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5372267 #
Numero do processo: 10925.905109/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905109/2012­17  Acórdão n.º 3801­002.891  S3­TE01  Fl. 58          2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905109/2012­17  Acórdão n.º 3801­002.891  S3­TE01  Fl. 59          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado pela contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joaçaba/SC decidiu indeferi­lo (Despacho Decisório à folha  5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição  solicitada no PER.  Inconformada  com  o  não  deferimento  de  seu  Pedido  de  Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos  pleiteados referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao  PIS  e  da Cofins,  em  razão  da  inclusão  do  ICMS  nas  bases  de  cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  alega  que  a  exigência  da  prévia  retificação  da  DCTF  como  condição  para  reconhecer  o  crédito  tributário  pleiteado  pela  recorrente  não  possui  qualquer  fundamento  legal,  devendo  ser  enfrentado  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905109/2012­17  Acórdão n.º 3801­002.891  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial  e  o  acórdão  de  primeira  instância,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados  a débitos  em DCTF e  não  teriam sido demonstradas  a  liquidez  e  a  certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Apesar  da  alegação  da  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  não  ter  sido  acompanhada  na  peça  impugnatória  da  retificação  da  respectiva  DCTF,  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  a  princípio  estaria  na  esfera  de  responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido  da prevalência da verdade material,  sendo que a  falta de apresentação de DCTF retificadora,  por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito,  nos termos do art. 165 do CTN, in verbis:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do  ICMS nas  bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905109/2012­17  Acórdão n.º 3801­002.891  S3­TE01  Fl. 61          5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do  contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém,  refere­se  a  uma  universalidade,  um  todo  composto  pelas  receitas  da  empresa,  pouco  importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço  de venda.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS  integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou  seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905109/2012­17  Acórdão n.º 3801­002.891  S3­TE01  Fl. 62          6 INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  No  mais,  o  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  no  1.127.877­SP  foi  submetido ao rito do artigo 543­C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá  ser  seguido  pelos  conselheiros  no  âmbito  do  CARF,  conforme  caput  do  artigo  62­A1  do  Regimento  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  256/2009,  com  alterações  introduzidas pela Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.                                                              1 Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905109/2012­17  Acórdão n.º 3801­002.891  S3­TE01  Fl. 63          7 (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5431096 #
Numero do processo: 11030.902131/2012-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2003 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2003 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 (Assinado Digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Juliano  Eduardo  Lirani;  Hélcio  Lafetá  Reis,  Jorge  Victor  Rodrigues.,  João  Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).      Relatório  Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP  a  contribuinte  transmitiu  Per/DComp,  entretanto  a  compensação  realizada  restou  não  homologada,  eis  que  por meio  de  despacho  decisório  eletrônico  a  autoridade  administrativa  declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito  informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o  suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada.  Sobreveio a manifestação do  inconformismo e com ela os argumentos de que:  (i)  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  é  o  faturamento mensal  (art.  2º,  LC  nº  70/91;  RE  150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito  de  “ingresso”.  Verifica­se  que  o  ICMS  para  a  empresa  é  mero  ingresso,  para  posterior  destinação  ao  Fisco,  aqui  entendido  como  terceiro  titular  desses  valores.  Nesse  sentido  encontra­se  em  fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio,  segundo o qual  o  conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de  cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou  seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não  pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de  “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é  antecipação  de  pagamento  (mera  transferência)  repassado  ao  consumidor  final,  não  se  adequando  ao  conceito  de  faturamento,  pois  trata­se  de  receita  do  Estado  e  não  da  pessoa  jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF),  da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da  capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas  pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente,  sobre os  fatos signos presuntivos de riqueza e que  tributar aquilo que não representa  riqueza  implica,  inevitavelmente, em ofensa a  todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o  ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa  Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao  pagamento efetuado e o Registro de Apuração de  ICMS, nada mencionando acerca do saldo  devedor, apenas sobre o credor.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 19          3 A decisão  prolatada pela 2ª  Turma da DRJ/BHE,  de 08/10/2013  (fls.  01/)  por  meio do Acórdão nº 02­49.787, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de  cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as  vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da  contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a  vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da  situação prevista em  lei,  não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03.  Dessa  forma  não  havendo  previsão  legal  pára  as  exclusões  pleiteadas,  caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência  dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles.  A  legislação  que  rege  o  julgamento  administrativo  de  primeira  instância  não  determina a publicação da pauta das sessões no DOU.  Ciente  da  decisão  prolatada  em  01/11/2013,  a  contribuinte  protocolou  defesas  específicas  em  28/11/2013,  respectivamente,  em  sede  de  recurso  voluntário,  reiterando,  de  forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial.   Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da  empresa recorrente.  É relatório.     Voto             Conselheiro Relator  Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues  O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço.  Inicialmente  cumpre  informar  que  a  publicação  de  pauta  de  julgamento  é  de  domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados.  A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS  da base de cálculo da Cofins.  Acerca desta matéria há o  reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por  meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº  88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen  Lúcia (RE 574.706, leading case).  Para os  fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os  procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62­A, ou seja  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 pelo sobrestamento do  julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos  termos do  art. 543­B, da Lei nº 5.869/73  (CPC). Tudo  isto encontra­se consubstanciado no RE 574706  RG / PR, cuja ementa transcreve­se adiante:  REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.  Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA  Julgamento: 24/04/2008.  Ementa:  Reconhecida  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional  relativa  à  inclusão  do  ICMS na  base  de  cálculo  da  COFINS  e  da  contribuição  ao  PIS.  Pendência  de  julgamento  no  Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário  n. 240.785.  Decisão: O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral  da  questão  constitucional  suscitada.  Não  se  manifestaram  os  Ministros  Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora  Publicação:  DJe­088  DIVULG  15­05­2008  PUBLIC  16­05­2008.  EMENT VOL­02319­10  PP­02174.  Tema  69  ­  Inclusão  do  ICMS  na  base de cálculo do PIS e da COFINS.­ Veja RE 240785.  Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os  procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art.  62­A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º.  Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos  termos  do  artigo  543­B,  da  Lei  nº  5.869/73,  como  também  há  a  orientação  expressa  para  o  sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus,  ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam.  Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para  alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62­A, senão vejamos  os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria.  Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62­A do Anexo II da  Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho  de  2009,  página  34,  Seção  1,  que  aprovou  o Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­CARF.     De  sorte  que  não  há  a  controvérsia  atinente  ao  sobrestamento,  resta  o  pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do  ICMS na base de cálculo da  referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confira­se:  A Constituição Federal criou o  tributo e  traça a moldura para que o  legislador  ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada.  Para  a  instituição  válida  da  exação,  como  regra,  a  lei  ordinária  deverá  contemplar  alguns  critérios,  quais  sejam:  a)  material,  temporal  e  espacial,  localizados  no  antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 20          5 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária ­ RMIT. Tudo o  que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra.  Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito  (regra  matriz  de  incidência  tributária)  das  contribuições  sociais  instituídas  nas  Leis  nº  10.637/02 e 10.833/03,respectivamente.  (a)  Regra­matriz  de  incidência  do  PIS  Não­Cumulativo:  De  acordo  com  o  disposto na Lei nº. 10.637/02, a regra­matriz de incidência tributária do PIS Não­Cumulativo  pode ser construída da seguinte forma, in verbis:  Lei nº. 10.637/02.  “Art.  1º. A  contribuição para o PIS/PASEP  tem como  fato gerador o  faturamento mensal (...);  § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do  faturamento (...)” (Grifei)    Como dito na lei, tem­se:  ­ Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput)  ­ Critério temporal: mensal (Art. 10);  ­ Critério espacial: no âmbito nacional;  ­  Critério  pessoal:  União  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  aufere faturamento (sujeito passivo) ­ (Art. 4º);  ­ Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento  (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º).  Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verifica­se que o fato  signo  presumível  de  riqueza  eleito  pelo  legislador  ordinário  para  instituir  o  PIS  Não­ Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  (b) Regra­matriz de incidência da COFINS Não­Cumulativa: Assim estabelece o  caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis:  Lei nº. 10.833/03.  “Art.  1º.  A  contribuição  para  a  COFINS  tem  como  fato  gerador  o  faturamento mensal (...);  § 2º A base de cálculo da  contribuição para a COFINS é o  valor do  faturamento (...)” (Grifei)  Como dito na lei, tem­se:  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 ­ Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput);  ­ Critério temporal: mensal (Art. 10);  ­ Critério espacial: no âmbito nacional;  ­  Critério  pessoal:  União  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  aufere faturamento (sujeito passivo) ­ (Art. 4º);  ­ Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento  (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º)  Igualmente ao PIS, observa­se do cotejo entre hipótese de incidência e a base de  cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não­ Cumulativa  foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  Pela  dicção  legal  dos  artigos  1º  das Leis  ordinárias  vertentes  não  há  qualquer  dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo.  A  base  de  cálculo,  em  seu  desiderato  nuclear,  tem  por  escopo  dimensionar  economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente,  guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência.  Além  da  função  mensuradora,  a  base  de  cálculo  também  tem  o  papel  de  confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou  seja, quando a base de  cálculo  tiver o condão de  infirmá­la, deverá prevalecer o disposto no  critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se  cuida.  Na  espécie,  o  critério  quantitativo  afirma  a  hipótese  de  incidência  que  é  o  faturamento.  Assim,  devem  as  contribuições  sociais  relativas  ao  PIS  e  à  COFINS  Não­ Cumulativas  incidir  sobre as  receitas advindas  tão­somente da venda de mercadorias e/ou da  prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei).  A  definição  de  faturamento  pelo  STF,  sem  maiores  delongas,  encontra­se  no  julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita  para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal,  em  sessão  plenária,  em  fixar  do  conteúdo  semântico  de  faturamento,  como  sendo  o  das  entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para  explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto­ vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo:  “[...]  Ainda  no  universo  semântico  normativo,  faturamento  não  pode  soar  o  mesmo  que  receita,  nem  confundidas  ou  identificadas  as  operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas  numéricas’.  [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o  gênero,  compreensivo  das  características  ou  propriedades  de  certa  classe,  abrangente  de  todos  os  valores  que,  recebidos  da  pessoa  jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido  pela  pessoa  jurídica,  a  qualquer  título,  será,  nos  termos  da  norma,  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 21          7 receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá  havê­la não operacional.  [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre  as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há  um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele.  Nem  para  atinar  logo  em  que,  como  já  visto,  faturamento  também  significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe  receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os  valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para  a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias  e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei  contemporânea  ao  início  da  vigência  da  atual  Constituição  da  República,  embora  todo  faturamento  seja  receita,  nem  toda  receita  é  faturamento.12” (grifamos).  No  caso  do  PIS  e  da  COFINS  Não­Cumulativos  o  que  se  observa  é  que  o  legislador  ordinário,  apesar  de  possuir  a  competência  tributária  para  tributar  a  receita,  novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento,  adotando­o como critério material da hipótese e afirmando­o na base de cálculo. Todavia, ao  definir  faturamento,  recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98,  senão  vejamos:  Lei nº. 10.637/02  “Art.  1º. A  contribuição  para  o  PIS/PASEP  tem  como  fato  gerador  o  faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação contábil;  § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do  faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei)  Lei nº. 10.833/03  “Art.  1º.  A  contribuição  para  a  COFINS  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  a  COFINS  é  o  valor  do  faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei)  Note­se  que  a  definição  legal  apresentada  pelo  legislador  ordinário  ao  faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº.  9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal.  Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram  tais exações, bem como das regras­matrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8 como  critério  material  da  hipótese  muito  menos  como  aspecto  quantitativo  dessas  contribuições.  Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o  sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tão­somente sobre o  faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade.  Admitir­se  o  contrário  implica  na  violação  dos  princípios  constitucionais  da  Legalidade, Estrita  Legalidade Tributária,  Segurança  Jurídica  e Razoabilidade  e,  além disso,  tem o condão de  infringir entendimento  já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção  entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação  ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar.  Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos  artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º,  do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema  jurídico,  consoante  decisum  da  Suprema  Corte  que,  pontificou,  claramente,  a  distinção  existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita.  Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de  equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como  se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entenda­se receita), então, é indubitável que  recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário  Nacional, que alude:  Art.  110.  A  lei  tributária  não  pode  alterar  a  definição,  conteúdo  e  o  alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal,  pelas  Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal  ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.  Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e  receita, que o legislador constituinte  inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195,  inciso I, “b”, da  Constituição Federal, ipsis litteris:  Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:  I  –  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  formada lei, incidentes sobre:...  b) a receita OU o faturamento.(Grifei)  A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio,  no  julgamento do RE 380.840/MG, nos  seguintes  termos:  “A disjuntiva  ‘ou’ bem revela que  não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”.  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 22          9 Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado  pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa:  “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS  – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário  Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.”  (STF, RE  380.940­5/MG, Rel. Min. Marco  Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos.  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO  DA  BASE  DECÁLCULO  DO  PIS  E  DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98.  ART.  110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO  PRIVADO.  EQUIPARAÇÃO  DOS  CONCEITOS  DE  FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E  DO STF. DECLARAÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE PELO  PRETÓRIO  EXCELSO.  PRINCÍPIO  DA  UTILIDADE.  PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE.  ...2.  A  Lei  nº  9.718/98,  ao  ampliar  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de  incidência  da COFINS,  com  o  objetivo  de  abranger  todas  as  receitas  auferidas pela pessoa jurídica,  invadiu a esfera da definição do direito  privado,  violando  frontalmente  o  art.  110  do  CTN....”  (AgRg  no  Ag  954.490/SP,  1ª  T.,  Rel.  Min.  José  Delgado,  v.u.,  j.  24/03/2008,  DJ  24/08/2008)É  imperiosa  para  a  harmonia  do  sistema  jurídico  que  a  atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento,  principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica,  sem  dúvida  alguma,  na  expropriação  de  parte  do  patrimônio  dos  contribuintes.  Por  isso,  não  pode  o  ente  tributante  agir  de  forma  abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos  signos presuntivos de  riqueza  e,  desse  modo,  gerar  absoluta  insegurança  das  relações  jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como  bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADI­MC­QO 2551 / MG,  in verbis:  “TRIBUTAÇÃO  E  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  PROPORCIONALIDADE. ­ O Poder Público, especialmente em sede  de  tributação,  não  pode  agir  imoderadamente,  pois  a  atividade  estatal  acha­se  essencialmente  condicionada  pelo  princípio  da  razoabilidade,  que  traduz  limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo.  ­  O Estado não pode  legislar abusivamente. A atividade  legislativa está  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     10 necessariamente  sujeita  à  rígida  observância  de  diretriz  fundamental,  que,  encontrando  suporte  teórico  no  princípio  da  proporcionalidade,  veda  os  excessos  normativos  e  as  prescrições  irrazoáveis  do  Poder  Público.  O  princípio  da  proporcionalidade,  nesse  contexto,  acha­se  vocacionado  a  inibir  e  a  neutralizar  os  abusos  do  Poder  Público  no  exercício de suas funções, qualificando­se como parâmetro de aferição  da  própria  constitucionalidade  material  dos  atos  estatais.  ­  A  prerrogativa  institucional  de  tributar,  que  o  ordenamento  positivo  reconhece  ao  Estado,  não  lhe  outorga  o  poder  de  suprimir  (ou  de  inviabilizar)  direitos  de  caráter  fundamental  constitucionalmente  assegurados  ao contribuinte. É que este dispõe, nos  termos da própria  Carta Política, de um sistema de proteção destinado aampará­lo contra  eventuais  excessos  cometidos  pelo  poder  tributante  ou,  ainda,  contra  exigências  irrazoáveis  veiculadas  em  diplomas  normativos  editados  pelo  Estado.”  (ADI­MC­QO  2551  / MG  ­ MINAS GERAIS,  Relator  Min.  CELSO DE MELLO,  Julgamento:  02/04/2003, Órgão  Julgador:  Tribunal Pleno, Publicação DJ 20­04­2006 PP­00005 – (grifei.)  (c)  Já  a  Regra­matriz  de  incidência  do  ICMS:  De  acordo  com  o  disposto  na  CF/88, a regra­matriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art.  155, c/c a LC nº 87/96, in verbis:  CF/88.  “Art.  155.  Compete  aos  Estados  e  ao  Distrito  Federal  instituir  impostos sobre:  II  ­  operações  relativas  à  circulação  de  mercadorias  e  sobre  prestações  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal  e  de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no  exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993).     Art. 12. Considera­se ocorrido o fato gerador do imposto no momento:   I  ­ da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda  que para outro estabelecimento do mesmo titular;  II ­ do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por  qualquer estabelecimento;  III ­ da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém  geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente;   IV ­ da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a  represente,  quando  a  mercadoria  não  tiver  transitado  pelo  estabelecimento transmitente;  V  ­  do  início  da  prestação  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal, de qualquer natureza;  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 23          11 VI ­ do ato final do transporte iniciado no exterior;  VII  ­  das  prestações  onerosas  de  serviços  de  comunicação,  feita  por  qualquer  meio,  inclusive  a  geração,  a  emissão,  a  recepção,  a  transmissão,  a  retransmissão,  a  repetição  e  a  ampliação  de  comunicação de qualquer natureza;  VIII ­ do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços:  a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios;  b)  compreendidos  na  competência  tributária  dos  Municípios  e  com  indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual,  como definido na lei complementar aplicável;   IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do  exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)  X ­ do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior;   XI  –  da  aquisição  em  licitação  pública  de  mercadorias  ou  bens  importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada  pela Lcp 114, de 16.12.2002)  XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis  líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de  outro  Estado,  quando  não  destinados  à  comercialização  ou  à  industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000)  XIII  ­  da  utilização,  por  contribuinte,  de  serviço  cuja  prestação  se  tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou  prestação subseqüente.   § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante  pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considera­se ocorrido o  fato gerador do  imposto quando do  fornecimento desses  instrumentos  ao usuário.  §  2º  Na  hipótese  do  inciso  IX,  após  o  desembaraço  aduaneiro,  a  entrega,  pelo  depositário,  de  mercadoria  ou  bem  importados  do  exterior  deverá  ser  autorizada  pelo  órgão  responsável  pelo  seu  desembaraço,  que  somente  se  fará  mediante  a  exibição  do  comprovante de pagamento do  imposto  incidente no ato do despacho  aduaneiro, salvo disposição em contrário.   §  3o  Na  hipótese  de  entrega  de  mercadoria  ou  bem  importados  do  exterior antes do desembaraço aduaneiro, considera­se ocorrido o fato  gerador  neste  momento,  devendo  a  autoridade  responsável,  salvo  disposição  em  contrário,  exigir  a  comprovação  do  pagamento  do  imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002)  Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     12 I ­ na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o  valor da operação;  II  ­  na  hipótese  do  inciso  II  do  art.  12,  o  valor  da  operação,  compreendendo mercadoria e serviço;  III  ­  na  prestação  de  serviço  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço;  IV ­ no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12;  a) o valor da operação, na hipótese da alínea a;  b)  o  preço  corrente  da  mercadoria  fornecida  ou  empregada,  na  hipótese da alínea b;  V ­ na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas:   a)  o  valor  da  mercadoria  ou  bem  constante  dos  documentos  de  importação, observado o disposto no art. 14;  b) imposto de importação;   c) imposto sobre produtos industrializados;  d) imposto sobre operações de câmbio;  e)quaisquer  outros  impostos,  taxas,  contribuições  e  despesas  aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)  VI ­ na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço,  acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua  utilização;  VII ­ no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do  valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e  de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente;  VIII ­ na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que  decorrer a entrada;  IX  ­  na  hipótese  do  inciso  XIII  do  art.  12,  o  valor  da  prestação  no  Estado de origem.  §  1o  Integra  a  base  de  cálculo  do  imposto,  inclusive  na  hipótese  do  inciso  V  do  caput  deste  artigo:  (Redação  dada  pela  Lcp  114,  de  16.12.2002)  I ­ o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque  mera indicação para fins de controle;   II ­ o valor correspondente a:  a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas,  bem como descontos concedidos sob condição;  b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por  sua conta e ordem e seja cobrado em separado.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 24          13 § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  quando  a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos.  § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da  aplicação  do  percentual  equivalente  à  diferença  entre  a  alíquota  interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto.  § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro  Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é:  I ­ o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria;  II ­ o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo  da  matéria­prima,  material  secundário,  mão­de­obra  e  acondicionamento;  III  ­  tratando­se  de  mercadorias  não  industrializadas,  o  seu  preço  corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente.  § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos  de  contribuintes  diferentes,  caso  haja  reajuste  do  valor  depois  da  remessa  ou  da  prestação,  a  diferença  fica  sujeita  ao  imposto  no  estabelecimento do remetente ou do prestador.  Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de  cálculo.  Como dito na lei, tem­se:  ­ Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação,  bebidas  e  outras  mercadorias  por  qualquer  estabelecimento;  a  transmissão,  dentre  outros  estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96.  ­  Critério  temporal:  é  o  momento  da  saída,  do  fornecimento,  da  transmissão,  do  início  da  prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96);  ­ Critério espacial: no âmbito estadual;  ­  Critério  pessoal:  Estado/DF  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  promove  a  saída  de  mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) ­ (Art. 12);  ­  Critério  quantitativo:  Base  de  cálculo  –  O  valor  da  operação  (vide  art.  12,  I,  III  e  IV);  Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º,  IV e § 2º, IV e VI);  Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verifica­se que o fato  signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o  VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     14 Os  elementos  informadores  da  incidência  e  da  base  de  cálculo  da  norma  tributária  ensejadora  do  PIS  e  da  Cofins,  bem  assim  da  constituição  da  relação  jurídico  tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do  ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS,  razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins.  Por outro enfoque:  A  lei  infraconstitucional  deve  identificar,  pormenorizadamente,  todos  os  elementos essenciais da norma  tributária, principalmente no  tocante à hipótese de  incidência,  sob pena de não poder ser exigida pelo fisco.  Nas  palavras  de  XAVIER  apud  CARRAZZA  descreve  o  mesmo  que  “a  tipicidade  pressupõe  (...)  uma  descrição  rigorosa  dos  seus  elementos  constitutivos,  cuja  integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003).  Vale  dizer  que  o  princípio  da  Tipicidade  Tributária  não  dá  margem  para  o  intérprete  ou  ao  aplicador  da  lei  para  o  exercício  de  entendimentos  contraditórios,  mais  abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional.  Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS  e  da  Cofins  em  razão  da  interpretação  do  contido  no  art.  2º  da  Lei  nº  9.718/98,  de  que  o  faturamento  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevante  o  tipo  de  atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas  (art. 13, § 1º, I,  da  LC  87/96,  ex  vi  "cálculo  por  dentro"  ­  fator  aplicado  ao  cálculo  deste  tributo  de  competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é  totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91.                                                                                                                                                                           Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis  que  a primeira  é  a  quantia  recebida/apurada/arrecadada,  que  acresce  o  patrimônio  da  pessoa  física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o  ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o  patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e  implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente.  É  que  o  ICMS  para  a  empresa  é mero  ingresso,  para  posterior  destinação  ao  Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma  do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da  Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos  últimos dez anos.  Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF  já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de  cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou:  "Descabe  assentar  que  os  contribuintes  da  Cofins  faturam,  em  si,  o  ICMS.  O  valor  deste  revela,  isto  sim,  um  desembolso  a  beneficiar  a  entidade  de  direito  público  que  tem  a  competência  para  cobrá­lo.  A  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 25          15 conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea,  importa  na  incidência  do  tributo  que  é  a  Cofins,  não  sobre  o  faturamento,  mas  sobre  outro  tributo  já  agora  da  competência  de  unidade  da  Federação.  (...)  Difícil  é  conceber  a  existência  de  tributo  sem  que  se  tenha  uma  vantagem,  ainda  que  mediata,  para  o  contribuinte,  o  que  se  dirá  quanto  a  um  ônus,  como  é  o  ônus  fiscal  atinente  ao  ICMS.  O  valor  correspondente  a  este  último  não  tem  a  natureza  de  faturamento.  Não  pode,  então,  servir  à  incidência  da  Cofins,  pois  não  revela  medida  de  riqueza  apanhada  pela  expressão  contida  no  preceito  da  alínea  "b"  do  incido  I  do  artigo  195  da  Constituição Federal.  