação ora juntada, bem como determinada nova intimação para que sejam julgados todos os demais documentos acaso necessários para análise dos créditos de IPI; b) A Manifestante respondia a dois Mandados de Procedimento Fiscal simultaneamente, por conta disso teve cerceado o seu direito de apresentar os documentos exigidos neste procedimento. A juntada dos documentos que comprovam o equívoco da Secretaria da Receita Federal na lavratura de dois Mandatos de Procedimentos Fiscais idênticos e simultâneos, bem como a origem dos créditos da Manifestante merecem ser analisadas pelo órgão julgador, tudo em observância ao consagrado princípio da verdade material; c) Prestou esclarecimentos sobre o pedido de ressarcimento em resposta à fiscalização perpetrada pela DEAIN/SP (Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e em nenhum momento deixou de responder à Fiscalização de Jundiaí, requerendo a expressa manifestação sobre qual diligência deveria vigorar, já que as fiscalizações realizadas pelas Delegacias de São Paulo e Jundiaí versavam sobre os mesmos tributos e períodos de apuração; d) Sem que fosse dada qualquer resposta à empresa sobre os esclarecimentos solicitados à Fiscalização de Jundiaí, o auditor fiscal entendeu por encerrar a fiscalização, concluindo pela ilegitimidade dos pedidos de ressarcimento ora em análise em razão da falta de apresentação dos elementos necessários ao exame do crédito. A decisão, ao pautarse tão somente na conclusão do auditor fiscal, Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.002405/200470 Acórdão n.º 3401003.016 S3C4T1 Fl. 3 3 mitiga a pretensão da Manifestante que, todavia, poderá ser sanada através da análise dos documentos ora acostados, em respeito ao conhecido princípio da verdade material; e) O fato de ter deixado de se utilizar do sistema PED/DCOMP não pode justificar a não homologação das compensações de seus débitos com os créditos de IPI. Independente da forma como foram feitos os pedidos de compensação, por formulário ou por meio da utilização do programa PER/DCOMP, é certo que essa simples formalidade não pode dar azo à negativa de um direito do contribuinte; f) Ao final, requer que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para, após a análise dos documentos ora acostados, seja integralmente reformado o despacho decisório ora atacado, com o reconhecimento do direito aos créditos presumidos de IPI pleiteados por meio do pedido de ressarcimento e a conseqüente homologação dos pedidos de compensação. O Colegiado de 1ª instância sublinhou não compor a lide as declarações de compensação pois elas foram consideradas pela autoridade administrativa como não declaradas nos processos e foram objeto de recurso hierárquico (representação no processo n. 10880.720759/200931). Os julgadores de 1º piso rejeitaram a preliminar de nulidade da decisão de indeferimento argüida pela contribuinte por ter o procedimento fiscal sido arbitrário e contra legem. Para eles, não foi encontrado nos atos atacados qualquer uma das hipóteses de nulidade do artigo 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. E também não houve prejuízo ao direito de defesa. Em suas palavras: Depreendese do artigo acima transcrito que os despachos ou decisões da autoridade administrativa somente são nulos quando proferidas por autoridade incompetente e com preterição do direito de defesa. No presente caso, sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da decisão. Além disso, a norma administrativa que regulamenta o MPF tem como função o disciplinamento administrativo da execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF e decorre da necessidade de a administração tributária planejar suas ações de fiscalização de acordo com parâmetros estabelecidos por ela. No entanto, apesar de sumamente importante para o controle da execução da fiscalização, o MPF não integra o rol dos atos e termos vinculados à análise e decisão no processo administrativo fiscal, que são privativos do Delegado da Receita Federal do Brasil ou do agente fiscal a quem este delega competência. Iniciado o procedimento fiscal, cientificado o sujeito passivo, por meio do MPF, ou outra qualquer forma que a Administração venha a criar, o procedimento entrará nos trilhos do Decreto n° 70.235, de 1972, e ele passará a reger o procedimento fiscal, ou seja, a partir daí, só a lei poderá determinar os vícios formais que possam levar a decretação da nulidade do ato administrativo, o que não é a hipótese do presente procedimento. Não tendo o AFRFB praticado atos à revelia do conhecimento de seus superiores, nem tampouco à revelia do conhecimento do sujeito passivo, não houve vício na ação fiscal E, ainda, não cabe interpretar que um instrumento instituído por norma infralegal (Portaria) possa acarretar a nulidade da decisão administrativa dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna). Ao contrário do que afirma a manifestante, o procedimento fiscal deflagrado pela DEAIN/SP não é idêntico ao do MPF n° 0812400/00443/2007 da Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 em Jundiaí. O Termo de Intimação 04/2007 (fls. 634/637), elaborado pela DEAIN/SP, intima a manifestante a apresentar esclarecimentos e documentos sobre compensação/ressarcimento em apenas 1 (um) dos 12 (doze) diferentes itens do termo, conforme abaixo transcrito: "11. Relacionar, se houver, os processos cujo objeto seja atinente a créditoprèmio de 1P1 ou de 1CMS ou crédito presumido do IPI, obtidos em função de exportação incentivada. Fornecer cópia simples dos pedidos de compensação ou ressarcimento dos mencionados créditos, discriminando aqueles que porventura tenham sido deferidos nos anos de 2002 e 2003. " Conforme podemos verificar, a DEAIN/SP solicita apenas relação e cópia simples dos pedidos de compensação ou ressarcimento, enquanto o procedimento levado adiante pela fiscalização de Jundiaí trata especificadamente da análise dos processos de ressarcimento dos créditos do IPI. Quanto à nulidade por falta de apreciação de provas, a matéria será analisada juntamente com a questão principal, pois referese ao procedimento fiscal e à necessidade dos documentos para a apreciação do pedido. Os julgadores de 1º piso entenderam que sua competência se restringiria a analisar os limites dados pela decisão atacada, no caso, a verificar somente a necessidade ou não dos documentos solicitados pelo Fisco e que justificou a não análise do mérito pela autoridade administrativa. Em sua visão, não lhes caberia examinar o mérito do pedido de ressarcimento. In verbis: Delimitação da lide Primeiramente, deve ficar claro que o indeferimento do pedido de ressarcimento se deu pela falta de apresentação dos documentos solicitados para a realização dos exames, necessários à analise do pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Em segundo lugar, devese observar que a impugnação/manifestação administrativa caracterizase como "recurso do tipo revisão" (recurso eliminatório) e tem por objeto exclusivo a apreciação do ato recorrido, limitandose a autoridade julgadora a averiguar a correção ou incorreção da constituição do crédito tributário/lançamento ou da decisão impugnada. Nesse passo, a autoridade julgadora se limita a praticar um ato secundário, pelo qual elimina ou mantém (total ou parcialmente) o ato primário impugnado, no caso, a decisão administrativa. Difere, portanto, do reexame, típico do poder judiciário, que tem finalidade de reapreciarão da questão decidida pelo órgão a quo, julgando o órgão ad quem diretamente sobre a melhor solução ao caso concreto (substituição do ato impugnado por outro ato, decidido em novos termos). Desta forma, a lide em questão diz respeito somente à necessidade ou não dos documentos solicitados pelo Fisco para a análise do pleito, portanto, somente será analisada a procedência ou não da decisão denegatoria quanto a esta questão. Isto porque não foi levantada nenhuma questão de mérito na decisão recorrida, tendo sido somente analisado fato prejudicial, ou seja, a falta de comprovação, por meio de documentos hábeis, não só do direito, como do quantum a ser ressarcido. Sendo assim, não pode o julgador administrativo, nesta fase processual, avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos. Também não pode analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade, conforme verificado a seguir. Quanto à falta de documentos que dariam suporte ao pedido de ressarcimento, o Colegiado firmou posição de que a sua apresentação é um ônus do peticionário e eles seriam imprescindíveis. Que, no caso, a contribuinte não instruiu seu pedido de ressarcimento com a documentação comprobatória, nem quando solicitada pela fiscalização. E que o não atendimento é motivo para o indeferimento sumário ou arquivamento do pedido, nos termos do artigo 40 da Lei n. 9.784, de 1999. E que não há base legal para admitir a Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.002405/200470 Acórdão n.º 3401003.016 S3C4T1 Fl. 4 5 juntada intempestiva de provas, pois não se deu qualquer uma das hipóteses do parágrafo 4ª do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972. Vejamos sua argumentação: Em que pesem as alegações da manifestante, o que se deve analisar é a quem cabe o ônus da prova no caso em concreto e se é possível a aplicação do artigo 517, do Código de Processo Civil CPC. Por este motivo, fazse oportuno, antes da análise da questão ora levantada, fazer uma distinção, com referência ao ônus da prova, entre os processos administrativos originados de pleito do contribuinte (de que são exemplos mais expressivos os pedidos de restituição ou ressarcimento e as declarações de compensação) e os processos administrativos de exigência do crédito tributário (de que são expressões maiores os processos relativos a auto de infração e a notificação de lançamento). Nos primeiros, prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova no processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo. Nos segundos, porém, prevalece o princípio inquisitório (investigação) e o da verdade material (valoração dos fatos), o que possibilita ao julgador buscar a "verdade" dos fatos, independentemente das provas trazidas ao processo. Sendo assim, nos processos administrativos originados de pleito do contribuinte vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do Código de Processo Civil CPC, instituído pela Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, pela qual cabe, ao autor, a prova dos fatos constitutivos do seu direito e, ao réu, a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor: Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. Ou seja, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente e não do Fisco. (....) Quanto à falta de apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, devese suscitar alguns dispositivos do diploma legal que disciplina o processo administrativo geral no âmbito federal (utilizado subsidiariamente no plano tributário): Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999: (...) Neste ponto, fazse necessário destacar que a busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar os documentos solicitados, visando à comprovação do direito alegado. Assim, a falta de atendimento da intimação, ou o atendimento parcial da mesma, é motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, providência equivalente, na seara tributária, ao arquivamento referido na lei. Como se vê, a legislação e os princípios aclamados pela defesa são mitigados por formalidades previstas na legislação tributária e o Despacho Decisório proferido pelo órgão Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 competente, à luz da norma supracitada, não é nulo, insubsistente, nem improcedente, como quer a interessada, mas sim imposição legal decorrente da preclusão ocorrida. (...) Por outro lado, para que a instância julgadora administrativa admita a intempestiva apresentação da documentação em questão, assim impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido, é necessário que exista um fundamento legal que excepcione tal caso de preclusão. Como a Lei n° 9.784/99 não trouxe expressamente nenhum exceção, entendo que, por analogia, aplicase ao caso as situações previstas no parágrafo 4o do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, quanto à apresentação da prova depois de expirado o prazo para tanto, quais sejam: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A defesa, implicitamente, estaria alegando motivo de força maior, fato que não ocorreu. Os documentos solicitados são obrigatórios e estavam de posse da interessada, mesmo que estivesse respondendo a dois Mandados de Procedimento Fiscal, fato este que não caracteriza "motivo de força maior", que desse ensejo suficiente para o descumprimento da intimação, pois o prazo de 20 dias dado pela autoridade fiscal era suficiente para encaminhamento dos mesmos à repartição mais próxima da localidade que se encontravam. Também não pode ser acolhida a pretensão da ora recorrente em ter apreciado, nesta instância, os documentos ora acostados, nem mesmo que usássemos por analogia do preceituado no artigo 517, do Código de Processo Civil CPC1, simplesmente pelo fato de que, primeiro devese aplicar as normas específicas (Decreto n° 70. 235, de 1972 e Lei n° 7984, de 1999), aplicando se o CPC de forma subsidiária, ou seja, somente quando os dois atos legais anteriormente citados não dispuserem sobre o assunto. Ademais, o artigo 517 do CPC referese a questões de fato não propostas no juízo inferior e estamos tratando de documentos probatórios e não de questões não levantadas pela manifestante, já que a solicitação do direito creditório foi por ela levantada, mas não devidamente provada. Devese acrescentar que até a ciência da decisão da autoridade administrativa (06/03/2008), mais de 8 (oito) meses após a ciência do Termo de Conclusão Fiscal de fls. 634/637 (20/06/2007), a empresa ainda não havia encaminhado à delegacia nenhum documento referente à intimação, mesmo já possuindo a informação da conclusão pela ilegitimidade do pedido de ressarcimento do IPI, devido à falta de apresentação dos documentos solicitados para a realização dos exames, necessários à analise do pedido. E. ainda, o Colegiado entendeu que não possuía competência para apreciar as provas juntadas na impugnação, uma vez que a autoridade administrativa não havia apreciado o mérito do pedido. Ademais, a autoridade julgadora não pode, nessa fase processual, apreciar os documentos trazidos juntamente com a impugnação, já que a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se manifestou quanto ao mérito da questão e, como já dito anteriormente, a natureza do recurso administrativo difere do judicial, sendo que somente neste último é possível a reapreciação da questão decidida pelo órgão de origem. Se assim o fizesse, esta autoridade julgadora estaria avocando para si uma competência que não lhe é cabida, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.002405/200470 Acórdão n.º 3401003.016 S3C4T1 Fl. 5 7 também de averiguar a existência do direito in concreto, ou seja, averiguar se o benefício reclamado originou efetivamente aquele crédito e se, até mesmo, referido crédito já não foi objeto de utilização para dedução com o IPI devido, fazendo intimações e diligências se necessário. O Acórdão n. º 1433.840 proferido em 24 de maio de 2011 pela respeitável 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão n. 1433.840 8a Turma da DRJ/RPO Data da sessão 24 de maio de 2011 Processo n. 19679.002405/200470 interessado PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS CNPJ n. 89.940.878/000110 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação do direito reclamado. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros da 8a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual alega: a) os débitos que se pretendia quitar com os pedidos de compensação não compõem mais esta lide por que eles foram quitados pela adesão aos tratamento estabelecido pela Lei n. 11.941, de 2009, assim é que este processo se refere exclusivamente ao ressarcimento do crédito presumido de IPI; b) que peticionou em 13/02/2004 o ressarcimento de crédito presumido do IPI incidente sobre insumos aplicados em produtos exportados, quando tinha sede em São Paulo capital. Mas que mudou sua sede para Jundiaí em 06/10/2004. Nesse período foi fiscalizada pela Delegacia da RFB em São Paulo e pela de Jundiaí. Em 18/08/2006 voltou sua sede para a cidade de Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 São Paulo. A DEAIN São Paulo abriu em 2006 MPF para fiscalizar IRPJ, IRRF,CSLL, IPI, PIS e COFINS. Apesar da mudança de endereço da sede, a DRF Jundiaí abriu MPF em 04/04/2007 para fiscalizar os mesmos tributos do MPF da DEAIN São Paulo. E nesses MPF, ambas as unidades estavam fiscalizando o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto deste processo. Que atendera a solicitação da DEAIN São Paulo a respeito desse pedido de ressarcimento, e quando recebeu a intimação da DRF Jundiaí, respondeu a essa autoridade em 06/06/2007 informando a existência da fiscalização pela DEAIN e que já a atendera com os documentos, e, por fim, solicitou orientação. Mas que em 20/06/2007 foi surpreendida com o Termo de Conclusão Fiscal emitido pela autoridade fiscal da DRF Jundiaí por meio do qual foi determinada a glosa dos créditos pleiteados por falta de apresentação dos documentos que demonstrariam a sua origem. c) que contestou a decisão, instruindo com a documentação comprobatória do direito creditório, mas que a instância recursal não a apreciou. d) que não houve inércia por parte da contribuinte para apresentar a documentação requerida. e) que houve cerceamento da defesa e prejuízo à contribuinte, principalmente por não lhe ter sido aclarada as dúvidas surgidas pela simultaneidade de fiscalizações sobre o mesmo objeto. Roga pela declaração da nulidade do procedimento administrativo fiscal da DRF Jundiaí, f) que instrui o recurso voluntário com os documentos que comprovam seu direito e pede sua juntada e apreciação e análise do mérito do seu pedido. g) pede, ainda, pela realização de diligências para a análise dos documentos juntados, em nome do princípio da verdade material e da legalidade. h) Cita julgados administrativos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Prolegômenos Sobre a competência dos Conselheiros para decidir a lide: Malgrado meu raso conhecimento do direito processual, por força do dever dessa atividade judicante administrativa, peço escusas por ter que apresentar preliminarmente as bases do entendimento que justificam a minha conclusão ao caso sob exame. Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.002405/200470 Acórdão n.º 3401003.016 S3C4T1 Fl. 6 9 A Constituição Federal (inciso LV do art. 5º da CF/1988) prevê o contencioso e o processo administrativo, além do judicial, como um direito das pessoas. O processo judicial e o administrativo possuem leis disciplinadoras próprias, mas compartilham muitos princípios comuns, dentre os quais destaco: o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório, o direito à informação (e.g.: incisos XXXIV, LIV e LVI da CF/1988), entre outros. Para o processo administrativo fiscal, no âmbito tributário, a lei regente é expressa pela combinação da Lei n.º 5.172, de 1966, e do Decreto n.º 70.235, de 1972; no âmbito do controle aduaneiro, ela é expressa pela combinação do Decretolei n. 37, de 1966, e do Decretolei n.º 1.455, de 1976. Para o processo administrativo fiscal, a principal fonte legal subsidiária está na Lei n.º 9.784, de 1999, secundada pelo Código do Processo Civil e por outras importantes leis. Por questão de objetividade, deixo de me alongar no assunto e tratar aqui dos processos de consulta, de restituição, de ressarcimento, de direitos antidumping, e outros. Em meu entendimento, não há proibição na lei e na jurisprudência para a revisão de ofício de ato administrativo, tais como o de lançamento ou o de exigência, antes do contencioso, ou mesmo depois de concluído o contencioso, e até da exigência não contestada pela parte interessada. Além disso, ponho em destaque que não há na lei processual administrativa qualquer dispositivo que determine aos julgadores que eles tenham como validada a exigência ilegal pelo motivo dela não ter sido contestada pela parte interessada. Ao contrário, acima da controvérsia e da nãocontrovérsia está a lei que rege a relação entre as partes interessadas, e ela deve ser analisada pelos julgadores face o que dispõe essa lei. O que ditam o artigo 17 (considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada) e o inciso II do artigo 25 (ao CARF cabe julgar em segunda instância os recursos), ambos do Decreto n. 70.235, de 1972, não subtraem dos Conselheiros julgadores sua competência e responsabilidade de apreciar, além do conteúdo da contestação e do recurso, a totalidade do processo e do ato de exigência ou de lançamento à luz da lei que o fundamenta e, eventualmente, identificar ilegalidade e/ou desrespeito a um dos princípios norteadores do processo e dos atos da administração pública, e, assim, tomar as providências para saneálo ou invalidálo. Como exemplo, estou certo que os julgadores não compactuarão com o desrespeito à ampla defesa e ao contraditório mesmo que não invocados pela parte, pois agirão como guardiões dos princípios aperfeiçoadores do processo administrativo, independente de provocação. Nessa mesma direção de entendimento, os julgadores podem tomar conhecimento de todos os elementos que compõem a lide, mesmo que não contestada ou impugnada, desde que respeitem os princípios constitucionais e legais (por exemplo: ampla defesa, duplo grau, verdade material, e outros) e as leis que regem a materialidade do objeto em discussão. Como exemplos da amplitude de sua competência, sublinho que não podemos nos esquecer que os Julgadores: (a) têm a prerrogativa de buscar a livre convicção e de determinar de ofício a realização de diligência e perícia; e (b) também de ensejar o lançamento complementar. Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 No âmbito da esfera processual administrativa, os julgadores não estão submetidos ao Principio da Adstrição, tal como se dá na esfera processual judicial por força do disposto no artigo 128 do CPC . Há outros princípios que regem o direito processual administrativo e os atos da administração pública; e eles não podem ser eclipsados pelo princípio da adstrição ou por outros institutos processuais civis. O CPC é, sem dúvida, importante referência e fonte de subsídios; mas creio que as suas contribuições podem ser integradas ou conjugadas sem prejudicar as características própria do processo administrativo. Vejamos, a título de exemplo, três elementos para ilustrar esse argumento: (i) diferentemente do processo civil, no processo administrativo fiscal, uma das partes é sempre a Fazenda Pública, e a lei do processo administrativo traz os seus próprios meios para reduzir a assimetria da relação entre as partes (aplicações dos Princípios da Moralidade e da Impessoalidade). (ii) Em louvor ao Princípio da Verdade Material, o Tribunal Administrativo não se circunscreve a uma verdade processual que pode ser contraditada por evidências a serem obtidas para se conhecer os fatos. (iii) Acredito que é turvar os elevados propósitos do processo e do tribunal administrativo exigir o tributo indevido, ou aplicar a pena indevida. Por isso, o Tribunal Administrativo pode tomar a iniciativa para ver sanada ou corrigida tal situação, independente de solicitação das partes interessadas. Este poder e proceder decorrem do Principio da Auto Tutela. Peço escusas por repisar matéria tão largamente conhecida dos I. Conselheiros, mas pretendi apresentar essa opinião de que a apreciação da lide pelo Alto Colegiado não se circunscreve pelo Principio da adstrição , e que podemos reconhecer as especificidades das práticas processuais administrativas e os desafios enfrentados por este Tribunal Administrativo para bem cumprir as suas responsabilidades. Por tudo isso ouso defender que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo. Expresso este entendimento para posicionar a divergência com relação ao adotado pelos julgadores de 1º piso para fundamentar suas decisões. Sobre as informações que descrevem a constituição da lide: Os documentos que instruem este processo nos informam que: a) o pedido de ressarcimento de IPI foi objeto de 2 procedimentos de fiscalização simultâneos, um conduzido pela unidade da RFB em São Paulo e outro pela unidade da RFB em Jundiaí; b) a autoridade fiscal de Jundiaí iniciou a fiscalização sob o MPF n. 0819000.2007.004434 em 04/04/2007 e intimou a contribuinte para no prazo de 20 dias apresentar documentos para a análise de 7 processos com pedidos de ressarcimento de IPI para os períodos de apuração de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. c) a contribuinte solicitou em 24 de abril de 2007 prorrogação de 30 dias para atendimento; e em 06 de junho de 2007 pediu orientação para a simultaneidade de fiscalização tratando do mesmo pedido de ressarcimento de IPI; d) a autoridade fiscal emitiu termo de conclusão em 20 de junho de 2007 decidindo pela glosa dos créditos pretendidos pela falta de apresentação Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.002405/200470 Acórdão n.º 3401003.016 S3C4T1 Fl. 7 11 dos documentos solicitados pela fiscalização, de acordo com as instruções previstas na Ordem de Serviço SRRF 08 n. 008, de 13/09/2005. e) a DERAT São Paulo decidiu indeferir (Despacho Decisório às fls. 1765) o pedido de ressarcimento de IPI, com fundamento na Lei n. 9.363, de 1996, e nos artigos 12 e 16 da Ordem de Serviço SRRF08 n. 008, de 13/09/2005, pelo fato da contribuinte não atender a intimação no prazo de 30 dias para apresentar documentos. Passo a analisar os argumentos e as informações presentes no processo. Preliminares Do pedido de juntada de documentos A contribuinte instrui seu recurso voluntário com documentos que comprovariam seu direito de crédito presumido de IPI. Pede sua juntada e apreciação. Eles corresponderiam aos apresentados com sua manifestação de inconformidade, mas que não foram analisados pelos julgadores de 1º piso, por entenderem ser impossível decidir o pedido de ressarcimento quando ele não havia sido apreciado pela autoridade de jurisdição. A meu ver, a contribuinte está procurando atender à intimação fiscal para apresentar os documentos comprobatórios do direito peticionado. E contradiz os princípios da lealdade e da cooperação processuais (artigos 4 e 40 da Lei n. 9.784, de 1999) negarlhe cumprir o seu dever processual e atender á intimação da autoridade fiscal. Faço notar que a autoridade administrativa não considerou que ocorreu a preclusão para a apresentação de documentos. Ela não antepôs impedimento, apenas constatou e declarou que faltaram os documentos requeridos. Por essas considerações, entendo que se deve admitir a juntada dos documentos apresentados pela contribuinte para que eles possam instruir o processo e compor plenamente o contraditório. E esta proposta positiva submeto à consideração do Colegiado. Do pedido de nulidade da decisão de indeferimento: A contribuinte pede a nulidade da decisão de indeferimento por entender que ela se baseou em procedimento arbitrário e contra legem. Creio que razão assiste à recorrente nesse particular. E explicome. Após a emissão do MPF 0812400.2007.00443 e início da fiscalização em 04/04/2007, a autoridade intimou a contribuinte a apresentar em 20 (vinte) dias documentos referentes a 7 processos de pedidos de ressarcimento de IPI. A contribuinte pediu prazo maior e, em seguida, pediu orientação sobre a simultaneidade de fiscalizações sobre o mesmo objeto. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 A autoridade fiscal encerrou a fiscalização sem responder ao pedido de prorrogação e sem responder ao pedido de orientações. Sem dúvida que não se trata de uma decisão arbitrária e contra legem, em seu sentido estrito, uma vez que invocaram a Ordem de Serviço SRRFR08 n. 008/2013 para sua fundamentação. Entretanto, a meu sentir, o encerramento sumário fere a lei do processo administrativo fiscal na medida em que não oferece à contribuinte resposta aos seus pedidos de esclarecimentos e de dilatação de prazo. Não há elementos que permitam inferir que a contribuinte não iria atender à intimação fiscal. Por isso, não me parece justificável que não se tenha prosseguido no esforço de investigar, analisar e decidir a procedência do pedido de ressarcimento, num estado de cooperação entre a contribuinte e a autoridade fiscal. A contribuinte estava, de fato, sendo intimada perante duas frentes de fiscalização simultâneas e seria razoável que tivesse dúvida sobre como atendêlas, tendo em vista o fato da mudança de endereço de sua sede da cidade de Jundiaí para a capital. Além disso, a autoridade fiscal e a própria autoridade administrativa indeferiram o pedido de ressarcimento com fundamento em Ordem de Serviço cujo inteiro teor não instrui essas decisões. Fazem referência a procedimento sumário de fiscalização estabelecido nessa Ordem de Serviço para se analisar pedidos de ressarcimento de IPI, mas esta norma e procedimento não se tornaram conhecidos para este Colegiado de modo a que se possa apreciar a motivação dos indeferimentos. S.m.j., esta ausência trouxe prejuízos ao contraditório; conclusão a que chego não só por crer que essa norma deveria ser conhecida por este colegiado, mas também por constatar que a contribuinte não faz referência a ela, nem mesmo os julgadores de 1º piso. Ademais, a autoridade fiscal, no termo de conclusão fiscal, informa que, 'por questões legais, o restabelecimento da fiscalização foi autorizado mediante a emissão de novo MPF, de competência do Senhor Superintendente, em 27/02/2007.' E que apesar da particularidade da mudança de endereço da sede da contribuinte para a cidade de São Paulo, a fiscalização foi reiniciada. Mas não há informações que esclareçam as questões legais e por que a unidade da RFB em Jundiaí deteve competência para iniciar e realizar a fiscalização, apesar da mudança de endereço da sede da contribuinte. Por essas considerações que proponho a este Colegiado: (1º) seja dado provimento à preliminar que roga pela nulidade da conclusão da autoridade fiscal e da decisão de indeferimento, (2º) e, por conseqüência, seja decretada a nulidade do acórdão de 1ª instância, e (3º) que este processo retorne à unidade de jurisdição da sede da contribuinte para prosseguir na análise da procedência do pedido de ressarcimento, sendo inclusive apreciado o conjunto de documentos apresentado pela contribuinte até o momento neste processo. E que, caso haja indeferimento ao pedido de ressarcimento, seja dada oportunidade nos termos definidos na lei do processo administrativo para a contestação por parte da contribuinte, para remessa a apreciação do colegiado de 1ª instância. Ocorre que este Colegiado decidiu nas preliminares pela anulação da decisão de 1ª instância, nos limites fixados pelo voto vencedor. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.002405/200470 Acórdão n.º 3401003.016 S3C4T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Nada obstante concordar com boa parte da argumentação deduzida pelo eminente Relator, peço vênia para divergir quanto ao alcance da nulidade declarada. Em que pese a multiplicidade de Mandados de Procedimento Fiscal – MPFs emitidos em face da mesma pessoa jurídica, é inegável que o procedimento fiscal alusivo ao presente processo tocava pedido de ressarcimento formulado pelo contribuinte, revelando o seu interesse primordial em ver reconhecido o direito creditório pleiteado, razão porque, entendo eu, o ônus probatório é exclusivamente seu, a teor do art. 333, I do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo contencioso administrativo fiscal. Demais disso, a concessão do prazo de 20 (vinte) dias para apresentação do documentário fiscal atendeu a disposição inserta no art. 71 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, verbis: “Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: ‘Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento.’ (NR)” (destacado) Como não bastasse, mesmo que não tenha havido concessão formal de prorrogação do prazo de apresentação da documentação exigida, temse que indigitado pedido restou formalizado em 24/04/2007 e, até o dia 06/06/2007, data em que o contribuinte solicitou orientação acerca da simultaneidade de fiscalizações, nenhuma providência fora por ele adotada, a não ser a promoção do questionamento. Assim, tendo em conta que o início do procedimento fiscal ocorreu em 04/04/2007 e o seu encerramento em 20/06/2007, com expedição do despacho denegatório, verifico que houve tempo suficiente para que, ao menos, parte da documentação exigida fosse apresentada, o que não ocorreu, motivo pelo qual concluo que a fiscalização não agiu de maneira açodada, contra legem ou mesmo com preterição do direito de defesa, eis que, não Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 apresentados os elementos necessários ao levantamento do crédito pleiteado, outra alternativa não restara senão indeferir sumariamente o requerimento. Entretanto, concordo com o Relator ao destacar que não andou bem o colegiado recorrido quando restringiu o seu julgamento à correção do procedimento fiscal realizado, desconsiderando por completo os documentos acostados tempestivamente à manifestação de inconformidade. Se não lhe era possível decidir o mérito do direito creditório, dado o indeferimento sumário, cabia então a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, porquanto a apresentação dos documentos necessários à demonstração da procedência do direito altercado é garantia processual do recorrente, expressamente prevista no art. 16, III do mesmo diploma. Portanto, a verberada preterição do direito de defesa, a meu sentir, ocorreu no julgamento de primeira instância, ao limitar o objeto do julgamento, não, porém, na prolação do despacho decisório, como entendeu o voto vencido, motivo porque reduzo o alcance da nulidade declarada. Com estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de cerceamento do direito de defesa, a fim de anular a decisão de primeiro grau administrativo, para que conheça da documentação acostada em sede recursal, ainda que necessária a conversão do julgamento em diligência para manifestação sobre o fundamento do direito rogado. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000228/2006-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO.
