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Numero do processo: 10880.684361/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
INTIMAÇÃO POR EDITAL. COMPROVADA A IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. CABIMENTO.
É válida a intimação por edital, uma vez comprovado nos autos, com documentação adequada, que a intimação por via postal resultou improfícua.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO DEMONSTRADA A IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE CONHECEU E REJEITOU A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO MÉRITO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento das questões de mérito se, na fase recursal, não foi provada a irregularidade da intimação por edital e, por conseguinte, mantida a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de tempestividade da manifestação inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. COMPROVADA A IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. CABIMENTO. É válida a intimação por edital, uma vez comprovado nos autos, com documentação adequada, que a intimação por via postal resultou improfícua. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO DEMONSTRADA A IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE CONHECEU E REJEITOU A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO MÉRITO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento das questões de mérito se, na fase recursal, não foi provada a irregularidade da intimação por edital e, por conseguinte, mantida a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de tempestividade da manifestação inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. COMPROVADA A IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. CABIMENTO. É válida a intimação por edital, uma vez comprovado nos autos, com documentação adequada, que a intimação por via postal resultou improfícua. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO DEMONSTRADA A IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE CONHECEU E REJEITOU A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO MÉRITO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento das questões de mérito se, na fase recursal, não foi provada a irregularidade da intimação por edital e, por conseguinte, mantida a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de tempestividade da manifestação inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 43 61 /2 00 9- 37 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 22/1/2009, em que informada a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de agosto de 2007, com débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 2003. Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 5/7, o titular da Unidade da Receita Federal da jurisdição da declarante não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito utilizado não existia, pois, embora localizado na base de dados da Administração tributária, o valor do pagamento indevido informado fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não remanescendo crédito disponível. Em 17/12/2009, a interessada foi cientificada do referido Despacho Decisório, por edital (fls. 43/44), após ter resultado improfícua a intimação pela via postal. Em 8/6/2010, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 8/23. Em preliminar alegou que: a) exercia suas atividades no endereço indicado no CNPJ, logo, não havia razão para o suposto não recebimento do Despacho Decisório por via postal; b) era indubitável o direito de recebimento e julgamento da sua defesa; c) o Despacho Decisório estava eivado de nulidade, por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa. No mérito, alegou que era legítimo o crédito postulado, com base no argumento de que utilizara base cálculo ampliada, ou seja, as receitas de vendas e demais receitas. Por meio do Acórdão de fls. 49/54, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I, por unanimidade de votos, não conheceu da intempestiva Manifestação de Inconformidade, sob o argumento de que era válida a intimação por edital, quando as formas normais de intimação resultassem improfícuas. Inviabilizada a intimação pela via postal (fls. 56/57), em 14/4/2011, por edital (fl. 58), a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 19/4/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 60/73, em que reafirmou os argumentos aduzidos na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que a informação da mudança de endereço não era verídica e que não houve qualquer providência, por parte da Administração Tributária, no sentido de averiguar qual seria o endereço correto da recorrente. Em 16/6/2011 (fl.. 94), a interessada foi intimada do Despacho Decisório de fls. 74/76, em que a autoridade preparadora negou seguimento ao recurso, sob o fundamento de que a decisão de primeiro grau era definitiva, pois, em face do não conhecimento da intempestiva manifestação de inconformidade, não fora instaurada a fase litigiosa do processo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10880.684361/200937 Acórdão n.º 3102001.816 S3C1T2 Fl. 21 3 Inconformada, a interessada ajuizou na 14ª Vara Federal Cívil da Capital de São Paulo, o Mandado de Segurança nº 002237438.2010.4.03.6100, no qual foi deferida parcialmente a medida liminar requerida (fls. 82/85), para determinar que o presente recurso voluntário fosse remetido a este Conselho, o que foi providenciado pelo despacho de de fl. 92. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, porém, deve ser conhecido parcialmente, pelas razões a seguir expostas. A decisão de primeira instância limitouse à questão preliminar atinente a regularidade da intimação por edital, por conseguinte, também nesta fase recursal, esta será a única matéria a ser conhecida, pois, em face da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, o litígio foi instaurado, apenas em relação a esse ponto. No âmbito do processo administrativo fiscal, as formas normais de intimação são aquelas realizadas pessoalmente, por via postal ou eletrônica, enquanto a intimação por edital é considerada forma excepcional de intimação, consequentemente, somente pode ser utilizada quando resultar improfícuo um dos meios comuns de intimação. Ratifica o asseverado, o disposto no § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...). (grifos não originais) Há provas nos autos (fls. 34 e 45/47) que confirmam o insucesso da intimação da interessada por via postal, no endereço por ela informado à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), portanto, a intimação por edital em questão foi realizada em consonância com o disposto no referido preceito legal. A recorrente alegou que a informação sobre a mudança de endereço, prestada pelos funcionários dos correios e registrada nos Avisos de Recebimento (AR) colacionados aos autos, não era verídica e configurava uma mera presunção, haja vista que não confirmada por servidor da RFB. No caso, os dois ARs foram devolvidos por motivo de mudança de endereço, com a informação de que o imóvel estava “desabitado” (o primeiro) e havia se mudado para “Itaquaquecetuba”(o segundo). Ademais, o AR de fl. 94 enviado para o novo endereço foi recepcionado, o que ratifica as informações prestadas pelos funcionários da ECT. Logo, não se trata de presunção, mas de questão de fato, cuja informação, para ser infirmada, necessitava de prova em contrário, o que não foi feito pela recorrente. Portanto, insubsistente essa alegação. Também não tem fundamento a alegação de que não houve qualquer providência, por parte da Administração Tributária, no sentido de averiguar o seu endereço, porque, nos termos do art. 221 da Instrução Normativa RFB nº 1.183 de 19 de agosto de 2011, era da interessada a obrigação de manter atualizado o seu endereço perante o CNPJ, o que não foi providenciado. Logo, se houve omissão da sua parte, deve arcar com o ônus dela decorrente. Dessa forma, demonstrado que a questionada intimação editalícia foi realizada de forma regular e que a citada manifestação de inconformidade foi apresentada fora do prazo de trinta dias, fixado no art. 15 do PAF, mantémse a decisão recorrida que rejeitou a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. Com base no exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE o recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) 1 Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência. [...]. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10880.684361/200937 Acórdão n.º 3102001.816 S3C1T2 Fl. 22 5 José Fernandes do Nascimento Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001739/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.845
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001739/200690 Recurso nº 510.207 Embargos Acórdão nº 3102001.845 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria Embargos de Declaração Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO CARGILL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea. Relatório Reproduzo uma vez mais o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 14/11/2006, contra a contribuinte acima identificada o Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS/Pasep para formalização do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.486.929,48 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 39 /2 00 6- 90 Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 186 2 (hum milhão e quatrocentos e oitenta e seis mil, novecentos e vinte e nove reais e quarenta e oito centavos), incluindo os juros de mora e a multa de oficio (75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 31/05/2000 a 31/12/2003 (fls. 1030 a 1040). A ciência da autuação deuse em 14/11/2006, conforme consignado à fl. 1030. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1031/1033) e no Termo de Verificação (fl. 1020/1029), o crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS e o lançamento está fundamentado no art. 3°, §§ 2° e 3°, da Lei Complementar n° 07/70; arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições; com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; art. 4° da Lei n° 9.701/1998; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/2002; 2.1. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1020/1029), o auditor fiscal autuante informa que: a contribuinte, instituição financeira está sujeita ao pagamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS; a partir da constatação de que nas DIPJs dos anoscalendário de 2000 a 2003 foram lançadas despesas com "Operações com Derivativos Objeto de Hedge" (fls. 29 a 121), foi a contribuinte intimada (fl. 353) a apresentar documentação relativa às despesas de operações com derivativos — SWAP e FUTURO; apropriações mensais dos resultados e a comprovação de que as referidas operações eram objeto de hedge, quanto ao anocalendário de 2003; em resposta à intimação fiscal foram apresentadas Planilhas mensais de controle de hedge, relatório de registros controle das operações, cópia dos balancetes mensais , analítico demonstrando os registros contábeis das operações bem como planilhas da formação da base de cálculo do PIS (fls. 122 a 352); posteriormente a contribuinte foi intimada a comprovar também as operações de hedge referentes aos anoscalendário de 2000 a 2002 (fl. 756) a contribuinte informou que em junho de 2005, após iniciados os procedimentos de fiscalização, foi interposta medida judicial (MS n° 2005.61.000110345) objetivando suspender a exigibilidade dos valores que deixariam de ser recolhidos a título de PIS e COFINS na forma determinada pela Lei n° 9.718/1998 e, também, suspender a exigibilidade de outros tributos administrados pela SRF que deixariam de ser recolhidos até o limite dos créditos que possuía a impetrante, advindos dos recolhimentos indevidamente efetuados até a data da petição judicial, conforme os procedimentos de compensação legalmente previstos; em 18/07/2005, a liminar foi deferida parcialmente, para o fim de suspender a exigibilidade dos valores vincendos a título de PIS e COFINS nos moldes exigidos na Lei n° 9.718/1998, mantendose a sistemática anterior, até posterior deliberação do Juízo; a sentença judicial prolatada em 20/10/2005, concedeu parcialmente a segurança no sentido de reconhecer: a) o direito líquido e certo da Impetrante em não ser compelida ao recolhimento da Cofins, consoante a alíquota e base de cálculo estabelecidas na Lei n° 9.718/88; b) o direito líquido e certo da Impetrante em não ser compelida ao recolhimento da Contribuição ao PIS, consoante base de cálculo preconizada na Lei n° 9.718/1998; c) o direito de ver compensados os montantes Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 187 3 pagos a título de COFINS e PIS, consoante as guias acostadas à inicial, com a COFINS, o PIS e demais contribuições federais arrecadadas e administradas pela Receita federal, ressalvado o direito da autoridade impetrada fiscalizar a exatidão dos valores apurados pela impetrante e observado o disposto no artigo 170A do CTN; e d) o direito de ver incidir sobre as parcelas objeto da compensação, correção monetária e juros de mora, nos termos do Provimento n° 64 , de 2005 (e posteriores atualizações), da corregedoria geral da Justiça Federal da Terceira Região. 2.2.Passa então à análise da legislação aplicável à matéria, qual seja: artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998 (relativamente à dedutibilidade da base de cálculo da COFINS do excesso de despesas em relação às receitas nas operações com derivativos) e a Circular Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil n° 3.082 de 30.01.2002, (que estabelece e consolida critérios para registro e avaliação contábil de instrumentos financeiros derivativos e em seu art. 5° define as condições que devem atender os instrumentos derivativos destinados a hedge). 2.3.De posse da documentação apresentada pela contribuinte em atendimento às intimações fiscais, o autuante constatou que as operações SWAP e FUTUROS realizadas pela fiscalizada possuíam as seguintes características, relativamente ao anocalendário de 2003: Sistema SWAP, sistema do Banco Cargill S.A de registro e controle mensais das operaçõesde swap evidenciam que todas as operações efetuadas no anocalendário de 2003 foram, pelo próprio contribuinte, registradas Como de arbitragem e não de hedge; Não possuía nenhuma identificação documental do risco objeto de hedge, com, informação detalhada sobre a operação; Nas planilhas de posição de SWAPS a quase totalidade das operações era feita tendo como contraparte empresas do grupo como a CARGILL AGRICOLA S/A a AGRIBANDS PURINA DO BRASIL S/A; O sistema BMF, sistema do Banco Cargill S.A de registro e controle mensais das operações no MERCADO FUTURO, também demonstra que as operações foram registradas pelo contribuinte como de arbitragem; Nas planilhas de controle de Hedge Mercado Futuro do Banco Cargill, o contribuinte faz um net de Ativo x Passivo de sua carteira, comparando os resultados de operações com derivativos (Mercado Futuro e Swap), referenciadas em taxas de juros 63rie ou pós fixada) e em moeda estrangeira, com os demais ativos e passivos sujeitos à correção pré fixada, pós fixada ou cambial, a fim de comprovar o hedge pela equivalência entre estes valores; Dois fatores descaracterizam a sistemática de análise adotada pelo Banco Cargill a fim de justificar serem as operações com derivativos objeto de hedge: (1) O contribuinte inclui o Patrimônio Líquido na posição de passivo (o Patrimônio Líquido de uma empresa é registrado em moeda nacional sem atualização monetária ou cambial e não se confunde com o patrimônio dos sócios ou proprietários); e (2) SWAPs com passivo referenciado em dólar realizados com empresas ligadas. 2.3.1. Quanto aos anoscalendário de 2000 a 2002, constatou que apesar das operações estarem registradas no sistema de contabilidade como operações de hedge elas possuíam as mesmas características das operações efetuadas em 2003 ou seja: (1) quase totalidade das operações era feita tendo como contraparte empresas do grupo; (2) Não possuía nenhuma identificação documental do risco objeto de hedge, Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 188 4 com informação detalhada sobre a operação; e (3) O contribuinte incluiu o Patrimônio Líquido na posição de passivo e em alguns meses quando não utilizou desta sistemática apresentou excesso /deficiência de Hedge em valores bem mais elevados, 2.4. O auditor fiscal autuante conclui, da análise da documentação apresentada pela contribuinte que dos registros mensais das operações com instrumentos financeiros derivativos operações de SWAP e FUTUROS referente aos anoscalendário de 2000 a 2003 podemos certamente inferir que não se trataram de operações objeto' de Hedge. 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de suas advogadas e. procuradoras (docs. às fls. 1067/1068), apresentou, em 14/12/2006, a impugnação de fls. 1045 a 1066, acompanhada da documentação de fls. 1067 a 1084. 3.1. Em preliminar, a impugnante alega, com base no artigo 150, :§ 4°, do CTN, decadência do direito de constituir o crédito tributário relativamente aos 4 fatos geradores ocorridos no período de maio de 2000 a novembro de 2001 (anteriormente a novembro de 2000). 3.2. A impugnante argúi a impossibilidade de exigência da multa de oficio em face do auto de infração ter sido constituído com a sua exigibilidade suspensa, considerando as decisões proferidas nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0110345, que afastaram a incidência de PIS e COFINS nos termos prescritos pela Lei 9.718/1998. Defende que para a correta interpretação e aplicação do artigo 63 da Lei n° 9.430/1996 devese considerar o momento em que o lançamento foi consumado (14/11/2006). 3.3. , Também alega a inconstitucionalidade da Lei 9.718, de 1998, e a existência de decisões judiciais que afastaram a incidência do PIS sobre receitas financeiras, conforme argumentos expendidos às fls. 1054 a 1059). 3.3.1. Registra que, mensalmente, para preservar o seu conservadorismo, a Impugnante deposita em Juízo os valores de PIS que deixa de recolher sobre suas receitas financeiras, mediante a alíquota de 0,65%, recolhendo ao erário os valores Incidentes sobre suas receitas de venda de serviços, ou seja, sobre a sua receita bruta operacional. 3.4. Passa a argumentar sobre a comprovação de Operações objeto de Hedge. A contribuinte contesta o entendimento fiscal no sentido de que as operações com derivativos objeto de hedge estariam descaracterizadas por (1) inclusão do patrimônio líquido na posição de passivo; e (2) operações de swap com passivo referenciado em dólar, realizadas com empresas coligadas. 3.4.1. Segundo a impugnante, com relação à "Inclusão do Patrimônio Líquido na posição de passivo", ela agiu ao amparo de autorização expressa que' lhe concedeu o Banco Central do Brasil, por meio de sua Consultoria de Organização do Sistema Financeiro II, e transcreve, à fl. 1059, trecho da correspondência do BACEN cuja cópia encontrase à fl. 1084. Argumenta ainda que tendo em vista a expressa autorização do BACEN, não cabe à fiscalização questionar o procedimento da Impugnante, devendo aceitálo em sua integralidade. Reportase ao artigo 10 da Lei n° :4.595/1964, para concluir ser "inquestionável que a Impugnante está autorizada a considerar o valor do investimento estrangeiro, correspondente a 100% do seu patrimônio,1 como exposição vendida em moeda estrangeira, não merecendo qualquer consideração o presente auto de infração". Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 189 5 3.4.2. No que se refere às "Operações de swap com passivo referenciado em dólar, realizadas com empresas coligadas", a impugnante defende que, ao contrário do que pretende a fiscalização, a Circular BACEN n° 3.082/2002 não define as operações de hedge nem estabelece suas condições, pois esta Circular veio estabelecer e consolidar critérios para REGISTRO E AVALIAÇÃO CONTÁBIL de instrumentos financeiros derivativos, conforme se extrai de seu artigo 1°. 3.4.2.1. Alega a interessada não existir qualquer dispositivo na mencionada Circular a determinar que não serão "hedge" operações realizadas com empresas ligadas, mas há apenas e tão somente restrições quanto ao registro de ditas operações. 3.4.2.2. Aponta que, no caso de inobservância das regras relativas às operações com instrumentos financeiros derivativos destinadas a hedge, o parágrafo único do artigo 5º da referida circular determina a imediata transferência, ao resultado do período, dos valores referentes à operação registrados em conta destacada do patrimônio líquido, na forma do artigo 4°, inciso II. 3.4.2.3. Argumenta que atende aos dois requisitos apontados no artigo 77, § 1°, da Lei n° 8.981, de 1995, e no artigo 35, § 2°, da IN SRF n° 25/2001, pois se trata de instituição financeira cujas atividades operacionais contemplam Operações de hedge, realizadas para proteção de seus próprios direitos e obrigações. Defende, por fim, que a Circular Bacen 3.082/2002 estabeleceu condições não previstas na Lei n° 8.981/1995. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP , Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. DECADÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante nº 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. A propositura de ações judiciais resulta em renúncia à discussão na via administrativa das matérias levadas à apreciação do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVIMENTO JUDICIAL APÓS INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151. Da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício, desde que o provimento judicial tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio relativo ao débito objeto do lançamento. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 190 6 PIS. BASE DE CÁLCULO, DEDUÇÃO. PERDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE. As instituições financeiras é autorizada a dedução de perdas com ativos financeiros e mercadorias em operações de hedge na base de cálculo da contribuição para o PIS, desde que devidamente comprovadas e dentro das condições impostas pela legislação que rege a matéria. