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Numero do processo: 13888.000724/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento".
ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". Recurso Voluntário Provido.
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contascorrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos cotitulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 07 24 /2 00 3- 18 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13888.000724/200318 Acórdão n.º 2402004.703 S2C4T2 Fl. 684 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 222.682,68 relativo aos anoscalendário 1997 e 1998. O lançamento, às fls. 102/111, decorreu da constatação das infrações de acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 1997 e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no anobase 2008, esta verificada em contascorrente mantidas nas instituições financeiras Banco Banespa S/A. (c/c nº 0173920003588, individual) e Banco do Brasil S/A. (c/c nº 40.4217, conjunta com Maria Helena Feltrin Polaquini). Impugnada a autuação (fls. 118/129, acompanhada dos documentos de fls. 130/559), a infração de acréscimo patrimonial a descoberto quedou exonerada pela instância de primeiro grau. Quanto à infração lastreada nos depósitos bancários de origem não comprovada, o julgamento a quo fez ajustes relativos a cheques depositados e devolvidos, bem como a resgates de aplicações financeiras, indevidamente considerados na apuração do valor devido, mantendose o restante do lançamento (fls. 562/578). O contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/4/2010 (fls. 582/596), aduzindo, em síntese, que: está decaído o lançamento relativo aos meses de janeiro a março de 1998, por serem os fatos geradores do imposto de renda pessoa física mensais; ocorreu erro na identificação do sujeito passivo, pois os depósitos pertenciam à pessoa jurídica da qual o autuado era sócio; como a conta titularizada no Banco do Brasil era conjunta com sua esposa, a intimação desta era imprescindível, consoante regrado pela Súmula Carf nº 29, tanto que a autuação lavrada contra aquela, objeto do processo nº 13888.000737/200397, restou cancelada na decisão do Acórdão nº 3401001109; o julgamento de primeiro grau não analisou os documentos carreados pelo contribuinte junto com a impugnação. É o relatório. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cumpre de plano examinar a incidência, no particular, dos termos da Súmula CARF nº 29, aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 8/12/2009, a qual é de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Vale consignar que com sua publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído à Súmula CARF nº 29 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O enunciado sumular em apreço tem assento no caput e § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º a 5º Omissis § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, no caso de contas bancárias de titularidade conjunta, é necessária, para a correta aferição dos aspectos quantitativos e pessoais do consequente normativo da regra matriz de incidência tributária, a intimação de todos os seus cotitulares. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13888.000724/200318 Acórdão n.º 2402004.703 S2C4T2 Fl. 685 5 Compulsando os autos, pode ser verificado pela leitura do Termo de Constatação Fiscal (fls. 102/105) e dos extratos da contacorrente de nº 40.4217 mantida no Banco do Brasil S/A. (fls. 129/60), que esta possui titularidade conjunta do autuado e de sua esposa, Maria Helena Feltrin Polaquini, CPF nº 714.680.30825, a qual em nenhum momento foi devidamente intimada para esclarecimentos no curso do procedimento fiscal. Diante disso, foi cancelado Auto de Infração lavrado em desfavor daquela contribuinte no bojo do processo nº 13888.000737/200397, relativo ao mesmos fatos ora sob apreciação. Transcrevase a ementa do respectivo Acórdão, de nº 3401001109, exarado pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF em julgamento datado de 2/6/2009: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES. No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. Recurso provido. Não vislumbro motivos para dissentir desse entendimento, e, tendo em vista ainda a cogência da Súmula CARF nº 29, devem ser desconsiderados, para fins de mensuração do crédito tributário constituído de ofício, os depósitos de origem não comprovada vinculados à conta conjunta nº 40.4217, mantida pelo recorrente e sua esposa no Banco do Brasil. Mais: com a exclusão desses depósitos, temse que os créditos remanescentes objeto de justificação, atinentes à conta nº 0173920003588 do Banco Banespa S/A., são todos inferiores a R$ 12.000,00 e atingem a cifra de tão somente R$ 31.920,32 (fls. 104/105), resultante do somatório de depósitos mensais totais nos valores de R$ 11.714,05, R$ 10.307,65, R$ 5.183,32, R$ 3.715,30 e R$ 1.000,00, os quais são relativos, respectivamente, aos meses de janeiro, fevereiro, março, junho e novembro do anocalendário 1998. Tal fato atrai a incidência da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 De rigor, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando se a exigência fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13055.000193/00-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO SELIC.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, nos termos do decidido no REsp 993.164/MG - julgado na sistemática prevista pelos art. 543-C do CPC, é devida a atualização monetária desses créditos.
A correção deve ser feita com base na Selic, desde o protocolo do pedido, até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Embargos Parcialmente provido
Numero da decisão: 9303-003.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e acrescentar à fundamentação do acórdão embargado a transcrição de excerto da ementa do REsp 993.164/MG, e retificar a ementa do desse acórdão.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, nos termos do decidido no REsp 993.164/MG - julgado na sistemática prevista pelos art. 543-C do CPC, é devida a atualização monetária desses créditos. A correção deve ser feita com base na Selic, desde o protocolo do pedido, até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Embargos Parcialmente provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e acrescentar à fundamentação do acórdão embargado a transcrição de excerto da ementa do REsp 993.164/MG, e retificar a ementa do desse acórdão. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado Indústria de Peles Pampa Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando houver omissão, ainda que parcial, no acórdão, que possa suscitar dúvida no entendimento do que foi decidido, passando o acórdão a ter a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, nos termos do decidido no REsp 993.164/MG julgado na sistemática prevista pelos art. 543C do CPC, é devida a atualização monetária desses créditos. A correção deve ser feita com base na Selic, desde o protocolo do pedido, até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Embargos Parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 01 93 /0 0- 05 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e acrescentar à fundamentação do acórdão embargado a transcrição de excerto da ementa do REsp 993.164/MG, e retificar a ementa do desse acórdão. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em face ao acórdão de nº 9303001.721, de 7 de novembro de 2011, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1° e 2°, ambos da Lei n° 9.363/96. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Entretanto, a taxa Selic não incide desde o momento em que o crédito presumido foi gerado, ou seja, não incide desde a entrada dos insumos que ocasionaram o pagamento de PIS/COFINS, mas sim desde o protocolo do pedido de ressarcimento, conforme determina o acórdão proferido pelo STJ por ocasião do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de n° 1.035.847, eis que o ressarcimento de créditos escriturais não se confunde com o ressarcimento dos demais créditos. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE COOPERATIVAS. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303003.402 CSRFT3 Fl. 352 3 Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO TANTO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO QUANTO DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Sendo certo que a base de cálculo do crédito presumido de IPI é determinada mediante a aplicação, sobre o valor dos insumos, de um percentual obtido da relação existente entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, nada mais justo e coerente que não sejam considerados nem na receita de exportação nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas dos produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, in casu, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos ao exterior. Recurso Especial do Procurador Negado. A Fazenda Nacional volta aos autos, interpondo embargos de declaração (fls. 342 e 343), acusando a decisão de conter o vício de omissão acerca dos fundamentos fáticos que assemelham o presente feito àquele no qual foi proferido o recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847 (RS). Tratase do reconhecimento da incidência da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI e seu termo inicial. Conclui, requerendo o saneamento do vício apontado. Os Embargos de Declaração foram admitidos pelo i. Senhor Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (despacho às fls.346 a 349). É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES Os embargos de declaração são tempestivos e deles tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a matéria objeto dos embargos referese a alegada omissão do Acórdão nº 9303001.721, na parte que reconheceu o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores objeto de pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI a partir da data do protocolo do pedido, que aplicou o entendimento do STJ no julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, conforme determinava o artigo 62A do antigo Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009). A Fazenda Nacional alega que o acórdão embargado é omisso, pois não apontou os fundamentos (fáticos) que assemelharam o presente feito àquele no qual foi proferido o recurso especial repetitivo para aqui proclamar o mesmo entendimento. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 Segundo seu entendimento, a decisão do Resp 1035847 tratou especificamente do creditamento de IPI (crédito básico e escritural), não abrangendo hipóteses de ressarcimento de crédito presumido de IPI, que tem nítida natureza de incentivo fiscal. Nessa interpretação, não haveria autorização legal para a incidência da SELIC às hipóteses de ressarcimento de crédito presumido de IPI, seja a partir do protocolo do pedido, seja a partir de qualquer outro momento. Conclui afirmando que o repetitivo não seria aplicável ao caso em discussão, sem aplicação do art. 62A do antigo RICARF. Para melhor aclarar o vício alegado, transcrevemos trecho da ementa do julgado proferido pelo STJ: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Compulsandose o voto condutor da decisão embargada, percebese que o Colegiado negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI a partir do momento em que o pedido de ressarcimento foi protocolado pela contribuinte. A decisão está fundamentada no art. 39 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e importou excerto de voto proferido no julgamento do recurso nº 201125.339, da lavra da ilustre conselheira Maria Teresa Martínez López: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303003.402 CSRFT3 Fl. 353 5 No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse sentido, vejamse precedentes jurisprudenciais reconhecendo aplicação da taxa SELIC. Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Continua seu voto a Conselheira Relatora do Acórdão embargado: Dessa forma, considerando que o STJ, no julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, entendeu que a atualização dos créditos escriturados de IPI deva ser realizada “desde o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento, pela UFIR e, após janeiro de 1996, pela SELIC”, entendo que as razões suscitadas no recurso especial da Fazenda Nacional não mereçam prosperar. Nos termos do artigo 62A do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões proferidas pelo STJ, razão pela qual fazse mister que seja reiterado o reconhecimento da incidência da taxa Selic para atualizar monetariamente os créditos de IPI desde o momento do protocolo do pedido de ressarcimento até a data em que o crédito vier, de fato, a ser ressarcido. Extraise que a i. Relatoria utilizouse do citado repetitivo (REsp 1.035.847) para fixar o termo inicial da correção da SELIC, pela oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito, a partir do momento do protocolo do pedido de ressarcimento). Concordandose ou não com as razões do voto vencedor, o direito à correção foi devidamente fundamentado nesse voto, considerando também os fundamentos do voto transcrito (201125.339). A alegação de que a jurisprudência do STJ trata especificamente do creditamento de IPI (crédito básico e escritural), não abrangendo hipóteses de ressarcimento de crédito presumido de IPI, que teria nítida natureza de incentive fiscal, procede, mas não traz qualquer resultado prático ao caso, pois, embora o REsp 1.035.847 tenha tratado de crédito básico de créditos desse imposto, sem especificar a hipótese de crédito presumido de IPI, a jurisprudência do STJ também é firme no sentido de que deve ser aplicada a Taxa SELIC na correção de crédito presumido de IPI extemporaneamente aproveitado por óbice do Fisco. Todavia, para que não paire dúvida sobre as razões que levaram o Colegiado a reconhecer o direito à correção do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363/96, acrescentese à fundamentação do acórdão, excerto da ementa do REsp 993.164/MG, julgado em sede de recurso repetitivo, que versou sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. [...] 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). [...] 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que o direito à incidência da taxa SELIC nos valores a serem ressarcidos a título de crédito presumido de IPI também foi objeto de decisão do STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), cuja decisão é de reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do artigo 62 do RICARF. Aliás, merece ser esclarecido que, no REsp 993.164/MG, cuja ementa transcreveuse acima, trata de crédito presumido de IPI, entretanto, o precedente citado pelo ministro para fundamentar seu voto, foi, justamente, o REsp 103847/RS, mencionado no acórdão embargado, que ora se analisa. Todavia, para que não paire dúvida sobre as razões que levaram o Colegiado a reconhecer o direito à correção do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363/96, com Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303003.402 CSRFT3 Fl. 354 7 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial aos embargos de declaração, para acrescentar à fundamentação do acórdão embargado a transcrição de excerto da ementa do REsp 993.164/MG julgado na sistemática prevista pelos art. 543C do CPC, cuja decisão é de reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do artigo 62 do RICARF que versou sobre matéria idêntica à versada na decisão que ora se tenta aclarar, de modo a deixar assentado que, havendo oposição indevida constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito presumido de IPI, uma vez afastado esse óbice, os créditos devem ser corridos pela Selic, a partir do protocolo do pedido, até a data de seu efetivo aproveitamento, quer por compensação quer por ressarcimento em espécie. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720129/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011
PARCELAMENTO. LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA.
A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TEMPO SUFICIENTE PARA A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS.