O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente  tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins  a cargo da empresa sob pena de exigir­se tributo sem o devido lastro constitucional previsto  no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  fere  os  princípios  da  capacidade  contributiva,  razoabilidade,  proporcionalidade,  equidade  de  participação  no  custeio  da  seguridade  social,  imunidade  recíproca e confisco à Constituição.  Filiaram­se  ao  voto  do  Relator  os  Ministros  Ricardo  Lewandowski,  Carlos  Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou  provimento ao  recurso,  faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie  e  Celso Mello.  Diante  de  todo  o  exposto  a  Administração  Pública  somente  poderá  impor  ao  contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal  de  incidência  do  tributo,  ou  seja,  sua  descrição  típica.  É  condição  sine  qua  non  para  a  exigibilidade de um tributo.  Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade  e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a  lei  deve  conter,  em  seu  bojo,  todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja  imediatamente  dedutível  da  lei,  sem  valoração  pessoal  do  órgão  de  aplicação  da  lei,  o  que  decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.”  Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na  identificação  do  sujeito  passivo,  do  valor  do  montante  apurado  e  das  penalidades  cabíveis  devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra  geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao  aplicador da  lei,  especialmente à Administração Pública, para uma  interpretação extensiva,  e  mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer.  Portanto,  sendo  a  definição  de  fato  gerador  a  situação  definida  em  lei  como  necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo  e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     16 base  de  cálculo  desses  tributos,  eis  que  tanto  o  fato  gerador,  quanto  a  base  de  cálculo  é  totalmente diversa, não se coadunam.  O  Ministro  Cesar  Peluzo,  no  voto­vista  proferido  no  julgamento  do  RE  nº.  350.950,  foi  peremptório  ao  atestar  que:  “A  base  de  cálculo  é  tão  importante  na  identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.”  Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a  base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o  faturamento como fato  signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas.     Contudo,  mesmo  que  houvesse  divergência  entre  aquele  (critério  material)  e  esse  (critério  quantitativo)  –  ad  argumentandum  tantum  –  é  a  base  de  cálculo  que  deverá  prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana.     Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi  o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que  sobre  o  PIS  e  COFINS  Não­Cumulativos  devem  incidir  sobre  o  faturamento,  cujo  aspecto  semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da  operação.  Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores,  notadamente  no  STF,  de  enxugar  a  base  de  cálculo  dos  tributos,  de  valores  que  não  representam faturamento dos Contribuintes.  A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e  do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confira­se:  Ementa:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCLUSÃO  DO  ICMS  E  DO  ISS  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DAS  CONTRIBUIÇÕES.  COMPENSAÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  DESNECESSIDADE DE  PROVA PERICIAL.  1. O  ICMS  não  deve  ser  incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS,  tendo em vista  recente posicionamento do STF  sobre  a questão no  julgamento,  ainda  em andamento,  do Recurso Extraordinário nº 240.785­2. 2. Embora o  referido  julgamento ainda não  tenha se encerrado, não há como negar  que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de  que  o  ICMS  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  3.  O  ISS  ­  que  como  o  ICMS  não  se  consubstancia  em  faturamento, mas  sim  em  ônus  fiscal  ­  não  deve,  também,  integrar  a  base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a  compensação  tributária  deve  demonstrar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a maior.  5.  Na  ausência  de  documento  indispensável  à  propositura  da  demanda,  deve  ser  julgado  improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não  restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte  o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via  administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não  inclusão do ICMS na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  é  matéria  de  direito  que  não  demanda dilação probatória. O pedido de compensação soluciona­se  com  a  apresentação  das  guias  de  recolhimento  (DARF),  que  prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente  provido.  TRF­3  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  AC  23169  SP  0023169­ 44.2011.4.03.6100 (TRF­3) Data de publicação: 07/02/2013.  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902131/2012­34  Acórdão n.º 3803­005.882  S3­TE03  Fl. 26          17 Ementa:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCLUSÃO  DO  ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.  1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  tendo  em  vista  recente  posicionamento  do  STF  sobre  a  questão  no  julgamento,  ainda  em  andamento,  do  Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2.  2.  No  referido  julgamento,  o  Ministro  Março  Aurélio,  relator,  deu  provimento  ao  recurso,  no  que  foi  acompanhado  pelos  Ministros  Ricardo  Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda  Pertence. Entendeu o Ministro  relator  estar  configurada  a violação  ao  artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base  de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos  valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou  seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o  ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi  suspensa  em  virtude  do  pedido  de  vista  do Ministro  Gilmar Mendes  (Informativo  do  STF  n.  437,  de  24/8/2006).  3.  Embora  o  referido  julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz  concreta  expectativa  de  que  será  adotado  o  entendimento  de  que  o  ICMS  e,  consequentemente,  o  ISS,  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a  compensar  os  valores  indevidamente  recolhidos.  No  entanto,  ela  não  comprovou  ter  pago  as  contribuições  que  pretende  compensar,  mediante  a  juntada  das  guias  de  recolhimento.  5.  A  via  especial  do  mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o  autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para  isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do  que requer. Sem esses elementos de prova, torna­se carecedora da ação.  Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos,  cujos  pagamentos  não  restaram  comprovados  nos  autos,  a  parte  deve  ser  considerada  carecedora  da  ação.  7.  Apelação,  parcialmente,  provida..  TRF­3  ­ APELAÇÃO EM MANDADO DE  SEGURANÇA  AMS  6072  SP  2007.61.11.006072­2  (TRF­3).  Data  de  publicação:  16/06/2011.     Finalmente  vencida  a  questão  da  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado  pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão  do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o  que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis  que  preclui  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  ressalvadas  as  hipóteses  previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.  No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência  de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão  somente à existência de crédito, o que não é o bastante.  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     18 Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o  bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do  crédito  alegado,  assiste  razão  ao  juízo  a  quo,  eis  que  aos  mesmos  deveriam  se  somar,  no  mínimo,  as  DCTF’s  correspondentes  e  o  Livro  Razão  relacionados  ao  período  de  apuração  objeto  do  pedido  de  restituição,  em  observância  aos  princípios  da  segurança  jurídica,  da  verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88.  É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal,  por  se  tratar  de  iniciativa  do  próprio  contribuinte,  cabe  ao  transmitente  o  ônus  probante  da  liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na  DComp.   Por  sua  vez  à  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito, mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes  a  essa  comprovação.  Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto.  É como voto.  Sala de sessão em 26 de março de 2014     Jorge Victor Rodrigues ­ Relator    Relator  ­  Relator                               Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10073.001288/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. NÃO-CUMULATIVIDADE. INDUSTRIALIZAÇÃO. MONTAGEM FORA DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O regime da não-cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização. Estão excluídas do conceito de industrialização as operações efetuadas fora do estabelecimento industrial consistentes na reunião de produtos, peças ou partes. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. RESP 1.035.847 Conforme decidido pelo STJ em julgamento submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (REsp 1.035.847/RS),não incide correção monetária sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. A atualização monetária destes créditos é legitima apenas quando configurado um prejuízo ao contribuinte decorrente da demora na concessão do direito creditório, este devido a oposição injustificada do Fisco. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3201-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.331          1 1.330  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10073.001288/2003­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­001.463  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de outubro de 2013  Matéria  RESSARCIMENTO IPI  Recorrente  SAINT­GOBAIN CANALIZAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  DIREITO  CREDITÓRIO.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  INDUSTRIALIZAÇÃO. MONTAGEM FORA DO ESTABELECIMENTO  INDUSTRIAL.  O regime da não­cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao  tributo  incidente  sobre  as  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e materiais  de  embalagem que  integram o  produto  ou  sejam  consumidos no processo de industrialização.  Estão  excluídas do  conceito de  industrialização as operações  efetuadas  fora  do estabelecimento  industrial  consistentes na  reunião de produtos, peças ou  partes.   RESSARCIMENTO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  TAXA  SELIC.  RESP  1.035.847  Conforme decidido pelo STJ em julgamento submetido ao rito dos Recursos  Repetitivos  (REsp  1.035.847/RS),não  incide  correção  monetária  sobre  os  créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  A  atualização  monetária  destes  créditos  é  legitima  apenas  quando  configurado um prejuízo ao contribuinte decorrente da demora na concessão  do direito creditório, este devido a oposição injustificada do Fisco.  APLICAÇÃO  DO  ARTIGO  62­A  DO  RI­CARF.  MATÉRIA  JULGADA  NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.  Nos  termos  do  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 12 88 /2 00 3- 91 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.332          2 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros  no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  JOEL MIYAZAKI ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joel  Miyazaki  (presidente),  Mércia  Helena  Trajano  Damorim,  Daniel  Mariz  Gudino,  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araújo  e  Adriene  Maria  de  Miranda Veras.  Relatório  Por  bem descrever  a matéria  de que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida.   Em exame a Declaração de Compensação de fl. 03, formalizada  em 28/10/2003, na qual se declarou a compensação do IRPJ e da  CSLL período de apuração 09/2003, vencimento 31/10/2003, no  montante de R$ 737.336,62,  tendo por  lastro crédito originário  de  Ressarcimento  de  IPI  indicado  à  fl.  04,  em  igual  monta,  apurado com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99.  Da  verificação  da  legitimidade  e  materialidade  do  crédito  resultou  o  Parecer  Fiscal  de  fls.  152/153  que  opinou  pelo  deferimento  integral  saldo  credor  solicitado  em  ressarcimento,  haja  vista  que  o  crédito  está  devidamente  constituído,  escriturado  e  estornado  (no  decêndio  01­10/2003)  no  RAIPI,  inclusive  o  crédito  presumido  componente  do  saldo  credor  pleiteado.  Na seqüência foi proferido pela autoridade competente da DRF  o  Despacho  Decisório  de  fls.  158/161,  que  concluiu  pelo  Deferimento  Parcial  do  direito  creditório,  no  montante  de  R$  602.146,69, e, conseqüentemente, pelo Indeferimento do valor de  R$  135.189,93,  por  não  se  tratar  de  aquisições  de  insumos  utilizados  no  processo  de  industrialização,  mas,  de  Compras  para  Comercialização  (CFOP  1.102),  Outras  Entradas  de  Mercadorias  ou  Prestação  de  Serviços  Não  Especificados  (CFOP 1.949), e outros. Ficou também consignada no Despacho  Decisório a verificação, no procedimento de auditoria fiscal, do  Crédito Presumido componente do saldo credor acumulado, bem  como  o  estorno  no  1o  decêndio­outubro/2003  do  crédito  solicitado em ressarcimento.  Fl. 877DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.333          3 Cientificada  do Despacho Decisório  em  13/09/2007  (fls.  172  e  176)  e  inconformada  com  o  indeferimento  parcial  do  direito  creditório e a homologação parcial da compensação declarada,  apresentou  a  interessada,  em  15/10/2007,  a  manifestação  de  inconformidade de fls. 180/187, acompanhada dos anexos de fls.  188/305, dentre os quais se destaca a planilha de fls. 208/212, na  qual discriminou  todas as glosas efetuadas,  indicando as notas  fiscais a que se  referem, o  fornecedor,  a descrição do material  (produto  adquirido)  e  a  forma  como  foi  registrado  o  material  (CFOP).  Tais  produtos  são,  em  suma,  anel  de  borracha,  anel  grafitado,  parafusos,  cola  para  fixação  de  borracha,  grelha,  adaptador,  luva,  etc,  na  sua grande maioria escriturados como  compras/material para comercialização.  No  questionamento  das  glosas  efetuadas,  alega  a  interessada  que fabrica, dentre outros produtos, Tubos e Conexões de Ferro  Fundido Dúctil e Acessórios para adução e distribuição de água,  bem  como para  a  coleta  e afastamento  de  esgoto  ­ materiais  e  equipamentos para instalações relacionadas com o saneamento,  tratamento  e  transporte de  fluidos e  resíduos  ­  classificados na  TIPI  na  posição  73.03.00.00,  com  alíquota  de  5%.  Prossegue  esclarecendo  que  esses  tubos  são  vedados  com  uma  junta  elástica que contém o anel de borracha ­ item a que se refere a  maior  parte  das  glosas  efetuadas  ­  e  colacionando  fotos  dos  respectivos tubos com a indicação do posicionamento do citado  anel de borracha (anel de vedação, elastômero), acrescentando,  ainda, que a ABNT determina a obrigatoriedade do fornecimento  dos  anéis  de  borracha para  todas as  conexões  com bolsas  (fls.  252).  Esclarece, também, que o anel de borracha é parte integrante e  imprescindível para permitir as conexões dos  tubos entre si, os  chamados  tubos  ponta  e  bolsa,  os  quais  são  formatados  com  bolsa que se une à ponta e, necessariamente, são vedadas com a  utilização  desses  anéis  com  pastas  lubrificantes  para  sua  fixação.  conclui:  consistem  ditos  anéis  em  produto  intermediário  que  integra  o  produto  final  produzido  pela  Recorrente,  qual  seja,  Tubos e Conexões de Ferro Fundido Dúctil.  Juntou, ainda, a defendente, algumas notas fiscais de saída (fls.  294/305) no intuito de evidenciar que "o produto vendido (tubo)  é  composto  do  próprio  tubo,  do  anel  de  borracha  e  de  lubrificante,  tudo  por  um  único  preço,  com  o  respectivo  IPI  destacado e recolhido.  Por  fim, pleiteia a incidência da Taxa Selic sobre os créditos a  serem ressarcidos/compensados desde a data do pedido até seu  efetivo  aproveitamento,  indicando  ementas  de  Acórdãos  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes  favoráveis  ao  seu  pleito  e  mencionando  o  disposto  na  IN  SRF  COSIT  COSAR N°  08,  de  27.06.1997.  Diante  dos  elementos  acostados  aos  autos  quando  da  apresentação da manifestação de inconformidade foi o processo  Fl. 878DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.334          4 baixado em diligência (fls. 310/311) solicitando esclarecer se o  anel de borracha se integra ao tubo, compondo um só produto,  integrando  o  valor  tributável  na  saída,  ao  que  foi  juntada  a  informação  fiscal  de  fl.  332  que  concluiu  que  "os  anéis  são  fornecidos  com  os  tubos,  porém,  não  saem  do  fabricante  já  acoplados ao produto, pois, por questões técnicas, em função das  características dos elastômeros, só são integrados aos mesmos na  ocasião da montagem ".  Na  seqüência  foi  proferido  o  Acórdão  n°  09­23504,  desta  DRJ/JFA/MG [fls. 333/341], que foi objeto de recurso voluntário  apresentado  pelo  contribuinte[fls.  364/373],  no  qual  alega  que  recorreu contra todas as glosas efetuadas e não somente contra  a  glosa  do  anel  de  borracha,  argumento  este  acatado  pelo  CARF,  resultando  no  Ac.  n°  3803­01.834  [fls.  442/445]  que  declarou a nulidade do Acórdão desta DRJ.  Assim, retornaram os autos a esta instância de julgamento para  que uma nova decisão seja proferida.  Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de  Fora/MG  que  julgou,  por  unanimidade  de  votos,  procedente  em  parte  a  manifestação  de  inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto  condutor do acórdão recorrido encontram­se consubstanciados na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ I P I  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  CRÉDITO  DO  IMPOSTO  INSUMOS  ENSEJADORES  DE  CREDITAMENTO.  Ensejam  o  creditamento  as  matérias­primas,  os  produtos  intermediários  e  os  materiais  de  embalagem  que  integram  o  produto  ou  sejam  consumidos  no  processo  de  industrialização.  Produtos tais como anel grafitado, parafusos, cola para fixação  de borracha, grelha, adptador, luva, tampão, volante e tinta não  são  matérias­primas,  nem  produtos  intermediários,  tampouco  guardam  qualquer  semelhança  com  tais  insumos  e  não  geram  créditos as aquisições dos citados bens, consoante os termos do  Parecer Normativo CST n° 65/79. Por outro lado, é de se admitir  o  creditamento  do  IPI  decorrente  das  aquisições  de  produto  acessório  [anel  de  borracha]  cuja  nota  explicativa  do  sistema  harmonizado,  relativa  ao  capítulo  e  à  posição  em  que  se  enquadra  o  produto  industrializado  indica  a  sua  apresentação  provido com tal produto acessório, assumindo esse (o acessório),  na  saída,  a  classificação  fiscal  daquele,  por  se  tratar  de  parte  integrante do mesmo, com fornecimento conjunto obrigatório.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.  Fl. 879DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.335          5 E  incabível,  por  falta  de  previsão  legal,  a  incidência  de  atualização monetária  ou  de  juros  Selic  sobre  o  ressarcimento  de créditos de IPI. Não se podem aplicar as mesmas regras da  restituição  porque  nesta  hipótese,  houve  pagamento  anterior  a  maior ou indevido, o que inexiste nos casos de ressarcimento.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte  Inconformada  com  a  decisão,  apresentou  a  recorrente,  tempestivamente,  o  presente  recurso  voluntário.  Na  oportunidade,  reiterou  os  argumentos  colacionados  em  sua  defesa inaugural.  Esclarece ainda seu processo produtivo da seguinte forma:  De  fato,  a Recorrente  fabrica,  dentre  outros  produtos,  Tubos  e  Conexões de Ferro Fundido Dúctil  e acessórios para adução e  distribuição de água.  Referido  produto,  Tubo  de  Ferro  Fundido  Dúctil,  tem,  de  um  lado de  sua extremidade a chamada "bolsa", e de outro  lado a  "ponta", sendo assim chamado de Tubo "ponta e bolsa".  Os  Tubos  "ponta  e  bolsa"  podem  ser  interligados  para  formar  um  duto,  sendo  montados  com  a  união  da  ponta  com  a  bolsa,  vedado com uma  junta elástica que contém o anel de borracha  (insumo este cujo crédito havido pela sua aquisição foi deferido  pelo Acórdão ora recorrido).  Além dos Tubos "ponta e bolsa" a Recorrente industrializa toda  sorte de tubos e sistemas de canalização em ferro fundido dúctil,  conforme  pode  ser  verificado  em  sítio  na  internet:  http://www.saintgobain.com.br/versao2Q06/Portugues/atividade sProdutobrasilpoloConstrucaocanalização.aspx.  Desta forma, e para facilitar o deslinde da questão, a Recorrente  traz à colação a Norma ABNT NBR 7675:2005, que especifica os  requisitos técnicos, especificação de materiais a serem atendidos  para  a  fabricação  de  Tubos  e  Conexões  de  Ferro  Dúctil  e  Acessórios  para  sistemas  de  adução  e  distribuição  de  águas  (documento n.° 1 anexo).  Referida  Norma  ABNT  NBR  7675:2005  define  entre  os  acessórios dos tubos e conexões, os parafusos, porcas e arruelas  para  instalação  de  juntas  flangeadas,  os  anéis  (inclusive  grafitado, objeto de glosa) e  lubrificantes, como consta da pág.  2,  item 3 do anexo documento n °  l  ,  todos estes  indevidamente  glosados.  Além da obrigatoriedade do fornecimento de anéis de borracha  para todas as conexões com "bolsas", a Norma ABNT especifica  que os "tubos com flanges" devem ser montados com elementos  de vedação (borracha, anel de amianto grafitado para vedação  de flanges) de face plena e com os conjuntos correspondentes de  parafusos, porcas e arruelas de aço galvanizados a  fogo (págs.  Fl. 880DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.336          6 27 e 28,  item 9.2 da Norma ABNT NBR 7675: 2005), estes  três  últimos produtos intermediários indevidamente objeto de glosa.  Especifica  ademais  a  Norma  ABNT  NBR  7675:2005,  os  revestimentos  externo e  interno de  tubos  (pág. 11,  itens  4.8.1  e  4.8.2  do  documento  n°  1),  o  que  comprova  a  necessidade  da  aquisição pela Recorrente e utilização na  fabricação dos  tubos  de  "tinta  interpon  azul",  fornecida  por  Akzo  Nobel,  conforme  consta da planilha de  fls. 209,  tendo sido o  respectivo valor de  R$2.971,20 indevidamente glosado.  Da mesma  forma,  além  dos  anéis  de  borracha  e  grafitado  que  devem ser  fornecidos  com o  tubo  "ponta  e  bolsa",  fixados  com  cola, também a pasta lubrificante deve ser fornecida (estes dois  produtos  intermediários  indevidamente  objeto  de  glosa),  conforme item 9.1 da Norma ABNT NBR 7675: 2005. pág. 26.  Em relação à grelha, constante de fls. 211, a mesma se trata de  peça  de  metal  de  ferro  fundido,  fornecida  pela  Recorrente  juntamente  com  os  tubos  para  emprego  nos  locais  onde  realizada a captação de água.  Os  tampões,  relacionado às  fls. 212,  igualmente são fornecidos  pela Recorrente juntamente com os tubos.  Os  adaptadores,  fornecidos  pela Recorrente  e  constante  de  fls.  211,  peça  de  ferro  fundido,  necessária  a  que  se  proceda  à  transição entre dois  tipos de  tubos (p.ex.  ferro  fundido x PVC),  acompanhados de anéis de vedação, sendo portanto consumidos  no processo industrial.  As luvas (fls. 211), são conexões de ferro fundido, acompanhada  por 2 anéis de vedação e fornecidas pela Recorrente para servir  de  peça  de  ligação  na  montagem  das  pontas  de  tubos  ou  de  conexões  por  uma  junta,  normalmente  elástica,  conforme  descrito  no  item  3.18,  pág.  3,  da  citada  Norma  ABNT  NBR  7675:2005, neles integrando­se.  Quanto  aos  volantes,  relacionado às  fls.  212,  são  componentes  das  válvulas,  necessários  ao  procedimento  de  abertura  e  fechamento  destas  e  fornecidos  pela  Recorrente,  sendo  acopladas aos tubos.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  Fl. 881DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.337          7 Observa­se que a decisão recorrida concedeu o direito ao crédito referente as  aquisições de anel de borracha,  razão pela qual as alegações referentes a este  item não serão  tratadas neste julgamento.  Em  relação  às  glosas  de  créditos  do  IPI  básicos,  apurados  sobre  os  custos  com aquisição de anel grafitado, parafusos, cola para  fixação de borracha, grelha, adaptador,  luva, etc, na  sua grande maioria escriturados  como compras/material para comercialização, a  recorrente  defende  o  direito  ao  seu  aproveitamento  sob  o  fundamento  que  tais  produtos  correspondem a produtos intermediários ou matéria­prima.  O  RIPI,  aprovado  pelo  Decreto  nº  5.544,  de  2002,  assim  dispõe,  sobre  créditos básicos e insumos:  Art.  164.  Os  estabelecimentos  industriais,  e  os  que  lhes  são  equiparados,  poderão  creditar­se  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  25):  I ­ do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego  na industrialização de produtos tributados, incluindo­se, entre as  matérias­primas e produtos intermediários, aqueles que, embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização,  salvo  se  compreendidos  entre  os  bens do ativo permanente;  [...].  V ­ do imposto pago no desembaraço aduaneiro;  [...].  Art.  519.  Consideram­se  bens  de  produção  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  4º,  inciso  IV,  e  Decreto­lei  nº  34,  de  1966,  art.  2º,  alteração 1ª):  I as matérias­primas;  II  os  produtos  intermediários,  inclusive  os  que,  embora  não  integrando  o  produto  final,  sejam  consumidos  ou  utilizados  no  processo industrial;  III os produtos destinados a embalagem e acondicionamento;  IV as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as  manuais; e  V  as  máquinas,  instrumentos,  aparelhos  e  equipamentos,  inclusive  suas  peças,  partes  e  outros  componentes,  que  se  destinem a emprego no processo industrial.  Tais  dispositivos  foram objeto  do Parecer Normativo CST Nº  65,  de 1979,  que assim concluiu:  [...]  11.  Em  resumo,  geram  direito  ao  crédito,  além  dos  que  se  integram  ao  produto  final,  (matérias­primas  e  produtos  Fl. 882DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.338          8 intermediários,  ‘strictosencu’,  e  material  de  embalagem),  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações  tais  como  o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,  em  função  de  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  ou,  vice­versa,  proveniente  de  ação  exercida  diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam,  em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos  no ativo permanente.”  Esclarece­se  ainda  que  o  produto  intermediário  se  caracteriza  por  compor  ou integrar a estrutura físico­química do novo produto, em geral sem sofrer qualquer alteração  em sua estrutura.  Retornando­se  aos  produtos  objeto  da  lide,  quais  sejam  anel  grafitado,  parafusos, cola para fixação de borracha, grelha, adaptador, luva, etc, entendo que tais itens não  merecem ter o crédito do IPI reconhecido, uma vez que, dada a sua natureza, ou se destinam a  comercialização, ou são aplicados na prestação de serviço de construção civil.  No  contrato  social  da  contribuinte,  consta  a  previsão  para  exploração  da  indústria  metalúrgica  e  mecânica  em  geral,  através  da  produção  e  comercialização  de  mercadoria e a prestação de serviços afins.  Como se sabe, os serviços de instalação hidráulicas podem configurar serviço  de construção civil, nos termos do item 7.02 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar  n.º116/2003 e sendo assim, embora o contribuinte preste esse tipo de serviço, não terá direito a  créditos  dado  que  as  operações  de  junção  das  partes  e  peças  ocorrem  fora  de  seu  estabelecimento industrial.  A própria recorrente afirma que os itens em litígio são usados na montagem  dos produtos vendidos, que é obrigatoriamente efetuada fora de seu estabelecimento industrial.  Observe­se ainda que estes produtos, ao contrário dos anéis de borracha, não  aparecem nas notas fiscais de venda como incluídos na venda dos tubos.  Desta forma, as aquisições de anel grafitado, parafusos, cola para fixação de  borracha,  grelha,  adaptador  e  luva,  ainda  que  sejam  comercializados  pelo  contribuinte  e  eventualmente até por ele aplicados em obras de construção civil, não geram direito a créditos.   Tal entendimento encontra amparo na jurisprudência pátria:  Tribunal Regional Federal 2. a Região.  AMS 200351010270679AMS  EMENTA  APELAÇÃO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA  –  65128  TRIBUTÁRIO. IPI. EMPRESA DE CONSTRUÇÃO CIVIL QUE  ADQUIRE  INSUMOS  SUJEITOS  À  INCIDÊNCIA  DE  IPI.  COMPENSAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  PRESCRIÇÃO.  1­  A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  é  firme  no  sentido  de  que  o  direito  à  postulação  do  creditamento  do  IPI  prescreve  no  prazo  de  cinco  anos,  nos  termos  do  Decreto  nº  Fl. 883DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.339          9 20.910/32.  2­  Empresa  de  construção  civil  que  pretende  o  reconhecimento  do  direito  a  crédito  do  IPI,  decorrente  da  aquisição  de  insumos  e  respectivo  aproveitamento  para  compensação  com  débitos  próprios  e  de  terceiros,  referentes  a  tributos  federais  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  3­Estão  excluídas  do  conceito  de  industrialização  as  operações  efetuadas  fora  do  estabelecimento  industrial  consistentes  na  reunião  de  produtos,  peças  ou  partes  e  de  que  resultem  edificação  como  é  o  caso  da  atividade  da  impetrante  (art.  5o  do  Decreto  nº  4.544/2002).  Com  efeito,  a  atividade  de  construção e edificação está fora do campo de incidência do IPI.  4­  O  princípio  da  não­cumulatividade  do  IPI  não  autoriza  a  compensação dos  créditos  relativos  ao  imposto  incidente  sobre  operações  anteriores  na  hipótese  da  saída  não  tributada  do  produto, tendo em vista que não haverá superposição tributária  a  se  impedir,  já  que  no  produto  final  não  terá  qualquer  repercussão  cumulativa,  não  cabendo  ao  Poder  Judiciário  reconhecer  beneficio  fiscal  não  fixado  por  determinação  legal.  5­ Inaplicabilidade na hipótese do artigo 11 da Lei n°9.779/99.  6­ Apelação improvida.  O  segundo  tema  ao  qual  a  recorrente  contesta  refere­se  à  possibilidade  de  aplicação  dos  juros  Selic  em  créditos  escriturais  do  IPI,  decorrentes  do  regime  da  não­ cumulatividade.  A controvérsia  já foi definida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em  sede de  recurso  especial  submetido  ao  rito  do  art.  543­C do CPC,  em  acórdão  que  possui  a  seguinte ementa:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA.  1. A  correção monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em  sua escrita contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento do  direito  pleiteado,  exsurgindo  Fl. 884DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.340          10 legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel.  Ministro José Delgado,  julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796/PR,  Rel.Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em  26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro  Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão  submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.  (REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifo nosso)  Do citado acórdão, extrai­se que os créditos escriturais decorrentes do regime  da não­cumulatividade do  IPI não são passíveis de correção monetária, devido a ausência de  previsão legal.  Observa­se,  entretanto,  que  tal  regra  não  é  absoluta,  sendo  definido  que,  configurado  um  prejuízo  ao  contribuinte  decorrente  da  demora  na  concessão  do  direito  creditório,  este  devido  a  oposição  injustificada  do  Fisco,  é  legítima  a  atualização monetária  destes créditos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.  Note­se que o prejuízo ao qual o STJ busca evitar apenas  se concretiza  em  pedidos de  ressarcimento  em dinheiro,  na medida em que os valores devolvidos  tardiamente  pela Fazenda Pública já se encontrariam corroídos pela inflação.  Em  se  tratando  de  declaração  de  compensação  que  utiliza  créditos  decorrentes de  ressarcimento de  IPI,  contudo, o prejuízo  se mostra  inexistente,  isto devido à  declaração  de  compensação  possuir  efeito  extintivo  do  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.  Desta  forma,  o  contribuinte,  ao  formalizar  sua  declaração  de  compensação,  antecipa­se as possíveis perdas decorrentes da demora na análise do pedido de ressarcimento,  utilizando­se previamente o saldo credor acumulado no período.  Esta,  justamente,  é  a  situação  sob  julgamento,  tendo  em  vista  a  recorrente  intentar  utilizar­se  de  créditos  decorrentes  de  ressarcimento  de  IPI  referentes  ao  terceiro  trimestre de 2003 para compensação de tributos com vencimento em 31/10/2003.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto ­ Relator                Fl. 885DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10073.001288/2003­91  Acórdão n.º 3201­001.463  S3­C2T1  Fl. 1.341          11                 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI

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Numero do processo: 10980.010802/2007-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. IMPEDIMENTOS. A atividade de reparação e manutenção de motores elétricos não prescinde necessariamente do exercício de qualquer atividade específica que requeresse a participação de engenheiro, ou qualquer outro prestador de serviço que exerçaa profissão com habilitação legalmente exigida, sendo ônus da autoridade fiscal comprovar a sua existência para o desenquadramento ou não enquadramento.