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Protesta contra o entendimento consignado no acórdão recorrido, segundo o qual “os valores ora exigidos a título de COFINS teriam sido constituídos por meio de lançamento de oficio, hipótese em que, para fins de determinação do termo a quo do prazo decadencial, aplicarseia o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, e não o artigo 150, §4°, do referido diploma legal”. Defende que o juízo deva ser formado com base na modalidade de lançamento vigente à época da ocorrência do fato gerador, inadmissível cogitarse de que houvesse a transmutação da modalidade pelo fato de do crédito ter sido constituído por lançamento de ofício. Quanto à exigência de multa de ofício, sustenta que a correta interpretação do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 é no sentido de que a multa não deva ser exigida se, no momento da constituição do crédito, no caso, em 14.11.2006, houver medida judicial favorável ao contribuinte. Requer a exclusão de juros de mora incidentes sobre a multa de oficio imputada à Recorrente no auto de infração guerreado. Argumenta não ter pretendido o reconhecimento da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 na esfera administrativa, mas tão somente que fosse seguida a orientação do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do §1°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98, que estabeleceu como base de cálculo da contribuição ao PIS o faturamento. Considera que não cabe “à Receita Federal questionar ou pretender inviabilizar autorizações concedidas pelo Banco Central do Brasil, sendo inquestionável que a Recorrente está autorizada a considerar o valor do investimento estrangeiro, correspondente a 100% do seu patrimônio liquido, como exposição vendida em moeda estrangeira (...)”. Finalmente, advoga que o acórdão recorrido entendeu equivocadamente que a Circular Bacen 3.082/02 teria definido as operações de hedge e estabelecido as suas condições, quando, na verdade, sempre segundo entende, ela apenas estabeleceu e consolidou critérios para registro e avaliação contábil de instrumentos financeiros derivativos, tal como se extrai de seu artigo 1°. Considera terem sido observadas todas as disposições legais a respeito. A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP , Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. DECADÊNCIA. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 191 7 A decadência do crédito tributário nos casos de tributos cujo lançamento operase por homologação do pagamento antecipado pelo contribuinte, acontece cinco anos depois da ocorrência do fato gerador correspondente. PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVIMENTO JUDICIAL APÓS INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, quando o provimento judicial ocorre antes do início de qualquer procedimento de oficio relativo ao débito objeto do lançamento. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. PERDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE. As operações de Hedge em relação às quais as instituições financeiras estão autorizadas a deduzir as perdas da base de cálculo das Contribuições, devem ser devidamente comprovadas pelo contribuinte e estar de acordo com a legislação que disciplina o assunto. Recurso Voluntário Provido em Parte Comparece, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Segundo entende, existe omissão na fundamentação do Acórdão 3102 001.180. Explica, Observase que o acórdão embargado não se pronunciou sobre a existência de pagamento nem tampouco sobre a incidência do art. 173, I, do CTN. Cumpre ressaltar que o acórdão da DRJ mencionou a inexistência de pagamento antecipado na hipótese em tela, consoante o seguinte trecho de sua ementa: “Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante nº 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo”. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 192 8 Requer, assim, seja sanada a omissão apontada, acolhendo e emprestando efeitos modificativos aos presentes embargos de declaração, especialmente para esclarecer se houve ou não pagamento antecipado. Todos os grifos encontramse no texto original. É o Relatório. Voto Constam do Acórdão embargado as razões para que se tenha reconhecido a decadência de uma parcela do crédito tributário constituído no Auto de Infração e não excluída pela decisão de piso, se não vejamos. Tal como consta no Código Tributário Nacional, o lançamento por homologação é aquele no qual a legislação atribui ao sujeito passivo a obrigação de antecipar o pagamento. Uma vez efetivado o pagamento, operase o lançamento, não havendo razão para que se fale no termo inicial de contagem previsto no artigo 173. (grifos incluídos) Noutro excerto extraído do Voto, os períodos incluídos pela decisão de segunda instância. Desta forma, além dos fatos geradores cuja decadência já foi reconhecida em primeira instância (31/05/2000, 31/08/2000, 31/09/2000, 31/10/2000 e 30/11/2000), considero também decaídos os fatos geradores ocorridos em 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001 e 30/09/2001. Às folhas 1034 e 1035 do processo, no Demonstrativo de Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, parte integrante do Auto de Infração, identificase informação, na apuração da base de cálculo da Contribuição, de um valor recolhido para todos os períodos de apuração identificados no parágrafo acima reproduzido. Assim, uma vez que o entendimento deste Relator esteja em consonância com toda a jurisprudência administrativa e judicial relatada pela Embargante, no sentido de que o lançamento por homologação somente se operacionaliza com o pagamento antecipado, sem o qual não há que se falar em contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 150 do Código Tributário Nacional, e estando isso, tal como me parece, explicitado no Voto e, ainda mais, tendo sido considerados decaídos apenas créditos cujo pagamento foi parcialmente antecipado, não vejo motivos para reconhecer a omissão informada pela Embargante. VOTO POR REJEITAR os Embargos de Declaração. Sala das Sessões, 21 de maio de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001739/200690 Acórdão n.º 3102001.845 S3C1T2 Fl. 193 9 Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10880.955708/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2002
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 57 08 /2 00 8- 51 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório CENTRO ÓTICO COMERCIAL LTDA., insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1629.335, proferido pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP n° 33057.22920.130904.1.3.047024 fls. (09 e 13) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS cód. 2172, no montante de R$ 1.074.184,10, ocorrido em 31/12/2002, com débito de COFINS e de PIS. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 13/09/2004, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fls. 01, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Inconformado, o contribuinte, por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 14 a 26, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Ab initio afirma que não foi homologada a declaração de compensação em questão sob a alegação de inexistência de crédito passível de compensação, mas não foi informada a devida fundamentação legal e motivação, o que eiva de nulidade tal ato administrativo de não homologação. Preliminarmente a Manifestante demonstra a tempestividade de sua manifestação de inconformidade e alega cerceamento de defesa em virtude da ausência de motivação e fundamentação legal. Neste sentido, ressalta que no processo administrativo os atos praticados devem apresentar os requisitos mínimos legalmente elencados e observar os princípios constitucionais do art. 37 da Constituição Federal, discorrendo sobre os mesmos. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.955708/200851 Acórdão n.º 3802001.684 S3TE02 Fl. 112 3 Acrescenta o teor do parágrafo 4º do artigo 74 da Lei Federal nº 9.430/1996 que estabelece que “os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelo agente público, são considerados declaração de compensação”, considerando injusto imputar ao contribuinte a tarefa de um agente público, ou seja, tornar a declaração como se ato administrativo fosse. Destaca que não basta que “os princípios sejam seguidos de forma cega”, mas que, sobretudo, a Administração Pública deve garantir ao contribuinte o direito de ampla defesa, constitucionalmente expresso no artigo 5º, LV da Constituição Federal. Assim, aponta a necessidade de saber qual o motivo da não homologação da Declaração de Compensação e que a simples informação de que não fora verificada a existência de qualquer direito creditório não pode e não deve ser considerada. Aduz doutrina sobre o tema. Retoma seus argumentos, reitera que não foi identificada corretamente a norma na qual o fato se subsume, o que impede que a Manifestante de conhecer claramente as razões da não homologação de sua Declaração de Compensação, bem com qual legislação é baseada. Ainda, reafirma que a lacônica e infundada justificativa de que “não se verificou a existência de direito de crédito”, não pode prevalecer e nem ser considerada, pois tolhe o direito à ampla defesa da Manifestante. Traz à colação doutrina e jurisprudência sobre a questão de motivação. Conclui o tópico entendendo que como não houve a descrição correta das razões que lavaram à não homologação da Declaração de Compensação, não merece prevalecer tal ato administrativo, devendo o mesmo ser revisto para, ao final, se não cancelado, ser homologada a declaração. Mais uma vez, retoma a argumentação no sentido de ato administrativo inválido, agora pela inobservância do art. 37 da Constituição Federal, por ausência de requisitos para validarem a prática do ato administrativo; acrescenta o que dispõe o art. 142 do CTN e afirma a ocorrência de supressão da via administrativa – apuração do crédito – o que entende ter sido prejudicial à Manifestante, pois, além de ter sido imputada a simples declaração ao Fisco como débito, ainda não restou atendida a exigência legal de necessidade de agente público competente para efetuar o ato administrativo e, consequentemente, foi desrespeitado o regramento constitucional. Por outro lado, a Requerente alerta que, supostamente, se a decisão não homologar seu requerimento porque fora feito através de petição, salienta que, mais uma vez, estará caracterizada a afronta à Constituição Federal, na propalada ampla defesa garantida no âmbito judicial e administrativo. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Afirma que não há razão para que a petição não seja aceita, em detrimento da via eletrônica. Acrescenta que entende ser vedada ao agente público exigir forma diversa dentre aquelas possibilidades que o contribuinte tem para se manifestar. Aduz que não se trata de dever de declarar pelo meio eletrônico e sim faculdade do contribuinte em escolher por qual o meio a legislação lhe faculta formular o aludido pedido. Salienta que de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 600/2005 – artigo 26, §1º para os créditos datados ou anteriores a 2004 de determinados tributos, é facultado ao contribuinte, a formulação do pedido de declaração de compensação por requerimento escrito (petição). Conclui que, se esta for a fundamentação, é desarrazoada a não homologação do pedido de compensação, uma vez que a ora Manifestante formulou o aludido pedido em meio que melhor o conveio (petição), conforme facultado pela legislação atinente ao caso. Em seu pedido requer que sua manifestação de inconformidade seja conhecida e recebida para anular o Despacho Decisório e que, ato contínuo, seja homologada a Declaração de compensação levada a termo pelo contribuinte. Acompanham a impugnação os seguintes documentos: procuração; alterações do contrato social e petição acompanhada de substabelecimento do Patrono do Contribuinte. Cópia do Despacho Decisório e respectiva intimação. É o relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 13ª Turma da DRJ/SP1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelo quais julgou improcedência da Manifestação de Inconformidade. Vejase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação, seja por conta da vinculação total do pagamento a débito próprio interessado ou pela não confirmação da existência do documento de arrecadação informado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.955708/200851 Acórdão n.º 3802001.684 S3TE02 Fl. 113 5 É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações e notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o §4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como se verifica do relatório que acompanha o presente voto, a defesa da Recorrente se funda unicamente em alegações de nulidade do Despacho Decisório. De acordo com o entendimento esposado na peça recursal ora analisada: “A incorreção praticada pelo Sr. Auditor Fiscal ao não identificar corretamente a norma a qual o fato se subsume impede que o Recorrente conheça claramente as razões da não homologação de sua declaração de compensação e em qual legislação é baseada. A lacônica e infundada justificativa de que “não se observou a existência de crédito” não pode prevalecer e nem ser considerada, pois tolhe o direito à ampla defesa do Recorrente. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Notese que a inobservância de um dos direitos fundamentais do contribuinte. Desta feita, para que um desses direitos não seja desrespeitado se faz necessário que o despacho decisório seja revisto, aclarando quais as razões que não justificam a homologação da declaração de compensação e, por fim, para que seja concedida a compensação e sua posterior homologação.” Nas palavras da Recorrente devese “anular o r. despacho decisório que não homologou a declaração de compensação e a r. decisão recorrida, em afronta evidente ao artigo 37 da Constituição Federal, ante à falta de fundamentação legal e motivação da decisão”. O vício de nulidade suscitado pela Recorrente não merece ser acolhido, na medida em que não se verificam na espécie quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa. Da análise do referido despacho é possível verificar o apontamento não só a capitulação legal correlata (arts. 165 e 170, CTN e art. 74, Lei nº 9.430/96), como também a justificação da não homologação da compensação declarada (não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal). É válido mencionar, inclusive, que a Recorrente foi intimida pela autoridade fiscalizadora antes mesmo do Despacho Decisório para que sanasse quaisquer divergências causadoras da não localização do DARF em questão (Termo de Intimação fl. 7 e Aviso de Recebimento fl. 13), o que foi solenemente ignorado pelo sujeito passivo. Resta claro, portanto, a inocorrência da preterição do direito de defesa da contribuinte, que teve oportunidade de esclarecer os fatos em momento anterior à instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal que, como se sabe, se inicia com a apresentação da Impugnação e, no caso de processos envolvendo compensação, com a Manifestação de Inconformidade (art. 14, Decreto nº 70.235/72). Considerando o exposto, deve ser afastada a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente quanto ao Despacho Decisório nº 811459372. Outrossim, no que tange ao instituto da compensação, insta salientar que é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, observese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato o pagamento do DARF indicado na PER/DCOMP. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.955708/200851 Acórdão n.º 3802001.684 S3TE02 Fl. 114 7 Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, pelo que deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000278/2009-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004
DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Para obrigações acessórias relacionadas a tributos sujeitos a lançamentos por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
Nos casos de penalidade única, aplicada em decorrência do descumprimento de deveres instrumentais ocorridos em mais de uma competência, a extinção da multa pecuniária condiciona-se a que todos os períodos de apuração objeto do lançamento estejam decaídos, não sendo admitido o seu fracionamento.
INFRAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERROS NOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS.
Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Contudo, simples erros materiais isolados, incorridos quando dos lançamentos no Livro Razão, sem que tenha havido o comprometimento do arcabouço contábil do contribuinte, é insuficiente para apenar o sujeito passivo com a multa prevista no art. 292 do Decreto 3.048/99, em vista da real finalidade que se pretende alcançar com o estabelecimento dessa obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari votaram pelas conclusões. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004 DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Para obrigações acessórias relacionadas a tributos sujeitos a lançamentos por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Nos casos de penalidade única, aplicada em decorrência do descumprimento de deveres instrumentais ocorridos em mais de uma competência, a extinção da multa pecuniária condiciona-se a que todos os períodos de apuração objeto do lançamento estejam decaídos, não sendo admitido o seu fracionamento. INFRAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERROS NOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Contudo, simples erros materiais isolados, incorridos quando dos lançamentos no Livro Razão, sem que tenha havido o comprometimento do arcabouço contábil do contribuinte, é insuficiente para apenar o sujeito passivo com a multa prevista no art. 292 do Decreto 3.048/99, em vista da real finalidade que se pretende alcançar com o estabelecimento dessa obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari votaram pelas conclusões. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Carolina Wanderley Landim - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Para obrigações acessórias relacionadas a tributos sujeitos a lançamentos por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Nos casos de penalidade única, aplicada em decorrência do descumprimento de deveres instrumentais ocorridos em mais de uma competência, a extinção da multa pecuniária condicionase a que todos os períodos de apuração objeto do lançamento estejam decaídos, não sendo admitido o seu fracionamento. INFRAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ERROS NOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Contudo, simples erros materiais isolados, incorridos quando dos lançamentos no Livro Razão, sem que tenha havido o comprometimento do arcabouço contábil do contribuinte, é insuficiente para apenar o sujeito passivo com a multa prevista no art. 292 do Decreto 3.048/99, em vista da real finalidade que se pretende alcançar com o estabelecimento dessa obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 02 78 /2 00 9- 65 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari votaram pelas conclusões. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12897.000278/200965 Acórdão n.º 2403001.973 S2C4T3 Fl. 142 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.101 a 116) interposto contra o Acórdão proferido pela 10a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (fls.89 a 95), que manteve integralmente o lançamento consubstanciado pelo Auto de Infração – AI – DEBCAD nº 37.227.1294, no valor de R$ 13.291,66. Segundo o Relatório Fiscal (fls.8 a 12), em decorrência da fiscalização desenvolvida sobre os estabelecimentos da Recorrente, no período de 01/2004 a 12/2004, amparada pelo MPF n° 0719000.2008.03842, restou constatado que: (a) A empresa efetuou registro nas contas de despesas ‘Férias’ (5.1.1.02.6907) e 13º salário (5.1.1.02.6904) no Livro Razão 2004 de valores de apropriação de provisão de INSS e FGTS sobre estas rubricas, quando deveria ter efetuado o lançamento dos encargos INSS e FGTS sobre essas rubricas (‘Férias e ‘13º salário’) em contas individualizadas. (b) A empresa também efetuou lançamento referente ao pagamento de férias no mês de dezembro de 2004 da segurada empregada Vanda Brito da Silva na conta ‘Honorários’ (5.1.1.01.6801); conta esta que registra os valores pagos aos diretores (contribuintes individuais), quando o correto deveria ter sido o lançamento na conta ‘Férias’ (5.1.1.01.6907). O Autuante sustenta que as contas de despesas‘Férias’ e ‘13º Salário’ devem conter os valores relativos a estas rubricas, ao passo que encargos sobre elas incidentes devem ter seus lançamentos efetuados em contas individualizadas, ou seja, em títulos próprios. Tal fato teria dificultado a ação fiscal, haja vista a existência de lançamentos que são fato gerador de contribuição previdenciária e os que não são. Complementa que, ainda que a empresa tenha, depois de intimada, efetuado explicações acerca desses lançamentos, a referida infração restou configurada, tendo em vista o não registro em contas individualizadas dos encargos incidentes sobre as rubricas supracitadas. Ademais, ressalta que em relação à segunda infração, a empresa, devidamente intimada, apresentou resposta na qual reconhece que efetuou o lançamento em conta indevida, quando deveria ter sido feita na conta ‘Férias’. Contra os termos da acusação fiscal, o Recorrente apresentou impugnação às fls. 41 a 54, alegando, preliminarmente, que a imposição de multa nos meses de janeiro a março de 2004 não merece subsistir, porquanto operada a decadência do direito de constituir o crédito tributário, tendo em vista que entre os fatos geradores e a ciência da peça acusatória transcorreram mais de cinco anos, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. No mérito,aduziu em breve síntese que lançou em linhas separadas os valores de provisão com INSS e FGTS nas contas ‘Férias’ e ‘13º Salário’, atendendo, assim ao comando previsto no dispositivo legal que fundamentou o lançamento. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Ressaltou que, quanto ao erro cometido ao lançar indevidamente o pagamento de férias na conta de honorário, o simples equívoco incorrido não enseja a imposição da multa, porque em nada prejudicou o curso da fiscalização. Ao apreciar a peça impugnatória apresentada, a 10a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento no Rio de Janeiro (RJ) proferiu a decisão (Acórdão 1233.813) a seguir ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 a 30/12/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão proferida, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos defensivos aduzidos na impugnação. Requereu ao final o total provimento do Recurso Voluntário, para que seja reformado acórdão com o conseqüente reconhecimento da improcedência do lançamento da multa contra si efetuado. Devidamente recebido o Recurso Voluntário, foi realizado o encaminhamento dos autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12897.000278/200965 Acórdão n.º 2403001.973 S2C4T3 Fl. 143 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Antes de adentrar no mérito das razões recursais aduzidas pela Recorrente, impõese a análise da argüição de decadência sustentada em sede preliminar. Como é sabido, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, o qual determinava o prazo decenal para o lançamento das contribuições previdenciárias, reconhecendo com efeitos vinculantes que tais contribuições sujeitamse às regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional, consoante Súmula Vinculante n. 8. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, segundo a qual a fluência do prazo quinquenal tem como termo a quo a data da ocorrência do fato gerador. Evidentemente, se a obrigação principal é regida pela norma estabelecida no art. 150, § 4º do CTN, razão não há para sujeitar os deveres instrumentais, criados no interesse da fiscalização e arrecadação e, portanto, acessórias, à disciplina normativa veiculada no art. 173, I, como equivocadamente adotado pelo Acórdão recorrido. Nesse sentido, vejase a ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ENVIAR A GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS. INFRAÇÃO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, em relação às multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Constitui infração, punível na forma da Lei, enviar à Previdência Social a GFIP com informações incorretas. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo: 10920.001432/201090 Quarta Câmara/Segunda Seção de Julgamento RECURSO VOLUNTÁRIO 18/04/2012)(grifos nossos). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Ainda sobre o tema, convém transcrever trecho de artigo do Ilustríssimo Conselheiro desta Turma, Ivacir Júlio de Souza1: “Sendo cediço que as obrigações principais do tributo em comento são regidas pelos pressupostos do denominado lançamento por homologação, entendo que à decadência, quando o foco são as obrigações acessórias decorrentes daquelas, por coerência, deva se aplicar a regra específica prevista no Código Tributário Nacional para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ou seja, o art. 150, §4º do CTN, até mesmo em razão de se tratar de obrigação de fazer, não se vislumbra falar de antecipação de pagamento.” A Fiscalização não poderia, portanto, ter autuado a Recorrente em virtude de equívocos na escrituração dos livros contábeis que se reportassem a fatos geradores datados de mais de cinco anos do lançamento, pelo que considero decaídas as competências de janeiro a março de 2004, já que a notificação do lançamento se deu em 30/04/2009. Resta incólume, portanto, a infração supostamente cometida quanto ao mês de dezembro de 2004. A despeito do reconhecimento da decadência parcial do direito de o Fisco efetuar o lançamento da multa aqui tratada, o Auditor Fiscal Autuante aplicou uma única multa à totalidade das infrações cometidas, no valor de R$ 13.291,66, com base nos artigos 92 e 102 da Lei n. 8.212/1991 e artigos 283, II, e 373 do Decreto n. 3.048/1999. Com efeito, tendo sido tal penalidade aplicada em decorrência de erros na escrituração contábil identificadas em competência não decaída – 12/2004, a multa não pode ser afastada integral ou parcialmente sob o fundamento da decadência, porquanto não fracionável. DO MÉRITO Afastada a preliminar de decadência, passo a apreciar os argumentos de mérito formulados pela Recorrente. Conforme noticiado em linhas precedentes, aduziu o Autuante que a contribuinte efetuou registro nas contas de despesas ‘Férias’ (5.1.1.02.6907) e ‘13º Salário’ (5.1.1.02.6904) no Livro Razão 2004 de valores de apropriação de provisão de INSS e FGTS sobre estas rubricas. No entendimento da autoridade lançadora, a Recorrente deveria ter efetuado o lançamento das provisões de INSS e FGTS sobre as rubricas ‘Férias’ e ‘13º salário’ em contas individualizadas, além de lançar o pagamento de férias da empregada Vanda Britto da Silva na conta‘Férias’ (5.1.1.01.6907) e não na rubrica ‘Honorários’.Os reportados equívocos materiais foram identificados nos meses de janeiro/2004, fevereiro/2004, março/2004 e dezembro/2004. (fls. 27 e ss.). Pois bem. Do teor da fundamentação da peça acusatória e do Relatório Fiscal, inferese que o Auto de Infração combatido foi lavrado com amparo no art. 32, inciso II da Lei nº 8.212/91, c/c art. 225, inciso II, § 13º do RPS. Vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) 1 Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Decadência das Contribuições Sociais para a Seguridade Social. São Paulo: MP Ed., 2012. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12897.000278/200965 Acórdão n.º 2403001.973 S2C4T3 Fl. 144 7 II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: (...) II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Os comandos normativos supramencionados dispõem que o lançamento contábil deve ser realizado em contas individualizadas dos livros Diário e Razão, e discriminados de modo a facilitar a identificação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos por estabelecimento da empresa. Compulsando os documentos colacionados aos autos, contatase que, em relação às contas contábeis auditadas, a escrituração da Recorrente é idônea, sendo perfeitamente possível aferir a natureza dos lançamentos realizados. De outro giro, os equívocos materiais incorridos são pontuais, ou seja, não comprometeram o arcabouço contábil da empresa nem dificultaram os trabalhos da fiscalização, sobretudo porque os tais erros foram identificados pelo agente autuante, com auxílio da própria Recorrente. A Ciência Contábil é extremamente complexa e cercada de regras e nuances, de modo que beira ao absurdo pretender que simples falhas humanas, pontuais e irrelevantes, acarretem a desqualificação da contabilidade apresentada e a imposição de penalidade. É dizer, ainda que considerados os períodos decaídos, verseá que da investigação desenvolvida sobre os livros Diário e Razão, a autoridade lançadora identificou erros em apenas quatro competências, erros esses que se restringiram a três contas. Afastando o período decaído, o erro resumese à competência de dezembro de 2004 e ao erro no lançamento contábil efetuado na conta 13º Salário. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Ademais, a norma na qual se fundou a acusação fiscal visa obrigar as empresas a realizarem sua escrituração contábil de forma precisa e clara, a fim de facilitar que os agentes tributários identifiquem os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos por estabelecimento; sendo certo que os lançamentos pontuais citados pela fiscalização, registrados de forma equivocada, em nada embaraçaram o procedimento fiscalizatório. Isso porque, a despeito de não estarem registrados nas contas apropriadas, os lançamentos contábeis em análise estão perfeitamente detalhados, tanto que a Autuante logrou identificar a sua natureza no curso da fiscalização. Observese, por oportuno, que, de abril a novembro de 2004, não há lançamentos de provisão de INSS e FGTS nas contas Férias e 13º Salário, donde se conclui que aqueles erros se restringiram a poucos períodos daquele exercício, tratandose, portanto, de equívocos pontuais, inábeis para comprometer a idoneidade da contabilidade da Recorrente. CONCLUSÃO Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de CONHECER e dar PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, julgando IMPROCEDENTE o Auto de Infração AIDEBCAD nº 37.227.1294. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 19515.005709/2008-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço.
A multa somente será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. A multa somente será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 09 /2 00 8- 95 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005709/200895 Acórdão n.º 2803002.300 S2TE03 Fl. 286 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005709/200895 Acórdão n.º 2803002.300 S2TE03 Fl. 287 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela TOLEDO E ASSOCIADOS PESQUISA DE MERCADO E OPINIÃO PÚBLICA LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme o relatório fiscal, a empresa foi autuada por infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº. 8.212/91 e artigo 4º da Lei nº. 10.666/03, combinados com o art. 216, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 07), a empresa deixou de arrecadar as contribuições para a Seguridade Social, mediante desconto das remunerações pagas aos segurados empregados (período de janeiro de 2003 a dezembro de 2003) e contribuintes individuais – autônomos e prólabore (período de abril de 2003 a dezembro de 2003). 3. Foi aplicada multa prevista nos artigos 92 e 102, da Lei nº. 8.212/91, combinados com os artigos 283, I, “g”, e 373, do RPS, Código de Fundamentação Legal (CFL) 91, observada a Portaria Interministerial MPS/MF nº. 77/2008. 4. Houve conversão do julgamento em diligência e, pelo que consta do Relatório de Encerramento de Diligência, fls. 129/131, a empresa foi intimada a apresentar todos os documentos e justificativas que não foram apresentadas durante a fiscalização, sendo considerado que: “7. Portanto, entendo que devam ser excluídos apenas os levantamentos "DIV DESPESAS DIVERSAS", "VIA VIAGENS E ESTADIAS" e parte do levantamento AUT Autônomos e Cl, e permaneceriam inalterados os levantamentos "MED ASSISTÊNCIA MEDICA" e "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", subsistindo deste modo a presente infração por descumprimento de obrigação acessória CFL 59 em relação a estes últimos levantamentos. 8. Também permaneceriam inalterados os Levantamentos "FOP FOLHA DE PAGAMENTO", que inclui os valores pagos aos empregados constantes na Folha de Pagamento e não inclusos na GFIP, e "PRO PROLABORE" que inclui os pagamentos efetuados a título de prólabore também constantes na folha de pagamento e não declarados em GFIP. Foram apresentadas nesta ocasião, as mesmas Folhas de Pagamento que deram origem a estes levantamentos.” 5. O acórdão (fl.239) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005709/200895 Acórdão n.º 2803002.300 S2TE03 Fl. 288 4 Constitui infração a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados e 'contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto no artigo 30, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91 e artigo 4o da Lei n° 10.666/03, combinados com o artigo 216, inciso I, alínea "a" do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte em sua impugnação demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados, defendendose plenamente. CONDIÇÕES PARA RELEVAÇÃO DA MULTA. A multa somente será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (239/244). 6. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) decadência dos fatos geradores apurados por aferição indireta nos meses de janeiro a maio de 2011; b) a relevação da multa, pois apresentados os documentos relativos aos lançamentos, sendo que corrigir a infração não significa pagar as contribuições. c) impossibilidade de incidência de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão do atendimento da diligência. 7. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005709/200895 Acórdão n.º 2803002.300 S2TE03 Fl. 289 5 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Pelo que consta dos autos, a recorrente foi autuada por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores e na Lei nº. 10.666/03, art. 4º, caput e no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, art. 216, inciso I, alínea “a”. 3. Em suas alegações, a recorrente dispõe sobre a existência de decadência relativa aos períodos de janeiro a maio de 2011 (fl. 260. No entanto, cabe destacar que, conforme o art. 173, I, do CTN, não há decadência no caso em análise, observandose que a competência inicial foi 01/01/2003, a competência final foi 31/12/2003 e a data do AR que demonstra a ciência do contribuinte foi 18/09/2008 (fl. 40). 4. Ademais, cumpre enfatizar, mesmo entendendo pela autonomia da obrigação acessória em relação à principal, que a 13ª Turma da DRJ/SPI, através do Acórdão nº. 1629.130 (sobre a obrigação principal), afastou, por unanimidade, parcialmente, as alegações de não incidência, julgando e mantendo os débitos conforme o resultado da diligência fiscal, que assim dispõe: “7. Portanto, entendo que devam ser excluídos apenas os levantamentos "DIV DESPESAS DIVERSAS", "VIA VIAGENS E ESTADIAS" e parte do levantamento AUT Autônomos e Cl, e permaneceriam inalterados os levantamentos "MED ASSISTÊNCIA MEDICA" e "PAT EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT", subsistindo deste modo a presente infração por descumprimento de obrigação acessória CFL 59 em relação a estes últimos levantamentos. 8. Também permaneceriam inalterados os Levantamentos "FOP FOLHA DE PAGAMENTO", que inclui os valores pagos aos empregados constantes na Folha de Pagamento e não inclusos na GFIP, e "PRO PROLABORE" que inclui os pagamentos efetuados a título de prólabore também constantes na folha de pagamento e não declarados em GFIP. Foram apresentadas nesta ocasião, as mesmas Folhas de Pagamento que deram origem a estes levantamentos.” Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005709/200895 Acórdão n.º 2803002.300 S2TE03 Fl. 290 6 5. Portanto, restaram mantidas exigências que deveriam ter sido arrecadadas, mediante desconto das remunerações, corroborando o entendimento de que é procedente o lançamento da obrigação acessória em comento. 6. No que se refere ao argumento da possibilidade de relevação da multa, não assiste razão a recorrente, já que o art. 291 do RPS vigente ao tempo da autuação e da apresentação da defesa estabelece requisitos para a relevação e, pelo exame dos autos, não está presente o requisito da correção dentro do prazo de defesa, conforme aponta a diligência fiscal (fls. 129 e ss.). 7. Dessa forma, averiguando os autos, sua fundamentação e os documentos anexos, percebese a consistência existente no lançamento fiscal sobre a obrigação acessória, sendo que o contribuinte não demonstrou na diligência ou formulou alegações que pudessem afastar a exigência em questão. 8. Com efeito, a empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. 9. Vêse, pois, que a penalidade aplicada está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. CONCLUSÃO 10. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito negar lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 12448.736151/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. EMPRESAS NAS COLIGADAS. INVESTIDA E INVESTIDORAS. LUCRO REFLETIDO NAS INVESTIDORAS. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros apurados na empresa investidora, apurado pelo Método de Equivalência Patrimonial, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível como lucros e/ou reservas de lucros tanto para capitalização ou para retiradas pelos sócios.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investida e oriundas de ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital apurado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O art. 61, da Lei nº 9.430/96, e o art. 161, do CTN, autorizam a incidência de juros de mora tão somente sobre o valor do tributo, não abarcando a multa de ofício.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. INEXISTÊNCIA.
A qualificação da multa de ofício só é aplicável quando a fiscalização constatar a existência de dolo de caráter penal. O mero intuito de economizar tributo não é conduta tipificada penalmente, e não enseja a qualificação da multa de ofício, ainda mais quando este intuito é realizado através de meios lícitos, com operações às claras e baseado em interpretação razoável dos dispositivos existentes.
Numero da decisão: 2202-002.254
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior. O Conselheiro Pedro Anan Junior acompanha o voto do Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que o Relator ficou vencido, o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Manifestaram-se, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional).
(Assinado digitalmente)
Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. EMPRESAS NAS COLIGADAS. INVESTIDA E INVESTIDORAS. LUCRO REFLETIDO NAS INVESTIDORAS. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros apurados na empresa investidora, apurado pelo Método de Equivalência Patrimonial, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível como lucros e/ou reservas de lucros tanto para capitalização ou para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investida e oriundas de ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital apurado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O art. 61, da Lei nº 9.430/96, e o art. 161, do CTN, autorizam a incidência de juros de mora tão somente sobre o valor do tributo, não abarcando a multa de ofício. MULTA QUALIFICADA. DOLO. INEXISTÊNCIA. A qualificação da multa de ofício só é aplicável quando a fiscalização constatar a existência de dolo de caráter penal. O mero intuito de economizar tributo não é conduta tipificada penalmente, e não enseja a qualificação da multa de ofício, ainda mais quando este intuito é realizado através de meios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 61 51 /2 01 1- 91 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 lícitos, com operações às claras e baseado em interpretação razoável dos dispositivos existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior. O Conselheiro Pedro Anan Junior acompanha o voto do Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que o Relator ficou vencido, o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Manifestaramse, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinado digitalmente) Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins e Pedro Anan Junior. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.056 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado, em 22/06/10, a prestar as seguintes informações acerca da alienação de sua participação societária no grupo Pactual, no anocalendário de 2006 (fls. 1820 do eprocesso): a) demonstrativo analítico do ganho de capital auferido na alienação da participação societária; b) nome/nome empresarial e CPF/CNPJ das Pessoas Físicas e/ou Jurídicas, respectivamente, adquirentes das participações societárias vendidas; c) valor da alienação e forma de recebimento por adquirente; d) composição e evolução do custo das ações alienadas com a especificação e quantificação das capitalizações dos lucros e reserva ocorridas nas sociedades do grupo Pactual que afetaram o referido custo; e) condições de pagamento, especificando, caso a operação tenha sido realizada a prazo, valor, quantidade e datas de vencimento das parcelas, esclarecendo eventuais condições para diferimento dos valores a receber, bem como especificar o tratamento e as condições do eventual diferimento aplicado ao custo de aquisição das ações alienadas; f) valor dos tributos recolhidos incidentes sobre os ganhos de capital; g) todos os documentos que tenham respaldado a operação supracitada. Os seguintes esclarecimentos foram apresentados pelo recorrente, em 28/06/10 (fls. 2227 do eprocesso): a) o valor da alienação foi de R$ 15.730.846,59, com custo de aquisição da participação societária de R$ 7.690.665,00, resultando num ganho de capital de R$ 8.040.181,59. O valor foi recebido em parcelas, sendo uma de R$ 6.113.814,50, em R$ 01/12/06, correspondente a 38,8651% em relação à qual foi recolhido Imposto sobre a Renda de R$ 468.724,12. Acerca das demais parcelas, não foram prestadas informações; b) o adquirente das 3.402.230 ações do Banco Pactual S.A. foi a UBS Brasil Participações Ltda., CNPJ nº 08.245.975/000191; c) o custo de aquisição das ações era R$ 7.690.665,00. A evolução do custo de aquisição ocorreu da seguinte forma: Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1. compra de 100 quotas da Nova Pactual Participações Ltda. (NPP) por R$ 132,00; 2. integralização de 4.702.287 novas quotas da NPP, com a capitalização de créditos de lucros no valor de R$ 4.702.287,00; 3. a empresa NPP foi incorporada pela Pactual S.A. (PSA) em 2006, com o recorrente recebendo ações da PSA em substituição; 4. integralização de 2.988.261 ações da PSA com a capitalização de créditos de dividendos de R$ 2.988.261,00; 5. cisão parcial da PSA com versão de acervo para a Pactual Capital Partners Participações Ltda., com emissão de novas ações a custo de R$ 15,00, retirados da participação na PSA; 6. incorporação da PSA pelo Banco Pactual S.A., em 2006, com a substituição das ações. d) o ganho de capital oferecida à tributação no anocalendário de 2006 correspondeu à proporção da parcela recebida neste ano (38,8651%), sendo tributado à alíquota de 15%; e) a UBS Aktiengesellschaft (AG), entidade constituída na Suíça, ficou responsável pelo pagamento das demais parcelas que cabiam ao recorrente. O recorrente juntou, ainda, as DARF’s para comprovar o recolhimento do valor apurado e o contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual, traduzido por tradutor juramentado (fls. 792914 do eprocesso). Em 14/07/10, o Fisco intimou o recorrente (fl. 28 do eprocesso) a apresentar cópia autenticada de todos os documentos, hábeis e idôneos, que comprovassem a capitalização de créditos originados de lucros, no valor de R$ 4.702.287,00, e de dividendos, no valor de R$ 2.988.261,00. Em reposta (fl. 30), o recorrente apresentou: a) instrumento particular de 3ª Alteração do Contrato Social da Nova Pactual Participações Ltda., de 19 de setembro de 2006. (fls. 239269 do eprocesso); b) instrumento particular de 4ª alteração do contrato social da Nova Pactual Participações Ltda., de 13 de outubro de 2006 (fls. 270311 do e processo); c) ata de reunião de sóciosquotistas da Nova Pactual Participações Ltda., de 28 de abril de 2006 (fls. 318322 do eprocesso); d) ata de assembleia de sócios quotistas da Nova Pactual Participações Ltda., de 13 de outubro de 2006 (fls. 323335 do eprocesso), onde consta a distribuição desproporcional dos lucros do exercício; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.057 5 e) ata de assembleia geral de sócios quotistas da Nova Pactual Participações Ltda., de 13 de outubro de 2006 (fls. 336364 do eprocesso), onde consta a aprovação da incorporação da Pessoa Jurídica pela Pactual S.A. Em 03/09/10, o recorrente foi intimado a apresentar justificativa da falta de tributação do ganho de capital decorrente dos valores de R$ 4.702.287,00 e R$ 2.988.261,00, atribuídos pelo recorrente como “Custo das Ações do Banco Pactual S.A.”