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Numero do processo: 12585.720324/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.980
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
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RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 03 24 /2 01 1- 84 Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. (...) Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 4 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: (...) COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. (...) Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401005.972, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.000330/201111. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401005.972): "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos nãocumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? É possível a apropriação de créditos decorrentes da não cumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS não cumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 6 5 glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS não cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 7 6 §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazêlo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 8 7 Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 9 8 somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 11 10 Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 12 11 Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 13 12 II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 14 13 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 15 14 E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 16 15 No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 17 16 expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 18 17 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 19 18 Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 20 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 21 20 a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas, especialmente aqueles mencionados no Despacho Decisório, itens 67 e 68. Por isso mesmo, entendo pela manutenção dessas glosas, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 22 21 Fl. 3520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720164/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência.
PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas
Numero da decisão: 2401-006.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência. PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 01 64 /2 00 7- 02 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório ELEUSIO CURVELO FREIRE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa das áreas preservação permanente e de utilização limitada por não restarem comprovadas e arbitramento do valor da terra nua VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo que os VTN médios usados pela SRF, do município de Esperança não se adequam aos imóveis do contribuinte devido a localização dos mesmos, na região limítrofe com o município de Algodão de Jandaira, sendo que o VTN aplicável, por similaridade com o imóvel do contribuinte seria o de Algodão de Jandaira. Explicita que os valores de terras comercializadas e desapropriadas nas vizinhanças do imóvel, estão com valores próximos aos que foram declarados, conforme escrituras de terras passadas nos últimos anos no Cartório de Registro de Imóveis de Esperança No tocante a área de preservação permanente, área de reserva legal e de utilização limitada, informa que a verborragia de leis, artigos e exigências legais apresentados Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 4 3 são do total desconhecimento de todos os fazendeiros do semiárido nordestino, inclusive o contribuinte. Pugna pela realização e produção de prova pericial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte não regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 5 4 plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento (EXCEÇÃO) do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 7, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifamos) Assim se manifesta o art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 6 5 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (grifei) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica deste Tribunal, vejamos: VTNVALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 7 6 no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.687, de 27/07/2017) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante.(acórdão CSRF n° 9202007.331, de 25/10/2018) Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL No que se refere a dedução das áreas de preservação permanente e das áreas de utilização limitada da área total do imóvel para obtenção da área tributável pelo ITR, deve se observar: a) um aspecto estritamente legal onde é exigido, além de efetivamente existir as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, que atendam aos requisitos legais; b) que a normatização destas áreas, entre outras providências, é parte do cumprimento da obrigação do Poder Público na defesa e preservação do meio ambiente, favorecendo ou premiando com a isenção de tributos os proprietários que comprovam e legalizam a existência dessas áreas, bem como a sua intenção de mantêlas dessa forma e, evidentemente, penalizando os que não cumprem com essa obrigação. Em suma, a preservação do meio ambiente é obrigatória, porém, para que tenha direito á exclusão da área total para obtenção da área tributável pelo ITR devem ser observados os requisitos legais. Sem maiores elucidações e delongas sobre legislação e entendimentos, o caso dos autos é de fácil deslinde, visto que o contribuinte não comprovou a existência das referidas áreas, não apresentou Laudo Técnico e/ou outros documentos capazes de atestar a existência das áreas, não merecendo guarida o seu pleito. PERÍCIA Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 8 7 Quanto ao pedido de perícia, o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e como instrumento de convicção para a solução da lide. Logo, prescindível a perícia não merece acolhimento o pleito do recorrente. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902239/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 23 9/ 20 14 -1 8 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10805.902239/201418 Resolução nº 3302001.017 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10805.902239/201418 Resolução nº 3302001.017 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101039/2006-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZADAS.
Identificada e caracterizada a contradição entre o dispositivo do voto condutor do julgamento e sua fundamentação, em relação ao acórdão do recurso especial fazendário, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício apontado.
Numero da decisão: 9303-008.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZADAS. Identificada e caracterizada a contradição entre o dispositivo do voto condutor do julgamento e sua fundamentação, em relação ao acórdão do recurso especial fazendário, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício apontado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZADAS. Identificada e caracterizada a contradição entre o dispositivo do voto condutor do julgamento e sua fundamentação, em relação ao acórdão do recurso especial fazendário, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 10 39 /2 00 6- 17 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 425 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte contra o acórdão nº 9303005.507, de 15/08/2017, proferido por esta 3ª Turma da Câmara da Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos do ICMS para terceiros, vinculados à exportações de mercadorias, e, por voto de qualidade, negoulhe provimento, quanto às demais matérias, nos termos da ementa reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/07/2006a30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DIVERSOS (LIMPEZA E SERVIÇOS AUXILIARES). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento da Cofins apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considerando que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, aponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem ser essenciais a produção dos bens ou produtos destinados à venda,ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 426 3 REP Provido em Parte e REC Negado." Nos embargos, o contribuinte alega contradição entre o dispositivo do voto condutor do acórdão e sua fundamentação, no que diz respeito ao recurso especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que, na ementa e no voto, foi reconhecido o seu direito de excluir da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros. Contudo, na conclusão do voto condutor do acórdão embargado constou: "Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional somente para reformar o acórdão recorrido na matéria que trata da cessão de créditos de ICMS oriundos da exportação." Também, na parte dispositiva do acórdão, no que aqui interessa, constou: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à matéria que trata da cessão de créditos de ICMS oriundos da exportação". Por meio do despacho às fls. 419e/423e, a Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os embargos do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Os embargos interpostos pelo contribuinte são tempestivos e apontam contradição, merecendo ser conhecidos. O contribuinte suscitou contradição, em relação à decisão no recurso especial da Fazenda Nacional e o dispositivo do acórdão embargado, quanto à matéria "CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL". Do exame do acórdão embargado, mais especificamente, (i) da parte de sua ementa, (ii) do seu dispositivo e (iii) da conclusão do voto condutor, verificase que, de fato, ocorreu a contradição suscitada pelo contribuinte. Na ementa referente àquela matéria, reconheceuse o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros, vinculados a exportações de mercadorias, impugnada pela Procuradoria, conforme se depreende do seu conteúdo transcrito a seguir: "NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 427 4 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo." Do exame do voto condutor, verificase que, de fato, a fundamentação toda foi para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, em relação ao direito de o contribuinte excluir da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes da cessão onerosa dos créditos de ICMS para terceiros, vinculados a exportações de mercadorias e, consequentemente, negarlhe provimento. Assim, o resultado do julgamento seria dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional apenas, quanto ao aproveitamento de créditos sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares). No entanto, na conclusão do acórdão e no seu dispositivo, constou equivocadamente que o provimento parcial seria apenas quanto à matéria que trata da cessão de créditos de ICMS oriundos da exportação que fora impugnada pela Procuradoria. Portanto, demonstrada e comprovada a contradição entre a decisão e seus fundamentos, os embargos deverão ser acolhidos para sanar esse vício, passando a conclusão do voto condutor do acórdão embargado a ter a seguinte conclusão, quanto ao recurso especial da Fazenda Nacional: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial apenas, quanto à matéria que trata do aproveitamento de créditos sobre materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares)." Já o dispositivo do acórdão embargado passa viger nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial apenas, quanto à matéria que trata do aproveitamento de créditos sobre materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares). Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama." Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 428 5 Em face do exposto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 429 6 Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910726/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/03/2008
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.018
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/03/2008 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/03/2008 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 26 /2 01 2- 16 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13888.910726/201216 Acórdão n.º 3401006.018 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13888.910726/201216 Acórdão n.º 3401006.018 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13888.910726/201216 Acórdão n.º 3401006.018 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.903416/2009-08
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
AUSÊNCIA DE LITÍGIO. RECORRENTE NÃO SE OPÕE À DECISÃO.
Quando o contribuinte não apresenta contestação em relação à decisão recorrida, ausente um dos pressupostos do recurso, qual seja, interesse em recorrer.
