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Numero do processo: 13888.000819/2004-12
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
O termo a quo para o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos é a data da publicação da Medida Provisória n.° 1.110/95, findando-se 05 (cinco) anos após.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.137
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando que deram provimento parcial ao recurso contando o prazo de 10 anos para o pleito da restituição, (tese dos 5 + 5). A Conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões.
Nome do relator: Nanci Gama
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Numero do processo: 10980.723823/2015-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012, 2013, 2014
CESSIONÁRIO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS. GANHO DE CAPITAL. MULTA QUALIFICADA.
Incide imposto de renda sobre ganho de capital auferido por cessionário na alienação dos direitos cedidos a terceiros, cabendo a qualificação da multa de ofício quando resta evidenciada a deliberada ocultação da existência dos direitos por anos sucessivos, conjugada com a atribuição de custo de aquisição zero em descompasso com a legislação, ocultando variação patrimonial significativa do Fisco.
Numero da decisão: 2402-006.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PRECATÓRIOS. GANHO DE CAPITAL. MULTA QUALIFICADA. Incide imposto de renda sobre ganho de capital auferido por cessionário na alienação dos direitos cedidos a terceiros, cabendo a qualificação da multa de ofício quando resta evidenciada a deliberada ocultação da existência dos direitos por anos sucessivos, conjugada com a atribuição de custo de aquisição zero em descompasso com a legislação, ocultando variação patrimonial significativa do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 38 23 /2 01 5- 69 Fl. 4684DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 4685DF CARF MF Processo nº 10980.723823/201569 Acórdão n.º 2402006.127 S2C4T2 Fl. 4.685 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) – DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário 2010, 2011, 2012 e 2013 (fls. 2/49). O lançamento decorreu da constatação da omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de direitos adquiridos em reais, visto que o contribuinte adquiriu de Rafael Boiko, em 04/06/1998, direitos de crédito oriundos da Ação de Indenização nº 952/1970 a custo zero (Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos e Ações Contratuais, fls. 74 a 76 e Acordo Judicial datado de 02/10/2006, fls. 415/418). Posteriormente, parte dos créditos adquiridos foram cedidos, em diversas operações, e os valores recebidos, sujeitos à apuração de ganhos de capital, não foram oferecidos à tributação. O autuado arguiu que nada pagou na aquisição dos precatórios em razão de obrigações que Rafael Boiko tinha perante seu pai, Eusébio Simioni (fl. 278), porém disse a fiscalização que não foram comprovadas tais alegações, sendo por essa ainda informado que não constam dos bancos de dados administrados pela RFB declarações de ajuste anual para os contribuintes Rafael Boiko e Eusébio Simioni (fls. 44 e 45, item 119). Tentativa de intimação dirigida a Rafael Boiko também restou frustrada, conforme fls. 722/727. Nessa toada, foi apurado o ganho de capital mediante o exame dos documentos juntados aos autos (fls. 50/53, 151/152 e 204/205), parte deles obtidas via intimação dos adquirentes dos precatórios por ele alienados, bem como outros terceiros envolvidos nas negociações (fls. 728/4515). E, ante o disposto na Lei nº 7.713/88, art. 16, § 4º, o custo de aquisição dos direitos de crédito a que se refere a Escritura Pública datada de 04/06/1998 foi atribuído com o valor zero. Foi aplicada multa qualificada, amparada no entendimento de que teriam ocorrido as condutas previstas nos incisos I e II do art. 71 da Lei nº 4.502/64. Os termos da impugnação foram resumidos pela DRJ/BHE (fls. 4619/4620): Alega, em síntese, que o direito objeto das cessões a que se refere o auto de infração é oriundo de Ação Ordinária de Indenização nº 952/1970 da 3ª Vara Pública de Curitiba. Conforme reiteradamente afirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, os valores recebidos a título de indenização não se sujeitam à incidência de Imposto de Renda. Argumenta que a natureza indenizatória do direito não se altera em função de sua cessão a terceiro, como já foi julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Fl. 4686DF CARF MF 4 E mais, não há ganho de capital na cessão de crédito com deságio, mas uma perda, pois o valor de aquisição é superior ao valor de venda. Contesta o entendimento da autoridade lançadora de que o custo de aquisição teria sido igual a zero, pois, no caso de crédito de precatório, antes do trânsito em julgado da decisão judicial que o constituiu, o autuado era titular de um direito subjetivo, somente era detentor de uma expectativa de direito, não de um crédito. Após o trânsito em julgado da decisão que liquidou o crédito é que este passou à condição de crédito líquido e certo, de forma que o valor de sua aquisição somente pode ser o valor conferido pelo Poder Judiciário por ocasião da liquidação da condenação que o gerou. Assim sendo, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes e jurisprudência de nossos tribunais, o valor de aquisição, consoante Lei 7.713/1988, art. 16, inc. V (valor corrente na data de aquisição), foi de R$ 173.899.688,73, como declarado no anocalendário 2008. Parte do crédito constituído pela sentença judicial foi objeto de cessões com deságio a terceiros, não se apurando, portanto, ganho de capital sujeito à tributação. Contesta, ainda, a multa de ofício qualificada (150%), em virtude de ausência de dolo. Pondera que em 1998 somente havia recebido de Rafael Boiko a transferência de um interesse juridicamente protegido, ou a transferência da possibilidade de receber uma decisão judicial que lhe reconhecesse definitivamente um direito indenizatório. Somente com o trânsito em julgado da sentença que se constituiu o crédito do autuado (4/5/2006), ou seja, o crédito foi propriamente adquirido. De qualquer forma, prossegue, em se tratando de créditos de precatórios, apenas estava obrigado a informar na Declaração de Ajuste Anual (DAA) quando ocorresse o efetivo recebimento do precatório, pois é neste momento que eventual tributação pode incidir. No caso, afirma, o autuado somente recebeu antecipações a menor, com deságio, não havendo o que declarar. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 4616/4624), ensejando a interposição de recurso voluntário em 8/6/2016 (fls. 4632/4658), no qual foram reiterados, em linhas gerais, os argumentos da impugnação. Também foi acrescentado que os valores atinentes à Ação nº 952/1970 eram de titularidade de Euzébio Simioni, pois Rafael Boiko havia cedido a este certos direitos conforme escritura pública que anexa; na sequência, eles foram transferidos ao recorrente por herança. Então, como quitação dessa primeira cessão de direitos, foram cedidos os direitos ora examinados, motivo pelo qual o custo de aquisição não deveria ser zero, mas sim o valor atribuído para efeito de imposto de transmissão, conforme inciso I do art. 16 da Lei nº 7.713/88. É o relatório. Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 10980.723823/201569 Acórdão n.º 2402006.127 S2C4T2 Fl. 4.686 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De acordo com os documentos colacionados aos autos, o direito do interessado à percepção de valores decorrentes da ação ordinária de indenização (nº 952/1970 da 3ª Vara Pública de Curitiba) movida contra o Estado do Paraná e outros (parte da petição inicial às fls. 337/361) decorreram da operação de Cessão e Transferência de Direitos e Ações Contratuais (consubstanciada na escritura pública de fls. 74/76), realizada entre Rafael Boiko (um dos autores da referida ação) e sua esposa (cedentes) e o contribuinte (que consta no documento como "cessionário"). No que concerne ao ganho de capital na cessão de bens e direitos, giza o art. 3º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) (grifei) Fl. 4688DF CARF MF 6 Resta claro, assim, que a cessão de direitos é hipótese de alienação sujeita à apuração de ganho de capital. No caso, deuse cessão de precatórios, definido estes como ordem judicial em que a autoridade forense determina o pagamento ao credor de importância líquida e certa em razão de sentença condenatória transitada em julgado imposta a pessoa jurídica de direito público, que deverá incluílo na lei orçamentária anual. Destarte, configura título judicial representativo de um crédito de titularidade da pessoa física ou jurídica que estabeleceu a lide contra o poder público, ou seja, um direto de crédito que pode ser objeto de cessão a terceiros independentemente da concordância do devedor, como previsto expressamente, aliás, nos §§ 13º e 14º do art. 100 da CF. No particular, não é questionado o valor das alienações, bem circunstanciado nos documentos juntados a este processo, mas sim o custo de aquisição, estipulado como zero pela fiscalização, sob o entendimento firmado no mencionado Parecer SRF Cosit nº 26/00 e Soluções de Consulta Cosit nos 153/14 e 208/17, dentre outras, com esteio na aplicação do § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, abaixo transcrito: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 10980.723823/201569 Acórdão n.º 2402006.127 S2C4T2 Fl. 4.687 7 Também é questionada, por outra via, a data de aquisição dos direitos em tela. Acerca desse aspecto, não se constata maior respaldo para a inconformidade. A data de aquisição dos direitos consubstanciados no precatório é a dia de lavratura da escritura de cessão de direitos, na qual figura o contribuinte como cessionário: 04/06/1998. Importa mencionar, neste ponto, a versão dos fatos tal como ventilada na peça recursal. Segundo ela, Rafael Boiko, um dos autores da ação que originou os precatórios, teria uma dívida com Euzébio Simioni; o direito a esse crédito teria sido transmitido por este último como herança ao recorrente, havendo sido finalmente quitado via cessão do precatório em comento. O problema dessa narrativa, supra sintetizada, é que ela não encontra amparo nos documentos acostados aos autos, a despeito da ampla oportunidade conferida ao contribuinte para suprila dos devidos elementos de prova, e mesmo considerados os diligentes esforços da autoridade lançadora para a apuração da verdade material. O contribuinte junta certidão cartorial datada de 03/08/1995, às fls. 4663/4665, em que constam, como cedente e cessionário, respectivamente, Rafael Boiko e Euzébio Simioni, dentre outros. Tal instrumento é referente a escritura pública de cessão de transferência de direitos decorrentes de um compromisso de compra e venda firmado entre o cedente e terceiros, envolvendo imóvel ali especificado, operação essa realizada em 07/11/1966. Inexiste qualquer prova de que tal direito do qual, aparentemente, Euzébio Simioni restou titular como cessionário, tenha sido de alguma forma transmitido ao recorrente. Dada a sua antiguidade, é perfeitamente possível, por exemplo, que já tenha sido exercido bem antes dos fatos em evidência terem acontecido, ou ainda, cedido a outras pessoas. Aliás, não constam nos autos documentos relativos a eventual transmissão de quaisquer direitos ou bens de Euzébio Simioni ao autuado, valendo lembrar que a fiscalização buscou diligenciar tanto Rafael Boiko quanto Euzébio Simioni, sem sucesso. E, quanto ao valor de aquisição dos direitos estipulado como sendo igual a zero, nenhum reparo há a fazer, pois o contribuinte informou à autoridade lançadora que nada pagou a Rafael Boiko e sua esposa pela aquisição dos direitos a que se referem a escritura de fls. 74/76. Registrese que na referida escritura não há nenhum menção acerca de pagamentos passados e/ou futuros que seriam efetuados pelo cessionário aos cedentes. Não faz qualquer sentido ser considerado como custo de aquisição o valor reconhecido judicialmente do precatório, pois não foi por tal montante que os direitos em destaque adentraram em seu patrimônio; na verdade, não foi pago qualquer preço por tais direitos. Também merece realce o fato de que nenhuma das opções alternativas para a mensuração do custo de aquisição, discriminadas nos incisos de I a V do art. 16 da Lei nº 7.713/88, se aplicam ao particular, e, especialmente no que concerne ao inciso I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão , não há documentação que lastreie tal pretensão, consoante mencionado. Fl. 4690DF CARF MF 8 Observese que a situação analisada referese a cessionário de direitos que os adquiriu sem custo comprovado junto ao cedente, e que aufere ganhos de capital com uma série de ulteriores alienações desses mesmos direitos, não se confundindo ele assim com o titular original desses direitos reconhecidos judicialmente. E, esclareçase, a incidência do imposto de renda objeto do lançamento de ofício é pertinente ao ganho de capital obtido por esse cessionário nessas alienações, incidência essa distinta do imposto de renda sobre os valores veiculados no instrumento jurídico do precatório, que podem inclusive ter natureza indenizatória. São fatos geradores diversos, a ensejar o tratamentos legais correspondentemente diferenciados. Temse então como correto o custo de aquisição tal como fixado pelo Fisco (fls. 44/45), bem como o consequente ganho de capital apurado. Quanto à multa de ofício qualificada, também por essa via razão não assiste ao recorrente, estando bem circunstanciados os fundamentos para sua imposição às fls. 47/49 do Termo de Verificação Fiscal, do qual se colhe o seguinte trecho: 133. No presente caso, o Sr. Sérgio Antônio Vieira de Oliveira Simioni adquiriu, em 04/06/1998, direitos de crédito junto ao Sr. Rafael Boiko a custo zero, tendo cedido parte desses direitos de crédito em várias operações posteriores. Nessas, recebeu valores milionários sem oferecêlos à tributação. 134. Observese que a aquisição dos direitos de crédito junto ao Sr. Rafael Boiko ocorreu em 04/06/1998, entretanto apenas na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2009 é que o contribuinte informou a existência de tais direitos. E o fez não pelo seu valor de aquisição (até porque ele nada pagou), mas pela quantia de R$ 173.899.688,73. 135. Procedendo dessa maneira o contribuinte impediu o conhecimento, por parte da fazenda pública, da espetacular variação patrimonial que teve nos anos subsequentes. Em outras palavras: cometeu sonegação, conforme disposto no art. 71 da Lei nº 4.502/64. 136. Observese, conforme minuciosamente relatado nesse Termo de Verificação Fiscal, que o contribuinte passou a fazer cessões de direitos de crédito e com os recursos obtidos nessas cessões, veio adquirindo vários bens ao longo dos anos. Contudo, o "marco inicial" da acumulação de patrimônio (os direitos de crédito oriundos da Ação Ordinária de Indenização nº 952/70) nada lhe custou. 137. E nem venha o contribuinte alegar que não sabia que ao adquirir um bem ou direito por um valor e alienálo por um montante muito maior deve pagar imposto sobre o ganho de capital auferido. Fosse verdade, porque não informou o referido direito a custo zero em sua DAA/2009? (...) Acrescentese que não se vislumbra nenhuma justificativa razoável para assim proceder o contribuinte, salvo o intento de ocultar suas variações patrimoniais. A sua narrativa no sentido de que estava a esperar o trânsito em julgado da ação para efetuar a declaração das aquisição dos direitos, carece de plausibilidade. O crédito já havia se incorporado ao patrimônio jurídico do recorrente desde o ano de 1998, como bem atestado no processo, e apenas no exercício de 2009 tomou ele providências para informar ao fisco tal situação, e quando assim o fez, atribuiulhe custo de Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 10980.723823/201569 Acórdão n.º 2402006.127 S2C4T2 Fl. 4.688 9 aquisição em total descompasso não só com a legislação aplicável, como também com o próprio documento de transmissão de direitos acostado. A tese de ocorrência de erro na compreensão das normas não se sustenta, tanto mais quando se constata que os equívocos em comento apontam de modo consistente para o não cumprimento das obrigações tributárias, nunca para o pagamento a maior dos gravames. Com efeito, as sucessivas alienações ocorridas, a partir de um custo zero de aquisição, acabaram por resultar em considerável acréscimo patrimonial para o contribuinte, sem a incidência de qualquer imposto sobre tal renda, em contrariedade ao art. 43 do CTN e aos dispositivos mais acima referidos da Lei nº 7.713/88. De rigor, portanto, a manutenção da qualificação da multa de ofício. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11555.001191/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2003
ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso.
Numero da decisão: 2201-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 11 91 /2 00 9- 13 Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 11555.001191/200913 Acórdão n.º 2201004.478 S2C2T1 Fl. 1.322 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra DecisãoNotificação nº 26.401.4/0091/2006, (fls.1.209/1.216), que julgou improcedente a impugnação. O lançamento em questão encontrase fundamentado no Auto de Infração nº 35.649.3237 e foi resumido nos termos do relatório da decisão de piso: Tratase de Auto de Infração ao art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/91, e art.4º da Lei 10.666/03, lavrado contra o Frigorífico Santa Elvira Ltda, por deixar de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos contribuintes individuais a seu serviço, nas competências 04, 05 e 06/2003, identificados no próprio Relatório Fiscal, conforme consta do Relatório Fiscal de fls.2021. (...) A responsabilidade solidária foi atribuída às empresas acima identificadas por comporem um grupo econômico de fato, com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A, pelos fatos descritos no Relatório de Grupo EconômicoRGE de fls.5279. Notificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação nos seguintes termos, conforme excerto do acórdão de primeira instância: Em 10.01.2006, apresentou impugnação tempestiva, alegando os seguintes fundamentos: Inexistência de Grupo econômico e entendimento equivocado da Fiscalização ao afirmar que as empresas Frigorífico Santa Elvira Ltda, Frigorífico Novo Estado S/A, Frigorífico Porto Ltda, Frigorífico Bonsucesso Ltda e Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda, caracterizam um grupo econômico, a partir de meras suposições sem embasamento firme, concreto e legal. Presunção ilegal da solidariedade face a ausência de provas de formação do Grupo Econômico. Inobservância dos limites estabelecidos no mandado de Procedimento Fiscal MPF, destacandose a devassa fiscal na empresa através de MPFcomplementar, a inaceitável verificação quanto às obrigações acessórias e a consequente lavratura dos Autos de Infrações, e; o equivocado entendimento para o fim de caracterizar o suposto grupo econômico. Violação ao Decreto nº 3.969, de 15.10.2001; Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11555.001191/200913 Acórdão n.º 2201004.478 S2C2T1 Fl. 1.323 3 Inobservância às formalidades do Relatório Fiscal previstas na instrução normativa MPS/SRP n 03, de 14.07.2005, ao procederem as conclusões, sem fundamento concreto, tomando por base questões subjetivas, sem amparo em documentos ou outras provas; Improcedência das contribuições sociais aferidas com base nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela empresa Rondometal Ltda, tendo em vista a inexistência de obra de construção civil a cargo do Frigorífico Santa Elvira Ltda, fato também admitido pela fiscalização, ao deixar de expedir "ex officio" a matrícula CEI e ao deixar de autuar a empresa por não ter matriculado a obra perante o INSS. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração ao art. 4S da Lei 10.666/03 deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados a seu serviço; O Mandado de Procedimento Fiscal constitui ordem dirigida ao Auditor Fiscal para que fiscalize o cumprimento das contribuições previdenciárias e devidas aos terceiros(Decreto 3.969/2001). O grupo econômico responde solidariamente pelas obrigações previdenciárias(art.30, IX, da Lei 8.212/91). AUTUAÇÃO PROCEDENTE. Cientificado do acórdão de primeira instância em 07/06/2006 (fl.1.227), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.236/1.244), tempestivamente, em 16/06/2006, com as mesmas alegações da impugnação anteriormente julgada parcialmente improcedente. O recurso apresentado não foi recebido por ser considerado deserto, uma vez que não comprovou o depósito da garantia de instância prevista no §1º, do art. 126, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 10.684/03. Despacho da PGFN (fls. 1.300/1.301), determinou a inclusão dos responsáveis solidários (integrantes do grupo econômico) no sistema da dívida previdenciária. Manifestouse ainda acerca da inexistência de prescrição do crédito tributário, devido ao pedido de parcelamento que foi encerrado no dia 29/12/2011, data em que teve início o decurso de um novo prazo prescricional. Em nova manifestação (fls. 1310/1311), a PGFN determinou o prosseguimento e a análise do recurso anteriormente deserto, tendo em vista a inconstitucionalidade da garantia exigida pela Lei 8.213/91. É relatório. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 11555.001191/200913 Acórdão n.º 2201004.478 S2C2T1 Fl. 1.324 4 Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Preliminarmente Da Renúncia ao Contencioso Administrativo O despacho exarado pela ProcuradoraChefe da Fazenda Nacional no Estado de Rondônia noticia que a recorrente aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, na data de 13 de outubro de 2009. Acrescenta o referido despacho que o pedido de parcelamento do crédito tributário configura confissão espontânea, o que implica na interrupção do prazo prescricional (art. 174, IV, do CTN). Em conclusão, assevera que a adesão ao parcelamento especial manteve o crédito com a sua exigibilidade suspensa até o cancelamento da conta que ocorreu em 29/12/2011, voltando a correr o prazo prescricional. Em novo despacho, a PGFN destaca que é necessário ressaltar que o STF emitiu a Súmula Vinculante n. 21 acerca do tema: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Prossegue aduzindo que é obrigatória a revisão de legalidade da inscrição em dívida, não restando outra alternativa à PFN/RO que não seja rever a legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa, para concluir pela necessidade de se cancelar a inscrição em DAU, devolvendo o PAF para o âmbito da administrativo, de forma a se concluir o julgamento do recurso a que se negou seguimento. Da narrativa supra, pode se concluir que a recorrente aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e não cumpriu com a obrigação pactuada, o que culminou com exaração do primeiro despacho, dando conta de que a execução fiscal poderia ter seu curso normal, já que o parcelamento resultou na interrupção do prazo prescricional. Todavia, a inscrição em dívida ativa foi cancelada por força da Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal e se determinou o retorno dos autos à Receita Federal do Brasil, que por sua vez determinou a remessa do PAF a este CARF para o julgamento do recurso. Ocorre que, não obstante a negativa do seguimento do recurso ser inconstitucional, em data posterior, a recorrente aderiu a parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009 e, de acordo com as regras estabelecidas na Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, desistiu de forma irrevogável do presente recurso, na forma abaixo: Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11555.001191/200913 Acórdão n.º 2201004.478 S2C2T1 Fl. 1.325 5 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) Considerando que a Súmula Vinculante nº 21 tem caráter ex tunc, a inscrição do presente crédito tributário não produziu qualquer efeito. Dessa forma, ao aderir ao parcelamento especial a recorrente renunciou expressamente ao presente processo administrativo fiscal. Diferentemente do âmbito judicial, em que o não cumprimento do parcelamento importa na continuidade da execução fiscal; na esfera administrativa, não há de se cogitar de retomada do PAF, uma vez que o crédito tributário já está definitivamente constituído pela desistência de forma irrevogável do recurso administrativo. Nesse sentido temse o artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.(destaquei). Observe que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre com a confissão da dívida que é externada através do pedido de parcelamento. O cumprimento do parcelamento é irrelevante para fins de confissão de dívida e de renúncia aos meios de impugnação administrativos e judiciais. Aplicandose a norma acima transcrita, no sentido do pedido parcelamento como desistência do contencioso administrativo, entendeu o CARF, através do acórdão 9303 005.182, relatado pelo Conselheiro Demes Brito e julgado no dia 18/05/2017: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 11555.001191/200913 Acórdão n.º 2201004.478 S2C2T1 Fl. 1.326 6 modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. (destaquei). Conforme vastamente demonstrado, não resta saída diversa do não conhecimento do presente recurso em face da explícita renúncia ao contencioso administrativo por parte do sujeito passivo. Conclusão Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721588/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
Ementa:
REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. PREENCHIMENTO DIPJ SEM PAGAMENTO DA PRIMEIRA PARCELA.
O simples preenchimento da DIPJ com a opção de tributação pelo lucro presumido, sem o pagamento da primeira parcela do tributo, não formaliza a opção do contribuinte por aquela forma de apuração do IRPJ.
É nula a autuação que apura os tributos com base no lucro presumido, quando a regra de apuração é pelo lucro real.
Numero da decisão: 1302-002.635
Decisão: Vistos, relatado e discutido os autos
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. PREENCHIMENTO DIPJ SEM PAGAMENTO DA PRIMEIRA PARCELA. O simples preenchimento da DIPJ com a opção de tributação pelo lucro presumido, sem o pagamento da primeira parcela do tributo, não formaliza a opção do contribuinte por aquela forma de apuração do IRPJ. É nula a autuação que apura os tributos com base no lucro presumido, quando a regra de apuração é pelo lucro real.
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decisao_txt : Vistos, relatado e discutido os autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias.
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OPÇÃO. PREENCHIMENTO DIPJ SEM PAGAMENTO DA PRIMEIRA PARCELA. O simples preenchimento da DIPJ com a opção de tributação pelo lucro presumido, sem o pagamento da primeira parcela do tributo, não formaliza a opção do contribuinte por aquela forma de apuração do IRPJ. É nula a autuação que apura os tributos com base no lucro presumido, quando a regra de apuração é pelo lucro real. Vistos, relatado e discutido os autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 15 88 /2 01 4- 22 Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.306 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias. Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/REC: “Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 02/74, para exigência de créditos tributários referentes aos anos calendário de 2010, 2011 e 2012, adiante especificados: AUTO DE INFRAÇÃO Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação dos impostos e contribuições descritas em cada Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 75 a 90. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos Autos de Infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. As irregularidades constatadas e suas consequências podem ser assim resumidas: A empresa foi selecionada para fiscalização devido ao fato de não constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB nenhum débito declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, em todos os períodos dos anoscalendário de 2010 a 2012, nenhum pagamento tanto de IRPJ como de CSLL e ainda porque apresentou todas as Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, dos respectivos anoscalendário, zeradas. I DA SOLICITAÇÃO DE LIVROS, ARQUIVOS MAGNÉTICOS, PLANILHAS, NOTAS FISCAIS E DOS ESCLARECIMENTOS. O procedimento fiscal foi iniciado em 25/02/2014 mediante ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, solicitando a apresentação de documentação relativa aos períodos de 01/2010 a 12/2012. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.307 3 A contribuinte atendeu parcialmente a intimação. Em 11/04/2014, a fiscalização reiterou a intimação anterior para a empresa trazer os seguintes documentos: 1. Informar por escrito qual foi o regime de apuração do IRPJ e da CSLL, se é pelo Lucro Presumido e se o regime de apuração foi o de caixa ou de competência; 2. Apresentar Planilhas demonstrativas (em papel e meio magnético excel) da apuração e composição das bases de cálculo do IRPJ e CSLL referentes aos períodos; 3. Nas mesmas planilhas devem estar discriminadas as outras receitas (financeiras, juros recebidos, descontos obtidos, não operacionais, entre outras). Mediante o protocolo datado de 17/04/2014, atendendo ao termo de reintimação e constatação fiscal 4, a empresa relaciona e efetua a entrega dos seguintes documentos: 1. Planilhas demonstrativas de apuração e composição das bases de cálculo do IRPJ, CSLL ref. ao período de JAN/2010 a DEZ/2010, JAN/2011 a DEZ/2011 e JAU/2012 a DEZ/2012 e 'pen drive' com essas planilhas em excel; 2. Extratos bancários referentes a JAN/2010 a DEZ/2010, JAN/2011 a DEZ/2011 e JAN/2012 a DEZ/2012. DA FORMA E APURAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS. A fiscalização preparou demonstrativo extraído dos arquivos da escrituração contábil e fiscal digital, da documentação e dos esclarecimentos apresentados durante os trabalhos, dando ciência deste à contribuinte. O levantamento referido teve por base o cotejamento das notas fiscais de saídas registradas nos arquivos do SPED FISCAL e de notas fiscais eletrônicas NFe, de emissão da empresa, juntamente com os arquivos contábeis digitais relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012, todos apresentados pela contribuinte. O objetivo foi para verificar valores porventura devidos a título do imposto de renda pessoa jurídica IRPJ e contribuições social sobre o lucro líquido CSLL, pois até o início do procedimento fiscal a interessada não havia declarado nenhum valor de IRPJ e CSLL em DCTF e muito menos recolheu algum valor desses tributos nos referidos períodos. Também foi apresentado no Termo de Reintimação e Constatação Fiscal 5 o resultado do levantamento demonstrado na Planilha de Apuração do IRPJ e da CSLL, composta de fls. 01 e 02, apurados na forma presumida, pois esta foi a forma de apuração optada pela empresa, conforme informado nas DIPJ dos exercícios 2011 a 2013, anoscalendário de 2010 a 2012. Ainda nesta planilha a Autoridade Fiscal consolidou, por trimestre, as receitas extraídas das vendas discriminadas na Planilha das Notas Fiscais Discriminadas por CFOP Registradas no SPD FISCAL e Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.308 4 NFe, já excluídas das notas fiscais canceladas e das devoluções de vendas. No mesmo levantamento foram incluídas ainda outras receitas operacionais e financeiras demonstradas e extraídas dos registros da contabilidade fiscal digital. Portanto, nestas planilhas de apuração, em anexo, foram incluídas também receitas financeiras, juros ativos e descontos obtidos, contas do grupo 5310000 e receitas não operacionais, contas do grupo 55100000. Neste contexto, foi facultado à interessada, para no prazo de 10 dias, se houvesse interesse, apresentar os esclarecimentos, acompanhados de documentação hábil e idônea, que justificassem os débitos de IRPJ e CSLL discriminados na Planilha de Apuração. No mesmo termo foi ressaltado que em relação às planilhas demonstrativas, em atendimento aos termos anteriores, basicamente, não havia informação das outras receitas operacionais, não operacionais e financeiras. Em relação ao termo de reintimação e constatação fiscal 5, ciência em 05/05/2014, nenhuma resposta ou esclarecimento foi apresentada com relação aos valores apurados nos trabalhos fiscais. DO LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E DE SUA BASE LEGAL O parágrafo 1o do art. 44 da Lei n° 9.430/96, reza que o percentual da multa de que trata o inciso I do caput, ou seja, o percentual de 75%, será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador é também depreendida do artigo 1o da Lei n° 8.137/1990. Dessa análise podese concluir que a essência comum à fraude e à sonegação é a tentativa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de impedir que a autoridade fiscal tome conhecimento dos fatos relevantes para permitir a correta exigência do tributo devido. Entendemos que a prática adotada pela fiscalizada, Indústria de Laticínios Silvianópolis Ltda, de forma reiterada de não declarar nenhum valor, seja de impostos ou de contribuições nas DCTF, de todos os períodos de apuração (3 anos consecutivos e em todos os 12 trimestres de apuração) e também de informar 0,00 nas DIPJs transmitidas aos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, fica evidenciado e bem claro o intuito da contribuinte. Os próprios extratos das DCTF e DIPJ, dos exercícios de 2011 a 2013, anoscalendário de 2010 a 0212, protocoladas e processadas junto à RFB e juntamente com suas fichas preenchidas zeradas fica claro a intenção da fiscalizada, por meio de seu sócio e administrador que se utilizaram de meios para impedir o conhecimento da fiscalização tributária. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.309 5 Frisamos que, a interessada ao apresentar as DCTF SEM NENHUM DÉBITO DECLARADO e DIPJ ZERADAS, frauda a fiscalização tributária, insere elementos inexatos em documento exigido pela lei fiscal e, conseqüentemente, presta declarações falsas às autoridades fazendárias. Diante desses fatos, a Autoridade Fiscal formou a convicção de que está comprovada, em tese, a subsunção às hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, do artigo 1o da Lei n° 8.137/1990 acima referidas. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR, EDSON RUSSO, CPF 297.289.08849, DOS FATOS, DO ENQUADRAMENTO LEGAL E JURISPRUDÊNCIA De acordo com o Contrato Social e suas Alterações, a representação, a administração e a gestão da empresa era executada nos períodos objeto da ação fiscal, efetivamente, pelo sócio Edson Russo. A prática reiterada de não declarar nenhum valor de tributo ou contribuição, ou pior, apresentar todas as DCTF SEM NENHUM DÉBITO DECLARADO e as DIPJ COM VALORES PREENCHIDOS COM ZERO (0,00), sem as informações de receitas e faturamento em todos os três anoscalendário e doze períodos consecutivos. Condutas essas adotadas pela interessada, inserindo elementos inexatos em documento exigido pela lei fiscal, é fraudar a fiscalização tributária, e tudo sob o comando do sócio administrador, que teve intuito claro de não recolher nenhum valor a título de IRPJ e CSLL nos períodos. Isto, em tese, é sonegação fiscal, é atuação com excesso de poderes, é infração a Lei e é infração ao contrato social, porque foram atitudes ou condutas graves e não toleradas em qualquer das normas que prescrevem os limites de atuação dos administradores. Os fatos apurados no presente procedimento fiscal são fatos que ensejam a responsabilização do administrador da contribuinte pelo Auto de Infração ora lavrado; pois, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram a forma de atuação deliberada do administrador da empresa, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. A doutrina entende a RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE ADMINISTRADORES como ferramenta a coibir comportamentos tributários fraudulentos dos administradores de empresas, tendo o objetivo fim de que obrigações tributárias sejam corretamente cumpridas. No caso presente não resta dúvida de que contribuinte é a indústria de Laticínios Silvianópolis Ltda, por ser ela quem tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador do IRPJ e CSLL. Todavia, responsável é o administrador da Indústria de Laticínios Silvianópolis Ltda; pois, sem revestirse da condição de contribuinte, sua obrigação Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.310 6 decorre de disposição expressa em. Os artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) têm aplicabilidade ao presente caso, no que se refere a responsabilidade tributária de administradores. A Autoridade Fiscal relacionou, em seguida, uma séria de transcrições doutrinárias e jurisprudenciais no sentido de que quando houver ABUSO, FRAUDE, SONEGAÇÃO, CONDUTAS DOLOSAS a responsabilização do administrador da sociedade é absolutamente oportuna. Diante de todo o exposto no presente tópico, será arrolado como responsável solidário o sócio administrador EDSON RUSSO, CPF 297.289.08849, pelo Auto de Infração ora lavrado na Indústria de Laticínios Silvianópolis Ltda. Ante ao exposto e tendo em vista que o representante legal, o sócio administrador nos termos do contrato social e quem efetivamente administrava e gerenciava a sociedade ou quem, de fato, praticou os atos em nome da fiscalizada, infringiu, em tese, os art. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, sujeitando a empresa as penalidades previstas no art. 44, item II, da Lei nD 9.430, de 1996, conforme descrito neste Termo de Verificação Fiscal. Conseqüentemente restou ainda caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 135, item III, da Lei n° 5.172, de 1966. Por fim, ressaltese que a Autoridade Fiscal efetuou os arrolamentos dos bens da pessoa jurídica e de seu sócio administrador, além da Representação Fiscal para Fins Penais. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente notificados, INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS SILVIANÓPOLIS LTDA e EDSON RUSSO apresentaram suas impugnações (fls. 1114/1129): Exclusão do responsável solidário: Quanto à sujeição passiva solidária atribuída ao sócio Edson Russo, é salutar registrarmos que a sujeição passiva prevista no inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do CTN deve ser provada e não presumida. No caso em lide, constatamos que não há fatos, (inciso III do art. 10 do Decreto 70.235/72) não há provas do interesse jurídico que possa ser mantido o lançamento com amparo no inciso I do art. 124 do CTN. Apesar de constar o 'art. 124 do CTN' no Termo de Sujeição Passiva Solidária e também no item V do Termo de Verificação Fiscal constamos que não há acusação que possa manter a tipificação do segundo impugnante (Edson Russo) como responsável solidário nos termos do art. 124 do CTN. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.311 7 O CARF há muito tempo delimitou que o inciso I do art. 124 do CTN, referese exclusivamente ao interesse jurídico e não econômico. Apesar de constar o art. 135, III do CTN no Termo de Sujeição Passiva Solidária e também no item V do Termo de Verificação Fiscal constamos que não há acusação que possa manter a tipificação do segundo impugnante (Edson Russo) como responsável solidário nos termos do art. 135, inciso III do CTN. Por outro giro, as narrativas dos fatos são no sentido de que a Pessoa Jurídica não apresentou a DCTF e não pagou o tributo. Ocorre Senhores Delegados, que "o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio gerente" nos exatos termos da súmula 430 do STJ. É salutar observarmos que a pessoa jurídica Laticínios Silvianópolis registrou todas as operações comerciais, emitiu as respectivas notas fiscais e efetuou o registro nos Livros contábeis (fato incontroverso nos autos). A Impugnante transcreveu ementas de decisões do CARF e do Poder Judiciário. Inaplicabilidade da multa de 150% Com a devida vénia, as razões expostas no Termo de Verificação Fiscal não são motivos para o agravamento da multa de 75% para 150%. Segundo entendimento do CARF: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (SÚMULA 14 DO CARF) (G. NS.) "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (SÚMULA 25 DO CARF) (G. NS.) O agente fiscal não atendeu aos comandos exigidos pelas súmulas 14 e 25 do CARF, chegando a concluir que a atitude do contribuinte: "em tese" estaria tipificado nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64. Com a devida venia, as súmulas 14 e 25 do CARF exige minuciosa justificativa da 'comprovação' e não "em tese" conforme consta do lançamento. É salutar registrarmos novamente que a Pessoa Jurídica Laticínios Silvianópolis registrou todas as operações comerciais, emitiu as respectivas notas Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.312 8 fiscais e efetuou o registro nos Livros contábeis (fato incontroverso nos autos), e neste caso o CARF leciona nos seguintes termos: "verbis" "PENALIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Tendo a fiscalização fundamentado o lançamento da multa qualificada, pela falta de declaração em DCTF ou por falta de pagamento, não trazendo aos autos outros elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude definido nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, deve a multa de ofício ser desqualificada." (PROCESSO 10510.005682/200725; RECURSO 169508; ACÓRDÃO 140200276, 4A. CÂMARA. 2A. TURMA) (G.NS.) Diante do exposto, a multa de 150% não é aplicada no caso em lide. Falta de liquidez, certeza e exigibilidade do lançamento. Inexistência de Fato Gerador do Imposto de Renda e CSLL. O agente fiscal iniciou o seu trabalho apurando o lucro real da primeira impugnante e após constatar que a mesma possui 'prejuízos acumulados' e 'prejuízos no próprio exercício' passíveis de compensação no Imposto de Renda e na CSLL, resolveu, sem fundamentar, efetuar o lançamento pelo Lucro Presumido e assim, desprezou os prejuízos apurados pelo próprio agente fiscal. No caso em comento, não houve nenhum pagamento a título de Imposto de Renda e CSLL efetuado pela primeira impugnante (Laticínios Silvianópolis) que a vinculase obrigatoriamente ao lucro presumido (§ I O DO ART. 26 DA LEI 9430/96). Nos exatos termos do § 1° do art. 26 da Lei 9430/96 e do item II, pág, 3 do Termo de Verificação Fiscal, 'não havendo pagamento', não há vinculação da impugnante no regime de tributação 'Lucro Presumido'. Regime de Tributação Conforme podemos observar, a autoridade lançadora desconsiderou que o contribuinte não pagou pelo Lucro Presumido (§ I o do art. 29 da Lei 9340/96), e deixou de aplicar a regra ordinária: "Tributação pelo Lucro Real." Senhores Delegados, conforme Balancete elaborado pelo próprio agente fiscal, foi apurado um prejuízo acumulado no período fiscalizado de R$17.772.467.28. No balancete encontramos valores de 'prejuízos acumulados de exercícios anteriores ao período fiscalizado' e 'prejuízos trimestrais de 2010 a 2012' (período fiscalizado) passíveis de serem compensados pelo regime de tributação de 'Lucro Real', sendo que o fisco desprezou os 'prejuízos acumulados dos exercícios anteriores' e 'prejuízos trimestrais' ao efetuar o lançamento de Imposto de Renda e CSLL, ficando caracterizado a total falta de liquidez, certeza e exigibilidade dos lançamentos do presente processo a título de Imposto de Renda e CSLL. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.313 9 Pedido de Perícia No caso em lide, amparado pelo art. 16 do Decreto 70.235/72, a impugnante indicou Perito e formulou os quesitos (fls. 1127/1128). Do Pedido Diante de todo o exposto na presente impugnação, ficou demonstrado que os lançamentos de IR e CSLL possuem irregularidades insanáveis, sendo assim, requer a V. Exas. o conhecimento e o provimento da presente impugnação, para julgar totalmente improcedentes os lançamentos; para excluir o responsável solidário; para reduzir a multa para 75% e finalmente, para anular integralmente os lançamentos, por absoluta inexistência de fato gerador, falta de liquidez, certeza, exigibilidade do IR e da CSLL”. Após análise da impugnação, a 4ª Turma de Julgamento DRJ/REC, por maioria de votos, considerou a impugnação improcedente, para manter a integralmente os Autos de Infração e o Termo de Sujeição Passiva Solidária, vencidos os julgadores Giovanni Christian Nunes Campos e Renato Albuquerque, por serem contrários à multa qualificada. Segue transcrição da ementa do Acórdão n.º 1150.309: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DIPJ PREENCHIDA CARACTERIZA OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A entrega espontânea da DCTF ou de Declaração de Compensação, bem como os parcelamentos requeridos caracterizam opção pelo lucro presumido uma vez que constituem confissão de dívida, e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. MULTA QUALIFICADA. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.314 10 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum nas atividades da empresa e conseqüentemente na situação que gerou a obrigação tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantivo” Inconformada com a referida decisão, as recorrentes interpuseram Recurso Voluntário para apreciação da lide por este Conselho, reiterando as razões apresentadas em primeira instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Da Regime de Tributação Como bem delimitado pela decisão recorrida, o cerne da controvérsia resumese a saber se a entrega da DIPJ sem o correspondente pagamento do IRPJ caracteriza ou não a opção pelo lucro presumido e se tal opção deveria ou não ser respeitada. De um lado, o Fisco entende que a DIPJ preenchida informando, no quadro próprio, que o regime de apuração do IRPJ adotado seria o Lucro Presumido, por três exercícios seguidos, seria suficiente para tributar a contribuinte de acordo com o referido regime; já a Recorrente, entende que a opção pelo lucro presumido somente é efetuada com a quitação da primeira ou única quota do imposto devido no primeiro Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.315 11 trimestre do ano civil ou no início de sua atividade, como disposto no §1º do art. 26 da Lei 9.430/96. Pois bem. De fato, a expressa disposição constante no §4º do art. 516 do RIR/99, abaixo transcrito, prescreve que a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no ano calendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (...) § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). In casu, não consta nos autos o pagamento da primeira ou única quota do IRPJ pela sistemática do lucro presumido, o que afastaria a opção pelo lucro presumido. Porém, restou comprovado que a contribuinte, de forma reiterada, não declarou nenhum tributo devido, seja de impostos ou de contribuições nas DCTF´s, de todos os períodos de apuração (3 anos consecutivos e em todos os 12 trimestres de apuração) seja nas respectivas DIPJs que foram apresentadas zeradas. Desse modo, as informações declaradas nas DIPJ’s nas DCTF’s não permitiriam que a Recorrente efetivasse a opção pelo Lucro Presumido pelo pagamento, justamente, porque em todas as declarações do período fiscalizado os campos das receitas encontravamse zerados, ou seja, não haveria IRPJ a recolher. Por sua vez, o §2º do artigo 13 da Lei nº 8.541/1992 abaixo transcrito, traz que a opção pela tributação com base no lucro presumido será considerada definitiva pela entrega da declaração (DIPJ). Art. 13. Poderão optar pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas cuja receita bruta total, acrescida das demais receitas e ganhos de capital, tenha sido igual ou inferior a 9.600.000 Ufir no anocalendário anterior. (...) § 2° Sem prejuízo do recolhimento do imposto sobre a renda mensal de que trata esta seção, a opção pela tributação com base no lucro presumido será exercida e Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.316 12 considerada definitiva pela entrega da declaração prevista no art. 18, inciso IV, desta lei. (grifamos). Logo, sabendo que o contribuinte declarou não haver tributos devidos nos anoscalendários de 2010, 2011 e 2012, em conjunto com a expressa opção do contribuinte, em suas respectivas DIPJ’s, pelo regime do lucro presumido, e sustentado pelo disposto no art. 13, §2º da Lei 8.541/1992, reputo correto o lançamento lavrado pela 1ª instância administrativa. Ademais, a Recorrente fora intimada, em mais de uma oportunidade, para informar qual foi o regime de apuração do IRPJ e da CSLL – oportunidades em que poderia entregar DIPJ retificadora, porém a mesma optou por não se pronunciar. Portanto, ratifico a procedência dos lançamentos de ofício formalizados nos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, sendo refutado o pedido genérico de nulidade dos lançamentos, por estarem demonstrados os fatos geradores, as bases de cálculo e os valores devidos, que resultam na certeza e na exigibilidade dos tributos lançados. Da Multa de Ofício Qualificada Em vista da ausência de apresentação de novos argumentos pela Recorrente, proponho a adoção das razões contidas na decisão recorrida, com as quais concordo, e passo a transcrever: “No que concerne a aplicação do percentual de 150% da multa de ofício sobre o montante dos tributos apurados pelo Fisco, alega a defesa que as Súmulas 14 e 25 do CARF exigem a comprovação e não "em tese" de que sua atitude estaria tipificada nos arts. 71 e 72 da lei 4.502/64. Não assiste razão à Impugnante. O disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei 9.430, de 1996, é o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.317 13 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Já a Lei nº 4.502, de 1964, estabelece, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A contribuinte afirmou ainda em sua defesa que registrou todas as operações comerciais, emitiu as respectivas notas fiscais e efetuou o registro nos Livros contábeis, o que seriam fatos incontroversos nos autos. Todavia, encontrase comprovado nos autos que a contribuinte de forma reiterada de não declarou nenhum tributo devido, seja de impostos ou de contribuições nas DCTF, de todos os períodos de apuração (3 anos consecutivos e em todos os 12 trimestres de apuração) e também apresentou as respectivas DIPJs zeradas; enquanto ela própria afirma que possuía o conhecimento e registro de sua receita auferida em todo esse período. Quais teriam sido os motivos que impediram a contribuinte de oferecer suas receitas à tributação, informando corretamente seus débitos e pagando os tributos devidos? Infelizmente, a Impugnante não aproveitou esse momento para justificar sua omissão, o que seria de seu dever se justificativa houvesse. Encontrase evidenciado que a Autoridade Fiscal identificou o real intuito da contribuinte ao apresentar as DCTF SEM NENHUM DÉBITO DECLARADO e DIPJ ZERADAS. De fato, a contribuinte agiu dolosamente para impedir totalmente o conhecimento Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.318 14 por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Observese que a contribuinte agiu do mesmo modo por três exercícios seguidos, de 2011 a 2013, o que descaracteriza qualquer alegação de mero erro ou impedimento momentâneo. Diante desses fatos, está formada a convicção de que a ação reiterada da contribuinte de não informar e não pagar os tributos devidos nos três exercícios fiscalizados enquadrase nas hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, o que acarreta por dever de ofício a imputação da multa qualificada de 150%, conforme autuou a Autoridade Fiscal. Desse modo, há motivação nos autos a ensejar a imposição da multa de ofício no percentual de 150%, sendo perfeitamente aplicável a disposição contida no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com majoração do percentual da penalidade sobre os tributos não satisfeitos. Mantida a multa de ofício qualificada”. Da Responsabilidade Passiva Solidária Quanto ao recurso em face do Termo de Sujeição por Solidariedade Passiva, o administrador EDSON RUSSO reitera que não há acusação que possa manter sua tipificação como responsável solidário, seja com base no art. 124, I, seja com base art. 135, III, do CTN, registrando que estes dois artigos fundamentam o referido Termo. Pois bem. De acordo com o Contrato Social e suas Alterações, a representação, a administração e a gestão da empresa era executada nos períodos objeto da ação fiscal, efetivamente, pelo sócio Edson Russo. Houve prática reiterada de não declarar nenhum valor de tributo ou contribuição, ou pior, apresentar todas as DCTF SEM NENHUM DÉBITO DECLARADO e as DIPJ COM VALORES PREENCHIDOS COM ZERO (0,00), sem as informações de receitas e faturamento em todos os três anoscalendário e doze períodos consecutivos. Ao inserir elementos que sabia serem inexatos nos documentos exigidos pela lei fiscal, a contribuinte incorreu em fraude, e por isso será multada. No entanto para imputar responsabilidade solidária obrigando o responsável pela extinção do crédito tributário lavrado, sob a alcunha de possuir interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, requer mais do que a simples comprovação da condição de administrador da empresa. O art. 124, I, CTN exige estritamente o interesse jurídico (e não econômico) comum entre contribuinte e responsável, na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, o dispositivo mencionado serve como fundamento para a imputação de obrigação solidária apenas nos casos em que: Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.319 15 i) Consistindo o suporte factual do tributo em situação jurídica, exista mais de uma pessoa realizando sua materialidade, como ocorre, por exemplo, na incidência do IPTU ou do IPVA, em que dois ou mais sujeitos são proprietários do mesmo imóvel ou veículo automotor, respectivamente; ii) Nos casos em que o suporte de fato da tributação consista em negócio jurídico bilateral, caracterizado pela presença de sujeitos em posições adversas e, por isso mesmo, com objetivos diferentes, a solidariedade poderá instalarse apenas no mesmo polo da relação e tãosomente se estiverem efetivamente praticando o verbo tomado pelo legislador como critério material do gravame. É o que se verifica, por exemplo, no ITBI, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. No Termo de Verificação Fiscal há extensa argumentação doutrinária, porém, com relação aos fatos apurados neste processo, não se denotam fatos concretos que comprovem que o Sr. EDSON RUSSO, tinha interesse jurídico comum e, portanto, figurava no mesmo polo de sujeição quanto à relação jurídica tributária decorrente do fato gerador aqui apurado. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da conduta descrita na hipótese de incidência, naturalmente cada uma atuando em nome próprio. A condição de administrador da contribuinte não implica, por si só, que responsável e contribuinte, conjuntamente, auferiram receita e, portanto, possuam interesse jurídico em comum. De outro bordo, a responsabilização por atos praticados com infração de lei, como disposto no art. 135, III, do CTN, é verificável no caso em apreço. O dispositivo em comento é direcionado aos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado que tenham praticado, por sua conta, atos de gestão de forma ilícita. Para o enquadramento no dispositivo mencionado, devese comprovar que o administrador agiu com o intuito de praticar o ilícito, mesmo sabendo que o ordenamento proíbe tal comportamento. Pela impossibilidade de se comprovar o animus com que o administrador tenha atuado, a prova deverá recair sobre as características da sucessão de atos que resultaram na fraude (“dinâmica da fraude”, nas palavras de MARIA RITA FERRAGUT), e não no ato fraudulento em si. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.320 16 No presente caso, o Contrato Social e suas Alterações anexados aos autos, comprovaram que a representação, a administração e a gestão da empresa nos períodos objeto da ação fiscal eram, efetivamente, executadas pelo sócio Edson Russo. Ato contínuo, para o período fiscalizado, mesmo a contribuinte tendo conhecimento das receitas auferidas, como denotam os documentos entregues a Fiscalização – que inclusive, serviram de base para o lançamento de ofício – nenhum débito foi declarado em DCTF, em todos os períodos dos anos calendário de 2010 a 2012; nenhum pagamento tanto de IRPJ como de CSLL foi feito; e, ainda, as DIPJ’s, dos respectivos anoscalendário, foram entregues zeradas. À luz do exposto, os atos descritos caracterizamse em infração de lei, e podem ser reputados àqueles que detenham gerência sobre a sociedade à época em que foram cometidos os ilícitos. Nesse sentido, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. REDIRECIONAMENTO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO (SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LTDA). SOLIDARIEDADE. PREVISÃO PELA LEI 8.620/93, ART. 13. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR (CF, ART. 146, III, B). INTERPRETAÇÕES SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. CTN, ARTS. 124, II, E 135, III. CÓDIGO CIVIL, ARTS. 1.016 E 1.052. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INOCORRÊNCIA. (...) 5. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. O art. 13 da Lei nº 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art. 135, III, do CTN, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do CTN. (...) 9. Recurso Especial improvido. (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial 717.717 SP, 1ª Seção, Rel. Min. José Delgado, j. 28.09.2005, D.J. 08.05.2006.) Portanto, encontrase caracterizado o vínculo de responsabilidade passiva solidária, razão porque, mantenho a solidariedade passiva prevista no art. 135, inciso III, do CTN, imputado ao Sr. EDSON RUSSO, CPF 297.289.08849. Conclusão Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.321 17 Diante do expos, NEGO provimento aos Recursos Voluntários, para manter em sua integralidade os Autos de Infração do presente processo e o Termo de Sujeição Passiva Solidária. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.322 18 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Redator Designado. Pedindo vênia ao Conselheiro Relator, ouso discordar do posicionamento adotado com relação ao regime de tributação adotado pelo agente fiscal. Como muito bem colocado alhures no voto vencido, "o cerne da controvérsia resumese a saber se a entrega da DIPJ sem o correspondente pagamento do IRPJ caracteriza ou não a opção pelo lucro presumido e se tal opção deveria ou não ser respeitada", e. por consequencia, se houve erro da fiscalização quando da apuração dos tributos supostamente devidos pelo Recorrente. Pelo o que se depreende do § 4º, do artigo 516 do RIR/99, a opção de tributação pelo lucro presumido será manifestada com o pagamento da primeira parcela do tributo ou da quota única. Vejase: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (...) § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). Pelo o que se depreende do dispositivo legal acima transcrito, não há dúvidas de que a opção pelo lucro presumido só será formalizada com o pagamento do tributo, da primeira parcela ou da quota única. A entrega das declarações, mesmo que de forma reiterada e por vários anos seguintes, não tem o condão de formalizar a essa opção. Nos autos, é incontroverso que, no período fiscalizado, o Recorrente, em que pese ter entregado suas declarações indicando a forma de tributação pelo lucro presumido, não recolheu nenhum valor ao erário. As declarações, ao arrepio da realidade das operações do contribuinte, foram declaradas zeradas, sem que houvesse, reiterese, qualquer pagamento. Assim, não resta dúvidas de que o Recorrente não cumpriu os requisitos do dispositivo legal acima colacionado e, por isso, deveria ser tributado com base no lucro real, que é a regra geral. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem jurisprudência firme neste sentido. Confirase julgado proferido: Acórdão: 1402001.990 Número do Processo: 10467.720154/201311 Data de Publicação: 06/01/2016 Contribuinte: SIMPLESTEC INFORMTICA LTDA ME Relator(a): LEONARDO DE ANDRADE COUTO Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.323 19 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2009 LUCRO PRESUMIDO.OPÇÃO.INEXISTÊNCIA.A apuração do resultado da pessoa jurídica na modalidade do lucro presumido prescinde da opção formal por essa modalidade, caracterizada pelo pagamento da primeira cota ou cota única do imposto. Desqualificada a opção em função da ausência de recolhimento, correto o lançamento pelo lucro real se disponíveis as informações necessárias a essa apuração. Contudo, pelo o que se depreende do Auto de Infração lavrado, ao proferir a autuação, o douto agente fiscal apurou os tributos supostamente devidos pelo Recorrente como se tivesse optado pela tributação pelo lucro presumido, o que não se pode admitir, já que tinha informações necessárias para apurar o lucro na modalidade real. Não se pode olvidar que a apuração pelo lucro real é a que espelha de forma mais fidedigna a atividade e, por consequência, a lucratividade do contribuinte. Portanto, existindo elementos suficientes para a sua apuração, é nela que a fiscalização deve se pautar quando da constituição do crédito tributário via Auto de Infração. Este entendimento também já restou consagrado na jurisprudência do CARF. Confirase: Acórdão: 1401000.157 Número do Processo: 19515.001666/200615 Data de Publicação: 30/06/2010 Contribuinte: SITEL DO BRASIL LTDA Relator(a): Alexandre Antônio Alkmim Teixeira MPF. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO durante o procedimento de fiscalização não existe contraditório e ampla defesa, direitos esses que serão exercidos a posteriori, com a instauração do processo administrativo fiscal. Desta feita, a existência, ou não de MPF para o período em nada prejudica o contribuinte, servindo, o MPF, apenas como instrumento de direcionamento da atividade de fiscalização. DIPJ. NÃO APRESENTAÇÃO. FATOS DE TERCEIROS Cabe ao contribuinte provar que terceiros, e não ele próprio, apresentaram suas declarações de imposto de renda, de forma a invalidar as afirmações contidas no documento. IREI. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. PAGAMENTO DO DARF O art. 26 da Lei n°9.430/96 estabelece que a opção do contribuinte pelo lucro presumido será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. A opção pelo Lucro Presumido é uma tarefa que cabe exclusivamente ao contribuinte, sendo vedado ao fisco lançar o tributo por essa sistemática se o contribuinte por ela não optou (da forma como determina a legislação). LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME LEGAL: LUCRO REAL TRIMESTRAL. APLICAÇÃO SUCESSIVA DO LUCRO ARBITRADO. Diante da ausência de opção pelo lucro presumido, a fiscalização somente poderá apurar o tributo com base na sistemática do Lucro Real, que é o regime que espelha a lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte — nem maior, nem menor. Caso a escrituração do Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.324 20 contribuinte não permita apuração com base no Lucro Real, caberá ao fisco o arbitramento do lucro. Recurso voluntário provido. (destacouse) Considerando que a fiscalização lavrou o Auto de Infração com base no lucro presumido, em detrimento do lucro real, alternativa não há, senão a declaração de nulidade total da autuação, uma vez que deixou de cumprir os requisitos elencados no artigo 142 do CTN, que tem a seguinte redação: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, sendo a base de cálculo do tributo apurada de forma equivocada, em desacordo com o comando do Código Tributário Nacional, é nulo o Auto de Infração, por vício material. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando o acórdão recorrido, para anular o Auto de Infração lavrado em face do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. A questão posta nos autos, como já repisado, diz respeito à aceitabilidade da opção pela apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) com base no Lucro Presumido, o que tem implicações na aferição do acerto (ou não) da constituição do crédito tributário por parte da autoridade fiscal com base na referida sistemática. Pois bem, é sabido que, desde a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a regra geral aplicável à apuração do IRPJ pelas pessoa jurídicas é a determinação com base no Lucro Real, por períodos trimestrais, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. Como alternativa à regra geral, facultase a opção pela apuração pelo Lucro Real anual, com recolhimentos mensais sobre base de cálculo estimada (conforme art. 2º Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.325 21 daquela norma) e, para aquelas pessoas jurídicas nãoobrigadas à apuração com base no Lucro Real, a opção pela determinação com base no Lucro Presumido. A opção pelas formas de apuração alternativas, contudo, impõe determinadas formalidades, sendo importante ao caso sob exame o detalhamento daquela aplicável à apuração com base no Lucro Presumido, como definida no art. 26, §1º, da citada Lei nº 9.430. In verbis: "Art.26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário." (Destacouse) Como se observa, a única forma de opção prevista pela legislação é o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração do ano calendário. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, contudo, passou a admitir que a citada opção fosse manifestada de outras formas. Neste ponto, cabe destacar o decidido por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 11 de fevereiro de 2008, suscitada também no Acórdão recorrido. Segundo aquela norma, além do pagamento estipulado no art. 26, §1º, da Lei nº 9430, de 1996, a opção estaria manifestada: a) pela entrega espontânea de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou de Declaração de Compensação (DComp), com confissão de débitos relativos à sistemática de apuração do Lucro Presumido; b) pela entrega de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), devidamente preenchida; A citada Solução de Consulta Interna foi utilizada pelos julgadores de primeira instância para entender pela correção do lançamento com base no Lucro Presumido. Ocorre que, no caso, a Recorrente apresentou as DCTF sem a confissão de qualquer débito, bem como apresentou a DIPJ com os valores totalmente zerados. Neste sentido, não foram atendidas nenhuma das formas alternativas admitidas na norma da Cosit. Destaco que a DIPJ sem valores não "traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto", que foi exatamente o fundamento da Solução de Consulta Interna para a admissão desta forma alternativa de opção. A própria norma dispõe que "tal consideração não pode ser aplicada à DIPJ entregue sem preenchimento, apenas com o objetivo de afastar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória". Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10660.721588/201422 Acórdão n.º 1302002.635 S1C3T2 Fl. 1.326 22 Por essas razões, entendo que não houve a opção pelo sujeito passivo pela apuração do IRPJ com base no Lucro Presumido, de modo que a autoridade fiscal deveria ter realizado a apuração com base na regra geral do Lucro Real, por períodos trimestrais. Isto posto, acompanho a divergência e voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de promover a anulação do Auto de Infração lavrado contra a Recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1326DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.907848/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-005.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 48 /2 01 1- 75 Fl. 522DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição, correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Converteuse o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. Intimado, o contribuinte apresentou a documentação solicitada e a fiscalização juntou aos autos informação fiscal. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição manifestandose sobre o resultado da diligência fiscal. É o relatório, em síntese. Voto Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10850.907848/201175 Acórdão n.º 3402005.273 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu a existência de créditos decorrentes de pagamento a maior, passíveis de restituição, conforme planilha apresentada na informação fiscal. Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Portanto, no que é pertinente aos créditos reconhecidos pela informação fiscal, não resta qualquer controvérsia nos autos, devendo serem reconhecidos por este Colegiado. Desse modo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 524DF CARF MF 4 Fl. 525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000308/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Adotase o relatório do Acórdão 1202000.743 da então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste CARF, com os complementos necessários a seguir: Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte e de recurso de ofício apresentado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .0 00 30 8/ 20 09 -7 4 Fl. 828DF CARF MF Processo nº 14098.000308/200974 Resolução nº 1201000.450 S1C2T1 Fl. 3 2 Julgamento em Campo Grande – MS em face de decisão que deu provimento parcial à impugnação. O Auto de Infração de fls. 209/213 foi lavrado para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no montante total de R$ 20.773.338,84, com acréscimos calculados até 30/09/2009, em razão da apuração das seguintes infrações: 001 Custo ou despesa não comprovados Glosa de Custos; 002 Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real – Exclusão indevida de depreciação acelerada. O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 21/10/2009 (AR à fl. 223) e impugnou o lançamento, alegando, em síntese: A) nulidade da autuação que, por ser continuidade do processo 14098.000305/200931, cujo objetivo inicial era verificar o cumprimento de obrigações do IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário 2004, tendo sido o período de análise ampliado para abordar até o ano de 2006, não poderia ter ocorrido a lavratura deste antes da decisão naquele processo. Alternativamente, pede a tramitação de forma dependente com o processo 14098.000305/200931, com base na Portaria RFB nº 666/2008; B) fundamentado no art. 37 da Lei nº 9.784/99, não juntou os livros devidamente autenticados pela Junta Comercial com a impugnação tendo em vista a viabilidade de consulta no processo 14098.000305/200931; C) requereu a juntada de notas fiscais discriminadas no quadro de fls. 235 e com cópia às fls. 253/268, para comprovar que os produtos adquiridos referiamse a insumos utilizados na produção agrícola, visando ilidir a argumentação do auditor quanto à "falta de apresentação de documentos e esclarecimentos acerca da mostra obtida a partir da conta 'Fornecedores no País". A DRJ acatou as despesas comprovadas pelas notas fiscais apresentadas com a impugnação e reduziu parcialmente a autuação quanto à glosa respectiva. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. Face a comprovação de alguns custos, mantémse parte da autuação, relativa a parte não comprovada. AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 14098.000308/200974 Resolução nº 1201000.450 S1C2T1 Fl. 4 3 O lançamento da Contribuição Social, baseado nos mesmos elementos de prova, deve observar o entendimento adotado em relação à exigência principal do IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Dessa decisão tomou ciência o contribuinte em 16/09/2010 (fl.281). Inconformado, interpôs recurso voluntário ao CARF, em 15/10/2010 (fls. 299 e ss), basicamente, repisando as razões da impugnação quanto à nulidade da autuação. No mérito, com apoio no princípio da busca da verdade material, pede que seja mantido em parte o que já decidido pela Turma de Julgamento, mas corrigido o valor, uma vez que traz no recurso voluntário a prova de que houve (i) depreciação acelerada do ativo permanente imobilizado nos termos da legislação de regência e (ii) apresentação de mais 2 (duas) Notas Fiscais que comprovam aquisições do fornecedor Bayer Crospscience, no total de R$ 876.061,49, que representam custos incorridos e não comprovados anteriormente, e (iii) redução do valor tributável da CSLL do prejuízo fiscal acumulado. Na justificativa da falta de juntada livros contábeis e fiscais autenticados pela Junta Comercial na impugnação, cita o art. 37 da Lei nº 9.784/97 e possibilidade de consulta no processo que deu origem a este, mencionando, in verbis, que: era proprietário de várias fazendas no Mato Grosso. As Notas Fiscais e livros contábeis e fiscais ficavam a mercê de trabalhadores rústicos que, na maioria das vezes, não dava (sic) a devida atenção a esses documentos. Reunir todos esses documentos em um único local é tarefa hercúlea, pois são centenas de quilômetros a serem vencidos entre as fazendas sob o risco de extraviarem algumas notas, como de fato aconteceu. Em seguida, diz que os documentos juntados com a impugnação para provar os custos incorridos em sua produção agropastoril não representam a totalidade dos custos incorridos e apresenta mais duas Notas Fiscais. Quanto à Depreciação Acelerada, integralmente glosada em razão da não comprovação da aquisição dos bens do ativo imobilizado para o ano de 2004, apresenta relação de 5 (cinco) páginas contendo: coluna (i) a data da aquisição, na coluna (ii) número da Nota Fiscal, na coluna (iii) o CNPJ do fornecedor, na coluna (iv) o nome do fornecedor, na coluna (v) o valor lançado a título de aquisição de bens do ativo permanente imobilizado; na coluna (vi) o valor total acumulado e na coluna (vii) a Nota Fiscal encontrada e o valor que deve ser levado a efeito para comprovação da aquisição e evitar a glosa efetuada pela fiscalização. Aduz que, dos R$ 14.251.749,88, glosados a título de depreciação acelerada glosada por falta de comprovação, está sendo apresentado o montante de R$ 13.883.214,67, comprovado com as respectivas Notas Fiscais acostadas aos autos. Para justificar essa juntada, a título de busca da verdade material, sustenta, litteris: 35. Mais uma vez é bom que se diga que dada as condições reais (empresa rural, várias fazendas, longas distâncias, mão de obra precária, etc...), tornase muito difícil buscar todas as comprovações requeridas a tempo e a hora pela Fiscalização, que, se diga de passagem e sem nenhum demérito, em nenhum momento se dispôs a visitar qualquer uma das propriedades rurais da Recorrente para Fl. 830DF CARF MF Processo nº 14098.000308/200974 Resolução nº 1201000.450 S1C2T1 Fl. 5 4 verificar in locu a existência ou não do ativo permanente imobilizado, cuja existência era alegada pela contribuinte ou refutada pelo Fisco. Requer, ainda, que o valor tributável da CSLL seja reduzido do prejuízo fiscal acumulado de R$ 3.134.885,61, corrigido monetariamente. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade dos valores supostamente devidos a título de IRPJ e CSLL, nos termos do inciso III, art. 151 do CTN. Foi negado provimento aos recursos (Voluntário e de Ofício), conforme Acórdão 1202000.743 da então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste CARF assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 RECURSO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DOS CUSTOS. Devidamente fundamentada na legislação vigente e nas provas dos autos a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação, é de se negar provimento ao recurso de ofício apresentado pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou parcela do crédito tributário da Fazenda Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINARES DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. São improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. JUNTADA DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. INDEFERIMENTO. A apresentação de documentação referente a despesas e custos glosados apenas em segunda instância de julgamento, sem comprovação da impossibilidade de entrega em momento anterior, não encontra guarida nas normas que regem o processo administrativo fiscal, menos ainda quando se pretende atender a requisitos de aproveitamento de benefício fiscal. Foi manejado Recurso Especial pelo contribuinte. A decisão (Acórdão nº 9101 002.781 da Primeira Turma da CSRF) está assim ementada: RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. A parte dispositiva do voto vencedor é a seguinte: Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 14098.000308/200974 Resolução nº 1201000.450 S1C2T1 Fl. 6 5 Não houve ciência do contribuinte quanto à decisão proferida em sede de Recurso Especial. Houve a distribuição do processo, por sorteio, para julgamento no âmbito desta Turma Ordinária. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso foi protocolado tempestivamente e atende aos demais requisitos estabelecidos na legislação, dele devendose conhecer. Análise de documentos. No Recurso Voluntário, a recorrente apresenta diversos documentos e planilha com os quais pretende comprovar as despesas e a depreciação acelerada, cujos valores foram glosados pela fiscalização. Tais documentos e planilha encontramse às fls. 372 a 670. Tendose em vista a determinação contida na decisão do Recurso Especial, as Notas Fiscais relativas às despesas, assim como a planilha e as Notas Fiscais relativas à aquisição de bens sujeitos à depreciação acelerada, deverão ser analisadas para fins de verificação quanto à legitimidade das deduções. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os registros contábeis e fiscais e, ainda, com outros dados disponíveis, v.g., o processo administrativo indicado no recurso. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado quanto à possibilidade das deduções, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Junto com a primeira intimação endereçada à contribuinte, deverá ser enviada cópia do Acórdão relativo ao Recurso Especial (fls. 809 a 817), para ciência. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944899/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.558
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1) por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2) quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de venda com suspensão, e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN nº 660/06; 3) quanto à aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4) quanto à NF 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5) quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6) quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7) quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8) caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; 9) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo para manifestação; e 10) retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1) por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2) quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de venda com suspensão, e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN nº 660/06; 3) quanto à aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4) quanto à NF 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5) quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6) quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7) quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8) caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; 9) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo para manifestação; e 10) retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1) por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2) quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de “venda com suspensão”, e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN nº 660/06; 3) quanto à aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4) quanto à NF 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5) quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6) quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7) quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8) caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; 9) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; e 10) retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 89 9/ 20 13 -9 2 Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.203 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Na origem, a DRF analisou os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) e Declarações de Compensação (DCOMP) a eles vinculadas, por meio dos quais a empresa pretende ressarcir e compensar, neste último caso, quando houver DCOMP para o período, créditos da nãocumulatividade da COFINS e do PIS/Pasep vinculados a receitas tributadas à alíquota 0 (zero) no mercado interno e oriundos do 3º e 4º trimestres de 2007; 1º trimestre de 2009; 1º trimestre de 2010 ao 4º trimestre de 2012; bem como, no caso exclusivo dos créditos de Cofins, do 2º ao 4º trimestre de 2009, que, segundo o contribuinte, montam em R$ 146.939.599,93 (cento e quarenta e seis milhões, novecentos e trinta e nove mil, quinhentos e noventa e nove reais e noventa e três centavos). Tratase de julgamento em conjunto de 33 (trinta e três) processos conexos: 1. 10880.944897/201301; 2. 10880.944898/201348; 3. 12585.000324/201083; 4. 12585.000325/201028; 5. 12585.000326/201072; 6. 12585.000328/201061; 7. 10880.944921/201302; 8. 10880.944917/201336; 9. 10880.944918/201381; 10. 10880.944920/201350; 11. 10880.944910/201314; 12. 10880.944911/201369; 13. 10880.944902/201378; 14. 10880.944900/201389; 15. 10880.944913/201358; 16. 10880.944903/201312; 17. 10880.944906/201356; 18. 10880.944923/201393; 19. 10880.944896/201359; 20. 10880.944899/201392; 21. 12585.000327/201017; 22. 10880.944915/201347; 23. 10880.944919/201325; 24. 10880.944914/201301; 25. 10880.944916/201391; 26. 10880.944912/201311; 27. 10880.944908/201345; Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.204 3 28. 10880.944909/201390; 29. 10880.944904/201367; 30. 10880.944901/201323; 31. 10880.944905/201310; 32. 10880.944907/201309 e, 33. 10880.944922/201349. Tais processos foram analisados em conjunto na origem, tendo sido emitida apenas uma informação fiscal para todos os períodos, a qual embasou os Despachos Decisórios, e neste relatório, remetese a essa informação fiscal. Na DRF, foram deferidos parcialmente os pedidos eletrônicos de ressarcimento, e, em consequência, homologadas as declarações de compensação apresentadas até o limite do direito creditório reconhecido, quando existentes. Informação Fiscal Extraise da Informação Fiscal os detalhes das glosas efetuadas pela fiscalização: DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA • o sujeito passivo apurou créditos básicos de bens para revenda calculados em relação à aquisição de leite fresco in natura nos períodos de apuração julho/2007, setembro/2007 e dezembro/2007, nos seguintes montantes: Por outro lado, ao analisar a planilha enviada pela contribuinte em 15/01/2014 com a relação de todos os produtos vendidos, acompanhados de sua descrição e montante total no período, constatouse que ela obteve receitas de vendas de leite fresco in natura inferiores aos valores adquiridos no mês, conforme relação abaixo: Assim, tendo em vista que o leite fresco in natura é produto com alto grau de perecibilidade e tornase, em reduzido intervalo de tempo, impróprio para a utilização ou comercialização, é razoável concluir que os valores adquiridos que excedem as receitas de vendas desse produto certamente não foram destinados à revenda e, portanto, não devem compor o crédito básico da rubrica sob análise. Nesse sentido, desconsiderada a possibilidade de as quantidades excedentes terem perecido e, assim, sido desperdiçadas, o que anularia totalmente os créditos do sujeito passivo, é natural inferir que tenham sido utilizadas como insumos na industrialização dos laticínios que compõem a carteira de produtos do sujeito passivo. Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.205 4 Por essa razão, foram realocados os valores que excedem as receitas de venda de leite fresco in natura para a rubrica créditos presumidos e mantidos sob a rubrica bens adquiridos para revenda os valores dentro dos limites das receitas acima discriminadas; • a contribuinte foi intimada a apresentar descrição sucinta de alguns itens presentes em suas planilhas de crédito, bem como a sua destinação no âmbito do processo produtivo. A explicação fornecida deixa claro que se trata de embalagem ou material de embalagem utilizados no transporte das mercadorias vendidas, não se integrando aos produtos finais vendidos. Não é de se cogitar o enquadramento desses produtos como insumo, tendo em vista que, para tanto, o material em questão deveria ser aplicado na embalagem de apresentação destinada ao consumidor final, e não de forma acessória apenas na embalagem de transporte. Por essa razão, os lançamentos referentes à aquisição de CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH 26X130G REFR BR e CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR foram integralmente glosados; • a autuada apurou parte de seu crédito com base em operações cujas naturezas não se encaixam no conceito de bens para revenda, uma vez que descreveu essas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada”, com a utilização do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) nº 1949. Dessa forma, essas operações foram integralmente glosadas; DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS • de modo análogo ao caso dos bens adquiridos para revenda, as aquisições de “Leite fresco produtor granel” e “Leite fresco usina granel” para insumo são hipóteses de apuração de crédito presumido, a teor do disposto no art. 8º, § 1º, inciso II, da Lei nº 10.925, de 2004, não podendo gerar créditos com alíquota cheia. Por isso, esses valores devem ser realocados para a rubrica adequada, qual seja, “Créditos Presumidos Calculados sobre a Aquisição de Insumos de Origem Animal”; • pelas razões já acima expostas, foram glosados os créditos decorrentes da aquisição dos seguintes produtos, tendo em vista que se enquadram no conceito de embalagem ou material de embalagem de mero transporte de mercadorias, não integrados ao produto destinado ao consumidor final: CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA CHAMY FRUTESS T REX 1000G REFR BR, CAIXA CHANDELLE 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA CHBNH 38X90G YGT24X130G REFR BR, CAIXA DE GAXETA ACO, CAIXA ESPECIALIDADE LACTEA REFR BR, CAIXA EXPEDICAO MOUSSE 14X150G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO NECTAR LARANJA 12X1L, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA FRUTESS T PRISMA 12X315G REFR BR, CAIXA GAXETA TRI CLOVER PN J324B0002, CAIXA PAP ONDULADO IOG POLPA 12X400G, CAIXA PO AUTM IOG LIQ 48X180G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X450G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X720G REFR BR, CAIXA PO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PO ERCA DECOR 3 12X400G REFR BR, CAIXA PO MOCA FESTA 20X180G BR, CAIXA PO NESTLE IOG NAT 21X170G REFR BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO BIG 22X720G BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO CHOC 20X480G BR, CAIXA PO REFR CHANDELLE MOUSSE 14MP BR, CAIXA PO REFR ERCA DECOR 4 600G BR, CAIXA PO REFR NESTLE NINHO 100G BR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 32MMBR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 35MMBR, CAIXA PO REFR REQUEIJAO 19X220G BR, CAIXA POICAO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PUDIM MOCA 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA SEM ABAS CHMYT 30X4P 22X6P REFR BR, CAIXA UNICAYGT 6 BANDEJAS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.206 5 26X130G REFR BR, CAIXA YGT BAG 1 X 10KG REFR BR, CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR, CAIXA YGT LIQ 45X200G9X800G REFR BR, CAIXA YGT LIQUIDOS 10X850 900G REFR BR, CAIXA YGT MOLICO 21X150G REFR BR e CAIXAPO REFRCHDEL MSE INDVIDUAL 14X75GBR, ACESSORIO CONTAINER 1200KG, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413115, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413136, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413167, CONTAINER PREP FRT 1200KG, CX TRANSPORTE FRASCOS FORNECEDOR, DIVISORIA DE PAPELAO, DIVISORIA PAPELAO 1 00MX1 20M, ETIQUETA IDENTIFICACAO PALETE REFR BR, ETIQUETA PAPEL AADSV AUTOMACAO FABRICA, ETIQUETA PAPEL AUTO ADESIVA C75MM L104MM, FILME ENCOLHIVEL CHAMYTO 6P REFR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 450G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 720G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM720G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT TT FR 450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL PEBD CHAMYTO 6X75G PR, FILME PEBD CHAMY MRG REFR BR, FILME PEBD PELBD NESTLE MRG REFR 900G, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO 6X75G TT FR PR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO UVA 6X75G, FILME SHRINK PEBD CHMYT BIG FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD FCHAMYTO BIG 6X120G PR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO 4X3G PRBR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO BIG BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEI FERMENTADO BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEIFERMENT 7X1 BR, FILME TERMOENC CHAMYTO TT FR 6 POTES BR, FITA ARQUEAR PP VERDE C2000MX L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM 2008, PAPELAO VELOMOIDE 1 64 ESPES X1 20 LARG e STRETCHFILME 500MM X 24 5UM. • os lançamentos descritos como CAPA DESCARTAVEL TAMANHO UNICO, DESINFETANTE DIVOSAN S1, DESINFETANTE ACIDO PERACET LIQ 30KG, LUVAS DESCARTAVEL 340X270X006MM, MANGOTE DESCART POLIPR BRANCO GRAM 20, MANGOTE DESCARTAVEL POLIPROPILENO, MANGOTES EM POLIPROPILENO BRANCA 30GR, PANO DE LIMPEZA ALVEJADO 60CMx35CM, PANO LIMPEZA AZUL BAINHA MED 30X40CM, PANO LIMPEZA BAINHA BRANCO MED42X75CM, PANO PARA LIMPEZA OVERLOQUE AZUL40X20CM, PAR DE LUVA DE POLITILENO TRANSPARENTE, SABONETE LIQUIDO SUMASEPT, TOUCA DESC AZUL C ELASTICO 50CM GRAM 30, TOUCA DESCARTAVEL 50CM GRAMATURA 30 e TOUCA PROT DESC PP BR UN referemse à aquisição de material de limpeza, no caso do desinfetante, e de material descartável de proteção pessoal e higiene nos demais casos, não se enquadrando, portanto, no conceito de insumo. As Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, ao explicitarem o que se deve ter por insumo para os fins colimados pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, definiram que se entende como insumo as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Não é o caso, por óbvio, dos bens supramencionados, que são utilizados apenas para proteção pessoal e manutenção das condições de higiene do ambiente em que são utilizados, não sendo consumidos ou integrados ao produto final durante a fabricação, devendo, portanto, ser integralmente glosados. Igual tratamento merece a aquisição de FITA ISOLANTE, material acessório utilizado em reparos de máquinas, equipamentos ou instalações elétricas não necessariamente ligadas ao processo produtivo, que sequer é incluída quando da substituição de peças que sofrem desgaste Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.207 6 em decorrência da fabricação do produto. O mesmo pode se dizer dos lançamentos descritos como 7 SERVICOS CONSULTORIA EM RH, BRINDE E RELACOES PUBLICAS e BRINDES DIVERSOS, uma vez que os serviços de consultoria em recursos humanos destinamse, preponderantemente, ao auxílio no recrutamento e gerenciamento de pessoal, não se encaixando, por óbvio no conceito de insumos. Assim como os brindes, usualmente destinados a clientes e fornecedores, e não direcionados ao processo produtivo, não ensejando apuração de créditos. As aquisições de GAS LIQUEFEITO DE PETROLEO BOT, GAS LIQUEFEITO PETROLEO EM BOTIJAO 45 KG e GAS LIQUEFEITO PETROLEO BOTIJAO 20KG EMP também foram integralmente glosadas tendo em vista que, em resposta à intimação que lhe foi feita, a contribuinte esclareceu que os referidos itens são utilizados como “combustível para empilhadeiras” ou na “preparação de alimento não se encaixando, portanto, no conceito de insumos. Por essa razão, os créditos decorrentes dos lançamentos supracitados foram integralmente glosados; • a aquisição de LEITE DESNATADO GRANEL, LEITE DESNATADO GRANEL TERCEIROS, LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER, LEITE EM PO DESNATADO MSK, LEITE PO INTEGRAL 26 25KG, LEITE PO MSK 25KG e SORO MILK PO 25KG são operações sujeitas à alíquota zero, pois se tratam de aquisição de leite industrializado, desnatado, integral ou em pó, bem como de soro de leite, cujas alíquotas das contribuições são iguais a zero, conforme reza o art. 1º, XI e XIII, da Lei nº 10.925, de 2004. Aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito, nos termos do § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que determinam que “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Dessa forma os referidos lançamentos foram integralmente glosados. Assim como a aquisição de leite industrializado, a aquisição no mercado interno de frutas e produtos hortícolas classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI também se sujeita a alíquota zero, de acordo com o art. 28, inciso III, da Lei nº 10.865, de 2004. Por essa razão, os créditos decorrentes das aquisições de produtos hortícolas e frutas, todos classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI, descritos como AMEIXA POLPA PASTEURIZADA 20KG, AMORA POLPA 8BRIX CONGELADA 20KG, BANANA POLPA LIQUIDA 24BRIX PAST 20KG, COCO RALADO 0JAN 004 MM 25KG, FRAMBOESA POLPA 8BRIX 10KG, KIWI POLPA 13 BRIX, MAMAO POLPA 8 11 BRIX PASTEURIZADO 210KG, MELAO POLPA 4 7BRIX CONGELADO 12KG, MORANGO POLPA SEM SMT 4 5 8 5BRIX 10KG, PERA POLPA 8 13BRIX CONGELADA 20KG, PESSEGO POLPA 8 11BRIX CONGELADO 12KG, POLPA DE MORANGO, POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 200KG e POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 210KG, foram integralmente glosados; • a contribuinte apurou parte de seu crédito com base em operações cujas naturezas não se encaixam no conceito de bens utilizados como insumos, uma vez que descreveu essas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada” e “Compra de material para uso ou consumo”, com a utilização dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) nº 1949, 2949, 1556 e 2556. Por conseguinte, os créditos decorrentes dessas operações foram integralmente glosados; DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS • a autuada foi intimada, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica “Serviços Utilizados como Insumos” deveria conter o detalhamento das prestações em questão, contendo “Mês de Referência”; Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.208 7 “Data de Apropriação do Crédito”; “Descrição da Operação”; “CFOP da Operação”; “Número da Nota Fiscal”; "Data da Nota Fiscal"; “CNPJ do Fornecedor”; “Razão Social do Fornecedor”; "Número do Item/Bem/Serviço da Nota Fiscal"; "Código do Item/Bem/Serviço"; “Classificação Fiscal TIPI do Item/Bem”; "Descrição do Item/Bem/Serviço"; “Valor da Nota Fiscal”; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável”. Nesse sentido, foram glosados os créditos decorrentes de todas as aquisições de serviços utilizados como insumos descritos como “GENERICOS” nas planilhas apresentadas pelo sujeito passivo, contratados de EMPRESA DE TRANSPORTES SOPRODIVINO S.A., NESTLE BRASIL LTDA e PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA, tendo em vista que somente com as informações fornecidas não é possível assegurar se os serviços em questão enquadram se, de fato, no conceito de insumo; • foi feito ajuste negativo no valor de R$ 4.679.264,48 da base de cálculo dos créditos apurados em relação à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 013645, de fevereiro/2009, emitido por LOGOPLASTE DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.359.256/000513, para refletir o seu real valor de face, que monta em R$ 4.663,40, e foi erroneamente registrado pelo sujeito passivo pelo valor de R$ 4.683.927,88. Da mesma forma, foi feito ajuste negativo no valor de R$ 28.607,49 da base de cálculo dos créditos apurados em relação à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 000202233, de setembro de 2012, emitido por TETRA PAK LTDA, CNPJ nº 61.528.030/000160, para refletir apenas o valor dos produtos e serviços adquiridos, que montam em R$ 418.390,89, e retirar o IPI incidente, recuperável pelo sujeito passivo, e os encargos financeiros, que não compõem a base de cálculo de créditos; • conforme inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, de idêntico teor, não darão direito a crédito os valores de mãodeobra pagos a pessoa física. É mister destacar que a referida norma não deve ser compreendida em sentido meramente literal, restrito, de modo a admitir que o pagamento a título de mãodeobra a pessoa física por intermédio de uma pessoa jurídica contratada para tal fim garanta direito a creditamento. Entender dessa forma é subverter o sentido da norma, que visa evitar que as pessoas jurídicas possam indevidamente apurar créditos sobre a folha de pagamento com utilização de empresas de mãodeobra