Não prospera alegação de cerceamento de defesa por falta de oportunidades de produção de prova, quando o período da ação fiscal foi mais do que suficiente para o contribuinte carrear os elementos reiteradamente solicitados.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumprimento dos termos do art. 170-A do CTN, bem como de decisão judicial, resta evidenciada a falsidade de declaração apta a justifIcar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 PARCELAMENTO. LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TEMPO SUFICIENTE PARA A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS. Não prospera alegação de cerceamento de defesa por falta de oportunidades de produção de prova, quando o período da ação fiscal foi mais do que suficiente para o contribuinte carrear os elementos reiteradamente solicitados. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumprimento dos termos do art. 170-A do CTN, bem como de decisão judicial, resta evidenciada a falsidade de declaração apta a justifIcar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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MULTA ISOLADA. Recorrente JACUNDA PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 PARCELAMENTO. LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TEMPO SUFICIENTE PARA A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS. Não prospera alegação de cerceamento de defesa por falta de oportunidades de produção de prova, quando o período da ação fiscal foi mais do que suficiente para o contribuinte carrear os elementos reiteradamente solicitados. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumprimento dos termos do art. 170A do CTN, bem como de decisão judicial, resta evidenciada a falsidade de declaração apta a justifIcar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 29 /2 01 1- 15 Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente autos de infração relativos à glosa de compensação de contribuições previdenciárias e respectiva multa isolada. O relatório da instância a quo descreve com minúcia os termos do lançamento, bem como da impugnação do contribuinte, motivo pelo qual peço a devida vênia para reproduzilo, na sua essência (fls. 3426/3436): Tratase de autos de infração lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe: AI DEBCAD nº 51.035.8004, com valor consolidado em 11/12/2012, de R$ 17.754.105,67, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social relativas à glosa de compensações efetuadas de 01/2009 a 04/2011. AI DEBCAD nº 51.035.8012, com valor consolidado em 11/12/2012, de R$ 18.397.800,60, referente à multa isolada de 150% aplicada em relação às competências de 01/2009 a 12/2009, de 01/2010 a 12/2010, de 01/2011 a 04/2011. De acordo com o relatório fiscal de fls. 2.032/2.046 e o relatório DD – Discriminativo do Débito (fls. 2.051/2.055), os valores lançados referemse à glosa de compensação efetuada indevidamente pelo sujeito passivo. No relatório fiscal consta, essencialmente, como segue. Em 27/5/2011 (conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 7) foram solicitados documentos referentes a compensações efetuadas no município que foram declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Tal solicitação foi efetuada por meio do Termo de Início de Procedimento fiscal – TIPF (fls. 5/6) tendo sido conferido o prazo de cinco dias úteis seu atendimento. O sujeito passivo, em 15/6/2011, apresentou parcialmente os documentos solicitados, conforme relatado no Termo de Retenção de Documentos – TRD nº 1 (fls. 14/15) cientificado ao contribuinte em 15/6/2011 (assinatura à fl. 15). Dentre os documentos não apresentados estão, as guias de recolhimento da previdência social que originaram os créditos, as notas de empenho relativas à contabilização das folhas de pagamento, as GFIP e guias de recolhimento que deram origem aos créditos compensados, documentos de posse e exercício dos agentes políticos. Em 23/8/2012 por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 1 (fls. 2.022/2.023), cientificado ao sujeito passivo em 27/8/2012 (conforme AR de fl. 2.024), foi reiterado o pedido de apresentação dos documentos até então não disponibilizados e foram solicitados, dentre outros: esclarecimentos acerca do que se referiam as compensações efetuadas no período fiscalizado (por exemplo, se relativas a agentes políticos ou a contribuições pagas a maior, etc), demonstrativos de apuração dos créditos compensados e das compensações realizadas, comprovação do ressarcimento de tais valores ou procuração por instrumento particular, com Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo autorizandoa a efetuar a compensação. O sujeito passivo manifestouse apontando que a documentação entregue em resposta à primeira intimação (TIPF) demonstra de que forma foram efetuadas as compensações no período submetido à fiscalização. Ainda conforme relatório fiscal, pela análise da documentação apresentada, a fiscalização constatou, por meio de consultas efetuadas junto ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região Fiscal – TRF 1, com relação ao processo judicial nº 396251.2010.4.01.3901, que não houve prolação de sentença e que, na data da lavratura, tal processo ainda estava em fase de análise pelo relator. Por essa razão, concluiuse que tal processo não poderia justificar a realização de compensações. Com relação aos demais documentos apresentados, verificouse que a maioria deles era referente a períodos distintos do período abrangido pela ação fiscal, mas mesmo aqueles que se referem a esse período, ou são irrelevantes (resumos de folhas e fichas financeiras), ou são inócuos, para fins de verificação das compensações realizadas, sem complementação de outras informações e documentos que não foram disponibilizados pelo sujeito passivo. Ainda conforme as conclusões fiscais, não foram apresentadas as folhas de pagamento, guias da previdência social com valores efetivamente recolhidos e GFIP do período representativo do montante utilizado nas compensações; não foram identificados os valores indenizatórios, os segurados ou, se fosse o caso, os agentes políticos e suas remunerações, bem como, não restou demonstrada a contabilização dessas remunerações, das respectivas contribuições, e deixaram de ser apresentadas eventuais GFIP retificadoras por meio das quais fossem retirados agentes políticos e respectivos salários de contribuição. Conforme relatório fiscal, as informações acerca das compensações efetuadas foram identificadas com base nas GFIP processadas e obtidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Tais valores e competências foram indicados em quadro à fl. 2.039. Concluiu a fiscalização, que diante da falta de atendimento à exigência fiscal, não haveria como homologar as compensações efetuadas e, por consequência, teve de glosálas. Concluiu, ainda, que pela ausência de documentos que comprovassem a existência dos créditos relativos às compensações declaradas por meio de GFIP, restou caracterizada a compensação com falsidade de declaração impondose a aplicação de multa qualificada de 150%. A fiscalização esclareceu que no caso da multa isolada, os valores de multa relativos à competência 13 foram considerados nas competências em que foram apresentadas as GFIP declarando as compensações indevidas, quais sejam 12/2009 e 01/2011. A fiscalização juntou aos autos, dentre outros, documentos apresentados pelo sujeito passivo: Demonstrativos de fls. 25/26 denominados “Planilhas totalizadoras para compensação” (relativas a vereadores, prefeito e vice, secretários, conselheiros tutelares). Nesses documentos estão indicados, por competência, valores que seriam referentes aos subsídios e o valor de contribuição para previdência considerada pelo contribuinte. Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.603 5 Demonstrativos denominados “Planilha totalizadora para compensação – Verbas Indenizadas (fls. 27/29)” nas quais consta, por competência, os valores que teriam sido pagos a título de gratificação, horas extras, 1/3 – férias indenizadas, salário maternidade, 13º salário indenizado, auxílio doençaacidente/alimentação, abono, adicional, e valor da contribuição previdenciária. Demonstrativo de fls. 30/66 denominado “Planilha das compensações efetuadas, de 01/2009 a 10/2010, e os índices de correções (SELIC). Nesse documento consta a totalização dos valores que teriam sido recolhidos e respectiva correção, com indicação, do valor devido na competência em que foi realizada a compensação, do saldo a compensar corrigido, do valor compensado e de saldo a compensar na próxima competência. Também há um quadro que indicaria, por competência, os valores globais dos pagamentos e contribuições relativas a agentes políticos e/ou, os valores globais das verbas que seriam indenizadas e o que seriam as respectivas contribuições para a previdência social. Cópias de documento denominado “Resumo contábil geral” das competências de 01/2006 a 05/2011, contendo o que seriam valores globais das verbas relativas às folhas de pagamento (fls. 67/295). Demonstrativos (fls. 296/301) nos quais constam os valores da soma de subsídios e representações que teriam sido pagos, por competência, a prefeitos (de 02/1999 a 09/2004), a viceprefeitos (de 02/1999 a 09/2004), a conselheiro tutelar (de 01/2001 a 12/2004), a secretários (de 02/1999 a 09/2004), a vereadores (de 01/2001 a 09/2003), comissionados – ocupantes dos cargos de Assessor I e II (de 01/2001 a 12/2004). Documento denominado listagem de trabalhadores com relação de trabalhadores que teriam exercido cargo de secretário municipal comissionado, de conselheiro tutelar e respectivas fichas financeiras (fls. 302/350) que contém, por favorecido, a indicação do valor que teria sido pago a esses trabalhadores nos anos de 2001, 2002, 2003, 2004. Demonstrativos individuais de pagamento de salário (contracheques) referentes ao ano de 1999, 2000, 2001, 2003 e 2004 (fls. 351/1.864). Documentos denominados “Folha de pagamento simplificada” com valores que contém valores pagos a vereadores, em 2001 e 2002, sem totalização, por competência, de salário de contribuição ou do desconto da parte devida pelo segurado (fls. 1.865/1.974). Consulta de andamento processual impressa que foi realizada no sítio do TRF 1, na internet, relativa ao processo nº 366251.2010.4.01.3901, protocolado em 8/6/2010, na 1º Vara Federal, Subseção Judiciária de Marabá (PA), com sentença prolatada em 6/5/2011, publicada em 12/5/2011 (fls. 1.975/1.978). Cópia de petição inicial datada de 3/6/2010 (fls. 1.979/2.015) referente ao processo nº 366251.2010.4.01.3901 na qual foi pedido: 1) A concessão de tutela antecipada para afastar a exigência das exações previdenciárias vincendas incidentes sobre a) auxíliodoença e auxílio acidente (nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado/servidor), b) auxíliocreche, c) salário família, d) vale transporte, e) ajuda de custo, f) licença prêmio indenizada, g) diárias para viagens, h) bolsas de estudos, i) abono de férias/férias indenizadas, j) terço constitucional de férias gozadas ou não, horas extras, l) exercício de função gratificada. Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 2) A declaração da inexistência de relação jurídica tributária das contribuições incidentes sobre os valore pagos com os títulos mencionados no pedido de tutela antecipada. 3) A declaração da ilegalidade dos pagamentos já despendidos pelo autor em datas pretéritas em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas mencionadas para possibilitar a repetição ou compensação desses valores em procedimento específico. Cópia de sentença datada de 6/5/2011 (fls. 2.016/2.021) na qual consta que o Juízo julgou o pedido parcialmente procedente: [...] para excluir da incidência de contribuição previdenciária as seguintes verbas: auxílio doença e auxílioacidente nos primeiros quinze dias de afastamento do servidor, terço constitucional de férias, saláriofamília, diárias, ajuda de custo, indenização de transporte, auxíliocreche, função comissionada, férias indenizadas, abono de férias, licença prémio indenizada e bolsa de estudos. [...]. (grifo nosso) No mesmo documento consta ainda que o Juízo reconheceu, ainda: [...] o direito de compensação/restituição dos valores indevidamente pagos a tal título, corrigidos pela SELIC e conforme Lei nº 9.430/96 e instruções normativas da SRF, com limites no art. 170A do CTN. [...]. (grifo nosso) Também foi juntada aos autos, consulta de andamento processual impressa que foi realizada, pela fiscalização, no sitio do TRF 1 na internet relativa ao processo nº 366251.2010.4.01.3901 (fls. 2.028/2.030), pela qual se verifica que em 13/10/2011 os autos do processo estavam conclusos para relatório e voto acerca da decisão prolatada em primeira instância no âmbito do TRF 1. O sujeito passivo foi cientificado das autuações em 17/12/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 2.075, e em 16/1/2013 (conforme data de protocolo de recebimento à fl. 2.078) apresentou impugnação (fls. 2.078/2.156), em síntese, como segue: AI DECBAD 51.035.8004 CERCEAMENTO DE DEFESA Diz que se viu tolhido em seus direitos porque não lhe foi conferido tempo suficiente para que pudesse colher toda a documentação para o atendimento do TIPF. Aponta que não cabe ao fisco dizer que a documentação já deveria estar de prontidão por se tratar de compensação e por ser essa documentação procedida antes do ato de compensar. Aduz que os documentos que entende ser obrigatórios para que seja efetuada a compensação não são os mesmos que o fisco considera suficientes para tal operação e, por essa razão, para não sofrer mais prejuízos, em face da decadência e da prescrição do direito creditório, se esforçou na recuperação dos valores despendidos em datas pretéritas. Afirma que alguns documentos que foram solicitados pela fiscalização já estavam em seu poder, como era o caso das GFIP contendo os valores compensados e respectivos dados e dos registros de pagamentos efetuados, tanto que foram utilizadas tais informações para a lavratura dos autos de infração. Assevera que alguns procedimentos a serem adotados como as retificações das GFIP não são de fácil manipulação, uma vez que se referem a dados armazenados em diversos períodos, em outras gestões. Diz que deve ser analisado servidor por servidor na folha de pagamento, para que sejam alteradas as incidências Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.604 7 das verbas/eventos utilizadas nas compensações e que por esses motivos não seria possível ao impugnante atender a todos os pedidos da impugnada no prazo de cinco dias úteis que lhe foi conferido. Aduz, contudo, que “a documentação apresentada já demonstra de que forma foram realizadas as compensações”. Requer a anulação das autuações por não ter lhe sido resguardado o instituto da ampla defesa. ORIGEM DOS CRÉDITOS Diz que, ao contrário do entendimento fiscal, a cópia da ação impetrada na Justiça Federal de Marabá – PA, sob nº 395251.2010.4.01.3901, foi juntada com o fito de corroborar seu entendimento quanto à existência de seu direito líquido e certo à compensação. Aduz que, ademais, tais documentos foram exigidos pelos auditores fiscais na intimação. DIREITO À COMPENSAÇÃO EM FAVOR DA MUNICIPALIDADE SOBRE VERBAS DE CARÁTER INDENIZATÓRIO E DOS AGENTES POLÍTICOS ATINGIDOS PELA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Assevera que o fato de ter sido deflagrada ação judicial não impede a realização das compensações, uma vez que entende ser líquido e certo o procedimento adotado. Alega que não ficou comprovado que as remunerações utilizadas para compor as compensações não sofreram o ônus previdenciário. Afirma que os resumos das folhas de pagamentos apresentadas denotam que tais verbas/eventos utilizadas nas compensações foram computados na base de cálculo da contribuição previdenciária. Aponta que a jurisprudência emanada nos tribunais pátrios demonstra que o procedimento utilizado pelo contribuinte, que utilizou verbas indenizatórias para compor o montante das compensações, está correto. Tece comentários acerca de dispositivos legais que tratam do direito à compensação, da criação da RFB e cita a Instrução Normativa IN RFB 900, de 30/12/2008, artigo 34. Diz que foram utilizadas, para fins de compensação verbas de natureza indenizatória: valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença, horas extras. gratificadas, abonos, adicionais (noturno, de periculosidade, de insalubridade, entre outros), diária de viagem/auxílio alimentação, 1/3 de férias/adicional de férias, férias indenizadas/abono de férias, salário maternidade, 13º salário indenizado (aviso prévio). Diz que também foram utilizadas as exações previdenciárias incidentes sobre os agentes políticos. (...) APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA DE 150% Diz que, na sua impugnação, apresentou de forma clara e objetiva, quais foram os fundamentos para efetuar as compensações. Alega que as compensações se deram dentro dos liames legais, de forma abalizada pelas jurisprudências. Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Afirma que juntou toda a documentação necessária para que o auditor fiscal pudesse analisar e depreender que as compensações estão de acordo com a legislação. Aduz que se preocupou em guarnecer o seu direito de recuperar o que havia despendido no passado para evitar a decadência e a prescrição, sem mencionar que deixar de buscar desembolsos indevidos ofende ao disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Disserta sobre a função da sanção/multa e conclui que para que haja imposição de multa isolada é necessário que “fique presente” a finalidade dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do tributo a ser pago. Aduz que a declaração da compensação é instrumento hábil, nos termos da IN RFB 900/2008, para ordenar a cobrança de débitos indevidamente compensados. Aponta ser inviável a caracterização da conduta prevista na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso I. Aduz que no máximo deveria ter sido aplicada multa de forma simples (75%). Assevera que tal circunstância demonstra a falha da legislação tributária e a posição de coação em que o contribuinte é colocado, pois além de ser obrigado a confessar dívida quando realiza declaração de compensação está sujeito à imposição de uma multa no montante absurdo de 150% em desrespeito ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. INEXISTÊNCIA DE MÁ FÉ. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 150% Diz que o auditor glosou as compensações por entender que elas se deram sob escudo de ação impetrada na esfera judicial, o que não é verdade, e em razão da falta de alguns documentos requisitados. Afirma que esse entendimento do auditor fiscal não justifica sua severidade (aplicação de multa de 150%). Alega que foi castigado por exercer seu direito. Diz que a multa de 150% tem natureza confiscatória e atenta contra a constituição e contra os princípios da legalidade, razoabilidade e da proporcionalidade. Cita doutrina. Cita jurisprudência. INEXISTÊNCIA DE MA FÉ. CARACTERIZAÇÃO DA MULTA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. REDUÇÃO DA MULTA. Diz que é descabida a conclusão de que o município teria incorrido em sonegação. Afirma que os créditos existem e foram demonstrados nos documentos e nas peças explicativas componentes do presente processo. Conclui que ainda que subsista algum valor a ser pago não poderia incidir a multa de 150% porque não se utilizou volitivamente, ou de má fé , de créditos inexistentes ou baseados em ação sobre a qual perdura discussão no poder judicial. Diz que por ser confiscatória, a multa deve ser excluída ou ao menos, reduzida ao máximo de 20%. PEDIDOS Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.605 9 Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do CTN, 135, inciso III e que não seja negada CPDEN sob os períodos/débitos contidos nos autos de infração ora impugnados. Pede a anulação dos autos de infração com a consequente homologação das compensações realizadas nas competências de 01/2009 a 04/2011. Requer que seja reconhecida a inaplicabilidade da multa moratória de 20% e de juros sobre o total das compensações e que seja reconhecida a ilegalidade da multa aplicada de 150%. Requer que, caso não seja extirpado ao AI nº 51.035.8012 seja, ao menos, a multa de 150% reduzida para 20% sobre o total das compensações. Requer que seja cientificado da decisão administrativa no endereço: Travessa Raimundo Ribeiro de Souza, nº 01, Bairro Centro, Tucuruí – PA (CEP 68.456000). O impugnante juntou cópias de documentos, que em sua grande maioria já foram apresentados à fiscalização (fls. 2.157/3.423), com exceção destes: Demonstrativo denominado “Planilha com os totais dos levantamentos sobre verbas indenizatórias e agentes políticos” (fls. 2.230/2.232). Documento denominado “Resumo Geral” que contém valores globais que teriam sido pagos nas folhas de pagamento de 01/2001 a 01/2008 relativas a verbas indenizatórias (fls. 3.073/3.421). A decisão de primeiro grau não acolheu a postulação, sintetizando seu entendimento na seguinte ementa de acórdão (fls. 3425/3450): CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher à previdência social as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, a seus empregados. COMPENSAÇÃO. GLOSA. A compensação feita no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela utilizado nos termos da lei. O direito de compensar pagamentos indevidos decorrentes de norma declarada inconstitucional tem como pressuposto, a retificação das GFIP relativamente às contribuições originalmente declaradas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 O contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/2/2014 (fls. 3466/3593), pedindo lhe seja atribuído efeito suspensivo e demandando, preliminarmente, a extinção do feito por ter aderido ao parcelamento previsto na MP nº 589/2012 e respectiva conversão em Lei nº 12.810/2013. Também como preliminar, reitera a existência de cerceamento de defesa, e no mérito, repisa as razões da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.606 11 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares. Inicialmente, cabe explicar que o efeito suspensivo do recurso demandado pelo recorrente é consequência da legislação de regência, a saber o inciso III do art. 151 do CTN, sendo despiciendas manifestações adicionais do Colegiado a respeito do tema. Quanto à pretensão de que seja extinto o feito, em razão de desistência face à adesão a parcelamento (documentos de fls. 3591/3593), o documento de fl. 3595, informação da Seção de Arrecadação e Cobrança da DRF/Marabá datada de 5/3/2014 revela que, efetivamente, o contribuinte procurou parcelar os débitos constantes no presente processo nos termos regrados pela Lei nº 12.810/2013. No entanto, consoante esclarece dita informação: Nos termos da NOTA TÉCNICA CODAC nº 17/2013 de 19/08/2013, os débitos decorrentes diretamente das contribuições sociais de que tratam as alíneas a e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991(como a glosa efetuada em GFIP), às respectivas obrigações acessórias e as multas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória podem ser incluídas no parcelamento da lei 12.810/2013. Por outro lado, as multas isoladas como aquela aplicada em decorrência de compensação indevida em GFIP, não são objeto do parcelamento em questão. Nesses termos, foi realizado o desmembramento do processo com a retirada dos valores parcelados (DEBCAD 510358004). Tais valores foram transferidos para o processo 10218.720.215/201462 e suspensos no sistema. Por tratarse de multa isolada, os valores do DEBCAD 510358004 [sic DEBCAD 510358012] permaneceram em cobrança sendo objeto do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Observese, nesse rumo, que não consta documento nos autos consignando expressamente ter o contribuinte desistido do litígio quanto à multa isolada. E, ainda que o tivesse feito, tal possibilidade estaria obstada por força da falta de previsão legal, à época em que formulado o pedido. Resta claro, dessa forma, que os débitos vinculados à multa isolada de 150%, DEBCAD 510358012 continuam sendo objeto deste contencioso administrativo, devendo ser examinado o recurso voluntário interposto em 20/2/2014, no tocante a essa infração. Noutro giro, registrese que inexistiu cerceamento de defesa na espécie. Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 Muito embora o contribuinte se apegue ao fato de lhe ter sido concedido inicialmente somente 5 (cinco) dias úteis para trazer os documentos solicitados no TIPF, veja se que o procedimento fiscal começou em 27/5/2011, com o recebimento do dito termo (fl. 7), e terminou mais de 1 (um) ano depois, em 11/12/2012 (fl. 2074), tempo mais do que o suficiente para serem encontrados e disponibilizados os elementos demandados, necessários à elucidação dos fatos sob exame. Aliás, destaquese que foi reiterado expressamente, mediante Termo de Intimação Fiscal recebido em 23/8/2012 (fl. 2024), a apresentação dos documentos faltantes, quedando inerte, contudo, o contribuinte. Assim, evidenciase a inexistência do cogitado cerceamento de defesa. Mérito. Conforme consta nos autos, e detalhadamente descrito no relatório mais acima reproduzido, o contribuinte deixou de apresentar as folhas de pagamentos, guias de previdência social com os valores efetivamente recolhidos e GFIP do período representativo do montante utilizado nas compensações; não foram identificados os valores indenizatórios, os segurados ou, se fosse o caso, os agentes políticos e suas remunerações, respectivos termos de posse ou de exercício do cargo. Os documentos apresentados em boa parte referiamse a períodos distintos da ação fiscal. Por outra via, tratavamse de documentos inábeis para a comprovação dos pretensos créditos: fichas financeiras, resumos contendo valores globais das verbas relativas às folhas de pagamento (fls. 67/295), contracheques (fls. 351/1864), planilhas demonstrativas, etc. Ora, consoante bem destacado no aresto recorrido (fls. 3440/3441): Ao contrário do que alega o contribuinte, seria impossível à fiscalização verificar a efetiva existência de sobras de recolhimento, sem que fossem apresentadas as GFIP e as GPS por meio das quais teriam sido declarados e pagos os valores que o sujeito passivo entende como recolhidos indevidamente. Isso porque, nas GFIP há espaço para a indicação precisa, por segurado, dos valores de salário de contribuição e das respectivas contribuições apuradas. Tais informações, conjuntamente com as informações contidas nas folhas de pagamento, permitiriam à fiscalização determinar, se teriam sido efetuados recolhimentos por meio de GPS, antes das compensações, em montantes suficientes para saldar todas as obrigações devidas relativamente às respectivas competências, de modo a sobrarem importâncias que comporiam os montantes, que foram posteriormente declarados pelo contribuinte na GFIP como “extintos” por compensação. (...) Mas não é só isso. Percebese que o sujeito passivo não apresentou as folhas de pagamento contendo todos os segurados, respectivas remunerações, e a totalização das verbas pagas relativas às competências que teriam originado os recolhimentos que seriam indevidos e declarados como créditos utilizados para compensar contribuições em GFIP nas competências em que ocorreu a glosa. (...) Ocorre que, conforme mencionado, sem a apresentação das folhas de pagamento, contendo todos os segurados, respectivas remunerações, e a totalização das verbas pagas, e diante da ausência das notas de empenho que demonstram a efetividade de tais folhas de pagamento, não há como verificar se as contribuições Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.607 13 incidentes sobre todos os salários de contribuição foram recolhidas nas competências em que o contribuinte acredita ter efetuado recolhimentos indevidos, com sobras em seu favor. Ora, a apresentação de contracheques, fichas financeiras/contábeis e demonstrativos elaborados pelo contribuinte, sem o lastro nos documentos referidos que não foram apresentados, não é suficiente para fazer prova de que o impugnante recolheu contribuições com sobra. Nenhum elemento apresentado garante que não tenham sido efetuados pagamentos a segurados, cujos contracheques/recibos individuais de pagamento não tenham sido apresentados à fiscalização ou que os valores indicados nas fichas financeiras/contábeis e demonstrativos correspondam a valores efetivamente empenhados pela municipalidade. Notese que a compensação de contribuições previdenciárias regrada pelo art. 89 da Lei nº 8.212/1991 submetese aos termos dispostos no art. 170 do CTN, norma que disciplina, de uma maneira geral, a compensação na esfera do direito tributário, forma de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) Nessa esteira, cabe ao pretenso credor provar a existência de créditos líquidos e certos a serem compensados, como já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 98.899/SC, DJe de 29/10/1996: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime.(grifei) No particular, resta claro que o autuado não comprovou a existência dos créditos alegadamente detidos, sendo certo que a ele cabia o ônus de fazer a prova de seu direito, consoante insculpido no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil, de sorte que as contribuições previdenciárias indevidamente compensadas foram objeto de lançamento pela fiscalização, e, posteriormente, parceladas no âmbito da Lei nº 12.810/2013, como visto. A controvérsia remanescente, conforme já observado, referese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%, prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Partilho do entendimento de que a falsidade referida na norma supra transcrita, sob um prisma não só jurídico, mas também lógicosistemático, significa a existência de uma conduta dolosa, pois, caso contrário, o simples descompasso entre a realidade tal como posta nos autos e as compensações realizadas pelo interessado já seria suscetível de imputação da multa isolada no elevado percentual de 150%, o que não seria razoável. Para sancionar tal conduta, o art. 89 já prevê, em seu § 9º supra transcrito, a multa de mora. Na espécie, temse que o relatório fiscal circunstanciou adequadamente os fatos, demonstrando ter sido realizada compensação com créditos não comprovados, sob o amparo de decisão judicial ainda não transitada em julgado. Vejase que o contribuinte ingressou em 3/6/2010 (fls. 1979/2015) com a ação declaratória nº 336251.2010.4.01.3901 na 1ª Vara federal de Marabá/PA visando o reconhecimento da não incidência das contribuições previdenciária sobre diversas verbas que considerava indenizatórias. E, não obstante o mandamento contido no art. 170A do CTN É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10218.720129/201115 Acórdão n.º 2402005.007 S2C4T2 Fl. 3.608 15 passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial continuou a realizar compensações com esteio no suposto recolhimento dessas verbas. Mais: mesmo após expressa sentença do juízo, no sentido de que esse direito à compensação só poderia ser exercido respeitado os limites do referido art. 170A (fls. 2016/2021), o contribuinte não retificou as GFIP que traziam as compensações indevidamente realizadas, o que demonstra de maneira inequívoca sua intenção de ocultar do Fisco o conhecimento da não extinção das obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias em apreço. Assim sendo, temse que a compensação lastreada em créditos inexistentes, o desrespeito aos termos da legislação de regência, particularmente ao art. 170A do CTN, e a afronta à determinação judicial no sentido de que o direito à compensação só poderia realizar se após o trânsito em julgado da decisão, reúne um conjunto de elementos robustos o suficiente para evidenciar a falsidade das declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte. De fato, descortinase uma atuação sistemática do autuado com vistas a falsear a realidade dos fatos a todo custo, mesmo que isso implicasse, ao final, o descumprimento de decisão judicial, desde que o objetivo de não recolher as contribuições previdenciárias fosse alcançado. Escorreita, desse modo, a autuação com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. Por fim, cabe esclarecer que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registrese, como remate, que o novel § 4º da Lei nº 12.810/2013, incluído pela Lei nº 13.137/2015, dispõe que A multa isolada de que trata o § 10 do art. 89 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujo fato gerador ocorra até a data estabelecida no caput, poderá ser incluída no parcelamento, sem a aplicação das reduções de que trata o § 2o. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 15586.000026/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 26 /2 01 1- 52 Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Em sessão transcorrida em 22 de outubro de 2013, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802002.120, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.521 3 legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá provimento em parte. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a questão da competência (atribuição) da Turma Especial para julgar questão envolvendo centenas de milhões de reais e, de outro lado, há também contradição, uma vez que o Relator informa que se trata de questão que ultrapassa R$ 890 milhões de reais e, ainda assim, analisou a matéria. (destaque do original) Insurgese ainda a embargante contra a utilização de prova que não consta dos autos, eis que estavam nos autos do processo nº 15586.000089/201117. Nesse sentido, Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 aduz que "[...] a Turma não teve acesso aos documentos relacionados pelo relator do processo, já que todos estão no processo nº 15586.000089/201117". Assim teria havido "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no aludido processo. Nesse sentido, ressalta, ainda, o seguinte: A nulidade poderia ter sido contornada se o pedido de unificação dos processos tivesse sido deferido, o que não ocorreu, apesar da insistência da contribuinte. Diante desta realidade, o acórdão é nulo por ausência de suporte probatório e não unificação deste processo ao de número 15586.000089/201117. Uma violação da ampla defesa e do contraditório. É crucial que tal questão seja analisada pela Turma, já que estes pontos (não unificação dos processos e não disponibilização do processo n. 15586.000089/201117 aos demais Conselheiros) não foram analisados. (grifo nosso) Na sequência, a interessada reafirma a necessidade de unificação dos processos, e aduz que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Para tanto alicerçase no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No item 2.4 de sua petição de embargos a interessada aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". E no item 2.5 diz ter ocorrido omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". A embargante continua sua argumentação ressaltando que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. Igualmente, não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e sobre a contribuição social sobre o lucro líquido. Por todo o exposto, requer que o colegiado se manifeste acerca dos seguintes pontos: a) da incompetência da Turma julgadora para processar e julgar o pleito; b) a "nova" necessidade de unificação dos 36 processos diante do advento da Solução de Consulta COSIT nº 65/2014 e da Lei nº 12.995/2014; c) a nulidade do acórdão pelo uso de documentos apenas presentes nos autos do processo nº 15586.000089/201117; d) a existência de provas favoráveis à recorrente que nem sequer foram citadas no acórdão; Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.522 5 e) a não existência de provas sobre muitas empresas e a presunção de boafé; f) "A LIMITAÇÃO ESPACIAL, TEMPORAL E QUANTITATIVA DOS DEPOIMENTOS E DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO FISCO, já que as provas, apesar de usadas de forma generalizada pela Fiscalização, vinculamse apenas a poucos lugares, a períodos determinados e a valores reduzidos"; g) a necessidade de diligências / produção de provas; h) "a inexistência de provas que vinculem gestores da 'Custodio Forzza' a condutas de máfé a impossibilidade de imputar uma conduta de máfé a pessoa jurídica"; i) "sobre a necessidade de recalcular o IR/CSLL a pagar em razão das glosas dos créditos fiscais de PIS/COFINS ou, pelo menos, sobre a suspensão da prescrição do direito de pedir a restituição do IRPJ e CSLL recolhidos sobre os créditos glosados, visto que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologar os créditos glosados. Registrase que os tributos compensado e cobrados nestes autos são, exatamente o IRPJ e CSLL compensados, cujos créditos compõem a base de cálculo de ambos". Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, relator originário do processo, em obediência ao disposto nos parágrafos 5º e 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 10/08/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 2487. Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 17/08/2015, uma segundafeira. Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. A primeira argumentação suscitada pela embargante diz respeito a suposta omissão concernente à competência (atribuição) da Turma Especial para julgar o pleito, o qual, segundo alega, ultrapassaria os 890 milhões de reais. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Tal argumento, com efeito, não merece prosperar, eis que, conforme ressaltado no relatório objeto da decisão vergastada, "a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do segundo trimestre de 2008 (valor pleiteado: R$ 679.275,46)" (grifei). Diferentemente do que afirma a embargante, o mencionado valor de R$ 890 milhões de reais não se relaciona a crédito tributário lançado ou a direito creditório glosado, mas sim ao total das notas fiscais levantadas pela fiscalização em nome de empresas de fachada, conforme seguinte trecho extraído da decisão guerreada: Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. (grifouse) Assim, o colegiado julgador – Turma Especial – em nada ofendeu ao disposto no artigo 2o, § 2o, da então vigente Portaria MF no 256, de 22/06/2009, segundo o qual "a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância". Tal limite, a teor do disposto na Portaria MF no 3, de 03/01/2008, é de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Logo, concluise que a Turma julgadora decidiu em processo cujo valor em litígio encontrase dentro de limite estabelecido para Turma Especial. Efetivamente, a questão da incompetência de Turma Especial para o julgamento do feito não foi aduzida pela interessada em seu recurso voluntário. Esta, em homenagem aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da economia processual, dentre outros, defendeu apenas a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa, o que fez com fundamento no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Tal questão foi sim enfrentada pelo colegiado julgador, conforme seguinte trecho do voto que alicerçou sua decisão: Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.523 7 decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal2. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. [...] Vêse, pois, que o colegiado julgador, de forma fundamentada, afastou a arguída nulidade da decisão de primeira instância pela negativa de juntada dos 36 processos em nome da interessada. Na oportunidade, foi abordada a inexistência de prejuízo para sua defesa, já que "os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade". Isso vale para o alegado "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no processo nº 15586.000089/201117, processo este onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. Fato é que foram efetivamente analisados todos os argumentos aduzidos pela suplicante concernente a suposto prejuízo ao seu direito defesa, razão pela qual não há que se falar em suposta omissão na decisão vergastada no que concerne a essa questão. A embargante assevera que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Ora, a própria data de expedição dos atos normativos retrocitados, ambos do ano de 2014, revela que a argumentação não merece ser acatada em sede de 2 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.524 9 embargos de declaração, eis que a decisão guerreada foi proferida anteriormente, em 22/10/2013. Logo, não se pode admitir tal argumentação em sede de embargos de declaração, eis que os mesmos são modalidade recursal destinada a sanear acórdão eivado de "[...] obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" (conf. caput do artigo 65 do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). Com efeito, não se pode alegar omissão ou contradição em relação a argumento fundado em atos normativos que nem sequer existiam à época em que fora proclamada a decisão contestada. Embargos de declaração não são via de rediscussão de direito. A embargante também aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". No item 2.5 relata haver omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". Não obstante, a leitura do extenso voto condutor da decisão embargada revela que o conjunto probatório foi detalhadamente examinado, tendo o colegiado julgador entendido haver razões suficientes para fundamentar sua decisão no sentido da caracterização do ilícito tributário. Vale ressaltar que na decisão em tela foi examinada e rechaçada suposta nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter apreciado alguns argumentos do sujeito passivo, conforme trecho do voto que alicerçou a decisão embargada, que ora transcrevo: A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/0099087 0) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Como se vê, permanece a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, pressupostos sem os quais não há como acolher os embargos de declaração da reclamante. A embargante ressalta também que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. De fato, consta do relatório objeto da decisão recorrida que a suplicante requereu diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Não obstante, essas questões foram devidamente apreciadas na decisão embargada, como comprova o seguinte trecho de seu correspondente voto condutor: A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.525 11 autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. (grifouse) Também assevera a embargante que não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido. De fato, o colegiado recorrido não conheceu do argumento em tela, eis que o mesmo não integra o litígio, restrito à apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Assim, a Turma recorrida acolheu o voto que, nessa parte, não conheceu do recurso, conforme trecho abaixo transcrito: Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/04/2013 (fls. 199). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 202/277 foi apresentado em 28/05/2013, tempestivamente, portanto. Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Diante de tudo o que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 10 de dezembro de 2015. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724003/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 574.975-PR (sob a sistemática do art. 543-B do CPC).
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antônio Alkmim Teixeira..
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 10580.005996/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS.
É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 59 96 /2 00 8- 85 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.005996/200885 Acórdão n.º 2302003.709 S2C3T2 Fl. 756 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 140 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratam os autos de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório nº 0719/2011 – emitido pelo Núcleo de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador em 12/07/2011, que indeferiu o Requerimento de Restituição da Retenção – RRR, decorrente de retenção de onze por cento sobre o valor bruto da notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em valor superior ao montante das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em epígrafe nas competências julho de 2005 a dezembro de 2007. Em 15/06/2011, o pelo SEORT da DRF de Salvador emitiu o Despacho nº nº 509/2011, fls 113, intimando a empresa a apresentar os seguintes documentos e informações: * Livro Registro de empregados. * Livro Diário devidamente registrado no órgão competente. * Folha de pagamento em meio digital . * Contabilidade em meio digital. * Talonário de Notas Fiscais (originais). * Última alteração contratual. * Nova Procuração. * Contratos de prestação de serviços relacionados às Notas Fiscais relacionadas em planilha constante do Termo de Intimação. * Esclarecimentos acerca das divergências encontradas entre o faturamento informado no processo, os rendimentos tributáveis declarados pela empresa tomadora dos serviços prestados e a receita bruta declarada pela empresa prestadora, conforme Notas fiscais relacionadas no termo. Embora tenha sido cientificado da intimação por via postal em 20/06/2011, o contribuinte não compareceu para apresentar os documentos e os esclarecimentos solicitados. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Em 12/07/2011, foi emitido o Despacho Decisório nº 0719/2011 pelo Núcleo de Reembolso e Restituição Previdenciária, fls. 125/127, indeferindo o pedido de restituição em face da não apresentação dos documentos e esclarecimentos necessários ao reconhecimento do direito creditório que o contribuinte alega possuir. O Contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 22/07/2011, por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 128. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/06/2011, na qual alega, em síntese, o que se segue: Requer a concessão de um novo prazo para a apresentação dos documentos solicitados na intimação cujo prazo expirou em 11/07/2011. A perda do prazo ocorreu pois os sócios da empresa encontramse residindo em outro estado e a pessoa que recebeu a intimação em Salvador não tinha poderes para a resolução destas questões (...) (destaques nossos) A DRJ, como afirmado anteriormente, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em razão da não apresentação da documentação solicitada na impugnação. A recorrente foi intimada da decisão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 145 e seguintes, no qual solicita que sejam verificados os documentos anexos, que a empresa depende desses valores para sua manutenção e que todos os PER/DCOMP foram enviados e atualizados. É o relatório. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.005996/200885 Acórdão n.º 2302003.709 S2C3T2 Fl. 757 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi O recurso resumese à solicitação de que sejam verificados os documentos anexos; à alegação de que a empresa depende desses valores para sua manutenção; e à assertiva de que todos os PER/DCOMP foram enviados e atualizados. É verdade que a recorrente apresenta nova documentação, mas o fez sem motivar a não apresentação em momento processual anterior. Noto que a recorrente não apresentou a documentação pertinente: (i) nem por ocasião no requerimento de restituição; (ii) nem após ser formalmente intimada; e (iii) nem no prazo para apresentação de manifestação de inconformidade; Ou seja, a recorrente optou por trazer alguma inovação agora, na instância recursal. A inação da recorrente não encontrase justificada na peça recursal e, assim, não houve o enquadramento em qualquer exceção legal que permitisse a apresentação de provas a destempo. Como à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza (artigo 5°, II, da CF), não compete ao Auditor Fiscal que preside o procedimento fiscal ou à autoridade julgadora dilatar prazos legais se ausente exceção normativa que autorize a prática a destempo, como as situações previstas nos §§ 4° a 6° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (força maior, fato ou direito superveniente e contraposição de fatos ou razões posteriores). Nesse sentido, a mera juntada de documentos na fase recursal não é suficiente para reabrir a fase processual probatória. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 759DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13894.001162/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
DISCUSSÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL E TEMPESTIVO. AFASTAMENTO DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS.
Restando comprovado que os depósitos judiciais foram efetuados de forma integral e tempestiva, descabe a cobrança de multa e juros.
Numero da decisão: 1201-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 05/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (vice-presidente) Luis Fabiano Alves Penteado e, Ester Marques Lins de Sousa
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 05/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (vice-presidente) Luis Fabiano Alves Penteado e, Ester Marques Lins de Sousa
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DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL E TEMPESTIVO. AFASTAMENTO DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS. Restando comprovado que os depósitos judiciais foram efetuados de forma integral e tempestiva, descabe a cobrança de multa e juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 05/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 11 62 /2 00 3- 41 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (vice presidente) Luis Fabiano Alves Penteado e, Ester Marques Lins de Sousa Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico que tem origem em razão do processamento da DCTF relativa ao anocalendário 1998, lavrado em 18/06/2003. Exigiuse crédito tributário no valor total de R$ 1.078.319,10, discriminado em contribuição, multa vinculada e juros de mora calculados até 30/06/2003. A referida infração decorre do argumento da não localização do pagamento vinculado a débitos de CSLL, conforme constas às fls. 08. Após ciência por meio de via postal, em 11/07/2003 (AR de fls. 164), a ora recorrente apresentou impugnação em 08/08/2003, fls. 01/04, acompanhada de documentos de fls. 05/64, alegando, em síntese que, os valores exigíveis pela fiscalização foram devidamente depositados em juízo, tendo em vista a ação judicial, confirase: "Todos os valores apontados encontramse devidamente depositados em juízo, em razão da Ação Judicial n°1997.38.00.0403119, conforme restará demonstrado a seguir. Relativamente aos períodos de apuração de 2/98; 04/98; 05/98; 7/98; 8/98; 10/98 e 11/98, os respectivos valores foram depositados integralmente, conforme comprovam as guias de depósitos em anexo (docs. 04 a 10). Quanto ao período de apuração de 1/98, foi depositado o valor total autuado, porém em guias distintas, conforme demonstram as guias de depósitos em anexo (docs. 11 —R$25.043,99 a 12R$12.686,58). Por fim, o valor relativo ao período de apuração 12/98 foi inclusive depositado em valor superior ao considerado pela autuação, conforme guia de depositado (sic) judicial em anexo (doc. 13)." Em seguida, tendo em vista o recebimento de Termo de Comunicação de Revisão do Lançamento e Cobrança, em 29/05/2006, a recorrente manifestouse nos autos (fls. 74), informando a apresentação de impugnação e pedindo a suspensão do crédito tributário, demonstrado por meio de documentos de fls. 75/91. O processo foi instruído com documentos de fls. 95/153. E, as fls. 161/163, consta o seguinte despacho da autoridade preparadora: "O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 1997.38.00.0403119, perante a 17° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, Belo Horizonte, objetivando se eximir do recolhimento da Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°84/96 e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido instituída pela Lei n° 7.689/88 (vide folhas 20 a 40); Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13894.001162/200341 Acórdão n.º 1201001.230 S1C2T1 Fl. 3 3 A Liminar foi indeferida e a segurança denegada (Sentença em 11/06/1999, vide folhas 96 a 99); A apelação do contribuinte foi recebida no efeito devolutivo e também homologada a desistência do recurso em relação a Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°84/96 (vide folha 103); Agravo de Instrumento no 2000.01.00.0231518/MG autorizou o levantamento dos valores depositados na conta n°2173716, referente a Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n° 84/96 (vide folhas 135 a 143). Os depósitos relativos a CSLL, efetivados até 30/11/1998, continuam na conta n° 2174232 (vide extrato da CEF emitido em 11/03/2008 de folhas 147 a 153); Pesquisa "online" ao site do E.TRF1° Regido verificase que não há nenhuma decisão acerca da Apelação em Mandado de Segurança interposta pelo contribuinte (vide folhas 144 a 146); O interessado apresentou impugnação tempestiva alegando em síntese que: a. Efetuou depósitos judiciais, relativos aos períodos de apuração de fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 1998; b. Quanto ao período de janeiro de 1998, efetuou dois depósitos (R$ 25.043,99 e R$ 12.686,58); e c. O período de dezembro de 1998 foi depositado a maior. Os depósitos do item "a" foram encontrados no extrato da CEF, exceção do período de novembro de 1998 que foi encontrado no SINAL08; O depósito de R$ 25.043,99 foi efetuado na conta n° 2173716 onde eram depositados os valores discutidos relativos à Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n° 84/96, depósitos estes que já foram levantados pelo contribuinte (vide guia de depósito de folha 47 e alvará de levantamento de folhas 129 a 131); O depósito de R$ 12.686,58, relativo ao débito de janeiro de 1998, mostrase insuficiente (vide relatório SICALC de folhas 155 a 157). Mesmo considerando o depósito efetuado na conta errada e já levantado pelo contribuinte, ele também se mostra insuficiente (vide relatório SICALC de folhas 158 a 160); Planilha abaixo consta o resumo dos débitos declarados nas DCTFs e controlados através dos processos administrativos. [planilha]." Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 As fls. 169, houve a revisão do lançamento, sem qualquer resultado, conforme 110 demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 166/168. A 4a Turma da DRJ em Campinas, julgou parcialmente procedente o referido recurso no sentido de reconhecer a tempestividade da impugnação e cancelar a multa vinculada aplicada sobre a CSLL dos períodos questionados, sem prejuízo da multa de mora, fls. 230 a 240, nos seguintes termos: “ESTIMATIVAS.NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Já, outros aspectos do lançamento, não submetidos à esfera judicial, são passíveis de apreciação na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Lançamento Procedente em Parte.” Sendo assim, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls 249 a 254, juntando documentos que reiteram as alegações já demonstradas. Alega ainda, não incidir os encargos moratórios mencionados da referida decisão, tendo em vista que os depósitos judiciais forem efetuados no prazo legal. A 2ª Câmara/ 2ª Turma ordinária converteu o julgamento do recurso em diligência, retornando o processo ao órgão de origem para: a. com base no Quadro anexo ao acórdão nº 0522.165 da DRJ/Campinas, fls. 240 do eprocesso, e, confrontando com a planilha e cópias dos depósitos judiciais juntados com o recurso voluntário, fls. 289 e seguintes do eprocesso, emitir despacho conclusivo a respeito da tempestividade de cada parcela estimativas mensais da CSLL depositada judicialmente (mandado de segurança nº 1997,38.00.0403119), do ano de 1998; b. cientificar o contribuinte do despacho do item anterior, para manifestação, querendo no prazo de 30 dias; c. após, retorno a esta CARF; d. na sequencia , a Secretaria desta 2ª Camara deverá proceder a PGFN do resultado da diligência proposta; e. após o transcurso do prazo regimental de ciência da PGFN, retornem os autos para julgamento do recurso voluntário. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13894.001162/200341 Acórdão n.º 1201001.230 S1C2T1 Fl. 4 5 A referida diligência foi devidamente cumprida, conforme fls. 338/339. Em 19/12/14, a recorrente protocolizou manifestação relativa ao despacho de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, deve ser apreciado. Conforme já exposto, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que, em síntese, fosse confirmado os depósitos judiciais que comprovariam a suspensão da exigibilidade dos créditos nos períodos de apuração de 01/98, 02/98, 04/98, 05/98, 07/98, 08/98, 10/98, 11/98 e 12/98, em razão da não localização destes pagamentos, motivo pelo qual fora fundamentado ao auto de infração. De acordo com diligência realizada, os depósitos judiciais foram todos integralmente realizados tempestivamente, o que demonstra de forma clara que os valores estão devidamente localizados e correspondem ao valor devido à época. Entretanto, no que se refere ao mês de 01/98, entendeu a análise da diligência que, a recorrente realizou 2 depósitos em períodos distintos, mas que estes não seriam suficientes para comprovar a totalidade do valor depositado naquele período de apuração. Lê se ali: “Destaca que para o período de 01/98 foram realizados 2 depósitos: R$ 25.043,99 (em 27/02/98) e R$ 12.686,58 (em 31/03/98). Uma vez comprovada a existência dos depósitos judiciais, o Acórdão nº 05 22.165 da DRJ/Campinas (fls. 230 241) julgou procedente em parte a impugnação exonerando a multa de ofício, mas mantendo a multa de mora para os débitos de CSLL pagos fora do prazo legal. Em 19/09/2008, foi apresentado recurso voluntário, no qual o contribuinte alega que o depósito realizado em 31/03/98 no valor de R$ 12.686,58, referente ao período de 01/98, foi feito com os encargos moratórios computados. Entretanto, de acordo com os cálculos do Sicalc de fls. 160162, os depósitos referentes a 01/98 são insuficientes para quitar o débito do período, uma vez que o depósito de 31/03/98, no valor de R$12.686,58, foi realizado fora do prazo de vencimento do tributo e sem os respectivos acréscimos legais. Tal fato foi objeto de análise no despacho de fls. 163165.” Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 6 Não obstante, alega a recorrente que, em 31/03/98, efetuou o depósito judicial de R$12.686,58 e o no montante de R$25.043,99, ambos referentes ao período de 01/98. De fato, nos termos o quadro descrito às fls. 339, o mês de 01/98, a totalidade do valor devido era de R$37.730,57, do mesmo modo que consta na DCTF apresentada aos documentos. Pois bem. O auto de infração foi lavrado tendo em vista que não foram localizados os depósitos judiciais efetuados pela recorrente. Após diligência, foram confirmados os devidos valores, bem como a o depósito. No que se refere ao período de apuração de janeiro de 1998, conforme consta às fls. 47 e 48, as guias de deposito judiciais relacionam ao mesmo período, bem como ao mesmo processo e código. Sendo assim, resta claro que o valor devido de R$37.730,57 foi objeto de dois depósitos distintos, sendo um deles (R$12.686,58) realizado em 31/03/98. Sendo assim, em complemento ao apresentado na diligência que reconheceu que houve deposito judicial e estes foram realizados tempestivamente, resta confirmado depósito integral relativo ao mês de 01/1998, afastandose, portanto, o entendimento de deposito insuficiente para este período. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso apresentado para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003821/2002-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1989 a 31/05/1994
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, diante de situações análogas, tenha dado interpretação diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas que exigem conclusões distintas.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1989 a 31/05/1994 Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, diante de situações análogas, tenha dado interpretação diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas que exigem conclusões distintas. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 38 21 /2 00 2- 25 Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.163 2 Tratase de recurso especial de divergência, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão da terceira câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes. Com esse recurso, a recorrente busca a reforma do Acórdão nº 20310,727, cuja ementa se transcreve a seguir, na fração que interessa ao presente julgamento: CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Transitada em julgado decisão judicial que determina sejam aplicados ao indébito tributário os índices oficiais, não se admite, na esfera administrativa, percentuais diferentes daqueles. DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. RESPEITO À COISA JULGADA. Existindo decisão judicial definindo a controvérsia mantida entre as partes, inexorável a observância de seus termos. Recurso negado. Inconformada, a autuada interpôs embargos de declaração, sob o argumento de o acórdão embargado padecer de vício de omissão no julgado, por não levar em conta o julgamento da Apelação Cível n° 98.03.0873415/SP. Informa que o Colegiado, equivocadamente, considerou que a decisão transitada em julgado seria a sentença prolatada na Ação Ordinária nº 94.00225644 (número na origem), quando na realidade foi o acórdão da Apelação. No mais, defende, em síntese, que em função do acórdão que transitou em julgado na referida Ação Ordinária a correção monetária do indébito do PIS deve contemplar os expurgos inflacionários ocorridos nos meses de março, abril e maio de 1990 (IPC de 84,32%, 44,80% e 7,87%) e deve ser utilizada a UFIR mensal (no lugar da UFIR diária,considerada nos cálculos realizados pela autoridade tributária administrativa). Requer, ao final, sejam acolhidos os Embargos e reformado o Acórdão, para que sejam computados os três índices do IPC mencionados e a UFIR mensal. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. A turma embargada acolheu parcialmente os embargos para complementar e rerratificar o acórdão, nos termos da ementa que se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1989 a 31/05/1994 Ementa:EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada omissão no acórdão, por deixar de considerar julgamento da segunda instância em ação judicial impetrada pelo contribuinte, são admitidos os embargos de declaração para que haja a complementação. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.164 3 Para fundamentar essa decisão, o relator asseverou que: o voto vencedor referese expressamente à sentença proferida na Ação Ordinária n° 94.00225644, mas não considera a Apelação Cível n° 98.03.0873415/SP, cabe admitir os Embargos e acolhêlo parcialmente, apenas para suprir a omissão. Descabe a reforma pretendida pelo Embargante porque, data venia, o acórdão da Apelação, que transitou em julgado, não autoriza sejam aplicados os expurgos inflacionários almejados, tampouco a UFIR mensal. Nos Embargos, o contribuinte afirma que o TRF da 3ª Região "... reconheceu expressamente que deveria ser aplicado o IPC/INPC na constatação do valor a ser compensado pela ora Embargante, evidenciado pela menção, em seu corpo, (i) de julgados determinando a inclusão dos índices expurgados, (ii) do afastamento da Instrução Normativa n.° 67/92 e, até mesmo, (iii) da continuidade temporal entre tais índices." (fl. 837, item 25). Todavia, uma análise atenta do julgamento pelo TRF demonstra que o IPC não foi autorizado. O Tribunal negou provimento à apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional e deu provimento à remessa oficial, produzindo ementa que trata da correção monetária nos itens 4 a 7, que transcrevo, verbis: 4. Cuidandose de compensação de tributos efetivada nos termos do que dispõe o art. 66 da Lei n" 8.383/91, as parcelas a serem compensadas deverão ser atualizadas monetariamente desde a data em que houve o indevido recolhimento (Súmula n° 162 do STJ) 5. A teor do que ficou decidido nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4930/DF, descabe a utilização da Taxa Referencial (TR) com índice de correção monetária (...) 6. A correção monetária deve ser efetivada com a aplicação do índices do INPC, nos termos preconizados pelo art. 4° da Lei n° 8.383/91; 7. A partir de 1° da janeiro de 1.992, a correção monetária deverá atender os critérios preconizados pelo parágrafo 3° do art. 66 da Lei n"8.383/91. Ainda segundo o relator dos embargos: Nos fundamentos e na parte dispositiva, o acórdão do TRF cuida da correção monetária sem determinar a aplicação dos três índices do IPC defendidos pela ora Embargante (84,32%, 44,80% e 7,87%, referentes, respectivamente, aos meses de março, abril e maio de 1990). Tampouco há determinação no sentido de emprego da UFIR mensal (em substituição à UFIR diária, esta empregada no despacho decisório contestado). Regularmente intimada desse acórdão, a contribuinte apresentou recurso especial a este colegiado, repisando os argumentos expendidos nos recursos anteriormente Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.165 4 apresentados, e, em síntese requerendo a aplicação dos expurgos inflacionários ao crédito que entende serlhe devido. Para demonstrar o dissídio jurisprudencial, traz à colação os acórdãos 107 06,113 e CSRF/0201,713, juntados às fls. 1.129/1.146, cujas ementas transcrevese linhas abaixo. Acórdão nº 10706.113 COMPENSAÇÃO — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — Não pode ser considerada cumprida decisão judicial que determina a correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 pelos índices do IPC, quando utilizada a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Essa norma não contempla os índices já pacificados pela jurisprudência que são: mar/90 84,32%, abr/90 44,80% e mai/90 7,87%. COMPENSAÇÃO — JUROS — TAXA SELIC — Os juros calculados com base na Taxa SELIC incidem, a partir de 01.01.96, sobre créditos decorrentes de pagamentos a maior que o devido, nos termos do art. 39, parágrafo 4º, da Lei n° 9.250/95.” Acórdão CSRF/02‑ 01.713 CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCÍPIO DA MORALIDADE — CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — STJ — 1990 — IPC — PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Recurso provido O presidente da Câmara recorrida, após registrar que havia forte dúvida acerca da existência do dissídio jurisprudencial, nesse juízo de prelibação, onde os requisitos de admissibilidade são examinados de forma perfunctória, deu seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho de efls. 1.148/1.149. Contrarrazões apresentadas pela PGFN vieram às fls. 1.151 a 1.158, defendendo a inadmissibilidade do recurso especial do sujeito passivo por não satisfazer o requisito relativo `a divergência jurisprudencial, e, sucessivamente, o improvimento desse apelo. É o Relatório. Voto Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.166 5 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Antes de passar à análise das matérias recursais, julgo relevante revisitar o exame de admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que exigem conclusões distintas. A meu sentir esta é justamente a situação dos autos, em que os acórdãos recorridos e paradigmas retratam situações diferenciadas, no recorrido, o fundamento para se negar o aplicação dos expurgos pretendidos pela recorrente foi, no entender do colegiado, existir decisão judicial dispondo de modo diverso, isto é fixando outros índice, mais precisamente, o os mesmos índices adotados pela Receita Federal, já no primeiro paradigma, os expurgos foram concedidos, por se entender que a decisão judicial determinava que assim fosse feito. Aqui, não vejo como se afigurar o dissenso, pois o comando dos dois acórdão, recorrido e paradigma, são no mesmo sentido, no primeiro, asseverouse que não se poderia conceder os expurgos porque a decisão judicial teria fixado índice próprio, os mesmos utilizados pela Receita Federal para corrigir seus créditos. Aliás, esse foi um dos pedidos da recorrente na inicial da ação judicial, sob o fundamento de que, caso contrário, haveria enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, e o Juiz, atende a esse pedido, determinou que o indébito fosse corrigido pelo mesmo índice aplicado pelo Fisco para corrigir seus créditos. A seu turno, no acórdão paradigma, consignouse, expressamente, que os expurgos inflacionários deveriam incidir sobre o indébito, por força da determinação judicial. Para que não paire dúvida, transcrevese excertos dos votos recorridos e paradigmas: Acórdão recorrido: (...) Entendo que nesta esfera administrativa não se pode admitir os índices pretendidos pela recorrente, já que a questão foi decidida pelo Judiciário, nos termos do provimento de primeiro grau que transitou em julgado, (fl. 319): A correção monetária dos valores a serem compensados, prevista expressamente no artigo 66 §3° da Lei n° 8.383/91, será feita pelos índices oficiais adotados pela Receita Federal na correção monetária de seus créditos — OTN BTN — BTNF UFIR, conforme, Lei n" 7.730/89, Lei n" 7.801/89, Lei n" 8.177/91, Lei nº 8.393/91 e Lei 9.065/95 (...)." Ora, os índices adotados pela Secretaria da Receita Federal são os previstos na Norma de Execução COSIT/COSAR n° 08/97, até 31/12/91, seguidos da UFIR diária no período de 01/01/92 a 31/12/95 e juros Selic desde 01/01/96. Embora certo que o Judiciário tem aplicado outros índices, reconhecendo o direito aos chamados expurgos inflacionários, no caso em tela a decisão judicial é clara, ao determinar a Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.167 6 utilização dos "índices oficiais adotados pela Receita Federal na correção monetária de seus créditos." À vista da decisão judicial neste caso concreto, descabe reexaminar nesta seara administrativa os percentuais da correção monetária, que não podem ser outros senão os definidos na sentença que transitou em julgado. Esse acórdão foi embargado, mas o colegiado, ao julgar os declaratórios reafirmou que a sentença judicial não autorizara a aplicação dos expurgos sobre a repetição do indébito, conforme se pode ver do excerto abaixo: Descabe a reforma pretendida pelo Embargante porque, data venia, o acórdão da Apelação, que transitou em julgado, não autoriza sejam aplicados os expurgos inflacionários almejados, tampouco a UFIR mensal. 1º paradigma: acórdão nº 10706.113 A sentença, acolhendo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, determina a aplicação do IPC como índice de correção monetária dos meses de janeiro (42,72%), fevereiro (10,14%), março, abril e maio de 1990. O IPC calculado pelo IBGE para aqueles meses, de fato: é o utilizado pela recorrente: ................................................................................................. Por todo o exposto e ressaltando que este colegiado nada mais está fazendo do que aplicar, ipsis litteris, a ordem emanada do Poder Judiciário, de resto acolhida em vários julgados desta casa, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, garantindo a atualização pelos índices expurgados solicitados pela Recorrente. O confronto do acórdão recorrido com esse paradigma, não deixam margem à dúvida de que, no primeiro, o fundamento para se negar o expurgo foi o comando da ordem judicial, e, no segundo, o fundamento para se conceder os expurgos, também foi o comando da ordem judicial. Nessa ordem das coisas, é cristalino o entendimento que não há divergência entre os acórdãos confrontados, em ambos, a questão dos expurgos foi decidido de acordo com a ordem emanada do Poder Judiciário. Na realidade, o dissenso está nas decisões judiciais, e não nas administrativas que tãosomente deram cumprimento às sentenças, nos exatos termos de seus comandos. No tocante ao segundo paradigma colacionado pela recorrente, com mais razão ainda, não comprova a divergência jurisprudencial, pois sequer aborda a questão judicial, cerne do litígio ora em discussão, vejamos: 2º paradigma: Acórdão CSRF/02‑ 01.713 Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.168 7 CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCÍPIO DA MORALIDADE — CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — STJ — 1990 — IPC — PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Recurso provido Ora, nesse segundo acórdão, não se traz a discussão do cumprimento de decisão judicial, cerne do debate travado no acórdão recorrido. Tratandose, pois, de situação distinta, o que, de per si, afasta qualquer possibilidade de formação do dissenso jurisprudencial. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2015 Henrique Pinheiro Torres Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 10768.011773/2002-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancela-se a exigência fiscal correspondente.