Numero da decisão: 1802-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.010802/2007­70  Acórdão n.º 1802­002.170  S1­TE02  Fl. 37          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a  Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte.  Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ:  “Trata­se  de  manifestação  de  inconformidade  contra  ato  administrativo  que  indeferiu  a  opção do  contribuinte  pelo  Regime  Espcial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de  Pequeno Porte de que trata a Lei Complementar 123/2006,  em deorrência do exercício da atividade descrita no código  CNAE 3313­9/01 – manutenção e reparação de geradores,  transformadores  e  motores  elétricos,  considerada  impeditiva ao Simples Nacional.  Segundo o interessado, sua atividade não se enquadra nas  vedações  previstas  no  art.  17,  XI  da  Lei  Complementar  123/2006. Ao final, pediu a inclusão no Simples Nacional”.  A  DRJ  de  Curitiba  (PR)  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa:  “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2007  SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA  A  empresa  que  exerce  atividade  prevista  no  anexo  I  da  Resolução  CGSN  06/2007  é  impeditiva  de  participar  do  Regime Especial Unificado  de Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições devidos pelas MIcroempresas e Empresas de  Pequeno Porte – Simples Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio”  Inconformada  com  essa  decisão  da  qual  tomou  ciência  em  30/03/2012,  a  Recorrente  apresentou  solicitação  de  revisão  de  exclusão  do  Simples  em  24/04/2012,  onde  reitera as alegações feitas por ocasião de sua manifestação de inconformidade.  Este é o Relatório.  Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.010802/2007­70  Acórdão n.º 1802­002.170  S1­TE02  Fl. 38          3   Voto             Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator.  O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento.  Trata­se o processo de pedido de  revisão de exclusão do Simples Nacional,  onde  a  Recorrente,  dentro  do  prazo  legal  previsto  na  Lei  Complementar  nº  123/06  e  nas  resoluções  do  CGSN,  manifestou  sua  vontade  de  ingressar  no  Simples  Nacional,  o  que  foi  indeferido por se tratar de atividade supostamente vedada.  A atividade em questão seria a constante do código 3313­9/01 – Manutenção  e Reparação de geradores, transformadores e motores elétricos.  Trata­se  de  atividade  que  embora  inicialmente  constasse  do  rol  de  impedimentos,  deixou  de  constar  da  relação  por  não  ser  necessariamente  prestada  por  engenheiros ou outras profissões técnicas.  Nesse aspecto, falece razão a autoridade administrativa, eis que a negativa se  deu mesmo antes que o contribuinte começasse a ter suas operações, de modo que não há no  processo qualquer prova de que a atividade desenvolvida pela empresa seja de assessoria, de  projetos de peças, ou que comprovadamente envolva exercício de qualquer atividade específica  que  requeresse  a  participação  de  engenheiro,  ou  algo  que  efetivamente  relacionasse  seus  serviços a uma profissão com habilitação legalmente exigida.  Nesse  sentido,  valho­me do  acórdão  nº  30334468 do Terceiro Conselho  de  Contribuintes, 3ª Câmara, Turma Ordinária, cuja ementa segue transcrita a seguir:  “Assunto: Sistema  Integrado de Pagamento de Impostos e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno Porte ­ Simples   Ano­calendário: 2004   Ementa:  SIMPLES.  ATIVIDADE  NÃO  IMPEDIDA.  CANCELAMENTO  DO  ADE  DE  EXCLUSÃO.  Milita  a  favor  do  contribuinte  a  dúvida  quanto  à  natureza  ou  às  circunstãncias  materiais  do  fato,  devendo­se  nesse  caso  interpretar  a  lei  tributária  de  maneira  mais  favorável  ao  acusado. Não há neste processo nenhuma evidência de que  a atividade desenvolvida pela  empresa  seja de assessoria,  de  projetos  de  peças,  ou  que  comprovadamente  envolva  exercício de qualquer atividade específica que requeresse a  participação  de  engenheiro,  ou  algo  que  efetivamente  relacionasse seus serviços a uma profissão com habilitação  legalmente  exigida.  A  motivação  apresentada  para  estabelecer impedimento ao SIMPLES se restringiu à mera  descrição abstrata numa Resolução CONFEA, sem nem ao  Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.010802/2007­70  Acórdão n.º 1802­002.170  S1­TE02  Fl. 39          4 menos  se  promover  o  confronto  com  os  detalhes  da  atividade  efetivamente  exercida  no  local  de  prestação  de  serviços. Os elementos constantes dos autos informam que  a  atividade  exercida  pela  recorrente  é  de  comércio  de  peças  e  manutenção  de  pequenas  aeronaves  com  peso  máximo  até  5.670  kg,  motor  até  400  HP,  conforme  certificado de homologação concedido pelo DAC sob o nº  6711­02. A atividade é autorizada pelo DAC, não havendo  evidência de necessidade de registro junto ao CREA. Nada  nestes  autos  indica  que  a  atividade  desenvolvida  seja  assemelhada a de engenheiro.”  No  mesmo  sentido  reproduzo  a  ementa  do  acórdão  nº  1101­000.930,  proferido pela 1ª Seção, da 1ª Câmara da 1ª Turma desse conselho, cujo provimento se deu por  unanimidade:  “Assunto: Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno Porte ­ SIMPLES  EXCLUSÃO.  SIMPLES.  ATIVIDADE  VEDADA.  COMPROVAÇÃO EFETIVA.   A  simples menção no  contrato  social  de  atividade  vedada  por  lei  para  opção  ao  SIMPLES  não  desencadeia  necessariamente  na  exclusão.  É  necessário  que  se  comprove que a empresa atua na área vedada e isto é ônus  do Fisco.   SIMPLES. LEI Nº 11.051/04   As  pessoas  jurídicas  que  se  dedicam  às  atividades  de  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  máquinas de escritório e de  informática  foram excetuadas  das  vedações  constantes  da  Lei  nº  9.317/96  para  opção  pelo SIMPLES, pela Lei nº 11.051/04.”  Sendo assim, para que não haja o enquadramento no Simples Nacional ou sua  exclusão,  cabe  a  autoridade  fiscal  o  ônus  de  comprovar  que  a  atividade  seja  prestada  por  engenheiro ou outra profissão que tenha habilitação legalmente exigida.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  provimento  ao  recurso  voluntário para permitir a inclusão da Recorrente no Simples Nacional, retroativamente a data  do pedido.  (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão               Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.010802/2007­70  Acórdão n.º 1802­002.170  S1­TE02  Fl. 40          5                   Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA

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5460401 #
Numero do processo: 10840.722725/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, ano-calendário 2007, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$106.877,20, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte. Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429-SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situarem-se na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, alegou também a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício, bem como o direito de deduzir o Imposto Retido na Fonte. A impugnação foi deferida somente na parte em que foi admitida a compensação do IRRF de $ 4.340,92, cuja retenção foi comprovada às fls. 47, nos demais pontos foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988; a inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN; e previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: os rendimentos referem-se a benefícios pagos pelo INSS em atraso, uma renda mensal de R$419,00, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 0,5% ao mês; o valor total apurado na liquidação da sentença foi de R$132.369,08, constituído de benefício previdenciário (R$62.167,23 ), atualização monetária (R$46.008,98), juros de mora (R$12.159,32) e Honorários de sucumbência (R$12.033,55). Se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543-C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61-A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$24.487,73), sendo R$12.159,32 da liquidação da sentença mais R$12.328,41 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543-C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP). é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e não aplicação da multa de ofício porque não agiu de má-fé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificando-se a aplicação do art. 112 do CTN. Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69-A) e no Estatuto do Idoso. Relatado, passa-se a deliberar. Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verifica-se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano-calendário 2007. A documentação de fls. 40 em diante comprova que os rendimentos referem-se a benefícios mensais do período de maio de 1995 a outubro de 2003 pagos pelo INSS em atraso. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgR-QO-RG / RS - RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados - se por regime de caixa ou de competência - vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543-B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, ano-calendário 2007, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$106.877,20, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte. Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429-SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situarem-se na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, alegou também a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício, bem como o direito de deduzir o Imposto Retido na Fonte. A impugnação foi deferida somente na parte em que foi admitida a compensação do IRRF de $ 4.340,92, cuja retenção foi comprovada às fls. 47, nos demais pontos foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988; a inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN; e previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: os rendimentos referem-se a benefícios pagos pelo INSS em atraso, uma renda mensal de R$419,00, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 0,5% ao mês; o valor total apurado na liquidação da sentença foi de R$132.369,08, constituído de benefício previdenciário (R$62.167,23 ), atualização monetária (R$46.008,98), juros de mora (R$12.159,32) e Honorários de sucumbência (R$12.033,55). Se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543-C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61-A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$24.487,73), sendo R$12.159,32 da liquidação da sentença mais R$12.328,41 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543-C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP). é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e não aplicação da multa de ofício porque não agiu de má-fé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificando-se a aplicação do art. 112 do CTN. Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69-A) e no Estatuto do Idoso. Relatado, passa-se a deliberar. Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verifica-se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano-calendário 2007. A documentação de fls. 40 em diante comprova que os rendimentos referem-se a benefícios mensais do período de maio de 1995 a outubro de 2003 pagos pelo INSS em atraso. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgR-QO-RG / RS - RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados - se por regime de caixa ou de competência - vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543-B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/2011­85  Resolução nº  2802­000.148  S2­TE02  Fl. 157          2  sobre  parcela  de  juros  de mora  e  não  aplicação  da multa  de  ofício,  bem  como  o  direito  de  deduzir o Imposto Retido na Fonte.  A  impugnação  foi  deferida  somente  na  parte  em  que  foi  admitida  a  compensação  do  IRRF  de  $  4.340,92,  cuja  retenção  foi  comprovada  às  fls.  47,  nos  demais  pontos foi indeferida tendo como fundamento, em síntese:   a)  suspensão  da  eficácia  do  Ato  Declaratório  PGFB  nº  1/2009  pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória  pelas  DRJ,  cujo  procedimento  não  está  submetido  ao  Regimento Interno do CARF;   b)  aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988; a  inaplicação  de  legislação  superveniente  por  ausente  qualquer  hipótese  prevista no art. 106 do CTN;   c)  tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN,  inciso  XIV  do  art.  55  do  RIR1999  e  §4º  do  art.  3º  da  Lei  7.713/1988;   d)  vedação  ao  julgador  administrativo  de  apreciar  alegações  de  inconstitucionalidade de lei;  e)  previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese  prevista no art. 112 do CTN; e  f)  previsão  expressa  no  art.  161  do  CTN  e  no  art.  61  da  Lei  9.430/1996 para exigência dos juros de mora.  Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou  recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos:  1.  os  rendimentos  referem­se  a  benefícios  pagos  pelo  INSS  em  atraso, uma renda mensal de R$419,00, relativo aos meses de  maio  de  1995  a  outubro  de  2003,  sobre  os  quais  incidiram  juros de mora de 0,5% ao mês;  2.  o  valor  total  apurado  na  liquidação  da  sentença  foi  de  R$132.369,08,  constituído  de  benefício  previdenciário  (R$62.167,23 ), atualização monetária (R$46.008,98), juros de  mora  (R$12.159,32)  e  Honorários  de  sucumbência  (R$12.033,55).  3.  Se  recebidos  na  época  própria,  os  rendimentos  estariam  na  faixa de isenção do imposto;  4.  a  tributação  deve  se  dar  na  forma  do  entendimento  consolidado  no  STJ  (RESP  1.118.429/SP),  julgado  na  sistemática do art. 543­C do CPC e de reprodução obrigatória  no CARF por  força  do  art.  61­A  (sic)  do Regimento  Interno  desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/2011­85  Resolução nº  2802­000.148  S2­TE02  Fl. 158          3  Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução  Normativa RFB nº 1127/2011;   5.  a  retenção  do  imposto  na  fonte,  prevista  no  art.  27  da  Lei  10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e  da capacidade contributiva;  6.  não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros  de mora  (R$24.487,73),  sendo R$12.159,32 da  liquidação da  sentença mais R$12.328,41 dos juros sobre o depósito judicial,  tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS  que  julgado  na  sistemática  do  art.  543­C  do  CPC  é  de  reprodução obrigatória pelo CARF,  como  já  se pronunciou o  STF (AI 482398/SP).  7.  é  ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que  tem como matriz  legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz  do  art.  43  do  CTN,  pois  os  juros  de  mora  constituem  uma  indenização pelas perdas  sofridas, notadamente com a edição  do Código Civil de 2002 (art. 404);  8.  os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da  forma  menos  onerosa  para  o  trabalhador  (Provimentos  nº  03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho);  e  9.  não  aplicação  da multa  de  ofício  porque  não  agiu  de má­fé,  não  recebeu qualquer  informe da  fonte pagadora  indicando a  forma  de  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  justificando­se  a  aplicação  do  art.  112  do  CTN.  Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art.  69­A) e no Estatuto do Idoso.  Relatado, passa­se a deliberar.  Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira  instância verifica­se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente  no ano­calendário 2007.  A documentação de fls. 40 em diante comprova que os rendimentos referem­se a  benefícios mensais do período de maio de 1995 a outubro de 2003 pagos pelo INSS em atraso.  Considerando  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  admitiu  a  existência  de  repercussão  geral  quanto  a  essa  matéria,  e  que  o  mérito  será  julgado  nos  Recursos  Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do  e. STF de  sobrestar os demais  julgamento,  é o  caso de  sobrestar o presente  julgamento,  nos  termos dos §§ 1º e 2º do art. 62­A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF  nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/2011­85  Resolução nº  2802­000.148  S2­TE02  Fl. 159          4  Vejamos:  RE  614406  AgR­QO­RG  /  RS  ­  RIO  GRANDE  DO  SULREPERCUSSÃO  GERAL  NA  QUESTÃO  DE  ORDEM  NO  AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010   Ementa  TRIBUTÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL FEDERAL. 1. A questão  relativa ao modo de  cálculo do  imposto  de  renda  sobre  pagamentos  acumulados  ­  se  por  regime  de  caixa  ou  de  competência  ­  vinha  sendo  considerada  por  esta  Corte  como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão  geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no  art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88  por  Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários  da  isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário  com  suporte  no  entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral  da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543­B, § 1º, do  CPC. (grifos acrescidos).  Diante  do  exposto,  suscito  o  sobrestamento  do  julgamento  até  julgamento  da  matéria pelo Supremo Tribunal Federal.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso    Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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5403387 #
Numero do processo: 19515.007813/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2004, 2005, 2008 MONTANTE TRIBUTÁVEL. ERRO NA APURAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Mantém-se a exoneração parcial do crédito tributário referente ao ano de 2004, após confirmada a ocorrência de erro na sua apuração. PAGAMENTO DA ESTIMATIVA APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL EXIGIDO DE OFÍCIO. DESCONSIDERAÇÃO. O pagamento de estimativa de IRPJ após o início do procedimento fiscal não altera o lançamento do IRPJ calculado sobre o lucro real anual em função da ausência do pagamento daquela estimativa. MULTA ISOLADA — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas.