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 28 /2 00 6- 01 Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16349.000228/200601 Acórdão n.º 9303003.332 CSRFT3 Fl. 2.099 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão de nº 330200.791, o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte para confirmar a glosa efetuada de créditos da contribuição sobre as aquisições de bovino, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado O sujeito passivo, em seu recurso especial de divergência, com base nos acórdãos paradigmas nºs 330100.980 e 930301.035, sustenta que a alíquota aplicável sobre o crédito presumido de PIS/Pasep e Cofins de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, prevista no § 3º do referido artigo, deve ser determinada em função do produto fabricado, não do produto adquirido como decidido na decisão a quo. Reconhecendo a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, o Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, em despacho exarado às fls. 2.085/2.087, admitiu o Recurso Especial interposto. Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço do recurso especial de divergência do sujeito passivo por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade. A questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o Fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16349.000228/200601 Acórdão n.º 9303003.332 CSRFT3 Fl. 2.100 3 determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado, a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída, e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. No caso, a empresa deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão à recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O art. 33 da Lei nº 12.865/2013 acresceu enunciado interpretativo ao art. 8° da Lei nº 10.925/2004, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ............................................................................................ § 1º ................................................................................................. I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O referido § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 possui a seguinte redação: § 3º O montante do crédito a que se referem ocapute o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16349.000228/200601 Acórdão n.º 9303003.332 CSRFT3 Fl. 2.101 4 o Poder Executivo na forma do art. 9ºA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9ºA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, incluído pela Lei nº 12.865/2013. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000317/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 17 /2 00 7- 83 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 37/40), a qual, por unanimidade de votos, e fundamentada em inexistência de previsão legal, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não reconheceu alegado direito à correção pela taxa SELIC de créditos do IPI outrora ressarcidos (artigo 11 da Lei nº 9.779/99). Cientificada da referida decisão em 30/01/2013 (vide AR de fls. 44), a interessada, em 01/03/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 45/50, onde aduz que teria direito à correção monetária sobres os créditos em tela com base em jurisprudência do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Diante do exposto, requer a interessada seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito de aplicação da correção monetária sobre os créditos em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O mérito da contenda envolve discussão concernente a pedido de correção monetária, pela taxa SELIC, de créditos do IPI outrora ressarcidos ao sujeito passivo, com base no artigo 11 da Lei nº 9.779/99. No entanto, como já destacado na decisão recorrida, não há previsão legal que autorize o deferimento de pleito nesse sentido. Tal entendimento, inclusive, está sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado em julgado em 03/03/2010), que, sob o regime do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual “a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal”. Vale lembrar que, por força do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, referida decisão deverá ser obrigatoriamente observada por este Conselho. Contudo, extraise da mesma decisão que o impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Referido acórdão ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10930.000317/200783 Acórdão n.º 3301002.668 S3C3T1 Fl. 72 3 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Mas, concernente à hipótese em que se admite a atualização, tal não ocorreu no caso presente, posto que a própria petição que inaugurou o processo se restringe unicamente à discussão do alegado direito à correção monetária dos créditos escriturais do IPI (v. fls. 02/06). Assim, considerando o pacificado entendimento prolatado pelo STJ no RE nº 1.035.847/RS, e diante do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, deverá prevalecer o entendimento de que, por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária de créditos escriturais do IPI. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 13056.001023/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
Ementa:
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às despesas junto a pessoas físicas e quanto às despesas administrativas e comerciais; por voto de qualidade, negar provimento quanto às despesas de combustíveis com veículos próprios na aquisição de bens, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawa de Araújo Branco; e, por maioria, dar provimento parcial quanto aos gastos gerais, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 10 23 /2 00 8- 01 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às despesas junto a pessoas físicas e quanto às despesas administrativas e comerciais; por voto de qualidade, negar provimento quanto às despesas de combustíveis com veículos próprios na aquisição de bens, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawa de Araújo Branco; e, por maioria, dar provimento parcial quanto aos gastos gerais, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Relatório: Este processo cuida dos Pedidos de Ressarcimentos e das Declarações de Compensação por meio da qual requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição para a PIS Mercado Externo, do regime não cumulativo, nos termos do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e, no que couber, Lei 10.833/2003 A contribuinte alega possuir créditos no valor de R$ 47.615,42, no período de apuração 1º trimestre de 2008, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, valor de crédito, esse, disponível. para efetuar compensações com outros tributos de sua responsabilidade ou solicitar o ressarcimento ao final do período de apuração. A contribuinte requereu o aproveitamento desse valor de crédito, por meio de declarações de compensação (DCOMP), identificadas pelo Despacho Decisório DRF/NHO SEORT 1383/2009 às fls. 131. A auditoria fiscal (Termo e Informações às fls. 91/96) propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NOVO HAMBURGO RS, no Despacho Decisório DRF/NHO 2009, que, somadas, resultaram em R$ 32.773,48 e reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte para o valor de crédito reconhecido E DISPONÍVEL para as compensações para R$ 14.841,94. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 3 3 Foram as seguintes as glosas e respectivas justificativas constante dessa decisão da unidade de jurisdição: Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas: Valor total da glosa no período R$ 6.327,31. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. Conforme a legislação de regência o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. Base legal: artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.637/2002, e artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ns 10.865/2004, artigos 21 e 37. Despesas administrativas: Valor total da glosa no período R$ 5.425,83. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas administrativas, cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. Base legal: artigo 3º da Lei n.º 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei nº 10.865/2004. Despesas com vendas: Valor total da glosa no período R$ 8.738,83. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas com vendas, tais como: comissões, cobranças, feiras, exposições, propaganda e publicidade, cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. Base legal: artigo 39 da Lei na 10.637/2002, e artigo 39 da Lei ns 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ns 10.865/2004. Gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo: São eles, gastos com alimentação, análises e laudos técnicos, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de limpeza, material de segurança, pedágio, resíduos industriais, sistema de tratamento da água. Valor total da glosa no período R$ 6.290,63. Dentre os gastos gerais de fabricação, o contribuinte incluiu na composição da base de cálculo para apuração dos créditos despesas que não se enquadram no conceito de insumos. Geram direito ao crédito como insumos, além das matériasprimas e produtos intermediários que se integrem ao produto final, também aqueles que, embora não se integrando a tal produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Considerase "consumo" o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de uma ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. O que não é o caso de nenhuma das despesas relacionadas nos demonstrativos a seguir, as quais foram integralmente glosadas. Base legal: artigo 39 da Lei n9 10.637/2002, e artigo 3a da Lei na 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ne 10.865/2004, art. 346; IN SRF ns 247, de 2002, art. 66, inciso I, alínea "b" e seu § 59, inciso I, alíneas "a" e "'" e . 67; IN SRF n9 358, de 2003, art. 19; IN SRF na 404, de 2004, art. 8a, inciso I, alínea "b", seu § 4a, inciso I, alíneas "a" e V, e seu § 98. Despesas com combustíveis não utilizados com insumos: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 Valor total da glosa no período R$ 5.990,88. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a combustíveis. Entretanto, estes não se enquadram como insumos em seu processo produtivo, ficando seu aproveitamento fora do contemplado pela legislação de regência. Base legal: Lei n9 10.637/2002 artigo 35 inciso II, Lei n9 10.833/2003 artigo 39 inciso II, com redação dos artigos alterada pela Lei na 10.865/2004, IN 247 artigo 66 parágrafo 5a inciso I a, IN 404 artigo 8a parágrafo 5a inciso I a. Observação: entre as hipóteses de geração de créditos previstas na legislação, constam os dispêndios com combustíveis e lubrificantes. Entretanto tais aquisições apenas geram créditos das contribuições na hipótese dos combustíveis e lubrificantes serem "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda", a teor do disposto nas Leis citadas acima. As hipóteses de geração de créditos são exaustivas, não admitindo interpretação exaustiva. De acordo com o disposto nas Instruções Normativas citadas acima, entendese como insumo: "a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e qualquer outro bem que sofra alteração, tal como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Para o Dicionário Eletrônico Aurélio Século XXI, matériaprima é: "A substância bruta principal e essencial com que é fabricada alguma coisa". Dai ser fácil concluir que combustíveis e lubrificantes não constituem a substância bruta essencial da qual é feito o curtimento e outras preparações de couro as atividades industriais do contribuinte. Creditamento sobre mercadorias recebidas com fim específico de exportação (somente para o processo 13056.001017/200846, pois o fato ocorreu apenas no mês de setembro de 2008): Valor total da glosa no período R$ 34.202,64. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a entrada de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, na operação em que recebe cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. O Contribuinte apurou em setembro de 2008, créditos em relação a entrada de mercadorias recebidas com fim específico de exportação de Bianchini S/A, CNPJ na 87.548.020/002042 em 25/09/2008, exportandoas no mesmo dia para Larent S.A., sediada em Montevideo, Uruguai, do mesmo porto de onde recebeu as mercadorias, Rio Grande, atuando como comercial exportadora nessa operação. Essa operação não dá direito a aproveitamento de créditos pela legislação de regência. Base legal: artigo 59 da Lei nfi 10.637/2002, e artigos 6a, §4a e 15a, inciso III da Lei n9 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei n9 10.865/2004. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade por meio da qual apresentou as seguintes razões para a reforma da decisão, conforme resumo elaborado pelo Julgador de 1º Grau que reproduzo, graças á sua objetividade e suficiência: ... discorda da glosa implementada, defendendo a legitimidade do "direito creditório pleiteado. Afirma que haveria afronta ao princípio da não cumulatividade na vedação ao aproveitamento de insumos adquiridos de pessoas físicas. As vedações impostas pelas leis n° 10.637/2002, n° 10.833/2003 e n° 10.865/2004 não encontrariam fundamento de validade, pois estariam tratando de matéria reservada à Lei Complementar. Discorda do conceito de insumo, entendendo que esse já foi superado pela própria Receita Federal. Alega que os créditos sobre combustíveis e lubrificantes glosados referemse a compras de óleo diesel utilizado para abastecer caminhões que transportam mercadorias compradas pela empresa. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 4 5 Os Julgadores a quo, apreciaram a contestação da contribuinte e demais documentos que instruem o processo e teceram as seguintes considerações e conclusões: o não apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade; o nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, poderá ser considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e encargos expressamente classificados nos incisos do art. 3o da Lei n° 10.637/2002, o apenas os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas darão direito à credito das contribuições. Portanto, os insumos adquiridos de pessoas físicas não podem ser considerados no cálculo dos créditos das referidas contribuições, por vedação legal. o A legislação acima transcrita tampouco contempla a possibilidade de descontar créditos decorrentes de bens e serviços de natureza comercial ou administrativa. o A interessada apurou créditos oriundos de diversos gastos da empresa, inclusive a aquisição le combustíveis consumidos na frota de veículos da empresa,. Nesse caso, conforme dispôs o art. 3o, II, da Lei n° 10.637/2002, (....) o cálculo de créditos está limitado aos bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, no caso, exportados. o o combustível utilizado pela frota da empresa e os demais gastos gerais de fabricação não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação, uma vez que não foram aplicados ou consumidos no processo de fabricação ou produção desenvolvido pela empresa, e, por isso, foram corretamente glosadas. O Acórdão n.º 10.27.150, proferida pela respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre em 02/09/2010, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal/normativa para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de PIS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as razões apresentadas na manifestação de inconformidade, das quais, além das apontadas no resumo anterior deste relatório, reproduzo os seguintes trechos: o os incisos II do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 c da Lei n° 10.833/2003 são taxativos ao permitir créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. o O entendimento de que tanto o frete gasto na aquisição de mercadorias, quanto o combustível, considerado custo direto de transporte, pode compor o Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 somatório dos créditos de PIS e COFINS, já foi pacificado pela própria Receita Federal do Brasil, que através de diversas SOLUÇÕES DE CONSULTA; o A jurisprudência do Conselho de Contribuintes também é pacífica no sentido de reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas para não ferir o princípio da nãocumulatividade na apuração dos valores devidos no regime do PIS e COFINS nãocumulativoS. o Para transportar as matériasprimas adquiridas dos estabelecimentos dos fornecedores até suas instalações industriais, a fiscalizada utilizase tanto de transportadoras contratadas, para as quais paga frete, como dos veículos próprios, pois possui uma frota de caminhões utilizados para este fim. O recurso chegou ao Conselho e foi submetido à sessão de 24/04/2012, quando, por unanimidade o julgamento foi convertido em diligência. Na Resolução n.º 3401 000.455 podemos ver que forma as seguintes as decisões tomadas pelo Colegiado: o No que tange aos insumos adquiridos de pessoas físicas e pelas despesas administrativas e comerciais, não conheço do recurso, uma vez que questões sobre a constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do poder judiciário, não sendo a esfera administrativa competente para se pronunciar sobre este ponto. Corrobora este entendimento a Súmula CARF n° 2,..; o quanto às glosas sobre despesas com combustíveis merece êxito a demanda da recorrente, uma vez que a contribuinte defende o aproveitamento de créditos do PIS para combustíveis e lubrificantes, pois, neste caso, eles utilizados na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor, o merece êxito a demanda da recorrente quanto às despesas com frete arcados pelo recorrente, pois integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis do PIS nãocumulativo devido mensalmente, assim, como as despesas com frete suportadas pelo contribuinte. o necessária uma diligência para que se apure o valor alimentação, análises/laudo técnico, assistência médica, combustível, despesas com transporte, despesas com veiculo, indumentária e material de trabalho, material de limpeza, pedágio, resíduos industriais, e sistema de tratamento de água; bem como a apresentação de documentação comprobatória que corrobore com a existência dos créditos pleiteados. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal informou e propôs: o parte das despesas com alimentação e das despesas com transporte foram descontados dos funcionários em folha de pagamento, a título de vale refeição e vale transporte; a contribuinte não arcou com esses custos, devendo ser deduzida dos créditos relativos a essas despesas. 1º trimestre de 2008 valor descontado com alimentação valor descontado com transporte petição original valor total 48.660,19 15.246,00 parte com ônus da contribuinte 39.955,95 7.069,51 parte com ônus dos funcionários 8.704,24 8.176,49 o houve devolução de compra de parte das despesas com Análise e laudo técnico (R$ 81,00) e devolução de compra de parte das despesas com veículos (R$ 111,00), então não ocorreram esses custos e eles devem ser excluídos da base de cálculo dessas despesas, para se apurar os créditos; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 5 7 o parte das despesas com veículos se referem a pagamento do IPVA e licenciamento (R$ 29.244,09), e elas não poderiam gerar crédito uma vez que nelas não estão contidos pagamentos da contribuição; esses pagamento foram feitos a pessoa jurídica de direito público interno; o parte dos pagamentos para obter a prestação de serviços (R$ 31.644,00) foram feitos a pessoa jurídica isenta (Utresa Usina de Tratamento de Resíduos SA), não podendo gerar direito a crédito, consoante o que dispõe o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; o Não foram apresentados documentos comprobatórios das despesas de pedágio (R$ 1.320,00) e despesas com combustíveis e lubrificantes (R$ 630,00), devendo por esse motivo serem glosados na apuração do crédito a partir dessas despesas. A autoridade fiscal conclui com quadro discriminando os valores das despesas, mês a mês, em atendimento à diligência solicitada. A contribuinte foi intimada dessa informação fiscal e das suas proposições, mas nada contestou. O processo retorna a este Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 6 9 Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumo processoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 7 11 publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito propriamente dito I Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que apresenta como sua finalidade e atividade de empreendimento a exploração de peles de gado. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos no tratamento de peles de gado, e que ele constitui processo de produção do qual resultam, principalmente, bens de consumo, feitos com pele de gado (ex.: bolsas, cintos, sapatos) e destinado ao comércio, ou peles prontas (curtidas) para serem usadas em novo processo de transformação (ex.: indústrias de sapatos, de bolsas, etc). Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de tratamento das peles de gado. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. No caso em discussão neste processo, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Despesas com combustíveis não utilizados como insumos A autoridade de jurisdição glosou estas despesas por entender que esses combustíveis e lubrificantes não podem gerar direito a crédito, pois não foram "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda." (inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei n. 10.833, de 2003). A contribuinte explicou que essas despesas se referem a combustíveis que supriram os caminhões que transportaram os produtos por elas adquiridos. Os julgadores a quo entenderam pela manutenção da glosa por que eles não foram aplicados no processo de produção. A meu ver, o combustível e lubrificante usados nos caminhões para transportar os bens adquiridos até a contribuinte não se constitui em atividade do seu processo de produção, não podendo ser considerado insumo e justificar o direito a crédito por esse ângulo. Também não podem ser considerados como despesas relacionadas às vendas. Por isso, proponho não dar provimento ao recurso voluntário neste item. Gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo: São eles, gastos com alimentação, análises e laudos técnicos, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 8 13 despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de limpeza, material de segurança, pedágio, resíduos industriais, sistema de tratamento da água. Como pude explicar antes neste voto, os gastos, custos e encargos que podem dar direito a crédito são os relacionados a fatores necessários ao próprio processo de produção. E eles não se circunscrevem à estreiteza das definições hauridas da legislação do IPI, mas também não podem se estender tão largamente quanto as hauridas a partir da legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A contribuinte se identifica como uma empresa tradicional no ramo da exploração de peles de gado. Depreendese que os gastos de fabricação glosados se referem à exploração de peles. Necessário, então, analisarmos a relação do motivo de cada um desses gastos com o processo de produção que trata as peles de gado, apoiandonos nas informações constantes do processo e no critério que esposamos para reconhecer o direito a crédito. Suponho que um processo de produção que explora as peles de gado compreende uma série de atividades, procedimentos e aplicação de produtos de tratamento das peles. Resumidamente, creio que o processo compreende esfola, conservação com cloreto de sódio, cal e produtos químicos, lavagens (ou remolhos), separação dos tecidos cartilaginoso, dérmico e outros (ex.: descarne, depilação, etc), laminação, purgação, acidificação, curtimento, acabamento, cortes. E que há uso intensivo de vários produtos químicos (ex.: cloreto de sódio, sais de crômio, antissépticos, cal, e outros) e de água. A natureza altamente perecível e deteriorável das peles, e a natureza dos tratamentos usados, justificam a necessidade de uso de indumentárias e equipamentos de segurança para os trabalhadores. A geração de resíduos também justifica que haja tratamento desse resíduos e da água utilizada ao longo desse processo de produção. Com essa breve descrição, concluo que me pareceme existir uma relação justificável com esse tipo de processo de produção os motivos de gastos representados pelos "laudos técnicos", "combustíveis com empilhadeiras", "indumentárias e materiais de trabalho", "material de segurança", "material de limpeza", "laboratório", "resíduos industriais" e "sistema de tratamento de águas". Para esses, proponho ao Colegiado dar provimento ao recurso voluntário, com os ajustes feitos pela autoridade fiscal em resposta à diligência. A informação fiscal em resposta à diligência solicitada por este colegiado nos dá conta que há uma compra de laudo técnico (R$ 81,00) que não se efetivou por que houve devolução. E também que houve a aquisição de serviços para tratamento de resíduos industriais (R$ 31.644,00) de empresa isenta, que não é contribuinte do tributo aqui em discussão. Em ambos a autoridade de jurisdição comenta que elas deverias ser glosadas da base de apuração do crédito. Concordo com ela, pois, de fato, um desses gastos não constituiu custo efetivo, e o outro se refere a operação isenta, hipóteses prevista na lei como exclusão da base de apuração do crédito. Entretanto, as demais despesas e gastos, "alimentação", "assistência médica", "despesas com importação", "despesas com transporte", "despesas com veículos", "material de expediente" e "pedágio", não identificoos como fatores do próprio processo de produção. Ademais, a contribuinte não traz aos autos informações que esclareçam como esses fatores se integram no processo de produção. Por exemplo: não há detalhamento de como o transporte e os veículos se integram no processo de tratamento das peles de gado. A contribuinte têm o Fl. 421DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 ônus de provar o que alega, o que, a meu juízo, se aplica ao caso. A contribuinte deixou de instruir seu recurso com o que provaria suas alegações. Assim, por essas razões, com relação a essas despesas e gastos, proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. II Despesas com aquisição de bens e serviços junto a pessoas físicas: Pareceme que razão assiste à autoridade de jurisdição. O artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n5 10.637/2002, e artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, artigos 21 e 37, o direito a crédito se aplica exclusivamente aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. Ademais, a contribuinte para defender a manutenção dessas despesas argumenta a inconstitucionalidade dessa limitação legal. Os julgadores a quo e este Colegiado, na Resolução anteriormente citada, não conheceram dessas argumentações, face o que dispõe a Súmula CARF 2. Proponho a este Colegiado, com relação a essas despesas pagas a pessoas físicas, não conhecer os argumentos de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF 2 e não dar provimento ao recurso quanto aos demais argumentos. III Despesas administrativas e despesas com vendas (comerciais): Pareceme que razão assiste à autoridade de jurisdição. O artigo 3º, da Lei n5 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, não prevêem o direito a crédito para despesas administrativas e despesas com vendas (comissões, cobrança, feiras, exposições, propaganda e publicidade) , conforme pude explicar anteriormente neste voto. Ademais, a contribuinte para defender a manutenção dessas despesas argumenta a inconstitucionalidade dessa limitação legal. Os julgadores a quo e este Colegiado, na Resolução anteriormente citada, não conheceram dessas argumentações, face o que dispõe a Súmula CARF 2. Proponho a este Colegiado, com relação a essas despesas administrativas e com vendas, não conhecer os argumentos de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF 2 e não dar provimento ao recurso quanto aos demais argumentos, por falta de fundamentação na lei. Conclusão Em minha visão, se deve dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos deste voto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 422DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001023/200801 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 9 15 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 14489.000043/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 28/02/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Constitui crédito previdenciário, nos termos do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, os valores pagos ou creditados a segurados empregados a título de Participação nos Lucros da Empresa, em desacordo com a Lei nº 10.101/00.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO GERADOR VÁLIDO. LANÇAMENTO MOTIVADO Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Contribuinte o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos ou creditados a segurados empregados a título de Participação nos Lucros da Empresa, em desacordo com a Lei nº 10.101/00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora
EDITADO EM: 09/09/2015
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Graziela Parisotto, Andre Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Constitui crédito previdenciário, nos termos do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, os valores pagos ou creditados a segurados empregados a título de Participação nos Lucros da Empresa, em desacordo com a Lei nº 10.101/00. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO GERADOR VÁLIDO. LANÇAMENTO MOTIVADO Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Contribuinte o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 00 43 /2 00 7- 49 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos ou creditados a segurados empregados a título de Participação nos Lucros da Empresa, em desacordo com a Lei nº 10.101/00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Graziela Parisotto, Andre Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14489.000043/200749 Acórdão n.º 2302003.662 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/07/2000 a 28/02/2005 Data de lavratura da NFLD: 07/08/2007. Data de ciência do Auto de Infração: 08/08/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa TEL TRANSPORTES ESTRELA S.A em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 14ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ que julgou PROCEDENTE EM PARTE a Impugnação ao crédito lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada sob o DEBECAD nº 37.102.9236, referente às contribuições previdenciárias lançadas nos termos do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros da Empresa, por não estar amparada pelos requisitos constantes na Lei nº 10.101/00, no período de 01/07/2000 a 28/02/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 42/44. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o ora Recorrente apresentou Impugnação às fls. 121/162, acompanhada dos documentos de fls. 163/230, em 05/09/2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro /RJ lavrou Decisão Administrativa, formalizada no Acórdão nº 1221.493 da 14ª Turma da DRJ/RJOI, às fls. 245/257, julgando procedente em parte o lançamento fiscal impugnado e excluindose do mesmo as competências 07/2000 a 07/2002, por terem sido abrangidas pela decadência prevista no artigo 150, § 4º do CTN. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a qual manteve parte do lançamento fiscal, o Recorrente cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/01/2012, conforme Aviso de Recebimento a fls. 262/263 interpôs Recurso Voluntário às fls. 264/271, ratificando suas alegações anteriormente expendidas, em relação ao débito remanescente, e respaldando sua irresignação em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Que o débito em questão está maculado por vícios de legalidade e forma, já que inexiste fato gerador a justificar o lançamento fiscal, uma vez que a rubrica “Participação nos Lucros” eleita pela fiscalização como integrante do salário de contribuição é inadequada e a interpretação dada pelo i. Auditor Fiscal, bem como pelo i. Relator do Acórdão combatido, não refletem a realidade de como o incentivo foi convencionado entre a empresa e os empregados e pactuado nas respectivas Convenções Coletivas de Trabalho nos anos de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, juntadas aos autos às fls. 174/230; Que diante da inexistência de fato gerador, carece de motivo o lançamento em comento, e sua ausência provoca a invalidação do ato, conforme disciplina contida na alínea “d”, do Parágrafo único, do Artigo 2º da Lei nº 4.717, de 29/6/1965 (Lei da Ação Popular) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Que a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa encontrase amparada pela Lei nº 10.101/00, estabelecendo em seu texto 3 (três) condições restritivas para a fruição desse incentivo, e que a Recorrente cumpre os três, a saber: a) A negociação entre as partes será desenvolvida por uma comissão previamente escolhida, convenção ou acordo coletivo – No presente caso a negociação entre as partes foi estabelecida por Convenção Coletiva, conforme se depreende da leitura da Cláusula 33 de todas as Convenções Coletivas juntadas aos autos (anos 2000 a 2004) – Fls. 174/230, satisfeito desta forma o disposto no caput do art. 2º da Lei nº 10.101/2000; b) Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras – Na Convenção Coletiva foi estabelecida regra clara e objetiva quanto ao recebimento da participação no lucro pelos empregados, ou seja, cada trabalhador receberia determinada importância durante o ano civil, levando em consideração a aquisição pelo período trabalhado nos meses anteriores, desde que, tivessem freqüência igual ou superior a 15 (quinze) dias no mês Cláusula 33 – Parágrafo Único , atendendo, via de consequência, o parágrafo 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/10; c) É vedado o pagamento de qualquer distribuição com periodicidade menor que duas vezes no mesmo ano civil – para atender esse requisito ficou convencionado que o pagamento da Participação nos Lucros da Empresa seria realizado em 2 (duas) parcelas, definidas também na Cláusula 33 do mencionado instrumento, restando obedecido, por fim, o parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/00; Em relação à ausência de critérios e condições adotados para a distribuição da referida verba, mencionados pelo i. Auditor Fiscal e i. Relator do acórdão combatido, o Recorrente esclarece que os mesmos também estão dispostos no Parágrafo Único da Cláusula 33 da Convenção Coletiva firmada entre a Empresa e seus Trabalhadores. A meta, segundo seu entendimento, é a diminuição do absenteísmo, de forma a aumentar a qualidade e produtividade do serviço. A ação visa estimular a presença e desestimulando as ausências ao trabalho, através de práticas gerenciais e culturais que privilegiam a participação ao mesmo tempo em que desenvolvem atitudes, valores e objetivos dos funcionários favoráveis à participação, gerando assim maior satisfação da parte dos funcionários; Já em relação aos índices e programas citados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, não fazem parte da lista exaustiva, estando dispostos, entre outros, como forma clara e objetiva de fixação dos direitos substantivos dos trabalhadores; assim, a ausência dos mesmos não contraria o disposto em Lei, visto que a mesma só determina como fator condicionante, a existência de regramento claro e objetivo na participação, e isso o Contribuinte cumpriu; Nessa esteira de entendimento entende o Recorrente que os valores pagos a título de Participação dos Trabalhadores nos Lucros da Empresa NÃO integram o salário de contribuição, conforme descrito no artigo 3º da Lei nº 10.101/00; Ao final requer, preliminarmente, que se declare a improcedência do lançamento fiscal em comento, anulando o Acórdão recorrido, requerendo ainda a realização de SUSTENTAÇÃO ORAL, nos termos do RICARF. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14489.000043/200749 Acórdão n.º 2302003.662 S2C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 18/01/2012, conforme AR juntado às fls. 2620263, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 13/02/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA INEXISTÊNCIA DO FATO GERADOR – AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO CAUSA DE NULIDADE O Recorrente alega em sua defesa a inexistência de fato gerador capaz de justificar o procedimento fiscal, e que dessa forma carece de motivação o lançamento in casu, e essa ausência provoca a invalidação do ato administrativo, conforme disciplina contida na alínea “d”, do Parágrafo único, do Artigo 2º da Lei nº 4.717, de 29/6/1965 (Lei da Ação Popular), in verbis: Art. 2° São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: (...) d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; Cumpre de plano assentar que a preliminar argüida não pode prosperar tendo em vista que foram considerados como fatos geradores das contribuições lançadas nos presentes autos, os pagamentos ou créditos efetuados a segurados, a título de participação nos lucros, realizados em desacordo com a legislação que rege a matéria. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Conforme já esclarecido pela instância a quo, a participação dos trabalhadores urbanos e rurais nos lucros ou resultados das empresas, está prevista no artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal de 1988, nos seguintes termos: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (grifos nossos) Paralelamente a Medida Provisória n° 794/94 e suas sucessivas reedições, posteriormente convertida na Lei n° 10.101/2000, regulamentou a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, prevista no artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, acima mencionado. Ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, a referida Lei, nos artigos 2º e 3º, assim, estabeleceu: Art. 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § l° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Art.3º A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14489.000043/200749 Acórdão n.º 2302003.662 S2C3T2 Fl. 5 7 Com efeito, a Convenção Coletiva firmada entre os Sindicatos representativos da categoria dos trabalhadores e da empresa, com vigência a partir de primeiro de março de 2000, em sua Cláusula 33 às Fls. 174/182, estabeleceu a participação de todos os empregados vinculados à categoria do Sindicato dos Empregados, nos Lucros ou Resultados das Empresas, nos seguintes termos: CLÁUSULA 33 Em atendimento ao que determina a MP n° 198268/2000 e com aplicação do disposto no art. 3° e seus parágrafos, a título de pagamento por Participação nos Lucros das Empresas, estas pagarão a partir de 01 de março/2000, a todos os seus empregados vinculados à categoria do Sindicato obreiro, a importância de R$ 120,00 (cento e vinte reais). O pagamento da parcela será feito em duas prestações, sendo a primeira em agosto/2000 e a segunda em fevereiro/2001, levando em consideração a aquisição pelo período trabalhado, nos seis meses anteriores. Parágrafo Único — Os empregados que tiveram com seus contratos vincentes, farão jus a 1/12 (um doze avos) do valor anual ajustado desde que tenham, em cada período, freqüência igual ou superior a 15 dias no mês. Registrese, por relevante, que esses mesmos critérios para participação dos empregados nos lucros da empresa, estabelecidos na Cláusula 33 supramencionada, foram repetidos nas Convenções Coletivas com vigência a partir de 01/03/2001 (Fls. 183/194), de 01/03/2002 (Fls. 195/206), de 01/03/2003 (Fls. 207/219) e de 01/03/2004 (Fls. 220/230). Note se ainda que a cláusula que dispõe sobre a participação nos lucros é coincidente em todos os instrumentos juntados (Cláusula 33), bem como que o valor a ser pago ao empregado em duas parcelas (R$ 120,00) e os meses de pagamento, permaneceram constantes nos textos de todos os Instrumentos juntados. Nessa perspectiva, em continuidade à análise da Cláusula 33 que estipulou a participação dos empregados nos lucros das empresas, verificase que a referida participação era concedida em valor único (R$ 120,00, pagos em duas parcelas), a todos os empregados vinculados à categoria do Sindicato dos Trabalhadores e, para a sua concessão, não foram estabelecidos índices de produtividade, de qualidade ou lucratividade da empresa, nem programas de metas e resultados, conforme previsto no artigo 2º , § 1º , da Lei n° 10.101/2000. Contextualizado nesses termos, verificase, de forma inconteste que as Convenções Coletivas firmadas entre os Sindicatos representativos da categoria dos trabalhadores e da empresa (Fls. 174/230), não atendem as exigências estabelecidas no artigo 2º, § 1º, da Lei n° 10.101/2000, em posição diametralmente oposta a afirmada pelo Recorrido em seu Recurso Voluntário. Nesse descortino, temse que o artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, define o salário de contribuição dos segurados empregados, enquanto que o § 9º do mesmo artigo relaciona as rubricas não sujeitas à incidência da contribuição previdenciária, conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n"9.528, de 10/12/97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) (...) Ainda nessa esteira de entendimento, o artigo 214 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispõe: Art. 214 Entendese por saláriodecontribuição: I (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica " § 10º As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (grifos nossos); Tais diretivas, calçadas no conjunto normativo encimado, nos conduz ao entendimento de que os valores pagos pelo Recorrente, a título de participação nos lucros, foi realizado ao arrepio da legislação que rege a matéria, integrando, dessa forma, o salário de contribuição da Previdência Social, uma vez que o pagamento da referida rubrica, na forma realizada, não atende aos pressupostos legais para a não incidência da contribuição previdenciária. Nesse cenário, o artigo 37, caput, da Lei n° 8.212/91, orienta e valida o procedimento fiscal desenvolvido, quando do lançamento do crédito fiscal em debate, ao estabelecer: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14489.000043/200749 Acórdão n.º 2302003.662 S2C3T2 Fl. 6 9 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Deflui de todos os argumentos até então expendidos, em sede preliminar, que a motivação para a constituição do crédito sob exame está amplamente demonstrada, logo, a argüição de nulidade do lançamento é totalmente improcedente. Nesse contexto, a Fiscalização, constatando o descumprimento dos requisitos essenciais para a fruição do incentivo estipulado na Lei nº 12.101/00, levantou o competente débito relativo ao período mencionado no Relatório Fiscal, tudo em perfeita sintonia com os preceitos insculpidos na legislação que rege a matéria. Notese que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitorial, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária ao caso concreto (situação de fato), cujo resultado pode ou não resultar no correspondente lançamento tributário. Nessa fase preliminar, há coleta de informações, dados, elementos de prova, oitiva de testemunhas, análise de documentos, verificação dos registros contábeis e fiscais, tudo objetivando a apuração de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Diante do que ora se expõe, rejeito a preliminar de nulidade de ato administrativo, tendo em vista que restou amplamente demonstrado que o lançamento fiscal foi motivado e o fato gerador que calçou a ação fiscal decorre de clara e expressa previsão de lei, inexistindo a ausência de motivação alegada pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passo diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Inicialmente cumpre consignar que os fatos e/ou as matérias que não foram contestados expressamente, tanto em sede de Impugnação como em fase de Recurso Voluntário, são considerados verdadeiros, restando preclusas eventuais arguições em momento posterior, nos termos da legislação que rege a matéria, razão pela qual não serão objeto de apreciação por este Colegiado. Impendese ainda salientar que qualquer questão de fato ou de direito, estranhas ao presente lançamento, ou não oferecidas à apreciação perante o Órgão Julgador de 1ª Instância, não serão objeto de apreciação por esta Corte de Julgamento Administrativa, em face ao que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS FATOS GERADORES A Recorrente alega exaustivamente que inexiste fato gerador para o levantamento em questão vez que a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa ocorreram em estrita consonância com o que dispõe a Lei nº 10.101/00. Aduz que cumpre TODOS os requisitos insculpidos na Lei nº 10.101/00 para fruição do incentivo nela regulado, tendo em vista que a negociação entre as partes foi estabelecida por Convenção Coletiva; que no referido instrumento restou convencionado regra clara e objetiva quanto ao recebimento pelo empregado da participação no lucro (aquisição pelo período trabalhado nos meses anteriores, desde que, tivessem uma freqüência igual ou Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 superior a quinze dias no mês); bem como que ficou definido que o pagamento seria realizado em duas parcelas – e que todos esses critérios estão dispostos na Cláusula 33 e em seu parágrafo único da Convenção Coletiva firmada entre empresa e trabalhador. Esclarece ainda que em relação aos critérios e condições adotados para a distribuição da referida verba, os mesmos também estão dispostos no Parágrafo Único da Cláusula 33 da já mencionada Convenção Coletiva firmada entre a Empresa e seus Trabalhadores. Informa que a meta que se buscou alcançar com a adesão ao incentivo constante da Lei nº 10.101/00 foi a diminuição do absenteísmo, de forma a aumentar a qualidade e produtividade do serviço. Defende que essa ação visa estimular a presença, desestimulando as ausências ao trabalho, através de práticas gerenciais e culturais que privilegiam a participação ao mesmo tempo em que desenvolvem atitudes, valores e objetivos dos funcionários favoráveis à participação, gerando assim maior satisfação da parte dos funcionários. Referidas alegações não podem prosperar, ao contrário do entendimento adotado pelo Recorrente, a forma de fruição do incentivo PRL praticado pela empresa, não está amparado pela Lei nº 10.101/00, o pretendido incentivo fiscal só está apto a ser usufruído se o Contribuinte atender a todas as exigências estabelecidas em lei. Contextualizado nesses termos o quadro jurídico normativo aplicável ao caso espécie, visualizando a questão controvertida ora em debate, verificamos que a alínea ‘j’ do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR é uma ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas para auxiliar no cumprimento de metas e diretrizes das organizações, permitindo assim que os empregados tenham uma maior participação e se empenhem mais na produtividade da empresa, além do seu esforço cotidiano, decorrente das relações normais decorrentes do contrato de trabalho A PLR é uma remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou atingimento das metas estabelecidas previamente pelo empregador. Sua criação decorre de previsão constitucional, que outorga à lei ordinária a competência para sua normatização e, em se tratando de norma constitucional de eficácia limitada, depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições produzam os efeitos pretendidos pelo Constituinte. Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas à título de participação nos lucros, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com alei de regência, no caso a Lei nº 10.101/2000. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14489.000043/200749 Acórdão n.º 2302003.662 S2C3T2 Fl. 7 11 Assim, em atendimento ao comando constitucional em tela, introduzindo o Direito Social ora em debate, foi editada a Medida Provisória nº 794/94, a qual foi reeditada ao longo do tempo até ser convertida definitivamente na Lei nº 10.101/10. Da leitura e análise de todos os dispositivos legais que disciplinam a rubrica em pauta, entendese que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua criação, servir como instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa mediante o pagamento de um plus remuneratório, com o intuito de estimulálo a ter um rendimento operacional EXTRA, que exceda ao desempenho comum e ordinário, que lhe é exigido habitualmente como decorrência lógica e direta de seu contrato de trabalho. Advirtase que o conceito inerente ao incentivo à produtividade atrelado à PRL referese aos programas desenhados para recompensar, estimular e motivar empregados com desempenho extraordinário, que alteram positivamente os resultados a serem alcançados pela empresa, devendo ser totalmente desvinculada da remuneração paga ao empregado. No presente caso, o Recorrido deixa claro em suas alegações de defesa que o objetivo do valor ofertado na Convenção Coletiva de Trabalho é estimular a presença do empregado no trabalho. Ora Ínclitos Julgadores, assiduidade é obrigação ordinária do trabalhador, podendo ser considerada inclusive, em caso de faltas abusivas, abandono de emprego a justificar a demissão por justa causa. O empregado não pode ser estimulado com a promessa de um ganho adicional remuneratório para cumprir com um dever inerente ao seu contrato de trabalho, para o qual é remunerado; para essa prática a empresa deverá adotar outro tipo de política de recursos humanos, não a PLR, pelo menos não acreditando que irá se beneficiar dos incentivos fiscais estipulados em lei, já que nesses moldes estará sendo auferida ao arrepio da legislação que rege a matéria (Lei nº 10.101/00). Notese que a fruição da isenção tributária oportunizada na norma, depende do adimplemento integral das condições estabelecidas na lei concessiva, in casu, alínea “j”, § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 c/c a Lei nº 10.101/2000. Depreendese de tudo que até o momento se analisou, que a PLR sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade objetiva com a redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida em razão do contrato de trabalho existente entre as partes. Ou seja, o plano de incentivo à produtividade de que trata a lei, tem que traduzir de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho extra, adicional do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório, que só irá ocorrer se a empresa alcançar suas metas e auferir LUCRO, momento então em que ocorrerá a PLR. É importante esclarecer que o desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante SALÁRIO. O desempenho EXTRAORDINÁRIO do trabalhador, visando atingir metas e objetivos de excelência, fixados previamente pela empresa, que excedam os resultados normalmente alcançados, esse sim, será remunerado mediante a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 É na integração Capital vs Trabalho que a PLR se edifica, a empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc... O trabalhador ganha o plus remuneratório consubstanciado na PLR. O Recorrido alega que os índices e programas citados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00 não fazem parte de lista exaustiva estando dispostos, entre outros, como forma clara e objetiva de fixação dos direitos substantivos dos trabalhadores; assim, a ausência dos mesmos não contraria o disposto em Lei, visto que a mesma só determina como fator condicionante, a existência de regramento claro e objetivo na participação, e isso o Contribuinte cumpriu. Ressaltese que da leitura dos mencionados dispositivos legais, acima mencionados, observase que o legislador infraconstitucional de fato optou por não engessar, em seu texto, os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer em seus planos de PLR os objetivos que melhor se adequem à realidade experimentada por cada empresa, elencando, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programa de metas, resultados de prazos, pactuados previamente. Entretanto, é de compreensão mediana a intenção firme da lei pela existência de delimitação clara e precisa de um plano de PLR, onde conste um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da empresa, sem o qual a caracterização legal da PLR resta absolutamente comprometida. Nesse diapasão, ainda que a empresa decline em optar por qualquer um dos critérios descritos nos incisos I e II do § 1º do art. 2º da Lei nº10.101/2000, ela deve necessariamente descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser atingido pelo seu quadro funcional, na consecução e realização do plano de participação dos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. O objetivo da lei é que haja um comprometimento efetivo do dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação extra, um cuidado e empenho diferenciado, superior ao normalmente exercido em suas atividades cotidianas, buscando atingir as metas previamente fixadas no acordo para que possa obter o direito subjetivo estipulado no plano de participação. Isso porque, como já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho tem natureza jurídica de salário, remuneração direta pelo trabalho rotineiro e usual oferecido rotineiramente pelo trabalhador a empresa e, nessas condições, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, como ocorreu no caso em testilha, onde os critérios e condições adotados para participação e distribuição dos lucros e resultados da empresa, adotou como meta a diminuição do absenteísmo, estimulando as presenças e desestimulando as ausências ao trabalho. Ou seja, a PRL foi paga em razão de desempenho decorrente de compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho, tendo portanto natureza salarial e integrando assim o salário de contribuição. O caso que ora se analisa é exemplo concreto de que a inexistência de regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo constante no instrumento de negociação, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que de fato incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido satisfatoriamente pelo empregado, premiando efetivamente os trabalhadores que envidaram esforços supranormais para sua consecução, transforma o PLR deficiente na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14489.000043/200749 Acórdão n.