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2301-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1997 IRRF. RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancela-se a exigência fiscal correspondente. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
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RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancelase a exigência fiscal correspondente. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 17 73 /2 00 2- 73 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1244.419, exarado pela 2ª Turma da DRJ neo Rio de Janeiro (fls. 213 a 225, numeração dos autos eletrônicos). Pelo auto de infração (fls. 98 a 120), lavrado em 09/05/2002, foi exigido Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$35.897,41, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, além de multa paga a menor no valor de R$185,57 e juros a menor de R$38,95. A autuação decorreu da auditoria interna na DCTF dos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997, na qual se constatou: (a) falta de recolhimento de IRRF: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Débito declarado (DCTF) Darfs não localizados 1 0561 0507/1997 06/08/1997 38.980,83 1.676,08 2 0561 0208/1997 13/08/1997 3.394,87 1.509,37 3 0561 0408/1997 27/08/1997 350,47 152,00 4 0561 0508/1997 03/09/1997 34.587,78 13.632,99 5 0561 0209/1997 17/09/1997 129,29 129,29 6 0561 0409/1997 01/10/1997 1.922,04 1.922,04 7 0561 0509/1997 08/10/1997 48.073,71 1.951,74 8 0588 0509/1997 08/10/1997 2.275,00 2.275,00 9 1708 0509/1997 08/10/1997 385,45 361,00 10 8045 0307/1997 23/07/1997 1.542,97 19,26 11 8045 0509/1997 08/10/1997 74,74 74,74 12 0561 0510/1997 05/11/1997 42.654,31 90,96 13 0561 0511/1997 03/12/1997 39.199,16 319,92 14 0561 0312/1997 24/12/1997 33.752,66 10,28 15 1708 0112/1997 10/12/1997 2.873,65 2.380,35 16 0561 0512/1997 07/01/1998 42.858,08 3.669,65 17 0588 0412/1997 02/01/1998 3.106,67 246,67 18 1708 0410/1997 29/10/1997 255,75 12,07 19 1708 0512/1997 07/01/1998 761,69 611,06 20 8045 0510/1997 05/11/1997 1.045,03 53,92 21 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 241,72 22 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 23 8045 0412/1997 02/01/1998 778,79 322,99 24 8045 0512/1997 07/01/1998 1.917,37 336,12 (b) recolhimento após o prazo, com insuficiência dos encargos moratórios de IRRF, código de receita 8045: Período apuração Data vcnto Data pagto IRRF Multa mora devida Multa mora recolhida Multa mora a pagar Juros mora devidos Juros recolhi dos Juros a pagar 0311/97 19/11/97 03/12/97 1.049,92 186,85 1,28 185,57 39,06 0,11 38,95 Na impugnação (fls. 03 a 23) foi alegado que: 1. cópias dos correspondentes Darfs comprovam os recolhimentos dos tributos exigidos (relativamente a dois recolhimentos, requereu a juntada posterior dos respectivos Darfs); Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 290 3 2. caso não tivesse realizado os recolhimentos, seria indevido o lançamento de multa de ofício; 3. na hipótese de tributo declarado em DCTF, modalidade de confissão de dívida, não há falar em penalidade de ofício; 4. é incabível a aplicação de taxa de juros SELIC; 5. não houve recolhimento em atraso do IRRF código 8045 (sobre comissões e corretagens), apenas erro de fato no preenchimento da DCTF, na qual constou, erroneamente, o período de apuração imediatamente anterior ao real período de apuração, o que é comprovado pela comparação entre a DCTF e os recibos emitidos pelos beneficiários dos pagamentos por si realizados; 6. os tributos foram pagos integralmente, ainda que fora dos prazos de vencimento, enquadrandose no instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) conforme jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes, ac. 1086.160, de 2000); 7. os critérios de cálculo da multa de ofício isolada imputada ao interessado carecem de fundamento tanto legal quanto constitucional, existindo violação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996 e ao art. 113, § 1°, do CTN; 8. créditos tributários declarados em DCTF e não recolhidos não devem ser objeto de lançamento de ofício, devendo ser encaminhados diretamente para cobrança executiva, sendo essa a orientação da Norma Conjunta COSIT/COSAR/COFIS 535, de 23/12/1997; autos de infração contrários a referida norma vêm sendo afastados pelo Conselho de Contribuintes e pelos Tribunais Superiores; 9. sobre quantias declaradas e não recolhidas cabem unicamente a cobrança de multa moratória e juros de mora, nos termos do disposto no art. 13 da Lei 9.065, de 1995 e legislação de multa de mora; 10. o inciso IV, do art. 44, da Lei 9.430, de 1996, que autorizava o lançamento da multa de ofício para tributo lançado mas não pago, foi revogado pelo art. 7° da Lei 9.716, de 1998. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I efetuou a revisão de ofício (fl. 157), o que resultou na manutenção parcial da exigência (fls. 128 a 156), conforme os seguintes demonstrativos: (a) falta de recolhimento de IRRF: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor lançado Valor após revisão de ofício 1 0561 0507/1997 06/08/1997 1.676,08 61,68 2 0561 0508/1997 03/09/1997 13.632,99 343,90 3 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 4 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 90,96 5 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 6 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 3.669,65 7 1708 0512/1997 07/01/1998 611,06 38,87 8 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 241,72 9 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 (b) recolhimento após o prazo, com insuficiência dos encargos moratórios de IRRF, código de receita 8045: Período apuração Data vcnto Data pagto IRRF Multa mora devida Multa mora recolhida Multa mora a pagar Juros mora devidos Juros recolhi dos Juros a pagar 0311/97 19/11/97 03/12/97 1.049,92 186,85 1,28 185,57 39,06 0,11 38,95 Cientificada da revisão de lançamento em 29/08/2011, a contribuinte aditou a impugnação (fls. 165 a 186), alegando, em síntese: 1. a nulidade da revisão de lançamento, por não esclarecer os argumentos que condicionaram a autoridade fiscal a julgar em parte procedente o lançamento; 2. a não localização dos Darf não é suficiente para presumir que não foram realizados os devidos recolhimentos; 3. as datas dos efetivos pagamentos de comissões e corretagens (código 8045) demonstradas nos recibos emitidos pelos beneficiários dos pagamentos realizados pelo interessado pertencem à semana posterior da informada na DCTF para a retenção de fonte pertinente; 4. erro cometido quando do cumprimento de obrigação acessória não pode macular o seu direito; 5. impossibilidade de aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor do principal pago; 6. ser a multa aplicada confiscatória, irrazoável e desproporcional, até mesmo em relação aos acréscimos moratórios apurados. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, para (a) considerar devido o IRRF no valor de R$10.616,63, acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios e (b) Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 291 5 cancelar a exigência da multa de mora isolada (R$185,57) e juros de mora isolados (R$38,95). O acórdão da DRJ recebeu as seguintes ementas: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. É de se manter a exigência fiscal, uma vez não confirmada a existência de pagamento vinculado a débito declarado em DCTF. ACRÉSCIMOS LEGAIS. SUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Ante a comprovação de erro no preenchimento da DCTF e do recolhimento de imposto no prazo legal, ou com o devido encargos moratórios, rejeitase o lançamento de multa e juros de mora. A ciência dessa decisão ocorreu em 18/06/2012 (aviso de recebimento EBCT, fl. 279). Em 18/07/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 255 a 265), afirmandose, em síntese: (a) a decadência do direito de realizar a revisão de ofício; (b) o recolhimento, ainda que parcial, do IRRF, códigos 0561, 0588 e 1708, tendo ocorrido erro de preenchimento da DCTF; (c) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, em face da aplicação retroativa do art. 18 da Lei 10833, de 2003. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, cancelando a exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior QUESTÃO PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA DE EFETIVAR A REVISÃO DE OFÍCIO A recorrente alegou que foi certificada do auto de infração em 11/06/2002, que exige créditos tributário de 1997. Em 24/08/2011, foi realizada a revisão do lançamento, ou seja, oito anos depois do auto de infração e quase catorze anos da ocorrência do fato gerador. Assevera ter ocorrido a decadência do poderdever de efetivar a revisão de ofício. Penso não lhe assistir razão. A consequência que a contribuinte quer extrair da alegada decadência – a extinção do crédito tributário – é inviável, uma vez que, conforme o próprio litigante nos lembra, o crédito tributário foi constituído, pelo lançamento, em 11/06/2002, data de sua Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 ciência do auto de infração, não tendo ocorrido a decadência dos créditos que lhes estão exigidos, todos relativos ao segundo semestre de 1997. Ademais, a aludida revisão de ofício se deu em benefício da contribuinte, na qual foram reconhecidos diversos recolhimentos de IRRF que lhe estavam sendo exigidos, os quais foram cancelados. Admitir ter ocorrido a decadência de revisar o lançamento tem como consequência não reconhecer a eficácia desse ato de revisão, e, em decorrência, a voltar a exigir o crédito tributário que foi cancelado por ter sido provado o seu recolhimento. Caso fosse reconhecida a decadência do poderdever de efetivar a revisão de ofício, tal procedimento, na melhor das hipóteses, seria inútil, pois, como o crédito tributário está impugnado, caso fosse declarada a decadência da revisão de ofício, as instâncias julgadoras, se concordassem com aos termos em que ocorreu a revisão de ofício, reconheceriam a eficácia dos recolhimentos já comprovados e novamente cancelálosia, o que redundaria, se assim fosse feito, que seria exigido da contribuinte crédito tributário equivalente ao que se está exigindo presentemente. Em uma hipótese menos favorável à contribuinte, as instâncias julgadoras poderiam não se convencer das provas do recolhimento do crédito tributário já cancelado, e continuar a exigilo. Assim, não acolho a prejudicial de mérito em apreço. DO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL, DO IRRF, CÓDIGOS 0561, 0588 E 1708 Nessa questão a recorrente assevera ter realizado diversos recolhimentos, (Darfs das fls. 269 a 277), e que houve erro no preenchimento da DCTF. Porém, não há qualquer referência, sequer indireta, do qual teria sido o referido erro no preenchimento da DCTF. Não obstante, os seguintes recolhimentos restaram comprovados pelos Darfs juntados aos autos, não tendo havido alocação de seu pagamento nos demonstrativos das fls. 128 a 158, e, portanto, devem ser cancelados: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Valor confirmado Fl. 0561 0508/1997 03/09/1997 343,90 343,90 269 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 269 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 270 Quando ao seguinte recolhimento, não é indicado nos autos como teria sido alocado. Por outro lado, o exame do Darf (fl. 277), demonstra que houve erro de seu preenchimento, sendo trocadas as datas dos campos “período de apuração” e “data de vencimento”, o que teria impedido a alocação ao respectivo débito informado em DCTF. Deve, portanto, ser cancelado: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Valor confirmado Fl. 1708 0512/1997 07/01/1998 38,87 38,87 277 Os seguintes recolhimentos, que somados, correspondem ao débito de R$3.898,99, foram recolhidos tempestivamente e foram alocados, no auto de infração, ao débito 8045, período de apuração 0311/1997, vencimento 19/11/1997, de valor R$5.632,86 (fls. 112 a 115): Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 292 7 Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Alocação fl. Débito objeto da alocação 8045 0511/1997 03/12/1997 3.747,33 115 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 102,40 114 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,62 113 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,66 112 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,66 112 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 13,32 113 8045, PA 0312/1997 Na data em que foi realizado tal compensação de ofício, 09/05/2002 (fl. 98), vigia a Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997 (revogada pela IN SRF 210, de 30/09/2002, art. 46), que previa no § 2º do art. 12, que a compensação de ofício seria precedida de “notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência”: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. Não consta dos autos prova de que tal procedimento tenha sido obedecido, pelo que devem tais recolhimentos serem alocados ao débito a eles vinculado, IRRF 8045, período de apuração 0511/199, com vencimento em 03/12/1997, no valor de R$3.897,99 (DCTF à fl. 211). Não há alegação de recolhimento em relação aos seguintes débitos, que, em decorrência, devem ser mantidos: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício 0561 0507/1997 06/08/1997 61,68 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 DA MULTA DE OFÍCIO, EM FACE DA RETROAÇÃO DO ART. 18 DA LEI 10833, DE 2003 No que tange à aplicação da multa de ofício de débitos declarados em DCTF, em 1997, ano dos fatos geradores em comento, era aplicável o art. 44 da Lei 9439, de 1996. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Posteriormente, o art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 24/08/2001, regulou o lançamento de ofício das diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados: Medida Provisória 2.15835, de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal A Medida Provisória 135, de 30/10/2003, transformada na Lei 10.833, de 2003, alterou a redação do art. 90, nos seguintes termos: Medida Provisória 135, de 2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Tal redação, por sua vez, restou alterada pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, a multa de ofício aplicável a “diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados” se restringe, a partir da entrega em vigor do art. 18 da Lei 11.488, de 2007 à “imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. No presente caso, foi lançada tãosomente a multa de ofício vinculada (art. 44, I, da Lei 9430, de 1996), aplicável à época dos fatos geradores (fls. 98 e 116). O CTN, no art. 106, II, a e c, determina a retroação de norma sancionatória que deixe de definir determinado ato como infração, bem como quando lhe comine penalidade menos severa que a vigente no tempo de sua prática: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 293 9 a) quando deixe de definilo como infração; (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Tal retroação benigna é aplicável ao caso, uma vez que não estamos diante de “nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF 920202.058 (com a ressalva de que trata da retroação do art. 18 da Lei 10.833, de 2003, e não do art. 18 da Lei 11.488, de 2007), do qual transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Entrementes, em face de legislação posterior afastando a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, objetos de pedido de compensação indeferido, impõese rechaçar a manutenção de referida multa, conquanto que não constatada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, em observância ao princípio da retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Desse modo, deve ser cancelada a multa de ofício incidente sobre os débitos remanescentes, quais sejam: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício 0561 0507/1997 06/08/1997 61,68 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto, portanto, por julgar parcialmente procedente o auto de infração, para cancelar integralmente os créditos tributários relativos aos períodos a seguir elencados e, em relação aos demais períodos de apuração, cancelar a multa de ofício. Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor lançado Valor após revisão de ofício 0561 0508/1997 03/09/1997 13.632,99 343,90 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 1708 0512/1997 07/01/1998 611,06 38,87 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 18471.001064/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E VERDADE MATERIAL. NULIDADE INEXISTENTE.