ou contratação de autônomos. Por essa razão, glosamos as operações relativas à contratação de mão de obra temporária, descritas pelo sujeito passivo em sua memória de cálculo como “SERV DE MAO DE OBRA TEMPORARIA”, contratados preponderantemente da empresa SOCIEDADE EMPRESARIAL DE TERCEIRIZACAO E SERVICOS LTDA, CNPJ nº 04.842.349/000121; • a aquisição de LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER é operação sujeita à alíquota zero, pois se trata de aquisição de leite industrializado desnatado, cujas alíquotas das contribuições são iguais a zero, conforme reza o art. 1º, inciso XI, da Lei nº 10.925, de 2004. Aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito, nos termos do § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Dessa forma, os créditos referentes a esses lançamentos foram integralmente glosados; • foram glosados os créditos referentes aos serviços contratados de LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/009454, e de PAULISTANIA LOCADORA DE VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.339.638/0004 92, tendo em vista que ambos têm como atividade principal o serviço de locação de automóveis sem condutor, prestação que, considerada a atividade do sujeito passivo (produção de laticínios), não se encaixa no conceito de serviços utilizados como insumos; Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.209 8 • a empresa MONTIN MEC MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, CNPJ nº 15.023.132/000106, tem como objeto a instalação de máquinas e equipamentos industriais. Tomando como exemplo a nota fiscal nº 79, de dezembro de 2012, o serviço prestado é de fabricação e instalação de pórtico para manutenção das torres de resfriamento, serviço que não se integra ou agrega valor aos produtos comercializados pelo sujeito passivo, não se enquadrando como insumo, sendo integralmente objeto de glosa por parte da fiscalização os créditos decorrentes das aquisições desse fornecedor; • a empresa PASCOTTI SERVICOS DE TERRAPLENAGEM LOCACAO DE MAQUINAS E VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.887.120/000140, presta serviços de obras de terraplenagem, obras de urbanização em ruas, praças e calçadas, construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas, exceto obras de irrigação, serviços de preparação do terreno, aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes, atua nos setores de terraplenagem, pavimentação asfáltica, infraestrutura em geral, locação de equipamentos e fornecimento de materiais básicos para construção civil em empreendimentos comerciais, industriais e residenciais. Nenhum desses serviços se enquadram no conceito de insumo, ao se considerar o ramo de atuação do sujeito passivo (produção de laticínios), devendo, portanto, ser glosados os créditos relativos às aquisições de serviço do fornecedor em questão; • a empresa PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA, CNPJ nº 70.059.043/ 000128, tem como atividade principal a locação de mãodeobra temporária, atuando também nos serviços de conservação e limpeza, serviços temporários e terceirização de mão de obra. Nesse sentido, em obediência ao inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, de idêntico teor, as aquisições do referido fornecedor foram integralmente glosadas; • foram glosados os créditos decorrentes das aquisições de serviços de TITO CADEMARTORI ASSESSORIA, CNPJ nº 93.911.147/000386, que presta serviço de assessoria e gestão aduaneira, o qual não se enquadra no conceito de serviços utilizados como insumos; • foram glosados os créditos relativos às operações descritas como MATERIAIS PARA MONTAGEM ELETRICA, MEDICINA VETERINARIA E ZOOTECNIA., MOLDES, SERV USINAGEM, SERV ARMAZENAGEM E LOGISTICA (SERV FRETE), SERV ASSESSORIA ADUANEIRA, SERV CONST CIVIL MONT ELET MEC E HIDR, SERV CONSULTORIA E ADMINISTRACAO, SERV DE ASSIST TEC EM EQUIP DE FABR, SERV DE MANUT EM EQUIP DE FABR, SERV ENG CIVIL, SERV IMPR PUBLICIDADE PROMOCOES, SERV LOCACAO EQUIP TELEC, SERV SUPORTE CONSTR LOCACAO ESTRUTURAS e SERV TELEFONIA FIXA, tendo em vista que, consideradas as próprias descrições fornecidas pelo contribuinte, não se enquadram como serviços utilizados como insumos; • foram glosados os créditos relativos à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 9774, de novembro de 2007, contratado de outro estabelecimento da própria pessoa jurídica, DAIRY PARTNERS AMERICAS BRASIL LTDA, CNPJ nº 05.300.331/001647, no valor de R$ 8.111,59. É naturalmente vedada a apuração de créditos com base em bens e serviços adquiridos de outros estabelecimentos da pessoa jurídica justamente em função de os créditos das contribuições serem apurados de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica; • foram glosados os créditos decorrentes da aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 000223, de novembro de 2012, contratado de NESTLE BRASIL Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.210 9 LTDA, CNPJ nº 60.409.075/000667, no valor de R$ 216.527,07, tendo em vista ter sido lançado em duplicidade pelo contribuinte em suas memórias de cálculo; DA IMPORTAÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS • a aquisição de LEITE PO INTEGRAL 26 25KG é operação sujeita à alíquota zero, pois se trata de leite industrializado integral, em pó, conforme o art. 1º, XI, da Lei nº 10.925, de 2004, razão pela qual foram glosados os créditos referentes a esses lançamentos; • foram glosados os créditos oriundos da nota fiscal nº 24.558, de 14/07/2010 emitida por CENTRES DE RECHERCHE ET DEVELOPPEMENT NESTLE S.A., tendo em vista ter sido ela cancelada pelo emitente, conforme os dados constantes nas planilhas do sujeito passivo; DA IMPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, DA IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (DEPRECIAÇÃO) ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO • o contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon. Nas referidas intimações, a fiscalização foi expressa em indicar que as rubricas em epígrafe deveriam ter suas composições demonstradas nas planilhas de cálculo a serem apresentadas. A contribuinte apresentou respostas em diversos momentos, contudo, até o fim do procedimento fiscal o contribuinte não havia apresentado nenhuma memória de cálculo referente às rubricas sob análise. Limitouse a esclarecer, em resposta apresentada no dia 23/01/2014, que os valores lançados na ficha 16A, linha 09, “créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado (depreciação)”, e na ficha 16B, linha 01, “importação de bens para revenda”, referemse na verdade a insumos. Dessa forma, tendo em vista a não apresentação de planilhas específicas para essas duas rubricas e o esclarecimento supra, assumimos que os seus valores estão inseridos nas planilhas referentes aos créditos de aquisição de insumos do mercado interno e importação, de modo que a análise desses valores foi realizada no âmbito das referidas rubricas relativas à aquisição de insumos, e, naturalmente, realocadas para tais linhas. Nesse sentido, com o objetivo de evitar a apuração de tais créditos em duplicidade, desconsideramos a integralidade dos valores lançados na ficha 16A, linha 09, créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, e na ficha 16B, linha 01, importação de bens para revenda. Já os valores pleiteados pelo contribuinte a título de importações de serviços utilizados como insumos foram integralmente glosados, por falta de comprovação do crédito pleiteado, tendo em vista a não apresentação de nenhuma planilha com as memórias de cálculo dos créditos lançados nos Dacons; DAS DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA • intimado em 27/05/2014 a apresentar uma amostra de notas fiscais de energia elétrica, o sujeito passivo, em 03/06/2014, apresentou a contento uma parte relevante dos documentos fiscais requeridos, deixando de apresentar, contudo, os documentos fiscais nos 999249, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673, emitidas por ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVICO, CNPJ nº 02.328.280/000197; e nos 450, 464 e 293, emitidas por LIGHT SERVICOS DE ELTRICIDADE S/A, CNPJ nº 60.444.437/000146. Em consequência, foram glosados integralmente os créditos apurados com base nas aquisições de energia elétrica cujos documentos não foram apresentados, por falta de comprovação do crédito pleiteado; Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.211 10 DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • as operações firmadas com o locador Maconetto Empreendimentos Imobiliários SC Ltda, CNPJ nº 02.479.601/000154, são meramente descritas como “Serv. Leasing Locação de Imóvel” e, tendo em vista a completa ausência de informações acerca do endereço, descrição ou finalidade do imóvel locado, não permitem constatar se os valores referemse de fato a uma locação de imóvel, de modo que os créditos delas decorrentes foram integralmente glosados; • as operações firmadas com o locador Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ nº 74.192.097/000118, além de incorrerem no mesmo problema anterior, de ausência de informações elementares para a identificação do imóvel locado, são descritas como “Serv. Administração Imobiliária”, restando evidente que não se referem de fato a locação de imóvel, mas sim a serviços imobiliários acessórios à locação. Por isso, os créditos referentes a essas operações também foram integralmente glosados; • as operações firmadas com o locador Nestle Brasil Ltda, CNPJ nº 60.409.075/0001 52, foram descritas como “Aluguel predial”, de modo que os correspondentes contratos de locação foram requeridos pela fiscalização, acompanhados dos demonstrativos atualizados das despesas de aluguel, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. O contribuinte apresentou em 03/06/2014 os contratos de aluguel a contento, por meio dos quais constatamos que se referem de fato a dois imóveis locados pelo sujeito passivo. Contudo, deixou de apresentar uma parte relevante dos recibos com os comprovantes de pagamento, bem como quase que a integralidade dos demonstrativos dos valores atualizados das despesas de aluguel. Ademais, não foi possível encontrar correspondência entre quaisquer dos recibos com os comprovantes apresentados e os valores inicialmente demonstrados pelo sujeito passivo em suas memórias de cálculo, tendo em vista que os valores de face dos recibos e os informados nas planilhas não coincidiam ou sequer eram compatíveis entre si. Anexados a alguns recibos de pagamento, o contribuinte apresentou demonstrativos com a discriminação fornecida pelo locador com todas as rubricas que compõem o montante devido pelo sujeito passivo, e notase pela análise destes documentos que apenas uma parcela do valor total devido referese, de fato, à locação do imóvel. As demais rubricas se referem a despesas acessórias com energia elétrica; malote; telefone; despesas legais e impostos diversos; ginástica laboral; cantina e alimentos; serviços de manutenção em câmaras/incêndio/predial; manutenção e reparo de móveis e utensílios; serviço de manutenção e limpeza em geral; serviço de segurança ambiental; manutenção de câmaras (peças e materiais); correio; IPTU; pagamento de alvará de funcionamento; e nobreak. As despesas acima não integram o valor do aluguel e, portanto, não ensejam direito ao crédito das contribuições, de forma que, para compor a base de cálculo da rubrica em questão, consideramos exclusivamente os valores descritos como “Aluguéis Filiais” nos demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo. Nos meses em que o contribuinte apresentou apenas o recibo, comprovante de pagamento total, sem o demonstrativo com a discriminação e individualização das rubricas componentes da despesa total de aluguel, estimamos a parcela referente ao valor do aluguel propriamente dito obtendo a média aritmética dos meses em que houve apresentação, tendo em vista que os valores mostravam pouca variação mês a mês. Vale dizer que, nos meses em que não houve apresentação do demonstrativo com a discriminação da despesa total de aluguel e do correspondente recibo, comprovante do pagamento total efetuado, a base de cálculo considerada foi nula, por falta de comprovação do crédito pleiteado. Ressaltase que, no dia 06/06/2014, o contribuinte apresentou uma série de comprovantes de transferências ou depósitos bancários em Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.212 11 nome do locador que serviriam, em tese, para liquidar as despesas de aluguel. No entanto, mais uma vez os valores em questão não coincidiam ou sequer eram compatíveis com os valores apresentados nas planilhas com as memórias de cálculo, não sendo possível assegurar se, de fato, referemse à liquidação de aluguéis. Esses documentos bancários foram integralmente desconsiderados pela Fiscalização; DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • a contribuinte foi intimada, em 24/12/2013 e 29/04/2014, a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas deveria conter o detalhamento das locações em questão, contendo “CNPJ do Locador”; “Razão Social do Locador”; "Descrição do Bem Locado"; “Finalidade do Bem Locado no Processo Produtivo”; "Valor Original do Contrato de Locação"; “Valor do Aluguel Pago no Mês”; "Data do Pagamento do Aluguel"; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável”. A despeito do solicitado, nas diversas oportunidades em que trouxe como resposta às intimações as memórias de cálculo, a autuada apresentou planilhas de aluguéis de bens incompletas furtandose a apresentar na relação dados elementares como a descrição do bem locado, sua finalidade, e, em alguns casos, os dados do locador, Razão Social e CNPJ. De qualquer sorte, analisamos a planilha apresentada e constatamos que o contribuinte tem como um de seus fornecedores a empresa LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/009454. A referida empresa tem como atividade a locação de veículos automotores, bens que, considerada a atividade do sujeito passivo, não se encaixam no conceito de bens utilizados nas atividades da empresa e, portanto, os créditos decorrentes foram integralmente glosados. Foram glosados também os créditos referentes a todas as operações em que não há a identificação do locador (CNPJ e Razão Social), tendo em vista que não é possível sequer verificar a natureza do locador – pessoa jurídica ou física. Nas referidas operações também não há a descrição do bem locado e foram identificados pela contribuinte apenas como “LEASING” ou como “N/D”, além de não ter a identificação do número do documento (nota fiscal ou contrato) que lastreia e ampara o crédito pleiteado, ou seja, não há nenhuma informação que possibilite a identificação e análise de procedência dos créditos calculados em relação a essas operações; DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA • o sujeito passivo informou que possui mandado de segurança (MS nº 2008.61.00.0025770) versando sobre a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins nas operações de fretes entre estabelecimentos da pessoa jurídica, com decisão favorável ao contribuinte. Em 23/01/2014, apresentou a Certidão de Objeto e Pé relativa a esse mandado de segurança, contendo o teor da decisão judicial, que julgou procedente o pedido e concedeu a segurança postulada, assegurando ao sujeito passivo impetrante o direito de manter e deduzir integralmente os créditos calculados sobre as despesas com armazenagem e fretes nas transferências de mercadorias entre seus estabelecimentos, com vistas à posterior venda a terceiros. Essa decisão garante ao contribuinte o direito de manter e deduzir os créditos, não se estendendo o direito garantido à seara do ressarcimento e da compensação, institutos plenamente distintos daqueles; • o direito à compensação não se estende a qualquer crédito apurado com base na não cumulatividade de um tributo, como ocorre com a dedução. Pelo contrário, são garantidos única e exclusivamente nos casos expressamente previstos em lei, como o Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.213 12 direito à compensação de créditos vinculados a receitas de exportação, autorizados pelas normas contidas no art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833, de 2003. Sobre o assunto, vale ressaltar o disposto no art. 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, que determina que será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Nesse sentido, é mister, para o presente exame, apurar se o crédito ora pleiteado engloba efetivamente as operações discutidas judicialmente ou se os valores discutidos judicialmente foram excluídos do pedido administrativo; • nas oportunidades em que apresentou resposta à intimação para esse fim, a saber, em 15/01/2014, 23/01/2014, 06/05/2014 e 16/05/2014, o contribuinte apresentou planilhas de armazenagem e fretes incompletas furtandose a apresentar alguns dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados, quais sejam a descrição da operação. Em função da insuficiência de dados, em 29/04/2014, o sujeito passivo foi reintimado a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon, com menção expressa aos dados da rubrica “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”. Novamente, na resposta de 03/06/2014, apresentou planilhas incompletas, pois não continham alguns dos dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados. Assim, pela completa ausência de informações relativas ao CNPJ e à razão social do remetente e do destinatário do frete contratado, bem como da descrição da operação em questão, o que permitiria determinar se as operações em questão podem ou não compor o crédito destinado ao ressarcimento e à compensação, glosamos a integralidade dos créditos relativos à rubrica sob análise; DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS • foram glosados os créditos referentes à devolução de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero; • foram glosados os créditos apurados em relação aos documentos fiscais nº 5062 e nº 5063, emitidos por Nestlé Brasil Ltda., tendo em vista que eles não se referem a devolução de vendas, mas sim a emissões fiscais complementares de preço, praticadas com o objetivo de realizar correções financeiras decorrentes de alteração de valor ou erro no preenchimento do documento fiscal anterior. Nas planilhas disponibilizadas pelo contribuinte, não há nenhuma informação a respeito dos itens constantes desses documentos fiscais complementares, sua descrição, classificação fiscal, alíquota aplicável, ou qualquer outra forma de identificar os itens supostamente devolvidos, de modo que não é possível assegurar que o crédito pleiteado, amparado pelos referidos documentos, é realmente procedente; DAS OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO • com relação à rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, a contribuinte apurou créditos para os períodos de apuração dezembro/2007, dezembro/2010, dezembro/2011, janeiro/2012, fevereiro/2012, março/2012, abril/2012 e maio/2012. A despeito de ter sido intimado em 24/12/2013 e 29/04/2014 para detalhar essas operações, a autuada deixou de apresentar a contento os esclarecimentos solicitados, mormente aqueles relacionados à devida identificação da natureza do crédito pleiteado; • novamente intimada em 27/05/2014, a contribuinte esclareceu que os créditos de dezembro/2007 refeririamse a itens tributados em períodos anteriores à alíquota de 9,25%, quando deveriam ter sido tributados à alíquota zero, sendo, pois, um ajuste. Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.214 13 Ocorre que, no período em questão, a tributação excessiva não resultou necessariamente em saldo de tributo a recolher, pois ela dispunha de saldo credor suficiente para realizar integralmente a dedução, acarretando apenas a redução indevida do saldo credor. Logo, não se trata de repetição de indébito, mas de estorno contábil de conta do ativo reduzida indevidamente. Em quaisquer das duas situações, estorno ou repetição de indébito, é inapropriada a utilização do Dacon como instrumento de anulação dos efeitos fiscais, contábeis ou financeiros da tributação indevida realizada pelo sujeito passivo. Vale dizer que o próprio contribuinte no âmbito do exame amparado pelo MPFD nº 08.1.80.002010000510 e ao MPFF nº 08.1.90.002012 002304 já havia informado sobre essa prática e reconhece que utilizou a forma errada – Dacon – para realizar os ajustes cabíveis. O estorno contábil de conta do ativo reduzida indevidamente e a repetição de indébito não estão previstas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, como hipóteses de apuração de créditos, não possuindo o valor lançado a esse título amparo legal para tanto. Por essa razão, os créditos decorrentes do lançamento em questão foram integralmente glosados; • os créditos de abril/2009, segundo a autuada, não seriam créditos extemporâneos, mas refeririamse a créditos de leasing, que, por conta de dificuldades sistêmicas foram lançados nessa rubrica. Sobre esse ponto, digase que ela não apurou créditos para a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13, para abril/2009, como se infere dos esclarecimentos prestados. Na realidade, a contribuinte apurou os referidos créditos sob a rubrica “Outros Créditos a Descontar”, linha 21, que não foram objeto de questionamento por parte da Fiscalização; • a fiscalizada informou também que os créditos de fevereiro/2012 e março/2012 referemse a diversas rubricas (aluguéis, energia elétrica, armazenagem e insumos), apurados durante o mês, que, em decorrência de dificuldades sistêmicas, foram lançados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13. Apresentou na mesma ocasião planilha contendo os mesmos dados de planilhas apresentadas em 06/05/2014 e 16/05/2014, com acréscimo tão somente, para cada rubrica, da linha à qual a referida operação deveria ser imputada no Dacon (aluguéis, energia elétrica, armazenagem e insumos). Vale dizer que os dados continuavam desacompanhados de uma descrição detalhada da origem do crédito pleiteado, bem como da legislação que autorizasse a sua apropriação, como requerido nas intimações, tendo em vista que os dados de 02/2012 e 03/2012 ainda não continham a identificação da operação, bem, serviço, ou quaisquer outros dados que possibilitassem sua identificação, tais como razão social e CNPJ do fornecedor ou número da nota fiscal ou documento que desse lastro para o crédito. As planilhas nada mais eram que valores dispostos em sequência sem nenhum outro dado adicional, como em um rascunho; • devido à falta de comprovação do crédito, foram glosados integralmente os créditos lançados sob a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13, nos meses de 02/2012 e 03/2012, por insuficiência de dados e documentos comprobatórios do crédito pleiteado, e nos meses de 12/2010, 12/2011, 01/2012, 04/2012 e 05/2012, por ausência total de quaisquer dados, documentos ou esclarecimentos a respeito do crédito pleiteado; DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM ANIMAL • intimada em 27/05/2014 a apresentar uma amostra de notas fiscais de crédito presumido, o sujeito passivo apresentou a contento os documentos fiscais requeridos, de modo que foram aceitos integralmente os valores apresentados nos Dacons do período. Ressaltese que foi realizado um ajuste positivo nos créditos presumidos decorrentes Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.215 14 das operações que foram realocadas de Bens para Revenda e de Bens Utilizados como Insumos; DOS CRÉDITOS CALCULADOS A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS • por meio da análise da planilha de créditos da rubrica “Créditos calculados a Alíquotas Diferenciadas”, depreendese que eles se referem a aquisições de mercadorias produzidas por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, qual seja a METALMA DA AMAZONIA S.A., CNPJ nº 06.207.412/000183. A apuração de créditos das contribuições nesses casos é regrada pelo § 12 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep, e pelo § 17 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, no caso da Cofins. Excetuandose os casos específicos, essas normas determinam que o crédito nesses casos sejam apurados com a alíquota de 1%, no caso do PIS/Pasep, e de 4,6%, no caso da Cofins. De volta às operações apresentadas pelo contribuinte em sua planilha de cálculo, após confronto com os dados da base da Nota Fiscal Eletrônica, foram validados e aceitos os valores apresentados para base de cálculo. Sobre as referidas bases aplicaramse as alíquotas de 1% e 4,6% para apurar as contribuições devidas; DOS DEMAIS VALORES • os demais valores informados nos Dacons que não foram acima mencionados se mostraram compatíveis com os valores apresentados pela contribuinte em seus memoriais de cálculo e, por isso, foram aceitos pela fiscalização. Manifestação de Inconformidade Em manifestação de inconformidade, alegou a empresa: Preliminar • diversas rubricas foram objeto de indeferimento pela autoridade fazendária, por entender que a ora manifestante não teria logrado êxito na apresentação de planilhas de memórias de cálculo, com informações extremamente detalhadas, como se essas informações não fossem possíveis de serem verificadas em sua escrita fiscal e contábil; • possui diversas filiais e, embora a apuração do PIS/Pasep e da Cofins seja de forma centralizada, não conseguiu atender a todas as informações no grau de detalhamento estipulado. Todavia, esse fato isoladamente não poderia dar ensejo ao indeferimento do crédito referente a diversas rubricas, como se esses custos de produção e despesas operacionais não existissem. O auditor fiscal não pode glosar o crédito de determinada rubrica baseado na presunção de que se as informações não foram detalhadas como desejava é porque o crédito não existe; • a autoridade fiscal poderia ter esgotado a verdade material e, assim, examinado a liquidez e a certeza do crédito pleiteado por meio de diligência fiscal no estabelecimento da contribuinte, a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, como prevê o art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. É importante dizer que apresentou os arquivos digitais como exigido por esse mesmo art. 76, sem os quais, inclusive, não seriam admitidos seus pedidos eletrônicos de ressarcimento. Também transmite regularmente a EFD – Contribuições, após janeiro/2012, e a EFD – ICMS/IPI no período anterior. Desse modo, o auditor fiscal ainda teria outros meios para a verificação das informações a respeito da composição dos créditos pleiteados; Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.216 15 • no presente caso, verificase a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade, eis que, para a finalidade e a eficiência da atividade fiscal e em face do volume de documentos é medida proporcional, para que a Autoridade Fiscal tenha acesso a todos os documentos pertinentes ao crédito pleiteado. A manifestante encerra suas alegações preliminares com os seguintes dizeres: Contudo, a ora Manifestante está providenciando o detalhamento das informações, porém, em razão do prazo de 30 (trinta) dias ser exíguo para adequar ao nível de informações exigidas, considerando que se tratam de trimestres de 2007 a 2012, a ora Manifestante juntará as complementações das informações das memórias de cálculo nos próximos 120 (cento e vinte) dias, que certamente irão demonstrar a legitimidade dos créditos às Vossas Senhorias, razão pela qual, requer a concessão da juntada posterior destes documentos no prazo supra referido. Ademais, se Vossas Senhorias não entenderem como suficientes, a ora Manifestante solicita que seja determinada a baixa em diligência, a fim de que em observância a verdade material, a eficiência e finalidade administrativa, seja verificada a legitimidade do crédito pleiteado com o cotejo das informações prestadas pela ora Manifestante e a análise pela Autoridade Fiscal de origem das escriturações fiscal e contábil da ora Manifestante como possibilita o art. 76 da aludida IN/RFB nº 1300/2012. Esta medida de determinação de baixa em diligência, será necessária, pois, a busca pela verdade material não pode ficar restringida ao exame das alegações de indeferimento do fiscal, mas, que se valha de outros elementos que possam influir o seu convencimento, no presente caso, através da conversão do presente julgamento em baixa em diligência. Mérito BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Aquisição de leite fresco produtor granel em operação tributada • a aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins não tem implicação imediata sobre a aquisição de leite fresco, estando submetida a determinados requisitos prescritos pela Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. O primeiro requisito é que o fornecedor exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, conforme pode ser verificado no art. 3º, inciso II, dessa instrução normativa; • a quase totalidade dos fornecedores da manifestante desempenham as atividades de resfriamento e de venda de leite a granel, contudo, não exercem a atividade de transporte de leite. Para corroborar essa alegação, juntamse aos autos a relação dos fornecedores e os cartões de CNPJ, que demonstram que a quase totalidade são pessoas jurídicas que desempenham a atividade de industrialização de leite, mas sem exercer a atividade de transporte de leite; • juntamse aos autos notas fiscais por amostragem, para demonstrar que o frete foi prestado por terceiro, reforçando o fato de que seus fornecedores não desempenham a atividade de transporte e, portanto, que a aquisição do leite in natura não é operação com tributação suspensa, mas com incidência “cheia” do PIS/Pasep e da Cofins; Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.217 16 • mesmo nos poucos casos em que houve fornecedor que desempenhou as três atividades (resfriamento, venda a granel e transporte), ainda assim verificase que não seria o caso de suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, pois, além desse requisito, a Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006, determina que, nos casos em que se aplica a suspensão, deve constar obrigatoriamente a observação na nota fiscal de venda de que é operação com tributação suspensa. Na análise das notas fiscais emitidas pelos fornecedores que exercem as três atividades, foi constatado que não preencheram esse requisito, pois não continham a expressão obrigatória de que a venda seria com tributação suspensa. Desse modo, não havendo o preenchimento desse requisito, a operação é tributada pelas alíquotas básicas e gera direto a crédito de PIS/Pasep e Cofins ao adquirente do leite fresco. Com esse entendimento, citase o acórdão 3302 001.989 da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • além das notas fiscais que demonstram que o frete foi prestado por terceiro, de planilha demonstrando em quais casos há o preenchimento das atividades cumulativas de resfriamento, venda a granel e transporte e dos cartões do CNPJ de seus fornecedores, juntamse ainda aos autos os atos constitutivos da Nestlé, sua maior fornecedora; Aquisição de embalagem • na atividade de comercialização, a manifestante utiliza serviços de armazenagem, bem como embalagens destinadas ao transporte de seus produtos. Essas embalagens são essenciais à conservação e proteção dos produtos durante o transporte e integram o custo de venda dos produtos, fazendo parte do processo produtivo, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final; • apesar de a embalagem de transporte não ser a própria embalagem do produto, sem ela o produto sequer chegaria ao consumidor final em condições de ser consumido; • a embalagem para transporte tem aplicação direta no processo produtivo, sendo um gasto essencial, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção; • por essas razões, devese considerar o material de transporte como insumo, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Esse é o entendimento dos acórdãos do CARF nº 3803003.300 e nº 3803 002.983, bem como do acórdão do Superior Tribunal de Justiça REsp nº 1125253/SC; Operações não enquadradas como aquisição de bens para revenda – entradas no CFOP 1949; • em razão de erro formal de preenchimento, foram contabilizadas no CFOP 1949 mercadorias que foram objeto de devolução dos clientes. Juntase, em anexo, a própria planilha formulada pela autoridade fiscal, demonstrando que a origem desses produtos decorre dos próprios clientes da manifestante; • como se trata de devolução de venda, é forçoso reconhecer o direito ao crédito sobre essas operações, nos termos do art. 3º, inciso VIII, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Do conceito de insumo para a apropriação de crédito do PIS/Pasep e da Cofins Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.218 17 • o legislador ordinário não definiu o conceito de insumo aplicado na apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa. Buscando suprir essa lacuna a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou as Instruções Normativas nº 247, de 2002 (art. 66), e nº 404, de 2004 (art. 8º), tentando definir esse conceito. Essas instruções normativas interpretam o termo insumo em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI, o que não é a melhor interpretação, pois esse entendimento não se coaduna com o critério material do PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita vinculada à atividade fim da empresa; • a jurisprudência do CARF evoluiu no sentido de que os custos e as despesas necessários para a atividade produtiva também devem ser albergados pelo conceito de insumo para a apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa, na forma dos art. 290 e 299 do RIR/99. Citase o processo administrativo nº 11020.001952/200622, julgado no CARF. No julgamento desse processo, o voto do conselheiro relator Gilberto de Castro Moreira Júnior, que foi acompanhado pelos demais, descreve que, para fins de classificação de insumo para o PIS/Pasep e a Cofins, devem ser considerados todos os custos e despesas necessários, usuais e normais na atividade da empresa, aproximando esse conceito ao de despesas dedutíveis para a apuração do IRPJ; • insumos são os custos e despesas que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou seu aprimoramento. Noutros termos, insumos são todos os bens, serviços, custos e despesas necessários à obtenção da receita proveniente da atividade econômica da pessoa jurídica. De acordo com essa concepção, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja indispensável para a sua atividade econômica; • todos os insumos dos quais a manifestante apurou créditos são extremamente vinculados e essenciais ao exercício de sua atividade econômica com o objetivo de obter receita, de modo que também se subsome ao critério da essencialidade, recentemente invocado pela 3ª Turma do CARF, ao negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional, nos autos dos processos administrativos nº 13053.000112/200518 e nº 13053.000211/200672; Aquisição de leite fresco produtor granel e leite fresco usina granel em operação tributada • a aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins não tem implicação imediata sobre a aquisição de leite fresco, estando submetida a determinados requisitos prescritos pela Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. O primeiro requisito é que o fornecedor exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, conforme pode ser verificado no art. 3º, inciso II, dessa instrução normativa; • a quase totalidade dos fornecedores da manifestante desempenham as atividades de resfriamento e de venda de leite a granel, contudo, não exercem a atividade de transporte de leite. Para corroborar essa alegação, juntamse aos autos a relação dos fornecedores e os cartões de CNPJ, que demonstram que a quase totalidade são pessoas jurídicas que desempenham a atividade de industrialização de leite, mas sem exercer a atividade de transporte de leite; • juntamse aos autos notas fiscais por amostragem, para demonstrar que o frete foi prestado por terceiro, reforçando o fato de que seus fornecedores não desempenham Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.219 18 a atividade de transporte e, portanto, que a aquisição do leite in natura não é operação com tributação suspensa, mas com incidência “cheia” do PIS/Pasep e da Cofins; • mesmo nos poucos casos em que houve fornecedor que desempenhou as três atividades (resfriamento, venda a granel e transporte), ainda assim verificase que não seria o caso de suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, pois, além desse requisito, a Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006, determina que, nos casos em que se aplica a suspensão, deve constar obrigatoriamente a observação na nota fiscal de venda de que é operação com tributação suspensa. Na análise das notas fiscais emitidas pelos fornecedores que exercem as três atividades, foi constatado que não preencheram esse requisito, pois não continham a expressão obrigatória de que a venda seria com tributação suspensa. Desse modo, não havendo o preenchimento desse requisito, a operação é tributada pelas alíquotas básicas e gera direto a crédito de PIS/Pasep e Cofins ao adquirente do leite fresco. Com esse entendimento, citase o acórdão 3302 001.989 da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • além das notas fiscais que demonstram que o frete foi prestado por terceiro, de planilha demonstrando em quais casos há o preenchimento das atividades cumulativas de resfriamento, venda a granel e transporte e dos cartões do CNPJ de seus fornecedores, juntamse ainda aos autos os atos constitutivos da Nestlé, sua maior fornecedora; Aquisição de embalagem • na atividade de comercialização, a manifestante utiliza serviços de armazenagem, bem como embalagens destinadas ao transporte de seus produtos. Essas embalagens são essenciais à conservação e proteção dos produtos durante o transporte e integram o custo de venda dos produtos, fazendo parte do processo produtivo, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final; • apesar de a embalagem de transporte não ser a própria embalagem do produto, sem ela o produto sequer chegaria ao consumidor final em condições de ser consumido; • a embalagem para transporte tem aplicação direta no processo produtivo, sendo um gasto essencial, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção; • por essas razões, devese considerar o material de transporte como insumo, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Esse é o entendimento dos acórdãos do CARF nº 3803003.300 e nº 3803 002.983, bem como do acórdão do Superior Tribunal de Justiça REsp nº 1125253/SC; Aquisição de produto enquadrado como insumo • a fiscalização glosou créditos referentes a uma série de produtos que, supostamente, seriam bens utilizados apenas para proteção pessoal e manutenção das condições de higiene do ambiente em que são utilizados, não sendo consumidos ou integrados aos produtos finais durante a fabricação. Também glosou a aquisição de fita isolante, serviços de consultoria em recursos humanos, brindes e aquisições de gás liquefeito de petróleo; • novamente o auditor fiscal utilizou o conceito de insumos conferido pela legislação do IPI, que se restringe basicamente às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. No entanto, Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.220 19 no caso do PIS/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos aos parâmetros adotados no IPI; • toda industrialização do leite é fiscalizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o qual, por meio da Resolução nº 10, de 2003, estabeleceu o Programa Genérico de Procedimentos – Padrão de Higiene Operacional – PPHO, a ser utilizado nos estabelecimentos de leite e derivados que funcionam sob o regime de inspeção federal. Assim, os materiais de limpeza, como por exemplo, desinfetantes e panos, bem como os demais itens glosados como mangotes, toucas, capas, luvas não são exclusivamente para a proteção dos empregados, mas especialmente para que o produto possa ser industrializado e comercializado. Por isso, as despesas com esses materiais são essenciais, sendo eles utilizados diretamente no processo produtivo, se enquadrando, pois, no conceito de insumo; • as fitas isolantes são utilizadas em reparos de máquinas e equipamentos vinculados ao processo produtivo e, portanto, dão direito a crédito na apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa; • o gás liquefeito de petróleo é utilizado como combustível para as empilhadeiras no processo produtivo. O art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, e o art. 8º, inciso I, alínea b, da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, permitem expressamente o aproveitamento de créditos referentes a despesas com combustíveis utilizados no processo produtivo; Aquisição de mercadoria ou produto “sujeito à alíquota zero” e o direito à não cumulatividade • a glosa de créditos decorrentes da aquisição de leite desnatado, leite em pó, frutas e produtos hortícolas, por não serem eles sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, resulta em mitigação do princípio da nãocumulatividade, não permitindo que se deduza os custos de aquisição dessas matériasprimas utilizadas pela empresa em oposição à receita obtida com os produtos que se originam delas; • o art. 195, inciso I, alínea b, § 12, da Constituição Federal, ao promover uma incidência nãocumulativa das contribuições, faz referência a um instituto já existente no direito pátrio e, portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais de tal instituto, não lhe sendo concedido o poder de restringir essa sistemática; • a sistemática criada no art. 195, § 12, da Constituição Federal deve possuir elementos suficientes para enquadrála no conceito jurídico existente de não cumulatividade. Caso contrário, a legislação em comento não encontra fundamento no referido preceito constitucional e, por conseguinte, representa apenas uma forma de majoração de tributo, ferindo o princípio do nãoconfisco, consagrado no art. 150, § 4º, da Constituição Federal; • é um dos requisitos para se promover a nãocumulatividade a neutralização da tributação, o que no presente caso não ocorre; Operações não enquadradas como aquisição de bens utilizados como insumos • em relação aos créditos decorrentes de operações com os CFOPs n° 1949 e 2949, devido a erro formal de preenchimento, foram contabilizadas nesses códigos Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.221 20 mercadorias que foram objeto de devolução pelos clientes. Juntase aos autos planilha formulada pela autoridade fiscal que demonstra a origem desses produtos. Por essa razão, deve ser reconhecido o direito creditório sobre essas operações, pois a legislação é expressa ao permitir a apuração de créditos nesses casos; • em relação às operações com CFOPs n° 1556 e 2556, verificase que se trata de “compra de material para uso e consumo”, ou seja, correspondem à aquisição de partes e peças de máquinas, parafusos, graxas, mangueiras, rolamentos, molas, anéis, retentores, cilindros, termostatos, entre outras peças de reposição e materiais de consumo utilizados na manutenção do processo produtivo. Anexase planilha elaborada pelo auditor fiscal contendo o fornecedor e a descrição de cada produto objeto dessas operações, em que a simples leitura permite verificar que são utilizados como materiais consumidos no processo produtivo. Em face da essencialidade desses materiais é evidente que se consubstanciam em insumos e, como tais, devem ter o respectivo crédito reconhecido; DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Aquisição de serviços que supostamente não permitem identificálos como insumos • o auditor fiscal efetuou glosas dos créditos referentes aos serviços descritos como “genéricos” nas planilhas apresentadas, contratados com as seguintes empresas: Empresa de Transportes Soprodivino S.A., Nestlé Brasil Ltda. e Pleno Consultoria de Serviços Ltda.; • quanto aos serviços prestados pela Empresa de Transportes Soprodivino S.A., cabe elucidar que se trata de serviços de frete na aquisição de matériaprima, o qual é indiscutivelmente essencial ao processo produtivo e, como tal, enquadrase no conceito de insumo, gerando direito ao crédito pleiteado. No entanto, a autoridade fiscal relatou que a planilha da memória de cálculo na qual estavam discriminados esses serviços não estaria correta. Após isso, intimou a contribuinte a comprovar os valores apontados na referida planilha, oportunidade em que a empresa apresentou os comprovantes dos serviços, bem como os contratos que possui com a empresa. Todavia, mesmo depois disso, o auditor fiscal entendeu por não reconhecer o crédito sob o argumento de que o serviço não se trataria de insumo e as planilhas estariam incorretas. Cabe salientar que, muito embora o auditor fiscal tenha alegado que as notas fiscais nos 119851, 120030, 120047, 120087, 120109, 120142, 120173, 120187 seriam serviços genéricos, é possível verificar que nas outras notas fiscais da empresa Soprodivino, isto é, nas outras cinquenta e quatro notas fiscais apresentadas, fica claramente demonstrado que se trata de prestação de serviços de armazenagem, logística e frete; • em relação à empresa Nestlé Brasil Ltda., não houve uma exaustiva análise quanto às atividades realizadas por essa empresa à autuada. Nesse sentido, cumpre demonstrar que os serviços tidos como “genéricos” são serviços de performance industrial, engenharia de manutenção e utilidade de energia, de fornecimento de água e de tratamento de efluentes, os quais são claramente essenciais ao processo produtivo. Os serviços de performance industrial são atividades que visam a segurança para com as pessoas operantes das máquinas e de todos os equipamentos integrantes do processo produtivo e, dessa forma, são necessários à linha de produção. Quanto aos serviços de engenharia de manutenção e utilidade de energia, são atividades que visam a prevenção e manutenção dos equipamentos responsáveis por todo o processo produtivo, sem os quais seria impossível manter a produção de empresa. Quanto aos fornecimentos de Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.222 21 água e tratamento de efluentes, é demasiadamente óbvia a essencialidade do serviço, tendo em vista que a matéria é regulamentada e fiscalizada pelos órgãos de vigilância sanitária, os quais devem ser atendidos sob pena de a empresa ser interditada; • com relação aos serviços prestados pela Pleno Consultoria, os correspondentes créditos foram glosados porque o auditor fiscal entendeu que se trataria de serviços de mãodeobra pagos a pessoa física. No entanto, tal serviço é pago diretamente à empresa Pleno Consultoria e a atividade consiste no recrutamento de trabalhadores para atividades temporárias. Esse serviço é obviamente essencial ao processo produtivo, gerando crédito nos termos da legislação vigente; Aquisições que sofreram ajustes negativos na base de cálculo correspondente para refletir o valor de face dos documentos fiscais • lançou corretamente o valor de R$ 4.663,40 referente à nota fiscal nº 013645 da Logoplaste do Brasil Ltda. O valor de R$ 4.682.449,79, que seria o total do reajuste negativo no Dacon, referese às anulações dos lançamentos realizados em duplicidade, em razão de erro de preenchimento; Operações relativas à contratação de mãodeobra • a autoridade fiscal glosou os valores referentes às operações de contratação de serviços de mãodeobra temporária com a empresa Sociedade Empresarial de Terceirização de Serviços Ltda., porque entendeu que se trataria de serviços de mãode obra pagos a pessoa física. No entanto, tal serviço é pago diretamente à empresa Sociedade Empresarial de Terceirização de Serviços Ltda., e a atividade consiste no recrutamento de trabalhadores para atividades temporárias. Esse serviço é obviamente essencial ao processo produtivo, gerando crédito nos termos da legislação vigente; Aquisição de mercadoria ou produto sujeito à alíquota zero e o direito à não cumulatividade • o despacho decisório efetuou a glosa do crédito referente à aquisição do leite industrial Copacker. A glosa sobre as aquisições desse produto resulta em mitigação do princípio da nãocumulatividade, não permitindo que se deduza os custos de aquisição dessa matériaprima utilizada pela empresa em oposição à receita obtida com os produtos que dela se originam; • o art. 195, inciso I, alínea b, § 12, da Constituição Federal, ao promover uma incidência nãocumulativa das contribuições, faz referência a um instituto já existente no direito pátrio e, portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais de tal instituto, não lhe sendo concedido o poder de restringir essa sistemática; • a sistemática