Numero da decisão: 1003-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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RECORRENTE NÃO SE OPÕE À DECISÃO. Quando o contribuinte não apresenta contestação em relação à decisão recorrida, ausente um dos pressupostos do recurso, qual seja, interesse em recorrer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 34 16 /2 00 9- 08 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0734.281, de 28 de fevereiro de 2014, da 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, cancelando o PER/DCOMP. A contribuinte apresentou PER/DCOMP nº 32945.28805.240106.1.3.04 2990 (fls. 74 a 78 do volume I), com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, no valor de R$ 2.000,00, referente ao período de apuração de 30/06/2005 e de compensar débito de IRPJ, vencimento em 31/01/2006, no valor de R$ 2.000,00. Foi proferido Despacho Decisório nº rastreamento 831683350, emitido eletronicamente em 20/04/2009 (fl.03 do volume I). Das análises processadas foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em razão disso, a compensação declarada não foi homologada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que não concorda com o valor cobrado a título de débito indevidamente compensado, pois sendo pagamento de estimativas o valor é passível de utilização para dedução do pagamento de meses posteriores do período de apuração. Afirma ter reapurado a estimativa do IRPJ, corrigindo as bases de cálculo de 06/2005 e períodos posteriores, incluindo novamente nas bases de cálculo as parcelas referentes ao valor que havia sido considerado pagamento a maior e verificouse então a diminuição de valor a recolher em dezembro a título de estimativa do IRPJ no valor de R$ 2.000,00, inexistindo, desta forma, saldo devedor no período de 12/2005, devendo o processo de cobrança 10920903.974/200965 ser extinto. A DRJ/FNS proferiu acórdão de nº 0734.281, cancelando o PER/DCOMP objeto deste processo e tornando inexigível o crédito a ele vinculado, destacando que o Despacho Decisório perdeu o objeto. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo as declarações apresentadas na manifestação de inconformidade acima mencionadas e acrescentando o seguinte: (i) requer a aceitação das provas apresentadas no recurso voluntário, a fim de comprovar o equívoco no procedimento por parte da Recorrente em buscar a homologação da presente DCOMP. Declara concordar com a não homologação da DCOMP, tendo requerido seu cancelamento, contudo não reconhece o valor devedor do despacho decisório e requer a extinção do processo de nº 10920903974/200965. É o Relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Antes da análise do mérito, é imprescindível verificar os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. Inicialmente, verificase ser tempestivo o recurso voluntário. No entanto, o recurso é o meio hábil para impugnar a decisão de piso. O Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina que, do julgamento de primeira instância, cabe apresentação de recurso voluntário total ou parcial no prazo de trinta dias, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A manifestação de inconformidade da Recorrente foi julgada procedente, tendo a DRF cancelado o PER/DCOMP nº 32945.28805.240106.1.3.042990 e declarando a perda de objeto do Despacho Decisório. No recurso voluntário apresentado pela Recorrente, a mesma declara o seguinte:. Isto é, pelos fundamentos extraídos do recurso voluntário, a Recorrente não se opõe a não homologação da PER/DCOMP objeto deste processo e pede pelo seu Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 5 4 cancelamento. Porém, como dito, o acórdão recorrido acolheu o cancelamento do citado PER/DCOMP, vide dispositivo do r.acórdão abaixo: Em razão de todo o exposto, voto por cancelar o PER/DCOMP, tornado inexigível o crédito a ele vinculado. Conseqüentemente o Despacho Decisório perde seu objeto. É como voto. Assim, verificase que a Recorrente não se opõe à decisão da DRJ. A Recorrente, em verdade, requer o cancelamento do processo de cobrança de nº 10920 903.974/200965, pois alega não concordar com o valor devido. No presente caso, entendese existir afronta ao princípio da dialeticidade recursal, quando, no processo, o recurso apresentado não faz oposição à decisão recorrida, fato que leva ao juízo negativo de admissibilidade do mesmo. Nesse sentido, ensina José Miguel Garcia Medina: IV. Juízo de admissibilidade negativo. Não conhecimento do recurso, pelo relator. O relator não conhecerá do recurso, de acordo com o inc. III do art. 932 do CPC/2015, quando “inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida”. A primeira hipótese (recurso inadmissível) abrange as demais, pois, em se tratando de recurso prejudicado, faltará interesse recursal, e, não tendo havido impugnação específica aos fundamentos da decisão que possam manter sua conclusão, faltará, também, regularidade formal (a respeito dos requisitos dos recursos, cf. comentário ao art. 994 do CPC/2015). Cf., no entanto, comentário a seguir. (MEDINA, José Miguel Garcia. Novo Código de Processo Civil comentado [livro eletrônico]. 2ª Ed. São Paulo: RT, 2016. Epub.ISBN9788520367544) No mesmo raciocínio, destaca Luiz Guilherme Marinoni: 4. Não conhecer. O relator deve inadmitir – isto é, não conhecer – o recurso quando esse não preencher os requisitos intrínsecos e/ou extrínsecos que viabilizam o seu conhecimento. Inadmissibilidade é gênero no qual se inserem as espécies recurso prejudicado e recurso sem impugnação específica – rigorosamente, portanto, bastaria alusão à inadmissibilidade. Recurso prejudicado é recurso no qual a parte já não tem mais interesse recursal, haja vista a perda de seu objeto – enquadrandose, portanto, no caso de inadmissibilidade (ausência de requisito intrínseco de admissibilidade recursal). Recurso sem impugnação específica é aquele que não enfrenta os fundamentos invocados pela decisão recorrida (ausência de requisito extrínseco de admissibilidade recursal). (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. O novo código de processo civil [livro eletrônico]. – São Paulo: RT, 2015. Epub .ISBN9788520360248) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 6 5 Pelas razões acima expostos, entendo que o recurso voluntário ora em análise não preenche todos os requisitos de admissibilidade em razão de falta de interesse. Outrossim, a Recorrente discorda do "valor devedor" no Despacho Decisório, contudo o acórdão da DRJ tornou o despacho decisório sem efeito em razão da perda do seu objeto e cancelou o PER/DCOMP. É importante registrar que o presente processo (nº 10920.903416/200908) trata da não homologação e posterior cancelamento da PER/DCOMP nº 32945.28805.240106.1.3.042990, não há, portanto, nenhuma discussão em relação à eventual cobrança. Quaisquer outros pedidos referentes a outros processos estranhos à lide não podem ser objetos de análise e julgamento. Registrese, por fim, que a atividade de revisão de ofício do débito tributário confessado cabe à autoridade administrativa, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional. Isto posto, voto em não conhecer do recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.908728/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2010
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3201-005.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 628 1 627 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.908728/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.161 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COFINS Recorrente LM TRANSPORTES INTERESTADUAIS SERVICOS E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 28 /2 01 2- 01 Fl. 628DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 67/75, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1467.521 5ª Turma da DRJ/RPO, efls. 56/60, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de COFINS. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/07/2010, no valor de R$ 74.475,59, transmitida através do PER/Dcomp nº 15422.52870.251111.1.3.042750. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 41, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 42), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1467.521 5ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2010 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10580.908728/201201 Acórdão n.º 3201005.161 S3C2T1 Fl. 629 3 Ementa: DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: V Das Razões Recursais A recorrente alega que é tributada com base no lucro real, sujeitandose ao recolhimento da COFINS pelo regime da não cumulatividade, em conformidade com a legislação pertinente. Cita o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para ter direito à compensação do tributo pago indevidamente ou “a maior” durante o ano calendário. Afirma que os valores compensados foram devidamente apurados e contabilizados nos livros societários, tendo ocorrido mero erro material no envio das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Diz ainda que deixou de retificar, tempestivamente, as informações prestadas no DACON e na DCTF, fato que impossibilitou a visualização do crédito. A Recorrente argumenta que apresentou DCTF retificadora depois do despacho decisório. Cita a seu favor o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/2015, especialmente no item 18, conforme transcrição abaixo: 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do Fl. 630DF CARF MF 4 indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. A recorrente sustenta a existência do crédito. Explica que com o advento da Lei nº 11.638, de 28/12/2007, e em observância às normas internacionais de contabilidade, houve mudança de prática contábil adotada no que tange à revisão da vida útil econômica estimada dos bens e do saldo residual do ativo imobilizado. Diante disso, a partir de janeiro de 2008, os encargos de depreciação registrados nos livros societários da recorrente obedecem às regras diferentes daquelas vigentes até 31/12/2007. Nesse sentido, esclarece que a Lei nº 11.638, de 2007 produziu modificações no reconhecimento contábil dos encargos de depreciação e, buscando manter a neutralidade tributária pretendida pelo Regime Tributário de Transição – RTT, nos termos do item 28 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1 de 29 de julho de 2011, a Recorrente procedeu a correção, evidenciada em quadro abaixo, que motivou a retificação das obrigações acessórias e, por conseguinte, constituiu o crédito. Conclui afirmando que a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da recorrente. VI – Do Princípio da Verdade Material A recorrente faz menção ao princípio da verdade material para a apresentação de novas provas, bem como a retificação da DCTF. Cita ainda o princípio da legalidade tributária. Apresenta jurisprudência e cita doutrina. VII – Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 21.1 Sejam admitidas provas ora apresentadas em razão do princípio da verdade material, afastandose, por via de conseqüência, qualquer argumento quanto à preclusão; 21.2 Em razão das provas evidenciadas, seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO reconhecido e provido na sua plenitude de forma a reformar o Acórdão da DRJ bem como que Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10580.908728/201201 Acórdão n.º 3201005.161 S3C2T1 Fl. 630 5 seja declarada a HOMOLOGAÇÃO da respectiva DCOMP e a compensação dos débitos nela contemplados; 21.3 Alternativamente e em caso de dúvidas, que seja o processo administrativo baixado em diligência nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e conforme previsto no referido PN COSIT 2/2015, a fim de possibilitar que Recorrente apresente documentação complementar e necessária à comprovação da existência do crédito, além daquelas já acostadas ao presente Recurso. 21.4 Sejam considerados os argumentos e provas apresentados neste Recurso Voluntário, especialmente no tocante a: comprovação da adoção do critério de reconhecimento da depreciação nos termos da legislação tributária em vigor em 31 de dezembro de 2007, e; apresentação de relatório patrimonial no qual pode ser evidenciado a relação analítica dos bens e as taxas de depreciação utilizadas para cálculo dos encargos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. De forma resumida, o cerne do processo está na alegação da recorrente de que possui créditos decorrentes da reapuração dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado, devido ao Regime Tributário de Transição (RTT), conforme Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Ocorre que a recorrente teve recentemente outros recursos com matéria idêntica julgados neste CARF. A título de exemplo cabe mencionar: Acórdão nº 3001000.530 do Processo 10580.908727/201259 (16/10/2018); e Acórdão nº 3001000.531 do Processo 10580.908730/201272 (16/10/2018). Tendo em vista que a matéria é idêntica e que o entendimento deste relator é o mesmo da relatoria dos processos mencionados, se utiliza aqui o voto o i. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri como fundamento da presente decisão. Nesse sentido, transcrevese a seguir trecho do voto constante do processo 10580.908727/201259: Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou Fl. 632DF CARF MF 6 perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10580.908728/201201 Acórdão n.º 3201005.161 S3C2T1 Fl. 631 7 Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Diante do exposto voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720099/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE
A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos com débitos, mesmo que de tributos da mesma espécie, deve ser formalizada mediante Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1401-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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NECESSIDADE A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos com débitos, mesmo que de tributos da mesma espécie, deve ser formalizada mediante Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 00 99 /2 01 0- 91 Fl. 86DF CARF MF 2 Relatório Inicialmente, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte. A contribuinte acima identificada apresentou Declaração de Compensação valendose de direito creditório referente a saldo negativo de CSLL apurado no período de 01/01/1999 a 31/12/1999, no valor de R$ 13.040,81 (DCOMP com demonstrativo de crédito 15884.21140.280907.1.7.037576, juntado às fls. 20/24), para a extinção de débitos da CSLL devida por estimativa dos períodos de apuração de outubro e dezembro de 2002, informados em duas DCOMPs, a saber: 15884.21140.280907.1.7.037576 e 23179.87716.051104.1.3. 036030. A compensação informada na DCOMP 23179. 87716.051104.1.3.036030 foi parcialmente homologada pela DRF de origem, conforme Despacho Decisório nº 854480868, datado de 10 de dezembro de 2009 (fls. 18), emitido nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGA MENTOS ESTIM. COMP. SNPA ESTIM. PERCE LADAS DEM. ESTIM. COMP. SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP 0,00 0,00 0,00 14.211,47 0,00 0,00 14.211,47 CONFIRMADAS 0,00 0,00 0,00 14.211,47 0,00 0,00 14.211,47 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 13.040,81 Valor na DIJP: R$ 13.040,81 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 14.211,47 CSLL devida: R$ 1.170,66 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 13.040,81 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.720099/201091 Acórdão n.º 1401003.451 S1C4T1 Fl. 86 3 pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 23179.87716.051104.1.3.036030 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/12/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 3.930,45 786,09 3.885,64 Conforme tela “Histórico da(s) Comunicação(ões)”, extraída do Sistema de Controle de Créditos SCC (doc. de fls. 25), em 22 de dezembro de 2009, a contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório que homologou parcialmente a DCOMP 23179.87716.051104.1.3.036030 e, em 19 de janeiro de 2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/3, com as seguintes alegações: Não há como subsistir o motivo que obstou compensação, uma vez que a obrigatoriedade de entrega de PER/DCOMP, para compensar tributos e contribuições da mesma natureza, passou a ser exigida apenas com a edição da IN323 de 24/04/2003, que alterou o artigo 21, acrescentando os parágrafos 6°, 7º e 8° a IN 210 de 30/09/2002. Logo, o débito compensado pela PER/DCOMP n° 23179.87716.051104.1.3.036030, sendo de 12/2002, com vencimento em 31/01/2003, não estaria sujeito, portanto, às exigências da IN323 de 24/04/2003, com edição posterior ao vencimento da obrigação. Por ser de direito, solicita o arquivamento do despacho decisório, e cancele o credito nele contido. Instruem os autos os documentos de fls. 4/26, constituídos, dentre outros, por cópia da DCOMP 15884.21140.280907.1.7.037576 (fls. 20/24). Foi, ainda, juntada por esta relatora cópia da DCOMP 23179.87716.051104.1.3.036030 (fls. 27/30). É o relatório. A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade e a ementa do acórdão restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos com débitos de tributos da mesma natureza deve ser formalizada mediante Declaração de Compensação. Fl. 88DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário por meio do qual desenvolveu de forma mais detalhada a alegação de que não estaria obrigado à apresentação da Declaração de Compensação e que seria válida, portanto, a compensação feita por meio de lançamentos contábeis. Em síntese, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, o contribuinte utilizou créditos de saldo negativo de CSLL de 1999 para compensar débitos do mesmo tributo apurados em outubro e dezembro de 2002. Segundo o contribuinte, essa compensação teria sido efetuada diretamente na contabilidade, pois, sendo os débitos e créditos relativos ao mesmo tributo, não haveria o dever jurídico de apresentar a respectiva Declaração de Compensação, pois tal dever somente teria sido instituído por meio da IN SRF nº 323, de 24 de abril de 2003. Não tendo sido aceita pela fiscalização a compensação contábil, a contribuinte apresentou os PER/DComp nº 15884.21140.280907.1.7.037576 e 23179.87716.051104.1.3. 036030. Todavia, neste contexto, o crédito apurado pelo contribuinte não era suficiente para a satisfação integral dos débitos declarados. Este seria o motivo da homologação parcial da compensação declarada. O argumento do contribuinte não deve prosperar. De se ver. Inicialmente, impende rememorar que, até a edição da Medida Provisória nº 66, as compensações de tributos de mesma espécie era regulada pelo artigo 66 da Lei nº 8.383/91, verbis: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10680.720099/201091 Acórdão n.º 1401003.451 S1C4T1 Fl. 87 5 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo Naquela época, então, a compensação de créditos do sujeito passivo com débitos subsequentes de tributos da mesma espécie e destinação constitucional independia de prévio requerimento à Secretaria da Receita Federal, conforme dicção do artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 21/97: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. [...] grifei Frisese que a lei atribuía à Receita Federal a competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da norma de compensação. E era a Instrução Normativa da SRF que previa que a compensação independia de requerimento. Ainda naquela época, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 possibilitava a compensação de débitos e créditos de tributos de diferentes espécies, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. grifei Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi substancialmente alterado: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 90DF CARF MF 6 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: a) o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; b) os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. § 6º Para os fins do disposto neste artigo, é vedada a exigência do atendimento das condições a que se referem o art. 195, § 3º, da Constituição Federal, art. 27, alínea "a", da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e quaisquer outras que sejam aplicáveis tãosomente às hipóteses de reconhecimento de isenções e de concessão de incentivo ou benefício fiscal." (NR) A alteração levada a efeito no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 entrou em vigor em 01/10/2002, conforme previsão expressa do artigo 63, I, da MP nº 66/2002. Com base na alteração da Lei nº 9.430/96 e fundada na autorização legal para regular os procedimentos relativos à compensação, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, que revogou expressamente a IN SRF nº 21/97 e passou a regular inteiramente a matéria. Em outras palavras, com a nova instrução normativa, deixou de existir uma distinção procedimental entre a compensação de débitos e créditos de tributos de mesma espécie e de diferentes espécies. A Declaração de Compensação passou a ser exigível em todas as situações, conforme previsão do artigo 21 do diploma normativo: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da " Declaração de Compensação" . [...] grifei. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.720099/201091 Acórdão n.º 1401003.451 S1C4T1 Fl. 88 7 A alteração normativa promovida pela IN SRF nº 210/2002 entrou em vigor na data de publicação, produzindo seus efeitos a partir de 01/10/2002. Estava em vigor e com plena eficácia jurídica e técnica na data dos fatos ora analisados. Portanto, a partir do breve retrospecto acima, é de se concluir que o contribuinte estava obrigado, na data dos fatos, a apresentar as Declarações de Compensação para a extinção dos débitos declarados. Neste sentido, trago à colação os seguintes acórdãos, na parte que interessa à presente discussão: MULTA ISOLADA. PRAZO DECADENCIAL. COMPENSAÇÃO TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. PERDCOMP. Mesmo após o término do anocalendário, verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, cabe o lançamento da multa exigida isoladamente sobre os valores devidos e não recolhidos, dentro do prazo decadencial estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. A compensação de tributos, ainda que da mesma espécie, a partir de 01/10/02 deve ser feita mediante a apresentação da Declaração de Compensação, em virtude da alteração legislativa promovida pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02. (Acórdão nº 1301002.832, de 13/03/2018) grifei. NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos idênticos, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. Só a partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. (Acórdão nº 9101002.150, de 07/12/2015) grifei. Destarte, tenho que a decisão de primeira instância deve ser mantida incólume por seus próprios fundamentos: Assim, a partir de 1º de outubro de 2002 não se cogita aceitar a compensação efetuada contabilmente, uma vez que qualquer compensação de tributo ou contribuição administrado pela então Secretaria da Receita Federal, excetuados os casos previstos em Lei, deve ser necessariamente efetuada mediante apresentação de Declaração de Compensação, gerada por meio de PER/DCOMP. Quanto à inclusão do § 6º no art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, pela Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003, com a determinação para que seja apresentada Declaração de Compensação, ainda que o débito e o crédito a serem compensados se refiram a um mesmo tributo ou contribuição, tal Fl. 92DF CARF MF 8 comando não apresenta nenhuma inovação em relação à IN/SRF nº 210/02 e tem caráter meramente esclarecedor, a fim de reafirmar uma disposição já contida em instrumento legal anterior. Desse modo, a contribuinte que pretendesse efetuar a compensação do saldo negativo de CSLL com débito de estimativa CSLL de dezembro de 2002, deveria necessariamente fazêlo por meio de DCOMP e a alegação da impugnante não prospera. Ante o exposto, este voto é por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário e manter a decisão de piso. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 13657.000322/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
DECADÊNCIA. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INOCORRÊNCIA.