Inexiste nulidade no lançamento por ausência de motivação nos casos em que a Fiscalização demonstra as operações realizadas, apresenta o que entende estar sendo dissimulado e colaciona a fundamentação legal correspondente. Inexiste ofensa aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa quando a autuada demonstra conhecer os motivos da autuação. Não se pode falar em ofensa ao Princípio da Verdade Material sem a análise do mérito da acusação fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E VERDADE MATERIAL. NULIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade no lançamento por ausência de motivação nos casos em que a Fiscalização demonstra as operações realizadas, apresenta o que entende estar sendo dissimulado e colaciona a fundamentação legal correspondente. Inexiste ofensa aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa quando a autuada demonstra conhecer os motivos da autuação. Não se pode falar em ofensa ao Princípio da Verdade Material sem a análise do mérito da acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 64 /2 00 7- 21 Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório RAIZEN COMBUSTÍVEIS S.A., recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial interposto em 23/01/2012, contra Acórdão nº 10709.615, de 4 de fevereiro de 2009, fls. 716/727, que, após embargos do Relator, passou a ser o Acórdão nº 110300.546, fls. 741/742, o qual, assism decidiu: “NULIDADE. LANÇAMENTOS DE TRIBUTOS O motivo dos atos de lançamento, seja sob o ângulo da presença de causa, seja sob o da concreta fundamentação, não se coloca como etérea ou inexistente nos lançamentos em dissídio, embora ela não se revele encadeada da forma mais adequada. O encadeamento do motivo não interdita seu entendimento, tanto que a contribuinte pôde reagir, no mérito, contra a pretensão deduzida nos lançamentos. Não há mera suposição, no sentido de especulação, de ausência de presunção de certeza e liquidez dos lançamentos. Ainda que possa vir a se revelar equivocado, meritum causae, há . pressuposição, ou pressuposto de fato para o direito aplicável na r materialização da pretensão fiscal nos lançamentos. Inexistência de nulidade dos lançamentos dos tributos. NULIDADE. LANÇAMENTOS DE MULTAS As multas de ofício foram concretamente exigidas à alíquota de 75%, embora a acusação figurasse com a multa qualificada. Houve erro de cálculo, mas não se pode olvidar que a exigência concreta da multa se deu à alíquota de 75%, e não à alíquota de 150%. Por outro lado, tratase de vício que não fulminam os autos de infração de nulidade parcial. Não se impediu, diante do ocorrido, o exercício do direito de defesa e do contraditório pela contribuinte,que foi por ela efetivamente levado a efeito. As multas isoladas majoradas foram concretamente exigidas à alíquota de 150%o, embora a acusação tenha lançado esteio na nova redação da lei, segundo a qual a multa isolada majorada é de 100%. Erro de cálculo, cujo vício não fulmina os autos de infração de nulidade, pois não inibiu a possibilidade de reação da contribuinte contra a exigência. Efetivamente, a contribuinte exerceu o direito de defesa e do contraditório, no mérito, combatendo não só a exigência majorada das multas isoladas, como invocando a retroatividade benigna na aplicação das multas. Inexistência de nulidade dos lançamentos das multas. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os EMBARGOS e retificar a decisão adotada no Acórdão 10709.615 para "dar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira" além de alterar a parte conclusiva do voto condutor do acórdão original para "... dou integral provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Alega a recorrente que teve que apresentar uma impugnação de 93 páginas porque, em função da grande quantia exigida e da “deficiente redação do lançamento tributário”, se viu obrigada a expor todas as razões relacionadas às operações e alterações societárias relativas à compra global da Enterprise Oil PLC pelo grupo Royal Dutch/Shell Group. Complementa que a própria DRJ reconheceu a “completa falta de inteligibilidade” das redações dos autos de infração ora discutidos, mas que, em sede de recurso de ofício, a 7ª Câmara do antigo Primeiro de Contribuintes entendeu pela inexistência de nulidade, em divergência com os Acórdãos nº 230101.001 e nº 30335.559, que foram, respectivamente, assim ementados: Acórdão nº 230101.001, de 26 de janeiro de 2010: Acórdão nº 30335.559, de 13 de agosto de 2008: Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 4 Por fim, pede pela reforma da decisão proferida pela então 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, para que seja acolhida a preliminar de nulidade do Auto de Infração “por inequívoca carência de motivação, tendo em vista que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a dissimulação utilizada para consubstanciar o lançamento, não suprindo requisitos básicos do ato administrativo”, em flagrante ofensa aos princípios da Ampla Defesa, do Contraditório e da Verdade Material. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 110100.171, de 2/7/2012, que, em apertada síntese, concluiu: Não obstante os acórdãos confrontados tratarem de contextos empíricos distintos, podese concluir neste juizo de cognição sumária, â. luz dos votos acima transcritos, pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. Os paradigmas contemplaram a tese de que a motivação deficiente do ato administrativo levaria à declaração de sua nulidade,diferentemente do acórdão recorrido, para quem, mesmo sendo a redação do Termo de Verificação Fiscal "infeliz" e "dificultando inclusive o entendimento das operações precipitadas pela interessada", saber se a motivação ou fundamentação se encontra adequada ou suporta a pretensão fiscal é questão de mérito, a não implicar em nulidade dos lançamentos. Tal admissibilidade levou a Fazenda Nacional a apresentar Contrarrazões, para aduzir: a) impossibilidade de se conhecer deste recurso em face do disposto no art. 67, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, por ser contra decisão que, na apreciação de matéria preliminar, decidiu pela anulação da decisão de primeira instância; e, b) que inexiste vício capaz de anular o auto de infração, visto ser possível extrair facilmente do relatório quais foram as infrações detectadas e que deram origem à autuação e das peças de insurgência apresentadas pelo autuado, que ele “compreendeu perfeitamente” a acusação fiscal. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 4 5 A Fazenda colaciona, ainda, jurisprudência e doutrina para defender a manutenção da decisão recorrida, e pede, na “hipótese remota desse Colegiado concluir pela ocorrência de vício”, que seja declarada a nulidade por vício formal. Por meio das efls 1.748/1.910 a Recorrente apresenta “Parecer Técnico Especializado” o qual foi juntado aos autos como memoriais, conforme consignado no Despacho de efls. 1.911/1.912. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo O recurso é tempestivo. Contudo, em que pese o Despacho de Admissibilidade nº 110100.171 (fls. 1.729 a 1733) ter concluído pelo conhecimento do presente, cumpre apreciar as razões trazidas pela Fazenda Nacional que, ao oferecer contrarrazões ao recurso especial do sujeito passivo ora apreciado, defende que o mesmo não deve ser conhecido em razão do disposto no art. 67, § 2°, do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo da interposição do recurso e da apresentação das contrarrazões. O dispositivo em questão estabelecia descaber esse recurso quando o acórdão recorrido, na apreciação de matéria preliminar, decidisse pela anulação do julgado de primeira instância. Analisando, então, o acórdão recorrido, constato que, embora a parte dispositiva do voto condutor, com as correções resultantes dos embargos de declaração, tenha consignado o integral provimento ao recurso de ofício, devendo os autos "retornar ao órgão julgador de origem para que seja enfrentada a matéria de mérito, salvo na hipótese de a recorrente intentar recurso voluntário à CSRF contra o acórdão", não há que falar na "anulação da decisão de primeira instância" expressa no § 2º do art. 67 do Anexo II do RICARF. Ora, se a decisão da DRJ (fls. 698 e seguintes) anulou o auto de infração por vício (na motivação) que implica nulidade do ato, o acórdão recorrido, na sua essência, não anulou essa decisão, mas, enfrentando suas razões, reformou o juízo de nulidade do auto de infração e, como consequência lógica, comandou o retorno dos autos para a DRJ para que aquele órgão julgador pudesse prosseguir no julgamento do mérito, afastada a nulidade que obstou o enfrentamento da materialidade do lançamento fiscal. Vejase que em nenhum momento o acórdão recorrido apontou qualquer vício na decisão da DRJ, que, eivada de nulidade, devesse ser anulada pela Turma julgadora. Nenhuma referência é feita a dispositivo do Decreto nº 70.235, de 1972 ou mesmo à Lei nº 9.784, de 1999 nesse sentido. É que não houve, a toda evidência, juízo de inobservância de algum dos requisitos formais das decisões estabelecidos para o processo administrativo fiscal ou, mais genericamente, em processo administrativo em geral, como ocorreu, convém repetir, com o auto de infração, declarado nulo pela DRJ por deficiência de motivação. É dizer, se houve vício Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 6 a ensejar nulidade do ato administrativo, esse teria ocorrido no auto de infração, mas não na decisão que o anulou. A inteligência do art. 67, §2º, do então Regimento Interno, ao impedir subir para a CSRF recursos contra decisões anuladas é, sem dúvidas, devolver o processo para apreciação da primeira instância e, a partir daí, seguir todo o fluxo normal. Pensar diferente é impedir que a decisão de Câmara Ordinária do CARF possa ser revista pela CSRF. Convém destacar que o novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, deixa mais claro que o vício que torna descabido o recurso especial é o da decisão de primeira instância em si e não do ato que esta decisão venha a anular (in casu, o auto de infração). Confirase (sublinhouse): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Portanto, esta 1ª Turma da CSRF não poderia deixar de conhecer o presente recurso especial, de forma a apreciar a decisão da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que proferiu juízo contrário à anulação do auto de infração decidida pela DRJ. Ou seja, uma vez instado pela via do recurso especial, se tal recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, este colegiado não poderia se abster de enfrentar o cabimento ou não da anulação do auto de infração por deficiência de motivação. Superada a questão relativa ao conhecimento do recurso, analiso a preliminar de nulidade do lançamento e a afasto, haja vista que, pelos Autos de Infração e Termo de Verificação de fls. 118/130, é possível, sim, identificar o que a Fiscalização concluiu como ilícito tributário, ou seja, à recorrente foi facultada, sim, a ciência exata dos motivos que fundamentaram a autuação. É que nos autos de infração foram consignadas as seguintes infrações com respectivos enquadramentos legais: a) Para o IRPJ 1) Amortização – Valores Não Amortizáveis. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§2º e 4º, e 325, do RIR/99. 2) Ganhos e Perdas de Capital – Baixa de Bens do Ativo Permanente. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98; arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, e 418 e parágrafos, do RIR/99. Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 5 7 3) Multas Isoladas – Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. b) Para a CSLL 1) CSLL – Falta de Recolhimento da CSLL. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 27 da Lei nº 10.637/02 Do Termo de Verificação Fiscal, destaco alguns trechos com grifos: 1) O foco das operações analisadas pela Fiscalização e aspectos relacionados ao procedimento fiscal, demonstrando o que foi solicitado e o que não restou comprovado: Na parte dos fatos, é de pronto esclarecido que, “em decorrência do exame das informações e documentos apresentados quanto à incorporação da empresa ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA ( EODB) pela SHELL BRASIL LTDA, foi verificado (...)” e a partir daí o fiscal apresenta um quadro com os eventos sucessórios e outro com a descrição dos documentos que lastream as operações de alteração societária. Na seqüência, o fiscal destaca os procedimentos de fiscalização que realizou para analisar a constituição do ágio na aquisição da Entreprise Oil do Brasil Ltda e ressaltou que não houve comprovação do pagamento das quotas e, por conseguinte, do ágio, nos seguintes termos: “4CONSTITUIÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA: Intimado(fls.) desde 22/nov/2006 para comprovar a aquisição da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA, o contribuinte aduziu apenas informações verbais a respeito da transação . Reintimado (fls.) a apresentar, NO PRAZO DE CINCO DIAS (úteis), os documentos e esclarecimentos abaixo elencados, com as seguintes especifidades (ano 2002): Documentos comprobatórios (inclusive do pagamento) da aquisição da Enterprise Oil do Brasil Ltda (EOB), por empresa ligada no exterior. Em caso de operação integrada, apresentar os critérios para o valor atribuído especificamente à EOB.O contribuinte ratificou (item 1 ,fls.) informação verbal que a operação em questão estava contida numa aquisição global do Grupo Enterprise OIL, alegando impossibilidade de especificar o valor atribuído às quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. Paradoxalmente e no mesmo documento, ao responder à segunda parte da mesma reintimação (reproduzida abaixo), haja vista as quotas da EOB terem sido objeto do aumento de capital (vide ata de fls. a ), o contribuinte afirma(item2, fls.) que o valor Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 8 recebido como aumento de capital foi o valor pago no exterior, pelo investimento. Justificar a valorização do aumento de capital recebido da Shell Brasil Holding BV, com quotas da Enterprise Oil do Brasil Ltda, haja vista a diferença para mais entre este e o Patrimônio Líquido da EOB, operação que decorreu na classificação em investimento e ágio, a respectiva contrapartida. Justificar também esta classificação e o fundamento do ágio registrado. O fato é que, até o momento, não foi apresentado nenhum comprovante do pagamento global nem tão pouco específico, relativo à aquisição da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA no exterior, e conseqüentemente, que o valor recebido como aumento de capital foi o valor pago no exterior, pelo investimento, conforme afirmativa desprovida de comprovação material. Estranhamente a Ata da Assembléia Geral Extraordinária de Quotistas, de 29 de novembro de 2002, determina o exame, discussão e deliberação relacionada com aumento de capital em questão em valor ESTIMADO em até R$ 2.700.000.000,00. Aprovada a AVALIAÇÃO pela empresa contratada, em R$ 2.677.029.000,00, ratificouse o aumento de capital de R$264.230.376,96 para R$2.941.259.376,00. Em sua informação contábil(fls.) denotase o item Valor atribuído à EODB após inc. d a OOG e OBSUS $743.000.000,00(R$2.677.029.000,00) A empresa considera "irrelevante e desnecessária " (fls.) a informação fundamental para justificar a classificação em Investimento e Ágio na aquisição original do investimento, ficando implícito nesta consideração que independentemente do valor da transação no exterior, o aumento de capital seria uma operação equivalente, pois a SHELL BRASIL LTDA estaria"adquirindo" as quotas, por valor superior ao do Patrimônio Líquido e classificando a diferença com o ágio(com base na rentabilidade futura), que por sua vez produziria os efeitos fiscais após a incorporação da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. Destaca, também a Fiscalização que parcela do ativo adquirido no exterior e que foi utilizado para aumento de capital foi, alguns meses depois da aquisição, baixados sem contrapartida de receita: Registrese ainda que a informação de contábil de julho de 2003(fls.), denota também as parcelas(Bloco Incorporado) do ativo adquirido no exterior, utilizado para aumento de capital e depois incorporado,com suas respectivas parcelas de ágio denominadas, como VALOR DE COMPRA, entretanto, com a informação que foram calculados "com base no fluxo de caixa descontado de cada bloco", ainda que em apenas alguns meses depois da aquisição setembro, novembro e dezembro – sete dos oito Blocos foram baixados sem produzir nenhuma receita.” 