Numero da decisão: 1202-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência da multa isolada, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente momentaneamente o Conselheiro Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência da multa isolada, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente momentaneamente o Conselheiro Geraldo Valentim Neto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício   (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner – Relatora  (assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima – Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Viviane  Vidal  Wagner,  Plínio  Rodrigues  Lima,  Nereida  de  Miranda  Finamore  Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente momentaneamente o  Conselheiro Geraldo Valentim Neto.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)  por  recolhimento  a menor  de  IRPJ,  referente  aos  anos­calendário  2004  e  2007,  e  de Multa  Isolada  por  Falta  de  Recolhimentos  de  IRPJ  por  diferenças  entre  os  valores  declarados  e  escriturados, nos anos­calendário 2003, 2004 e 2007, apurados a partir dos dados inseridos nas  Fichas 11, 12A, 16 e 17 das respectivas DIPJ.  As infrações foram assim resumidas no relatório da decisão recorrida, que ora  se reproduz:  Ano­calendário de 2003  ­  a  fiscalizada  não  informou  qualquer  débito  relativo  às  antecipações  do  IRPJ a pagar correspondentes aos meses de maio a setembro, no total de R$  11.450.281,01,  indicados  nas  Linhas  13  das  Fichas  11,  na  DIPJ/2004;  somente  na  DCTF  referente  ao  4º  trimestre/2003,  arquivada  sob  nº  00001.002.005/51943479,  informou  o montante  de  R$  12.732.895,47  como  sendo a estimativa do IRPJ correspondente a outubro/2003;  ­ tal valor corresponde à soma dos R$ 11.450.281,01, das antecipações dos  meses  de maio  a  setembro, mais  o  saldo  da  estimativa  a  pagar  do mês  de  outubro/2003, de R$ 1.215.415,40;  Ano­calendário de 2004  ­ no que se refere ao saldo de estimativa do IRPJ a pagar, correspondente a  dezembro/2004,  no  valor  de  R$  22.895.154,07,  indicado  na  Linha  13  da  Ficha  11,  a  fiscalizada  informou  na DCTF  referente  ao  4º  trimestre/2004,  arquivada  sob  o  nº  1000.000.2007.1740483058,  o  valor  de  R$  19.734.283,90, ou seja, R$ 3.160.870,17 a menor que o apurado (o autuante  consignou, por engano, o valor de R$ 19.706.885,94);  ­  o  preenchimento  correto  da  Ficha  12A  –  CÁLCULO DO  IMPOSTO DE  RENDA  SOBRE  O  LUCRO  REAL,  do  ano­calendário  de  2004,  seria,  de  acordo  com a  planilha  que  faz  parte  integrante do Termo de Constatação,  apurando­se a diferença de IRPJ a pagar no valor de R$ 3.159.041,09, assim  demonstrado:  Ficha 12 A DIPJ/2005  CORRETO  EMPRESA  DIFERENÇA  01. IRPJ 15%  38.426.103,11  38.426.103,11  ­  03. ADICIONAL  25.593.402,07  25.593.402,07  ­  SOMA  64.019.505,18  64.019.505,18  ­  04. OPER CAR CULTURAL  1.532.480,25  1.532.480,25  ­  05. PROGR ALIM TRAB  4.563,87  4.563,87  ­  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 5          4 14. IRFONTE ÓRGÃO PÚBL.  1.829,19  1.829,19    17. IR PAGO ESTIMATIVA  59.321.590,78 (*)  62.930.822,34  (3.609.231,56)  19. IMP RENDA A PAGAR  3.159.041,09  (450.190,47)  3.609.231,56  DIFERENÇA  3.159.041,09  (450.190,47)  3.609.231,56  (*) R$ 47.690.627,21(Total dos recolhimentos das estimativas de janeiro a dezembro/2004)  + R$ 11.630.963,07 (IRRF – Linha 07 da Ficha 11).  Ano­calendário de 2007  ­  da  estimativa  de  IRPJ  correspondente  a  dezembro/2007,  no  valor  de  R$  125.039.822,57  (Linha  12  da  Ficha  11  da  DIPJ/2008),  foi  informada  na  DCTF, de nº 1002.007.2008.1880150248, o valor de R$ 123.567.559,57, ou  seja, R$ 1.472.263,00 a menor que o apurado;  ­  refazendo­se  os  cálculos,  resulta  IRPJ  a  pagar,  no  importe  de  R$  1.472.262,95, como se demonstra a seguir:  FICHA 12A DA DIPJ/2008  CORRETO   EMPRESA  DIFERENÇA  01. IRPJ 15%  117.743.247,64  117.743.247,64  ­  02. ADICIONAL  78.471.498,43  78.471.498,43  ­  SOMA  196.214.746,07  196.214.746,07  ­  03. OPER CAR CULTURAL  4.476.564,00  4.476.564,00  ­  04. PROGR ALIM TRAB  47.240,76  47.240,76  ­  07. FUNDOS DIR CRIANÇA  1.110.186,00  1.110.186,00    17. IR PAGO ESTIMATIVA  189.108.492,36  190.580.755,31  (1.472.262,95)  19. IMP RENDA A PAGAR  1.472.262,95  ­  1.472.262,95  DIFERENÇA DO IRPJ A RECOLHER  1.472.262,95  ­  1.472.262,95  Enquadramento legal:   IRPJ  –  arts.  247  e  841,  do  Regulamento  do  Imposto de Renda – RIR/1999 – Decreto nº 3.000, de 1999; multa isolada – artigos 222, 843 e  957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/1999.  Na  impugnação,  ainda  conforme  relatório  da  decisão  recorrida,  foram  apresentados os argumentos a seguir reproduzidos:   A) INFRAÇÃO 1 – SUPOSTO RECOLHIMENTO A MENOR DE IRPJ NOS ANOS­ CALENDÁRIO DE 2004 E 2007  ­  no  mês  de  dezembro  de  2004  apurou  um  valor  de  IRPJ  de  R$  38.426.103,11,  acrescido do valor de R$ 25.593.402,07, referente ao adicional de 10%, perfazendo  R$ 64.019.505,18, devidamente informado em DIPJ e aceito pela Fiscalização como  correto;  ­ consoante permite a sistemática do Imposto de Renda, para a quitação do débito,  considerou os valores anteriormente pagos, isto é, o valor das estimativas mensais  (R$ 62.930.822,34),  dos  incentivos  fiscais  (R$ 1.532.480,25 + R$ 4.563,87)  e das  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 6          5 retenções por fontes pagadoras (R$ 1.829,19), totalizando deduções no valor de R$  64.469.695,65;  ­  a  Fiscalização  considerou  que  o  valor  recolhido  da  estimativa  de  dezembro  de  2004  somaria  R$  19.734.283,90,  resultando  em  um  suposto  valor  a menor  de R$  3.609.231,56,  tendo  em  vista  o  valor  do  débito  informado  para  esse  mês,  no  montante de R$ 22.895.154,07;  ­  ao  longo do  ano  de  2004  recolheu  indevidamente  IRPJ por  estimativa  a maior,  resultando em crédito em dezembro desse ano, conforme se verifica na Ficha 12 A  da DIPJ.  Assim,  pagou  o  valor  de R$  19.734.283,90  (DARF)  e  utilizou  o  crédito  decorrente  das  estimativas  pagas  a  maior  para  quitar  o  valor  residual,  de  R$  3.609.231,56;  ­ ainda nesta infração, a Fiscalização exige o IRPJ do mês de dezembro/2007, no  valor de R$ 1.472.262,95 que, supostamente, não teria sido pago pela Impugnante;  ­  no  mês  de  dezembro  de  2007  apurou  IRPJ  a  pagar,  de  R$  123.567.559,57,  conforme informado em DCTF, tendo sido esse valor compensado com créditos de  outros tributos federais, e todas as compensações foram devidamente formalizadas  pela entrega de formulários PER/DCOMP;  ­  quando da  revisão  da  apuração para  a  entrega  da DIPJ  constatou  que  o  valor  apurado seria, em verdade, de R$ 125.039.822,57, e recolheu o valor residual, de  R$ 1.472.262,95, acrescido de multa e juros de mora (doc. 06);  B) INFRAÇÃO 2 – MULTA ISOLADA – SUPOSTAS DIFERENÇAS NOS VALORES  DECLARADOS E ESCRITURADOS NOS ANOS­CALENDÁRIO DE 2003, 2004 E  2007  ­  da  confusa  redação do Termo de Verificação Fiscal,  parece que a Fiscalização  intenta  exigir  a multa  isolada  de  50%  sobre  o  valor  das  estimativas mensais  dos  períodos citados, em razão de supostas divergências entre os valores informados em  DCTF e DIPJ e os valores efetivamente apurados;  ­ o enquadramento legal indicado no auto de infração não se aplica à situação de  fato  examinada,  demonstrando  o  vício  pela  falta  de  fundamentação  legal  da  exigência;  ­  em  respeito  ao  princípio  da  legalidade  e  da  tipicidade  cerrada,  que  deriva  do  disposto no art. 5º, XXXIX da Constituição Federal, a infração cometida deve estar  tipificada  no  ordenamento  jurídico  para  que  seja  possível  a  aplicação  da  penalidade;  ­  a  ausência  de  tipificação  do  fato  ilícito  é  causa  de  cancelamento  da  multa,  conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes;  ­  cumpre  ainda  destacar  a  impossibilidade  de  se  exigir  o  pagamento  da  multa  isolada  pela  falta  de  recolhimento  de  estimativas  após  o  encerramento  dos  anos­ calendário;  ­ consoante a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que dá fundamento ao  art.  957, parágrafo único,  IV, do RIR/1999,  é considerada uma  infração  sujeita à  multa  isolada  de  50%  a  situação  em  que  o  contribuinte  deixa  de  realizar  o  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 7          6 pagamento  mensal,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa para o ano­calendário correspondente;  ­ a hipótese normativa não se aplica ao caso em comento dada a impossibilidade de  se  exigir  multa  isolada  pela  falta  de  recolhimento  de  estimativa  após  o  encerramento do ano­calendário;  findo o ano­calendário a multa  isolada perde o  seu fundamento uma vez que o contribuinte não está sujeito ao pagamento do valor  mensal, conforme base estimada, mas sim ao pagamento do tributo conforme a base  anual, já consolidada;   ­  encerrado  o  ano­base,  eventuais  insuficiências  de  recolhimento  do  IRPJ  são  punidas mediante a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I do art. 44, da  Lei nº 9.430, de 1996 e não mais pela exigência da multa isolada;  ­ ainda, a multa isolada é inaplicável diante da inexistência de valor exigível a título  de  estimativa  no período de  apuração de maio  a  setembro de  2003,  dezembro  de  2004 e dezembro de 2007, por ter sido integralmente recolhido; deixou de indicar  na  DCTF  dos  respectivos  meses  o  valor  das  estimativas  apuradas  nos  meses  de  maio a setembro, mas incluiu na DCTF do mês e outubro, e recolheu o valor devido  (doc. 07);  ­ conforme amplamente demonstrado, não houve recolhimento a menor de IRPJ dos  meses de dezembro, de 2004 e 2007;  ­ por fim, não poderia deixar de mencionar a ilegitimidade da aplicação da multa  isolada em duplicidade com a multa de ofício;  ­ no que concerne ao IRPJ apurado nos meses de dezembro/2004 e dezembro/2007,  sobre o valor de principal supostamente exigido, a Fiscalização exigiu a multa de  75%, e estes mesmos valores também foram submetidos à multa isolada de 50%;  ­ o fato que enseja a aplicação das duas multas é exatamente o mesmo, qual seja, a  suposta  falta  de  recolhimento  do  valor  das  estimativas  mensais  dos  meses  de  dezembro de 2004 e 2007, não podendo, a ordem  jurídica,  comportar  tão grande  multiplicidade de punições para uma conduta fiscal;  ­ neste sentido, destaca que situações como estas já foram analisadas pelo Conselho  de  Contribuintes  que,  em  todos  os  casos  decidiu  pela  inaplicabilidade  da  multa  isolada cumulada com a multa de ofício.  A  decisão  de  primeira  instância  considerou  o  lançamento  parcialmente  procedente, nos termos da seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003, 2004, 2007  ESTIMATIVAS  NÃO  PAGAS.  CÔMPUTO  INDEVIDO  NA  APURAÇÃO  ANUAL DO IRPJ.  Somente  os  valores  das  antecipações  de  IRPJ  pagas,  assim  consideradas  pela  legislação  tributária,  podem  ser  deduzidos  na  apuração do  IRPJ  com  base no lucro real. Exigidas de ofício as diferenças de imposto apuradas no  ajuste anual, dos anos­calendário de 2004 e 2007, exonera­se parcialmente o  crédito tributário do ano de 2004, em razão de erro na sua apuração.  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 8          7 PROCEDIMENTO FISCAL. PAGAMENTO DA ESTIMATIVA APÓS INÍCIO  DA  AÇÃO  FISCAL.  IMPOSTO  SOBRE  O  LUCRO  REAL  EXIGIDO  DE  OFÍCIO. EXIGÊNCIA MANTIDA.  O lançamento do IRPJ calculado sobre o lucro real deveu­se à dedução de  estimativa não paga, na apuração anual. O pagamento dessa estimativa após  o início do procedimento fiscal não altera o lançamento, mas cabe ao órgão  preparador efetuar a alocação do valor pago ao crédito tributário exigido.  MULTA  ISOLADA.  ESTIMATIVAS  NÃO  PAGAS.  MULTA  PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO.  A  apuração  de  antecipações  mensais  não  pagas,  após  o  encerramento  do  ano­calendário, sujeita a pessoa jurídica à multa isolada incidente sobre os  valores  não  pagos. A multa  de  ofício  calculada  sobre  a  diferença  de  IRPJ  apurada no ajuste anual possui hipótese de incidência distinta, sendo cabível  a sua exigência concomitante com a multa isolada.  ESTIMATIVAS  DECLARADAS  EM  DCOMP.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  MULTA ISOLADA.  A DCOMP apresentada após a vigência da MP nº 135, de 2003, convertida  na Lei nº 10.833, de 2003, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados.  A  compensação  declarada  extingue  o  crédito  tributário  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior  homologação.  Não  homologadas  as  compensações, os débitos de estimativas mensais são cobrados com base na  DCOMP,  sendo  insubsistente  o  lançamento  da  multa  isolada  por  falta  de  pagamento das estimativas.  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  PAGAMENTO  DE  ESTIMATIVA.  PAGAMENTO EFETUADO DURANTE A AÇÃO FISCAL.   O pagamento da antecipação de IRPJ mensal, após o início da ação fiscal,  não exclui a multa isolada lançada.  Inconformado, o contribuinte, cientificado em 19/11/2009 (fl.381) apresentou  recurso voluntário ao CARF em 18/12/2009 (fl.389), em que, basicamente, repisa as razões da  impugnação, afirmando, ainda, em síntese, que:  ­  ao  contrário  do  entendimento  da  DRJ,  a  integralidade  do  valor  devido  a  titulo  de  IRPJ  no  ano­calendário  de  2004  foi  recolhida,  sendo  impossível  sustentar qualquer  cobrança;  ­ da mesma forma que a Fiscalização quando do auto de infração lavrado, a  DRJ  restringiu  seu  exame  ao  valor  apurado  e  recolhido  no  mês  de  dezembro  considerado  isoladamente, ao invés de considerar a apuração do IRPJ em bases anuais;  ­  qualquer  valor  a  título  de  IRPJ  só  poderá  ser  considerado  devido  pelo  contribuinte  se,  ao  fim  do  ano­calendário,  considerando o  IRPJ  devido  em bases  anuais,  for  verificado que o valor anual recolhido foi  inferior aquele apurado para o mesmo período, em  função da sistemática do lucro real;  ­ no mês de dezembro de 2004, considerando a  apuração anual,  apurou um  valor de IRPJ de R$ 38.426.103,11 (trinta e oito milhões, quatrocentos e vinte e seis mil, cento  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 9          8 e três reais e onze centavos), acrescido do valor de R$ 25.593.402,07 (vinte e cinco milhões,  quinhentos  e  noventa  e  três  mil,  quatrocentos  e  dois  reais  e  sete  centavos)  referente  ao  adicional de 10%, perfazendo a quantia total de R$ 64.019.505,18 (sessenta e quatro milhões,  dezenove mil, quinhentos e cinco reais e dezoito centavos);  ­ o valor das estimativas mensais deduzido na apuração do IRPJ sobre o lucro  real foi de R$ 62.930.822,34 que, somado ao valor dos incentivos fiscais (R$ 1.537.044,12) e  ao  IRRF/Órgão  Público  (R$  1.829,19),  resultaria  em  deduções  de  R$  64.469.695,65;  todos  estão  devidamente  comprovados  pelos  documentos  fiscais  a  disposição  da  Fiscalização,  não  havendo  qualquer  valor  residual  a  pagar:  R$  64.019.505,18  ­  R$  64.469.695,65  =  R$  450.190,47 de crédito de saldo negativo de IRPJ;  ­ o valor apurado de R$ 22.895.154,07, informado na DIPJ/2005 (fl.39) para  o  mês  de  dezembro  de  2004,  foi  quitado  por  recolhimento  de  DARF  de  R$  19.734.283,90  dedução  de  valores  de  estimativas  de  meses  anteriores  de  R$  3.160.870,17  e  que  o  recolhimento  da  quantia  de  R$  19.734.283,90,  “não  representou,  de  qualquer  forma,  recolhimento a menor, uma vez que nos meses anteriores a Recorrente já tinha recolhido um  valor de estimativa superior ao então devido!!!”  Sobre a INFRAÇÃO 2 ­ MULTA ISOLADA ­ SUPOSTAS DIFERENÇAS  NOS  VALORES  DECLARADOS  E  ESCRITURADOS  NOS  ANOS­CALENDÁRIOS  DE  2003, 2004 E 2007 (item B do recurso), alega:   (i)  a  impossibilidade  de  se  exigir  multa  isolada  uma  vez  comprovado  o  recolhimento integral das estimativas dos seguintes períodos:  ­  mês  de  dezembro  de  2004:  demonstrou  que  o  valor  apurado  de  R$  22.895.154,07  (vinte  e  dois  milhões,  oitocentos  e  noventa  e  cinco mil,  cento  e  cinqüenta  e  quatro  reais  e  sete  centavos)  foi  quitado  por  recolhimento  de  DARF  de  R$  19.734.283,90  (dezenove milhões,  setecentos e  trinta e quatro mil, duzentos e oitenta e  três  reais  e noventa  centavos)  e dedução  de  valores  de  estimativas  de meses  anteriores  de R$ 3.160.870,17  (três  milhões, cento e sessenta mil, oitocentos e setenta reais e dezessete centavos).  ­  o  ano­calendário  de  2007:  a  própria  DRJ  reconheceu  a  integralidade  do  pagamento da estimativa de dezembro, mas, contraditoriamente, entendeu cabível a aplicação  de multa pela  insuficiência do recolhimento, considerando que o valor  residual de 2007  teria  sido pago pela Recorrente após o início da ação fiscal.  (ii)  a  impossibilidade  de  se  exigir multa  isolada  pela  falta  de  recolhimento  dos valores de estimativas após o encerramento do ano­calendário, assim como a cumulação de  multas  pelo  mesmo  fato  gerador,  citando  o  posicionamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais e a necessidade de observância dessas decisões   Em  contrarrazões,  a  PGFN  requer  seja  negado  provimento  ao  recurso  voluntário, mantendo­se a exigência fiscal, segundo a decisão da DRJ, considerando:   (i)  o  recolhimento  a  menor  de  IRPJ,  ano­calendário  2004,  cabendo  ao  contribuinte  a  prova  do  alegado  recolhimento  a  maior  das  estimativas  mensais,  diverso  do  apurado na DIPJ e pago na DCTF, conforme a Fiscalização;  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 10          9 (ii)  a  legalidade  das  multas  aplicadas  isoladamente,  referentes  aos  anos­ calendário 2004 e 2007, diante da falta de pagamento das estimativas mensais, nos termos do  art.  44,  inc.  II,  “b”  da  Lei  nº  9.430/96,  exigidas  de  acordo  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007,  bem  como  pela  possibilidade  de  aplicação  concomitante  com  a  multa  pelo  lançamento de ofício (art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96), não se configurando bis in idem.  É o relatório.    Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 11          10 Voto Vencido  Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora  RECURSO DE OFÍCIO  Do  crédito  tributário  constituído,  a  decisão  de  primeira  instância  exonerou,  respectivamente,  em  relação  ao  ano­calendário  de  2003,  a multa  isolada  no montante  de R$  5.725.140,52 e, em relação ao ano­calendário de 2004, decidiu pelo cancelamento de parte do  IRPJ no valor de R$ 450.190,47 e da multa isolada proporcional, no valor de R$ 337.642,85.  Ano­calendário de 2003  As  razões da  exoneração da multa  isolada pela  turma de primeira  instância  são transcritas abaixo:  Reafirma­se  que  no  presente  processo  foi  exigida  a  multa  isolada tomando por base de cálculo os valores das estimativas  de  IRPJ  dos  meses  de  maio/2003  a  setembro/2003,  que  não  foram pagos mediante DARF.  Quanto às compensações, o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de  1996,  introduzido  pela  Lei  nº  10.637,  de  2002,  conversão  da  Medida Provisória nº 66, de 2002, dispõe que a compensação  declarada  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.  As  DCOMP  foram  transmitidas  antes  do  início  do  procedimento  fiscal,  em 14/07/2004, constituindo confissão de  dívida, nos termos do parágrafo 6º do art. 74 da Lei nº 9.430,  de  1996,  incluído  pela  Medida  Provisória  nº  135,  de  2003,  convertida na Lei nº 10.833, de 2003.  Por  sua  vez,  os  débitos  de  estimativas  mensais,  cujas  compensações  não  foram  homologadas,  são  cobrados,  com  base  nas  DCOMP,  conforme  previsto  na  IN  SRF  nº  600,  de  2005,  art.  29,  e  na  IN RFB  nº  900,  de  2008,  art.  37. Da  não  homologação  das  compensações  cabem  a  manifestação  de  inconformidade  e  o  recurso  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  segundo  o  rito  do  Processo  Administrativo  Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972).  Assim  sendo,  não  configurada  a  falta  de  pagamento  das  estimativas  a  justificar  o  lançamento  da  multa  isolada,  no  presente processo, cancela­se a multa exigida, no valor de R$  5.725.140,52.  Neste caso, verifica­se que a recorrente demonstrou ter compensado, à época,  via DCOMP entregues oportunamente, os valores a título de estimativas dos meses de maio a  setembro de 2003, o que foi reconhecido pela decisão recorrida.  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 12          11 Como  bem  destacado  pela  decisão  recorrida,  inexiste  a  caracterização  da  “falta  de  recolhimento  de  estimativa”,  diante  da  compensação  devidamente  declarada  e  conforme a legislação específica. Sem reparos à decisão.  Ano­calendário de 2004  Em relação ao ano­calendário de 2004, a DRJ considerou:  Ademais,  se no mês de dezembro o valor da antecipação apurado na DIPJ  foi de R$ 22.895.154,07, mas foi declarado em DCTF, e pago, o valor de R$  19.734.283,90 (fls. 334 a 336), é este o valor que deve integrar a dedução a  título  de  Imposto  de  Renda Mensal  Pago  por  Estimativa,  na  Linha  17  da  Ficha  12A  (Cálculo  do  Imposto  de  Renda  sobe  o  Lucro  Real).  E  assim  recomposta a Ficha 12A, resulta IRPJ a pagar, no valor de R$ 3.159.041,09  (fl.  16),  em  vez  de  saldo  negativo,  de  R$  450.190,47,  apurado  pela  contribuinte.  Cabe observar que o valor de IRPJ exigido de ofício deve ser reduzido, de  R$  3.609.231,56  para  R$  3.159.041,09,  que  corresponde  à  diferença  de  imposto que deixou de ser paga, embora o autuante tenha somado o valor do  saldo negativo apurado na DIPJ, de R$ 450.190,47.  Quanto  a  esse  saldo  negativo,  foi  objeto  de  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP  nº  32532.44220.281105.1.3.02­1889),  ainda  pendente  de  análise (fls. 337 e 338). (destacou­se)  Aqui,  a  questão  é  simplesmente  matemática.  O  valor  do  saldo  negativo  apurado  na  DIPJ,  de  R$  450.190,47,  é  um  ficção.  O  valor  que  deixou  de  ser  recolhido  corresponde à diferença entre o valor apurado de R$ 22.895.154,07, informado na DIPJ/2005  (fl.39)  para  o  mês  de  dezembro  de  2004,  e  o  montante  recolhido  via  DARF,  de  R$  19.734.283,90. Assim, a redução do valor lançado é correta.  Diante disso, nega­se provimento ao recurso de ofício.  RECURSO VOLUNTÁRIO  O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido.  IRPJ  Ano­calendário de 2004  A  opção  pelo  lucro  real  anual  impõe  ao  contribuinte  o  dever  de  recolher  estimativas mensais.   Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 13          12 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.  (Regulamento)   §1o O  imposto  a  ser  pago mensalmente  na  forma deste artigo  será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo,  da alíquota de quinze por cento.   §2oA  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada  mensalmente,  que  exceder  a  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais)ficará  sujeita  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda  à  alíquota  de  dez  por cento.   §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na  forma  deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  dezembro  de  cada  ano,  exceto  nas  hipóteses  de  que  tratam  os  §§1º e 2º do artigo anterior.   §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou  a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto  devido o valor:   I ­ dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os  limites  e  prazos  fixados  na  legislação  vigente,  bem  como  o  disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995;   II  ­dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;   III  ­do  imposto  de  renda  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre receitas computadas na determinação do lucro real;   IV ­do imposto de renda pago na forma deste artigo.  (destacou­se)  Veja­se que, na apuração do Imposto de Renda a pagar no mês de dezembro  de 2004, do total de Imposto de Renda apurado (R$ 38.426.103,11 + R$ 25.593.402,07 = R$  64.019.505,18), a recorrente deduziu:  ­ Deduções de incentivos fiscais................  R$ 1.537.044,12  ­ IR devido em meses anteriores...............  R$ 27.956.343,42  ­ IRRF........................................................  R$ 11.630.963,57  TOTAL de deduções.................................  R$ 41.124.351,11  Disso resultou exatamente a diferença de R$ 22.895.154,07, que deveria  ter  sido  recolhida  a  título  de  estimativa  do  mês  de  dezembro/2004.  Todavia,  tal  valor  não  foi  recolhido integralmente, conforme registros (fls. 334 a 336). Na DCTF foi declarado e pago o  débito  de  IRPJ  no  valor  de  R$  19.734.283,90,  referente  ao  período  de  apuração  dezembro/2004.  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 14          13 A  recorrente  sustenta  que  demonstrou  que  o  valor  apurado  de  R$  22.895.154,07  informado na DIPJ/2005 (fl.39) para o mês de dezembro de 2004,  foi quitado  por recolhimento de DARF de R$ 19.734.283,90 e pela dedução de valores de estimativas de  meses anteriores de R$ 3.160.870,17. Exatamente aqui reside o problema.  O valor  que  deve  integrar  a  dedução  a  título  de  Imposto  de Renda Mensal  Pago por Estimativa, na Linha 17 da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobe o Lucro  Real) é o valor total das estimativas efetivamente pagas no período.   Equivocou­se  a  recorrente  ao  informar  o montante  de R$  62.930.822,34,  a  título  de  estimativas  pagas,  que  fez  gerar  um  saldo  negativo  de  R$  450.190,47,  quando  o  correto seria o valor de R$ 62.482.461,06.  Sobre esse ponto, cabe  reproduzir a decisão de primeira  instância, que bem  solucionou a questão, ao afirmar que,   mesmo  que  se  considerasse  o  valor  de R$  22.895.154,07  como  da antecipação de IRPJ de dezembro/2004, somando os valores  das  estimativas  mensais  apuradas  de  janeiro  a  dezembro,  demonstradas  na  DIPJ/2005,  resultaria  o  valor  de  R$  62.482.461,06,  que  corresponde  à  soma  das  antecipações  de  janeiro  a  novembro  (R$  27.956.343,42)  e  de  dezembro  (R$  22.895.154,07),  e  do  IRRF  (R$  11.630.963,57).  Por  sua  vez,  acrescido  do  valor  dos  incentivos  fiscais  e  do  IRRF/Órgão  Público,  totalizaria  R$  64.021.334,37.  Ademais,  se  no  mês  de  dezembro  o  valor  da  antecipação  apurado  na  DIPJ  foi  de  R$  22.895.154,07, mas foi declarado em DCTF, e pago, o valor de  R$  19.734.283,90  (fls.  334  a  336),  é  este  o  valor  que  deve  integrar  a  dedução a  título  de  Imposto  de Renda Mensal Pago  por Estimativa, na Linha 17 da Ficha 12A (Cálculo do Imposto  de Renda sobe o Lucro Real). E assim recomposta a Ficha 12A,  resulta  IRPJ a pagar,  no valor de R$ 3.159.041,09  (fl.  16),  em  vez  de  saldo  negativo,  de  R$  450.190,47,  apurado  pela  contribuinte.   Cabe  observar  que  o  valor  de  IRPJ  exigido  de  ofício  deve  ser  reduzido,  de  R$  3.609.231,56  para  R$  3.159.041,09,  que  corresponde  à  diferença  de  imposto  que  deixou  de  ser  paga,  embora  o  autuante  tenha  somado  o  valor  do  saldo  negativo  apurado na DIPJ, de R$ 450.190,47. (grifo no original)  Pelo exposto, verifica­se que, após as deduções cabíveis, restou, de fato, um  saldo a pagar de IRPJ no montante de R$ 3.159.041,09. Assim, mantém­se o auto de infração  de IRPJ.  Multa isolada  Segundo  a  autoridade  fiscal,  as  divergências  verificadas  em  2004  e  2007  geraram “falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de  cálculo  estimada  em  função  da  receita  bruta  e  acréscimos  e/ou  balanços  de  suspensão  ou  redução” (fls. 63 e 64).   Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 15          14 Especificamente  em  relação  ao  ano­calendário  de  2007,  a  recorrente  concordou com a diferença, apurada pela autoridade fiscal, de IRPJ a pagar relativa ao mês de  dezembro,  no  valor  de  R$  1.472.262,95,  e  recolheu  com  os  acréscimos  moratórios,  em  31/07/2008 (fl. 236), alegando que inexiste causa de incidência da multa isolada.  Note­se,  contudo,  que,  ainda  que  o  recolhimento  tenha  se  dado  antes  da  ciência  de  auto  de  infração,  ocorrida  em  10/12/2008  (fls.  62),  o  pagamento  não  afasta  a  imposição da multa isolada pela falta do pagamento por estimativa, pois restou caracterizada a  infração nos termos da lei. Nesse caso, estando o contribuinte em procedimento fiscal, não se  trata de denúncia espontânea.  Nos  casos  de  ausência  de  recolhimento  das  estimativas  mensais,  a  Lei  nº  9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota  de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei  nº 11.488, de 15/06/2007, aplica­se inclusive retroativamente por inserir uma penalidade mais  benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:[...]  II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:[...]  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  Assim,  é  devida  a multa  isolada  em  relação  à  estimativa  não  recolhida  em  dezembro de 2007.  