A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto-Lei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Súmula CARF nº 52.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE
Não há que se falar em nulidade quando a decisão não apresenta vício elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando a contribuinte pode apresentar recurso contra todos fundamentos legais envolvidos na decisão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não corre o prazo para cobrança do crédito tributário enquanto permanecer suspensa a sua exigibilidade por força de decisão judicial.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3301-006.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 DECADÊNCIA. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INOCORRÊNCIA. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”. Súmula CARF nº 52. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a decisão não apresenta vício elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando a contribuinte pode apresentar recurso contra todos fundamentos legais envolvidos na decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não corre o prazo para cobrança do crédito tributário enquanto permanecer suspensa a sua exigibilidade por força de decisão judicial. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 03 22 /2 00 5- 07 Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.263 2 contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Relatório 4. Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, transcrevo o relatório do Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SP (fls. 365 a 368), ipsis litteris: “1. O presente processo iniciouse com as petições de folhas 04 a 10 e 15 a 23, nas quais a empresa São Paulo Alpargatas S/A solicita à Delegacia da Receita Federal de Pouso Alegre, respectivamente, a extinção dos créditos tributários da filial de CNPJ 61.079.117/022257, referentes ao PIS de abril a setembro de 1995, e a extinção dos créditos tributários da filial de CNPJ 61.079.117/004356, referentes ao PIS de abril a agosto de 1995 e a Cofins de outubro de 1991. As referidas petições têm o fito de permitir a emissão de certidão negativa de tributos e contribuições federais para a filial de CNPJ 61.079.117/022257 e a baixa do CNPJ da filial 61.079.117/004356. 2. Em memorando encaminhado ao chefe da ARF Pouso Alegre, 048/2005/GAJ/SACAT/DRFVAR (fl. 01), o chefe da SACAT descreve sucintamente o pleito do contribuinte, afirmando que os tributos em questão haviam sido objeto de discussão judicial nos processos MS n° 95.00312433 (PIS) e AO n ° 92.00026249 (FINSOCIAL) e que por essa razão os débitos, considerando o trânsito em julgado das referidas ações, deveriam ser transferidos para um processo, e este, por sua vez, encaminhado à DRFSão Paulo, jurisdição da matriz da empresa. No despacho de folha 224, a Agência da Receita Federal em Pouso Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.264 3 Alegre/MG encaminhou este processo, conforme proposto, a esta DERAT/SPO. 3. A EQAMJ/DICAT, após exame inicial (fl. 247), remeteu o processo a esta equipe para que apreciasse se a compensação dos débitos do PIS, efetuada pelo contribuinte, foi realizada segundo determinado no Mandado de Segurança no 95.00312433. 4. Com base nos documentos aduzidos ao processo, é possível constatar que o sistema CONTACORPJ (fls. 29/31), em 20/05/2005, indicava como suspensos por medida judicial os débitos do PIS (cod. 3885) da filial 61.079.117/022257, e do PIS e da Cofins (cod. 6120) da filial 61.079.117/004356, com vencimentos, respectivamente, de maio a outubro de 1995, maio a setembro de 1995 e novembro de 1991. 5. Foram juntados excertos do MS n° 95.00312433(fls. 33 a 50), protocolizado em 06/04/1995, no qual verificase que o contribuinte solicitou que a base de cálculo do PIS fosse a fixada pela lei complementar n° 7/1970, ou seja, o faturamento do sexto mês anterior, e não a receita operacional bruta do mês imediatamente anterior. Assevera que os recolhimentos a maior efetuados entre julho de 1989 e fevereiro de 1995 ensejam à impetrante o direito liquido e certo de proceder à compensação com débitos do PIS, bem como com débitos de outras contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social, como a Cofins. A liminar (fls. 52/54) autorizou o recolhimento com base na Lei Complementar no 7/70, com o prazo assinado pela Lei no 8.383/91, porém indeferiu o direito à compensação. 6. Em 14/11/97, a Justiça julgou parcialmente procedente o pedido, concedendo a ordem para reconhecer indevidos os pagamentos feitos pela impetrante na forma dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88, tal como comprovado nos autos, bem como para afastar as exigências decorrentes da IN SRF n° 67/92, que impediam a pretensão da compensação, a qual deveria ser realizada por conta da impetrante na forma da motivação (fls. 56 a 65), submetida, porém, a inarredável verificação por parte do Fisco (fl. 63). 7. O TRF da 3ª Região, em 12/04/2000, manteve a sentença e determinou que os valores recolhidos a maior fossem atualizados pelo IPC e pelo 1NPC e que, a partir de 01/01/96, eram cabíveis juros moratórios (fl. 67 e 68). 8. Em 05/09/2000, a União interpôs recurso especial, que foi negado pelo TRF da 3ª Região. Protocolizou agravo de instrumento contra decisão denegatória do Recurso Especial, tendo sido negado em despacho publicado no DJ de 25/09/2002(f1. 102). 9. Em 08/10/2002 houve decurso de prazo para recurso, ocorrendo o trânsito em julgado da sentença (fl. 102). 10. Consta às folhas 111/113 planilha na qual o contribuinte indica o valor que teria recolhido a titulo de PIS entre outubro/1988 e setembro de 1995; os valores devidos conforme sentença judicial; a diferença entre esses valores; a correspondência, em UFIR, dos valores a compensar. A empresa apurou um crédito de R$ 20.948.142,71 (vinte milhões, novecentos e quarenta e oito mil, cento e quarenta e dois reais e setenta e um centavos), atualizado até setembro de 2005. Na planilha de fls. 114/115, o contribuinte demonstra as compensações efetuadas dos débitos do PIS, de competência de outubro/95 a julho/02, e dos débitos da Cofins, de competência de junho/01 a maio/02, com o saldo credor supracitado. Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.265 4 11. Os demais documentos juntados aos autos do processo administrativo repetem os documentos até aqui mencionados, exceto quanto às fls. 192/213, que trazem cópias de algumas partes da Ação Cautelar n° 91.07148623, intentada em 31/10/1991, na qual o contribuinte discute o FINSOCIAL. Consta (fl. 206) que foi concedido ao contribuinte, em 19/11/91, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários do FINSOCIAL, mediante fiança bancária. Fiança essa dada em relação aos fatos geradores de outubro e novembro/1991 (fls. 208 e 209). A Ação Cautelar aqui citada acompanha a Ação Ordinária n° 92.26249, que foi julgada parcialmente procedente. Houve o trânsito em julgado da Ação Ordinária em 15/04/1996, conforme certidão de objeto e pé de folha 211. 12. Tendo em vista que este processo administrativo controla apenas os débitos de PIS da filial de CNPJ 61.079.117/004356 e que os débitos de Cofins desta filial, e os débitos do PIS da filial de CNPJ 61.079.117/022257 são controlados, respectivamente, nos processos de n° 12157.000113/200612 e n° 13657.000321/200554, passaremos a análise somente do PIS da filial de CNPJ 61.079.117/004356. 13. Analisando a linha do tempo das ações interpostas pelo contribuinte, constatase que o período em que se está exigindo o débito do PIS encontrase entre a impetração do Mandado de Segurança n° 95.00312433 e o trânsito em julgado da sentença. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte ao "Delegado da Receita Federal de Pouso Alegre", poderíamos concluir que nesse período não havia amparo para a compensação, contudo, às folhas 108 e 109, consta que o contribuinte intentou novo Mandado de Segurança (n° 95.03.0413397) contra a decisão do juiz de 1° grau, prolatada em 14/11/97, que indeferiu a liminar para autorizar a compensação. Nesse novo Mandado de Segurança o impetrante obteve liminar em 15/05/95. A existência dessa liminar é, ainda que de forma indireta, confirmada pelo teor da sentença de 1° grau no mandado de segurança de origem n° 95.00312433, consoante se lê à folha 63. 14. Sendo assim, não há dúvida de que o contribuinte estava amparado por liminar em Mandado de Segurança que autorizava a compensação dos débitos controlados nesse processo. 15. Analisando a planilha de folhas 111/113, consta que no interstício de abril a agosto de 1995 o contribuinte supostamente recolheu parcelas ínfimas do PIS em face do montante devido (fl. 113).Tal foi a discrepância entre o valor supostamente recolhido e o devido que, ao invés de apurar saldos a restituir, como se verificou nos demais períodos, nos meses supracitados os saldos foram devedores. Esses saldos devedores foram somados aos valores positivos apurados nos períodos de outubro de 1988 a dezembro de 1994, resultando um crédito a favor do contribuinte de R$ 20.948.142,71 (vinte milhões, novecentos e quarenta e oito mil, cento e quarenta e dois reais e setenta e um centavos), valor referência de setembro de 1995. 16. O contribuinte foi intimado, em 12/09/2006, a apresentar documentos que corroborassem seu pleito, quais sejam: cópias dos DARFs de recolhimento do PIS (3885 ou 8109), relativos ao período de outubro de 1988 à setembro de 1995, feito pela matriz e por cada uma das filiais, de forma a comprovar os recolhimentos informados nas planilha de folhas 111/113; demonstrativo da apuração das bases de cálculo relativas ao período retrocitado, discriminando matriz e cada uma das filiais, inclusive acompanhado de elementos que comprovassem esses valores, de forma a corroborar os montantes Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.266 5 informados na coluna "devidos conforme sentença judicial" da referida planilha. 17. O contribuinte solicitou prorrogação de prazo com o fito de atender à intimação (fls. 257 a 260). 18. Conforme informado às folhas 266 e 267, o requerente não logrou êxito em resgatar as cópias dos recolhimentos do PIS, alegando suposta destruição. No que tange ao demonstrativo da apuração da base de cálculo, o requerente apresentou a planilha consolidada relativa ao período de outubro de 1988 a setembro de 1995, não aduzindo ao processo, porém, qualquer elemento que comprovasse os referidos valores. 19. É o relatório.” 5. Em decisão proferida em 22.12.2006 (fls. 365/374), a DIORT/DERAT/SP considerou as compensações feitas como "não admitidas", haja vista que o contribuinte, tendo declarado em DCTF os débitos do período de abril a agosto de 1995, não trouxe aos autos documentação que permitisse à Administração averiguar as compensações apresentadas e vinculadas ao crédito obtido por força de decisão judicial transitada em julgado. Na seqüência determinou a cobrança dos valores compensados indevidamente, e declarou a impossibilidade de o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade contra o referido despacho, mas facultoulhe a apresentação de recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei 9.784/1999. Segue transcrição da ementa da citada decisão: “PIS AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE LEI COMPLEMENTAR N°07/1970 RESOLUÇÃO N°49/1995 LEI N°8383/1991 Decisão judicial transitada em julgado determina, em consonância com a Resolução do Senado Federal n°49/95, aplicação das disposições da LC n°07/70. Ordena compensação dos créditos requeridos exclusivamente "com parcelas vincendas da própria exação, nos termos do art. 66 da Lei n°8.383/91" e afasta exigência de apresentação de requerimento para compensação de créditos com débitos de mesma natureza estabelecida pela IN SRF n°67/1992, garantindo direito a compensação, "a ser submetida a inarredável verificação da autoridade administrativa". DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO — LEI N° 9.784/99 — DECRETO N° 70. 