. A resposta do recorrente foi no sentido de reiterar as alegações anteriores: tais valores correspondem a capitalização de lucros, que aumentaram indubitavelmente seu custo de aquisição, mas que advinham de origem isenta (fls. 3536 do eprocesso). Em 13/10/10, o recorrente foi novamente intimado, desta vez para apresentar todos os documentos contábeis da operação envolvendo a venda do Banco Pactual S.A. no ano calendário de 2009. Antes da resposta do recorrente, nova intimação foi expedida, desta vez requisitando a apresentação das cópias autenticadas em cartório de todos os Contratos de Câmbio, referentes aos recursos enviados às Ilhas Virgens Britânicas durante o anocalendário de 2006. O recorrente respondeu à última intimação apresentando os contratos de câmbio, cujos recursos — no total de US$ 900.000,00 — foram utilizados para integralizar capital da empresa BCAS Esco Limited (fls. 4349 do eprocesso). Quanto à anterior, após diversas reintimações, o recorrente respondeu (fls. 5456 do eprocesso), apresentando os documentos requisitados (que não constam nos autos). 2 Auto de Infração Após análise dos documentos societários, contábeis e esclarecimentos apresentados, o Auditor Fiscal entendeu por bem lavrar auto de infração (fls. 122128 do e processo), constituindo crédito tributário de R$ 2.734.007,30, incluídos imposto, juros de mora e multa de ofício qualificada em 150%. A explicação detalhada dos fatos apurados e critérios utilizados no lançamento estão presentes no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto (fls. 82121 do eprocesso). A justificativa para a autuação, de acordo com o TVF foi: [...] as pessoas físicas alienantes das ações do Banco Pactual S/A valeramse da supracitada reorganização societária para desenvolver um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. De plano, registrese que toda a análise teve como fundamento uma evidência que afronta os princípios econômicos e contábeis da formação do custo de aquisição de bens alienados, assim como contraria regras e correlações matemáticas elementares. Verificouse UM ACRÉSCIMO NO CUSTO DAS AÇÕES ALIENADAS pertencentes ao acionista BRUNO CONSTANTINO ALEXANDRE DOS SANTOS da ordem de 199,83% [...], enquanto que o AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 BANCO PACTUAL S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, foi de 89%. No decorrer do TVF, foram explicitadas todas as operações de reorganização ocorridas nas empresas do grupo Pactual, desde dezembro de 2004: 2.1 NA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA: a) 28/12/04: mudança do capital social da Pactual Participações Ltda., com aumento do capital social de R$ 125.000.321,05 para 335.000.321,71, mediante capitalização de parte dos lucros (R$ 210.000.000,66) retidos na conta de lucros acumulados da sociedade; b) 31/12/05: mudança do capital social da Pactual Participações Ltda., com aumento do capital social para R$ 465.000.320,61, mediante capitalização de parte dos lucros (R$ 129.999.998,90) detidos na reserva de lucros da sociedade; c) 31/12/05: incorporação da Pactual Participações Ltda. pela Pactual Participações S.A., com acréscimo de R$ 53.828.392,27 ao capital social da incorporadora, que passou a R$ 70.118.786,40; 2.2 NA PACTUAL PARTICIPAÇÕES S.A.: a) 13/01/06: transformação da Pactual Participações S.A., em Nova Pactual Participações Ltda.; b) 13/10/06: mudança do capital social da Nova Pactual Participações Ltda., com aumento de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade; c) 13/10/06: incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A., acrescentando R$ 33.593.148,46 ao capital social da incorporadora, que passou a R$ 97.841.295,93; 2.3 NA PACTUAL HOLDINGS S.A.: a) 13/10/06: mudança do capital social da Pactual Holdings S.A., com aumento do capital social em R$ 31.299.033,50, para R$ 233.799.033,50, mediante a capitalização de R$ 202.500.000,00, parte a título de créditos detidos contra a sociedade e parte mediante capitalização da reserva legal da companhia; b) 13/10/06: incorporação da Pactual Holdings S.A. pela Pactual S.A., acrescentando R$ 29.749.957,22 ao capital social da incorporadora, que passou a ser de R$ 64.248.147,47; 2.4 NA PACTUAL S.A.: a) 01/11/06: mudança do capital social da Pactual S.A., com aumento de R$ 3.862.542,92, mediante capitalização dos créditos detidos pelos Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.058 7 acionistas Gilberto Sayão da Silva e André Santos Esteves contra a sociedade, passando a R$ 101.698.838,85; b) 01/11/06: cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., no valor de R$ 5.000,00, em 01/11/06; c) 03/11/06: mudança do capital social da Pactual S.A., com aumento de R$ 996.087.876,00, mediante capitalização dos créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia, passando a ser de R$ 1.097.786,85; c) 01/12/06: incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual, acrescentando R$ 1.149.597.660,18 ao capital social da incorporadora, sendo entregues aos acionistas da Pactual S.A. as correspondentes ações do Banco Pactual, que seriam alienadas ao UBS AG. O recorrente ingressou o quadro societário na mudança ocorrida em 31/12/05 (item b do ponto 2.1), quando adquiriu 100 ações da Pactual Participações S.A. por R$ 132,00, e teve a seguinte variação patrimonial apresentada: Empresas Custo das Ações/Quotas em 31/12/2005 Créditos Capitalizados em 2006 Natureza PACTUAL PARTICIPAÇOES S.A. R$ 132,00 NOVA PACTUAL PARTIC. S.A. R$ 4.702.287,00 Crédito Capitalizado Lucros PACTUAL S.A. R$ 2.998.261,00 Dividendos Capitalizados Cisão Parcial PSA vertendo acervo a Capital Partners Part. Ltda. R$ 15,00 TOTAL R$ 132,00 R$ 7.700.533,00 R$ 7.700.665,00 Após relatar o que foi dito pelo recorrente durante o processo de fiscalização, o Auditor Fiscal passa a retratar as operações ocorridas nas empresas através de um exemplo, no qual utiliza as empresas Alfa e Beta. Com o exemplo, procurou mostrar como o método de equivalência patrimonial geraria lucro distribuível em cascata, e que a operação de capitalização dos lucros distribuíveis em cadeia gerava aumento artificial do custo de aquisição, que, se levado a graus mais elevados de sobreposição empresarial, chegariam à aniquilação total do ganho de capital na venda de ações. O ponto atacado no planejamento foi o fato de os recursos passíveis de distribuição e integralização estarem desde sempre na incorporadora final, motivo pelo qual não poderiam ter sido capitalizados nas empresas controladoras incorporadas que tiveram apenas lucro devido à equivalência patrimonial. Desse modo, para reconstituir o custo de aquisição das ações alienadas, o Auditor Fiscal elabora apurado raciocínio para chegar à conclusão de que o verdadeiro custo de aquisição das ações do Banco Pactual S.A. é representado pelo Patrimônio Líquido da Pactual S.A., no montante de 1.149.610.206,41, com o desconto de R$ 290.754.000,06 recebidos pelos alienantes em 22/02/07 a título de dividendos, de acordo com a cláusula 6.13 do contrato de Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 compra e venda das ações do Banco Pactual à UBS AG. Sendo assim, o custo total de aquisição das ações do Banco Pactual corresponde a R$ 858.876.206,35. Em relação ao contribuinte, sua participação societária foi alienada por R$ 15.730.846,59, em duas parcelas, sendo parte em 2006 (38,87%) e o restante em 2009. O custo de aquisição declarado por si foi de R$ 7.690.400,69, o que implicaria um ganho de capital de R$ 8.040.445,90, sobre o qual o recorrente recolheu Imposto sobre a Renda à época da recepção. No entanto, o critério considerado pelo Fisco fixou o custo de aquisição em R$ 2.565.038,78, o que aumentaria o ganho de capital para R$ 13.165.807,81, devendo ser recolhido imposto sobre a diferença entre o ganho de capital apurado pelo Fisco e o apurado e pago pelo recorrente. O Fisco entendeu, por fim, que, por ter informado o valor do custo de aquisição de modo inexato, com o intuito de pagar menos imposto de renda, o recorrente efetuou fraude, tipificada no art. 72, da Lei nº 4.502/64. Nesse contexto, qualificou a multa de ofício, aplicandoa no patamar de 150%. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em suma: a) o auto de infração não indica o dispositivo infringido, se limitando a citar uma variedade de dispositivos genéricos. A falta de indicação do dispositivo infringido é facilmente explicável: não houve infração alguma na reestruturação social ou na apuração de ganho de capital do caso; b) a estrutura de holdings sobrepostas era existente há mais de 10 anos, e servia para facilitar a distribuição dos resultados, bem como preservar o controle por seus principais acionistas; c) a venda poderia ter ocorrido de duas formas: compra das ações pelo UBS AG diretamente dos acionistas, ou da Pactual S.A. Como o contrato envolveu diversas obrigações aos sócios, a UBS AG tinha interesse de que a transação fosse efetuada diretamente pelos sócios pessoas físicas. É importante ressaltar que grande parte dos sócios era gerente de investimento do Banco Pactual, enquanto outros dos sócios eram famosos investidores, e que o interesse da UBS AG era mantêlos operando o fundo de comércio até a consolidação desse, bem como impedilos de competir com a instituição financeira durante certo período de tempo. Ao mesmo tempo, seria interessante aos alienantes receber a quantia pessoal e individualmente, já que desse modo não seriam impactados caso um dos outros alienantes violasse a cláusula de não concorrência, que ensejava redução do valor da alienação; d) ainda, após a venda das ações, as holdings deixariam de ter serventia, motivo pelo qual deveriam ser extintas. O processo de liquidação, contudo, é longo e relativamente complexo, motivo pelo qual a forma mais simples de encerrar as empresas seria através de incorporação; e) no entanto, a incorporação de instituições financeiras é processo extremamente trabalhoso e delicado, devido ao sem número de regulamentações e restrições impostas ao setor, ainda mais quando a incorporadora não é uma instituição financeira. Por esses motivos, as Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.059 9 holdings controladoras é que deveriam ser incorporadas pelo Banco Pactual, e não o inverno, como seria o costumeiro; f) sendo assim, a incorporação era o modo mais eficiente, pelo viés prático, operacional, negocial e fiscal de, ao mesmo tempo, extinguir as sociedades e passar a posse das ações do Banco Pactual aos acionistas das holdings; g) o procedimento de incorporação se dá, via de regra, pelo aumento de capital da empresa incorporadora, que é capitalizado com o patrimônio líquido da incorporada. Nesta operação os sócios da incorporada recebem ações da incorporadora equivalentes a sua participação no aumento do capital. Desse modo, a substituição de ações é feita sem apuração de resultado, e é mantido o custo de aquisição do investimento; h) no entanto, há uma particularidade nas incorporações reversas, como a do caso: como parte do patrimônio da incorporada é formado por ações da incorporadora, e essas ações são canceladas ou mantidas em tesouraria quando da incorporação, o capital social é aumentado e logo sofre redução pelo cancelamento das ações. i) a capitalização dos lucros da incorporada ocorreria de qualquer modo, pois, ao incorporar o patrimônio líquido, também seriam incorporados os lucros a distribuir aos acionistas, e os acionistas da incorporada receberiam ações equivalentes a este valor, sem ganho de capital, mas com aumento do custo de aquisição; j) não procede o argumento da Fiscalização de que as operações tiveram como intuito apenas aumentar o custo de aquisição. Em realidade, a distribuição prévia dos lucros teve como intuito distribuir os lucros de forma desproporcional, de modo a acertar as participações societárias. Caso fosse realizada a incorporação sem a distribuição dos lucros, todos os acionistas teriam o resultado distribuído em forma de ações da empresa incorporadora de modo proporcional a sua participação conforme explicado no ponto acima; k) é errôneo o entendimento da Fiscalização de que os lucros de equivalência patrimonial não podem ser capitalizados. Esta é, inclusive, a justificativa para a tributação do lucro das coligadas e controladas no exterior mesmo antes da distribuição às controladas e coligadas em território nacional: o aumento patrimonial das controladas/coligadas repercute no patrimônio da controladora/coligada; l) ainda, se fosse realizada a extinção das holdings ao invés das incorporações, os acionistas receberiam a restituição da participação no capital social da holding, que é completamente formado pelas ações da empresa controlada. Ainda, os bens são recebidos pelo valor contábil ou de mercado, e o ganho de capital em relação aos bens devolvidos é isento de imposto de renda, por força do art. 29, III, da IN nº 84, de 2001. Ou seja, pelo exemplo de Alfa e Beta utilizado no termo de verificação fiscal, a situação acabaria do mesmo jeito. No entanto, conforme já foi Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 exaustivamente dito, a incorporação era o método mais racional, eficiente e veloz de fazer com que as ações chegassem às mãos dos acionistas; m) a legislação fiscal é falha, e possui casos em que o contribuinte sai prejudicado injustamente, assim como outros em que o contribuinte se beneficia da estrutura legal. Um exemplo no qual o contribuinte é prejudicado é quando existem reservas de reavaliação reflexa. Uma empresa com controladoras diretas e indiretas reavaliou um bem de seu ativo. Essa reavaliação gerou um aumento na participação dos controladores. Após esta reavaliação, um dos controladores vendeu a participação na controlada e apurou ganho de capital na venda, pagando imposto de renda. Logo em seguida, a controlada vende o bem do ativo e apura ganho de capital, pagando novamente imposto de renda. Ou seja, assim como uma reavaliação pode gerar duas riquezas tributáveis, uma mesma reavaliação pode gerar duas riquezas isentas, como no caso em liça; n) o critério de apuração do custo de aquisição utilizado pelo Fisco é desprovido de fundamento legal. Ainda, no eventual caso de haver irregularidade na capitalização dos lucros da equivalência, deveria ter sido era desconsiderada a capitalização dos lucros da Pactual S.A., e apenas esta capitalização; o) a reestruturação não foi abuso de direito, nem fraude. Os meios utilizados foram os mais eficientes, práticos e adequados às vontades das partes envolvidas no negócio jurídico, dos vieses negocial, econômico, fiscal e societário. Ademais, todo o negócio foi feito às claras. Conforme defende Marco Aurélio Greco, que é utilizado pelo Fisco como referência em matéria de fraude à lei, nos casos em que há a pretensa “fraude à lei” não deve ser aplicada multa, visto que a atuação se dá de acordo com o Direito vigente. Ou seja, mesmo que, em último caso, se entenda que o tributo é devido, a multa é inaplicável; p) a qualificação da multa também é incabível, vez que em nenhum momento foi configurado o intuito doloso do recorrente, mas tão somente a existência de divergência quando ao critério de apuração do custo de aquisição; q) por último, caso se considere que é devida a multa, sobre ela não devem incidir juros de mora, vez que isto agravaria a penalidade, e não podese falar em mora na exigência de multa. 4 Acórdão de Impugnação A 21ª Turma da DRJ/RJI julgou improcedente a impugnação do recorrente, por unanimidade. Os fundamentos alinhados pelos julgadores foram: a) não é nulo o auto de infração, pois foi lavrado com a fundamentação legal adequada, permitindo a defesa do autuado; b) o auto de infração não contesta as incorporações, considerandoas legítimas. A discordância do Auditor Fiscal foi em relação à forma de avaliação das participações societárias, que majorou indevidamente o Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.060 11 custo de aquisição das participações societárias que foram alienadas à UBS AG; c) na incorporação inversa, a variação patrimonial decorrente de MEP não pode ser incorporada ao capital social da empresa incorporadora, pois é destituída de lógica jurídica ou matemática a existência de direito econômico da incorporadora contra si mesma registrado no capital social; d) admitir que o mesmo lucro possa ser, em razão da aplicação do MEP, capitalizado na empresa investidora e, posteriormente, com a incorporação reversa, novamente capitalizado na empresa incorporadora/investida é o mesmo que afirmar que os sócios da investidora teriam direito a receber nesta os lucros de equivalência patrimonial e, posteriormente, na empresa investida, receber os mesmos lucros. Uma vez embolsado o lucro pelos sócios, não há lucro a receber, seja na investida, seja na investidora; e) não há impedimento legal ou contábil para que os lucros de equivalência patrimonial sejam capitalizados na sociedade investidora. Contudo, obrigatoriamente a capitalização desses lucros deve ter reflexos na contabilidade da sociedade investida, tanto para novas capitalizações, como para retiradas ou constituição de reservas. Considerando que nas incorporações reversas em questão os lucros permaneceram inalterados na sociedade incorporadora, as capitalizações na incorporadora não se restaram efetivas e, portanto, podem ser entendidas como meras “pré capitalizações”; f) o critério de apuração do custo de aquisição de cada acionista utilizado pela Fiscalização foi o da participação no capital social da Pactual S.A., pois, independentemente de quais fossem os valores do capital inicialmente investido pelo sócio no grupo Pactual e dos lucros efetivamente obtidos e retidos no Grupo, a participação do Impugnante no capital social da Pactual S.A. não pode ser diferente da soma destes dois valores; g) deste critério depreendese que o custo de aquisição deve ser reduzido pelos valores recebidos a título de dividendos por usufruto das ações posteriormente à venda, no valor de R$ 872.201,26 para o recorrente, vez que isto reduziu o montante de lucros efetivamente obtidos e reditos na empresa; h) é devida a qualificação da multa, posto que o recorrente majorou indevidamente o custo das ações alienadas em R$ 5.125.361,91, prestando ao Fisco informações falsas quanto a capitalizações de lucros, capitalizações estas que não possuíam suportes econômicos e legais; i) embora por sua pequena participação não se possa dizer que o recorrente é culpado pelo processo de reestruturação, foi sua a opção se aproveitar do estratagema contábil ao apurar o ganho de capital da venda de suas ações; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 j) mesmo que se aceitasse a justificativa do recorrente de que a conduta preservaria a letra da lei, ainda assim, restarseia patente a ofensa ao espírito dela, sendo o ato, portanto, de fraude à lei, envolvendo o abuso de direito; k) a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada é correta, pois existe previsão legal nesse sentido, embora os juros só passem a ser aplicados a partir da data do vencimento da multa, motivo pelo qual não estão presentes no auto de infração. 