criada no art. 195, § 12, da Constituição Federal deve possuir elementos suficientes para enquadrála no conceito jurídico existente de não cumulatividade. Caso contrário, a legislação em comento não encontra fundamento no referido preceito constitucional e, por conseguinte, representa apenas uma forma de majoração de tributo, ferindo o princípio do nãoconfisco, consagrado no art. 150, § 4º, da Constituição Federal; • é um dos requisitos para se promover a nãocumulatividade a neutralização da tributação, o que no presente caso não ocorre; Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.223 22 Aquisição de serviços não enquadrados como insumo • o CARF pacificou o entendimento de que o conceito mais correto para que o produto ou o serviço se torne insumo e possa gerar créditos na apuração do PIS/Pasep e da Cofins é ser considerado essencial ao processo produtivo. Por ser essencial entende se que o produto ou o serviço deve ser necessário ao processo produtivo e sem ele, no mínimo, comprometerseia a qualidade do produto, bem como a continuação da produção e, por conseguinte, a atividade econômica da empresa; • os serviços de manutenção em equipamento de fábrica são extremamente necessários e, assim sendo, essenciais para o processo produtivo da empresa. Consistem eles na montagem e manutenção das tubulações nas linhas de produção e em linhas de utilidades por onde passam água, vapor ou até mesmo ar comprimido. Sem tais serviços, resta óbvio que os equipamentos da empresa seriam danificados pelo uso intenso que sofrem, o que comprometeria toda a linha de produção; • os serviços de armazenagem e logística são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles seria impossível continuar a produção. Tratase de serviços industriais prestados, nos quais está incluso o fornecimento de água, os tratamentos de efluentes, os quais a empresa é obrigada a realizar, e os serviços de construção civil em plataforma de manutenção de torre de resfriamento de água industrial, todos eles obviamente necessários ao processo produtivo e, portanto, geradores de crédito na apuração do PIS/Pasep e da Cofins; • os serviços de assistência técnica em equipamento de fábrica fazem a revisão preventiva, a montagem, bem como a manutenção em tubulações nas linhas de produção e em linhas de utilidades por onde passam o leite ou a água, sendo, pois, essenciais ao processo produtivo; • os serviços de mãodeobra temporária são essenciais para momentos do processo produtivo. A atividade baseiase no serviço de movimentação de produtos terminados destinados à venda e transferências (separação de produtos de acordo com o pedido de clientes e carregamentos). Dessa forma, dá direito ao crédito reclamado; • os serviços de assessoria aduaneira são essenciais ao processo produtivo, tendo em vista que consistem nos serviços de desembaraço aduaneiro, sem os quais é impossível continuar a linha de produção; • os serviços de consultoria e administração, são insumos, tendo em vista que sem eles não há como continuar a produção. As atividades de consultoria e administração são serviços industriais necessários como, por exemplo, fornecimento de água e tratamento de efluentes que, conforme já dito, é extremamente necessário e essencial à produção; • os serviços com a descrição de genéricos também tiveram os respectivos créditos glosados pelo auditor fiscal. Porém, cabe elucidar que esses são os serviços com tratamento de efluentes e fornecimento de água, que, conforme já relatado, são essenciais ao processo produtivo e, como tais, são insumos; • os serviços de medicina veterinária e zootecnia são atividades consistentes no serviço de evitar a contaminação das tubulações em linhas, por onde passa a matéria Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.224 23 prima, mantendo dessa forma a higiene, a qualidade e o controle exigido pelos órgãos da vigilância sanitária; • os serviços de construção civil e montagem elétrica, mecânica e hidráulica são essenciais ao processo produtivo da empresa. Tratase dos serviços de construção civil e montagem de linhas elétricas, mecânicas e hidráulicas das plataformas de carregamento de produtos terminados. Por isso, geram direito ao crédito pleiteado; • os serviços de locação de equipamentos de telecomunicação são essenciais ao processo produtivo, pois consistem na locação de impressoras de videojet utilizadas para a datação de produtos terminados. Sem esses serviços seria impossível realizar qualquer marcação nos produtos, impossibilitando a continuação da produção; • os serviços de engenharia civil consistem na atividade em plataforma de manutenção de torre de resfriamento de água industrial, sendo, dessa forma, essencial para o processo produtivo e, portanto, deve ser considerado como insumo; • os serviços de suporte de construção e locação de estrutura, que se constituem na atividade de armazenagem de equipamentos obsoletos, ao contrário do que considerou o auditor fiscal, enquadramse como insumos, tendo em vista seu caráter essencial ao processo produtivo da empresa; • os serviços de impressão de publicidade de promoções também tiveram os respectivos créditos glosados pela autoridade fiscal. Todavia, tal serviço consiste na impressão de material publicitário da empresa, sendo atividade essencial para a promoção e divulgação dos seus produtos e, portanto, essencial para o processo produtivo, devendo, assim, dar direito ao crédito reclamado; DA IMPORTAÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Aquisição de mercadoria ou produto sujeito à alíquota zero e o direito à não cumulatividade • o auditor fiscal efetuou a glosa dos créditos decorrentes da importação de leite em pó integral, por entender que na aquisição do referido produto não incidiu tributação. Essa glosa resulta em mitigação do princípio da nãocumulatividade, não permitindo que se deduza os custos de aquisição dessa matériaprima utilizada pela empresa em oposição à receita obtida com os produtos que dela se originam; • a ora manifestante está levantando diversas informações e documentos em suas filiais e, no decorrer deste processo, providenciará a juntada das Declarações de Importações, a fim de demonstrar que no desembaraço do referido leite em pó integral houve a tributação do PIS/Pasep e da Cofins, razão pela qual deve ser deferido o crédito pleiteado; • o despacho decisório ora combatido, ao negar o crédito nas aquisições de matériaprima, acaba gerando o efeito cumulativo na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, em sentido contrário ao que prescreve o art. 195, § 12, da Constituição Federal; • a sistemática criada no art. 195, § 12, da Constituição Federal deve possuir elementos suficientes para enquadrála no conceito jurídico existente de não cumulatividade; • é um dos requisitos para se promover a nãocumulatividade a neutralização da tributação, o que no presente caso não ocorre; Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.225 24 DA IMPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, DA IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (DEPRECIAÇÃO) ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO • os créditos referentes aos bens adquiridos para revenda, a importação de serviços utilizados como insumos e os créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado (depreciação) adquiridos no mercado interno somente foram glosados devido à não apresentação de planilhas específicas ou pela suposta falta de comprovação. Esse argumento não pode ser utilizado para embasar a glosa dos créditos pleiteados. A fiscalização deixou de examinar o mérito do pedido de ressarcimento e apenas o indeferiu com base na presunção de que o crédito não é legítimo em face de a contribuinte não ter logrado sucesso em juntar os documentos julgados necessários; • em que pese o suposto desatendimento às solicitações do auditor fiscal, é necessário dizer que ele poderia ter esgotado a verdade material e, assim, examinado a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Deve ficar claro que no presente caso não se trata de a ora manifestante não ter comprovado o crédito pretendido, ônus que sabidamente incumbe ao autor do pedido, e sim da impossibilidade de atender aos termos de intimação da forma como foi requerido; • devese ter em mente que se está diante de um volume de documentos gigantesco, muitos deles espalhados em diversas filiais. Em momento algum se recusou ou não quis colaborar com a fiscalização para a comprovação dos créditos pleiteados. Apenas não teve condições de cumprir as exigências feitas pela fiscalização. No entanto, isso não quer dizer que o auditor fiscal não tenha acesso aos documentos comprobatórios dos créditos, para o que seria necessário que se dispusesse a analisar a documentação no estabelecimento da manifestante, como possibilita o art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; • verificase a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade, pois, para a finalidade e a eficiência da atividade fiscal e em face do volume de documentos, é medida proporcional que seja concedido o prazo de cento e vinte dias, para que a contribuinte possa realizar a juntada dos documentos e planilhas de cálculos exigidas pela fiscalização ou então deve ser determinada a baixa em diligência para que a autoridade fiscal analise todos os documentos pertinentes ao crédito; DAS DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA • apesar de ter aceitado a memória de cálculo, o despacho decisório não reconheceu a integralidade do crédito referente às despesas de energia elétrica, em razão de algumas notas fiscais não terem sido apresentadas, quais sejam: 999246, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673, emitidas por Elektro Eletricidade e Serviço, CNPJ nº 02.328.280/000197; e 450, 464 e 293, emitidas por Light Serviços de Eletricidade S.A., CNPJ nº 60.444.437/000146; • a ausência de algumas notas fiscais poderia ter sido plenamente satisfeitas com todas as notas fiscais que foram apresentadas, pela amostragem dos documentos, eis que a memória de cálculo dessas despesas foi aceita pelo auditor fiscal. Se esse não for o melhor entendimento, ainda assim, os créditos referentes a essas despesas poderão ser reconhecidos mediante a juntada dos comprovantes. Contudo, em razão de a manifestante possuir diversas filiais e não ter ainda conseguido localizar as notas fiscais em apreço, providenciará a juntada delas no decorrer do processo, em prazo não superior aos cento e vinte dias requeridos para juntar os demais documentos com os detalhes questionados no despacho decisório; Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.226 25 DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • o auditor fiscal glosou os créditos referentes às despesas com aluguéis de prédios locados das seguintes pessoas jurídicas: Maconetto Empreendimentos Imobiliários S.C. Ltda., CNPJ nº 02.479.601/000152; Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ nº 74.192.097/000118; e Nestlé Brasil Ltda., CNPJ nº 60.409.075/000152, sob o fundamento de que não foram apresentados os devidos esclarecimentos sobre endereço, descrição ou finalidade do imóvel locado e que os comprovantes de pagamento não foram apresentados em sua integralidade; • a contribuinte não conseguiu preencher a memória de cálculo com todas as informações que a fiscalização entendeu como necessárias. Entretanto, entende que foram entregues outros elementos de prova que atestam a habitualidade da despesa de aluguel, tais como os contratos que foram entregues e os comprovantes de pagamento; • os próprios contratos de aluguéis demonstram a relação de locação e, sobretudo, as obrigações de pagamentos que a manifestante deve cumprir mensalmente. Por isso, não haveria necessidade de glosa se os comprovantes não estão de acordo com as quantias pagas, pois o que gera o direito ao crédito é a despesa de locação e não o seu pagamento. Pode haver pagamentos que correspondam a mais de um mês de locação. Contudo, para que essa dúvida seja afastada, está providenciando a reunião dos contratos, dos comprovantes de pagamento e das memórias de cálculos dessas informações, que irão comprovar a legitimidade desses créditos; DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • a apropriação de créditos referentes a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos é amparada pelo art. 3º, inciso VI, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Contudo, o despacho decisório glosou esses créditos, por entender que eles não foram suficientemente comprovados, dizendo que as memórias de cálculo estariam incompletas, por não trazer a relação de dados complementares que seriam necessários para a legitimidade; • a fiscalização poderia ter verificado a legitimidade dos créditos e das informações fornecidas na memória de cálculo, se tivesse escolhido exaurir a verdade material por meio de diligência fiscal; • neste momento processual, a ora manifestante não se exime de que há inversão do ônus da prova e que cabe a comprovação do fundamento alegado, no entanto, em razão do volume de notas fiscais de aluguéis e de serem créditos apropriados pela matriz e pelas filiais da ora manifestante, a contribuinte irá juntar em momento posterior uma planilha com o registro dos dados (nos moldes solicitados pela fiscalização) e documentos fiscais por amostragem, a fim de que seja cabalmente demonstrada a legitimidade do seu crédito e seja consequente o reconhecimento de Vossas Senhorias acerca da sua legitimidade; DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS, FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA E ARMAZENAGEM • é necessário esclarecer que na mesma linha do Dacon referente aos fretes de venda e armazenagem, a contribuinte também registrou os custos de fretes de aquisição de insumos. Desse modo, em relação a essa rubrica, aqui se está defendendo não só os créditos de despesas de frete de venda e armazenagem, mas também os fretes na aquisição de insumos; Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.227 26 • os créditos de fretes entre estabelecimentos não fazem parte de seu pedido de ressarcimento, pois, conforme informado à fiscalização, esses créditos são objeto do mandando de segurança nº 2008.61.00.0025770. Logo, esses créditos não poderiam ser objeto de glosa; • o despacho decisório glosou os fretes de aquisição, os fretes de venda e as despesas de armazenagem sob o argumento de que não teriam sido preenchidas todas as informações que seriam necessárias nas memórias de cálculo e na segregação dessas despesas; • a ora Manifestante esclarece que a memória de cálculo não há segregação, pois, nela constam apenas os fretes de aquisição, os fretes de venda e as despesas de armazenagem; não havendo que se falar em fretes entre estabelecimentos por ser esta despesa objeto de reconhecimento de ação judicial; • em razão das diversas filiais e da grande quantidade de operações de fretes de aquisição e fretes de venda, a ora Manifestante não conseguiu apresentar as memórias de cálculo segregadas entre os referidos fretes de venda e de aquisição, nos moldes requeridos e com o detalhe de informações desejadas pela fiscalização. Isto não significa que a memória de cálculo não tenha sido entregue pela ora Manifestante, tampouco, que seria um óbice para a análise da Autoridade Fazendária de origem, pois, conforme foi salientado no tópico preliminar, a Autoridade Fiscal poderia ter esgotado a verdade material através de diligência fiscal no estabelecimento da ora Manifestante, conforme prevê o art. 76, da IN/RFB 1.300, de 2012. • assim que recebeu a ciência do presente despacho decisório, começou a elaborar a planilha de memória de cálculo e a separar a documentação pertinente aos créditos de frete de aquisição de insumos, frete de venda de produtos e despesas de armazenagem. Junto à presente manifestação, apresenta planilha com operações por amostragem e conhecimentos de transporte, nas operações de frete na aquisição e frete na venda, assim como de armazenagem, em razão de ainda não ter finalizado a análise de forma exauriente; • reitera os pedidos anteriores de que seja permitida a juntada da documentação comprobatória do seu crédito no decorrer da tramitação deste processo, em prazo não superior a cento e vinte dias, bem como a determinação de baixa em diligência para a confrontação da documentação juntada com a escrituração contábil, caso se entenda que as memórias de cálculos não sejam suficientes; • na linha dos fretes de venda e armazenagem, incluiu os fretes de aquisição, quando deveria inserilos na linha de bens/serviços adquiridos como insumo, por fazer parte do custo de aquisição da matériaprima. Embora tenha cometido esse lapso, em razão da verdade material, é medida razoável que os créditos de frete na aquisição sejam reconhecidos; • junta em anexo, por amostragem, notas fiscais que demonstram que arcou com despesas de fretes na aquisição de insumos, de fretes sobre vendas e de armazenagens, bem como relação das notas fiscais que estão sendo juntadas nesse primeiro momento; • em razão do volume de conhecimentos de transporte (em torno de 400.000), está fazendo a análise e separação deles, a fim de complementar as planilhas de memória de cálculo com os dados que foram solicitados pela fiscalização de origem, bem como a devida segregação e planilha de controle dos créditos de frete de transferência, que, como dito, não foi objeto do presente pedido de ressarcimento. Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.228 27 DA DEVOLUÇÃO DE VENDAS Devolução de produtos sujeitos à alíquota zero • o auditor fiscal enumerou vários produtos que foram devolvidos, glosando o respectivo crédito, sob o argumento de que teriam sido vendidos com alíquota zero. Ocorre que, como se verifica nos Dacons dos períodos em exame, esses produtos (tais como: nesvita, molico tentação cassis, ninho soleil, chamyto, chambinho, chandele, entre outros) tiveram suas vendas lançadas em receita de mercado interno tributada. Dessa forma, mesmo que sejam produtos que estariam sujeitos à alíquota zero, em face da verdade material de que foram vendidos com tributação, sua devolução gera direito a crédito, nos termos do art. 3º, inciso VIII, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; • para exemplificação, juntase o Dacon do período de apuração junho/2012 e a relação desses bens que foram vendidos com tributação (lembrando que todos os Dacons podem ser acessados pela RFB); Operações relativas à emissão de nota fiscal que seria supostamente complementar de preço • em relação às notas fiscais nos 5062 e 5063, emitidas pela Nestlé Brasil Ltda., esclarece que as mesmas não foram lançadas como notas complementares de preço, mas como estorno de lançamento de duplicidade, foram lançadas como devolução; • foram feitos, em 28/12/2007, lançamentos a crédito na conta 2062240/30, evidenciando que os valores foram provisionados para pagamento/compensação. Posteriormente, por erro de preenchimento, foram feitos novamente, poucas horas depois, os mesmos lançamentos, ou seja, em duplicidade. São lançamentos idênticos, apenas com números de controle diferentes. Para corrigir esse equívoco, verificado dentro do mesmo mês, foi efetuado, em 31/12/2007, lançamentos de estorno a débito nas contas de provisão; • quando era feito o Dacon, a massa de dados trabalhada era muito grande e, por isso, era impossível separar cada caso. Dessa forma, todos os lançamentos de estorno de provisão eram tratados como devolução e classificados na linha “Devolução de vendas” na ficha de créditos do Dacon. Em contrapartida, as provisões em duplicidade eram registradas na ficha de “Cálculo da contribuição”, na linha 01; OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO • a fiscalização glosou créditos referentes a aluguéis de máquinas e equipamentos, aluguéis de prédios, energia elétrica, armazenagem, insumos e serviços de manutenção, devido à não apresentação de planilhas específicas ou pela suposta falta de comprovação dos referidos créditos; • esse argumento não pode ser utilizado para embasar a glosa dos créditos pleiteados. A fiscalização deixou de examinar o mérito do pedido de ressarcimento e apenas o indeferiu com base na presunção de que o crédito não é legítimo em face de a contribuinte não ter logrado sucesso em juntar os documentos julgados necessários. Em que pese o suposto desatendimento às solicitações do auditor fiscal, é necessário dizer que ele poderia ter esgotado a verdade material e, assim, examinado a Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.229 28 liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Deve ficar claro que no presente caso não se trata de a ora manifestante não ter comprovado o crédito pretendido, ônus que sabidamente incumbe ao autor do pedido, e sim da impossibilidade de atender aos termos de intimação da forma como foi requerida; • devese ter em mente que se está diante de um volume de documentos gigantesco, muitos deles espalhados em diversas filiais. Em momento algum se recusou ou não quis colaborar com a fiscalização para a comprovação dos créditos pleiteados. Apenas não teve condições de cumprir as exigências feitas pela fiscalização. No entanto, isso não quer dizer que o auditor fiscal não tenha acesso aos documentos comprobatórios dos créditos, para o que seria necessário que se dispusesse a analisar a documentação no estabelecimento da manifestante, como possibilita o art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; • verificase a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade, pois, para a finalidade e a eficiência da atividade fiscal e em face do volume de documentos, é medida proporcional que seja concedido o prazo de cento e vinte dias, para que a contribuinte possa realizar a juntada dos documentos e planilhas de cálculos exigidas pela fiscalização ou então deve ser determinada a baixa em diligência para que a autoridade fiscal analise todos os documentos pertinentes ao crédito; DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC • a taxa Selic, por expressa previsão legal, é o fator de correção utilizado pela Administração Pública tanto para cobrança dos valores que lhe são devidos, como também para os créditos a que fazem jus os contribuintes; • a não incidência da taxa Selic desde o protocolo dos pedidos implica em ressarcimento a menor dos créditos a que tem direito a manifestante; • não pode a contribuinte suportar o ônus decorrente do ato de a autoridade fiscal glosar seus créditos e, quando houver deferimento pela turma julgadora, os créditos lhe serem disponibilizados sem a devida correção monetária; • registre o entendimento do Superior Tribunal de Justiça consubstanciado na Súmula nº 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco. • o CARF vem reconhecendo esse direito, em decorrência de recurso repetitivo no STJ, como demonstra o acórdão nº 3401.002.075. Decisão recorrida A Delegacia de Julgamento manteve a integralidade das glosas, negando provimento à manifestação de inconformidade. Recurso voluntário Em recurso voluntário, a empresa reitera seus argumentos da impugnação, para pleitear o reconhecimento de todos os créditos. No recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos) anexa aos autos novos documentos. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.230 29 Recentemente, a empresa também juntou o laudo técnico de avaliação do uso de materiais e serviços no processo produtivo, laudo n° 059/2018, produzido em 27/03/2018. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fazse nesta oportunidade, a análise conjunta dos 33 processos de titularidade da Recorrente, por configurarem inegável unidade de julgamento. Tratamse de processos conexos, nos termos do art. 6°, §1º, I, do RICARF: 1. 10880.944897/201301; 2. 10880.944898/201348; 3. 12585.000324/201083; 4. 12585.000325/201028; 5. 12585.000326/201072; 6. 12585.000328/201061; 7. 10880.944921/201302; 8. 10880.944917/201336; 9. 10880.944918/201381; 10. 10880.944920/201350; 11. 10880.944910/201314; 12. 10880.944911/201369; 13. 10880.944902/201378; 14. 10880.944900/201389; 15. 10880.944913/201358; 16. 10880.944903/201312; 17. 10880.944906/201356; 18. 10880.944923/201393; 19. 10880.944896/201359; 20. 10880.944899/201392; 21. 12585.000327/201017; 22. 10880.944915/201347; 23. 10880.944919/201325; 24. 10880.944914/201301; 25. 10880.944916/201391; 26. 10880.944912/201311; 27. 10880.944908/201345; 28. 10880.944909/201390; 29. 10880.944904/201367; 30. 10880.944901/201323; 31. 10880.944905/201310; 32. 10880.944907/201309 e, Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.231 30 33. 10880.944922/201349. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente. Ocorre que um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, sendo aplicáveis os art. 290 e 299 do RIR/99, para “albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica da empresa”. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são a fabricação, transformação, beneficiamento, conservação, distribuição comercial, importação e exportação de produtos alimentícios, produtos acabados, semiacabados e matériasprimas alimentares e alimentos in natura e alimentos refrigerados, congelados e supercongelados, principalmente leite e seus derivados, as quais, em tese, podem depender das despesas ora pleiteadas como crédito. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico de avaliação do uso de materiais e serviços no processo produtivo, laudo n° 059/2018, produzido em 27/03/2018. O laudo descreve o processo produtivo dos iogurtes, desde o transporte de aquisição de leite fresco até o transporte da fábrica até o ponto de comércio (vide itens 8.1 a 8.15). Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.232 31 Ademais, o laudo discorre sobre a essencialidade de despesas que seriam integrantes do processo produtivo, sem os quais, sustenta, não seria possível obter o produto em condições adequadas para o consumo, bem como dispor de instalações suficientemente higienizadas, obtendo desta forma a liberação pelos órgãos fiscalizadores, pelos mercados específicos atendidos pela empresa. E o faz nos itens 9.1 a 9.21. De antemão já vislumbro a necessidade de conversão em diligência por duas razões: a) a negativa de creditamento em parte foi pela aplicação do conceito restrito de insumo, ao passo que a Recorrente busca a aplicação ampla do conceito. Sendo assim, há dúvidas a serem dirimidas sobre a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente e b) por ser o laudo fato novo, isso demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Somese a esses dois fatores, a juntada de novos documentos no recurso voluntário da Recorrente, os quais, em análise desta relatora, são aptos a afastarem algumas glosas, total ou parcialmente. Logo, analiso a seguir uma a uma das glosas para delimitar o objeto da diligência proposta por esta Relatora. DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA AQUISIÇÃO DE LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL A Fiscalização apontou: Preliminarmente, destacamos que o sujeito passivo apurou créditos básicos de bens para revenda calculados em relação à aquisição de leite fresco in natura nos meses de julho, setembro e dezembro de 2007, nos montantes a seguir: Por outro lado, ao analisarmos a planilha enviada pelo sujeito passivo em 15/01/2014 com a relação de todos os produtos vendidos, acompanhados de sua descrição e montante total no período, constatamos que o sujeito passivo obteve receitas de vendas de leite fresco in natura inferiores aos valores adquiridos no mês, conforme relação abaixo: Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.233 32 Assim, tendo em vista que o leite fresco in natura é produto com alto grau de perecibilidade e tornase, em reduzido intervalo de tempo, impróprio para a utilização ou comercialização, é no mínimo razoável concluir que os valores adquiridos que excedem as receitas de vendas do leite fresco in natura no período certamente não foram destinados à revenda e, portanto, não devem compor o crédito básico da rubrica sob análise. Nesse sentido, desconsiderando a possibilidade de as quantidades excedentes terem perecido e, assim, desperdiçadas, o que anularia integralmente os créditos do sujeito passivo, é natural inferir que tenham sido utilizadas como insumos na industrialização dos laticínios que compõem a carteira de produtos do sujeito passivo. Vale lembrar que a aquisição de leite fresco in natura, LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL, NCM 04011090, por pessoa jurídica que, cumulativamente, apure o imposto de renda com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido como insumo na fabricação das mercadorias de origem animal previstas na legislação tributária, entre as quais encontramse os derivados de leite, classificados no capítulo 4 da TIPI, é operação sujeita à apuração de créditos presumidos, nos termos do art. 8º, caput, e parágrafos, da Lei nº 10.925, de 2004. Por essa razão, como o sujeito passivo enquadrase nas condições acima, realocamos os valores que excedem as receitas de venda de leite fresco in natura para a rubrica créditos presumidos e mantivemos sob a rubrica bens adquiridos para revenda os valores dentro dos limites das receitas supracitadas. Vale lembrar que a apuração do crédito presumido, nas hipóteses em que é aplicável, é obrigatória e não opcional para o sujeito passivo, de modo que os lançamentos referentes a essas operações obrigatoriamente devem ser realocados para a rubrica correspondente. Segue síntese dos valores realocados para crédito presumido. (...) A Recorrente pleiteia o crédito base e não o presumido pelas seguintes razões: · a aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins não tem implicação imediata sobre a aquisição de leite fresco, estando submetida a determinados requisitos prescritos pela Instrução Normativa RFB nº 660/2006. O primeiro requisito é que o fornecedor exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, conforme pode ser verificado no art. 3º, II, dessa instrução normativa; · a quase totalidade dos fornecedores da empresa desempenham as atividades de resfriamento e de venda de leite a granel, contudo, não exercem a atividade de transporte de leite. Para corroborar essa alegação, junta aos autos a relação dos fornecedores e os cartões de CNPJ, que demonstram que a quase totalidade são pessoas jurídicas que desempenham a atividade de industrialização de leite, mas sem exercer a atividade de transporte de leite; Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.234 33 · junta aos autos notas fiscais por amostragem, para demonstrar que o frete foi prestado por terceiro, reforçando o fato de que seus fornecedores não desempenham a atividade de transporte e, portanto, que a aquisição do leite in natura não é operação com tributação suspensa, mas com incidência “cheia” do PIS/Pasep e da Cofins; · mesmo nos poucos casos em que houve fornecedor que desempenhou as três atividades (resfriamento, venda a granel e transporte), ainda assim verificase que não seria o caso de suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, pois, além desse requisito, a Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006, determina que, nos casos em que se aplica a suspensão, deve constar obrigatoriamente a observação na nota fiscal de venda de que é operação com tributação suspensa. Na análise das notas fiscais emitidas pelos fornecedores que exercem as três atividades, foi constatado que não preencheram esse requisito, pois não continham a expressão obrigatória de que a venda seria com tributação suspensa. Desse modo, não havendo o preenchimento desse requisito, a operação é tributada pelas alíquotas básicas e gera direto a crédito de PIS/Pasep e Cofins ao adquirente do leite fresco. · além das notas fiscais que demonstram que o frete foi prestado por terceiro, de planilha demonstrando em quais casos há o preenchimento das atividades cumulativas de resfriamento, venda a granel e transporte e dos cartões do CNPJ de seus fornecedores, junta ainda aos autos os atos constitutivos da Nestlé, sua maior fornecedora; O laudo salienta que o leite é a principal matériaprima do iogurte, que o frete é suportado pela Recorrente e que tal frete prestado por terceiro é seu próprio custo de aquisição do leite. A Recorrente juntou, nos DOC. 4 a 6 do Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), para sustentar as suas alegações: cópia dos cartões CNPJ dos fornecedores, amostragem de notas fiscais que demonstrariam que o frete foi prestado por terceiro e, o contrato social da Nestlé, sua maior fornecedora, a qual não realiza o transporte do leite. Entendo que este ponto deve ser investigado. Logo, solicitase à autoridade fiscal a análise dos documentos indicados pela Recorrente para verificar, se: 1 O transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente e o fornecedor. Cotejar as notas fiscais com os conhecimentos de transporte (Vide tópico FRETES); 2 As notas fiscais indicadas contêm a informação de “venda com suspensão”; 3 Se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN n° 660/06. AQUISIÇÃO DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE OU MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.235 34 Tratase das glosas de: CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH 26X130G REFR BR e CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR, que no entendimento da fiscalização se tratam de embalagem ou material de embalagem utilizados no transporte das mercadorias vendidas, não se integrando aos produtos finais vendidos pelo sujeito passivo. A autoridade fiscal distinguiu “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, para aplicar as instruções normativas e negar o crédito. Por sua vez, o laudo descreve a essencialidade nos itens 9.6 e 9.9. No Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), DOC. 7, constam planilha e fotos das embalagens. Confrontando o motivo da glosa, o laudo e DOC. 7, entendo que não há razão para outros esclarecimentos em diligência. OPERAÇÕES NÃO ENQUADRADAS COMO AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA Apontou a fiscalização que o contribuinte apurou parte de seu crédito com base em operações cuja natureza não se encaixa no conceito de bens para revenda, uma vez que descreveu as referidas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço". Por sua vez, a Recorrente alega que, em razão de erro formal de preenchimento, foram contabilizadas no CFOP 1949 mercadorias que foram objeto de devolução dos clientes. Prossegue, informando que indicou as notas fiscais dessas operações, que demonstrariam que a origem desses produtos decorre dos próprios clientes da empresa, razão pela qual restaria evidenciado que se tratam de devoluções de vendas. Entretanto, esta Relatora não localizou a indicação de tais notas. Ademais, foi juntado o DACON de 2012 já em impugnação, para demonstrar que em eventual devolução, haverá crédito em razão da operação de venda ter sido tributada. Diante disso, não vislumbro a necessidade de realização de diligência nesse ponto. DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS AQUISIÇÃO DE LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL e LEITE FRESCO USINA GRANEL Tratase da mesma situação anterior, relativa ao caso dos bens adquiridos para revenda, as aquisições de LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL e LEITE FRESCO USINA GRANEL, que nos dizeres da fiscalização são hipóteses de apuração de crédito presumido, pois se tratam de aquisição de leite in natura, nos termos do art. 8º, § 1º, II, da Lei nº 10.925/2004, e, portanto, não podem ser enquadradas na rubrica sob análise, com crédito cheio, devendo, obrigatoriamente, ser realocadas para rubrica adequada, qual seja, “créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos de origem animal”. Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.236 35 Os argumentos da Recorrente são os mesmos do outro tópico. À semelhança, aqui também considero que se trata de uma questão que deve ser objeto da presente diligência, como já exposto anteriormente. AQUISIÇÃO DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE OU MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE Como mencionado anteriormente, tratase da glosa de despesas relacionadas ao transporte do produto perecível pronto. Também como já dito, para a fiscalização, não seria de se cogitar o enquadramento como insumo tendo em vista que, para tanto, o material em questão deveria ser aplicado na embalagem de apresentação, destinada à venda ao consumidor final, e não de forma acessória, na embalagem de transporte, destinada ao mero transporte da mercadoria. Nesta rubrica foram glosados: CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA CHAMY FRUTESS T REX 1000G REFR BR, CAIXA CHANDELLE 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA CHBNH 38X90G YGT24X130G REFR BR, CAIXA DE GAXETA ACO, CAIXA ESPECIALIDADE LACTEA REFR BR, CAIXA EXPEDICAO MOUSSE 14X150G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO NECTAR LARANJA 12X1L, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA FRUTESS T PRISMA 12X315G REFR BR, CAIXA GAXETA TRI CLOVER PN J324B0002, CAIXA PAP ONDULADO IOG POLPA 12X400G, CAIXA PO AUTM IOG LIQ 48X180G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X450G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X720G REFR BR, CAIXA PO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PO ERCA DECOR 3 12X400G REFR BR, CAIXA PO MOCA FESTA 20X180G BR, CAIXA PO NESTLE IOG NAT 21X170G REFR BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO BIG 22X720G BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO CHOC 20X480G BR, CAIXA PO REFR CHANDELLE MOUSSE 14MP BR, CAIXA PO REFR ERCA DECOR 4 600G BR, CAIXA PO REFR NESTLE NINHO 100G BR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 32MMBR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 35MMBR, CAIXA PO REFR REQUEIJAO 19X220G BR, CAIXA POICAO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PUDIM MOCA 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA SEM ABAS CHMYT 30X4P 22X6P REFR BR, CAIXA UNICAYGT 6 BANDEJAS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH 26X130G REFR BR, CAIXA YGT BAG 1 X 10KG REFR BR, CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR, CAIXA YGT LIQ 45X200G9X800G REFR BR, CAIXA YGT LIQUIDOS 10X850 900G REFR BR, CAIXA YGT MOLICO 21X150G REFR BR e CAIXAPO REFRCHDEL MSE INDVIDUAL 14X75GBR. E ainda, ACESSORIO CONTAINER 1200KG, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413115, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413136, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413167, CONTAINER PREP FRT 1200KG, CX TRANSPORTE FRASCOS FORNECEDOR, DIVISORIA DE PAPELAO, DIVISORIA PAPELAO 1 00MX1 20M, ETIQUETA IDENTIFICACAO PALETE REFR BR, ETIQUETA PAPEL AADSV AUTOMACAO FABRICA, ETIQUETA PAPEL AUTO ADESIVA C75MM L104MM, FILME ENCOLHIVEL CHAMYTO 6P REFR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 450G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 720G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM720G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT TT FR 450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL PEBD CHAMYTO 6X75G PR, FILME PEBD CHAMY MRG REFR BR, FILME PEBD PELBD NESTLE MRG REFR 900G, FILME SHRINK PEBD Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.237 36 CHAMYTO 6X75G TT FR PR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO UVA 6X75G, FILME SHRINK PEBD CHMYT BIG FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD FCHAMYTO BIG 6X120G PR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO 4X3G PRBR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO BIG BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEI FERMENTADO BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEIFERMENT 7X1 BR, FILME TERMOENC CHAMYTO TT FR 6 POTES BR, FITA ARQUEAR PP VERDE C2000MX L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM 2008, PAPELAO VELOMOIDE 1 64 ESPES X1 20 LARG e STRETCHFILME 500MM X 24 5UM. Sobre alguns desses itens a fiscalização informou: Em resposta apresentada em 31/07/2013, o contribuinte esclareceu que o STRETCHFILME 500MM X 24 5UM é “utilizado no fracionamento de paletes para venda de produtos Não relacionado ao processo produtivo”. O sujeito passivo esclareceu também que a FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM 2008 é utilizada “na amarração dos paletes de produtos terminados”. Já o ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413115 é “complemento utilizado na caixa de expedição com a finalidade de evitar o tombamento do produto” e o ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413167 é “complemento utilizado com a finalidade de reforçar a caixa de expedição”. Por sua vez, a ETIQUETA IDENTIFICACAO PALETE REFR BR é utilizada “na identificação do produto paletizado” (Documentos Diversos – Outros 20130731 Resp Contr Destin Insu Exame MPF Anterior; fl. 746). O stretch filme, ou filme esticável, bem como o filme shrink, ou filme encolhível, são largamente utilizados como materiais acessórios à embalagem de transporte utilizados durante o fracionamento de paletes para remessa do produto aos clientes. Nesse mesmo grupo incluise a fita de arquear, bem como os acessórios e divisórias de papelão, utilizados durante o transporte dos produtos. Na mesma toada, a autoridade fiscal distinguiu “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, para aplicar as instruções normativas e negar o crédito. Por sua vez, o laudo descreve a essencialidade nos itens 9.6 e 9.9. E, constam planilha e fotos anexadas ao documento. Como já dito anteriormente, entendo que não há razão para outros esclarecimentos em diligência. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO NÂO ENQUADRADO COMO INSUMO Tratase de glosas referentes à aquisição de material de limpeza, no caso do desinfetante, e de material descartável de proteção pessoal e higiene: CAPA DESCARTÁVEL TAMANHO UNICO, DESINFETANTE DIVOSAN S1, DESINFETANTE ACIDO Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.238 37 PERACET LIQ 30KG, LUVAS DESCARTÁVEL 340X270X0 06MM, MANGOTE DESCART POLIPR BRANCO GRAM 20, MANGOTE DESCARTÁVEL POLIPROPILENO, MANGOTES EM POLIPROPILENO BRANCA 30GR, PANO DE LIMPEZA ALVEJADO 0 60CM 0 35CM, PANO LIMPEZA AZUL BAINHA MED 30X40CM, PANO LIMPEZA BAINHA BRANCO MED42X75CM, PANO PARA LIMPEZA OVERLOQUE AZUL40X20CM, PAR DE LUVA DE POLITILENO TRANSPARENTE, SABONETE LIQUIDO SUMASEPT, TOUCA DESC AZUL C ELÁSTICO 50CM GRAM 30, TOUCA DESCARTÁVEL 50CM GRAMATURA 30 e TOUCA PROT DESC PP BR UN. Tais itens foram glosados, nos termos das instruções normativas, por não serem consumidos ou integrados ao produto final durante a fabricação. Na mesma rubrica houve a glosa de FITA ISOLANTE, que nos dizeres da fiscalização: “aquisição de FITA ISOLANTE, material acessório utilizado em reparos de máquinas, equipamentos ou instalações elétricas não necessariamente ligadas ao processo produtivo, que sequer é incluída quando da substituição de peças que sofrem desgaste em decorrência da fabricação do produto.” Glosados também as despesas com 7 SERVIÇOS CONSULTORIA EM RH, BRINDE R RELAÇÕES PUBLICAS e BRINDES DIVERSOS, “uma vez que os serviços de consultoria em recursos humanos destinamse, preponderantemente, ao auxílio no recrutamento e gerenciamento de pessoal, não se encaixando, por óbvio no conceito de insumos. Assim como os brindes, usualmente destinados a clientes e fornecedores, e não direcionados ao processo produtivo, não ensejando apuração de créditos”. E ainda, foram glosadas as aquisições de GAS LIQUEFEITO DE PETROLEO BOT, GAS LIQUEFEITO PETROLEO EM BOTIJAO 45 KG e GAS LIQUEFEITO PETROLEO BOTIJAO 20KG EMP, pois “o contribuinte esclareceu que os referidos itens são utilizados como ‘combustível para empilhadeiras’ ou na “preparação de alimentos no restaurante não relacionado ao processo produtivo”. O laudo da Recorrente trata dessas rubricas no item 9.10. Segundo este documento: 1 a industrialização do leite é fiscalizada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA, através da Resolução n° 10, de 22 de maio de 2003, que estabelece o Programa Genérico de Procedimentos Padrão de Higiene Operacional – PPHO, a ser utilizado nos estabelecimentos de leite e derivados que funcionam sob o regime de inspeção federal; 2 as fitas isolantes são utilizadas em reparos de máquinas e equipamentos para isolar conexões e outros componentes elétricos, garantindo maior segurança para quem manuseia aparelhos elétricos ou está trabalhando com algum serviço que envolva energia elétrica e 3 o Gás Liquefeito de Petróleo é uma energia convertida em movimentos das empilhadeiras. Entendo que, de todas as glosas listadas acima, é necessária a intervenção da autoridade fiscal apenas para verificar a possibilidade de segregação entre as aquisições de GAS LIQUEFEITO DE PETROLEO BOT, GAS LIQUEFEITO PETROLEO EM BOTIJAO 45 KG e GAS LIQUEFEITO PETROLEO BOTIJAO 20KG EMP – para área administrativa e para o processo produtivo. Para as demais glosas, entendo que os elementos dos autos são suficientes para o julgamento, não sendo, portanto, necessária diligência sobre os demais itens. Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.239 38 AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO SUJEITO À ALIQUOTA ZERO Tratase das glosas de bens adquiridos classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI, que estão sujeitos à alíquota zero das contribuições, nos termos do art. 28, III, da Lei nº 10.865/2004, bem como de leite, nos termos art. 1º, XI e XIII, da Lei nº 10.925/2004. As glosas tiveram como fundamento o § 2º, II, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003, que dispõem que as aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito. Assim, foram glosados LEITE DESNATADO GRANEL, LEITE DESNATADO GRANEL TERCEIROS, LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER, LEITE EM PO DESNATADO MSK, LEITE PO INTEGRAL 26 25KG, LEITE PO MSK 25KG e SORO MILK PO 25KG, bem como frutas e produtos hortícolas, AMEIXA POLPA PASTEURIZADA 20KG, AMORA POLPA 8BRIX CONGELADA 20KG, BANANA POLPA LIQUIDA 24BRIX PAST 20KG, COCO RALADO 0JAN 004 MM 25KG, FRAMBOESA POLPA 8BRIX 10KG, KIWI POLPA 13 BRIX, MAMAO POLPA 8 11 BRIX PASTEURIZADO 210KG, MELAO POLPA 4 7BRIX CONGELADO 12KG, MORANGO POLPA SEM SMT 4 5 8 5BRIX 10KG, PERA POLPA 8 13BRIX CONGELADA 20KG, PESSEGO POLPA 8 11BRIX CONGELADO 12KG, POLPA DE MORANGO, POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 200KG e POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 210KG. A Recorrente alega que são as suas essenciais matériasprimas e que negar crédito sobre elas implica em ferir a sistemática da nãocumulatividade. No mesmo sentido, apontou o laudo. Claramente, estáse diante de questão de direito, que não será objeto da diligência. OPERAÇÕES NÃO ENQUADRADAS COMO AQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Aponta a fiscalização que o contribuinte apurou parte de seu crédito com base em operações cujas naturezas não se encaixam no conceito de bens utilizados como insumos, uma vez que descreveu as referidas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada” e “Compra de material para uso ou consumo”, com a utilização dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) nº 1949, 2949, 1556 e 2556. Quanto aos CFOP n° 1949 e 2949, “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada”, aduz a Recorrente que foram escriturados erroneamente, pois contabilizou neste CFOP as mercadorias objeto de devolução de seus clientes. Da mesma forma, não indicou as notas fiscais que comprovariam tal argumento. Assim, não foram especificadas as notas que poderiam atestar se a empresa incorreu em erro formal, se se tratam de devoluções de vendas. Com relação ao CFOP 1556 e 2556, “compra de material para uso e consumo”, alega a Recorrente que são aquisições de partes e peças de máquinas, parafusos, Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.240 39 peças, graxas, mangueiras, rolamentos, molas, anéis, retentores, cilindros, termostatos, entre outras peças de reposição e consumo utilizadas na manutenção do processo produtivo. O laudo, no item 9.12, trata apenas dos “materiais para uso e consumo”, afirmando que estes “elementos são essenciais para o processo de forma que seja possível efetuar o reparo da máquina, por meio de manutenções, permitindo que ela retorne ao fluxo produtivo.” A Recorrente indicou em seu recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), DOC. 9, os materiais para uso e consumo que são integrantes do processo produtivo: partes e peças de máquinas, parafusos, graxas, mangueiras, rolamentos, molas, anéis, retentores, cilindros necessários a manutenção das máquinas no processo produtivo. Por conseguinte, não vislumbro a necessidade de diligência nesses itens. DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS CUJAS DESCRIÇÕES NÃO PERMITEM IDENTIFICÁLOS COMO INSUMOS Tratase das glosas de serviços utilizados como insumos descritos como “GENÉRICOS” nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, contratados de EMPRESA DE TRANSPORTES SOPRODIVINO SA, NESTLE BRASIL LTDA e PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA. O laudo descreve os serviços no item 9.13 como essenciais: I) Empresa de Transportes Soprodivino S.A. – transportadora contratada para realizar o transporte do açúcar que é uma matéria prima do processo produtivo. Sem o transporte do produtor até a empresa, o açúcar não estaria disponível para ser adicionado ao iogurte, consequentemente não estaria apto para o consumo. II) Nestlé Brasil Ltda empresa correlacionadas com a DPA em realizar alguns serviços industrias na planta, tais como: Performance Industrial: o termo utilizado para os indicadores de performance da manutenção em uma fábrica é o KPI (em inglês, Key Performance Indicators ou KPI, Indicadores de Performance na tradução). As KPIs podem mensurar diferentes performances abrangendo desde o tempo de parada das máquinas até o processo produtivo e são atividades que visam segurança para as pessoas operantes das máquinas e todos os equipamentos integrados com o processo industrial. Sem esses indicadores o sistema fabril entraria em colapso e pane geral, paralisando a produção do produto final. Engenharia de Manutenção e utilidades de energia: são atividades que visam toda a prevenção, manutenção, confiabilidade e Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.241 40 disponibilidade dos equipamentos responsáveis por todo o processo produtivo, nos quais sem eles seria impossível manter a produção da empresa; Fornecimento de água e tratamento de efluentes: efluente industrial é o despejo de resíduos líquidos poluentes oriundos de processos fabris que abrange desde rejeitos provenientes dos próprios processos industriais, até o esgoto doméstico. Ou seja, é toda água que é utilizada em uma indústria e que, depois, precisa ser descartada. Na empresa pode utilizar a água com diversas finalidades, como para a lavagem do chão de fábrica ou de algum equipamento do processo de produção, para a incorporação ao próprio produto e para o resfriamento de sistemas e geradores de vapor. Em todas essas utilizações citadas, a indústria está produzindo resíduos que precisam ser tratados, para que a água apresente as condições estabelecidas no Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal RIISPOA além de atender aos princípios e objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei 12.305 de 02 de agosto de 2010, antes de serem lançados à natureza, tendo em vista que esse tratamento é regulamentada e fiscalizada pelos órgãos de vigilância sanitária, dos quais devem ser atendidos sob pena da empresa ser interditada, caracterizando crime contra o meio ambiente, conforme menciona a Lei de Crimes Ambientais n° 9605/98. III) Pleno Consultoria de Serviços Ltda: recrutamento de trabalhadores para atividades temporárias, por exemplo: quando a empresa necessita realizar embalagens de iogurte promocionais nos formatos de “pague 2 leve 3”. Nestes momentos, a empresa necessita de um contingente maior do que o normal temporariamente para que consiga atender a demanda. A Recorrente juntou no DOC. 11 do Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), algumas notas de despesas com serviços. Mas, não constam nos autos mais documentos sobre esses serviços, tampouco a conciliação entre as notas fiscais com os referidos serviços. Assim, como a glosa foi em decorrência da falta de informações que permitissem assegurar se os serviços em questão enquadramse no conceito de insumo, entendo que não há necessidade de outros esclarecimentos por parte da autoridade fiscal em diligência. AQUISIÇÕES QUE SOFRERAM AJUSTES NEGATIVO NA BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE PARA REFLETIR O VALOR DE FACE DO DOCUMENTO FISCAL Aduz a fiscalização que: Procedemos ao ajuste negativo no valor de R$ 4.679.264,48 da base de cálculo dos créditos calculados em relação à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 013645, de fevereiro de 2009, emitido por LOGOPLASTE DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.359.256/000513, para refletir o seu real valor de face, que monta em R$ 4.663,40, e foi erroneamente registrado pelo sujeito passivo pelo Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.242 41 valor de R$ 4.683.927,88 (Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação NF13645; fl. 747). Nesse ponto alega a Recorrente que lançou corretamente o valor de R$ 4.663,40 referente a essa nota fiscal. Segundo ela, o valor de R$ 4.682.449,79, que seria o total do reajuste negativo no Dacon, referese às anulações dos lançamentos realizados em duplicidade, em razão de erro de preenchimento. A Recorrente reiterou o pleito em sede de recurso voluntário, bem como apontou no item IV.III.2 da peça recursal os registros do DACON a que se refere, dessa forma esse ponto dever ser investigado na diligência. Então, solicitase à autoridade fiscal que verifique se a NF 013645 da Logoplaste do Brasil Ltda. foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa. OPERAÇÕES RELATIVAS À CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA Foram glosadas as operações relativas à contratação de mão de obra temporária, descritas pelo sujeito passivo em sua memória de cálculo como “SERV DE MAO DE OBRA TEMPORÁRIA”, contratados preponderantemente da empresa SOCIEDADE EMPRESARIAL DE TERCEIRIZACAO E SERVICOS LTDA, por entender a fiscalização que o pagamento a título de mão de obra a pessoa física por intermédio de uma pessoa jurídica contratada para tal fim é vedado. Afirma a empresa que essa mão de obra é alocada no processo produtivo. Junta notas fiscais. O laudo se refere a esse item no tópico 9.14. Solicitase a autoridade fiscal que coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO SUJEITO À ALIQUOTA ZERO Tratase da glosa da aquisição de LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER, por se tratar de operação sujeita à alíquota zero, já que é aquisição de leite industrializado desnatado, cujas alíquotas das contribuições são iguais a zero, conforme reza o art. 1º, XI, da Lei nº 10.925/2004. Logo, tais aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito. Foi tratado no laudo, no item 9.15. Outrossim, como já manifestado, tratase de questão de direito, que será oportunamente julgada, não sendo, portanto, objeto desta diligência. Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.243 42 AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS NÃO ENQUADRADOS COMO INSUMOS A glosa referiuse a: Glosamos os serviços contratados de LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/0094 54, e de PAULISTANIA LOCADORA DE VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.339.638/000492, tendo em vista que ambos têm como atividade principal o serviço de locação de automóveis sem condutor, prestação que, considerada a atividade do sujeito passivo, a produção de laticínios, não se encaixa no conceito de serviços utilizados como insumos, devendo, portanto, ser integralmente glosadas. A empresa MONTIN MEC MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, CNPJ nº 15.023.132/000106, tem como objeto a instalação de máquinas e equipamentos industriais. Tomando como exemplo a nota fiscal nº 79, de dezembro de 2012, o serviço prestado é de fabricação e instalação de pórtico para manutenção das torres de resfriamento, serviço que não se integra ou agrega valor aos produtos comercializados pelo sujeito passivo, não se enquadrando como insumos, sendo integralmente objeto de glosa por parte da Fiscalização todas as aquisições desse fornecedor (Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação NF 79; fl. 750). A empresa PASCOTTI SERVICOS DE TERRAPLENAGEM LOCACAO DE MAQUINAS E VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.887.120/000140, presta serviços de obras de terraplenagem, obras de urbanização em ruas, praças e calçadas, construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas, exceto obras de irrigação, serviços de preparação do terreno, aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes, atua nos setores de terraplenagem, pavimentação asfáltica, infraestrutura em geral, locação de equipamentos e fornecimento de materiais básicos para construção civil em empreendimentos comerciais, industriais e residenciais. Nenhum dos serviços descritos acima se enquadram no conceito de insumo ao se considerar o ramo de atuação sujeito passivo, a produção de laticínios, devendo, nesse caso, ser glosados todas as aquisições de serviço do fornecedor em questão. A empresa PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA, CNPJ nº 70.059.043/000128, tem como atividade principal a locação de mão deobra temporária, atuando também nos serviços de conservação e limpeza, serviços temporários e terceirização de mão de obra. Nesse sentido, em obediência ao inciso I do § 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, de idêntico teor, as aquisições do referido fornecedor foram integralmente glosadas. Mesmo tratamento foi dispensado às aquisições de serviços de TITO CADEMARTORI ASSESSORIA, CNPJ nº 93.911.147/000386, que presta serviço de assessoria e gestão aduaneira, principalmente Classificação Fiscal de Mercadorias, Valoração Aduaneira, Efetivação de Ex tarifários e Recuperação de impostos pagos, etc. Em outras palavras, presta serviço de assessoria aduaneira, que, por óbvio, não se enquadra no conceito de serviços utilizados como insumos, devendo, Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.244 43 portanto, ser integralmente glosados os créditos relacionados às aquisições desse fornecedor. Glosamos também as operações descritas como MATERIAIS PARA MONTAGEM ELETRICA; MEDICINA VETERINARIA E ZOOTECNIA.; MOLDES; SERV USINAGEM; SERV ARMAZENAGEM E LOGISTICA (SERV FRETE); SERV ASSESSORIA ADUANEIRA; SERV CONST CIVIL MONT ELET MEC E HIDR; SERV CONSULTORIA E ADMINISTRACAO; SERV DE ASSIST TEC EM EQUIP DE FABR; SERV DE MANUT EM EQUIP DE FABR; SERV ENG CIVIL; SERV IMPR PUBLICIDADE PROMOCOES; SERV LOCACAO EQUIP TELEC; SERV SUPORTE CONSTR LOCACAO ESTRUTURAS; e SERV TELEFONIA FIXA, tendo em vista que, consideradas as próprias descrições fornecidas pelo contribuinte, não se enquadram como serviços utilizados como insumos. Alega a Recorrente que são serviços essenciais, tais como: Serviços de Manutenção de equipamentos de Fábricas; Serviços de Armazenagem e Logística; Serviços de Assistência Técnica em Equipamento de Fábrica; Serviços de Mão de Obra Temporária; Serviços de Consultoria e Administração; Serviços de Medicina Veterinária e Zootecnia; Serviços de Construção Civil e Montagem Elétrica, Mecânica e Hidráulica; Serviços de Locação de Equipamentos de Telecomunicação; Serviços de Engenharia Civil; Serviços de Suporte de Construção e Locação de Estruturas e Serviços de Impressão de Publicidade de Promoções. Aduz que juntou notas fiscais por amostragem. O laudo se refere a esse item no tópico 9.16, que descreve cada serviço e sua utilização. Entretanto, não houve a interligação entre cada serviço e as respectivas notas. Diante disso, entendo desnecessária a realização de diligência nesse tópico. DA IMPORTAÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO SUJEITO À ALIQUOTA ZERO Tratase da glosa de aquisição de LEITE PÓ INTEGRAL 26 25KG, por ser sujeita à alíquota zero, nos termos do o art. 1º, XI, da Lei nº 10.925/2004. O laudo referese a essa aquisição no tópico 9.17. Mais uma vez, tal como já tratado acima, não é objeto desta diligência. DA IMPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, DA IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS e DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (DEPRECIAÇÃO) ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO Relatou a fiscalização o seguinte: No caso em tela, o contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.245 44 RUBRICAS do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que as rubricas em epígrafe deveriam ter suas composições demonstradas nas planilhas de cálculo a serem apresentadas (Termo de Início de Diligência Fiscal; e Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls. 239 a 246; e fls. 496 a 501). O contribuinte apresentou respostas à Fiscalização em diversos momentos, conforme se depreende do relatório desta Informação Fiscal, contudo, até o fim do procedimento fiscal o contribuinte não havia apresentado quaisquer memórias de cálculo referentes as rubricas sob análise. Limitouse a esclarecer, em resposta apresentada no dia 23/01/2014, que os valores lançados na ficha 16A, linha 09, créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado (depreciação), e na ficha 16B, linha 01, importação de bens para revenda, referemse na verdade a insumos (Documentos Diversos Outros 20140123 Resposta Intimação Protocolo; fl. 483). Dessa forma, em vista da não apresentação de planilhas específicas para essas duas rubricas e do esclarecimento supra, assumimos que os seus valores estão inseridos nas planilhas referentes aos créditos de aquisição de insumos do mercado interno e importação, de modo que a análise desses valores fora automaticamente realizada no âmbito das referidas rubricas relativas à aquisição de insumos, e, naturalmente, realocadas para tais linhas. Nesse sentido, com o objetivo de evitar a apuração de tais créditos em duplicidade, desconsideramos a integralidade dos valores lançados na ficha 16A, linha 09, créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, e na ficha 16B, linha 01, importação de bens para revenda. Já os valores pleiteados pelo contribuinte a título de importações de serviços utilizados como insumos foram integralmente glosados, por falta de comprovação do crédito pleiteado, tendo em vista a não apresentação de quaisquer planilhas com as memórias de cálculo dos créditos lançados nos Dacons. O laudo não abordou essa temática. E a Recorrente não trouxe novos elementos em recurso voluntário, apenas afirma que o auditor fiscal glosou créditos baseado na presunção de que, se as informações não foram detalhadas como solicitado, é porque o crédito não existe. Logo, esse item está fora do objeto da diligência. DAS DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA Relata a fiscalização que: Intimado em 27/05/2014 a apresentar uma amostra de notas fiscais de energia elétrica, o sujeito passivo, em 03/06/2014, apresentou a Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.246 45 contento uma parte relevante dos documentos fiscais requeridos, deixando de apresentar, contudo, os documentos fiscais nº 999249, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673, emitidas por ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVICO, CNPJ nº 02.328.280/0001 97; e 450, 464 e 293, emitidas por LIGHT SERVICOS DE ELTRICIDADE SA,CNPJ nº 60.444.437/000146 (Termo de Intimação Fiscal Número 3 20140527; Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação Protocolo; e Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável 20140603 Resposta à Intimação Mídia; fls. 540 a 573). Dessa forma, a autoridade fiscal glosou integralmente os créditos apurados com base nas aquisições de energia elétrica cujos documentos não foram apresentados. Informa a Recorrente que juntou ao seu recurso voluntário, as notas fiscais n° 999249, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673 emitidas por Elektro Eletricidade e Serviço (CNPJ 02.328.280/000197) e notas fiscais n° 450, 464 e 293, emitidas por Light Serviços de Eletricidade S/A (CNPJ 60.444.437/000146). A essencialidade da energia elétrica para o processo produtivo é objeto do item 9.18 do laudo. Assim, solicitase a autoridade fiscal que faça a conciliação dessas notas, DOC. 13 do recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos. DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Relata a fiscalização que: O contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas deveria conter o detalhamento das locações em questão, contendo “CNPJ do Locador”; “Razão Social do Locador”; "Endereço do Imóvel Locado"; "Descrição do Imóvel Locado"; “Finalidade do Imóvel Locado”; "Valor Original do Contrato de Locação"; “Valor do Aluguel Pago no Mês”; "Data do Pagamento do Aluguel"; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Início de Diligência Fiscal; e Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls. 239 a 246; e fls. 496 a 501). Nas diversas oportunidades em que trouxe como resposta às intimações as memórias de cálculo, o contribuinte apresentou planilhas de aluguéis de prédios incompletas furtandose a apresentar na relação a identificação do imóvel locado, e dados elementares, como o endereço do imóvel locado, sua descrição e finalidade, bem como os valores originais de locação e o valor efetivamente pago. Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.247 46 De qualquer sorte, analisamos a planilha apresentada em 16/05/2014 e constatamos que o contribuinte apura créditos de aluguéis de imóveis oriundos de contratos firmados com três locadores distintos, quais sejam, Maconetto Empreendimentos Imobiliários SC Ltda, CNPJ nº 02.479.601/000154; Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ nº 74.192.097/000118; e Nestle Brasil Ltda, CNPJ nº 60.409.075/000152. As operações firmadas com o locador Maconetto Empreendimentos Imobiliários SC Ltda, CNPJ nº 02.479.601/000154 são meramente descritas como “Serv. Leasing Locação de Imóvel” e, tendo em vista a COMPLETA AUSÊNCIA de informações acerca do endereço, descrição ou finalidade do imóvel locado, não permitem constatar se os valores referemse de fato a uma locação de imóvel, de modo que foram integralmente glosados (Termo de Anexação de Arquivo Não paginável Memórias de Cálculo Dacon Parte 1; fl. 538). Já as operações firmadas com o locador Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ nº 74.192.097/000118, além de incorrerem no mesmo problema anterior, de ausência de informações elementares para a identificação do imóvel locado, são descritas como “Serv. Administração Imobiliária”, restando evidente que não se referem de fato a locação de imóvel, e, sim, de serviços imobiliários acessórios à locação. Essas operações também foram integralmente glosadas (Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável Memórias de Cálculo Dacon Parte 1; fl. 538). Por outro lado, as operações firmadas com o locador Nestle Brasil Ltda, CNPJ nº 60.409.075/000152, foram descritas como “Aluguel predial”, de modo que os correspondentes contratos de locação foram requeridos pela Fiscalização acompanhados dos demonstrativos atualizados das despesas de aluguel bem como os respectivos comprovantes de pagamento (Termo de Anexação de Arquivo Não paginável Memórias de Cálculo Dacon Parte 1; e Termo de Intimação Fiscal Número 3 20140527; fl. 538; e fls. 540 a 556). O contribuinte apresentou em 03/06/2014 os contratos de aluguel a contento, por meio dos quais constatamos que se referem de fato a dois imóveis locados pelo sujeito passivo. Contudo, deixou de apresentar uma parte relevante dos recibos com os comprovantes de pagamento, bem como quase que a integralidade dos demonstrativos dos valores atualizados das despesas de aluguel (Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação Protocolo; e Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável 20140603 Resposta à Intimação Mídia; fls. 557 a 573). Ademais, não foi possível encontrar correspondência entre quaisquer um dos recibos com os comprovantes apresentados e os valores inicialmente demonstrados pelo sujeito passivo em suas memórias de cálculo, tendo em vista que os valores de face dos recibos e os informados nas planilhas não coincidiam ou sequer eram compatíveis entre si. Anexados a alguns recibos de pagamento, o contribuinte apresentou demonstrativos com a discriminação fornecida pelo locador com todas as rubricas que compõem o montante devido pelo sujeito passivo ao Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.248 47 locador, e notamos pela análise destes documentos que apenas uma parcela do valor total devido referese, de fato, à locação do imóvel (Documentos Diversos Outros 20140603 Demonstrativos Despesas Aluguel Mensal, fls. 697 a 722). As demais rubricas se referem a despesas acessórias com energia elétrica; malote; telefone; despesas legais e com impostos diversos; ginástica laboral; cantina e alimentos; serviços de manutenção em câmaras/incêndio/predial; manutenção e reparo de móveis e utensílios; serviço de manutenção e limpeza em geral; serviço de segurança ambiental; manutenção de câmaras (peças e materiais); correio; IPTU; pagamento de alvará de funcionamento; e nobreak (Documentos Diversos Outros 20140603 Demonstrativos Despesas Aluguel Mensal, fls. 697 a 722). As despesas acima não integram o valor do aluguel e, portanto, não ensejam direito ao crédito das contribuições, de forma que, para compor a base de cálculo da rubrica em questão, consideramos exclusivamente os valores descritos como “Aluguéis Filiais” nos demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo. Nos meses em que o contribuinte apresentou apenas o recibo, comprovante de pagamento total, sem o demonstrativo com a discriminação e individualização das rubricas componentes da despesa total de aluguel, estimamos a parcela referente ao valor do aluguel propriamente dito obtendo a média aritmética dos meses em que houve apresentação, tendo em vista que os valores mostravam pouca variação mês a mês. Vale dizer que, nos meses em que não houve apresentação do demonstrativo com a discriminação da despesa total de aluguel e do correspondente recibo, comprovante do pagamento total efetuado, a base de cálculo considerada foi nula, por falta de comprovação do crédito pleiteado. Ressaltase que no dia 06/06/2014, o contribuinte apresentou uma série de comprovantes de transferência ou depósitos bancários em nome do locador que serviram, em tese, para liquidar as despesas de aluguel. No entanto, mais uma vez os valores em questão não coincidiam ou sequer eram compatíveis com os valores apresentados nas planilhas com as memórias de cálculo, não sendo possível assegurar se referem se, de fato, à liquidação de aluguéis. Esses documentos bancários foram integralmente desconsiderados pela Fiscalização (Documentos Diversos Outros 20140606 Resposta Intimação SVA; Documentos Diversos Outros 20140606 Resposta Intimação Comprovantes Aluguel; e Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável 20140606 Resposta Intimação Planilha Aluguel; fls. 574 a 685). BASE DE CÁLCULO RECONSTITUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Para compor a base de cálculo de créditos para a rubrica em questão, desconsideramos a planilha com a memória de cálculo inicialmente apresentada à Fiscalização e consideramos exclusivamente os valores descritos como “Aluguéis Filiais” nos demonstrativos com a Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.249 48 discriminação das despesas de aluguel apresentados pelo sujeito passivo. Nos meses em que houve apresentação apenas dos comprovantes, sem a discriminação que pudesse identificar a parcela relativa, de fato ao aluguel, estimamos esse valor com a utilização da média aritmética dos valores disponíveis, tendo em vista que apresentavam pouca variação mês a mês. Seria temerário admitir e aceitar a integralidade do crédito pleiteado, tendo em vista que o sujeito passivo evidenciou, quando da apresentação dos demonstrativos com as discriminações fornecidas pelo locador, que apenas uma parte daqueles valores referese, de fato, a despesas de aluguel. Nos meses em que não houve apresentação nem da discriminação nem dos comprovantes de pagamento de aluguel, o valor considerado foi nula. Vale ressaltar que não há o que se falar em planilha de valores glosados tendo em vista que a memória de cálculo fornecida pelo sujeito passivo foi integralmente desconsiderada pela Fiscalização para apurar a base de cálculo de créditos e que a apuração se deu exclusivamente com base nos comprovantes de pagamento e demonstrativos com a discriminação das despesas de aluguel apresentados em 03/06/2014. Quanto a essas despesas, o laudo afirma: 9.19. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS Em visita à empresa, verificamos que prédios locados pela empresa tiveram como finalidade a expansão do seu prédio produtivo, de modo a proporcionar o aumento da produção já realizada pela empresa. Concluímos que os prédios foram locados com autorização do o art. 3º, IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, além da sua finalidade ser de proporcionar o aumento do processo produtivo. No recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), DOC. 14 e 15, a Recorrente anexou contratos e recibos de pagamento de aluguel. Apresentou o contrato de locação firmado com a empresa Maconetto Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 02.479.601/000154, bem como os comprovantes de pagamento de aluguéis: Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.250 49 Ademais, junta cópia do contrato de locação firmado com a empresa Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, bem como os comprovantes de pagamento: Observase que os referidos imóveis são conjuntos comerciais em edifícios comerciais. Quanto aos contratos com a Nestlé, apenas afirma o desacerto da fiscalização, sem novos elementos. Logo, não tal rubrica não compõe a presente diligência. Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.251 50 DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Relata a fiscalização: O contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas deveria conter o detalhamento das locações em questão, contendo “CNPJ do Locador”; “Razão Social do Locador”; "Descrição do Bem Locado"; “Finalidade do Bem Locado no Processo Produtivo”; "Valor Original do Contrato de Locação"; “Valor do Aluguel Pago no Mês”; "Data do Pagamento do Aluguel"; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Início de Diligência Fiscal; e Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls. 239 a 246; e fls. 496 a 501). A despeito do solicitado, nas diversas oportunidades em que trouxe como resposta às intimações as memórias de cálculo, o contribuinte apresentou planilhas de aluguéis de bens incompletas furtandose a apresentar na relação dados elementares como a descrição do bem locado, sua finalidade, e, em alguns casos, os dados do locador, Razão Social e CNPJ. (...) De qualquer sorte, analisamos a planilha apresentada e constatamos que o contribuinte tem como um de seus fornecedores a empresa LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/009454. A referida empresa tem como atividade a locação de veículos automotores, bens que, considerada a atividade do sujeito passivo, a produção de laticínios, não se encaixam no conceito de bens utilizados nas atividades da empresa e, portanto, foram integralmente glosados. Glosamos também todas as operações em que não há a identificação do locador (CNPJ e Razão Social), tendo em vista que não é possível sequer verificar a natureza do locador pessoa jurídica ou física. Nas referidas operações também não há a descrição do bem locado e foram identificados pelo contribuinte apenas como “LEASING” ou como “N/D”, além de não ter a identificação do número do documento (nota fiscal ou contrato) que lastreia e ampara o crédito pleiteado, ou seja, não há quaisquer informações que possibilitem a identificação e análise de procedência dos créditos calculados em relação a essas operações. Em recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), a Recorrente informa que juntou, por amostragem, DOC. 16, os pedidos de serviços e faturas de locação de bem móvel, em que é possível verificar com clareza o tipo de bem locado, a finalidade e valores envolvidos. Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.252 51 O laudo trata da locação de máquinas, nos tópicos 9.20 e 9.21: 9.20. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS Consistem na locação de impressoras da marca Markem Imaje nas quais, são utilizadas para a datação de produtos terminados. Sem as impressoras seria impossível realizar processo automático de impressão da data de fabricação, validade, código de barras e lote na embalagem em cada produto final, impossibilitando, por corolário lógico, a continuação da produção e a sua comercialização. Como no item Serviços de Locação de Equipamentos de Telecomunicação citado acima o intuito desta atividade é manter desta forma o controle exigido órgãos governamentais tais como: Departamento Nacional de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA, da portaria 4 de 03 de janeiro de 1978 no capítulo 7 – Rotulagem e Particularidades; Portaria Inmetro n° 157, de 19 de agosto de 2002 na qual estabelece a forma de expressar a indicação quantitativa do conteúdo líquido dos produtos tais como: prémedidos, conteúdo nominal ou conteúdo líquido, indicação quantitativa, peso drenado, rotulagem e vista principal. 9.21. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS – LOCAÇÃO DE AUTOMÓVEIS Conforme o fluxograma do item 8, destacamos a comercialização como a etapa do processo produtivo antecedente ao frete de venda. Em visita à empresa, verificamos que há a locação de automóveis para proporcionar visita comercial a clientes, de modo que a locação de automóveis está ligada à atividade comercial da empresa. Considerando que, sem a atividade comercial, não haveria venda da produção, concluise que faz parte do ciclo produtivo. O laudo não veio acompanhado da indicação das notas fiscais das impressoras Markem Imaje, tampouco com contratos. Já no recurso voluntário, a Recorrente junta poucas faturas da Markem Imaje e pedidos de serviço. Por outro lado, as faturas se referem ao contrato 0040013367 de 15/03/2011 que não foi juntado aos autos. Já quanto às despesas com a Localiza, essas são efetuadas para proporcionar visita comercial, desnecessários outros esclarecimentos. Logo, tal rubrica está fora do objeto da diligência. DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Relata a autoridade fiscal: Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.253 52 Ocorre que, em 15/01/2014, o sujeito passivo informou que possui mandado de segurança (MS nº 2008.61.00.002577 0) versando sobre a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS nas operações de fretes entre estabelecimentos da pessoa jurídica, com decisão favorável ao contribuinte (Documentos Diversos Outros 20140115 Resposta Intimação Info Mandado Segurança; fl. 264). Em 23/01/2014, apresentou a Certidão de Objeto e Pé relativa ao MS nº 2008.61.00.0025770 contendo o teor da decisão judicial, que julgou procedente o pedido e concedeu a segurança postulada, assegurando ao sujeito passivo impetrante o direito de manter e deduzir integralmente os créditos de PIS e COFINS calculados sobre as despesas com armazenagem e fretes nas transferências de mercadorias entre seus estabelecimentos, com vistas à posterior venda a terceiros (Documentos Diversos Outros 20140123 Certidão de Objeto e Pé Mandado Segurança; fls. 486 e 487). Sobre o teor da decisão, vale, de antemão, traçar os limites de seu alcance uma vez que garante ao contribuinte o direito de manter e deduzir os créditos de PIS de COFINS, não se estendendo o direito garantido à seara do ressarcimento e da compensação, institutos plenamente distintos daqueles. A dedução é inerente aos tributos não cumulativos e indissociável dessa sistemática, elemento básico de operacionalização da própria não cumulatividade, que permite alcançar o objetivo primário do instituto, qual seja, a anulação do quantum de tributo incidente na operação anterior, desonerando as etapas posteriores da cadeia de um produto. Diferente instituto é a compensação, que, autorizada por lei, é benefício fiscal concedido nos rigorosos limites da norma instituidora. O direito à compensação não se estende a qualquer crédito apurado com base na nãocumulatividade de um tributo, como ocorre com a dedução, pelo contrário, são garantidos única e exclusivamente nos casos expressamente previstos em lei, como o direito à compensação de créditos vinculados a receitas de exportação, autorizados pelas normas contidas no art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833, de 2003. Sobre o assunto, vale ressaltar o disposto no art. 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, que determina que “será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado”. Nesse sentido, é mister para o presente exame apurar se o crédito ora pleiteado engloba efetivamente as operações discutidas judicialmente ou se os valores discutidos judicialmente foram excluídos do pedido administrativo. Isso porque, acaso existam créditos apurados sobre transferências de mercadorias ou produtos inacabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, os referidos créditos, em obediência ao art. 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos em que se baseiam as compensações, ainda que, por força de decisão judicial, devam permanecer na contabilidade do sujeito Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.254 53 passivo e continuar disponível para a dedução das contribuições devidas. Nesse sentido, o contribuinte foi intimado, em 24/12/2013, a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Na referida intimação, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda deveria conter o detalhamento das operações em questão, contendo “Mês de Referência”; “Data de Apropriação do Crédito”; “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”; “CFOP da Operação”; “Número da Nota Fiscal”; "Data da Nota Fiscal"; “CNPJ do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; “Razão Social do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; "CNPJ do Remetente"; "Razão Social do Remetente"; "CNPJ do Destinatário"; "Razão Social do Destinatário"; "Número do Item/Bem Transportado"; "Código do Item/Bem Transportado"; “Classificação Fiscal TIPI do Item/Bem Transportado”; "Descrição do Item/Bem Transportado"; “Valor da Nota Fiscal”; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Início de Diligência Fiscal; fls. 496 a 501). A despeito do solicitado, nas oportunidades em que apresentou resposta à intimação supra, a saber, em 15/01/2014, 23/01/2014, 06/05/2014 e 16/05/2014, o contribuinte apresentou planilhas de armazenagem e fretes incompletas furtandose a apresentar alguns dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados, quais sejam a “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”, bem como o "CNPJ do Remetente", a "Razão Social do Remetente", o "CNPJ do Destinatário" e a "Razão Social do Destinatário". Em função da insuficiência de dados supracitada, em 29/04/2014 reintimamos o sujeito passivo a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Na referida intimação, a Fiscalização mais uma vez foi expressa em indicar que a rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda deveria conter o detalhamento das operações em questão, contendo “Mês de Referência”; “Data de Apropriação do Crédito”; “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”; “CFOP da Operação”; “Número da Nota Fiscal”; "Data da Nota Fiscal"; “CNPJ do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; “Razão Social do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; "CNPJ do Remetente"; "Razão Social do Remetente"; "CNPJ do Destinatário"; "Razão Social do Destinatário"; "Número do Item/Bem Transportado"; "Código do Item/Bem Transportado"; “Classificação Fiscal TIPI do Item/Bem Transportado”; "Descrição do Item/Bem Transportado"; “Valor da Nota Fiscal”; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls.496 a 501). Novamente, a despeito do solicitado, em 03/06/2014, oportunidade em que apresentou resposta à intimação supra, o contribuinte apresentou planilhas de armazenagem e fretes igualmente incompletas, pois ainda Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.255 54 não continham alguns dos dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados, quais sejam a “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”, bem como o "CNPJ do Remetente", a "Razão Social do Remetente", o "CNPJ do Destinatário" e a "Razão Social do Destinatário". Como explicitado anteriormente, é essencial identificar em cada serviço de frete ou contratado a natureza da operação (frete sobre vendas, sobre insumos ou entre estabelecimentos) a fim de assegurar que o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação não contemplem créditos decorrentes de operações sem amparo legal, como é o caso das transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Assim, pela completa ausência de informações relativas ao CNPJ e à Razão Social do remetente e do destinatário do frete contratado, bem como da descrição da operação em questão, o que permitiria determinar se as operações em questão podem ou não compor o crédito destinado ao ressarcimento e à compensação, glosamos a integralidade dos créditos relativos a rubrica sob análise. Informa a Recorrente que anexou ao Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), três planilhas, DOC. 19, relativas aos fretes de compra (aquisição), fretes entre estabelecimentos (que são objeto do mandado de segurança n° 2008.61.00.0025770 e não compõem o pedido de ressarcimento) e os fretes de venda. E ainda, que anexou cópia dos conhecimentos de transporte, bem como das notas fiscais relativas a esses conhecimentos de transportes, ao menos um jogo de documentos por mês objeto do pedido de ressarcimento em debate. No laudo, os fretes de aquisição são tratados no item 9.1, que afirma que o frete de aquisição foi tomado pela Recorrente, sendo prestado por transportadores distintos dos remetentes das mercadorias, e, para possibilitar o recebimento de insumos e embalagens adquiridos, o frete foi custado pela própria Recorrente. Já os fretes de venda foram tratados no item 9.2 do laudo, que aponta que o frete de venda foi arcado pela Recorrente, sendo prestado por transportadores distintos dos seus clientes, para possibilitar a entrega das mercadorias vendidas por ela. Sobre o frete de transferência, o laudo, no item 9.3, atesta que tais despesas não fizeram parte dos pedidos de ressarcimentos do período analisado. O laudo ratifica a planilha de segregação elaborada pela Recorrente: A empresa nos informou que produziu prova para demonstrar que os fretes de compra, os fretes de venda e os fretes de transferência estão segregados. Elaborou planilha para cada modalidade de frete, adotando os seguintes critérios: 1. Conhecimentos de frete em que terceiro consta como remetente e a DPA consta como destinatário, classificou o transporte em frete de Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.256 55 compra. Em conferência da nota fiscal referenciada no conhecimento de transporte, constatou que se trata de operação de compra de insumo. 2. Conhecimentos de frete em que a DPA consta como remetente e terceiro consta como destinatário, classificou o transporte em frete de venda. Em conferência da nota fiscal referenciada no conhecimento de transporte, constatou que se trata de operação de venda de mercadoria industrializada. 3. Conhecimentos de frete em que a DPA consta como remente e como destinatária, classificou o transporte em frete entre estabelecimentos. Em conferência da nota fiscal referenciada no conhecimento de transporte, constatou que se trata de operação de mercadoria remetida em transferência. Entendo ser necessária a análise dessas planilhas, não apenas para deliberação quanto ao creditamento dos fretes de aquisição, mas também para revisar a concomitância imposta aos fretes de transferência entre estabelecimentos da Recorrente pela DRJ. Diante do descrito, solicitase à autoridade fiscal que analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência. DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Em 24/12/2013, o contribuinte foi intimado a apresentar planilhas digitais em formato .xls ou equivalente referentes a todos os produtos vendidos que contenham o "Gênero do Produto", a "Descrição Produto", o "Código do Produto"; a "Classificação Fiscal do Produto", a "Alíquota Aplicável nas Vendas do Produto" e o "Valor Total Vendido do Produto". A empresa apresentou a planilha requerida em 15/01/2014, da qual a fiscalização extraiu todos os produtos comercializados à alíquota zero. Aduziu a fiscalização: As Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, permitem a apuração de créditos calculados em relação aos bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tenha sido tributada. A possibilidade de apuração de créditos sobre as devoluções de vendas tem o objetivo de anular os efeitos fiscais e financeiros das vendas realizadas anteriormente e que por alguma razão foram devolvidas ao vendedor. Decidiu o legislador que, para promover a referida anulação, os valores das vendas devolvidas não devem ser abatidos da Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.257 56 receita bruta e sim lançados como créditos da não cumulatividade no Dacon. Como decorrência lógica da explanação supra, é razoável entender que somente as devoluções de vendas relacionadas a operações tributadas à sua época são passíveis de apuração de créditos. Não impor tal restrição promoveria um enriquecimento ilícito por parte do contribuinte que calcularia créditos da não cumulatividade em operações relacionadas a vendas nas quais não houve “débitos” correspondentes. Nesse sentido, os referidos diplomas legais foram expressos em condicionar a admissibilidade de apuração de créditos calculados sobre as devoluções de vendas à efetiva tributação das receitas oriundas das vendas ora devolvidas. Então, foram glosados da base de cálculo os lançamentos relacionados a devoluções dos produtos sujeitos à alíquota zero. Entende a Recorrente que, como os bens em devolução sofreram pagamento de tributo na sua venda, é legítima a apropriação dos créditos de PIS e COFINS, nos casos em que houve a devolução. Alega que o DACON demonstraria que tais bens foram tributados na venda. Não foram trazidos novos elementos em recurso voluntário, de forma que tal item não é objeto da diligência. OPERAÇÕES RELATIVAS A EMISSÃO DE NOTA FISCAL COMPLEMENTAR DE PREÇO Foram glosados os créditos calculados em relação aos documentos fiscais nº 5062 e 5063, emitidos por Nestle Brasil Ltda., tendo em vista que os mesmos não se referem a devoluções de vendas e sim a emissões fiscais complementares de preço, praticadas com o objetivo de realizar correções financeiras decorrentes de alteração de valor ou erro em preenchimento no documento fiscal anterior. A fiscalização relatou que nas planilhas disponibilizadas pelo contribuinte, não há quaisquer informações a respeito dos itens constantes desses documentos fiscais complementares, sua descrição, classificação fiscal, alíquota aplicável, ou qualquer outra forma de identificar os itens supostamente devolvidos, de modo que não é possível assegurar que o crédito pleiteado, amparado pelos referidos documentos, é realmente procedente. A Recorrente defende que essas duas notas não foram lançadas como notas complementares de preço, mas como estorno de lançamento em duplicidade, foram lançadas como devolução. Faz indicações de lançamentos contábeis que demonstrariam tal situação, contudo junta ao recurso apenas as próprias notas fiscais. Sem fatos novos, não é esse item objeto da diligência. DAS OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO Foram glosados a integralidade dos créditos pleiteados pelo contribuinte sob a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, devido à falta de comprovação do crédito, Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.258 57 foram glosados integralmente os créditos lançados sob a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13, nos meses de 02/2012 e 03/2012, por insuficiência de dados e documentos comprobatórios do crédito pleiteado, e nos meses de 12/2010, 12/2011, 01/2012, 04/2012 e 05/2012, por ausência total de quaisquer dados, documentos ou esclarecimentos a respeito do crédito pleiteado. A Recorrente culpou o grande volume dos documentos, todavia nada de novo trouxe aos autos. Dessa forma, esse item não é objeto da diligência. Conclusão Por todo o exposto e considerando: a) a unidade de julgamento dos 33 processos da Recorrente (para PIS e COFINS, bem como diversos trimestres de apuração) e b) os documentos juntados no recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e em outros processos conexos), voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1 Por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2 Quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar, se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de “venda com suspensão” e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN n° 660/06; 3 Quanto a aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4 Quanto à NF n° 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5 Quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6 Quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7 Quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8 Caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 10880.944899/201392 Resolução nº 3301000.558 S3C3T1 Fl. 2.259 58 9 Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; e 10 Retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722077/2015-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Nos lançamento por homologação em que se verifiquem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o lapso temporal legal para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento começa a fluir a parir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
REMUNERAÇÃO A SÓCIO. MÚTUO.
Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, é regular o lançamento fiscal sobre rendimentos creditados a este título quando evidenciado que, em sua essência, trata-se de pagamento de remuneração, sem expectativa de que haverá reintegração dos valores ao patrimônio da mutuante.
MULTA QUALIFICADA. ELEMENTO VOLITIVO NA CONDUTA DO AGENTE.
A falta de oferecimento à tributação de valores contabilizados em conta específica, por si só, não ampara a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A mera previsão em contrato social de poderes para administradores e sócios não justifica a imputação da responsabilização solidária pelo crédito tributário lançado, se não restar caracterizado o interesse comum e o agir com excesso de poder ou infração à lei ou estatuto.
Numero da decisão: 2201-004.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar-lhes parcial provimento para (a) excluir a qualificação da penalidade de ofício para o Levantamento PF, que deverá ser fixada em 75%; (b) afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. Fernando Lúcio Pereira da Silva nos Levantamentos AD, SB, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação ao Levantamento DJ; (c) afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior no levantamento PF, mantendo a solidariedade passiva atribuída em relação aos Levantamentos AD, SB, DJ e AN; (d ) afastar a solidariedade passiva atribuída à Sra. Santuza Paolucci Nogueira Bicalho nos Levantamentos AD, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação aos Levantamentos SB e DJ. Quanto ao Recurso Voluntário formalizado pela Sra. Christina Bicalho Hauer, também por unanimidade, em dar-lhe provimento para afastar integralmente a solidariedade passiva atribuída à recorrente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nos lançamento por homologação em que se verifiquem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o lapso temporal legal para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento começa a fluir a parir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. REMUNERAÇÃO A SÓCIO. MÚTUO. Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, é regular o lançamento fiscal sobre rendimentos creditados a este título quando evidenciado que, em sua essência, trata-se de pagamento de remuneração, sem expectativa de que haverá reintegração dos valores ao patrimônio da mutuante. MULTA QUALIFICADA. ELEMENTO VOLITIVO NA CONDUTA DO AGENTE. A falta de oferecimento à tributação de valores contabilizados em conta específica, por si só, não ampara a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A mera previsão em contrato social de poderes para administradores e sócios não justifica a imputação da responsabilização solidária pelo crédito tributário lançado, se não restar caracterizado o interesse comum e o agir com excesso de poder ou infração à lei ou estatuto.