235/72 — Nãoapresentação de elementos necessários à análise do requerimento implica em arquivamento, nos termos do art.40 da Lei n° 9.784/99. LEI N° 5.172/66 –CTN Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, nos termos do disposto do art. 195, parágrafo COMPENSAÇÕES NÃO ADMITIDAS” 6. Ciente da decisão em 06.03.2007 (fl. 375verso), a interessada interpôs, em 16.03.2007, recurso hierárquico (fls. 386 a 403), solicitando que fosse recebido como Manifestação de Inconformidade para suspender a exigibilidade do crédito tributário em discussão, e, no mérito, requer que se reforme Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.267 6 o despacho decisório recorrido, a fim de que sejam homologadas expressamente as compensações pleiteadas uma vez que entende que se operou a extinção do crédito tributário, seja pela homologação tácita das compensações após decorridos cinco anos, seja pela ocorrência da decadência, nos termos do artigo 150, §4° e artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional. 7. Em 22.11.2007, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal negou provimento ao Recurso Hierárquico, proferindo a Decisão de fls. 459 a 463 que foi assim ementada: “RECURSO HIERÁRQUICO INTERPOSTO PARA REFORMAR DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE CONSIDEROU "NÃO ADMITIDAS" AS COMPENSAÇÕES APRESENTADAS EM DCTF, FEITAS COM BASE EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, E CUJA COMPROVAÇÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DCTF NÃO FOI FEITA A ADMINISTRAÇÃO SOB A ALEGAÇÃO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento foi feito quando da entrega da DCTF pelo contribuinte, garantindo a Fazenda Pública da decadência do crédito tributário devido por ele. Havendo a concomitância de discussão do mesmo objeto, na esfera judicial e administrativa, cabe a Administração aguardar a finalização do processo na esfera judicial, cabendolhe, então, cumprir a decisão ali proferida. E, nesse contexto, o prazo prescricional previsto no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN) e, conseqüentemente, a exigibilidade do crédito tributário em questão, esteve suspenso até a ocorrência do trânsito em julgado da sentença. Recurso Hierárquico Improvido” 8. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 467 a 495), onde alega, em síntese, o que segue: 8.1 O presente procedimento administrativo tem por objeto compensações declaradas em DCTF pela Recorrente, as quais foram apreciadas extemporaneamente e não homologadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (DERAT — São Paulo/SP); 8.2 Tratase de compensações promovidas pela ora Recorrente, no período de abril a agosto de 1995, relativas ao indébito de PIS em razão de seu direito de recolher a referida contribuição de acordo com a Lei Complementar 07/70, ou seja, considerando o faturamento do sexto mês anterior. Tal direito, inclusive, foi reconhecido pela decisão proferida no Mandado de Segurança n° 95.00312433; 8.3 Em 12.09.2006, ou seja, após decorridos 11 (onze) anos das compensações efetuadas, a Receita Federal intimou a Recorrente a apresentar “cópias dos DARF de recolhimento do PIS (3885 ou 8109) relativamente ao período de outubro de 1988 a setembro de 1995, feito pela matriz e por cada um das filiais de forma a comprovar os recolhimentos; demonstrativo da apuração das bases de cálculo relativamente ao período acima citado, discriminando matriz e uma das filiais, inclusive acompanhando de elementos que comprovem esses valores (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registros contábeis) de Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.268 7 forma a comprovar os valores devidos conforme sentença judicial informada na planilha de fls. 79/81"; 8.4 Em atendimento à solicitação fazendária, a Recorrente informou que não logrou êxito na busca da referida documentação, uma vez que a mesma deve ter sido destruída quando passados 10 (dez) anos. Todavia, juntou planilha demonstrativa da base de cálculo solicitada; 8.5 Em 06.03.2007 a Recorrente foi intimada da decisão de fls. 365/374 que não homologou as compensações efetuadas, "posto não haver produzido, o requerente, documentação essencial para cálculo e apuração dos fundamentos das compensações pretendidas, não se admitindo, portanto, as compensações vinculadas ao crédito alegado". Na referida decisão consignouse que a Recorrente teria direito interposição de um recurso administrativo, sem efeito suspensivo, no prazo de 10 (dez dias), nos termos dos artigos 56 e seguintes da Lei n° 9.784/99; 8.6 Inconformada com tal cobrança, a ora Recorrente protocolou manifestação de inconformidade/impugnação; 8.7 Julgada a manifestação de inconformidade/impugnação apresentada (por órgão diverso daquele que é competente segundo a legislação de regência — art. 25 do Decreto 70.235/72 e art. 174 da Portaria MF n° 95/2007 — Regimento Interno da RFB), sem, entretanto, apreciação do pedido preliminar da Recorrente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região Fiscal — SRRF/8ªRF/Disit) entendeu por bem negarlhe provimento, no mérito; 8.8 Antes mesmo da referida decisão e sem abrir qualquer possibilidade de contraditório ou de defesa, a Autoridade Fiscal deu prosseguimento a cobrança dos valores compensados. Assim, flagrante a violação ao art. 42, I do Decreto n° 70.235/72, pois a decisão ainda não era definitiva, uma vez que pendente a decisão quanto a manifestação de inconformidade/impugnação apresentada e cabível a interposição do presente recurso voluntário (art. 33 também do Decreto n° 70.235/72); 8.9 Evidenciado o cabimento do presente recurso voluntário, passase a demonstrar que o crédito de PIS objeto deste procedimento administrativo encontrase extinto, nos exatos termos do que preceitua o artigo 156 incisos II e V do Código Tributário Nacional, tendo em vista: (i) a extinção do crédito tributário pelas compensações efetuadas; (ii) a extemporânea manifestação da autoridade administrativa que deixou de homologar as compensações efetuadas pela Recorrente (art. 74, §2° da Lei n° 9.430/96) materializandose, portanto, a decadência do direito de promover o lançamento de eventuais diferenças tardiamente apuradas (art. 150, §4° do Código Tributário Nacional), nos termos do artigo 156, incisos II e V, do Código Tributário Nacional; 8.10 Dispõe o art. 156 do Código Tributário Nacional que a compensação efetuada pelo sujeito passivo extingue o crédito tributário. Já o art. 74, §§ 2° e 5° da Lei 9.430/96 dispõe que: “§2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (....) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação."; Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.269 8 8.11 Não restam dúvidas, portanto, que as compensações efetuadas pela Recorrente e devidamente informadas a Secretaria da Receita Federal mediante a entrega das competentes DCTFs extinguiram os respectivos créditos tributários de PIS; 8.12 A análise da compensação e a não homologação há de ser necessariamente realizado dentro do prazo indicado no art. 74, §5° da Lei n° 9.430/96, ou seja, em 5 (cinco) anos, sob pena do perecimento do direito de efetuarse o lançamento e a cobrança dos valores entendidos como devidos e extinção dos créditos, nos termos do artigo 156, incisos II e V, do Código Tributário Nacional. A Secretaria da Receita Federal do Brasil deveria ter exercido o seu direito de não homologar as compensações efetuadas pela Recorrente do indébito de PIS dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados das entregas das respectivas DCTF's; 8.13 Diante da omissão perpetrada pela mencionada autoridade administrativa, que somente se manifestou a respeito das referidas compensações em setembro de 2006 (data da formalização do presente procedimento administrativo n° 13657.000322/200507), materializouse na hipótese a homologação tácita do procedimento compensatório; 8.14 Não obstante ter se operado a extinção do crédito tributário pela compensação tacitamente homologada, nos termos do artigo 156, II do CTN, também ocorreu a extinção do crédito pela decadência, nos termos do artigo 156, V do CTN; 8.15 No caso dos autos, tendo em vista a inexistência de lançamento tributário (art. 142 do CTN), há de ser decretada a extinção da obrigação tributaria e do crédito a ela referente, em face da decadência do direito de as autoridades administrativas constituírem o crédito tributário, nos termos dos artigos 150, §4º e 156, V, do Código Tributário Nacional. É cediço que a contribuição ao PIS possui natureza tributária, enquadrandose na modalidade de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e submetendose, desta forma, ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do §4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional; 8.16 Deveria a autoridade administrativa, portanto, ter procedido ao lançamento e cobrança do PIS em tela até, no máximo, agosto de 2000 (cinco anos contados da data da ocorrência dos fatos geradores da contribuição) ou, na pior das hipóteses, até o ano de 2001, se o prazo em questão tivesse por inicio o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (entrega das DCTFs — artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional). Não existindo lançamento e cobrança dentro de tal lapso temporal, operouse inexoravelmente a decadência do direito da Fazenda e, por conseqüência, a extinção do crédito tributário na forma do que preconiza o artigo 156, inciso V do Código Tributário Nacional; 8.17 Deve ser ressaltado, ainda, que a suspensão da exigibilidade do crédito não impede o lançamento, pois este é dever de oficio da autoridade administrativa. Cita jurisprudência para corroborar seu entendimento; 8.18 Ressaltese, também, o desacerto da r. decisão que pretende imputar à Recorrente o descumprimento de intimação pela não apresentação de documentação exigida, que remonta de 11 a 18 anos atrás. Ora, conforme o parágrafo único do artigo 195 do Código Tributário Nacional, "os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos nele efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram"; Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.270 9 8.19 Nesse sentido, se já ocorrida a extinção do crédito pela homologação tácita das compensações, bem como pela decadência, há de ser reconhecida a ausência de obrigação da Recorrente na entrega da referida documentação, devendo ser reformada a r. decisão também quanto a esse aspecto; 8.20 Desta forma, requer seja dado provimento ao presente recurso voluntário para que sejam expressamente homologadas as compensações efetuadas pela Recorrente tendo em vista a ocorrência da extinção do credito tributário (artigo 156, inciso II, do CTN), seja em razão da decadência (art. 156, inciso V, do CTN); 8.21 Por fim, ad argumentandum, ainda que se entenda conforme afirma a decisão recorrida que "o lançamento foi feito quando da entrega da DCTF pelo contribuinte, garantindo a fazenda Pública da decadência do crédito tributário devido por ele", necessário concluirse pela extinção do referido crédito tributário (artigo 156, inciso V, do CTN) em razão da ocorrência de prescrição, nos termos do artigo 174 do Código Tributário Nacional; 8.22 Assim, se considerarmos que a entrega das mencionadas declarações em 1995 se constituiu no marco inicial para o exercício do direito de cobrança, por parte da Fazenda Nacional, do crédito tributário que porventura entendesse exigível, o prazo em questão, que é de 05 (cinco) anos (art. 174 do CTN), transcorreu sem que fossem tomadas as medidas cabíveis para a exigência de eventual crédito tributário; 8.23 E nem se alegue, como pretendeu a decisão recorrida, que o prazo prescricional esteve suspenso até o trânsito em julgado da medida judicial ajuizada pela Recorrente, já que não há previsão legal de tal hipótese de suspensão da prescrição; 8.24 A Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário, reformandose a r. decisão nº 220/2007 proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região Fiscal – SRRF/8ªRF/Disit nesses autos, a fim de que seja afastada a cobrança da contribuição ao PIS referente aos períodos de abril a agosto de 1995, uma vez que operouse a extinção do credito tributário, nos termos do que preconiza o artigo 156, II e V do Código Tributário Nacional. 9. A DERAT/SP enviou comunicado de fl. 497 ao sujeito passivo informado o não cabimento do Recurso Voluntário apresentado, e que os autos seriam encaminhados ao Arquivo, haja vista que, na esfera administrativa não caberia mais qualquer recurso. 10. O sujeito passivo impetrou, então, o Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0023012 na Justiça Federal de São Paulo requerendo liminar que lhe assegurasse o processamento, apreciação e julgamento do Recurso Voluntário, e a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da aludida compensação. 