5 Recurso Voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 06/07/12, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 25/07/12, reiterando os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando ataque direto aos fundamentos da decisão, com os seguintes argumentos: a) o MEP é obrigatório quando existe participação societária expressiva em coligada, ou no caso de controladas. Este método pode resultar em receita ou despesa de equivalência, que integrará as parcelas que comporão o resultado da empresa que avaliar seus investimentos pelo MEP. Esta receita de equivalência é isenta de Imposto sobre a Renda, exceto no caso de empresas coligadas/controladas no exterior. A receita de MEP, embora represente entrada financeira ainda potencial, constituiu uma receita definitiva da sociedade investidora; b) por outro lado, isto não faz com que o lucro da investida tornese o lucro da investidora, são lucros diferentes, e considerar que seja o mesmo é desconsiderar a existência da sociedade investidora e da autonomia das pessoas jurídicas e patrimônios; c) ainda, a simplificação efetuada pelo lançamento é perigosa, pois deveria ao mesmo tempo impedir a dupla incidência já explicada na impugnação no caso de reavaliação de investimento da investidora decorrente de reavaliação de bem do ativo da investida, com posterior venda das ações da investida e do bem do ativo dessa, com consequente apuração de duplo ganho de capital; d) esta suposta justiça econômica não se coaduna com a norma jurídica, violandoa, inclusive, e trazendo grave insegurança jurídica; e) a tese de que a capitalização dos lucros decorrentes de MEP da investidora bloqueia a distribuição/capitalização pela investida é desprovida de fundamento legal, e consiste em inovação da Fiscalização, respaldada pela decisão da DRJ; f) outro dos acionistas teve seu recurso julgado procedente no CARF, no acórdão nº 210201.938, da 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF, sob o fundamento de que em nenhum momento foi demonstrada na autuação a violação ao art. 135 do RIR/99; g) o critério de apuração do custo de aquisição dos investimentos no Banco deve ser realizado a partir da evolução do custo dos investimentos adquiridos pelo recorrente, não o de participação no capital social. Nesse Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.061 13 contexto, a incorporação desencadeia substituição de ações, operação essa que possui caráter neutro, transportando o custo de aquisição do bem substituído para o bem substituinte; h) quanto à multa, a própria Fazenda não conseguiu ao certo definir qual foi a infração cometida pelos acionistas, tanto que em diversos autos sobre o mesmo caso foram utilizados fundamentos diferentes, em relação aos mesmos fatos. Além disso, se existe alguma falha no raciocínio do recorrente quanto ao cálculo do custo de aquisição, o problema é de interpretação do art. 135, e não intuito de fraude; i) por último, diversas são as decisões do CARF que afastam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1 ANÁLISE DA LEGALIDADE DAS AÇÕES DO RECORRENTE O presente processo trata de operação em que uma sociedade controladora (holding) apura resultado decorrente da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) em face de sua controlada. Isto é, o lucro apurado na sociedade controlada reflete na apuração do resultado positivo da controladora pelo MEP. A partir disso, a sociedade controladora capitaliza o lucro distribuindo as ações/quotas aos sócios que, com base no art. 135 do RIR/99, aumentam o custo de aquisição do seu investimento. Ocorre que, no caso em tela, a operação ocorreu mais de uma vez a partir do lucro existente na sociedade controlada (operacional) e, combinada com incorporação das sociedades controladoras pelas controladas (incorporação às avessas), permitiu ao recorrente o aumento desproporcional do custo de aquisição do investimento. E o resultado do aumento do custo de aquisição do investimento possibilitou aos sócios a diminuição do ganho de capital na venda de suas ações da sociedade operacional (no caso o Banco Pactual S.A., único remanescente após as sucessivas incorporações). O desenho da estrutura societária e das operações ocorridas que envolveram a participação societária do recorrente pode ser assim resumido: 1 – Entrada de Bruno Constantino na Pactual Participações S.A. (posteriormente convertida em Nova Pactual Participações Ltda), com a compra de 100 ações ao custo de R$ 132,00, em 31/12/05; 2 – Recebimento de R$ 4.702.287,00 a título de lucros distribuídos desproporcionalmente pela Nova Pactual Participações Ltda., seguida da capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 4.702.287 novas quotas, em 13/10/06; Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.062 15 3 – Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A, com o cancelamento das 4.702.387 quotas da Nova Pactual Ltda. e recebimento de 413.969 quotas da Pactual S.A., em 13/10/06; 4 – Recebimento de R$ 2.998.261,00 a título de lucros distribuídos pela Pactual S.A., seguida de capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 2.998.261 novas ações da Pactual S.A., em 01/11/06; 5 – Cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., e recebimento de 150 quotas, no valor de R$ 15,00, em 01/11/06; 6 – Incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual S.A., com o cancelamento das 3.402.230 ações da Pactual S.A., e recebimento de 3.402.230 ações do Banco Pactual S.A., em 03/12/06. Com razão a fiscalização aponta – fl. 105 que “o método adotado pelo contribuinte para aumentar desproporcionalmente o custo de suas ações e reduzir o imposto de renda devido na alienação induz a crer que existiria uma deficiência ou lacuna na legislação do imposto de renda, que permitiria eliminar o ganho de capital na alienação de participações societárias, bastando, para tanto, a criação de diversas holdings “de papel” inseridas entre os sócios pessoas físicas e a sociedade produtiva, que, pela repetição de capitalizações com lucros do mesmo exercício social, intercalada com incorporações às avessas, seria possível aumentar o custo das ações até o montante do valor da venda destas e, consequentemente, seria possível, com esse método adotado pelo contribuinte, zerar o ganho de capital na alienação de participações societárias e o imposto de renda decorrente, mediante o aumento desproporcional do custo de aquisições. Isto é, a criação de estruturas nos moldes acima transcritos teria, sem dúvida, como efeito o aumento artificial do custo de aquisição das ações, conduta rechaçada pela jurisprudência desse Conselho, conforme se observa: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. (CARF. Primeira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. nº 110300.501. Rel. Conselheiro José Sérgio Gomes. Julg. em 30/06/11). Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Entendo, entretanto, que o julgamento não deve ficar adstrito ao plano das hipóteses ligadas ao tema de fundo analisado, mas construir um significado concreto ligado às peculiaridades do caso (pragmática). Nesse ponto, acho relevante diferenciar (i) a conduta materializada na criação de uma estrutura societária desprovida de conteúdo econômico, com a finalidade exclusiva de economizar tributos, (ii) da conduta do contribuinte que, diante de uma estrutura previamente existente, opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário. Essa parece ser a hipótese ora analisada. Analisandose o caso concreto denotase que, conforme se pode constatar em fls. 312 a 314, a estrutura que possibilitou o aumento do custo de aquisição das ações do recorrente existia, no mínimo, há mais de dois anos da data da venda das ações do Banco Pactual S.A. Mais que isso, consultando o sistema COMPROT se pode constatar a existência de processos administrativos datados de 2002, o que sugere que as empresas existiam, muito antes desta data. Ou seja, não se trata de estrutura criada com a finalidade de reduzir ou eliminar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre o ganho de capital na venda das ações do Banco Pactual S.A., mas, sim, da adoção, pelo recorrente, do caminho legal mais vantajoso, em termos fiscais, diante da encruzilhada que poderia gerar maior ou menor custo tributário. No caso em tela, o recorrente conseguiu demonstrar não apenas a utilidade da estrutura societária existente como a existência de propósito negocial/econômico (fls. 1007/1010), o que permite concluir, inclusive, que aconteceria independentemente da redução da carga tributária para os acionistas na venda de sua participação no Banco Pactual S.A. O recorrente poderia, é verdade, ter adotado outro meio para realização da venda de sua participação no Banco Pactual S.A., como, por exemplo, após a incorporação Nova Pactual Ltda. pela Pactual Holding S.A, vender suas ações desta última (que detinha 100% do Banco Pactual S.A.), fazendo com que, indiretamente, o comprador tivesse o controle do Banco. Até mesmo, poderiam as sociedades não ter capitalizado, antes de sua incorporação, o resultado positivo auferido pelo MEP, mantendo esse resultado dentro do patrimônio líquido da incorporada. Mas não. O recorrente utilizou a possibilidade de aumento do custo de aquisição do investimento, prevista no art. 135 do RIR/99, para minimizar o impacto tributário na operação de venda de sua participação no Banco Pactual S.A. Se a utilização desse mecanismo gerou distorção entre a evolução do patrimônio líquido do Banco e a evolução do aumento do custo do investimento do recorrente – e isso é um fato, de forma evidente há uma distorção econômica , essa é mais uma, dentre tantas distorções permitidas/previstas na lei, que ora atuam em favor dos contribuintes, ora em desfavor. Como exemplo, podemos citar a limitação da compensação do prejuízo fiscal acumulado pelas empresas no percentual de 30%, restrição legal cujo efeito é a criação artificial de um lucro fiscal que não encontra respaldo na situação patrimonial do contribuinte. Em outros termos, o fato de o lucro obtido no Banco Pactual S.A. gerar reflexos de resultado positivo na sua controladora (Pactual Holding S.A.) e também na empresa que controla essa última (Nova Pactual Ltda.), através do MEP não encontra qualquer óbice legal. Do mesmo modo, não há qualquer impedimento legal nas capitalizações desses resultados aos quotistas da Nova Pactual Ltda. e, posteriormente, aos acionistas da Pactual Holding S.A., ainda que provenientes do lucro existente no Banco Pactual S.A. Pelo contrário, tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida admitem que, se houvesse em caixa dinheiro disponível, o lucro obtido com o MEP, tanto numa quanto noutra empresa controladora, poderia ser distribuído aos sócios. Portanto, se o lucro poderia ter sido distribuído aos sócios, Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.063 17 por que o resultado positivo auferido através do MEP não poderia ser capitalizado, aumentando o custo de aquisição do investimento do quotista/acionista, nos termos previstos pelo art. 135 do RIR/99? Nesse compasso, a fiscalização busca enquadrar o aumento do custo de aquisição do investimento engendrado pelo recorrente, com base no art. 135 do RIR/99, como abuso de direito. Tal abuso de direito, inclusive, teria caracterizado fraude à legislação tributária (segundo concluiu a decisão recorrida). Abaixo, transcrevese um trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 120) que ilustra o pensamento da fiscalização: O abuso de Direito está intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado, e a distinção entre o direito, e a forma pela qual é este exercitado, revelase de notável importância para a caracterização do abuso do direito, e em consequência, permite o estabelecimento de limites para o planejamento tributário, a partir dos quais a conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Como tal, pode ser considerado o uso de fórmulas anômalas, absolutamente inusuais, cuja validade não pode ser razoavelmente sustentada mesmo no âmbito do Direito em que está situada a figura jurídica então deformada. O abuso de direito pode ser definido, portanto, como sendo o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrário ao critério econômico e social do direito em geral. O certo é que no mundo atual, pós era liberal, o abuso de direito é contrário a tendência socializante do direito, na sua vontade de sempre o direto, qualquer que seja, atender à sua função social. Assim com o abuso de forma, o abuso de direito é desdobramento da interpretação econômica do direito tributário. O abuso de direito considera ilícita a conduta do contribuinte que pratica negócios jurídicos visando exclusivamente à economia de imposto, tendo como fundamento o uso imoral do direito. O intérprete aplicaria uma regra moral própria, convertendoa numa regra jurídica a incidir em cada caso. Para cada situação exigirá uma regra moral específica. Seu campo de incidência é o plano da moral, o que rejeita o princípio da legalidade e o valor da segurança jurídica. (Grifamos). A peça fiscal busca sustentação expressa na clássica interpretação econômica do direito tributário, sustentando que nela é papel do intérprete a aplicação de uma regra moral própria em detrimento da legalidade e da segurança jurídica. Cabe lembrar que a Teoria da Interpretação Econômica do Direito, nascida nos idos de 1919 na Alemanha, sob a regência de Enno Becker, permitiu aos entes fiscais ultrapassar a linha tênue que existe entre a legalidade e o arbítrio, pois a legislação fiscal foi simplificada a ponto de os fatos geradores serem regidos pelos efeitos econômicos, e não pela forma jurídica que assumiam. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Não se discorda que as operações analisadas acarretaram uma distorção entre os planos tributário e patrimonial. Essa distorção, no entanto, não decorreu num contexto societário/ jurídico artificialmente criado. Exigir que o contribuinte, nesse contexto, não percorra o caminho tributariamente menos oneroso e dele retire seus efeitos tributários implica sacrificar desnecessariamente a legalidade e substituíla pelo “princípio da maior capacidade contributiva” (sic). As distorções existentes entre os efeitos prescritivos previstos pelo ordenamento e sua correspondência patrimonial, no presente caso, possuem foro específico para correção: poder legislativo. Aliás, sob o ponto de vista econômico, o subjetivismo da “criação normativa realizada pelo intérprete”, em prejuízo do regime jurídico genericamente estendido a todos os contribuintes agrega desnecessária incerteza nos agentes econômicos, num claro prejuízo ao crescimento do país, como já havia constatado Adam Smith, em 1776: O tributo que cada indivíduo está obrigado a pagar deve ser certo, e não arbitrário. O tempo do pagamento, o modo de pagamento, a quantidade a ser paga, tudo deve ser claro e evidente ao contribuinte, e a qualquer outra pessoa. Onde isso é diferente, cada pessoa sujeita à tributação é posta em maior ou menor grau à mercê do coletor de impostos, que pode tanto agravar o tributo incidente sob cada contribuinte antipático, ou extorquir, pelo temor desta agravação, algum presente ou gratificação para si mesmo. A incerteza da tributação encoraja a insolência e favorece a corrupção de uma categoria de homens que são naturalmente impopulares, mesmo quando não são insolentes ou corruptos. A certeza do que cada indivíduo deve pagar é, na tributação, uma questão de tão grande importância que um considerável grau de desigualdade, parece, eu creio, da experiência de todas as nações, não está próximo de representar um mal tão grande quanto um pequeno grau de incerteza. (Tradução livre de: SMITH. Adam. An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Edited by S. M. Soares. MetaLibri Digital Library, 29th May 2007. Book V: “Of the Revenue of the Sovereign or Commonwealth”, chap. II: “Of the Sources of General or Public Revenue of the Society”, part III: “Of Taxes”, par. II. p. 639640.) Desse modo, entendo que o recurso merece provimento, pois não há contexto que autorize a desconsideração dos efeitos tributários estendidos pelo ordenamento ao contribuinte, que acabaram acarretando o aumento do custo de aquisição das ações por ele vendidas e a consequente redução do seu ganho de capital. 2 DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A Fiscalização tomou como base para o cálculo do custo do investimento do recorrente a sua participação no patrimônio líquido da empresa Pactual Holding S.A., no valor de R$ 1.149.610.206,41, antes de sua incorporação pelo Banco Pactual S.A. Acredita a Fiscalização que o patrimônio líquido da aludida empresa, por ter sido a última a participar das operações de capitalização de resultados positivos decorrentes do MEP, representaria, perfeitamente, a base para o cálculo do custo da participação de cada um dos sócios. Em outra conta para chegar ao mesmo resultado, a Fiscalização somou o valor do patrimônio líquido de Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.064 19 cada sociedade investida/ incorporadora no evento “incorporação às avessas” (além de uma pequena diferença oriunda do resultado da Pactual Holding S.A. nos meses anteriores à sua incorporação pelo Banco Pactual S.A.), e chegou ao mesmo montante: R$ 1.149.610.206,41. Além disso, em razão de o contrato de venda do Banco Pactual S.A. prever o pagamento de “exdividendos” (apurados após a venda, no valor de R$ 290.754.000,06) aos exacionistas, a fiscalização deduziu da base para cálculo do custo do investimento dos sócios o valor dos dividendos por eles recebidos a posteriori, chegando ao valor final de R$ 858.876.206,35. Por fim, identificada a base de cálculo, bastou à fiscalização aplicar o percentual que cada sócio detinha no patrimônio líquido da Pactual Holding S.A. (no caso do recorrente, 0,30%), para chegar ao alegado valor do custo de aquisição do investimento do recorrente R$ 2.565.038,78. O auto de infração, nesse ponto, adota critério incoerente e desprovido de respaldo legal. O art. 135 do RIR/99, conforme já referido, define que o custo de aquisição do investimento, no caso de quotas ou ações distribuídas em razão da incorporação de lucros, como é o caso dos autos, será igual à parcela do lucro capitalizada, que corresponder ao sócio ou acionista: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). A peça fiscal utiliza como premissa a inviabilidade dos efeitos causados pela dupla capitalização na composição do custo de aquisição do recorrente. A consequência lógica seria a glosa das ações recebidas pelo recorrente na segunda capitalização, caminho, aliás, trilhado noutros autos de infração lavrados contra os demais acionistas. Desse modo, o lançamento manteria sua indispensável coerência intranormativa. Neste mesmo compasso, ao apresentar contrarazões ao recurso voluntário do processo nº 19515.720169/201179, que trata de auto de infração lavrado contra outro acionista do Banco Pactual, com fulcro no mesmo objeto (discordância quanto ao duplo resultado pelo MEP em razão de um só lucro) a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou concordando com a primeira capitalização do lucro obtido através da aplicação do MEP, ocorrida antes da incorporação de Novo Pactual Ltda., conforme se observa: “Pois bem. Em 13 de outubro de 2006, foi realizada a primeira capitalização, ocorrida na Nova Pactual Participações Ltda. Os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, e cuja integralização foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente a empresa (conforme balanço relativo a 31.08.2006), provenientes de distribuição de dividendos. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 É certo que, em razão do que determina o art. 135 do RIR/99, o Contribuinte promoveu o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 70.451.635,00. Até aqui, não existe nenhuma irregularidade. [...] Entretanto, o contribuinte se apegou ao art. 135 do RIR/99 e se “esqueceu” do contexto fático que envolveu a alienação das mencionadas ações. Ele tenta fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas. A equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto.” O critério que deveria ter sido utilizado pela fiscalização para apuração do custo do investimento do recorrente seria, segundo a orientação da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, efetuar a evolução do custo de aquisição a partir da primeira capitalização ocorrida na empresa Novo Pactual Ltda. Jamais poderia adotar outro método, por absoluta falta de fundamento legal. Entretanto, o crédito tributário foi constituído a partir de um arbitramento realizado em prejuízo do preceito legal cogente e aplicável (RIR, art. 135), e em descompasso com os limites contidos no art. 148, do CTN. Isto porque, o arbitramento somente poderia ter sido utilizado se fossem omissos ou não merecessem fé: i) as declarações ou esclarecimentos prestados pelo recorrente; ou ii) os documentos por ele apresentados, conforme prevê o art. 148, do CTN, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Esses requisitos de cabimento do arbitramento estão consubstanciados na jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO SINDUSCON/PINI As hipóteses de arbitramento encontram se definidas no art. 148 do CTN e alcançam a ausência de documentação ou documentação imprestável. Na segunda hipótese, cabe ao fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé e somente após proceder ao arbitramento. É improcedente o auto de infração que se utiliza de arbitramento para fixar o custo de construção, que origina o acréscimo patrimonial a descoberto, quando o contribuinte presta os esclarecimentos solicitados e Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.065 21 apresenta os documentos probatórios dos fatos arbitrados pela fiscalização. Recurso especial negado. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, AC 40104813. Julg. em 02/12/03) PREVIDENCIÁRIO. HELD. FALTA DE ATENDIMENTO A SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS EFETUADA PELO FISCO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CABIMENTO. Quando o sujeito passivo, regularmente intimado, deixa de apresentar ao fisco documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, a legislação autoriza a apuração do crédito por arbitramento, ficando o contribuinte com o encargo comprovar o contrário. (CARF. 2ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. nº 2401 00.966. Rel. Kleber Ferreira de Araújo. Julg. em 28/02/10) Entretanto, não foi o que se verificou no caso em tela, pois, instado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos o recorrente sempre atendeu prontamente à fiscalização. Deste modo, tanto a incoerência intranormativa do lançamento acima apontada, como o expresso comando previsto pelo art. 135 do RIR/99, demonstram a invalidade do critério jurídico utilizado na fixação da base e cálculo, que fulminou o direito subjetivo da Fazenda. 3 DA MULTA APLICADA Ao lavrar o auto de infração, o Fisco entendeu por bem lançar a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, duplicada para 150% de acordo com o §1º desse dispositivo, por fraude à fiscalização tributária, imputando ao recorrente o tipo penal do art. 72, da Lei 4.502/64: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Para embasar seu entendimento, o lançamento traz trecho do acórdão DRJ/RJO I nº 9.283, de 28/12/05, do qual extraiu o entendimento de que qualquer conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Não vislumbro qualquer traço de fraude na conduta adotada pelo contribuinte, que desde o início agiu com lhaneza, fornecendo todas as informações e documentos necessários à compreensão da sua interpretação dos dispositivos legais aplicados. A eventual manutenção do crédito tributário – que acarretaria a discussão sobre o percentual sancionatório aplicável – decorreria de mera divergência interpretativa que, no caso do contribuinte, foi alicerçada em sólidas convicções. Essa é, também, a visão desta turma acerca do caso, que, inclusive, serviu para afastar a qualificação da multa nos casos de outros envolvidos na operação, conforme ementa abaixo: MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário , quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. (CARF. Segunda Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. nº 2202002.164. Rel. Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Julg. em 19/02/13) Desse modo, haja vista que todas as operações ocorreram às claras, que todos os documentos foram apresentados à Fiscalização quando requisitados, e que não foi demonstrado dolo penal no presente caso, mas somente divergência quanto aos critérios de apuração do custo de aquisição das participações societárias, fica claro que não é devida a qualificação da multa de ofício por fraude. Sendo assim, caso seja mantido o auto de infração, entendendo que deve ser provido o recurso voluntário, nesse ponto, para que a multa aplicada seja reduzida ao patamar de 75%. 