º 2302003.662 S2C3T2 Fl. 8 13 remunerado mediante salário, sujeito assim a incidência das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Cumpre ainda esclarecer que um único artigo repetido em todas as Convenções Coletivas juntadas pela Recorrente, não possui o condão de materializar as regras claras e objetivas, pretendidas por lei, referentes aos direitos substantivos dos empregados, para mencionar o incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano e as regras adjetivas, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. É verdade que na mencionada Cláusula 33 da Convenção Coletiva apresentada consta a periodicidade da distribuição, o valor fixado, e a motivação para seu pagamento – a qual, como já esclarecido, é de natureza salarial já que oriunda de desempenho ordinário do contrato de trabalho . O que se observa ainda é que nas Convenções Coletivas juntadas não há como estabelecer claramente as regras e critérios de cálculo e distribuição da Participação nos Resultados, os mecanismos de avaliação do desempenho da empresa e dos empregados e demais fatores que influenciaram na determinação dos valores a serem pagos, razão pela qual, também, a fiscalização concluiu que o PLR apresentado não cumpria os requisitos da Lei nº 10.101/2000. Frisese que a Recorrente nada apresentou, além das Convenções Coletivas, que demonstre de forma “clara e objetiva” as regras e metas do PLR implementado; não há qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior a habitual, por parte dos trabalhadores, assim o que se observa é que o comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir, até porque, como já dito, os mesmos critérios para participação dos empregados nos lucros da empresa, estabelecidos na Cláusula 33 da Convenção Coletiva de 2000, foram repetidos nas Convenções Coletivas com vigência a partir de 01/03/2001 (Fls. 183/194), de 01/03/2002 (Fls. 195/206), de 01/03/2003 (Fls. 207/219) e de 01/03/2004 (Fls. 220/230). Note se ainda que a cláusula que dispõe sobre a participação nos lucros é coincidente em todos os instrumentos juntados (Cláusula 33), bem como que o valor a ser pago ao empregado em duas parcelas (R$ 120,00) e os meses de pagamento, permaneceram constantes nos textos de todos os Instrumentos juntados. Alicerçado nesses fundamentos, resta claro que a PLR desenvolvida pela Recorrente fere a legislação de regência ( Lei nº 12.101/2000); os instrumentos de Convenção Coletiva apresentados (Fls. 174/230) carecem de critérios, contornos mínimos de clareza e objetividade capazes de estampar qualquer tipo de detalhamento capaz de levar a efetiva e correta apuração das avaliações de desempenho dos empregados, que irão refletir no cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir; não há prova de que houve um plano prévio para implementação do PLR. Também ficou demonstrado que o critério utilizado para a distribuição da referida verba decorre do desempenho regular e ordinário do trabalhador da Recorrente, decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho, possuindo assim natureza jurídica de salário, de remuneração direta paga pelo trabalho rotineiro e usual, o qual é oferecido rotineiramente pelo trabalhador a empresa e, nessas condições, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias; aliás, dentre outros aspectos, não há sequer nos autos demonstração de que no período fiscalizado a empresa auferiu lucro de forma a distribuílo entre os empregados, nem tampouco a justificar o valor que fixou nas Convenções de Trabalho. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Não há nos autos nenhuma prova de que esse incentivo alavancou, no período fiscalizado, a produtividade da empresa, ou seja, na absoluta ausência de provas objetivas, também não foram juntadas quaisquer provas suplementares capazes de apontar pela legalidade do incentivo em comento. 4. CONCLUSÃO: Pelo exposto VOTO para CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10630.000387/2003-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO AO IRPJ. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo ao IRPJ, uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3802-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário dada a incompetência material da Turma para o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO AO IRPJ. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo ao IRPJ, uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário dada a incompetência material da Turma para o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente) e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO AO IRPJ. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo ao IRPJ, uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário dada a incompetência material da Turma para o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 03 87 /2 00 3- 92 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face da homologação parcial de compensações tributárias vislumbradas pelo sujeito passivo onde o crédito tributário apresentado diz respeito a saldo negativo do IRPJ do anobase de 2002. A DRJ Juiz de Fora, mediante acórdão de fls. 175/182, negou provimento à manifestação de inconformidade formulada pela interessada. Cientificado da referida decisão em 08/10/2009 (fls. 190), o sujeito passivo apresentou, em 05/11/2009, o recurso voluntário de fls. 191/196, onde requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a saldo negativo de IRPJ do anobase de 2002. De acordo com o artigo 7°, § 1°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF (vigente à época em que a 2ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF examinou a lide), “a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso I do artigo 2o do Anexo II do RICARF, segundo o qual compete à Primeira Seção deste Colegiado “[...] processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de:” I – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10630.000387/200392 Acórdão n.º 3802000.398 S3TE02 Fl. 212 3 A Terceira Seção do CARF, portanto, não pode manifestarse sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Formalizado o voto por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13808.002396/00-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995
RECURSO DE OFÍCIO. MODIFICAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. DIREITO INTERTEMPORAL.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 9101-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1995 RECURSO DE OFÍCIO. MODIFICAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. DIREITO INTERTEMPORAL. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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(incorporada por BANCO BARCLAYS SA) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 RECURSO DE OFÍCIO. MODIFICAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. DIREITO INTERTEMPORAL. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 23 96 /0 0- 12 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13808.002396/0012 Acórdão n.º 9101002.228 CSRFT1 Fl. 812 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em 15/06/2012, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial sobre decisão do CARF de não conhecimento do recurso de ofício contido nos presentes autos. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1202000.741, de 11/04/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso de ofício contra a decisão de primeira instância administrativa, em razão do limite de alçada. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: EXPORT NOTES. AQUISIÇÃO. CESSÃO. Não pode subsistir o lançamento fiscal de glosa de despesas com juros em operações com export notes, quando se verifica, em diligência, que foram apropriadas corretamente as respectivas receitas e despesas relativas à aquisição e posterior cessão desses títulos de crédito. RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício quando o acórdão recorrido exonerou o sujeito passivo, do pagamento de tributo e encargos de multa, de valor que ficou abaixo do limite de alçada em alteração ocorrida por ato normativo superveniente. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos quanto à matéria acima referida. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: a decisão recorrida diverge de decisão proferida pela Terceira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constante do Acórdão nº 180300.312, com a seguinte ementa: Acórdão nº 180300.312 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13808.002396/0012 Acórdão n.º 9101002.228 CSRFT1 Fl. 813 3 NORMA COM VIGÊNCIA SUPERVENIENTE AOS ATOS PROCESSUAIS PRATICADOS INAPLICABILIDADE No direito processual civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, com o que ele não conflitar, vigora o princípio “tempus regit actum”, ou seja, na aplicação da norma processual no tempo, seus efeitos são imediatos, em relação aos processos em andamento, não retroagindo, porém, sua aplicação para atingir aos atos processuais anteriores a sua vigência. verificase claramente a divergência entre os acórdãos postos em cotejo quanto à interposição de recurso de ofício, pois o acórdão paradigma considera o limite de alçada vigente à época da decisão de primeira instância, enquanto o acórdão recorrido aplica ao caso o novo valor previsto em Portaria do Ministro da Fazenda, posterior à decisão recorrida que exonerou crédito superior ao valor de alçada previsto à época; a questão ora discutida trata da aplicação do direito intertemporal processual. Com efeito, é cediço que as normas processuais têm aplicação imediata, conforme art. 1.211 do CPC; entretanto, tal postulado não pode violar preceito de ordem constitucional, previsto no art. 5º, XXXV, da CRFB/1988; compulsando os dispositivos acima, verificase que o sistema brasileiro consagrou a Teoria do Isolamento, segundo a qual a lei nova só terá eficácia quanto aos atos processuais futuros, respeitada a eficácia dos atos já praticados na vigência da lei velha; a Teoria do Isolamento dos atos processuais procura respeitar aquilo que os Professores Galeno Lacerda e Cândido Dinamarco denominam direito processual adquirido, que significa, substancialmente, levar em conta as situações processuais consumadas, sem que sintam os efeitos da lei nova; na época em que proferida a Decisão de Primeira Instância, recorrida de ofício, vigia a Portaria MF 375/2001 que determinava a interposição de recurso de ofício no valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), sendo este o critério definido para interposição do pertinente recurso; restou patente que, no momento da interposição do pertinente recurso de ofício, vigia a legislação antiga, não podendo, agora, com surgimento da nova disposição contida na Portaria MF n.º 03, de 03/01/2008, impedirse o processamento do ato processual (do referido recurso), pois isso configuraria nítida violação ao direito adquirido; não se admite a aplicação imediata da lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; sempre que haja redução da possibilidade de ampla defesa, é vedada a aplicação imediata da lei processual que cria novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes; a situação sob exame encaixase na hipótese de redução de possibilidade de ampla defesa, devendose vedar a aplicação imediata dessa norma processual. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13808.002396/0012 Acórdão n.º 9101002.228 CSRFT1 Fl. 814 4 00.264, de 06/11/2013, admitiu o recurso especial com as seguintes considerações sobre a divergência suscitada: [...] Verificase, pois, divergência entre a interpretação contida no paradigma quando confrontada com a tese adotada pelo acórdão recorrido. Ou seja, quanto ao limite de alçada para interposição de recurso de ofício, para o paradigma, prevalece a alteração normativa que aumentou tal limite para R$1.000.000,00 (hum milhão de reais), por força da IN nº 3, de 03/01/2008; para o recorrido, a norma vigente na data da interposição do recurso de ofício: a Portaria MF nº 375/2001, que estabelecia o valor de R$500.000,00 (quinhentos mil reais). Assim sendo, concluo que a recorrente demonstrou a divergência de entendimento jurisprudencial em relação à matéria decidida nos acórdãos recorrido e paradigma. Levando em conta que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino pelo SEGUIMENTO do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Em 18/12/2013, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 31/12/2013 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: não há divergência jurisprudencial que exija uniformização, pois essa Câmara Superior tem reiteradamente decidido, à unanimidade, de forma contrária ao precedente citado pela Recorrente. Tratase de acórdão único apresentado pela Fazenda Nacional, que sequer foi julgado à unanimidade de votos. Referido acórdão só não foi reformado porque no mérito o recurso de ofício teve provimento negado, razão pela qual o contribuinte deixou de recorrer; a questão se encontra pacificada nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se infere do acórdão 9202002.652, de 24 de abril de 2013 (ementa transcrita); se a autoridade fazendária entendeu por bem modificar o limite de alçada de recurso de sua exclusiva titularidade, concluise que não tem interesse de agir naqueles cujo valor encontrase abaixo de aludido piso, independentemente da época em que fora interposto o recuso de oficio; a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais consolidou o entendimento em controvérsia já no ano em que instaurado o novo limite de alçada, conforme se infere do Acórdão n° CSRF/0400.965 (ementa transcrita); o recurso especial também não deve ser conhecido em razão do pedido juridicamente impossível, pois a Fazenda Nacional não colacionou nenhum precedente que a socorresse quanto à suposta omissão de receitas do Recorrido a justificar o conhecimento do recurso de ofício em sede de recurso especial, de sorte que o pedido formulado não reúne as mínimas condições para seu provimento; o Recorrido requer se digne V.Sa. não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ou, na remota hipótese de conhecêlo, negarlhe provimento com a conseqüente manutenção do v. acórdão recorrido na parte em que não conheceu do recurso de ofício. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13808.002396/0012 Acórdão n.º 9101002.228 CSRFT1 Fl. 815 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto autos de Infração de IRPJ, CSLL e PIS Repique, relativos ao anocalendário de 1995. Ao examinar a impugnação da contribuinte, a Delegacia de Julgamento DRJ São Paulo I exonerou parte da exigência fiscal, o que deu causa a recurso de ofício, pelo fato de a parte exonerada ser superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF 375/2001, vigente à época daquela decisão. Ocorre que o limite de alçada no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), previsto na referida portaria, foi aumentado para R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/2008. Em razão desse novo limite, já vigente na data em que foi apreciado o recurso de ofício pelo CARF, a decisão foi no sentido de que o recurso de ofício não deveria ser conhecido porque o valor da parte exonerada era inferior a um milhão de reais. A PGFN procura reverter essa decisão, para que o recurso de ofício seja apreciado. Ocorre que a matéria em pauta já foi sumulada pelo CARF, no mesmo sentido do entendimento manifestado pelo acórdão recorrido: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A aplicação da súmula leva à mesma conclusão do acórdão recorrido, ou seja, de não conhecimento do recurso de ofício. Embora não concorde com o conteúdo da súmula, como deixei expresso no Acórdão nº 9101001.997, de 21/08/2014, onde fiquei vencido com base em fundamentos estólidos e superáveis, ainda assim estou obrigado a empregar o entendimento da referida súmula. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] Fl. 815DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13808.002396/0012 Acórdão n.º 9101002.228 CSRFT1 Fl. 816 6 [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, tendo em vista que o colegiado da decisão recorrida adotou o entendimento da Súmula CARF nº 103, ainda que ela tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição deste recurso, então não cabe este recurso especial, devendo não ser conhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 816DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004134/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2001
Embargos conhecidos e colhidos por ocorrência de inexatidão material devido a lapso manifesto no acordão e no dispositivo do voto.