11. A 2ª Vara da Seção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo concedeu liminar, determinado o regular processamento do recurso administrativo apresentado pela impetrante, com efeito suspensivo (fls. 498 a 501). O presente processo foi então encaminhado para o Conselho de Contribuintes. 12. Em 28.10.2010 e 08.12.2010 a contribuinte juntou aos autos DARFs para comprovar o recolhimento do PIS no período de outubro de 1988 a dezembro de 1995 (fls. 506 a 531 e Volumes Anexos I a VIII), e planilhas demonstrativa dos pagamentos (fls. 532 a 539). Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.271 10 13. O presidente da Terceira Sessão do CARF devolveu o processo a esta DRJ/SP1, por meio do despacho de fl. 543 e verso, por entender que "... embora o provimento jurisdicional aponte no sentido de se processar o recurso voluntário, a interpretação mais lógica da ordem judicial é no sentido de que seja aberta via do Processo Administrativo Fiscal, com todas as suas instâncias, isto é, que seja recebida como manifestação de inconformidade, ...”. 14. Por meio do Despacho de fls. 545/546 a DRJ/SP1 devolveu o processo ao CARF, por entender que não tinha respaldo para julgar o processo, pois em nenhum parágrafo da sentença judicial proferida a Delegacia de Julgamento foi mencionada. E que a Delegacia de Julgamento não julga recurso voluntário, pois a competência é do CARF, tampouco julga qualquer recurso de decisão proferida pela Superintendência. 15. Em 25.06.2013 a 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Sessão de Julgamento do CARF analisou o processo, e por meio do Acórdão nº 3101001412 (fls. 560562) não conheceu o Recurso Voluntário, conforme transcrevemos a seguir: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 O CARF é órgão de julgamento de 2° instância administrativa. A leitura correta do provimento jurisdicional é no sentido de que no caso presente aplicase o Decreto n. 70.235/72 e não a Lei 9.784/.1999. Fungibilidade significa, no conceito jurídico, a substituição de uma coisa por outra. Assim, o recurso voluntário deve no caso ser recebido como manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário para determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento do "recurso voluntário” como manifestação de inconformidade.” (grifei) 16. É o relatório. Recepcionado o recurso como Manifestação de Inconformidade, a 9ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso apresentado, conforme Acórdão nº 1651.216, datado de 30/09/2013, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 RECURSO. CONHECIMENTO EM OBEDIÊNCIA A MANDADO DE SEGURANÇA. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.272 11 Conhecese o recurso interposto em obediência à decisão proferida em Mandado de Segurança. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. COMPENSAÇÃO. LEI Nº 8.383/91. LEI Nº 9.430/96. DIFERENTES SISTEMÁTICAS. A sistemática de compensação na forma da lei nº 8.383/91 possuía requisitos próprios, tais como a exigência de ser efetuada entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, não se confundindo com a declaração de compensação instituída no art. 74 da lei 9.430/96, com a alteração dada pela MP 66/2002, convertida na lei 10.637/2002. Da mesma forma, institutos próprios da declaração de compensação (como a homologação tácita) não podem ser atribuídos à compensação na forma da lei nº 8.383/91. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há motivo para constituição em auto de infração de débitos declarados em DCTF pelo contribuinte, razão pela qual não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não corre o prazo para cobrança do crédito tributário enquanto permanecer suspensa a sua exigibilidade por força de decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com o julgamento, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes alegações: a) Decadência: Os débitos objeto do presente processo administrativo foram alcançados pela decadência, eis que "... as declarações apresentadas pela Recorrente foram entregues antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que atribuiu à declaração de compensação, a competência para constituição de débitos". Deveras, somente o art. 17 da Lei n° 10.833/2003 incluiu os §§ 6°, 7° e 8° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que tratam sobre confissão de dívida e constituição de débitos por meio de DCTF: Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.273 12 No presente caso, não há que se falar em constituição de débitos por DCTF já que a compensação foi formalizada perante a Administração Tributária em 1995, muito antes da Lei n° 10.833/03. Com efeito, antes da entrada em vigor da redação dos §§ 6°, 7° e 8° da Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.833/03, havia a necessidade de o Fisco realizar o lançamento de oficio, nos termos do art. 142 do CTN, para cobrança do crédito tributário declarado em DCTF decorrente de compensação indevida. Tanto é assim, que àquela época, havia determinação expressa para que os valores apurados, ainda que em DCTF, fossem objeto de lançamento de oficio, nos moldes do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 45/1998 e art. 90, da Medida Provisória n. 2.158354, de 2001. Cita jurisprudências administrativas e judiciais que, segundo entende, corroboram seus argumentos. A Receita Federal do Brasil possuía prazo inexorável de 05 (cinco) anos para efetuar o lançamento do crédito tributário que entendesse exigível em virtude da não homologação da compensação levada a efeito pela Recorrente. A compensação, no entanto, efetuada entre abril a agosto de 1995, foi somente objeto de indeferimento em 06.03.2007, mais de 11 anos depois de iniciado o prazo para lançamento. À propósito, ante o tempo decorrido, sequer cabe a análise de qual a data de início do prazo para contagem do prazo decadencial já que tanto pela aplicação do art. 150, §4° do quanto do art. 173, inciso I, ambos do CTN, é patente a ocorrência da decadência nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional. Desta feita, considerando que não houve a constituição dos débitos objeto do presente processo administrativo no prazo legal, deve reconhecida a ocorrência da decadência. b) Nulidade da decisão recorrida / verdade material O acórdão é nulo por não haver analisado as provas carreadas aos autos, limitandose a afirmar que estas foram apresentadas a destempo, e que a Recorrente não teria atendido ao item 2 da Intimação nº 180, "(...) pois não apresentou os elementos que comprovem os valores das bases de cálculo indicados no Demonstrativo apresentado. Ou seja, a r. decisão não justificou por qual motivo os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar o crédito pleiteado, tampouco porque não foram considerados na decisão ora recorrida. O art. 16, §4º, "a", do Decreto nº 70.235/72 contempla hipótese, a ser aplicada neste caso, de apresentação após o protocolo da impugnação ou manifestação de inconformidade dos documentos solicitados, justificada pela impossibilidade de apresentação no tempo ofertado, já que os documentos solicitados referiamse a períodos que alcançavam até 18 (dezoito) anos passados até a intimação. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.274 13 Mostrase evidente que a Recorrente estava impossibilitada de apresentar a vasta documentação pleiteada no exíguo prazo disponibilizado para o protocolo de sua defesa. Por sua vez, ignorar os documentos apresentados pela Recorrente, como fez a D. Autoridade Julgadora a quo, representa notória ofensa ao princípio da razoabilidade, norteador do processo administrativo fiscal. Cita lições doutrinárias quanto aos princípios da razoabilidade e da verdade material que deveriam nortear o presente processo, para concluir que " tendo em vista que a r. decisão recorrida se imiscuiu de analisar a documentação apresentada nos presentes autos, deve o julgamento do presente recurso ser convertido em diligência para verificação da documentação acostada aos presentes, o que certamente ensejará o reconhecimento da existência do crédito utilizado na compensação". Destarte, tendo em vista que a r. decisão recorrida se imiscuiu de analisar a documentação apresentada nos presentes autos, deve o julgamento do presente recurso ser convertido em diligência para verificação da documentação acostada aos presentes, o que certamente ensejará o reconhecimento da existência do crédito utilizado na compensação. c) Suficiência da documentação apresentada Foram juntadas todas as guias de pagamento realizadas pela Recorrente a título de PIS calculados com base nos inconstitucionais DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88, sendo esses os documentos aptos a comprovar a origem do crédito tributário. Os documentos contábeis solicitados pela D. Autoridade Fiscalizadora apenas refletem as informações contidas nas guias e planilhas apresentadas nos presentes autos, sendo secundários para o fim de comprovar a existência do crédito decorrente do recolhimento indevido. Até porque, a própria sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00312433, reconheceu o direito da Recorrente em apurar e recolher o PIS com base na LC n° 7/70 e não como pretendiam os Decretos Leis nos 2.445/88 e 2.449/88, homologando os créditos indicados através das guias e planilhas juntadas aqueles autos. Ou seja, da leitura do trecho acima transcrito verificase que a própria sentença reconheceu a existência dos créditos utilizados pela Recorrente para a quitação dos débitos exigidos no presente processo administrativo, não demandando que esses fossem objeto de nova apuração no âmbito da esfera administrativa, sob pena de ofensa a coisa julgada. E nem se alegue que a liminar concedida nos autos daquele processo judicial reservou ao Fisco o direito de realizar a conferência dos atos praticados pelo contribuinte. O direito concedido ao Fisco resumese à possibilidade de verificar se o procedimento de compensação adotado pela Recorrente foi realizado com Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.275 14 base na sentença proferida ou não, mas não de glosar os créditos por ela homologados. Tivesse essa intenção, deveria têlos impugnado dentro do prazo legal naqueles autos. Além disso, não só houve o reconhecimento judicial, como os pagamentos realizados pela Recorrente a título de PIS, nos moldes dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88 foram homologados pela própria D. Autoridade Administrativa já que decorridos 05 anos do seu recolhimento. d) Conclusões deve ser reconhecida a decadência do direito de constituir os supostos débitos de PIS relativos aos períodos de abril a agosto de 1995, já que não realizado o seu lançamento dentro do prazo legal; a r. decisão recorrida é nula, pois deixou de apresentar fundamentação suficiente para não analisar a documentação apresentada aos autos pela Recorrente; em homenagem ao princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal, devem ser levados em consideração para a prolação da decisão todos os documentos carreados aos autos, independentemente do momento em que apresentados, principalmente considerando as peculiaridades do caso; e os documentos apresentados nos presentes autos são aptos e suficientes a comprovar a existência dos créditos pleiteados na presente ação, inclusive porque já reconhecidos pela r. sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n°95.00312433. e) Pedido reconhecer a decadência dos débitos relativos aos períodos de apuração compreendidos entre abril e agosto de 1995, nos termos do art. 156, V do CTN; ou que seja reconhecida a nulidade da r. decisão recorrida em razão da ausência de fundamentação para não analisar os documentos acostados aos presentes autos; determinando, em homenagem ao princípio da verdade material seja convertido o julgamento do presente recurso voluntário em diligência para apuração dos créditos a que a Recorrente faz jus, com base na documentação apresentada e sentença judicial; ou, considerando o já reconhecimento judicial dos créditos, seja reconhecida a sua legitimidade, para homologar as compensações objeto dos presentes autos. É o relatório. Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.276 15 Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. 