A recorrente ainda alega que não caberia o lançamento de multa isolada pela  falta de recolhimento dos valores de estimativas após o encerramento do ano­calendário nem  poderia  haver  a  exigência  concomitante  de multa  isolada  e multa  de  oficio  de  75%  exigida  juntamente  com  o  tributo,  sob  pena  de  haver  cumulação  de  penalidades  em  decorrência  do  mesmo fato jurídico. Sem razão, como se demonstrará.  Note­se  que,  enquanto  a  multa  isolada  é  prevista  no  inciso  II,  acima  transcrito, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação  dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto.  A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa  isolada por  falta de  recolhimento  de  estimativas  concomitantemente  com  a  apuração  de multa  de  ofício  sobre  o  tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste  Conselho, data venia, não merece ser reconhecida.   Respeitadas as opiniões em contrário, entende­se que a legislação é expressa.  Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma  faculdade  pela Lei  nº  9.430/96,  em  seu  art.  2º,  uma vez  optante,  ele  estará  sujeito  às  regras  daquela sistemática.  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 16          15 A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem  o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador  do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se  configurar em 31 de dezembro do ano­calendário em referência.  O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral,  mas  estipulou  que  esta  traz  consequências,  na  medida  em  que  a  falta  de  recolhimento  representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever.   Assim,  a  falta  de  recolhimento  gera  uma  infração  específica.  Pretender  equiparar  as bases de  cálculo da multa  isolada e da multa de ofício não parece  conforme ao  sentido da lei.   Ora, são distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto  um  decorre  de  ato  lícito  –  fato  gerador  –,  o  outro  decorre  da  realização  de  um  ato  ilícito,  comissivo ou omissivo, como é o caso em análise.  Da mesma forma, distingue­se a multa isolada, esta devida nos casos em que  for  detectada  a  falta  de  recolhimento  do  tributo  estimado  a  cada  mês,  da  multa  de  ofício  incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração.   São inconfundíveis a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de  eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo  não  é  apurado  trimestralmente,  mas  anualmente,  e  a  base  de  cálculo  da  multa  isolada  é  a  estimativa mensal  calculada  a partir  da  receita  bruta. A multa  de  ofício,  por  sua  vez,  incide  sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração.   Nesse sentido, a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da  Lei  nº  9.430/96,  que  alterou  o  percentual  da  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção.  A  legislação  possibilita  o  não  recolhimento  de  antecipação,  desde  que  apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor  do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no  art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A  determinação legal inclui expressamente a possibilidade de haver lançamento de multa isolada  após o  encerramento do  exercício,  ao  reafirmar  que  a multa  é devida “ainda que  tenha  sido  apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro  líquido, no ano­calendário correspondente”.  Em  outras  palavras,  a  regra  é  clara:  o  descumprimento  do  dever  de  antecipação deve ser sancionado na forma da lei,  independentemente do valor do imposto ou  contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base  de  cálculo  negativa.  Fica  ressalvada,  apenas,  a  hipótese  de  apresentação  de  balancetes  de  suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que  não se verificou no presente caso.  Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal  expressa,  o  que  não  se  inclui  na  função  de  julgamento  na  esfera  administrativa,  pela  impossibilidade de manifestação sobre eventual  inconstitucionalidade da legislação tributária,  consoante a regra prevista no art. 26­A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 17          16 pelo  art.  25  da  Lei  nº  11.941,  de  27.05.2009,  e  reproduzida  no  art.  62  do  Anexo  II  do  Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009.   Nesse sentido, o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de  desproporcionalidade necessariamente  atrai  a  apreciação de  sua  compatibilidade com o  texto  constitucional,  fazendo  incidir,  na  hipótese,  o  teor  da  Súmula CARF  nº  2:  “O CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Assim,  deve  ser  mantido  o  lançamento  da  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento de estimativas de IRPJ, referente aos períodos de dezembro de 2004 e dezembro  de 2007.  DISPOSITIVO  Em razão do exposto, nega­se provimento aos recursos de ofício e voluntário.  (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 18          17 Voto Vencedor  Conselheiro Plínio Rodrigues de Lima, Redator designado  Em  relação  à  impossibilidade de  concomitância  entre  a multa de ofício  e  a  multa isolada referente aos períodos de dezembro de 2004 e dezembro de 2007, em que pesem  os argumentos da ilustre Conselheira, ouso destes divergir. A sanção administrativa em caso de  lançamento de ofício encontra­se na Lei nº. 9.430, de 1996, art. 44, a seguir transcrito:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes  multas:(Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a) (...)  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (negritei).  Sobre a multa de ofício e a multa isolada, leciona Paulo de Barros Carvalho  (in Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2013, 25ª ed. pp 489 a 491):  Multa  de  ofício  é  expressão  que  indica  o  procedimento  para  a  constituição  do  conseqüente  sancionatório:  lançamento  de  ofício. Nesta medida,  significa  simplesmente que é uma espécie  de  sanção  aplicada  pela  Autoridade  Administrativa  mediante  lançamento  de  ofício  ou  Auto  de  Infração  ou  Imposição  de  Multa.  (...)  Multa isolada é o nome que se dá ao procedimento sancionatório  que,  como  o  próprio  nome  indica,  isoladamente  exige  a  multa  por algum motivo que a lei determina. Trata­se de atributo que  qualifica  a  forma  de  exigência  da  multa  pelo  Fisco.  Assim,  exemplificando,  a  multa  será  cobrada  isoladamente,  quando  o  tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do  prazo previsto em lei. Esta é a hipótese do inciso II do §1º do art.  44 da Lei n° 9.430/96...  Em linha de princípio, entende­se por isolada a multa aplicada  mediante  cobrança  tão  só  do  valor,  a  título  de  penalidade.  Agora,  há  que  se  tomar  nota  de  que  tais  espécies,  em  regra,  serão também de ofício, em decorrência do procedimento a que  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 19          18 se  submetem,  e,  punitiva,  em  razão  do  seu  específico  intuito  regulatório.  Ainda  na  amplitude  da  providência  de  se  caracterizar  a multa  isolada  no  âmbito  do  sistema  tributário,  vale  a  lembrança  de  que,  em  face  da  sua  própria  natureza  punitiva  e  de  ofício,  é  inadmissível  a  sua  exigência  cumulativa  com  outra  multa  de  ofício. Nesses termos, é o entendimento da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais  que  consignou  a  exegese,  no  Acórdão  CSRF/01­05.511,  e  em  outros  julgados  do  Conselho  de  Contribuintes.  No  caso,  a  cobrança  do  IRPJ  e  da  CSLL  ,  tributos  cobrados  após  o  encerramento do ano­calendário, juntamente com a multa de ofício de 75%, retira a eficácia da  multa isolada de 50% sobre as estimativas não recolhidas, uma vez que, após o encerramento  do  ano­calendário,  referida  exação  só  poderia  subsistir  se  houvesse  pagamento  dos  tributos  após o vencimento do prazo previsto em lei ou informação de prejuízo fiscal em DCTF, antes  do início de procedimento de fiscalização com a finalidade de cobrar o  IRPJ e a CSLL. Esta  seria a razão de cobrança da multa de 50%, mesmo havendo prejuízo fiscal apurado ao final do  ano­calendário.  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  já  se  pronunciou  sobre  a  concomitância por meio do Acórdão n° 9101001.547, com a seguinte ementa:  MULTA  ISOLADA  —  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVA.  O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio  deve  ser  calculada  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo,  materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre  base  estimada  ao  longo  do  ano.  A  jurisprudência  da  CSRF  consolidou­se no sentido de que não cabe a aplicação da multa  isolada  após  o  encerramento  do  período.  Ante  esse  entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência  da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas.  No voto condutor desse Acórdão, de relatoria do Ilustre Conselheiro Valmir  Sandri, destacam­se os seguintes fundamentos:  A  jurisprudência  desta  Câmara  Superior  consolidou­se  no  sentido de que as duas condutas (antecipação e ajuste), embora  distintas, estão materialmente ligadas, eis que o cálculo do valor  estimado  repercute  na  apuração do  ajuste  ao  final  do  período.  Nesse passo, a primeira conduta (o dever de antecipar), só existe  antes  do  encerramento  do  período  de  apuração,  e  apenas  até  esse  termo  seu  descumprimento  será  alcançado  pela  penalização.  Após  o  encerramento  do  período,  a  conduta  exigível é o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste.  Dessa  inteligência  da  norma  resulta  que,  encerrado  o  ano­ calendário,  não  mais  existe  o  dever  de  antecipar,  e  assim,  a  multa pelo descumprimento do dever de pagar o tributo só incide  sobre a diferença entre o tributo devido no período e o já pago  (quer sobre forma de estimativas, quer sobre forma de ajuste).  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.007813/2008­14  Acórdão n.º 1202­001.021  S1­C2T2  Fl. 20          19 Pelas  razões  expostas,  nego  provimento  ao  recurso  de  ofício  e  dou  provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada sobre as estimativas não  recolhidas  de  IRPJ/CSLL,  de  que  trata  o  inciso  II,  do  art.  44,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  referente aos períodos de dezembro de 2004 e dezembro de 2007.  (documento assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima.                    Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO

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Numero do processo: 35011.003089/2006-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO/EDIÇÃO DO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SIMPLES CORREÇÃO. Restando comprovado o erro material na formalização/edição do Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração exclusivamente para suprir o defeito apontado, com emissão de novo decisum nos termos do artigo o artigo 67 do Decreto n° 7.574/2011, que regulamentou o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, rerratificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. Embargos acolhidos parcialmente.
Numero da decisão: 9202-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, exclusivamente para sanear o erro material suscitado pela contribuinte no Acórdão Embargado, nº 9202-002.787, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, exclusivamente para sanear o erro material suscitado pela contribuinte no Acórdão Embargado, nº 9202-002.787, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   2       (Assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator  EDITADO EM: 24/02/2014  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice­Presidente), Luiz Eduardo de  Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado), Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique  Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  CONSTRUTORA  SOMA  LTDA.,  contribuinte,  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  já  devidamente  qualificado  nos  autos  do  processo  administrativo  em  epígrafe,  teve  contra  si  lavrada  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD,  em  13/09/2006,  exigindo­lhe  crédito  tributário  referente  às  contribuições  previdenciárias  devidas  e  não  recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes dos  riscos  ambientais do  trabalho e as destinadas  a Terceiros,  incidentes  sobre  a  remuneração dos segurados empregados, apurada por aferição indireta, com espeque no artigo  33,  §§  3º  e  6º,  da  Lei  nº  8.212/91,  em  relação  ao  período  de  06/2001  a  12/2005,  conforme  Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 128/131, e demais documentos que instruem o processo.  De  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal,  o  crédito  tributário  exigido  fora  apurado por aferição indireta, nos termos do artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, uma vez  que  a  contabilidade  da  contribuinte  não  se  apresentava  na  forma  exigida  pela  legislação  previdenciária,  deixando  de  espelhar  a  realidade  da  movimentação  das  remunerações  dos  segurados  empregados.  Mais  a  mais,  a  notificada  não  apresentou  os  livros  e  documentos  contábeis de 2001 e 2002 (em parte).  Após regular processamento,  interposto recurso voluntário à Segunda Seção  de Julgamento do CARF contra Decisão da 5a Turma da DRJ em Belém/PA, Acórdão nº 01­ 9.388/2007,  às  fls.  543/549,  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal  em  referência,  a  Egrégia 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 28/07/2011, por unanimidade de votos, achou  por  bem  CONHECER  EM  PARTE  E  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos  inseridos no  Acórdão nº 2302­001.212, sintetizados na seguinte ementa:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Fl. 3738DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35011.003089/2006­15  Acórdão n.º 9202­003.016  CSRF­T2  Fl. 3.691          3 Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.  No  Processo  Administrativo  Fiscal,  dada  à  observância  aos  princípios processuais da impugnação específica e da preclusão,  todas  as  alegações  de  defesa  devem  ser  concentradas  na  impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão  de  instância e violação ao devido processo legal.   DESCONSIDERAÇÃO  DA  CONTABILIDADE.  AFERIÇÃO  INDIRETA. CABIMENTO.  A  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não registra o movimento real das remunerações dos segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  é  motivo  justo,  bastante,  suficiente  e  determinante  para  a  apuração,  por  aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.   PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO.  JUNTADA  DE  NOVOS  DOCUMENTOS  APÓS  PRAZO  DE  DEFESA.  REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.  A  impugnação  deverá  ser  formalizada  por  escrito  e mencionar  os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como  os  pontos  de  discordância,  e  vir  instruída  com  todos  os  documentos  e  provas  que  possuir,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual  salvo  nas  hipóteses  taxativamente  previstas  na  legislação  previdenciária,  sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.   Recurso Voluntário Negado.”  Irresignada,  a  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial,  às  fls.  1.461/1.475,  com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­ CARF,  procurando demonstrar  a  insubsistência  do Acórdão  recorrido,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal,  insurge­se  contra  o Acórdão  atacado,  alegando  ter  contrariado  entendimento  levado  a  efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai  dos Acórdãos  paradigmas  trazidos  à  colação,  impondo  seja  conhecido  o  recurso  especial  do  recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas.  De início, suscita que a análise de alegações e/ou provas novas no âmbito do  processo administrativo fiscal encontra­se escorada em 03 (três) vertentes distintas. A primeira  corrente,  corroborada  pelo  Acórdão  n°  201­81.000,  rechaça  o  conhecimento  de  documentos  novos após a impugnação.  Por outro lado, a segunda corrente, admite a apresentação de novas razões de  direito  e  provas  novas,  excepcionalmente,  conquanto  que  se  apresentem  argumentos  Fl. 3739DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   4 suplementares  à  impugnação  e antes  da  decisão  de primeira  instância,  encontrando  guarida  nos Acórdãos n°s 103­22.583 e 303­34.308.  Finalmente,  a  terceira  corrente,  possibilita  a  apresentação  de  documentos  a  qualquer  tempo em observância  aos princípios da  instrumentalidade processual  e da verdade  material,  entendimento  que  a  contribuinte  se  apega  nesta  oportunidade,  com  o  fito  de  fazer  prevalecer  sua  tese  e  comprovar  a  divergência  arguida,  adotando  como  paradigmas  os  Acórdãos n°s 108­09.622 e CSRF/03­04.981.  Sustenta  que  o  Acórdão  recorrido  adotou  o  entendimento  contemplado  na  primeira corrente, no sentido de que a apresentação de provas somente poderá ocorrer em sede  da defesa  inaugural,  salvo nos casos previstos na  legislação de  regência,  ao contrário do que  restou assentado nos decisórios paradigmas retromencionados, o quais aceitam a produção de  provas em qualquer fase processual administrativa.  Em defesa de sua pretensão, contrapõe­se à exigência fiscal consubstanciada  na peça vestibular do  feito, notadamente quanto  ao arbitramento utilizado na constituição do  crédito tributário, repisando os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, no sentido  de que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável  ou  ausência  de  apresentação  de  documentos,  o  que  não  se  vislumbra  na  hipótese  dos  autos,  onde  a  contribuinte  sempre  colocou  a  disposição  a  contabilidade  demonstrando  sua  regularidade.  Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e  documentos  solicitados  pela  fiscalização  no  decorrer  da  ação  fiscal,  não  se  justificando  a  constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da  documentação ofertada pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do  fato gerador do tributo ora lançado.  Relativamente  ao  conhecimento  de  provas  novas  ofertadas  após  a  interposição da impugnação, reitera o entendimento esposado nos Acórdãos paradigmas de que  devem  ser  submetidas  à  análise  da  autoridade  julgadora,  sobretudo  em  observância  aos  princípios  da  instrumentalidade  processual  e  verdade  material,  mormente  quando  se  estiver  diante  de  lançamento  contemplando  crédito  tributário  apurado  por  aferição  indireta,  invertendo­se o ônus da prova. A corroborar seu entendimento, traz à colação doutrina pátria e  jurisprudência  judicial  ressaltando  a  possibilidade  de  conhecimento  de  provas  e  alegações  novas no processo administrativo fiscal, em detrimento à preclusão processual.  Infere  que  o  pedido  de  diligência  formulado  na  impugnação  e  no  recurso  voluntário  se  justifica pelo  simples  fato da  impossibilidade material de  se  juntar  centenas de  milhares de documentos comprobatórios, os quais, em verdade, iriam atravancar os trabalhos  fiscais, assim como, a logística dos órgãos preparatórios, razão pela qual impõe­se determinar  o  conhecimento  das  argumentações  e  provas  ofertadas  em  sede  de  recurso  voluntário,  ao  contrário do que restou assentado no Acórdão recorrido.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da  2a  SJ  do  CARF,  entendeu  por  bem  admitir  o  Recurso  Especial  da  Contribuinte,  sob  o  argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras  decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da  Fl. 3740DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35011.003089/2006­15  Acórdão n.º 9202­003.016  CSRF­T2  Fl. 3.692          5 mesma  matéria,  mais  precisão  o  Acórdão  n°  108­09.622,  conforme  Despacho  n°  2300­ 509/2012, às fls. 3.653/3.654.  Instada  a  se manifestar  a  propósito  do Recurso Especial  do Contribuinte,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  suas  contrarrazões,  às  fls.  3.657/3.667,  corroborando  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  do Acórdão  guerreado,  em  defesa  de  sua  manutenção.  Incluído na pauta de 06/08/2013, a Colenda 2a Turma da CSRF, por maioria  de votos, achou por bem não conhecer do Recurso da Contribuinte, o fazendo sob o manto das  razões inscritas no Acórdão nº 9202­002.787, com sua ementa abaixo transcrita:  “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Período de Apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005  NORMAS  PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS.  RECURSO  ESPECIAL.  ACÓRDÃO  PARADIGMA  CONTEMPLANDO  FATOS  DIVERSOS  DO  QUE  TRATA  O  DECISUM  RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.  Com  arrimo  no  artigo  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/2009,  somente  deverá  ser  conhecido  o  Recurso  Especial,  escorado  naquele  dispositivo  regimental,  quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o  Acórdão  recorrido  e  o  paradigma,  a  partir  da  demonstração  fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa  do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a  comprovação do pré­questionamento a respeito do tema. Não se  presta  à  comprovação/caracterização  da  divergência  de  teses  pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da  adotada  no  decisório  combatido,  na  esteira  dos  preceitos  contidos no § 6o do dispositivo regimental supra.  Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.”  Ainda  inconformada,  a  Contribuinte  opôs  Embargos  de  Declaração,  às  fls.  3.677/3.684, fundamentado no artigo 64, I, c/c artigo 65 e seguintes do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/2009,  pugnando  pela  reforma  do  Acórdão  embargado,  em  virtude  das  contradições  e  omissões  a  seguir apontadas.  De  início,  suscita  a  possibilidade  de  atribuição  de  efeitos  infringentes  aos  Embargos  de  Declaração  opostos  nos  autos  de  processo  administrativo  fiscal,  mormente  quando a nódoa contamina de tal forma o julgado que seu acolhimento implica na alteração  do conteúdo deste na correição da omissão e/ou contradição incorrida pelo julgador, sobretudo  em face da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, na linha que o próprio CARF já  vem reconhecendo.  Após  breve  relato  dos  fatos  ocorridos  no  decorrer  do  procedimento  fiscal,  sustenta ter havido erro material na ementa do Acórdão guerreada, uma vez constar no tópico  Assunto  a  matéria  Imposto  Sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR,  o  que  representa  Fl. 3741DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   6 evidente  contradição  com  a  demanda  posta  nos  autos  concernente  às  contribuições  previdenciárias,  impondo seja  retificado o assunto para que este expresse verdadeiramente a  matéria em comento.  Traz à colação estudo a propósito da definição de paradigma, contemplando  a  sua  origem,  com  base  em  transcrições  doutrinárias,  concluindo  que  em momento  algum  o  julgador embargado  logrou determinar o que significa tal palavra, caracterizando omissão no  julgado.  Acrescenta que não restou explicitado no decisum recorrido qual teria sido a  modalidade  de  análise  dos  acórdãos  confrontados,  apesar  de  ter  insinuado  que  se  trata  de  exame objetivo da divergência suscitada.  Opõe­se ao entendimento  levado a  efeito no decisório combatido, aduzindo  para tanto que a análise das divergências jurisprudenciais e a sua admissibilidade não se fixa  em encontrar acórdão­paradigma idêntico na norma aplicável e nos fatos ocorridos.  Alega,  ainda,  ter  ocorrido  contradição  entre  o  fundamento  do  voto  e  sua  conclusão, tendo em vista que o próprio relator inseriu no bojo do decisum que há uma eterna  discussão a propósito da preclusão processual em confrontação com o princípio da verdade  material, o que implica dizer que existe divergência entre julgados contemplando a matéria em  debate.  Por  derradeiro,  pretende  sejam  os  Embargos  de  Declaração  acolhidos  com  efeitos  infringentes,  objetivando  sanear  as  omissões  e  contradições  apontadas,  de maneira  a  analisar o recurso especial da contribuinte, nos termos encimados.  Submetido  a  exame  preliminar  dos  pressupostos  para  conhecimento  dos  Embargos  opostos  pela  Contribuinte,  constatamos  que,  de  fato,  ocorrera  erro  material  na  formalização/edição do Acórdão, nos termos do Despacho de fls. 3.686/3.689, razão pela qual  propusemos o conhecimento parcial de aludida peça recursal, somente para fins de correção  de referido equívoco, com a inclusão em nova pauta de julgamento, o que fora acolhido pelo  ilustre Presidente do Colegiado.  É o Relatório.  Fl. 3742DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35011.003089/2006­15  Acórdão n.º 9202­003.016  CSRF­T2  Fl. 3.693          7   Voto             Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  DOS EMBARGOS  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo  e  comprovado  o  erro  apontado  pela  Embargante,  acolho  os  Embargos  de  Declaração,  pelas  razões de fato e de direito a seguir esposadas.  Como muito bem asseverado pela contribuinte, da simples  leitura dos autos  constata­se  ter  havido  equívoco/erro  na  formalização/edição  do  Acórdão,  por  constar  como  Assunto  a matéria  Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural –  ITR, o que, de fato, não  coaduna  com  a  questão  posta  nos  autos,  onde  se  analisa  contribuições  previdenciárias,  consoante se positiva da respectiva Ementa abaixo transcrita:  “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Período de Apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005  NORMAS  PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS.  RECURSO  ESPECIAL.  ACÓRDÃO  PARADIGMA  CONTEMPLANDO  FATOS  DIVERSOS  DO  QUE  TRATA  O  DECISUM  RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.  Com  arrimo  no  artigo  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/2009,  somente  deverá  ser  conhecido  o  Recurso  Especial,  escorado  naquele  dispositivo  regimental,  quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o  Acórdão  recorrido  e  o  paradigma,  a  partir  da  demonstração  fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa  do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a  comprovação do pré­questionamento a respeito do tema. Não se  presta  à  comprovação/caracterização  da  divergência  de  teses  pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da  adotada  no  decisório  combatido,  na  esteira  dos  preceitos  contidos no § 6o do dispositivo regimental supra.  Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.”  Mostra­se evidente, portanto, o erro apontado pela Embargante, ao constar do  tópico Assunto o tema Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR enquanto o correto  seria Contribuições Sociais Previdenciárias.  Por sua vez, o artigo 67 do Decreto n° 7.574/2011, que regulamentou o artigo  32 do Decreto n° 70.235/72, determina que os  erros materiais constantes da decisão  exarada  em  processo  administrativo  fiscal  deverão  ser  corrigidos  mediante  a  prolação  de  um  novo  acórdão, senão vejamos:  Fl. 3743DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   8 “Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os  erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser  corrigidos  de  ofício  ou  a  requerimento  do  sujeito  passivo,  mediante a prolação de um novo acórdão (Decreto no 70.235, de  1972, art. 32).”  Na  esteira  do  dispositivo  legal  retro,  impõe­se  acolher  os  Embargos  de  Declaração  com  a  exclusiva  finalidade  de  sanear  o  erro/equívoco material  incorrido  em  sua  formalização, mais precisamente no tópico “Assunto” da Ementa.  Partindo dessas premissas,  é de  se  corrigir  o  tópico Assunto da Ementa,  de  maneira  a  constar  como  matéria  contemplada  nos  autos:  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias.  Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER EM PARTE OS  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, exclusivamente para sanear o erro material suscitado pela  contribuinte  no Acórdão Embargado,  nº  9202­002.787,  rerratificando,  porém,  o  resultado  do  julgamento pretérito em relação às demais alegações da contribuinte, pelas razões de fato e de  direito acima esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira                                Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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5401536 #