EMBARGOS ACOLHIDOS
Numero da decisão: 3402-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher o Recurso de Embargos opostos para sanar o erro material apontado pela Autoridade Administrativa na redação do resultado do julgamento.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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EMBARGOS ACOLHIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher o Recurso de Embargos opostos para sanar o erro material apontado pela Autoridade Administrativa na redação do resultado do julgamento. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 41 34 /2 00 4- 11 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Tratam os autos de embargos de declaração opostos pela Repartição de Origem, que aduz que “no Acórdão nº 310100262 (fls. 148/151 versos) foi dado provimento “parcial” ao recurso para excluir a multa aplicada com base no art. 526, II do Decreto nº 91.030/85 e que neste processo a referida multa é o único crédito tributário. Assim, entendeu a Repartição de Origem ter havido obscuridade no Acórdão, o que resultou no seu conhecimento para regularização do apurado. É o relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, relatora. Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdão conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo tem por objeto combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades na decisão do colegiado. Portanto, o acórdão atacado nos presentes embargos para ter sido viciado pela obscuridade deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificandose a sua desintoxicação. Efetivamente, tratase os autos de crédito unicamente relativo à multa prevista pelo artigo 526, II do Decreto 91.030/85. O voto condutor do acórdão embargado é conclusivo no sentido “(...) que a guia e a DI, ainda que com algum erro, preenchem os elementos de conexão do “fato” que impedem sua declaração de nulidade, não havendo assim, como fundamentar a tipicidade dos fatos narrados com artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85”. Assim, não vejo presente no acórdão combatido e o voto condutor da decisão desse colegiado a ocorrência da obscuridade. Entretanto, observase que os presentes embargos de declaração apontam, uma obscuridade, quando na verdade reconheço, a existência de inexatidão material devida a lapso manifesto, em duas passagens: no acordão e no dispositivo do voto. Assim, no acórdão: onde consta: “Acordão, os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa por ausência de licença de importação. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres”. retifico para: “Acordão, os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa por ausência de licença de importação. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres”. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 3402002.777 S3C4T2 Fl. 3 3 Do dispositivo final do voto condutor do acórdão embargado: onde consta: “Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL para excluir a multa aplicada com base no art. 526, II do Decreto nº 91.030/8. ” retifico para: ““Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO para excluir a multa aplicada com base no art. 526, II do Decreto nº 91.030/8. ” Isto posto Dou Provimento aos embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado para retratar a realidade dos autos. Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 17 /12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010360/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 3201-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarou-se impedida.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Gustavo Murici, OAB/MG nº 87168.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarouse impedida. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Gustavo Murici, OAB/MG nº 87168. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 03 60 /2 00 5- 84 Fl. 904DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. A contribuinte aqui qualificada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de PIS nãocumulativo no montante de R$43.664,47, relativos ao 3º trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos das declarações de compensação às fls. 01/27. Segundo informação fiscal de fls. 153/162, procedida à verificação dos créditos informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon, em face dos livros fiscais e da contabilidade da empresa, foram apontadas as seguintes alterações efetuadas que ensejaram a glosa dos respectivos créditos: saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon: a empresa deixou de relacionar, no quadro "Detalhamento do Crédito" de sua Declaração de Compensação (fl. 28), os valores R$7.010,74 e R$9.695,20 que foram consignados na linha 30 da Ficha 04 do Dacon, nos meses de ago/04 e set/04 (fl. 127). Assim, o,valor do crédito da referida Declaração de Compensação (fl. 28) teve a glosa de R$16.705,84 (R$7,010,74 e R$9.695,20); utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004 (no montante de R$1.408,65, conforme fl. 157): verificouse que o contribuinte também aufere receitas provenientes da venda de ovos in natura sujeitas à alíquota zero, excluídas, portanto, da base de cálculo da contribuição, em face do disposto no art. 28, III, da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Contudo, da análise do Dacon e dos livros de registro de entrada de mercadorias, observouse que a empresa apurou e utilizou indevidamente os créditos vinculados a essas receitas sujeitas à alíquota zero até 08/08/2004, uma vez que, conforme MP n° 206/04, art. 17, inciso III e Lei no 11.116/05, art. 16, parágrafo único, somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero; créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições: após vigência dos arts. 37 e 21 da Lei n° 10.865/2004, foi vedada a utilização do crédito calculado sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, em face da seguinte redação dada ao § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) I— (,,,) Fl. 905DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10680.010360/200584 Acórdão n.º 3201001.989 S3C2T1 Fl. 905 3 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como inumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) (Grifo acrescentado) Do exame da escrituração da contribuinte verificouse que as aquisições de ovos, sujeitas à alíquota zero (classificados na posição 04.07 da Tipi — Lei n° 10.865/2004, art. 28, III) são escrituradas na rubrica contábil de código 16261 — "Ovos de Terceiros", cujos valores integram a apuração do custo de produção de ovos pasteurizados (conta de código 26028). Por sua vez, os valores assim contabilizados são provenientes das notas fiscais escrituradas nos livros de Registro de Entradas de Mercadorias e de Registro de Apuração do ICMS, da unidade denominada pela empresa fiscalizada como sendo "Indústria — 1053", cujo CNPJ é 17.425.646/001608, sob os códigos 1.101 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO/PROD. RUR), 2.101 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO OU PROD. RUR) e 2.120 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO, VENDA A O). Em seguida, a autoridade fiscal detalha os créditos em referência por mês e relacionaos as Notas Fiscais do Livro Registro de Entradas, e conclui pela glosa dos créditos sobre as aquisições dos ovos in natura, sujeitos à alíquota zero, nos valores de R$822,58 (ago/2004) e R$585,41 (set/2004). Ao final, demonstra o valor do crédito declarado (R$43.664,47), o valor do crédito indeferido (R$19.522,48) e o valor do crédito deferido (R$24.141,99), para o 3º trimestre/2004. Com base no parecer da autoridade fiscal de fls. 153/162, decidiu à autoridade jurisdicionante pela homologação total da Dcomp de fl. 01 e parcial das Dcomp originárias de fl. 02 e 25, e ainda, considerar não admitida a Dcomp retificadora de fl. 27, por ferir o art. 58 da IN 460/2004 (incluiu novo débito). Cientificada da decisão, a contribuinte manifestou sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 178/188): a) saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon. A fiscalização glosou parte do crédito de PIS nãocumulativo apurado pela empresa no 3º trimestre/2004, por entender que não foram deduzidos os valores devidos a título da contribuição apurados mensalmente, lançados na linha 30 da ficha 04 do Dacon, no montante de R$16.705,84. Entretanto, conforme se verifica nos Dacons, nos meses de julho, agosto e setembro de 2004 a empresa apurou créditos de PIS no total de R$63.508,84 e ainda possuía saldo de meses anteriores no montante de R$21.593,68 (conforme Dacon). Notese, portanto, que os créditos glosados pela fiscalização nos valores Fl. 906DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 de R$7.010,74 e R$9.695,20 foram devidamente abatidos, no Dacon, do total de créditos disponíveis em cada mês, em vista . ,preconizado no art. 3°, § 4º da Lei 10.637/02 ("o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes"). Caso a glosa dos créditos seja mantida pela fiscalização, a contribuinte entende que deverá ser feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de PIS no período de julho a setembro de 2004. b) utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004. A fiscalização glosou o valor de R$1.408,65, correspondente a crédito de PIS sobre a aquisição de insumos vinculados à venda de produtos sujeitos à alíquota zero, no período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004 sob o entendimento de que a manutenção desses créditos só teria sido permitida pela legislação a partir ele 09/08/2004. Todavia, esses insumos se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8° da Lei n° 10.925 de 26.07.2004. Nesse caso, a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Cita a previsão contida no art. 3°, II, da Lei n° 10.637/02, concluindo que, diante disso, verificase que as aquisições de insumos que integraram o custo da produção de ovos in natura para industrialização, classificados no capítulo 4 da TIPI durante o período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, dá direito aos créditos presumidos em relação às suas aquisições. c) créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. A fiscalização glosou os créditos calculados sobre as aquisições de ovos in natura (subitem 04.07 da TIPI), os quais são sujeitos à alíquota zero do PIS. Esses valores glosados correspondem a aquisições que se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8° da Lei 10.925/04. O enquadramento da Requerente como pessoa jurídica que goza do direito ao crédito presumido do PIS sobre aquisições de insumos utilizados no processo produtivo foi reconhecida no Parecer Sefis nº 24/2009 em relação às aquisições de sorgos em grãos. Com efeito, as aquisições de ovos in natura para industrialização classificados no capítulo 4 da TIPI (NCM 04.07), conforme estabelecido no art. 8° da Lei 10.925/04, dá direito à Requerente aos créditos presumidos em relação às suas aquisições destes mesmos ovos. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10680.010360/200584 Acórdão n.º 3201001.989 S3C2T1 Fl. 906 5 Desse modo, a fiscalização deveria ter glosado somente a diferença entre os créditos tomados em relação aos ovos in natura e o crédito presumido referente às aquisições destes mesmos ovos. Sobreveio decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8° e 15 da Lei n° 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, art. 5 11, § 1% inciso II, e § 20, e a Lei n° 11.116, de 2005, art. 16. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento do recurso voluntário. A 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em sessão de 25 de abril de 2012, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, que foi efetuada pela unidade de origem. A recorrente, intimada do resultado da diligência, apresentou suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente requer a nulidade da decisão recorrida, devido a omissão em apreciar todos os argumentos expendidos por esta em sua manifestação de inconformidade, qual seja a alegação de que a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Pois bem, em análise do acórdão recorrido, verificase que o órgão a quo motivou sua decisão com base nas mesmas conclusões expostas pela fiscalização no parecer que embasa o despacho decisório. Importa ressaltar, ainda, que a decisão recorrida enfrentou as questões em lide. Sendo esta a situação constatada, esclarecese que a autoridade julgadora não é obrigada a se manifestar sobre todas as alegações da defesa, nem a responder, um a um, os argumentos expendidos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema convém trazer a lume as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, que apresentam as seguintes ementas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. [...] 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. (REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃO OCORRÊNCIA [...] 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (Resp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifo nosso). O recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados no voto condutor do acórdão recorrido, cada uma das alegações articuladas na defesa, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Desta forma, inexiste no caso a alegada omissão. Em relação ao mérito, salientase que o presente processo tem por objeto declarações de compensação homologadas apenas parcialmente pela autoridade fiscal, referentes à Contribuição para o PIS/Pasep apuradas no regime da não cumulatividade e correspondentes ao terceiro trimestre de 2004. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10680.010360/200584 Acórdão n.º 3201001.989 S3C2T1 Fl. 907 7 O crédito glosado corresponde ao crédito presumido da agroindústria, previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcritos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Contatase, de pronto, que a Lei nº 10.925/2004, ao instituir os citados créditos presumidos relacionados a atividade agroindustrial, estabeleceu de forma explícita a forma de seu aproveitamento, qual seja, por meio da dedução da Contribuição para o PIS/Pasep devido no período de apuração. Observo, ainda, que o artigo 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116/05, utilizado pela recorrente como fundamento legal de seu pleito repetitório, não abarca o crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da pela Lei nº 10.925/2004: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 910DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Desta forma, por absoluta impossibilidade jurídica do pedido, decorrente de sua falta de fundamentação legal, deve ser mantida a negativa da compensação pleiteada pela recorrente. Neste mesmo sentido, coleciono ementa do acórdão nº 3402001.602, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção deste Carf, de relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, que se refere a pleito repetitório do mesmo contribuinte, referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no 4ª Trimestre de 2004: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ementa: PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 911DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 19515.002925/2005-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF.
A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.
Numero da decisão: 9101-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez, votando pelas conclusões os Conselheiros Luis Flávio Neto e André Mendes Moura, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.002925/200536 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101002.230 – 1ª Turma Sessão de 4 de fevereiro de 2016 Matéria IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO Recorrente SÃO RAFAEL COMÉRCIO E INCORPORAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL E CONTRIBUINTE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo pagamento, a contagem do prazo decadencial deve se dar conforme regra geral contida no artigo 173, I, do CTN, na forma do entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o “caput” do artigo 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez, votando pelas conclusões os Conselheiros Luis Flávio Neto e André Mendes Moura, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 25 /2 00 5- 36 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório De preâmbulo, destaquese que este processo é conexo ao de nº 19515.002925/200536, igualmente distribuído a este Relator, os quais dizem respeito ao mesmo tema, têm a mesma decisão, os mesmos recursos e contrarrazões e foram apartados por desencontro de informações no curso do procedimento. Consta do despacho de conexão: Conforme "Representação n. O08.1800/191/2012" (fls. 002), o presente processo foi desentranhado do processo originário (n, 19515.002925/200536) e formalizado para "prosseguimento da cobrança nos termos das normas em vigor" (cf. Representação supra). A medida tornada pela Unidade de origem levou em conta o provimento parcial do recurso voluntário da contribuinte (fls. 391/396) e subsequente interposição de RE pela Fazenda Pública, tendo ignorado que o sujeito passivo igualmente apresentou Recurso Especial, o que só foi detectado posteriormente (cf. despacho de fls. 689, que reconheceu tal ocorrência). Nesta linha, tendo sido protocolizado tempestivamente o Recurso Especial pela autuada, obviamente estampouse a suspensão da exigibilidade da cobrança, impondo a apreciação de tal remédio jurídico, de modo que o presente processo (n. 10880.727152/201291), formalizado para "prosseguimento da cobrança" perdeu o objeto, já que impeditiva tal medida pela referida suspensão de exigibilidade. Destaquese ainda que, em ambos os processos, constam não só os RE interpostos como a apreciação de suas admissibilidades, com seguimento das duas (da PFN e da contribuinte), de forma que nenhum prejuízo processual haverá às partes, mesmo porque há um único acordão (AC. 1302000.010) o objeto dos recursos especiais em ambos processos. Impõemse, por conseguinte, a apreciação concomitante dos dois processos com iguais recursos, de forma a se evitar duplicidade de decisões para os mesmos fatos. Tratase de recurso especial do contribuinte contra o Acórdão n° 1302 00.010, exarado pela 2ª Turma Ordinária– 3ª Câmara – 1ª Sessão, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto, reconhecendo ter havido decadência em relação aos Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000, impondo, por não haver crédito tributário no período, na retificação do SAPLI. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002 Decadência. Aplicase o art. 150 do CTN para identificar o prazo decadencial do IRPJ quando há atividade do contribuinte a ser homologada pelo fisco. Recurso Voluntário Provido em parte. Inconformadas, PGFN e contribuinte apresentaram Recursos Especiais (fls. 807/817 e 876/898, respectivamente – numeração digital) e contrarrazões (fls. 957/959 e 832/847, ibidem). No caso do RE da Procuradoria foi apontado dissenso jurisprudencial em relação ao acórdão recorrido quando ausentes recolhimentos antecipados de tributo sujeito a lançamento por homologação, oportunidade em que a decadência seria regida pelas disposições do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e não pelas do art. 150, § 4º, do Estatuto. Já o RE da contribuinte destacou divergência em relação ao entendimento dado acerca da obrigatoriedade do reconhecimento da diferença do IPC X BTNF decorrente da apuração de saldo credor da correção monetária/1990. Na análise de admissibilidade do Especial da Procuradoria concluiuse que restou presente a dissensão invocada, o Acórdão paradigma pontuando que “o entendimento ali esposado aponta para a aplicabilidade ao instituto da decadência da regra do art. 173, inc. I do CTN, no caso de ausência de recolhimento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação”, e o recorrido definindo que, “em se tratando de lançamento por homologação, a regra decadencial a ser aplicada é a prevista no art. 150, § 4º, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação” (fls. 819/821). No RE manejado pela contribuinte a apreciação da admissibilidade concluiu ter o acórdão recorrido entendido que “a diferença IPC/BTNF sobre eventual lucro inflacionário não realizado em 1989 tem caráter obrigatório, tendo sido expressamente determinado pelo art. 40 do Decreto 332/91", enquanto os paradigmas apontados “pugnam pela obrigatoriedade da apuração da diferença de correção monetária sobre o saldo de lucro inflacionário acumulado apenas no caso de o contribuinte ter optado pela correção monetária de balanço complementar prevista na Lei nº 8.200, de 1991” (fls. 951/954). Ambos os RE foram admitidos. Cientificadas, Fazenda Nacional e Contribuinte apresentaram contrarrazões insistindo em seus argumentos e refutando os da parte contrária. É o relatório, em síntese apertada. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Entendo que as divergências suscitadas restaram comprovadas e por isso conheço de ambos os Recursos Especiais. Cabe apreciar, de per si, cada um deles. A discordância objeto do recurso especial da PGFN é a forma de contagem do prazo de decadencial para fins de ser considerada a realização do chamado “lucro inflacionário acumulado” quando não presentes pagamentos antecipatórios. Antes de tudo, cabe um breve registro histórico do “lucro inflacionário”, cujo embrião é o artigo 185, da Lei nº 6.404/1976 (depois revogado), que dispôs sobre a obrigatoriedade de se observar “os “efeitos da modificação no poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do exercício” (caput), e que “as contrapartidas dos ajustes de correção monetária serão registradas em conta cujo saldo será computado no resultado do exercício” (§ 3º). Sequencialmente, o legislador executivo expediu o Decretolei nº 1.598/1977 que adaptou, à esfera do Imposto de Renda, as normas societárias trazidas pela então novel Lei 6.404/1976, incorporando o instituto da correção monetária do balanço inserido no artigo 185, conforme dicção do artigo 39: Art 39 Os efeitos da modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do exercício serão computados na determinação do lucro real através dos seguintes procedimentos: I correção monetária, na ocasião da elaboração do balanço patrimonial: a) das contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, e das provisões para atender a perdas prováveis na realização do valor de investimentos; b) do patrimônio líquido; II registro, em conta especial, das contra partidas dos ajustes de correção monetária de que trata o item I; III dedução, como encargo do exercício, do saldo da conta de que trata o item II, se devedor; ou IV cômputo no lucro real, observado o disposto na Subseção IV desta Seção, do saldo da conta de que trata o item II, se credor. Vêse, os efeitos inflacionários foram sistematizados no sentido de, i) sendo devedor o cálculo feito a partir dos saldos das contas listadas no artigo 39, ou seja, montantes das contas patrimoniais se sobrepondo às do permanente, estarseia diante de valores dedutíveis da base do IRPJ, e, ii), contrariamente, os saldos das primeiras inferiores aos das contas de ativo, haveria que se submeter o resultado à tributação do imposto, com a ressalva inserida no inciso IV, in fine, e cuja aplicação prática se fez presente no artigo 51 do mesmo diploma: Art 51 O saldo credor da conta de correção monetária de que trata o item II do artigo 39 será computado na determinação do lucro real, mas o contribuinte terá opção para diferir, com Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO observância do disposto nesta Subseção, a tributação do lucro inflacionário não realizado. Nos subseqüentes artigos surgem as figuras do “lucro inflacionário LI” (art. 52), “lucro inflacionário acumulado – LIA” (art. 52, § 2º) e “lucro inflacionário realizado – LIR” (art. 53), que, em suma, vieram a possibilitar os procedimentos operacionais para diferimento ou tributação de sua tributação. Feitas estas preambulares citações, passase à apreciação do tema central aqui debatido, ou seja, a fluência do prazo decadencial aplicável aos casos em que há lucro inflacionário realizável decorrente da correção monetária. A dúvida surge porque essa modalidade de lucro, em função dos diversos normativos e mudanças de metodologia ao longo do tempo, como dito antes, possibilitavam diferimento, impondo, porém, sua realização após determinado lapso temporal. Destacase que o tema do cálculo em si não está em debate, não faz parte do recurso, vez a vexata quaestio admitida é tão somente o prazo decadencial e sua absorção pelo artigo 150, § 4º, ou 173, do CTN. Subindo os autos à apreciação da Tuma recorrida, por unanimidade foi dado provimento parcial ao voluntário da contribuinte, acolhendose os argumentos discorridos em preliminares e acatandose a decadência suscitada. Excertos do voto condutor mostram o quadro: A recorrente havia entregue suas declarações de rendimento e apurado prejuízos nos períodos correspondentes ao 1°, 2º e 3º. trimestres de 2000, não se podendo falar em omissão do contribuinte em relação a atividade prevista no caput do art. 150 do CTN. Não há nos autos evidências de prática de dolo, fraude ou simulação previstos no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. A jurisprudência deste colegiado tem se firmado no sentido de, nestas circunstâncias, ser aplicado o art. 150 do CTN para a verificação da decadência. Do exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, 30/06/2000 e 30/09/2000. Tendo em vista que neste períodos não houve crédito tributário apurado, deve ser providenciada a retificação da SAPLI, corrigindo o prejuízo fiscal acumulado. Vêse, o que levou a Turma recorrida a dar provimento parcial ao pleito, acolhendo a decadência relativa a três trimestres, teria sido o fato de a recorrida ter entregado regularmente sua DIPJ do período (2000), o que, na visão do Relator “a quo” imporia ter sido dado publicidade de seus atos ao Fisco, podendo este agir no interregno temporal de cinco anos fixado no artigo 150, § 4º, do CTN, para perpetrar eventuais lançamentos de ofício. Como tal providência somente exteriorizouse em 26/10/2005, restariam decaídos os citados trimestres, findos em 31/03, 30/06 e 30/09 de 2000. Divirjo do entendimento da Turma recorrida. Na linha da consolidada e pacificada jurisprudência desta Casa e na forma do decidido no REsp nº 973.733/SC STJ, inexistindo pagamento é inaplicável o deslocamento da contagem do prazo decadencial para os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, devendose assumir o disposto na regra geral do artigo 173, I, do Estatuto: Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A interpretação do texto transcrito leva à conclusão de que se deve assumir o artigo 173, I, do CTN quando inocorre pagamento antecipado. Em suma, não havendo pagamento antecipado, como exigido pela lei e jurisprudência de segmento obrigatório pelo CARF, impossível pretender o deslocamento da contagem decadencial para os moldes do artigo 150, pois se estaria homologando o vazio, ou seja, nada haveria a homologar, posto que inexistentes os pagamentos (objeto de homologação). Na dicção do STJ no ERESP 101407/SP “Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional”. Pois bem, inexistindo quaisquer recolhimentos a título de IRPJ e de CSLL nos períodos objeto dos lançamentos aqui combatidos, aplicável a regra geral inserta no artigo 173, I, do Estatuto Tributário, cuja contagem abaixo se demonstra. Concretamente, no caso do IRPJ e CSLL, para os fatos geradores relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2000 (encerrados em 31/03/2000, 30/06/2000 e 30/09/2000) o “1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” é o dia 1º de janeiro de 2001, iniciandose, a partir daí, a contagem temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública constituísse eventuais créditos tributários, prazo esse a se findar em 31/12/2005. Cientificada a autuada dos lançamentos em 26/10/2005, OBVIAMENTE NÃO HÁ QUE SE FALAR EM QUALQUER DECADÊNCIA. Mais a mais, há que se considerar, no caso, a Súmula CARF nº 10 (cf. Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010), que tem a seguinte dicção: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Nesta linha, a conjunção da Súmula CARF nº 10 e o entendimento acima esposado mostramse em consonância com a pretensão da recorrente expressa no RE, digase, a não exteriorização da decadência. Assim, entendendo não existente a decadência acolhida pela decisão “a quo” para os três primeiros trimestres de 2000, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, reformar a decisão recorrida neste aspecto e revigorar os lançamentos ali cancelados. Passase à apreciação do Recurso Especial apresentado pelo contribuinte. Depois de fazer breve histórico do instituto da correção monetária do balanço (CMB), alega em síntese a recorrente que a correção pela diferença IPC (X) BTNF seria uma faculdade dos contribuintes, que não teria exercido tal faculdade e que o Decreto nº 332/1991 não seria aplicável ao caso. Na decisão recorrida restou consignada a mantença dos lançamentos, tendo o voto condutor assentado que “em relação ao mérito, tornase necessário ressaltar que a decisão recorrida já havia esclarecido que a divergência de valores registrados a título de saldo de lucro inflacionário acumulado tem origem na aplicação da diferença IPC/BTNF sobre o Lucro Inflacionário acumulado em 31/12/1989 e não sobre o balanço encerrado em 31/12/1990, como insiste a recorrente tanto em sua impugnação como em suas razões de recurso”, para, a seguir, reproduzir excertos da decisão de 1º Piso. Pois bem, em que pese os bem articulados argumentos da recorrente, penso que razão não lhe assiste. Explicase. Como dito antes, a CMB surgiu no contexto contábil e jurídico brasileiro como forma de estancar, ao menos de forma parcial, os efeitos nefastos da inflação sobre as demonstrações financeiras das empresas, afetando seus resultados e, por via de consequência, os próprios tributos que são calculados tendo como suporte tais demonstrações. Nesta quadra, como se recordam os que vivenciaram o cenário da época e podem constatar agora os que se debruçarem sobre a matéria e a legislação vigente no período, somente os ditos “índices oficiais” não foram suficientes para a recomposição plena dos valores, impondose a edição do Decreto nº 332/1991 (contra o qual se rebela a recorrente), que, em seu artigo 40 traduziu: Da correção dos valores registrados no Livro de Apuração do Lucro Real Art. 40. Os valores que constituirão adição, exclusão ou compensação a partir do períodobase de 1991, registrados na parte B do livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, serão corrigidos na forma deste capítulo, e a diferença de correção será registrada em folha própria do livro, para adição, exclusão ou compensação na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993. § 1º Tratandose de prejuízos fiscais, a diferença de correção será compensada em quatro períodosbase, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, a partir do períodobase de 1993 até o de 1996. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO § 2º Somente poderá ser deduzida a diferença de correção monetária relativa ao ano de 1990, de prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989, se a pessoa jurídica tiver lucro real nos períodosbase encerrados de 1990 a 1993 suficiente, em cada ano, para a compensação dos valores corrigidos pelo IPC em 1990 e pelo INPC nos anos seguintes. § 3º O valor da adição relativa à diferença de correção do lucro inflacionário a tributar será computada na determinação do lucro real de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do períodobase de 1993. § 4º Na hipótese das demais adições, deverão ser observadas as condições previstas na legislação de regência, devendo os efeitos correspondentes aos períodobase de 1991 e 1992 ser reconhecidos no períodobase de 1993. Vejase, o que a legislação definiu foi que os valores “registrados na parte B do livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989” sofreriam os efeitos da correção e teriam que ser adicionados ao lucro real a partir de 1993. Exprimase, a obrigatoriedade da correção pela diferença IPC (X) BTNF surgiu não em relação às contas presentes em 1990, como sustenta a recorrente, mas em razão do saldo destas mesmas rubricas em 31/12/1989. Neste ponto, a refrega se define, como bem pontuou a decisão recorrida, invocando voto da relatoria da decisão de 1º Grau, e que abaixo se reproduz parcialmente, adotado subsidiariamente como razões de decidir: 9. Inicialmente, devese esclarecer que a divergência de valores registrados a título de saldo de lucro inflacionário acumulado tem origem na aplicação da diferença IPC/BTNF sobre o "Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/89", e não sobre o balanço encerrado em 31/12/90, como pressupôs a impugnante ao longo de suas razões de defesa. 10. Devese ressaltar que essa parcela (diferença IPC/BTNF sobre Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/89) não se confunde com saldo credor da Dif. IPC/BTNF das contas do Ativo Permanente integrantes do balanço encerrado em 31.12.1990 que, no caso da contribuinte em questão, sequer foi declarado em sua DIRPJ do anobase 1991. Ou seja, não há nada oriundo dos balanços invocados e supostamente apresentados (encerrados em 1990 e 1991), tampouco nas declarações apresentadas, que tenha interferido na apuração do saldo de lucro inflacionário acumulado nos períodos do lançamento, afigurandose tais documentos irrelevantes ao deslinde da questão. 11. Com efeito, constatase no Demonstrativo SAPLI (íl. 05) integrante do lançamento, que o valor refutado pela impugnante, de Cr$ 18.793.698.167,00, corresponde à aplicação da diferença entre os índices IPC e BTNF sobre o lucro inflacionário acumulado somente até 1989, conforme determinado no art. 40 do Decreto 332/91. (...) Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 26. No art. 3º, também invocado pela impugnante, a Lei n° 8.200/91, disciplinou o reconhecimento da diferença IPC/BTNF verificada no anobase 1990 especificamente sobre as demonstrações financeiras relativas ao períodobase 1990, que haviam sido encerradas sem o seu reconhecimento. 27. Repisese que, consoante ressalvado linhas atrás (item 10), o lançamento tem origem na falta de reconhecimento da diferença IPC/BTNF sobre o "lucro Inflacionário acumulado em 31.12.1989", que não tem relação com as demonstrações de períodos posteriores. O reconhecimento da diferença apontada no SAPLI não decorre especificamente do art. 2 o ou do art. 3 o da Lei 8.200/91, mas da obrigatoriedade legal de se corrigir os bens, direitos e obrigações pelos índices oficiais, para expressar os valores reais dos elementos patrimoniais e obrigações tributárias dos contribuintes. Da mesma forma que os prejuízos acumulados a serem compensados (direito), o lucro inflacionário acumulado a ser realizado (obrigação) foi automaticamente corrigido nos demonstrativos da SRF pelos índices de correção oficiais. Pela mesma razão, também não se pode acolher a pretensão da impugnante em afastar a correção monetária incidente sobre essa diferença entre 1989 e 1993, ano em que seu cômputo no saldo de lucro inflacionário tornouse obrigatório. Ora é indiscutível que a recorrente possuía valores controlados no LALUR e que se submeteriam à citada correção, como abaixo de mostra. De fato, compulsadose os autos (fls. 412/418) temse: 1. Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar em 31/12/1989 – 343.108.306,00 2. (X) Fator de Correção (índice oficial pelo FAP) 5,7682 1.979.117.330,00 3. (X) Fator de Correção – Dif. IPC (X) BTNF – 9,496 18.793.698.167,00 Projetando e corrigindo tal valor até 31/12/1995 (agora em Reais) R$ 46.341.426,39 Lucro Inflacionário a Realizar (mínimo 10% ao ano) R$ 4.634.142,63 Dividindo por 4 trimestres (R$ 4.634.142,63/4) R$ 1.158.535,66 (*) (*) Valor de cada lançamento trimestral do auto de infração Irretocável, portanto, neste aspecto, a decisão recorrida. Finalmente, acerca de possíveis inconstitucionalidades do Decreto nº 332/1991, levantadas pela recorrente, atentese para Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial da contribuinte e, neste tópico, manter a decisão recorrida. Em conclusão. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda e negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. Reiterase que este processo deve seguir em conjunto com o P. 19515.002925/200536, de igual teor. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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