1 Admissibilidade do Recurso A rigor, à discussão travada nestes autos não se aplicaria o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06/03/1.972, pois este seria aplicado caso houvesse declaração de compensação, nos moldes estipulados pelo art. 74, §§ 2º e 11, da Lei nº 9.430, de 27/12/1.996, e também porque tal determinação não se encontrava em vigor à época em que os débitos foram declarados/compensados. No entanto, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0023012, perante a 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, no curso do qual obteve liminar para determinar o regular processamento do recurso voluntário apresentado pela impetrante nos autos do procedimento administrativo nº 13657.000322/200507, com efeito suspensivo e os consectários daí decorrentes (art. 151, III, do CTN). À data da liminar, a questão destes autos não havia sido posta sob apreciação da primeira instância administrativa (DRJ). Por essa razão, este Conselho exarou o Acórdão nº 3101001.412, datado de 25/06/2013, no qual recepcionou o recurso apresentado como Manifestação de Inconformidade e baixou os autos à DRJ, para que o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, fosse adequadamente observado. A fundamentação para tanto baseouse no princípio da fungibilidade. Com decisão desfavorável perante a DRJ, os autos retornam a este CARF para, agora, apreciação do correspondente Recurso Voluntário. Quanto à medida judicial favorável à Recorrente, pesquisas atuais às páginas da internet dos órgãos judiciais por onde a ação tramitou/tramita dão conta de sua vigência: a) Em 01/08/2011, sentença julgou o pedido procedente, conforme consulta processual às fls. 2.2092.210; b) A União apelou e, em 08/05/2015, foi exarada decisão monocrática terminativa, no âmbito do TRF/3, pelo não provimento do recurso, como se vê às fls. 2.2112.212; c) O TRF/3 negou provimento ao Agravo Regimental/Legal da Fazenda Nacional, conforme acórdão às fls. 2.2132.219, publicado em 13/11/2015; d) A Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial, admitido no TRF/3, conforme decisão datada de 11/05/2016, às fls. 2.2202.221; e e) O Recurso Especial, nº 1632541/SP, encontrase pendente de apreciação perante o STJ, conforme prova a consulta processual às fls. 2.2222.223. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.277 16 Assim, tomo conhecimento do Recurso Voluntário em observância ao provimento judicial, em vigor, concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0023012/SP. 2 Decadência O presente processo tem o objetivo de controlar os débitos de PIS do período de abril a agosto de 1995. Segundo a Recorrente, estes valores estariam decaídos, pois "as declarações apresentadas pela Recorrente foram entregues antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que atribuiu à declaração de compensação, a competência para constituição de débitos". Entende ela que "somente o art. 17 da Lei n° 10.833/2003 incluiu os §§ 6°, 7° e 8° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que tratam sobre confissão de dívida e constituição de débitos por meio de DCTF. Assim, assevera que "no presente caso, não há que se falar em constituição de débitos por DCTF já que a compensação foi formalizada perante a Administração Tributária em 1995, muito antes da Lei n° 10.833/03", ou seja, antes de 31/10/2003. A Recorrente, em seus argumentos, misturou os tratamentos referentes à Declaração de Compensação e à DCTF. Vejamos o que dizem os dispositivos da Lei nº 9.430/96 citados pela Recorrente: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.278 17 Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme §6º acima reproduzido, a declaração de compensação passou a constituir confissão de dívida para efeitos de exigência relativamente aos débitos indevidamente compensados, não necessitando, portanto, de lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal. Até aqui, correto o raciocínio do Recorrente. Porém, os dispositivos acima não tratam de débitos declarados em DCTF, nem mencionam que eles devam ser constituídos por lançamento de ofício na hipótese de compensação indevida. Por conta própria, a Recorrente fez essa relação equivocada entre o início de vigência do caráter confissional (de dívida) da declaração de compensação e a DCTF, como se os débitos informados em ambas as declarações somente a partir de 31/10/2003 vigência da MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 fossem considerados confessados. Não é essa, todavia, a interpretação adequada aos dispositivos acima. Eles somente se aplicam à declaração de compensação, a qual, até então, não tinha o condão de representar instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente nela compensados. Este assunto, inclusive, encontrase sumulado no CARF, por meio da Súmula nº 52, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 52 Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10617.020, de 07/08/2008 Acórdão nº 10195.949, de 24/01/2007 Acórdão nº 10195.950, de 24/01/2007 Acórdão nº 10422.409, de 23/05/2007 Acórdão nº 10615.764, de 17/08/2006 (grifouse) Em outras palavras, desde que não exigíveis a partir de DCTF, os débitos constantes de declaração de compensação ou pedido de compensação apresentados até 31/10/2003, quando indevidamente compensados, necessitam de lançamento de ofício para sua regular constituição. Da mesma súmula, extraise a contrario sensu, que os tributos exigíveis a partir de DCTF não exigem lançamento de ofício. A DCTF é consagradamente instrumento de confissão de dívida e suficiente para inscrição de seus débitos em Dívida Ativa da União. Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.279 18 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no rito dos recursos repetitivos, decidiu, em caráter definitivo, que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário, conforme ementa cujos trechos transcrevo abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. [...] 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." [...] 19. Recurso especial provido, determinandose o prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) E, sendo a DCTF documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos, desnecessário lançamento ou outro procedimento a ser executado pela Fazenda Pública à formalização do valor declarado. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.280 19 Enfim, a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–Lei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, Assim, improcede a alegação de decadência. 3 Nulidade do Acórdão DRJ/SP1 e Conversão do Julgamento em Diligência 3.1 Nulidade do Acórdão DRJ/SP1 Alega a Recorrente a nulidade do acórdão por não haver analisado as provas carreadas aos autos, limitandose a afirmar que estas foram apresentadas a destempo, e que a Recorrente não teria atendido ao item 2 da Intimação nº 180, "(...) pois não apresentou os elementos que comprovem os valores das bases de cálculo indicados no Demonstrativo apresentado. Segundo a Recorrente, a r. decisão não justificou por qual motivo os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar o crédito pleiteado, tampouco porque não foram considerados na decisão ora recorrida Quanto a esta alegação, importa primeiramente transcrever os trechos da decisão recorrida relacionados à análise da documentação apresentada posteriormente ao protocolo da Manifestação de Inconformidade: 25. Apenas em 28.10.2010 e 08.12.2010 a contribuinte juntou aos autos DARFs para comprovar o recolhimento do PIS no período de outubro de 1988 a dezembro de 1995 (fls. 506 a 531 e Volumes Anexos I a VIII), e planilhas demonstrativa dos pagamentos (fls. 532 a 539). 26. Além da apresentação totalmente a destempo (§4º do art. 16 do PAF), cabe observar que a contribuinte juntou aos autos apenas parte dos documentos que lhe foram solicitados na Intimação nº 180 (fl. 254). A contribuinte não atendeu ao item 2 da Intimação nº 180, pois não apresentou os elementos que comprovem os valores das bases de cálculos indicados no Demonstrativo apresentado (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis). Sem tais elementos não é possível aferir a base de cálculo da contribuição devida de PIS e, consequentemente, o valor recolhido indevidamente. 27. Conforme o art. 264 do Decreto n° 3.000, de 26.03.1999, o contribuinte tem a obrigação de conservar em ordem, e em boas condições, a documentação, os livros e papéis, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486, de 03.03.1969, art. 4°).” 28. Vale lembrar que, no presente caso, submetese o interessado à regra geral do ônus da prova do processo civil que serve como fonte subsidiária ao Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.281 20 Decreto n.º 70.235/72 e alterações. Incumbe ao interessado o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, isto é, cabe ao interessado provar – o que não fez – a existência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior utilizados na respectiva compensação. Aplicase, desta forma, o disposto no Código de Processo Civil, transladado abaixo: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] 29. Cabe observar ainda o art. 36 da Lei nº 9.784/99, que prescreve que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado (pagamento indevido ou a maior), o que não foi feito pelo contribuinte. Da leitura acima, percebese claramente a motivação da DRJ quanto à análise dos documentos juntados pela Recorrente após o protocolo de seu recurso. Considerou aquele colegiado, além do desrespeito ao disposto no §4º do art. 16 do PAF, a deficiência na documentação apresentada, pois não foi atendido o item 2 da Intimação Diort nº 180/2006, à fl. 257 (fl. 254 do processo físico), ou seja, não foram apresentados os elementos que comprovem os valores das bases de cálculos indicados no demonstrativo apresentado (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis). Assim, sem tais elementos não seria possível aferir a base de cálculo da contribuição devida de PIS e, consequentemente, o valor recolhido indevidamente. Por tais razões, concluiu a DRJ que a Recorrente não provou, quando lhe incumbia o ônus de provar, conforme art. 333, I, do antigo CPC, a existência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior utilizados na respectiva compensação. Ademais, sabese que as causas de nulidades são estipuladas art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não foram contatadas nesses autos, entretanto, quaisquer das hipóteses acima previstas. Assim, deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que a decisão foi devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. 3.2 Conversão do Julgamento em Diligência No que diz respeito ao pedido para conversão do julgamento em diligência, as manifestações da Recorrente nos autos permitem concluir por sua desnecessidade. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.282 21 Conforme resposta à Intimação Diort nº 180/2006, às fls. 270271, e informações em seus recursos (Manifestação e Inconformidade e Recurso Voluntário), a Recorrente deixou claro que não logrou êxito em localizar os elementos essenciais que permitam verificar as bases de cálculo do tributo indicadas em suas planilhas. Não foi por ela apresentada a documentação contábil e fiscal, cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis, sem o que se torna impossível confirmar os valores de PIS devidos consoante provimento judicial. Não faz qualquer sentido baixar agora os autos em diligência sabendose que o resultado de tal diligência será improfícuo, até mesmo porque já foram oferecidas à Requerente diversas oportunidades para apresentar a documentação pertinente à comprovação de seu pedido, e não o fez. Assim, deve ser indeferido o pedido de conversão do julgamento em díligência. 3.3 Prescrição Embora não trazida esta alegação no bojo do Recurso Voluntário, sobre ela vou me pronunciar, por entender tratarse de matéria de ordem pública, podendo ser conhecida ex offício, ex vi do art. 487 do Código de Processo Civil. Por outro lado, este ponto foi enfrentado pela DRJ, que o rechaçou. Dessa forma, ratifico o posicionamento da decisão de piso, adotando os seus respectivos trechos como razão de decidir, consoante § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: Da alegação de Prescrição. 49. Alega a impugnante que, mesmo que se entenda que o lançamento foi feito quando da entrega da DCTF, assim estaria extinto o referido crédito em razão da ocorrência de prescrição, nos termos do art.174 do CTN. E que nem se alegue, como pretendeu a decisão recorrida, que o prazo prescricional esteve suspenso até o trânsito em julgado da medida judicial ajuizada pela Recorrente, já que não há previsão legal de tal hipótese de suspensão da prescrição. 