Numero do processo: 13161.720148/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTA CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito a Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias, desde que seja observado o prazo de cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte. O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE GRATIFICAÇÕES E HORAS EXTRAS. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA. As parcelas pagas aos segurados a título de gratificações e horas extras configuram remuneração e não indenização. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO UTILIZADO INSUFICIENTE PARA QUITAR OS DÉBITOS. GLOSA. MANUTENÇÃO. VERBAS INTITULADAS DE GRATIFICAÇÕES, HORAS EXTRAS E SAT/GILRAT. Para que a compensação venha a ser aceita pelo Fisco, deverá a interessada possuir em seu favor crédito próprio suficiente à quitação dos débitos que pretende compensar. Em não havendo suficiência de crédito, merece ser mantida a glosa levada a efeito pela fiscalização. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais - REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização da glosa de compensação. Os valores apurados no lançamento fiscal decorrem de glosa de compensações, informados em GFIP pelo próprio sujeito passivo na sistemática do lançamento por homologação. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e, reconhecendo-se o direito a compensação de seus valores, observado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos a contar da data do efetivo pagamento indevido, nos termos do voto. Vencido o conselheiro Thiago Taborda Simões que votou pelo provimento também em relação ao adicional de horas extraordinárias. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13161.720148/2013­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.014  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO: GLOSA  Recorrente  MUNICÍPIO DE BELA VISTA ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012  COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  NÃO  OSTENTA  CARÁTER  REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE.  Não  devem  ser  glosadas  as  compensações  efetuadas  com  valores  de  contribuições  devidas  pela  recorrente,  quando  se  pleiteia  o  seu  abatimento  com  valores  pagos  indevidamente  ou  a  maior.  No  caso,  devem  ser  considerados  como  direito  de  crédito  a  Recorrente  os  pagamentos  de  contribuições  a  maior  incidentes  sobre  o  terço/adicional  constitucional  de  férias,  desde  que  seja  observado  o  prazo  de  cinco  anos  contados  do  dia  seguinte  ao  do  recolhimento  ou  do  pagamento  indevido.  Precedentes  do  Superior Tribunal de Justiça (STJ).  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL.  A  compensação  de  contribuições  previdenciárias  está  sujeita  às  limitações  legais e à homologação pela  fiscalização, não sendo um direito absoluto do  contribuinte.  O  direito  de  compensar  contribuições  pagas  indevidamente  extingue­se  em  cinco  anos  contados  do  dia  seguinte  ao  do  recolhimento  ou  do  pagamento  indevido.  VERBAS PAGAS A TÍTULO DE GRATIFICAÇÕES E HORAS EXTRAS.  HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA.  As  parcelas  pagas  aos  segurados  a  título  de  gratificações  e  horas  extras  configuram  remuneração  e  não  indenização.  Precedentes  do  Superior  Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF).  COMPENSAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  CRÉDITO  UTILIZADO  INSUFICIENTE  PARA  QUITAR  OS  DÉBITOS.  GLOSA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 48 /2 01 3- 96 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2  MANUTENÇÃO.  VERBAS  INTITULADAS  DE  GRATIFICAÇÕES,  HORAS EXTRAS E SAT/GILRAT.  Para que a compensação venha a ser aceita pelo Fisco, deverá a  interessada  possuir  em  seu  favor  crédito  próprio  suficiente  à  quitação  dos  débitos  que  pretende  compensar.  Em  não  havendo  suficiência  de  crédito,  merece  ser  mantida a glosa levada a efeito pela fiscalização.  CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.  Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da  Lei  11.941/09,  o  “Relatório  de  Representantes  Legais  ­  REPLEG”  tem  a  finalidade  de  apenas  identificar  os  representantes  legais  da  empresa  e  respectivo  período  de  gestão  sem,  por  si  só,  atribuir­lhes  responsabilidade  solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.  CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara  e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta  de obscuridade na caracterização da glosa de compensação.  Os  valores  apurados  no  lançamento  fiscal  decorrem  de  glosa  de  compensações,  informados  em  GFIP  pelo  próprio  sujeito  passivo  na  sistemática do lançamento por homologação.  JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.  O  sujeito  passivo  inadimplente  tem que  arcar  com  o  ônus  de  sua mora,  ou  seja, os juros e a multa legalmente previstos.  Nos  termos  do  enunciado  no  4  de  Súmula  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na  taxa  SELIC  para  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos  moldes da legislação em vigor  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 3          3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  que  seja  afastada  a  incidência  da  contribuição  social  previdenciária  sobre  a  verba  paga  a  título  de  adicional  de  1/3  constitucional  de  férias  e,  reconhecendo­se o direito a compensação de seus valores, observado o prazo prescricional de 5  (cinco) anos a contar da data do efetivo pagamento indevido, nos  termos do voto. Vencido o  conselheiro  Thiago  Taborda  Simões  que  votou  pelo  provimento  também  em  relação  ao  adicional de horas extraordinárias.      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo,  Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal,  referente  às  contribuições devidas  à Seguridade Social,  correspondente  a  contribuições compensadas, de forma administrativa, indevidamente pela Prefeitura, mediante  o procedimento de glosa, no período de 03/2009 a 02/2012.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  (fls.  62/65),  a  empresa  efetuou  compensações  indevidas relativas:  1.  às competências 03/2009 a 11/2009, 13/2009, 09/2010 a 02/2012, em  razão da utilização de supostos créditos decorrentes de pagamentos de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  horas­extras,  gratificações e 1/3 de férias, sem o amparo de decisão judicial;  2.  às  competências  11/2012  e  13/2012,  em  razão  da  utilização  de  montante  de  crédito  maior  que  o  devido  decorrente  de  saldo  de  pagamentos  de  contribuições  previdenciárias  destinadas  ao  SAT/GILRAT.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 22/02/2013 (fls.  01 e 72), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  73/89),  alegando,  em  síntese, que:  1.  o lançamento deve ser anulado, por erro material, na forma do art. 59,  inciso  II do PAF, porque a autoridade fiscal não  identificou os  fatos  geradores, não determinou a matéria tributável, não efetuou o cálculo  do montante do  tributo devido, e não apresentou a descrição do fato  tributável  e  nem  a  correta  determinação  da  exigência,  requisitos  essenciais do lançamento conforme previsto no art. 142 do CTN e no  art. 10 do Decreto 70.235/1972;  2.  conforme  jurisprudência  do  STJ,  é  indevida  a  incidência  da  Contribuição  Previdenciária  sobre  verbas  indenizatórias,  ou  seja,  sobre  os  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  do  funcionário  por  doença,  sobre  hora­extra,  sobre  o  terço  constitucional,  sobre  férias  gozadas, sobre abonos, prêmios e gratificações, motivo pelo qual seria  indevida  a  glosa  da  compensação  dos  créditos  decorrentes  dos  pagamentos das contribuições incidentes sobre referidas verbas;  3.  deve  ser  excluído  do  nome  do  Prefeito  ABRAÃO  ARMOA  ZACARIAS,  pois  ele  assumiu  a  prefeitura  em  01/01/2013,  motivo  pelo qual deve ter seu nome excluído do relatório de vínculos;  4.  não  há  previsão  legal  para  a  incidência  dos  juros  de  mora  sobre  o  valor da multa de ofício lançada;  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 4          5 5.  as  contribuições  previdenciárias  lançadas  já  foram  confessadas  em  GFIP  apresentadas  tempestivamente,  havendo,  pois,  dupla  exigência  delas.  A Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ) em Campo  Grande/MS  –  por  meio  do  Acórdão  04­32.318  da  4a  Turma  da  DRJ/CGE  (fls.  115/124)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Agência da Receita Federal do Brasil (ARF) em Jardim/MS informa que o  recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  O Fisco informa que a glosa foi efetuada em razão da Recorrente ter utilizado  os  créditos  decorrentes  de  pretensos  pagamentos  efetuados  a  maior  a  título  das  seguintes  rubricas: (i) Terço Constitucional de Férias; (ii) gratificações; (iii) horas extras; e (iv) alíquotas  incorretas de SAT/GILRAT. Tal entendimento está consubstanciado nos seguintes documentos  apresentados pela Recorrente ao Fisco:  “1.1.1  Ofício  nº  041/2012/AJBV  acompanhado  do  Termo  de  Contrato nº 174/2010 firmado com a Fundação Educacional de  Fernandópolis,  CNPJ  49.678.881/0001­93  cuja  fundamentação  legal  (sic),  dentre  outros,  é  “...  a  recuperação  financeira  dos  valores recolhidos indevidamente pelo INSS de 1/3 de férias dos  servidores públicos municipais,...”.  1.1.2  Ofício  nº  099/2012/SMF,  acompanhado  do  Termo  de  esclarecimentos  sobre  as  compensações  efetuadas,  informando  que  se  trata  de  recolhimentos  indevidos  de  contribuições  previdenciárias sobre verbas indenizatórias (1/3 de férias, horas  extras  e  gratificações),  mais  do  que  pacificada  nos  seio  da  jurisprudência dos Tribunais Pátrios (sic).  1.1.3  Planilha  denominada  “Controle  de  Créditos  do  INSS  –  Adicional  sobre 1/3 de Férias” e cópias dos  termos de posse e  documentos pessoais dos dirigentes.” (Relatório Fiscal)  Quanto à  incidência  sobre os valores do adicional de 1/3  constitucional  de férias, o STJ, reformando antiga posição, desde 2009, realinhou a sua jurisprudência para  acompanhar  o  entendimento  firmado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  sobre  o  tema,  assentando  a  conclusão  no  sentido  de  que  sobre  referida  verba,  diante  do  seu  caráter  não  remuneratório, não há incidência da contribuição previdenciária.  Transcrevemos trechos das seguintes decisões do STJ:  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE  ADICIONAL  DE  FÉRIAS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  ADEQUAÇÃO  DA  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ  AO  ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO.  1. A Primeira Seção do STJ considerava legítima a incidência da  contribuição  previdenciária  sobre  o  terço  constitucional  de  férias.  2.  Entendimento  diverso  foi  firmado  pelo  STF,  a  partir  da  compreensão  da  natureza  jurídica  do  terço  constitucional  de  férias,  considerado  como  verba  compensatória  e  não  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 5          7 incorporável  à  remuneração  do  servidor  para  fins  de  aposentadoria.  3.  Realinhamento  da  jurisprudência  do  STJ,  adequando­se  à  posição  sedimentada  no  Pretório  Excelso,  no  sentido  de  que  não  incide  Contribuição  Previdenciária  sobre  o  terço  constitucional  de  férias,  dada  a  natureza  indenizatória  dessa  verba.  Precedentes:  EREsp  956.289/RS,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  Primeira  Seção, DJe  10/11/2009;  Pet  7.296/PE,  Rel.  Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009.  4.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  AgRg  no  REsp  1123792/DF,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010)  .........................................................................................................  EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PRESCRIÇÃO  QUINQUENAL.  INOVAÇÃO  RECURSAL.  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCABIMENTO.  VIOLAÇÃO  DA  CLÁUSULA  DE  RESERVA  DE PLENÁRIO. INOCORRÊNCIA.   1. Mesmo as chamadas questões de ordem pública, apreciáveis  de  ofício  nas  instâncias  ordinárias,  devem  estar  prequestionadas,  a  fim  de  viabilizar  sua  análise  nesta  Corte  Superior de Justiça.   2. "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção  desta  Corte  consolidada  no  sentido  de  afastar  a  contribuição  previdenciária  do  terço  de  férias  também  de  empregados  celetistas  contratados por empresas privadas."  (AgRgEREsp nº  957.719/SC,  Relator  Ministro  Cesar  Asfor  Rocha,  Primeira  Seção, in DJe 16/11/2010).   3.  A  interpretação  extensiva  da  norma  infraconstitucional  em  nada  se  identifica  com  sua  inconstitucionalidade,  razão  pela  qual não há falar em violação qualquer da norma de reserva de  plenário.   4. Agravo regimental parcialmente conhecido e improvido.  (AgRg  no  REsp  1.221.674/SC,  Rel.  Ministro  Hamilton  Carvalhido, DJe 18/04/2011).  ......................................................................................................... EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSOS  ESPECIAIS.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DISCUSSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS  SEGUINTES VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA  PAGA  NOS  QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO­DOENÇA.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  1.1 Prescrição.  O  Supremo  Tribunal  Federal  ao  apreciar  o  RE  566.621/RS,  Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no  regime  dos  arts.  543­A  e  543­B  do  CPC  (repercussão  geral),  pacificou  entendimento  no  sentido  de  que,  "reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05,  considerando­se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­ somente às ações ajuizadas após o decurso da  vacatio  legis de  120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005".  No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no  Resp  1.269.570/MG  (1ª  Seção,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543­C  do  CPC,  ficando  consignado  que,  "para  as  ações  ajuizadas  a  partir de 9.6.2005, aplica­se o art. 3º, da Lei Complementar n.  118/2005,  contando­se  o  prazo  prescricional  dos  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação em cinco anos a partir  do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN".  1.2 Terço constitucional de férias.  No  que  se  refere  ao  adicional  de  férias  relativo  às  férias  indenizadas,  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  decorre  de  expressa  previsão  legal  (art.  28,  §  9º,  "d",  da  Lei  8.212/91 ­ redação dada pela Lei 9.528/97).  Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas,  tal  importância  possui  natureza  indenizatória/compensatória,  e  não  constitui  ganho  habitual  do  empregado,  razão  pela  qual  sobre  ela  não  é  possível  a  incidência  de  contribuição  previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no  julgamento  do  AgRg  nos  EREsp  957.719/SC  (Rel.  Min.  Cesar  Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das  Turmas  de  Direito  Público  deste  Tribunal,  adotou  a  seguinte  orientação:  "Jurisprudência  das  Turmas  que  compõem  a  Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a  contribuição  previdenciária  do  terço  de  férias  também  de  empregados celetistas contratados por empresas privadas" .  1.3 Salário maternidade.  O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do  encargo  à  Previdência  Social  (pela  Lei  6.136/74)  não  tem  o  condão de mudar sua natureza.  Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem  por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de  manutenção,  por  motivo  de  incapacidade,  idade  avançada,  tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família  e  reclusão  ou  morte  daqueles  de  quem  dependiam  economicamente".  O  fato  de  não  haver  prestação  de  trabalho  durante  o  período  de  afastamento  da  segurada  empregada,  associado  à  circunstância  de  a maternidade  ser  amparada  por  um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido  de  que  o  valor  recebido  tenha  natureza  indenizatória  ou  compensatória,  ou  seja,  em  razão  de  uma  contingência  (maternidade),  paga­se  à  segurada  empregada  benefício  previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 6          9 evidente  natureza  salarial.  Não  é  por  outra  razão  que,  atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente  que  o  salário  maternidade  é  considerado  salário  de  contribuição.  Nesse  contexto,  a  incidência  de  contribuição  previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da  Previdência Social, decorre de expressa previsão legal.  Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício  de  incompatibilidade  entre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  salário  maternidade  e  a  Constituição  Federal.  A  Constituição  Federal,  em  seus  termos,  assegura  a  igualdade  entre  homens  e  mulheres  em  direitos  e  obrigações  (art.  5º,  I).  O  art.  7º,  XX,  da  CF/88  assegura  proteção  do  mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,  nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por  opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus  referente  ao  pagamento  dos  salários,  durante  o  período  de  afastamento,  constitui  incentivo  suficiente  para  assegurar  a  proteção  ao  mercado  de  trabalho  da  mulher.  Não  é  dado  ao  Poder  Judiciário,  a  título  de  interpretação,  atuar  como  legislador  positivo,  a  fim  estabelecer  política  protetiva  mais  ampla  e,  desse  modo,  desincumbir  o  empregador  do  ônus  referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário  maternidade, quando não foi esta a política legislativa.  A  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  salário  maternidade  encontra  sólido  amparo  na  jurisprudência  deste  Tribunal,  sendo  oportuna  a  citação  dos  seguintes  precedentes:  REsp  572.626/BA,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  José  Delgado,  DJ  de  20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ  de  29.11.2004;  REsp  803.708/CE,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min.  Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª  Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe  de  19.12.2008; REsp  891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de  21.8.2008;  AgRg  no  REsp  1.115.172/RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJe  de  25.9.2009;  AgRg  no  Ag  1.424.039/DF,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  21.10.2011;  AgRg  nos  EDcl  no  REsp  1.040.653/SC,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Arnaldo  Esteves  Lima,  DJe  de  15.9.2011;  AgRg  no  Resp  1.107.898/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe de 17.3.2010.  1.4 Salário paternidade.  O  salário  paternidade  refere­se  ao  valor  recebido  pelo  empregado  durante  os  cinco  dias  de  afastamento  em  razão  do  nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da  CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT).  Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário  paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de  benefício previdenciário. Desse modo,  em  se  tratando de  verba  de  natureza  salarial,  é  legítima  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  salário  paternidade.  Ressalte­se  que"  o  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10  salário­paternidade deve ser  tributado, por  se  tratar de  licença  remunerada  prevista  constitucionalmente,  não  se  incluindo  no  rol  dos  benefícios  previdenciários"  (AgRg  nos  EDcl  no  REsp  1.098.218/SP,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  9.11.2009).  2. Recurso especial da Fazenda Nacional.  2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC.  Não  havendo  no  acórdão  recorrido  omissão,  obscuridade  ou  contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC.  2.2 Aviso prévio indenizado.  A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto  6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que  não  correspondam  a  serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição  previdenciária.  A  CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por  prazo  indeterminado,  a  parte  que,  sem  justo  motivo,  quiser  a  sua  rescisão,  deverá  comunicar  a  outra  a  sua  intenção  com  a  devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce  para  o  empregado  o  direito  aos  salários  correspondentes  ao  prazo  do  aviso,  garantida  sempre  a  integração  desse  período  no  seu  tempo  de  serviço  (art.  487,  §  1º,  da  CLT).  Desse  modo,  o  pagamento  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio,  isto  é,  o  aviso  prévio  indenizado,  visa  a  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (REsp  1.221.665/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011).  A  corroborar  a  tese  sobre  a  natureza  indenizatória  do  aviso  prévio  indenizado,  destacam­se,  na  doutrina,  as  lições  de  Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  DJe  de  4.10.2010;  REsp  1.213.133/SC,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  1º.12.2010;  AgRg  no  REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe  de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2ª  Turma,  Rel. Min.  Cesar  Asfor  Rocha, DJe  de  29.11.2011.  2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio­ doença.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 7          11 No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros  quinze  dias  consecutivos  ao  do  afastamento  da  atividade  por  motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento  do  seu  salário  integral  (art.  60,  §  3º,  da  Lei  8.213/91  –  com  redação  dada  pela  Lei  9.876/99).  Não  obstante  nesse  período  haja  o  pagamento  efetuado  pelo  empregador,  a  importância  paga  não  é  destinada  a  retribuir  o  trabalho,  sobretudo  porque  no  intervalo  dos  quinze dias  consecutivos  ocorre  a  interrupção  do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo  empregado.  Nesse  contexto,  a  orientação  das  Turmas  que  integram  a  Primeira  Seção/STJ  firmou­se  no  sentido  de  que  sobre  a  importância  paga  pelo  empregador  ao  empregado  durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de  doença  não  incide  a  contribuição  previdenciária,  por  não  se  enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba  de natureza remuneratória.  Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min.  Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  16.4.2009;  AgRg  no  REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009;  REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ  de 17.8.2006.  2.4 Terço constitucional de férias.  O  tema  foi  exaustivamente  enfrentado  no  recurso  especial  da  empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos  apresentados  pela  Fazenda  Nacional  em  todas  as  suas  manifestações.  Por  tal  razão,  no  ponto,  fica  prejudicado  o  recurso especial da Fazenda Nacional.  3. Conclusão.  Recurso  especial  parcialmente  provido,  apenas  para  afastar  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  adicional  de  férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas.  Recurso especial da Fazenda Nacional não provido.  Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543­C do CPC, c/c a  Resolução 8/2008 ­ Presidência/STJ.  (Resp 1.230.957/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques,  em 18/03/2014)  Percebe­se,  então,  que  as  decisões  do  STF  e  do  STJ  assentaram  entendimentos  no  sentido  de  que  não  há  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  verba paga a título do terço constitucional de férias, razão pela qual, em se tratando de tema já  absolutamente pacificado no âmbito judicial, não vejo como deixar de adotar tal entendimento,  ainda em respeito ao princípio da própria economia processual.  Além disso, esclareço que a adoção do entendimento já firmado sobre o tema  pelo STF e STJ, em momento algum enseja a declaração de inconstitucionalidade de norma ou  legislação de direito tributário­previdenciário, motivo pelo qual afasto no caso a incidência do  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12  art. 62­A do Regimento Interno deste Conselho. Assim, não se trata da adoção de precendente  que  também  veio  a  declarar  a  inconstitucionalidade  de  Lei,  mas  de  precedentes  nos  quais  claramente  ao  se  discutir  acerca  da  natureza  de  cada  uma  das  verbas  em  questão,  fixaram  entendimento  de  que  não  se  tratam de  retribuição  para  o  trabalho,  situação  que  os  afasta  da  incidência das normas previstas no art. 28 da Lei 8.212/1991.  Diante da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo  Tribunal Federal (STF), extrai­se que a verba paga a título de terço constitucional de férias não  integra o salário de contribuição, dada a sua natureza ser indenizatória.  Ressalva­se ainda que o direito de compensação da verba paga a título de  terço  constitucional  de  férias  deverá  observar  o  prazo  prescricional  de  cinco  anos  contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido.  A  Lei  8.212/1991  –  diploma  que  dispõe  sobre  o  Plano  de  Custeio  da  Seguridade Social  –  em seu  art.  89,  que ora  transcrevemos,  traz  comando no  sentido de que  somente  serão  compensados  os  valores  pagos  ou  recolhidos  indevidamente  a  título  de  contribuição para a Seguridade Social nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da  Receita Federal do Brasil.  Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do  parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas  a  título  de  substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas  nas  hipóteses  de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido,  nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição  destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora.  Por  outro  lado,  somente  é  permitida  a  compensação  de  valores  que  não  tenham sido alcançados pela prescrição, sendo que o termo inicial deste prazo é considerado a  partir do momento do pagamento.  No caso em tela, o direito de realizar a compensação – verba paga a título de  terço constitucional de férias – deverá obedecer ao prazo prescricional previsto no art. 253 do  Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, in verbis:  Art.  253.  O  direito  de  pleitear  restituição  ou  de  realizar  compensação  de  contribuições  ou  de  outras  importâncias  extingue­se em cinco anos, contados da data:  I ­ do pagamento ou recolhimento indevido; ou  II  –  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  administrativa  ou  passar  em  julgado  a  sentença  judicial  que  tenha  reformado,  anulado ou revogado a decisão condenatória .  Isso está em consonância com o art. 168 do CTN, que prescreve o prazo de 5  (cinco)  anos  para  realização  do  direito  de  pleitear  a  restituição  de  valores  recolhidos  indevidamente.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 8          13 Art.  165. O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­ cobrança ou pagamento espontâneo de  tributo indevido ou  maior que o devido em face da  legislação  tributária aplicável,  ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  II  ­  erro  na  edificação  do  sujeito  passivo,  na  determinação  da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  .........................................................................................................  Art.  168. O direito  de pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipótese  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário;  (Vide  art.  3o  da LCp nº  118,  de  2005)  II  ­  na hipótese do  inciso  III do artigo 165, da data  em que se  tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado  a  decisão  judicial  que  tenha  reformado,  anulado,  revogado  ou  rescindido a decisão condenatória. (g.n.)  Por sua vez, a Lei Complementar (LCp) 118/2005 trouxe regra interpretativa,  direcionada exclusivamente para esse art. 168, I, do CTN.  Art.  3o. Para  efeito de  interpretação do  inciso  I do art.  168 da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento de homologação, no momento do  pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida  Lei. (g.n.)  Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua  publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106,  inciso  I,  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional.  É  bom  registrar  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  manifestou­se  no  sentido de que os dispositivos da Lei Complementar  (LCp) 118/2005,  registrados acima,  são  regras válidas com aplicação do novo prazo de 5 anos para as ações ajuizadas após 120 dias da  publicação da  lei  (a partir  de 09/06/2005),  nos  termos do  seu  Informativo 634, de 1º  a 5 de  agosto de 2011:  “[...]  