2) Conclusão do Procedimento Fiscal: Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 6 9 O que se conclui finalmente é que o contribuinte : 1 –Classificou a contrapartida do aumento de capital recebido da SHELL BRAZIL HOLDING BV como : a ) INVESTIMENTO o valor patrimonial das quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. b ) ÁGIO a diferença entre o valor patrimonial das quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e o valor total do aumento de capital, resultado de avaliação própria, sem nenhum vínculo com a operação o r i g i n á r i a**, cujo pagamento não foi comprovado até o momento. **operação originária Informada como uma compra de um grupo de empresas no exterior, incluindo a ENTERPRISE OIL DO RASIL LTDA, pelo Shell (Internacional). (O que se tem de concreto é que a ENTERPRISE OIL OVERSEAS HOLDINGS cedeu e transferiu pelo valor patrimonial, as quotas à SHELL BRAZIL HOLDING BV, que por sua vez aumentou o capital da fiscalizada (SHELL BRASL LTDA) por valor superior). II –Incorporou a investida ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA mantendo a classificação (item I), entendendo que o fundamento deste seria a rentabilidade futura (fls.), passando a amortizar o ágio(itemb) assim como deduzir abaixa de alguns dos Blocos Incorporados(fls.).Registrese que as parcelas referentes ao ágio destes blocos são parte integrante do "ÁGIO"(item lb), e o valor atribuído a cada um, pelo contribuinte, foi feito"com base no fluxo de caixadescontado de cada bloco" (fls.) III Não reuniu os elementos necessários suficientes a permitir a dedução dos valores referentes à amortização e baixa do ágio: De forma preliminar, o valor da transação e a comprovação do pagamento do investimento no exterior, e de forma específica, por falta da previsão legal da, empresa SHELL BRASIL LTDA recebedora do investimento proveniente do exterior, desdobrá lo, e considerar a equivalência da contra partida do aumento de capital recebido (vide item 1 acima), como ágio com fundamento na rentabilidade futura, justificado na avaliação encomendada(vide ata da AGE Shell Brasil Ltda de 20/11/2002 fls.), após a operação originária**. A convicção da não dedutibilidade da diferença denominada como “ ágio” (iteml b), é "reforçada também pela ótica da equivalência patrimonial, haja vista(em tese)ser devedora a contrapartida do ajuste entre o valor patrimonial da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e o valor de sua avaliação via aumento de capital, que se traduziria em perda que não seria computada na determinação do lucro real. Sobre o assunto intimamos ainda( fls.) e finalmente a informação contida na 40ª ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA abaixo(fls.), apresentada em 01/08/2007,denota o valor da transação, esclarecendo definitivamente que a classificação do valor denominado como Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 10 ágio pelo contribuinte, não decorreu do desdobramento do custo de aquisição do investimento, e portanto não poderia produzir os efeitos fiscais previstos na legislação. RESOLVEM, de comum acordo ,alterar o Contrato da Sociedade, mediantes as seguintes disposições: Com a expressa anuência do sócio ALDO ANTÔNIO CASTELLI, manifestada por este instrumento, a sócia ENTERPRISSE OIL OVERSEAS HOLDINGS LIMITED , neste ato retirando – se da Sociedade, cede e transfere ,como de fato cedido e transferido tem, todas as suas 873.344.572(oitocentos e setenta e três milhões ,trezentos e quarenta e quatro mil,quinhentos e setenta e seis) quotas do capital da Sociedade, pelo valor que as mesmas representam, a Sociedade. Cedente e cessionária, por este instrumento,dão urna a outra a mais plena, geral e irrevogável quitação, para nada mais reclamarem urna do outra, a qualquer tempo, seja a que título for. 3) O que a Fiscalização entendeu como simulação: A partir desta informação, ficou claro que o objetivo dos procedimentos: A legislação permite a dedução da amortização do ágio na aquisição de quotas somente após eventos específicos, dentre eles a incorporação. As operações de aumento de capital denotam o início da implementação da estratégia de aproveitamento desta benesse legal em relação á amortização do ágio. Ainda que a empresa tivesse motivos adicionais para proceder desta forma, este foi objetivo principal sob a ótica tributária. A SHELL BRAZIL HOLDING B.V. detinha a totalidade (menos1) das 873.344.5 7 3 quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e após a incorporação passou a deter a totalidade (menos 73) das 1.114.113.400 da SHELL BRASIL LTDA. Todo o encadeamento das operações acima foi inócuo do ponto de vista da propriedade das empresas, menos do ponto de vista tributário.” (Grifei) E conclui a Fiscalização que “Ainda que válida e até mesmo operacional, a transferência dos ativos para a empresa, não houve pagamento de ágio. É explícita a dissimulação com o objetivo de ajustar a possibilidade jurídica do aumento de capital aos prérequisitos formais e legais da economia fiscal, mesmo que a operação não tenha sido feita somente com esse objetivo.” Mais adiante a Fiscalização cita o parágrafo único do art. 116 do CTN, bem como os arts. 105 e 149, inciso VII do mesmo diploma legal e acrescenta: (..) É impossível não considerar que tenha se dissimulado a reavaliação do ativo pela forma pela qual a operação foi contabilizada e depois, o tratamento fiscal dispensado à operação. Ao avaliar o patrimônio líquido de R$ 873.344.574,00 por R$ 2.677.029.000,00 antes de sua transferência (vide Ata da AGE do Aumento de Capital e 40ª ALTERAÇÃO DO Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 7 11 CONTRATO SOCIAL DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA, fls a ), como uma aquisição com ágio (ainda que a cedente fosse proprietária de ambas as empresas e a operação pudesse ter sido feita pelo valor de R$ 873.344.574,00). Ato contínuo, promoveram a incorporação, condição para a produção dos efeitos fiscais planejados. Sob este manto de ágio na contrapartida devedora e sem a figura da reavaliação na contrapartida credora, as amortizações e baixas foram deduzidas, entretanto, sem a tributação prevista na legislação para a realização desta reavaliação oculta. Vejamos então o §3º do art. 35 do DecretoLei nº 1.598/77, prevista na parte final do item 6 do Parecer Normativo CST nº 107/78 (abaixo). O art. 4º da Lei 9.950/00 determina o momento da tributação:” Ou seja, demonstra a Fiscalização que a operação normal seria computar na apuração do lucro o aumento do valor resultante da reavaliação da participação, ainda que a contrapartida constitua reserva de reavaliação. Na seqüência, destaca o §1º do art. 24 do DecretoLei nº 1.598/77, segundo o qual o ajuste do valor do patrimônio líquido correspondente à reavaliação de bens diferentes dos que serviram de fundamento ao ágio só não integra a apuração, se a contrapartida ao ajuste for registrada como reserva de reavaliação. Após transcrever a legislação retrocitada e trecho do parecer mencionado, o autuante monta uma planilha com os valores anuais das amortizações e também dos valores baixados relativos aos ágios registrados com base no fluxo de caixa descontado de cada bloco, vinculados aos Blocos baixados do ativo. Até aqui, tudo foi narrado no Termo de Verificação Fiscal como “Os fatos”. Na seqüência, o autuante descreve “O Direito” e nesta parte transcreve, dentre outros dispositivos legais, os artigos 385 (desdobramento do custo de aquisição em investimento e ágio e que o lançamento contábil do ágio deve indicar o fundamento econômico), 391 (amortização do ágio ou deságio), 426 (avaliação do patrimônio líquido), 386 (tratamento tributário do ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão), 439 (contrapartida do aumento do valor de bens do ativo, na subscrição em bens de capital social) , 440 (contrapartida do aumento do valor dos bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão) e 441 do RIR/99, que dispõem sobre todo o tratamento contábil e tributário dispensado ao ágio. Acrescenta que lavra multa de ofício isolada em decorrência da falta de adição dos valores às bases de cálculo levantadas nos balancetes de suspensão/redução do IRPJ/CSLL. E conclui o Termo afirmando que a constituição do crédito tributário era imperativa e que a “complexidade na identificação da matéria tributável, visa resguardar os interesses da Fazenda Pública, de comprovações supervenientes em decorrência da falta de fornecimento de elementos por parte do contribuinte, relativos à operação que significou cerca de 80% do seu patrimônio.” Ora, não se pode dizer que os fatos não foram narrados, pois a Fiscalização descreveu todas as operações; não se pode dizer que a autuação carece de motivação, pois ela afirma que autua porque não houve prova do pagamento do ágio, porque os bens do ativo Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 12 foram baixados sem contrapartida de receita e que justifica também a cobrança da multa isolada, além de afirmar que não havia base legal para a dedutibilidade e que as baixas também não poderiam ter ocorrido e esclarecer por que considerava a operação um negócio simulado. Também não se pode afirmar que há ausência de fundamentação legal, pois a Fiscalização trouxe à tona no termo todos os dispositivos legais que regem o assunto, e no auto de infração, aqueles relativos à conseqüência tributária que estava sendo imputada à autuada em razão das infrações detectadas. O fato de o termo de verificação consignar que estava resguardando os interesses da Fazenda de eventuais comprovações supervenientes não macula o lançamento, pois, em razão da ausência de comprovação dos fatos no curso do procedimento fiscal, o autuante quis fazer um registro de que foram aquelas as conclusões a que chegou com os elementos de prova de que dispunha, até porque, em decorrência da autuação, procedeu também a uma representação fiscal para fins penais, por meio da qual se comunica ao Ministério Público Federal, crime em tese. Oportuno se faz esclarecer que a robustez ou não das provas não está sendo discutida aqui, pois seria enfrentar o mérito. Analisando ainda a impugnação de fls. 380 a 473 (volume III) dos autos, é possível verificar a que a Recorrente compreendeu e se defendeu da acusação fiscal, conforme trechos que ora destaco: A autoridade responsável pela lavratura do documento que ora se impugna adota como fundamento para a autuação, suposta prática de dissimulação por parte da Impugnante em operação de natureza societária usual e regular, pretendendo aplicar a disposição contida no parágrafo único do art. 116, do Código Tributário Nacional (CTN), introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, e com isso desconsiderála. ................................................................................................ Preliminarmente, é importante registrar que ao contrário do que pretende fazer crer a autoridade fiscal em sua descrição contida no Termo de Verificação, o qual antecedeu a lavratura do Auto de Infração, a operação em tela, em nenhum momento foi realizada com o objetivo primordial de utilizar eventual benefício tributário previsto na legislação brasileira. E a partir daí explica e detalha toda a operação, esclarece porque a realizou, destaca que tudo havia sido exaustivamente discutido com o autuante no curso do procedimento fiscal, enfrenta os dispositivos legais trazidos pela Fiscalização e destaca: (i)os atos societários de incorporação e o reconhecimento de ágio com base na lucratividade futura da empresa incorporada não foram procedimentos adotados sem cunho econômico/operacional, apenas para se aproveitar de previsão normativa que viesse a representar redução da carga tributária; ao contrário, conforme já demonstrado, tratouse meramente de um ajuste decorrente de uma operação mundial (aquisição do Grupo Enterprise pelo Grupo Shell em Londres); e Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 8 13 (ii) por sua vez, ao utilizarse da benesse tributária (amortização de ágio) a Impugnante o fez fundamentada na legislação e em laudo técnico exarado por empresa competente e idônea. Assim, da leitura desses destaques é flagrante a compreensão, por parte da então impugnante, da acusação fiscal. Mas ela ainda discorre acerca da nulidade do auto de infração por ausência de motivação da “decisão administrativa”, por equívoco no apontamento de valores, por dissociação do fundamento legal das multas e por cerceamento do direito de defesa, bem como sobre a impossibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos e da impossibilidade de existência de cláusula geral antielisiva e acrescenta comentários sobre o ônus da prova da Fazenda. Além de todos esses argumentos, a então impugnante apresenta inúmeras laudas na defesa da dedutibilidade da amortização do ágio, enfrentando os artigos 385 e 386 do RIR/99, comentando, inclusive, as Instruções da CVM, bem como na defesa da baixa do ágio e no afastamento das multas isoladas, alegando não só a ausência de fundamentação no tocante a essas, a ensejar o cerceamento do direito de defesa, como também a aplicação da retroatividade benigna em virtude da alteração legal promovida pela Lei nº 11.488, de 2007 e a impossibilidade de concomitância de multas isoladas e proporcional. Assim, não resta a menor dúvida de que a autuação fiscal foi motivada e que a autuada teve pleno conhecimento e condições de se defender. Inexiste, portanto, qualquer ofensa aos princípios da Ampla Defesa ou Contraditório. A averiguação se a Fiscalização logrou ou não comprovar que houve simulação, para fins de qualificação ou não da multa, se as infrações estão corretamente caracterizadas, enfim, repiso, é matéria do mérito e não pode ser trazida como preliminar de nulidade. Assim, descabe também falar em ofensa ao princípio da Verdade Material sem analisar o mérito da acusação fiscal. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, determinando que os autos retornem para julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, para apreciação do mérito do lançamento, inclusive no tocante à qualificação da multa. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
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