4 DA APLICAÇÃO DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O recorrente não se conforma, ainda, com a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria regida pelo art. 62, §3º da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.066 23 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O desate do ponto passa pela definição da expressão “débito” grandeza utilizada como referência pelo legislador sobre a qual incidirá a Taxa Selic. O débito tributário é a relação inversa do crédito tributário, direito subjetivo da Fazenda de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária. Essa, como bem aponta o Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato subsumido à materialidade da regramatriz de incidência. A multa, por sua vez, decorre do descumprimento de ato ilícito e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito. Nesse contexto, o Código Tributário Nacional – norma geral tributária que condiciona a interpretação e a validade da legislação ordinária editada pelas pessoas jurídicas de direito público , prescreve, em seu art. 161 (caput), que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Entendo que a ordem dos fatores, no caso, altera o produto. Como se observa, o enunciado prescritivo acima referido estabelece que, sobre o valor devido a título de tributo (débito) incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de quaisquer outras parcelas sancionatórias, incidentes, conjuntamente, sobre o débito. Noutros termos, juros e multa incidem sobre o débito tributário, tal qual ora compreendido. Nesse sentido, peço licença para reproduzir acórdão desse Conselho que traduz minha convicção: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 LUCROS NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃOSOCIETÁRIA. A alienação de participação societária não caracteriza disponibilização de lucros por coligada ou controlada no exterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 A emissão de fixed rate notes com natureza de mútuo. a emissão de frn (fixed rate notes) adquiridas integralmente por uma única pessoa jurídica, ligada à emitente, tem natureza de mútuo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. (CARF. 1º Seção. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Acórdão nº 110300.193. Rel. Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Julg. 18/05/10) É importante frisar que o art. 161, do CTN, versa sobre a atualização da obrigação tributária, sem se pronunciar acerca da atualização das penalidades pecuniárias, tanto para permitir quanto para proibir. Desse modo, ficou em aberto o espaço para que a legislação ordinária dispusesse sobre esta possibilidade. Com esta prerrogativa, o legislador decidiu pela aplicação da correção da multa quando esta é lançada isoladamente, o que restou consignado no art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sendo assim, entendo que somente incidirão juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for lançada de modo isolado, vez que o art. 61 da mesma Lei, que trata sobre o lançamento do crédito tributário institui regime diferente para quando estas duas parcelas são exigidas em conjunto. Nesse contexto, peço licença para transcrever o voto da Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que chega à mesma conclusão: A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996 [...] Concluise, assim, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.067 25 (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202001.985. Rel. Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Julg. em 18/09/12) Portanto, no caso de ser mantido o auto de infração, entendo que não cabe a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, devendo ser provido o recurso voluntário, nesse ponto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado O presente voto referese tão somente em relação a matéria na qual o Conselheiro Relator, restou vencido. Destaquese portanto que aquele voto é condutor das razões de votar da maioria da turma no que toca a MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA e no referente a EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Inobstante, respeitável entendimento do Conselheiro Relator, no que se refere as DEMAIS QUESTÕES, divirjo da posição deste. O processo versa fundamentalmente sobre a validade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição da ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Da análise do caso concreto, identifico que a operação ainda que revestida de aparente legalidade no que toca as partes isoladas, cria no conjunto uma situação irreal e artificial, que não condiz com o que o nosso sistema tributário almeja. No caso concreto não tenho dúvidas que houve o aumento do custo de aquisição, fundamentado no procedimento adotado, deliberado e intencionalmente, materializado para assegurar o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual. Entendo que no processo de hermenêutica, o operador do direito tributário deve empreender um esforço, para a aplicação da norma tributária mais consistente e rigorosamente compatível com o princípio da certeza do direito, na adequação da verdade material como exige o nosso artigo 145, parágrafo primeiro da Constituição., Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Segundo o recorrente, a validade do método encontra respaldo no artigo 135 do RIR: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.068 27 sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Nas operações em cotejo, os lucros apurados decorrem de lucros reconhecidos no Banco Pactual, materializados nos resultados de equivalência patrimonial. O método de Equivalência Patrimonial é assim denominado, pois o seu cálculo se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor efetivamente desembolsado no momento da aquisição. Urge preliminarmente destacar, que inobstante o procedimento contábil adotado, destaquese que para a Contabilidade, os registros contábeis em conjunto devem refletir a essência e a realidade econômica, tal como se destaca da análise da estrutura conceitual da contabilidade que enfatiza a primazia da essência sobre a forma. A equivalência patrimonial não é mais do que uma forma de atualização contínua do valor do investimento, que consiste na avaliação na empresa investidora, dos investimentos pelas variações do patrimônio líquido da empresa investida, mediante reconhecimento direto das variações apuradas, lucros, perdas ou prejuízos, para os fins de determinação do aumento ou da redução do valor investido. Entrementes, a equivalência patrimonial prestase para a determinação do capital aplicado que pertence ao seu titular e suas variações patrimoniais no período, pois há de levar em conta: (i) o patrimônio líquido atual da controlada ou coligada; (ii) o custo de aquisição da participação societária e (iii) o valor do investimento, com os reflexos do resultado da controlada ou coligada. Toda a apuração da equivalência patrimonial, portanto, dependerá da determinação contábil do patrimônio líquido da sociedade investida, conforme exige o art. 248, I, da Lei nº 6.404/76. E a razão é evidente: "os conceitos de patrimônio líquido e de capital próprio representam o mesmo objeto a quotaparte ideal de capital existente no ativo que é de propriedade do titular do patrimônio". Assim, a conta de investimentos da controladora variará segundo a variação do patrimônio líquido na controlada ou coligada, ou ainda pelo percentual da respectiva participação. De modo resumido, a equivalência patrimonial tem a função de atualizar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente da distribuição dos lucros apurados. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método de custo de aquisição (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76) . O método de equivalência patrimonial deve refletir sempre a essência econômica, o verdadeiro valor do investimento da controladora, com os ajustes inerentes ao lucro ou prejuízo obtido e seus efeitos fiscais, o que se depreende da interpretação sistemática da legislação fiscal, compreendida à luz dos conceitos contábeis. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 A patrimonialidade vinculase ao conteúdo econômico, porque está intimamente vinculada ao valor econômico dos bens e direitos. Por isso, no Direito, a patrimonialidade somente tem sentido quando vinculada ao conceito de "direitos" (subjetivos), sobre coisas (reais) ou contra pessoas (pessoais). Daí que, sendo o patrimônio composto não de bens materiais, mas de direitos, qualquer acréscimo patrimonial há de ser de direitos (reais ou pessoais), logo, como uma "disponibilidade jurídica" efetiva, e não apenas artificial. Para dar destaque a irregularidade do procedimento adotado pelo recorrente cabe apontar aquilo que prescreve ao CPC 18, que versa sobre os procedimentos para a equivalência patrimonial. 26. Muitos dos procedimentos que são apropriados para a aplicação do método da equivalência patrimonial são similares aos procedimentos de consolidação, descritos no Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações Consolidadas. Além disso, os conceitos que fundamentam os procedimentos utilizados para contabilizar a aquisição de controlada devem ser também adotados para contabilizar a aquisição de investimento em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto. 27. A participação de grupo econômico em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento. As participações mantidas por outras coligadas ou empreendimentos controlados em conjunto do grupo devem ser ignoradas para essa finalidade. Quando a coligada ou empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, em coligadas ou em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures), o lucro ou prejuízo, os outros resultados abrangentes e os ativos líquidos considerados para aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pela coligada ou pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro ou prejuízo, nos outros resultados abrangentes e nos ativos líquidos de suas coligadas e de seus empreendimentos controlados em conjunto), após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis (ver itens 35 e 36). Esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais. 28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes (downstream) entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas) e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico a que pertence a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.069 29 controlado em conjunto. A participação do investidor nos resultados resultantes dessas transações deve ser eliminada. 28A. Os resultados decorrentes de transações descendentes (downstream) entre a controladora e a controlada não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao mesmo grupo econômico. O disposto neste item deve ser aplicado inclusive quando a controladora for, por sua vez, controlada de outra entidade do mesmo grupo econômico. 28B. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) entre a controlada e a controladora e de transações entre as controladas do mesmo grupo econômico devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis da vendedora, mas não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao grupo econômico. 28C. O disposto nos itens 28A e 28B deve produzir o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido para a controladora que são obtidos a partir das demonstrações consolidadas dessa controladora e suas controladas. Devem também, para esses mesmos itens, ser observadas as disposições contidas na Interpretação Técnica ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial.. Por sua vez, assim define o CPC 36 que versa sobre as demonstrações consolidadas: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 30 que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. Desse modo, inegavelmente, aumentase o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período, tal como apontado pela fiscalização e pela autoridade recorrida. O custo de aquisição apontado não representa fidedignamente a realidade econômica, alterando o montante do tributo apurado, e desrespeitando o principio da capacidade contributiva. Outro ponto de destaque no lançamento, apontado pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, é que na operação ficou estabelecido que além do pagamentos descritos que compunham o valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A, os contratantes convencionaram que os alienantes das ações receberiam ainda outros valores sob denominação de “Pagamentos especiais: Usufruto” (Clausula 6.13 do Contrato), também denominados dividendos posteriores ao fechamento. De acordo com a referida Clausula 6.13, os adquirentes não poderiam receber dividendos do Banco Pactual, enquanto o usufruto não fosse extinto mediante o total pagamento do valor convencionado. Deste modo, pragmaticamente, quando da venda, os alienantes estariam se desfazendo das ações, entretanto não estariam abrindo mão dos dividendos reconhecidos como usufrutos, decorrente de lucro apurados. Na sistemática adotada pelo recorrente, capitalizar lucros para feito de apuração do custo das ações alienadas, que serão depois distribuídos como dividendos, não se justifica, pois na verdade ao se desfazer de suas ações , o alienante não estaria efetivamente abrindo mão de parte desses lucros, ou seja isto não seria um custo para os mesmos. A situação sui generis em cotejo ganha um destaque maior pois a capitalização dos lucros foi efetuada de modo duplicado para aumento artificial do custo de alienação das ações. Acrescentese, por pertinente, que parte dos lucros capitalizados já estariam reservados para os próprios alienantes como dividendos a serem distribuídos, por força de uma convenção firmada na negociação da venda das ações. Nessa situação não identifico qualquer falha na metodologia adotada pelo fiscalização para aproximarse do valor do custo de alienação. A metodologia é oportuna tendo em vista que a origem primária dos lucros é o Banco Pactual S.A., não percebo vícios ou imperfeições. Não se acolhe o argumento do recorrente de que deveria existir uma única metodologia, pois o que se almeja com esta é tentar aproximarse do custo de alienação, ou valor que represente mais fidedignamente, o ônus efetivo do recorrente ao se desfazer de suas ações. Reconheço que qualquer procedimento/método adotado pode ser questionado por eventuais incoerências, mas não foi o que aconteceu no caso concreto. Existe apenas questionamentos genéricos, sem uma proposição concreta de qual seria a metodologia que asseguraria uma representação fidedigna do custo de aquisição, ou qual falha existiria na metodologia empregada que teria efetivamente prejudicado o recorrente. No que toca a base de cálculo e fundamentação, o tributo foi apurado conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual. O procedimento revestese deste modo de legalidade e nenhum vício se identificou, não merecendo prosperar quaisquer dos vícios apontados pelo recorrente. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.736151/201191 Acórdão n.º 2202002.254 S2C2T2 Fl. 1.070 31 Divergências de opiniões e interpretação distintas do direito são muitas vezes apontadas na Impugnação e Recurso Voluntário com grande eloqüência e garantindo que a razão estaria sempre com o recorrente, entretanto, com a devido respeito, s.m.j., a pratica adotada não encontra respaldo em nosso sistema tributário. Esse é o entendimento que firmo e com base no qual não reconheço a validade do procedimento adotado pelo recorrente. Ante ao exposto, no que toca aos pontos que cabem apreciar, voto por negar provimento ao recurso nesta parte. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13819.004888/2002-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/1997, 01/02/1999 a 28/02/1999,
01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 30/09/1999
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1
DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos
lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre
constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 3403-001.307
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, fls. 359/361: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 93/97, lavrado contra a contribuinte por falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, relativamente ao período de março/1997 a dezembro/1997, fevereiro/1999, abril/1999, junho/1999 e setembro/1999, no montante total de R$ 503.279,60. 2. No Termo de Constatação e Verificação Fiscal, às fls. 91/92, o auditor fiscal informa: A Norma de Execução Cofis n° 1, de 1999, ao tratar das ações fiscais, estabeleceu que as verificações preliminares deveriam ser realizadas na execução da ação fiscal em sujeito passivo pessoas jurídicas. Tais verificações consistiriam no exame da regularidade no cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias referentes aos 5 (cinco) últimos exercícios. Em cumprimento à referida Norma, forneci o Programa em disquete ao contribuinte, tendo o mesmo apresentado as planilhas (cópias anexas), indicando as bases de cálculo das contribuições referentes ao PIS e Cofins, dos períodos de março/1997 a dezembro/2001. (...) os valores declarados referentes ao ano calendário de 1997 são incompatíveis com a escrituração dos livros fiscais e contábeis da empresa. (...) Com relação aos períodos de 1998 a 2001, procedi à verificação confrontando as bases informadas com as indicadas na Declaração de Rendimentos dos exercícios correspondentes e com os Livros apresentados, tendo apurado pequenas diferenças, conforme demonstrativos elaborados em anexo. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13819.004888/200257 Acórdão n.º 3403001.307 S3C4T3 Fl. 439 3 Assim sendo, efetuei a constituição do crédito tributário referente às diferenças apontadas relativas às contribuições citadas, nos termos da legislação pertinente em vigor. 3. Regularmente cientificada do auto de infração, em 20/12/2002, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 222/278, em 21/01/2003, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: 3.1. o procedimento fiscal teve início em 27/02/2002, mediante o competente Termo de Início de Fiscalização, sendo estendido em 26/04/2002 por meio de termo de intimação lavrado e recebido nessa data. Um novo termo de intimação, apesar de datado de 19/06/2002, somente foi recebido pela impugnante em 07/08/2002, isto é, depois de passar quase quatro meses da última intimação. Tal interregno, destarte, acarretou irremediavelmente o encerramento da fiscalização, pois a prorrogação da validade do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 27/02/2002, que era de apenas sessenta dias, estava subordinada à existência de um termo escrito confeccionado dentro daquele prazo, como prescreve o § 2° do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Logo, ocorreu a perempção e ineficácia ex tunc do referenciado Termo de Início de Fiscalização e, conseqüentemente, todo o procedimento fiscal apresentase irremediavelmente nulo; 3.2. é uma empresa comercial distribuidora de veículos produzidos pela Fiat Automóveis S.A. A relação existente entre a montadora e a distribuidora é sui generis, em razão da intervenção continuada e indivisível do banco da própria montadora. Nessa relação, os automóveis ficam gravados em penhor mercantil em favor do Banco Fiat.Uma vez vendido um veículo, os valores auferidos são imediatamente repassados ao Banco Fiat sob a forma de reembolso, descontando a concessionária somente a sua remuneração. que vem embutida no preço sugerido ou margem de comercialização. Assim, quem em última análise paga o Banco Fiat é o consumidor final, dado esse pagamento estar expressamente condicionada à venda dos automóveis; 3.3. a impugnante não chega nunca a adquirir a propriedade dos automóveis novos que expõe à venda, os quais são por ela detidos apenas mediante depósito em penhor mercantil, sendo que o poder de disposição, inerente ao direito de propriedade, permanece sempre com o Grupo Fiat, de cuja esfera só saem quando adquiridos pelos consumidores finais. Este sistema nada mais é do que a comissão mercantil; 3.4. a efetiva remuneração da impugnante é constituída pela diferença entre o valor obtido com a venda do veículo ao consumidor final e o valor de custo que deve repassar (reembolsar) à Fiat (Banco Fiat). A hipótese se subsume, então, perfeitamente ao conceito de consignação, atuando a concessionária como mera intermediária entre a Fiat e o consumidor final, sem nunca adquirir para si a propriedade dos automóveis que expõe à venda. Por tal razão a tributação Fl. 251DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 somente pode recair sobre o resultado dessa operação, que é o que efetivamente integra a receita bruta da impugnante. Vejase o disposto no § 1° do art. 226 do RIR194. Da mesma forma, em manifesto reconhecimento dessa situação, o próprio Poder Executivo editou a Lei n° 9.716, de 26 de novembro de 1998, que estabeleceu, em seu art. 5º, que as pessoas jurídicas que tenham como objeto social declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Por outro lado, a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, também trouxe a atual definição de faturamento mensal, nos seus art. 2° e 3°, em especial no § 2° do art. 3º, que dispõe que excluemse da receita bruta, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Pode Executivo; 3.5. a exigência do recolhimento de tributos sobre os valores totais das vendas de automóveis novos, incluindo os valores repassados à Fiat, afronta à legislação de regência e também aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da igualdade, da vedação ao confisco e da não comutatividade; 3.6. desde 15/12/1999 tem ajuizado mandado de segurança — processo n° 1999.61.14.0073914 — exatamente no sentido acima exposto, isto é, que o PIS seja devido apenas sobre os valores que efetivamente componham seu faturamento, ou seja, somente sobre a margem de comercialização que aufere com a venda ao consumidor final dos automóveis novos, excluídos os valores que são repassados à concedente; 3.7. entre outras atribuições contratuais, há a da assistência técnica e garantia, que prevê que o concessionário prestará assistência técnica a todos os veículos de fabricação Fiat. Embora previsto no contrato que as despesas ocasionadas pelas revisões decorrentes da garantia seriam reembolsadas pela Fiat, por acordos firmados, que vigoraram até recentemente, essas despesas estavam embutidas no preço de venda ao consumidor final. Caso as revisões fossem feitas por concessionária que não fosse a vendedora, caberia a esta pagar àquela as despesas ocorridas. Isso significa que o valor recebido pela venda do veículo não correspondia em sua totalidade à receita da vendedora naquele momento. O valor embutido no preço correspondente às revisões somente viria a constituir receita da vendedora se esta realizasse a revisão e no momento em que a fizesse. Dessa forma, há que se estornar do preço de venda a importância correspondente ao valor das revisões, a fim de que fosse reconhecida como receita no momento da realização da revisão e fosse paga à concessionária que realizasse a revisão; 3.8. o art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, afronta os princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da vedação do confisco. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13819.004888/200257 Acórdão n.º 3403001.307 S3C4T3 Fl. 440 5 A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas – SP considerou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário exigido em sua totalidade, conforme se confere da ementa do Acórdão n° 7.953, de 17 de dezembro de 2004, fls.357/364: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/1997, 01/02/1999 a 28/02/1999, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 30/09/1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Cientificada da decisão da DRJ em 22/02/2008, fls. 373, a recorrente interpôs recurso voluntário em 19/03/2008, fls. 376/87, manifestandose, em apertada síntese, que: Consoante consignado r. decisão recorrida, referida matéria encontrase sub judice, e, portanto, não será objeto deste recurso; combate a aplicação da multa de ofício e da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer, que conforme consulta realizada junto ao Portal do Tribunal Regional Federal Portal da 3ª Região, ação judicial Mandado de Segurança processo nº 1999.61.14.0073914, transitou em julgado em 24/04/2009, com resultado desfavorável a recorrente. 1 Conforme já se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo afasta a possibilidade de apreciação pela via administrativa. 1 Consulta no endereço eletrônico do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 22/09/2011. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Portanto, cabível a exigência da contribuição. O código Tributário Nacional ao excluir da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, visa evitar decisões divergentes, diante do principio da unidade de jurisdição prevalente no País em que decisões judiciais são soberanas e a propositura destas afasta a possibilidade de apreciação pela via administrativa. Este entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Entretanto, as alegações de aplicação da multa de ofício e da taxa Selic por se tratarem de matérias distintas daquela tratada na ação judicial, passase a apreciálas. Quanto a multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento), não assiste razão a Recorrente. Referida multa está prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo aplicada nos lançamentos de ofício para exigência de tributos. Art.44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. No caso em tela foi realizado o lançamento de ofício, formalizado por meio do Auto de Infração e não consta dos autos que existisse decisão liminar a amparar as pretensões da Recorrente o que afastaria a aplicação da multa. No tocante ao cabimento da cobrança de juros de mora, utilizando a taxa SELIC o CARF editou a súmula nº 4, publicada no DOU de 22/12/2009. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a cobrança dos juros moratórios utilizando a taxa SELIC é matéria já sumulada e de aplicação obrigatória nos julgamentos deste colegiado. Importa esclarecer, no que diz respeito aos questionamentos sobre inconstitucionalidade da cobrança da multa de ofício e dos juros moratórios, que tais princípios são definidos como preceitos constitucionais e atingem a figura do legislador. Estando a multa e a cobrança de juros previstos em lei e em plena vigência, a sua aplicação é obrigatória pelas autoridades fiscais. Ademais, os membros desse órgão de julgamento estão impedidos de Fl. 254DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13819.004888/200257 Acórdão n.º 3403001.307 S3C4T3 Fl. 441 7 manifestação sobre inconstitucionalidade diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso na parte que existe concomitância com a ação judicial e quanto à parte conhecida negar provimento. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 255DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 13936.000172/00-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997, 01/02/1999 a 30/06/2000
Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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PAPÉIS E MADEIRAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997, 01/02/1999 a 30/06/2000 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 6. 00 01 72 /0 0- 57 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Tratase do Auto de Infração de fls. 280/287, relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), períodos de apuração 04/97 e 02/99 a 06/2000, no valor total de R$ 700.668,84, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. Por bem resumir o que consta dos autos, reproduzo o relatório da primeira instância (fls. 390/392): 2.A autuação, lavrada em 08/12/2000 e cientificada em 13/12/2000 (fl. 284), ocorreu devido à falta de recolhimento da Cofins, relativa aos períodos de apuração de 04/1997 e de 02/1999 a 06/2000, conforme demonstrativos de apuração às fls. 280/281 e de multa e juros de mora às fls. 282/283, tendo como fundamento legal os arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, e os arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999, e reedições. 3.Às fls. 285/286, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, a autoridade fiscal apresenta narrativa acerca das informações solicitadas à contribuinte, dos documentos e justificativas por ela apresentados, da apuração da base de cálculo da contribuição e das diferenças detectadas, sendo essas assim descritas: “ abril/1997 – diferença de receita da matriz entre o informado pelo contribuinte (R$ 4.027.155,53, fl. 38) e o apurado segundo dados do Livro de Apuração do IPI (fls. 58 a 60). fevereiro/1999 a junho/2000 – as diferenças correspondem, basicamente, às receitas apuradas nas planilha Apuração da Receita Bruta/Faturamento (demais receitas – Livro Razão). Ressaltese que não ocorreu duplicação de valores, tendo em vista a utilização do Livro de Apuração do IPI e o Livro Razão, pois o primeiro foi utilizado para a apuração da receita do objeto social (vendas de papéis, madeiras e receitas Fl. 919DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13936.000172/0057 Acórdão n.º 9303002.181 CSRFT3 Fl. 887 3 agropastoris), e a segunda, para a apuração das demais receitas não constantes do Livro de Apuração do IPI.” 4.Consta, também, que a interessada não informou sobre a existência de ações judiciais versando sobre a vedação da inclusão de “outras receitas” na base de cálculo da contribuição. 5.Instruindo o processo, no tocante à base de cálculo, encontramse: às fls. 10/19 e 32/56, “Planilhas de Apuração da Base de Cálculo” e os “Demonstrativos de Receitas Brutas”, apresentados pela contribuinte; às fls. 25/26, demonstrativos de apuração da receita bruta – demais receitas, relativos aos períodos de apuração 02/1999 a 06/2000; às fls. 57/113, cópias dos livros “Registro de Apuração do IPI”; às fls. 114/253, cópia do livro razão, referente aos períodos de apuração envolvidos; às fls. 264/271, cópias de DCTF (Declaração de Contribuições e Tributos Federais e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais); às fls. 272/279, demonstrativos de apuração da base de cálculo e de diferenças da contribuição. 6.Tempestivamente, em 11/01/2001, a interessada interpôs a impugnação de fls. 292/301, acompanhada dos documentos de fls. 302/316 (cópia de despacho que concedeu medida liminar em ação em mandado de segurança; cópia do acórdão relativo à apelação em mandado de segurança nº 1998.04.01.083.459 2/PR, proferido pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; cópia de auto de infração relativo ao IPI e cópia de extrato de consulta de movimentação de processos junto à Justiça Federal), cujo teor é sintetizado a seguir. 7.Inicialmente, alega que a exigência relativa ao período de apuração 04/1997 é realmente devida, decorrendo de falhas na sua apuração. Concorda, também, com a exigência correspondente às receitas eventuais recebidas e às receitas obtidas a título de juros ativos, descontos ativos, variações monetárias ativas e variações cambiais ativas. 8.Na seqüência, alega discordar, com base no conceito de receita previsto pela legislação tributária, da exigência relativamente aos valores correspondentes à realização de reserva de reavaliação, às receitas de refeitório, às receitas de valetransporte, às indenizações de seguros, ao reembolso de vacinas, aos bezerros nascidos (machos e fêmeas), às recuperações de encargos INSS, Cofins, PIS, IPI e ICMS e às receitas decorrentes de desapropriação de bens pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Esses valores, alega a impugnante, não seriam receitas. 9.Quanto à reavaliação de florestas (pinus e imbuia), apresenta exemplos numéricos e conclui que a realização de reserva de reavaliação é mero ajuste do custo de produção, sem qualquer relação com receita ou faturamento, não envolvendo, portanto, entrada de qualquer valor (o que somente ocorreria, argúi, se não fosse obrigada a efetuar a realização da reserva). Conclui, também, que se a empresa optasse pela venda das árvores para Fl. 920DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 terceiros, ao invés de industrializálas, lançaria o valor da venda, que corresponderia a um bem do ativo imobilizado, como receita nãooperacional, e essa receita não seria passível de tributação haja vista o disposto no art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718, de 1998. 10.Quanto às receitas relativas às refeições, salienta que, de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador, as empresas podem solicitar de seus empregados um reembolso máximo de 20% (vinte por cento) do respectivo custo e, nesse caso, o valor reembolsado deve ser estornado da conta que registrar o total dos gastos com a alimentação, a fim de que somente a diferença suportada pela empresa seja considerada nos resultados operacionais (tal raciocínio, alega, também deve ser aplicado ao valetransporte). Em decorrência, conclui, os referidos valores não representariam ingressos, não podendo, pois, serem tributados. 11.No próximo item, a impugnante referese às indenizações decorrentes de sinistros por companhia seguradora. Salienta que os valores indenizados já teriam sido tributados quando da remessa original da mercadoria, cuja nota fiscal não teria sido cancelada, sendo novamente tributados quando da remessa da mercadoria enviada em sua substituição. Por esse motivo, entende, os valores correspondentes não poderiam ser considerados receitas, para fins de incidência da Cofins. 12.A seguir, a impugnante discorre, ainda que sucintamente, sobre os programas de vacinação existentes na empresa e informa que o custo relativo a esses programas também seria compartilhado com os empregados. Discorda da exigência de Cofins sobre os valores repassados e afirma que não compra nem vende vacinas. 13.Após, no item denominado “Bezerros Nascidos”, deixa claro que não concorda com a exigência de Cofins sobre a reavaliação e sustenta dupla tributação. Alega que quando de sua venda o valor correspondente constituirá faturamento, sendo esse valor incluído na base de cálculo da contribuição. 14.Na seqüência, insurgese contra a exigência de Cofins sobre os valores correspondentes às recuperações de INSS, Cofins, PIS e ICMS, obtidas judicialmente. Salienta que tais valores jamais poderiam ser considerados receitas, pois referemse a ressarcimentos de tributos cobrados indevidamente. 15.Quanto aos valores recuperados relativos ao IPI, salienta que se trata de questão posta para discussão judicial ainda pendente de decisão transitada em julgado. Ressalta a incoerência da fiscalização que teria lavrado auto de infração em face da referida recuperação e conseqüente compensação. 16.A seguir, discorre sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e ressalta a incoerência de se tributar com Cofins valores correspondentes a tributos ressarcidos. 17.No próximo tópico, alega que os valores relativos às receitas de desapropriação de bens referemse uma fazenda, bem Fl. 921DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13936.000172/0057 Acórdão n.º 9303002.181 CSRFT3 Fl. 888 5 integrante do ativo permanente. Assim, em face do que dispõe o art. 3º, § 2, IV, da Lei nº 9.718, de 1998, alega que tais valores não seriam passíveis de tributação. 18.Ao final, clama pelo deferimento da impugnação, nos termos em que delineada. 19.Além dos documentos mencionados, instruem o processo, no essencial: mandados de procedimento fiscal (fls. 01 e 31); termos de intimação (fls. 03/04, 07/08 e 24); cópia de procuração (fl. 05); cópia de certidão relativa à ação em mandado de segurança nº 97.00.205614/PR (fl. 22) e extratos de pagamentos (fls. 317/319).” A DRJ em Curitiba, por unanimidade de votos, nos termos do Acórdão de fls. 388/406, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do Auto de Infração os seguintes valores: reavaliação de florestas, por não vislumbrar “auferimento de receita na simples realização da reserva de reavaliação”; receitas de refeições e de valetransporte, provenientes de participações dos empregados, por entender que tanto no programa de alimentação do trabalhador, de que trata a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, como no do valetransporte, a que se refere a Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, há participação da empresa e do trabalhador, sendo que a primeira apenas retém dos seus empregados as parcelas por eles devidas para os dois programas; reembolso de programa de vacinas dos empregados, por considerálo como mais um programa de custo compartilhado, à semelhança dos programas de alimentação do trabalhador e do valetransporte; bezerros nascidos, aplicando o mesmo entendimento da Decisão nº 41/2000, da Superintendência da Receita Federal na 3ª Região Fiscal, que por vez amparase no Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 32, de 27/05/94; e recuperações de encargos referentes ao INSS, COFINS e PIS, em virtude de decisões judiciais que reconheceram o direito da pessoa jurídica à restituição, ainda que por compensação, de tributos pagos a maior ou indevidamente. Por outro lado, a primeira instância manteve o lançamento relativo às seguintes rubricas: indenizações de seguro. Embora, em tese, a instância recorrida tenha concordado com a alegação genérica da impugnante, no sentido de que, no caso da perda de mercadoria já faturada e não entregue em virtude de um sinistro, já houve tributação quando do faturamento original e haverá novamente quando emitida a nova fatura, pelo que a indenização apenas recompõe a perda, não viu nos autos documentos comprobatórios da hipótese alegada; Fl. 922DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 recuperações de IPI e crédito presumido do mesmo imposto, este instituído pela Lei nº 9.363/96. A DRJ tratou das duas verbas conjuntamente, aduzindo que, não sendo devolução de valores recolhidos, tampouco indébitos, é inarredável a configuração como receita. Ao encontro da sua interpretação, menciona a Solução de Consulta nº 2, de 09/01/2002, da Superintendência da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, relativa ao crédito presumido do IPI. Ressalta que a impugnante, no tocante aos créditos do IPI reconhecidos judicialmente, apenas questionou o momento oportuno para a sua configuração como receita, uma vez que a decisão judicial ainda pendia de pronunciamento final, embora já os tenha registrado como receita; e recuperação de ICMS, mantidos na base de cálculo da COFINS por não restar comprovado que se tratam de valores antes recolhidos a título daquele imposto. O Recurso Voluntário de fls. 418/427, tempestivo (fls. 412, 414 e 418), insurgese contra a decisão de primeira instância tratando, inicialmente, dos princípios da legalidade e da tipicidade. Em seguida aborda cada uma das rubricas mantidas, separando as em quatro grupos, por diferenciar, como já fizera na impugnação, os créditos do IPI, obtidos judicialmente, do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. No tocante às indenizações de seguro, ressalta que os prejuízos não foram levados à conta de custos ou despesas, e que são três, a saber: indenização por danos causados em virtude de descarga elétrica (queda de raio), cujo valor, irrisório, não foi lançado como despesa; indenização por perda de mercadoria adquirida, que se perdeu no transporte e cujo valor foi tratado como recuperação de custo; e indenização por perda de mercadoria vendida, cujo valor é o de maior monta. Quanto aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e com alíquota zero, reconhecidos no Mandado de Segurança nº 97.00205614, afirma que são contabilizados de forma análoga aos créditos do ICMS, e aduz que a situação é análoga à do art. 148 do RIPI/98, que dispõe sobre o crédito do IPI, quando adquirido insumo de comerciante atacadista não contribuinte desse imposto, em que o valor é calculado mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do valor constante da NF. Afirma, ainda, que tais valores são tributados pelo IRPJ e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como recuperação de custos. Os créditos de IPI provenientes da sentença judicial foram lançados no Registro de Apuração do IPI, cuja cópia é acostada às fls. 475/525. Quanto aos seus valores, foi juntado, a título exemplificativo, uma listagem do período outubro de 1988 a fevereiro de 1989 (fls. 526/543). Tratando do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, refuta a tese abraçada pela decisão recorrida, de que tais valores não seriam devolução de um pagamento indevido. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13936.000172/0057 Acórdão n.º 9303002.181 CSRFT3 Fl. 889 7 Afirma que o exportador pagou as contribuições embutidas no preço dos insumos adquiridos e que a Lei nº 9.363/96, em seu art. 1º, é clara ao definir que o crédito presumido é concedido “como ressarcimento das contribuições”. Ainda assevera que, em qualquer dicionário, o vocábulo “ressarcir ou ressarcimento” diz respeito à recuperação de um valor anteriormente pago, ou indenização por um dano sofrido. Por fim, e ao contrário do que afirmara na impugnação, esclarece que as recuperações de ICMS não são relativas a qualquer ação judicial, mas sim a pagamentos indevidos. Auditoria contábil detectou que não fora utilizado créditos do ICMS relativos a aquisições de materiais auxiliares, insumos, embalagens e matériasprimas. Tratamse, pois, de créditos extemporâneos do imposto estadual. Para comproválos, anexa cópias de NF referentes crédito fiscal extemporâneo e de listagem dos valores recuperados no período de 11/08/94 a 18/11/94 (fls. 453/474). Informações às fls. 544/549, 570 e 571 dão conta do arrolamento de bens necessário. Tendo em vista a opção da contribuinte pelo REFIS, com inclusão parcial do débito lançado nesse parcelamento, como noticiado às fls. 563/566, esta Terceira Câmara determinou diligência em dezembro de 2003, visando saber com exatidão quais valores estão incluídos na Declaração REFIS (fls. 572/575). Cumprida a diligência que retornou com o quadro demonstrativo de fl. 581 , e após ciência ao contribuinte – que não se manifestou (fls. 583/586) , o processo retornou a este órgão para julgamento. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. CRÉDITOS DE IPI RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. INCLUSÃO. A definição de faturamento ou receita bruta para fins tributários, base de cálculo da COFINS e do PIS, após a Lei nº 9.718/98 equivale ao total dos valores da venda de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, somado às demais receitas, nestas incluídos os valores de créditos de IPI reconhecidos judicialmente e relativos a aquisições de matériasprimas isentas, não tributáveis ou com alíquota zero. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÕES POR REPARAÇÃO DE DANO. NÃO INCLUSÃO. Os valores de apólices de seguro, quando recebidos como indenizações por reparação de dano, não são considerados como receita, para fins de base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI INSTITUÍDO PELA LEI Fl. 924DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Nº 9.363/96. NÃO INCLUSÃO. Os créditos escriturais de ICMS, ainda que extemporâneos, por se constituírem em dedução da base de cálculo desse imposto, não são considerados como receita, para fins de base de cálculo da COFINS. Também assim o crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural incentivado do IPI. Recurso provido em parte. Regularmente intimada, a PGFN vem aos autos apresentar Embargos de declaração, sob o argumento de ter havido obscuridade/omissão no texto da decisão. O relator manifestouse contrariamente à se admitir esses declaratórios, no que foi seguido pelo Presidente do Colegiado, que negou seguimento aos embargos apresentados pela Fazenda Nacional, nos termos do despacho de fl. 607, que determinou a ciência desse despacho ao sujeito passivo. Cientificado do acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso Especial, onde argumenta que: ao entender que as recuperações de créditos de IPI decorrentes de matériasprimas isentas, não tributadas ou tributadas pela alíquota zero estão incluídas no conceito de receita bruta definido como base de cálculo do PIS pelos artigos 2° e 3º da Lei n° 9.718/98, o v. acórdão recorrido está a divergir de outros julgados deste Eg. Conselho de Contribuintes, o que desafia a interposição do presente recurso especial, objetivando seja aplicado ao presente feito o entendimento já manifestado noutras Câmaras desta Corte Administrativa. Como fundamento de sua pretensão, alega a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição trazido pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. Intimada do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, a PGFN, também, apresentou recurso especial questionando a exclusão das receitas pertinentes a créditos extemporâneos de ICMS, a crédito presumido de IPI e a indenizações de seguro, da base de cálculo da contribuição sob exame, para tanto, argumenta que: (...) as decisões do STF acórdão recorrido afastou a aplicação do § 1° do art. 30 da Lei 9.718, com base em notícia extraída do Informativo do STF n° 408, segundo o qual o STF, no julgamento dos Recursos Extraordinários n° s 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, teria concluído pela inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. Com a devida vênia, a conclusão de um julgamento do STF em um recurso extraordinário só produz efeitos entre as partes do processo correspondente e não faz ela coisa julgada em relação à lei supostamente declarada inconstitucional, porque qualquer tribunal ou juiz, em princípio, poderá aplicála por entendêla constitucional, enquanto o Senado Federal, por resolução, não suspender sua executoriedade. Por meio do despacho de fls. 719/720, o presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao apelo Fazendário Contrarrazões ao apelo fazendário vieram às fls. 730 a 737. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13936.000172/0057 Acórdão n.º 9303002.181 CSRFT3 Fl. 890 9 Por meio do despacho de fl. 874, o recurso especial apresentado pelo sujeito passivo foi admitido. Contrarrazões ao apelo do sujeito passivo vieram às fls. 877 a 882. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Deles conheço. A questão posta em debate cingese a decidir se, até a entrada em vigor da Lei 10.833/2003, os valores relativos ao crédito de IPI pertinente às aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS, como defende o Sujeito Passivo em seu recurso especial; e, também, se os créditos extemporâneos de ICMS, o crédito presumido de IPI e a indenizações de seguro, devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição sob exame, como defende a Fazenda Nacional em seu recurso especial. Primeiramente, fazse necessário definir a natureza desses ingressos. Se configuram ou não receita. Receita, do latim "recepta", é o vocábulo que designa recebimento, valores recebidos. Assim, em sentido amplo, é o vocábulo que designa o conjunto ou a soma de valores que ingressam no patrimônio de determinada pessoa. O mestre Geraldo Ataliba1, em trabalho publicado sobre o ISS, conceituou receita, e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer à entidade.Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. É que estas não pertencem à entidade que as recebe. Têm caráter eminentemente transitório.Ingressam a título provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo.” Das palavras do mestre, podemos concluir que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou física, são considerados como receita, já os valores que são recebidos, a título transitório, que não pertencem ao recebedor, e, 1 ATALIBA, Geraldo. ISS – Base Imponível. Estudos e pareceres de Direito Tributário, v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978, p. 88. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos. ALIOMAR BALEEIRO, ao analisar o que se deve entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo,vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando o conceito dado pelo mestre baiano, ao Direito Tributário, temse que receita não é, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. Nessa linha de raciocínio, vêse que os valores objeto dos recurso ora sob exame, são ingressos que se incorporam ao patrimônio da pessoa jurídica, sem implicar em contrapartida, reserva, ou condições ou correspondência em seu passivo. De outro lado, os ingressos relativos a operações que comumente temse denominado de recuperação de custos, a exemplo do crédito presumido de IPI, crédito extemporâneo de ICMS, indenizações de seguro etc, legalmente, são considerados receitas, a teor do disposto do art. 44, inciso III, da Lei 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Negritei. Assim, seja porque o crédito de IPI pertinente às aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, o crédito extemporâneo de ICMS, o crédito presumido de IPI e a indenizações de seguro, são incorporados ao patrimônio da pessoa jurídica, seja porque são considerados como recuperação de custos, tais valores constituem receita da pessoa jurídica. Resta então determinar se tal receita poderia ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §2 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas acima mencionadas, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. 2 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13936.000172/0057 Acórdão n.º 9303002.181 CSRFT3 Fl. 891 11 Entendese que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender o alcance de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, temse notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, fato esse que corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do SRF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Todavia, a partir de 1º de fevereiro de 2004, por força do disposto no inciso I, do art. 93 da Lei 10.833/2003, passou a viger os artigos 1º a 15º e 25 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada da Cofins, nos termos seguintes: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de fevereiro de 2004, data de vigência dos arts. 1º a 15 e 25 da Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas oriundas de crédito de IPI pertinente às aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, de crédito extemporâneo de ICMS, de crédito presumido de IPI e de indenizações de seguro, não integravam a base de cálculo da contribuição. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins estavam sujeitas ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Todavia, como no caso dos autos o lançamento referese a períodos de apuração anteriores a fevereiro de 2004, é lícita a exclusão de tais receitas da base de cálculo da Cofins. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional e de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 929DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.933053/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 53 /2 00 9- 05 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 23/25 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS relativo ao fato gerador de 31/07/2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduz haver exercido direito amparado pela legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante foram acolhidos em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, onde ficou consignado que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, esta admitida no âmbito daquele julgamento, já que a retificação em tela não se enquadrava em nenhuma das hipóteses normativas que impedissem seu acolhimento. Assim: [...] Na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 31/07/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 201.580,24), no valor de R$ 162.733,56, restando um saldo de crédito de R$ 38.846,68, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$ 46.635,22). Cientificada da referida decisão em 07/03/2012 (vide AR de fls. 29), a interessada, em 04/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 30/39, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933053/200905 Acórdão n.º 3802001.592 S3TE02 Fl. 109 3 O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A defesa da recorrente não condiz com a realidade dos fatos, posto que, como relatado, a primeira instância acolheu a retificação da DCTF apresentada pela empresa, tendo, no entanto, deferido apenas em parte o pedido, já que o saldo do crédito em favor da empresa foi inferior ao valor pleiteado e utilizado na DCOMP. Com efeito, vêse do extrato de fls. 28, que o valor principal do débito cadastrado no processo, de R$ 55.202,43, foi reduzido para R$ 10.800,68, isso, justamente, em vista do acatamento da retificação do débito declarado na DCTF retificadora, conforme relatado. Assim, permanece apenas a situação em aberto dos débitos não liquidados por compensação depois dos cálculos decorrentes do reconhecimento parcial, pela primeira instância, do crédito alegado pela reclamante. Ao que parece, a recorrente apresentou o presente recurso buscando contestar a legitimidade da exigência do saldo devedor remanescente – depois de admitida a retificação da DCTF pela instância recorrida. Contudo, comparece a este foro sem apresentar nenhuma prova capaz de infirmar, minimamente, a exigência tributária atrelada a este processo. Vale lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13502.000815/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 30/11/2007, 31/12/2007, 30/09/2008, 30/12/2008
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LAVRATURA POSSIBILIDADE
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48.
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação.
Numero da decisão: 3101-001.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso voluntário. Esteve presente ao julgamento o advogado André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35.161, representante do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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CRÉDITO COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LAVRATURA POSSIBILIDADE A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito. Aplicação da Súmula CARF nº 1. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso voluntário. Esteve presente ao julgamento o advogado André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35.161, representante do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 08 15 /2 01 0- 60 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente). Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 71/81) e da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 84/94) relativas aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2007 e setembro e dezembro de 2008. O autuante informa que a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 2005.33.00.012048 buscando suspender a exigibilidade do crédito tributário da Cofins e do PIS incidentes sobre as receitas de juros sobre o capital próprio, sob a alegação de que têm natureza jurídica de dividendos. Em 15/06/2005, foi concedida liminar favorável à pretensão da contribuinte (fotocópias às folhas 19/22) e posteriormente, em 09/08/2005, foi concedida a segurança (fls. 23/28), determinando que a autoridade coatora se abstenha de exigir a inclusão da referida parcela nas bases de cálculo do PIS e da Cofins [...]. Desta forma, em face do que dispõem a Lei n° 10.833, de 2003, a Lei n° 10.865, de 2004, e os Decretos n° 5.164, de 2004, e n° 5.442, de 2005, e considerandose que a contribuinte nos anoscalendário 2007 e 2008 auferiu receitas de juros sobre o capital próprio, não as adicionando às bases de cálculo do PIS e da Cofins em virtude da referida decisão judicial, o crédito tributário foi lançado de oficio, como forma de prevenir a decadência, sem a incidência da multa de oficio, uma vez que a sua exigibilidade encontrase suspensa nos termos dos incisos II e IV do Código Tributário Nacional — CTN e art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Os valores das receitas de juros sobre o capital próprio a serem tributados foram extraídos da conta contábil 3502040101 (balancetes às folhas 32/34 e 41/44), em confronto com as DIRF apresentadas pelas empresas (fls. 105/109), com as memórias de cálculo apresentadas pela Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000815/201060 Acórdão n.º 3101001.413 S3C1T1 Fl. 4 3 contribuinte e com as decisões tomadas em assembleias de acionistas que deliberaram sobre a distribuição e pagamento dos juros sobre capital próprio (fls. 35/40 e 45/53), conforme demonstrativos às folhas 79 e 92. Ao presente processo foram ainda anexados os seguintes documentos: Termo de Diligência Fiscal (fls. 03/04); Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 29/30); espelho do DACON (fls. 54/69); Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal (fl. 70); DCTF (fls. 97/104). Cientificada dos lançamentos em 22/07/2010 (fls. 72 e 85), a contribuinte apresenta em 23/08/2010 as impugnações de folhas 111/126 e 139/154, sendo essas as razões de defesa, em síntese: 1. Como questão preliminar, ainda que entendesse devida a inclusão dos juros sobre o capital próprio nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, a fiscalização não poderia desconsiderar o provimento jurisdicional que, além de autorizar a autuada a não fazêlo, ainda determinou ao Fisco que se abstenha de exigir tal procedimento por parte da contribuinte, razão pela qual os Autos de Infração padecem do vicio da nulidade, não encontrando fundamento jurídico que os justifiquem e inexistindo, na hipótese, qualquer infração passível de ser sancionada; 2. No mérito, elenca as razões pelas quais entende ser indevida a inclusão dos juros sobre o capital próprio nas bases de cálculo do PIS e da Cofins; 3. A exigência dos juros de mora nos Autos de Infração é ilegal, pois o art. 161 do CTN prevê o acréscimo de juros de mora aos créditos não integralmente pagos no vencimento, representando um ônus ao contribuinte que, pelo retardamento culposo da obrigação tributária, possui débito exigível pela Fazenda Pública, mas esse não é o caso em tela, pois a impugnante jamais esteve em mora no cumprimento das obrigações fiscais ora impugnadas, visto que, antes de qualquer procedimento fiscal, obteve decisão judicial favorável A não inclusão dos juros sobre o capital próprio nas bases de calculo do PIS e da Cofins; 4. Nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN, a concessão de medida liminar suspende a exigibilidade do crédito tributário e, para além disso, descaracteriza a mora, justamente por não existir qualquer omissão do contribuinte quanto ao pagamento do tributo; 5. Uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, o prazo de vencimento da obrigação é postergado até o momento em que a divida venha a ser novamente exigível; 6. Por fim, a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora é ilegal. A DRJ em SALVADOR/BA julgou a Impugnação improcedente, ementando assim o acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007, 30/09/2008, 30/12/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente às matérias não submetidas à apreciação do Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007, 30/09/2008, 30/12/2008 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde alega: (i) preliminarmente, vicio de nulidade, já que o auto de infração foi lavrado em desrespeito ao provimento jurisdicional que suspendia a exigibilidade do crédito exigido, e por não se basear em infração tributária; e (ii) no mérito, pela violação ao principio da legalidade tributária dos Decretos 5.164/04 e 5.442/05, que determinaram a exigência do PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de juros sobre capital próprio, tendo em vista sua natureza jurídica de dividendos. A Recorrente pleiteia que seja julgado integralmente procedente o Recurso Voluntário, reconhecendose a total ilegalidade da exigência fiscal, incluindo principal e juros de mora. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Em 28 de outubro de 2011, o Chefe da Equipe de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (BA), através do Memorando n" 125/2011/EAC1/DRFCCl/SRRF05/RFB/MFBA, encaminhou a esse órgão julgador, o RELATÓRIO DE ACOMPANHAMENTO JUDICIAL relativo ao processo nº 2005.33.00.0121048/BA, para ser juntado ao presente processo administrativo fiscal, onde informa sobre a situação do processo até aquela data, especialmente aquelas obtidas no sitio do TRF da 1ª Região na internet que desvelam que o Tribunal deu provimento, por unanimidade, à remessa oficial e à Apelação em Mandado de Segurança — AMS n° 2005.33.00.0121048, em Acórdão proferido em 08/08/2011, para denegar a segurança. Foram opostos embargos de declaração pela BRASKEM S.A que foram negados pela Sexta Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, em 18 de março de 2013. Em consulta formulada no sitio do TRF da 1ª Região, constatamos que foram peticionados em 03/05/2013 Recurso Extraordinário e Recurso Especial, ainda em procedimento de juízo de admissibilidade, e apresentadas ContraRazões em 17/06/2013 pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000815/201060 Acórdão n.º 3101001.413 S3C1T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O referido recurso é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Discutese nos presentes autos a incidência das contribuições PIS e COFINS sobre as receitas auferidas a título de juros sobre o capital próprio, relativas aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2007 e setembro e dezembro de 2008. A recorrente estava amparada por medida liminar e posteriormente por segurança, obtida no Mandado de Segurança n° 2005.33.00.012048, que buscou suspender a exigibilidade do crédito tributário da Cofins e do PIS incidentes sobre as receitas de juros sobre o capital próprio, sob a alegação de que essas receitas teriam natureza jurídica de dividendos. Os autos de infração foram lavrados em 21/07/2010, com ciência em 22/07/2010, para prevenir a decadência, com o lançamento dos valores das contribuições e dos juros moratórios, sem a incidência de multa de ofício. A defesa da recorrente alega (i) preliminarmente, vicio de nulidade, já que o auto de infração foi lavrado em desrespeito ao provimento jurisdicional que suspendia a exigibilidade do crédito exigido, e por não se basear em infração tributária; e no mérito, (ii) pela violação ao principio da legalidade tributária dos Decretos 5.164/04 e 5.442/05, que determinaram a exigência do PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de juros sobre capital próprio, tendo em vista sua natureza jurídica de dividendos, (iii) além da ilegalidade do lançamento dos juros moratórios. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL Quanto à alegação de vicio de nulidade dos autos de infração, por desrespeito ao provimento jurisdicional que suspendia a exigibilidade do crédito exigido, e por não se basear em infração tributária, não encontra razão a recorrente. A medida judicial, embora suspenda a exigibilidade do crédito tributário, apenas impede que a Fazenda Pública pratique atos executórios tendentes a cobrar o seu crédito, mas não tem o condão de impedir a sua constituição. A matéria encontrase sumulada nesse órgão julgador: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Portanto, os autos de infração de PIS e COFINS lavrados para prevenir a decadência objetos do presente processo administrativo fiscal não se encontram viciados, e foram regularmente lavrados para prevenir a decadência, sem a exigência de multa de ofício, atendendo à finalidade do ato administrativo de lançamento (constituição do crédito tributário), sem a imposição de penalidades por qualquer infração passível de ser sancionada. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 DO MÉRITO NATUREZA JURÍDICA DE DIVIDENDOS DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO E SUA INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Quanto à alegação de violação ao principio da legalidade tributária dos Decretos 5.164/04 e 5.442/05, que determinaram a exigência do PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de juros sobre capital próprio, tendo em vista sua natureza jurídica similar ao dividendo, não será apreciado por esse julgador, por concomitância com a ação judicial objeto do Mandado de Segurança n° 2005.33.00.012048 impetrado pela recorrente, em fase de apreciação de admissibilidade dos Recursos Extraordinário e Especial peticionados em 03/05/2013. É inequívoca a identidade de objeto entre o questionamento apresentado pela impugnante e a matéria a ser apreciada pelo Poder Judiciário. A matéria encontrase sumulada nesse órgão julgador: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, não conhecemos do recurso quanto à natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio e sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, pela identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo. ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA Quanto à alegação de ilegalidade da exigência de juros de mora, também não encontra razão a recorrente. A medida judicial, embora suspenda a exigibilidade do crédito tributário, não tem por efeito alterar a data do vencimento do tributo, mas apenas adiar a data de pagamento, enquanto não solucionado a disputa judicial. A suspensão do crédito tributário apenas impede que a Fazenda Pública pratique atos executórios tendentes a cobrar o seu crédito, sem efeitos sobre a sua data de vencimento. Existindo a mora, devem ser consignados no lançamento os encargos legais cabíveis, de acordo com o disposto no artigo 161 do CTN, seja qual for o motivo determinante da falta. Esse entendimento não acarreta nenhum prejuízo ao contribuinte, uma vez que, se vencedor na lide judicial, o processo administrativo perderá seu objeto. A matéria também se encontra sumulada nesse órgão julgador: Súmula CARF n° 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000815/201060 Acórdão n.º 3101001.413 S3C1T1 Fl. 6 7 Quanto ao argumento de inaplicabilidade dos juros SELIC para fins tributários, a jurisprudência administrativa já firmou entendimento contrário, quando caracterizada a inadimplência, conforme Súmula CARF nº 4, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, não deve ser afastada a aplicação dos juros de mora nos autos de infração objetos do presente processo administrativo fiscal, por estar perfeitamente caracterizado a mora da recorrente, e pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), de acordo com as súmulas 4 e 5 do CARF. CONCLUSÕES Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 25 de junho de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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