Prevaleceu  o  voto  proferido  pela  Min.  Ellen  Gracie,  relatora,  que,  em  suma,  assentara  a  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  –  nos  seus  conteúdos  de  proteção  da  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14  confiança  e  de  acesso  à  Justiça,  com  suporte  implícito  e  expresso  nos  artigos  1º  e  5º,  XXXV,  da  CF  –  e  considerara  válida  a  aplicação  do  novo  prazo  de  5  anos  tão­somente  às  ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou  seja,  a  partir  de  9.6.2005. Os Ministros Celso  de Mello  e Luiz  Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC  118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos  (pagamento  indevido)  ocorridos  após  o  término  do  período  de  vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli,  Cármen  Lúcia  e  Gilmar  Mendes,  que  davam  provimento  ao  recurso.  RE  566621/RS,  rel. Min.  Ellen Gracie,  4.8.2011.  (RE­ 566621­Repercussão Geral)”  No mesmo sentido, observa­se que a jurisprudência do STJ alinha­se com as  decisões  do  STF  no  sentido  de  que  o  prazo,  para  exigir  a  restituição  ou  compensação  de  tributos, inicia­se a partir do pagamento indevido pelo sujeito passivo, sendo irrelevante a data  de  declaração  de  inconstitucionalidade  do  tributo  pelo  STF  ou  de  edição  de Resolução  pelo  Senado Federal,  inteligência dos arts. 156,  inciso  I,  e 168,  inciso  I, do CTN, conforme ficou  estabelecido na ementa do Resp. 1110578/SP/RT 900, in verbis:  Ementa  oficial:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  TAXA  DE  ILUMINAÇÃO  PÚBLICA.  TRIBUTO  DECLARADO  INCONSTITUCIONAL.  PRESCRIÇÃO  QUINQUENAL.  TERMO  INICIAL.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  1. O  prazo  de  prescrição  quinquenal  para  pleitear  a  repetição  tributária,  nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  é  contado da data em que se considera extinto o crédito tributário,  qual  seja,  a  data  do  efetivo  pagamento  do  tributo,  a  teor  do  disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN.  (...) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora  do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução  do  Senado  (declaração  de  inconstitucionalidade  em  controle  difuso)  é  despicienda  para  fins  de  contagem  do  prazo  prescricional  tanto  em  relação  aos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação, quanto em relação aos  tributos  sujeitos ao lançamento de ofício. (...) 3. In casu, os autores, ora  recorrentes,  ajuizaram  ação  em  04/04/2000,  pleiteando  a  repetição  de  tributo  indevidamente  recolhido  referente  aos  exercícios  de  1990  a  1994,  ressoando  inequívoca  a  ocorrência  da  prescrição,  porquanto  transcorrido  o  lapso  temporal  quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da  propositura  da  ação.  4.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ  08/2008. (REsp 1110578/SP/RT 900). (g.n.)  Assim,  a  compensação  entre  crédito  e  débito  tributário  efetiva­se  por  iniciativa  do  sujeito  passivo,  mas  com  risco  para  ele.  A  compensação  feita,  no  âmbito  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  como  no  caso,  fica  a  depender  da  homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o sujeito passivo, examinar seus  livros  e  documentos,  verificar  os  cálculos  e  efetuar  o  lançamento  de  valor  de  compensação  indevida, no todo ou em parte.   Fl. 158DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 9          15 Dessa  forma,  no  procedimento  de  liquidação  ou  execução  dos  valores  a  serem compensados a título de terço constitucional de férias, o Fisco deverá observar o prazo  prescricional para efetuar a compensação, que será de 5 (cinco) anos a contar da data do  efetivo pagamento indevido.  Com relação às verbas pagas  a  título de gratificações  e horas  extras,  o  STJ tem jurisprudência no sentido de que o recebimento de horas extras e gratificações, para  efeitos de incidência de contribuição previdenciária, configura remuneração e não indenização.  PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544  DO  CPC.  SALÁRIO  ­  MATERNIDADE.  HORAS­EXTRAS,  ADICIONAIS  NOTURNO,  DE  INSALUBRIDADE  E  DE  PERICULOSIDADE.  NATUREZA  JURÍDICA.  VERBAS  DE  CARÁTER  REMUNERATÓRIO.  INCIDÊNCIA.  ACÓRDÃO  RECORRIDO QUE DECIDIU  A  CONTROVÉRSIA  À  LUZ DE  INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL.  (...)  4. As verbas recebidas a título de horas extras, gratificação por  liberalidade  do  empregador  e  adicionais  de  periculosidade,  insalubridade  e  noturno  possuem  natureza  remuneratória,  sendo, portanto, passíveis de contribuição previdenciária.  5. Consequentemente, incólume resta o respeito ao Princípio da  Legalidade, quanto à ocorrência da contribuição previdenciária  sobre a retribuição percebida pelo servidor a título de adicionais  de insalubridade e periculosidade.  6.  Agravo  regimental  parcialmente  provido,  para  correção  de  erro  material,  determinando  a  correção  do  erro  material  apontado,  retirando  a  expressão  "CASO  DOS  AUTOS"  e  o  inteiro  teor  do  parágrafo  que  se  inicia  por  "CONSEQUENTEMENTE".  (fl.  192/193).  (STJ,  AgRg  no  Ag  1330045/SP, Ministro Relator Luiz Fux, Primeira Turma, Data  do Julgamento: 16/11/2010, Data da Publicação: 25/11/2010).  .........................................................................................................  TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO  QUEBRA­DE­CAIXA.  VERBA  REMUNERATÓRIA.  INCIDÊNCIA PRECEDENTES. 1. Quanto ao auxílio quebra­de­ caixa,  consubstanciado  no  pagamento  efetuado  mês  a  mês  ao  empregado  em  razão  da  função de  caixa  que  desempenha,  por  liberalidade  do  empregador,  a  Primeira  Seção  desta  Corte  assentou  a  natureza  não­indenizatória  das  gratificações  feitas  por  liberalidade  do  empregador.  2.  Infere­se,  pois,  de  sua  natureza  salarial,  que  este  integra  a  remuneração,  razão  pela  qual  se  tem  como  pertinente  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  ela.  Embargos  de  declaração  recebidos  como  agravo  regimental.  Agravo  regimental  improvido.  (EDcl  no REsp 733362/RJ, em 03/04/2008)  O  STF,  em  sua  Súmula  207,  entende  que  “As  gratificações  habituais,  inclusive a de Natal, consideram­se tacitamente convencionais, integrando o salário”.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16  Para tanto, estipula o §1º do art. 457, da Consolidação das Leis Trabalhistas  (CLT),  que  integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões, percentagens, gratificações ajustadas, horas extras, diárias para viagens e abonos  pagos pelo empregador. Com efeito, em regra, as contraprestações efetivadas pelo empregador  em razão do contrato de trabalho ostentam de natureza salarial.  Dessa forma, os valores concedidos aos segurados a título de gratificações e  horas extras configuram uma remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, incisos I  e III, da Lei 8.212/1991.  Lei 8.212/1991:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  (...)  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999).  Com isso, no que diz respeito às verbas pagas a título de gratificações e horas  extras,  a  alegação  da  Recorrente  não  será  acatada,  eis  que  tais  verbas  são  hipóteses  de  incidência  da  contribuição  previdenciária,  nos  termos  do  art.  28,  incisos  I  e  III,  da  Lei  8.212/1991 c/c o artigo 201, §111, da Constituição Federal de 1988.  A  Recorrente  manifesta  inconformismo  a  respeito  do  relatório  dos  corresponsáveis, pois entende que estaria sendo  imputada responsabilidade aos gestores  municipais.  Quanto  à  essa  alegação  da  indevida  responsabilização  dos  gestores  (prefeitos), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram  no polo passivo do presente lançamento fiscal.  A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades  identificar  as  pessoas  que  poderiam  ser  responsabilizadas  na  esfera  judicial,  caso  fosse  constatada  a  prática  de  atos  com  infração  de  leis  ou  estatuto,  conforme  determina  o Código  Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º,  inciso  I, § 5º, da Lei  6.830/1980, que dispõe:  Art.  2º.  Constitui  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública  aquela  definida como tributária ou não­tributária na Lei nº 4.320, de 17                                                              1 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário  para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 10          17 de  março  de  1964,  com  as  alterações  posteriores,  que  estatui  normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle  dos  orçamentos  e  balanços  da  União,  dos  Estados,  dos  Municípios e do Distrito Federal.  (...)  § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:  I  ­  o  nome  do  devedor,  dos  co­responsáveis  e  sempre  que  conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);  Além  disso,  verifica­se  que  o  artigo  79,  inciso  VII,  da  Lei  11.941/2009  revogou  o  artigo  13  da  Lei  8.620/1993.  Com  isso,  após  essa  revogação  do  artigo  13,  o  denominado “Relatório de Representantes Legais  ­ REPLEG”, acompanhado do Relatório de  Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas  insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição:  Lei 8.620/1993:  Art.  13. O  titular da  firma  individual e os  sócios das  empresas  por  cotas  de  responsabilidade  limitada  respondem  solidariamente,  com  seus  bens  pessoais,  pelos  débitos  junto  à  seguridade social.  Parágrafo  único.  Os  acionistas  controladores,  os  administradores,  os  gerentes  e  os  diretores  respondem  solidariamente  e  subsidiariamente,  com  seus  bens  pessoais,  quanto  ao  inadimplemento  das  obrigações  para  com  a  seguridade social, por dolo ou culpa.  A relação de “Representantes Legais ­ REPLEG” apenas identifica os sócios  e  diretores  da  empresa  e  respectivo  período  de  gestão  sem,  por  si  só,  atribuir­lhes  responsabilidade  solidária  ou  subsidiária  pelo  crédito  constituído.  Não  é  conseqüência  do  aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da  obrigação tributária.  O  Relatório  “REPLEG”  serve  apenas  como  subsídio  à  Procuradoria  da  Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário,  e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista  no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, tem­se que a indicação dos representantes legais  é  mero  subsídio  para,  se  necessário  e  cabível,  o  crédito  previdenciário  ser  exigido  dos  administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte.  No  entanto,  nem  por  isso  os  representantes  legais  não  devam  constar  em  relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados  os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis  pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário  Nacional ­ CTN):  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     18  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  Portanto,  não  acato  essa  preliminar,  eis  que  a  finalidade  do  “Relatório  de  Representantes Legais ­ REPLEG” é apenas identificar os representantes da empresa, com seu  respectivo período de gestão.  Dentro  do  contexto  fático,  não  há  que  falar  em  nulidade  nem  em  duplicidade dos valores lançados, eis que os valores apurados, antes de serem exigidos, foram  informados pela Recorrente em GFIP.  Percebe­se que o Fisco apenas procedeu ao  lançamento para  tornar exigível  os débitos previdenciários apurados e  informados em GFIP pelo próprio  sujeito passivo  (art.  150 do CTN2), os quais não foram cobrados anteriormente em razão de  informação  indevida  prestada em GFIP de que tais débitos teriam sido extintos via compensação.  Verifica­se  ainda  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  atende  aos  pressupostos essenciais para sua  lavratura,  contendo de forma clara os elementos necessários  para  a  sua  configuração  e  caracterização.  Com  isso,  não  há  que  se  falar  em  vícios  no  lançamento  fiscal,  eis  que  estão  estabelecidos  de  forma  transparente  nos  autos  (fls.  01/65)  todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto  70.235/1972.  Os valores lançados foram devidamente especificados na Tabela de glosa de  compensação, extraídos das informações fornecidas pela Recorrente.  Logo, as alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal, por erro  material,  e  de duplicidade  dos  valores  lançados  são  genéricas,  ineficientes  e  inócuas,  não  se  permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas.  No  que  tange  à  glosa  de  compensação  dos  valores  destinados  ao  SAT/GILRAT, a Recorrente apenas alega que a tabela elaborada pelo Fisco (Anexo 1) estaria  incorreta, entretanto não traz qualquer prova documental para embasar a sua argumentação.  Por  outro  lado,  o  Fisco  demonstrou  que  efetivamente  os  valores  foram  compensados de forma indevida, inclusive registrou no Relatório Fiscal as suas razões:  “3.1  –  Quanto  às  compensações  de  11  e  13/2012,  verificamos  que  constam  nos  campos  da  GFIP  ­  GFIP  ­  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  “competência  inicial”  e  “competência  final”  de  11/2012:  “01/2008 a 03/2010” e 13/2012: “04/2010 a 04/2010” e, nessas  competências,  ou  seja,  01/2008  a  04/2010,  constam  GFIPs  retificadoras  que,  embora  se  encontrem  na  situação  “aguardando  exportação”,  foram  consideradas,  eis  que  a  declaração  retificadora é condição para a  compensação. Pelas                                                              2 Lei 5.172/1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo  o dever de  antecipar o pagamento  sem prévio  exame da  autoridade  administrativa,  opera­se pelo  ato  em que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa.  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 11          19 retificadoras,  constatamos  que  se  trata  de  RAT  que  anteriormente foi declarado 2% e retificada para 1%.  3.2  –  Quanto  à  legalidade,  a  norma  permite  o  autoenquadramento  do  RAT  na  alíquota  da  atividade  preponderante.  Considerando  que  a  Prefeitura  efetuou  a  retificação  das  GFIP  ­  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  das  competências  01/2008  a  04/2010.  3.2.1.  Como  essas  GFIPs  não  estão  exportadas,  efetuamos  o  batimento  que  redundou  nos  valores  destacados  na  planilha  denominada ANEXO I, no qual estão detalhados: a competência,  a  data  do  envio  da  GFIP,  valor  devido,  valor  recolhido  e  a  diferença a favor da Prefeitura.  3.2.2  As  diferenças  foram  atualizadas  até  a  competência  da  compensação, aplicando a seguinte fórmula: “SELIC acumulada  no  período  (mês  seguinte  ao  recolhimento  indevido  até  a  competência anterior à compensação) + 1% de juro”.  3.2.3  Nessa  planilha  estão  demonstradas  as  compensações  efetuadas  nas  competências  11  e  13/2012  e,  considerando  que  foram  efetuadas  compensações  a  maior,  os  valores  excedentes  foram glosados. Esses valores estão demonstrados no Anexo I.”  (Relatório Fiscal)  Observa­se  ainda  que,  de  acordo  com  o  anexo  V  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3.048/1999,  na  redação  dada  pelo  Decreto  6.042/2007, o enquadramento correto para o Município  seria no código CNAE ­ 84.11/6­00,  correspondente à alíquota de 2%, sendo que a pretensão da Recorrente é aplicar o percentual de  1%, gerando diferença a recolher.  Diante  dos  elementos  informativos  dos  autos,  não  acato  a  alegação  da  Recorrente de que os valores constantes da tabela de glosa de compensação (Anexo 1) estariam  incorretos, eis que o Fisco comprovou a fidedignidade de seus dados e informações, que foram  extraídos  de  elementos  fornecidos  pela  própria  Recorrente  aos  sistemas  informatizados  do  Fisco (GFIPs e guias de recolhimento).  No  que  tange  à  arguição  de  inconstitucionalidade,  ou  ilegalidade,  da  legislação tributária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (Taxa SELIC), frise­se  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa.  Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo  questionada,  razão  pela  qual  são  aplicáveis  as  normas  reguladas  na  Lei  8.212/1991.  Isso  está  em  consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144  do CTN dispõe que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária e rege­se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de  juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC) estar prevista em  lei específica tributária, art. 5o, §3o, da Lei 9.430/1996, transcrito abaixo:  Art. 5o. (...)  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     20  § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes  à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia  SELIC,  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente  ao do encerramento do período de apuração até o último dia do  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  do  pagamento.  Com  o  mesmo  entendimento,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  manifestou­se que é legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no  prazo  legal,  conforme  ficou  assentado  no Recurso Especial  n°  475904,  publicado  no DJ  em  12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto  é,  1º/01/1996  (REsp  439256/MG).  Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  (CARF)  uniformizou  a  jurisprudência  administrativa  sobre  a  matéria  por  meio  do  enunciado  da  Súmula  nº  4  (Portaria  MF  no  383,  publicada  no  DOU  de  14/07/2010),  nos  seguintes termos:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1o  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos federais.  Não  tendo  o  contribuinte  recolhido  à  contribuição  previdenciária  em  época  própria,  tem por obrigação arcar com o ônus de  seu  inadimplemento. Caso não se  fizesse  tal  exigência,  poder­se­ia  questionar  a  violação  ao  principio  da  isonomia,  por  haver  tratamento  similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que  não recolheram no prazo fixado pela legislação.  Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando  os  valores  descritos  no  lançamento  fiscal,  em  consonância  com  o  prescrito  pela  legislação  tributária  acima mencionada,  já  que  as  contribuições  sociais  não  recolhidas  à  época  própria  ficam  sujeitas  aos  juros  SELIC  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  Isso  está  em  consonância  com  o  próprio  art.  161,  §  1°,  do  CTN,  pois  havendo  legislação  especifica  dispondo de modo diverso, abre­se a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso  das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC.  Lei 5.172/1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN):  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 12          21 Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º. Se a  lei não dispuser de modo diverso, os  juros de mora  são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.)  O disposto  no  art.  161  do CTN não  estabelece  norma  geral  em matéria  de  legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei  de igual status, não havendo necessidade de lei complementar.  Ainda,  conforme  estabelece  o  art.  35  da  Lei  8.212/1991  (alterações  da  Lei  11.941/2009), a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria  das  contribuições  previdenciárias.  Além  disso,  o  art.  136  do  CTN  descreve  que  a  responsabilidade  pela  infração  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável,  e  da  natureza e extensão dos efeitos do ato.  Lei 8.212/1991:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  .........................................................................................................  Art. 89. (...)  § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com  os  acréscimos  moratórios  de  que  trata  o  art.  35  desta  Lei.  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  .........................................................................................................  Lei 9.430/1996:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide Decreto  nº  7.212, de 2010)  Lei 9.430/1996:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     22  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  Em decorrência da disposição acima, percebe­se que a multa prevista no art.  61  da  Lei  9.430/96,  se  aplica  aos  casos  de  contribuições  que,  embora  tenham  sido  espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto  na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso e aos casos  de compensações realizadas de forma indevida, que é o caso do presente processo.  Nesse mesmo sentido, há decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça  (STJ):  TRIBUTÁRIO.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE.  1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal  punitiva, a qual integra o crédito tributário. (g.n.)  2.Recurso  especial  provido.  (STJ/  2ª  Turma;  REsp  nº  1.129.990/PR; Relator Ministro Castro Meira; DJe de 14/9/09)  Dessa  forma,  não  há  que  se  falar  em  ilegalidade  de  cobrança  da  multa,  estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em  consonância com o prescrito pela legislação previdenciária.  Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório,  o que é vedado pela Constituição Federal,  já que ela  seria abusiva e desproporcional,  e  deveria  ser  relevada,  razão  não  confiro  ao  Recorrente,  já  que  a  multa  foi  aplicada  em  conformidade  à  legislação  previdenciária  descrita  acima.  Ademais,  conforme  registramos  anteriormente,  a  verificação  de  inconstitucionalidade  de  ato  normativo  é  inerente  ao  Poder  Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.  Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio  constitucional  da  isonomia  e  teria  caráter  confiscatório,  ora  pretendida  pela  Recorrente,  exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos  praticados  pela  Administração,  bem  como  invade  competência  atribuída  especificamente  ao  Judiciário pela Constituição Federal.  Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se  dá  em  relação  ao  tributo  e  não  à multa  pecuniária  ora  discutida  pela  recorrente,  sendo  esta  última a  apreciada no  caso  concreto. Nesse  sentido preceitua o  art.  150,  IV, da Constituição  Federal de 1988:  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720148/2013­96  Acórdão n.º 2402­004.014  S2­C4T2  Fl. 13          23 Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  (...)  IV ­ utilizar tributo com efeito de confisco;  Portanto,  não  possui  natureza  de  confisco  a  exigência  da multa  moratória,  conforme  prevê  o  art.  35  da  Lei  8.212/1991,  já  que  se  trata  de  uma multa  pecuniária.  Não  recolhendo  na  época  própria  o  sujeito  passivo  tem  que  arcar  com  o  ônus  de  seu  inadimplemento.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  voluntário  e  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL  para  reconhecer  que,  em  decorrência  do  realinhamento  da  jurisprudência  do  STJ  e  do  STF,  seja  afastada  a  incidência  da  contribuição  social  previdenciária  sobre  a verba paga  a  título  de  adicional  de  1/3  constitucional  de  férias  e,  por  consectário lógico, seja permitida a compensação de seus valores, desde que haja observância  do prazo prescricional para efetuar a compensação, que seria de 5 (cinco) anos a contar  da data do efetivo pagamento indevido, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 167DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10768.720140/2006-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 11/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD   2     (Assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Gustavo Lian Haddad – Relator  EDITADO EM: 11/03/2014  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(Vice­Presidente), Luiz Eduardo de  Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado), Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo  Lian  Haddad,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Elias  Sampaio  Freire, substituido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.    Relatório  Em face de José de Barros Lima foi lavrado o auto de infração de fls. 01/07,  objetivando a exigência de  imposto  territorial  rural  do  exercício de 2003,  em decorrência da  glosa dos valores declarados  a  título de Área de Preservação Permanente e Área de Reserva  Legal e do arbitramento do Valor da Terra Nua utilizando os valores constantes no Sistema de  Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal.  A  Primeira  Turma  Ordinária  da  Primeira  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n°  2101­00.550, que se encontra às fls. 152­171 e cuja ementa é a seguinte:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2003  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INDEFERIMENTO  DE  PERÍCIA.  De  acordo  com  o  disposto  pelo  art.  29  do  Decreto  n.°  70.235/72,  "na apreciação da prova, a autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender  necessárias."  No  presente  caso,  portanto,  sendo  despicienda  a  prova  em  comento,  eis  que  suficientes os elementos constantes dos autos para a formação  do  convencimento  do  julgador,  incabível  a  alegação  de  cerceamento de defesa.   Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10768.720140/2006­83  Acórdão n.º 9202­003.010  CSRF­T2  Fl. 9          3 IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL  RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL.  Hipótese  em  que  o  Recorrente  não  logrou  comprovar  a  aprovação da localização da área de reserva legal por órgão  ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão ambiental municipal  ou  outra  instituição  devidamente  habilitada,  não  havendo  como  considerá­la  para  fins  de  isenção do ITR.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  EXCLUSÃO.  ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.  Para  fins  de  exclusão  da  base  de  cálculo  do  ITR,  após  a  vigência da Lei n ° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a  informação  em  ato  declaratório  ambiental  protocolizado  no  prazo legal.   ITR. VALOR DA TERRA NUA.  É incabível o arbitramento com base na tabela SIPT quando o  laudo  técnico  elaborado  por  profissional  habilitado  atender  aos requisitos essenciais das normas da ABNT.  Recurso parcialmente provido.”   A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade  de votos, rejeitou a preliminar e, no mérito, deu parcial provimento para acolher o VTN de R$  70,33 por ha.   Intimado do acórdão em 28/02/2012 (fl. 172), o contribuinte interpôs recurso  especial às fls. 173/188, pleiteando a reforma do v. acórdão no tocante à comprovação da área  de reserva legal e necessidade de ADA para exclusão das áreas de preservação permanente da  base de cálculo de ITR.  Ao recurso especial do contribuinte foi dado seguimento somente na parte em  que contesta a comprovação da área de Reserva Legal para fins de exclusão da tributação do  ITR, conforme Despacho de 09/07/2012 (fls. 221/222).  Regularmente  intimada  do  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte,  a  Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões de fls. 227/231v.   É o relatório.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD   4   Voto             Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator  Inicialmente, analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto.  Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência  entre  o  v.  acórdão  recorrido  e  o  acórdão  nº  301­31.584.  O  acórdão  paradigma  encontra­se  assim ementado:  "(...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.   A  comprovação  da  área  de  reserva  legal  para  efeito  de  sua  exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente  de  sua  prévia  averbação  no  cartório  competente,  uma  vez  que  seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e  outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação à  margem  da  matrícula  de  registro  do  imóvel  no  cartório  competente,  procedida  em  data  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador.”  Verifico  que  o  acórdão  paradigma  entende  que  a  comprovação  da  área  de  Reserva Legal pode ser feita por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais, para fins  de exclusão da tributação do ITR.   