50. Não é cabível cogitar a fluência do prazo para a cobrança do crédito tributário, enquanto suspensa a sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. “ 51. No presente caso a exigibilidade fora suspensa por força das decisões proferidas nos autos do Mandado de Segurança nº 95.00312433. Estando a recorrente municiada de decisão judicial favorável, proferida em Mandado de Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.283 22 Segurança, não poderia a Fazenda Nacional encaminhar para a execução fiscal o referido débito sob pena de descumprimento de decisão judicial. 52. Desse modo, enquanto a Fazenda Nacional estiver impedida de efetivar a cobrança dos tributos devidos pelo contribuinte, não há de se cogitar da fluência do prazo prescricional. 53. Portanto não procede a alegação de prescrição, pois a exigibilidade do crédito tributário em questão ficou suspenso até a ocorrência do trânsito em julgado do MS nº 95.00312433, que se deu em 08.10.2002 (fl. 102). Acrescento que a ciência do Despacho Decisório DIORT/DERAT/SP ocorreu em 06/03/2007, à fl. 383, contra o qual foi apresentada Manifestação de Inconformidade em 16/03/2007, à fl. 394. Portanto, fica clara a inocorrência da prescrição, visto que o seu dies a quem seria 08/10/2007, de acordo com o art. 151, IV, c/c 174 do CTN. Com base no acima exposto, afasto a prescrição dos débitos em análise. 4 Mérito No mérito, alega a Recorrente que as guias de pagamento realizados a título de PIS, calculados com base nos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, são aptos a comprovar a origem do crédito tributário e que os os documentos contábeis solicitados pela D. Autoridade Fiscalizadora apenas refletem as informações contidas nas guias e planilhas apresentadas nos presentes autos, sendo secundários para o fim de comprovar a existência do crédito decorrente do recolhimento indevido. Isso porque a própria sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00312433/SP, reconheceu o direito da Recorrente em apurar e recolher o PIS com base na LC n° 7/70 e não como pretendiam os DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, homologando os créditos indicados através das guias e planilhas juntadas naqueles autos. Para a Recorrente, a própria sentença reconheceu a existência dos créditos utilizados para a quitação dos débitos exigidos no presente processo administrativo, não demandando que esses fossem objeto de nova apuração no âmbito administrativo, sob pena de ofensa à coisa julgada. Sendo assim, continua, o direito concedido ao Fisco resumese à possibilidade de verificar se o procedimento de compensação adotado pela Recorrente foi realizado com base na sentença proferida ou não, mas não de glosar os créditos por ela homologados. Conclui afirmando que, não só houve o reconhecimento judicial, como os pagamentos realizados pela Recorrente a título de PIS, nos moldes dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88 foram homologados pela própria D. Autoridade Administrativa já que decorridos 05 anos do seu recolhimento. Também aqui não assiste razão à Recorrente. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.284 23 O Poder Judiciário não quantificou o crédito decorrente dos pagamentos realizados a maior de PIS com base nos DLs 2.445/88 e 2.449/88, nem homologou as compensação efetuadas com base nesse crédito. Tal tarefa restou reservada ao Fisco, como asseverado em todo o curso da ação judicial. Vejamos a parte dispositiva e principais trechos dos pronunciamentos judiciais exarados no curso a ação judicial em comento: Mandado de Segurança nº 95.00312433/SP Liminar Concedo parcialmente a liminar lamentada, presentes os pressupostos do artigo 7, II, da Lei nº 1.533/51, residindo o "fumus boni iuris" na declaracão de inconstitucionalidade que o Colendo STF proclamou no tocante aos D.Leis n2 2.445 e 2.449/88 (RE 140.754 2 RJ Rel. designado o Min. FRANCISCO REZEK j. de 24.06.93 DJU de 04.03.94, p. 3.290) e o "periculum in mora" na submissão prevalecente da impetrante aos aludidos diplomas 1egais, que só pode levar a um recolhimento contraverso e iminente de parte da prefalada exacão. Autorizoa, bem por isso, a recolher as contribuições destinadas ao PIS, tal como determina a Lei Complementar nº 7/70, com o prazo assinado pela Lei nª 8.383/91. [...] De fora parte isso, não se pode impedir o fisco de, verificando a incorreta aplicação do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, mesmo que se reconheça haver crédito em favor da impetrante, autuála, constituindo o crédito tributário por meio de lançamento, nas linhas do artigo 142 do CTN. (grifouse) *** Sentença Com efeito, não se trata aqui de homologação de lançamento, posto que a compensação pretendida, nos termos da lei e nas condições vigentes por ocasião do pedido, é feita pela Impetrante, ficando a atividade administrativa do Fisco preservada a fim de que após regular conferência, homologue ou não o lançamento efetuado. (grifouse) [...] Em face de todo exposto e de tudo o mais que dos autos consta, julgo parcialmente procedente o pedido, concedendo a ordem para reconhecer indevidos os pagamentos feitos pela Impetrante na forma dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88, tal como comprovado nos autos, bem como para afastar as exigências decorrentes da Instrução Normativa n.° 67/92, que impeçam a pretensão de compensação, a qual deverá ser realizada por conta da Impetrante na forma da motivação. Torno definitiva a liminar concedida. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.285 24 *** TRF/3 (Voto do Relator) [...] o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o cabimento do mandado de segurança coma meio processual adequado para veicular pretensão deste jaez, pacificou entendimento jurisprudencial, o qual encontrase cristalizado no enunciado contido na Súmula 213, cujo teor transcrevo a seguir: "0 mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito a compensação tributária." [...] Ante o exposto, meu voto é no sentido de homologar a desistência do agravo retido, rejeitar a matéria preliminar e, quanto ao mérito, negar provimento A apelação da União e dar parcial provimento remessa oficial, tida como ocorrida, e A apelação da impetrante. Observase que o Poder Judiciário sempre reservou ao Fisco a regular conferência dos atos praticados pelo contribuinte, possibilitando à Administração Pública, à vista de tal procedimento, validálos ou não. Logo, aquele órgão judicante não quantificou o crédito da Recorrente nem homologou as compensações, tarefas reservadas ao Fisco. Foi com o objetivo de dar cumprimento à decisão judicial que autorizou a Recorrente a recolher as contribuições destinadas ao PIS, tal como determina a Lei Complementar nº 7/70, reconheceu indevidos os pagamentos feitos pela Impetrante na forma dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e autorizou a compensação do crédito decorrente destes pagamentos com o próprio PIS que foi expedida a Intimação Diort nº 180/2006, para que a Recorrente apresentasse elementos (documentos contábeis e fiscais) que permitissem apurar o valor devido de PIS conforme provimento judicial, o que levaria à adequada apuração de seu saldo credor usado nas compensações destes autos. INTIMAÇÃO 180 No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal e considerando o disposto nos artigos 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, fica o contribuinte acima identificado intimado a apresentar os documentos abaixo especificados no prazo de 20 dias. 1. Cópias dos DARF de recolhimento do PIS (3885 ou 8109) relativamente ao período de outubro de 1988 à setembro de 1995 feito pela matriz e por cada uma das filiais de forma a comprovar os recolhimentos informados na planilha de fls. 79/81; 2. Demonstrativo da apuração das bases de cálculo relativamente ao período acima citado, discriminando matriz e uma a uma das filiais, inclusive acompanhado de elementos que Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.286 25 comprovem esses valores (cópias de partes relevantes dos livros Diários, balanços ou balancetes, demonstração de resultado, discriminação das adições e exclusões e seus respectivos registro contábeis) de forma a comprovar os valores devidos conforme sentença judicial informada na planilha de fls. 79/81. No entanto, a Recorrente não apresentou toda a documentação solicitada, sob a justificativa de que, em razão do tempo decorrido, não detinha mais sua guarda e também por entender que não estaria mais obrigada a mantêla. Aqui, importa esclarecer que, diferentemente do que entende a Recorrente, deveria ela manter os referidos documentos enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, consoante regramento a seguir, vigente à epóca: CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 03.03.1969, art. 4º). Sabese que pertence à contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, mediante apresentação de planilhas, desacompanhadas de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar o pagamento a maior decorrente da apuração do PIS com base em legislação declarada inconstitucional. Nesse mesmo sentido é o que dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/99, que estabelece caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim, sendo a Recorrente intimada pela RFB a apresentar a documentação base de seu pleito perante o Poder Judiciário, a alegação de que dela (documentação) não mais dispunha impediu a atuação da RFB de exercer seu dever de ver a correção dos registros que efetuou com relação ao período discutido judicialmente, bem como dos valores utilizados em compensação, razão pela qual, acertadamente, o Despacho Decisório exarado na repartição de origem não admitiu as compensações vinculadas ao crédito alegado. Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 13657.000322/200507 Acórdão n.º 3301006.071 S3C3T1 Fl. 2.287 26 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 2287DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.905708/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.580
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 57 08 /2 00 9- 22 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13819.905708/200922 Acórdão n.º 3402006.580 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior, tendo em vista a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus e apresenta suas razões para o acolhimento da compensação efetuada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 05036.559. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando a juridicidade do seu crédito, uma vez que as operações de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus seriam equiparadas à operações imunes. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.574, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.905701/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.574): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. A imunidade das operações de venda à ZFM e a impertinência da discussão no presente caso 6. Para a devida compreensão do presente tópico deste voto, mister se faz destacar que o despacho decisório que Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13819.905708/200922 Acórdão n.º 3402006.580 S3C4T2 Fl. 4 3 denegou o pedido de compensação do contribuinte o fez ao fundamento de que o contribuinte já havia compensado o crédito vindicado com outro débito, o que fez nos seguintes termos: 7. Em outros termos, em momento algum a motivação do aludido ato administrativo trata da (in)juridicidade do crédito do contribuinte, mas sim pelo fato do crédito vindicado ter sido integralmente utilizado para previamente saldar outro débito (pagamento n. 3005660928; cód. 2172, PA de 31/05/2001) que não o aqui tratado 8. Acontece que, tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu recurso, o contribuinte alega que seu crédito seria válido, haja vista que as operações de venda para Zona Franca de Manaus seriam equiparadas a operações imunes. 9. Nesse sentido, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 10. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.905708/200922 Acórdão n.º 3402006.580 S3C4T2 Fl. 5 4 Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 11. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 119DF CARF MF
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