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DECADÊNCIA. Nos lançamento por homologação em que se verifiquem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o lapso temporal legal para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento começa a fluir a parir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. REMUNERAÇÃO A SÓCIO. MÚTUO. Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, é regular o lançamento fiscal sobre rendimentos creditados a este título quando evidenciado que, em sua essência, tratase de pagamento de remuneração, sem expectativa de que haverá reintegração dos valores ao patrimônio da mutuante. MULTA QUALIFICADA. ELEMENTO VOLITIVO NA CONDUTA DO AGENTE. A falta de oferecimento à tributação de valores contabilizados em conta específica, por si só, não ampara a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A mera previsão em contrato social de poderes para administradores e sócios não justifica a imputação da responsabilização solidária pelo crédito tributário lançado, se não restar caracterizado o interesse comum e o agir com excesso de poder ou infração à lei ou estatuto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 20 77 /2 01 5- 33 Fl. 1139DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, darlhes parcial provimento para (a) excluir a qualificação da penalidade de ofício para o Levantamento PF, que deverá ser fixada em 75%; (b) afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. Fernando Lúcio Pereira da Silva nos Levantamentos AD, SB, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação ao Levantamento DJ; (c) afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior no levantamento PF, mantendo a solidariedade passiva atribuída em relação aos Levantamentos AD, SB, DJ e AN; (d ) afastar a solidariedade passiva atribuída à Sra. Santuza Paolucci Nogueira Bicalho nos Levantamentos AD, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação aos Levantamentos SB e DJ. Quanto ao Recurso Voluntário formalizado pela Sra. Christina Bicalho Hauer, também por unanimidade, em darlhe provimento para afastar integralmente a solidariedade passiva atribuída à recorrente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório O presente processo trata de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 09 60.711 5ª Turma da DRJ/JFA, fl. 918 a 949, que assim relatou a lide administrativa: 1. Da autuação Tratase de auto de infração, DEBCAD 51.072.7794, de contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, previstas no art. 22, III, da Lei nº 8.212, de 1991, no valor original (sem juros e multa) de R$5.615.293,13 e total de R$ 15.882.790,01. 1.1. Dos fatos geradores de contribuições previdenciárias De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 45/116, foram apurados fatos geradores não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), os quais foram agrupados nos levantamentos descritos a seguir. 1.1.1. Levantamento AD período: 01/2010 a 12/2011 valores pagos ao sócio José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Júnior, a título de adiantamentos A fiscalização verificou que a empresa, no período auditado, remunerou seu sócio, Sr. José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Júnior e sua diretorapresidente, Sra. Santuza Bicalho, através de adiantamentos, registrados nas contas contábeis C/C SÓCIOS e SANTUZA P. BICALHO, respectivamente. Neste levantamento AD foram considerados apenas os valores relativos ao sócio José Carlos. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.140 3 Segue trecho do Relatório Fiscal, que se reporta ao Termo de Verificação Fiscal, emitido em ação fiscal anterior, que integra o processo nº 13896.720233/201521: 3.3.2 Pagamentos de lucros não passíveis de distribuição O sujeito passivo manteve, durante o anocalendário sob fiscalização, no grupo do Realizável a Curto Prazo, a conta contábil n° 1.01.02.06.03 Adiantamentos C/C Sócios, tendo efetuado pagamentos no montante de R$4.978.391,64 naquele período, conforme razão da conta ... Indagado a respeito do beneficiário desses pagamentos o sujeito passivo informou que foi exclusivamente o sócio José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior, CPF 013.992.55894, doravante denominado simplesmente de "José Carlos", que vem a ser o sócio majoritário do sujeito passivo, detentor de 179.999 quotas do total de 180.000 quotas em que se dividia o capital social da empresa durante o ano de 2010, conforme cláusula 4ª do Contrato Social do sujeito passivo vigente no período. Durante o ano de 2010 ocorreu uma única redução no valor do saldo contábil dos adiantamentos. Na data de 31/12/10 foi escriturada baixa parcial desses adiantamentos no montante de R$2.000.000,00, tendo como contrapartida a conta contábil 2.04.01.03.03 Resultado do Exercício. De forma consistente ao lançamento, o sujeito passivo informou na Ficha 61 A/item 001 Rend. Dirigentes, Conselheiros, Sócio ou Titular, da DIPJ do anocalendário: distribuição de lucros a José Carlos no montante de R$2.000.000,00. Intimado a justificar a distribuição de lucros a sócio no montante de R$ 2.000.000,00, considerandose que o sujeito passivo não possuía lucros acumulados e/ou auferiu lucros passíveis de distribuição no anocalendário de 2010, haja vista que exibia prejuízos acumulados no montante de R$14.441.754,56 em 31/12/09 e de R$14.766.341,62 em 31/12/10, o mesmo respondeu, por meio da correspondência datada de 03/11/14, que o valor de R$2.000.000,00 foi transferido ao sócio José Carlos a título de mútuo, conforme contratos de mútuos que estaria apresentando. A explanação fornecida é totalmente contraditória. Questionamos o sujeito passivo a respeito da distribuição de lucros ao sócio José Carlos, por força da qual foi contabilizada redução no montante de adiantamentos a pagar que referido sócio passou a dever à empresa. Ou seja, o sócio teria quitado parte do valor dos adiantamentos devidos com lucros distribuídos pelo sujeito passivo. Um novo mútuo ao sócio, como informado, resultaria no aumento do saldo de adiantamentos a pagar e não na sua redução, como ocorreu. Ademais, não foi apresentada cópia de nenhum contrato de mútuo no valor de R$2.000.000,00 celebrado na data de 31/12/10. Questionado a respeito da explanação contraditória oferecida, desta feita o sujeito passivo informou, por meio da Fl. 1141DF CARF MF 4 correspondência datada de 17/11/14, que "no anocalendário 2010 apurou lucro no montante de R$ 2.284.941,21, dos quais R$ 2.000.000,00 foram utilizados para reduzir o valor da dívida de mútuo do sócio José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior". O lucro apurado pelo sujeito passivo no anocalendário de 2010 não era passível de distribuição a sócios, como demonstraremos. ... 3.3.3 Empréstimos não comprovados Demonstraremos também que os valores pagos ao sócio José Carlos ao longo de 2010, no total de R$4.978.391,64 conforme já mencionamos nos subitens 3.3.1 e 3.3.2 deste, a título de adiantamentos ou mútuos, como o sujeito passivo pretendeu caracterizar, são na realidade rendimentos auferidos pelo sócio, diretamente ou em seu benefício. Intimado (...) a esclarecer a que título foram efetuados os adiantamentos a sócio e a correlacionar o montante pago e data de pagamento com a respectiva justificativa, o sujeito passivo informou, (...) que os valores foram transferidos a título de mútuos cujos instrumentos forneceu. O sujeito passivo apresentou 12 contratos de mútuo que teriam sido celebrados com o sócio José Carlos. Os contratos, um para cada mês calendário e datados do último dia de cada mês, totalizavam R$4.974.337,56 e informavam que as respectivas quantias foram transferidas nessas datas para a conta corrente de n°993506 da agência 3221 do Banco Bradesco, de titularidade do mencionado sócio. Todos os contratos informavam a mesma data de vencimento: 31/12/10. Constatamos que os contratos continham apenas a assinatura do mutuário, não exibindo a assinatura do sujeito passivo, na qualidade de mutuante, e/ou de testemunhas. Constatamos também que as datas de desembolso não eram coerentes com o histórico dos lançamentos efetuados na conta contábil 1.01.02.06.03 Adiantamentos C/C Sócios. O razão da conta demonstrava que os adiantamentos ocorreram em várias datas ao longo dos meses e não apenas no último dia de cada mês. Esses registros contábeis também informavam, diversamente do que constou nos instrumentos de mútuo apresentados, a transferência de valores também para a conta corrente n° 243182 do Banco Itaú e pagamentos a diversos terceiros, constituídos por pessoas físicas e jurídicas. Diante dessas constatações intimamos o sujeito passivo, (...), a apresentar cópia da documentação comprobatória da quitação dos adiantamentos pelo sócio José Carlos. Em resposta, por meio da correspondência datada de 17/11/14, o sujeito passivo informou que "os adiantamentos (mútuos) não foram totalmente quitados no anocalendário 2010. A quitação foi apenas parcial, em montante correspondente aos lucros distribuídos em favor do sócio José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior". Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.141 5 ... Como pode ser constatado, os desembolsos efetuados ao sócio José Carlos, contabilizados como adiantamentos e, posteriormente, ao menos no que se refere aos pagamentos realizados em 2010, tratados como se mútuos fossem, nunca são quitados. Para comprovar que esse procedimento é praticado regularmente pelo sujeito passivo, solicitamos cópia do razão da conta adiantamento a sócios do período que se estende além do ano de 2010 e abrange 01/01/11 a 31/10/14, assim como solicitamos cópia da documentação comprobatória de eventuais quitações de tais adiantamentos. Analisandose o razão fornecido, constatamos apenas desembolsos e as reduções de saldo observadas derivam de transferências para outras contas contábeis, não havendo amortizações. Confirmando, o sujeito passivo informou que não ocorreu quitação dos adiantamentos/mútuos efetuados ao sócio. Representam, pois, pagamentos que nunca são reembolsados, caracterizando distribuição de rendimentos e não mútuos ou adiantamentos. Em 2010 ocorreram 152 desembolsos a título de adiantamentos/mútuos. Observase, pelo histórico de alguns dos lançamentos na conta contábil 1.01.02.06.03 Adiantamentos C/C Sócios, que muitos servem para o pagamento direto de gastos de natureza pessoal do sócio José Carlos ou em seu benefício. Ou seja, o sujeito passivo é utilizado como uma extensão do sócio, exercendo a função de contas a pagar de despesas/gastos pessoais do mesmo, incluindose aquisição de veículo, de uma égua, de serviços de terraplenagem em fazenda, pintura em residência e outros. Para ilustrar essa afirmação reproduzimos a seguir alguns dos lançamentos: ... Como já havíamos apontado anteriormente, os instrumentos de mútuo que teriam sido firmados entre o sujeito passivo e o sócio José Carlos não comprovam a existência dos mesmos. Os instrumentos fornecidos contêm apenas a assinatura do sócio José Carlos, inexistindo registro público, assinatura do mutuante (sujeito passivo), assim como de testemunhas. Não são documentos hábeis e idôneos, sendo insuficientes para opor as operações a terceiros, notadamente a RFB, constituindo simples apresentação de documentos particulares eivados de vícios de formalização e inconsistentes com as datas e valores dos adiantamentos contabilizados. Nunca são quitados, como comprovamos. Exibem inúmeros indícios de terem sido produzidos de última hora para tentar atender às demandas da fiscalização e tentar descaracterizar a real natureza dos pagamentos efetuados, que na realidade são rendimentos pagos a sócio e não empréstimos. Por fim, em consulta à Declaração de Ajuste Anual do IRPF do ano calendário de 2010 do sócio José Carlos, constatamos que o mesmo não declarou a existência de nenhum ônus para Fl. 1143DF CARF MF 6 com o sujeito passivo, seja a título de mútuo ou qualquer outro tipo de dívida, corroborando mais uma vez nossa afirmação de que os valores recebidos constituem rendimentos e não mútuos, os quais nunca existiram". À vista do relatado pela auditoria fiscal anterior, a fiscalização intimou a empresa a fornecer mais documentos e esclarecimentos, sendo atendida apenas parcialmente. Nesse sentido, a empresa não respondeu à intimação para esclarecer por que, no anocalendário 2010, foram feitas três transferências ao sócio José Carlos, as quais não foram lançadas a débito da conta contábil C/C SÓCIOS, mas sim da conta 1.01.2.06.0001 ADIANTAMENTO A FUNCIONÁRIOS, a qual não guarda relação com o histórico dos lançamentos (VR. TRANSF. ITAÚ C/C 243182 P/ SÓCIO JOSE CARLOS). A fiscalização concluiu que a autuada utilizou, de 2011 a 2013, o mesmo expediente utilizado em 2010, no que se refere aos adiantamentos e transferências contabilizados em favor do sócio José Carlos, o que, no mais, resta devidamente comprovado pelo fato de, à época da fiscalização anterior, em 2010, a empresa já ter apresentado, no Livro Razão, a conta ADIANTAMENTO AOS SÓCIOS, com movimentação para o período de 01/01/2010 a 31/10/2014. Diante do exposto, os valores apurados na conta C/C SÓCIOS e ADIANTAMENTO A FUNCIONÁRIOS nos anos 2010 e 2011, discriminados no Anexo I do Relatório Fiscal (fls. 93/96), foram considerados remuneração do sócio José Carlos e fatos geradores de contribuição previdenciária, objeto do presente lançamento, através do levantamento AD. 1.1.2. Levantamento MU período: 01/2012 a 12/2013 valores pagos ao sócio José Carlos, a título de mútuos Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa, após intimada, afirmou que os lançamentos contábeis indicados pela fiscalização se referem a contratos de mútuo, firmados entre a STB e seu sócio administrador, José Carlos. Os referidos contratos foram apresentados, um para cada mês do período solicitado, assim como ocorreu na auditoria fiscal anterior. Da mesma forma que fora observado pela auditoria anterior, a presente auditoria verificou que os referidos contratos foram elaborados, aparentemente, apenas para atender às intimações fiscais, não constituindo, portanto, documentação hábil e idônea a comprovar o alegado. Isso porque os contratos datados de 2010 continham apenas a assinatura do mutuário, mas não do mutuante nem de testemunhas, e não foram levados a registro público, o que restou explicitado no Termo de Verificação Fiscal, emitido na fiscalização anterior, do qual a empresa foi cientificada. Por sua vez, os contratos datados dos anoscalendário seguintes continham a assinatura das partes e de testemunhas, mas também não foram levados a registro público. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.142 7 Além disso, a fiscalização verificou que os referidos contratos não foram contabilizados, uma vez que havia apenas depósitos e transferências de valores ao sócio, mas não lançamentos com valores e históricos condizentes. Observou ainda que todos os contratos foram firmados no último dia do mês, independentemente de ser dia útil ou não, tendo sido alguns firmados em dias de domingo. Identificou também que os contratos foram celebrados a posteriori, visto que a empresa, primeiramente, depositava ou transferia os valores para a contacorrente bancária do sócio ou para quem este determinasse e, somente após o encerramento do mês, quando então dispunha do valor total depositado ou transferido, firmava o contrato. Considerou também que a taxa de juros de 0,5% ao mês, concedida por todo o período de 60 meses do contrato, não é factível, especialmente porque, por um lado, não há registro, no ativo, da expectativa de recebimento dos referidos juros e, por outro lado, há registro de despesas financeiras de juros passivos (conta 3.03.1.06.0001) no valor total de R$758.033,80, para o período de 2010 a 2013. A auditoria questionou então a veracidade dos contratos, uma vez que a empresa, estando sujeita a taxas de mercado, superiores à Selic, junto a instituições financeiras, favoreceu o sócio com uma taxa muito inferior, em todo o período apurado. Observou ainda que, de acordo com os referidos instrumentos, os juros devidos seriam pagos apenas na data da restituição da importância mutuada, o que nunca ocorreu. Ademais, observou, em relação ao lançamento de "devolução", pelo sócio, de R$700.000,00, em 05/11/2012, que nele não foram incluídos os referidos juros e que o histórico explicita tão somente a transferência de valores entre contas bancárias da própria STB, sem menção ao sócio: "transf entre agenc dinh o próprio favorecido". Ainda, verificou que, na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de José Carlos, não há informação acerca da existência dos mútuos alegados. Somente a partir de 2012, constam valores devidos em favor da STB. Por outro lado, foram declarados adiantamentos à empresa, para futuro aumento de capital, com os seguintes valores: em 31/12/2010, R$2.000.000,00; em 31/12/2011, R$1.000.000,00; em 31/12/2012, R$600.000,00; e em 31/12/2013, zero. Não foram identificados, todavia, lançamentos contábeis que amparassem o valor de R$2.000.000,00, em 2010, nem que refletissem a alteração dos valores informados na DIRPF citada. Isso porque não houve aumento de capital da STB, o qual permaneceu em R$180.000,00, correspondendo a participação de José Carlos sempre a 99,9%. Fl. 1145DF CARF MF 8 Para o ano de 2011, não foram apresentados contratos de mútuo. Os valores "adiantados" aos sócios foram registrados na conta C/C SÓCIOS. A auditoria observou constar dos referidos contratos que a importância mutuada seria restituída "por ocasião da primeira distribuição de lucros realizada pela MUTUÁRIA", o que demonstrou a falta de cuidado na confecção dos documentos, visto que a distribuição de lucros é feita pela MUTUANTE. Além disso, ressaltou que, no período apurado, a empresa obteve prejuízos acumulados significativos, e não poderia realizar a distribuição de lucros, caso os obtivesse, antes de zerálos. Observou ainda que o prazo de 60 meses, previsto nos contratos, corresponde ao prazo prescricional de tributos, o que impediria sempre o fisco de efetuar os lançamentos sobre os valores supostamente contratados. Além dos exposto, a auditoria verificou a existência do registro contábil de 01/2013, em favor do sócio José Carlos, de R$609.589,00. O contrato de mútuo apresentado para amparar tal lançamento indicou, todavia, o valor de R$3.936.781,17, que corresponderia à soma do valor disponibilizado de R$609.589,00, mais o valor transferido da conta ADIANTAMENTO A FORNECEDORES, de R$914.276,29, mais o valor da conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES, de R$2.412.915,88, no mesmo mês. Por outro lado, a auditoria constatou o registro de diversos pagamentos de despesas pessoais do sócio José Carlos, que comprovam a utilização da empresa como seu "caixa pessoal", inclusive para a realização de vultosos saques, registrados nas contas C/C SÓCIOS e CONTRATOS DE MÚTUO, o que demonstra a confusão patrimonial existente entre a pessoa jurídica e a pessoa física, em desobediência ao princípio da entidade. Constatou ainda a existência de lançamentos nas citadas contas CONTRATOS DE MÚTUO e C/C SÓCIOS, cujo histórico relata o pagamento de prólabore a José Carlos. Também observou que a empresa não escriturou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) devido sobre os valores constantes dos contratos de mútuo, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999. A auditoria concluiu, à vista do exposto, que, embora a empresa tenha reiteradamente alegado a existência de contratos de mútuo e de muitos erros contábeis, todos os elementos descritos indicam que os referidos contratos foram apresentados tão somente para justificar os valores transferidos aos sócios, os quais, de fato, caracterizam remuneração e, por conseguinte, base de cálculo de contribuições previdenciárias. No Anexo II do Relatório Fiscal (fls. 97/99), foram discriminadas as operações de crédito em favor de José Carlos, constantes da conta CONTRATO DE MÚTUO, em 2012 e 2013, Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.143 9 e C/C SÓCIOS, em 2013, fatos geradores agrupados no levantamento MU. 1.1.3. Levantamento SB período: 01/2010 a 03/2013 valores pagos a Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, a título de adiantamentos De acordo com o Relatório Fiscal, a STB concedeu adiantamentos à Sra. Santuza Paolucci Nogueira Bicalho de 2010 a 2013 (diretorapresidente, não sócia, até 26/08/2013 e, a partir de 27/08/2013, sócia, ocupando o mesmo cargo executivo), sem o correspondente registro de devolução ou dedução dos referidos valores de sua remuneração, a qual também não foi escriturada. Da análise da DIRPF de Santuza Bicalho, verificouse ainda que os valores informados como devidos à STB não correspondem aos valores constantes da contabilidade. Isso porque Santuza Bicalho informou em 31/12/2009, dever R$540.000,00 para a STB e, em 2013, informou não ter mais dívidas para com a empresa. Desta forma, os referidos "adiantamentos" foram considerados pagamentos efetuados em retribuição pelos serviços prestados de diretorapresidente e os lançamentos constantes da conta 1.01.2.06.0011 SANTUZA P. BICALHO, discriminados no ANEXO III do Relatório Fiscal (fls. 100), foram considerados base de cálculo da contribuição previdenciária apurada no levantamento SB. 1.1.4. Levantamento DJ período: 01/2010 a 12/2013 valores pagos aos diretores Santuza e Fernando, através das pessoas jurídicas das quais são titulares De acordo com o Relatório Fiscal, no período da auditoria (2010 a 2013), não constam pagamentos efetuados para as pessoas físicas Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, diretora presidente, e Fernando Lúcio Pereira da Silva, diretor financeiro, como remuneração pelo trabalho que executaram na empresa, na qualidade de diretores não sócios, até o dia 26/08/2013, e sócios, com cargos de diretoria, a partir de 27/08/2013, com exceção dos valores recebidos por Santuza Bicalho, como "adiantamentos", descritos no item anterior. Foi verificada, no entanto, a existência de pagamentos feitos a pessoas jurídicas, cujos titulares eram a Sra. Santuza (SCB Intermediação e Administração de Negócios Ltda, CNPJ 08.106.194/000116) e o Sr. Fernando (LEAD Consultoria Empresarial Ltda, CNPJ 06.048.119/000110). Nas notas fiscais emitidas pela SCB, constam, da discriminação dos serviços prestados: "intermediação de serviços e negócios em geral, agenciamento, corretagem ou intermediação de contratos de arrendamento mercantil, de franquia e de faturização" e "intermediação de serviços, representação de Fl. 1147DF CARF MF 10 qualquer natureza, inclusive comercial". Constam ainda pagamentos de verbas trabalhistas: "intermediação de serviços 13o." e "intermediação de serviços bônus". Da mesma forma, nas notas fiscais emitidas pela LEAD, consta, da discriminação dos serviços prestados, "serviços de gestão administrativa e financeira" ou "serviços de consultoria administrativa". Constam ainda pagamentos de verbas trabalhistas: "13o. salário sobre serviços"; "13o. salário sobre prestação..."; "serviços de consultoria administrativa referente 13o./2012" e "serviços de consultoria administrativa/financeira referente 13o./2013". Em razão de ambos os titulares das pessoas jurídicas ocuparem cargos de diretoria da STB durante todo o período auditado, a fiscalização concluiu que os serviços foram prestados de forma personalíssima. Além disso, verificou que a remuneração a eles relativa incluiu verbas trabalhistas. Ademais, ressaltou que a ocupação dos cargos de diretoria por Santuza Paolucci Nogueira Bicalho e Fernando Lúcio Pereira da Silva está prevista no contrato social da STB, na 54ª alteração, de 12/07/2010, na 55ª. alteração e na 64ª. alteração, de 27/08/2013, mesmo tendo passado os referidos diretores à condição de sócios. À vista do exposto e com base no princípio da primazia da realidade, os pagamentos foram considerados como efetuados a pessoas físicas, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, no levantamento DJ, conforme discriminado no Anexo IV do Relatório Fiscal (fls. 101/103). 1.1.5. Levantamento PF período: 01/2010 a 12/2013 valores pagos a diversos prestadores de serviços pessoas físicas Conforme Relatório Fiscal, a auditoria verificou a existência da conta SERVIÇOS PRESTADOS P.F. (PESSOA FÍSICA). A empresa, após intimação, esclareceu que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas, apresentando documentos. À exceção dos valores relativos aos serviços prestados por Leonardo Fraiman Consultoria Psicológica Ltda, Clarissa Soneghet P. de Queiroz ME e Suzana Bicalho Martins Silva, pessoas jurídicas, no período da documentação apresentada, todos os outros valores escriturados na referida conta foram considerados pagamentos a pessoas físicas, contribuintes individuais, constituindo base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, no levantamento PF, conforme discriminado no Anexo V do Relatório Fiscal (fls. 104/115). 1.1.6. Levantamento AN período: 01/2013 valores relativos aos lançamentos de transferência para a conta C/C SÓCIOS A fiscalização considerou como base de cálculo do lançamento, relativa a contribuintes individuais, os valores de R$2.412.915,88 e R$914.276,29, debitados na conta C/C SÓCIOS em 01/2013 e creditados nas contas 2.01.1.09.0001 ADIANTAMENTO DE CLIENTES e 1.01.2.06.0002 ADIANTAMENTOS A FORNECEDORES, respectivamente. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.144 11 Isso porque a empresa, embora intimada, não apresentou documentos e esclarecimentos acerca dos referidos registros contábeis, afirmando tão somente que se tratava de equívoco da escrituração. Especificamente, em relação ao valor de R$ 914.276,29, a empresa alegou se tratar de aquisição de imobilizado, contabilizado de forma errada, e apresentou planilha demonstrativa de valores originários, que totalizaram o valor citado. Da análise da planilha apresentada, a fiscalização verificou, que os valores eram de 2005 a 2007, sendo relativos a adiantamentos para compra de imobilizado, segundo a empresa, o qual, todavia, não se transformou efetivamente em ativo, mesmo após oito anos da suposta aquisição. A fiscalização verificou ainda que os históricos constantes da referida planilha mencionaram registros variados, como "adiantamento para aquisição de Zafira blindada"; "entrada para aquisição de Passat Variant"; "aquisição de loja", "blindagem de veículo", "despesas com brindes", "despesas com propaganda e publicidade", entre outras. Estes elementos levaram a auditoria a concluir que os contratos de mútuo celebrados, englobando o valor das contas ADIANTAMENTO DE CLIENTES e ADIANTAMENTO A FORNECEDORES, foram confeccionados com o intuito de atender às intimações fiscais e camuflar os fatos ocorridos, pelo que os valores citados foram considerados como base de cálculo de contribuintes individuais, no levantamento AN. 1.2. Da multa aplicada À vista do exposto e verificada a escrituração de diversos lançamentos sem a correspondente documentação de suporte, concluiuse que os contratos de mútuo apresentados pelo contribuinte foram elaborados tão somente para atender às intimações fiscais e camuflar a realidade dos fatos, sendo comprovada, portanto, a ocorrência de simulação e fraude, o que ensejou a aplicação da multa de ofício qualificada, com base no disposto no art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430, de 1996, no percentual de 150%. 1.3. Da sujeição passiva solidária À vista das ações ilícitas praticadas, foram indicados como responsáveis solidários, pelo crédito apurado, os administradores do sujeito passivo, com base nos artigos 124, I, e 135, III, ambos do CTN. José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Junior, CPF 013.992.55894; Christina Bicalho Hauer Santos, CPF 779.901.37615; Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, CPF 917.280.45649; e Fl. 1149DF CARF MF 12 Fernando Lúcio Pereira da Silva, CPF 186.741.35668 O Relatório Fiscal informa que, de acordo com a cláusula 5ª e §1º dos contratos sociais registrados na Junta Comercial de São Paulo sob os números 418.216/095 e 237.464/100, os referidos administradores receberam a designação de diretores. No contrato social registrado em 10/11/2010, a referida cláusula foi alterada para nomear Santuza Paolucci Nogueira Bicalho como DiretoraPresidente; José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Junior e Christina Bicalho Hauer Santos como Diretores Superintendentes e Fernando Lúcio Pereira da Silva como DiretorFinanceiro. Foram emitidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos responsáveis solidários indicados, às fls. 573/588. 1.4. Da ciência da autuação. A empresa foi cientificada da autuação em 08/08/2015 (fls. 3). Os responsáveis solidários foram cientificados dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária em 14/08/2015, conforme Avisos de Recebimento de fls. 589/592. 2. Das impugnações 2.1. Da impugnação da STB Student Travel Bureau Viagens e Turismo Ltda Em 03/09/2015, foi apresentada a impugnação da STB, de fls. 597/645, com os argumentos abaixo descritos, em síntese. 2.1.1. Da decadência Após fazer um relato de seu entendimento da autuação, a empresa alega, com base no art. 150, §4º do CTN, a decadência dos créditos constituídos em relação aos pagamentos efetuados às empresas SCB e LEAD e aos pagamentos efetuados a diversas pessoas físicas prestadoras de serviços, no período de 01/2010 a 07/2010, considerando que a ciência da autuação se deu em 08/2015. Isso porque, de acordo com o item 9 do Relatório Fiscal, o qual trata especificamente da qualificação da multa de ofício, a auditoria fiscal alegou ter havido a prática de ações dolosas do sujeito passivo apenas em relação aos valores disponibilizados em favor do sócio José Carlos e da administradora Santuza, a título de mútuo. Por outro lado, com base no mesmo art. 150, §4º, do CTN, alega a decadência dos lançamentos relativos aos valores disponibilizados ao sócio e à administradora citados, a título de mútuo, no mesmo período de 01/2010 a 07/2010, por não ter havido a prática de ações dolosas pelo sujeito passivo. Afirma que o cerne da questão é saber se o fato de a autuada ter tratado os valores disponibilizados como mútuos seria suficiente para qualificar a conduta como dolosa, praticada com o objetivo de enganar o fisco e descaracterizar a ocorrência dos fatos geradores. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.145 13 Entende que não, em razão de os valores de todos os adiantamentos terem sido regular e tempestivamente registrados em sua contabilidade, no dia em que realizados, pelo que nada foi ocultado da auditoria fiscal. Cita decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), segundo a qual a multa qualificada só é devida quando a conduta do contribuinte envolve a não contabilização e não declaração de recursos financeiros, a caracterizar a ocorrência de dolo, o que não ocorreu no caso em tela. Argui, por outro lado, que o fato de os documentos apresentados pela empresa, especialmente os contratos de mútuo, não terem sido considerados como documentação hábil e idônea, para comprovar a efetividade dos empréstimos, também não autoriza a conclusão da existência de dolo, visto que as justificativas para a não aceitação dos referidos contratos foram de ordem estritamente formal. 2.1.2. Dos valores disponibilizados ao sócio José Carlos e à administradora Santuza Bicalho natureza de mútuo e não de remuneração A empresa reitera que, de fato, os valores disponibilizados ao sócio José Carlos, o foram a título de mútuo, tendo havido simples equívoco na falta de escrituração do IOF correspondente. Nesse sentido, alega ter havido uma operação de contacorrente contábil, a qual se qualifica como uma operação de mútuo, independentemente dos aspectos formais relacionados à operação e da vinculação existente entre o mutuante e o mutuário, conforme entendimento da própria RFB, baseado no Ato Declaratório SRF nº 07/99, editado após a Lei nº 9.779, de 1999, revogado pela Instrução Normativa RFB nº 907/99, ainda vigente, na Solução de Consulta Cosit nº 50/15 e julgados do CARF. Discorre, em seguida, acerca das operações de mútuo realizadas entre a empresa autuada e o sócio José Carlos, no período de 2010 a 2013, explicitando o seguinte: (i) ao longo de cada mês a Autuada disponibilizou recursos financeiros em favor do sócio, tanto diretamente, mediante crédito em conta bancária, quanto indiretamente, por meio do pagamento de despesas; (ii) os recursos disponibilizados pela Autuada nos anos de 2010 e 2011 foram contabilizados em conta do ativo, especificamente na conta contábil 1.01.02.06.03, sob a rubrica "adiantamentos C/C sócios" (a expressão "C/C" significa conta corrente); (iii) os recursos disponibilizados pela Autuada nos anos de 2012 e 2013 também foram contabilizados em conta do ativo, especificamente na conta contábil 1.01.2.07.0006, sob a rubrica "contrato de mútuo", sendo que em 2013 essa conta também Fl. 1151DF CARF MF 14 recebeu o saldo da conta contábil 1.01.02.06.03 ("adiantamentos C/C sócios "); e (iv) no final de cada mês os recursos financeiros disponibilizados eram refletidos e formalizados em contratos de mútuo celebrados entre a Autuada e o sócio José Carlos, dos quais constava, dentre outras informações, a soma dos recursos disponibilizados no mês, o prazo para a sua devolução e a taxa de juros aplicável. O impugnante conclui, diante da descrição das operações efetuadas, ter disponibilizado recursos financeiros ao sócio por meio de contacorrente contábil, a qual se qualifica como mútuo, por sua natureza, conforme entendimento da RFB, e que a fiscalização, em vez de efetuar o lançamento do IOF devido, desqualificou equivocadamente as referidas operações, qualificandoas como remuneração, sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. A autuada discorre então acerca do entendimento equivocado da auditoria fiscal. Nesse sentido, afirma que o primeiro argumento fiscal, de que as operações realizadas não se qualificam como mútuo porque os valores mutuados "nunca são quitados", não procede porque, a uma, o prazo para sua quitação, ao tempo da fiscalização, ainda não se havia expirado e, a duas, porque a própria RFB reconhece e normatiza as operações de mútuo sem prazo ou com prazo indeterminado, conforme os pareceres que cita, relativos ao IOF. Por outro lado, o impugnante alega que também não procede o segundo argumento fiscal, de que os valores disponibilizados pela autuada ao seu sócio não podem ser tratados como mútuos, porque os respectivos contratos não atendem às exigências legais. Isso porque, conforme a citada Solução de Consulta COSIT n° 50/15, os aspectos formais relacionados às operações são irrelevantes para a qualificação do mútuo. Nesse sentido, reitera que a formalização dos contratos de mútuo não era nem necessária, porque estes não se materializam por meio dos contratos, mas da disponibilização dos recursos através de contacorrente contábil, e cita julgado do CARF. Argui, em seguida, a improcedência dos argumentos fiscais, nos itens que cita do Relatório Fiscal. Em relação ao item 3.2.1.1.2, argui não haver previsão legal que condicione a validade dos contratos de mútuo ao seu registro público e que a falta deste registro não descaracteriza a existência do mútuo, conforme decisões do CARF, que cita. Em relação ao item 3.2.1.1.2.1, argui que os contratos não deveriam mesmo ser contabilizados, ao contrário do entendimento fiscal, já que foram celebrados apenas para refletir a soma dos recursos financeiros disponibilizados ao sócio, ao longo de cada mês, escriturados nas contas 1.01.02.06.03 ("adiantamentos C/C sócios") e 1.01.2.07.0006 ("contrato de mútuo"). Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.146 15 Em relação ao item 3.2.1.1.3, argui que os contratos estão datados do último dia de cada mês apenas porque o objetivo era o de neles refletir a soma dos recursos disponibilizados do primeiro ao último dia do mês e que "isso não significa que as partes e as testemunhas tenham se reunido em pleno sábado ou domingo para assinar esses documentos." Em relação ao item 3.2.1.1.4, afirma que, de fato, os contratos foram firmados "a posteriori", ao final de cada mês ou mesmo no início do mês subsequente, pois o objetivo era apenas o de refletir nesses contratos a soma dos recursos disponibilizados ao longo do próprio mês (ou do mês anterior), não havendo ilegalidade no procedimento adotado. Em relação ao item 3.2.1.1.5, argui não haver exigência legal para adoção de taxa de juros mínima ou com observância do valor de mercado. Alega que a auditoria fiscal não comprovou a captação, pela empresa, de empréstimos à taxa de mercado nem seu repasse ao sócio por uma taxa inferior e que, ainda que fosse comprovada, tal situação não comprometeria a validade do mútuo. Finalmente, neste ponto, argui que a fiscalização poderia ter comparado a taxa prevista no contrato de mútuo, de 0,5%, com a TJLP, mais adequada para o período de 60 meses, e então verificaria não haver a discrepância alegada. Em relação ao item 3.2.1.1.7, argui não haver ilegalidade na previsão contratual do pagamento de juros apenas quando da restituição da importância mutuada. Em relação ao item 3.2.1.1.9, argui não haver irregularidade nos contratos de mútuo por estes não terem sido registrados no ativo contábil, mas apenas na escrituração, a qual pode até caracterizar omissão de receitas, mas não a inexistência dos mútuos. Em relação ao item 3.2.1.1.10, argui que a ausência de informação dos mútuos na DIRPF do sócio José Carlos diz respeito à eventual irregularidade desta declaração, mas não dos mútuos estabelecidos, não podendo comprometer sua validade ou sua existência. Registra que os mútuos não foram informados somente na DIRPF de 2011, mas o foram em 2012 e 2013, como observou a própria auditoria. Em relação ao item 3.2.1.1.14.3, diz que o prazo de quitação do mútuo em 60 meses é prática usual de mercado e que o IOF incide mensalmente sobre as importâncias mutuadas, de forma que o seu recolhimento pode ser fiscalizado pelas autoridades fiscais durante todo este período. Diz ainda não haver nada de estranho no contrato de mútuo de 01/2013, no valor de R$3.936.781,17, que engloba os valores de R$609.589,00, transferido ao sócio, mais o valor transferido da conta contábil "adiantamento a fornecedores", no valor de R$914.276,29, e o valor da conta contábil "adiantamento de clientes", no valor de R$2.412.915,88, mas ter Fl. 1153DF CARF MF 16 havido, mais uma vez, erro de contabilização, já que os referidos valores deveriam ter sido registrados na conta "adiantamento c/c sócios", pois se referem a valores disponibilizados ao sócio José Carlos. O impugnante argui, enfim, que a auditoria fiscal procurou desqualificar os mútuos com base em supostas irregularidades existentes na contabilidade e nos contratos, sem contestar, contudo, a existência de contacorrente contábil entre a empresa e seu sócio, afirmando, outrossim, que "a pessoa jurídica estava obrigada ao recolhimento do lOF e que dessa obrigação, no entanto, não se desincumbiu". Argui que uma mesma operação não pode ser interpretada de duas formas diferentes pela Receita Federal, conforme a natureza do tributo fiscalizado, de forma que, se a RFB entende que a disponibilização de recursos financeiros por meio de contacorrente qualificase como operação de mútuo, sujeita a incidência do IOF, não pode a auditoria fiscal entender de forma diversa, no sentido de que a disponibilização de recursos financeiros por meio de contacorrente se qualifica como remuneração, para efeito de incidência da contribuição previdenciária patronal. Cita julgado administrativo, relativo ao IOF incidente sobre operações de contacorrente contábil. Conclui então não poder haver dúvidas de que os valores disponibilizados ao sócio José Carlos, por meio de conta do ativo, o foram a título de mútuo e não como remuneração, pelo que não procede o lançamento das contribuições previdenciárias. Afirma o mesmo em relação aos valores disponibilizados pela empresa à administradora Santuza Bicalho, com natureza de mútuos, formalizados por contacorrente contábil (1.01.2.06.0011) e não de remuneração, conforme entendimento fiscal. 2.1.3. Da indevida desconsideração das pessoas jurídicas SCB e LEAD e dos pagamentos a elas efetuados O impugnante argui que não procede o entendimento da auditoria de que os valores pagos às pessoas jurídicas SCB e LEAD caracterizam remuneração das pessoas físicas titulares, os diretores Santuza Bicalho e Fernando Lúcio Pereira da Silva, respectivamente. Diz que o entendimento fiscal nega vigência ao disposto no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, segundo o qual, para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive em caráter personalíssimo, se sujeita somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 50 do Código Civil, hipótese não cogitada pela fiscalização. Argui que, ademais, a auditoria não alegou nem demonstrou a existência de relação de emprego entre a autuada e os referidos diretores, pelo que não procedem as autuações pelo não recolhimento de contribuições previdenciárias nem por ausência de sua declaração em GFIP. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.147 17 2.1.4. Da falta de declaração em GFIP dos valores considerados pela fiscalização como sujeitos à incidência de contribuição previdenciária A impugnante discorre acerca da "segunda infração imputada à autuada", decorrente da falta de informação em GFIP dos valores considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária apurada, que ensejou a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Argui que a multa de ofício não pode ser aplicada pela falta de declaração em GFIP dos valores apurados, visto que há penalidade específica e diversa para a referida infração, prevista no art. 32A, I, §3º, da Lei nº 8.212, de 1991. Discorre, em seguida, acerca da ilegalidade da multa aplicada, porque, a uma, não foi considerado o citado dispositivo específico para o descumprimento da obrigação acessória e, a duas, porque foi utilizado o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que remete ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual deve ser observado nos casos de descumprimento de obrigação principal, infração esta não descrita no Relatório Fiscal. Destaca que, conforme item 9 do referido relatório, a multa de ofício duplicada foi aplicada em razão da "falta de declaração em GFIP, dos valores considerados ... na auditoria fiscal", havendo, portanto, um descompasso entre a infração descrita e a correspondente penalidade aplicada, o que caracteriza a ilegalidade argüida. Cita decisão do CARF, acerca da inaplicabilidade da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na hipótese de falta de informação em GFIP de fatos geradores de contribuição previdenciária. Pugna pelo cancelamento da multa de ofício qualificada, em razão de os dispositivos que a fundamentam não serem aplicáveis à infração imputada à autuada. 2.1.5. Da aplicação do art. 100, I, parágrafo único, do CTN Caso seus argumentos anteriores não sejam acolhidos, o impugnante alega a necessária observância do disposto no art. 100, I, parágrafo único, do CTN, tendo em vista os atos normativos da Receita Federal que reconhecem que as operações de contacorrente contábil se qualificam como operações de mútuo sujeitas ao IOF, pelo que devem ser excluídos do lançamento as contribuições apuradas sobre os valores disponibilizados ao sócio José Carlos e à administradora Santuza Bicalho, a título de mútuo. 2.1.6. Do pedido O impugnante requer, ao fim, o julgamento de improcedência da autuação e protesta provar o alegado por todos os meios de Fl. 1155DF CARF MF 18 prova em direto admitidos, incluindo a juntada de novos documentos. 2.2. Da impugnação de Fernando Lúcio Pereira da Silva Em 14/09/2015, foi apresentada a impugnação de Fernando Lúcio Pereira da Silva, de fls. 648/662, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária emitido. Nela, o impugnante argui que a responsabilidade solidária pelo crédito apurado não lhe pode ser atribuída em razão de o "interesse comum", previsto no art. 124, I, do CTN, não autorizar a responsabilização de terceiros e em razão de não haver comprovação da existência de "infração à lei", capaz de justificar a aplicação do art. 135, III, do CTN. Nesse sentido, em relação ao disposto no inciso I do art. 124 do CTN, afirma que a solidariedade nele prevista só é aplicável quando houver pluralidade de sujeitos passivos, contribuintes ou responsáveis, na relação jurídica tributária, mas não em relação a um terceiro, que não tenha essa condição de sujeito passivo, seja porque não realizou o fato gerador do tributo ou porque não foi expressamente designado por lei como responsável solidário. Diz que, no caso, quem eventualmente remunerou os contribuintes individuais, realizando o fato gerador da contribuição apurada, foi a STB, pelo que o impugnante não pode ser considerado como contribuinte. Diz ainda não haver lei prevendo que o sócio ou o administrador da empresa é responsável pelo pagamento da contribuição por ela devida. Conclui, assim, que, não sendo contribuinte nem responsável, o impugnante não é sujeito passivo, condição necessária à aplicação da regra do art. 124, I, do CTN. Afirma que o "interesse comum" previsto no dispositivo citado não corresponde ao mero interesse econômico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária e que, mesmo se assim fosse, não restou comprovada a vantagem econômica obtida pelo impugnante em razão do não recolhimento da contribuição previdenciária pela STB. Por outro lado, em relação ao art. 135, III, do CTN, afirma que a responsabilidade tributária nele prevista de "infração à lei" ocorre apenas na hipótese de infração à lei societária e não à mera falta de recolhimento de tributos, conforme entendimento do CARF e a Súmula 430 do STJ. Argui que a fiscalização não menciona o dispositivo da legislação societária infringido pelo impugnante, o que o impede de se defender adequadamente. Argui ainda, alternativamente, que a alegação fiscal de que o impugnante "agiu de forma deliberada e fraudulenta, quando permitiu que a STB STUDENT remunerasse a diretora presidente e o diretor financeiro", contribuintes individuais, "por Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.148 19 intermédio de pessoas jurídicas PEJOTIZAÇÃO e o sócio majoritário José Carlos ... e em menor escala a diretora presidente, Sra Santuza..., através de adiantamentos/ contratos de mútuo" não autoriza a atribuição da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN, pois os procedimentos adotados pela empresa encontram amparo na legislação, art. 129 do CTN, e no entendimento da própria RFB, que dá tratamento de mútuo à contacorrente contábil (art. 13 da Lei nº 9.779/99, Ato Declaratório SRF nº 07/99, Instrução Normativa RFB nº 907/09 e Solução de Consulta COSIT nº 50/15). Conclui não haver indícios nem provas de que o impugnante agiu com infração à lei, o que impede a sua responsabilização com fundamento no art. 135, III, do CTN. Ao fim, requer seja afastada a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída e protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, incluindo a juntada de novos documentos. 