O v. acórdão recorrido, no entanto, entendeu que a área de reserva legal deve  ser comprovada mediante apresentação da  aprovação da  sua  localização por órgão ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra  instituição habilitada, conforme se verifica do seguinte trecho:  “Já no que se refere à área de reserva legal, considerando que o  Recorrente não logrou comprová­la mediante a apresentação da  aprovação  da  sua  localização  por  órgão  ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  o  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra  instituição  devidamente  habilitada,  não  há  como considerá­la para fins de isenção do ITR.”  Entendo,  portanto,  caracterizada  a  divergência  de  interpretação,  razão  pela  qual conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte nessa matéria.   Quanto  ao  mérito,  o  presente  caso  a  chamada  área  de  reserva  legal  ou  de  utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº  4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.166­67/2001:   “Art. 16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo:  I ­ oitenta  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área  de  floresta localizada na Amazônia Legal;   Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10768.720140/2006­83  Acórdão n.º 9202­003.010  CSRF­T2  Fl. 10          5 II ­ trinta  e  cinco  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo  vinte por cento na propriedade e quinze por cento na  forma de  compensação  em  outra  área,  desde  que  esteja  localizada  na  mesma  microbacia,  e  seja  averbada  nos  termos  do  §  7o  deste  artigo;   III ­ vinte  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área  de  floresta  ou  outras  formas  de  vegetação  nativa  localizada  nas  demais regiões do País; e  IV ­ vinte  por  cento,  na  propriedade  rural  em  área  de  campos  gerais localizada em qualquer região do País.   § 1o O  percentual  de  reserva  legal  na  propriedade  situada  em  área  de  floresta  e  cerrado  será  definido  considerando  separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo.   § 2o  A  vegetação  da  reserva  legal  não  pode  ser  suprimida,  podendo  apenas  ser  utilizada  sob  regime  de  manejo  florestal  sustentável,  de  acordo  com  princípios  e  critérios  técnicos  e  científicos  estabelecidos  no  regulamento,  ressalvadas  as  hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais  legislações específicas.   § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área  de  reserva  legal  em  pequena  propriedade  ou  posse  rural  familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas  ornamentais  ou  industriais,  compostos  por  espécies  exóticas,  cultivadas em sistema  intercalar ou em consórcio com espécies  nativas.   § 4o  A  localização  da  reserva  legal  deve  ser  aprovada  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra  instituição  devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo  de  aprovação,  a  função  social  da  propriedade,  e  os  seguintes  critérios e instrumentos, quando houver:   I ­ o plano de bacia hidrográfica;   II ­ o plano diretor municipal;  III ­ o zoneamento ecológico­econômico;   IV ­ outras categorias de zoneamento ambiental; e  V ­ a  proximidade  com  outra  Reserva  Legal,  Área  de  Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área  legalmente protegida.   § 5o  O  Poder  Executivo,  se  for  indicado  pelo  Zoneamento  Ecológico  Econômico ­ ZEE  e  pelo  Zoneamento  Agrícola,  ouvidos  o  CONAMA,  o  Ministério  do  Meio  Ambiente  e  o  Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá:   Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD   6 I ­ reduzir,  para  fins  de  recomposição,  a  reserva  legal,  na  Amazônia Legal,  para até cinqüenta por cento da propriedade,  excluídas,  em  qualquer  caso,  as  Áreas  de  Preservação  Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente  protegidos,  os  locais  de  expressiva  biodiversidade  e  os  corredores ecológicos; e  II ­ ampliar  as  áreas  de  reserva  legal,  em  até  cinqüenta  por  cento  dos  índices  previstos  neste  Código,  em  todo  o  território  nacional.   § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo  das  áreas  relativas  à  vegetação  nativa  existente  em  área  de  preservação  permanente  no  cálculo  do  percentual  de  reserva  legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para  o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa  em área de preservação permanente e reserva legal exceder a:   I ­ oitenta  por  cento  da  propriedade  rural  localizada  na  Amazônia Legal;   II ­ cinqüenta  por  cento  da  propriedade  rural  localizada  nas  demais regiões do País; e   III ­ vinte  e  cinco  por  cento  da  pequena  propriedade  definida  pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o.   § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se  altera na hipótese prevista no § 6o.   § 8o A área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à margem da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.  § 9o A averbação da  reserva  legal da pequena propriedade ou  posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar  apoio técnico e jurídico, quando necessário.   § 10.  Na  posse,  a  reserva  legal  é  assegurada  por  Termo  de  Ajustamento  de Conduta,  firmado  pelo  possuidor  com  o  órgão  ambiental  estadual  ou  federal  competente,  com  força  de  título  executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal,  as  suas  características  ecológicas  básicas  e  a  proibição  de  supressão  de  sua  vegetação,  aplicando­se,  no  que  couber,  as  mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade  rural.   § 11.  Poderá  ser  instituída  reserva  legal  em  regime  de  condomínio  entre  mais  de  uma  propriedade,  respeitado  o  percentual  legal  em  relação  a  cada  imóvel,  mediante  a  aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas  averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original  sem grifo)  Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º  da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatem­se a doutrina e a jurisprudência acerca da  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10768.720140/2006­83  Acórdão n.º 9202­003.010  CSRF­T2  Fl. 11          7 imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do  imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR.  O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao  efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem  da matrícula  do  imóvel,  com  consequências  diametralmente  opostas  na  apuração  do  ITR,  a  saber:  (i)  para  os  que  entendem  ser  constitutivo  o  efeito  da  averbação,  só  existe  direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da  matrícula anteriormente à data do fato gerador; e,  (ii)   para  os  que  advogam  o  efeito  declaratório  da  averbação,  ela  seria  dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal,  cabendo neste  caso  ao  contribuinte  provar  a  existência  da  referida  área  por  outros meios de prova (laudo, etc.).  A  meu  ver,  ambas  as  soluções  propugnadas  não  se  sustentam  a  partir  da  consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima  referido aplicável à espécie.  Por  óbvio  que  a  isenção  do  ITR  aplicável  à  área  de  reserva  legal  está  condicionada  à  averbação  à  margem  da  matrícula  do  imóvel  atende  ao  desiderato  de  preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada  a averbação, pereniza­se e se transmite a quaisquer adquirentes futuras.  Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente  da  prova  da  averbação  (e  ainda  que  haja  prova  da  existência  da  área  preservada)  frusta  o  propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em  confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal.  No presente caso não há prova de averbação da área de reserva legal junto à  matrícula do imóvel. Por essa razão, como já tratado acima, entendo que a glosa efetuada pela  autoridade fiscal merece prosperar já que a comprovação das áreas de reserva legal, para efeito  de sua exclusão na base de cálculo de ITR, depende de averbação junto à matrícula do imóvel.   Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte  para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO.    (Assinado digitalmente)  Gustavo Lian Haddad                Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD   8               Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD

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Numero do processo: 15563.000171/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 2201-002.255, de 19/09/2013. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15563.000171/2007­15  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2201­002.343  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de março de 2014  Matéria  IRRF  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TAHO ACESSO A INTERNET RAPIDO LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2003  EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.  Acolhem­se  os  embargos  declaratórios  para  sanar  eventuais  contradições  verificadas no acórdão.  IRRF.  FALTA  DE  RETENÇÃO/RECOLHIMENTO.  MULTA  ISOLADA.  CABIMENTO.  A  falta  de  retenção/recolhimento  do  IRRF  enseja  a  aplicação  da  multa  do  inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de votos,  acolher os  Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 2201­002.255, de  19/09/2013.  No  mérito  dos  Embargos,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente  convocado),  que  deram  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  exigência  a  multa  isolada.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Relator    Assinado Digitalmente  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 71 /2 00 7- 15 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH     2  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo  (Presidente),  Guilherme  Barranco  de  Souza  (Suplente  convocado),  Jimir  Doniak  Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente  convocado),  Eduardo  Tadeu  Farah.  Presente  aos  julgamentos  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  exercício  2003,  consubstanciado  no  Auto  de  Infração,  fls.  77/84,  pelo  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de R$ 33.914,26,  calculado até 30/04/2007.  A  autoridade  fiscal  apurou  falta  de  recolhimento  de  IRRF  incidente  sobre  remuneração indireta (benefícios e vantagens) paga a beneficiários, além de aplicar a multa de  ofício  isolada pela  falta de retenção ou recolhimento de  IRRF. Transcreve­se a conclusão do  Termo de Verificação Fiscal (fls. 86/87):  DA CONCLUSÃO:  Pelo exposto acima e tendo em vista não ter a pessoa jurídica em  tela,  logrado êxito  em provar  que  as  remunerações  concedidas  aos seus: sócio, diretor e funcionários, não eram rendimentos de  trabalho  e  tendo  os mesmos  vinculo  com  a  pessoa  jurídica  em  questão, estamos constituindo credito tributário referente à:  •  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  à  alíquota  de  35%  exclusivamente na fonte para os valores concedidos ao sócio Sr.  Luiz  Cezar  Fernandes  e  a  sua  diretora  Sra.  Márcia  Maria  Carneiro;  • Multa isolada a 75% devido à falta de retenção do imposto de  renda  na  fonte  aos  quatro  beneficiários  sem  vinculo  de  diretoria ou sociedade. (grifei)  ....  ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 9° da Lei n° 10.426/2002 (fl.  90).  Em 17 de abril de 2013 o processo foi julgado neste Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais (CARF) e os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção,  por meio do Acórdão nº 2201­002.102, decidiram, por unanimidade de votos, dar provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  exigência  a multa  isolada.  Transcrevem­se  as  ementas  do  Julgado:  IRPF.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  PELO  PAGAMENTO.  O  pagamento  do  valor  total  da  exigência  extingue  o  crédito  tributário,  nos  termos  do  art.  156,  I,  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN, implicando a extinção do litígio administrativo,  por falta de objeto.  MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LEI POSTERIOR.  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/2007­15  Acórdão n.º 2201­002.343  S2­C2T1  Fl. 3          3 A multa  de  ofício  prevista  no  art.  44,  da  Lei  9.430/1996,  teve  suas  hipóteses  puníveis  modificadas  pelo  advento  da  Lei  nº  11.488/2007. Dentre as mudanças, inclui­se a extinção da multa  de ofício na hipótese de  recolhimento ou pagamento do  tributo  com  atraso  e  sem  multa  moratória.  Aplicável,  portanto,  a  lei  posterior mais benéfica ao contribuinte,  conforme dispõe o art.  106, I do CTN.  Cientificada  da  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  tempestivamente,  Embargos  de  Declaração,  com  base  no  art.  65  da  Portaria  MF  nº  256/2009,  alegando,  essencialmente,  que  a  multa  isolada  exonerada  não  foi  aplicada  em  razão  do  atraso  no  pagamento desacompanhado da multa moratória, mas sim pela falta de retenção do imposto de  renda na fonte.  Por meio  de  Despacho  a  Presidência  da  2ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF  acolheu os Embargos e solicitou a reinclusão dos autos em pauta para reanálise.  Em 19 de setembro de 2013 os Embargos foram julgados e os membros da 1ª  Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, por meio do Acórdão nº 2201­002.255, decidiram,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  Embargos  de  Declaração  para  sanar  a  contradição  apontada no Acórdão nº 2201­002.102, de 17/04/2013, mantendo­se a decisão original. Vejam­ se as ementas do Julgado:  EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.  Acolhem­se  os  embargos  declaratórios  para  sanar  eventuais  contradições verificadas no acórdão.  FALTA  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTO  DE  RENDA  TRIBUTADO  EXCLUSIVAMENTE  NA  FONTE.  MULTA  ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE.  Descabe a aplicação da multa exigida  isoladamente quando os  rendimentos  que  lhe  deram  origem  são  tributados  exclusivamente  na  fonte.  Nesse  caso,  cabe  exigir  da  fonte  pagadora  o  pagamento  do  imposto  com  os  devidos  acréscimos  legais.  Cientificada  do  julgamento  dos  Embargos,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  novamente  Embargos  de  Declaração,  com  base  no  art.  65  da  Portaria  MF  nº  256/2009,  alegando,  essencialmente,  que  “...  analisando detidamente  o  auto  de  infração,  constata­se  a  existência  de  duas  infrações  distintas  apontadas  pela  autoridade  fiscal,  conforme  se  pode  observar  da  leitura  da  parte  final  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  86/87)...”.  Assim,  conclui a Fazenda Nacional que “não há respaldo para afastar a exigência de multa isolada  imputada  tão  somente  em  relação aos  pagamentos  realizados  aos  beneficiários  sem  vínculo  com a sociedade (Domenico Italo Barone, Valdir C. Grangeia, Carlos A. Gramani e Antonio  C. P. Silva) cuja tributação não se dá exclusivamente na fonte”.   De fato, compulsando­se os autos, verifica­se que a fiscalização procedeu ao  lançamento  da  multa  isolada,  sob  o  argumento  de  que  a  fonte  pagadora  deixou  de  reter  o  imposto de renda na fonte de quatro funcionários sem vínculo com a diretoria ou sociedade, a  saber: Domenico Italo Barone, Valdir C. Grangeia, Carlos A. Gramani e Antonio C. P. Silva.  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH     4  Portanto,  a  multa  isolada  não  foi  aplicada  em  função  da  tributação  exclusivamente na fonte, mas simplesmente porque a fonte pagadora deixou de reter o imposto  de renda na fonte.   Isso posto, a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio de  Despacho, acolheu os Embargos e solicitou novamente a  reinclusão dos autos em pauta para  reanálise.  É o relatório.  Voto             Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator  Os Embargos são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade.    Como visto do relatório, a autoridade fiscal aplicou a multa isolada pela falta  de  retenção  do  imposto  de  renda  na  fonte,  relativa  a  quatro  beneficiários  sem  vínculo  de  diretoria ou sociedade.  No que tange à multa isolada, meu posicionamento anterior era no sentido de  que, com o advento da Lei no 11.488/2007, a aplicação da multa isolada em razão da falta de  retenção e/ou recolhimento do imposto pela fonte pagadora deveria ser afastada, por força do  princípio da retroativa benigna prevista na alínea “a” do inciso II do art. 106 do CTN, visto que  ela teria sido excluída das hipóteses de incidência.  Todavia,  melhor  refletindo,  penso  que  multa  isolada  permanece  em  nosso  sistema tributário, conforme se observa da leitura do art. 9º da MP 16/2002, convertida na Lei  nº 10.426/2002, cuja redação original determinava:  Art.9o Sujeita­se às multas de que tratam os incisos I e II do art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  a  fonte  pagadora obrigada a reter  tributo ou contribuição, no caso de  falta  de  retenção  ou  recolhimento,  ou  recolhimento  após  o  prazo  fixado,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.  Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida,  ou  que  for  recolhida após o prazo fixado.  Por  sua  vez,  convém  trazer  à  baila  o  item  7  da  Exposição  de  Motivos  encaminhada ao Congresso Nacional quando da edição da referida medida provisória:  Os  arts.  7º  a  9º  ajustam  as  penalidades  aplicáveis  a  diversas  hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal, reduzindo­as ou, no caso do art. 9º, instituindo  nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação  anterior. (grifei)  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/2007­15  Acórdão n.º 2201­002.343  S2­C2T1  Fl. 4          5 Posteriormente, com a edição da Medida Provisória no 351/2007, convertida  na Lei no 11.488/2007, houve a alteração do art. 9o da Lei no 10.426/2002, cuja redação passou  a ser:  Art. 9o Sujeita­se à multa de que trata o inciso I do caput do art.  44  da Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro de  1996,  duplicada na  forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada  a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.   Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida,  ou  que  for  recolhida após o prazo fixado.  Assim, com o advento da Lei no 11.488/2007, a redação do art. 44 da Lei no  9430/1996, restou a seguinte:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:    I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;   (...)   § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.   Pelo  que  se  vê,  a  alteração  do  art.  9º  da  Lei  no  10.426/2002,  manteve  a  exigência  da  multa  de  ofício  de  75%  ou  150%,  quando  a  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  imposto ou contribuição, não efetuar a retenção ou o recolhimento.   Com efeito, impende reproduzir a observação feita pelo Conselheiro Antônio  Lopo Martinez, quando discorreu sobre o tema no Acórdão n° 2202­002.172:  O art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, foi reformatado, mantendo a  aplicação  das  multas  de  ofício  vinculadas  de  75%  e  150%,  a  primeira prevista no inciso I e a segunda, no inciso I c/c §1o. O  inciso  II,  que anteriormente previa a multa aplicação de multa  de  150%,  passou  a  prever  a  multa  isolada,  no  percentual  de  50%, nos casos de falta de pagamento do carnê­leão devido pela  pessoa física e de falta de pagamento do imposto de renda e da  contribuição social sobre o lucro líquido devido por estimativa,  ainda  que  fosse  apurado  pela  pessoa  jurídica  (alíneas  “a”  e  “b”). O  pagamento  de  tributo  ou  a  contribuição  após  o  prazo  legal previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora, deixou de  configurar hipótese de incidência de multa isolada.  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH     6  De  forma  semelhante,  o  recolhimento  do  imposto  ou  contribuição a título de antecipação pela fonte pagadora, após o  vencimento,  deixou  de  ensejar  a  exigência  de  multa  de  ofício  isolada.  Entretanto,  apesar  de  o  art.  9o,  da  Lei  no  10.426,  de  2002,  ter  sido alterado, foi mantida a exigência da multa de ofício de 75%  ou 150% quando a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou  contribuição não efetuar a retenção ou o recolhimento.   O argumento de que a nova alteração teria afastado a aplicação  da multa isolada, no caso de falta de retenção ou recolhimento,  por  não  fazer  referência  a  multa  isolada  prevista  no  art.  44,  inciso II, da Lei no 9.430, de 1996, s.m.j., não se sustenta.   A  redação  original  do  art.  9o  da  Lei  no  10.426,  de  2002,  mencionava apenas os  incisos  I e  II do caput do art. 44 que, à  época,  referiam­se  às  multas  de  ofício  de  75%  de  150%,  enquanto que as hipóteses de multas isoladas previstas no artigo  44 encontravam­se descritas no §1o, incisos II a IV (o inciso V já  havia sido revogado), ou seja, conforme já dito anteriormente, o  mencionado artigo 9o criou novas hipóteses de incidência para a  multa  isolada,  fazendo  menção  ao  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  1996,  tão somente para fixar os percentuais a serem aplicados:  75%,  no  caso  geral,  e  150%,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude.  Na  seqüência,  reproduzo  quadro  comparativo  da  legislação  aplicável  à  espécie elaborado pelo Conselheiro quando analisou o Acórdão supra:  Redação original  Redação dada pela MP no 351,  de 2007, convertida na Lei no  11.488, de 2007  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de 1996:  Art. 44. Nos casos de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas  sobre a totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:   I  ­  de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  excetuada  a  hipótese  do  inciso seguinte;  II  ­  cento  e  cinqüenta  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  Lei no 9.430, de 27 de dezembro  de 1996:  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:    I ­ de 75% (setenta e cinco por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição nos casos de  falta  de pagamento ou recolhimento,  de falta de declaração e nos de  declaração inexata;   II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei nº 11.488, de 2007)   a) na forma do art. 8o da Lei no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/2007­15  Acórdão n.º 2201­002.343  S2­C2T1  Fl. 5          7 Redação original  Redação dada pela MP no 351,  de 2007, convertida na Lei no  11.488, de 2007  criminais cabíveis.  §1o  As  multas  de  que  trata  este  artigo serão exigidas:   I  ­  juntamente com o  tributo ou a  contribuição,  quando  não  houverem  sido  anteriormente  pagos;   II  ­  isoladamente,  quando  o  tributo  ou  a  contribuição  houver  sido  pago  após  o  vencimento  do  prazo  previsto,  mas  sem  o  acréscimo de multa de mora;   III  ­  isoladamente,  no  caso  de  pessoa  física  sujeita  ao  pagamento  mensal  do  imposto  (carnê­leão)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro de 1988, que deixar de  fazê­lo,  ainda  que  não  tenha  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração de ajuste;  IV­  isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento do imposto de renda e  da  contribuição  social  sobre  o  lucro líquido, na forma do art. 2º,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente;   [...]  na  declaração  de  ajuste,  no  caso de pessoa física; (Incluída  pela Lei nº 11.488, de 2007)   b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei, que deixar de ser efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­ calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de  2007)   § 1o O percentual  de multa de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste artigo será duplicado nos  casos previstos nos arts. 71, 72  e 73 da Lei no  4.502,  de 30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.   [...]  Lei  no  10.426,  de  24  de  abril  de  2002:  Art.9o Sujeita­se às multas de que  tratam os incisos I e II do art. 44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  a  fonte  pagadora obrigada a reter tributo  ou  contribuição,  no  caso  de  falta  de  retenção  ou  recolhimento,  ou  recolhimento após o prazo fixado,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  Lei no 10.426, de 24 de abril de  2002:  Art.  9o  Sujeita­se  à  multa  de  que trata o inciso I do caput do  art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro  de  1996,  duplicada  na  forma  de  seu  §  1o,  quando  for  o  caso,  a  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  imposto  ou  contribuição no caso de falta de  retenção  ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.   Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH     8  Redação original  Redação dada pela MP no 351,  de 2007, convertida na Lei no  11.488, de 2007  cabíveis.  Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida,  ou  que  for  recolhida após o prazo fixado.    Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida ou  recolhida, ou que  for  recolhida após o prazo fixado.  (...)  Acrescente­se  que,  encontra­se  pacificado  neste  Conselho,  o  entendimento, ao qual me filio, de que quando existe previsão de  tributação  na  fonte,  a  título  de  antecipação  do  imposto  devido  pelo beneficiário dos rendimentos, e a ação fiscal for instaurada  após  o  encerramento  do  ano­calendário  ou  do  período  de  apuração  do  fato  gerador,  incabível  a  constituição  de  crédito  tributário  através  do  lançamento de  imposto  de  renda na  fonte  na  pessoa  jurídica  pagadora  dos  rendimentos. Em  suma,  nesse  caso,  o  rendimento  deveria  ser  tributado  pelo  beneficiário  do  rendimento, exigindo­se da fonte pagadora a multa de ofício de  forma isolada, prevista no art. 9o da Lei no 10.426, de 2002.   Na situação em cotejo, estamos verificando multa contra a fonte  pagadora por não ter realizado a obrigação de reter na fonte os  valores prescritos na  lei. Deste modo não há que se mencionar  que  essa  multa  perde  fundamento  com  o  oferecimento  a  tributação  do  beneficiário.  As  obrigações  são  distintas,  um  de  pagamento do tributo e outra a da necessidade de retenção. No  caso  concreto  está  se  imputando a  recorrente  a multa  por  não  ter retido, e não pela ausência de pagamento.  Portanto,  a  multa  exigida  isoladamente,  em  razão  da  falta  de  retenção  do  IRRF, possui com fundamento legal o art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, c/c o  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.  Esse  entendimento  possui  precedentes neste Órgão Administrativo, consoante as ementas transcritas:  VERIFICAÇÃO  DA  FALTA  APÓS  ENCERRAMENTO  DO  PERÍODO DE APURAÇÃO – MULTA  ISOLADA  ­ PREVISÃO  LEGAL ­ Somente com a edição da Medida Provisória nº 16, de  27/12/2001,  publicada  no D.O.U  de  28/12/2001,  convertida  na  Lei nº. 10.426, de 2002 é que passou a existir previsão legal para  a  cobrança  de  multa  isolada  da  fonte  pagadora  pela  falta  de  retenção  de  imposto  de  renda  sob  a  sua  responsabilidade,  quando  a  constatação  da  falta  ocorre  após  o  encerramento  do  período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os  rendimentos  à  tributação.  Tal  multa  será  calculada  sobre  a  totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de  ser retida, sem o reajustamento da base de cálculo. (Acórdão no  106­16798, de 06/03/2008).  FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE  IMPOSTO  DE  RENDA  PELA  FONTE  PAGADORA  ­  IMPOSTO  POR  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/2007­15  Acórdão n.º 2201­002.343  S2­C2T1  Fl. 6          9 ANTECIPAÇÃO ­ MOMENTO DE VERIFICAÇÃO DA FALTA ­  MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA ­ PREVISÃO LEGAL  ­  Somente  com  a  edição  da  Medida  Provisória  nº.  16,  de  27/12/2001,  publicada  no D.O.U  de  28/12/2001,  convertida  na  Lei  nº.  10.426,  de  2002,  é  que  passou  a  existir  previsão  legal  para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora, pela falta  de  retenção  ou  recolhimento  de  imposto  de  renda  sob  a  sua  responsabilidade, quando a  constatação da  falta ocorre após o  encerramento  do  período  de  apuração  no  qual  o  beneficiário  deveria oferecer os rendimentos à  tributação. (Acórdão no 104­ 21857, de 20/09/2006)  No caso dos autos, como a ação fiscal foi instaurada após o encerramento do  período de apuração do fato gerador, não é cabível o lançamento de imposto de renda na fonte  na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos.   Dessarte, havendo previsão legal, não há que se afastar a aplicação da multa  isolada.  Nessa  conformidade,  voto  por  acolher  os  Embargos  de  Declaração  para,  sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201­002.255, de 19/09/2013, alterar a decisão  original no sentido de negar provimento ao recurso.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                           Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH

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