2.3. Da impugnação de Christina Bicalho Hauer Santos Em 14/09/2015, foi apresentada a impugnação de fls. 665/679, de Christina Bicalho Hauer Santos, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra ela emitido, nos mesmos termos da impugnação apresentada por Fernando Lúcio Pereira da Silva, relatada acima. 2.4. Da impugnação de José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Junior Em 14/09/2015, foi apresentada a impugnação de fls. 682/696, de José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Junior, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra ele emitido, nos mesmos termos da impugnação apresentada por Fernando Lúcio Pereira da Silva, relatada acima. 2.5. Da impugnação de Santuza Paolucci Nogueira Bicalho Em 15/09/2015, foi apresentada a impugnação de fls. 699/779, de Santuza Paolucci Nogueira Bicalho. Inicialmente, o impugnante alega a tempestividade da peça de defesa e a impossibilidade de atribuição a si de responsabilidade solidária pelo crédito apurado junto a STB STUDENT. Discorre acerca da estrutura da empresa autuada, afirmando tratarse, de fato, de uma sociedade de caráter unipessoal, visto que o sócio José Carlos Hauer Santos Junior sempre deteve a quase totalidade das cotas sociais (179.999 de 180.000), sendo unicamente responsável por todas as decisões que implicassem vultosos ônus financeiros, incluindo as relativas ao departamento fiscal. Alega que, não obstante o nome do cargo ocupado (diretora presidente), seus poderes gerenciais estavam restritos ao âmbito Fl. 1157DF CARF MF 20 comercial, com atuação nas áreas de vendas e marketing. Por conseguinte, ela não tinha poderes para realizar contratos de mútuo nos valores apurados nem determinar a que título se daria o pagamento feito pela STB a seus diretores e empregados, pelo que seu nome deve ser excluído do pólo passivo da autuação. Aponta que, na estrutura da empresa, havia o cargo de diretor financeiro, então ocupado por Fernando Lucio Pereira da Silva, pelo que resta demonstrada a impossibilidade de sua responsabilização solidária pelo crédito apurado, tanto na forma do art. artigo 124, I, quanto do art. 135, III, ambos do CTN. Argui que, para a responsabilização solidária pessoal do diretor, por excesso de poder e ou infração à lei, é necessário haver a individualização de sua conduta, o que não restou demonstrado nos autos, especialmente no Termo de Verificação da Ação Fiscal. Cita julgados e afirma que, dada a falta de individualização da conduta da impugnante para a imputação a si de responsabilidade tributária, ela deve ser retirada do pólo passivo da autuação. Alega que a constituição de pessoa jurídica para recebimento de pagamentos pela impugnante foi exigência da empresa empregadora e que tal situação não lhe trazia vantagens, mas prejuízos previdenciários. Alega ainda que o eventual inadimplemento de contribuições previdenciárias patronais da empresa não trouxe à impugnante nenhum enriquecimento ou benefício, demonstrando a falta de interesse comum entre ela e a STB STUDENT, pelo que deve ser excluída do pólo passivo da autuação. Em relação aos contratos de mútuo, alega que os mesmos não contêm sua assinatura e que deles não tinha conhecimento, porque seu estabelecimento estava fora de sua alçada. Argui, em seguida, a inconstitucionalidade da multa confiscatória aplicada. Requer, ao fim, a sua exclusão do pólo passivo da autuação. Alternativamente, requer a redução do valor da multa aplicada, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos e declara ter juntado à impugnação cópia fiel dos documentos originais. Requer ainda que as intimações relativas a este processo sejam encaminhadas a seu patrono, no endereço que indica, sob pena de nulidade. Em 05/11/2015, foi apresentada a "retificação à impugnação", de fls. 788/856, também de Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, nos termos abaixo relatados, em síntese. Argui que, à vista da prevalência da busca pela verdade material na esfera administrativa, "fazse necessária a retificação de alguns fatos que foram erroneamente apontados na impugnação" de 15/09/2015 e, por conseguinte, o seu acolhimento. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.149 21 Inicialmente, retifica o estado civil da Sra. Santuza, de casada para solteira. Em seguida, afirma que a impugnante não foi nomeada sócia da STB STUDENT na 55ª alteração do contrato social contratual, de 10/11/2010, quando constava como diretora presidente da empresa, mas apenas na 64ª alteração contratual, de 11/09/2013, quando recebeu cota de valor nominal de R$1,00, permanecendo o sócio José Carlos Hauer dos Santos Junior com 99% das cotas societárias. Informa ter se retirado da sociedade em 25/03/2014, conforme consta do registro público da JUCESP. Declara a autenticidade dos documentos juntados. Requer, ao fim, a retificação dos fatos informados e, novamente, que as intimações sejam efetuadas a seu patrono. 3. Da diligência Em 21/03/2016, os autos foram baixados em diligência, conforme despacho de fls. 859/861, para que a autoridade lançadora, considerando os termos do Relatório Fiscal, esclarecesse e justificasse para quais levantamentos foram observadas as ações dolosas praticadas pela empresa autuada, sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, e à aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Em 24/05/2016, foi emitida a informação fiscal de fls. 864/869, na qual a autoridade lançadora explicita que a multa de ofício qualificada foi aplicada para todos os levantamentos, conforme abaixo: 1.1. Levantamentos AD valores pagos ao sócio José Carlos a título de adiantamento; MU valores pagos ao sócio José Carlos a título de contratos de mútuo; SB Valores pagos à Santuza a título de adiantamento e AN valores relativos aos lançamentos de transferência para a c/c sócios: 1.1.1. Como largamente descrito e relatado no REFISC Relatório Fiscal, a AUTUADA promovia uma série de pagamentos para o Sr. José Carlos, sócio administrador da empresa, e para a sua diretora presidente, Sra. Santuza Bicalho, não sócia até 26/08/2013 e sócia a partir desta data, a título de ADIANTAMENTOS e por CONTRATOS DE MÚTUO. 1.1.2. No REFISC a auditoria fiscal descreveu o "modus operandi' da empresa, bem como ficou claro que a conduta era absolutamente normal e recorrente. Restou provado que referidos pagamentos NADA tinham de ADIANTAMENTOS e/ou CONTRATOS DE MÚTUO, até porque, referidos valores NUNCA eram devolvidos para a empresa. Os valores eram simplesmente pagos, lançados sob os títulos em questão, MAS NUNCA eram devolvidos, o que configurou, simplesmente, Fl. 1159DF CARF MF 22 tratarse de EFETIVOS PAGAMENTOS aos executivos da empresa. 1.1.3. Houve também, pagamentos diretos a fornecedores dos executivos, lançados nas contas próprias de adiantamentos aos sócios e/ou contratos de mútuo. 1.1.4. A Auditoria Fiscal discorreu, relatou e detalhou, no REFISC, toda esta sistemática da empresa em pagar os seus executivos de forma travestida, de forma disfarçada, para fugir do pagamento dos impostos (estes foram objeto de lançamento específico) e da contribuição previdenciária incidentes sobre pagamentos efetuados aos seus executivos. 1.1.5. Ainda que referidos pagamentos estejam lançados na escrituração contábil da empresa, o foram de forma disfarçada, sob títulos que não guardam qualquer relação com a verdade fática, o que dificulta, para a Auditoria Fiscal, a identificação e a real natureza dos pagamentos. Ora, se os adiantamentos e/ou os contratos de mútuo NUNCA são liquidados pelo devedor, temos então EFETIVOS PAGAMENTOS e NUNCA adiantamentos, contratos de mútuo, conta corrente sócio. 1.1.6. A empresa tem a obrigação de escriturar corretamente, em títulos próprios, os seus fatos contábeis e jamais escriturálos de forma disfarçada, de forma camuflada, com o uso de títulos que não guardam relação com a realidade fática, bem como deveria ter informado os pagamentos em GFIP, declarando assim a contribuição previdenciária devida sobre os mesmos, como aliás, preconiza a legislação de regência. 1.1.7. Por conta desta conduta PROPOSITAL, INTENCIONAL, PREMEDITADA, ARQUITETADA e CONSTRUÍDA pela empresa, de ESCONDER, de DIFICULTAR, de TRAVESTIR os pagamentos a estes executivos como ADIANTAMENTOS e /ou CONTRATOS DE MÚTUO, é que a Auditoria Fiscal concluiu que a empresa e seus dirigentes agiram, em CONLUIO e de forma FRAUDULENTA, com vistas a SONEGAR a contribuição previdenciária, incidente sobre os valores pagos aos seus executivos, o que enseja, com amparo nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, a aplicação da multa de ofício em DOBRO MULTA QUALIFICADA. 1.2. Levantamento DJ PAGAMENTOS AOS DIRETORES No período da auditoria fiscal (2010 a 2013), não constam pagamentos efetuados para as pessoas físicas Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, diretora presidente e Fernando Lúcio Pereira da Silva, diretor financeiro, como remuneração do trabalho que executaram na empresa, na qualidade de diretores não sócios até o dia 26/08/2013 e sócios com cargos de diretoria a partir de 27/08/2013, com exceção dos valores recebidos pela Sra. Santuza como "adiantamentos", assunto este já tratado no item 1.1. e subitens retro. 1.2.1. Não faz nenhum sentido a empresa não ter remunerado esses dois diretores. É pressuposto irrefutável, é direito sagrado e incontestável que qualquer pessoa, qualquer indivíduo que trabalhe para uma empresa, como é o caso em tela, tenha como contrapartida o pagamento do seu trabalho pessoal. É certo, é Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.150 23 obvio, é irrefutável que pagamentos foram feitos para os dois executivos. Assim sendo, não tendo sido encontrados pagamentos feitos aos diretores na escrituração contábil, enquanto pessoas físicas, pesquisouse a possibilidade de pagamentos a eventual pessoa jurídica das quais os diretores fossem titulares. Tal pesquisa logrou êxito tendo sido constatada a existência de pagamentos efetivamente feitos para pessoas jurídicas, cujos titulares eram a Sra. Santuza e o Sr. Fernando. 1.2.2. A Sra. Santuza era titular da empresa SCB INTERMEDIAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA, CNPJ 08.106.194/000116 e o Sr. Fernando era titular da empresa LEAD CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, CNPJ 06.048.119/000110. 1.2.3. Como pode se notar, tanto a STB quanto a Sra. Santuza e o Sr. Fernando travestiram, camuflaram a forma de recebimento dos valores a eles devidos, enquanto executivos da empresa, valendose para tanto, do expediente da "pejotização" em suas suas atividades estritamente pessoais. 1.2.4. Com efeito, a STB contratou os executivos em tela, que para ela trabalharam, de forma pessoal, de forma direta e exclusiva, em suas dependências, DIRIGINDO a empresa, assumindo responsabilidades pela empresa, MAS não ostentou em sua escrituração contábil, pagamentos efetuados às PESSOAS FÍSICAS. Ora, como se imaginar que um EXECUTIVO da empresa possa ser uma PESSOA JURÍDICA? Essa situação não é, em absoluto, nada razoável. Não há como conceber, FATICAMENTE, essa situação. 1.2.5. O que deve ser considerado, de forma cabal, são os FATOS. E os fatos são, de forma INDISCUTÍVEL e IRREFUTÁVEL, que seus diretores Santuza e Fernando, na pessoa física trabalharam para a STB e esta não lhes remunerou nesta condição. A situação de DIREITO não pode se sobrepor à situação FÁTICA. O fato da empresa e mesmo de seus prestadores de serviço, por conta de economia tributária ou de qualquer outro interesse, firmarem contrato de prestação de serviço, na qualidade de pessoa jurídica, NÃO suplanta os fatos, independentemente da "roupagem" dada pela empresa a estes pagamentos. 1.2.6. Nessa esteira, em observância à REALIDADE FÁTICA e não em documentos produzidos, com o fim específico e precípuo de ESCONDER, de CAMUFLAR, de TRAVESTIR a REALIDADE FÁTICA de tratarse de trabalho executado por pessoas físicas, neste caso diretores, contribuintes individuais, transcrevemos a seguir despacho da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2a Seção do CARF, na apreciação do processo n° 11020.721797/201211, da 10ªRF/DRF/Caxias do Sul, que assim se pronunciou: Fl. 1161DF CARF MF 24 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária dos trabalhos dos segurados que lhe prestam serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Os cargos ocupados pela Sra. Santuza e pelo Sr. Fernando estão definidos nos contratos sociais da autuada, a seguir transcrito. Portanto, não há que se falar em SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA: 54ª ALTERAÇÃO, de 12/07/2010: "CLÁUSULA QUINTA ADMINISTRAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA SOCIEDADE A sociedade será administrada por uma diretoria composta de 04 (quatro) membros, designados Diretores, que terão, na forma dos artigos seguintes, amplos poderes de administração e gestão dos negócios sociais, para a prática de todos os atos e realização de todas as operações que se relacionarem ao objeto e atividades da Sociedade, inclusive os poderes para transigir, celebrar acordos e convênios, renunciar, desistir, firmar compromissos, adquirir e alienar bens e direitos da Sociedade. § 1º Os sócios nomeiam para o exercício dos cargos de Diretores, José Carlos Victor Hauer Santos Júnior, já qualificados, e, ainda, Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, brasileira, solteira, maior, empresária, portadora da carteira de identidade RG ... e Fernando Lúcio Pereira da Silva, brasileiro, solteiro, maior, empresário, portador da carteira de identidade RG... Na 55ª alteração do contrato social, o §1º da cláusula quinta traz: "§ 1º Fica nomeada a seguinte Diretoria: Diretora Presidente: Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, brasileira, solteira..., e Diretor Financeiro: Fernando Lúcio Pereira da Silva, brasileiro, solteiro..." Na 64ª alteração do contrato social, de 27/08/2013, a Sra. Santuza e o Sr. Fernando passaram a fazer parte da sociedade, com uma cota cada um e continuaram a exercer os mesmos cargos executivos, de diretora presidente e de diretor financeiro, consoante a cláusula 6ª, §1º: "Os sócios administrarão a Sociedade sob as seguintes designações: Diretora Presidente: Santuza Paolucci Nogueira Bicalho; e Diretor Financeiro: Fernando Lúcio Pereira da Silva, todos já qualificados. " Na 65ª alteração do contrato social, de 01/02/2014, a Sra. Santuza se retira da sociedade e da empresa, ficando o cargo de diretor presidente ocupado pelo Sr. José Carlos. 1.2.7. Por conta desta conduta PROPOSITAL, INTENCIONAL, PREMEDITADA, ARQUITETADA e CONSTRUÍDA pela empresa, de ESCONDER, de DIFICULTAR, de TRAVESTIR os pagamentos a estes executivos como PESSOA JURÍDICA, quando a REALIDADE FÁTICA é outra, pois se trata de PESSOAS FÍSICAS, bem como pelo fato da empresa NÃO ter declarado em GFIP referidos valores, é que a Auditoria Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.151 25 Fiscal concluiu que a empresa e seus dirigentes agiram em CONLUIO e de forma FRAUDULENTA, com vistas a SONEGAR a contribuição previdenciária, incidente sobre os valores pagos aos executivos em questão, o que enseja, com amparo nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, a aplicação da multa de ofício em DOBRO. 1.3. Levantamento PF SERVIÇOS PRESTADOS PESSOA FÍSICA No período da ação fiscal, a empresa procedeu a diversos pagamentos a PESSOAS FÍSICAS, não empregadas, portanto CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. 1.3.1. A empresa foi instada a esclarecer os lançamentos, durante a auditoria fiscal, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 01, onde no ANEXO I constavam todos os lançamentos passíveis de enquadramento como serviços prestados por pessoas físicas, contribuintes individuais. Quando dos esclarecimentos, a empresa limitouse a declarar: "A Fiscalizada esclarece que parte dos valores lançados na conta contábil "SERVIÇOS PRESTADOS P.F.", na verdade referese a serviços prestados por pessoas jurídicas. A título exemplificativo, a Fiscalizada apresenta as anexas cópias das notas fiscais e contratos referentes a diversos lançamentos efetuados na referida conta contábil (docs 1/01 a 1/04)". 1.3.2. Após análise dos esclarecimentos e dos documentos apresentados pela empresa, a auditoria fiscal excluiu os valores para os quais a empresa provou tratarse de pessoas jurídicas, tendo permanecido, todavia, os valores para os quais não houve esclarecimentos e/ou apresentação de documentos probatórios da alegação da empresa. 1.3.3. A seguir transcrevemos alguns trechos do REFISC, que trata desse assunto: ... 1.3.4. O REFISC traz, pormenorizadamente, a conduta adotada pela auditoria fiscal, tendo sido excluídos os valores que não se enquadravam como pessoa física e, ao final apurou os valores de base de cálculo de contribuição previdenciária, conforme consta do ANEXO V do REFISC. 1.3.5. É sabido, desde 1999, quando foi instituída a GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, que todos os valores pagos pelas empresas a pessoas físicas, inclusive os contribuintes individuais, devem ser DECLARADOS em GFIP, o que não foi observado pela STB. 1.3.6. A GFIP é uma informação declaratória. As informações dela constantes, por si só, já propiciam à Receita Federal conhecer os valores de contribuição previdenciária devidos, bem como proceder a cobrança dos mesmos. A falta de declaração em GFIP, denotam a intenção da empresa de SONEGAR as PROPOSITAL, INTENCIONAL, PREMEDITADA Fl. 1163DF CARF MF 26 da empresa, de ESCONDER, de DIFICULTAR o conhecimento, pela Receita Federal dos valores pagos a PESSOAS FÍSICAS, contribuintes individuais, é que a Auditoria Fiscal concluiu que a empresa SONEGOU a contribuição previdenciária, incidente sobre os valores pagos às pessoas físicas, o que enseja, contribuições previdenciárias devidas. 1.3.7. Por conta desta conduta com amparo no art. 71 da Lei 4.502/64, a aplicação da multa de ofício em DOBRO. 4. Das manifestações à diligência realizada A ciência da diligência realizada foi dada a Fernando Lúcio Pereira da Silva e Santuza Paolucci Nogueira Bicalho em 01/06/2016 (fls. 870/871) e a STB STUDENT, José Carlos Hauer Santos Junior e Christina Bicalho Hauer Santos, em 31/05/2016 (fls. 914 e 872/873). 4.1. Da manifestação de STB STUDENT Em nova manifestação, de 30/06/2016 (fls. 875/880), a STB STUDENT, considerando os termos da diligência, reitera a alegação de que a infração a si imputada (descumprimento de obrigação acessória, especificamente 'falta de declaração em GFIP dos valores') não pode ser sancionada com a multa de ofício de 75%, menos ainda com a qualificação de 150%, pois a penalidade para tal infração está prevista no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Entende que a procedência de sua alegação prejudica o objeto da diligencia, pois, como a multa qualificada não poderia ter sido aplicada, não há razão que a auditoria esclareça e justifique para quais fatos geradores foram observadas as ações dolosas praticadas. Ressalta que a necessidade de realização da diligência confirma a ausência de motivação para a aplicação de multa de ofício qualificada em relação aos pagamentos efetuados às empresas SBC e LEAD e para as pessoas físicas. Afirma que tal motivação foi apresentada na resposta à diligência, item 1.2.7, em termos que não constam do item 9 do Relatório Fiscal, tratandose de inovação na motivação do lançamento, o que não é permitido. Da mesma forma, a motivação para aplicação da multa de ofício qualificada sobre os pagamentos efetuados a pessoas físicas é explicitada nos itens 1.3.6 e 1.3.7 da resposta à diligência, mas não no Relatório Fiscal, caracterizando inovação ao lançamento, o que é ilegal. Requer então a exclusão da multa de ofício qualificada, aplicada em relação aos pagamentos efetuados às empresas SCB e LEAD e também a pessoas físicas. 4.2. Da nova manifestação de Christina Bicalho Hauer Santos Em nova manifestação, de 30/06/2016 (fls.883/886), Christina Bicalho Hauer Santos, considerando os termos da diligência, reitera a impugnação anterior. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.152 27 Afirma que a auditoria fiscal inovou nos itens 1.2.7, 1.3.6 e 1.3.7 da resposta à diligência, visto que seus termos não constam do Relatório Fiscal, o que não é permitido. Entende não haver razão para se manifestar, uma vez que seu nome não é citado nos referidos trechos da resposta à diligência, pelo que requer a procedência da impugnação inicial. 4.3. Da nova manifestação de Fernando Lúcio Pereira da Silva Em nova manifestação, de 30/06/2016 (fls. 889/891), Fernando Lúcio Pereira da Silva reitera a impugnação anterior, nos mesmos termos da nova impugnação de Christina Bicalho Hauer Santos. 4.4. Da nova manifestação de José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Junior Em nova manifestação, de 30/06/2016 (fls. 894/896), José Carlos Victor Sergio Hauer Santos Junior reitera a impugnação anterior, nos mesmos termos da nova impugnação de Christina Bicalho Hauer Santos. 4.5. Da nova manifestação de Santuza Paolucci Nogueira Bicalho Em nova manifestação, de 30/06/2016 (fls. 899/912), Santuza Paolucci Nogueira Bicalho afirma, ao sintetizar a diligência realizada, haver uma "inversão da lógica probatória atinente ao processo administrativo", visto que ao fisco cabe comprovar o cometimento de fraude, simulação e sonegação fiscal pelo sujeito passivo solidário. Afirma ter sido realizado várias vezes, pelo fisco, o mecanismo da "presunção" e da "suposição", que imputa ao contribuinte a responsabilidade de apresentar os documentos que comprovariam o dolo, ônus que cabe exclusivamente àquele que pretende comprovar o "conluio" com objetivos fraudulentos. Em seguida, afirma a tempestividade da nova manifestação. Aponta as inconsistências probatórias e argumentativas entre a resposta à diligência fiscal e o relatório fiscal. Nesse sentido, afirma não haver apresentação probatória a justificar a inclusão da impugnante como sujeito passivo solidário da obrigação tributária e que, a partir da análise contábil e documental realizada, restou explicitado que o Sr. José Carlos Hauer dos Santos Junior realizou, por conta própria e exclusiva, toda a organização operacional da empresa, com o intuito de se desincumbir do recolhimento da contribuição lançada. Cita então trecho do Relatório Fiscal: 3.2.3.9. Como se pode notar, o Sr. José Carlos transformou a sua empresa em uma espécie de caixa pessoal, usandoa Fl. 1165DF CARF MF 28 diretamente para pagamentos de suas despesas pessoais, de seus compromissos pessoais, além do fato já muito discutido de se valer da STB para vultosos saques pessoais, como pode ser notado pelas transferências de valores contidas nas contas contábeis c/c sócios e contratos de mútuo, ora em pauta. Argui que, do entendimento do próprio fisco, o Sr. José Carlos organizou um mecanismo operacional empresarial, que resultou em uma confusão patrimonial entre a pessoa física e a pessoa jurídica, comportamento que já estava solidificado na empresa antes da Sra. Santuza atuar na empresa, como diretora ou sócia, com apenas uma cota. Aduz que não foi apontada atitude dolosa por parte da impugnante com o intuito de não recolher tributos, além de não ter sido fundamentado o "interesse comum" dela em esquivarse do recolhimento da contribuição previdenciária patronal, nem foram apresentados elementos probatórios de sua atuação com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Nesse sentido, cita outro trecho do Relatório Fiscal: Diante do exposto, fica patente que a tentativa de travestir o pagamento de rendimentos tributáveis ao sócio, como se fossem adiantamentos ou empréstimos/mútuos, como constam das contas contábeis c/c sócios e contrato de mútuo foi intencional e deliberada, com intuito de ludibriar a autoridade fiscal e beneficiar seu sócio majoritário, Sr. José Carlos (99,99%). O sujeito passivo tentou impedir o conhecimento pelo fisco da natureza dos fatos geradores de tributos, no caso, os rendimentos pagos ao sócio Sr. José Carlos, a título de 'adiantamentos'. O sujeito passivo e o sócio Sr. José Carlos tentaram, dolosamente, modificar as características dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, ao travestir pagamentos como mútuos. As ações ilícitas foram realizadas conjuntamente pelo sujeito passivo e pelo sócio Sr. José Carlos, mutuário dos pretensos empréstimos e principal beneficiário das mesmas. Diz que o próprio Termo de Sujeição Passiva lavrado em nome da Sra. Santuza, explicita a dicotomia entre, de um lado, o posicionamento firme do fisco de que haveria uma sociedade unipessoal, operando nos interesses do sócio administrador Sr. José Carlos, e, de outro lado, a inclusão de todos que constavam do contrato social, de forma genérica e citando os artigos 124,I, e 135, III, do CTN, sem a devida fundamentação. Afirma deverse prezar pelo princípio da primazia da realidade, não se podendo sustentar que a impugnante teria poderes para determinar os pagamentos realizados em favor do sócio administrador, nem apontar abuso de poder ou infração à lei, se não existiam atos por ela praticados em relação às obrigações tributárias. Em relação ao pagamento a pessoas físicas, argui que a constituição de pessoa jurídica pela impugnante implica em prejuízo para ela mesma, do ponto de vista tributário, trabalhista e previdenciário. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.153 29 Afirma, ao fim, ser fato notório e incontroverso que a empresa se confunde com a pessoa física de seu administrador, verdadeiro interessado em supostos benefícios fiscais, ainda que com a realização de simulações impostas a seus funcionários e sócios. Reitera haver incongruência entre o Relatório Fiscal, que deixa expresso haver tão somente responsabilidade tributária da empresa e do sócio administrador Sr. José Carlos, e a diligência, que coloca todos os sócios da empresa, de forma genérica e sem fundamentação. Requer, ao fim, o reconhecimento da impugnante como parte ilegítima a figurar no pólo passivo da autuação. Requer novamente que as intimações do processo sejam enviadas a seu patrono, no endereço que indica. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, julgoua improcedente (fl. 918/949), lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: Das alegações da STB Student Travel Bureau 1.1. Da inexistência de decadência (...) O argumento apresentado, todavia, é improcedente, porque o termo inicial para a contagem decadencial, no caso, é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, visto que restou comprovada a ocorrência de simulação no pagamento de remuneração ao sócio administrador e aos diretores da empresa, conforme explicitado abaixo neste voto. 1.2. Da remuneração do sócio majoritário (...) Reiterese não ser cabível a alegação da ocorrência de tantos equívoc os na escrituração e no cumprimento de obrigações tributárias por parte da empresa, no caso, em relação ao IOF, como já explicitado. Diante do exposto, verificase que não há suporte algum às alegações da existência de mútuos celebrados entre a empresa e o sócio majoritário. Ao contrário, resta comprovado o entendimento fiscal, segundo o qual os valores depositados e transferidos, bem como o pagamento de despesas pessoais caracterizam remuneração disfarçada do sócio. 1.3. Da remuneração dos diretores Santuza Bicalho e Fernando Lúcio P. da Silva (...) Da mesma forma, os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas das quais os diretores Santuza Bicalho e Fernando Lúcio P. da Silva são titulares também se caracteriza como remuneração, visto que não constam pagamentos efetuados a eles, como pessoas físicas, e que os mesmos exerceram cargos de diretoria (que não podem ser ocupados por pessoas jurídicas) em todo o período auditado. Fl. 1167DF CARF MF 30 1.4. Da multa aplicada Estas alegações não têm cabimento. Isso porque, em primeiro lugar, a multa de ofício foi aplicada em razão de a fiscalização ter apurado valores de remuneração de sócios e diretores, não oferecidos à tributação, sobre os quais incide a contribuição previdenciária. E disso o impugnante tem plena ciência, considerando os termos da defesa apresentada, que contesta, ponto a ponto, diversos itens do Relatório Fiscal. Em segundo lugar, verificase que a qualificação da referida multa de ofício foi plenamente descrita no item 9 do Relatório Fiscal e, posteriormente, na Informação Fiscal emitida, e também contra ela o impugnante se insurgiu, alegando a inexistência de dolo em sua conduta. 2. Das impugnações dos responsáveis pelo crédito tributário Os impugnantes José Carlos Hauer Santos Junior, Christina Hauer e Fernando Lucio P. da Silva contestam tão somente sua inclusão no pólo passivo da autuação. (...) No caso, restou amplamente descrita e comprovada a conduta dolosa do contribuinte, através de seus sócios administradores e diretores, José Carlos Hauer Santos Junior, Christina Bicalho Hauer Santos, Santuza Paolucci Nogueira Bicalho e Fernando Lúcio Pereira da Silva, visto que os mesmos detinham "amplos poderes de administração e gestão dos negócios sociais, para a prática de todos os atos e realização de todas as operações que se relacionarem ao objeto e atividades da sociedade, inclusive os poderes para transigir, celebrar acordos e convênios, renunciar, desistir, firmar compromissos, adquirir e alienar bens e direitos da sociedade", conforme consta do contrato social. Assim, considerando os poderes atribuídos pelo contrato social e verificada a ocorrência de simulação, para camuflar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, devem os sócios administradores e diretores compor o pólo passivo da autuação e responder pelo crédito tributário apurado Quanto às alegações da diretorapresidente, Santuza Bicalho, de que não possuía poderes de gestão, em relação à concessão de adiantamentos e ao estabelecimento de mútuos, em benefício do sócio majoritário, e de que foi forçada a constituir pessoa jurídica para receber a remuneração que lhe era devida, devese observar que, de fato, a responsabilização exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou tolerado a prática do ato abusivo e ilegal, quando em posição de influir para a sua não ocorrência. Ocorre que todos os sócios e diretores, indistintamente, possuíam iguais e amplos poderes de gestão e administração, conforme definido pelo contrato social, e que não foram apresentados outros documentos que delimitassem os referidos poderes, para poder elidir a responsabilidade solidária verificada. (...) 4. Da conclusão Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.154 31 Diante do exposto, voto por julgar improcedentes todas as impugnações apresentadas e manter o crédito apurado. Cientificados, o autuados e os responsáveis solidários, do Acórdão de 1ª Instância administrativa, conforme Termo de Ciência e AR de fl. 977 a 981, ainda inconformados, apresentaram os Recurso Voluntário de fl. 983/1028(STB STUDENT), 1031/1049 (Fernando Lúcio P. da Silva), 1050/1068 (Christina Bicalho Hauer Santos), 1069/1088 (José Carlos Vitor Sérgio Hauer Santos Júnior) e 1093/1106 (Santuza Paolucci Nogueira Bicalho), nos quais, basicamente, reiteram argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por preencher as condições de admissibilidade, conheço dos Recursos de Ofício e Voluntário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA STB STUDENT TRAVEL BUREAU VIAGENS E TURISMO LTDA Preliminarmente Da decadência Sustenta o recorrente a decadência dos tributos lançados incidente sobre os pagamentos efetuados para as empresas SCB, LEAD e, também, para pessoas físicas, relativos aos períodos de apuração de 01/2010 a 07/2010, por entender que, como não foi apontado pelo Agente Fiscal a ocorrência de conduta dolosa. Pelo mesmo período, sustenta a decadência para os valores do tributo lançado incidente sobre os valores pagos ao Sócio José Carlos e a Sra. Santuza, por entender que, diferentemente do que alega a Autoridade autuante, não houve prática de ações dolosas pelo sujeito passivo, devendo, igualmente, ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Afirma que o cerne da celeuma é saber se o fato da Recorrente ter tratado os valores disponibilizados aos sócio José Carlos e à Sra. Santuza como mútuo seria causa suficiente para qualificar a sua conduta como dolosa, atestando que inexistiu tal intenção, já que os valores estavam todos devidamente declarados e que tal fato permitiu à Fiscalização identificar tais valores. Alega que a não aceitação dos contratos de mútuo, por serem considerados inábeis ou inidôneos, não autoriza a conclusão de que houve dolo por parte da Recorrente, resultando em motivos estritamente formais. Argui que, a despeito do entendimento da Autoridade recorrida sobre a ocorrência de simulação capaz de motivar o indeferimento sobre o pleito de reconhecimento de Fl. 1169DF CARF MF 32 decadência para o período de 01 a 07/2010, ao Julgador de 1ª Instância não teceu um único comentário sobre os valores lançados sobre os pagamentos a pessoas físicas, bem assim nada pontuou sobre a ocorrência de simulação no que se refere às empresas SCB e LEAD. Destaca que apenas na Informação Fiscal lavrada por ocasião da diligência é que houve citação sobre a caracterização do dolo nos lançamentos relativos à SCB, à LEAD e às pessoas físicas e que a própria diligência já confirma a inexistência de lastro para aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Entende que a resposta à diligência configura alteração do critério jurídico no lançamento, o que não se poderia conceber, por afronta ao art. 142 do CTN, resultando em inovação e permitindo asseverar que o crédito tributário teria sido constituído quando da ciência da recorrente do teor da diligência. Resumidas as alegações recursais, temse que a lide, nesta matéria, gravita em torno do momento efetivo em que se inicia o prazo decadencial. Se no data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN). Ocorre que, no caso ora sob apreço, além de contestar a caracterização do dolo levada a termo pela autoridade fiscal, alega o recorrente que, para alguns levantamentos específicos, PF e DJ, que tratam de contribuições incidentes sobre valores pagos a pessoas físicas e às empresas SCB e LEAD, não houve caracterização de dolo a justificar o deslocamento da contagem do lastro decadencial do art. 150,§ 4º para o art. 173, inciso I. Assim dispõe os comandos legais em questão: (...) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Em razão da especificidade do art. 173 do CTN, é incontestável que, em regra, o prazo de que a Fazenda pública dispõe para constituir o lançamento inicia sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Contudo, no caso específico tratado pelo art. 150 do CTN, de fato, há uma exceção à regra geral, segundo à qual, nos casos de lançamentos por homologação, esse prazo começa a fluir com a ocorrência do fato gerador. Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, expresso no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.155 33 em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Assim, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não há nos autos e não foi apresentado pelo contribuinte nenhuma comprovação de que tenha efetuado pagamento no período em que pleiteia o reconhecimento da decadência. Por outro lado, a análise do Discriminativo de Débitos inserido nos autos a partir de fl. 05, indica que há, para todos os meses do ano de 2010, valores lançados nos levantamentos AD, DJ e PF, não sendo justificável imaginar que, dentro de um mesmo período de apuração, pudéssemos segregar infrações à legislação tributária lastreadas em condutas dolosas ou não, em particular porque a impossibilidade de constituir o crédito tributário após cinco anos contado da ocorrência do fato gerador está rescrita aos casos de lançamento por homologação, e não é crível que tal homologação ocorra de forma individualizada, uma para cada fato contábil identificado. Ou seja, como o que se homologa é o lançamento (auto lançamento), uma ocorrência dolosa acaba por macular todo o período auto lançado, deslocando o prazo de contagem do prazo decadencial para o 173 do CTN. De forma compatível com tal raciocínio, a Súmula CARF nº 99 estabelece que, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, da mesma forma que um pagamento antecipado, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída em sua base de cálculo parcela relativa a rubrica específica, tem o condão de assegurar que a contagem da decadência flua a partir da ocorrência do fato gerador, havendo uma conduta dolosa na apuração do tributo auto lançado, há que se considerar como termo inicial para a contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portando, necessário identificar se, de fato, o Agente Fiscal aponta condutas dolosas praticadas pelo contribuinte no período de 01 a 07/2010. Para tanto, não é difícil de se chegar a uma conclusão, em particular pela leitura do Relatório Fiscal de fl.47/92, que em seu item 09 (fl. 86), trata especificamente da qualificação da penalidade de ofício, com destaque para excerto abaixo: (...) Observese que a autuada informa ter havido "pagamento", o que, a rigor, NÃO ocorreu. O Sócio nada devolveu à empresa. Se por um lado o lançamento inicialmente era por conta de distribuição de dividendos, como consta na escrituração e, quando intimada a empresa esclarece que o lançamento estava Fl. 1171DF CARF MF 34 errado, que se tratava de "pagamento", mas por seu turno também não apresentou o documento comprobatório do "pagamento"... fica claro que a empresa não dispõe de documento que suporte este lançamento. Temos então um lançamento FALSO, FRAUDULANETO, feito para atender algum interesse da empresa e/ou de seu sócio majoritário (99,99%) (...) O sujeito passivo e o sócio Sr. José Carlos tentaram, dolosamente, modificar as características dos fatos geradores de contribuições previdenciárias ao travestir os pagamentos efetuados como mútuos. As ações ilícitas foram realizadas conjuntamente pelo sujeito passivo e pelo sócio Sr. José Carlos, mutuário dos pretensos empréstimos e principal beneficiário das mesmas. Feitas tais considerações, entendo que não merece retoques a decisão recorrida, pelo quê rejeito a preliminar arguida. Os valores disponibilizados ao sócio José Carlos Natureza de mútuo e não de remuneração A recorrente afirma que sua única infração efetiva foi ter disponibilizado recursos financeiros ao seu sócio José Carlos, por meio de operação de mútuo, sem que fosse recolhido o IOF e que, em vez de lançar o IOF não recolhido, a Autoridade Fiscal optou por desqualificar as operações realizadas e, presumindo que os recursos financeiros disponibilizados representam remuneração paga ao sócio, lançar a contribuição previdenciária patronal sobre o respectivo montante. Alega que o entendimento do Agente Fiscal de que os valores não poderiam ser tratados como mútuo, por jamais terem sido devolvidos ou por não atenderem a exigências legais, é manifestamente equivocado, em particular porque a própria Receita Federal do Brasil entende que as operações de mútuo de recursos financeiros entre Pessoas Jurídicas e Pessoas Físicas sujeitamse à incidência de IOF e que a disponibilização de recursos financeiros por meio de conta corrente (contábil) Pessoas Jurídicas e Físicas caracterizamse como operação de mútuo, tudo, segundo a defesa, amparado pelos termos do Ato Declaratório SRF nº 07/99, IN RFB nº 907/09 e Solução de Consulta Cosit nº 50/15. Afirma que, pela citada Solução de Consulta estabelece que para a configuração do mútuo são irrelevantes os aspectos formais mediantes os quais a operação se materializa e a natureza da vinculação entre as partes. A seguir, a defesa descreve as operações de mútuo realizadas com o seu sócio, Sr. José Carlos, afirmando que disponibilizou recursos diretamente, mediante créditos em conta, e indiretamente, por meio de pagamentos de despesas. Alega que os valores disponibilizados em 2010 e 2011 foram contabilizados na conta contábil de ativo "adiantamentos C/C sócios", ressaltando que C/C significa conta corrente. Já os disponibilizados em 2012 e 2013, da mesma forma, teriam sido contabilizados sob a rubrica "contrato de mútuos". Que apesar de os aspectos formais das operações em conta corrente contábil serem irrelevantes para crédito para efeito da sua qualificação como mútuo, ao final de cada mês tinha o cuidado de refletir e formalizar essas operações em instrumentos contratuais. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.156 35 Sustenta a defesa que o Agente Fiscal, na verdade, confirmou o fato de que a Recorrente disponibilizou recurso financeiros ao seu sócio por meio de conta corrente contábil, apenas em razão dos argumentos abaixo tratados: que os valores mutuados nunca foram quitados sustenta a defesa que o prazo estipulado para a operação ainda não havia expirado e que a própria legislação e a própria Receita Federal admitem operações de mútuo com prazo indeterminado; que os valores não poderiam ser tratados como mútuo em razão de que os respectivos contratos não atendiam exigências legais afirma a defesa de que a Solução de Consulta nº 50/15 é expressa em afirmar que são irrelevantes para a qualificação do mútuo os aspectos formais relacionados à operação; que todos os contratos foram firmados no último dia do mês, a posteriori, inclusive sábados e domingos os contratos estariam datados do último dia do mês exclusivamente para refletir as operações havidas do primeiro ao último dia do mês; que a taxa de estipulada nos contratos era irreal argumenta que não há lei que estabeleca limites mínimos de tanas de juros ou que esta deva observar valores de mercado; que não consta das declarações de rendimentos do sócio as obrigações decorrentes dos contratos afirma que, se houve equívoco do sócio esse fato não diz respeito à recorrente. Ressalta que a própria Auditoria Fiscal reconhece que as operações realizadas entre a recorrente e seu sócio estavam sujeitas ao IOF. A seguir a Recorrente analisa a Decisão recorrida, apontando em cada item destacado suas considerações sobre a impropriedade do Julgador de 1ª Instância. Conclui o tema com considerações em relação aos valores disponibilizados à Administradora Santuza, defendendo sua natureza de mútuo e não de remuneração, basicamente lastreada nos mesmos argumentos já apontados para o sócio, pontuando que a única alegação da Autoridade Fiscal seria que não houve pagamento do valor pactuado. Resumidas as alegações da defesa, embora estas possam, se analisadas isoladamente, apresentar alguma coerência, em particular no que se refere à configuração do mútuo, não se pode avaliar a questão de forma tão simplória. Não se nega que os aspectos formais dos instrumentos de mútuo não são essenciais para sua configuração; não se discute que o mutuante é absolutamente livre para estabelecer taxas e prazos das operações. Não há nenhuma preocupação quanto ao dia que foi assinado o contrato; também não se justifica atribuir à empresa uma eventual falha na elaboração da declaração de rendimentos de seu sócio. O que o autor do procedimento fiscal busca é coletar elementos que permitamlhe formar um juízo sobre o caso concreto. Assim, por exemplo, caso identificasse que há um crédito em favor de um sócio ou outra pessoa física qualquer e que este crédito está devidamente espelhado na declaração de rendimentos do beneficiário, sendo em valores Fl. 1173DF CARF MF 36 compatíveis com sua capacidade financeira e constatado o retorno do numerário, decerto que já haveria elementos indicativos da existência de uma operação de mútuo, ainda que informal. Ocorre que, no caso ora sob apreço, os valores são disponibilizados aos sócios sem formalidade nenhuma e sem qualquer indicativo de que, um dia, tais valores retornariam para a empresa autuada. Embora a Solução de Consulta nº 50/15 estabeleça que, para a configuração do mútuo, são irrelevantes os aspectos formais mediantes os quais a operação se materializa e a natureza da vinculação entre as parte, é certo que afirma que: Mútuo é espécie do gênero empréstimo. Nos termos do art. 586 do Código Civil de 2002 (CC), no mútuo, uma parte cede a outra coisa fungível, tendo a outra parte a obrigação de restituir igual quantidade de bens do mesmo gênero e qualidade. Da mesma forma, valendome dos precedentes administrativos citados no próprio recurso, estes são claros ao prever que operação de mútuo de recursos financeiros se caracteriza por uma operação de crédito ou mesmo por mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outros recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, o fato do contribuinte ter identificado a rubrica de registro do numerário disponibilizado para o seu sócio como se conta corrente fosse, nada contribui para atestar que se trata de uma operação de mútuo. Ou seja, não é porque há uma espécie de conta corrente disponibilizada para uma Pessoa Física ou Jurídica que há para um contrato de mútuo estabelecido. O que o contribuinte deveria ter trazido aos autos é a comprovação de que tais valores tinham caráter de uma operação de crédito que, um dia, retornaria aos seus cofres. Mas não. Mesmo nos ajustes cujo suposto prazo para pagamento estaria vencido, coincidentemente, houve mora do mutuário. A avaliação do Agente Fiscal é de que todas as operações que supostamente seriam mútuos entre a empresa e seu sócio, na verdade, foram remunerações e sobre as quais deveria incidir o tributo previdenciário. Ora, os supostos erros de escrituração cometidos pela autuada são tão básicos que chega a ser inacreditável. Não é possível crer que alguém empreste mais R$ 2.000.000,00 a alguém que já lhe deve quase R$ 5.000,000,00 e abata o novo valor emprestado da conta antiga. Não é possível crer, diante de tudo que foi apurado, que um registro contábil de um mútuo traga em seu histórico a indicação de que se trata de prólabore. O argumento de que teriam sido lucros distribuídos utilizados para abater os valores emprestados anteriormente não se sustenta. Em fl. 51, o Agente Fiscal demonstra que não há valores disponíveis para distribuição em tal monta, seja no próprio ano calendário, seja em lucros acumulados. Entretanto, tal demonstração não foi contestada pela defesa. Não é real a afirmação de que a autoridade lançadora tenha reconhecido que sobre os valores disponibilizados ao sócio deveria incidir IOF. No Item 3.1.14.2, fl. 77, restou clara a conclusão de que a não observância da legislação aplicável aos contratos de mútuo em relação ao IOF reforça a tese da auditoria fiscal e constitui mais um indício de que os contratos de mútuo foram confeccionados objetiva, especifica e exclusivamente para atender às Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.157 37 intimações fiscais. Afirma o Agente fiscal que os valores colocados à disposição do sócio JAMAIS foram operações de mútuo, mas sim meros pagamentos aos seus mandatários. Desta forma, não identifico elementos para afastar as conclusões da Autoridade Fiscal, tampouco para indicar improcedência das conclusões da Decisão recorrida, o que impõe o não provimento do recurso neste tema. A suposta remuneração paga aos administradores Santuza e Fernando Indevida desconsideração das pessoas jurídicas SCB e LEAD Insurgese o contribuinte, neste tópico, contra o lançamento de tributo incidente pagamentos efetuados a empresas cujos titulares, Sra. Santuza e Sr. Fernando, ocupavam cargos de Diretora Presidente e Diretor Financeiro, respectivamente. Tal imputação fiscal originouse da constatação de que, para os citados Diretores, não existiam registros de pagamentos efetuados na condição de pessoas físicas, o que levou a Autoridade lançadora a pesquisar a existência de pessoas jurídicas titularizadas pelos mesmos. Como resultado das pesquisas, foram identificadas empresas para as quais havia pagamento regulares de recursos, a SCB Intermediação e Administração de Negócios Ltda, cujas sócias eram as Sra. Santuza Paolucci e Christina Bicalho, não tendo sido identificados valores pagos à Sra. Christina por meio da citada PJ (Cristina recebeu apenas pró labore) e a LEAD Consultoria Empresarial Ltda, cujo titular era o Sr. Fernando Lúcio. Ressaltou a fiscalização que havia, alguns casos em que a descrição constante das notas fiscais emitidas indicavam pagamento de verbas trabalhistas, a título de exemplo, "intermediação de serviços 13º" e "13º salário sobre prestação de serviços". Entende o autuado que os argumentos fiscais não procedem, já que a prestação de serviços intelectuais, em caráter personalíssimo, sujeitase, tão só, à legislação aplicável às pessoas jurídicas, tudo a teor do art. 129 da Lei 11.196/05. Afirma que a Auditora sequer demonstrou existir relação de emprego entre a Recorrente e seus Diretores e que a Decisão recorrida apenas reiterou os argumentos do Relatório Fiscal e não tratou da alegação da defesa relativa aos preceitos do citado art. 129. Resumidas as razões da defesa, necessário pontuar que a previsão do art. 129 da Lei 11.196/05 apenas reafirma aquilo que sempre foi conhecido e aceito por todos, que a prestação de serviço intelectuais realizada por pessoa jurídica seria tributada de acordo com a legislação fiscal relativa às pessoas jurídicas. Há quem entenda que se trata de norma meramente interpretativa, mas não se deixa de lado o preceito nela contido, decerto exemplificativo, sobre a prestação de serviço em caráter personalíssimo. Daí se extrai que os serviços intelectuais prestados por pessoa jurídica, ainda que em caráter personalíssimo, estão sujeitos à legislação pertinente às pessoas jurídicas. Notase que os cargos de diretoria ocupados têm atribuições definidas em contrato social, sendo ocupados por quatro membros, com amplos poderes de administração e gestão dos negócios sociais, para a prática de todos os atos e realização de todas as operações que se relacionarem ao objeto e atividade da sociedade, inclusive os poderes para transigir, Fl. 1175DF CARF MF 38 celebrar acordos e convênios, renunciar, desistir, firmar compromissos, adquirir e alienar bens e direitos da sociedade (fl. 81). Há previsão no Contrato Social de que são vedados atos dos sócio e diretores em situações que cita, exceto se aprovados por sócio representando a maioria do capital social, que neste caso sabemos bem quem detém 99,99% do capital, o que configura algum grau de subordinação ao sócio majoritário. Não identifico no caso ora sob apreço qualquer serviço que tenha sido prestado por pessoa jurídica. Como se vê, tratase de envolvimento do Diretor de forma pessoal e genérica e, embora tenham sido apresentados contratos firmados com as pessoas jurídicas, a convicção fiscal de que a essência deve prevalecer sobre a forma está bem estruturada nos elementos coletados, em particular em notas que apontam o pagamento de verbas incompatíveis com contratos firmados com pessoas jurídicas (13º salário). Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. Da multa aplicada Insurgese o recorrente contra a aplicação de multa qualificada, alegando, em síntese, que tal imputação estaria relacionada à falta de declaração em GFIP, sendo, portanto, incabível, em razão da existência de multa específica, que se refere a descumprimento de obrigação acessória. Afirma que a apresentação da GFIP com incorreções enseja a aplicação de multa prevista no art. 32A, I, da Lei 8.212/91, que estabelece penalidade de R$ 20,00 para grupo de dez informações incorretas, restando ilegal a cominação de penalidade de 75% e sua duplicação. Não tem sentido a argumentação da defesa. Com o advento da Lei 11.941/99, que incluiu o art. 35A na Lei 8.212/91, nos casos de lançamentos de ofício relativo às contribuições previdenciárias, a penalidade aplicável é aquela prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Tais artigos têm a seguinte redação: Lei 8.212: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.158 39 Portanto, vêse que, nos casos de lançamento de ofício em que há diferença de imposto a ser pago, nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata, a multa a ser aplicada é a de 75%, devendo ser duplicado tal percentual nos casos de dolo, fraude ou simulação. Ainda que haja uma penalidade ainda vigente para os casos de apresentação de GFIP com incorreções, esta somente pode ser aplicada se não houver lançamento de diferença de tributo a ser paga. O argumento de que a Decisão recorrida teria alterado o critério jurídico do lançamento, ao afirmar que a multa de ofício foi aplicada em razão de a fiscalização ter apurado valores de remuneração de sócios e diretores, não oferecidos à tributação, sobre os quais incide a contribuição previdenciária, não prospera, já que só foi aplicada a multa do art. 44 da Lei 9430/96 por terem sido apurados valores não oferecidos à tributação e, naturalmente, não declarado em GFIP. Caso houvesse mera falta de informação em GFIP da qual não tivesse resultado a cobrança de tributo, aí sim, seria o caso de se aplicar a penalidade apontada pelo contribuinte (32A, I, da Lei 8.212/91). Não obstante, como restou claramente evidenciada a conduta dolosa capitulada nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, apenas no que se relaciona aos Levantamentos AD Adiantamento a Sócios, MU Mútuos ao sócio José Carlos, SB Adiantamento à sócia Santuza, DJ Pagamentos a diretores e AN Valores relativos a lançamentos de transferência de valores para a conta C/C Sócios, entendo que o levantamento PF Serviço prestado por Pessoa Físicas não se apresenta como uma infração que justifique a qualificação da penalidade de ofício, afinal, o que se identificou foi uma rubrica contábil específica (Serviços Prestados PF) em que foram registrados valores não oferecidos à tributação. Ou seja, para tal levantamento, não há qualquer indicação de que tenha havido dolo capaz de qualificar a penalidade. Desta forma, no presente tema, dou parcial provimento ao recurso para afastar a qualificação da penalidade exclusivamente para o Levantamento PF. Da aplicação do artigo 100, inciso I e parágrafo único do CTN. Por fim, a recorrente pretende a exclusão de todos os juros de mora ou penalidade do crédito tributário apurado, em razão dos atos normativos expedidos pela Receita Federal (Ato Declaratório SRF nº 07/99, Instrução Normativa RFB nº 907/09 e Solução de Consulta Cosit nº 50/15), já que tais atos normativos classificam como operação de mútuo sujeita ao IOF. Sobre o tema, deixo de apresentar maiores considerações, já que a questão do mútuo já foi tratado alhures, onde o tema e os atos normativos foram devidamente tratados. Assim, neste tema, nada a prover. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS FERNANDO LÚCIO PEREIRA DA SILVA, CHRISTINA BICALHO HAUER SANTOS, JOSÉ CARLOS VICTOR SÉRGIO HAUER SANTOS JÚNIOR E SANTUZA PAOLUCCI NOGUEIRA BICALHO Fl. 1177DF CARF MF 40 Inexistência de INTERESSE COMUM e impossibilidade de responsabilidade de terceiros com fundamento no art. 124, I, do CTN Afirma a recorrente que a previsão do inciso I do art. 124 do CTN deve ser interpretada em conformidade com os limites estabelecidos pelo art. 121 do mesmo diploma, de forma que a expressão "interesse comum" nele referido se aplica apenas às hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, sejam contribuintes ou responsáveis. Conclui seu entendimento de que há "interesse comum", apto a ensejar responsabilidade solidária, apenas quando (i) mais de uma pessoa tenha praticado o fato gerador, podendo qualquer delas figurar na condição de contribuinte, (ii) quando uma pessoa tenha praticado o fato gerador (contribuinte) e outra seja obrigada ao pagamento do tributo por expressa determinação legal (responsável), (iii) mais de uma pessoa seja obrigada ao pagamento do tributo por expressa previsão legal, podendo qualquer delas figurar na condição de responsável. Alega que, no caso dos autos, quem realizou o fato gerador da contribuição previdenciária patronal foi a STB e não o seu sócio, Sr. Fernando Lúcio e que não há lei prevendo que o sócio ou o administrador é responsável solidário pelo pagamento de contribuição patronal devida pela pessoa jurídica. Abrese um parêntese nas alegações da defesa para ressaltar que o esforço interpretativo empreendido pelo autuado não tem amparo legal, já que limita o alcance do instituto da solidariedade e da responsabilidade ao afirmar que estes devem estar restritos aos sujeitos passivos da relação tributária (contribuinte e ao responsável). Na verdade, tal limitação é tamanha que aniquila integralmente parte da norma legal, em particular no que trata de responsabilidade de terceiros. Ora, se a responsabilidade pode ser atribuída a terceiros, é lógico que não alcança apenas contribuintes e responsáveis. Continua suas considerações, agora apontando a inexistência de infração à lei e impossibilidade de responsabilização com fundamento no art. 135, III do CTN, afirmando que a mera falta de recolhimentos de tributo não configura infração à lei apta à ensejar a responsabilidade do administrador. Sustenta que incorre em equívoco à decisão recorrida ao afirmar que a responsabilidade solidária foi atribuída por ter sido verificada ocorrência de simulação, importando inovação na motivação do ato administrativo, já que o Termo de Sujeição Passiva não menciona nada sobre simulação ao se referir à conduta praticada pelo recorrente. Por fim, alega que o Julgador de 1ª Instância considera haver conduta dolosa por parte dos administradores apenas e tão somente porque estes detinham amplos poderes de administração e gestão dos negócios sociais. O Item 12 do Relatório, fl. 91, trata exclusivamente da Sujeição Passiva Solidária imputada no procedimento fiscal. Lá o Agente indica como fundamentação para tal imputação os art. 135, II e 124, I do CTN, e arrola todos os administradores listados nos contratos sociais da fiscalizada. Os argumentos acima são comuns aos solidários Fernando, Christina e José Carlos. Assim, se manifestou sobre o tema a Decisão recorrida: Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.159 41 De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária emitidos, fls. 573/588, os sócios administradores e diretores agiram "de forma deliberada e fraudulenta, quando permitiu (permitiram) que a STB STUDENT remunerasse de forma comum, normal e corriqueira: a diretora presidente e o diretor financeiro, por intermédio de pessoas jurídicas "PEJOTIZAÇÃO"; o sócio majoritário, Sr. José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Junior e em menor escala a diretora presidente, Sra Santuzza Paolucci Nogueira Bicalho, através de adiantamentos/contratos de mútuo, atitudes estas que tiveram o intuito de esconder a VERDADE DOS FATOS, agindo assim com CLARA INFRAÇÃO à Lei e INTERESSE COMUM", pelo que foi considerado (foram considerados) como sujeito passivo solidário do crédito apurado, com base nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN No caso, restou amplamente descrita e comprovada a conduta dolosa do contribuinte, através de seus sócios administradores e diretores, José Carlos Hauer Santos Junior, Christina Bicalho Hauer Santos, Santuza Paolucci Nogueira Bicalho e Fernando Lúcio Pereira da Silva, visto que os mesmos detinham "amplos poderes de administração e gestão dos negócios sociais, para a prática de todos os atos e realização de todas as operações que se relacionarem ao objeto e atividades da sociedade, inclusive os poderes para transigir, celebrar acordos e convênios, renunciar, desistir, firmar compromissos, adquirir e alienar bens e direitos da sociedade", conforme consta do contrato social. Assim, considerando os poderes atribuídos pelo contrato social e verificada a ocorrência de simulação, para camuflar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, devem os sócios administradores e diretores compor o pólo passivo da autuação e responder pelo crédito tributário apurado. O fundamento legal utilizado para a imputação de solidariedade no Código Tributário Nacional têm o seguinte teor: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (,,,) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ou seja, há que restar evidenciado que os imputados tenham interesse no fato gerador ou que tenham agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Fl. 1179DF CARF MF 42 Não identifiquei no Relatório Fiscal qualquer menção que indique uma conduta efetiva da administradora Sra Christina, tampouco que tenham tido interesse comum em alguma das ocorrências que constituíram fatos geradores da obrigação principal. Assim, em relação à Sra. Christina, não se sustenta a alegação de que os poderes atribuídos pelo contrato social a habilitam a compor o pólo passivo da autuação e responder pelo crédito tributário apurado, por falta de individualização da conduta. Portando, dou provimento ao recurso para afastar integralmente a solidariedade passiva atribuída à Sra. Christina Bicalho Hauer Santos Em relação ao Sócio Fernando Lúcio, o seu interesse comum está evidente apenas na operação simulada de remuneração de diretores por meio de pessoas jurídicas, já que foi um dos beneficiários dos valores dos quais resultaram o Levantamento DJ. Quanto aos demais levantamentos, não identifiquei no Relatório Fiscal qualquer menção que indique uma conduta efetiva do administrador Sr Fernando Lúcio, tampouco que tenham tido, além do levantamento citado no parágrafo precedente, interesse comum em alguma das ocorrências que constituíram fatos geradores da obrigação principal. Assim, em relação à Sr Fernando, com exceção ao Levantamento DJ, não se sustenta a alegação de que os poderes atribuídos pelo contrato social o habilitam a compor o pólo passivo da autuação e responder pelo crédito tributário apurado, por falta de individualização da conduta. Portando, dou provimento parcial ao recurso para afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. Fernando Lúcio Pereira da Silva nos Levantamentos AD, SB, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação ao Levantamento DJ. Já em relação ao Sr José Carlos, o interesse comum e o agir com excesso de poderes e infração à lei são evidentes. Afinal, é o principal beneficiário dos valores disponibilizados, seja diretamente em sua conta bancária, seja por meio de pagamento de suas despesas pessoais, seja por meio dos alegados mútuos que, como visto, não configuram operação de crédito a ensejar, em algum momento, o retorno do numerário à autuada. Além de ter interesse comum nas operações que disfarçaram o pagamento de rendimentos à sócia Sra. Santuza, via supostas operações de mútuo e o pagamento a diretores por intermédio de pessoas jurídicas. Contudo, em relação ao levantamento PF, não identifiquei no Relatório Fiscal qualquer menção que indique uma conduta efetiva da Sr. José Carlos ou que tenha tido interesse comum. Portando, dou provimento parcial ao recurso para afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. José Carlos exclusivamente no levantamento PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação aos demais levantamentos. Em relação à Sra. Santuza, sua peça recursal se apresenta com teor diferente dos demais, mas com o mesmo objeto que seria afastar a solidariedade a ela imputada. A referida senhora trouxe valiosas ponderações, dentre as quais merece destaque as previsões do Contrato Social da Fiscalizada de que, para atos que representassem operações estranhas ao objeto social da empresa, os sócios ou administradores ficavam limitados à expressa aprovação de sócio representando a maioria do capital social, leiase, Sr. José Carlos. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 13896.722077/201533 Acórdão n.º 2201004.504 S2C2T1 Fl. 1.160 43 Tal informação corrobora a responsabilização solidária do Sr. José Carlos em relação à questão dos supostos mútuos, já que esta seria uma operação estranha ao interesse social da autuada, sendo possível atribuirse responsabilidade solidária se o administrador participou efetivamente do suposto ajuste (ação contrária à lei) ou se ele foi o próprio beneficiário (interesse comum). Ademais, da mesma forma, tal previsão contratual colabora para afastar a solidariedade quanto aos demais administradores, em particular em razão de que suas assinaturas não foram identificadas nos instrumentos contratuais apresentados, sendo a estes últimos somente possível de se atribuir responsabilidade se estes tiveram interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. Assim, deve ser mantida a responsabilização solidária da Sra. Santuza em relação aos Levantamentos DJ e SB, já que, assim como o Sr. Fernando Lúcio, teve evidente interesse comum na operação simulada de remuneração de diretores por meio de pessoas jurídicas, já que foi uma das beneficiárias dos valores dos quais resultaram o Levantamento DJ. Ademais, o interesse comum da Sra. Santuza também está evidente nas operações de adiantamento a sócio objeto do levantamento SB. Quanto aos demais levantamentos, não identifiquei no Relatório Fiscal qualquer menção que indique uma conduta efetiva da Sra Santuza, tampouco que tenha tido, além do levantamento citado no parágrafo precedente, interesse comum em alguma das ocorrências que constituíram fatos geradores da obrigação principal. Assim, em relação à Sra Santuza, com exceção ao Levantamento DJ e SB, não se sustenta a alegação de que os poderes atribuídos pelo contrato social a habilitam a compor o pólo passivo da autuação e responder pelo crédito tributário apurado, por falta de individualização da conduta. Portando, dou provimento parcial ao recurso para afastar a solidariedade passiva atribuída à Sra Santuza Paolucci Nogueira Bicalho nos Levantamentos AD, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação ao Levantamento DJ e SB. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer dos Recurso Voluntários apresentados por STB Studente Bureal, Fernando Lúcio Pereira da Silva, José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior e Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, darlhes parcial provimento para: excluir a qualificação da penalidade de ofício para o Levantamento PF, que deverá ser fixada em 75%; afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. Fernando Lúcio Pereira da Silva nos Levantamentos AD, SB, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação ao Levantamento DJ; afastar a solidariedade passiva atribuída ao Sr. José Carlos Victor Sérgio Hauer Santos Júnior no levantamento PF, mantendo a solidariedade passiva atribuída em relação aos Levantamentos AD, SB, DJ e AN Fl. 1181DF CARF MF 44 afastar a solidariedade passiva atribuída à Sra. Santuza Paolucci Nogueira Bicalho nos Levantamentos AD, AN e PF, mantendo a solidariedade atribuída em relação aos Levantamentos SB e DJ. Quanto ao Recurso Voluntário formalizado pela Sra. Christina Bicalho Hauer, voto por conhecêlo e, no mérito, darlhe provimento para afastar integralmente a solidariedade passiva atribuída à recorrente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908433/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 33 /2 00 9- 88 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.908433/200988 Acórdão n.º 1301003.122 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.908433/200988 Acórdão n.º 1301003.122 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.908433/200988 Acórdão n.º 1301003.122 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10380.908433/200988 Acórdão n.º 1301003.122 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015576/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS.
A partir da alteração do art. 40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao RGPS, como segurados empregados.
Numero da decisão: 2301-005.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. A partir da alteração do art. 40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao RGPS, como segurados empregados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. A partir da alteração do art. 40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao RGPS, como segurados empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 55 76 /2 00 8- 33 Fl. 499DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0224.420, exarado pela 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 421 a 434). O sujeito passivo é titular do Cartório do 3º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Belo Horizonte, e o crédito tributário em discussão, relativo às competências compreendidas entre 01/2004 a 13/2004, no valor de R$266.905,79, referese aos valores de contribuições previdenciárias relativas à parte patronal, inclusive a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais. Registra a autoridade lançadora que: (a) o fato gerador das contribuições previdenciárias ocorreu com a remuneração de segurados empregados, considerados estatutários pelo titular do cartório, que estão discriminados no Demonstrativo de Segurados Empregados sem Regime Próprio de Previdência Social; remuneração de segurados contribuintes individuais discriminados no Demonstrativo de Contribuintes Individuais não Incluídos em Folha de Pagamento; (b) não houve apresentação de atos de nomeação que identificassem como servidores públicos titulares de cargo de provimento efetivo em relação aos empregados Carlos Alberto dos Santos, Claudemir Pereira da Silva, Cláudio Fernando Queiroz, Elza Feliciano Ottone, Gcssimcl Gomes Mendes, João Batista Pereira, Luiz Carlos dos Santos, Maria da Conceição Grossi Azevedo, Niny Pinheiro Bolivar Moreira, Silvana Maria Bolívar Moreira Menieucci e Tânia Silvia Pires Bolivar Moreira; (c) os referidos funcionários não são detentores de cargo efetivo e nem possuem regime próprio de previdência social e, portanto, são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social; (d) o credito tributário apurado foi constituído por meio de dois levantamentos: 1) FPS Folha de Pagamento de Segurados sem Regime Próprio: inclui toda remuneração paga ou creditada aos segurados empregados considerados como estatutários pela empresa ora fiscalizada, baseado nas folhas de pagamento apresentadas para o período de 01/2004 a 13/2004; 2) RCI Remuneração de Contribuinte Individual: inclui toda remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais, baseado nos recibos de pagamento apresentados para o período de 01/2004 a 12/2004. (e) para a apuração dos montantes de remuneração dos segurados empregados e dos contribuintes individuais foram analisadas folhas de pagamento, recibos de pagamento a contribuintes individuais, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS, Livro Caixa; (f) as folhas de pagamentos foram apresentadas de forma incompleta, omitindo os contribuintes individuais; Fl. 500DF CARF MF Processo nº 15504.015576/200833 Acórdão n.º 2301005.228 S2C3T1 Fl. 3 3 (g) o titular do cartório é equiparado a empresa em relação ao segurado que lhe presta serviço (Lei n° 8.212/91, art. 15, parágrafo único); (h) não houve redução da multa em razão da falta de informação da ocorrência dos fatos geradores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Na impugnação foi alegado, em síntese (efls. 368 a 400), que: o autuado não é obrigado a arrecadar tais contribuições, eis que os funcionários que foram relacionados no auto de infração são regidos pelo Regime Próprio de Previdência e Assistência Social dos servidores públicos do Estado de Minas Gerais, de acordo com o que determina o inciso V, do art. 3º, da Lei Complementar Estadual n° 64, de 2002 e art. 48 da Lei Federal n° 8.935, de 1994; por disposição expressa do art. 13 da Lei n° 8.212, de 1991 os servidores citados estão excluídos do Regime Geral de Previdência Social; todos os funcionários citados no auto de infração foram contratados anteriormente ao ano de 1994; a Informação GP 666/2002, encaminhada pelo Presidente do IPSEMG e solução de consulta formulada pelo próprio autuado, onde no item 4 é reconhecido que os escreventes e auxiliares contratados antes de 21/11/1994 não são regidos pelo Regime Geral de Previdência Social; segundo o art. 48 da Lei n° 8.935/94, os notários, registradores, escreventes e auxiliares poderiam optar por permanecer no regime estatuário ou mudar para o celetista e, não o fazendo, persistiriam subordinados ao regime estatutário ou especial; para a lavratura do presente auto de infração e cobrança da multa, seria necessário comprovação de que os funcionários do autuado fizeram a opção pelo regime previsto na legislação trabalhista, prova essa que cabe ao fisco e não foi feita; em matéria de processo administrativo federal, cabe ao julgador se ater aos elementos trazidos aos autos, e, na falta de elemento fundamental para caracterização de uma infração, não pode a mesma subsistir por mera alegação do agente administrativo, conforme ordena o art. 9º do Decreto n° 70.235/72; a Portaria MPAS n° 2.701/95 corrobora o que até aqui já foi exposto; o assunto já foi matéria de discussão judicial em casos análogos; não há ocorrência dos fatos geradores a motivar a incidência da contribuição social (obrigação principal), uma vez que nem regidos pelo Regime Geral de Previdência Social são os funcionários citados, ou seja, o autuado não é obrigado a recolher tal exação principal, e, assim, também não há a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória. Em 26/12/2008, a autoridade preparadora elaborou relatório fiscal complementar (efls. 111 a 113), aludindo que, por problemas de processamento eletrônico, o crédito tributário foi erroneamente classificado como ocorrido em período anterior à Fl. 501DF CARF MF 4 implantação da Gfip, ocasionando cálculo a menor da multa aplicada, comunicando à autuada o valor correto do total do débito, devidamente corrigido, alcançando a cifra de R$290.109,89. Intimado, o contribuinte reiterou os termos da impugnação. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. Enquadramse como segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social os escreventes e auxiliares de cartório, independentemente da contratação ter sido efetivada antes da Lei n° 8.935/94, ainda que tenha havido opção por permanecer no regime estatutário. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Regime Próprio de Previdência Social, para que assim seja considerado, tem que prever, em lei, a concessão a seus filiados dos benefícios de aposentadoria e pensão por morte. IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. Aos juízes federais compete processar e julgar as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral c à Justiça do Trabalho. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do credito tributário, nas modalidades previstas no art. 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da dívida. A ciência dessa decisão ocorreu em 10/12/2009 (efl. 441). Em 22/12/2009, foi apresentado recurso voluntário (efls. 443 a 465), reiterando as razões da impugnação. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido ordenando a baixa e arquivamento do auto de infração. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 15504.015576/200833 Acórdão n.º 2301005.228 S2C3T1 Fl. 4 5 Em 07/07/2014, o contribuinte peticionou trazendo à baila as modificações legislativas introduzidas pela IN RFB 1.453, de 2014, art. 6º, XXI e XXIII (efls. 488 a 491). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Registro que a questão relativa aos critérios para aplicação da retroatividade benigna consignados no acórdão atacado não foi objeto de recurso voluntário, pelo qual a matéria não será conhecida. O cerne do recurso repousa na alegação de que os escreventes e auxiliares notariais não seriam segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pois, segundo o recorrente, eles estariam vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Estado de Minas Gerais. Do regime jurídico aplicável aos escreventes e auxiliares notariais O artigo 236 da Constituição Federal estabelece que “os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público”: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. § 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. (Grifouse.) Esse dispositivo demonstra que a intenção do legislador foi excluir o Estado da condição de empregador. O art. 20 da Lei nº 8.935, de 1994, editada para concretizar as disposições do art. 236 da Constituição, trilhou no mesmo sentido, deixando para os notários e os oficiais de registro a tarefa de contratar seus auxiliares e escreventes pelo regime celetista: Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 20. Os notários e os oficiais de registro poderão, para o desempenho de suas funções, contratar escreventes, dentre eles escolhendo os substitutos, e auxiliares como empregados, com Fl. 503DF CARF MF 6 remuneração livremente ajustada e sob o regime da legislação do trabalho. (Grifouse.) Resta claro, portanto, que os notários e os registradores são os responsáveis pelas obrigações trabalhistas decorrentes da relação de trabalho no âmbito das atividades notarial e registral. A seu turno, o art. 40 da Lei 8.935, de 1994, preceitua que os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são segurados obrigatórios do RGPS: Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. (grifos nossos) Dessa maneira, os escreventes e auxiliares admitidos após a vigência da Lei nº 8.935, de 1994 são contratados pelos notários e oficiais de registro na qualidade de empregados e sob o regime da legislação do trabalho, sendo obrigatoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Porém, de acordo com o art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, no caso específico dos escreventes e os auxiliares de cartório contratados até 20/11/1994, data de início da vigência dessa lei, somente continuaram vinculados ao RPPS e, por conseguinte, excluídos do RGPS, aqueles que, à época da promulgação da lei em tela, já eram titulares de cargo público de provimento efetivo ou em regime especial e desde que não tenham feito a opção de que trata o art. 48 da Lei n° 8.935, de 1994: Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. §1º Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. §2º Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. (Grifouse.) Nesse sentido, também o Decreto nº 3048, de 1999, art. 9º, inciso I, letra “o”: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I – como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15504.015576/200833 Acórdão n.º 2301005.228 S2C3T1 Fl. 5 7 Social, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; (Grifouse.) Entendese como titulares de cargos efetivos aqueles que contam com a nomeação em caráter definitivo, permanente e com prévia aprovação em concurso público, estando vinculados à Administração Pública direta (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), incluídos também os servidores de suas autarquias e fundações públicas, estas instituídas na modalidade de pessoa jurídica de direito público, nos termos do art. 37, II, da Constituição Federal. Já cargos de natureza especial são cargos cujas atribuições tornam impossível ou não recomendável o provimento por concurso público, como assentou o Min. Joaquim Barbosa no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n.º 199.649/SC. E, certamente, os escreventes e os auxiliares das serventias de justiça não oficializadas não executam atribuições singulares, tecnicamente especializadas, que desaconselhem ou desautorizem o certame público: exercem, isso sim, funções marcadas pela sua natureza generalista, como descrito no Processo nº 2012/41723 – Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo (https://www.26notas.com.br/blog/?p=6004). Pois bem, quanto à questão inerente ao regime previdenciário, o caput e § 13 do art. 40 da Constituição Federal, a contar da promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998 (EC 20), reservou os Regimes Próprios de Previdência Social, exclusivamente, aos servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. Eis o texto: Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) § 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do § 3º: (...) § 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício da pensão por morte, que será igual ao valor dos proventos do servidor falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu falecimento, observado o disposto no § 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (Grifouse.) Fl. 505DF CARF MF 8 Assim, a Lei 9.717, de 1998, editada já sob o regime jurídico imposto pela EC 20, de 1998, estabeleceu como requisito essencial para a vinculação a RPPS que o segurado seja (a) servidor público titular de cargo efetivo do ente estatal respectivo ou (b) militar: Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998 Art.1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; (Grifouse.) Trilhando no mesmo sentido, o art. 13 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.876, de 1999, cuidou de se adequar às disposições da Constituição Federal, tratando da exclusiva inserção em RPPS dos servidores públicos titulares de cargo efetivo, ficando os demais automaticamente vinculados ao RGPS. Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei 9.876, de 1999). (Grifouse.) Assim, os escreventes e auxiliares devem ser considerados segurados obrigatórios do RGPS se (a) à época da entrada em vigor da Lei 8.935, de 1994, tais trabalhadores, mesmo sendo titulares de cargo efetivo, tenham optado pelo regime celetista na forma assentada no art. 48 da Lei 8.935, de 1994, ou por outro lado, (b) à época da publicação da EC 20, de 1998, não detivessem titularidade de cargo público em provimento efetivo. Nesse contexto, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em caso análogo, se assentou, em julgamento de ação concentrada, pela inconstitucionalidade material de norma estadual que inclua como segurados obrigatórios de seu RPPS os cartorários extrajudiciais (notários, registradores, oficiais maiores e escreventes juramentados) admitidos antes da vigência da Lei federal 8.935/94: PREVIDENCIÁRIO E CONSTITUCIONAL. LEI ESTADUAL QUE INCLUIU NO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SEGURADOS QUE NÃO SÃO SERVIDORES DE CARGOS EFETIVOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 40 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. 1. O art. 40 da Constituição de 1988, na redação hoje vigente após as Emendas Constitucionais 20/98 e 41/03, enquadra como segurados dos Regimes Próprios de Previdência Social apenas os servidores titulares de cargo efetivo na União, Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15504.015576/200833 Acórdão n.º 2301005.228 S2C3T1 Fl. 6 9 Estado, Distrito Federal ou Municípios, ou em suas respectivas autarquias e fundações públicas, qualidade que não aproveita aos titulares de serventias extrajudiciais. 2. O art. 95 da Lei Complementar 412/2008, do Estado de Santa Catarina, é materialmente inconstitucional, por incluir como segurados obrigatórios de seu RPPS os cartorários extrajudiciais (notários, registradores, oficiais maiores e escreventes juramentados) admitidos antes da vigência da Lei federal 8.935/94 que, até 15/12/98 (data da promulgação da EC 20/98), não satisfaziam os pressupostos para obter benefícios previdenciários. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente, com modulação de efeitos, para assegurar o direito adquirido dos segurados e dependentes que, até a data da publicação da ata do presente julgamento, já estivessem recebendo benefícios previdenciários juntos ao regime próprio paranaense ou já houvessem cumprido os requisitos necessários para obtêlos. (STF, ADI 4641; Rel: Min. Teori Zavascki) (Grifouse.) A seu turno, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que a Emenda Constitucional 20, de 1998, ao modificar o teor da redação do art. 40 da Constituição Federal, passou a restringir o regime próprio de previdência somente aos titulares de cargos efetivos, tendo sido esta redação mantida pela Emenda Constitucional 41, de 2003, com a indicação, no seu art. 3º, de que deveriam ser preservados somente os direitos daqueles que já estivessem em condição de fruição destes: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CARTÓRIO. REGIME PREVIDENCIÁRIO. POSTULAÇÃO DE MANUTENÇÃO NO REGIME PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 40 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. 1. Cuidase de recurso ordinário em mandado de segurança no qual delegatários notários e registradores de cartório pleiteiam a sua manutenção de vínculo previdenciário ao regime estatal próprio e se insurgem contra sua migração ao regime geral de previdência social; alegam violação do direito adquirido e à segurança jurídica. 2. O advento da Emenda Constitucional n. 20/1998, ao modificar o teor da redação do art. 40 da Constituição Federal, passou a restringir o regime próprio de previdência somente aos titulares de cargos efetivos, tendo sido esta redação mantida pela Emenda Constitucional n. 41/2003, com a indicação, no seu art. 3º, de que deveriam ser preservados somente os direitos daqueles que já estivessem em condição de fruição destes. 3. A modificação jurídica evidenciou que os notários e registradores, por força de alteração do texto constitucional, tiveram efetivada uma mudança no seu regime previdenciário; se tivessem atingido os requisitos para aposentadoria compulsória, poderiam requerêla com base no regime anterior Fl. 507DF CARF MF 10 e, em caso contrário, haveria a sua migração ao regime geral de previdência social. Precedentes: RMS 28.394/RS, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 8.10.2013; RMS 28.362/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 6.8.2012; e RMS 30.378/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 30.8.2011. (STJ ROMS 201303838958 DJE DATA:13/08/2014) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. VINCULAÇÃO DE TABELIÃES A REGIME PREVIDENCIÁRIO PRÓPRIO DOS SERVIDORES PÚBLICOS E PERCEPÇÃO DE VENCIMENTOS E VANTAGENS PAGAS PELO COFRES PÚBLICOS. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO NÃO CONFIGURADO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da orientação jurisprudencial do STJ, os notários e os registradores não possuem direito de serem mantidos no regime próprio dos servidores públicos, com exceção das hipóteses com as seguintes especificidades: i) o atendimento de todos os requisitos para a aposentadoria em época anterior à EC n. 20/98; ii) a não cumulação do regime próprio dos servidores com o geral. 2. Na hipótese dos autos, a leitura da sentença e do acórdão a quo indica a ausência desses dois requisitos capazes de excepcionar a regra da ausência de direito adquirido à manutenção no regime próprio dos servidores. 3. Agravo regimental não provido. (AGRESP 201202550620 STJ DJE DATA:16/06/2015) (Grifouse.) À mesma conclusão se chega, no caso concreto, mesmo que nos atenhamos ao texto da Lei 8.935, de 1994, que no § 3º do art. 48 (já transcrito) define que “os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo”, no caso de não ter realizado a opção pelo regime celetista. Ocorre que o contribuinte foi intimado a apresentar o ato de nomeação dos detentores de cargo efetivo, amparado pelo regime próprio da Previdência Social (efl. 40), quedandose silente. Ora, não é possível, como quer o contribuinte, inverter o ônus da prova para entender que cabe ao fisco a realização da prova (negativa) de que os seus funcionários não são detentores de cargo efetivo. Por outro lado, não provada a existência de qualquer funcionário detentor de cargo efetivo, é obrigatória a filiação desses trabalhadores ao RGPS, o que é suficiente para justificar o lançamento. A Instrução Normativa RFB 1.453, de 2014, art. 6º, XXI e XXIII, somente vem a reforçar o entendimento aqui manifestado, ao dispor que: Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15504.015576/200833 Acórdão n.º 2301005.228 S2C3T1 Fl. 7 11 XXI o escrevente e o auxiliar contratados até 20 de novembro de 1994 por titular de serviços notariais e de registro, sem investidura estatutária ou de regime especial; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) (...) XXIII o contratado por titular de serventia da justiça, sob o regime da legislação trabalhista; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) (Grifouse.) No mesmo sentido, a Solução de Consulta nº 9 – Cosit, de 8 de março de 2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AUXILIAR DE CARTÓRIO. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL – (RGPS). A partir da alteração do art.40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao (RGPS), como segurados empregados, conforme a alínea “a”, inciso I, art.12 da Lei nº 8.212, de 1991, devendo ser declarados na GFIP no código de recolhimento 115. (Grifouse.) Assim, mesmo que haja a vinculação dos empregados do contribuinte ao IPSEMG, como busca provar o recorrente por meio da Informação GP 666/2002, tal fato não os desobriga de serem filiados obrigatórios do RGPS. A seu turno, diferentemente do que entendeu o recorrente, o item 4 da solução de consulta por ele formulada (efls. 148 a 154) não reconhece que os escreventes e auxiliares contratados antes de 21/11/1994 não são regidos pelo RGPS, mas que escreventes e auxiliares contratados a partir de 21/11/1994 são regidos pelo RGPS: Já a Portaria MPAS n° 2.701, de 1995, define tão somente que “A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notariais e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social” (art. 2º). Não analisa o caso Fl. 509DF CARF MF 12 particular dos filiados ao IPSEMG nem dispõe sobre o regime aplicável, à época (1995, ou seja, anteriormente à publicação da EC 20, de 1998) os escreventes e auxiliares contatados antes de 21 de novembro de 1994. Não socorre, pois, o contribuinte. Desse modo, por qualquer ângulo que examinemos a questão, são os escreventes e auxiliares notariais em questão filiados obrigatórios do RGPS. Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 510DF CARF MF
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